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<p>Seminário II - Suspensão Da Exigibilidade do Crédito Tributário, Mandado de Segurança e Tutelas Provisórias</p><p>Aluna: Bruna Macedo</p><p>1. No art. 151 do CTN, que significa o termo “exigibilidade”? Quando surge essa “exigibilidade”? E qual o efeito da suspensão da exigibilidade? Impede-se (i) o lançamento, (ii) a inscrição na dívida ativa, (iii) a execução fiscal; (iv) todos estes atos? (Vide anexos I a IV).</p><p>Como sabido, o lançamento tributário configura um ato administrativo. Dessa forma, tratando-se de ato da Administração Pública, o lançamento tem, como prerrogativas, a imperatividade, a presunção de legitimidade e a exigibilidade. A exigibilidade consiste na prerrogativa da Administração Pública de poder cobrar a prestação introduzida no ordenamento pelo ato administrativo.</p><p>Sendo assim, caso a prestação não seja cumprida/paga, a autoridade administrativa terá o poder e o dever de cobrá-la. Sobre esse assunto ensina Maria Leonor Leite Vieira[footnoteRef:1]: “se não cumprida a prestação, fica a autoridade administrativa credenciada a praticar outro ato, inscrevendo a dívida como ativa, e requerendo a intervenção do Poder Judiciário para que aquele crédito seja liquidado, isto é, para que o dever jurídico do sujeito passivo seja exigido, sob pena de comprometimento de bens patrimoniais, o que é cuidado pela matéria instrumental, ou processual”. [1: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, p. 33.]</p><p>Contudo, apesar de entender que esse é o conceito correto de exigibilidade, o art. 151 do CTN traz hipóteses de suspensão da exigibilidade cuja concretização pode dar-se antes de ter-se iniciado o período de exigibilidade do crédito. São exemplos a reclamação e recursos administrativo ou a medida liminar em Mandado de Segurança Preventivo. No caso das reclamações e recursos administrativos o crédito ainda não é exigível, uma vez que ainda não se deu o vencimento da prestação tributária. E, quando a liminar em Mandado de Segurança preventivo, o crédito nem chegou a nascer.</p><p>A exigibilidade do crédito tributário, como já dito anteriormente, surge quando há o vencimento do prazo para pagamento do tributo. O efeito da suspensão da exigibilidade é justamente na impossibilidade das autoridades administrativas tomarem providências necessárias para cobrar o crédito tributário do contribuinte. Nesse mesmo sentido entende a professora Fabiana Del Padre Tomé[footnoteRef:2]: [2: https://www.noeses.com.br/2014/09/29/exigibilidade-do-credito-tributario-amplitude-e-efeitos-de-sua-suspensao-por-fabiana-del-padre-tome/]</p><p>Como se vê, a exigibilidade não surge lógica e cronologicamente no mesmo instante em que o ato administrativo passa a existir no ordenamento: para que o sujeito ativo possa tomar as providências necessárias à cobrança do crédito tributário é imprescindível que se tenha operado o vencimento da prestação tributária. Somente quando concretizado esse fator estará o Fisco habilitado a cobrar o crédito tributário, mediante inscrição do débito na Dívida Ativa e o consequente ajuizamento da execução fiscal.</p><p>Por mim, em conformidade com o raciocínio acima disposto, entendo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento do tributo, uma vez que, como dito, ela tem o efeito de impossibilitar as autoridades administrativas de tomarem providências necessárias para cobrar o crédito tributário do contribuinte, mas não de lançá-lo. No mais, entendo que a suspensão da exigibilidade impede a inscrição em dívida ativa, uma vez que essa é medida para cobrança do crédito e, consequentemente, se não há inscrição em dívida ativa, não poderá haver execução fiscal.</p><p>2. As hipóteses de “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” previstas no art. 151 do CTN são taxativas? (Vide anexo V)</p><p>Essa é uma questão controversa. Apesar de achar que a jurisprudência ainda entende o rol do art. 151 do CTN como taxativo, há situações, como citarei a seguir, que configuram outra hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.</p><p>Conforme o precedente trazido pelo anexo V, que diz que “quando formulada consulta fiscal antes da constituição do crédito tributário, suspende-se a exigência tributária, os juros e a multa até que haja resposta administrativa”.</p><p>Contanto, sigo o posicionamento de que o rol do art. 151 do CTN é taxativo, entendendo que a hipótese criada por essa jurisprudência não suspende a exigibilidade do crédito, mas sim a sua constituição, tratando-se de instituto diverso às hipóteses previstas no art. 151 do CTN.</p><p>3. Considerando que não houve alteração nos art. 151 do CTN, pergunta-se:</p><p>a) A equiparação, prescrita pelo §2º do art. 835 do CPC/15, a dinheiro da fiança bancária e do seguro garantia, tem o condão de consagrar a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no art. 151, II, do CTN? Quais os efeitos jurídicos causados pela apresentação de fiança bancária ou seguro garantia em processo judicial que discute a relação jurídica tributária?</p><p>Não, levando em consideração a minha interpretação de que o rol do art. 151 é taxativo, entendo que a equiparação, prescrita pelo §2º do art. 835 do CPC/15, a dinheiro da fiança bancária e do seguro garantia, não tem o condão de consagrar a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Dessa forma, caso o contribuinte apresente fiança bancária ou seguro garantia em processo judicial, ele estará apenas garantindo o débito, mas não estará suspendendo a sua exigibilidade (a não ser que haja decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, em sede de liminar, por exemplo).</p><p>Dessa forma, ainda que esses instrumentos sejam legítimos para a garantia do processo judicial, não autorizam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não evitam que a CDA seja levada a protesto, por não se equipararem ao depósito integral e em dinheiro.</p><p>b) As espécies de tutela provisória, identificadas segundo o fundamento do pedido, se de urgência ou de evidência, previstas no CPC/15 se aplicam ao Processo Tributário? Tais medidas têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário?</p><p>Sim. De acordo com o próprio rol trazido no art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar, que entendo que se estende às tutelas provisórias (tanto de urgência como de evidências), tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário:</p><p>Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:</p><p>(...)</p><p>IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.</p><p>V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;</p><p>Nesse sentido, as tutelas provisórias, que podem ser concedias mediante urgência ou por evidência, tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário e, portanto, assumem natureza cautelar.</p><p>Nesse sentido, entende o professor Rodrigo Dalla Pria[footnoteRef:3]: [3: Pria, Rodrigo Dalla Direito processual tributário/ Rodrigo Dalla Pria. - 1. ed. - São Paulo: Noeses, 2020, p. 260.]</p><p>Dessa forma, verificados os requisitos prescritos no art. 300, caput, do CPC – probabilidade do direito e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, a concessão de tutela provisória de urgência se mostra plenamente viável no contexto das ações declaratórias negativas. O mesmo pode ser dito acerca da possibilidade de concessão de tutela provisória de evidência, bastando, parta tanto, que uma das situações prescritas nos incisos do art. 311 do CPC restem verificadas.</p><p>4. Sobre o depósito judicial efetuado nos autos de um mandado de segurança preventivo, portanto, impetrado antes da constituição do crédito tributário, pergunta-se:</p><p>a) Trata-se de faculdade do contribuinte? Sim, o oferecimento de depósito judicial no caso de Mandado de Segurança preventivo é opcional. Contudo, caso o contribuinte esteja na iminência de ser autuado e não deseje esperar pela apreciação de medida liminar, é ideal que ele proceda com o depósito judicial, para que o crédito tributário se encontre com a exigibilidade suspensa, caso venha a ser lançado ou caso seja lançado por homologação.</p><p>b) Há distinção entre depósito judicial para fins do art. 151, II do CTN e prestação de caução?</p><p>Entendo que sim. Enquanto o depósito judicial, verdadeira hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem o condão de, automaticamente suspender a a exigibilidade do crédito tributário, a prestação de caução não tem esse efeito, se restringindo a atua como garantia do débito, sem necessariamente suspender a exigibilidade do crédito tributário, a não ser que haja decisão liminar nesse sentido. Explica-se.</p><p>Nos casos em que o contribuinte requer decisão em sede de liminar, a prestação de caução pode atuar como uma contracautela, a fim de que seja concedida a medida liminar sem risco de dano ao Fisco, por exemplo. Dessa forma, a apresentação de caução não estará sendo oferecida para promover a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas sim como condição para a concessão de medida liminar. Nesse sentido, leciona o professor Rodrigo Dalla Pria[footnoteRef:4]: [4: Pria, Rodrigo Dalla Direito processual tributário/ Rodrigo Dalla Pria. - 1. ed. - São Paulo: Noeses, 2020, p. 454.]</p><p>Com efeito, nos casos em que estiverem presentes as condições de concessão da liminar e, ainda, restar demonstrado o risco de dano à pessoa jurídica titular da relação jurídico- -tributária objeto do mandado de segurança, não há qualquer impedimento legal à concessão da liminar mediante a prestação de contracautela nas modalidades caução ou fiança, situação em que as garantias fidejussórias em comento não serão concedidas com o intuito de promover a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas como condição para a concessão de medida liminar – expressamente prevista no art. 7º, inciso III, in fine, da Lei 12.016/2009 –, esta sim produtora dos indigitados efeitos suspensivos.</p><p>Importante ressaltar, nesse tocante, que, tratando-se de contracautela, não é preciso que o valor da garantia seja, necessariamente, idêntico ao do débito questionado no mandado de segurança, muito menos que o objeto da garantia esteja expressamente previsto no rol do art. 151 do CTN. O que se exige, tão somente, é que a garantia seja idônea e capaz de suplantar o risco de dano, o qual deve ser aferido, caso a caso, pelo Poder Judiciário.</p><p>c) O levantamento do depósito judicial vincula-se ao êxito (com trânsito em julgado) da ação proposta pelo contribuinte ou o juiz pode a qualquer tempo autorizar o levantamento? (Vide anexo VI)</p><p>De acordo com o art. 1º, § 3º, incisos I e II, da Lei n 9.703/98, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, o valor do depósito somente poderá ser levantado em favor do depositante (contribuinte) quando a sentença lhe for favorável ou na proporção que for:</p><p>Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, específico para essa finalidade.</p><p>§ 1o O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União.</p><p>§ 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais.</p><p>§ 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será:</p><p>I - devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou</p><p>II - transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional.</p><p>Além disso, o art. 32, § 2º da LEF também prevê que apenas após o trânsito em julgado o depósito será devolvido para o depositante ou entregue à Fazenda Pública:</p><p>Art. 32 - Os depósitos judiciais em dinheiro serão obrigatoriamente feitos:</p><p>(...)</p><p>§ 2º - Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente.</p><p>Esse é o entendimento da jurisprudência do STJ:</p><p>EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXIGÍVEIS. LEVANTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL.</p><p>1. Tendo sido realizado com o fim de suspensão da exigibilidade de créditos tributários, os depósitos só podem ser levantados pelo contribuinte/responsável após o trânsito em julgado de sentença que os reconheça inexigíveis, servindo, até lá, como antecipação de garantia dos créditos. E, no caso de improcedência do pedido ou extinção do processo, sem resolução do mérito, o depósito deve ser convertido em renda do ente federado, após o trânsito em julgado. Precedentes</p><p>(...) 3. No caso dos autos, porque não há a sentença afastando a exigibilidade dos créditos tributários englobados pelos depósitos judiciais, inviável o levantamento pela parte impetrante. 4. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO</p><p>(...)</p><p>AgInt nos EDcl nos EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1450427 | 2014/0094217-6, Órgão: STJ, Relator: benedito goncalves, Publicado em 04/05/2021.</p><p>RECURSO ESPECIAL Nº 2111720 - SC (2023/0422621-0) RELATOR RECORRENTE RECORRIDO ADVOGADO : MINISTRO SÉRGIO KUKINA : FAZENDA NACIONAL : COMERCIAL ELETRICA SAO PEDRO LTDA : TARCÍSIO DE MEDEIROS - SC017563 DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 46): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LIBERAÇÃO. LEVANTAMENTO DE VALORES.</p><p>1. O depósito judicial destinado a suspender a exigibilidade do crédito tributário somente poderá ser levantado, ou convertido em renda, após o trânsito em julgado da sentença (súm. 18 do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. (...)</p><p>RECURSO ESPECIAL Nº 2111720 | 2023/0422621-0, Órgão: STJ, Relator: SÉRGIO LUIZ KUKINA, null, Publicado em 29/11/2023.</p><p>Dessa forma, o levantamento de depósito judicial está vinculado ao êxito do contribuinte, pois, do contrário, a Fazenda estará autorizada a converter, os valores depositados, em renda. Há exceção apenas quando tratar-se de Mandado de Segurança preventivo, uma vez, não tendo sido constituídos os créditos tributários, não há exigibilidade para suspender, sendo possível que o contribuinte levante os valores depositados caso desista da ação.</p><p>d) O impetrante pode desistir do mandado de segurança e pedir o levantamento do depósito? Ao responder, relembre-se do que respondeu na letra “a)” a respeito da facultatividade ou não do depósito.</p><p>Tratando-se de mandado de segurança preventivo, entendo que, em virtude do crédito ainda não está constituído e por se tratar de faculdade do contribuinte, caso seja homologada a desistência, o contribuinte poderá requerer o levantamento do depósito, visto que ainda não há débito constituído a pagar. Contudo, caso, no decorrer da ação, o crédito tributário já tenha sido constituído, servindo o depósito como garantia, entendo que não será possível ao contribuinte levantar os valores depositados.</p><p>5. Identifique a diferença entre tutela antecipada e tutela cautelar. É possível a concessão de tutela provisória antecipada em mandado de segurança? Ou em mandado de segurança tão somente é admissível medidas provisórias de natureza cautelar?</p><p>A tutela antecipada e a tutela cautelar são tutelas provisórias de urgência,</p><p>que se distinguem pelos seguintes fundamentos: enquanto a tutela de natureza antecipatória tem conteúdo similar à tutela jurisdicional que satisfaria a pretensão do autor, a tutela de natureza cautelar se limita a garantir a eficácia material da tutela jurisdicional comum pretendida. Em outras palavras, a tutela antecipada produz norma de direito material que se mostra capaz de proporcionar ao seu beneficiário o gozo imediato dos efeitos da tutela jurisdicional comum pretendida, enquanto a tutela cautelar serve somente para garantir que a tutela jurisdicional pretendida tenha eficácia ao final do processo[footnoteRef:5]. [5: CANTANHEDE, Luís Claudio Ferreira. A ESTABILIZAÇÃO DA TUTELA PROVISÓRIA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA – UM ENSAIO SOBRE SEU CABIMENTO NAS DEMANDAS PREVENTIVAS, p. 772 e 773.]</p><p>Uma das principais diferenças entre os regimes, portanto, está no efeito “estabilizador” da eficácia emanada pelo provimento antecipatório, uma vez que caso a tutela provisória de natureza antecipada concedida não seja objeto de recurso da parte demandada, seus efeitos estabilizar-se-ão, conforme dispõe o art. 304 do CPC[footnoteRef:6]. [6: Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso.]</p><p>Nesse sentido leciona o professor Rodrigo Dalla Pria[footnoteRef:7]: [7: Pria, Rodrigo Dalla Direito processual tributário/ Rodrigo Dalla Pria. - 1. ed. - São Paulo: Noeses, 2020, p. 205.]</p><p>Com efeito, ter-se-á tutela cautelar quando a providência material pretendida pela parte for capaz de estancar o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo sem que, para tanto, antecipe os efeitos materiais nucleares (pedido mediato) da tutela jurisdicional principal pretendida. De outro lado, verificar-se-á tutela antecipada quando a providência material pretendida corresponda, total ou parcialmente, ao núcleo da tutela principal deduzida, isto é, satisfaça o direito material invocado. Assim, a distinção conceitual (jurídico-positiva) entre os fenômenos da cautelaridade e da antecipatoriedade está intimamente relacionada à forma como o provimento se relaciona com a pretensão material de fundo, isto é, à possibilidade ou não de se verificar, no conteúdo da tutela de provisória, aspectos atinentes ao núcleo da tutela principal pretendida (declaratória, constitutiva, condenatória ou mandamental).</p><p>Dito isso, entendo que em sede de Mandado de Segurança é sim admissível medida provisória de natureza antecipatória. A concessão da tutela provisória antecipada no mandado de segurança encontra respaldo no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que permite ao juiz conceder a liminar em mandado de segurança quando houver fundamento relevante e o ato impugnado puder resultar na ineficácia da medida, caso seja deferida apenas ao final do processo.</p><p>6. A partir da vigência do CPC/15 foi instituído um novo fundamento para a concessão de tutela provisória, a evidência do direito, tal como preveem os arts. 294 e 311.</p><p>Pergunta-se: É cabível o requerimento de liminar em mandado de segurança fundada na evidência do direito a partir da vigência do CPC/15? Ou diante das disposições da Lei Federal n. 12.016/09, apenas é cabível o requerimento de liminares fundadas em urgência, a outra espécie de tutela provisória prevista no CPC/15?</p><p>Entendo que sim, é cabível o requerimento de liminar em mandado de segurança fundado em tutela de evidência. Apesar de a Lei Federal nº 12.016/09, que disciplina acerca do Mandado de Segurança, em seu art. 7º prever que é cabível medida liminar quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, entendo que a Lei Federal não deve ser observada de forma apartada, mas sim em conjunto com o CPC.</p><p>Como sabido, o Código de Processo Civil de 2015 trouxe um novo tipo de tutela provisória, inaugurando a “tutela de evidência”. A tutela de evidência, é tutela de caráter provisório e, assim como a tutela de urgência, pode ser concedida em caráter liminar, como acontece no Mandado de Segurança.</p><p>A tutela de evidência independerá da comprovação de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, exigindo apenas a satisfação de qualquer um dos seguintes requisitos: 1) caracterização de abuso do direito de defesa 2) caracterização de manifesto propósito protelatório do réu; 3) comprovação documental das alegações de fato e existência de tese firmada em sede de julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; 4) a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Nas hipóteses 3 e 4 o juiz poderá decidir liminarmente, diz o parágrafo único, do art. 311 do CPC.</p><p>Dessa forma, portanto, há uma exceção à medida liminar “clássica” do Mandado de Segurança, na qual seria necessária a comprovação do periculum in mora (ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida).</p><p>Contudo, como dito anteriormente, entendo que lei de regência do mandado de segurança não deve ser interpretada sozinha, mas em contexto com o CPC/2015, motivo pelo qual, inaugurada novo tipo de tutela provisória, esta também pode ser utilizada como fundamento para medida liminar, desde que preenchidos os requisitos.</p><p>7. Antes de responder a esta pergunta retome a distinção entre tutela antecipada e tutela cautelar tal como colocada na resposta à questão “4.”. Fixados esses conceitos, responda à seguinte pergunta: diante do novo cenário das tutelas provisórias do código de processo civil de 2015, a ordem judicial suspensiva da exigibilidade da obrigação tributária, tenha fundamento na urgência ou na evidência, assume natureza antecipada ou cautelar?</p><p>Entendo que natureza cautelar. Como definido na questão de número 5, enquanto a tutela de natureza antecipatória tem conteúdo similar à tutela jurisdicional que satisfaria a pretensão do autor, a tutela de natureza cautelar se limita a garantir a eficácia material da tutela jurisdicional comum pretendida. Em outras palavras, a tutela antecipada produz norma de direito material que se mostra capaz de proporcionar ao seu beneficiário o gozo imediato dos efeitos da tutela jurisdicional comum pretendida, enquanto a tutela cautelar serve somente para garantir que a tutela jurisdicional pretendida tenha eficácia ao final do processo.</p><p>Explico. Entendo que, ao entrar com a ação judicial, o contribuinte irá pretender, através da tutela jurisdicional comum, a extinção da relação jurídico-tributária com o Fisco ou, nos casos das preventivas, a impossibilidade da constituição da relação, e não a mera suspensão, provisória, da exigibilidade do crédito.</p><p>Dessa forma, a ordem judicial que suspender a exigibilidade do crédito tributário não estará garantindo, ao contribuinte, o gozo imediato dos efeitos da tutela jurisdicional comum pretendida (que seria a extinção da relação jurídico-tributária ou a declaração da impossibilidade da sua constituição), mas apenas a suspensão da exigibilidade do crédito, que é, em sua natureza, medida de natureza cautelar para garantir que a tutela jurisdicional pretendida tenha eficácia ao final do processo.</p>

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