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<p>1</p><p>163</p><p>ENEM</p><p>Exasiu</p><p>Exasiu</p><p>EXTENSIVO</p><p>HB: do Império à República</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>AULA 15</p><p>estretegiavestibulares.com.br</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>2</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Sumário</p><p>Introdução .......................................................................................................................... 3</p><p>1. A busca pela estabilidade política ........................................................................... 6</p><p>1.1 - A construção simbólica do Imperador e da Nação .................................................... 13</p><p>2. Modernização e Expansão econômica do café .................................................. 16</p><p>2.1 - O café como eixo econômico do país ........................................................................ 17</p><p>2.2 - Transformações do trabalho: fim da escravidão e imigração ..................................... 20</p><p>2.3 - A mão de obra imigrante ............................................................................................ 22</p><p>3.A política externa e os Antecedentes da Crise ................................................... 27</p><p>3.1 - Questões com a Inglaterra ......................................................................................... 28</p><p>3.2 - Guerra do Paraguai e a questão do Rio do Prata ....................................................... 29</p><p>4. Crise do Império ........................................................................................................ 36</p><p>4.1 - O Movimento Abolicionista e o problema da mão de obra ....................................... 41</p><p>4.2 - O Movimento Republicano ......................................................................................... 46</p><p>5. Enfim, a Proclamação da República ...................................................................... 52</p><p>5.1 - Série questões (militar e religiosa) .............................................................................. 52</p><p>5.2 - A Proclamação da República: o 15 de Novembro ...................................................... 55</p><p>6. Lista de Questões ...................................................................................................... 58</p><p>7. Gabarito ....................................................................................................................... 89</p><p>8. Questões comentadas .............................................................................................. 90</p><p>9. Considerações Finais .............................................................................................. 162</p><p>Profe Ale Lopes</p><p>HB: do Império à República</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>3</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Queridas e Queridos Alunos,</p><p>Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma aula. É sempre um grande prazer compartilhar</p><p>com vocês nosso trabalho e participar dessa batalha dura e constante na luta pela conquista da</p><p>sua vaga na Universidade.</p><p>Esta é a última aula sobre o período imperial brasileiro. Quero lhes dizer que esse assunto</p><p>cai com recorrência nas provas, sobretudo, quanto aos assuntos trabalho, imigração e política.</p><p>Não me canso de afirmar, para você toda questão de história é imperdível! Você precisa</p><p>estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”.</p><p>Vamos seguir juntos!</p><p>Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah,</p><p>não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!!</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Nesta aula estudaremos o período do Segundo Reinado (1840-1889). Esse longo período</p><p>costuma ser estudado em três eixos:</p><p>•Busca pela</p><p>estabilidade</p><p>política</p><p>1840-1850</p><p>•Modernização e</p><p>Expansão</p><p>econômica</p><p>1850-1870</p><p>•A crise do</p><p>Segundo Reinado:</p><p>desagregação da</p><p>forma de Governo</p><p>1870-1889</p><p>1840</p><p>1870</p><p>1889</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>4</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>O Segundo Reinado sucedeu o conturbado Período Regencial marcado por disputas de</p><p>poder entre os grupos políticos e, sobretudo, por crises e revoltas provinciais. Além disso, o</p><p>cenário econômico não era nada favorável. Dessa forma, a saída encontrada pelos liberais, apoiada</p><p>por alguns conservadores, foi antecipar a maioridade de Dom Pedro II e alçá-lo ao trono.</p><p>A campanha da maioridade ganhou as ruas do Rio de Janeiro com as chamadas</p><p>“quadrinhas”, versinhos que se colocavam favoráveis ou críticos à coroação antecipada do jovem</p><p>D. Pedro II. Vale a pena repetir uma delas aqui:</p><p>“Queremos Pedro Segundo</p><p>Embora não tenha idade</p><p>A nação dispensa a lei</p><p>e viva a Maioridade.”</p><p>GOLPE DA MAIORIDADE. In: VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil imperial.</p><p>Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. pp 312 a 313.</p><p>Para muitos membros da elite letrada da época, a antecipação da maioridade de D. Pedro</p><p>II, na época com 14 anos de idade, era a única solução para pacificar as revoltas que assolavam o</p><p>território brasileiro durante os governos regenciais. Isso porque, D. Pedro II como novo imperador</p><p>reestabeleceria uma monarquia centralizada, sem fragmentações.</p><p>Dessa maneira, em 24 de julho de 1840 foi aprovado o Golpe da Maioridade, seguido pelo</p><p>anúncio do novo gabinete liberal que ficaria conhecido como “ministério dos irmãos” por ser</p><p>composto pelos irmãos Andrada (Antônio Carlos e Martim Francisco) e os irmãos Cavalcanti</p><p>(Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti), além do líder da campanha maiorista na Corte,</p><p>Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho.</p><p>Nesse contexto, os desafios para o “rei menino” eram grandes: estabilizar o regime e</p><p>apaziguar os conflitos provinciais, amenizar as disputas entre os grupos políticos e fortalecer a</p><p>economia brasileira. Contudo, caros alunos, os acontecimentos internacionais corriam mais</p><p>depressa do que uma parte da aristocracia brasileiras gostaria.</p><p>Quero lembra-los de que o Século XIX – ou o longo século XIX, como denominou o</p><p>historiador Eric Hobsbawm1 em sua trilogia sobre o século XIX – é o cenário da derrocada</p><p>internacional do Velho Mundo, chamado de Antigo Regime, dominado pelas Monarquias</p><p>Absolutistas e justificadas pela teoria do direito divino do Rei, pelo modelo econômico agrário-</p><p>mercantil e pela inexistência da ideia de soberania popular.</p><p>Sobre os escombros desse Velho Mundo se edificou outro: o Novo Mundo Capitalista</p><p>estruturado sobre o ideário iluminista da liberdade, da igualdade e da fraternidade e, sobretudo,</p><p>pela noção de livre-comércio.</p><p>1 A trilogia é composta dos seguintes livros: A Era das Revoluções (1789-1848); A Era do Capital (1848-</p><p>1975), A Era dos Impérios (1875-1914). Todos da Editora Paz e Terra.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>5</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Assim, os acontecimentos e fenômenos desse longo período contribuíram para a</p><p>formatação do mundo contemporâneo. A linguagem novecentista parece a de um arquiteto que</p><p>edifica o Novo Mundo. Contudo, nada se constrói do nada, por isso essa edificação se deu sobre</p><p>os escombros do Velho Mundo que não se sustentava mais frente às mudanças resultantes dos</p><p>novos elementos surgidos ao longo do século XIX.</p><p>Nesse cenário internacional, o Brasil permanecia como uma ilustração do Velho Mundo, pois sua</p><p>estrutura política estava baseada no patrimonialismo da aristocracia fundiária sob o Governo</p><p>Monárquico, com uma economia escravista e agroexportadora, com direitos que se acessavam</p><p>apenas por meios censitários (só para quem tinha dinheiro). Assim, o regime monárquico brasileiro</p><p>tendeu a enfraquecer conforme as transformações internacionais refletiam em território nacional.</p><p>O melhor caso para entender o que estou falando é a questão da escravidão.</p><p>do Brasil tiveram atritos com o governo</p><p>imperial, por discordar de certas políticas econômicas, fiscais e institucionais, ou seja, pautas</p><p>relacionadas a maior autonomia econômica e política. Veja, em geral, o governo imperial</p><p>beneficiava muito mais um seleto grupo de poderosos e ricos fazendeiros e empresários de</p><p>regiões do país mais interessantes para si. Quem ficava de fora, ficassem sem verbas estatais</p><p>para projetos locais, frequentemente eram mais taxados e tinham pouco espaço para</p><p>reclamações ou questionamentos nas vias institucionais. O próprio resultado do processo de</p><p>abolição, em 1888 é um exemplo dessa dinâmica. Ao longo do Segundo Reinado, a</p><p>monarquia se projetara com o apoio da elite cafeeira e escravocrata em ascensão e, ao</p><p>assinar a Lei Áurea para cooptar o apoio popular, perdeu a aliança dos cafeicultores e todos</p><p>os escravocratas remanescentes nas oligarquias mais poderosas. O que a família imperial não</p><p>esperava que o apoio popular não estava tão garantido quanto havia imaginado. O</p><p>republicanismo era forte em diferentes partes importantes do país e agora contava com o</p><p>apoio dos ex-senhores enfurecidos com a abolição sem indenização à eles.</p><p>c) Incorreta. Como mencionei acima, a relação entre a monarquia e as diferentes elites</p><p>regionais variava. Aquelas que se sentiam preteridas na divisão do poder e dos privilégios</p><p>comumente aderia a movimentos revoltosos, não raro de caráter republicano. Lembre-se das</p><p>várias revoltas em Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul ao longo do século XIX, apenas</p><p>para citar algumas. Nas décadas de 1870 e 1880, o republicanismo estava ainda mais popular.</p><p>Crescia principalmente em São Paulo onde se misturava com o abolicionismo.</p><p>d) Incorreta. Na verdade, esses avanços não tiveram resultados duradouros. O Segundo</p><p>Reinado viveu apenas um curto período de relativa estabilidade entre os anos 1850 e meados</p><p>da década de 1860. A expansão do café possibilitou operar a modernização da economia,</p><p>por meio de reformas fiscais, empréstimos com bancos ingleses e a substituição de</p><p>importações. No entanto, uma série de crises diplomáticas com a Igreja Católica, Inglaterra</p><p>e outros países sul-americanos, a monarquia sofreu um grande desgaste político, além de se</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>36</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>endividar profundamente. Não se esqueça que as revoltas escravas e o abolicionismo</p><p>cresciam enquanto isso. Como já disse, em alguns lugares essas pautas se misturavam com</p><p>o republicanismo, o que contribuiu para o maior questionamento sobre a permanência da</p><p>monarquia no poder.</p><p>e) Incorreta. Na realidade, os cafeicultores dependiam da mão de obra escravizada, assim</p><p>como a monarquia dependiam deles para manter a estabilidade do governo. Por isso mesmo</p><p>quando a Princesa Regente assinou a Lei Áurea, a família imperial perdeu o apoio dos</p><p>cafeicultores, que aderiram ao republicanismo em massa. Não à toa, pouco mais de um ano</p><p>depois, em 15 de novembro de 1889, muitos deles apoiaram o golpe dos militares que</p><p>proclamou a república.</p><p>Gabarito: B</p><p>4. CRISE DO IMPÉRIO</p><p>A crise do regime monárquico é, de certa forma, resultado das transformações que</p><p>ocorreram a partir da segunda metade do século XIX. Muitas demandas novas foram surgindo e,</p><p>em geral, aquele regime aristocrático e escravocrata não dava mais conta de organizar a</p><p>sociedade.</p><p>Como já vimos nesta aula, desde a segunda metade do século XIX, ocorreu o florescimento</p><p>da produção cafeeira, a qual impulsionava importantes mudanças internas, como a expansão da</p><p>malha ferroviária e, com ela, a urbanização e o crescimento das cidades. A verdade é que o café</p><p>gerou uma diversificação das atividades econômicas – como no sistema produtivo, nos</p><p>transportes, no sistema bancário e financeiro (como a Bolsa do Café, em Santos-SP).</p><p>Em meados do século XIX, houve mudanças na forma de produzir e de distribuir riqueza no</p><p>Brasil. Até então, a predominância tradicional de acúmulo de riqueza estava na propriedade de</p><p>escravos e de terras (independentemente se produtivas ou não). A partir de 1870 ocorre uma</p><p>mudança importante nessa composição. O grande capital é acumulado por força dos ativos de</p><p>produção e de circulação do café.</p><p>Com o declínio do tráfico de escravos – fruto da pressão internacional e de movimentos</p><p>abolicionistas nacionais – os proprietários de terra e o governo Imperial se viram diante de um</p><p>dilema: como conseguir trabalho assalariado?</p><p>A cultura escravagista presente no país combinada com a influência da teoria darwinismo</p><p>social logo descartou a possibilidade de transformar o negro escravo em trabalhador assalariado.</p><p>Por isso, uma parte da elite econômica, apostou nos imigrantes.</p><p>O professor Renato Perissinoto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>37</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“Esse processo de transformação na composição dos ativos mais importantes [café e</p><p>trabalho assalariado] revela a ascensão de formas de riqueza mais modernas na medida</p><p>em que se torna mais diversificada e complexa a economia cafeeira”9.</p><p>Nesse cenário, a estratificação social se torna mais complexa, pois surge o trabalhador livre</p><p>da cidade, a classe média, o comerciante, o banqueiro, entre outros. O cafeicultor se moderniza</p><p>e vai buscar nas atividades bancárias, financeiras, e até industriais, a possibilidade de expansão</p><p>dos seus negócios, como explica a economista Zélia Maria Cardoso de Mello10. Assim, é possível</p><p>afirmar que a mudança na estrutura econômica gerou uma alteração na estrutura social brasileira.</p><p>Entenderam?</p><p>Esses novos atores, nesse novo cenário, surgidos dessa diversificação econômica, estavam</p><p>mais abertos a incorporar as ideias liberais que chegavam pela força da experiência histórica do</p><p>contexto mundial (EUA, Inglaterra e França).</p><p>Com efeito, foram esses personagens, especialmente os cafeicultores, que iniciaram a</p><p>pressão sobre o Governo Monárquico de Dom Pedro II no sentido de exigir reformas e</p><p>transformações políticas e administrativas para adaptar o Estado brasileiro aos novos tempos de</p><p>dinamismo no mercado internacional e na demanda interna.</p><p>Quanto mais o tempo passava, mais a exigência por mudanças se ampliava. Como resposta,</p><p>a Monarquia de Dom Pedro II apresentou alternativas via reformas para tentar conter ideias</p><p>republicanas, as quais, na prática, chocavam-se com o governo monárquico. Um pouco antes de</p><p>1889, o Ministro do Império, Visconde de Outro Preto, apresentou um programa de reformas que</p><p>incluía:</p><p>9 Classes dominantes e hegemonia na República Velha. Ed. da Unicamp, 1994.</p><p>10 Metamorfoses da riqueza. São Paulo 1845-1895. Ed. Hucitec/Secretaria Municipal de Cultura de São</p><p>Paulo, 1985.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>38</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Em 1881 o governo brasileiro aprovou uma reforma eleitoral introduzindo duas mudanças</p><p>que restringiram ainda mais os direitos políticos no país:</p><p>a substituição da eleição em dois turnos pelo voto direito, o que eliminava a distinção</p><p>existente até então entre votantes (escolhiam os eleitores) e eleitores (escolhiam os</p><p>deputados);</p><p>a proibição do voto do analfabeto. Vale a pena relembrar como eram as eleições</p><p>antes da aprovação da reforma:</p><p>I- Concessão de autonomia às províncias e aos</p><p>Ministros;</p><p>II- Estabelecimento de temporalidade no Senado,</p><p>pois o cargo de Senador era vitalício (o político era</p><p>eleito Senador e ficava no cargo até morrer);</p><p>III- Criação e créditos para fornecer recursos ao</p><p>comércio e, principalmente, à lavoura.</p><p>IV- Sistema eleitoral não censitário.</p><p>1° turno:</p><p>Votantes</p><p>•renda mínima anual</p><p>de 100 mil-réis.</p><p>2º turno:</p><p>Eleitores</p><p>• nascidos livres com</p><p>renda mínima anual</p><p>de 200 mil-réis</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia</p><p>Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>39</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>✓ Além dos analfabetos, outros grupos também não poderiam votar:</p><p>Em 1872, 1.097.698 indivíduos eram votantes, o que equivalia a 10,8% da população brasileira,</p><p>considerando também os escravizados. Já em 1886, portanto após a reforma eleitoral, o número</p><p>de eleitores é de apenas 117.022, o equivalente a 0,8% da população brasileira. Ou seja, no Brasil,</p><p>havia mais analfabetos do que pobres.</p><p>Porém, as pequenas reformas não foram capazes de salvar a Monarquia de Dom Pedro II.</p><p>Nem de longe essas medidas respondiam aos anseios por mudança.</p><p>A cobrança por mudanças foi impulsionada, de maneira determinante, por dois importantes</p><p>movimentos que já se desenvolviam desde a primeira metade do século XIX no Brasil:</p><p>os movimentos Abolicionistas.</p><p>o Movimento Republicano.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>40</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>É na década de 1880 que eles ganham força e encontram as melhores oportunidades para</p><p>se fortalecerem em meio ao complexo cenário político, social e econômico de ruína do Império.</p><p>(FUVEST-2017)</p><p>No Brasil, do mesmo modo que em muitos outros países latino americanos, as décadas de</p><p>1870 e 1880 foram um período de reforma e de compromisso com as mudanças. De maneira</p><p>geral, podemos dizer que tal movimento foi uma reação às novas realidades econômicas e</p><p>sociais resultantes do desenvolvimento capitalista não só como fenômeno mundial mas</p><p>também em suas manifestações especificamente brasileiras. Emília Viotti da</p><p>Costa,“Brasil:aeradareforma,1870 1889”.In:Leslie Bethell, História da América</p><p>Latina,v.5.SãoPaulo:Edusp,2002.Adaptado.</p><p>A respeito das mudanças ocorridas na última década do Império do Brasil, cabe destacar a</p><p>reforma</p><p>a) eleitoral, que, ao instituir o voto direto para os cargos eletivos do Império, ao mesmo</p><p>tempo em que proibiu o voto dos analfabetos, reduziu notavelmente a participação eleitoral</p><p>dos setores populares.</p><p>b) religiosa, com a adoção do ultramontanismo como política oficial para as relações entre o</p><p>Estado brasileiro e o poder papal, o que permitiu ao Império ganhar suporte internacional.</p><p>c)fiscal, com a incorporação integral das demandas federativas do movimento republicano</p><p>por meio da revisão dos critérios de tributação provincial e municipal.</p><p>d) burocrática, que rompeu as relações de patronato empregadas para a composição da</p><p>administração imperial, com a adoção de um sistema unificado de concursos para</p><p>preenchimento de cargos públicos.</p><p>e) militar, que abriu espaço para que o alto comando do Exército, vitorioso na Guerra do</p><p>Paraguai, assumisse um maior protagonismo na gestão dos negócios internos do Império.</p><p>Comentário</p><p>Esta questão é considerada difícil pois ela aborda assunto super específico. Nenhuma das</p><p>alternativas, em uma primeira visão, parece com uma reforma que poderia ser proposta por</p><p>uma monarquia constitucional, não é mesmo? Mas, se você colocar isso no exato contexto</p><p>da crise do Império, vai acabar chegando à conclusão, que as reformas propostas pelo</p><p>Governo tinham a intenção de atender as reivindicações dos grupos de oposição. Contudo,</p><p>essas reformas foram muito tímidas e não atingiam a estrutura centralizadora do poder do</p><p>Imperador D. Pedro II. Assim, os itens B, C, D, E estão errados pois representam as demandas</p><p>que poderiam mudar justamente esta estrutura. O item A está certo porque foi uma das</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>41</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>reformas propostas. A partir dela não existiria mais o voto censitário (por renda), mas</p><p>impunha o critério da alfabetização. Com isso, até mesmo homens ricos deixaram de ter o</p><p>direito ao voto, pois no Brasil a população era majoritariamente analfabeta – inclusive, os</p><p>abastados.</p><p>Gabarito: A</p><p>4.1 - O MOVIMENTO ABOLICIONISTA E O PROBLEMA DA MÃO DE OBRA</p><p>É dentro dessa discussão sobre as transformações econômicas e sociais experimentadas no</p><p>Brasil nas décadas de 1870 e 1880 que devemos entender o problema do trabalho escravo.</p><p>Como vimos, desde o início do século XIX, a Inglaterra pressionava o Brasil pelo fim da</p><p>escravidão. Na Independência, em 1822, em troca do reconhecimento oficial da emancipação do</p><p>Brasil pelo Governo Inglês, Dom Pedro I se comprometeu com o país britânico a eliminar o</p><p>trabalho escravo até 1830. Evidentemente, esse acordo não saiu do papel, pois, como vimos, a</p><p>propriedade de escravos era a principal fonte de riqueza dos senhores de terras naquela época.</p><p>Mas a Inglaterra não desistiu até que, em 1845, o Parlamento inglês aprovou a Lei Bill Aberdeen.</p><p>Com medo do impacto dessa medida, nos primeiros anos que se seguiram à Bill Aberdeen,</p><p>o comércio negreiro foi intensificado.</p><p>Nesse processo, é importante lembrar que os ingleses possuíam inúmeros negócios no</p><p>Brasil, especialmente ligados ao transporte e à exportação. Por isso, detinham grande capacidade</p><p>de exigir mudanças nas</p><p>relações de trabalho</p><p>internas. Foi por meio</p><p>desse “lobby” que, em</p><p>1850, D. Pedro II assinou a</p><p>Lei Eusébio de Queiróz.</p><p>Como vimos, a partir</p><p>desse momento, iniciava-</p><p>se, no Brasil, a transição do</p><p>trabalho escravo para</p><p>outras formas de trabalho.</p><p>O gráfico ao lado</p><p>demonstra a diminuição</p><p>gradual da escravidão.</p><p>Do ponto de vista econômico, essa transição na forma de empregar a mão de obra teve</p><p>impactos positivos uma vez que os capitais investidos nesse tipo de negócio foram transferidos</p><p>para outras atividades, contribuindo para a diversificação da economia, em especial, para o</p><p>comércio e os serviços e, em menor escala, para o pequeno empreendimento industrial. Assim:</p><p>2.500.000</p><p>1.510.000</p><p>700.0…</p><p>Evolução da população escrava depois da Lei</p><p>Eusébio de Queiróz</p><p>1850 1872 1888</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>42</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>mais homens livres em uma economia mais diversificada. Contudo, os grupos ligados à Monarquia</p><p>resistiram às pressões internas e externas que exigiam o fim da escravidão.</p><p>Para responder e enfrentar essa resistência, em contrapartida, fortaleceu-se o Movimento</p><p>Abolicionista. Nesse sentido, podemos falar em um “processo abolicionista”, já que a libertação</p><p>total dos escravos viria apenas em 1888, com a Lei Áurea.</p><p>O quadro abaixo mostra as leis abolicionista que marcaram esse período:</p><p>O Movimento Abolicionista no Brasil, a exemplo do movimento existente na Inglaterra,</p><p>defendia o fim da escravidão negra por razões de dois tipos:</p><p>Leia abaixo um trecho de artigo publicado pelo Professor de História da UFRJ, Manolo</p><p>Florentino:</p><p>Quando se trata de avaliar os motivos da pressão inglesa pelo fim do tráfico atlântico</p><p>de escravos, paira nos bancos escolares do ensino médio o estigma do “Ocidentalismo”</p><p>– crença que reduz a civilização ocidental a uma massa de parasitas sem alma,</p><p>decadentes, ambiciosos, desenraizados, descrentes e insensíveis. Não podem ser</p><p>levadas a sério teses que vinculam a ação britânica a imaginárias crises econômicas do</p><p>cativeiro no Caribe na passagem do século XVIII para o seguinte. O tráfico seguia</p><p>lucrativo e não passava pela cabeça de nenhum líder inglês sério que a demanda</p><p>americana por bens britânicos pudesse aumentar com o fim da escravidão. Mas tudo</p><p>isso continua a ser ensinado aos nossos filhos e netos. O abolicionismo britânico tinha</p><p>1850: Lei</p><p>Eusebio de</p><p>Queirós</p><p>1871:Lei do</p><p>ventre Livre</p><p>1885: Lei do</p><p>Sexagenário</p><p>1888: Lei</p><p>Áurea</p><p>Argumentos para o</p><p>fim da escravidão</p><p>Econômico Humanitário</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>43</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>natureza cultural e política. Na vanguarda do movimento estavam ativistas que não</p><p>abriam</p><p>mão da crença na unidade do gênero humano, com destaque para os quakers,</p><p>que rejeitavam o uso da violência com o mesmo empenho com que recusavam qualquer</p><p>sacramento ou hierarquia eclesiástica. Tratando-se de convencer por meio da palavra e</p><p>de petições antiescravistas, ajudava contar com uma sólida tradição parlamentar,</p><p>desfrutar de liberdade de imprensa e circular pela eficiente rede inglesa de</p><p>comunicações. Mas o pulo do gato do mais ambicioso projeto de persuasão política</p><p>surgido no Ocidente antes do advento do marketing moderno foi insistir no sofrimento</p><p>do africano como metáfora do arbítrio vivido pelo inglês comum – o único meio de</p><p>escamotear o fator racial que os apartava. O rapto de cidadãos reproduzia as</p><p>tripulações da mais poderosa Marinha do mundo – dezenas de milhares de homens</p><p>foram capturados por gangues armadas do serviço naval durante as guerras</p><p>napoleônicas. Do mesmo modo, ainda no plano das sensibilidades, as terríveis</p><p>condições materiais das primeiras gerações de operários britânicos estabeleciam</p><p>pontes entre as trajetórias do inglês comum e as dos milhares de escravos capturados</p><p>na África. Eis o fermento para a abolição do tráfico em 1807, da escravidão na década</p><p>de 1830 e da legitimação moral dos aprisionamentos feitos pela Royal Navy até a</p><p>segunda metade do século. (Sensibilidade Inglesa. Revista de História da Biblioteca</p><p>Nacional nº 32. Maio, 2008. pp. 17)</p><p>No Brasil, portanto, o Movimento Abolicionista reuniu pessoas dos mais diversos grupos</p><p>sociais, com interesses distintos, como a compositora Chiquinha Gonzaga, o jornalista e advogado</p><p>Luís Gama (libertou mais de 500 escravos), o engenheiro André Rebouças, o intelectual Joaquim</p><p>Nabuco, o advogado Ruy Barbosa, o escritor Castro Alves – conhecido como o poeta “dos</p><p>escravos e da Liberdade”-, o jornalista José do Patrocínio, o jurista Tobias Barreto, a aristocrata</p><p>cearense Maria Tomásia Figueira Lima, a primeira escritora abolicionista Maria Firmina dos Reis,</p><p>entre tantos outros11.</p><p>Em razão dessa variedade de segmentos sociais, mesmo influenciados pelos ideais liberais</p><p>e pelo abolicionismo inglês, veremos que existiram diferentes projetos para colocar fim à</p><p>escravidão. Vejamos:</p><p>11http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/arquivos_jornal/arquivosPdf/encarte_abolicao.pdf. Acesso</p><p>em 20-12-2018.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>44</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Baseado na lei que colocou fim definitivo ao uso da mão de obra escrava, podemos afirmar</p><p>que foi uma articulação entre as duas primeiras propostas, já que a Lei Áurea foi de caráter</p><p>Nacional – portanto, válida para todas as Províncias – deixou uma porta aberta para as</p><p>indenizações aos antigos proprietários. Quanto a proposta de Rebouças, sequer foi discutida.</p><p>Além disso, no contexto que estudamos, o Movimento Abolicionista, ao criticar o uso de</p><p>trabalho escravo da população negra e parda, acabava por estender a oposição ao regime político</p><p>Monárquico, pois, também direcionava críticas à arcaica forma política centralizadora – modelo</p><p>este avesso à participação política de outros setores da sociedade.</p><p>Por tudo isso, o abolicionismo fortaleceu (reforçou) outro movimento crítico ao Império, qual seja:</p><p>o Republicanismo.</p><p>Foi a experiência histórica do encontro das trajetórias desses dois movimentos, os quais</p><p>contribuíram decisivamente para a ruína do Império Monárquico.</p><p>Ademais, a proximidade das datas, 1888 e 1889, é uma forte evidência de que os dois fatos fazem</p><p>parte do mesmo processo histórico.</p><p>Então, passemos a análise do Movimento Republicano para verificar se a afirmação acima</p><p>está correta. Força, vamos lá!</p><p>Apesar de a Lei Áurea ter sido assinada pela Princesa Isabel, a abolição no Brasil estava longe de</p><p>ser uma benevolência da Monarquia. Na verdade, foi resultado de diversos fatores, entre eles, o</p><p>crescimento do Movimento Abolicionista, como acima destacado. Entre as formas de resistência,</p><p>estavam grandes embates parlamentares, manifestações artísticas, até revoltas e fugas massivas</p><p>de escravos, que a polícia e o Exército não conseguiam reprimir. Em 1884, quatro anos antes da</p><p>abolição geral no Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão, fato</p><p>que fortaleceu o movimento.</p><p>Solução geral e totalmente libertadora, defendida pelos setores médios e</p><p>pelos profissionais liberais da sociedade brasileira. Pautada exclusivamente</p><p>em razões humanitárias, defendia-se a abolição total por meio de uma Lei</p><p>Nacional e sem prever indenização monetária aos proprietários</p><p>Solução Federalista, defendida pelos cafeicultores republicanos. Previa-se</p><p>que a solução para o fim da escravidão caberia ao Governo de cada Província</p><p>(Estado) com a devida indenização aos proprietários de escravos.</p><p>Solução pela reforma agrária, defendia pelo engenheiro André Rebouças</p><p>o qual pretendia dar terras aos negros libertos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>45</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(UVA 2015)</p><p>Na Campanha Abolicionista, marco da transição do escravismo para o capitalismo no Brasil:</p><p>a) não teve influência a inserção do Brasil na divisão internacional de trabalho, estabelecida</p><p>no século XIX.</p><p>b) destacou-se a Lei Eusébio de Queirós, para cuja assinatura influiu, além das pressões</p><p>inglesas, o processo de endividamento da classe proprietária brasileira para com os traficante</p><p>de escravos.</p><p>c) a imigração foi considerada desnecessária para a solução da crise de mão-de-obra na</p><p>cafeicultura.</p><p>d) a ausência do Estado na condução do processo representou o respeito à propriedade</p><p>privada.</p><p>Comentários:</p><p>A Campanha Abolicionista existe desde a época em que o Brasil se tornou independente de</p><p>Portugal. Porém, sem forças, o movimento só começou a ganhar destaque a partir de 1870,</p><p>quando o vários setores da sociedade brasileira passaram a defender o fim da escravidão,</p><p>como os militares, os setores republicanos de classe média e alguns das elites, como os</p><p>cafeicultores paulistas. Muito se deve por fatores externos, o Brasil tentava se adaptar a nova</p><p>divisão internacional do trabalho que surgia em meio a Segunda Revolução Industrial. Dessa</p><p>forma, pressionado, o Governo criou de maneira gradual e lenta de acabar a escravidão,</p><p>eram as leis abolicionistas - como a Lei Eusébio de Queiróz (1850), Lei do Ventre Livre (1871)</p><p>e Lei do Sexagenário (1885). Estas acabaram minando a sustentabilidade da mão de obra</p><p>escrava no Brasil, porém sem abolir a escravidão de fato, que só ocorreu em 1888 quando</p><p>foi promulgada a Lei Áurea, libertando os escravos.</p><p>Assim, sobre a Campanha Abolicionista, vejamos qual afirmação está correta:</p><p>a) Incorreto. A Segunda Revolução Industrial inseriu diversos países sul-americanos na nova</p><p>Divisão Internacional do Trabalho. Enquanto os países industriais compravam matéria-prima</p><p>dos países agrários, estes compravam produtos industrializados europeus. Porém, para que</p><p>pudesse aumentar a demanda de consumo na América do Sul, era necessário abolir a</p><p>escravidão e inserir a mão de obra assalariada na região, para que o consumo interno</p><p>aumentasse.</p><p>b) Correto. A Lei Eusébio de Queirós foi a primeira efetiva, inserida no contexto da</p><p>Campanha Abolicionista. Ela foi criada após os ingleses proibirem qualquer tipo de comércio</p><p>transatlântico de escravos, em 1845. Além disso, muitos proprietários de escravos estavam</p><p>devendo para os traficantes negreiros.</p><p>c) Incorreto. A mão-de-obra imigrante foi uma política de Estado aplicado pelo Império</p><p>brasileiro para que entrassem trabalhadores brancos no país. Era um projeto</p><p>“embranquecedor” e “civilizador” do Brasil. Vale ressaltar que nessa época surgia na Europa</p><p>a ideia de Darwinismo Social, em que certas etnias e raças eram consideradas mais civilizadas</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>46</p><p>163</p><p>AULA 15:</p><p>HB: Do Império à República</p><p>que outras. Portanto, a raça branca caucasiana era a considerada pelos europeus como a</p><p>mais evoluída.</p><p>d) Incorreto. O Estado brasileiro passou a regular as terras públicas e privadas do país em</p><p>1850, logo em seguida a criação da lei Eusébio de Queiroz. Assim, todas as terras que</p><p>estivessem desocupadas seriam pertencentes ao Estado, e sua aquisição só poderia ser feita</p><p>pela compra. Porém, isso não afetou os grandes latifundiários continuassem expandindo suas</p><p>propriedades. O efeito dessa medida, em sua maioria, só foi sentido em pequenos</p><p>agricultores, imigrantes e povos originários.</p><p>Gabarito: B</p><p>4.2 - O MOVIMENTO REPUBLICANO</p><p>Vamos falar sobre o Movimento Republicano, que impulsionou o surgimento dos partidos</p><p>republicanos em diversas províncias, a partir dos anos de 1870?</p><p>No espectro do ideário desse Movimento cabiam concepções muito distintas sobre o que</p><p>seria a República Brasileira. Veja:</p><p>discurso radical e democrático.</p><p>pela defesa de um liberalismo moderado federalista</p><p>por uma centralização de poder positivista e nacionalista.</p><p>Na sequência, vamos em busca de decifrar esse caleidoscópio político que foi o</p><p>republicanismo das últimas duas décadas do Império.</p><p>Para tanto, preste atenção na explicação sobre a adesão dos diferentes grupos aos</p><p>republicanismo, particularmente, dos cafeicultores paulistas e dos militares do Exército. Adiante!</p><p>É importante lembrar que, diferentemente dos dias atuais, não existiam os partidos</p><p>nacionais. As agremiações partidárias eram regionalizadas. Assim, surgiu o Partido Republicano</p><p>Fluminense, o Partido Republicano Paulista, o Partido Republicano Mineiro, entre outros. Esses</p><p>são os mais importantes e nos indicam que o republicanismo estava diretamente relacionado com</p><p>as transformações econômicas e sociais impulsionadas pela produção cafeeira e pelas ideias</p><p>liberais.</p><p>É verdade que as ideias republicanas já circulavam no Brasil desde o final do século XVIII</p><p>nos movimentos de emancipação brasileira – como a Inconfidência Mineira, A Conjuração Baiana,</p><p>a Farroupilha e a Revolução Praieira. Contudo, o Movimento Republicano da década de 1870</p><p>diferencia-se por</p><p>✓ articular a queda da Monarquia</p><p>✓ o fim da escravidão</p><p>✓ a crítica à vitaliciedade do Senado</p><p>✓ a defesa de maior autonomia política nas Províncias (estados)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>47</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>✓ sem, contudo, romper com a integridade do território nacional</p><p>✓ tiveram expressão por meio de Partidos</p><p>O movimento ganhou dimensões públicas, em 1870, quando os republicanos publicaram,</p><p>na imprensa carioca, o Manifesto Republicano. Vamos ler um pedacinho desse texto.</p><p>DICA: #Na leitura, grife as palavras e expressões que fazem referência ao</p><p>ideário liberal, assim encontrará características do republicanismo brasileiro.12</p><p>“AOS NOSSOS CONCIDADÃOS</p><p>É a voz de um partido a que se alça hoje para falar ao país. E</p><p>esse partido não carece demonstrar a sua legitimidade. Desde que a reforma,</p><p>alteração, ou revogação da Carta outorgada em 1824, está por ela mesma prevista e autorizada,</p><p>é legítima a aspiração que hoje se manifesta para buscar em melhor origem o fundamento dos</p><p>inauferíveis direitos da nação. Só à opinião nacional cumpre acolher ou repudiar essa aspiração.</p><p>Não reconhecendo nós outra soberania mais de que a soberania do povo, para ela apelamos.</p><p>Nenhum outro tribunal pode julgar-nos: nenhuma outra autoridade pode interpor-se entre ela e</p><p>nós. Como homens livres e essencialmente subordinados aos interesses da nossa pátria, não é</p><p>nossa intenção convulsionar a sociedade em que vivemos. Nosso intuito é esclarecê-la. Em um</p><p>regime de compressão e de violência, conspirar seria o nosso direito. Mas, no regime das ficções</p><p>e da corrupção em que vivemos, discutir é o nosso dever. As armas da discussão, os instrumentos</p><p>pacíficos da liberdade, a revolução moral, os amplos meios do direito, posto ao serviço de uma</p><p>convicção sincera, no nosso entender, para a vitória da nossa causa, que é a causa do progresso</p><p>e da grandeza da nossa pátria. A bandeira da democracia, que abriga todos os direitos, não repele,</p><p>por erros ou convicções passadas, as adesões sinceras que se lhe manifestem. A nossa obra é uma</p><p>de patriotismo e não de exclusivismo, e, aceitando a comparticipação de todo o concurso leal,</p><p>repudiamos a solidariedade de todos os interesses ilegítimos.“</p><p>Em poucos anos, o Movimento cresceu em direção ao Oeste Paulista e atingiu um setor</p><p>economicamente poderoso: os cafeicultores. Estes eram adeptos do federalismo, especialmente</p><p>porque viam na centralização política da Monarquia uma barreira para a modernização econômica</p><p>do Brasil e para os negócios do café. Em 1873, em Itú, no interior do Estado de São Paulo, os</p><p>cafeicultores aderiram ao Movimento e lançaram o PRP – Partido Republicano Paulista13.</p><p>12 Para ler o Manifesto republicano inteiro, você pode acessar o link:</p><p>https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3817523/mod_resource/content/2/manifesto%20republicano</p><p>%201870.pdf</p><p>13 Para saber mais, acesse http://www.itu.com.br/artigo/registros-da-convencao-republicana-de-itu-de-</p><p>1873-20151109.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>48</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Há um elemento na formação do Partido Republicano Paulista que o diferenciava</p><p>dos republicanos cariocas e eu gostaria de chamar sua atenção. A professora</p><p>Wilma P. da Costa nos ensina que,</p><p>“Enquanto que, no Rio de Janeiro, o Partido Republicano reunia principalmente</p><p>os quadros extraídos das camadas médias urbanas e da jovem intelectualidade</p><p>inquieta, para quem a República se fazia sinônimo da democracia e da modernidade, em São Paulo</p><p>ele se constituía principalmente de sólidos e moderados proprietários rurais, muitos deles</p><p>possuidores de escravos, para quem a República era principalmente descentralização.”</p><p>Assim, em São Paulo, uma parte dos cafeicultores – especialmente os produtores do interior do</p><p>estado – tinham uma perspectiva que chamamos de conservadora em relação ao ideário liberal.</p><p>Por exemplo, não adotavam a tese do abolicionismo ligado aos direitos civis – tal como</p><p>preconizava os liberais ingleses. Por isso, defendiam a indenização no caso de eventual abolição</p><p>da escravatura e substituição da mão de obra negra pela imigrante branca europeia. Não</p><p>concordavam com os métodos retórico e discursivo dos republicanos cariocas – que defendiam</p><p>uma república mais igualitária no que se refere aos direitos civis e políticos (modelo Francês).</p><p>Apesar das diferenças com a essência do republicanismo e com o liberalismo, os cafeicultores</p><p>paulistas estavam certos de que a modernização brasileira só seria alcançada por meio do fim da</p><p>Monarquia e da abolição da escravidão. Porém, como veremos na próxima aula sobre História do</p><p>Brasil, esse grupo tentará conquistar grande influência no governo, tornando-se o próprio Estado.</p><p>Mas esse já é assunto para aula de República Velha (1889-1930).</p><p>Por agora, quero que você guarde que o PRP foi formado por setores do liberalismo radical e dos</p><p>conservadores os quais formaram um programa moderado.</p><p>Tome nota dessa análise, pois será muito útil para você entender as disputas da primeira República</p><p>e a formação da República do café com leite (1894-1930), que estudaremos nas próximas aulas</p><p>sobre Brasil.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>49</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(FUVEST-2004)</p><p>"Firmemos, sim, o alvo de nossas aspirações republicanas, mas voltemo-</p><p>nos para o passado sem ódios, sem as paixões efêmeras do presente, e</p><p>evocando a imagem sagrada da Pátria, agradeçamos às gerações que nos</p><p>precederam a feitura desta mesma Pátria e prometamos servi-la com a mesma dedicação,</p><p>embora com as ideias</p><p>e as crenças de nosso tempo." Teixeira Mendes, 1881. De acordo</p><p>com o texto, o autor:</p><p>a) defende as ideias republicanas e louva a grandeza da nação.</p><p>b) propõe o advento da república e condena o patriotismo.</p><p>c) entende que as paixões de momento são essenciais e positivas na vida política.</p><p>d) acredita que o sistema político brasileiro está marcado por retrocessos.</p><p>e) mostra que cada nova geração deve esquecer o passado da nação.</p><p>Comentário</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>50</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>O texto enfatiza a concepção do movimento republicano paulista da segunda metade do</p><p>século XIX no Brasil. Propõe a República, mas não descarta a continuidade da ideia de Pátria,</p><p>tal como foi defendida pelos brasileiros que o precederam. Assim, percebemos que o trecho</p><p>do enunciado busca a continuidade do velho Brasil em meio a pitadas de mudanças. Ao</p><p>propor a volta ao passado sem ódio, na verdade, procura responder ao argumento dos</p><p>republicanos radicais que defendiam a abolição por razões humanistas.</p><p>Gabarito: A</p><p>Apesar da inovação política representada pelos novos partidos, segundo a professora</p><p>Wilma Peres Costa, “não havia um vigoroso movimento de opinião pública favorável à mudança</p><p>do regime político”. Assim, foi a adesão do Exército ao ideário republicano, que popularizou a</p><p>ideia e ampliou o escopo de apoio social ao projeto.</p><p>Antes da Guerra do Paraguai (1864-1870), o Exército era uma instituição fragmentada,</p><p>desorganizada, com baixo investimento e sem prestígio entre a classe política aristocrática.</p><p>Historicamente, a monarquia esteve ligada à Marinha. Quanto à manutenção da ordem interna,</p><p>esta estava a cargo da Guarda Nacional – comandada pelos coronéis donos de terra e composta,</p><p>majoritariamente, por filhos da elite política aristocrática. Contudo, com o comando de Duque de</p><p>Caxias e a vitória do Brasil sobre o Paraguai, o Exército passou a outro patamar no contexto de</p><p>crise do Império e, assim, alcançou um papel político relevante.</p><p>O processo de recrutamento das classes médias e mesmo das classes populares se</p><p>intensificou durante a Guerra do Paraguai por meio de duas estratégias do governo de Dom Pedro</p><p>II:</p><p>✓ criação do Programa Voluntários da Pátria, com vantagens de soldo e gratificação para</p><p>pessoas entre 18 e 50 anos;</p><p>✓ e o decreto que trocava o alistamento voluntário de escravos por liberdade ao final da</p><p>guerra.</p><p>Assim, como vimos, a Guerra do Paraguai teve como principal consequência o</p><p>fortalecimento e a institucionalização do Exército.</p><p>A partir desse momento, a incorporação a essa instituição passou a ser uma oportunidade</p><p>profissional – e, portanto, social – concreta para os filhos recrutadas das classes sociais mais baixas.</p><p>Além disso, e não menos importante, querido aluno e querida aluna, o recrutamento de</p><p>escravos e sua posterior libertação acentuava a disparidade entre as ideias liberais que se</p><p>espalhavam e a forma aristocrática e patrimonialista como o Estado brasileiro estava organizado.</p><p>Muitos historiadores afirmam que a Guerra do Paraguai foi, em certa medida, um fortalecimento</p><p>das demandas abolicionistas nas fileiras da corporação.</p><p>O professor Jaime Rodrigues ensina:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>51</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“Assim, foi apenas na década de 1860 e principalmente depois da Guerra do Paraguai</p><p>que surgiram fortemente debates em torno do fim da escravidão. Até então, a abolição</p><p>sequer era um assunto levado a sério nas principais instâncias políticas do país.”14</p><p>Mas essas mudanças não se deram apenas por força da vitoriosa, contraditória e sofrida</p><p>campanha na região do rio da Prata. Desde 1850, houve um investimento, ainda que tímido, na</p><p>organização da corporação. Os critérios de acesso e ascensão na carreira baseavam-se</p><p>centralmente na meritocracia e na instrução. Por isso, foram organizadas escolas militares – com</p><p>destaque para a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Com isso, minimizavam-se o</p><p>controle político no processo de incorporação e a ascensão aos principais cargos de comando da</p><p>Instituição. Por outro lado, formava-se uma nova elite intelectual: o bacharel militar.</p><p>Veja o que diz a professora Wilma P. Costa:</p><p>“É um clima mais propício à especulação filosófica do que à instrução militar, formando</p><p>verdadeiros ‘bacharéis fardados’, uma oficialidade irrequieta, aberta às novas ideias,</p><p>com escassa ou nenhuma identificação com setores agrário-escravistas dominante. A</p><p>oficialidade militar, assim formada, tendia a desenvolver duras críticas às elites políticas,</p><p>que lhe pareciam retrógradas, parasitárias, despidas de verdadeiro patriotismo,</p><p>apegadas a interesses privatistas”15</p><p>E foi na Escola Militar da Praia Vermelha que o carismático professor Benjamin Constant,</p><p>juntamente a diversos outros professores, desenvolveu o conhecimento sobre o positivismo de</p><p>August Comte e a aproximação dos setores militares às ideias republicanas. Isso acabou por</p><p>estimular uma concepção distinta sobre o regime político que deveria substituir a corrompida</p><p>Monarquia: a República Positivista.</p><p>A disseminação do Movimento Republicano nos regimentos do Exército levou o Governo</p><p>de D. Pedro II a fazer ameaças de remoção de alguns militares de suas bases. Isso abriu um conflito</p><p>entre o exército e o governo Dom Pedro II conhecido como “Questão Militar”.</p><p>O positivismo tinha como princípio estabelecer a ordem que só poderia vir com o</p><p>conhecimento científico. Para seu criador, August Comte – filósofo francês –</p><p>somente por meio da ordem estabelecida é que uma nação poderia desenvolver-</p><p>se cientificamente e, com isso, alcançar o progresso. A inscrição “Ordem e</p><p>Progresso” na bandeira do Brasil é, de alguma maneira, a representação dessa</p><p>14 O infame comércio: propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil. Rodrigues,</p><p>Jaime. Ed. Da Unicamp, 2000.;</p><p>15 Os militares e a primeira Constituição da República, 1987, pp. 27.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>52</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>concepção e nos mostra a influência que os militares do Exército tiveram na Proclamação da</p><p>república.</p><p>5. ENFIM, A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA</p><p>Até aqui vimos muitas informações! Agora, vamos para os finalmentes desse processo.</p><p>Veremos o contexto interno imediato, as causas conjunturais que possibilitaram a queda da</p><p>Monarquia e a proclamação da república em 15 de novembro de 1889.</p><p>A República foi produto de um conjunto heterogêneo de forças políticas e de um processo de</p><p>decomposição do regime político monárquico, como estudamos até aqui. Contudo, existiram</p><p>elementos circunstanciais que definiram a cena imediatamente anterior à Proclamação da</p><p>República. Já chego nela!</p><p>Eu quero que você entenda uma coisa, anote aí: um processo histórico é explicado pela</p><p>combinação de fatores estruturais, conjunturais e contingenciais. Fatores estruturais são</p><p>elementos que foram se formando com o passar do tempo. No caso que estamos estudando, são</p><p>as transformações mundiais refletidas localmente, a disseminação das ideias abolicionistas e</p><p>republicanas, a formação dos partidos, o fortalecimento do exército e sua adesão ao</p><p>republicanismo. Podemos montar um filme, certo?</p><p>Os fatores conjunturais são os dados imediatos da cena, é uma foto. Evidentemente a história da</p><p>foto permite fazer um filme. Mas, às vezes, há elementos novos, que chegaram a pouco, mas que</p><p>fazem diferença na interação entre os elementos mais estruturais. A conjuntura, em muitas</p><p>situações, determina desfechos, aceleram processos ou bloqueiam soluções. No caso da</p><p>Proclamação da República, vamos estudar a chamada “série de questões” (militar e religiosa) que</p><p>provocou desavenças pontuais entre personagens importantes do Império, desequilíbrio das</p><p>instituições e incapacidade</p><p>de concluir acordos - embora Dom Pedro II tenha tentado, ainda que</p><p>tardiamente.</p><p>Para finalizar, os fatores contingenciais são a “queda do avião”. Como assim, Alê? É, gente, a</p><p>queda do avião é um elemento surpresa: que não fazia parte do filme e que ninguém o esperava</p><p>para a foto. Mas quando ele acontece pode mudar completamente a trajetória de um processo</p><p>histórico. No nosso caso específico, não temos fatores contingenciais para aprender. Ufa!!</p><p>5.1 - SÉRIE QUESTÕES (MILITAR E RELIGIOSA)</p><p>Quando falamos sobre a adesão dos militares ao republicanismo positivista, mencionamos</p><p>que o Governo de Pedro II começou a perseguir alguns setores. Além disso, os militares mais</p><p>jovens e com formação superior na escola Militar da Praia Vermelha iniciaram críticas públicas em</p><p>relação ao imobilismo do governo em dar respostas às demandas de vários setores da sociedade.</p><p>Nesse sentido, os militares também cobravam melhorias para a carreira. Veja, que em outros</p><p>cenários provavelmente estas disputas teriam sido resolvidas dentro da institucionalidade, mas a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>53</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“questão militar” gerou o divórcio entre o exército e a monarquia – o que acelerou sobremaneira</p><p>a queda do Império.</p><p>O primeiro episódio da série foi a punição de um Coronel chamado Sena Madureira</p><p>(comandante da escola de tiro de Campo Grande). O spoiler é o seguinte. O Coronel recebeu o</p><p>conhecido abolicionista Dragão do Mar – Francisco Nascimento que era um jangadeiro cearense</p><p>atuante na luta pela abolição e que convenceu seus colegas de profissão a não transportar</p><p>escravos em suas jangadas como forma de protesto. A notícia da atitude do jangadeiro se</p><p>espalhou entre os abolicionistas e, por isso, foi recebido na Escola de Tiro para ser homenageado.</p><p>O Governo mandou prender o Cel. Madureira. Então, outros oficiais protestaram publicamente na</p><p>imprensa.</p><p>Como você deve saber, era proibido aos militares manifestarem-se publicamente pela</p><p>imprensa – especialmente com críticas ao Governo. O coronel Cunha Matos também foi preso</p><p>em 1886 por fazer críticas públicas na imprensa. Assim, o Ministro da Guerra (que era civil) mandou</p><p>prender outros, provocando mais protestos. Foi uma reação em cadeia que gerou inúmeras</p><p>prisões de oficiais do exército.</p><p>Repare, então, que houve uma crescente no racha entre, de um lado, os militares, do outro,</p><p>as autoridades civis. Lembre-se de que o Imperador também representava a ala civil do Governo.</p><p>Há um elemento conjuntural importante para lembrarmos: essa situação de represálias aos</p><p>militares repercutiu na guarnição comandada pelo todo poderoso Marechal Deodoro da Fonseca,</p><p>do Rio Grande do Sul. E este não aceitou prender seus subordinados pelos motivos alegados. Por</p><p>isso, foi afastado do seu cargo.</p><p>A ampliação do confronto para toda a corporação foi alimentada por artigos no jornal A</p><p>Federação, em que o Império era acusado de ofender a honra do Exército. Os alunos da Escola</p><p>Militar do Rio Grande do Sul fizeram uma homenagem a Sena Madureira, autorizada por Deodoro</p><p>da Fonseca, e seus colegas da Escola Militar da Praia Vermelha organizaram outra no Rio,</p><p>indicando o marechal Deodoro como representante da tropa em confronto com o governo, já que</p><p>ele comandava a unidade mais importante do Exército Perceba que a Monarquia fechou o cerco</p><p>contra si mesma? Essa perseguição desarrazoada empurrou os militares, mesmo aqueles que não</p><p>concordavam com o fim da monarquia, para o lado dos Republicanos no seu projeto de derrubar</p><p>definitivamente o regime político.</p><p>É verdade que a Monarquia recuou e suspendeu as punições. Mas já era tarde demais!</p><p>Nesse momento os oficiais do exército iniciavam a formação de uma aliança para pôr fim à</p><p>Monarquia e proclamar a república.</p><p>(FUVEST-1991)</p><p>O descontentamento do Exército, que culminou na Questão Militar no final</p><p>do Império, pode ser atribuído:</p><p>a) às pressões exercidas pela Igreja junto aos militares para abolir a</p><p>monarquia.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>54</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) à propaganda do militarismo sul-americano na imprensa brasileira.</p><p>c) às tendências ultrademocráticas das forças armadas, que desejavam conceder maior</p><p>participação política aos analfabetos.</p><p>d) à ambição de iniciar um programa de expansão imperialista na América Latina.</p><p>e) à predominância do poder civil que não prestigiava os militares e lhes proibia o debate</p><p>político pela imprensa.</p><p>Comentário</p><p>Questão antiga, mas é das clássicas, então, vale à pena fazer. Qual a causa imediata da</p><p>perseguição: os protestos dos militares na imprensa contra atos de prisão. Repare que a</p><p>FUVEST, ao se referir ao poder civil, ela está se referindo ao Governo e políticos civis. Se liga,</p><p>questão fácil, você tem obrigação de acertar.</p><p>Gabarito: E</p><p>Agora vamos à série “questão religiosa”. Assim como com os militares, com os católicos a</p><p>história também está relacionada à perseguição de alguns membros da Igreja. Mas antes de</p><p>começar o causo, quero lembrar você da relação existente entre Estado e Igreja no Brasil.</p><p>Desde 1824, com a outorga (imposição) da 1ª. Constituição brasileira por Dom Pedro I, se</p><p>estabeleceu oficialmente o padroado e o beneplácito. Você se lembra o que são essas coisas?</p><p>Padroado foi a oficialização do catolicismo como religião do Império brasileiro. Além disso, os</p><p>padres e bispos eram considerados funcionários do Estado. Disso decorre o Beneplácito, pois uma</p><p>vez que bispos e padres são funcionários do estado estão sob o controle do Governante e não do</p><p>Papa (autoridade máxima da Igreja Católica). Pelo beneplácito o Papa nomeava o Bispo, mas este</p><p>só seria efetivado no cargo se o Imperador concordasse.</p><p>Assim, durante todas essas décadas houve harmonia de interesses entre Igreja e Estado.</p><p>Contudo, desde 1864, a Igreja Católica proibiu qualquer relação entre a Igreja e a</p><p>Maçonaria, por motivos próprios do contexto europeu. Isso era um problema, dentro das relações</p><p>políticas no Brasil, pois as elites intelectuais, políticas e econômicas era, majoritariamente, maçons.</p><p>Aconteceu que em 1872, a fim de colocar em prática a bula papal de 1864, os Bispos de</p><p>Olinda e de Belém do Pará ordenaram que as Dioceses expulsassem seus membros pertencentes</p><p>à maçonaria. Como castigo para o descumprimento da ordem, as irmandades das Dioceses</p><p>deveriam ser fechadas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>55</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Diante do conflito, e revestindo-se dos direitos de Padroado, Dom Pedro ordenou a prisão</p><p>e condenou os Bispos de Olinda de Belém a trabalhos forçados. Esse conflito só se encerrou com</p><p>a intervenção de Duque de Caxias, o pacificador, que propôs ao Imperador anistiar (perdoar) os</p><p>Bispos.</p><p>Contudo, mais uma vez, era tarde demais para a Monarquia. Essa intervenção</p><p>desarrazoada, especialmente pela condenação de trabalhos forçados à Bispos, justificou e</p><p>intensificou a ideia da laicidade do Estado como forma de proteger a liberdade da instituição</p><p>religiosa. Embora os membros da Igreja católica não fossem liberais, conjunturalmente, era</p><p>importante livrarem-se dos desmandos do Monarca. Sacou? Logo, a Igreja católica do Brasil</p><p>também se somou à oposição à Monarquia de D. Pedro II.</p><p>5.2 - A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA: O 15 DE NOVEMBRO</p><p>É chegada a hora de descobrirmos, afinal, como tudo o que estudamos até agora resultou</p><p>no dia 15 de novembro. Cabe lembrar que as crises da “série questão militar e religiosa” não</p><p>geraram repercussão massiva na opinião pública popular, segundo a Professora Wilma P. Costa.</p><p>Os efeitos foram ocasionados na superestrutura da classe política e das elites militares e</p><p>econômicas.</p><p>Isso nos mostra que o processo de advento da República que estudamos nesta</p><p>aula é marcado pela ausência</p><p>da participação popular nas ruas para derrubar a</p><p>Monarquia.</p><p>A queda da Monarquia não era uma demanda social, ao contrário, diversos setores</p><p>impactados pelas medidas abolicionistas viam o Império como benevolente e sensível ao negro.</p><p>Afinal, quem assinou a Lei Aurea foi a Princesa Isabel. Por isso mesmo, surgiu no Rio de Janeiro a</p><p>quase desconhecida Guarda Negra. Formada logo após a abolição dos escravos, era conhecida</p><p>na época como a Guarda da Redentora, em homenagem à Princesa Isabel. Segundo pesquisa</p><p>recente de Ricardo Passos, pesquisador do Museu do Negro do RJ,</p><p>“A promulgação da Lei Áurea acirrou a briga entre monarquistas e republicanos,</p><p>forçando os capoeiras da cidade a tomarem uma posição. Eles preferiram os velhos</p><p>parceiros da Corte aos opositores de Dom Pedro II, ainda distantes do poder e</p><p>conhecidos pelo modo cruel como tratavam os negros nas fazendas cafeeiras de São</p><p>Paulo.”</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>56</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Assim, podemos perceber que as disputas em torno das soluções para a crise que abatia o</p><p>País não eram consensuais se levarmos em consideração outros setores da sociedade para além</p><p>dos militares, cafeicultores, e republicanos das classes médias liberais.</p><p>Também não eram consensuais as concepções republicanas dos diferentes grupos que se</p><p>reuniam em torno da demanda da derrubada da Monarquia. Pelo que já estudamos, sabemos que</p><p>existiam pelo menos 3 modelos de república em jogo: a positivista, a liberal-conservadora e a</p><p>liberal-social. Havia, inclusive, alguns que achavam que a morte de Dom Pedro II fosse suficiente</p><p>para derrubar a Monarquia. Contudo, essas divergências não foram obstáculo para o momento</p><p>da Proclamação.</p><p>Nos últimos dias que antecederam o 15 de Novembro, já existia um plano pronto para a</p><p>deposição do Rei e do seu Ministério, bem como de governos provinciais fiéis ao Governo. Mas</p><p>anote essa análise, pois essas diferenças serão motivo de conflitos e disputas no processo de</p><p>implementação da República.</p><p>Enfim, nessa altura da conjuntura, apenas três elementos davam a última sustentação ao</p><p>Governo de Dom Pedro:</p><p>✓ O prestígio pessoal do Monarca junto a uma parte da classe política e mesmo à população;</p><p>✓ A dedicação por parte de alguns chefes militares da marinha e do exército mais antigos;</p><p>✓ As divergências entre os diferentes grupos acerca dos seus projetos para República.</p><p>Porém, essas variáveis políticas eram absolutamente insuficientes frente à articulação</p><p>política dos diferentes setores que se lançaram para concluir a ruptura do regime monárquico.</p><p>Vejamos o desenrolar dos fatos nos dias anteriores ao 15 de novembro.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>57</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Podemos sintetizar a Proclamação da República da seguinte maneira:</p><p>No plano pessoal, foi executada por Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca e Floriano</p><p>Peixoto.</p><p>No plano institucional, foi executada pelo Exército e pelos Partidos Republicanos.</p><p>No plano social, foi executada por membros das classes médias, profissionais liberais e</p><p>pelos cafeicultores (com destaque para os paulistas).</p><p>Com o advento da República, o Brasil passa a ser governado pelos militares – os Marechais</p><p>Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Este período ficou conhecido como “República da</p><p>Espada”. Deodoro governou entre 1889 e 1891, enquanto Floriano governou entre 1891 e 1894</p><p>sendo substituído, por meio de eleições diretas, pelo civil Prudente de Moraes. A partir daí iniciou-</p><p>se uma nova fase da política brasileira que conhecemos por República das Oligarquias ou,</p><p>simplesmente, a República do Café com leite.</p><p>No começo de Novembro, o Primeiro-Ministro de Dom Pedro, Visconde de</p><p>Outro Preto propôs ao Parlamento um conjunto de reformas baseado nas</p><p>pautas dos Partidos republicanos (já destacado em outro momento da aula).</p><p>Estas foram frontalmente negadas. Então, D. Pedro dissolveu a Câmara de</p><p>chamou novas eleições cujos eleitos deveriam assumir no dia 20 de Novembro.</p><p>Atitude iníqua.</p><p>Nesse interim, em 11 de Novembro, os militares republicanos convencem</p><p>Marechal Deodoro da Fonseca a assumir a liderança da sedição. Ele era uma</p><p>figura respeitada entre republicanos e monarquistas e, por isso, teria</p><p>legitimidade diante da opinião pública.</p><p>Em 14 de Novembro, Major Sólon espalha a falsa notícia de que havia</p><p>mandado de prisão para Marechal Deodoro e Benjamin Constant. Isso</p><p>ocasiona revolta em alguns quartéis.</p><p>O Primeiro-Ministro tenta salvar a Monarquia e proteger o Imperador</p><p>ordenando que membros do exército combatam os revoltosos. O último a ser</p><p>requisitado para defender o regime foi o então ajudante geral do Exército</p><p>Marechal Floriano Peixoto. Todavia, Visconde de Outro Preto fica sozinho,</p><p>pois ninguém acata suas ordens. Era o fim.</p><p>No amanhecer de 15 de Novembro, o Ministério foi derrubado e</p><p>na tarde do mesmo dia a República foi Proclamada pelo</p><p>Marechal Deodoro da Fonseca.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>58</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final das nossas aulas sobre o Período</p><p>Imperial do Brasil. Agora é estudar o longo processo de construção da República brasileira.</p><p>É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveite TODAS as QUESTÕES,</p><p>pois fizemos observando cada detalhe para fazer você mentalizar, aprender a responder cada</p><p>questão sem escorregar nas artimanhas do examinador. Espero por você no Fórum de Dúvidas,</p><p>se elas aparecerem!</p><p>Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim!</p><p>Alê</p><p>6. LISTA DE QUESTÕES</p><p>(ENEM 2021)</p><p>TEXTO I</p><p>EIGENHEER, E. M. Lixo: a limpeza urbana através dos tempos. Porto Alegre: Gráfica Palloti,</p><p>2009.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>59</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>TEXTO II</p><p>A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era</p><p>geralmente destinada ao único escravo da família ou ao de menor status ou valor. Todas as noites,</p><p>depois das dez horas, os escravos conhecidos popularmente como “tigres” levavam tubos ou</p><p>barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio.</p><p>KARASCH, M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. Rio de Janeiro: Cia das</p><p>Letras, 2000.</p><p>A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas</p><p>cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela</p><p>a) valorização do trabalho braçal.</p><p>b) reiteração das hierarquias sociais.</p><p>c) sacralização das atividades laborais.</p><p>d) superação das exclusões econômicas.</p><p>e) ressignificação das heranças religiosas.</p><p>(ENEM 2021)</p><p>Escravo fugido</p><p>No dia 8 de Outubro do anno próximo passado fugio da fazenda do Bom Retiro, propriedade</p><p>do dr. Francisco Antonio de Araújo, o escravo José, pardo claro, de 22 annos de idade,</p><p>estatura regular, cheio de corpo, com a falta de um dente na frente do lado superior, cabelos</p><p>avermelhados, orelha roxa, falla macia, e andar vagaroso. Intitula-se forro, e quando fugio a</p><p>primeira vez esteve contratado como camarada em uma fazenda em Capivary.</p><p>Quem o apreender e entregar ao seu senhor no Amparo, ou o recolher a cadêa em qualquer</p><p>parte será bem gratificado, e protesta-se com todo o rigor da lei contra quem o acoutar.</p><p>15-13</p><p>Escravo fugido. Jornal Correio Paulistano. 13 de abril de 1879. Disponível em</p><p>http:\\bndigital.bn.gov.br. Acesso em 2 ago. 2019 (adaptado).</p><p>No anúncio publicado na segunda metade do século XIX, qual a estratégia de resistência</p><p>escrava apresentada?</p><p>a) Criação de relações de trabalho.</p><p>b) Fundação de territórios quilombolas.</p><p>c) Suavização da aplicação de normas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>60</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>d) Regularização das funções remuneradas.</p><p>e) Constituição de economia de subsistência.</p><p>(ENEM 2021)</p><p>“Durante os anos de 1854-55, o governo brasileiro – por meio de sua representação</p><p>diplomática em Londres – e os livre-cambistas ingleses – nas colunas do Daily News e na Câmara</p><p>dos Comuns – aumentaram a pressão pela revogação da Lei Aberdeen. O governo britânico,</p><p>entretanto, ainda receava que, sem um trabalho anglo-brasileiro satisfatório para substituí-la, não</p><p>haveria nada que impedisse os brasileiros de um dia voltarem aos seus velhos hábitos”.</p><p>BETHELL, L. A abolição do comércio brasileiro de escravos. Brasília: Senado Federal, 2002</p><p>(adaptado).</p><p>As tensões diplomáticas expressas no texto indicam o interesse britânico em</p><p>a) estabelecer jurisdição conciliadora.</p><p>b) compartilhar negócios marítimos.</p><p>c) fomentar políticas higienistas.</p><p>d) manter a proibição comercial.</p><p>e) promover o negócio familiar.</p><p>(ENEM 2020) 4000203938</p><p>Nas cidades, os agentes sociais que se rebelavam contra o arbítrio do governo também</p><p>eram proprietários de escravos. Levavam seu protesto às autoridades policiais pelo recrutamento</p><p>sem permissão. Conseguimos levantar, em ocorrências policiais de 1867, na Província do Rio de</p><p>Janeiro, 140 casos de escravos aprisionados e remetidos à Corte para serem enviados aos campos</p><p>de batalha.</p><p>SOUSA, J. P. Escravidão ou morte: os escravos brasileiros na Guerra do Paraguai. Rio de</p><p>Janeiro: Mauad; Adesa, 1996.</p><p>Desconstruindo o mito dos “voluntários da pátria”, o texto destaca o descontentamento</p><p>com a mobilização para a Guerra do Paraguai expresso pelo grupo dos</p><p>a) pais, pela separação forçada dos filhos.</p><p>b) cativos, pelo envio compulsório ao conflito.</p><p>c) religiosos, pela diminuição da frequência aos cultos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>61</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>d) oficiais, pelo despreparo militar dos novos recrutas.</p><p>e) senhores, pela perda do investimento em mão de obra.</p><p>(ENEM 2020)</p><p>Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que com frequência</p><p>emergiram durante a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões</p><p>do Brasil, essas divergências foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador</p><p>D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 1831, o país atravessaria tempos ainda mais</p><p>turbulentos sob o regime regencial.</p><p>REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo:</p><p>Cia. das Letras, 2003 (adaptado).</p><p>A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s)</p><p>a) disputas entre as tendências unitarista e federalista.</p><p>b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional.</p><p>c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina.</p><p>d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos.</p><p>e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática.</p><p>(ENEM 2020)</p><p>Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888</p><p>A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II,</p><p>faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia-Geral decretou e ela sancionou a</p><p>lei seguinte:</p><p>Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.</p><p>Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei</p><p>pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.</p><p>Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º ano da Independência e do</p><p>Império.</p><p>Princesa Imperial Regente.</p><p>Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 6 fev. 2015 (adaptado).</p><p>Um dos fatores que levou à promulgação da lei apresentada foi o(a)</p><p>a) abandono de propostas de imigração.</p><p>b) fracasso do trabalho compulsório.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>62</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) manifestação do altruísmo britânico.</p><p>d) afirmação da benevolência da Corte.</p><p>e) persistência da campanha abolicionista.</p><p>(ENEM 2018)</p><p>A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir</p><p>títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em</p><p>compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações que</p><p>levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas.</p><p>Aquelas “angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro para comprar</p><p>liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de escravos a fazerem</p><p>alforrias gratuitamente.</p><p>MIRANDA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015</p><p>As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento</p><p>a) feminista.</p><p>b) sufragista.</p><p>c) socialista.</p><p>d) republicano.</p><p>e) abolicionista.</p><p>(ENEM 2017)</p><p>Com a Lei de Terras de 1850, o acesso à terra só passou a ser possível por meio da compra</p><p>com pagamento em dinheiro. Isso limitava, ou mesmo praticamente impedia, o acesso à terra</p><p>para os trabalhadores escravos que conquistavam a liberdade.</p><p>OLIVEIRA, A. U. Agricultura brasileira: transformações recentes. In: ROSS, J. L. S. Geografia</p><p>do Brasil. São Paulo: Edusp. 2009</p><p>O fato legal evidenciado no texto acentuou o processo de</p><p>a) reforma agrária.</p><p>b) expansão mercantil.</p><p>c) concentração fundiária.</p><p>d) desruralização da elite.</p><p>e) mecanização da produção.</p><p>(ENEM 2015)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>63</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>SCHWARCZ, L. M. As barbas do imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo:</p><p>Cia. Das Letras, 1998 (adaptado)</p><p>Essas imagens de D. Pedro II foram feitas no início dos anos de 1850, pouco mais de uma década</p><p>após o Golpe da Maioridade. Considerando o contexto histórico em que foram produzidas e os</p><p>elementos simbólicos destacados, essas imagens representavam um</p><p>a) jovem maduro que agiria de forma irresponsável.</p><p>b) imperador adulto que governaria segundo as leis.</p><p>c) líder guerreiro que comandaria as vitórias militares.</p><p>d) soberano religioso que acataria a autoridade papal.</p><p>e) monarca absolutista que exerceria seu autoritarismo.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Como resultado desse mecanismo, houve, em um governo de cinquenta anos, a</p><p>sucessão de 36 gabinetes, com a média de um ano e três meses de duração cada um.</p><p>Aparentemente, havia uma grande instabilidade, mas, de fato, não era bem isso o que</p><p>ocorria. Na verdade, tratava-se um sistema flexível que permitia o rodízio dos dois</p><p>principais partidos no governo sem maiores traumas. Para quem estivesse na oposição,</p><p>havia sempre a esperança de ser chamado a governar. Assim, o recurso às armas se</p><p>tornou desnecessário”.</p><p>FAUSTO, B. História do Brasil. 13 ed. São Paulo: Edusp, 2008, p. 179-180.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>64</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Instituído em 1847, no Brasil, o sistema político descrito pelo texto ficou conhecido</p><p>como</p><p>a) presidencialismo autoritário, uma vez que os regentes dispensaram o Conselho de</p><p>Estado.</p><p>b) liberalismo tupiniquim, por a monarquia constitucional brasileira manter princípios</p><p>absolutistas.</p><p>c) nacional-desenvolvimentismo, haja vista que se construía um Estado forte e interventor</p><p>na economia.</p><p>d) monarquismo de fachada, porque o imperador era apenas simbólico e não tinha</p><p>prerrogativas de poder.</p><p>e) parlamentarismo às avessas, pois o imperador continuava tendo influência na</p><p>nomeação dos ministros.</p><p>11. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Em meados do século XIX (...) o Império ingressou numa era de mudanças relacionadas</p><p>à própria expansão do capitalismo. Os ventos do progresso</p><p>começaram a chegar ao</p><p>país, atraídos pelas possibilidades de investimentos e lucros em setores ainda</p><p>inexplorados”.</p><p>NEVES, L.; MACHADO, H. O Império do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p.</p><p>313.</p><p>Para impulsionar a industrialização, a urbanização e o aperfeiçoamento da infraestrutura</p><p>do país, o governo monárquico procurou incentivar</p><p>a) a elite açucareira decadente a se realocar no ramo industrial, revogando os impostos</p><p>que incidiam sobre o trabalho escravo, para que essa mão de obra fosse mobilizada para</p><p>as novas atividades.</p><p>b) os bandeirantes a adentrarem nas regiões ainda pouco explorada em busca de</p><p>matérias primas essenciais ao processo de industrialização, como reservas naturais de</p><p>carvão mineral.</p><p>c) os cafeicultores a investir na modernização por meio do fim do tráfico de escravos,</p><p>protecionismo alfandegário e acesso a empréstimos com bancos ingleses.</p><p>d) a importação de bens de consumo e equipamentos industriais, por meio da redução</p><p>da tributação alfandegário, de modo que o empresariado nacional pôde desenvolver</p><p>seus negócios rapidamente.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>65</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>e) a expulsão de empresas estrangeiras que monopolizavam a prestação de serviços</p><p>urbanos, obras de infraestrutura e setores da indústria, para que as elites brasileiras</p><p>pudessem assumir essas atividades.</p><p>12. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Charge de Ângelo Agostini, publicada em A Vida Fluminense, em 11 de junho de 1870.</p><p>A charge expressa</p><p>a) a conivência de negros livres e libertos com a escravidão, muitos dos quais possuíam</p><p>escravos.</p><p>b) o projeto estatal de abolição imediata e sem indenização aos senhores, criticado pelas</p><p>elites.</p><p>c) a adesão de setores militares ao movimento republicano, após a guerra contra os</p><p>paraguaios.</p><p>d) a contradição criada pela incorporação dos escravos ao exército e sua atuação na</p><p>defesa do país.</p><p>e) o sadismo da escravidão brasileira que obrigava os escravos a punir seus pares na</p><p>mesma condição.</p><p>13. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>66</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“Qualquer que se encarregar de escrever a história do Brasil, país que tanto promete,</p><p>jamais deverá perder de vista quais os elementos que aí concorreram para o</p><p>desenvolvimento do homem. São, porém, estes elementos de natureza muito diversa,</p><p>tendo para a formação do homem convergido de um modo particular três raças, a saber:</p><p>a de cor de cobre ou americana, a branca ou caucasiana, e enfim a preta ou etiópica. Do</p><p>encontro, da mescla, das relações mútuas e mudanças dessas três raças, formou-se a</p><p>atual população, cuja história por isso mesmo tem um cunho muito particular”.</p><p>PICCOLI, Valéria. A identidade brasileira no século XIX. Fórum permanente. Disponível</p><p>em http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br. Acesso em 30 mar. 2010.</p><p>Em um contexto de difusão de teorias raciais na Europa e nas Américas, as elites</p><p>brasileiras buscaram forjar uma identidade nacional fundamentada</p><p>a) na inferioridade da população brasileira, que sofria uma degenerescência por conta da</p><p>presença de negros e índios.</p><p>b) na positivação da mestiçagem, como o melhor meio para operar o embranquecimento</p><p>da população que levaria ao progresso</p><p>c) na valorização das tradições africanas na composição da cultura e população</p><p>brasileiras, o que fez do negro o principal ator da identidade nacional.</p><p>d) no fortalecimento de uma visão negativa sobre a população indígena, considerada</p><p>bárbara, selvagem e violenta.</p><p>e) na rejeição intransigente do racismo científico que legava aos brasileiros o último lugar</p><p>na escala evolutiva das civilizações humanas.</p><p>(UNIVESP 2018)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Ao redor de 1900, várias modificações e atualizações importantes ocorrem ao longo da</p><p>ferrovia da São Paulo Railway. As máquinas de tração do equipamento rodante são</p><p>substituídas por equipamento moderno, há um novo traçado da linha entre a serra e Santos,</p><p>uma nova Estação da Luz. A Estação da Luz se torna uma estação monumental, imponente e</p><p>solene.</p><p>(Martins, José de Souza. A ferrovia e a modernidade em São Paulo: a gestação do ser</p><p>dividido. Revista USP, São Paulo, n.63, p. 6-15, setembro/novembro 2004)</p><p>A importância histórica da Estação da Luz pode ser relacionada</p><p>a) ao deslocamento dos cafezais para o Vale do Paraíba e à utilização da mão de obra negra</p><p>escravizada.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>67</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) à industrialização na região do ABC paulista e ao início do desenvolvimento rodoviário de</p><p>São Paulo.</p><p>c) à expansão da cafeicultura para o Oeste paulista e à presença do capital inglês na</p><p>economia brasileira.</p><p>d) à desativação das estradas utilizadas por tropeiros e ao crescimento da exportação de</p><p>algodão e tabaco.</p><p>e) à decadência da oligarquia paulista do Oeste Velho e à ascensão da burguesia industrial</p><p>de origem imigrante.</p><p>(UNIVESP 2018)</p><p>“Projeto de uma estátua equestre para o ilustre chefe do Partido Liberal”</p><p>A charge, publicada na Revista Illustrada no ano de 1880, faz uma crítica</p><p>a) ao intenso envolvimento dos liberais com a causa abolicionista.</p><p>b) à crise social vivida pelo país devido à luta contra a escravidão.</p><p>c) ao compromisso das elites políticas do Império com a escravidão.</p><p>d) aos agitadores republicanos contrários ao Império e à escravidão.</p><p>e) à radicalidade exagerada de negros e indígenas abolicionistas.</p><p>(FGV-SP 2019)</p><p>Considere a tabela a seguir.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>68</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Comércio Exterior do Brasil em Contos de Réis</p><p>Os dados, dentro do contexto do Brasil oitocentista, mostram</p><p>a) o aguçamento da dependência econômica em relação aos Estados Unidos, apenas</p><p>superada na última década do século XIX, com o início da industrialização em São Paulo.</p><p>b) a revitalização econômica derivada de uma ação decisiva do Estado Imperial, porque</p><p>foram mobilizados recursos oriundos de uma taxação extra sobre a compra e venda de</p><p>escravos a partir de 1850.</p><p>c) a ressignificação econômica brasileira, porque as regiões nordestinas produtoras de açúcar</p><p>até o século XVIII se voltam para a produção algodoeira, gerando um progressivo superavit</p><p>comercial.</p><p>d) a importância da lavoura cafeeira para a reorganização da economia nacional, além de</p><p>promover um aparelhamento técnico, materializado, por exemplo, nas estradas de ferro.</p><p>e) a adaptação da economia nacional aos interesses da burguesia financeira francesa, porque</p><p>os recursos gerados pela exportação de café foram destinados ao pagamento da dívida</p><p>externa pública.</p><p>(FGV-SP 2019)</p><p>Já no artigo 1° , a Lei n° 601/1850 determinava: “ficam proibidas as aquisições de terras</p><p>devolutas por outro título que não seja o de compra”. No artigo 3° , inciso IV, definia: “são</p><p>terras devolutas: [...] as que não se acharem ocupadas por posse que, apesar de não se</p><p>fundarem em título legal, foram legitimadas por esta Lei”.</p><p>(José Sacchetta Ramos Mendes, “Desígnios da Lei de Terras: imigração, escravismo e</p><p>propriedade fundiária no Brasil Império”. Caderno CRH, vol. 22, no 55, Salvador, jan/abr,</p><p>2009)</p><p>A lei citada, entre outros pontos, intencionava</p><p>a) fortalecer as pequenas e médias propriedades rurais com o propósito de agilizar a</p><p>transição do trabalho compulsório para o livre, desmontando, assim, a estrutura latifundiária.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>69</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) retomar propriedades rurais doadas pelo sistema das sesmarias, em vigor desde o início</p><p>da colonização do Brasil, e que nunca foram efetivamente ocupadas</p><p>pelas pessoas que as</p><p>receberam.</p><p>c) democratizar o acesso à terra, porque com uma legislação específica seria possível colocar</p><p>terras no mercado a preços razoáveis, atraindo pequenos proprietários e imigrantes do meio</p><p>urbano europeu.</p><p>d) regulamentar a estrutura fundiária brasileira, porque havia uma numerosa titulação de</p><p>posse de terras em duplicidade e a maior parte das propriedades nacionais tinha sempre</p><p>mais de um proprietário.</p><p>e) controlar o acesso à propriedade da terra, em um contexto no qual a entrada de escravos</p><p>africanos no Brasil mostrava-se cada vez mais difícil e havia projetos para ampliar a vinda de</p><p>imigrantes.</p><p>(UEL 2015)</p><p>Observe as figuras 1 e 2.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>70</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A colonização no Brasil pela coroa portuguesa teve sua origem no sistema de Capitanias</p><p>Hereditárias que definiu a propriedade e a posse das terras. No início do século XIX, com a</p><p>vinda de imigrantes europeus para o Brasil, estabeleceu-se a Lei de Terras de 1850, com o</p><p>intuito de normatizar a propriedade e o seu uso. Sobre o domínio de terras no Brasil, no</p><p>contexto das Capitanias Hereditárias e da Lei de 1850, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Os donatários eram impedidos pela Coroa Portuguesa de vender suas terras. A Lei de</p><p>Terras definiu que as terras públicas poderiam tomar-se propriedade privada somente pela</p><p>compra.</p><p>b) Os donatários se isentavam da defesa de suas terras, convocando o poder real para fazê-</p><p>Ia. Com a vinda dos imigrantes, a Lei de Terras possibilitou a apropriação aos desprovidos</p><p>de recursos.</p><p>c) Os recursos empregados pelos donatários viabilizaram o pleno sucesso do modelo das</p><p>capitanias. Com a Lei de Terras, expandiu-se o domínio do setor industrial pelo monopólio</p><p>do poder económico.</p><p>d) 0 sistema de capitanias vigorou até o século XIX quando aconteceram as insurreições do</p><p>Maranhão e da Bahia. A Lei de Terras impediu que a mão de obra livre pudesse se locomover</p><p>para as atividades industriais.</p><p>e) A Coroa tinha o direito de confiscar todos os metais preciosos extraídos das capitanias. A</p><p>Lei de Terras facilitou a ocupação ilegal e o arrendamento das terras consideradas devolutas.</p><p>(PUC-RJ 2010) 4000163726</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>71</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Fotografia de Militão Augusto de Azevedo, São Paulo, 1879. In: O Olhar Europeu – o negro</p><p>– na iconografia brasileira do século XIX. São Paulo, 1994.</p><p>Considere a escravidão no Brasil na segunda metade do século XIX, observe a fotografia</p><p>acima e EXAMINE as afirmativas a seguir.</p><p>I – A imagem retrata um casal de negros livres ou libertos uma vez que esses aparecem com</p><p>sapatos, item indicativo de liberdade.</p><p>II – A imagem evidencia a apropriação por parte dos negros de comportamentos da classe</p><p>senhorial branca, como estratégia para se afastar dos estigmas da escravidão.</p><p>III – Imagens de escravos, como essa, eram produzidas pelos fotógrafos da época, dentro e</p><p>fora de seus ateliês, revelando o interesse no registro dos costumes e dos tipos humanos.</p><p>IV – Nos álbuns de retratos da classe senhorial era comum aparecer fotos de seus escravos,</p><p>como um meio de difundir uma imagem de poder e riqueza.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>(PUC-PR 2019)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>72</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Com a antecipação da maioridade e a coroação de D. Pedro II, teve início o Segundo</p><p>Reinado, que se estendeu até 1889, o mais longo período de um governo da história</p><p>brasileira. Nesse período, o país foi pacificado, com a repressão às revoltas iniciadas no</p><p>Período Regencial e aos novos movimentos que questionavam o governo estabelecido. Após</p><p>a superação das disputas e divergências entre liberais e conservadores, que passaram a fazer</p><p>parte do governo e se alternar no poder, a centralização política e administrativa foi</p><p>consolidada.</p><p>Sobre o Segundo Reinado, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) A base da economia no Segundo Reinado deixou de ser agrária e começou um processo</p><p>de desenvolvimento industrial baseado no modelo inglês.</p><p>b) As relações internacionais entre Brasil e Inglaterra foram restabelecidas e consolidadas</p><p>com a assinatura do tratado de Christie, pelo qual a Inglaterra reconhecia o direito do</p><p>governo brasileiro de continuar com o tráfico de escravos africanos para abastecer de mão-</p><p>de-obra a produção cafeeira.</p><p>c) No início do seu governo, D. Pedro II dedicou atenção especial as reivindicações populares</p><p>atendendo, inclusive, as petições populares de participação nas decisões governamentais.</p><p>d) O apogeu da monarquia brasileira ocorreu entre as décadas de 1850 a 1870, devido à</p><p>combinação de dois fatores: estabilidade política e desenvolvimento econômico, alicerçados</p><p>na produção cafeeira e modernização.</p><p>e) Com a coroação de D. Pedro II como imperador do Brasil, as elites se reorganizaram em</p><p>torno do poder. Os integrantes do Partido Conservador e do Partido Liberal, por exemplo,</p><p>passaram a defender alterações na estrutura sociopolítica brasileira, como o fim do voto</p><p>censitário e masculino.</p><p>(UNCISAL 2018)</p><p>Em 24 de setembro de 2017, a Folha de São Paulo noticiou que o comando do exército</p><p>rejeitou proposta de criação de uma unidade militar com trajes históricos que pretendia</p><p>homenagear soldados negros que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870), afirmando</p><p>que, após análise técnica, a instituição concluiu que uma portaria de 1999 não dava respaldo</p><p>legal ao acolhimento da proposta. Adaptado de: . Acesso em: 23 out. 2017.</p><p>Sobre a participação da população negra na Guerra do Paraguai, assinale a alternativa</p><p>correta.</p><p>(A) Os negros em situação de escravidão eram utilizados como soldados no exército</p><p>brasileiro nas batalhas mais violentas, como a Batalha do Riachuelo, ocorrida no dia 11 de</p><p>junho de 1865, às margens do Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de</p><p>Corrientes, na Argentina.</p><p>(B) A participação da população negra na Guerra do Paraguai ocorreu devido ao crescente</p><p>nacionalismo gerado nessa população, por causa da possibilidade de abolição da escravidão,</p><p>a qual ocorreu em 1888.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>73</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(C) Uma das formas de participação da população negra na Guerra do Paraguai foi por meio</p><p>da compra de escravos que lutavam em nome de seus proprietários, o que era uma prática</p><p>corrente. Além disso, o império prometia alforria para os que se apresentassem para a</p><p>guerra, fazendo “vistas grossas” para os fugidos.</p><p>(D) A população negra que participou da Guerra do Paraguai foi aquela que gozava de plena</p><p>liberdade e/ou havia recebido alforria de seus senhores para a participação.</p><p>(E) A participação da população negra na Guerra do Paraguai se restringia ao auxílio aos</p><p>soldados do exército brasileiro. Sendo assim, os negros não atuaram como soldados, o que</p><p>justifica a negativa, pelo comando do exército, da criação da unidade militar mencionada no</p><p>enunciado.</p><p>(UNCISAL 2020)</p><p>Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889. Eu quisera poder dar a esta data a denominação</p><p>seguinte: 15 de novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo.</p><p>O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. Em todo o caso,</p><p>o que está feito, pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder</p><p>tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à liberdade. Como trabalho de saneamento, a obra</p><p>é edificante. Por ora,</p><p>A Inglaterra</p><p>pressionou o Brasil pelo fim da escravidão, porque esta era considerada um atraso para o novo</p><p>mundo liberal capitalista.</p><p>É por isso que, segundo historiadores, um dos fatores que favoreceu a crise da Monarquia</p><p>e o Advento da República em 1889 foram as transformações em curso na esfera internacional com</p><p>o avanço de ideais republicanos e economias industrializadas.</p><p>Evidentemente há fatores internos fundamentais que explicam como se deu o desenrolar</p><p>desse momento no Brasil.</p><p>Vamos à História, meus caros!</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>6</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>1. A BUSCA PELA ESTABILIDADE POLÍTICA</p><p>Antes de iniciarmos nossos estudos sobre os aspectos políticos do 2º Reinado, relembrem</p><p>a estrutura institucional e o modo como o poder estava organizado durante o Império:</p><p>Como vimos, o período regencial é marcado por uma disputa entre regressistas e</p><p>progressistas. Mas, a parir de 1840, esses partidos se reorganizam em dois importantes grupos</p><p>políticos no Brasil:</p><p>O Partido Liberal, conhecido como “luzia”: os liberais eram em sua maioria</p><p>profissionais liberais e proprietários de terras voltados para o abastecimento interno</p><p>do Império, tendo o partido maior força em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São</p><p>Paulo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>7</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>O Partido Conservador, denominado “saquarema”: os conservadores eram</p><p>principalmente representantes da elite agrária agroexportadora e escravocrata, com</p><p>grande expressão nas províncias do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.</p><p>Para muitos estudiosos sobre o Império, os dois partidos possuíam mais elementos em</p><p>comum do que diferenças de fato, afinal ambos eram compostos pela elite proprietária do</p><p>período, defensora da unidade do país, do regime monárquico e da escravidão. Devido a essa</p><p>posição, ficaria eternizada a seguinte frase do político Holanda Cavalcanti acerca dos partidos:</p><p>“nada se assemelha mais a um saquarema do que um luzia no poder”.</p><p>Apesar de ambos defenderem a monarquia e a escravidão, tinham visões distintas sobre o</p><p>Forma de Estado e sobre questões administrativas. Assim, o debate entre centralização e</p><p>descentralização política continuava sendo o elemento que explica os obstáculos para a</p><p>estabilidade. Evidentemente não era apenas isso, esses grupos queriam ocupar o poder do</p><p>estado, gozar dos privilégios que isso poderia gerar.</p><p>Uma boa definição sobre os programas políticos de cada um dos grupos, pode ser</p><p>encontrada no texto de João Manuel Pereira da Silva, eleito onze vezes deputado durante o</p><p>Segundo Reinado:</p><p>Pretendiam os liberais que se decretassem mais amplas franquezas políticas às</p><p>províncias a fim de descentralizar-se a ação governativa geral, exigiam ainda restringir</p><p>a ação da polícia e confiar-se ao povo a eleição dos magistrados, a fim de que o país se</p><p>administrasse pelos agentes de sua vontade e escolha.</p><p>Replicavam os conservadores que era indispensável a centralização política para se</p><p>manter a integridade do Império; que o Poder Judiciário carecia de ser independente</p><p>e inamovível para cumprir deveres e amparar os direitos dos cidadãos, e firmar a esfera</p><p>da resistência legal que se facultava.</p><p>*defesa da</p><p>monarquia</p><p>*defesa da</p><p>unidade do</p><p>Império</p><p>*manutenção</p><p>da escravidão</p><p>• centralização política e</p><p>administrativa:</p><p>• Unitarismo</p><p>(menor autonomia para as</p><p>províncias)</p><p>Partido</p><p>Conservador</p><p>"saquarema"</p><p>• descentraliação política</p><p>e administrativa:</p><p>• federalismo</p><p>(maior autonomia para as</p><p>províncias)</p><p>Partido</p><p>Liberal</p><p>"luzia"</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>8</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Estes princípios mais ou menos bem desempenhados, segundo as ocorrências e</p><p>segundo também os temperamentos dos homens políticos, separaram os dois partidos</p><p>militantes.</p><p>SILVA, Joao Manuel Pereira. Memórias do meu</p><p>tempo. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2003. pp. 106-107.</p><p>Assim, anote aí, querido e querida, grande parte do Período do Segundo Reinado é caracterizado</p><p>pelas disputas entre esses dois grupos políticos.</p><p>Em geral, esses conflitos ficaram evidentes durante as eleições parlamentares. Foi o que</p><p>ocorreu em 1840 durante a primeira eleição para Câmara dos Deputados, a qual ficou conhecida</p><p>como “Eleição do Cacete” – devido ao uso de ampla violência e fraude eleitoral.</p><p>Pega essa “história da carochinha” para você entender a confusão da época:</p><p>Preteridos pelo Imperador, os liberais condenaram A CENTRALIZAÇÃO DO PODER e a dissolução</p><p>da legislatura escolhida por meio das “eleições do cacete”. A rebelião explodiu em São Paulo e</p><p>Minas Gerais. Os revoltosos esperavam a adesão de outras províncias. Mas isso não ocorreu!</p><p>A Revolução Liberal de 1842 aclamou o político Rafael Tobias de Aguiar como novo presidente</p><p>da província depois de depor o indicado pelo Imperador. Os rebelados conquistam as cidades</p><p>paulistas de Itu, Porto Feliz, Campinas e Capivari, mas foram derrotados pelas tropas imperiais</p><p>lideradas pelo barão de Caxias.</p><p>1840: 1o. Conselho</p><p>de Ministros de D.</p><p>Pedro - MAIORIA</p><p>LIBERAIS</p><p>13 DE OUTUBRO DE</p><p>1840: Eleição do</p><p>cacete: maioria dos</p><p>votos para os liberais</p><p>1841: D. Pedro</p><p>substitui o ministério</p><p>por MAIORIA DE</p><p>CONSERVADORES</p><p>Liberais ficam</p><p>tranquilos porque</p><p>acham que vão voltar</p><p>pois conseguiram a</p><p>maioria dos votos na</p><p>eleição</p><p>Conservadores</p><p>pressionam para que</p><p>D. Pedro anule o</p><p>resultado eleitoral</p><p>Dom Pedro se decide:</p><p>ANULA AS ELEIÇÕES</p><p>OS CONSERVADORES</p><p>COMEMORAM</p><p>OS LIBERAIS SE</p><p>REVOLTAM</p><p>REVOLTA LIBERAL</p><p>DE 1842!</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>9</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Em Minas Gerais, liberais encabeçados por Teófilo Otoni nomeiam José Feliciano Pinto Coelho da</p><p>Cunha como presidente da província, mas também foram vencidos por Caxias em agosto de 1842</p><p>na cidade de Santa Luzia.</p><p>A partir daí os conservadores passam a chamar os liberais de “luzias”, em referência ao episódio.</p><p>Dom Pedro II, por sua vez, aproveitou-se dessas divergências para conseguir continuar</p><p>acima dos grupos e buscar a estabilidade. Para tanto, em 1847 instituiu o parlamentarismo. Na</p><p>prática ficou criado o cargo de Presidente do Conselho de Ministros (uma espécie de chefe de</p><p>governo – primeiro ministro), que a partir daquele momento seria incumbido da tarefa de montar</p><p>o Gabinete Ministerial.</p><p>A questão, no Brasil, era: quem vai nomear esse Primeiro Ministro, chefe do gabinete</p><p>Ministerial?</p><p>Em tese, quem deveria escolher o Presidente do Conselho de Ministro era o partido que</p><p>obtivesse a maioria dos votos para o Parlamento – como é característico no funcionamento do</p><p>sistema parlamentarista. Mas, como existia o Poder Moderador do Imperador, acabou que era</p><p>ele, o próprio Imperador, quem</p><p>escolhia o Presidente do Conselho.</p><p>Por isso, chamamos esse</p><p>parlamentarismo de</p><p>“Parlamentarismo às vessas”. Com</p><p>esse poder ora o Imperador nomeava</p><p>um 1º Ministro Conservador, ora um</p><p>liberal. Os dados demonstram que</p><p>houve um predomínio dos</p><p>conservadores no poder – eles teriam</p><p>passado 10 anos a mais governando</p><p>do que os liberais.</p><p>"O rei se diverte", charge de Cândido Aragonez de Faria publicada no jornal O Mequetrefe, 09/01/18782.</p><p>Além disso, para ampliar a estabilidade, D. Pedro II buscou aproximar os dois grupos em</p><p>uma coalizão de governo. Conhecemos isso por “política da conciliação”. Na prática isso foi a</p><p>forma de governar, sobretudo, entre 1853 e 1861. Apesar dessa conciliação, percebemos que as</p><p>demandas liberais – como a ampliação da autonomia das províncias, extinção do Poder</p><p>Moderador, fim da vitaliciedade do Senado – nunca foram seriamente consideradas.</p><p>a cor do governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi</p><p>deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo</p><p>bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava (...). LOBO, Aristides. O povo</p><p>assistiu àquilo bestializado. Diário Popular, Rio de Janeiro, 18 nov. 1889 (adaptado).</p><p>O texto expressa a posição de um jornalista sobre um significativo evento para a cultura</p><p>política brasileira. Conforme seu autor, a participação da população civil na Proclamação da</p><p>República foi</p><p>A) restrita.</p><p>B) dispersa.</p><p>C) irracional.</p><p>D) inexistente.</p><p>E) desanimada.</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>A Lei Áurea era mesmo popular e conferia nova visibilidade à princesa Isabel e à Monarquia.</p><p>No entanto, politicamente, o Império tinha seus dias contados ao perder o apoio dos</p><p>fazendeiros do Vale do Paraíba. Apesar do clima de euforia reinante, parecia ser o último ato</p><p>do teatro imperial. [...]. Nos jornais e nas imagens da época, Isabel passa a ser retratada como</p><p>uma santa a redimir os escravos, que aparecem sempre descalços e ajoelhados, como a rezar</p><p>e a abençoar a padroeira. Já a princesa surge de pé e ereta, contrastada com a posição</p><p>curvada e humilde dos ex-escravos, que parecem manter a sua situação – se não mais real,</p><p>ao menos simbólica. Aos escravos recém-libertos só restaria a resposta servil e subserviente,</p><p>reconhecedora do tamanho do “presente” recebido. Estava inaugurada uma maneira</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>74</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>complicada de lidar com a questão dos direitos civis. Sem a compreensão de que a abolição</p><p>era resultado de um movimento coletivo, permaneceríamos atados ao complicado jogo das</p><p>relações pessoais, suas contraprestações e deveres: chave do personalismo e do próprio</p><p>clientelismo. Nova versão para uma estrutura antiga em que as relações privadas se impõem</p><p>sobre as esferas públicas de atuação. Como se fôssemos avessos a qualquer associação com</p><p>a violência, apenas reproduzimos hierarquias que, de tão assentadas, pareciam legitimadas</p><p>pela própria natureza. Péssima lição de cidadania: a liberdade combinada com humildade e</p><p>servidão, distante das noções de livre-arbítrio e de responsabilidade individual. ”</p><p>SCHWARCZ, Lilia. “Abolição como Dádiva”. In: FIGUEIREDO, Luciano (org.) A Era da</p><p>Escravidão. Rio de Janeiro: Sabin, 2009, p. 88-90.</p><p>A respeito da Lei Áurea é correto afirmar</p><p>a) Além da liberdade, foi concedida para cada ex-escravizado uma gleba de terras para que</p><p>pudesse trabalhar e manter sua família.</p><p>b) Foi estipulada uma indenização individual de um conto de réis para cada ex-escravizado a</p><p>título de indenização pelo seu trabalho compulsório anterior.</p><p>c) A lei estipulou um sistema jurídico que punia como crime contra a humanidade qualquer</p><p>forma de exploração e preconceito.</p><p>d) A Abolição da escravidão proporcionou, ao Imperador Pedro II, maior apoio dos</p><p>cafeicultores e, dessa forma, protelou a Proclamação da República.</p><p>e) A assinatura da Lei Áurea não significou o fim do preconceito racial e não propiciou acesso</p><p>à terra ou a qualquer outra forma de indenização às populações libertas.</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>A partir da emancipação política do Paraná, em 1853, vários governantes adotaram políticas</p><p>que visaram atrair imigrantes europeus para o seu território. Sobre esse processo de</p><p>colonização, é correto afirmar.</p><p>a) No Paraná não houve escravidão, pois, desde a sua emancipação, a agricultura foi</p><p>praticada apenas por imigrantes europeus.</p><p>b) Toda a população indígena do Paraná foi deslocada para o Mato Grosso do Sul, por isso,</p><p>na época da chegada dos imigrantes europeus, havia um vazio demográfico.</p><p>c) O presidente da província do Paraná entre 1875 e 1877, Adolfo Lamenha Lins, criou</p><p>colônias de imigrantes europeus na região de Curitiba e estabeleceu as diretrizes para a</p><p>colonização.</p><p>d) No Paraná, nunca houve conflitos envolvendo a posse e a propriedade da terra.</p><p>e) A fixação de europeus no território paranaense só foi possível graças à inexistência de</p><p>grandes latifúndios advindos de antigas concessões de sesmarias.</p><p>(UNITINS 2018)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>75</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Analise a citação a seguir a respeito da Proclamação da República brasileira e assinale a alternativa</p><p>que a interpreta.</p><p>“Realiza-se na História do Brasil, em 1889, uma acomodação política. A República que se instala,</p><p>passada a fase de depuração, é a do controle hegemônico dos fazendeiros do oeste paulista</p><p>acrescida da descentralização, para contentar os interesses regionais. A nova ordenação política</p><p>não significou reformas estruturais” (MONTEIRO, Hamilton. Brasil Império. São Paulo: Ática, 1994</p><p>p. 75).</p><p>a) A Proclamação da República resultou de movimentos históricos brasileiros, como a</p><p>Inconfidência Mineira e a República Farroupilha.</p><p>b) A República que nasceu no Brasil no final do século XIX mudava a forma de governo sem</p><p>revolucionar a sociedade, mantendo o clima de ordem que interessava às elites.</p><p>c) Deodoro da Fonseca liderou militares, cafeicultores e profissionais liberais no movimento que</p><p>promoveu a república, em razão de sua histórica oposição ao regime monarquista.</p><p>d) Os interesses da elite agrária do nordeste não eram diferentes dos interesses dos cafeicultores</p><p>paulistas, e isso favoreceu a mobilização social para a Proclamação da República.</p><p>e) A implantação da república no Brasil trouxe de imediato uma mudança social significativa: a</p><p>participação popular nos eventos políticos nacionais.</p><p>(UNITINS 2021)</p><p>A imagem e o texto a seguir referem-se à escravidão no Brasil que teve duração do início do século</p><p>XVI ao final do século XIX.</p><p>“A agitação negra marcou a luta contra a escravidão na sociedade brasileira. A revolta escrava,</p><p>individual ou coletiva, foi o primeiro e principal instrumento de instabilidade da ordem vigente.</p><p>Rebeliões, fugas e tantas outras formas de ação escrava vivenciadas no Brasil, até quando não</p><p>explicitavam esse propósito, construíram os caminhos para a falência do mundo governado por</p><p>proprietários de pessoas”. (ALBUQUERQUE, Wlamyra. Movimentos sociais abolicionistas. In:</p><p>Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das letras, 2018).</p><p>Analise as afirmativas a seguir sobre a escravidão no Brasil.</p><p>I – O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e o que mais recebeu africanos</p><p>aprisionados por meio do tráfico.</p><p>II– Principal parceira econômica do Brasil, a Inglaterra pressionava D. Pedro II desde metade do</p><p>século XIX a abolir o regime escravocrata por razões humanitárias.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>76</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>III – A Lei do Ventre Livre (1870) e a Lei dos Sexagenários (1884) buscavam transição gradual para</p><p>o fim do trabalho escravo no Brasil e atendiam às reivindicações dos grupos abolicionistas.</p><p>IV – Pressionado pela Inglaterra, o Brasil aprovou a Lei Eusébio de Queirós que decretou a</p><p>proibição de tráfico negreiro no Brasil a partir de 1850.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) III e IV apenas. B) I e IV apenas. C) I, II e IV apenas. D) I e II apenas. E) I, II, III e IV.</p><p>(IFSudMinas 2018)</p><p>I. Ao longo do século XIX, o café tornou-se rapidamente a principal atividade agrícola do</p><p>país, responsável por mais da metade do dinheiro arrecadado em exportações no Brasil.</p><p>II. Um fator que contribuiu para a ampliação da produção cafeeira no Brasil foi o aumento da</p><p>procura do produto pelos mercados consumidores da Europa e dos EUA.</p><p>III. A construção e ampliação das ferrovias no Brasil para o transporte do café aumentou a</p><p>velocidade de escoamento da produção e interligou algumas regiões do Império.</p><p>IV. A cafeicultura no Brasil beneficiou-se da estrutura</p><p>escravista, sendo incorporada ao</p><p>sistema plantation, caracterizado basicamente pela monocultura voltada para a exportação,</p><p>a mão de obra escrava e o cultivo em grandes latifúndios.</p><p>V. O maior Estado produtor de café no Brasil foi o Rio de Janeiro, pois possuía a terra roxa,</p><p>um tipo de solo que favorecia a lavoura cafeeira.</p><p>Agora marque a alternativa CORRETA.</p><p>a) Todas as afirmativas são verdadeiras.</p><p>b) Todas as afirmativas são falsas.</p><p>c) Apenas I, II, III e IV são verdadeiras.</p><p>d) Apenas II, III, IV e V são verdadeiras.</p><p>e) Apenas I, II, III e V são verdadeiras.</p><p>(IFPE 2017)</p><p>“As promessas de liberdade do segundo e extenso período desde a Independência até à lei</p><p>Rio Branco datam de poucos anos relativamente a certa parte da população escrava, e do</p><p>fim do primeiro reinado relativamente à outra.</p><p>Os direitos d’esta última – que vem a ser os Africanos importados depois de 1831 e os seus</p><p>descendentes – são discutidos mais longe. Por ora baste-nos dizer que esses direitos não se</p><p>fundam sobre promessas mais ou menos contestáveis, mas sobre um tratado internacional e</p><p>em lei positiva e expressa. O simples fato de achar-se pelo menos metade da população</p><p>escrava do Brasil escravizada com postergação manifesta da lei e desprezo das penas que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>77</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>ela fulminou, dispensar-nos-ia de levar por diante este argumento sobre os compromissos</p><p>públicos tomados para com os escravos.</p><p>Quando a própria lei, como se o verá exposto com toda a minudência, não basta para</p><p>garantir à metade, pelo menos, dos indivíduos escravizados a liberdade que decretou para</p><p>eles; quando um artigo tão claro como este: "Todos os escravos que entrarem no território</p><p>ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres" [...] nunca foi executado [...]que valor</p><p>obrigatório podem ter movimentos nacionais de caráter diverso, atos na aparência alheios à</p><p>sorte dos escravos, declarações oficiais limitadas ao efeito que deviam produzir? Em outras</p><p>palavras, de que servem tais apelos à consciência, à lealdade, ao sentimento de justiça da</p><p>nação, quando metade dos escravos estão ilegalmente em cativeiro?” pp. 58-59.</p><p>(NABUCO, J. O Abolicionismo. Londres: TYPOGRAPHIA DE ABRAHAM KINGDON E CA.,</p><p>1883, 256 p.).</p><p>Assinale a afirmativa CORRETA a partir da análise do excerto acima.</p><p>a) O desrespeito do Estado brasileiro à Lei Eusébio de Queiroz, que proibiu o tráfico atlântico</p><p>de escravizados em 1850.</p><p>b) O sentido retórico de seu próprio texto, meramente floreio político em nome dos</p><p>escravizados, estes sem voz efetiva.</p><p>c) A injustiça e o crime da nação brasileira para com milhares de escravizados traficados</p><p>ilegalmente após a lei antitráfico apelidada de “Lei para Inglês ver”.</p><p>d) O caráter legal do sistema escravista, que não descumpria a lei positiva do Estado imperial</p><p>brasileiro em nenhum aspecto.</p><p>e) A consciência dos políticos de seu tempo, sensíveis ao cativeiro de milhares de homens</p><p>sabidamente livres, aos quais cumpria libertar.</p><p>(UFRR 2017)</p><p>“ ...na cidade de Óbidos, em 11 de janeiro de 1854 [...] Raimunda, “24 anos de idade, crioula,</p><p>bem retinta, um tanto baixa, bem figurada, muito humilde” [...] estava fugida com seu</p><p>companheiro José Moisés, “de 26 anos de idade, cafuz bastante fornido do corpo, estatura</p><p>regular, mal-encarado, olhos pequenos, e fundos”. Os dois fugiram com a ajuda do forro</p><p>Antônio Maranhoto, natural do Maranhão que [...antes] “foi marinheiro de embarcação de</p><p>guerra”[...]. Em fevereiro de 1861, a escrava Benedita, “cafuza, natural de Óbidos, com falta</p><p>de dentes na frente, cabelos cacheados, cheia de corpo, cara risonha” fugiu na companhia</p><p>do soldado mulato Francisco Lima. Levou uma rede nova, um balaio e um baú de cedro</p><p>contendo “um par de chinela, um fio de conta de ouro, uma camisa de chita amarela, uma</p><p>saia de cambraia branca com três folhos e duas camisas brancas”. Em abril do mesmo ano, a</p><p>escrava Maria, “crioula retinta, magra, alta, olhos e beiços grandes” fugiu com Hipólito,</p><p>“crioulo bem retinto, barbado, falta de dentes na parte superior”. Maria e Hipólito fugiram</p><p>pouco tempo depois do falecimento de seu senhor Antônio Guerra, diretor de índios no rio</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>78</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Madeira. A viúva pedia sua captura e ainda oferecia 100 mil réis de recompensa por cada</p><p>escravo.”</p><p>CAVALCANTI, Y.R.O; SAMPAIO, P.M. Histórias de Joaquinas, Mulheres, Escravidão e</p><p>Liberdade (Brasil, Amazonas: séc.XIX). Revista Afro-Ásia, 46. p.97-120. Disponível em <</p><p>http://www.scielo.br/pdf/afro/n46/a03n46.pdf></p><p>Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a escravidão negra no Brasil durante a</p><p>segunda metade do século XIX, é CORRETO afirmar:</p><p>A) A má influência masculina explica as fugas das mulheres escravas, pois o trabalho escravo</p><p>feminino era feito exclusivamente no interior das casas grandes, onde geralmente as negras</p><p>eram tratadas como parte da família;</p><p>B) O estado do Amazonas foi um dos primeiros a decidir pelo fim da escravidão e isso</p><p>aconteceu porque não havia mais escravos negros na região;</p><p>C) Em 1871, a Lei do Ventre Livre libertou milhares de filhos de escravos, diminuindo</p><p>consideravelmente as fugas de mulheres, como as apresentadas no texto;</p><p>D) Em 1850, pela Lei Euzébio de Queiroz, foi proibido o tráfico internacional e,</p><p>consequentemente, a importação de escravos, mas continuava sendo legal manter escravos</p><p>em cativeiro;</p><p>E) Embora submetidas ao trabalho compulsório, as mulheres no cativeiro recebiam especiais</p><p>cuidados e preocupação de seus senhores, por isso tinham liberdade plena para constituir e</p><p>manter laços familiares.</p><p>(UFRR 2020)</p><p>Diversos projetos abolicionistas invadiram a cena política brasileira no último quarto do século XIX.</p><p>O de André Rebouças foi um dos mais radicais. Talvez, por isso, tenha acabado derrotado. [...]</p><p>Dedicado a compreender os mecanismos que emperravam o desenvolvimento do país, chegou à</p><p>conclusão de que vivíamos um bloqueio estrutural para a emergência de indivíduos livres. E que</p><p>a libertação dos escravos, por si só, não seria suficiente. (CARVALHO, Maria Alice Rezende de.</p><p>“Liberdade é terra”. In FIGUEIREDO, Luciano (org.). A era da escravidão. Rio de Janeiro: Sabin,</p><p>2009. (Coleção Revista de História no Bolso;3), p. 85). A trajetória e as ideias do engenheiro baiano</p><p>André Rebouças – mulato e filho de um relevante membro da elite política monárquica no Brasil</p><p>– demonstram a diversidade do movimento abolicionista no século XIX.</p><p>Sobre as lutas pela abolição do sistema escravocrata brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>A) A luta radical pela extinção imediata da escravidão, no século XIX, comprova a existência de</p><p>uma elite aristocrática abolicionista ligada à agro exportação cafeeira em permanente</p><p>enfrentamento com a Coroa brasileira, desde os tempos da assembleia constituinte de 1823.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>79</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>B) A defesa da abolição da escravidão, da reforma agrária e da consequente transformação dos</p><p>ex-escravos em pequenos produtores rurais independentes comprova a presença de um ideário</p><p>modernizante nas lutas abolicionistas no Brasil.</p><p>C) O projeto de abolição radical, que compreendia a libertação dos escravizados, mas também a</p><p>democratização do acesso à terra, teve o apoio de setores da alta cúpula do Exército, a despeito</p><p>da manutenção do respeito hierárquico à função estatal de punir as fugas de escravizados no</p><p>Brasil.</p><p>D) A proposta de promoção da cidadania política plena aos ex-escravos acompanhou o debate</p><p>abolicionista brasileiro, atenuando, ao longo do século XIX, o crescimento das revoltas escravas e,</p><p>consequentemente, arrefecendo o preconceito racial no Brasil monárquico.</p><p>E) A ala radical do</p><p>movimento abolicionista consolidou a articulação de todos os senadores do</p><p>Império, ao defender a inserção dos ex-escravos na sociedade e a desobediência civil contra a</p><p>“Lei Saraiva-Cotegipe” aprovada pelo Parlamento brasileiro, na segunda metade do século XIX.</p><p>(URCA 2018)</p><p>“A Proclamação da República no dia 15 de novembro de 1889 é, sem dúvida, um dos</p><p>acontecimentos significativos de nossa história. Feriado nacional festejado anualmente como uma</p><p>das datas cívicas mais importantes, o 15 de novembro se inscreve nos livros escolares e no</p><p>imaginário coletivo como um dos acontecimentos fundador do que somos, como um lugar de</p><p>memória” (NEVES, Margarida de Sousa. Os cenários da República. O Brasil na virada do século</p><p>XIX para o século XX. IN: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves O Brasil</p><p>Republicano: o tempo do liberalismo excludente. Da Proclamação da República à Revolução de</p><p>1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 26).</p><p>Sobre o advento da República no Brasil, assinale a alternativa correta:</p><p>A) A Hipótese de que a República tem sua origem no descontentamento de setores do Exército</p><p>desde ao fim da Guerra do Paraguai não se sustenta, tendo em vista que grupos das forças</p><p>armadas brasileiras têm participado de golpes contra a própria República, ao longo de sua história;</p><p>B) Ainda que seja possível identificar referências mais remotas, foi a partir do lançamento do</p><p>Manifesto Republicano, em 1870, defendendo a República, embora sem federação, que se</p><p>oficializou o republicanismo brasileiro;</p><p>C) A principal insatisfação dos Republicanos com a Monarquia foi manifestada no Congresso de</p><p>1877, quando o Imperador D. Pedro II resolveu estabelecer um Estado Federativo no Brasil;</p><p>D) Os cafeicultores escravistas formavam uma das principais bases de apoio da Monarquia, no</p><p>entanto, com a abolição da escravidão, muitos acabaram aderindo ao movimento republicano;</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>80</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>E) A adesão em massa da população brasileira ao movimento republicano fez com que a</p><p>Monarquia caísse de forma pacífica, salvo resistências localizadas sem maiores proporções.</p><p>(URCA 2018)</p><p>A fim de regulamentar a propriedade da terra de acordo com as novas necessidades</p><p>econômicas e os novos conceitos de terra e de trabalho, diversas leis importantes foram</p><p>decretadas em diferentes países durante o século XIX. No Brasil, a lei para este fim ficou</p><p>conhecida como a Lei de Terras de 1850, sobre a qual podemos corretamente afirmar:</p><p>A) Proibia a aquisição de terras que não fosse exclusivamente pela posse ou doação feita</p><p>pela Coroa.</p><p>B) Determinava que todos aqueles que tinham adquirido a terra, nos anos precedentes à Lei,</p><p>por ocupação ou doação, perderiam a terra, ainda que tivessem como legalizá-las mediante</p><p>o pagamento de taxas cartoriais.</p><p>C) Limitou o tamanho das terras adquiridas pela ocupação que não poderia ser maior do que</p><p>a maior porção de terra doada no distrito em que se localizava.</p><p>D) Os produtos das vendas das terras públicas e das taxas de registro das propriedades</p><p>seriam utilizados para importar mão de obra escrava.</p><p>E) Se antes da lei, somente poderiam adquirir terras aqueles que tivessem condições de</p><p>explorá-las lucrativamente, com a lei, somente poderiam adquirir aqueles que prestassem</p><p>serviços à Coroa Imperial.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A Lei Eusébio de Queirós, de 1850, proibiu o tráfico de escravos da África para o Brasil.</p><p>Estima-se que entravam no país, no período imediatamente anterior à Lei, 50 mil escravos</p><p>por ano. A proibição desse comércio</p><p>(A) provocou desentendimentos e conflitos do governo brasileiro com o Parlamento inglês,</p><p>porque trouxe prejuízos monetários às companhias inglesas de comércio de escravos.</p><p>(B) precipitou a queda da monarquia brasileira, que perdeu o apoio político e o auxílio</p><p>econômico dos senhores de escravos do Norte e do Sul do país.</p><p>(C) liberou e disponibilizou capitais que foram aplicados em atividades industriais e de</p><p>transportes, de que é exemplo a Companhia de Navegação a Vapor do rio Amazonas.</p><p>(D) determinou o crescimento de cidades no país, porque favoreceu a libertação voluntária</p><p>dos escravos por seus senhores, que foram atingidos pela falta de mão de obra.</p><p>(E) dividiu geograficamente o país em duas regiões distintas, uma que explorava o trabalho</p><p>escravo e outra que estimulava o emprego do trabalho assalariado.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>81</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Somos da América e queremos ser americanos. A nossa forma de governo é, em sua essência</p><p>e em sua prática, antinômica e hostil ao direito e aos interesses dos Estados americanos.</p><p>(Manifesto Republicano. Jornal A República, 03.12.1870.)</p><p>Segundo o trecho do Manifesto Republicano, o Brasil adotava, em 1870, uma forma de</p><p>governo que poderia ser um fator de</p><p>(A) expansão do caudilhismo nas repúblicas americanas.</p><p>(B) fortalecimento da solidariedade continental.</p><p>(C) desestabilização política no continente.</p><p>(D) democratização política dos países fronteiriços.</p><p>(E) aproximação dos povos da América com as monarquias europeias.</p><p>Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 168 e 167.</p><p>Quando as grandes secas de 1879-1880, 1889-1890, 1900-1901 flamejavam sobre os sertões</p><p>(...) e as cidades do litoral se enchiam em poucas semanas de uma população (...) de famintos</p><p>assombrosos, devorados das febres e das bexigas – a preocupação exclusiva dos poderes</p><p>públicos consistia no libertá-las quanto antes daquelas invasões de bárbaros moribundos que</p><p>infestavam o Brasil. Abarrotavam-se, às carreiras, os vapores, com aqueles fardos agitantes</p><p>(...) Mandavam-nos para a Amazônia – vastíssima, despovoada (...).</p><p>(Euclides da Cunha. Um clima caluniado, In À margem da história, 1909.)</p><p>(UEA – 2011)</p><p>O texto refere-se ao contingente populacional que foi empregado na extração da borracha</p><p>e que se submeteu na Amazônia</p><p>(A) às condições de melhoria de vida e, na maioria dos casos, de enriquecimento,</p><p>considerando que as seringueiras espalhavam-se pela floresta imensa e sem proprietários.</p><p>(B) a um regime de trabalho em que a mão de obra vivia endividada com o dono da</p><p>exploração, que lhe vendia os instrumentos de trabalho e os gêneros alimentícios.</p><p>(C) às dificuldades de sobrevivência em um ambiente hostil, embora contasse com assistência</p><p>médica gratuita e salários pagos pelo governo.</p><p>(D) a uma situação econômica semelhante a do interior do nordeste brasileiro, em que a</p><p>produção estava baseada nas pequenas propriedades e no trabalho familiar.</p><p>(E) a um processo de colonização pensado e planejado pelo Estado brasileiro, que tinha</p><p>como finalidade tomar posse do imenso território vazio da floresta.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A extração da borracha na área da floresta amazônica foi responsável pelo enriquecimento</p><p>e crescimento populacional de cidades como Manaus e Belém. O auge da exploração da</p><p>borracha amazônica liga-se à</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>82</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(A) segunda revolução industrial, que empregou a borracha como importante matéria-prima.</p><p>(B) procura do produto pelos países capitalistas desenvolvidos, que participaram da primeira</p><p>guerra mundial.</p><p>(C) anexação pelo Brasil de territórios cobertos pela floresta tropical, que pertenciam a</p><p>pequenos países da América do Sul.</p><p>(D) concorrência da produção asiática, que exigiu dos empresários brasileiros uma diminuição</p><p>dos custos de produção.</p><p>(E) concentração das árvores nas vizinhanças dos portos de exportação, o que permitiu o</p><p>emprego de uma técnica sofisticada de extração do látex.</p><p>Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 e 06.</p><p>José do Patrocínio, um dos mais importantes abolicionistas</p><p>da história do Brasil, editava, em</p><p>1875, um jornal intitulado Os Ferrões. Na edição de 1.º de setembro de 1875, ele escreveu:</p><p>O governo formulou a lei de liberdade aos nascidos após este bendito dia [o dia 28 de</p><p>setembro de 1871], e pensando que nem só isto bastava, falou em criação de hospícios, em</p><p>remuneração aos senhores, em mil coisas enfim. Ora lá se vão quase quatro anos e o governo</p><p>está ainda com os braços cruzados. O que quer? (...) Quer que esses redimidos venham</p><p>desempenhar na sociedade simplesmente, naturalmente, graciosamente o papel de</p><p>consumidores de aguardente, mascadores de fumo e irmãos do santo ócio? Quebrar os</p><p>grilhões do cativeiro nada é, ficando intactos os não menos pesados grilhões da ignorância.</p><p>O escravo não se redimirá somente com a liberdade, é complemento dessa redenção – o</p><p>livro e a oficina.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>De acordo com José do Patrocínio,</p><p>(A) a extinção da escravidão no Brasil atiraria os libertos a um estado de penúria econômica</p><p>e moral mais grave que o dos tempos da escravidão.</p><p>(B) a lei da liberdade aos nascidos teria sido o resultado de uma decisão política das elites</p><p>brancas, que não teve importância para os escravos.</p><p>(C) os libertos estariam condenados, juntamente com seus descendentes, a uma vida de</p><p>ignorância e miséria, independentemente das atitudes do governo.</p><p>(D) as leis abolicionistas que não fossem complementadas por medidas de caráter social e</p><p>cultural deixariam os antigos escravos em uma situação de marginalidade social.</p><p>(E) a rebelião armada dos escravos contra os seus dominadores seria o único caminho seguro</p><p>para sua efetiva e real libertação.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel e que produziu, no dia 13 de maio de 1888, um</p><p>clima de alegria e festa na cidade do Rio de Janeiro,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>83</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(A) indenizou os proprietários de escravos.</p><p>(B) concedeu lotes de terra para os libertos.</p><p>(C) instituiu um feriado em homenagem a Zumbi dos Palmares.</p><p>(D) estabeleceu o ensino público e obrigatório no Brasil.</p><p>(E) decretou o fim da escravidão.</p><p>(UEA - 2012)</p><p>Os acordos e as discussões sobre a definição das fronteiras no sul do Brasil estenderam-se</p><p>do período colonial ao Brasil independente. Vários tratados, muitos deles não cumpridos,</p><p>foram assinados entre Portugal e Espanha, visando estabelecer os limites entre as duas</p><p>possessões no estuário do rio da Prata. Com a Revolta dos Farrapos no Rio Grande do Sul,</p><p>entre 1835 e 1845, a questão das fronteiras na região voltou à ordem do dia, devido</p><p>(A) às relações políticas e militares dos revoltosos com os países do cone sul da América, em</p><p>particular, o Uruguai.</p><p>(B) à extinção da economia do charque gaúcho pelo governo brasileiro, apoiando, dessa</p><p>forma, a pecuária do Uruguai.</p><p>(C) à importância da economia gaúcha na pauta das exportações brasileiras e à ameaça de</p><p>anexação do Rio Grande do Sul pelos uruguaios.</p><p>(D) à intervenção militar da República Argentina no Sul do Brasil, visando garantir a República</p><p>Gaúcha.</p><p>(E) à união alfandegária estabelecida entre os governos da Argentina e do Uruguai com o</p><p>governo rebelde do Rio Grande do Sul.</p><p>(UEA - 2012)</p><p>A vitória do Brasil na Guerra do Paraguai (1864-1870) foi celebrada por obras de arte</p><p>encomendadas e patrocinadas pelo governo imperial. O mais conhecido pintor da época,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>84</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Pedro Américo, retratou a vitória do Conde D´Eu, genro do imperador, na batalha de Campo</p><p>Grande. Analisando o quadro de Pedro Américo, percebe-se que o artista</p><p>(A) fez uma crítica sutil aos comandantes brasileiros, pintando a sua falta de heroísmo e</p><p>insignificância na batalha.</p><p>(B) considerou que as tropas brasileiras eram muito semelhantes às paraguaias na</p><p>indumentária e no equipamento bélico utilizado.</p><p>(C) expressou princípios da propaganda republicana brasileira, que argumentava que a</p><p>monarquia era uma flor exótica na América.</p><p>(D) representou os soldados brasileiros de maneira diversa e antagônica à dos paraguaios,</p><p>retratados como bárbaros e truculentos.</p><p>(E) exprimiu, paradoxalmente, pontos de vista contrários à violência militar, ao mesmo tempo</p><p>em que criou um novo gênero artístico, a pintura de batalha.</p><p>(UECE 2020)</p><p>A queda do império no Brasil não se deu apenas por uma causa, mas por um acúmulo de</p><p>fatores. Analise os fatos apresentados a seguir e assinale o que NÃO corresponde a uma</p><p>causa para o fim da monarquia no Brasil.</p><p>A) Guerra de Canudos, ocorrida em uma comunidade rural no interior da Bahia, que</p><p>provocou milhares de mortes e abalou a popularidade do império.</p><p>B) Movimento Abolicionista, que provocou o fim da escravidão no império, causando a ira</p><p>de muitos latifundiários escravistas.</p><p>C) Questão Militar, em que oficiais do exército brasileiro se opuseram à monarquia, o que</p><p>conduziu muitos militares aos quadros do movimento republicano.</p><p>D) Questão Religiosa, oriunda do choque entre a maçonaria, liderada pelo próprio</p><p>imperador, e clérigos da igreja católica, o que agravou a imagem da monarquia.</p><p>(UECE 2020 - 4000159395)</p><p>Atente para o seguinte excerto a respeito da abolição da escravatura no Brasil:</p><p>“[…] a abolição da escravatura não eliminou o problema do negro. A opção pelo trabalhador</p><p>imigrante, nas áreas regionais mais dinâmicas da economia, e as escassas oportunidades</p><p>abertas ao ex-escravo, em outras áreas, resultaram em uma profunda desigualdade social da</p><p>população negra. Fruto em parte do preconceito, essa desigualdade acabou por reforçar o</p><p>próprio preconceito contra o negro. Sobretudo nas regiões de forte imigração, ele foi</p><p>considerado um ser inferior, perigoso, vadio e propenso ao crime; mas útil quando</p><p>subserviente”. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013, p. 169.</p><p>Considerando o processo histórico de abolição da escravatura no Brasil, é correto afirmar</p><p>que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>85</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A) foi, além de muito rápido, suficiente para acabar com o escravismo e logo inserir o ex-</p><p>escravo, de forma igualitária, nos diversos espaços da sociedade brasileira.</p><p>B) além de lento, considerando-se o lapso temporal entre a Lei Eusébio de Queirós, de cunho</p><p>abolicionista, de 1850, e a Lei Áurea, de 1888, não representou o fim da marginalização da</p><p>população negra.</p><p>C) o país, por ser pioneiro na abolição da escravatura, encontrou grande dificuldade, pois,</p><p>não havendo exemplos a serem seguidos, obrigou-se a construir seu próprio modelo de</p><p>inclusão social para os ex-escravos.</p><p>D) como nos EUA, onde os ex-escravos foram plenamente aceitos na sociedade por sua</p><p>capacidade de produção, os ex-escravos brasileiros também tiveram oportunidade de</p><p>ingressar no mercado de trabalho e experimentar chances iguais para vencer na vida.</p><p>(UECE 2019)</p><p>Diversas características culturais marcaram o Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889),</p><p>dentre as quais destacou-se</p><p>a) a realização da Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, que</p><p>ocorreu em São Paulo e congregou grandes nomes do modernismo.</p><p>b) o surgimento de uma literatura que unia o lirismo à crítica social e ao realismo fantástico</p><p>e que tinha em Jorge Amado e Dias Gomes seus grandes ícones.</p><p>c) o aparecimento de grupos teatrais como o Oficina e o Arena, que davam ênfase aos</p><p>autores nacionais e usavam a arte para criticar a situação do País.</p><p>d) o predomínio de uma literatura de construção da identidade nacional, como o romantismo</p><p>indianista de José de Alencar e Gonçalves Dias</p><p>(UECE 2018)</p><p>O processo que conduziu à abolição da escravidão no Brasil e que contou com a atuação de</p><p>nomes como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Luís Gama, Castro Alves, Rui Barbosa</p><p>e</p><p>muitos outros intelectuais teve seu desenlace com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio</p><p>de 1888; contudo, conforme o excerto a seguir, muitos veem esse processo como inacabado.</p><p>“Conservadora e curta, com pouco mais de duas linhas, a Lei nº 3.353, a chamada Lei Áurea,</p><p>decretou, no dia 13 de maio de 1888, o fim legal da escravidão no Brasil. Mas se a escravidão</p><p>teve seu fim do ponto de vista formal e legal há 130 anos, a dimensão social e política está</p><p>inacabada até os dias atuais. Essa é a principal crítica de estudiosos e militantes dos</p><p>movimentos negros à celebração do 13 de maio como o dia do fim da escravatura”.</p><p>GONÇALVES, Juliana. 130 anos de abolição inacabada. Brasil de fato. Acessível em:</p><p>https://www.brasildefato.com.br/2018/05/13/130-anosde-uma-abolicao-inacabada/acesso</p><p>em 05/07/2018.</p><p>Em relação ao fim da escravidão no Brasil, na perspectiva do trecho acima, pode-se afirmar</p><p>corretamente que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>86</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>a) atrasou o estabelecimento de um governo republicano que inserisse a população</p><p>afrodescendente na sociedade brasileira com igualdades de condições aos demais grupos,</p><p>o que só correu no Estado Novo em 1937.</p><p>b) por ter sido muito tardio, proporcionou condições para uma adequada inserção da</p><p>população de ex-escravos na sociedade brasileira na condição de proprietária das terras a</p><p>ela destinadas pelo governo.</p><p>C) apressou a queda do já combalido sistema monárquico e sua substituição por uma</p><p>república em 15 de novembro de 1889, mas não criou condições necessárias para a plena</p><p>integração dos libertos na sociedade brasileira.</p><p>D) ocorreu exclusivamente pelo interesse da monarquia em angariar o apoio do movimento</p><p>abolicionista, que era muito popular junto à população, e em se opor aos seus rivais</p><p>tradicionais, os latifundiários e os militares.</p><p>(UECE 2017)</p><p>Atente aos dois excertos a seguir que tratam da legislação eleitoral durante o período</p><p>imperial no Brasil. O primeiro diz respeito às alterações promovidas no sistema eleitoral do</p><p>Império pela Lei Nº 387 de 19 de agosto de 1846, e o segundo apresenta o artigo 2º do</p><p>Decreto Nº 2.675 de 20 de outubro de 1875, que reformava a legislação eleitoral: “De acordo</p><p>com a legislação eleitoral do período, as faixas mínimas de rendas estabelecidas para</p><p>participação no pleito eram as seguintes:</p><p>a) 200$000 para ser eleitor de primeiro grau;</p><p>b) 400$000 para ser eleitor de segundo grau, candidatar-se a Juiz de Paz e candidatar-se a</p><p>vereador;</p><p>c) 800$000 para candidatar-se a deputado;</p><p>d) 1.600$000 para candidatar-se a senador.”;</p><p>FARIA, Vanessa Silva de. Eleições no Império: considerações sobre representação política</p><p>no segundo reinado. on-line. XXVII Simpósio nacional ANPUH. Natal, 2013 p. 2. Disponível</p><p>em: www.snh2013.anpuh.org/resources/.../1364925577_ARQUIVO_artigoanpuh2013. pdf</p><p>“Art. 2º O Ministro do Imperio fixará o numero de eleitores de cada parochia sobre a base</p><p>do recenseamento da população e na razão de um eleitor por 400 habitantes de qualquer</p><p>sexo ou condição, com a unica excepção dos subditos de outros Estados. Havendo sobre o</p><p>multiplo de 400 número excedente de 200, accrescerá mais um eleitor”.</p><p>Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto2675-20-</p><p>outubro-1875-549763-publicacaooriginal-65281-pl.html</p><p>Com base nos textos acima, pode-se concluir acertadamente que durante o Império</p><p>a) havia limitações à participação popular no processo eleitoral.</p><p>b) havia uma representatividade muito maior do que a atual, pois um a cada quatrocentos</p><p>habitantes podia votar como eleitor de primeira.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>87</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) o sistema de colégio eleitoral fazia com que o eleitor de primeira pudesse escolher o chefe</p><p>do executivo provincial e do executivo imperial.</p><p>d) apesar da limitação no número de eleitores, o acesso da população à candidatura era bem</p><p>mais fácil.</p><p>(UECE 2017)</p><p>O Brasil foi o último país da América a acabar, oficialmente, com a escravidão em seu</p><p>território. Apesar do pioneirismo das províncias do Ceará e do Amazonas, que aboliram a</p><p>escravidão em 1884, o processo que levou até a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de</p><p>1888, teve início com a Lei Eusébio de Queirós, de 4 de setembro de 1850, que proibia o</p><p>tráfico de escravos para o Brasil. Atente ao que diz o Professor Antonio Torres Montenegro</p><p>a esse respeito: “Com o passar dos anos, vai-se tornando evidente que a extinção do tráfico</p><p>de escravos, por si, não é suficiente para garantir um fim próximo para a escravidão. Existia,</p><p>agora, o comércio de escravos entre as províncias, que começava a gerar outros problemas.</p><p>Isso porque as províncias do Norte e Nordeste passaram a vender grandes quantidades de</p><p>escravos para o Sul e Sudeste. [...] O Norte e o Nordeste passam, então, a adotar,</p><p>crescentemente, o trabalho livre, tornando-se aos poucos, mais flexíveis em relação a um</p><p>prazo imediato para o fim da escravidão do que o Sul, que tinha acabado de realizar um</p><p>grande investimento na compra de escravos”.</p><p>MONTENEGRO, Antonio Torres. Reinventando a liberdade: A abolição da escravatura no</p><p>Brasil. 9ª ed. São Paulo: Atual, 1989, p. 9-10.</p><p>De acordo com o texto acima, pode-se concluir acertadamente que</p><p>a) a partir da edição da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibia o tráfico de escravos</p><p>para o Brasil, garantiu-se o fim do comércio de escravos no país.</p><p>b) o comércio interprovincial de escravos favoreceu a que as províncias do Ceará e do</p><p>Amazonas abolissem a escravidão ainda em 1884, cerca de 4 anos antes da assinatura da Lei</p><p>Áurea.</p><p>c) no Sul e Sudeste, em virtude da compra de escravos das províncias do Norte e Nordeste,</p><p>surgiu um movimento de apoio à abolição por parte dos grandes latifundiários cafeicultores.</p><p>d) o fim da escravidão no Brasil foi um processo demorado porque apenas questões étnicas</p><p>impediam a realização da abolição.</p><p>(UECE 2016)</p><p>Em 1850, ano de extinção oficial do tráfico de escravos no Brasil, foi votada a Lei de Terras.</p><p>Esta lei, em linhas gerais, determinou que</p><p>I. todo proprietário registrasse suas terras, ficando proibida a doação de propriedades ou</p><p>qualquer outra forma de aquisição de bens fundiários, a não ser por meio da compra.</p><p>II. se mantivesse o alto custo do registro imobiliário, impedindo que os posseiros mais</p><p>pobres obtivessem a propriedade do solo onde plantavam.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>88</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>III. ficasse assegurado o direito dos imigrantes ― cujo trabalho, em muitos casos, substituiria</p><p>o trabalho dos escravos ― de se tornarem proprietários das terras onde laboravam.</p><p>IV. fossem possíveis a aquisição e a posse de terras públicas, a baixo custo, pelos grandes</p><p>proprietários, seus herdeiros e descendentes.</p><p>Estão corretas as complementações contidas em</p><p>a) I, II, III e IV.</p><p>b) I e II apenas.</p><p>c) II, III e IV apenas.</p><p>d) I, III e IV apenas.</p><p>(UECE 2016)</p><p>Atente às seguintes afirmações acerca do momento histórico brasileiro conhecido como</p><p>Segundo Reinado:</p><p>I. Esse período, no primeiro momento, constituiu a luta a favor da permanência da</p><p>monarquia, sob a égide de Pedro I.</p><p>II. A crise interna do sistema escravista, aliada aos vários conflitos e revoltas internas</p><p>observados durante esse período, contribuíram para por fim ao Segundo Reinado.</p><p>III. O final do Segundo Reinado representou o fim do período Imperial no Brasil e o início do</p><p>sistema republicano.</p><p>É correto o que se afirma somente em</p><p>a) I e II.</p><p>b) I e III.</p><p>c) II.</p><p>d) III.</p><p>(UECE 2015)</p><p>Atente para as afirmações a seguir, acerca do Processo de Abolição dos Escravos no Brasil,</p><p>e assinale com V as afirmações verdadeiras e com F, as falsas.</p><p>( ) Em 1850, o Brasil foi levado</p><p>a extinguir o tráfico internacional, porém, surgiu o tráfico</p><p>interno com a venda de escravos das áreas mais pobres para as mais desenvolvidas.</p><p>( ) Nesse processo, algumas leis foram aprovadas com o objetivo de acalmar os abolicionistas</p><p>e ir lenta e gradualmente extinguindo a escravidão, quais sejam: Lei do Ventre Livre, Lei do</p><p>Sexagenário.</p><p>( ) Nesse movimento não se tem notícias de insurreições ou ações dos próprios escravos em</p><p>prol da própria liberdade, em virtude da forte repressão presenciada nos últimos momentos</p><p>do período escravocrata.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>89</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>( ) A abolição da escravatura se deu ainda no Reinado de D. Pedro II e representou um grande</p><p>avanço para a inserção do ex-escravo como cidadão na sociedade brasileira.</p><p>A sequência correta, de cima para baixo, é:</p><p>a) V, V, V, F.</p><p>b) V, V, F, F.</p><p>c) F, V, F, V.</p><p>d) F, F, F, V.</p><p>7. GABARITO</p><p>1. B</p><p>2. A</p><p>3. D</p><p>4. E</p><p>5. A</p><p>6. E</p><p>7. E</p><p>8. C</p><p>9. B</p><p>10. E</p><p>11. C</p><p>12. D</p><p>13. B</p><p>14. C</p><p>15. C</p><p>16. D</p><p>17. E</p><p>18. A</p><p>19. A</p><p>20. D</p><p>21. C</p><p>22. A</p><p>23. E</p><p>24. C</p><p>25. B</p><p>26. B</p><p>27. C</p><p>28. C</p><p>29. D</p><p>30. B</p><p>31. D</p><p>32. C</p><p>33. C</p><p>34. C</p><p>35. B</p><p>36. A</p><p>37. D</p><p>38. E</p><p>39. A</p><p>40. D</p><p>41. A</p><p>42. B</p><p>43. D</p><p>44. C</p><p>45. A</p><p>46. B</p><p>47. B</p><p>48. D</p><p>49. B</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>90</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>8. QUESTÕES COMENTADAS</p><p>(ENEM 2021)</p><p>TEXTO I</p><p>EIGENHEER, E. M. Lixo: a limpeza urbana através dos tempos. Porto Alegre: Gráfica Palloti,</p><p>2009.</p><p>TEXTO II</p><p>A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era</p><p>geralmente destinada ao único escravo da família ou ao de menor status ou valor. Todas as noites,</p><p>depois das dez horas, os escravos conhecidos popularmente como “tigres” levavam tubos ou</p><p>barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio.</p><p>KARASCH, M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. Rio de Janeiro: Cia das</p><p>Letras, 2000.</p><p>A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas</p><p>cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela</p><p>a) valorização do trabalho braçal.</p><p>b) reiteração das hierarquias sociais.</p><p>c) sacralização das atividades laborais.</p><p>d) superação das exclusões econômicas.</p><p>e) ressignificação das heranças religiosas.</p><p>Comentários</p><p>Atenção ao período e local abordados: séculos XVIII e XIX no Rio de Janeiro. Esse período</p><p>é marcado pela intensificação da importação de escravizados africanos no Brasil, impulsionada</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>91</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>principalmente pela extração aurífera em Minas Gerais durante o século XVIII. Esta atividade</p><p>também provocou a transferência da capital da América portuguesa de Salvador para o Rio de</p><p>Janeiro, devido à sua proximidade com a região mineradora, dando-lhe maior vantagem como</p><p>porto privilegiado para a exportação do ouro. Assim, o Sudeste começa a se tornar o principal</p><p>polo econômico da colônia. Por outro lado, à medida que o ouro se torna mais escasso, as riquezas</p><p>obtidas com sua extração vão sendo reinvestida nos negócios que sempre deram certo na</p><p>colonização: latifúndio exportador (pecuarista ou agricultor) e tráfico de escravizados. No raiar o</p><p>século XIX, o Sudeste já competia com o Nordeste na produção açucareira, principalmente o Rio</p><p>de Janeiro. E gradativamente a cafeicultura vai se popularizando entre os grandes fazendeiros</p><p>cariocas e paulistas conforme a demanda por café cresce na Europa. Quando mais as lavouras se</p><p>espalham e crescem de tamanho, mais escravizados são importados. Vale dizer que as primeiras</p><p>décadas do século XIX foram o período no qual mais se importou cativos no Brasil a ponto dos</p><p>historiadores chamarem o fenômeno de “segunda escravidão”. Com tanto escravizados chegando</p><p>ao país, eles também encontraram uso nas zonas urbanas, principalmente nas cidades portuárias</p><p>onde os fazendeiros e pecuaristas agenciavam suas exportações. Entretanto, nas cidades os</p><p>cativos eram empregados em uma variedade maior de trabalhos. De qualquer forma, nas</p><p>atividades de limpeza e descarte do lixo não havia grandes diferenças entre ambientes urbanos e</p><p>rurais. Como a imagem e o texto nos mostram, eram os cativos que cuidavam dessas tarefas.</p><p>Sabendo disso, vejamos o que caracteriza a prática descrita:</p><p>a) Incorreta. Na sociedade escravista brasileira o trabalho braçal era extremamente</p><p>desvalorizado, tido como algo degradante e humilhante. Por isso, qualquer atividade manual,</p><p>inclusive a coleta e descarte de lixo, eram reservados preferencialmente aos escravizados, que</p><p>estavam na base da pirâmide social, destituídos de direitos políticos, civis e sociais. Na sua</p><p>ausência, eram os trabalhadores pobres que faziam essas funções.</p><p>b) Correta! Reiteração significa reafirmação. E como disse, os escravizados estavam na base</p><p>da pirâmide social do Brasil colonial e imperial. Logo, não é de se estranhar que sejam eles que</p><p>ficam encarregados das tarefas consideradas degradantes pela sociedade da época, como a</p><p>coleta e descarte do lixo.</p><p>c) Incorreta, pela mesma razão que a letra “b”. Nunca esqueça que na sociedade escravista</p><p>brasileira qualquer atividade laboral era considerada degradante, digna das camadas mais baixas</p><p>da hierarquia social, enquanto o ócio era sinal de riqueza e prestígio.</p><p>d) Incorreta. Se há reiteração das hierarquias sociais, as exclusões econômicas também são</p><p>reafirmadas. É pelo seu papel na economia que os escravizados estão na base da pirâmide social</p><p>do Brasil colonial e imperial. Juridicamente, eles eram considerados mercadorias, passíveis de</p><p>serem empregados, comprados e vendidos ao bel prazer de seus proprietários.</p><p>e) Incorreta. As religiosidades da época não são abordadas nem pela imagem, nem pelo</p><p>texto.</p><p>Gabarito: B</p><p>(ENEM 2021)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>92</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Escravo fugido</p><p>No dia 8 de Outubro do anno próximo passado fugio da fazenda do Bom Retiro, propriedade</p><p>do dr. Francisco Antonio de Araújo, o escravo José, pardo claro, de 22 annos de idade,</p><p>estatura regular, cheio de corpo, com a falta de um dente na frente do lado superior, cabelos</p><p>avermelhados, orelha roxa, falla macia, e andar vagaroso. Intitula-se forro, e quando fugio a</p><p>primeira vez esteve contratado como camarada em uma fazenda em Capivary.</p><p>Quem o apreender e entregar ao seu senhor no Amparo, ou o recolher a cadêa em qualquer</p><p>parte será bem gratificado, e protesta-se com todo o rigor da lei contra quem o acoutar.</p><p>15-13</p><p>Escravo fugido. Jornal Correio Paulistano. 13 de abril de 1879. Disponível em</p><p>http:\\bndigital.bn.gov.br. Acesso em 2 ago. 2019 (adaptado).</p><p>No anúncio publicado na segunda metade do século XIX, qual a estratégia de resistência</p><p>escrava apresentada?</p><p>a) Criação de relações de trabalho.</p><p>b) Fundação de territórios quilombolas.</p><p>c) Suavização da aplicação de normas.</p><p>d) Regularização das funções remuneradas.</p><p>e) Constituição de economia de subsistência.</p><p>Comentários</p><p>Em primeiro lugar, repare no tempo e lugar indicado: 1879, no Brasil. Nessa época, nosso</p><p>país vivenciada o Segundo Reinado (1840-1889). Este é um período marcado pela crise da</p><p>monarquia, urbanização das principais capitais, auge da economia cafeeira no Sudeste, difusão do</p><p>republicanismo, popularização do abolicionismo, aumento das fugas e revoltas de escravizados,</p><p>Guerra do Paraguai (1864-1870), entre outros fatores. Entretanto, o tema específico da questão</p><p>são as estratégias de resistência dos escravizados. O texto apresentado se trata de um anúncio</p><p>publicado no jornal Correio Paulistano, um dos maiores periódicos de orientação conservadora de</p><p>São Paulo e do Império. No anúncio, é divulgado a fuga de</p><p>um cativo e suas principais</p><p>características físicas e comportamentais. O interessante é que o anunciante informa ao público a</p><p>estratégia já utilizada por José, o fugitivo, da última vez que escapou de seu cativeiro. Com isso</p><p>em mente, vejamos qual foi ela:</p><p>a) Correta! As duas últimas linhas do primeiro parágrafo no entregam a resposta: “Intitula-</p><p>se forro, e quando fugiu a primeira vez esteve contratado como camarada em uma fazenda em</p><p>Capivary”. Veja, muitas das estratégias usadas pelos escravizados para resistir às violências da</p><p>escravidão eram praticadas desde o início desta instituição lá no período colonial. Contudo, ao</p><p>longo do século XIX, houve uma onda de movimentos de independência e de abolição em todo</p><p>o continente Americano. O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, mas vários de seus vizinhos</p><p>já o tinham feito e isso repercutia por aqui. Nesse contexto mais amplo, no Império brasileiro as</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>93</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>fugas e revoltas, entre outras estratégias, tornaram-se cada vez mais frequentes, ainda mais no</p><p>Segundo Reinado, quando o tráfico já havia sido proibido e a Lei do Ventre Livre fora promulgada.</p><p>Com isso, o número de alforriados aumentava, assim como o de negros e pardos nascidos livres.</p><p>Dessa forma, ficava mais fácil para muitos escravizados se passarem por forros ou livres caso</p><p>conseguissem fugir para localidades relativamente distantes, onde ninguém os conhecia. Assim,</p><p>eles formavam novas relações de trabalho fora do cativeiro com outros fazendeiros ou</p><p>empregadores.</p><p>b) Incorreta. De fato, a formação de quilombos era uma das estratégias mais antigas contra</p><p>a escravidão, datando dos primeiros séculos de colonização, e que se intensificou ao longo do</p><p>século XIX. No entanto, note que em nenhum momento o anúncio fala em quilombos.</p><p>c) Incorreta. Na verdade, o anúncio é um exemplo da persistência das normas ligadas à</p><p>escravidão, mesmo em um contexto de popularização do abolicionismo e intensificação da</p><p>resistência dos escravizados. Afinal, o anunciante publicou abertamente seu anúncio que visava a</p><p>captura de um cativo fugitivo. Os meios de captura (apelar ao público oferecendo recompensa e</p><p>sugerindo a entrega do fugitivo à cadeia) também eram um padrão na escravidão brasileira.</p><p>d) Incorreta. O anúncio serve de evidência para como as funções remuneradas, isto é, o</p><p>trabalho livre ainda não era bem regularizado. Havia uma série de possíveis acordos entre</p><p>empregadores e trabalhadores forros e/ou livres, ou mesmo entre dois trabalhadores, que não</p><p>necessariamente envolviam remuneração em dinheiro, mas muitas vezes produtos, terras, moradia</p><p>ou benefícios de outra ordem. A camaradagem era uma dessas possibilidades. A camaradagem</p><p>era a relação de trabalho entre dois trabalhadores autônomos, na qual se divide as despesas e o</p><p>lucro das atividades. É como quando duas pessoas se tornam sócias num mesmo negócio, mas</p><p>aqui no caso é algo mais informal. No caso de José, provavelmente, ao chegar em Capivari,</p><p>encontrou um pequeno ou médio proprietário rural que não tinha recursos suficientes para</p><p>comprar mais cativos ou contratar novos empregados. Então, José, passando-se por forro, deve</p><p>ter oferecido seus serviços ou recebeu uma proposta de camaradagem. É possível até que o</p><p>pequeno ou médio proprietário que o empregou até soubesse que ele era um cativo em fuga e</p><p>pode ter sido sua ideia que José se passasse por forro, pois caso fosse descoberto os dois podiam</p><p>ser presos, uma vez que acoitar (refugiar) escravizados fugitivos era crime. De qualquer forma,</p><p>independentemente de quem foi a ideia, essa se tornou uma estratégia cada vez mais frequente</p><p>entre os cativos em fuga ao longo do século XIX, inclusive com envolvimento de grandes</p><p>proprietários mais simpáticos ao abolicionismo.</p><p>e) Incorreta. Não é informado que tipo de fazenda José de refugiou, se era grande ou</p><p>pequena, se era voltada para subsistência, para o mercado interno ou para exportação.</p><p>Gabarito: A</p><p>(ENEM 2021)</p><p>“Durante os anos de 1854-55, o governo brasileiro – por meio de sua representação</p><p>diplomática em Londres – e os livre-cambistas ingleses – nas colunas do Daily News e na Câmara</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>94</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>dos Comuns – aumentaram a pressão pela revogação da Lei Aberdeen. O governo britânico,</p><p>entretanto, ainda receava que, sem um trabalho anglo-brasileiro satisfatório para substituí-la, não</p><p>haveria nada que impedisse os brasileiros de um dia voltarem aos seus velhos hábitos”.</p><p>BETHELL, L. A abolição do comércio brasileiro de escravos. Brasília: Senado Federal, 2002</p><p>(adaptado).</p><p>As tensões diplomáticas expressas no texto indicam o interesse britânico em</p><p>a) estabelecer jurisdição conciliadora.</p><p>b) compartilhar negócios marítimos.</p><p>c) fomentar políticas higienistas.</p><p>d) manter a proibição comercial.</p><p>e) promover o negócio familiar.</p><p>Comentários</p><p>A Lei Alberdeen, mais conhecida como Bill Alberdeen, foi uma lei promulgada pela</p><p>Inglaterra em 1845. Por meio dela, o governo britânico proibia o tráfico internacional de</p><p>escravizados africanos e permitia à marinha inglesa perseguir e capturar todos aqueles que</p><p>persistissem no ramo, mesmo que fossem de outra nacionalidade. Os infratores eram levados até</p><p>a Inglaterra, onde seriam julgados. A pressão inglesa para o fim do tráfico datava desde as</p><p>primeiras décadas do século XIX, antes mesmo da independência do Brasil (1822). Para os</p><p>britânicos, o fim do comércio de viventes era interessante, pois contribuiria para o fim da</p><p>escravidão que, por sua vez, permitiria que uma grande massa de escravizados se tornassem</p><p>trabalhadores livres e, consequentemente, consumidores. E a Inglaterra precisava de mais</p><p>consumidores, mesmo que de outros países, para consumir seus produtos industriais. O Brasil</p><p>independente, que se tornou bastante dependente econômica e diplomaticamente da Inglaterra,</p><p>promulgou sua primeira lei anti-tráfico em 1831 (a Lei Feijó). Todavia, as autoridades brasileiras</p><p>não se empenharam em aplicá-la e, na prática, o comércio de africanos continuou. Enquanto isso,</p><p>os ingleses continuavam a pressão para a medida fosse efetivada. Entretanto, outra lei brasileira</p><p>contribuiu para os britânicos ficarem ainda mais descontentes com as autoridades brasileiras: a</p><p>criação da Tarifa Alves Branco, que aumentava a taxação sobre produtos importados, com vista a</p><p>aumentar a arrecadação do Estado brasileiro. Então, no ano seguinte, a Inglaterra promulgou a</p><p>Lei Alberdeen. A marinha britânica começou a perseguir “sem dó” traficantes brasileiros, em</p><p>alguns casos entrando até em portos brasileiros para capturar os infratores e levá-los para os</p><p>tribunais ingleses. Finalmente, o Brasil promulgou a Lei Eusébio de Queiroz, em 1850, que proibia</p><p>definitivamente o tráfico internacional de africanos para seu território. Mesmo assim, ainda</p><p>demoraria alguns anos para que os ingleses revogassem a Bill Alberdeen, desconfiados de que os</p><p>traficantes brasileiros continuariam suas atividades de forma clandestina. Então, vejamos qual o</p><p>interesse britânico que essas tensões diplomáticas revelam:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>95</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>a) Incorreta. A lei britânica era considerada violenta pelos brasileiros. De fato, estava longe</p><p>de ser uma medida conciliadora, uma vez que já partia para a captura, julgamento e prisão dos</p><p>traficantes por tribunais ingleses, algo que feria desafiava a soberania nacional do Brasil (e também</p><p>de Cuba, único outro país no Ocidente que mantinha a escravidão e o tráfico).</p><p>b) Incorreta. Na verdade, as tensões demonstravam o interesse britânico em extinguir um</p><p>determinado tipo de comércio marítimo: o tráfico de africanos.</p><p>c) Incorreta. Políticas higienistas</p><p>dizem respeito a reformas e ações promovidas pelo poder</p><p>público para higienizar os ambientes urbanos ou rurais. Trata-se de medidas de higiene pública e</p><p>saneamento. Entretanto, costumamos chamar de “higienistas” especificamente aquelas medidas</p><p>que mais que se preocupar com a saúde pública, promovem a marginalização das populações de</p><p>baixa renda, como se a presença delas fosse fonte de doenças, desordens e sujeira.</p><p>d) Correta! Como mencionei na letra “b”, o interesse inglês visava o fim definitivo do</p><p>comércio internacional de escravizados africanos.</p><p>e) Incorreta. O tráfico de africanos não era um negócio familiar, mas sim capitalista, no qual</p><p>havia investimento de grandes proprietários (mesmo não sendo raro haver “pequenos”</p><p>traficantes). Contudo, a Inglaterra não queria o fim do tráfico para promover o negócio familiar e</p><p>prejudicar os capitalistas. Na realidade, o governo britânico queria favorecer os capitalistas</p><p>ingleses, sobretudo os industriais, que queriam aumentar suas exportações. Para isso, era</p><p>necessário aumentar o número de consumidores pelo mundo. Os países escravistas tinham uma</p><p>imensa quantidade de potenciais consumidores vivendo como escravizados. Assim, proibindo o</p><p>tráfico, pretendia sabotar a escravidão e acelerar seu fim, para que esses cativos se tornassem</p><p>consumidores de produtos britânicos.</p><p>Gabarito: D</p><p>(ENEM 2020) 4000203938</p><p>Nas cidades, os agentes sociais que se rebelavam contra o arbítrio do governo também</p><p>eram proprietários de escravos. Levavam seu protesto às autoridades policiais pelo recrutamento</p><p>sem permissão. Conseguimos levantar, em ocorrências policiais de 1867, na Província do Rio de</p><p>Janeiro, 140 casos de escravos aprisionados e remetidos à Corte para serem enviados aos campos</p><p>de batalha.</p><p>SOUSA, J. P. Escravidão ou morte: os escravos brasileiros na Guerra do Paraguai. Rio de</p><p>Janeiro: Mauad; Adesa, 1996.</p><p>Desconstruindo o mito dos “voluntários da pátria”, o texto destaca o descontentamento</p><p>com a mobilização para a Guerra do Paraguai expresso pelo grupo dos</p><p>a) pais, pela separação forçada dos filhos.</p><p>b) cativos, pelo envio compulsório ao conflito.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>96</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) religiosos, pela diminuição da frequência aos cultos.</p><p>d) oficiais, pelo despreparo militar dos novos recrutas.</p><p>e) senhores, pela perda do investimento em mão de obra.</p><p>Comentários</p><p>A Guerra do Paraguai (1864-1870). Em 1850, um quarto da população era composta por</p><p>escravizados. Os Voluntários da Pátria surgiram como unidades militares na tentativa de aumentar</p><p>o poderio do exército, que era pequeno. Uma boa parte de tais unidades foram compostas por</p><p>escravizados, muitos recrutados à força, forçados a lutar em nome de seus senhores, ou ainda</p><p>pela promessa de alforria, caso votassem vivos da guerra.</p><p>a) Incorreto. O pano de fundo histórico da questão é a escravidão, que perdurava no Brasil do</p><p>século XIX, quando ocorreu a Guerra do Paraguai. No período escravocrata, não havia nenhuma</p><p>garantia de que as famílias de escravizados permaneceriam unidas, uma vez que eram vistos como</p><p>simples mercadorias e podiam ser vendidos e separados a qualquer momento.</p><p>b) Incorreto. A questão fala de escravizados enviados à força para a guerra e do descontentamento</p><p>da classe de proprietários de escravos, demonstrando o conflito entre os interesses dessa classe</p><p>(econômicos) e os militares (em relação ao poderio bélico).</p><p>c) Incorreto. O texto não faz nenhuma menção à Igreja. Contudo sabemos que a instituição</p><p>caminhava de mãos dadas com os proprietários, ou seja, com a elite econômica do país, numa</p><p>relação mútua de interesses.</p><p>d) Incorreto. O efetivo do exército brasileiro era pequeno. Assim, em 1865, surgiu o Corpo de</p><p>Voluntários da Pátria, que deveriam aumentar o efetivo. A partir daí, começaram a surgir as</p><p>denúncias de recrutamento forçado, o que demonstra o desespero das forças armadas, não</p><p>importando o despreparo dos recrutas.</p><p>e) Correto! O texto apresenta a oposição de proprietários de escravos ao recrutamento de</p><p>escravizados, uma vez que, eles eram vistos como suas posses.</p><p>Gabarito: E</p><p>(ENEM 2020)</p><p>Depois da Independência, em 1822, o país enfrentaria problemas que com frequência</p><p>emergiram durante a formação dos Estados nacionais da América Latina. Em muitas regiões</p><p>do Brasil, essas divergências foram acompanhadas de revoltas, inclusive contra o imperador</p><p>D. Pedro I. Com a abdicação deste, em 1831, o país atravessaria tempos ainda mais</p><p>turbulentos sob o regime regencial.</p><p>REIS, J. J. Rebelião escrava no Brasil: a história do Levante dos Malês em 1835. São Paulo:</p><p>Cia. das Letras, 2003 (adaptado).</p><p>A instabilidade política no país, ao longo dos períodos mencionados, foi decorrente da(s)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>97</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>a) disputas entre as tendências unitarista e federalista.</p><p>b) tensão entre as forças do Exército e Marinha nacional.</p><p>c) dinâmicas demográficas nas fronteiras amazônica e platina.</p><p>d) extensão do direito de voto aos estrangeiros e ex-escravos.</p><p>e) reivindicações da ex-metrópole nas esferas comercial e diplomática.</p><p>Comentários</p><p>Para resolver esta questão, podemos retomar um esqueminha que desenvolvi em nossos estudos,</p><p>dá uma conferida:</p><p>No contexto da centralização política do Império, as elites regionais tensionavam para ter mais</p><p>autonomia e menos interferência do governo central. Muitas das revoltas que “pipocaram” neste</p><p>período estão relacionadas com essa dinâmica da disputa do “poder” e de “influência regional”.</p><p>Por isso, nosso gabarito é letra a).</p><p>b) errado, pois no século XIX as forças armadas do Brasil, no caso do Império brasileiro, ainda</p><p>estavam em formação, sendo que os conflitos externos, principalemnte os que se desenrolaram</p><p>na Bacia Platina ajudaram a formá-las. No mesmo sentido, as revolta regências regionais que</p><p>eclodiram ao longo da regência e do Império foram controlas pelas ações do exército e da</p><p>marinha, os quais primavam pela unidade nacional. Dessa forma, havia mais unidade em torno de</p><p>propósitos do que tensões entre elas. Já a marinha brasileira passa a adquirir expressividade após</p><p>a República.</p><p>c) falso, pois os conflito na Bacia Platina ocorreram por disputas territoriais, comerciais e pelo</p><p>controle da navegabilidade fluvial. Não foram conflitos por dinâmicas demográficas.</p><p>d) falso, esse debate se desenvolverá no contexto da República.</p><p>e) errado, pois houve um acordo de reconhecimento da independência entre Brasil e Portugal.</p><p>Gabarito: A</p><p>(ENEM 2020)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>98</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888</p><p>A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II,</p><p>faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia-Geral decretou e ela sancionou a</p><p>lei seguinte:</p><p>Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.</p><p>Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei</p><p>pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.</p><p>Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º ano da Independência e do</p><p>Império.</p><p>Princesa Imperial Regente.</p><p>Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 6 fev. 2015 (adaptado).</p><p>Um dos fatores que levou à promulgação da lei apresentada foi o(a)</p><p>a) abandono de propostas de imigração.</p><p>b) fracasso do trabalho compulsório.</p><p>c) manifestação do altruísmo britânico.</p><p>d) afirmação da benevolência da Corte.</p><p>e) persistência da campanha abolicionista.</p><p>Comentários</p><p>a) falso, pois não foram abandonas.</p><p>b) errado, pois para a parcela escravocrata o trabalho compulsório dava certo,</p><p>já que condizia</p><p>com a forma de exploração do modelo econômico de raiz colonial.</p><p>c) falso, pois os britânicos não pressionavam pela extinção do trabalho escravo porque</p><p>reconheciam nos negros e afrodescendentes pessoas iguais, haja vista o racismo que se</p><p>desenvolvida Inglaterra e os regimes segregacionistas que os ingleses construíram na África</p><p>do Sul e na Índia. O argumento inglês era comercial e focado no desenvolvimento do</p><p>mercado consumidor.</p><p>d) falso, pois a Corte não se antecipou à abolição, ela foi pressionada a assinar a norma que</p><p>findou com a escravidão. Não por menos, o Brasil foi o último país das Américas a tomar essa</p><p>atitude.</p><p>e) correto, pois a campanha abolicionista foi feita em várias frentes e foi um elemento</p><p>determinante para pressionar a assinatura da Lei Áurea. A título de exemplificação, o próprio</p><p>ENEM já cobrou referências diretas ao movimentos abolicionistas, como as mulheres que se</p><p>engajavam nesta luta com as mais diversas performances artísticas.</p><p>Gabarito: E</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>99</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(ENEM 2018)</p><p>A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir</p><p>títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em</p><p>compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações que</p><p>levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas.</p><p>Aquelas “angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro para comprar</p><p>liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de escravos a fazerem</p><p>alforrias gratuitamente.</p><p>MIRANDA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015</p><p>As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento</p><p>a) feminista.</p><p>b) sufragista.</p><p>c) socialista.</p><p>d) republicano.</p><p>e) abolicionista.</p><p>Comentários</p><p>Veja que há trechos do texto do enunciado que rementem à campanha abolicionista, como</p><p>“levantavam dinheiro par comprar liberdades”, “convencer os donos de escravos”. Então, sem</p><p>delongas, gabarito letra e).</p><p>Gabarito: E</p><p>(ENEM 2017)</p><p>Com a Lei de Terras de 1850, o acesso à terra só passou a ser possível por meio da compra</p><p>com pagamento em dinheiro. Isso limitava, ou mesmo praticamente impedia, o acesso à terra</p><p>para os trabalhadores escravos que conquistavam a liberdade.</p><p>OLIVEIRA, A. U. Agricultura brasileira: transformações recentes. In: ROSS, J. L. S. Geografia</p><p>do Brasil. São Paulo: Edusp. 2009</p><p>O fato legal evidenciado no texto acentuou o processo de</p><p>a) reforma agrária.</p><p>b) expansão mercantil.</p><p>c) concentração fundiária.</p><p>d) desruralização da elite.</p><p>e) mecanização da produção.</p><p>Gabarito: C</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>100</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(ENEM 2015)</p><p>SCHWARCZ, L. M. As barbas do imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo:</p><p>Cia. Das Letras, 1998 (adaptado)</p><p>Essas imagens de D. Pedro II foram feitas no início dos anos de 1850, pouco mais de uma década</p><p>após o Golpe da Maioridade. Considerando o contexto histórico em que foram produzidas e os</p><p>elementos simbólicos destacados, essas imagens representavam um</p><p>a) jovem maduro que agiria de forma irresponsável.</p><p>b) imperador adulto que governaria segundo as leis.</p><p>c) líder guerreiro que comandaria as vitórias militares.</p><p>d) soberano religioso que acataria a autoridade papal.</p><p>e) monarca absolutista que exerceria seu autoritarismo.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Como resultado desse mecanismo, houve, em um governo de cinquenta anos, a</p><p>sucessão de 36 gabinetes, com a média de um ano e três meses de duração cada um.</p><p>Aparentemente, havia uma grande instabilidade, mas, de fato, não era bem isso o que</p><p>ocorria. Na verdade, tratava-se um sistema flexível que permitia o rodízio dos dois</p><p>principais partidos no governo sem maiores traumas. Para quem estivesse na oposição,</p><p>havia sempre a esperança de ser chamado a governar. Assim, o recurso às armas se</p><p>tornou desnecessário”.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>101</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>FAUSTO, B. História do Brasil. 13 ed. São Paulo: Edusp, 2008, p. 179-180.</p><p>Instituído em 1847, no Brasil, o sistema político descrito pelo texto ficou conhecido</p><p>como</p><p>a) presidencialismo autoritário, uma vez que os regentes dispensaram o Conselho de</p><p>Estado.</p><p>b) liberalismo tupiniquim, por a monarquia constitucional brasileira manter princípios</p><p>absolutistas.</p><p>c) nacional-desenvolvimentismo, haja vista que se construía um Estado forte e interventor</p><p>na economia.</p><p>d) monarquismo de fachada, porque o imperador era apenas simbólico e não tinha</p><p>prerrogativas de poder.</p><p>e) parlamentarismo às avessas, pois o imperador continuava tendo influência na</p><p>nomeação dos ministros.</p><p>Comentários</p><p>Nessa questão, podemos identificar facilmente o tempo, o espaço e o tema, os quais são o</p><p>Segundo Reinado (1840-1889), o Brasil e seu sistema político. Lembre-se que nessa época,</p><p>nosso país era uma monarquia constitucional, com requintes de absolutismo. O que isso quer</p><p>dizer? Quer dizer que erámos governados por um imperador, o qual dividia o poder com um</p><p>parlamento (Câmara e Senado), mas alguns dispositivos da Constituição de 1824, sobretudo o</p><p>Poder Moderador, davam ao monarca a prerrogativa de interferir nos demais poderes, além de</p><p>outros mecanismos de centralização. Por outro lado, naquele momento, o Brasil tinha dois</p><p>grandes partidos políticos: o Partido Liberal e o Partido Conservador. É possível diferenciá-los</p><p>com base na posição de cada um sobre o maior (conservadores) ou menor (liberais)</p><p>centralização do poder nas mãos do imperador. Todavia, repare que o texto explica que o novo</p><p>sistema era flexível e permitia o rodízio entre eles na ocupação de cargos importantes no</p><p>governo. Sabendo disso, vejamos como ficou conhecido o sistema político descrito pelo texto:</p><p>a) Incorreta. A Período Regencial se deu entre 1831 e 1840, portanto, é anterior à instituição</p><p>do sistema político descrito pelo texto. Além disso, o termo “presidencialismo autoritário”</p><p>nunca foi usado para descrever um sistema político brasileiro.</p><p>b) Incorreta. De fato, a monarquia brasileira preservava certas características absolutistas,</p><p>apesar de seguir o modelo constitucionalista. Exemplo disso, é o Poder Moderador, que dava</p><p>amplos poderes ao imperador para interferir nos demais poderes, além de outras prerrogativas</p><p>exclusivas de sua pessoa. No entanto, a expressão “liberalismo tupiniquim” não é utilizada para</p><p>descrever essa situação.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>102</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) Incorreta. O nacional-desenvolvimentos é uma ideologia formulada por Getúlio Vargas e seus</p><p>apoiadores a partir da década de 1930. Esse pensamento defendia o fortalecimento do</p><p>capitalismo brasileiro, um Estado forte e interventor na economia, uma posição de autonomia</p><p>em relação aos Estados Unidos no comércio internacional e a valorização do trabalho como</p><p>signo da cidadania brasileira.</p><p>d) Incorreta. No Brasil, o imperador não era apenas simbólico. Na verdade, ele era o chefe do</p><p>Poder Executivo e o único com direito de exercer do Poder Moderador. Essa configuração dava</p><p>amplos poderes ao monarca e levantava críticas nos setores mais liberais e comprometidos com</p><p>o constitucionalismo.</p><p>e) Correta! Basicamente, o novo sistema instituído em 1847 criou o cargo de Presidente de</p><p>Conselho de Ministros, que desempenhavam o Poder Executivo sob a chefia do imperador.</p><p>Esse tipo de “primeiro-ministro” ficava a partir de então encarregado de nomear os demais</p><p>ministros do conselho, o que era feito pelo monarca até aquele ano. Esse modelo era inspirado</p><p>no parlamentarismo</p><p>britânico, porém apresentava uma diferença fundamental. Mesmo não</p><p>nomeando mais o conjunto dos ministros, continuava sendo o imperador que nomeava o</p><p>presidente do conselho. Portanto, no fim das contas, a centralização se manteve quase intacta</p><p>ao mesmo tempo que permitia o revezamento dos partidos políticos no poder, conforme fosse</p><p>conveniente para o monarca. Por isso, esse sistema político ficou conhecido como</p><p>parlamentarismo às avessas.</p><p>Gabarito: E</p><p>11. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Em meados do século XIX (...) o Império ingressou numa era de mudanças relacionadas</p><p>à própria expansão do capitalismo. Os ventos do progresso começaram a chegar ao</p><p>país, atraídos pelas possibilidades de investimentos e lucros em setores ainda</p><p>inexplorados”.</p><p>NEVES, L.; MACHADO, H. O Império do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p.</p><p>313.</p><p>Para impulsionar a industrialização, a urbanização e o aperfeiçoamento da infraestrutura</p><p>do país, o governo monárquico procurou incentivar</p><p>a) a elite açucareira decadente a se realocar no ramo industrial, revogando os impostos</p><p>que incidiam sobre o trabalho escravo, para que essa mão de obra fosse mobilizada para</p><p>as novas atividades.</p><p>b) os bandeirantes a adentrarem nas regiões ainda pouco explorada em busca de</p><p>matérias primas essenciais ao processo de industrialização, como reservas naturais de</p><p>carvão mineral.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>103</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) os cafeicultores a investir na modernização por meio do fim do tráfico de escravos,</p><p>protecionismo alfandegário e acesso a empréstimos com bancos ingleses.</p><p>d) a importação de bens de consumo e equipamentos industriais, por meio da redução</p><p>da tributação alfandegário, de modo que o empresariado nacional pôde desenvolver</p><p>seus negócios rapidamente.</p><p>e) a expulsão de empresas estrangeiras que monopolizavam a prestação de serviços</p><p>urbanos, obras de infraestrutura e setores da indústria, para que as elites brasileiras</p><p>pudessem assumir essas atividades.</p><p>Comentários</p><p>A partir da segunda metade do século XIX, sobretudo durante o Segundo Reinado (1840-1889),</p><p>assistimos a um processo de modernização do Brasil. Como parte fundamental desse processo,</p><p>podemos identificar a implantação do telégrafo, em 1852; e a implantação do sistema de</p><p>transporte ferroviário. Além disso, há outros elementos que marcaram esse processo, como a</p><p>iluminação de ruas, bondes, bancos e teatros; o surgimento de pequenas indústrias alimentícias,</p><p>de tecidos, de vestuário, etc.; a proibição do tráfico internacional de escravizados (1850); e a</p><p>intensificação da atividade migratória. Ainda, houve um processo de urbanização nas principais</p><p>cidades do Império, como São Paulo e Rio de Janeiro. Com isso em mente, vejamos o que a</p><p>monarquia brasileira procurou incentivar para impulsionar tal modernização:</p><p>a) Incorreta. No século XIX, a economia açucareira estava em crise, em grande parte devido ao</p><p>crescimento da concorrência internacional e a queda do preço do açúcar brasileiro no comércio</p><p>exterior. Com isso, a elite açucareira, concentrada no Nordeste, foi cada vez mais negligenciada</p><p>pelo governo, que preferia concentrar sua atenção e concessões de privilégios e incentivos</p><p>econômicos na região Sudeste, onde a cafeicultura estavam em franca expansão e obtinha lucros</p><p>generosos. Além disso, durante o Segundo Reinado os impostos sobre o comércio e a posse de</p><p>cativos aumentaram, como medida indireta para que a escravidão fosse enfraquecendo de</p><p>maneira gradual. O abolicionismo cada vez mais ganhava simpatia entre a opinião pública,</p><p>enquanto as revoltas de escravos ficavam mais frequentes. Além disso, vários países vinham</p><p>abolindo a escravidão em seus territórios, inclusive aqueles vizinhos ao Brasil, o que deixava o</p><p>Império “mal na fita” na diplomacia internacional.</p><p>b) Incorreta. Na segunda metade do século XIX já não existiam mais bandeirantes. Estes foram</p><p>exploradores paulistas no período colonial, que formavam bandos para se aventurar nos sertões</p><p>brasileiros em busca de ouro, indígenas ou gêneros silvestres comercializáveis.</p><p>c) Correta! Como mencionei antes, a cafeicultura estava em franca expansão no Sudeste brasileiro,</p><p>principalmente em São Paulo. Durante o Segundo Reinado, o café já se consolidara como o</p><p>principal produto exportado pelo Império brasileiro, o que tornava a elite cafeicultora a mais</p><p>poderosa e influente do país. Não à toa, D. Pedro II procurou se aproximar dela, não só</p><p>convidando seus membros para participar do governo como lhes concedendo privilégios e</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>104</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>incentivos para que investissem seus lucros na modernização do Brasil. Em 1844, foi promulgada</p><p>a Tarifa Alves Branco, que aumentava as taxas de importação sobre os produtos estrangeiros,</p><p>visando a incentivar as elites brasileiras a investir em determinados setores da indústria. Por outro</p><p>lado, ao abolir o tráfico de escravos em 1850, os capitais antes comprometidos com essa atividade</p><p>ficaram livres para serem investidos em outros setores. Por fim, a dependência econômica com a</p><p>Inglaterra, construída desde a independência, facilitava a obtenção de empréstimos com bancos</p><p>de capital britânico. Assim, muitos empresários ligados a cafeicultora se aventuraram no</p><p>financiamento da construção de ferrovias, na criação de companhias prestadoras de serviços</p><p>públicos e em alguns setores da indústria, sobretudo no alimentício e têxtil.</p><p>d) Incorreta. Como destaquei antes, em 1844 foi criada a Tarifa Alves Branco, que marcou o</p><p>esgotamento da validade dos acordos comerciais que favoreciam a entrada de produtos</p><p>estrangeiros no país, com baixas tarifas alfandegárias.</p><p>e) Incorreta. O governo imperial nunca tentou expulsar empresas estrangeiras do país. E, de fato,</p><p>essas empresas monopolizavam a prestação de vários serviços públicos nas maiores cidades do</p><p>Império, como o fornecimento de água ou transporte público de bondes.</p><p>Gabarito: C</p><p>12. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Charge de Ângelo Agostini, publicada em A Vida Fluminense, em 11 de junho de 1870.</p><p>A charge expressa</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>105</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>a) a conivência de negros livres e libertos com a escravidão, muitos dos quais possuíam</p><p>escravos.</p><p>b) o projeto estatal de abolição imediata e sem indenização aos senhores, criticado pelas</p><p>elites.</p><p>c) a adesão de setores militares ao movimento republicano, após a guerra contra os</p><p>paraguaios.</p><p>d) a contradição criada pela incorporação dos escravos ao exército e sua atuação na</p><p>defesa do país.</p><p>e) o sadismo da escravidão brasileira que obrigava os escravos a punir seus pares na</p><p>mesma condição.</p><p>Comentários</p><p>Em primeiro lugar, note que a charge foi publicada em 1870. Em segundo, repare nas figuras</p><p>representadas na ilustração. No primeiro plano, temos um oficial do exército, negro, que olha</p><p>indignado para a cena que dá ao fundo: um escravizado é castigado fisicamente por outro,</p><p>enquanto um homem que parece ser seu proprietário assiste. Ora, esses elementos nos ajudam</p><p>a identificar que a charge está de alguma forma relacionada à Guerra do Paraguai, que se deu</p><p>entre 1864 e 1870. O conflito opôs Brasil, Argentina e Uruguai, de um lado, e, de outro, o</p><p>Paraguai. Este último vinha demonstrando a intenção de expandir seus domínios sobre a</p><p>América do Sul, enquanto os três primeiros estavam interessados em garantir a livre-navegação</p><p>pela Bacia do Rio da Prata. Diante do impasse, os paraguaios tentaram tomar posse da região</p><p>do atual Mato Grosso e a guerra teve início. O resultado foi a vitória brasileira e deus aliados.</p><p>Contudo, houve repercussões que prejudicaram a estabilidade da monarquia no Brasil.</p><p>Conhecendo esse contexto, vejamos</p><p>Veja o esquema abaixo, que ilustra essas políticas ao longo do reinado de D. Pedro II:</p><p>2 Fonte: LIMA, Hernan. História da Caricatura no Brasil. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Ed, 1963,</p><p>p. 227.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>10</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Ainda como um último acontecimento desses conflitos entre liberais e conservadores,</p><p>devemos lembrar da chamada Revolta Praieira (1848-1850).</p><p>Algumas informações são importantes para entendermos essa Revolta. Primeiro, ela</p><p>recebeu forte influência dos acontecimentos na Europa – os movimentos liberais e nacionalistas</p><p>da chamada Primavera dos Povos, de 1848. Segundo:</p><p>❖ A economia ainda dependia muito do açúcar, apesar de sua decadência devido aos</p><p>baixos preços e a concorrência internacional. A maioria dos engenhos ficavam nas</p><p>mãos de uma parcela da aristocracia rural que estava lá há muito tempo. Eram as</p><p>famílias tradicionais. Por exemplo, a família dos Cavalcanti detinha 1/3 dos engenhos.</p><p>❖ O comércio era segunda fonte mais importante da economia. Estava nas mãos dos</p><p>portugueses.</p><p>❖ Conclusão: pouquíssimas famílias tradicionais da oligarquia rural e grandes</p><p>comerciantes portugueses dominavam o cenário político!</p><p>Além desse cenário de poder político concentrado nas mãos da elite econômica,</p><p>socialmente havia péssimas condições de vida para setores muito amplos da sociedade:</p><p>profissionais liberais, artesãos, pequenos comerciantes, militares e até padres.</p><p>Então, em 1842, uma parte do Partido Liberal resolveu romper com as velhas práticas de</p><p>“dividir” o poder na distribuição de cargos da província. Nesse grupo existiam ricos proprietários</p><p>de terras não-tradicionais, além de outros grupos sociais. Juntos formaram o Partido da Praia.</p><p>Uma de suas lideranças mantinha um jornal situado na Rua da Praia, o que fez com que eles se</p><p>tornassem conhecidos como praieiros.</p><p>O estopim foi quando o Gabinete Conservador do Império resolveu destituir um presidente</p><p>de província do Partido Liberal que não tinha relações com as velhas oligarquias pernambucanas.</p><p>Liderados pelo militar Pedro Ivo Veloso da Silveira, em 1848 os praieiros pegam em armas</p><p>para a reconquista de Pernambuco, dando início a um movimento que também defendia:</p><p> o sufrágio universal</p><p> a liberdade de imprensa</p><p> a extinção do Poder Moderador</p><p> o federalismo</p><p> o direito ao trabalho</p><p> a nacionalização do comércio</p><p> a reforma do Judiciário.</p><p>OBS: perceba que o problema da escravidão não estava listado entre as exigências e propostas</p><p>dos praieiros.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>11</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A Revolta persistiu até o ano de 1850, quando foi derrotada por tropas centrais e</p><p>provinciais. Com essa derrota, termina um conjunto de revoltas que acompanharam e sucederam</p><p>o processo de independência, o 1º Reinado e a Regência.</p><p>De certa forma, a derrota dessa revolta demonstra que foi vitoriosa a proposta da</p><p>construção de um Estado Centralizado e de preservação da integridade territorial.</p><p>(CÁSPER LÍBERO 2017)</p><p>Cândido Aragonez de Faria foi um artista brasileiro do século XIX que teve sua</p><p>formação no Rio de Janeiro, frequentando o Liceu de Artes e Ofício e a</p><p>Academia Imperial de Belas Artes, na capital. No Brasil, publicou em mídias</p><p>impressas de sua época, antes de sua carreira alçar voos internacionais. Nas publicações</p><p>brasileiras, foram veiculadas várias charges com conteúdo político, como a que segue:</p><p>A análise da charge, que retrata a política no Segundo Império, expressa a</p><p>a) manipulação sofrida por D. Pedro II por parte dos grupos políticos.</p><p>b) inabilidade do Imperador para lidar com os conflitos políticos.</p><p>c) alternância do cargo executivo por meio de eleições periódicas.</p><p>d) representação do caráter liberal e democrático de D. Pedro II.</p><p>e) coordenação política do governante em relação aos partidos políticos.</p><p>Comentários</p><p>Aqui temos uma questão de interpretação de imagem. É importante entendermos quem foi</p><p>o autor e o contexto em que estava inserido. Cândido Aragonez de Faria (1849-1911) foi um</p><p>artista e jornalista sergipano, natural de Laranjeiras. Era filho do médico José Cândido Faria</p><p>e da espanhola Josefa Aragonez. Por conta da morte do pai, em 1855 se mudou com a família</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>12</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>para o Rio de Janeiro, onde tinham mais parentes. Lá, ele cursou o Liceu de Artes e Ofício e</p><p>a Escola de Belas Artes. Ao longo de sua carreira, destacou-se na ilustração de charges</p><p>satíricas e quadrinhos, atuando em vários jornais da época. Ele também morou em Buenos</p><p>Aires, Porto Alegre e, no fim da vida, em Paris, onde trabalhou na produção de cartazes para</p><p>o cinema.</p><p>A charge aqui reproduzida é intitulada “O rei se diverte” e foi publicada no jornal O</p><p>Mequetrefe, em 09 de janeiro de 1878. Este periódico ilustrado e humorístico foi fundado</p><p>em 1875 por Pedro Lima e Eduardo Joaquim Correia. Em um de seus primeiros números, os</p><p>redatores afirmavam que não eram republicanos, mas também não eram monarquias. No</p><p>entanto, seu conteúdo era claramente republicano, visto que em vários momentos se</p><p>utilizava alegorias explicitamente alusivas a esta forma de governo, como a mulher com um</p><p>barrete frígio.</p><p>Agora, analisando a charge em si, vemos que o caricaturista representou D. Pedro II</p><p>como eixo de um carrossel no qual giram os cavalos que por sua vez carregam, cada um,</p><p>uma pessoa. Na barra do vestido da dama no cavalinho, lê-se “Partido Liberal”. Em oposição,</p><p>o homem da charge representa o “Partido Conservador”. Quem gira o carrossel, abaixo do</p><p>imperador, é uma idosa em cujo vestido está escrito “diplomacia”. Tendo em mente esta</p><p>descrição e a contextualização que fiz acima, vejamos qual alternativa expressa a</p><p>interpretação mais apropriada para a charge:</p><p>a) Incorreta. Repare que na ilustração os partidos políticos os estão literalmente “nas mãos”</p><p>de D. Pedro II. Graças à sua diplomacia, o imperador gira e balança ambos da forma que</p><p>quer, sendo apenas aparente a oposição entre eles. Portanto, a charge não expressa que</p><p>Pedro II era manipulado pelos partidos, mas sim o contrário.</p><p>b) Incorreta. Como disse acima, a charge expressa que Pedro II manipulava a política</p><p>partidária no Império. Isto demandava muita habilidade política de sua parte.</p><p>c) Incorreta. O imperador era o chefe do poder Executivo e seu cargo não era elegível, mas</p><p>sim hereditário, ou seja, não havia alternância até que ele morresse e fosse substituído por</p><p>seu primogênito. Nesse poder, logo abaixo do monarca estava o Conselho de Ministros,</p><p>escolhidos entre os parlamentares, do Poder Legislativo. Lembre-se que durante o Império</p><p>sempre pairou uma tensão entre os setores das elites que defendiam maior centralização ou</p><p>descentralização. Isso também se refletia nas discussões sobre o parlamentarismo, que</p><p>muitos acreditavam que seria uma medida a favor da descentralização. Assim, em 1847 o</p><p>imperador acabou cedendo e instituiu o parlamentarismo. Na prática ficou criado o cargo de</p><p>Presidente do Conselho de Ministros (uma espécie de chefe de governo, ou primeiro</p><p>ministro), que a partir daquele momento seria incumbido da tarefa de montar o Gabinete</p><p>Ministerial. A questão, então, passou a ser: quem vai nomear esse Primeiro Ministro? Em</p><p>tese, deveria ser o partido que obtivesse a maioria dos votos para o Parlamento, como é</p><p>característico no funcionamento do sistema parlamentarista. Todavia, como existia Poder</p><p>Moderador do Imperador, acabou que era ele quem fazia a escolha. Por isso, os historiadores</p><p>chamaram o fenômeno de “Parlamentarismo às avessas”. Em outras palavras, acabava que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>13</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império</p><p>o que a charge expressa:</p><p>a) Incorreta. Realmente, desde o período colonial existia uma minoria negra livre e liberta que</p><p>era conivente com a escravidão e até possuía escravos. Nem sempre a relação entre escravidão</p><p>e racismo era percebida como algo incontestável pelos contemporâneos da época, consciência</p><p>que foi crescendo ao longo do século XIX. Conforme esses negros livres e libertos percebiam</p><p>que continuavam sendo discriminados negativamente mesmo não sendo escravos, muitos</p><p>aderiram ao abolicionismo, acreditando que apenas o fim da escravidão colocaria um fim ao</p><p>“preconceito de cor”, como se chamava no período. De qualquer forma, repare que na charge</p><p>não há como saber se o proprietário do escravo sendo castigado é branco ou negro. Logo, não</p><p>tem como esse ser o tema da ilustração.</p><p>b) Incorreta. Na verdade, o governo imperial se manteve “em cima do muro” sobre a questão</p><p>da abolição. Publicamente, o imperador se mostrava favorável ao fim da escravidão, para</p><p>agradar a opinião pública cada vez mais abolicionista e apaziguar as pressões internacionais</p><p>pela abolição. Por outro lado, ele também procurava assegurar às elites brasileiras que o</p><p>cativeiro não seria extinto de forma imediata, mas sim de maneira gradual e segura, para evitar</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>106</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>maiores prejuízos à economia brasileira. Por isso, promulgou-se tantas leis abolicionistas ao</p><p>longo do século XIX: primeiro se aboliu o tráfico (1831 e 1850); em seguida, declarou-se livres</p><p>os filhos de escravas nascidos a partir de 1871, bem como o reconhecimento do direito ao</p><p>pecúlio e a fundação dos Fundos de Emancipação; depois os cativos maiores de 60 anos foram</p><p>libertos (1885). Por sua vez, a Lei Áurea, de 1888, que declarou o fim da escravidão de forma</p><p>imediata e sem indenização aos senhores ou aos escravos, tratou-se de um movimento</p><p>desesperado da monarquia. Conforme percebeu que perdia apoio da elites e do exército, a</p><p>família imperial decidiu fazer uma jogada: abolir a escravidão, na esperança de assegurar o</p><p>apoio político do restante da população simpática ao abolicionismo. Entretanto, o resultado</p><p>não foi como o planejado. Não se contava que o movimento republicano tivesse ganhado tanta</p><p>força, sobretudo em São Paulo.</p><p>c) Incorreta. Isso realmente aconteceu. Durante a guerra, o exército brasileiro lutou ao lado de</p><p>tropas de países republicanos, o Uruguai e Argentina, o que contribuiu para a difusão dessa</p><p>ideologia entre os soldados brasileiros. Igualmente, o papel que o exército teve na guerra e na</p><p>defesa da nação contribuiu para o fortalecimento simbólico dos militares. Eles passaram a</p><p>cobrar mais direitos e participação política, somando esforços aos militantes republicanos à</p><p>medida que percebiam que a monarquia não atenderia suas demandas. Porém, não é disso que</p><p>charge trata. Repare que não tem nada que nos remeta ao movimento republicano na charge.</p><p>d) Correta! Inicialmente, o recrutamento brasileiro para Guerra do Paraguai foi feito de forma</p><p>voluntária. Porém, à medida que o conflito se estendia, o governo criou o recrutamento</p><p>obrigatório. Além disso, deu a oportunidade aos senhores de enviarem seus escravos em seu</p><p>lugar ou no de seus filhos convocados. Ainda, era prometido a esses cativos e outros que</p><p>eventualmente se voluntariassem que seriam libertos após o serviço militar. Isso gerou uma</p><p>grande mudança na percepção da população brasileira a respeito da questão da escravidão,</p><p>uma vez que os cativos estava diretamente contribuindo para a proteção da nação, enquanto</p><p>eram marginalizados política e socialmente. É essa percepção que a charge busca expressar,</p><p>colocando um veterano negro da guerra se chocando com a violência de uma cena de castigo</p><p>físico aplicado a um cativo.</p><p>e) Incorreta. É verdade que esse tipo de coisa ocorria com frequência. Porém, se esse fosse o</p><p>tema da charge, o castigo estaria em maior evidência na ilustração e não haveria necessidade</p><p>de ser justamente um soldado negro a testemunhar a infame cena.</p><p>Gabarito: D</p><p>13. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>“Qualquer que se encarregar de escrever a história do Brasil, país que tanto promete,</p><p>jamais deverá perder de vista quais os elementos que aí concorreram para o</p><p>desenvolvimento do homem. São, porém, estes elementos de natureza muito diversa,</p><p>tendo para a formação do homem convergido de um modo particular três raças, a saber:</p><p>a de cor de cobre ou americana, a branca ou caucasiana, e enfim a preta ou etiópica. Do</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>107</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>encontro, da mescla, das relações mútuas e mudanças dessas três raças, formou-se a</p><p>atual população, cuja história por isso mesmo tem um cunho muito particular”.</p><p>PICCOLI, Valéria. A identidade brasileira no século XIX. Fórum permanente. Disponível</p><p>em http://forumpermanente.incubadora.fapesp.br. Acesso em 30 mar. 2010.</p><p>Em um contexto de difusão de teorias raciais na Europa e nas Américas, as elites</p><p>brasileiras buscaram forjar uma identidade nacional fundamentada</p><p>a) na inferioridade da população brasileira, que sofria uma degenerescência por conta da</p><p>presença de negros e índios.</p><p>b) na positivação da mestiçagem, como o melhor meio para operar o embranquecimento</p><p>da população que levaria ao progresso</p><p>c) na valorização das tradições africanas na composição da cultura e população</p><p>brasileiras, o que fez do negro o principal ator da identidade nacional.</p><p>d) no fortalecimento de uma visão negativa sobre a população indígena, considerada</p><p>bárbara, selvagem e violenta.</p><p>e) na rejeição intransigente do racismo científico que legava aos brasileiros o último lugar</p><p>na escala evolutiva das civilizações humanas.</p><p>Comentários</p><p>O processo de construção da identidade brasileira é longo e complexo, operando-se de forma</p><p>não linear ao longo do tempo, conforme os interesses políticos dos governantes que se sucediam.</p><p>Em outras palavras, a identidade nacional que a monarquia tentou propagar não é exatamente</p><p>igual àquela forjada pelos governos republicanos que a sucederam. Repare que o título do texto</p><p>do qual o trecho foi retirado é “A identidade brasileira no século XIX”. Logo, aborda muito mais</p><p>o período imperial, que durou de 1822 até 1889. Pois bem, após a independência política, era</p><p>necessário obter também maior autonomia cultural, isto é, dar uma cara genuinamente brasileira</p><p>à cultura nacional. Assim, em 1827, foram criadas as faculdades de Direito de São Paulo e de</p><p>Olinda, com o objetivo de formar de maneira mais uniforme grande parte dos políticos, juristas e</p><p>administradores do Estado. Mais tarde, em 1838, fundou-se o Instituto Histórico e Geográfico</p><p>Brasileiro (IHGB), para reunir os esforços da elite intelectual do país no estudo da nação. Anos</p><p>depois, em 1845, o mesmo instituto lançou o concurso “Como se deve escrever a história do</p><p>Brasil”, demonstrando grande interesse em promover a produção de uma história nacional e oficial</p><p>para o país. Por outro lado, de forma mais difusa, vários intelectuais e artistas se engajaram em</p><p>fazer uma arte genuinamente nacional, por meio da adesão ao romantismo. Por último, é</p><p>importante destacar que a segunda metade do século XIX assistiu a elaboração e difusão de</p><p>teorias raciais, carregadas de cientificismo, que visavam a comprovar a suposta superioridade do</p><p>branco europeu sobre os demais grupos humanos. Agora tendo como base os estudos da</p><p>genética, muitos intelectuais tentaram provar que negros, indígenas e asiáticos eram menos</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>108</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>evoluídos e carregavam em seus genes “atavismos” que não só impediam a evolução do ser</p><p>humano, como causavam a degenerescência da espécie. Estando por dentro desse contexto,</p><p>vejamos no que esteva fundamentada</p><p>a identidade brasileira que as elites imperiais desejavam</p><p>forjar:</p><p>a) Incorreta. Essa era a percepção dos pensadores na Europa, como no caso dos franceses conde</p><p>de Gobineau e Paul Broca. No Brasil, apesar de essas teorias raciais terem tido grande repercussão</p><p>e muitos intelectuais terem se convencido de sua validade, evitava-se a sentença de que o povo</p><p>brasileiro era irreversivelmente inferior. Assim, eles propunham formas de como se promover a</p><p>evolução da população, como veremos adiante.</p><p>b) Correta! Como disse, no Brasil se acreditava nas teorias raciais, porém elas foram adaptadas à</p><p>nossa realidade. Sem discordar do suposto fato de que os brancos eram superiores aos demais</p><p>povos, os intelectuais brasileiros apostavam suas fichas na miscigenação entre as raças que</p><p>formaram a população brasileira: o branco, o negro e o índio. Essa mistura garantia que o brasileiro</p><p>um pouco das melhores características de cada uma dessas raças. Mais que isso, argumentava-se</p><p>também que, se a imigração europeia ocorresse em grande quantidade durante vários anos</p><p>consecutivos, era possível embranquecer a população por meio da miscigenação. Com isso, o</p><p>estigma da inferioridade seria vencido, os brasileiros miscigenados teriam a chance de alcançar o</p><p>progresso. Por essa razão, a miscigenação foi adquirindo cada vez mais o simbolismo de</p><p>harmonizar as tensões e as desigualdades sociais por meio da aglutinação de todos os brasileiros</p><p>em um mesmo projeto de nação. Todavia, enfatizo mais uma vez que isso não significava que os</p><p>intelectuais brasileiros descartaram as teorias raciais. Na verdade, eles as adaptaram para que</p><p>pudessem dar uma imagem mais positiva ao Brasil, não obstante a grande quantidade de negros,</p><p>índios e mestiços em sua população.</p><p>c) Incorreta. Não obstante todo empenho em positivar a mestiçagem e a união das três raças, os</p><p>negros e sua cultura eram de longo os mais discriminados negativamente. Segundo as teorias</p><p>raciais, africanos e negros em geral estavam em último lugar na evolução da humanidade.</p><p>Inclusive, a miscigenação tão propagandeada pelos intelectuais brasileiros serviria justamente para</p><p>apagar a “mancha” que essa parte da população significava. Em contrapartida, buscou-se fazer o</p><p>indígena o principal ator da identidade e da cultura brasileiras.</p><p>d) Incorreta. Na verdade, a produção artística nacional do século XIX, sobretudo os adeptos do</p><p>romantismo, transformou o indígena brasileiro no maior símbolo da nação brasileira. Entretanto,</p><p>tratava-se de uma visão idealizada do indígena, associada à ideia de pureza e com a função de</p><p>unir a diversidade da população.</p><p>e) Incorreta. Como já chamei atenção antes, os intelectuais e as elites brasileiros não rejeitavam o</p><p>racismo científico. Na realidade, eles procuraram selecionar as teorias raciais mais convenientes a</p><p>seu projeto de nação e de identidade brasileira. Nesse sentido, eles adaptaram essas teorias para</p><p>afastar o estigma da degenerescência e forjar uma ideia positiva de mestiçagem.</p><p>Gabarito: B</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>109</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(UNIVESP 2018)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Ao redor de 1900, várias modificações e atualizações importantes ocorrem ao longo da</p><p>ferrovia da São Paulo Railway. As máquinas de tração do equipamento rodante são</p><p>substituídas por equipamento moderno, há um novo traçado da linha entre a serra e Santos,</p><p>uma nova Estação da Luz. A Estação da Luz se torna uma estação monumental, imponente e</p><p>solene.</p><p>(Martins, José de Souza. A ferrovia e a modernidade em São Paulo: a gestação do ser</p><p>dividido. Revista USP, São Paulo, n.63, p. 6-15, setembro/novembro 2004)</p><p>A importância histórica da Estação da Luz pode ser relacionada</p><p>a) ao deslocamento dos cafezais para o Vale do Paraíba e à utilização da mão de obra negra</p><p>escravizada.</p><p>b) à industrialização na região do ABC paulista e ao início do desenvolvimento rodoviário de</p><p>São Paulo.</p><p>c) à expansão da cafeicultura para o Oeste paulista e à presença do capital inglês na</p><p>economia brasileira.</p><p>d) à desativação das estradas utilizadas por tropeiros e ao crescimento da exportação de</p><p>algodão e tabaco.</p><p>e) à decadência da oligarquia paulista do Oeste Velho e à ascensão da burguesia industrial</p><p>de origem imigrante.</p><p>Comentários</p><p>O tema da questão é a implantação e expansão do sistema rodoviário no Brasil, mais</p><p>especificamente em São Paulo. Essa é uma questão que poderia estar tanto entre os exercícios da</p><p>Aula 15 como da Aula 18, pois abarca tanto período imperial quanto o republicano. Todavia,</p><p>apesar de fazer referência a construção da Estação da Luz em 1900, já na República, o início do</p><p>sistema ferroviário no Brasil está ligado a processos de transformação econômica que tiveram</p><p>início no período imperial. A primeira ferrovia que ligou o porto de Santos ao interior paulista,</p><p>passando pela capital, foi concluída em 1867, por exemplo. Com isso em mente, vejamos ao que</p><p>podemos associar à importância histórica da Estação da Luz:</p><p>a) Incorreta. De fato, a malha ferroviária está ligada à expansão da cafeicultora, mas já existia</p><p>cafezais no Vale do Paraíba fluminense desde a primeira metade do século XIX. Na verdade,</p><p>durante o Segundo Reinado, devido ao esgotamento do solo daquela região, a cafeicultura foi se</p><p>deslocando para a porção paulista do mesmo vale, para o Oeste Paulista e para o sul de Minas</p><p>Gerais.</p><p>b) Incorreta. Esses processos se deram no século XX, mais especificamente entre a Era Vargas</p><p>(1930-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985), momento que a industrialização se intensificou no</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>110</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>ABC paulista. Quanto ao sistema rodoviário, sua implantação mais sistemática começou durante</p><p>o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).</p><p>c) Correta! Como mencionei na justificativa da letra “a”, a cafeicultura se expandiu em outras</p><p>partes do Sudeste brasileiro na segunda metade do século XIX. Isso se deu devido ao aumento</p><p>da demanda por esse produto no mercado internacional e a disponibilidade de terras férteis nas</p><p>regiões citadas. Rapidamente, os cafeicultores vivenciaram uma prosperidade econômica enorme</p><p>e se tornaram a base da economia nacional. Para diminuir seus custos e acelerar o transporte das</p><p>mercadorias, esses fazendeiros também investiram na instalação do sistema ferroviário. Com</p><p>empréstimos de bancos estrangeiros, principalmente ingleses, foram instaladas ferrovias no país</p><p>a partir de 1852. A primeira delas, contando com 14 km de extensão, foi criada por Irineu</p><p>Evangelista de Souza, posteriormente conhecido pelos títulos de Barão e Visconde de Mauá.</p><p>Juntamente a outros poucos empreendedores do Segundo Reinado, o empresário apostou na</p><p>modernização da economia ao investir em áreas diversas, incluindo o comércio, indústria,</p><p>companhias de navegação e bancos. Em pouco mais de 30 anos o Império passaria a contar com</p><p>10 mil quilômetros de ferrovias, o que também beneficiava outras atividades econômicas, como a</p><p>agropecuária e a mineração. Dessa forma, o Brasil viveu um surto industrial entre as décadas de</p><p>1840 e 1870, que alguns historiadores denominaram como Era Mauá. A cafeicultura continuou</p><p>sendo a base da economia nacional durante a Primeira República, portanto, em 1900, continuava</p><p>sendo interessante aumentar e melhorar o sistema ferroviário no centro das atividades ligadas à</p><p>exportação de seu principal produto.</p><p>d) Incorreta. Realmente, está ligada à desativação de estradas e caminhos usados pelos tropeiros,</p><p>contudo, como vimos, não foi resultado do crescimento da exportação de algodão e tabaco, mas</p><p>sim de café.</p><p>e) Incorreta. Na verdade, nesses últimos anos do século XIX e durante a implantação da malha</p><p>ferroviária, todo o Oeste Paulista estava inserido na ascensão da economia cafeeira. A burguesia</p><p>industrial, por sua vez, era minoritária e a maioria</p><p>era também cafeicultora, pois a elite agrária era</p><p>a única com capitais suficientes para investir na industrialização. Os burgueses de origem</p><p>estrangeira realmente existiam, mas igualmente seus ramos de atividade estavam quase sempre</p><p>ligados à algum desdobramento da economia cafeeira.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UNIVESP 2018)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>111</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“Projeto de uma estátua equestre para o ilustre chefe do Partido Liberal”</p><p>A charge, publicada na Revista Illustrada no ano de 1880, faz uma crítica</p><p>a) ao intenso envolvimento dos liberais com a causa abolicionista.</p><p>b) à crise social vivida pelo país devido à luta contra a escravidão.</p><p>c) ao compromisso das elites políticas do Império com a escravidão.</p><p>d) aos agitadores republicanos contrários ao Império e à escravidão.</p><p>e) à radicalidade exagerada de negros e indígenas abolicionistas.</p><p>Comentários</p><p>Atente-se ao fato de que a imagem é uma charge satírica, publicada em 1880, contexto no qual</p><p>os movimentos abolicionista e republicano se popularizavam cada vez mais. Nela, vemos</p><p>representada uma estátua, a qual é composta pela figura de um homem branco e aparentemente</p><p>rico, montado sobre um negro escravizado como se fosse um cavalo. Ainda, envolta da estátua e</p><p>em um nível inferior, estão sentados alguns indígenas com feições tristes e frustradas. Não é</p><p>preciso muito para concluir que trata-se de uma crítica à escravidão de negros e indígenas no</p><p>Brasil. No entanto, o que nos chama atenção é a quem a crítica é direcionada, o que podemos</p><p>identificar pelo título: o alvo é o Partido Liberal. Ora, você pode me perguntar, então: “mas os</p><p>liberais não deviam defender a liberdade, profe??” Por incrível que pareça, não necessariamente!</p><p>Isso porque os escravos eram considerados propriedade privada, e esta era outro princípio muito</p><p>defendido pelos liberais. Por isso, entre os liberais brasileiros do período império havia uma</p><p>grande divisão ideológica entre aqueles que defendiam a inviolabilidade do direito de</p><p>propriedade privada e aqueles que defendiam o direito natural de todos os seres humanos à</p><p>liberdade. Esse raxa se aprofundou com a fundação de partidos republicanos regionais e nacional,</p><p>nas décadas de 1870 e 1880. O famoso advogado negro e abolicionista Luiz Gama foi um dos que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>112</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>lideraram essa cisão e o movimento republicano durante o Segundo Reinado. Para ele, não havia</p><p>maiores distinções entre conservadores e liberais, pois ambos davam às mãos e compactuavam</p><p>quando se tratava de retardar o fim do cativeiro e até impedi-lo. Considerando isso, vejamos qual</p><p>alternativa interpreta corretamente a crítica feita pela charge:</p><p>a) Incorreta. Na verdade, é exatamente ao contrário. A crítica vai no sentido de expor a hipocrisia</p><p>de certos liberais que compactuavam com os anseios escravistas.</p><p>b) Incorreta. A crise social é o pano de fundo, o contexto ao qual a charge e sua crítica fazem</p><p>referência, contudo não consiste no objeto-alvo dessa crítica.</p><p>c) Correta! Oras, as elites políticas do império naquele momento se dividiam entre conservadores</p><p>e liberais. No entanto, como apontei antes, havia uma percepção na opinião pública de que não</p><p>havia grandes distinções entre os dois partidos, que muitas vezes agiam apenas em prol de sua</p><p>própria perpetuação no poder. Chamado de partidos monarquistas pelos republicanos, liberais e</p><p>conservadores eram criticados por seu compromisso com a manutenção da escravidão no país,</p><p>afinal muitos deles continuavam tendo centenas de escravizados.</p><p>d) Incorreta. Na realidade, é bem provável que o autor da charge fosse de orientação republicana,</p><p>pois, como disse antes, era comum pessoas dessa orientação política criticar os liberais por sua</p><p>hipocrisia em compactuar com setores escravistas.</p><p>e) Incorreta. Note que na imagem, tanto o negro quanto os indígenas representados não são</p><p>retratados como radicais, mas sim como vítimas da opressão do suposto chefe do Partido Liberal</p><p>no topo da hierarquia social ali ilustrada.</p><p>Gabarito: C</p><p>(FGV-SP 2019)</p><p>Considere a tabela a seguir.</p><p>Comércio Exterior do Brasil em Contos de Réis</p><p>Os dados, dentro do contexto do Brasil oitocentista, mostram</p><p>a) o aguçamento da dependência econômica em relação aos Estados Unidos, apenas</p><p>superada na última década do século XIX, com o início da industrialização em São Paulo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>113</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) a revitalização econômica derivada de uma ação decisiva do Estado Imperial, porque</p><p>foram mobilizados recursos oriundos de uma taxação extra sobre a compra e venda de</p><p>escravos a partir de 1850.</p><p>c) a ressignificação econômica brasileira, porque as regiões nordestinas produtoras de açúcar</p><p>até o século XVIII se voltam para a produção algodoeira, gerando um progressivo superavit</p><p>comercial.</p><p>d) a importância da lavoura cafeeira para a reorganização da economia nacional, além de</p><p>promover um aparelhamento técnico, materializado, por exemplo, nas estradas de ferro.</p><p>e) a adaptação da economia nacional aos interesses da burguesia financeira francesa, porque</p><p>os recursos gerados pela exportação de café foram destinados ao pagamento da dívida</p><p>externa pública.</p><p>Comentários</p><p>Em primeiro lugar, note que a tabela diz respeito aos valores totais de exportações e</p><p>importações no Brasil ao longo do século XIX, mais especificamente entre 1821 e 1890,</p><p>abarcando todo o período imperial e os primeiros anos da república. É interessante notar</p><p>duas coisas nesses dados, de antemão. Primeiro, ambas as atividades cresceram rapidamente</p><p>ao longo desses anos. Segundo, ambas sempre estiveram mais ou menos equiparadas,</p><p>revezando-se na liderança de capitais mobilizados. Sabendo disto, vejamos as alternativas:</p><p>a) Incorreta. No século XIX, o Brasil ainda não era dependente economicamente dos Estados</p><p>Unidos como se tornaria no século seguinte. Na verdade, a dívida externa brasileira se</p><p>concentrava com a Inglaterra, no primeiro período. Desde a independência, os ingleses</p><p>ofereceram apoio à causa brasileira desde que seus produtos e empresas tivessem acesso ao</p><p>mercado consumidor brasileiro, obtendo privilégios fiscais e alfandegários. Além disso,</p><p>especialmente a partir dos anos 1850, a instalação de ferrovias pelo Império foi realizada</p><p>com empréstimo de bancos ingleses.</p><p>b) Incorreta. Na realidade, a revitalização econômica foi possível graças à proibição do tráfico</p><p>internacional de escravizados, com a Lei Eusébio de Queiroz (1850), o que permitiu os</p><p>capitais empregados nesse comércio fossem revertidos em outros investimentos. No caso, o</p><p>governo incentivou o investimento na industrialização. Inclusive, alguns anos antes, aprovou</p><p>a Tarifa Alves Branco (1844) que sobretaxava a importação de produtos estrangeiros para</p><p>favorecer a indústria nacional. A aproximação com os cafeicultores foi essencial nesse</p><p>sentido, pois naquele contexto eram a elite mais próspera da nação.</p><p>c) Incorreta. A tabela não apresenta nenhum dado sobre o século XVIII, portanto a afirmação</p><p>foge do tema aqui abordado. Ainda, apesar de o algodão ter ganhado mais espaço na</p><p>economia nordestina naquele século, nunca ultrapassou a importância do açúcar na região.</p><p>d) Correta! Com o aumento cada vez maior da demanda internacional por café, seu cultivo</p><p>começou a crescer no Brasil ainda na primeira metade do século XIX, sobretudo em regiões</p><p>como o Vale do Paraíba, o Oeste Paulista e o sul de Minas Gerais. Já na década de 1830, o</p><p>café correspondia a 43,8% das exportações do país. Na última década da monarquia no</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>114</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>poder, essa proporção</p><p>chegava a 61,5%. Assim, os cafeicultores do Sudeste, principalmente</p><p>de São Paulo, tornaram-se a elite econômica mais importante do país. E, como essas</p><p>exportações eram taxadas pelo Estado, seus lucros representavam também o aumento da</p><p>receita do governo. Por isso, a monarquia logo começou a se aproximar dos cafeicultores</p><p>para traçar sua política econômica. Tanto é que, durante os esforços de Pedro II para</p><p>industrializar o país, recorreu à elite cafeeira para investir na indústria nacional e na</p><p>modernização da economia. Foram justamente os cafeicultores que começaram a financiar a</p><p>instalação de ferrovias e a importação de novas tecnologias para otimizar a produção e o</p><p>transporte de mercadorias.</p><p>e) Incorreta, pela mesma razão que a letra “b”. A economia nacional se adaptava aos</p><p>interesses da burguesia inglesa, visto que grande parte dos empréstimos eram feitos com</p><p>bancos de capital britânico.</p><p>Gabarito: D</p><p>(FGV-SP 2019)</p><p>Já no artigo 1° , a Lei n° 601/1850 determinava: “ficam proibidas as aquisições de terras</p><p>devolutas por outro título que não seja o de compra”. No artigo 3° , inciso IV, definia: “são</p><p>terras devolutas: [...] as que não se acharem ocupadas por posse que, apesar de não se</p><p>fundarem em título legal, foram legitimadas por esta Lei”.</p><p>(José Sacchetta Ramos Mendes, “Desígnios da Lei de Terras: imigração, escravismo e</p><p>propriedade fundiária no Brasil Império”. Caderno CRH, vol. 22, no 55, Salvador, jan/abr,</p><p>2009)</p><p>A lei citada, entre outros pontos, intencionava</p><p>a) fortalecer as pequenas e médias propriedades rurais com o propósito de agilizar a</p><p>transição do trabalho compulsório para o livre, desmontando, assim, a estrutura latifundiária.</p><p>b) retomar propriedades rurais doadas pelo sistema das sesmarias, em vigor desde o início</p><p>da colonização do Brasil, e que nunca foram efetivamente ocupadas pelas pessoas que as</p><p>receberam.</p><p>c) democratizar o acesso à terra, porque com uma legislação específica seria possível colocar</p><p>terras no mercado a preços razoáveis, atraindo pequenos proprietários e imigrantes do meio</p><p>urbano europeu.</p><p>d) regulamentar a estrutura fundiária brasileira, porque havia uma numerosa titulação de</p><p>posse de terras em duplicidade e a maior parte das propriedades nacionais tinha sempre</p><p>mais de um proprietário.</p><p>e) controlar o acesso à propriedade da terra, em um contexto no qual a entrada de escravos</p><p>africanos no Brasil mostrava-se cada vez mais difícil e havia projetos para ampliar a vinda de</p><p>imigrantes.</p><p>Comentários</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>115</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Atenção para o tema da questão e o contexto! A Lei de Terras foi aprovada em 1850. Como o</p><p>enunciado já destacou, essa lei limitava os critérios de reconhecimento da propriedade privada</p><p>sobre a terra, que só seria feito caso se comprovasse sua obtenção por meio de operações de</p><p>compra e venda. Também seria possível comprová-la apresentando documentação</p><p>correspondente ao pagamento de impostos sobre a terra. Naquele mesmo ano o tráfico</p><p>internacional de escravizados havia sido abolido (mas não a escravidão). Por outro lado, naquele</p><p>momento a cafeicultura se tornava cada vez mais a principal atividade econômica do país, centrada</p><p>na região Sudeste, sobretudo na província de São Paulo. Paralelamente, o governo imperial e</p><p>parte desses cafeicultores em ascensão procuravam dar sustentação a um processo de</p><p>modernização econômica por meio do incentivo à industrialização. Com os capitais liberados pelo</p><p>fim do tráfico, empréstimos de bancos ingleses, leis protecionistas e concessões governamentais,</p><p>empresários brasileiros passaram a investir em áreas diversas, incluindo o comércio, indústria,</p><p>companhias de navegação e bancos. Com esse contexto em mente, vejamos as afirmações</p><p>propostas quanto à Lei de Terras:</p><p>a) Incorreta. Essa lei favoreceu principalmente os grandes proprietários, a elite rural, ou seja, a</p><p>minoria da população, a qual detinha recursos suficientes para comprar terras e pagar impostos</p><p>assiduamente, além de manter a documentação à disposição. A intenção era favorecer a estrutura</p><p>latifundiária tendo em vista de uma das bases de sua riqueza – a escravidão – tinha levado um</p><p>grande golpe com o fim do tráfico internacional de escravizados. Nesse sentido, as elites agrárias</p><p>procuraram limitar o acesso à terra pelos libertos e trabalhadores imigrantes que eventualmente</p><p>viriam substituí-los, para que não tivessem muitas opções além de se subordinar aos grandes</p><p>fazendeiros em troca de salário e, muitas vezes, habitação.</p><p>b) Incorreta. Como disse acima, o objetivo da Lei de Terras era instituir critérios mais definitivos e</p><p>restritivos para a propriedade privada da terra, em favor dos grandes fazendeiros e proprietários</p><p>rurais.</p><p>c) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”.</p><p>d) Incorreta. Esses problemas realmente existiam, mas não era um risco tão grande para a ordem</p><p>econômica e social até meados do século XIX. Tornou-se um problema justamente em vista da</p><p>possibilidade da abolição se concretizar no futuro e os libertos não quererem continuar servindo</p><p>como mão de obra, mesmo que assalariada, em vista de rancores da época da escravidão. Além</p><p>disso, também se temia que caso se incentivasse a imigração, os imigrantes igualmente pudessem</p><p>se recusar a se subordinar aos grandes fazendeiros. Essa recusa era possível exatamente por conta</p><p>de o Brasil ainda ter uma grande quantidade de terras não ocupadas e não ter regulamentado a</p><p>propriedade privada até aquele momento. Assim, seria fácil para os trabalhadores libertos e</p><p>imigrantes conseguirem terras e alegarem que eram propriedade sua, podendo nelas plantar</p><p>alimentos e criar animais para seu sustento.</p><p>e) Correta! É exatamente o que venho afirmando ao longo das justificativas de cada alternativa</p><p>acima.</p><p>Gabarito: E</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>116</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(UEL 2015)</p><p>Observe as figuras 1 e 2.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>117</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A colonização no Brasil pela coroa portuguesa teve sua origem no sistema de Capitanias</p><p>Hereditárias que definiu a propriedade e a posse das terras. No início do século XIX, com a</p><p>vinda de imigrantes europeus para o Brasil, estabeleceu-se a Lei de Terras de 1850, com o</p><p>intuito de normatizar a propriedade e o seu uso. Sobre o domínio de terras no Brasil, no</p><p>contexto das Capitanias Hereditárias e da Lei de 1850, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Os donatários eram impedidos pela Coroa Portuguesa de vender suas terras. A Lei de</p><p>Terras definiu que as terras públicas poderiam tomar-se propriedade privada somente pela</p><p>compra.</p><p>b) Os donatários se isentavam da defesa de suas terras, convocando o poder real para fazê-</p><p>Ia. Com a vinda dos imigrantes, a Lei de Terras possibilitou a apropriação aos desprovidos</p><p>de recursos.</p><p>c) Os recursos empregados pelos donatários viabilizaram o pleno sucesso do modelo das</p><p>capitanias. Com a Lei de Terras, expandiu-se o domínio do setor industrial pelo monopólio</p><p>do poder económico.</p><p>d) 0 sistema de capitanias vigorou até o século XIX quando aconteceram as insurreições do</p><p>Maranhão e da Bahia. A Lei de Terras impediu que a mão de obra livre pudesse se locomover</p><p>para as atividades industriais.</p><p>e) A Coroa tinha o direito de confiscar todos os metais preciosos extraídos das capitanias. A</p><p>Lei de Terras facilitou a ocupação ilegal e o arrendamento das terras consideradas devolutas.</p><p>Comentários</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>118</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Essa questão sobre a propriedade privada das terras é muito cobrada nas provas. Durante as</p><p>Capitanias Hereditárias, figura 1, os donatários – portugueses que recebiam as terras da Coroa</p><p>portuguesa – não podiam vende-las. Os donatários tinham o compromisso de explorar as terras</p><p>e reverter parte do lucro para a Coroa. Já a Lei de Terras, de 1850, foi editada em um contexto</p><p>de aumento populacional nas terras brasileiras, principalmente com a chegada de imigrantes</p><p>para trabalhar nas terras do sudeste. Como vimos, essa lei estabelecida privilégios aos grandes</p><p>proprietário de modo a dificultar o acesso à propriedade de terra por parte dos imigrantes e</p><p>dos negros libertos.</p><p>Diante isso, noss gabarito é a alterantiva A.</p><p>Gabarito: A</p><p>(PUC-RJ 2010) 4000163726</p><p>Fotografia de Militão Augusto de Azevedo, São Paulo, 1879. In: O Olhar Europeu – o negro</p><p>– na iconografia brasileira do século XIX. São Paulo, 1994.</p><p>Considere a escravidão no Brasil na segunda metade do século XIX, observe a fotografia</p><p>acima e EXAMINE as afirmativas a seguir.</p><p>I – A imagem retrata um casal de negros livres ou libertos uma vez que esses aparecem com</p><p>sapatos, item indicativo de liberdade.</p><p>II – A imagem evidencia a apropriação por parte dos negros de comportamentos da classe</p><p>senhorial branca, como estratégia para se afastar dos estigmas da escravidão.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>119</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>III – Imagens de escravos, como essa, eram produzidas pelos fotógrafos da época, dentro e</p><p>fora de seus ateliês, revelando o interesse no registro dos costumes e dos tipos humanos.</p><p>IV – Nos álbuns de retratos da classe senhorial era comum aparecer fotos de seus escravos,</p><p>como um meio de difundir uma imagem de poder e riqueza.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>Comentários</p><p>Aqui temos uma questão sobre interpretação de imagem. Então, vejamos um pouco sobre o autor</p><p>da imagem e seu contexto. Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) é considerado um dos mais</p><p>importantes fotógrafos brasileiros da segunda metade do século XIX. Carioca, ele desenvolveu</p><p>paralelamente as carreiras de ator e fotógrafo, atuando na Companhia Joaquim Heleodoro (1858-</p><p>1860) e na Companhia Dramática Nacional (1860-1862), com a qual se mudou para São Paulo aos</p><p>25 anos de idade. Anos depois, em 1875, ele abriu o estúdio Photographia Americana, onde</p><p>recebeu figuras ilustres como Castro Alves, Joaquim Nabuco, Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa</p><p>Cristina, além de uma clientela mais popular do que aquela dos demais estúdios instalados na</p><p>capital paulista. Inclusive, ele cobrava um dos preços mais baratos para fotografar, naquela época:</p><p>cinco mil réis, o equivalente ao preço de cinco passagens de bonde na cidade. Vale mencionar</p><p>também que o estúdio ficava em frente à Igreja do Rosário, sede da Irmandade de Nossa Senhora</p><p>do Rosário dos Homens Pretos de São Paulo. Portanto, sem dúvidas, por ali circulavam muitas</p><p>pessoas negras de variadas condições sociais, isto é, escravizados, libertos e negros livres em</p><p>geral. Então, não é estranho que ele tenha fotografado esse casal em 1879, pois anos depois de</p><p>abrir seu estúdio. Particularmente importante de se atentar quando falamos das populações</p><p>negras nesse momento, o número de libertos e negros livres aumentava rapidamente devido às</p><p>leis que proibiram o tráfico (1831 e 1850) e à que libertou os filhos de escravizadas nascidos a</p><p>partir de 1871, além de reconhecer o direito dos cativos ao pecúlio e a entrar na justiça para abrir</p><p>processo de ação de liberdade sem a autorização do senhor.</p><p>Enfocando o conteúdo da fotografia, podemos nela representado um casal de negros muito</p><p>bem trajados para os padrões da época. A mulher usa um vestido longo, que cobre praticamente</p><p>todo seu corpo, deixando exposto apenas cabeça e mãos, como se espera das moças e senhoras</p><p>de família. A sombrinha acrescenta mais alguma distinção social, pois indica que ela evita tomar</p><p>sol, algo ao que os trabalhadores braçais são constantemente expostos. Por sua vez, o homem</p><p>também está completamente vestido, apenas mãos e cabeça expostos, mas com uma calça e</p><p>camisa de gala e uma casaca, igualmente símbolos de maior projeção social. Prestando atenção</p><p>ao fundo, é perceptível que estão no estúdio, mas a escolha de manter uma pintura bem atrás</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>120</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>deles denota certa preocupação em se apresentar como apreciadores da arte, expressando</p><p>requinte. Com tudo isso em mente, vejamos as afirmações propostas:</p><p>I – Verdadeira! Era terminantemente proibido aos escravizados usarem calçados, por isso andar</p><p>de sapatos, por mais surrados que fossem, era um distintivo dos cidadãos livres e libertos. Por</p><p>causa do vestido, é difícil confirmar se a mulher está calçada, mas quanto ao homem não há</p><p>dúvidas. Considerando todo o vestuário dos dois, podemos concluir que ela também esteja. É</p><p>evidente se tratar de um caso de pessoas livres ou libertas.</p><p>II – Verdadeira! A moda europeia, sobretudo francesa, era muito apropriada pelas elites brasileiras</p><p>como distintivo de seu estatuto social superior. Essas peças de roupa, mas também obras de arte,</p><p>mobílias, ornamentos e outros acessórios se tornaram importante para as classes mais abastadas</p><p>justamente para demarcar sua diferença em relação à massa de escravizados que andavam mal</p><p>vestidos e descalços. Por sua vez, os libertos e negros livres frequentemente eram discriminados</p><p>e perseguidos por serem suspeitos de serem escravizados fugidos se passando por libertos. Em</p><p>outras palavras, eles sofriam racismo, discriminação, ou como eles chamavam na época</p><p>“preconceito de cor”. Por isso, muitos deles, ao adquirirem a liberdade imediatamente buscavam</p><p>comprar sapatos, roupas e ornamentos que expressassem sua distância da escravidão. Muitos</p><p>escolhiam exatamente aquelas peças, ou semelhantes, que viam seus ex-senhores e os grandes</p><p>proprietários usando. Alguns até procuravam se tornar eles mesmos senhores de escravizados,</p><p>pois ter cativos era um dos maiores signos de liberdade. Ironicamente, uma das formas mais</p><p>diretas de se afirmar livre, era ter escravizados.</p><p>III – Falsa. De fato, isso aconteciam. Porém, a fotografia exposta aqui não é uma imagem de</p><p>escravos, como concluímos na afirmação I. É mais provável que o casal fotografado seja de libertos</p><p>ou negros livres, visto usarem sapatos e trajarem roupas e acessórios acessíveis apenas aos que</p><p>não eram cativos.</p><p>IV – Falsa. Isso também acontecia. Muitas famílias senhoriais escolhiam se fotografar em meio a</p><p>seus cativos para ostentar sua riqueza. É muito comum, por exemplo, encontrar fotografias de</p><p>senhores de escravizados em suas liteiras carregadas por dois cativos. Todavia, reafirmo, a</p><p>presente fotografia que aqui analisamos não é uma fotografia de escravizados, portanto, a</p><p>afirmação perde sua validade.</p><p>Logo, a alternativa correta é a letra “a”.</p><p>Gabarito: A</p><p>(PUC-PR 2019)</p><p>Com a antecipação da maioridade e a coroação de D. Pedro II, teve início o Segundo</p><p>Reinado, que se estendeu até 1889, o mais longo período de um governo da história</p><p>brasileira. Nesse período, o país foi pacificado, com a repressão às revoltas iniciadas no</p><p>Período Regencial e aos novos movimentos que questionavam o governo estabelecido. Após</p><p>a superação das disputas e divergências entre liberais e conservadores, que passaram a fazer</p><p>parte do governo e se alternar no poder, a centralização política e administrativa foi</p><p>consolidada.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>121</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Sobre o Segundo Reinado, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) A base da economia no Segundo Reinado deixou de ser agrária e começou um processo</p><p>de desenvolvimento industrial</p><p>baseado no modelo inglês.</p><p>b) As relações internacionais entre Brasil e Inglaterra foram restabelecidas e consolidadas</p><p>com a assinatura do tratado de Christie, pelo qual a Inglaterra reconhecia o direito do</p><p>governo brasileiro de continuar com o tráfico de escravos africanos para abastecer de mão-</p><p>de-obra a produção cafeeira.</p><p>c) No início do seu governo, D. Pedro II dedicou atenção especial as reivindicações populares</p><p>atendendo, inclusive, as petições populares de participação nas decisões governamentais.</p><p>d) O apogeu da monarquia brasileira ocorreu entre as décadas de 1850 a 1870, devido à</p><p>combinação de dois fatores: estabilidade política e desenvolvimento econômico, alicerçados</p><p>na produção cafeeira e modernização.</p><p>e) Com a coroação de D. Pedro II como imperador do Brasil, as elites se reorganizaram em</p><p>torno do poder. Os integrantes do Partido Conservador e do Partido Liberal, por exemplo,</p><p>passaram a defender alterações na estrutura sociopolítica brasileira, como o fim do voto</p><p>censitário e masculino.</p><p>Comentários</p><p>O tema da questão é o Segundo Reinado, que se estendeu de 1840 até 1889. Esse período é</p><p>marcado por grandes transformações em vários aspectos da vida social brasileira. Por isso, seria</p><p>difícil contextualizar tudo de forma sintética e será mais prático partirmos direto para as</p><p>alternativas, contextualizando conforme necessário. Vejamos:</p><p>a) Incorreta. A economia brasileira continuou sendo de base agrária até o fim da monarquia e</p><p>mesmo durante boa parte do período republicano subsequente. Na verdade, o que se deu foi</p><p>a expansão da cafeicultura voltada para exportação como principal atividade econômica do</p><p>país. Ou seja, a base econômica continuou sendo agrária, apenas um novo produto ocupou o</p><p>lugar principal. Inclusive, a cafeicultura continuou se utilizando do modelo latifundiário e</p><p>escravista na sua produção. Por outro lado, realmente houve um esforço industrializante no</p><p>Segundo Reinado. D. Pedro II procurou incentivar a industrialização nacional por meio do</p><p>processo de substituição de importações, da Tarifa Alves Branco (1844) e convencendo a elite</p><p>cafeeira mais rica a investir na modernização da economia com a ajuda de empréstimos de</p><p>bancos ingleses. De qualquer forma, isso não foi o suficiente para que a economia brasileira</p><p>abandonasse a base agrária. Pelo contrário, essa industrialização ocorreu apenas em setores</p><p>derivados da economia cafeeira e na produção de alguns bens de consumos específicos. Tanto</p><p>é que as importações continuaram crescendo tanto quanto as exportações, mesmo com o</p><p>aumento da taxação excessiva sobre produtos importados a partir de 1844.</p><p>b) Incorreta. Em primeiro lugar, a Inglaterra nunca reconheceria o direito do Brasil em continuar</p><p>traficando escravizados, pois combatia este comércio desde o início do século XIX. Inclusive, foi</p><p>por pressão inglesa que a primeira lei anti-tráfico de 1831 foi aprovada e, apesar de já haver</p><p>maior militância brasileira pelo fim do tráfico, o apoio britâncio também foi importante para a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>122</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Lei Eusébio de Queiroz, de 1850. Por outro lado, entre 1860 e 1862, o embaixador inglês</p><p>instalado no Brasil, William Dougal Christie, foi o responsável por uma sequência de equívocos</p><p>diplomáticos que alimentaram duras críticas dos jornais cariocas. Primeiro, o diplomata tentou</p><p>abafar o assassinato de um agente alfandegário por dois marinheiros britânicos no Rio de</p><p>Janeiro. No ano seguinte, responsabilizou o Brasil pelo roubo da carga de um navio de seu país,</p><p>no Rio Grande do Sul. Finalmente, em 1862 exigiu indenização do governo brasileiro após dois</p><p>oficiais britânicos serem presos por embriaguez, mesmo tendo sido liberados em seguida. Seis</p><p>dias após a cobrança, navios ingleses fecharam o porto do Rio de Janeiro e sequestraram cinco</p><p>navios brasileiros. A Questão Christie, nome como ficaram conhecidos estes incidentes</p><p>envolvendo o embaixador inglês, geraram grande comoção popular, alimentada por um</p><p>discurso nacionalista, e a intervenção direta do Imperador em prol da defesa nacional. A quantia</p><p>de 3.200 libras foi paga à Inglaterra, mas o governo rompe relações diplomáticas com este país</p><p>após julgar insuficientes as explicações dadas para as atrapalhadas ações do embaixador</p><p>Christie. Diante do impasse entre os dois países, o imperador Leopoldo I da Bélgica foi</p><p>solicitado para mediar o conflito, e acaba por dar ganho de causa ao Brasil, em junho de 1863.</p><p>Dois anos depois, a rainha Vitória enviaria um pedido formal de desculpas a D. Pedro II, sendo</p><p>restabelecidas relações diplomáticas entre os dois países.</p><p>c) Incorreta. Pedro II nunca atendeu petições de caráter popular para maior participação nas</p><p>decisões governamentais. Lembre-se que por todo o período imperial havia uma grande tensão</p><p>entre aqueles que defendiam mais centralização e aqueles que reivindicavam mais</p><p>descentralização. Isto se refletia também nas disputas entre adeptos do parlamentarismo e</p><p>favoráveis ao poder monárquico. Recorda-se de toda a questão envolvendo o</p><p>“Parlamentarismo às avessas”? Até 1847, o imperador chefiava o Poder Executivo com o auxílio</p><p>de um Conselho de Ministros, escolhidos por ele mesmo entre os parlamentares. Estes, porém,</p><p>queriam um parlamentarismo mais efetivo, no qual os próprios legisladores elegeriam os</p><p>ministros. Então, naquele ano, Pedro II instituiu o parlamentarismo, que na prática se limitou a</p><p>criar o cargo de Presidente do Conselho de Ministros – espécie de Primeiro Ministro –, o qual,</p><p>por sua vez, escolheria os demais integrantes do gabinete ministerial entre seus colegas</p><p>parlamentares. Porém, esse presidente continuaria sendo nomeado pelo imperador. Ou seja,</p><p>na prática a centralização se mantinha e os partidos políticos passaram a se revezar no poder,</p><p>inclusive dividindo alguns gabinetes, de acordo com os interesses da monarquia, que podia</p><p>dissolver tanto o Conselho de Ministros quanto o Parlamento como um todo graças ao Poder</p><p>Moderador. Note, então, que a intenção do monarca era limitar o máximo possível a</p><p>participação nas decisões do governo. Se ele não estava nem disposto a compartilhar muito</p><p>poder com o conjunto das elites brasileiras, imagine com os setores mais populares da</p><p>sociedade imperial.</p><p>d) Correta! O “Parlamentarismo às avessas” e a aliança com as elites cafeeiras em ascensão</p><p>naquele período, possibilitou à monarquia estabilizar a situação política e econômica do Brasil</p><p>por um espaço de mais ou menos duas décadas. Coordenando politicamente os partidos graças</p><p>à nova política ministerial e buscando o apoio dos cafeicultores para modernizar a economia e</p><p>a indústria nacional, a família imperial fortaleceu seu prestígio e influência. Contudo, a Guerra</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>123</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>do Paraguai (1864-1870) e a projeção dos militares na política nacional, o crescimento do</p><p>movimento republicano e do abolicionismo (a partir de 1870), além de tensões diplomáticas</p><p>com a Igreja Católica (Questão Religiosa, 1872-1875) e com a Inglaterra (Questão Christie,</p><p>1862-1865), a monarquia brasileira foi perdendo prestígio nacional e internacionalmente.</p><p>e) Incorreta. Realmente, com a coroação de Pedro II, em 1840, as elites se reorganizaram em</p><p>torno do poder. Antes divididas entre regressistas e progressistas, passavam a se distinguir</p><p>entre conservadores e liberais. Porém, essa oposição não era tão drástica assim. Apesar de</p><p>brigarem em torno de medidas mais ou menos centralizadoras, quase sempre esses dois</p><p>partidos se revezavam no poder, ou até mesmo dividiam gabinetes ministeriais, de modo que</p><p>pouco ou nada faziam para alterar bruscamente as estruturas sociais, políticas e econômicas do</p><p>país. O voto censitário e masculino era uma das últimas coisas que esses grupos mais abastados</p><p>desejavam, pois era justamente o mecanismo</p><p>que impedia que a maior parte da população</p><p>tivesse acesso ao poder institucional mantendo-o sob seu controle.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UNCISAL 2018)</p><p>Em 24 de setembro de 2017, a Folha de São Paulo noticiou que o comando do exército</p><p>rejeitou proposta de criação de uma unidade militar com trajes históricos que pretendia</p><p>homenagear soldados negros que lutaram na Guerra do Paraguai (1864-1870), afirmando</p><p>que, após análise técnica, a instituição concluiu que uma portaria de 1999 não dava respaldo</p><p>legal ao acolhimento da proposta. Adaptado de: . Acesso em: 23 out. 2017.</p><p>Sobre a participação da população negra na Guerra do Paraguai, assinale a alternativa</p><p>correta.</p><p>(A) Os negros em situação de escravidão eram utilizados como soldados no exército</p><p>brasileiro nas batalhas mais violentas, como a Batalha do Riachuelo, ocorrida no dia 11 de</p><p>junho de 1865, às margens do Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de</p><p>Corrientes, na Argentina.</p><p>(B) A participação da população negra na Guerra do Paraguai ocorreu devido ao crescente</p><p>nacionalismo gerado nessa população, por causa da possibilidade de abolição da escravidão,</p><p>a qual ocorreu em 1888.</p><p>(C) Uma das formas de participação da população negra na Guerra do Paraguai foi por meio</p><p>da compra de escravos que lutavam em nome de seus proprietários, o que era uma prática</p><p>corrente. Além disso, o império prometia alforria para os que se apresentassem para a</p><p>guerra, fazendo “vistas grossas” para os fugidos.</p><p>(D) A população negra que participou da Guerra do Paraguai foi aquela que gozava de plena</p><p>liberdade e/ou havia recebido alforria de seus senhores para a participação.</p><p>(E) A participação da população negra na Guerra do Paraguai se restringia ao auxílio aos</p><p>soldados do exército brasileiro. Sendo assim, os negros não atuaram como soldados, o que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>124</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>justifica a negativa, pelo comando do exército, da criação da unidade militar mencionada no</p><p>enunciado.</p><p>Comentários:</p><p>A Guerra do Paraguai (1865-1870) foi o maior conflito bélico da história sul-americana.</p><p>Entre seus motivos estão a busca por uma expansão territorial do Paraguai e o controle do Rio</p><p>da Prata. Como os paraguaios não possuíam uma saída para o mar, para exportar seus</p><p>produtos, eles procuraram fazer aliança com políticos do Uruguai e a defender a livre circulação</p><p>de barcos e mercadorias no Rio da Prata. Todavia, as ações do vizinho preocuparam os</p><p>governos brasileiro e argentino e a situação piorou em 1863. Nessa época, o Uruguai passava</p><p>por eleições, e o partido apoiado pelos brasileiros e argentinos, o colorado, ganhou a disputa.</p><p>Porém, o governante do Paraguai Solano Lopéz, apoiador do partido Blancos, não aceitou o</p><p>resultado e resolveu invadir o território uruguaio em favor dos seus aliados. Em contrarresposta,</p><p>Brasil e Argentina declararam guerra ao Paraguai. Entretanto, o exército brasileira era uma</p><p>Instituição prematura naquele momento e formada, até essa guerra, basicamente por</p><p>mercenários. É nesse cenários de conflito internacional que a situação muda quando a</p><p>população negra entra na guerra. Portanto, tratando dessa questão, vejamos os motivos que</p><p>geraram a presença de negros no conflito:</p><p>a) Incorreto. A população negra foi incentivada a participar como forma de libertação. Não</p><p>seriam mais escravos caso participassem. Antes dessa proposta, muitos fugiam do chamado.</p><p>b) Incorreto. A participação ocorreu devido a um planejamento estratégico do Estado Brasileiro</p><p>em convocar os negros, os oferecendo em troca a liberdade. Nesse momento, o país não</p><p>possuía um exército organizado e os homens convocados para esse conflito internacional não</p><p>eram suficientes para deter as tropas paraguaias.</p><p>c) Correto. Isso assegurou as tropas brasileiras mais homens, para que o exército brasileiro não</p><p>fosse brutalmente derrotado. A estratégia deu certo e o panorama da guerra mudou a favor do</p><p>Império brasileiro.</p><p>d) Incorreto. Pelo contrário, foi a população escrava que foi comprada pelo Estado e como</p><p>moeda de troca, caso lutassem, ganhariam suas alforrias.</p><p>e) Incorreto. Muitos escravos foram para a linha de frente da guerra e se destacaram.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UNCISAL 2020)</p><p>Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889. Eu quisera poder dar a esta data a denominação</p><p>seguinte: 15 de novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo.</p><p>O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. Em todo o caso,</p><p>o que está feito, pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder</p><p>tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à liberdade. Como trabalho de saneamento, a obra</p><p>é edificante. Por ora, a cor do governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi</p><p>deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>125</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava (...). LOBO, Aristides. O povo</p><p>assistiu àquilo bestializado. Diário Popular, Rio de Janeiro, 18 nov. 1889 (adaptado).</p><p>O texto expressa a posição de um jornalista sobre um significativo evento para a cultura</p><p>política brasileira. Conforme seu autor, a participação da população civil na Proclamação da</p><p>República foi</p><p>A) restrita.</p><p>B) dispersa.</p><p>C) irracional.</p><p>D) inexistente.</p><p>E) desanimada.</p><p>Comentários:</p><p>A Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889 foi um golpe militar aplicado</p><p>pelo Marechal Deodoro da Fonseca, em resposta as represálias de D. Pedro II, que havia</p><p>mandado prender alguns oficiais do exército que apoiavam os movimentos republicano e</p><p>abolicionista. Tudo começou quando alguns militares mais jovens e com formação superior</p><p>na escola Militar da Praia Vermelha iniciaram críticas públicas em relação ao imobilismo do</p><p>governo em dar respostas às demandas de vários setores da sociedade. Nesse sentido, os</p><p>militares também cobravam melhorias para a carreira. O primeiro caso das punições ocorreu</p><p>com um coronel chamado Sena Madureira (comandante da escola de tiro de Campo Grande).</p><p>Ele recebeu o conhecido abolicionista Dragão do Mar – Francisco Nascimento que era um</p><p>jangadeiro cearense atuante na luta pela abolição e que convenceu seus colegas de profissão</p><p>a não transportar escravos em suas jangadas como forma de protesto. A notícia da atitude</p><p>do jangadeiro se espalhou entre os abolicionistas e, por isso, foi recebido na Escola de Tiro</p><p>para ser homenageado. O Governo Imperial, irritado com a atitude, mandou prender o Cel.</p><p>Madureira. Então, outros oficiais protestaram publicamente na imprensa. Porém era proibido</p><p>que militares se manifestassem publicamente, ainda mais fazendo críticas ao Império. Isso</p><p>desencadeou a prisão do também Coronel Cunha Matos em 1886. Ademais, o ministro da</p><p>Guerra de D. Pedro II, representante da população civil, mandou prender outros oficiais</p><p>causando um incomodo entre as alas militares e as autoridades civis. Isso gerou uma situação</p><p>desconfortável para Império com o exército e partir desse momento a situação se tornou</p><p>insustentável. Então, juntou aos militares, uma parcela de religiosos da Igreja e das elites</p><p>oligárquicas insatisfeitas com a condução do Governo Central orquestraram a Proclamação</p><p>da República em ato restrito a uma pequena parcela da população brasileira. No caso feita</p><p>pelos militares e que iniciou o período conhecido como República da Espada, durando os</p><p>anos de 1889 a 1994. Portanto, a passagem da Monarquia para a República não foi conduzida</p><p>de maneira violenta e popular. Se alterou a forma de governo, porém os poderes</p><p>continuaram nas mãos das mesmas pessoas, assim como na Independência do Brasil.</p><p>Gabarito: A</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>126</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>A Lei Áurea era mesmo popular e conferia nova visibilidade à princesa Isabel e à Monarquia.</p><p>No entanto, politicamente, o Império tinha seus dias contados ao perder o apoio dos</p><p>fazendeiros do Vale do Paraíba. Apesar do clima de euforia reinante, parecia ser o último ato</p><p>do teatro imperial. [...]. Nos jornais e nas imagens da época, Isabel passa a ser retratada como</p><p>uma santa a redimir os escravos, que aparecem sempre descalços e ajoelhados, como a rezar</p><p>e a abençoar a padroeira. Já a princesa surge de pé e ereta, contrastada com a posição</p><p>curvada e humilde dos ex-escravos, que parecem manter a sua situação – se não mais real,</p><p>ao menos simbólica. Aos escravos recém-libertos só restaria a resposta servil e subserviente,</p><p>reconhecedora do tamanho do “presente” recebido. Estava inaugurada uma maneira</p><p>complicada de lidar com a questão dos direitos civis. Sem a compreensão de que a abolição</p><p>era resultado de um movimento coletivo, permaneceríamos atados ao complicado jogo das</p><p>relações pessoais, suas contraprestações e deveres: chave do personalismo e do próprio</p><p>clientelismo. Nova versão para uma estrutura antiga em que as relações privadas se impõem</p><p>sobre as esferas públicas de atuação. Como se fôssemos avessos a qualquer associação com</p><p>a violência, apenas reproduzimos hierarquias que, de tão assentadas, pareciam legitimadas</p><p>pela própria natureza. Péssima lição de cidadania: a liberdade combinada com humildade e</p><p>servidão, distante das noções de livre-arbítrio e de responsabilidade individual. ”</p><p>SCHWARCZ, Lilia. “Abolição como Dádiva”. In: FIGUEIREDO, Luciano (org.) A Era da</p><p>Escravidão. Rio de Janeiro: Sabin, 2009, p. 88-90.</p><p>A respeito da Lei Áurea é correto afirmar</p><p>a) Além da liberdade, foi concedida para cada ex-escravizado uma gleba de terras para que</p><p>pudesse trabalhar e manter sua família.</p><p>b) Foi estipulada uma indenização individual de um conto de réis para cada ex-escravizado a</p><p>título de indenização pelo seu trabalho compulsório anterior.</p><p>c) A lei estipulou um sistema jurídico que punia como crime contra a humanidade qualquer</p><p>forma de exploração e preconceito.</p><p>d) A Abolição da escravidão proporcionou, ao Imperador Pedro II, maior apoio dos</p><p>cafeicultores e, dessa forma, protelou a Proclamação da República.</p><p>e) A assinatura da Lei Áurea não significou o fim do preconceito racial e não propiciou acesso</p><p>à terra ou a qualquer outra forma de indenização às populações libertas.</p><p>Comentários</p><p>A historiadora Lilia Schwarcz, no texto, chama nossa atenção para o fato de que a adesão da</p><p>monarquia brasileira ao abolicionismo consistia em um esforço da mesma em se manter no poder.</p><p>Lembre-se que a resistência escrava e o movimento abolicionista estavam se radicalizando cada</p><p>vez mais, nas décadas de 1870 e 1880. Contudo, os principais opositores à abolição era a elite</p><p>agrária, principal sustentadora da economia nacional. Assim, a monarquia se encontrava no fogo</p><p>cruzado entre a eminência de uma revolta popular pela abolição e da rebeldia dos mais ricos e</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>127</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>poderosos fazendeiros e empresários brasileiros, que ameaçavam romper com o Império, caso se</p><p>vissem prejudicados.</p><p>Veja, sempre houve resistência e luta contra escravidão por parte dos escravizados. Além</p><p>disso, ao longo do século XIX até mesmo alguns setores das elites e das camadas médias</p><p>propuseram projetos próprios para o fim do cativeiro no país, de modo a preservar seus interesses.</p><p>Porém, sempre houve aqueles que era terminantemente contra abolição, ainda mais contra uma</p><p>abolição sem indenização aos senhores ou qualquer garantia que os libertos seriam mantidos sob</p><p>controle e trabalhando no novo regime de trabalho livre. Por essas razões, mesmo com toda a</p><p>pressão de escravizados, libertos, abolicionistas brasileiros e estrangeiros, o que se deu foi a</p><p>discussão e aprovação de uma série de leis que gradualmente iam minando a continuidade da</p><p>escravidão, de modo que os senhores de escravos tivessem tempo e oportunidade para se adaptar</p><p>aos novos rumos da economia. Uma das formas de adaptação que eles encontraram foi uma que</p><p>já era usada desde o início da colonização e da própria escravidão no Brasil: a alforria. Note, a</p><p>alforria (ou manumissão) é a concessão voluntária da liberdade ao escravizado pelo senhor.</p><p>Todavia, era muito comum que a alforria viesse acompanhada de algumas condições que podiam</p><p>ser o pagamento de certa quantia pela liberdade ou a prestação de serviços por um determinado</p><p>tempo. No mínimo, ao conceder a alforria o ex-senhor esperava que o liberto se sentisse em dívida</p><p>moral pelo “presente” dado. Além disso, os cativos que geralmente conseguiam essa “benção”</p><p>do senhor eram aqueles que empreenderam esforços por anos para ganhar sua confiança e</p><p>simpatia. Dessa forma, podemos considerar que a alforria era uma forma conservadora de</p><p>emancipação, uma vez que quase sempre representava a manutenção ou atualização dos vínculos</p><p>de dependência entre senhor e cativo mesmo após a libertação. Com isso, por exemplo, muitos</p><p>senhores conseguiam que seus escravizados continuassem trabalhando para eles mesmo depois</p><p>de libertos, em troca de um salário modesto ou mesmo por residência e alimentação.</p><p>Assim, não é de se estranhar que a princesa e a monarquia brasileira tenham investido em</p><p>fazer parecer que a Lei Áurea era quase que uma grande alforria concedida pelos soberanos da</p><p>nação. Isso colocaria todos os libertos em uma dívida simbólica com a família real, pelo menos no</p><p>imaginário político da época. Agora que você está por dentro do contexto que envolvia a Lei</p><p>Áurea, vejamos o que é correto afirmar sobre essa lei:</p><p>a) Incorreta. A lei apenas decretou a liberdade imediata de todos os escravizados em território</p><p>brasileiro, sem indenização aos senhores e tampouco qualquer medida que desse assistência</p><p>social aos recém-libertos, carentes de recursos para seu sustento.</p><p>b) Incorreta, pela mesma razão que a anterior.</p><p>c) Incorreta, pela mesma razão que a anterior. Da mesma forma que nenhuma medida assistencial</p><p>foi determinada, nenhuma medida contra discriminação/preconceito racial foi incluída na Lei</p><p>Áurea ou em legislações posteriores. Inclusive, nas primeiras décadas da república foram criadas</p><p>leis anti-vagabundagem para obrigar a população a trabalhar.</p><p>d) Incorreta. Na verdade, deu-se exatamente o oposto. Com a Lei Áurea, a intenção da monarquia</p><p>era conquistar o apoio político de libertos e da opinião pública abolicionista contra os a elite</p><p>cafeeira, principal opositora a uma abolição imediata e sem indenização aos senhores. Contudo,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>128</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>não foi o que se deu. A monarquia saiu incrivelmente desgastada, apesar de realmente ter</p><p>conseguido o apoio de parte dos libertos. Isso porque muitos negros e abolicionistas também já</p><p>participavam do movimento republicano naqueles anos. Paralelamente, a monarquia também</p><p>estava entrando em choque com oficiais do exército, pois muitos deles queriam mais participação</p><p>na política institucional. Muitos desses militares igualmente aderiram ao abolicionismo e ao</p><p>movimento republicano, por terem lutado ao lado de cativos, libertos e soldados republicanos</p><p>estrangeiros (argentinos e uruguaios) na Guerra do Paraguai (1864-1870). Vale dizer que esta</p><p>guerra aumentou a dívida externa do Império, apesar deste ter saído vitorioso, o que também</p><p>contribuiu para o desgaste da monarquia em suas últimas décadas no poder. Assim, quando a Lei</p><p>Áurea foi assinada pela regente, a família real perdeu seu último grande e poderoso aliado: a elite</p><p>cafeeira escravista, que passou a apoiar os republicanos e liderou o golpe que proclamou a</p><p>República em 1889.</p><p>e) Correta! Como disse acima, a única medida decretada pela Lei</p><p>Áurea foi a libertação imediata</p><p>de todos os cativos em território brasileiro, sem qualquer indenização aos ex-senhores ou aos</p><p>libertos. Muito menos qualquer medida de combate ao preconceito racial e política de assistência</p><p>social.</p><p>Gabarito: E</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>A partir da emancipação política do Paraná, em 1853, vários governantes adotaram políticas</p><p>que visaram atrair imigrantes europeus para o seu território. Sobre esse processo de</p><p>colonização, é correto afirmar.</p><p>a) No Paraná não houve escravidão, pois, desde a sua emancipação, a agricultura foi</p><p>praticada apenas por imigrantes europeus.</p><p>b) Toda a população indígena do Paraná foi deslocada para o Mato Grosso do Sul, por isso,</p><p>na época da chegada dos imigrantes europeus, havia um vazio demográfico.</p><p>c) O presidente da província do Paraná entre 1875 e 1877, Adolfo Lamenha Lins, criou</p><p>colônias de imigrantes europeus na região de Curitiba e estabeleceu as diretrizes para a</p><p>colonização.</p><p>d) No Paraná, nunca houve conflitos envolvendo a posse e a propriedade da terra.</p><p>e) A fixação de europeus no território paranaense só foi possível graças à inexistência de</p><p>grandes latifúndios advindos de antigas concessões de sesmarias.</p><p>Comentários</p><p>O tema da presente questão é o processo de imigração para a Província do Paraná, no século XIX.</p><p>Com a proibição do tráfico internacional de escravizados em 1850, a intensificação das revoltas</p><p>escravas e do abolicionismo, com o surgimento gradual de leis que limitavam a reprodução da</p><p>escravidão, os grandes fazendeiros passaram a propagar a ideia de substituir o trabalho</p><p>compulsório pela mão de obra livre, em especial de imigrantes europeus. Sobretudo para os</p><p>cafeicultores exportadores, a entrada destes imigrantes era benéfica não somente para suprir a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>129</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>demanda por trabalhadores nas lavouras de café diante do lento fim da escravidão. Por outro</p><p>lado, ao longo do século XIX, desenvolvem-se na Europa uma série de teorias que defendem a</p><p>superioridade racial dos brancos sobre os demais grupos humanos. Estas são as teorias raciais, ou</p><p>racismo científico. No Brasil, essas teorias foram adaptadas. Aqui, muitos argumentavam que a</p><p>escravidão gerava imoralidade na sociedade brasileira. Nesse discurso, escravidão e o escravo se</p><p>confundiam, de modo que a impressão que ficava era que o negro era a fonte dessa imoralidade.</p><p>As teorias raciais sedimentaram essa ideia complementando que a razão da imoralidade do negro</p><p>era de origem genética, uma inferioridade própria da raça negra em relação à branca. Entretanto,</p><p>muitos intelectuais brasileiros argumentavam que era possível solucionar esse problema</p><p>promovendo a ampla imigração de determinadas populações (brancas europeias) para o Brasil,</p><p>incentivando a miscigenação para que lentamente a população nacional fosse embranquecida.</p><p>Por isso, chamamos essa vertente brasileira das teorias raciais de Teoria do Embranquecimento.</p><p>No entanto, a solução imigrantista não era consenso entre as classes proprietárias. Havia</p><p>quem defendesse uma reforma agrária que concedesse pequenos lotes de terras aos libertos e a</p><p>criação de leis contra a vagabundagem para garantir que eles trabalhassem para os grandes</p><p>proprietários. De qualquer forma, ocorreram dois modelos de estímulo à imigração: a parceria e</p><p>a subvencionada. No primeiro caso, o próprio fazendeiro financiava os custos das viagens e</p><p>instalação no país para os imigrantes. Esse modelo foi introduzido pelo senador Nicolau Vergueiro,</p><p>em 1847. No segundo, o governo imperial ou os provinciais se encarregavam de fazer esse</p><p>financiamento. Esse modelo foi aprovado na década de 1870 e, junto com ele, as Províncias</p><p>ganharam autonomia para realizar essas operações, sem mediação do governo Imperial.</p><p>No caso do Paraná, a província se separou de São Paulo em 1853. Nessa época, suas</p><p>principais atividades econômicas eram a extração de mate e de madeira, mas a cafeicultura</p><p>começava a florescer nas regiões mais ao norte, na fronteira com territórios cafeicultores paulistas</p><p>e mineiros. De qualquer forma, a população paranaense estava mais concentrada na faixa</p><p>litorânea, no máximo chegando ao Primeiro Planalto. Mais para o interior predominavam nações</p><p>indígenas que evitavam contato com a sociedade nacional. A partir dos anos 1850, então, os fluxos</p><p>migratórios com destino ao Paraná se intensificaram, pois o novo governo provincial desenvolveu</p><p>políticas para atrair novos migrantes a fim de promover o desenvolvimento econômico da</p><p>província. Somente entre os anos de 1853 e 1886, o Paraná recebeu aproximadamente 20 mil</p><p>migrantes e imigrantes, que formaram diversas colônias no território. Com esse contexto em</p><p>mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. A mão de obra escravizada sempre foi utilizada no Paraná, seja com indígenas nativos,</p><p>seja com africanos importados. Contudo, devido à baixa integração da região com a economia</p><p>nacional e o baixo número de colonos lá, não havia grandes recursos para adotar a escravidão de</p><p>forma extensiva como em províncias mais prósperas, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de</p><p>Janeiro, Bahia e Pernambuco. Mesmo assim, quando grandes proprietários decidiam investir na</p><p>aquisição de terras no território paranaense, como no caso dos cafeicultores no norte da província</p><p>na segunda metade do século XIX, o braço escravo foi utilizado ao lado de trabalhadores</p><p>imigrantes. Era bem comum encontrar cativos e trabalhadores livres trabalhando lado a lado nas</p><p>plantações paranaenses.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>130</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) Incorreta. Na verdade, os indígenas nativos do Paraná apenas se afastaram do litoral, ocupando</p><p>as regiões do Primeiro e Segundo Planaltos, no interior da província. Essas populações só precisara</p><p>migrar ainda mais para o interior, rumo território mato-grossense e sul-mato-grossense no início</p><p>do século XX, quando companhias colonizadoras receberam permissão do governo estadual para</p><p>lotear e vender as terras indígenas no Paraná.</p><p>c) Correta! Adolfo Lamenha Lins foi presidente da Província do Paraná entre 1874 e 1877. No</p><p>cargo, ele incentivou a colonização europeia na cidade de Curitiba. Ele teve iniciativa na criação</p><p>das colônias de Pilarzinho (1871) e Abranches (1873), e das colônias de Santa Cândida (1875) e</p><p>Orleans (1875) em locais mais próximos da capital, todas elas formadas por poloneses.</p><p>d) Incorreta. Conflitos envolvendo a posse e a propriedade de terra sempre foram frequentes em</p><p>todo a história e território brasileiros. Era corriqueiro que colonos combatessem indígenas,</p><p>estrangeiros e até colonos da mesma nacionalidade pelo controle sobre pedaços de terras. O</p><p>Paraná não é uma exceção. Desde o início de sua colonização, o território paranaense foi alvo de</p><p>disputas entre europeus e indígenas, portugueses e espanhóis, bandeirantes e jesuítas; e mesmo</p><p>entre proprietários brasileiros que discordavam sobre os limites entre suas propriedades.</p><p>e) Incorreta. Havia latifúndios no Paraná, voltados para a pecuária extensiva e para extração de</p><p>erva-mate ou madeira. O incentivo a imigração tinha a intenção tanto de trazer imigrantes que</p><p>trabalhassem nesses latifúndios quanto criar colônias compostas por pequenas propriedades cuja</p><p>produção era voltada para subsistência e para o mercado interno. Isso porque o governo provincial</p><p>estava preocupado ao mesmo tempo com a prosperidade econômica da região e torna-la</p><p>amplamente habitada para evitar invasões estrangeiras ou a reconquista desses territórios pelos</p><p>indígenas.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UNITINS 2018)</p><p>Analise a citação a seguir a respeito da Proclamação da República brasileira e assinale a alternativa</p><p>que a interpreta.</p><p>“Realiza-se na História do Brasil, em 1889, uma acomodação política. A República que se instala,</p><p>passada a fase de depuração, é a do controle</p><p>hegemônico dos fazendeiros do oeste paulista</p><p>acrescida da descentralização, para contentar os interesses regionais. A nova ordenação política</p><p>não significou reformas estruturais” (MONTEIRO, Hamilton. Brasil Império. São Paulo: Ática, 1994</p><p>p. 75).</p><p>a) A Proclamação da República resultou de movimentos históricos brasileiros, como a</p><p>Inconfidência Mineira e a República Farroupilha.</p><p>b) A República que nasceu no Brasil no final do século XIX mudava a forma de governo sem</p><p>revolucionar a sociedade, mantendo o clima de ordem que interessava às elites.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>131</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) Deodoro da Fonseca liderou militares, cafeicultores e profissionais liberais no movimento que</p><p>promoveu a república, em razão de sua histórica oposição ao regime monarquista.</p><p>d) Os interesses da elite agrária do nordeste não eram diferentes dos interesses dos cafeicultores</p><p>paulistas, e isso favoreceu a mobilização social para a Proclamação da República.</p><p>e) A implantação da república no Brasil trouxe de imediato uma mudança social significativa: a</p><p>participação popular nos eventos políticos nacionais.</p><p>Comentários:</p><p>a) Incorreta. Os dois movimentos eram republicanos, porém tinham caráter regionalistas, de</p><p>criação de um novo Estado, em seus respectivos territórios. Não foram eventos relacionados</p><p>a Proclamação da República, em 1889. A Inconfidência Mineira ocorreu em 1789, cem anos</p><p>antes e a Revolta Farroupilha aconteceu durante o Período Regencial, entre 1835 e 1845.</p><p>b) Correta. O movimento militar foi uma forma de preservar as estruturas sociais que</p><p>beneficiavam as elites do país.</p><p>c) Incorreta. Deodoro foi um militar gaúcho, muito respeitado pela opinião pública. Diferente</p><p>do que a afirmação diz, ele não foi um histórico crítico do regime. Sua insatisfação foi</p><p>momentânea e surgiu quando a Monarquia começou a perseguir e a prender homens do seu</p><p>batalhão no Rio Grande do Sul. Assim, não concordando com as ordens do Imperador, ele o</p><p>desobedeceu sendo destituído de seu cargo. Isso já no final do Império.</p><p>d) Incorreta. Não houve participação popular na Proclamação da República.</p><p>e) Incorreta. A participação popular continuaria sendo negada a população, por meio das</p><p>eleições com critérios censitários sendo mantidos no período da Primeira República (1889-</p><p>1930).</p><p>Gabarito: B</p><p>(UNITINS 2021)</p><p>A imagem e o texto a seguir referem-se à escravidão no Brasil que teve duração do início do século</p><p>XVI ao final do século XIX.</p><p>“A agitação negra marcou a luta contra a escravidão na sociedade brasileira. A revolta escrava,</p><p>individual ou coletiva, foi o primeiro e principal instrumento de instabilidade da ordem vigente.</p><p>Rebeliões, fugas e tantas outras formas de ação escrava vivenciadas no Brasil, até quando não</p><p>explicitavam esse propósito, construíram os caminhos para a falência do mundo governado por</p><p>proprietários de pessoas”. (ALBUQUERQUE, Wlamyra. Movimentos sociais abolicionistas. In:</p><p>Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das letras, 2018).</p><p>Analise as afirmativas a seguir sobre a escravidão no Brasil.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>132</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>I – O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e o que mais recebeu africanos</p><p>aprisionados por meio do tráfico.</p><p>II– Principal parceira econômica do Brasil, a Inglaterra pressionava D. Pedro II desde metade do</p><p>século XIX a abolir o regime escravocrata por razões humanitárias.</p><p>III – A Lei do Ventre Livre (1870) e a Lei dos Sexagenários (1884) buscavam transição gradual para</p><p>o fim do trabalho escravo no Brasil e atendiam às reivindicações dos grupos abolicionistas.</p><p>IV – Pressionado pela Inglaterra, o Brasil aprovou a Lei Eusébio de Queirós que decretou a</p><p>proibição de tráfico negreiro no Brasil a partir de 1850.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) III e IV apenas. B) I e IV apenas. C) I, II e IV apenas. D) I e II apenas. E) I, II, III e IV.</p><p>Comentários:</p><p>I. Correto. A Monarquia Brasileira resistiu a abolição da escravatura até 1888, quando a Princesa</p><p>Isabel promulgou a Lei Áurea.</p><p>II. Incorreto. Os interesses ingleses não eram humanitários, pois na Europa circulavam ideias de</p><p>superioridade racial. Seus interesses eram estritamente econômicos, uma vez que um país</p><p>escravocrata não poderia participar do comércio internacional que se criava em torno da expansão</p><p>da Revolução Industrial.</p><p>III. Incorreto. Os grupos abolicionistas queriam a abolição total e completa da escravidão, sem um</p><p>período de transição gradual.</p><p>IV. Correto. Devido a promulgação da Lei Bill Aberdeen na Inglaterra, todos os navios que fossem</p><p>pegos transportando escravos seriam parados e confiscados pela Marinha Inglesa. Assim, o</p><p>Governo brasileiro se viu forçado a abolir o fim do tráfico negreiro.</p><p>Portanto, a resposta correta é a letra B, sendo a primeira e última afirmações corretas.</p><p>Gabarito: B</p><p>(IFSudMinas 2018)</p><p>I. Ao longo do século XIX, o café tornou-se rapidamente a principal atividade agrícola do</p><p>país, responsável por mais da metade do dinheiro arrecadado em exportações no Brasil.</p><p>II. Um fator que contribuiu para a ampliação da produção cafeeira no Brasil foi o aumento da</p><p>procura do produto pelos mercados consumidores da Europa e dos EUA.</p><p>III. A construção e ampliação das ferrovias no Brasil para o transporte do café aumentou a</p><p>velocidade de escoamento da produção e interligou algumas regiões do Império.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>133</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>IV. A cafeicultura no Brasil beneficiou-se da estrutura escravista, sendo incorporada ao</p><p>sistema plantation, caracterizado basicamente pela monocultura voltada para a exportação,</p><p>a mão de obra escrava e o cultivo em grandes latifúndios.</p><p>V. O maior Estado produtor de café no Brasil foi o Rio de Janeiro, pois possuía a terra roxa,</p><p>um tipo de solo que favorecia a lavoura cafeeira.</p><p>Agora marque a alternativa CORRETA.</p><p>a) Todas as afirmativas são verdadeiras.</p><p>b) Todas as afirmativas são falsas.</p><p>c) Apenas I, II, III e IV são verdadeiras.</p><p>d) Apenas II, III, IV e V são verdadeiras.</p><p>e) Apenas I, II, III e V são verdadeiras.</p><p>Comentários</p><p>Ao ler as proposições, é fácil deduzir que o tema da questão é a expansão da economia cafeeira</p><p>durante o século XIX, no Brasil. No início desse século, lentamente, médios e grandes proprietários</p><p>que adquiriram terras no Vale do Paraíba, no Oeste Paulista e no sul de Minas Gerais passaram a</p><p>praticar a cafeicultura. Durante o Segundo Reinado, na segunda metade do XIX, esses fazendeiros</p><p>haviam se tornado a elite econômica do país e até começaram a investir em outros ramos como a</p><p>indústria, navegação, comércio e infraestrutura. Com isso em mente, vamos avaliar as proposições:</p><p>I. Correta! Como destaquei, o café passou a ser mais cultivado já na primeira metade do</p><p>século XIX, mas em meados deste os produtores do grão em larga escala haviam se</p><p>tornado a elite econômica do país. Podemos ver essa rápida ascensão econômica na</p><p>tabela a seguir:</p><p>Note que já na década de 1830, o café correspondia a 43,8% das exportações brasileiras</p><p>e ao longo do Segundo Reinado (1840-1889) chegou a 61,5%.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>134</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>II. Verdadeira! O consumo de café no continente europeu e no norte da América ocorreu</p><p>após a o consumo da planta ter primeiro se popularizado entre os árabes, na Idade</p><p>Média, e posteriormente entre os europeus, por volta do século XVII. Contudo, a</p><p>expansão da Revolução Industrial durante o século XIX e as mudanças de hábitos que</p><p>acarretou, o consumo de café aumentou ainda mais, justamente nos países que estavam</p><p>em franca industrialização,</p><p>à República</p><p>os partidos continuavam tendo que conquistar a simpatia do monarca para levar seus</p><p>projetos adiante, o que limitava a diversidade dos projetos políticos que iam adiante. Assim,</p><p>não havia alternância de fato.</p><p>d) Incorreta. Realmente, D. Pedro II tentava vender a imagem de um líder culto, civilizado,</p><p>preocupado com o progresso e a estabilidade da nação, propenso ao liberalismo. No</p><p>entanto, não abria mão do Poder Moderador e reproduzia velhas estratégias diplomáticas</p><p>da família imperial, que quase sempre se limitava a uma troca de favores e distribuição de</p><p>títulos, cargos e pensões. Por isso, podemos concluir que a charge se esforça para</p><p>desmascarar qualquer aparência liberal ou democrática que o monarca tentava divulgar</p><p>sobre si.</p><p>e) Correta! Veja, o Partido Liberal e o Partido Conservador eram os únicos partidos políticos</p><p>existentes no Império, desde a década de 1840 até 1873 quando foi fundado o Partido</p><p>Republicano Paulista e depois dele outros de igual orientação nas demais províncias. Lembre-</p><p>se que a charge foi publicada em 1878, portanto na mesma década que republicanismo se</p><p>proliferava pelo império, inclusive no Rio de Janeiro, sede do governo. Além disso, a</p><p>ilustração foi publicada em um jornal cheio de alusões ao ideário republicano, apesar de</p><p>alegar neutralidade. Ora, uma das críticas mais recorrentes de republicanos ferrenhos, como</p><p>o advogado Luiz Gama em São Paulo, não havia grandes diferenças entre liberais e</p><p>conservadores, tanto é que ambos podiam ser chamados de “partidos monarquistas”</p><p>justamente por sempre se revezarem no poder ao gosto dos interesses imperiais.</p><p>Gabarito: E</p><p>1.1 - A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA DO IMPERADOR E DA NAÇÃO</p><p>Além da pacificação de movimentos armados, a consolidação do reinado de D. Pedro II</p><p>também se deu por meio de um investimento maciço em representações que exaltavam sua</p><p>imagem, incluindo quadros, litogravuras, moedas e medalhas que circulavam pela Corte.</p><p>Buscando livrá-lo de qualquer aspecto que o fizesse parecer despreparado para assumir trono, os</p><p>jornais passaram a cobrir de elogios o jovem imperador, retratando-o como sensato e dotado de</p><p>grande inteligência e educação exemplar.</p><p>Um espetáculo luxuoso foi preparado para a coroação, repleto de símbolos e tradições de</p><p>antigos reinos da Europa, mas também de elementos novos que contribuíam para que o Brasil se</p><p>estabelecesse como uma “monarquia tropical” entre as elites brasileiras e as demais nações ditas</p><p>“civilizadas”.</p><p>Para criar um sentimento de nação entre seus súditos, o Imperador apostou nos trabalhos</p><p>de duas instituições criadas durante o período regencial: o Instituto Histórico e Geográfico</p><p>Brasileiro (IHGB) e a Academia Imperial de Belas Artes. O primeiro era majoritariamente composto</p><p>pela elite econômica e cultural da Corte, incluindo nomes como Joaquim Manuel de Macedo,</p><p>Joaquim Norberto de Sousa Silva, Domingos José Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>14</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Financiados por D. Pedro II - ele próprio era membro ativo das reuniões do IHGB-, esta</p><p>constelação de escritores dedicou-se a um projeto de identidade para o país pautado no</p><p>romantismo literário, produzindo obras que exaltavam um passado indígena fantasioso, muito</p><p>inspirado no mito do bom selvagem do filósofo Jacques Rousseau.</p><p>Os romances Iracema, Ubirajara e O Guarani de José de Alencar,</p><p>assim como o poema I-Juca Pirama de Gonçalves Dias são exemplares</p><p>do indianismo presente na literatura romântica da época, todos</p><p>retratando os nativos como modelos de pureza e heroísmo a serem</p><p>seguidos pelas elites e também pela classe média urbana da Corte,</p><p>grande apreciadora dessas obras. Assim como os colonizadores, os</p><p>indígenas são considerados nobres em seus atos, de maneira que</p><p>passam a representar a própria realeza brasileira.</p><p>Inspirados por estes autores, os artistas vinculados à Academia Imperial de Belas Artes</p><p>produziram obras visuais que retratavam os indígenas de maneira romantizada em cenários</p><p>exuberantes de natureza tropical; além de se dedicarem a produzir imagens do próprio Imperador</p><p>para que fossem difundidas por todo o território brasileiro.</p><p>Figura 1 - Iracema, de José Maria de Medeiros. 1881.</p><p>Fonte: Museu Nacional de Belas Artes.</p><p>Essas representações dos indígenas, assim como as literárias, não buscaram se embasar em</p><p>aspectos históricos sobre povos do passado, nem sequer buscaram conhecer aqueles que ainda</p><p>existiam no território brasileiro.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>15</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Também foram ignoradas as contribuições dos africanos e minimizados os impactos da</p><p>colonização portuguesa para a formação da Nação, afinal buscava-se criar uma imagem de uma</p><p>“civilização nos trópicos”, sem a interferência de outras culturas.</p><p>Observe na imagem abaixo o predomínio da escola literária do romantismo durante o 2º</p><p>Reinado:</p><p>3</p><p>3 Atlas histórico do Brasil. https://atlas.fgv.br/marcos/educacao-e-ciencia/mapas/linha-do-tempo-</p><p>literatura-cronologia-dos-principais-autores-do. Acesso em 15-10-2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>16</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>2. MODERNIZAÇÃO E EXPANSÃO ECONÔMICA DO CAFÉ</p><p>A partir da 2ª. metade do século XIX, assistimos a um processo de modernização do Brasil.</p><p>Como parte fundamental desse processo, podemos identificar 2 elementos:</p><p>1- implantação do telégrafo em 1852, ligando o Passo Imperial ao Quartel general do</p><p>exército. O Ministro Eusébio de Queiroz teria dito a Dom Pedro II: “A comunicação dos</p><p>pensamentos, das ordens, das notícias já não encontra demora na distância.” Na década</p><p>de 1870, as mensagens telegráficas atravessaram o Atlântico. Com certeza, a velocidade</p><p>e a intensidade, e a forma da comunicação mudaram imensamente.</p><p>2- implantação do sistema de transporte ferroviário também começou na década de 1850</p><p>e o desenvolvimento da economia cafeeira foi seu principal impulsionador. Leia um</p><p>trecho da especialista Anna Eliza Finger, da Universidade de Brasília4:</p><p>Como produto da era industrial, a ferrovia materializava o desejo por progresso</p><p>e inovação, e a vontade de pertencer ao mundo “moderno” nos ajuda a</p><p>entender a rapidez com que a tecnologia se espalhou pelo mundo ainda durante</p><p>o século XIX, quando inúmeros países investiram na sua importação e, junto com</p><p>ela, de edifícios, meios de comunicação e até mesmo pessoal habilitado a</p><p>implantá-la e operá-la. No Brasil não foi diferente. Entretanto, o estudo da</p><p>arquitetura ferroviária produzida no país deve considerar as enormes diferenças entre seu</p><p>contexto de origem – a Europa – e as regiões brasileiras onde foi implantada. Como um país</p><p>calcado na produção agrícola desde os tempos coloniais, inicialmente foram importados modelos</p><p>utilizados nos países de origem, introduzidos em meio a uma sociedade rural e escravocrata,</p><p>contribuindo para ressaltar ainda mais as contradições dos sistemas social e econômico até então</p><p>adotados. Em menos de um século foram construídas centenas de linhas férreas no Brasil, com</p><p>características distintas: públicas e privadas, de origem estrangeira ou brasileira, implantadas em</p><p>meio urbano, rural ou em trechos ainda não desbravados do território, voltadas ao escoamento</p><p>de produção agroindustrial, articulação territorial, proteção de fronteiras, mobilidade, etc. Os</p><p>edifícios ferroviários deveriam atender às distintas necessidades de cada uma a depender de seus</p><p>objetivos (transporte de pessoas ou cargas), adequando-se ainda às diferentes realidades sociais,</p><p>técnicas e econômicas dos locais onde eram construídas. Ao longo do tempo também sofreram</p><p>transformações significativas, acompanhando as mudanças na realidade socioeconômica dos</p><p>locais onde as linhas foram implantadas –</p><p>como Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos. Ao</p><p>perceberem que a planta se adaptava muito bem às condições climáticas do Sudeste</p><p>brasileiro, os fazendeiros rapidamente empreenderam sua produção em larga escala</p><p>para atender essa demanda.</p><p>III. Verdadeira! Os principais investidores da expansão da malha ferroviária, no Brasil, eram</p><p>os próprios cafeicultores, interessados em diminuir custos e prejuízos com o transporte</p><p>de seu produto até os portos no litoral. Até meados do século XIX, esse transporte era</p><p>feito por meio dos tropeiros e seus muares, o que levava dias e até meses para efetuar.</p><p>Com empréstimos de bancos estrangeiros, principalmente ingleses, grandes</p><p>fazendeiros financiaram a instalação de ferrovias no país a partir de 1852. A primeira</p><p>delas, contando com 14 km de extensão, foi criada por Irineu Evangelista de Souza,</p><p>posteriormente conhecido pelos títulos de Barão e Visconde de Mauá. Juntamente a</p><p>outros poucos empreendedores do Segundo Reinado, o empresário apostou na</p><p>modernização da economia ao investir em áreas diversas, incluindo o comércio,</p><p>indústria, companhias de navegação e bancos. Em pouco mais de 30 anos o Império</p><p>passaria a contar com 10 mil quilômetros de ferrovias, o que também beneficiava outras</p><p>atividades econômicas, como a agropecuária e a mineração. Dessa forma, o Brasil viveu</p><p>um surto industrial entre as décadas de 1840 e 1870, que alguns historiadores</p><p>denominaram como Era Mauá. O cenário urbano muda. Cidades ganham destaque ao</p><p>longo dessas ferrovias: Jundiaí, Campinas, Araraquara, Ribeirão Preto, e São José do rio</p><p>Preto.</p><p>IV. Verdadeira! Muitos desses fazendeiros sagazes que decidiram começar a investir na</p><p>plantação e café na primeira metade do século XIX, já eram proprietários de terras</p><p>dedicados à produção e exportação de açúcar. No entanto, neste ramo havia muita</p><p>competição internacional, com países da América Central e novas colônias europeias na</p><p>África e na Ásia. Portanto, ao notar que a demanda internacional por café e havia poucos</p><p>países nesse ramo, vários fazendeiros brasileiros intentaram alterar o produto de suas</p><p>plantações, mantendo a mesma estrutura produtiva que já possuíam, isto é, a</p><p>monocultura em larga escala com uso de mão de obra escravizada. Além disso, devemos</p><p>lembrar que a escravidão era amplamente difundida na sociedade brasileira e até</p><p>mesmo pessoas livres pobres tinham escravizados, mesmo que poucos, ou</p><p>ambicionavam ter. Isso porque além de mercadoria e força de trabalho, o escravizado</p><p>era visto pela maioria da sociedade como um distintivo social, isto é, quanto mais cativos</p><p>se tinha mais prestígio se agregava ao proprietário. Por isso, mesmo os pequenos e</p><p>médios fazendeiros que inicialmente não tinham uma grande estrutura escravista e</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>135</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>monocultora como os mais ricos procuraram adquiri-la conforme enriqueceram no ramo</p><p>cafeicultor.</p><p>V. Falsa. Na verdade, podemos dizer que o Rio de Janeiro foi a província, não estado, que</p><p>primeiro prosperou no ramo da produção e exportação de café, na primeira metade do</p><p>século XIX, mais especificamente a região do Vale do Paraíba fluminense. No entanto,</p><p>por conta de o solo dessa região já estar muito esgotado devido à extensiva plantação</p><p>de cana-de-açúcar desde o século XVIII, muitos fazendeiros procuraram expandir suas</p><p>propriedades ou adquirir novas nas porções paulista e mineira do mesmo vale.</p><p>Gradativamente, o Oeste Paulista se tornou a principal zona de expansão da cafeicultura</p><p>e a maior região exportadora do grão, na segunda metade do século XIX. Contudo, em</p><p>nenhum dos lugares citados havia a terra roxa, um tipo de solo de origem vulcânica</p><p>extremamente fértil. Na realidade, este solo só era encontrado no norte do Paraná, onde</p><p>os cafeicultores começaram a se instalar somente no final do século XIX. Apenas no</p><p>século seguinte, mais especificamente a partir dos anos de 1930 é que os fazendeiros</p><p>paranaenses se tornaram os maiores produtores e exportadores de café do Brasil.</p><p>Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.</p><p>Gabarito: C</p><p>(IFPE 2017)</p><p>“As promessas de liberdade do segundo e extenso período desde a Independência até à lei</p><p>Rio Branco datam de poucos anos relativamente a certa parte da população escrava, e do</p><p>fim do primeiro reinado relativamente à outra.</p><p>Os direitos d’esta última – que vem a ser os Africanos importados depois de 1831 e os seus</p><p>descendentes – são discutidos mais longe. Por ora baste-nos dizer que esses direitos não se</p><p>fundam sobre promessas mais ou menos contestáveis, mas sobre um tratado internacional e</p><p>em lei positiva e expressa. O simples fato de achar-se pelo menos metade da população</p><p>escrava do Brasil escravizada com postergação manifesta da lei e desprezo das penas que</p><p>ela fulminou, dispensar-nos-ia de levar por diante este argumento sobre os compromissos</p><p>públicos tomados para com os escravos.</p><p>Quando a própria lei, como se o verá exposto com toda a minudência, não basta para</p><p>garantir à metade, pelo menos, dos indivíduos escravizados a liberdade que decretou para</p><p>eles; quando um artigo tão claro como este: "Todos os escravos que entrarem no território</p><p>ou portos do Brasil, vindos de fora, ficam livres" [...] nunca foi executado [...]que valor</p><p>obrigatório podem ter movimentos nacionais de caráter diverso, atos na aparência alheios à</p><p>sorte dos escravos, declarações oficiais limitadas ao efeito que deviam produzir? Em outras</p><p>palavras, de que servem tais apelos à consciência, à lealdade, ao sentimento de justiça da</p><p>nação, quando metade dos escravos estão ilegalmente em cativeiro?” pp. 58-59.</p><p>(NABUCO, J. O Abolicionismo. Londres: TYPOGRAPHIA DE ABRAHAM KINGDON E CA.,</p><p>1883, 256 p.).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>136</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Assinale a afirmativa CORRETA a partir da análise do excerto acima.</p><p>a) O desrespeito do Estado brasileiro à Lei Eusébio de Queiroz, que proibiu o tráfico atlântico</p><p>de escravizados em 1850.</p><p>b) O sentido retórico de seu próprio texto, meramente floreio político em nome dos</p><p>escravizados, estes sem voz efetiva.</p><p>c) A injustiça e o crime da nação brasileira para com milhares de escravizados traficados</p><p>ilegalmente após a lei antitráfico apelidada de “Lei para Inglês ver”.</p><p>d) O caráter legal do sistema escravista, que não descumpria a lei positiva do Estado imperial</p><p>brasileiro em nenhum aspecto.</p><p>e) A consciência dos políticos de seu tempo, sensíveis ao cativeiro de milhares de homens</p><p>sabidamente livres, aos quais cumpria libertar.</p><p>Comentários</p><p>O tema da questão é o movimento abolicionista e a argumentação utilizada por seus</p><p>promotores para legitimar suas ações em prol da liberdade dos escravizados. Note, na</p><p>referência dada para o trecho exposto, em que ano o autor publicou o livro que integra:</p><p>1883. Ora, a década de 1880 é um momento marcante para o movimento abolicionista, no</p><p>qual a ideologia do mesmo alcançou vários setores da população, quase como se fosse um</p><p>“senso comum” de que a escravidão tinha que acabar, apesar da resistência dos poucos e</p><p>ricos proprietários de escravizados que sobraram naqueles anos. Além disso, as revoltas e</p><p>fugas de escravos se intensificavam cada vez mais. Contudo, devemos prestar atenção a</p><p>quem é o autor do texto. Joaquim Nabuco era um jurista, diplomata e político pernambucano</p><p>e abolicionista. Ou seja, ele representava o abolicionismo legal, que lutava contra a</p><p>escravidão e libertava escravizados com base nas leis já vigentes e procurando aprovar novas</p><p>legislações abolicionistas no Parlamento. Havia uma série de argumentos de cunho</p><p>ideológico e jurídico utilizado por esses abolicionistas ilustrados para embasar as ações de</p><p>liberdade que defendia na justiça ou sustentar seus argumentos a favor da abolição nos</p><p>salões das assembleias provinciais e nacional. No trecho destacado, podemos</p><p>observar como</p><p>Nabuco mobiliza um argumento muito comum entre essa ala do abolicionismo brasileiro, o</p><p>qual se apoiava na primeira lei que proibiu o tráfico internacional de africanos escravizados,</p><p>de 1831. Com base nela, defendia-se a liberdade de africanos escravizados cujos senhores</p><p>não tinham como provar que os importaram antes daquele ano. Com isso em mente, vejamos</p><p>o que é correto afirmar a partir do excerto:</p><p>a) Incorreta. Nabuco faz referência a primeira lei anti-tráfico, como destaquei, a de 1831, não</p><p>a de 1850. Após a segunda lei, chamada de Eusébio de Queiroz, o Estado passou a reprimir</p><p>com mais rigor e sistematicamente a importação ilegal de escravizados no Brasil. Contudo,</p><p>muitos senhores que adquiriram africanos entre 1831 e 1850 continuavam tentando mantê-</p><p>los escravizados, alterando informações como a idade dos cativos nos documentos, ou</p><p>ocultando registros referente à compra dos mesmos. Por isso, a lei de 1831 continuava a ser</p><p>invocada por abolicionista na década de 1880.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>137</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) Incorreta. Realmente, podemos dizer que a voz dos escravizados não está diretamente</p><p>expressa nas palavras de Nabuco. Porém, é reducionismo achar que seu texto é mero floreio</p><p>político e retórica. É preciso considerar que ao longo do século XIX, especialmente na</p><p>segunda metade, as revoltas e fugas coletivas de escravizados estavam aumentando</p><p>exponencialmente. Mesmo indivíduos isolados cometiam crimes e assassinatos para obter a</p><p>liberdade quando percebiam que estavam sendo mantidos injustamente no cativeiro. Por</p><p>incrível que pareça, não era raro eles procurarem a justiça ou a polícia logo em seguida, pois</p><p>acreditavam que a lei estaria a seu lado. Portanto, devemos considerar que de certa forma a</p><p>retórica dos abolicionistas ilustras ecoava a pressão dos próprios escravizados pela abolição.</p><p>c) Correta! O ponto principal do argumento de Nabuco é que ele define como principal</p><p>responsável pela injustiça contra dos escravizados importados ilegalmente a partir de 1831</p><p>o Estado brasileiro. Foi o próprio governo que fez vista grossa e ignorou as graves infrações</p><p>contra a liberdade de uma enorme quantidade de africanos que foram mantidos em cativeiro</p><p>de forma ilegal. Portanto, era responsabilidade do Estado reparar essa injustiça. Vale</p><p>mencionar que a Lei de 1831 era chamada “Para inglês ver”, justamente porque não era</p><p>cumprida pelo governo brasileiro, sendo resultado das pressões diplomáticas da Inglaterra,</p><p>principal parceira econômica do Brasil naquela época e que pretendia acabar com a</p><p>escravidão no mundo para que houvesse mais mercados consumidores para os produtos</p><p>ingleses.</p><p>d) Incorreta. O texto denuncia exatamente o caráter ilegal do sistema escravista que, com a</p><p>conivência do Estado imperial, descumpria uma lei vigente.</p><p>e) Incorreta. A alternativa generaliza a consciência expressa por Nabuco de modo que parece</p><p>que todos os políticos de seu tempo compartilhavam da mesma visão, quando isto não era</p><p>realidade. Mesmo na última década em que a escravidão vigorou no Brasil, havia setores da</p><p>sociedade que continuavam resistindo à abolição. Diante do constrangimento de dizer que</p><p>o cativeiro devia continuar para sempre, os últimos senhores de escravos tentavam prolongar</p><p>ao máximo da vida dessa instituição, reivindicando uma abolição lenta, gradual e segura,</p><p>com indenização aos senhores, contratos de prestações de serviços ou aprovação de leis</p><p>contra a vagabundagem. Tudo para, caso a abolição se concretizasse, a hierarquia social não</p><p>fosse profundamente alterada.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UFRR 2017)</p><p>“ ...na cidade de Óbidos, em 11 de janeiro de 1854 [...] Raimunda, “24 anos de idade, crioula,</p><p>bem retinta, um tanto baixa, bem figurada, muito humilde” [...] estava fugida com seu</p><p>companheiro José Moisés, “de 26 anos de idade, cafuz bastante fornido do corpo, estatura</p><p>regular, mal-encarado, olhos pequenos, e fundos”. Os dois fugiram com a ajuda do forro</p><p>Antônio Maranhoto, natural do Maranhão que [...antes] “foi marinheiro de embarcação de</p><p>guerra”[...]. Em fevereiro de 1861, a escrava Benedita, “cafuza, natural de Óbidos, com falta</p><p>de dentes na frente, cabelos cacheados, cheia de corpo, cara risonha” fugiu na companhia</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>138</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>do soldado mulato Francisco Lima. Levou uma rede nova, um balaio e um baú de cedro</p><p>contendo “um par de chinela, um fio de conta de ouro, uma camisa de chita amarela, uma</p><p>saia de cambraia branca com três folhos e duas camisas brancas”. Em abril do mesmo ano, a</p><p>escrava Maria, “crioula retinta, magra, alta, olhos e beiços grandes” fugiu com Hipólito,</p><p>“crioulo bem retinto, barbado, falta de dentes na parte superior”. Maria e Hipólito fugiram</p><p>pouco tempo depois do falecimento de seu senhor Antônio Guerra, diretor de índios no rio</p><p>Madeira. A viúva pedia sua captura e ainda oferecia 100 mil réis de recompensa por cada</p><p>escravo.”</p><p>CAVALCANTI, Y.R.O; SAMPAIO, P.M. Histórias de Joaquinas, Mulheres, Escravidão e</p><p>Liberdade (Brasil, Amazonas: séc.XIX). Revista Afro-Ásia, 46. p.97-120. Disponível em <</p><p>http://www.scielo.br/pdf/afro/n46/a03n46.pdf></p><p>Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a escravidão negra no Brasil durante a</p><p>segunda metade do século XIX, é CORRETO afirmar:</p><p>A) A má influência masculina explica as fugas das mulheres escravas, pois o trabalho escravo</p><p>feminino era feito exclusivamente no interior das casas grandes, onde geralmente as negras</p><p>eram tratadas como parte da família;</p><p>B) O estado do Amazonas foi um dos primeiros a decidir pelo fim da escravidão e isso</p><p>aconteceu porque não havia mais escravos negros na região;</p><p>C) Em 1871, a Lei do Ventre Livre libertou milhares de filhos de escravos, diminuindo</p><p>consideravelmente as fugas de mulheres, como as apresentadas no texto;</p><p>D) Em 1850, pela Lei Euzébio de Queiroz, foi proibido o tráfico internacional e,</p><p>consequentemente, a importação de escravos, mas continuava sendo legal manter escravos</p><p>em cativeiro;</p><p>E) Embora submetidas ao trabalho compulsório, as mulheres no cativeiro recebiam especiais</p><p>cuidados e preocupação de seus senhores, por isso tinham liberdade plena para constituir e</p><p>manter laços familiares.</p><p>Comentários:</p><p>O texto mostra como os senhores viam seus escravos e como se procedia em casos de fuga.</p><p>Com base na escravidão negra no Brasil, assinalemos, portanto, a alternativa que condiz com o</p><p>excerto:</p><p>a) Incorreto. As fugas descritas no texto fazem parte do contexto da abolição da escravatura, que</p><p>ocorreu de maneira lenta e gradual no Brasil. Mesmo que vivessem dentro da Casa Grande, as</p><p>mulheres negras continuavam sendo escravas, e elas queriam sua liberdade. A partir da segunda</p><p>metade do século XIX, muitos escravos foram se libertando de diversas formas, alguns por meio</p><p>das leis, que ainda eram deficitárias ou pelas fugas, como as mencionadas acima.</p><p>b) Incorreto. O primeiro Estado a abolir a escravidão foi o Ceará. A Região Norte possuía escravos</p><p>negros, mesmo que pouco.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>139</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) Incorreto. A Lei do Ventre Livre, considerava os filhos das escravas livres, porém, sob algumas</p><p>condições. A criança teria os senhores de sua mãe como tutor até os 8 anos de idade, e quando</p><p>chegasse essa idade, os donos poderiam escolher se queriam receber uma remuneração oferecida</p><p>pelo Estado para libertá-lo ou se usaria os serviços do jovem até ele completar 21 anos. Na prática,</p><p>essa lei não ajudou muito e não impediu as mães escravas de fugirem com seus filhos.</p><p>d) Correto. No Brasil, após a promulgação dessa lei, o uso de escravos continuou mesmo que o</p><p>tráfico internacional tenha terminado. A partir desse momento o que ocorreu foi um fluxo</p><p>da mão-</p><p>de-obra negra do Nordeste para as regiões de lavouras de café no Sudeste brasileiro.</p><p>e) Incorreto. As mulheres negras não possuíam liberdade e isso fica evidente no excerto.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UFRR 2020)</p><p>Diversos projetos abolicionistas invadiram a cena política brasileira no último quarto do século XIX.</p><p>O de André Rebouças foi um dos mais radicais. Talvez, por isso, tenha acabado derrotado. [...]</p><p>Dedicado a compreender os mecanismos que emperravam o desenvolvimento do país, chegou à</p><p>conclusão de que vivíamos um bloqueio estrutural para a emergência de indivíduos livres. E que</p><p>a libertação dos escravos, por si só, não seria suficiente. (CARVALHO, Maria Alice Rezende de.</p><p>“Liberdade é terra”. In FIGUEIREDO, Luciano (org.). A era da escravidão. Rio de Janeiro: Sabin,</p><p>2009. (Coleção Revista de História no Bolso;3), p. 85). A trajetória e as ideias do engenheiro baiano</p><p>André Rebouças – mulato e filho de um relevante membro da elite política monárquica no Brasil</p><p>– demonstram a diversidade do movimento abolicionista no século XIX.</p><p>Sobre as lutas pela abolição do sistema escravocrata brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>A) A luta radical pela extinção imediata da escravidão, no século XIX, comprova a existência de</p><p>uma elite aristocrática abolicionista ligada à agro exportação cafeeira em permanente</p><p>enfrentamento com a Coroa brasileira, desde os tempos da assembleia constituinte de 1823.</p><p>B) A defesa da abolição da escravidão, da reforma agrária e da consequente transformação dos</p><p>ex-escravos em pequenos produtores rurais independentes comprova a presença de um ideário</p><p>modernizante nas lutas abolicionistas no Brasil.</p><p>C) O projeto de abolição radical, que compreendia a libertação dos escravizados, mas também a</p><p>democratização do acesso à terra, teve o apoio de setores da alta cúpula do Exército, a despeito</p><p>da manutenção do respeito hierárquico à função estatal de punir as fugas de escravizados no</p><p>Brasil.</p><p>D) A proposta de promoção da cidadania política plena aos ex-escravos acompanhou o debate</p><p>abolicionista brasileiro, atenuando, ao longo do século XIX, o crescimento das revoltas escravas e,</p><p>consequentemente, arrefecendo o preconceito racial no Brasil monárquico.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>140</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>E) A ala radical do movimento abolicionista consolidou a articulação de todos os senadores do</p><p>Império, ao defender a inserção dos ex-escravos na sociedade e a desobediência civil contra a</p><p>“Lei Saraiva-Cotegipe” aprovada pelo Parlamento brasileiro, na segunda metade do século XIX.</p><p>Comentários:</p><p>a) Incorreto. A elite brasileira ligada a agro exportação era escravista desde os tempos da</p><p>Independência do Brasil. O cenário só mudaria após a Guerra do Paraguai, no início dos anos de</p><p>1870.</p><p>b) Correto. O movimento abolicionista era formado não somente por ex-escravos, como também</p><p>por pessoas da classe média brasileira, que tinham ideias modernas de inserção dos negros na</p><p>sociedade, como André Rebouças.</p><p>c) Incorreto. Não houve um apoio dos militares com relação a democratização do acesso às terras</p><p>no Brasil. Muitos ex escravos ficaram a margem da sociedade e foram viver nas periferias das</p><p>cidades.</p><p>d) Incorreto. O preconceito racial é um problema estrutural da sociedade brasileira até hoje. Os</p><p>negros após a abolição da escravatura não foram inseridos nas atividades socioeconômicas e</p><p>políticas da sociedade, não podendo votar nas eleições presidenciais nem participar plenamente</p><p>dos trabalhos oferecidos no país. Nesse momento passou-se a utilizar a mão-de-obra imigrante.</p><p>Hoje, vemos o reflexo disso na desigualdade social que temos em no Brasil. Outro marcador dessa</p><p>negligência são os índices de violência, que mostram a população negra é a que mais sofre com</p><p>as perseguições policiais.</p><p>e) Incorreto. O movimento abolicionista radical não tinha tanta força e logo foi suprimido pelo</p><p>pensamento positivista militar, que proclamou a República em parceria com as elites oligárquicas.</p><p>Gabarito: B</p><p>(URCA 2018)</p><p>“A Proclamação da República no dia 15 de novembro de 1889 é, sem dúvida, um dos</p><p>acontecimentos significativos de nossa história. Feriado nacional festejado anualmente como uma</p><p>das datas cívicas mais importantes, o 15 de novembro se inscreve nos livros escolares e no</p><p>imaginário coletivo como um dos acontecimentos fundador do que somos, como um lugar de</p><p>memória” (NEVES, Margarida de Sousa. Os cenários da República. O Brasil na virada do século</p><p>XIX para o século XX. IN: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves O Brasil</p><p>Republicano: o tempo do liberalismo excludente. Da Proclamação da República à Revolução de</p><p>1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 26).</p><p>Sobre o advento da República no Brasil, assinale a alternativa correta:</p><p>A) A Hipótese de que a República tem sua origem no descontentamento de setores do Exército</p><p>desde ao fim da Guerra do Paraguai não se sustenta, tendo em vista que grupos das forças</p><p>armadas brasileiras têm participado de golpes contra a própria República, ao longo de sua história;</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>141</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>B) Ainda que seja possível identificar referências mais remotas, foi a partir do lançamento do</p><p>Manifesto Republicano, em 1870, defendendo a República, embora sem federação, que se</p><p>oficializou o republicanismo brasileiro;</p><p>C) A principal insatisfação dos Republicanos com a Monarquia foi manifestada no Congresso de</p><p>1877, quando o Imperador D. Pedro II resolveu estabelecer um Estado Federativo no Brasil;</p><p>D) Os cafeicultores escravistas formavam uma das principais bases de apoio da Monarquia, no</p><p>entanto, com a abolição da escravidão, muitos acabaram aderindo ao movimento republicano;</p><p>E) A adesão em massa da população brasileira ao movimento republicano fez com que a</p><p>Monarquia caísse de forma pacífica, salvo resistências localizadas sem maiores proporções.</p><p>Comentários:</p><p>A Proclamação da República está inserida dentro de um contexto nacional e internacional</p><p>do final do século XIX e início do Século XX. Entre as causas que culminaram na derrubada</p><p>da Monarquia, vejamos a correta:</p><p>a) Incorreta. A Guerra do Paraguai se transformou em um dos pivôs do descontentamento</p><p>do exército com a Monarquia, uma vez que após o conflito muitos passaram a defender o</p><p>movimento republicano positivista e o movimento abolicionista. Ademais, os golpes militares</p><p>nunca estiveram contra a República. Todos tinham caráter republicano, porém com</p><p>autoritarismo e a não promoção plena das Instituições Democráticas.</p><p>b) Incorreta. Pelo contrário, os líderes do manifesto eram a favor do federalismo.</p><p>c) Incorreta. A mesma resposta da alternativa acima, a proposição não condiz pois os</p><p>republicanos defendiam o Federalismo, enquanto a Monarquia o repudiava.</p><p>d) Correta. A República era uma questão de tempo. A escravidão se enfraquecia e alguns</p><p>grupos, visto as condições desfavoráveis, acabaram por aderir ao movimento republicano.</p><p>e) Incorreta. A adesão foi parcial, muitos populares gostavam da Monarquia e a maioria da</p><p>população não podia participar das decisões políticas do Estado. Então, os opositores ao</p><p>Impérios se concentraram entre os militares, religiosos e alguns setores da classe média</p><p>abolicionistas. Assim, como na Independência, o povo brasileiro foi excluído da passagem</p><p>da Monarquia para a República, sendo ela feita por militares.</p><p>Gabarito: D</p><p>(URCA 2018)</p><p>A fim de regulamentar a propriedade da terra de acordo com as novas necessidades</p><p>econômicas e os novos conceitos de terra e de trabalho, diversas leis importantes foram</p><p>decretadas em diferentes países durante o século XIX. No Brasil, a lei para este fim ficou</p><p>conhecida como a Lei de Terras de 1850, sobre a qual podemos corretamente afirmar:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares –</p><p>Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>142</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A) Proibia a aquisição de terras que não fosse exclusivamente pela posse ou doação feita</p><p>pela Coroa.</p><p>B) Determinava que todos aqueles que tinham adquirido a terra, nos anos precedentes à Lei,</p><p>por ocupação ou doação, perderiam a terra, ainda que tivessem como legalizá-las mediante</p><p>o pagamento de taxas cartoriais.</p><p>C) Limitou o tamanho das terras adquiridas pela ocupação que não poderia ser maior do que</p><p>a maior porção de terra doada no distrito em que se localizava.</p><p>D) Os produtos das vendas das terras públicas e das taxas de registro das propriedades</p><p>seriam utilizados para importar mão de obra escrava.</p><p>E) Se antes da lei, somente poderiam adquirir terras aqueles que tivessem condições de</p><p>explorá-las lucrativamente, com a lei, somente poderiam adquirir aqueles que prestassem</p><p>serviços à Coroa Imperial.</p><p>Comentários:</p><p>A Lei de Terras no Brasil, foi estabelecida em um contexto de expansão de imigrações</p><p>europeias para o território sul-americano. Em meio aos seus processos de unificação, na Alemanha</p><p>e Itália muitos camponeses foram expulsos de suas terras. Visto isso, encontraram na América do</p><p>Sul ambiente propicio para morarem. Porém, até esse período, não havia uma clara divisão das</p><p>terras públicas e privadas no país. Por isso, o Estado brasileiro viu a necessidade de regulamentar</p><p>e limitar as terras, devido a vinda de inúmeras famílias europeias para o país.</p><p>Então, sobre essa lei, olhemos a afirmação que explica seu funcionamento:</p><p>a) Incorreta. A concessão de terras desocupadas no Brasil estava sob a posse do Estado e só</p><p>poderiam ser adquiridas por meio da compra.</p><p>b) Incorreta. Todas as posses adquiridas após a independência (1822), assim como as sesmarias</p><p>concedidas ainda na época da colônia deveriam ser cadastradas nos Registros Paroquiais de Terras</p><p>para então serem demarcadas.</p><p>c) Correta. Essa foi uma forma de estabelecer um limite entre as terras públicas e privadas no</p><p>Brasil.</p><p>d) Incorreta. A partir da Lei de Terras de 1850, o Brasil não podia mais importar escravos de fora</p><p>do país.</p><p>e) Incorreta. Antes, as terras eram doadas pela Coroa. Não podia explorara-las sem o</p><p>consentimento do Estado Imperial.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A Lei Eusébio de Queirós, de 1850, proibiu o tráfico de escravos da África para o Brasil.</p><p>Estima-se que entravam no país, no período imediatamente anterior à Lei, 50 mil escravos</p><p>por ano. A proibição desse comércio</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>143</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(A) provocou desentendimentos e conflitos do governo brasileiro com o Parlamento inglês,</p><p>porque trouxe prejuízos monetários às companhias inglesas de comércio de escravos.</p><p>(B) precipitou a queda da monarquia brasileira, que perdeu o apoio político e o auxílio</p><p>econômico dos senhores de escravos do Norte e do Sul do país.</p><p>(C) liberou e disponibilizou capitais que foram aplicados em atividades industriais e de</p><p>transportes, de que é exemplo a Companhia de Navegação a Vapor do rio Amazonas.</p><p>(D) determinou o crescimento de cidades no país, porque favoreceu a libertação voluntária</p><p>dos escravos por seus senhores, que foram atingidos pela falta de mão de obra.</p><p>(E) dividiu geograficamente o país em duas regiões distintas, uma que explorava o trabalho</p><p>escravo e outra que estimulava o emprego do trabalho assalariado.</p><p>Comentários:</p><p>A Lei Eusébio de Queirós (1850) está inserida em um contexto de abolição da escravatura</p><p>em diversos países do mundo. Isso porque, durante o século XIX, o mundo passou para uma</p><p>segunda fase da Revolução Industrial, em que os países indústrias necessitavam de novos</p><p>mercados consumidores para comercializarem seus produtos. Dentre eles a Inglaterra, principal</p><p>economia do mundo e maior parceira comercial do Reino de Portugal, até aquele momento. A</p><p>coroa inglesa, mediante a esse contexto global então pressionou a portuguesa a abolir o tráfico</p><p>em suas colônias, porém de nada adiantou. Os escravos africanos continuaram chegando às</p><p>terras americanas. Até mesmo alguns acordos firmados entre os dois países antes e depois da</p><p>declaração de independência foram o suficiente para que essa atividade comercial parasse.</p><p>Muito se deve pela forma que se regia a economia no Brasil (baseada em produção agrária com</p><p>mão de obra escrava, indígena ou negra).</p><p>Todavia, em 1850, após diversas represálias do governo britânico, mesmo com a</p><p>resistência dos políticos brasileiros, o governo do Imperador D. Pedro III determinou a proibição</p><p>do tráfico negreiro no Brasil. Assim, a partir desse momento, o Império buscou combater de</p><p>maneira efetiva o comércio transatlântico de escravizados para o território brasileiro, sendo</p><p>criado um tribunal especial na Marinha para julgar os traficantes e reenviar os africanos</p><p>encontrados em portos e navios de volta para a África. Contudo, aqueles que fossem flagrados</p><p>comprando cativos contrabandeados – ou seja, os fazendeiros – seriam encaminhados para a</p><p>justiça comum, o que lhes dava maiores chances de serem anistiados.</p><p>Essa lei também não reverteu o status daqueles que foram ilegalmente escravizados</p><p>desde 1831, ano que ficou conhecido pela lei Feijó, que o governo brasileiro promulgou com</p><p>o intuito de acabar com o comércio dessa atividade, porém que não teve o menor rigor de ser</p><p>cumprida pelos donos de terra (apelidada como “lei para inglês ver”). Ou seja, garantia à classe</p><p>senhorial o direito à propriedade adquirida até o momento. Ademais, o combate à entrada de</p><p>navios negreiros a partir da Lei de 1850 influenciou a baixa oferta de mão de obra escrava no</p><p>território, e consequentemente, seu encarecimento. As áreas cafeeiras passaram a comprar</p><p>escravizados de outras regiões do país.</p><p>Com isso, olhemos as alternativas e vejamos qual está correta:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>144</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A) Incorreta. Como exposto nos comentários acima, essa era uma das mais reivindicadas</p><p>medidas cobradas pelo governo inglês ao brasileiro. Isso possibilitaria justamente que os</p><p>negócios britânicos impulsionados pela Revolução Industrial, pudessem ser expandidos</p><p>em terras brasileiras.</p><p>B) Incorreta. A monarquia brasileira só iria cair quase 50 anos depois, no ano de 1889.</p><p>Mesmo com o fim do tráfico, a escravidão interna ainda foi muito influente nos anos</p><p>seguintes, enquanto o movimento abolicionista ainda estava em estágio embrionário.</p><p>C) Correta. Pois a lei impulsionou uma política de imigração, impulsionada pelo governo</p><p>brasileiro, para que estrangeiros de diversas regiões do mundo viessem viver no Brasil.</p><p>Além disso, o fim do comércio de escravos possibilitou que fosse empregado e aplicado</p><p>capital financeiro na indústria e nos transportes. Um exemplo foi a criação da Companhia</p><p>de Navegação a Vapor do rio Amazonas, em 1850, como mencionado nessa alternativa.</p><p>D) Incorreta. A população negra ainda foi escravizada nas próximas quatro décadas. Mesmo</p><p>que o tráfico internacional tivesse diminuído drasticamente, o nacional aumentou, em</p><p>contrapartida.</p><p>E) Incorreta. Mesmo que em alguns territórios, especialmente ao Sul e Sudeste, devido ao</p><p>início de uma incipiente industrialização e venda de terras a estrangeiros imigrantes, isso</p><p>não foi o suficiente para dividir o país em dois territórios distintos, como o que ocorreu</p><p>nos Estados Unidos, após sua declaração de independência.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UEA – 2011)</p><p>Somos da América e queremos ser americanos. A nossa forma de governo é, em sua essência</p><p>e em sua prática, antinômica e hostil ao direito e aos interesses dos Estados americanos.</p><p>(Manifesto Republicano. Jornal A República, 03.12.1870.)</p><p>Segundo o trecho do Manifesto Republicano, o Brasil adotava, em 1870, uma forma de</p><p>governo que poderia ser um fator de</p><p>(A) expansão do caudilhismo nas repúblicas</p><p>americanas.</p><p>(B) fortalecimento da solidariedade continental.</p><p>(C) desestabilização política no continente.</p><p>(D) democratização política dos países fronteiriços.</p><p>(E) aproximação dos povos da América com as monarquias europeias.</p><p>Comentários:</p><p>Essa é uma questão sobre a Crise do Período Imperial. A partir de 1860, diversos</p><p>processos influenciaram para que algumas áreas da sociedade brasileira, de uma forma geral,</p><p>se tornassem contrária à Monarquia. Dentre as principais transformações sociais desse</p><p>momento estava o surgimento do sistema produtivo, bancário e financeiro. Elas foram</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>145</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>impulsionadas principalmente como reflexo do florescimento da produção cafeeira. Com o</p><p>desenvolvimento da economia do café, isso possibilitou a expansão das malhas ferroviária, e</p><p>com ela, a urbanização e o crescimento das cidades. Outro fator que contribuiu para que as</p><p>mudanças sociais acelerassem no Brasil, foi à proibição do tráfico de escravos, e o gradativo</p><p>aumento no movimento abolicionista e republicano.</p><p>Visto esses pontos, em uma perspectiva internacional, a expansão dos ideais liberais ao</p><p>longo da segunda metade do século XIX, em países como Estados Unidos, Inglaterra e França</p><p>teve efeito também no país. Os cafeicultores paulistas passaram a pressionar o Governo</p><p>Monárquico por modificações políticas e administrativas para que o Estado brasileiro se</p><p>adequasse ao dinamismo do mercado internacional. Esse grupo então fundou em 1873, em Itu,</p><p>o Partido Republicano Paulista. Este se caracterizou pela defesa de um liberalismo moderado</p><p>federalista. No Rio, as ideias republicanas se concentraram em um discurso radical e</p><p>democrático (mais parecido com o modelo francês), por parte da imprensa republicana</p><p>fluminense. Nisso está incluso esse manifesto de 1970, em que o excerto nitidamente</p><p>demonstra o seu posicionamento claro de oposição ao sistema de governo brasileiro, por</p><p>possuir práticas contraditórias e hostis aos interesses dos países americanos (maioria com</p><p>sistemas políticos republicanos). Além de ser excludente aos novos grupos sociais que passaram</p><p>a compor a sociedade brasileira.</p><p>Visto isso, a alternativa (C) está correta, pois devido o pensamento da Monarquia</p><p>Nacional Brasileira ser diferente do resto do continente, isso poderia causar situações de perigo</p><p>para a estabilidade política da região.</p><p>Gabarito: C</p><p>Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 168 e 167.</p><p>Quando as grandes secas de 1879-1880, 1889-1890, 1900-1901 flamejavam sobre os sertões</p><p>(...) e as cidades do litoral se enchiam em poucas semanas de uma população (...) de famintos</p><p>assombrosos, devorados das febres e das bexigas – a preocupação exclusiva dos poderes</p><p>públicos consistia no libertá-las quanto antes daquelas invasões de bárbaros moribundos que</p><p>infestavam o Brasil. Abarrotavam-se, às carreiras, os vapores, com aqueles fardos agitantes</p><p>(...) Mandavam-nos para a Amazônia – vastíssima, despovoada (...).</p><p>(Euclides da Cunha. Um clima caluniado, In À margem da história, 1909.)</p><p>(UEA – 2011)</p><p>O texto refere-se ao contingente populacional que foi empregado na extração da borracha</p><p>e que se submeteu na Amazônia</p><p>(A) às condições de melhoria de vida e, na maioria dos casos, de enriquecimento,</p><p>considerando que as seringueiras espalhavam-se pela floresta imensa e sem proprietários.</p><p>(B) a um regime de trabalho em que a mão de obra vivia endividada com o dono da</p><p>exploração, que lhe vendia os instrumentos de trabalho e os gêneros alimentícios.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>146</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(C) às dificuldades de sobrevivência em um ambiente hostil, embora contasse com assistência</p><p>médica gratuita e salários pagos pelo governo.</p><p>(D) a uma situação econômica semelhante a do interior do nordeste brasileiro, em que a</p><p>produção estava baseada nas pequenas propriedades e no trabalho familiar.</p><p>(E) a um processo de colonização pensado e planejado pelo Estado brasileiro, que tinha</p><p>como finalidade tomar posse do imenso território vazio da floresta.</p><p>Comentários:</p><p>O processo de migração para a Região Norte foi incentivado pelo Estado Brasileiro,</p><p>principalmente durante a segunda metade do século XIX e início do século XX. Ele se deu</p><p>devido ao avanço da produção industrial mundial, que necessitava de um material muito</p><p>encontrado na floresta amazônica, a borracha.</p><p>Porém, a Amazônia era um dos espaços nacionais menos povoados, por causa das</p><p>negligências e descasos dos governos tanto portugueses quanto brasileiros, com o território</p><p>até aquele momento. Então, uma forma que o Estado encontrou de impulsionar os negócios</p><p>da borracha no Vale Amazônico foi convidar diversas famílias pobres oriundas do sertão</p><p>nordestino para trabalhar nos seringais. O governo central inclusive chegou a investir em</p><p>propagandas e transporte para que nordestinos fugidos das secas trabalhassem na extração do</p><p>látex na Amazônia. Era prometido a eles uma vida de sucesso, enriquecimento e que</p><p>proporcionaria a esses viajantes voltarem para suas terras após certo tempo. Porém, o que</p><p>aconteceu na prática foi que o contingente populacional que migrou para o Norte, se tornou</p><p>escravo de um regime de trabalho baseado na exploração da força produtiva dessas pessoas,</p><p>em troca alimento, moradia e instrumentos para o exercício da profissão, oferecidos pelos</p><p>donos das plantações.</p><p>Baseado nisso, analisemos as alternativas:</p><p>A) Incorreto. Essa foi a visão prometida pelo governo brasileiro, mas que na realidade não</p><p>foi cumprida. O que aconteceu de fato foi exatamente o contrário dessa situação.</p><p>B) Correto. Como mencionado nos comentários, o endividamento foi um fator recorrente</p><p>na exploração da borracha da região, e muitos desses trabalhadores foram explorados</p><p>até que a morte os levasse, ou o momento que tentassem fugir das terras às quais</p><p>estavam ligados.</p><p>C) Incorreto. Não havia assistência médica gratuita nem salário bancado pelo Estado nessa</p><p>atividade econômica.</p><p>D) Incorreto. O trabalho produtivo não estava vinculado aos pequenos proprietários e à</p><p>família, e sim aos negócios internacionais e aos grandes donos de terra da região</p><p>amazônica.</p><p>E) Incorreto. O Ciclo da Borracha foi marcado por um crescimento produtivo e habitacional</p><p>da região Norte, porém não se caracterizou por um Projeto Nacional de Desenvolvimento</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>147</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>da região, com crises econômicas e sociais aflorando no território após o surto dessa</p><p>atividade.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A extração da borracha na área da floresta amazônica foi responsável pelo enriquecimento</p><p>e crescimento populacional de cidades como Manaus e Belém. O auge da exploração da</p><p>borracha amazônica liga-se à</p><p>(A) segunda revolução industrial, que empregou a borracha como importante matéria-prima.</p><p>(B) procura do produto pelos países capitalistas desenvolvidos, que participaram da primeira</p><p>guerra mundial.</p><p>(C) anexação pelo Brasil de territórios cobertos pela floresta tropical, que pertenciam a</p><p>pequenos países da América do Sul.</p><p>(D) concorrência da produção asiática, que exigiu dos empresários brasileiros uma diminuição</p><p>dos custos de produção.</p><p>(E) concentração das árvores nas vizinhanças dos portos de exportação, o que permitiu o</p><p>emprego de uma técnica sofisticada de extração do látex.</p><p>Comentários:</p><p>Como mencionado na questão anterior, a economia da Borracha estava intrinsecamente</p><p>ligada ao crescimento produtivo da indústria na Europa e Estados Unidos. A Revolução</p><p>Industrial, portanto, foi o ponto de partida da exploração do produto no Brasil. Em 1839, o</p><p>norte-americano Charles Goodyear se consagrou após desenvolver a vulcanização da</p><p>borracha (procedimento</p><p>que conferia ao produto grande elasticidade e resistência).</p><p>Décadas depois, a descoberta foi fundamental para o florescimento da indústria</p><p>automobilística no hemisfério norte, sendo o material empregado na fabricação de pneus.</p><p>Outros produtos também derivaram da manipulação do látex natural, como correias, solas</p><p>de sapato e brinquedos.</p><p>Com isso, a alternativa (A), “segunda revolução industrial, que empregou a borracha</p><p>como importante matéria-prima.” é a resposta correta para o desenvolvimento de Manaus,</p><p>Belém e de toda a região Norte.</p><p>Gabarito: A</p><p>Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 e 06.</p><p>José do Patrocínio, um dos mais importantes abolicionistas da história do Brasil, editava, em</p><p>1875, um jornal intitulado Os Ferrões. Na edição de 1.º de setembro de 1875, ele escreveu:</p><p>O governo formulou a lei de liberdade aos nascidos após este bendito dia [o dia 28 de</p><p>setembro de 1871], e pensando que nem só isto bastava, falou em criação de hospícios, em</p><p>remuneração aos senhores, em mil coisas enfim. Ora lá se vão quase quatro anos e o governo</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>148</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>está ainda com os braços cruzados. O que quer? (...) Quer que esses redimidos venham</p><p>desempenhar na sociedade simplesmente, naturalmente, graciosamente o papel de</p><p>consumidores de aguardente, mascadores de fumo e irmãos do santo ócio? Quebrar os</p><p>grilhões do cativeiro nada é, ficando intactos os não menos pesados grilhões da ignorância.</p><p>O escravo não se redimirá somente com a liberdade, é complemento dessa redenção – o</p><p>livro e a oficina.</p><p>(UEA – 2011)</p><p>De acordo com José do Patrocínio,</p><p>(A) a extinção da escravidão no Brasil atiraria os libertos a um estado de penúria econômica</p><p>e moral mais grave que o dos tempos da escravidão.</p><p>(B) a lei da liberdade aos nascidos teria sido o resultado de uma decisão política das elites</p><p>brancas, que não teve importância para os escravos.</p><p>(C) os libertos estariam condenados, juntamente com seus descendentes, a uma vida de</p><p>ignorância e miséria, independentemente das atitudes do governo.</p><p>(D) as leis abolicionistas que não fossem complementadas por medidas de caráter social e</p><p>cultural deixariam os antigos escravos em uma situação de marginalidade social.</p><p>(E) a rebelião armada dos escravos contra os seus dominadores seria o único caminho seguro</p><p>para sua efetiva e real libertação.</p><p>Comentários:</p><p>O excerto acima faz alusão a “Questão Abolicionista”, vivida na época final do Império</p><p>brasileiro. O escritor faz uma reflexão crítica às medidas tomadas pelo Governo Federal no</p><p>decorrer da década de 1870, em meio ao crescimento do Movimento Abolicionista. Em</p><p>específico, ele menciona a Lei do Ventre Livre, criada em 1871, e que garantia que aos nascidos,</p><p>(filhos de escravos) fossem livres. Porém, tanto essa, como outras leis criadas a partir da segunda</p><p>metade do século XIX, colecionaram uma característica em comum: eram criadas por homens</p><p>brancos e não tinham o intuito de tirar essa parte da população da marginalidade, e sim exclui-</p><p>la. Como Patrocínio menciona esse povo, formado por ex-escravos, não poderia se tornar</p><p>consumidor em uma sociedade racista, onde os negros não fossem inseridos no mercado de</p><p>trabalho, através de políticas públicas de caráter social.</p><p>Com base então nesses comentários, analisemos para as alternativas:</p><p>A) Incorreto. O trabalho escravo era desumano e o fim dele, mesmo que não significasse o</p><p>término do racismo e da segregação racial, significava uma pequena melhora nas</p><p>condições humanas dessa população marginalizada e subjugada.</p><p>B) Incorreto. Mesmo com suas contradições, como os senhores de escravos poderem</p><p>permanecer como tutor dos filhos dos seus escravos até os 21 anos, sendo obrigados a</p><p>libertá-los, sem receber indenização após esse período, ou libertá-los quando fizessem</p><p>oito anos de idade, e, nesse caso, os proprietários receberiam uma indenização de 600</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>149</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>mil-réis, essa lei foi importante para o avanço e crescimento do movimento abolicionista</p><p>no Brasil.</p><p>C) Incorreto. O autor defende que caso houvesse uma sensibilização do governo para com</p><p>essa população, eles poderiam ter uma vida digna, decente, sem miséria e com</p><p>liberdade.</p><p>D) Correto. O texto expressa o sentimento abolicionista de atitudes mais incisivas por parte</p><p>da Monarquia, para que os ex-escravos fossem inseridos na sociedade brasileira. Entre</p><p>elas, estavam transformações sociais e culturais radicais para que negro fosse inserido</p><p>no mercado de trabalho e não marginalizado.</p><p>E) Incorreto. Essa não foi uma proposta mencionada pelo escritor em seus manifestos.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UEA – 2011)</p><p>A Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel e que produziu, no dia 13 de maio de 1888, um</p><p>clima de alegria e festa na cidade do Rio de Janeiro,</p><p>(A) indenizou os proprietários de escravos.</p><p>(B) concedeu lotes de terra para os libertos.</p><p>(C) instituiu um feriado em homenagem a Zumbi dos Palmares.</p><p>(D) estabeleceu o ensino público e obrigatório no Brasil.</p><p>(E) decretou o fim da escravidão.</p><p>Comentários:</p><p>Essa é uma questão simples e fácil. A Lei Aurea, promulgada pela princesa Isabel, ao final</p><p>do século XIX, foi à última de uma série de leis que foram assinadas pela coroa brasileira,</p><p>durante a segunda metade do século XIX, e que garantiu o fim da escravidão no Brasil. Assim,</p><p>os poucos escravos que ainda existiam naquele momento, devido à gradativa política de</p><p>extinção dessa mão-de-obra, tiveram suas cartas de alforria assinadas, sem que os proprietários</p><p>tivessem qualquer indenização financeira. Porém, para a população negra não foi concedido</p><p>lotes de terras, fazendo com que estes se estabelecessem à margem da sociedade branca, nas</p><p>periferias das cidades.</p><p>Visto isso, olhando as alternativas, a resposta (A) e (B) não poderia ser. Além disso, a letra</p><p>(C) e (D) também não poderia ser por não ter qualquer relação com a criação dessa lei. Portanto,</p><p>a alternativa (E) “decretou o fim da escravidão.” é a resposta correta.</p><p>Gabarito: E</p><p>(UEA - 2012)</p><p>Os acordos e as discussões sobre a definição das fronteiras no sul do Brasil estenderam-se</p><p>do período colonial ao Brasil independente. Vários tratados, muitos deles não cumpridos,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>150</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>foram assinados entre Portugal e Espanha, visando estabelecer os limites entre as duas</p><p>possessões no estuário do rio da Prata. Com a Revolta dos Farrapos no Rio Grande do Sul,</p><p>entre 1835 e 1845, a questão das fronteiras na região voltou à ordem do dia, devido</p><p>(A) às relações políticas e militares dos revoltosos com os países do cone sul da América, em</p><p>particular, o Uruguai.</p><p>(B) à extinção da economia do charque gaúcho pelo governo brasileiro, apoiando, dessa</p><p>forma, a pecuária do Uruguai.</p><p>(C) à importância da economia gaúcha na pauta das exportações brasileiras e à ameaça de</p><p>anexação do Rio Grande do Sul pelos uruguaios.</p><p>(D) à intervenção militar da República Argentina no Sul do Brasil, visando garantir a República</p><p>Gaúcha.</p><p>(E) à união alfandegária estabelecida entre os governos da Argentina e do Uruguai com o</p><p>governo rebelde do Rio Grande do Sul.</p><p>Comentários:</p><p>Essa é uma questão regionalista. Trata-se de onde hoje conhecemos pelo Estado do Rio</p><p>Grande do Sul. Durante o período colonial, e posteriormente na época do Império, sem dúvida</p><p>essa foi uma das áreas mais conflituosas e importantes politicamente para os países integrantes</p><p>da Bacia do Rio da Prata (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Visto isso, as possessões dos</p><p>territórios cisplatinos diversas vezes trocaram de lado, ficando em primeiro momento dividido</p><p>entre Portugal e Espanha, e depois entre Brasil e Argentina.</p><p>Com isso, os moradores locais da</p><p>fronteira criaram um vínculo forte com castelhanos, mesmo após a declaração de independência</p><p>da República Oriental do Uruguai a dominação brasileira na região da Cisplatina.</p><p>Em paralelo a isso, por volta de 1835, na Província do Rio Grande do Sul, surgiu um</p><p>movimento liderado pela oligarquia local, formada por pecuaristas. Nele, os estancieiros</p><p>(grandes proprietários de terra dessa região) queriam melhores condições para o comércio de</p><p>gado e para o fortalecimento do charque (carne seca) no mercado brasileiro. Essa elite</p><p>reclamava da centralização do poder no Rio de Janeiro e das imposições desvantajosas feitas</p><p>pela coroa brasileira à compra desses produtos locais. Porém o Governo Central pouco ligou</p><p>para as exigências dos gaúchos, acarretando na Insurreição, que se chamou Revolta dos</p><p>Farrapos, e que começou com a deposição do presidente da Província, nomeado pelo Poder</p><p>Regencial.</p><p>Essa “Revolução”, chamada pelos revoltosos, tinha forte influência liberal e republicana, visto</p><p>a proximidade do espaço com o vizinho brasileiro recém-independente. Então, o líder</p><p>Farroupilha Bento Gonçalves da Silva (1788- 1847), filho de um rico proprietário de terra, invadiu</p><p>a cidade de Porto Alegre. Em setembro de 1836 o movimento proclamou a República de Piratini</p><p>e Bento Gonçalves foi declarado presidente. Porém, a coroa não permitiu isso, enviando para</p><p>ao local, tropas militares para reprimir os revoltosos. É interessante ressaltar, que em razão do</p><p>caráter elitista do conflito, essa repressão foi mais amena comparada a outras revoltas</p><p>regenciais mais populares. Por isso, o movimento durou anos e o desfecho foi por meio de uma</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>151</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>saída negociada, em um acordo ao estilo de um armistício. Nas cláusulas dessa trégua,</p><p>celebrada em 1845, o governo do Rio de Janeiro concordou em sobretaxar o charque</p><p>importado em 25%, como forma de estimular o charque gaúcho, e os farrapos foram anistiados.</p><p>Mediante a esse contexto, passemos a analisar as alternativas disponíveis na questão:</p><p>A) Correto. Devido se tratar de um território fronteiriço, as movimentações políticas e</p><p>militares eram grandes, ainda mais pelos interesses brasileiros ao controle da Bacia do</p><p>Rio da Prata.</p><p>B) Incorreto. Como mencionado, o Governo brasileiro assinou um acordo com os rio-</p><p>grandenses para que se mantivessem os negócios do charque com a coroa e as outras</p><p>províncias.</p><p>C) Incorreto. A economia gaúcha era praticamente para abastecimento do mercado interno</p><p>brasileiro, e não para exportação. Já a união da província com Uruguai era um risco que</p><p>poderia ter acontecido.</p><p>D) Incorreto. Não houve intervenção militar argentina na região.</p><p>E) Incorreto. Não houve uma união alfandegária com o Uruguai e a Argentina pelo Governo</p><p>Farroupilha.</p><p>Gabarito: A</p><p>(UEA - 2012)</p><p>A vitória do Brasil na Guerra do Paraguai (1864-1870) foi celebrada por obras de arte</p><p>encomendadas e patrocinadas pelo governo imperial. O mais conhecido pintor da época,</p><p>Pedro Américo, retratou a vitória do Conde D´Eu, genro do imperador, na batalha de Campo</p><p>Grande. Analisando o quadro de Pedro Américo, percebe-se que o artista</p><p>(A) fez uma crítica sutil aos comandantes brasileiros, pintando a sua falta de heroísmo e</p><p>insignificância na batalha.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>152</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>(B) considerou que as tropas brasileiras eram muito semelhantes às paraguaias na</p><p>indumentária e no equipamento bélico utilizado.</p><p>(C) expressou princípios da propaganda republicana brasileira, que argumentava que a</p><p>monarquia era uma flor exótica na América.</p><p>(D) representou os soldados brasileiros de maneira diversa e antagônica à dos paraguaios,</p><p>retratados como bárbaros e truculentos.</p><p>(E) exprimiu, paradoxalmente, pontos de vista contrários à violência militar, ao mesmo tempo</p><p>em que criou um novo gênero artístico, a pintura de batalha.</p><p>Comentários:</p><p>Essa é uma questão sobre o Brasil Império. Dela o importante de se entender é que foi</p><p>um conflito militar entre Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, envolvendo a expansão dos</p><p>paraguaios e interesses políticos brasileiros na Bacia do Rio da Prata (região de convergência</p><p>entre os rios Paraná, Paraguai e Uruguai). Desde a época da colônia essa era uma região de</p><p>intensas disputas territoriais por se tratar do local onde era escoado a prata vindo das minas de</p><p>Potosí na Bolívia. Porém essa briga se estendeu após a Independência das colônias americanas</p><p>também, gerando uma guerra entre Brasil e Uruguai, pela independência do vizinho que</p><p>originalmente era território brasileiro (a Província da Cisplatina).</p><p>Portanto, após esse conflito com a Independência completa dos uruguaios, dois partidos</p><p>lideraram a política local do país: os blancos (pecuaristas), que queriam a anexação do país a</p><p>Argentina, e os colorados (comerciantes), que eram favoráveis ao livre comércio na região e</p><p>contavam com o apoio do Brasil. Isso a partir de 1839 gerou uma guerra civil que contou com</p><p>o apoio tanto de argentinos quanto de brasileiros, e que durou até 1851.</p><p>Após essa disputa, o cenário político internacional só foi se alterar na região quando uma</p><p>inédita aliança de colorados com apoio de ambos os países vizinhos, derrotam o representante</p><p>blanco, que depois da derrota forma uma aliança com o Paraguai, que estava em uma notória</p><p>expansão territorial e desenvolvia a passos largos suas indústrias. Liderados pelo ditador Solano</p><p>Lopez, o Paraguai após a derrota dos seus aliados no Uruguai, decide invadir as terras brasileiras</p><p>e argentinas e declarar guerra aos seus vizinhos.</p><p>Isso gerou uma reação oposta ao que o general esperava, com uma formação de aliança</p><p>entre Brasil, Uruguai e Argentina, chamada de Tríplice Aliança, para derrotar os militares</p><p>paraguaios, que mesmo que em menor número, eram mais preparados que os exércitos dos</p><p>outros países da Bacia do Prata. Essa guerra durou 6 anos, e após ela, o país vizinho foi</p><p>devastado e dizimado quase que toda a população do país.</p><p>Assim, a partir dessa contextualização, olhemos a alternativa que melhor se encaixa com</p><p>o quadro:</p><p>A) Incorreto. O quadro de Pedro Américo, pelo contrário, tenta glorificar os comandantes</p><p>militares brasileiros nessa batalha, que saíram mais poderosos do que fracos, visto o sucesso do</p><p>Brasil de se perpetuar como principal força hegemônica na região.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>153</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>B) Incorreto. Nitidamente as roupas usadas pelas tropas brasileiras foram representadas de</p><p>maneira diferente pelas que usaram os paraguaios, para demonstrar o grau de superioridade</p><p>do exército do Brasil, perante o Paraguai.</p><p>C) Incorreto. Nesse momento o Brasil não possuía um movimento republicano forte até esse</p><p>conflito. Foi ele um dos grandes pivôs que fez o movimento republicano crescer, visto que os</p><p>soldados que lutaram na guerra e saíram vivos da batalha, tiveram suas cartas de alforria</p><p>assinadas, e no ano de 1870, era fundado o Partido Republicano Paulista, em Itu.</p><p>D) Correto. Pelas representações no quadro, percebe-se notoriamente o antagonismo</p><p>empregado por Américo em suas pinturas para passar a imagem gloriosa do exército brasileiro</p><p>em comparação a derrota humilhante dos bárbaros paraguaios.</p><p>E) Incorreto. Não exprimiu um ponto de vista contrário a violência militar e nem criou o gênero</p><p>artístico de batalha.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UECE 2020)</p><p>A queda do império no Brasil não se deu apenas por uma causa, mas por um acúmulo de</p><p>fatores. Analise os fatos apresentados a seguir e assinale o que NÃO corresponde a uma</p><p>causa para o fim da monarquia no Brasil.</p><p>A) Guerra de Canudos, ocorrida em uma comunidade rural no interior da Bahia, que</p><p>provocou</p><p>milhares de mortes e abalou a popularidade do império.</p><p>B) Movimento Abolicionista, que provocou o fim da escravidão no império, causando a ira</p><p>de muitos latifundiários escravistas.</p><p>C) Questão Militar, em que oficiais do exército brasileiro se opuseram à monarquia, o que</p><p>conduziu muitos militares aos quadros do movimento republicano.</p><p>D) Questão Religiosa, oriunda do choque entre a maçonaria, liderada pelo próprio</p><p>imperador, e clérigos da igreja católica, o que agravou a imagem da monarquia.</p><p>Comentários:</p><p>O Império Brasileiro durou de 1822 a 1889. O imperador D. Pedro II governou de 1840 a 1889 no</p><p>período que chamamos de Segundo-Reinado. A monarquia caiu ao final de seu governo, devido</p><p>a muitas questões que foram se aprofundando à medida que as demandas sociais do país iam se</p><p>alterando. Porém, as estruturas sociais do Império não se alteraram significativamente em um</p><p>primeiro momento. Sobre os fatores que contribuíram para a queda do Império no Brasil, vejamos</p><p>qual NÃO corresponde a este fato:</p><p>a) Incorreto. A Guerra de Canudos foi uma revolta do Período Republicano e não da época do</p><p>Brasil Império. Ela ocorreu entre 1896 e 1897.</p><p>b) Correto. O movimento abolicionista foi fundamental para o fim da escravidão no Brasil,</p><p>causando um incomodo entre as elites latifundiárias.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>154</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>c) Correto. O exército brasileiro possuía inúmeros ex-escravos libertos, por defenderem o país na</p><p>Guerra do Paraguai. Assim, boa parte deles se juntou ao movimento republicano e abolicionista.</p><p>D. Pedro II como resposta passou a perseguir inúmeros militares que se posicionavam contra as</p><p>ações da monarquia, causando uma cisão entre exército e o Imperador.</p><p>d) Correto. O Padroado e o Beneplácito aplicado pelo Imperador estava causando incomodo entre</p><p>os Bispos brasileiros, principalmente a partir de 1864 – na época a Igreja Católica tinha proibido</p><p>qualquer relação da Igreja com a Maçonaria. Porém, boa parte das elites do país, incluindo o</p><p>imperador eram maçons, e visto isso, D. Pedro mandou prender e fechar as Dioceses dos bispos</p><p>de Belém e Olinda. Isso causou um impasse entre a Igreja e a Monarquia.</p><p>Gabarito: A</p><p>(UECE 2020 - 4000159395)</p><p>Atente para o seguinte excerto a respeito da abolição da escravatura no Brasil:</p><p>“[…] a abolição da escravatura não eliminou o problema do negro. A opção pelo trabalhador</p><p>imigrante, nas áreas regionais mais dinâmicas da economia, e as escassas oportunidades</p><p>abertas ao ex-escravo, em outras áreas, resultaram em uma profunda desigualdade social da</p><p>população negra. Fruto em parte do preconceito, essa desigualdade acabou por reforçar o</p><p>próprio preconceito contra o negro. Sobretudo nas regiões de forte imigração, ele foi</p><p>considerado um ser inferior, perigoso, vadio e propenso ao crime; mas útil quando</p><p>subserviente”. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013, p. 169.</p><p>Considerando o processo histórico de abolição da escravatura no Brasil, é correto afirmar</p><p>que</p><p>A) foi, além de muito rápido, suficiente para acabar com o escravismo e logo inserir o ex-</p><p>escravo, de forma igualitária, nos diversos espaços da sociedade brasileira.</p><p>B) além de lento, considerando-se o lapso temporal entre a Lei Eusébio de Queirós, de cunho</p><p>abolicionista, de 1850, e a Lei Áurea, de 1888, não representou o fim da marginalização da</p><p>população negra.</p><p>C) o país, por ser pioneiro na abolição da escravatura, encontrou grande dificuldade, pois,</p><p>não havendo exemplos a serem seguidos, obrigou-se a construir seu próprio modelo de</p><p>inclusão social para os ex-escravos.</p><p>D) como nos EUA, onde os ex-escravos foram plenamente aceitos na sociedade por sua</p><p>capacidade de produção, os ex-escravos brasileiros também tiveram oportunidade de</p><p>ingressar no mercado de trabalho e experimentar chances iguais para vencer na vida.</p><p>Comentários:</p><p>O texto traz como enfoque a abolição da escravidão. Entre os pontos citados pelo autor,</p><p>ele aborda um preconceito racial muito forte no período imperial, inspirado em teorias racialistas</p><p>trazidas da Europa, as quais defendiam a superioridade da raça branca sobre outros povos. Em</p><p>1859 o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) publica o livro A Origem das Espécies,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>155</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>defendendo a teoria de que a evolução dos seres vivos se dava por meio de seleção natural,</p><p>processo no qual sobreviviam somente os exemplares mais fortes. Suas ideias acabaram</p><p>alimentando o surgimento de uma corrente de pensamento intitulada darwinismo social, que</p><p>utilizava o mesmo argumento para justificar a supremacia da Europa sobre os demais continentes.</p><p>No Brasil, intelectuais fizeram uso dessas ideias para justificar o atraso do país diante dos países</p><p>considerados “civilizados”, afinal, aqui o elemento europeu se encontrava em desvantagem frente</p><p>a um grande contingente de indígenas e africanos. Conhecemos essas teorias no Brasil como</p><p>Teoria do Embranquecimento. Assim, amparada por estas ideias de hierarquia entre raças,</p><p>políticos e pensadores do Império passaram a apoiar a entrada de imigrantes europeus a fim de</p><p>branquear a população, o que contribuiria para que fossem atingidos os mesmos padrões de</p><p>civilidade que os do “Velho Mundo” europeu.</p><p>Portanto, a questão negra e de racismo no Brasil é complexa e entre as características da abolição</p><p>da escravatura, vejamos a alternativa correta:</p><p>a) Incorreto. A afirmação está totalmente contrária ao que foi explicitado no texto. O excerto</p><p>começa com “a abolição da escravatura não eliminou o problema do negro” e a alternativa diz</p><p>que o processo foi “suficiente para acabar com o escravismo e logo inserir o ex-escravo, de forma</p><p>igualitária, nos diversos espaços da sociedade brasileira.”</p><p>b) Correto. Como bem explicado no escrito, a imigração estrangeira fez com que os ex-escravos</p><p>fossem colocados à margem das atividades econômicas mais importantes do país, causando uma</p><p>profunda desigualdade e um racismo estrutural marcante até hoje.</p><p>c) Incorreto. O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão e não criou um modelo de</p><p>inclusão social dos negros na sociedade brasileira.</p><p>d) Incorreto. Tanto no país, quanto nos EUA, os ex-escravos foram segregados do restante da</p><p>população e não tiveram a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, nem experimentar</p><p>chances iguais para viver.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UECE 2019)</p><p>Diversas características culturais marcaram o Brasil durante o Segundo Reinado (1840-1889),</p><p>dentre as quais destacou-se</p><p>a) a realização da Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, que</p><p>ocorreu em São Paulo e congregou grandes nomes do modernismo.</p><p>b) o surgimento de uma literatura que unia o lirismo à crítica social e ao realismo fantástico</p><p>e que tinha em Jorge Amado e Dias Gomes seus grandes ícones.</p><p>c) o aparecimento de grupos teatrais como o Oficina e o Arena, que davam ênfase aos</p><p>autores nacionais e usavam a arte para criticar a situação do País.</p><p>d) o predomínio de uma literatura de construção da identidade nacional, como o romantismo</p><p>indianista de José de Alencar e Gonçalves Dias</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>156</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Comentários</p><p>A – errada, a Semana da Arte Moderna ocorreu em 1922, ou seja, durante a República Velha, fora</p><p>do contexto do Segundo Reinado.</p><p>B – Realismo fantástico, Jorge Amado e Dias Gomes pertencem a meados do século XX em diante.</p><p>C – Os teatros Oficina (São Paulo) e Arena surgiram no contexto da virada da década de 1950</p><p>para 1960, até hoje são atuantes. O Oficina ganhou grandes projeções em meio ao movimento</p><p>tropicalismo, em 1967 o espetáculo “O Rei da Vela” fez grande sucesso. Em suma, bem longe do</p><p>Segundo Reinado.</p><p>D – Bingo, vimos esses aspectos na parte teórica da aula.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UECE 2018)</p><p>O processo que conduziu à abolição da escravidão no Brasil e que contou com a atuação de</p><p>nomes como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Luís Gama, Castro Alves, Rui Barbosa e</p><p>muitos outros intelectuais teve seu desenlace com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio</p><p>de 1888; contudo, conforme o excerto a seguir, muitos veem esse processo como inacabado.</p><p>“Conservadora e curta, com pouco mais de duas linhas, a Lei nº 3.353, a chamada Lei Áurea,</p><p>decretou, no dia 13 de maio de 1888, o fim legal da escravidão no Brasil. Mas se a escravidão</p><p>teve seu fim do ponto de vista formal e legal há 130 anos, a dimensão social e política está</p><p>inacabada até os dias atuais. Essa é a principal crítica de estudiosos e militantes dos</p><p>movimentos negros à celebração do 13 de maio como o dia do fim da escravatura”.</p><p>GONÇALVES, Juliana. 130 anos de abolição inacabada. Brasil de fato. Acessível em:</p><p>https://www.brasildefato.com.br/2018/05/13/130-anosde-uma-abolicao-inacabada/acesso</p><p>em 05/07/2018.</p><p>Em relação ao fim da escravidão no Brasil, na perspectiva do trecho acima, pode-se afirmar</p><p>corretamente que</p><p>a) atrasou o estabelecimento de um governo republicano que inserisse a população</p><p>afrodescendente na sociedade brasileira com igualdades de condições aos demais grupos,</p><p>o que só correu no Estado Novo em 1937.</p><p>b) por ter sido muito tardio, proporcionou condições para uma adequada inserção da</p><p>população de ex-escravos na sociedade brasileira na condição de proprietária das terras a</p><p>ela destinadas pelo governo.</p><p>C) apressou a queda do já combalido sistema monárquico e sua substituição por uma</p><p>república em 15 de novembro de 1889, mas não criou condições necessárias para a plena</p><p>integração dos libertos na sociedade brasileira.</p><p>D) ocorreu exclusivamente pelo interesse da monarquia em angariar o apoio do movimento</p><p>abolicionista, que era muito popular junto à população, e em se opor aos seus rivais</p><p>tradicionais, os latifundiários e os militares.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>157</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Comentários</p><p>A crítica sintetizada no trecho do enunciado da questão é no sentido do descaso com os negros</p><p>libertos e da exclusão deles, após 1888. Há, portanto, uma crítica à falta de política de integração</p><p>do ex-escravo. O movimento abolicionista também deve ser compreendido à luz do processo de</p><p>instauração da República. A luta pela liberdade dos negros ao mesmo tempo que se alimentava</p><p>do ideário republicano, também contribuía para fortalecê-lo. Isso porque, o sistema escravista</p><p>estava personificado no governo Imperial o qual representava a continuidade das relações sociais</p><p>do Brasil colônia. Diante disso, nosso gabarito é a letra C.</p><p>A – está errado disposto nessa alternativa, pois, logo após a Lei Áurea, em 1888, veio a</p><p>proclamação da República, em 1889. Além disso, até os dias atuais, não há igualdades materiais</p><p>de condições de vida. É um exagero afirmar que essa igualdade foi conquistada a partir do período</p><p>ditatorial (Estado Novo) de Getúlio Vargas.</p><p>B – utopia, os negros libertos foram deixados de lado, seja pelos ex-proprietários, seja pelo</p><p>governo, seja pela elite brasileira. Apenas após a Constituição de 1988 foi iniciado um processo</p><p>gradual de políticas públicas de combate ao racismo.</p><p>C – Bingo.</p><p>D – O movimento abolicionista, somado às resistências e lutas dos escravos ao longo da história</p><p>do Brasil, são diferentes variáveis que contribuíram para a abolição da escravatura. Soma-se a isso</p><p>a pressão internacional da Inglaterra. Dessa forma, é errado afirmar que o fim da escravidão</p><p>ocorreu exclusivamente por interesse da monarquia.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UECE 2017)</p><p>Atente aos dois excertos a seguir que tratam da legislação eleitoral durante o período</p><p>imperial no Brasil. O primeiro diz respeito às alterações promovidas no sistema eleitoral do</p><p>Império pela Lei Nº 387 de 19 de agosto de 1846, e o segundo apresenta o artigo 2º do</p><p>Decreto Nº 2.675 de 20 de outubro de 1875, que reformava a legislação eleitoral: “De acordo</p><p>com a legislação eleitoral do período, as faixas mínimas de rendas estabelecidas para</p><p>participação no pleito eram as seguintes:</p><p>a) 200$000 para ser eleitor de primeiro grau;</p><p>b) 400$000 para ser eleitor de segundo grau, candidatar-se a Juiz de Paz e candidatar-se a</p><p>vereador;</p><p>c) 800$000 para candidatar-se a deputado;</p><p>d) 1.600$000 para candidatar-se a senador.”;</p><p>FARIA, Vanessa Silva de. Eleições no Império: considerações sobre representação política</p><p>no segundo reinado. on-line. XXVII Simpósio nacional ANPUH. Natal, 2013 p. 2. Disponível</p><p>em: www.snh2013.anpuh.org/resources/.../1364925577_ARQUIVO_artigoanpuh2013. pdf</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>158</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>“Art. 2º O Ministro do Imperio fixará o numero de eleitores de cada parochia sobre a base</p><p>do recenseamento da população e na razão de um eleitor por 400 habitantes de qualquer</p><p>sexo ou condição, com a unica excepção dos subditos de outros Estados. Havendo sobre o</p><p>multiplo de 400 número excedente de 200, accrescerá mais um eleitor”.</p><p>Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto2675-20-</p><p>outubro-1875-549763-publicacaooriginal-65281-pl.html</p><p>Com base nos textos acima, pode-se concluir acertadamente que durante o Império</p><p>a) havia limitações à participação popular no processo eleitoral.</p><p>b) havia uma representatividade muito maior do que a atual, pois um a cada quatrocentos</p><p>habitantes podia votar como eleitor de primeira.</p><p>c) o sistema de colégio eleitoral fazia com que o eleitor de primeira pudesse escolher o chefe</p><p>do executivo provincial e do executivo imperial.</p><p>d) apesar da limitação no número de eleitores, o acesso da população à candidatura era bem</p><p>mais fácil.</p><p>Comentários</p><p>Apesar de existirem eleições durante o Brasil Império, elas eram limitadas, ou seja, poucas pessoas</p><p>participavam das votações. Isso porque o voto era censitário, conforme a renda, tal como expresso</p><p>no enunciado da questão. Com isso, a maioria da população ficava fora do processo eleitoral.</p><p>Gabarito letra A, B e D, erradas por exclusão. Ressalto, também, uma observação sobre a</p><p>alternativa C. Ela sugere que o voto era direto, ou seja, os eleitores votavam diretamente no</p><p>representante que iria ocupar o cargo no Executivo. Contudo, havia níveis diferentes de votação,</p><p>de modo que predominava a eleição indireta.</p><p>Gabarito: A</p><p>(UECE 2017)</p><p>O Brasil foi o último país da América a acabar, oficialmente, com a escravidão em seu</p><p>território. Apesar do pioneirismo das províncias do Ceará e do Amazonas, que aboliram a</p><p>escravidão em 1884, o processo que levou até a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de</p><p>1888, teve início com a Lei Eusébio de Queirós, de 4 de setembro de 1850, que proibia o</p><p>tráfico de escravos para o Brasil. Atente ao que diz o Professor Antonio Torres Montenegro</p><p>a esse respeito: “Com o passar dos anos, vai-se tornando evidente que a extinção do tráfico</p><p>de escravos, por si, não é suficiente para garantir um fim próximo para a escravidão. Existia,</p><p>agora, o comércio de escravos entre as províncias, que começava a gerar outros problemas.</p><p>Isso porque as províncias do Norte e Nordeste passaram a vender grandes quantidades de</p><p>escravos para o Sul e Sudeste. [...] O Norte e o Nordeste passam, então, a adotar,</p><p>crescentemente, o trabalho livre, tornando-se aos poucos, mais flexíveis em relação a um</p><p>prazo imediato para o fim da escravidão do que o Sul, que tinha acabado de realizar um</p><p>grande investimento na compra de escravos”.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>159</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>MONTENEGRO, Antonio Torres. Reinventando a liberdade: A abolição da escravatura no</p><p>Brasil. 9ª ed. São Paulo: Atual,</p><p>1989, p. 9-10.</p><p>De acordo com o texto acima, pode-se concluir acertadamente que</p><p>a) a partir da edição da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibia o tráfico de escravos</p><p>para o Brasil, garantiu-se o fim do comércio de escravos no país.</p><p>b) o comércio interprovincial de escravos favoreceu a que as províncias do Ceará e do</p><p>Amazonas abolissem a escravidão ainda em 1884, cerca de 4 anos antes da assinatura da Lei</p><p>Áurea.</p><p>c) no Sul e Sudeste, em virtude da compra de escravos das províncias do Norte e Nordeste,</p><p>surgiu um movimento de apoio à abolição por parte dos grandes latifundiários cafeicultores.</p><p>d) o fim da escravidão no Brasil foi um processo demorado porque apenas questões étnicas</p><p>impediam a realização da abolição.</p><p>Comentários</p><p>A – a partir do disposto no texto do enunciado, percebemos que o comércio de escravos</p><p>continuou, ou seja, alternativa errada.</p><p>B – perfeita análise. Com a diminuição de escravos oriundos da África, em função da proibição</p><p>estabelecida pela Lei Eusébio de Queiroz, o comércio escravagista entre as províncias do Império</p><p>foi estimulado. Como a economia do sudeste (café) demandava mais escravos, os senhores</p><p>proprietários do norte e nordeste passaram a vender seus escravos para as regiões mais</p><p>economicamente mais dinâmicas do Império. Assim, exigiu-se mais rapidamente o emprego de</p><p>mão de obra livre no norte e nordeste do Brasil. Tal fato contribui para acelerar a abolição nas</p><p>províncias dessas regiões.</p><p>C – errado, o movimento abolicionista não contou com apoio dos cafeicultores.</p><p>D – não, a estrutura escravista brasileira, desde os tempos coloniais, foi difícil de ser superada.</p><p>Nessa estrutura, podemos influir aspectos da dependência da mão de obra escrava, da cultura</p><p>racista que se formou, das relações sociais estabelecidas, etc. Por isso, muitos aspectos</p><p>contribuíram para retardar a abolição da escravidão no Brasil. A rigor, a questão étnica é um dos</p><p>menores empecilhos, pois a elite branca não estava preocupada nas divisões entre os africanos e</p><p>seus descendentes.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UECE 2016)</p><p>Em 1850, ano de extinção oficial do tráfico de escravos no Brasil, foi votada a Lei de Terras.</p><p>Esta lei, em linhas gerais, determinou que</p><p>I. todo proprietário registrasse suas terras, ficando proibida a doação de propriedades ou</p><p>qualquer outra forma de aquisição de bens fundiários, a não ser por meio da compra.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>160</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>II. se mantivesse o alto custo do registro imobiliário, impedindo que os posseiros mais</p><p>pobres obtivessem a propriedade do solo onde plantavam.</p><p>III. ficasse assegurado o direito dos imigrantes ― cujo trabalho, em muitos casos, substituiria</p><p>o trabalho dos escravos ― de se tornarem proprietários das terras onde laboravam.</p><p>IV. fossem possíveis a aquisição e a posse de terras públicas, a baixo custo, pelos grandes</p><p>proprietários, seus herdeiros e descendentes.</p><p>Estão corretas as complementações contidas em</p><p>a) I, II, III e IV.</p><p>b) I e II apenas.</p><p>c) II, III e IV apenas.</p><p>d) I, III e IV apenas.</p><p>Comentários</p><p>Essa questão tem um ou outro item mais difícil, como o II. Por isso, vamos analisar os mais fáceis</p><p>e, depois, eliminamos. OK?</p><p>III – A Lei de Terras, de 1850, favorecia os grandes proprietários e praticamente inviabilizou a</p><p>possibilidade de comprar pelos imigrantes. Grandes fazendeiros e políticos latifundiários também</p><p>se anteciparam nas compras a fim de impedir que negros, tão logo chegasse à abolição, pudessem</p><p>se tornar donos de terras. Lembro também que só poderiam adquirir terras por compra e venda</p><p>ou por doação do Estado. Não seria mais permitido obter terras por meio de posse, o chamado</p><p>usucapião. Aqueles que já ocupavam algum lote receberam o título de proprietário. A única</p><p>exigência era residir e produzir nesta localidade. Logo essa afirmação está errada. Com isso,</p><p>repare, já mataríamos a questão.</p><p>IV – baixo custo? Não, a lei não determinou aspectos em torno do preço. Pelo contrário, a</p><p>regulamentação de um sistema de compra e venda, juntamente com a concentração de terras nas</p><p>mãos dos grandes proprietários, fez com que o valor das terras passasse a ser alto.</p><p>Diante dessas considerações, o que se afirma nos itens I e II está certo.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UECE 2016)</p><p>Atente às seguintes afirmações acerca do momento histórico brasileiro conhecido como</p><p>Segundo Reinado:</p><p>I. Esse período, no primeiro momento, constituiu a luta a favor da permanência da</p><p>monarquia, sob a égide de Pedro I.</p><p>II. A crise interna do sistema escravista, aliada aos vários conflitos e revoltas internas</p><p>observados durante esse período, contribuíram para por fim ao Segundo Reinado.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>161</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>III. O final do Segundo Reinado representou o fim do período Imperial no Brasil e o início do</p><p>sistema republicano.</p><p>É correto o que se afirma somente em</p><p>e) I e II.</p><p>f) I e III.</p><p>g) II.</p><p>h) III.</p><p>Comentários</p><p>I – fácil eliminarmos essa afirmação. No Segundo Reinado, o Imperador era D. Pedro II.</p><p>II – em termos de quantidade de revoltas, o Período Regencial contou com um maior número do</p><p>que no momento do Segundo Reinado. A rigor, D. Pedro II conseguiu certa habilidade política</p><p>para distensionar diversos focos de insatisfação: em relação às elites, ele promoveu uma</p><p>alternância de poderes entre liberais e conservadores; em relação ao movimento abolicionista,</p><p>apesar dos protestos, das campanhas de rua, D. Pedro II foi gradualmente construindo e apoiando</p><p>saídas jurídicas que levassem ao fim da escravidão. Dessa forma, não é correto afirmar que as</p><p>revoltas internas estiveram diretamente relacionadas ao fim do 2º Reinado.</p><p>III – afirmação correta.</p><p>Repare que, mesmo que ficassemos em dúvidas em torno do item II, chegaríamos ao gabarito,</p><p>pois não há alterantivas para considerar o item II e III corretos. Ainda bem que a prova só foi até</p><p>a letra D, pois se tivessse um espaço para a letra E, aí sim o examinador colocaria II e III, muita</p><p>gente erraria essa questão. Vamos que vamos!!!!</p><p>Gabarito: D</p><p>(UECE 2015)</p><p>Atente para as afirmações a seguir, acerca do Processo de Abolição dos Escravos no Brasil,</p><p>e assinale com V as afirmações verdadeiras e com F, as falsas.</p><p>( ) Em 1850, o Brasil foi levado a extinguir o tráfico internacional, porém, surgiu o tráfico</p><p>interno com a venda de escravos das áreas mais pobres para as mais desenvolvidas.</p><p>( ) Nesse processo, algumas leis foram aprovadas com o objetivo de acalmar os abolicionistas</p><p>e ir lenta e gradualmente extinguindo a escravidão, quais sejam: Lei do Ventre Livre, Lei do</p><p>Sexagenário.</p><p>( ) Nesse movimento não se tem notícias de insurreições ou ações dos próprios escravos em</p><p>prol da própria liberdade, em virtude da forte repressão presenciada nos últimos momentos</p><p>do período escravocrata.</p><p>( ) A abolição da escravatura se deu ainda no Reinado de D. Pedro II e representou um grande</p><p>avanço para a inserção do ex-escravo como cidadão na sociedade brasileira.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>162</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A sequência correta, de cima para baixo, é:</p><p>a) V, V, V, F.</p><p>b) V, V, F, F.</p><p>c) F, V, F, V.</p><p>d) F, F, F, V.</p><p>Comentários</p><p>I – o disposto nesta frase faz referência à Lei Eusébio de Queiroz, a qual determinou o fim do</p><p>comércio escravista intercontinental. A partir desse momento, o comércio de escravos dentro</p><p>do Império brasileiro passou a ser estimulado. Em particular, as províncias do Norte e Nordeste</p><p>do país passaram a vender escravos para os fazendeiros de café do sudeste.</p><p>II – verdade. Por sinal, a estratégia do Império, segundo a visão de D. Pedro II, era estabelecer</p><p>um processo gradual (aos poucos) até se chegar à abolição completa da escravidão. Para tanto,</p><p>antes</p><p>e para as quais também contribuíram – auxiliando ainda</p><p>no processo de assimilação e popularização de novos materiais e técnicas construtivas, que</p><p>transformaram a arquitetura e as cidades brasileiras. Assim, ao levar até os confins do país</p><p>referências industriais, conceitos e hábitos modernos, as ferrovias e sua arquitetura foram parte</p><p>4 Um século de estradas de ferro arquiteturas das ferrovias no brasil entre 1852 e 1957. Tese de</p><p>doutorado. Universidade de Brasília, 2013, p. 09. Disponível em:</p><p>http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/texto_especializado_anna_finger_tese_doutorado_com_</p><p>capa.pdf. Acesso em 14-10-2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>17</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>10 fundamental no processo de transformação socioeconômica, cultural e geográfica pelas quais</p><p>o país passou a partir de meados do século XIX.</p><p>Além disso, há outros elementos que marcam essa modernização do Brasil:</p><p>➢ Iluminação de rua, bondes, bancos, teatros.</p><p>➢ Surgimento de pequenas indústrias alimentícias, de tecidos, de vestuário, entre</p><p>outras.</p><p>➢ Proibição do comércio escravagista, com a Lei Eusébio de Queiroz de 1850.</p><p>➢ Intensificação da atividade migratória.</p><p>O café e o cenário de expansão econômica capitalista mundial favoreceram e</p><p>impulsionaram esse processo de modernização. Guarde isso!</p><p>2.1 - O CAFÉ COMO EIXO ECONÔMICO DO PAÍS</p><p>Os primeiros grãos de café foram introduzidos no Brasil pelo tenente-coronel Francisco de</p><p>Melo Palheta, no atual estado do Pará, por volta de 1727. Pouco tempo depois, o vegetal foi</p><p>levado para o Rio de Janeiro, província onde encontra condições climáticas favoráveis para sua</p><p>rápida expansão, em especial no Vale do Paraíba, que também abrangia Minas Gerais e São Paulo.</p><p>Dessa maneira, já em 1830 o Brasil alcançava o posto de maior produtor mundial, desbancando</p><p>Cuba, Jamaica e o Haiti, seus principais concorrentes no período.</p><p>Baseada no sistema de plantation, ou seja, na tríade monocultura, latifúndio e escravidão,</p><p>a produção de café nesta região chegou a representar 52,2% das exportações do país entre 1876</p><p>e 1880.</p><p>Nesse início da produção, no Brasil, depois da colheita manual do grão, os escravizados</p><p>secavam os grãos nos terreiros, e depois os beneficiavam – ou seja, retirava o revestimento – com</p><p>os monjolos, instrumento de madeira composto por pilões movidos com força d’água. Depois de</p><p>ensacados, tropas de mulas eram utilizadas para o escoamento do produto, sistema que se</p><p>mostrava eficaz dado o seu baixo custo e proximidade com a região portuária. Nos portos as sacas</p><p>eram entregues aos “comissários”, que além de exportarem o produto também forneciam</p><p>empréstimos aos cafeicultores e importavam outras mercadorias para o Brasil.</p><p>Conforme o hábito de consumir café conquistava os paladares da Europa e dos Estados</p><p>Unidos, o cultivo do grão também se expandia para outras regiões, em especial a do Oeste</p><p>Paulista. Observe na tabela a seguir que a região do Oeste Paulista foi, progressivamente,</p><p>ocupando o lugar de maior produtor de café.</p><p>Após 1850, com a dificuldade para obtenção de mão-de-obra escrava (devido à proibição</p><p>do tráfico negreiro com a Lei Eusébio de Queiróz que veremos adiante), a produção do Vale do</p><p>Paraíba entrou em declínio. Outros dois fatores também contribuíram para isso: o esgotamento</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>18</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>de terras cultiváveis na região e o envelhecimento dos cafezais, que geralmente rendiam colheitas</p><p>produtivas por 15 anos.</p><p>5</p><p>Mais distante dos portos do Rio de Janeiro e de Santos (SP), os “barões do café” do Oeste</p><p>Paulista julgaram necessário o aperfeiçoamento do transporte para evitar o aumento do preço de</p><p>seu produto.</p><p>5 Figura 4 – A expansão cafeeira em São Paulo. Fonte: ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico.</p><p>São Paulo: Ática, 2008. p. 43.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>19</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Com empréstimos de bancos estrangeiros, principalmente ingleses, foram instaladas</p><p>ferrovias no país a partir de 1852. A primeira delas, contando com 14 km de extensão, foi criada</p><p>por Irineu Evangelista de Souza, posteriormente conhecido pelos títulos de Barão e Visconde de</p><p>Mauá. Juntamente a outros poucos empreendedores do Segundo Reinado, o empresário apostou</p><p>na modernização da economia ao investir em áreas diversas, incluindo o comércio, indústria,</p><p>companhias de navegação e bancos.</p><p>Em pouco mais de 30 anos o Império passaria a contar com 10 mil quilômetros de ferrovias,</p><p>o que também beneficiava outras atividades econômicas, como a agropecuária e a mineração.</p><p>Dessa forma, o Brasil viveu um surto industrial entre as décadas de 1840 e 1870, que alguns</p><p>historiadores denominaram como Era Mauá.</p><p>O cenário urbano muda. Cidades ganham destaque ao longo dessas ferrovias: Jundiaí,</p><p>Campinas, Araraquara, Ribeirão Preto, e São José do rio Preto.</p><p>Os lucros auferidos com a “empresa” cafeeira” possibilitaram a recuperação econômica e</p><p>do Brasil e foram a base de sustentação de investimento em outras áreas.</p><p>Além disso, a criação de um novo produto econômico com enorme repercussão na</p><p>economia acabou por gerar impactos na política:</p><p>Formação de um novo grupo: a aristocracia cafeeira.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>20</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Formação de um novo centro político-econômico: São Paulo.6</p><p>2.2 - TRANSFORMAÇÕES DO TRABALHO: FIM DA ESCRAVIDÃO E IMIGRAÇÃO</p><p>Desde a Independência, a Inglaterra exercia enorme pressão sobre o Brasil para que se</p><p>colocasse fim ao comércio escravista.</p><p>Em 1831, fez-se uma lei que determinava a libertação das pessoas trazidas da África como</p><p>escravas. Porém, sem muita eficácia prática. Anos depois, o próprio autor da lei, o marquês de</p><p>Barbacena, chegou a propor a revogação, em 1837, por meio de um novo projeto. Esse projeto</p><p>de lei pretendia livrar os compradores de escravos de qualquer punição. Essa lei não saiu do papel</p><p>e virou “lei para inglês ver”. De toda forma, essas ações legais respondiam à pressão inglesa.</p><p>A continuidade do comércio ilegal de cativos fez a Inglaterra pressionar o Império brasileiro</p><p>através de apreensões de navios nos anos seguintes, gerando uma reação antibritânica de</p><p>6 Atlas Histórico do Brasil. https://atlas.fgv.br/marcos/expansao-economica/mapas/cafe-e-estradas-de-</p><p>ferro. Acesso em 15-10-2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>21</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>populares, da imprensa e de boa parte da classe política no Rio de Janeiro, o que acabou por</p><p>beneficiar a continuidade do tráfico. Embora boa parte dos políticos reconhecesse a escravidão</p><p>como uma prática “infame”, questionava a ameaça à soberania nacional pela pressão dos ingleses</p><p>e o impacto econômico que o fim do tráfico geraria para o país.</p><p>Em 1844, com o esgotamento da validade dos acordos comerciais que favoreciam a entrada</p><p>de produtos estrangeiros no país, com baixas tarifas alfandegárias, o então ministro da Fazenda,</p><p>Manuel Alves Branco, aprovou um reajuste visando o aumento da arrecadação do Estado brasileiro</p><p>e o favorecimento da indústria nacional. Essa medida ficou conhecida como “Tarifa Alves Branco”,</p><p>Essa situação gerou reações do governo inglês que, em represália, aprovou a Lei Aberdeen</p><p>em 1845. Por meio dela se legalizou a captura de navios negreiros no Atlântico pela Marinha</p><p>britânica. Naquele momento, Cuba e Brasil eram os únicos países do Ocidente que sustentavam</p><p>o tráfico, o que aumentava a pressão internacional para o banimento da prática.</p><p>Depois de tanta pressão e conflitos, em</p><p>de 1888, determinadas legislações foram implementadas com o intuito de tornar os</p><p>escravizados libertos.</p><p>IIII – o movimento abolicionista contou com a participação dos negros sim. Falsa.</p><p>IV – também é falsa, pois não houve um processo de integração, ou mesmo reparação, dos</p><p>negros à sociedade brasileira.</p><p>Gabarito: B</p><p>9. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Queridos, minha mãe me falava umas coisas que eu carrego para minha vida. As vezes</p><p>compartilho. Uma delas era: Ninguém pode atrasar quem veio para vencer!!! Nem sei de onde ela</p><p>tirou isso, mas eu carreguei comigo como amuleto. Compartilho com vocês, pois tenho certeza</p><p>que nesse momento vocês estão dando seu melhor!</p><p>E não esquece: cada dia, cada hora, cada minuto que você se envolve com a tarefa de</p><p>adquirir mais conhecimento, gravar mais uma informação, colar mais um post it é uma riqueza</p><p>infinita. Ninguém tira de você aquilo que está acumulado: o seu capital cultural. S2</p><p>Não esqueça do mantra: Não existe solução mágica, mas existem estratégias que, se utilizadas</p><p>com afinco e dedicação, podem realizar sonhos. Nós estamos JUNTOS nesse caminho!!! Contem</p><p>comigo, meus querida e querido alunos.</p><p>Utilize o Fórum de Dúvidas. Eu responderei suas perguntas com esmero.</p><p>E não se esqueça de que não existe dúvida boba. Quanto mais você pergunta,</p><p>mais conversamos e mais você sintetiza o conteúdo, certo!</p><p>Também me procure nas redes sociais. Lá tem dicas preciosas para te</p><p>ajudar na sua preparação.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>163</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Um grande abraço estratégico,</p><p>Alê Lopes</p><p>1850, é aprovada a Lei Eusébio de Queiróz, que</p><p>proibia o tráfico negreiro no Brasil. Assim, o Império busca combater de maneira efetiva o</p><p>comércio transatlântico de escravizados para o Brasil, sendo criado um tribunal especial na</p><p>Marinha brasileira para julgar os traficantes e reenviar os africanos encontrados em portos e navios</p><p>de volta para seu continente de origem. No entanto, aqueles que fossem flagrados comprando</p><p>cativos contrabandeados – ou seja, os fazendeiros – seriam encaminhados para a justiça comum,</p><p>o que lhes dava maiores chances de serem anistiados.</p><p>A lei Eusébio de Queiróz também não buscou reverter o status daqueles que foram</p><p>ilegalmente escravizados desde 1831, ou seja, garantia à classe senhorial o direito à propriedade</p><p>adquirida até então.</p><p>O combate à entrada de navios negreiros a partir da Lei de 1850 influenciou na diminuição</p><p>da oferta de mão de obra escrava no país, e consequentemente, seu encarecimento. As zonas</p><p>cafeeiras passaram a adquirir escravizados de outras regiões do país. Portanto, a proibição do</p><p>tráfico e o encarecimento do comércio aumentaram o comércio interno de pessoas escravizadas.</p><p>1844:</p><p>Tarifa</p><p>Alves</p><p>Branco</p><p>1845: Bill</p><p>Aberdeen</p><p>1850: Lei</p><p>Eusébio de</p><p>Queiróz</p><p>C</p><p>o</p><p>n</p><p>se</p><p>q</p><p>u</p><p>ên</p><p>ci</p><p>as</p><p>d</p><p>a</p><p>le</p><p>i E</p><p>.Q</p><p>.</p><p>Crescimento do comério</p><p>interno de pessoas</p><p>escravizadas</p><p>Liberação de capitais para</p><p>outras atividades</p><p>Estímulo à imigração europeia</p><p>para constituir um mercado de</p><p>trabalho livre</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>22</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Desembarque de escravos no Brasil (1836-1855)</p><p>Anos Total de pessoas escravizadas trazidas ao Brasil</p><p>1836-1840 240.600</p><p>1841-1845 120.000</p><p>1846-1850 257.500</p><p>1851-1855 6.100</p><p>Fonte: Estatísticas Históricas do Brasil, IBGE.</p><p>2.3 - A MÃO DE OBRA IMIGRANTE</p><p>A proibição do tráfico fez com que os cafeicultores passassem a investir na substituição do</p><p>trabalho compulsório pela mão de obra livre, em especial a de imigrantes vindos da Europa. O</p><p>processo de unificação da Itália e Alemanha na segunda metade do século XIX foi acompanhado</p><p>da expulsão de muitos camponeses de suas terras, o que fazia com que muitos fossem “fazer a</p><p>América” em países como os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil.</p><p>Para o Império, a entrada destes imigrantes era benéfica não somente para suprir a</p><p>demanda por trabalhadores nas lavouras de café diante do lento fim da escravidão, mas também</p><p>ia ao encontro de um ideal de embranquecimento em voga no período, inspirado em teorias</p><p>racialistas trazidas da Europa, as quais defendiam a superioridade da raça branca sobre outros</p><p>povos.</p><p>Em 1859 o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) publica o livro A Origem das</p><p>Espécies, defendendo a teoria de que a evolução dos seres vivos se dava por meio de seleção</p><p>natural, processo no qual sobreviviam somente os exemplares mais fortes. Suas ideias acabaram</p><p>alimentando o surgimento de uma corrente de pensamento intitulada darwinismo social, que</p><p>utilizava o mesmo argumento para justificar a supremacia da Europa sobre os demais continentes.</p><p>No Brasil, intelectuais fizeram uso dessas ideias para justificar o atraso do país diante dos países</p><p>considerados “civilizados”, afinal, aqui o elemento europeu se encontrava em desvantagem frente</p><p>a um grande contingente de indígenas e africanos. Conhecemos essas teorias no Brasil como</p><p>Teoria do Embranquecimento.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>23</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A pintura foi feita pouco depois de declaradas a abolição da escravidão e da instituição da</p><p>República no país. No caminho para um suposto</p><p>progresso, o Brasil adotava a Europa branca como</p><p>referência. Sua população, no entanto, pouco se</p><p>assemelhava à europeia. O negro representava, aos</p><p>olhos de boa parte da intelectualidade, o passado e o</p><p>atraso. Surgiram no século 19 as chamadas teorias</p><p>científicas do branqueamento, propondo como</p><p>solução para o problema misturar a população negra</p><p>com a branca, incluindo os imigrantes europeus,</p><p>geração por geração, até mudar o perfil "racial" do</p><p>país, de negro a branco. O quadro “A Redenção de</p><p>Caim”, reverenciado e premiado em sua época, é</p><p>considerado uma representação visual dessa tese.</p><p>Literalmente no caso do médico e diretor do Museu</p><p>Nacional, João Batista de Lacerda (1846-1915). No</p><p>Congresso Universal das Raças, realizado em Londres,</p><p>em 1911, a pintura ilustrou um artigo de sua autoria</p><p>sobre branqueamento. Ele assim descreveu a</p><p>imagem:</p><p>“O negro passando a branco, na terceira geração, por efeito do cruzamento de raças”.7</p><p>A Redenção de Cam - Modesto Brocos8</p><p>Um dos pensadores que mais se destaca no final do</p><p>Segundo Reinado é Silvio Romero (1851-1914), médico,</p><p>advogado e político sergipense. Diferentemente dos</p><p>escritores românticos do início do Segundo Reinado, o autor</p><p>acreditava que não era mais possível ignorar as reais</p><p>contribuições dos africanos e indígenas na cultura brasileira,</p><p>que segundo ele era marcada pela miscigenação. A seu ver,</p><p>“o servilismo do negro, a preguiça do índio e o gênio</p><p>autoritário e tacanho do português produziram uma nação</p><p>informe, sem qualidades fecundas e originais”. Apesar desta</p><p>complicada mistura de culturas, Romero acreditava na teoria do darwinismo social, de maneira</p><p>7 Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/06/14/A-tela-%E2%80%98A-</p><p>Reden%C3%A7%C3%A3o-de-Cam%E2%80%99.-E-a-tese-do-branqueamento-no-Brasil</p><p>8 A Redenção de Cam. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú</p><p>Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra3281/a-redencao-de-cam>.</p><p>Acesso em: 14 de Out. 2019. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>24</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>que a raça mais evoluída – no caso, a branca – prevaleceria sobre as demais no caráter do</p><p>brasileiro. Em suas próprias palavras: “o mestiço é a condição desta vitória do branco, fortificando-</p><p>lhe o sangue para habitá-lo aos rigores do clima. É uma forma de transição necessária e útil que</p><p>caminha para aproximar-se do tipo superior... Pela seleção natural [...] o tipo branco irá tomando</p><p>a preponderância, até mostrar-se puro e belo como no velho mundo.”</p><p>SOUZA, Ricardo Luiz de. Identidade nacional e modernidade brasileira: o diálogo entre Sílvio Romero, Euclides da Cunha, Câmara Cascudo e Gilberto Freyre. Belo</p><p>Horizonte: Autêntica, 2007. p. 59.</p><p>Amparada por estas ideias de hierarquia entre raças, políticos e pensadores do Império</p><p>passaram a apoiar a entrada de imigrantes europeus a fim de branquear a população, o que</p><p>contribuiria para que fossem atingidos os mesmos padrões de civilidade que os do “Velho Mundo”</p><p>europeu. Essencialmente, ocorreram dois modelos de estímulo à imigração: parceria e</p><p>subvencionada.</p><p>Em 1847, o senador Nicolau Vergueiro (1778-1859) introduziu o sistema de parcerias para</p><p>estimular a vinda de europeus, modelo no qual todos os custos das viagens e instalação para o</p><p>país eram financiados pelos cafeicultores.</p><p>Em troca, os recém-chegados deveriam trabalhar nas lavouras de café até ressarcirem seus</p><p>“parceiros”, com juros de 6% ao ano. Também se exigia que estes estrangeiros adquirissem</p><p>produtos dos armazéns das fazendas de café, que em geral possuíam preços mais elevados que o</p><p>dos centros urbanos. A fazenda Ibicaba em Limeira (SP), de propriedade do senador Vergueiro,</p><p>foi a primeira a ser abastecida com imigrantes trazidos por meio de parcerias com sua empresa, a</p><p>“Vergueiro & Cia”.</p><p>Estas condições mencionadas contribuíam para que as dívidas dos estrangeiros com os</p><p>fazendeiros só aumentassem, o que os colocava em situação análoga à escravidão. Os maus tratos</p><p>impostos aos imigrantes geraram revoltas e fugas de imigrantes</p><p>em várias fazendas de São Paulo,</p><p>para onde boa parte destas famílias eram encaminhadas. O suíço Thomas Davatz (1815-1888), um</p><p>destes emigrados, registraria em seu livro de memórias publicado em 1858:</p><p>Os colonos sujeitos a esse sistema de parceria não passam de pobres coitados</p><p>miseravelmente espoliados, de perfeitos escravos, nem mais nem menos. Os próprios</p><p>filhos de certo fazendeiro não hesitaram em apoiar essa convicção, dizendo que "os</p><p>colonos eram os escravos brancos (de seu pai), e os pretos seus escravos negros". E</p><p>outro fazendeiro enunciou a mesma crença, quando declarou abertamente aos seus</p><p>colonos: "Comprei-os ao Sr. Vergueiro. Os senhores me pertencem".</p><p>DAVATZ, Thomas. Memórias de um colono no Brasil. São Paulo: Livraria Martins, 1951. p. 123.</p><p>A partir o final da década de 1870 a imigração passa a ser subvencionada, ou seja, os</p><p>governos imperial e provinciais se encarregaram de financiar a viagem dos imigrantes para o país.</p><p>Como exemplo, podemos lembrar que, em São Paulo, em 1871, o governo aprovou o custeio</p><p>integral das passagens dos imigrantes, 8 dias de hospedagem em São Paulo e o transporte até as</p><p>fazendas do interior do Estado. No que se refere ao Governo Imperial, em 1888 e 1889 (antes da</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>25</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>proclamação da República) assinou 7 contratos com países estrangeiros que garantiam a vinda de</p><p>775 mil estrangeiros. Para isso foram divulgadas propagandas na Europa que ofereciam salários</p><p>àqueles que aceitassem se estabelecer no “Novo Mundo”.</p><p>Desembarque de imigrantes no Brasil</p><p>Anos Média anual de entrada de imigrantes</p><p>1871-1880 11.000</p><p>1881-1885 27.000</p><p>1887-1889 32.000</p><p>Na prática, isso significou uma intervenção direta do estado sobre o mercado de</p><p>trabalho. Alguns especialistas apontam que essa situação, combinada com as teses do</p><p>embranquecimento, dificultou a absorção da mão de obra brasileira negra e mestiça</p><p>libertas.</p><p>A entrada destes novos imigrantes e o eminente fim da escravidão levam o governo a aprovar a</p><p>Lei de Terras em 18 de setembro de 1850, 14 dias após a Lei Eusébio de Queirós.</p><p>Tratava-se de uma tentativa de regularização da propriedade fundiária no Brasil, instituindo</p><p>limites entre terras públicas e privadas ao estabelecer que as terras devolutas, ou seja,</p><p>desocupadas, pertenciam ao Estado, e não poderiam ser adquiridas de nenhuma outra forma</p><p>senão por meio de compra. Dessa maneira, todas as posses adquiridas após a independência</p><p>(1822), assim como as sesmarias concedidas ainda na época da colônia deveriam ser cadastradas</p><p>nos Registros Paroquiais de Terras para então serem demarcadas.</p><p>O projeto original previa cobrança de impostos sobre as terras registradas, mas os</p><p>fazendeiros conseguiram derrubar este item da lei enquanto ela era debatida. Na prática, as</p><p>posses nunca foram regularizadas pelos grandes proprietários, de maneira que estes continuaram</p><p>a expandir suas propriedades ilegalmente. Suas exigências parecem ter se aplicado somente aos</p><p>pequenos agricultores nascidos no Brasil e imigrantes, que tiveram seu acesso à terra restringido.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>26</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Para finalizar esse</p><p>capítulo, observe os</p><p>dados que mostram a</p><p>relação entre pessoas</p><p>livres, escravizados e</p><p>imigrantes até a década</p><p>de 1870. Não esqueça</p><p>de que o número de</p><p>imigrantes só cresceu</p><p>porque a política de</p><p>valorização do café e de</p><p>estímulo à imigração</p><p>vigeu, sobretudo,</p><p>durante a 1ª República</p><p>brasileira.</p><p>(FUVEST 2003)</p><p>“Em certo sentido, os portugueses, os espanhóis e os italianos, compondo os</p><p>maiores contingentes imigratórios para o Brasil, registrados entre a</p><p>Independência e a Primeira Guerra Mundial, satisfaziam as reivindicações dos</p><p>dois grupos de pressões nacionais.”</p><p>Maria L. Renaux e Luiz F. de Alencastro. História da Vida Privada no Brasil.</p><p>Uma das reivindicações atendidas com a entrada desses imigrantes foi a de</p><p>a) políticos nortistas para povoar as áreas de fronteira.</p><p>b) fazendeiros escravagistas para aumentar a produção canavieira.</p><p>c) políticos defensores do “embranquecimento” da população nacional.</p><p>d) industriais paulistas para obtenção de mão-de-obra especializada.</p><p>e) políticos europeus para solucionar problemas decorrentes da unificação nacional.</p><p>Comentários:</p><p>A entrada de imigrantes no país foi embasada em teses racialistas que também</p><p>desembarcavam no país e justificavam a superioridade do continente europeu em relação</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>27</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>aos demais. Diante disso, muitos políticos no país viam como necessário o</p><p>“embranquecimento” do país para neutralizar os elementos negro e indígena e “civilizar o</p><p>país”. Assim sendo, a alternativa C é a correta. Vejamos as demais alternativas...</p><p>- A alternativa A está incorreta, afinal algumas áreas de fronteira, em especial as do sul do</p><p>país, foram povoadas pelos próprios imigrantes.</p><p>- A produção canavieira encontrava-se em franco declínio desde o período colonial, e por</p><p>isso a alternativa B está incorreta. Na verdade, a entrada de imigrantes foi benéfica para os</p><p>cafeicultores, sobretudo após a diminuição da oferta de mão de obra escrava.</p><p>- Embora as indústrias de São Paulo fossem locais de trabalho para muitos imigrantes no</p><p>século XX, o incentivo à vinda de estrangeiros para o país foi decorrente da necessidade de</p><p>mão de obra nas lavouras cafeeiras. Dito isso, a alternativa D está incorreta.</p><p>- O processo de unificação política da Itália e Alemanha contribuiu para o deterioramento do</p><p>modo de vida camponês, o que certamente pode ser considerado um estímulo para a</p><p>imigração para a América. Contudo, essa não foi uma demanda de políticos europeus, mas</p><p>sim da classe cafeicultora brasileira, carente de mão de obra em suas lavouras. Assim sendo,</p><p>a alternativa E está incorreta.</p><p>Gabarito: C</p><p>3.A POLÍTICA EXTERNA E OS ANTECEDENTES DA CRISE</p><p>A questão sobre a posição do Brasil em relação aos outros países configura o que</p><p>chamamos de política externa. Para fins de prova há dois aspectos que precisamos estudar:</p><p>Pol. Externa 2o.</p><p>Reinado</p><p>com a Inglaterra:</p><p>buscar maior</p><p>autonomia</p><p>Bill Aberdeen</p><p>Questão Christie</p><p>c/a América do Sul:</p><p>manter a hegemonia</p><p>na região</p><p>Questão da</p><p>Cisplatina</p><p>Guerra do Paraguai</p><p>(1864-67)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>28</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>3.1 - QUESTÕES COM A INGLATERRA</p><p>As relações entre Brasil e Inglaterra não se tornaram mais amistosas após a Lei Eusébio de</p><p>Queiróz. O Império de D. Pedro II se comprometeu, de fato, a combater o tráfico negreiro, mas</p><p>os britânicos mantiveram sua política de patrulhamento marítimo reforçado com a Lei Aberdeen.</p><p>Entre 1860 e 1862, o embaixador inglês instalado no Brasil, William Dougal Christie, foi o</p><p>responsável por uma sequência de equívocos diplomáticos que alimentaram duras críticas dos</p><p>jornais cariocas. Primeiro, o diplomata tentou abafar o assassinato de um agente alfandegário por</p><p>dois marinheiros britânicos no Rio de Janeiro. No ano seguinte, responsabilizou o Brasil pelo roubo</p><p>da carga de um navio de seu país, Prince of Wales, no Rio Grande do Sul. Finalmente, em 1862</p><p>exigiu indenização do governo brasileiro após dois oficiais britânicos serem presos por</p><p>embriaguez, mesmo tendo sido liberados em seguida. Seis dias após a cobrança, navios ingleses</p><p>fecharam o porto do Rio de Janeiro e sequestraram cinco navios brasileiros.</p><p>A Questão Christie, nome como ficaram conhecidos estes incidentes envolvendo o</p><p>embaixador inglês, geraram grande comoção popular, alimentada por um discurso nacionalista, e</p><p>a intervenção direta do Imperador para defender a defesa</p><p>nacional. A quantia de 3.200 libras foi</p><p>paga à Inglaterra, mas o governo rompe relações diplomáticas com o país após julgar insuficientes</p><p>as explicações dadas para as atrapalhadas ações do embaixador.</p><p>Diante do impasse entre os dois países, o imperador Leopoldo I da Bélgica foi solicitado</p><p>para mediar o conflito, e acaba por dar ganho de causa ao Brasil, em junho de 1863. Dois anos</p><p>depois, a rainha Vitória enviaria um pedido formal de desculpas a D. Pedro II, sendo restabelecidas</p><p>relações diplomáticas entre os dois países.</p><p>Estudo para Questão Christie, de Victor Meirelles, 1864. Fonte: Museu Nacional de Belas Artes.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>29</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>3.2 - GUERRA DO PARAGUAI E A QUESTÃO DO RIO DO PRATA</p><p>No mesmo período em que ocorrem as rusgas com o embaixador britânico, o Brasil se via</p><p>cada vez mais envolvido em um eminente conflito na região da bacia do Rio Prata.</p><p>Para que você não fique perdido, saiba que o Rio da Prata é um rio de integração comercial</p><p>formado pelos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. Desde o período colonial, essa região e esses rios</p><p>foram alvo de disputas entre as potências ibéricas por servir de escoadouro para a prata que vinha</p><p>do Potosí e se dirigia à Europa. Durante o 2º Reinado, o controle sobre a foz do rio da Prata foi</p><p>essencial para os interesses brasileiros de manter a livre-navegação - o que favorecia o escoamento</p><p>de sua produção e maior integração entre Rio Grande do Sul e Mato Grosso.</p><p>Anteriormente, entre 1825 e 1828 o Brasil já havia se envolvido em uma guerra com as</p><p>Províncias Unidas do Rio da Prata, tendo em vista o domínio da Cisplatina. No final do conflito a</p><p>província tornou-se um Estado independente de ambos, o Uruguai. Vimos esse assunto na aula</p><p>sobre 1o Reinado. Contudo, a independência do Uruguai não representou o fim dos conflitos e</p><p>disputas pela região, já que ela é estratégica naquela porção territorial.</p><p>A Guerra do Paraguai se localiza nessa disputa de interesses!</p><p>A história da Guerra do Paraguai começa com os acontecimentos no Uruguai, porque, na</p><p>verdade, aqui a elite política estava dividida em dois grupos;</p><p>Uruguai</p><p>Blanco - Oribe</p><p>Pecuaristas</p><p>queria a</p><p>anexação com</p><p>a Argentina</p><p>Recebe apoio</p><p>da Argentina</p><p>Colorado -</p><p>Rivera</p><p>Comerciantes</p><p>queriam livre</p><p>comércio</p><p>Recebe apoio</p><p>do Brasil</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>30</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Vejamos algumas disputas na região do prata que antecedem a Guerra do Paraguai:</p><p>1. Na década de 1850 é eleito como segundo presidente do Uruguai Manuel Oribe,</p><p>membro do Partido Blanco e apoiado pelo então presidente da Argentina, Juan</p><p>Manuel Rosas.</p><p>No ano seguinte Oribe é deposto pelo Partido Colorado, o que dá início a uma guerra civil entre</p><p>as duas forças, chamada de Guerra Grande (1838-1851). O Brasil se mantém neutro no conflito</p><p>até 1851; mas o apoio de Buenos Aires a Oribe passa a ser visto como uma ameaça para os</p><p>interesses comerciais de estancieiros gaúchos que possuíam propriedades em território uruguaio</p><p>e desejavam manter o livre-comércio na região. Dessa maneira, em maio de 1851 o Brasil se alia</p><p>aos colorados do Uruguai e a duas províncias argentinas que não aceitavam o domínio de Buenos</p><p>Aires, derrotando as tropas de Manuel Oribe e os blancos no ano seguinte.</p><p>2. Em 1863, o Uruguai novamente é palco de disputas envolvendo países externos:</p><p>➢ o colorado Venâncio Flores, apoiado por uma inédita aliança entre a Argentina e o</p><p>Brasil, derrubam os blancos do poder.</p><p>➢ Contudo, os blancos tinham um novo aliado: o ditador do Paraguai, Francisco Solano</p><p>López.</p><p>Agora fica esperto: a partir desse momento percebemos que os arcos de alianças mudam. E se</p><p>inicia a Guerra do Paraguai. Solano López passava a uma postura agressiva que ameaçava a</p><p>hegemonia do Brasil na região. Assim, em retaliação à interferência do Brasil no Uruguai, Solano</p><p>Lopez captura o barco à vapor brasileiro Marquês de Olinda, que na ocasião levava o Presidente</p><p>da província do Mato Grosso. Diante disso, o Brasil rompe relações diplomáticas com o Paraguai.</p><p>Pouco tempo depois López invade o sul da província de Mato Grosso, declarando guerra ao</p><p>Império em 13 de dezembro de 1864. Ao ter negada a passagem de suas tropas em território</p><p>argentino, também declara guerra a este país em março de 1865, invadindo a província de</p><p>Corrientes.</p><p>Solano López, que há tanto temia a hegemonia da Argentina e do Brasil na região do Prata,</p><p>havia cometido um erro de cálculo, afinal os dois países uniram força contra o Paraguai. A essa</p><p>dupla se somava o Partido dos Colorados, do Uruguai, sob comando de Flores.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>31</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Em 1º de maio de 1865, os</p><p>três assinaram o Tratado da Tríplice</p><p>Aliança, no qual constam os</p><p>objetivos da guerra:</p><p>❖ a deposição de Solano López;</p><p>❖ a livre-navegação no Rio da</p><p>Prata;</p><p>❖ a anexação de territórios do</p><p>Paraguai em litígio com a Argentina</p><p>e o Brasil por estes dois países.</p><p>O exército do Paraguai era</p><p>maior que o do Brasil. Apesar de</p><p>dispor de uma população</p><p>significativamente superior a</p><p>paraguaia, o Império Brasileiro não contava com um Exército de mesma proporção. Esse foi um</p><p>dos motivos pelos quais a Guerra do Paraguai se estendeu por mais de cinco anos.</p><p>A Guerra do Paraguai (1865-1870) o maior conflito bélico da história da sul-americana. Ela</p><p>terminou com a derrota do Paraguai e a morte de Solano López, que lutou, com todo o país, até</p><p>o fim. Ela trouxe graves consequências para todos os seus envolvidos. Vejamos:</p><p>✓ Para o perdedor, significou a perda de 40% de seu território, além de ter seu</p><p>território ocupado por tropas brasileiras até 1876. Com a destruição da lavoura e da</p><p>sua infraestrutura, o país foi completamente devastado. Alguns estudos afirmam que</p><p>mais de 800 mil pessoas morreram – quase todos os homens do país.</p><p>✓ A Argentina, por sua vez, também teve baixas significativas em sua população, mas</p><p>a guerra contribuiu para unificar o seu território, até então ameaçado por províncias</p><p>contrárias à hegemonia de Buenos Aires.</p><p>✓ Quanto ao Brasil, pelo menos 50 mil de seus soldados foram mortos, sem calcular</p><p>aqueles que sucumbiram às doenças que também proliferavam os campos de</p><p>batalha. E embora o país tenha conquistado suas pretensões territoriais e se firmado</p><p>como maior potência da região, os custos da guerra somaram 11 vezes o orçamento</p><p>anual disponível. Apesar disso, houve um estímulo à indústria e certa modernização</p><p>tecnológica. Além disso, o Exército agora se encontrava repleto de negros libertos</p><p>que haviam sido alforriados para lutarem no conflito, o que acaba por despertar a</p><p>sensibilidade da instituição para a questão escravista nos anos seguintes.</p><p>Brasil</p><p>Argentina</p><p>Uruguai</p><p>(colorado)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>32</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>Nesse sentido, essa situação toda impulsionou uma série de discussões sobre a necessidade</p><p>de mudanças no Brasil, sobretudo, no campo político e social. No último ano da Guerra do</p><p>Paraguai, em 1870, surgiu o Partido Republicano Paulista. Isso não foi coincidência.</p><p>A partir da década de 1870 falamos em um momento de crise do Império.</p><p>De certa forma, são os acontecimentos dos anos de 1870 e 1880 que definem a queda da</p><p>Monarquia e a Proclamação da República.</p><p>(UFU 2015)</p><p>Para os historiadores das décadas de 1960 e 1870, o Brasil e a Argentina teriam</p><p>sido manipulados por interesses da Grã-Betanha, maior potência capitalista da</p><p>época, para aniquilar o desenvolvimento autônomo paraguaio, abrindo um</p><p>novo mercado consumidor para os produtos britânicos. A guerra era uma das</p><p>opções possíveis, que acabou</p><p>por se concretizar, uma vez que interessava a todos os</p><p>envolvidos. Seus governantes, tendo por base informações parciais ou falsas do contexto</p><p>platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos</p><p>seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há “bandidos” ou “mocinhos”, mas</p><p>interesses.</p><p>DORATLONO, Francisco. Maldita guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 87-96.</p><p>(Adaptado).</p><p>Consequências da</p><p>Guerra do Paraguai</p><p>Estímulo à</p><p>modernização (ind.</p><p>textil e de armamas)</p><p>Fortalecimento do</p><p>Exército</p><p>Estímulo às</p><p>reformas sociais e</p><p>políticas</p><p>Dívida Pública: 11X</p><p>o valor do</p><p>orçamento anual</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>33</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>A Guerra do Paraguai foi o maior conflito militar no qual o Brasil se envolveu em sua história.</p><p>Nas novas interpretações dos historiadores para a guerra,</p><p>a) tem sido destacada a natureza democrática do governo de Solano López, bem como a</p><p>crescente industrialização do Paraguai.</p><p>b) tem sido enfatizada a importância do conflito para o fortalecimento do regime monárquico</p><p>brasileiro.</p><p>c) tem sido valorizada a dinâmica geopolítica interna do continente sul-americano, em</p><p>oposição às teorias da responsabilidade externa pela guerra.</p><p>d) têm sido destacados os interesses expansionistas brasileiros como a principal causa da</p><p>guerra.</p><p>Comentários</p><p>A – não, Solano Lopes era um ditador, por sinal, implementou no país um sistema de</p><p>hierarquia militar e obrigatoriedade de prestação do serviço militar que incluía até as</p><p>crianças.</p><p>B – afirmação equivocada, pois D. Pedro II não fez uso da Guerra do Paraguai como medida</p><p>para fortalecer a monarquia. Pelo contrário, para dar conta do conflito foi preciso mexer em</p><p>uma das bases da monarquia brasileira, qual seja, o sistema escravista. E no que ele mexeu</p><p>profe? Ele determinou que os negros que fossem para o “fronte” ganhariam a liberdade.</p><p>Então, como uma Guerra que passou a enfraquecer pilares do Império Brasileiro pode ser</p><p>considerada estratégica para fortalecer esse Império?</p><p>C - correta. Ao tratarmos sobre a temática da Guerra do Paraguai, segundo as interpretações</p><p>historiográficas mais recentes, observa-se que a Inglaterra estava comercializando com todas</p><p>as nações envolvidas no conflito, sendo assim, não devemos ver este fato como puramente</p><p>uma questão econômica. Nas novas interpretações sobre a guerra, a disputa geopolítica do</p><p>próprio continente (região da Bacia Platina) tem sido alvo dos enfoques, mostrando que as</p><p>lutas para a consolidação de fronteiras dentro do continente se apresentavam muito mais</p><p>coerentes com o conflito do que as pressões do capital inglês sobre as ações beligerantes.</p><p>D – falso, pois o Brasil, a partir de D. Pedro II, estava construindo uma política diplomática</p><p>na tríplice fronteira, baseada em negociações que respeitassem as fronteiras de cada nação.</p><p>Gabarito: C</p><p>(CÁSPER LÍBERO 2018)</p><p>Analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta:</p><p>a) Nas quase duas décadas subsequentes à vitória na Guerra do Paraguai, a monarquia</p><p>brasileira passou por processo de fortalecimento em que atingiu o auge do seu prestígio</p><p>nacional e internacional.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>34</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>b) Entre os inúmeros fatores que enfraqueceram a monarquia brasileira nas suas últimas</p><p>décadas, podemos incluir o movimento abolicionista e as aspirações descentralizadoras das</p><p>elites provinciais.</p><p>c) Dado o enorme prestígio de que desfrutava a monarquia brasileira, as ideias republicanas</p><p>jamais tiveram importância no Brasil, nem mesmo às vésperas do dia 15 de novembro de</p><p>1889.</p><p>d) Na medida em que o Império conseguiu avanços modernizadores na economia, na</p><p>administração e na política, ganhou apoio da sociedade e impediu o crescimento do</p><p>movimento republicano no Brasil.</p><p>e) A solidez da monarquia brasileira decorria do apoio irrestrito dos cafeicultores paulistas,</p><p>que não dependiam da mão de obra escrava.</p><p>Comentários</p><p>Apesar do enunciado não nos fornecer nenhuma informação sobre tempo, espaço e tema,</p><p>após ler cada uma das afirmações podemos notar que o tema da questão é o processo de</p><p>desgaste da monarquia brasileira na segunda metade do século XIX. Esse período é marcado</p><p>pela expansão do café no Sudeste, a ascensão de São Paulo como maior polo econômico do</p><p>país, a intensificação dos movimentos abolicionista e republicano e a Guerra do Paraguai,</p><p>além de conflitos diplomáticos com a Igreja Católica e outras nações, como a Inglaterra. Com</p><p>isso em mente, vamos avaliar cada uma das alternativas:</p><p>a) Incorreta. A Guerra do Paraguai (1864-1870) foi um conflito entre Paraguai, de um lado, e</p><p>Brasil, Argentina e Uruguai. As principais motivações envolviam as disputas políticas internas</p><p>no Uruguai, o controle sobre a navegação na Bacia do Rio da Prata e a política expansionista</p><p>do presidente paraguaio Solano López. A monarquia brasileira saiu vitoriosa na guerra, mas</p><p>profundamente endividada devido aos custos das batalhas. Além disso, o Exército saiu</p><p>fortalecido simbolicamente, pois foi reconhecido por boa parte da população como principal</p><p>defensor da nação. Os militares, por sua vez, passaram a cobrar mais participação política</p><p>nas instituições. Grande parte deles também passou a simpatizar com as causas abolicionistas</p><p>porque lutaram lado a lado de escravizados e libertos brasileiros e soldados estrangeiros de</p><p>países republicanos, como Argentina e Uruguai. Em suas críticas à monarquia, esses militares,</p><p>assim como os ativistas republicanos e abolicionistas, que cresciam em número naquelas</p><p>décadas, costumavam associá-la à manutenção da escravidão e outras opressões e</p><p>desigualdades seculares. Por isso, podemos dizer que após a Guerra do Paraguai, a</p><p>monarquia brasileira passou por processo de desgaste em que atingiu o “fundo do poço”</p><p>do seu prestígio nacional e internacional. Lembre-se também da Questão Religiosa (1872-</p><p>1875) e da Questão Christie (1862-1865), que opôs a monarquia à Igreja Católica e à</p><p>Inglaterra, respetivamente.</p><p>b) Correta! O movimento abolicionista era amplo e diverso, contando com a participação dos</p><p>setores mais variados da sociedade. Conforme a resistência dos próprios escravizados contra</p><p>a escravidão se radicalizou, nesse período, o abolicionismo se popularizou. Entretanto, cada</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 15 – HB: Do Império à República</p><p>35</p><p>163</p><p>AULA 15: HB: Do Império à República</p><p>setor da sociedade ou grupo político aderia ao abolicionismo por motivações e projetos</p><p>próprios. Alguns, temiam que uma guerra civil ou revolução escrava sanguinária eclodisse;</p><p>outros acreditavam que a escravidão era um sistema que atravancava a economia do país e</p><p>o trabalho assalariado era mais lucrativo para os próprios patrões; outros ainda que</p><p>defendiam que o cativeiro devia ser extinto, mas gradualmente para não causar uma crise</p><p>ainda maior e prejudicar a elite econômica; enfim, havia também aqueles que afirmavam que</p><p>a abolição era apena os primeiro passo para o progresso da nação e o fim das injustiças</p><p>sociais e o seguinte seria o advento da república. Quando o abolicionismo se ampliou e a</p><p>propaganda ficou mais radical, nos anos 1880, sobretudo nos lugares com maior tradição</p><p>republicana, como São Paulo, a monarquia era frequentemente associada à manutenção da</p><p>escravidão. Por outro lado, ao tentar virar o jogo em 1888, com a Lei Áurea, a Princesa</p><p>Regente acabou perdendo o apoio de boa parte das oligarquias rurais que ditavam os rumos</p><p>da economia do país. Por outro lado, a relação da monarquia brasileira com essas oligarquias</p><p>e com as elites econômicas de cada região sempre fora tensa, desde seu nascimento com a</p><p>independência em 1822. Lembra do tanto de revoltas regionais que vimos nas Aulas 12, 13</p><p>e 15? Pois é, em várias ocasiões algumas regiões</p>