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<p>1</p><p>136</p><p>AULA 05</p><p>Profe Ale Lopes</p><p>AULA 05</p><p>ENEM</p><p>Exasiu</p><p>História da América: América Latina I Exasiu</p><p>EXTENSIVO</p><p>estretegiavestibulares.com.br</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>2</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Sumário</p><p>Introdução .......................................................................................................................... 4</p><p>2. Formação de Portugal ................................................................................................ 7</p><p>3. Enquanto isso na Espanha... ................................................................................... 14</p><p>4. Grandes Navegações ............................................................................................... 16</p><p>4.1- Consequências gerais da Expansão marítimo comercial: implantação do Sistema de</p><p>Colonização Europeia .................................................................................................................... 23</p><p>5. A chegada dos europeus ao “Novo Mundo”: o encontro do Eu com o</p><p>Outro ............................................................................................................................................ 27</p><p>6. Povos originários: Astecas, Maias e Incas ........................................................... 31</p><p>6.1– Astecas ........................................................................................................................ 33</p><p>6.2 – Maias .......................................................................................................................... 35</p><p>6.3 – Incas ........................................................................................................................... 37</p><p>7. Sistema Colonial Espanhol ...................................................................................... 40</p><p>7.1 – Estrutura e administração Econômica e do Trabalho ................................................. 41</p><p>7.1.1 – Formas de exploração do trabalho ................................................................................. 41</p><p>7.2 – Estrutura social, política e administrativa do sistema colonial espanhol .................... 44</p><p>7.3 - A Igreja Católica na América Espanhola ..................................................................... 47</p><p>8. Questões Essenciais – ENEM ................................................................................ 50</p><p>9. Questões para Aprofundamento ........................................................................... 54</p><p>10. Questões para Consolidação ............................................................................... 60</p><p>11. Gabarito ..................................................................................................................... 73</p><p>12. Questões Essenciais - ENEM (comentários) .................................................... 73</p><p>13. Questões Aprofundamento - (comentários)................................................... 82</p><p>14. Questões para Consolidação (comentários) ................................................... 101</p><p>Considerações Finais ................................................................................................... 136</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>3</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Queridas e Queridos Alunos,</p><p>Que bom saber que você avançou mais uma aula, parabéns! Eu tenho certeza de que seu</p><p>esforço tem sido grande nesses dias. Isso é muito bom porque você está cada vez maior! São das</p><p>pequenas vitórias que o caminho até a realização do sonho será atingido: ver seu nome na lista</p><p>!</p><p>Nesta aula continuaremos a estudar o período da Idade Moderna. Nesse momento,</p><p>veremos o que alguns historiadores chamam de “primeira globalização”. É o momento em que</p><p>aquela “Europa Periférica” começará a construir a “nova periferia do mundo” por meio das</p><p>conquistas territoriais e da formação das colônias na América e África. Assim, os assuntos da aula</p><p>são:</p><p> a formação de Portugal</p><p> a expansão ultramarina</p><p> a chegada de Portugueses e Espanhóis à América.</p><p>Além disso, também é nossa 1ª aula sobre História da América, com ênfase na América</p><p>Latina. Conheceremos um pouco da população que vivia na América antes da chegada dos</p><p>europeus e a implantação da colonização. Brasil é assunto do curso de História brasileira.</p><p>Combinado?</p><p>Esses assuntos têm incidência constante nas provas. É o mesmo comportamento sobre</p><p>Antiguidade Clássica, todo ano cai 1 questão. E como, normalmente, não damos muita atenção à</p><p>história da América Latina (como se não fossemos latinos), muita gente erra a questão sobre esse</p><p>assunto.</p><p>Fique muitooooo esperto e esperta, Ok? Você não está no luxo de ficar perdendo</p><p>NENHUMA questão.</p><p>Não me canso de afirmar: toda questão de história é imperdível! Você precisa estar</p><p>preparado para TUDO! Não esquece:</p><p>“o segrego do sucesso é a constância no objetivo”.</p><p>Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah,</p><p>não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!!</p><p>XV XVI</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>4</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Quero introduzir a aula chamando sua atenção para qual será o sentido histórico do período</p><p>que vamos estudar: discutir a tese da Europa como “construtora de periferias”. O que isso</p><p>significa, afinal? Há um consenso de que, a partir da Modernidade, a Europa virou o centro do</p><p>mundo.</p><p>Contudo, podemos nos perguntar, já que estamos em um curso de História: tornou-se o</p><p>centro do mundo ou escreveram a história como se assim o fosse? Você já deve ter ouvido a</p><p>palavra eurocentrismo: atitude das diversas Nações europeias de impor seus valores a outros</p><p>povos e de se considerarem superiores aos grupos humanos originários da África, da Ásia e da</p><p>América1.</p><p>Esse é um conceito importante para pensarmos os sentidos das histórias que nos contam.</p><p>De qualquer forma, a partir do século XV, por pioneirismo europeu, houve aumento da circulação</p><p>de pessoas e de mercadorias por extensões mais amplas do mundo. Assim, o encontro entre</p><p>povos distintos também se multiplicou.</p><p>Por exemplo, você aprendeu que os europeus descobriram a América. De fato, quando</p><p>conhecemos algo que não conhecíamos, aquilo é para nós um descobrimento. Porém, não</p><p>significa que aquilo que descobrimos não existia antes. Ou seja, descobrir não significa criar: a</p><p>Europa não criou a América.</p><p>Europeus e povos originários se encontraram. Portanto, cabe-nos (nessa brincadeira de</p><p>estudar história) compreender o sentido dessa experiência humana ocorrida em lugar e momento</p><p>determinados – na América, a partir de 1492 (pelo menos na historiografia tradicional).</p><p>Quando você era criança, muito provavelmente, deve ter discutido com a/o profe algo</p><p>assim: “mas, os europeus sabiam ou não que nosso continente existia? Cabral veio de propósito</p><p>ou sua caravela desviou do destino indiano?” Interessante, porém, é um falso problema.</p><p>Para nós isso não importa. O que importa é discutirmos: por que foi, como foi, qual foi o</p><p>resultado? E quero ressaltar uma coisa: cada vez mais as questões de prova perguntam sobre o</p><p>que existia aqui na América antes desse encontro, sobre como essas coisas e pessoas que existiam</p><p>aqui entraram em interação e conflito com os europeus e, por fim, quais os resultados dessa</p><p>experiência. Sabemos muito de Europa – aqui mesmo estamos estudando esse continente desde</p><p>que começamos o curso – mas, e os Maias, Incas, Astecas, os povos tupi-guarani, jês, tupinambás,</p><p>kaiowá, etc, etc, etc.?</p><p>Há muitos pensadores, como Enrique Dussel, que criticam a visão eurocêntrica da história</p><p>sobre essa experiência humana. Por isso, ele escreveu o livro chamado O Encobrimento do Outro</p><p>disso, a cidade era muito rica em templos, mercados, jardins e ruas.</p><p>Com uma riqueza acumulada e materiais disponíveis conseguiram construir grandes templos.</p><p>Desenvolveram, portanto, uma importante arquitetura e engenharia. Além disso, se destacaram</p><p>na astronomia e no desenvolvimento de uma escrita simplificada.</p><p>http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=</p><p>39> Acesso em 25-03-2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>34</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>13</p><p>A desagregação do povo asteca começou com a chegada dos Espanhóis. Entre 1519 e 1521,</p><p>os espanhóis liderados por Hernán Cortés mataram o Imperador Asteca, Montezuma, saquearam</p><p>e destruíram Tenochtitlán.</p><p>Sobre a ex-capital asteca construiu-se uma cidade no modelo europeu, a Cidade do México. É</p><p>importante dizer que os europeus foram “ajudados” por cerca de 25 mil pessoas que pertenciam</p><p>aos povos conquistados pelos astecas.</p><p>Com os recentes trabalhos de escavação, hoje é possível observar a cidade asteca abaixo da atual</p><p>Cidade do México. Essas imagens representam a literalidade de quando uma civilização se</p><p>sobrepõe a outra.</p><p>Além das armas, os europeus trouxeram muitas doenças. A mais conhecida foi a varíola que</p><p>dizimou metade da população da capital asteca. Recentemente, pesquisadores alemães</p><p>descobriram outra causa de dizimação desse povo por contaminação da bactéria salmonella</p><p>entérica.</p><p>Alguns médicos têm pesquisado a história das doenças e das curas desse momento histórico. É o</p><p>caso da médica pesquisadora da Unicamp Cristina Gurgel que lançou seu livro Doenças e curas: o</p><p>Brasil nos primeiros séculos. Apesar de ela ter pesquisado especificamente o caso da colonização</p><p>portuguesa, suas conclusões podem ser generalizadas para o processo de conquista dos</p><p>espanhóis sobre outros povos originários14.</p><p>13 Libraru of Congress. Disponível em: <http://www.loc.gov/exhibits/exploring-the-early-</p><p>americas/ExplorationsandEncounters/conquestpaintings/Assets/object96_t_725.Jpeg>. Acesso em 27-</p><p>03-2019.</p><p>14 Livro revela papel de doenças (e curas) na formação do país. Jornal da Unicamp - Universidade</p><p>Estadual de Campinas. Campinas, 11 a 24 de abril de 2011 – ANO XXV – Nº 490. Disponível em <</p><p>A Captura de Tenochtitlán. Óleo sobre tela. Coleção Jay L. Kislak. Livraria do Congresso.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>35</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Em 2019, rememora-se a chegada de Hernán Cortés o início da Guerra contra os</p><p>Astecas que levou à tomada e da capital Tenochtitlán e a, posterior, construção da</p><p>atual Cidade do México. Leia reportagem sobre a posição do presidente do México</p><p>sobre os 500 anos desse evento.</p><p>“México quer que rei da Espanha e Papa Francisco peçam desculpas pela</p><p>colonização</p><p>O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, anunciou nesta segunda-feira (25) que</p><p>enviou uma carta ao rei Felipe 6º da Espanha e ao Papa Francisco pedindo que peçam perdão</p><p>pelos danos cometidos contra povos indígenas durante a conquista espanhola da América. "Enviei</p><p>uma carta ao rei da Espanha e outra ao papa para que façam um relato de danos e peçam perdão</p><p>aos povos originários pelas violações ao que agora se conhece como direitos humanos", anunciou</p><p>López Obrador. O governador espanhol rejeitou “com toda firmeza” o pedido de Obrador.</p><p>"A chegada, há 500 anos, dos espanhóis às atuais terras mexicanas não pode ser julgada à luz de</p><p>considerações contemporâneas", disse o comunicado do governo espanhol. Madri "lamenta</p><p>profundamente" que o presidente mexicano tenha publicado uma carta com este pedido.</p><p>"Nossos irmãos sempre souberam ler nosso passado compartilhado sem raiva e com uma</p><p>perspectiva construtiva, como povos livres com uma herança comum e uma projeção</p><p>extraordinária", acrescentou o governo da Espanha. A reação oficial de Madri enfatiza</p><p>"sua disposição para trabalhar em conjunto com o governo do México e continuar construindo a</p><p>estrutura apropriada para intensificar as relações de amizade e cooperação entre os dois países,</p><p>o que nos permite enfrentar os desafios futuros com uma visão compartilhada".</p><p>O Vaticano ainda não se pronunciou sobre o caso.</p><p>O pedido do presidente mexicano ocorre no ano de aniversário de 500 anos</p><p>da Batalha de Centla, considerada o primeiro confronto entre o conquistador espanhol Hernán</p><p>Cortez e os povos nativos do México. "Houve massacres, arbitrariedades [...]. A chamada</p><p>conquista se fez com a espada e com a cruz católica, foram construídas igrejas sobre os</p><p>templos[pré-hispânicos]", afirmou López Obrador na transmissão.”15</p><p>6.2 – MAIAS</p><p>A civilização maia se desenvolveu na Península do Yucatán e se expandiu até onde hoje é a</p><p>Guatemala. O surgimento e o desenvolvimento cultural dos maias estenderam-se</p><p>aproximadamente de 250 até 900 d.C. Percebem que foi antes a criação de Tenochtitlán (1325).</p><p>http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2011/ju490_pag03.php#> Acessado em 26-03-</p><p>2019.</p><p>15 México quer que rei da Espanha e papa Francisco peçam desculpas pela colonização -</p><p>25/03/2019 - Mundo – Folha. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/03/mexico-</p><p>quer-que-rei-daespanha-e-papa-francisco-pecam-desculpas-pela-colonizacao.shtml . Acesso em 25-03-</p><p>2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>36</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Antes da ascensão dos astecas, Alê? É isso mesmo, os maias se desenvolveram em um período</p><p>anterior aos astecas. Quando chegou no século XV, na expansão do Império Asteca, os maias</p><p>foram conquistados.</p><p>Diferentemente dos astecas e incas, os maias não se organizavam como Império. Ao contrário,</p><p>sua organização política se assemelhava a uma cidade-estado. Contudo, o centro da vida social</p><p>era a religiosidade e o templo corresponde ao que na Grécia chamaríamos de Acrópole, lembra-</p><p>se? Por isso, alguns historiadores chamam as cidades maias de cidades-templos, ou seja, um</p><p>conjunto de construções destinadas a diferentes atividades sociais (como rituais e comércio)</p><p>formavam um templo.</p><p>A sociedade maia tinha uma organização social dividida em dois estamentos:</p><p>➢ povo comum, ligado ao trabalho agrário;</p><p>➢ e a casta dominante era formada por governantes, sacerdotes e guerreiros.</p><p>Aos sacerdotes e sábios estudiosos podem ser atribuídas as criações no campo da matemática,</p><p>da escrita, da astronomia, da arquitetura, das pinturas de murais, das cerâmicas e ornamentos.</p><p>Segundo os especialistas nos estudos sobre os maias, este povo desenvolveu uma cultura</p><p>profundamente sofisticada.</p><p>Os maias eram politeístas e seus deuses podiam ter natureza antropomorfa, fitomorfa,</p><p>zoomorfa e astral. Ou seja, na cosmologia maia, a natureza, o espírito e o homem são partes</p><p>integradas do universo.</p><p>Quando da chegada do colonizador europeu, os maias estavam sendo conquistados pelos</p><p>astecas. Contudo, o legado cultural dos maias foi profundamente assimilado pelos povos que os</p><p>sucederam.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>37</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>6.3 – INCAS</p><p>16Antes de tudo, quero ressaltar que os estudos</p><p>sobre os povos que viveram nos Andes ainda são</p><p>pouco conhecidos, sobretudo, sobre o Império</p><p>Inca, conforme leciona o antropólogo John Murra,</p><p>professor da Cornell University. e qualquer forma,</p><p>pelo que já conhecemos, vários povos se</p><p>desenvolveram na América do Sul, na região</p><p>Andina Central.</p><p>Os incas se desenvolveram e se expandiram</p><p>por praticamente todo o Andes, em uma extensão</p><p>que atravessava os atuais Peru, Equador, Bolívia,</p><p>Chile. São originários do povo quichuá (quéchua</p><p>ou quécua). INCA quer dizer</p><p>“filho do sol”, assim,</p><p>Inca era uma designação para nomear o</p><p>imperador.</p><p>Assim como os astecas, o povo inca se</p><p>organizou como um Império centralizado no qual</p><p>o imperador era considerado um deus na terra. Ele</p><p>também era o chefe militar.</p><p>O auge da civilização inca foi entre os séculos</p><p>XV e XVI e atingiu uma população de cerca de 1</p><p>milhão de pessoas. É importante ressaltar que o</p><p>império incaico era multiétnico. No entanto, a</p><p>centralização era recente, à época em que Cuzco</p><p>foi invadida pelos espanhóis, com 3 ou 4 gerações de imperadores.</p><p>Os incas não conheciam nem o ferro, nem a roda e nem a escrita. Apesar disso tinham uma</p><p>importante sofisticação urbana com sistema de estradas, pontes suspensas e sistema de</p><p>comunicação ágil. Suas cidades eram muito ricas, especialmente, a capital estabelecida em Cuzco</p><p>(no atual Peru). As áreas mais densamente povoadas estavam no altiplano.</p><p>16 ARRUDA, José Jobson de A. Atlas Histórico Básico. São Paulo: Ed. Ática, 2008, p. 21.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>38</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A sociedade incaica era estamental. No campo, a sociedade era organizada</p><p>localmente por meio de uma extensa família. Cada família cuidava de uma “aldeia”</p><p>e armazenava o que precisava. O sistema de produção era por terraços. Conheciam</p><p>o cultivo de centenas de espécies de milho. Também produziam tabaco e batata.</p><p>Domesticavam e criavam lhama.</p><p>A religião dos incas era caracterizada pela adoração de vários elementos da</p><p>natureza, como o sol, a lua, o raio e a terra. O principal centro religioso foi Machu</p><p>Picchu (no atual Peru).</p><p>Com o crescimento da sociedade e da produção, novos arranjos sociais e produtivos se</p><p>desenvolveram. Nesse processo, apareceram as relações de produção baseadas em um tipo de</p><p>trabalho permanente o qual conhecemos como MITA. Cada aldeia, organizada etnicamente,</p><p>mandava pessoas para trabalharem nas “ilhas produtivas”, a uma distância de 2 a 8 dias de</p><p>distância.</p><p>O trabalho dessas pessoas era uma espécie de imposto a ser pago pela aldeia ao Estado. O</p><p>modo como essas pessoas eram escolhidas, bem como, como mantinham a fidelidade com seu</p><p>aldeamento original ainda é pouco conhecido. O que sabemos é que quanto maior a</p><p>complexidade do Império, mais multiétnica essas “ilhas produtivas” ficavam. De qualquer</p><p>maneira, o intercâmbio social era garantido. Há relatos de esposas que iam até as ilhas produtivas</p><p>para visitar seus maridos.</p><p>Além disso, em algumas situações, essa população era chamada aos serviços públicos, em uma</p><p>espécie de servidão coletiva temporária.</p><p>A palavra mita vem de mitmac, que na linguagem quéchua significa COLONO. Então,</p><p>mita era uma espécie de sistema de colonato, diferente da servidão medieval na qual</p><p>o servo estava preso à terra particular de um senhor. Mas é diferente também da</p><p>servidão coletiva da antiguidade oriental, como no Egito. Algumas vezes, explicava-se</p><p>mita como se fosse um sistema de servidão estatal coletiva. Mas não era bem assim.</p><p>Veja, o indivíduo não trabalhava na terra em que morava; não eram todos os camponeses que iam</p><p>para ilhas produtivas; os que iam mantinham relações com suas aldeias de origem, defendendo-</p><p>as quando se encontravam com outras etnias no seu lugar de trabalho. A origem da mita, embora</p><p>seja um tipo de trabalho, é uma relação tributária de dever de um povo com o estado Inca.</p><p>Em 1531, 20 anos após Hernán Cortés invadir e destruir a capital asteca, os espanhóis entraram</p><p>em contato com os incas considerando que já conheciam os povos originários, em função das</p><p>experiências anteriores. Só que não! Pois, acima, vimos a complexidade da sociedade inca.</p><p>Em partes, o primeiro contato com os povos dos Andes foi fruto de um “bocado de boatos”.</p><p>Francisco Bizarro e Almagro, que estavam na região do Panamá, receberam informações de que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>39</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>havia um rico reino a ser conquistado. Assim, começaram a articular uma expedição de exploração</p><p>e conquista em direção ao Pacífico.</p><p>Para aprofundar um pouquinho, a chegada dos espanhóis ocorreu em meio a um cenário de</p><p>crise política motivada por uma disputa sucessória. O imperador Huayana morreu e deixou dois</p><p>filhos de mães distintas – eram Huascar e Atahualpa. Diante dessa crise interna, Huascar acreditava</p><p>que os espanhóis poderiam ser seus aliados para derrotar o meio irmão Atahualpa.</p><p>Evidentemente, os espanhóis se aproveitaram desse cenário.</p><p>Sob o comando do ganancioso Francisco Pizzaro, os espanhóis empreenderam um violento</p><p>processo de dominação. Contudo, metade dos 180 homens e 30 cavalos morreu no caminho,</p><p>antes de chegar aos pés dos Andes. Mesmo assim, Pizzaro foi vitorioso. Como Cortés, soube se</p><p>aproveitar das tensões internas já existentes para dominar a população. Invadiram Cuzco, a cidade</p><p>de ouro. Isso desestabilizou toda a organização política e administrativa do Império.</p><p>O modelo espanhol de dominação era aproveitar essas tensões internas, capturar o líder e fazê-lo</p><p>reconhecer a autoridade e a legitimidade do poder para o Rei da Espanha e, assim, usar a estrutura</p><p>administrativa e produtiva – já centralizada por uma rede de instituições e funções burocráticas -</p><p>para canalizar para os espanhóis o lucro do domínio.</p><p>Atahualpa foi preso pelos espanhóis. Seus aliados descobriram a aliança de Huascar com os</p><p>europeus.</p><p>Em 1533, em meio a diversos motins entre diferentes grupos étnicos, Huascar foi morto. Na</p><p>sequência, os espanhóis conspiraram e mataram Atahualpa. Os irmãos estariam mortos e, então,</p><p>em 1535, Pizarro pôde fundar uma nova capital, em Lima – no atual Peru.</p><p>Ainda assim, houve muita resistência. Os incas não se entregaram com a morte dos dois</p><p>sucessores. Foram 40 anos de Guerra, até que em 1571, o último imperador inca foi morto: Tupac</p><p>Amaru. Cuzco caiu!</p><p>Por fim, em 1572, o último reduto inca, a cidade de Vilcabamba caiu em mãos espanholas.</p><p>Ainda assim, contam alguns relatos orais de época, bolsões de revolta não deixaram espanhóis</p><p>dominarem em paz.</p><p>Para finalizar, transcrevo um argumento central, do professor da Universidade de Oxford J. H.</p><p>Elliott para explicar como os espanhóis tiveram tanta sorte na conquista de impérios centralizados</p><p>e fortes como os asteca e inca. Ele afirma:</p><p>Foi justamente por serem sociedades centralmente organizadas, altamente</p><p>dependentes da autoridade de um único governante, que os impérios de Montezuma</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>40</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e de Atahualpa caíram com relativa facilidade sob a espada dos espanhóis. Territórios</p><p>de áreas vastas jamais poderiam ter sido conquistadas tão rapidamente se já não</p><p>estivessem sendo dominadas por um poder central com uma elaborada máquina para</p><p>o controle de regiões distantes. Todavia, no México central e no Peru os invasores sem</p><p>esperar se viram herdeiros de um processo de expansão imperial que não cessou com</p><p>sua chegada. O avanço contínuo, na era pós-conquista, do náhuatl e do quíchua, a</p><p>língua dos mexicas e dos incas, sugere a existência nessas regiões de uma dinâmica</p><p>interno no sentido de um maior grau de unificação, que somente podia operar em</p><p>benefício do conquistador. O império poderia ser uma ficção legal conveniente, mas</p><p>tinha em fatos preexistentes sua justificativa, de uma maneira da qual os próprios</p><p>espanhóis tinham uma consciência apenas uma consciência difusa.17</p><p>7. SISTEMA COLONIAL ESPANHOL</p><p>Na sequência da conquista dos territórios do “novo mundo e dos “índios”, os</p><p>espanhóis passaram à implantação do Sistema de Exploração Colonial. Na</p><p>prática, tratava-se de implantar as práticas mercantilistas na colônia. Para tanto,</p><p>historiadores afirmam que houve uma transposição</p><p>dos mecanismos políticos-</p><p>administrativos europeus.</p><p>Veremos que nem sempre deu certo e foi preciso fazer certas adaptações, afinal, ao longo</p><p>do tempo houve uma série de resistências. Estas não vieram apenas dos grupos sociais</p><p>submetidos à máxima exploração e servidão – como os originários – mas, também, de outros</p><p>grupos intermediários que foram constituindo interesses diversos daqueles da metrópole</p><p>espanhola, como os filhos de espanhóis nascidos na América que se envolviam com diferentes</p><p>atividades econômicas, os clérigos que se aproximaram dos índios, a burocracia estatal, entre</p><p>outros.</p><p>Além disso, a “sede de ouro” do século XV não se esgotou, mas suas fontes de satisfação</p><p>sim. No século XVII, as minas de prata e ouro se esgotaram deixando apenas um rastro de</p><p>pobreza, como é o caso de Potosí, na Bolívia – uma das principais minas de prata da América</p><p>espanhola. Essa situação mudou o cenário e contribuiu para as crises internas e até mesmo do</p><p>Sistema de Exploração Colonial. Contudo, querido e querida, a desagregação do sistema</p><p>colonial será assunto das aulas de América Latina posteriores. Por agora, vamos consolidar seu</p><p>conhecimento sobre como o Sistema foi implantado. Sigamos!</p><p>17 ELLIOTT J.H. A conquista espanhola e a colonização da América. In: BETHELL, Leslie. América Latina</p><p>Colonial. Volume 1.São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília: Fundação Alexandre</p><p>Gusmão, 2018, p. 172</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>41</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>7.1 – ESTRUTURA E ADMINISTRAÇÃO ECONÔMICA E DO TRABALHO</p><p>Os espanhóis concentraram suas atividades coloniais na extração mineral. Ouro e prata,</p><p>sobretudo, no México e no Peru.</p><p>Além disso, no Chile e em uma parte do México, as terras produtivas foram divididas em</p><p>haciendas – grandes propriedades territoriais – doadas pela coroa aos espanhóis. Não</p><p>necessariamente se praticava a monocultura e o trabalho prioritário utilizado foi o dos índios.</p><p>A administração da economia colonial estava organizada sobre duas estruturas, cujo objetivo</p><p>era centralizar a administração e garantir a máxima intervenção e controle da Coroa sobre toda</p><p>atividade econômica:</p><p>❖ CASA DE CONTRATAÇÃO:</p><p>Era o órgão que centralizava a cobrança e arrecadação de impostos sobre todo tipo</p><p>de circulação no território colonial. Foi isso mesmo que você leu: TODA CIRCULAÇÂO:</p><p>mercadorias, pessoas, informações</p><p>❖ SISTEMA DE PORTO ÚNICO:</p><p>Era a organização da circulação entre a Colônia e a Metrópole. Baseava-se na ideia de</p><p>que todos os navios sairiam da Espanha apenas do Porto de Cádiz e chegariam na</p><p>Colônia em apenas 3 Portos:</p><p>Observe abaixo a localização dos 3 Portos</p><p>18</p><p>7.1.1 – Formas de exploração do trabalho</p><p>Nas minas a principal forma de trabalho utilizada para</p><p>extrair enorme quantidade de metais preciosos foi a MITA.</p><p>18 Adaptado de VICENTINO, Claudio; Dorigo, Gianpaolo; VICENTINO, José. Projeto Múltiplo – História.</p><p>Ensino Médio. São Paulo: Ed. Scipione, 2014, p.435.</p><p>Porto de Cádiz,</p><p>Espanha.</p><p>Vera Cruz • México</p><p>Porto</p><p>Belo • Panamá</p><p>Cartagena • Colômbia</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>42</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Mas, Profe, MITA não era um tributo pago em forma de trabalho por uma aldeia étnica? Como assim,</p><p>mita?</p><p>Pois é caríssimo e caríssima, quando os espanhóis começaram a implantar o sistema de</p><p>exploração colonial, eles utilizaram as estruturas pré-existentes, lembra-se? Assim também foi com</p><p>o uso da mita. No entanto, os colonizadores ressignificaram, adaptaram e mudaram o sentido da</p><p>mita, afinal, o próprio sentido da produção foi alterado – agora, tratava-se de garantir o</p><p>enriquecimento da Metrópole por meio do metalismo.</p><p>Era preciso extrair rapidamente o máximo possível de metais preciosos para atingir os objetivos</p><p>do mercantilismo. Era o metalismo, como já vimos!</p><p>Assim, a mita passou a ser um trabalho compulsório, principalmente nas minas de ouro e</p><p>prata. Trabalho que deveria ser executado até a exaustão final da pessoa: sua morte. Os vínculos</p><p>sociais com as aldeias de origem foram desestimulados e a quantidade de homens que iam para</p><p>as minas aumentou significativamente. Jovens e crianças iam para as minas, também. O trabalho</p><p>era de grande degradação da saúde humana, pois usavam mercúrio.</p><p>Eduardo Galeano, no seu livro As veias abertas da América Latina, descreve que</p><p>Os índios entravam nas profundidades e, ordinariamente eram retirados mortos ou com</p><p>cabeças e pernas quebradas. Os mitayos retiravam o minério com a ponta de uma barra</p><p>e o carregavam nas costas, por escadas, à luz de uma vela. Fora do socavão, moviam</p><p>enormes eixos de madeira nos engenhos ou fundiam a prata no fogo, depois de moê-</p><p>la e lavá-la. A mita era uma máquina de triturar índio. 19</p><p>Além da MITA, na produção agrícola, predominou a forma de exploração do trabalho</p><p>chamada ENCOMIENDA. A coroa, por meio dos administradores dos Vice-reinados distribuíam</p><p>as haciendas – ou estâncias (grandes propriedades rurais) – aos espanhóis. Estes recebiam o direito</p><p>de explorar o trabalho indígena em troca de catequizá-los, por isso eram chamados de</p><p>encomienderos – porque encomendava aos índios à salvação de suas almas por meio da</p><p>cristianização.</p><p>A encomenda constitui-se como uma dupla agressão: primeiro por impor um trabalho</p><p>compulsório na terra e depois porque era uma forma de imposição cultural religiosa.</p><p>A escravidão negra africana foi usada em pequena escala nas regiões dominadas pela</p><p>Espanha, com exceção de algumas áreas da América Central, como Cuba e Haiti. Isso torna a</p><p>19 GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: ed. Paz e Terra,1989, p. 52.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>43</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>estrutura da escravidão na América Espanhola diferente da América Portuguesa, pois a escravidão</p><p>negra africana se tornou estrutural na Colônia Portuguesa – o Brasil.</p><p>Veja, mita e encomenda não são, em tese, formas de trabalho escravo. Apesar disso, submetiam</p><p>os povos originários ao trabalho forçado. Assim, precisamos ter claro que escravidão é a condição</p><p>de mercadoria a qual a pessoa é submetida, não é apenas uma relação de trabalho. A pessoa se</p><p>torna propriedade quer seja do estado – no caso da escravidão estatal -, quer seja de um particular.</p><p>Por isso, ela poderia ser vendida, comprada, alugada e submetida a sevícias corporais ou físicas.</p><p>No período colonial, a Igreja Católica colocava alguns limites morais ao tratamento destinado aos</p><p>negros e, principalmente, aos índios.</p><p>Assim, podemos afirmar que houve, como consequência, uma desagregação das relações</p><p>sociais que existiam antes da implantação do sistema de exploração colonial espanhol. Veja o que</p><p>os professores Stanley e Stein afirmam sobre a herança colonial na América Latina:</p><p>“Ao longo dos primeiros duzentos anos de dominação colonial, os espanhóis</p><p>desenvolveram um setor mineiro que permitiu a manutenção da economia</p><p>metropolitana e da posição internacional espanhola em meio às demais nações da</p><p>Europa Ocidental. As primeiras descobertas ocorreram no México e no Peru. (...) Foi</p><p>exatamente nessas regiões que os espanhóis abriram as minas e criaram os subsetores</p><p>vinculados aos núcleos mineiros e às grandes propriedades fundiárias dedicadas à</p><p>lavoura e à pecuária. O sucesso da empresa literalmente dizimou a população indígena</p><p>e destruiu as estruturas agrárias anteriores à conquista. A estância, unidade produtora</p><p>voltada para a pecuária, surgiu das ruínas dessas culturas dizimadas pelos espanhóis.”</p><p>20</p><p>(FUVEST 2015)</p><p>Uma observação comparada dos regimes de trabalho adotados nas</p><p>Américas de colonização ibérica permite afirmar corretamente que,</p><p>entre os séculos XVI e XVIII,</p><p>a) a servidão foi dominante em todo o mundo</p><p>português, enquanto, no</p><p>espanhol, a mão de obra principal foi assalariada.</p><p>20 STANLEY, J. S. e STEIN, B. A herança colonial na América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra,</p><p>1976, p. 29-35.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>44</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) a liberdade foi conseguida plenamente pelas populações indígenas da América espanhola</p><p>e da América portuguesa, enquanto a dos escravos africanos jamais o foi.</p><p>c) a escravidão de origem africana, embora presente em várias regiões da América</p><p>espanhola, esteve mais generalizada na América portuguesa.</p><p>d) não houve escravidão africana nos territórios espanhóis, pois estes dispunham de farta</p><p>oferta de mão de obra indígena.</p><p>e) o Brasil forneceu escravos africanos aos territórios espanhóis, que, em contrapartida,</p><p>traficavam escravos indígenas para O Brasil.</p><p>Comentário</p><p>Essa questão vai ficar muito mais clara para você depois da aula sobre colonização</p><p>portuguesa. Mas eu já quis colocá-la nessa aula para que você perceba uma forma de</p><p>cobrança da FUVEST: comparativa! Essa banca adora comparar os períodos e os</p><p>acontecimentos dentro de períodos. Porque isso, Alê? Porque a perspectiva comparativista</p><p>é bastante utilizada nas ciências humanas. Então, você também tem que ficar esperto, ok!</p><p>O regime de trabalho predominante na América espanhola foi o trabalho forçado – mita e</p><p>encomenda. Mas, também houve escravidão em pontos específicos, como na América</p><p>Central.</p><p>Já na colonização portuguesa o regime de trabalho generalizado era a escravidão negra</p><p>africana, mas também a indígena, apesar de ser proibido.</p><p>Gabarito: C</p><p>7.2 – ESTRUTURA SOCIAL, POLÍTICA E ADMINISTRATIVA DO SISTEMA COLONIAL ESPANHOL</p><p>As estruturas social, política e administrativa estão interligadas. A estrutura social era</p><p>rigidamente hierarquizada. Os espanhóis tinham políticas antimiscigenação, além de sua</p><p>mentalidade ser altamente segregadora. Havia, inclusive, uma divisão entre os espanhóis nascidos</p><p>na Europa, os chapetones, e os filhos de espanhóis nascidos na América, os crioullos. Estes eram</p><p>considerados inferiores.</p><p>Os povos nativos eram juridicamente considerados homens livres, ou seja, as leis proibiam a</p><p>escravização indígena. Evidentemente, eram considerados inferiores, incapazes e ilegítimos para</p><p>ocupar cargos políticos ou administrativos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>45</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p> Assim, a partir da posição na hierarquia social, as</p><p>pessoas ocupavam ou não cargos na estrutura</p><p>produtiva e econômica da colônia. Veja a pirâmide</p><p>que demonstra a importância dos grupos sociais.</p><p>CUIDADO, não se trata de uma pirâmide que</p><p>expressa a proporção numérica de composição da</p><p>sociedade, mas apenas a relação de importância dos</p><p>grupos sociais.</p><p>Do ponto de vista administrativo, a colônia estava organizada em Vice-reinados, intendências</p><p>e câmaras municipais ou cabildos e Capitânias Gerais. Havia um órgão central para cuidar da</p><p>Colônia, o Conselho Real e Supremo das Índias. Ele nomeava os responsáveis pelos vice-reinos</p><p>➢ Vice-reinados: inicialmente existiam</p><p>dois, Nova Espanha e Peru. Depois</p><p>foram criados mais dois, Rio da</p><p>Prata e Nova Granada.</p><p>➢ Capitânia-geral: eram áreas</p><p>estratégicas e militares.</p><p>➢ Intendências: subdivisões</p><p>administrativas dos Vice-Reinos.</p><p>➢ Cabildos: também eram subdivisões</p><p>menores para atender aos</p><p>interesses locais, era uma espécie</p><p>de municipalidade.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>46</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Na sequência, observe a correlação entre a divisão administrativa da colônia e a ocupação dos</p><p>cargos por cada um dos grupos sociais:</p><p>Quanto à questão cultural, quero ressaltar um elemento fundamental – e que também</p><p>diferencia a colonização espanhola da portuguesa-, a criação das Universidades!</p><p>A Universidade de São Domingos, na República Dominicana, é historicamente a primeira universidade</p><p>das Américas, criada em 1538.</p><p>Depois vieram:</p><p>San Marcos, no Peru (1551);</p><p>México (1553), Bogotá (1662);</p><p>Cuzco (1692), Havana (1728);</p><p>Santiago (1738) no caso em relação ao Brasil, embora já contasse com escolas superiores isoladas</p><p>desde 1808, somente no século 20 é que se constituíram Universidades.</p><p>A criação das Universidades nas colônias espanholas está relacionada com a questão religiosa. Era</p><p>parte das estratégias da Igreja e dos reis cristãos para difundir a fé cristã. Não podemos nos esquecer de</p><p>que o século XVI é o momento das Reformas Religiosas, bem como a Contrarreforma Católica. Nesse sentido,</p><p>Igreja e Monarquia encontram nas colônias um universo de almas a serem convertidas.</p><p>No final do século XVII, a América Espanhola somava doze universidades, todas com os</p><p>mesmos objetivos: domínio da cultura cristã, forte dogmatismo doutrinário, preocupação com a</p><p>formação profissional burocrática e ênfase nas disciplinas humanas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>47</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>7.3 - A IGREJA CATÓLICA NA AMÉRICA ESPANHOLA</p><p>Já no processo de expansão territorial dos reinos ibéricos na África (Madeira, Açores, Ilhas</p><p>Canárias), século XV, a Igreja Católica legitimava as conquistas sobre os povos subjugados.</p><p>Contudo, a partir de uma concepção segundo a qual as populações conquistadas deveriam ser</p><p>evangelizadas. Nesse sentido, em troca da legitimação que o papado conferia às ações dos</p><p>espanhóis no “além-mar”, os monarcas católicos se comprometiam a apoiar, proteger e manter a</p><p>atividade de evangelização católica, tanto nas feitorias (África), quanto nos reinados e colônias</p><p>(América).</p><p>Nesse contexto, de acordo com estudo organizado pelo professor da Universidade de</p><p>Londres e Oxford, Leslie Bethell21, a “política eclesiástica tronou-se mais um aspecto da política</p><p>colônia coordenada após 1524 pelo Conselho das Índias (...) À Igreja na América fora confiada</p><p>uma missão prática: apressar a submissão e a europeização dos índios e pregar a lealdade à coroa</p><p>de Castela”22.</p><p>Uma das preocupações da Igreja, que a fez assumir essa função logo no início dos processos</p><p>de colonização, foi o crescimento do protestantismo na Europa. Com efeito, a Igreja Católica se</p><p>viu diante de um grande desafio de evangelização no Novo Mundo, segundo a lógica de que:</p><p>“uma vez estabelecida a autoridade espanhola, as ordens missionárias entraram em cena para</p><p>evangelizar os povos conquistados”23.</p><p>No geral, você deve pensar no seguinte esquema:</p><p>Primeiro: conquista política e militar;</p><p>Segundo: conquista espiritual.</p><p>Importante frisar que, embora imbuídos desse papel favorável aos</p><p>dominadores, muitos clérigos de correntes doutrinárias reformistas</p><p>apresentavam divergências no trato com os povos originários. Isso porque, a influência do</p><p>humanismo do renascimento contribuiu para construir uma concepção humana dos então</p><p>considerados nativos. A tendência foi conceber os índios como iguais por também serem filhos</p><p>de Deus. Dessa forma, emergiu um choque, um conflito, entre a visão dos principais evangelistas</p><p>e a mentalidade colonialista. Isso porque muitos foram os clérigos que optaram por defender os</p><p>índios. No caso do Brasil, esse conflito ficou bem expresso entre os jesuítas e os bandeirantes.</p><p>Um dos clérigos mais conhecidos que se oponha à violência do papel dominador, por</p><p>exemplo, foi Bartolomé de Las Casas (1484-1566), um frade dominicano. Bartolomé atuou nas</p><p>Antilhas, uma das primeiras terras conquistadas pelos espanhóis nas Américas. Aqui, pregou a</p><p>prática da Igreja regular (aquela que estava mais voltada às origens do cristianismo) e se</p><p>21 BETHELL, Leslie (org). América Latina Colonial. São Paulo: Ed. USP. 2018, pp. 521-552.</p><p>22 BETHELL, Leslie (org). Idem, pp. 522-523.</p><p>23 Idem, ibidem. p. 524.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>48</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>posicionou contrário ao modo como o sistema colonial começava a se desenvolver, isto é, com</p><p>violência sobre os índios.</p><p>Além dos dominicanos, como Bartolomé de Las Casas, outras ordens católicas assumiram</p><p>a missão, foram elas:</p><p>• Franciscanos (os primeiros a chegar no México, em 1524, e, depois, no Peru, em 1534);</p><p>• Agostinianos</p><p>• Mercedários</p><p>• Jesuítas (somente a partir de 1568, pois foi uma ordem criada no início do século XVI).</p><p>Por um lado, para essas diversas ordens católicas, o Novo Mundo representava uma</p><p>Providência Divina para a construção do “Reino de Deus” e a restauração da Igreja primitiva</p><p>(secular). Por outro, para a monarquia espanhola, a vantagem de apostar em um modelo de</p><p>missionários – com frades e clérigos mendicantes – era que não havia ameaças de apropriações</p><p>indevidas dos metais, em regra. Como eram correntes doutrinárias que pregavam a devoção e a</p><p>vida livre de bens materiais, os negócios da coroa não estariam ameaçados. Sacou a malandragem</p><p>dos reis? Duplo aproveitamento dos clérigos. Na verdade, triplo, veja só...</p><p>Os católicos que partiram para a América Espanhola também foram importantes para</p><p>ajudar na vida administrativa das terras conquistadas. As dioceses estabelecidas nas cidades</p><p>influenciavam tanto a vida religiosa (importante para o relacionamento com os índios e com a</p><p>própria disciplinarização dos espanhóis), quanto a vida civil. Por meio das dioceses eram feitas</p><p>indicações dos candidatos a benefícios e executava-se boa parte das leis das autoridades políticas.</p><p>A partir das dioceses – estruturas maiores localizadas nas grandes cidades -, organizavam-se as</p><p>paróquias, as quais mantinham o controle sobre os pequenos povoados.</p><p>Dentro desse papel administrativo, em 1576, o papa Gregório XIII autorizou que crioulos</p><p>pudessem ascender ao sacerdócio, principalmente por conhecerem melhor a língua dos indígenas.</p><p>Ocorreu que, somente no século XVIII, que foi identificado um número significativo de índios e</p><p>crioulos em postos religiosos nas dioceses e paróquias. Não por menos, o crescimento do trabalho</p><p>educacional religioso dos jesuítas os tornou uma força ameaçadora dos interesses dos colonos</p><p>espanhóis. A soma da desconfiança dos colonos para com os jesuítas, com o crescente ideal da</p><p>Ilustração de controle do Estado sobre a religião, inaugurou, na metade do século XVIII uma forte</p><p>campanha antijesuítica. Assim, a Espanha, seguindo o exemplo de Portugal, expulsou os jesuítas</p><p>de das terras espanholas em 1767.</p><p>Como adiantado acima, a Igreja Católica também influenciou a construção das universidades no</p><p>século XVI: na Cidade do México; em Lima; em Santo Domingo; em Quito; e, em Bogotá. Ou seja,</p><p>repare que a Igreja foi uma entidade fundamental para organizar toda uma sociedade colonial,</p><p>desde a dominação dos índios, passando por assuntos administrativos, até chegar na formação do</p><p>intelecto que se desenvolveu nas Américas. E tem mais, acompanha só.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>49</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Os conventos, como o das carmelitas, também instalados nas principais cidades vinculadas</p><p>aos negócios, encarregaram-se da educação religiosa das mulheres das famílias dos crioulos. Isso</p><p>porque, boa parte da vida dos conventos girava em torno da preparação das mulheres para o</p><p>casamento. Por sua vez, as mulheres índias não eram aceitas como iguais nos conventos.</p><p>Outro ponto importante da atuação da Igreja Católica nas Américas, que contribuiu para</p><p>consolidá-la como instituição preponderante, foi o trabalho da Inquisição. Com destaque a partir</p><p>do século XVII, apesar do trabalho das doutrinas restauracionistas, o setor da Igreja mais vinculado</p><p>ao papado, passou a considerar o misticismo, os crioulos infiéis, os protestantes e os judeus que</p><p>ousavam a viver em terras espanholas, como hereges e pagãos. Toda idolatria dos índios, por</p><p>exemplo, passou a ser condenada como feitiçaria.</p><p>Os trabalhos da Inquisição desembarcaram nas Américas em 1519 e, mais tarde, passaram</p><p>a funcionar como Tribunais (1570, em Lima; 1571, na Cidade do México).</p><p>Embora a maioria dos casos da Inquisição tivessem recaído sobre ingleses, franceses,</p><p>holandeses, belgas e alemães, diante de diferentes formas de terror até então já vividas,</p><p>Os índios se viram efetivamente aterrorizados e obrigados a viver suas vidas numa</p><p>duplicidade esquizofrênica. Exteriormente, tornaram-se cristãos, ao passo que</p><p>interiormente continuavam adeptos de credos religiosos indígenas, cada vez mais</p><p>desvirtuados e desorganizados.24</p><p>No geral, a Inquisição na América espanhola impôs sua autoridade, de fato, contra negros,</p><p>escravos e homens livres que ameaçavam a ordem colonial estabelecida, seja por propagarem</p><p>religiões tidas por “supersticiosas”, seja por pregarem ideias potencialmente revolucionárias.</p><p>Diante desses elementos que chamam a atenção para o papel da Igreja Católica no sistema de</p><p>colonização espanhola, você deve fixar duas relações importantes:</p><p>O papel da Igreja junto aos índios,</p><p>O papel político da Igreja junto ao Estado espanhol (nas terras hispânico-americanas e diretamente</p><p>junto à coroa em Madri).</p><p>24 Idem, pp. 539-540.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>50</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre a chegada dos</p><p>Europeus na América. Estudamos um pouco sobre os povos originários de uma parte</p><p>das América -assunto tão distante da realidade brasileira, apesar de sermos</p><p>“Hermanos”.</p><p>Quanto ao controle de temporalidade, nós não avançamos na linha do tempo em relação</p><p>a aula anterior. Nessa aula nos aprofundamos no período do final do século XV e século XVI.</p><p>Agora, sabemos como foi a colonização espanhola na América. Isso é muito importante porque</p><p>muitas questões de vestibular fazem perguntas comparativas entre a colonização espanhola e a</p><p>portuguesa.</p><p>Assim, nossa próxima aula será sobre História brasileira. Então, ficaremos mais um</p><p>pouquinho nesse período histórico para aprendermos sobre a colonização portuguesa e, assim,</p><p>vamos arrasar nas comparações!</p><p>É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveita TODOS os comentários,</p><p>porque foram pensados em cada detalhe para ensinar o conteúdo e, também, nas melhores</p><p>formas de respondê-las!</p><p>Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem!</p><p>Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim!</p><p>Alê 😊</p><p>8. QUESTÕES ESSENCIAIS – ENEM</p><p>(ENEM PPL – 2019)</p><p>Os pesquisadores que trabalham com sociedades indígenas centram sua atenção em</p><p>documentos do tipo jurídico-administrativo (visitas, testamentos, processos) ou em relações</p><p>e informes e têm deixado em segundo plano as crônicas. Quando as utilizam, dão maior</p><p>importância àquelas que foram escritas primeiro e que têm caráter menos teórico e</p><p>intelectualizado, por acharem que estas podem oferecer informações menos deformadas.</p><p>Contrariamos esse posicionamento, pois as crônicas são importantes fontes etnográficas,</p><p>independentemente de serem contemporâneas ao momento da conquista ou de terem sido</p><p>redigidas em período posterior. O fato de seus autores serem verdadeiros humanistas ou</p><p>pouco letrados não desvaloriza o conteúdo dessas crônicas.</p><p>PORTUGAL, A. R. O ayllu andino nas crônicas quinhentistas: um polígrafo na literatura brasileira do</p><p>século XIX (1885-1897). São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.</p><p>As fontes valorizadas no texto são relevantes para a reconstrução da história das sociedades</p><p>pré-colombianas porque</p><p>a) sintetizam os ensinamentos da catequese.</p><p>b) enfatizam os esforços de colonização.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>51</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>c) tipificam os sítios arqueológicos.</p><p>d) relativizam os registros oficiais.</p><p>e) substituem as narrativas orais.</p><p>(ENEM – 2018)</p><p>O encontro entre o Velho e o Novo Mundo, que a descoberta de Colombo tornou possível,</p><p>é de um tipo muito particular: é uma guerra — ou a Conquista —, como se dizia então. E um</p><p>mistério continua: o resultado do combate. Por que a vitória fulgurante, se os habitantes da</p><p>América eram tão superiores em número aos adversários e lutaram no próprio solo? Se nos</p><p>limitarmos à conquista do México — a mais espetacular, já que a civilização mexicana é a</p><p>mais brilhante do mundo pré-colombiano — como explicar que Cortez, liderando centenas</p><p>de homens, tenha conseguido tomar o reino de Montezuma, que dispunha de centenas de</p><p>milhares de guerreiros?</p><p>TODOROV. T. A conquista da América. São Paulo: Martins Fontes. 1991 (adaptado).</p><p>No contexto da conquista, conforme análise apresentada no texto, uma estratégia para</p><p>superar as disparidades levantadas foi</p><p>a) implantar as missões cristãs entre as comunidades submetidas.</p><p>b) utilizar a superioridade física dos mercenários africanos.</p><p>c) explorar as rivalidades existentes entre os povos nativos.</p><p>d) introduzir vetores para a disseminação de doenças epidêmicas.</p><p>e) comprar terras para o enfraquecimento das teocracias autóctones.</p><p>(ENEM PPL – 2018)</p><p>Embora a compra de cargos e títulos fosse bem difundida na América, muitos nobres, aí</p><p>moradores, receberam títulos da monarquia devido a suas qualidades e serviços. Desde o</p><p>século XVI, os títulos de marquês e conde (títulos de Castela) eram concedidos, sobretudo,</p><p>aos vice-reis e capitães-gerais nascidos na Espanha. Com menor incidência, esta mercê régia</p><p>também podia ser remuneração de serviços militares, de feitos na conquista, colonização e</p><p>fundação de cidades.</p><p>RAMINELLI, R. Nobreza e riqueza no Antigo Regime ibérico setecentista. Revista de História, n.</p><p>169, jul.-dez. 2013.</p><p>Segundo o texto, as concessões da Coroa espanhola visavam o fortalecimento do seu poder</p><p>na América ao</p><p>a) restringir os privilégios dos comerciantes.</p><p>b) reestruturar a organização das tropas.</p><p>c) reconhecer os opositores do regime.</p><p>d) facilitar a atuação dos magistrados.</p><p>e) fortalecer a lealdade dos súditos.</p><p>(ENEM 3ª. Aplicação - 2014)</p><p>À primeira vista que encontrei as ilhas, dei o nome de San Salvador, em homenagem à Sua</p><p>Alta Majestade, que maravilhosamente deu-me tudo isso. Os índios chamam esta ilha de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>52</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Guanaani. À segunda ilha dei o nome de Santa Maria de Concepción, à terceira, Fernandina,</p><p>à quarta, Isabela, à quinta, Juana, e assim a cada uma delas dei um novo nome.</p><p>Cristóvão Colombo. Carta a Santangel, 1493. In: TODOROV, T. A Conquista da América: a</p><p>questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1996.</p><p>O processo de nomeação e renomeação realizado pelos europeus no contexto da conquista</p><p>da América expressa</p><p>a) a valorização da natureza americana, uma vez que ela era considerada por europeus o</p><p>prémio pela conquista e colonização.</p><p>b) o desejo de estabelecer comunicação com os indígenas, uma vez que a busca pelo ouro</p><p>dependia do contato com os nativos.</p><p>c) a tomada de posse do novo mundo, uma vez que renomear era impor aos povos indígenas</p><p>os signos culturais europeus.</p><p>d) o caráter sagrado da américa, uma vez que fora considerada pelos europeus o paraíso</p><p>terrestre em virtude da bondade dos nativos.</p><p>e) a necessidade de orientação geográfica, uma vez que o ato de nomear permitia criar</p><p>mapas para futuras viagens na américa.</p><p>(ENEM – 2013)</p><p>O canto triste dos conquistados: os últimos dias de Tenochtitlán</p><p>Nos caminhos jazem dardos quebrados; os cabelos estão espalhados.</p><p>Destelhadas estão as casas,</p><p>Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém as tivesse tingido,</p><p>Nos escudos esteve nosso resguardo,</p><p>mas os escudos não detêm a desolação...</p><p>PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).</p><p>O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado ao(à)</p><p>a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo.</p><p>b) tentativa frustrada de resistência a um poder considerado superior.</p><p>c) extermínio das populações indígenas pelo Exército espanhol.</p><p>d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepassados.</p><p>e) profetização das consequências da colonização da América.</p><p>(ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2013)</p><p>Devem ser bons serviçais e habilidosos, pois noto que repetem logo o que a gente diz e creio</p><p>que depressa se fariam cristãos; me pareceu que não tinham nenhuma religião. Eu,</p><p>comprazendo a Nosso Senhor, levarei daqui, por ocasião de minha partida, seis deles para</p><p>Vossas Majestades, para que aprendam a falar.</p><p>COLOMBO, C. Diários da descoberta da América: as quatro viagens e o testamento. Porto Alegre:</p><p>L&PM, 1984.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>53</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>O documento destaca um aspecto cultural relevante em torno da conquista da América, que</p><p>se encontra expresso em:</p><p>a) Deslumbramento do homem branco diante do comportamento exótico das tribos</p><p>autóctones.</p><p>b) Violência militarizada do europeu diante da necessidade de imposição de regras aos</p><p>ameríndios.</p><p>c) Cruzada civilizacional frente à tarefa de educar os povos nativos pelos parâmetros</p><p>ocidentais.</p><p>d) Comportamento caridoso dos governos europeus diante da receptividade das</p><p>comunidades indígenas.</p><p>e) Compromisso dos agentes religiosos diante da necessidade de respeitar a diversidade</p><p>social dos índios.</p><p>(ENEM – 2012)</p><p>Mas uma coisa ouso afirmar, porque há muitos testemunhos, e é que vi nesta terra de</p><p>Veragua (Panamá) maiores indícios de ouro nos dois primeiros dias do que na Hispaniola em</p><p>quatro anos, e que as terras da região não podem ser mais bonitas nem mais bem lavradas.</p><p>Ali, se quiserem podem mandar extrair à vontade.</p><p>(Carta de Colombo aos reis da Espanha, julho de 1503. Apud AMADO J.; FIGUEIREDO, L. C.</p><p>Colombo e a América: quinhentos anos depois. São Paulo: Atual – 1991 – Adaptado.)</p><p>O documento permite identificar um interesse econômico espanhol na colonização da</p><p>América a partir do século XV. A implicação desse interesse na ocupação do espaço</p><p>americano está indicada na</p><p>a) expulsão dos indígenas para fortalecer o clero católico.</p><p>b) promoção das guerras justas para conquistar o território.</p><p>c) imposição da catequese para explorar o trabalho africano.</p><p>d) opção pela policultura para garantir o povoamento ibérico.</p><p>e) fundação de cidades para controlar a circulação de riquezas.</p><p>(ENEM 2010)</p><p>O Império Inca, que corresponde principalmente aos territórios da Bolívia e do Peru, chegou</p><p>a englobar enorme contingente populacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o centro</p><p>administrativo, com uma sociedade fortemente estratificada e composta por imperadores,</p><p>nobres, sacerdotes, funcionários do governo, artesãos, camponeses, escravos e soldados. A</p><p>religião contava com vários deuses, e a base da economia era a agricultura, principalmente</p><p>o cultivo da batata e do milho. A principal característica da sociedade inca era a</p><p>a) ditadura teocrática, que igualava a todos.</p><p>b) existência da igualdade social e da coletivização da terra.</p><p>c) estrutura social desigual compensada pela coletivização de todos os bens.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>54</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>d) existência de mobilidade social, o que levou à composição da elite pelo mérito.</p><p>e) impossibilidade de se mudar de extrato social e a existência de uma aristocracia</p><p>hereditária.</p><p>(ENEM PPL – 2009)</p><p>Na América espanhola colonial, a primeira prioridade dos invasores foi extrair riquezas dos</p><p>conquistados. Essa extração foi realizada mediante</p><p>a apreensão direta de excedentes</p><p>previamente acumulados de metais ou pedras preciosas. Isso tomou a forma de saques e</p><p>pilhagens, uma maneira oficialmente aceita de pagar soldados ou expedicionários</p><p>voluntários.</p><p>MACLEOD, Murdo J. Aspectos da economia interna da América espanhola colonial. In: BETHELL,</p><p>Leslie. História da América. São Paulo: Edusp; Brasília: Funag, 1999, v. II, p. 219-220.</p><p>Tendo em vista as características citadas, conclui-se que a América espanhola colonial</p><p>começou como uma sociedade</p><p>a) escolhida para representar o espírito da modernidade europeia na América.</p><p>b) engajada no comércio do qual provinham especiarias para serem distribuídas na Europa.</p><p>c) centrada na extração e beneficiamento mineral de recursos como ouro, prata e pedras</p><p>preciosas, ali encontrados.</p><p>d) fundada na lógica da conquista, ao se fazer uso da violência contra a população indígena</p><p>para a apropriação de riquezas.</p><p>e) voltada para o cultivo da cana-de-açúcar, produto bastante valorizado, tal como se</p><p>verificou nas colônias portuguesas.</p><p>9. QUESTÕES PARA APROFUNDAMENTO</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Uma observação comparada dos regimes de escravidão adotados na Antiguidade e na</p><p>América colonial permite afirmar corretamente que</p><p>a) a escravidão antiga se reproduzia exclusivamente através da importação de escravizados</p><p>por meio de um comércio internacional.</p><p>b) ambas envolviam um comércio internacional de cativos, mas possuíam mecanismos de</p><p>reprodução distintos.</p><p>c) em ambos os casos o indivíduo podia ser escravizado por dívidas, guerra ou por</p><p>nascimento.</p><p>d) nos dois casos apenas determinados povos eram escravizados, como forma de</p><p>manutenção de uma hierarquia racial entre os grupos humanos.</p><p>e) a escravidão moderna era baseada exclusivamente pelo nascimento, isto é, os filhos de</p><p>cativos eram também escravizados.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>55</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>“Durante algum tempo, os astecas acreditaram que estes ‘seres horríveis’ [espanhóis] fossem</p><p>deuses; como costumavam oferecer vidas humanas a suas divindades, sacrificaram</p><p>prisioneiros de guerra em louvor dos recém-chegados. Todavia, ‘quando os espanhóis viram</p><p>as vítimas, grande foi o seu desgosto; eles cuspiam, esfregavam os cílios, fechavam os olhos</p><p>[...] e quanto aos manjares, que estavam sempre cobertos de sangue, foram por eles</p><p>rejeitados [...]’. O que mais impressionava os astecas era a atitude dos espanhóis diante de</p><p>um metal amarelo, comum e sem valor, chamado ouro: ‘Iguais a macacos, enchiam as mãos</p><p>com ouro; depois sentavam-se, trêmulos de prazer [...] sem dúvida, eles o desejavam com</p><p>uma sede furiosa’”.</p><p>Fonte: Saga: a grande História do Brasil. São Paulo: Abril, 1981.</p><p>A reação dos europeus quando defrontados com os nativos americanos ocorreu em função</p><p>da(s)</p><p>a) suas diferenças culturais e econômicas na organização da sociedade.</p><p>b) incompatibilidade entre organizações republicanas e monarquista.</p><p>c) predisposição dos europeus em fazer guerra aos nativos.</p><p>d) resistência asteca a fazer acordos com os europeus.</p><p>e) interferência e sabotagem de outras nações europeias.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>“A primeira irmandade de negros de Lisboa nasceu na Igreja do Convento de São Domingos.</p><p>Neste convento havia uma irmandade de N. S. do Rosário instituída por pessoas brancas,</p><p>provavelmente no final do século XV, mas a partir do século XVI, paulatinamente, os negros</p><p>foram ocupando espaço na instituição. Em 1551, a Confraria do Rosário do Convento de São</p><p>Domingos estava ‘repartida em duas, uma de pessoas honradas, e outra dos pretos forros e</p><p>escravos de Lisboa’. Uma série de conflitos entre ‘os irmãos pretos’ e as ‘pessoas honradas’,</p><p>levou à cisão definitiva do grupo. Em 1565, os irmãos negros tiveram seu primeiro</p><p>compromisso aprovado pela autoridade régia. Apesar disto, o acirramento das disputas, que</p><p>chegou a envolver os superiores do convento e até o Papa, levou à expulsão da irmandade</p><p>dos negros do templo dominicano no fim do século XVI”.</p><p>REGINALDO, Lucilene. Os Rosários dos Angolas: Irmandades Negras, Experiências Escravas</p><p>e Identidades Africanas na Bahia Setecentista. Campinas-SP: Tese de doutorado, UNICAMP,</p><p>p. 47.</p><p>A organização dos fiéis em irmandades em Lisboa, no século XVI, descrita no texto,</p><p>expressava a</p><p>a) fraternidade entre os grupos sociais.</p><p>b) apropriação subversiva de espaços de controle.</p><p>c) ausência de interferência do clero.</p><p>d) ineficiência dos métodos de conversão.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>56</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) benevolência e empatia do povo português.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>A imagem representa uma cena da conquista de Tenochtitlán, capital do Império Asteca,</p><p>pelos espanhóis. Nela, vemos uma batalha em uma Teocalli, uma pirâmide asteca.</p><p>A Tomada da Teocalli por Cortez e suas tropas, 1848, Emanuel Leutze.</p><p>Analise as quatro afirmações seguintes, a respeito da empresa e da conquista colonial</p><p>espanhola no México e da representação presente na imagem.</p><p>I. Os astecas resistiram até 1533 graças ao seu maior conhecimento sobre o espaço</p><p>geográfico onde se deu a batalha. A capital era suspensa sobre uma rede hidrográfica que</p><p>possibilitou a construção de várias armadilhas e dificultou a mobilidade da cavalaria espanhola.</p><p>II. A conquista espanhola foi favorecida pela estratégia de Cortez de se aliar às nações e</p><p>povos nativos descontentes com a supremacia asteca na região. Com isso, ele obteve maior</p><p>conhecimento sobre a geografia local, mas também sobre costumes culturais e de guerra de seus</p><p>inimigos.</p><p>III. Na pintura, são marcantes algumas tendências próprias ao romantismo do século XIX,</p><p>influenciado pelo nacionalismo e pelos movimentos liberais e de independência nesse período.</p><p>IV. Os indígenas da Mesoamérica foram sistematicamente exterminados durante e após a</p><p>conquista do Império Asteca e das cidades-Estados maias. Os espanhóis os consideravam</p><p>trabalhadores inferiores e preferiram importar escravizados africanos, cujo comércio era lucrativo</p><p>por si só.</p><p>Estão corretas apenas as afirmações</p><p>a) I, II e IV.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>57</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) I e III.</p><p>c) I, III e IV.</p><p>d) I, II, III e IV.</p><p>e) II e III.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>O matemático e geógrafo flamenco Gerardo Mercator foi fundamental para o</p><p>desenvolvimento da cartografia no século XVI. Assim como outros documentos, os mapas</p><p>são considerados fontes históricas que carregam características próprias do contexto em que</p><p>foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que circulavam nas</p><p>sociedades de seu tempo.</p><p>Orbis Terral Compendiosa, o mapa-múndi de Mercator, 1587. Biblioteca Britânica, Londres.</p><p>A representação cartográfica de Mercator</p><p>a) carregava vários elementos da mentalidade medieval. Esse tipo de mapa continha uma</p><p>série de referências bíblicas, estabeleciam Jerusalém como centro do mundo e projetavam</p><p>o Jardim do Éden.</p><p>b) fazia parte de um contexto mais amplo de mudanças de paradigmas de pensamento</p><p>causadas pelo movimento iluminista, que se opunha ao racionalismo renascentista.</p><p>c) foi confeccionada graças ao uso de aviões, que permitiram a Mercator e outros cartógrafos</p><p>a ter uma perspectiva mais realista do espaço, proporcionada pela altura da qual podiam</p><p>observar.</p><p>d) diferente dos mapas medievais, tinha uma função geográfica e representava espaços</p><p>físicos observados ou intuídos por meio da exploração territorial. Nota-se a influência das</p><p>ideias renascentistas.</p><p>e) pôde ser confeccionada graças a navegações de espanhóis e portugueses, que exploraram</p><p>o globo contratando</p><p>cartógrafos renascentistas. Inclusive, Mercator foi o cartógrafo de</p><p>Colombos, em 1492.</p><p>(Estratégia Militares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>58</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A formação de Portugal, entre os séculos XI e XIV, está relacionada a dois processos: por um</p><p>lado, a reconquista de territórios dos mouros, as Guerras de Reconquistas; por outro, uma</p><p>disputa entre os próprios reinos cristãos. Nesse contexto, a Revolução de Avis, importante</p><p>evento que consolidou a formação de Portugal</p><p>a) foi liderada por D. João I, rei de Castela; recebeu apoio dos franceses.</p><p>b) foi liderada por D. Manuel, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>c) foi liderada por D. Pedro I, mestre de Algarve; recebeu apoio dos franceses.</p><p>d) foi liderada por D. João, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>e) foi liderada por D. Afonso III, de Portugal; não recebeu apoio estrangeiro.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>Os africanos eram transformados em objeto de dominação e sujeitos a leis, regulamentos e</p><p>normas subordinadoras. A justificativa que legitimava esse processo era fornecida por um</p><p>conjunto de ideologias imperialistas que predicavam a superioridade e o direito de</p><p>dominação dos europeus e a superioridade e a naturalidade de da subordinação e da</p><p>exploração dos africanos.</p><p>Visentini, Paulo Fagundes. História da África e dos Africanos. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2020.</p><p>De um modo geral, o fundamento dessas ideias era constituído</p><p>a) Pela percepção da superioridade tecnológica e do desenvolvimento político, econômico</p><p>e cultural do capitalismo europeu já maduro em contraposição à inferioridade africana.</p><p>b) Pela noção de que os europeus eram os primeiros habitantes da terra e, por isso, a</p><p>vanguarda da Humanidade.</p><p>c) Exclusivamente pela noção de raça selvagem que precisava seguir o modelo evoluído dos</p><p>europeus.</p><p>d) Pela ideia de espaço vital, que justificava a expansão territorial do povo europeu nos</p><p>continentes africano e asiático.</p><p>e) De direitos e deveres decorrentes da forma eurocêntrica de dominação.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A origem dessa estrutura administrativa remonta ao período medieval espanhol, sendo que</p><p>“cada vila tinha seu próprio conselho (...) uma corporação que regulava a vida dos habitantes</p><p>e fiscalizava as propriedades públicas – as terras comunais, florestas e pastagens e as galerias</p><p>de rua com suas tendas de comércio – de onde derivada grande parte de sua renda”.</p><p>(BETHELL, Leslie. História da América Latina - volume 1, América latina colonial. 2.ed. São</p><p>Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. Adaptado)</p><p>O texto faz referência a uma certa estrutura organizacional em determinado tempo e espaço,</p><p>sendo possível afirmar que</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>59</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>a) as organizações em questão passaram a ganhar força com as gestões regionais</p><p>implementadas pelos Vice-Reis espanhóis.</p><p>b) em função da proximidade com o povo, tais os espaços político-administrativos</p><p>conhecidos como Cabildos não contavam com representações das oligarquias dos criollos.</p><p>c) enquanto embriões das Assembleias Legislativas Estaduais, o caráter consultivo reforçava</p><p>a principal atividades dos desses Conselhos, legislar.</p><p>d) o arranjo governamental para o exercício da dominação colonial era de participação</p><p>exclusiva dos chapetones.</p><p>e) eram formados por habitantes de destaque da cidade ou do vilarejo, personalidades que</p><p>possuíam poderes administrativos e jurídicos.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A cidade foi finalmente libertada quando os homens do Chile de Almagro regressaram da</p><p>sua expedição, em 1537, e obrigaram Manco Inca a recuar. Almagro entrou, então, na cidade</p><p>exausta, e prendeu os irmãos Pizarro, pondo-se, em seguido a caminho de Lima, para</p><p>defrontar Francisco. Os antigos parceiros não conseguiram resolver suas diferenças, e o Peru,</p><p>que caíra nas mãos dos Espanhóis devido a um conflito mortífero entre os Incas, foi assolado</p><p>por outra guerra civil.</p><p>Matthew Restall. História da América Latina. Lisboa: Edições70, 2012, p. 40.</p><p>Sobre o processo de conquista da América pelos Espanhóis, o texto aponta dois conflitos</p><p>cujo sentido está corretamente descrito em:</p><p>a) Os conflitos entre os povos indígenas e os europeus levaram a um rápido extermínio cultural</p><p>dos primeiros.</p><p>b) A conquista do México foi pacífica e marcada por acordos, diferentemente da conquista do</p><p>Peru marcada por guerras civis, inclusive entre grupos de colonizadores espanhóis distintos.</p><p>c) A conquista da América foi marcada por diferentes violências contra os indígenas, como a</p><p>violência, militar, religiosa e biológica enquanto os espanhóis se mantiveram coesos no</p><p>processo de colonização.</p><p>d) A conquista da América foi marcada por conflitos internos tanto entre os povos originários</p><p>quanto entre espanhóis de modo a enfraquecer, respectivamente a capacidade de</p><p>resistência e a de conquista.</p><p>e) Frente ao projeto colonizador europeu os povos maias, incas e astecas mantiveram-se</p><p>coesos e aplicaram medidas de negociação que, anos depois, foi substituído por processos</p><p>de resistência armada.</p><p>- (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A avaliação histórica do fenômeno da escravidão na África é difícil de ser feita devido à</p><p>carência e, em alguns casos, total ausência de fontes primárias e, sobretudo, do caráter</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>60</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>parcial das fontes – escrita, muitas vezes, pelos próprios escravocratas não africanos ou seus</p><p>representantes ou africanos.</p><p>José Rivair Macedo. História da África. São Paulo. Ed. Contexto, 2018, p. 100.</p><p>Apesar das dificuldades sobre a construção da história da escravidão na África, há consensos</p><p>históricos explicativos como:</p><p>a) As formas de escravidão existentes na África foi a mesma que fora dela, idêntica à que</p><p>existente na Roma antiga.</p><p>b) Os africanos escravizaram africanos independentemente dos interesses extra africanos,</p><p>em diferentes momentos da história.</p><p>c) O tráfico de escravos decorria de uma relação de interesses comerciais de mercadores</p><p>de outros continentes e de interesses comerciais africanas, de lideranças estatais, chefes</p><p>locais ou chefes de linhagem.</p><p>d) A explicação da existência da escravidão na África deve ser buscada em fatores de ordem</p><p>moral e étnica.</p><p>e) A escravidão passou a ser integrada nas relações comerciais apenas no século XVI, por</p><p>feitores portugueses.</p><p>10. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO</p><p>(UFRR/2006)</p><p>O A chegada dos europeus ao chamado Mundo Novo no século XV marcou o início de</p><p>profundas transformações sociais, políticas e econômicas no encontro com as civilizações</p><p>indígenas. Estes contatos foram decisivos para a formação das colônias e, posteriormente,</p><p>para a criação dos estados americanos.</p><p>Assim sendo, seria correto afirmar que:</p><p>a) Vasco da Gama, acidentalmente, chegou à península de Yucatán, México, com sua frota</p><p>no dia 14 de novembro de 1503.</p><p>b) Américo Vespúcio ancorou as naus Maria, Nina, Pinta na ilha caribenha conhecida como</p><p>Trinidad e Tobago no dia 26 de novembro de 1512.</p><p>c) O genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa espanhola, aportou a sua frota na ilha</p><p>de Guanahani no dia 12 de outubro de 1492.</p><p>d) Ponce de Leon, sob ordens diretas da coroa espanhola, arrasou, em 1587, a nação dos</p><p>índios Maia na batalha que ficou conhecida como Guerra das Antilhas.</p><p>e) Nenhuma destas afirmações está correta, porque todas dizem respeito a outros evento</p><p>históricos.</p><p>(UEA -2019 / Segunda Fase)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>61</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(Njinga dizia que não queria a</p><p>paz com os portugueses porque os portugueses haviam</p><p>aprisionado sua irmã e não queriam libertá-la. O padre Serafim de Cortona escreveu, então,</p><p>para o governador português de Angola, pedindo-lhe que libertasse a irmã de Njinga, com</p><p>o que faria grande serviço a Deus e ao rei, com a introdução “da nossa santa fé naquelas</p><p>partes”. A favor da devolução, disse ainda que assim acabaria a já longa guerra e se abriria</p><p>o “comércio ao resgate dos negros”. (Marina de Mello e Souza. Além do visível: Poder,</p><p>Catolicismo e Comércio no Congo e em Angola (Séculos XVI e XVII), 2018. Adaptado.)</p><p>O episódio é relatado pelo padre Serafim de Cortona em um documento escrito em 1658</p><p>sobre Njinga, rainha de territórios do interior da África. Para o sacerdote,</p><p>(A) o fim da exploração do trabalho escravo dependia da conversão dos nativos ao</p><p>cristianismo.</p><p>(B) os povos do continente africano viviam em paz política antes da chegada dos</p><p>colonizadores.</p><p>(C) as decisões políticas dos colonizadores prejudicavam o crescimento econômico das tribos</p><p>africanas.</p><p>(D) as populações de religiões fetichistas resistiam com destemor às invasões europeias.</p><p>(E) os diversos interesses religiosos, políticos e econômicos dos colonizadores eram</p><p>complementares.</p><p>(UEA – 2018 / Segunda Fase)</p><p>O tráfico atlântico vai permitir – entre os séculos XVI e XVIII – a exploração das colônias nas</p><p>Américas. Os portugueses implantaram um cativeiro em São Tomé, abastecido a partir do</p><p>Congo. No Novo Mundo, os escravos são direcionados a princípio para o trabalho nas</p><p>plantações, principalmente de cana-de-açúcar. Um comércio triangular é implantado entre a</p><p>Europa, a África e as Américas, onde circulam, de um continente a outro, quinquilharias,</p><p>escravos e produtos das colônias. (Marc Ferro. A colonização explicada a todos, 2017.</p><p>Adaptado.)</p><p>O historiador faz uma descrição da história Ocidental que abarca um período de</p><p>(A) tendências de nivelamento econômico em escala global e de relações pacíficas entre</p><p>nações.</p><p>(B) trocas intercontinentais de mercadorias de baixo valor econômico e de escassez de metais</p><p>preciosos.</p><p>(C) intervenções de empresários europeus no centro da África e de destruição da unidade</p><p>política africana.</p><p>(D) atividades econômicas internacionalizadas e de contatos interculturais de populações</p><p>diversas.</p><p>(E) estabilidades políticas nas colônias afro-americanas e de consolidação do feudalismo</p><p>europeu.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>62</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(UEA – 2017 / Segunda Fase)</p><p>A campanha do islamismo pode ser narrada até o século XV como uma história contínua de</p><p>êxitos. Até ali a supremacia da civilização arábica e islâmica na maioria dos territórios era</p><p>inquestionável, a começar pelo poderio militar superior. A diversificação de seus bazares era</p><p>lendária. Em sua euforia, escapara à maioria dos integrantes do âmbito cultural islâmico o</p><p>fato que estavam na iminência de ser superados, economicamente, pelos “infiéis” da Europa,</p><p>nos séculos XV e XVI, pelo que foram responsáveis, sobretudo, a navegação marítima</p><p>europeia e a transição para a economia capitalista. (Peter Sloterdijk. O zelo de deus: sobre a</p><p>luta dos três monoteísmos, 2016. Adaptado.)</p><p>Considerando o excerto e conhecimentos sobre a história das relações entre as sociedades</p><p>europeias ocidentais e islâmicas, é correto concluir que</p><p>(A) a preponderância europeia resultou do alargamento de fronteiras econômicas devido à</p><p>exploração de riquezas coloniais.</p><p>(B) as vantagens econômicas dos povos muçulmanos advinham do monopólio no</p><p>fornecimento de matérias-primas para a Europa.</p><p>(C) o predomínio europeu acompanhou a consolidação do Mar Mediterrâneo como o centro</p><p>da economia internacional.</p><p>(D) a dominância econômica árabe derivou da associação entre os princípios religiosos e a</p><p>ética de acumulação de capital.</p><p>(E) o sucesso econômico da Europa foi condicionado pela regulamentação disciplinar do</p><p>trabalho servil.</p><p>(UEA – 2016 / Segunda Fase)</p><p>E o capitão-mor foi em terra e mostrou-lhes muitas mercadorias, para saber se havia naquela</p><p>terra alguma daquelas coisas – e as mercadorias eram canela, e cravo, e aljôfar , e ouro, e assim</p><p>outras coisas – e eles não entenderam naquelas mercadorias nada, como homens que nunca as</p><p>viram. (Álvaro Velho. “Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama”. In: Alberto da Costa e</p><p>Silva (org.). Imagens da África, 2012.)</p><p>aljôfar: pérola miúda e irregular.</p><p>Álvaro Velho descreve o contato dos portugueses com populações das costas da África, durante</p><p>a viagem para as Índias, em 1498. A partir dessa descrição, é correto concluir que</p><p>(A) os navegadores procuravam comprar produtos desconhecidos na Europa.</p><p>(B) as navegações perseguiam objetivos comerciais bem definidos.</p><p>(C) as viagens ultramarinas empobreceram o pequeno reino de Portugal.</p><p>(D) os aventureiros pretendiam adquirir mercadorias por meio do domínio militar.</p><p>(E) as populações africanas desconheciam as atividades comerciais.</p><p>(UEA – 2014 / Segunda Fase)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>63</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Sem a Igreja, o destino dos índios teria sido muito diverso. Penso na possibilidade que o</p><p>batismo lhes oferecia de fazer parte, pela virtude da consagração, de uma ordem e de uma</p><p>Igreja. Pela fé católica, os índios, em situação de orfandade, rompidos os laços com suas</p><p>antigas culturas, mortos tanto os seus deuses quanto as suas cidades, encontraram um lugar</p><p>no mundo. Esta possibilidade de pertencer a uma ordem viva, ainda que na base da pirâmide</p><p>social, foi desapiedamente negada aos nativos, pelos protestantes da Nova Inglaterra. A</p><p>diferença das colônias saxônicas é radical. A Nova Espanha conheceu muitos horrores, mas</p><p>pelo menos ignorou o mais grave de todos: negar um lugar social aos homens que a</p><p>compunham. (Octavio Paz. O labirinto da solidão, 1984. Adaptado.)</p><p>O texto compara a colonização espanhola do México (Nova Espanha) com a colonização</p><p>inglesa do Norte dos atuais Estados Unidos (Nova Inglaterra),</p><p>(A) argumentando que os espanhóis, ao contrário dos saxões, impediram a exploração</p><p>econômica dos indígenas.</p><p>(B) mostrando ser impossível a aproximação entre uma e outra porque os saxões instalaram-</p><p>se em regiões desabitadas.</p><p>(C) demonstrando as suas semelhanças e oposições ao processo de colonização portuguesa</p><p>da América do Sul.</p><p>(D) aludindo aos fatores de ordem cultural, como crenças religiosas, mentalidades, que</p><p>estariam na base da ocupação europeia das novas terras.</p><p>(E) acentuando o projeto civilizatório dos espanhóis em oposição à mentalidade econômica</p><p>e antirreligiosa dos ingleses.</p><p>(UEA – 2016 / Segunda Fase)</p><p>E o capitão-mor foi em terra e mostrou-lhes muitas mercadorias, para saber se havia naquela</p><p>terra alguma daquelas coisas – e as mercadorias eram canela, e cravo, e aljôfar , e ouro, e assim</p><p>outras coisas – e eles não entenderam naquelas mercadorias nada, como homens que nunca as</p><p>viram. (Álvaro Velho. “Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama”. In: Alberto da Costa e</p><p>Silva (org.). Imagens da África, 2012.)</p><p>aljôfar: pérola miúda e irregular.</p><p>Álvaro Velho descreve o contato dos portugueses com populações das costas da África, durante</p><p>a viagem para as Índias, em 1498. A partir dessa descrição, é correto concluir que</p><p>(A) os navegadores procuravam comprar produtos desconhecidos na Europa.</p><p>(B) as navegações perseguiam objetivos comerciais bem definidos.</p><p>(C) as viagens ultramarinas empobreceram o pequeno reino de Portugal.</p><p>(D) os aventureiros pretendiam adquirir mercadorias por meio do domínio militar.</p><p>(E) as populações africanas desconheciam as atividades comerciais.</p><p>(UEA 2012)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>64</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>“Cristóforo Colombo</p><p>Chamou</p><p>de índios</p><p>Uns homens nus</p><p>Olha o que ele pensava</p><p>Dos hindus.”</p><p>(Millôr Fernandes. A Bíblia do caos, 1994.)</p><p>Millôr Fernandes confere uma forma poética e irônica ao ciclo de viagens de Cristóvão</p><p>Colombo que</p><p>(A) viu os hindus como pagãos e aptos a receber os ensinamentos cristãos.</p><p>(B) julgou ter chegado às fontes das especiarias navegando para oeste.</p><p>(C) pensou ter chegado a terras pertencentes a Portugal.</p><p>(D) considerou a cultura dos nativos da América superior à dos europeus.</p><p>(E) procurou uma passagem para o Oriente navegando pelas costas africanas.</p><p>(UEA 2011)</p><p>Quando os conquistadores espanhóis chegaram à América, no século XVI, as magníficas</p><p>cidades construídas pela sociedade maia</p><p>(A) concentravam uma população de comerciantes de várias nacionalidades.</p><p>(B) mantinham seus grandes palácios reais abarrotados de ouro.</p><p>(C) eram centros militares de resistência à ocupação dos astecas.</p><p>(D) exerciam a função de observatórios astronômicos.</p><p>(E) haviam desaparecido sob a floresta tropical.</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>São fatores da expansão marítima portuguesa no século XV:</p><p>a) Fragmentação do poder político, fortalecimento da nobreza feudal e crescimento das</p><p>atividades agrícolas.</p><p>b) Centralização monárquica, apoio da burguesia mercantil e ação do Estado.</p><p>c) Instabilidade política interna, absolutismo e burguesia industrial crescente.</p><p>d) Perseguição religiosa, necessidade de povoamento e mercantilismo.</p><p>e) Destino manifesto, estado mínimo e empreendedorismo.</p><p>(UNICENTRO 2014)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>65</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>“A civilização hispânica chegou na América na plenitude de sua força cultural e guerreira. A</p><p>conquista da América teve um objetivo comercial de destaque. A empresa conquistadora</p><p>teve um personagem principal, o conquistador”.</p><p>(CARRERAS, F. “Las identidades religiosas em America latina”. In: Identidades religiosas.</p><p>Franca: UNESP, 2010. p.19.)</p><p>Sobre a conquista da América, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.</p><p>( ) O conquistador buscava, através da aventura, o butim que o enriqueceria.</p><p>( ) Os conquistados aceitaram o domínio espanhol devido à sua superioridade militar.</p><p>( ) O conquistador impôs a visão de mundo europeia, o que implicou na cristianização dos</p><p>conquistados.</p><p>( ) Os conquistados promoveram guerras de libertação, que originaram diversas nações</p><p>indígenas.</p><p>( ) Conquistador e conquistados, mediados pela Igreja Católica, integraram-se de forma</p><p>harmoniosa.</p><p>Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.</p><p>a) V, V, V, F, F.</p><p>b) V, F, V, F, F.</p><p>c) V, F, F, V, V.</p><p>d) F, V, F, V, F.</p><p>e) F, F, F, V, V</p><p>(UNICENTRO 2012)</p><p>A relação entre a emergência do mundo burguês e as grandes navegações do séc. XV</p><p>estabeleceu-se a partir da</p><p>a) integração das populações indígenas da América ao mercado consumidor europeu.</p><p>b) interligação entre os continentes, por meio das rotas comerciais e da acumulação de</p><p>capitais.</p><p>c) introdução do trabalho livre e assalariado nas áreas coloniais exploradas pela burguesia</p><p>em ascensão.</p><p>d) reprodução do modelo colonial das Treze Colônias Inglesas da América nos impérios</p><p>coloniais português, espanhol e francês.</p><p>e) livre concorrência entre as metrópoles europeias na exploração das minas de prata, ouro</p><p>e diamantes encontradas no Novo Mundo.</p><p>(Uel 2016)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>66</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A espécie humana, no decorrer do seu percurso histórico, produziu inúmeras obras materiais</p><p>e imateriais que vieram a se tornar monumentos, considerados expressão de suas diversas</p><p>culturas. O esforço empreendido na criação dessas obras representou uma ordenação</p><p>peculiar do mundo segundo a especificidade da cultura que construiu os monumentos,</p><p>procurando estender temporalmente sua ordenação. Sobre a contextualização histórica da</p><p>obra e sua respectiva cultura, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A deusa hindu Shiva é considerada por seus adeptos como a divindade que cuida do</p><p>mundo e conserva a vida.</p><p>b) A Mesa do Cavalo, monumento da civilização Assíria, foi conservada no regime social do</p><p>califado do Estado Islâmico.</p><p>c) O Obelisco, símbolo do poder egípcio, encontra-se preservado em sua terra natal apesar</p><p>do imperialismo francês na região.</p><p>d) Os Maias criaram um sistema numérico eficiente na manutenção de seus negócios,</p><p>posteriormente destruído pelos espanhóis.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>67</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Os Zigurates, templos religiosos dos Persas, foram preservados.</p><p>(Uel 2011)</p><p>O rei espanhol Alfonso X, o Sábio, na sua obra “El Libro de Ajedrez”, simula, por meio de</p><p>uma partida de xadrez, os conflitos entre cristãos e mouros.</p><p>Tais conflitos devem ser entendidos no contexto</p><p>a) da expansão muçulmana para o Oriente, a qual entrou em choque com os interesses</p><p>portugueses e espanhóis naquela região.</p><p>b) das Guerras Púnicas, quando Ocidente e Oriente disputaram o controle do Mar Vermelho.</p><p>c) das Cruzadas, quando cristãos, pela força, retomaram o Estreito de Gibraltar que estava</p><p>sob domínio mouro.</p><p>d) das heresias medievais, quando o poder eclesiástico foi ameaçado pela concentração do</p><p>poder burguês.</p><p>e) da Reconquista, que praticamente varreu das terras ibéricas a presença do elemento não</p><p>cristão.</p><p>(UEL 2009)</p><p>Os astecas sacrificavam prisioneiros de guerra</p><p>para alimentar seus deuses. O capturado tinha</p><p>seu coração arrancado, era decapitado e tinha</p><p>seu sangue bebido pelo captor que, depois,</p><p>levava o corpo para casa, esfolava-o, comia-o</p><p>com milho e vestia sua pele.</p><p>É correto afirmar que estes rituais no mundo</p><p>dos astecas eram de ordem simbólica, uma vez</p><p>que:</p><p>a) Os vencidos deveriam pagar um tributo de</p><p>sangue aos astecas, que viam a si próprios como deuses.</p><p>b) Os sacerdotes astecas exigiam oferendas de sangue para que não faltasse alimento em</p><p>seus templos.</p><p>c) Um grande número de sacrifícios representava um reforço do abastecimento alimentar,</p><p>evitando a carestia</p><p>d) O captor do prisioneiro se vingava do inimigo, comendo suas carnes e vestindo sua pele.</p><p>e) Os deuses exigiam oferendas do bem mais precioso que os homens possuíam, a vida, para</p><p>que o mundo fosse preservado.</p><p>(Uel 2006)</p><p>Este mapa é de fundamental significação na história da cartografia. Ele ampliou a imagem</p><p>contemporânea do mundo, proporcionando uma visão essencialmente nova deste. É</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>68</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>conhecido indubitavelmente a partir da sua publicação em 1507. Nele o Novo Mundo recebe</p><p>o nome de América pela primeira vez.</p><p>(Adaptado de: WHITFIELD, P. “The image of the world: 20 centuries of World Maps”.</p><p>MARTIN WALDSEEMÜLLER. 1507. San Francisco: Pomegranate Artbooks & British Library,</p><p>1994, p. 48-9. Tradução livre.)</p><p>De acordo com o texto, o mapa e os conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que a</p><p>cartografia do século XVI</p><p>a) abandonou a perspectiva medieval de representação, adotando modelos renascentistas</p><p>devido à necessidade da incorporação da Ásia, descoberta por Colombo e pelos</p><p>navegadores que o sucederam.</p><p>b) constituiu outro tipo de narrativa da expansão marítima europeia, ao incorporar os relatos</p><p>dos navegantes nas representações pictográficas, expressando uma nova consciência sobre</p><p>o mundo.</p><p>c) significou um aperfeiçoamento natural das formas anteriores de representação de mundo,</p><p>como as iluminuras, das quais descende, tendo se tornado possível graças à invenção da</p><p>imprensa.</p><p>d) descreveu os locais onde se estabeleceriam as colônias, bem como os dados</p><p>antropológicos, sociais</p><p>– a origem do mito da Modernidade. Presta a atenção na palavra: ENCOBRIMENTO.</p><p>Encobrir tem um sentido muito distinto de descobrir, ou mesmo da questão se o continente</p><p>foi descoberto sem querer ou não. Encobrir é esconder, apagar, não se deixar conhecer! Assim, o</p><p>1 SILVA, Kalina Vanderlei. Dicionário de Conceitos Históricos. São Paulo: Editora Contexto, 2009.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>5</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>título do livro desse autor já nos indica sua interpretação sobre o encontro entre europeus e povos</p><p>originários: um se sobrepôs ao outro – nesse caso, os europeus teriam encoberto a existência dos</p><p>demais. Leia um trechinho do argumento de Dussel:</p><p>A modernidade originou-se nas cidades europeias medievais livres, centros de enorme</p><p>criatividade. Mas “nasceu” quando a Europa pôde se confrontar com o seu “Outro” e</p><p>controlá-lo, vencê-lo, violentá-lo: quando pôde se definir como um ego descobridor,</p><p>conquistador, colonizador da identidade constitutiva da própria Modernidade. De</p><p>qualquer maneira, esse Outro não foi “descoberto” como Outro, mas foi em-coberto</p><p>como o “si-mesmo” que a Europa era desde sempre. De maneira que 1492 será o</p><p>momento concreto da origem de um mito de violência sacrifical muito particular, e, ao</p><p>mesmo tempo um processo de “em-cobrimento” do não-europeu.”2</p><p>Outro autor queridinho das bancas é Todorov. Ele escreve um livro chamado A conquista da</p><p>América – a questão do Outro. Veja que o termo que ele usa no título é CONQUISTA, o que nos</p><p>coloca frente a um argumento de dominação. Quem conquista, comanda!! Além disso, ele</p><p>também fala do Outro, ou seja, do conquistado.</p><p>Vou transcrever um trecho do Todorov:</p><p>Quero falar da descoberta que o eu faço do outro. O assunto é imenso. Mal acabamos</p><p>de formulá-lo em linhas gerais já o vemos subdividir-se em categorias e direções</p><p>múltiplas, infinitas. Podem-se descobrir os outros em si mesmo, e perceber que não se</p><p>é uma substância homogênea, e radicalmente diferente de tudo o que não é si mesmo;</p><p>eu é um outro. Mas cada um dos outros é um eu também, sujeito como eu. Somente</p><p>meu ponto de vista, segundo o qual todos estão lá e eu estou só aqui, pode realmente</p><p>separá-los e distingui-los de mim. Posso conceber os outros como uma abstração, como</p><p>uma instância da configuração psíquica de todo indivíduo, como o Outro, outro ou</p><p>outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto ao qual nós não</p><p>pertencemos. Este grupo, por sua vez, pode estar contido numa sociedade: as mulheres</p><p>para os homens, os ricos para os pobres, os loucos para os "normais". Ou pode ser</p><p>exterior a ela, uma outra sociedade que, dependendo do caso, será próxima ou</p><p>longínqua: seres que em tudo se aproximam de nós, no plano cultural, moral e histórico,</p><p>ou desconhecidos, estrangeiros cuja língua e costumes não compreendo, tão</p><p>estrangeiros que chego a hesitar em reconhecer que pertencemos a uma mesma</p><p>espécie. 3</p><p>Para ambos autores, corroborado por outros tantos, o Outro não-europeu é o encoberto</p><p>ou o conquistado. Essa é, de certa forma, a perspectiva adotada por diversos vestibulares.</p><p>2 DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do ouro: a origem do mito da modernidade. Rio de Janeiro,</p><p>1993, p. 8.</p><p>3 TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do Outro.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>6</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Desembarque dos Espanhóis em Vera Cruz, 1951. Diego Rivera. Mural. Palácio Nacional. Cidade do México, México.</p><p>Para finalizar essa introdução, em qual contexto ocorreu esse encontro? Essa é fácil para</p><p>você, Bixo, que estudou a aula anterior! Nela vimos a formação e as características do</p><p>mercantilismo e, nesse sentido, a necessidade de expansão econômica para superar as</p><p>dificuldades encontradas dentro da Europa. Vamos recordar o esqueminha:</p><p>Vimos que o sistema econômico nesse momento se caracterizou por uma série de práticas e</p><p>ideias denominada de mercantilismo. Entre as características desse sistema temos:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>7</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Para concretizar e impulsionar a economia mercantilista vimos que o COLONIALISMO foi uma</p><p>peça fundamental. Lembra?</p><p> Para ter superávit comercial foi necessário o colonialismo.</p><p> Para extrair diretamente metais preciosos foi necessário o colonialismo.</p><p> Para exportar gêneros tropicais também foi necessário o colonialismo.</p><p> Os reinos europeus que dominaram territórios e os transformaram em colônias tinham um</p><p>mercado cativo e um baratíssimo fornecedor de matérias-primas e de produtos tropicais</p><p>(sucesso na Europa). Vendiam tudo muito mais caro para suas colônias que, por sua vez,</p><p>não podiam fazer comércio, senão com suas metrópoles. Isso gerava enorme superávit para</p><p>metrópole. Conhecemos essa relação de comércio exclusivo entre colônia e metrópole pelo</p><p>termo exclusivo metropolitano ou pacto colonial.</p><p> Portugal e Espanha foram pioneiros nesse sistema.</p><p>Dito isso, vejamos um pouco dos personagens desse encontro histórico entre o Eu e o</p><p>Outro! Comecemos com os portugueses.</p><p>2. FORMAÇÃO DE PORTUGAL</p><p>Na aula passada tomamos contato com a história da centralização política e a formação das</p><p>monarquias absolutistas de alguns reinos europeus, como Inglaterra, França e Espanha.</p><p>No que se refere à região da Península Ibérica, o contexto desse processo foi o da Guerra de</p><p>Reconquista, iniciada no século XI, dos territórios que estavam ocupados pelos muçulmanos desde</p><p>o século VIII. Nesse tempo todo, cristãos e muçulmanos viveram entre “tapas e beijos”, ou seja,</p><p>alternaram momentos de luta e paz – quando conseguiam realizar algum intercâmbio cultural.</p><p>Além disso, a origem de Portugal é um exemplo clássico de relações de vassalagem. Em 1066,</p><p>um nobre francês, Henrique de Borgonha participou da Guerra de Reconquista e, por sua</p><p>fidelidade e serviços, o rei do reino católico de Leão, Dom Afonso VI, lhe concedeu um pedaço</p><p>de terra e a mão de sua filha D. Teresa, de Castela. Era o Condado Portucalense!!</p><p>Protecionismo: Para fazer a balança comercial se tornar superavitária, o Estado deveria proteger o mercado</p><p>interno impedindo, ou pelo menos dificultando, a entrada descontrolada de mercadorias dos países concorrentes</p><p>Metalismo: A prática de acumular metais preciosos dentro das fronteiras do Estado Nacional.</p><p>Balança Comercial Favorável: Para acumular riqueza era necessário exportar mais que importar, gerando</p><p>superávit</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>8</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Desse casamento, nasceram 4 filhos, entre eles 1 jovem que lutou pela autonomia e</p><p>independência de Portugal. Era Dom Afonso Henriques (olha o nome dele, uma junção do nome</p><p>do avô rei de Leão e de seu pai D. Henrique de Borgonha), que fundou Portugal em 1139, após</p><p>inúmeros conflitos familiares. Assim, iniciou-se a Dinastia de Borgonha (1139 – 1383).</p><p>Durante os governos da Dinastia de Borgonha houve continuidade da guerra contra os</p><p>muçulmanos e tentativas de expansão do território.</p><p>A monarquia e sua corte souberam manter a sociedade portuguesa sob controle. Na</p><p>medida em que a nobreza guerreira ia vencendo os muçulmanos, era-lhe concedido terras, porém</p><p>sem a posse definitiva dela, o que a tornava esse grupo social sempre dependente da monarquia.</p><p>De um modo geral, a economia era agrária, mas o contato com os árabes, especialmente,</p><p>em momentos de paz relativa, possibilitou o desenvolvimento de práticas de comércio e</p><p>navegação. Desenvolveram também a atividade pesqueira. Quem nunca comeu a sardinha feita à</p><p>moda portuguesa? Os caras pescavam até baleia!!</p><p>Esse setor mercantil se fortaleceu muito com a crise do século XIV, uma vez que Portugal</p><p>transformou-se em escala da rota</p><p>e econômicos, antecipando a revolução científica do século XIX.</p><p>e) representou o ápice do desenvolvimento científico do século XVI, na medida em que serviu</p><p>de modelo para o desenvolvimento tecnológico e artístico do Renascimento.</p><p>(Uel 2007)</p><p>Sobre a expansão marítima ibérica da época dos descobrimentos, é correto afirmar que:</p><p>a) Ocorreu de maneira pacífica, com a colonização e povoamento das Américas.</p><p>b) Fundamentou a expansão do capitalismo mercantil, acompanhado pelas missões.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>69</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>c) Acabou com o comércio mediterrânico, concentrando-se tão somente no Atlântico.</p><p>d) Fortaleceu as cidades-Estados italianas, tradicionais no comércio mercantil.</p><p>e) Concedeu cidadania aos súditos que emigrassem para as colônias de além-mar.</p><p>(UDESC 2018)</p><p>Ao observamos mapas ou relatos de viajantes dos séculos XV e XVI, é comum encontrarmos</p><p>referências a seres fantásticos, descritos, muitas vezes, como monstros sem olhos ou nariz,</p><p>com uma perna ou com corpo desproporcional. A existência destes seres na África, Ásia e</p><p>América foram relatados por diversos navegadores da época.</p><p>Tais relatos são considerados indicativos do(a):</p><p>a) intenção explícita dos cartógrafos que, ao fazerem os mapas, desenhavam seres</p><p>monstruosos para desencorajar novos exploradores.</p><p>b) movimento iluminista, que se estabelecia especialmente a partir do contato com novos</p><p>povos e sociedades.</p><p>c) visão de mundo da sociedade europeia da época, que ainda não era pautada pela</p><p>observação científica e analítica da natureza e da cultura.</p><p>d) influência da mitologia céltica, cujo legado pode ser fortemente observado nos vitrais</p><p>que ornamentavam as igrejas e catedrais ao longo de toda a baixa Idade Média.</p><p>e) versão evolucionista, que demarcava a especificidade da civilização europeia em relação</p><p>à americana ou à africana.</p><p>(UDESC 2012)</p><p>“O século XVI assistiu à transição da geografia fantástica para a da experiência. Os relatos</p><p>de viagem que surgiram neste período, portanto, estão impregnados pela mudança na forma</p><p>de ver e de descrever o mundo. [...] O imaginário europeu quinhentista caracterizava-se pelo</p><p>‘fantástico’, pelo ‘maravilhoso’, pelo ‘prodigioso’, pelo ‘monstruoso’, etc. Esse imaginário</p><p>aplicava-se ao remoto, ao distante, ao longínquo... Quanto maior o afastamento da Europa</p><p>civilizada, maior também o ‘maravilhoso’! [...] O imaginário europeu foi transplantado para o</p><p>novo mundo. Os seres e lugares fantásticos que existiram na Ásia e na África, também</p><p>passaram a existir na América.”</p><p>STEIGLEDER, Carlos Geovane. Staden, Thevet e Léry. Olhares europeus sobre os índios e</p><p>sua religiosidade. São Luís/MA: EDUFMA, 2010, p. 23-50.</p><p>Analise as proposições considerando o contexto histórico e as questões a ele referentes,</p><p>abordadas no excerto:</p><p>I. Os viajantes europeus do século XVI destacavam, em seus relatos, a produção de um olhar</p><p>eurocêntrico sobre os continentes africano, asiático e americano.</p><p>II. O contexto abordado pelo autor refere-se à Idade Média. Os escritores medievais – em</p><p>sua maioria pertencentes à Igreja Católica – escreviam histórias fantásticas sobre os lugares</p><p>do mundo, para além da Europa. Esses lugares e os personagens que neles habitavam quase</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>70</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>sempre eram caracterizados com elementos do inferno, demônios e outros monstros</p><p>fantásticos.</p><p>III. Ao escrever que “o século XVI assistiu à transição da geografia fantástica para a da</p><p>experiência”, o autor do excerto refere-se ao fato de que a ideia de uma geografia fantástica</p><p>marcada por mapas ilustrados de monstros marinhos e abismos que informavam o “fim do</p><p>mundo” passaria, aos poucos, a ser substituída por uma geografia marcada pela observação</p><p>e experiência de diferentes viajantes que se lançaram aos mares, no contexto da expansão</p><p>marítima europeia.</p><p>IV. Ao escrever que “Os seres e lugares fantásticos que existiram na Ásia e na África, também</p><p>passaram a existir na América”, o autor do excerto refere-se ao fato de que as viagens no</p><p>contexto da expansão marítima europeia acabaram também fortalecendo as relações</p><p>culturais nos diferentes continentes, haja vista que os viajantes não apenas levavam nativos</p><p>americanos para a Europa, mas também traziam asiáticos e africanos para o Brasil.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.</p><p>b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.</p><p>c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.</p><p>e) Todas as afirmativas são verdadeiras.</p><p>(UDESC 2007)</p><p>Assinale a alternativa incorreta , em relação às razões que tornaram Portugal pioneiro no</p><p>processo de expansão marítima.</p><p>a) O Estado português se consolidou em 1385, gerando certa estabilidade política.</p><p>b) Desde o século XIII Portugal mantinha relações comerciais com a região de Flandres (atual</p><p>Bélgica e parte da Holanda), e com a cidade de Gênova, relações essas que enriqueceram a</p><p>burguesia mercantil.</p><p>c) Com a Revolução de Avis, ocorrida em 1492, Portugal tornou-se Estado unificado,</p><p>incentivando a navegação.</p><p>d) No início do século XV Portugal tornou-se o centro dos estudos de navegação, com o</p><p>estímulo do infante dom Henrique, o Navegador, o qual reuniu um grupo de cientistas como</p><p>astrônomos, cartógrafos e pilotos, possibilitando a criação da chamada Escola de Sagres.</p><p>e) Lisboa era a principal cidade no processo de expansão marítima, e se configurava como</p><p>ponto de encontro de marinheiros que vinham de toda parte e traziam experiências em</p><p>relação ao mar.</p><p>(UDESC 2006)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>71</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>“Tudo isto é mais danoso nesta terra que em qualquer outra; os que vêm a ensinar dão mau</p><p>exemplo e, em sua maior parte, não têm intenções de ficar muito tempo nesta terra,</p><p>procurando enriquecer de qualquer maneira para voltar à Espanha.”</p><p>(Citado em BRUIT, Héctor. Bartolomé de Las Casas e a simulação dos vencidos. São Paulo:</p><p>Iluminuras; Unicamp, 1995, p. 197.)</p><p>Esse trecho, de uma crônica sobre o que ocorria nos anos iniciais da conquista da América</p><p>pelos espanhóis, denuncia a forma como os conquistadores e padres se relacionavam com a</p><p>nova terra e seus habitantes.</p><p>A partir do enunciado acima, assinale a alternativa incorreta.</p><p>a) A terra, posse até então dos grupos indígenas, passou exclusivamente para as mãos da</p><p>Igreja Católica e, por intermédio dos jesuítas, foi dividida em Missões Guaraníticas.</p><p>b) A América, continente conhecido pelos europeus no final do século XV (descoberta em</p><p>1492, por Cristóvão Colombo), era habitada por centenas de grupos populacionais com</p><p>diferentes línguas, etnias, costumes e formas de organização política; a maioria desses</p><p>grupos, em menos de cem anos após a conquista da América, estava sobrepujada ao poder</p><p>econômico, político e religioso dos conquistadores espanhóis e portugueses.</p><p>c) A conquista da América representou a possibilidade de enriquecimento rápido, à custa do</p><p>trabalho dos nativos que nela habitavam, e dos metais que nela eram abundantes.</p><p>d) Não somente os conquistadores, mas alguns padres usurparam de todas as maneiras os</p><p>primeiros habitantes do novo mundo.</p><p>e) Alguns padres procuraram denunciar as atrocidades cometidas pelos conquistadores, nos</p><p>anos iniciais da conquista da América.</p><p>(UNITAU 2019)</p><p>“Os mitos pré-hispânicos na Mesoamérica falam da criação do cosmo e, ao fazê-lo,</p><p>respondem a sua relação com a natureza. No Popol Vuh, o livro sagrado dos maias, está</p><p>narrado como os deuses criadores descobrem o lugar onde estava a montanha das dádivas</p><p>e dali extraem as preciosas sementes do milho amarelo e branco. Xmukane, a ajudante dos</p><p>deuses, mói as sementes nove vezes e, com a mistura, os deuses modelam o corpo dos</p><p>primeiros seres humanos. Assim, a origem do mundo é diretamente relacionada ao</p><p>surgimento do sol e à fertilização do milho”.</p><p>TENÓRIO, Maurício. Por ti América: aventura arqueológica: depoimentos. Rio de Janeiro:</p><p>Centro Cultural Banco do Brasil/CPDPC, 2006, p. 12.</p><p>Desde o advento da ciência, no século XVII, rejeita-se a mitologia como um produto das</p><p>mentes supersticiosas e primitivas. Hoje, temos uma perspectiva ainda mais profunda e</p><p>completa da sua natureza. Sobre a função dos mitos na história da humanidade, assinale a</p><p>alternativa CORRETA.</p><p>a) Não sendo teórico, o mito obedece à lógica da realidade objetiva e da verdade científica,</p><p>sendo uma narrativa que não dispensa provas para ser aceita.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>72</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) As construções míticas expressam atitudes em relação ao mundo e maneiras de resolver</p><p>os problemas da existência, não se sujeitando a regras de lógica ou de continuidade.</p><p>c) O mito é uma organização do imaginário, e, por meio da palavra, exprime a realidade,</p><p>construindo, assim, um discurso lógico sobre a realidade.</p><p>d) O pensamento mítico expressa inteiramente as necessidades básicas da vida de uma</p><p>sociedade, ocultando, assim, suas instituições sociais e crenças.</p><p>e) O mito expressa uma realidade cultural simples e explica acontecimentos contemporâneos</p><p>aos povos, que os narram numa lógica específica.</p><p>(UNITAU 2015)</p><p>O início da Idade Moderna, período que se estende pelo século XV, pode ser caracterizado</p><p>por</p><p>a) consolidação do Estado Nação, supremacia marítima holandesa, ascendência da</p><p>monarquia absolutista, comércio marítimo com a Índia.</p><p>b) consolidação do Estado Nação, ascendência da monarquia absolutista apoiada pela</p><p>burguesia, grandes navegações, descoberta e colonização de novas terras.</p><p>c) consolidação do Estado Nação, descoberta e colonização de novas terras, ascensão dos</p><p>déspotas esclarecidos, crise financeira burguesa.</p><p>d) consolidação do Estado Nação, crise da monarquia absolutista, supremacia marítima</p><p>espanhola, descoberta e colonização de novas terras.</p><p>e) grandes navegações, fortalecimento dos estados de Portugal e Espanha, rompimento do</p><p>comércio com a Ásia, decadência da monarquia absolutista.</p><p>(UNITAU 2015)</p><p>O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 por Portugal e Espanha, foi um acordo mediado</p><p>pelo Papa, que dividiu o mundo em duas áreas de influência a partir de um meridiano a 370</p><p>léguas a oeste da Ilha de Cabo Verde. As terras a leste dessa linha ficariam sob domínio</p><p>português, enquanto as do oeste ficariam sob jurisdição espanhola.</p><p>Assinale a afirmativa CORRETA sobre a recepção desse acordo pelos demais povos</p><p>europeus.</p><p>a) Franceses, ingleses e holandeses rebelaram-se contra o monopólio exercido por Portugal</p><p>e Espanha sobre as novas terras descobertas.</p><p>b) O Tratado de Tordesilhas foi desrespeitado pela rainha Vitória, da Inglaterra, que justificou</p><p>sua atitude afirmando que não conhecida a cláusula do “Testamento de Adão”, que teria</p><p>dividido o mundo entre Portugal e Espanha.</p><p>c) A Inglaterra não aceitou o Tratado e invadiu as novas terras, fundando as Treze Colônias</p><p>da América.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>73</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>d) O Tratado de Tordesilhas não pôde ser contestado, devido à sua ratificação pelo Papa,</p><p>que oficializou sua validade.</p><p>e) O único povo que contestou o Tratado de Tordesilhas foi o inglês, devido à sua soberania</p><p>no Oceano Atlântico e à sua aliança com Portugal.</p><p>11. GABARITO</p><p>1. D</p><p>2. C</p><p>3. E</p><p>4. C</p><p>5. B</p><p>6. C</p><p>7. E</p><p>8. E</p><p>9. D</p><p>10. B</p><p>11. A</p><p>12. B</p><p>13. E</p><p>14. D</p><p>15. D</p><p>16. A</p><p>17. E</p><p>18. D</p><p>19. C</p><p>20. C</p><p>21. E</p><p>22. D</p><p>23. A</p><p>24. B</p><p>25. D</p><p>26. B</p><p>27. B</p><p>28. E</p><p>29. B</p><p>30. B</p><p>31. B</p><p>32. D</p><p>33. E</p><p>34. E</p><p>35. B</p><p>36. B</p><p>37. C</p><p>38. C</p><p>39. C</p><p>40. A</p><p>41. B</p><p>42. C</p><p>43. A</p><p>12. QUESTÕES ESSENCIAIS - ENEM (COMENTÁRIOS)</p><p>(ENEM PPL – 2019)</p><p>Os pesquisadores que trabalham com sociedades indígenas centram sua atenção em</p><p>documentos do tipo jurídico-administrativo (visitas, testamentos, processos) ou em relações</p><p>e informes e têm deixado em segundo plano as crônicas. Quando as utilizam, dão maior</p><p>importância àquelas que foram escritas primeiro e que têm caráter menos teórico e</p><p>intelectualizado, por acharem que estas podem oferecer informações menos deformadas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>74</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Contrariamos esse posicionamento, pois as crônicas são importantes fontes etnográficas,</p><p>independentemente de serem contemporâneas ao momento da conquista ou de terem sido</p><p>redigidas em período posterior. O fato de seus autores serem verdadeiros humanistas ou</p><p>pouco letrados não desvaloriza o conteúdo dessas crônicas.</p><p>PORTUGAL, A. R. O ayllu andino nas crônicas quinhentistas: um polígrafo na literatura brasileira do</p><p>século XIX (1885-1897). São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.</p><p>As fontes valorizadas no texto são relevantes para a reconstrução da história das sociedades</p><p>pré-colombianas porque</p><p>a) sintetizam os ensinamentos da catequese.</p><p>b) enfatizam os esforços de colonização.</p><p>c) tipificam os sítios arqueológicos.</p><p>d) relativizam os registros oficiais.</p><p>e) substituem as narrativas orais.</p><p>Comentários:</p><p>O texto questiona o uso dos chamados “registros oficiais” para o estudo dos povos pré-</p><p>colombianos porque os mesmos foram escritos por aqueles que tinham a função de subjugar</p><p>tais povos. Logo, a visão desses registros pode não corresponder à realidade ou pode</p><p>corresponder apenas a uma parte dela. Ao mesmo tempo, o texto identifica a importância</p><p>do uso das crônicas, feitas em especial por viajantes, para o estudo dos povos ameríndios.</p><p>Do ponto de vista da sociologia, o conhecimento antropológico de povos pré-colombianos</p><p>é bastante difícil de ser desenvolvido de forma rigorosa e científica. A utilização de diversas</p><p>fontes, incluindo as crônicas, é interessante por possibilitar ao pesquisador construir uma</p><p>análise e narrativas que vão além dos registros oficiais. Tendo isso em mente, vamos olhar as</p><p>alternativas:</p><p>a) Incorreta. A catequese é um fenômeno que surge junto a colonização, aqui estamos</p><p>falando de sociedades pré-colombianas, portanto, antes desse processo de colonização.</p><p>b) Incorreta. A ideia é reconstruir a história dos povos nativos, sem tanta interferência da</p><p>visão dos colonizadores.</p><p>c) Incorreta. O texto é sobre tipos de fontes históricas, não arqueológicas.</p><p>d) Correta. As fontes valorizadas nos textos relativizam os registros oficiais.</p><p>e) Incorreta. Em nenhum momento o texto citou narrativas orais.</p><p>Gabarito: D</p><p>(ENEM – 2018)</p><p>O encontro entre o Velho e o Novo Mundo, que a descoberta de Colombo tornou possível,</p><p>é de um tipo muito particular: é uma guerra — ou a Conquista —, como se dizia então. E um</p><p>mistério continua: o resultado do combate. Por que a vitória fulgurante, se os habitantes da</p><p>América eram tão superiores em número aos adversários e lutaram no próprio solo? Se nos</p><p>limitarmos à conquista do México — a mais espetacular, já que a civilização mexicana é a</p><p>mais brilhante do mundo pré-colombiano — como explicar que Cortez, liderando centenas</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>75</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>de homens, tenha conseguido tomar o reino de Montezuma, que dispunha de centenas de</p><p>milhares de guerreiros?</p><p>TODOROV. T. A conquista da América. São Paulo: Martins Fontes. 1991 (adaptado).</p><p>No contexto da conquista, conforme análise apresentada no texto, uma estratégia para</p><p>superar as disparidades levantadas foi</p><p>a) implantar as missões cristãs entre as comunidades submetidas.</p><p>b) utilizar a superioridade física dos mercenários</p><p>africanos.</p><p>c) explorar as rivalidades existentes entre os povos nativos.</p><p>d) introduzir vetores para a disseminação de doenças epidêmicas.</p><p>e) comprar terras para o enfraquecimento das teocracias autóctones.</p><p>Comentários:</p><p>A questão tem como tema a conquista da América Espanhola. Bem, muitos são os fatores</p><p>que possibilitaram a vitória dos espanhóis. A seguir, coloco um esquema sobre as formas de</p><p>violência empregadas pelos conquistadores sobre os povos originários:</p><p>Veja que quatro das cinco violências apresentadas são citadas nas alternativas. Dessa forma,</p><p>para responder à questão, era necessário se atentar ao comando dado. Ela nos pede para</p><p>identificar uma estratégia de combate que deu conta de superar a disparidade entre os</p><p>exércitos. Nesse sentido, a utilização das rivalidades entre os povos nativos da América para</p><p>conseguir aliados na luta contra grupos dominantes (astecas, no caso citado), pelos</p><p>colonizadores europeus, foi um recurso para minimizar a inferioridade numérica dos</p><p>atacantes em relação à população nativa. Com isso, já sabemos que o gabarito é letra c). As</p><p>outras alternativas estão incorretas pois, apesar de configurarem violências contra os povos</p><p>nativos e facilitarem a conquista, não são exatamente estratégias de combate em si.</p><p>Violência Cultural: impor religião cristã, língua, costumes, mudança de local de moradia</p><p>Violência das armas: o uso de pólvora, armas de aço, cavalo</p><p>Violência das doenças contagiosas: sarampo, tifo, tétano, coqueluche, varíola</p><p>Estímulo das violências entre os povos originários: faziam "falsas alianças" e depois</p><p>dominavam todos os povos.</p><p>Violência da escravidão e do trabalho forçado: o deslocamento forçado para trabalharem como</p><p>escravos, em regimes de exaustão e, com discurso de trocas de trabalho por salvação da alma.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>76</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Gabarito: C</p><p>(ENEM PPL – 2018)</p><p>Embora a compra de cargos e títulos fosse bem difundida na América, muitos nobres, aí</p><p>moradores, receberam títulos da monarquia devido a suas qualidades e serviços. Desde o</p><p>século XVI, os títulos de marquês e conde (títulos de Castela) eram concedidos, sobretudo,</p><p>aos vice-reis e capitães-gerais nascidos na Espanha. Com menor incidência, esta mercê régia</p><p>também podia ser remuneração de serviços militares, de feitos na conquista, colonização e</p><p>fundação de cidades.</p><p>RAMINELLI, R. Nobreza e riqueza no Antigo Regime ibérico setecentista. Revista de História, n.</p><p>169, jul.-dez. 2013.</p><p>Segundo o texto, as concessões da Coroa espanhola visavam o fortalecimento do seu poder</p><p>na América ao</p><p>a) restringir os privilégios dos comerciantes.</p><p>b) reestruturar a organização das tropas.</p><p>c) reconhecer os opositores do regime.</p><p>d) facilitar a atuação dos magistrados.</p><p>e) fortalecer a lealdade dos súditos.</p><p>Comentários:</p><p>O texto discorre sobre a distribuição de títulos e cargos pela monarquia espanhola na</p><p>América. Segundo ele, esses títulos foram dados a nobres espanhóis em razão de seus</p><p>serviços para a Coroa. Nesse sentido, ao fortalecer a lealdade dos súditos, a Coroa Espanhola</p><p>poderia garantir melhor seu poder na América. Portanto, nosso gabarito é letra e). Vamos</p><p>ver o que está errado nas outras alternativas:</p><p>a) O texto nem menciona os comerciantes.</p><p>b) A ideia era fortalecer esse sistema de alianças.</p><p>c) O texto é sobre os aliados do regime.</p><p>d) Os magistrados também não estão em questão aqui.</p><p>Gabarito: E</p><p>(ENEM 3ª. Aplicação - 2014)</p><p>À primeira vista que encontrei as ilhas, dei o nome de San Salvador, em homenagem à Sua</p><p>Alta Majestade, que maravilhosamente deu-me tudo isso. Os índios chamam esta ilha de</p><p>Guanaani. À segunda ilha dei o nome de Santa Maria de Concepción, à terceira, Fernandina,</p><p>à quarta, Isabela, à quinta, Juana, e assim a cada uma delas dei um novo nome.</p><p>Cristóvão Colombo. Carta a Santangel, 1493. In: TODOROV, T. A Conquista da América: a</p><p>questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1996.</p><p>O processo de nomeação e renomeação realizado pelos europeus no contexto da conquista</p><p>da América expressa</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>77</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>f) a valorização da natureza americana, uma vez que ela era considerada por europeus o</p><p>prémio pela conquista e colonização.</p><p>g) o desejo de estabelecer comunicação com os indígenas, uma vez que a busca pelo ouro</p><p>dependia do contato com os nativos.</p><p>h) a tomada de posse do novo mundo, uma vez que renomear era impor aos povos indígenas</p><p>os signos culturais europeus.</p><p>i) o caráter sagrado da américa, uma vez que fora considerada pelos europeus o paraíso</p><p>terrestre em virtude da bondade dos nativos.</p><p>j) a necessidade de orientação geográfica, uma vez que o ato de nomear permitia criar</p><p>mapas para futuras viagens na américa.</p><p>Comentários:</p><p>a) falso, pois os referenciais utilizados por Colombo são nomes de origem europeia, distantes</p><p>da valorização da natureza encontrada.</p><p>b) falso, pois os nomes europeus expressão justamente o contrário, uma visão sem disposição</p><p>para o diálogo. Repare que, no texto, o nome indígena Guanaani, bem diferente dos espanhóis.</p><p>c) sim, correto. O texto sugere uma contraposição entre o mundo indígena e seus significados</p><p>e o mundo europeu. Porém, uma contraposição baseada em uma relação de dominação, de</p><p>colonização. Esse aspecto sobressai quando a ideia de que a Majestade deu a um europeu as</p><p>terras conquistadas assumem a condição de posse. Uma posse sobre algo pertencente aos</p><p>indígenas.</p><p>d) duplamente falso, porque nem os indígenas eram bons, no sentido romântico europeu, nem</p><p>havia uma compreensão cristã de que a América seria uma terra sagrada. Os europeus viam o</p><p>novo mundo como negócio, empreendimento.</p><p>e) cuidado, pode pegar muita gente desatenta. De fato, nomear as “coisas” ajuda a criar um</p><p>referencial, afinal, enquanto seres racionais a linguagem e os significados ajudam em diversos</p><p>processos. Agora, repare que o comando da questão nos pede para localizarmos a</p><p>problemática no contexto da “conquista da América”. Dessa forma, a questão está</p><p>direcionando para o sentido histórico da conquista e do processo de colonização, uma relação</p><p>de dominação.</p><p>Gabarito: C</p><p>(ENEM – 2013)</p><p>O canto triste dos conquistados: os últimos dias de Tenochtitlán</p><p>Nos caminhos jazem dardos quebrados; os cabelos estão espalhados.</p><p>Destelhadas estão as casas,</p><p>Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém as tivesse tingido,</p><p>Nos escudos esteve nosso resguardo,</p><p>mas os escudos não detêm a desolação...</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>78</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).</p><p>O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado ao(à)</p><p>a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo.</p><p>b) tentativa frustrada de resistência a um poder considerado superior.</p><p>c) extermínio das populações indígenas pelo Exército espanhol.</p><p>d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepassados.</p><p>e) profetização das consequências da colonização da América.</p><p>Comentários:</p><p>Embora a conquista da América pelos espanhóis tenha provocado a destruição das culturas</p><p>indígenas por meio da violência e da aculturação, o texto transcrito enfatiza a ineficácia da</p><p>resistência dos astecas contra o poderio militar dos conquistadores, cuja superioridade foi</p><p>amplamente demonstrada pelo emprego do ferro, da pólvora, do cavalo e da roda. Assim, a</p><p>alternativa B é a que mais se atem ao texto. Entretanto, a alternativa a) expressa a visão</p><p>contemporânea sobre a conquista espanhola da América e poderia ser interpretada como</p><p>representativa do “sentido” (isto é, do significado) do texto; e até a alternativa c) poderia</p><p>eventualmente ser escolhida, pois o trecho</p><p>reproduzido também enfatiza a ideia de</p><p>mortandade, ainda que lhe reserve menos espaço que as considerações de caráter militar.</p><p>De qualquer forma, a questão foi elaborada de tal maneira que pode suscitar no candidato</p><p>dúvidas sobre qual seria a resposta correta. A alternativa d) está incorreta pois o texto tem</p><p>demonstra conhecimento sobre os feitos dos antepassados. Por fim, não se trata de uma</p><p>profetização, mas sim do que ocorreu de fato, portanto, e) também está errada.</p><p>Gabarito: B</p><p>(ENEM 2ª APLICAÇÃO – 2013)</p><p>Devem ser bons serviçais e habilidosos, pois noto que repetem logo o que a gente diz e creio</p><p>que depressa se fariam cristãos; me pareceu que não tinham nenhuma religião. Eu,</p><p>comprazendo a Nosso Senhor, levarei daqui, por ocasião de minha partida, seis deles para</p><p>Vossas Majestades, para que aprendam a falar.</p><p>COLOMBO, C. Diários da descoberta da América: as quatro viagens e o testamento. Porto Alegre:</p><p>L&PM, 1984.</p><p>O documento destaca um aspecto cultural relevante em torno da conquista da América, que</p><p>se encontra expresso em:</p><p>a) Deslumbramento do homem branco diante do comportamento exótico das tribos</p><p>autóctones.</p><p>b) Violência militarizada do europeu diante da necessidade de imposição de regras aos</p><p>ameríndios.</p><p>c) Cruzada civilizacional frente à tarefa de educar os povos nativos pelos parâmetros</p><p>ocidentais.</p><p>d) Comportamento caridoso dos governos europeus diante da receptividade das</p><p>comunidades indígenas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>79</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Compromisso dos agentes religiosos diante da necessidade de respeitar a diversidade</p><p>social dos índios.</p><p>Comentários:</p><p>O texto discorre sobre uma prática comum dos conquistadores na América: a imposição da</p><p>religião para os nativos, especificamente do cristianismo. Bem, desde os primeiros navios à</p><p>aportarem nas Américas havia uma missão civilizatória nos corações do homem branco, com</p><p>a pequena diferença do protagonismo da religião nessa missão. Além das motivações</p><p>econômicas e políticas, os europeus pretendiam salvar os nativos pela religião católica, e por</p><p>isso vieram para a América uma série de ordens religiosas, porém, foram especialmente os</p><p>jesuítas que trabalharam na conversão dos nativos. Assim, observamos uma tentativa de</p><p>“educar” e catequisar os indígenas a partir de um modelo europeu. Vamos olhas as</p><p>alternativas:</p><p>a) Incorreta. O deslumbramento observado no texto foi apenas um pretexto para as reais</p><p>intenções dos conquistadores.</p><p>b) Incorreta. Apesar de isso ter acontecido, não condiz com o que está descrito no texto.</p><p>c) Correta, é o nosso gabarito.</p><p>d) Incorreta. Os governos europeus não foram caridosos, eles tinham interesses bem</p><p>definidos com a catequização dos povos nativos.</p><p>e) Incorreta. Os agentes religiosos não respeitavam a diversidade social dos indígenas uma</p><p>vez que buscavam convertê-los ao cristianismo.</p><p>Gabarito: C</p><p>(ENEM – 2012)</p><p>Mas uma coisa ouso afirmar, porque há muitos testemunhos, e é que vi nesta terra de</p><p>Veragua (Panamá) maiores indícios de ouro nos dois primeiros dias do que na Hispaniola em</p><p>quatro anos, e que as terras da região não podem ser mais bonitas nem mais bem lavradas.</p><p>Ali, se quiserem podem mandar extrair à vontade.</p><p>(Carta de Colombo aos reis da Espanha, julho de 1503. Apud AMADO J.; FIGUEIREDO, L. C.</p><p>Colombo e a América: quinhentos anos depois. São Paulo: Atual – 1991 – Adaptado.)</p><p>O documento permite identificar um interesse econômico espanhol na colonização da</p><p>América a partir do século XV. A implicação desse interesse na ocupação do espaço</p><p>americano está indicada na</p><p>a) expulsão dos indígenas para fortalecer o clero católico.</p><p>b) promoção das guerras justas para conquistar o território.</p><p>c) imposição da catequese para explorar o trabalho africano.</p><p>d) opção pela policultura para garantir o povoamento ibérico.</p><p>e) fundação de cidades para controlar a circulação de riquezas.</p><p>Comentários:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>80</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>O trecho transcrito demonstra que o interesse maior da colonização espanhola na América</p><p>era a obtenção de ouro, conforme a concepção mercantilista que então começava a se</p><p>formar. Agora, precisamos entender de que maneira esse interesse vai impactar o espaço</p><p>americano. Em primeiro lugar, o ouro a ser extraído na América não se destinava a circular</p><p>na colônia, mas a ser remetido para a metrópole. Além disso, havia uma preocupação da</p><p>Coroa em evitar contrabando. Assim, surgiu a necessidade de fundar cidades com o sistema</p><p>de “porto único” para possibilitar o controle fiscal da Metrópole. Portanto, nosso gabarito é</p><p>letra e). Vamos ver o que está errado nas demais alternativas:</p><p>a) O Clero tinha interesse na catequização dos indígenas.</p><p>b) O ouro não promoveu uma guerra justa dentro do território americano, uma vez que os</p><p>povos nativos não eram exatamente pagãos, mas sim indivíduos que ainda não conhecem o</p><p>cristianismo.</p><p>c) O tráfico de escravizados africanos para a América só foi significativo a partir do século</p><p>XVI. Assim, ainda não faz sentido falar em catequese desse grupo social.</p><p>d) Na América, houve predomínio da monocultura.</p><p>Gabarito: E</p><p>(ENEM 2010)</p><p>O Império Inca, que corresponde principalmente aos territórios da Bolívia e do Peru, chegou</p><p>a englobar enorme contingente populacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o centro</p><p>administrativo, com uma sociedade fortemente estratificada e composta por imperadores,</p><p>nobres, sacerdotes, funcionários do governo, artesãos, camponeses, escravos e soldados. A</p><p>religião contava com vários deuses, e a base da economia era a agricultura, principalmente</p><p>o cultivo da batata e do milho. A principal característica da sociedade inca era a</p><p>a) ditadura teocrática, que igualava a todos.</p><p>b) existência da igualdade social e da coletivização da terra.</p><p>c) estrutura social desigual compensada pela coletivização de todos os bens.</p><p>d) existência de mobilidade social, o que levou à composição da elite pelo mérito.</p><p>e) impossibilidade de se mudar de extrato social e a existência de uma aristocracia</p><p>hereditária.</p><p>Comentário</p><p>Essa é uma questão que nos lembra do quão complexa era a sociedade Inca, porém fácil de</p><p>resolver, pois é de interpretação. A sociedade incaica era estamental, o que fazia do</p><p>nascimento o elemento definidor da posição social. Nessa estrutura fortemente</p><p>hierarquizada, as funções administrativas e guerreiras eram monopolizadas por uma</p><p>aristocracia hereditária que sustentava o poder teocrático do Sapa Inca (imperador,</p><p>considerado “Filho do Sol”).</p><p>A alternativa a) apresenta uma contradição, pois afirma que uma ditadura teocrática igualava</p><p>a todos. Ora, se é ditadura já tem desigualdades e se é teocrática, muito mais. O próprio</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>81</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>texto do comando da questão faz menção à “sociedade fortemente estratificada”, ou seja,</p><p>com desigualdades. Por isso, também, a alternativa b) está errada. Os bens também não</p><p>eram coletivizados, principalmente porque havia a cobrança de tributos, letra c) também</p><p>errada. A alternativa d) também apresenta uma contradição: se houvesse mobilidade social,</p><p>não haveria “sociedade fortemente estratificada”, correto? Então, só sobrou a letra e) e ela</p><p>está correta, pois apresenta o conceito de estratificação e, ao mesmo tempo, reforça a</p><p>existência de uma aristocracia hereditária. Ambas as afirmações estão corretas.</p><p>Gabarito: E</p><p>(ENEM PPL – 2009)</p><p>Na América espanhola colonial, a primeira prioridade dos invasores foi extrair riquezas dos</p><p>conquistados. Essa extração foi realizada mediante a apreensão direta de excedentes</p><p>previamente acumulados de metais ou pedras preciosas. Isso tomou a forma de saques e</p><p>pilhagens, uma maneira oficialmente aceita</p><p>de pagar soldados ou expedicionários</p><p>voluntários.</p><p>MACLEOD, Murdo J. Aspectos da economia interna da América espanhola colonial. In: BETHELL,</p><p>Leslie. História da América. São Paulo: Edusp; Brasília: Funag, 1999, v. II, p. 219-220.</p><p>Tendo em vista as características citadas, conclui-se que a América espanhola colonial</p><p>começou como uma sociedade</p><p>a) escolhida para representar o espírito da modernidade europeia na América.</p><p>b) engajada no comércio do qual provinham especiarias para serem distribuídas na Europa.</p><p>c) centrada na extração e beneficiamento mineral de recursos como ouro, prata e pedras</p><p>preciosas, ali encontrados.</p><p>d) fundada na lógica da conquista, ao se fazer uso da violência contra a população indígena</p><p>para a apropriação de riquezas.</p><p>e) voltada para o cultivo da cana-de-açúcar, produto bastante valorizado, tal como se</p><p>verificou nas colônias portuguesas.</p><p>Comentários:</p><p>Na sequência da conquista dos territórios do “novo mundo e dos “índios”, os espanhóis</p><p>começaram uma enorme exploração de suas riquezas. Nesse processo, a violência dos</p><p>conquistadores contra os nativos foi comum em diversas formas. No texto, ela aparece por</p><p>meio dos saques e pilhagens (nome dado ao furto ou roubo indiscriminado de bens alheios</p><p>como parte de uma vitória política ou militar). Com isso, vamos dar uma olhada nas</p><p>alternativas:</p><p>a) Incorreta. As colônias serviam a metrópole, não a representavam.</p><p>b) Incorreta. Em um primeiro momento, não havia especiarias produzidas na América</p><p>Espanhola que interessavam a metrópole.</p><p>c) Incorreta. Essa aqui poderia causar confusão, uma vez que não está errada, apenas</p><p>incompleta. No texto, há destaque para a questão da violência, algo que não aparece na</p><p>alternativa.</p><p>d) Correta, conforme discutimos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>82</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Incorreta. Logo após os “descobrimentos”, ainda não havia uma estrutura agricultora</p><p>consolidada. A metrópole se centrava na extração e exploração das riquezas.</p><p>Gabarito: D</p><p>13. QUESTÕES APROFUNDAMENTO - (COMENTÁRIOS)</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Uma observação comparada dos regimes de escravidão adotados na Antiguidade e na</p><p>América colonial permite afirmar corretamente que</p><p>a) a escravidão antiga se reproduzia exclusivamente através da importação de escravizados</p><p>por meio de um comércio internacional.</p><p>b) ambas envolviam um comércio internacional de cativos, mas possuíam mecanismos de</p><p>reprodução distintos.</p><p>c) em ambos os casos o indivíduo podia ser escravizado por dívidas, guerra ou por</p><p>nascimento.</p><p>d) nos dois casos apenas determinados povos eram escravizados, como forma de</p><p>manutenção de uma hierarquia racial entre os grupos humanos.</p><p>e) a escravidão moderna era baseada exclusivamente pelo nascimento, isto é, os filhos de</p><p>cativos eram também escravizados.</p><p>Comentários</p><p>Esta é uma questão comparativa, que demanda conhecimento sobre dois períodos</p><p>históricos distintos: a Antiguidade (4 mil a. C.-476 d. C.); e a Idade Moderna (1453-1789). O tema</p><p>da comparação é a escravidão, isto é, o trabalho compulsório e como ele era praticado pelas</p><p>sociedades destes dois contextos distintos. Antes de partirmos para as alternativas, lembre-se que</p><p>praticamente todas as grandes civilizações da Antiguidade praticavam a escravidão de alguma</p><p>forma e durante algum momento de sua história, em todos os continentes. Por sua vez, na Idade</p><p>Moderna, a escravidão foi praticamente banida na Europa, mas continuava existindo nos</p><p>continentes americano e africano, inclusive sendo praticada e intensificada pelos europeus. Com</p><p>essas considerações em mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. Nas sociedades antigas, como Grécia e Roma, a escravidão se reproduzia de</p><p>várias formas, entre as quais a escravização por dívidas ou de prisioneiros de guerra, para citar</p><p>dois exemplos comuns. No caso romano, o comércio de escravos se tornou um grande negócio</p><p>internacional, alimentado pela expansão territorial. Entretanto, outra forma de reprodução do</p><p>cativeiro em ambas civilizações era o critério de nascimento, segundo o qual os filhos de escravas</p><p>eram também escravizados. Para citar outro exemplo, no Egito antigo, assim como em outras</p><p>sociedades africanas os estrangeiros também podiam ser considerados juridicamente como</p><p>escravos, pois não tinham direitos e não integravam nenhuma linhagem (clã), logo deviam servir à</p><p>comunidade ou ao Estado.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>83</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) Correta! Tanto na Antiguidade quanto na Idade Moderna a escravidão atingiu</p><p>proporções tamanhas para que o comércio internacional de escravizados se tornasse lucrativo por</p><p>si só. No primeiro caso, o melhor exemplo é o da civilização romana, cuja qual a partir de seu</p><p>período republicanos expandiu-se pelo Mediterrâneo, escravizando os prisioneiros de guerra. No</p><p>segundo caso, a escravidão nas colônias europeias nas Américas nutriu cada vez mais o tráfico de</p><p>cativos africanos entre os continentes do Atlântico. Contudo, havia diferenças nos mecanismos de</p><p>funcionamento de cada um. Na antiguidade, como disse antes, a variedade de maneiras</p><p>socialmente legitimas para se escravizar alguém eram bem variadas. Porém, na escravidão</p><p>moderna, nas Américas, apenas cativos comprados no tráfico de escravizados, capturados em</p><p>guerra justa ou nascidos de mãe cativa eram legítimos. Além disso, no período colonial, apenas</p><p>africanos e indígenas eram escravizados.</p><p>c) Incorreta. Na Idade Moderna, a escravidão por dívidas era proibida.</p><p>d) Incorreta. No caso da escravidão antiga, qualquer indivíduo de qualquer povo estava</p><p>vulnerável a escravização, em especial nos casos de prisioneiros de guerra e pessoas endividadas.</p><p>Assim, por exemplo, na Roma antiga, romanos podiam ser escravizados por conta de suas dívidas,</p><p>assim como os gregos na Grécia. No caso da escravidão moderna, nas Américas, não. Apenas</p><p>indígenas, africanos e seus descendentes podiam ser feitos cativos.</p><p>e) Incorreta. Havia também a possibilidade de escravização por guerra justa (justificada pela</p><p>religião, luta contra infiéis) ou pela importação de africanos escravizados.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>“Durante algum tempo, os astecas acreditaram que estes ‘seres horríveis’ [espanhóis] fossem</p><p>deuses; como costumavam oferecer vidas humanas a suas divindades, sacrificaram</p><p>prisioneiros de guerra em louvor dos recém-chegados. Todavia, ‘quando os espanhóis viram</p><p>as vítimas, grande foi o seu desgosto; eles cuspiam, esfregavam os cílios, fechavam os olhos</p><p>[...] e quanto aos manjares, que estavam sempre cobertos de sangue, foram por eles</p><p>rejeitados [...]’. O que mais impressionava os astecas era a atitude dos espanhóis diante de</p><p>um metal amarelo, comum e sem valor, chamado ouro: ‘Iguais a macacos, enchiam as mãos</p><p>com ouro; depois sentavam-se, trêmulos de prazer [...] sem dúvida, eles o desejavam com</p><p>uma sede furiosa’”.</p><p>Fonte: Saga: a grande História do Brasil. São Paulo: Abril, 1981.</p><p>A reação dos europeus quando defrontados com os nativos americanos ocorreu em função</p><p>da(s)</p><p>a) suas diferenças culturais e econômicas na organização da sociedade.</p><p>b) incompatibilidade entre organizações republicanas e monarquista.</p><p>c) predisposição dos europeus em fazer guerra aos nativos.</p><p>d) resistência asteca a fazer acordos com os europeus.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>84</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) interferência e sabotagem de outras nações europeias.</p><p>Comentários</p><p>O tema da questão é o encontro entre povos e culturas distintos, no caso espanhóis e indígenas</p><p>americanos, nos séculos XV e XVI. Os espanhóis foram os primeiros europeus a chegarem</p><p>oficialmente na América, em 1492. Contudo, inicialmente mantiveram apenas nas ilhas caribenhas,</p><p>procurando introduzir a economia de plantation voltada para exportação, enquanto enviavam</p><p>eventuais expedições ao continente, em busca de metais preciosos. Somente em 1519 é que uma</p><p>expedição partiu da atual ilha de Cuba rumo ao México, para tentar conquistar os astecas.</p><p>Primeiramente, o imperador asteca recebeu os europeus e tentou negociar uma saída sem</p><p>violenta. Contudo, a guerra de conquista eclodiu pouco tempo depois e durou até 1521, quando</p><p>a capital Tenochtitlán foi tomada pelas tropas espanholas. No trecho, são enfocados esses</p><p>primeiros encontros com os astecas, que governavam a região da Península de Yucatã, no México.</p><p>Na história, buscamos interpretar com um cuidado especial o encontro de culturas diferentes, uma</p><p>vez que os registros destes encontros são sempre produzidos por um dos lados e contém uma</p><p>visão parcial dos acontecimentos, imbuída em valores culturais específicos, o que pode levar a</p><p>uma compreensão equivocada sobre os comportamentos e escolhas feitas pelo grupo adversário.</p><p>Com isso em mente, vejamos qual alternativa melhor apresenta uma razão para o estranhamento</p><p>dos europeus em relação aos indígenas:</p><p>a) Correta! É importante lembrar que americanos e europeus nunca haviam se encontrado até</p><p>então, portanto, desconheciam-se uns aos outros completamente, gerando uma incompreensão</p><p>entre ambos. Eles não falavam a mesma língua, não cultuavam a mesma religião, não se</p><p>organizavam social nem militarmente da mesma forma e não praticavam as mesmas dinâmicas</p><p>econômicas. Assim, podemos dizer que cada lado tinha expectativas e interpretações</p><p>completamente distintas sobre o encontro entre eles. Lembre-se que a Europa vivenciava uma</p><p>expansão comercial, de caráter mercantilista, além de estar em um contexto de guerras religiosas.</p><p>Portanto, os espanhóis chegavam na América com o objetivo de conseguir ouro, terras, mão de</p><p>obra barata e novos fiéis para converter ao catolicismo. Por sua vez, o Império Asteca vivia seu</p><p>auge, dominando uma grande porção da Mesoamericana, mas enfrentava certa resistência de</p><p>algumas nações indígenas sob seu controle, o que gerava uma suspeita e temor em relação a um</p><p>novo povo estrangeiro, altamente armado, que chegava ao seu território. Além disso, eles eram</p><p>politeístas e praticavam sacrifícios humanos para fins religiosos, dinâmicas culturais não só</p><p>diferentes, como condenadas pela maioria dos cristãos europeus.</p><p>b) Incorreta. Nenhum dos dois povos em contato se organizavam em regime republicano. Na</p><p>verdade, tanto espanhóis quanto astecas organizavam suas sociedades na forma de monarquias,</p><p>apesar de haver diferenças entre elas.</p><p>c) Incorreta. De fato, havia uma predisposição dos europeus a fazer guerra nos novos territórios.</p><p>Porém, esta predisposição tinha origem nas diferenças culturais e econômicas entre os dois povos,</p><p>como expliquei na justificativa da letra “a”, o que faz da “c” uma resposta incompleta e superficial.</p><p>Vale lembrar que nos primeiros contatos ainda no século XV, a intenção inicial era encontrar uma</p><p>rota para a Índia e estabelecer entrepostos comerciais (feitorias) pelo caminho, para fortalecer a</p><p>economia mercantilista da Espanha. Todavia, ao chegarem no Caribe, os espanhóis logo</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>85</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>perceberam as vantagens naturais da região para a economia agroexportadora e a possibilidade</p><p>de usar os nativos supostamente primitivos como mão de obra barata. Mais tarde, a descoberta</p><p>da existência de ouro no continente intensificou a disposição à guerra e à conquista.</p><p>d) Incorreta. Na realidade, ao receber Hernán Cortés e suas tropas em Tenochtitlán, o imperador</p><p>Montezuma procurou negociar evitando um conflito armado. Cortés aproveitou o acolhimento</p><p>imperial para se inteirar da situação interna do Império Asteca e conhecer melhor as disputas e a</p><p>resistência de povos submetidos à ele. A luta só começou de fato em 20 de maio de 1520, quando</p><p>soldados espanhóis invadiram o Templo Maior, na capital, durante uma cerimônia religiosa e</p><p>massacraram as pessoas que lá estavam.</p><p>e) Incorreta. Os espanhóis não tiveram que lidar com interferências de outras nações europeias na</p><p>América, após o Tratado de Tordesilhas (1494) e até, mais ou menos, a segunda metade do século</p><p>XVI, quando Holanda, França e Inglaterra também se lançaram a empreitada de conquistar um</p><p>território nas Américas, inclusive no Caribe.</p><p>Gabarito: A</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>“A primeira irmandade de negros de Lisboa nasceu na Igreja do Convento de São Domingos.</p><p>Neste convento havia uma irmandade de N. S. do Rosário instituída por pessoas brancas,</p><p>provavelmente no final do século XV, mas a partir do século XVI, paulatinamente, os negros</p><p>foram ocupando espaço na instituição. Em 1551, a Confraria do Rosário do Convento de São</p><p>Domingos estava ‘repartida em duas, uma de pessoas honradas, e outra dos pretos forros e</p><p>escravos de Lisboa’. Uma série de conflitos entre ‘os irmãos pretos’ e as ‘pessoas honradas’,</p><p>levou à cisão definitiva do grupo. Em 1565, os irmãos negros tiveram seu primeiro</p><p>compromisso aprovado pela autoridade régia. Apesar disto, o acirramento das disputas, que</p><p>chegou a envolver os superiores do convento e até o Papa, levou à expulsão da irmandade</p><p>dos negros do templo dominicano no fim do século XVI”.</p><p>REGINALDO, Lucilene. Os Rosários dos Angolas: Irmandades Negras, Experiências Escravas</p><p>e Identidades Africanas na Bahia Setecentista. Campinas-SP: Tese de doutorado, UNICAMP,</p><p>p. 47.</p><p>A organização dos fiéis em irmandades em Lisboa, no século XVI, descrita no texto,</p><p>expressava a</p><p>a) fraternidade entre os grupos sociais.</p><p>b) apropriação subversiva de espaços de controle.</p><p>c) ausência de interferência do clero.</p><p>d) ineficiência dos métodos de conversão.</p><p>e) benevolência e empatia do povo português.</p><p>Comentários</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>86</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>O tema da questão é a hierarquia social em Lisboa, no século XVI, abordada através da</p><p>organização em torno das irmandades católicas. É preciso abrir um parêntese aqui para dizer que,</p><p>sim, existiam negros em Portugal naquela época. Lisboa era o porto mais importante do reino,</p><p>principalmente a partir da expansão ultramarina. Com a adoção da escravidão nas colônias</p><p>lusitanas, o porto lisboeta se tornou ponto de passagem ou mesmo destino de boa parte dos</p><p>africanos escravizados. Muitas famílias e indivíduos possuíam cativos na capital portuguesa, assim</p><p>como parte deles eventualmente concedia alforrias, possibilitando a formação de uma população</p><p>negra tanto liberto quanto cativa na cidade. De volta às irmandades, estas eram associações de</p><p>fiéis, que se reuniam para promover o culto a um santo específico e financiar mutuamente seus</p><p>próprios enterros, já que nem a Igreja e nem o Estado se responsabilizavam pelos sepultamentos</p><p>naquele período. Porém, cada grupo social costumava se organizar nas suas próprias irmandades</p><p>e evitava a entrada de pessoas de outras camadas da sociedade, ou pelos menos as impediam de</p><p>assumir cargos importantes dentro da associação. Por outro lado, as irmandades tiveram um papel</p><p>importante na conversão dos povos conquistados. Com isso, era comum que os senhores</p><p>colocassem seus cativos nas suas próprias irmandades, de modo a comprovar que cumpriam suas</p><p>obrigações de evangeliza-los. Todavia, os escravizados e negros em geral foram se apropriando</p><p>desses espaços para galgar algum respeito e reconhecimento na sociedade portuguesa, assim</p><p>como no Brasil. Santos como Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Ifigênia e São</p><p>Elesbão eram os mais recorrentes nas irmandades de negros, apesar de haver brancos que</p><p>também os cultuassem. Sabendo disso, vejamos que essa forma de organização dos fiéis</p><p>expressava naquele contexto:</p><p>a) Incorreta. Como o texto deixa explícito, não havia um sentimento</p><p>de fraternidade entre as</p><p>“pessoas honradas” e “pretos forros e escravos”, pelo contrário, vemos um flagrante episódio de</p><p>rivalidade e discriminação que resultou na expulsão dos últimos da Igreja que lhes servia de sede.</p><p>b) Correta! É como eu disse no comentário, negros livres e libertos que eram convertidos e</p><p>introduzidos nas irmandades acabavam se apropriando delas para usá-las a seu favor, ainda mais</p><p>com o passar das gerações. Em geral, em torno das irmandades se formavam comunidades cujos</p><p>membros se ajudavam de várias formas, para além dos objetivos religiosos que mencionei antes.</p><p>Há casos em que irmandades de negros saíram em socorro de irmãos cativos que sofriam abusos</p><p>senhoriais, conseguindo sua alforria. Porém, não se engane, a grande maioria delas não militava</p><p>explicitamente pelo fim da escravidão, tratava-se de episódios isolados. Portanto, essas</p><p>associações serviam aos negros tanto para se afirmarem como bons súditos e cristãos como para</p><p>eles se reunirem e se ajudarem sem tanta perseguição da sociedade, por mais que esses espaços</p><p>fossem à princípio dedicados a discipliná-los e controla-los.</p><p>c) Incorreta. No caso narrado pelo texto, é evidente que houve interferência do clero, inclusive a</p><p>favor dos irmãos brancos. De fato, era comum que o clero se intrometesse nos assuntos das</p><p>irmandades, tanto de brancos quanto de negros. Contudo, a capacidade de uma interferência</p><p>eficaz variava de acordo com o período, o lugar e os recursos disponíveis. No coração do Império</p><p>português seria difícil evitar tal interferência.</p><p>d) Incorreta. Mesmo com todo o sincretismo e a apropriação subversiva dos negros de espaços</p><p>como as irmandades, não podemos dizer que os métodos de conversão do catolicismo eram</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>87</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>ineficientes. Na realidade, isso é bem difícil de avaliar. Por um lado, sim, a grande maioria dos</p><p>negros que chegaram a Lisboa foram convertidos, mas era possível que determinadas tradições e</p><p>práticas de matriz africana fossem preservadas nesses espaços. No caso brasileiro, por exemplo,</p><p>havia a festa de Coroação de Rei Congo, na qual se encenava uma corte africana festiva, tipo de</p><p>celebração que também existia em Portugal, no século XVI.</p><p>e) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>A imagem representa uma cena da conquista de Tenochtitlán, capital do Império Asteca,</p><p>pelos espanhóis. Nela, vemos uma batalha em uma Teocalli, uma pirâmide asteca.</p><p>A Tomada da Teocalli por Cortez e suas tropas, 1848, Emanuel Leutze.</p><p>Analise as quatro afirmações seguintes, a respeito da empresa e da conquista colonial</p><p>espanhola no México e da representação presente na imagem.</p><p>I. Os astecas resistiram até 1533 graças ao seu maior conhecimento sobre o espaço</p><p>geográfico onde se deu a batalha. A capital era suspensa sobre uma rede hidrográfica que</p><p>possibilitou a construção de várias armadilhas e dificultou a mobilidade da cavalaria espanhola.</p><p>II. A conquista espanhola foi favorecida pela estratégia de Cortez de se aliar às nações e</p><p>povos nativos descontentes com a supremacia asteca na região. Com isso, ele obteve maior</p><p>conhecimento sobre a geografia local, mas também sobre costumes culturais e de guerra de seus</p><p>inimigos.</p><p>III. Na pintura, são marcantes algumas tendências próprias ao romantismo do século XIX,</p><p>influenciado pelo nacionalismo e pelos movimentos liberais e de independência nesse período.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>88</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>IV. Os indígenas da Mesoamérica foram sistematicamente exterminados durante e após a</p><p>conquista do Império Asteca e das cidades-Estados maias. Os espanhóis os consideravam</p><p>trabalhadores inferiores e preferiram importar escravizados africanos, cujo comércio era lucrativo</p><p>por si só.</p><p>Estão corretas apenas as afirmações</p><p>a) I, II e IV.</p><p>b) I e III.</p><p>c) I, III e IV.</p><p>d) I, II, III e IV.</p><p>e) II e III.</p><p>Comentários</p><p>O tema da questão é a conquista do México pelos espanhóis, entre 1519 e 1521. Veja, os</p><p>espanhóis chegaram ao Caribe em 1492, mas se mantiveram nas ilhas, sobretudo em Cuba.</p><p>Periodicamente, eram enviadas expedições de reconhecimento ao continente americano,</p><p>principalmente para buscar por ouro. Somente em 1519, uma dessas expedições, comandada por</p><p>Hernán Cortés, saiu de Cuba e desembarcou na península de Iucatã, no México. A região era</p><p>governada pelo Império Asteca. As lutas entre os dois povos foram violentas, resultando em um</p><p>grande extermínio indígena, seja pelas armas, seja pela exaustão no trabalho forçado, seja pela</p><p>difusão de epidemias às quais os nativos tinham pouca resistência.</p><p>Quanto à pintura apresentada, repare que ela não foi feita na mesma época em que se deu</p><p>a conquista do México. Obra do alemão Emanuel Leutze, o quadro foi pintado em 1848, na</p><p>Europa. Por isso, é importante recapitularmos brevemente o que estava rolando nesse momento</p><p>que poderia inspirar o artista. Ora, nas Américas uma onda de movimentos de independência</p><p>colocava fim ao colonialismo europeu no continente. A independência do México, por exemplo,</p><p>havia sido alcança após um longo processo de independência entre 1810 e 1821. Na Europa, uma</p><p>série de revoltas liberais e nacionalistas, além das guerras napoleônicas, varriam o continente e</p><p>abalando as estruturas do Antigo Regime. Especialmente, em 1848, ocorreu a Primavera dos</p><p>Povos, uma onda de revoltas lideradas pela pequena burguesia, por trabalhadores urbanos e</p><p>camponeses em diferentes países, algumas de caráter liberal e nacionalistas, outras esboçando as</p><p>primeiras elaborações do socialismo e do anarquismo. Com essas considerações em mente, vamos</p><p>analisar as afirmações propostas sobre a pintura e sobre a conquista do México:</p><p>I. Falsa. A capital foi completamente tomada pelos espanhóis em 1521. Além disso,</p><p>mesmo conhecendo melhor o terreno, os astecas estavam em desvantagem devido à</p><p>superioridade do armamento europeu e a aliança de nações nativas rivais com os</p><p>espanhóis, que acabaram ajudando no cerco a cidade.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>89</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>II. Verdadeira! O Império Asteca era gigante e tinha o controle sobre um vasto território</p><p>na Mesoamérica. Sob seu comando, estavam diferentes aldeias, cidades, nações e</p><p>povos indígenas diferentes que foram subjugados ao longo dos anos. Eles deviam pagar</p><p>vários tributos, seja em dinheiro, mercadorias ou trabalho. Evidentemente, havia muitos</p><p>ressentidos entre esses povos que queriam vingança contra os astecas e a chega de um</p><p>novo ator na disputa, os espanhóis, pareceu-lhes tentadora. Assim, os espanhóis tiveram</p><p>acesso não só a pontos estratégicos da geografia mesoamericana, como também a</p><p>informações cruciais para a elaboração de uma estratégia militar eficaz.</p><p>III. Verdadeira! O romantismo foi um movimento artístico que surgiu no final do século XVIII</p><p>e se proliferou pela Europa e América durante a primeira metade do século XIX. É difícil</p><p>defini-lo, pois ganhou diferentes formas de expressão de acordo com a região na qual</p><p>era praticado. Contudo, é notável a preferência dos românticos em representar cenas</p><p>épicas, que apelam para as emoções e sentimentos das pessoas. Muitas vezes, esse</p><p>modo de pensar romântico estava intimamente ligado ao nacionalismo e as lutas de</p><p>autodeterminação dos povos naquele contexto, que recorriam a mitos primitivos que</p><p>legitimassem a identidade nacional. No caso das obras românticas que elegiam a</p><p>América como cenário, o indigenismo era marcante. Esta vertente se caracterizava pela</p><p>ideia de “bom selvagem” a respeito dos indígenas, que serviam de contraponto</p><p>simbólico a crueldade da civilização europeia. Vale mencionar também que o autor da</p><p>pintura que analisamos aqui,</p><p>Emanuel Leutze, foi um grande simpatizante da Primavera</p><p>dos Povos, além do quadro ter sido pintado do mesmo ano deste evento histórico: 1848.</p><p>Não à toa, a pintura apresenta todos elementos: indígenas representados como os</p><p>heroicos guerreiros que lutam justamente para a expulsão de invasores estrangeiros e</p><p>contra a opressão de um governo autoritário.</p><p>IV. Falsa. A primeira frase da afirmação está correta. Contudo, a segunda está equivocada.</p><p>Apenas algumas colônias espanholas da América importaram africanos, como a</p><p>Colômbia, a Argentina e Cuba, as quais as principais atividades eram a agropecuária em</p><p>latifúndio voltada para exportação. Em outras, como México e Peru, a mão de obra</p><p>indígena foi muito mais utilizada, por meio da combinação de formas de trabalho</p><p>compulsório já empregadas pelos indígenas e outras novas introduzidas pelos</p><p>espanhóis. A encomienda, por exemplo, era resultado dessa complexa combinação de</p><p>formas estrangeiras e nativas de trabalho forçado.</p><p>Portanto, a alternativa correta é a letra “e”.</p><p>Gabarito: E</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>O matemático e geógrafo flamenco Gerardo Mercator foi fundamental para o</p><p>desenvolvimento da cartografia no século XVI. Assim como outros documentos, os mapas</p><p>são considerados fontes históricas que carregam características próprias do contexto em que</p><p>foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que circulavam nas</p><p>sociedades de seu tempo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>90</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Orbis Terral Compendiosa, o mapa-múndi de Mercator, 1587. Biblioteca Britânica, Londres.</p><p>A representação cartográfica de Mercator</p><p>a) carregava vários elementos da mentalidade medieval. Esse tipo de mapa continha uma</p><p>série de referências bíblicas, estabeleciam Jerusalém como centro do mundo e projetavam</p><p>o Jardim do Éden.</p><p>b) fazia parte de um contexto mais amplo de mudanças de paradigmas de pensamento</p><p>causadas pelo movimento iluminista, que se opunha ao racionalismo renascentista.</p><p>c) foi confeccionada graças ao uso de aviões, que permitiram a Mercator e outros cartógrafos</p><p>a ter uma perspectiva mais realista do espaço, proporcionada pela altura da qual podiam</p><p>observar.</p><p>d) diferente dos mapas medievais, tinha uma função geográfica e representava espaços</p><p>físicos observados ou intuídos por meio da exploração territorial. Nota-se a influência das</p><p>ideias renascentistas.</p><p>e) pôde ser confeccionada graças a navegações de espanhóis e portugueses, que exploraram</p><p>o globo contratando cartógrafos renascentistas. Inclusive, Mercator foi o cartógrafo de</p><p>Colombos, em 1492.</p><p>Comentários</p><p>Atente-se à data indicada pelo enunciado: século XVI. O mapa reproduzido é de 1587. Portanto,</p><p>estamos falando de um período de grandes transformações sociais, econômicas, políticas e</p><p>culturais na Europa. A colonização da América já havia se iniciado; o renascimento cultural abalava</p><p>paradigmas do pensamento medieval; as reformas protestantes questionavam as prerrogativas da</p><p>Igreja Católica; e as monarquias absolutistas estava começando a se consolidar. O tema específico</p><p>da questão são as mudanças nas técnicas e concepções da cartografia. Tendo isso em vista,</p><p>vejamos qual alternativa apresenta a afirmação correta sobre o mapa de Mercator:</p><p>a) Incorreta. Realmente, as características apontadas eram elementos da mentalidade medieval</p><p>expressos nos mapas. No entanto, a cartografia de Mercator não se enquadra nessa tradição. Pelo</p><p>contrário, ele apresenta várias rupturas em relação a ela. O fato dele ter retratado o planeta como</p><p>uma esfera e ter aplicado técnicas de distorção para retratar os polos e alguns continentes são</p><p>consequência da influência renascentista na formação do cartógrafo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>91</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) Incorreta. De fato, a cartografia de Mercator se enquadra em um contexto de mudança de</p><p>paradigma de pensamento. Porém, essa mudança não era causada pelo iluminismo, pois este</p><p>movimento só se iniciou em meados do século XVII. Na verdade, a influência maior aqui é do</p><p>renascimento cultural, ocorrido entre o século XIV e o início do XVII. Por outro lado, o racionalismo</p><p>era um princípio importante para ambos os movimentos.</p><p>c) Incorreta. Não existiam aviões nesse período. Esse meio de transporte só foi inventado no século</p><p>XX. Mercator confeccionou seus papas com base em descrições de viajantes, nas suas próprias</p><p>viagens e em cálculos matemáticos.</p><p>d) Correta! Essas eram as características que diferenciavam um mapa moderno, como o de</p><p>Mercator, de um mapa medieval. O renascimento pregava o empirismo, a técnica, o processo</p><p>científico com base na observação. Por isso, cada vez menos criaturas e fenômenos bíblicos eram</p><p>retratados na cartografia, ao passo que se buscava representar o espaço geográfico de forma mais</p><p>utilitária.</p><p>e) Incorreta. Mapas como o de Mercator puderam mesmo ser concebidos graças as grandes</p><p>navegações e a contratação de cartógrafos renascentistas para registrar o percurso feito por essas</p><p>expedições. No entanto, Mercator não esteve na primeira viagem de Colombo.</p><p>Gabarito: D</p><p>(Estratégia Militares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A formação de Portugal, entre os séculos XI e XIV, está relacionada a dois processos: por um</p><p>lado, a reconquista de territórios dos mouros, as Guerras de Reconquistas; por outro, uma</p><p>disputa entre os próprios reinos cristãos. Nesse contexto, a Revolução de Avis, importante</p><p>evento que consolidou a formação de Portugal</p><p>a) foi liderada por D. João I, rei de Castela; recebeu apoio dos franceses.</p><p>b) foi liderada por D. Manuel, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>c) foi liderada por D. Pedro I, mestre de Algarve; recebeu apoio dos franceses.</p><p>d) foi liderada por D. João, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>e) foi liderada por D. Afonso III, de Portugal; não recebeu apoio estrangeiro.</p><p>Comentários</p><p>Vamos iniciar por uma revisão mais geral da disputa dos territórios entre cristãos e</p><p>mouros. Nesse sentido, sobre as Guerras de Reconquista, de forma sintética, guarde o</p><p>seguinte:</p><p>foram batalhas em que cristãos da Península Ibérica travaram contra os mouros -</p><p>muçulmanos do norte da África que invadiram a Península no século VIII.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>92</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>À medida que os mouros eram expulsos da Península Ibérica, os reinos cristãos foram</p><p>sendo reconstruídos. Dá uma conferida no mapa com as setas indicando esse processo de</p><p>reconquista:</p><p>Portugal, então, surgiu a partir de uma porção de terra do Reino de Leão, dá uma</p><p>conferida:</p><p>Em uma fase mais avançada da Reconquista, a situação ficou a seguinte:</p><p>A faixa amarela mais ao sul ficou sob domínio dos mouros, Reino Mouro de Granada.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>93</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Agora, e a disputa dentre os reinos cristãos? Vamos conferir, também em mapa, um</p><p>panorama até o final do século XIII.</p><p>Veja só, em 1143, o Reino de Leão reconheceu a independência do Condado</p><p>Portucalense, dando origem a Portugal. Já em 1179 o Papa reconheceu o novo status de</p><p>Reino dos portugueses. Contudo, o Reino de Castela travava constantes disputas territoriais</p><p>com os portugueses.</p><p>Bem, no final do século XIV, já então com Portugal formado, ocorreu uma crise de sucessão</p><p>do trono, uma crise dinástica. O rei D. Fernando I, filho do rei anterior D. Pedro I (rei de</p><p>Portugal entre 1357 e 1367), morreu em 1383. D. Fernando I não tinha filho para assumir o</p><p>trono. Sua filha, a Princesa Beatriz, estava casada com o rei de Castela, D. João I, um</p><p>casamento arranjado para colocar fim às disputas territoriais entre portugueses e</p><p>castelhanos</p><p>(Reino de Castela).</p><p>Qual era o impasse, profe?</p><p>Na ausência de um herdeiro do sexo masculino, seria preciso esperar que Princesa Beatriz e</p><p>D. João I tivessem um filho homem e que este completasse 14 anos para, então, tornar-se</p><p>rei. Eitâ!!</p><p>Assim, logo que D. Fernando I morreu, um Governo Regencial foi instaurado e liderado pela</p><p>esposa de D. Fernando I, a rainha Leonor Teles. Qual foi o problema, gente? A rainha foi</p><p>pedir ajuda para D. João I, de Castela, para governar. Os portugueses, então, motivados</p><p>pelo histórico de disputas entre Portugal e Castela, já se ligaram: “os castelhanos vão querer</p><p>nos dominar e perderemos a nossa soberania!!! Sem chance!!”.</p><p>Diante disso, os portugueses iniciaram uma conspiração liderada por João, Mestre de Avis.</p><p>João era irmão de D. Fernando I, ou seja, tinha uma certa linhagem na realeza. Então, saca</p><p>só a crise:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>94</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>D. João I, de Castela, invadiu Portugal e tomou Lisboa, mas teve que recuar depois que</p><p>a peste negra matou muitos de seus soldados. O embate militar se tornou mais complexo,</p><p>quando os franceses entraram para dar suporte aos castelhanos e os ingleses aos</p><p>portugueses liderados por João, mestre de Avis.</p><p>O ponto alto do conflito foi a Batalha de e Aljubarrota (agosto de 1385, 100 Km ao norte</p><p>de Lisboa), vitória para os portugueses.</p><p>Dom João, mestre de Avis, foi coroado rei de Portugal em 1385. Repare, enquanto rei, de</p><p>João, mestre de Avis, ele passou para Joao I, rei de Portugal entre 1385 e 1433. Não</p><p>confunda com o rei de Castela. A dinastia de Avis durou até 1580.</p><p>Diante disso, vamos às alternativas:</p><p>a) falso, pois D. João I foi quem tentou invadir Portugal, sendo causa da Revolução de Avis.</p><p>Sobre o apoio dos franceses está certo.</p><p>b) falso, pois D. Manuel não é parte dessa disputa.</p><p>c) falsa. Primeiro porque D. Pedro I foi rei antes de D. Fernando I. Depois porque Algarve</p><p>era uma região mais ao sul de Portugal, que foi retomada dos mouros em meados do século</p><p>XIII.</p><p>d) é o nosso gabarito.</p><p>e) falso, pois D. Afonso III não fez parte da disputa, foi rei em meados do século XIII.</p><p>Gabarito: D</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>Os africanos eram transformados em objeto de dominação e sujeitos a leis, regulamentos e</p><p>normas subordinadoras. A justificativa que legitimava esse processo era fornecida por um</p><p>conjunto de ideologias imperialistas que predicavam a superioridade e o direito de</p><p>dominação dos europeus e a superioridade e a naturalidade de da subordinação e da</p><p>exploração dos africanos.</p><p>Visentini, Paulo Fagundes. História da África e dos Africanos. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 2020.</p><p>De um modo geral, o fundamento dessas ideias era constituído</p><p>Porugueses que</p><p>defendiam a manutenção</p><p>da soberania em relação a</p><p>Castela. Apoio a João,</p><p>mestre de Avis.</p><p>Nucleo duro da nobreza da</p><p>nobreza que defendia D. João I</p><p>de Castela como sucessor do</p><p>trono de Portugal.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>95</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>a) Pela percepção da superioridade tecnológica e do desenvolvimento político, econômico</p><p>e cultural do capitalismo europeu já maduro em contraposição à inferioridade africana.</p><p>b) Pela noção de que os europeus eram os primeiros habitantes da terra e, por isso, a</p><p>vanguarda da Humanidade.</p><p>c) Exclusivamente pela noção de raça selvagem que precisava seguir o modelo evoluído dos</p><p>europeus.</p><p>d) Pela ideia de espaço vital, que justificava a expansão territorial do povo europeu nos</p><p>continentes africano e asiático.</p><p>e) De direitos e deveres decorrentes da forma eurocêntrica de dominação.</p><p>Comentários:</p><p>Questão que aborda tema clássico: a dominação europeia na África no século XIX. O texto</p><p>do enunciado informa que ideologias imperialistas defendiam a superioridade dos europeus</p><p>e, portanto, seu direito à dominação. Assim, lembramos existiram ideologias filantrópicas,</p><p>racistas, utilitarista, darwinistas-sociais. De todo forma, e apesar das diferenças entre seus</p><p>argumentos, elas partem de um fundamento comum. A missão colocada pelo comando é</p><p>justamente o de encontrar esse fundamento comum das ideologias imperialistas.</p><p>Vamos analisar as alternativas:</p><p>a) Gabarito. Havia uma percepção de superioridade e isso vinha do modelo desenvolvido</p><p>naquele momento: o capitalismo que se expressava concretamente em um modelo de</p><p>sociedade de ampla tecnologia. Essa era a utopia do século XIX: a ciência e a técnica que</p><p>faz a sociedade evoluir, ou ainda, que tem na marca da evolução máxima a tecnologia.</p><p>b) Errado. O fundamento não tinha a ver com quem surgiu primeiro, mas quem chegou</p><p>primeiro ao topo da escala evolutiva.</p><p>c) Errado. O fundamento não é a raça e a percepção de superioridade. A raça aparece como</p><p>ideia que explica o fundamento. Exemplo: os europeus são evoluídos tecnologicamente</p><p>porque pertencem à raça superior.</p><p>d) Errado. O espaço vital está no fundamento do nazismo.</p><p>e) Errado. Direitos e deveres são decorrentes da dominação e não seu fundamento.</p><p>Gabarito: A</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A origem dessa estrutura administrativa remonta ao período medieval espanhol, sendo que</p><p>“cada vila tinha seu próprio conselho (...) uma corporação que regulava a vida dos habitantes</p><p>e fiscalizava as propriedades públicas – as terras comunais, florestas e pastagens e as galerias</p><p>de rua com suas tendas de comércio – de onde derivada grande parte de sua renda”.</p><p>(BETHELL, Leslie. História da América Latina - volume 1, América latina colonial. 2.ed. São</p><p>Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. Adaptado)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>96</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>O texto faz referência a uma certa estrutura organizacional em determinado tempo e espaço,</p><p>sendo possível afirmar que</p><p>a) as organizações em questão passaram a ganhar força com as gestões regionais</p><p>implementadas pelos Vice-Reis espanhóis.</p><p>b) em função da proximidade com o povo, tais os espaços político-administrativos</p><p>conhecidos como Cabildos não contavam com representações das oligarquias dos criollos.</p><p>c) enquanto embriões das Assembleias Legislativas Estaduais, o caráter consultivo reforçava</p><p>a principal atividades dos desses Conselhos, legislar.</p><p>d) o arranjo governamental para o exercício da dominação colonial era de participação</p><p>exclusiva dos chapetones.</p><p>e) eram formados por habitantes de destaque da cidade ou do vilarejo, personalidades que</p><p>possuíam poderes administrativos e jurídicos.</p><p>Comentários</p><p>A primeira tarefa nesta questão é descobri do que ela está falando? Olha só, gente: “remonta</p><p>ao período medieval espanhol”, logo, é sobre acontecimentos históricos posteriores à Idade</p><p>Média, do renascimento comercial em diante. Veja, também, que o título do livro fala da</p><p>América Latina. Nesse sentido, possivelmente é cobrado um conteúdo da América</p><p>espanhola, de aspectos da colonização espanhola, em particular, um órgão da estrutura</p><p>administrativa colonial, os Cabildos: Esse tipo de análise preliminar é muito importante para</p><p>provas, pois é comum, pelo menos uma questão, que irá deixar você em dúvidas de que</p><p>tempo e espaço ela está falando. Aqui não peguei tão pesado, mas o espírito é esse. Sacou?</p><p>Vamos ver o que dizem as alternativas.</p><p>a) Opa, Vice-reinado é algo da estrutura político-administrativa da América espanhola. Ok,</p><p>faz sentido com o enunciado. Porém, a afirmação é falsa, pois as intervenções dos Vice-Reis</p><p>e de corregedores da Coroa passaram a centralizar o poder e a diminuir a presença efetiva</p><p>dos das organizações regionais construídas pelos sujeitos que estavam organizando o dia a</p><p>dia da colônia. E quais eram os sujeitos da colonização espanhola, Alê? Boa.... Vamos lá:</p><p>A estrutura social era rigidamente</p><p>hierarquizada. Os espanhóis tinham políticas</p><p>antimiscigenação, além de sua mentalidade ser altamente segregacionista. Havia, inclusive, uma</p><p>divisão entre os espanhóis nascidos na Europa, os chapetones, e os filhos de espanhóis nascidos</p><p>na América, os criollos. Estes eram considerados inferiores.</p><p>Os povos nativos eram juridicamente considerados homens livres, ou seja, as leis proibiam a</p><p>escravização indígena. Evidentemente, eram considerados inferiores, incapazes e ilegítimos para</p><p>ocupar cargos políticos ou administrativos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>97</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Assim, a partir da posição na hierarquia social, as</p><p>pessoas ocupavam ou não cargos na estrutura</p><p>produtiva e econômica da colônia. Veja a pirâmide que</p><p>demonstra a importância dos grupos sociais.</p><p>CUIDADO, não se trata de uma pirâmide que expressa</p><p>a proporção numérica de composição da sociedade,</p><p>mas apenas a relação de importância dos grupos</p><p>sociais.</p><p>E não esqueça de que Vice-reinados: inicialmente existiam dois, Nova Espanha e Peru. Depois</p><p>foram criados mais dois, Rio da Prata e Nova Granada.</p><p>b) falso, pois essas oligarquias sempre estiveram à frente dos Cabildos, sendo que, com a</p><p>diminuição da força desses Conselhos, a representação nesses espaços de audiências e</p><p>poucas deliberações (século XVIII em diante) ficou a cargo das elites.</p><p>c) dois problemas aqui, os Cabildos possuíam funções para além de legislar, também</p><p>executavam atividades administrativas e judiciarias. Além disso, eles eram mais próximos a</p><p>um embrião de Câmaras Municipais e não de Assembleias Legislativas. Para saber diferenciar</p><p>essa questão, você precisa saber que Câmaras Municipais atendem aos interesses locais e</p><p>Assembleias Legislativa a interesses regionais, de um Estado, por exemplo. Veja só:</p><p>Outro termo para Cabildos é ayuntamientos (prefeitura), o que demonstra as diversas funções</p><p>que efetivavam.</p><p>d) falso, pois os criollos participavam mais dos Cabildos e os Chapetones dos cargos mais</p><p>altos, com na ilustração acima.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>98</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) é o nosso gabarito, pois expressa um elemento que compõe a definição de Cabildo.</p><p>Gabarito: E</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A cidade foi finalmente libertada quando os homens do Chile de Almagro regressaram da</p><p>sua expedição, em 1537, e obrigaram Manco Inca a recuar. Almagro entrou, então, na cidade</p><p>exausta, e prendeu os irmãos Pizarro, pondo-se, em seguido a caminho de Lima, para</p><p>defrontar Francisco. Os antigos parceiros não conseguiram resolver suas diferenças, e o Peru,</p><p>que caíra nas mãos dos Espanhóis devido a um conflito mortífero entre os Incas, foi assolado</p><p>por outra guerra civil.</p><p>Matthew Restall. História da América Latina. Lisboa: Edições70, 2012, p. 40.</p><p>Sobre o processo de conquista da América pelos Espanhóis, o texto aponta dois conflitos</p><p>cujo sentido está corretamente descrito em:</p><p>a) Os conflitos entre os povos indígenas e os europeus levaram a um rápido extermínio cultural</p><p>dos primeiros.</p><p>b) A conquista do México foi pacífica e marcada por acordos, diferentemente da conquista do</p><p>Peru marcada por guerras civis, inclusive entre grupos de colonizadores espanhóis distintos.</p><p>c) A conquista da América foi marcada por diferentes violências contra os indígenas, como a</p><p>violência, militar, religiosa e biológica enquanto os espanhóis se mantiveram coesos no</p><p>processo de colonização.</p><p>d) A conquista da América foi marcada por conflitos internos tanto entre os povos originários</p><p>quanto entre espanhóis de modo a enfraquecer, respectivamente a capacidade de</p><p>resistência e a de conquista.</p><p>e) Frente ao projeto colonizador europeu os povos maias, incas e astecas mantiveram-se</p><p>coesos e aplicaram medidas de negociação que, anos depois, foi substituído por processos</p><p>de resistência armada.</p><p>Comentário:</p><p>Pessoal, fiquem espertinhos, pois a história da América Latina tem sido bastante, ok.</p><p>Vamos direto para análise das alternativas e eu desenvolvo o tema</p><p>a) A violência cultural é uma característica das relações entre portugueses e povos pré-</p><p>colombianos. O melhor exemplo foi a conquista de Tenochtitlan, por Hérnan Cortez.</p><p>Depois de muita resistência, ele destruiu a cidade e reconstruiu outra, com símbolos</p><p>culturais espanhóis, como construir Igrejas Católicas sobre os templos astecas.</p><p>b) A conquista do Império Asteca, assim como do Império Inca, teve por objeto saquear os</p><p>metais preciosos. Os conquistadores usaram todo tipo de recurso para tanto. A tentativa</p><p>de negociar, buscar falsos acordos para facilitar a tomada das capitais dos Impérios foi</p><p>feito tanto por Cortes no atual México, como por Pizarro, no atual Peru. Mas, veja, foi</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>99</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>uma tática para diminuir e enfraquecer a resistência indígena. Nada há de pacífico, nessa</p><p>história.</p><p>c) O erro da alternativa está em dizer que os espanhóis se mantiveram coesos. Na verdade,</p><p>nas primeiras décadas do século XVI foi uma grande disputa entre espanhóis que</p><p>lideravam expedições de conquista. Cada um deles estava atrás de uma área onde</p><p>pudessem extrair riquezas e poder. Algumas dessas expedições e seus atos foram</p><p>condenados pela Monarquia de Carlos V. O principal exemplo da desunião ocorreu na</p><p>conquista do Peru, mais precisamente de Cuzco, quando Francisco Pizzaro, e seus</p><p>irmãos, enfrentaram Diego Almagro e seus homens. Essa divisão, até hoje, não foi muito</p><p>repertoriado nos vestibulares. Mas como sempre há inovações e um “novo ponto a ser</p><p>abordado, fiquem ligados nessas disputas entre espanhóis.</p><p>d) Gabarito. É isso mesmo. As divisões internas entre conquistados e conquistadores</p><p>ocorreram e, de certa forma, interferiram na dinâmica dessa história. A divisão entre os</p><p>povos pré-colombianos é super importante e foi usado pelos Espanhóis. É importante</p><p>ter em mente que esses povos eram diversos e tanto o Império Asteca como o Inca eram</p><p>formados por inúmeras etnias. Os astecas, inclusive, eram mais guerreiros e violentos,</p><p>por isso, tinham muito inimigos dominados. Cortez percebeu isso e foi arregimentando</p><p>muitos inimigos dos astecas a ponto de organizar um grande exército. Há historiadores</p><p>que dizem que ele foi tão perspicaz que foi identificado como um libertador. Do lado</p><p>oposto, astecas, incas, chibchas (na região da atual Colômbia) não perceberam essa</p><p>divisão em tempo suficiente para usar como ponto de resistência. O historiador do texto</p><p>da questão fala que os reis Montezuma e Atahualpa subestimaram os espanhóis.</p><p>e) O erro da alternativa é mencionar coesão entre esses povos. Como já falamos aqui, não</p><p>foi isso que ocorreu. Mas é verdade que usaram tentativas de acordo. Os reis e as</p><p>dinastias dominantes do Império Inca ficaram nessa tática muito tempo. Os espanhóis da</p><p>família Pizarro tinham uma estratégia de criar um “governo fantoche” com algum da</p><p>dinastia legítima. Foi uma desses supostos reis fracos, Manco Inca, que depois de ser</p><p>colaboracionista, fugiu com uma parte de seu povo sofrido para as florestas</p><p>impenetráveis a fim de fundar um estado independente neoinca. Ali nasceu a maior</p><p>resistência indígena da história desses povos de origem Inca. Depois da morte de Manco</p><p>veio Tupac Amaru que passou a desenvolver a resistência indígena, inclusive cultural:</p><p>negou o cristianismo, retomou e fortaleceu a língua, os rituais sagrados e a organização</p><p>militar. Espanhóis lutaram até acabar com a conhecida Vilcabamba.</p><p>Gabarito: D</p><p>- (Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A avaliação histórica do fenômeno da escravidão na África é difícil de ser feita devido à</p><p>carência e, em alguns casos, total ausência de fontes primárias e, sobretudo, do caráter</p><p>parcial das fontes – escrita, muitas vezes,</p><p>comercial que ligava o mediterrâneo ao norte da Europa.</p><p>Contudo, esse desenvolvimento teve um obstáculo de natureza política. Em 1383, o rei</p><p>Fernando I morreu sem deixar herdeiros homens. Sua filha era casada com o rei de Castela, por</p><p>isso, parte da nobreza agrária queria entregar o trono português para o genro de D. Fernando.</p><p>Mas comerciantes, banqueiros e setores populares cristãos se revoltaram. Neste momento,</p><p>lançaram mão da existência e do poder de cavaleiro-cristão do irmão “bastardo” de D. Fernando</p><p>- Dom João, Mestre da Ordem dos Cavaleiros de Avis.</p><p>Dom João de Avis e seus aliados venceram o rei de Castela e os setores internos da nobreza</p><p>e, com isso, iniciou-se a Dinastia de Avis (1385 -1580) – que só teve fim com o processo de União</p><p>Ibérica (foi o momento em que as coroas de Portugal e Espanha se unificaram). Esse período é</p><p>marcado por:</p><p>• Subordinação da nobreza feudal aos reis;</p><p>• Centralização do poder político da monarquia;</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>9</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>• Período de ampla expansão marítimo comercial. É nesse contexto que ocorre a</p><p>“descoberta do novo mundo”, ou – conforme o que falamos na introdução – o</p><p>encontro com o Outro.</p><p>Veja que, já no século XIV, Portugal se transformou na Monarquia centralizada mais</p><p>moderna da Europa (no sentido histórico e conceitual da Modernidade – que já discutimos na aula</p><p>anterior). Uma Monarquia apoiada em um forte e dinâmico setor mercantil e financeiro, com um</p><p>espírito empreendedor. Essa arquitetura política foi decisiva para a organização das grandes</p><p>navegações portuguesas.</p><p>Outra reflexão que quero chamar a atenção é para a relação entre Portugal e Espanha. Veja</p><p>que, por duas vezes os reinos espanhóis, em contexto de crise de sucessão, tentaram reunificar o</p><p>território português aos seus territórios. Anota:</p><p>✓ Na primeira situação, houve a Independência (1139) e o início da Dinastia de</p><p>Borgonha.</p><p>✓ Na segunda, houve a importante Revolução de Avis (1385) e o início da Dinastia de</p><p>Avis. E essa dinastia só acabou porque, finalmente, os espanhóis conseguiram</p><p>unificar as duas coroas, em 1580.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes)</p><p>Fundado como condado em 1066, Portugal tornou-se soberano em 1139 pelas mãos de Dom</p><p>Afonso Henriques. Assim começava a dinastia dos Borgonha que governou o reino por mais</p><p>de 200 anos. Nesse período podemos destacar o reinado de Dom Dinis, marcado por</p><p>a) Definição das fronteiras atuais e organização interna do reino.</p><p>b) Conflitos com muçulmanos, que acabaram dominando parte do reino.</p><p>c) Perseguição aos judeus, que passaram a se converter ao cristianismo para manter seus</p><p>negócios no comércio.</p><p>d) Centralização do poder e expansão marítimo-comercial.</p><p>e) Desenvolvimento das técnicas de navegação e fortalecimento da economia pesqueira.</p><p>Comentários</p><p>Vejamos, o tema da questão é a formação das monarquias nacionais na Europa, mais</p><p>especificamente da monarquia portuguesa cuja formação teve início em 1139, como diz o</p><p>enunciado. Durante as guerras de Reconquista contra os islâmicos, na Península Ibérica,</p><p>formaram-se inicialmente alguns reinos católicos no norte dessa região. As terras iam sendo</p><p>reconquistadas dos árabes no avanço cristão e iam sendo transformadas em condados.</p><p>Assim, surgiu o condado de Portucale ou Portucalense, que fazia parte do reino de Leão. D.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>10</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Henrique de Borgonha (1066-1112) foi nomeado para administrar Portucale e trabalhou pela</p><p>autonomia do condado. No entanto, quem realizou esse objetivo foi seu filho. D. Afonso</p><p>Henriques (1109-1185), quando declarou a independência da região e tornou-se o primeiro</p><p>soberano do reino de Portugal, em 1139. Assim, fundou-se a Dinastia dos Borgonha. Todavia,</p><p>a questão direciona seu comando para o reinado de D. Dinis (1261-1325), iniciado em 1279.</p><p>Vamos às alternativas para avaliar qual delas aponta as principais características de seu</p><p>reinado:</p><p>Correta! D. Dinis foi o responsável por conquistar terras o suficiente para que Portugal tivesse</p><p>as fronteiras que tem hoje. Além disso, ele se dedicou a aprimorar a organização interna do</p><p>reino, concedendo vários privilégios a nobreza para garantir seu apoio.</p><p>Incorreta. Os mulçumanos já haviam sido expulsos dos territórios portugueses desde 1139.</p><p>Incorreta. A perseguição aos judeus era uma prática recorrente em vários reinos da Europa,</p><p>inclusive na Península Ibérica. Contudo, essa prática só se tornou mais intensa na região a</p><p>partir do século XVI com a publicação do Édito de Toledo, em 1449, na Espanha, que definia</p><p>vários critérios para impedir pessoas com ascendência judaica, islâmica e pagã não pudessem</p><p>ocupar determinados cargos e títulos. Em Portugal, isso também foi adotado no mesmo</p><p>século, como Estatutos da Limpeza de Sangue. Esses critérios também discriminavam</p><p>aqueles que desempenhavam ou cujos ancestrais desempenharam trabalhos mecânicos</p><p>(manuais). De qualquer forma, isso ocorreu depois do governo de D. Dinis.</p><p>Incorreta. A centralização do poder na figura do rei só ocorreu a partir de 1385, após a</p><p>Revolução de Avis. Este episódio foi um conflito entre dois herdeiros do trono lusitano, um</p><p>bastardo português do último rei, João Mestre de Avis, e a rainha de Castela, também</p><p>princesa de Portugal. Com a vitória de João, ele foi coroado rei dando início a Dinastia de</p><p>Avis. Ele deu início a uma série de medidas para consolidar o absolutismo em seu reinado.</p><p>Além disso, a expansão marítima só se iniciou mais tarde, no século XV.</p><p>Incorreta. Isso se deu apenas no século XV, quando o infante D. Henrique fundou a vila de</p><p>Sagres, no Algarve, para servir como local de assistência a todos os navegadores que por ali</p><p>passassem. Lá, teria sido fundada uma escola náutica, com o objetivo de oferecer formação</p><p>a navegadores portugueses e estrangeiros que estavam a serviço do infante, provendo</p><p>conhecimentos de cartografia, geografia e astronomia.</p><p>Gabarito: A</p><p>(Estratégia Vestibulares/2020/profe. Alê Lopes)</p><p>A formação de Portugal, entre os séculos XI e XIV, está relacionada a dois processos: por um</p><p>lado, a reconquista de territórios dos mouros, as Guerras de Reconquistas; por outro, uma</p><p>disputa entre os próprios reinos cristãos. Nesse contexto, a Revolução de Avis, importante</p><p>evento que consolidou a formação de Portugal</p><p>a) foi liderada por D. João I, rei de Castela; recebeu apoio dos franceses.</p><p>b) foi liderada por D. Manuel, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>11</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>c) foi liderada por D. Pedro I, mestre de Algarve; recebeu apoio dos franceses.</p><p>d) foi liderada por D. João, mestre de Avis; recebeu apoio dos ingleses.</p><p>e) foi liderada por D. Afonso III, de Portugal; não recebeu apoio estrangeiro.</p><p>Comentários</p><p>Vamos iniciar por uma revisão mais geral da disputa dos territórios entre cristãos e</p><p>mouros. Nesse sentido, sobre as Guerras de Reconquista, de forma sintética, guarde o</p><p>seguinte:</p><p>foram batalhas em que cristãos da Península Ibérica travaram contra os mouros - muçulmanos</p><p>do norte da África que invadiram a Península no século VIII.</p><p>À medida que os mouros eram expulsos da Península Ibérica, os reinos cristãos foram</p><p>sendo reconstruídos. Dá uma conferida no mapa com as setas indicando esse processo de</p><p>reconquista:</p><p>Portugal, então, surgiu a partir de uma porção de terra do Reino de Leão, dá uma</p><p>conferida:</p><p>Em uma fase mais avançada da Reconquista, a situação ficou a seguinte:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>12</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>pelos próprios escravocratas não africanos ou seus</p><p>representantes ou africanos.</p><p>José Rivair Macedo. História da África. São Paulo. Ed. Contexto, 2018, p. 100.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>100</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Apesar das dificuldades sobre a construção da história da escravidão na África, há consensos</p><p>históricos explicativos como:</p><p>a) As formas de escravidão existentes na África foi a mesma que fora dela, idêntica à que</p><p>existente na Roma antiga.</p><p>b) Os africanos escravizaram africanos independentemente dos interesses extra africanos,</p><p>em diferentes momentos da história.</p><p>c) O tráfico de escravos decorria de uma relação de interesses comerciais de mercadores</p><p>de outros continentes e de interesses comerciais africanas, de lideranças estatais, chefes</p><p>locais ou chefes de linhagem.</p><p>d) A explicação da existência da escravidão na África deve ser buscada em fatores de ordem</p><p>moral e étnica.</p><p>e) A escravidão passou a ser integrada nas relações comerciais apenas no século XVI, por</p><p>feitores portugueses.</p><p>Comentário:</p><p>Esse tema sobre as explicações causais e as especificidades da escravidão africana tem sido cada</p><p>vez mais repertoriado. Isso porque vivemos um momento de ampliação das pesquisas ligas à África</p><p>e ao povo africano e suas relações com os povos dos demais governantes. Além disso, sabemos,</p><p>que a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana é assunto obrigatório no Ensino Médio.</p><p>Veja que o comando pede uma causa explicativa comum que contribua para a compreensão sobra</p><p>a história da escravidão NA África. Não é escravidão no Brasil ou qualquer outro lugar, mas sim,</p><p>naquele continente. Vamos à análise das alternativas:</p><p>a) A alternativa é exagerada. Sim, a escravidão na África, a exemplo da escravidão antiga praticada</p><p>em Roma, se deu, em grande medida por guerra, mas falar em idêntica é retirar especificidades</p><p>locais. Sabemos que em Roma a escravidão estava ligada a uma política expansionista e a um</p><p>sentimento xenófobo de superioridade dos romanos latinos em relação aos povos conquistados.</p><p>Já na África há o que se chama de “escravidão de linhagem”: sua finalidade não era a exploração</p><p>econômica em larga escala e a perda de liberdade não era completa, uma vez que eram integrados</p><p>ao grupo social dos vencedores.</p><p>b) Errado. Primeiro gostaria de deixar claro que é errado falar que “africanos” escravizam</p><p>“africanos” no sentido de “eles mesmos se escravizavam”. Esse sentimento africanidade, como</p><p>identidade e pertencimento, só surge no século XX, no contexto da descolonização. Então, as</p><p>guerras locais, as disputas dentro do continente entre chefes de etnias diferentes, por território,</p><p>por poder, por interesses econômicos era uma realidade e a escravização dos povos submetidos</p><p>era o que chamamos de “escravidão”. Contudo, é verdade que, houve contato da África com</p><p>povos “extra africanos”, como é o caso dos árabes que conquistaram e islamizaram o norte da</p><p>África; ou os fenícios que fundaram cidades-estados na África do Mediterrâneo. Então, essas</p><p>dinâmicas interferiram em motivos para aprofundar as relações de escravidão.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>101</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>c) Gabarito. Veja que uma alternativa que podemos usar para a explicar a rota de escravos tanto</p><p>a partir do século VIII quando mercadores árabes-muçulmanos e afro muçulmanos passaram a</p><p>comercializar em larga escala cativos trazidos do interior do continente, que seriam enviados para</p><p>Arábia, Síria, Palestina e, até mesmo, para Índia e China. Foram usados em trabalho agrícola,</p><p>artesanais e serviços domésticos. Veja que essa situação antecipa a grande diáspora negra que</p><p>ocorreu, mais tarde, a partir do século XVI, agora em direção à América de modo a constitui o</p><p>comércio transatlântico de escravos. Assim, a alternativa está correta.</p><p>d) Erradíssimo. Segundo diversos autores, a escravidão tem uma motivação econômica ou disputas</p><p>militares. Não é possível entender relações causais sobre fenômenos com a escravidão observando</p><p>aspectos morais. Isso é especialmente verdadeiro se lembrarmos de que a negação da escravidão</p><p>só passa a fazer parte de uma “consciência ética” na segunda metade do século XX.</p><p>e) Errado, como já falamos, desde o século VIII há uma rota de escravizados da África subsaariana.</p><p>Gabarito: C</p><p>14. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO (COMENTÁRIOS)</p><p>(UFRR/2006)</p><p>O A chegada dos europeus ao chamado Mundo Novo no século XV marcou o início de</p><p>profundas transformações sociais, políticas e econômicas no encontro com as civilizações</p><p>indígenas. Estes contatos foram decisivos para a formação das colônias e, posteriormente,</p><p>para a criação dos estados americanos.</p><p>Assim sendo, seria correto afirmar que:</p><p>a) Vasco da Gama, acidentalmente, chegou à península de Yucatán, México, com sua frota</p><p>no dia 14 de novembro de 1503.</p><p>b) Américo Vespúcio ancorou as naus Maria, Nina, Pinta na ilha caribenha conhecida como</p><p>Trinidad e Tobago no dia 26 de novembro de 1512.</p><p>c) O genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa espanhola, aportou a sua frota na ilha</p><p>de Guanahani no dia 12 de outubro de 1492.</p><p>d) Ponce de Leon, sob ordens diretas da coroa espanhola, arrasou, em 1587, a nação dos</p><p>índios Maia na batalha que ficou conhecida como Guerra das Antilhas.</p><p>e) Nenhuma destas afirmações está correta, porque todas dizem respeito a outros evento</p><p>históricos.</p><p>Comentários</p><p>Essa é uma questão com um enunciado bem genérico, mas com respostas muito</p><p>específicas. Sendo assim, vamos olhar diretamente as alternativas, ver o que está</p><p>correto, corrigir os erros e identificar o gabarito:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>102</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A) Incorreta. Vasco da Gama comandou a expedição marítima que saiu de Portugal</p><p>(Lisboa) em 8 de julho de 1497, contornou o continente africano, até chegar nas Índias.</p><p>Após viajarem cerca de 20 mil quilômetros durante meses, eles chegaram nas Índias em</p><p>18 de maio de 1498. Permaneceram cerca de 5 meses lá, retornando em outubro de</p><p>1498 e chegando em Lisboa em agosto de 1499. Assim, o monopólio comercial que até</p><p>então era das cidades italianas de Gênova e Veneza, começa a mudar. Em 1502, Vasco</p><p>da Gama volta às Índias com 20 embarcações. Chegando lá eles lutam e, por fim, fazem</p><p>aliança com os reis de Cochim e Cananor. Além disso, estabelecem feitorias e</p><p>entrepostos comerciais na África e na Índias. Quando retorna a Portugal (1503), os</p><p>navios vêm carregados de especiarias, joias e tecidos.</p><p>B) Incorreta. Américo Vespúcio foi um mercador, navegador e cartógrafo italiano de</p><p>grande importância para os descobrimentos, pois escrevia cartas a seus superiores</p><p>descrevendo os lugares por onde passava. Em sua homenagem, as terras descobertas</p><p>do Novo Mundo receberam o nome de América. Américo nasceu em 1451 e morreu em</p><p>1512, portanto, a alternativa está errada. As naus em questão estão associadas à viagem</p><p>de Cristóvão Colombo rumo às Índias em 1492, na qual foi “descoberta” a América.</p><p>C) Correta. Cristóvão de Colombo foi um navegador e explorador italiano, responsável</p><p>por liderar a frota que alcançou o continente americano em 12 de Outubro de 1492, sob</p><p>as ordens dos Reis Católicos de Espanha, no chamado descobrimento da América.</p><p>Colombo desembarcou na ilha de San Salvador (chamada de Guanahani pelos nativos).</p><p>D) Incorreta. Ponce de Leon morreu em 1521. Além disso, o surgimento e o</p><p>desenvolvimento cultural dos maias estenderam-se aproximadamente de 250 até 900</p><p>d.C., ou seja, antes a criação de Tenochtitlán (1325). Isso porque os maias se</p><p>desenvolveram em um período anterior aos astecas. Quando chegou no século XV, na</p><p>expansão do Império Asteca, os maias foram conquistados.</p><p>E) Incorreta. A c) está correta</p><p>Gabarito: C</p><p>(UEA -2019 / Segunda Fase)</p><p>(Njinga dizia que não queria</p><p>a paz com os portugueses porque os portugueses haviam</p><p>aprisionado sua irmã e não queriam libertá-la. O padre Serafim de Cortona escreveu, então,</p><p>para o governador português de Angola, pedindo-lhe que libertasse a irmã de Njinga, com</p><p>o que faria grande serviço a Deus e ao rei, com a introdução “da nossa santa fé naquelas</p><p>partes”. A favor da devolução, disse ainda que assim acabaria a já longa guerra e se abriria</p><p>o “comércio ao resgate dos negros”. (Marina de Mello e Souza. Além do visível: Poder,</p><p>Catolicismo e Comércio no Congo e em Angola (Séculos XVI e XVII), 2018. Adaptado.)</p><p>O episódio é relatado pelo padre Serafim de Cortona em um documento escrito em 1658</p><p>sobre Njinga, rainha de territórios do interior da África. Para o sacerdote,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>103</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(A) o fim da exploração do trabalho escravo dependia da conversão dos nativos ao</p><p>cristianismo.</p><p>(B) os povos do continente africano viviam em paz política antes da chegada dos</p><p>colonizadores.</p><p>(C) as decisões políticas dos colonizadores prejudicavam o crescimento econômico das tribos</p><p>africanas.</p><p>(D) as populações de religiões fetichistas resistiam com destemor às invasões europeias.</p><p>(E) os diversos interesses religiosos, políticos e econômicos dos colonizadores eram</p><p>complementares.</p><p>Comentários:</p><p>Esse relato do sacerdote na colônia de Angola demonstra quais eram realmente as</p><p>intenções portuguesas com os povos com que eles entraram em contato tanto na América,</p><p>quanto na África e na Ásia. Eles queriam cristianizá-los, explorá-los, controlá-los. Esse foi o</p><p>caminho mais utilizado pela maioria das monarquias europeias durante esse período histórico.</p><p>Mediante a isso, analisemos as alternativas:</p><p>A) Errada. Pelo contrário, para os empreendimentos mercantilistas era necessário</p><p>essencialmente da mão de obra escrava, e mesmo que cristianizados, os povos africanos que</p><p>se converteram não deixaram de serem escravizados.</p><p>B) Errada. Os grupos étnicos africanos desde sua origem são constituídos por diversas tribos</p><p>que brigavam constantemente uma com as outras.</p><p>C) Errada. Não tem relação com o que foi comentado no texto.</p><p>D) Errada. Muitas das populações africanas fizeram alianças com os portugueses,</p><p>escravizando e vendendo grupos locais rivais.</p><p>E) Certo. Como mencionado nos comentários, os interesses da coroa portuguesa eram</p><p>diversos, mas o foco sempre foi o enriquecimento e desenvolvimento da metrópole e não da</p><p>região colonizada.</p><p>Gabarito: E</p><p>(UEA – 2018 / Segunda Fase)</p><p>O tráfico atlântico vai permitir – entre os séculos XVI e XVIII – a exploração das colônias nas</p><p>Américas. Os portugueses implantaram um cativeiro em São Tomé, abastecido a partir do</p><p>Congo. No Novo Mundo, os escravos são direcionados a princípio para o trabalho nas</p><p>plantações, principalmente de cana-de-açúcar. Um comércio triangular é implantado entre a</p><p>Europa, a África e as Américas, onde circulam, de um continente a outro, quinquilharias,</p><p>escravos e produtos das colônias. (Marc Ferro. A colonização explicada a todos, 2017.</p><p>Adaptado.)</p><p>O historiador faz uma descrição da história Ocidental que abarca um período de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>104</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(A) tendências de nivelamento econômico em escala global e de relações pacíficas entre</p><p>nações.</p><p>(B) trocas intercontinentais de mercadorias de baixo valor econômico e de escassez de metais</p><p>preciosos.</p><p>(C) intervenções de empresários europeus no centro da África e de destruição da unidade</p><p>política africana.</p><p>(D) atividades econômicas internacionalizadas e de contatos interculturais de populações</p><p>diversas.</p><p>(E) estabilidades políticas nas colônias afro-americanas e de consolidação do feudalismo</p><p>europeu.</p><p>Comentários:</p><p>Essa época foi marcada pelo desenvolvimento internacional do comércio. Como exposto</p><p>pelo autor, circulavam entre três continentes um fluxo enorme de escravos, produtos e</p><p>matérias primas. Isso tudo se deve às políticas econômicas mercantilistas empregadas pela</p><p>burguesia europeia, onde os países do Velho Continente usufruíam das suas colônias</p><p>espalhadas pelo mundo para se enriquecer com base na exploração do trabalho escravo de</p><p>outros povos e na extração em massa das riquezas naturais de outros territórios. Isso tudo</p><p>não foi levado de maneira pacífica pelos povos dominados e conquistados.</p><p>Visto isso, verifiquemos as alternativas:</p><p>A) Incorreto. Não houve nivelamentos econômicos em escala global e relações pacífica entre</p><p>as nações.</p><p>B) Incorreto. As trocas comerciais eram na verdade de muito valor, e no Novo Continente</p><p>havia ainda enormes quantidades de metais preciosos.</p><p>C) Incorreto. As regiões colonizadas pelos europeus no primeiro momento se concentraram</p><p>somente no litoral.</p><p>D) Correto. O período histórico falado pelo historiador é caracterizado por uma enorme</p><p>quantidade de atividades econômicas internacionais e uma troca de cultura intensa entre os</p><p>povos.</p><p>E) Incorreto. Não houve estabilidade política nas colônias e o feudalismo não era mais o</p><p>sistema regente na Europa.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UEA – 2017 / Segunda Fase)</p><p>A campanha do islamismo pode ser narrada até o século XV como uma história contínua de</p><p>êxitos. Até ali a supremacia da civilização arábica e islâmica na maioria dos territórios era</p><p>inquestionável, a começar pelo poderio militar superior. A diversificação de seus bazares era</p><p>lendária. Em sua euforia, escapara à maioria dos integrantes do âmbito cultural islâmico o</p><p>fato que estavam na iminência de ser superados, economicamente, pelos “infiéis” da Europa,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>105</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>nos séculos XV e XVI, pelo que foram responsáveis, sobretudo, a navegação marítima</p><p>europeia e a transição para a economia capitalista. (Peter Sloterdijk. O zelo de deus: sobre a</p><p>luta dos três monoteísmos, 2016. Adaptado.)</p><p>Considerando o excerto e conhecimentos sobre a história das relações entre as sociedades</p><p>europeias ocidentais e islâmicas, é correto concluir que</p><p>(A) a preponderância europeia resultou do alargamento de fronteiras econômicas devido à</p><p>exploração de riquezas coloniais.</p><p>(B) as vantagens econômicas dos povos muçulmanos advinham do monopólio no</p><p>fornecimento de matérias-primas para a Europa.</p><p>(C) o predomínio europeu acompanhou a consolidação do Mar Mediterrâneo como o centro</p><p>da economia internacional.</p><p>(D) a dominância econômica árabe derivou da associação entre os princípios religiosos e a</p><p>ética de acumulação de capital.</p><p>(E) o sucesso econômico da Europa foi condicionado pela regulamentação disciplinar do</p><p>trabalho servil.</p><p>Comentários:</p><p>Essa questão está relacionada ao início da Modernidade. Nesse tempo, os países</p><p>europeus passavam por inúmeras mudanças e quebras de pensamento, com em relação ao</p><p>período anterior. O continente europeu, que durante alguns séculos foi a periferia do mundo</p><p>com extensões geopolíticas insignificantes, economias de subsistência ou fechadas</p><p>(organizadas em feudos) riquezas e moedas escassas, cidades, artes e ciência pouco</p><p>desenvolvida, deu lugar ao renascimento cultural e urbano. As expansões marítimas, a</p><p>formação de uma nova classe social em ascensão, as mudanças de pensamento no campo</p><p>religioso e a centralização do poder nas mãos dos reis foram frutos dessas transformações.</p><p>Assim, tudo isso atrelado também ao processo de Reconquista da Península Ibérica, pelos</p><p>cristãos sobre os árabes, e a acumulação de riqueza por meio das práticas mercantilistas (que</p><p>agora passaram a ser feita pelos Estados Absolutas), inspiraram os europeus a explorarem e</p><p>dominarem novas terras para além de seus territórios.</p><p>Mediante a isso, passemos as alternativas:</p><p>A) Correto. Visto que a exploração e a dominação de outros povos fizeram com</p><p>que esses</p><p>territórios se tornassem colônias subordinadas as metrópoles do Velho Continente.</p><p>B) Incorreto. O monopólio já havia sido quebrado pelas cidades italianas, no período</p><p>posterior as Cruzadas. Porém no século XV, com as primeiras Expedições Marítimas feitas</p><p>pelas coroas Ibéricas, isso possibilitou mais ainda o comércio de outros Estados europeus</p><p>com a região Oriental.</p><p>C) Incorreto. O mar Atlântico passou a ser o centro da economia internacional, pois se tornou</p><p>o caminho tanto para o Novo Mundo (América) quanto para as Índias e o extremo Oriente.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>106</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>D) Incorreto. Não há relação entre a dominação islâmica e os princípios econômicos, e sim</p><p>os princípios religiosos.</p><p>E) Incorreto. O trabalho servil era ineficaz, e no Período Moderno, foi substituído pelo</p><p>trabalho escravo.</p><p>Gabarito: A</p><p>(UEA – 2016 / Segunda Fase)</p><p>E o capitão-mor foi em terra e mostrou-lhes muitas mercadorias, para saber se havia naquela</p><p>terra alguma daquelas coisas – e as mercadorias eram canela, e cravo, e aljôfar , e ouro, e assim</p><p>outras coisas – e eles não entenderam naquelas mercadorias nada, como homens que nunca as</p><p>viram. (Álvaro Velho. “Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama”. In: Alberto da Costa e</p><p>Silva (org.). Imagens da África, 2012.)</p><p>aljôfar: pérola miúda e irregular.</p><p>Álvaro Velho descreve o contato dos portugueses com populações das costas da África, durante</p><p>a viagem para as Índias, em 1498. A partir dessa descrição, é correto concluir que</p><p>(A) os navegadores procuravam comprar produtos desconhecidos na Europa.</p><p>(B) as navegações perseguiam objetivos comerciais bem definidos.</p><p>(C) as viagens ultramarinas empobreceram o pequeno reino de Portugal.</p><p>(D) os aventureiros pretendiam adquirir mercadorias por meio do domínio militar.</p><p>(E) as populações africanas desconheciam as atividades comerciais.</p><p>Comentários:</p><p>Devido a formação precoce da monarquia portuguesa no séc. XII, o país foi um dos</p><p>primeiros a se aventurar em expedições marítimas rumo a novos horizontes e a fazer contatos</p><p>comerciais com o extremo oriente, sem ter que passar pelo caminho das cidades italianas, que</p><p>dominavam o fluxo de mercadorias no Mediterrâneo. Portugal inspirados pelo processo de</p><p>Reconquista da Península Ibérica, onde os reis católicos expulsaram os Mouros que ali viviam,</p><p>queria expandir seus domínios para outros regiões para além do pequeno território concedido</p><p>pelo rei de Castela a família de Borgonha.</p><p>Assim o Reino invadiu e dominou pequenas ilhas a territórios nas proximidades da África,</p><p>e posteriormente foi avançando, até formar colônias e conseguir, se tornar o primeiro país a</p><p>chegar as Índias contornando o continente africano. Os portugueses, nos lugares que passavam</p><p>durante o caminho iam verificando se naquelas regiões possuíam produtos semelhantes ao que</p><p>era comercializado no Oriente, e acabaram se enriquecendo com as matérias primas obtidas</p><p>nesses espaços.</p><p>Portanto, passando as questões, elas estão:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>107</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A) Incorreta. Os portugueses queriam comercializar produtos já conhecidos na Europa. Porém</p><p>eles eram considerados artigos de luxo, devido à dificuldade de adentrarem no território</p><p>europeu, graças ao monopólio das cidades italianas sobre essas mercadorias.</p><p>B) Correta. Os portugueses sabiam bem o que queriam, e quando se estabeleciam em um</p><p>território, era para verificar se aqueles produtos existiam na costa africana.</p><p>C) Incorreta. Ao contrário, as expedições marítimas tornaram Portugal em uma potência durante</p><p>os próximos séculos até um pouco antes do advento da Revolução Industrial, no século XVIII.</p><p>D) Incorreta. Em muitos lugares onde os aventureiros lusitanos passaram foi praticado as trocas</p><p>comerciais por meio do escambo.</p><p>E) Incorreta. As populações africanas (a mais antiga de toda a Humanidade), já praticava</p><p>atividades comerciais desde a Antiguidade.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UEA – 2014 / Segunda Fase)</p><p>Sem a Igreja, o destino dos índios teria sido muito diverso. Penso na possibilidade que o</p><p>batismo lhes oferecia de fazer parte, pela virtude da consagração, de uma ordem e de uma</p><p>Igreja. Pela fé católica, os índios, em situação de orfandade, rompidos os laços com suas</p><p>antigas culturas, mortos tanto os seus deuses quanto as suas cidades, encontraram um lugar</p><p>no mundo. Esta possibilidade de pertencer a uma ordem viva, ainda que na base da pirâmide</p><p>social, foi desapiedamente negada aos nativos, pelos protestantes da Nova Inglaterra. A</p><p>diferença das colônias saxônicas é radical. A Nova Espanha conheceu muitos horrores, mas</p><p>pelo menos ignorou o mais grave de todos: negar um lugar social aos homens que a</p><p>compunham. (Octavio Paz. O labirinto da solidão, 1984. Adaptado.)</p><p>O texto compara a colonização espanhola do México (Nova Espanha) com a colonização</p><p>inglesa do Norte dos atuais Estados Unidos (Nova Inglaterra),</p><p>(A) argumentando que os espanhóis, ao contrário dos saxões, impediram a exploração</p><p>econômica dos indígenas.</p><p>(B) mostrando ser impossível a aproximação entre uma e outra porque os saxões instalaram-</p><p>se em regiões desabitadas.</p><p>(C) demonstrando as suas semelhanças e oposições ao processo de colonização portuguesa</p><p>da América do Sul.</p><p>(D) aludindo aos fatores de ordem cultural, como crenças religiosas, mentalidades, que</p><p>estariam na base da ocupação europeia das novas terras.</p><p>(E) acentuando o projeto civilizatório dos espanhóis em oposição à mentalidade econômica</p><p>e antirreligiosa dos ingleses.</p><p>Comentários:</p><p>A questão faz comparação das formas como ocorreram a colonização na América. As</p><p>relações que se deram nas colônias portuguesas, foram diferentes da espanhola, inglesa,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>108</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>holandesa e francesa. No caso do texto, ele analisou a castelhana e a anglo-saxônica. O autor</p><p>percebeu diferenças em diversos fatores, que iam desde aspectos culturais, a religiosos,</p><p>políticos e de mentalidades.</p><p>Visto isso, olhando as alternativas, vejamos qual está certa:</p><p>A) Incorreto. A colonização espanhola, assim como a saxã, explorou economicamente os</p><p>grupos indígenas.</p><p>B) Incorreto. A aproximação entre as duas colônias se deu, independente de ocuparem</p><p>espaços físicos diferentes. Além disso, o local onde os saxões se estabeleceram era habitada</p><p>por populações indígenas, e não desabitada como a alternativa aponta.</p><p>C) Incorreto. Em nenhuma parte do excerto é mencionado a colonização portuguesa.</p><p>D) Correto. Como o exposto nos comentários.</p><p>E) Incorreto. Os ingleses assim como os espanhóis possuíam uma mentalidade bastante</p><p>religiosa também, porém diferente dos espanhóis, eles eram de maioria Protestante, e não</p><p>católicos.</p><p>Gabarito: D</p><p>(UEA – 2016 / Segunda Fase)</p><p>E o capitão-mor foi em terra e mostrou-lhes muitas mercadorias, para saber se havia naquela</p><p>terra alguma daquelas coisas – e as mercadorias eram canela, e cravo, e aljôfar , e ouro, e assim</p><p>outras coisas – e eles não entenderam naquelas mercadorias nada, como homens que nunca as</p><p>viram. (Álvaro Velho. “Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama”. In: Alberto da Costa e</p><p>Silva (org.). Imagens da África, 2012.)</p><p>aljôfar: pérola miúda e irregular.</p><p>Álvaro Velho descreve o contato dos portugueses com populações das costas da África, durante</p><p>a viagem para as Índias, em 1498. A partir dessa descrição, é correto concluir que</p><p>(A) os navegadores procuravam comprar produtos desconhecidos na Europa.</p><p>(B) as navegações perseguiam objetivos comerciais bem definidos.</p><p>(C) as viagens ultramarinas empobreceram o pequeno reino de Portugal.</p><p>(D) os aventureiros pretendiam adquirir mercadorias por meio do domínio militar.</p><p>(E) as populações africanas</p><p>desconheciam as atividades comerciais.</p><p>Comentários:</p><p>Devido a formação precoce da monarquia portuguesa no séc. XII, o país foi um dos primeiros a</p><p>se aventurar em expedições marítimas rumo a novos horizontes e a fazer contatos comerciais</p><p>com o extremo oriente, sem ter que passar pelo caminho das cidades italianas, que dominavam</p><p>o fluxo de mercadorias no Mediterrâneo. Portugal inspirados pelo processo de Reconquista da</p><p>Península Ibérica, onde os reis católicos expulsaram os Mouros que ali viviam, queria expandir</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>109</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>seus domínios para outros regiões para além do pequeno território concedido pelo rei de</p><p>Castela a família de Borgonha.</p><p>Assim o Reino invadiu e dominou pequenas ilhas a territórios nas proximidades da África, e</p><p>posteriormente foi avançando, até formar colônias e conseguir, se tornar o primeiro país a</p><p>chegar as Índias contornando o continente africano. Os portugueses, nos lugares que passavam</p><p>durante o caminho iam verificando se naquelas regiões possuíam produtos semelhantes ao que</p><p>era comercializado no Oriente, e acabaram se enriquecendo com as matérias primas obtidas</p><p>nesses espaços.</p><p>Portanto, passando as questões, elas estão:</p><p>A) Incorreta. Os portugueses queriam comercializar produtos já conhecidos na Europa. Porém</p><p>eles eram considerados artigos de luxo, devido à dificuldade de adentrarem no território</p><p>europeu, graças ao monopólio das cidades italianas sobre essas mercadorias.</p><p>B) Correta. Os portugueses sabiam bem o que queriam, e quando se estabeleciam em um</p><p>território, era para verificar se aqueles produtos existiam na costa africana.</p><p>C) Incorreta. Ao contrário, as expedições marítimas tornaram Portugal em uma potência durante</p><p>os próximos séculos até um pouco antes do advento da Revolução Industrial, no século XVIII.</p><p>D) Incorreta. Em muitos lugares onde os aventureiros lusitanos passaram foi praticado as trocas</p><p>comerciais por meio do escambo.</p><p>E) Incorreta. As populações africanas (a mais antiga de toda a Humanidade), já praticava</p><p>atividades comerciais desde a Antiguidade.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UEA 2012)</p><p>“Cristóforo Colombo</p><p>Chamou de índios</p><p>Uns homens nus</p><p>Olha o que ele pensava</p><p>Dos hindus.”</p><p>(Millôr Fernandes. A Bíblia do caos, 1994.)</p><p>Millôr Fernandes confere uma forma poética e irônica ao ciclo de viagens de Cristóvão</p><p>Colombo que</p><p>(A) viu os hindus como pagãos e aptos a receber os ensinamentos cristãos.</p><p>(B) julgou ter chegado às fontes das especiarias navegando para oeste.</p><p>(C) pensou ter chegado a terras pertencentes a Portugal.</p><p>(D) considerou a cultura dos nativos da América superior à dos europeus.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>110</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(E) procurou uma passagem para o Oriente navegando pelas costas africanas.</p><p>Comentários:</p><p>Quando Cristóvão Colombo partiu com suas caravanas rumo as Índias, ele não sabia que</p><p>encontraria um novo continente. A ciência estava avançando, e algumas pessoas acreditavam que</p><p>para chegar ao comércio de especiarias no Oriente, era preciso somente navegar em direção ao</p><p>oeste. Portanto, quando Colombo, em sua viagem, se deparou com as terras americanas e viu a</p><p>população que nela estava, os chamou de índios, pois acreditava que havia chegado nas Índias.</p><p>Partindo desse pressuposto, olhemos as questões:</p><p>A) Errado, pois foram grupos indígenas, os encontrados, e não os hindus.</p><p>B) Correto. Colombo os apelidou assim por achar que tinha chegado ao seu local original de</p><p>destino.</p><p>C) Errado. Pois Portugal não tem nenhuma relação com as índias nesse momento.</p><p>D) Errado. Não tem a ver com ironia da poesia.</p><p>E) Errado. Colombo navegou as índias sem a intenção de passar pela costa Africana.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UEA 2011)</p><p>Quando os conquistadores espanhóis chegaram à América, no século XVI, as magníficas</p><p>cidades construídas pela sociedade maia</p><p>(A) concentravam uma população de comerciantes de várias nacionalidades.</p><p>(B) mantinham seus grandes palácios reais abarrotados de ouro.</p><p>(C) eram centros militares de resistência à ocupação dos astecas.</p><p>(D) exerciam a função de observatórios astronômicos.</p><p>(E) haviam desaparecido sob a floresta tropical.</p><p>Comentários:</p><p>A pergunta está inserida dentro da História dos Povos pré-colombianos (antes da chegada de</p><p>Colombo a América). Esses grupos habitaram o continente há milénios, antes da Invasão europeia,</p><p>no século XV. Diversas teorias existem de como a região foi habitada, todavia a que ficou mais</p><p>conhecida é que esses povos chegaram a América em cerca de 20 a 12 mil anos antes da Era</p><p>Cristã, pelo estreito de Bering, no extremo norte do continente, onde atualmente fazem divisa o</p><p>Alasca e a Rússia. E partir disso, diversos grupos diferentes foram se espalhando pelo território.</p><p>Dentre eles, um dos mais importantes que surgiram foram os Maias. Essa foi uma das</p><p>civilizações mais complexas de toda a América Pré-Colombiana. Porém, os europeus só</p><p>encontraram vestígios sobre eles, pois quando chegaram aqui, ela já havia desaparecido da sua</p><p>região de estabelecimento, dando lugar a floresta. Foi somente a partir de pesquisas analíticas da</p><p>cultura material deixada por eles, e da história oral passada pelos povos remanescentes, que os</p><p>europeus puderem perceber a grandeza desse povo. Os estudos apontam que eles se</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>111</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>estabeleceram na península de Yucatan (atual México e parte da América Central), desde a</p><p>Antiguidade. Mas seu período ápice foi por volta de 200 a 900 d.C.</p><p>Com isso olhando as alternativas, podemos afirmar que:</p><p>A) Incorreta. Os Maias não faziam comércio com várias nacionalidades diferentes, pois essa</p><p>civilização não possuía uma organização social como a europeia.</p><p>B) Incorreta. Porque os Maias diferentes dos Astecas, só deixaram ruínas, monumentos e</p><p>objetos de sua cultura material onde se encontravam.</p><p>C) Incorreta. Os povos Astecas tinham como base a cidade de Tenochtitlan (atual Cidade do</p><p>México).</p><p>D) Incorreta. Devido os Maias já terem sido extintos quando os espanhóis chegaram a América.</p><p>E) Correta. Devido a decadência dessa civilização, que passou deixar suas terras, até que</p><p>fossem tomadas pela vegetação.</p><p>Gabarito: E</p><p>(UNICENTRO 2019)</p><p>São fatores da expansão marítima portuguesa no século XV:</p><p>a) Fragmentação do poder político, fortalecimento da nobreza feudal e crescimento das</p><p>atividades agrícolas.</p><p>b) Centralização monárquica, apoio da burguesia mercantil e ação do Estado.</p><p>c) Instabilidade política interna, absolutismo e burguesia industrial crescente.</p><p>d) Perseguição religiosa, necessidade de povoamento e mercantilismo.</p><p>e) Destino manifesto, estado mínimo e empreendedorismo.</p><p>Comentários</p><p>Uma série de motivos deu mais oportunidades aos portugueses de serem pioneiros nessa</p><p>expansão. Entre eles: sua posição geográfica estratégica, voltada para o Oceano Atlântico;</p><p>havia interesse de grupos mercantis em ampliar sua área de atuação comercial; como já</p><p>mencionado, Portugal era um reino centralizado e absolutista desde o século XIV; e a</p><p>pretensão de expansão religiosa, deriva da Guerra de Reconquista, isto é, como Portugal foi</p><p>um reino de unificou em oposição aos muçulmanos e vitória sobre estes, a motivação</p><p>religiosa continuava sendo importante para legitimar a monarquia. Uma quarta razão que</p><p>explica parcialmente o pioneirismo português é o fato de a Península Ibérica ter sido ocupada</p><p>por fenícios, na antiguidade, e pelos muçulmanos, durante a Idade Média. Os primeiros</p><p>foram exímios navegadores e chegaram a monopolizar o comércio no Mar Mediterrâneo. Os</p><p>segundos desenvolveram a matemática, a geometria e a astronomia, áreas essenciais para o</p><p>aperfeiçoamento da</p><p>navegação. Portanto, mesmo que tenha o reino cristão de Portugal</p><p>tenha prevalecido, muito do conhecimento e da cultura dos demais povos que lá viveram</p><p>anteriormente foi preservado, seja na cultura popular, seja nas bibliotecas e acervos públicos</p><p>e particulares. Então, vejamos:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>112</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>a) Incorreta. Ocorreu o contrário disso. A expansão foi possível graças à centralização do</p><p>poder na figura do rei, o enfraquecimento da nobreza feudal e o fortalecimento da burguesia</p><p>mercantil.</p><p>b) Correta! Está de acordo com o comentário.</p><p>c) Incorreta. Nos primeiros anos das grandes navegações, Portugal vivenciava estabilidade</p><p>política e não havia uma burguesia industrial, mas mercantil.</p><p>d) Incorreta. Não havia necessidade de povoamento para Portugal. O interesse maior era na</p><p>expansão comercial.</p><p>e) Incorreta. A economia mercantilista pratica por Portugal envolvia uma grande interferência</p><p>do Estado.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UNICENTRO 2014)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>“A civilização hispânica chegou na América na plenitude de sua força cultural e guerreira. A</p><p>conquista da América teve um objetivo comercial de destaque. A empresa conquistadora</p><p>teve um personagem principal, o conquistador”.</p><p>(CARRERAS, F. “Las identidades religiosas em America latina”. In: Identidades religiosas.</p><p>Franca: UNESP, 2010. p.19.)</p><p>Sobre a conquista da América, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.</p><p>( ) O conquistador buscava, através da aventura, o butim que o enriqueceria.</p><p>( ) Os conquistados aceitaram o domínio espanhol devido à sua superioridade militar.</p><p>( ) O conquistador impôs a visão de mundo europeia, o que implicou na cristianização dos</p><p>conquistados.</p><p>( ) Os conquistados promoveram guerras de libertação, que originaram diversas nações</p><p>indígenas.</p><p>( ) Conquistador e conquistados, mediados pela Igreja Católica, integraram-se de forma</p><p>harmoniosa.</p><p>Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.</p><p>a) V, V, V, F, F.</p><p>b) V, F, V, F, F.</p><p>c) V, F, F, V, V.</p><p>d) F, V, F, V, F.</p><p>e) F, F, F, V, V</p><p>Comentários</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>113</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Como os demais europeus que chegaram à América nos séculos XV e XVI, os espanhóis</p><p>tinham uma visão eurocêntrica sobre tudo que encontraram aqui. Em outras palavras, eles viam a</p><p>si mesmo, a sua sociedade e cultura, como mais desenvolvidos que os povos recém-conhecidos,</p><p>que eram considerados primitivos pelos conquistadores. Seu maior interesse no novo território</p><p>era a implantação do mercantilismo, principalmente o metalismo (extração de metais preciosos),</p><p>mas também foram implantadas haciendas (latifúndio agroexportador) em algumas regiões. A</p><p>mão-de-obra mais utilizada foi a de indígenas escravizados.</p><p>Apesar de terem chegado ao continente americano em 1492, as batalhas mais</p><p>decisivas para a conquista dos territórios espanhóis na América ocorreram entre 1519 e 1521, no</p><p>México, e entre 1532 e 1572, nos Andes. Apesar do processo de conquista ter sido longo, a</p><p>historiografia costuma afirmar que as décadas iniciais do processo de colonização são cruciais para</p><p>o desenrolar da história. Nos primeiros 50 anos o saldo foi de dizimação: pesquisas demográficas</p><p>apontam que os Espanhóis destruíram metade da população originária, constituindo um dos</p><p>momentos mais violentos da história da humanidade (proporcionalmente ao quantitativo</p><p>populacional em relação à tecnologia bélica existente). Para dar conta da forma como os</p><p>espanhóis tratavam os povos originários, por eles chamados de índios, uma das principais fontes</p><p>primárias são os escritos do frei espanhol Bartolomeu de las Casas, como o trecho destacado pela</p><p>questão. Nesse contexto, podemos destacar 5 formas de violência utilizadas pelos europeus para</p><p>estabelecerem a dominação sobre os povos originários: violência cultural (impor religião, língua,</p><p>costumes, mudança de local de moradia); violência das armas (uso de pólvora, armas de aço,</p><p>cavalos); violência das doenças contagiosas (sarampo, tifo, tétano, coqueluche, varíola); estímulo</p><p>das violências entre os povos indígenas; violência da escravidão e do trabalho forçado. Com isso</p><p>em mente, vejamos:</p><p>a) Verdadeira! Muitos espanhóis, e europeus em geral, viam na América a oportunidade de</p><p>fazer uma nova vida, enriquecendo rapidamente e podendo voltar à Europa, pois o novo</p><p>continente contava com pouca fiscalização e supervisão das monarquias. Devido à grande</p><p>distância entre metrópole e colônia, a comunicação e a mobilização de tropas eram lentas,</p><p>o que favorecia acordos e atitudes clandestinas nos novos territórios. Além disso, os</p><p>espanhóis viam os indígenas como seres inferiores, com os quais podiam fazer o que</p><p>quisessem sem grandes culpas.</p><p>b) Falsa. Os conquistados em nenhum momento simplesmente aceitaram o domínio espanhol.</p><p>Muitos povos lutavam arduamente contra a conquista, mas foram vencidos por diversos</p><p>fatores, a superioridade bélica e militar inclusa, mas não só ela! Doenças e rivalidades entre</p><p>os próprios indígenas favoreceram a vitória dos espanhóis.</p><p>c) Verdadeira! Os europeus acreditavam que eram superiores e mais desenvolvidos que os</p><p>indígenas e por isso tinham legitimidade em conquistá-los. Para reforçar essa legitimidade,</p><p>eles impuseram sua visão de mundo sobre os nativos, forçando-os à conversão ou</p><p>escravizando-os.</p><p>d) Falsa. Após a conquista, as guerras libertação só ocorreriam no século XIX e não daria</p><p>origem a novas nações indígenas, mas sim sociedades mestiças de europeus, indígenas e,</p><p>dependendo da região, africanos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>114</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Falsa. A integração não foi harmoniosa, muito pelo contrário. Como ressaltamos no</p><p>comentário, a violência foi grande em todos os aspectos das relações entre conquistados e</p><p>conquistadores, inclusive na vida religiosa.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UNICENTRO 2012)</p><p>A relação entre a emergência do mundo burguês e as grandes navegações do séc. XV</p><p>estabeleceu-se a partir da</p><p>a) integração das populações indígenas da América ao mercado consumidor europeu.</p><p>b) interligação entre os continentes, por meio das rotas comerciais e da acumulação de</p><p>capitais.</p><p>c) introdução do trabalho livre e assalariado nas áreas coloniais exploradas pela burguesia</p><p>em ascensão.</p><p>d) reprodução do modelo colonial das Treze Colônias Inglesas da América nos impérios</p><p>coloniais português, espanhol e francês.</p><p>e) livre concorrência entre as metrópoles europeias na exploração das minas de prata, ouro</p><p>e diamantes encontradas no Novo Mundo.</p><p>Comentários</p><p>A formação da burguesia como classe social está ligada aos renascimentos comercial e</p><p>urbano vivenciado pela Europa desde o final da Idade Média. Era uma classe formada</p><p>principalmente por mercadores e banqueiros, cujas atividades estavam diretamente ligadas ao</p><p>comércio. Por sua vez, a expansão marítimo-comercial europeia era uma necessidade para</p><p>alavancar a economia estagnada da Europa. Genoveses e Venezianos detinham o monopólio do</p><p>comércio com o Oriente por meio do controle dos portos de Constantinopla, Alexandria, Túnis e</p><p>Trípoli. Isso lhes garantia a supremacia nas rotas comerciais marítimas no Mediterrâneo. Portanto,</p><p>era necessário romper com este controle das cidades italianas, e posteriormente, dos turcos-</p><p>otomanos, sobre as rotas marítimo-comerciais e chegar direto às fontes das especiarias. A situação</p><p>ficou um pouco mais difícil quando os turcos-otomanos dominaram Constantinopla. Antes disso,</p><p>inclusive, o Império Otomano já havia se expandido até os Balcãs. No século XVI, avançaram até</p><p>o leste do Mediterrâneo. Além disso, conquistaram as terras do Oriente Médio Árabe. Com isso</p><p>puderam controlar importantes “rotas das especiarias”</p><p>e, posteriormente, ampliado e criado</p><p>outras. Conhecemos essas rotas de longa distância como rotas eurasianas. Por isso tudo, para os</p><p>europeus ibéricos, a solução seria lançarem-se ao Oceano em um grande empreendimento de</p><p>expansão marítimo-comercial. O novo caminho passava por dominar o Oceano Atlântico! Foram</p><p>os comerciantes portugueses que iniciaram esse empreendimento. O fato de serem um reino</p><p>precocemente centralizado ajudou muito. Ainda, a aliança do monarca lusitano com setores mais</p><p>enriquecidos da burguesia mercantil portuguesa contribuiu para canalizar os investimentos nas</p><p>navegações. Com isso em mente, vamos às alternativas:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>115</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>a) Incorreta. Nesse momento, as populações indígenas não desempenharam um papel de</p><p>mercado consumidor. Os europeus nem pretendiam isso para elas. Com relação aos</p><p>nativos, os europeus buscaram escravizá-los ou forçá-los ao trabalho de outras maneiras,</p><p>portanto, na lógica mercantilista e colonial esses povos tinham função apenas como mão-</p><p>de-obra.</p><p>b) Correta! Esses eram os principais objetivos dos burgueses, mercadores e banqueiros:</p><p>expandir o comércio, consequentemente as rotas e conectar os diferentes continentes, suas</p><p>matérias-primas e mercados.</p><p>c) Incorreta. A forma de trabalho mais utilizada nos territórios coloniais foi a escravidão. O</p><p>trabalho livre e assalariado eram raridade.</p><p>d) Incorreta. As Treze Colônias foram formadas posteriormente às colonizações espanhola e</p><p>portuguesa da América. As colônias destas duas últimas nações eram voltadas tanto para a</p><p>exploração quanto para o povoamento. As Treze Colônias Inglesas, por outro lado, eram</p><p>quase todas voltadas para o povoamento, com apenas algumas delas no Sul desenvolvendo</p><p>a agricultura de exportação. E mesmo neste caso, o modelo de investimento era diferente</p><p>do espanhole e do português, pois estes contavam com a interferência ativa do Estado,</p><p>enquanto que na América do Norte as companhias de comércio privadas que</p><p>administravam as regiões exportadoras. Veremos essas diferenças com mais detalhes na</p><p>Aula 08.</p><p>e) Incorreta. Ao conquistarem territórios e fundarem suas colônias na América, as coroas</p><p>europeias implantavam um sistema colonial fundamentado do exclusivo comercial</p><p>metropolitano. Em outras palavras, era o famoso pacto colonial, no qual a colônia só podia</p><p>fazer comércio com a metrópole à qual estava submetida.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Uel 2016)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>116</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>A espécie humana, no decorrer do seu percurso histórico, produziu inúmeras obras materiais</p><p>e imateriais que vieram a se tornar monumentos, considerados expressão de suas diversas</p><p>culturas. O esforço empreendido na criação dessas obras representou uma ordenação</p><p>peculiar do mundo segundo a especificidade da cultura que construiu os monumentos,</p><p>procurando estender temporalmente sua ordenação. Sobre a contextualização histórica da</p><p>obra e sua respectiva cultura, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A deusa hindu Shiva é considerada por seus adeptos como a divindade que cuida do</p><p>mundo e conserva a vida.</p><p>b) A Mesa do Cavalo, monumento da civilização Assíria, foi conservada no regime social do</p><p>califado do Estado Islâmico.</p><p>c) O Obelisco, símbolo do poder egípcio, encontra-se preservado em sua terra natal apesar</p><p>do imperialismo francês na região.</p><p>d) Os Maias criaram um sistema numérico eficiente na manutenção de seus negócios,</p><p>posteriormente destruído pelos espanhóis.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>117</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Os Zigurates, templos religiosos dos Persas, foram preservados.</p><p>Comentários</p><p>Esta questão nos permite revisar algumas coisas que vimos sobre as civilizações que estudamos</p><p>até agora, da Antiguidade ao início da Idade Moderna. Também é uma questão sobre a obra de</p><p>arte como fonte histórica. A arte não é algo aleatório, mas um produto deliberadamente</p><p>construído pelo ser humano e carrega marcas de sua cultura, sua experiência e seu contexto</p><p>histórico nos quais foi produzida. Por isso, as obras de arte podem e devem ser consideradas</p><p>documentos históricos, elas são vestígios da humanidade em determinados momentos de sua</p><p>história. Conhecer a historicidade da peça de arte, o contexto no qual foi produzida, enriquece e</p><p>se faz importante para uma leitura e compreensão das intenções e das demandas no momento</p><p>em que a imagem foi feita. As duas imagens destacadas pela questão são significativas se como</p><p>uma mesma imagem pode ser apropriada por diferentes épocas e artistas ampliando seus</p><p>significados. A primeira é um quadro pintado em 1563, momento no qual as grandes navegações</p><p>atingiam seu auge e os europeus tinham acabado de iniciar a colonização na América. Por isso,</p><p>não é de estranhar o artista representar a Torre de Babel, parte de um episódio bíblico muito</p><p>conhecido sobre a diversidade de línguas e culturas na humanidade e como isso dificultava o</p><p>entendimento e cooperação entre os povos. A segunda imagem é uma fotografia de uma</p><p>escultura feita no século XXI. A escultura é feita de aparelhos eletrônicos de som, o que adiciona</p><p>um novo elemento ao a clássica questão comunicativa sugerida por seu título “Babel”. Agora,</p><p>além do já recorrente problema de entendimento entre os grupos humanos devido a diversidade</p><p>dos grupos humanos, novos meios de comunicação vinham para deixar as coisas ainda mais</p><p>complexas, mudando o ritmo da circulação e o alcance das informações.</p><p>Por outro lado, o texto trazido pelo enunciado nos faz refletir que, se uma peça de arte</p><p>representa determinada cultura e sociedade em um determinado tempo e espaço, quando um</p><p>novo povo chega e conquista violentamente os nativos, essa peça de arte pode ser</p><p>descredibilizada, substituída ou até mesmo destruída por de alguma maneira representar uma</p><p>ameaça à nova ordem estabelecida. A colonização espanhola foi emblemática nesse sentido, pois</p><p>em muitos casos os hispânicos buscaram construir seus edifícios e monumentos mais importantes</p><p>literalmente encima de construções feitas pelos povos nativos. A Cidade do México é o exemplo</p><p>mais marcante, pois é uma cidade europeia construída sobre a antiga capital asteca, Tenochtitlán.</p><p>Com isso em mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. A divindade que cuida e conserva a vida na mitologia Indiana é Vishnu, cabendo</p><p>a Shiva a destruição do mal.</p><p>b) Incorreta. O califado do Estado Islâmico dinamitou a Mesa do Cavalo, destruindo-a.</p><p>c) Incorreta. O Obelisco Egípcio foi levado pelos franceses para Paris, como das pilhagens</p><p>imperialistas.</p><p>d) Correta! Os Maias criaram um sistema numérico vigesimal, com uso do 0 (zero) o que</p><p>possibilitou o controle mais eficiente de seus negócios. Contudo, com a guerra de conquista</p><p>empreendida pelos espanhóis a partir do século XVI, grande parte do conhecimento maia foi</p><p>perdido devido à intolerância cultural e religiosa dos europeus.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>118</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Incorreta. Os Zigurates são templos observatórios dos Sumérios e não há evento histórico</p><p>no qual os romanos os protegeram da invasão hitita, uma vez que esses eventos expressam</p><p>temporalidades distintas.</p><p>Gabarito: D</p><p>(Uel 2011)</p><p>O rei espanhol Alfonso X, o Sábio, na sua obra “El Libro de Ajedrez”, simula, por meio de</p><p>uma partida de xadrez, os conflitos entre cristãos e mouros.</p><p>Tais conflitos devem ser entendidos no contexto</p><p>a) da expansão muçulmana para o Oriente, a qual entrou em choque com os interesses</p><p>portugueses e espanhóis naquela região.</p><p>b) das Guerras Púnicas, quando Ocidente e Oriente disputaram o controle do Mar Vermelho.</p><p>c) das Cruzadas, quando cristãos, pela força, retomaram</p><p>o Estreito de Gibraltar que estava</p><p>sob domínio mouro.</p><p>d) das heresias medievais, quando o poder eclesiástico foi ameaçado pela concentração do</p><p>poder burguês.</p><p>e) da Reconquista, que praticamente varreu das terras ibéricas a presença do elemento não</p><p>cristão.</p><p>Comentários</p><p>Essa é uma questão contextual e cronológica. Se identificarmos em que período viveu o rei Alfonso</p><p>X, saberemos a qual acontecimento ele faz referência em sua obra. Ele viveu entre 1221 e 1284,</p><p>ou seja, antes da unificação da Espanha. Então, vale aqui corrigir o enunciado. Alfonso foi rei de</p><p>Castela, um dos vários reinos que passariam a compor a Espanha a partir de 1469. Mas voltando</p><p>para a questão cronológica. Alfonso viveu no século XIII. Com isso em mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. A expansão muçulmana que se iniciou no século VII rumou para o Oriente, mas</p><p>muito mais para o Ocidente, pressionando as fronteiras do Império Bizantino e avançando</p><p>sobre o Norte da África até chegar no estreito de Gibraltar. Atravessando-o, chegaram na</p><p>Península Ibérica entrando em choque com os reinos lusitanos e espanhóis ali presentes.</p><p>b) Incorreta. As Guerras Púnicas ocorreram na Antiguidade. Tratou-se da série de conflitos</p><p>entre a República de Roma e Cartago pela hegemonia do comércio no mar Mediterrâneo,</p><p>entre 264 a. C. e 146 a. C.</p><p>c) Incorreta. As Cruzadas ocorreram entre 1096 e 1270 e foram uma série de expedições</p><p>militares empreendidas pelos europeus contra os muçulmanos no Oriente Médio. O</p><p>principal objetivo era a retomada de Jerusalém, sob domínio islâmico. Ou seja, havia uma</p><p>motivação religiosa, inclusive havia sido o próprio Papa que incentivou a primeira Cruzada.</p><p>No entanto, nobres e comerciantes europeus também tinham interesses em conquistar</p><p>novas terras e pontos estratégicos do comércio mediterrâneo. Apesar dos conflitos entre</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>119</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>muçulmanos e ibéricos também estarem ocorrendo nessa época, era mais comum as</p><p>Cruzadas oficiais estarem direcionadas para o Oriente Médio, com foco em Jerusalém.</p><p>d) Incorreta. No período das heresias medievais o poder burguês ainda não era uma ameaça</p><p>significativa à Igreja Católica. Além disso, os islâmicos não eram tratados como hereges,</p><p>mas como infiéis a serem eliminados.</p><p>e) Correta! Trata-se do fenômeno de longa duração da expulsão dos elementos judeu e mouro</p><p>das terras ibéricas, capitaneado pelo poder real, processo este conhecido como</p><p>Reconquista.</p><p>Gabarito: E</p><p>(UEL 2009)</p><p>Os astecas sacrificavam prisioneiros de guerra</p><p>para alimentar seus deuses. O capturado tinha</p><p>seu coração arrancado, era decapitado e tinha</p><p>seu sangue bebido pelo captor que, depois,</p><p>levava o corpo para casa, esfolava-o, comia-o</p><p>com milho e vestia sua pele.</p><p>É correto afirmar que estes rituais no mundo</p><p>dos astecas eram de ordem simbólica, uma vez</p><p>que:</p><p>a) Os vencidos deveriam pagar um tributo de</p><p>sangue aos astecas, que viam a si próprios como deuses.</p><p>b) Os sacerdotes astecas exigiam oferendas de sangue para que não faltasse alimento em</p><p>seus templos.</p><p>c) Um grande número de sacrifícios representava um reforço do abastecimento alimentar,</p><p>evitando a carestia</p><p>d) O captor do prisioneiro se vingava do inimigo, comendo suas carnes e vestindo sua pele.</p><p>e) Os deuses exigiam oferendas do bem mais precioso que os homens possuíam, a vida, para</p><p>que o mundo fosse preservado.</p><p>Comentário</p><p>Para os astecas, os sacrifícios humanos eram como oferendas aos deuses, sendo que</p><p>essas oferendas seriam uma espécie de contrapartida para que a vida fosse preservada. Por</p><p>exemplo, os astecas diariamente sacrificavam algum guerreiro para oferecer ao deus</p><p>Huitzilopochtli — o deus do Sol e da Guerra. Com isso, eles acreditavam que nunca faltaria</p><p>luz e a escuridão da noite seria passageira.</p><p>Essa compreensão foi estabelecida a partir de achados arqueológicos, interpretações</p><p>da cultura asteca e das leituras dos relatos dos conquistadores espanhóis. Veja esse trecho</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>120</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>do espanhol Bernal Diaz referente à fuga dos espanhóis após um cerco dos astecas, alguns</p><p>escaparam, outros não:</p><p>Ouvia-se o sinistro bater dos tambores (…), de muitas outras conchas, cornetas de chifre e coisas como</p><p>trombetas, e o som delas todas era aterrorizante, e nós todos olhávamos na direção da alta pirâmide… e vimos</p><p>que nossos companheiros… estavam sendo carregados à força pelos degraus acima…</p><p>Nós os vimos colocar plumas na cabeça de muitos deles, e com coisas como leques as mãos eles os</p><p>forçaram a dançar diante deles (…), e depois que haviam dançado, eles imediatamente os colocaram deitados</p><p>de costas em pedras bem estreitas… e com algumas facas abriram seus peitos e tiraram seus corações</p><p>palpitantes e os ofereceram a seus ídolos [os deuses].</p><p>Jogaram os corpos degraus abaixo, aos pontapés, e os carniceiros indígenas que esperavam embaixo</p><p>cortaram seus braços e pernas, e arrancaram a pele dos rostos e a preparavam depois como couro de luvas,</p><p>ainda com a barba… e a carne eles a comeram em chilmole [‘comida típica’]”. (DÍAZ, apud: WHITE, 2013, p.</p><p>201, acréscimo nosso)</p><p>Recentemente, pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do</p><p>México descobriram provas de que os sacrifícios eram feitos em massa. Eles encontraram o</p><p>altar de crânios em frente ao Templo Mayor, na Cidade do México. Ao lado desse templo</p><p>principal havia mais dois, um dedicado ao deus da guerra Huitzilopochtli e outro, ao deus da</p><p>chuva Tlaloc. O altar de crânios tinha 5 metros de altura e possuía duas torres laterais de 1,7</p><p>metro de altura e 5 de diâmetro, tudo de crânio. Foram recuperados 180 crânios intactos os</p><p>quais deram base para as novas descobertas. De acordo com os arqueólogos do Instituto, o</p><p>sacerdote asteca usava uma lâmina para abrir o torso da vítima e retirar o coração ainda</p><p>pulsante. Após a cabeça era retirada para que, com um buraco no crânio, toda a carne de</p><p>dentro também fosse retirar de modo que só sobrasse os ossos do crânio.</p><p>Quanto a alternativa a), ela erra por afirmar que os astecas se viam como deuses, fato</p><p>que não confere com os ensinamentos aprendidos. A b), a rigor, não está errada, pois</p><p>existiam diversos tipos de sacrifício e, na dúvida, você deve procurar a alternativa mais</p><p>correta, aquela que você lerá e não terá erros ou dúvidas, por ser uma alternativa mais</p><p>abrangente. Sacou? O comentário da c) é similar ao da b), porém com um adendo: a forma</p><p>como ela está escrita está ambígua, dá para compreender que eles comiam gente para se</p><p>alimentarem e, com isso, não faltaria comida. Não era este o motivo dos sacrifícios. Da</p><p>mesma forma, não se tratava de vingança (alternativa d)). A mais correta, portanto, é a e).</p><p>Gabarito: E</p><p>(Uel 2006)</p><p>Este mapa é de fundamental significação na história da cartografia. Ele ampliou a imagem</p><p>contemporânea do mundo, proporcionando uma visão essencialmente nova deste. É</p><p>conhecido indubitavelmente a partir da sua publicação em 1507. Nele o Novo Mundo recebe</p><p>o nome de América pela primeira vez.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>121</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(Adaptado de: WHITFIELD, P. “The image of the world: 20 centuries of World Maps”.</p><p>MARTIN WALDSEEMÜLLER. 1507. San Francisco: Pomegranate Artbooks & British Library,</p><p>1994, p. 48-9. Tradução livre.)</p><p>De acordo com o texto, o mapa e os conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que a</p><p>cartografia do século XVI</p><p>a) abandonou a perspectiva medieval de representação, adotando modelos renascentistas</p><p>devido à necessidade da incorporação da Ásia, descoberta por Colombo e pelos</p><p>navegadores que o sucederam.</p><p>b) constituiu outro tipo de narrativa da expansão marítima europeia, ao incorporar os relatos</p><p>dos navegantes nas</p><p>representações pictográficas, expressando uma nova consciência sobre</p><p>o mundo.</p><p>c) significou um aperfeiçoamento natural das formas anteriores de representação de mundo,</p><p>como as iluminuras, das quais descende, tendo se tornado possível graças à invenção da</p><p>imprensa.</p><p>d) descreveu os locais onde se estabeleceriam as colônias, bem como os dados</p><p>antropológicos, sociais e econômicos, antecipando a revolução científica do século XIX.</p><p>e) representou o ápice do desenvolvimento científico do século XVI, na medida em que serviu</p><p>de modelo para o desenvolvimento tecnológico e artístico do Renascimento.</p><p>Comentários</p><p>O texto disserta sobre uma das características sobre o processo de transformações na</p><p>mentalidade europeia no início da Idade Moderna. Se você lembrar, nessa época estava</p><p>ocorrendo o renascimento cultural e as reformas protestantes, duas coisas relacionadas com</p><p>a expansão comercial e urbana que os europeus vivenciavam. O contato com outras culturas</p><p>foi decisivo para gerar essas transformações. Num primeiro momento, o contato com</p><p>muçulmanos e asiáticos, via Mar Mediterrâneo e Oriente Médio, foi motor dessas mudanças.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>122</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Com o aperfeiçoamento da navegação e a necessidade de encontrar novas rotas para os</p><p>mercados do leste, os ibéricos se lançam ao Oceano Atlântico desencadeando uma nova</p><p>série de encontros de culturas, muitas vezes violentos, mas que continuou contribuindo para</p><p>a mudança de uma mentalidade marcada pelo cristianismo e permeada de mitos diversos</p><p>para outra forma de pensar, estruturada na experiência, na observação e na análise crítica.</p><p>Contudo, não pense que essa mudança foi imediata e contrastante. Na verdade, era comum</p><p>uma mesma pessoa buscar a comprovação experimental de certos fenômenos e crer em</p><p>determinados mitos e lendas sobre regiões longínquas. O próprio Cristóvão Colombo era</p><p>uma pessoa mesclava as duas formas de pensar daquela época. Os mapas talvez sejam as</p><p>fontes mais ilustrativas para reparar nesse convívio entre a mentalidade medieval e a</p><p>moderna (renascentista) e a gradativa sobreposição da segunda sobre a primeira. Nessas</p><p>fontes, podemos ver como figuras mitológicas e fantásticas eram representadas na</p><p>cartografia e foram sendo removidas e a esfericidade da Terra vai sendo mais representada</p><p>à medida que o método científico se consolidava.</p><p>a) Incorreta. O século XVI foi um período de transição e mudança de mentalidade. Portanto,</p><p>a perspectiva medieval ainda não havia sido completamente abandonada. Nesse período é</p><p>possível encontrar mapas mais renascentistas, outros mais “medievais” com figuras</p><p>mitológicas incluídas nos mapas. Além disso, Colombo não descobriu a Ásia, mas sim uma</p><p>rota para a América.</p><p>b) Correta. Era comum que nem todos os cartógrafos tivessem conhecido pessoalmente os</p><p>territórios representados em seus mapas. Era frequente que se baseassem em relatos de</p><p>exploradores, pesquisadores e navegadores que viajaram até tais lugares.</p><p>c) Incorreta. Quando estamos falando de relações e invenções humanas na história não existe</p><p>algo como um “aperfeiçoamento natural”, pois todos os fenômenos humanos decorrem de</p><p>processos históricos e sociais. Entre as iluminuras medievais e os mapas renascentistas do</p><p>século XVI houve muitos acontecimentos que mudaram os rumos do pensamento e das artes</p><p>europeias, como as Cruzadas, o renascimento cultural, a Reconquista, a expansão marítima</p><p>e comercial, as reformas protestantes, entre outras. Portanto, veja que nesses processos</p><p>houveram tanto rupturas, quanto permanências, longe de ser algo natural e sim algo causado</p><p>pela interação entre os grupos humanos.</p><p>d) Incorreta. Não só lugares onde se estabeleceram colônias eram representados nos mapas.</p><p>Os cartógrafos procuravam se manter atualizados em relação às viagens de exploração de</p><p>novas terras, quando não eram eles mesmos que iam até essas regiões. Era comum que essas</p><p>explorações apenas fizessem um reconhecimento da área explorar para então avaliar se era</p><p>vantajoso estabelecer colônias ali. De qualquer forma, as descobertas eram registradas e</p><p>eventualmente representadas em textos e mapas.</p><p>e) Incorreta. O ápice do Renascimento se refletiu nas artes e nas ciências exatas. A cartografia</p><p>foi um desdobramento disso.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Uel 2007)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>123</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Sobre a expansão marítima ibérica da época dos descobrimentos, é correto afirmar que:</p><p>a) Ocorreu de maneira pacífica, com a colonização e povoamento das Américas.</p><p>b) Fundamentou a expansão do capitalismo mercantil, acompanhado pelas missões.</p><p>c) Acabou com o comércio mediterrânico, concentrando-se tão somente no Atlântico.</p><p>d) Fortaleceu as cidades-Estados italianas, tradicionais no comércio mercantil.</p><p>e) Concedeu cidadania aos súditos que emigrassem para as colônias de além-mar.</p><p>Comentários</p><p>As consequências da expansão marítima e comercial europeia são várias e seria impossível listar</p><p>todas nesse breve comentário. Vimos algumas na Aula 05 que merecem ser relembradas aqui. A</p><p>mais importante foi o início da mundialização da economia, baseado no sistema geral de</p><p>colonização europeia (feitoria e colônia). Estruturado de forma concentrada e com forte</p><p>intervenção das Monarquias Centralizadas (algumas absolutistas) teve como outra consequência a</p><p>aceleração da acumulação de capitais. Em outras palavras, gerou superlucros. Alguns historiadores</p><p>afirmam que essa acumulação criou condições para o desenvolvimento da Revolução Industrial e</p><p>do capitalismo, no século XVIII. Com isso em mente, vamos às alternativas:</p><p>a) Incorreta. O processo de colonização foi longo e diversificado dependendo da região e da</p><p>nação europeia que empreendia tal feito. Os portugueses, por exemplos, nos primeiros</p><p>anos de colonização do Brasil e de circunavegação do continente africano, costumavam</p><p>estabelecer apenas feitorias para firmar relações comerciais com os povos locais. Contudo,</p><p>a partir da década de 1530, iniciam uma colonização mais sistemática fazendo uso de mão</p><p>de obra escravizada, primeiro indígena e posteriormente africana. Os espanhóis, por sua</p><p>vez, desde o início buscaram escravizar os povos nativos e empreendendo guerras de</p><p>conquista.</p><p>b) Correta! Está de acordo com o comentário.</p><p>c) Incorreta. O comércio no mar Mediterrâneo continuou tendo sua importância para a</p><p>Europa, Oriente Médio e norte da África. No entanto, o comércio em desenvolvimento no</p><p>oceano Atlântico gradativamente se tornou mais lucrativo e pujante.</p><p>d) Incorreta. As cidades italianas foram, em certa medida, prejudicadas pelas grandes</p><p>navegações, pois este fenômeno abriu novas rotas para mercados antes só acessíveis via</p><p>Mediterrâneo. Ou seja, os italianos perderam o monopólio sobre várias mercadorias.</p><p>e) Incorreta. Não existia o conceito de cidadania nessa época. As sociedades ibéricas eram</p><p>formadas pela nobreza, pelo clero, pelos servos camponeses, pelos trabalhadores urbanos</p><p>e pelos burgueses. Os três últimos grupos eram os súditos, desprovidos de direitos</p><p>políticos. Os burgueses, porém, em alguns casos enriqueciam e conseguiam ter alguma</p><p>influência na sociedade por conta de seu poder financeiro. Era comum a prática de venda</p><p>de títulos pelos monarcas para angariar apoio econômico e político dos burgueses. As</p><p>pessoas podiam ser enviadas para as colônias por diversos motivos: como condenação por</p><p>algum crime ou heresia, ou seja, como forma de exílio; como parte de uma missão</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>124</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>designada pelo monarca com um objetivo específico; devido a concessão de terras e</p><p>monopólio sobre o comércio na colônia, para fomentar a ocupação e o desenvolvimento</p><p>econômico local. Nos dois últimos</p><p>casos, os colonos podiam ou não receber títulos, terras</p><p>e/ou privilégios como recompensa.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UDESC 2018)</p><p>Ao observamos mapas ou relatos de viajantes dos séculos XV e XVI, é comum encontrarmos</p><p>referências a seres fantásticos, descritos, muitas vezes, como monstros sem olhos ou nariz,</p><p>com uma perna ou com corpo desproporcional. A existência destes seres na África, Ásia e</p><p>América foram relatados por diversos navegadores da época.</p><p>Tais relatos são considerados indicativos do(a):</p><p>f) intenção explícita dos cartógrafos que, ao fazerem os mapas, desenhavam seres</p><p>monstruosos para desencorajar novos exploradores.</p><p>g) movimento iluminista, que se estabelecia especialmente a partir do contato com novos</p><p>povos e sociedades.</p><p>h) visão de mundo da sociedade europeia da época, que ainda não era pautada pela</p><p>observação científica e analítica da natureza e da cultura.</p><p>i) influência da mitologia céltica, cujo legado pode ser fortemente observado nos vitrais</p><p>que ornamentavam as igrejas e catedrais ao longo de toda a baixa Idade Média.</p><p>j) versão evolucionista, que demarcava a especificidade da civilização europeia em relação</p><p>à americana ou à africana.</p><p>Comentários</p><p>As letras B e E se referem a pensamentos ainda não desenvolvidos no período histórico</p><p>abordado pela questão. O iluminismo é do século XVIII e o evolucionismo do século XIX. A</p><p>letra D também faz uma associação descabida, pois a influência céltica não está presente nos</p><p>vitrais e no estilo geral das catedrais da Idade Média. Nestas predominou o estilo gótico.</p><p>A letra A sugere que os cartógrafos, isto é, profissionais que deviam elaborar mapas com a</p><p>finalidade de orientar, de fato, os navegantes, tinha propósitos de afastar navegantes. Veja</p><p>que isso é uma contradição com o ofício da cartografia.</p><p>Por fim, a letra C é a alternativa mais recheada de sentido, pois ela reflete o estágio do</p><p>desenvolvimento da ciência naquele período de expansão ultramarina. O imaginário dos</p><p>navegantes ainda era muito próximo ao mundo medieval.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UDESC 2012)</p><p>“O século XVI assistiu à transição da geografia fantástica para a da experiência. Os relatos</p><p>de viagem que surgiram neste período, portanto, estão impregnados pela mudança na forma</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>125</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>de ver e de descrever o mundo. [...] O imaginário europeu quinhentista caracterizava-se pelo</p><p>‘fantástico’, pelo ‘maravilhoso’, pelo ‘prodigioso’, pelo ‘monstruoso’, etc. Esse imaginário</p><p>aplicava-se ao remoto, ao distante, ao longínquo... Quanto maior o afastamento da Europa</p><p>civilizada, maior também o ‘maravilhoso’! [...] O imaginário europeu foi transplantado para o</p><p>novo mundo. Os seres e lugares fantásticos que existiram na Ásia e na África, também</p><p>passaram a existir na América.”</p><p>STEIGLEDER, Carlos Geovane. Staden, Thevet e Léry. Olhares europeus sobre os índios e</p><p>sua religiosidade. São Luís/MA: EDUFMA, 2010, p. 23-50.</p><p>Analise as proposições considerando o contexto histórico e as questões a ele referentes,</p><p>abordadas no excerto:</p><p>I. Os viajantes europeus do século XVI destacavam, em seus relatos, a produção de um olhar</p><p>eurocêntrico sobre os continentes africano, asiático e americano.</p><p>II. O contexto abordado pelo autor refere-se à Idade Média. Os escritores medievais – em</p><p>sua maioria pertencentes à Igreja Católica – escreviam histórias fantásticas sobre os lugares</p><p>do mundo, para além da Europa. Esses lugares e os personagens que neles habitavam quase</p><p>sempre eram caracterizados com elementos do inferno, demônios e outros monstros</p><p>fantásticos.</p><p>III. Ao escrever que “o século XVI assistiu à transição da geografia fantástica para a da</p><p>experiência”, o autor do excerto refere-se ao fato de que a ideia de uma geografia fantástica</p><p>marcada por mapas ilustrados de monstros marinhos e abismos que informavam o “fim do</p><p>mundo” passaria, aos poucos, a ser substituída por uma geografia marcada pela observação</p><p>e experiência de diferentes viajantes que se lançaram aos mares, no contexto da expansão</p><p>marítima europeia.</p><p>IV. Ao escrever que “Os seres e lugares fantásticos que existiram na Ásia e na África, também</p><p>passaram a existir na América”, o autor do excerto refere-se ao fato de que as viagens no</p><p>contexto da expansão marítima europeia acabaram também fortalecendo as relações</p><p>culturais nos diferentes continentes, haja vista que os viajantes não apenas levavam nativos</p><p>americanos para a Europa, mas também traziam asiáticos e africanos para o Brasil.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.</p><p>b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.</p><p>c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.</p><p>e) Todas as afirmativas são verdadeiras.</p><p>Comentários</p><p>O texto disserta sobre uma das características sobre o processo de transformações na mentalidade</p><p>europeia no início da Idade Moderna. Se você lembrar, nessa época estava ocorrendo o</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>126</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>renascimento cultural e as reformas protestantes, duas coisas relacionadas com a expansão</p><p>comercial e urbana que os europeus vivenciavam. O contato com outras culturas foi decisivo para</p><p>gerar essas transformações. Num primeiro momento, o contato com muçulmanos e asiáticos, via</p><p>Mar Mediterrâneo e Oriente Médio, foi motor dessas mudanças. Com o aperfeiçoamento da</p><p>navegação e a necessidade de encontrar novas rotas para os mercados do leste, os ibéricos se</p><p>lançam ao Oceano Atlântico desencadeando uma nova série de encontros de culturas, muitas</p><p>vezes violentos, mas que continuou contribuindo para a mudança de uma mentalidade marcada</p><p>pelo cristianismo e permeada de mitos diversos para outra forma de pensar, estruturada na</p><p>experiência, na observação e na análise crítica. Contudo, não pense que essa mudança foi imediata</p><p>e contrastante. Na verdade, era comum uma mesma pessoa buscar a comprovação experimental</p><p>de certos fenômenos e crer em determinados mitos e lendas sobre regiões longínquas. O próprio</p><p>Cristóvão Colombo era uma pessoa mesclava as duas formas de pensar daquela época.</p><p>Ademais, a hipótese da esfericidade da Terra gerava a necessidade de comprovação da suposição.</p><p>Assim, a circum-navegação é tipicamente um projeto renascentista. Contudo, ao encontrar novas</p><p>culturas, os pensadores daquela época hierarquizaram-nas. O humanista investiu-se de</p><p>legitimidade para conquistar o mundo e espalhar o modo de vida europeu como aquele a ser</p><p>seguido por todos. Essa forma de ver o mundo está bem expressa nos textos da tradição que na</p><p>literatura chamamos de “quinhentismo”, repleta de sermões de clérigos e diários de viajantes que</p><p>iam para os territórios “além-mar” e ficam deslumbrados e aterrorizados pelas diferenças gritantes</p><p>entre eles e os demais povos. Com isso em mente, vejamos:</p><p>I. Verdadeira! Eurocentrismo é como chamamos a tendência intelectual que coloca a</p><p>Europa como o ápice do desenvolvimento humano e modelo de evolução para os</p><p>demais povos. Esse tipo de pensamento fica evidente em obras e textos que sempre</p><p>buscam comparar fenômenos de outros continentes com acontecimentos europeus. Ou</p><p>quando as referências teóricas para a análise são todos autores europeus mesmo</p><p>quando o objeto de estudo é de outro continente. No caso dos viajantes do século XVI</p><p>isso era gritante, pois apesar de nem todos escreverem tratados científicos sobre os</p><p>novos territórios, todos interpretavam as novas sociedades e culturas encontradas com</p><p>as lentes europeias, colocando-se a si mesmos como o auge do progresso humano.</p><p>II. Falsa. Na verdade, o texto se refere à Idade Moderna. De fato, essa tradição medieval,</p><p>fantástica e cristão persistiu durante a modernidade, mas esta era caracterizada pelo</p><p>convívio e sobreposição dessa mentalidade medieval</p><p>com os desdobramentos do</p><p>renascimento cultural e da revolução científica.</p><p>III. Verdadeira! Os mapas talvez sejam as fontes mais ilustrativas para reparar nesse convívio</p><p>entre a mentalidade medieval e a moderna (renascentista) e a gradativa sobreposição</p><p>da segunda sobre a primeira. Nessas fontes, podemos ver como figuras mitológicas e</p><p>fantásticas eram representadas na cartografia e foram sendo removidas à medida que o</p><p>método científico se consolidava.</p><p>IV. Falsa. Não houve um fortalecimento das relações culturais entre os povos, na verdade</p><p>houve uma tensão cada vez mais nessas relações, pois tratava-se de uma relação de</p><p>conquista. Inicialmente os europeus buscavam fazer apenas comercial, mas em pouco</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>127</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>tempo procuravam instalar colônias e povoar gradativamente os diversos territórios,</p><p>impondo sua hegemonia cultural. Além disso, a alternativa erra ao afirmar que asiáticos</p><p>vieram para o Brasil nesse período. A migração de asiáticos para cá só começou a</p><p>acontecer a partir do século XIX, com mais intensidade no XX.</p><p>Portanto, a alternativa correta é a letra “c”.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UDESC 2007)</p><p>Assinale a alternativa incorreta , em relação às razões que tornaram Portugal pioneiro no</p><p>processo de expansão marítima.</p><p>a) O Estado português se consolidou em 1385, gerando certa estabilidade política.</p><p>b) Desde o século XIII Portugal mantinha relações comerciais com a região de Flandres (atual</p><p>Bélgica e parte da Holanda), e com a cidade de Gênova, relações essas que enriqueceram a</p><p>burguesia mercantil.</p><p>c) Com a Revolução de Avis, ocorrida em 1492, Portugal tornou-se Estado unificado,</p><p>incentivando a navegação.</p><p>d) No início do século XV Portugal tornou-se o centro dos estudos de navegação, com o</p><p>estímulo do infante dom Henrique, o Navegador, o qual reuniu um grupo de cientistas como</p><p>astrônomos, cartógrafos e pilotos, possibilitando a criação da chamada Escola de Sagres.</p><p>e) Lisboa era a principal cidade no processo de expansão marítima, e se configurava como</p><p>ponto de encontro de marinheiros que vinham de toda parte e traziam experiências em</p><p>relação ao mar.</p><p>Comentários</p><p>ATENÇÃO! Nessa questão você deve assinalar a alternativa errada! Antes de avaliar as opções,</p><p>vamos contextualizar um pouco o pioneirismo português nas grandes navegações. Como</p><p>sabemos, a expansão marítimo-comercial europeia era uma necessidade para alavancar a</p><p>economia estagnada da Europa. Genoveses e Venezianos detinham o monopólio do comércio</p><p>com o Oriente por meio do controle dos portos de Constantinopla, Alexandria, Túnis e Trípoli.</p><p>Isso lhes garantia a supremacia nas rotas comerciais marítimas no Mediterrâneo. Portanto, era</p><p>necessário romper com este controle das cidades italianas, e posteriormente, dos turcos-</p><p>otomanos, sobre as rotas marítimo-comerciais e chegar direto às fontes das especiarias. A situação</p><p>ficou um pouco mais difícil quando os turcos-otomanos dominaram Constantinopla. Antes disso,</p><p>inclusive, o Império Otomano já havia se expandido até os Balcãs. No século XVI, avançaram até</p><p>o leste do Mediterrâneo. Além disso, conquistaram as terras do Oriente Médio Árabe. Com isso</p><p>puderam controlar importantes “rotas das especiarias” e, posteriormente, ampliado e criado</p><p>outras. Conhecemos essas rotas de longa distância como rotas eurasianas. Por isso tudo, para os</p><p>europeus ibéricos, a solução seria lançarem-se ao Oceano em um grande empreendimento de</p><p>expansão marítimo-comercial. O novo caminho passava por dominar o Oceano Atlântico! Foram</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>128</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>os comerciantes portugueses que iniciaram esse empreendimento. O fato de serem um reino</p><p>precocemente centralizado ajudou muito.</p><p>Uma série de motivos deu mais oportunidades aos portugueses de serem pioneiros nessa</p><p>expansão. Entre eles: sua posição geográfica estratégica, voltada para o Oceano Atlântico; havia</p><p>interesse de grupos mercantis em ampliar sua área de atuação comercial; como já mencionado,</p><p>Portugal era um reino centralizado e absolutista desde o século XIV; e a pretensão de expansão</p><p>religiosa, deriva da Guerra de Reconquista, isto é, como Portugal foi um reino de unificou em</p><p>oposição aos muçulmanos e vitória sobre estes, a motivação religiosa continuava sendo</p><p>importante para legitimar a monarquia. Ainda, uma quarta razão que explica parcialmente o</p><p>pioneirismo português é o fato de a Península Ibérica ter sido ocupada por fenícios, na</p><p>antiguidade, e pelos muçulmanos, durante a Idade Média. Os primeiros foram exímios</p><p>navegadores e chegaram a monopolizar o comércio no Mar Mediterrâneo. Os segundos</p><p>desenvolveram a matemática, a geometria e a astronomia, áreas essenciais para o</p><p>aperfeiçoamento da navegação. Portanto, mesmo que tenha o reino cristão de Portugal tenha</p><p>prevalecido, muito do conhecimento e da cultura dos demais povos que lá viveram anteriormente</p><p>foi preservado, seja na cultura popular, seja nas bibliotecas e acervos públicos e particulares.</p><p>Agora vejamos:</p><p>a) Correta! O ano de 1385 é marcado pela vitória da Revolução de Avis, um acontecimento</p><p>que influenciou na consolidação da monarquia portuguesa. Esse fato correu ainda durante</p><p>a Baixa Idade Média, no final do século XIV. Na verdade, antes deste acontecimento, o</p><p>primeiro rei português, Afonso Henrique, foi coroado por vencer os muçulmanos em</p><p>Ourique, em 1139. Ele fundou a dinastia de Borgonha. Contudo, em 1383 seu descendente</p><p>e rei naquele momento, D. Fernando, morreu sem deixar herdeiros do gênero masculino.</p><p>Sua filha mais velha era casada com o rei de Castela, reino que viria a fazer parte da</p><p>formação da Espanha alguns anos mais tarde. Ela, então, reivindicou o trono português,</p><p>contando com apoio da nobreza e do clero lusitanos. Entretanto, D. João, mestre da Ordem</p><p>de Avis, descendente bastardo da dinastia de Borgonha, também reivindicou a coroa e foi</p><p>apoiado pela nascente burguesia mercantil mais enriquecida. A disputa entre os dois</p><p>pretendentes à coroa portuguesa desencadeou um conflito armado, a Revolução de Avis.</p><p>Como o próprio nome dado ao ocorrido deixa transparecer, o vencedor foi o mestre da</p><p>Ordem de Avis, que foi coroado como D. João I em 1385, consolidando o Estado</p><p>centralizado em Portugal. A aliança com a burguesia garantiu certa estabilidade política e</p><p>financeira para a Coroa, possibilitando os investimentos nas grandes navegações.</p><p>b) Correta! Por sua localização estratégica no Estreito de Gibraltar, Portugal era um ponto de</p><p>passagem importante para o comércio marítimo entre o Mar no Norte e o Mar</p><p>Mediterrâneo. Flanders e Gênova eram os maiores centros comerciais dessas regiões,</p><p>respectivamente.</p><p>c) Incorreta. Como vimos a Revolução de Avis se deu entre 1383 e 1385.</p><p>d) Correta! As inovações náuticas dos portugueses são resultado da criação dessa escola e de</p><p>outras no Reino.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>129</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>e) Correta! A justificativa da letra “b” serve para esta alternativa também. Só acrescentaria</p><p>que, após a expansão marítima que abriu rotas para África, Ásia e América, via oceano</p><p>Atlântico, a Península Ibéria e Lisboa, principalmente, tornaram-se a capital comercial dessa</p><p>expansão até meados do século XVI.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UDESC 2006)</p><p>“Tudo isto é mais danoso nesta terra que em qualquer outra; os que vêm a ensinar dão mau</p><p>exemplo e, em sua maior parte, não têm intenções de ficar muito tempo nesta terra,</p><p>procurando enriquecer de qualquer maneira para voltar à Espanha.”</p><p>(Citado em BRUIT, Héctor. Bartolomé de Las Casas e a simulação dos vencidos. São Paulo:</p><p>Iluminuras; Unicamp, 1995, p. 197.)</p><p>Esse trecho, de uma crônica sobre o que ocorria nos anos iniciais da conquista da América</p><p>pelos espanhóis, denuncia</p><p>A faixa amarela mais ao sul ficou sob domínio dos mouros, Reino Mouro de Granada.</p><p>Agora, e a disputa dentre os reinos cristãos? Vamos conferir, também em mapa, um</p><p>panorama até o final do século XIII.</p><p>Veja só, em 1143, o Reino de Leão reconheceu a independência do Condado</p><p>Portucalense, dando origem a Portugal. Já em 1179 o Papa reconheceu o novo status de</p><p>Reino dos portugueses. Contudo, o Reino de Castela travava constantes disputas territoriais</p><p>com os portugueses.</p><p>Bem, no final do século XIV, já então com Portugal formado, ocorreu uma crise de sucessão</p><p>do trono, uma crise dinástica. O rei D. Fernando I, filho do rei anterior D. Pedro I (rei de</p><p>Portugal entre 1357 e 1367), morreu em 1383. D. Fernando I não tinha filho para assumir o</p><p>trono. Sua filha, a Princesa Beatriz, estava casada com o rei de Castela, D. João I, um</p><p>casamento arranjado para colocar fim às disputas territoriais entre portugueses e castelhanos</p><p>(Reino de Castela).</p><p>Qual era o impasse, profe?</p><p>Na ausência de um herdeiro do sexo masculino, seria preciso esperar que Princesa Beatriz e</p><p>D. João I tivessem um filho homem e que este completasse 14 anos para, então, tornar-se</p><p>rei. Eitâ!!</p><p>Assim, logo que D. Fernando I morreu, um Governo Regencial foi instaurado e liderado pela</p><p>esposa de D. Fernando I, a rainha Leonor Teles. Qual foi o problema, gente? A rainha foi</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>13</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>pedir ajuda para D. João I, de Castela, para governar. Os portugueses, então, motivados</p><p>pelo histórico de disputas entre Portugal e Castela, já se ligaram: “os castelhanos vão querer</p><p>nos dominar e perderemos a nossa soberania!!! Sem chance!!”.</p><p>Diante disso, os portugueses iniciaram uma conspiração liderada por João, Mestre de Avis.</p><p>João era irmão de D. Fernando I, ou seja, tinha uma certa linhagem na realeza. Então, saca</p><p>só a crise:</p><p>D. João I, de Castela, invadiu Portugal e tomou Lisboa, mas teve que recuar depois que</p><p>a peste negra matou muitos de seus soldados. O embate militar se tornou mais complexo,</p><p>quando os franceses entraram para dar suporte aos castelhanos e os ingleses aos</p><p>portugueses liderados por João, mestre de Avis.</p><p>O ponto alto do conflito foi a Batalha de e Aljubarrota (agosto de 1385, 100 Km ao norte</p><p>de Lisboa), vitória para os portugueses.</p><p>Dom João, mestre de Avis, foi coroado rei de Portugal em 1385. Repare, enquanto rei, de</p><p>João, mestre de Avis, ele passou para Joao I, rei de Portugal entre 1385 e 1433. Não</p><p>confunda com o rei de Castela. A dinastia de Avis durou até 1580.</p><p>Diante disso, vamos às alternativas:</p><p>a) falso, pois D. João I foi quem tentou invadir Portugal, sendo causa da Revolução de Avis.</p><p>Sobre o apoio dos franceses está certo.</p><p>b) falso, pois D. Manuel não é parte dessa disputa.</p><p>c) falsa. Primeiro porque D. Pedro I foi rei antes de D. Fernando I. Depois porque Algarve</p><p>era uma região mais ao sul de Portugal, que foi retomada dos mouros em meados do século</p><p>XIII.</p><p>d) é o nosso gabarito.</p><p>e) falso, pois D. Afonso III não fez parte da disputa, foi rei em meados do século XIII.</p><p>Gabarito: D</p><p>Porugueses que</p><p>defendiam a manutenção</p><p>da soberania em relação a</p><p>Castela. Apoio a João,</p><p>mestre de Avis.</p><p>Nucleo duro da nobreza da</p><p>nobreza que defendia D. João I</p><p>de Castela como sucessor do</p><p>trono de Portugal.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>14</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>3. ENQUANTO ISSO NA ESPANHA...</p><p>Enquanto a expansão marítimo-comercial de Portugal se desenvolvia e, consequentemente</p><p>ganhava amplitude, os espanhóis lutavam contra os muçulmanos que ocupavam a Península</p><p>Ibérica, nas Guerras de Reconquista. Assim, podemos afirmar que a formação da monarquia</p><p>espanhola, bem como seu processo de expansão comercial, esteve relacionada com essa Guerra</p><p>(dúvidas, volte na aula anterior).</p><p>Além disso, os arranjos entre os nobres dos reinos de Leão e Castela foram fundamentais</p><p>para o sucesso tanto da vitória contra islâmicos quanto para a formação de uma Monarquia</p><p>Unificada e Centralizada.</p><p>Nesse sentido, lembro você de que, em 1469, o casamento de Fernando (do reino de</p><p>Aragão) com Isabel (do reino de Leão e Castela) uniu três reinos. Em seguida, em 1492, esse</p><p>reinado reconquistou o sul da Espanha e expulsou definitivamente os árabes da Península Ibérica.</p><p>Observe os mapas:</p><p>4</p><p>Agora que vimos os aspectos centrais dos reinos ibéricos, vamos nos debruçar sobre o</p><p>processo da expansão marítimo comercial para, enfim, chegarmos ao esperado encontro entre o</p><p>“Eu e o Outro” no “Novo Mundo”.</p><p>Importante: guerra dos 80 anos entre Espanha e Holanda.</p><p>No ano de 1578, durante a batalha contra os mouros marroquinos em Alcácer-</p><p>Quibir, o rei português dom Sebastião desapareceu. Com isso, foi iniciada uma crise</p><p>sucessória do trono português, pois não havia herdeiro. Filipe II, rei da Espanha e neto do falecido</p><p>rei português D. Manuel I, se candidatou a assumir a vaga deixada na nação vizinha. Para alcançar</p><p>4 ARRUDA, José Jobson de. Atlas Histórico Básico. São Paulo, Ed. Ática, 2008. P. 18</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>15</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>o poder, além de se valer do fator parental, Felipe II chegou a ameaçar os portugueses com seus</p><p>exércitos para que exercesse tal direito. Resultado, o espanhol assume o trono de Portugal,</p><p>mantém o da Espanha e funda a União Ibérica.</p><p>No Tratado de Tomar, assinado em 1581, Filipe II assegurou que os navios portugueses</p><p>controlassem o comércio com a colônia, a manutenção das autoridades lusitanas no espaço</p><p>colonial brasileiro e o respeito das leis e costumes brasileiros.</p><p>Com a junção das coroas, as nações inimigas da Espanha passam a ver na invasão do espaço</p><p>colonial lusitano uma forma de prejudicar o rei Filipe II. Desta maneira, no tempo em que a União</p><p>Ibérica foi vigente, ingleses, holandeses e franceses tentaram invadir o Brasil. Veremos essas</p><p>invasões ao Brasil na próxima aula.</p><p>De toda forma, dentre os inimigos da Espanha que passaram a ser inimigos de Portugal, a</p><p>Holanda se destacou. E de onde vem essa rivalidade?</p><p>No início do século XVI, o imperador Carlos V (pai de Felipe II), também primeiro rei da</p><p>Casa Habsburgo do território hoje corresponde à Espanha, obteve a conquista dos Países Baixos,</p><p>onde fica a Holanda. Sob Felipe II, a perseguição aos protestantes foi dura e a disputa pelas</p><p>regiões comerciais do norte dos Países Baixos, também. Bem, diante dessa dominação espanhola</p><p>sobre a Holanda, vejamos o desenrolar de alguns acontecimentos:</p><p>1566: duque de Alba, passou a governar os Países Baixos, após ser enviado para lá para</p><p>reprimir uma revolta protestante (religião calvinista).</p><p>1568: o governador da província da Holanda, Guilherme I de Orange-Nassau, tentou depor</p><p>sem sucesso o duque de Alba. Apesar de Guilherme de Nassau ter conseguido fugir, dois de seus</p><p>apoiadores – o conde de Egmont e o conde de Horne – foram presos e decapitados a mando do</p><p>duque de Alba, que também ordenou a cobrança novos impostos. Pronto: início da Revolta</p><p>Holandesa.</p><p>1581: sete províncias do norte da Holanda, comandadas por Guilherme I de Orange-</p><p>Nassau, unificaram-se por meio da União de Utrecht e se tornaram independentes da Espanha. A</p><p>Inglaterra manda reforços militares para os holandeses.</p><p>1584: Guilherme de Nassau é assassinado e seu filho Maurício de Nassau assume a</p><p>liderança.</p><p>Desfecho: a paz permanente só ocorreria em 1648, quando por meio dos Tratados de</p><p>Vestfália, a Espanha teve que reconhecer oficialmente a independência dos Países Baixos e, por</p><p>tabela, da Holanda. Já pega o Bizu: guarde o nome de Maurício de Nassau.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares –</p><p>a forma como os conquistadores e padres se relacionavam com a</p><p>nova terra e seus habitantes.</p><p>A partir do enunciado acima, assinale a alternativa incorreta.</p><p>a) A terra, posse até então dos grupos indígenas, passou exclusivamente para as mãos da</p><p>Igreja Católica e, por intermédio dos jesuítas, foi dividida em Missões Guaraníticas.</p><p>b) A América, continente conhecido pelos europeus no final do século XV (descoberta em</p><p>1492, por Cristóvão Colombo), era habitada por centenas de grupos populacionais com</p><p>diferentes línguas, etnias, costumes e formas de organização política; a maioria desses</p><p>grupos, em menos de cem anos após a conquista da América, estava sobrepujada ao poder</p><p>econômico, político e religioso dos conquistadores espanhóis e portugueses.</p><p>c) A conquista da América representou a possibilidade de enriquecimento rápido, à custa do</p><p>trabalho dos nativos que nela habitavam, e dos metais que nela eram abundantes.</p><p>d) Não somente os conquistadores, mas alguns padres usurparam de todas as maneiras os</p><p>primeiros habitantes do novo mundo.</p><p>e) Alguns padres procuraram denunciar as atrocidades cometidas pelos conquistadores, nos</p><p>anos iniciais da conquista da América.</p><p>Comentários</p><p>ATENÇÃO! Nessa questão você deve assinalar a alternativa errada! Antes de avaliar as opções,</p><p>vamos contextualizar um pouco os primeiros anos dos espanhóis na América.</p><p>Como os demais europeus que chegaram à América nos séculos XV e XVI, os espanhóis</p><p>tinham uma visão eurocêntrica sobre tudo que encontraram aqui. Em outras palavras, eles viam a</p><p>si mesmo, a sua sociedade e cultura, como mais desenvolvidos que os povos recém-conhecidos,</p><p>que eram considerados primitivos pelos conquistadores. Seu maior interesse no novo território</p><p>era a implantação do mercantilismo, principalmente o metalismo (extração de metais preciosos),</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>130</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>mas também foram implantadas haciendas (latifúndio agroexportador) em algumas regiões. A</p><p>mão-de-obra mais utilizada foi a de indígenas escravizados.</p><p>Apesar de terem chegado ao continente americano em 1492, as batalhas mais decisivas</p><p>para a conquista dos territórios espanhóis na América ocorreram entre 1519 e 1521, no México, e</p><p>entre 1532 e 1572, nos Andes. Apesar do processo de conquista ter sido longo, a historiografia</p><p>costuma afirmar que as décadas iniciais do processo de colonização são cruciais para o desenrolar</p><p>da história. Nos primeiros 50 anos o saldo foi de dizimação: pesquisas demográficas apontam que</p><p>os Espanhóis destruíram metade da população originária, constituindo um dos momentos mais</p><p>violentos da história da humanidade (proporcionalmente ao quantitativo populacional em relação</p><p>à tecnologia bélica existente). Para dar conta da forma como os espanhóis tratavam os povos</p><p>originários, por eles chamados de índios, uma das principais fontes primárias são os escritos do</p><p>frei espanhol Bartolomeu de las Casas, como o trecho destacado pela questão. Nesse contexto,</p><p>podemos destacar 5 formas de violência utilizadas pelos europeus para estabelecerem a</p><p>dominação sobre os povos originários: violência cultural (impor religião, língua, costumes,</p><p>mudança de local de moradia); violência das armas (uso de pólvora, armas de aço, cavalos);</p><p>violência das doenças contagiosas (sarampo, tifo, tétano, coqueluche, varíola); estímulo das</p><p>violências entre os povos indígenas; violência da escravidão e do trabalho forçado. Com isso em</p><p>mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. A terra não passou exclusivamente para as mãos da Igreja Católica. Uma parte</p><p>sim, mas outra foi distribuída entre os colonos. Mesmo algumas comunidades indígenas</p><p>tiveram porções de terras reservadas para si, apesar de serem obrigadas a serem</p><p>deslocadas para mais per to dos locais onde seriam forçados a trabalhar.</p><p>b) Correta! Está de acordo com o comentário.</p><p>c) Correta! Muitos exploradores vinham com a intenção de enriquecer rapidamente e retornar</p><p>triunfantes para a Espanha, como Las Casas denuncia em seu texto. Inclusive, era comum</p><p>os proprietários das grandes mineradoras ou das haciendas nem mesmo viverem nelas,</p><p>preferindo morar na Espanha, ou mais próximos dos centros administrativos das colônias.</p><p>Nesses casos, deixavam seus empreendimentos sob a supervisão de um administrador. Essa</p><p>prática era conhecida como absenteísmo. Era mais comum no sul dos Estados Unidos. Em</p><p>algumas regiões do Brasil também era possível encontrar esse fenômeno.</p><p>d) Correta! A relação do clero com os indígenas era complexa e heterogênea. Las Casas é um</p><p>exemplo de uma parte do clero que defendiam uma colonização e conversão mais pacíficas</p><p>e didáticas. Isso não quer dizer que castigos físicos e trabalho compulsório não estivessem</p><p>envolvidos. Contudo, os colonos leigos frequentemente se importavam unicamente com</p><p>quanto conseguiriam lucrar e nem mesmo evangelizavam seus escravizados. Por outro lado,</p><p>não faltam exemplos de padres e clérigos cruéis, que acreditavam apenas na conversão</p><p>pelo medo e pela submissão, como o jesuíta Manuel da Nóbrega, primeiro de sua ordem a</p><p>pisar no Brasil, em 1548.</p><p>e) Correta. A justificativa da “d” serve para esta.</p><p>Gabarito: A</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>131</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(UNITAU 2019)</p><p>“Os mitos pré-hispânicos na Mesoamérica falam da criação do cosmo e, ao fazê-lo,</p><p>respondem a sua relação com a natureza. No Popol Vuh, o livro sagrado dos maias, está</p><p>narrado como os deuses criadores descobrem o lugar onde estava a montanha das dádivas</p><p>e dali extraem as preciosas sementes do milho amarelo e branco. Xmukane, a ajudante dos</p><p>deuses, mói as sementes nove vezes e, com a mistura, os deuses modelam o corpo dos</p><p>primeiros seres humanos. Assim, a origem do mundo é diretamente relacionada ao</p><p>surgimento do sol e à fertilização do milho”.</p><p>TENÓRIO, Maurício. Por ti América: aventura arqueológica: depoimentos. Rio de Janeiro:</p><p>Centro Cultural Banco do Brasil/CPDPC, 2006, p. 12.</p><p>Desde o advento da ciência, no século XVII, rejeita-se a mitologia como um produto das</p><p>mentes supersticiosas e primitivas. Hoje, temos uma perspectiva ainda mais profunda e</p><p>completa da sua natureza. Sobre a função dos mitos na história da humanidade, assinale a</p><p>alternativa CORRETA.</p><p>a) Não sendo teórico, o mito obedece à lógica da realidade objetiva e da verdade científica,</p><p>sendo uma narrativa que não dispensa provas para ser aceita.</p><p>b) As construções míticas expressam atitudes em relação ao mundo e maneiras de resolver</p><p>os problemas da existência, não se sujeitando a regras de lógica ou de continuidade.</p><p>c) O mito é uma organização do imaginário, e, por meio da palavra, exprime a realidade,</p><p>construindo, assim, um discurso lógico sobre a realidade.</p><p>d) O pensamento mítico expressa inteiramente as necessidades básicas da vida de uma</p><p>sociedade, ocultando, assim, suas instituições sociais e crenças.</p><p>e) O mito expressa uma realidade cultural simples e explica acontecimentos contemporâneos</p><p>aos povos, que os narram numa lógica específica.</p><p>Comentários</p><p>Essa questão é bem interessante. Partindo de algo relacionado ao tema da Aula 05, a mitologia</p><p>maia, para discutir teoria da história. O Popol Vuhl é um códice de origem maia, no qual estão</p><p>registrados muitos mitos e elementos da religiosidade desse povo. Como se deduz disso, os maias</p><p>já eram dotados de escrita antes dos europeus chegarem. No entanto, tratava-se uma escrita</p><p>imagética, semelhante aos hieróglifos egípcios. Beleza, mas o que é afinal mito e mitologia?</p><p>Podemos dizer que esse códice é uma espécie de Bíblia dos maias? Não! Essa seria uma</p><p>comparação bem grosseira e equivocada. Isso porque a definição de mito é complexa e</p><p>pesquisadores de várias áreas debatem sobre isso.</p><p>Genericamente, um conjunto de mitos de determinada cultura é uma mitologia: podemos falar</p><p>em mitologia maia, mitologia grega, mitologia</p><p>ioruba, etc. Por outro lado, mitologia também</p><p>significa a disciplina específica que tem como objetivo o estudo dos mitos, sua natureza e</p><p>significado. De uma forma ou de outra, não há consenso sobre a definição de mito. Alguns, como</p><p>o antropólogo Everardo Rocha, afirmam que é impossível defini-lo. Outros, como o historiador P.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>132</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Commelin, definem mito como uma mentira. Há também que simplesmente defina mito como</p><p>fábula, narrativas puramente fictícias, baseada no sobrenatural, nos fenômenos da natureza ou nos</p><p>acontecimentos históricos alterados. Portanto, podemos afirmar que a mitologia não é mais do</p><p>que uma compilação de contos. Segundo Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva:</p><p>“Ao longo do tempo, várias linhas de interpretação dos mitos foram sendo esboçadas a partir da</p><p>sua riqueza e multiplicidade de significados. Entre elas, as principais são: a naturalista, que</p><p>considera os mitos uma tradução das forças da natureza; a historicista, que considera que o mito</p><p>é uma representação de episódios verdadeiros do passado; a funcionalista, criada por Malinowski</p><p>nos anos 1920, que afirma que o mito tem uma função social específica, religiosa, moral, ou de</p><p>busca de conhecimento; a psicanalítica, que usa o mito como fonte de conhecimento da mente</p><p>humana; e a estruturalista, de Lévi-Strauss, que busca no mito dados sobre as estruturas sociais.</p><p>As linhas interpretativas psicanalíticas são tão influentes no estudo dos mitos quanto as</p><p>antropológicas. Mas enquanto os antropólogos querem entender as estruturas sociais por trás dos</p><p>mitos, os psicanalistas usam os mitos para estudar o inconsciente humano.”</p><p>(Silva, Kalina Vanderlei. Dicionário de conceitos históricos / Kalina Vanderlei Silva, Maciel Henrique Silva. 2.ed., 2ª</p><p>reimpressão. – São Paulo : Contexto, 2009, pp. 294)</p><p>Com essas considerações em mente, vejamos:</p><p>a) Incorreto. Como o comentário permite concluir, o mito não obedece à lógica da realidade</p><p>objetiva e da verdade científica. Trata-se de narrativas muitas vezes sem comprovação, que</p><p>podem estar baseadas em sonhos, experiências espirituais ou fatos históricos alterados.</p><p>b) Correto! Realmente, os mitos nos marcam a relação da humanidade com o mundo ao seu</p><p>redor e os problemas decorrentes disso, dispensando a lógica e a verdade científica como</p><p>critérios.</p><p>c) Incorreto. O mito não produz um discurso lógico, não necessariamente.</p><p>d) Incorreto. O mito não expressa necessariamente todas as necessidades básicas de uma</p><p>sociedade. Sua função varia conforme tempo, espaço e cultura nos quais é elaborado. Além</p><p>disso, muitas vezes podemos captar as instituições e crenças nos quais o mito se</p><p>fundamenta.</p><p>e) Incorreto. As culturas fundamentadas em mitos não são “mais simples”. Haver ou não mitos,</p><p>na verdade, não é o suficiente não para definir se uma cultura ou sociedade é mais simples</p><p>ou mais complexa. Isto dependente de muitos fatores.</p><p>Gabarito: B</p><p>(UNITAU 2015)</p><p>O início da Idade Moderna, período que se estende pelo século XV, pode ser caracterizado</p><p>por</p><p>a) consolidação do Estado Nação, supremacia marítima holandesa, ascendência da</p><p>monarquia absolutista, comércio marítimo com a Índia.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>133</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) consolidação do Estado Nação, ascendência da monarquia absolutista apoiada pela</p><p>burguesia, grandes navegações, descoberta e colonização de novas terras.</p><p>c) consolidação do Estado Nação, descoberta e colonização de novas terras, ascensão dos</p><p>déspotas esclarecidos, crise financeira burguesa.</p><p>d) consolidação do Estado Nação, crise da monarquia absolutista, supremacia marítima</p><p>espanhola, descoberta e colonização de novas terras.</p><p>e) grandes navegações, fortalecimento dos estados de Portugal e Espanha, rompimento do</p><p>comércio com a Ásia, decadência da monarquia absolutista.</p><p>Comentários</p><p>Esta questão depende de conteúdos que vimos na Aula 04 e na 05. Entre os principais processos</p><p>históricos que vimos nessas aulas e fazem parte do contexto mais amplo do século XV estão: o</p><p>processo de consolidação das monarquias absolutistas e do Estado Nação; as reformas</p><p>protestantes e a contrarreforma católica; o renascimento cultural; e as grandes navegações, que</p><p>permitiram a “descoberta” e colonização de novas terras. Com isso em mente, vejamos:</p><p>a) Incorreta. A supremacia marítima holandesa só se deu durante o século XVII.</p><p>b) Correta! Está de acordo com o comentário.</p><p>c) Incorreta. Os déspotas esclarecidos ascenderam no século XVIII. Vale ressaltar também que</p><p>a burguesia não estava em crise no século XV, pelo contrário. Talvez tenha sido a classe</p><p>social que mais lucrou nesse período.</p><p>d) Incorreta. A monarquia absolutista não estava em crise, estava se consolidando. Além disso,</p><p>o século XV é marcado pela supremacia marítima portuguesa. Os espanhóis só assumiram</p><p>o status de maior marinha do mundo no século XVI.</p><p>e) Incorreta. Na verdade, o comércio com Ásia adquiriu uma nova rota (Périplo Africano) e foi</p><p>fortalecido. Por outro lado, como já dissemos acima, não houve decadência da monarquia</p><p>absolutista, mas sua consolidação.</p><p>Gabarito: C</p><p>(UNITAU 2015)</p><p>O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 por Portugal e Espanha, foi um acordo mediado</p><p>pelo Papa, que dividiu o mundo em duas áreas de influência a partir de um meridiano a 370</p><p>léguas a oeste da Ilha de Cabo Verde. As terras a leste dessa linha ficariam sob domínio</p><p>português, enquanto as do oeste ficariam sob jurisdição espanhola.</p><p>Assinale a afirmativa CORRETA sobre a recepção desse acordo pelos demais povos</p><p>europeus.</p><p>a) Franceses, ingleses e holandeses rebelaram-se contra o monopólio exercido por Portugal</p><p>e Espanha sobre as novas terras descobertas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>134</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>b) O Tratado de Tordesilhas foi desrespeitado pela rainha Vitória, da Inglaterra, que justificou</p><p>sua atitude afirmando que não conhecida a cláusula do “Testamento de Adão”, que teria</p><p>dividido o mundo entre Portugal e Espanha.</p><p>c) A Inglaterra não aceitou o Tratado e invadiu as novas terras, fundando as Treze Colônias</p><p>da América.</p><p>d) O Tratado de Tordesilhas não pôde ser contestado, devido à sua ratificação pelo Papa,</p><p>que oficializou sua validade.</p><p>e) O único povo que contestou o Tratado de Tordesilhas foi o inglês, devido à sua soberania</p><p>no Oceano Atlântico e à sua aliança com Portugal.</p><p>Comentários</p><p>Antes de mais nada vamos rever um mapa que ilustra os limites acordados entre Portugal e</p><p>Espanha pelo Tratado de Tordesilhas. Abaixo você pode ver tanto o limite acordado na Bula</p><p>Intercoetera como no referido tratado, definido posteriormente:</p><p>Esse tratado foi o resultado de um acordo internacional de tomada de posso de território</p><p>estabelecido entre os dois países mais importantes na expansão marítimo-comercial. Pelo</p><p>significado e pela natureza política desse Tratado, ele tem uma importância história enorme para</p><p>a história da mundialização da economia e das relações que os países Europeus precisaram realizar</p><p>ao longo do desenvolvimento econômico rumo ao capitalismo. De fato, ele é a prova histórica da</p><p>implantação do Sistema Colonial na América.</p><p>Imediatamente após o retorno de Colombo, os reis espanhóis resolveram propor um tratado de</p><p>divisão e posse do “Novo Mundo” entre eles e Portugal. O mediador do conflito foi a Igreja</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>135</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Católica! Essa informação também nos ajuda a lembrar o espírito cruzadístico da expansão</p><p>marítimo-comercial. Assim, o papa Alexandre VI, em 1493, por meio de uma Bula (documento</p><p>oficial da Igreja), estabeleceu exatamente o que os espanhóis</p><p>queriam. No mapa acima, você pode</p><p>ver que era um acordo que não garantia nada a Portugal. Por isso, os reis portugueses recusaram</p><p>e pediram uma revisão das distâncias estabelecidas que haviam sido estabelecidas pela Bula</p><p>Intercoetera. Depois de muitos debates, chegou-se ao acordo representado pelo Tratado de</p><p>Tordesilhas. Agora, vamos às alternativas:</p><p>a) Correta! As demais nações europeias não se contentaram com o Tratado de Tordesilhas,</p><p>pois não foram contemplados nele. A França chegou a atacar colônias portuguesas ainda</p><p>no século XVI, poucos anos depois do tratado ter sido firmado. Inclusive, onde hoje é o Rio</p><p>de Janeiro, os franceses tomaram o território dos portugueses fundando uma colônia batiza</p><p>de França Antártica, entre 1555 e 1570. O governo britânico, por outro lado, não se</p><p>envolveu diretamente na expansão marítima nos primeiros séculos de colonização. A Coroa</p><p>inglesa costumava financiar piratas e corsários para saquear colônias alheias. As Treze</p><p>Colônias, fundadas por ingleses na América do Norte, era fruto de empreendimentos</p><p>particulares ou da fuga coletiva de cristãos protestantes em busca de liberdade religiosa.</p><p>Por fim, os holandeses talvez tenham sido os que mais desrespeitaram abertamente o</p><p>Tratado de Tordesilhas. A Holanda era uma província da Espanha até o final do século XVI,</p><p>quando iniciou uma guerra de independência. A guerra se arrastou até o século seguinte,</p><p>contudo, como os holandeses migraram sua capital mais para o nordeste, puderam formar</p><p>seu reino independente e os combates com os espanhóis se dava com mais frequência no</p><p>mar, com ambos atacando as colônias uns dos outros, buscando conquistá-las para si.</p><p>b) Incorreta. A rainha Vitória governo no século XIX, muito tempo depois do contexto aqui</p><p>tratado.</p><p>c) Incorreta. Não foi exatamente a Inglaterra, isto é, a Coroa inglesa, que tomou a iniciativa e</p><p>a coordenação da colonização do território que se tornou as Treze Colônias, na América do</p><p>Norte. Elas foram iniciativa, em parte, de companhias privadas de comércio e, em parte, de</p><p>cristãos protestantes ingleses que fugiam do Reino Unido em busca de liberdade religiosa.</p><p>A Coroa só buscou interferir mais nas colônias americanas a partir dos séculos XVII e XVIII.</p><p>d) Incorreta. A autoridade papal já não suficiente para garantir o respeito de todas as nações</p><p>europeias a um tratado como esse, pois nem todas elas continuavam católicas após a onda</p><p>de reformas protestantes. Países como Inglaterra e Holanda haviam rompido com a Igreja</p><p>Católica, portanto não respeitavam as decisões do Papa. A Coroa francesa, por sua vez,</p><p>apesar de católica tinha vários atritos com o papado, devido às ambições absolutistas de</p><p>seus monarcas.</p><p>e) Incorreta, uma vez que a “a” estando certa, a “e” se torna automaticamente inválida.</p><p>Gabarito: A</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>136</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Queridos e queridas, minha mãe me falava umas coisas que eu carrego para minha vida. As</p><p>vezes compartilho. Uma delas era: Ninguém pode atrasar quem veio para vencer!!! Nem sei de</p><p>onde ela tirou isso, mas eu carreguei comigo como amuleto. Compartilho com vocês, pois tenho</p><p>certeza que nesse momento vocês estão dando seu melhor!</p><p>E não esquece: cada dia, cada hora, cada minuto que você se envolve com a tarefa de</p><p>adquirir mais conhecimento, gravar mais uma informação, colar mais um post it é uma riqueza</p><p>infinita. Ninguém tira de você aquilo que está acumulado: o seu capital cultural. S2</p><p>Não esqueça do mantra: Não existe solução mágica, mas existem estratégias que, se utilizadas</p><p>com afinco e dedicação, podem realizar sonhos. Nós estamos JUNTOS nesse caminho!!! Contem</p><p>comigo, meus querida e querido alunos.</p><p>Utilize o Fórum de Dúvidas. Eu responderei suas perguntas com esmero.</p><p>E não se esqueça de que não existe dúvida boba. Quanto mais você</p><p>pergunta, mais conversamos e mais você sintetiza o conteúdo, certo!</p><p>Também me procure nas redes sociais. Lá tem dicas preciosas para te</p><p>ajudar na sua preparação.</p><p>Um grande abraço estratégico,</p><p>Alê Lopes</p><p>Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>16</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>4. GRANDES NAVEGAÇÕES</p><p>As Grandes Navegações são assunto longo e interessante. Esse termo é usado para</p><p>designar um ciclo de viagens marítimas de longuíssimas distâncias realizadas, sobretudo, por</p><p>portugueses e espanhóis. Contudo, nessa aula, vamos focar nos aspectos mais cobrados no seu</p><p>vestibular, especialmente, as navegações portuguesas e espanholas.</p><p>Como sabemos, a expansão marítimo-comercial europeia era uma necessidade para</p><p>alavancar a economia estagnada da Europa. Genoveses e Venezianos detinham o monopólio do</p><p>comércio com o Oriente por meio do controle dos portos de Constantinopla, Alexandria, Túnis e</p><p>Trípoli. Isso lhes garantia a supremacia nas rotas comerciais marítimas no Mediterrâneo.</p><p>Portanto, era necessário romper com este controle das cidades italianas, e posteriormente,</p><p>dos turcos-otomanos, sobre as rotas marítimo-comerciais e chegar direto às fontes das especiarias.</p><p>A situação ficou um pouco mais difícil quando os turcos-otomanos dominaram</p><p>Constantinopla. Antes disso, inclusive, o Império Otomano já havia se expandido até os Balcãs.</p><p>No século XVI, avançaram até o leste do Mediterrâneo. Além disso, conquistaram as terras do</p><p>Oriente Médio Árabe. Com isso puderam controlar importantes “rotas das especiarias” e,</p><p>posteriormente, ampliado e criado outras. Conhecemos essas rotas de longa distância como rotas</p><p>eurasianas.</p><p>Confira as rotas comerciais antes das Grandes Navegações</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>17</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Por isso tudo, para os europeus ibéricos, a solução seria lançarem-se ao Oceano em um</p><p>grande empreendimento de expansão marítimo-comercial. O novo caminho passava por dominar</p><p>o Oceano Atlântico! Foram os comerciantes portugueses que iniciaram esse empreendimento. O</p><p>fato de serem um reino precocemente centralizado ajudou muito.</p><p>Veja abaixo as esquematizações sobre os principais pontos para o impulso das navegações.</p><p>Anota, fotografa, tatua na mente!!!!</p><p>“A partir de 1413, com o início das grandes viagens marítimas, a Cartografia ressurge como meio</p><p>de garantir a segurança dos viajantes e de representação das novas descobertas. Foi muito</p><p>importante nessa época a "Escola de Sagres", em Portugal, onde eram treinados os pilotos e</p><p>cosmógrafos.</p><p>Os navegantes costumavam carregar consigo anotações, nas quais eram registradas os rumos</p><p>(direções) e as distâncias entre os portos visitados. Também eram feitos desenhos, cujo objetivo</p><p>provável era facilitar a navegação, sem preocupação com sistemas de projeções. Essas anotações</p><p>receberam o nome de Portulanos ou Cartas Portulanos e buscavam representar a costa dos</p><p>continentes e, em especial, o mar Mediterrâneo.</p><p>Durante muitos séculos, os mapas foram um privilégio da elite. Apenas reis, nobres, alto clero,</p><p>grandes navegadores e armadores de expedições marítimas, tinham acesso a esse tipo de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>18</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>informação. Somente a partir da invenção da imprensa, na segunda metade do século XV, os</p><p>mapas puderam ser mais amplamente utilizados.</p><p>Em 1570 surgia o primeiro grande Atlas mundial, confeccionado por Ortelius (1527-1598), o</p><p>"Theatrum Orbis Terrarum", originalmente escrito em latim, teve várias edições e mais de 7000</p><p>(sete mil) cópias impressas em diferentes idiomas. Tratava-se de um conjunto precioso de mapas,</p><p>produzidos pelos mais importantes cartógrafos da época, incluindo Mercator, que em 1569</p><p>produziu o primeiro mapa-mundo com projeção cilíndrica.</p><p>Foi Mercator (1512-1594) quem primeiro utilizou a palavra</p><p>Atlas para nomear uma coleção de mapas. Mas sua maior</p><p>contribuição foi o sistema de projeção, que recebeu seu</p><p>nome e até hoje é largamente empregado. A "Projeção</p><p>Cilíndrica de Mercator" surgiu com o objetivo de facilitar a</p><p>navegação, oferecendo uma representação do mundo em</p><p>que uma linha reta na carta correspondesse a uma reta de</p><p>igual rumo no oceano. Tratava-se, portanto, de uma carta</p><p>orientada.”</p><p>"Americae Sive Novi Orbis" - Ortelius, 1595</p><p>Tradução: América ou Novo Mundo. Este mapa apareceu em todas as edições do Theatrum Orbis</p><p>Terrarum e revela a influência do mapa de Mercator de 1569</p><p>FONTE: Atlas Escolar na Internet – IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística5</p><p>Esse assunto cai em prova Alê? Opâ, dá uma conferida na questão abaixo, super recente:</p><p>5 Disponível em: https://atlasescolar.ibge.gov.br/conceitos-gerais/historia-da-cartografia/a-era-dos-</p><p>descobrimentos-sec-xv-a-xviii.html . Acesso em 21-03-2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>19</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(FUVEST 2020)</p><p>A representação cartográfica a seguir refere‐se à viagem de circunavegação, iniciada em</p><p>Sanlúcar de Barrameda, na Andaluzia, em 20 de setembro de 1519, e comandada pelo</p><p>português Fernão de Magalhães, a serviço da monarquia da Espanha. A despeito da</p><p>repercussão da viagem para o desenvolvimento dos conhecimentos náuticos e para a</p><p>exploração do Oceano Pacífico, Battista Agnese foi um dos poucos cartógrafos a registrar a</p><p>empreitada de Magalhães.</p><p>Battista Agnese, Atlas Portulano, 1545. Biblioteca Digital Mundial. Disponível em</p><p>https://www.wdl.org/pt/.</p><p>A representação cartográfica de Battista Agnese</p><p>a) revelava a permanência das técnicas e sentidos simbólicos da cosmografia medieval, que</p><p>orientaram os navegadores ibéricos na época da expansão ultramarina.</p><p>b) estava vinculada aos dogmas cristãos e procurava conciliar o registro da viagem de Fernão</p><p>de Magalhães coma perspectiva de Terra Plana ainda presente entre letrados cristãos.</p><p>c) estava baseada nos relatos dos navegadores, no acúmulo de conhecimentos acerca das</p><p>rotas marítimas e em estimativas de distâncias a partir de cálculos matemáticos e da</p><p>planificação do globo terrestre.</p><p>d) apresentava o Oceano Pacífico em suas reais dimensões de acordo com o entendimento</p><p>de Fernão de Magalhães e de Cristóvão Colombo e em desacordo com as perspectivas</p><p>cristãs.</p><p>e)estava assentada nos conhecimentos e detalhamentos geográficos bíblicos e nas</p><p>formulações cosmológicas de Ptolomeu, fundamentais para o sucesso da viagem de Fernão</p><p>de Magalhães.</p><p>Comentários</p><p>Essa questão é de história moderna e o assunto é expansão marítima e grandes navegações.</p><p>De certa forma, é uma abordagem clássica, pois o comanda fala em representação</p><p>cartográfica.</p><p>A Cartografia ressurge como meio de garantir a segurança dos viajantes e de representação</p><p>das novas descobertas. Foi muito importante nessa época a “Escola de Sagres”, em Portugal,</p><p>onde eram treinados os pilotos e cosmógrafos.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>20</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Os navegantes costumavam carregar consigo anotações, nas quais eram registradas os</p><p>rumos (direções) e as distâncias entre os portos visitados. Também eram feitos desenhos,</p><p>cujo objetivo provável era facilitar a navegação, sem preocupação com sistemas de</p><p>projeções. Essas anotações receberam o nome de Portulanos ou Cartas Portulanos.</p><p>Tendo essas informações em mente, vamos à análise das alternativas:</p><p>Alternativa A – Não foram técnicas medievais que guiaram os navegadores da época. É</p><p>importante lembrar que as grandes navegações se beneficiaram das descobertas da</p><p>revolução científica do Renascimento do século XV.</p><p>Alternativa B – Essa alternativa contém vários erros, entre eles, o desacordo com o texto, já</p><p>que no trecho acima fala que o mapa foi construído após uma viagem de circunavegação.</p><p>Alternativa C – Gabarito da questão, eram as técnicas utilizadas no momento da expansão</p><p>marítima, antes mesmo do desenvolvimento das técnicas de Mercator.</p><p>D - as referências não eram bíblicas e nem ptolomaicas.</p><p>Gabarito: C</p><p>Motivos que explicam o pioneirismo português</p><p>•Estímulo</p><p>governamental</p><p>•Espírito</p><p>cruzadístico -</p><p>conquistar os</p><p>infiéis</p><p>•Interesse do grupo</p><p>mercantil em</p><p>ampliar sua área</p><p>de atuação</p><p>comercial.</p><p>•No século XV, essa</p><p>posição geográfica se</p><p>soma ao fato de</p><p>Portugal não estar</p><p>envolvido em</p><p>nenhuma guerra -</p><p>enquanto os reinos</p><p>espanhóis, e mesmo</p><p>França e Inglaterra,</p><p>sim.</p><p>Posição</p><p>geográfica</p><p>estratégica,</p><p>voltada para</p><p>Mar Atlântico</p><p>Equilíbrio de</p><p>interesses</p><p>entre as classes</p><p>sociais</p><p>Administração</p><p>centralizada -</p><p>Monarquia.</p><p>Pretensão de</p><p>expansão</p><p>religiosa</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>21</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Observe a cronologia da expansão portuguesa e, em seguida estude o Mapa. Ao longo do</p><p>século XV, Portugal foi aperfeiçoando suas técnicas de navegação e avançando sobre o Atlântico</p><p>sempre contornando o Continente Africano – isso ficou conhecido como Périplo Africano.</p><p>Nesse caminho os portugueses iam estabelecendo entrepostos comerciais, as chamadas</p><p>feitorias. Além disso, começaram a participar, incentivar e financiar a escravização de africanos.</p><p>Perceba pela análise da cronologia e do mapa que o sonho português se realizou: em 1498</p><p>descobriram um novo caminho para o Oriente! Ebaaa, viu, quem sonha e insiste alcança! Isso é um</p><p>livro digital, mas um dia, aconteceu mesmo.</p><p>Dizem que todos, na Europa, ficaram muito felizes. Os mercadores porque ganharam 60</p><p>vezes o valor do que investiram; o rei porque estava se tornando imperador de um verdadeiro</p><p>Império português; a população porque estava alimentada de um sentimento de otimismo com a</p><p>grandeza do seu rei e do seu reino.</p><p>Esse otimismo todo foi o combustível para que Dom Manuel preparasse a maior esquadra</p><p>de todos os tempos – eram 13 navios, 1500 pessoas, sendo muitos padres, marinheiros, estudiosos</p><p>e pesquisadores, soldados. Muita comida, cruz e armas.</p><p>Publicamente o destino era as Índias. O comandante era Pedro Álvares Cabral. Ocorreu,</p><p>então, que em 22 de abril de 1500 chegaram ao Brasil. Passearam por aqui e em 02 de maio</p><p>retomaram seu caminho até as Índias. Claro que Cabral deixou uns representantes e mandou um</p><p>navegador levar uma carta ao rei confirmando a existência de terras que, diga-se de passagem, já</p><p>pertenciam a Portugal, desde a assinatura do Tratado de Tordesilhas de 1493 (segura que já vou</p><p>explicar isso).</p><p>É assim que nós brasileiros entramos para a história do mundo, ou ... a história que os</p><p>europeus contam sobre o mundo conquistado por eles!</p><p>Já os espanhóis, envolvidos com a Guerra de Reconquista, acabaram se rendendo aos</p><p>planos de CIRCUM-NAVEGAÇÃO, de Cristóvão Colombo. A ideia do navegador genovês era</p><p>atingir as Índias contornando o globo terrestre, baseado na concepção de esfericidade da Terra –</p><p>1415</p><p>•Tomada de Ceuta - África</p><p>1419</p><p>•Tomada da Ilha de</p><p>Madeira</p><p>1431</p><p>•Tomada da Ilha de</p><p>Açores e Cabo Verde</p><p>1488</p><p>•Bartolemeu passa o Cabo</p><p>da Boa Esperança, Sul da</p><p>África</p><p>1498</p><p>•Vasco da Gama chega a</p><p>Calicute, na Índia</p><p>1500</p><p>•Pedro Álvares Cabral</p><p>chega ao Brasil</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>22</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>é, meus caros, Colombo não era um terraplanista! Brincadeiras à parte, Colombo convenceu</p><p>os reis espanhóis de que era possível encontrar uma rota diferente daquela realizada pelos</p><p>portugueses (périplo africano). Além disso, acreditava que a conquista de “novos mundos” era</p><p>fundamental para a expansão da fé cristã. Era o espírito cruzadístico que ainda guiava a</p><p>cosmovisão do homem renascentista que precisava provar a Tese da Esfericidade da Terra.</p><p>Assim, em 1492 os reis espanhóis cederam 3 caravelas para Colombo. Em 12 de Outubro</p><p>daquele ano, Colombo chegou às ilhas das Bahamas e acreditou que era as Índias. Passou por</p><p>Cuba, República Dominicana e Haiti. Morreu achando isso. A circum-navegação foi completada</p><p>entre 1519 e 1521 por Fernão de Magalhães e Sebastião d’el Cano.</p><p>6</p><p>Imediatamente após o retorno de Colombo, os reis espanhóis resolveram propor um</p><p>tratado de divisão e posse do “Novo Mundo” entre eles e Portugal. O mediador do conflito seria</p><p>a ONU, opssss, brincadeirinha . A Instituição “universal” era qual, mesmo?</p><p>A Igreja Católica! Essa informação também nos ajuda a lembrar o espírito cruzadístico da</p><p>expansão marítimo-comercial.</p><p>6 ARRUDA, José Jobson de. Atlas Histórico Básico. São Paulo, Ed. Ática, 2008, p. 19.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>23</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Assim, o papa Alexandre VI, em 1493, por meio de uma Bula (documento oficial da Igreja),</p><p>estabeleceu exatamente o que os espanhóis queriam.</p><p>Abaixo, no mapa, você pode ver que era um acordo que não garantia nada a Portugal.</p><p>Por isso, os reis portugueses recusaram e pediram uma revisão das distâncias estabelecidas</p><p>que haviam sido estabelecidas pela Bula Intercoetera. Depois de muitos debates, chegou-se a um</p><p>acordo de partilha chamado...: vai, Bixo, responde que você sabe:</p><p>TRATADO DE TORDESILHAS!</p><p>Muito bem, é isso mesmo, meu querido e querida! Esse tratado, que a gente não</p><p>esquece nunca o nome, foi o resultado de um acordo internacional de tomada de posso</p><p>de território estabelecido entre os dois países mais importantes na expansão marítimo-</p><p>comercial. Pelo significado e pela natureza política desse Tratado, ele tem uma</p><p>importância história enorme para a história da mundialização da economia e das relações que os</p><p>países Europeus precisaram realizar ao longo do desenvolvimento econômico rumo ao</p><p>capitalismo. De fato, ele é a prova histórica da implantação do Sistema Colonial na América.</p><p>4.1- CONSEQUÊNCIAS GERAIS DA EXPANSÃO MARÍTIMO COMERCIAL: IMPLANTAÇÃO DO</p><p>SISTEMA DE COLONIZAÇÃO EUROPEIA</p><p>Em termos do processo histórico geral que estamos discutindo – ou seja, a Europa como</p><p>centro do Mundo – podemos afirmar que a expansão marítimo-comercial foi o início da</p><p>mundialização da economia. Essa fase da mundialização esteve baseada no sistema geral de</p><p>colonização europeia.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>24</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Aqui se faz necessário diferenciarmos o sistema de colonização da atividade de exploração</p><p>comercial que já vinha sendo feita por europeus, desde o século XV. Segundo o professor</p><p>Fernando Novais7, Portugal estabeleceu feitorias nas regiões conquistadas nas regiões da África</p><p>e Ásia. Estas se inserem na circulação de mercadorias.</p><p>Já a empresa colonial, ou o sistema colonial, é mais complexo, pois, envolve povoamento</p><p>europeu, organização de uma economia complementar para abastecer a metrópole e até mesmo</p><p>para a colônia. Além disso, promove a produção de mercadoria. De qualquer forma, feitorias e</p><p>colônias são complementares no processo de expansão econômica.</p><p>Esse cenário, estruturado dessa forma concentrada e com forte intervenção das Monarquias</p><p>Centralizadas (algumas absolutistas) teve como consequência a aceleração da acumulação de</p><p>capitais, ou simplesmente, gerou superlucros!</p><p>Alguns historiadores afirmam que esses superlucros criaram condições para o desenvolvimento da</p><p>Revolução Industrial e do capitalismo, no século XVIII.</p><p>7 O Brasil nos quadros do antigo sistema colonial. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em</p><p>perspectiva. 19.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>25</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>(FUVEST 2012)</p><p>Não era e não podia o pequeno reino</p><p>lusitano ser uma potência colonizadora à feição da</p><p>antiga Grécia. O surto marítimo que enche sua história do século XV não resultara do</p><p>extravasamento de nenhum excesso de população, mas fora apenas provocado por uma</p><p>burguesia comercial sedenta de lucros, e que não encontrava no reduzido território pátrio</p><p>satisfação à sua desmedida ambição. A ascensão do fundador da Casa de Avis ao trono</p><p>português trouxe esta burguesia para um primeiro plano. Fora ela quem, para se livrar da</p><p>ameaça castelhana e do poder da nobreza, representado pela Rainha Leonor Teles, cingira</p><p>o Mestre de Avis com a coroa lusitana. Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei o</p><p>melhor das suas atenções. Esgotadas as possibilidades do reino com as pródigas dádivas</p><p>reais, restou apenas o recurso da expansão externa para contentar os insaciáveis</p><p>companheiros de D. João I.</p><p>Caio Prado Júnior, Evolução política do Brasil. Adaptado</p><p>Infere-se da leitura desse texto que Portugal não foi uma potência colonizadora como a</p><p>antiga Grécia, porque seu</p><p>a) peso político-econômico, apesar de grande para o século, não era comparável ao dela.</p><p>b) interesse, diferentemente do dela, não era conquistar o mundo.</p><p>c) aparato bélico, embora considerável para a época, não era comparável ao dos gregos.</p><p>d) objetivo não era povoar novas terras, mas comercializar produtos nelas obtidos.</p><p>e) projeto principal era consolidar o próprio reino, libertando-se do domínio espanhol.</p><p>Comentário (comentário safo demais, vale uma aula inteirinha. Anota essa coisa aí!!)</p><p>Basicamente a questão quer saber o que diferencia a expansão Portuguesa e a da Grécia</p><p>Antiga. Quero chamar sua atenção para o texto clássico de Caio Prado Junior que usa o</p><p>argumento do interesse econômico para justificar a expansão. Essa é uma tese muito</p><p>debatida na década dos anos de 1930, no Brasil. Há uma escola de pensadores dessa época</p><p>que procuraram entender o Brasil a partir da tese de que o país foi formado como uma</p><p>colônia de exploração e não de povoamento. Hoje em dia, não utilizamos mais essas</p><p>definições estanques. Mas quero que você tome nota para que não seja pego de surpresa</p><p>em uma questão mais cabulosa. Vejamos:</p><p>Colônia de Exploração: voltada para produção de mercadorias típicas de exportação.</p><p>MONOCULTURA. Foco: Mercado externo. Assim, predominaria a grande propriedade rural:</p><p>LATIFÚNDIO!</p><p>Colônia de povoamento, é exato oposto da colônia de exploração: produção voltada para o</p><p>mercado interno. PLURICULTURA. Assim predomina a pequena propriedade familiar.</p><p>Por que hoje em dia não usamos mais essas definições?</p><p>Não usamos porque as pesquisas na área da história e da economia já conseguiram chegar</p><p>a outras interpretações. Por exemplo, sabemos que nas colônias espanhola e portuguesa na</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>26</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>América houve exploração e povoamento ao mesmo tempo. Como seria possível explorar</p><p>sem povoar?</p><p>Na América Latina (antes tidas como modelo de colônia de exploração), foi preciso instalar</p><p>uma forte e extensa burocracia estatal para garantir a implantação e execução dos interesses</p><p>da coroa e dos setores mercantis europeus. A vinda dos jesuítas para colonizar os povos</p><p>originários também se tratou de povoamento. Além disso, a despeito de ter se formado no</p><p>Brasil uma estrutura agrária monocultora e latifundiária voltada para exportação (plantation),</p><p>houve também uma agricultura, pecuária e comércio locais. Além disso, em diferentes áreas</p><p>no território brasileiro se desenvolveram propriedades familiares.</p><p>Nos EUA (tido anteriormente como modelo de colônia de povoamento), houve povoamento</p><p>e exploração. Todo o sul dos EUA estava organizado por meio de grandes propriedades</p><p>territoriais, monocultoras, voltadas para o mercado externo e usando mão de obra escrava</p><p>negra. O povoamento não se deu por meio da implantação da burocracia metropolitana,</p><p>mas por meio de famílias que vieram em um empreendimento mais particular.</p><p>CONCLUSÃO: o que diferencia EUA e América Latina não são os critérios antigamente</p><p>utilizados para classificar colônia de povoamento e exploração – embora eles possam ser</p><p>elencados, mas outros elementos como:</p><p>1. Empreendimento do Estatal (América Latina) OU particular (EUA);</p><p>2. Financiamento Estatal em aliança com os setores mercantis (América Latina) OU</p><p>particular/familiar (EUA)</p><p>3. Cosmologia religiosa católica – uma cruzada para IMPOR o catolicismo (América Latina)</p><p>OU Cosmologia protestante – liberdade religiosa (EUA).</p><p>Voltando a questão, a exploração d Brasil, foi um projeto da Coroa Portuguesa para garantir</p><p>a exploração econômica e expandir a fé católica. Povoar a terra era um meio necessário para</p><p>explorar. Logo, não se assemelha ao processo da antiguidade grega que estava relacionado</p><p>aos movimentos de povos, como a 1ª. E 2ª. Diáspora gregas (reveja na nossa aula 00)</p><p>Gabarito: D</p><p>(UPF 2019)</p><p>No final do século XV, Espanha e Portugal foram os primeiros países europeus a promoverem</p><p>a expansão marítima europeia, chamada também de as Grandes Navegações. As razões</p><p>desse pioneirismo estão relacionadas</p><p>a) ao espírito aventureiro de portugueses e espanhóis desenvolvido durante a Guerra de</p><p>Reconquista contra os mouros.</p><p>b) à centralização monárquica e ao fato de a nobreza desses dois países estar fortalecida, ao</p><p>contrário de outras nobrezas europeias, conseguindo, assim, financiar o projeto de expansão</p><p>marítima.</p><p>c) à enorme quantidade de capitais acumulados nesses dois países através do renascimento</p><p>comercial no século XIV.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>27</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>d) ao processo de fortalecimento da burguesia comercial que estava ocupando o poder tanto</p><p>na Espanha quanto em Portugal.</p><p>e) ao desenvolvimento industrial dos dois países, que os forçou a buscar novos mercados</p><p>consumidores e fornecedores de matéria-prima.</p><p>Comentários</p><p>Os reinos da Península Ibérica foram os primeiros a investirem nas grandes navegações. Em</p><p>meio às Guerras de Reconquista dos territórios, guerras contra os mouros, portugueses e</p><p>espanhóis passaram por um processo de centralização política mais precoce do que as</p><p>demais monarquias absolutistas. Nesse sentido, a aliança dos reis com a burguesia comercial</p><p>em ascensão ocorreu de forma mais rápida, elemento que favoreceu o projeto de expansão</p><p>marítimo-comercial. Isso não significou que a burguesia ocupava postos de poder em</p><p>Portugal e Espanha, por isso, a alternativa D está errada.</p><p>A alternativa A exagera com essa história de “espírito aventureiro”, afinal, ninguém se arrisca</p><p>só por esse fato, há, principalmente, os interesses econômicos por trás. Isso aí vale mais para</p><p>filmes do que para a história mesmo.</p><p>Gabarito: B</p><p>5. A CHEGADA DOS EUROPEUS AO “NOVO MUNDO”: O</p><p>ENCONTRO DO EU COM O OUTRO</p><p>“O colonialismo teve formas, conteúdos e consequências diversas, conforme as</p><p>exigências de expansão dos países europeus do mundo. (...) Podemos distinguir um</p><p>primeiro período em que o colonialismo é determinado pela expansão do comércio no</p><p>mundo. Vai até meados do século XVII.”</p><p>BOBBIO, N. et al. Dicionário de Política</p><p>As expressões “novo mundo” e “povos pré-colombianos”, usadas para falar do atual</p><p>continente americano e dos povos que nele viviam antes da chegada dos Europeus, constituem,</p><p>uma visão eurocêntrica sobre a história, como falamos na introdução dessa aula. É difícil encontrar</p><p>uma designação desse território e desses povos que não esteja, de alguma maneira, submetida a</p><p>lógica do processo de dominação a que foram submetidos. Assim, pelo menos para os povos que</p><p>habitavam esse continente, é melhor nos referirmos a eles com a expressão “povos originários” –</p><p>ou seja, já estavam aqui originalmente, antes da chegada dos europeus.</p><p>O encontro entre os povos originários e os europeus não pode ser contado como um</p><p>processo nem homogêneo</p><p>e nem imediato. Tratou-se de um longo processo de aproximação,</p><p>interação, dominação, resistência e, finalmente, síntese. Sim, querido e querida, a síntese somos</p><p>nós: latino-americanos e a nossa cultura.</p><p>Ah, mas Profe, tem os EUA, né, que não são latinos. E com eles, como rolou?</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>28</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Você está certo em dizer que os povos que hoje formam os EUA não são latinos, pelo menos</p><p>os que nascem lá. Quero lhe dizer que o processo de colonização daquela parte do continente</p><p>americano é bastante diferente do que foi em relação ao sistema de exploração colonial que estou</p><p>explicando nessa aula. Na aula específica sobre EUA vamos falar da formação desse país desde a</p><p>colonização e, então, teremos condições de estabelecer as devidas comparações, pode ser?</p><p>Então, se liga, essa aula é sobre o sistema de exploração colonial implementado na região que se</p><p>convencionou chamar de América Latina, sobretudo, naquela dominada pela Espanha.</p><p>Não podemos esquecer de que as Grandes Navegações ocorreram no contexto histórico</p><p>do renascimento. Dessa forma, se por um lado, na Europa, o renascimento representou a</p><p>racionalização da economia, do poder e da arte e da ciência a partir do antropocentrismo, por</p><p>outro lado, no “novo mundo”, sentiu-se os impactos dessa mentalidade dominadora.</p><p>Ademais, a hipótese da esfericidade da Terra gerava a necessidade de comprovação da</p><p>suposição. Assim, a circum-navegação é tipicamente um projeto renascentista. Contudo, ao</p><p>encontrar novas culturas, os pensadores daquela época hierarquizaram-nas. O humanista investiu-</p><p>se de legitimidade para conquistar o mundo e espalhar o modo de vida europeu como aquele a</p><p>ser seguido por todos. Por exemplo, Hernán Cortés, entre 1519 e 1521, lutou contra os Astecas,</p><p>matou seu imperador – Montezuma – saqueou a cidade, destruiu-a e construiu outra sobre ela,</p><p>com Igrejas cristãs, palácios com arcos góticos, fontes, estátuas românicas....</p><p>A historiadora Janice Theodoro da Silva afirma:</p><p>A América – destruída e reconstruída a partir do padrão europeu – transformava-se em</p><p>um lugar de comprovação da superioridade da cultura europeia. Era necessário</p><p>construir uma igreja em cima de uma pirâmide indígena. Não podia ser do outro lado.</p><p>Os descobridores, ao realizar sua obra de colonização construindo igrejas e outras</p><p>edificações necessárias à conquista, e os artistas, pintando ou esculpindo na Europa,</p><p>consideravam a existência de um único padrão de beleza, uma única religião verdadeira,</p><p>uma cultura superior a todas as outras. Descobridores e artistas olhavam o mundo de</p><p>um único ponto de vista e a partir dele destruíam e construíam (...) O resultado desse</p><p>grande esforço renascentista, dessa “plenitude”, foi suporem possuir domínio sobre a</p><p>vida e a morte das populações que consideravam bárbaras. A América conheceu a</p><p>expressão mais violenta desse sonho de dominação”8</p><p>Sobre esse encontro entre os povos originários e os europeus, um dos pensadores brasileiros</p><p>mais importantes, Sérgio Buarque de Holanda, afirmou: “O confronto de duas humanidades</p><p>diversas, tão heterogêneas, (...) que não deixa de impor-se entre elas uma intolerância mortal.”</p><p>Outro professor especialista nesse assunto, Jorge Luís Ferreira, afirma:</p><p>8 SILVA, Janice T. da. Descobrimentos e Renascimento. São Paulo: Editora Contexto, 1991, p. 56-58.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>29</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>No início do século XVI, duas civilizações com experiências históricas e culturais</p><p>completamente diferentes encontraram-se nas terras americanas. Os homens vindos da</p><p>Europa, sequiosos de prestígio e de riqueza, logo se depararam com as civilizações do</p><p>Novo Mundo. As populações americanas, por sua vez, surpresas com a chegada de</p><p>homens tão estranhos, inicialmente não souberam distinguir se os estrangeiros eram</p><p>realmente homens ou se se tratava da chegada de deuses. O olhar conquistador e</p><p>aventureiro dos europeus cruzou com o olhar de estupor e de receio dos habitantes da</p><p>América. O resultado dificilmente poderia ser outro: ocorreu nesta época o maior</p><p>genocídio de que se tem conhecimento na História9.</p><p>Apesar do processo de conquista ter sido longo, a historiografia costuma afirmar que as décadas</p><p>iniciais do processo de colonização são cruciais para o desenrolar da história. Nos primeiros 50</p><p>anos o saldo foi de dizimação: pesquisas demográficas apontam que os Espanhóis destruíram</p><p>metade da população originária, constituindo um dos momentos mais violentos da história da</p><p>humanidade (proporcionalmente ao quantitativo populacional em relação à tecnologia bélica</p><p>existente).</p><p>Para dar conta da forma como os espanhóis tratavam os povos originários, por eles</p><p>chamados de índios, uma das principais fontes primárias são os escritos do frei espanhol</p><p>Bartolomeu de las Casas. Ele escreveu em 1552:</p><p>Os espanhóis entraram nas vilas, burgos e aldeias, não poupando nem as crianças e</p><p>nem os homens velhos, nem as mulheres grandes e parturientes e lhes abriam o ventre</p><p>e as faziam em pedaços como se estivessem golpeando cordeiros fechados em seu</p><p>redil. Faziam apostas sobre quem, de uma só golpe de espada, fenderia e abriria um</p><p>homem pela metade, ou quem, mais habilmente e mais destramente, de uma só golpe</p><p>lhe cortaria a cabeça, ou ainda sobre quem abriria as entranhas de um homem a um só</p><p>golpe. Arrancavam os filhos dos seios da sua mãe e lhes esfregavam a cabeça contra os</p><p>rochedos enquanto os outros os lançavam a água rindo e caçoando [...] Faziam certas</p><p>forças longas e baixas, de modo que os pés tocavam quase a terra, um para cada treze,</p><p>em honra e reverência de Nosso Senhor e de seus doze Apóstolos (como diziam) e</p><p>deitando-lhes fogo, queimavam vivos todos os que ali estavam presos. Outros a quem</p><p>quiseram deixar vivos, cortaram-lhes as duas mãos e assim os deixavam.”10</p><p>Nesse contexto, o professor Gilberto Cotrim, sistematiza 5 formas de violência utilizadas</p><p>pelos europeus para estabelecerem a dominação sobre os povos originários:</p><p>9 FERREIRA, Jorge Luiz. Conquista e colonização da América Espanhol. São Paulo: Ática, 1992, p. 07.</p><p>10 LAS CASAS, Bartolomeu de. O Paraíso destruído: brevíssima relação da destruição das Índias. Porto</p><p>Alegre: Editora L&PM, 1984, p. 32.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>30</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Também transcrevo parte do texto clássico do historiador Todorov no qual ele demonstra,</p><p>por meio da análise de um escrito de época, qual a relação que os europeus estabeleceram com</p><p>as mulheres originárias:</p><p>As mulheres: se Colombo só se interessa por elas enquanto naturalista, o mesmo não acontece</p><p>com os outros. Vamos ler o relato que Michele de Cuneo, fidalgo de Savona, faz de um episódio</p><p>da segunda viagem - uma história entre mil, mas que tem a vantagem de ser contada por seu</p><p>protagonista.</p><p>"Quando estava na barca, capturei uma mulher caribe belíssima, que me foi dada pelo</p><p>dito senhor Almirante e com quem, tendo-a trazido à cabina, e estando ela nua, como é costume</p><p>deles, concebi o desejo de ter prazer. Queria pôr meu desejo em execução, mas ela não quis, e</p><p>tratou-me com suas unhas de tal modo que eu teria preferido nunca ter começado. Porém, vendo</p><p>isto (para contar-te tudo, até o fim), peguei uma corda e amarrei-a bem, o que a fez lançar gritos</p><p>inauditos, tu não terias acredita do em teus ouvidos. Finalmente, chegamos a um tal acordo que</p><p>posso dizer-te que ela parecia ter sido educa da numa escola de prostitutas."</p><p>Este relato é revelador em vários aspectos. O europeu acha as mulheres índias</p><p>bonitas; não lhe ocorre, evidente mente, a ideia de pedir a ela consentimento para "pôr seu desejo</p><p>em execução. Dirige esse pedido ao Almirante, que é homem e europeu como ele, e que parece</p><p>dar</p><p>mulheres a seus compatriotas com a mesma facilidade com que distribui guizos entre os chefes</p><p>indígenas. Michele de Cuneo escreve, é claro, para um outro homem, e prepara cuidadosamente</p><p>o prazer da leitura para seu destinatário, pois, para ele, trata-se de uma história de puro prazer.</p><p>No início, ele se coloca no papel ridículo de macho humilhado; mas faz isso unicamente para tornar</p><p>ainda maior a satisfação de seu leitor em ver a ordem finalmente estabelecida com o trunfo do</p><p>homem branco. Último olhar cúmplice: nosso fidalgo omite a descrição da "execução", mas faz</p><p>com que seja deduzida a partir de seus efeitos, aparentemente além de sua expectativa, e que</p><p>Violência Cultural: impor religião cristã, língua, costumes, mudança de local de moradia</p><p>Violência das armas: o uso de pólvora, armas de aço, cavalo</p><p>Violência das doenças contagiosas: sarampo, tifo, tétano, coqueluche, varíola</p><p>Estímulo das violências entre os povos originários: faziam "falsas alianças" e depois</p><p>dominavam todos os povos.</p><p>Violência da escravidão e do trabalho forçado: o deslocamento forçado para trabalharem como</p><p>escravos, em regimes de exaustão e, com discurso de trocas de trabalho por salvação da alma.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>31</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>permitem, além disso, num salto surpreendente, a identificação da índia a uma prostituta:</p><p>surpreendente, pois aquela que recusava violentamente a solicitação sexual se vê assimilada à que</p><p>faz desta solicitação sua profissão. Mas não é esta a verdadeira natureza de toda mulher, que um</p><p>número suficiente de palmadas basta para revelar? A recusa só podia ser hipócrita; arranhe a</p><p>mulher arisca, e descobrirá a prostituta. As mulheres índias são mulheres, ou índios ao quadrado;</p><p>nesse sentido, tornam-se objeto de uma dupla violentação.11 (grifos e marcações nossas)</p><p>Enfim, querido aluno e aluna, esse é o sentido geral do encontro entre europeus e índios,</p><p>marcado pela violência. Nessa aula, como podemos perceber, estamos focando na chamada</p><p>América Espanhola, ou ainda, a parte da América que foi conquistada e dominada por espanhóis.</p><p>Nas aulas de História do Brasil, falaremos sobre nosso país.</p><p>Chegou a hora de nos debruçarmos um pouco sobre quem eram os povos originários. Vamos</p><p>em frente!</p><p>6. POVOS ORIGINÁRIOS: ASTECAS, MAIAS E INCAS</p><p>Querida e querido aluno, os dados sobre a população originária são difíceis de calcular, por</p><p>isso, paleontólogos, antropólogos e arqueólogos estabelecem estimativas a partir de estudos dos</p><p>vestígios que resistiram ao processo de colonização.</p><p>A população que vivia no continente americano era bastante grande, entre 80 e 100</p><p>milhões. Só para vocês terem ideia da proporção, a população espanhola e portuguesa juntas não</p><p>somavam 11 milhões de pessoas. Estima-se que existiam cerca de 3 mil nações indígenas.</p><p>Portanto, a palavra – chave para caracterizar esses povos é DIVERSIDADE.</p><p>O antropólogo Júlio César Melatti explica que há 3 tipos de diversidades:</p><p>➢ Biológica, que se apresentam fenotipicamente, como altura e olhos.</p><p>➢ Linguística, que se manifesta nas línguas (ou famílias de línguas) como jês, tupi-guarani, guarani</p><p>karib, arauak, bakairi, tapuya, aymará, quéchua, nahuatl, as línguas mayas (que são algumas</p><p>centenas), mapuche ou mapaudungun</p><p>➢ Costumes, que se manifestam na forma de organização política, nos rituais religiosos e seus</p><p>deuses, nos artefatos, formas de casamento, formas de produzir e consumir. Ou seja, em todo</p><p>o amplo universo cultural.</p><p>11 TODOROV, T. idem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>32</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Você sabia que no Brasil ainda há quase 200 línguas faladas? Verdade! Sem contar as que já</p><p>desapareceram, as quais temos apenas alguns registros. Infelizmente, muitos desses registros</p><p>foram perdidos devido ao incêndio do Museu Nacional, em 2018, lembra?</p><p>Hoje em dia, há um forte debate sobre a diversidade linguística como patrimônio imaterial de um</p><p>povo. Patrimônio imaterial, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural, é a</p><p>forma de viver, sentir e expressar um modo de vida. Veja um trecho de um artigo da Revista</p><p>Desafios do Desenvolvimento, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).</p><p>LÍNGUAS COMO PATRIMÔNIO</p><p>Na última década tem havido grande mobilização de grupos, de organizações de falantes e de</p><p>pesquisadores no sentido de associar a diversidade linguística como temática inerente a políticas</p><p>de cultura, mais especificamente na esfera do chamado patrimônio imaterial. Essa mobilização</p><p>motivou a elaboração do Decreto Presidencial 7.387/2010, que instituiu o Inventário Nacional da</p><p>Diversidade Linguística (INDL). O INDL nasce como política interministerial envolvendo</p><p>Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), Ministério da Educação (MEC), Ministério</p><p>do Orçamento e Gestão (MPOG), Ministério da Justiça (MJ), sob coordenação atual do Instituto</p><p>do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), enquanto representante do Ministério da</p><p>Cultura. Tem como princípios reconhecer as línguas como referência cultural brasileira, valorizando</p><p>o plurilinguismo; apoiar os processos sociais e políticos que visem à promoção das línguas e de</p><p>suas comunidades de falantes; pesquisa e documentação, bem como gerir um banco de</p><p>conhecimentos sobre a diversidade linguística.12</p><p>12 GARCIA, Marcus Vinícius Carvalho. A diversidade linguística como patrimônio cultural. Revista Desafios</p><p>do Desenvolvimento. 2014, ano 10. Edição 80, 23/06/2014. Disponível em <</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 05 – América Latina I - Colonização</p><p>33</p><p>AULA 05: HA: América Latina I- Colonização</p><p>Apesar da enorme diversidade encontrada nesse território, a historiografia – e o Vestibular –</p><p>costuma centrar suas análises sobre 3 civilizações principais quando se estuda “América</p><p>Espanhola”, a saber: Astecas, Maias e Incas.</p><p>Os maias e astecas formaram o que os historiadores chamam de Mesoamérica – uma região</p><p>de terra continental que vai da América do Norte até a América Central, antes de chegar aos</p><p>Andes. Já os incas, ocuparam a região Andina Central.</p><p>6.1– ASTECAS</p><p>Os astecas são parte de uma grande etnia chamada mexica, por isso, mexicanos.</p><p>Desenvolveram-se por volta do século XII, na região da Mesoamérica. No século XIV, fundaram a</p><p>grande capital Tenochtitlán (atual cidade do México).</p><p>Eles constituíam um povo guerreiro. Seu rei era seu principal guerreiro. Depois da fundação</p><p>da capital, eles estabeleceram alianças com povos vizinhos, sobretudo, os povos das cidades de</p><p>Texecoco e Tacoplan. Era uma espécie de tríplice aliança para assuntos militares e comerciais.</p><p>Contudo, com o tempo, os astecas conseguiram se impor sobre esses outros povos. Uma das</p><p>práticas era a cobrança de taxas e a punição anual, quando muitas pessoas eram sacrificadas. Isso</p><p>fez com que a grandiosidade dos astecas estivesse assentada sobre o uso da força. O que</p><p>despertava muitos inimigos externos.</p><p>Assim, a sociedade asteca era rígida pela hierarquia militar, mas não era estamental. Logo, um</p><p>bom guerreiro, principalmente, aquele que fazia prisioneiros, podia ascender na hierarquia social</p><p>e política. A marca dessa divisão estava nos cargos que as pessoas ocupavam e nas suas</p><p>vestimentas. Um homem comum (trabalhador, a massa social) não poderia imitar um rei, sua</p><p>esposa um sacerdote ou uma elite de guerreiros. Bem diferente de hoje em dia, né, pessoal. Já</p><p>viu quanta gente fica imitando os vestidos das primeiras damas ou dos membros da realeza</p><p>britânica? Hoje em dia, basta ter o dinheiro para ficar igual a princesa. Mas entre os astecas isso</p><p>era proibido!</p><p>Economicamente, os astecas desenvolviam a agricultura e o comércio. Plantava-se milho,</p><p>cacau, algodão, tomate, tabaco. A posse da terra era coletiva, bem como os tributos a serem</p><p>pagos sobre a ela. Apesar</p>