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<p>AULA 1</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Queridos alunos, sejam muito bem-vindos à disciplina Pedagogia do</p><p>Movimento Humano, na qual estudaremos os métodos empregados na Educação</p><p>Física e suas correntes pedagógicas contemporâneas de acordo com as</p><p>competências pedagógicas. Também verificaremos as diferentes fases da</p><p>criança, bem como as adequações às noções pedagógicas em função das idades</p><p>cronológicas, biológicas maturacionais, nível de habilidades, etapas de</p><p>aprendizagem escolar e estrutura física com o objetivo de melhorar a ação</p><p>pedagógica do profissional de Educação Física.</p><p>TEMA 1 – PRÁTICA DOCENTE</p><p>Ser professor é a arte de ensinar e aprender ao mesmo tempo. Para ser</p><p>professor, temos de ter o dom de ensinar, vivenciar e compartilhar o conhecimento</p><p>com os outros, independentemente da idade, escolaridade, nível socioeconômico.</p><p>A arte de ensinar é para poucos.</p><p>Os professores são super-heróis, pois destinam o seu tempo para educar</p><p>aos outros. Professor é aquele que independentemente das circunstâncias (falta</p><p>de sala de aula, quadro, projetor, giz, ginásio, materiais para a aula de Educação</p><p>Física) utiliza os recursos disponíveis para ensinar os seus alunos da melhor</p><p>forma e com carinho, principalmente o professor de Educação Física que tem um</p><p>carinho especial com os alunos, pois vivem e trocam experiências diariamente em</p><p>ambientes distintos, sendo eles em sala de aula, quadra, refeitório ou até em uma</p><p>área ao ar livre.</p><p>A arte de educar sofreu recentemente grandes transformações, tanto no</p><p>aspecto de leis, diretrizes pedagógicas e locais de ensino e aprendizagem.</p><p>Recentemente, tivemos a mudança e o desafio da mudança do ensino do</p><p>ambiente presencial para o virtual, do ensino tradicional para o ensino focado na</p><p>resolução de problemas. É importante afirmar que, a cada ano, as mudanças</p><p>serão mais constantes, tendo em vista a mudança de comportamento da</p><p>sociedade, novos hábitos e novas rotinas sociais.</p><p>Recentemente vimos constantes discussões referentes ao analfabetismo</p><p>funcional. Por exemplo, 88% da população brasileira apresenta alguma</p><p>dificuldade no ato de ler e escrever. Fazendo um paralelo sobre isso, qual é a área</p><p>da Educação Física? Qual é o percentual de crianças e adolescentes que</p><p>3</p><p>apresentam dificuldades locomotoras, de desenvolvimento corpóreo e de</p><p>locomoção? Infelizmente não temos dados sobre o assunto, mas vivenciamos</p><p>diariamente essas dificuldades nas aulas de Educação Física. Outra questão que</p><p>levantamos nessa disciplina será: o professor licenciado em Educação Física</p><p>realmente está apto para ministrar as aulas? Será que ele tem vivência prática</p><p>adequada para formar um aluno na ótica motora e física? Esses e outros</p><p>questionamentos serão aprofundados e discutidos a seguir.</p><p>1.1 Prática docente</p><p>O professor será um eterno aluno, pois constantemente terá que buscar</p><p>conhecimento em outras fontes para poder compartilhar com seus alunos. Cabe</p><p>ao professor, nos dias atuais, atuar como um mediador do ensino (ensino-</p><p>aprendizagem), mostrar o caminho do ensino e ir fazendo alguns ajustes para que</p><p>o aluno siga o processo corretamente.</p><p>A prática docente é algo essencial no desenvolvimento do professor, por</p><p>isso está presente em todas as fases da educação, em especial na área da</p><p>Educação Física, no Ensino Fundamental, seguindo as Diretrizes Curriculares</p><p>Nacionais (DCNs). Pensando no desenvolvimento locomotor adequado,</p><p>principalmente nas atividades básicas, é fundamental o profissional de Educação</p><p>Física na fase de 3-7 anos de idade. Todavia, infelizmente não é possível no</p><p>cenário atual.</p><p>Na perspectiva da aula de Educação Física, na Educação Básica, compete</p><p>ao professor de Educação Física possibilitar a integração do aluno com a</p><p>linguagem corporal do movimento, por meio de brincadeiras, jogos, danças,</p><p>esportes, fazendo com que a criança tenha um gosto pelo movimento humano e</p><p>se torne um adulto com melhores aptidão física e qualidade de vida.</p><p>Em outro nível de ensino, no Ensino Superior, a prática docente ganha</p><p>outros olhares. Pensando na área da Educação Física, compete averiguar se a</p><p>produção do conhecimento técnico científico realmente está condizente com o</p><p>cenário prático e atual. Será que o profissional que está na ponta realmente está</p><p>aplicando o conhecimento adquirido em anos de faculdade e cursos?</p><p>4</p><p>1.3 Teoria e prática</p><p>Você deve estar se perguntando, ou então já se questionou em algum</p><p>momento, se tudo o que aprendemos durante a faculdade realmente é aplicado</p><p>na prática. Muitas vezes, esse sentimento de incerteza ou então de</p><p>questionamento mesmo reflete na prática. Durante a graduação, os estágios</p><p>supervisionados, com o objetivo de possibilitar as primeiras vivências práticas, no</p><p>primeiro momento apenas observacional, na sequência conduzindo pequenas</p><p>atividades e por final fazendo o plano de ensino a aplicando todo aquele</p><p>conhecimento, são uma experiência superimportante de duas teorias do século</p><p>XX, teoria reflexiva e teoria crítica.</p><p>Figura 1 – Teoria reflexiva e teoria crítica</p><p>Fonte: elaborada com base em Cayres-Santos; Biedrzycki; Gonçalves, 2020.</p><p>A teoria reflexiva busca basicamente que o professor formador tenha</p><p>diferentes formas de pensar sobre a sua aula. Será que estou aplicando o</p><p>conhecimento seguindo as diretrizes curriculares da melhor forma? Talvez a</p><p>Reflexão na</p><p>ação</p><p>Reflexão sobre</p><p>a ação</p><p>Reflexão sobre</p><p>reflexão na ação</p><p>5</p><p>pergunta ideal para nossa reflexão seja a seguinte: em que medida minha aula</p><p>está de acordo com as diretrizes e recomendações curriculares? Por meio dessa</p><p>teoria, compete ao professor de Educação Física pensar na sua prática</p><p>profissional, antes, durante a após as aulas.</p><p>Mais internamente, a teoria reflexiva busca questionar sobre questões</p><p>curriculares tradicionais, por exemplo, jogos tradicionais (futebol, vôlei, basquete</p><p>e handebol). Diante do exposto, fica evidente a necessidade que o profissional</p><p>reflexivo tem na vida dos alunos e da sociedade, fazendo aulas mais dinâmicas e</p><p>interessantes para os alunos, com foco no contexto prático, desde a formação</p><p>inicial.</p><p>TEMA 2 – EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL</p><p>2.1 Principais marcos históricos</p><p>O profissional de Educação Física escolar tem como um dos seus principais</p><p>objetivos conduzir atividades associadas ao movimento humano. O profissional</p><p>de Educação Física escolar teve um longo processo até os dias atuais, pois a</p><p>Educação Física escolar é oriunda de diversos movimentos sociais, desde o</p><p>Período Republicano. A Educação Física escolar foi desenvolvida tendo como</p><p>base várias escolas, a alemã, a sueca e a francesa, influenciada diretamente por</p><p>Rui Barbosa entre os anos de 1849 a 1923.</p><p>Figura 2 – Tendências pedagógicas</p><p>Fonte: elaborada com base em Cayres-Santos; Biedrzycki; Gonçalves, 2020.</p><p>Antigamente, a Educação Física escolar, desenvolvida por Rui Barbosa,</p><p>tinha como principais vertentes, finalidades sociais e morais: foco na disciplina,</p><p>construção de corpos fortes e prevenção de hábitos perigosos na infância. Nessa</p><p>época, não havia profissionais para atuar no âmbito escolar, por isso, muitos</p><p>Império</p><p>1822</p><p>1ª República</p><p>1889</p><p>1899</p><p>Redemocratização</p><p>1985</p><p>1899</p><p>República Populista</p><p>1945</p><p>Tendência</p><p>Pedagogicista</p><p>Tendência</p><p>Esportista</p><p>Tendência</p><p>Popular</p><p>Tendência</p><p>Militarista</p><p>Parecer Rui</p><p>Barbosa</p><p>6</p><p>profissionais eram estrangeiros, principalmente nas escolas das classes mais</p><p>altas da sociedade. Diante disso, a primeira escola de Educação Física no Brasil</p><p>foi criada em 1939, Escola Nacional de Educação Física e Desportos e no ano</p><p>seguinte, em 1920, Fernando de Azevedo criou a escola superior para professores</p><p>de Educação Física, concretizada finalmente em 1930 com o apoio do Ministério</p><p>fazendo parte dele.</p><p>• 2ª etapa (entre 3 e 7 anos): organização do esquema corporal, decorrente</p><p>da maturação. A criança passa a controlar seu próprio corpo. A criança vai</p><p>ajustando seu comportamento de desenvolvimento motor ao longo do</p><p>tempo. Os movimentos passam de ser involuntários para movimentos</p><p>voluntários. Ocorre o refino dos movimentos e habilidades. A criança</p><p>apresenta consciência de distância, velocidade, direção e tempo.</p><p>• 3ª etapa (entre 7 e 12 anos): verifica-se a estruturação do esquema</p><p>corporal. Nessa fase, a criança já começa a antecipar os movimentos a</p><p>serem realizados. A criança com idade próxima aos 12 anos já apresenta</p><p>uma imagem corporal.</p><p>De forma geral, a corporeidade é a relação interpessoal entre um corpo</p><p>para com outro corpo e de um mesmo corpo com o meio em que vive, podendo</p><p>ser sua casa, escola, universidade, dentre outros.</p><p>2.2 Corporeidade</p><p>A corporeidade se insere no contexto do corpo em movimento, retomado</p><p>pelas ideias de que pelo movimento é possível situar-se no mundo. Assim, pode-</p><p>se dizer que a corporeidade é a forma de estar (presente) no mundo e não apenas</p><p>como uma forma de passar no mundo. Por meio do corpo e do movimento ocorre</p><p>a integração da cultura e as normas do comportamento.</p><p>Desse modo, tanto nas aulas de Educação Física como nos atendimentos</p><p>da psicomotricidade ocorre a descoberta do corpo, por meio de jogos,</p><p>brincadeiras, esportes, lutas, possibilitando o autoconhecimento do corpo.</p><p>Na educação infantil, isso tem uma fundamental importância, na qual tem</p><p>o objetivo de trabalhar juntas as atividades corpo e mente. Vale ressaltar que não</p><p>é apenas ensinar um movimento, mas, sim, apresentar o significado da atividade</p><p>realizada e fazer uma reflexão sobre ela. Um ponto a ser destacado é apresentar,</p><p>além do corpo em movimento, também a fala para a criança com seus gestos e</p><p>movimentos. Vimos isso frequentemente nas aulas de danças, em que a</p><p>coreografia, movimentos e ritmos realizam a cultura e fala popular.</p><p>6</p><p>Já o corpo, pelo menos na área da Educação Física, é a união intelectual</p><p>(cognitiva) com o movimento. Assim, todo o movimento é realizado por meio de</p><p>funções cognitivas, em que pensamos antes de agir.</p><p>TEMA 3 – MOVIMENTO HUMANO</p><p>A terminologia movimento é definida como mudanças na posição de</p><p>qualquer parte do corpo. O movimento é o ato que ocorre por meio de vários</p><p>processos. Como a própria palavra é apresentada, não é possível ter movimento</p><p>se ficar parado.</p><p>O movimento humano é algo básico que precisamos fazer diariamente</p><p>para nos mantermos vivos. Se olharmos pela perspectiva da fisiologia, sem o</p><p>movimento das batidas do coração, circulação sanguíneas, impulso elétrico,</p><p>contrações involuntárias, nós não sobreviveríamos. Nestes estudos, não iremos</p><p>nos aprofundar nos aspectos fisiológicos, mas sim no desenvolvimento motor</p><p>como a base para o movimento da criança. Nos dias atuais, a área do</p><p>desenvolvimento motor é uma importante área da pesquisa, na qual iremos</p><p>aprofundar a nossa discussão.</p><p>3.1 Classificação dos movimentos</p><p>Nessa perspectiva de movimentos, podemos classificá-los em:</p><p>• tarefas de habilidade, que envolvem tarefas de equilíbrio, alcançar e</p><p>manter a orientação corporal;</p><p>• tarefas de estabilidade, como sentar-se, girar, equilibrar sobre uma</p><p>barra;</p><p>• movimentos axiais, como inclinar-se, alongar, fazer uma atividade de</p><p>rotação;</p><p>• tarefas de locomoção, como transportar o corpo de um lado a outro,</p><p>correr e saltitar; e</p><p>• manipulação de objetos, como transmitir força em um objeto.</p><p>De modo geral, essas tarefas são as mais ensinadas e vivenciadas pelas</p><p>crianças, em especial na primeira infância. O desenvolvimento motor é avaliado</p><p>constantemente, e há duas nomenclaturas muito utilizadas: o crescimento e o</p><p>desenvolvimento. Crescimento se refere ao aumento do tamanho do corpo do</p><p>7</p><p>indivíduo. Já o desenvolvimento se refere às mudanças no nível de</p><p>funcionamento ao longo do tempo.</p><p>Pode-se dizer que são mudanças adquiridas ao longo do tempo que serão</p><p>aprimoradas com o processo de desenvolvimento. Assim, o desenvolvimento é</p><p>algo que irá demorar anos até atingir a sua totalidade. Por exemplo, um bebê irá</p><p>primeiro sentar-se, engatinhar, caminhar com auxílio, caminhar sem apoio e só</p><p>depois irá atingir a perfeição na caminhada.</p><p>Da mesma forma, nas atividades manipulativas. Inicia-se com as</p><p>atividades rudimentares, com baixa complexidade e só após passa para as</p><p>atividades finas com alta complexidade. Isso, na área do desenvolvimento motor,</p><p>é denominada de maturação.</p><p>3.2 Desenvolvimento motor</p><p>O desenvolvimento ou desenvolvimento motor irá abranger todas as</p><p>ações voltadas às dimensões inter-relacionadas à nossa existência, fisiológica,</p><p>psicológica, motora, dentre outras. Traçando uma linha paralela com a</p><p>psicomotricidade, temos uma linha de pensamento que vai ao encontro da área</p><p>do desenvolvimento motor, que é marcada pelas experiências. Quanto mais</p><p>experiências diferentes a criança passar, maior será o seu desenvolvimento.</p><p>No período de desenvolvimento da criança, várias terminologias são</p><p>utilizadas para cada fase das crianças, e de seu desempenho motor.</p><p>• Aprendizado motor: o aprendizado só ocorre por meio das experiências,</p><p>sendo integrada a outros processos.</p><p>• Habilidade motora: é uma ação voluntária, realizada por duas ou mais</p><p>áreas do corpo. É uma habilidade em que uma pessoa possui para realizar</p><p>uma determinada tarefa, podendo ser complexa ou não.</p><p>• Comportamento motor: refere-se a mudanças do controle de</p><p>aprendizagem.</p><p>• Controle motor: estuda mecanismos neurais e físicos relacionados ao</p><p>desempenho do controle motor.</p><p>• Desenvolvimento motor: nada mais é que a mudança contínua do</p><p>comportamento motor ao longo da vida.</p><p>8</p><p>TEMA 4 – MOTRICIDADE HUMANA</p><p>O estudo da motricidade humana vem ganhando cada vez mais espaço</p><p>na literatura científica. Consequentemente, cada vez mais profissionais que</p><p>atuam na parte prática têm buscado compreender essa relação de corpo com</p><p>mundo interno e externo.</p><p>Segundo Manuel Sergio (1984), “A Educação Física é a pré-ciência que</p><p>deu origem à Ciência da Motricidade Humana. Nesse passo, como a Educação</p><p>Motora é a vertente pedagógica dessa ciência fica […] subentendido que a</p><p>Educação Física tradicional teria sido a sua pré-ciência”.</p><p>O desenvolvimento das faculdades motoras imanentes no indivíduo,</p><p>através da experiência, da autodescoberta e autodirecção do</p><p>educando. Abrindo-o a um dinamismo intencional, criativo e</p><p>prospectivo, a educação motora (ou Educação Física) propõe-lhe mais</p><p>do que um saber fazer, um saber ser (Sérgio, 1984).</p><p>Assim, a psicomotricidade tem verificado a relação do corpo, movimento</p><p>se relacionando com outros aspectos (perceber, agir, atuar, relacionar) consigo</p><p>mesmo e com os outros. Desse modo, classifica-se a psicomotricidade como um</p><p>estudo organizado, por meio da concepção do movimento integral com as</p><p>experiências adquiridas no passado e presente, com a ideia de aprimorar os</p><p>movimentos futuros, tendo em vista a individualidade do sujeito, linguagem e</p><p>aspectos de socialização.</p><p>Muitas pessoas perguntam: mas quem é o psicomotricista? Ou o que faz</p><p>um psicomotricista? Talvez para você essa resposta já esteja bem consolidada,</p><p>todavia, na sociedade como um todo, ainda é uma grande lacuna do</p><p>conhecimento.</p><p>Em termos gerais, o psicomotricista pode atuar em conjunto com</p><p>profissionais de outras áreas dos saberes (sendo em clínicas, escolas e</p><p>atividades de contraturno escolar).</p><p>De certa maneira, o psicomotricista atua em uma área mais voltada para</p><p>o aspecto clínico e institucional, no qual sua principal atuação é trabalhar no</p><p>cuidado do indivíduo, desenvolvimento, aquisição e integração somapsíquica.</p><p>Nessa linha do pensamento, é mais facilmente encontrado a atuação profissional</p><p>em bebês, crianças com dificuldade de desenvolvimento, pessoas com</p><p>necessidades especiais,</p><p>deficiências sensoriais e motora. Ainda, há uma outra</p><p>frente de trabalho, voltada para pessoas da terceira idade.</p><p>9</p><p>4.1 Motricidade na educação escolar</p><p>A motricidade se centra no ser humano multidimensional e em um</p><p>movimento intencional que gera transcendência. Extrapola o conceito de</p><p>movimento desde uma perspectiva da corporeidade. Os novos paradigmas</p><p>consideram o movimento como uma subcategoria da motricidade.</p><p>Na área de educação, a psicomotricidade exerce um papel fundamental.</p><p>De modo geral, as crianças com dificuldades de aprendizagem não conseguem</p><p>se desenvolver plenamente devido ao ambiente escolar como um todo,</p><p>principalmente falta de estrutura e locais adequados para o ensino. Dessa</p><p>maneira, a psicomotricidade pode auxiliar em cinco diferentes maneiras.</p><p>• Concepção: incialmente, todo projeto precisa de um planejamento</p><p>adequado, possibilitando um trabalho mais direcionado. É</p><p>importantíssimo que o professor atue com objetivos claros em cada aula,</p><p>bem como as diferentes formas de avaliação no decorrer do encontro.</p><p>Além disso, o professor não precisa ser metódico e buscar sempre a</p><p>técnica perfeita para sua aula, mas sim uma técnica simples que todas as</p><p>crianças possam executá-las. Novamente, é importante que a criança</p><p>tenha a experiência para o seu desenvolvimento da cultura corporal. Por</p><p>isso, cabe o professor atuar como mediador do ensino, ensinando aos</p><p>poucos, construindo a aula ou a intervenção com a criança.</p><p>• Comportamento: a principal característica de um professor que trabalha</p><p>com psicomotricidade é ser um eterno observador. Por isso, o professor</p><p>irá introduzir aspectos relacionados à motricidade aos poucos, buscando-</p><p>se o lado afetivo das atividades. Assim, cabe ao professor que cada ação</p><p>e ou evolução realizada pela criança possa ser percebida. Outro ponto</p><p>importante é a socialização nas atividades. Desse modo, o professor tem</p><p>que atuar como observador-provocador e observador. O professor deve</p><p>estimular a socialização e as atividades, contudo, não pode realizar as</p><p>tarefas de desenvolvimento do comportamento.</p><p>• Compromisso: o compromisso da metodologia de ensino da</p><p>psicomotricidade talvez seja o principal ponto de discussão. O</p><p>psicomotricista deve ter um compromisso e adaptar para a realidade local</p><p>de ensino todas as técnicas aprendidas no decorrer da sua formação,</p><p>10</p><p>ainda mais nos dias atuais em que a qualidade do ensino está cada vez</p><p>mais precária. De modo geral, o professor não pode perder sua essência</p><p>em ensinar. Assim, é importante, racionalizar, planejar e operacionalizar</p><p>de forma adequada as aulas, consequentemente, o compromisso de</p><p>ministrar uma aula cada vez melhor irá se tornar um hábito.</p><p>• Materiais: esse é, talvez, o tema que mais irá intrigar você, pois,</p><p>provavelmente, a primeira coisa que deve ter pensado foi: como irei</p><p>ministrar uma aula sem material adequado?. Por muitas vezes, nos</p><p>deparamos com isso no nosso dia a dia. Claro que os materiais são</p><p>importantes para um bom desenvolvimento, pois fazem parte do processo</p><p>educativo, tornam a aula mais atraente, permitindo uma maior interação</p><p>com a criança. Todavia, caso você não tenha os materiais suficientes,</p><p>como irá ministrar uma aula com qualidade? Por isso, ao planejar uma</p><p>aula, você deve pensar: como posso adaptar esse material para a minha</p><p>realidade? Será que posso utilizar outros recursos para a mesma ação?</p><p>De modo geral, professores do ensino básico possuem uma habilidade de</p><p>adaptar e criar materiais para a prática do ensino. Assim, novamente, o</p><p>professor é uma parte central no ensino, é o meio mais importante no</p><p>desenvolvimento da criança.</p><p>• Espaços: o espaço é tudo aquilo que pode ser observado pelo professor</p><p>e pelas crianças: mesa, cadeiras, luz, sala de aula, televisão. De modo</p><p>geral, no ensino público, os espaços são padronizados e não há muita</p><p>diferença entre um local e outro. Porém, na iniciativa privada, há uma</p><p>riqueza de espaços para o melhor desenvolvimento da criança.</p><p>Entretanto, vale ressaltar que somente o espaço não fará uma melhor</p><p>aula, mas sim o professor deverá saber utilizar todos os espaços</p><p>disponíveis para uma melhor aula. Assim, preferimos chamar espaço em</p><p>ambiente de ensino. De modo geral, todos os locais têm um espaço, mas</p><p>nem todo espaço há um ambiente de ensino. Por isso, a psicomotricidade</p><p>ganha cada vez mais espaço no ambiente de ensino. A psicomotricidade</p><p>necessita de um ambiente de ensino. Para que a criança possa explorar</p><p>com sensação, experiência, desenvolvendo-se de uma maneira melhor e</p><p>mais prazerosa. Assim sendo, para possibilitar um local de ensino</p><p>11</p><p>completo, são necessários recursos, ações, pessoas, relações sociais e</p><p>exploração coletiva.</p><p>TEMA 5 – PRÁTICAS CORPORAIS</p><p>As práticas corporais compreendem seis grandes áreas, segundo a</p><p>BNCC, sendo elas:</p><p>• brincadeiras e jogos;</p><p>• esportes ou jogos;</p><p>• ginástica;</p><p>• danças;</p><p>• lutas; e</p><p>• práticas corporais de aventura.</p><p>Assim sendo, apresentaremos e realizaremos uma breve descrição sobre</p><p>cada área.</p><p>5.1 Brincadeiras e jogos</p><p>As práticas corporais de jogos e brincadeiras são aquelas brincadeiras</p><p>que as crianças vivenciam na escola, em casa ou até mesmo na rua com amigos</p><p>e familiares.</p><p>Entre as principais brincadeiras temos: amarelinha, pular corda, elástico,</p><p>bambolê, bolinha de gude, pião, pipa, lenço-atrás, esconde-esconde. De modo</p><p>geral, essas e outras brincadeiras são bem difundidas em todo o território</p><p>nacional e são facilmente aplicadas em diversos contextos.</p><p>5.2 Esportes</p><p>Os esportes ou jogos, nessa classificação, são considerados pré-</p><p>desportivos. São jogos mais básicos que estimulam a criança, o trabalho em</p><p>equipe e pequenas competições. Dentre os principais esportes praticados,</p><p>temos:</p><p>• Queimada, pique-bandeira, guerra das bolas, gol a gol, rebatida, bobinho,</p><p>entre outros – essas atividades são realizadas de modo geral com</p><p>crianças entre 7 e 10 anos.</p><p>12</p><p>Ainda, na prática de esportes e jogos, temos uma subdivisão: esporte de</p><p>marca (atletismo), esporte de precisão (tiro ao alvo), técnico combinatório</p><p>(ginástica), rede ou quadra (vôlei, tênis) e esporte de invasão territorial.</p><p>As aulas que envolvem esportes coletivos são as que mais geram vontade</p><p>e alegria nos estudantes. De modo geral, são as aulas mais aguardadas. As</p><p>aulas coletivas englobam uma variedade de movimentos corporais, raciocínio,</p><p>espírito de equipe, organização, competição, desafios, estratégia, técnica, dentre</p><p>outros componentes.</p><p>Esportes coletivos envolvem uma gama de jogadores, um dos principais</p><p>elementos dos esportes coletivos é a imprevisibilidade – ações inesperadas que</p><p>podem acontecer.</p><p>Para cada faixa etária, há uma forma de educar a criança por meio do</p><p>esporte coletivo. Em ambas as faixas etárias, há três elementos que se</p><p>destacam.</p><p>• Estratégia: é um elemento que está presente em todo o jogo e em toda a</p><p>competição.</p><p>• Tática: estratégia para vencer o adversário. É um elemento essencial, que</p><p>pode ser alterado a qualquer momento decorrente do adversário e</p><p>situações do jogo.</p><p>• Técnica: é um fundamento básico do jogo. Sem a técnica adequada, os</p><p>jogadores não conseguem desenvolver o jogo. O jogador deve dominar a</p><p>técnica predefinida com o jogo, porém é apenas um elemento que irá</p><p>complementar os outros componentes.</p><p>5.3 Ginástica</p><p>As práticas corporais de ginástica são amplamente realizadas nas aulas.</p><p>Assim, são divididas em: ginástica geral, ginástica de condicionamento físico,</p><p>ginástica de conscientização corporal.</p><p>13</p><p>5.4 Dança</p><p>A dança talvez seja o movimento corporal mais antigo registrado. A dança</p><p>é um componente visto em todos os nossos antepassados, estando relacionada</p><p>a aspectos culturais, religiões, festividades e simplesmente expressão dos</p><p>sentimentos, atingido todas as classes sociais.</p><p>Com o passar dos anos, a expressão por meio da dança ganhou ritmos,</p><p>temas, competições e aspectos culturais das suas mais diversas formas. A</p><p>dança é um elemento corporal democrático, em que cada sujeito ou grupo pode</p><p>expressar o que está sentido de diferentes formas. A dança envolve todos os</p><p>elementos corporais, podendo ser realizada de diversas maneiras.</p><p>As práticas corporais de dança também são muito práticas, porém</p><p>observa-se mais facilmente entre criança de 5-10 anos, em que são</p><p>apresentadas danças folclóricas, danças urbanas, danças eruditas, brincadeiras</p><p>de rodas, dentre outras.</p><p>Todas essas expressões são facilmente observadas em vários tipos de</p><p>danças. Assim, permite que desde a educação infantil até o ensino médio todos</p><p>esses componentes podem ser explorados. Assim, ao aplicar as diferentes</p><p>formas de danças, ela atua com um facilitador no ensino e aprendizagem da</p><p>criança. Além disso, a dança implica benefícios à saúde, tanto na aptidão</p><p>cardiorrespiratória, resistência, coordenação, equilíbrio, ritmo e consciência</p><p>corporal.</p><p>5.5 Lutas</p><p>As práticas corporais de lutas talvez seja a principal prática corporal que</p><p>as crianças têm mais expectativa. Umas das primeiras lutas, se não a primeira</p><p>vivenciada na escola, é a capoeira. De forma geral, a prática corporal se insere</p><p>em um vasto campo de saber com diferentes formas. Por exemplo, há lutas como</p><p>judô, MMA, caratê, esgrima, lutas indígenas, dentre outras.</p><p>5.6 Aventura</p><p>As práticas corporais de aventura foi a última ser classificada, porém é a</p><p>que mais propicia desafios para as crianças. Dentre as atividades de aventura,</p><p>temos: escalada, skate, tirolesa, parkour, corrida de orientação, dentre outras.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>GALLAHUE, D. L. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês,</p><p>crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.</p><p>_______. Crescimento, maturação e atividade física. 2. ed. São Paulo: Editora</p><p>Phorte, 2009.</p><p>AULA 5</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Queridos(as) alunos(as), sejam muito bem-vindos(as)! Nesta aula</p><p>estudaremos os métodos empregados na Educação Física e suas correntes</p><p>pedagógicas contemporâneas de acordo com as competências pedagógicas.</p><p>Também iremos verificar as diferentes fases da criança, bem como as</p><p>adequações às noções pedagógicas em função das idades cronológicas,</p><p>biológicas maturacionais, nível de habilidades, etapas de aprendizagem escolar</p><p>e estrutura física com o objetivo de melhorar a ação pedagógica do profissional</p><p>de Educação Física.</p><p>TEMA 1 – CORPO E DIVERSIDADE CULTURAL</p><p>O corpo e a diversidade cultural são um assunto um tanto quanto</p><p>complexo para discutir em apenas uma ou duas aulas. Assim, a principal ideia</p><p>neste tema é apresentar os contextos amplos para que você leitor possa fazer</p><p>uma reflexão posteriormente. O corpo pode ser observado e discutido por</p><p>diferentes formas (biológicas, fisiológicas, movimentos comportais), como</p><p>discutido anteriormente. Sobre o tema da diversidade cultural, podemos fazer</p><p>uma reflexão sobre a óptica do passado, presente e futuro. Sendo assim, o que</p><p>é diversidade cultural e como podemos relacionar com o corpo?</p><p>1.1 Definição de diversidade cultural</p><p>Antes de iniciarmos a nossa discussão, trago a você a definição</p><p>da diversidade cultural: como a própria expressão sugere, refere-se aos</p><p>diferentes costumes e tradições de um povo, podendo ser representado por meio</p><p>da língua, das crenças, dos comportamentos, dos valores, por meio da culinária,</p><p>da política, da arte, da música, dentre tantos outros elementos. E, afinal, como a</p><p>diversidade e a cultura corporal se relaciona? Isso é que iremos apresentar e</p><p>discutir na sequência.</p><p>1.2 Corpo relacionado com diversidade cultural – época primitiva</p><p>Na época primitiva, a transmissão da cultura corporal era realizada de</p><p>forma rupestre. O homem se deslocava de forma semelhante aos animas</p><p>“quadripedia”, e se alimentava de forma semelhante a eles. Essa linha de</p><p>3</p><p>pensamento é mais antropológica, e não iremos nos aprofundar neste tema, pois</p><p>foge da temática desta disciplina. Mas vale ressaltar que a cultura corporal</p><p>estava diretamente associada ao meio em que o indivíduo estava inserido</p><p>(Marconi, 2019).</p><p>1.3 Corpo relacionado com a diversidade cultural</p><p>Conforme visto anteriormente, o corpo, pelo menos na área da Educação</p><p>Física, é a união intelectual (cognitiva) com o movimento. Assim, todo o</p><p>movimento é realizado por meio de funções cognitivas, em que pensamos antes</p><p>de agir. Desse modo, compreender o corpo é o ponto principal para seu</p><p>desenvolvimento. Talvez fique mais claro ao falar sobre a cultura corporal,</p><p>estando associada à consciência corporal. Assim, é fundamental que o indivíduo</p><p>tenha a experiência de sentir, experimentar seu corpo.</p><p>Um ponto importante para discutir é que a cultura corporal e a diversidade</p><p>cultural estão diretamente relacionadas com o meio que estamos inseridos na</p><p>sociedade. Nossos movimentos, características, modo de agir e pensar, músicas</p><p>que ouvimos, hábitos alimentares são diretamente influenciados com o local que</p><p>estamos inseridos.</p><p>Trazendo na perspectiva da diversidade cultural, ocorre a transmissão dos</p><p>saberes e culturais por meio do corpo. O corpo é utilizado como meio e não como</p><p>fim na demonstração da cultura corporal. No Brasil, temos uma grande variedade</p><p>de culturas, locais e regionais. Por se tratar de um país com território continental,</p><p>as diferenças são ainda mais perceptíveis. Por exemplo, voltando o olhar para a</p><p>temática de danças, na região sul temos danças tradicionais da cultura “gaúcha”</p><p>e na região norte “marajoara”. Assim, ocorre a transmissão dos saberes por meio</p><p>do corpo.</p><p>Por outro lado, é importante dar ênfase que apesar de dois indivíduos ou</p><p>grupos estarem inseridos no mesmo local, a cultura e a diversidade não</p><p>necessariamente terão o mesmo significado. Por exemplo, o significado e o</p><p>sentimento diferem de pessoa para pessoa, a expressão corporal e o sentimento</p><p>serão de modo individual. Na escola, isso é facilmente observado. Por exemplo,</p><p>verifica-se pequenos grupos de afinidade, de acordo com a sua “identidade”,</p><p>modo de se vestir, gostos musicais, alimentares, dentre outros.</p><p>4</p><p>Na narrativa de classe econômica, gênero e raça, cada classe poderá</p><p>expor sua diversidade cultural da sua maneira. Assim, a diversidade cultural</p><p>regula seu modo de pensar e agir. Mas vale ressaltar que isso não é uma regra.</p><p>Importante destacar que a diversidade cultural ou somente a cultura pode atuar</p><p>como meio de regulação, isso está certo ou isso está errado.</p><p>A principal questão da diversidade cultural é apresentar que não há um</p><p>certo ou errado. De modo geral, a diversidade cultural relacionada ao corpo está</p><p>diretamente associada a quatro elementos (Biedrzycki, 2020):</p><p>• Discurso médico: corpo saudável, “perfeito” sobre o olhar da saúde –</p><p>indicadores biomédicos. Por exemplo, o peso das crianças é mais</p><p>facilmente observado e discutido, há padrões na sociedade e na área</p><p>médica relacionados ao peso ideal;</p><p>• Discurso pedagógico: aprendizagem, controle, cumprimento das tarefas</p><p>que serão discutidas e aprofundadas mais adiante;</p><p>• Discurso psicológico: motivada, desmotivada, estressada ou não. A</p><p>criança sente prazer ao realizar determinada atividade. Sente-se bem-</p><p>vinda na escola.</p><p>• Discurso econômico: crianças e adolescentes mais coordenados,</p><p>rápidos e dispostos. A criança com melhores índices motores será um</p><p>adulto de sucesso no futuro.</p><p>TEMA 2 – RELAÇÕES ENTRE A EDUCAÇÃO FÍSICA, CORPO E DIVERSIDADE</p><p>CULTURAL</p><p>Neste tema, faremos uma discussão sobre três temáticas: Educação</p><p>Física, corpo e diversidade, e como elas se inter-relacionam.</p><p>As aulas Educação Física são, sem dúvida, aulas em que as crianças e</p><p>adolescentes mais interagem tanto com o professor, como com os próprios</p><p>alunos. Assim, a aula de Educação Física tem mais possibilidades de discutir</p><p>sobre temas</p><p>que muitas vezes são delicados em nossa sociedade.</p><p>2.1 Relação entre Educação Física e corpo</p><p>Um ponto crucial na Educação Física, principalmente nas idades iniciais,</p><p>é o conhecimento do corpo ou do próprio corpo. Por isso, recomenda-se</p><p>5</p><p>incialmente realizar atividades nas quais as crianças conheçam o seu corpo de</p><p>forma lúdica e por meio de experiências. O ponto central é que o conhecimento</p><p>do corpo ocorra por diversas maneiras e diferentes formas de sentir.</p><p>Nesse momento, a discussão não cai no olhar do desenvolvimento motor,</p><p>relacionado a crianças após os 6, 7 anos ou mais, mas sim nas crianças que</p><p>consigam relacionar brincadeiras com seu corpo, sensações e sentimentos. Por</p><p>exemplo, atividades sensitivas (descalço, uso de tintas e massas de modelar),</p><p>atividades em diferentes terrenos (terra, areia, pedra, água). Ressalto que</p><p>quanto maior a experiência de conhecimento do corpo, melhor será para a</p><p>criança.</p><p>Em idades mais avançadas da infância, por volta dos 10, 12 anos, em que</p><p>a criança começa a participar de jogos competitivos, inicia-se a discussão dos</p><p>corpos com outras perspectivas. Infelizmente, na sociedade, há um estereótipo</p><p>de corpo perfeito (alto e magro), e consequentemente isso também é observado</p><p>pelas crianças e adolescentes. Por exemplo, ao elaborar uma aula e jogos</p><p>competitivos, geralmente, as crianças mais velozes e magras são as primeiras a</p><p>serem escolhidas, não é mesmo? Assim, cabe ao professor tentar auxiliar nessa</p><p>tarefa, pois caso contrário, sempre as crianças “não consideradas habilidosas”</p><p>serão as últimas a serem escolhidas para participar das atividades.</p><p>Infelizmente, isso é frequentemente observado nas salas de aula,</p><p>independentemente da faixa etária. Por isso, cabe a você professor propor</p><p>atividades nas quais independentemente da habilidade (velocidade, peso</p><p>corporal e habilidade motora), todos apresentem o mesmo grau de dificuldade</p><p>para executar determinada atividade.</p><p>2.2 Relação entre Educação Física e diversidade cultural</p><p>Nas aulas de Educação Física é facilmente observada a diversidade</p><p>cultural por meio das diretrizes de ensino e pelas crianças e adolescentes.</p><p>Ao olharmos sobre a perspectiva de ensino, há uma infinidade de jogos e</p><p>brincadeiras, danças e lutas que abordam essa temática. Em todas as faixas</p><p>etárias são abordadas uma infinidade de culturas por meio do movimento. No</p><p>ensino verificamos por meio das danças (danças quilombolas, indígenas), lutas</p><p>(capoeira, judô), jogos competitivos (futebol, futebol americano), jogos de</p><p>6</p><p>aventura (mountain bike, escala), por meio de todas essas atividades são</p><p>vivenciadas diferentes culturas e culturas de outros países.</p><p>Na esfera regional, pode-se verificar as diferentes culturas por meio de</p><p>atividades que são mais realizadas em determinado local. Isso geralmente</p><p>ocorre devido à grande influência migratória em nosso país. Por exemplo,</p><p>estados do Sul apresentam grande influência europeia, consequentemente,</p><p>muitas danças típicas e jogos estão relacionados a esses povos.</p><p>Na esfera local, a diversidade cultural nas aulas de Educação Física pode</p><p>estar relacionada a pequenos grupos. Por exemplo, crianças mais carentes</p><p>podem ter gosto de atividades diferentes do que crianças com nível</p><p>socioeconômico maior. Isso é facilmente observado em escolas públicas e</p><p>privadas. Em bairro mais periféricos, mais carentes, por ter uma estrutura inferior</p><p>e modo de agir e pensar diferente da comunidade, consequentemente acarretam</p><p>escolhas diferentes nas aulas de Educação Física, sendo elas musicais,</p><p>expressões artísticas e em jogos.</p><p>A diversidade cultural é algo muito importante na sociedade, bem como</p><p>nas aulas de Educação Física. Assim, é de extrema importância que o professor</p><p>se adapte ao ambiente e não o ambiente se adapte ao professor. Pois a cultura</p><p>local é muito mais profunda, vinda de diversos anos anteriores. Todavia, o</p><p>professor também pode propor diferentes formas culturais naquela sociedade,</p><p>para que haja uma participação de todos.</p><p>Importante, o professor pode transmitir a diversidade cultural de diversas</p><p>maneirais. Cabe ao professor possibilitar de diferentes formas de ensino o</p><p>mesmo assunto em uma aula, por meio de pequenos grupos, apresentações e</p><p>diferentes atividades.</p><p>2.3 Educação Física, corpo e diversidade cultural</p><p>Conforme visto anteriormente, o corpo pode ser o meio de transmitir toda</p><p>a diversidade cultural das crianças, adolescentes e adultos, em especial por meio</p><p>das aulas de Educação Física, por ter uma ferramenta que as auxilie.</p><p>As aulas de Educação Física vão muito além de trabalhar a cultura</p><p>corporal, desenvolvimento motor, aptidões físicas, coordenação, jogos e</p><p>brincadeiras. As aulas de Educação Física, intrinsicamente são uma forma do</p><p>corpo se expressar por meio dos movimentos.</p><p>7</p><p>Em um país como o nosso, onde há uma gama de diversidade cultural</p><p>relacionada com hábitos, regiões, religiões, etnias e desigualdade social, isso é</p><p>muito mais perceptível. Assim, o professor de Educação Física deve abordar</p><p>essas expressões culturais, por meio do movimento em uma diversidade de</p><p>atividades.</p><p>O professor de Educação Física possui uma extrema relevância nesse</p><p>contexto, pois cabe a ele identificar qual ou quais as principais diversidades</p><p>culturais inseridas no contexto de ensino, e qual a melhor forma de utilizar o</p><p>corpo por meio do movimento para expressar esses comportamentos e inserir</p><p>no contexto do ensino e aprendizagem. Talvez, uma importante tarefa do</p><p>professor seja de ouvir e observar mais o comportamento dos alunos. Assim,</p><p>conseguirá definir os grupos em que cada aluno se encaixa, gostos, atividades</p><p>e aproximar a aula com o ambiente no qual a criança está inserida.</p><p>Vale ressaltar que aplicar tudo isso no mundo real não é uma atividade</p><p>fácil. Contudo, o professor deverá ter paciência e realizar diversas tentativas até</p><p>conseguir aplicar no cenário da turma e nas aulas.</p><p>TEMA 3 – CULTURA E MOVIMENTO</p><p>A cultura e o movimento podem ser discutidos sobre diversos cenários e</p><p>contextos a depender da linha do pensamento. De modo geral, a cultura e o</p><p>movimento se inter-relacionam entre si. Ao unirmos ambas as palavras tornando</p><p>cultura do movimento, seu significado é:</p><p>A cultura de movimento se envolve com a relação entre o corpo,</p><p>natureza e cultura, abrangendo as diversas maneiras como o ser</p><p>humano faz uso do seu corpo, por meio de uma lógica recursiva que</p><p>permite a compreensão do mundo por meio do corpo em movimento.</p><p>(Meira, 2019)</p><p>Ao fazer uma reflexão sob a óptica da criança, muito se relaciona com a</p><p>forma de se expressar, forma de se deslocar (rastejando, engatinhado) andando</p><p>correndo, dentre outras formas.</p><p>3.1 Expressão cultural por meio do movimento</p><p>O movimento ou a forma de se expressar pode ser uma das formas mais</p><p>significativas da adaptação ao meio exterior. Poder ser a forma como a criança</p><p>sente e interpreta tudo o que está ao seu redor. Assim, as ações realizadas pelo</p><p>8</p><p>movimento nada mais são do que uma interpretação, um significado das coisas</p><p>ao seu redor (situação e ação).</p><p>O movimento e a cultura estão muito mais relacionados do que pensamos.</p><p>O movimento é integrado com as experiências cotidianas. Assim, o movimento</p><p>pode passar pelos reflexos comportamentais da cultura, estão relacionadas com</p><p>o consciente. Isso pode estar relacionado de uma maneira lógica, tanto interior</p><p>como no exterior do indivíduo.</p><p>Sobre as experiências, aqui vamos direcionar para o eixo cultural, estão</p><p>diretamente associadas ao comportamento. A cultura do meio exterior, escola,</p><p>comunidade, família, por meio de várias experiências diárias, contínuas,</p><p>permitem descobrir, vivenciar e transportar todos os sentimentos por meio do</p><p>movimento. O movimento aqui pode ser interpretado como um significado ou</p><p>forma de agir de forma consciente para o próprio mundo exterior ou seu próprio</p><p>mundo.</p><p>3.2</p><p>Expressão cultural pelo meio ambiente</p><p>Uma outra linha de pensamento, pode-se dizer que o homem aqui nesse</p><p>texto, criança e adolescente, reintegra e apropria o que está ao seu redor. A</p><p>criança responde de maneira voluntária a situações como “vive com” e “onde</p><p>vive”. Na escola ou em casa, isso pode traduzir os estímulos. A criança, por meio</p><p>do seu “local” irá ter estímulos sensoriais, cognitivos, motores e</p><p>comportamentais, e assim irá se adaptar ao meio no qual ela está contida.</p><p>Por outra linha de pensamento (antropológica cultural), o movimento nada</p><p>mais é do que as experiências diárias perceptivas. A percepção de determinadas</p><p>tarefas dá um significado e a criança interpreta, significa e se movimenta. Nessa</p><p>linha do saber, os autores sugerem que todo o movimento que é realizado, antes</p><p>teve uma representação antecipada. Todo movimento corporal ocorre para uma</p><p>determinada ação.</p><p>No que tange ao mundo exterior, aqui vamos interpretar como cultura, que</p><p>assume uma perspectiva pessoal e social, assim a criança interioriza para o seu</p><p>próprio mundo, estando integrada com necessidades ou características</p><p>biológicas, afetivas, emotivas e cognitivas. Essa forma de expressar o</p><p>comportamento está relacionada com a sociologia das emoções, incorporada</p><p>9</p><p>pela educação (escola e pais) e ou relações culturais (local onde vive, atividades</p><p>de contraturno e experiências diárias).</p><p>3.3 Ressignificados dos movimentos</p><p>Um ponto a ser discutido que envolve a cultura e o movimento está</p><p>relacionado às mudanças dos comportamentos. Isso porque a criança e o</p><p>adolescente constantemente ressignificam as experiências diárias e influências</p><p>da cultura. Assim, pode-se afirmar que somos (crianças, adolescente e adultos),</p><p>facilmente adaptáveis, moldamo-nos ao nosso meio. Por exemplo, uma criança</p><p>em um jogo competitivo. A criança se adapta à realidade do jogo se estiver</p><p>ganhando ou perdendo. Caso ela resida em um ambiente (comunidade) na qual</p><p>ouve um determinado estilo musical, e se muda para um outro contexto, ela pode</p><p>passar a ouvir e gostar de outro estímulo musical.</p><p>O movimento e a cultura expressam uma interligação dos processos</p><p>emotivos, evolutivos e intelectuais que ocorrem desde o nascimento até a</p><p>maturidade em todas as fases humanas. Assim, conforme vamos nos adaptando</p><p>no eixo psicológico (consciência humana), vamos evoluindo no aspecto motor</p><p>(movimento). Por isso, a cultura por meio do movimento nada mais é do que a</p><p>interiorização do meio no qual está presente e exterioriza os sentimentos,</p><p>comportamentos por meio dos gestos motores. A cultura do movimento é</p><p>amplamente afetada pelo meio externo e hábitos adquiridos ao longo de um</p><p>determinado período ou ao longo da vida.</p><p>Dessa maneira, sob o olhar da cultura (musical, artísticas, expressão</p><p>corporal, danças e comportamentos), o movimento nada mais é que a forma de</p><p>como a criança e adolescente sente, interioriza, percebe, sente e se expressa</p><p>por meio de gestos, movimentos coordenativos ou não. Ou seja, quanto mais</p><p>experiências culturais de diversas maneiras a criança passar, principalmente nas</p><p>fases iniciais da vida, melhor será para sua consciência e para sua fase motora.</p><p>TEMA 4 – EXPRESSÃO E LINGUAGEM CORPORAL</p><p>Antes de iniciarmos a discussão acerca desse tema, é importante definir</p><p>o que é conceitualmente expressão e linguagem corporal:</p><p>O termo expressão diz respeito apenas aos movimentos do corpo</p><p>propriamente dito (danças, exercícios, jogos dentre outros),</p><p>10</p><p>a linguagem corporal abrange a movimentação corporal como meio</p><p>de comunicação (não-verbal, muito relacionado a gestos motores).</p><p>(Meira, 2019)</p><p>4.1 Expressão e linguagem corporal na infância</p><p>Diferentemente dos adultos, as crianças muitas vezes expressam</p><p>sentimentos, vontades e insatisfações por meio da expressão corporal e não pela</p><p>fala. Por isso, é de fundamental importância o olhar observatório do professor e</p><p>muitas dessas expressões já nasce com as crianças.</p><p>O principal intuito de trabalhar a expressão corporal é fazer com que a</p><p>criança, de forma consciente, tenha sensações, percepções, desenvolvimento</p><p>de suas potencialidades e principalmente consciência de como realizar as ações</p><p>do dia a dia. Além disso, buscar o desenvolvimento corporal de forma global.</p><p>É importante ressaltar que não há uma expressão corporal definida como</p><p>padrão nessa fase. Cada criança irá se expressar da forma que achar mais</p><p>adequada. É importante estimular a criança de diversas formas, por meio de</p><p>diferentes sensações, assim, a criança irá se comunicar inicialmente pelo</p><p>movimento corporal, para, na sequência, desenvolver a parte intelectual e</p><p>posteriormente a fala propriamente dita. Sendo assim, as atividades de</p><p>expressão corporal não têm apenas um objetivo físico, mas sim desenvolvimento</p><p>cognitivo, social, efetivo, sensações, prazeres e desprazeres.</p><p>4.2 Compromisso do professor com a expressão e linguagem corporal na</p><p>infância</p><p>De modo geral, muitas expressões corporais são trabalhadas na primeira</p><p>infância como forma de auxiliar o desenvolvimento. O desenvolvimento nessa</p><p>fase é fundamental nas idades posteriores. Nesse momento, o psicomotricista e</p><p>o professor de educação infantil têm que criar vários cenários ou aulas que</p><p>possibilitem o desenvolvimento.</p><p>Assim, cabe ao professor propor diversas atividades que possibilitem uma</p><p>maior participação das crianças nas atividades. Quanto maior o estímulo maior</p><p>será o desenvolvimento da criança. Vale ressaltar que em alguns casos os</p><p>professores não apresentam recursos necessários em sala de aula. Todavia, o</p><p>professor pode utilizar a imaginação para o desenvolvimento. Por exemplo, é</p><p>11</p><p>possível utilizar materiais reciclados, almofadas, areias, atividades sensitivas,</p><p>dentre outras.</p><p>4.3 Atividades de expressão e linguagem corporal na infância</p><p>Sabe-se que o professor tem que ter a percepção e a sensibilidade de</p><p>observar atentamente cada criança para o seu desenvolvimento pleno. Em</p><p>crianças de 0 a 2 anos, o professor deve permitir que as crianças explorem o</p><p>espaço, explorar a si próprias, sua locomoção com atividades de cores, mudança</p><p>de piso (liso e áspero), iluminação (claro, escuro), atividades de longe e perto.</p><p>Mas o mais importante de tudo é que essas atividades aproximem do seu</p><p>cotidiano.</p><p>Entre 2 e 4 anos, o professor deve realizar atividades de faz de conta.</p><p>Atividades que envolvam a imaginação das crianças, nas quais elas construam</p><p>os cenários e imaginação por meio de materiais recicláveis, garrafas pets, caixa</p><p>de papel e tentem se transportar para dentro das histórias com o intuito de utilizar</p><p>a própria imaginação.</p><p>Para crianças de 4 a 6 anos, recomenda-se atividades de jogos. Por</p><p>exemplo, circuito com obstáculos, bambolês, caixotes, atividades que envolvam</p><p>o equilíbrio, coordenação motora, habilidades motoras finas e grossas.</p><p>Importante ao inserir novas atividades é que as atividades tenham uma evolução,</p><p>por exemplo, atividades que foram realizadas anteriormente das quais a criança</p><p>já detém o gesto motor, porém, agora é necessário que ela se aproxime e se</p><p>desenvolva ainda mais.</p><p>TEMA 5 – COMO ATENDER À DIVERSIDADE CULTURAL NAS AULAS DE</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA?</p><p>Dialogar com as diversidades culturais nas aulas de Educação Física</p><p>como em outras disciplinas é um desafio, tanto para os professores como para</p><p>os alunos. Assim, é preciso que o professor compreenda o perfil da turma, raça,</p><p>religião, nível socioeconômico, características do local, características da</p><p>comunidade etc. para identificar quais são os principais pontos que podem ser</p><p>trabalhados.</p><p>12</p><p>5.1 Conhecer a diversidade cultural em sala de aula</p><p>A escola ou professor tem que ser multicultural, não pode ser voltado</p><p>apenas para um comportamento social. A escola deve ser um mecanismo de</p><p>experiências, com debate e discussões, para que todas as crianças conheçam</p><p>as realidades dos outros. Por</p><p>exemplo, algo simples que o professor pode fazer</p><p>e que será de grande avalia é realizar uma atividade de apresentação, por meio</p><p>de perguntas norteadoras:</p><p>• Quem é você?</p><p>• Qual a sua idade?</p><p>• Onde nasceu?</p><p>• O que gosta de fazer?</p><p>• O que gosta de ouvir?</p><p>• Onde mora?</p><p>• O que gosta de comer?</p><p>• Que esporte gosta de praticar?</p><p>São perguntas simples que farão você professor ter ferramentas para</p><p>propor uma aula melhor, atividades mais interessantes para os alunos. Essas</p><p>perguntas devem ser feitas não na forma de interrogar, mas sim uma forma de</p><p>todas as crianças e adolescentes se conhecerem. Assim, você poderá identificar</p><p>ou subgrupos dentro da sala de aula ou em jogos.</p><p>Vamos supor que dentro da sua turma tem uma criança que chegou</p><p>recentemente de outra região do país, com outros costumes e hábitos. Assim,</p><p>você poderá propor uma atividade para toda a turma apresentando os costumes</p><p>de determinada região trazendo toda essa parte de diversidade cultural, sendo</p><p>por meio de brincadeiras, jogos, músicas, lutas, comidas, religião, dentro outros.</p><p>5.2 Temas de diversidade cultural e movimento corporal</p><p>Sob o olhar do movimento corporal, muito relacionado à Educação Física,</p><p>o professor pode trabalhar assuntos relativamente delicados na nossa</p><p>sociedade. Assim, pode elaborar atividades que envolvam:</p><p>• A dança afro-brasileira e indígena favorecendo a interdisciplinaridade;</p><p>• Contextualização da cultura afro-brasileira;</p><p>13</p><p>• Corpo: som e movimento por meio de danças e gestos;</p><p>• Desconstrução do preconceito racial nos esportes. Trazer exemplos de</p><p>esportes que eram predominantemente realizados por brancos e outros</p><p>esportes que eram de negros e discutir;</p><p>• Atividades relacionadas com a diversidade cultural, rompendo barreiras e</p><p>promovendo a autonomia pelo conhecimento de suas raízes, história e</p><p>linguagem;</p><p>• Atividades que promovam a preservação de valores culturais e sociais</p><p>pela influência negra na formação da sociedade brasileira, no processo</p><p>de desenvolvimento social, político e econômico;</p><p>• Exemplos atuais que muitas vezes são propagados nas mídias e discutir</p><p>em sala de aula.</p><p>Com base nessas sugestões, o professor poderá propor uma diversidade</p><p>de tarefas. Dessa maneira, o professor poderá identificar o que ocorre no “mundo</p><p>real da sociedade” e trazer essa discussão em sala de aula.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAGNARA, I. C.; FENSTERSEIFER, P. E. Educação física escolar política,</p><p>currículo e didática. Ijuí: Unijuí, 2019.</p><p>BETTI, M. Educação física e sociedade a educação física na escola</p><p>brasileira. 3. ed. Ijuí: Unijuí, 2020.</p><p>BIEDRZYCKI, B. P. et al. Metodologia do ensino da educação física. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2020.</p><p>CAYRES-SANTOS, S. U.; BIEDRZYCKI, B. P.; GONÇALVES, P. da S. Prática</p><p>pedagógica da educação física no contexto escolar. Porto Alegre: Sagah,</p><p>2020.</p><p>MARCONI, M. de A.; PRESOTTO, Z. M. N. Antropologia – uma introdução. 8.</p><p>ed. São Paulo: Atlas, 2019.</p><p>MEIRA, L.; BLIKSTEIN, P. (Org.). Ludicidade, jogos digitais e gamificação na</p><p>aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2019.</p><p>AULA 6</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>TEMA 1 – EVOLUÇÃO DA PSICOMOTRICIDADE</p><p>1.1 Marcos históricos da psicomotricidade</p><p>A partir do século XIX, o corpo passou a ser estudado por neurologistas e</p><p>psiquiatras com objetivo de compreender as estruturas cerebrais e patologias</p><p>mentais; logo na sequência (em 1850), surgiu o termo psicomotor. Um marco</p><p>muito importante foi em 1870, quando pesquisadores conseguiram mapear o</p><p>cérebro, áreas psicomotoras, áreas reservadas ao pensamento, assim fazendo</p><p>uma relação entre o corpo e a mente. Em 1901, Henry Wallon, outro renomado</p><p>pesquisador, identificou que a educação física, além de ser composta por</p><p>exercícios musculares, também deveria ser contemplar exercícios psicomotores</p><p>(Bueno, 2013; Fernandes; Gutierres Filho, 2012).</p><p>Em 1925, o conceituado pesquisador Henry Wallon afirmou que o</p><p>movimento humano é instrumento na construção do psiquismo, relacionando-o ao</p><p>afeto, à emoção e ao ambiente do indivíduo. Após isso, em 1935 foi desenvolvido</p><p>um exame psicomotor para indicação de terapia. Em 1947, Julian definiu a</p><p>debilidade motora como uma síndrome, e mais recentemente (1970) inúmeros</p><p>autores definiram a psicomotricidade como uma motricidade de relação (Bueno,</p><p>2013; Fernandes; Gutierres Filho, 2012).</p><p>O grande marco histórico ocorreu em 1976, quando Françoise Désobeau</p><p>introduziu o termo terapia psicomotora, valorizando técnicas relacionadas ao</p><p>brincar e jogar (Bueno, 2013; Fernandes; Gutierres Filho, 2012).</p><p>No âmbito acadêmico, na educação física o termo psicomotricidade surgiu</p><p>em Portugal como motricidade humana. No que tange à academia, em 1996 foi</p><p>realizado o primeiro congresso de psicomotricidade (Bueno, 2013; Fernandes;</p><p>Gutierres Filho, 2012). A Figura 1 destaca os marcos históricos da</p><p>psicomotricidade.</p><p>3</p><p>Figura 1 − Marcos históricos</p><p>Fonte: elaborada com base em Bueno, 2013; Fernandes; Gutierres Filho, 2012.</p><p>1.2 Uso da psicomotricidade nos dias atuais</p><p>Conforme já visto, inicialmente a psicomotricidade era utilizada no conjunto</p><p>da terapia, de processos psíquicos; todavia, com o passar dos anos notou-se que</p><p>corpo e mente estavam interligados. Nesse sentido, atualmente o campo de</p><p>psicomotricidade interliga as duas principais áreas do saber, portanto não se pode</p><p>trabalhar de maneira isolada somente o corpo ou somente a mente.</p><p>Nos dias atuais, a psicomotricidade ganhou o reconhecimento da</p><p>sociedade no que se refere à sua importância e a seus benefícios. Talvez um dos</p><p>principais períodos evolutivos dela esteja associado ao fato de que o ambiente</p><p>passou a fazer parte das melhorias evolutivas. O psicomotricista começou a olhar,</p><p>observar e identificar o local “ambiente” no qual a criança está inserida e o</p><p>“ambiente de tratamento” como uma forma de auxiliar o aspecto psicomotor,</p><p>fazendo a construção de ambientes educativos por meio da multiplicidade de</p><p>espaços.</p><p>1.3 Construindo a aula para trabalhar a psicomotricidade</p><p>Planejar, organizar e ministrar uma aula que aborde os conceitos da</p><p>psicomotricidade não é uma tarefa fácil. Assim sendo, antes de iniciar a aula</p><p>propriamente dita, é importante observar os seguintes aspectos:</p><p>• necessidades específicas das crianças;</p><p>4</p><p>• interesses que elas venham a apresentar;</p><p>• idade dos alunos da turma;</p><p>• histórico de cada um deles;</p><p>• criatividade;</p><p>• avaliação diária;</p><p>• conteúdos variados;</p><p>• recursos utilizados;</p><p>• variedade de atividades;</p><p>• interdisciplinaridade;</p><p>• aulas práticas.</p><p>O professor deve ser organizado e inovador em suas atividades diárias e</p><p>planejar e organizar as aulas em uma sequência lógica para favorecer a evolução</p><p>da criança. Ele precisa tornar a aula atrativa, gerando engajamento para tirar o</p><p>aluno da monotonia. O psicomotricista deve pensar na resolução de problemas</p><p>diários e propor aulas com componentes que façam com que a criança se sinta</p><p>estimulada. Um item muito importante está relacionado ao processo de avaliação:</p><p>recomenda-se que ela seja constante a fim de verificar aspectos da criança a</p><p>serem melhorados.</p><p>TEMA 2 – PSICOMOTRICIDADE NA FORMAÇÃO CORPORAL</p><p>A psicomotricidade tem um papel fundamental na formação corporal da</p><p>criança. O desenvolvimento é um processo contínuo e depende de fatores</p><p>relacionados à maturação do sistema nervoso central, por intermédio da</p><p>inteligência, afetividade e comunicação, que irão contribuir na formação global.</p><p>Inicialmente, a criança irá demonstrar sentimentos, expressões e pensamentos</p><p>por meio do movimento corporal, e é nesse momento que a psicomotricidade vai</p><p>auxiliar no desenvolvimento corporal.</p><p>2.1 Funções psicomotoras que auxiliam a formação corporal</p><p>A psicomotricidade contribui para a formação e estruturação do esquema</p><p>corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento</p><p>em uma</p><p>criança. As atividades envolvem capacidades sensoriais, perceptivas e motoras,</p><p>propiciando a ela melhor coordenação, e auxiliam no processo ensino-</p><p>aprendizagem, unindo o desenvolvimento físico-motor e cognitivo.</p><p>5</p><p>As principais funções psicomotoras que contribuem na formação corporal</p><p>são:</p><p>• esquema corporal;</p><p>• coordenação motora global;</p><p>• coordenação motora fina;</p><p>• organização temporal;</p><p>• organização espacial e lateralidade.</p><p>Para trabalhar toda a formação corporal, o professor deve propor atividades</p><p>em sala de aula que envolvam o componente motor, social, afetivo e cognitivo.</p><p>Recomenda-se que ele utilize uma infinidade de tarefas e evite a repetição de</p><p>movimentos corporais para que assim a criança se desenvolva de modo amplo.</p><p>2.2 Elementos que auxiliam a formação corporal</p><p>Na concepção das atividades, sugere-se que o professor tente inserir o</p><p>maior número possível de elementos corporais. De forma geral, a Base Nacional</p><p>Comum Curricular (BNCC) utiliza a psicomotricidade no contexto de brincar,</p><p>conviver, participar, explorar, expressar e conhecer-se (Brasil 2017). A seguir,</p><p>estão elencados alguns dos elementos fundamentais que possibilitam uma</p><p>melhoria na formação corporal:</p><p>• reflexos;</p><p>• interação social;</p><p>• locomoção;</p><p>• linguagem;</p><p>• postura;</p><p>• equilíbrio;</p><p>• imagem corporal;</p><p>• consciência de espaço e tempo.</p><p>2.3 Papel do psicomotricista na formação corporal</p><p>O psicomotricista é dos profissionais que trabalham na construção da</p><p>formação corporal da criança. É quem sabe unir os elementos do ambiente como</p><p>um todo para ensinar, criar e desenvolver as dimensões da imagem corporal dela.</p><p>Para tanto, geralmente utiliza objetos, sensações, diferentes cenários e</p><p>6</p><p>ambientes. O principal intuito é possibilitar um amplo cenário de aprendizagem</p><p>tanto em pequenos grupos quanto também de forma individual.</p><p>Quando falamos sobre formação corporal, não nos restringimos ao</p><p>contexto motor, mas a relacionamos às expressões e aos sentimentos que a</p><p>criança vivencia ao longo daquela atividade.</p><p>TEMA 3 – EDUCAÇÃO PERCEPTIVA MOTORA</p><p>A educação perceptiva motora é dividida em motora e fina. A motora, o</p><p>primeiro componente a ser trabalhado, deve partir do aspecto global para o</p><p>específico. Conforme dito anteriormente, recomenda-se começar pelos membros</p><p>superiores e, em seguida, os membros inferiores.</p><p>3.1 Sugestões de atividades para trabalhar a parte motora global</p><p>Nessa fase, uma das formas mais utilizadas para realizar o trabalho motor</p><p>geral é por meio de danças, expressões corporais, ritmos, utilizando-se uma</p><p>variedade e diversidade de materiais. Quanto maior for essa diversidade, melhor</p><p>a criança irá se desenvolver.</p><p>Um dos recursos que tem baixo custo é o papel, tanto novo quanto o de</p><p>revistas, livros etc. É possível explorar a criatividade das crianças e também a sua</p><p>para o desenvolvimento de atividades. A seguir, são apresentadas algumas</p><p>possibilidades:</p><p>• transformar o papel em dobraduras de bichos;</p><p>• maquetes;</p><p>• quebra-cabeça;</p><p>• origamis;</p><p>• imagens corporais;</p><p>• tabuleiros;</p><p>• fazer peças de roupas e utilizar em danças;</p><p>• desenhar e recortar membros corporais.</p><p>Outras atividades muito realizadas e que de modo geral atraem a atenção</p><p>das crianças são as que envolvem tinta. Por exemplo, é possível:</p><p>• fazer pinturas no próprio corpo da criança;</p><p>• fazer pinturas com as mãos;</p><p>7</p><p>• colorir algumas peças de roupas;</p><p>• pintar as atividades que foram feitas com o papel.</p><p>Há também a possibilidade de se trabalhar com sucatas, tendo-se o</p><p>cuidado de que haja um significado para a atividade. A criança deve trazer uma</p><p>garrafa pet, caixa de leite ou papelão da sua residência e transformá-los em um</p><p>objeto de que gosta (um desenho, um carrinho, uma boneca etc.); o ponto central</p><p>é explorar a imaginação da criança. A seguir, alguns exemplos:</p><p>• criar um túnel com as caixas de papelão;</p><p>• circuito de bambolês;</p><p>• boliche com as garrafas pet;</p><p>• fazer bolinha de papel e colocar em caixas de ovos;</p><p>• brincar de cesta com as caixas de papelão;</p><p>• transformar garrafas pet em carrinhos e animais de estimação;</p><p>• fazer um circuito com todos os materiais reciclados;</p><p>• fazer uma espécie de desafio para as crianças se superarem.</p><p>Essas são apenas algumas sugestões de atividades. O mais importante é</p><p>que o professor aproveite esses recursos, utilize sua imaginação e a das crianças</p><p>e trabalhe os aspectos motores globais.</p><p>3.2 Sugestões de atividades para trabalhar a parte motora fina</p><p>A parte motora fina é trabalhada simultaneamente com a global, porém a</p><p>global geralmente é mais fácil de ser desenvolvida. Assim, a parte motora fina é</p><p>aquela realizada com o auxílio dos dedos, mãos e olhos. De modo geral, a criança</p><p>possui facilidade de segurar e equilibrar objetos. Segurar objetos mais sensíveis,</p><p>sentir a diferença de peso e texturas dos objetos e superfícies são tarefas que</p><p>contemplam a fase motora fina.</p><p>Nas atividades que envolvem a parte motora fina, é importante realizar</p><p>atividades com envolvimentos socioemocionais, em que se busca dar sentido às</p><p>tarefas. Destaca-se a necessidade de unir a atividade lúdica, motora e os aspectos</p><p>psicológicos. “A motricidade fina é a coordenação viso-manual, é o</p><p>aperfeiçoamento da motricidade fina da mão e dos dedos, que se dá a partir da</p><p>organização das reações combinadas dos olhos e da mão dominante. Inicia-se no</p><p>primeiro ano e se completa ao final da escolaridade primária” (Le Boulch, 1987, p.</p><p>7).</p><p>8</p><p>É possível utilizar a criatividade das crianças e também a do professor para</p><p>o desenvolvimento de atividades. Algumas possibilidades incluem:</p><p>• atividades com bolas: chamam muito a atenção das crianças e podem</p><p>contemplar:</p><p>• bolas de gude, alternando as mãos;</p><p>• bolas de gude, alternando os dedos;</p><p>• balões e realizar atividades com toque;</p><p>• tentar dar forma a balões (animais, objetos);</p><p>• manipular diferentes balões sem deixar cair no chão;</p><p>• atividades com sucatas, materiais recicláveis, em que seja possível:</p><p>• realizar figuras geométricas;</p><p>• fazer objetos de decoração;</p><p>• fazer brinquedos com pote de margarina, iogurte;</p><p>• realizar colagens em caixa de papel e dar um significado a elas;</p><p>• atividades com tintas, em que seja possível:</p><p>• realizar pinturas em telas, com diferentes técnicas;</p><p>• pintar com os dedos algumas figuras com recortes;</p><p>• pintar murais na escola e atribuir um significado a cada pintura;</p><p>• pintar camisetas brancas e presentear os pais.</p><p>Uma atividade na parte motora fina é a coordenação visomotora, a qual</p><p>envolve a coordenação de mãos, olhos e uma atividade relativamente complexa</p><p>para as crianças. A seguir, é possível verificar alguns exemplos:</p><p>• legos;</p><p>• amarelinha;</p><p>• pular corda;</p><p>• ioiô;</p><p>• tênis de mesa;</p><p>• corrida do ovo;</p><p>• pescaria;</p><p>• jogo de argolas.</p><p>9</p><p>TEMA 4 – EDUCAÇÃO SOCIOMOTORA</p><p>4.1 O que é educação sociomotora</p><p>A educação sociomotora é um assunto relativamente recente entre as</p><p>áreas do saber e apresenta diversos olhares e perspectivas. Para facilitar a</p><p>compreensão do tema, busca-se unir elementos “socio” (sociais) e “motora”</p><p>(elementos corporais globais e finos) para favorecer a compreensão e</p><p>entendimento da criança.</p><p>A expressão educação sociomotora é mais utilizada em relação a crianças.</p><p>A ideia é ampliar o conhecimento destas sobre aspectos “socio” (comunicação,</p><p>colaboração e criatividade), com a parte motora – grossa ou global e fina − por</p><p>meio de atividades que englobam essas características. Por exemplo, você</p><p>saberia dizer qual ou quais atividades poderiam ser trabalhadas no aspecto</p><p>sociomotor? Talvez a resposta nesse momento seja não, mas serão apresentadas</p><p>algumas que por muitas vezes você já aplicou em seu cotidiano, mas que por</p><p>algum motivo não tenha se dado conta de que se tratava da educação</p><p>sociomotora.</p><p>4.2 Educação sociomotora por meio dos sons</p><p>Nas idades</p><p>iniciais, as principais atividades que você já realizou ou deveria</p><p>ter realizado se referem às musicais, com intuito de melhorar a audição da criança</p><p>e também a fala. É muito comum o trabalho de cantigas de roda, brincadeiras e</p><p>trava-línguas; certamente, a música é outro meio para trazer conhecimento da</p><p>expressão corporal da criança, trabalhando aspectos relacionados à</p><p>comunicação, criatividade e colaboração.</p><p>Bagnara e Fensterseifer (2019) e Betti (2020) destacam que por meio de</p><p>atividades musicais é possível realizar mudanças profundas de reações,</p><p>envolvimento corporal, sentimentos e comportamentos da criança. Assim, a</p><p>música como instrumento de ensino permite conhecer, sensibilizar, imaginar e</p><p>promover um desenvolvimento motor e comportamental mais amplo da criança</p><p>(Bagnara; Fensterseifer, 2019; Betti, 2020). Por isso, o professor pode trabalhar</p><p>aspectos sociomotores em diversos estilos musicais, como:</p><p>• músicas folclóricas;</p><p>• sons bucais;</p><p>10</p><p>• sons da natureza;</p><p>• risadas e choros;</p><p>• reprodução de sons das cidades;</p><p>• instrumentos musicais;</p><p>• sons coletivos.</p><p>4.3 Educação sociomotora por percepção corporal</p><p>Conforme vimos anteriormente, a percepção corporal é uma das formas de</p><p>sentir o próprio corpo e de também manifestar os sentimentos. Por meio das</p><p>nossas expressões, calor, frio, prazer, dor, percepções e particularidades,</p><p>podemos nos comunicar. Sob o olhar das crianças, principalmente daquelas que</p><p>ainda não falam ou falam pouco, isso fica ainda mais evidente. Apresentam</p><p>sensações e sentimentos espontâneos e são facilmente compreendidos.</p><p>Por isso, é importante o professor realizar atividades na qual elas</p><p>expressem a parte “socio” (comunicação, colaboração e criatividade), nas</p><p>atividades em sala de aula. Por exemplo, ele pode recorrer a inúmeras atividades</p><p>para trabalhar a educação sociomotora e a percepção corporal da criança por</p><p>diversas maneiras:</p><p>• danças folclóricas;</p><p>• danças livres;</p><p>• morto-vivo;</p><p>• ritmos;</p><p>• estátua.</p><p>O principal componente é que ele possa trabalhar em sala de aula ou em</p><p>outros ambientes aspectos relacionados à comunicação, à colaboração e à</p><p>criatividade.</p><p>4.4 Educação sociomotora por meio do teatro</p><p>O teatro pode ser uma excelente alternativa para que o professor estimule</p><p>a criança a trabalhar aspectos relacionados à comunicação, à colaboração e à</p><p>criatividade, envolvendo uma gama de aspectos motores. Nesse sentido, permite</p><p>a ela realizar movimentos e sentimentos espontâneos sem ter o certo ou o errado.</p><p>A principal intuito é que a criança se reconheça e se comunique com sua</p><p>vontade, execute movimentos livres, colabore com outras crianças, identifique</p><p>11</p><p>suas limitações e perceba sua forma de se expressar, podendo ser por meio da</p><p>fala ou da expressão corporal.</p><p>TEMA 5 – PSICOMOTRICIDADE EM CRIANÇAS HIPERATIVAS</p><p>Estima-se que entre 3 a 6% de toda a população mundial tenha transtorno</p><p>de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), conforme dados da Associação</p><p>Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA, [s.d.]). O principal componente de</p><p>hiperatividade está relacionado a desatenção, impulsividade, distração,</p><p>dificuldade no aprendizado; em relação ao componente motor, verifica-se a</p><p>dificuldade de equilíbrio e noção de espaço-tempo.</p><p>Assim, a psicomotricidade pode contribuir por meio da transformação do</p><p>espaço, do indivíduo e também do coletivo em nível simbólico. A criança poderá</p><p>se engajar verdadeiramente na ação, saindo da atividade motora impulsiva em</p><p>que se encontrava. No que se refere à alfabetização, a psicomotricidade também</p><p>pode auxiliar, tanto no aprendizado da leitura quanto da escrita.</p><p>5.1 Transtorno motor em crianças hiperativas</p><p>As principais alterações motoras relacionadas às crianças com</p><p>hiperatividade se referem a problemas em áreas específicas do cérebro que</p><p>atuam no controle inibitório, principalmente quanto ao tempo de reação, fazendo</p><p>com que haja dificuldades em algumas atividades classificadas como básicas.</p><p>Entre elas, podemos citar aquelas vinculadas a atividades locomotoras e</p><p>manipulativas, principalmente as de controle de objetos, como rebater, quicar,</p><p>receber, chutar, arremessar, rolar a bola etc.</p><p>5.2 Teste de avaliação motora em crianças hiperativas</p><p>Os principais testes que podem ser aplicados no seu dia a dia estão</p><p>relacionados à escala de desenvolvimento motor:</p><p>• motricidade fina (óculo-manual);</p><p>• motricidade global (coordenação);</p><p>• equilíbrio (postura estática);</p><p>• esquema corporal (imitação de postura e rapidez);</p><p>• orientação espacial (percepção do espaço);</p><p>12</p><p>• linguagens e estruturas temporais.</p><p>5.3 Atividades de percepção espacial e temporal</p><p>A noção espacial é uma importante valência para execução das atividades</p><p>cotidianas de todas as pessoas, em especial das crianças. Ela vai muito além de</p><p>chão, paredes, teto e área e está relacionada a reconhecer, interferir e agir sobre</p><p>determinado cenário, e isso deve ser enfatizado pelo psicomotricista.</p><p>Assim, ressalta-se que a percepção espacial não é desenvolvida em</p><p>apenas um contexto (escolar); a criança deve experimentar diversos espaços e</p><p>ambientes para o seu desenvolvimento. As atividades que trabalham essa</p><p>percepção são inúmeras, por isso vamos apresentar algumas que podem ser</p><p>inseridas no dia a dia:</p><p>• labirintos impressos;</p><p>• mapa da escola, sala de aula;</p><p>• mapas celestes;</p><p>• caminhos até a escola;</p><p>• atividades com localização do sol e lua;</p><p>• trilhas.</p><p>Por último, mas não menos importante, há o trabalho da percepção</p><p>temporal, algo mais complexo e que de modo geral as crianças demoram um</p><p>pouco mais para adquiri-la. De modo geral, as crianças têm dificuldades em criar</p><p>rotinas e principalmente horários, como hora de dormir, de tomar banho, de jantar,</p><p>de ir para escola etc. As atividades, que estão relacionadas a hábitos diários,</p><p>envolvem a percepção temporal e exigem mais dos alunos, assim como do</p><p>professor. Assim, serão apresentadas algumas sugestões:</p><p>• trabalho de contagem de gotas em uma garrafa pet;</p><p>• conto de histórias e relembrar o que foi contado;</p><p>• relógios desenhados no chão e ter o sol como referência;</p><p>• uso de diferentes tipos de relógios;</p><p>• ampulheta.</p><p>Por meio desta aula, foram abordados relevantes conteúdos teóricos no</p><p>que diz respeito a marcos históricos da psicomotricidade, bem como atividades</p><p>que podem ser realizadas no dia a dia utilizando-se uma infinidade de materiais.</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABDA. Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Quem somos. [S.d.].</p><p>Disponível em: <https://tdah.org.br/a-abda/quem-somos/>. Acesso em: 29 nov.</p><p>2021.</p><p>BAGNARA, I. C.; FENSTERSEIFER, P. E. Educação física escolar: política,</p><p>currículo e didática. Ijuí: Unijuí, 2019.</p><p>BETTI, M. Educação física e sociedade: a educação física na escola brasileira.</p><p>Ijuí: Unijuí, 2020.</p><p>BIEDRZYCKI, B. P. et al. Metodologia do ensino da educação física. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília:</p><p>Ministério da Educação, 2017. Disponível em:</p><p><http://basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em: 29 nov. 2021.</p><p>BUENO, J. M. Psicomotricidade: teoria e prática: da escola à aquática. São</p><p>Paulo: Cortez, 2013.</p><p>CAYRES-SANTOS, S. U.; BIEDRZYCKI, B. P.; GONÇALVES, P. S. Prática</p><p>pedagógica da educação física no contexto escolar. Porto Alegre: Sagah,</p><p>2020.</p><p>FERNANDES, J. M. G. A.; GUTIERRES FILHO, P. J.</p><p>B. Psicomotricidade: abordagens emergentes. São Paulo: Manole, 2012.</p><p>MARCONI, M. A.; PRESOTTO, Z. M. N. Antropologia: uma introdução. 8. ed.</p><p>São Paulo: Atlas, 2019.</p><p>MEIRA, L.; BLIKSTEIN, P. (Orgs.). Ludicidade, jogos digitais e gamificação na</p><p>aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2019. (Tecnologia e inovação na educação</p><p>brasileira).</p><p>da Educação e da Saúde Pública.</p><p>Faz-se importante lembrar de que antigamente a Educação Física era</p><p>voltada para “ginástica”, por isso a primeira escola foi no exercício militar da</p><p>época, na qual o principal foco era ginástica e educação nas Olimpíadas.</p><p>Tendo em vista o foco da Educação Física voltada ao âmbito competitivo,</p><p>surgiu então uma linha com outro foco. A partir de 1937, começou a formação de</p><p>pessoas civis em cursos de Educação Física no Brasil. Contudo, é importante</p><p>destacar que a formação era bem diferente dos dias atuais. A seguir,</p><p>apresentamos um breve resumo dos momentos históricos da Educação Física</p><p>escolar.</p><p>Quadro 1 – Tendências pedagógicas</p><p>ANO PERÍODO TENDÊNCIAS</p><p>1822 Império Em 1882, Rui Barbosa tornou obrigatória a prática de</p><p>ginástica</p><p>1889 1ª República Tendência higienista</p><p>Educação Física com tendência para desenvolver o físico.</p><p>Prevenir doenças por meio do cuidado com a saúde.</p><p>1930 Estado Novo Tendência militarista</p><p>Relação autoridade e recruta.</p><p>Educação Física com caráter nacionalista, com o objetivo de</p><p>preparar para o combate.</p><p>1945 República populista Tendência pedagogista.</p><p>Relação professor e aluno. Educação física voltada para o</p><p>esporte de rendimento.</p><p>1964 Governo Militar Relação técnico e atleta. Educação física voltada para o</p><p>esporte de alto rendimento.</p><p>1985 até os</p><p>dias atuais</p><p>Redemocratização Tendência popular. Relação professor e aluno participativo.</p><p>Educação física que investiga uma visão crítica do aluno</p><p>sobre a sociedade.</p><p>Fonte: elaborado com base em Cayres-Santos; Biedrzycki; Gonçalves, 2020.</p><p>7</p><p>2.2 Princípios da formação do profissional de Educação Física</p><p>Antes de iniciarmos a discussão sobre esse tema, é importante fazermos</p><p>uma reflexão: o que é educar? Antigamente, a perspectiva da Educação Física</p><p>escolar era centrada nos preceitos militares, pois os professores eram militares,</p><p>com o objetivo voltado para a competição. De modo geral, a formação do</p><p>profissional de Educação Física antigamente era bem curta (meses) e não tinha</p><p>muito cunho científico e acadêmico.</p><p>Atualmente, há uma diferenciação do profissional de Educação Física que</p><p>pretende trabalhar no âmbito escolar (licenciatura) e outros destinado ao alto</p><p>rendimento (bacharel). Como o foco nessa disciplina é discutir o papel do</p><p>profissional de Educação Física no cenário escolar, traremos você, estudante,</p><p>para essa perspectiva.</p><p>Em 1920, a Educação Física passou a fazer parte da matriz curricular, com</p><p>o objetivo de tornar um menino em homem “um bom cidadão”. Assim os</p><p>formandos da época, além de terem as aulas teóricas tinham também estágios</p><p>supervisionados e projetos de extensão. É importante destacar que a Educação</p><p>Física escolar passou junto ao longo do tempo, com todos os principais marcos</p><p>históricos do Brasil, sendo influenciada diretamente por movimentos sociais da</p><p>época. Assim, surgiu a necessidade de um profissional capacitado no movimento</p><p>humano. Nos dias atuais, dizemos profissional de ensino-aprendizagem</p><p>relacionado à cultura corporal do movimento humano.</p><p>TEMA 3 – A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL – O INÍCIO DAS MUDANÇAS</p><p>A Educação Física, assim como as outras disciplinas, passou e ainda passa</p><p>por diversas transformações ao decorrer dos anos. Assim, hoje em dia, não há</p><p>como imaginar a escola sem as aulas de Educação Física escolar, afinal como</p><p>seria possível trabalhar corpo, desenvolvimento motor, valores, socialização e</p><p>liderança sem as aulas de Educação Física?</p><p>Desse modo, qual era o principal papel da Educação Física escolar? Se</p><p>retornarmos 30, 40, 50 anos, verificaremos que o ensino era voltado para a</p><p>performance militar, olímpica e jogos competitivos. Talvez ainda haja um resquício</p><p>do ensino “tradicional”, no qual as aulas de Educação Física eram para formar</p><p>atletas, ou então o aluno apenas recebia a informação do que deveria fazer e</p><p>8</p><p>executava. Esse tipo de ensino era apenas na transmissão do conhecimento do</p><p>professor para o aluno.</p><p>É fácil em uma roda de conversa verificar que ainda há professores com</p><p>formação mais antiga, que atuam com esse método de ensino, no qual as aulas</p><p>são sempre as mesmas com simples jogos competitivos, sem que o professor</p><p>atue como um mediador de ensino.</p><p>Nos dias atuais, a formação como um todo sofreu diversas alterações e</p><p>inovações pedagógicas. Por exemplo, várias linhas de estudo têm buscado</p><p>ampliar o conhecimento e a experiência dos alunos, adotando diferentes</p><p>abordagens:</p><p>• Abordagem tradicional – método que considera o sujeito como um ser</p><p>acabado, receptor de conteúdos, que apenas reproduz o que o professor</p><p>transmite, sem interação. Por exemplo: professor não inova nas aulas,</p><p>apenas transmite o “conhecimento limitado” aos alunos, sem que ocorra</p><p>uma discussão sobre a atividade.</p><p>• Abordagem comportamentalista – a experiência é a base do</p><p>conhecimento. O homem é um produto do meio e é possível controlá-lo por</p><p>meio da transmissão de conteúdos. Por exemplo: o professor apenas faz</p><p>com que os alunos experimentem determinadas atividades.</p><p>• Abordagem humanista – o ensino centra-se no aluno, que tem</p><p>personalidade individual e passa de receptor de informações para sujeito</p><p>da ação que constrói o conhecimento por meio de experiências e interação</p><p>com o meio. O professor passa de transmissor para facilitador de</p><p>conhecimento. Por exemplo: professor aplica uma atividade coletiva, mas</p><p>individualmente adapta para que todos possam participar da melhor forma</p><p>possível. O professor, de acordo com cada peculiaridade, ajuda a</p><p>desenvolver ferramentas de ensino e aprendizagem.</p><p>• Abordagem cognitivista – o aluno é capaz de integrar informações e</p><p>processá-las – organizar dados, sentir e resolver problemas, adquirir e</p><p>empregar símbolos. Por exemplo: o professor atua com o aluno para a</p><p>resolução de problemas. O professor auxilia o aluno, porém cabe ao aluno</p><p>pensar e criar estratégias para a resolução de problemas.</p><p>• Abordagem sociocultural – considera os aspectos sócio-político-</p><p>culturais, com destaque para o fenômeno da cultura popular. O aluno é o</p><p>sujeito da educação, inventando e reinventando seus conhecimentos e sua</p><p>9</p><p>história. Por exemplo: o professor atua com o aluno para a resolução de</p><p>problemas de acordo com a cultura regional. Sugere-se que o professor</p><p>aplique e desenvolva atividades que envolvam a cultura do local, a partir</p><p>disso atue na resolução da atividade. É importante esse tipo de atividade,</p><p>pois aproxima o jovem da atividade de acordo com a sua realidade.</p><p>Vale ressaltar que todas essas abordagens dependem de modo geral do</p><p>professor, que é o elo principal para o desenvolvimento de uma melhor aula e</p><p>experiência para o aluno. Outro ponto é a infraestrutura do local para a realização</p><p>das atividades. Todavia, apesar das grandes desigualdades de estrutura, quem</p><p>atua com a Educação Física escolar consegue adaptar diferentes situações e</p><p>aulas de acordo com o local e as características dos alunos. De modo geral, basta</p><p>o professor acreditar que dará certo e aplicar todo o conhecimento técnico que o</p><p>foi passado.</p><p>TEMA 4 – BASE PEDAGÓGICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Não se pode ensinar a cultura corporal somente pelo movimento humano,</p><p>por meio da Fisiologia, Biologia e Anatomia, pois movimento pode e está</p><p>relacionado também com os aspectos psicológico e social. O ensino do</p><p>movimento ou do desenvolvimento motor está relacionado com as diversas áreas</p><p>do conhecimento, atuando de modo interdisciplinar. Assim, pode-se afirmar que o</p><p>ensino da cultura corporal abrange diversas áreas de saberes, incluindo a motora,</p><p>cognitiva e afetiva do indivíduo.</p><p>Desse modo, uma importante área do saber, que está incluído o</p><p>desenvolvimento da criança, é a psicomotricidade. “A psicomotricidade é um</p><p>termo empregado para a concepção de movimento organizado e integrado, em</p><p>função das experiências vividas pelo sujeito ‘criança’ cuja ação é resultante de</p><p>sua individualidade,</p><p>sua linguagem e sua socialização”. (Associação Brasileira de</p><p>Psicomotricidade).</p><p>Assim sendo, pode-se afirmar que a Psicomotricidade é o alicerce para as</p><p>crianças da Educação Infantil e do primeiro ciclo do Ensino Fundamental (antiga</p><p>escola primária). Alguns pensadores vão muito além do simples movimento</p><p>corporal, visto que, dentre algumas áreas de estudo, alguns autores fazem a</p><p>seguinte reflexão, na qual a criança pode se desenvolver:</p><p>10</p><p>• Crítico-superadora: as atividades práticas não deveriam ser meras</p><p>práticas, mas sim fomentar a formação político-cultural dos alunos. Por</p><p>exemplo: o professor formador deve ir muito além da prática (jogos e</p><p>brincadeiras) e propor atividades com desafios locomotores e intelectual</p><p>para o seu pleno desenvolvimento.</p><p>• Crítico-emancipatória: por meio de atividades teóricas e práticas do</p><p>movimento humano, o desenvolvimento de determinadas competências do</p><p>aluno vai além da competência motora, como a competência objetiva</p><p>(saber fazer), a social (relações pessoais e intersubjetivas) e a</p><p>comunicativa (saber dizer). Por exemplo: nessa tipo de metodologia, a</p><p>criança deve ter ou aprimorar sua atividades motora (saber fazer), interagir</p><p>e se desenvolver por atividades em grupo (social) e trabalhar a</p><p>comunicação com as outras crianças (saber dizer). De modo geral, isso é</p><p>visto em atividades de jogos em grupos.</p><p>Tendo como base essa linha de pensamento, buscou por meio das aulas</p><p>práticas aumentar o nível de complexidade das atividades para que o professor</p><p>atue como um mediador para a resolução de problemas. Dessa forma, outras</p><p>maneiras de ensino de forma pensada e planejada:</p><p>• Educação desenvolvimentista: busca nos aspectos de desenvolvimento e</p><p>aprendizagem da criança a fundamentação para o ensino da Educação</p><p>Física. Por exemplo: por meio de experiências, jogos, brincadeiras,</p><p>experiências sensitivas e motoras, a criança irá se desenvolver motora,</p><p>social e psíquica.</p><p>• Educação construtivista: nesta abordagem, a ênfase recai sobre o</p><p>desenvolvimento cognitivo e considera a cultura infantil como essencial,</p><p>priorizando o lúdico e o simbolismo. Os conteúdos devem ser</p><p>desenvolvidos dos mais simples (habilidades básicas) para os mais</p><p>complexos (habilidades específicas). Por exemplo: o professor deve</p><p>explorar a cultura local onde a criança está inserida e propor atividades</p><p>lúdicas para o seu desenvolvimento. De modo geral, brincadeiras e danças</p><p>são excelentes forma de desenvolvimento. Além disso, o professor deve</p><p>explorar movimentos naturais básicos e aos poucos ir inserindo</p><p>movimentos mais específicos, a fim de desenvolver tanto a parte cognitiva,</p><p>como também motora da criança.</p><p>11</p><p>• Educação sistêmica: entendida como um sistema hierárquico aberto que</p><p>influencia e recebe influências da sociedade e atende aos princípios da não</p><p>exclusão e da diversidade, as aulas devem oferecer atividades variadas,</p><p>permitindo que o aluno as vivencie e compreenda. Por exemplo: o professor</p><p>deverá explorar de maneira variada todas as habilidades da criança.</p><p>Compete ao professor adaptar as atividades de acordo com a característica</p><p>dos alunos e a estrutura. Recomenda-se que o professor tente a</p><p>participação de todos nas atividades propostas, sem excluir nenhum aluno.</p><p>• Educação plural: talvez essa exerce sua maior influência no campo da</p><p>Educação Física e no desenvolvimento corporal como um todo, na qual as</p><p>práticas são mais associadas ao movimento e ao corpo atendendo às suas</p><p>peculiaridades.</p><p>Assim, as principais mudanças estão relacionadas da seguinte forma:</p><p>• Mudança de uma educação para o esporte, para uma educação pelo</p><p>esporte.</p><p>• Mudança de um esporte na escola para um esporte da escola.</p><p>• Ampliação dos conteúdos para a Cultura de Movimento.</p><p>• Centralidade do ensino-aprendizagem no aluno e em seu se movimentar.</p><p>Por exemplo: o professor, para atuar de modo diferente e mais completo</p><p>em sala de aula, talvez na educação plural ocorreram ou ocorrem as</p><p>principais mudanças no meio de ensino. O professor prioriza a educação</p><p>por meio do movimento corporal, por meio de jogos, brincadeiras e</p><p>movimentos corporais, a criança se desenvolve social, motora,</p><p>socialização, liderança e convívio em uma sociedade.</p><p>TEMA 5 – DESAFIOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR</p><p>A formação e o reconhecimento do profissional de Educação Física pela</p><p>sociedade ainda é recente e cercada de debates calorosos. Antigamente, a</p><p>formação do profissional era considerada generalista e nos dias atuais estamos</p><p>se aperfeiçoando cada vez mais, assim chegou o momento de uma matriz</p><p>curricular nacional comum.</p><p>12</p><p>5.1 Marcos importantes</p><p>Um marco histórico no campo da Educação Física escolar foi no dia 1º de</p><p>setembro de 1998 a partir da Lei n. 9.696, na qual foi criado o órgão regulador do</p><p>Conselho Nacional de Educação Física (Conef). A partir disso, vários momentos</p><p>foram importantes, como o dia 1º de julho de 2015, em que o curso de ensino</p><p>superior tange a formação de professores de Educação Física na Educação</p><p>Básica, tendo como ênfase a teoria e a prática nos Anos Iniciais, bem como a</p><p>disposição de uma matriz curricular para todos os cursos de Educação Física em</p><p>nível superior. Seguem principais conteúdos para a formação dos profissionais de</p><p>Educação Física.</p><p>Quadro 2 – Conteúdo programático</p><p>Licenciatura Bacharelado</p><p>Politica e organização do ensino</p><p>Introdução à Educação Física</p><p>Metodologia de ensino</p><p>Didática de ensino</p><p>Educação Física infantil</p><p>Educação Física no Ensino</p><p>Fundamental</p><p>Educação Física no Ensino Médio</p><p>Educação Física no ensino especial</p><p>Educação Física escolar em</p><p>ambientes não urbanos</p><p>Saúde:</p><p>Políticas e programas de saúde,</p><p>atenção básica, secundária e</p><p>terciária</p><p>Sistema único de Saúde</p><p>Saúde coletiva</p><p>Serviço e comunidade</p><p>Gestão em saúde</p><p>Esporte:</p><p>Política e programas de esporte</p><p>Treinamento esportivo</p><p>Psicologia</p><p>Esporte e gestão</p><p>Avaliação de projeto</p><p>Cultura e lazer</p><p>Política e programas de cultura e</p><p>lazer</p><p>Cultura e pedagogia do lazer</p><p>Avaliação de projeto na cultura e</p><p>lazer</p><p>Fonte: elaborado com base em Cayres-Santos; Biedrzycki; Gonçalves, 2020.</p><p>5.2 Desafios</p><p>Ao terminar a graduação, não é raro identificar profissionais com o</p><p>sentimento de insegurança e a pouca clareza sobre qual caminho seguir durante</p><p>os próximos anos. Muito disso se deve a uma formação muito generalista e com</p><p>pouca experiência prática. Outro ponto a ser destacado, cuja discussão será mais</p><p>13</p><p>aprofundada nas próximas aulas, é a falta de estrutura das escolas, em especial</p><p>no ensino público.</p><p>Talvez esse nem seja o principal ponto das dificuldades de ensino. Talvez</p><p>o ponto central seja a falta de desenvolvimento das crianças de modo semelhante,</p><p>em especial aqui o desenvolvimento motor. Por isso, compete ao profissional de</p><p>Educação Física criar estratégias na mesma turma para que consiga desenvolver</p><p>de modo semelhante as crianças e os adolescentes. Assim, o professor avaliará</p><p>cada criança de acordo com suas características, restrições e qualidades.</p><p>Outro ponto que pode ser considerado como um desafio ao profissional de</p><p>Educação Física é o pouco incentivo das faculdades nos cursos de licenciatura.</p><p>O que, de tal modo, restringe o acesso aos profissionais que desejam atuar nesse</p><p>contexto.</p><p>5.3 Prática docente</p><p>Com o objetivo de melhorar o ensino e a formação do profissional, a Base</p><p>Nacional Comum Curricular (BNCC) instituiu a obrigatoriedade da prática docente</p><p>da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Com isso,</p><p>possibilita ao formando uma experiência prática durante o curso. Sem dúvida</p><p>alguma, essa experiência leva a uma maior discussão teórica e prática,</p><p>enriquecendo a formação do profissional em diferentes cenários.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAGNARA, Ivan Carlos; FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo (null). Educação</p><p>Física escolar: política, currículo e didática. Ijuí: Unijuí, 2019. (Educação</p><p>física e</p><p>ensino).</p><p>BETTI, Mauro. Educação Física e sociedade: a educação física na escola</p><p>brasileira. Ijuí: Unijuí, 2020. (Educação física).</p><p>BIEDRZYCKI, Beatriz Paulo (null) et al. Metodologia do ensino da Educação</p><p>Física. Porto Alegre: Sagah, 2020. (Educação Física).</p><p>CAYRES-SANTOS, Suziane Ungari; BIEDRZYCKI, Beatriz Paulo; GONÇALVES,</p><p>Patrick da Silveira (null). Prática pedagógica da educação física no contexto</p><p>escolar. Porto Alegre: Sagah, 2020. (Educação Física).</p><p>FERNANDES, Jorge Manuel Gomes de A.; GUTIERRES FILHO, Paulo José</p><p>Barbosa. Psicomotricidade: abordagens emergentes. Barueri: Manole, 2012.</p><p>FONSECA, Vitor D. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto</p><p>Alegre: Grupo A, 2011.</p><p>MEIRA, Luciano; BLIKSTEIN, Paulo (orgs.). Ludicidade, jogos digitais e</p><p>gamificação na aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2019. (Tecnologia e</p><p>inovação na educação brasileira).</p><p>AULA 2</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Queridos(as) alunos(as), sejam muito bem-vindos(as). Nesta disciplina,</p><p>estudaremos os métodos empregados na Educação Física e suas correntes</p><p>pedagógicas contemporâneas de acordo com as competências pedagógicas.</p><p>Também iremos verificar as diferentes fases da criança, bem como as</p><p>adequações às noções pedagógicas em função das idades cronológicas,</p><p>biológicas maturacionais, nível de habilidades, etapas de aprendizagem escolar e</p><p>estrutura física com o objetivo de melhorar a ação pedagógica do profissional de</p><p>Educação Física.</p><p>TEMA 1 – PARÂMETROS DA PROFISSÃO</p><p>Toda profissão é regida por princípios éticos e alguns parâmetros que</p><p>norteiam a área de atuação profissional. De modo geral, quando olhamos sob a</p><p>ótica da Educação Física Escolar, isso é regido pela Lei de Diretrizes e Bases da</p><p>Educação Nacional, Lei n. 9.394, e Parâmetro Educacionais Nacionais, com</p><p>intenção de promover de modo equalitário entre todos os profissionais e seus</p><p>respectivos alunos. Assim, a seguir discutiremos os parâmetros da Educação</p><p>Física Escolar.</p><p>1.1 Parâmetros sobre a prática docente</p><p>Ao discutirmos neste tópico os parâmetros que norteiam a prática docente</p><p>na Educação Física Escolar, é importante refletir que esse é o momento também</p><p>de aprendizagem. A principal intenção é o aprendizado acadêmico (técnico), com</p><p>intuito de aplicar da melhor forma possível, mediante o cenário atual, o</p><p>conhecimento para seus respectivos alunos, baseado nas diretrizes e</p><p>recomendações que norteiam a política de ensino e da profissão (ensino-</p><p>aprendizagem).</p><p>Nos últimos anos, a Educação Física Escolar passou por muitas alterações</p><p>e inovações, tendo em vista a grande pressão imposta tanto pelos acadêmicos,</p><p>professores, sociedade e política. As principais são a implementação de um eixo</p><p>comum entre licenciados e bacharéis nos anos iniciais do curso e posteriormente</p><p>o aprimoramento de modo específico. Relacionado ao contexto escolar, muito se</p><p>deve aos programas de incentivo ao curso de licenciatura e flexibilização do tipo</p><p>de ensino (EAD) ofertado pelas instituições.</p><p>3</p><p>Ademais, é importante destacar o incentivo de pesquisas sobre o tipo de</p><p>ensino tanto para os acadêmicos como alunos escolares. Isso se deve a uma nova</p><p>termologia utilizada recentemente com ciência revolucionária. Esse termo</p><p>utilizado não quer dizer propriamente revolucionar a educação, mas sim verificar</p><p>os pontos positivos e negativos atuais de ensino e aprimorá-los. Isso muito se</p><p>deve aos estudiosos e grupos de pesquisa, com intuito de uma nova metodologia</p><p>de ensino, centrada na resolução de problemas e aplicações práticas.</p><p>Figura 1 – Evolução da Educação Física escolar</p><p>Fonte: Cayres-Santos, 2020.</p><p>1.2 Pilares pedagógicos</p><p>O profissional de Educação Física Escolar deve agir de forma pedagógica</p><p>a partir dos objetos de estudo e objetos de trabalho, tendo em vista o</p><p>desenvolvimento do movimento dos alunos.</p><p>O principal foco do profissional de Educação Física Escolar é o trabalho da</p><p>cultura corporal dos alunos, por meio de jogos, brincadeiras e atividade coletivas.</p><p>Recentemente uma nova metodologia vem sendo aplicada; antigamente, o ensino</p><p>era pautado em “aprender a fazer”, e hoje em dia é “fazer para ser”. Com isso,</p><p>incentiva as crianças a se desenvolverem de modo muito mais rápido, aplicando</p><p>no cenário de desenvolvimento de adaptação a diversos contextos. Assim, no</p><p>4</p><p>contexto prático, o professor atua como um norteador e auxiliador para que as</p><p>crianças e adolescentes desenvolvam a cultura corporal de modo integral.</p><p>Quadro 1 – Atuação do profissional de Educação Física na educação</p><p>Titulação Áreas de atuação Locais de prática profissional</p><p>Licenciatura Educação Básica Atividades curriculares em escolas estatais ou</p><p>particulares:</p><p>Educação infantil</p><p>Ensino fundamental</p><p>Ensino médio</p><p>Educação de jovens e adultos</p><p>Atividades extracurriculares em escolas</p><p>estatais ou particulares:</p><p>Supervisão e treinamento de jogos</p><p>interclasses, interescolares</p><p>Aulas de treinamento esportivo no contraturno</p><p>escolar</p><p>Fonte: Elaborado com base em Cayres-Santos, 2020.</p><p>TEMA 2 – EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL</p><p>2.1 Educação básica</p><p>O profissional de Educação Física é fundamental em todas as faixas</p><p>etárias, em especial na educação básica, pois os componentes aprendidos nessa</p><p>idade serão aprimorados em toda a infância. A Educação Física é uma aula</p><p>obrigatória para crianças e adolescentes de 4 a 17 anos. A atuação do profissional</p><p>em crianças é fundamental, pois o docente ensinará inúmeros gestos motores</p><p>para o desenvolvimento da cultura corporal. Recomenda-se que o professor</p><p>aplique tanto experiências simples como complexas, do geral ao específico, de</p><p>acordo com cada faixa etária.</p><p>Outro ponto a se destacar no processo da educação básica é que o</p><p>professor da educação física, além de trabalhar os componentes da cultura</p><p>corporal, deve compor aspectos relacionadas à pedagogia, desenvolvimento</p><p>humano, anatomia, fisiologia e práticas corporais, claro que adaptadas em cada</p><p>contexto e ambiente de ensino.</p><p>Assim, é importante deixar claro que a atuação do profissional vai além do</p><p>gesto e desempenho motor, pois está relacionada ao sentimento, interpretação e</p><p>valores corporais. Um ponto a destacar é que, nessa idade, um componente</p><p>5</p><p>importante é a socialização, descobrimento e compreensão de cada criança. Para</p><p>isso, realizar atividades lúdicas é de fundamental importância.</p><p>Algumas características importantes das aulas nessa idade são atividades</p><p>que levam as crianças a descobrir seus corpos. Confira tais atividades a seguir:</p><p>• Atividades como músicas são excelentes para o desenvolvimento da</p><p>cultura corporal;</p><p>• Atividades que envolvam questões do espaço e tempo;</p><p>• Atividades de imaginação e escuta.</p><p>Nessa idade, cabe ao professor de Educação Física possibilitar o maior</p><p>número de experiências possíveis para o desenvolvimento da criança.</p><p>2.2 Ensino fundamental e médio</p><p>No ensino fundamental, além dos jogos, o professor deve inserir danças,</p><p>jogos de aventura, ginásticas e mudanças de ambiente para o ensino da cultura</p><p>corporal. Essa etapa é fundamental para o desenvolvimento e refino dos gestos</p><p>motores. Nesse momento, ocorre o aprimoramento das habilidades e</p><p>competências. O componente curricular por meio das diretrizes é organizado por</p><p>temas.</p><p>Quadro 2 – Aplicação da Educação Física entre 1º e 5º ano</p><p>Unidade temática Objetos de conhecimento</p><p>1º e 2º anos 3º, 4º e 5º anos</p><p>Jogos e</p><p>brincadeiras</p><p>Brincadeira e jogos da</p><p>cultura popular no contexto</p><p>regional</p><p>Brincadeiras e jogos populares</p><p>Brincadeiras e jogos de matrizes indígena e</p><p>africana</p><p>Esportes Esporte de marca</p><p>Esporte de precisão</p><p>Esportes de campo</p><p>Esporte de rede</p><p>Esporte de invasão</p><p>Ginásticas Ginástica geral Ginástica geral</p><p>Danças Danças do contexto</p><p>comunitário</p><p>Danças do Brasil</p><p>Danças de matrizes indígena e africana</p><p>Lutas Lutas regionais</p><p>Lutas</p><p>de matrizes indígena e africana</p><p>Fonte: Elaborado com base em Cayres-Santos, 2020.</p><p>6</p><p>Quadro 3 – Aplicação da Educação Física entre 6º ao 9º ano</p><p>Unidade temática Objetos de conhecimento</p><p>6º e 7º anos 8º e 9º anos</p><p>Jogos e</p><p>brincadeiras</p><p>Jogos eletrônicos _____________</p><p>Esportes Esporte de marca</p><p>Esporte de precisão</p><p>Esporte de invasão</p><p>Esporte técnico -</p><p>combinatórios</p><p>Esportes de campo e taco</p><p>Esporte de rede/parede</p><p>Esporte de invasão</p><p>Esporte de combate</p><p>Ginásticas Ginástica de</p><p>condicionamento físico</p><p>Ginástica de condicionamento físico</p><p>Ginástica de conscientização corporal</p><p>Danças Danças Urbanas Danças de salão</p><p>Lutas Lutas do Brasil Lutas do mundo</p><p>Práticas corporais</p><p>de aventura</p><p>Práticas corporais de</p><p>aventura urbana</p><p>Prática corporais de aventura na natureza</p><p>Fonte: Elaborado com base em Cayres-Santos, 2020.</p><p>Já no ensino médio, as intenções do professor são mais voltadas para</p><p>hábitos saudáveis na idade adulta. Deve-se ensinar a importância de se manter</p><p>ativo durante a idade adulta.</p><p>7</p><p>Quadro 4 – Aplicação da Educação Física entre 1º ao 3º ano</p><p>Unidade temática Objetos de conhecimento</p><p>1º ano 2º e 3º ano</p><p>Jogos e</p><p>brincadeiras</p><p>Jogos de invasão Esporte de invasão</p><p>Esporte de rede/parede</p><p>Ginásticas Ginástica de</p><p>condicionamento físico</p><p>Práticas corporais</p><p>ocidentais e orientais</p><p>Ginástica de condicionamento</p><p>Práticas corporais ocidentais e orientais</p><p>Danças Danças populares</p><p>contemporâneas</p><p>Danças populares e contemporâneas</p><p>Práticas corporais</p><p>de aventura</p><p>Práticas corporais de</p><p>aventura na natureza</p><p>Prática corporais de aventura na natureza</p><p>Práticas corporais</p><p>e saúde</p><p>Primeiros socorros Atividade física e adaptações agudas e</p><p>crônicas</p><p>Fonte: Elaborado com base em Cayres-Santos, 2020.</p><p>TEMA 3 – ENSINO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR</p><p>No ensino, há diferentes formas de o profissional de Educação Física</p><p>ensinar, aprender e avaliar. Por isso, recomenda-se que todo esse processo</p><p>ocorra de modo gradual e contínuo ao longo do ano. De modo geral, sugere-se</p><p>que isso ocorra por meio de atividade formativas. Por isso, o profissional deve ter</p><p>um olhar crítico para cada criança, utilizando ferramentas atuais para verificar</p><p>esse processo. O importante na construção desse processo é que a avaliação não</p><p>seja apenas quantitativa com olhar apenas do professor, mas sim uma avaliação</p><p>na qual a criança consiga ver seu desenvolvimento.</p><p>Para isso, as práticas de ensino são fundamentais. Desse modo,</p><p>recomenda-se que as atividades sejam formadas por conceitos (conhecer,</p><p>compreender, reconhecer, identificar), procedimentos (desenvolver, organizar,</p><p>estabelecer) e atitudes (contribuir, elaborar, valorizar).</p><p>Atualmente, verificamos diversos avanços na matriz curricular em todos os</p><p>cursos, em especial nas aulas de Educação Física. Recentemente, vimos que as</p><p>aulas passaram de simples jogos esportivos para desenvolvimento da cultura</p><p>8</p><p>corporal das crianças. Nos últimos anos, temos visto mais avanços que serão</p><p>discutidos a seguir.</p><p>3.1 Experimentação</p><p>A experimentação, como o próprio nome diz, remete a vivências e culturas</p><p>corporais, e a partir dessa experimentação, se desenvolve sentimentos, gestos</p><p>motores, fundamentos e ações, e assim a criança terá capacidade de argumentar</p><p>se gostou ou não de determinada atividade.</p><p>3.2 Apropriação</p><p>A apropriação é a tarefa seguinte da experimentação. A partir da</p><p>experimentação, as crianças e adolescentes se especializarão em determinada</p><p>atividade decorrente do domínio do gesto motor e da felicidade em desempenhar</p><p>tal atividade. Como veremos mais adiante, seria o refino das habilidades motoras.</p><p>3.3 Autorrealização e reflexão</p><p>A autorrealização na mais é do que a criança e adolescente ter o domínio</p><p>do gesto técnico, o que consequentemente traz benefícios corpóreos e de</p><p>felicidade e autoestima. Outro ponto é a reflexão sobre seus atos realizados</p><p>durante determinada atividade. Caberá ao sujeito compreender se realizou as</p><p>atividades de acordo com as regras e se foi honesto perante seus colegas.</p><p>3.4 Valores</p><p>Todas as disciplinas do ensino básico, fundamental e médio ensinam</p><p>valores para crianças, jovens e adolescentes. Mas talvez nenhuma disciplina</p><p>aborde esse tema de modo mais prático, atual e natural igual à aula de Educação</p><p>Física. Nas aulas de Educação Física, é muito mais fácil e prático inserir temas</p><p>relacionados a machismo, discriminação e desigualdades, visto que as aulas</p><p>possuem um caráter de melhorar a democracia da sociedade por meio do esporte.</p><p>A partir dos tópicos citados acima, fica claro que a aula de Educação Física</p><p>vai muito além de simplesmente cultura corporal. As aulas de Educação Física,</p><p>além de trabalhar a cultura do corpo, desenvolvem experiências para a formação</p><p>como um todo cidadão na vida adulta. Talvez, a Educação Física é uma das</p><p>9</p><p>disciplinas mais importantes para a formação de uma futura sociedade mais</p><p>igualitária, justa e sociável.</p><p>TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO DOS ALUNOS POR MEIO DA AULA DE</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>As aulas de Educação Física são muito mais complexas do que todos</p><p>pensam. Nas aulas, além de trabalhar a parte motora, também se busca o</p><p>desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. Recentemente, uma nomenclatura</p><p>tem dominado e tirado da zona de conforto muito profissionais para adotar no</p><p>ensino o que vem sendo chamado de inteligências múltiplas. Essa nova</p><p>nomenclatura defende que o conhecimento não é apenas intelectual, mas sim</p><p>ocorre por diferentes cenários e formas. Assim, nas aulas de Educação Física</p><p>Escolar, deve-se buscar o desenvolvimento da criança de diferentes formas.</p><p>Apesar de o conceito de inteligência múltipla estar presente apenas agora,</p><p>essa terminologia foi criada em 1980 por Gardner, que verificou que o processo</p><p>de aprendizagem não ocorre apenas de uma única forma, estabelecendo que as</p><p>habilidades cognitivas podem ser expressas por meio da corporal-cinestésica,</p><p>interpessoal e naturalista. Como as aulas de Educação Física apresentam</p><p>conceitos mais relacionados aos esportes, serão apresentadas algumas formas</p><p>que podem ser aplicadas nesse conceito.</p><p>Quadro 5 – Inteligência múltipla na Educação Física</p><p>Campo de expressão Objeto de ensino</p><p>Corporal – Cinestésica Expressar movimento corporais, gestores motores, como</p><p>corrida, fintas, controle do corpo.</p><p>Verbal - linguística Compreensão e comunicação com demais pessoas e</p><p>interpretação da prática corporal como um todo.</p><p>Espacial Compreensão de tempo em forma de deslocamento de</p><p>diferentes formas.</p><p>Musical Percepção e reconhecimento do som que englobam as</p><p>práticas corporais. Sequência de movimentos.</p><p>Intrapessoal Reconhecimento dos seus próprios limites corporais.</p><p>10</p><p>Interpessoal Relacionamento aluno professor, bem como</p><p>relacionamento com demais colegas.</p><p>Naturalista Conhecimento sobre as alterações fisiológicas por meio</p><p>das práticas corporais.</p><p>Elaborado com base em Cayres-Santos, 2020.</p><p>Com base nessa teoria, fica evidente que a Educação Física Escolar</p><p>aborda diferentes forma de ensino, desenvolvimento e aprendizagem. Assim, fica</p><p>claro o conceito e aplicação de inteligência múltipla, estando conectado aos outros</p><p>eixos do saber.</p><p>Nesse cenário, busca-se que o professor e os alunos experimentem, em</p><p>cada aula de Educação Física, quatro pilares básicos da educação.</p><p>• Aprender a conhecer: adquirir, conhecer e desenvolver novos</p><p>conhecimentos.</p><p>• Aprender a fazer: colocar em prática a aprendizagem obtida.</p><p>• Aprender a viver juntos: incentivar a colaboração e troca de experiências</p><p>com outros colegas.</p><p>• Aprender a ser: a partir das experiências anteriores, estimular o</p><p>pensamento crítico e autônomo do aluno. Assim, ele saberá agir em</p><p>diferentes cenários e contextos.</p><p>4.1 Profissional de Educação Física multidisciplinar</p><p>Antes de iniciar a participação do profissional de Educação Física no</p><p>contexto multidisciplinar, é importante</p><p>apresentar dois conceitos que são</p><p>confundidos com frequência.</p><p>• Multidisciplinar: relacionado a tudo aquilo que é referente ou que abrange</p><p>outras áreas do conhecimento;</p><p>• Interdisciplinar: é comum entre as áreas dos saberes.</p><p>Ambos os conceitos estão presentes diariamente nas escolas, porém por</p><p>inúmeras vezes não são adotados por falta de comunicação, interesse e vontade</p><p>dos professores. Assim, mais importante que a quantidade de conhecimento que</p><p>será transmitida para os alunos é a forma como esse conhecimento irá ocorrer.</p><p>Ademais, outro desafio intrínseco diz respeito à melhor forma de unir as</p><p>áreas do saber para transmitir o conhecimento. Por mais que as aulas de</p><p>11</p><p>Educação Física possuam diversos cenários e contextos para aplicar o</p><p>conhecimento dos outros saberes, é pergunta que se faz é como as outras áreas</p><p>podem trabalhar o eixo de cultura corporal nas suas respectivas disciplinas?</p><p>Assim, é fundamental que o professor de adapte e esse novo cenário.</p><p>TEMA 5 – EDUCAÇÃO FÍSICA COM METODOLOGIA ATIVA</p><p>As metodologias ativas de ensino vieram para propor um novo modo de</p><p>ensino, saindo daquele tipo de ensino tradicional de 10, 20, 30 anos atrás, no qual</p><p>o professor apenas transmitia o conhecimento. A metodologia ativa busca</p><p>aproximar o estudante dos conceitos teóricos e expor tais conceitos em</p><p>determinadas situações nas quais ele está inserido diariamente, para que o</p><p>estudante saiba aplicar na prática e tomar decisões mais corretas.</p><p>A metodologia ativa ou então sala invertida, que alguns autores trazem,</p><p>pode ser organizada ou pré-determinada seguindo alguns itens:</p><p>• Definição do problema: durante a aula, é importante definir com a turma</p><p>um problema ou situação em que a maioria dos estudantes estão expostos.</p><p>• Discussão sobre o tema ou problema: é importante estimular a</p><p>discussão sobre o tema entre a turma para realmente verificar se há o</p><p>problema em questão e refletir sobre possíveis implicações práticas.</p><p>• Panorama atual: essa etapa é importante para pensar em algumas</p><p>estratégias, metodologias eficazes que podem ser utilizadas para</p><p>solucionar o problema em questão.</p><p>• Pessoas interessadas: após realizadas as etapas anteriores, recomenda-</p><p>se que os alunos procurem conversar com pessoas especialistas sobre o</p><p>tema para trocar informações e ideias.</p><p>• Trabalho de campo: é importante estimular os estudantes e aplicar o</p><p>conhecimento teórico na prática para testar os resultados.</p><p>• Resultados: sugere-se que os estudantes elaborem, em forma de relatório</p><p>ou então tabelas, os resultados obtidos, e façam uma discussão sobre tais</p><p>resultados, refletindo se o problema foi solucionado.</p><p>• Discussão final: a discussão final deve ser feita com todos os colegas da</p><p>turma, para ouvir a opinião dos outros e discutir sobre as estratégias</p><p>realizadas. A metodologia ativa pode e deve ser realizada em todas as</p><p>12</p><p>disciplinas curriculares. O ideal é que haja uma atividade interdisciplinar</p><p>incentivando os acadêmicos a pensarem e agirem de outras formas.</p><p>Por exemplo, uma temática atual que pode ser discutida entre os jovens é</p><p>o sedentarismo, excesso de peso e obesidade infantil, uso de mídias sociais,</p><p>muito tempo de tela (televisão, computador, videogame). Esse tipo de atividade,</p><p>além de estimular o adolescente, auxilia no surgimento de excelentes ideias. Além</p><p>disso, o principal intuito desse tipo de atividade é aproximar o estudante na</p><p>resolução dos problemas enfrentados pela sociedade.</p><p>Seguindo o exemplo acima, iremos apresentar um exemplo de como o</p><p>professor, em sala de aula, poderia trabalhar a metodologia ativa com os</p><p>estudantes, pensando no problema de excesso de peso infantil:</p><p>• Panorama atual: excesso de peso infantil.</p><p>• Pessoas interessadas: alunos de outras turmas, outros professores, pais</p><p>dos alunos e merendeiras das escolas.</p><p>• Trabalho de campo: identificar relatórios, pesquisas, dados do excesso de</p><p>peso infantil. Verificar quais ações foram tomadas em outras escolas e</p><p>quais poderiam ser aplicas no seu contexto.</p><p>• Resultados: descrever as ações que os alunos faziam antes e após a</p><p>intervenção. Se possível, verificar o peso antes e após 30 dias dos alunos.</p><p>Descrever a mudança de comportamento dos alunos. Criar ações</p><p>individuais de cada um para reduzir o peso e aumentar a atividade física.</p><p>• Discussão final: discutir sobre as ações que os estudantes planejaram e</p><p>quais deram certo e quais deram errado. Discutir sobre a responsabilidade</p><p>individual e coletiva para o excesso de peso. Discutir sobre o papel da</p><p>escola na prevenção da obesidade infantil.</p><p>Claro que foi realizada de maneira muito breve as fases que podem ser</p><p>seguidas. Recomenda-se que você, estudante, agora pense qual(is) problemas</p><p>seus alunos podem estar enfrentando, tanto na educação básica, como no ensino</p><p>fundamental e médio, e pense como pode aplicar isso no seu contexto. Você pode</p><p>aplicar outras etapas, chamar outro professor para trabalhar interdisciplinas. A</p><p>principal ideia é aplicar o conhecimento na prática e incentivar a troca de</p><p>experiência entre os alunos. Vamos lá? Agora é sua vez!</p><p>13</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CAYRES-SANTOS, S. U.; BIEDRZYCKI, B. P.; GONÇALVES, P. da S. Prática</p><p>pedagógica da Educação Física no contexto escolar. Porto Alegre: Sagah,</p><p>2020.</p><p>BETTI, M. Educação Física e sociedade: a Educação Física na escola brasileira.</p><p>3. ed. Ijuí: Unijuí, 2020.</p><p>BIEDRZYCKI, B. P. et al. Metodologia do ensino da Educação Física. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2020.</p><p>BAGNARA, I. C.; FENSTERSEIFER, P. E. Educação Física Escolar: política,</p><p>currículo e didática. Ijuí: Unijuí, 2019.</p><p>MEIRA, L.; BLIKSTEIN, P. (Org.). Ludicidade, jogos digitais e gamificação na</p><p>aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2019.</p><p>AULA 3</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Querido(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Nesta disciplina, estudaremos os</p><p>métodos empregados na educação física e suas correntes pedagógicas</p><p>contemporâneas, de acordo com as competências pedagógicas. Também iremos</p><p>verificar as diferentes fases da criança, bem como as adequações às noções</p><p>pedagógicas em função das idades cronológicas, biológicas maturacionais, nível</p><p>de habilidades, etapas de aprendizagem escolar e estrutura física, com o objetivo</p><p>de melhorar a ação pedagógica do profissional de educação física.</p><p>TEMA 1 – DIFERENTES ABORDAGENS DA EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Como vimos, a educação física passou por diversos momentos históricos</p><p>de luta até os dias atuais, especialmente no que se trata do conteúdo programático</p><p>abordado em sala de aula. Independentemente do ano de ensino, a educação</p><p>física escolar segue três características fundamentais: procedimentais (fazer),</p><p>conceituais (conceitos e princípios) e atitudinais (normas e valores). Você deve</p><p>estar se perguntando se realmente todas as aulas de educação física apresentam</p><p>essa organização. De forma geral, sim, mas não necessariamente toda aula deve</p><p>adotar esses tópicos.</p><p>Por isso, é importante você saber claramente o objetivo da sua aula, pois</p><p>fica mais fácil organizá-la e seguir os três componentes. Talvez a organização</p><p>desse modo seja mais clara nos anos iniciais, pois, de modo geral, professores</p><p>da educação inicial tendem a adotar um planejamento e uma organização mais</p><p>clara nos seus planos de ensino. Todavia, independentemente da faixa etária, é</p><p>de suma importância planejar as aulas.</p><p>1.1 Educação infantil</p><p>A educação física na educação infantil é muito marcada pelo</p><p>desenvolvimento motor e pelo conhecimento do próprio corpo da criança. É um</p><p>período inteiramente de descobertas, uma fase importante que poderá marcar</p><p>toda a vida. Na ótica do ensino da leitura, essa fase é marcada pelos gestos</p><p>motores fundamentais, sendo a base para todo o desenvolvimento motor. Vale</p><p>ressaltar que nessa fase também se desenvolvem as funções cognitivas,</p><p>organização temporal e emocional. Por isso,</p><p>a partir de agora, revisaremos o</p><p>desenvolvimento motor e as principais funções motoras em cada etapa.</p><p>3</p><p>A infância é marcada pelo desenvolvimento das habilidades motoras</p><p>fundamentais. O foco da infância é desenvolver a competência motora básica,</p><p>para ser utilizada em uma ampla variedade de situações da criança no seu</p><p>cotidiano (ambiente, tarefas e indivíduo).</p><p>O desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais é imprescindível</p><p>na primeira infância (do nascimento aos 6 anos) até a terceira idade (acima de 60</p><p>anos). Se as habilidades básicas não forem assimiladas de modo correto na etapa</p><p>inicial da vida, provavelmente nas fases posteriores haverá dificuldades na</p><p>realização de algumas tarefas (competência motora vs. competência física). Por</p><p>exemplo, crianças mais expostas a brincadeiras ou situações que lhes permitam</p><p>melhorar a competência motora consequentemente terão mais habilidades em</p><p>atividades físicas mais complexas na adolescência e idade adulta.</p><p>Por outro lado, crianças sem muitos estímulos motores que permitam esse</p><p>processo tendem a não gostar de jogos esportivos na segunda infância (6 anos</p><p>até a puberdade) e adolescência (da puberdade até os 18 anos). Dessa maneira,</p><p>provavelmente não farão atividades físicas na fase adulta nem na terceira idade.</p><p>Na primeira infância, uma das primeiras habilidades motoras fundamentais</p><p>de manipulação verificadas é a habilidade de arremessar. Incialmente a criança</p><p>pega o objeto (brinquedo) e arremessa. Outras habilidades motoras fundamentais</p><p>são o ato de pegar e a manipulação de objetos (balões, brinquedos, objetos,</p><p>panos, entre outros), o que pode ser feito com uma das mãos ou ambas e durante</p><p>toda a vida.</p><p>O ato de chutar também é observado com frequência na primeira infância.</p><p>Geralmente é uma das atividades básicas mais realizadas pela criança, mas nem</p><p>sempre é bem executada, pois requer coordenação olho-pé, equilíbrio (estático e</p><p>dinâmico) e habilidade perceptível. Uma habilidade também observada na</p><p>primeira infância, porém com menor frequência, é o voleio (chutar uma bola no</p><p>ar), uma atividade mais complexa do que chutar, pois exige coordenação de olho,</p><p>mão e pé, equilíbrio e percepção.</p><p>Por último, há o ato de rebater. Geralmente as crianças na primeira infância</p><p>rebatem balões, bolas, entre outros. Posteriormente, na segunda infância, todas</p><p>essas habilidades motoras fundamentais serão mais investigadas.</p><p>As habilidades motoras fundamentais de locomoção permitem às crianças</p><p>se deslocar de um ponto a outro. Nessa etapa, descreveremos seis atividades de</p><p>locomoção: correr, galopar, correr lateralmente, skip, saltar e saltitar.</p><p>4</p><p>Corrida nada mais é que uma forma mais rápida de caminhar, com uma</p><p>fase aérea em que ambos os pés ficam sem contato com o solo. O ato de correr</p><p>na primeira infância se associa a brincadeiras no dia a dia, principalmente em</p><p>jogos.</p><p>Outras atividades de locomoção fundamentais são o galopear e a corrida</p><p>lateral. Ambos são frequentes na primeira infância e exigem uma locomoção</p><p>assimétrica. Não são realizados em muitas tarefas do dia a dia, porém são feitos</p><p>em festivais de dança e manifestações folclóricas. Já o skip é uma atividade que,</p><p>de modo geral, não é muito frequente entre crianças. Esse movimento pressupõe</p><p>um saltito, seguido por outro saltito com o outro pé. Trata-se da atividade de</p><p>locomoção mais complexa para uma criança.</p><p>Na primeira infância, uma das atividades mais realizadas é o saltar. É uma</p><p>das primeiras atividades de locomoção realizadas pela criança, exigindo força</p><p>muscular, equilíbrio e coordenação. Por último, verifica-se a locomoção pelo</p><p>saltitar, atividade feita com o mesmo pé. Esse deslocamento exige força muscular,</p><p>coordenação, equilíbrio e absorção do impacto na perna com a qual está saltando.</p><p>O saltitar na primeira infância é muito usado em jogos e brincadeiras, como</p><p>amarelinha e outros.</p><p>Atividades motoras fundamentais, tanto de locomoção como de</p><p>manipulação, são importantes para o desenvolvimento motor da criança. Nesse</p><p>sentido, é fundamental que sejam realizadas diariamente, na perspectiva de</p><p>melhorar os componentes de aptidão à saúde, pois as capacidades motoras</p><p>fundamentais baseiam outras atividades posteriormente.</p><p>Figura 1 – Mudanças relacionadas à idade nas habilidades motoras fundamentais</p><p>de crianças</p><p>Arremessar 1 – 5 meses</p><p>Chutar 24 – 90 meses</p><p>Correr 24 – 60 meses</p><p>Pular 24– 120 meses</p><p>Pegar 24 – 96 meses</p><p>Rebater 24 – 102 meses</p><p>Saltitar 30 – 96 meses</p><p>5</p><p>Fonte: Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013.</p><p>TEMA 2 – ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>No ensino fundamental, a criança tem um nível de entendimento e motor</p><p>um pouco mais avançado que na etapa anterior, pois nessa idade já têm</p><p>autoconhecimento. Nesse momento, a educação física é marcada por atividades</p><p>corporais que utilizam jogos, esportes, lutas, práticas de aventura, danças e</p><p>brincadeiras. Além disso, essa fase é marcada pela melhora do gesto motor,</p><p>aumentando o repertório das habilidades.</p><p>Assim, as habilidades motoras fundamentais de manipulação verificadas –</p><p>arremessar, pegar, voleio e rebater – se aprimoram.</p><p>Quadro 1 – Evolução das habilidades motoras fundamentais</p><p>Habilidade</p><p>motora</p><p>fundamenta</p><p>l</p><p>Estágio 1</p><p>(2-4 anos)</p><p>Estágio 2 (3-5</p><p>anos)</p><p>Estágio 3</p><p>(5-7 anos)</p><p>Estágio 4</p><p>(5-9 anos)</p><p>Estágio 5</p><p>(8-10 anos)</p><p>Estágio</p><p>inicial</p><p>Estágio</p><p>emergente</p><p>Estágio</p><p>proficiente</p><p>Arremessar Cortada</p><p>Elevação</p><p>vertical</p><p>Pés</p><p>estacionário</p><p>s</p><p>Sem rotação</p><p>do tronco</p><p>Arremesso do tipo</p><p>gancho</p><p>Elevação lateral</p><p>Lançamento tipo</p><p>gancho</p><p>Rotação em bloco</p><p>Elevação</p><p>bem alta</p><p>Passo</p><p>lateral</p><p>Leve</p><p>rotação do</p><p>tronco</p><p>Passo</p><p>contralatera</p><p>l</p><p>Elevação</p><p>bem alta</p><p>Passo</p><p>contralatera</p><p>l</p><p>Leve</p><p>rotação do</p><p>tronco</p><p>Elevação</p><p>Elevação</p><p>com arco</p><p>baixo</p><p>Rotação</p><p>segmentad</p><p>a</p><p>Pegar Reação</p><p>atrasada</p><p>Ação do</p><p>braço</p><p>atrasada</p><p>Braços retos</p><p>à frente, até</p><p>o contato</p><p>com a bola;</p><p>depois um</p><p>recuo em</p><p>Os braços</p><p>envolvem a bola à</p><p>medida que ela se</p><p>aproxima</p><p>A bola é abraçada</p><p>junto ao peito</p><p>Pés estacionários</p><p>ou um passo à</p><p>frente</p><p>Recuo em</p><p>forma de</p><p>concha</p><p>Pegada</p><p>junto ao</p><p>peito</p><p>Os braços</p><p>formam</p><p>uma</p><p>concha sob</p><p>a bola para</p><p>Movimento</p><p>em direção</p><p>à bola</p><p>Pegada só</p><p>com as</p><p>mãos</p><p>O corpo</p><p>inteiro</p><p>move-se no</p><p>espaço</p><p>6</p><p>forma de</p><p>concha até o</p><p>peito</p><p>Pés</p><p>estacionário</p><p>s</p><p>mantê-la</p><p>junto ao</p><p>peito</p><p>Pode ser</p><p>dado um</p><p>único</p><p>passo para</p><p>se</p><p>aproximar</p><p>da bola</p><p>Chutar Empurrão</p><p>estacionário</p><p>Pouca ou</p><p>nenhuma</p><p>elevação da</p><p>perna</p><p>Posição</p><p>estacionária</p><p>O pé</p><p>empurra a</p><p>bola</p><p>Um passo</p><p>para trás</p><p>depois de</p><p>chutar</p><p>Balanceio da perna</p><p>estacionária</p><p>Elevação da perna</p><p>para a parte de trás</p><p>Posição</p><p>estacionária</p><p>Oposição de braço</p><p>e pernas</p><p>Abordagem</p><p>em</p><p>movimento</p><p>Abordagem</p><p>em</p><p>movimento</p><p>O pé</p><p>percorre</p><p>um arco</p><p>baixo</p><p>Oposição</p><p>braço/pern</p><p>a</p><p>Passo para</p><p>a frente ou</p><p>para o lado</p><p>Lançar,</p><p>chutar,</p><p>saltitar</p><p>Abordagem</p><p>rápida</p><p>Inclinação</p><p>do tronco</p><p>para trás</p><p>durante a</p><p>elevação</p><p>Lançament</p><p>o antes do</p><p>chute</p><p>Saltito</p><p>depois do</p><p>chute</p><p>Volear Volear,</p><p>empurrar</p><p>Sem</p><p>elevação da</p><p>perna</p><p>Lançamento</p><p>errático</p><p>Corpo</p><p>estacionário</p><p>Empurrar a</p><p>bola/dar um</p><p>passo para</p><p>trás</p><p>Balanceio de perna</p><p>estacionário</p><p>Elevação da perna</p><p>para trás</p><p>Lançamento</p><p>errático da bola</p><p>Corpo estacionário</p><p>Empurrar</p><p>Balanceio/empurrã</p><p>o horizontal</p><p>Abordagem</p><p>em</p><p>movimento</p><p>Passo</p><p>preparatóri</p><p>o</p><p>Algum</p><p>domínio do</p><p>braço/pern</p><p>a</p><p>Lançar a</p><p>bola ou</p><p>deixá-la</p><p>cair</p><p>Lançar,</p><p>volear,</p><p>saltitar</p><p>Abordagem</p><p>rápida</p><p>Queda</p><p>controlada</p><p>Lançar-se</p><p>antes do</p><p>contato</p><p>com a bola</p><p>Saltitar</p><p>depois do</p><p>contato</p><p>com a bola</p><p>Rebater Rebater com</p><p>a cortada</p><p>Empurrar</p><p>Balanceio/empurrã</p><p>o horizontal</p><p>Passo</p><p>ispslateral</p><p>Passo</p><p>ipslateral</p><p>Passo</p><p>contralatera</p><p>l</p><p>7</p><p>Rebatida</p><p>com bastão</p><p>Tipo cortada</p><p>Pés</p><p>estacionário</p><p>s</p><p>Rotação em bloco</p><p>Pés</p><p>estacionários/pass</p><p>o</p><p>(cruza o pé</p><p>de trás)</p><p>Balanceio</p><p>diagonal</p><p>para baixo</p><p>Rotação</p><p>segmentad</p><p>a do corpo</p><p>Flexão do</p><p>pulso</p><p>Fonte: Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013.</p><p>A evolução das habilidades motoras fundamentais de manipulação, como</p><p>a de locomoção, se deve ao desenvolvimento motor na criança, bem como à</p><p>participação de esportes/brincadeiras na escola, onde se especializam esses</p><p>movimentos. A criança fica exposta a novos desafios diários e precisa se adaptar</p><p>e solucionar dificuldades impostas a ela.</p><p>Desse modo, escola, pais e familiares têm papel fundamental no</p><p>desenvolvimento motor da criança, e ressalta-se a importância das atividades</p><p>lúdicas, jogos individuais e coletivos, pois uma criança que se desenvolve de</p><p>maneira natural e espontânea pode aderir à prática de exercício físico na fase</p><p>adulta e na terceira idade.</p><p>TEMA 3 – ENSINO MÉDIO</p><p>O ensino médio talvez seja o período mais desafiador para os professores</p><p>aplicarem tudo o que foi planejado, por isso são necessários uma maior</p><p>colaboração dos alunos e o engajamento de todos. Nesse momento, os</p><p>adolescentes de modo geral querem escolher as atividades, não aceitando outras</p><p>experiências. Além disso, nessa fase há muitas alterações fisiológicas, e pode</p><p>ocorrer um constrangimento entre os colegas. Por isso é importante que o</p><p>professor enfatize a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)</p><p>para planejar as aulas.</p><p>A adolescência é um período de transição entre a fase da infância e a fase</p><p>adulta, sendo formada pelo período de maturação sexual e pelo estirão de</p><p>crescimento, influenciadas por fatores do genótipo (herança biológica) e fenótipo</p><p>(condições do ambiente).</p><p>O período de estirão de crescimento tem por volta de quatro anos e meio</p><p>em média (meninos têm seu início por volta dos 11 anos, e as meninas, aos 8</p><p>8</p><p>anos). O pico de altura das meninas ocorre por volta dos 16 anos e, nos meninos,</p><p>aos 18.</p><p>Figura 2 – Sistematização da puberdade</p><p>Fonte: Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013.</p><p>Ganha-se peso na adolescência devido às condições de saúde, nutrição,</p><p>fatores econômicos e prática de exercício físico. Os ganhos de peso aumentam</p><p>na puberdade (11 a 14 anos nas meninas e 13 a 16 anos nos meninos), com cerca</p><p>de 50% do peso adquirido na adolescência.</p><p>De modo geral, as meninas iniciam o ganho de peso em torno de um ano</p><p>antes que os meninos, e o pico de velocidade é mais longo nos meninos. Em</p><p>ambas as idades, os meninos tendem a pesar mais.</p><p>9 a 11 anos</p><p>Início do estirão: crescimento nas meninas aos 9 anos</p><p>Início do estirão: peso nos meninos aos 11 anos</p><p>11 a 13 anos</p><p>Pico de velocidade de altura nas meninas de 11 anos</p><p>Pico de velocidade de altura nos meninos de 13 anos</p><p>13 a 15 anos</p><p>Afilamento do estirão de crescimento nas meninas de 13 anos</p><p>Afilamento do estirão de crescimento nos meninos de 15 anos</p><p>16 a 18 anos</p><p>Final do crescimento da altura nas meninas de 16 anos</p><p>Final de crescimento da altura nos meninos de 18 anos</p><p>9</p><p>Figura 3 – Estirão de peso</p><p>Fonte: Gallahue; Ozmun; Goodway, 2013.</p><p>Na adolescência também ocorre o crescimento mais acelerado dos órgãos,</p><p>em especial dos pulmões e do coração. Ao final da adolescência, pode-se verificar</p><p>que a frequência cardíaca é ligeiramente menor, e uma melhor capacidade</p><p>pulmonar nos meninos pode ser influenciada pela prática esportiva.</p><p>Durante a adolescência, a atividade física é de fundamental importância,</p><p>pois nessa fase se refinam as habilidades (locomoção, manipulação e</p><p>estabilidade) aprendidas na infância e aplicadas em jogos e esportes coletivos,</p><p>geralmente praticados na escola.</p><p>Essa fase geralmente prioriza movimentos com precisão e habilidades de</p><p>performance e liderança. De modo geral, é composta por três etapas:</p><p>1. Estágio de transição: primeira tentativa do adolescente de refinar e</p><p>combinar as atividades;</p><p>2. Estágio de aplicação: o adolescente entende suas limitações físicas e</p><p>começa a escolher atividades em que tem maiores habilidades;</p><p>3. Estágio de uso ao longo da vida: o adolescente se especializa em certa</p><p>modalidade ou esporte e busca refinar os movimentos.</p><p>Durante essa fase, ocorrem inúmeras alterações na aptidão física dos</p><p>adolescentes que realizam atividade física, futuramente influenciando seu estilo</p><p>de vida. As aptidões físicas mais estudadas são: resistência aeróbia (meninos</p><p>são mais rápidos se comparados com as meninas), resistência de</p><p>força/muscular (meninos são mais fortes), flexibilidade articular (meninas são</p><p>10 a 11 anos</p><p>12 a 13 anos</p><p>14 a 15 anos</p><p>Início do estirão no peso das meninas de 10 anos</p><p>Início do estirão no peso dos meninos de 11 anos</p><p>Pico de velocidade de peso nas meninas de 12 anos</p><p>Pico de velocidade de peso nos meninos de 13 anos</p><p>Final do estirão de peso nas meninas de 16 anos</p><p>Final do estirão de peso nos meninos de 14 anos</p><p>10</p><p>mais flexíveis) e composição corporal (meninas apresentam maior percentual</p><p>de gordura).</p><p>Todos os componentes de aptidão física são influenciados pela prática de</p><p>atividade física ou exercício físico, assim como os hábitos diários a que o</p><p>adolescente está exposto.</p><p>TEMA 4 – FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL</p><p>As aulas de educação física infantil (0 a 5 anos) não obrigatoriamente</p><p>precisam de um profissional de educação física licenciado para trabalhar a cultura</p><p>corporal; de modo geral, são professores pedagogos generalistas que atuam nas</p><p>idades iniciais. Essa faixa etária é um importante período da vida tanto para as</p><p>crianças como para os pais.</p><p>A formação das crianças nessa idade foca seu desenvolvimento global.</p><p>Assim, deve-se trabalhar componentes motores, efetivos e sociais entre elas.</p><p>Na esfera prática corporal, cabe ao profissional de educação física ou então</p><p>professores (pedagogos) trabalhar as seguintes temáticas:</p><p>• Brincar;</p><p>• Conviver;</p><p>• Explorar;</p><p>• Participar;</p><p>• Conhecer;</p><p>• Expressar.</p><p>As aulas de educação física, em especial nessa faixa etária, devem</p><p>abarcar, em sua maioria, as brincadeiras e os jogos o mais diversos possível. A</p><p>principal transformação será no desenvolvimento corporal e na sua expressão de</p><p>sentimentos pelas atividades.</p><p>Recomenda-se que as brincadeiras e jogos englobem a seguinte estrutura:</p><p>11</p><p>Quadro 2 – Estrutura das brincadeiras e jogos</p><p>Campo de experiência Proposta curricular</p><p>O eu, o outro e nós Interação consigo mesmo e com os pares, cultivando o</p><p>respeito às diferenças</p><p>Corpo, gestos e movimentos Expressão corporal, com mais criatividade e maior</p><p>habilidade na resolução de problemas</p><p>Traços, sons, cores e formas Interação com manifestações artísticas e desenvolvimento</p><p>da própria perspectiva</p><p>Escuta, fala e pensamento Contato com o alfabeto, concepção da língua escrita e</p><p>expressão de sentimentos e emoções</p><p>Espaço, tempo e transformações Relação social com os colegas. Primeiros entendimentos</p><p>sobre o mundo</p><p>Fonte: Biedrzycki, 2020.</p><p>O professor deve avaliar todos os componentes de experiência no curto,</p><p>médio e longo prazo, pois assim fica mais perceptível avaliar a evolução individual</p><p>dos alunos. As aulas de educação física costumam ser as favoritas dos alunos e</p><p>as que mais se aproximam do professor. Isso pode ocorrer por um sentimento de</p><p>liberdade e de prazer da criança. Não é raro nós, professores, ou os pais das</p><p>crianças relembrarem da infância com jogos e brincadeiras. Isso se deve ao</p><p>sentimento de afeto e de relações estabelecidas com as atividades. Assim,</p><p>compete ao professor de educação física, além de trabalhar a cultura corporal,</p><p>trabalhar essas memórias de cunho afetivo também.</p><p>Outro pronto a ser destacado nessa faixa etária é que a educação física</p><p>deve trabalhar corpo e mente juntos, e não de forma fragmentada, como</p><p>antigamente. Ainda que nesse período não ocorra a alfabetização de fato, é</p><p>importante que o profissional tente criar uma relação com as</p><p>outras áreas do</p><p>saber.</p><p>Portanto, cabe a você, professor de educação física ou pedagogo, adaptar</p><p>as aulas de acordo com a estrutura existente, recursos e número de alunos da</p><p>melhor forma possível, para que ocorra de fato o desenvolvimento da criança,</p><p>incluindo aspectos afetivo-sociais, motores e cognitivos.</p><p>12</p><p>TEMA 5 – EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>O ensino fundamental nos dias atuais é formado do 1º ao 5º ano, e do 6º a</p><p>9º ano. Em termos gerais, o professor de educação física é o único profissional</p><p>habilitado para ministrar as aulas de educação física escolar. Nessa etapa a</p><p>criança tem um longo caminho a percorrer, passando da formação generalista</p><p>para uma mais específica.</p><p>Em todas as etapas de ensino, mas principalmente no ensino fundamental,</p><p>as aulas desenvolvidas devem se basear no projeto político-pedagógico e nas</p><p>diretrizes nacionais de educação. Cabe ao professor formador desenvolver</p><p>atividades nos seguintes temas:</p><p>• Brincadeiras e jogos;</p><p>• Esportes;</p><p>• Ginásticas;</p><p>• Danças;</p><p>• Lutas;</p><p>• Práticas de aventura.</p><p>O professor pode inserir outras atividades além das mencionadas. Por</p><p>exemplo, ele pode inserir atividades atuais e costumes regionais de acordo com</p><p>as características da escola e dos alunos.</p><p>A seguir, veja alguns eixos sugeridos de acordo com a faixa etária,</p><p>seguindo a BNCC:</p><p>• Educação infantil: 0 mês a 5 anos e 11 meses;</p><p>• Anos iniciais do ensino fundamental: 1º ao 5º ano:</p><p>o Jogos e brincadeiras: danças, ginástica e lutas.</p><p>• Anos finais do ensino fundamental: 6º ao 8º ano:</p><p>o Jogos e brincadeiras: danças, ginástica e lutas, práticas corporais de</p><p>aventura.</p><p>• Ensino médio: 1º ao 3º ano:</p><p>o Esportes, ginástica, danças, lutas, práticas corporais de aventura.</p><p>As aulas de educação física tiveram um grande avanço nos últimos anos,</p><p>em especial a importância dada pela sociedade sobre a disciplina, deixando de</p><p>ter meramente um cunho de desenvolvimento da cultura corporal para focar</p><p>também o desenvolvimento pessoal, humano e de relacionamento entre os</p><p>13</p><p>alunos. As habilidades aprendidas nessa etapa permitem à criança e ao</p><p>adolescente um desenvolvimento melhor nas etapas futuras.</p><p>14</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAGNARA, I. C.; FENSTERSEIFER, P. E. Educação física escolar: política,</p><p>currículo e didática. Ijuí: Unijuí, 2019.</p><p>BETTI, M. Educação física e sociedade: a educação física na escola brasileira.</p><p>3. ed. Ijuí: Unijuí, 2020.</p><p>BIEDRZYCKI, B. P. et al. Metodologia do ensino da educação física. Porto</p><p>Alegre: Sagah, 2020.</p><p>CAYRES-SANTOS, S. U.; BIEDRZYCKI, B. P.; GONÇALVES, P. S. Prática</p><p>pedagógica da educação física no contexto escolar. Porto Alegre: Sagah,</p><p>2020.</p><p>GALLAHUE, D. L. Crescimento, maturação e atividade física. 2. ed. São Paulo:</p><p>Phorte, 2009.</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o</p><p>desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto</p><p>Alegre: AMGH, 2013.</p><p>MEIRA, L. ; BLIKSTEIN, P. (Org.). Ludicidade, jogos digitais e gamificação na</p><p>aprendizagem. Porto Alegre: Penso, 2019.</p><p>AULA 4</p><p>PEDAGOGIA DO</p><p>MOVIMENTO HUMANO</p><p>Prof. Leonardo Augusto Becker</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Queridos alunos e alunas, sejam muito bem-vindos à nossa aula sobre</p><p>pedagogia do movimento humano. Estudaremos os métodos empregados na</p><p>Educação Física e suas correntes pedagógicas contemporâneas de acordo com</p><p>as competências pedagógicas. Abordaremos o conteúdo relacionado ao estudo</p><p>do movimento humano, discutiremos sobre o corpo, corporeidade e práticas</p><p>corporais.</p><p>TEMA 1 – ESTUDO DO MOVIMENTO HUMANO</p><p>O movimento humano é amplamente estudado por pesquisadores e você</p><p>provavelmente já leu muito sobre o assunto. Assim sendo, neste primeiro tema,</p><p>iremos discutir sobre as fases do desenvolvimento motor que terão maiores</p><p>aplicabilidades no seu dia a dia. Dessa maneira, serão apresentados as principais</p><p>fases e exemplo, seguindo a ampulheta de Gallahue (2009; 2013).</p><p>Os primeiros movimentos estudados e observados são os que se seguem.</p><p>• Movimentos reflexos, que são movimentos classificados como</p><p>involuntários. No período intrauterino, o bebê apresenta muito reflexos ao</p><p>toque, luz e temperatura. Na categoria de reflexos, observamos os reflexos</p><p>primitivos e posturais:</p><p>o Reflexo primitivos – desempenham papel na nutrição, coleta de</p><p>informação e proteção, sendo que os reflexos primitivos mais</p><p>observados são o de sucção e fixação;</p><p>o Reflexo posturais – também são classificados como involuntários.</p><p>De modo geral, estão relacionados à estabilidade, locomoção e</p><p>manipulação. Dentro ainda do reflexo postural há uma outra</p><p>subdivisão: o estágio de codificação no qual ocorre dentro da</p><p>barriga, até o 4º mês que ocorre no centro cerebral inferior, e estágio</p><p>de decodificação, que nada mais que é o processamento dos dados</p><p>obtidos com o desenvolvimento do centro cerebral superior.</p><p>3</p><p>1.1 Fases do movimento</p><p>Na sequência, verifica-se a fase dos movimentos rudimentares, que vai</p><p>até os dois anos de idade. O movimento rudimentar mais verificado é o de controle</p><p>da cabeça, pescoço, e músculos do tronco. Posteriormente, observa-se o ato de</p><p>engatinhar, pegar, arremessar. Mais adiante, tem a fase do movimento</p><p>fundamental. Essa fase é considerada uma fase de experimentação do seu</p><p>corpo, na qual a criança começa a desenvolver o equilíbrio, locomoção e</p><p>manipulação. Com o passar dos anos, essas atividades se tornam básicas. Ainda,</p><p>na fase fundamental, ocorre uma subdivisão: estágio inicial – primeiras tentativas</p><p>para executar determinada atividade; estágio emergente – aquisição do controle</p><p>motor e coordenação rítmica para desempenhar determinada atividade; e, por</p><p>último, o estágio proficiente – no qual a criança já desempenha a atividade de</p><p>forma correta e aprimora.</p><p>Outra fase é a do movimento especializado, ou seja, a fase especializada</p><p>é quando ocorre a inserção de um movimento rudimentar que já foi refinado em</p><p>alguma outra atividade, em que o movimento é realizado de forma mais simples e</p><p>intuitiva. Todavia, antes de realizar o movimento de forma complexa há um estágio</p><p>de transição que ocorre nas crianças entre sete e oito anos, no qual a criança</p><p>começa a combinar e aplicar habilidades fundamentais nas mesmas tarefas. Isso</p><p>geralmente ocorre em atividades de jogos competitivos. Outro estágio é o de</p><p>aplicação: isso ocorre por volta de 11 e 13 anos, ocorrendo uma participação</p><p>motora, intelectual para tomada de decisão do gesto motor específico.</p><p>Por último, há o estágio de utilização ao longo da vida: esse estágio</p><p>começa por volta dos 14 anos e vai se aprimorar ao longo da vida. É considerado</p><p>o ápice do desenvolvimento motor. Ocorre o refino e a maturação dos estágios</p><p>anteriores.</p><p>4</p><p>Figura 1 – Ampulheta de Gallahue</p><p>Fonte: Gallahue, 2013.</p><p>TEMA 2 – CORPO E CORPOREIDADE</p><p>2.1 Corpo</p><p>O corpo e corporeidade são elementos que vem ganhando cada vez mais</p><p>destaque na área acadêmica. O corpo é a união intelectual (cognitiva) com o</p><p>movimento. Assim, todo movimento é realizado por meio de funções cognitivas,</p><p>quando pensamos antes de agir. Desse modo, compreender o corpo é o ponto</p><p>principal para seu desenvolvimento. Talvez fique mais claro ao falar sobre a</p><p>cultura corporal, estando associada à consciência corporal. Assim, é fundamental</p><p>que o indivíduo tenha a experiência de sentir, experimentar seu corpo.</p><p>O corpo deve ser muito utilizado na infância para que a criança se</p><p>desenvolva, e a forma dela se desenvolver, conhecer a si mesma e se expressar.</p><p>Um tema muito estudando e aplicado em sala de aula é o esquema corporal, por</p><p>meio do próprio aprendizado. Conhecer o pé, cabeça, braços, pernas por meio de</p><p>atividades lúdicas e cantadas. O esquema corporal busca que a criança conheça</p><p>e reconheça seu corpo. Basicamente, ele ocorre em três etapas.</p><p>5</p><p>• 1ª etapa (até 3 anos de idade): fase da inteligência sensório-motora. O</p><p>bebê e a criança sentem o meio ambiente</p>