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<p>jusbrasil.com.br</p><p>4 de Dezembro de 2022</p><p>Feminicídio - Qualificadora objetiva ou subjetiva?</p><p>Publicado por Danilo Popazoglo há 4 anos 23,1K visualizações</p><p>RESUMO</p><p>A Lei nº 13.104 de 9 de março de 2015 incluiu no Código Penal a</p><p>circunstância qualificadora de homicídio, o chamado</p><p>feminicídio. Feminicídio é o delito praticado contra a mulher</p><p>por razões da condição do sexo feminino, envolvendo violência</p><p>doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à</p><p>condição de mulher. Há divergência na doutrina e na</p><p>jurisprudência quanto à natureza jurídica da qualificadora do</p><p>feminicídio. Atualmente, o STJ e demais Tribunais afirmam que</p><p>https://dpopazoglo.jusbrasil.com.br/</p><p>https://dpopazoglo.jusbrasil.com.br/</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>a natureza jurídica da qualificadora do feminicídio é objetiva, e</p><p>portanto, compatível com as demais circunstâncias de natureza</p><p>subjetivas.</p><p>Palavra-chave: feminicídio, razões da condição do sexo</p><p>feminino, constitucionalidade, qualificadora objetiva e</p><p>subjetiva.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Na parte especial do Código Penal, através da Lei nº 13.104 de 9</p><p>de março de 2015, tivemos a inclusão de mais uma</p><p>circunstância qualificadora de homicídio, o chamado</p><p>feminicídio. O presente trabalho visa analisar essa</p><p>qualificadora, quanto a sua evolução e seus aspectos</p><p>doutrinários e práticos que atualmente são questionados na</p><p>prática penal.</p><p>Lembrando o que qualificada o feminicídio não é o femicídio,</p><p>que é apenas a morte de mulher, pois seria tratamento desigual</p><p>para situações iguais, matar homem ou mulher. Feminicídio é</p><p>matar mulher em razão condição do sexo feminino.</p><p>O artigo 121, § 2º-A do Código Penal explica quando o</p><p>feminicídio considera-se cometido em razão da condição de</p><p>sexo feminino.</p><p>O presente artigo será dividido em quatro capítulos. O primeiro</p><p>capítulo analisará a constitucionalidade do feminicídio. O</p><p>segundo capítulo será o estudo do tipo penal. O terceiro capítulo</p><p>abordará a qualificadora e a natureza jurídica do feminicídio.</p><p>Por fim, no quarto capítulo a conclusão do artigo, questionando</p><p>se a qualificadora do feminicídio é objetiva ou subjetiva e suas</p><p>consequências.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>1 – CONSTITUCIONALIDADE</p><p>A Lei nº 13.104/2015, que criou a figura típica qualificada do</p><p>feminicídio (como já fizera a Lei nº 11.340/2006) atende a</p><p>Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a</p><p>Violência contra a Mulher (Belém do Pará, 1994), estabelecendo</p><p>uma “política repressora da criminalidade discriminatória da</p><p>mulher”, área de “políticas preventivas”.</p><p>Na justificação do projeto da lei (nº 292/13), refere que:</p><p>“o feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo</p><p>homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como</p><p>afirmação irrestrita da posse, igualando a mulher a um objeto,</p><p>quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como</p><p>subjugação da intimidade e a sexualidade da mulher, por meio</p><p>da violência sexual associada ao assassinato; como destruição</p><p>da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de</p><p>seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher,</p><p>submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou</p><p>degradante.”(http://legis.senado.leg.br/mwg-</p><p>internal/de5fs23hu73ds/progress?id=z5AeHwC-</p><p>mnza5kCYVQmdx-XM7rimcKsUaa...)</p><p>Por estes motivos, plenamente justificado a criação da figura</p><p>típica, pois ela decorre justamente da necessidade de se tratar</p><p>desigualmente os desiguais. Se analisarmos o § 2º-A do artigo</p><p>121 do Código Penal, percebe-se que não basta que a vítima seja</p><p>mulher, mas que o crime decorra de violência doméstica e</p><p>familiar ou de menosprezo/discriminação à condição de</p><p>mulher.</p><p>O Supremo Tribunal Federal em controle direto de</p><p>constitucionalidade, assentou que a diferenciação no</p><p>tratamento penal entre homem e mulher como vítimas de</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>http://legis.senado.leg.br/mwg-internal/de5fs23hu73ds/progress?id=z5AeHwC-mnza5kCYVQmdx-XM7rimcKsUaaPAfiKGlBo,&dl</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>delitos é harmônica com a Constituição Federal, vez que</p><p>necessária maior proteção diante das peculiaridades físicas e</p><p>moral da mulher e a cultura brasileira.</p><p>Sobre o tema:</p><p>VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI Nº 11.340/06 – GÊNEROS</p><p>MASCULINO E FEMININO – TRATAMENTO</p><p>DIFERENCIADO. O artigo 1º da Lei nº 11.340/06 surge, sob o</p><p>ângulo do tratamento diferenciado entre os gêneros – mulher e</p><p>homem –, harmônica com a Constituição Federal, no que</p><p>necessária a proteção ante as peculiaridades física e moral da</p><p>mulher e a cultura brasileira. COMPETÊNCIA – VIOLÊNCIA</p><p>DOMÉSTICA – LEI Nº 11.340/06 – JUIZADOS DE</p><p>VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER.</p><p>O artigo 33 da Lei nº 11.340/06, no que revela a conveniência</p><p>de criação dos juizados de violência doméstica e familiar contra</p><p>a mulher, não implica usurpação da competência normativa dos</p><p>estados quanto à própria organização judiciária. VIOLÊNCIA</p><p>DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER – REGÊNCIA</p><p>– LEI Nº 9.099/95 – AFASTAMENTO. O artigo 41 da Lei nº</p><p>11.340/06, a afastar, nos crimes de violência doméstica contra a</p><p>mulher, a Lei nº 9.099/95, mostra-se em consonância com o</p><p>disposto no § 8º do artigo 226 da Carta da Republica, a prever a</p><p>obrigatoriedade de o Estado adotar mecanismos que coíbam a</p><p>violência no âmbito das relações familiares. STF, ADC 19/DF -</p><p>DISTRITO FEDERAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE</p><p>CONSTITUCIONALIDADE. Relator (a): Min. MARCO</p><p>AURÉLIO Julgamento: 09/02/2012. Órgão Julgador: Tribunal</p><p>Pleno</p><p>O Superior Tribunal de Justiça também tem o mesmo</p><p>entendimento da necessidade de criação de mecanismos</p><p>especiais de proteção à mulher, face à evidente e cristalina</p><p>desigualdade ainda existente no Brasil entre os gêneros.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10869095/artigo-1-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10865104/artigo-33-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103497/lei-dos-juizados-especiais-lei-9099-95</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10864611/artigo-41-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103497/lei-dos-juizados-especiais-lei-9099-95</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10644799/par%C3%A1grafo-8-artigo-226-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10645133/artigo-226-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>Nesse sentido:</p><p>“Nos termos do art. 4º da Lei Maria da Penha, ao se interpretar</p><p>a referida norma, deve-se levar em conta os fins sociais</p><p>buscados pelo legislador, conferindo à norma um significado</p><p>que a insira no contexto em que foi concebida. Nesse</p><p>contexto, é</p><p>de se ter claro que a própria Lei n. 11.340/2006, ao criar</p><p>mecanismos específicos para coibir e prevenir a violência</p><p>doméstica praticada contra a mulher, buscando a igualdade</p><p>substantiva entre os gêneros, fundou-se justamente na</p><p>indiscutível desproporcionalidade física existente entre os</p><p>gêneros, o histórico discriminatório e na cultura vigente. Ou</p><p>seja, a fragilidade da mulher, sua hipossuficiência ou</p><p>vulnerabilidade, na verdade, são os fundamentos que levaram o</p><p>legislador a conferir proteção especial à mulher e por isso têm-</p><p>se como presumidos.” (RHC 55.030/RJ, Rel. Ministro</p><p>REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado</p><p>em 23/06/2015, DJe 29/06/2015).</p><p>Cezar Roberto Bitencourt comenta:</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10868933/artigo-4-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/178528209/rcd-no-recurso-em-habeas-corpus-rcd-no-rhc-55030-rj-2014-0330553-6</p><p>“Andou bem o legislador, por que conseguiu,</p><p>adequadamente, ampliar a proteção da mulher</p><p>vitimada pela violência de gênero, assegurando-lhe</p><p>maior proteção sem incorrer em inconstitucionalidade</p><p>por dedicar-lhe uma proteção excessiva e</p><p>discriminatória, o que, a nosso juízo, poderia ocorrer</p><p>se, em vez da qualificadora, fosse criado um novo tipo</p><p>penal, isto é, uma nova figura penal paralela ao</p><p>homicídio, com punição mais grave sempre que se</p><p>tratasse de vítima do sexo feminino. Assim, a opção</p><p>político-legislativa foi feliz e traduz a preocupação com</p><p>a situação calamitosa sofrida por milhares de mulheres</p><p>discriminadas por sua simples condição de mulher,</p><p>permitindo, na prática, a execução e uma política</p><p>criminal mais eficaz no combate a essa chaga que</p><p>contamina toda a sociedade brasileira.”</p><p>(BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal</p><p>Comentado, 9. ed., São Paulo: Saraiva, 2015, p. 459.)</p><p>Assim, desde que uma norma que confere tratamento desigual a</p><p>determinado grupo tenha alicerce fático justificando a</p><p>desigualdade de tratamento, não há que se falar em ofensa à</p><p>igualdade, mas em seu reforço, pois a torna inviolável, como diz</p><p>a própria Constituição.</p><p>2 – DO TIPO PENAL</p><p>Na definição de Zaffaroni, “o tipo penal é um instrumento legal,</p><p>logicamente necessário e de natureza predominantemente</p><p>descritiva, que tem por função a individualização de condutas</p><p>humanas penalmente relevantes”.(ZAFFARONI, Eugenio Raúl.</p><p>Manual de derecho penal - Parte general, p. 371)</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>O feminicídio foi incluído no art. 121, § 2º, inciso VI, do Código</p><p>Penal pela Lei 13.104/2015. Cuida-se de figura qualificada do</p><p>homicídio doloso, de competência do Tribunal do Júri e</p><p>expressamente rotulado como crime hediondo, a teor da regra</p><p>contida no art. 1º, inciso I, da Lei 8.072/1990.</p><p>Regidos da seguinte forma:</p><p>Código Penal:</p><p>“Homicídio simples</p><p>Art. 121. Matar alguém:</p><p>Pena - reclusão, de seis a vinte anos.</p><p>Caso de diminuição de pena</p><p>(...)</p><p>Homicídio qualificado</p><p>§ 2º Se o homicídio é cometido:</p><p>Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)</p><p>VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:</p><p>(Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)</p><p>Pena - reclusão, de doze a trinta anos.</p><p>§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo</p><p>feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104,</p><p>de 2015)</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625567/par%C3%A1grafo-2-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28750381/inciso-vi-do-par%C3%A1grafo-2-do-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11270190/artigo-1-da-lei-n-8072-de-25-de-julho-de-1990</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11270145/inciso-i-do-artigo-1-da-lei-n-8072-de-25-de-julho-de-1990</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033841/lei-dos-crimes-hediondos-lei-8072-90</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104,</p><p>de 2015)</p><p>II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.</p><p>(Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)</p><p>(...)</p><p>§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a</p><p>metade se o crime for praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104,</p><p>de 2015)</p><p>I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao</p><p>parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)</p><p>II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60</p><p>(sessenta) anos, com deficiência ou portadora de doenças</p><p>degenerativas que acarretem condição limitante ou de</p><p>vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela Lei nº</p><p>13.771, de 2018)</p><p>III - na presença física ou virtual de descendente ou de</p><p>ascendente da vítima; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de</p><p>2018)”</p><p>Lei 8.072/1990 (Dos Crimes Hediondos)</p><p>“Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos</p><p>tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -</p><p>Código Penal, consumados ou tentados: (Redação dada pela</p><p>Lei nº 8.930, de 1994) (Vide Lei nº 7.210, de 1984)</p><p>I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica</p><p>de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente,</p><p>e homicídio qualificado (art. 121, § 2o, incisos I, II, III, IV,</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13771.htm#art1</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033841/lei-dos-crimes-hediondos-lei-8072-90</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10639741/artigo-1-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>V, VI e VII); (Redação dada pela Lei nº 13.142, de 2015)”</p><p>Como já foi dito, Feminicídio não é apenas a morte de mulher</p><p>(femicídio), mas sim matar mulher em “razões da condição do</p><p>sexo feminino”.</p><p>O § 2º-A do artigo 121 do Código Penal contém norma penal</p><p>explicativa sobre o que significa “razões da condição do sexo</p><p>feminino”:</p><p>“§ 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo</p><p>feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104,</p><p>de 2015)</p><p>I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104,</p><p>de 2015)</p><p>II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.</p><p>(Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)”</p><p>Deste modo, feminicídio é o delito praticado contra a mulher</p><p>por razões da condição do sexo feminino, envolvendo violência</p><p>doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à</p><p>condição de mulher.</p><p>Para reconhecer as hipóteses de violência doméstica e familiar</p><p>deverá ser utilizado como referência o art. 5º, da Lei nº 11.340,</p><p>de 7 de agosto de 2006, que diz:</p><p>“Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência</p><p>doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou</p><p>omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão,</p><p>sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou</p><p>patrimonial:</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/205855335/lei-13142-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10868890/artigo-5-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida</p><p>como o</p><p>espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo</p><p>familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;</p><p>II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade</p><p>formada por indivíduos que são ou se consideram</p><p>aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por</p><p>vontade expressa;</p><p>III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor</p><p>conviva ou tenha convivido com a ofendida,</p><p>independentemente de coabitação.</p><p>Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo</p><p>independem de orientação sexual.”</p><p>Nesse passo, ocorrendo uma das hipóteses previstas nos incisos</p><p>supracitados, já é possível o reconhecimento da qualificadora do</p><p>feminicídio.</p><p>Cleber Masson esclarece:</p><p>“o reconhecimento da violência doméstica ou familiar</p><p>contra a mulher não é suficiente para a configuração</p><p>do feminicídio. O inciso Ido § 2.º-A deve ser</p><p>interpretado com sintonia com o inciso VI cio § 2.º,</p><p>ambos do art. 121 do Código Penal. Em outras</p><p>palavras, o feminicídio reclama que a motivação do</p><p>homicídio tenha sido as ”razões da condição do sexo</p><p>feminino", e daí resulte a violência doméstica ou</p><p>familiar.” (MASSON, Cleber, Direito Penal, vol. 2, Parte</p><p>especial, ed. 9º, Editora Forense pg. 43)</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>Em relação ao inciso IIdo§ 2º-AA do artigo1211 doCódigo</p><p>Penall, menosprezo tem o sentido de desprezo, aversão,</p><p>repugnância a uma pessoa do sexo feminino, ou discriminação à</p><p>condição de mulher, já discriminação tem o sentido de tratar de</p><p>forma distinta pelo fato da condição de ser mulher.</p><p>De acordo com as lições de Cleber Masson, “aqui não se</p><p>exige a violência doméstica ou familiar. As" razões de</p><p>condição do sexo feminino "se contentam com o</p><p>menosprezo ou discriminação à condição de mulher.”</p><p>(MASSON, Cleber, Direito Penal, vol. 2, Parte especial,</p><p>ed. 9º, Editora Forense pg. 43)</p><p>Rogério Sanches da Cunha diz que:</p><p>“no inciso II, que trata do menosprezo e da</p><p>discriminação à condição de mulher, o tipo se torna</p><p>aberto, pois compete ao julgador estabelecer, diante do</p><p>caso concreto, se o homicídio teve como móvel a</p><p>diminuição da condição feminina. Ao contrário do</p><p>inciso I, não há nada, senão as circunstâncias do fato,</p><p>em que seja possível se escorar para verificar se a</p><p>qualificadora se caracterizou.” (CUNHA, Rogério</p><p>Sanches da, Manual de Direito Penal, Parte Especial,</p><p>Volume Único, 8ª ed., editos JusPodvim, pg. 64)</p><p>3 – QUALIFICADORA E NATUREZA JURÍDICA</p><p>Crimes qualificados são aqueles aos quais a lei acrescenta</p><p>circunstâncias que alteram a própria pena em abstrato para</p><p>patamar mais elevado.</p><p>Guilherme de Souza Nucci “são os delitos que possuem</p><p>um fato-base, definido e sancionado como crime,</p><p>embora tenham, ainda, um evento que os qualifica,</p><p>aumentando-lhes a pena, em razão da sua gravidade</p><p>objetiva.” (NUCCI, Guilherme de Souza, Manual de</p><p>Direito Penal, 11ª ed., editora Forense, pg. 229)</p><p>O§ 2ºº do art. 1211 doCódigo Penall contém sete qualificadoras,</p><p>que são tipos derivados qualificados. Todas essas qualificadoras</p><p>devem ser consideradas como circunstâncias, e não como</p><p>elementares, isso é o que foi determinado no artigo 30 do</p><p>Código Penal.</p><p>“Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições</p><p>de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.”</p><p>Assim, no concurso de pessoas, como esclarece Rogério Grecco:</p><p>“embora duas pessoas possam, agindo em concurso, ter</p><p>causado a morte de alguém, uma delas poderá ter</p><p>praticado o delito impelida por um motivo fútil, não</p><p>comunicável ao coparticipante, enquanto o outro</p><p>poderá, por exemplo, responder pela infração penal</p><p>com a redução de pena relativa ao § 1º do mencionado</p><p>artigo, visto ter agido impelido por um motivo de</p><p>relevante valor moral.” (Rogério Grecco, Curso de</p><p>Direito Penal, Parte especial, vol. 2, 12ª ed., Editora</p><p>Impetus, pg. 143)</p><p>Também são precisas as lições de Damásio de Jesus quando</p><p>aduz:</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10636793/artigo-30-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>"Circunstâncias são elementos acessórios (acidentais)</p><p>que, agregados ao crime, têm função de aumentar ou</p><p>diminuir a pena. Não interferem na qualidade do</p><p>crime, mas sim afetam a sua gravidade (quantitas</p><p>delicti).</p><p>Podem ser:</p><p>a) objetivas (materiais ou reais);</p><p>b) subjetivas (ou pessoais).</p><p>Circunstâncias objetivas são as que se relacionam com</p><p>os meios e modos de realização do crime, tempo,</p><p>ocasião, lugar, objeto material e qualidades da vítima.</p><p>Circunstâncias subjetivas (de caráter pessoal) são as</p><p>que só dizem respeito à pessoa do participante, sem</p><p>qualquer relação com a materialidade do delito, como</p><p>os motivos determinantes, suas condições ou</p><p>qualidades pessoais e relações com a vítima ou com</p><p>outros concorrentes.</p><p>Observando-se que a participação de cada concorrente</p><p>adere à conduta e não à pessoa dos outros</p><p>participantes, devem os estabelecer as seguintes regras</p><p>quanto às circunstâncias do homicídio, aplicáveis à</p><p>coautoria:</p><p>1ª) não se comunicam as circunstâncias de caráter</p><p>pessoal (de natureza subjetiva);</p><p>2ª) a circunstância objetiva não pode ser considerada</p><p>no fato do partícipe se não entrou na esfera de seu</p><p>conhecimento."(JESUS, Damásio E. d e, Direito Penal.</p><p>22. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. v. 2., p. 59-60.)</p><p>Finalmente podemos destacar que a doutrina, de forma</p><p>majoritária, diz ser favorável à hipótese de homicídio</p><p>qualificado-privilegiado, desde que as qualificadoras sejam de</p><p>natureza objetiva, a fim de que ocorra compatibilidade entre</p><p>elas.</p><p>Feitos esses esclarecimentos, a importância deste</p><p>trabalho é estabelecer a natureza da qualificadora do</p><p>feminicídio, pois caso determine a natureza como</p><p>subjetiva, não se comunicará essa qualificadora aos</p><p>demais coautores ou partícipe e nem a possibilidade</p><p>desta qualificadora com o homicídio privilegiado.</p><p>Por outro lado, se entender que a qualificadora do feminicídio</p><p>for objetiva, se comunicará aos demais coautores ou partícipes</p><p>(desde que ingressem na esfera de conhecimento dos agentes) e</p><p>a possibilidade de subsistir ou não com as qualificadoras do</p><p>motivo torpe ou do motivo fútil.</p><p>Resta, então, analisar se a qualificadora do feminicídio é</p><p>objetiva ou subjetiva e quais as relevâncias jurídicas.</p><p>Para Cleber Masson a natureza da qualificadora do femincídio é</p><p>subjetiva, vejamos:</p><p>“o feminicídio constitui-se em circunstância pessoal ou</p><p>subjetiva, pois diz respeito à motivação do agente. O</p><p>homicídio é cometido por razões de condição de sexo</p><p>feminino. Não há nenhuma ligação com os meios ou</p><p>modos de execução do delito. Consequentemente, essa</p><p>qualificadora é incompatível com o privilégio, que a</p><p>exclui, afastando o homicídio híbrido (privilegiado-</p><p>qualificado).”(MASSON, Cleber, Direito Penal, vol. 2,</p><p>Parte especial, ed. 9º, Editora Forense pg. 44)</p><p>No mesmo sentido Rogério Sanches da Cunha:</p><p>“a qualificadora do feminicídio é subjetiva,</p><p>pressupondo motivação especial: o homicídio deve ser</p><p>cometido contra a mulher por razão das condição de</p><p>sexo feminino. Mesmo no caso do inciso Ido § 2º-A, o</p><p>fato de a conceituação de violência doméstica e</p><p>familiar ser um dado objetivo, extraído da lei, não</p><p>afasta a subjetividade. Isso porque o § 2º-A é apenas</p><p>explicativo; a qualificadora está verdadeiramente no</p><p>inciso VI, que, ao estabelecer que o homicídio se</p><p>qualifica quando cometido por razões da condição do</p><p>sexo feminino, evidente que isso ocorre pela motivação,</p><p>não pelos meios de execução.” (Rogério Sanches Cunha,</p><p>Código Penal para Concursos, 10ª Ed., Editora</p><p>Juspovim, pg. 347)</p><p>Márcio André Lopes Cavalcante também diz que a qualificadora</p><p>do feminicídio é subjetiva. Vejamos:</p><p>“a qualificadora do feminicídio é de natureza subjetiva,</p><p>ou seja, está relacionada com a esfera interna do</p><p>agente (“razões de condição de sexo feminino”).</p><p>Ademais, não se trata de qualificadora objetiva porque</p><p>nada tem a ver com o meio ou modo de execução. Por</p><p>ser qualificadora</p><p>subjetiva, em caso de concurso de</p><p>pessoas, essa qualificadora não se comunica aos</p><p>demais coautores ou partícipes, salvo se eles também</p><p>tiverem a mesma motivação.”</p><p>(http://www.dizerodireito.com.br/2015/03/comentari</p><p>os-ao-tipo-penal-do.html)</p><p>Em sentido contrário, para Guilherme de Souza Nucci a</p><p>qualificadora do feminicídio é de natureza objetiva:</p><p>http://www.dizerodireito.com.br/2015/03/comentarios-ao-tipo-penal-do.html</p><p>“Trata-se de uma qualificadora objetiva, pois se liga ao</p><p>gênero da vítima: ser mulher. Não aquiescemos à ideia</p><p>de ser uma qualificadora subjetiva (como o motivo</p><p>torpe ou fútil) somente porque se inseriu a expressão</p><p>“por razões de condição de sexo feminino”. Não é essa a</p><p>motivação do homicídio. O agente não mata a mulher</p><p>porque ela é mulher, mas o faz por ódio, raiva, ciúme,</p><p>disputa familiar, prazer, sadismo, enfim, motivos</p><p>variados, que podem ser torpes ou fúteis; podem,</p><p>inclusive, ser moralmente relevantes. Sendo objetiva,</p><p>pode conviver com outras circunstâncias de cunho</p><p>puramente subjetivo. Exemplificando, pode-se matar a</p><p>mulher, no ambiente doméstico, por motivo fútil (em</p><p>virtude de uma banal discussão entre marido e esposa),</p><p>incidindo duas qualificadoras: ser mulher e haver</p><p>motivo fútil. Essa é a real proteção à mulher, com a</p><p>inserção do feminicídio. Do contrário, seria inútil.</p><p>Fosse meramente subjetiva (ou até objetivo-subjetiva</p><p>como pretendem alguns), considerar-se-ia o homicídio</p><p>suprailustrado como feminicídio apenas. E o motivo do</p><p>agente? Seria desprezado por completo? O</p><p>marido/companheiro/namorado mata a mulher</p><p>porque se sente mais forte que ela, o que é objetivo, mas</p><p>também porque discutiu por conta de um jantar</p><p>servido fora de hora (por exemplo). É essa a lógica</p><p>adotada pela Lei Maria da Penha. Pune-se a lesão</p><p>corporal contra a mulher, dentro do lar, como lesão</p><p>qualificada (art. 129, § 9.º, CP), independentemente do</p><p>motivo. Aliás, se for torpe, por exemplo, acrescenta-se</p><p>a agravante (lesionou a mulher para receber o valor de</p><p>um seguro qualquer, ilustrando). Sob outro aspecto, a</p><p>qualificadora é objetiva, permitindo o homicídio</p><p>privilegiado-qualificado. O agente mata a mulher em</p><p>virtude de violenta emoção seguida de injusta</p><p>provocação da vítima. O companheiro surpreende a</p><p>companheira tendo relações sexuais com o amante em</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10624670/artigo-129-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10623933/par%C3%A1grafo-9-artigo-129-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>seu lar, na frente dos filhos pequenos. Violentamente</p><p>emocionado, elimina a vida da mulher porque é mais</p><p>forte – condição objetiva, mas o faz porque ela</p><p>injustamente o provocou. Podem os jurados, levado o</p><p>caso a julgamento, reconhecer tanto a qualificadora de</p><p>crime contra a mulher como a causa de diminuição do</p><p>§ 1.º do art. 121.” (Guilher de Souza Nucci, Manual de</p><p>Direito Penal, 12ª ed., Editora Foresen, pg. 605)</p><p>O Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu, de forma</p><p>pioneira, que sua natureza é objetiva, subsistindo outras</p><p>circunstâncias que qualificam o homicídio pelo motivo (torpe ou</p><p>fútil):</p><p>“A inclusão da qualificadora agora prevista no art. 121, § 2º,</p><p>inciso VI, do CP, não poderá servir apenas como substitutivo</p><p>das qualificadoras de motivo torpe ou fútil, que são de natureza</p><p>subjetiva, sob pena de menosprezar o esforço do legislador. A</p><p>Lei 13.104/2015 veio a lume na esteira da doutrina inspiradora</p><p>da Lei Maria da Penha, buscando conferir maior proteção à</p><p>mulher brasileira, vítima de condições culturais atávicas que lhe</p><p>impuseram a subserviência ao homem. Resgatar a dignidade</p><p>perdida ao longo da história da dominação masculina foi a ratio</p><p>essendi da nova lei, e o seu sentido teleológico estaria perdido se</p><p>fosse simplesmente substituída a torpeza pelo feminicídio.</p><p>Ambas as qualificadoras podem coexistir perfeitamente, porque</p><p>é diversa a natureza de cada uma: a torpeza continua ligada</p><p>umbilicalmente à motivação da ação homicida, e o feminicídio</p><p>ocorrerá toda vez que, objetivamente, haja uma agressão à</p><p>mulher proveniente de convivência doméstica familiar. 3</p><p>Recurso provido.” (Acórdão n.904781, 20150310069727RSE,</p><p>Relator: GEORGE LOPES LEITE, 1ª Turma Criminal, Data de</p><p>Julgamento: 29/10/2015, Publicado no DJE: 11/11/2015. Pág.:</p><p>105).</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625567/par%C3%A1grafo-2-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28750381/inciso-vi-do-par%C3%A1grafo-2-do-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/183853485/lei-13104-15</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>Recentemente, no informativo 625, O STJ sedimentou</p><p>o entendimento que o agente seja condenado pelas</p><p>qualificadoras do motivo torpe e feminicídio:</p><p>Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das</p><p>qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no</p><p>crime de homicídio praticado contra mulher em</p><p>situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá</p><p>porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem</p><p>OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver</p><p>atrelado à violência doméstica e familiar propriamente</p><p>dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo, ou</p><p>seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que</p><p>levaram um indivíduo a praticar o delito. STJ. 6ª</p><p>Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro,</p><p>julgado em 24/04/2018 (Info 625).</p><p>Ainda, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento</p><p>do HC 430.222/MG, julgado em 15/03/2018, entende</p><p>que a natureza da qualificadora do feminicídio é</p><p>objetiva, afirmando de que as qualificadoras do motivo</p><p>torpe e do feminicídio são compatíveis porque não têm</p><p>a mesma natureza.</p><p>Nesse sentido:</p><p>“HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO EM SUBSTITUIÇÃO AO</p><p>RECURSO CABÍVEL. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DO REMÉDIO</p><p>CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO AO SISTEMA RECURSAL.</p><p>NÃO CONHECIMENTO. 1. A via eleita revela-se inadequada</p><p>para a insurgência contra o ato apontado como coator, pois o</p><p>ordenamento jurídico prevê recurso específico para tal fim,</p><p>circunstância que impede o seu formal conhecimento.</p><p>Precedentes. 2. O alegado constrangimento ilegal será analisado</p><p>para a verificação da eventual possibilidade de atuação ex</p><p>https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/549405014/habeas-corpus-hc-433898-rs-2018-0012637-0</p><p>https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/860042230/habeas-corpus-hc-430222-mg-2017-0330678-6</p><p>officio, nos termos do artigo 654, § 2º, do Código de Processo</p><p>Penal. HOMICÍDIO. EXCLUSÃO DA QUALIFICADORA</p><p>DO MOTIVO TORPE. INCOMPATIBILIDADE COM O</p><p>FEMINICÍDIO. NÃO OCORRÊNCIA. NATUREZA</p><p>DIVERSA DAS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUESTÃO.</p><p>ILEGALIDADE NÃO CARACTERIZADA. 1. Conquanto o § 1º do</p><p>artigo 413 do Código de Processo Penal preveja que"a</p><p>fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da</p><p>materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de</p><p>autoria ou de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo</p><p>legal em que julgar incurso o acusado e especificar as</p><p>circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena",</p><p>não há dúvidas de que a decisão que submete o acusado a</p><p>julgamento pelo Tribunal do Júri deve ser motivada, inclusive</p><p>no que se refere às qualificadoras do homicídio, notadamente</p><p>diante do disposto no artigo 93, inciso IX, da Constituição</p><p>Federal, que impõe a fundamentação de todas as decisões</p><p>judiciais. 2. No caso dos autos, depreende-se que as instâncias</p><p>de origem fundamentaram adequadamente a preservação das</p><p>duas circunstâncias qualificadoras do crime de homicídio</p><p>atribuído ao recorrente, reportando-se aos pressupostos fáticos</p><p>que autorizam a sua apreciação pelo Tribunal do Júri. 3. As</p><p>qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio</p><p>não</p><p>possuem a mesma natureza, sendo certo que a</p><p>primeira tem caráter subjetivo, ao passo que a segunda</p><p>é objetiva, não havendo, assim, qualquer óbice à sua</p><p>imputação simultânea. Doutrina. Precedentes. 4. Habeas</p><p>corpus não conhecido.” (HC 430.222/MG, Rel. Ministro JORGE</p><p>MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe</p><p>22/03/2018)</p><p>No mesmo sentido do STJ e TJDFT, entendemos que a</p><p>natureza da qualificadora do feminicídio é objetiva.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10611261/artigo-654-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10611055/par%C3%A1grafo-2-artigo-654-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10635633/par%C3%A1grafo-1-artigo-413-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10635669/artigo-413-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10626510/artigo-93-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/1699445/inciso-ix-do-artigo-93-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/860042230/habeas-corpus-hc-430222-mg-2017-0330678-6</p><p>Claro que homicídio contra a mulher geralmente</p><p>ocorre por questão de ciúme, vingança, raiva, ou</p><p>aspecto materialista, ou seja, por motivo torpe e fútil,</p><p>ou seja, motivos subjetivos, mas concernente ao</p><p>feminicídio, esta qualificadora possui caráter objetivo,</p><p>pois para a sua configuração basta que o crime seja</p><p>cometido contra mulher por razões da condição de</p><p>sexo feminino, conforme O § 2º-A do artigo 121 do</p><p>Código Penal. Por isso é possível ter homicídio torpe e fútil</p><p>juntamente com o feminicídio. Caso não descubra o motivo que</p><p>matou a mulher, será apenas feminicídio e não concorrente com</p><p>outras qualificadoras.</p><p>Sendo a qualificadora do feminicídio de natureza objetiva, no</p><p>concurso de pessoas, perfeitamente se comunicará aos demais</p><p>coautores ou partícipes (desde que ingressem na esfera de</p><p>conhecimento dos agentes), bem como a possibilidade de</p><p>subsistir com as qualificadoras do motivo torpe ou do motivo</p><p>fútil, não caracterizando bis idem.</p><p>Na mesma esteira tem se orientado a jurisprudência, conforme</p><p>REsp 1.707.¹¹³⁄MG, de Relatoria do Ministro Felix Fischer,</p><p>publicado no dia 7.12.2017:</p><p>“considerando as circunstâncias subjetivas e objetivas,</p><p>temos a possibilidade de coexistência entre as</p><p>qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio. Isso</p><p>porque a natureza do motivo torpe é subjetiva,</p><p>porquanto de caráter pessoal, enquanto o</p><p>feminicídio possui natureza objetiva, pois</p><p>incide nos crimes praticados contra a mulher</p><p>por razão do seu gênero feminino e⁄ou sempre</p><p>que o crime estiver atrelado à violência</p><p>doméstica e familiar propriamente dita, assim</p><p>o animus do agente não é objeto de análise”.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>Segue as jurisprudências dos Tribunais brasileiros seguindo o</p><p>entendimento da qualificadora do feminicídio ser objetiva,</p><p>sendo compatível com as qualificadoras pelo motivo torpe ou</p><p>fútil:</p><p>“DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSOS EM</p><p>SENTIDO ESTRITO. PRONÚNCIA. TENTATIVA DE</p><p>HOMICÍDIO QUALIFICADO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA</p><p>LESÃO CORPORAL. PRESENÇA DA MATERIALIDADE E</p><p>INDÍCIOS DE AUTORIA. PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO</p><p>SOCIETATE. QUALIFICADORAS. MOTIVO TORPE E</p><p>FEMINICÍDIO. PRESENTES INDÍCIOS. BIS IN IDEM.</p><p>NÃO OCORRÊNCIA. QUALIFICADORA POR ASFIXIA.</p><p>IMPROCEDENTE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS. RECURSOS</p><p>CONHECIDOS E DESPROVIDOS. 1. A decisão de pronúncia</p><p>dispensa a certeza jurídica necessária para uma condenação,</p><p>bastando o convencimento do Juiz acerca da materialidade do</p><p>fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de</p><p>participação, prevalecendo nessa fase o in dubio pro societate.</p><p>2. Se a tese da defesa não pode ser de pronto acolhida, o</p><p>interesse da sociedade prepondera, cabendo ao Tribunal do Júri</p><p>examinar e decidir sobre a autoria delitiva, em razão de sua</p><p>competência constitucional. 3. Se existem indícios de que o</p><p>homicídio foi praticado por motivo torpe e ante feminicídio,</p><p>ambas as qualificadoras devem ser mantidas pela decisão de</p><p>pronúncia, a fim de serem submetidas ao Conselho de Sentença,</p><p>ao qual compete o exame definitivo da matéria. 4. Para a</p><p>incidência da qualificadora do feminicídio (CP, art.</p><p>121, § 2º, VI), é desnecessário indagar a motivação do</p><p>agente para a prática do delito, bastando que o</p><p>homicídio tenha sido praticado contra a mulher, em</p><p>contexto de violência doméstica e familiar, nos termos</p><p>do artigo 5º da Lei 11.340/2006. 5. A qualificadora</p><p>somente pode ser excluída da sentença de pronúncia, em caso</p><p>de manifesta improcedência ou se estiver totalmente divorciada</p><p>do conjunto probatório. No caso dos autos, o acervo probatório</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10868890/artigo-5-da-lei-n-11340-de-07-de-agosto-de-2006</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95552/lei-maria-da-penha-lei-11340-06</p><p>não demonstra indícios da presença da qualificadora de asfixia,</p><p>por isso, mantém-se a sua exclusão da sentença de pronúncia. 4.</p><p>Recursos conhecidos e não providos.” (Acórdão n. 994055,</p><p>Relator Des. WALDIR LEÔNCIO LOPES JÚNIOR, 3ª Turma</p><p>Criminal, Data de Julgamento: 9/2/2017, Publicado no DJe:</p><p>17/2/2017.)</p><p>“EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - PRONÚNCIA</p><p>– TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO - DECOTE</p><p>DAS QUALIFICADORAS ADMITIDAS NA PRONÚNCIA -</p><p>IMPOSSIBILIDADE - SÚMULA 64, TJMG -</p><p>QUALIFICADORAS DO MOTIVO TORPE E DO</p><p>FEMINICÍDIO -COMPATIBILIDADE - NATUREZAS</p><p>DIVERSAS - NÃO CONFIGURAÇÃO DE"BIS IN IDEM"-</p><p>MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. -</p><p>Havendo indícios suficientes de autoria e prova da</p><p>materialidade do crime, impõe-se a manutenção da decisão de</p><p>pronúncia, reservando-se ao Tribunal do Júri - juiz soberano</p><p>para o julgamento dos delitos dolosos contra a vida – o exame</p><p>mais aprofundado sobre as discussões meritórias. - Se não há</p><p>provas de que a qualificadora é manifestamente improcedente,</p><p>não há falar em seu decote, nos termos da Súmula Criminal nº</p><p>64 deste TJMG. - Não há falar em incompatibilidade entre as</p><p>qualificadoras do motivo torpe e do feminicídio, vez que a</p><p>primeira possui natureza subjetiva e a segunda natureza</p><p>objetiva, não configurando, portanto,"bis in idem".” (TJMG-</p><p>Rec em Sentido Estrito 1.0024.15.116840-8/001, Relator (a):</p><p>Des.(a) Agostinho Gomes de Azevedo , 7ª CÂMARA CRIMINAL,</p><p>julgamento em 26/07/2017, publicação da sumula em</p><p>04/08/2017)</p><p>“EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - PRONÚNCIA</p><p>– TENTATIVA DE HOMICÍDIO QUALIFICADO - DECOTE</p><p>DAS QUALIFICADORAS ADMITIDAS NA PRONÚNCIA -</p><p>IMPOSSIBILIDADE - SÚMULA 64, TJMG -</p><p>QUALIFICADORAS DO MOTIVO TORPE E DO</p><p>FEMINICÍDIO -COMPATIBILIDADE - NATUREZAS</p><p>DIVERSAS - NÃO CONFIGURAÇÃO DE"BIS IN IDEM"-</p><p>MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. -</p><p>Havendo indícios suficientes de autoria e prova da</p><p>materialidade do crime, impõe-se a manutenção da decisão de</p><p>pronúncia, reservando-se ao Tribunal do Júri - juiz soberano</p><p>para o julgamento dos delitos dolosos contra a vida – o exame</p><p>mais aprofundado sobre as discussões meritórias. - Se não há</p><p>provas de que a qualificadora é manifestamente improcedente,</p><p>não há falar em seu decote, nos termos da Súmula Criminal nº</p><p>64 deste TJMG. - Não há falar em incompatibilidade</p><p>entre as qualificadoras do motivo torpe e do</p><p>feminicídio, vez que a primeira possui natureza</p><p>subjetiva e a segunda natureza objetiva, não</p><p>configurando, portanto,"bis in idem".” (TJMG- Rec em</p><p>Sentido Estrito 1.0024.15.116840-8/001, Relator (a): Des.(a)</p><p>Agostinho Gomes de Azevedo , 7ª CÂMARA CRIMINAL,</p><p>julgamento em 26/07/2017, publicação da sumula em</p><p>04/08/2017)</p><p>“RECURSO EM SENTIDO</p><p>ESTRITO. CRIMES DOLOSOS E</p><p>CULPOSOS CONTRA A PESSOA. HOMICÍDIO TENTADO</p><p>DUPLAMENTE QUALIFICADO (ART. 121, § 2º, INCISOS I E</p><p>VI, E § 2º-A, INCISO I, C/C O ARTIGO 14, INCISO II, DO</p><p>CÓDIGO PENAL). HOMICÍDIO TENTADO QUALIFICADO</p><p>(ARTIGO 121, § 2º, INCISO V, C/C O ARTIGO 14, INCISO II,</p><p>DO CÓDIGO PENAL). CRIME CONEXO. SEQÜESTRO E</p><p>CÁRCERE PRIVADO (ARTIGO 148 DO CÓDIGO PENAL).</p><p>INCONFORMISMO DEFENSIVO. (...) Cabe lembrar que a</p><p>qualificadora do motivo torpe pode coexistir perfeitamente com</p><p>a qualificadora do feminicídio, porque é diversa a natureza de</p><p>cada uma: a torpeza continua ligada umbilicalmente à</p><p>motivação ensejadora da ação homicida, enquanto o feminicídio</p><p>se fará presente toda vez que, objetivamente, se esteja diante de</p><p>uma situação típica de agressão de homem contra mulher, no</p><p>contexto tradicional de violência doméstica e familiar.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625567/par%C3%A1grafo-2-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625522/inciso-i-do-par%C3%A1grafo-2-do-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28750381/inciso-vi-do-par%C3%A1grafo-2-do-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10638135/artigo-14-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10638075/inciso-ii-do-artigo-14-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625567/par%C3%A1grafo-2-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625369/inciso-v-do-par%C3%A1grafo-2-do-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10638135/artigo-14-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10638075/inciso-ii-do-artigo-14-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10621565/artigo-148-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>RECURSO DESPROVIDO, POR MAIORIA.” (Recurso em</p><p>Sentido Estrito Nº 70074984790, Segunda Câmara Criminal,</p><p>Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Antônio Cidade Pitrez,</p><p>Julgado em 22/02/2018)</p><p>“JÚRI. HOMICÍDIO QUALIFICADO E OCULTAÇÃO DE</p><p>CADÁVER. DECISÃO DE PRONÚNCIA DE UM DOSDOS RÉUS</p><p>E DE IMPRONÚNCIA DO OUTRO, RELATIVAMENTE AO</p><p>PRIMEIRO DELITO. APELAÇÃO (...). Não há falar em bis in</p><p>idem no reconhecimento das qualificadoras do motivo</p><p>torpe e do feminicídio, eis que aquela, tem natureza</p><p>subjetiva; esta, objetiva, pois necessário para sua</p><p>caracterização, tão-somente, que o crime tenha</p><p>ocorrido no contexto de violência doméstica e familiar,</p><p>consoante se retira da regra posta no art. 121, § 2º -A,</p><p>inc. I, do Código Penal. Caso em que, segundo o apurado,</p><p>réu e vítima mantiveram relacionamento por aproximadamente</p><p>cinco anos, inclusive com coabitação por certo período de</p><p>tempo. Qualificadoras mantidas. RECURSO DA DEFESA</p><p>DESPROVIDO, POR MAIORIA. RECURSO DO MINISTÉRIO</p><p>PÚBLICO DESPROVIDO.” (Recurso em Sentido Estrito Nº</p><p>70074700618, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça</p><p>do RS, Relator: Honório Gonçalves da Silva Neto, Julgado em</p><p>06/12/2017)</p><p>4 – CONCLUSÃO</p><p>O feminicídio é uma qualificadora do homicídio doloso, de</p><p>competência do Tribunal do Júri e expressamente rotulado</p><p>como crime hediondo, sendo um delito praticado contra a</p><p>mulher por razões da condição do sexo feminino, envolvendo</p><p>violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação</p><p>à condição de mulher.</p><p>https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/558592822/recurso-em-sentido-estrito-rse-70074984790-rs</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625629/artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10625567/par%C3%A1grafo-2-artigo-121-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/911189144/recurso-em-sentido-estrito-rse-70074700618-rs</p><p>A qualificadora do feminicídio possui caráter objetivo,</p><p>pois para sua configuração basta que o crime seja cometido</p><p>contra mulher por razões da condição de sexo feminino, ou seja,</p><p>que a morte esteja vinculada à violência doméstica e familiar ou</p><p>ao menosprezo ao gênero feminino. Sendo a qualificadora do</p><p>feminicídio de natureza objetiva, no concurso de pessoas,</p><p>perfeitamente se comunicará aos demais coautores ou</p><p>partícipes (desde que ingressem na esfera de conhecimento dos</p><p>agentes). Por fim, possível ter homicídio torpe e fútil</p><p>juntamente com o feminicídio, por ser esta objetiva, enquanto</p><p>aquelas subjetivas.</p><p>Danilo Popazoglo</p><p>PÓS-GRADUADO EM DIREITO PENAL E PROCESSO PENAL.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal Comentado, 9.</p><p>ed., São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>CUNHA, Rogério Sanches, Manual de Direito Penal, Parte</p><p>Especial, Volume Único, 8ª ed., JusPodvim, 2017.</p><p>CUNHA, Rogério Sanches Cunha, Código Penal para Concursos,</p><p>10ª Ed., Editora Juspovim, 2017.</p><p>GRECCO, Rogério, Curso de Direito Penal, Parte especial, vol. 2,</p><p>12ª ed., Editora Impetus, 2016.</p><p>JESUS, Damásio E. de, Direito Penal, Vol. 2, 22. ed. São Paulo:</p><p>Saraiva, 1999.</p><p>MASSON, Cleber, Direito Penal, vol. 2, Parte especial, ed. 9º,</p><p>Editora Forense, 2016.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111984002/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40</p><p>NUCCI, Guilherme de Souza, Manual de Direito Penal, 11ª ed.,</p><p>editora Forense, 2016.</p><p>Projeto da lei nº 292/13: <http://legis.senado.leg.br/mwg-</p><p>internal/de5fs23hu73ds/progress?id=z5AeHwC-</p><p>mnza5kCYVQmdx-XM7rimcKsUaa...;</p><p>STF, ADC 19/DF - DISTRITO FEDERAL. AÇÃO</p><p>DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. Relator (a):</p><p>Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 09/02/2012. Órgão</p><p>Julgador: Tribunal Pleno</p><p>ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Tratado de derecho penal - Parte</p><p>general, 1981.</p><p>Disponível em: https://dpopazoglo.jusbrasil.com.br/artigos/624995270/feminicidio-qualificadora-</p><p>objetiva-ou-subjetiva</p><p>Informações relacionadas</p><p>Flávia Teixeira Ortega</p><p>Artigos • há 7 anos</p><p>Feminicídio (art. 121, § 2º, VI, do CP)</p><p>O que é feminicídio? Feminicídio é o homicídio doloso praticado contra</p><p>a mulher por “razões da condição de sexo feminino”, ou seja,</p><p>desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da</p><p>vítima…</p><p>Jimmy Deyglisson Silva de Sousa</p><p>Artigos • há 3 anos</p><p>O que é feminicídio? Qualificadora objetiva ou subjetiva?</p><p>Quais as consequências?</p><p>http://legis.senado.leg.br/mwg-internal/de5fs23hu73ds/progress?id=z5AeHwC-mnza5kCYVQmdx-XM7rimcKsUaaPAfiKGlBo,&dl%3E</p><p>https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/</p><p>https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/</p><p>https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/artigos/337322133/feminicidio-art-121-2-vi-do-cp</p><p>https://jimmydeyglisson.jusbrasil.com.br/</p><p>https://jimmydeyglisson.jusbrasil.com.br/</p><p>https://jimmydeyglisson.jusbrasil.com.br/artigos/804177978/o-que-e-feminicidio-qualificadora-objetiva-ou-subjetiva-quais-as-consequencias</p><p>O feminicídio é uma qualificadora do homicídio, introduzida ao Código</p><p>Penal pela Lei nº 13.104 /2015, que inseriu o inciso VI ao § 2º do art.</p><p>121, que diz: “§ 2º Se o homicídio é cometido: (...) VI –…</p><p>Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes</p><p>Notícias • há 14 anos</p><p>É possível falar em homicídio qualificado privilegiado?</p><p>Sim! Mas, é indispensável que as qualificadoras sejam de natureza</p><p>OBJETIVA. Vale lembrar que as privilegiadoras são todas subjetivas,</p><p>posto que se relacionam com o motivo do crime ou com o estado…</p><p>Leonardo Hubinger</p><p>Artigos • há 3 anos</p><p>Femicídio</p><p>e Feminicídio são diferentes?</p><p>Sim. De início, devemos destacar que o femicídio é o gênero de</p><p>homicídios que tem como vítima mulher e o feminicídio é uma espécie</p><p>de femicídio. Vejamos agora a diferença de forma específica entre…</p><p>Lucas Monteiro,</p><p>Advogado</p><p>Lucas Monteiro</p><p>Artigos • há 8 anos</p><p>Comunicabilidade das Elementares e Circunstâncias no</p><p>Código Penal</p><p>O artigo 30 do CP dispõe quanto à incomunicabilidade das</p><p>circunstancias e condições de caráter pessoal, salvo se elementares do</p><p>crime. Um crime pode, em regra, ser praticado por uma ou mais</p><p>pessoas.</p><p>https://lfg.jusbrasil.com.br/</p><p>https://lfg.jusbrasil.com.br/</p><p>https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/30541/e-possivel-falar-em-homicidio-qualificado-privilegiado</p><p>https://leohubinger.jusbrasil.com.br/</p><p>https://leohubinger.jusbrasil.com.br/</p><p>https://leohubinger.jusbrasil.com.br/artigos/734671683/femicidio-e-feminicidio-sao-diferentes</p><p>https://lmonteiro.jusbrasil.com.br/</p><p>https://lmonteiro.jusbrasil.com.br/</p><p>https://lmonteiro.jusbrasil.com.br/artigos/178091440/comunicabilidade-das-elementares-e-circunstancias-no-codigo-penal</p>