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<p>O TREINO COGNITIVO DE CONTROLE DA RAIVA -</p><p>O PASSO A PASSO DO TREINAMENTO</p><p>Prefácio</p><p>· Modo como uma pessoa interpreta um acontecimento se relaciona diretamente com os sentimentos que ela experimenta</p><p>· Enquadramento hostil: a pessoa que está em conflito com outra percebe que esta é perigosa e má, sendo ela mesma boa e correta. Esse modo de pensar tranca a pessoa em uma prisão de ódio, na qual uma falsa imagem é usada inapropriadamente como a pessoa real. Ocorre no mais primitivo estágio do processamento de informações e também no estágio de desenvolvimento primitivo das crianças. Adversários classificados como maus, sub-humanos, criaturas que merecem ser punidas, o código moral contra mortes fica enfraquecido.</p><p>· Humanos têm uma capacidade inata para o comportamento altruísta, para sobrepujar as tendências hostis e fortalecer um modo de pensar mais racional</p><p>Introdução</p><p>· Raiva quando foge do controle podem ocorrer grandes tragédias que causam danos irreparáveis</p><p>· Aspectos positivos da raiva: função básica de energizar e preparar o organismo para a ação de defesa.</p><p>Capítulo I - Terapia Cognitivo-Comportamental: base teórica e prática para o tratamento da raiva disfuncional</p><p>· A raiva faz parte do arcabouço de sentimentos natural do ser humano, sendo útil para sua sobrevivência</p><p>· Pode se tornar desadaptativa dependendo do grau e das ações do indivíduo. Pode trazer prejuízos no âmbito familiar, social, profissional ou da saúde.</p><p>· A raiva excessiva pode estar presente em uma variedade de transtornos psicológicos e físicos</p><p>Sobre a TCC:</p><p>· Comportamentalismo metodológico com sua ênfase em especificar metas distintas, delinear procedimentos concretos instrumentais para atingir essas metas e oferecer retorno imediato acrescentou novas dimensões a terapia cognitiva.</p><p>· Processos cognitivos podem ser mediadores para mudança cognitiva</p><p>· Premissas básicas:</p><p>1. A cognição afeta o comportamento</p><p>2. A cognição pode ser monitorada e alterada</p><p>3. A mudança comportamental desejada pode ser efetuada por meio da mudança cognitiva</p><p>· Três tipos de TCC’s:</p><p>1. Habilidades de enfrentamento</p><p>2. Resolução de problemas</p><p>3. Reestruturação cognitiva</p><p>· As cognições medeiam as relações entre os estímulos ambientais e as reações internas, que são os sentimentos e sensações.</p><p>· Para o modelo cognitivo, toda atividade cognitiva pode tornar-se consciente, ser monitorada e alterada, podendo gerar mudança emocional e comportamental.</p><p>· Três níveis de cognição: pensamentos automáticos - nível mais superficial de cognição, crenças intermediárias - atitudes, regras e suposições e crenças centrais - nível mais profundo de cognição, são globais, rígidas e super generalizadas. Os três níveis de cognição relacionam-se (a crença central influencia o desenvolvimento da crença intermediária e o pensamento automático).</p><p>> Pensamento automático surge diante de estímulos (externos ou internos) que ativam a crença central e afetam reações emocionais, comportamentais e fisiológicas do indivíduo</p><p>· O tratamento envolve, inicialmente, foco nos pensamentos automáticos, posteriormente, foca nas crenças intermediárias e centrais.</p><p>· O paciente deve identificar, avaliar e reestruturar seus pensamentos automáticos disfuncionais, mas a meta final é a reestruturação de crenças centrais.</p><p>· Esquemas: estruturas cognitivas que organizam e processam as informações - estruturas cognitivas internas relativamente duradouras de armazenamento de características genéricas ou prototípicas de estímulos, ideias ou experiências que são utilizadas para organizar novas informações de maneira significativa, determinando como os fenômenos são percebidos e conceitualizados.</p><p>· Os esquemas são adquiridos precocemente no desenvolvimento, agindo como filtros pelos quais as informações e experiências atuais são processadas.</p><p>· Distorções cognitivas sistemáticas: ocorrem à medida que as crenças centrais são ativadas e servem de alívio momentâneo para o sofrimento decorrente da ativação da crença central disfuncional.</p><p>Avaliação e conceitualização cognitivo-comportamental</p><p>· Avaliação: deve investigar aspectos cognitivos, comportamentais e interpessoais, possibilitando a elaboração da conceitualização que contribui para o planejamento eficaz do tratamento.</p><p>· É realizada mediante a utilização de entrevistas, automonitoração, autorrelato (uso de questionários, escalas de avaliação global), informações de terceiros significativos, observação direta do comportamento, entre outros métodos.</p><p>· A partir da coleta de dados, o terapeuta formula sua hipótese explicativa para o caso, o que se constitui na conceitualização.</p><p>· A conceitualização deve incluir dados relevantes da infância e dos diversos níveis de cognição (pensamento automático, crenças subjacentes e centrais), buscando a compreensão dos padrões e estilos característicos do funcionamento, assim como emoções e comportamentos decorrentes.</p><p>Relação terapêutica na TCC</p><p>· Empirismo colaborativo e psicoeducação</p><p>· Trabalho em equipe para investigar cognições, comportamentos e levantar hipóteses explicativas acerca dos padrões cognitivos e dos comportamentos disfuncionais.</p><p>· O paciente aprende a monitorar e identificar pensamentos automáticos, reconhecer as relações entre cognição, afeto e comportamento, testar a validade dos pensamentos automáticos e crenças nucleares, corrigir conceitualizações tendenciosas substituindo pensamentos distorcidos por cognições mais realistas, identificar e alterar crenças, pressupostos ou esquemas subjacentes a padrões disfuncionais de pensamento</p><p>· Terapeuta estimula paciente a ter papel ativo na terapia, dar feedback, colaborar no planejamento da sessão e aplicar intervenções no seu dia a dia.</p><p>Plano de tratamento:</p><p>· Inclui estratégias cognitivas e comportamentais selecionadas para o caso.</p><p>· Todas as estratégias consideradas mais comportamentais devem levar em conta os aspectos cognitivos envolvidos, ou seja, o terapeuta deve investigar, questionar e ajudar o paciente a reestruturar as interpretações disfuncionais que surgem na execução das atividades.</p><p>Algumas técnicas cognitivo-comportamentais</p><p>· As estratégias com viés mais comportamental devem ser as primeiras a serem utilizadas em alguns casos como depressão.</p><p>· Técnicas comportamentais também podem gerar modificação de distorções cognitivas - aumento da autoeficácia, desfaz interpretações disfuncionais</p><p>> Automonitoramento: registrar em um formulário as atividades realizadas durante a semana, com dia e hora, anotando o grau de prazer experienciado e habilidade na realização da tarefa - visa perceber a satisfação vinculada à ação e às interações sociais, conscientizando-se de suas habilidades, além de ter recordações prazerosas.</p><p>> Elaboração de um plano de atividades: baseando-se nas atividades prazerosas e de maior habilidade. Gradação - inicialmente atividades mais fáceis, para motivar a realização de tarefas mais difíceis.</p><p>> Técnica de resolução ou solução de problemas: 1. identificação do problema 2. levantamento de soluções possíveis 3. avaliação das consequências de cada possível solução 4. escolha e colocação em prática da solução escolhida 5. avaliação de resultados 6. modificações, se necessário, e colocação em prática novamente.</p><p>> Treinamento assertivo: aprendizagem de afirmar-se e solicitar aquilo que considera legítimo, aumentando o prazer do paciente e a autoestima. Inclui técnicas de modelagem, treinamento e ensaio de comportamento.</p><p>> Tomada de decisão: lista de vantagens e desvantagens de cada opção para a decisão que precisa tomar. Visão mais global da situação, peso de cada item, extração de conclusão.</p><p>> Experimentos comportamentais:forma de testagem dos pensamentos disfuncionais do paciente, realizando aquilo que teme, pode desmistificar suas interpretações. Questionamentos que podem ajudar na mudança.</p><p>> Técnicas de relaxamento e respiração profunda: desativação do sistema nervoso para minimizar ou eliminar sintomas de stress e deixar a pessoa mais preparada para enfrentar situações adversas de forma mais efetiva.</p><p>> Registro Diário de Pensamentos</p><p>Disfuncionais - RPD: preenchimento de formulário oferecido ao paciente referente a seus pensamentos automáticos e sentimentos diante de situações de seu dia a dia. Para que seja efetivo, o paciente deve saber o que é pensamento e sentimento. O paciente se conscientiza da importância de suas interpretações, sentimentos e comportamentos. Ensinar a identificar possibilidade de distorção cognitiva durante interpretação das situações.</p><p>> Reestruturação cognitiva: exame e testagem da realidade dos pensamentos automáticos do paciente. Examinar as implicações dos pensamentos, buscando evidências e considerando interpretações alternativas. Objetivo - análise mais acurada da realidade, investigando evidências para interpretações dada à situação e levantando interpretações alternativas. Importância da identificação pelo paciente da interpretação alternativa mais realista dentre aquelas que foram listadas. Resposta mais adaptativa diante dessa nova forma de interpretar a situação e emoção.</p><p>> Reatribuição: revisão de fatos, demonstração de diferentes critérios usa para atribuir responsabilidade a si mesmo e aos outros e o desafio da crença de que é responsável por todo problema ocorrido. Objetivo - levar o paciente a perceber que uma situação adversa pode ter uma série de fatores contribuintes para sua ocorrência e não só sua atitude diante dela.</p><p>> Transformação da adversidade em vantagem: o terapeuta questiona o paciente quanto às vantagens que ele pode tirar de situações consideradas a princípio adversas</p><p>> Seta ou flecha descendente: busca desvendar camadas de cognições mediante a busca do significado dos pensamentos manifestos até que o terapeuta chegue às crenças subjacentes e crenças nucleares.</p><p>> Continuum: técnica útil para pacientes com crenças rígidas e absolutas, havendo uma interpretação das situações com uma distorção cognitiva, que é o pensamento polarizado. Estabelecer parâmetros de uma crença, em escala de 0 a 100, visando uma perpectiva mais realista de seu posicionamento no continuum. O terapeuta ajuda o paciente a considerar graus ou variações dentro de um continuum a partir de comparações entre situações ou pessoas.</p><p>> Questionamento socrático, diálogo socrático ou descoberta guiada: questões feitas ao paciente que sirvam de orientação para que este chegue a novas interpretações que sirvam de desafio para suas interpretações distorcidas. Questões abertas e livres, permitindo que o paciente faça associações livres, no entanto, devem conduzi-lo à possibilidade de uma determinada situação.</p><p>Prevenção de recaídas:</p><p>· Fase final do tratamento, previsão das possíveis dificuldades que possam vir a ocorrer e envolve um plano de como o paciente poderia lidar com elas com base nas habilidades cognitivas e comportamentais desenvolvidas durante o processo terapêutico.</p><p>Capítulo 2 - A Raiva: seu percurso psicofisiológico</p><p>Cabe ao terapeuta avaliar exatamente a contribuição da raiva excessiva para a dificuldade relatada, ou seja, quanto ela permeia o problema apresentado para o tratamento.</p><p>Conhecimento profundo do que é a raiva, seu mecanismo de ação e a mobilização emocional que ela produz em quem sofre e em quem a presencia.</p><p>Compreendendo a raiva</p><p>O que é a raiva:</p><p>· Raiva é um sentimento de intenso desconforto que resulta da percepção de alguma provocação, seja ela uma ofensa, um desacordo, mau tratamento, rejeição, agressão, frustração ou desmerecimento por parte de alguém ou entidade.</p><p>· O desconforto é tão grande que leva a pessoa a querer revidar e atacar quem supostamente a enraiveceu.</p><p>Os componentes da reação de raiva:</p><p>· São cognições, reações emocionais, físicas e comportamentos típicos de quem está com raiva. Podem ser adequados como expressar a raiva de modo construtivo ou inadequados, como agressão física ou verbal, e colocar a raiva para dentro sem tê-la expressado de modo construtivo.</p><p>Fomos preparados geneticamente para sentir raiva em momentos que precisamos nos defender e neutralizar o inimigo fisicamente.</p><p>A raiva pode ocorrer também diante de frustrações ou quando alguém se opõe a algum desejo ou ideia importante, ou quando se interpreta uma situação neutra como ameaçadora.</p><p>· Desilusões e frustrações levam ao stress emocional, que, por sua vez, leva à agressão.</p><p>· Quando a raiva é excessiva, constante e mal gerenciada passa a ser negativa.</p><p>· Raiva é um mecanismo de proteção contra perda de poder real ou imaginário.</p><p>· Há pessoas que possuem uma tendência a experimentar episódios de raiva com frequência exagerada e outras que só a experimentam em situações de extrema injustiça.</p><p>Raiva estado: caracterizada pela sua curta temporalidade, é como a pessoa se sente em determinado momento, podendo variar desde uma certa irritabilidade até a fúria. A intensidade do estado de raiva depende da percepção que a pessoa tem do evento que esteja vivenciando, seja ele uma provocação ou uma injustiça.</p><p>Raiva traço: tendência a perceber diversas situações como desagradáveis e frustrantes, gerando elevações mais frequentes no estado de raiva.</p><p>· Pessoas com alto índice de raiva traço sentem-se constantemente injustiçadas e tendem a vivenciar numerosas frustrações.</p><p>Componentes do traço de raiva:</p><p>· Raiva temperamento: é caracterizada pela propensão geral do indivíduo em vivenciar e expressar a raiva, sem provocação específica. Existem pessoas que têm tendência a sentir raiva mais intensa que outras. Experienciam raiva com muita frequência. Quem possui um alto nível de raiva temperamento é, em geral, impulsivo e tem pouco controle sobre seus sentimentos, tendendo a ser autoritário.</p><p>· Reação de raiva: trata-se de uma propensão para expressar a raiva quando criticado ou tratado de maneira injusta pelos outros.</p><p>Expressão da raiva:</p><p>· Raiva para fora: que se refere à expressão da raiva em relação a outras pessoas ou objetos no meio</p><p>· Raiva para dentro: supressão do sentimento.</p><p>· Controle para não expressar</p><p>Quem possui altos níveis de raiva para fora, tende a expressá-la contra objetos ou pessoas, verbal ou fisicamente, na forma de bater portas, criticar, usar sarcasmo, insultar ou ameaçar, ou atos físicos.</p><p>Hostilidade x Raiva: hostilidade é uma característica de personalidade que envolve avaliação negativa constante de situação e pessoas.</p><p>Componentes da hostilidade:</p><p>A) Cognitivo: envolve uma tendência a avaliar as outras pessoas negativamente</p><p>B) Afetivo: inclui raiva e desprezo pelos outros</p><p>C) Comportamental: envolve cinismo e agressão</p><p>· A hostilidade é uma atitude negativa quanto aos outros que leva à má vontade, crítica e antagonismo.</p><p>Agressão: ato, comportamento que pode ser gerado pela raiva ou pela hostilidade. Pode ser verbal ou física.</p><p>Noção extremista de raiva como algo ruim, que deve ser evitada a todo custo. Algumas pessoas tentam se impedir de sentir raiva porque aprenderam que é vergonhoso, feio ou não civilizado.</p><p>· Negar o sentimento sentimento pode transformar a raiva em mágoa, ansiedade, tristeza ou sintomas psicofisiológicos como palpitações, insônia e ansiedade.</p><p>Primeiro passo no tratamento: aprender a reconhecer sua raiva e entender que ela é um sinal de que algo está errado. Entender ajuda a significar e sinalizar, para evitar a falta de controle.</p><p>Segundo passo no tratamento: saber controlar e utilizar de modo construtivo. Identificar se a raiva é uma tendência básica de reagir ao mundo ou se é resultado de uma situação presente desvantajosa que clama por atenção.</p><p>· A raiva não pode ser ignorada, ela indica que a pessoa precisa aprender estratégias de manejo ou indica que algo necessita ser feito para mudar o mundo ao redor que está criando angústia.</p><p>O mecanismo neuropsicofisiológico da raiva</p><p>· Emoções são processadas no sistema límbico (centro gerenciador das emoções)</p><p>· Sistema límbico: amígdalas, tálamo, epitálamo, hipotálamo, hipocampo, cíngulo e região do septo.</p><p>· Considerado o substrato neural das emoções e todas as suas partes se comunicam - se torna difícil identificar os sentimentos.</p><p>· Sistemas neuroendócrino, neuroimune e neurovegetativo tem sua base no sistema límbico</p><p>e as emoções exercem uma influência importante sobre eles, o que explica o vínculo entre stress emocional e doenças psicofisiológicas.</p><p>· Localização de cada emoção em determinados lugares do sistema.</p><p>A localização da raiva</p><p>· Centro de processamento mais específico.</p><p>· A raiva estimula mais o córtex orbitofrontal e as amígdalas, sendo também capaz de estimular outras áreas.</p><p>· Córtex orbitofrontal: região envolvida no processo cognitivo, como tomada de decisão; envolvido no processamento de certas emoções e determinação da sensibilidade ao reforço e punição</p><p>· Amígdala: origem do medo e da raiva, com efeito diferente - o medo aumenta atenção e a raiva o reduz, levando a pessoa a focalizar somente no seu sentimento. Centro de identificação do perigo, tem papel fundamental na preservação da vida, pois, quando ativada, elicia o medo, sendo funcional para comportamentos de autopreservação.</p><p>· Hipotálamo e amígdala: interação intensa que gera o comportamento de agressão.</p><p>· Medicações: atuam diretamente no funcionamento do sistema límbico para normalizar os neurotransmissores alterados.</p><p>O componente neuroquímico da raiva</p><p>· A resposta da raiva se dá pela ação neuroendócrina da resposta de luta ou fuga (resposta de combate), que pode ser ativada em seres humanos por uma variedade grande de fatores psicológicos e psicossociais.</p><p>· Luta ou fuga: mobilização do corpo para se preparar para uma reação física de combate a um risco percebido. Permite o organismo enfrentar o inimigo ou fugir.</p><p>· Raiva está ligada a mudanças hormonais - ativação da glândula pituitária, que libera o hormônio adrenocorticotrófico, ativando as glândulas suprarrenais (produzem 30 hormônios diferentes - epinefrina/adrenalina, norepinefrina/noradrenalina - aumento da atividade adrenérgica no organismo.</p><p>· Energia produzida é grande, risco de perda de controle e atitudes impensadas e agressivas.</p><p>· A raiva é capaz de acabar com o poder de raciocínio no impulso, devido à incapacidade cognitiva gerada pela produção de hormônios e à estimulação de centros cerebrais que regulam as emoções.</p><p>· Liberação de cortisol - excesso de cortisol tem relação com depressão e estado de imunodeficiência.</p><p>· Adrenalina pode ficar até 30 minutos na corrente sanguínea, portanto, mesmo quando a situação que gerou a expressão da raiva passou, as reações continuam no organismo.</p><p>· Interromper o processo no início, quando está começando a se instalar.</p><p>Interrupção do processo de raiva</p><p>Ação poderosa dos fármacos - eles podem melhorar o funcionamento emocional e equilibrar a ação do sistema límbico e, portanto, são capazes de modular as emoções.</p><p>As estruturas do sistema límbico são estimuladas por algo que ocorre (real ou imaginário) e passa por uma interpretação pessoal desestabilizadora.</p><p>A psicoterapia também tem o poder de modificar a ação do sistema límbico por meio de mudanças na interpretação de eventos catalisadores das emoções.</p><p>TCC: reestruturação cognitiva trabalha na modificação de crenças irracionais do paciente e na interpretação distorcida de si mesmo, dos fatos e do mundo ao seu redor.</p><p>Avalia-se com frequência que a pessoa possui uma visão extremamente negativa dos outros e do mundo, no geral, que leva a reagir de modo desconfiado e agressivo.</p><p>Modificando o modo de interpretar a vida e os acontecimentos diários, é possível alterar o repertório de comportamentos desadaptativos do paciente.</p><p>Time out: técnica para interromper o processo da raiva, em que o paciente sai de perto do estímulo provocativo ou utiliza um método de distração.</p><p>Capítulo 3 - A ontogênese da raiva: contribuições genéticas e psicossociais</p><p>Capítulo 5 - O Treino Cognitivo de Controle da Raiva (TCCR)</p><p>Envolve, desenvolver a habilidade de distinguir quando a raiva é justa e útil e quando é excessiva, injusta e inadequada.</p><p>· Se for considerada útil ou justa, procede-se ao treinamento de como expressá-la adequadamente, na proporção que consiga reparar a injustiça ou mal, sem criar um problema ainda maior do que o original.</p><p>· Se for avaliada como injusta ou excessiva, ou mesmo inútil, procede-se ao treinamento para ela consiga, de modo assertivo, e não agressivo ou passivo, lidar com a situação que está levando à raiva desmedida.</p><p>A TCCR inclui:</p><p>a) identificar cognições (pensamentos avaliativos da situação sendo vivenciada), perceber as sensações físicas e emocionais que antecederam a expressão da raiva (que podem servir de sinal de que a pessoa está para ter uma reação forte)</p><p>b) utilizar a técnica da reestruturação cognitiva (baseada na TCC Racional-Emotiva), parada de pensamento (a fim de mudar as cognições que acompanham a reação de raiva quando ela for avaliada com excessiva).</p><p>c) respiração profunda e relaxamento para a redução da excitabilidade fisiológica gerada pela ação energética da raiva.</p><p>d) “ação responsável”, ou seja, emissão de um comportamento que resolva ou reduza a situação que gera raiva, por meio de um comportamento adequado ao evento presente. Ação responsável: comportamento que diminua o conflito e traga alguma satisfação para a pessoa.</p><p>e) autorreforço pelo controle da raiva quando isso tiver ocorrido e, se não ocorreu, planejamento de como lidar com situações semelhantes de modo apropriado no futuro</p><p>Cartilha sobre a raiva</p><p>Apostila sobre como controlar a raiva e descrição de técnicas de enfrentamento sugeridas, para levar para a casa.</p><p>O stress pode gerar raiva e aumento da reatividade cardiovascular.</p><p>Caráter recíproco da díade stress-raiva: stress prévio pode levar a raiva e a raiva pode também se constituir em fonte poderosa de stress.</p><p>Stress especialmente tóxico quando a pessoa envolvida na interação estressante possui especificamente dois estilos de expressão da raiva: raiva para fora e para dentro - expressar a raiva de forma explosiva ou inibir excessivamente sua expressão.</p><p>TCCR possui duas áreas de atuação: uma na qual a pessoa adquire uma percepção do mundo ao seu redor menos ameaçadora ou conflitiva e, portanto, a raiva surge com menor frequência; a segunda, se refere à expressão adequada da raiva, em situações nas quais ela é desenvolvida - é importante que a raiva seja expressa de modo a promover uma solução para o conflito presente.</p><p>A percepção mais amena dos eventos da vida, acoplada à ideia do uso de ação responsável na resolução dos problemas do viver, é útil para reduzir as ondas de raiva que muitas vezes comprometem o convívio na sociedade e prejudicam a saúde.</p><p>Capítulo 6 - A utilização do TCCR</p><p>Entrevistas Iniciais</p><p>Muitas pessoas que tem altos níveis de raiva tem a falsa noção de que estão sendo assertivas e que conseguem controlar seus sentimentos. Na maioria das vezes, acham-se corretas em suas reações ou culpam os outros pelas suas explosões.</p><p>· Correlação com bipolaridade</p><p>· Correlação com transtornos de personalidade e padrão tipo A</p><p>Identificar as comorbidades presentes.</p><p>Padrão tipo A de comportamento: conjunto de ações e emoções que incluem ambição, agressividade, competitividade e impaciência, tensão muscular, estado de alerta, fala rápida e enfática e um ritmo de atividade acelerado.</p><p>Fazem parte desse estilo de comportamento: irritabilidade, hostilidade e facilidade em sentir-se irado.</p><p>Está sempre envolvida em lutar para alcançar metas, dedicando-se excessivamente ao trabalho, esforçando-se para se superar sempre em suas tarefas, ocupando todo o seu dia com alguma atividade e experimentando sentimentos de culpa quando está parada.</p><p>Três principais componentes: pressa, hostilidade, polifasia.</p><p>> Relação com doenças cardiovasculares, úlceras, retocolite ulcerativa inespecífica.</p><p>A ontogênese do Padrão Tipo A do Comportamento</p><p>Tendência genética</p><p>Condições ambientais determinam se a predisposição vai ou não ser ativada.</p><p>Podemos encontrar na história de vida, a presença de pais motivadores que possuem grandes ambições para os filhos e exigem desempenho em nível de excelência.</p><p>Crença irracional: para serem aceitos e amados, necessitam ter a admiração das pessoas importantes em sua vida, demonstrando que são capazes e que devem ser competentes o</p><p>tempo todo.</p><p>Esforçam-se com vigor e, muitas vezes, exageram na sua dedicação ao sucesso, sem sequer perceberem que estão na idade adulta ainda respondendo os anseios dos pais.</p><p>Atenção à sinais: pensamentos suicidas, raiva no trânsito, quebrar objetos, bater em alguém ou ameaçar fazê-lo, pensamentos negativos sobre todos ao redor, criticas com frequencia, usar sarcasmo, perfeccionismo, dificuldade de relaxar, competitividade excessiva, dificuldade em aceitar criticas, dificuldade de aceitar a opinião dos outros, sentimento de que a vida é uma batalha.</p><p>Sinais físicos: pescoço duro, dor nas costas, hipertensão, problemas estomacais e intestinais.</p><p>Quatro tipos de pessoas raivosas:</p><p>1. A que suporta tudo: passa por humilhações e injustiças enormes e não toma atitude, que sempre encontra desculpas para o comportamento de quem a agride. Engole o desaforo, a vergonha, frustração e raiva. Dores de estômago cada vez maiores, tensão muscular quando é ofendida e insônia.</p><p>Quando outras pessoas demonstram empatia, sente-se mais humilhada, deseja que ninguém tivesse presenciado o ocorrido. Acha-se covarde, fica lembrando constantemente o que aconteceu e sente que deveria ter agido de forma diferente.</p><p>2. O reclamador:reclama de tudo e todos, o tempo inteiro. Tudo sai errado em sua vida e não assume a responsabilidade de resolver problemas, sempre é culpa do outro. As pessoas tendem a se afastar. Pessoas assim estão tentando que as outras façam as coisas que ela deveria fazer, quer que alguém reforce sua autoestima. Choraminga para ajuda dos outros e por conforto. Sente-se desamparada. Não enfrenta o que está de errado em sua vida, nao tem mão ativa em sua própria vida.</p><p>3. O debatedor: pessoa divertida, que conta piadas, centro das atenções, não permite que discordem dela. É o dono da verdade. Não respeita os direitos dos outros, como maneira de evitar que as outras pessoas descubram seus sentimentos. No fundo, não se sente tão inteligente. Controlar a conversa é uma forma de não deixar as outras pessoas falarem sobre assuntos que ele sabe menos e humilhá-lo. A raiva está por trás do comportamento debatedor.</p><p>4. O agressor: utiliza violência física quando perde o controle. Xinga, humilha, finalmente agide, sem ou com pouca provocação. Briga e agride quando se sente frustrado. Quando se frustra, tem dor, está com ciumes ou se sente humulhado, tem vontade de bater em alguém. Aprendeu que a violência o leva a ganhar as discórdias, amedronta os outros e isso dá a sensação de superioridade, mesmo que passageira. Tendência a agredir quando algo sai errado resulta em vinculo automático entre as emoções desagradáveis e de ansiedade e aviolência fisica. Tentativa de esconder o medo e necessidade de ser cuidado, que amedronta a pessoa, que deseja parecer sempre forte e em controle de tudo, porque não aprendeu a lidar com esses sentimentos. Inabilidade de gerenciar as emoções gera mais raiva.</p><p>Avaliar como lida com o stress - como tem lidado com os desafios que a vida oferece.</p><p>Se a pessoa tem tendência a reagir ao mundo com raiva, o stress pode ser um elemento desencadeador de uma explosão ou da reação de raiva. A raiva gera stress emocional.</p>

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