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<p>CURRÍCULOS E PROJETOS</p><p>PEDAGÓGICOS</p><p>Unidade 3</p><p>Currículo por</p><p>competências e</p><p>itinerários</p><p>CEO</p><p>DAVID LIRA STEPHEN BARROS</p><p>Diretora Editorial</p><p>ALESSANDRA FERREIRA</p><p>Gerente Editorial</p><p>LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS</p><p>Projeto Gráfico</p><p>TIAGO DA ROCHA</p><p>Autoria</p><p>MARLY SAVIOLI</p><p>TATIANE KUCKEL</p><p>4 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A</p><p>U</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>Marly Savioli</p><p>Olá! Meu nome é Marly Savioli e sou mestre em Educação,</p><p>pós-graduada em Ética, Valores e Cidadania na Escola, graduada</p><p>em Pedagogia, especializada em Administração Escolar e</p><p>Supervisão Escolar com uma experiência técnico-profissional na</p><p>área educacional de mais de 35 anos.</p><p>Como educadora exerci nas escolas diversos papéis,</p><p>tais como: professora, orientadora educacional, coordenadora</p><p>pedagógica, vice-diretora e diretora.</p><p>Por acreditar nas pessoas e na capacidade de mudar</p><p>o mundo por meio da educação, atualmente trabalho para a</p><p>Fundação Lemann, como formadora de educadores e gestores</p><p>educacionais, orientando e subsidiando seus trabalhos com</p><p>caminhos mais eficazes.</p><p>Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito</p><p>estudo e trabalho. Conte comigo!</p><p>Tatiane Kuckel</p><p>Olá. Meu nome é Tatiane Kuckel e sou Mestre em Educação</p><p>e Novas Tecnologias. Sou formada em Desenho pela Escola de</p><p>Música e Belas Artes do Paraná e em Gestão da Informação pela</p><p>Universidade Federal do Paraná.</p><p>Tenho mais de 15 anos de experiência em processos</p><p>e projetos para EAD, arte visuais, sistemas de informação,</p><p>monitoramento informacional e games.</p><p>Possuo trabalhos publicados nas linhas de Inteligência</p><p>Artificial, EaD, Gamificação e Artes visuais. Atualmente, sou</p><p>Gerente de Projetos e Inovação na Onilearning.</p><p>5CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>ÍC</p><p>O</p><p>N</p><p>ESEsses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos:</p><p>OBJETIVO</p><p>No início do</p><p>desenvolvimento</p><p>de uma nova</p><p>competência. DEFINIÇÃO</p><p>Caso haja a</p><p>necessidade de</p><p>apresentar um novo</p><p>conceito.</p><p>NOTA</p><p>Quando são</p><p>necessárias</p><p>observações ou</p><p>complementações. IMPORTANTE</p><p>Se as observações</p><p>escritas tiverem que</p><p>ser priorizadas.</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>Se algo precisar ser</p><p>melhor explicado ou</p><p>detalhado. VOCÊ SABIA?</p><p>Se existirem</p><p>curiosidades e</p><p>indagações lúdicas</p><p>sobre o tema em</p><p>estudo.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Existência de</p><p>textos, referências</p><p>bibliográficas e links</p><p>para aprofundar seu</p><p>conhecimento.</p><p>ACESSE</p><p>Se for preciso acessar</p><p>sites para fazer</p><p>downloads, assistir</p><p>vídeos, ler textos ou</p><p>ouvir podcasts.</p><p>REFLITA</p><p>Se houver a</p><p>necessidade de</p><p>chamar a atenção</p><p>sobre algo a</p><p>ser refletido ou</p><p>discutido.</p><p>RESUMINDO</p><p>Quando for preciso</p><p>fazer um resumo</p><p>cumulativo das últimas</p><p>abordagens.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Quando alguma</p><p>atividade de</p><p>autoaprendizagem</p><p>for aplicada. TESTANDO</p><p>Quando uma</p><p>competência é</p><p>concluída e questões</p><p>são explicadas.</p><p>6 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>SU</p><p>M</p><p>Á</p><p>RI</p><p>O</p><p>Seleção e organização dos conteúdos curriculares na</p><p>escola .......................................................................................... 9</p><p>Conteúdo .............................................................................................................11</p><p>Conteúdos factuais e conceituais ....................................................17</p><p>Conteúdos Procedimentais ...............................................................22</p><p>Conteúdos Atitudinais ........................................................................24</p><p>O currículo numa abordagem por competências ................ 27</p><p>Formas de Construção de Currículos Escolares .......................................... 35</p><p>O Currículo como Ampliação das Possibilidades de Convivência Social e</p><p>Profissional ..........................................................................................................40</p><p>Organização do Itinerário Formativo às Características Locais e ao Projeto</p><p>Político Pedagógico ..........................................................................................42</p><p>Definição das Cargas Horárias Curriculares ................................................. 44</p><p>Itinerários formativos e a flexibilidade curricular .............. 48</p><p>Itinerários formativos ........................................................................................48</p><p>A flexibilidade curricular ..................................................................................53</p><p>Educação inclusiva e a flexibilização do currículo ....................................... 55</p><p>Métricas e cargas horárias curriculares ............................... 60</p><p>Exemplos Práticos: ............................................................................................66</p><p>Desafios e Soluções ...........................................................................................68</p><p>7CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A</p><p>PR</p><p>ES</p><p>EN</p><p>TA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>Você sabia que a área de currículos e programas</p><p>pedagógicos é uma das mais cruciais na educação e desempenha</p><p>um papel fundamental na formação dos futuros profissionais</p><p>da nossa sociedade? Isso mesmo. A elaboração cuidadosa de</p><p>currículos escolares é essencial para preparar os alunos para</p><p>os desafios do mundo moderno. Esta unidade letiva explora as</p><p>complexidades envolvidas na seleção e organização dos conteúdos</p><p>curriculares na escola, bem como as abordagens baseadas em</p><p>competências, os itinerários formativos e as métricas e cargas</p><p>horárias curriculares. Ao longo desta jornada acadêmica, você</p><p>vai mergulhar nesse universo intrigante e compreender como</p><p>a educação é moldada para atender às necessidades da nossa</p><p>sociedade em constante evolução. Preparado para embarcar</p><p>nessa jornada? Avante!</p><p>8 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>O</p><p>BJ</p><p>ET</p><p>IV</p><p>O</p><p>S</p><p>Olá! Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 3, e o nosso</p><p>objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes</p><p>competências profissionais até o término desta etapa de estudos:</p><p>1. Analisar as formas de construção de currículos</p><p>escolares;</p><p>2. Interpretar o currículo como forma de ampliação das</p><p>possibilidades de convivência social e profissional;</p><p>3. Organizar o itinerário formativo às características locais</p><p>e ao Projeto Político Pedagógico;</p><p>4. Explorar as formas de definir cargas horárias</p><p>curriculares.</p><p>Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao</p><p>conhecimento? Ao trabalho!</p><p>9CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Seleção e organização dos</p><p>conteúdos curriculares na escola</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você estará apto a</p><p>compreender como a seleção e organização dos</p><p>conteúdos curriculares na escola desempenham</p><p>um papel fundamental na formação dos alunos.</p><p>Essa competência é essencial para todos os</p><p>profissionais da área educacional, uma vez que</p><p>os conteúdos são a base do processo de ensino e</p><p>aprendizagem. Aqueles que tentaram abordar essa</p><p>tarefa sem o devido conhecimento enfrentaram</p><p>desafios ao tentar proporcionar uma educação de</p><p>qualidade. Portanto, estar preparado para navegar</p><p>por esse universo de conteúdo é crucial para o</p><p>sucesso na educação. Você está motivado para</p><p>adquirir essa competência e explorar como os</p><p>diferentes tipos de conteúdos, sejam eles factuais,</p><p>conceituais, procedimentais ou atitudinais,</p><p>impactam a formação dos alunos? Se sim, vamos</p><p>juntos embarcar nessa jornada de aprendizado e</p><p>descoberta. Avante!</p><p>Quando fui dar minha primeira aula, em 1983, recebi um</p><p>documento que me apresentaram como o currículo da série. Nele</p><p>estavam elencados diversos conteúdos a serem trabalhados até o</p><p>final do ano com meus alunos.</p><p>Em nenhum momento me foi explicado como eu poderia</p><p>realizar esse trabalho e qual a função daqueles objetivos. Eu</p><p>simplesmente peguei o documento e fui dar minha primeira aula.</p><p>Isso é corriqueiro em muitas escolas. Os professores</p><p>recém-formados chegam e são praticamente “lançados” em</p><p>suas salas com um papel que denominam currículo. Muitos se</p><p>perguntam: o que devo fazer com isso?</p><p>10 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Para que</p><p>propõe os mesmos objetivos e adapta os caminhos</p><p>para se atingir.</p><p>56 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.12 – Flexibilização curricular para pessoas com deficiência</p><p>Fonte: Freepik</p><p>A flexibilização curricular desempenha um papel crucial</p><p>na promoção da educação inclusiva. Ao lidar com a inclusão de</p><p>estudantes portadores de deficiência na escola, é importante</p><p>reconhecer que o desafio vai além da simples garantia de</p><p>vaga e mobilidade. Envolve garantir que esses alunos tenham</p><p>acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem que os</p><p>demais, adaptando o processo educacional de acordo com suas</p><p>necessidades individuais.</p><p>IMPORTANTE</p><p>É fundamental destacar que a flexibilização</p><p>curricular não deve ser confundida com adaptação</p><p>do currículo. A flexibilização busca proporcionar</p><p>os mesmos objetivos de aprendizagem para todos</p><p>os alunos, adaptando as estratégias pedagógicas</p><p>e simplificando algumas complexidades quando</p><p>necessário. Isso é essencial para promover uma</p><p>educação inclusiva que atenda às necessidades de</p><p>todos os estudantes.</p><p>57CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Uma das questões-chave é o currículo. Muitas vezes,</p><p>os currículos escolares são simplificados para atender a certos</p><p>alunos, o que pode resultar na diminuição dos conteúdos</p><p>propostos. No entanto, a flexibilização curricular não deve ser</p><p>interpretada como uma redução de expectativas, mas como uma</p><p>abordagem que adapta as estratégias pedagógicas e simplifica</p><p>algumas complexidades para garantir que todos os alunos tenham</p><p>a oportunidade de alcançar os mesmos objetivos educacionais.</p><p>É importante destacar a diferença entre flexibilização</p><p>e adaptação do currículo. Enquanto a adaptação pode envolver</p><p>mudanças significativas no currículo para acomodar as</p><p>necessidades de um aluno específico, a flexibilização busca</p><p>manter os mesmos objetivos educacionais para todos os alunos,</p><p>variando as abordagens e estratégias de ensino para se adequar</p><p>às diferentes necessidades.</p><p>Portanto, a flexibilização curricular visa criar uma educação</p><p>inclusiva que ofereça oportunidades iguais a todos os alunos,</p><p>independentemente de suas diferenças. Isso atende aos princípios</p><p>de equidade na educação e enriquece o ambiente de aprendizagem</p><p>ao reconhecer e valorizar a diversidade dos estudantes.</p><p>Os professores desempenham um papel crucial nesse</p><p>processo, precisando de orientação e recursos para implementar</p><p>efetivamente a flexibilização curricular em suas práticas</p><p>pedagógicas.</p><p>1. Apoio Multidisciplinar: s flexibilização curricular muitas</p><p>vezes envolve a colaboração de uma equipe multidisciplinar,</p><p>que inclui professores, psicólogos, terapeutas ocupacionais</p><p>e outros profissionais. Eles trabalham juntos para criar</p><p>estratégias de ensino personalizadas para os alunos com</p><p>necessidades especiais.</p><p>58 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>2. Tecnologia Assistiva: a tecnologia desempenha um</p><p>papel importante na flexibilização curricular. Ela pode</p><p>ser usada para criar recursos educacionais acessíveis,</p><p>como softwares de leitura de texto para alunos com</p><p>deficiência visual ou ferramentas de comunicação</p><p>alternativa para alunos com dificuldades na fala.</p><p>3. Plano Individualizado: muitas vezes, os alunos com</p><p>necessidades especiais têm um Plano Individualizado</p><p>de Ensino (PIE) que detalha as adaptações e estratégias</p><p>específicas que serão usadas para apoiar sua aprendizagem.</p><p>Isso ajuda a garantir uma abordagem personalizada.</p><p>4. Treinamento de Professores: os professores</p><p>desempenham um papel fundamental na</p><p>implementação bem-sucedida da flexibilização</p><p>curricular. Portanto, é essencial oferecer treinamento</p><p>e desenvolvimento profissional para capacitá-los a</p><p>atender às necessidades variadas de seus alunos.</p><p>5. Acessibilidade Física: além do currículo, é importante</p><p>garantir que as instalações escolares sejam acessíveis</p><p>a todos os alunos. Isso inclui rampas, banheiros</p><p>adaptados e outros recursos que facilitam a participação</p><p>de alunos com deficiência.</p><p>6. Parceria com Famílias: a colaboração entre escolas</p><p>e famílias é fundamental. Os pais e responsáveis</p><p>desempenham um papel importante no apoio aos</p><p>alunos e na comunicação de suas necessidades à</p><p>escola.</p><p>7. Legislação e Políticas: muitos países têm leis e políticas</p><p>que promovem a inclusão na educação. É importante</p><p>estar ciente dessas regulamentações e garantir que a</p><p>escola esteja em conformidade.</p><p>59CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A flexibilização curricular é uma abordagem dinâmica que</p><p>busca equilibrar os objetivos educacionais com a individualidade</p><p>dos alunos. Quando implementada de maneira eficaz, ela contribui</p><p>significativamente para criar um ambiente educacional inclusivo,</p><p>onde todos os alunos têm a oportunidade de aprender e prosperar.</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza</p><p>de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir tudo</p><p>o que vimos. Você deve ter aprendido que a</p><p>flexibilidade curricular e os itinerários formativos</p><p>desempenham papéis cruciais na construção de</p><p>uma educação inclusiva e adaptada às necessidades</p><p>dos estudantes. No decorrer deste capítulo,</p><p>exploramos como a flexibilização do currículo</p><p>não se resume à simplificação, mas sim a oferecer</p><p>oportunidades igualitárias de aprendizado a todos</p><p>os alunos, incluindo aqueles com deficiência.</p><p>Discutimos a importância de reconhecer a</p><p>diversidade de estilos de aprendizagem e como a</p><p>flexibilização curricular permite diferentes caminhos</p><p>para alcançar os mesmos objetivos educacionais.</p><p>Além disso, destacamos a relevância de considerar</p><p>as necessidades individuais dos estudantes e adaptar</p><p>as estratégias pedagógicas de acordo com elas.</p><p>Portanto, ao concluir este capítulo, esperamos que</p><p>você tenha adquirido um entendimento sólido</p><p>sobre como a flexibilidade curricular e os itinerários</p><p>formativos podem contribuir para uma educação</p><p>mais inclusiva e adaptada, permitindo que todos os</p><p>estudantes tenham a oportunidade de prosperar em</p><p>seu processo de aprendizagem. Continue explorando</p><p>esse tema e buscando maneiras de implementar</p><p>esses conceitos em sua prática educacional. O</p><p>conhecimento adquirido aqui certamente o ajudará</p><p>a se tornar um educador mais eficaz e inclusivo.</p><p>60 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Métricas e cargas horárias</p><p>curriculares</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funcionam as métricas e cargas</p><p>horárias curriculares. Esse conhecimento será</p><p>fundamental para o exercício de sua profissão</p><p>como educador, pois as métricas e cargas horárias</p><p>desempenham um papel crucial na organização e</p><p>avaliação de programas educacionais. Pessoas que</p><p>tentaram lidar com esses aspectos sem a devida</p><p>instrução muitas vezes enfrentaram desafios</p><p>significativos ao planejar currículos e garantir que</p><p>atendam às necessidades dos estudantes.</p><p>A compreensão das métricas curriculares permite</p><p>uma avaliação mais precisa do desempenho dos</p><p>alunos e do impacto das estratégias pedagógicas.</p><p>Além disso, a gestão eficaz das cargas horárias</p><p>curriculares é essencial para equilibrar a</p><p>distribuição do tempo de ensino entre diferentes</p><p>disciplinas e áreas de conhecimento.</p><p>Portanto, este capítulo se propõe a fornecer o</p><p>conhecimento necessário para que você possa</p><p>dominar as métricas e cargas horárias curriculares,</p><p>capacitando-o a planejar currículos eficazes e</p><p>adequados às necessidades de seus alunos. Pronto</p><p>para desenvolver essa competência e aprimorar</p><p>sua prática educacional? Vamos em frente!</p><p>A palavra “métrica” provém da ideia de medir. Podemos</p><p>medir uma distância com uma fita métrica, ou um aprendizado</p><p>com uma nota consequente de uma avaliação, e até mesmo o</p><p>resultado de um projeto com a realização de uma atividade final.</p><p>Afinal, como diria Peter Ferdinand Drucker: “Se você não pode</p><p>medir, não pode gerenciar”.</p><p>61CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Considerando a força dessa palavra</p><p>(métrica), podemos</p><p>relacioná-la ao currículo de uma forma que consiga ser organizado em</p><p>quantidades de conteúdos e seus respectivos tempos para realização</p><p>em sala de aula. Não se descarta ainda a importância de mensurar</p><p>esses conhecimentos para verificar se foram aprendidos ou não.</p><p>A grade curricular envolve as disciplinas obrigatórias e</p><p>optativas de um curso e suas respectivas horas de trabalho efetivo</p><p>em sala de aula. Cabe aos estudantes ficarem atentos as grades</p><p>oferecidas para certificarem-se de que o curso escolhido atende</p><p>às suas expectativas.</p><p>As escolas definem suas grades curriculares sempre com</p><p>base nos textos oficiais e, por isso, vamos verificar o que encontramos</p><p>de importante na LDB 9394/1996 sobre cada etapa de ensino.</p><p>Art. 24. A educação básica, nos níveis</p><p>fundamental e médio, será organizada de</p><p>acordo com as seguintes regras comuns:</p><p>I – a carga horária mínima anual será de</p><p>oitocentas horas para o ensino fundamental</p><p>e para o ensino médio, distribuídas por um</p><p>mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho</p><p>escolar, excluído o tempo reservado aos</p><p>exames finais, quando houver;</p><p>Art. 31. A educação infantil será organizada de</p><p>acordo com as seguintes regras comuns:</p><p>I – avaliação mediante acompanhamento e</p><p>registro do desenvolvimento das crianças,</p><p>sem o objetivo de promoção, mesmo para o</p><p>acesso ao ensino fundamental;</p><p>II – carga horária mínima anual de 800</p><p>(oitocentas) horas, distribuída por um mínimo</p><p>de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;</p><p>62 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>III – atendimento à criança de, no mínimo, 4</p><p>(quatro) horas diárias para o turno parcial e</p><p>de 7 (sete) horas para a jornada integral;</p><p>Art. 32. O ensino fundamental obrigatório,</p><p>com duração de 9 (nove) anos, gratuito na</p><p>escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos</p><p>de idade, terá por objetivo a formação básica</p><p>do cidadão.</p><p>Art. 34. A jornada escolar no ensino</p><p>fundamental incluirá pelo menos quatro</p><p>horas de trabalho efetivo em sala de aula,</p><p>sendo progressivamente ampliado o período</p><p>de permanência na escola.</p><p>§ 1o São ressalvados os casos do ensino</p><p>noturno e das formas alternativas de</p><p>organização autorizadas nesta Lei.</p><p>§ 2o O ensino fundamental será ministrado</p><p>progressivamente em tempo integral, a</p><p>critério dos sistemas de ensino.</p><p>Art. 35, § 5º- A carga horária destinada ao</p><p>cumprimento da Base Nacional Comum</p><p>Curricular não poderá ser superior a mil e</p><p>oitocentas horas do total da carga horária do</p><p>ensino médio, de acordo com a definição dos</p><p>sistemas de ensino.</p><p>Art. 47. Na educação superior, o ano letivo</p><p>regular, independente do ano civil, tem, no</p><p>mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico</p><p>efetivo, excluído o tempo reservado aos</p><p>exames finais, quando houver.</p><p>63CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>§ 1o As instituições informarão aos</p><p>interessados, antes de cada período letivo, os</p><p>programas dos cursos e demais componentes</p><p>curriculares, sua duração, requisitos,</p><p>qualificação dos professores, recursos</p><p>disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-</p><p>se a cumprir as respectivas condições,</p><p>§ 3o É obrigatória a frequência de alunos</p><p>e professores, salvo nos programas de</p><p>educação a distância.</p><p>A organização das grades curriculares é de extrema</p><p>importância para o planejamento. Essa organização garantirá ou</p><p>não a qualidade do que é oferecido ao estudante.</p><p>Existe uma lógica básica de organização que precisamos</p><p>deixar claro. A grade curricular de uma disciplina é dividia por ano</p><p>série e, em cada período, serão elencadas as disciplinas básicas</p><p>para o seguimento da aprendizagem em outras séries.</p><p>Por isso, as disciplinas de Química e Física, por exemplo,</p><p>aparecem a partir do 7º ano do Ensino Fundamental. O aluno</p><p>antes de realizar essas disciplinas precisa ter domínio sobre</p><p>cálculo e interpretação de situações-problema. Caso contrário ele</p><p>não conseguirá entender os desafios propostos e nem realizar os</p><p>cálculos necessários que exigem esses programas escolares.</p><p>Cada seguimento da educação tem suas peculiaridades e,</p><p>atendendo a elas, terão que ser priorizadas disciplinas e tempos</p><p>preestabelecidos que levem o estudante a se formar com a base</p><p>mínima proposta.</p><p>64 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>imagem 3.13 – Exemplo de grade curricular de um curso</p><p>Ensino Fundamental I</p><p>COMPONENTES CURRICULARES</p><p>NÚMERO DE AULAS</p><p>POR SEMANA</p><p>1º</p><p>ano</p><p>2º</p><p>ano</p><p>3º</p><p>ano</p><p>4º</p><p>ano</p><p>5º</p><p>ano</p><p>Fu</p><p>nd</p><p>am</p><p>en</p><p>ta</p><p>çã</p><p>o</p><p>Le</p><p>ga</p><p>l</p><p>Le</p><p>i n</p><p>. 9</p><p>.3</p><p>94</p><p>/9</p><p>6,</p><p>L</p><p>ei</p><p>n</p><p>º</p><p>11</p><p>.2</p><p>74</p><p>/0</p><p>6</p><p>e</p><p>Re</p><p>s.</p><p>C</p><p>N</p><p>E/</p><p>CE</p><p>B</p><p>nº</p><p>0</p><p>7/</p><p>10</p><p>BA</p><p>SE</p><p>N</p><p>AC</p><p>IO</p><p>N</p><p>AL</p><p>C</p><p>O</p><p>M</p><p>U</p><p>M</p><p>LINGUAGENS,</p><p>CÓDIGOS E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>Língua Portuguesa 7 7 7 7 7</p><p>Arte 2 2 2 2 2</p><p>Educação Física 2 2 2 2 2</p><p>MATEMÁTICA</p><p>E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>Matemática 4 7 7 7 7</p><p>CIÊNCIAS DA</p><p>NATUREZA</p><p>E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>Ciências 2 3 3 3 3</p><p>CIÊNCIAS</p><p>HUMANAS</p><p>E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>História e Geografia 3</p><p>História 2 2 2 2</p><p>Geografia 2 2 2 2</p><p>PA</p><p>RT</p><p>E</p><p>D</p><p>IV</p><p>ER</p><p>SI</p><p>FI</p><p>CA</p><p>D</p><p>A</p><p>LINGUAGENS,</p><p>CÓDIGOS E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>Língua Inglesa 2 2 2 2 2</p><p>CIÊNCIAS</p><p>HUMANAS</p><p>E SUAS</p><p>TECNOLOGIAS</p><p>Ensino Religioso 1 1 2 2 2</p><p>Projetos e Assembleias 2 2 1 1 1</p><p>Brincar 5</p><p>TOTAL GERAL 30 30 30 30 30</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>É preciso prever detalhes. Quanto tempo um estudante de</p><p>ciências deve ter reservado no laboratório para atividades práticas?</p><p>Quantas horas semanais são primordiais para se desenvolver os</p><p>conteúdos de matemática? São questões como essa que devem</p><p>permear a construção das cargas horárias curriculares.</p><p>65CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Acreditando que as grades curriculares devem ser</p><p>avaliadas todos os anos, antes de defini-la é importante um estudo</p><p>dos resultados das grades anteriores.</p><p>Mensurar os resultados ajudará a avaliar a efetividade do</p><p>que está posto e sua necessidade de aprimoramento. Por isso, o</p><p>ideal é que esses estudos sejam realizados com a equipe escolar,</p><p>envolvendo diversos seguimentos, pois essa visão sistêmica</p><p>ajudará nas melhores decisões.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O Projeto Político Pedagógico da escola deve</p><p>considerar todos os aspectos abordados nas</p><p>unidades estudadas.</p><p>Considere que no PPP devemos ter todos esses aspectos</p><p>abarcados, incluindo a caracterização da comunidade, as</p><p>metodologias que irão consagrar a aprendizagem, as possibilidades</p><p>de flexibilização, a legislação vigente, a grade curricular e assim por</p><p>diante, contando com a participação de toda a comunidade escolar.</p><p>Passo-a-passo: Veja um exemplo de como parte do</p><p>currículo poderá ser organizado de forma resumida.</p><p>1. Atender as legislações vigentes;</p><p>2. Definir com a equipe escolar o currículo mínimo a ser</p><p>desenvolvido;</p><p>3. Definir, no Projeto Político Pedagógico (PPP),</p><p>a caracterização da comunidade escolar, suas</p><p>necessidades e a metodologia adequada para atendê-</p><p>los de forma eficaz;</p><p>4. Definir temas transversais que serão desenvolvidos em</p><p>cada etapa e ano de ensino;</p><p>66 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>5. Definir a grade curricular para cada etapa e ano de</p><p>ensino;</p><p>6. O professor, em posse de todas essas informações,</p><p>define os planos de aula.</p><p>Exemplos Práticos:</p><p>Aqui estão alguns exemplos práticos de como as métricas</p><p>e cargas horárias curriculares são aplicadas em escolas ou</p><p>programas educacionais:</p><p>1. Grade Curricular do Ensino Fundamental</p><p>• Uma escola de ensino fundamental planeja sua grade</p><p>curricular de acordo com as diretrizes do Ministério da</p><p>Educação. Ela reserva um número específico de horas</p><p>para disciplinas como Matemática, Língua Portuguesa,</p><p>Ciências e Artes, distribuindo o conteúdo ao longo do</p><p>ano letivo.</p><p>• A escola também define um tempo mínimo para aulas</p><p>de Educação Física e atividades extracurriculares,</p><p>garantindo que os alunos tenham uma educação</p><p>equilibrada.</p><p>2. Ensino Médio e Optativas</p><p>• No ensino médio, os alunos podem ter a opção</p><p>de escolher disciplinas eletivas, como Filosofia</p><p>ou Informática. A escola deve alocar um número</p><p>apropriado de horas para essas disciplinas</p><p>com base</p><p>na demanda dos alunos.</p><p>• Métricas são usadas para avaliar o desempenho</p><p>dos alunos nessas disciplinas eletivas, ajudando a</p><p>determinar se elas continuam sendo oferecidas no</p><p>currículo.</p><p>67CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>3. Avaliação de Progresso</p><p>• Durante o ano letivo, os professores avaliam o</p><p>progresso dos alunos em relação aos objetivos de</p><p>aprendizado estabelecidos. Eles podem usar testes,</p><p>trabalhos e projetos para medir o desempenho dos</p><p>alunos em diferentes áreas do currículo.</p><p>• Essas métricas de desempenho são registradas e</p><p>compartilhadas com os alunos e seus responsáveis</p><p>para acompanhamento.</p><p>4. Alocação de Recursos</p><p>• Uma escola decide investir em recursos adicionais para</p><p>melhorar o desempenho dos alunos em Matemática.</p><p>Com base em métricas anteriores, eles identificaram</p><p>que os alunos têm dificuldades nessa disciplina.</p><p>• A escola aloca horas extras de aulas de reforço em</p><p>Matemática e contrata professores adicionais para</p><p>atender a essa necessidade específica.</p><p>5. Avaliação de Programas Educacionais</p><p>• Uma instituição de ensino superior avalia a eficácia de</p><p>um programa educacional oferecido aos estudantes.</p><p>Eles medem o sucesso dos alunos em alcançar os</p><p>objetivos do programa e a taxa de conclusão.</p><p>• Com base nessas métricas, a instituição pode fazer</p><p>ajustes no programa, como revisar a carga horária de</p><p>certas disciplinas ou adicionar recursos de apoio.</p><p>6. Avaliação de Cursos On-line</p><p>• Uma plataforma de ensino on-line rastreia o tempo</p><p>médio que os alunos gastam em diferentes módulos</p><p>de cursos. Eles usam essas métricas para identificar</p><p>68 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>quais partes do curso são mais desafiadoras ou menos</p><p>envolventes para os alunos.</p><p>• Com base nas métricas, a plataforma pode redesenhar</p><p>o curso para torná-lo mais eficaz e envolvente.</p><p>Esses exemplos práticos ilustram como as métricas e</p><p>cargas horárias curriculares são aplicadas na educação, ajudando</p><p>a orientar o planejamento, a avaliação e a melhoria contínua dos</p><p>programas educacionais. Eles demonstram a importância de</p><p>medir o progresso dos alunos e adaptar o currículo para atender</p><p>às necessidades específicas de aprendizado.</p><p>Desafios e Soluções</p><p>Aqui estão algumas ferramentas, recursos e software que</p><p>podem auxiliar na organização e medição de métricas curriculares:</p><p>1. Sistema de Gestão Escolar (SGE)</p><p>• Ferramentas como o SGE são essenciais para escolas</p><p>e instituições de ensino. Eles permitem que as escolas</p><p>gerenciem informações acadêmicas, incluindo a grade</p><p>curricular, registros de alunos, notas e frequência.</p><p>2. Planilhas Eletrônicas (Excel, Google Sheets)</p><p>• Planilhas eletrônicas são úteis para criar modelos</p><p>personalizados de grade curricular e acompanhar</p><p>métricas de desempenho dos alunos. Elas podem ser</p><p>usadas para calcular médias, gerar relatórios e gráficos.</p><p>3. Software de Planejamento Curricular</p><p>Existem softwares específicos projetados para o</p><p>planejamento curricular. Eles permitem que os educadores criem,</p><p>editem e gerenciem currículos de forma eficiente. Alguns exemplos</p><p>incluem o Atlas Curriculum Management e o Curriculum Mapper.</p><p>69CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>4. Plataformas de Aprendizado On-line</p><p>• Para instituições que oferecem cursos on-line,</p><p>plataformas de aprendizado como Moodle, Canvas e</p><p>Blackboard fornecem recursos para planejar currículos,</p><p>criar atividades e avaliar o progresso dos alunos.</p><p>5. Sistemas de Avaliação On-line</p><p>• Ferramentas de avaliação on-line, como Kahoot! e</p><p>Quizlet, podem ser usadas para criar questionários e</p><p>testes interativos que medem o conhecimento dos</p><p>alunos em diferentes áreas do currículo.</p><p>6. Sistemas de Gerenciamento de Avaliação</p><p>• Para escolas que desejam automatizar a avaliação</p><p>de métricas de desempenho dos alunos, sistemas</p><p>como o SABER permitem criar e gerenciar avaliações</p><p>padronizadas.</p><p>7. Plataformas de Análise de Dados Educacionais</p><p>• Plataformas como Tableau e Power BI ajudam as</p><p>instituições de ensino a analisar dados acadêmicos</p><p>e criar painéis interativos para visualizar métricas</p><p>curriculares.</p><p>8. Aplicativos de Planejamento de Aulas</p><p>• Educadores podem usar aplicativos como o Planboard</p><p>e o Common Curriculum para planejar aulas de</p><p>acordo com a grade curricular, definindo objetivos de</p><p>aprendizado e atividades.</p><p>9. Plataformas de Compartilhamento de Conteúdo</p><p>• Plataformas como Google Classroom e Edmodo</p><p>permitem que os professores compartilhem materiais</p><p>70 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>de ensino, atribuições e informações relacionadas ao</p><p>currículo com os alunos.</p><p>10. Software de Gerenciamento de Projetos Educacionais</p><p>• Para projetos educacionais complexos, ferramentas</p><p>como o Trello podem ajudar a organizar tarefas, prazos</p><p>e recursos necessários.</p><p>Essas ferramentas e recursos podem ser úteis para</p><p>educadores, gestores escolares e instituições de ensino na</p><p>organização, medição e otimização de métricas curriculares,</p><p>facilitando o processo de planejamento e avaliação educacional.</p><p>A escolha da ferramenta dependerá das necessidades específicas</p><p>de cada instituição e do nível de ensino.</p><p>Aqui estão alguns dos desafios comuns e possíveis</p><p>soluções ou melhores práticas para superá-los:</p><p>Desafio 1: Diversidade de Alunos e Necessidades</p><p>Educacionais</p><p>• Desafio: as escolas muitas vezes têm uma diversidade</p><p>de alunos com diferentes necessidades educacionais,</p><p>o que torna difícil criar uma grade curricular única que</p><p>atenda a todos.</p><p>• Solução: implementar a flexibilidade curricular</p><p>é fundamental. Oferecer opções de disciplinas e</p><p>itinerários formativos que permitam aos alunos</p><p>escolherem com base em seus interesses e habilidades.</p><p>Além disso, a adaptação curricular individualizada pode</p><p>ser necessária para alunos com necessidades especiais.</p><p>71CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Desafio 2: Mudanças na Legislação Educacional</p><p>• Desafio: as leis e regulamentações educacionais</p><p>podem mudar, afetando as métricas e cargas horárias</p><p>curriculares.</p><p>Solução: manter-se atualizado com as mudanças na</p><p>legislação é crucial. As escolas devem ter um comitê ou equipe</p><p>dedicada a acompanhar essas mudanças e ajustar suas grades</p><p>curriculares de acordo.</p><p>Desafio 3: Avaliação de Desempenho dos Alunos</p><p>• Desafio: medir o desempenho dos alunos de forma</p><p>eficaz pode ser complicado, especialmente com</p><p>abordagens tradicionais de avaliação.</p><p>• Solução: implementar uma variedade de métodos de</p><p>avaliação, incluindo avaliações formativas e somativas,</p><p>projetos práticos, portfólios e autoavaliação dos</p><p>alunos. Isso fornece uma imagem mais abrangente do</p><p>progresso dos alunos.</p><p>Desafio 4: Equilíbrio de Cargas Horárias</p><p>• Desafio: distribuir efetivamente as horas de ensino</p><p>entre diferentes disciplinas e áreas de conhecimento é</p><p>um desafio constante.</p><p>• Solução: realizar análises periódicas das cargas</p><p>horárias para garantir que sejam distribuídas de forma</p><p>equilibrada. Considerar a importância de cada disciplina</p><p>e suas contribuições para os objetivos educacionais.</p><p>Desafio 5: Envolvimento da Comunidade Escolar</p><p>• Desafio: o envolvimento de professores, pais e alunos</p><p>na definição das métricas curriculares pode ser limitado.</p><p>72 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>• Solução: promover a participação ativa da comunidade</p><p>escolar na elaboração do Projeto Político Pedagógico</p><p>(PPP). Realizar reuniões e consultas para ouvir as opiniões</p><p>e necessidades de todas as partes interessadas.</p><p>Desafio 6: Atualização e Avaliação Contínua</p><p>• Desafio: as grades curriculares precisam ser atualizadas</p><p>e avaliadas continuamente para se manterem</p><p>relevantes.</p><p>• Solução: estabelecer um ciclo de revisão curricular</p><p>regular. Realizar pesquisas educacionais, coletar</p><p>feedback dos alunos e professores e fazer ajustes</p><p>conforme necessário.</p><p>Desafio 7: Recursos Limitados</p><p>• Desafio: escolas com recursos limitados podem</p><p>enfrentar dificuldades para oferecer uma ampla gama</p><p>de disciplinas e atividades.</p><p>• Solução:</p><p>buscar parcerias com outras instituições,</p><p>utilizar recursos educacionais digitais e procurar</p><p>subsídios ou financiamento para expandir as ofertas</p><p>curriculares.</p><p>Lidar com métricas e cargas horárias curriculares requer</p><p>flexibilidade, adaptabilidade e envolvimento de toda a comunidade</p><p>escolar. Ao enfrentar esses desafios com soluções adequadas, as</p><p>escolas podem proporcionar uma educação de alta qualidade</p><p>que atenda às necessidades dos alunos e esteja alinhada com as</p><p>metas educacionais.</p><p>73CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>RESUMINDO</p><p>Neste capítulo, exploramos a importância das</p><p>métricas e cargas horárias curriculares na</p><p>organização e avaliação de programas educacionais.</p><p>Abordamos exemplos práticos, desafios comuns e</p><p>soluções, bem como ferramentas e recursos que</p><p>auxiliam na implementação desses conceitos na</p><p>prática educacional.</p><p>Apresentamos exemplos práticos de como as</p><p>métricas e cargas horárias curriculares são</p><p>aplicadas em escolas e programas educacionais.</p><p>Esses exemplos demonstram como a organização</p><p>das grades curriculares, a distribuição das cargas</p><p>horárias e a flexibilidade curricular impactam</p><p>diretamente a experiência de aprendizado dos</p><p>alunos. Compreender esses exemplos é essencial</p><p>para planejar currículos eficazes e adequados às</p><p>necessidades dos estudantes.</p><p>Discutimos os desafios comuns enfrentados pelas</p><p>escolas ao lidar com métricas e cargas horárias</p><p>curriculares. Exploramos soluções e melhores</p><p>práticas para superar esses desafios, destacando</p><p>a importância da flexibilidade, avaliação de</p><p>desempenho dos alunos, equilíbrio de cargas</p><p>horárias e envolvimento da comunidade escolar.</p><p>Abordamos também a necessidade de atualização</p><p>e avaliação contínua das grades curriculares.</p><p>Indicamos ferramentas, recursos e softwares</p><p>que podem auxiliar na organização e medição</p><p>de métricas curriculares. Essas ferramentas</p><p>incluem software de gestão escolar, aplicativos</p><p>de planejamento curricular e outras tecnologias</p><p>educacionais que facilitam o acompanhamento e a</p><p>análise das métricas. Esses recursos são essenciais</p><p>para uma gestão eficaz das grades curriculares.</p><p>74 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Em resumo, este capítulo oferece uma visão</p><p>abrangente das métricas e cargas horárias</p><p>curriculares, destacando sua relevância na</p><p>educação. Aprendemos que esses conceitos</p><p>desempenham um papel fundamental na</p><p>garantia da qualidade do ensino, na adaptação</p><p>às necessidades dos alunos e na conformidade</p><p>com as regulamentações educacionais. Agora que</p><p>exploramos esses tópicos, você deve ter adquirido</p><p>um entendimento sólido sobre como funcionam</p><p>as métricas e cargas horárias curriculares e</p><p>como aplicá-las de maneira eficaz em contextos</p><p>educacionais. Estamos prontos para avançar e</p><p>continuar nossa jornada de aprendizado.</p><p>75CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>RE</p><p>FE</p><p>RÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>A</p><p>S</p><p>BERGER FILHO, R. L. Formação baseada em competências numa</p><p>concepção inovadora para a formação tecnológica. In: CONGRESSO</p><p>DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DOS PAÍSES DO MERCOSUL. 5, 1998,</p><p>Pelotas. Anais […], Pelotas, 1998.</p><p>BRASIL. Lei nº 13.415, de fevereiro de 2017. Altera as Leis n º 9.394,</p><p>de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da</p><p>educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta</p><p>o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e</p><p>de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de</p><p>maio de 1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967;</p><p>revoga a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política</p><p>de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em</p><p>Tempo Integral. Diário Oficial da União, Brasília, 2017. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/</p><p>l13415.htm. Acesso em: 24 nov. 2023.</p><p>BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de</p><p>Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes</p><p>e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília,</p><p>1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/</p><p>l9394.htm. Acesso em: 24 nov. 2023.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros</p><p>curriculares nacionais: meio ambiente. Disponível em: http://</p><p>portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf. Acesso</p><p>em: 24 nov. 2023.</p><p>BRASIL. Pronatec: um caminho de oportunidades pela</p><p>educação profissional e tecnológica. Portal MEC. Disponível</p><p>em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_</p><p>docman&view=download&alias=35391-pronatec-apresentacao-</p><p>pdf&Itemid=30192. Acesso em: 24 nov. 2023.</p><p>BRASIL. Resolução nº 3, de 21 de novembro de 2018. Atualiza as</p><p>Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Diário</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm</p><p>http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=35391-pronatec-apresentacao-pdf&Itemid=30192</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=35391-pronatec-apresentacao-pdf&Itemid=30192</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=35391-pronatec-apresentacao-pdf&Itemid=30192</p><p>76 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Oficial da União, Brasília, 2018. Disponível em: https://www.</p><p>in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/</p><p>id/51281622/do1-2018-11-22-resolucao-n-3-de-21-de-novembro-</p><p>de-2018-51281310. Acesso em: 24 nov. 2023.</p><p>BRASIL. Resolução nº 6, de 20 de setembro de 2012. Define</p><p>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional</p><p>Técnica de Nível Médio. Diário Oficial da União, Brasília, 2012.</p><p>Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_</p><p>d o c m a n & v i e w = d o w n l o a d & a l i a s = 1 1 6 6 3 - r c e b 0 0 6 - 1 2 -</p><p>pdf&category_slug=setembro-2012-pdf&Itemid=30192. Acesso</p><p>em: 24 nov. 2023.</p><p>CARVALHO, I. C. M. Educação ambiental: a formação do sujeito</p><p>ecológico. São Paulo: Cortez, 2012.</p><p>COLL, C., POZO, J. I., SARABIA, B., VALLS, E. Los contenidos en la</p><p>reforma: Enseñanza y aprendizaje de conceptos, procedimientos y</p><p>actitudes. Madrid: Santillana, 1992.</p><p>CONTEÚDO. Dicionário Priberam. Disponível em: https://</p><p>dicionario.priberam.org/conte%C3%BAdo. Acesso em: 22 fev.</p><p>2021.</p><p>COUTO, P. O óbvio precisa ser dito: essa e mais sete lições que</p><p>aprendi na trajetória de RP. Fantástico Mundo RP, 2020. Disponível</p><p>em: https://medium.com/fmrp. Acesso em: 22 dez. 2020.</p><p>DALLAN, E. M. C. Competências e Habilidades (ferramentas):</p><p>como planejar por competências. CRE Mário Covas (Centro</p><p>de Referência em Educação), s.d. Disponível em: http://www.</p><p>crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=036c. Acesso em: 24 nov.</p><p>2023.</p><p>ELLIOTT, J. La investigación-acción en educación. Madrid: Ediciones</p><p>Morata, 1990.</p><p>FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à</p><p>prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003.</p><p>https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622/do1-2018-11-22-resolucao-n-3-de-21-de-novembro-de-2018-51281310</p><p>https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622/do1-2018-11-22-resolucao-n-3-de-21-de-novembro-de-2018-51281310</p><p>https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622/do1-2018-11-22-resolucao-n-3-de-21-de-novembro-de-2018-51281310</p><p>https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622/do1-2018-11-22-resolucao-n-3-de-21-de-novembro-de-2018-51281310</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=11663-rceb006-12-pdf&category_slug=setembro-2012-pdf&Itemid=30192</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=11663-rceb006-12-pdf&category_slug=setembro-2012-pdf&Itemid=30192</p><p>http://portal.mec.gov.br/https://scorm.onilearning.com.br/scorm.php?scorm=4d3a46fabeb0730da521c5bd609fe11f&estudante=0&nome=&licao=&sessao=dtsdjeki19kukegd90qbah8b55?option=com_docman&view=download&alias=11663-rceb006-12-pdf&category_slug=setembro-2012-pdf&Itemid=30192</p><p>https://dicionario.priberam.org/conte%C3%BAdo</p><p>https://dicionario.priberam.org/conte%C3%BAdo</p><p>https://medium.com/fmrp</p><p>http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=036c</p><p>http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=036c</p><p>77CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>LEITE, J. F. N. A formação do psicólogo: clínica, social e mercado.</p><p>São Paulo: Escuta, 2004.</p><p>NUNEZ, I.; RAMALHO, B. A noção de competência nos projetos</p><p>pedagógicos de ensino médio: reflexões na busca de sentidos. In:</p><p>NUNEZ, I. B.; RAMALHO, B. L. (orgs.). Fundamentos do ensino-</p><p>aprendizagem das ciências naturais e da matemática: o novo</p><p>ensino médio. Porto Alegre: Sulina, 2004.</p><p>MACHADO, L. Currículo em bases contínuas. São Paulo: IIEP,</p><p>2005.</p><p>MACEDO, L. de. Ensaios pedagógicos: como construir uma escola</p><p>para todos? Porto Alegre: Artmed, 2005.</p><p>MORAES, M. O paradigma educacional emergente. Campinas/</p><p>SP: Papirus, 2000.</p><p>MORAES, M. C.; TORRE, S. Os fundamentos do sentipensar. In:</p><p>MORAES, M. C.; TORRE, S. Sentipensar: fundamentos e estratégias</p><p>para reencantar a educação. Petrópolis: Vozes, 2004.</p><p>PERRENOUD, P. Construir competências desde a escola. Porto</p><p>Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.</p><p>PERRENOUD, P. A arte de construir competências. Revista Nova</p><p>Escola, p. 19-31, 2000.</p><p>PERRENOUD, P. Construir competências é virar as costas aos</p><p>saberes? In: Revista Pátio, Porto Alegre: ARTMED, v. 03, n. 11, p.</p><p>15-19, 2010.</p><p>PROCEDIMENTO. Dicionário Priberam (on-line). Disponível em:</p><p>https://dicionario.priberam.org/procedimento. Acesso em: 24</p><p>nov. 2023.</p><p>RAMOS, M. N. Itinerários formativos. Dicionário da Educação</p><p>Profissional em Saúde. Fiocruz. Disponível em: http://www.sites.</p><p>epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/itifor.html. Acesso em: 20</p><p>nov. 2020.</p><p>https://dicionario.priberam.org/procedimento</p><p>http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/itifor.html</p><p>http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/itifor.html</p><p>78 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>SACRISTAN, J. G. O currículo como texto da experiência: Da</p><p>qualidade de ensino à aprendizagem. In: SACRISTAN, J. G. A</p><p>educação que ainda é possível: ensaios sobre uma cultura para</p><p>a educação. Porto Alegre: Artmed, 2007.</p><p>WERTHEIN, J.; CUNHA, C. Fundamentos da nova educação.</p><p>Cadernos UNESCO, 2000. Disponível em: https://unesdoc.unesco.</p><p>org/ark:/48223/pf0000129766. Acesso em: 08 dez. 2020.</p><p>ZABALA, A.; ARNOU, L. A. A competência sempre envolve</p><p>conhecimentos inter-relacionados a habilidades e atitudes. In:</p><p>ZABALA, A.; ARNAU, L. Como aprender e ensinar competências.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2010.</p><p>ZABALA, A. Como trabalhar os conteúdos procedimentais em</p><p>aula. Porto Alegre: Artmed, 1998.</p><p>https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000129766</p><p>https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000129766</p><p>Seleção e organização dos conteúdos curriculares na escola</p><p>Conteúdo</p><p>Conteúdos factuais e conceituais</p><p>Conteúdos Procedimentais</p><p>Conteúdos Atitudinais</p><p>O currículo numa abordagem por competências</p><p>Formas de Construção de Currículos Escolares</p><p>O Currículo como Ampliação das Possibilidades de Convivência Social e Profissional</p><p>Organização do Itinerário Formativo às Características Locais e ao Projeto Político Pedagógico</p><p>Definição das Cargas Horárias Curriculares</p><p>Itinerários formativos e a flexibilidade curricular</p><p>Itinerários formativos</p><p>A flexibilidade curricular</p><p>Educação inclusiva e a flexibilização do currículo</p><p>Métricas e cargas horárias curriculares</p><p>Exemplos Práticos:</p><p>Desafios e Soluções</p><p>vocês não passem por isso, vamos conversar</p><p>um pouco sobre o que fazer com esse documento, e mais, como</p><p>construí-lo de forma que seja realmente um orientador do trabalho</p><p>em sala de aula.</p><p>Aprendi com minha experiência que Priscila Couto (2020,</p><p>on-line) tem razão ao afirmar que o “óbvio precisa ser dito”:</p><p>O que é explícito para um pode não ser</p><p>para outro. Nas estratégias de comunicação,</p><p>nos briefings enviados para os fornecedores,</p><p>nos veículos internos, no diálogo; o óbvio</p><p>precisa ser dito. É possível mitigar vários</p><p>desvios e ruídos revalidando o que foi falado,</p><p>mesmo que seja algo que “pareça” implícito.</p><p>Seja na aprovação de peças com o fornecedor</p><p>ao repetir o papel e formato validados, seja</p><p>na comunicação com os colaboradores, seja</p><p>nos veículos é preciso reforçar a informação e</p><p>buscar a clareza e objetividade.</p><p>A transparência é fundamental para gerar</p><p>engajamento, confiança e assertividade no</p><p>resultado. É preciso amarrar todas as pontas.</p><p>A indicação de Priscila vem ao encontro do que acontece na</p><p>educação, já que muitos estudantes não entendem determinados</p><p>conteúdos, pois o professor julga óbvio que eles saibam de alguns</p><p>detalhes que o alicerçam na aprendizagem.</p><p>Da mesma forma, os professores acabam rejeitando</p><p>muitas sugestões para melhor desenvolver seu trabalho, pois</p><p>quando recebe essa indicação, ainda lhe faltam informações</p><p>e justificativas. Aquilo que não fica claro ao professor, ele não</p><p>entende e acaba recebendo como uma imposição.</p><p>11CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Em função disso, vamos esclarecer até mesmo as questões</p><p>mais óbvias, como, por exemplo, o que é conteúdo.</p><p>Conteúdo</p><p>Segundo do Dicionário Priberam, a palavra “conteúdo”</p><p>refere-se a um assunto, aos dizeres de uma carta, ao que está</p><p>contido em uma caixa ou um invólucro.</p><p>Imagem 3.1 – Conteúdos selecionados para ensinar leitura de uma pauta musical</p><p>Compasso</p><p>musical</p><p>Notas</p><p>musicais</p><p>Figuras de</p><p>tempo</p><p>Armaduras</p><p>de claves</p><p>Leitura</p><p>de uma</p><p>pauta</p><p>musical</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>A Imagem 1.1 nos mostra os conteúdos contidos dentro</p><p>do assunto geral “leitura de uma pauta musical”, isto é, tudo que</p><p>está relacionado ao tema que leva ao conhecimento final que é,</p><p>nesse caso, ler uma pauta musical.</p><p>Dessa forma, é possível entendermos que, para alcançar</p><p>um objetivo de aprendizagem, o processo de seleção de</p><p>12 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>conteúdos é primordial. A leitura de uma pauta musical depende</p><p>de sabermos antes como ler as notas musicais, as figuras de</p><p>tempo, a armadura de clave e o que é compasso musical. Por isso,</p><p>esses conteúdos passam a fazer parte do caminho para a leitura</p><p>e, consequentemente, a interpretação.</p><p>No que concerne a conteúdos curriculares, Sacristan</p><p>(2007) assinala que o currículo tem que ser entendido a partir:</p><p>[...] (d)aquilo que é, na realidade, a cultura nas</p><p>salas de aula, fica configurado em uma série de</p><p>processos: as decisões prévias acerca do que</p><p>se vai fazer no ensino, as tarefas acadêmicas</p><p>reais que são desenvolvidas, a vida internadas</p><p>salas de aula e os conteúdos se vinculam com</p><p>o mundo exterior, as relações grupais, o uso e</p><p>o aproveitamento de materiais, as práticas de</p><p>avaliação etc.</p><p>Definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional</p><p>(LDB), em seu artigo 26, os currículos do Ensino Fundamental</p><p>e do Ensino Médio devem ter uma base nacional comum a ser</p><p>complementada em cada sistema de ensino e estabelecimento</p><p>escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características</p><p>regionais e locais da sociedade, da cultura da economia e da clientela.</p><p>Abaixo, discriminamos partes da legislação que nos</p><p>mostram essa realidade:</p><p>§ 1º – Os currículos devem abranger</p><p>obrigatoriamente o estudo da lingua</p><p>Portuguesa e da Matemática, o</p><p>conhecimento do mundo físico e</p><p>natural e darealidade social e política,</p><p>especialmente do Brasil.</p><p>13CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>§ 2° – O ensino da arte constituirá componente</p><p>curricular obrigatório, nos diversos níveis</p><p>da educação básica, de forma a promover o</p><p>desenvolvimento cultural dos alunos.</p><p>§ 3° – A Educação Física integrada à proposta</p><p>pedagógica da escola, é componente curricular</p><p>obrigatório da educação básica, ajustando-se às</p><p>faixas etárias e às condições da população escolar,</p><p>sendo sua prática facultativa ao aluno que cumpra</p><p>jornada de trabalho igual ou superior a 06 horas;</p><p>maior de 30 anos; que estiver prestando serviço</p><p>militar inicial ou que, em situação similar estiver o</p><p>lerigado a prática da Educação Física; amparado</p><p>pelo decreto Lei nº 1044, de 21 de outubro de</p><p>1969; que tenha prole.</p><p>§ 4º – O ensino da história do Brasil levará em</p><p>conta as contribuiçoes das diferentes culturas</p><p>e etnias para a formação do povo brasileiro,</p><p>especialmente das matrizes indígena, africana</p><p>e européia.</p><p>§ 5° – Na parte diversificada do currículo</p><p>será incluído, obrigatoriamente,a partir do</p><p>6º ano, o ensino de pelo menos uma língua</p><p>estrangeira moderna, cuja escolha ficará a</p><p>cargo da comunidade escolar, dentro das</p><p>possibilidades da instituição.</p><p>Os conteúdos curriculares da Educação Básica observarão</p><p>ainda cumprir as seguintes diretrizes:</p><p>• A difusão de valores fundamentais ao interesse social,</p><p>aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem</p><p>comum e à ordem democrática;</p><p>14 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>• Consideração das condições de escolaridade dos alunos</p><p>em cada estabelecimento;</p><p>• Orientação para o trabalho;</p><p>• Promoção do desporto educacional e apoio às práticas</p><p>educativas não formais.</p><p>Dessa forma, podemos pensar em conteúdo, de forma</p><p>bem simplificada, como os conhecimentos que serão transmitidos</p><p>aos alunos, observando que devem atender aos objetivos de cada</p><p>disciplina que compõe o currículo.</p><p>Imagem 3.2 – Seleção de conteúdos a serem trabalhados em sala de aula, a partir de cada</p><p>disciplina</p><p>CONTEÚDOS</p><p>CONTEÚDOS</p><p>CONTEÚDOS</p><p>CONTEÚDOS</p><p>CONTEÚDOS</p><p>DISCIPLINAS</p><p>LÍNGUA</p><p>PORTUGUESA</p><p>MATEMÁTICA</p><p>HISTÓRIA</p><p>GEOGRAFIA</p><p>CIÊNCIAS</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional</p><p>(LDB), sancionada há 23 anos, especificamente em</p><p>20 de dezembro de 1996, teve importância crucial</p><p>nas transformações ocorridas desde então.</p><p>Servindo à Educação, como a Constituição atende para</p><p>o conjunto da legislação brasileira, a LDB abriu espaço para</p><p>consolidar medidas que ampliaram o acesso e melhoraram o</p><p>financiamento do ensino no Brasil.</p><p>15CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Considerando que cada disciplina tem seus objetivos, cabe</p><p>às equipes técnico-pedagógicas orientar os professores sobre o</p><p>desenvolvimento desse currículo, e também como transformá-lo</p><p>significativamente para os estudantes.</p><p>Caberá ter conhecimento da realidade local, das</p><p>características dos alunos para uma seleção desses conhecimentos</p><p>que comporão o currículo em cada série/ano do processo escolar.</p><p>A partir da consciência de quem são os estudantes que estão sob</p><p>nossa responsabilidade é que podemos criar uma sequência de</p><p>estudos e formas de ensinar que contemplem essa realidade.</p><p>REFLITA</p><p>Imagine uma escola indígena. Qual estratégia de</p><p>aula ficará mais adequado para esses estudantes?</p><p>1. O professor lançar situações-problema</p><p>sobre compras no shopping center;</p><p>2. O professor lançar situações-problema</p><p>sobre caça e pesca.</p><p>Qual dessas opções é mais significativa para esse</p><p>grupo? Fica muito claro que trabalhar sobre a</p><p>perspectiva da realidade deles, ou seja, a caça e</p><p>a pesca, trará mais significado e relevância para a</p><p>aprendizagem.</p><p>Zabala (1988) refere-se ao conteúdo selecionado a ser</p><p>trabalhado em sala de aula da seguinte forma:</p><p>• Conteúdos factuais/conceituais;</p><p>• Conteúdos procedimentais;</p><p>• Conteúdos atitudinais.</p><p>Conhecer o que cada conteúdo significa e como ele se</p><p>desenvolve no currículo ajudará o professor a escolher objetivos e</p><p>metodologias didáticas para sua atuação.</p><p>16 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>É importante ter em vista de que o conteúdo</p><p>escolar não envolve apenas os conceitos,</p><p>mas procedimentos e atitudes que devem</p><p>ser inseridos no processo de ensino e</p><p>aprendizagem de forma inter-relacionados.</p><p>(Coll et al., 1992)</p><p>Antes de especificarmos o que cada tipologia de conteúdo</p><p>abrange, será importante também lembrarmos dos quatro pilares</p><p>da educação estabelecidos pela UNESCO para a educação do</p><p>século XXI, nos cadernos elaborados por Werthein e Cunha (2000)</p><p>e sua relação com os conteúdos. São eles:</p><p>• Aprender a conhecer – ensinar ao aluno que ele pode</p><p>descobrir o saber, pesquisar e criar.</p><p>• Aprender a fazer – ligada à formação profissional, às</p><p>necessidades do mercado de trabalho e à capacidade</p><p>em realizar o que se aprendeu.</p><p>• Aprender a conviver – ligada à percepção do outro, à</p><p>vida em grupo, ao respeito etc.</p><p>• Aprender a ser – para desenvolver, o melhor possível, a</p><p>personalidade e estar em condições de agir com uma</p><p>capacidade cada vez maior de autonomia, discernimento</p><p>e responsabilidade pessoal.</p><p>17CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.3 – 4 pilares da educação</p><p>Aprender a</p><p>conhecer</p><p>Aprender a ser</p><p>Aprender a</p><p>fazer</p><p>Aprender a</p><p>conviver</p><p>4 Pilares da</p><p>educação</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>Veremos na sequência que muito desses saberes estão</p><p>relacionados à classificação de conteúdo.</p><p>Conteúdos factuais e conceituais</p><p>Os conteúdos conceituais e factuais consistem em fatos,</p><p>informações, conceitos construídos na história e na ciência.</p><p>Relacionando aos quatro pilares da educação, seria “aprender a</p><p>conhecer”.</p><p>Todo conhecimento tem base teórica, científica, intelectual,</p><p>filosófica, calculista ou mesmo conhecimento popular. Conhecer</p><p>essa fundamentação desenvolve parte cognitiva dos estudantes</p><p>fortalecendo o raciocínio, a memória e proporcionando a</p><p>construção do conhecimento.</p><p>Exemplo: Um professor que ensina história selecionará</p><p>conhecimentos do período específico objetivado e trará</p><p>informações sobre os acontecimentos da época.</p><p>18 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Vejamos a sugestão do currículo de História em 2011,</p><p>do Estado de São Paulo, para o início do ano das quintas</p><p>séries do Ensino Fundamental:</p><p>• Sistemas sociais e culturais de notação de tempo ao</p><p>longo da história;</p><p>• As linguagens das fontes históricas;</p><p>• • Documentos escritos, mapas, imagens, entrevistas;</p><p>• A vida na Pré-história e a escrita, e os suportes e</p><p>instrumentos da escrita.</p><p>Podemos retomar aqui que, além de conhecer esses</p><p>aspectos, também de forma oculta poderá ser trabalhada uma</p><p>série de valores, que também devem fazer parte do currículo.</p><p>A palavra “conhecer” garante a aprendizagem? O fato de</p><p>escutarmos um professor discorrendo sobre um assunto nos</p><p>garante que apreendemos realmente seu valor diante do cotidiano</p><p>de vida?</p><p>Podemos ter várias aulas de um determinado conteúdo</p><p>e nem por isso aprendermos sobre ele. Quem se lembra ainda</p><p>como aplicar os cálculos de química para determinar o “Ph” de</p><p>algum elemento natural? São informações que muitas vezes</p><p>possibilitam a entrada em universidades, porém, se não for</p><p>realmente significativo para o estudante, esse conhecimento cairá</p><p>no esquecimento.</p><p>Nesse caso, devemos entender que esse conteúdo</p><p>conceitual deveria ser explorado de forma que os alunos pudessem</p><p>se posicionar diante da informação e usar esses conhecimentos</p><p>para sua vida futura social ou mesmo profissional. Reafirmado por</p><p>Zabala (1988, p.23):</p><p>19CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Na aprendizagem conceitual, os conteúdos e</p><p>princípios abordados pelo professor devem</p><p>ser trazidos para o mundo real das ideias, a fim</p><p>de que se possa utilizá-lo para a interpretação</p><p>de situações corriqueiras.</p><p>Imagem 3.4 – Conhecer o aluno para contextualizar o conhecimento</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>Para uma estudante, filha de pais agricultores, qual a sua</p><p>realidade? É essa pergunta que fará emergir o que se pode usar da</p><p>realidade em que vive para ensinar e estabelecer um processo de</p><p>aprendizagem personalizado e contextualizado.</p><p>Normalmente as escolas concentram seus esforços</p><p>no ensino de conteúdos factuais e conceituais, ignorando as</p><p>demais propostas de conteúdo, e essa questão pode e deve ser</p><p>trabalhada como tema de formação dos professores pela equipe</p><p>técnico-pedagógica. Criar espaço para reflexão com os docentes é</p><p>fundamental para o aprimoramento das atividades em sala de aula.</p><p>[...] formação permanente dos professores</p><p>centrada na escola, sob responsabilidade de</p><p>uma pessoa da própria escola, presume que</p><p>o compromisso dos docentes na discussão</p><p>dos problemas práticos que enfrentam na</p><p>escola constitui o melhor modo de promover</p><p>o desenvolvimento profissional. (...) Nessa</p><p>perspectiva de formação permanente do</p><p>20 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>professor centrada na escola, a melhora da</p><p>prática profissional se baseia, por fim, na auto</p><p>compreensão dos professores sobre seus</p><p>papéis e tarefas. (Elliot, 1990, p. 244-245)</p><p>No currículo, esses conceitos são elencados em uma</p><p>sequência lógica, em que o profissional considere ideal para facilitar</p><p>a aprendizagem, “é importante que o professor, ao iniciar uma nova</p><p>sequência didática, leve em consideração o que os alunos já sabem</p><p>e construa os novos saberes” (Carvalho, 2012, p. 32).</p><p>Usando uma metáfora que demonstre a importância de</p><p>uma sequência de saberes, podemos comparar com um prédio</p><p>residencial. Se tivermos a falta de um dos andares, também não</p><p>teremos os outros andares. Como na sequência de conteúdo, no</p><p>edifício, um andar alicerça o outro. Não posso ensinar equação de</p><p>segundo grau para um aluno que ainda não aprendeu a contar.</p><p>Imagem 3.5 – Prédio faltando um andar</p><p>Fonte: Adaptado de Freepik (2020)</p><p>21CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>E se o professor trabalha com conteúdos conceituais, que</p><p>tipo de avaliação ele deve propor aos estudantes?</p><p>Considerando as diferentes classificações de conteúdo,</p><p>precisaremos de diferentes formas de avaliação.</p><p>Para avaliarmos conteúdos factuais e conceituais podemos</p><p>usar os seguintes verbos.</p><p>Quadro 3.1 – Verbos utilizados para avaliar conteúdos conceituais – Taxonomia de Bloom</p><p>Analisar Descrever</p><p>Citar Enumerar</p><p>Identificar Explicar</p><p>Lembrar Inferir</p><p>Listar Interpretar</p><p>Nomear Justificar</p><p>Relatar Relacionar</p><p>Numerar Resumir</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A Taxonomia de Bloom é um instrumento de</p><p>apoio ao planejamento didático-pedagógico,</p><p>desde a identificação do objetivo até o caminho</p><p>a percorrer a fim de alcançá-lo. Para saber mais,</p><p>leia o artigo “Taxonomia de Bloom: revisão teórica</p><p>e apresentação das adequações do instrumento</p><p>para definição de objetivos instrucionais”.</p><p>Disponível em:</p><p>https://www.scielo.br/pdf/gp/v17n2/a15v17n2.pdf</p><p>22 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Conteúdos Procedimentais</p><p>Segundo o Dicionário Priberam (on-line), procedimentos</p><p>significam “comportamento, modo de atuar, ser oriundo,</p><p>descender, originar-se, provir, derivar-se, obrar, instaurar,</p><p>processo, entregar à justiça, principiar a fazer alguma coisa e</p><p>continuá-la, comportar-se, conduzir-se, prosseguir”.</p><p>Na escola, os conteúdos procedimentais relacionam-se ao</p><p>“saber fazer” dos quatro pilares da educação, ou seja, direcionado</p><p>à realização de algum objetivo.</p><p>Procedimento se relaciona a colocar em prática o</p><p>conhecimento adquirido. O estudante aprende que é possível</p><p>decantar a água por meio de alguns processos. Conteúdo</p><p>procedimental, nesse caso, seria ele receber o material necessário</p><p>para a decantação e realizar o processo.</p><p>De acordo com Zabala (1998), a partir dos conteúdos</p><p>procedimentais, o aluno é convidado a enxergar o caminho que o</p><p>leva à construção dos conteúdos e a ser um dos atores principais</p><p>no processo de ensino e aprendizagem (protagonismo estudantil).</p><p>Se pensarmos na educação tradicional, os conteúdos</p><p>trabalhados sem diálogo, apresentados de forma fechadas</p><p>contemplavam</p><p>apenas os conteúdos conceituais. Hoje pensamos</p><p>em motivar o aluno mostrando para que serve aquele determinado</p><p>conhecimento. É o que chamamos de contextualizar o aprendizado.</p><p>Segundo os “PCNs: temas transversais – meio ambiente”</p><p>(1998, p. 204), os procedimentos merecem atenção especial:</p><p>Os conteúdos dessa natureza são aprendidos</p><p>em atividades práticas. São um “como fazer”</p><p>que se aprende fazendo, com orientação</p><p>organizada e sistemática dos professores (...)</p><p>23CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Além disso constituem situações didáticas em</p><p>que o desenvolvimento de atitudes pode ser</p><p>trabalhado por meio de vivência concreta e da</p><p>reflexão sobre ela.</p><p>Realizar atividades práticas, além de motivar o estudante,</p><p>vai prepará-lo para exercer uma profissão. Por isso, ter</p><p>fundamentação e depois colocar em prática o conhecimento</p><p>adquirido ordena para um desempenho e uma compreensão</p><p>melhor da funcionalidade daquele conhecimento.</p><p>Ainda é possível desenvolver uma aula em que o estudante</p><p>é convidado a praticar antes de se fundamentar o conceito. Assim,</p><p>ele poderá junto ao professor, construir o aprendizado com base</p><p>em sua experiência.</p><p>Para avaliarmos os conteúdos procedimentais utilizamos</p><p>os seguintes verbos:</p><p>Quadro 3.2 – Verbos utilizados para avaliar conteúdos procedimentais – Taxonomia de Bloom</p><p>Aplicar Demonstrar</p><p>Avaliar Desenhar</p><p>Calcular Elaborar</p><p>Classificar Experimentar</p><p>Coletar dados Inferir</p><p>Compor Ler</p><p>Construir Levantar hipóteses</p><p>Deduzir Manejar</p><p>Observar Planejar</p><p>Recortar Representar</p><p>Saltar Simular</p><p>Usar Traduzir</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>24 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Observem que esses verbos dependem de ação do</p><p>estudante. Para ele avaliar algum fenômeno precisa conhecê-lo</p><p>e testá-lo.</p><p>Agora vamos caminhar para os conteúdos atitudinais.</p><p>Conteúdos Atitudinais</p><p>Os conteúdos atitudinais referem-se às aprendizagens de</p><p>convivência, valores como respeito, solidariedade, humildade e</p><p>outros. É aprender a viver juntos e aprender a se conhecer.</p><p>Cada pessoa tem sua história, cultura, religião, e podemos</p><p>observar diversos tipos de atitudes e julgá-las segundo nossa</p><p>“visão de mundo”, porém, para se viver em sociedade, são</p><p>recomendadas atitudes que permitam a convivência e a paz. Por</p><p>isso, estimular o respeito entre os diferentes é fundamental.</p><p>É na escola que muitas crianças iniciam seu primeiro</p><p>contato com grupos. Elas vão brincar, conversar, trabalhar juntas</p><p>em uma aprendizagem, seguir normas, e para essa convivência</p><p>funcionar é preciso respeito e tolerância.</p><p>Entender que existe muito mais que você próprio e sua</p><p>vontade, e entender que estamos dividindo o mesmo espaço com</p><p>os mesmo direitos e deveres é fundamental.</p><p>Aprender normas e valores é talvez o conteúdo principal</p><p>de preparação para a sociedade. Dessa forma, estamos falando</p><p>de um indivíduo que se questiona, se reinventa conforme as</p><p>condições sociais.</p><p>Essa percepção não quer afirmar que ao vivermos em grupo</p><p>precisamos aceitar tudo, mas sim sermos capazes de respeitar a</p><p>postura do outro e colocar as nossas de forma gentil. Saber se</p><p>25CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>manifestar no mundo e sobre o mundo é condição essencial para</p><p>convivência grupal.</p><p>Os conteúdos atitudinais têm por objetivo o</p><p>amadurecimento do estudante que vive em grupo e que deve</p><p>pensar em si, mas também na coletividade.</p><p>[...] processo mediante o qual vamos</p><p>construindo novos significados das coisas</p><p>e do mundo ao nosso redor, ao mesmo</p><p>tempo em que melhoramos estruturas e</p><p>habilidades cognitivas, desenvolvemos novas</p><p>competências, modificamos nossas atitudes</p><p>e valores, projetando tais mudanças na vida,</p><p>nas relações sociais e laborais. (Moraes; La</p><p>Torre, 2004)</p><p>Será que um professor consegue avaliar uma atitude?</p><p>Avaliação depende de mensuração. É possível mensurar uma</p><p>atitude?</p><p>Normalmente, nesses casos, recomenda-se que por</p><p>meio de atividades grupais, os estudantes sejam observados</p><p>sistematicamente. Mas isso não garante uma conduta social</p><p>adequada, apenas verifica superficialmente a atitude do</p><p>estudante diante da convivência em determinados momentos,</p><p>não garantindo que isso se reproduzirá na sociedade.</p><p>Para além disso, é fundamental a autoavaliação. Realizada</p><p>de forma adequada, a autoavaliação do estudante ajudará a</p><p>analisar seu comportamento mediante as situações.</p><p>Para essa autoavaliação pode-se, por exemplo, usar uma</p><p>lista de verificação. Observem a amostra abaixo de uma lista de</p><p>verificação autoavaliativa.</p><p>26 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Quadro 3.3 – Lista de verificação de uma atividade proposta para um grupo</p><p>Atitude Fiz Não Fiz</p><p>Encaminhamentos</p><p>pessoais</p><p>Participei da elaboração do</p><p>trabalho efetivamente.</p><p>Ajudei o grupo a definir</p><p>metas e caminhos.</p><p>Contribui com a elaboração</p><p>da parte teórica.</p><p>Ajudei na construção da</p><p>parte visual.</p><p>Ajudei os parceiros com</p><p>dificuldades.</p><p>Respeitei a opinião dos</p><p>demais.</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2020)</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.</p><p>Neste capítulo, exploramos a seleção e organização</p><p>dos conteúdos curriculares na escola, destacando</p><p>a importância fundamental desse processo na</p><p>formação dos alunos. A competência adquirida aqui</p><p>é essencial para profissionais da educação, pois os</p><p>conteúdos são a base do ensino e da aprendizagem.</p><p>Ao longo do capítulo, discutimos os diferentes tipos</p><p>de conteúdos, incluindo os factuais, conceituais,</p><p>procedimentais e atitudinais, e como cada um deles</p><p>desempenha um papel único na educação.</p><p>Esperamos que você tenha compreendido</p><p>a relevância dessa competência e como ela</p><p>influencia diretamente a qualidade da educação.</p><p>Continuaremos nossa jornada explorando outros</p><p>aspectos importantes da educação nos próximos</p><p>capítulos. Fique conosco e continue aprendendo!</p><p>27CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>O currículo numa abordagem</p><p>por competências</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste subtítulo, você terá explorado</p><p>diversas abordagens sobre como os currículos</p><p>escolares são construídos e desenvolvidos. Esse</p><p>conhecimento é fundamental para compreender o</p><p>processo de seleção e organização de conteúdos</p><p>curriculares na escola. Neste subtítulo, vamos</p><p>analisar as formas de construção de currículos</p><p>escolares, desde concepções inovadoras para a</p><p>formação tecnológica, como destacado por Berger</p><p>Filho (1998), até a influência das leis de diretrizes e</p><p>bases da educação nacional, como a Lei n.º 9.394/96</p><p>e a Lei n.º 13.415/17, que impactam diretamente</p><p>na estrutura curricular das instituições de ensino.</p><p>Além disso, exploraremos como os Parâmetros</p><p>Curriculares Nacionais (PCN) e as Diretrizes</p><p>Curriculares Nacionais (DCN) influenciam na</p><p>construção dos currículos.</p><p>Durante nossa jornada, você encontrará questões</p><p>que o convidarão à reflexão.</p><p>Vamos explorar juntos as diversas formas de</p><p>construção de currículos escolares e compreender</p><p>sua importância na educação. Avante!</p><p>Dentro da realidade escolar, já estamos cientes da</p><p>importância de uma pedagogia diferenciada, que se adeque à</p><p>realidade que é constantemente dinâmica.</p><p>As pessoas mudam, a sociedade muda, e a escola quer</p><p>continuar a mesma. Precisamos de uma escola que evolua junto</p><p>da transformação que se apresenta na sociedade.</p><p>28 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.6 – O currículo numa abordagem por competências</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria a partir de IA (2023)</p><p>Não podemos mais ignorar que a maioria dos estudantes já</p><p>carregam consigo um smartphone e que tem acesso a informações</p><p>variadas, muitas vezes falsas (fake news), precisando muito de</p><p>orientação sobre como discernir de uma informação verdadeira.</p><p>Justamente por termos profissionais que foram educados</p><p>em escolas tradicionais, que eles continuam trabalhando da forma</p><p>convencional, impedindo que os estudantes evoluam, se integrem</p><p>à realidade, aprendam com prazer e considerem a tecnologia.</p><p>Moraes (2000, p. 17) afirma que:</p><p>Não se muda um paradigma educacional</p><p>apenas colocando uma nova roupagem,</p><p>camuflando velhas teorias, pintando a fachada</p><p>da escola, colocando telas e telões nas salas</p><p>de aula, se o aluno continua na posição</p><p>https://www.google.com/search?q=fake+news&spell=1&sa=X&ved=0ahUKEwjNvPLYlMXfAhXICpAKHcnsAMMQkeECCCooAA</p><p>29CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>de mero expectador, de simples receptor,</p><p>presenciador e copiador, e se os recursos</p><p>tecnológicos pouco fazem para ampliar a</p><p>cognição humana.</p><p>Nesse sentido, existem muitas escolas que têm recursos</p><p>audiovisuais, biblioteca, laboratórios, mas que infelizmente não</p><p>usam nenhum. Tudo continua como antes.</p><p>Pode-se afirmar de que muitos educadores nem sabem</p><p>como usar a tecnologia a favor da aprendizagem, e mais uma vez</p><p>caberá à equipe técnico-pedagógica formação e orientação para</p><p>se desfrutar de equipamentos disponíveis.</p><p>É preciso repensar as práticas acadêmicas para que atendam</p><p>a sociedade atual. Como diria Einstein: “Insanidade é continuar</p><p>fazendo as mesmas coisas e esperar um resultado diferente”. E</p><p>é justamente isso que acontece nas escolas. As reclamações dos</p><p>profissionais são as mesmas, mas sua atuação também.</p><p>É preciso organizar o currículo com uma lógica</p><p>diferenciada, em que as disciplinas, caso fragmentadas, devem se</p><p>convergir dando ao estudante a ideia das ligações existentes, já</p><p>que as competências se expressam por meio da incorporação de</p><p>conteúdo, conceitos e processos didáticos e metodológicos.</p><p>A palavra competência nos leva a visualizar “o conhecimento</p><p>que alguém tem para realizar algum trabalho, pesquisa,</p><p>julgamento, ensinamento etc. É saber mobilizar e mobilizar-se em</p><p>favor de uma meta, de um desejo” (Macedo, 2005, p. 78).</p><p>Com a LDB 9394/96, a noção de competência no Brasil</p><p>se intensifica, incentivando as escolas a formarem pessoas</p><p>completas, ou seja, além de preparação para o mercado de</p><p>trabalho, que tenham habilidades diversas para construir uma</p><p>nova sociedade melhor.</p><p>30 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Para se trabalhar um currículo por competências, os</p><p>estudantes precisam se apropriar de conceitos verdadeiramente</p><p>e estes devem ser usados em momentos certos para resolver as</p><p>situações que a vida apresenta.</p><p>A ideia é dar sentido ao conteúdo das disciplinas.</p><p>Imagem 3.7 – O estudante deve entender onde se encaixa o aprendizado</p><p>Fonte: Elaborada pela autoria (2020)</p><p>O que ocorre normalmente é que o estudante recebe uma</p><p>informação desagregada de um contexto, que não faz sentido</p><p>para ele. Quantas vezes você ouviu um aluno perguntando para</p><p>que ele precisa aprender determinado conteúdo? São incontáveis</p><p>as vezes em que se pode ouvir esse questionamento dentro de</p><p>uma sala de aula.</p><p>31CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Dessa forma, podemos afirmar que precisamos um novo</p><p>jeito de ensinar. O ensino precisa ser mais eficiente, estimulando</p><p>o estudante a se interessar e entender para que serve. Por isso é</p><p>tão importante a ideia de se trabalhar de forma contextualizada,</p><p>trazendo ao aluno os conteúdos dentro das realidades que vivem,</p><p>e que esses conteúdos sejam trabalhados de tal forma que os</p><p>prepare para resolver as situações cotidianas que enfrentam.</p><p>Outro aspecto importante é lembrarmos de como são</p><p>separadas as disciplinas, uma das outras. Isso não quer dizer que</p><p>não seja possível trabalhar relacionando-as.</p><p>Estudaremos na próxima unidade as formas de</p><p>organização curricular que são conhecidas como: disciplinaridade,</p><p>multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.</p><p>Lá teremos esclarecimentos de como podemos driblar a</p><p>fragmentação proposta pelas escolas do século passado.</p><p>Para se construir um currículo por competências é</p><p>preciso selecionar conhecimentos que são importantes de serem</p><p>desenvolvidos com os estudantes. Deve haver uma integração</p><p>entre “saber” e “saber-fazer”. Conhecer a aplicabilidade dos</p><p>conhecimentos no desenvolvimento profissional é premissa para</p><p>elaborar um currículo por competências.</p><p>Dessa forma, para se elaborar um currículo por</p><p>competências, é preciso ter seus alunos caracterizados em sua</p><p>cultura, suas dificuldades e necessidades locais.</p><p>Veja um exemplo a seguir.</p><p>32 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.8 – Caracterização básica dos estudantes</p><p>Músicas de</p><p>preferência:</p><p>sertanejo e funk</p><p>Moram em um</p><p>bairro pobre</p><p>Pais com pouca</p><p>formação escolar</p><p>São evangélicos em</p><p>sua maioria</p><p>Bairro violento e com</p><p>presença de tráfico</p><p>de drogas</p><p>Fonte: Adaptado de Freepik (2020)</p><p>Assim, o currículo por competências não deixará de ser</p><p>construído com base em objetivos de ensino e de aprendizagem,</p><p>mas deverá ter tais itens contextualizados à realidade social, com</p><p>vistas à sua superação.</p><p>Mas, ponderando sobre um currículo por competência,</p><p>indica-se que vamos renunciar as disciplinas e o conhecimento?</p><p>Segundo Perrenoud, (1999, p. 40):</p><p>Alguns temem que desenvolver competências</p><p>na escola levaria a renunciar às disciplinas</p><p>de ensino e apostar tudo em competências</p><p>transversais e em uma formação pluri, inter</p><p>ou transdisciplinar. Este temor é infundado:</p><p>a questão é saber qual concepção das</p><p>disciplinas escolares adotar. Em toda hipótese,</p><p>as competências mobilizam conhecimentos,</p><p>33CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>dos quais grande parte é e continuará sendo</p><p>de ordem disciplinar [...].</p><p>Perrenoud ainda contribui com o entendimento da</p><p>proposta curricular por competências, afirmando que:</p><p>Para desenvolver competências é preciso,</p><p>antes de tudo, trabalhar por problemas e</p><p>por projetos, propor tarefas complexas e</p><p>desafios que incitem os alunos a mobilizar</p><p>seus conhecimentos e, em certa medida,</p><p>completá-los. Isso pressupõe uma pedagogia</p><p>ativa, cooperativa, aberta para a cidade ou</p><p>para o bairro, seja na zona urbana ou rural.</p><p>Os professores devem parar de pensar que</p><p>dar o curso é o cerne da profissão. Ensinar,</p><p>hoje deveria consistir em conceber, encaixar</p><p>e regular situações de aprendizagem,</p><p>seguindo os princípios pedagógicos ativos</p><p>construtivistas. (Perrenoud, 2000, p. 76)</p><p>Certos de que precisamos de situações concretas para</p><p>desenvolver as competências curriculares, é preciso alinhar o que há</p><p>de melhor em todas essas vertentes teóricas de currículo, valorizando,</p><p>acima de tudo, o protagonismo do aluno nesse processo.</p><p>A avaliação por competências foge da mensuração de</p><p>notas e passa pela busca de resultados. Ela visa:</p><p>[...] educar os alunos para um fazer reflexivo</p><p>e crítico, no contexto de seu grupo social,</p><p>questão que coloca a educação a serviço das</p><p>necessidades reais dos alunos para sua vida</p><p>cidadã e sua preparação para o mundo do</p><p>trabalho. (Leite, 2004, p. 126)</p><p>34 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Segundo Dallan (2000), para se construir uma proposta</p><p>curricular por competência, é preciso:</p><p>• Ter claro o conceito de competências;</p><p>• Refletir como os alunos poderão desenvolver</p><p>competências;</p><p>• Definir qual o perfil de cidadão que se pretende</p><p>formar. O que significa preparar para a cidadania;</p><p>quais as competências que traduzem essa ideia e,</p><p>em consequência, quais os conteúdos curriculares</p><p>que deverão contribuir para a constituição dessas</p><p>competências;</p><p>• Tomar sempre por base as competências para</p><p>selecionar os conteúdos curriculares. Como outros,</p><p>essa autora lembra que uma mesma competência pode</p><p>estar ancorada em vários conteúdos, e que eles são</p><p>meios, e não fins;</p><p>• Definir qual o tipo de organização curricular, podendo-</p><p>se optar por temas, projetos ou problemas, integrando</p><p>disciplinas ou áreas do conhecimento;</p><p>• Ter claro que a interligação do conhecimento é uma</p><p>das estratégias que favorece o desenvolvimento de</p><p>competências.</p><p>Pensar em um currículo por competência é apenas mais</p><p>um caminho entre tantos possíveis, mas é preciso que a instituição</p><p>escolar esteja consciente de seus objetivos e tudo</p><p>que o abarca</p><p>essa estrutura. Ainda mais que nunca, investir na formação de</p><p>professores, para que saibam desafiar seus alunos para um novo</p><p>projeto educativo.</p><p>35CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.9 – Abordagens do currículo por competência</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>DE SITUAÇÕES-</p><p>PROBLEMA CURRÍCULO POR</p><p>COMPETÊNCIA</p><p>HABILIDADES</p><p>FAZER</p><p>CONHECIMENTOS</p><p>REALIZAR</p><p>ATITUDES</p><p>RELACIONAR</p><p>CONHECIMENTOS</p><p>Fonte: Elaborada pela autoria (2020)</p><p>Formas de Construção de</p><p>Currículos Escolares</p><p>Ao abordar as formas de construção de currículos</p><p>escolares, é fundamental considerar que o cenário educacional</p><p>está em constante transformação. As abordagens tradicionais já</p><p>não atendem plenamente às necessidades dos estudantes, que</p><p>vivem em uma sociedade dinâmica e altamente conectada. Nesse</p><p>contexto, exploraremos algumas das formas de construção de</p><p>currículos mais relevantes e eficazes.</p><p>1. Currículo por Competências: a abordagem por</p><p>competências coloca o foco no desenvolvimento das</p><p>habilidades e conhecimentos necessários para que</p><p>os estudantes se tornem cidadãos competentes em</p><p>diversos aspectos da vida. Isso vai além do aprendizado</p><p>de conteúdos disciplinares e inclui a capacidade de</p><p>aplicar esse conhecimento em situações reais. O</p><p>currículo por competências envolve a definição clara</p><p>de quais competências os alunos devem adquirir e</p><p>36 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>como elas serão desenvolvidas ao longo do processo</p><p>educacional.</p><p>2. Currículo Multidisciplinar: a abordagem</p><p>multidisciplinar busca integrar diferentes disciplinas</p><p>e áreas do conhecimento em projetos e atividades</p><p>de aprendizado. Ela reconhece que os problemas</p><p>e desafios do mundo real raramente se encaixam</p><p>em caixas disciplinares separadas. Portanto, essa</p><p>abordagem promove a interconexão de temas e a</p><p>colaboração entre professores de diferentes áreas.</p><p>3. Currículo Interdisciplinar: similar à abordagem</p><p>multidisciplinar, o currículo interdisciplinar visa</p><p>integrar disciplinas, mas com um foco mais profundo</p><p>na conexão entre os conceitos e abordagens de</p><p>diferentes áreas. Os professores trabalham juntos para</p><p>criar uma compreensão mais abrangente dos tópicos,</p><p>destacando as relações entre as disciplinas.</p><p>4. Currículo Baseado em Projetos: nessa abordagem,</p><p>os alunos aprendem por meio da realização de</p><p>projetos práticos que abordam questões do mundo</p><p>real. Isso envolve a identificação de um problema</p><p>ou desafio, pesquisa, colaboração e a criação de</p><p>soluções. Os projetos incentivam a aplicação prática do</p><p>conhecimento e o desenvolvimento de habilidades de</p><p>resolução de problemas.</p><p>5. Currículo Personalizado: com a tecnologia e os</p><p>recursos digitais disponíveis, o currículo personalizado</p><p>se tornou viável. Ele permite que os alunos tenham mais</p><p>controle sobre o que e como aprendem. Os estudantes</p><p>podem seguir caminhos de aprendizado adaptados</p><p>às suas necessidades, seus interesses e estilos de</p><p>aprendizado individuais.</p><p>37CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>6. Currículo por Temas Transversais: essa abordagem</p><p>enfatiza temas transversais, como cidadania, ética,</p><p>sustentabilidade e diversidade, que são incorporados</p><p>em várias disciplinas. Isso promove a formação de</p><p>cidadãos conscientes e responsáveis, capazes de lidar</p><p>com questões complexas da sociedade.</p><p>7. Currículo Inovador com Tecnologia: a tecnologia</p><p>desempenha um papel cada vez mais importante na</p><p>educação. Currículos inovadores incorporam o uso de</p><p>dispositivos digitais, recursos on-line e ferramentas de</p><p>ensino assistido por computador para enriquecer a</p><p>experiência de aprendizado dos alunos.</p><p>É importante destacar que não há uma abordagem</p><p>única que funcione para todas as escolas e todos os contextos.</p><p>Muitas instituições optam por combinar elementos de diferentes</p><p>abordagens para criar um currículo que atenda às necessidades</p><p>específicas de seus alunos. Além disso, a formação contínua de</p><p>professores desempenha um papel crucial na implementação</p><p>bem-sucedida de qualquer abordagem curricular.</p><p>À medida que o campo da educação continua a evoluir,</p><p>é fundamental que as escolas estejam abertas a adaptar seus</p><p>currículos para melhor preparar os estudantes para os desafios do</p><p>século XXI. A escolha da abordagem curricular deve ser orientada</p><p>pela busca da excelência na educação e pelo compromisso</p><p>de proporcionar aos alunos as melhores oportunidades de</p><p>aprendizado.</p><p>Ao considerar as diversas formas de construção de</p><p>currículos escolares, é importante também refletir sobre os desafios</p><p>e questões que surgem ao implementar essas abordagens. Aqui</p><p>estão algumas considerações relevantes:</p><p>38 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>• Formação de Professores: a transição para</p><p>abordagens de currículo mais inovadoras muitas vezes</p><p>requer uma mudança na forma como os professores</p><p>são preparados e apoiados. Os educadores precisam</p><p>adquirir novas habilidades pedagógicas e adaptar suas</p><p>práticas de ensino. Investir na formação contínua dos</p><p>professores é essencial.</p><p>• Avaliação Autêntica: currículos baseados em</p><p>competências e abordagens práticas muitas vezes</p><p>demandam métodos de avaliação diferentes dos</p><p>tradicionais. A avaliação deve ser autêntica e alinhada</p><p>às metas de aprendizado, focando não apenas a</p><p>memorização de fatos, mas a aplicação do conhecimento</p><p>em contextos do mundo real.</p><p>• Individualização: a individualização do ensino,</p><p>presente em currículos personalizados, pode ser</p><p>desafiadora devido à necessidade de gerenciar</p><p>diferentes trajetórias de aprendizado para cada aluno.</p><p>A tecnologia desempenha um papel importante na</p><p>viabilização dessa abordagem, mas é preciso garantir</p><p>que todos os alunos tenham acesso adequado.</p><p>• Integração Curricular: a integração entre disciplinas</p><p>e a abordagem multidisciplinar ou interdisciplinar</p><p>exigem coordenação e colaboração entre professores</p><p>de diferentes áreas. Isso pode ser um desafio logístico,</p><p>mas é fundamental para criar uma experiência de</p><p>aprendizado significativa.</p><p>• Contextualização: a contextualização do currículo</p><p>é essencial para tornar o aprendizado relevante para</p><p>a vida dos alunos. No entanto, encontrar maneiras</p><p>eficazes de conectar o conteúdo às realidades locais e</p><p>globais pode ser complexo.</p><p>39CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>• Equidade: garantir que todas as abordagens curriculares</p><p>sejam equitativas e atendam às necessidades de todos</p><p>os alunos é uma preocupação fundamental. A equidade</p><p>no acesso a recursos, tecnologia e oportunidades de</p><p>aprendizado é um desafio a ser superado.</p><p>• Avaliação de Impacto: avaliar o impacto das diferentes</p><p>abordagens de currículo na aprendizagem dos alunos</p><p>é crucial. Isso requer a coleta de dados relevantes e a</p><p>análise dos resultados para ajustar continuamente o</p><p>currículo.</p><p>• Envolvimento da Comunidade: muitas abordagens</p><p>curriculares, como projetos e aprendizado baseado</p><p>em problemas, envolvem parcerias com a comunidade</p><p>local. Isso exige uma colaboração estreita com pais,</p><p>empresas e organizações da região.</p><p>A construção de currículos escolares é um processo complexo</p><p>e dinâmico que precisa acompanhar as mudanças na sociedade e</p><p>nas necessidades dos alunos. As abordagens discutidas oferecem</p><p>caminhos diferentes para aprimorar a qualidade da educação,</p><p>preparando os estudantes para os desafios do século XXI.</p><p>Não existe uma abordagem única que seja a melhor</p><p>em todos os contextos, e muitas escolas optam por combinar</p><p>elementos de várias abordagens para criar currículos sob medida.</p><p>Independentemente da abordagem escolhida, a formação de</p><p>professores, o envolvimento da comunidade, a avaliação autêntica</p><p>e o compromisso com a equidade são princípios fundamentais a</p><p>serem seguidos.</p><p>À medida que a educação continua a evoluir, é essencial</p><p>que as escolas sejam flexíveis e estejam dispostas a experimentar</p><p>novas abordagens, sempre com o objetivo de oferecer uma</p><p>40 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>educação de qualidade que prepare os alunos para enfrentar os</p><p>desafios do futuro.</p><p>O Currículo como Ampliação das</p><p>Possibilidades de Convivência</p><p>Social e Profissional</p><p>O currículo escolar desempenha um papel fundamental</p><p>na formação dos estudantes, no que diz respeito ao domínio</p><p>de conteúdos acadêmicos e à ampliação das possibilidades de</p><p>convivência social e profissional.</p><p>Neste capítulo, exploraremos como o currículo pode ser</p><p>projetado para preparar os alunos para uma participação ativa na</p><p>sociedade e no mercado de trabalho.</p><p>Educação para a Convivência Social</p><p>Desenvolvimento de Habilidades Sociais: um dos</p><p>objetivos essenciais do currículo é promover o desenvolvimento</p><p>de habilidades sociais nos alunos. Isso inclui a capacidade de se</p><p>comunicar eficazmente, resolver conflitos de forma construtiva,</p><p>colaborar em equipe e compreender e respeitar a diversidade</p><p>cultural e social. Essas habilidades são essenciais para a convivência</p><p>harmoniosa em uma sociedade plural.</p><p>Educação Moral e Cívica</p><p>O currículo também pode incluir componentes de educação</p><p>moral e cívica, que ajudam os alunos a desenvolver valores éticos,</p><p>responsabilidade cívica e um senso de justiça social. Isso contribui</p><p>para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com o</p><p>bem-estar da comunidade.</p><p>41CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Inclusão e Diversidade</p><p>Garantir a inclusão de todos os alunos, independentemente</p><p>de suas diferenças individuais, é um aspecto crucial da educação</p><p>para a convivência social. O currículo deve abordar questões de</p><p>diversidade, promovendo a aceitação e o respeito pela pluralidade</p><p>de identidades e experiências.</p><p>Preparação para o Mundo Profissional</p><p>Desenvolvimento de Competências Profissionais: além das</p><p>habilidades acadêmicas, o currículo também pode se concentrar</p><p>no desenvolvimento de competências profissionais. Isso inclui a</p><p>preparação dos alunos para o mundo do trabalho, fornecendo-</p><p>lhes habilidades práticas, como pensamento crítico, resolução de</p><p>problemas, comunicação eficaz e colaboração em equipe.</p><p>Experiências Práticas: a integração de experiências práticas</p><p>no currículo, como estágios, projetos profissionais e simulações do</p><p>mundo real, permite que os alunos apliquem seu conhecimento</p><p>em contextos profissionais. Essas experiências são valiosas para</p><p>prepará-los para carreiras futuras.</p><p>Orientação Profissional: o currículo também pode oferecer</p><p>orientação profissional, ajudando os alunos a explorar diferentes</p><p>carreiras e tomar decisões informadas sobre seu futuro. Isso inclui</p><p>a exploração de campos de estudo, oportunidades de emprego e</p><p>desenvolvimento de planos de carreira.</p><p>Integração entre Convivência Social e Profissional</p><p>Uma abordagem eficaz do currículo reconhece a interseção</p><p>entre convivência social e profissional. Os alunos não apenas</p><p>adquirem habilidades sociais valiosas, mas também aprendem a</p><p>aplicar essas habilidades em contextos profissionais.</p><p>42 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A educação para a convivência social e profissional visa</p><p>preparar os alunos para contribuir de maneira significativa para</p><p>a sociedade. Isso envolve a promoção da responsabilidade social,</p><p>ética no trabalho e participação ativa na comunidade.</p><p>O currículo escolar desempenha um papel vital na</p><p>formação dos alunos, indo além do domínio acadêmico para</p><p>incluir o desenvolvimento de habilidades sociais e competências</p><p>profissionais. Ao promover a convivência social harmoniosa</p><p>e preparar os alunos para o mundo profissional, o currículo</p><p>contribui para a formação de cidadãos completos e prontos para</p><p>enfrentar os desafios do futuro. A integração entre convivência</p><p>social e profissional é fundamental para garantir que os alunos</p><p>estejam preparados para suas carreiras e para uma participação</p><p>ativa e responsável na sociedade.</p><p>Organização do Itinerário</p><p>Formativo às Características</p><p>Locais e ao Projeto Político</p><p>Pedagógico</p><p>A educação não pode ser dissociada das realidades locais em</p><p>que as escolas estão inseridas. A obra de Libâneo aborda a importância</p><p>da contextualização no processo de ensino e aprendizagem. Isso</p><p>implica considerar as características culturais, socioeconômicas e</p><p>históricas da comunidade em que a escola está localizada. O currículo</p><p>deve refletir essas realidades para que os estudantes possam se</p><p>relacionar de maneira significativa com os conteúdos.</p><p>Projeto Político Pedagógico (PPP)</p><p>O projeto político pedagógico é um documento</p><p>fundamental para orientar a organização do currículo escolar.</p><p>A obra de Veiga explora a importância do PPP na definição dos</p><p>43CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>objetivos educacionais, nas diretrizes curriculares e nas estratégias</p><p>pedagógicas. O currículo deve estar alinhado com o PPP da</p><p>escola, garantindo que os princípios e valores da instituição sejam</p><p>incorporados à prática educativa.</p><p>Flexibilidade Curricular</p><p>A flexibilidade curricular é discutida por Sacristán como uma</p><p>abordagem que permite a adaptação do currículo às necessidades</p><p>locais e aos interesses dos estudantes. Isso envolve a possibilidade</p><p>de diversificar os itinerários formativos, oferecendo opções que</p><p>atendam às demandas da comunidade. A flexibilidade curricular é</p><p>essencial para tornar o currículo mais relevante e inclusivo.</p><p>Estágios e Práticas Pedagógicas</p><p>A formação de professores e a organização de estágios são</p><p>abordadas por Pimenta e Lima. Essas práticas são fundamentais</p><p>para que os futuros educadores compreendam a importância de</p><p>adaptar o currículo às características locais e ao PPP da escola. Os</p><p>estágios proporcionam uma vivência prática da realidade escolar,</p><p>contribuindo para a formação docente.</p><p>A organização do itinerário formativo dos estudantes deve</p><p>ser uma tarefa cuidadosa e estratégica, levando em consideração</p><p>as características locais e o projeto político pedagógico da escola.</p><p>As referências bibliográficas mencionadas fornecem insights e</p><p>orientações valiosas para garantir que o currículo seja relevante,</p><p>contextualizado e alinhado com os objetivos educacionais da</p><p>instituição. A flexibilidade curricular e a formação docente</p><p>desempenham um papel fundamental nesse processo, permitindo</p><p>que o currículo seja adaptado de maneira eficaz às necessidades</p><p>da comunidade escolar.</p><p>É importante destacar que a organização do currículo</p><p>escolar também pode se beneficiar de abordagens pedagógicas</p><p>44 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>contemporâneas, como a pedagogia de projetos, o ensino</p><p>por competências e a aprendizagem ativa. Essas abordagens</p><p>promovem a participação ativa dos estudantes na construção</p><p>do conhecimento e permitem a integração de conteúdos de</p><p>diferentes disciplinas de forma contextualizada.</p><p>Além disso, a consulta a especialistas em educação e</p><p>a colaboração com a comunidade local podem enriquecer o</p><p>processo de organização curricular. A troca de experiências e o</p><p>envolvimento de diferentes partes interessadas, como pais, alunos</p><p>e membros da comunidade, podem contribuir para a definição de</p><p>objetivos educacionais mais amplos e relevantes.</p><p>Por fim, é fundamental que a avaliação do currículo leve</p><p>em consideração não apenas o desempenho dos estudantes em</p><p>testes, mas também a capacidade de aplicar os conhecimentos e</p><p>habilidades adquiridos em situações reais. A avaliação formativa,</p><p>que ocorre ao longo do processo de ensino e aprendizagem, pode</p><p>fornecer informações importantes para ajustar o currículo e torná-</p><p>lo mais eficaz.</p><p>Em resumo, a organização do currículo escolar deve ser</p><p>um processo dinâmico, flexível e orientado para as necessidades</p><p>dos estudantes e da comunidade. A integração de abordagens</p><p>pedagógicas contemporâneas, o envolvimento da comunidade e</p><p>uma avaliação abrangente são elementos-chave para garantir um</p><p>currículo relevante e eficaz.</p><p>Definição das Cargas Horárias</p><p>Curriculares</p><p>A definição das cargas horárias curriculares é um aspecto</p><p>fundamental na organização do currículo escolar, pois influencia</p><p>diretamente a distribuição de tempo dedicado a cada disciplina e</p><p>45CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>conteúdo. Para garantir uma abordagem abrangente e equilibrada,</p><p>é importante considerar diversas diretrizes e critérios ao definir</p><p>as cargas horárias. Abaixo, exploraremos esse tópico em maior</p><p>detalhe, fazendo menção às referências bibliográficas indicadas.</p><p>1. Diversificação das Cargas Horárias: ao definir as</p><p>cargas horárias, é essencial considerar a diversificação</p><p>de disciplinas e áreas do conhecimento. O objetivo é</p><p>proporcionar aos estudantes uma educação ampla e</p><p>equilibrada, cobrindo tanto as disciplinas tradicionais</p><p>quanto temas transversais. As diretrizes curriculares</p><p>nacionais, como as mencionadas na Resolução n.º</p><p>3 de 2018, podem fornecer orientações sobre a</p><p>diversificação curricular.</p><p>2. Adequação ao Projeto Político Pedagógico (PPP): o</p><p>PPP da escola deve ser o guia principal para a definição</p><p>das cargas horárias. Ele reflete a missão, a visão e os</p><p>valores da instituição e define as metas educacionais</p><p>específicas. Portanto, as cargas horárias devem estar</p><p>alinhadas com os objetivos estabelecidos no PPP,</p><p>conforme mencionado em Sacristan (2007).</p><p>3. Participação da Comunidade: a consulta à comunidade</p><p>escolar, incluindo pais, alunos e professores, é crucial</p><p>para definir as cargas horárias. Essa participação</p><p>pode ajudar a identificar as prioridades educacionais</p><p>da comunidade e garantir que o currículo atenda às</p><p>expectativas e necessidades locais.</p><p>4. Flexibilidade Curricular: a flexibilidade na definição</p><p>das cargas horárias é importante para permitir</p><p>adaptações às características locais e às demandas</p><p>dos estudantes. A flexibilidade é um dos princípios</p><p>destacados na LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases</p><p>da Educação Nacional).</p><p>46 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>5. Avaliação e Acompanhamento: a avaliação constante</p><p>do desempenho dos estudantes e a análise dos</p><p>resultados podem orientar ajustes nas cargas horárias.</p><p>A avaliação formativa, como proposta por Perrenoud</p><p>(1999), pode ser valiosa nesse processo.</p><p>6. Contextualização: ao definir as cargas horárias,</p><p>é importante considerar a contextualização dos</p><p>conteúdos. Os conteúdos curriculares devem ser</p><p>apresentados de maneira relevante e significativa para</p><p>os estudantes, como mencionado por Macedo (2005).</p><p>7. Abordagem Interdisciplinar: promover a</p><p>interdisciplinaridade e a integração entre disciplinas</p><p>pode ser alcançado por meio da definição das cargas</p><p>horárias. A colaboração entre professores de diferentes</p><p>áreas pode enriquecer o currículo, como destacado por</p><p>Coll, Pozo, Sarabia e Valls (1992).</p><p>8. Preparação para o Mundo do Trabalho: considerando</p><p>a Lei n.º 13.415 de 2017, que alterou as diretrizes</p><p>da educação nacional, é importante que as cargas</p><p>horárias estejam alinhadas com a preparação dos</p><p>estudantes para o mercado de trabalho. Isso inclui</p><p>o desenvolvimento de habilidades profissionais e</p><p>competências socioemocionais.</p><p>9. Acompanhamento da Evolução da Educação: a</p><p>educação está em constante evolução, e as cargas</p><p>horárias devem ser ajustadas para refletir as mudanças</p><p>nas demandas da sociedade. A consulta a documentos</p><p>como os Parâmetros Curriculares Nacionais pode</p><p>ajudar nesse processo.</p><p>Portanto, ao definir as cargas horárias curriculares, é</p><p>fundamental considerar uma variedade de fatores, incluindo</p><p>47CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>diretrizes nacionais, o PPP da escola, a participação da comunidade,</p><p>a flexibilidade, a avaliação e a contextualização. Essa abordagem</p><p>holística ajudará a garantir um currículo equilibrado e relevante</p><p>para os estudantes.</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você</p><p>deve ter aprendido que a construção de currículos</p><p>escolares é um processo complexo e crucial na</p><p>educação. Vimos que as formas de construção desses</p><p>currículos podem variar, incluindo a consideração</p><p>das competências como um elemento central.</p><p>Além disso, exploramos como o currículo pode</p><p>ser visto como uma oportunidade de ampliar as</p><p>possibilidades de convivência social e profissional</p><p>dos estudantes. Isso significa que o currículo não</p><p>se limita apenas às disciplinas tradicionais, mas</p><p>também deve abranger temas relevantes para a</p><p>vida em sociedade e o mercado de trabalho.</p><p>Falamos também sobre a importância de organizar o</p><p>itinerário formativo de acordo com as características</p><p>locais e o projeto político-pedagógico da escola.</p><p>Isso garante que o currículo esteja alinhado com as</p><p>necessidades e realidades da comunidade escolar.</p><p>Por fim, discutimos a definição das cargas</p><p>horárias curriculares, destacando a diversificação,</p><p>a flexibilidade e a preparação para o mundo</p><p>do trabalho como aspectos-chave a serem</p><p>considerados nesse processo.</p><p>Esperamos que este capítulo tenha fornecido</p><p>insights valiosos sobre a construção de currículos</p><p>escolares com base em competências e como</p><p>isso pode impactar positivamente a educação.</p><p>Continuaremos explorando mais temas</p><p>interessantes no próximo capítulo. Até lá!</p><p>48 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Itinerários formativos e a</p><p>flexibilidade curricular</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de</p><p>entender como funciona a flexibilidade curricular</p><p>e sua relação com os itinerários formativos</p><p>na educação. Isso será fundamental para o</p><p>exercício de sua profissão como educador, pois a</p><p>capacidade de adaptar o currículo às necessidades</p><p>dos estudantes é essencial.</p><p>As pessoas que tentaram implementar práticas</p><p>educacionais sem compreender a flexibilidade</p><p>curricular e os itinerários formativos muitas vezes</p><p>enfrentaram dificuldades no processo de ensino-</p><p>aprendizagem. Portanto, este capítulo se propõe a</p><p>fornecer o conhecimento necessário para que você</p><p>possa abordar a educação de forma mais inclusiva</p><p>e adaptada às particularidades de seus alunos.</p><p>E então? Motivado para desenvolver essa</p><p>competência e promover uma educação mais</p><p>inclusiva e flexível? Vamos lá. Avante!</p><p>Itinerários formativos</p><p>Quando pensamos na palavra itinerário logo nos deparamos</p><p>com a ideia de uma sequência. Por exemplo, se formos viajar</p><p>para algum lugar, logo pensaremos em um itinerário. Por onde</p><p>começamos? Por onde vamos passar? Qual a melhor sequência</p><p>para se chegar ao local de destino? O itinerário formativo refere-</p><p>se à estrutura formativa. Os currículos estabelecem os itinerários</p><p>e podem ser construídos de várias formas, desde que garantam o</p><p>progresso na aprendizagem do aluno de forma sequencial. É isso</p><p>que estudaremos agora.</p><p>49CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A ideia de progressão nos estudos inibe a possibilidade</p><p>de repetições; assim, estruturado por módulos ou ciclos, deve</p><p>permitir uma linearidade progressiva de aprendizagem. Esse</p><p>não é um pressuposto inflexível, pois existem outras formas de</p><p>linearidade, mas com retomadas constantes de reconhecimentos</p><p>conceituais. Seria uma espiralidade na apresentação do currículo.</p><p>Quando o curso é trabalhado por módulos, permite</p><p>aos estudantes que se organize de forma individual. Ele poderá</p><p>realizar primeiro um módulo e depois outro. Ao final, realizando</p><p>todos os módulos, poderá ser certificado. Permite ao aluno que</p><p>realize vários módulos paralelamente, ou mesmo um de cada</p><p>vez. Entendendo isso, se o aluno se propor a participar de vários</p><p>módulos em um ano, por exemplo, ele poderá concluir seu curso</p><p>antecipadamente.</p><p>Podemos comparar isso com um condomínio de casas.</p><p>Cada casa tem sua estrutura e uma casa não depende da outra,</p><p>mas todas juntas formam um condomínio.</p><p>Ramos (s.d, on-line) colabora com essas ideias afirmando que:</p><p>Entretanto, o grau de liberdade dos alunos</p><p>para influir nesse processo é um assunto para</p><p>negociações. Sobretudo, é preciso garantir</p><p>que a estruturação do currículo siga critérios</p><p>psicopedagógicos e que leve em conta os</p><p>graus de complexidade, a sequenciação,</p><p>a complementaridade dos conteúdos e a</p><p>dinâmica dos processos de assimilação e</p><p>aprendizagem,</p><p>considerando, principalmente,</p><p>os históricos heterogêneos dos alunos, suas</p><p>experiências formativas anteriores e planos</p><p>futuros para sua trajetória de estudos.</p><p>50 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>A discussão sobre itinerário formativo abrange também o</p><p>momento sociopolítico e o tipo de profissional que estamos precisando</p><p>no momento. Por isso, ele vem ser permeado pela relação entre</p><p>trabalho e cidadão que se espera no mercado. Não se recomenda que</p><p>um sobressaia ao outro. Temos de ter coerência no itinerário para que</p><p>o profissional não apague o pessoal e, dessa forma, corremos o perigo</p><p>de termos novos pressupostos de linha de produção.</p><p>Imagem 3.10 – Características dos trabalhadores solicitados em cada época</p><p>MERCADO DE TRABALHO</p><p>DINÂMICO, CRIATIVIDADE,</p><p>PROATIVIDADE, BONS</p><p>RELACIONAMENTOS.</p><p>ANTES: PERFIL SOLICITADO</p><p>MESMA FORMAÇÃO, OBEDIÊNCIA,</p><p>ACEITAÇÃO, CONFORMISMO,</p><p>PRODUÇÃO.</p><p>AGORA: PERFIL SOLICITADO</p><p>Fonte: Elaborada pela autoria (2020)</p><p>Como é sabido, a linha de produção era o caminho</p><p>Taylorista/Fordista/Toyotista de se atingir uma produção em</p><p>massa. Os funcionários trabalhavam de forma compartimentada,</p><p>cada uma fazendo um trabalho repetitivo em uma linha de</p><p>produção, que ao final produziria uma manufatura.</p><p>Nos anos 1970, no Brasil, sob a influência da ditadura militar,</p><p>as formas de produção mecanizadas influenciavam na formação</p><p>escolar de um indivíduo preparado para atender a esses requisitos.</p><p>Atualmente, a sociedade e as empresas esperam um</p><p>profissional mais dinâmico, eclético, capaz de se relacionar e usar</p><p>51CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>criatividade além de ser proativo. Considerando isso, os itinerários</p><p>formativos devem desenvolver essas habilidades em sua forma</p><p>de transmitir o conhecimento. Ao final espera-se um profissional</p><p>capaz de entender e questionar as políticas públicas, enfrentando</p><p>as adversidades que se apresentarem.</p><p>Com essa reflexão podemos agora pensar na importância</p><p>da flexibilidade do currículo. Ramos (s.d, on-line) corrobora com</p><p>essa informação, registrando:</p><p>[...]dos básicos e técnicos gerais de uma</p><p>área até os profissionais mais específicos,</p><p>incluindo-se aí os saberes mais abrangentes,</p><p>novos conhecimentos e conceitos relevantes</p><p>na atualidade, que permitam visão ampla</p><p>do processo produtivo e dos avanços</p><p>e conhecimento culturais, científicos e</p><p>tecnológicos e que possibilitem a inserção/</p><p>intervenção na sociedade contemporânea.</p><p>A Resolução n.º 06/2012 nos traz a possibilidade de</p><p>flexibilização em seu texto, em especial para o Ensino Médio.</p><p>Admitindo que os cursos do Ensino Médio agora terão</p><p>uma base comum e blocos optativos de disciplinas por meio da</p><p>vontade dos alunos, a flexibilização é relevante. Vejam o que diz</p><p>os seguintes artigos:</p><p>Art. XI -A organização curricular do Ensino</p><p>Médio deve oferecer tempos e espaços</p><p>próprios para estudos e atividades que</p><p>permitam itinerários formativos opcionais</p><p>diversificados, a fim de melhor responder à</p><p>heterogeneidade e pluralidade de condições,</p><p>múltiplos interesses e aspirações dos</p><p>estudantes, com suas especificidades etárias,</p><p>52 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>sociais e culturais, bem como sua fase de</p><p>desenvolvimento;</p><p>Art. XVII- Os sistemas de ensino, de acordo</p><p>com a legislação e a normatização nacional</p><p>e estadual, e na busca da melhor adequação</p><p>possível às necessidades dos estudantes e do</p><p>meio social, devem:</p><p>§ III - fomentar alternativas de diversificação</p><p>e flexibilização, pelas unidades escolares,</p><p>de formatos, componentes curriculares ou</p><p>formas de estudo e de atividades, estimulando</p><p>a construção de itinerários formativos que</p><p>atendam às características, interesses e</p><p>necessidades dos estudantes e às demandas</p><p>do meio social, privilegiando propostas com</p><p>opções pelos estudantes</p><p>Ainda podemos citar o artigo 36 da Lei n.º 13.415, que em</p><p>seu texto orienta o Ensino Médio será composto pela Base Nacional</p><p>Comum Curricular e por itinerários formativos específicos,</p><p>que serão definidos pelos sistemas de ensino, com ênfase nas</p><p>seguintes áreas de conhecimento ou de atuação profissional:</p><p>1. Linguagens e suas tecnologias;</p><p>2. Matemática e suas tecnologias;</p><p>3. Ciências da natureza e suas tecnologias;</p><p>4. Ciências humanas e sociais aplicadas;</p><p>5. Formação técnica e profissional.</p><p>53CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Dessa forma, ficam estabelecidos que 60% da carga</p><p>horária devem ser dedicados a base comum e 40% aos chamados</p><p>itinerários formativos, onde o aluno escolherá o de sua preferência.</p><p>As escolas devem oferecer possibilidades de formação</p><p>que supostamente seriam escolhidas de acordo com os interesses</p><p>dos estudantes.</p><p>A flexibilidade curricular</p><p>Ainda pensando na diversidade encontrada no país, temos o</p><p>seguinte artigo da Resolução n.º 3, de 21 de novembro de 2018, que</p><p>atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio:</p><p>Art. 14. XI - a organização curricular do Ensino</p><p>Médio deve oferecer tempos e espaços</p><p>próprios para estudos e atividades que</p><p>permitam itinerários formativos opcionais</p><p>diversificados, a fim de melhor responder à</p><p>heterogeneidade e pluralidade de condições,</p><p>múltiplos interesses e aspirações dos</p><p>estudantes, com suas especificidades etárias,</p><p>sociais e culturais, bem como sua fase de</p><p>desenvolvimento.</p><p>Essa flexibilização deve ser estudada com cuidado, pois</p><p>temos escolas que talvez não possuam condições de oferecer</p><p>muitos itinerários, sem falar na contratação de profissionais que</p><p>atendam às áreas escolhidas.</p><p>54 CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Imagem 3.11 – Itinerários formativos e reconhecimentos dos saberes</p><p>Fonte: PRONATEC (2016)</p><p>REFLITA</p><p>É importante refletir sobre como a flexibilização</p><p>curricular pode impactar positivamente a</p><p>educação inclusiva ao proporcionar diferentes</p><p>caminhos para o alcance dos mesmos objetivos</p><p>de aprendizagem. Essa abordagem reconhece</p><p>a diversidade de estilos de aprendizagem e</p><p>necessidades dos estudantes. Como educadores,</p><p>devemos considerar como podemos implementar</p><p>a flexibilização de forma eficaz em nossas</p><p>práticas pedagógicas para garantir que todos os</p><p>alunos tenham a oportunidade de aprender e se</p><p>desenvolver plenamente na escola.</p><p>Para além disso, ainda encontramos a possibilidade de</p><p>não entendimento das equipes que podem simplesmente ignorar</p><p>questões essenciais dessa flexibilização.</p><p>Outra questão que engloba a possibilidade de flexibilização</p><p>está relacionada aos atendimentos aos estudantes com deficiência.</p><p>Vamos conversar um pouco sobre isso?</p><p>55CURRÍCULOS E PROJETOS PEDAGÓGICOS</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>3</p><p>Educação inclusiva e a</p><p>flexibilização do currículo</p><p>A inclusão de estudantes portadores de deficiência na</p><p>escola tem sido um grande desafio.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A flexibilização curricular é uma abordagem</p><p>educacional que visa tornar o currículo mais</p><p>acessível e adaptável às necessidades dos</p><p>estudantes? Essa estratégia não apenas promove</p><p>a inclusão de alunos com deficiência, mas</p><p>também reconhece a importância de oferecer</p><p>oportunidades iguais de aprendizagem para todos.</p><p>Devemos admitir que já tivemos uma evolução, porém</p><p>mais centrada na mobilidade, na garantia de vaga. De qualquer</p><p>forma, mesmo nesses aspectos, ainda não chegamos no ponto</p><p>ideal. Quanto à aprendizagem ainda encontramos muitas dúvidas,</p><p>e os professores precisam urgentemente de orientação.</p><p>O currículo programado para uma determinada série,</p><p>geralmente é simplificado pensando em atender determinados</p><p>alunos. A simplificação se resume em diminuição dos conteúdos</p><p>propostos. Mas a ideia de flexibilização, nesse caso, não</p><p>corresponde ao objetivo de inclusão. Incluir é oferecer as mesmas</p><p>possibilidades para todos os alunos. Aqui, a flexibilização curricular</p><p>consistiria em diferir as estratégias pedagógicas e adaptação de</p><p>algumas complexidades. É preciso ficar claro que flexibilizar não</p><p>é o mesmo que adaptar o currículo. Quando realizamos uma</p><p>adaptação estamos praticamente reformando alguma rota. Já a</p><p>flexibilização</p>