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<p>DESIGN DO</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Laila Janna Canto</p><p>Tavares</p><p>História do mobiliário</p><p>no mundo</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar os movimentos estéticos da história do mobiliário do séc.</p><p>XVIII ao séc. XX.</p><p> Explicar a temática do design industrial sob o ponto de vista</p><p>histórico-crítico.</p><p> Reconhecer os estilos artísticos e estéticos do passado aplicados ao</p><p>design contemporâneo.</p><p>Introdução</p><p>É interessante analisarmos a função do artista criativo e a importância das</p><p>suas obras na sociedade, considerando as suas contribuições históricas e</p><p>buscando compreender a construção do pensamento no seu papel criador.</p><p>Nesse contexto, é importante refletir sobre as seguintes questões: qual é o</p><p>papel do design? Seria ele composto por preceitos unicamente estéticos?</p><p>Ou se trata de uma manifestação que retrata uma época, uma cultura e</p><p>uma sociedade?</p><p>Partindo dessas questões, neste capítulo, você vai analisar as mudanças</p><p>históricas e a construção do pensamento artístico em um período de grande</p><p>transformação tecnológica, social, cultural, econômica e política. Estamos</p><p>falando das contribuições da Revolução Industrial para o desenvolvimento</p><p>do design e de como ele acompanhou essa quebra de pensamentos sociais.</p><p>Assim, você vai estudar os movimentos estéticos da história do mobiliário</p><p>do séc. XVIII ao séc. XX e vai verificar a temática do design industrial sob o</p><p>ponto de vista histórico-crítico. Por fim, você vai analisar os estilos artísticos</p><p>e estéticos do passado e a sua influência no design contemporâneo.</p><p>Movimentos estéticos da história do mobiliário:</p><p>do neoclássico ao moderno</p><p>Para começar este capítulo, vamos estudar um pouco sobre o contexto histórico</p><p>do início do século XVIII, o período denominado neoclassicismo. Esse período</p><p>vem a partir de uma revolução social e cultural resultante do pensamento</p><p>iluminista e se estendeu até as três primeiras décadas do século XIX.</p><p>Os estudos de Alencar (2011) sobre o mobiliário do fim do século XVIII</p><p>nos mostram a representatividade do modelo neoclássico no design. Com a</p><p>negação dos excessos do barroco, os adornos começam a perder força, sendo</p><p>substituídos por formas mais simples, ângulos retos e superfícies mais planas,</p><p>com inspirações clássicas greco-romanas.</p><p>Na França, após a queda da monarquia durante a Revolução Francesa, havia</p><p>o predomínio de móveis grandes e exageradamente decorados, herança do</p><p>período barroco de Luís XIV (Figura 1). Eles eram simétricos, volumosos</p><p>e bastante luxuosos, com acabamentos dourados. Os estilos posteriores a este,</p><p>conhecidos como mobiliários Luís XV e Luís XVI, formaram um contraponto,</p><p>apresentando características mais ligadas ao movimento rococó.</p><p>Figura 1. Móvel estilo Luís XIV.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>As principais características dos mobiliários Luís XV (Figura 2) eram seus</p><p>pés arredondados, com a presença de cabriolé (encurvamento das pernas da</p><p>cadeira em forma de garra, conforme mostra a Figura 3) e braços mais curtos.</p><p>História do mobiliário no mundo2</p><p>Eram móveis mais largos (para acomodar os vestidos da época) e mais leves</p><p>em ornamento, conforme aponta Alencar (2011). Os móveis eram simétricos,</p><p>de estilo livre, com formas sinuosas, uso de tecidos florais e entalhos em suas</p><p>superfícies, bem como elementos dourados, prateados e em bronze.</p><p>Figura 2. Móvel estilo Luís XV.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>Figura 3. Exemplo de móvel com pernas cabriolé.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>Já o estilo neoclássico do mobiliário Luís XVI (Figura 4) representava</p><p>a necessidade de uma retomada dos preceitos clássicos para a criação de um</p><p>novo design, mais leve, com menos ornamentos, mas ainda muito refinado.</p><p>3História do mobiliário no mundo</p><p>Figura 4. Móvel estilo Luís XVI.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>As peças não eram pensadas de forma isolada, mas, sim, formando um</p><p>conjunto com o ambiente disposto. Nesse período surge o canapé, um tipo</p><p>de sofá em que duas ou mais cadeiras eram unidas formando um conjunto,</p><p>conforme leciona Alencar (2011) e mostra a Figura 5.</p><p>Figura 5. Exemplo de móvel canapé (sofá de dois lugares).</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>O período de transição e o conflito de identidade</p><p>A construção desse estilo neoclássico gerou diversas ramifi cações, como o</p><p>estilo Chippendale (Figura 6), do marceneiro Thomaz Chippendale (Ingla-</p><p>terra), que elaborou uma nova versão do neoclássico unindo o rococó francês</p><p>e o neogótico oriental (1760–1790), o Hepplewhite (Inglaterra), a partir de</p><p>um estilo mais simples e delicado (Figura 7), com ornamentos inspirados</p><p>no rococó, o Sheraton (Inglaterra), com o seu grande domínio de técnicas</p><p>construtivas, do desenho e da perspectiva (Figura 8), e o estilo D. João V</p><p>História do mobiliário no mundo4</p><p>(Portugal), que sofreu infl uências do estilo Chippendale e do rococó francês</p><p>de Luís XV, misturando-se ao rococó de D. José I (Portugal). É importante</p><p>ressaltar que o período neoclássico precede uma grande transformação na</p><p>sociedade como um todo. Entender esse processo é importante para a análise</p><p>dos períodos subsequentes.</p><p>Figura 6. Cadeira Chippendale.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>Figura 7. Cadeira Hepplewhite.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>5História do mobiliário no mundo</p><p>Figura 8. Cadeira Sheraton.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>O neoclassicismo levou à interrupção da tradição e dos preceitos clássicos,</p><p>com uma revisão conceitual e uma busca por sua própria natureza, conforme</p><p>leciona Pereira (2010). Nesse processo, a linguagem deixou de ter valor absoluto</p><p>e passou a ser um mero instrumento de comunicação do período retratado. Nos</p><p>seus estudos de composição, nos quais utilizam o passado para tentar explicar</p><p>os problemas do presente, Pereira (2010) levanta o problema da identidade de</p><p>estilo e linguagem que conduz a diversos historicismos ou revivescimentos,</p><p>afirmando que, se o estilo é a adaptação de uma linguagem a um sistema</p><p>espaço-temporal concreto, no séc. XIX, a separação entre arquitetura e lin-</p><p>guagem fez desta uma roupagem de algo que permanece embaixo. O conceito</p><p>de estilo — antes algo quase universal — limita-se de forma implícita até ser</p><p>considerado como uma mera forma decorativa que se aplica a um esqueleto</p><p>portante genérico (Pereira, 2010).</p><p>No início do século XIX, o mundo passou por uma grande transformação,</p><p>que mudaria completamente a sociedade como um todo: paralelamente a esse</p><p>conflito de identidade de linguagem, o mundo vivia o processo de Revolução</p><p>Industrial. A sociedade passou a ter novos preceitos, modificando totalmente</p><p>sua morfologia. Houve, então, o crescimento das cidades e, com elas, surgiram</p><p>novas necessidades.</p><p>História do mobiliário no mundo6</p><p>Design industrial sob o ponto de vista</p><p>histórico-crítico</p><p>Com a Revolução Industrial, os artesãos foram substituídos por grandes maqui-</p><p>nários e pela necessidade de um design funcional, com ênfase no baixo custo</p><p>de produção, conforme leciona Maia (2011). O resultado disso foi a associação</p><p>entre o design e a personalização estética dos produtos, mesmo que estes</p><p>sejam fabricados industrialmente. Foi daí que surgiu um novo conceito para</p><p>o design, o de design industrial. No design industrial, temos como principal</p><p>característica a separação entre projeto e produção.</p><p>Entenda que, a partir de então, uma série de produtos poderiam ser con-</p><p>feccionados com maior velocidade e baixo custo, se comparado ao modelo</p><p>artesanal, que, apesar de único, rendia ao artesão poucas peças e uma dedicação</p><p>imensa a cada uma delas, influenciando em seu preço final, que se tornava</p><p>muito mais caro. Surgiram também novos materiais, como o ferro, novas</p><p>fontes de energia, como o carvão, e novos métodos que visavam a atender a</p><p>uma nova sociedade, com diferentes interesses, valores e realidades. A atenção</p><p>principal agora estava voltada para conciliar arte e técnica, tentando dotar de</p><p>sentido e significado os produtos para essa sociedade de consumo</p><p>p. 22), “[...] uma</p><p>pessoa com lesão cerebral congênita pode possuir uma defi ciência cognitiva</p><p>associada a uma defi ciência sensorial (baixa-visão) e físico-motora (difi culdade</p><p>de coordenação de movimentos)”. Deve-se considerar que, mesmo o indivíduo</p><p>não possuindo defi ciências múltiplas, a ocorrência de uma defi ciência acarreta</p><p>alterações em outras estruturas ou funções corpóreas.</p><p>As restrições múltiplas ocorrem em diversos níveis; no caso das crianças,</p><p>elas precisam ser encorajadas a locomover-se, realizar atividades e brincar. Um</p><p>tipo especial de deficiência múltipla é a surdo-cegueira, quando um indivíduo</p><p>possui diferentes graus de deficiências auditiva e visual associadas. Estas</p><p>comprometem tanto a sua comunicação social e o seu aprendizado quanto a sua</p><p>orientação espacial e a sua percepção geral da informação do meio ambiente</p><p>físico, conforme apontam Dischinger (2012) e Godói (2006).</p><p>Os critérios para projetos de ambientes voltados às deficiências múltiplas</p><p>devem atender aos requisitos necessários para a solução dos problemas de</p><p>forma integrada, buscando evitar conflitos. As orientações espaciais para as</p><p>deficiências físico-motoras, sensoriais e cognitivas são válidas.</p><p>Legislação internacional e nacional: o caminho</p><p>para a acessibilidade universal</p><p>As legislações internacional e nacional estabelecem diretrizes com força</p><p>de lei para a inclusão das pessoas com defi ciência e determinam requisitos</p><p>para promover a equiparação de oportunidades no meio ambiente. Em 13 de</p><p>dezembro de 2006, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas</p><p>(ONU) adotou a resolução que estabeleceu a Convenção dos Direitos das</p><p>Pessoas com Defi ciência, cujo propósito “[...] é o de promover, proteger e</p><p>assegurar o desfrute pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liber-</p><p>dades fundamentais por parte de todas as pessoas com defi ciência e promover</p><p>o respeito pela sua inerente dignidade” (BRASIL, 2008b, documento on-line).</p><p>Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência, adotada pela ONU, bem como o seu Protocolo Facultativo.</p><p>O documento obteve equivalência de emenda constitucional e é assim</p><p>intitulado: Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência:</p><p>protocolo facultativo à convenção sobre os direitos das pessoas com</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência10</p><p>deficiência. Ele envolve o Decreto Legislativo nº. 186, de 09 de julho de</p><p>2008, e o Decreto nº. 6.949, de 25 de agosto de 2009 (BRASIL, 2011). No</p><p>art. 4º, “Obrigações Gerais”, a Convenção determina que os Estados Partes</p><p>se comprometam a:</p><p>[...] f) Realizar ou promover a pesquisa e o desenvolvimento de produtos,</p><p>serviços, equipamentos e instalações com desenho universal, conforme de-</p><p>finidos no Artigo 2 da presente Convenção, que exijam o mínimo possível</p><p>de adaptação e cujo custo seja o mínimo possível, destinados a atender às</p><p>necessidades específicas de pessoas com deficiência, a promover sua dispo-</p><p>nibilidade e seu uso e a promover o desenho universal quando da elaboração</p><p>de normas e diretrizes (BRASIL, 2011, documento on-line)</p><p>O desenho universal é definido no art. 2º, “Definições”, da referida Con-</p><p>venção como:</p><p>[...] a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados,</p><p>na maior medida possível, por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação</p><p>ou projeto específico. O “desenho universal” não excluirá as ajudas técnicas</p><p>para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando necessárias</p><p>(BRASIL, 2011, documento on-line).</p><p>A busca pela acessibilidade universal é expressa na legislação e nos demais</p><p>documentos que balizam a concepção de projetos arquitetônicos, hoje com</p><p>obrigatoriedade de inclusão das pessoas com deficiência. Nos Cadernos do</p><p>Programa Brasil Acessível — Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana</p><p>(2006), uma das ações previstas é a difusão do conceito de desenho universal</p><p>no planejamento de sistemas de transportes e equipamentos públicos. A Lei</p><p>nº. 13.146, de 6 de julho de 2015, chamada de Lei Brasileira da Inclusão (LBI),</p><p>art. 3º, II, retoma a definição de desenho universal nos termos das demais</p><p>legislações (BRASIL, 2015).</p><p>A atual Constituição Brasileira determina o tratamento igualitário que deve</p><p>ser atribuído a todas as pessoas, bem como igual proteção à Lei. Do mesmo</p><p>modo, no ordenamento jurídico brasileiro, há leis, decretos e normas abordando</p><p>a inclusão — a Lei Federal nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, o Decreto nº.</p><p>5.296, de 2 de dezembro de 2004, e a ABNT NBR 9050:2015 — que estabelecem</p><p>os critérios básicos para a promoção da acessibilidade como garantia dos direitos</p><p>das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, além de pessoas</p><p>idosas, obesas, mulheres grávidas e outras (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>NORMAS TÉCNICAS, 2015; BRASIL, 2000; BRASIL, 2004; BRASIL,</p><p>2020)</p><p>11Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>No Brasil, a ABNT NBR 9050:2020 — Acessibilidade a edificações, mobiliá-</p><p>rio, espaços e equipamentos urbanos — representa um avanço em prol da inclusão</p><p>social, pois apresenta parâmetros técnicos de projeto que garantem o mínimo de</p><p>condições de acesso às pessoas com deficiência para (ASSOCIAÇÃO</p><p>BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2020). Contudo, a promoção de</p><p>espaços inclusivos extrapola a garantia de condições mínimas estabelecidas na</p><p>Norma.</p><p>Os estudos voltados à acessibilidade universal instituídos pelo desenho</p><p>universal proporcionam ferramentas adicionais aos arquitetos para que se possa</p><p>desenhar, ou projetar, para todas as pessoas. O conjunto de estudos e pesquisas</p><p>já realizados nos fornece conhecimentos das demandas específicas dentro da</p><p>diversidade humana, de forma a atendermos às necessidades específicas de</p><p>todos os usuários sem evidenciar as diferentes necessidades de cada pessoa.</p><p>Acessibilidade universal: um conceito</p><p>a ser alcançado</p><p>O desenho universal é a proposta metodológica que apoia tecnicamente o</p><p>processo de projetar para alcançar a acessibilidade universal. O projeto para</p><p>todos, ou desenho universal, deve ser o princípio fundamental para qualifi</p><p>car ambientes desde o início de um projeto. O desenho universal apresenta</p><p>sete princípios que devem ser considerados ao se pensar em soluções para</p><p>ambien-tes, produtos e serviços, conforme apontam Cambiaghi e Mauch</p><p>(2017, p. 144): 1. Uso Equitativo: o design é útil às pessoas com habilidade diversas;</p><p>2. Uso Flexível: o design considera ampla diversidade de habilidades e pre-</p><p>ferências individuais;</p><p>3. Uso simples e intuitivo: o uso do design é de fácil entendimento sem depender</p><p>da experiência, habilidade ou nível de concentração do usuário;</p><p>4. Informação perceptível: o design comunica com eficácia as informações</p><p>necessárias ao uso, independente de condições ambientais ou da habilidade</p><p>sensorial do usuário;</p><p>5. Tolerância ao erro: o design deve prever e minimizar consequências ad-</p><p>versas de ações acidentais;</p><p>6. Pouco esforço físico: o design deve ser usado com o máximo de conforto</p><p>e o mínimo de fadiga;</p><p>7. Tamanho e espaço para aproximação e uso: o design deve fornecer tamanho</p><p>e espaço para utilização considerando diversos portes de usuários, posturas</p><p>e formas de mobilidade.</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência12</p><p>O desafio iminente dos arquitetos é alcançar, nos seus projetos, a aces-</p><p>sibilidade universal. Para orientar as metodologias projetuais desde a sua</p><p>concepção, Dischinger (2012) classificou os componentes de acessibilidade</p><p>espacial em quatro categorias: orientação espacial, comunicação, deslocamento</p><p>e uso. Além de atender integralmente ao disposto na ABNT NBR 9050:2020,</p><p>os projetos arquitetônicos podem apropriar-se desses componentes para adotar</p><p>soluções de desenho universal que permitam a acessibilidade para todos.</p><p>Orientação espacial</p><p>Segundo Dischinger (2012, p. 29): “[...] as condições de orientação es-</p><p>pacial são determinadas pelas características ambientais que permitem</p><p>aos indivíduos reconhecer a identidade</p><p>e as funções dos espaços e defi nir</p><p>estratégias para seu deslocamento e uso”. O Quadro 1 apresenta diretrizes</p><p>de projeto para criar ambientes seguros e sem barreiras, observando o</p><p>quesito orientação espacial.</p><p>Imagens Orientação espacial</p><p>Piso tátil As pessoas com deficiência visual têm</p><p>dificuldades para perceber onde começa</p><p>e onde termina uma escada ou mesmo</p><p>uma rampa; assim, é fundamental que</p><p>exista sinalização tátil de alerta no piso.</p><p>Do mesmo modo, em espaços amplos,</p><p>é necessário utilizar a sinalização tátil</p><p>direcional, indicando o caminho a</p><p>ser percorrido, bem como placas de</p><p>sinalização.</p><p>As escadas também podem ser obstáculos</p><p>nas circulações horizontais para as</p><p>pessoas com deficiência visual ou mesmo</p><p>para pessoas distraídas; assim, torna-se</p><p>importante a presença de algum tipo</p><p>de elemento que delimite a projeção da</p><p>escada.</p><p>Escada com projeção no piso</p><p>Quadro 1. Recomendações projetuais</p><p>(Continua)</p><p>13Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Comunicação</p><p>Conforme Dischinger (2012, p. 30):</p><p>[...] as condições de comunicação em um ambiente dizem respeito às possibi-</p><p>lidades de troca de informações interpessoais, ou troca de informações pela</p><p>utilização de equipamentos de tecnologia assistiva, que permitam o acesso,</p><p>a compreensão e participação nas atividades existentes.</p><p>O Quadro 2 sugere orientações para projetar buscando a máxima comunica-</p><p>bilidade dos ambientes.</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Orientação espacial</p><p>Contraste cromático para portas As diferenciações cromáticas e de texturas</p><p>são elementos auxiliares que devem ser</p><p>considerados no projeto arquitetônico</p><p>como parâmetros importantes para a</p><p>orientação e o deslocamento de pessoas</p><p>com deficiência visual. As cores e a</p><p>iluminação são elementos complementares</p><p>para melhor percepção dos espaços.</p><p>Deve-se evitar ofuscamento, produção de</p><p>fadiga ocular e mudanças bruscas de luz</p><p>entre os diversos espaços. A iluminação</p><p>interior deve ser adequada ao exterior,</p><p>dispondo de níveis de iluminação diurna</p><p>maior que a noturna, e, de igual modo,</p><p>nas áreas próximas aos acessos e, em</p><p>particular, nas saídas de emergência.</p><p>A porta, a maçaneta, o piso, a parede e os</p><p>equipamentos de um sanitário devem ser</p><p>cromaticamente contrastados com seus</p><p>respectivos entornos, de forma a facilitar</p><p>a visualização por uma pessoa com baixa</p><p>visão, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Informações táteis</p><p>Quadro 1. Recomendações projetuais</p><p>(Continuação)</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência14</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Comunicação</p><p>Identificação de percursos É importante identificar e hierarquizar os</p><p>percursos e trajetos existentes a partir de</p><p>características arquitetônicas e dos suportes</p><p>informativos, como as saídas de emergência,</p><p>as circulações verticais e outros.</p><p>A sinalização tem por objetivo informar sobre</p><p>as demandas reais dos usuários; por isso, deve-</p><p>-se evitar o excesso de informação. Os fatores</p><p>que intervém na percepção dependem do</p><p>receptor, do meio e da própria sinalização (o</p><p>emissor). Em relação ao receptor: os receptores</p><p>dispõem de diferentes níveis de percepção</p><p>nos diversos órgãos sensoriais. A percepção</p><p>visual tem de levar em conta a altura de visão</p><p>do receptor em função de sua altura e posição</p><p>em pé ou sentada, assim como o ângulo de</p><p>visão. Em relação ao meio: a boa percepção</p><p>auditiva depende de condições ambientais</p><p>que permitam o uso de mensagens audíveis</p><p>que superem o ruído do ambiente.</p><p>A iluminação deverá evitar reflexos sobre a</p><p>sinalização, sendo realizada preferencialmente</p><p>de forma indireta. Quando a luz for direta,</p><p>deve se situar atrás da sinalização.</p><p>Os painéis com informações gráficas devem</p><p>ser postos perpendicularmente ao desloca-</p><p>mento, de tal forma que não fiquem ocul-</p><p>tos por obstáculos como portas abertas e</p><p>mobiliários.</p><p>Em relação à sinalização: as informações</p><p>essenciais no mobiliário e nos espaços devem</p><p>ser sinalizadas de forma visual, tática e sonora.</p><p>As informações orais devem ser emitidas com</p><p>respectivos textos escritos e linguagem de</p><p>sinais para atender as pessoas com deficiência</p><p>auditiva, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Demarcação de vaga para</p><p>pessoas com deficiência</p><p>Painéis de informação à altura</p><p>dos olhos</p><p>Sinalização visual de segurança</p><p>Quadro 2. Recomendações projetuais</p><p>15Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deslocamento</p><p>Segundo Dischinger (2012, p. 30), “[...] as condições de deslocamento em</p><p>ambientes edifi cados referem-se à possibilidade de qualquer pessoa poder</p><p>movimentar-se ao longo de percursos horizontais e verticais (saguões, escadas,</p><p>corredores, rampas, elevadores) de forma independente, segura e confortá-</p><p>vel, sem interrupções e livre de barreiras físicas para atingir os ambientes</p><p>que deseja”. O Quadro 3 expõe ferramentas projetuais a fi m de garantir um</p><p>deslocamento acessível e seguro a todos os usuários.</p><p>Imagens Deslocamento</p><p>Alternativas para circulação</p><p>vertical</p><p>As pessoas com mobilidade reduzida encon-</p><p>tram dificuldades para se deslocar entre um</p><p>nível e outro da edificação. A capacidade funcio-</p><p>nal entre esse grupo de pessoas é variável; por</p><p>isso, é importante estabelecer meios de acesso</p><p>alternativos, como rampa, escada e elevador.</p><p>Quando o acesso entre um pavimento e outro</p><p>só pode ser realizado por meio de uma escada,</p><p>faz-se necessário acoplar um equipamento</p><p>eletromecânico para o deslocamento de pes-</p><p>soas em cadeira de rodas — por exemplo, uma</p><p>plataforma elevatória acoplada à escada.</p><p>Quando existir uma rampa prévia a uma</p><p>porta, deverá existir um espaço que permita à</p><p>pessoa usuária de cadeira de rodas aproximar-</p><p>-se, abrir e fechar a porta de forma segura.</p><p>Deverá existir desde o acesso principal um iti-</p><p>nerário acessível que permita o deslocamento</p><p>entre os diferentes espaços dentro de um</p><p>edifício. A pavimentação tem de ser antiderra-</p><p>pante, sem desníveis, sem excesso de brilho e</p><p>firmemente fixada.</p><p>Cadeira elevatória para</p><p>deslocamento</p><p>Quadro 3. Recomendações projetuais</p><p>(Continua)</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência16</p><p>Uso</p><p>Conforme Dischinger (2012, p. 32), “[...] as condições de uso dos espaços e dos</p><p>equipamentos referem-se à possibilidade efetiva de participação e realização</p><p>de atividades por todas as pessoas”. O Quadro 4 traz recomendações de projeto</p><p>para o uso efetivo de espaços e equipamentos.</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Deslocamento</p><p>Portas automáticas Quando existem mecanismos com</p><p>acionamento eletrônico — por exemplo,</p><p>uma porta eletrônica com abertura por</p><p>meio de sensor e temporizador —, é</p><p>necessário que eles atendam aos tempos</p><p>para deslocamento de diferentes pessoas,</p><p>como crianças, idosos, pessoas com</p><p>deficiência, entre outras.</p><p>Todos os degraus de uma escada devem</p><p>ter sinalização visual na borda do piso;</p><p>deve-se evitar revestir o piso das escadas</p><p>com revestimentos lisos ou que causam</p><p>ofuscamento visual, conforme aponta</p><p>Benvegnú (2009).</p><p>Sinalização visual nos degraus</p><p>Quadro 3. Recomendações projetuais</p><p>(Continuação)</p><p>17Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Fonte: Adaptado de Dischinger (2012) e Benvegnú (2009).</p><p>Imagens Uso</p><p>Sanitários acessíveis O dimensionamento dos espaços relativos à</p><p>circulação horizontal tem de levar em conta</p><p>a diferença na velocidade de deslocamento</p><p>entre os diferentes usuários.</p><p>O desenho dos espaços e do mobiliário deve</p><p>considerar as diferenças dimensionais de</p><p>forma a atender aos alcances visuais e manu-</p><p>ais de diversos usuários.</p><p>A abertura das portas deve ter uma largura</p><p>de passagem que permita o uso por parte de</p><p>pessoas cadeirantes. O sistema de fechadura</p><p>deve ser de fácil acionamento e manipulação</p><p>para pessoas com problemas de mobilidade</p><p>das mãos.</p><p>Recomenda-se, por exemplo, que o ferrolho</p><p>da porta de um boxe sanitário informe a dis-</p><p>ponibilidade de uso desde o exterior e tenha</p><p>possibilidade de desbloqueio de ambos</p><p>os</p><p>lados, para emergências.</p><p>O interior dos espaços para higiene sanitária</p><p>deve atender a um círculo de 1,50 m livre de</p><p>obstáculos, que possibilita espaço para aber-</p><p>tura e fechamento da porta, como também</p><p>possibilita área de manobra, aproximação e</p><p>uso dos equipamentos por uma pessoa em</p><p>cadeira de rodas.</p><p>Quando necessário permitir a permanência</p><p>da iluminação nos ambientes, recomenda-</p><p>-se utilizar sensores de presença em vez dos</p><p>usuais mecanismos com temporizador.</p><p>De modo geral, os mecanismos de controle</p><p>ambiental, como os interruptores elétricos, têm</p><p>de estar dispostos de forma a permitir o fácil</p><p>manuseio e o alcance das pessoas cadeirantes.</p><p>Deve-se evitar os interruptores com botão</p><p>giratório, que dificultam o manuseio para as</p><p>pessoas com limitações nos membros superio-</p><p>res, conforme leciona Benvegnú (2009).</p><p>Aproximação para o uso</p><p>Sistema de fechadura</p><p>de fácil acionamento</p><p>Cadeira para obesos</p><p>Quadro 4. Recomendações projetuais</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência18</p><p>As orientações para alcançarmos a acessibilidade universal em projetos são</p><p>um aporte ao cumprimento obrigatório das leis, normas e códigos nas respectivas</p><p>áreas de jurisdição relativas à segurança e acessibilidade. Estratégias adicionais</p><p>das normas técnicas e ideias inovadoras poderão ser aceitas por meio de avaliação</p><p>e aprovação de usuários e peritos, conforme apontam Cambiaghi e Mauch (2007).</p><p>A acessibilidade universal é um objetivo que deve permear a concepção</p><p>de todos os edifícios, ambientes e espaços públicos. Conforme expusemos,</p><p>muitas pessoas com deficiência se encontram dependentes de outras pessoas</p><p>para realizar inúmeras tarefas no dia a dia. O arcabouço legal e normativo,</p><p>associado aos princípios do desenho universal, são importantes instrumentos</p><p>para alavancar os processos de participação social dos indivíduos, em condição</p><p>de igualdade, bem como para adotarmos boas práticas em arquitetura e design.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade e edificações, mo-</p><p>biliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.</p><p>ufpb.br/cia/contents/manuais/abnt-nbr9050-edicao-2015.pdf>. Acesso em: 205 fev.</p><p>2022</p><p>BEN HUR. Catarata: recupere sua visão e volte a apreciar a beleza da vida. Revista Saúde.</p><p>nº. 12, jun. 2018. Disponível em: <http://rsaude.com.br/aracatuba/materia/catarata-</p><p>re-cupere-sua-visao-e-volte-a-apreciar-a-beleza-da-vida/8504>. Acesso em: 05 fev.</p><p>2022</p><p>BENVEGNÚ, E. M. Acessibilidade espacial: requisito para uma escola inclusiva. 2009.</p><p>Dissertação (mestrado) — Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo,</p><p>Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2009.</p><p>BRASIL. Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência (2007): protocolo facul-</p><p>tativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Decreto legislativo</p><p>nº. 186, de 9 de julho de 2008, Decreto nº. 6.949, de 25 de agosto de 2009. 4. ed., rev.</p><p>e atual. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos, 2011. Disponível em: https://</p><p>sisapidoso.icict.fiocruz.br/sites/sisapidoso.icict.fiocruz.br/files/</p><p>convencaopessoascomdeficiencia.pdf>. Acesso em 05 fev. 2022.</p><p>BRASIL. Decreto nº. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº. 10.048, de</p><p>8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica,</p><p>e nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios</p><p>básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou</p><p>com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF,</p><p>2 dez. 2004 Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm> Acesso em 05 fev. 2022</p><p>19Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>BRASIL. Lei nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e</p><p>critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de</p><p>deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial da</p><p>União, Brasília, DF, 20 dez. 2000. Disponível em: 19 dez. 2000. Disponível em :<</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm> Acesso em 05 fev. 2022</p><p>BRASIL. Lei nº. 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa</p><p>com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF,</p><p>6 jul. 2015. Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm> Acesso em 05 fev. 2022</p><p>BRASIL. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade</p><p>Urbana. Cadernos do Programa Brasil Acessível. Caderno 1. Coleção Brasil Acessível. Bra-</p><p>sília, 2006a. v. 1. Disponível em: <http://www.capacidades.gov.br/biblioteca/detalhar/</p><p>id/276/titulo/atendimento-adequado-as-pessoas-com-deficiencia-e-restricoes-de--</p><p>mobilidade#prettyPhoto>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>BRUNO, M. M. G. Educação infantil: saberes e práticas da inclusão. Dificuldades de</p><p>comunicação sinalização: deficiência visual. Brasília: MEC/Secretaria de Educação</p><p>Especial, 2006.</p><p>CAMBIAGHI, S. S.; MAUCH, L. H. S. Moradia acessível para a independência de pessoas</p><p>com deficiência. Inclusão Social, v. 10, n. 2, jan./jun. 2017. Disponível em: <http://revista.</p><p>ibict.br/inclusao/article/view/4043/3377>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>DAMÁZIO, M. F. M. Atendimento educacional especializado: pessoa com surdez. Brasília:</p><p>MEC/Secretaria de Educação Especial, 2007.</p><p>DISCHINGER, M.; ELY, V. H. M. B.; PIARDI, S. M. D. G. Promovendo a acessibilidade espacial</p><p>nos edifícios públicos: programa de acessibilidade às pessoas com deficiência ou mo-</p><p>bilidade reduzida nas edificações de uso público. Florianópolis: MPSC, 2012.</p><p>DORNELES, V. G. Estratégias de ensino de desenho universal em cursos de graduação em</p><p>arquitetura e urbanismo. 2014. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em</p><p>Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal de Santa Catarina, 2014.</p><p>ELY, V. H. M. B.; DORNELES, V. G.; PAPALEO, M. K. Desenho universal aplicado ao paisagismo.</p><p>Florianópolis: PetARQ/UFSC, 2008.</p><p>GODÓI, A. M. (Org.). Educação infantil saberes e práticas da inclusão: deficiência física.</p><p>Brasília: Ministério da Educação e Cultura, Secretaria de Educação Especial, 2006.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura. 13. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência20</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação internacional de funcionalidade,</p><p>incapacidade e saúde. São Paulo: EdUSP, 2008.</p><p>SIAULYS, M. O. C. A inclusão do aluno com baixa visão no ensino regular. Brasília: MEC,</p><p>Secretaria de Educação Especial. Brasília: 2006.</p><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. International classification of functioning, disability</p><p>and health (ICF). Geneva, 2001. Disponível em: <http://www.who.int/classifications/</p><p>icf/en/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CAMBIAGHI, S. Desenho universal: métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. 2.</p><p>ed. São Paulo: SENAC, 2011.</p><p>CARLETTO, A. C.; CAMBIAGHI, S. Desenho universal: um conceito para todos. São Paulo:</p><p>Mara Gabrilli, 2008.</p><p>DORNELES, V. G.; AFONSO, S.; ELY, V. H. M. B. O desenho universal em espaços abertos:</p><p>uma reflexão sobre o processo de projeto. Gestão e Tecnologia de Projetos, São Paulo,</p><p>v. 8, n. 1, p. 55-67, jan./jun. 2013. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/gestao-</p><p>deprojetos/article/view/62203/65031>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>GURGEL, M. Projetando espaços: guia de interiores para áreas comerciais. São Paulo:</p><p>SENAC, 2005.</p><p>MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: a arte de viver bem. Porto Alegre:</p><p>Sulina, 2004.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura. 13. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.</p><p>PANERO, J.; ZELNIK, M. Dimensionamento humano para espaços interiores. São Paulo:</p><p>Gustavo Gili, 2008.</p><p>PRADO, A. R. C.; LOPES, M. E.; ORNSTEIN, S. W. Trajetória da acessibilidade o Brasil. In:</p><p>PRADO, A. R.; LOPES, M. E.; ORNSTEIN, S. W. (Org.). Desenho universal:</p><p>caminhos para a</p><p>acessibilidade no Brasil. São Paulo: Annablume, 2010.</p><p>STEINFELD, E. Arquitetura através do desenho industrial. In: Seminário sobre acessibi-</p><p>lidade ao meio físico, 6., 1994, Brasília. Curso básico sobre acessibilidade ao meio físico.</p><p>Brasília: Corde, 1994.</p><p>21Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Conteúdo:</p><p>DESIGN DO</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Laila Janna Canto Tavares</p><p>Materiais empregados</p><p>em um projeto mobiliário</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir o comportamento dos materiais e as suas possibilidades de uso.</p><p> Identificar os materiais mais adequados para cada tipo de móvel e</p><p>ambiente.</p><p> Descrever o uso de ferragens e acessórios adequados para cada tipo</p><p>de móvel e ambiente.</p><p>Introdução</p><p>A maioria dos móveis produzidos antes do século XX era confeccionada</p><p>por artesãos locais e a partir de materiais como madeira. Porém, com a</p><p>Revolução Industrial, novos materiais e novos processos construtivos</p><p>impulsionaram o desenvolvimento tanto de novos modelos quanto de</p><p>novas formas de construção do mobiliário. As diversas possibilidades</p><p>encontradas pelos designers também contribuíram para o surgimento de</p><p>grandes novidades nesse ramo, especialmente com o desenvolvimento</p><p>da tipologia industrial e de novos materiais de construção, como o ferro,</p><p>o aço, o vidro, o concreto armado, etc.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os materiais e seus usos no processo</p><p>de desenvolvimento do design do mobiliário a partir da Revolução In-</p><p>dustrial. Você vai identificar os materiais mais adequados para cada tipo</p><p>de móvel e ambiente, além de verificar as ferragens e os acessórios mais</p><p>adequados para cada tipo de móvel e ambiente.</p><p>O comportamento dos materiais</p><p>e as suas possibilidades de uso</p><p>Nesta seção, você vai analisar alguns tipos mais comuns de materiais usados</p><p>na fabricação de móveis e as suas principais características.</p><p>Madeira</p><p>Segundo Mello (2007 apud CABRAL et al., 2016), algumas características</p><p>são relevantes nas construções em madeira, como trabalhabilidade, excelente</p><p>relação entre peso e resistência mecânica, benefi ciamento com baixo consumo</p><p>energético, reaproveitamento e renovabilidade. Outra característica relevante</p><p>reside no fato de a madeira apresentar resistência em relação à densidade,</p><p>superando o aço e o concreto. Com relação ao teor de umidade, a madeira</p><p>apresenta comportamento semiporoso, podendo absorver ou perder umidade</p><p>de acordo com as condições do meio. Já a densidade, ou peso específi co — a</p><p>quantidade de massa contida na unidade de volume, ou a relação entre peso</p><p>e volume de uma amostra —, tem relação direta com o tipo de madeira. Um</p><p>ponto importante a citar sobre a densidade é que varia de acordo com o grau</p><p>de umidade (MELLO, 2007 apud CABRAL et al., 2016).</p><p>Quando comprimida ou tracionada na direção da fibra, a madeira pode ser</p><p>amassada ou esmagada; porém, quando a carga for aplicada perpendicularmente,</p><p>acaba por resistir menos ao cisalhamento na direção da sua fibra. Ainda, a madeira</p><p>expande ou contrai perpendicularmente a sua fibra conforme mudanças no nível</p><p>de umidade (CHING; BINGGELI, 2013). Veja, a seguir, os tipos de madeira.</p><p> Madeira compensada: material que possui inúmeras lâminas finas</p><p>dispostas entre si em ângulos retos na direção da fibra, dando resistência</p><p>em ambas as direções. Já a madeira aglomerada é feita a partir de uma</p><p>colagem de pequenas partículas de madeira sob calor ou pressão. Esse</p><p>último modelo é bastante utilizado em painéis decorativos e armários</p><p>(CHING; BINGGELI, 2013).</p><p> Medium Density Fiberboard (MDF): chapa de fibras de madeira agluti-</p><p>nadas com resinas sintéticas submetidas a temperatura e pressão. Substitui</p><p>as chapas de aglomerado e a madeira maciça. A distribuição uniforme da</p><p>fibra em toda a sua espessura permite a incorporação de novas tecnologias.</p><p>Sua usinabilidade é explorada no móvel torneado. No móvel retilíneo, o</p><p>MDF é aplicado na parte frontal, enquanto a chapa dura é empregada nos</p><p>fundos e o aglomerado nas prateleiras e laterais.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário2</p><p> Medium Density Particleboard (MDP): é formado por três camadas de</p><p>chips ou cavacos de madeira, geralmente pinus, sendo as duas camadas</p><p>externas de pequena gramatura e a interna de gramatura maior. Essa</p><p>separação dos cavacos confere estabilidade dimensional, isolamento</p><p>acústico e resistência a empenamentos e deformações. Pode ser bas-</p><p>tante utilizado em móveis retilíneos, como mesas, armários, balcões e,</p><p>principalmente, onde há necessidade de resistência mecânica.</p><p> Madeira reflorestada: obtida de espécies que apresentam um ciclo de</p><p>crescimento rápido no solo e clima brasileiros. Apresenta período de</p><p>abate bem menor em relação aos praticados em seus hábitats originais</p><p>e abastecimento por volume de plantação de manejo sustentável. As</p><p>qualidades podem ser manipuladas (clonagem), e os defeitos podem ser</p><p>contornados por vias tecnológicas. Tratamentos químicos enobrecem o</p><p>uso das madeiras comuns de pinus. As ripas e cavacos são utilizados</p><p>na fabricação de painéis de compensado e aglomerado. O eucalipto</p><p>reflorestado, além da obtenção de celulose, destina-se à fabricação de</p><p>painéis de chapa dura e painéis sarrafeados para o segmento de móveis,</p><p>conforme leciona Teixeira (2000).</p><p> Madeira plástica: é composta de matéria-prima proveniente do lixo</p><p>plástico reciclado, adicionado de aditivos que conferem ao produto</p><p>características mecânic as e físico-químicas distintas de cada material</p><p>isoladamente, além de propriedades iguais ou até melhores do que as</p><p>da madeira natural. Em alguns casos, adiciona-se, inclusive, serragem</p><p>da própria madeira (AMARAL, 2009 apud CABRAL et al., 2016).</p><p>A durabilidade dos plásticos é uma das razões que fazem com que</p><p>estes sejam altamente utilizados, consequência da sua estabilidade</p><p>estrutural, podendo levar séculos para a degradação. Se a durabilidade</p><p>pode ser uma vantagem, por outro lado, o plástico pode representar um</p><p>sério problema ecológico se descartado de forma incorreta (PIATTI;</p><p>RODRIGUES, 2005 apud CABRAL et al., 2016).</p><p>A madeira plástica pode apresentar vantagem econômica referente a gastos</p><p>com manutenção, pois não precisa ser envernizada ou lixada, uma vez que o</p><p>material vem com pigmentação de fábrica. Suporta aparafusamento, colagem,</p><p>enceramento e pintura e pode ser manuseada com os mesmos equipamentos</p><p>empregados na madeira natural (serras, plainas, furadeiras e outros), além de</p><p>poder ser higienizada simplesmente com água e sabão, embora suporte produtos</p><p>químicos mais agressivos. Além disso, a madeira plástica é impermeável, não</p><p>sofre corrosão nem ação de pragas, fungos ou bactérias, não apodrece e nem</p><p>3Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>libera farpas. Possui aparência muito similar à da madeira natural, sendo boa</p><p>isolante térmica e podendo atingir uma grande durabilidade.</p><p>A grande desvantagem da opção pelo uso da madeira plástica é o alto valor</p><p>de investimento inicial, devido ao fato de o material ser desenvolvido com</p><p>tecnologia de ponta não muito acessível, o que muitas vezes dificulta inclu-</p><p>sive a entrada dela no mercado, tendo no Brasil uma produção em boa escala</p><p>somente nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. O alto custo</p><p>da coleta seletiva e o desconhecimento da produção de materiais reciclados</p><p>por parte da população acabam tornando o mercado desses materiais menos</p><p>requisitado, segundo Cabral et al. (2016).</p><p>Laminados</p><p>Os laminados são uma espécie de revestimento para móveis e pisos bastante</p><p>usual, aplicado a uma estrutura tanto de MDF como de MDP. Os laminados</p><p>naturais em madeira são uma opção mais em conta, com uma durabilidade e</p><p>resistência superior à dos laminados de alta e baixa pressão. A composição</p><p>de laminados de alta pressão apresenta três camadas:</p><p> overlay, uma espécie de filme de proteção;</p><p> película melamínica pura, aplicada sobre o papel decorativo, que oferece</p><p>maior proteção ao desgaste;</p><p> um substrato, composto por papel kraft e resina.</p><p>Os laminados de baixa pressão possuem papel decorativo melamínico com o substrato,</p><p>que pode ser MDF, MDP ou aglomerado.</p><p> Laminado de alta pressão: resistente a impactos, riscos e manchas, exceto a</p><p>calor; possui uma grande variedade de cores que remetem a madeira, metal ou</p><p>pedra, brilhante ou fosca.</p><p> Laminado de baixa pressão: menos resistente do que o laminado de alta pressão;</p><p>pode-se aumentar a resistência aplicando-se uma resina; utilizado em tampos de</p><p>mesa e em caixas de móveis de cozinha.</p><p> Lâmina de madeira natural: fatias de peças de madeira maciça aplicadas sobre</p><p>chapas; aplicação artesanal; mais barata.</p><p> Fita de borda: acabamento e refinamento do móvel; torna a peça mais resistente;</p><p>aplicação em placas juntamente com as lâminas.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário4</p><p>Metal</p><p>É resistente tanto à compressão quanto à tração. Uma característica interessante</p><p>desse material é que o metal é dúctil, ou seja, de fácil manuseio, podendo ser</p><p>transformado em fi os e martelado até diminuir sua espessura. O metal pode</p><p>ser aparafusado com ou sem porca, rebitado ou soldado.</p><p>Metais podem ser fortes dependendo do seu peso e método de constru-</p><p>ção. O aço inoxidável resiste à ferrugem. Outros metais podem precisar de</p><p>revestimentos ou acabamentos para evitar ferrugem ou oxidação; alguns</p><p>revestimentos de cobre e latão são muito finos. O ferro, por sua vez, precisa</p><p>de um revestimento protetor para evitar ferrugem (CHING; BINGGELI, 2013).</p><p>O metal mais utilizado pelos designers no desenvolvimento de móveis</p><p>é o alumínio. Suas vantagens são maior resistência, leveza, maleabilidade,</p><p>flexibilidade e fácil manipulação, além de seu melhor acabamento. O alumínio,</p><p>na década de 1880, ainda era considerado um material muito caro, tendo seu</p><p>valor de mercado reduzido a partir do desenvolvimento da eletricidade. Foi</p><p>a partir do século XX, na Áustria, que foram feitas as primeiras aplicações</p><p>do alumínio em decorações de móveis, em pernas, braços e parafusos. Um</p><p>exemplo é o mobiliário Bentwood, do arquiteto e designer Otto Wagner, de</p><p>1906, nos quais o emprego de alumínio nas cadeiras variava de acordo com</p><p>sua hierarquia de uso. Outra aplicação desse material veio no ano seguinte, em</p><p>1907, por Hans Christiansen, como decorativo de portas e armários. Somente</p><p>a partir de 1920 desenvolveu-se uma maior variedade de aplicações.</p><p>Para a indústria moveleira da Europa e da América do Norte, o alumínio</p><p>não era considerado estimulante de grandes possibilidades econômicas, como</p><p>já exemplificava John Gloag em 1944 (EDWARDS, 2001). A justificativa dada</p><p>era a de que a indústria de móveis deveria ser refeita para fabricar metais,</p><p>sendo utilizado em grande parte das vezes em hospitais, instituições e locais</p><p>de trabalho, sob um entendimento comum de suas propriedades simbólicas.</p><p>Apesar de primeiramente exibido na França, em 1921, foram os norte-america-</p><p>nos os responsáveis pela maior inserção desse material no mobiliário de interiores.</p><p>No final da década de 1920, a fábrica Alcraft Alcoa, em Buffalo, produziu cadeiras</p><p>de alumínio jateadas com areia, envernizadas e depois revestidas duas vezes com</p><p>esmalte. As cores padrão eram nogueira, mogno, carvalho e duas variedades de</p><p>verde, bem como um acetinado prata. Esse novo material era mais aceito quando</p><p>apresentado como algo de estilo inovador, mas foi somente a partir de 1934, com</p><p>projetos de renomados arquitetos, entre eles Frank Lloyd Wright, que o material</p><p>passou a ser mais presente e mais aceito esteticamente (EDWARDS, 2001).</p><p>5Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>Plástico</p><p>O plástico possui inúmeros tipos e variações no mercado. Não é tão forte,</p><p>mas pode ser reforçado com fi bra de vidro, podendo se tornar estruturalmente</p><p>estável com facilidade e ter formas rígidas. Os móveis em plástico geralmente</p><p>são peças únicas, sem juntas ou conexões. Móveis feitos de outros materiais</p><p>frequentemente contêm partes de plástico.</p><p>A maioria dos plásticos são feitos de óleo; entretanto, podemos encontrar</p><p>alguns modelos feitos de soja e outros materiais. Alguns plásticos arranham</p><p>com facilidade e são afetados por produtos químicos ou produtos de limpeza.</p><p>Plásticos são frequentemente feitos para parecerem com outros materiais,</p><p>como madeira esculpida. Nesses casos, o acabamento às vezes se desgasta,</p><p>revelando a base de plástico por baixo (CHING; BINGGELI, 2013).</p><p>Vidro</p><p>O vidro é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida por meio</p><p>do resfriamento de uma massa em fusão. As suas principais qualidades são a</p><p>transparência e a dureza. O vidro se distingue de outros materiais por várias</p><p>características: não é poroso nem absorvente e é ótimo isolador (dielétrico).</p><p>Possui baixo índice de dilatação e condutividade térmica e suporta pressões</p><p>de 5.800 a 10.800 kg/cm2. Veja, a seguir, alguns tipos de vidro.</p><p> Vidro laminado: o vidro laminado é composto por duas ou mais chapas</p><p>de vidro intercaladas com uma ou mais películas de material plástico</p><p>denominado Polivinil Butiral (PVB), ou com a aplicação de resina</p><p>entre os vidros.</p><p> Vidro temperado: trata-se de um vidro que foi submetido a um tratamento</p><p>térmico de têmpera, no qual o vidro é aquecido de forma controlada,</p><p>elevando-se sua temperatura a aproximadamente 700°C ; em seguida,</p><p>ele é resfriado bruscamente, o que provoca tensões internas que tornam</p><p>o vidro até cinco vezes mais resistente a choques mecânicos e, também,</p><p>aumenta sua resistência a choques térmicos, mantendo as características</p><p>de aparência, transmissão luminosa e composição química. A têmpera</p><p>pode ser realizada por meio de um processo vertical ou horizontal.</p><p> Vidro serigrafado: existem dois tipos de processos para a fabricação</p><p>de vidros serigrafados: o processo a frio e o processo a quente. O</p><p>processo de fabricação a frio consiste na aplicação de tinta ao vidro,</p><p>geralmente por meio de telas serigráficas, cuja cura é feita utilizando</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário6</p><p>luz ultravioleta (UV). Já no processo de fabricação a quente, é feita a</p><p>aplicação de esmalte cerâmico, composto por fundente à base de vidro e</p><p>corantes; em seguida, o vidro passa pelo processo de têmpera para que</p><p>haja a fundição do esmalte ao vidro. Portanto, todo vidro serigrafado</p><p>fabricado a partir desse processo deve ser temperado.</p><p> Vidro acidado: o vidro acidado é fabricado a partir da aplicação de uma</p><p>solução ácida no vidro que ataca sua superfície de forma controlada,</p><p>tornando-a fosca. O vidro pode ser acidado por completo ou parcialmente,</p><p>inclusive criando desenhos, texturas, letras ou formas geométricas. Os</p><p>vidros acidados são de fácil limpeza, por não acumularem gordura.</p><p> Vidro jateado: o processo de jateamento se dá por meio de jato de</p><p>areia ou laser aplicado sobre a superfície do vidro; a sua função, assim</p><p>como no vidro acidado, consiste em tornar o vidro fosco. É possível</p><p>jatear o vidro por completo ou parcialmente, criar desenhos, texturas,</p><p>letras ou formas geométricas. Porém, o vidro jateado pode acumular</p><p>gordura, dificultando a limpeza.</p><p> Vidro espelhado: o vidro espelhado ou, simplesmente, espelho é produzido</p><p>a partir da deposição de metais como prata, alumínio ou cromo sobre uma</p><p>das faces do vidro. Em seguida, esse metal é protegido por camadas de</p><p>tinta, que evitam a corrosão da camada metálica e, por consequência, o</p><p>surgimento de manchas pretas. A espelhação do vidro à base de prata é um</p><p>dos métodos mais difundidos no mundo, conforme aponta Pinheiro (2007).</p><p>Acrilato ou acrílico</p><p>O acrílico tem menor resistência à tração e menor rigidez que o vidro e o</p><p>policarbonato. A resistência à tração diminui gradualmente com o aumento da</p><p>temperatura. Possui boa resistência ao impacto e, na quebra, a chapa acrílica</p><p>não estilhaça como o vidro — ela quebra em pedaços não cortantes. É um</p><p>material sensível ao entalhe. O acrílico tem boa resistência à água, aos álcalis</p><p>e às soluções aquosas de sais inorgânicos. Mesmo que diluídos,</p><p>os ácidos cia-</p><p>nídrico e fl uorídrico atacam o acrílico, assim como os ácidos sulfúrico, nítrico</p><p>e crômico concentrados. Os solventes à base de hidrocarbonetos clorados e</p><p>monômeros de metil metacrilato atacam o acrílico fortemente.</p><p>Laca</p><p>A laca é feita com a matéria-prima de casulos de um tipo de inseto, o Laccifer</p><p>lacca, existente na Índia e nas áreas tropicais da região. Para ser utilizada no</p><p>7Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>acabamento em marcenarias, a goma laca sofre um processo de purifi cação</p><p>que, conforme o grau, proporciona maior ou menor transparência à substância.</p><p>Trata-se de uma resina natural para ser dissolvida na fabricação do mais famoso</p><p>verniz para madeira. Ela é atóxica, seca rapidamente, e várias demãos podem</p><p>ser aplicadas em um único dia. Propicia acabamento sofi sticado nas versões</p><p>brilhantes e foscas; possui uma infi nidade de cores e pode ser aplicada em</p><p>metal, ferro, MDF, entre outros materiais.</p><p>Polímeros</p><p>Os polímeros, diferentemente das substâncias químicas de baixa massa mo-</p><p>lecular, são produtos heterogêneos, pois podem apresentar uma mistura de</p><p>moléculas de diferentes massas moleculares, apresentando, portanto, polimo-</p><p>lecularidade. A utilidade de alguns polímeros depende, principalmente, de</p><p>suas propriedades elétricas, as quais os tornam adequados para isolamento</p><p>elétrico, em capacitores dielétricos ou radomes de micro-ondas.</p><p>Os plásticos obtidos de materiais poliméricos sintéticos (derivados de</p><p>petróleo) são inerentemente muito resistentes ao ataque da natureza. O maior</p><p>grupo de polímeros utilizados em embalagens e materiais dessa natureza são as</p><p>poliolefinas, que são resistentes à peroxidação, à água e a micro-organismos,</p><p>sendo duráveis durante o uso. Já a celulose é empregada na fabricação de</p><p>papel, de tecidos e como matéria-prima na fabricação da seda artificial, de</p><p>explosivos, de colódio, de celuloide, etc.</p><p>PMMA</p><p>Polímero amorfo e transparente, uma vez que os grupos metila e éster, dis-</p><p>tribuídos aleatoriamente ao longo da cadeia molecular, impedem a sua cris-</p><p>talização. Assim, o PMMA é um material duro, rígido e transparente. Além</p><p>disso, em relação à maioria dos termoplásticos, apresenta excelente resistência</p><p>a intempéries. A resistência desse polímero ao impacto é inferior a muitos</p><p>outros termoplásticos, como acetato de celulose, ABS, policarbonato, etc.,</p><p>mas é superior em relação ao poliestireno cristal. O PMMA apresenta uma</p><p>série de vantagens:</p><p> é mais estável no envelhecimento e amarelamento;</p><p> absorve menos umidade;</p><p> é resistente à hidrólise alcalina.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário8</p><p>O PMMA não apresenta boa resistência à abrasão, mas a sua resistência é</p><p>suficiente para uso em letreiros luminosos, lanternas de automóveis e outras</p><p>aplicações semelhantes. Muitos materiais orgânicos, como os álcoois alifáticos,</p><p>mesmo sendo não solventes, podem causar microfissuras interligadas e até</p><p>mesmo rachaduras.</p><p>Bambu, rattan e vime</p><p>Materiais fortes para o seu peso e resistentes à água. O rattan, proveniente de</p><p>cipós parecidos com trepadeiras, é forte e durável, de alta qualidade, de cor</p><p>clara e livre de manchas escuras. O bambu se assemelha ao rattan, mas é oco,</p><p>não sólido; é menos fl exível, ou seja, tem capacidade de fl exão limitada. Já o</p><p>vime é uma técnica de construção, não um material. Móveis de vime podem</p><p>ser feitos de rattan, cana, salgueiro, bambu ou galhos fl exíveis.</p><p>Materiais de estofamento</p><p> Algodão: fibra vegetal com baixa elasticidade e flexibilidade. É com-</p><p>bustível e amassa com facilidade. Seu uso é principalmente residencial.</p><p> Linho: derivado do caule da planta com o mesmo nome. Extremamente</p><p>forte, tende a ser quebradiço e amassar com facilidade. É mais resistente</p><p>ao mofo do que o algodão. Para uso profissional e residencial.</p><p> Rami: fibra natural lustrosa e muito forte. Dura, quebradiça e não</p><p>elástica. Frequentemente misturada com linho e algodão. Para uso</p><p>profissional e residencial.</p><p> Seda: produzida pelo bicho-da-seda. É a mais forte de todas as fibras</p><p>naturais. É resistente a solventes, mas degrada com facilidade com a</p><p>exposição ao sol. Comumente utilizada apenas em moradias.</p><p> Raiom: fabricado a partir da polpa de madeira. Pode ser misturado com</p><p>outras fibras e aceita bem corantes. Para uso profissional e residencial.</p><p> Couro: material de origem animal, mais precisamente de sua camada</p><p>de pele, que, quando transformada em um material estável, é utilizada</p><p>na confecção de calçados, bolsas, materiais diversos e, inclusive, como</p><p>revestimento de alguns tipos de mobiliários. O couro bovino é utilizado</p><p>na fabricação de móveis, sendo considerado um material resistente, de</p><p>boa qualidade e de fácil adaptabilidade. Essa pele é composta de três</p><p>camadas: a flor, onde são eliminados os pelos e que constitui a parte</p><p>nobre do couro; a vaqueta, utilizada em artigos finos, como forrações, e</p><p>9Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>as raspas de colágeno, que seguram a gordura e os músculos do animal,</p><p>conforme leciona Conceição (2001).</p><p> Acrílico: imita a seda ou a lã, aceita bem corantes e pode amassar.</p><p>Uso em exteriores.</p><p> Vinil: simula o couro ou a camurça. Durável e fácil de limpar; porém,</p><p>não é sustentável. Uso profissional e residencial.</p><p> Poliéster: não amassa, é resistente à abrasão, tem estabilidade dimen-</p><p>sional e resiste ao amasso. Uso profissional.</p><p> Crypton: processo de tratamento de diversos tecidos, como algodão,</p><p>linho, seda, lã, acrílico, raiom e poliéster, para aumentar sua durabilidade</p><p>e resistência a manchas e à umidade.</p><p> Tecidos especiais: fibras elastométricas (spandex) que retornam às</p><p>suas formas originais. Uso comercial.</p><p>Materiais mais adequados para cada tipo</p><p>de móvel e ambiente</p><p>Cada material ou design aplicado ao mobiliário corresponde a uma necessi-</p><p>dade. Ching e Binggeli (2013) mostram alguns exemplos de mobiliários por</p><p>ambiente e de como utilizá-los. A partir disso, podemos relacionar o melhor</p><p>uso de material para cada tipo de mobiliário, conforme você verá a seguir.</p><p>Cadeiras, bancos e banquetas</p><p> Materiais predominantes: estrutura em madeira, plástico, alumínio ou</p><p>acetato; alumínio, madeira ou plástico em sua base (giratória ou não),</p><p>rodízios e braços; tecidos para seu estofamento conforme necessidade.</p><p> Cadeiras escrivaninha: projetadas para serem flexíveis e móveis;</p><p>mecanismos giratórios com rodízios; com apoio de braços.</p><p> Cadeiras executivas: frequentemente projetadas como símbolos de</p><p>status; permitem ao usuário se reclinar para trás; giratórias; não são</p><p>adequadas para longo uso ao computador</p><p> Cadeiras de empilhar e de dobrar: utilizadas para grandes agrupa-</p><p>mentos de pessoas ou como assentos auxiliares; são leves e moduladas;</p><p>frequentemente fabricadas em aço, alumínio ou plástico; algumas es-</p><p>tão disponíveis com apoios para braços e têm assentos e espaldrames</p><p>forrados; algumas têm mecanismos de conexão para serem utilizadas</p><p>em fileiras.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário10</p><p> Cadeiras de restaurante: devem ser resistentes; o nível de conforto</p><p>costuma ser escolhido conforme o tipo de serviço. As cadeiras com</p><p>braços devem ser coordenadas com a altura dos tampos de mesa; o</p><p>tamanho da cadeira afeta os padrões de assento.</p><p> Cadeiras de aproximação: geralmente mais leves e menores do que as</p><p>poltronas; espaldrames verticais para estudar e fazer refeições.</p><p> Cadeiras sem suporte de braços: para relaxar em uma posição parcial-</p><p>mente inclinada; muitas vezes são reguláveis; devem ser fáceis de sentar</p><p>e levantar, nem muito baixas e nem muito macias; devem dar suporte</p><p>adequado às costas. Destinam-se também a visitantes ao escritório ou</p><p>para uso rápido; geralmente têm tamanho pequeno.</p><p> Bancos: devem ser selecionados de acordo com a sua estabilidade e</p><p>facilidade de movimento, bem como sua aparência.</p><p> Banquetas: assentos longos e geralmente estofados voltados para mesas</p><p>múltiplas; permitem que sejam deslocados ao longo da mesa e reunidos</p><p>para acomodar</p><p>tamanhos variáveis de grupos.</p><p>A Figura 1 traz alguns exemplos de cadeiras e bancos.</p><p>Figura 1. Cadeiras e bancos.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 328).</p><p>Estofados e poltronas</p><p> Materiais predominantes: estrutura interna em madeira; estofamento</p><p>em couro ou tecido podendo ou não conter aplicações em plástico; plás-</p><p>tico, madeira ou alumínio em sua base; braços ou estruturas externas</p><p>aparentes em alumínio ou madeira.</p><p>11Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p> Assentos para auditórios: fornecem absorção acústica, além da função</p><p>de se sentar. Há exigências para prevenção de incêndio quanto aos</p><p>materiais e à disposição dos assentos.</p><p> Poltronas: servem para descansar, conversar ou ler; são completamente</p><p>estofadas; fabricadas em madeira, plástico, aço ou uma combinação</p><p>de materiais (Figura 2).</p><p> Sofás: projetados para acomodarem duas ou mais pessoas; geralmente</p><p>são estofados; curvos, retos ou angulares; com ou sem braços.</p><p> Conjunto de sofá: sofá dividido em partes que pode ser montado de</p><p>diferentes maneiras.</p><p> Namoradeira: pequeno sofá com apenas dois lugares.</p><p>Figura 2. Poltrona.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 326).</p><p>Mesas</p><p> Materiais predominantes: estrutura em madeira, alumínio, MDF</p><p>ou MDP revestido com laminado ou laca; tampo de vidro, madeira,</p><p>alumínio, plástico, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca.</p><p> Mesas: as mesas são superfícies planas e horizontais sustentadas pelos</p><p>pisos e devem seguir atributos de força, estabilidade, tamanho, formato</p><p>e altura; fabricação em materiais duradouros (Figura 3). Seu tampo</p><p>pode ser de madeira, vidro, plástico, pedra, metal, azulejo ou concreto.</p><p>O acabamento da superfície deve ser duradouro e ter boa resistência ao</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário12</p><p>desgaste. A cor e a textura da superfície devem ter refletância de luz</p><p>adequada à tarefa visual. O sSeu tampo pode ser sustentado por pernas,</p><p>cavaletes, bases sólidas ou gaveteiros, podendo estar embutido, ser bai-</p><p>xado de estantes de parede ou se apoiar em pernas ou suportes retráteis.</p><p>Figura 3. Mesas.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 332).</p><p>Camas</p><p> Materiais predominantes em seu uso: estrutura interna em madeira</p><p>ou metais como ferro; estofamento em tecido forrado e acolchoado,</p><p>podendo ou não conter aplicações em plástico; plástico, madeira ou</p><p>alumínio em sua base.</p><p> Camas: as camas consistem em dois componentes: colchão e base ou</p><p>estrutura de apoio (box), também podendo conter cabeceiras. A Figura</p><p>4 traz o exemplo de um sofá-cama.</p><p>13Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>Figura 4. Sofá-cama: sofá projetado para ser transformado em cama.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 336).</p><p>Roupeiros e armários</p><p>Materiais predominantes em seu uso: Estrutura em madeira, metais como</p><p>ferro ou alumínio, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca; portas de</p><p>madeira, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca, metais como ferro</p><p>ou alumínio, vidro comum ou espelhado e acetato.</p><p>Roupeiros: móveis embutidos podem ajudar a manter as linhas de um dor-</p><p>mitório limpas e evitar que o ambiente fi que atravancado.</p><p>Armários: móveis com portas frontais e, frequentemente, gavetas na base.</p><p>As secretárias ou escrivaninhas e cômodas altas com pernas têm frentes que</p><p>se abrem para baixo para criar uma superfície com gavetas na parte inferior.</p><p>Armazenagem: prateleiras, gavetas e armários fechados, suspensos no</p><p>teto, instalados na parede ou sobre o piso, como móveis independentes.</p><p>As unidades podem ter frentes abertas ou portas com ou sem vidraças, ou</p><p>mesmo persianas.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário14</p><p>A Figura 5 traz exemplos de armários.</p><p>Figura 5. Exemplos de armários.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 338).</p><p>Ferragens e acessórios adequados para cada</p><p>tipo de móvel e ambiente</p><p>As características de forma e construção da peça de mobiliário são determi-</p><p>nadas pela organização espacial da forma, pela interconexão dos principais</p><p>componentes estruturais e pela estrutura arquitetônica do produto. A modu-</p><p>laridade aumenta o aspecto funcional na composição do projeto.</p><p>Devido ao método de ligação de certos componentes estruturais, os móveis</p><p>podem ser divididos em não desmontáveis, como blocos únicos, ou desmon-</p><p>táveis, com possibilidades de repetidas desmontagens e remontagens. Podem</p><p>ser do tipo caixa ou armação, conforme veremos a seguir.</p><p>O mobiliário do tipo caixa é construído principalmente a partir de um</p><p>conjunto de painéis ou chapas, com espessura menor do que a largura e o com-</p><p>primento. Também pode contar com ripas e molduras, em termos de estrutura.</p><p>Normalmente, as chapas são posicionadas de tal maneira que fecham o espaço</p><p>por cinco ou seis lados, formando um caixote. A posição dessas chapas umas</p><p>em relação às outras pode variar, podendo ser do tipo mesa, quando as chapas</p><p>superior e inferior do móvel são colocadas em cima e embaixo das chapas</p><p>laterais, respectivamente, ou do tipo prateleira, quando as chapas inferior e</p><p>superior são colocadas entre as chapas laterais. Essa peça de mobília pode ser</p><p>apoiada em pés, suspensa ou embutida.</p><p>15Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>Dependendo da construção e das características tecnológicas, os móveis</p><p>tipo caixa podem ser:</p><p> módulos, nos quais a estrutura, as dimensões externas e a funcionalidade</p><p>permitem configuração vertical ou horizontal;</p><p> blocos, construídos a partir de elementos de dimensões unificadas e</p><p>soluções de construção que permitem diferentes propósitos e dimensões</p><p>em uma peça única.</p><p>A mobília tipo caixa (Figura 6) pode ser monofuncional ou multifuncional,</p><p>o que permite usá-la de diferentes formas, por exemplo:</p><p> guarda-roupa;</p><p> estante de biblioteca;</p><p> cômoda;</p><p> buffet (um tipo de cômoda destinado a servir refeições ocasionais);</p><p> armário suspenso (armário aéreo);</p><p> unidade de parede (um conjunto de móveis que cumpre todas as funções</p><p>de armazenamento);</p><p> conjunto embutido (conjunto de móveis de parede, geralmente fechado,</p><p>usado para armazenamento).</p><p>Figura 6. Exemplos de mobília tipo caixa.</p><p>Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line).</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário16</p><p>O mobiliário do tipo armação é feito de elementos alongados formando</p><p>pequenas seções transversais, na forma de quadrado, retângulo, triângulo,</p><p>círculo, oval, etc., sem fechar um espaço; por exemplo: cadeiras, poltronas,</p><p>mesas e canteiros de flores. A forma das seções transversais desses elementos</p><p>distingue a mobília do tipo armação em:</p><p> móveis em bloco, nos quais a seção transversal dos elementos é um polígono;</p><p> móveis em haste, que são construídos com elementos circulares, elíp-</p><p>ticos, ovais ou similares a seções transversais circulares.</p><p>Dependendo de como o assento ou bancada é suportado, podemos distin-</p><p>guir os móveis do tipo armação nos seguintes formatos, também mostrados</p><p>na Figura 7.</p><p> Tábua: uma estrutura do tipo tábua é obtida principalmente por meio</p><p>de cortes de madeira em forma de tábua ou colando frisos na direção</p><p>da largura do móvel, cortando posteriormente na forma desejada. A</p><p>base do mobiliário é constituída por elementos do tipo tabuleiro, cuja</p><p>largura é várias vezes superior à espessura.</p><p> Cruz: móveis com estruturas cruzadas são feitos com barras ou hastes</p><p>unidas por dobradiças e corrediças. Normalmente, essa construção</p><p>permite dobrar e desdobrar a peça tanto na direção da largura do assento</p><p>quanto na direção de sua profundidade. Isso permite que o assento seja</p><p>feito de materiais têxteis ou de couro.</p><p> Com anteparo: a estrutura com anteparo, ao contrário da construção</p><p>cruzada, na grande maioria dos casos, é inseparável, graças à junção</p><p>permanente das pernas ou pés com o tampo ou encosto. Graças a essas</p><p>características geométricas, a rigidez e a resistência dos móveis com</p><p>anteparo são muito maiores do que em estruturas diferentes.</p><p> Sem anteparo: a estrutura sem anteparo se distingue pelo fato de que</p><p>a base do móvel — os pés ou pernas — é ligada diretamente ao assento</p><p>(no caso de uma cadeira)</p><p>ou tampo (em uma mesa). A montagem sem</p><p>anteparo geralmente desvia o eixo vertical, fazendo com que momentos</p><p>de flexão muito grande trabalhem as juntas, podendo causar danos às</p><p>conexões dos elementos.</p><p>17Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p> Quadro e armação: esse tipo de mobiliário apresenta uma arma-</p><p>ção sob o assento ou bancada, na qual as pernas são fixadas, e o</p><p>encosto em forma de quadro (no caso das cadeiras). Normalmente,</p><p>o quadro é feito de elementos dobrados e conectados na direção do</p><p>seu comprimento, como seções de metal. As pernas são geralmente</p><p>conectadas sob o assento usando parafusos. No entanto, deve-se notar</p><p>que esse método de conexão de componentes não fornece rigidez</p><p>e resistência. Juntas de parafuso pertencem ao grupo de juntas</p><p>semirrígidas. Portanto, esses móveis têm melhores propriedades</p><p>mecânicas do que os articulados, mas, ao mesmo tempo, piores do</p><p>que as armações fixas. Com o passar do tempo, a resistência das</p><p>juntas diminui devido à deformação do furo pelo parafuso e às</p><p>mudanças na umidade da madeira.</p><p> Coluna: a estrutura do tipo coluna distingue-se por ter o assento ou</p><p>tampo apoiado sobre uma ou duas colunas, feitas em forma de troncos de</p><p>madeira ou materiais variados, de formato oval ou tipo hastes, molduras</p><p>ou tábuas. Normalmente, o móvel tipo coluna permite mudar a altura</p><p>do assento ou da bancada.</p><p> Suporte: no mobiliário com estrutura tipo suporte, o assento ou ban-</p><p>cada é anexado em submontagens que se assemelham a prateleiras.</p><p>Normalmente, utilizam-se molduras ou anteparos conectados ao assento</p><p>com parafusos. Abaixo do assento ou da bancada, os quadros laterais</p><p>são conectados um ao outro usando anteparos na frente e atrás. Se</p><p>não forem utilizados parafusos, a rigidez e a resistência desses móveis</p><p>correspondem à rigidez e à resistência dos móveis com anteparos.</p><p> Estrutura de uma peça: é criada principalmente a partir de tec-</p><p>nologias de injeção de materiais plásticos ou fibrosos. Em móveis</p><p>de madeira e materiais à base de madeira, a tecnologia de flexão e</p><p>colagem simultânea de várias camadas finas de madeira folheada é</p><p>mais comumente usada.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário18</p><p>Figura 7. Mobiliário do tipo armação: a) tábua; b) em cruz; c) com anteparo; d) sem</p><p>anteparo; e) quadro e armação; f) coluna; g) suporte; h) uma peça.</p><p>Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line).</p><p>A construção de uma peça de mobiliário é feita por meio do planejamento</p><p>de ligações apropriadas entre os seus elementos. A escolha do tipo certo de</p><p>articulações para a peça de mobiliário projetada depende principalmente do</p><p>tipo e da forma da construção, devendo garantir rigidez e força, bem como</p><p>facilidade de realização, em termos tecnológicos. Um fragmento da estrutura</p><p>cujas partes são unidas usando conectores, interfaces e/ou cola é chamado</p><p>de junta. O elemento de uma junta que conecta duas partes é chamado de</p><p>conector, enquanto uma interface se refere a fragmentos de partes conectadas.</p><p>A qualidade das juntas de móveis é geralmente determinada pela atribuição</p><p>de características como confiabilidade, resistência e rigidez. A confiabilidade</p><p>das articulações é caracterizada por vários indicadores mensuráveis. Porém,</p><p>normalmente, a validade da garantia de um produto é determinada com base</p><p>na intuição do designer, e não em uma análise estatística pragmática, conforme</p><p>aponta Smardzewski (2015).</p><p>19Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>As juntas com conectores mecânicos formam um grande grupo de nós</p><p>estruturais separáveis e inseparáveis feitos de metal e plástico. Atualmente,</p><p>as mais representativas são as articulações, com conectores como grampos,</p><p>pregos, parafusos, ganchos e juntas excêntricas.</p><p>As juntas contêm interfaces moldadas em partes específicas dos ele-</p><p>mentos de mobiliário, o que assegura a sua ligação independente com ou</p><p>sem o uso de cola como conector. Formadas e aperfeiçoadas por gerações,</p><p>elas fornecem a inseparabilidade da construção e, portanto, rigidez e</p><p>resistência satisfatórias. Devido ao sistema mútuo de elementos unidos,</p><p>essas juntas são aplicadas no design de móveis do tipo armação, móveis</p><p>do tipo caixa e estruturas de rolamentos de móveis estofados, conforme</p><p>leciona Smardzewski (2015).</p><p>Devido à facilidade de realização e, na maioria dos casos, à possibilidade</p><p>de desconectar os elementos, os conectores mecânicos são amplamente uti-</p><p>lizados na construção de móveis. Os grampos permitem fácil montagem, o</p><p>que não requer qualquer preparação adicional dos elementos antes da união.</p><p>O uso de grampos nos desenhos de móveis tipo caixa, em comparação com</p><p>móveis estofados e de armação, é bastante limitado e se resume a fixar as</p><p>partes traseiras. Em móveis estofados, os grampos são usados para conectar</p><p>a maioria dos elementos das molduras e para prender as tampas às molduras</p><p>de estofamento.</p><p>Parafusos com porcas e parafusos para metal são usados principalmente</p><p>para a fixação de acessórios de metal e plástico. Para a ligação de elementos</p><p>de madeira, devem ser usadas apenas espécies duras de madeira ou materiais</p><p>à base de madeira de alta densidade. Cargas de flexão e forças transversais</p><p>produzem altas pressões do núcleo dos parafusos nas laterais dos furos nos</p><p>elementos unidos, o que, consequentemente, aumenta a folga do furo e reduz</p><p>a resistência de toda a estrutura. Ao aparafusar peças de madeira ou metal a</p><p>elementos de madeira nas peças de mobiliário, devem ser usados parafusos</p><p>específicos para madeira. Antes de encaixar esse tipo de conector, a fim de</p><p>evitar rachaduras no material, recomenda-se fazer furos com um diâmetro</p><p>menor do que o diâmetro do núcleo do parafuso, conforme sugere Smar-</p><p>dzewski (2015). A Figura 8 mostra alguns tipos de conectores mecânicos.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário20</p><p>Figura 8. Conectores mecânicos: (a) grampo; (b) prego; (c) parafusos para madeiras; (d)</p><p>juntas excêntricas; (e) parafuso com porca cega; (f) parafuso com porca; (g) parafusos para</p><p>metais; (h) parafusos confirmat; e (i) parafusos para placas de aglomerado.</p><p>Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line).</p><p>Sistemas de fixação e montagem</p><p> Emendas: os tipos mais comuns de emendas (Figura 9) são as de topo (butt</p><p>joints), as emendas biseladas (scarf joints) e as emendas dentadas ( finger</p><p>joints). As emendas de topo são as mais simples emendas longitudinais e,</p><p>apesar de não desperdiçarem madeira, não apresentam resistência mecânica</p><p>considerável, não sendo assim recomendáveis. As emendas biseladas</p><p>surgiram como uma boa alternativa para suprir as limitações de resistência</p><p>das emendas de topo, sendo consideradas as mais resistentes emendas</p><p>longitudinais. Contudo, do ponto de vista da produção, esse tipo de emenda</p><p>é muito dispendioso, uma vez que, para atingir uma boa proporção da</p><p>resistência da madeira maciça, é necessário que o corte apresente uma</p><p>baixa inclinação, conferindo um consumo excessivo de madeira e adesivo</p><p>(MACÊDO; CALIL JUNIOR, 1999 apud RAMOS, 2013).</p><p>Figura 9. Tipos de emendas.</p><p>Fonte: Ramos (2013, documento on-line).</p><p>21Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p> Encaixes: na confecção de móveis, são utilizados os mais variados</p><p>tipos de encaixes (Figura 10). A resistência do móvel depende muito</p><p>das proporções empregadas nos encaixes das peças, havendo sempre</p><p>uma relação direta entre a largura e a espessura das madeiras. Em geral,</p><p>não devem aparecer nos montantes das peças. Nesse caso, utilizam-se</p><p>as espigas com talão, que, além de oferecerem maior resistência à união</p><p>das peças, apresentam também melhor acabamento (SENAI-SP, 2005</p><p>apud RAMOS, 2013). Nas estruturas de móveis de madeira maciça,</p><p>são utilizados encaixes de meia madeira, rebaixo, ranhura, cavilhas,</p><p>malhete reto e espigas (SENAI-RS, 1995 apud RAMOS, 2013).</p><p>Figura 10. Tipos de encaixe.</p><p>Fonte: Ramos (2013, p.109).</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário22</p><p>Elementos de fixação, articulação e trilhos</p><p> Fixação: o sistema de união de peças utilizado atualmente</p><p>se baseia</p><p>na utilização de elementos que recebem furações para a fixação de</p><p>seus elementos. Esse sistema de montagem, desmontagem e remon-</p><p>tagem do móvel permitiu maior mobilidade e uma simplificação de</p><p>operações (FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013). Boch (2007 apud</p><p>RAMOS, 2013) complementa que a desmontabilidade vem sendo cada</p><p>vez mais um fator primordial para a compra e venda de móveis, pois</p><p>garante vantagens como transporte facilitado, agilidade de produção,</p><p>padronização de peças, redução de espaços na fábrica e em depósitos,</p><p>e, consequentemente, preços mais acessíveis.</p><p> Cavilha: acessório cilíndrico e estriado em madeira ou plástico (Fi-</p><p>gura 11); pode ou não utilizar cola. A cola é utilizada junto a elas para</p><p>permitir melhor aderência e tornar a montagem definitiva, sendo que</p><p>a peça não poderá ser desmontada. A ausência de cola permite que o</p><p>móvel seja desmontado posteriormente. Esse tipo de fixação é um dos</p><p>mais empregados na indústria moveleira e muito utilizado em gavetas</p><p>(BOCH, 2007 apud RAMOS, 2013).</p><p>Figura 11. Cavilhas de madeira e de plástico e móvel com cavilha.</p><p>Fonte: Adaptada de Ramos (2013).</p><p> Parafusos: são atualmente utilizados nos móveis de padrão mais ba-</p><p>rato, como a alternativa de menor custo para a união dos elementos;</p><p>raramente usam buchas de expansão (Figura 12). Não são uma solução</p><p>adequada, principalmente para aglomerado, pois podem comprometer</p><p>o desempenho do material e do móvel. Já os pregos, mesmo não sendo</p><p>23Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>apropriados, são utilizados até em móveis de alto padrão, principal-</p><p>mente em fundos de chapa dura, pois garantem maior rigidez ao móvel</p><p>(FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013).</p><p>Figura 12. União entre peças por meio de parafusos.</p><p>Fonte: Adaptada de Ramos (2013).</p><p> Sistemas tipo rotofix (minifix ou girofix): são compostos por uma</p><p>haste e um tambor, sendo a montagem feita com um giro no tambor</p><p>que trava a haste; permitem a montagem de duas ou três peças simul-</p><p>taneamente (Figura 13). Há também os parafusos de união, que são</p><p>acessórios utilizados para a junção de módulos de um móvel. Esses</p><p>dois tipos de acessórios possibilitam a desmontagem quantas vezes</p><p>forem necessárias, conforme leciona Ramos (2013 apud BOCH, 2007).</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário24</p><p>Figura 13. Sistema rotofix.</p><p>Fonte: Adaptada de Ramos (2013).</p><p> Articulação: os tipos de articulação mais comuns são as chamadas</p><p>dobradiças. O sistema de dobradiças é composto por um calço e</p><p>um caneco, ou copo, no qual é utilizado um sistema de pressão.</p><p>É usado em portas, sendo que o calço é fixo à lateral, enquanto</p><p>o caneco é preso à porta. Conforme o modelo da dobradiça e do</p><p>calço, pode-se obter vários padrões de recobrimento sobre laterais</p><p>e divisões, bem como diversos ângulos de abertura (BOCH, 2007</p><p>apud RAMOS, 2013).</p><p>Das dobradiças convencionais às dobradiças de caneco, passando pelos</p><p>pistões a gás, o mobiliário evoluiu junto com as ferragens, possibilitando</p><p>novas construções funcionais, como portas que param em qualquer posição,</p><p>design simples e atraente, amortecimento integrado e sofisticação (Figura 14).</p><p>Essas são características que fazem dos articuladores itens de diferenciação</p><p>na produção de móveis de qualidade (Ramos, 2013).</p><p>25Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>Figura 14. Dobradiças e articuladores para móveis.</p><p>Fonte: Adaptada de Ramos (2013).</p><p> Sistemas para portas de correr (trilhos): os sistemas construtivos,</p><p>anteriormente, eram feitos por meio do contato das laterais das gavetas</p><p>com um perfil de madeira fixado no móvel, ou de um canal executado</p><p>na parte central da lateral que corresse naquele perfil. Por volta dos anos</p><p>1980, o perfil de madeira passou a ser substituído por perfil plástico</p><p>fixado na lateral do móvel por pressão; posteriormente, na década de</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário26</p><p>1990, por corrediças metálicas; atualmente, surgiram trilhos metálicos</p><p>telescópicos, utilizados principalmente nos móveis de padrão elevado</p><p>(FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013).</p><p>Figura 15. Corrediças.</p><p>Fonte: Adaptada de Ramos (2013).</p><p>27Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>CABRAL, S. C. et al. Características comparativas da madeira plástica com a madeira</p><p>convencional. Revista Científica Vozes dos Vales, nº. 10, ano V, out. 2016. Disponível em:</p><p><http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2016/09/Stenio22.pdf>. Acesso</p><p>em: 19 nov. 2018.</p><p>CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Book-</p><p>man, 2013.</p><p>CONCEIÇÃO, C. M. O couro no Brasil. 2001. 31 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-</p><p>-graduação) — Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em:</p><p><http://www.avm.edu.br/monopdf/22/CLAUDILENA%20MURRO%20DA%20CONCEI-</p><p>CAO.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>EDWARDS, C. Aluminium furniture, 1886-1986. The changing applications and reception</p><p>of a modem material. Journal of Design History, v. 14, nº. 3, p. 207-225, 2001. Disponível em:</p><p><http://www.arch.mcgill.ca/prof/sijpkes/aaresearch-2012/12-student-files/aluminum-</p><p>-history.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>PINHEIRO, F. C. Evolução do uso do vidro como material de construção civil. 2007. 64 p.</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) — Universidade</p><p>São Francisco, Itatiba, 2007. Disponível em: <http://lyceumonline.usf.edu.br/salavirtual/</p><p>documentos/1045.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>RAMOS, L. F. M. Uma contribuição ao estudo dos móveis de madeira e seus derivados.</p><p>2013. 147 p. Dissertação (Mestrado) — Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá,</p><p>2013. Disponível em: <http://200.129.241.80/ppgeea/sistema/dissertacoes/15.pdf>.</p><p>Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>SMARDZEWSKI, J. Furniture design. Viena: Springer, 2015. Disponível em: <http://1.dro-</p><p>ppdf.com/files/EgYn2/furniture-design-2015-.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>TEIXEIRA, J. A. A utilização dos materiais no design e a competitividade da indústria mo-</p><p>veleira da região metropolitana de Curitiba: um estudo de caso. 2010. 148 p. Disser-</p><p>tação (Mestrado em Engenharia de Produção) — Universidade Federal de Santa</p><p>Catarina, Florianópolis, 2000. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/</p><p>handle/123456789/78290/177445.pdf?sequence=1>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>Materiais empregados em um projeto mobiliário28</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ARTIGAS, L. V. Fibrocimento. Universidade Federal do Paraná, 2013. Disponível em:</p><p><http://www.dcc.ufpr.br/mediawiki/images/0/0d/TC034_fibrocimento.pdf>. Acesso</p><p>em: 19 nov. 2018.</p><p>ATELIER MORITO EBINE. Goma-Laca. 2018. Disponível em: <http://moritoebine.com/</p><p>pdf/gomalaca.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>MORASSI, O. J. Polímeros termoplásticos, termofixos e elastômeros. São Paulo, 2013. Disponível</p><p>em: <https://www.crq4.org.br/sms/files/file/apostila_pol%C3%ADmeros_0910082013_</p><p>site.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>SILVA, A. L. B. B.; SILVA, E. O. Conhecendo materiais polímeros. Universidade Federal de</p><p>Mato Grosso, 2003. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/</p><p>texto/ea000223.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>29Materiais empregados em um projeto mobiliário</p><p>Conteúdo:</p><p>TENDÊNCIAS EM</p><p>MATERIAIS E</p><p>REVESTIMENTOS</p><p>DE INTERIORES</p><p>Agatha Muller de Carvalho</p><p>Painéis e laminados de</p><p>madeira e revestimentos</p><p>para mobiliário</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Especificar os tipos de madeira manufaturada.</p><p>� Descrever os laminados.</p><p>� Identificar os possíveis usos de vidro e acrílico.</p><p>Introdução</p><p>O uso da madeira na produção de móveis não é recente, já na Idade</p><p>Média ela era empregada, quase como uma escultura, nas peças utilizadas</p><p>nos castelos. Porém, com a Revolução Industrial, novos materiais foram</p><p>desenvolvidos, como os laminados, um vidro mais resistente e o acrílico.</p><p>Neste capítulo, você estudará as características da madeira, como ela</p><p>é beneficiada e empregada; os laminados, como eles se diferem e podem</p><p>receber um acabamento externo; a diferenciação</p><p>de vidro e acrílico, suas</p><p>características e alguns exemplos.</p><p>Utilização da madeira manufaturada</p><p>A madeira é um material natural do reino vegetal, produzido a partir do tecido</p><p>formado por plantas lenhosas com funções de sustentação mecânica. Por ser</p><p>resistente e relativamente leve, ela é utilizada com frequência para fins estruturais,</p><p>sustentação de construções e na parte de mobiliário (GALINA et al., 2013), sendo</p><p>um material heterogêneo, composto sobretudo de fibras de tamanhos, funções</p><p>e formas distintas, agrupadas ao longo e transversalmente ao tronco. Essa</p><p>diversidade, tanto de posição como formato das fibras, está ligada às funções</p><p>que elas desempenham, como condução de seiva, armazenamento e sustentação.</p><p>Provavelmente, a madeira foi a matéria-prima mais versátil e usada pelo</p><p>ser humano ao longo da história. Muito presente, atualmente, no campo da</p><p>arquitetura, engenharia civil e design, já teve sua função vinculada à produção</p><p>de armas e ao combustível, sendo queimada na produção do fogo. Não se pode</p><p>estabelecer com precisão quando ela começou a ser utilizada pela humanidade</p><p>(a existência das arvores, segundo cientistas, é superior a 200 milhões de</p><p>anos, já o aparecimento do ser humano na Terra fica em torno de 2 milhões</p><p>de anos), mas os vestígios datam sua utilização como arma entre 15 e 20 mil</p><p>anos — o machado, por exemplo, deve ter 10 mil anos.</p><p>Considerando o campo da construção civil, os primeiros registros do uso</p><p>da madeira são dos primatas, que usavam as árvores como moradia. Nesse</p><p>período, a madeira era utilizada como material de construção, sendo que pilares</p><p>e vigas foram descobertos na Pré-História, em várias civilizações, antes do fogo.</p><p>Seu uso na arquitetura se destacou de forma diferente ao longo dos anos e das</p><p>civilizações: no Extremo Oriente, as edificações devem suportar terremotos</p><p>frequentes, tendo encaixes frágeis, mas resistentes. Já a arquitetura norueguesa</p><p>é caracterizada pelas paredes espessas capazes de isolar o frio, como algo</p><p>maciço na construção. O mobiliário iniciou-se com madeiras talhadas, quase</p><p>esculturais, no interior das igrejas e, no modernismo, como peças de desenho</p><p>exclusivo com linhas mais retas e homogêneas (GONZAGA, 2006).</p><p>Madeira manufaturada</p><p>O termo manufaturado remete a uma estrutura fabril em que a técnica de</p><p>produção é artesanal; e o trabalho, desempenhado por muitas pessoas em</p><p>instrumentos individuais. Embora essa palavra tenha sua origem nas oficinas</p><p>manuais, atualmente, a expressão é usada para se referir às fábricas ou a um</p><p>grande estabelecimento industrial. A manufatura sucedeu o artesanato, no</p><p>século XV, como uma forma de produção e organização de trabalho, intro-</p><p>duzindo as máquinas e a produção em série.</p><p>Por ser um material natural, a madeira tem sua transformação por meio</p><p>do beneficiamento artesanal ou semi-industrial. Sua condição natural faz</p><p>haver uma variação no aspecto não somente entre espécies, como também</p><p>em relação à composição química e às propriedades físicas e mecânicas das</p><p>madeiras. Ela pode ser considerada uma fonte ecológica de matéria-prima,</p><p>sendo um produto biodegradável e reciclável, de fonte natural e que possui</p><p>beneficiamento de baixo consumo energético.</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário2</p><p>Além de ser ecológica, a madeira tem bom desempenho técnico, conforme</p><p>as características a seguir (CHING, 2017):</p><p>� A composição e densidade da madeira a faz possuir uma propriedade</p><p>isolante, tanto térmica como acústica.</p><p>� Ela apresenta boa durabilidade, por sua dureza e solidez, garantindo</p><p>uma vida útil longa quando utilizada em condições adequadas.</p><p>� Apesar da dureza, a composição em fibras garante sua boa trabalhabi-</p><p>lidade, adquirindo formas variadas.</p><p>� Ela possui aplicabilidade, facilidade de instalação e manutenção, uma</p><p>vez que não exige argamassa de assentamento, sendo aplicada com</p><p>cola ou pregos.</p><p>Entretanto, algumas propriedades físicas da madeira, se forem desrespei-</p><p>tadas, podem causar problemas durante a sua utilização, como a capacidade</p><p>de absorver e perder água, o que gera variação dimensional (o processo de</p><p>autoclavagem retira, a vácuo, a umidade das peças); a variação de resistência</p><p>da peça, conforme a seção feita no tronco; a invasão de pragas, fungos e in-</p><p>setos, o que pode ser impedido com algum pesticida; e a relação da extração</p><p>irregular e a possibilidade de usar madeiras de reflorestamento.</p><p>Por ser um revestimento natural, a madeira tem limitação de medidas,</p><p>sobretudo no sentido transversal. Considerando o tronco das árvores como</p><p>medida, provavelmente a largura das peças extraídas, mesmo em seção tan-</p><p>gencial, não atingirá 1 m, assim, quando se deseja recobrir uma superfície</p><p>maior, é projetado um conjunto de peças moduladas. Porém, para aumentar</p><p>as possibilidades de revestimentos em madeira, foram desenvolvidos novos</p><p>produtos em que ela é manufaturada, aparecendo como partícula ou fibra,</p><p>chamados de laminados (TESIS — TECNOLOGIA E QUALIDADE DE</p><p>SISTEMAS EM ENGENHARIA, 2014).</p><p>Laminados</p><p>O laminado consiste em painéis fabricados com fibras, partículas, pedaços ou</p><p>lâminas aglutinadas de madeira com algum adesivo sintético, posteriormente</p><p>prensados a alta temperatura. A diferenciação entre seus tipos de produto está</p><p>na composição e na forma de prensagem.</p><p>3Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>� Medium density fiberboard (MDF): tipo de laminado mais comum, que</p><p>significa painel de fibra de média densidade. Esse produto é formado por</p><p>camadas sobrepostas de fibras de madeira, posteriormente prensadas,</p><p>que podem ser observadas na lateral das peças (TESIS — TECNO-</p><p>LOGIA E QUALIDADE DE SISTEMAS EM ENGENHARIA, 2014).</p><p>A distribuição uniforme da fibra em toda a sua espessura permite a</p><p>incorporação de novas tecnologias, como a usinagem para móveis</p><p>torneados.</p><p>� Medium density particleboard (MDP): laminado de média densidade ou</p><p>painel de partículas de média densidade, em que é possível visualizar</p><p>cada parte na sua lateral (TESIS — TECNOLOGIA E QUALIDADE</p><p>DE SISTEMAS EM ENGENHARIA, 2014). Sua composição é baseada</p><p>em três camadas, sendo que as partes externas têm gramatura menor;</p><p>e a interna, gramatura maior. Ele é empregado em locais que exigem</p><p>resistência mecânica ou isolamento acústico, em função dessa diferença</p><p>entre as partículas nas camadas.</p><p>� Oriented strand board (OSB): painel de tiras orientadas que utiliza</p><p>pedaços orientados, perpendicularmente, em muitas camadas. Seu</p><p>aspecto é rústico, pois essa aleatoriedade das camadas fica visível em</p><p>todas as faces (VIDAL; HORA, 2014).</p><p>� Compensados: painéis formados por lâminas de camadas de madeira</p><p>no sentido das fibras, sobrepostas perpendicularmente, o que fornece</p><p>resistência em ambas as direções (BARROS FILHO, 2014, p. 15). Eles</p><p>possuem aparência listrada lateralmente e se diferem da madeira aglo-</p><p>merada por sua composição, feita a partir da colagem de pequenas</p><p>partículas de madeira sob calor ou pressão, o que lhes confere menor</p><p>resistência.</p><p>Na Figura 1, você pode ver exemplos de MDF, MDP, OSB e compensado.</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário4</p><p>Figura 1. Laminados. a) MDF. b) MDP. c) OSB. d) Compensado.</p><p>Fonte: a) eyal granith/Shutterstock.com. b) Pavel Hlystov/Shutterstock.com. c) VPales/Shutterstock.</p><p>com. d) Stock image/Shutterstock.com.</p><p>Os laminados possuem dimensões entre 1,2 e 1,8 m de largura e 2,4 e</p><p>2,74 m de comprimento, variando a espessura conforme o tipo e fabricante.</p><p>O OSB varia entre 6 e 30 mm, já o MDF e o MDP são mais finos, entre 2 e 3</p><p>mm, mas podem ter espessuras maiores. Eles são usados em seu aspecto cru,</p><p>mas podem receber outros acabamentos, como lâminas de madeira natural,</p><p>melaminas e pinturas (p. ex., a resinada, chamada de laca), as quais funcionam</p><p>como uma película protetora das chapas.</p><p>A melamina é uma base orgânica encontrada, principalmente, na forma de</p><p>cristais brancos, constituída sobretudo de nitrogênio. Ela é combinada com</p><p>formaldeído pela indústria para</p><p>dominada</p><p>pelo poder aquisitivo. Esse poder aquisitivo se tornou possível devido ao fácil</p><p>acesso a produtos produzidos industrialmente, conforme aponta Maia (2011).</p><p>O processo de mecanização acelerou a produção. Foram, então, levados ao mercado</p><p>produtos de qualidade inferior, por conta da redução de custos e pelo pouco cuidado</p><p>em sua criação. Diz-se que os produtos foram submetidos ao chamado “fanatismo</p><p>tecnológico”.</p><p>O artista William Morris, no fim do século XIX, questionou essa falta de</p><p>sentido na arquitetura e nas teorias estéticas de 1880. Os seus pensamentos</p><p>originaram um movimento que passou a questionar o papel da industrialização</p><p>no processo e no desenvolvimento do design. Nesse cenário, a arte não tinha</p><p>um caminho certo a seguir, e passou-se a questionar o prestígio dos artistas</p><p>7História do mobiliário no mundo</p><p>de épocas passadas ao executar seus trabalhos. Com isso, esse movimento</p><p>passou a mover suas ideias no campo das ciências sociais, dando origem a um</p><p>novo modelo de produção, chamado arts and crafts (Figura 9).</p><p>Figura 9. Cadeira Morris estilo arts and crafts.</p><p>Fonte: Adaptada de Gonzalo-Fernandez-Chair ([2018]).</p><p>Esse movimento pretendia mostrar aos artistas a necessidade de se manter</p><p>o lado artesanal no processo de criação das peças, cuja forma deveria ser</p><p>proveniente de sua própria expressão artística. O problema, nesse caso, eram</p><p>os altos valores das peças para o consumidor final, contrapondo a ideia base</p><p>de Morris sobre a arte das pessoas para as pessoas, pois apenas uma parcela</p><p>da população teria acesso a essa arte. Para Morris, o baixo custo da vida</p><p>humana e do trabalho eram os principais responsáveis pelo baixo custo da</p><p>produção; por outro lado, ele admitia que a arte nunca deveria ser algo barato,</p><p>pois demanda uma dedicação exclusiva e única a cada peça feita pelo artesão.</p><p>A esperança de Morris em eliminar o capitalismo pela renovação do trabalho</p><p>do artesão acabou não dando certo, mas ele se tornou uma importante fonte de</p><p>inspiração para o futuro questionamento sobre o papel das máquinas e dos bens</p><p>produzidos pela indústria. Ficou clara, a partir de então, a incompatibilidade do</p><p>trabalho artesanal com a produção industrial, conforme leciona Maia (2011).</p><p>Pretendendo solucionar essa incompatibilidade, outro movimento tomou</p><p>forma no período de 1833 a 1888. Denominado art nouveau, esse estilo, que</p><p>surgiu na Bélgica, almejava a reconciliação entre arte e indústria com novas</p><p>História do mobiliário no mundo8</p><p>ideias, sem a pretensão de voltar ao passado (Figura 10). Era clara a preocupação</p><p>com as questões humanas na transição para o século XX, principalmente na</p><p>arquitetura de edifícios e cidades. Nesse momento, surgem novos questiona-</p><p>mentos quanto ao mobiliário dessas novas edificações e aos novos mobiliários</p><p>urbanos, sob o aspecto do movimento higienista, ainda conforme Maia (2011).</p><p>Figura 10. Cadeira estilo art nouveau.</p><p>Fonte: Adaptada de Kimerly (1912).</p><p>É chamado movimento higienista a tentativa de arquitetos e urbanistas modernos</p><p>em solucionar os problemas de salubridade decorrentes da Revolução Industrial.</p><p>Com o aumento da população, as cidades foram cada vez mais sendo abarrotadas</p><p>de pessoas, e questões relacionadas à moradia e, principalmente, à higiene foram</p><p>pauta de diversos questionamentos. Hoje em dia, esse movimento é questionado pela</p><p>artificialidade de seus processos e sua visão pouco humanista em relação à escala das</p><p>cidades e a seus moradores.</p><p>Inspirado na arte ocidental durante a Primeira Guerra Mundial, temos</p><p>outro importante movimento que teve origem na França, denominado art</p><p>decó (Figura 11). Este não se tratava de um estilo de design destinado ao povo,</p><p>pois era voltado à sociedade parisiense, sem a menor intenção de se tornar</p><p>um estilo banalizado e destinado à grande massa, por conta de seu design</p><p>arrojado e diferenciado.</p><p>9História do mobiliário no mundo</p><p>O art decó sofreu influências artísticas do movimento cubista, baseado em</p><p>formas naturais simples, como o cilindro, o cone e a esfera, foi impulsionado</p><p>pela abstração e pelo movimento futurista, que abraçava a tecnologia e o</p><p>conceito de velocidade, e teve inspiração no movimento construtivista, aliando</p><p>arte ao trabalho, com um design socialmente útil a todos os grupos sociais,</p><p>isento de ambiguidades e ornamentos. Esse estilo trazia um design geométrico,</p><p>com extrema expressividade, conforme aponta Maia (2011).</p><p>Figura 11. Cadeira estilo art decó.</p><p>Fonte: Fotosoroka/Shutterstock.com.</p><p>Os estilos artísticos e estéticos do passado</p><p>aplicados ao design contemporâneo</p><p>O grande marco do desenvolvimento do design aconteceu em 1919, com a cria-</p><p>ção da Escola de Artes Aplicadas Bauhaus (1919–1933). Não era exatamente</p><p>um movimento artístico, mas reunia propostas de construção e planejamento</p><p>de peças com produção artística e industrial, conforme leciona Maia (2011).</p><p>A Bauhaus foi a primeira e mais importante escola de design, artes plásti-</p><p>cas e arquitetura, considerada muito à frente de sua época. Foi fundada pelo</p><p>arquiteto Walter Gropius ao final da Primeira Guerra Mundial, a partir da</p><p>união de duas escolas da época, a de Belas Artes e a de Artes e Ofícios. Sua</p><p>História do mobiliário no mundo10</p><p>1º fase (1919–1923) se deu na cidade de Weimar, na Alemanha; o objetivo era</p><p>tornar a Bauhaus uma instituição educacional para atender ao comércio e à</p><p>indústria e exercer influência no design mundial.</p><p>Na 2º fase (1923–1928), por desacordos com as autoridades nacionalistas,</p><p>a Bauhaus foi transferida para Dessau, na Alemanha, entre 1925 e 1926. Essa</p><p>fase teve como principal objetivo a aproximação da indústria e da produção em</p><p>série. Buscou-se a viabilização econômica por meio da produção em oficinas.</p><p>Nessa fase, eram desenvolvidos projetos mais complexos e diversificados.</p><p>Já na 3º fase (1929–1933), Gropius, fatigado pela pressão política do cres-</p><p>cente partido de direita, resolve sair da direção da Bauhaus para trabalhar em</p><p>Berlim como arquiteto. Com isso, o também arquiteto e chefe do departamento</p><p>de arquitetura da Bauhaus Hannes Meyer assumiu a direção. A Bauhaus então</p><p>abandonou definitivamente a ideia de uma escola de Arte; tornou-se absolu-</p><p>tamente imperiosa a ideia de um local de produção voltado à satisfação de</p><p>necessidades sociais. Essa fase é caracterizada pela desintegração da Bauhaus.</p><p>Por motivos políticos, Hannes Meyer foi substituído, em 1930, por Mies</p><p>van der Rohe.</p><p>Em consequência da derrota dos social-democratas em Dessau, em</p><p>1932, a Bauhaus viu-se forçada novamente a deixar sua sede, movendo-se</p><p>para Berlim como um instituto privado, dando continuidade ao seu traba-</p><p>lho. Porém, no ano seguinte, o partido nazista fechou de vez a escola. As</p><p>Figuras 12 a 17 mostram exemplos de cadeiras estilo Bauhaus.</p><p>Figura 12. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Wilk (1981, documento on-line).</p><p>11História do mobiliário no mundo</p><p>Figura 13. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Wilk (1981, documento on-line).</p><p>Figura 14. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Wilk (1981, documento on-line).</p><p>História do mobiliário no mundo12</p><p>Figura 15. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Bayer (1938, documento on-line).</p><p>Figura 16. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Bayer (1938, documento on-line).</p><p>Figura 17. Cadeira estilo Bauhaus.</p><p>Fonte: Bayer (1938, documento on-line).</p><p>13História do mobiliário no mundo</p><p>A ideia principal da escola era unir a arte e o artesanato com a tecnologia.</p><p>Para isso, foi utilizado o conceito de “forma segue a função” ( form follows</p><p>function), sem o aspecto da estética pela estética. A ideia era que as obras</p><p>pudessem passar uma mensagem social e comunitária, por meio do acesso</p><p>aos produtos pela grande massa e da valorização do trabalho manual, sem</p><p>impedir sua reprodução em larga escala (processo industrial).</p><p>O curso da Bauhaus era interdisciplinar; ou seja, conhecimentos de tece-</p><p>lagem, marcenaria, metalurgia, cultura, desenho, pintura, entre outros, eram</p><p>trabalhados de forma interligada, pois acreditava-se que o bom design partiria</p><p>da</p><p>produzir resinas, resultando em um plástico</p><p>muito estável, sobretudo a altas temperaturas. Trata-se de um dos acabamentos</p><p>mais usados na produção moveleira, em função da disponibilidade de padrões</p><p>e do custo menor em relação às demais películas (TESIS – TECNOLOGIA E</p><p>QUALIDADE DE SISTEMAS EM ENGENHARIA, 2014).</p><p>5Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>A melamina é um dos principais componentes do corante amarelo 150, utilizado</p><p>em plásticos e tintas. Já industrialmente, usa-se na fabricação de plásticos, adesivos,</p><p>resinas, colas, laminados, revestimentos e produtos antichama. Esse termo é usado</p><p>para se referir tanto ao nome químico como ao produto resultado a partir dela (HAU;</p><p>KWAN; LI, 2009).</p><p>Popularizado na década de 1970, com a ideia de aplicação de cores varia-</p><p>das nos mobiliários, a laca ainda é um dos acabamentos mais utilizados em</p><p>móveis de madeira. Trata-se de uma junção de resina e corantes insolúveis</p><p>à água, mas solúveis aos solventes, em geral, aplicada sobre a chapa de</p><p>MDF (por ser mais liso), podendo também ocorrer sobre a madeira maciça.</p><p>Primeiramente, deve-se lixar a peça para, depois, aplicar o primer com</p><p>pistola e fechar os poros. Por fim, escolhe-se a cor e o acabamento (brilho,</p><p>fosco ou acetinado) desejados.</p><p>A laca é a incrustação resinosa, produzida em certas árvores e resultante da secreção</p><p>de insetos, originalmente utilizada na China e Índia, no século VI a.C. Era usada para a</p><p>proteção de objetos e instrumentos musicais.</p><p>A fórmica funciona de modo similar à melamina, com uma camada impressa</p><p>no painel de madeira ou de laminado que age como protetora desse material.</p><p>Muito utilizada em mesas e cadeiras escolares, hoje está em desuso e possui</p><p>grande poder de repelir água e contra a abrasão, o que a coloca em vantagem</p><p>em relação à laca.</p><p>Apesar de serem formados por madeira, os laminados não têm as mesmas</p><p>características da sua matéria-prima. Já o processo de industrialização e</p><p>adição de produtos resinados e impermeabilizantes ajuda a repelir pragas e</p><p>aumentar a resistência à umidade (VIDAL; HORA, 2014). Em função das</p><p>chapas serem compostas de fragmentos, partículas ou fibras, há um melhor</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário6</p><p>aproveitamento das toras de árvores, o que ajuda a reduzir custos e produzir</p><p>painéis maiores (pois não dependem da dimensão dos troncos e das seções</p><p>de corte, nem sofrem com a anisotropia, considerando que as características</p><p>de cada fragmento se tornam insignificantes no contexto geral).</p><p>Quanto ao reaproveitamento de fragmentos, a espécie utilizada nos painéis</p><p>de madeira manufaturada é o pinus, oriundo de reflorestamento e que surgiu</p><p>para diminuir a devastação das florestas de madeira de lei, exploradas irre-</p><p>gularmente. Em um mundo onde as florestas diminuem exponencialmente,</p><p>o uso de painéis manufaturados pode ajudar nessa causa. Na Figura 2, você</p><p>pode ver uma floresta de pinus.</p><p>Figura 2. Floresta de pinus, madeira usada para compor os laminados (MDF, MDP, OSB,</p><p>compensado e aglomerado).</p><p>Fonte: PUGUN SJ/Shutterstock.com.</p><p>Utilização de painéis e laminados de madeira em</p><p>mobiliários</p><p>A utilização da madeira e dos seus derivados (laminados) na arquitetura é muito</p><p>variada, com pisos, painéis de revestimento, forros e mobiliário. O emprego</p><p>7Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>de cada tipo muda conforme as características pretendidas, por exemplo,</p><p>repelente à água e umidade, grandes formatos, resistência à compressão, etc.</p><p>Já a escolha do material será influenciada pela estética desejada, que reflete</p><p>as ideias da época e as condições climáticas.</p><p>Mobiliário é um termo comum para se referir aos objetos móveis utili-</p><p>zados em diversos ambientes, como cadeiras, mesas, camas ou locais para</p><p>guardar mantimentos, utensílios domésticos e ferramentas. Ele pode ter</p><p>design e decoração própria, sendo considerado uma forma de expressão e</p><p>arte na decoração de interiores. Atualmente, o mobiliário fixo compreende</p><p>as estruturas construídas juntamente às edificações ou montadas e que não</p><p>permitem mudanças de posição, como os armários sob medida (CHING;</p><p>BINGGELI, 2013).</p><p>Na história do mobiliário, seus primeiros exemplares estão no Período</p><p>Neolítico, em que o ser humano fixou residência e deixou de ser nômade,</p><p>facilitando as tarefas domésticas, porém, eles eram compostos de pedras,</p><p>predominantemente. O emprego da madeira foi intensificado durante a Idade</p><p>Média, com carvalho, aspecto mais pesado e ornamentada com desenhos</p><p>esculpidos. Com o decorrer dos anos e a força do Barroco, essas peças se</p><p>tornaram mais decoradas e receberam pinturas. A cadeira Luís XIV, por</p><p>exemplo, é simétrica, volumosa e tem excesso de ornamentos, com largura</p><p>maior que a convencional. Posteriormente, as linhas conhecidas como Luís</p><p>XV e XVI substituíram esse excesso de ornamentação para linhas um pouco</p><p>mais retas, nesses casos, a madeira maciça era esculpida e tinha aplicação de</p><p>tinturas e pó de ouro (CHING; BINGGELI, 2013).</p><p>No link a seguir, assista a um tour no Palácio de Versalhes, em que há diversos móveis</p><p>ao estilo Luís XIV, bem decorados com madeira nobre trabalhada.</p><p>https://qrgo.page.link/2AiVH</p><p>Até o início do século XIX, não houve muitas modificações quanto</p><p>ao emprego da madeira nobre maciça esculpida ou torneada quase escul-</p><p>turalmente, cujo processo era artesanal e feito por artistas. Porém, com a</p><p>Revolução Industrial, a sociedade sofreu alterações em todos os aspectos. Na</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário8</p><p>produção do mobiliário, por exemplo, a principal mudança foi no sistema de</p><p>produção, de manual e artesanal para industrial, com auxílio das máquinas.</p><p>Já o aumento populacional exigiu que a produção se tornasse mais rápida</p><p>e barata, tornando os móveis mais fáceis de serem executados. As linhas</p><p>mais retas e a introdução de novos materiais (vidro e ferro) trouxeram outras</p><p>alternativas de composição.</p><p>Somente em meados do século XX surgiu o MDF, material compósito</p><p>da madeira e que se tornou uma alternativa às seções de madeira maciça. A</p><p>primeira fabricação de um painel de MDF foi nos anos de 1960, nos Estados</p><p>Unidos; na década seguinte, ele chegou na Europa e, apenas em 1994, no</p><p>Brasil. Esse material é muito usado em mobiliários feitos sob medida, pois</p><p>permite o recorte das chapas em dimensões conforme a necessidade (TESIS</p><p>— TECNOLOGIA E QUALIDADE DE SISTEMAS EM ENGENHARIA,</p><p>2014). Veja um exemplo de móveis sob medida, em MDF melamínico, na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Cozinha com móveis sob medida, executados em MDF melamínico.</p><p>Fonte: Africa Studio/Shutterstock.com.</p><p>O MDF possui acabamento cru, originalmente, aceita pintura e, com a</p><p>aplicação de uma resina à prensa, se tornou o material mais utilizado nos</p><p>projetos. Essa camada, chamada de melamina, tem acabamento liso, com</p><p>9Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>textura e aparência madeirada. A aplicação ocorre industrialmente, incluindo o</p><p>corte e a colagem das fitas laterais, o que permite uma fabricação mais rápida</p><p>e padronizada. Esse material não exige tratamento ou cuidado posterior; já</p><p>a lâmina de madeira, um acabamento natural que pode ser aplicado sobre o</p><p>MDF, precisa de uma proteção, como a aplicação de vernizes.</p><p>As peças de design possuem formas de produção variada. Além da ma-</p><p>deira maciça, como a cadeira Zig Zag, projetada por Gerrit Rietveld, em</p><p>1934, há a utilização da madeira laminada, principalmente em peças com</p><p>curvas. A poltrona Charles Eames, por exemplo, tinha sua estrutura em</p><p>madeira compensada moldada. Tais inovações no campo do mobiliário,</p><p>propostas pelo casal Charles e Ray, foram possíveis em função da parceria</p><p>com a rede de móveis Herman Miller (STUNGO, 2000). Na Figura 4, você</p><p>pode ver essas duas peças.</p><p>Figura 4. Peças de design. a) Cadeira Zig Zag. b) Poltrona Eames.</p><p>Fonte: a) Piet... (2016, documento on-line); b) Keller (2017, documento on-line).</p><p>Durante o Movimento Moderno, o uso de revestimento</p><p>amadeirado nas</p><p>paredes era frequente. No Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, por</p><p>exemplo, projetos do arquiteto Oscar Niemeyer em Brasília, parte de suas</p><p>paredes são cobertas por painéis de madeira nobre, um símbolo da riqueza</p><p>brasileira.</p><p>Em função da dimensão de peças maiores que a madeira maciça, outra</p><p>utilização dos painéis laminados é a divisória móvel. Criado no Movimento</p><p>Moderno para que houvesse a flexibilidade dos espaços da planta livre, o</p><p>painel móvel pode ser opaco, vazado, com ripados, laminado etc. No conceito</p><p>de mobiliário, como movível, esses painéis se encaixam muito bem, tanto pela</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário10</p><p>possibilidade de trocarem de posição como pela multiplicidade de espaços</p><p>que a movimentação gera (VILARINHO; CAMPOS, 2011), conforme você</p><p>pode observar na Figura 5.</p><p>Figura 5. Painéis deslizantes em MDF melamínico, que separam a sala de estar do escritório.</p><p>Fonte: AP Moinhos... (2018, documento on-line).</p><p>Vidros e acrílicos</p><p>O vidro é um material muito versátil, que pode ser empregado em vários pontos</p><p>da arquitetura, seja no piso, guarda-corpo, cobertura, revestimento e mobiliário.</p><p>Já a arquitetura tem a função de abrigar o ser humano das adversidades do</p><p>tempo, proporcionar proteção e conforto, bem como permitir a entrada de luz.</p><p>11Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>Segundo Mariacher (1992), o vidro foi realizado pela queima acidental da areia</p><p>pelos fenícios, em 3 mil a.C., os quais, por terem sido grandes navegadores,</p><p>difundiram essa descoberta rapidamente. Inicialmente utilizado apenas como</p><p>efeito decorativo e para criar pequenos ornamentos (p. ex., vasos, copos e</p><p>jarras), ele foi aprimorado, usado em larga escala e começou a exercer a função</p><p>de espelho e vitral. Esses usos foram descobertos por diferentes civilizações</p><p>que entraram em contato com o material.</p><p>A Era Gótica teve grande contribuição para o desenvolvimento do vidro na</p><p>arquitetura, por exemplo, os arcos permitiram a aplicação dos vidros coloridos,</p><p>a entrada de luz e transmitiram mensagens bíblicas por meio dos desenhos em</p><p>vitrais. Já no Renascimento, o material se tornou mais resistente e usual. No</p><p>século XX, a ideia da transparência, reflexão, translucidez e opacidade, bem</p><p>como a melhoria da qualidade fizeram o vidro evoluir juntamente à construção</p><p>civil. Ele se transformou na membrana de contato com o ambiente, a fonte de</p><p>iluminação natural que faz as trocas térmicas. Atualmente, ele também tem</p><p>papel estrutural e/ou acústico, é produzido em grandes formatos e resiste às</p><p>fortes intempéries (MARIACHER, 1992).</p><p>Na área do mobiliário, o vidro surge como revestimento e atua juntamente</p><p>aos laminados e madeira, por exemplo, painéis e divisórias, móveis ou fixos,</p><p>ou móveis que precisam de transparência ou luz no interior. Veja, a seguir,</p><p>alguns tipos de vidro (BERGAMO; MOTTER, 2014).</p><p>� Vidro float: é o comum, liso, transparente e a matéria-prima que origina</p><p>os temperados, laminados, insulados, serigrafados (com aplicação de</p><p>adesivo com coloração) e espelhos. Sua composição inclui sílica, sódio,</p><p>cálcio, magnésio, potássio e alumina. No Brasil, ele é produzido com</p><p>espessuras que variam de 3 a 19 mm.</p><p>� Vidro temperado: é considerado de segurança e submetido a um tra-</p><p>tamento que introduz tensões adequadas, assim, se for danificado em</p><p>qualquer ponto, ele se transforma em pequenos pedaços menos cortantes.</p><p>� Vidro laminado: é avaliado como de segurança e manufaturado com duas</p><p>ou mais chapas de vidro firmemente unidas e alternadas com uma ou</p><p>mais películas de material aderente. Assim, se quebrar, ele permanece</p><p>com os estilhaços colados nessa película.</p><p>� Vidro duplo ou insulado: é formado por duas ou mais chapas de vidro,</p><p>paralelas, com uma camada de ar ou gás entre elas. Finalizando, nas</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário12</p><p>bordas, há um sistema de selagem que une esse sistema, o que agrega</p><p>potencial acústico e térmico a esse tipo.</p><p>� Vidro aramado: é formado por uma chapa de vidro que contém fios</p><p>metálicos incorporados à sua massa durante a fabricação. A tendência é</p><p>que, quando for quebrado, seus estilhaços permaneçam presos aos fios.</p><p>� Vidro térmico absorvente: é um produto recente, comparado aos de-</p><p>mais, que tem a capacidade de absorver, no mínimo, 20% dos raios</p><p>infravermelhos, reduzindo o calor que entra na edificação.</p><p>Como revestimento, o vidro está na versão f loat, incolor, serigrafado</p><p>ou espelho. Em algumas situações, o transparente é usado para proteger</p><p>móveis contra riscos e problemas na pintura ou sobre lâminas em frente ao</p><p>mobiliário. Em geral, utiliza-se o serigrafado na cozinha, pela facilidade</p><p>de limpeza; o incolor, a fim de mostrar o conteúdo interno, como em cris-</p><p>taleiras; ou o espelho, usualmente empregado na porta de armários nos</p><p>dormitórios e closets.</p><p>Você sabe como são feitos os espelhos? Assista ao vídeo no link a seguir e entenda</p><p>o processo.</p><p>https://qrgo.page.link/FNKaW</p><p>As divisórias móveis são outra forma de empregar o vidro, juntamente ao</p><p>quadro em laminado, madeira ou perfil de alumínio, ele se torna um elemento</p><p>de separação das salas, com permeabilidade visual e, se for necessário, de</p><p>fácil remoção para reintegrar os espaços. Esse tipo de mobiliário é muito</p><p>usado em ambientes comerciais, que exigem uma flexibilidade maior em</p><p>função da diversidade de usos e pessoas, além da rápida execução em relação</p><p>às paredes drywall ou em alvenaria (VILARINHO; CAMPOS, 2011). Veja</p><p>na Figura 6 um exemplo de divisória de vidro translúcido e caixilho em</p><p>lâmina de madeira.</p><p>13Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>Figura 6. Divisória de vidro translúcido e caixilho em lâmina de madeira, separando os</p><p>espaços.</p><p>Fonte: ImageFlow/Shutterstock.com.</p><p>Versátil e contemporâneo, o acrílico é frequentemente utilizado na produção</p><p>de mobiliário e possui fácil moldagem e uma gama variada de cores. Ele é</p><p>50% mais leve do que o vidro, embora seja mais resistente (este tem maiores</p><p>limitações em função dos danos causados, caso quebre), e tem valor médio,</p><p>por quilo, de R$ 22,00, o que se assemelha aos outros materiais usados na</p><p>fabricação de móveis. Outras particularidades são que pequenos riscos, encar-</p><p>didos e manchas superficiais podem ser removidos ao se aplicar os polidores.</p><p>Contudo, algumas preocupações devem consideradas na escolha: as chapas</p><p>acrílicas transparentes suportam até 10 anos no sol, sem amarelamento; as</p><p>coloridas podem desbotar no sol intenso; e as recicladas não são recomendadas</p><p>para uso externo (MAGALHÃES, 2017, documento on-line).</p><p>No Brasil, a maior parte da produção desse material é com chapas extrusadas</p><p>e recicladas. O recorte pode ser feito com serra circular ou de fita, utilizadas</p><p>para madeira, mas recomenda-se usar a serra circular específica, própria</p><p>para acrílico. Outra opção inclui equipamentos de corte a laser, nos quais as</p><p>bordas ficam lisas, sem precisar de lixamento e polimento. Diferentemente</p><p>da madeira, as chapas acrílicas são materiais termoplásticos e facilmente</p><p>moldadas com aquecimento em fornos, na temperatura em torno de 160ºC</p><p>para atingir o formato pretendido.</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário14</p><p>Muitos móveis são feitos em acrílico, como mesas laterais, bancos e ca-</p><p>deiras. Inclusive, uma das cadeiras mais famosas, a Luís XV, originalmente</p><p>produzida em madeira esculpida, foi relançada em acrílico, com o nome Louis</p><p>Ghost (fantasma, em português), conforme você pode ver na Figura 7.</p><p>Figura 7. Cadeira Louis Ghost, inspirada na cadeira Luís XV, feita em madeira.</p><p>Fonte: Senna (2012, documento on-line).</p><p>A utilização da madeira na composição de mobiliário é uma prática muito</p><p>antiga, a qual foi aperfeiçoada no decorrer dos anos. Devido à Revolução</p><p>Industrial, à crescente demanda, ao desmatamento e à extração irregular das</p><p>árvores, surgiram os laminados, sendo possível usar árvores de refloresta-</p><p>mento e crescimento mais rápido,</p><p>bem como gerar painéis de boa densidade,</p><p>resistência, durabilidade e acabamentos variados.</p><p>15Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>A escolha do material varia de acordo com a necessidade estética, o tipo de</p><p>acabamento, a umidade do ambiente e as dimensões. Já o acabamento que o</p><p>painel recebe pode ser em pintura esmalte, laca, melamina, fórmica ou vidro,</p><p>por exemplo. A industrialização desse processo trouxe novos materiais, como</p><p>o acrílico, mais resistente e leve do que o vidro, permitindo várias modelagens.</p><p>Portanto, as possibilidades são variadas na escolha do material para mobiliário,</p><p>e você deve listar as características desejadas e buscar o que mais se encaixa</p><p>nesses quesitos.</p><p>AP MOINHOS 01. América Arquitetura. Porto Alegre, 2018. Disponível em: https://www.</p><p>americaarquitetura.com.br/ap-moinhos-01. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>BARROS FILHO, R. M. Painéis de madeiras reconstituídas. Belo Horizonte: INAP, 2014.</p><p>57 p. (Notas de aula).</p><p>BERGAMO, A. P. R. H.; MOTTER, C. B. A Origem do Vidro e seu uso na Arquitetura. In:</p><p>ENCONTRO CIENTÍFICO CULTURAL INTERINSTITUCIONAL, 12., 2014, Cascavel. Anais […].</p><p>Cascavel: Centro Universitário Fundação Assis Gurgacz, 2014. Disponível em: https://</p><p>www.fag.edu.br/upload/ecci/anais/55952eb6a5b8d.pdf. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>CHING, F. D. K. Técnicas de construção ilustradas. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017. 480 p.</p><p>CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Book-</p><p>man, 2013. 376 p.</p><p>GALINA, I. C. M. et al. Instalação de pisos de madeira: curso técnico. Piracicaba: Pimads,</p><p>2013. 48 p. Disponível em: https://pimads.org/documentos/Apostila%20-%20Basico%20</p><p>de%20Madeiras%20e%20Instalacao%20de%20Pisos._1310201515951.pdf. Acesso em:</p><p>24 out. 2019.</p><p>GONZAGA, A. L. Madeira: uso e conservação. Brasília: Iphan/Monumenta, 2006. 246 p.</p><p>(Cadernos Técnicos, 6). Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/</p><p>CadTec6_MadeiraUsoEConservacao.pdf. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>HAU, A. K.; KWAN, T. H.; LI, P. K. Melamine toxicity and the kidney. Journal of the American</p><p>Society of Nephrology, Baltimore, v. 20, n. 2, p. 245–250, Feb. 2009. Disponível em: https://</p><p>jasn.asnjournals.org/content/20/2/245.long. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>KELLER, H. You May Be Able to Buy an Eames Lounge at Costco. Architectural Design,</p><p>New York, 1 May 2017. Disponível em: https://www.architecturaldigest.com/story/</p><p>costco-is-selling-eames-lounge-chair. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário16</p><p>MAGALHÃES, J. O Potencial do Acrílico para o mobiliário. Instituto Nacional para o</p><p>Desenvolvimento do Acrílico, São Paulo, 17 jan. 2017. Disponível em: https://www.indac.</p><p>org.br/o-potencial-do-acrilico-para-o-mobiliario/. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>MARIACHER, G. O vidro. São Paulo, Martins Fontes, 1992. 156 p. (Os estilos na arte).</p><p>PIET Mondrian e o movimento De Stijl. Armazém da Decoração, Goiânia, 5. abr. 2016.</p><p>Disponível em: https://www.azdecor.com.br/2016/04/piet-mondrian-e-o-movimento-</p><p>-de-stijl/. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>SENNA, C. Celebre os 10 anos da poltrona Louis Ghost. Casa e Jardim, São Paulo, 20 jul. 2012.</p><p>Disponível em: http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI313571-</p><p>18516,00-CELEBRE+OS+ANOS+DA+POLTRONA+LOUIS+GHOST.html. Acesso em: 24</p><p>out. 2019.</p><p>STUNGO, N. Eames: Charles e Ray. São Paulo: Cosac & Naify, 2000. 80 p. (Série Carlton).</p><p>TESIS – Tecnologia e Qualidade de Sistemas em Engenharia. Programa setorial da qua-</p><p>lidade de painéis de partículas de madeira (MDP) e painéis de fibra de madeira (MDF). São</p><p>Paulo: Tesis, 2014. 23 p. (Relatório Setorial; 8). Disponível em: http://pbqp-h.cidades.gov.</p><p>br/download.php?doc=26f28446-4439-4848-9113-5b341c2076d8&ext=.pdf&cd=3076.</p><p>Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>VIDAL, A. C. F.; HORA, A. B. Panorama de mercado: painéis de madeira. BNDES Setorial,</p><p>n. 40, p. 323–384, set. 2014. Disponível em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/han-</p><p>dle/1408/3023. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>VILARINHO, C.; CAMPOS, C. Potencialidades das divisórias leves e móveis para a fle-</p><p>xibilização do espaço. In: LOURENÇO, P. B. et al. Paredes divisórias: passado, presente e</p><p>futuro. Minho: Universidade do Minho, 2011. p. 129–140. Disponível em: http://www.</p><p>hms.civil.uminho.pt/events/paredes2011/129_140.pdf. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>17Painéis e laminados de madeira e revestimentos para mobiliário</p><p>TEORIA E</p><p>PRÁTICA DA COR</p><p>Derli Kraemer</p><p>Influência das</p><p>cores nas artes</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer o histórico da cor no campo das artes.</p><p>� Identificar os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes.</p><p>� Aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo das artes.</p><p>Introdução</p><p>As cores sempre estiveram presentes. No começo da história do homem,</p><p>as cores faziam parte mais das necessidades psicológicas do que das</p><p>estéticas, como, por exemplo, na história dos egípcios, que sentiam na</p><p>cor um profundo sentido psicológico, tendo cada cor uma simbologia.</p><p>Nas artes, Vincent van Gogh (1853-1890) conferiu às suas pinturas sensa-</p><p>ções cromáticas que traduzem intensas cargas emotivas e psicológicas.</p><p>Também foi no século XIX que houve um interesse maior em estudar</p><p>cientificamente a cor, com a participação de filósofos e escritores.</p><p>Neste capítulo, você vai conhecer o histórico da cor no campo das</p><p>artes, identificando os aspectos conceituais e simbólicos da cor nas artes</p><p>e vendo como aplicar as composições cromáticas utilizadas no campo</p><p>das artes.</p><p>Histórico da cor no campo das artes</p><p>Entre as possibilidades de ferramentas para a expressão artística, a cor está pre-</p><p>sente desde a Pré-História, nas pinturas rupestres, como a mostrada na Figura</p><p>1, encontrada no nordeste brasileiro. Com muita criatividade, os hominídeos</p><p>criaram cores a partir de diversos materiais, como carvão e ossos queimados</p><p>para obter o preto; óxido de ferro, cera de abelha e substâncias líquidas como</p><p>clara de ovo para obter o amarelo; sangue e argila para obter o vermelho; cálcio,</p><p>giz e outras substâncias para obter o branco. Sua arte representava o cotidiano,</p><p>com cenas de caça e pessoas, e também tinha características religiosas.</p><p>Leitores do material impresso, para visualizar as figuras</p><p>deste capítulo em cores, acessem o link ou o código</p><p>QR a seguir.</p><p>https://goo.gl/ogk12E</p><p>Figura 1. Pintura rupestre encontrada no nordeste do Brasil.</p><p>Fonte: Arte Brasileira UTFPR (2012, documento on-line).</p><p>Influência das cores nas artes84</p><p>Durante toda a história humana, as cores estiveram presentes nas artes. A</p><p>técnica e a tecnologia foram aprimoradas, acompanhando sua própria época;</p><p>por exemplo, as cores estavam presentes em brasões e bandeiras. Expressões</p><p>representadas por cores, que dependendo da cultura são diferentes, simbolizam</p><p>religiosidade, paz, guerra, luto e outras situações.</p><p>Segundo Fraser e Banks (2007), na Idade Média, os artistas, sobretudo</p><p>europeus, tinham ao seu dispor uma grande quantidade de pigmentos diferen-</p><p>tes, extraídos de plantas e minerais, assim como pigmentos manufaturados. O</p><p>vermelho, que inicialmente era extraído de insetos, também podia ser extraído</p><p>do enxofre e do mercúrio (altamente tóxicos). Tais pigmentos eram difíceis para</p><p>aplicar, pois alguns reagiam quimicamente com outros, causando efeitos adversos.</p><p>O pintor italiano Cennino Cennini (1370-1440) escreveu sobre os pigmentos</p><p>em um trabalho bastante detalhado, que incluía receitas químicas para a ma-</p><p>nufatura de pigmentos especiais. Seu trabalho explicou regras de proporção,</p><p>perspectiva e cores. Durante o Renascimento, as técnicas antigas foram modifi-</p><p>cadas pela presença das tintas a óleo. Algumas cores nem são mais fabricadas,</p><p>como o ultramarino, que é um azul extremamente escuro, sendo diluído com</p><p>pigmento branco para sua utilização. Acompanhe exemplos nas Figuras 2 e 3.</p><p>Figura 2. Madona Cigana, de Ticiano, 1512.</p><p>Fonte: Dias (2018, documento on-line).</p><p>85Influência</p><p>das cores nas artes</p><p>Figura 3. Madonna Benois, de Leonardo Da Vinci, 1478.</p><p>Fonte: Virgem Benois (2017, documento on-line).</p><p>Observe que na pintura de Ticiano temos uma paleta mais expansiva,</p><p>enquanto na pintura de Da Vinci temos um efeito extremamente rico, com</p><p>uma paleta de cores estreita e não saturada.</p><p>Influência das cores nas artes86</p><p>Já Piero Della Francesca (1416-1492) utiliza a pintura como suporte para</p><p>a construção geométrica da imagem. Na pintura Ressurreição de Jesus, de</p><p>1450, pode-se observar a disposição piramidal da obra, na qual o ponto mais</p><p>alto é justamente a cabeça de Jesus. Observe as cores com ênfase nas cores</p><p>mais suaves e luminosas para representar o Cristo (Figura 4).</p><p>Figura 4. A Ressureição de Jesus, de Piero Della Francesca, 1450.</p><p>Fonte: Della Francesca (2018, documento on-line).</p><p>Caravaggio (1573-1610) já é um artista que não se interessou pela estética</p><p>do Renascimento, buscando modelos entre músicos e pessoas comuns, do</p><p>povo. Não havia, para Caravaggio, beleza apenas na aristocracia. Com grande</p><p>conhecimento sobre a perspectiva e os efeitos de luz e sombra, o artista explorou</p><p>espaços amplos em suas obras.</p><p>87Influência das cores nas artes</p><p>Figura 5. O tocador de alaúde, de Caravaggio, 1596.</p><p>Fonte: Dias (2013, documento on-line).</p><p>É muito difícil falar sobre o histórico da cor nas artes sem falar de Vincent</p><p>Van Gogh. Segundo Proença (2014):</p><p>[...] conhecer Vincent Van Gogh é entrar em contato com um artista apai-</p><p>xonante. Alguém que se empenhou profundamente em recriar a beleza dos</p><p>seres humanos e da natureza por meio da cor, que para ele era o elemento</p><p>fundamental da pintura.</p><p>Em 1888, Van Gogh libertou-se do naturalismo no emprego das cores.</p><p>Passou a colorir como sentia e percebia os assuntos de maneira arbitrária.</p><p>Tinha paixão por cores intensas.</p><p>Influência das cores nas artes88</p><p>Figura 6. Jardim de Maraíchers, de Van Gogh, 1888.</p><p>Fonte: Beaux-Arts (2012, documento on-line).</p><p>Nas próprias palavras do artista, citadas por Proença (2014):</p><p>[...] agora nós temos aqui um glorioso e forte calor sem vento, o que é bom para</p><p>o meu trabalho. Um sol, uma luz, que por falta de nome melhor, eu chamo de</p><p>amarelo, amarelo-limão-claro, limão-claro-ouro. Como é bonito o amarelo!</p><p>(Extraído de Tout l’ouvre peintde Van Gogh, Paris. Flammarion, 1971. V.2,</p><p>p. 126. Les classiques de l’art Flammarion.).</p><p>Em sua última fase, após sair de uma profunda crise nervosa e internação,</p><p>instalou-se em Anvers, uma pequena cidade ao norte da França, e, em um</p><p>período de três meses, pintou aproximadamente 80 telas, com pinceladas cada</p><p>vez mais visíveis e cores intensas como suas emoções. Em julho de 1890,</p><p>suicidou-se, deixando 879 pinturas. Foi reconhecido, apenas após sua morte,</p><p>como o pintor que deu os primeiros passos no que seria a arte moderna. Como</p><p>diz Proença (2014), morreu sem que fosse compreendido o seu esforço para</p><p>libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão de cores.</p><p>Mas a cor não é uma exclusividade da pintura. Observe a Figura 7, um</p><p>exemplo do uso da cor arquitetura e no design de interiores. A casa Tassel,</p><p>de 1893, é uma edificação do arquiteto Victor Horta, que fica em Bruxelas.</p><p>A casa foi projetada completamente estilo Art Noveau, com muitos detalhes</p><p>em ferro e vidro uso abundante de formas orgânicas.</p><p>89Influência das cores nas artes</p><p>Figura 7. A Casa Tassel, de Victor Horta, 1893.</p><p>Fonte: Bastos (2017, documento on-line).</p><p>Na Figura 8, você pode ver a obra Harmonia em vermelho, de Henri Matisse,</p><p>pintor francês que participou dos movimentos Expressionista e Pós-impres-</p><p>sionista e foi o expoente máximo do Fauvismo. Nessa obra, o artista fez uma</p><p>combinação de cor tríade, usando na maior parte o vermelho, complementando</p><p>com o amarelo e o azul.</p><p>Influência das cores nas artes90</p><p>Figura 8. Harmonia em vermelho, de Matisse, 1908.</p><p>Fonte: Pacheco (2017, documento on-line).</p><p>O Fauvismo tem algumas características marcantes, como a aplicação de</p><p>cores vivas e puras, com pinceladas justapostas e irregulares. As formas são</p><p>reproduzidas de maneira simplificada, sem preocupação com a forma exata.</p><p>Há também uma ruptura com o rigor da anatomia, resultando em algo mais</p><p>espontâneo. A emoção do artista é mais relevante, sendo a impressão sobre</p><p>a natureza mais importante do que a forma perfeita. Há uma perspectiva</p><p>exagerada, por vezes.</p><p>Segundo Müller (1976), o crítico de arte Camille Mouclar, do jornal Le</p><p>Figaro, disse certa vez que, nas obras fauvistas, parecia que tinham jogaram</p><p>uma lata de tinta no rosto do público. Sendo um movimento vanguardista do</p><p>século XX, o Fauvismo gerou comentários pela novidade. Os artistas que</p><p>compuseram esse movimento eram conhecidos pelo uso da cor, que, na arte</p><p>medieval, era usada principalmente para detalhar e trazer mais realidade para</p><p>a forma, enquanto os fauves buscavam um equilíbrio estético, independente</p><p>da busca que os acadêmicos estavam acostumados.</p><p>91Influência das cores nas artes</p><p>Nos primeiros anos do século XX, havia muita incerteza sobre o futuro,</p><p>com o avanço tecnológico e econômico em largos saltos. Apesar de Matisse</p><p>declarar sua busca por “paz e serenidade” (CHIPP, 1999), as telas dos fauvistas</p><p>causaram grande impacto. Segundo Janson e Janson (2009), os principais</p><p>representantes desse movimento foram Henri Matisse, André Derain, Maurice</p><p>Vlaminck e Raoul Dufy.</p><p>As cores falam. Transmitem uma mensagem que é emoldurada pela forma. Por meio</p><p>da cor podemos despertar memórias, influenciar comportamentos diversos. Existem</p><p>cores que são, por exemplo, sagradas em diversas culturas. Segundo Heller (2013), o</p><p>amarelo é divino para os chineses, já o verde é sagrado para os islâmicos. O azul é a</p><p>cor da pele dos deuses indianos, para justamente diferenciar dos mortais. Ao escolher</p><p>uma cor para uma peça, é necessário ter responsabilidade para com a cultura em</p><p>que está inserida.</p><p>Aspectos conceituais e simbólicos da cor nas</p><p>artes</p><p>Segundo Fernand Léger (1989, p. 93):</p><p>A cor é uma necessidade vital. É uma matéria-prima indispensável à vida,</p><p>como a água e o fogo. Não é possível conceber a existência dos homens sem</p><p>um ambiente colorido. As plantas, os animais se colorem naturalmente; o</p><p>homem se veste com cores. Sua ação não é só decorativa, é psicológica.</p><p>Ligada à luz, ela se torna intensidade, se torna necessidade social e humana.</p><p>O sentimento de alegria, de emulação, de força, de ação se acha fortalecido,</p><p>ampliado pela cor.</p><p>Nessa citação, o autor identifica a cor como um elemento vital indispensável</p><p>à própria vida. Por meio da cor é possível demonstrar além da forma. Nas</p><p>artes, a cor é, sobretudo, sentimento, como preconizou Van Gogh.</p><p>Influência das cores nas artes92</p><p>Harmonia e contraste</p><p>Segundo Fraser e Banks (2007), harmonia de cores é o efeito obtido por uma</p><p>cor cuja tonalidade muda, controlada pela variação da saturação e luminosi-</p><p>dade. Esse controle é obtido por meio da adição de branco ou preto. O objetivo</p><p>pode ser a ênfase de um elemento específico. Veja um exemplo de harmonia</p><p>na Figura 9.</p><p>Figura 9. Escala harmônica do vermelho.</p><p>Existem várias formas de se utilizar a harmonia. Por exemplo, a saturação</p><p>é quando há soma de uma única cor às demais. Já a harmonia monocromática</p><p>utiliza-se de um matiz e de sua variação de luminosidade.</p><p>O contraste ou, a harmonia complementar, ocorre ao observarmos o</p><p>círculo cromático, escolhendo uma cor e seguindo na direção oposta para</p><p>encontrar a cor complementar — a cor que está do outro lado do disco cro-</p><p>mático. A isso chama-se díade de complementares.</p><p>E também há a harmonia triádica: três cores que se ligam por um tri-</p><p>ângulo equilátero imaginário, inserido no círculo cromático. A harmonia</p><p>quadrática é formada por tétrades, que definem um quadrado formado pela</p><p>união de duas díades perpendiculares entre si. E apenas para complementar:</p><p>as cores se análogas têm uma sequência de cores adjacentes. A Figura 10</p><p>ilustra esses exemplos.</p><p>93Influência das cores nas artes</p><p>Figura 10. Exemplos de círculos cromáticos.</p><p>Fonte:</p><p>Bastos (2017, documento on-line).</p><p>Concluímos então que as cores harmônicas não disputam a atenção do</p><p>observador, enquanto o esquema contrastante deve ser testado com esmero,</p><p>pois essas cores tendem a competir pela atenção.</p><p>Essa competição, metodicamente escolhida por pintores como Van Gogh,</p><p>tem uma ligação tanto com as descobertas iniciais de Isaac Newton quanto</p><p>com os primeiros passos para o estudo da psicologia das cores de Johann</p><p>Wolfgang von Goethe. Sir Isaac Newton explicou, no século XVII, com o uso</p><p>de um prisma, como a luz branca é separada em diferentes cores, enquanto,</p><p>em 1810, Goethe publicou seu trabalho A Teoria das Cores, no qual discorda</p><p>de Newton sobre a divisão do espectro, pela visão da ciência de dividir algo</p><p>para estudá-lo, pois achava que isso era nocivo, pois rompendo em pedaços,</p><p>acabava-se o sentido da unidade. Sob este olhar, Goethe abordou o tema da</p><p>cor por um olhar mais humano.</p><p>Esse estudo, aprofundado por Heller (2013), explica as sensações que</p><p>as cores transmitem, podendo ser usadas também de forma absolutamente</p><p>consciente na criação de peças, tanto quanto um artista pode escolhe-las de</p><p>Influência das cores nas artes94</p><p>acordo com sua vontade criativa. No caso do uso consciente, artistas, diretores</p><p>de arte em agências de publicidade, designers gráficos, designers de produto,</p><p>designers de interiores e outros especialistas podem usar esse conhecimento</p><p>para obter melhores resultados em seus trabalhos. Acompanhe o Quadro 1.</p><p>Fonte: Adaptado de Heller (2013).</p><p>Azul Frio e passivo, tranquilo e confiável. Azul está para virtudes</p><p>intelectuais como o seu oposto, o vermelho, está para paixão.</p><p>Vermelho Quente, próximo, atraente e sensível.</p><p>Amarelo Lúdico com laranja e vermelho, amável com azul e rosa.</p><p>Combinado ao cinza e ao preto, atua negativamente. Lembra</p><p>inveja e ciúme.</p><p>Verde Tranquilizador ao lado do azul e do branco. Esperança com</p><p>azul e amarelo. Salutar ao lado do vermelho. Venenoso ao</p><p>lado do violeta.</p><p>Branco Ideal e nobre com ouro e azul. Objetivo com cinza. Leve com</p><p>amarelo. Delicado com o rosa.</p><p>Preto Ríspido e duro com cinza e azul. Elegante ao lado do prata e</p><p>do branco, poderoso acompanhado de ouro e vermelho.</p><p>Rosa Terno e feminino com vermelho, infantil com amarelo e</p><p>branco, doce e barato com laranja.</p><p>Laranja Divertido com amarelo e vermelho. Com dourado, prazer.</p><p>Com violeta, intruso. Com verde e marrom, aromático.</p><p>Marrom Aconchegante com cores ensolaradas e luminosas. Fora</p><p>de moda com todas as cores inexpressivas. Careta e</p><p>insuportável com cinza e cor de rosa. Com branco, efeito</p><p>não erótico. Com verde e violeta, efeito acre e intragável.</p><p>Quadro 1. Cores comumente citadas como relacionadas a conceitos</p><p>Essa tabela é mínima, na verdade. Uma pequena amostra de um estudo</p><p>maior sobre a influência das cores em outras atividades, para demonstrar que</p><p>as cores estão presentes e são essenciais para as artes.</p><p>95Influência das cores nas artes</p><p>1. As cores por si só, usadas de forma</p><p>uniforme, seriam limitadas, porém</p><p>elas podem ser combinadas,</p><p>aumentando suas variações.</p><p>Qual é a classificação dessas</p><p>combinações de cores nas</p><p>composições de ambientes?</p><p>a) Primárias e secundárias.</p><p>b) Harmônicas e contrastantes.</p><p>c) Opostas e semelhantes.</p><p>d) Consonantes e dissonantes.</p><p>e) Terciárias e opostas.</p><p>2. Henri Matisse foi o expoente</p><p>máximo do movimento artístico</p><p>que floresceu na França entre 1901 e</p><p>1908. O trabalho de Henri Matisse foi</p><p>influenciado por qual estilo artístico?</p><p>a) Fauvismo.</p><p>b) Modernismo tardio.</p><p>c) Renascimento.</p><p>d) Pop Arte americana</p><p>e) Regionalismo.</p><p>3. Há 40 mil anos foram criados</p><p>os primeiros pigmentos, que</p><p>combinavam carvão queimado,</p><p>gordura animal e solo, assim os</p><p>artistas criaram uma paleta básica</p><p>de quatro cores, quais são elas?</p><p>a) Amarelo, vermelho,</p><p>preto e branco.</p><p>b) Amarelo, vermelho,</p><p>roxo e branco.</p><p>c) Vermelho, preto, verde e branco.</p><p>d) Azul, vermelho, preto e branco.</p><p>e) Amarelo, vermelho, azul e branco.</p><p>4. A oposição entre luz e sombra</p><p>se desenvolve entre dois polos:</p><p>preto e branco. O contraste entre</p><p>as cores dos corpos e do cenário</p><p>substitui as linhas de contorno na</p><p>pintura. Essa utilização de luz e</p><p>sombras ficou conhecida como?</p><p>a) Chiaroscuro (claro-</p><p>escuro em italiano).</p><p>b) Oposição de cores.</p><p>c) Cor pigmento.</p><p>d) Cores frias e quentes.</p><p>e) Luz e cor.</p><p>5. Harmonia cromática é o resultado</p><p>do equilíbrio entre cor dominante</p><p>(que possui a maior extensão na</p><p>composição), cor tônica (coloração</p><p>vibrante que dá tom ao conjunto) e</p><p>cor intermediária (meio termo entre</p><p>a dominante e a tônica). Com base</p><p>no estudo de harmonias, podemos</p><p>dizer que a imagem a baixo é uma:</p><p>Fonte: Pierre-Auguste Renoir (documento on-</p><p>-line, 2012).</p><p>a) harmonia monocromática.</p><p>b) harmonia complementar</p><p>ou de contraste.</p><p>c) harmonia triádica.</p><p>d) harmonia quadrática.</p><p>e) harmonia por saturação.</p><p>Influência das cores nas artes96</p><p>ARTE BRASILEIRA UTFPR. Arte rupestre no Brasil. 1 jun. 2012. Disponível em: <https://</p><p>artebrasileirautfpr.wordpress.com/2012/06/01/arte-rupestre-no-brasil/>. Acesso em:</p><p>13 jan. 2019.</p><p>BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de</p><p>Goethe. 3. ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2006.</p><p>BASTOS, T. R. Círculo cromático: aprenda a combinar cores na decoração. Casa e Jardim,</p><p>9 mar. 2017. Disponível em: <https://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/</p><p>Dicas/noticia/2017/03/circulo-cromatico-aprenda-combinar-cores-na-decoracao.</p><p>html>. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>BEAUX-ARTS. Vincent VAN GOGH: JARDIN DE MARAÎCHERS. 25 out. 2012. Disponível</p><p>em: <https://www.devoir-de-philosophie.com/dissertation-vincent-van-gogh-jardin-</p><p>-maraichers-195616.html>. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>CHIPP, H. B. Fauvismo e expressionismo: a intuição criadora. In: SELZ, P.; TAYLOR, J. C.</p><p>Teorias da arte moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 121-142.</p><p>DELLA FRANCESCA, P. Ressurreição (detalhe) — Resurrection (detail). Warburg: banco</p><p>comparativo de imagens, 2018. Disponível em: <http://warburg.chaa-unicamp.com.br/</p><p>obras/view/10691>. Acesso em: 13 jan. 2018.</p><p>DIAS, L. Ticiano — Madona Cigana. VÍRUS DA ARTE & CIA, 27 nov. 2018. Disponível em:</p><p><http://virusdaarte.net/ticiano-madona-cigana/>. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>DIAS, L. Caravaggio — O TOCADOR DE ALAÚDE. VÍRUS DA ARTE & CIA, 31 mar. 2013.</p><p>Disponível em: <http://virusdaarte.net/caravaggio-o-tocador-de-alaude/>. Acesso</p><p>em: 13 jan. 2019.</p><p>FRASER, T.; BANKS, A. O guia completo da cor. São Paulo: Senac, 2007.</p><p>HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo:</p><p>Gustavo Gili, 2013.</p><p>HORTA, V. Casa Tassel. Diedrica, maio 2014. Disponível em: <http://www.diedrica.</p><p>com/2014/05/casa-tassel.html>. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>JANSON, H.W.; JANSON, A. F. Iniciação à história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 2009.</p><p>LÉGER, F. Funções da pintura. São Paulo: Nobel, 1989.</p><p>MÜLLER, J. E. O Fauvismo. São Paulo: Verbo, EDUSP, 1976.</p><p>PACHECO, T. Combinação de cor avançada: tríade, complementar dividida, retângulo e</p><p>quadrado. Vida de Professor de Arte, 7 mar. 2017. Disponível em: <http://vidadeprofessor.</p><p>pro.br/combinacao-de-cor-triade-complementar-dividida-retangulo-e-quadrado>.</p><p>Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>97Influência das cores nas artes</p><p>PIERRE AUGUSTE RENOIR, (French — Albert Cahen d’Anvers — Google Art Project.</p><p>jpg. Wikimedia Commons, the free media repositor, 19 out. 2012. Disponível em:</p><p><https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pierre-Auguste_Renoir_(French_-_Al-</p><p>bert_Cahen_d%27Anvers_-_Google_Art_Project.jpg>. Acesso em: 17 jan. 2019.</p><p>PROENÇA, G. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2014.</p><p>VIRGEM BENOIS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2017.</p><p>Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Virgem_Benois>. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BARROSO, P. F.; NOGUEIRA, H. S. História da arte. Porto Alegre: Sagah, 2018.</p><p>GOETHE, J. W. Zur Farbenlehre. Berlin: Createspace, 2014.</p><p>Influência das cores nas artes98</p><p>Conteúdo:</p><p>DESIGN DE</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Camila</p><p>de Cássia das Dores Ogava</p><p>Criatividade em projetos</p><p>de mobiliário para espaços</p><p>residenciais e comerciais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Exemplificar projetos criativos de mobiliário para espaços residenciais</p><p>e comerciais.</p><p> Exercitar a percepção espacial, formal e criativa por meio de projetos</p><p>de mobiliário para espaços residenciais.</p><p> Exercitar a percepção espacial, formal e criativa por meio de projetos</p><p>de mobiliário para espaços comerciais.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai saber mais sobre como o repertório de infor-</p><p>mações rearranjadas pode estimular a criatividade no desenvolvimento</p><p>de projetos de mobiliários residenciais ou comerciais. Você vai verificar</p><p>exemplos de projetos mobiliários que empregam a criatividade na</p><p>estrutura formal do projeto, transformando-o em ícone de design,</p><p>ou que fazem uso da criatividade na funcionalidade dos projetos,</p><p>promovendo benefícios aos usuários. Além disso, você vai conhecer</p><p>mais sobre a percepção espacial e formal em projetos de mobiliários</p><p>para ambientes comerciais e residenciais, compreendendo alguns</p><p>aspectos de Gestalt aplicados na prática em diversos projetos, os quais</p><p>podem melhorar a compreensão das mensagens transmitidas pelos</p><p>projetos mobiliários.</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais2</p><p>Projetos criativos de mobiliário</p><p>Projetar mobiliários exige o uso sistemático da criatividade para atender a</p><p>necessidades de uso, funcionalidade e estética, de acordo com as possibilida-</p><p>des técnicas, de fabricação e materiais disponíveis. As boas ideias de projeto</p><p>não são consequência de uma mente puramente brilhante e talentosa, mas da</p><p>capacidade de reunir fragmentos de experiências, conhecimentos, informações</p><p>e todo o repertório adquirido pelas vivências, rearranjando-os de uma nova</p><p>forma, conforme leciona Johnson (2011). Nesse sentido, a criatividade pode</p><p>ser compreendida como uma “[...] combinação original de ideias já conhecidas”,</p><p>conforme aponta Boden (1999, p. 81). Portanto, as ideias são a matéria-prima</p><p>da criatividade para se gerar projetos inovadores.</p><p>A criatividade pode ser expressa de várias maneiras no mobiliário, seja</p><p>pela configuração da forma, pela utilização de materiais pouco comuns,</p><p>pela harmonização de cores, pelo uso de diferentes técnicas de produção e</p><p>montagem e pela funcionalidade. O mobiliário criativo impacta o ambiente</p><p>onde está inserido e, por fim, impacta os usuários e visitantes do ambiente.</p><p>A seguir, na Figura 1a, veja a poltrona Mole, ícone do design brasileiro,</p><p>criada por Sergio Rodrigues. A obra venceu um concurso na Itália em 1961,</p><p>ficando à frente de centenas de outras peças mobiliárias, pois o júri entendeu</p><p>que o móvel “[...] não era influenciado por modismos e era absolutamente</p><p>representativo de sua região de origem” (ROCHA, 2016, documento on-</p><p>-line). A brasilidade representada de forma criativa e inovadora fizeram</p><p>dela um ícone, o que rendeu à mesma, anos mais tarde, um lugar no acervo</p><p>permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa). A Figura 1b</p><p>mostra a icônica poltrona Aspas, mais conhecida como Chifruda, também</p><p>do designer Sergio Rodrigues, criada em 1962 para a exposição “O móvel</p><p>como obra de arte”. A peça já foi exposta em diversas partes do mundo</p><p>(ANUAL DESIGN, 2011).</p><p>3Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>Figura 1. Poltronas do designer Sergio Rodrigues: a) Mole, 1957; b) Aspas/</p><p>Chifruda, 1962.</p><p>Fontes: a) Adaptada de Andréa (2017); b) Adaptada de Anual Design (2011).</p><p>A criatividade do mobiliário do designer Sergio Rodrigues se encontra na</p><p>maneira inovadora de representar a brasilidade, caracterizada principalmente</p><p>pela construção formal de suas peças, utilizando-se de materiais muito comuns da</p><p>cultura do país, como couro e madeiras de lei, em composições originais e criativas.</p><p>Acesse o link abaixo para saber mais sobre a trajetória e os projetos de Sergio Rodrigues.</p><p>https://goo.gl/kHB5aX</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais4</p><p>O escritório holandês Mecanoo também se utilizou das formas para criar</p><p>uma linha de mobiliários modulados para ambientes comerciais, de apren-</p><p>dizagem ou de trabalho colaborativo. A linha de móveis HUBB se utiliza</p><p>de formas minimalistas, cores neutras e modularidade para transformar os</p><p>ambientes onde o mobiliário é inserido, podendo criar espaços de estudo/</p><p>trabalho individualizados ou colaborativos, totalmente abertos ou mais</p><p>intimistas, de acordo com a necessidade dos usuários. Confira a explanação</p><p>do projeto na Figura 3.</p><p>Figura 2. Apresentação de todas as peças que compõem o projeto de mobiliário HUBB.</p><p>Na primeira fileira, são mostrados os assentos; logo abaixo, os elementos que servem</p><p>como mesas; após, os elementos que servem como cobertura, para gerar nichos; por fim,</p><p>divisórias e luminárias.</p><p>Fonte: Adaptada de Mecanoo (2018).</p><p>5Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>Veja, na Figura 3, a proposta de implantação do projeto.</p><p>Figura 3. Proposta de implantação do projeto HUBB.</p><p>Fonte: Adaptada de Mecanoo (2018).</p><p>O projeto conta ainda com a utilização de materiais recicláveis, como PET,</p><p>buscando uma produção mais sustentável. O projeto criado pela Mecanoo</p><p>já foi produzido pela empresa Gispen e implantado em uma universidade e</p><p>objetiva criar um espaço colaborativo, multiuso e que fomente a criatividade</p><p>colaborativa (BARI, 2017).</p><p>A criatividade pode ser expressa no mobiliário também pelo uso de ma-</p><p>teriais pouco comuns para a fabricação tradicional. A combinação e recom-</p><p>binação de materiais e formas pode gerar novas possibilidades criativas para</p><p>os projetos mobiliários.</p><p>O uso do palete de madeira tem crescido na produção de mobiliários</p><p>residenciais e comerciais, seja em áreas internas ou áreas externas, pois</p><p>a matéria-prima é barata e tem conceitos de sustentabilidade, uma vez</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais6</p><p>que é material de reúso. A estética dos móveis desenvolvidos a partir de</p><p>paletes pode variar entre rústica e moderna, dependendo do acabamento e</p><p>da composição do ambiente. A exemplo disso, em 2015, a marca de perfu-</p><p>maria e cosméticos Granado abriu uma loja temporária toda elaborada a</p><p>partir de paletes e caixotes de feira, pois a empresa queria que a loja tivesse</p><p>um conceito de sustentabilidade bem claro (Fator Brasil, 2015). Veja, na</p><p>Figura 4, o resultado.</p><p>Figura 4. Loja temporária da empresa Granado, no Rio de Janeiro, em 2015, com mobiliário</p><p>todo feito a partir de paletes e caixotes de feira.</p><p>Fonte: Adaptada de Fator Brasil (2015).</p><p>Nas imagens da Figura 5, veja como o uso dos paletes pode ter estilos</p><p>diferentes de acordo com a necessidade e a proposta do ambiente.</p><p>7Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>Figura 5. (a) Sofás para ambiente interno feitos de paletes. (b) Mesas e assentos</p><p>de um restaurante no terraço de um prédio, elaborados em paletes. (c) Sacada</p><p>com sofá de paletes e futon.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de Cunha (2014); (b) Adaptada de krzysieka2/Shutterstock.com; (c)</p><p>Adaptada de Leroy Merlin (2018).</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais8</p><p>A combinação de elementos pouco comuns ou o rearranjo de elementos</p><p>comuns pode gerar peças de mobiliário muito criativas e compor ambientes</p><p>com muito estilo e personalidade, de acordo com a necessidade dos projetos.</p><p>O exercício da percepção</p><p>De acordo com o dicionário on-line Michaelis (2018), percepção é “ato ou</p><p>efeito de perceber; capacidade de distinguir por meio da mente, inteligência;</p><p>representação mental das coisas”. A percepção também está diretamente</p><p>relacionada ao pensamento analítico, o qual possibilita notar diferenças e</p><p>similaridades em uma situação que ainda não haviam sido notadas, conforme</p><p>lecionam Zavadil, Silva e Tschimmel (2016).</p><p>Percepção criativa</p><p>A percepção criativa geralmente tende a ser iniciada nas etapas iniciais dos projetos</p><p>de desenvolvimento, uma vez que as metodologias de design separam uma etapa do</p><p>processo exclusivamente para o desenvolvimento criativo, gerido por ferramentas</p><p>ou métodos de criação como geração de alternativas, brainstorming, etapa de</p><p>ideação, entre outras. Apesar disso, essa percepção não fi cará condicionada às</p><p>primeiras etapas, tendendo a estar presente em todo o processo do projeto.</p><p>Nesses momentos, a criatividade deve se dar pela percepção do problema</p><p>a ser solucionado, buscando-se estímulos que possam clarear as ideias de</p><p>solução. Conhecer o problema em projetos mobiliários tem a ver com o co-</p><p>nhecimento das necessidades dos usuários e dos espaços, das condicionantes</p><p>técnicas, entre outros.</p><p>As etapas criativas também devem contar com aspectos cognitivos do</p><p>designer, ou seja, com analogias pertinentes às suas experiências e vivências</p><p>e ao seu conhecimento sobre materiais, formas e técnicas de fabricação. Isso</p><p>possibilitará que as informações possam ser reconfiguradas e/ou ressignifi-</p><p>cadas, gerando soluções criativas. Portanto, a percepção também está ligada</p><p>aos processos criativos no desenvolvimento de projetos, colaborando para a</p><p>organização de sensações que podem ser estimuladas por aspectos ambientais</p><p>do projeto, conforme leciona Sternberg (2012). De acordo com Kao (2014),</p><p>as soluções mais originais tendem a sair de analogias distantes, isto é, ligar</p><p>coisas que parecem não ter relações claras com o problema.</p><p>A Figura 6 mostra a cadeira Esqueleto, cujas formas do encosto e assento</p><p>fazem alusão a cabides e à coluna vertebral humana. Tais referências não</p><p>9Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>estão diretamente ligadas ao ato de sentar, mas renderam uma solução formal</p><p>interessante e original ao projeto mobiliário.</p><p>Figura 6. Cadeira Esqueleto, do designer Pedro Paulo Santoro.</p><p>Fonte: Adaptada de Radar Decoração (2014).</p><p>A percepção criativa é, portanto, uma exposição do designer de interiores aos estímulos</p><p>projetuais e aos próprios conhecimentos e vivências do profissional, aplicados por</p><p>meio de um método ou ferramenta de criação de soluções inovadoras. Geralmente, a</p><p>percepção criativa está intimamente ligada com a representação gráfica das possíveis</p><p>soluções. Isso porque aquilo que foi percebido e posteriormente imaginado deverá</p><p>também ser compartilhado em linguagem gráfica específica. Para que isso ocorra, a</p><p>percepção espacial é fundamental.</p><p>Percepção espacial</p><p>A percepção espacial, conforme apontam Ramos e Gallo (2014), presume</p><p>a capacidade de criar e transformar imagens mentais, perceber formas,</p><p>reconhecer formas, manipular mentalmente as composições formais, além</p><p>de permitir a interação e a relatividade entre objetos, espaços, distâncias</p><p>e observador. Ela, então, exige sensibilidade para formas, linhas, cores</p><p>e volumes e a compreensão da relação entre esses elementos. É preciso</p><p>visualizar os objetos e criar imagens mentais deles, conforme leciona Souza</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais10</p><p>(2013), para, mais tarde, traduzi-los como desenho no desenvolvimento</p><p>dos projetos mobiliários.</p><p>A percepção espacial precisa ser estimulada e treinada para se tornar rápida e eficaz nos</p><p>processos de desenvolvimento do projeto mobiliário. Conhecimentos de geometria</p><p>e linguagem visual poderão estimular essa capacidade. Veja, no link a seguir, como a</p><p>percepção espacial pode ser desenvolvida e estimulada por meio da manipulação de</p><p>formas, linhas e cores — nesse caso, por meio de um jogo on-line.</p><p>https://goo.gl/Amz5bA</p><p>Percepção formal</p><p>É mais fácil representar o mobiliário quando se tem a clara percepção das</p><p>suas formas geométricas. O entendimento de que a peça é um agrupamento</p><p>de formas simples, ligadas por linhas retas ou curvas, permite uma melhoria</p><p>na percepção espacial e formal dos objetos.</p><p>Observe, nas imagens da Figura 7, alguns exemplos de mobiliários cujas</p><p>geometrias estão destacadas, facilitando a percepção formal.</p><p>Figura 7. Formas geométricas do mobiliário são destacadas na vista lateral.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de Archiscene (2012); (b) Adaptada de Tuvie (2018).</p><p>11Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>Para o designer, é necessário conhecer e dominar formas pré-figurativas</p><p>(pontos, linhas, planos, volumes, etc.), que são a base de todas as formas. Essas</p><p>formas permitirão ao profissional uma maior facilidade de representação</p><p>das formas do mobiliário e das leis que regem as configurações formais —</p><p>Gestalt —, como simetria, contraste, fechamento, unidade, entre outras. A</p><p>representação precisa do mobiliário permite ao cliente/usuário compreender</p><p>a forma do móvel como um todo, percebendo de maneira mais objetiva a</p><p>mensagem da peça. O domínio desses conhecimentos é fundamental para que</p><p>as mensagens — em forma de projetos — sejam percebidas pelos usuários,</p><p>clientes, consumidor.</p><p>Todos os projetos são repletos de mensagens, sejam de estilo de vida, de</p><p>crença, de propósitos, entre outras. Saber transmitir essa mensagem por meio</p><p>de projetos mobiliários é um dos grandes desafios do profissional do design, já</p><p>que as relações de forma, contexto e significado são associadas à linguagem</p><p>do produto, conforme leciona Santos (2009).</p><p>A percepção visual busca entender a relação homem/produto a partir do contato</p><p>visual/perceptivo, por meio da Gestalt (forma), tanto na comunicação meramente por</p><p>meio de imagens, como na comunicação por meio de produtos usáveis, conforme</p><p>lecionam Wachowicz e Arbigaus (2003). As principais leis da Gestalt são: segregação,</p><p>unificação, fechamento, continuidade, proximidade, semelhança e pregnância da</p><p>forma. Já as principais categorias conceituais são harmonia/desarmonia, equilíbrio/</p><p>simetria, contraste/cor, conforme aponta Gomes Filho (2010).</p><p>Percepção formal e espacial em residências</p><p>Uma das principais leis da Gestalt é o fechamento, que se caracteriza pela</p><p>força de organização, que tende à formação de unidades em todos fechados.</p><p>Nesse caso, tem-se a sensação de fechamento visual da forma em uma ordem</p><p>estrutural defi nida, a fi m de constituir uma fi gura mais completa, conforme</p><p>leciona Gomes Filho (2010).</p><p>Na Figura 8a, note que, apesar de não haver uma delimitação de paredes</p><p>em torno do mobiliário no jardim, é possível perceber um ambiente retangular</p><p>e intimista; ou seja, existe uma percepção de fechamento apenas com a dispo-</p><p>sição do mobiliário. O mesmo acontece na Figura 8b, que apresenta um loft</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais12</p><p>(apartamento sem divisórias) cujos ambientes são formados pela disposição do</p><p>mobiliário em torno de um vértice, proporcionando um fechamento imaginário</p><p>dos espaços de sala de estar e sala de jantar.</p><p>Figura 8. (a) Mobiliário de área externa. (b) Loft (apartamento sem divisórias).</p><p>Fonte: (a) Adaptada de GavranBoris ⁄Shutterstock.com; (b) Adaptada de jovana veljkovic ⁄Shutterstock.com.</p><p>O equilíbrio é uma das categorias conceituais da Gestalt. Em uma compo-</p><p>sição equilibrada, todos os fatores, como distribuição, configuração, direção e</p><p>localização, determinam-se mutuamente de tal maneira que nenhuma alteração</p><p>13Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>pareça possível, e o todo parece necessitar de todas as partes, conforme leciona</p><p>Gomes Filho (2010).</p><p>Na Figura 9, observe que a composição do mobiliário do quarto possui</p><p>um equilíbrio simétrico, no qual ambos os lados da cama possuem elemen-</p><p>tos que proporcionam o mesmo peso visual, o mesmo direcionamento de</p><p>linhas e a utilização de praticamente as mesmas formas, com localizações</p><p>semelhantes.</p><p>Figura 9. Quarto de casal utilizando equilíbrio simétrico.</p><p>Fonte: Adaptada de ImageFlow/Shutterstock.com.</p><p>Outro recurso de percepção muito utilizado é o contraste, que significa</p><p>fundamentalmente distinção. É a distinção de um elemento</p><p>em relação a outro;</p><p>como estratégia visual, pode estar nas diferentes formas de usar as cores,</p><p>sombras e proporções, conforme aponta Gomes Filho (2010).</p><p>Veja, na Figura 10, o uso de cores contrastantes em móveis e objetos</p><p>de decoração. A utilização de mobiliários que contrastem com o ambiente</p><p>tende a chamar a atenção para uma peça importante, cujas formas se des-</p><p>taquem no ambiente. Isso pode colaborar para um ambiente moderno e</p><p>sem monotonia.</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais14</p><p>Figura 10. Sala utilizando recurso de contraste para sair do óbvio e destacar mobiliário.</p><p>Fonte: Adaptada de Photographee.eu/Shutterstock.com.</p><p>Exercitando a percepção em ambientes comerciais</p><p>Projetos mobiliários para ambientes comerciais também podem se utilizar</p><p>dos recursos de percepção visual e formal para transmitir mensagens aos</p><p>clientes e usuários.</p><p>Observe, na Figura 11, o projeto de um espaço de trabalho colaborativo, utili-</p><p>zando o contraste em peças de mobiliários A utilização desse recurso nesse tipo</p><p>de ambiente busca fomentar a criatividade, a produtividade e a socialização entre</p><p>os usuários; por isso, pontos de cor e formas contrastantes nos móveis geram a</p><p>percepção de espaço em movimento, quebrando qualquer aspecto de monotonia.</p><p>Figura 11. Projeto de espaço de trabalho colaborativo.</p><p>Fonte: Adaptada de Kelleher Photography/Shutterstock.com.</p><p>15Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>A semelhança é também uma lei da Gestalt, que compreende que a igualdade</p><p>de forma e de cor desperta também a tendência de se construir unidades, isto é,</p><p>de estabelecer agrupamentos de partes semelhantes, conforme leciona Gomes</p><p>Filho (2010). A utilização da semelhança em mobiliários de ambientes comerciais</p><p>serve tanto para padronizar o ambiente de acordo com a imagem corporativa</p><p>da empresa quanto para estabelecer semelhança entre os usuários do espaço.</p><p>Na Figura 12, observa-se uma sala de espera cujos assentos são todos</p><p>em cores neutras, de mesmo modelo e material. Essa padronização gera no</p><p>usuário do espaço a percepção de igualdade perante os demais usuários; além</p><p>disso, comunica os valores e conceitos corporativos por meio de uma gestão</p><p>de design formal.</p><p>Figura 12. Sala de espera com assentos semelhantes.</p><p>Fonte: Adaptada de Basileus/Shutterstock.com.</p><p>A harmonia visual representa uma disposição formal organizada e propor-</p><p>cional em todo o ambiente e entre as partes (mobiliário/decoração/arquitetura,</p><p>por exemplo). Ela busca a integração e a coerência das formas, conforme</p><p>leciona Gomes Filho (2010).</p><p>Veja, na Figura 13a, uma casa de banho, cujas formas, cores e materiais de</p><p>mobiliários e decoração são formalmente organizados; os padrões formais e</p><p>cores se repetem de uma forma proporcional ao ambiente. Na Figura 13b, observe</p><p>um hall do spa Atlantis, em Zurich, na Suíça, cujas cores, formas, disposição</p><p>do mobiliário e objetos de decoração são coerentes e formalmente integrados.</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais16</p><p>Figura 13. (a) Casa de banho. (b) Hall do Spa Atlantis, na Suíça.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de ImageFlow/Shutterstock.com; (b) Adaptada de Atlantis (2015).</p><p>Exercitar a visão espacial e formal pode melhorar o desempenho dos</p><p>projetos mobiliários, facilitando recombinações de informações de maneira</p><p>criativa e inovadora, desenvolvendo competências técnicas e favorecendo,</p><p>assim, projetos mais completos.</p><p>17Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais</p><p>ANDRÉA. Poltrona mole. Almoço de Sexta, 24 jul. 2017. Disponível em: <http://www.</p><p>almocodesexta.com.br/sergio-rodrigues-poltrona-mole/>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>ANUAL DESIGN. Poltrona chifruda. Anual Design, 24 ago. 2011. Disponível em: <https://</p><p>www.anualdesign.com.br/blog/1003/poltrona-chifruda/>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>ARCHISCENE. Dis(order) Furniture by Sanjin Halilovic. 5 abr. 2012. Disponível em: <http://</p><p>www.archiscene.net/wp-content/gallery/archiscene/disorder-furniture04.jpg>. Acesso</p><p>em: 19 nov. 2018.</p><p>ATLANTIS. Spa. nov. 2015. Disponível em: <https://atlantisbygiardino.ch/wp-content/</p><p>uploads/2015/11/Lounge-dipi%C3%B9-Spa-Atlantis-by-Giardino-e1457685667547.</p><p>jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>BARI, O. Mecanoo e Gispen criam Coleção de Mobiliário Modular para Ambientes Fle-</p><p>xíveis de Aprendizado. ArchDaily, 11 abr. 2017. Disponível em: <https://www.archdaily.</p><p>com.br/br/868559/mecanoo-e-gispen-criam-colecao-de-mobiliario-modular-para-</p><p>-ambientes-flexiveis-de-aprendizado>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>BODEN, M. A. Dimensões da criatividade. Porto Alegre: Artmed, 1999.</p><p>CUNHA, K. Aposte nos paletes. 9 out. 2014. Disponível em: <http://www.karlacunha.</p><p>com.br/wp-content/uploads/2014/10/sofas-palete.jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>DENVIR, M. Gestalt: introdução às suas leis. Design Culture, 5 fev. 2013. Disponível em:</p><p><https://designculture.com.br/gestalt-introducao-as-suas-leis>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>FATOR BRASIL. Nova loja Granado. 2015. Disponível em: <https://www.revistafatorbrasil.</p><p>com.br/imagens/fotos2/nova_loja_granado>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>GOMES FILHO, J. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Es-</p><p>crituras, 2010.</p><p>JOHNSON, S. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.</p><p>KAO, CHEN-YAO. Exploring the relationships between analogical, analytical, and creative</p><p>thinking. Thinking Skills and Creativity, v. 13, p. 80-88, 2014.</p><p>LEROY MERLIN. Varanda pequena com sofá de pallets. 2018. Disponível em: <https://cdn.</p><p>leroymerlin.com.br/contents/varanda_pequena_com_sofa_de_pallets_0a31_original.</p><p>jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>Criatividade em projetos de mobiliário para espaços residenciais e comerciais18</p><p>MECANOO. HUBB — Learning Environments. 2018. Disponível em: <https://www.</p><p>mecanoo.nl/Projects/project/192/HUBB-Learning-Environments?t=0>. Acesso em:</p><p>19 nov. 2018.</p><p>PERCEPÇÃO. Michaelis: Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 2018. Disponível</p><p>em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=kLqvn>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>RADAR DECORAÇÃO. Esqueleto. jun. 2014. Disponível em: <http://radardecoracao.com.</p><p>br/wp-content/uploads/2014/06/esqueleto.jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>RAMOS, F. S.; GALLO, H. Geometria, meios expressivos e desenvolvimento cognitivo:</p><p>uma experiência com estudantes de Design. P&D Design, v. 22, nº. 1, 2014.</p><p>ROCHA, P. Sergio Rodrigues: o legado do mestre das cadeiras. Isto É, nº. 2552, 10 set.</p><p>2014. Disponível em: <https://istoe.com.br/381117_SERGIO+RODRIGUES+O+LEGADO</p><p>+DO+MESTRE+DAS+CADEIRAS/>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>SANTOS, C. T. Significado. ABC Design, 21 ago. 2009. Disponível em: <http://www.</p><p>abcdesign.com.br/significado/>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>SOUZA, G. J. A percepção espacial e o ensino de desenho técnico. Centro Universitário</p><p>de Brasília (UniCEUB), 2013. Disponível em: <https://www.docsity.com/pt/a-percepcao-</p><p>-espacial-e-o-ensino-de-desenho-tecnico-apostilas-design/292118/>. Acesso em: 19</p><p>nov. 2018.</p><p>STERNBERG, R. J. Psicologia cognitiva. São Paulo: Cengage Learning, 2012.</p><p>TUVIE. Shape and function modular furniture by Sanjin Halilovic. 2018. Disponível em:</p><p><http://www.tuvie.com/wp-content/uploads/shape-and-function-modular-furniture-</p><p>-by-sanjin-halilovic1.jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018.</p><p>WACHOWICZ, L. A.; ARBIGAUS, M. L. G. Aprendizagem por meio da Gestalt na formação</p><p>de competências do profissional de desenho industrial. Revista Diálogo Educacional,</p><p>Curitiba, v. 4, n. 9, p. 91-104, maio/ago. 2003.</p><p>ZAVADIL, P.; SILVA, R. P.; TSCHIMMEL, K. Modelo teórico do pensamento e processo</p><p>criativo em indivíduos e em grupos de design. Design & Tecnologia, v. 6, nº. 12, 2016.</p><p>DESIGN DO</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Camila de Cássia das</p><p>Dores Ogava</p><p>Desenho de móveis para</p><p>espaços externos</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir as formas de representação gráfica do mobiliário para espaços</p><p>externos.</p><p> Aplicar os conhecimentos de</p><p>representação gráfica em desenhos</p><p>perspectivados.</p><p> Desenvolver desenhos para projetos de mobiliário para espaços</p><p>externos.</p><p>Introdução</p><p>Nas suas diferentes formas, a representação gráfica consiste no processo</p><p>de comunicação de uma ideia por intermédio de elementos gráficos para</p><p>as diferentes pessoas que integram o projeto. O seu intuito é que todos os</p><p>envolvidos tenham clareza da estética, da funcionalidade e da adequação</p><p>do mobiliário no espaço em que este será inserido. A representação do</p><p>mobiliário pode se dar de maneiras distintas, de acordo com a etapa e a</p><p>necessidade do projeto. Portanto, é imprescindível ao designer de interiores</p><p>conhecer algumas dessas técnicas, que vão auxiliá-lo na comunicação</p><p>das suas ideias no decorrer do projeto.</p><p>Neste capítulo, você vai verificar a necessidade do desenho como</p><p>forma de representação do mobiliário em um projeto para espaços exter-</p><p>nos, para fins de expressão do projeto, relações de trabalho e otimização</p><p>de recursos. Você vai estudar as formas de representação gráfica desse</p><p>mobiliário, em especial o desenho perspectivado, e vai verificar como</p><p>desenvolver esse tipo de representação.</p><p>Três técnicas de representação gráfica</p><p>Traduzir um conceito ou uma ideia para que várias pessoas a compreendam</p><p>claramente nem sempre é uma tarefa simples, uma vez que o grau de compre-</p><p>ensão de cada indivíduo varia de acordo com as suas próprias experiências.</p><p>Quando se trata da representação de um projeto mobiliário para áreas externas,</p><p>então, a correta compreensão do projeto é ainda mais necessária, uma vez que</p><p>o cliente deve estar seguro de que o seu projeto atende às necessidades dele, e</p><p>a equipe de produção dos mobiliários (marceneiros, estofadores, montadores,</p><p>etc.) deve entender o projeto de forma técnica, para que não ocorram erros de</p><p>execução. Além disso, a equipe que desenvolve o projeto pode ser composta</p><p>por outros profi ssionais, como paisagistas, arquitetos, entre outros, que deverão</p><p>estar por dentro do projeto mobiliário para que o projeto do espaço como um</p><p>todo seja harmônico.</p><p>A primeira aparição de uma representação gráfica no projeto geralmente</p><p>se dá logo nas primeiras etapas, após o brainstorming, que é o levanta-</p><p>mento de informações e necessidades com o cliente, e o levantamento</p><p>métrico, que é a etapa em que você fará as medidas do espaço externo que</p><p>receberá os móveis. Após coletar essas informações, você já deverá saber</p><p>quais necessidades deverão ser supridas pelo mobiliário, qual é o estilo</p><p>que mais agrada ao seu cliente, qual cartela de cores comporá o ambiente,</p><p>etc. Portanto, você já terá condições de elaborar uma representação gráfica</p><p>para comunicar suas primeiras ideias de solução para o espaço. Isso poderá</p><p>ser feito de forma manual ou com o apoio de um computador e alguns</p><p>softwares específicos.</p><p>Desenho de expressão manual</p><p>O desenho de expressão manual também pode ser chamado de croqui, esboço</p><p>ou sketching. Esse tipo de representação consiste nos primeiros rabiscos</p><p>feitos à mão livre sobre papel, para expressar a ideia do projeto. Essa técnica</p><p>possibilita que o designer vá documentando as ideias por meio do desenho,</p><p>permitindo a análise e modifi cação da ideia até que ela se torne uma solução</p><p>mais adequada e criativa.</p><p>A técnica também permite a interação entre o designer e outros indiví-</p><p>duos, sendo o desenho uma maneira de comunicação clara e coesa. O nível</p><p>de acabamento do desenho manual dependerá da prática do designer e do</p><p>tempo disponível para o seu desenvolvimento. Veja na Figura 1 um desenho</p><p>Desenho de móveis para espaços externos2</p><p>de expressão manual com pouco acabamento, apenas para expressar a ideia</p><p>do momento, e um desenho com maior nível de acabamento e detalhes.</p><p>Figura 1. Desenhos de expressão manual com diferentes acabamentos.</p><p>Fonte: (a) Alexey Kashin/Shutterstock.com; (b) Adaptada de Marina Onokhina/Shutterstock.com.</p><p>O desenvolvimento do sketching logo nas primeiras etapas do projeto de</p><p>mobiliários para espaços externos clarifica as ideias e percepções do projeto,</p><p>3Desenho de móveis para espaços externos</p><p>promove o desenvolvimento do mesmo e apoia a tomada das primeiras decisões,</p><p>uma vez que traduz e transmite a ideia de forma objetiva, conforme lecionam</p><p>Craft e Cairns (2009).</p><p>Os materiais utilizados para o desenvolvimento do sketching são simples</p><p>e de fácil acesso — geralmente um caderno para desenho sem pauta, também</p><p>conhecido como sketchbook, ou um bloco de papel, além de lápis grafite ou</p><p>lapiseira e, para acabamentos, lápis de cor, canetas coloridas ou marcadores.</p><p>Alguns profissionais utilizam aquarela para colorir seus desenhos manuais.</p><p>Independentemente dos materiais utilizados nessa etapa, o essencial é con-</p><p>seguir transmitir a ideia, possibilitando distinguir-se, por meio do desenho,</p><p>os materiais e as formas dos mobiliários.</p><p>Atualmente também é possível utilizar tablets para o desenvolvimento de</p><p>desenhos manuais. Por meio de aplicativos específicos, a tela do dispositivo</p><p>faz as vezes de papel; utilizando um tipo de caneta próprio para esse fim, é</p><p>possível desenhar as ideias do projeto, contando ainda com recursos de cores,</p><p>elementos pré-prontos, entre outros.</p><p>Representação gráfica tridimensional: modelagem 3D</p><p>A modelagem 3D é uma técnica de representação gráfi ca feita por meio de</p><p>softwares de computador, pelos quais é possível visualizar o desenho feito</p><p>em três dimensões. É muito utilizada para apresentar soluções de móveis e</p><p>ambientes. Por meio desses programas de computador, é possível utilizar o</p><p>levantamento métrico para construir todo o espaço, desenhar o mobiliário e</p><p>inseri-lo no ambiente de forma virtual.</p><p>Esses softwares possuem uma série de recursos para deixar a mode-</p><p>lagem do ambiente o mais próximo possível da realidade, sendo possível</p><p>acrescentar cores, texturas e fontes de luz. Além disso, estão disponíveis</p><p>uma infinidade de recursos de desenho, pelos quais é possível conceber</p><p>os móveis com as medidas exatas para a necessidade do ambiente e com</p><p>riqueza de detalhes.</p><p>Esse recurso facilita a compreensão do projeto para o cliente, uma vez</p><p>que ele pode verificar todos os detalhes, ângulos e perspectivas do projeto a</p><p>partir da tela do computador, de uma forma muito fiel ao que será executado</p><p>(Figura 2). Além disso, apresentar o projeto feito em modelagem 3D tende a</p><p>encantar o cliente.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos4</p><p>Figura 2. Exemplos de modelagem 3D, também chamada de maquete virtual, de</p><p>ambientes com mobiliário inserido.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de Jul_g/Shutterstock.com; (b) jafara/Shutterstock.com.</p><p>5Desenho de móveis para espaços externos</p><p>Desenho técnico: analógico e auxiliado por computador</p><p>O desenho técnico é um tipo de linguagem específi ca em que o desenho é trans-</p><p>formado em linhas, pontos, cortes, vistas e medidas exatas. É mais utilizado</p><p>para a comunicação técnica entre o designer de interiores e os profi ssionais</p><p>que fazem parte do projeto, como marceneiros, montadores, estofadores,</p><p>eletricistas, entre outros, uma vez que essa técnica exige conhecimento técnico.</p><p>Ele pode ser elaborado de forma manual/analógica com o auxílio de réguas,</p><p>escalímetros, transferidores, compassos, entre outros, para que os detalhes</p><p>sejam precisos, e conta com o conhecimento de normas e técnicas como escalas,</p><p>cotas, linhas, vistas, cortes, entre outras. Essa técnica é realizada atualmente</p><p>também por meio de softwares especializados; a maioria dos programas que</p><p>realizam a modelagem 3D possui a capacidade de realizar o desenho técnico,</p><p>o que otimiza o desenvolvimento do projeto.</p><p>Geralmente usado nas etapas finais do projeto, nas quais as decisões sobre</p><p>as formas e acabamentos do mobiliário já foram tomadas, o desenho técnico</p><p>auxiliado por computador traz o detalhamento métrico e estrutural do mobi-</p><p>liário. Essas informações serão necessárias para que o executor da peça (um</p><p>marceneiro, por exemplo) saiba como construir o móvel sem que ocorram</p><p>erros e, portanto, sem que os custos e prazos do projeto estourem.</p><p>Na Figura 3, observe que todas as peças do mobiliário são transformadas</p><p>em linhas com medidas exatas em três vistas.</p><p>Figura 3. Mobiliário e o seu desenho técnico detalhado.</p><p>Fonte: Adaptada de rimira/Shutterstock.com.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos6</p><p>O desenho técnico auxiliado por computador transforma o projeto do móvel em</p><p>linhas e medidas precisas com todo o detalhamento necessário para a sua fabricação</p><p>e montagem. Essa linguagem não é comum para os clientes, mas muito necessária</p><p>para comunicar as ideias a outros profissionais.</p><p>Perspectiva do móvel</p><p>Conhecidas as três formas mais comuns de se comunicar as ideias de projeto</p><p>por meio do desenho — seja ele manual, em dimensões, com o apoio de</p><p>softwares, ou técnico, que também pode ter o auxílio do computador —,</p><p>você deve conhecer outros recursos do desenho que facilitam a comunicação</p><p>entre profi ssionais ligados ao projeto de mobiliário.</p><p>A perspectiva é uma técnica que, por meio de recursos de matemática,</p><p>viabiliza a representação de um espaço ou objeto tridimensional a partir de</p><p>uma superfície plana, conforme leciona Miguel (2003). Trata-se de um recurso</p><p>valioso para a representação gráfica do projeto mobiliário, pois proporciona</p><p>a visualização e a compreensão de um conjunto de objetos a partir de um</p><p>único desenho. O seu ângulo capta os principais itens da visão, conforme</p><p>aponta Bortolucci (2005):</p><p> olho do observador — o centro da projeção da imagem;</p><p> projetantes — as linhas visuais;</p><p> projeção — a perspectiva do objeto visto.</p><p>Na Figura 4, você pode observar que a perspectiva ameniza as dificuldades</p><p>da visualização espacial; por meio dela, os elementos são representados de</p><p>forma mais clara e completa, ainda que bidimensionalmente.</p><p>7Desenho de móveis para espaços externos</p><p>Figura 4. Cubos vistos em perspectiva com o apoio das projetantes,</p><p>a partir de dois pontos de fuga.</p><p>Fonte: kavalenkava/Shutterstock.com.</p><p>O desenho perspectivado manual é uma opção para situações onde não é</p><p>possível utilizar recursos de modelagem 3D para apresentar o projeto, uma vez</p><p>que o ângulo do desenho perspectivado revela um número maior de contornos</p><p>e detalhes do móvel, mesmo sendo um desenho bidimensional. Essa técnica</p><p>gera um tipo de sensação ótica pelo mesmo princípio usado pelos softwares</p><p>especializados; assim, o desenho é apresentado em três eixos: largura, altura e</p><p>profundidade. O desenho perspectivado pode conter uma variedade de pontos</p><p>de fuga e, de acordo com a necessidade de representação, outras técnicas de</p><p>perspectivas devem ser usadas.</p><p>A perspectiva possui variações que podem ser utilizadas de acordo com a necessidade</p><p>do projeto. Cada uma delas valoriza a representação sob angulações específicas; são</p><p>chamadas isométrica, cavaleira, militar e dimétrica.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos8</p><p>Do conhecimento à prática</p><p>Desenvolver o desenho de um móvel começa com os elementos básicos da</p><p>forma: linha, ponto e plano. A base teórica do desenvolvimento do desenho se</p><p>dá a partir dos mesmos conhecimentos, seja o desenho manual ou com auxílio</p><p>de computadores, uma vez que é o conhecimento e a prática que permitirão</p><p>o aperfeiçoamento do mesmo. Para desenvolver um desenho de mobiliário</p><p>perspectivado, é preciso saber onde posicionar cada um desses elementos no</p><p>plano, que pode ser papel ou tela de computador.</p><p>O ponto de fuga (PF) é um ponto, fixado no plano, do qual as linhas</p><p>fugitivas partem; é esse ponto que vai guiar a visão para o posicionamento</p><p>dos objetos, gerando a impressão de profundidade. O PF deverá ser fixado</p><p>na linha do horizonte (LH), que é o limite da visão do observador. Veja, na</p><p>Figura 5, o posicionamento do PF e da LH, de onde partem as linhas fugitivas</p><p>que amparam a posição do desenho.</p><p>Figura 5. PF posicionado na LH.</p><p>Fonte: Bis+Pontos+de+fuga+1 ([2018], documento on-line).</p><p>9Desenho de móveis para espaços externos</p><p>Determinar a LH e o PF é o princípio para se criar um desenho perspec-</p><p>tivado; o desenho poderá contar com até quatro pontos de fuga, dependendo</p><p>de sua complexidade.</p><p>Utilize a angulação da perspectiva a favor do seu desenho — revele faces,</p><p>cortes, vistas e qualquer detalhe que for pertinente para o entendimento do</p><p>mesmo. Em uma perspectiva isométrica, geralmente o ângulo utilizado é</p><p>o de 30°. Na Figura 6, veja que, no desenho maior, não é possível notar com</p><p>clareza as curvaturas da estrutura e os cantos arredondados do assento; são</p><p>os demais desenhos que proporcionam esses detalhes.</p><p>Figura 6. Desenho de cadeira em perspectiva, para apresentar detalhes das vistas.</p><p>Fonte: Ganzaless/Shutterstock.com.</p><p>O desenho manual exige treino, tanto para melhorar a fluidez do traço</p><p>quanto para aperfeiçoar a visão espacial, que é a capacidade de perceber as</p><p>formas mentalmente. Trata-se de saber aplicar ao desenho bidimensional</p><p>técnicas que representem tridimensionalidade e possibilitem o entendimento</p><p>da perspectiva em suas relações técnicas de angulação.</p><p>Comece por desenhos simples. Chaises, cadeiras e bancos são mobiliários</p><p>externos muito utilizados. Na Figura 7, note a diferença entre as formas das</p><p>duas peças.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos10</p><p>Figura 7. Sketches de chaises long.</p><p>Fonte: Adaptada de ANRIR/Shutterstock.com.</p><p>Ao utilizar linhas simples, também será possível desenvolver mobiliários</p><p>como sofás e poltronas mais modernos e minimalistas para áreas externas como</p><p>varandas, jardins e terraços. Para contribuir com os traços e as proporções do</p><p>desenho, também é indicado utilizar o recurso do papel quadriculado, que</p><p>oferece o suporte das linhas como guias para o traçado.</p><p>Na Figura 8a, é possível observar um conjunto de sofás e poltronas desen-</p><p>volvido apenas com linhas retas e, na Figura 8b, observa-se o uso do papel</p><p>quadriculado para a obtenção de proporção no desenho.</p><p>Figura 8. (a) Conjunto de sofás e poltronas, a partir de linhas retas. (b) Desenho de cadeira</p><p>em papel quadriculado.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de Slobodan Zivkovic/Shutterstock.com; (b) Adaptada de Julia Dolzhenko/Shut-</p><p>terstock.com.</p><p>11Desenho de móveis para espaços externos</p><p>É indispensável estar atento para que os desenhos tenham sempre a capaci-</p><p>dade de expressar a ideia do móvel. Ainda que eles sejam feitos rapidamente,</p><p>enriqueça-os com detalhes de texturas e cores e use luz e sombras para aumentar</p><p>a sensação volumétrica.</p><p>Veja, no link a seguir, que, com traços rápidos e poucos materiais, o desenhista consegue</p><p>obter desenhos em três vistas, valorizando detalhes.</p><p>https://goo.gl/2vFCis</p><p>Ainda que a tecnologia de softwares especializados em representação</p><p>gráfica esteja avançando rapidamente, o desenho manual tem a capacidade de</p><p>superar o achatamento bidimensional e representar desenhos tridimensional-</p><p>mente, conforme leciona Ching (2011). Por isso a necessidade de capacitação</p><p>em desenho manual, que, por meio de seu conhecimento e prática, permite o</p><p>manuseio do software com mais facilidade. Os softwares possuem os mesmos</p><p>princípios dos desenhos manuais, mas com capacidade de processamento</p><p>rápido. Além da habilidade de desenhar, é fundamental desenvolver a compe-</p><p>tência de ler e interpretar os desenhos, uma vez que essa é uma das principais</p><p>linguagens do designer de interiores.</p><p>Uma das principais tecnologias utilizadas para o desenvolvimento do</p><p>projeto mobiliário é o CAD (Computer Aided Design), que, em tradução</p><p>livre, significa desenho assistido por computador. Os softwares de desenho</p><p>que possuem essa tecnologia possibilitam desenhar bidimensionalmente e</p><p>apresentar o modelo em três dimensões. A tecnologia trabalha com o uso de</p><p>elementos de linguagem visual, juntamente aos recursos matemáticos, para,</p><p>por meio dos comandos do usuário, construir o desenho desejado. O sistema</p><p>CAD permite que o mobiliário seja perspectivado e apresentado também</p><p>em três vistas (frontal, lateral e superior) de acordo com a necessidade de</p><p>apresentação, além de contar com recursos de exatidão métrica. Por isso, é</p><p>muito utilizado entre designers, arquitetos e engenheiros.</p><p>Desenho</p><p>imersão completa nas artes.</p><p>A mulher possuía pouca expressividade no design moderno; entretanto, podemos</p><p>listar alguns nomes importantes de mulheres que agregaram valor aos movimentos</p><p>da época. São elas:</p><p> a arquiteta e designer italiana Gaetana Aulenti (1927–2012), que se destacou no</p><p>período pós-Guerra;</p><p> a arquiteta e designer irlandesa Eileen Gray (1878–1976), pioneira no movimento</p><p>moderno da arquitetura e autora da icônica poltrona Bibendum;</p><p> a arquiteta italiana Cini Boeri, que trabalhava com arquitetura e design de produto,</p><p>criadora de peças icônicas como o Bobo Divano e a Ghost Chair; e</p><p> a arquiteta, desenhista e artista Charlotte Perriand, conhecida por sua colaboração</p><p>com Le Corbusier e Fernand Léger na criação da icônica Chaise LC4.</p><p>No ano de 1952, foi fundada a Escola de Ulm, com ideais políticos, que</p><p>discutia o papel social do design, que naquele momento precisava de uma</p><p>função social definida. Essa escola passou, então, a ramificar a área em dois</p><p>segmentos, sendo eles produto e comunicação; tal segmentação é aplicada</p><p>até hoje e é conhecida como método de Ulm, mudando e consolidando o</p><p>conceito de design.</p><p>De acordo com Pereira (2010), o período contemporâneo teve início antes</p><p>de 1970, com a morte de três grandes mestres da arquitetura e do design: Le</p><p>Corbusier, em 1965, Walter Gropius e Mies Van Der Rohe, ambos em 1969.</p><p>Houve um período de retrocesso do movimento moderno na década de 1950,</p><p>com a desaceleração da economia e o fracasso das cidades modernas; a mu-</p><p>dança pautava os debates sobre arquitetura e design.</p><p>História do mobiliário no mundo14</p><p>Segundo o autor, é impossível solucionar os desafios da contemporaneidade,</p><p>pois trata-se do momento atual, e é impossível termos certezas concretas para</p><p>resolvê-los. Para Pereira (2010), os ideais estéticos da modernidade foram</p><p>substituídos por alguns ideais estéticos identificados como um jogo gramatical</p><p>sem conteúdo — trata-se da era da individualidade coletiva frenética, que</p><p>abrange os séculos XX e XXI. Técnicas avançadas com base em desenhos</p><p>desenvolvidos por software de computador dão origem a propostas amorfas,</p><p>conforme criticam os autores. Talvez seja essa a razão da banalidade das for-</p><p>mas atuais, embora se possa esperar que, a partir do aprofundamento de seu</p><p>conceito, possa-se recuperar a originalidade da arquitetura. Ainda conforme</p><p>Pereira (2010), ao nos perguntarmos sobre a arquitetura contemporânea,</p><p>estamos formulando uma questão impossível de responder, pois estamos</p><p>imersos nessa realidade.</p><p>Como você pode observar, o conhecimento dos estilos arquitetônicos e</p><p>artísticos anteriores não nos proporciona apenas uma base para reflexão sobre</p><p>a evolução e a construção do raciocínio formal e funcional, em termos de</p><p>ordem, tipo e método. Acima de tudo, esse conhecimento condiciona nossos</p><p>novos caminhos ao modelo simplificado inicial, aperfeiçoando-o nos aspectos</p><p>sensoriais e da memória e vivência e adaptando-o à sociedade atual, que se</p><p>molda a partir das transformações do mundo.</p><p>ALENCAR, A. Designers de mobiliário: um estudo de caso sobre o processo de confi-</p><p>guração dos designers contemporâneos brasileiros. 2011. Dissertação (Mestrado em</p><p>Design) — universidade federal de Pernambuco, Programa de Pós-graduação em De-</p><p>sign, Recife, 2011. Disponível em: <https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/3548>.</p><p>Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>BAYER, H. Bauhaus 1919-1928. New York: The Museum of Modern Art, 1938. Disponível</p><p>em: <https://www.moma.org/documents/moma_catalogue_2735_300190238.pdf>.</p><p>Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>KIMERLY, W. How to know period styles in furniture. Michigan: Grand Rapids, 1912. Dispo-</p><p>nível em: <http://www.woodworkslibrary.com/repository/how_to_know_period_sty-</p><p>les_in_furniture.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>GONZALO-FERNANDEZ-CHAIR. Gregory Paolini, [2018]. Largura: 1506 pixels. Altura: 1609</p><p>pixels. Formato: JPG. Disponível em: <http://www.gregorypaolini.com/wp-content/</p><p>uploads/2012/12/Gonzalo-Fernandez-Chair.jpg>. Acesso em: 3 dez. 2018.</p><p>15História do mobiliário no mundo</p><p>MAIA, M. M. B. O que é o design? a dimensão cognitiva da actividade de design — os</p><p>designers nas organizações portuguesas de Design Industrial. 2011. Tese (Doutorado</p><p>em Sociologia Econômica e das organizações) — Universidade Técnica de Lisboa,</p><p>Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa, 2011. Disponível em: <https://www.</p><p>repository.utl.pt/handle/10400.5/4238>. Acesso em: 13 nov 2018.</p><p>PEREIRA, J. R. A. Introdução à história da arquitetura das origens ao século XXI. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2010.</p><p>WILK, C. Marcel Breuer, furniture and interiors. New York: The Museum of Modern</p><p>Art, 1981. Disponível em: <https://www.moma.org/documents/moma_catalo-</p><p>gue_1782_300296422.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BRANDÃO, A. Anotações para uma história do mobiliário brasileiro do século XVIII.</p><p>Revista CPC, São Paulo, n. 9, p. 42-64, 2009. Disponível em: <http://www.revistas.usp.</p><p>br/cpc/article/view/15654/17228>. Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>DAUFENBACH, K. E sempre Bauhaus. Vitruvius, ano 17, v. 201, nº. 3, fev. 2017. Disponível</p><p>em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.201/6434>. Acesso</p><p>em: 13 nov. 2018.</p><p>GIEDION, S. Espaço, tempo e arquitetura: o desenvolvimento de uma nova tradição. São</p><p>Paulo: Martins Fontes, 2004.</p><p>HAYDEN, A. The furniture designers of Thomas Sheraton. London: Gibbings and Company,</p><p>1910. Disponível em: <http://www.survivorlibrary.com/library/the_furniture_designs_</p><p>of_thomas_sheraton_1910.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>MARTINS, E. et al. O papel do designer contemporâneo a partir das contribuições eu-</p><p>ropeias na formação do profissional. Arcos Design, Rio de Janeiro, v. 7, nº. 1, p. 138-156,</p><p>jul. 2013. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/arcosdesign/</p><p>article/download/10000/7877>. Acesso em: 13 nov. 2018.</p><p>História do mobiliário no mundo16</p><p>Conteúdo:</p><p>ERGONOMIA</p><p>APLICADA</p><p>Dulce América de Souza</p><p>Normas para mobiliários</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Conceituar mobiliários e o seu uso residencial, corporativo e urbano.</p><p> Aplicar as normas técnicas relativas aos mobiliários e à ergonomia.</p><p> Desenvolver projetos de mobiliários ergonômicos.</p><p>Introdução</p><p>O projeto de mobiliário representa uma importante atribuição dos pro-</p><p>fissionais de arquitetura e design. As abrangentes áreas de atuação da</p><p>arquitetura exigem conhecimentos técnicos para o projeto de móveis,</p><p>seja em escala urbana ou voltados para os espaços internos. Desses</p><p>conhecimentos, a ergonomia é de comprovada relevância, pois a inter-</p><p>face usuário–arquitetura é intermediada pelo mobiliário. As pesquisas</p><p>antropométricas consolidadas prescrevem dimensionamentos mínimos,</p><p>médios e até padronizados para a execução de móveis que atendam aos</p><p>quesitos de segurança e conforto dos indivíduos.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os aspectos ergonômicos envolvidos</p><p>no projeto de mobiliário. Você também vai verificar as normas técnicas</p><p>publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e os</p><p>padrões dimensionais referenciais para projetos de mobiliários ergonô-</p><p>micos, desenvolvidos com o objetivo de auxiliar os projetistas.</p><p>Mobiliário nos âmbitos doméstico,</p><p>urbano e corporativo</p><p>O termo mobiliário representa um conjunto de móveis ou mobília. A compre-</p><p>ensão generalista do termo móvel o associa a algo que pode ser transportado</p><p>ou deslocado, cujo termo oposto é “imóvel”. Oates (1991) alega que a palavra</p><p>francesa meubles (traduzido como algo transportável) é uma reminiscência</p><p>da Idade Medieval, quando os senhores feudais costumavam deslocar-se</p><p>permanentemente para administrar as suas propriedades distantes e levavam</p><p>consigo alguns dos seus pertences pessoais, como os móveis.</p><p>Rybczynski (1999, p. 40) afirma que “[...] as palavras francesa e italiana</p><p>para mobília — mobiliers e mobili — significam, como a palavra portuguesa,</p><p>‘o que pode ser movido’ (este sentido não existe na palavra</p><p>de móveis para espaços externos12</p><p>O desenho técnico no Brasil é normatizado pela norma ABNT NBR 10067:1995, que</p><p>determina os princípios gerais da representação em desenho técnico. O seu intuito é</p><p>estabelecer um padrão de linguagem técnica no uso de linhas, cotas, escalas, escritas,</p><p>entre outros aspectos. É preciso ter conhecimento dessa norma para empregá-la em</p><p>desenhos técnicos manuais ou apoiados por software.</p><p>Existe uma ampla variação entre os softwares para o desenvolvimento</p><p>de desenhos técnicos e tridimensionais no mercado. Alguns deles são es-</p><p>pecializados em renderização, que é o método de acabamento por meio de</p><p>processamento de objetos, ambientes ou vídeos. Com esse recurso, é possível</p><p>obter acabamentos realísticos e muito detalhados, sendo inclusive exequível</p><p>gerar vídeos para apresentações, aberturas de portas e gavetas de móveis e</p><p>seus interiores, simulação do posicionamento do sol em relação ao ambiente,</p><p>entradas e saídas dos espaços, entre tantos outros recursos.</p><p>As Figuras 9 e 10 trazem duas apresentações de mobiliários que empregam</p><p>técnicas distintas de representação.</p><p>Figura 9. Desenho técnico de balcão desenvolvido em sistema CAD, com detalhamento.</p><p>Fonte: TRA%C3%87O_mobili%C3%A1rio ([2018], documento on-line).</p><p>13Desenho de móveis para espaços externos</p><p>Figura 10. Projeto de área externa em vista superior com acabamento renderizado por</p><p>software.</p><p>Fonte: Adaptada de archideaphoto/Shutterstock.com.</p><p>Muitas são as técnicas de representação de mobiliário que podem ser apli-</p><p>cadas de acordo com a etapa e a necessidade do mesmo. Fazer o uso adequado</p><p>dessas técnicas otimizará os recursos do projeto, evitando erros de produção</p><p>e montagem e diminuindo os riscos de frustração do cliente.</p><p>Utilize sketches rápidos no início do projeto para documentar, discutir e</p><p>melhorar ideias de solução para o mobiliário; escolha técnicas de acabamento</p><p>que valorizem a comunicação do desenho, como lápis de cor, canetas coloridas,</p><p>aquarelas, marcadores entre outros.</p><p>Apresente os desenhos do projeto ao seu cliente com riqueza de detalhes.</p><p>Aplique perspectivas, mostre como os móveis serão capazes de suprir as</p><p>necessidades do espaço com requintes de conforto, durabilidade e resis-</p><p>tência. Utilize softwares que possam propiciar a valorização do projeto do</p><p>mobiliário, como os que possuem capacidade de renderização. Dessa forma,</p><p>o cliente terá condições de visualizar como o mobiliário será inserido em</p><p>sua área externa após a execução. E, se necessário, solicitará alterações para</p><p>melhor adequação.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos14</p><p>Tomadas todas as decisões sobre o mobiliário que deverá ser produzido, esse é o</p><p>momento de representar o mobiliário tecnicamente, de acordo com a padronização</p><p>das normas de desenho técnico, fazendo uso de escalas, cotas, cortes e vistas para</p><p>que toda a especificação necessária chegue à equipe de produção, e não haja dúvidas</p><p>sobre o projeto.</p><p>1. O desenho do mobiliário externo</p><p>pode ser desenvolvido a partir do</p><p>uso de várias técnicas de represen-</p><p>tação. Qual é a técnica de represen-</p><p>tação mais indicada para a comuni-</p><p>cação entre o designer de interiores</p><p>e um marceneiro que executará o</p><p>mobiliário?</p><p>a) Projeção cônica.</p><p>b) Desenho renderizado.</p><p>c) Sketching rápido.</p><p>d) Desenho técnico.</p><p>e) Esboço.</p><p>2. Qual é a função do PF no desenvolvi-</p><p>mento de um desenho de mobiliário</p><p>perspectivado?</p><p>a) Guiar a visão para o posiciona-</p><p>mento dos objetos.</p><p>b) Gerar o desalinhamento dos</p><p>objetos no espaço planificado.</p><p>c) Posicionar a visão na linha de CAD.</p><p>d) Estabelecer a relação do lápis</p><p>com o mobiliário real.</p><p>e) Posicionar o ângulo de visão da</p><p>geometria descritiva.</p><p>3. O processo de desenvolvimento do</p><p>projeto mobiliário de áreas externas</p><p>passa por diversas etapas. Qual é a</p><p>importância do desenho nas etapas</p><p>iniciais do projeto?</p><p>a) Documentar objetos, situar a</p><p>equipe profissional e estabelecer</p><p>regras.</p><p>b) Estimular o briefing, comunicar</p><p>objetivos e definir materiais.</p><p>c) Comunicar as ideias, estimular</p><p>a criatividade e documentar o</p><p>projeto.</p><p>d) Conceber medidas exatas para a</p><p>execução do projeto de ilumi-</p><p>nação.</p><p>e) Comunicar as etapas avançadas</p><p>do projeto por meio do desenho.</p><p>4. Otimizar recursos é essencial em</p><p>qualquer projeto. Como o uso da</p><p>tecnologia em software de desenho</p><p>contribui para a otimização dos</p><p>processos no projeto mobiliário de</p><p>áreas externas?</p><p>a) Verificando erros de perspectiva</p><p>e economizando materiais.</p><p>b) Facilitando as etapas de criação,</p><p>renderização e desenho técnico</p><p>com precisão.</p><p>15Desenho de móveis para espaços externos</p><p>BIS+PONTOS+DE+FUGA+1. Blogspot, [2018]. Largura: 403 pixels. Altura: 413 pixels. For-</p><p>mato: JPG. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_xmwQV3rl5Y4/TTayBA3RypI/</p><p>AAAAAAAABIA/rwVT5QikKuE/s1600/Bis+Pontos+de+fuga+1.jpg>. Acesso em: 31</p><p>out. 2018.</p><p>BORTOLUCCI, M. A. P. C. S. Desenho: teoria & prática. São Carlos: EESC/USP, 2005.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2011.</p><p>CRAFT, B.; CAIRNS, P. Sketching sketching: outlines of a collaborative design method.</p><p>In: British HCI Group Annual Conference on People and Computers, 23., 2009, Cam-</p><p>bridge. Anais… United Kingdom, 2009. Disponível em: <https://dl.acm.org/citation.</p><p>cfm?id=1671011>. Acesso em 31 out. 2018.</p><p>MIGUEL, J. M. C. Brunelleschi: o caçador de tesouros. Vitruvius, ano 4, v. 40, nº. 2, set. 2003.</p><p>Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.040/651>.</p><p>Acesso: 31 out. 2018.</p><p>TRA%C3%87O_MOBILI%C3%A1RIO. Blogspot, [2018]. Largura: 403 pixels. Altura: 333</p><p>pixels. Formato: JPG. Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-1CIvcZAq-RE/T8Pu8T-</p><p>MEEZI/AAAAAAAAAqc/i_eVbfjZrhc/s1600/TRA%C3%87O_mobili%C3%A1rio.jpg>.</p><p>Acesso em: 31 out. 2018.</p><p>c) Atualizando as vistas frontais,</p><p>laterais e superiores do mobiliário</p><p>em tempo real.</p><p>d) Posicionando as estruturas do</p><p>mobiliário no manual de mon-</p><p>tagem preliminar.</p><p>e) Consultando automaticamente a</p><p>ABNT NBR 10067:1995.</p><p>5. Revelar o maior número de detalhes</p><p>no desenho do mobiliário aumenta</p><p>as chances de os erros serem evitados</p><p>e oferece mais segurança ao cliente</p><p>em relação à execução. Como a visão</p><p>espacial contribui para a melhora da</p><p>prática do desenho de mobiliário?</p><p>a) Contribui para a performance</p><p>da colorização do projeto</p><p>mobiliário.</p><p>b) Contribui para melhorar o deta-</p><p>lhamento e ampliar os elementos</p><p>de profundidade.</p><p>c) Contribui para esclarecer o PF do</p><p>desenho em relação à LH.</p><p>d) Contribui com elementos de</p><p>condicionamento estrutural do</p><p>desenho perpendicular.</p><p>e) Contribui com a visualização</p><p>das linhas fugitivas do desenho</p><p>mobiliário em vistas.</p><p>Desenho de móveis para espaços externos16</p><p>Conteúdo:</p><p>DESIGN DO</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Laila Janna Canto</p><p>Tavares</p><p>Mobiliário para</p><p>espaços internos</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir os tipos de mobiliário para espaços internos.</p><p> Identificar os materiais mais adequados para mobiliários de espaços</p><p>internos.</p><p> Aplicar adequadamente o mobiliário em projetos de interiores.</p><p>Introdução</p><p>Móveis são importantes peças que compõem um ambiente. A sua função?</p><p>Atender a diversas necessidades, como guardar objetos, trabalhar, comer,</p><p>sentar, deitar, dormir e relaxar, podendo ser usados de forma individual ou</p><p>agrupada, conforme aponta Smardzewski (2015). Quando combinados,</p><p>criam ambientes e direcionam o vazio por meio de volumes e circulações.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os diferentes tipos de mobiliário para</p><p>espaços internos e os materiais mais adequados para a sua construção. Por</p><p>fim, você vai verificar a aplicação do mobiliário em projetos de interiores.</p><p>Tipos de mobiliário para espaços internos</p><p>Segundo Smardzewski (2015), a classifi cação do mobiliário se dá com base</p><p>no tipo de material utilizado, nos locais de uso, nas atividades desenvolvidas,</p><p>no período histórico, etc. As combinações de móveis criam ambientes dife-</p><p>renciados. Por exemplo, uma cozinha deve possuir um conjunto de armários</p><p>de armazenagem</p><p>altos e baixos ou embutidos, podendo ser complementada</p><p>com uma mesa, cadeiras, um buff et ou um bar. Tudo depende da intenção</p><p>projetual, das atividades a serem desenvolvidas no espaço e do público ao</p><p>qual esse espaço é destinado.</p><p>Esses mobiliários podem ter diferentes propósitos, formas estéticas</p><p>e tecnologias estruturais, e a sua classificação pode se dar pelas suas</p><p>características tecnológicas, funcionais, operacionais e estéticas. Essa</p><p>classificação reúne classes, tipologias, formas e características gerais dos</p><p>mobiliários com base:</p><p> na sua finalidade — de acordo com o seu uso e local;</p><p> na sua funcionalidade — de acordo com a natureza da atividade humana</p><p>associada;</p><p> na sua tecnologia — de acordo com o tipo de material usado, seu tipo</p><p>de tratamento, o método de fabricação do produto e os métodos de</p><p>acabamento de suas superfícies;</p><p> na sua qualidade — de acordo com as características e os requisitos</p><p>dos processos de design, construção e fabricação.</p><p>A partir da sua finalidade, condição e natureza de uso, os móveis podem</p><p>ser subdivididos em três grupos distintos:</p><p> Escritórios e edificações de uso público — mobiliário de escritório,</p><p>escolar, de dormitório, de hotelaria, de cinema, hospitalar, de cozinha,</p><p>de sala comum, etc.</p><p> Espaços residenciais em condomínios ou individuais — mobiliário de</p><p>cozinha, de banho, de jardim, etc.</p><p> Transporte — mobiliário de navios, de trens, de aeronaves, etc.</p><p>Os móveis para escritórios e edificações de uso público ainda podem ser classificados</p><p>em subgrupos, relacionados às atividades humanas às quais são destinados:</p><p> móveis para administração;</p><p> móveis para escritórios e estudos;</p><p> móveis para trabalhadores.</p><p>Mobiliário para espaços internos2</p><p>Segundo Smardzewski (2015), esses mobiliários devem ser adaptados a</p><p>parâmetros antropométricos e devem acomodar todas as necessidades e</p><p>serviços relacionados ao relaxamento, ao descanso, ao sono, ao trabalho, à</p><p>aprendizagem, ao preparo de refeições, à higiene pessoal e às vendas, quando</p><p>necessários. Daí a importância da ergonomia, que orienta as necessidades do</p><p>usuário com formas e acabamentos que possibilitam a realização das atividades</p><p>com garantia de conforto e funcionalidade.</p><p>É importante ressaltar, assim, que, para cada ambiente e cada atividade,</p><p>é necessária uma tipologia de mobiliário adequada, e as características desse</p><p>mobiliário devem atender simultaneamente ao usuário em questão. Tomare-</p><p>mos como exemplo uma edificação residencial, cuja planta é exemplificada</p><p>na Figura 1, e, com base nas especificações desse espaço, listaremos a seguir</p><p>os tipos de mobiliários mais comuns por ambiente (Quadro 1).</p><p>Figura 1. Exemplo de planta residencial.</p><p>Fonte: Adaptada de Jafara/Shutterstock.com.</p><p>3Mobiliário para espaços internos</p><p>Ambiente Mobiliários comuns</p><p>Sala de jantar</p><p> Sofá</p><p> Mesa de apoio lateral</p><p> Mesa de centro</p><p> Painel de TV</p><p> Prateleira e nichos</p><p> Poltrona</p><p>Sala de estar</p><p> Mesa de jantar</p><p> Cadeira</p><p> Console</p><p> Balcão de apoio</p><p>Cozinha</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Cristaleira</p><p> Balcão de preparo</p><p> Mesa</p><p> Cadeira</p><p> Buffet</p><p>Lavanderia</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Balcão de serviço</p><p>Varanda gourmet</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Balcão de preparo e serviço</p><p> Bar</p><p> Mesa</p><p> Cadeira</p><p> Poltrona</p><p> Mesa de centro</p><p> Mesa de apoio</p><p>Banheiro social</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p>Quadro 1. Tipos de mobiliário mais comuns por ambiente (residencial)</p><p>(Continua)</p><p>Mobiliário para espaços internos4</p><p>Ambiente Mobiliários comuns</p><p>Quarto do bebê</p><p> Berço</p><p> Trocador</p><p> Cômoda</p><p> Armário</p><p> Roupeiro</p><p> Cama</p><p> Poltrona</p><p> Cadeira</p><p> Prateleira</p><p> Escrivaninha</p><p>Quarto jovem</p><p> Cama</p><p> Beliche</p><p> Armário</p><p> Roupeiro</p><p> Cômoda</p><p> Poltrona</p><p> Cadeira</p><p> Prateleira</p><p> Escrivaninha</p><p> Painel de TV</p><p>Suíte do casal</p><p> Cama</p><p> Armário</p><p> Roupeiro</p><p> Cômoda</p><p> Poltrona</p><p> Cadeira</p><p> Prateleira</p><p> Escrivaninha</p><p> Penteadeira</p><p> Painel de TV</p><p>Banheiro da suíte Armário</p><p> Prateleira</p><p>Quadro 1. Tipos de mobiliário mais comuns por ambiente (residencial)</p><p>(Continuação)</p><p>5Mobiliário para espaços internos</p><p>Observe que, futuramente, o quarto destinado ao bebê poderá ser substituído</p><p>por mobiliários do quarto denominado jovem, assim como um cômodo de</p><p>tamanho diferenciado (quartos com dimensão menor do que os demais quar-</p><p>tos), comum em apartamentos, pode ser transformado em closet — ambiente</p><p>destinado ao armazenamento de roupas, acessórios, sapatos e bolsas, contendo</p><p>armário, prateleira e roupeiro — ou escritório — ambiente destinado à prática</p><p>de atividades e serviços, contendo mesa, cadeira, armário, prateleira, balcão</p><p>de apoio, mesa de apoio e poltrona. Todas essas mudanças ocorrem quando</p><p>o usuário muda a sua necessidade, e o ambiente passa a conduzir outro uso.</p><p>Tomaremos agora como exemplo uma loja de roupas e calçados, exempli-</p><p>ficada na Figura 2, e, com base nas suas especificações, listaremos a seguir</p><p>os tipos de mobiliários mais comuns por ambiente (Quadro 2).</p><p>Figura 2. Exemplo de planta comercial.</p><p>Fonte: Adaptada de Tele52/Shutterstock.com.</p><p>Mobiliário para espaços internos6</p><p>Ambiente Mobiliários comuns</p><p>Salão principal</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Balcão de apoio</p><p> Nicho</p><p> Cadeira</p><p> Poltrona</p><p> Mesa de apoio</p><p> Mesa de centro</p><p>Depósito</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p>Sala administrativa</p><p> Mesa</p><p> Cadeira</p><p> Armário</p><p> Poltrona</p><p> Prateleira</p><p>Banheiro</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p>Copa</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Balcão de apoio</p><p> Mesa</p><p> Cadeira</p><p>Depósito de material de limpeza</p><p> Armário</p><p> Prateleira</p><p> Balcão de apoio</p><p>Quadro 2. Tipos de mobiliário mais comuns por ambiente (comercial)</p><p>Chamamos de programa de necessidades a ação de listar as necessidades</p><p>básicas dos seus usuários e organizar, assim, a composição dos seus ambientes</p><p>e mobiliários. Esse estudo busca avaliar a potencialidade de cada ambiente</p><p>para o seu melhor aproveitamento funcional e a sua melhor apreensão estética.</p><p>7Mobiliário para espaços internos</p><p>Materiais mais adequados para mobiliários</p><p>de espaço interno</p><p>Cada material ou design aplicado ao mobiliário corresponderá a uma neces-</p><p>sidade. Ching e Binggeli (2013) mostram alguns exemplos de mobiliários</p><p>por ambiente e a sua utilização. A partir disso, podemos relacionar o melhor</p><p>material para cada tipo de mobiliário.</p><p>Ao se especificar materiais de acabamento, há alguns fatores a serem</p><p>considerados:</p><p> Critério funcional — segurança, saúde e conforto; durabilidade no pe-</p><p>ríodo de uso previsto; facilidade de limpeza, manutenção e reparo; grau</p><p>de necessário de resistência ao fogo; propriedades acústicas adequadas.</p><p>Por exemplo: materiais metálicos podem ser utilizados na confecção</p><p>de móveis, mas a sua utilização é mais comum em estruturas e aces-</p><p>sórios, visto que um móvel metálico remete esteticamente a ambientes</p><p>empresariais e hospitalares.</p><p> Critério estético — cor, seja natural ou aplicada; textura; padrão. Por</p><p>exemplo: o MDF ou MDP podem ser utilizados devido ao seu baixo</p><p>custo quando revestidos, garantindo maior durabilidade e menor custo,</p><p>podendo, inclusive, ser utilizados em áreas úmidas.</p><p> Critério econômico — custo inicial de aquisição e instalação; avaliação do</p><p>ciclo de vida (ACV) dos materiais e produtos, incluindo desde os impactos</p><p>das matérias-primas até a reciclagem ao fim da vida útil. Por exemplo:</p><p>quando não utilizada de forma maciça, a madeira pode ser em finas lâminas,</p><p>que, apesar da menor resistência quando comparada com a peça maciça,</p><p>garante uma solução visual e estética interessante com um custo menor.</p><p> Critério de projeto sustentável — minimização do uso de materiais</p><p>novos e maximização do reúso de materiais existentes; uso de mate-</p><p>riais com conteúdo reciclado; uso de materiais de fontes sustentáveis</p><p>ou locais rapidamente renováveis e certificados; uso de produtos de</p><p>fabricantes que empregam processos sustentáveis; minimização de lixo</p><p>na construção, instalação e embalagem; durabilidade e flexibilidade</p><p>de uso; redução da energia incorporada na fabricação e no transporte.</p><p>Mobiliário para espaços internos8</p><p>Por exemplo: Madeira tem maior resistência, mas contribui para o</p><p>desmatamento de grandes áreas.</p><p>Cadeiras, bancos e banquetas</p><p> Materiais predominantes:</p><p>■ estrutura em madeira, plástico, alumínio ou acetato;</p><p>■ alumínio, madeira ou plástico na sua base (giratória ou não), rodízios</p><p>e braços;</p><p>■ tecidos para estofamento, conforme necessidade.</p><p> Cadeiras escrivaninha: projetadas para serem flexíveis e móveis;</p><p>mecanismos giratórios com rodízios; com apoio de braços.</p><p> Cadeiras executivo: frequentemente projetadas como símbolos de</p><p>status; permitem ao usuário se reclinar para trás; giratórias; não são</p><p>adequadas para longo uso ao computador (Figura 3).</p><p> Cadeiras de empilhar e de dobrar: utilizadas para grandes agrupa-</p><p>mentos de pessoas ou como assentos auxiliares; são leves e moduladas;</p><p>frequentemente fabricadas em aço, alumínio ou plástico; algumas estão</p><p>disponíveis com apoios para braços e têm assento e espaldar forrados;</p><p>algumas têm mecanismos de conexão para serem utilizadas em fileiras.</p><p> Cadeiras de restaurante: devem ser resistentes; o nível de conforto</p><p>costuma ser escolhido conforme o tipo de serviço; as cadeiras com</p><p>braços devem ser coordenadas com a altura dos tampos de mesa; o</p><p>tamanho da cadeira afeta os padrões de assento (Figura 3).</p><p> Cadeiras de aproximação: geralmente mais leves e menores do que as</p><p>poltronas; espaldares verticais para estudar e fazer refeições.</p><p> Cadeiras sem suporte de braços: para relaxar em uma posição parcial-</p><p>mente inclinada; muitas vezes são reguláveis; devem ser fáceis de sentar</p><p>e levantar, nem muito baixas e nem muito macias; devem dar suporte</p><p>adequado às costas; destinam-se também a visitantes ao escritório ou</p><p>para uso rápido; geralmente têm tamanho pequeno.</p><p> Bancos: devem ser selecionados de acordo com sua estabilidade e</p><p>facilidade de movimento, bem como sua aparência (Figura 3).</p><p> Banquetas: assentos longos e geralmente estofados voltados para mesas</p><p>múltiplas; permitem que sejam deslocados ao longo da mesa e reunidos</p><p>para acomodar tamanhos variáveis de grupos.</p><p>9Mobiliário para espaços internos</p><p>Figura 3. Cadeiras e banquetas.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 328).</p><p>Estofados e poltronas</p><p> Materiais predominantes:</p><p>■ estrutura interna em madeira;</p><p>■ estofamento em couro ou tecido, podendo ou não conter aplicações</p><p>em plástico;</p><p>■ plástico, madeira ou alumínio em sua base;</p><p>■ braços ou estruturas externas aparentes em alumínio ou madeira.</p><p> Assentos para auditórios: fornecem absorção acústica além da função</p><p>de sentar; há exigências para prevenção de incêndio quanto aos materiais</p><p>e à disposição dos assentos.</p><p> Poltronas: servem para descansar, conversar ou ler; são completamente</p><p>estofadas; fabricadas em madeira, plástico, aço ou uma combinação</p><p>de materiais (Figura 4).</p><p> Sofás: projetados para acomodar duas ou mais pessoas; geralmente são</p><p>estofados; curvos, retos ou angulares; com ou sem braços.</p><p> Conjunto de sofá: sofá dividido em partes que pode ser montado de</p><p>diferentes maneiras.</p><p> Namoradeiras: pequeno sofá com apenas dois lugares.</p><p>Mobiliário para espaços internos10</p><p>Figura 4. Poltrona.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 326).</p><p>Mesas</p><p> Materiais predominantes:</p><p>■ estrutura em madeira, alumínio, MDF ou MDP revestidos com la-</p><p>minado ou laca;</p><p>■ tampo de vidro, madeira, alumínio, plástico, MDF ou MDP revestidos</p><p>com laminado ou laca.</p><p> Mesas: as mesas são superfícies planas e horizontais sustentadas pelos pisos</p><p>(Figura 5) e devem seguir os atributos de força e estabilidade, tamanho,</p><p>formato e altura; fabricação em materiais duradouros; seus tampos podem</p><p>ser de madeira, vidro, plástico, pedra, metal, azulejo ou concreto; o acaba-</p><p>mento da superfície deve ser duradouro e ter boa resistência ao desgaste; a</p><p>cor e a textura da superfície devem ter refletância de luz adequada à tarefa</p><p>visual. Seus tampos podem ser sustentados por pernas, cavaletes, bases</p><p>sólidas ou gaveteiros, podendo estar embutidos e ser baixados de estantes</p><p>de parede e se apoiar em pernas ou suportes retráteis.</p><p>11Mobiliário para espaços internos</p><p>Figura 5. Mesas.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 332).</p><p>Camas</p><p> Materiais predominantes em seu uso:</p><p>■ estrutura interna em madeira ou metais como ferro;</p><p>■ estofamento em tecido forrado e acolchoado, podendo ou não conter</p><p>aplicações em plástico;</p><p>■ plástico, madeira ou alumínio em sua base.</p><p> Camas: as camas consistem em dois componentes: colchão e base ou</p><p>estrutura de apoio (box), também podendo conter cabeceiras (Figura 6).</p><p> Sofá-cama: sofá projetado para ser transformado em cama.</p><p>Mobiliário para espaços internos12</p><p>Figura 6. Cama.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 336).</p><p>Roupeiros e armários</p><p> Materiais predominantes:</p><p>■ estrutura em madeira, MDF ou MDP revestidos com laminado ou</p><p>laca, metais como ferro ou alumínio;</p><p>■ portas de madeira, MDF ou MDP revestidos com laminado ou laca,</p><p>metais como ferro ou alumínio, vidro comum ou espelhado e acetato.</p><p> Roupeiros: móveis embutidos podem ajudar a manter as linhas de um</p><p>dormitório limpas e evitar que o ambiente fique atravancado.</p><p> Armários: móveis com portas frontais e frequentemente gavetas na</p><p>base (Figura 7).</p><p> Secretárias ou escrivaninhas e cômodas altas com pernas: têm</p><p>frentes que se abrem para baixo para criar uma superfície com gavetas</p><p>na parte inferior (Figura 7).</p><p> Armazenagem: são prateleiras, gavetas e armários fechados; suspensos</p><p>no teto, instalados na parede ou sobre o piso, como móveis indepen-</p><p>dentes; as unidades podem ter frentes abertas ou portas com ou sem</p><p>vidraças, ou mesmo persianas (Figura 7).</p><p>13Mobiliário para espaços internos</p><p>Figura 7. Armários.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 338-339).</p><p>Aplicação do mobiliário ao projeto de interiores</p><p>Para a composição de um ambiente interno, é preciso, antes de mais nada,</p><p>atender a questões estéticas, funcionais e simbólicas do ambiente, conferindo</p><p>harmonia entre os seus elementos. Ching e Binggeli (2013) correlaciona os</p><p>conceitos de forma, dimensão, cor, textura, luz, proporção, escala, equilí-</p><p>brio, harmonia, homogeneidade, variedade, ritmo e ênfase à composição</p><p>dos ambientes.</p><p>Essa composição do ambiente diz respeito à relação entre a forma humana</p><p>e as dimensões do espaço, ao tamanho e à disposição dos objetos de mobiliário,</p><p>aos acessórios e às atividades desenvolvidas no ambiente. Ching e Binggeli</p><p>(2013) não incluem as dimensões humanas, mas abordam a relação humana</p><p>com os espaços, os objetos e as atividades nos seus estudos sobre a composição</p><p>de ambientes. O Quadro 3 nos mostra os princípios do design de interiores</p><p>apontados por diferentes autores.</p><p>Mobiliário para espaços internos14</p><p>Fonte: Adaptado de Gubert (2011).</p><p>Princípios de projeto</p><p>Ching e Binggeli Gurgel Gibbs</p><p>Proporção Equilíbrio Dimensões humanas</p><p>Escala Harmonia Escala e proporção</p><p>Equilíbrio Unidade e variedade Linha, plano, volume (datum)</p><p>Harmonia Ritmo Simetria e assimetria</p><p>Unidade e variedade Escala e proporção Equilíbrio e contraste</p><p>Ritmo Constraste Ritmo e repetição</p><p>Ênfase Ênfase e centro</p><p>de interesse</p><p>Centro de interesse (focal</p><p>point)</p><p>Quadro 3. Princípios do design de interiores</p><p>Para Ching e Binggeli (2013), a proporção se refere à relação entre partes da</p><p>composição, seja de uma parte com outra, com o todo, ou entre um objeto e outro</p><p>(Figura 8). Para esses autores, a proporção é um fundamento lógico estético usado</p><p>para garantir as relações dimensionais entre as partes de uma construção visual.</p><p>Figura 8. Proporção.</p><p>Fonte: Adaptada de Breadmaker/Shutterstock.com.</p><p>15Mobiliário para espaços internos</p><p>O princípio de projeto denominado escala se refere ao tamanho de algo</p><p>relacionado a um padrão conhecido ou a uma constante conhecida (Figura 9).</p><p>Para Gubert (2011), a escala humana utiliza a ergonomia para determinar alturas,</p><p>distâncias e outras dimensões do objeto.</p><p>Figura 9. Escala.</p><p>Fonte: Adaptada de Photographee.eu/Shutterstock.com.</p><p>O equilíbrio está associado à maneira como os elementos estão dispostos</p><p>no ambiente</p><p>(Figura 10), identificados como uma unidade, considerando área</p><p>de circulação, atividades realizadas e iluminação.</p><p>Figura 10. Equilíbrio.</p><p>Fonte: Adaptada de Beyond Time/Shutterstock.com.</p><p>Mobiliário para espaços internos16</p><p>Já a harmonia é relativa à composição como um todo e está relacionada</p><p>com a consonância por meio da combinação das peculiaridades comuns dos</p><p>elementos — como tamanho, cores, valores, formas, texturas, materiais, ilu-</p><p>minação, entre outros — com a maneira como estão organizados (Figura 11).</p><p>Figura 11. Harmonia.</p><p>Fonte: Adaptada de Enginakyurt/Shutterstock.com.</p><p>O ritmo pode ser facilmente identificado pela repetição de um elemento ou</p><p>forma (Figura 12), podendo incluir um intervalo regular, objetos ou formas idênticas</p><p>em uma trajetória retilínea ou uma série de elementos arquitetônicos repetidos.</p><p>Figura 12. Ritmo.</p><p>Fonte: Adaptada de Macrovector/Shutterstock.com.</p><p>17Mobiliário para espaços internos</p><p>O contraste é observado quando um elemento se sobressai quando disposto</p><p>próximo a outro, podendo haver contraste de cor, luz, texturas, tamanhos,</p><p>formas (Figura 13) e posicionamento.</p><p>Figura 13. Contraste.</p><p>Fonte: Adaptada de Pataporn Kuanui/Shutterstock.com.</p><p>É um instinto natural do ser humano se sentir atraído por um ponto fixo</p><p>dentro do espaço que naturalmente busca um foco, conforme leciona Gubert</p><p>(2011). Os centros de interesse podem ser destaques centrais ou não de uma</p><p>peça ou elemento arquitetônico específico (Figura 14), bem como uma paisagem</p><p>em destaque em um espaço em que todo o posicionamento do design segue</p><p>uma lógica própria, ainda conforme Gubert (2011).</p><p>Figura 14. Centro de interesse.</p><p>Fonte: Adaptada de Urfin/Shutterstock.com.</p><p>Mobiliário para espaços internos18</p><p>Um ponto interessante sobre a aplicação de mobiliários em projetos de</p><p>interiores, trazido por Gubert (2011), diz respeito ao emprego de padronagens,</p><p>texturas e estampas com base nos princípios de projeto, como unidade, varie-</p><p>dade, ênfase e contraste. A padronagem é uma composição visual que se dá</p><p>pela repetição de formas e demais elementos gráficos, para aplicação sobre a</p><p>superfície de produtos e revestimentos. Pode ser aplicada nos seguintes materiais:</p><p> Têxteis — móveis estofados.</p><p> Materiais naturais — madeira; alumínio; ferro.</p><p> Materiais sintéticos — madeira plástica; polímeros gerais; acetato.</p><p>CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores Ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Book-</p><p>man, 2013.</p><p>GUBERT, M. L. Design de interiores: a padronagem como elemento compositivo no</p><p>ambiente contemporâneo. 2011. Dissertação (Mestrado) — Faculdade de Arquitetura,</p><p>Programa de Pós-graduação em Design, Universidade Federal do Rio Grande do</p><p>Sul, Porto Alegre, 2011. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/36398>.</p><p>Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>SMARDZEWSKI, J. Furniture design. Viena: Springer, 2015. Disponível em: <http://1.dro-</p><p>ppdf.com/files/EgYn2/furniture-design-2015-.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BATHISTA, A. L. B.; SILVA, S. E. O. Conhecendo materiais polímeros. Universidade Federal</p><p>de Mato Grosso, Instituto de Ciências Exatas e da Terra, Departamento de Física, Cuiabá,</p><p>2003. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000223.</p><p>pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>BRONDANI, S. A. et al. Uso de papelão como possível material no design de interio-</p><p>res. In: Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 24., 2009, Salvador. Anais...</p><p>Bahia, 2009. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2009_TN_</p><p>STP_095_647_12967.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>CABRAL, S. C. et al. Características comparativas da madeira plástica com a madeira</p><p>convencional. Revista Vozes dos Vales, ano 5, nº. 10, p. 1-20, out. 2016. Disponível em:</p><p><http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2016/09/Stenio22.pdf>. Acesso</p><p>em: 30 nov. 2018.</p><p>19Mobiliário para espaços internos</p><p>CONCEIÇÃO, C. M. O couro no Brasil. 2001. Trabalho de Conclusão de Curso (Especia-</p><p>lização) — Departamento de Pós-graduação, Universidade Cândido Mendes, Rio de</p><p>Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.avm.edu.br/monopdf/22/CLAUDILENA%20</p><p>MURRO%20DA%20CONCEICAO.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>EDWARD, C. Aluminium furniture, 1886-1986: the changing applications and reception of</p><p>a modem material. Journal of Design History, v. 14, nº. 3, p. 207-225, 2001. Disponível em:</p><p><http://www.arch.mcgill.ca/prof/sijpkes/aaresearch-2012/12-student-files/aluminum-</p><p>-history.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>PINHEIRO, F. C. Evolução do uso do vidro como material de construção civil. 2007. Trabalho</p><p>de Conclusão de Curso (Especialização) — Curso de Engenharia Civil, Universidade de</p><p>São Francisco, Itatiba. 2007. Disponível em: <http://lyceumonline.usf.edu.br/salavirtual/</p><p>documentos/1045.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>TEIXEIRA, J. A. A utilização dos materiais no design e a competitividade da indústria moveleira</p><p>da região metropolitana de Curitiba: um estudo de caso. 2000. Dissertação (Mestrado)</p><p>— Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal</p><p>de Santa Catarina, Florianópolis, 2000. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/</p><p>bitstream/handle/123456789/78290/177445.pdf?sequence=1>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>THOMEO, Y. C. Design de mobiliário brasileiro moderno e contemporâneo: um diálogo formal.</p><p>2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) — Curso de graduação em Design,</p><p>Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design, Universidade Federal de Uberlândia,</p><p>Uberlândia, 2017. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/20793/3/</p><p>DesignMobili%C3%A1rioBrasileiro.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>Mobiliário para espaços internos20</p><p>Conteúdo:</p><p>DESIGN DO</p><p>MOBILIÁRIO</p><p>Camila de Cássia das</p><p>Dores Ogava</p><p>Mobiliário para</p><p>espaços externos</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir os tipos de mobiliário para espaços externos.</p><p> Identificar os materiais mais adequados para mobiliários de espaços</p><p>externos.</p><p> Aplicar adequadamente o mobiliário em projetos de espaços externos.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai aprender a promover bem-estar, conforto e</p><p>adequação em espaços externos por meio do planejamento do mobiliário</p><p>utilizado. Apesar de se tratar de áreas externas, esses espaços também</p><p>fazem parte da responsabilidade do designer de interiores, uma vez que a</p><p>área externa faz parte do interior de uma construção, conforme lecionam</p><p>Brooker e Stone (2014). Além disso, é nas áreas externas que se concentram</p><p>a maior parte das atividades de lazer e relaxamento de uma residência,</p><p>o que faz dessa área um lugar determinante para o bem-estar dos seus</p><p>moradores.</p><p>Passo a passo</p><p>A escolha do mobiliário para áreas externas deve ter como base as necessidades</p><p>daqueles que utilizarão o espaço. Para conhecer essas necessidades, deve-se partir</p><p>de um processo que envolve a busca por informações, a priorização de necessi-</p><p>dades e a tomada de decisões, etc. Para que esse processo ocorra de forma efi caz,</p><p>o designer de interiores pode fazer uso de etapas metodológicas de projeto.</p><p>Há uma variedade de metodologias de projeto de design, que contam com</p><p>uma diversidade de passos que podem ser adaptados de acordo com o projeto</p><p>e a experiência do profissional. Os passos apresentados a seguir consistem em</p><p>uma adaptação das etapas da metodologia de projeto de design de produtos</p><p>para o design de interiores, de forma simplificada.</p><p>Passo 1 — Recolhimento de dados. Utilize ferramentas como reuniões, entre-</p><p>vistas, etc., para descobrir exatamente o que o seu cliente espera do ambiente;</p><p>ou seja, faça um briefi ng, que nada mais é do que levantar as informações</p><p>para o seu projeto. Descubra como o seu cliente pretende usar a área de lazer:</p><p>se pretende receber convidados com frequência, se deseja uma área externa</p><p>preparada para o relaxamento, se haverá piscina, etc. — ter conhecimento</p><p>dessas informações é imprescindível para nortear o seu projeto. Para fazer</p><p>o briefi ng, tenha</p><p>em mãos algo em que você possa anotar as informações —</p><p>pode ser um caderninho, celular ou computador. Busque obter o máximo de</p><p>informações e anote todos os detalhes que achar relevantes.</p><p>Passo 2 — Levantamento métrico. Depois de compreender as necessidades</p><p>do seu cliente, é preciso conhecer o espaço externo que receberá o projeto,</p><p>que pode ser um quintal, uma piscina, uma varanda ou, ainda, uma sacada</p><p>de apartamento. O tamanho do espaço, em metros quadrados, é determinante</p><p>para a escolha dos mobiliários; assim, é necessário fazer um levantamento</p><p>de medidas, ou levantamento métrico. Para realizar esse levantamento, você</p><p>deve ter em mãos uma trena, que pode ser manual ou digital, e um caderno</p><p>de esboços ou prancheta, para que você possa rascunhar rapidamente a planta</p><p>do espaço e as primeiras ideias de onde fi carão os móveis. Tire todas as me-</p><p>didas necessárias e fotografe o espaço, se possível, para que tenha certeza da</p><p>confi guração espacial quando estiver desenvolvendo o projeto.</p><p>Outro fator que deve ser levado em consideração nessa etapa é se o espaço</p><p>é coberto, parcialmente coberto ou totalmente descoberto. No caso de ser</p><p>parcialmente coberto, verifique as medidas das áreas cobertas e descobertas,</p><p>já que essa característica também influenciará a escolha dos mobiliários</p><p>utilizados para compor o ambiente. Espaços parcialmente cobertos devem</p><p>receber o mesmo tratamento de espaços totalmente descobertos, uma vez que</p><p>também estão sujeitos às variações de clima.</p><p>Veja na Figura 1 exemplos de áreas externas cobertas, descobertas e par-</p><p>cialmente cobertas.</p><p>Mobiliário para espaços externos2</p><p>Figura 1. Áreas externas: (a) parcialmente coberta, (b) totalmente coberta e (c)</p><p>totalmente descoberta.</p><p>Fonte: (a) Pergolado... (2018, documento on-line); (b) Coberturas... ([2018], documento on-</p><p>-line); (c) Agora... ([2018], documento on-line).</p><p>3Mobiliário para espaços externos</p><p>Passo 3 — Geração de alternativas. A partir das informações e medidas</p><p>coletadas nos passos anteriores, deve-se realizar os primeiros esboços do</p><p>projeto. Eles podem ser executados manualmente ou por meio de progra-</p><p>mas de computador especializados; assim você conseguirá visualizar melhor</p><p>onde fi carão os móveis e equipamentos (Figura 2). Esse esboço também será</p><p>imprescindível para apresentar ao seu cliente suas propostas, para que vocês</p><p>possam, em conjunto, discutir ajustes e melhorias.</p><p>Figura 2. Esboço do projeto — determinação visual de onde estarão os móveis.</p><p>Fonte: Toa55/Shutterstock.com.</p><p>A área externa é geralmente utilizada como área de lazer; assim, ela deve ser funcional</p><p>e confortável. Faça o projeto de modo que não sejam empregados móveis e equipa-</p><p>mentos desnecessários. É importante também planejar corredores de circulação entre</p><p>os mobiliários — o espaço mínimo para circulação é entre 60 e 70 cm, enquanto um</p><p>espaço ótimo mede 80 cm.</p><p>Mobiliário para espaços externos4</p><p>Passo 4 — Moodboard: um projeto de interiores deve contar com o auxílio</p><p>de um painel de inspiração, que pode ser chamado de moodboard. Esse painel</p><p>permite que o designer busque referências em projetos de áreas semelhantes</p><p>e se inspire no estilo de vida que os usuários daquele ambiente possuem;</p><p>tudo isso servirá de apoio para a construção do projeto, especialmente para</p><p>defi nir o estilo que o espaço terá. Trata-se de uma ferramenta muito utilizada</p><p>na área do design.</p><p>O moodboard também vai ajudar a construir a cartela de cores que será</p><p>utilizada no ambiente, visando a garantir a satisfação estética do ambiente.</p><p>O designer poderá orientar o cliente a respeito da harmonização de cores</p><p>e estilos; no entanto, deve-se levar em consideração os gostos pessoais do</p><p>cliente, afinal, é ele quem desfrutará cotidianamente desse espaço. As cores</p><p>complementam o projeto, e cada projeto deve ter uma estética apropriada ao</p><p>objetivo do espaço, conforme leciona Baxter (2001).</p><p>Segundo Heller (2013), as cores possuem relações diretas com o emocional humano;</p><p>combinações harmoniosas podem potencializar o bem-estar e o relaxamento, além</p><p>de trazerem mais energia e vibração.</p><p>Escolha cores que sejam harmoniosas na composição e que favoreçam o</p><p>ambiente. As dimensões do espaço também poderão ser privilegiadas com o</p><p>bom uso da cartela de cores: tons mais claros dão a impressão de ampliação</p><p>do espaço, enquanto tons mais escuros propiciam o efeito oposto.</p><p>Na Figura 3, pode-se verificar o exemplo de um moodboard, no qual é</p><p>definida a cartela de cores e são apresentadas imagens de referências.</p><p>5Mobiliário para espaços externos</p><p>Figura 3. Exemplo de moodboard.</p><p>Fonte: 9bef837c612f57b0019290b1c361c711.jpg ([2018], documento on-line).</p><p>Esses primeiros passos metodológicos vão auxiliar no projeto, fazendo com</p><p>que seu desenvolvimento ocorra de forma mais assertiva, coerente e célere.</p><p>O uso de técnicas metodológicas já no início do projeto tende a otimizar o tempo de</p><p>planejamento e conduzir o projeto de maneira assertiva desde as primeiras conversas</p><p>com os clientes até a etapa de escolha do mobiliário. A escolha do mobiliário deve</p><p>sempre estar baseada nas necessidades de usabilidade do ambiente, no bem-estar dos</p><p>usuários, no equilíbrio orçamentário, na resistência dos materiais, na fácil manutenção e</p><p>na harmonização estética. O mobiliário visa atender necessidades e valorizar o ambiente.</p><p>Deve-se sempre verificar os materiais mais apropriados para as áreas externas, já que,</p><p>por estarem geralmente ao ar livre, o mobiliário e a decoração deverão ser resistentes</p><p>à exposição total ou parcial ao sol, à chuva e à poeira, além de ser de fácil manutenção.</p><p>Mobiliário para espaços externos6</p><p>Materiais mais adequados</p><p>Você já sabe que o mobiliário externo tende a fi car exposto ao clima, salvo os</p><p>casos em que a área externa é totalmente fechada, sem risco de contato com</p><p>a chuva e o sol, por exemplo. Os principais itens a serem observados nesse</p><p>tipo de mobiliário são: conforto, durabilidade e resistência. Vejamos a seguir</p><p>alguns materiais que podem ser empregados nesses elementos.</p><p>Polímeros, metais, tecidos e madeira</p><p>O conforto está diretamente ligado ao bem-estar e à comodidade dos usuá-</p><p>rios dos espaços externos; portanto, opte por materiais agradáveis ao toque,</p><p>esteticamente condizentes e de fácil manutenção. Parte do conforto desses</p><p>ambientes pode ser proporcionado por estofados em cadeiras, poltronas, sofás,</p><p>almofadas e espreguiçadeiras.</p><p>Use a tecnologia a favor do seu projeto. Atualmente a indústria têxtil</p><p>tem produzido uma diversidade de materiais impermeáveis, capazes de</p><p>oferecer opções confortáveis, macias, em uma infinidade de cores, estampas</p><p>e texturas e de fácil limpeza — estes são ideais para compor o mobiliário</p><p>da área externa.</p><p>Um dos tecidos impermeáveis mais utilizados no estofamento de mobiliários externos</p><p>é conhecido como acquablock, que pode ser composto de fibras de algodão ou sinté-</p><p>ticas. Esse tecido é revestido por um tipo de resina que o impermeabiliza, tornando-o</p><p>resistente à infiltração de líquidos e poeira. A resina não tira do tecido a maciez do</p><p>toque e ainda permite uma grande variedade de cores e estampas.</p><p>Na Figura 4 são mostrados exemplos de móveis compostos por alguns</p><p>materiais que veremos a seguir.</p><p>7Mobiliário para espaços externos</p><p>Figura 4. Exemplos de mobiliários externos que reúnem estilo e conforto.</p><p>Fonte: (a) Móveis... ([2018], documento on-line); (b) Tshooter/Shutterstock.com; (c) AnnaTamila/</p><p>Shutterstock.com; (d) VDB Photos/Shutterstock.com.</p><p>Tratando-se de mobiliários de área externa, é importante que materiais de</p><p>boa durabilidade e resistência sejam priorizados. Deve-se levar em conside-</p><p>Mobiliário para espaços externos8</p><p>ração sua exposição ao sol, à chuva, a elementos químicos como cloro — no</p><p>caso de o espaço conter piscina — e maresia — no caso de áreas próximas</p><p>ao mar. Opte por materiais que tenham características de resistência a esses</p><p>fatores ou que possuam tratamentos específicos para aumentarem sua vida útil.</p><p>Madeira. Um material bastante resistente é a madeira,</p><p>que pode ser usada em</p><p>ambientes externos. Mas, para isso, a maioria das madeiras naturais precisam passar</p><p>por um tratamento químico — essa prática é comum em casas especializadas.</p><p>Em casos onde não se possa encontrar a peça desejada em madeira já tratada,</p><p>será possível usar recursos como aplicação de vernizes específi cos para fi ns de</p><p>exposição. Esses vernizes aumentarão a resistência da madeira às variações de</p><p>temperatura e ao mofo — o stain costuma ser o verniz mais usado para esse fi m.</p><p>Alguns tipos de madeira não costumam sofrer com a infestação de cupins,</p><p>mas a maioria das madeiras pode ter esse problema. Assim, sempre verifique</p><p>a possibilidade de haver infestação de cupins no local; em caso positivo, uma</p><p>descupinização especializada deverá ser realizada para garantir uma vida útil</p><p>maior às peças de madeira. Materiais como MDF (medium density fiberboard)</p><p>e MDP (medium density pannel), que são madeiras reconstituídas, não podem</p><p>ficar expostos à água, visto que a resina de sua composição é à base de água.</p><p>No entanto, o chamado MDF náutico ou naval possui melhor resistência,</p><p>podendo ser utilizado na marcenaria de ambientes que recebam pouca água.</p><p>Na Figura 5, observe que a mesa e as cadeiras são feitas de madeira e possuem</p><p>acabamento em verniz.</p><p>Figura 5. Mesa e cadeiras de madeira envernizada.</p><p>Fonte: OlegD/Shutterstock.com.</p><p>9Mobiliário para espaços externos</p><p>Polímeros. Um material muito utilizado em áreas externas pela praticidade</p><p>e pelo custo acessível é o plástico. Mesas, cadeiras e espreguiçadeiras desse</p><p>material são facilmente encontradas, inclusive com estéticas mais atuais. O</p><p>material é impermeável, o que facilita sua limpeza; além disso, apresenta</p><p>poucos problemas com produtos químicos, como o cloro, e é resistente</p><p>à maresia. Porém, a exposição por longos períodos ao sol pode causar o</p><p>ressecamento do plástico; por consequência, o material tende a apresentar</p><p>rachaduras e quebras. Na Figura 6, observa-se um modelo de cadeira de</p><p>praia tradicionalmente produzido em madeira, nesse caso produzido em</p><p>plástico colorido.</p><p>Figura 6. Cadeiras de plástico em modelo tradicional-</p><p>mente feito de madeira.</p><p>Fonte: V J Matthew/Shutterstock.com.</p><p>Outro polímero com ótima aceitação para áreas externas é a fibra sinté-</p><p>tica, fabricada a partir de polímeros de alta resistência. Está muito presente</p><p>em projetos de interiores para espaços externos, devido à sua resistência,</p><p>durabilidade e fácil manutenção. O oposto ocorre com as fibras naturais que,</p><p>embora de grande atrativo estético, tendem a ter uma vida útil reduzida. Já a</p><p>fibra sintética apresenta boa resistência ao clima, não sofre com ataques de</p><p>Mobiliário para espaços externos10</p><p>fungos e possui grande variação de cores e espessuras. Móveis produzidos</p><p>com esse material oferecem um visual natural e ao mesmo tempo descolado</p><p>para o ambiente. A Figura 7 apresenta um conjunto de sofá e poltronas em</p><p>fibra sintética, com estética requintada e natural.</p><p>Acesse o link a seguir para saber mais sobre a fibra sintética e os benefícios do seu uso.</p><p>https://goo.gl/xxksNi</p><p>Figura 7. Sofá e poltronas de fibra sintética.</p><p>Fonte: Conjunto-hortencia_2014-07-25_14-30-55_0.jpg ([2018], documento on-line).</p><p>Metais. Um dos metais mais indicados para uso externo é o alumínio, pois suas</p><p>características físicas apresentam excelente desempenho em relação à exposição</p><p>ao clima. Além disso, pode ser empregado em uma grande variedade de designs.</p><p>O alumínio não costuma apresentar problemas com rachaduras e quebras; sua</p><p>manutenção e limpeza são simples, e ele pode ser utilizado até mesmo em</p><p>espreguiçadeiras que fi cam em contato com a piscina. Porém, grandes períodos</p><p>11Mobiliário para espaços externos</p><p>em contato com o cloro podem danifi car as peças. É possível encontrar móveis</p><p>de alumínio com pinturas diversas, geralmente eletrostáticas, o que também é</p><p>uma boa opção, uma vez que oferece variedade estética. No entanto, a pintura,</p><p>com o tempo, pode descascar. A cadeira e a mesa da Figura 8 possuem estruturas</p><p>em alumínio sem pintura.</p><p>Figura 8. Mesa e cadeira de alumínio para área externa.</p><p>Fonte: O conforto... ([2018], documento on-line).</p><p>Embora o ferro seja um metal muito acessível, sua utilização em áreas</p><p>externas possui restrições, uma vez que a exposição do material ao clima</p><p>viabiliza a oxidação do mesmo, conhecida como ferrugem. Essa oxidação</p><p>diminui muito a vida útil do material em termos de estrutura e estética;</p><p>portanto, o ferro não é recomendado para áreas parcial ou totalmente</p><p>descobertas.</p><p>Mobiliário para espaços externos12</p><p>Como inserir o mobiliário em um projeto</p><p>de área externa</p><p>O mobiliário deve atender à necessidade de uso do ambiente, trazer conforto</p><p>aos usuários e compor a decoração. Em um ambiente externo, os móveis</p><p>devem realçar a beleza natural e compor de forma harmoniosa o mesmo.</p><p>Proponha móveis funcionais, resistentes e duráveis. Mesas, cadeiras, sofás</p><p>e poltronas sempre são bem-vindos. Tenha sempre em mente as dimen-</p><p>sões do espaço e dos móveis para que haja uma boa circulação. Mesinhas</p><p>laterais podem ser colocadas no ambiente para facilitar o apoio de copos,</p><p>petisqueiras, bolsas, etc.</p><p>Se as dimensões do espaço forem pequenas e o objetivo do seu cliente for</p><p>uma área de relaxamento, poltronas com almofadas e pequenas mesas de apoio</p><p>ajudarão a proporcionar sensação de conforto. Quando o espaço é pequeno,</p><p>busque privilegiar as partes aéreas, como paredes e teto — use prateleiras e</p><p>armários verticais para acomodar itens de decoração, plantas e utensílios que</p><p>necessitam ser guardados. Outra boa opção para armazenar itens são bancos-</p><p>-baú, que consistem em caixotes feitos em madeira, cuja parte superior possui</p><p>estofamento para que seja possível sentar sobre eles; o espaço interno do baú</p><p>serve como espaço de armazenamento.</p><p>Por outro lado, um ambiente externo com piscina, onde se deseja realizar</p><p>festas e reunir muitas pessoas, terá necessidade de mesas altas para que as</p><p>pessoas se apoiem enquanto conversam, algumas espreguiçadeiras para fins</p><p>de banho de sol, menos sofás para descanso e uma área central mais livre,</p><p>para dançar, por exemplo.</p><p>No caso de uma área externa sem nenhum tipo de cobertura, pode-se</p><p>criar ambientes por meio da delimitação de espaços, projetando um deck de</p><p>madeira sobre o qual serão dispostos os móveis, por exemplo, criando um</p><p>ambiente mais intimista. Não havendo possibilidade ou desejo de criar um</p><p>deck, pode-se posicionar os móveis de forma a criar um ambiente; posicionar</p><p>poltronas e sofás ao redor de uma mesa de centro gerará esse efeito, conforme</p><p>mostra a Figura 9.</p><p>13Mobiliário para espaços externos</p><p>Figura 9. (a) Ambiente criado sobre um deck de madeira; (b) ambiente criado apenas pela</p><p>disposição dos móveis.</p><p>Fonte: (a) Conjunto%20berlim.jpg ([2018], documento on-line); (b) Jogo... ([2018], documento on-line).</p><p>Um ambiente totalmente exposto pode contar com coberturas do tipo</p><p>ombrelone, que são grandes guarda-sóis que proporcionam conforto térmico</p><p>e proteção ao sol e à chuva. Esses elementos, além de protegerem os usuários</p><p>do ambiente, também protegem os móveis que estão sob eles. Esse mesmo</p><p>tipo de cobertura pode ser utilizado próximo a piscinas, em quintais e até</p><p>mesmo em grandes sacadas ou coberturas. Observe o uso de ombrelones em</p><p>diferentes situações na Figura 10.</p><p>Mobiliário para espaços externos14</p><p>Figura 10. (a) Ambiente com mesa com cobertura de ombrelone; (b) ombrelone sendo</p><p>usado para cobertura próximo à piscina.</p><p>Fonte: (a) Ombrelone-premium-giratorio-floreira-06-1000x856.jpg ([2018], documento on-line); (b)</p><p>R6-750x750.jpg ([2018], documento on-line).</p><p>Não sobrecarregue o espaço com mobiliários e decorações desnecessárias em</p><p>seus projetos de área externa; eles poderão prejudicar o bem-estar dos usuários,</p><p>dificultar a limpeza e a manutenção do espaço, além de poluir a decoração.</p><p>Atente para que o ambiente seja funcional e esteticamente agradável e leve</p><p>sempre em consideração os anseios do cliente. Busque sempre matérias-primas</p><p>de qualidade, observando também aspectos de sustentabilidade. Como designer</p><p>de interiores, sua função é prezar pela qualidade de vida dos seus clientes por</p><p>meio dos seus projetos. Portanto, certifique-se de que suas escolhas de móveis</p><p>supram as necessidades dos clientes; assim, faça visitas técnicas em lojas espe-</p><p>cializadas com seu cliente e apresente a ele sempre as melhores possibilidades.</p><p>1. Quais são os principais aspectos que</p><p>devem ser levados em consideração</p><p>nas primeiras etapas de um projeto</p><p>de interiores para área externa?</p><p>a) Aspectos de sustentabilidade,</p><p>equilíbrio e harmonia.</p><p>b) Aspectos de necessidade do</p><p>cliente e dimensões de espaço.</p><p>c) Aspectos de ergonomia antropo-</p><p>métrica, espaço e conforto.</p><p>d) Aspectos de iluminação, matéria-</p><p>-prima e combinação de cores.</p><p>e) Aspectos de experiência do</p><p>usuário e decoração interna.</p><p>2. Há uma diversidade de materiais que</p><p>podem ser utilizados em mobiliários</p><p>15Mobiliário para espaços externos</p><p>para área externa. Quais são alguns</p><p>dos principais critérios para a escolha</p><p>desses materiais?</p><p>a) Durabilidade, gosto pessoal do</p><p>cliente, custo, harmonia estética</p><p>e funcionalidade.</p><p>b) Forma, padrão de cores, gosto</p><p>pessoal do designer, sustentabili-</p><p>dade e resistência à poeira.</p><p>c) Materiais robustos e tecnoló-</p><p>gicos, dimensões amplas, ma-</p><p>teriais tratados e com estética</p><p>minimalista.</p><p>d) Materiais coloridos, de alto-pa-</p><p>drão, manutenção lenta, multi-</p><p>funcionais e harmoniosos.</p><p>e) Materiais resistentes, de acordo</p><p>com a cartela de cores padrão,</p><p>tecnológicos e anti-poeira.</p><p>3. A necessidade de utilização do</p><p>ambiente deve nortear a proposta</p><p>mobiliária do espaço. Como gerar</p><p>o melhor aproveitamento de uma</p><p>área externa (sacada) de pequenas</p><p>dimensões, se o objetivo for rea-</p><p>lizar pequenas refeições e guardar</p><p>objetos por meio da distribuição do</p><p>mobiliário no piso e nas paredes?</p><p>a) Priorizando o uso de armários e</p><p>estantes no chão para o acondi-</p><p>cionamento dos objetos.</p><p>b) Buscando otimizar o maior número</p><p>de mesas e assentos para que os</p><p>usuários aproveitem melhor.</p><p>c) Liberando corredores de 80 cm</p><p>para que as pessoas possam</p><p>circular com tranquilidade.</p><p>d) Valorizando espaços aéreos com</p><p>prateleiras e armários e liberando</p><p>espaço para mesa e assentos.</p><p>e) Priorizando espaços livres e</p><p>arejados, buscando o frescor na</p><p>decoração.</p><p>4. No seu novo projeto de área externa,</p><p>o cliente lhe pediu para inserir uma</p><p>mesa e cadeiras de ferro em estilo</p><p>retrô, mas o ambiente é completa-</p><p>mente descoberto. Quais orienta-</p><p>ções você oferece ao seu cliente?</p><p>a) Aconselho substituir o mobiliário</p><p>de ferro por plástico, uma vez</p><p>que o ferro apresentará ferrugem.</p><p>b) Instruo sobre a manutenção</p><p>anual do mobiliário e os riscos</p><p>em relação ao estilo retrô.</p><p>c) Oriento sobre a vida útil e ma-</p><p>nutenção das peças e apresento</p><p>outras opções de materiais.</p><p>d) Aconselho sobre o investimento</p><p>em uma cobertura para o am-</p><p>biente, de modo a não expor o</p><p>mobiliário.</p><p>e) Oriento sobre como o alumínio</p><p>pode ter uma vida útil maior e</p><p>uma manutenção facilitada em</p><p>contraste com o ferro.</p><p>5. Qual é a influência do levantamento</p><p>métrico na escolha dos móveis da</p><p>área externa?</p><p>a) Nenhuma, uma vez que o mobili-</p><p>ário deve ser escolhido de acordo</p><p>com o gosto pessoal do cliente.</p><p>b) Influencia na organização do mo-</p><p>biliário, com o intuito de priorizar</p><p>áreas de circulação ótimas.</p><p>c) O levantamento métrico auxilia</p><p>a orientação espacial dos pontos</p><p>de energia e água.</p><p>d) A influência do levantamento</p><p>métrico está na correta escolha</p><p>das dimensões dos móveis e da</p><p>organização do espaço.</p><p>e) Nenhuma, visto que a marcenaria</p><p>será planejada para privilegiar</p><p>espaços aéreos.</p><p>Mobiliário para espaços externos16</p><p>AGORA temos móveis para área externa. Janela Aberta Cortinas, [2018]. Disponível em:</p><p><http://www.janelaabertacortinas.com.br/agora-temos-moveis-para-area-externa//>.</p><p>Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>COBERTURAS telescópicas: áreas de lazer encantadoras e utilizáveis em todas as esta-</p><p>ções. Alucober, [2018]. Disponível em: <https://alucober.com.br/coberturas-telescopicas-</p><p>-areas-de-lazer-encantadoras-e-utilizaveis-em-todas-as-estacoes/3//>. Acesso em: 17</p><p>out. 2018.</p><p>PERGOLADO: como fazer o seu. Dcore Você, 9 jun. 2018. Disponível em: <https://www.</p><p>dcorevoce.com.br/pergolado-2/>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>9BEF837C612F57B0019290B1C361C711.JPG. [2018]. Altura: 600 pixels. Largura: pixels.</p><p>Formato: JPG. Disponível em: <https://i.pinimg.com/originals/9b/ef/83/9bef837c612f</p><p>57b0019290b1c361c711.jpg>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>BAXTER, M. Projeto de produto: guia prático para o design de novos produtos. São Paulo:</p><p>Editora Edgard Blucher, 2001.</p><p>BROOKER, G.; STONE, S. O que é design de interiores? São Paulo. Senac, 2014.</p><p>CONJUNTO%20BERLIM.JPG. Só Lazer Móveis, [2018]. Altura: 500 pixels. Largura: 500</p><p>pixels. Formato: JPG. Disponível em: <http://solazermoveis.com.br/wa_p_albums/p_</p><p>album_iwbdeg9z0/iwbdeg9z4i6f54/thumb/conjunto%20berlim.jpg>. Acesso em:</p><p>17 out. 2018.</p><p>CONJUNTO-HORTENCIA_2014-07-25_14-30-55_0.JPG. Galax Commerce, [2018].</p><p>Altura: 465 pixels. Largura: 800 pixels. Formato: JPG. Disponível em: <https://</p><p>www.galaxcommerce.com.br/sistema/upload/306/produtos/Conjunto-Horten-</p><p>cia_2014-07-25_14-30-55_0.jpg>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. 1. ed. São</p><p>Paulo: Gustavo Gili, 2013.</p><p>JOGO de sofá fibra de alumínio piscina varanda móveis jardim. Mercado Livre, [2018].</p><p>Disponível em: <https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-891026381-jogo-de-sofa-</p><p>-fibra-aluminio-piscina-varanda-moveis-jardim-_JM>. Acesso em: 18 out. 2018.</p><p>MÓVEIS: área de piscina. S.O.S. Cadeira & Cia, [2018]. Disponível em: <http://soscadei-</p><p>rasecia.com.br/moveis-area-de-piscina/>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>O CONFORTO nos móveis de área externa. Finlandesk, [2018]. Disponível em: <http://</p><p>www.finlandek.com.br/utilidades/o-conforto-nos-moveis-de-area-externa/>. Acesso</p><p>em: 17 out. 2018.</p><p>17Mobiliário para espaços externos</p><p>OMBRELONE-PREMIUM-GIRATORIO-FLOREIRA-06-1000X856.JPG. Essência Móveis, [2018].</p><p>Altura: 856 pixels. Largura: 1000 pixels. Formato: JPG. Disponível em: <https://www.</p><p>essenciamoveis.com.br/image/cache/data/ombrelones-solemar/ombrelone-premium-</p><p>-giratorio/ombrelone-premium-giratorio-floreira-06-1000x856.jpg>. Acesso em: 17 out.</p><p>2018.</p><p>R6-750X750.JPG. EFG Shop, [2018]. Altura: 750 pixels. Largura: 750 pixels. Formato:</p><p>JPG. Disponível em: <http://www.efgshop.com.br/image/cache/catalog/PRODUTOS/</p><p>premium%20redondo%20com%20floreira/r6-750x750.jpg>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>Mobiliário para espaços externos18</p><p>Conteúdo:</p><p>PROJETO DE</p><p>INTERIORES</p><p>RESIDENCIAIS</p><p>Jaqueline Ramos</p><p>Arquitetura de interiores</p><p>e o mobiliário residencial</p><p>para áreas molhadas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar o mobiliário residencial de áreas molhadas.</p><p>� Selecionar o mobiliário adequado conforme a função.</p><p>� Indicar as metragens mínimas para esses ambientes.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai aprender a identificar os mobiliários que devem</p><p>ser utilizados nas áreas molhadas de uma residência, definindo as áreas e</p><p>as dimensões mínimas de cada equipamento. Você também vai conhecer</p><p>as funções e necessidades de cada uma dessas áreas, com sugestões de</p><p>equipamentos e dimensões mínimas de circulação a serem respeitadas.</p><p>Ao final do capítulo, você deve possuir os conhecimentos necessários</p><p>para projetar um ambiente confortável e funcional.</p><p>Mobiliário residencial de áreas molhadas</p><p>O projeto executivo de interiores residenciais é composto por plantas baixas,</p><p>cortes, vistas, detalhamentos, ampliações e 3D. Algumas áreas necessitam de</p><p>detalhamento e ampliações específicas, como é o caso das áreas molhadas. As</p><p>áreas molhadas são cozinha, banheiros, lavabos, áreas de serviço e saunas, ou</p><p>seja, todos os locais onde há manuseio de água e/ou umidade causada por vapores.</p><p>As áreas molhadas demandam detalhamentos específicos que devem ser</p><p>apresentados em uma escala maior</p><p>do que a do restante do projeto executivo.</p><p>Por exemplo, se o projeto executivo for realizado na escala 1:100 ou 1:50, os</p><p>detalhes do projeto de áreas molhadas devem ser executados na escala 1:25, 1:20</p><p>ou 1:10 (SBARRA, 2017). Esse detalhamento deve compreender: planta geral</p><p>compatibilizada, com indicações e especificações; planta de piso; planta de</p><p>forro; elevações e/ou seções verticais; e detalhes ampliados (VALLADARES;</p><p>MATOSO, 2002). Detalhes de bancadas, soleiras, portas e forros devem ser</p><p>realizados em escala 1:10 ou 1:5 (SBARRA, 2017).</p><p>A planta geral compatibilizada deve apresentar o detalhamento das alvena-</p><p>rias internas, divisórias, tubulações, louças, metais e equipamentos elétricos</p><p>(chuveiros, aquecedores, etc.). Todos esses elementos devem ser cotados em</p><p>seus eixos junto à parede a que estão afixados.</p><p>A NBR 15.575 apresenta as dimensões mínimas e as atividades essenciais</p><p>em cada ambiente. Ela ainda sugere equipamentos que cada um desses am-</p><p>bientes deve apresentar. No Quadro 1, a seguir, você pode ver os equipamentos</p><p>que essa norma define como necessários para áreas molhadas.</p><p>Fonte: Adaptado de ABNT (2013).</p><p>Ambiente Equipamentos</p><p>Cozinha Fogão</p><p>Geladeira</p><p>Pia de cozinha</p><p>Armário sobre a pia</p><p>Gabinete</p><p>Apoio para refeições</p><p>Banheiro Lavatório</p><p>Box com chuveiro</p><p>Vaso sanitário</p><p>Bidê</p><p>Lavabo Lavatório</p><p>Vaso sanitário</p><p>Área de serviço Tanque</p><p>Máquina de lavar</p><p>Quadro 1. Equipamentos constituintes das áreas molhadas</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas2</p><p>A NBR 15.575 indica os equipamentos padrão, porém isso não impede</p><p>que sejam adicionados os equipamentos e mobiliários solicitados pelo cliente.</p><p>Além disso, você pode adicionar os elementos que considerar necessários para</p><p>contemplar as expectativas do cliente.</p><p>Cozinha</p><p>A cozinha representa o estilo de vida da família que ali residirá. Suas dimensões</p><p>são determinadas pela importância que esse ambiente tem para os usuários</p><p>(PEREIRA, 2017). Nesse espaço, é realizado o preparo dos alimentos, bem</p><p>como a limpeza, a cocção, o estoque e, muitas vezes, as refeições propriamente</p><p>ditas (AZEVEDO, 2017).</p><p>A NBR 15.575 sugere a utilização de alguns equipamentos, que classifica</p><p>como equipamentos padrão. São eles: geladeira, pia, fogão, apoio para refeições</p><p>e armários superior e inferior. Essa normativa indica as dimensões mínimas</p><p>para a geladeira, a pia e o fogão. A geladeira deve ter 70 x 70 cm; a pia, 50 x</p><p>120 cm; e o fogão, 55 x 60 cm. A norma não indica dimensões para o apoio</p><p>para refeições e para os armários. Além de determinações em planta, há</p><p>dimensões que devem ser respeitadas para que haja ergonomia no ambiente</p><p>que será projetado.</p><p>Você deve notar que as dimensões dos equipamentos variam conforme o fabricante.</p><p>Para a representação correta dos espaços, o projetista deve solicitar ao cliente a listagem</p><p>dos equipamentos existentes ou que serão adquiridos. Ele também pode indicar os</p><p>modelos, se for do agrado do cliente.</p><p>Para a distribuição dos móveis e equipamentos na cozinha, você deve levar</p><p>em consideração a regra do triângulo. Ou seja, deve criar um triângulo ima-</p><p>ginário e, em cada uma das pontas do triângulo, colocar a geladeira, o fogão</p><p>e a pia. Esse planejamento facilita a mobilidade no ambiente (RADOMILLE,</p><p>2015). Entretanto, você deve levar em consideração a distribuição dos pontos</p><p>elétricos e hidráulicos, para que não sejam realizadas obras desnecessárias e</p><p>muitas vezes indesejadas.</p><p>3Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>Radomille (2015) indica que a cozinha pode ser organizada em forma</p><p>de U, em forma de L, linear com ilha ou paralela. Considere as definições</p><p>listadas a seguir.</p><p>� Em forma de U: a geladeira, o fogão e a pia podem ser distribuídos cada</p><p>um em uma parede, garantindo total mobilidade no espaço.</p><p>� Em forma de L: coloca-se o fogão e a geladeira em um dos lados e no</p><p>outro a pia, garantindo que fique próxima ao fogão.</p><p>� Linear com ilha: na ilha, pode-se colocar o fogão, devido à facilidade</p><p>de instalação. Em frente, a pia e a geladeira. Caso seja previsto, a pia</p><p>e o fogão podem trocar de posição.</p><p>� Paralela: a pia e o fogão podem ser posicionados em uma parede e, na</p><p>face oposta do ambiente, pode ser colocada a geladeira.</p><p>A Figura 1 ilustra a distribuição da área de cocção (área quente), da área</p><p>fria (pia) e da área de armazenamento (geladeira), organizadas seguindo a</p><p>regra do triângulo. Os equipamentos devem ser distribuídos de forma que a</p><p>distância total entre eles não ultrapasse 6 m (RADOMILLE, 2015).</p><p>Figura 1. Distribuição dos equipamentos e utilização da regra do triângulo.</p><p>Apesar de a regra do triângulo garantir a perfeita mobilidade no am-</p><p>biente, nem sempre há espaço suficiente para distribuir os equipamentos</p><p>conforme essa configuração. O projetista deve analisar e avaliar as opções</p><p>para propor o layout mais adequado para atender às necessidades e expec-</p><p>tativas do cliente.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas4</p><p>Na Figura 2, você pode observar um exemplo de layout de cozinha dis-</p><p>tribuído de forma linear com ilha central, respeitando a regra dos triângulos.</p><p>Figura 2. Exemplo de layout de cozinha.</p><p>Fonte: karamysh/Shutterstock.com.</p><p>É essencial instalar uma caixa de gordura na cozinha. Ela deve se localizar entre o cano</p><p>da pia da cozinha e a rede coletora de esgoto ou fossa. A ideia é garantir que a gordura</p><p>gerada na limpeza dos utensílios não vá para a rede de esgoto. Essa caixa deve ser</p><p>facilmente acessível para que a cada três meses seja realizada a sua manutenção, ou</p><p>seja, a retirada da gordura.</p><p>5Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>Banheiro</p><p>A NBR 15.575 sugere a utilização de um lavatório, um vaso sanitário, um</p><p>bidê e um box com chuveiro no banheiro, indicando dimensões mínimas para</p><p>o box com chuveiro e para o lavatório. O box com chuveiro pode ter 80 x 80</p><p>cm, sendo quadrado, ou 70 x 90 cm se for retangular. O lavatório deve ter no</p><p>mínimo 39 cm de largura por 29 cm de profundidade. Lavatórios com bancada</p><p>devem apresentar no mínimo 80 cm de largura e 55 cm de profundidade. As</p><p>dimensões mínimas para o vaso sanitário e para o bidê não são apresentadas</p><p>pela normativa.</p><p>Para a graficação desses equipamentos, devem ser confirmadas com os</p><p>fornecedores as suas dimensões. A NBR 15.575 apresenta sugestões de quan-</p><p>titativos mínimos para cada equipamento. Porém, conforme as necessidades</p><p>e expectativas do cliente, podem ser inseridos ou suprimidos determinados</p><p>equipamentos. Banheiros em suítes de casais, em projeto de padrão alto, por</p><p>exemplo, podem contar com duas cubas e até mesmo dois chuveiros, para</p><p>garantir a autonomia dos usuários no ambiente.</p><p>Para a realização de um projeto de banheiro adequado, o projetista deve</p><p>estar atento à escolha e ao posicionamento dos elementos constituintes do</p><p>espaço. A cuba, por exemplo, pode ser embutida, sobreposta, apoiada ou</p><p>semiencaixada. Para o vaso, há opções com caixa acoplada ou com válvula.</p><p>Ainda é necessário considerar os metais — compostos por torneiras, mistu-</p><p>radores e registro — e demais equipamentos, como chuveiro, banheira, box,</p><p>ducha higiênica, espelhos, ralos e móveis (AZEVEDO, 2017).</p><p>O ambiente deve ser projetado para garantir o conforto dos usuários, aten-</p><p>dendo estética e funcionalmente aos que ali residem. Kenchian (2011) salienta</p><p>que o lavatório merece local de destaque no layout do banheiro, já que é</p><p>considerado o elemento principal do ambiente. Afinal, é o equipamento mais</p><p>utilizado, o que determina que seja bastante acessível.</p><p>Na Figura 3, você pode observar um exemplo de layout para banheiro,</p><p>com a distribuição dos equipamentos necessários indicados por norma. Cabe</p><p>ressaltar que atualmente o bidê tem sido substituído pela ducha higiênica, que</p><p>necessita de menos espaço e pode ser utilizada no vaso sanitário. Isso evita a</p><p>instalação de mais um ponto de descarte de água residual.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial</p><p>para áreas molhadas6</p><p>Figura 3. Exemplo de layout para banheiro.</p><p>Fonte: Beyond Time/Shutterstock.com.</p><p>Lavabo</p><p>A NBR 15.575 sugere a utilização de um lavatório e um vaso sanitário no lavabo.</p><p>Assim como no banheiro, o lavatório deve ter no mínimo 39 cm de largura</p><p>por 29 cm de profundidade. Os lavatórios com bancada devem apresentar no</p><p>mínimo 80 cm de largura e 55 cm de profundidade. As dimensões mínimas</p><p>para o vaso sanitário não são apresentadas pela normativa. Entretanto, deve-se</p><p>sempre consultar os fornecedores para realizar a graficação com as medidas</p><p>reais dos equipamentos.</p><p>Área de serviço</p><p>A área de serviço ou lavanderia é o local em que são realizadas as atividades</p><p>específicas para tratamento das roupas. O layout e os equipamentos devem</p><p>estar dispostos de forma a garantir o tratamento adequado das peças do ves-</p><p>tuário dos moradores (KENCHIAN, 2011). O tratamento das roupas inclui os</p><p>processos de lavar, secar e passar. Entretanto, esse ambiente é também muito</p><p>utilizado como despensa ou depósito.</p><p>7Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>A NBR 15.575 apresenta o tanque e a máquina de lavar como equipamentos</p><p>padrão na execução do processo de higienização do vestuário. Porém, a área</p><p>de serviço pode contar ainda com tábua de passar e máquina de secar, que</p><p>são complementares no processo de higienização. A normativa apresenta</p><p>as dimensões mínimas de 52 cm de largura e 53 cm de profundidade para</p><p>o tanque e de 60 cm de largura e 65 cm de profundidade para a máquina de</p><p>lavar. Contudo, você deve notar que as dimensões desses equipamentos devem</p><p>ser consultadas com os fornecedores, conforme os equipamentos escolhidos</p><p>pelo cliente.</p><p>Na Figura 4, você pode ver um exemplo de layout de lavanderia. Perceba</p><p>a determinação de espaços para a instalação do tanque e da máquina de lavar.</p><p>Nesse caso, há também uma máquina de secar. Além da colocação de uma</p><p>tábua de passar, recomenda-se prever um local para manter as roupas depois</p><p>de passadas. Elas podem ficar dobradas ou em cabides.</p><p>Figura 4. Exemplo de layout para lavanderia.</p><p>Fonte: Beyond Time/Shutterstock.com.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas8</p><p>As áreas molhadas devem ser revestidas com material resistente à água e à gordura.</p><p>Elas devem ser de fácil limpeza, ter impermeabilidade e resistência ao atrito constante.</p><p>Para evitar acidentes, ao serem molhados, os pisos não podem ser escorregadios.</p><p>Seleção de mobiliário</p><p>Os ambientes são definidos pelos equipamentos e mobiliários inseridos em</p><p>seu layout. A sua disposição é determinada pelas atividades desenvolvidas nos</p><p>locais. Você deve visar sempre à funcionalidade e ao conforto do ambiente.</p><p>As principais atividades desenvolvidas na cozinha são guardar, conservar,</p><p>lavar, preparar, cozinhar, fritar e assar alimentos, assim como lavar, secar e</p><p>guardar louças e utensílios. Esse espaço também pode servir para consultar e</p><p>elaborar receitas, eliminar e reciclar o lixo (KENCHIAN, 2011). Para muitas</p><p>famílias, a cozinha é um local de encontro, onde os membros se reúnem para</p><p>preparar e desfrutar das refeições junto a amigos e familiares. Por ser um local</p><p>tão significativo para os brasileiros, deve ser planejado com carinho e dedica-</p><p>ção. A ideia é garantir que todas as expectativas do cliente sejam alcançadas.</p><p>Para Azevedo (2017), o banheiro é o local mais importante de uma residên-</p><p>cia. Ele deve ser esteticamente agradável, funcional e confortável. Também</p><p>é necessário projetá-lo de forma que a sua organização otimize os fluxos,</p><p>principalmente em residências com famílias que possuem rotinas de trabalho</p><p>e estudo em horários próximos.</p><p>Kenchian (2011) apresenta os processos de lavar as mãos e o rosto, escovar</p><p>os dentes, tomar banho, relaxar na banheira, dar banho nas crianças, fazer as</p><p>excreções, cuidar dos cabelos e remover os pelos corporais como as principais</p><p>atividades desenvolvidas no banheiro. Ele ainda afirma que os atos de maquiar-</p><p>-se, cuidar da aparência, realizar curativos e verificar o peso são atividades</p><p>realizadas nesse mesmo ambiente.</p><p>Já para a área de serviço, o autor determina como atividades principais o ato</p><p>de lavar instalações sanitárias; recolher, separar, reciclar e eliminar resíduos;</p><p>lavar, secar, limpar, guardar, passar e dobrar roupas; e limpar e engraxar</p><p>sapatos. Ele afirma também que o ato de costurar roupas pode ocorrer na área</p><p>de serviço (KENCHIAN, 2011).</p><p>9Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>No Quadro 2, você pode ver os mobiliários e equipamentos essenciais a</p><p>cada um dos ambientes. Esses elementos devem ser especificados em projeto.</p><p>O Quadro 2 também mostra os mobiliários e equipamentos opcionais, que</p><p>podem ou não estar no layout desenvolvido. Isso depende das intenções do</p><p>projetista e/ou das necessidades e expectativas do cliente. Assim, esses mobi-</p><p>liários e equipamentos são apresentados conforme as atividades desenvolvidas</p><p>em cada ambiente.</p><p>Fonte: Adaptado de Kenchian (2011).</p><p>Ambiente</p><p>Mobiliário/equipamentos</p><p>essenciais</p><p>Mobiliário/equipamentos</p><p>opcionais</p><p>Cozinha Armário com prateleira</p><p>e gaveteiro</p><p>Pia com gabinete</p><p>Geladeira</p><p>Utensílios de cozinha</p><p>Fogão e forno</p><p>Escorredor de louças</p><p>Lixeira</p><p>Frigobar/freezer</p><p>Forno micro-ondas</p><p>Forno elétrico</p><p>Máquina de lavar louças</p><p>Mesa com cadeiras</p><p>ou banquetas</p><p>Churrasqueira com coifa</p><p>Bancada</p><p>Banheiro Lavatório</p><p>Espelho</p><p>Box com chuveiro</p><p>Vaso sanitário</p><p>Gabinete</p><p>Banheira</p><p>Ofurô</p><p>Bidê</p><p>Bacia turca</p><p>Mictório</p><p>Balança portátil</p><p>Penteadeira com</p><p>espelho e banqueta</p><p>Área de</p><p>serviço</p><p>Bancada</p><p>Cesto de roupas</p><p>Tanque</p><p>Máquina de lavar roupas</p><p>Varal suspenso ou de piso</p><p>Máquina de secar roupas</p><p>Tábua e ferro de</p><p>passar roupas</p><p>Material de limpeza</p><p>Rodo</p><p>Vassoura</p><p>Quadro 2. Mobiliários e equipamentos para áreas molhadas</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas10</p><p>Metragens mínimas para áreas molhadas</p><p>Além de apresentar os equipamentos padrão que devem ser inseridos em cada</p><p>ambiente, a NBR 15.575 também apresenta as dimensões mínimas para cada</p><p>um desses equipamentos. Essas dimensões, somadas às dimensões mínimas</p><p>de circulação, são as responsáveis pela definição das áreas mínimas de cada</p><p>ambiente.</p><p>No Quadro 3, você pode ver as dimensões mínimas dos equipamentos e</p><p>das circulações necessárias para as áreas molhadas, conforme a NBR 15.575.</p><p>Apesar de a NBR 15.575 apresentar as dimensões mínimas que devem</p><p>ser utilizadas, essas dimensões não atendem às exigências da NBR 9.050, de</p><p>2015, que define normas de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços</p><p>e equipamentos urbanos. Consequentemente, pessoas com necessidades</p><p>especiais (PNE) não conseguem se locomover em ambientes executados</p><p>com as dimensões mínimas apresentadas pela NBR 15.575. Sugere-se, então,</p><p>trabalhar com ambas as normas para realizar as definições dos espaços.</p><p>Entretanto, você sempre deve levar em consideração as solicitações apre-</p><p>sentadas pelo cliente.</p><p>A NBR 15.575 e a NBR 9.050 devem ser respeitadas tanto em projetos</p><p>para edificações já existentes como em projetos para edificações a construir.</p><p>Porém, quando você realizar o estudo de viabilidade para novas construções,</p><p>deve consultar também o Código de Obras e Edificações da cidade onde será</p><p>implantado o projeto. Essa normativa apresenta as áreas mínimas para cada</p><p>ambiente, assim como as determinações para a execução da obra.</p><p>Para edificações novas, a NBR 9.050 apresenta as dimensões mínimas</p><p>para um sanitário acessível, como você pode ver na Figura 5.</p><p>11Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>A</p><p>m</p><p>bi</p><p>en</p><p>te</p><p>M</p><p>ob</p><p>ili</p><p>ár</p><p>io</p><p>Ci</p><p>rc</p><p>ul</p><p>aç</p><p>ão</p><p>(m</p><p>)</p><p>O</p><p>bs</p><p>er</p><p>va</p><p>çõ</p><p>es</p><p>M</p><p>óv</p><p>el</p><p>o</p><p>u</p><p>eq</p><p>ui</p><p>pa</p><p>m</p><p>en</p><p>to</p><p>D</p><p>im</p><p>en</p><p>sõ</p><p>es</p><p>(m</p><p>)</p><p>l</p><p>p</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Pi</p><p>a</p><p>1,</p><p>20</p><p>0,</p><p>50</p><p>C</p><p>irc</p><p>ul</p><p>aç</p><p>ão</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>a</p><p>de</p><p>0,</p><p>85</p><p>m</p><p>fr</p><p>on</p><p>ta</p><p>l à</p><p>p</p><p>ia</p><p>, a</p><p>o</p><p>fo</p><p>gã</p><p>o</p><p>e</p><p>à</p><p>ge</p><p>la</p><p>de</p><p>ira</p><p>La</p><p>rg</p><p>ur</p><p>a</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>a</p><p>da</p><p>co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a:</p><p>1</p><p>,5</p><p>0</p><p>m</p><p>M</p><p>ín</p><p>im</p><p>o:</p><p>p</p><p>ia</p><p>, f</p><p>og</p><p>ão</p><p>,</p><p>ge</p><p>la</p><p>de</p><p>ira</p><p>e</p><p>a</p><p>rm</p><p>ár</p><p>io</p><p>Fo</p><p>gã</p><p>o</p><p>0,</p><p>55</p><p>0,</p><p>60</p><p>G</p><p>el</p><p>ad</p><p>ei</p><p>ra</p><p>0,</p><p>70</p><p>0,</p><p>70</p><p>A</p><p>rm</p><p>ár</p><p>io</p><p>s</p><p>ob</p><p>a</p><p>p</p><p>ia</p><p>e</p><p>g</p><p>ab</p><p>in</p><p>et</p><p>e</p><p>—</p><p>—</p><p>—</p><p>Es</p><p>pa</p><p>ço</p><p>o</p><p>br</p><p>ig</p><p>at</p><p>ór</p><p>io</p><p>p</p><p>ar</p><p>a</p><p>m</p><p>óv</p><p>el</p><p>A</p><p>p</p><p>oi</p><p>o</p><p>pa</p><p>ra</p><p>re</p><p>fe</p><p>iç</p><p>ão</p><p>(d</p><p>ua</p><p>s</p><p>p</p><p>es</p><p>so</p><p>as</p><p>)</p><p>—</p><p>—</p><p>—</p><p>Es</p><p>pa</p><p>ço</p><p>o</p><p>pc</p><p>io</p><p>na</p><p>l p</p><p>ar</p><p>a</p><p>m</p><p>óv</p><p>el</p><p>Ba</p><p>nh</p><p>ei</p><p>ro</p><p>La</p><p>va</p><p>tó</p><p>rio</p><p>0,</p><p>39</p><p>0,</p><p>29</p><p>C</p><p>irc</p><p>ul</p><p>aç</p><p>ão</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>a</p><p>de</p><p>0</p><p>,4</p><p>m</p><p>fro</p><p>nt</p><p>al</p><p>a</p><p>o</p><p>la</p><p>va</p><p>tó</p><p>rio</p><p>, a</p><p>o</p><p>va</p><p>so</p><p>e</p><p>ao</p><p>b</p><p>id</p><p>ê</p><p>La</p><p>rg</p><p>ur</p><p>a</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>a</p><p>do</p><p>b</p><p>an</p><p>he</p><p>iro</p><p>:</p><p>1,1</p><p>0</p><p>m</p><p>, e</p><p>xc</p><p>et</p><p>o</p><p>no</p><p>b</p><p>ox</p><p>M</p><p>ín</p><p>im</p><p>o:</p><p>1</p><p>la</p><p>va</p><p>tó</p><p>rio</p><p>,</p><p>1</p><p>va</p><p>so</p><p>e</p><p>1</p><p>b</p><p>ox</p><p>La</p><p>va</p><p>tó</p><p>rio</p><p>c</p><p>om</p><p>b</p><p>an</p><p>ca</p><p>da</p><p>0,</p><p>80</p><p>0,</p><p>55</p><p>Va</p><p>so</p><p>s</p><p>an</p><p>itá</p><p>rio</p><p>(c</p><p>ai</p><p>xa</p><p>a</p><p>co</p><p>pl</p><p>ad</p><p>a)</p><p>0,</p><p>60</p><p>0,</p><p>70</p><p>Va</p><p>so</p><p>s</p><p>an</p><p>itá</p><p>rio</p><p>0,</p><p>60</p><p>0,</p><p>60</p><p>Bo</p><p>x</p><p>qu</p><p>ad</p><p>ra</p><p>do</p><p>0,</p><p>80</p><p>0,</p><p>80</p><p>Bo</p><p>x</p><p>re</p><p>ta</p><p>ng</p><p>ul</p><p>ar</p><p>0,</p><p>70</p><p>0,</p><p>90</p><p>Bi</p><p>dê</p><p>0,</p><p>60</p><p>0,</p><p>60</p><p>—</p><p>Pe</p><p>ça</p><p>o</p><p>pc</p><p>io</p><p>na</p><p>l</p><p>Á</p><p>re</p><p>a</p><p>de</p><p>se</p><p>rv</p><p>iç</p><p>o</p><p>Ta</p><p>nq</p><p>ue</p><p>0,</p><p>52</p><p>0,</p><p>53</p><p>C</p><p>irc</p><p>ul</p><p>aç</p><p>ão</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>a</p><p>de</p><p>0,</p><p>50</p><p>m</p><p>fr</p><p>on</p><p>ta</p><p>l a</p><p>o</p><p>ta</p><p>nq</p><p>ue</p><p>e</p><p>m</p><p>áq</p><p>ui</p><p>na</p><p>d</p><p>e</p><p>la</p><p>va</p><p>r</p><p>M</p><p>ín</p><p>im</p><p>o:</p><p>1</p><p>ta</p><p>nq</p><p>ue</p><p>e</p><p>1</p><p>m</p><p>áq</p><p>ui</p><p>na</p><p>(ta</p><p>nq</p><p>ue</p><p>d</p><p>e</p><p>no</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>o</p><p>20</p><p>L</p><p>)</p><p>M</p><p>áq</p><p>ui</p><p>na</p><p>d</p><p>e</p><p>la</p><p>va</p><p>r</p><p>0,</p><p>60</p><p>0,</p><p>65</p><p>Q</p><p>ua</p><p>dr</p><p>o</p><p>3.</p><p>D</p><p>im</p><p>en</p><p>sõ</p><p>es</p><p>m</p><p>ín</p><p>im</p><p>as</p><p>d</p><p>e</p><p>m</p><p>ob</p><p>ili</p><p>ár</p><p>io</p><p>e</p><p>c</p><p>irc</p><p>ul</p><p>aç</p><p>ão</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas12</p><p>Figura 5. Medidas mínimas de um sanitário acessível — vista superior.</p><p>Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2015).</p><p>Ao observar a Figura 5, você pode concluir que é necessária a inserção</p><p>de um círculo de 1,50 m de diâmetro dentro do sanitário para determinar as</p><p>suas dimensões mínimas. Esse é o diâmetro necessário para o giro da cadeira</p><p>de rodas.</p><p>Entretanto, nem sempre é possível determinar as dimensões dos ambientes</p><p>onde os móveis serão inseridos. Isso acontece pois há uma vasta gama de</p><p>edificações existentes que necessitam de reformas. Nesse caso, a NBR 9.050</p><p>determina as dimensões apresentadas na Figura 6 como as mais adequadas.</p><p>13Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>Figura 6. Medidas mínimas de um sanitário acessível em caso de reforma — vista superior.</p><p>Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2015).</p><p>Para cozinhas e áreas de serviço atenderem à NBR 9.050, devem ser re-</p><p>alizadas circulações com no mínimo 0,90 m, prevendo sempre um local ou</p><p>área para realizar o giro da cadeira de rodas, que exige 1,50 m. Apesar de o</p><p>ideal ser a realização de circulações com 1,50 m, edificações existentes nem</p><p>sempre possibilitam essa alternativa, assim como todos os ambientes de uma</p><p>edificação.</p><p>Ching (2012) indica que há dois tipos de dimensões relacionadas ao corpo</p><p>humano: as dimensões estruturais e as dimensões funcionais. As dimensões</p><p>estruturais são as dimensões do corpo em si, já as dimensões funcionais</p><p>variam conforme as atividades e movimentos dos usuários, como o ato de</p><p>sentar e esticar os braços para pegar algo nos armários (CHING, 2012). Essas</p><p>dimensões encontram-se ilustradas na Figura 7.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas14</p><p>Figura 7. Dimensões estruturais e funcionais do corpo humano.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 49).</p><p>Apesar de indicar as dimensões funcionais do corpo humano, Ching (2012)</p><p>afirma que, ao projetar um ambiente, vários fatores devem ser considerados.</p><p>Entre eles, faixa etária, grupo étnico e público-alvo. As normas apresentam</p><p>dimensões formuladas por meio de medidas típicas ou médias da população.</p><p>Na Figura 8, você pode ver dimensões que são referência no desenvolvimento</p><p>de projetos.</p><p>Na Figura 9, você pode ver um exemplo de distribuição ergonômica para</p><p>armários de cozinha. Essas dimensões podem ser utilizadas também em áreas</p><p>de serviço, banheiros, escritórios, dormitórios e quaisquer ambientes que</p><p>contem com bancadas e armários aéreos. Como você pode observar, a bancada</p><p>deve apresentar no mínimo 0,60 m de profundidade e altura entre 0,85 e 1,05</p><p>m, enquanto o armário aéreo pode ter 0,30 m de profundidade, sendo fixado</p><p>a 1,35 cm do chão para garantir a segurança dos usuários.</p><p>A Figura 10 apresenta as dimensões mínimas e ideais para a circulação</p><p>em uma cozinha. Levando em consideração que a área de passagem mínima</p><p>para uma única pessoa é de 0,60 m e para duas é 1,20 m, sempre que possível</p><p>você deve optar por circulações de 1,20 m para garantir o conforto durante a</p><p>execução das tarefas no ambiente.</p><p>15Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>Figura 8. Dimensões funcionais (em milímetros).</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 50).</p><p>Figura 9. Dimensões ergonômicas para a definição de balcões e armários aéreos.</p><p>Fonte: Buxton (2017, p. 2).</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas16</p><p>Figura 10. Dimensões mínimas para o layout de uma cozinha.</p><p>A Figura 11 apresenta a vista de um banheiro. Observe a determinação da</p><p>altura da bancada da pia ou da face superior da cuba, que deve possuir 0,90 m</p><p>para atender aos usuários de forma confortável. Por sua vez, o espelho deve</p><p>ser colocado no mínimo a 1,25 m do nível do chão.</p><p>17Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>Figura 11. Altura para instalação de bancada e espelho em banheiro.</p><p>Ergonomia é a ciência que estuda a relação e a interatividade entre o homem e o seu</p><p>ambiente. Por meio dela, é possível otimizar o desempenho das atividades realizadas,</p><p>proporcionando conforto e melhor qualidade de vida.</p><p>Você projeta para atender às necessidades do ser humano, não é? Por isso,</p><p>deve criar ambientes confortáveis e de fácil utilização, sempre atendendo às</p><p>normas vigentes e às expectativas do usuário. As áreas molhadas são ambientes</p><p>de grande importância em uma residência, pois são utilizadas para ativida-</p><p>des de higiene e alimentação, fatores fundamentais para a sobrevivência e a</p><p>convivência em sociedade.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas18</p><p>1. Em uma residência, quais são</p><p>os ambientes que compõem</p><p>a área molhada?</p><p>a) Cozinha, dormitório</p><p>e sala de estar.</p><p>b) Sala de jantar, sala de</p><p>estar e lavabo.</p><p>c) Garagem, cozinha e dormitório.</p><p>d) Área de serviço, sala de</p><p>jantar e banheiro.</p><p>e) Cozinha, área de</p><p>serviço e banheiro.</p><p>2. O detalhamento das áreas</p><p>molhadas é composto por: planta</p><p>geral compatibilizada, planta de</p><p>piso, planta de forro, elevações</p><p>e seções verticais, que devem</p><p>ser apresentados na escala 1:25</p><p>ou 1:20. Os detalhes específicos,</p><p>como os detalhes de bancadas,</p><p>soleiras, portas e forros, devem ser</p><p>apresentados em quais escalas?</p><p>a) 1:10 ou 1:5.</p><p>b) 1:20 ou 1:25.</p><p>c) 1:100 ou 1:125.</p><p>d) 1:1.000 ou 1:500.</p><p>e) 1:100 ou 1:200.</p><p>3. A NBR 15.575 apresenta as</p><p>dimensões e os equipamentos</p><p>mínimos para cada ambiente. Nesse</p><p>contexto, quais são os equipamentos</p><p>mínimos que devem ser utilizados na</p><p>execução do layout de um lavabo?</p><p>a) Chuveiro e fogão.</p><p>b) Mesa e pia.</p><p>c) Lavatório e vaso sanitário.</p><p>d) Vaso sanitário e roupeiro.</p><p>e) Geladeira e pia.</p><p>4. Sempre que as dimensões</p><p>do ambiente destinado</p><p>para a execução da cozinha</p><p>permitirem, deve ser utilizada</p><p>a regra do triângulo para a</p><p>distribuição dos equipamentos</p><p>no ambiente. Qual é o principal</p><p>objetivo dessa regra?</p><p>a) Determinar a localização</p><p>dos móveis no ambiente.</p><p>b) Garantir a perfeita</p><p>mobilidade no ambiente.</p><p>c) Tornar o ambiente mais</p><p>descontraído.</p><p>d) Determinar a localização da</p><p>geladeira no ambiente.</p><p>e) Apresentar o formato</p><p>construtivo da planta baixa.</p><p>5. Por questões ergonômicas, há</p><p>dimensões mínimas a serem</p><p>utilizadas na fabricação dos</p><p>equipamentos e mobiliários.</p><p>Partindo dessa premissa, qual é a</p><p>profundidade mínima a ser adotada</p><p>para uma bancada de banheiro?</p><p>a) 1,20 m.</p><p>b) 0,20 m.</p><p>c) 0,40 m.</p><p>d) 0,60 m.</p><p>e) 0,80 m.</p><p>19Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050. Acessibilidade a edificações,</p><p>mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2015.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575.</p><p>inglesa furniture)”.</p><p>No século XVII, uniram-se, à noção de transportabilidade, as influências de</p><p>moda e estilo por todo o continente europeu. O móvel sempre foi reflexo da vida</p><p>e da sociedade no qual está inserido, conforme defende Mancuso (2004, p. 167):</p><p>A história da humanidade possui direta ligação com a história do mobiliário.</p><p>Existe um paralelo entre ambas: enquanto a humanidade foi evoluindo, foi-se</p><p>evoluindo a forma de morar, e cada época colocou-se, representativamente,</p><p>fosse a austeridade de um rei, fosse a feminilidade de uma rainha, enfim, os</p><p>estilos são a história agregada das características de viver de cada momento.</p><p>Às ideias de mobilidade e estilo foram agregados conceitos complemen-</p><p>tares ao longo do tempo. As questões de estilo, ocasionalmente associadas</p><p>apenas à construção do gosto, passaram a acompanhar a funcionalidade.</p><p>As questões relativas ao conforto e à função emergiram paralelemente aos</p><p>estudos ergonômicos durante o século XX. Segundo Devides (2006, p. 37):</p><p>O século XX fez emergir um aspecto que antes era privilégio de apenas uma</p><p>pequena parcela da população, o conforto. A democratização do conforto se</p><p>deveu à produção em massa e à industrialização, que introduziu em milhares</p><p>de casas equipamentos e aparelhos que facilitavam o serviço doméstico e que</p><p>melhoravam as condições de aquecimento e iluminação e agora para uma</p><p>grande parcela da população.</p><p>Atualmente, quanto à função a que se destinam, podemos identificar os</p><p>mobiliários em três âmbitos (Figura 1), segundo Mancuso (2004):</p><p> residencial (destinado aos interiores domésticos);</p><p> corporativo ou comercial (presentes nos postos de trabalho, empresas</p><p>e serviços);</p><p> urbano (equipamentos instalados em espaços públicos).</p><p>Normas para mobiliários2</p><p>Ao mobiliário urbano se contrapõe a característica original de mobilidade;</p><p>isso porque a natureza da construção desses equipamentos normalmente</p><p>inviabiliza a sua remoção, e não é comum o transporte desses elementos para</p><p>outra área da cidade. Portanto, a possibilidade de ser movido não se adequa</p><p>à categoria de mobiliário urbano, conclui Araújo (2008).</p><p>Figura 1. Tipos de mobiliário: (a) residencial, (b) comercial e (c) urbano.</p><p>Fonte: Antoha713/Shutterstock.com; Eviled/Shutterstock.com; Lester Balajadia/</p><p>Shutterstock.com.</p><p>3Normas para mobiliários</p><p>Ching (2013) defende que os móveis tornam os espaços habitáveis ao dar</p><p>conforto e utilidade às tarefas e atividades que executamos. O mobiliário</p><p>intermedia a relação entre a arquitetura (ou o espaço público) e as pessoas,</p><p>qualquer que seja a escala de inserção ou a funcionalidade do equipamento.</p><p>Há algumas distinções na concepção e no nível de exigência ergonômica</p><p>do mobiliário conforme a sua função. Em todos os casos os móveis podem,</p><p>conforme a qualidade do seu projeto, oferecer ou limitar conforto físico aos</p><p>usuários. Ainda conforme Ching (2013, p. 320):</p><p>Nossos corpos dirão se uma cadeira é desconfortável ou se uma mesa é alta ou</p><p>baixa demais para o nosso uso. Há uma retroalimentação clara que nos diz se</p><p>um item de mobiliário é adequado ao seu fim. Os fatores humanos (ergonomia)</p><p>são uma grande influência na forma, proporção e escala dos móveis. Para dar</p><p>utilidade e conforto na execução das nossas tarefas, os móveis devem ser, antes</p><p>de tudo, projetados para responder ou corresponder a nossas dimensões, aos</p><p>espaços vazios necessários aos nossos padrões de movimento e à natureza</p><p>da atividade que executamos.</p><p>A percepção de conforto está condicionada à natureza das atividades que desempenhamos.</p><p>Ao sentarmos em um banco de concreto em uma praça, por exemplo, provavelmente não</p><p>desenvolveremos fadiga; ao contrário, uma longa permanência em um assento ergono-</p><p>micamente inadequado pode nos ser muito incômodo. Os requisitos ergonômicos são</p><p>específicos para cada função e exercem um importante papel no projeto de produtos,</p><p>atendendo aos ambientes e às finalidades para as quais são criados os móveis.</p><p>Breve classificação do mobiliário: uma perspectiva</p><p>ergonômica</p><p>A maioria dos móveis consiste em peças unitárias ou individuais que permitem</p><p>fl exibilidade de arranjo, como mesas, cadeiras, armários, aparadores, sofás,</p><p>etc. Os móveis podem ser fabricados em madeira, metal, vidro, concreto,</p><p>plástico e outros materiais sintéticos; cada material possui especifi cidades</p><p>quanto à resistência, à funcionalidade e/ou aos aspectos construtivos. Dentre</p><p>as tecnologias mais utilizadas para a fabricação de móveis, a madeira é</p><p>considerada o material padrão, conforme leciona Ching (2013).</p><p>O mobiliário isolado é normalmente produzido em larga escala por in-</p><p>dústrias do segmento e segue as prescrições ergonômicas consolidadas pelos</p><p>Normas para mobiliários4</p><p>estudos antropométricos. O desenho do móvel isolado (como um projeto de</p><p>produto) pode ser desenvolvido por arquitetos e designers; porém, é mais</p><p>comum que os profissionais projetem móveis sob medida e especifiquem o</p><p>mobiliário isolado nos arranjos espaciais propostos.</p><p>Além dos móveis isolados, duas terminologias recorrentes no design são os</p><p>móveis sob medida e os móveis planejados. Os móveis sob medida (também</p><p>conhecidos como móveis embutidos), segundo Ching (2013, p. 315), são “[...] con-</p><p>juntos de móveis que permitem flexibilidade de uso e mais espaço. Há geralmente</p><p>mais continuidade de forma entre os elementos de mobiliário e menos espaços</p><p>livres entre eles”. São aqueles conjuntos produzidos sob demanda de acordo com</p><p>o projeto que foi concebido exclusivamente para um determinado espaço. Já os</p><p>móveis planejados (também conhecidos como modulares) são “[...] unidades que</p><p>combinam a aparência unificada dos móveis embutidos com a flexibilidade de</p><p>mobilidade das peças unitárias individuais”, conforme conceitua Ching (2013, p.</p><p>315). Nesse caso, a indústria fabrica módulos (partes de um conjunto) que podem</p><p>ser montados conforme a necessidade e as condições do espaço.</p><p>Sobre o aspecto ergonômico, é importante observar que, no caso de móveis</p><p>planejados, os módulos possuem dimensões predeterminadas pelas indústrias,</p><p>resultantes de critérios ergonômicos validados. Nos móveis sob medida não</p><p>há dimensões predeterminadas — a limitação se dá somente em relação à</p><p>dimensão da chapa (madeira e derivados, vidro, etc.) disponível no mercado.</p><p>Essa produção, portanto, é considerada artesanal, aquela em que o domínio dos</p><p>conhecimentos de ergonomia é diretamente aplicado na concepção dos projetos,</p><p>conforme leciona Dal Piva (2007). Os requisitos de ergonomia são recomendados</p><p>pelas normas técnicas (ABNT), cujo objetivo é estabelecer regras, diretrizes ou</p><p>características acerca de um material, produto, processo ou serviço.</p><p>Ergonomia do mobiliário regulamentada pela</p><p>ABNT</p><p>A ABNT disponibiliza vastas publicações de normas técnicas (nacionais)</p><p>para móveis, bem como referencia consulta às normas internacionais ISO</p><p>(International Organization for Standardization), que estabelecem alguns</p><p>critérios a serem aplicados a mobiliários (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>NORMAS TÉCNICAS, [2018]). As normas são constantemente atualizadas</p><p>ou substituídas.</p><p>Os Quadros 1 e 2 elencam as normas mais relevantes para auxiliar o</p><p>desenho de mobiliário.</p><p>5Normas para mobiliários</p><p>Norma ABNT Título</p><p>NBR 13962:2018 Móveis para escritório — Cadeiras —</p><p>Requisitos e métodos de ensaio</p><p>NBR 16671:2018 Móveis escolares — Cadeiras escolares com</p><p>superfície de trabalho acoplada — Dimensões,</p><p>requisitos e métodos de ensaio</p><p>NBR 15860-1:2016 Móveis — Berços e berços dobráveis</p><p>infantis tipo doméstico</p><p>Parte 1: Requisitos de segurança</p><p>NBR 15860-2:2016 Móveis — Berços e berços dobráveis</p><p>infantis tipo doméstico</p><p>Parte 2: Métodos de ensaio</p><p>NBR 16332:2014 Móveis de madeira — Fita de borda e suas</p><p>aplicações — Requisitos e métodos de ensaio</p><p>NBR 16067-1:2012 Móveis — Berços, berços de balanço ou pendular</p><p>de até 900 mm para uso doméstico</p><p>Parte 1: Requisitos de segurança</p><p>NBR 16067-2:2012 Móveis — Berços, berços de balanço ou pendular</p><p>de até 900 mm para uso doméstico</p><p>Parte 2: Métodos de ensaio</p><p>Edificações habitacionais</p><p>– Desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.</p><p>AZEVEDO, M. Projetando ambientes: áreas molhadas. 29 jul. 2017. Disponível em: <ht-</p><p>tps://pt.slideshare.net/maryazs/projetando-ambientes-reas-molhadas>. Acesso em:</p><p>28 out. 2018.</p><p>BUXTON, P. Manual do arquiteto: planejamento, dimensionamento e projeto. 5. ed.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CHING, F. D. K. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>KENCHIAN, A. Qualidade funcional no programa e projeto da habitação. 2011. 541 f. Tese</p><p>(Doutorado em Arquitetura) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade</p><p>de São Paulo, São Paulo, 2011.</p><p>PEREIRA, A. C. G. S. Concepção espacial: metodologia de composição aplicada em</p><p>espaços residenciais. Revista Especialize On-line IPOG, Goiânia, ano 8, ed. 14, v. 1, dez. 2017.</p><p>RADOMILLE, P. Planejamento da cozinha: por que a regra do triângulo é importante?</p><p>Radô Arquitetura e Design, 8 abr. 2015. Disponível em: <http://www.radoarquitetura.</p><p>com.br/blog/planejamento-da-cozinha-por-que-a-regra-do-triangulo-e-importante/>.</p><p>Acesso em: 28 out. 2018.</p><p>SBARRA, M. Detalhamento de área molhada. Marcelo Sbarra: arquitetura & ensino, 2 nov.</p><p>2017. Disponível em: <https://marcelosbarra.com/2017/10/31/detalhamento-de-area-</p><p>-molhada/>. Acesso em: 28 out. 2018.</p><p>VALLADARES, P.; MATOSO, D. Projeto de interiores: apostila de projeto executivo e</p><p>detalhamento. Escola de Arquitetura da UFMG – Departamento de Projetos. Minas</p><p>Gerais, 2002. Disponível em: <https://daniloarquiteto.files.wordpress.com/2008/11/</p><p>apostila_exec_det.pdf>. Acesso em: 28 out. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13531. Elaboração de projetos</p><p>de edificações – Atividades técnicas. Rio de Janeiro: ABNT, 1995.</p><p>MATERIALS. Guia Arauco: como projetar e construir uma cozinha corretamente? ArchDaily,</p><p>29 jul. 2016. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/789635/guia-arauco-como-</p><p>-projetar-e-construir-uma-cozinha-corretamente>. Acesso em: 28 out. 2018.</p><p>NEUFERT, E. A arte de projetar em arquitetura. 18. ed. São Paulo: GG, 2013.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para áreas molhadas20</p><p>Conteúdo:</p><p>PROJETO DE</p><p>INTERIORES</p><p>RESIDENCIAIS</p><p>Marilia Pereira de</p><p>Ardovino Barbosa</p><p>Arquitetura de interiores</p><p>e o mobiliário residencial</p><p>para quartos e salas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar o mobiliário residencial de quartos e salas.</p><p>� Selecionar o mobiliário adequado conforme a função.</p><p>� Indicar as metragens mínimas para esses ambientes.</p><p>Introdução</p><p>A arquitetura de interiores estuda, entre vários fatores, a relação entre</p><p>os ambientes e seu mobiliário. Cada espaço residencial tem um uso e</p><p>uma função. Sala, cozinha, quarto e banheiro, entre outros cômodos,</p><p>necessitam de mobiliário específico. O estudo e o conhecimento desses</p><p>usos e dos móveis adequados a eles são importantes para a realização de</p><p>um bom projeto. Além disso, são fundamentais para garantir o melhor</p><p>aproveitamento e a funcionalidade dos espaços.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a arquitetura de interiores e o mobi-</p><p>liário residencial para quartos e salas. Por fim, vai conhecer as medidas</p><p>mínimas para cada um desses espaços internos.</p><p>Arquitetura de interiores</p><p>A arquitetura de interiores é a realização do projeto de um ou mais espaços em</p><p>uma edificação, em escala maior e mais detalhada. Ela prevê a distribuição do</p><p>mobiliário, a decoração e os aspectos técnicos que envolvem a construção. A</p><p>arquitetura de interiores foi estabelecida pela Resolução Federal do Conselho</p><p>de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR) nº 76/2014, que a define como:</p><p>Intervenção detalhada nos ambientes internos e externos que lhe são corre-</p><p>latos, definindo uma forma de uso do espaço em função do mobiliário, dos</p><p>equipamentos e suas interfaces com o espaço construído, alterando ou não</p><p>a concepção arquitetônica original, para adequação às necessidades de uti-</p><p>lização (CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL,</p><p>2014, documento on-line).</p><p>De acordo com a mesma resolução, a decoração:</p><p>É um simples arranjo do espaço interno criado pela disposição de mobiliário</p><p>não fixo, obras de arte, cortinas e outros objetos de pequenas dimensões, sem</p><p>alteração do espaço arquitetônico original, sem modificação das instalações</p><p>hidráulicas, elétricas ou ar condicionado, não implicando modificações na</p><p>estrutura, adição ou retirada de paredes, forro, piso e que também não implique</p><p>a modificação da parte externa na edificação (CONSELHO DE ARQUITE-</p><p>TURA E URBANISMO DO BRASIL, 2014, documento on-line).</p><p>Como você pode perceber, a arquitetura de interiores é atribuição do arquiteto,</p><p>já a decoração e o projeto de interiores podem ser feitos por outros profissionais,</p><p>como designers de interiores e decoradores. O designer de interiores também</p><p>pode fazer o projeto e os desenhos dos móveis para um ambiente.</p><p>Os espaços são os ambientes arquitetônicos, objetos da intervenção da</p><p>arquitetura de interiores. Os espaços residenciais podem ser divididos em:</p><p>longa permanência, curta permanência e circulações (BAGÉ, 1974). Os es-</p><p>paços de longa permanência são aqueles em que os usuários passam a maior</p><p>parte do tempo, onde acontece a convivência ou o descanso. Já os de curta</p><p>permanência são aqueles destinados a tarefas específicas que acontecem em</p><p>curto ou médio espaço de tempo.</p><p>Os de longa permanência diurna são as salas e áreas de lazer; os de</p><p>longa permanência noturna são os quartos; os de curta permanência são</p><p>cozinhas, banheiros, despensas e demais espaços de serviço; e as circulações</p><p>são corredores e halls. Neste capítulo, você vai se concentrar nos espaços de</p><p>longa permanência e seus mobiliários (BAGÉ, 1974).</p><p>Uma edificação residencial pode ser dividida em três zonas funcionais</p><p>básicas:</p><p>� zona social, onde estão os espaços de longa permanência diurna (salas</p><p>e áreas de lazer);</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas2</p><p>� zona íntima, onde ficam os espaços de longa permanência noturna</p><p>(quartos) e também alguns de curta permanência (banheiros);</p><p>� zona de serviço (cozinhas e áreas de serviço), onde estão a maioria dos</p><p>espaços de curta permanência (GALVÃO, 2016a).</p><p>Mobiliário para quartos e salas</p><p>Mobiliário para salas</p><p>As salas de estar são os espaços principais de uma residência. Elas são es-</p><p>paços para convivência familiar e para receber visitantes, assim como para</p><p>atividades de lazer e entretenimento. Para Neufert (2013, p. 190), as salas são:</p><p>“[...] compartimentos de permanência geral durante o dia e servem sobretudo</p><p>para reuniões íntimas da família”. Atualmente, a sala de jantar é usada em um</p><p>espaço integrado ao de estar, na maioria dos casos em salas de dois ambientes.</p><p>Além disso, a sala de jantar, “[...] que antigamente constituía a maior zona da</p><p>casa, reduz-se hoje ao indispensável” (NEUFERT, 2013, p. 169).</p><p>As salas podem ter diversas funções e tipos, com mobiliários específicos.</p><p>Há, por exemplo: sala de estar, sala de jantar, sala íntima, sala de estudos</p><p>ou escritório. Existem outros tipos de sala, principalmente em casas antigas</p><p>e maiores, mas que caíram em desuso. Neufert (2013) considera ainda as</p><p>seguintes salas: biblioteca, sala de música, sala de costura, sala de visitas ou</p><p>salão e jardim de inverno. Os móveis usados nas salas podem ser categorizados</p><p>basicamente em: assentos e mesas. A seguir, você vai ver as definições de</p><p>Ching (2013) para esses mobiliários.</p><p>Assentos</p><p>A seguir, veja exemplos de assentos que podem ser utilizados em salas</p><p>(Figura 1).</p><p>� Poltronas: mobiliários utilizados para descansar, decorar, conversar</p><p>ou ler; podem ser totalmente estofadas, com estruturas geralmente de</p><p>madeira ou aço.</p><p>� Cadeiras de aproximação: servem para estudar e fazer refeições; são</p><p>mais leves e menores do que as poltronas e têm espaldares verticais.</p><p>� Cadeiras sem suportes de braços:</p><p>são utilizadas para relaxar, são</p><p>fáceis de sentar e levantar e têm suporte para as costas.</p><p>3Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>� Sofás: são projetados para acomodar duas ou mais pessoas; geral-</p><p>mente são estofados, com ou sem braços; atualmente, possuem assentos</p><p>extensíveis.</p><p>� Sofás-camas: são projetados para serem transformados em camas;</p><p>sua estrutura pode ser retrátil em metal ou com sistema de encosto</p><p>dobrável. São uma opção conveniente para acomodação temporária</p><p>(CHING, 2013).</p><p>Figura 1. Assentos.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 326 e 327).</p><p>Mesas</p><p>As mesas são “[...] superfícies planas e horizontais sustentadas pelo piso e</p><p>utilizadas para comer, trabalhar, armazenar e dispor objeto” (CHING, 2013,</p><p>p. 330). Elas devem ter força e estabilidade, tamanho, formato e altura ade-</p><p>quados a seu fim e ser fabricadas em materiais duradouros (CHING, 2013).</p><p>A seguir, veja algumas das mesas existentes (Figura 2).</p><p>� Mesas de jantar: servem para fazer refeições; têm variáveis tamanhos</p><p>e formatos; podem ser extensíveis e podem ser fabricadas em série ou</p><p>personalizadas (CHING, 2013).</p><p>� Mesas de centro: são usadas no centro dos ambientes de estar e são</p><p>da altura dos assentos. Podem ter tampos de vidro, plástico, metal,</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas4</p><p>madeira, pedra, entre outros (CHING, 2013). A estrutura é usualmente</p><p>de madeira ou aço.</p><p>� Mesas de canto: fornecem superfícies para abajures e outros acessórios</p><p>ao lado de um assento. Outras mesas pequenas ajudam a equilibrar a</p><p>decoração. Podem ter os mesmos materiais das mesas de centro.</p><p>� Aparadores: são móveis da altura da mesa de jantar, pouco profundos</p><p>e longos. O tampo serve para sustentar travessas durante as refeições</p><p>e, se a base for fechada, pode guardar a louça. Nesse caso, também são</p><p>chamados de balcões.</p><p>� Estantes ou racks: são móveis com prateleiras, usados como suporte</p><p>para aparelhos eletrônicos (televisão, som, aparelho de DVD, etc.) que</p><p>se mantêm interligados (PRIBERAM, 2018).</p><p>Figura 2. Mesas.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 332).</p><p>5Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>Mobiliário para quartos ou dormitórios</p><p>Os quartos são os espaços da edificação usados para descanso e para atividades</p><p>privadas, como trocar de roupa. Atualmente, também são utilizados para ler ou</p><p>ver televisão. Quando há um banheiro dentro do espaço destinado ao quarto,</p><p>este chama-se suíte (NEUFERT, 2013).</p><p>Os tipos de quartos existentes nas casas contemporâneas são: quarto de</p><p>casal, quarto de solteiro, quarto de bebê e quarto de hóspedes. Os móveis</p><p>associados aos dormitórios são, basicamente, os listados a seguir.</p><p>� Camas: podem ser de solteiro, semicasal, casal, queen e king. Podem</p><p>ter cabeceira, pés e criados-mudos associados (CHING, 2013). Atual-</p><p>mente, existem as camas box, sem estrado, que são como um colchão</p><p>alto e único (GALVÃO, 2016b). Para ver exemplos de camas, observe</p><p>a Figura 3.</p><p>� Beliches: são móveis que consistem em duas ou mais camas montadas</p><p>uma sobre a outra (PRIBERAM, 2018). Eles são usados em quartos</p><p>pequenos em que não cabe mais de uma cama disposta ao nível do piso,</p><p>otimizando o espaço.</p><p>� Berços: são camas equipadas com barras ou algum outro tipo de</p><p>barreira, em todo o seu perímetro, para impedir a queda da criança</p><p>(INMETRO, 2016).</p><p>� Poltronas: têm a mesma configuração das poltronas utilizadas em salas</p><p>de estar. São usadas em quartos de dimensões folgadas e quartos de</p><p>bebê. Devem ser estofadas e confortáveis, com braços e suporte para</p><p>cabeça (CHING, 2013).</p><p>� Cômodas: são móveis com gavetas para guardar roupas. Quando há</p><p>porta lateral, servem também para guardar sapatos, material de higiene,</p><p>livros, entre outros. Em quartos de bebê, servem também como trocador</p><p>(GALVÃO, 2016b).</p><p>� Mesas de cabeceira ou criados-mudos: localizados ao lado das ca-</p><p>mas, normalmente com gavetas, servem para guardar objetos e como</p><p>superfície para abajures. Podem ser usados individualmente ou em par</p><p>(GALVÃO, 2016b).</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas6</p><p>Figura 3. Camas.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 336).</p><p>Os móveis a seguir podem ser usados individualmente ou como móveis</p><p>embutidos, planejados ou sob medida (CHING, 2013).</p><p>� Armários: são móveis para armazenagem. O tamanho e o tipo dos</p><p>armários dependem dos itens a serem guardados e do espaço destinado</p><p>a eles (CHING, 2013). Nos quartos, são chamados de guarda-roupas e</p><p>devem acomodar (com folga) todas as roupas, calçados e acessórios das</p><p>7Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>pessoas que dormem no cômodo (GALVÃO, 2016b). Para ver exemplos</p><p>de armários, observe a Figura 4.</p><p>� Estantes: são “Sistemas modulados que consistem em prateleiras,</p><p>gavetas e armários que podem ser combinados de vários modos […]</p><p>Podem ter frentes abertas ou portas com ou sem vidraças. Alguns</p><p>sistemas tem iluminação integrada” (CHING, 2013, p. 344).</p><p>� Mesas de estudo: também chamadas de escrivaninhas, servem como</p><p>superfície de estudo e, se necessário, para laptops. Devem ter espaço</p><p>para uma cadeira. A mesa de estudos tradicional inclui armários e</p><p>gavetas na sua base, ou pode simplesmente consistir em um tampo</p><p>apoiado em uma base (CHING, 2013).</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas8</p><p>Os móveis planejados são produzidos por diversas empresas especializadas. Eles são</p><p>compostos por módulos, parcialmente adaptáveis ao tamanho do cômodo e ao desejo</p><p>do cliente. Por sua vez, os móveis sob medida são feitos especialmente para a necessidade</p><p>do cliente. Eles são planejados para um espaço específico, com base nas suas medidas.</p><p>Enquanto os móveis planejados usam módulos pré-fabricados e comercializados em</p><p>lojas, os móveis sob medida são criados por marceneiros (MARANHA, 2018).</p><p>Metragens e áreas mínimas para quartos e salas</p><p>As dimensões e áreas dos espaços se relacionam com o seu uso e com o seu</p><p>mobiliário. Ou seja, um dormitório deve abrigar, no mínimo, uma cama, um</p><p>armário e uma mesa de cabeceira, além de porta e janela para garantir conforto,</p><p>circulação, iluminação e ventilação apropriados (NEUFERT, 2013).</p><p>Figura 4. Armários.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 338).</p><p>9Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>A maioria das cidades, por meio de seus códigos de obras, estipula as medidas</p><p>mínimas para os ambientes. Quando isso não acontece, você deve usar a NBR</p><p>15575 como base para o dimensionamento de espaços.</p><p>A funcionalidade é muito importante em um projeto de interiores. Ela é</p><p>fundamental para adequar o espaço interno às tarefas e atividades executadas</p><p>nele (CHING, 2013). Após analisar as atividades e usos dos espaços, você</p><p>pode selecionar e dispor os móveis, acessórios e pontos de iluminação, criando</p><p>layouts e configurações que respondam a critérios funcionais e estéticos. De</p><p>acordo com Ching (2013, p. 66), deve-se buscar, em termos de função:</p><p>� agrupamento de mobiliário conforme atividades específicas;</p><p>� dimensões e afastamentos adequados;</p><p>� distâncias sociais apropriadas;</p><p>� privacidade visual e acústica correta;</p><p>� flexibilidade ou adaptabilidade adequada;</p><p>� iluminação apropriada e outras instalações prediais.</p><p>Observe a Figura 5, a seguir.</p><p>Figura 5. No topo da imagem, espaço com circulações e áreas de atividade; abaixo, a</p><p>sua flexibilidade. Acima, agrupamentos funcionais de um estar, assim como dimensões</p><p>e distâncias.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 66).</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas10</p><p>Dimensões mínimas para salas</p><p>Os espaços podem ser classificados genericamente quanto às suas dimensões</p><p>em duas grandes categorias: espaços com dimensões mínimas e espaços com</p><p>dimensões folgadas. Um layout de dimensões mínimas é menos flexível e a</p><p>sua adaptação a outro uso que não o previsto é dificultada. Esse tipo de layout</p><p>usa móveis independentes ou modulados. A ideia é aproveitar o espaço</p><p>de</p><p>forma eficiente e deixar uma quantidade máxima de área de piso em torno</p><p>dos móveis (CHING, 2013). Os móveis planejados ou sob medida também são</p><p>uma opção para otimização de espaços mínimos. Os espaços com dimensões</p><p>folgadas são mais adaptáveis. Eles podem usar mobiliário em maior número</p><p>e são normalmente mais confortáveis.</p><p>Na Figura 6, você pode ver uma sala mínima dimensionada para abrigar</p><p>as funções de estar e jantar, configuração usual nos dias de hoje.</p><p>Figura 6. Layout de estar e jantar, com dimensões mínimas de móveis e espaços.</p><p>Fonte: Imagem gentilmente cedida pela arquiteta Luiza Victória Bica da Rosa.</p><p>A Figura 6 mostra uma sala retangular onde os ambientes foram sepa-</p><p>rados de acordo com suas funções. O ambiente de jantar tem uma mesa de</p><p>refeições pequena, com apenas quatro lugares. Já o espaço de estar conta</p><p>com um conjunto de sofá, poltrona e rack para televisão e armazenagem</p><p>de objetos. Como você pode observar, na sala de jantar, a mesa próxima à</p><p>parede libera espaço para a circulação e possibilita posicionar um aparador</p><p>11Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>na parede em frente. Entre as cadeiras da mesa e a parede há 60 cm, espaço</p><p>confortável para movimentação (caso as cadeiras tenham braços, a distância</p><p>deve ser de 20 cm).</p><p>O caminho de acesso aos quartos deve ter um espaço de 80 cm, a fim</p><p>de não prejudicar a circulação mesmo quando alguém empurrar a cadeira</p><p>para trás. No espaço de estar, foi incluída a mesa de centro, abrindo mão do</p><p>padrão recomendado de 60 cm livres. Entre a mesinha, o sofá e a poltrona,</p><p>foi usada a distância mínima aceitável, que é de 40 cm. Foi deixado um</p><p>intervalo de 50 cm do rack até a mesa para a abertura das gavetas do móvel</p><p>(TILLEY, 2007).</p><p>No link a seguir, você encontra uma matéria bastante interessante sobre as metragens</p><p>mínimas dos ambientes de uma casa.</p><p>https://goo.gl/1CnsqN</p><p>Dimensões mínimas para quartos</p><p>Como você já viu, a quantidade e o tipo de mobília de um cômodo depen-</p><p>dem do seu tamanho, do estilo do projeto e das necessidades do cliente. Um</p><p>dormitório com armários à parte ou closets não precisa de muitos espaços</p><p>para armazenagem. Por sua vez, um quarto infantil pode ter uma área para</p><p>brincadeiras ou estudo. Já os quartos de hóspedes podem ser utilizados para</p><p>outras atividades, servindo como gabinetes, salas de costura ou depósitos</p><p>(CHING, 2013).</p><p>Nas Figuras 7 e 8, a seguir, você pode ver os quartos mais usuais atualmente,</p><p>de casal e de solteiro.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas12</p><p>Figura 7. Dormitório mínimo de casal.</p><p>Fonte: Imagem gentilmente cedida pela arquiteta Luiza Victória Bica da Rosa.</p><p>Figura 8. Dormitório mínimo de solteiro com uma cama.</p><p>Fonte: Imagem gentilmente cedida pela arquiteta Luiza Victória Bica da Rosa.</p><p>13Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>Os quartos costumam ter uma configuração quadrada ou retangular. Eles</p><p>devem possuir no mínimo uma cama, uma mesa de cabeceira e um guarda-</p><p>-roupas. Nas laterais das camas, é bom manter o espaçamento mínimo de 60</p><p>cm. Isso possibilita, por exemplo, que o usuário sente para calçar os sapatos.</p><p>Além disso, proporciona espaço para mesas de cabeceira. Na frente do guarda-</p><p>-roupas, você deve manter 60 cm livres. Nos modelos com profundidade maior,</p><p>é melhor usar portas de correr (TILLEY, 2007).</p><p>O quarto de solteiro pode ter uma ou mais camas, dependendo do número</p><p>de ocupantes (Figura 9). As dimensões mínimas para o quarto de uma cama</p><p>estão apresentadas na Figura 8. É interessante prever espaço para uma bancada</p><p>de estudos. Um quarto de duas camas pede as mesmas medidas de um quarto</p><p>de casal, mas, nesse caso, pelo menos uma das camas terá de ficar encostada</p><p>nas paredes (TILLEY, 2007).</p><p>Figura 9. Quartos de solteiro com uma ou duas camas.</p><p>Fonte: Buxton (2017, p. 373).</p><p>Para realizar um projeto de arquitetura de interiores, é necessário conhecer</p><p>o uso e a função dos espaços. Você precisa saber para que eles servem e como</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas14</p><p>serão utilizados. Também precisa conhecer as dimensões dos móveis, equipa-</p><p>mentos e circulações. Assim, é possível garantir um projeto funcional e com</p><p>bom aproveitamento da área disponível. De posse dessas informações, você</p><p>vai planejar os espaços de forma mais eficiente, chegando a um bom resultado.</p><p>1. A arquitetura de interiores é a</p><p>realização de um projeto de</p><p>um ou mais espaços em uma</p><p>edificação, em escala maior e mais</p><p>detalhada. De que modo essa</p><p>prática foi definida pelo Conselho</p><p>de Arquitetura e Urbanismo?</p><p>a) Intervenção pouco detalhada</p><p>nos ambientes externos de</p><p>uma edificação, definindo</p><p>uso do espaço em função do</p><p>mobiliário, dos equipamentos</p><p>e de suas relações com o</p><p>espaço construído, alterando</p><p>ou não a concepção</p><p>arquitetônica original.</p><p>b) Intervenção detalhada nos</p><p>ambientes internos e externos</p><p>de uma edificação, definindo</p><p>uso do espaço em função do</p><p>mobiliário, dos equipamentos</p><p>e de suas relações com o</p><p>espaço construído, alterando</p><p>ou não a concepção</p><p>arquitetônica original.</p><p>c) Intervenção detalhada nos</p><p>ambientes internos e externos</p><p>de uma edificação, definindo</p><p>uso do espaço em função do</p><p>mobiliário, dos equipamentos</p><p>e de suas relações com o</p><p>espaço construído, nunca</p><p>alterando a concepção</p><p>arquitetônica original.</p><p>d) Simples arranjo do espaço</p><p>interno de uma edificação,</p><p>criado pela disposição de</p><p>mobiliário não fixo, obras de</p><p>arte, cortinas e outros objetos</p><p>de pequenas dimensões,</p><p>nunca alterando o espaço</p><p>arquitetônico original.</p><p>e) Simples arranjo do espaço</p><p>externo de uma edificação,</p><p>criado pela disposição de</p><p>mobiliário não fixo, jardins e</p><p>outros elementos de pequenas</p><p>dimensões, sem alteração do</p><p>espaço arquitetônico original.</p><p>2. Os espaços de uma residência</p><p>podem ser de longa permanência</p><p>ou de curta permanência. Quais</p><p>dos espaços residenciais a seguir</p><p>são de longa permanência?</p><p>a) Sala de estar, dormitório</p><p>e banheiro.</p><p>b) Sala íntima, dormitório</p><p>e cozinha.</p><p>c) Sala de estar, sala de</p><p>jantar e dormitório.</p><p>d) Sala íntima, banheiro e cozinha.</p><p>e) Dormitório, cozinha e despensa.</p><p>3. As salas de estar são os espaços</p><p>principais de uma residência.</p><p>Atualmente, elas costumam ser</p><p>integradas às salas de jantar. Os</p><p>quartos, por sua vez, são locais</p><p>para o descanso. Quais dos móveis</p><p>15Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>a seguir podem ser usados tanto</p><p>nas salas quanto nos quartos?</p><p>a) Poltrona, cadeira e estante.</p><p>b) Sofá de três lugares,</p><p>aparador e estante.</p><p>c) Sofá de três lugares, cômoda</p><p>e guarda-roupas.</p><p>d) Cama, mesa de cabeceira</p><p>e cômoda.</p><p>e) Aparador, mesa de jantar</p><p>e sofá de três lugares.</p><p>4. Os espaços podem ser classificados</p><p>genericamente quanto às suas</p><p>dimensões em duas grandes</p><p>categorias: espaços com</p><p>dimensões mínimas e espaços</p><p>com dimensões folgadas. Sabendo</p><p>disso, é correto afirmar que:</p><p>a) um espaço com dimensão</p><p>mínima normalmente</p><p>abriga maior número de</p><p>móveis do que um espaço</p><p>com dimensão folgada.</p><p>b) um espaço com dimensão</p><p>mínima normalmente</p><p>abriga número idêntico de</p><p>móveis ao de um espaço</p><p>com dimensão folgada.</p><p>c) um layout de dimensões</p><p>mínimas dificulta a adaptação</p><p>a outro uso que não o previsto,</p><p>enquanto os espaços com</p><p>dimensões folgadas são mais</p><p>flexíveis, mas não podem</p><p>usar mobiliário em maior</p><p>número e normalmente não</p><p>são mais confortáveis.</p><p>d) um layout de dimensões mínimas</p><p>facilita a adaptação a outro uso</p><p>que não o previsto, enquanto</p><p>os espaços com dimensões</p><p>folgadas são menos flexíveis, mas</p><p>podem usar mobiliário em maior</p><p>número e são normalmente</p><p>mais amplos e confortáveis.</p><p>e) um layout de dimensões</p><p>mínimas dificulta a adaptação</p><p>a outro uso que não o previsto,</p><p>enquanto os espaços com</p><p>dimensões folgadas são</p><p>mais flexíveis, podem usar</p><p>mobiliário em maior número</p><p>e são normalmente mais</p><p>amplos e confortáveis.</p><p>5. Os quartos ou dormitórios são os</p><p>espaços da residência usados para</p><p>descanso e atividades relaxantes.</p><p>A quantidade e o tipo de mobília</p><p>de um dormitório depende do</p><p>tamanho do recinto, do estilo do</p><p>projeto e das necessidades do</p><p>usuário. Os dormitórios pertencem</p><p>a que zona da residência?</p><p>a) Zona social.</p><p>b) Zona de serviço.</p><p>c) Zona de lazer.</p><p>d) Zona íntima.</p><p>e) Zona de apoio.</p><p>Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas16</p><p>BAGÉ. Lei municipal nº 1.778, de 25 de setembro de 1974. Disponível em: <http://www.</p><p>ceaam.net/bage/legislacao/leis/1974/L1778.htm>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>BUXTON, P. Manual do arquiteto: planejamento, dimensionamento e projeto. 5. ed.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CHING, F. D. K. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL. Resolução n° 76, de 10 de</p><p>abril de 2014. Diário Oficial da União, Edição n° 79, Seção 1, de 28 abr. 2014. Disponível</p><p>em: <http://www.caubr.gov.br/resolucao76/>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>GALVÃO, A. Ergonomia: espaço interpessoal – proxêmica, layout, setorização, fluxos.</p><p>2016a. Disponível em: <http://www.exatas.ufpr.br/portal/degraf_arabella/wp-con-</p><p>tent/uploads/sites/28/2016/03/Prox%C3%AAmica-e-setoriza%C3%A7%C3%A3o.pdf>.</p><p>Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>GALVÃO, A. Ergonomia aplicada a design de interiores. 2016b. Disponível em: <http://</p><p>www.exatas.ufpr.br/portal/degraf_arabella/wp-content/uploads/sites/28/2016/03/</p><p>Quartos-e-banheiros.pdf>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>INMETRO. Portaria nº 53, de 1 de fevereiro de 2016. Disponível em: <http://www.inmetro.</p><p>gov.br/legislacao/rtac/pdf/RTAC002376.pdf>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>MARANHA, F. 13 móveis planejados e sob medida (e a diferença entre eles). Homify, 11</p><p>set. 2017. Disponível em: <https://www.homify.com.br/livros_de_ideias/4019556/13-</p><p>moveis-planejados-e-sob-medida-e-a-diferenca-entre-eles>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>NEUFERT, E. A arte de projetar em arquitetura. 18. ed. São Paulo: GG, 2013.</p><p>PRIBERAM dicionário. “cama-beliche”. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa,</p><p>2018. Disponível em: <https://dicionario.priberam.org/cama-beliche>. Acesso em:</p><p>17 out. 2018.</p><p>TILLEY, A. R. As medidas do homem e da mulher: fatores humanos em design. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2007.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>E-CIVIL. Sala íntima. 2018. Disponível em: <https://www.ecivilnet.com/dicionario/o-</p><p>que-e-sala-intima.html>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>KARLEN, M. Planejamento de internos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.</p><p>17Arquitetura de interiores e o mobiliário residencial para quartos e salas</p><p>Conteúdo:</p><p>COMPOSIÇÃO DE</p><p>JARDINS</p><p>Jana Cândida Castro dos Santos</p><p>O projeto de móveis</p><p>para jardins</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Relacionar as categorias de móveis em jardins.</p><p>� Listar os materiais recomendados para áreas externas.</p><p>� Reconhecer exemplos de mobiliário para jardins.</p><p>Introdução</p><p>Para a criação de um projeto de jardim e sua ambientação, é necessária</p><p>a seleção cuidadosa de diferentes elementos, como traçado, caminhos,</p><p>vegetação, mobiliário, iluminação e revestimentos de piso. A seleção de</p><p>materiais, cores, texturas e padrões de superfícies, assim como o arranjo</p><p>dos elementos do jardim devem ser adequados aos seus diferentes usos</p><p>e atividades de seus usuários.</p><p>O mobiliário e os diversos elementos construtivos utilizados para a</p><p>composição e ornamentação de áreas externas devem responder às</p><p>questões estéticas e funcionais, adequando-se às intempéries locais e às</p><p>questões sociais e culturais, contribuindo para a criação de uma relação</p><p>afetiva e simbólica entre o indivíduo e o espaço.</p><p>Neste capítulo, você verá exemplos de móveis para jardins, bem como</p><p>a relação de categorias desse tipo de mobiliário e os principais materiais</p><p>recomendados para as áreas externas.</p><p>Categorias de móveis em jardins</p><p>Segundo Carneiro, Silva e Girão (2003, p. 2), “O jardim é uma das primeiras</p><p>expressões do homem na sua relação com a natureza”. Os jardins criados</p><p>para contemplação ou fins utilitários expressam a necessidade do homem de</p><p>observar a natureza, assim como de modificá-la. A partir de manifestações</p><p>criativas, surgem novas formas, que dependem do meio físico e das neces-</p><p>sidades humanas em relação à ordem estética, econômica, social, religiosa e</p><p>até mesmo ecológica, como revelam os autores:</p><p>A essência do jardim parece significar um gesto na paisagem como algo</p><p>inerente ao convívio do homem com a sociedade em resposta aos seus im-</p><p>pulsos. É nessa compreensão que a expressão humana se aproxima mais da</p><p>arte e da poesia e atinge o conteúdo do paisagismo, em outras palavras, “a</p><p>arte de fazer jardins” (DOURADO, 1991, p. 63 apud CARNEIRO, SILVA,</p><p>GIRÃO, 2003, p. 2).</p><p>Entre as diferentes manifestações paisagísticas, temos os jardins de caráter</p><p>público e privado. Se, em um primeiro momento, a existência dos jardins</p><p>se vinculava “a grandes áreas vegetadas e de caráter privado”, a partir da</p><p>expansão das cidades, surgem as praças, os jardins botânicos e os jardins</p><p>públicos, configurando passeios públicos e alamedas, ainda que permaneçam</p><p>os jardins privados de casarões e residências, de acordo com Carneiro, Silva</p><p>e Girão (2003, p. 2).</p><p>Composições paisagísticas</p><p>Nas composições paisagísticas deve-se observar cuidadosamente o sítio, ou</p><p>seja, o local onde será trabalhada a paisagem, além de, segundo Waterman</p><p>(2011, p.86) “[...] compreender seu potencial e protegê-lo de todos os seus usos</p><p>possíveis”. No paisagismo, às vezes, a forma segue a função. Ainda que essa</p><p>fórmula seja aparentemente fácil de resolver, há um grande desafio, visto que a</p><p>paisagem apresenta uma infinidade de possibilidades funcionais e complexas</p><p>interseções de uso.</p><p>Os arquitetos paisagistas começam analisando o terreno para entender tanto suas</p><p>condições climáticas específicas, incluindo índices pluviométricos, incidência de luz</p><p>solar e variações de temperatura, como as plantas nativas da região e as condições</p><p>de cultivo. O projeto de paisagismo também considera aspectos relacionados aos</p><p>percursos e às rotas nos espaços externos da edificação, além das atividades associadas</p><p>a esses locais (FARRELLY, 2014, p. 169).</p><p>O projeto de móveis para jardins2</p><p>No processo de análise, além da topografia do sítio escolhido e tipos de</p><p>vegetação, são eleitos diversos elementos para a composição dos jardins, entre</p><p>eles o mobiliário, os revestimentos de piso, os espelhos d’água, os pergolados, a</p><p>iluminação e outros. O mobiliário na composição da paisagem exerce um papel</p><p>importante, seja para decoração ou configuração de espaços de permanência.</p><p>Para Carlos Terra o jardim pode ser definido como um elemento da paisagem</p><p>“[...] jardim é o trecho da natureza onde houve a interferência humana mais</p><p>ou menos profunda. Associa elementos naturais — vegetais, pedras, água e</p><p>animais — com os artificiais — arquitetura, mobiliário, escultura e, inclusive,</p><p>pintura” (2013, p. 27 apud SILVEIRA; UZEDA, 2016, p. 61).</p><p>O mobiliário, juntamente da vegetação e do traçado, são elementos im-</p><p>prescindíveis na composição dos jardins, como ressalta Magalhães (2015, p.</p><p>133), em sua pesquisa sobre o Patrimônio Paisagístico e Jardins Históricos no</p><p>Brasil. Para o autor, “A harmonia entre o traçado, a vegetação cuidadosamente</p><p>escolhida e o mobiliário nos conta da concepção artística do seu construtor</p><p>e de sua época” (MAGALHÃES, 2015, p. 133). A partir das colocações en-</p><p>tendemos a importância do mobiliário no paisagismo. Observe os exemplos</p><p>das Figuras 1 e 2.</p><p>Figura 1. Vista de cima de um dos jardins do Inhotim, em Brumadinho/MG.</p><p>Fonte: Instituto Inhotim ([2015, documento on-line).</p><p>3O projeto de móveis para jardins</p><p>Figura 2. Jardins da Grande Bacia, em Chicago. A empresa de Oehme e van Sweden é</p><p>famosa por sua exuberante abordagem pictórica e no uso da vegetação em projetos de</p><p>paisagismo. Os Jardins da Grande Bacia são uma área que se baseia em um circuito de</p><p>experiências, incluindo caminhos, pontes e vistas.</p><p>Fonte: Waterman (2011, p. 97).</p><p>Existem</p><p>algumas categorias de mobiliário que podemos considerar na</p><p>composição de um jardim, que podem pode ser classificadas de acordo com</p><p>sua função ou, em alguns casos, a sua dimensão. Destacam-se, de modo geral,</p><p>a classificação apresentada a seguir.</p><p>� Elementos decorativos: esculturas, bustos, coretos, portões, chafarizes,</p><p>pontes e cascatas, grutas e mirantes, vasos e louças.</p><p>� Elementos funcionais: bancos, mesas, bebedouros e lixeiras.</p><p>� Elementos de sinalização e iluminação: postes e luminárias, placas de</p><p>sinalização e orientação.</p><p>Os elementos decorativos visam à ornamentação da paisagem e ambientação</p><p>dos jardins, ao passo que os demais elementos são voltados para o descanso,</p><p>a iluminação, a comunicação, a limpeza, entre outros. Além do mobiliário, se</p><p>destacam as pequenas construções, como as pérgulas, o gazebo, o quiosque,</p><p>o caramanchão, que se unem à vegetação e, por vezes, oferece abrigo para os</p><p>móveis e as obras de arte.</p><p>O projeto de móveis para jardins4</p><p>Materiais recomendados para áreas externas</p><p>O mobiliário e os diversos elementos construtivos utilizados para a composi-</p><p>ção e ornamentação dos jardins devem responder tanto às questões estéticas,</p><p>de acordo com o projeto, como às funcionais, adequando-se às intempéries</p><p>locais. O design desse tipo de mobiliário deve considerar aspectos econômi-</p><p>cos — que se relacionam à manutenção, durabilidade, reparos, facilidade de</p><p>montagem e desmontagem; e os fatores físicos do local de destino, de modo a</p><p>integrar-se com o ambiente já construído no entorno. Além disso, precisam ser</p><p>analisados os fatores ambientais, pois os móveis estarão expostos à variação</p><p>de temperatura, granizo, salinidade, precipitação, vento e sol.</p><p>Há, também, que se considerar os fatores sociais e culturais. Pereira (2010,</p><p>p. 36) acredita que o mobiliário deve assegurar “[...] um ambiente agradável</p><p>que respeite os usuários e seus vários usos criando uma relação afetiva e</p><p>simbólica entre o indivíduo e o espaço [...]”, neste caso os espaços do jardim.</p><p>Observe um exemplo na Figura 3.</p><p>Figura 3. Requalificação da Praça Fonte Nova, em Lisboa, Portugal. No interior da praça</p><p>foram criadas zonas de estadia e lazer em pontos específicos, por meio de “ilhas” que</p><p>pontuam o espaço. Estas “ilhas” contêm programas de caráter específico, que apoiam as</p><p>áreas de estadia: quiosques com esplanadas, uma fonte, um parque infantil, um parque</p><p>canino e jardins. As “ilhas” são delimitadas por bancos contínuos em todo o seu perímetro.</p><p>Fonte: Vada (2018, documento on-line).</p><p>5O projeto de móveis para jardins</p><p>Portanto, a escolha dos materiais para seu mobiliário é fundamental para</p><p>ambientação do jardim e para percepção sensorial (tato, audição, olfato, paladar,</p><p>visão) de seus visitantes e usuários. Segundo Pereira (2010, p. 38), a correta</p><p>escolha dos materiais deve considerar esses aspectos “Já que os materiais</p><p>também têm influência direta no custo final do produto. Contudo, para sua</p><p>escolha devem-se levar em consideração as características técnicas, formais,</p><p>de funcionalidade, culturais, econômicas e socioambientais, além de normas</p><p>e legislação quando for o caso [...]”.</p><p>Veja a seguir, os principais materiais recomendados e utilizados em áreas</p><p>externas.</p><p>� Madeira (Figura 4): comumente utilizada para áreas externas. Para</p><p>garantir a durabilidade e a conservação dos móveis externos de madeira</p><p>expostos ao sol e às intempéries, é preciso realizar um processo de</p><p>proteção da superfície, seguindo as recomendações do fabricante do</p><p>produto. O papel dos impermeabilizantes é criar uma barreira prote-</p><p>tiva para a madeira contra as intempéries, os raios UV e, sobretudo, a</p><p>penetração da água, que pode promover a deterioração/apodrecimento.</p><p>Sua manutenção deve ser periódica (TOK&STOK, c2019).</p><p>Figura 4. Arquitetura cênica na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte/MG. Buscou-se a</p><p>definição de um mobiliário leve, reutilizável, que pudesse ser reorganizado livremente pelo</p><p>público ao redor da área de apresentações, com três diferentes alturas, ou três maneiras de</p><p>assentar. O material escolhido para o projeto é o compensado de madeira.</p><p>Fonte: Inhotim... (2013, documento on-line).</p><p>O projeto de móveis para jardins6</p><p>� Concreto (Figura 5): utilizado para móveis e elementos construtivos</p><p>apenas com o acabamento de resina ou silicone para a proteção, em</p><p>razão da facilidade de manutenção, menor custo e maior durabilidade,</p><p>quando comparado com os demais materiais. No entanto, sua escolha</p><p>deve ser pensada considerando ser um elemento fixo. Se por um lado,</p><p>elementos em concreto ou argamassa armada tem um custo acessível, por</p><p>outro, tem mobilidade limitada, mantendo-se fixos no espaço projetado.</p><p>Figura 5. Bancos em concreto na Requalificação da Praça Fonte Nova, em Lisboa, Portugal.</p><p>Os bancos de traços retos e curvos são pré-fabricados e definidos por quatro módulos</p><p>distintos, um módulo reto de comprimento, um módulo curvo e dois módulos de bancos</p><p>individuais com duas inclinações de costas distintas, a partir da utilização de material</p><p>resistente e de fácil manutenção.</p><p>Fonte: Vada (2018, documento on-line).</p><p>� Peças metálicas (Figura 6): em geral feitas em metais ferrosos e não</p><p>ferrosos. Os móveis em ferro são muito utilizados em áreas externas,</p><p>devido à sua durabilidade e versatilidade. Para locais externos, o ideal</p><p>é o ferro galvanizado ou revestido por tinta esmalte. O uso de materiais</p><p>metálicos permite a fabricação de móveis com traços mais finos e</p><p>7O projeto de móveis para jardins</p><p>diversos desenhos, retos ou ondulados, podendo ser combinados com</p><p>outros materiais, como madeira ou vidro. Ainda que o material seja</p><p>robusto, permite o design leve e suave.</p><p>Figura 6. Banco metálico.</p><p>Fonte: Mmcite (c2019, documento on-line).</p><p>Além dos materiais citados, podem ser utilizados móveis em alumínio,</p><p>plástico, fibras naturais, telas e fibras sintéticas para áreas de jardim. O alumí-</p><p>nio tem destaque por ser um metal forte, durável e por não exigir manutenção</p><p>constante, exceto uma limpeza ocasional feita com cera automotiva (peças</p><p>com pintura brilhante) ou silicone líquido (com pintura fosca), para postergar</p><p>o surgimento de manchas.</p><p>No caso de móveis externos em alumínio combinados a materiais como telas, fibras</p><p>sintéticas e tiras de policloreto de vinila (PVC), a limpeza (se possível semanal) deve</p><p>ser realizada apenas com água, sabão neutro e esponja macia (TOK&STOK, c2019).</p><p>O projeto de móveis para jardins8</p><p>São utilizados em áreas externas, mobiliário e/ou elementos de plástico</p><p>— mesas, cadeiras, lixeiras — em razão do custo e da praticidade. Geral-</p><p>mente, são peças leves e flexíveis. Ressalta-se ainda o uso de fibras neste tipo</p><p>de mobiliário, sendo, em alguns casos, utilizados móveis de fibras naturais</p><p>(Figura 7), como rattan, junco, entre outras. No entanto, esses materiais são</p><p>indicados exclusivamente para ambientes internos, podendo ser utilizados em</p><p>áreas de lazer, como sacadas e jardins de inverno, desde que sejam cobertas ou</p><p>protegidas da ação direta de intempéries como sol, vento, chuva ou umidade.</p><p>Figura 7. Exemplo de mobiliário feito de fibras naturais.</p><p>Fonte: Living Spaces ([201-?], documento on-line)</p><p>As telas e as fibras sintéticas, ainda que mais resistentes às intempéries</p><p>do que as naturais, quando utilizadas em mobiliário para áreas externas,</p><p>necessitam ser higienizadas corretamente para não serem danificados. O</p><p>processo de limpeza desses materiais é rápido e simples, a partir do uso de</p><p>água, sabão neutro e elementos para retirar a sujeira alojada nas suas tramas.</p><p>Há uma infinidade de materiais para o mobiliário de jardim, inclusive em</p><p>combinação, como ferro e madeira, concreto e madeira e até pedra.</p><p>9O projeto de móveis para jardins</p><p>Exemplos de mobiliário para jardins</p><p>O mobiliário para jardim busca atender às demandas do convívio social,</p><p>cumprindo funções estéticas, simbólicas e funcionais. Desse modo, os móveis</p><p>especificados para jardins devem adequar-se às espécies vegetais eleitas e aos</p><p>demais elementos da paisagem,</p><p>assim como às atividades de seus usuários.</p><p>Segundo Braga (2012, p. 73), nas áreas públicas (Figura 8), os móveis para</p><p>jardim, como bancos, mesas e cadeiras, são executados visando a rotatividade</p><p>dos usuários, assim como sua durabilidade e pouca necessidade de manutenção.</p><p>Além disso, é dada preferência aos móveis fixos, em razão da integridade e</p><p>segurança do mobiliário público.</p><p>Figura 8. Exemplo de mobiliário para áreas públicas.</p><p>Fonte: Gutiérrez (2013, documento on-line).</p><p>Nas áreas particulares (Figura 9), por outro lado, normalmente os móveis</p><p>para jardim, como mesas, cadeiras, espreguiçadeiras, são ligados e emoldurados</p><p>pelos planos de piso (permanência transitória e prolongada), com concepção e</p><p>materiais mais variados, gerando maior conforto e tempo de utilização. Nesses</p><p>casos, podem ser utilizados materiais menos duráveis, pois os móveis podem ser</p><p>facilmente remanejados para locais fechados e/ou protegidos contra intempéries.</p><p>O projeto de móveis para jardins10</p><p>Figura 9. Exemplo de mobiliário para jardim.</p><p>Fonte: Ott (2019, documento on-line).</p><p>Nessa categoria, podemos destacar os espaços de uso coletivo privado, tais</p><p>como clubes, hotéis, escolas, entre outras. Neles, o mobiliário é pensado em vista</p><p>das atividades e usos de seus usuários, primando também pela sua durabilidade</p><p>e pouca manutenção, como é o caso do jardim voltado para crianças (Figura 10).</p><p>Figura 10. Exemplo de mobiliário para jardim.</p><p>Fonte: JARDIM... (2015, documento on-line).</p><p>11O projeto de móveis para jardins</p><p>Em ambas as áreas, deve haver harmonia entre os materiais e as for-</p><p>mas do mobiliário com o projeto arquitetônico e paisagístico, a partir da</p><p>verificação da insolação e dos ventos para sua localização, visando maior</p><p>conforto (Figura 11).</p><p>Figura 11. Jardim elementar. Neste projeto buscou-se trabalhar com elementos naturais</p><p>como pedra, fogo, madeira e vegetação.</p><p>Fonte: Adaptado de Pereira (2019, documento on-line).</p><p>Nas composições paisagísticas, de acordo com Braga (2012, p. 80), se</p><p>destacam também as obras de arte, tidas como “um detalhe sofisticado no</p><p>paisagismo”, sendo elas de caráter religioso, decorativo ou venerativo, cons-</p><p>tituem-se em:</p><p>� bustos;</p><p>� esculturas;</p><p>� peças utilitárias (p. ex., fontes);</p><p>� painéis;</p><p>� pisos (mosaicos), etc.</p><p>De acordo com o referido autor, as peças de arte dão dimensão especial</p><p>ao paisagismo (Figura 12), quando ele é desenvolvido em função desses</p><p>elementos. Em certos casos, as obras artísticas são utilizadas em compo-</p><p>sições especiais para ressaltar o valor histórico de uma edificação ou do</p><p>próprio jardim.</p><p>O projeto de móveis para jardins12</p><p>Figura 12. Dor de cabeça — esculturas de Edgar de Souza no Inhotim, em Brumadinho/MG.</p><p>Fonte: Josep (2012, documento on-line).</p><p>As obras de arte em jardins necessitam de iluminação específica, acessos adequados</p><p>e bancos, podendo ter um destaque maior ou menor dentro da concepção geral da</p><p>paisagem (BRAGA, 2012).</p><p>Note que, para a composição de um jardim, são eleitos recursos arquite-</p><p>tônicos, dos quais se destacam os móveis, que, ao lado dos recursos vegetais,</p><p>configuram a paisagem como um todo, seja de um jardim privado, parques</p><p>urbanos ou jardins botânicos. Durante a etapa projetual, todos os elementos</p><p>devem ser pensados e detalhados separadamente, para que juntos configurem</p><p>um composição harmônica, tanto com as atividades de seus usuários como com</p><p>as especificidades do terreno em seu entorno (topografia, vegetação nativa,</p><p>composição do solo) e, sobretudo, em consonância com os fatores climáticos</p><p>(insolação, ventos, temperatura e umidade).</p><p>13O projeto de móveis para jardins</p><p>CARNEIRO, A. R. S.; SILVA, A. F.; GIRÃO, P. A. O jardim moderno de Burle Marx: um</p><p>patrimônio na paisagem do Recife. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, 5., 2003,</p><p>São Carlos. Anais [...] Rio de Janeiro: Docomomo Brasil, 2003. Disponível em: http://</p><p>jardimbotanico.recife.pe.gov.br/sites/default/files/midia/arquivos/pagina-basica/9.</p><p>pdf. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>BRAGA, M. A. (coord.). Curso municipal de recursos paisagísticos. São Paulo: Escola de</p><p>Jardinagem, 2012. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/</p><p>upload/chamadas/recursos_paisagisticos_1431454341.pdf. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>FARRELLY, L. Fundamentos de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>GUTIÉRREZ, C. Mobiliário urbano Macarao: AGA Estudio Creativo. 2013. Disponível em:</p><p>https://www.archdaily.com.br/br/01-138568/mobiliario-urbano-macarao-slash-aga-</p><p>-estudio-creativo?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: 1</p><p>nov. 2019.</p><p>INHOTIM Escola: MACh Arquitetos. 2013. Disponível em: https://www.archdaily.com.</p><p>br/br/01-113988/inhotim-escola-slash-mach-arquitetos/51937941b3fc4b374100005b-</p><p>-inhotim-escola-slash-mach-arquitetos-foto. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>INSTITUTO INHOTIM. Dicas para visitar o Inhotim. [2015]. Disponível em: http://inhotim.</p><p>org.br/blog/dicas-para-visitar-o-inhotim/. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>JARDIM de infância de cultivo: Vo Trong Nghia Architects. 2015. Disponível em: https://</p><p>www.archdaily.com.br/br/760033/jardim-de-infancia-de-cultivo-vo-trong-nghia-</p><p>-architects. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>JOSEP. Dor de cabeça: esculturas de Edgar de Souza no Instituto Inhotim, em Brumadinho,</p><p>Minas Gerais, Brasil. 2010. 1 fotografia Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ins-</p><p>tituto_Inhotim#/media/Ficheiro:Edgard_de_Souza_-_Dor_de_Cabe%C3%A7a_(Inho-</p><p>tim).jpg. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>LIVING SPACES. [Transitional OP]. [201-?]. Disponível em: https://www.livingspaces.com/</p><p>globalassets/images/LP/2017/Transitional-OP-aventura-tile.jpg. Acesso em: 6 nov. 2019.</p><p>MAGALHÂES, C. M. O desenho da história no traço da paisagem: patrimônio paisagís-</p><p>tico e jardins históricos no Brasil — memória, inventário e salvaguarda. 2015. Tese</p><p>(Doutorado em História) — Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade</p><p>de Campinas, Campinas, 2015.</p><p>MMCITÉ. Park benches. c2019. Disponível em: https://www.mmcite.com/en/</p><p>products#!park-benches. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>OTT, C. Casa Três Jardins: Taller de Diseño Exterior y Arquitectura. 2019. Disponível</p><p>em: https://www.archdaily.com.br/br/926387/casa-tres-jardins-taller-de-diseno-</p><p>-exterior-y-arquitectura?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso</p><p>em: 1 nov. 2019.</p><p>O projeto de móveis para jardins14</p><p>PEREIRA, M. Jardim elementar: Kalil Ferre Paisagismo. 2019. Disponível em: https://</p><p>www.archdaily.com.br/br/921275/jardim-elementar-kalil-ferre-pasagismo/5d2ea0b028</p><p>4dd15263000002-jardim-elementar-kalil-ferre-pasagismo-foto. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>PEREIRA, R. O. Elementos de mobiliário urbano nas cidades universitárias: considerações</p><p>para elaboração de novos projetos. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado</p><p>em Design Industrial) — Centro de Artes, Universidade do Estado de Santa Catarina,</p><p>Florianópolis, 2010. Disponível em: http://sistemabu.udesc.br/pergamumweb/vincu-</p><p>los/000000/000000000011/00001162.pdf. Acesso em: 1 nov. 2019</p><p>SILVEIERA, M. T.; UZEDA, H. Museu Casa de Rui Barbosa: o jardim como coleção de</p><p>Memória. In: PESSOA, A.; FASOLATO, D. (org.). Jardins históricos: intervenção e valoriza-</p><p>ção do patrimônio paisagístico. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2016.</p><p>p. 59–74. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/arquivos/file/Seminarios/</p><p>comunicacoes_JardinsHistoricos_2016.pdf. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>TOK&STOK. Vida longa aos móveis de jardim: como conservar os móveis externos. c2019.</p><p>Disponível em: http://www.maistokstok.com.br/dicas/moveis-externos-moveis-de-</p><p>-jardim/. Acesso em: 1 nov. 2019.</p><p>VADA, P. Praça Fonte Nova: José Adrião Arquitetos. 2018. Disponível em: https://www.</p><p>archdaily.com.br/br/891211/praca-fonte-nova-jose-adriao-arquitetos/5ab3ad5af197cc</p><p>0ef0000195-praca-fonte-nova-jose-adriao-arquitetos-foto?next_project=no. Acesso</p><p>em: 1 nov. 2019.</p><p>WATERMAN, T. Fundamentos de paisagismo. Porto Alegre: Bookman, 2011.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>FARAH, I.; SCHLEE, M. B.; TARDIN, R. (org.). Arquitetura paisagística contemporânea</p><p>no</p><p>Brasil. São Paulo: Senac São Paulo, 2010.</p><p>KLIASS, R. Rosa Kliass: desenhando paisagens, moldando uma profissão. São Paulo:</p><p>Senac, 2006.</p><p>LANA, R. S. Arquitetos da paisagem: memoráveis jardins de Roberto Burle Marx e Henri-</p><p>que Lahmeyer de Mello Barreto: Minas Gerais: década de 1940. Belo Horizonte: Museu</p><p>Histórico Abílio Barreto, 2009.</p><p>LEENHARDT, J. (org). Nos jardins de Burle Marx. São Paulo: Perspectiva. 1996.</p><p>MACEDO, S. S. Quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo: USP, 1999. (Coleção Quapá, v. 1).</p><p>MAGALHÃES, C. M. Patrimônio de arte: o mobiliário artístico dos jardins históricos</p><p>brasileiros. In: ARECES, M. Á. Á. (org.). Paisajes culturales, patrimonio industrial y desarrollo</p><p>regional. Gijón: CICEES, 2013. v. 13, p. 203–210. (Los ojos de la memoria).</p><p>MARX, R. B. Arte e paisagem: conferências escolhidas. São Paulo. Nobel. 1987.</p><p>SEGAWA, H. Ao amor do público: os jardins no Brasil. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP,</p><p>1996.</p><p>15O projeto de móveis para jardins</p><p>Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>O projeto de móveis para jardins16</p><p>PROJETO DE</p><p>ARQUITETURA DE</p><p>INTERIORES</p><p>RESIDENCIAIS</p><p>Anna Carolina Manfroi Galinatti</p><p>Leiaute e desenho de</p><p>móveis residenciais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar os fundamentos de leiaute e desenho para móveis</p><p>residenciais.</p><p> Definir os padrões de representação gráfica de mobiliário.</p><p> Reconhecer o uso de leiaute e desenho de móveis em um projeto</p><p>hipotético.</p><p>Introdução</p><p>Passamos a maior parte do tempo dentro de edificações. Seja em casa,</p><p>na escola ou no trabalho, o interior dos edifícios faz parte de nossas vidas.</p><p>Esse simples fato basta para evidenciar a importância da concepção</p><p>desses espaços de maneira adequada e agradável. Além disso, o modo</p><p>como configuramos esses espaços inteiros afeta de forma direta o com-</p><p>portamento e o relacionamento das pessoas dentro deles.</p><p>Neste capítulo, você reconhecerá os fundamentos do leiaute e do</p><p>desenho de móveis residenciais, identificará padrões e boas práticas na</p><p>representação desses espaços, bem como diferentes momentos, etapas</p><p>e maneiras de representar os espaços interiores de projetos residenciais.</p><p>Fundamentos de leiaute e desenho de móveis</p><p>residenciais</p><p>A arquitetura das edifi cações trata das relações entre o construído e o espaço</p><p>público, mediando as conexões entre espaço aberto e interior do edifício.</p><p>Por outro lado, a arquitetura de interiores é responsável pela relação entre</p><p>usuário e edifício, com o potencial de transformar a experiência de uso de um</p><p>espaço. Muitas vezes, a arquitetura de interiores é considerada um subproduto</p><p>da arquitetura do edifício e, embora os interiores inexistam sem o edifício,</p><p>esses projetos têm o poder de transformar visual e sensorialmente os espaços</p><p>(Figura 1).</p><p>Figura 1. Transformação de uma casa por meio da arquitetura de interiores.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 7).</p><p>Em intervenções da arquitetura de interiores, o arquiteto tem a oportu-</p><p>nidade de explorar estruturas visuais e manipular os elementos internos de</p><p>modo a gerar espaços que transcendam a estrutura existente no edifício.</p><p>Ching e Binggeli (2019, p. 16) defendem essa capacidade transformadora da</p><p>arquitetura de interiores ao afirmar que “[...] embora o sistema estrutural de</p><p>uma edificação determine a forma básica e o padrão de seus espaços inter-</p><p>nos, esses espaços são, em última análise, estruturados pelos elementos de</p><p>arquitetura de interiores”.</p><p>Em arquitetura de interiores, a organização espacial pode ocorrer pela</p><p>construção de elementos fixos, como paredes e muros, contudo, na maioria</p><p>dos casos, a estruturação dos espaços é dada pela distribuição do mobiliário</p><p>no ambiente. Essa distribuição recebe o nome de leiaute, uma adaptação da</p><p>expressão inglesa layout, que significa arranjo de elementos em um meio, seja</p><p>ele a página de uma revista ou um ambiente interno.</p><p>O leiaute deve responder, em primeira instância, ao conforto e à usabilidade</p><p>dos usuários. Em arquitetura de interiores residencial, esses usuários são os</p><p>moradores do local, que precisam sentir-se confortáveis em todas as atividades</p><p>da casa, seja na preparação de alimentos na cozinha, seja assistindo a um</p><p>filme no sofá. Para determinar as dimensões e os atributos desses ambientes,</p><p>é preciso conhecer as demandas de conforto. Atualmente, estão disponíveis</p><p>aos arquitetos guias que apresentam as dimensões ideais para diversos tipos</p><p>de equipamentos e mobiliários, além de exemplos de combinações de móveis.</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais2</p><p>Ergonomia é a área de conhecimento que estuda o conforto dos usuários com base</p><p>nas dimensões do ser humano, ou antropometria. Com os dados ergonômicos, é</p><p>possível maximizar o conforto de uma peça de mobiliário para um uso específico.</p><p>Um dos parâmetros ergométricos mais importantes para os leiautes de</p><p>móveis são as distâncias das relações interpessoais, ou espaço pessoal (CHING;</p><p>BINGGELI, 2019). Essas zonas referem-se às distâncias em que as pessoas se</p><p>sentem à vontade para conviver com outros, em variados níveis de intimidade.</p><p>Na Figura 2, é possível ver como essa distância aumenta quanto menor for</p><p>a intimidade entre as pessoas que se relacionam. Uma distância curta entre</p><p>cadeiras, por exemplo, só é confortável entre pessoas com elevados níveis de</p><p>intimidade.</p><p>Figura 2. Zonas de intimidade.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 51).</p><p>Embora seja provável que em um ambiente residencial convivam apenas</p><p>pessoas com níveis de intimidade elevados, as zonas propostas por Ching e</p><p>Binggeli (2019) são úteis para fazer o lançamento de leiautes de mobiliários.</p><p>Em uma sala de estar, por exemplo, deve haver espaço suficiente para que as</p><p>pessoas consigam se sentar cada qual em seu lugar, preferencialmente, sem</p><p>que uma atrapalhe a outra, como demonstra a Figura 3.</p><p>3Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>Figura 3. Leiautes de sofás e poltronas.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 52).</p><p>Outros espaços onde as dimensões de uso têm grande importância são os</p><p>ambientes de preparo e consumo de alimentos: cozinhas, balcões e salas de</p><p>jantar. Em uma casa, esses espaços são utilizados por períodos prolongados</p><p>em atividades repetitivas — cortar alimentos, fazer refeições ou lavar louças</p><p>são alguns exemplos. Para isso, é imprescindível que esses locais tenham</p><p>suas dimensões otimizadas para as atividades ali realizadas. A Figura 4a</p><p>traz algumas dimensões recomendadas para uma mesa de jantar confortável.</p><p>Geralmente, as mesas de jantar são compradas prontas em uma loja. No en-</p><p>tanto, nas cozinhas, existe grande possibilidade de personalização, o que dá</p><p>liberdade ao arquiteto para adaptações ao espaço existente, entretanto, cria</p><p>o risco de se realizar um projeto com dimensões não otimizadas. A Figura</p><p>4b mostra quais são as dimensões recomendadas para cozinhas residenciais.</p><p>Observe a distância entre os balcões que, de modo geral, deve ser suficiente</p><p>para que duas pessoas possam operar os equipamentos ao mesmo tempo.</p><p>Assim, o leiaute e a escolha de mobiliário para um projeto de interiores são</p><p>formas mais efetivas de se manipular a estrutura espacial de um ambiente. Cabe</p><p>ao arquiteto tomar as decisões de maneira racional e otimizada, garantindo o</p><p>conforto e bem-estar dos usuários daquele ambiente.</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais4</p><p>Figura 4. Dimensões recomendadas (a) para a mesa de jantar e (b) para cozinhas.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 53–54).</p><p>Representação gráfica de mobiliário</p><p>A representação do mobiliário em Arquitetura depende de alguns fatores</p><p>como escala do desenho, necessidade de detalhamento</p><p>e tipo de representação.</p><p>Imagine que você está desenhando o leiaute de uma residência, e sua ideia é</p><p>apresentar um zoneamento de atividades e algumas possibilidades de orga-</p><p>nização de planta. Nesse cenário, os mobiliários podem ser representações</p><p>simplifi cadas — geralmente formas simples, como círculos e retângulos — que</p><p>transmitam a informação dimensional do mobiliário e nada mais. Observe a</p><p>Figura 5 para compreender a diferença entre uma representação simbólica e</p><p>uma representação complexa.</p><p>5Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>Figura 5. Diferenças entre representação simbólica e representação complexa.</p><p>O limite da representação é o do próprio objeto, podendo seguir refinando</p><p>o desenho agregando cores, texturas, juntas, parafusos. É fácil perceber que, a</p><p>partir de certo grau de fidelidade (definido de acordo com cada situação), o ex-</p><p>cesso de informação é desnecessário e, eventualmente, prejudicial. Retomando</p><p>o exemplo anterior, ao utilizar uma representação com grau de definição além</p><p>do necessário, corre-se o risco de o objetivo do desenho (discutir estratégias de</p><p>organização da planta) se desvirtuar para temas como o modelo da poltrona,</p><p>da mesa e do sofá, algo que deveria ser discutido em momento posterior.</p><p>No entanto, há situações em que a fidelidade ao objeto representado é</p><p>essencial. Em projetos residenciais, e em todos os projetos de arquitetura de</p><p>interiores, a escolha do mobiliário exerce um papel significativo na adequação</p><p>do projeto ao seu objetivo. Nesses casos, é correto utilizar as ferramentas</p><p>disponíveis para a representação arquitetônica (como modeladores em três</p><p>dimensões, renderizadores e programas de edição de imagem), a fim de re-</p><p>produzir da maneira mais fiel possível a intenção do projetista. Na Figura 6,</p><p>observe que o modelo de cadeiras muda entre a primeira e a segunda imagem.</p><p>Esse tipo de representação ajuda o projetista a escolher o modelo que julga</p><p>mais adequado e também o cliente, que pode tomar uma decisão mais segura.</p><p>Isso acontece, principalmente, naqueles desenhos que Ching e Juroszek (2012)</p><p>chamam de desenhos de apresentação, que devem comunicar com clareza</p><p>e maior precisão possível as características tridimensionais de um projeto.</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais6</p><p>Figura 6. Renderizações mostrando diferentes opções de mobiliário.</p><p>A migração do desenho à mão para o computador possibilitou um avanço</p><p>incrível na representação arquitetônica. Quando os projetos eram desenhados</p><p>à mão em pranchetas de desenhos, arquitetos e demais projetistas usavam</p><p>gabaritos para representar os tipos mais comuns de mobiliário. Obviamente,</p><p>a técnica era bastante limitada, objetos diferentes eram tratados da mesma</p><p>maneira, e boa parte da informação era escrita em forma de especificações.</p><p>Parte das referências sobre representação — como a NBR 6492: Norma Técnica</p><p>para Representação de Projetos de Arquitetura (ASSOCIAÇÃO BRASI-</p><p>LEIRA DE NORMAS TÉCNICAS [ABNT], 1994) — se atém a padrões de</p><p>representação dessa época, motivo pelo qual, embora sejam um bom ponto</p><p>de partida, não devem servir de guia absoluto para a maneira como se deve</p><p>representar um projeto.</p><p>Atualmente, é comum que os próprios fabricantes disponibilizem seus</p><p>produtos modelados em diversos formatos (dwg, fbx, skp, gsm) para serem</p><p>utilizados em diversos software de desenho (Figura 7), de modo que o proje-</p><p>tista possa ter uma representação fiel dos objetos escolhidos para o projeto.</p><p>7Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>Figura 7. Perfil do fabricante Deca para modelos de torneiras no site 3D Warehouse. Modelos</p><p>disponibilizados pelo próprio fabricante do produto.</p><p>Fonte: Deca Catálogo (2020, documento on-line).</p><p>Exemplo de leiautes e mobiliários residenciais</p><p>A partir do estudo sobre características marcantes da arquitetura de interiores e</p><p>sobre as possibilidades e usos da grafi cação para esse tipo de projeto, veremos</p><p>alguns exemplos e usos da representação para ambientes residenciais. Segundo</p><p>Ching e Eckler (2014, p. 200):</p><p>[…] nas etapas de geração e desenvolvimento de um processo de projeto, o</p><p>desenho tem natureza claramente especulativa. Os pensamentos vêm à mente</p><p>conforme observamos um desenho em progresso, o que pode alterar nossas</p><p>percepções e sugerir possibilidades ainda não concebidas.</p><p>Por isso, dada essa natureza especulativa e o grande nível de indefinição</p><p>das etapas iniciais, é desejável que se desenvolva os desenhos de maneira mais</p><p>livre, em forma de esboços e croquis (Figura 8). Essa abordagem também</p><p>tem uma justificativa pragmática que é a possibilidade de gerar um grande</p><p>número de alternativas em pouco tempo, uma vez que o projetista pode lançar</p><p>opções de desenvolvimento sem ater-se a modelos de cadeira, alinhamentos</p><p>e dimensões, por exemplo. Cabe lembrar que a liberdade dessa etapa não</p><p>se confunde com insipiência; é possível conceber um desenho impreciso</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais8</p><p>em termos dimensionais, mas com profunda consciência construtiva. Um</p><p>bom exemplo disso são os croquis do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da</p><p>Rocha que, com algumas linhas, era capaz de sintetizar a solução estrutural</p><p>de projetos complexos.</p><p>Figura 8. Croqui de uma residência: observe que o mobiliário indicado tem dimensão</p><p>coerente, mas imprecisa.</p><p>Atualmente, o desenho no computador é a realidade no desenvolvimento</p><p>de projetos de arquitetura. Em programas de CAD ou em programas que</p><p>utilizam a metodologia BIM, os projetos são desenvolvidos em um ambiente</p><p>computacional que permite alto grau de precisão e agilidade na investigação</p><p>de alternativas. Nessa etapa, o projeto ganha um dimensionamento mais</p><p>próximo do real, e os objetos representados nos leiautes e mobiliários ganham</p><p>definição (Figura 9). Em projetos de arquitetura de interiores, em geral, há</p><p>uma preocupação maior na representação de elementos de ambientação e</p><p>com uma definição maior do mobiliário. Isso deve-se à natureza do trabalho:</p><p>na arquitetura de interiores, boa parte do trabalho consiste na escolha desses</p><p>elementos, materiais de revestimento e acabamento (Figura 10).</p><p>9Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>Figura 9. Desenvolvimento de um projeto residencial em CAD: elementos construtivos e</p><p>mobiliário ganham precisão e definição.</p><p>Os projetos de arquitetura de interiores não se limitam aos ambientes e</p><p>às peças de mobiliário sob medida. É muito comum que haja uma mescla de</p><p>elementos projetados exclusivamente para os espaços, como móveis de mar-</p><p>cenaria, bancadas em pedra, entre outros, com objetos e peças soltas, como</p><p>mesas, cadeiras e luminárias, por exemplo. Muitos dos objetos especificados</p><p>para os projetos possuem desenho bastante difundido e são conhecidos como</p><p>peças de mobiliário clássicas da arquitetura. Alguns arquitetos reconhecidos</p><p>mundialmente possuem em seu repertório de obras alguns itens de decoração</p><p>e mobiliário. O arquiteto francês Jean Prouvé, por exemplo, criou uma série de</p><p>luminárias que são muito utilizadas em projetos de arquitetura de interiores</p><p>no mundo todo. Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e Oscar Niemeyer</p><p>também têm peças clássicas de design em seu catálogo de obras.</p><p>Objetos de design brasileiro têm sido amplamente utilizados</p><p>em projetos de arquitetura de interiores residencial. No link a</p><p>seguir, conheça 10 poltronas clássicas assinadas por designers</p><p>brasileiros.</p><p>https://qrgo.page.link/mPKsx</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais10</p><p>Assim, o limite para a representação de um objeto é ele próprio, e nem</p><p>sempre a representação precisa conter todas as características do objeto re-</p><p>presentado. Algum nível de abstração é necessário para que o desenho não se</p><p>torne confuso e demasiadamente complexo. Mesmo assim, há situações em</p><p>que é preciso especificar a maneira e a forma como os materiais se encontram.</p><p>Figura 10. Planta perspectiva de um apartamento: compare com o grau de definição do</p><p>mobiliário da Figura 9.</p><p>Nesses casos, é comum fazer uso de detalhes e ampliações, ou seja, desenhos</p><p>parciais em escala</p><p>ampliada que demonstram pontos de interesse especial no</p><p>projeto. Exemplos de detalhes e ampliações podem ser transições de materiais</p><p>(de madeira para pedra, por exemplo), modo de encontro com as paredes,</p><p>desenhos específicos em acabamento, entre outros (Figura 11).</p><p>11Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>Figura 11. Detalhes de um armário: conjunto de cortes parciais ilustrando as transições</p><p>entre diferentes peças e materiais.</p><p>Fonte: Ching e Binggeli (2019, p. 342).</p><p>Um tipo diferente de representação, complementar aos anteriores, são</p><p>as perspectivas (Figura 12). Antigamente, a criação de perspectivas para a</p><p>representação de projetos de arquitetura era um trabalho complexo e demorado</p><p>que, não raro, ficava a cargo de um desenhista. Hoje, há software que permitem</p><p>elaborar boas perspectivas com pouco esforço.</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais12</p><p>Figura 12. Perspectiva renderizada.</p><p>Esse tipo de representação é especialmente interessante para a apresenta-</p><p>ção ao público leigo, uma vez que pode haver dificuldades na compreensão</p><p>de desenhos técnicos. É importante ressaltar que não há verdades absolutas</p><p>quando se trata de representação para arquitetura. Recomenda-se observar</p><p>variadas referências e, antes de começar um desenho, refletir sobre qual seria</p><p>a melhor maneira de representar aquilo que você deseja comunicar.</p><p>13Leiaute e desenho de móveis residenciais</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6492: representação de</p><p>projetos de arquitetura. Rio de Janeiro, 1994.</p><p>CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 4. ed. Porto Alegre: Book-</p><p>man, 2019.</p><p>CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>CHING, F. D. K.; JUROSZEK, S. P. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,</p><p>2012.</p><p>DECA Catálogo. Disponível em: https://3dwarehouse.sketchup.com/by/decaoficial.</p><p>Acesso em: 09 jan. 2020.</p><p>Leitura recomendada</p><p>MARADEI, G. 10 poltronas clássicas assinadas por famosos designers brasileiros. 2018. Dispo-</p><p>nível em: https://casavogue.globo.com/Design/Moveis/noticia/2018/09/10-poltronas-</p><p>classicas-assinadas-por-famosos-designers-brasileiros.html. Acesso em: 09 jan. 2020.</p><p>Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Leiaute e desenho de móveis residenciais14</p><p>PROJETO DE</p><p>INTERIORES</p><p>RESIDENCIAIS</p><p>Marilia Pereira de</p><p>Ardovino</p><p>Layout e desenho de móveis</p><p>para quartos e salas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Definir os passos para a criação de um layout.</p><p>� Demonstrar a representação de desenhos de móveis.</p><p>� Construir um layout.</p><p>Introdução</p><p>Os espaços internos são os ambientes físicos que correspondem às ne-</p><p>cessidades básicas de abrigo e proteção. Eles são o palco das atividades</p><p>diárias. Além disso, afetam o olhar, o humor e a personalidade dos usuários.</p><p>A arquitetura de interiores inclui o planejamento, o layout e o projeto de</p><p>espaços edificados. O seu objetivo é o aprimoramento funcional, estético</p><p>e do impacto psicológico desses locais (CHING, 2013).</p><p>Um projeto de interiores é composto por diversos elementos e dese-</p><p>nhos necessários para a concepção do espaço e para a comunicação entre</p><p>arquiteto e cliente. Um de seus elementos fundamentais é o layout, que</p><p>consiste em uma planta baixa mobiliada e detalhada com informações</p><p>e especificações do projeto.</p><p>Neste capítulo, você vai conhecer o conceito de layout para arquite-</p><p>tura de interiores, bem como os passos para a sua criação. Também vai</p><p>verificar como os móveis são representados em uma planta baixa e ver</p><p>exemplos de construção de um layout.</p><p>Criação de um layout</p><p>Um dos elementos do projeto de interiores é o layout do mobiliário em planta</p><p>baixa. O termo layout vem do inglês e literalmente significa “[...] qualquer</p><p>esboço ou projeto gráfico de um trabalho” (MICHAELIS, 2018, documento</p><p>on-line). Em português, a grafia pode ser “leiaute”.</p><p>Para Galvão (2016, p. 8), o layout em arquitetura de interiores é:</p><p>Um arranjo físico, disposição de peças (mobiliário, equipamentos, postos de</p><p>trabalho, etc.) em planta baixa, visando ao melhor funcionamento possível do</p><p>espaço a ser trabalhado, proporcionando segurança, conforto e produtividade</p><p>das pessoas que vão utilizar esse espaço.</p><p>A criação do layout se dá na etapa do projeto de interiores chamada estudo</p><p>preliminar. É nessa etapa que surgem os desenhos das primeiras possibili-</p><p>dades e intenções da proposta projetual. O estudo preliminar ocorre depois</p><p>da fase de entrevista, levantamento e coleta de dados do local do projeto e da</p><p>definição do programa (INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL, 2018).</p><p>O programa de necessidades é uma listagem dos requisitos projetuais.</p><p>Ele é elaborado como uma:</p><p>Resposta às intenções do cliente; a seguir, [...] é aprimorado de modo a forne-</p><p>cer informações detalhadas sobre as exigências do projeto, incluindo, entre</p><p>outros fatores, o levantamento de campo, as exigências de acomodação, as</p><p>exigências de leiaute interno, e instalações e equipamentos especializados</p><p>(FARRELLY, 2013, p. 170).</p><p>Ao fazer um layout para quartos e salas, o arquiteto ou designer de interio-</p><p>res precisa observar e analisar o espaço a ser projetado. Esse espaço oferece</p><p>pistas de como pode ser melhor aproveitado. Seus acessos definem um fluxo</p><p>que divide a área em certas zonas. Assim, já evidenciam uma setorização do</p><p>ambiente estudado (CHING, 2013). De acordo com Galvão (2016, p. 9), “O</p><p>desafio é grande quando a necessidade de espaço é maior do que a disponi-</p><p>bilidade, situação muito comum atualmente, onde os espaços são cada vez</p><p>menores e as necessidades cada vez maiores”.</p><p>Para realizar um bom layout, o profissional deve considerar o usuário que</p><p>vai utilizar o ambiente, suas necessidades e medidas. Também precisa levar em</p><p>conta os móveis e equipamentos que vão ser usados no espaço, a ergonomia,</p><p>a setorização e o fluxo das atividades realizadas no local (GALVÃO, 2016).</p><p>Assim, “O arquiteto de interiores busca um ajuste adequado entre as deman-</p><p>das das atividades e a natureza da arquitetura dos espaços que as abrigam”</p><p>(CHING, 2013, p. 63).</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas2</p><p>Os espaços estudados neste capítulo, quartos e salas, pertencem às zonas</p><p>residenciais denominadas, respectivamente, íntima e social. A área social é</p><p>destinada à socialização e deve ter uma atmosfera que propicie a convivência</p><p>entre as pessoas. Fazem parte dessa área os seguintes espaços: hall de entrada,</p><p>lavabo, sala de estar, sala de jantar, churrasqueira, entre outros. A área íntima</p><p>de uma residência deve proporcionar conforto e privacidade aos usuários.</p><p>Desse modo, não deve ter ligação direta com a área social. Fazem parte dessa</p><p>área os seguintes espaços: dormitórios de casal, solteiro, bebê ou hóspede,</p><p>banheiro e estar íntimo (GALVÃO, 2016).</p><p>Para Ching (2013, p. 66), no momento do estudo do layout, é preciso analisar</p><p>os espaços e as atividades realizadas neles. Assim, pode-se</p><p>[...] Relacionar as características espaciais de cada atividade às características</p><p>dos espaços disponíveis. O layout faz a seleção e disposição de acessórios,</p><p>móveis e acabamentos, dentro do espaço disponível, respondendo tanto a</p><p>critérios funcionais como estéticos.</p><p>A disposição dos elementos no layout depende das circulações. Elas devem</p><p>ocorrer facilmente de dentro para fora da edificação e de um ambiente para o</p><p>outro. Os móveis devem ser arranjados conforme as atividades que acontecerão</p><p>no espaço. Por exemplo: assistir televisão, ouvir música, conversar e estudar.</p><p>Tais atividades não devem ser interrompidas pelo trânsito de pessoas. A</p><p>circulação é marcada pelos</p><p>fluxos, que são as possibilidades de caminho que</p><p>propiciam o melhor aproveitamento do espaço. Quanto mais simples e intuitivo</p><p>for o fluxo, melhor é o aproveitamento (GALVÃO, 2016). Para compreender</p><p>melhor, observe a Figura 1, a seguir.</p><p>Figura 1. Circulações possíveis e acessibilidade das zonas de um espaço em planta baixa,</p><p>em um estudo de layout.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 64).</p><p>3Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>Para Galvão (2016, p. 22), as circulações dentro de um espaço podem ser</p><p>naturais ou forçadas: “A circulação natural é aquela que flui sem problemas,</p><p>sem desvios, e a forçada é aquela na qual desviamos do caminho natural por</p><p>motivos funcionais ou estéticos”. Na Figura 2, você pode ver exemplos de</p><p>circulação natural e forçada.</p><p>Figura 2. Exemplos de circulação natural (direita) e forçada (esquerda).</p><p>Fonte: Galvão (2016, p. 22).</p><p>O layout é basicamente uma planta baixa com representação mais deta-</p><p>lhada dos móveis, suas cotas e especificações. Ele auxilia a definir as áreas</p><p>de circulação de acordo com a posição dos equipamentos e móveis. Além</p><p>disso, indica maiores informações relacionadas a detalhes e acabamentos. As</p><p>informações necessárias em um layout são:</p><p>� escala — normalmente 1:50 ou 1:100, mas pode variar dependendo da</p><p>dimensão do projeto;</p><p>� hierarquia de linhas;</p><p>� medidas das aberturas dos vãos (portas, janelas, etc.);</p><p>� medida dos móveis;</p><p>� nomenclatura dos móveis, caso necessário;</p><p>� cotas horizontais das aberturas, passagens, corredores e móveis, além</p><p>das cotas totais;</p><p>� orientação (norte magnético ou verdadeiro).</p><p>Na Figura 3, a seguir, você pode ver layouts de salas de jantar e quartos.</p><p>Note que os layouts respeitam distâncias, fluxos e circulações. Além disso,</p><p>eles demonstram a distribuição de mobiliários e equipamentos.</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas4</p><p>Figura 3. Layouts de salas de jantar e quartos.</p><p>Fonte: Henry Dreyfuss Associates (2005, p. 59).</p><p>Com base no que você viu até aqui, pode concluir que os passos para a</p><p>criação de um layout são:</p><p>� representar o espaço em planta baixa com todos os seus elementos fixos;</p><p>� estabelecer as circulações e os fluxos;</p><p>� fazer as distribuições de mobiliário possíveis;</p><p>� definir e indicar detalhes e materiais de acabamento.</p><p>5Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>A ergonomia (ou fatores humanos) é uma disciplina científica que estuda as inte-</p><p>rações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas. Ela também está</p><p>relacionada à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de</p><p>otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas</p><p>contribuem para o planejamento, o projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho,</p><p>produtos, ambientes e sistemas. A ideia é tornar esses elementos compatíveis com</p><p>as necessidades, habilidades e limitações das pessoas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>ERGONOMIA, 2018).</p><p>Representação de desenhos de móveis em um</p><p>layout</p><p>O layout é, de modo simplificado, um desenho que demonstra a distribuição</p><p>do mobiliário e demais informações em planta baixa. A planta baixa consiste</p><p>em um corte horizontal de uma edificação, representando a projeção</p><p>ortográfica do que fica abaixo dessa linha de corte. Esses desenhos mostram</p><p>a configuração das paredes e pilares, a forma e as dimensões dos ambientes,</p><p>das aberturas e das conexões entre os espaços e entre o interior e o exterior</p><p>da edificação.</p><p>Normalmente, o plano de corte é feito a 1,20 m do chão, atravessa as paredes,</p><p>estruturas e aberturas e pode-se ver o piso, as bancadas e o mobiliário fixo.</p><p>Usa-se uma seta de norte para indicar a orientação de uma planta baixa. A</p><p>convenção é orientá-la com o norte para cima. As plantas baixas costumam</p><p>ser desenhadas nas escalas 1:100 ou 1:50. A arquitetura de interiores às vezes</p><p>utiliza escalas maiores, que são úteis para o estudo e a representação de</p><p>espaços que requerem mais detalhes. Afinal, uma escala maior permite incluir</p><p>informações sobre acabamentos, móveis e acessórios. Assim, quanto maior</p><p>for a escala, mais detalhes deverão ser incluídos (CHING, 2017).</p><p>Como um layout de interiores consiste em uma planta baixa mobiliada</p><p>e mais detalhada, a representação dos móveis se dá por meio de uma vista</p><p>ortográfica superior, como você pode ver nas Figuras 4 e 5.</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas6</p><p>Figura 4. Representação de assentos em um layout, com figura humana.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 191).</p><p>Figura 5. Representação de sofás, poltronas, mesas com cadeiras e camas em um layout.</p><p>Fonte: Ching (2017, p. 192).</p><p>7Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>Muitos programas de geração de maquetes eletrônicas e CAD incluem</p><p>bibliotecas ou gabaritos de peças de mobiliários pré-projetados. Eles podem</p><p>ser facilmente copiados, redimensionados e posicionados diretamente no</p><p>desenho, como mostra a Figura 6 (CHING, 2017, p. 192).</p><p>Figura 6. Exemplos de mobiliário para salas e quartos em planta baixa em uma biblioteca</p><p>de desenhos arquitetônicos disponíveis para download.</p><p>Fonte: Bari (2017, documento on-line).</p><p>No Quadro 1, a seguir, você pode ver as dimensões mais usuais de mobi-</p><p>liários para quartos e salas. No quadro, estão listadas as medidas dos móveis</p><p>mais usados nesse tipo de espaço, os assentos e as camas.</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas8</p><p>Fonte: Adaptado de Galvão (2018).</p><p>Assentos</p><p>Tipo Largura Profundidade Altura</p><p>Poltrona 0,80 a</p><p>0,95 m</p><p>1 a 1,15 m Encosto: > 0,45 m</p><p>Assento: 0,35 a 0,43 m</p><p>Sofá</p><p>(2 lugares)</p><p>1,50 a</p><p>1,70 m</p><p>1 a 1,15 m Encosto: > 0,45 m</p><p>Assento: 0,35 a 0,43 m</p><p>Sofá</p><p>(3 lugares)</p><p>2,10 a</p><p>2,30 m</p><p>1 a 1,15 m Encosto: > 0,45 m</p><p>Assento: 0,35 a 0,43 m</p><p>Espaço de circulação entre poltronas e sofás: 1 pessoa > 0,60 | 2 pessoas > 1,20</p><p>Design universal > 1,50</p><p>Camas</p><p>Tipo Largura Comprimento Altura</p><p>Twin (solteiro) 0,90 m 1,88 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Twin XL 1,00 m 2,03 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Full (casal) 1,38 m 1,88 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Full XL 1,38 m 2,03 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Queen size 1,58 m 1,98 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Cal king 1,86 m 2,03 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>King size 1,93 m 2,03 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>King split 2,00 m 2,03 m 45 cm a</p><p>55 cm</p><p>Tabela com os tamanhos “oficiais” utilizados nos Estados Unidos</p><p>(onde se criaram os nomes que são utilizados amplamente).</p><p>Medidas convertidas para o padrão industrial brasileiro.</p><p>Quadro 1. Medidas de assentos e camas para salas e dormitórios.</p><p>9Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>A planta humanizada é aquela que vem com a representação dos móveis e revestimen-</p><p>tos de piso desenhados e coloridos. Se for uma planta de casa, pode também conter</p><p>o jardim desenhado. É uma planta feita para o leigo entender com mais facilidade.</p><p>Ela é diferente da planta técnica, que é composta basicamente por linhas. As plantas</p><p>baixas humanizadas são mais comerciais. São usadas pelos arquitetos e empresas para</p><p>explicar melhor o projeto para os clientes (ARQUIDICAS, 2017).</p><p>Exemplo de construção de layout</p><p>Nesta seção, você vai ver como propor e construir um layout a partir do</p><p>que aprendeu até aqui. Como você viu, o estudo do layout acontece durante</p><p>o estudo preliminar e após a coleta de dados e a definição do programa de</p><p>necessidades. Por meio do estudo de vários autores, como Ching (2013;</p><p>2017) e Galvão (2018a), se concluiu que os passos para construir o layout</p><p>são:</p><p>1. desenhar a planta baixa com paredes, portas, janelas e demais elementos</p><p>fixos;</p><p>2. definir os fluxos e circulações no espaço;</p><p>3. distribuir o mobiliário e equipamentos, considerando os critérios de</p><p>funcionalidade, estética e testando alternativas;</p><p>4. definir e indicar detalhes e materiais de acabamento.</p><p>Você pode observar o procedimento de construção de layout na Figura 7.</p><p>Grimley e Love (2017), a partir da planta baixa de um espaço de estar, geram</p><p>quatro alternativas de distribuição de mobiliário, considerando o estudo das</p><p>circulações e definindo eixos compositivos. Para eles, “[...] uma sala de estar</p><p>típica funciona bem quando é organizada de acordo com</p><p>NBR 16045:2012 Móveis — Camas de uso doméstico</p><p>NBR 15996-1:2011 Móveis — Camas beliche e camas</p><p>altas para uso doméstico</p><p>Parte 1: Requisitos de segurança</p><p>NBR 15996-2:2011 Móveis — Camas beliche e camas</p><p>altas para uso doméstico</p><p>Parte 2: Métodos de ensaio</p><p>NBR 13967:2009</p><p>Emenda 1:2011</p><p>Móveis para escritório — Sistemas de estação de</p><p>trabalho — Classificação e métodos de ensaio</p><p>NBR 13967:2011 Móveis para escritório — Sistemas de estação de</p><p>trabalho — Classificação e métodos de ensaio</p><p>NBR 14488:2010 Tampos de vidro para móveis —</p><p>Requisitos e métodos de ensaio</p><p>NBR 15786:2010 Móveis para escritório — Móveis para tele</p><p>atendimento, call center e telemarketing</p><p>— Requisitos e métodos de ensaio</p><p>Quadro 1. Normas nacionais aplicadas ao mobiliário</p><p>(Continua)</p><p>Normas para mobiliários6</p><p>Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas ([2018]).</p><p>Norma ABNT Título</p><p>NBR 13961:2010 Móveis para escritório — Armários</p><p>NBR 15761:2009 Móveis de madeira — Requisitos e métodos</p><p>de ensaios para laminados decorativos</p><p>NBR 13966:2008 Móveis para escritório — Mesas — Classificação</p><p>e características físicas dimensionais e</p><p>requisitos e métodos de ensaio</p><p>NBR 14535:2008 Móveis de madeira — Requisitos e</p><p>ensaio para superfície pintadas</p><p>NBR 14006:2008 Móveis escolares — Cadeiras e mesas</p><p>para conjunto aluno individual</p><p>NBR 15141:2008 Móveis para escritório — Divisória</p><p>modular tipo piso-teto</p><p>NBR 14033:2005 Móveis para cozinha</p><p>NBR 15164:2004 Móveis estofados — Sofás</p><p>NBR 14049:1998 Móveis — Ferragens e acessórios —</p><p>Rodízios e suportes para pé</p><p>Quadro 1. Normas nacionais aplicadas ao mobiliário</p><p>Norma Título</p><p>ISO/TR</p><p>24496:2012</p><p>Móveis para Escritório — Cadeiras de escritório —</p><p>Métodos para determinação das dimensões</p><p>Office furniture — Office work chairs — Methods</p><p>for the determination of dimensions</p><p>ISO 21015:2007 Móveis para Escritório — Cadeiras de escritório</p><p>— Métodos de ensaio para determinação de</p><p>estabilidade, resistência e durabilidade</p><p>Office furniture — Office work chairs — Test methods for</p><p>the determination of stability, strength and durability</p><p>Quadro 2. Normas internacionais aplicadas ao mobiliário</p><p>(Continuação)</p><p>(Continua)</p><p>7Normas para mobiliários</p><p>O escopo das normas mencionadas, em geral, especifica as características</p><p>físicas e dimensionais, classifica o referido mobiliário, determina os requisitos</p><p>ergonômicos de segurança e define os métodos de ensaio para atendimento desses</p><p>requisitos. Um exemplo relevante é o que dispõe a ABNT NBR 14006:2008 (Móveis</p><p>escolares — Cadeiras e mesas para conjunto aluno individual) cujo escopo é:</p><p>Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas ([2018]).</p><p>Norma Título</p><p>ISO 21016:2007 Móveis de escritório — Mesas e escrivaninhas</p><p>— Métodos de ensaio para determinação de</p><p>estabilidade, resistência e durabilidade</p><p>Office furniture — Tables and desks — Test methods for</p><p>the determination of stability, strength and durability</p><p>ISO 22879:2004 Rodízios e rodas — Requisitos para rodízios para móveis</p><p>Castors and wheels — Requirements for castors for furniture</p><p>ISO 7174-2:1992 Móveis — Cadeiras — Determinação da</p><p>estabilidade — Parte 2: cadeiras com inclinação</p><p>ou com mecanismos reclináveis, quando</p><p>totalmente reclinado, e cadeiras de balanço</p><p>Furniture — Chairs — Determination of stability —</p><p>Part 2: Chairs with tilting or reclining mechanisms</p><p>when fully reclined, and rocking chairs</p><p>ISO 9221-1:1992 Móveis — Cadeiras para crianças —</p><p>Parte 1: Requisitos de segurança</p><p>Furniture — Children's high chairs —</p><p>Part 1: Safety requirements</p><p>ISO 9221-2:1992 Móveis — Cadeiras para crianças —</p><p>Parte 2: Métodos de ensaio</p><p>Furniture — Children's high chairs — Part 2: Test methods</p><p>ISO 7173:1989 Móveis — Cadeiras e bancos — Determinação</p><p>da resistência e durabilidade</p><p>Furniture — Chairs and stools — Determination</p><p>of strength and durability</p><p>ISO 5970:1979 Móveis — Cadeiras e mesas para instituições</p><p>educacionais — Tamanhos Funcionais</p><p>Furniture — Chairs and tables for educational</p><p>institutions — Functional sizes</p><p>Quadro 2. Normas internacionais aplicadas ao mobiliário</p><p>(Continuação)</p><p>Normas para mobiliários8</p><p>Esta norma estabelece os requisitos mínimos, exclusivamente para conjunto</p><p>aluno individual, composto de mesa e cadeira, para instituições de ensino</p><p>em todos os níveis, nos aspectos ergonômicos, de acabamento, identificação,</p><p>estabilidade e resistência (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS</p><p>TÉCNICAS, 2008, documento on-line).</p><p>A ABNT NBR 14006:2008 é umas das normas que regem as cartilhas</p><p>de especificação de mobiliários e equipamentos de instituições de ensino no</p><p>País, incentivadas por uma ação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da</p><p>Educação (FNDE) denominada Mobiliário Escolar. O objetivo dessa iniciativa</p><p>é “[...] renovar e padronizar os mobiliários das escolas do país, garantindo</p><p>qualidade e conforto para estudantes e professores nas salas de aula e contri-</p><p>buindo para a permanência dos alunos nas escolas” (FUNDO NACIONAL</p><p>DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO, 2012, documento on-line).</p><p>A Cartilha de especificação de móveis e equipamentos da Universidade Federal de Pelotas</p><p>adota as prescrições da NBR 14006. Acesse a Cartilha pelo link abaixo:</p><p>https://goo.gl/qTukTK</p><p>Tantos as normas técnicas quanto os demais padrões dimensionais para</p><p>projeto devem ser consultados e analisados conjuntamente no momento de</p><p>executar um design de mobiliário. Os dados antropométricos consultados</p><p>para a elaboração desses documentos e diretrizes objetivam garantir a me-</p><p>lhor ergonomia para a interface entre o corpo humano e os vários móveis e</p><p>equipamentos de um determinado espaço.</p><p>Padrões dimensionais de referência para</p><p>projetos de mobiliário</p><p>O mobiliário, assim como os demais produtos produzidos, é considerado como</p><p>um meio para que o homem possa executar suas tarefas, conforme defende</p><p>Iida (2005). Para que haja qualidade de interação com o usuário, o móvel</p><p>precisa apresentar qualidade ergonômica: facilidade de manuseio, adaptação</p><p>antropométrica e todos os itens de conforto e segurança.</p><p>9Normas para mobiliários</p><p>A aquisição de um móvel ocorre em função de alguns aspectos — estética</p><p>(aparência visual) e durabilidade são os mais citados, conforme Ramos (2013).</p><p>O nosso compromisso com a ergonomia lança um olhar para as questões de</p><p>conforto e segurança, quando nos questionamos se um móvel esteticamente</p><p>agradável e aparentemente durável foi projetado respeitando as características</p><p>físicas humanas e obedecendo aos devidos padrões ergonômicos.</p><p>A bibliografia de referência fornece apontadores antropométricos que</p><p>contribuem significativamente para dimensionarmos todo tipo de mobiliário.</p><p>Conhecendo a função a que se destina, sabemos que o móvel deve ter dimensões</p><p>máxima e mínima para permitir que as tarefas e atividades sejam executadas de</p><p>forma adequada. Segundo Gurgel (2005, p. 142), “[...] abaixar, sentar alcançar um</p><p>arquivo, ou seja, movimentar-se, requer uma distância, uma área, um espaço para</p><p>os movimentos envolvidos na ação específica”, conforme demonstra a Figura 2.</p><p>Figura 2. Alturas (em centímetros) e distâncias recomendadas para acessar bancadas e</p><p>prateleiras e para facilitar movimentos.</p><p>Fonte: Gurgel (2005, p. 142).</p><p>Da Figura 2 podemos adotar algumas alturas referenciais para projetos</p><p>em geral:</p><p> a altura máxima para alcançar objetos em um nicho ou prateleira é de</p><p>2,00 m — com uma altura de 1,95 m a maioria das pessoas consegue</p><p>alcançar sem erguer os pés;</p><p> a linha média de visão de um indivíduo corresponde a 1,50 m de altura;</p><p> a altura padrão para bancadas de cozinha é de 0,90 m;</p><p> a altura padrão para mesas de jantar é 0,75 m.</p><p>Normas para mobiliários10</p><p>Para particularizar as diferentes situações que envolvem a interface ho-</p><p>mem–mobiliário, optamos por trabalhar alguns aspectos dos móveis resi-</p><p>denciais: assentos, sistema mesa–assento e bancadas de cozinha. A escolha</p><p>desses quesitos é justificada pela maior complexidade projetual em relação</p><p>aos aspectos ergonômicos.</p><p>Assentos</p><p>Como orientações gerais, Ching (2013,</p><p>diversos princípios</p><p>alternativos” (GRIMLEY; LOVE, 2017, p. 100).</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas10</p><p>Figura 7. Quatro propostas de layout para um espaço de sala de estar.</p><p>Fonte: Grimley e Love (2017, p. 100).</p><p>A primeira proposta é de uma sala simétrica. Usando um eixo central, os</p><p>móveis são distribuídos simetricamente em relação à lareira. A circulação e</p><p>os elementos construtivos ficam fixos em todas as propostas; só o mobiliário</p><p>demonstra as possibilidades de variação. Na alternativa com eixo duplo, a</p><p>composição é simétrica em relação aos eixos longitudinal e transversal. A sala</p><p>com simetria local deixa a composição mais livre e faz o espaço parecer mais</p><p>amplo. Na última proposta, a sala assimétrica deixa o espaço mais informal e</p><p>possibilita a organização em dois ambientes distintos. Observe que o layout</p><p>é construído a partir da planta baixa e seus elementos de arquitetura, como</p><p>portas, janelas e lareira. A circulação entre as portas é respeitada em todas as</p><p>propostas. Varia apenas a distribuição e a escolha de mobiliário.</p><p>No link a seguir, você encontra uma biblioteca gratuita de desenhos arquitetônicos</p><p>em DWG disponíveis para download.</p><p>https://goo.gl/yrqWba</p><p>11Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>Os layouts dos espaços internos de quartos e salas também devem prever</p><p>o uso por pessoas com deficiência. No Brasil, a norma que regulamenta a</p><p>acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos é a</p><p>NBR 9.050, de 2015. Ao propor um layout, você deve levar em consideração</p><p>os espaços e verificar se há dimensionamentos suficientes para manobras</p><p>e giros de cadeiras de rodas, assim como para abrigar as alturas do</p><p>mobiliário. Observe as Figuras 8 e 9, a seguir, para verificar a importância</p><p>da acessibilidade.</p><p>Figura 8. Áreas de manobras para cadeira de rodas.</p><p>Fonte: NBR 9.050 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2015, p. 25).</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas12</p><p>Figura 9. Layout de dormitório para pessoas com deficiência.</p><p>Fonte: Henry Dreyfuss Associates (2005, p. 46).</p><p>Ao longo deste capítulo, você estudou o conceito, a definição e a importân-</p><p>cia do layout na arquitetura de interiores. Viu também seus benefícios para a</p><p>maior funcionalidade dos espaços, assim como as representações de mobiliário</p><p>para quartos e salas em planta baixa. Além disso, verificou os passos para a</p><p>montagem de um layout de sala, assim como a demonstração desses passos</p><p>na construção de um exemplo.</p><p>13Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>Na Figura 10, a seguir, você pode ver um exemplo do layout de uma sala de estar grafi-</p><p>cado à mão. O desenho mostra a planta baixa, os elementos construtivos, o mobiliário,</p><p>as dimensões, os acessórios (cortina, tapete, objetos, vegetação), a representação do</p><p>piso e as especificações de acabamento e de móveis.</p><p>Figura 10. Layout (graficado à mão) de sala de estar.</p><p>Fonte: Galvão (2018b, documento on-line).</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas14</p><p>1. Um dos elementos mais importantes</p><p>do projeto de interiores é o layout</p><p>do mobiliário. Para a arquitetura de</p><p>interiores, layout é, basicamente:</p><p>a) uma vista frontal mais detalhada</p><p>que demonstra o arranjo físico e</p><p>as informações de acabamentos,</p><p>visando à funcionalidade</p><p>e à estética do espaço.</p><p>b) uma planta baixa mobiliada</p><p>e mais detalhada que</p><p>demonstra o arranjo físico e as</p><p>informações de acabamentos,</p><p>visando à funcionalidade</p><p>e à estética do espaço.</p><p>c) uma perspectiva mais detalhada</p><p>que demonstra o arranjo físico e</p><p>as informações de acabamentos,</p><p>visando à funcionalidade</p><p>e à estética do espaço.</p><p>d) um corte vertical mais detalhado</p><p>que demonstra o arranjo físico e</p><p>as informações de acabamentos,</p><p>visando à funcionalidade</p><p>e à estética do espaço.</p><p>e) um corte vertical mais</p><p>detalhado que demonstra o</p><p>arranjo físico, mas não faz parte</p><p>do projeto de interiores.</p><p>2. A disposição dos elementos no</p><p>layout depende das circulações</p><p>que devem ocorrer no espaço.</p><p>A circulação, por sua vez, é</p><p>marcada pelos fluxos. Assinale</p><p>a alternativa que apresenta a</p><p>definição correta de fluxos.</p><p>a) Fluxos são as possibilidades de</p><p>caminho que propiciam o melhor</p><p>aproveitamento do espaço.</p><p>b) Fluxos interferem no layout</p><p>de interiores, apesar de não se</p><p>relacionarem com o melhor</p><p>aproveitamento do espaço.</p><p>c) Fluxos são as possibilidades</p><p>de caminho, mas não</p><p>propiciam o melhor</p><p>aproveitamento do espaço.</p><p>d) Fluxos fazem parte do</p><p>estudo de layout e não se</p><p>relacionam com o melhor</p><p>aproveitamento do espaço.</p><p>e) Fluxos são as possibilidades</p><p>de caminho, mas não</p><p>propiciam o melhor</p><p>aproveitamento do espaço.</p><p>3. O layout é um importante</p><p>elemento no estudo de um</p><p>projeto de interiores. Assinale a</p><p>alternativa que lista os passos</p><p>para a construção do layout.</p><p>a) Representar o espaço em corte</p><p>com todos os seus elementos</p><p>fixos, definir as circulações e</p><p>os fluxos, fazer as possíveis</p><p>distribuições de mobiliário,</p><p>definir e indicar detalhes e</p><p>materiais de acabamento.</p><p>b) Representar o espaço em</p><p>planta baixa com todos os</p><p>seus elementos fixos, ignorar</p><p>as circulações e os fluxos, fazer</p><p>as possíveis distribuições de</p><p>mobiliário, definir e indicar detalhes</p><p>e materiais de acabamento.</p><p>c) Representar o espaço em</p><p>perspectiva com todos</p><p>os seus elementos fixos,</p><p>definir as circulações e os</p><p>fluxos, fazer as possíveis</p><p>distribuições de mobiliário,</p><p>definir e indicar detalhes e</p><p>materiais de acabamento.</p><p>15Layout e desenho de móveis para quartos e salas</p><p>d) Representar o espaço em</p><p>planta baixa com todos</p><p>os seus elementos fixos,</p><p>definir as circulações e os</p><p>fluxos, fazer as possíveis</p><p>distribuições de mobiliário,</p><p>definir e indicar detalhes e</p><p>materiais de acabamento.</p><p>e) Representar o espaço em</p><p>perspectiva com todos</p><p>os seus elementos fixos,</p><p>ignorar as circulações e os</p><p>fluxos, fazer as possíveis</p><p>distribuições de mobiliário,</p><p>definir e indicar detalhes e</p><p>materiais de acabamento.</p><p>4. Os layouts dos espaços internos</p><p>de quartos e salas também devem</p><p>prever o uso por pessoas com</p><p>deficiência. No Brasil, a norma que</p><p>regulamenta a acessibilidade a</p><p>edificações, mobiliário, espaços</p><p>e equipamentos urbanos é a:</p><p>a) NBR 9.050.</p><p>b) NBR 10.068.</p><p>c) NBR 10.126.</p><p>d) NBR 8.403.</p><p>e) NBR 10.067.</p><p>5. A disposição dos elementos no</p><p>layout depende das circulações que</p><p>devem ocorrer no espaço e que</p><p>podem ser naturais ou forçadas.</p><p>A circulação natural é aquela que</p><p>flui sem problemas, sem desvios.</p><p>Assinale a alternativa que define</p><p>corretamente a circulação forçada.</p><p>a) A circulação forçada é</p><p>aquela na qual não há desvio</p><p>do caminho natural.</p><p>b) A circulação forçada é</p><p>aquela em que há desvio do</p><p>caminho natural por motivos</p><p>funcionais ou estéticos.</p><p>c) A circulação forçada é aquela</p><p>em que há desvio do caminho</p><p>natural sem nenhum motivo.</p><p>d) A disposição dos elementos</p><p>no layout não depende</p><p>das circulações.</p><p>e) A circulação forçada tem</p><p>o mesmo significado da</p><p>circulação natural.</p><p>ARQUIDICAS. Planta baixa: o guia completo. 2017. Disponível em: <https://www.</p><p>arquidicas.com.br/planta-baixa>. Acesso em: 30 out. 2018.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA. O que é ergonomia. 2018. Disponível em:</p><p><http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia>. Acesso em: 30</p><p>out. 2018.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 Regulamenta a</p><p>acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de</p><p>Janeiro: ABNT, 2015. Disponível em: <http://www.ufpb.br/cia/contents/manuais/abnt-</p><p>nbr9050-edicao-2015.pdf>. Acesso em: 30 out. 2018.</p><p>Layout e desenho de móveis para quartos e salas16</p><p>BARI, O. Biblioteca de desenhos arquitetônicos em DWG disponíveis para download.</p><p>Archdaily, 1 jun. 2017. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/872666/</p><p>biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download>. Acesso</p><p>em: 30 out. 2018.</p><p>CHING, F. D. K. Representação gráfica em arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CHING, F. D. K. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>FARRELLY,</p><p>p. 324) postula: “Os assentos devem</p><p>ser projetados para sustentar confortavelmente o peso e a forma do corpo do</p><p>usuário”. O estudo antropométrico relacionado aos assentos é vasto; dele</p><p>extraímos alguns princípios para serem aplicados nas distintas situações de</p><p>“sentar”, mostrados na Figura 3.</p><p>Figura 3. Condições gerais — assentos.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 324).</p><p>11Normas para mobiliários</p><p>A natureza da tarefa à qual se destina a cadeira (ou qualquer outra mo-</p><p>dalidade de assento) determina o fator conforto. Da Figura 3, destacamos</p><p>as seguintes recomendações: “A altura do assento deve permitir que os pés</p><p>possam repousar no piso” e “A profundidade do assento deve ser levemente</p><p>menor do que o comprimento da coxa” (CHING, 2013, p. 324). Os princípios</p><p>de desenho ergonômico se aplicam especialmente a assentos que se destinam</p><p>a longos períodos de uso, como cadeiras de mesa para computador (Figura 4).</p><p>Figura 4. Diretrizes de ergonomia para um posto de trabalho com computador.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 320).</p><p>As dimensões adequadas dos assentos dependem tanto das dimensões do</p><p>corpo humano e particulares do usuário quanto de fatores culturais e questões</p><p>de escala e estilo. O fator de conforto também é afetado pela atividade que</p><p>o usuário possa estar desenvolvendo, conforme explica Ching (2013). As</p><p>várias formas de sentar determinam as dimensões ideais aproximadas, como</p><p>verificamos na Figura 5.</p><p>Normas para mobiliários12</p><p>Figura 5. Formas de sentar.</p><p>Fonte: Pronk (2003, p. 1).</p><p>A Figura 5 confirma a prescrição de Panero e Zelnik (2008) quanto à</p><p>altura ideal das cadeiras polivalentes na dimensão de 41 cm, em média, o</p><p>que significa dizer que os usuários de menor estatura serão instalados com</p><p>conforto. Percebemos também que a profundidade do assento equivale a 45 cm,</p><p>medida bastante utilizada nas cadeiras produzidas em larga escala no Brasil.</p><p>13Normas para mobiliários</p><p>Um tema bastante estudado na área da ergonomia é o caso das cadeiras de trabalho.</p><p>Ching (2003) as identifica como “cadeiras de escritório” e sugere que elas possuam</p><p>alturas de assentos reguláveis e apoio para as costas, permitindo que diferentes usuários</p><p>adaptem as suas próprias cadeiras. Para efeitos de projeto, embora não seja habitual</p><p>projetarmos essas cadeiras, devemos estar atentos para especificar o produto de modo</p><p>a garantir conforto às estações de trabalho.</p><p>Sistema mesa–assento</p><p>Nos espaços de alimentação, a relação mesa–assento é muito signifi cativa</p><p>para os arquitetos e designers. A utilização de gabaritos (blocos de softwares</p><p>gráfi cos) pode mascarar um dimensionamento inadequado — do ponto de</p><p>vista ergonômico — nesses espaços. O que ocorre com muita frequência é a</p><p>aplicação de um espaçamento de centro a centro das cadeiras (eixo central)</p><p>de 61 centímetros. Essa medida padronizada é utilizada para determinar a</p><p>dimensão da mesa em relação ao número de assentos.</p><p>No caso dos espaços destinados à alimentação, muitos arranjos espaciais</p><p>são possíveis e dizem respeito ao leiaute. No entanto, para o nosso estudo</p><p>específico sobre mobiliário, vamos nos ater aos dados ergonômicos para</p><p>garantir conforto às mesas e bancadas para refeições e trabalho. Panero e</p><p>Zelnik (2008, p. 139) orientam:</p><p>Para garantir uma boa interface entre o corpo humano e mesa durante refeições,</p><p>não só as dimensões antropométricas devem ser analisadas, mas também o</p><p>corpo humano, a cadeira, a mesa e a área individual de acesso à mesa devem ser</p><p>vistos como um sistema. Deve-se observar ainda que o tamanho desta última</p><p>irá determinar a percentagem livre da área central da mesa para colocação de</p><p>bebidas e pratos a serem servidos.</p><p>Para as mesas de refeição, deve-se considerar a largura corporal máxima</p><p>da pessoa de maiores dimensões; portanto, a largura ótima sugerida para o</p><p>espaçamento entre assentos varia de 61 cm a 76,2 cm. Em torno do perímetro</p><p>de uma mesa de jantar, deve-se prever um mínimo de 60 cm por pessoa, con-</p><p>forme orientam Ching (2013) e Panero e Zelnik (2008). A Figura 6 apresenta</p><p>uma sugestão de dimensões adequadas.</p><p>Normas para mobiliários14</p><p>Figura 6. Sistema mesa–assento para refeições: (a) espaçamento para</p><p>assentos e bordas e (b) alturas para mesa de refeições (em milímetros).</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 53).</p><p>Um importante aspecto a ser respeitado para efeitos de projeto é o espaçamento</p><p>entre a superfície da mesa e o assento. A movimentação das pernas abaixo do tampo</p><p>deve ser confortável em qualquer situação. A Figura 6 especifica um espaçamento</p><p>de aproximadamente 20 cm; porém, esse valor é considerado muito próximo ao</p><p>mínimo. Gurgel (2005, p. 142) orienta o seguinte para os sistemas mesa–assento</p><p>ou bancada–assento: “Aproximadamente 30 cm entre a altura do assento e a da</p><p>bancada. Portanto, para mesas de 75 cm de altura, o assento deve ter 45 cm; para</p><p>bancadas de 90 cm de altura, o banco deve ter 60 cm; e para bancadas mais altas,</p><p>de 1 metro ou 1,10 m, opte por bancos de aproximadamente 70 cm”.</p><p>As dimensões sugeridas são importantes para os arquitetos e designers</p><p>porque é comum projetarmos áreas de refeição integradas às cozinhas (como</p><p>no caso das cozinhas gourmet) ou mesmo bancadas de trabalho sob medida</p><p>(como no caso dos home offices). A correta especificação das alturas está</p><p>diretamente relacionada com o desempenho ergonômico do mobiliário.</p><p>15Normas para mobiliários</p><p>Bancadas de cozinha</p><p>Dentre os ambientes domésticos, as cozinhas foram os espaços de serviço que</p><p>mais mudaram nas últimas décadas. Os novos designs dos equipamentos, a</p><p>redução dos espaços de habitação, que impulsionou a integração da cozinha</p><p>com a sala de jantar, e a própria forma de vida social, que incorporou o ato de</p><p>cozinhar para receber em casa, podem ser considerados como infl uências da</p><p>nova confi guração das cozinhas, conforme defende Mancuso (2004).</p><p>A complexidade das atividades executadas nas cozinhas é um desafio para</p><p>os arquitetos e designers, conforme lecionam Panero e Zelnik (2018, p. 157):</p><p>A altura de uma bancada de trabalho da cozinha, os espaços livres adequados</p><p>para a circulação entre armários ou eletrodomésticos, o acesso a armários</p><p>altos, acima da cabeça, e a visibilidade adequada estão entre as principais</p><p>reflexões de um projeto de cozinha.</p><p>Nas cozinhas, tudo deve atender às dimensões humanas; devem ser veri-</p><p>ficadas as medidas de largura e profundidade corporal máximas dos usuários</p><p>de maiores dimensões, as projeções dos eletrodomésticos, os sistemas de</p><p>aberturas de portas e gavetas dos armários e o espaço livre por onde o usuário</p><p>vai circular, conforme ilustra a Figura 7.</p><p>Figura 7. Dimensões funcionais das cozinhas.</p><p>Fonte: Ching (2013, p. 54).</p><p>Normas para mobiliários16</p><p>As configurações espaciais das cozinhas são variáveis, em função das</p><p>dimensões da área e do desenho do espaço. As bancadas de cozinha padro-</p><p>nizadas normalmente possuem uma altura de 91,4 cm do piso, conforme</p><p>apontam Panero e Zelnik (2018). Certas atividades da cozinha podem ser mais</p><p>bem desenvolvidas sobre um balcão com uma altura inferior a 91,4 cm, com</p><p>o usuário em pé, como é o caso da bancada da pia.</p><p>Gurgel (2005, p. 142) orienta que:</p><p>[...] bancadas com pia devem estar aproximadamente 5 cm abaixo do cotovelo</p><p>(braço dobrado a 90°); a altura ideal para bancadas de trabalho e preparação</p><p>de alimentos com a utilização de utensílios de pequeno e médio porte é de 17</p><p>cm a 25 cm abaixo do cotovelo dobrado a 90°.</p><p>Desde que não exista nenhuma janela acima da pia, a colocação de armá-</p><p>rios suspensos na parede deverá obedecer ao mínimo de 55,9 centímetros de</p><p>altura entre o topo da bancada e a parte inferior desses armários, conforme</p><p>lecionam Panero e Zelnik (2008).</p><p>Em um projeto ergonômico de mobiliário para cozinha, devemos destacar</p><p>também os seguintes aspectos:</p><p> os espaços disponíveis para circulação;</p><p> a abertura das portas dos eletrodomésticos;</p><p> a capacidade de alcance dos armários elevados e o acionamento das</p><p>suas portas;</p><p> as zonas de trabalho em torno do forno e fogão;</p><p> o revestimento das superfícies</p><p>da bancada;</p><p> as especificações técnicas dos eletrodomésticos.</p><p>Os arquitetos e designers são significativamente requisitados para desenvolver</p><p>também projetos corporativos (ou comerciais) e, para cada programa arquitetônico,</p><p>devem propor soluções eficientes, personalizadas e ergonomicamente adequadas.</p><p>Programas de necessidades para arquitetura escolar, ambientes de saúde, espaços</p><p>de alimentação, moda e serviços exigem domínios do saber específicos para o pro-</p><p>jeto de mobiliários. A consulta às normas técnicas proporcionará conhecimentos</p><p>sobre classificação, características físicas dimensionais, requisitos de segurança</p><p>e métodos de ensaio, entre outros. Contudo, no quesito ergonomia, as normas</p><p>não consideram a diversidade de móveis existentes, bem como a diversidade</p><p>das dimensões humanas. Reiteramos, então, a relevância dos conhecimentos de</p><p>ergonomia para a excelência do desempenho da nossa profissão.</p><p>17Normas para mobiliários</p><p>ARAÚJO, R. G. O mobiliário urbano ao longo dos tempos. In: Colóquio sobre história e</p><p>historiografia da arquitetura brasileira, 2008, Brasília. Anais... Brasília: ICC, 2008. Dispo-</p><p>nível em: <https://sites.google.com/site/coloquiohh08/trabalhos-apresentados-3>.</p><p>Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Catálogo. Rio de Janeiro, [2018]. Dispo-</p><p>nível em: <http://www.abntcatalogo.com.br/normagrid.aspx>. Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14006: móveis escolares. Cadeiras</p><p>e mesas para conjunto aluno individual. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: <file:///D:/</p><p>Documentos/Downloads/kupdf.net_nbr-14006-moveis-escolares-cadeiras-e-mesas-</p><p>-para-aluno-indivdual.pdf>. Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>CHING, F. D. K. Arquitetura de interiores ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>DAL PIVA, R. Processo de fabricação dos móveis sob medida. Porto Alegre: SENAI-RS, 2007.</p><p>DEVIDES, M. T. C. Design, projeto e produto: o desenvolvimento de móveis nas Industrias</p><p>do polo moveleiro de Arapongas, PR. 2006. Dissertação (Mestrado em Arquitetura)</p><p>— Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, Universidade Estadual Paulista</p><p>Júlio de Mesquita Filho, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://web.faac.unesp.br/</p><p>Home/Pos-Graduacao/Design/Dissertacoes/mariatereza.pdf>. Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Portal de compras da FNDE.</p><p>Mobiliário escolar: apresentação. Brasília, [2018]. Disponível em: <http://www.fnde.gov.</p><p>br/portaldecompras/index.php/produtos/mobiliario-escolar>. Acesso em: 9 out. 2008.</p><p>GURGEL, M. Projetando espaços: Guia de interiores para áreas comerciais. São Paulo:</p><p>SENAC, 2005.</p><p>IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. ver. e ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2005.</p><p>MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: a arte de viver bem. Porto Alegre:</p><p>Sulina, 2004.</p><p>OATES, P. B. História do mobiliário ocidental. Lisboa: Presença, 1991.</p><p>PANERO, J.; ZELNIK, M. Dimensionamento humano para espaços interiores. São Paulo:</p><p>Gustavo Gili, 2008.</p><p>PRONK, E. Dimensionamento em arquitetura. 7. ed. João Pessoa: Editora Universitária</p><p>da UFPB, 2003.</p><p>RAMOS, L. F. M. D. Uma contribuição ao estudo dos móveis de madeira e seus derivados.</p><p>2013. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) — Faculdade de Arquitetura, Engenha-</p><p>ria e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá. 2013. Disponível em:</p><p><http://200.129.241.80/ppgeea/sistema/dissertacoes/15.pdf>. Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>RYBCZYNSKI, W. Casa: pequena história de uma ideia. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1999.</p><p>Normas para mobiliários18</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575-1: edificações ha-</p><p>bitacionais. Desempenho. Requisitos Gerais. Rio de Janeiro, 2013. Disponível em:</p><p><http://360arquitetura.arq.br/wp-content/uploads/2016/01/NBR_15575-1_2013_Final-</p><p>-Requisitos-Gerais.pdf>. Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>BOUERI FILHO, J. J. Antropometria aplicada à arquitetura, urbanismo e desenho industrial.</p><p>São Paulo: Estação das Letras e Cores Editora, 2008.</p><p>BOUERI FILHO, J. J. Projeto e dimensionamento dos espaços da habitação: espaço de</p><p>atividades. São Paulo: estação das Letras e Cores, 2008.</p><p>BUXTON, P. Manual do arquiteto: planejamento, dimensionamento e projeto. 5. ed.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura. 13. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.</p><p>PEDRO, J. B. et al. Dimensões do mobiliário e do equipamento na habitação. Lisboa:</p><p>Lnec, 2011.</p><p>SANTOLIN, C. B.; LIMA, D. F. As dimensões do mobiliário: disponível aos escolares e</p><p>as especificações da Norma Brasileira 14006. Varia Scientia, v. 10, n. 17, p. 47-60, 2010.</p><p>Disponível em: <http://e-revista.unioeste.br/index.php/variascientia/article/view/3530>.</p><p>Acesso em: 9 out. 2018.</p><p>19Normas para mobiliários</p><p>Conteúdo:</p><p>ERGONOMIA</p><p>APLICADA</p><p>Dulce América de Souza</p><p>Normas técnicas: espaços</p><p>planejados para pessoas</p><p>com deficiência</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir pessoas com deficiência e as suas necessidades.</p><p> Identificar as normas que regem a acessibilidade universal.</p><p> Aplicar as regras de acessibilidade universal no desenho de edificações</p><p>e de mobiliários.</p><p>Introdução</p><p>Projetar para todos é um desafio para os arquitetos e urbanistas. A acessi-</p><p>bilidade universal não é apenas uma premissa legal, mas, acima de tudo, é</p><p>um posicionamento contra a segregação de grande parte da população</p><p>mundial. Os direitos humanos assegurados às pessoas com deficiência</p><p>requerem a contrapartida da elaboração de edifícios inclusivos. Por isso,</p><p>o estudo das deficiências mais frequentes — e as respectivas restrições</p><p>espaciais por elas causadas — é um conhecimento importante para</p><p>nossas atribuições profissionais.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar as classificações das deficiências e</p><p>as condições do meio ambiente que podem agravar as dificuldades</p><p>dos indivíduos acometidos por alguma dessas disfunções fisiológicas.</p><p>O caminho para a acessibilidade universal acompanha legislações e</p><p>normas técnicas para edifícios e espaços públicos ao ar livre e recebe</p><p>um importante aporte dos princípios do desenho universal. Assim, você</p><p>também vai identificar as normas que regem a acessibilidade universal e,</p><p>por fim, vai verificar as ferramentas projetuais que auxiliam na concepção</p><p>de projetos arquitetônicos integralmente inclusivos.</p><p>Deficiências e restrições espaciais</p><p>em um mundo de obstáculos</p><p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANI-</p><p>ZATION, 2001, apud DISCHINGER; ELY; PIARDI, 2012, p. 16):</p><p>A incapacidade não é um atributo da pessoa, mas um conjunto complexo de</p><p>condições, muitas das quais criadas pelo meio ambiente social. Consequen-</p><p>temente a solução do problema requer ação social e é de responsabilidade</p><p>coletiva da sociedade fazer as modificações necessárias para a participação</p><p>plena de pessoas com deficiências em todas as áreas da vida social. A questão</p><p>é, pois, atitudinal ou ideológica quanto às mudanças sociais, enquanto que no</p><p>nível político é uma questão de direitos humanos.</p><p>Embora o significado final da arquitetura seja servir aos interesses do</p><p>habitat dos seres humanos, os planejamentos urbanos e projetos arquitetônicos</p><p>têm evoluído ao longo dos tempos, mas de maneira mais lenta do que a tec-</p><p>nologia. As contradições inevitáveis se situam na idealização do ser humano,</p><p>considerando que, se as cidades fossem concebidas para todos os indivíduos,</p><p>não ocorreria a segregação de grande parcela da população, que tem dificul-</p><p>dade para utilizar ambientes e equipamentos projetados pelos arquitetos e</p><p>urbanistas, conforme apontam Neufert (2013) e Cambiaghi e Mauch (2017).</p><p>O termo deficiência é adotado para designar o problema específico de uma</p><p>disfunção no nível fisiológico do indivíduo (por exemplo, cegueira, surdez,</p><p>paralisia). Por sua vez, o termo restrição está associado às dificuldades re-</p><p>sultantes da relação entre as condições dos indivíduos e as características do</p><p>meio ambiente na realização de atividades.</p><p>Dischinger (2012, p. 16) esclarece:</p><p>É, no entanto, importante notar que a presença de uma deficiência não impli-</p><p>ca, necessariamente, incapacidade. Uma pessoa com baixa visão, apesar da</p><p>deficiência visual, pode ler utilizando lentes especiais. Por outro lado, qual-</p><p>quer pessoa pode em algum momento ser incapaz de realizar uma atividade</p><p>devido a fatores ambientais, culturais ou socioeconômicos. Exemplos dessas</p><p>situações podem ser: subir uma ladeira muito íngreme para um idoso ou uma</p><p>mulher grávida; não compreender o idioma em placas informativas urbanas</p><p>para um turista estrangeiro; não poder ler instruções num terminal bancário</p><p>para pessoas iletradas; ou não poder deslocar-se por não ter dinheiro para</p><p>pagar uma passagem de ônibus.</p><p>Partindo das definições mencionadas, podemos citar o exemplo de uma</p><p>pessoa com catarata, que tem comprometimento visual e está incluída nos</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência2</p><p>indivíduos com deficiência visual. As dificuldades advindas da sua condição</p><p>são evidenciadas no meio ambiente: ela não distingue com nitidez os ele-</p><p>mentos físicos do espaço — como desníveis ou mudança de planos — e não</p><p>reconhece a fisionomia de uma pessoa a uma determinada distância. Então,</p><p>as condições do meio ambiente podem agravar essas dificuldades, gerando</p><p>restrições (Figura 1).</p><p>Figura 1. Visão normal e visão com catarata.</p><p>Fonte: Adaptada de Ben Hur (2018).</p><p>A restrição de mobilidade abrange as deficiências físicas, mas não se</p><p>limita a elas. A idade (avançada ou reduzida), o estado de saúde e as carac-</p><p>terísticas antropométricas (altura e peso) dos indivíduos podem desencadear</p><p>necessidades especiais para atividades desejadas: receber informações,</p><p>acessar e manusear equipamentos e mobiliários, deslocar-se, adentrar em</p><p>veículos, etc. Devemos lembrar também que há possíveis alterações nas</p><p>dimensões e posições corporais ocasionadas por patologias. Segundo Dor-</p><p>neles (2014, p. 60), “[...] uma pessoa com artrose pode ter dificuldades em</p><p>movimentar seus braços, diminuindo seu alcance”.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (2008) utiliza o termo restrição para</p><p>designar a relação entre as características de um meio físico e social e as</p><p>condições de um indivíduo na realização de atividades. Para a arquitetura</p><p>3Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>e urbanismo, é fundamental o conhecimento das relações conflitantes entre</p><p>as habilidades e/ou dificuldades dos usuários e o espaço; por isso, o termo</p><p>restrição é adequado. Ao compreendermos as restrições que os ambientes</p><p>podem gerar nas pessoas, abrimos possibilidades para pensar espaços que</p><p>não ofereçam barreiras e facilitem as atividades. Na nossa abordagem, o</p><p>termo restrição significa dizer que um ambiente está inadequado para atender</p><p>às necessidades de uma pessoa, com ou sem deficiência, na realização das</p><p>atividades desejadas em sua vida.</p><p>O termo deficiência física tem sido utilizado no Brasil para identificar todos</p><p>os tipos de deficiência, em particular na adaptação dos sistemas de transpor-</p><p>tes, nos quais se adotou o ícone do usuário com cadeira de rodas (BRASIL,</p><p>2006a). A imagem pontual do cadeirante comprometeu uma abordagem mais</p><p>abrangente do problema de exclusão nos espaços públicos, pois desconsiderou</p><p>os demais tipos de deficiência existentes.</p><p>O documento publicado em 2001 pela OMS, o International Classification of Functioning,</p><p>Disability and Health, traduzido no Brasil como Classificação Internacional de Funcionali-</p><p>dade, Incapacidade e Saúde (CIF), proporciona uma linguagem unificada e padronizada</p><p>sobre a saúde e os estados relacionados a ela.</p><p>Os termos funcionalidade e incapacidade são utilizados na CIF para des-</p><p>crever o que uma pessoa pode ou não fazer a partir de uma determinada</p><p>condição de saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2001, documento</p><p>on-line, grifos nossos).</p><p>Funcionalidade é um termo genérico para as funções do corpo, estruturas do</p><p>corpo, atividades e participação. Ele indica os aspectos positivos da interação</p><p>entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais</p><p>(fatores ambientais e pessoais).</p><p>Incapacidade é um termo genérico para deficiências, limitações de atividade</p><p>e restrições de participação. Ele indica os aspectos negativos da interação</p><p>entre um indivíduo (com uma condição de saúde) e seus fatores contextuais</p><p>(fatores ambientais e pessoais).</p><p>A CIF define também os fatores ambientais que constituem o am-</p><p>biente físico, social e de atitudes em que as pessoas vivem e conduzem</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência4</p><p>suas vidas. Eles incluem o papel do meio ambiente no estado funcional da</p><p>saúde dos indivíduos, atuando como barreiras ou como facilitadores no</p><p>desempenho das atividades e na participação social (WORLD HEALTH</p><p>ORGANIZATION, 2001, documento on-line, grifos nossos).</p><p>Facilitadores são fatores ambientais que, por meio da sua ausência ou</p><p>presença, melhoram a funcionalidade e reduzem a incapacidade de uma</p><p>pessoa. Esses incluem aspectos como um ambiente físico acessível, dispo-</p><p>nibilidade de tecnologia de assistência apropriada, atitudes positivas das</p><p>pessoas em relação à incapacidade, bem como serviços, sistemas políticos</p><p>que visam aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição</p><p>de saúde em todas as áreas da vida. A ausência de um fator também pode</p><p>ser facilitador; por exemplo, a ausência de estigma ou de atitudes nega-</p><p>tivas. Os facilitadores podem impedir que uma deficiência ou limitação</p><p>de atividade transforme-se em uma restrição de participação, já que o</p><p>desempenho real de uma ação é aumentado, apesar do problema da pessoa</p><p>relacionado à capacidade.</p><p>Barreiras são fatores ambientais que, por meio da sua ausência ou presença,</p><p>limitam a funcionalidade e provocam a incapacidade. Esses incluem aspectos</p><p>como um ambiente físico inacessível, falta de tecnologia de assistência apro-</p><p>priada, atitudes negativas das pessoas em relação à incapacidade, bem como</p><p>serviços, sistemas e políticas inexistentes ou que dificultam o envolvimento</p><p>de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas da vida.</p><p>(CIF, 2008, p. 244, grifos nossos)</p><p>O conceito geral dos componentes da CIF (WORLD HEALTH ORGA-</p><p>NIZATION, 2001) é exemplificado pela Figura 2. O modelo descreve o fun-</p><p>cionamento do corpo do indivíduo e a sua interação com o meio ambiente.</p><p>Figura 2. Conceito geral dos componentes da CIF.</p><p>Fonte: Adaptada de Benvegnú (2009).</p><p>5Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>A classificação das deficiências provocadas por doenças ou anomalias é</p><p>muito complexa. Interessa, aqui, compreender a natureza dos problemas fisio-</p><p>lógicos humanos, para relacioná-los com os fatores ambientais e, se possível,</p><p>reverter situações que conduzem à exclusão espacial. Adotamos, portanto, as</p><p>definições de Dischinger (2012), acrescidas dos estudos de Dorneles (2014),</p><p>Benvegnú (2009), Ely, Dorneles e Papaleo (2008), Siaulys (2006), Bruno</p><p>(2006), Damázio (2007) e Godói (2006), para sintetizar as deficiências que se</p><p>relacionam com as habilidades funcionais humanas. São elas: físico-motoras,</p><p>sensoriais, cognitivas e múltiplas.</p><p>Deficiências físico-motoras, restrições</p><p>e orientações espaciais</p><p>As defi ciências físico-motoras alteram a capacidade de motricidade geral do</p><p>indivíduo, acarretam difi culdades ou até incapacidade para a realização de</p><p>movimentos. Pode haver alteração total ou parcial de uma ou mais partes do</p><p>corpo, prejudicando principalmente os movimentos dos membros superiores</p><p>e inferiores. Normalmente há necessidade de utilização de equipamentos</p><p>assistivos como cadeira de rodas, andadores, muletas, aparelhos ortopédicos</p><p>ou próteses, conforme lecionam Benvegnú (2009) e Dischinger (2012).</p><p>As restrições físico-motoras ocorrem quando o ambiente ou seus equi-</p><p>pamentos impedem ou dificultam a realização de tarefas que exigem força</p><p>física, coordenação motora, precisão ou mobilidade. Segundo Ely, Dorneles e</p><p>Papaleo (2008) e Dischinger</p><p>(2012), cadeirantes, isto é, pessoas que possuem</p><p>deficiências nos membros inferiores, podem estar restritas a:</p><p> transpor obstáculos com diferença de níveis;</p><p> subir rampas que não estejam adequadas à Norma;</p><p> alcançar equipamentos com alturas superiores à extensão do seu braço</p><p>enquanto sentadas;</p><p> aproximar-se de equipamentos que não possuam previsão de espaço</p><p>de aproximação para cadeira de rodas.</p><p>Porque as suas mãos estão ocupadas, usuários de muletas têm dificul-</p><p>dade para:</p><p> utilizar escadas com grande número de degraus sem patamares para</p><p>descanso;</p><p> locomover-se rapidamente na travessia de vias;</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência6</p><p> sentar-se em áreas de estar sem prejudicar a circulação com as muletas;</p><p> acionar botões ou comandos de equipamentos (como bebedouros), pois</p><p>as mãos estão ocupadas com as muletas.</p><p>As pessoas sem uma mão ou um braço têm dificuldades de coordenação</p><p>motora fina, limitação de força nos membros superiores e problemas no</p><p>acionamento de botões ou comandos de equipamentos. Também os indivíduos</p><p>carregando volumes ou sacolas nas mãos têm dificuldade para abrir portas</p><p>cujas maçanetas não são de alavanca, conforme apontam Ely, Dorneles e</p><p>Papaleo (2008).</p><p>Para reduzir as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência</p><p>físico-motoras — além da aplicação integral do previsto na ABNT NBR</p><p>9050:2020(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,</p><p>2015) — algumas orientações espaciais são propostas por Dischinger (2012,</p><p>p. 18-19):</p><p> prever espaço suficiente para aproximação e uso de espaços e</p><p>equipamentos;</p><p> eliminar desníveis verticais ao longo de percursos ou ambientes;</p><p> prover suportes para apoio (corrimãos);</p><p> criar superfícies uniformes com inclinação leve ou inexistente,</p><p>com pisos de boa aderência, antiderrapantes, e que não provoquem</p><p>trepidação;</p><p> observar dimensões mínimas adequadas para o deslocamento (ASSO-</p><p>CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2020);</p><p> para vencer desníveis verticais, devem ser criados percursos alternativos</p><p>utilizando rampas ou elevadores, e nos percursos longos deve haver</p><p>locais de repouso;</p><p> equipamentos e mobiliário devem ser acessíveis também na posição</p><p>sentada, tais como telefones públicos, balcões de atendimento, lavatórios,</p><p>etc., devendo-se atentar ao desenho, ao layout e à altura destes;</p><p> informações e avisos devem estar no nível do olho de pessoas mais</p><p>baixas e com cadeira de rodas;</p><p> priorizar operações com apenas uma mão ou mesmo com o cotovelo,</p><p>por exemplo, na abertura de portas, por meio de maçanetas em forma</p><p>de alavanca e com dimensões adequadas;</p><p> acionamento de dispositivos, como torneiras, com o pé, por sistema</p><p>ótico ou por pressão.</p><p>7Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deficiências sensoriais, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências sensoriais dizem respeito à ausência ou à perda signifi cativa na</p><p>capacidade dos sistemas de percepção do indivíduo para obter e organizar as</p><p>informações ambientais. Essas perdas geram difi culdades no uso dos espaços</p><p>e comprometem a participação social do indivíduo em diferentes atividades,</p><p>conforme apontam Ely, Dorneles e Papaleo (2008) e Dischinger, Ely e Piardi</p><p>(2012). Dischinger (2012) adota a seguinte classifi cação para as defi ciências</p><p>sensoriais: sistema de orientação, sistema háptico, sistema visual, sistema</p><p>auditivo e sistema paladar–olfato.</p><p>As restrições sensoriais ocorrem quando as características dos ambientes</p><p>ou de seus elementos dificultam a percepção das informações pelos sistemas</p><p>sensoriais. As pessoas com deficiência visual possuem dificuldades em se</p><p>locomover com segurança em espaços com amplas dimensões, identificar</p><p>mobiliário e obstáculos no caminho e perceber informações adicionais, como</p><p>placas e totens com informações visuais apenas, conforme lecionam Ely,</p><p>Dorneles e Papaleo (2008).</p><p>Na audição reduzida, as dificuldades diversas do indivíduo não impedem que</p><p>ele compreenda a fala humana e consiga expressar-se oralmente, com ou sem</p><p>a ajuda de aparelhos. Quando há perda total de audição em um dos ouvidos, a</p><p>orientação espacial é afetada devido à impossibilidade de localizar a origem dos</p><p>eventos sonoros. Para as pessoas surdas, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é</p><p>preferencial, porém, alguns indivíduos podem adquirir a linguagem oral, conforme</p><p>aponta Dischinger (2012). Pessoas com deficiência no sistema de orientação/</p><p>equilíbrio têm comprometimento de todas as atividades sensoriais, podendo</p><p>significar desde a perda da capacidade de equilíbrio (tontura, vertigens) até a</p><p>dificuldade de orientar-se espacialmente, pois não conseguem distinguir direções.</p><p>Para minimizar as restrições decorrentes das deficiências sensoriais, as</p><p>premissas superam as questões apenas de mobilidade, uma vez que a recepção</p><p>das informações de qualquer natureza pode ser prejudicada. As normas da</p><p>Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) regulamentam os requisitos</p><p>de acessibilidade, com enfoque especial às deficiências visuais, e, portanto,</p><p>devem ser atendidas. Além do disposto nas Normas, recomenda-se, segundo</p><p>Dischinger (2012, p. 20):</p><p> criar ambientes e espaços bem organizados e de fácil legibilidade</p><p>espacial;</p><p> prever superfícies niveladas;</p><p> garantir a presença de apoios (corrimãos);</p><p>Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência8</p><p> implantar sistemas de monitoramento remoto (aparelhos que auxiliam</p><p>na orientação geográfica, agendas eletrônicas, etc.);</p><p> adotar a grande variedade dos equipamentos de tecnologias assistivas dis-</p><p>poníveis (decodificação de legendas, linguagens alternativas por meio de</p><p>pictogramas, versores de linguagem pictórica e/ou escrita para oral, etc.);</p><p> utilizar as linguagens LIBRAS e braile;</p><p> utilizar sinalização visual e sonora;</p><p> instalar sistema de incêndio com sinalização luminosa;</p><p> instalar sistema de alarme luminoso.</p><p>Deficiências cognitivas, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências cognitivas se referem às difi culdades para compreender e tratar</p><p>as informações recebidas (atividades mentais), podendo afetar os processos</p><p>de aprendizado e aplicação de conhecimento e a comunicação linguística e</p><p>interpessoal. Também conhecida como defi ciência mental/intelectual, pode</p><p>comprometer as habilidades de raciocínio, memória e concentração. Conse-</p><p>quentemente, o indivíduo pode apresentar difi culdades de concentração, de</p><p>convívio social e para resolução de problemas, o que implica na dependência</p><p>de outras pessoas, no caso de defi ciência mais acentuada, conforme apontam</p><p>Benvegnú (2009) e Dischinger (2012).</p><p>As restrições cognitivas ocorrem quando o espaço e suas características</p><p>dificultam ou impedem o tratamento das informações disponíveis ou o desen-</p><p>volvimento de relações interpessoais e tomadas de decisão. No caso de alguns</p><p>níveis de autismo, por exemplo, há indivíduos que possuem dificuldades na</p><p>compreensão de informações ou que não conseguem associar símbolos às</p><p>informações, segundo Ely, Dorneles e Papaleo (2008) e Dischinger (2012).</p><p>Para projetar ambientes que incluam as pessoas com deficiências cogni-</p><p>tivas, devemos atender às determinações das Normas e atentar para alguns</p><p>aspectos referentes à segurança e à compreensão espacial, conforme recomenda</p><p>Dischinger (2012):</p><p> priorizar a presença de dispositivos de segurança;</p><p> evitar ambientes muito complexos e com poluição visual;</p><p> propiciar apelo visual e contraste de cores, evitando monotonia e repetição;</p><p> fornecer mensagens ou informações por meio de suportes distintos</p><p>(escrita, visual, auditiva);</p><p> prover iluminação adequada evitando pisca-pisca de luzes de 10-50 Hz</p><p>(causa desconforto visual e pode desencadear convulsões).</p><p>9Normas técnicas: espaços planejados para pessoas com deficiência</p><p>Deficiências múltiplas, restrições e orientações espaciais</p><p>As defi ciências múltiplas são aquelas em que o indivíduo apresenta mais de um</p><p>tipo de defi ciência. Conforme exemplifi ca Dischinger (2012,</p>