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<p>Livro_Crescimento.indd 1 28/6/2007 22:53:47</p><p>CRESCIMENTO</p><p>Chaves para revolucionar sua igreja</p><p>Título do original em espanhol: Crecimiento: claves para revolucionar su iglesia</p><p>Todos os direitos reservados para a UNASPRESS. Não é permitida a cópia total ou</p><p>parcial sem autorização prévia dos editores.</p><p>Tradução: Fernanda Caroline de Andrade</p><p>Editoração: Vanderlei Dorneles</p><p>Revisão: Renato Groger e Wendel Lima</p><p>Capa: Geyvison S. Ludugério</p><p>Diagramação: Tiago Cabreira</p><p>Rode, Daniel e Isabel</p><p>Crescimento: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>1a ed.</p><p>UNASPRESS, 2007</p><p>Engenheiro Coelho, SP</p><p>1. crescimento; 2. igreja; 3. pequenos grupos; 4. batismos; 5. dis-</p><p>cipulado; 6. dons espirituais</p><p>1ª edição</p><p>3.000 exemplares</p><p>2007</p><p>Impresso no Brasil</p><p>Printed in Brasil</p><p>Para adquirir um exemplar, entre em contato com:</p><p>UNASPRESS – Imprensa Universitária Adventista</p><p>Tel. (19) 3858-9055 / Home Page: www.unaspress.unasp.edu.br</p><p>Livro_Crescimento.indd 2 28/6/2007 22:53:49</p><p>3</p><p>índice</p><p>Lista de abreviaturas 5</p><p>Prefácio 7</p><p>INTroDUÇÃo 11</p><p>CaPÍTUlo 1 15</p><p>Liderança visionária, solícita e habilitadora</p><p>CaPÍTUlo 2 21</p><p>Ministérios segundo dons e necessidades</p><p>CaPÍTUlo 3 31</p><p>Espiritualidade contagiante</p><p>CaPÍTUlo 4 41</p><p>Prioridades segundo a ordem bíblica</p><p>CaPÍTUlo 5 47</p><p>Estruturas funcionais</p><p>CaPÍTUlo 6 53</p><p>Culto inspirador</p><p>CaPÍTUlo 7 59</p><p>Células integradoras</p><p>CaPÍTUlo 8 71</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>CaPÍTUlo 9 79</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>CaPÍTUlo 10 89</p><p>Metodologia efi caz para fazer discípulos</p><p>CaPÍTUlo 11 95</p><p>A consciência da importância de fundar igrejas e ministérios</p><p>CoNClUsÃo 101</p><p>BiBlioGraFia 107</p><p>Livro_Crescimento.indd 3 28/6/2007 22:53:51</p><p>Livro_Crescimento.indd 4 28/6/2007 22:53:51</p><p>5</p><p>lista de aBReviatURas</p><p>ABo Associação Bonaerense dos Adventistas do Sétimo Dia</p><p>IASD Igreja Adventista do Sétimo Dia</p><p>PUH Princípio das unidades homogêneas</p><p>MCA Média de Crescimento Anual</p><p>TCD Taxa de Crescimento Decenal</p><p>TCA Taxa de Crescimento Anual</p><p>UA União Austral da Igreja Adventista do Sétimo Dia</p><p>UAP Universidade Adventista del Plata</p><p>Livro_Crescimento.indd 5 28/6/2007 22:53:53</p><p>Livro_Crescimento.indd 6 28/6/2007 22:53:53</p><p>7</p><p>pRefÁcio</p><p>Obrigado, Isabel e Daniel, por este livro! Com ele, vocês nos convidam a</p><p>crescer. O próprio objetivo da igreja é crescer: crescer na visão, nos dons, na es-</p><p>piritualidade. Crescer. Cresce a liderança e com ela todos os membros; crescem</p><p>as igrejas locais e a Associação de igrejas e a União de associações e a Associação</p><p>Geral com suas Divisões da IASD; enfi m, toda a Igreja cresce.</p><p>Como? Há muitas respostas. Isabel e Daniel Rode nos dão respostas prá-</p><p>ticas, específi cas, realistas, muito abrangentes e produtivas. Começam pela li-</p><p>derança, depois com os membros, seus dons, suas necessidades, prosseguindo</p><p>com a espiritualidade, com as prioridades, depois discutem as estruturas e os</p><p>cultos, os relacionamentos afetivos e o companheirismo. Incluem também os</p><p>métodos e a valorização dos grupos e concluem com a determinação de fundar</p><p>novas igrejas</p><p>Um líder visionário solícito, que vislumbra o potencial dos dons dos</p><p>leigos e os capacita para a missão. Esta liderança é representada por um líder</p><p>“visionário-servo-educador-fundador de novas igrejas”, um líder sem pressa</p><p>para ser transferido a um novo lugar, porque tem pressa para terminar a</p><p>pregação do evangelho. Ele permanece na mesma igreja até conseguir seu</p><p>máximo rendimento pessoal e alcançar também o máximo rendimento das</p><p>igrejas sob seu cuidado.</p><p>Membros com dons, devidamente preparados, mobilizados e motivados</p><p>a um ministério cheio de frutos espirituais e missionários. Dons do Espírito,</p><p>o qual os distribui como quer, sempre atendendo as necessidades da igreja</p><p>para cumprir a missão, dons ilimitados. O Espírito tem mais, cada vez mais</p><p>e, sem jamais limitar-se, expande a utilidade dos membros de um modo tão</p><p>abundante como os frutos nas árvores cultivadas a seu tempo. Estes membros</p><p>produzem “igrejas em crescimento”, igrejas sem “membros nominais”, igrejas</p><p>que crescem.</p><p>A espiritualidade genuína é sempre contagiante. Ela elimina a indiferen-</p><p>ça, a soberba, a intolerância, a crítica, a religião formal e o legalis mo; ape-</p><p>nas conserva uma tristeza: a tristeza do arrependimento, aquela que surge</p><p>por sentir-se mal com o pecado próprio e busca o perdão de Deus por meio</p><p>de Jesus Cristo. Religião verdadeira. A espiritualidade produz felicidade,</p><p>alegria, esperança, motivação, afeto. Induz a pregar com alegria e a rir da</p><p>conversa dos incrédulos. Produz uma atitude de “ousadia”, entusiasmo,</p><p>ausência de temor, verdadeira valentia espiritual capaz de penetrar com o</p><p>evangelho até o lugar mais perigoso e até a alma mais empedernida. Porque</p><p>a fé não se de tém, porque o amor pelos perdidos não tem limite, e porque</p><p>Livro_Crescimento.indd 7 28/6/2007 22:53:54</p><p>��</p><p>Prefácio</p><p>o afeto peIa própria igreja, fundado no amor de Cristo, sua cabeça, produz</p><p>a atração da confiança e a fortaleza da segurança. E a igreja cresce, assim,</p><p>com a plena bênção do próprio Espírito Santo que produz espiritualidade</p><p>genuína nos que crêem.</p><p>A prioridade é da evangelização. O conflito pela prioridade entre evange-</p><p>lização e assistência social é solucionado sem dano em uma igreja que cresce.</p><p>Não há contradição entre as duas. A evangelização é prioritária e ocupa a im-</p><p>portância máxima entre todas as atividades da igreja, sendo a atividade que a</p><p>define. Uma igreja em missão, como em missão esteve Cristo sobre o planeta</p><p>perdido. O serviço social não se descarta, nem Cristo o esqueceu, porém, é</p><p>um entre tantos instrumentos da evangelização. Os Rode demonstram que as</p><p>igrejas que seguem este modelo de prioridades, crescem.</p><p>As estruturas do crescimento são sempre dinâmicas. Como estruturas admi-</p><p>nistrativas, não mudam, mas como programações missionárias se modificam</p><p>constantemente. Mudam conforme as necessidades da missão e do crescimento.</p><p>As igrejas tradicionalistas se apegam à tradição e se desconectam da realidade, do</p><p>tempo e do espaço. Não crescem. A igreja que cresce recria constantemente seu</p><p>programa missionário. As necessidades do crescimento são sua motivação cons-</p><p>tante. É inovadora, motivadora, visionária e cheia de energia espiritual. Cresce.</p><p>O culto em uma igreja que cresce deve oferecer uma adoração dinâmica,</p><p>alegre, inspiradora. Com pregação bíblica sólida, adaptada a todo público,</p><p>agradável. Com muito louvor, oração, música. A música, sem a passiva forma</p><p>antiga e sem a imprudente desorganização moderna, deve ser alegre, atraente e</p><p>feliz. Organizada, sem formalidade. Jubilosa, sem tumulto. Cheia de conteúdo</p><p>espiritual que convide à adoração e à entrega a Deus todo-poderoso, que nos</p><p>dá todas as coisas e a vida eterna. Este ambiente convida as visitas a permane-</p><p>cerem, e assim a igreja cresce.</p><p>Os pequenos grupos são o núcleo do crescimento mais produtivo que</p><p>existe. A Igreja Adventista sul-americana começou a utilizá-los desde o início</p><p>da década de 1970 com as células, logo chamadas koinonías. Começaram na</p><p>Universidade Adventista del Plata, estenderam-se para toda União Austral, or-</p><p>ganizadas pelo Departamento de Jovens; e depois alcançaram toda a Divisão</p><p>Sul-Americana, espalhando-se por outras divisões do mundo. Também foram</p><p>organizadas as unidades evangelizadoras, outra forma muito eficaz de peque-</p><p>nos grupos. Atualmente, estão em plena atividade na Divisão Sul-Americana e</p><p>em muitos lugares do mundo. Os Rode tornam a nos dizer que a multiplicação</p><p>de pequenos grupos dentro da igreja aumenta seu crescimento.</p><p>As relações fraternais afetivas, dizem os Rode, são “um poder quase irre-</p><p>sistível”. E acrescentam: “o companheirismo é o fator número um de cresci-</p><p>mento adventista”. Age como um imã para atrair novos membros</p><p>pastoral, vivemos uma experiência difícil</p><p>que provou ao limite nossa pouca preparação para o ministério. Nunca ha-</p><p>víamos trabalhado sob a supervisão de um pastor experiente. De repente,</p><p>vimo-nos dirigindo um distrito sem a experiência necessária. Um “líder an-</p><p>tigo” nos considerava jovens demais para liderar a igreja e buscava colocar</p><p>a comissão contra nós, controlando com muita astúcia os recém-batizados.</p><p>Numa noite, tivemos uma reunião de comissão da igreja para aprovar os</p><p>candidatos para o próximo batismo. Sabíamos que, previamente, “o líder-</p><p>problema” havia influenciado o diretor missionário para que se opusesse</p><p>a todos os candidatos ao batismo com o objetivo de produzir um caos na</p><p>reunião daquela noite. Sem que eu (Daniel) soubesse, ele havia convidado</p><p>o diretor missionário para visitar a todos os candidatos para verificar sua</p><p>Livro_Crescimento.indd 35 28/6/2007 22:54:07</p><p>3636</p><p>Espiritualidade contagiante</p><p>decisão e preparo para o batismo. De forma providencial, estava solucio-</p><p>nando um grave problema que enfrentaríamos na reunião. Antes de come-</p><p>çar a reunião, com um sorriso zombeteiro, o “líder-problema” disse: “esta</p><p>reunião será inesquecível”.</p><p>Isabel nunca havia estado numa reunião de comissão, mas desta vez esta-</p><p>va presente. Orava continuamente para que o Senhor impressionasse as mentes</p><p>dos irmãos a favor dos candidatos ao batismo. Estava certa de que Deus agiria</p><p>para o bem da igreja, apesar do irmão que perturbava tanto com o que dizia.</p><p>O diretor missionário apoiou o batismo de todos os candidatos, e embora “o</p><p>líder-problema” se opusesse, os outros irmãos também apoiaram o batismo.</p><p>Finalmente, o “líder-problema” se colocou em pé e manifestou estar em desa-</p><p>cordo com o que vinha sendo dito e que renunciava ser membro da comissão;</p><p>sua esposa se juntou a ele. Pensaram que outros se uniriam a eles, mas isso não</p><p>aconteceu. Então, sem titubear, Isabel sugeriu que continuássemos a reunião.</p><p>Felizmente, os irmãos se deram conta do que se passava e esse momento, que</p><p>parecia tão infeliz, redundou em bênçãos para a igreja. A comissão aceitou a</p><p>renúncia imediatamente e, assim, eliminou-se um problema. Logo, o próprio</p><p>“líder-problema” se retirou da igreja.</p><p>Este problema foi muito difícil para nós como casal pastoral. Houve um</p><p>momento em que estivemos a ponto de abandonar nossa missão. Foi então</p><p>que o líder ministerial da Associação Central, pastor Julio Peverini, nos enviou</p><p>uma carta que salvou nosso ministério. Em resumo, ele nos animava a olhar</p><p>por sobre os espinhos para poder desfrutar a fragrância das rosas e a paixão do</p><p>ministério. “O problema não é a situação que estão vivendo, mas como a estão</p><p>enfrentando. A escolha é de vocês: olhem só os problemas e se transformem</p><p>num casal pastoral amargo ou se acostumem a olhar por sobre os espinhos, o</p><p>lado lindo da vida, as bênçãos, os bons irmãos, os missionários, os que apóiam,</p><p>e então desfrutem o ministério”. E acrescentava: “Leiam Hebreus 12:15.” Por</p><p>isso, sabemos que os remédios que prescreve Paulo para evitar a “amarguite</p><p>crítica” são muito eficazes.</p><p>Os melhores remédios para a “amarguite crítica” são os preventivos. Um</p><p>dos mais eficazes é recordar freqüentemente a advertência de Paulo: “Atentando,</p><p>diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus;</p><p>nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio</p><p>dela, muitos sejam contaminados” (Hb 12:15). Outros remédios são os seguin-</p><p>tes: viver acima dos problemas com os olhos fixos em Deus; servir a Deus com</p><p>alegria valorizando os dons recebidos; não permitir que os problemas roubem a</p><p>maior de todas as riquezas: ser um “filho do Deus eterno”; manter uma sincera</p><p>devoção pessoal diária: estudo da Bíblia, oração, confissão de pecados; ou seja,</p><p>ter uma íntima amizade com Deus. Em outras palavras, manter vivas as cinco</p><p>características dos líderes de êxito: ter em mente a visão de sua missão; gozar</p><p>de uma íntima comunhão com Cristo; ser disciplinado; estar sempre disposto</p><p>a aprender, e ter uma rede de bons relacionamentos.12 Os remédios curativos</p><p>Livro_Crescimento.indd 36 28/6/2007 22:54:07</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>3737</p><p>seriam os seguintes: (1) seguir todos os conselhos anteriores e, além disso, (2)</p><p>fazer uma entrega total, rogando por um milagre de conversão autêntica. So-</p><p>mente a conversão pode curar a “amarguite crítica”.</p><p>Da autêntica conversão, que tem sua origem na verdadeira tristeza, ou ar-</p><p>rependimento, surge a verdadeira alegria, “a alegria do Senhor”. Isto constitui</p><p>um aspecto essencial da espiritualidade contagiante, que tem tanto poder para</p><p>o crescimento da igreja. Mas não nos confundamos: não é a alegria passageira,</p><p>que desaparece com o primeiro vendaval. “A alegria do Senhor é a vossa força”</p><p>(Ne 8:10), porque tem sua origem na intrepidez ou valentia, fruto do Espírito</p><p>Santo, e que é capaz de sobrepor-se em meio à adversidade. É a experiência</p><p>de Paulo e Barnabé vivida em Antioquia da Pisídia (At 13:13-52). Pregar “ou-</p><p>sadamente” é fazê-lo sob oposição (At 13:45-46); é estar disposto a afrontar</p><p>a perseguição e a expulsão de sua própria gente (At 13:50) e seguir adiante</p><p>transbordando “de alegria e do Espírito Santo” (At 13:52).</p><p>Espiritualidade contagiante é pregar com alegria sob algumas árvores,</p><p>junto a um rio, e participar do gozo dos anjos pela conversão de uma só pessoa</p><p>chamada Lídia (At 16:11-15); é alegrar-se pela conversão da curandeira do</p><p>povo, ainda que o povo seja contra; é seguir adiante apesar dos muitos açoites;</p><p>é continuar sem desanimar, ainda que seja mandado para a prisão (At 16:16-</p><p>23); é orar, louvar e cantar hinos a Deus no calabouço mais distante, na mais</p><p>suja e horripilante prisão; é dar-se conta de que esse testemunho poderia ser</p><p>usado por Deus para a conversão de um suicida com toda sua família e para</p><p>o estabelecimento de sua igreja em Filipos (At 16:24-40). É estar disposto a</p><p>repetir a mesma experiência na cidade seguinte e estabelecer a igreja de Tessalô-</p><p>nica (At 17:1-9). Quando Paulo recorda isso, numa de suas cartas, diz: “Porque</p><p>vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou</p><p>infrutífera; mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso</p><p>conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar</p><p>o evangelho de Deus, em meio a muita luta” (1Ts 2:1-2). Isto é intrepidez:</p><p>“Anunciar o evangelho em meio a muita luta”. Esta é a espiritualidade conta-</p><p>giante que agora os estudiosos do crescimento de igreja descobrem ser uma das</p><p>características das igrejas saudáveis e que crescem. Como isto funciona? Rick</p><p>Warren explica da seguinte maneira:</p><p>Se seus membros estão entusiasmados pelo que Deus está fazendo na sua igreja, se</p><p>você planeja uma reunião na qual eles possam trazer seus amigos não-conversos</p><p>sem se sentirem envergonhados, e se tem um plano para edificar, treinar e enviar os</p><p>que ganhou para Cristo, a assistência será o menor de todos seus problemas. As</p><p>pessoas aderem a esse tipo de igreja. Isto está acontecendo em todo o mundo.13</p><p>É por causa disso, e porque este aspecto era tão importante, que os após-</p><p>tolos faziam disso o motivo principal de suas orações. Pedro e João tinham</p><p>impactado a audiência de Jerusalém com a intrepidez que manifestaram (At</p><p>Livro_Crescimento.indd 37 28/6/2007 22:54:07</p><p>3�3�</p><p>Espiritualidade contagiante</p><p>4:13). Apesar disso, perseguiram-nos e os ameaçaram. Então oraram: “agora,</p><p>Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem</p><p>com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas,</p><p>sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus” (At 4:29-</p><p>30). “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram</p><p>cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At</p><p>4:31). Paulo orava e também solicitava aos irmãos que orassem por ele, “para,</p><p>com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6:18-20).</p><p>A “intrepidez”</p><p>para pregar o evangelho era uma das marcas distintivas da</p><p>crescente e saudável igreja primitiva (At 4:13, 31; 13:46; 14:3; 19:8; 1Ts 2:2).14</p><p>O “entusiasmo”15 da igreja era um sinal distintivo do cristianismo primitivo,</p><p>e surgia como resultado natural de ter estado com Jesus (At 4:13) e da obra</p><p>do Espírito Santo em seu meio (At 4:8). A “intrepidez” (do grego parresía)</p><p>era pedida na oração (Ef 6:19-20) para enfrentar a oposição enquanto se pre-</p><p>gava o evangelho de Jesus como o Messias, ou seja, o Cristo, e era concedida</p><p>pela operação do Espírito Santo.16 O propósito da “intrepidez” era aumentar a</p><p>atenção e o respeito pelos cristãos e, além disso, era uma forma de autenticar</p><p>sua mensagem. Dessa forma, era promovido o objetivo do livro de Atos: fazer</p><p>avançar o evangelho. “Este testemunho era destemido, audaz, seguro da vera-</p><p>cidade de sua mensagem e sem temor diante da ameaça do castigo e morte.”17</p><p>O entusiasmo também auxilia no êxito de seus possuidores. Muitos grupos</p><p>com doutrinas erradas crescem basicamente pelo entusiasmo contagiante de</p><p>seus participantes. “O interessante é que o entusiasmo com que se vive a fé [...]</p><p>quase sempre vai acompanhado por um entusiasmo pela própria igreja”,18 e</p><p>isto produz crescimento. Nas igrejas em crescimento pesquisadas por Schwarz,</p><p>76% disseram: “Estou entusiasmado com minha igreja”; mas só 33% disseram</p><p>o mesmo nas igrejas decrescentes.19</p><p>Para que a espiritualidade contagiante perdure, a igreja precisa ter suas</p><p>prioridades (encaminhar e dirigir a um fim) segundo a ordem bíblica. Por ou-</p><p>tro lado, a igreja não pode viver apagando incêndios, mas deve trabalhar com</p><p>perseverança, sempre buscando avançar em direção ao seu objetivo local, e com</p><p>as prioridades em ordem. Este aspecto constitui em si mesmo outra caracterís-</p><p>tica das igrejas que crescem, o que abordaremos no próximo capítulo.</p><p>RefeRências</p><p>1 Eugenio Jara Morán, entrevista pessoal, 27 de janeiro de 2002.</p><p>2 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 26.</p><p>3 Cornforth y Lale, Diez que se fueron, 71-94.</p><p>4 Roger L. Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church, 48-67, 59.</p><p>5 Ibid., 50.</p><p>6 Ibid., 59.</p><p>Livro_Crescimento.indd 38 28/6/2007 22:54:07</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>3�3�</p><p>7 Leo Van Dolson, Amós: buscadme y viviereis, edición para profesores (Buenos Aires:</p><p>ACES, 2001), 126.</p><p>8 Oosterwal; La Iglesia Adventista del Séptimo Día en el mundo contemporáneo, 9,10.</p><p>9 Ibidem.</p><p>10 Rode, Los siete signos vitales de crecimiento de Wagner en seis iglesias adventistas his-</p><p>panas del Sur de Cafirornia, 238.</p><p>11 Daniel Rode, Didáctica y administración pastoral, anotações de aula (Libertador</p><p>San Martín, Entre Rios: Imprensa da UAP, 2000), 201-203.</p><p>12 J. Robert Clinton e Richard Clinton, The Mentor Handbook (Altadena, California:</p><p>Barnabas Publishers, 1991), t. 17, 1-3.</p><p>13 Warren, Una iglesia con propósito, 55. Grifo nosso.</p><p>14 A palavra original grega parresia significa “constância, denodo, confiança, fran-</p><p>queza”. Kurt Aland, The Greek New Testament (Alemania: Sociedad Bíblica Unida,</p><p>1994); Jorge Fitch McKibben, Foster Stockwell e José Rivas, Nuevo léxico griego-</p><p>español del Nuevo Testamento (Buenos Aires: Casa Bautista de Publicaciones, 1978),</p><p>219. O termo parresia tem sido motivo de estudos de tese de doutorado. Ver a tese</p><p>de doutorado de Mark Evan Allison, The Motif of “Parresia” in Acts (The Southern</p><p>Baptist Theological Seminary, 1993).</p><p>15 Entusiasmo vem do grego enthousiasmós, de enthousiadsein, estar inspirado pelos</p><p>deuses “Platón concebe o entusiasmo, como a inspiração divina, aos filósofos, aos</p><p>videntes e aos poetas. Os antigos pagãos consideravam o elemento divino como</p><p>causa eficiente e concomitante do entusiasmo” (Diccionario enciclopédico Salvat</p><p>[Barcelona: Salvat Editores, 1967], t. 5, 269).</p><p>16 Allison, The Motif of “Parresia” in Acts, 161.</p><p>17 lbidem.</p><p>18 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 27.</p><p>19 lbidem.</p><p>Livro_Crescimento.indd 39 28/6/2007 22:54:07</p><p>Livro_Crescimento.indd 40 28/6/2007 22:54:07</p><p>41</p><p>capítUlo 4</p><p>pRioRidades segUndo a oRdem BíBlica</p><p>As igrejas do extremo-sul argentino crescem principalmente pela chegada</p><p>de imigrantes do norte do país, que vêm em busca de um trabalho melhor remu-</p><p>nerado, tendo que enfrentar as inclemências do clima e a separação dos familia-</p><p>res. Isto implica inúmeras necessidades básicas para o recém-chegado. O custo</p><p>de vida é alto. Por exemplo, freqüentemente chegam às reuniões da igreja de Rio</p><p>Grande, Terra do Fogo, membros e pessoas relacionadas a igrejas de algum lugar</p><p>do norte argentino, em situação de grande necessidade. Em 1999, os membros</p><p>de Rio Grande se interessaram em ajudar estes irmãos e amigos, dando a eles um</p><p>lugar em seus lares e informações e orientações para encontrarem trabalho. Este</p><p>ministério trouxe belos resultados. Essa missão atendia às necessidades físicas,</p><p>mas, ao mesmo tempo, acima das necessidades físicas, dava atenção às neces-</p><p>sidades espirituais. Um bom grupo de novos irmãos se integrou à igreja de Rio</p><p>Grande, e foi uma bênção para ela.1</p><p>As igrejas em crescimento enumeram suas prioridades de acordo com a or-</p><p>dem bíblica: em primeiro lugar, vem a relação com Deus; em segundo a relação</p><p>com a igreja local e a igreja em geral; em terceiro está o compromisso com a obra</p><p>da igreja. Nessa terceira parte da obra da igreja, a evangelização é a mais impor-</p><p>tante, vindo em seguida a participação social (veja tabela abaixo).2 As igrejas que</p><p>dão prioridade à evangelização em vez da parte social são as igrejas que mais cres-</p><p>cem. Muitas vezes, como no caso da igreja Adventista de Rio Grande, a atenção</p><p>da parte social se realiza primeiro no sentido cronológico, mas sempre a atenção</p><p>às necessidades espirituais é priorizada.</p><p>taBela</p><p>Prioridades na ordem bíblica</p><p>Prioridade 1: Compromisso com Cristo.</p><p>Prioridade 2: Compromisso com o lar e com a igreja de Cristo.</p><p>Prioridade 3: Compromisso com a obra da igreja.</p><p>Livro_Crescimento.indd 41 28/6/2007 22:54:09</p><p>4242</p><p>Prioridades segundo a ordem bíblica</p><p>Primeiro: Compromisso com a evangelização.</p><p>Segundo: Compromisso com a participação social.</p><p>Subprioridade 1: Serviço social.</p><p>Subprioridade 2: Ação social.</p><p>As conclusões do livro de Dean M. Kelly são muito reveladoras. Kelly diz</p><p>que a razão básica pela qual as igrejas conservadoras crescem, é a de que nelas o</p><p>evangelismo tem primazia so-</p><p>bre a tarefa social. Além disso,</p><p>estas igrejas foram mais rigo-</p><p>rosas e sérias com relação aos</p><p>requisitos para se tornar um</p><p>membro, enquanto que nas</p><p>igrejas liberais, em geral, há</p><p>séculos que a parte social tem</p><p>substituído a evangelização</p><p>enérgica e não são rigorosos</p><p>quanto aos seus membros. Isto</p><p>tem uma relação direta com</p><p>o decrescimento da igreja.3</p><p>Pode-se ver claramente a sínte-</p><p>se desse livro nos gráficos que</p><p>mostram o desenvolvimento</p><p>da ala conservadora e da ala li-</p><p>beral dessas igrejas durante um</p><p>período de 30 anos. Enquanto</p><p>a ala liberal tinha pouco cres-</p><p>cimento e ainda decrescia, a</p><p>ala conservadora manifestava</p><p>no mesmo período um cresci-</p><p>mento fenomenal. Por exem-</p><p>plo, enquanto a ala conserva-</p><p>dora da Igreja Presbiteriana</p><p>nos Estados Unidos chegava a</p><p>80% de crescimento, a ala libe-</p><p>ral desta igreja estava em 40%.</p><p>A Igreja Luterana do Sínodo</p><p>de Missouri, ala conservado-</p><p>ra, chegou a um crescimento</p><p>de 120%, enquanto a Igreja</p><p>Luterana dos Estados Unidos,</p><p>ala liberal, só alcançava 55%,</p><p>apesar de ter-se unido a outra</p><p>Livro_Crescimento.indd 42 28/6/2007 22:54:10</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>4343</p><p>igreja. Algo parecido ocorria</p><p>com os Cristãos Reformados,</p><p>ala conservadora. Eles tiveram</p><p>135% de crescimento, mas a</p><p>Igreja Reformada na América</p><p>do Norte, ala liberal, só alcan-</p><p>çava 40%. Assim também,</p><p>enquanto a Convenção de Ba-</p><p>tistas do sul, ala conservadora,</p><p>crescia em 135%, a ala liberal,</p><p>a Convenção de Batistas</p><p>Ame-</p><p>ricanos, estava decrescendo.4</p><p>Os anabatistas e wes-</p><p>leyanos, no princípio, tinham</p><p>uma posição responsável para</p><p>com seus novos membros:</p><p>1. Não tinham dificul-</p><p>dades em torná-los membros.</p><p>Primeiro faziam uma boa preparação até que cada um se inteirasse de sua res-</p><p>ponsabilidade;</p><p>2. A prova do comprometimento como membro era a atitude e o com-</p><p>portamento; não apenas os instruíam na doutrina, mas esperavam até que vis-</p><p>sem mudanças;</p><p>3. Os membros eram condicionados à contínua fidelidade, do contrário, eram</p><p>excluídos;</p><p>4. Os membros ajudavam uns aos outros, formando pequenos grupos de</p><p>estudo, oração e exortação mútua;</p><p>5. Os que não tinham um treinamento rigoroso e não aceitavam a obedi-</p><p>ência e disciplina, não tinham voz nem voto no grupo que tomava as decisões.</p><p>Mas estas práticas foram abandonadas há um século entre os metodistas, que</p><p>são a ala liberal.5</p><p>Livro_Crescimento.indd 43 28/6/2007 22:54:11</p><p>4444</p><p>Prioridades segundo a ordem bíblica</p><p>As prioridades distorcidas afetam a vida. Sei (Daniel) o que estou falan-</p><p>do. Aos 38 anos de idade, um pastor experiente me advertiu que, com meu</p><p>ritmo de trabalho, estava “queimando a vela nas duas pontas”. Pensei comigo</p><p>mesmo: “Pobre pastor, já está velho e não se dá conta do ritmo que podemos</p><p>imprimir à obra, nós que somos jovens”. Pouco tempo depois, despertei às</p><p>três da manhã pensando que meu fim havia chegado. O estresse do trabalho</p><p>e o ritmo intenso foram me desgastando sem que eu notasse. Naquela manhã</p><p>me dei conta de que minhas prioridades estavam distorcidas. De uma ma-</p><p>neira magistral e rápida, essas prioridades se ordenaram. O mais importante</p><p>neste momento era minha relação com Deus; em segundo lugar, queria estar</p><p>seguro de que tudo estava bem com minha família; e, em terceiro lugar, ficou</p><p>meu trabalho, o trabalho que até aquele momento havia sido prioritário. A</p><p>distorção das prioridades em minha experiência pessoal quase me custou a</p><p>vida. Mas dou graças a Deus por aquele “choque” que gravou com fogo a</p><p>ordem das prioridades. A igreja também deve manter suas prioridades na</p><p>ordem correta, se quer continuar vivendo e crescendo. A evangelização deve</p><p>ter a primazia sobre o trabalho social.</p><p>Roger Finke e Rodney Stark analisaram o crescimento das igrejas dos</p><p>Estados Unidos em um período de 214 anos, desde 1776 até 1990, e des-</p><p>cobriram o seguinte: as igrejas deixaram de prosperar quando “rejeitaram as</p><p>doutrinas tradicionais e deixaram de fazer demandas sérias aos seus seguido-</p><p>res”. Por outro lado, o “‘semear de igrejas’ foi feito pelas igrejas ativas que</p><p>estavam comprometidas com uma firme mentalidade espiritual”.6</p><p>A Igreja Adventista se livrou do erro de dar mais importância ao aspecto</p><p>social que ao aspecto evangelizador. O doutor Kellog propiciava um trabalho</p><p>social muito forte, especialmente em favor das pessoas dos bairros humildes de</p><p>Chicago. Ele estabeleceu um ambulatório e uma escola de período vespertino</p><p>em 1893, e começou um programa de alojamentos para pobres que abrigou 70</p><p>mil pessoas num ano. Neste mesmo ano foram servidas 600 mil refeições a cus-</p><p>to de um centavo. Pouco tempo depois haviam oito instituições diferentes que</p><p>incluíam lar para mães solteiras e prostitutas desejosas de mudar suas vidas.</p><p>Esta tarefa, no princípio, recebeu apoio de Ellen G. White. Logo, ao ver</p><p>que “a ação social estava sigilosamente passando a ocupar o lugar central da mis-</p><p>são da igreja, substituindo a evangelização”8, a igreja recebeu um conselho que</p><p>estabeleceu o equilíbrio e trouxe novamente a evangelização ao centro da missão</p><p>da Igreja Adventista. Desta forma, a igreja estava se livrando de um erro estraté-</p><p>gico sério no crescimento da igreja.9 Ellen G. White aconselhou textualmente:</p><p>A obra pelas classes mais pobres não tem limites. Ela nunca pode ser concluída, e</p><p>tem de ser tratada como uma parte do grande todo. Dar nossa primeira atenção a</p><p>este trabalho, quando há vastas porções da vinha do Senhor abertas ao cultivo, e</p><p>todavia ainda não tocadas, é começar no lugar errado. O que é o braço direito para</p><p>o corpo, é a obra médico-missionária para a mensagem do terceiro anjo. Mas o</p><p>Livro_Crescimento.indd 44 28/6/2007 22:54:11</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>4545</p><p>braço direito não deve tornar-se o corpo inteiro. A obra de buscar os de baixa clas-</p><p>se é importante, mas não deve tornar-se o grande fardo de nossa missão.10</p><p>Com estes conselhos, a igreja continuou dando importância à obra médica</p><p>como o braço direito, mas sem permitir que ocupasse o lugar do corpo. Com fre-</p><p>qüência, em diferentes lugares tem havido tentativas de se priorizar a parte social</p><p>e institucional antes que o aspecto evangelizador. Todavia, em geral, a Igreja Ad-</p><p>ventista segue o conselho dado por Ellen G. White, e tem tido muito progresso.</p><p>A União Austral da Igreja Adventista possui instituições fortes que têm</p><p>sido uma bênção para o crescimento da igreja na Argentina, Uruguai e Paraguai.</p><p>Graças a Deus, a maioria dos líderes desta união tem tido a correta visão evan-</p><p>gelizadora e pastoral para não permitir que as instituições médicas e educativas</p><p>predominem sobre o compromisso de evangelização direta. Nos últimos anos se</p><p>tem conseguido que os recursos humanos e financeiros fluam na direção correta.</p><p>Esta união tem departamentais de educação e da área médica com habilidades</p><p>administrativas. Desta forma, os líderes da união ficam livres desta carga e podem</p><p>dedicar mais tempo à administração da parte pastoral e da evangelização direta.</p><p>A igreja local se confronta semanalmente com a importância que dará à evan-</p><p>gelização e à parte social. É verdade que muitas vezes, na ordem cronológica, são</p><p>primeiramente satisfeitas as necessidades sociais, mas sempre deve ser com o pro-</p><p>pósito final de atender às necessidades espirituais. Isto quer dizer que atenderemos</p><p>às necessidades físicas, com o interesse único de servir, porque esse é o modelo que</p><p>Cristo nos deixou. Mas, como cristãos de coração, somos conscientes de que as</p><p>pessoas necessitam principalmente da satisfação de suas necessidades espirituais.</p><p>Os departamentos de ADRA e clube de desbravadores, as reuniões sociais,</p><p>as aulas de culinária, os cursos para deixar de fumar, partidas de vôlei: estas áreas e</p><p>outros ministérios e atividades devem declarar as boas novas do evangelho. Se não</p><p>o estão fazendo, deve-se fazer todo o possível para que cada ministério cumpra sua</p><p>missão; do contrário perdem sua razão de ser dentro da igreja. Os vizinhos de uma</p><p>igreja adventista na Argentina testemunhavam da dupla mensagem que recebiam</p><p>todo fim de semana. Esta congregação cantava muito bem aos sábados de manhã,</p><p>mas aos sábados à noite, quando os membros jogavam vôlei no fundo do terreno</p><p>da igreja, perdiam o controle e brigavam de forma incrível. Os vizinhos comen-</p><p>taram: “Estes adventistas cantam lindamente sábado de manhã; mas se insultam</p><p>horrivelmente sábado à noite”. Todos os departamentos da igreja devem propiciar</p><p>uma missão espiritual além do ministério específico que tenham.</p><p>Para que a igreja cumpra sua missão em cada uma de suas atividades, deve</p><p>revisar constantemente os objetivos de seus diversos ministérios e fazer o que</p><p>puder para que todos cumpram sua finalidade. Para isto, há algo que a igreja</p><p>praticou desde o começo: ter estruturas funcionais, ou seja, ter tamanha flexi-</p><p>bilidade que permita que todas as partes do corpo, em qualquer circunstância,</p><p>cumpram em última instância com o propósito final da igreja. Explicaremos</p><p>isto na próxima seção.</p><p>Livro_Crescimento.indd 45 28/6/2007 22:54:12</p><p>4646</p><p>Prioridades segundo a ordem bíblica</p><p>RefeRências</p><p>1 Trabalho prático para a disciplina “Métodos de establecer iglesias” apresentado pelo</p><p>pastor José Sepúlveda, fevereiro de 2000, 1.</p><p>2 Wagner, Your Church Can Grow, 187.</p><p>3 Dean M. Kelly, Why Conservative Churches Are Growing (Macon, Georgia: Mercer</p><p>University Press, 1986), 122.</p><p>4 Ibid., 27-30.</p><p>5 Ibid., 125-128.</p><p>6 Ken Hemphill, El modelo de Antioquia, 201.</p><p>7 Juan Carlos Viera, Los Adventistas</p><p>del Séptimo Día en América Latina: sus comienzos;</p><p>su crecimiento; sus desafíos, tese de doutorado em Missiologia (Pasadena, CA: Semi-</p><p>nario Teológico Fuller, 1993), 266; Arthur White, “Adventist Responsability to the</p><p>Inner City”, Review and Herald, 26 de novembro de 1870, 9.</p><p>8 Viera, Los Adventistas del Séptimo Día en América Latina, 267.</p><p>9 Ibid., 266-268.</p><p>10 Evangelismo (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1977), 549. Grifo nosso.</p><p>Livro_Crescimento.indd 46 28/6/2007 22:54:12</p><p>47</p><p>capítUlo 5</p><p>estRUtURas fUncionais</p><p>“Já consertaram o mundo e seus arredores?” Esta é uma das expressões de</p><p>Isabel quando chego de alguma longa assembléia ou comissão. A doença da “as-</p><p>sembleíte ou comissionite” é o grau exagerado do tempo dedicado às assembléias</p><p>e comissões em detrimento do cuidado da missão no lar e na igreja. A Igreja Ad-</p><p>ventista, como corpo vivo com uma forma “representativa de governo eclesiásti-</p><p>co”, crê na necessidade de uma estrutura funcional de assembléias e comissões.</p><p>Mas o inimigo faz com que exageremos na extensão dessas comissões, a ponto</p><p>de se empregar todo o tempo disponível da pessoa. Como resultado, há menos</p><p>tempo dedicado à missão.</p><p>A Missão Estudantil del Plata (MEP), da Universidade Adventista del Pla-</p><p>ta, teve em 1996 a maior quantidade de batismos. Nesse ano, uma “MEP em</p><p>miniatura” funcionou no verão e, em março, já havia 19 pessoas batizadas. Além</p><p>dos lugares normais de trabalho, a evangelização se concentrou no Bairro Gazano</p><p>de Paraná. Seu presidente, Roberto Giordana, sabia que a teologia da semeadura</p><p>é importante, mas deve existir uma clara ênfase na teologia da colheita. Essas</p><p>idéias permearam o trabalho durante o ano. Houve, no entanto um aspecto mui-</p><p>to importante que foi crucial: nós, diretores, votamos os projetos para o ano e</p><p>logo trabalhamos com uma estrutura ágil e funcional, que ocupava pouco tempo</p><p>em assembléias e comissões. Nesse sentido, estava seguindo-se os conselhos da</p><p>igreja para os ministros.1 Os estudantes têm pouco tempo, e eles decidiram em-</p><p>pregar a maior quantidade desse pouco tempo na missão direta. Os resultados</p><p>foram surpreendentes: 126 pessoas batizadas naquele ano. Nesse caso, a estrutura</p><p>da MEP foi funcional e esteve a serviço da missão.</p><p>Entendemos por estrutura funcional justamente isso: uma organização ecle-</p><p>siástica simples que esteja a serviço da missão da igreja. Os estudos de Schwarz</p><p>indicaram que “um pólo oposto à característica qualitativa ‘estruturas funcionais’</p><p>é ‘o tradicionalismo’: enquanto só uma de cada dez (10%) das igrejas de desen-</p><p>volvimento qualitativo destacável tem problemas com este fenômeno, uma de</p><p>cada duas (50%) das igrejas decrescentes os tem”.2 Este autor menciona:</p><p>Livro_Crescimento.indd 47 28/6/2007 22:54:13</p><p>4�4�</p><p>Estruturas funcionais</p><p>Pela primeira vez nossa pesquisa conseguiu demonstrar de forma fidedigna que o fenô-</p><p>meno doentio do tradicionalismo, tão propagado no meio cristão, está numa relação</p><p>completamente inversa tanto com o crescimento como com a qualidade das igrejas.3</p><p>Cerca de 50% dos membros das igrejas decrescentes disseram: “considero</p><p>a nossa igreja tradicionalista”. Mas só 8% disseram o mesmo nas igrejas em</p><p>crescimento.4 As tradições são boas quando estão de acordo com a Palavra de</p><p>Deus. O que traz dano à igreja não são as tradições cristãs, e sim o tradiciona-</p><p>lismo. O tradicionalismo consiste em uma atitude negativa que nos impede de</p><p>fazer as mudanças necessárias para continuar crescendo.</p><p>Os estudiosos de enfermidades eclesiásticas dizem que os sintomas mais</p><p>comuns do tradicionalismo são adoração e ação desconectadas da realidade no</p><p>tempo e espaço onde está imersa a congregação. É incrível, mas normalmente</p><p>as igrejas permanecem 40 a 50 anos atrasadas com relação ao contexto em que</p><p>estão inseridas.5 Em geral, isso acontece devido ao egoísmo religioso das igrejas</p><p>que pensam mais em si mesmas do que nas pessoas que devem alcançar com</p><p>o evangelho de Jesus. Nestes casos, as tradições chegam a ser mais importantes</p><p>que as pessoas. Em contrapartida, a igreja comunitária do Vale de Saddleback</p><p>pensa naqueles que ainda não são membros. Ao escolher a música da igreja,</p><p>não se considera que a igreja deva ser um conservatório de música para uma</p><p>elite especial de membros, mas “um lugar aonde todos possam levar seus ami-</p><p>gos não conversos e escutar música que entendam e que desfrutem”.6 Muitas</p><p>igrejas têm um comportamento de décadas de atraso. Warren, líder desta igreja</p><p>em crescimento, diz com ironia o seguinte:</p><p>Convidamos os não-conversos para que venham e se sentem em cadeiras do sé-</p><p>culo 17 (as quais chamamos bancos), a fim de cantar canções do século 18 (as</p><p>quais chamamos hinos), e escutar instrumentos do século 19 (o órgão de tubos);</p><p>e logo nos perguntamos se pensarão que somos retrógrados. Temo que estaremos</p><p>já avançados no século 21 antes que algumas igrejas comecem a usar os instru-</p><p>mentos do século 20.7</p><p>As causas do tradicionalismo são variadas. Uma delas é a seguinte: os</p><p>líderes que hoje dirigem a igreja há muitos anos estão à frente, trabalhando da</p><p>forma e com as metodologias que deram bom resultado em seu devido tempo.</p><p>“Uma razão por que as igrejas, ou qualquer outra organização, não querem</p><p>mudar seus costumes é o fato de pensar que se estes costumes lhes serviram</p><p>muito bem no passado, continuarão servindo”.8 O problema é que não perce-</p><p>beram que o tempo passa muito rápido e hoje vivemos outra realidade.</p><p>Também existem outras doenças como a “síndrome de João”, “o pro-</p><p>gresso espiritual escasso” e “a cegueira étnica cultural”, que fazem com que o</p><p>tradicionalismo se desenvolva dentro da igreja. Então os líderes se especializam</p><p>na arte de dizer “não” e em opor-se a tudo que é novo. Estes grupos de irmãos</p><p>parecem acreditar de todo o coração que tudo o que é novo, juvenil e moderno</p><p>Livro_Crescimento.indd 48 28/6/2007 22:54:13</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>4�4�</p><p>tem algo de pecaminoso e, portanto, merece sempre desconfiança. Por outro</p><p>lado, o que é antigo e tradicional imediatamente é arquivado em suas mentes</p><p>como bom, sagrado e correto.</p><p>Inclusive muitos membros, e até mesmo líderes, confundem algumas coi-</p><p>sas modernas como sendo liberais e algumas coisas tradicionais como sendo</p><p>conservadoras. Este é um grande erro de conceitos. Como já vimos, as igrejas</p><p>em crescimento são as igrejas conservadoras e modernas.</p><p>Conservador e moderno não se opõem. Muitos exemplos ilustram isso.9 A</p><p>igreja wesleyana Skyline de San Diego é uma igreja conservadora e, ao mesmo</p><p>tempo, uma das dez igrejas mais inovadoras do mundo.10 Seu pastor, o doutor</p><p>John Maxwell, diz que em seus anos de inovador nessa igreja em crescimento,</p><p>descobriu nove razões pelas quais as pessoas resistem à mudança:</p><p>1. Por não entenderem bem o motivo pelo qual deveriam mudar;</p><p>2. Porque ainda não se apoderaram de idéias que ainda são de outros;</p><p>3. Porque não querem estar fora dos padrões normais de seus hábitos;</p><p>4. Porque acreditam que a mudança é muito árdua e não vale a pena;</p><p>5. Porque ameaça algo de que gostam muito;</p><p>6. Porque se sentem satisfeitos como estão;</p><p>7. Pela atitude negativa em relação às mudanças, generalizada dentro das</p><p>igrejas;</p><p>8. Por falta de respeito ao líder que impulsiona a mudança;</p><p>9. E por simples tradicionalismo!11</p><p>Mudar o rumo de uma pequena congregação, igreja-no-lar ou pequeno</p><p>grupo não é tão difícil; é como mudar o rumo de uma pequena canoa: geralmen-</p><p>te com um bom “golpe de remos” a pequena embarcação pode tomar o rumo</p><p>contrário do que estava. O problema é mudar a direção de uma igreja grande e de</p><p>muitos anos. Especialistas em crescimento de igreja, tais como Schaller, Wagner,</p><p>Reeves e Jenson dizem que “geralmente um pastor novo demora de sete a doze</p><p>anos para revigorar uma ‘igreja central’” e então mudar seu rumo.12</p><p>Para uma mudança de direção de uma igreja grande e tradicionalista para</p><p>uma moderna, conectada com seus arredores e missionária, o fator principal</p><p>é a busca por Deus com jejum e oração. Além disso,</p><p>deve-se visitar os irmãos,</p><p>pregar de modo adequado às suas necessidades e dar-lhes tempo para que a</p><p>obra poderosa de Deus traga seus resultados. Por estes motivos, são necessários</p><p>pastorados longos nas grandes cidades. É necessário tempo para que surtam os</p><p>efeitos de estratégias, como, por exemplo, as seguintes:</p><p>A proporção 1:2 nas conversões. Um de cada dois que se unem à igreja</p><p>deveria ser um adulto.13</p><p>A proporção 1:5 em assembléias e comissões da igreja. Isso significa que uma</p><p>de cada cinco pessoas que fazem parte da comissão da igreja e suas diferentes</p><p>assembléias deveria ter entrado na igreja nos últimos dois anos ou deveria ser</p><p>Livro_Crescimento.indd 49 28/6/2007 22:54:14</p><p>5050</p><p>Estruturas funcionais</p><p>um jovem.14 Os jovens e novos irmãos, nas comissões e assembléias da igreja,</p><p>trazem novas idéias. Eles passam mais tempo em contato com o “mundo real”</p><p>e percebem aspectos que os irmãos que estão há mais tempo na igreja já não</p><p>vêem. Sua presença é crucial para que a igreja possa priorizar a missão e mudar</p><p>o rumo em direção do que é relevante hoje.</p><p>A proporção 7:100 em pequenos grupos. Isso significa que a cada cem mem-</p><p>bros, deveriam existir, pelo menos, sete pequenos grupos funcionando. 15</p><p>A proporção 1:5 em pequenos grupos. Isso significa que um de cada cinco</p><p>pequenos grupos deveria ter começado nos últimos dois anos e deveria ser</p><p>formado por recém-convertidos. Isso os ajudará a encontrar rapidamente um</p><p>lugar confortável dentro da igreja.16</p><p>Juan Fernández era pastor oficial de uma igreja tradicionalista do centro</p><p>da cidade. Essa era uma igreja acostumada a dizer não a tudo o que era novo,</p><p>moderno e de sumo interesse para a juventude. Seus líderes experientes man-</p><p>tinham-se firmes com suas idéias, estavam orgulhosos de seus regulamentos</p><p>e costumes; mas a igreja tinha cada vez menos membros. Especialmente os</p><p>jovens iam a outras igrejas ou abandonavam a fé. Juan pensou: “Meus líderes</p><p>são bons cristãos, mas estão errados”. Então montou uma estratégia de amor.</p><p>Depois de muita oração, marcou uma reunião de ação de graças pelas bênçãos</p><p>de Deus no passado. Os irmãos antigos deviam contar experiências de como</p><p>Deus os usou na juventude para ajudarem a igreja a crescer, ao ponto de a igreja</p><p>chegar a ser o que é hoje: a principal igreja cristã daquele lugar.</p><p>Chegou o dia marcado: a maioria dos relatos girou em torno dos proble-</p><p>mas que eles como jovens tiveram que confrontar, porque os antigos líderes</p><p>dessa época não viam as mudanças necessárias para que a igreja pudesse conti-</p><p>nuar crescendo. De repente, os líderes antigos se deram conta de que a história</p><p>estava se repetindo. Esta reunião de lembranças e ações de graças os fez tomar</p><p>consciência de que hoje eles estavam sendo obstáculos parecidos com os daque-</p><p>les líderes teimosos de sua juventude. Quando o pastor dirigiu a seção seguin-</p><p>te da comissão da igreja, vários de seus membros sinceros, com lágrimas em</p><p>seus olhos, confessaram seu erro. De repente, os novos planos de Juan tiveram</p><p>grande apoio; Deus voltou a usar aqueles líderes como antes; a igreja central</p><p>voltou a crescer e a ser uma bênção à cidade. Na realidade, eles tinham vencido</p><p>o tradicionalismo e implantado uma estrutura funcional na igreja.</p><p>Um episódio da igreja primitiva mostra como a estrutura funcional acom-</p><p>panhava e favorecia o crescimento. No princípio, os apóstolos se ocupavam</p><p>tanto do ministério (do grego diakonía) da oração e da Palavra como também</p><p>do ministério (diakonía) das mesas.17 A necessidade de atender melhor às vi-</p><p>úvas, para que não houvesse discriminação entre as irmãs judias e gregas, fez</p><p>surgir uma modificação na estrutura eclesiástica. Criou-se então o ministério</p><p>“para servir as mesas” (At 6:1-7). Os apóstolos persistiriam na oração e no mi-</p><p>nistério da Palavra (At 6:4) e sete irmãos de bom testemunho foram nomeados</p><p>Livro_Crescimento.indd 50 28/6/2007 22:54:14</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>5151</p><p>para o ministério das mesas. O resultado foi que “crescia a palavra de Deus, e,</p><p>em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos</p><p>sacerdotes obedeciam à fé” (At 6:7). Depois de estudar as maiores igrejas do</p><p>mundo, John N. Vaughan diz que “quase todas as grandes igrejas chegaram</p><p>a ser grandes porque deram passos corajosos para reorganizar-se ao longo do</p><p>caminho de seu crescimento”.18 Em suma, as estruturas das igrejas são elemen-</p><p>tos positivos enquanto e sempre que se adaptem ao contexto no qual a igreja</p><p>vive e às necessidades do crescimento. Se isso acontece, o crescimento não só</p><p>se consolida, mas também continua aumentando. Entretanto, se as estruturas</p><p>permanecem paradas no tempo, elas se transformam numa camisa de força,</p><p>num obstáculo para continuar crescendo.</p><p>As estruturas se manterão funcionais à medida que constantemente sejam</p><p>feitas mudanças e ajustes. Maxwell, pastor inovador e agente de mudança já</p><p>mencionado, tem uma fórmula para a mudança.19 Ele menciona que:</p><p>1. As pessoas mudam quando são feridas o suficiente para se darem conta</p><p>de que a dor de não mudar é maior do que a dor provocada pela mudança;</p><p>2. As pessoas mudam quando aprendem o suficiente para querer mudar.</p><p>Isso fortalece a famosa declaração de Ellen G. White, que diz: “Muitos teriam</p><p>boa vontade de trabalhar, se lhes ensinassem a começar”.20 As pessoas mudam</p><p>quando recebem o suficiente para estar prontas para mudar. “As pessoas serão</p><p>inovadoras quando tiverem força, visão, motivação e as ferramentas necessárias</p><p>para fazer a mudança.”21</p><p>Por causa do que foi dito anteriormente, Maxwell propõe cinco ingre-</p><p>dientes do ministério para que este seja um agente de mudanças bem sucedido.</p><p>Primeiro, você mesmo tem que estar sempre aberto às mudanças. Segundo,</p><p>deve-se criar uma atmosfera de confiança mútua. Terceiro, o líder que está im-</p><p>pulsionando a mudança deve contar com alguns êxitos ou realizações prévias</p><p>como agente de mudança. Quarto, o líder precisa ter auto-confiança e consi-</p><p>derar-se um agente de mudanças bem sucedido. Quinto, o líder tem que estar</p><p>aberto a admitir os erros.22</p><p>Sou um agente de mudanças para o crescimento da igreja ou um tradiciona-</p><p>lista que vive oprimindo e desanimando a juventude e os irmãos visionários e mis-</p><p>sionários? Propicio o tradicionalismo ou uma estrutura funcional? Que mudanças</p><p>você e sua igreja precisam fazer para cumprir melhor a missão? Um dos aspectos</p><p>mais afetados pelo tradicionalismo, e que semanalmente traz danos à vida espiritual</p><p>dos irmãos é o da adoração. Você colabora para que seu culto seja inspirador? Res-</p><p>ponda a estas perguntas enquanto nos acompanha no próximo capítulo.</p><p>Livro_Crescimento.indd 51 28/6/2007 22:54:14</p><p>5252</p><p>Estruturas funcionais</p><p>RefeRências</p><p>1 Associação Geral da IASD, Guía de procedimiento para ministros (Buenos Aires:</p><p>ACES, 1995), 140.</p><p>2 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 29. As porcentagens</p><p>entre parênteses foram adicionadas para esclarecimento.</p><p>3 Ibid., 28.</p><p>4 Ibid., 29.</p><p>5 Fred F. Smith, La dinámica deI iglecrecimiento (Miami, Florida: Editorial Caribe,</p><p>1993), 71.</p><p>6 Warren, Una iglesia con propósito, 299.</p><p>7 lbidem.</p><p>8 Smith, La dinámica deI iglecrecimiento, 70.</p><p>9 Vaughan, The World’s 20 Largest Churches; Towns, The Inside Look at 10 of Today’s</p><p>Most Innovative Churches.</p><p>10 Ibid., 19, 41.</p><p>11 Ibid., 30, 31.</p><p>12 Reeves e Jenson, Avanzando, 23.</p><p>13 Arn, The Church Growth Ratio Book, 55, 56.</p><p>14 Ibid., 14, 15.</p><p>15 Ibid., 25, 30.</p><p>16 Ibid., 31, 32.</p><p>17 Alfred Kuen, Dones para el servicio (Terrassa, Barcelona: Editorial Clie, 1993), 3º.</p><p>Volume da série Ekklesía, 96.</p><p>18 John N. Vaughan, The World’s Twenty Largest Churches, 29.</p><p>19 Towns, The Inside Look at 10 of Today’s Most Innovative Churches, 31, 32.</p><p>20 Ellen White, Serviço Cristão (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999), 59.</p><p>21 Towns, The Inside Look at 10 of Today’s Most Innovative Churches, 32.</p><p>22 Ibid., 33-35.</p><p>Livro_Crescimento.indd 52 28/6/2007 22:54:14</p><p>53</p><p>capítUlo 6</p><p>cUlto inspiRadoR</p><p>A igreja adventista</p><p>de Porvenir, em Santiago do Chile, era a principal</p><p>igreja desse país. Possuía 750 membros em sua lista mas somente 250 freqüen-</p><p>tavam os cultos de sábado. Durante o ministério do pastor Ruben Pereyra, a</p><p>freqüência começou a aumentar. Batizaram-se cerca de 75 irmãos a cada ano,</p><p>isto é, 30% dos membros ativos. Muitos irmãos inativos voltaram e a freqüên-</p><p>cia aumentou até somar cerca de 700 fi éis. A presença nos cultos de oração era</p><p>similar à do sábado de manhã, e um grupo de irmãos da igreja de Porvenir deu</p><p>origem à Igreja Adventista em Nunoa.</p><p>Qual era a chave deste crescimento? Um dos fatores foi a visitação a to-</p><p>dos os membros, com atenção especial aos ex-membros. Outro aspecto foi a</p><p>integração dos irmãos em diversas tarefas. Mas a chave fundamental estava no</p><p>reavivamento espiritual com ênfase especial na renovação das instalações do</p><p>templo e dos cultos, tanto os de sábado como os de oração. A adoração come-</p><p>çou a ser alegre, inspiradora e com sólida alimentação da Palavra. O programa</p><p>de sábado de manhã tinha somente duas horas de duração, das 9h30 até as</p><p>11h30. Esta adaptação permitia a participação de muitas irmãs com famílias</p><p>não-adventistas, que normalmente tinham problemas para ir ao culto.</p><p>Um programa similar ao anterior foi lançado anos depois na Associação</p><p>Central do Chile. O primeiro passo foi a renovação das instalações da igreja e,</p><p>depois, uma renovação total da adoração nos cultos. O presidente da Associa-</p><p>ção, o pastor Rubén Pereyra, solicitou 50 imagens em slide da condição deplo-</p><p>rável de certas igrejas e 50 imagens do melhor das instalações de outras igrejas</p><p>para mostrar em uma reunião de obreiros os exemplos negativos e positivos,</p><p>com a intenção de desafi á-los a melhorar. Poucos meses depois, mostraram-se</p><p>as mudanças alcançadas nessa área.</p><p>Imediatamente foi posto em prática um plano de total renovação espiri-</p><p>tual, com ênfase na renovação do culto, tratando de dinamizar a adoração, a</p><p>música e os cânticos. Isto incluía uma renovação da fraternidade na igreja, da</p><p>atenção às visitas, com ênfase especial aos ex-membros. A igreja estava viva, e</p><p>Livro_Crescimento.indd 53 28/6/2007 22:54:16</p><p>5454</p><p>Culto inspirador</p><p>um ser vivo tem frutos! Resultado imediato visível: esta associação, que nunca</p><p>batizava mais de 1.500 irmãos, alcançou o número de duas mil pessoas batiza-</p><p>das a cada ano. Os obreiros estavam felizes e com sentimento de realização.1</p><p>Os estudos de Shwarz têm comprovado que as igrejas em crescimento</p><p>no mundo têm ”cultos inspirados”. “A pergunta quanto a se o culto tem sig-</p><p>nifi cado uma ‘experiência inspiradora’ é diretamente proporcional à sua qua-</p><p>lidade e crescimento quantitativo”. Dos membros das igrejas em crescimento,</p><p>80% disseram que o culto em suas igrejas havia signifi cado uma experiência</p><p>inspiradora para eles; mas somente 49% disseram o mesmo em igrejas decres-</p><p>centes.2 As pessoas se sentem inspiradas no culto quando suas necessidades</p><p>espirituais são atendidas e quando este se harmoniza com sua maneira própria</p><p>de ver e sentir. Na adoração, assim como a baleia que emerge para respirar, a</p><p>igreja recebe o oxigênio de Deus para prosseguir com a luta diária no mundo.</p><p>Nas igrejas em crescimento, o culto é inspirador porque cada um “respira o oxi-</p><p>gênio de Deus com seu próprio nariz”. Oposto a isso, nas igrejas decrescentes,</p><p>geralmente outras pessoas indicam como devem ser os “narizes” e qual deve ser</p><p>o tom e o ritmo da respiração.</p><p>O inimigo teme a adoração dinâmica que expressa a alegria do Senhor,</p><p>“porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8:10). Por isso Satanás tem</p><p>evidenciado a tristeza como santa, e a tem imposto como se fosse uma forma</p><p>cristã ortodoxa de adoração. No entanto, isto traz perda de poder e crescimen-</p><p>to. Estes líderes esquecem que a alegria era uma característica de vida da igreja</p><p>do Antigo e do Novo Testamento (Sl 98:8; 100:2; At 5:41; 13:52).</p><p>Em geral, como igreja não damos a importância devida ao louvor que</p><p>completa o ciclo das bênçãos divinas. O ciclo de bênçãos é o seguinte: oração,</p><p>respostas ou bênçãos, louvor e mais bênçãos. Entre outros motivos, Deus respon-</p><p>de minhas orações “para que eu conte todos os teus louvores” (Sl 9:14). Muitos</p><p>cristãos, para não se parecerem com grupos evangélicos de adoração extravagan-</p><p>te, têm deixado de lado o conselho, tão repetido no livro de Salmos, de louvar a</p><p>Deus. Desta forma, muitas igrejas quebram o ciclo das bênçãos de Deus.</p><p>Deus</p><p>Homem</p><p>Oração</p><p>alabanza</p><p>Respostas</p><p>alabanza</p><p>Respostas</p><p>Livro_Crescimento.indd 54 28/6/2007 22:54:16</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>5555</p><p>Freqüentemente pergunto nas igrejas: para que Deus nos responde as</p><p>orações? Muito raramente vem a resposta que a Bíblia nos dá: para que o glo-</p><p>rifiquemos. A maioria dos cristãos, quando têm problemas, ora e tem sua res-</p><p>posta; mas poucos o louvam devidamente. Desta forma, não se cumpre um</p><p>dos principais propósitos pelos quais Deus responde nossas orações e o ciclo</p><p>das bênçãos divinas é rompido (Sl 50:15; 9:13-14). Isto é, nos desqualificamos</p><p>para receber mais dádivas da parte do Senhor. Se isto fosse corrigido, traria</p><p>maior crescimento integral à igreja.</p><p>Não oramos muito, e somos demasiado parcimoniosos no que se refe-</p><p>re ao agradecimento. Se a bondade amorosa de Deus nos motivasse a agradecer</p><p>e a louvar mais, teríamos mais poder na oração, aumentaríamos mais e mais no</p><p>amor de Deus, e Ele nos proporcionaria mais dádivas pelas quais glorificá-lo.3</p><p>As igrejas em crescimento suprem de tal forma os desejos de adora-</p><p>ção de toda alma sincera que as pessoas não voltam somente para adorar, mas</p><p>trazem outras para que também recebam os benefícios de seu culto inspirador.</p><p>Dessa forma, estas igrejas não visitam os irmãos para “rogar-lhes que venham</p><p>assistir a um culto que os espante”; pelo contrário, o culto em si é uma atração</p><p>para que os irmãos queiram vir nutrir-se para ter uma semana melhor. Segundo</p><p>Hadaway, “não há elementos centrais na adoração ou um estilo particular de</p><p>adoração que caracterize a todas as igrejas em crescimento”.4 Mas, se queremos</p><p>que os membros se sintam atraídos e entusiasmados para convidar seus amigos,</p><p>o culto não deve ser enfadonho, monótono, muito formal ou com uma atmos-</p><p>fera fúnebre. Deveria ter um bom programa musical, adaptado ao grupo que se</p><p>quer alcançar, e sermões que gerem entusiasmo e um espírito de reavivamento</p><p>nas pessoas.5 Um estudo realizado entre os batistas do Sul revelou que 60% das</p><p>igrejas em crescimento indicavam que sempre ou quase sempre possuíam um</p><p>espírito de reavivamento em seus serviços de adoração; comparado com 26%</p><p>nas igrejas estagnadas e 22% nas igrejas decrescentes que disseram o mesmo.6</p><p>A variedade de pessoas que assistem aos cultos deveria ser levada em</p><p>conta em toda a adoração. Por exemplo, quanto à música, Paulo recomenda</p><p>que os cristãos deveriam louvar o Senhor “com salmos, hinos e cânticos espi-</p><p>rituais” (Cl 3:16). Um dos livros oficiais da Igreja Adventista, Guia de Proce-</p><p>dimentos para Ministros, recomenda que se louve com cânticos das Escrituras,</p><p>com hinos do Hinário, com cânticos espirituais e que se incorporem instru-</p><p>mentos musicais próprios de cada cultura, que sejam adequados para o louvor.</p><p>A adoração pode ser tradicional ou contemporânea, mas em ambos os casos</p><p>deve ser inspiradora e cheia de vida.</p><p>Em 1999, a junta diretiva da igreja da Universidade Adventista Del</p><p>Plata pediu ao pastor de jovens que organizasse cultos juvenis mensais sepa-</p><p>rados para haver maior participação dos jovens entre 12 e 18 anos do Ensino</p><p>Fundamental e Médio. A solicitação partiu do fato de que este grupo não tinha</p><p>maior participação nos cultos gerais. Durante os anos de 2000 e 2001, foram</p><p>organizados esses cultos, que começaram com cerca de 200 jovens. Logo, mais</p><p>Livro_Crescimento.indd 55 28/6/2007 22:54:17</p><p>5656</p><p>Culto inspirador</p><p>de 700 participavam com alegria e entusiasmo no Salão dos Pioneiros. Em</p><p>2002 deu-se início, simultaneamente, ao “culto juvenil”, um “culto</p><p>universitá-</p><p>rio” no auditório; ambos com ampla participação jovem. Tudo isso tem gerado</p><p>melhor adoração e novos ministérios missionários, como o da dramatização,</p><p>que aumenta a participação juvenil e a missão. Mais de cem jovens estão envol-</p><p>vidos nos diferentes ministérios e nos pequenos grupos, que estão ajudando os</p><p>jovens rebeldes.</p><p>Muitos pais expressam sua satisfação ao ver seus filhos envolvidos com</p><p>a igreja. Uma mãe muito agradecida pelo culto juvenil dizia: “As famílias bem</p><p>estruturadas não apreciam tanto. Mas pessoas como eu, que fui abandonada</p><p>por meu esposo e tenho que lutar sozinha para educar meus filhos, o aprecia-</p><p>mos mais. Agora meus três filhos têm participação na igreja. Eu me recordo</p><p>quando um diácono não deixou meu filho entrar e assistir ao culto porque es-</p><p>tava molhado por causa da chuva. Nesse dia ele voltou desgostoso com a igreja</p><p>e não regressou, mas ficou dormindo. Hoje meu filho é diácono.” Então eu lhe</p><p>disse: “Seu filho nunca cometerá o mesmo erro que cometeram com ele.” O</p><p>êxito dos cultos juvenis e universitários se deve basicamente à adaptação e re-</p><p>novação da maneira de adorar, e também a uma maior participação dos jovens</p><p>na música, nos cânticos, à apresentação de mensagens musicais, dramatizações,</p><p>fantoches e outros ministérios.</p><p>Ariel, caso já mencionado, nos relembra de que não devemos julgar como</p><p>menos cristão um jovem que escuta música que não é de nosso gosto, ou adora</p><p>em um estilo contemporâneo que nós não apoiamos. Esta jovem menciona</p><p>que não podemos dizer que muitos adolescentes que não assistem à igreja re-</p><p>jeitaram o Senhor. Pelo contrário, “nós nos afastamos... por causa de pessoas</p><p>de mente fechada: gente que vê as coisas em preto e branco, em vez de ter uma</p><p>visão de Deus em tecnicolor”.8 E acrescenta:</p><p>É difícil manter-se espiritualmente vivo em uma igreja que está encharcada de</p><p>tradições, formalismo e formas conservadoras do evangelho de Jesus. A igreja</p><p>está cheia de cabeças grisalhas: partes sábias e necessárias do corpo de Cristo,</p><p>porém por que ser tão insípidos (...), insistindo em que os jovens adorem da</p><p>mesma forma silenciosa, lenta e sonolenta que eles fazem?</p><p>Jesus veio e aprovou a liberdade e a alegria em nosso louvor e adoração. Ele agi-</p><p>tou o coração até mesmo dos tradicionalistas. Creio que nossos jovens podem</p><p>devolver esse reavivamento de energia e liberdade a nossos programas. Temos,</p><p>por muito tempo, sido reprimidos pela opinião de que, para ser verdadeiramen-</p><p>te religioso, você deve vestir-se de maneira antiquada e adorar a Deus somente</p><p>com hinos lentos e música de órgão.9</p><p>As palavras de Ariel podem nos parecer um pouco ofensivas e conde-</p><p>natórias a outras formas de adoração, mas podemos resgatar o desejo de seu</p><p>coração de que sua igreja adore com alegria. O livro de Salmos convida a uma</p><p>adoração dinâmica, e a que toda a criação louve ao Senhor; que todo tipo de</p><p>Livro_Crescimento.indd 56 28/6/2007 22:54:17</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>5757</p><p>instrumento seja usado para louvá-Lo porque cada ser existe para dar-lhe gló-</p><p>ria. O último versículo do último salmo finaliza dizendo: “Todos os seres vivos</p><p>louvem o Senhor!” (Sl 150:6, A Bíblia na Linguagem de Hoje). Não devemos</p><p>permitir que Satanás roube os instrumentos para seus propósitos. Não pense-</p><p>mos que porque são utilizados para o mal, esse tipo de instrumento não pode</p><p>ser consagrado e usado como se deve para o bem. Qualquer instrumento musi-</p><p>cal pode louvar a Deus se o coração de quem o toca está consagrado ao Senhor.</p><p>Quando os filhos de Deus trouxeram de volta sua arca do campo dos inimigos</p><p>para introduzi-la novamente em Israel, o registro bíblico diz que “Davi e toda</p><p>a casa de Israel se alegravam diante do Senhor com toda sorte de instrumentos</p><p>musicais...”10 (2Sm 6:5). Quando o templo de Salomão foi dedicado e a arca</p><p>foi ali colocada (1Rs 8), “o sagrado coro uniu suas vozes com toda espécie de</p><p>instrumentos musicais, em louvor a Deus”. 11</p><p>Não há dúvida de que a forma entusiasta e alegre de celebrar os cultos</p><p>é uma inspiração para os que participam dele. Por isso é recomendada pela</p><p>Bíblia, pelos livros oficiais da Igreja Adventista e pelos escritos de Ellen G.</p><p>White. Os cristãos do século 1 cantavam e louvavam nos cárceres (At 16:25);</p><p>eles seguiram o exemplo de seu Salvador, que, mesmo depois da última ceia,</p><p>se uniu com seus discípulos “não em acordes de alguma canção triste, mas nas</p><p>alegres notas do cântico pascoal”.12</p><p>Wagner menciona que a adoração entusiasta faz parte do quarto sinal</p><p>vital das igrejas em crescimento,13 e Carl George propõe este sinal como o</p><p>modelo da igreja do futuro. Ele diz que a igreja deve ser suficientemente pe-</p><p>quena para cuidar de todos e suficientemente grande para ter uma adoração</p><p>que exalte a Cristo.14 Hemphill menciona que a adoração que exalta a Cristo</p><p>era a segunda característica das igrejas em crescimento do primeiro século, que</p><p>praticavam o modelo de Antioquia.15 Por outro lado, Lyle Schaller, um dos</p><p>estudiosos especializados em crescimento de igreja, destaca que a adoração será</p><p>um dos fatores de crescimento nas igrejas do século 21. Quatro das 21 pontes</p><p>pelas quais as pessoas estarão se movendo no século 21, buscando seu lugar</p><p>espiritual no mundo, têm a ver com a adoração.16</p><p>Este aspecto é também um dos segredos do crescimento da igreja inova-</p><p>dora de Saddleback de Rick Warren. A multidão que assiste especialmente nos</p><p>fins de semana é fortalecida para a vida diária mediante a adoração. Como re-</p><p>sultado, muitos desejam não somente regressar, como também tornar-se mem-</p><p>bros desta congregação.17</p><p>A adoração pública é alimentada por uma vida de comunhão (koinonía),</p><p>que se realiza na igreja por meio dos pequenos grupos. É aí onde a igreja de-</p><p>monstra nos atos cotidianos que é realmente cristã e tem, portanto, apoio para</p><p>uma adoração cheia de fervor. Em outras palavras, a adoração é sustentada pela</p><p>vida comunitária que integra todos os pequenos grupos. Tem sua igreja peque-</p><p>nos grupos que mantêm uma adoração dinâmica? Este será o próximo tema ao</p><p>qual nos dedicaremos.</p><p>Livro_Crescimento.indd 57 28/6/2007 22:54:17</p><p>5�5�</p><p>Culto inspirador</p><p>RefeRências</p><p>1 Rubén Pereyra. Entrevista pessoal, 13 de dezembro de 2001. Este plano foi colocado</p><p>em prática na década de 80.</p><p>2 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 3.</p><p>3 Ellen White, Joyas de los testimonios (Buenos Aires: ACES, 1956), volume 2, 110.</p><p>4 Hadaway, Church Growth Principles, 65.</p><p>5 Ibid., 72, 67, 69 e 71.</p><p>6 Ibid., 71.</p><p>7 Associação Geral da IASD, Guia de procedimientos para ministros (Buenos Aires:</p><p>ACES, 1995), 179.</p><p>8 Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church, 56.</p><p>9 Ibid., 53. Grifo nosso..</p><p>10 Ellen White, História da Redenção (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999), 194.</p><p>Grifo nosso.</p><p>11 Idem.</p><p>12 Ellen White, La voz (Buenos Aires: ACES, 1995), 507.</p><p>13 Wagner, Your Church Can Grow, 120-123.</p><p>14 Carl George, Prepare Your Church for the Future (Tarrytown, New York: Fleming</p><p>H. Revell, 1991), capa.</p><p>15 Hemphill, EI modelo de Antioquia, 39-63.</p><p>16 Lyle Schaller, 21 Bridges to the 21st Century: The Future of Pastoral Ministry (Nash-</p><p>ville, Tennessee: Abingdon Press, 1994), 150.</p><p>17 Warren, Una iglesia con propósito, 247-285.</p><p>Livro_Crescimento.indd 58 28/6/2007 22:54:17</p><p>5�</p><p>capítUlo 7</p><p>cÉlUlas integRadoRas</p><p>“Venha ao nosso grupo e receberá mais bênçãos do Senhor. No nosso</p><p>grupo acontecem mais milagres.” Este era o testemunho entusiasta, amigável</p><p>e risonho que costumavam dar os integrantes de um pequeno grupo de uma</p><p>igreja adventista em crescimento. Deus cumpre sua promessa de estar presente</p><p>onde estão dois ou três congregados em seu nome. É claro: onde o Senhor está</p><p>milagres acontecem e a igreja cresce. O estudo de Schwarz demonstrou que</p><p>a multiplicação de cé lulas é um dos princípios de crescimento de igreja mais</p><p>fortes em todo o mundo:</p><p>Se tivéssemos que apontar um dos princípios como “o mais importante”, não ha-</p><p>veria dúvida de que este seria a multiplicação de grupos celulares...</p><p>Nossas pesquisas</p><p>confi r maram que, quanto maior uma igreja, tanto mais decisi va será a aplicação do</p><p>princípio de grupos celulares com vistas à continuidade de seu crescimento.1</p><p>Nas igrejas em crescimento, 78% afi rmaram: “Em nossa igreja se fo-</p><p>menta conscientemente a multiplicação dos grupos celulares por divi são.” Por</p><p>outro lado, nas igrejas decrescentes, apenas 6% afi rmaram o mesmo.2 Estas</p><p>porcentagens são indicadores claros de onde está o fo co do trabalho nas igre-</p><p>jas que crescem.</p><p>O segredo do crescimento está na multiplicação dos grupos ce lulares por</p><p>divisão. Isto permite integrar uma maior quantidade de pessoas, com o conse-</p><p>qüente crescimento. O sociólogo em religião, Ri chard Myers, de Indiana, rea-</p><p>lizou várias experiências em escolas domi nicais durante alguns anos. No grupo</p><p>1 de classes da escola do minical, cada vez que um professor renunciava, junta-</p><p>vam essa classe a outra. Desta forma, pouco a pouco foi reduzindo o número</p><p>de classes. No grupo 2, cada vez que um professor renunciava, nomeavam</p><p>outro e, na medida do possível, abriam novas classes. Qual foi o resultado? No</p><p>grupo 1 as classes combinadas haviam decrescido até fi carem como era cada</p><p>uma separadamente. Por outro lado, no grupo 2, cada classe dividida havia</p><p>Livro_Crescimento.indd 59 28/6/2007 22:54:19</p><p>6060</p><p>Células integradoras</p><p>crescido até ser o que era antes de dividir-se. A conclusão foi óbvia: a multipli-</p><p>cação de grupos dentro da igreja aumenta seu crescimento.3</p><p>Por isso, Win Arn sugere algumas proporções para o crescimento. A pro-</p><p>porção 1:5 em pequenos grupos significa que um de cada cinco grupos deve ter</p><p>se organizado nos últimos dois anos, já que isso ajuda a integração dos novos.</p><p>Por outro lado, a proporção 7:100 em pequenos grupos significa que para cada</p><p>100 membros deve haver sete pequenos grupos, para que a grande maioria da</p><p>igreja possa estar integrada em algum grupo.4</p><p>O trabalho com grupos é uma das características distintivas das igrejas</p><p>maiores e mais inovadoras do mundo5, e uma parte crucial do quarto sinal vi-</p><p>tal das igrejas em crescimento descoberto por Wagner6. Hemphill pontua que</p><p>os pequenos grupos eram uma das características distintivas de crescimento e</p><p>saúde da igreja primitiva. Ele os aponta como uma chave do modelo de Antio-</p><p>quia.7 Numerosos estudos de crescimento de igreja indicam claramente que as</p><p>igrejas em crescimento, como corpos vivos saudáveis, são o resultado do bom</p><p>funcionamento de suas células.8 Oosterwal descobriu há anos que os pequenos</p><p>grupos de estudo bíblico, companheirismo, oração e ação constituíam um dos</p><p>fatores de crescimento das igrejas adventistas locais ao redor do mundo.9</p><p>Mais recentemente, Sahlin concluiu que em todo lugar onde a Igreja</p><p>Adventista está crescendo, os pequenos grupos são a peça-chave.10 Carl Geor-</p><p>ge propõe no modelo da igreja do futuro um sistema que inclui como parte</p><p>substancial os pequenos grupos. Na capa do seu livro Prepare Your Church for</p><p>the Future (Prepare sua Igreja para o Futuro), George diz que a igreja deve ser</p><p>suficientemente grande para ter uma adoração entusiasta e suficientemente pe-</p><p>quena para prover um carinhoso cuidado pastoral.11</p><p>A igreja de Warren tem o estilo de vida dos pequenos grupos como o</p><p>programa principal para o crescimento da igreja. Ele é utilizado para que a</p><p>evangelização seja frutífera e para que os frutos permaneçam. Warren explica</p><p>isso da seguinte maneira:</p><p>O propósito destas reuniões é ajudar no evangelismo pessoal, não substituí-lo.</p><p>Os estudos têm mostrado que as pessoas se decidem por Cristo mais rapidamen-</p><p>te quando existe o apoio de um grupo. O programa principal de nossa congrega-</p><p>ção é nossa rede de pequenos grupos. A comunhão, o cuidado pastoral e o senti-</p><p>do de pertencer são os benefícios de fazer parte de um pequeno grupo. Dizemos</p><p>às pessoas: “Você não se sentirá parte verdadeira da família desta igreja até que se</p><p>una a um pequeno grupo”.12</p><p>ellen White e os peqUenos gRUpos</p><p>É inspirador ver como Ellen G. White se relacionou com os pequenos grupos</p><p>durante toda sua vida. Na infância (1840-1844), seus primeiros contatos com os</p><p>Livro_Crescimento.indd 60 28/6/2007 22:54:19</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>6161</p><p>pequenos grupos se deram nos grupos de oração de sua casa e nas classes bíblicas</p><p>da igreja metodista que seus pais freqüentavam.</p><p>Depois do desapontamento (1844-1885), Ellen G. White recebeu sua prime-</p><p>ira visão em um pequeno grupo e viajou relatando sua experiência em reuniões</p><p>onde estavam presentes muitas pessoas, as quais, por sua vez, dialogavam em pe-</p><p>quenos grupos. Ela freqüentou durante esses anos as reuniões sociais ou de teste-</p><p>munhos em pequenos grupos das grandes reuniões campais. Em sua estadia na Eu-</p><p>ropa (1885-1887), Ellen G. White apoiou os pequenos grupos como uma forma</p><p>eficaz de capacitação, de testemunho, de evangelização e como uma maneira eficaz</p><p>para abrir novas igrejas. Nos anos seguintes em que esteve nos Estados Unidos</p><p>(1887-1891), vendo o crescimento das instituições, aconselhou que se formassem</p><p>pequenos grupos como uma forma de não perder a vida espiritual das igrejas. Nas</p><p>grandes reuniões campais, aconselhou também a estes grupos que aplicassem as</p><p>verdades à vida, como uma forma de as igrejas grandes ajudarem na missão. Nos</p><p>anos em que viveu na Austrália (1891-1900), aconselhou as reuniões sociais em</p><p>pequenos grupos como uma forma de fundar novas igrejas e de dar testemunho, de</p><p>instruir o povo, de obter o cuidado pastoral e realizar a evangelização.</p><p>Assim chegamos à última etapa de sua vida nos Estados Unidos (1900-</p><p>1915). Nestes anos, ela aconselhou os pequenos grupos quanto à área educacio-</p><p>nal e médica, aos jovens, como uma forma de cuidado pastoral, de servir e cum-</p><p>prir a missão.13 Depois de toda esta vivência e relacionamento com os pequenos</p><p>grupos por mais de 58 anos, é importante dar ouvidos àquela declaração tão</p><p>conhecida, feita em 1902, que deixa a igreja com apenas uma alternativa diante</p><p>deste tema crucial:</p><p>A formação de pequenos grupos como base de esforço cristão, foi-me apresenta-</p><p>da por aquele que não pode errar. Se há na igreja grande número de membros,</p><p>convém que se organizem em pequenos grupos a fim de trabalhar, não somente</p><p>pelos membros da própria igreja, mas também pelos incrédulos. Se num lugar</p><p>houver apenas dois ou três que conheçam a verdade, organizem-se num grupo de</p><p>obreiros. Mantenham indissolúvel seu laço de união, apegando-se uns aos outros</p><p>com amor e unidade, animando-se mutuamente para avançar, adquirindo cada</p><p>qual ânimo e força do auxílio dos outros... Ao trabalharem e orarem em nome de</p><p>Cristo, seu número aumentará, pois diz o Salvador: “Se dois de vós concordarem</p><p>na Terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai,</p><p>que está nos Céus” (Mt 18:19).14</p><p>Esta declaração destaca vários aspectos:</p><p>1. Os pequenos grupos devem ser a base de qualquer esforço cristão que</p><p>façamos;</p><p>2. Esta forma de trabalhar é dada por revelação;</p><p>3. O trabalho com pequenos grupos tem assegurado o êxito, porque foi</p><p>revelado por alguém que não pode errar;</p><p>Livro_Crescimento.indd 61 28/6/2007 22:54:19</p><p>6262</p><p>Células integradoras</p><p>4. O trabalho com pequenos grupos pode ser aplicado tanto em igrejas</p><p>grandes como pequenas;</p><p>5. O resultado do trabalho com pequenos grupos é o crescimento da igreja.</p><p>RessURgem os peqUenos gRUpos</p><p>na igReja adventista</p><p>A Igreja Adventista na América do Sul está dando cada vez mais impor-</p><p>tância aos pequenos grupos. Começou no início da década de 1970, com as</p><p>células que logo foram chamadas koinonías. As koinonías se iniciaram com</p><p>Mario Veloso, no Colégio Adventista Del Plata. Logo se estenderam por toda</p><p>Argentina, Paraguai e Uruguai; dali se espalharam por toda América do Sul e,</p><p>finalmente, alcançaram outros continentes onde a Igreja Adventista tem obra</p><p>estabelecida.15 Na mesma década, se popularizaram as unidades evangelísticas</p><p>da escola sabatina impulsionadas por Daniel Belvedere e Genaro Daniel Da-</p><p>niele na Argentina, Paraguai e Uruguai; e por Sergio Moctesuma na América</p><p>do Sul e outros lugares do mundo.16</p><p>Hoje, diversos pastores de igrejas, departamentais e administradores os</p><p>impulsionam no âmbito da América do Sul e da obra adventista mundial. Na</p><p>América do Sul, Osmar D. dos Reis, junto com outros líderes, há vários anos</p><p>os está impulsionando, e seu livro ensina de forma prática como fazê-lo em</p><p>cada canto do continente.17</p><p>Kurt Johnson escreveu um dos livros que mais tem conseguido recuperar</p><p>o estilo de vida e o pensamento da igreja do Novo Testamento. Seu argumento</p><p>geral é o seguinte: se os pequenos grupos estiveram presentes na origem do</p><p>mundo, na origem do cristianismo, e se têm salvado a igreja nos momentos</p><p>de crise como ocorreu durante os cinqüenta anos em que o cristianismo esteve</p><p>proibido na China, por que não adotá-los como parte do estilo de vida da</p><p>igreja? Isto parece muito importante, especialmente quando vemos aproximar</p><p>o fim. Seu livro se intitula Grupos Pequenos para el Tiempo del Fin (Pequenos</p><p>grupos para o tempo do fim).18</p><p>O assunto dos pequenos grupos é hoje motivo de abordagem em se</p><p>tratando de evangelismo público, matéria de prática pastoral e tema de</p><p>estudo de teses. Estas contribuições práticas estão trazendo novas idéias</p><p>sobre os pequenos grupos, idéias que provêm da missão prática e desde suas</p><p>raízes históricas.</p><p>Na União Peruana, se popularizaram especialmente as igrejas-no-lar. O</p><p>pastor Francisco Quinteros del Águila escreveu um livro intitulado La Iglesia</p><p>en tu Casa19 (A igreja em sua casa), no qual fundamenta o plano e apresenta</p><p>experiências de sucesso no Peru. Pessoalmente, observamos o êxito deste siste-</p><p>ma em várias pequenas igrejas em Huaycán e outros povoados dos arredores da</p><p>Universidade Peruana Unión.</p><p>Livro_Crescimento.indd 62 28/6/2007 22:54:19</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>6363</p><p>Dois acontecimentos podem ilustrar isto. Num sábado, perguntamos a um</p><p>pastor adventista sua opinião sobre os pequenos grupos. O pastor nos observou</p><p>assombrado pela pergunta, e então simplesmente citou a conhecida declaração de</p><p>Ellen G. White: “A formação de pequenos grupos como base de esforço cristão,</p><p>foi-me apresentada por aquele que não pode errar.”20 Nesse mesmo dia comenta-</p><p>mos com um irmão que pertencia a uma igreja-no-lar se não lhe parecia pequena</p><p>demais a casa onde se reunia uma pequena congregação que praticamente não</p><p>tinha lugar para funcionar. Sua resposta foi: “Por quê? Esta igreja, assim como</p><p>está, já deu lugar a mais duas filhas e agora que está se enchendo novamente</p><p>estamos pensando em abrir uma nova igreja-no-lar.”</p><p>Por outro lado, os oficiais adventistas da polícia nacional do Peru de-</p><p>senvolveram um cristianismo adaptado à sua situação social mediante o que</p><p>chamam de “pequeno grupo Dinamus”.21 Hoje, a União Peruana está impulsio-</p><p>nando os pequenos grupos em todas as frentes. Seus líderes compreenderam que</p><p>este sistema bíblico é necessário não só para trazer, mas também para manter os</p><p>irmãos nas filas do Senhor. Os pequenos grupos são encarados no Peru e em todo</p><p>o mundo por vários líderes visionários não como um método a mais que hoje uso</p><p>e amanhã abandono, mas como um “novo estilo de vida cristão”. Esse foi o estilo</p><p>de vida da igreja primitiva, e que precisamos ressuscitar hoje.22</p><p>Dionisio Guevara, desde 1998 até 2000, teve entre 70 a 150 pequenos</p><p>grupos em seus distritos pastorais do Peru. Com esta metodologia de tra-</p><p>balho multiplicava as igrejas, a assistência crescia e eram batizados uns 700</p><p>irmãos cada ano. Os dízimos e ofertas aumentavam nos grupos e isto trouxe</p><p>uma quadruplicação dos recursos. Em suas igrejas era necessário fazer vários</p><p>turnos para abrigar tantos irmãos.23 Hoje (2002), o pastor Guevara está ini-</p><p>ciando o sistema de pequenos grupos no distrito pastoral de Ribamar, Missão</p><p>Maranhense, Brasil.</p><p>Na União Austral, vários pastores tiveram bons resultados. Entre eles, o</p><p>pastor José Espósito, que os colocou em prática em Córdoba e na Missão do</p><p>Noroeste Argentino.24 Nessa União, estão começando a funcionar os pequenos</p><p>grupos impulsionados a partir de todas as frentes da igreja. Segundo um rela-</p><p>tório final de 2002, existiam mais de 4.000 pequenos grupos. Na Associação</p><p>Bonaerense há mais de 900 grupos; ali há alguns pastores que fizeram dos</p><p>pequenos grupos um novo estilo de vida da associação e de seus distritos. Os</p><p>resultados positivos já começaram a chegar: aumento imediato de batismos; e</p><p>se a igreja perseverar, veremos uma abundante colheita em curto prazo.</p><p>“Os pequenos grupos funcionam na Coréia, no Peru e em outros lugares,</p><p>mas ainda não vi funcionarem na Argentina.” Esta afirmação lhe é familiar?</p><p>Sim, eu também a escutei várias vezes. Esta é uma desculpa e uma autodefesa</p><p>quando não se quer escutar o que diz a Bíblia e os escritos de Ellen G. White.</p><p>No entanto, Walter Lehoux fez com que funcionassem no distrito de San Ni-</p><p>colás, província de Buenos Aires, Argentina. Este distrito estava formado pelas</p><p>congregações de San Nicolás Centro, Sul, Norte, Oeste, Ramallo e Sánchez. Em</p><p>Livro_Crescimento.indd 63 28/6/2007 22:54:19</p><p>6464</p><p>Células integradoras</p><p>1995, Walter começou a pensar no plano, e em 1999 a Associação Bonaerense</p><p>(ABo) permitiu que seus pastores experimentassem este método. Walter se pre-</p><p>parou e, em 2000, conscientizou seu distrito. Na semana santa de 2001 lançou o</p><p>plano com 31 pequenos grupos, finalizando o ano com 45. Isto implicou pagar</p><p>um preço, especialmente ao ter que dar a instrução semanal aos líderes de cada</p><p>uma de suas cinco congregações. Parecia um sacrifício muito grande, mas foi</p><p>a chave do sucesso. Isto fez com que em 2001 aumentasse a participação da</p><p>irmandade de 20% a 80%. Como resultado, foram batizados 60 novos irmãos e</p><p>fundadas duas novas congregações: San Nicolás Oeste e Ramallo.</p><p>Em março de 2002, Walter Lehoux foi transferido para o distrito de Al-</p><p>magro, que compreende as igrejas de Almagro, Flores, Soldati, Parque Patricios</p><p>e Parque Avellaneda. O território abrange de Floresta até Once e de Pom-</p><p>peya até Caballito, em plena capital federal. O objetivo de sua transferência foi</p><p>implementar os pequenos grupos. No início do ano, havia poucos pequenos</p><p>grupos funcionando. Em junho, Walter e seu ajudante, Horacio Mazzoli, ti-</p><p>nham conseguido ter 50 grupos funcionando, 300 irmãos comprometidos e</p><p>200 visitas assistindo aos cultos. Estes grupos se mantiveram durante todo o</p><p>ano e, como resultado, foram batizadas mais de 100 pessoas. Mais da metade</p><p>das 30 pessoas batizadas na campanha evangelística pública de Parque Patrícios</p><p>foi resultado da obra dos pequenos grupos. Isto mostra que os pequenos gru-</p><p>pos também podem funcionar na capital federal. Walter crê que “os pequenos</p><p>grupos podem funcionar em qualquer lugar” se houver uma reunião semanal</p><p>com os líderes dos grupos de cada igreja. Mais de 120 líderes se reúnem com</p><p>seus pastores nas cinco igrejas deste distrito.</p><p>Para a zona oeste da grande Buenos Aires, distrito de Gregório de La-</p><p>ferrere, que integrava sete igrejas, foi transferido em 2000 o pastor Marcelo</p><p>Claudio Mammana. Na área havia uma crise que precisava ser solucionada e</p><p>Fabián Pérez, ajudante do pastor, sugeriu fundar pequenos grupos para isso.</p><p>Foi algo providencial, porque três meses mais tarde a Associação Bonaerense</p><p>(ABo) lançaria em todo seu território o projeto dos pequenos grupos como</p><p>novo estilo de vida. O pastor Mammana e seu ajudante apresentaram ser-</p><p>mões, fizeram reuniões de interessados e uma diversidade de atividades até</p><p>assegurarem a estrutura dos pequenos grupos. Chegaram a ter 65 pequenos</p><p>grupos funcionando; estes se abriam tão rapidamente que não conseguiam</p><p>registrar todos na ABo. Este distrito foi reativado em vários aspectos. Um</p><p>distrito que normalmente batizava 35 pessoas por ano, batizou 56 irmãos em</p><p>2000; e 86 em 2001. Chegou a ser um dos três principais distritos da ABo</p><p>em batismos. A Igreja Adventista de Villa Dorrego, considerada pelos vizi-</p><p>nhos uma “igreja morta”,</p><p>foi a igreja do distrito que mais batismos teve em</p><p>2001, e a que atualmente tem mais pequenos grupos, especialmente grupos</p><p>de jovens. Hoje, a experiência do pastor Mammana e do pastor Eduardo Pe-</p><p>reyra está ajudando na implantação deste sistema em Libertador San Martín,</p><p>em Entre Ríos. Estão implantando em torno de 150 pequenos grupos no</p><p>Livro_Crescimento.indd 64 28/6/2007 22:54:19</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>6565</p><p>distrito e na UAP. A Igreja de Libertador Norte fechou seu templo nos dias</p><p>de culto de oração para realizá-lo nos mais de 30 pequenos grupos. Os resulta-</p><p>dos estão sendo assombrosos: antes assistiam em torno de 30 pessoas ao culto</p><p>de oração, e duas ou três visitas. Agora, nos grupos assistem em torno de 200,</p><p>inclusive umas 30 visitas. A assistência triplicou e também as ofertas. As outras</p><p>igrejas do distrito estão começando a ter resultados semelhantes.</p><p>O pastor Luis Traid e a Igreja Adventista de Santa Rosa, La Pampa,</p><p>crêem que os pequenos grupos facilitam a realização de qualquer programa</p><p>na igreja, ajudam a descobrir novos líderes e dons, e a distribuir a tarefa. O</p><p>distrito de La Pampa cresceu devido aos pequenos grupos. Em nove meses de</p><p>funcionamento, os grupos conseguiram fundar uma nova igreja. Em Santa</p><p>Rosa, fazia 34 anos que não se fundava uma igreja adventista. A participação</p><p>dos membros aumentou em 90%. Enquanto os dízimos diminuíam na Mis-</p><p>são Adventista do Sul (MAS) até 50%, em La Pampa aumentaram os dízimos</p><p>e as ofertas. Traid tinha em La Pampa 30 pequenos grupos com duas reuniões</p><p>semanais: uma fechada, para crescer internamente, e outra aberta, para apre-</p><p>sentar o evangelho. Desta forma, a igreja está fortalecida espiritualmente e</p><p>novas pessoas são conquistadas para o reino. Este é um dos distritos que mais</p><p>batizou na MAS. Em 2001 foram batizadas mais de 80 pessoas.</p><p>O pastor Traid começou com os pequenos grupos no distrito de Bahía</p><p>Blanca, depois de estar desanimado com as unidades de ação. Um dia, uma</p><p>irmã sentiu uma voz que lhe dizia: “Façam um grupo para orar pelas pes-</p><p>soas, mas avisem o pastor.” Nessa reunião, o pastor foi inspirado a corrigir</p><p>alguns aspectos dos pequenos grupos que os fez florescer novamente até ter</p><p>uns 30 no distrito.</p><p>Onde funcionam os grupos, geralmente há líderes dispostos a aceitar</p><p>outras idéias. Walter Lehoux começou depois de entender e aceitar as idéias</p><p>de Ellen G. White sobre o assunto. Marcelo Mammana os colocou em práti-</p><p>ca em seu distrito por sugestão de seu ajudante, Fabián Pérez. Luis Traid foi</p><p>animado a continuar com os pequenos grupos por uma irmã e seu grupo de</p><p>oração. Isto me faz pensar em Moisés, que organizou Israel em grupos por</p><p>sugestão de seu sogro Jetro.</p><p>Hoje, como antes, precisamos continuar com humildade o plano de</p><p>Deus para sua igreja, e veremos que os pequenos grupos também são possí-</p><p>veis em todo lugar. É claro que cada lugar tem suas particularidades, e cada</p><p>líder seu estilo de trabalho. A Igreja de Libertador Norte fechou o templo e</p><p>os cultos de oração funcionam nos grupos. No caso de Luis Traid, no distrito</p><p>de La Pampa, os cultos de oração continuam normalmente e as reuniões dos</p><p>grupos são extras. Por outro lado, Walter Lehoux tem reuniões semanais com</p><p>seus líderes, mas Luis Traid crê que uma reunião mensal é suficiente. Em</p><p>todos estes casos, os programas estão dando resultados. Com isso, queremos</p><p>dizer: “Os pequenos grupos também funcionam na Argentina.” Em reali-</p><p>dade, de diferentes formas e com adaptações próprias, funcionam em todo</p><p>lugar do mundo, porque para todo o mundo os propôs Deus.25</p><p>Livro_Crescimento.indd 65 28/6/2007 22:54:20</p><p>6666</p><p>Células integradoras</p><p>difeRentes nomes</p><p>Os pequenos grupos se desenvolveram em diferentes modalidades: “uni-</p><p>dades de ação” da escola sabatina, o que antes chamávamos “unidades evan-</p><p>gelísticas”, “classes da escola sabatina”, “grupos familiares”, “igrejas-no-lar”,</p><p>“grupos de oração”, “unidades dos desbravadores”. Nas sociedades de jovens</p><p>foram chamados “koinonías”. Outras pessoas deram outros nomes a algo que</p><p>hoje chamamos “pequenos grupos”.</p><p>Muitas vezes se diz: “Os pequenos grupos não funcionam nesta igreja.”</p><p>Então perguntamos: “Esta igreja tem classes de escola sabatina?” Geralmente,</p><p>nos respondem que sim. Então lhes dizemos que, mal ou bem, sua igreja já tem</p><p>os pequenos grupos e que não precisam se preocupar em criar uma nova estru-</p><p>tura para fazê-los funcionar. Damos este conselho quando é difícil implemen-</p><p>tá-los. Dizemos que simplesmente devem tentar, pouco a pouco, transformar</p><p>as classes de escola sabatina em autênticos pequenos grupos.</p><p>os fUndamentos são impoRtantes</p><p>Em Glendale, Califórnia, a duas quadras de um rio que descia da</p><p>montanha, foi construído o grande Red Lion Hotel. Foram meses de trabalho</p><p>até que os alicerces estivessem prontos, então fizeram dez andares, construíram</p><p>parques e plantaram árvores. O rio passava por baixo sem causar nenhum pro-</p><p>blema, mesmo com a inundação de 1992. O segredo da solidez deste projeto</p><p>sobre o rio estava em seus fundamentos. Os pequenos grupos foram a chave de</p><p>cada grande movimento do cristianismo, desde o Pentecostes, a Reforma, e o</p><p>reavivamento de Wesley na Inglaterra. A igreja cristã na China se susteve por</p><p>meio deste sistema. A maioria das vinte maiores igrejas e as dez mais inovado-</p><p>ras do mundo desenvolveram seu sistema de trabalho a partir dos pequenos</p><p>grupos.26 As pessoas que se opõem a esta forma de vida cristã o fazem porque</p><p>não vêem seus fundamentos. Por volta de 1980, ressurge esta idéia entre os pro-</p><p>testantes.27 A Igreja Adventista também começa a retomar o assunto. Alguns o</p><p>rejeitam por preguiça, pois com os pequenos grupos todos os membros estão</p><p>mais ativos. Outros se opõem porque dizem que não querem copiar as igrejas</p><p>protestantes. Seja porque não vêem luz, não os entendem ou não vêem base</p><p>bíblica, hoje há cristãos que são indiferentes ou se opõem.</p><p>A Bíblia apresenta amplo fundamento para os pequenos grupos.28 A his-</p><p>tória do Éden começou com um pequeno grupo: a família (Gn 2 e 3). A</p><p>humanidade antediluviana fiel foi um grupo familiar preservado na arca (Gn</p><p>7-9). Os jovens universitários de Babilônia mantiveram sua fidelidade apoian-</p><p>do-se num pequeno grupo. Este foi o único pequeno grupo que funcionou</p><p>dentro de uma fornalha ardente e seus integrantes viveram para contar (Dn 3).</p><p>Neemias empregou uma diversidade de grupos para a reconstrução do muro</p><p>Livro_Crescimento.indd 66 28/6/2007 22:54:20</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>6767</p><p>de Jerusalém: os grupos de famílias que reconstruíam o muro em frente a suas</p><p>casas garantiam um trabalho de primeira qualidade (Ne 3). Jesus iniciou seu</p><p>ministério formando um grupo de doze. Logo também formou um grupo me-</p><p>nor de três (Lc 6: 12-16; Mt 17:1).</p><p>O maior milagre do dia de Pentecostes não foi, no meu entender, o batis-</p><p>mo de 3 mil pessoas, como comumente se tem destacado. O principal milagre</p><p>consistiu em que 3 mil discípulos “perseveravam na doutrina dos apóstolos e</p><p>na comunhão [gr. koinonía], no partir do pão e nas orações” (At 2:42). Uma</p><p>das razões de sua perseverança foram as koinonías nas “igrejas-no-lar”. Estas</p><p>igrejas foram poderosas. Um exemplo é o caso da oração intercessora da igreja-</p><p>no-lar de Maria, que resultou na libertação de Pedro (At 12:1-19). Esse “estilo</p><p>de vida” cristão foi crucial para sobreviver sob a perseguição.</p><p>Durante os tempos de perseguição, o conceito de pequeno grupo flores-</p><p>ceu e a igreja cresceu espiritual e numericamente. Mas, quando a perseguição</p><p>ficou menos severa, houve uma tendência a descuidar da vida dos pequenos</p><p>grupos e a concentrar-se no programa em vez de no grupo... As alianças da Igreja</p><p>com o Estado e o institucionalismo tiveram um efeito negativo sobre a igreja.</p><p>O período seguinte é conhecido hoje como a Idade das Trevas. Durante esse</p><p>tempo, o companheirismo espiritual e o sentido de comunidade da igreja foram</p><p>trocados até certo ponto por edifícios, ritual e formalidade. Perdeu-se a casa</p><p>e induzí-los</p><p>a permanecerem na igreja. Como expressões de companheirismo, incluem-se</p><p>atividades tradicionais como “junta-panelas”, passeios à praia ou ao campo, pi-</p><p>queniques e outros encontros sociais. Mas, destacam o companheirismo espi-</p><p>Livro_Crescimento.indd 8 28/6/2007 22:53:55</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�</p><p>ritual que produz cuidado mútuo, disciplina, proteção da saúde, bom cuidado</p><p>do corpo, compreensão, refúgio, sentimento de pertencer, e formação de novas</p><p>igrejas. Quando os membros trabalham juntos para estabelecerem uma nova</p><p>igreja, se unem entre si e a simpatia entre eles cresce e se estabelece, produzindo</p><p>novo crescimento e novas satisfações.</p><p>A valorização de todos os grupos humanos que existem na igreja, dizem os</p><p>Rode, é um aspecto-chave para o crescimento da igreja. Quando se utilizam os</p><p>grupos homogêneos que naturalmente se formam nas igrejas, elas próprias se</p><p>tornam homogêneas e tendem a crescer. Isto é de vital importância quando a</p><p>igreja está se estabelecendo em um lugar culturalmente novo. A valorização dos</p><p>grupos homogêneos, entre eles os grupos étnicos que já existem na comunida-</p><p>de, atrai as pessoas em grupos e o crescimento se acelera muito mais.</p><p>Os métodos apropriados são sempre produtivos. A igreja não deve trabalhar</p><p>com um único método, pois, nos lembram os Rode, a variedade de métodos é</p><p>um dos grandes fatores adventistas de crescimento. Variedade de método, ten-</p><p>do em vista o todo, estimula um crescimento acelerado e de boa qualidade.</p><p>O ato de fundar novas igrejas acelera o crescimento. Ajuda na formação</p><p>de novos discípulos e estimula a criação de novos ministérios dos quais mais</p><p>membros podem participar. Cada igreja grande deveria estar constantemente</p><p>fundando igrejas filhas, e estas, à medida que vão crescendo, deveriam fazer o</p><p>mesmo. Deus intervém com este dinamismo, e com a ajuda do Espírito Santo</p><p>se produz uma cadeia de crescimento ininterrupto. Esta foi a maior estratégia</p><p>de Paulo. Ele viajou por quase todo o império romano, fundando novas igre-</p><p>jas, e encheu seu território de cristãos, conquistando conversos até na própria</p><p>família do imperador. O crescimento foi extraordinário. Os Rode comprovam</p><p>a eficácia de cada um dos fatores de crescimento de igreja com exemplos da</p><p>atividade real exercida por pastores que tiveram êxito ao aplicá-los. De leitura</p><p>agradável, o livro é interessante e cheio de ensinamentos muito úteis, que pro-</p><p>duzirão grandes resultados nos distritos pastorais onde forem aplicados. Sem</p><p>se esquecer de que “o crescimento natural da igreja continuará sendo uma obra</p><p>sobrenatural da parte de Deus”.</p><p>Mario Veloso</p><p>Secretário conselheiro da</p><p>Divisão Euro-Asiática da IASD, Rússia</p><p>Diretor do programa de pós-graduação em</p><p>Teologia da Universidade Adventista del Plata</p><p>Livro_Crescimento.indd 9 28/6/2007 22:53:55</p><p>Livro_Crescimento.indd 10 28/6/2007 22:53:55</p><p>11</p><p>intRodUÇão</p><p>Cuidar da igreja de San Luis foi nossa primeira experiência como casal</p><p>pastoral recentemente formado pelo Colégio Adventista del Plata. Esta igreja</p><p>foi organizada depois de uma campanha evange lística que trouxe muitas pes-</p><p>soas a Cristo. Nosso segundo des tino foi a então recém-nascida igreja de Río</p><p>Cuarto, depois de outro ciclo de conferências em que muitas pessoas foram</p><p>batizadas. Estas igrejas foram o resultado do trabalho silencioso de um grupo</p><p>de irmãos que mantiveram a chama acesa por vários anos, e do apoio posterior</p><p>de uma forte campanha de evangelização. Nos dois ca sos, a apostasia que se se-</p><p>guiu fez sangrar nosso coração pastoral, mas graças a Deus duas igrejas missio-</p><p>nárias se formaram. Depois fomos transferidos para as igrejas do Paraná. Logo</p><p>se seguiu uma tarefa ministerial e de evangelização na Associação Argentina</p><p>Central. Tudo isso, mais diversas tarefas posteriores, constituem nosso roman-</p><p>ce com o ministério por mais de 30 anos. Dessas vivências surgiram perguntas</p><p>instigantes: Por que algumas igrejas crescem mais que outras? Por que algumas</p><p>igrejas crescem, perseveram e se multiplicam, enquanto outras decrescem e</p><p>morrem? As respostas a estas perguntas foram se sustentando com o passar do</p><p>tempo e hoje se concretizam neste livro.</p><p>Os especialistas em crescimento de igreja reconhecem que é difícil dizer</p><p>por que algumas igrejas crescem mais que outras. Inclusive acontece, curiosa-</p><p>mente, que algumas igrejas mencionam certos elementos como fatores de cres-</p><p>cimento que outras consideram como obstáculos, ou ao menos não relevantes</p><p>em relação a suas experiências de crescimento.1 Por exemplo, muitos pastores</p><p>adventistas pensam que com uma doutrina light suas igrejas poderiam crescer</p><p>mais. No entanto, Oosterwal descobriu que a doutrina adventista ortodoxa em</p><p>si mesma é um fator de crescimento. Devemos admitir, então, que há diversas</p><p>formas de fazer crescer uma igreja, que o crescimento das igrejas é com plexo e</p><p>que não há maneira de reduzir essa complexidade a uma simples fórmula.2</p><p>Dentro dessa complexidade de fatores, tem-se observado que as igrejas</p><p>que crescem são as que mantêm alto o nível de certas caracte rísticas básicas.</p><p>As características são o resultado de um elevado nível espiritual. As igrejas re-</p><p>conhecem que o verdadeiro crescimento é produzido apenas por Deus, que a</p><p>verdadeira batalha é espiritual e que uma das principais armas é a oração.3 Des-</p><p>ta elevada condição espiri tual surgem essas peculiaridades que proporcionam o</p><p>potencial de crescimento natural das igrejas, produzido por Deus.</p><p>Estudos sobre crescimento de igreja concluíram que, na mesma cidade</p><p>ou região onde 80% das igrejas se mantinham paralisadas ou em declínio,</p><p>havia 20% das igrejas que cresciam de forma notável. Estes 20% manifesta-</p><p>Livro_Crescimento.indd 11 28/6/2007 22:53:56</p><p>1212</p><p>Introdução</p><p>vam certas características básicas de saúde ou sinais de vitalidade.4 Por outro</p><p>lado, o lnstituto para o Desenvolvimento e Crescimento de Igreja da Alema-</p><p>nha descobriu algo parecido em um estudo realizado entre 1994 e 1996. Nessa</p><p>pesquisa foram entrevistadas 30 mil pessoas de mil igrejas de diferentes deno-</p><p>minações em 32 países dos cinco continentes. A pesquisa concluiu que as igre-</p><p>jas saudáveis e em crescimento apresentam em nível alto e equilibrado oito ca-</p><p>racterísticas básicas. Por outro lado, Hemphill, um especialista em crescimento</p><p>de igreja, menciona que as igrejas comprometidas com Cristo manifestam oito</p><p>características em grande parte coincidentes com os sinais vitais de Wagner e as</p><p>características de Schwarz.5</p><p>Rick Warren, pastor principal da Igreja Comunitária do Vale de Sad-</p><p>dleback do território de Orange, Califórnia, segue um modelo paralelo ao</p><p>descoberto por Mario Veloso na Bíblia.6 Na época do Novo Testamento, as</p><p>igrejas se reproduziam e manifestavam seis elementos que as fortaleciam e fa-</p><p>ziam com que se multiplicassem. Estes seis aspectos são identificados com seis</p><p>palavras gregas freqüentemente encontradas no Novo Testamento com relação</p><p>à missão: proclamação (kérugma), adoração (proskunéo e leitourgía), testemu-</p><p>nho (marturía), comunhão (koinonía), serviço (diakonía) e ensino/discipulado</p><p>(didaska/ía e mathetéuo).7 A igreja primitiva praticava esta forma de cumprir a</p><p>missão e conseguiu no primeiro século 1 milhão de membros.8 Este modelo</p><p>é ensinado no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia desde a</p><p>década de 1980.9 O característico de Warren, que segue este modelo, é que sua</p><p>congregação é uma das igrejas de maior crescimento entre os Batistas do Sul:</p><p>começou com uma família, e em 15 anos chegou a ter 10 mil freqüentadores</p><p>cada semana. Além disso, esta igreja deu origem a 26 filhas sem ao menos ter</p><p>um edifício próprio. Vários pastores adventistas também estão implementando</p><p>com êxito esta forma de encarar a missão.</p><p>Com base nas pesquisas mencionadas e na experiência pastoral de</p><p>mais de 30 anos, podemos dizer que as igrejas que mais crescem, perse-</p><p>veram e se reproduzem são aquelas que proporcionam um crescimento</p><p>natural das igrejas mediante as</p><p>de</p><p>reuniões como o meio da vida espiritual. A “igreja” chegou a significar um</p><p>edifício, tijolos e argamassa.29</p><p>Paul Yonggi Cho, um dos grandes defensores dos pequenos grupos, se</p><p>baseou em Êxodo 18 e nos escritos de Ellen G. White para colocar em prática</p><p>o plano que ardia no seu coração com convicção de visionário. Em janeiro de</p><p>2001, James Zackrison mencionou, numa roda de estudantes da Universidade</p><p>Peruana Unión, que o pastor Cho fica surpreso pelo fato de os pastores ad-</p><p>ventistas aprenderem com ele a formar pequenos grupos. O pastor Cho disse</p><p>isto porque tirou a idéia dos pequenos grupos de livros adventistas como Ser-</p><p>viço Cristão, Obreiros Evangélicos, Evangelismo e outros. A igreja de Cho, com</p><p>suas filhas, tem hoje mais de 800 mil membros e 70 mil grupos. Êxodo 18 e os</p><p>pequenos grupos também são a base da organização da obra adventista.30</p><p>O plano dos pequenos grupos não é a única forma de fazer a igreja cres-</p><p>cer, mas é algo fundamental, tal como as células são para o corpo. Estas células,</p><p>junto a outras formas de trabalho, estão conferindo um notável sucesso às igre-</p><p>jas adventistas em todo o mundo. Os pequenos grupos geram maior uso dos</p><p>dons, uma espiritualidade contagiante e uma série de outros bons resultados.</p><p>Mas, principalmente, promovem um companheirismo especial e mais estreito</p><p>nas igrejas. Os pequenos grupos de sua igreja promovem os relacionamentos</p><p>afetivos? Este aspecto é outra das principais características de uma igreja em</p><p>crescimento e nos dedicaremos a ele no capítulo seguinte.</p><p>Livro_Crescimento.indd 67 28/6/2007 22:54:20</p><p>6�6�</p><p>Células integradoras</p><p>RefeRências</p><p>1 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 32-33. Grifo nosso.</p><p>2 Ibidem.</p><p>3 Wagner, Su iglesia puede crecer, 128, 129.</p><p>4 Arn, The Church Growth Ratio Book, 31, 32, 60, 61, 25, 30.</p><p>5 Vaughan, The Worlds 20 Largest Churches; Elmer Towns, An Inside Look at 10 of</p><p>Today’s Most Innovative Churches.</p><p>6 Wagner, Su iglesia puede crecer, 133, 134.</p><p>7 Hemphill, El modelo de Antioquía, 104-129.</p><p>8 Lyle Schaller, Growing Plans: Strategies to Increase Your Church’s Membership</p><p>(Nashville, Tennessee: Abingdon Press, 1990), 85-89; 44 Ways to Increase Church</p><p>Attendance (Nashville, Tennessee: Abingdon Press, 1990), 45; Eddie Gibbs, I Belie-</p><p>ve in Church Growth (Londres: Hodder & Stoughton, 1990), 167; C. Peter Wag-</p><p>ner, Win Arn e Elmer Towns, ed., Church Growth: The State or the Art (Wheaton,</p><p>Illinois: Tyndale House Publisher, 1986), 99, 100; Miguel Ángel Cerna, El poder</p><p>de los pequeños grupos (Newbury Park, CA: Publicaciones El Camino, 1991), ix-x;</p><p>Aubrey Malphurs, Planting Growing Churches for the 21st Century (Grand Rapids,</p><p>Michigan: Baker Book House, 1992), 211-229; Carl George, How to Break Growth</p><p>Barriers (Gran Rapids, Michigan: Baker Book House, 1993), 129-143.</p><p>9 Oosterwal, La Iglesia Adventista en el mundo contemporáneo, 20.</p><p>10 Monte Sahlin, Sharing our Faith with Friends without Losing Either, 133.</p><p>11 Carl George, Prepare Your Church for the Future, capa.</p><p>12 Warren, Una iglesia con propósito, 148, 149.</p><p>13 Ellen White, Notas biográficas de Elena de White (Buenos Aires: ACES, 1995), 71;</p><p>Fabián Werlen, Grupos Pequeños: estudio del pensamiento de Elena de White, mono-</p><p>grafía de Licenciatura não publicada (Libertador San Martín, Entre Ríos: Imprenta</p><p>de la UAP, 2001), 49-66; 67-86; 90; 99; 102; 101-114.</p><p>14 White, Joyas de los testimonios, vol. 3, 84-85. Grifo nosso.</p><p>15 Mario Veloso, Manual de Koinonías (Buenos Aires: Departamento de Jóvens da</p><p>Unión Austral, 1972).</p><p>16 Mario Veloso, e-mail, 7 de fevereiro de 2003.</p><p>17 Osmar dos Reis, Grupos Pequeños: un nuevo estilo de vida cristiana (Brasilia: Mi-</p><p>nisterio Personal de la División Sudamericana de IASD, 1997).</p><p>18 Kurt W. Johnson, Grupos Pequeños para el tiempo del fin (Buenos Aires: ACES,</p><p>1999).</p><p>19 Francisco Quinteros Del Águila, La iglesia en tu casa (Lima, Perú: Talleres Gráficos</p><p>GRAFAL, 1989).</p><p>20 Elena White, Joyas de los testimonios, vol. 3, 84.</p><p>21 Ramiro Rojas Chávez, General PNP, Grupo pequeño Dínamus (Miraflores, Lima:</p><p>Unión Peruana, 1997), vídeo.</p><p>22 Dionisio Guevara, Grupos pequeños: nuevo estilo de vida cristiana (Miraflores, Lima:</p><p>Unión Peruana, 2001), livro e vídeo. O itálico foi adicionado para dar ênfase.</p><p>23 Dionisio Guevara e Daniel Rode, Seminario: Pequeños grupos nuevo estilo de vida</p><p>cristiana, anotações de aula (Libertador San Martín, Entre Rios: Universidade Ad-</p><p>ventista del Plata, 2001), 52-57.</p><p>Livro_Crescimento.indd 68 28/6/2007 22:54:20</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>6�</p><p>24 José Espósito, Hogares iglesias: una experiencia gozosa (San Miguel de Tucumán:</p><p>Misión Argentina del Noroeste, 1995); Temas para hogares iglesia (San Miguel de</p><p>Tucumán: Misión Argentina del Noroeste, 1995).</p><p>25 Walter Lehoux, entrevista pessoal, 9 de janeiro de 2002; Marcelo Mammana, en-</p><p>trevista pessoal, 16 de abril de 2002; Luis Traid, e-mail, 19 de abril de 2002.</p><p>26 John N. Vaughan, The World’s Twenty Largest Churches (Grand Rapids, Michigan:</p><p>Baker, 1984); Elmer Towns, An Inside Look at 10 of Today’s Most Innovative Chur-</p><p>ches.</p><p>27 C. Peter Wagner, Su iglesia puede crecer (Terrassa, Barcelona: Clie, 1980); Miguel</p><p>A. Cerna, El poder de los pequeños grupos en la iglesia (Newbury Park, California:</p><p>Publicaciones El Camino, 1991).</p><p>28 Daniel Rode, Didáctica y administración pastoral, 138-149.</p><p>29 Johnson, Grupos Pequeños para el tiempo del Fin, 45, 73. Grifo nosso.</p><p>30 James W. Zackrison, entrevista pessoal, Universidade Peruana Unión, janeiro de</p><p>2001.</p><p>Livro_Crescimento.indd 69 28/6/2007 22:54:20</p><p>Livro_Crescimento.indd 70 28/6/2007 22:54:21</p><p>71</p><p>capítUlo 8</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>O pastor Edgar Redondo queria começar a obra no setor norte de Barran-</p><p>quilha, Colombia, onde predominava a classe alta. O grupo era impenetrável.</p><p>Toda a congregação começou a orar e os milagres começaram a acontecer. A</p><p>irmã Blanca Dias, esposa de um leigo fundador de igrejas, encontrou trabalho</p><p>na casa de uma das senhoras da alta sociedade desse bairro. Quando surgiu o</p><p>problema do sábado, fez arranjos com outros empregados, o que se tornou</p><p>uma ocasião para lhes dar testemunho e começar estudos bíblicos com eles.</p><p>Nesse ínterim, o esposo da dona da casa foi preso nos Estados Unidos.</p><p>O capelão que lhe foi designado era providencialmente um pastor adventista</p><p>que o ajudou e o levou até o batismo. Este homem pediu a sua esposa que fre-</p><p>qüentasse a igreja adventista, e então ela foi à Igreja Central de Barranquilha,</p><p>porém não se sentiu confortável. Um dia assistiu ao culto que os empregados</p><p>da sua casa faziam dirigidos pela irmã Dias. Então descobriu que a fi liação</p><p>religiosa deles era a mesma que a de seu esposo, e começou a estudar a Bíblia.</p><p>A irmã Dias sentiu a necessidade de que seu esposo, um leigo missionário</p><p>experiente, viesse para dar os estudos. Em pouco tempo, a dona da casa foi</p><p>batizada. O carinho do grupo era impactante e isso a infl uenciou para que</p><p>quisesse transformar sua casa em uma pequena igreja e convidar seus vizinhos</p><p>da alta sociedade.</p><p>Após algum tempo, impressionados por um cristianismo simples, afe-</p><p>tuoso e poderoso, 20 vizinhos estavam batizados, e o grupo organizado como</p><p>congregação. Um ano e meio depois foi organizada uma igreja com 40 mem-</p><p>bros. Em fevereiro de 2000 a igreja tinha 141 membros da classe alta.1 O</p><p>companheirismo de um pequeno grupo comprometido com a missão e com</p><p>o alvo de estabelecer uma igreja é um poder quase irresistível; é o efeito “dos</p><p>relacionamentos afetivos do reino”.2</p><p>Esta característica, a dos relacionamentos afetivos, é confi rmada pela maio-</p><p>ria dos autores que tratam do tema de fatores de crescimento: Schwarz a cha-</p><p>ma de “relacionamentos afetivos”3, Oosterwal a denomina “companheirismo”4,</p><p>Livro_Crescimento.indd 71 28/6/2007 22:54:22</p><p>7272</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>Wagner a menciona como o companheirismo da congregação5; Veloso e War-</p><p>ren apresentam-na como a Koinonía ou a comunhão6; e Ken Hemphill chama</p><p>de “relacionamentos</p><p>afetivos do reino”7. O companheirismo é o fator número</p><p>um do crescimento adventista.8 Sua ausência é causa de apostasia e sua presen-</p><p>ça produz o retorno normal daqueles que se afastaram. Quando esta condição</p><p>é favorecida, é mais fácil atrair um ex-cristão do que um novo.</p><p>Quando a igreja é bem preparada, um em cada três ou quatro ex-adventis-</p><p>tas que são visitados volta para a igreja, mas, em geral, só um de cada dez in-</p><p>gressa na igreja das pessoas visitadas. Estas são algumas das conclusões as quais</p><p>chegou o pastor Detamor, autoridade máxima em ex-membros, que visitou em</p><p>35 anos de ministério adventista mais de 25 mil ex-membros.9</p><p>Estudos realizados em igrejas hispanas em crescimento no sul da Califórnia</p><p>revelaram que a motivação para o estabelecimento de uma nova igreja e de</p><p>novos ministérios e o nível espiritual dos membros fundadores geravam um</p><p>companheirismo tão grande, que era como um ímã para trazer e fazer com</p><p>que os novos membros ficassem. Glendale Oeste era considerada “a igreja do</p><p>amor”. O companheirismo na igreja adventista de South Gate era tal que o</p><p>crescimento anual era quase igual ao número de batismos. Isto se devia à gran-</p><p>de quantidade de irmãos que ingressavam por meio das cartas de transferência.</p><p>Nas igrejas adventistas, geralmente não há crescimento por meio de cartas de</p><p>transferência, pois a entrada é sempre equilibrada pela saída. No entanto, em</p><p>South Gate, o ambiente de companheirismo era tão atraente, que no período</p><p>estudado (1982-1992), houve um aumento de 8% na Média do Crescimento</p><p>Anual (MCA) somente por cartas de transferência.10</p><p>Este fenômeno das igrejas adventistas hispanas do sul da Califórnia ensi-</p><p>nou uma grande lição de crescimento de igreja. A maioria destas igrejas não ti-</p><p>nha um programa ousado de evangelismo ao estilo sul-americano. No entanto,</p><p>seu programa social era forte: os famosos junta-panelas com os irmãos, passeios</p><p>à praia, piqueniques e outros encontros sociais da igreja. Essas igrejas hispanas</p><p>eram verdadeiros centros de relações sociais, cidades de refúgio para os hispa-</p><p>nos recém-chegados dos seus países latino-americanos. Este fato, unido à par-</p><p>ticularidade das grandes famílias mexicanas e latinas, fez com que programas</p><p>espirituais simples tivessem muito êxito na incorporação de novos membros,</p><p>com sua conseqüente permanência e a multiplicação das igrejas.</p><p>A igreja do primeiro século também foi muito conhecida por seu companhei-</p><p>rismo e seu crescimento espetacular alcançado: mais de um milhão de cristãos.11</p><p>Uma das características da igreja segundo o modelo de Antioquia foram “as rela-</p><p>ções familiares do reino”.12 Esta condição na igreja primitiva gerava um ambiente</p><p>de equilíbrio para o amadurecimento, o cuidado mútuo, a unidade, a exemplifica-</p><p>ção dos valores, a disciplina, a proteção e a saúde do corpo.13 Não foi à toa que “em</p><p>Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (At 12:26).</p><p>Sem dúvida alguma Barnabé, “o filho da consolação” (At 4:36), fez sentir</p><p>sua influência cristã prática nessa cidade e em toda a igreja do primeiro século.</p><p>Livro_Crescimento.indd 72 28/6/2007 22:54:22</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>7373</p><p>Esse discípulo cria nos relacionamentos afetivos do reino de forma prática.</p><p>Para Barnabé, implicava dar mais uma oportunidade ao irmão que errava. Sem</p><p>se importar se fosse um parente como Marcos (At 13:5, 13; 15:36-41) ou um</p><p>ex-perseguidor de cristãos como Paulo (At 9:27-30; 11:25). Barnabé sabia que</p><p>este era um ingrediente substancial para o crescimento do cristianismo. Como</p><p>resultado do ministério afetuoso de Barnabé em Antioquia, “muita gente se</p><p>uniu ao Senhor” (At 11:24). O grande apóstolo Paulo, no começo do seu</p><p>ministério, não tinha muito claro este conceito e foi um obstáculo para que</p><p>Barnabé o praticasse com Marcos (At 15:36-41). Entretanto, nos últimos mo-</p><p>mentos de sua vida reconheceu seu erro (2Tm 4:11).</p><p>“As igrejas que apresentam crescimento possuem em média ‘um quocien-</p><p>te de amor’ superior ao daquelas que estão estagnadas ou sem crescimento.”14</p><p>Isto gera alegria e bom humor.</p><p>O fato de que numa igreja haja um programa organizado de reuniões so-</p><p>ciais nas quais as pessoas riem e passam momentos agradáveis tem uma corres-</p><p>pondência muito significativa com seu crescimento qualitativo e quantitativo.</p><p>No entanto, é interessante observar que não é dada praticamente importância</p><p>alguma a aspectos como estes na literatura sobre o tema. Em suma: nem o cul-</p><p>to para visitantes, nem uma grande campanha evangelística, nem uma “batalha</p><p>espiritual” (sem pretender tirar a importância destes elementos) podem ser ele-</p><p>vados à categoria de princípios de crescimento de igreja, ao passo que “a alegria</p><p>entre os crentes” demonstra ter uma relação significativa com a qualidade da</p><p>igreja e seu crescimento.15</p><p>Os estudos de Schwarz em todo o mundo revelaram que nas igrejas em</p><p>crescimento 68% responderam afirmativamente: “em nossa igreja nos alegra-</p><p>mos muito”; mas nas igrejas estagnadas somente 33% disseram o mesmo.16</p><p>É incontestável que nas igrejas onde a qualidade vem do alto nível das</p><p>relações interpessoais afetivas – isto é, onde há amor, tolerância, compreensão,</p><p>aceitação e valorização de cada pessoa –, as pessoas se sentem à vontade e de-</p><p>sejam voltar e permanecer. Uma pessoa sem preconceitos, que é compreendida</p><p>pelo grupo, é capaz de comportar-se de forma normal, com humor ou sem ele,</p><p>dependendo do caso. Será capaz de fazer uma piada e rir-se até de si mesmo</p><p>junto com os irmãos! Como necessitamos de um lugar de refúgio assim, nós os</p><p>solitários e tristes pecadores do século 21!</p><p>É exatamente isso: um lugar de refúgio, um lugar seguro onde crescer</p><p>como pessoa, onde se ama e se valoriza; era isso o que Cristo desejava que</p><p>fosse cada igreja cristã. Ele sabia que desse ambiente de amor fraternal depen-</p><p>dia o crescimento de sua igreja. Ele disse: “Nisto todos conhecerão que sois</p><p>meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13:34). Essa irmandade</p><p>real era o que transformaria a evangelização e os batismos em crescimento</p><p>integral da igreja, por isso é que em sua última oração ele suplica várias vezes</p><p>e de forma insistente ao Pai por este ambiente afetuoso, de fé e de unidade</p><p>em suas igrejas (Jo 17:11, 21-26).</p><p>Livro_Crescimento.indd 73 28/6/2007 22:54:22</p><p>7474</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>No entanto que frio e tenso é o lugar onde se nota que estão julgando e</p><p>analisando criticamente o que se diz. Em Jerusalém, em meio aos “religiosos”,</p><p>aos doutores da lei, Jesus viveu na pele essa experiência de religiosidade despro-</p><p>vida de amor. Ali, ele devia ter cuidado com cada palavra que dizia, porque po-</p><p>dia ser tomada contra ele.17 Por outro lado, em Betânia, “na casa do pobre”18,</p><p>que riqueza espiritual era compartilhada por Marta, Maria e Lázaro! Ali Jesus</p><p>tinha momentos de descontração e de ânimo.</p><p>No lar de Lázaro encontrara Jesus muitas vezes repouso. O Salvador não tinha lar</p><p>próprio; dependia da hospitalidade de amigos e discípulos; e freqüentemente,</p><p>quando cansado, sequioso de companhia humana, alegrara-se de poder escapar</p><p>para esse pacífico ambiente de família, longe das suspeitas e invejas dos raivosos</p><p>fariseus. Ali recebia sincero acolhimento, pura e santa amizade. Ali podia falar</p><p>com simplicidade e liberdade perfeitas, sabendo que suas palavras seriam com-</p><p>preendidas e entesouradas.19</p><p>Ali estava com seus amigos que o amavam. Ele sabia que assim deviam ser</p><p>suas igrejas: nunca deveriam ter teologia demais a ponto de se tornarem frias,</p><p>duras e legalistas como os líderes religiosos da capital do reino.</p><p>Imagina-se que as pessoas que vão para os bares o fazem porque gostam</p><p>de beber. É claro que este é um dos fatores que os faz freqüentarem estes lu-</p><p>gares. Contudo, estudos sérios sobre este assunto mostram que há razões mais</p><p>profundas para irem a estes locais: na realidade a solidão humana do século 21</p><p>faz com que pessoas freqüentem bares em busca de compreensão. Elas querem</p><p>encontrar alguém</p><p>que as escute sem críticas, um coração amigo que as entenda.</p><p>Kurt Johnson, autor do livro Grupos Pequeños para el Tiempo del Fin (Pequenos</p><p>grupos para o tempo do fim), comenta:</p><p>Mesmo os não-cristãos reconhecem a necessidade de relacionar-se com pessoas</p><p>que os aceitem e os amem assim como são. Há alguns anos, um dos programas</p><p>de televisão mais populares, Cheers, desenvolveu sua popularidade com base nes-</p><p>te tema de relacionamento. No começo de cada episódio relembrava os especta-</p><p>dores de que Cheers era um lugar onde cada um conhecia o nome do outro.</p><p>Desafortunadamente, esse lugar era um “bar”, mas a necessidade que satisfazia</p><p>– ser parte da comunidade – é universal, e em alguns lugares a igreja está fracas-</p><p>sando nisso. Um amigo me disse recentemente que um novo amigo seu, que</p><p>havia aceitado o cristianismo, tinha sido garçom em um bar durante 25 anos.</p><p>Este homem lhe disse que o bar era mais amigável que algumas das igrejas que</p><p>havia freqüentado. 20</p><p>É triste afirmar, mas muitos bares e outros grupos humanos oferecem ao</p><p>homem moderno o refúgio que muitas igrejas cristãs não estão oferecendo.</p><p>Por causa disso, e por desejar a salvação de todas as pessoas, com freqüência</p><p>Deus considera mais seguro para a salvação delas deixá-las fora de uma igreja.</p><p>É incrível, porém, que em certos casos, a própria igreja se torne o maior obs-</p><p>Livro_Crescimento.indd 74 28/6/2007 22:54:22</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>7575</p><p>táculo para a missão, essa estrutura divina criada para que fosse o principal</p><p>instrumento da sua missão! “O Senhor não opera agora no sentido de trazer</p><p>muitas almas para a verdade, por causa dos membros da igreja que nunca se</p><p>converteram, e dos que uma vez se converteram mas se extraviaram.”21 Deus</p><p>age desta forma por amor às pessoas que quer salvar. Defende seus fi lhos do</p><p>moderno proselitismo cristão de algumas igrejas que não são lugares espiritual-</p><p>mente seguros onde possam solicitar ajuda, e para impedir que os transformem</p><p>em “fi lhos do inferno duas vezes mais” (Mt 23:15).</p><p>Win Arn concluiu que os novos membros deveriam encontrar no mínimo</p><p>sete novos amigos na igreja durante os primeiros seis meses. Aqueles que o</p><p>fazem, permanecem mais tempo nela.22 Em um estudo 100% dos membros</p><p>ativos (50 dos 50) haviam identifi cado três ou mais amigos; 90% deles (45 dos</p><p>50) tinham seis ou mais amigos, e os membros inativos mostram um padrão</p><p>inverso: 16% (8 dos 50) não identifi caram nenhum amigo; só um havia iden-</p><p>tifi cado seis amigos; nenhum havia identifi cado sete ou mais amigos; e os 86</p><p>dos membros inativos (43 dos 50) tinham três amigos ou menos.</p><p>taBela 2</p><p>Relação entre companheirismo e membros ativos ou inativos</p><p>Novos</p><p>Amigos 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 +Total</p><p>Membros</p><p>Ativos 0 0 0 1 2 2 8 13 12 12 50</p><p>Membros</p><p>Inativos 8 13 14 8 4 2 1 0 0 0 50</p><p>Se considerarmos que 80% das apostasias acontecem durante o primeiro</p><p>ano, podemos compreender o que acontece no âmbito afetivo neste período.</p><p>A pessoa avalia seus novos amigos, o carinho que recebe e os grupos de amigos</p><p>que deixou fora da igreja. Em muitos casos, com base nesta análise sentimental</p><p>e pragmática, decide fi car ou sair da igreja.</p><p>Os diversos estudos sobre apostasia indicam que as pessoas que saem da</p><p>igreja não o fazem por problemas doutrinários. Por mais importante que isto</p><p>seja para nós adventistas, devemos reconhecer que a maioria de nossas aposta-</p><p>sias se deve à falta de companheirismo, problemas de relacionamento na igreja</p><p>e problemas com uma liderança legalista ou autoritária. Em síntese, falta o</p><p>Membros</p><p>Livro_Crescimento.indd 75 28/6/2007 22:54:23</p><p>7676</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>cristianismo que Jesus quis para a sua igreja.23 O crescimento da igreja acontece</p><p>mais por razões sociológicas que por aspectos teológicos. Contudo, este último</p><p>aspecto tem a sua importância, como já foi visto no capítulo 4.</p><p>O recente estudo de Dudley sobre o porquê de nossos adolescentes</p><p>abandonarem a igreja confirmou este fato. Muitos descrevem as igrejas como</p><p>lugares frios, distantes e não-amigáveis; com uma atmosfera apática, onde as</p><p>pessoas não se sentem aceitas, valorizadas e nem necessárias. Em suas pró-</p><p>prias palavras, os comentários que representam a maioria são os seguintes:</p><p>“não há nada para a minha faixa etária”, “não há nenhuma atividade para</p><p>adolescentes” e “tudo é entediante”.24 Muitos adolescentes participam das</p><p>atividades da igreja não por suas convicções acerca das doutrinas adventistas</p><p>mas por sentirem-se úteis e valorizados. Muitas vezes são ligados à igreja por</p><p>meio do poder dos relacionamentos afetivos. 25</p><p>O triste é que uma grande quantidade de adolescentes, na época em</p><p>que eram vulneráveis e buscavam amor, aceitação e graça, foi rejeitada. Um</p><p>deles escreveu: “Eu era muito jovem e me sentia inseguro sobre a direção que</p><p>eu queria dar à minha vida. A igreja da qual era membro não andava bem.</p><p>As pessoas eram muito frias e distantes, não apenas em relação aos membros</p><p>mas também em relação às visitas.”26</p><p>Uma característica distintiva do modelo da crescente igreja de Warren</p><p>é o companheirismo. A congregação se desenvolve por meio do afeto e uma</p><p>intensa vida de companheirismo ou koinonía nos pequenos grupos, e o resul-</p><p>tado é que muitos assumem um compromisso maior e querem ser discípulos</p><p>responsáveis do corpo de Cristo. Ao mesmo tempo, para a multidão das vi-</p><p>sitas, este companheirismo é um testemunho que as atrai.27 Com os diversos</p><p>exemplos que apresentamos, queremos dizer que este aspecto é crucial para</p><p>manter os membros na igreja e para fazê-la crescer em todo o mundo.</p><p>A igreja adventista do Tartagal, província de Salta, Argentina, quase</p><p>duplicou o número de seus membros em três anos. No fim de 1998 tinha</p><p>240 membros e hoje tem 411, somando aos que assistem à igreja-mãe e às</p><p>quatro congregações que nasceram como fruto do trabalho dela. Os dízimos</p><p>aumentaram no mesmo ritmo.</p><p>O que aconteceu nesses anos? Primeiro, o pastor Alfredo Mirolo e sua</p><p>esposa Aurora praticam um ministério compartilhado com ênfase na evange-</p><p>lização e completaram seis anos no mesmo distrito. Uma de suas ênfases é a</p><p>capacitação dos membros para o serviço e a criação de certas condições para</p><p>aqueles de menos recursos se sintam apoiados por sua igreja. Nesta igreja</p><p>se promove um ambiente espiritual e social que satisfaz as necessidades dos</p><p>membros de todas as condições sociais. Quando isto acontece, a igreja cres-</p><p>ce. Em Tartagal, o crescimento foi de 24% na média de crescimento anual</p><p>(MCA) total, o equivalente a 760% da taxa de crescimento decenal (TCD).</p><p>Isto é, esta igreja cresceu a um ritmo seis vezes mais rápido que a Igreja Ad-</p><p>ventista mundial. Uma das principais causas foi o ambiente espiritual e social</p><p>Livro_Crescimento.indd 76 28/6/2007 22:54:23</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>7777</p><p>que atendia suas necessidades de relacionamentos afetivos sem discriminação.</p><p>Isto foi um impacto que membros e vizinhos da igreja sentiram.28</p><p>Um companheirismo verdadeiro leva, sem dúvida, à valorização de to-</p><p>dos os grupos humanos e a um desenvolvimento em cada um desses grupos.</p><p>A sua igreja interessa-se por todos os grupos humanos em sua área de influ-</p><p>ência? Sobre este aspecto, um dos mais controvertidos na área de crescimento</p><p>de igreja, falaremos no próximo capítulo.</p><p>RefeRências</p><p>1 Edgar Redondo, trabalho prático entregue como requisito da disciplina “Métodos</p><p>de establecer iglesias”, fevereiro de 2000.</p><p>2 Hemphill, El modelo de Antioquia, 104.</p><p>3 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 36, 37.</p><p>4 Oosterwal, La Iglesia Adventista del Séptimo Día en el mundo contemporáneo, 20.</p><p>5 Wagner, Su iglesia puede crecer, 200.</p><p>6 Veloso, Teología de la administración eclesiástica, 27-32; Warren, Una iglesia</p><p>con propósito, 215-246.</p><p>7 Hemphill, El modelo de Antioquia, 104.</p><p>8 Oosterwal, La Iglesia Adventista del</p><p>Séptima Día en el mundo contemporáneo, 20,</p><p>17.</p><p>9 Fordyce W. Detamor, Seeking His Lost Sheep (Washington, Columbia: Review &</p><p>Herald, 1965), 5-9.</p><p>10 Rode, Los siete signos vitales de crecimiento de Wagner en seis iglesias adventistas his-</p><p>panas del Sur de California, 235.</p><p>11 Barret, World Christian Encyclopedia, 4.</p><p>12 Hemphill, El modelo de Antioquia, 104.</p><p>13 Ibid., 113-128.</p><p>14 Ibid., 36.</p><p>15 Ibid., 36, 37.</p><p>16 Ibid., 37.</p><p>17 White, O Desejado de todas as nações, 419-427.</p><p>18 Siegfried Horn, Diccionario bíblico Adventista del Séptimo Día (Buenos Aires:</p><p>ACES, 1995).</p><p>19 White, O Desejado de todas as nações, 524.</p><p>20 Johnson, Grupos pequenos para el tiempo del Fin, 55.</p><p>21 White, Evangelismo, 110.</p><p>22 Win Arn, The Church Growth Ratio Book (Monrovia, California: Church Growth</p><p>Inc., 1990), 23-24.</p><p>23 Detamor, Seeking His Lost Sheep; Rubén Pereyra, Pesquisa na DSA; Daniel Rode,</p><p>resultado da visitação a ex-adventistas de Paraná, Entre Rios, 1975-1976; Rubén</p><p>Otto, Factores que inciden en forma prioritaria en el abandono de la IASD por parte</p><p>de sus miembros en Argentina, Paraguay y Uruguay, tese de doutorado.</p><p>24 Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church, 61, 62.</p><p>Livro_Crescimento.indd 77 28/6/2007 22:54:23</p><p>7�7�</p><p>Relacionamentos afetivos</p><p>25 Ibid., 62.</p><p>26 Ibid., 61.</p><p>27 Warren, Una iglesia con propósito, 319-339.</p><p>28 Carlos Hein, e-mail, 14 de dezembro de 2001. Grifo nosso.</p><p>Livro_Crescimento.indd 78 28/6/2007 22:54:23</p><p>7�</p><p>capítUlo 9</p><p>valoRiZaÇão de todos os gRUpos hUmanos</p><p>Benson era um excelente jovem cristão, que junto com mais de 1.500 ado-</p><p>lescentes do Canadá e dos Estados Unidos participou durante dez anos de um</p><p>estudo sobre as causas que levam os adolescentes a deixarem a igreja. Seus pais</p><p>eram fi éis cristãos vindos do Japão. Um dia, eles retornaram para sua pátria, e</p><p>Benson sentiu-se só: “Sentia-me uma ilha em meio à congregação”, comenta</p><p>Benson. “Nunca era incluído nos programas de pôr-do-sol na praia, festas de</p><p>aniversário ou reuniões sociais e, além de tudo, eu era um viciado em drogas.”1</p><p>Pouco a pouco, o desinteresse e desvalorização em relação a ele por parte</p><p>dos membros e líderes de sua igreja foram minando a sua fé em Deus e sua</p><p>confi ança nos irmãos. Após três anos, era um jovem totalmente amargurado</p><p>com a igreja. “Ele apresentava um quadro clássico de alguém que rejeitou o</p><p>cristianismo [...]. Ali estava o típico apóstata dos apóstatas.”2 Então, Roger Du-</p><p>dley, coordenador da pesquisa, escreveu uma carta a Benson na qual agradecia</p><p>sua participação no estudo realizado e, entre outras coisas, lhe diz:</p><p>Por favor, considere que não importa o que você foi no passado. Deus ainda o</p><p>ama. Você tem grande valor para Ele, e Ele tem um profundo interesse por você</p><p>e deseja cuidar de você. Estarei orando para que Deus o ajude a vencer as drogas</p><p>e que lhe devolva uma vida produtiva. Eu sei que você pode conseguir, e pela</p><p>graça de Deus você vencerá.3</p><p>Esta carta foi decisiva. Benson sentiu-se valorizado por Deus e pela igreja.</p><p>Sentiu que alguém confi ava nele, e isto o animou e então regressou à igreja.</p><p>Teve que passar um tempo na cadeia por causa das drogas, mas ele se lembra</p><p>desse tempo na prisão como uma benção de Deus. Ali voltou a se encontrar</p><p>com seu pai, voltou a confi ar nas verdades bíblicas, e hoje é um fi el e ativo</p><p>discípulo do Senhor. O estilo de vida de Benson e seu repúdio a certos valores</p><p>cristãos fi zeram com que facilmente o considerassem um caso sem esperança.</p><p>“Ele se foi. Esqueça-o e invista seus esforços em perspectivas mais frutíferas”,</p><p>disseram. Mas, “para Deus tudo é possível” (Mt 19:26).4</p><p>Livro_Crescimento.indd 79 28/6/2007 22:54:25</p><p>�0�0</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>A valorização de todos os grupos humanos dentro da igreja ao implantar</p><p>qualquer tipo de ministério missionário é um ponto chave para o crescimento</p><p>de uma igreja. Aqueles que estão de alguma forma conectados à missão sabem</p><p>que este princípio é indispensável. McGravan e Wagner comprovaram que “as</p><p>pessoas querem se tornar cristãs sem ter que transpor barreiras raciais, lingüís-</p><p>ticas nem sociais”.5</p><p>Este aspecto é conhecido como o Princípio das Unidades Homogêneas</p><p>(PUH)6, e constitui um dos sinais vitais das igrejas em crescimento. “As igrejas</p><p>ao redor do mundo e no decorrer da história têm crescido basicamente entre</p><p>pessoas de uma mesma classe ao mesmo tempo, e elas nos indicam que con-</p><p>tinuarão crescendo desta forma até que o Senhor volte.”7 As igrejas em cresci-</p><p>mento são principalmente de um grupo homogêneo ou valorizam e atendem</p><p>às necessidades de todos os grupos que a compõem.</p><p>Na última quinzena de agosto de 2000, foi realizada uma série de confe-</p><p>rências adventistas em Rosário del Tala, em Entre Ríos. O pastor do distrito,</p><p>Daniel Torres, fez uma boa preparação prévia usando os meios de comunica-</p><p>ção, e manteve esta estratégia durante as conferências. O orador foi o pastor</p><p>Victor Collins, que hoje reside nos Estados Unidos, natural de Rocamora e</p><p>criado em Rosário del Tala. As reuniões se caracterizaram por declamações</p><p>gauchescas por parte do orador principal, intercaladas com vários relatos da</p><p>vida simples do orador como jovem verdureiro do vilarejo. Por volta de 300</p><p>pessoas assistiram às conferências a cada noite sobre a família, tema por meio</p><p>do qual foi transmitida toda a mensagem adventista. No final de 2000, 32</p><p>novos irmãos haviam sido batizados. Em 2001, o pastor do distrito, com</p><p>a ajuda de Diego Barreiro, um jovem formado em Teologia, confirmou os</p><p>novos crentes e batizou mais 30 pessoas.</p><p>Esta forma de evangelizar, valorizando todos as pessoas, foi eficaz porque</p><p>levou em conta a individualidade dos participantes. Além disso, os visitantes per-</p><p>ceberam que o cristianismo adventista podia ser vivido ao estilo de vida simples</p><p>daquele lugar, e comprovaram que tinha muita relevância para diversas situações</p><p>existenciais que estavam enfrentando. Também notaram que o evangelho pode</p><p>ser vivido num estilo interiorano e que não parecia algo incomum.8 Esta é uma</p><p>idéia moderna, mas Jesus já a utilizava há quase 2 mil anos.</p><p>jesUs e o pUh</p><p>Jesus usou o PUH em sua estratégia de evangelizar o mundo. No início</p><p>do seu ministério considerou o exclusivismo judeu: agiu como judeu, chamou</p><p>discípulos judeus e ordenou que evangelizassem somente os judeus, ainda com</p><p>a proibição de entrar nas aldeias dos samaritanos e dos gentios (Mt 10:5-6).</p><p>Jesus atuou dentro de sua unidade homogênea: onze de seus discípulos eram</p><p>galileus e os que o viram ascender aos céus eram “varões galileus” (At 1:11).9</p><p>Livro_Crescimento.indd 80 28/6/2007 22:54:25</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�1�1</p><p>Esta metodologia do amor, que atendia primeiro aos judeus, queria evitar uma rejei-</p><p>ção do evangelho por problemas de preconceito racial. Ela foi logo adotada pela igreja</p><p>primitiva (At 13:42-52). A partir de Jerusalém, Jesus contemplava a idéia de alcançar</p><p>a todos os grupos étnicos (do grego: panta ta etne) da Terra (At 1:8; Mt 28:19).</p><p>Jesus tentou evangelizar Gadara de forma transcutural, mas foi rejeitado.</p><p>Então, valendo-se do PUH, enviou um dos seus, o ex-endemoninhado gada-</p><p>reno, numa evangelização monocultural. O resultado foi que “todos se maravilha-</p><p>ram” (Mc 5:1-20). Posteriormente, quando Jesus voltou pela segunda vez a</p><p>Gadara, grandes multidões o seguiram. Ali, algum tempo depois, alimentou a</p><p>4 mil homens, sem contar mulheres e crianças (Mc 8:1-10).</p><p>a igReja pRimitiva e o pUh</p><p>A igreja primitiva seguiu o modelo de Jesus. Por exemplo, a queixa do</p><p>grupo grego contra os hebreus por falta de atenção às suas viúvas foi solucionada</p><p>com sensibilidade étnica, ao nomear diáconos de origem grega cheios do Es-</p><p>pírito.10 Os sete diáconos nomeados tinham nomes gregos. Isto faz com que</p><p>suponhamos que eram gregos, ou pelo menos judeus helenizados.11 O serviço</p><p>das mesas era realizado por homens fiéis, “cheios do Espírito” e com os dons</p><p>necessários para tal tarefa. Enquanto isso, os dozes apóstolos perseveraram em</p><p>oração e na pregação. O resultado</p><p>foi que “crescia a palavra de Deus, e em</p><p>Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos</p><p>sacerdotes obedecia à fé” (At 6:7).</p><p>Paulo seguiu a estratégia de Jesus. Quando evangelizava, primeiro ia às</p><p>sinagogas judaicas e depois aos gentios. Sua filosofia era: “primeiro do judeu</p><p>e também do grego” (Rm 1:16). Paulo usava sua formação heterogênea como</p><p>uma ferramenta vantajosa para a evangelização. O apóstolo “calçava os sapatos”</p><p>dos diferentes grupos étnicos, sociais e raciais. Adaptava seu enfoque de evan-</p><p>gelização aos diferentes grupos humanos “com o fim de, por todos os modos,</p><p>salvar alguns.” (1Co 9:19-22). Ele acreditava que os gentios deveriam ser cris-</p><p>tãos ao estilo gentio, e os judeus, ao estilo judeu.12 Intercedia por igrejas autóc-</p><p>tones e não afetadas pelas tradições das culturas dos missionários. Lutou para</p><p>que os gálatas fossem cristãos autênticos sem a inclinação dos “judaizantes”.</p><p>Esta era uma comunidade nova e diferente, uma “terceira raça” que não deveria</p><p>ser tropeço nem a judeus, nem a gregos (1Co 12:32)13, mas que devia ser sensí-</p><p>vel a cada grupo humano e totalmente isento da “cegueira étnico-cultural”.</p><p>Deus está acima de todas as culturas e trabalha por intermédio de cada</p><p>uma delas sem atropelá-las com a imposição de outra cultura, por melhor14 ou</p><p>superior que possa parecer.</p><p>Durante a primeira parte da expansão missionária, a igreja cresceu prin-</p><p>cipalmente entre os judeus. Os dispersos iam por toda parte anunciando a</p><p>palavra somente aos judeus (At 11:19). De fato, formavam-se igrejas em sua</p><p>Livro_Crescimento.indd 81 28/6/2007 22:54:25</p><p>�2�2</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>maioria de judeus. Alguém pode ter julgado os irmãos como racistas, e é possí-</p><p>vel que tenha existido algo assim, mas devemos ver isto a partir da perspectiva</p><p>da estratégia de Jesus (Mt 10:5-6).</p><p>Então veio uma segunda etapa: ir aos gentios. Em Antioquia, os cristãos</p><p>prosélitos judeus de Chipre e Cirene “falavam também aos gregos, anuncian-</p><p>do-lhes o evangelho do Senhor Jesus” (At 11:20). Desta forma, os gregos de</p><p>Antioquia receberam o evangelho sem a barreira cultural judaica. Em Antio-</p><p>quia, “os judeus pregavam aos judeus” e “os gregos aos gregos”. A igreja evitava</p><p>a barreira racial, cultural e social para maior eficácia.</p><p>Não é estranho que se tenham formado igrejas-no-lar judaicas e gregas.</p><p>O certo é que a igreja cresceu muito, e “muitos, crendo, se converteram ao</p><p>Senhor” (At 11:21). Ali, “foram os discípulos, pela primeira vez, chamados</p><p>cristãos” (At 11:26). A receptividade foi tal que Jerusalém teve que enviar</p><p>reforços (At 11:22). Os cristãos rejeitaram os judaizantes porque queriam</p><p>impor seus costumes aos cristãos gentios. Este é um importante aspecto: os</p><p>judeus não tinham que ser gentios para se tornarem cristãos, ou vice-versa</p><p>(At 21; Gl 1,2; At 11:19-20).</p><p>A igreja primitiva cresceu pela obra do Espírito Santo e porque, en-</p><p>tre outras coisas, os cristãos foram perceptíveis à condição étnica. Uma das</p><p>razões por que as igrejas declinam hoje é “a ignorância com relação às dife-</p><p>renças culturais”.15 Um provérbio indígena diz: “Um homem não deveria</p><p>dizer nada a outro sem primeiro ter caminhado com os sapatos dele.”16 Jesus</p><p>caminhou por trinta anos com nossos sapatos, e só depois começou a pre-</p><p>gar. Paulo também seguiu esta regra: como judeu e fariseu, podia falar com</p><p>propriedade aos judeus, o que fazia em primeiro lugar em cada cidade que</p><p>chegava (Fp 3:1-8; Rm 1:16; At 13-20).</p><p>A igreja primitiva compreendeu a missão de ir a todos os grupos ét-</p><p>nicos da Terra (Mt 28:18-20). Com a ordem dada por Cristo, e dirigida pelo</p><p>Espírito Santo no Pentecostes (At 2), a igreja conseguiu implementar uma</p><p>missão transcutural. A valorização de todos os grupos humanos foi crucial para</p><p>o crescimento cristão primitivo, e hoje pode fazer a diferença entre ter uma</p><p>igreja estagnada ou uma em crescimento.</p><p>O Conselho de Pasadena, numa reunião sobre as unidades homogêneas</p><p>em 1978, sob o voto da “Comissão de Lausanne para a evangelização do</p><p>mundo”, declarou:</p><p>Estamos unidos celebrando o mosaico multicolorido de raças humanas que Deus</p><p>criou. Esta rica variedade deveria ser preservada, não destruída, pelo evangelho.</p><p>A intenção de impor uma cultura diferente às pessoas que já têm a sua própria,</p><p>levando-os a uma descolorida uniformidade, é uma rejeição ao Criador e uma</p><p>afronta à sua criação. A preservação da diversidade cultural honra a Deus, respei-</p><p>ta o homem, valoriza a vida e promove a evangelização. Cada igreja, se há de ser</p><p>verdadeiramente autóctone, deve estar arraigada no solo de sua cultura local.17</p><p>Livro_Crescimento.indd 82 28/6/2007 22:54:25</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�3�3</p><p>O pai do movimento de crescimento de igreja, McGavran, dizia:</p><p>O seguinte pode ser tomado como regra: o crescimento da igreja será excessiva-</p><p>mente baixo onde a decisão de tornar-se cristão for considerada uma decisão racial</p><p>antes que uma decisão religiosa. Talvez o maior problema da igreja seja, ao enfren-</p><p>tar a evangelização do mundo, como apresentar Cristo de forma que os não-crentes</p><p>possam realmente segui-lo sem deixar traiçoeiramente seu próprio povo.18</p><p>Devem os crentes formar igrejas de unidades homogêneas? Para os cris-</p><p>tãos cheios do Espírito, ter igrejas homogêneas ou heterogêneas não interfere</p><p>em nada. Em meio à unidade da igreja primitiva, e com muitas igrejas hete-</p><p>rogêneas, existia uma missão direcionada aos gentios liderada por Paulo (Ef</p><p>3:4,6) e uma missão direcionada aos judeus liderada por Pedro (Gl 2:1-10).19</p><p>De fato, essas missões direcionadas produziam, em algum casos, igrejas em sua</p><p>maioria formadas por gentios, e outras compostas por judeus.</p><p>Quando os irmãos pregavam aos judeus (Mt 10:5-6; At 11:19), é natural</p><p>que se formassem igrejas compostas em sua maioria de judeus. E quando se pre-</p><p>gava aos gentios, formavam-se igrejas especialmente dos grupos étnicos evange-</p><p>lizados. Paulo faz referência às “igrejas dos gentios”. Por exemplo, quando envia</p><p>saudações a Priscila e Áquila, faz menção do arriscado ministério deste casal. Por</p><p>esta razão, não apenas ele estava muito agradecido, “mas também todas as igrejas</p><p>dos gentios” (Rm 16:4).20 Também, podemos notar as igrejas étnicas no Concílio</p><p>de Jerusalém que discutiria a igualdade diante de Deus tanto dos irmãos de ori-</p><p>gem gentílica, como de origem judaica (At 15). O concílio que decidiu este caso</p><p>era composto por apóstolos e mestres que se haviam salientado no trabalho de</p><p>levantar igrejas cristãs judaicas e gentias, juntamente com delegados escolhidos de</p><p>vários lugares. Estavam presentes anciãos de Jerusalém e delegados de Antioquia,</p><p>e as igrejas mais influentes estavam representadas. 21</p><p>Além disso, se observam igrejas étnicas nas referências da coleta que as</p><p>igrejas gentílicas enviaram às igrejas judaicas (Rm 15:26-27; Gl 2:8-10). O</p><p>apóstolo Paulo considerava estas ofertas “como um laço de união entre as classes</p><p>judaicas e gentílicas da igreja”.22 Em Roma, também podemos ver as igrejas-</p><p>no-lar gentílicas de Asíncrito, Flegonte, Hermas, Pátrobas, Hermer, Filólogo,</p><p>Julia, Nereo e Olimpas (Rm 16:14,15); todos estes gentios foram nomeados</p><p>separadamente como “os da casa de César” (Fp 4:22). Bruce comenta:</p><p>Quem sabe alguns grupos locais eram formados por cristãos judeus e outros por</p><p>cristãos gentios; e havia poucos, talvez nenhum, em que gentios e judeus estivessem</p><p>juntos... Não deve surpreender-nos se alguns grupos foram chamados de “sinagogas”</p><p>(ou episynagoges de Hebreus 10:25), enquanto outros eram designados ekklesias.23</p><p>Wagner ressalta que “a igreja de Roma”, “a igreja de Antioquia” e outras</p><p>menções a igrejas são referências a toda a comunidade heterogênea de cristãos</p><p>de um lugar, agrupados em igrejas-no-lar homogêneas de dois grandes ramos</p><p>Livro_Crescimento.indd 83 28/6/2007 22:54:25</p><p>�4�4</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>étnicos: judeus e gentios.24 Também Padilha, crítico do PUH, reconhece que a</p><p>igreja de Roma “parecia</p><p>estar dividida em vários grupos separados, alguns dos</p><p>quais podem ter sido constituídos por pessoas representantes das várias unidades</p><p>homogêneas presentes na sociedade”.25 É incontestável que a igreja primitiva ti-</p><p>nha igrejas heterogêneas e homogêneas, segundo o que fosse mais conveniente</p><p>para o progresso do povo de Deus. No entanto, as igrejas homogêneas nunca</p><p>significaram para os apóstolos uma divisão racista do povo de Deus.</p><p>Ellen White apoiou a organização, dentro da Igreja Adventista, do depar-</p><p>tamento encarregado das minorias raciais. Essa minoria era, nos Estados Uni-</p><p>dos, os alemães, os escandinavos, os franceses, os italianos, os sérvios, os russos</p><p>e outros grupos que por sua vez trabalhariam por seu próprio povo.26 Ela tam-</p><p>bém apoiou a idéia de ter igrejas separadas para brancos e para negros. Isto de-</p><p>veria acontecer apenas depois de esclarecer que não se tratava de racismo, mas</p><p>sim para a valorização de todos os grupos raciais dentro da igreja. Além disso,</p><p>isso deveria acontecer apenas nos lugares onde realizar os cultos juntos preju-</p><p>dicaria a evangelização de ambos. Portanto, o conselho para separar os grupos</p><p>não era para afirmar o racismo, e sim para corrigir esses erros valorizando todos</p><p>os grupos, e para desta forma fazê-los crescer. Ellen G. White comenta:</p><p>Com relação à pergunta se pessoas brancas e pessoas de cor devem adorar no</p><p>mesmo lugar, isto não deveria ser uma regra geral, visto que não traria proveito</p><p>para nenhuma das partes, principalmente no sul. O melhor que se pode fazer é</p><p>providenciar lugares apropriados aos cultos para as pessoas de cor que aceitam a</p><p>verdade, onde possam se reunir. Isto é particularmente necessário no sul, a fim</p><p>de não prejudicar também o trabalho com a raça branca.</p><p>Que nossos irmãos de cor tenham boas e belas casas de culto. Mostremos a eles</p><p>que isso não é feito para excluí-los do serviço de adoração com os brancos pelo</p><p>fato de serem de cor, mas sim com o objetivo de que a pregação da verdade pos-</p><p>sa avançar. Façamos com que compreendam que este plano deve continuar até</p><p>que o Senhor nos mostre um caminho melhor.27</p><p>O princípio por trás desta forma de trabalho é o seguinte:</p><p>Se a obra em favor de um grupo dentro de uma igreja é prejudicada por estar</p><p>junto com outro grupo, isto deve ser corrigido com urgência, para que a missão</p><p>não seja prejudicada em meio a nenhum deles. Se isso não funcionar, deve-se</p><p>promover um lugar de culto próprio, separado para o grupo prejudicado, a fim</p><p>de que a pregação da verdade possa avançar em todos os grupos.28</p><p>O problema não é ter igrejas étnicas. De fato, a igreja sempre as teve e as</p><p>terá. O problema é se os grupos homogêneos dentro de uma igreja ou igrejas</p><p>de grupos homogêneos fazem algum tipo de discriminação.</p><p>Warren e sua igreja dinâmica admitem a impossibilidade de alcançar to-</p><p>dos os grupos humanos de sua área. Eles sabem que existem como igrejas para</p><p>Livro_Crescimento.indd 84 28/6/2007 22:54:26</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�5�5</p><p>alcançar um determinado grupo social e a este fim se dedicam sem discriminar</p><p>outros. Warren apelidou o grupo branco da igreja: “Sam e Samantha Sadd-</p><p>leback”. Os integrantes desta classe social têm entre 37 e 45 anos de idade,</p><p>são educados, muito ocupados, gostam de seu trabalho e do nível social no</p><p>qual vivem. São um tanto receosos com relação à igreja organizada e querem</p><p>o melhor para seus filhos, “Steve e Sally”. A focalização de toda ação de sua</p><p>igreja para alcançar este grupo social os tornou especialistas ao ponto de sua</p><p>estratégia de missão ser muito eficaz. Isto lhes deu um crescimento enorme, o</p><p>qual já mencionamos.29</p><p>O PUH é uma ferramenta prática que pode ajudar no crescimento de</p><p>qualquer igreja, em qualquer lugar da Terra. George Hunter III relata o caso</p><p>do jovem Ditt, da casta dos chuhras, na Índia. Por meio de sua conversão, toda</p><p>a sua casta se tornou cristã. Esta casta dos chuhras resistiu muito a um tipo de</p><p>evangelização ocidental. Mas quando, por intermédio de Ditt, a evangeliza-</p><p>ção foi feita “ao estilo chuhra” a situação mudou radicalmente e toda a casta</p><p>tornou-se cristã.30</p><p>Schaller diz que o PUH tem sido usado com êxito durante mais de 200</p><p>anos nos Estados Unidos e Canadá. A maioria das igrejas destes países se desen-</p><p>volveu dentro de grupos homogêneos. Como exemplo, podemos mencionar</p><p>a Igreja Metodista Suíça, a Igreja Metodista Italiana e a Igreja Presbiteriana</p><p>Húngara.31 Temos também igrejas adventistas hispanas, coreanas, afro-ameri-</p><p>canas e muitas mais neste estilo. Uma congregação homogênea que tenha um</p><p>estilo de adoração de acordo com o grupo que a integra e a freqüenta, alcançará</p><p>muito mais as pessoas e as conversões aumentarão. O Conselho de Pasadena,</p><p>ao discutir as unidades homogêneas, declarou que os fatos indicam que “a</p><p>igreja cresce mais quando é estabelecida entre grupos sociais que são étnicos e</p><p>socialmente homogêneos.32</p><p>A igreja adventista tem visto um desenvolvimento maior de suas igre-</p><p>jas quando este princípio é levado em consideração. Um exemplo disso é a</p><p>igreja afro-americana de Efeso, em Los Angeles, Califórnia. Sob a direção de</p><p>seu fundador, Craig Dossman, começou com cinqüenta membros em 1980, e</p><p>no final de 1990 tinha 800 membros. Isto foi 31% da média de crescimento</p><p>anual (MCA).33 No mesmo período, a igreja adventista mundial teve só 6,8%</p><p>de MCA. Também nesta igreja funciona uma classe de escola sabatina em es-</p><p>panhol e pode-se ver pessoas brancas que também freqüentam. No entanto,</p><p>todo o enfoque é para as pessoas de cor. O boletim tem um mapa da África, e</p><p>faz parte do programa da igreja ensiná-los a não se sentirem diminuídos só por</p><p>serem afro-americanos.</p><p>Depois de analisar este tema, Dudley e Cummings aconselham que a igreja</p><p>deve continuar enfocando uma evangelização direcionada que leve em consi-</p><p>deração os pontos fortes e fracos, e as particularidades de cada grupo étnico.34</p><p>Juan Carlos Viera, ao analisar o desenvolvimento adventista na Argentina,</p><p>Paraguai e Uruguai, chegou à conclusão de que o princípio das unidades ho-</p><p>Livro_Crescimento.indd 85 28/6/2007 22:54:26</p><p>�6�6</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>mogêneas havia sido o ponto chave da expansão adventista. Ele analisa os erros</p><p>cometidos na oposição a este princípio e o conseqüente retrocesso que isso trouxe</p><p>para a igreja. Muitas vezes se perderam valiosos irmãos dos bairros pobres por</p><p>pedir-lhes que assistissem aos cultos na igreja central da cidade, num ambiente</p><p>totalmente diferente.35 A igreja adventista do Peru teve o maior crescimento da</p><p>América do Sul na década de 80. Quase 200% do TCD. Em 1990, havia uns</p><p>250 mil adventistas. Uma das causas desse crescimento foi o PUH. Uma vez que</p><p>havia poucos pastores para atender 617 igrejas e 2.700 congregações menores, os</p><p>irmãos é que faziam a evangelização e conduziam o rebanho.36 Os leigos usavam,</p><p>na maioria das vezes, formas autóctones em toda sua ação eclesiástica, e parece</p><p>que foi esta a principal causa do crescimento. Quando pastores bem preparados</p><p>usam formas de evangelização não producentes no contexto onde estão as igrejas,</p><p>isto afeta negativamente o crescimento.</p><p>A igreja adventista de Palermo, Buenos Aires, teve entre os anos de 1993</p><p>a 1995 um notável despertar e crescimento. Alguns dos fatores estão relacio-</p><p>nados com uma maior valorização dos diferentes grupos humanos dentro da</p><p>igreja. Em 1993, Luis Tapia chegou à igreja, um irmão muito missionário de</p><p>origem peruana. Seu “diferente espírito missionário” foi aos poucos contagian-</p><p>do a igreja. Logo, os irmãos que vinham de longe decidiram que, no sábado, al-</p><p>moçariam todos juntos na igreja. Este projeto começou com uns 30 membros,</p><p>e terminou reunindo mais de 200. Depois do almoço, falavam das necessida-</p><p>des da igreja, da ação missionária e dos dons. Foi assim que surgiram diferentes</p><p>grupos homogêneos de trabalho. Foram organizados em torno de 50 ministé-</p><p>rios diferentes, que reuniam diversos dons, trabalhando por grupos humanos</p><p>com necessidade particulares.</p><p>Por exemplo, foi formado o grupo da prisão, o</p><p>grupo dos hospitais, o grupo que trabalhava em bairros pobres, o grupo que</p><p>cuidava das pessoas de rua, o grupo que cuidava dos fumantes e ex-fumantes,</p><p>o grupo que cuidava dos alcoólatras e usuários de drogas, e outros mais. O</p><p>pastor Eduardo Pereyra dava instruções a estes grupos por meio de seminários.</p><p>No término dos seminários, cada irmão se juntava a um grupo homogêneo de</p><p>serviço à comunidade. A igreja de Palermo normalmente batizava 40 pessoas</p><p>por ano, mas com a valorização de todos os grupos humanos dentro da igreja,</p><p>este número foi duplicado. Entre 1993 e 1995, foram batizadas em torno de</p><p>80 pessoas a cada ano. A chave foi o fortalecimento dos “grupos homogêneos de</p><p>ministérios”. Na igreja de Palermo, durante esses anos, cresceu muito o grupo</p><p>missionário de irmãos peruanos.37</p><p>Em 1990, ocorreu em Buenos Aires outro crescimento parecido, graças</p><p>à valorização de outro grupo homogêneo: os irmãos bolivianos, de poucos re-</p><p>cursos, que chegaram e formaram parte da igreja adventista de Quilmes. Estes</p><p>irmãos começaram a reunir-se no bairro onde estavam estabelecidos. Pouco a</p><p>pouco, de maneira humilde, o princípio das unidades homogêneas teve seu efei-</p><p>to (“pássaros de mesma plumagem se juntam”), e foi assim, sem muitos gastos,</p><p>que surgiu o que é hoje a igreja adventista de Ezpeleta, formada principalmente</p><p>Livro_Crescimento.indd 86 28/6/2007 22:54:26</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�7�7</p><p>por irmãos bolivianos. Na década de 90, este grupo de irmãos quase se multipli-</p><p>cou: teve um crescimento de 198% do TCD.38 Este crescimento foi quatro vezes</p><p>maior que o crescimento da União Austral em um período semelhante.39</p><p>Uma maior valorização de todos os grupos humanos dentro da igreja in-</p><p>fluenciará para que haja um crescimento maior. Nesse ambiente de valorização</p><p>pessoal e como grupo, qualquer metodologia será eficaz para fazer discípulos</p><p>responsáveis. Pergunto: sua igreja tem valorizado a cada grupo humano a pon-</p><p>to de usar metodologias missionárias que mais se adaptam às suas mentalidades</p><p>e características? No próximo capítulo ampliaremos este tema das metodolo-</p><p>gias eficazes para fazer discípulos.</p><p>RefeRências</p><p>1 Dudley, Why Our Teenagers Leave me Church, 106.</p><p>2 Ibid., 109.</p><p>3 Ibid., 110. Grifo nosso.</p><p>4 Ibid., 112-113.</p><p>5 McGavran, Understanding Church Growth, 163.</p><p>6 Wagner. Su iglesia puede crecer, 137-153.</p><p>7 Wagner, Our Kind of People, 56.</p><p>8 Daniel Torrez, entrevista pessoal, 29 de abril de 2002.</p><p>9 Wagner, Our Kind of People, 117-119.</p><p>10 Frederick Fyvie Bruce, Commentary on the Book of the Acts (Grand Rapids, Michi-</p><p>gan: Eerdmans, 1954), 127-129.</p><p>11 Francis Nichol, Comentario bíblico adventista, vol. 6, 192.</p><p>12 Wagner, Our Kind of People, 128.</p><p>13 Padilla, Misión integral, 160, 139.</p><p>14 Eddie Gibbs, I Believe in Church Growth (London: Hodder & Stoughton, 1990), 76.</p><p>15 Pedro Larson, Crecimiento de la iglesia: una perspectiva bíblica (El Paso, Texas: Junta</p><p>Bautista de Publicaciones. 1989), 227.</p><p>16 Gibbs, I Believe in Church Growth, 96-97.</p><p>17 Ibid., 97.</p><p>18 McGavran, Understanding Church Growth, 155.</p><p>19 Wagner, Our Kind of People, 126-127.</p><p>20 Grifo nosso.</p><p>21 White, Atos dos Apóstolos, 196. Grifo acrescentado para destacar os tipos de igrejas.</p><p>22 Nichol, Comentario bíblico adventista, vol. 6, 265.</p><p>23 Frederick Fyvie Bruce, New Testament History (Garden City, New York: Double</p><p>day, 1971), 394.</p><p>24 Wagner, Our Kind of People, 125.</p><p>25 René C. Padilla, Misión integral: Ensayos sobre el reino y la iglesia (Grand Rapids,</p><p>Michigan: Eerdmans, 1986), 156, 157.</p><p>26 Ellen White, Serviço Cristão (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999), 247-250;</p><p>Review and Herald, 9 de fevereiro de 1905 e 29 de outubro de 1914.</p><p>Livro_Crescimento.indd 87 28/6/2007 22:54:26</p><p>����</p><p>Valorização de todos os grupos humanos</p><p>27 Ellen White, “Proclaiming the Truth Where There is Race Antagonism”, Testemo-</p><p>nies (Washington DC, Review and Herald, 1909), vol. 9, 206. 207.</p><p>28 Grifo nosso.</p><p>29 Warren. Una iglesia con propósito, 163-211.</p><p>30 Wagner, Arn e Towns, Church Growth: The State of the Art, 71.</p><p>31 Schaller, Growing Plans, 129, 130.</p><p>32 Dayton y Fraser, Planning Strategies for World Evangelization, 99.</p><p>33 Monte Sahlin, Sharing our Faith with Friends without Losing Either, 109.</p><p>34 Roger L. Dudley e C. Des Cummings Jr., Adventures in Church Growth, 57.</p><p>35 Viera, Pautas de crecimiento en la Iglesia Adventista del Séptimo Día en los países de</p><p>la Cuenca del Plata, 114.</p><p>36 Viera, Los Adventistas del Séptimo Día en América Latina, 110.</p><p>37 Eduardo Pereyra, entrevista pessoal, 19 de dezembro de 2001.</p><p>38 Ernesto Randazzo, entrevista pessoal e relatório para a disciplina “Fundamentos de</p><p>crecimiento de iglesia”, fevereiro de 2001.</p><p>39 Aníbal Espada, Dinámica eclesial, anotações de aula (Buenos Aires: Unión Austral</p><p>de la IASD, 2000), 10, 11.</p><p>Livro_Crescimento.indd 88 28/6/2007 22:54:26</p><p>��</p><p>capítUlo 10</p><p>metodologia eficaZ paRa faZeR discípUlos</p><p>“Se você souber um versículo bíblico de memória, pode vir à minha igreja</p><p>repeti-lo e explicá-lo; e fazer parte de nossa con gregação.” Esta é a forma direta</p><p>de se fazer discípulos em certa igreja. Quando o amigo ou parente responde</p><p>a este convite, freqüenta a igreja acompanhado daquele que o convidou, e</p><p>quando consegue “repetir um versículo e explicá-lo”, seu nome é incorporado à</p><p>congregação mediante o ato simbólico de escrever seu nome num dos tijolos da</p><p>igreja. Esta é a simples metodologia missionária para fazer discípulos que está</p><p>dando bons resultados numa humilde igreja evangélica. Rimos? Menospreza-</p><p>mos o método? Parece-nos algo muito infantil? Tudo isso pode ser verdade,</p><p>mas também é verdade que esta metodologia para fazer discípulos está dando</p><p>certo para essa igreja. A igreja está crescendo de forma constante.</p><p>As igrejas em crescimento empregam métodos efi cazes para fazer discí-</p><p>pulos. Não importam quais sejam os métodos, mas são efi cazes para fazer discí-</p><p>pulos que se reproduzem dentro de seu contexto. O fi m não justifi ca os meios,</p><p>mas em se tratando de crescimento de igreja, sim. Ou seja, qualquer meio é</p><p>válido se faz com que a igreja cresça. É claro que esta é uma forma de dizer,</p><p>por que na realidade queremos dizer que “qualquer meio cristão, bíbli co e de-</p><p>cente” é válido se faz com que a igreja cresça. O que queremos en fatizar é que</p><p>não importa se o método é sofi sticado, complexo ou sim ples; se ele faz com</p><p>que a igreja cresça, então ele tem seu lugar nos planos de Deus. A va riedade de</p><p>métodos é um dos grandes fatores adventistas de crescimento.1</p><p>A grande comissão de Mateus 28:18-20 implica ter igrejas de dis cípulos</p><p>em cada grupo étnico da Terra. Orlando Costas diz que as congregações nativas</p><p>em cada contexto social são o “instru mento de Deus” e o “quinto evangelho”</p><p>que o mundo tem direito de ler.2 É um erro fatal em crescimento de igreja</p><p>confundir os meios com os fi ns, e enfatizar mais os meios que o fi m último.</p><p>Este erro cedo ou tarde cobra seu preço numa porcentagem muito alta de apos-</p><p>tasias.3 Ir, evangelizar, pregar, ensinar e batizar são ver bos que indicam os meios</p><p>que a igreja emprega para alcançar o grande objetivo, que é fazer discípulos</p><p>Livro_Crescimento.indd 89 28/6/2007 22:54:28</p><p>�0�0</p><p>Metodologia eficaz para fazer discípulos</p><p>para estabelecer seu reino. Várias igrejas estão cometendo o “erro fatal” de prio-</p><p>rizar um meio no lugar do objetivo final. Na Igreja Adventista tem-se instalado</p><p>muito fortemente uma ênfase desmedida no número de batismos, enquanto</p><p>que a ênfase deveria ser dada ao aumento da participação dos membros com</p><p>o objetivo de torná-los discípulos fiéis. Toda a estrutura da igreja se move em</p><p>relação ao “número de batismos”, que tem se convertido numa forma de medir</p><p>o êxito. Os resultados em apostasia estão começando a dar fortes golpes nos</p><p>corações dos verdadeiros pastores do rebanho. Algumas vozes se levantam aqui</p><p>e ali para procurar corrigir o rumo, e tem-se conseguido algo. No entanto,</p><p>ainda continua instalada</p><p>esta forma de medir o crescimento.</p><p>A igreja mundial está manifestando seu interesse em produzir discípulos.</p><p>Como exemplo, os seminários dados sobre a revolucionária teologia de minis-</p><p>tério apresentada em Foz do Iguaçu em 1997, por Rex Eduards, ex-vice presi-</p><p>dente da obra adventista mundial demonstraram isso. O programa Um milhão</p><p>em ação também. Este plano procurou desenvolver um milhão de discípulos</p><p>em 2003 que trabalhassem como instrutores bíblicos, pregadores, líderes de</p><p>pequenos grupos e em diversos ministérios.4</p><p>Os últimos estudos de Dudley indicam que os adolescentes que participam</p><p>ativamente nos cultos e nos eventos congregacionais têm mais possibilidades de</p><p>permanecer fiéis e ativos na igreja quando se tornam adultos. Os adolescentes</p><p>que permanecem na igreja participaram mais em suas atividades.5 No entanto,</p><p>o principal interesse da maioria das igrejas está dirigido unicamente para batizar</p><p>novas pessoas. Pouco interesse é dado aos programas que oferecem maior partici-</p><p>pação aos novos batizados e aos jovens para que se tornem discípulos.</p><p>Esta é a breve história de dois pastores:6 Juan tinha um alto prestígio</p><p>na associação de igrejas, porque na lista de pastores seu nome aparecia quase</p><p>sempre em primeiro lugar com um número que normalmente era maior que</p><p>100, indicando a quantidade de batismos. Um dia, conversando com Juan, ele</p><p>me disse: “Eu tenho um bom prestígio diante dos meus líderes, mas Deus sabe</p><p>muito bem, assim como eu, que uma porcentagem alta de irmãos batizados</p><p>não está mais na igreja. Por isso, quero que venham dar uma palestra sobre</p><p>dons, pois quero que meus irmãos se tornem discípulos”. O coração pastoral</p><p>de Juan sofria ao ver os elevados números de membros batizados que não per-</p><p>severavam como discípulos.</p><p>A história de Santiago foi diferente. Ele se deu conta de que o que deixava</p><p>seus líderes felizes e lhe dava prestígio, um lugar destacado entre seus pares, era</p><p>o número de batismos. Ele sabia como fazer para que isto acontecesse de forma</p><p>rápida e explosiva. Levantava uma tenda num bairro pobre, atraía as pessoas</p><p>de diversas maneiras e em pouco tempo conseguia batizar um grupo grande de</p><p>garotos e famílias que vinham pelos “pães e peixes”. Se isto não surtia efeito,</p><p>ele sabia como fazer chegar fichas de pessoas batizadas que nunca existiram.</p><p>Desta forma, seu nome na lista de pastores estava entre os primeiros com um</p><p>número alto de batismos. Seu lugar havia sido conquistado, assim fazia em</p><p>Livro_Crescimento.indd 90 28/6/2007 22:54:28</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�1�1</p><p>seu distrito o que bem lhe parecia, podia pas sear e pregar como desejasse. Seu</p><p>prestígio estava assegurado por um ano. Mas, na realidade, as igrejas de seu</p><p>distrito estavam esquá lidas e em decadência. Sem dúvida, esta é uma terrível</p><p>aberração religiosa, inconcebível para um ministro de Deus, mas real. Muito</p><p>rapidamente Santiago deixou de ser um líder eclesiástico.</p><p>Por que estou relatando estas duas histórias? Juan conseguiu manter-se fi el</p><p>às suas convicções religiosas, ao seu chamado e à sua dignidade de verdadeiro</p><p>pastor do rebanho do Senhor. Como? Com muita oração, estudo da Bíblia e</p><p>entrega à missão que preenche seu coração. Mas, o que aconteceu com Santiago?</p><p>Sua vida devocional não diferia muito da vida de Juan, porém, sucumbiu, perdeu</p><p>sua dignidade pastoral e fi nalmente se perdeu como líder da igreja. Sabemos que</p><p>cada um é responsável por suas ações, mas será que Santiago não é o resultado</p><p>natural de uma igreja que tem enfatizado demais “um meio” e se esquecido do</p><p>“grande objetivo de fazer discípulos”?7 Será que sua igreja caiu na “numerolatria”?</p><p>O incrível é que os cristãos em geral têm interpretado mal algumas pas-</p><p>sagens tão conhecidas como Mateus 28:18-20. Temos falado em ir a “todas as</p><p>nações”, quando na realidade o original grego panta ta etne signifi ca “todas as</p><p>etnias” ou “grupos étnicos” da Terra. Uma etnia é um grupo humano maior</p><p>que uma família e menor que uma tribo. Um segundo erro ao ler estes versí-</p><p>culos tem sido enfatizar como imperativo o ir. Todos os verbos que indicam os</p><p>meios para chegar a um fi m estão no gerúndio presente do grego, e deveriam</p><p>ser traduzidos como indo, batizando, ensinando. Estes são os meios para se</p><p>alcançar o grande objetivo que está indicado no imperativo da comissão evan-</p><p>gélica (mathetéuo): Fazei discípulos!</p><p>FAZEI DISCÍPULOS!</p><p>BATIZANDO</p><p>ENSINANDO</p><p>INDO</p><p>ENSINANDO</p><p>O problema cristão, como diz Miranda, é que “geralmente, o que temos</p><p>chamado de ‘evangelismo’ coloca todo o esforço em nos prepararmos para</p><p>produzir ‘bebês’”8. Vamos, ensinamos e batizamos, mas não seguimos com</p><p>o processo de continuar ensinando-lhes e enviando-lhes para que, por meio</p><p>de toda esta ação, se tornem discípulos responsáveis. O que é que fazemos?</p><p>Aqui é onde muitas igrejas cristãs cometem o erro estratégico. Simplesmente,</p><p>depois do batismo param o trabalho com essa pessoa, porque “acredita-se que</p><p>o objetivo foi alcançado”, e não nos damos conta de que o batismo é outro</p><p>meio para atingir o grande objetivo de fazer dela um discípulo de Cristo. O</p><p>Livro_Crescimento.indd 91 28/6/2007 22:54:29</p><p>�2�2</p><p>Metodologia eficaz para fazer discípulos</p><p>que acontece então? Os bebês espirituais morrem por falta de instrução, de</p><p>ação e de nutrição antes de se tornarem adultos. A grande apostasia cristã</p><p>pode chamar-se “mortalidade infantil”, pois 80% dos que abandonam a igre-</p><p>ja o fazem no primeiro ano.</p><p>O modelo de Warren, que trouxe notável crescimento à Igreja de Saddleback</p><p>e a outras que a seguiram, tem a característica pouco comum de ter um plano sim-</p><p>ples que transforma pouco a pouco um membro da comunidade num discípulo</p><p>que serve. Esta igreja, que focaliza toda sua ação na arte de fazer discípulos, é “uma</p><p>igreja com propósito”9. E esse propósito é fazer discípulos! Warren diz:</p><p>Como membros, os edificamos para que se tornem maduros (discípulos), os</p><p>treinamos para o ministério e os enviamos como missionários, adorando ao</p><p>Senhor no processo. Assim é! Em Saddleback nos concentramos totalmente</p><p>nisso. Não fazemos nenhuma outra coisa. Se tivesse que utilizar termos da área</p><p>de negócios, diria que nossa igreja se encontra no ramo de formar discípulos, e</p><p>que nosso produto são vidas transformadas, pessoas parecidas com Cristo.10</p><p>Warren coloca em prática as seis facetas para cumprir com a missão do</p><p>Novo Testamento: proclamação, adoração, testemunho, comunhão, serviço e</p><p>educação; e as desenvolve em torno do propósito central e dominante de fazer</p><p>um discípulo. Sua metodologia simples e bíblica está levando essa igreja a um</p><p>notável crescimento. Esse projeto começou com uma família há 15 anos e hoje</p><p>é uma igreja de uns 3 mil discípulos, uns 6 mil membros e ao redor de 10 mil</p><p>freqüentadores. Por outro lado, nesses anos fundou 26 igrejas-filhas.11 Como essa</p><p>igreja consegue formar seus discípulos?</p><p>Warren, pastor de uma das igrejas batistas que mais crescem, entende que</p><p>a igreja existe para a missão. Sua estratégia focaliza o não-religioso e funciona</p><p>“de fora para dentro”:</p><p>1) Para atingir a comunidade usa a proclamação ou evangelização, que re-</p><p>sulta num número de freqüentadores, aos que denomina a multidão.</p><p>2) Essa multidão é fortalecida para a vida de todos os dias mediante a ado-</p><p>ração. Como resultado, muitos desejam ser membros da congregação.</p><p>3) A congregação é aprimorada no afeto mediante o companheirismo ou</p><p>comunhão. Como resultado, muitos assumem um compromisso maior;</p><p>ou seja, querem ser discípulos responsáveis.</p><p>4) Quanto aos discípulos ou comprometidos, os prepara com profundidade</p><p>para ministérios especializados de acordo com seus dons, o que resulta</p><p>num núcleo de ministros.</p><p>5) Ao núcleo de ministros lhes dá a honra de participar junto com ele em</p><p>ministérios a favor da comunidade como parte da proclamação.</p><p>Desta forma, continua novamente o ciclo num testemunho eficaz que</p><p>tem como resultado discípulos responsáveis do corpo de Cristo e candidatos</p><p>para o reino dos céus.12</p><p>Livro_Crescimento.indd</p><p>92 28/6/2007 22:54:29</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�3�3</p><p>Esse modelo bíblico está sendo aplicado com êxito em muitas par tes</p><p>do mundo. As idéias neotestamentárias estão proliferando por meio do tes-</p><p>temunho das ações da igreja de Warren e dos seminários que já foram dados</p><p>a mais de 30 mil líderes religiosos de mais de 60 denominações diferentes</p><p>em 42 países.</p><p>Adoração</p><p>Comunhão</p><p>Testemunho Serviço</p><p>Educação</p><p>Proclamação</p><p>1</p><p>2</p><p>3 4</p><p>5</p><p>6</p><p>faZeR discípUlos</p><p>A igreja de La Perlita, mencionada anteriormente, do bairro Moreno</p><p>de Buenos Aires, colocou em prática uma metodologia simples para fazer</p><p>discípulos, porém adequada ao bairro, onde há muitas crianças. Toda sua</p><p>estratégia girava em torno do Clube de Desbravadores. Na década em que o</p><p>clube esteve ativo (1982 a 1992), esta igreja teve o crescimento mais notá-</p><p>vel da Argentina: 603% TCD. Comentamos este exemplo porque queremos</p><p>enfatizar que o fato de se ter uma metodologia efi caz para fazer discípulos</p><p>é também na Argentina um fator de crescimento de igreja. O método não</p><p>importa, contanto que seja decente e cristão, mas tem que ser apropriado e</p><p>adaptado ao seu contexto, e efi caz em conseguir com que as pessoas conver-</p><p>tidas se tornem discípulas de Cristo.</p><p>Livro_Crescimento.indd 93 28/6/2007 22:54:30</p><p>�4�4</p><p>Metodologia eficaz para fazer discípulos</p><p>Não importa como se consegue. Claro que com isso não estamos respal-</p><p>dando métodos pecaminosos ou não-cristãos, mas sim métodos diferentes. O</p><p>que importa é que se empregue um determinado método para transformar vi-</p><p>das em discípulos para a glória de Deus. Um método que se destaca dos outros</p><p>para se fazer discípulos é o de fundar novas igrejas e ministérios. Veremos esta</p><p>característica no capítulo seguinte.</p><p>RefeRências</p><p>1 Oosterwal, La iglesia Adventista del Séptimo Dia en el mundo contemporáneo, 16</p><p>2 Orlando Costas, Liberating News (Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1989), 133-136.</p><p>3 Wagner, Your Church Can Growth, 159-171.</p><p>4 James Zackrison, explicação dada na Universidade Peruana Unión, janeiro de</p><p>2002.</p><p>5 Dudiey, Why Our Teenagers Leave the Church?, 74 e 82.</p><p>6 O fato é real, porém os nomes foram mudados.</p><p>7 O itálico é usado para contrastar as duas ênfases.</p><p>8 Miranda, Manual de iglecrecimiento, 27.</p><p>9 Este é o título da obra de Warren, Una iglesia con propósito.</p><p>10 Warren, Una iglesia con propósito, 114-115. Grifo nosso.</p><p>11 Ibid., 138-140, contra-capa.</p><p>12 Ibid., 127-159.</p><p>Livro_Crescimento.indd 94 28/6/2007 22:54:30</p><p>�5</p><p>capítUlo 11</p><p>a consciência da impoRtância de fUndaR</p><p>igRejas e ministÉRios</p><p>“Pode-se fazer com que a igreja cresça sem necessidade de abrir novas</p><p>igrejas”, declarava nosso amigo Velino Salazar. “É possível ter uma igreja gran-</p><p>de e pequena ao mesmo tempo.” As igrejas grandes necessitam atender suas</p><p>necessidades e as de suas comunidades organizando pequenos grupos e minis-</p><p>térios. Se isto é realizado, o efeito sobre o crescimento é extraordinário. Assim,</p><p>estabelecer igrejas é equivalente a organizar pequenos grupos e uma diversida-</p><p>de de ministérios dentro da igreja.</p><p>Estas idéias foram as primeiras que tivemos que enfrentar quando che-</p><p>gamos aos Estados Unidos para estudar crescimento de igreja. Eram idéias</p><p>contrárias à nossa forma de ver as coisas. Na América do Sul, sustentamos</p><p>por anos – e ainda sustentamos – que as igrejas pequenas e novas sempre cres-</p><p>cem mais. Isto está fundamentado em anos de experiência na forma de fazer</p><p>crescer a igreja neste continente. Cremos que nosso amigo Velino tinha certa</p><p>razão. As igrejas maiores e as mais inovadoras do mundo crescem com base na</p><p>multiplicação de ministérios e pequenos grupos. Estes casos excepcionais são</p><p>possíveis graças a lideranças extraordinárias e mediante permanências pastorais</p><p>prolongadas.1 Mas, ainda que o anterior seja verdade, fundar igrejas separadas</p><p>continua sendo a melhor forma de produzir discípulos e fazer crescer a igreja.</p><p>O missiólogo Wagner diz: “O método mais efi caz de evangelização que existe</p><p>debaixo do céu é o de estabelecer novas igrejas.”2</p><p>Podemos dizer, então, que o método por excelência para produzir discí-</p><p>pulos e ter um crescimento autêntico é criar novos ministérios, pequenos gru-</p><p>pos ou igrejas, pois assim os membros se envolverão mais e desenvolverão mais</p><p>seus dons, fi rmando-se como discípulos responsáveis. Quanto mais irmãos</p><p>utilizarem os dons espirituais, mais frutos virão para edifi car o reino de Deus,</p><p>porque o uso dos dons na missão da igreja é a estratégia do Espírito Santo para</p><p>o cumprimento da missão mundial (1Co 12; Ef 4; Rm 12).</p><p>Livro_Crescimento.indd 95 28/6/2007 22:54:32</p><p>�6�6</p><p>A consciência da importância de fundar igrejas e ministérios</p><p>“Todos os anos batizamos 40 a 50 irmãos, mas a igreja continua igual.”</p><p>Este comentário é comum na Igreja Adventista. Nós, líderes de igreja e irmãos</p><p>experientes, sabemos que na maioria das igrejas ocorre este fenômeno. Pense</p><p>em qualquer igreja, vá lá e conte os irmãos presentes no sábado de manhã.</p><p>Agora pense quantos irmãos tinha essa igreja 15 ou 20 anos atrás. Estamos</p><p>pensando em várias igrejas onde trabalhamos. O que você descobriu? Exata-</p><p>mente o mesmo que nós! A igreja se manteve igual durante esse tempo, e é</p><p>possível que continue igual durante os próximos 20 anos, a não ser que a igreja</p><p>estabeleça uma nova congregação.</p><p>Sim, é verdade! A única diferença foram as igrejas novas que surgiram nessa</p><p>cidade. Percebe a importância que há em abrir igrejas filhas?3 Ron Giadden, um</p><p>experiente fundador de igrejas adventistas, diz: “Cada cidade na América do Norte</p><p>tem o mesmo número de adventistas há vinte anos; as únicas exceções são as cida-</p><p>des onde temos fundado igrejas durante esses últimos vinte anos.”4 Esta descoberta</p><p>feita nos Estados Unidos com pesquisas de campo foi comprovada por muitos</p><p>líderes na América do Sul via observação direta em centenas de lugares.</p><p>A igreja adventista de Paraná, em Entre Ríos, permaneceu com o mesmo</p><p>número de membros durante uns 20 anos. A quantidade de freqüentadores era</p><p>estabelecida pelo tamanho do edifício da igreja. Mas nos primeiros anos da dé-</p><p>cada de 70 essa igreja teve um crescimento sólido. No final do ministério do</p><p>pastor Aranzazú Duarte, em 1975, a igreja central estava completamente cheia</p><p>de freqüentadores aos sábados de manhã. Podíamos dizer: “Boas notícias, nossa</p><p>igreja está grávida.” Isto era verdade, mas “as más notícias eram que possivelmen-</p><p>te estava em seu 240º mês”. De qualquer forma, o positivo foi que começou a</p><p>reproduzir-se. Em 1975 deu à luz a igreja do Leste. Em 1976 colaborou com a</p><p>abertura da pequena congregação de La Picada. Em 1977 abriu a igreja do Sul</p><p>ou San Agustín. Desde 1978 até hoje, o tamanho da Igreja Central de Paraná</p><p>tem permanecido quase sem variações, e já transcorreram 25 anos. Novamente,</p><p>a única diferença nesses 25 anos esteve marcada pela colaboração na abertura da</p><p>nova igreja adventista do Lago.5 O crescimento por batismos e cartas de transfe-</p><p>rência da Igreja Central de Paraná nesses 25 anos foram absorvidos pelas mortes,</p><p>cartas de transferências enviadas e apostasia. O único destaque de seu avanço foi</p><p>seu apoio ao estabelecimento da igreja do Lago. Porém, com as igrejas novas, este</p><p>padrão é um pouco diferente: um ano depois de fundar uma igreja, a assistência</p><p>é 20% maior (em ambas as igrejas) que antes. Cinco anos depois, a assistência</p><p>subiu para 50%, e, em uma década, a assistência aos sábados se duplicou. Geral-</p><p>mente costuma acontecer com mais rapidez.6</p><p>Algumas pesquisas em igrejas adventistas indicam que as igrejas novas</p><p>crescem dez vezes mais rápido que as velhas.7 Um estudo entre os batistas do</p><p>sul indicou que, quanto menor e mais nova a igreja, mais ela cresce.8 Este fato</p><p>foi comprovado recentemente nos cinco continentes e em igrejas de diferentes</p><p>denominações por Christian Schwarz.9 Na realidade, isso é normal e deve ser</p><p>entendido. Uma planta cresce rapidamente e logo deixa de crescer para começar</p><p>Livro_Crescimento.indd 96 28/6/2007</p><p>22:54:32</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>�7�7</p><p>a dar frutos para reproduzir-se. Os especialistas em árvores ou plantas não se afli-</p><p>gem porque as árvores velhas quase não crescem, porque sabem que isso é nor-</p><p>mal. Então aproveitam os frutos e às vezes os ramos destas árvores para plantar</p><p>novas árvores. A isto se dá o nome de princípio de multiplicação. Este princípio</p><p>indica que as plantas e os seres vivos em geral, como as pessoas e os animais, não</p><p>crescem indefinidamente. Chega um momento em que freiam seu crescimento</p><p>para produzir “outro tipo de crescimento”, que consiste em dar flores e frutos</p><p>para conseguir a reprodução. Isso acontece porque o fruto definitivo de um ser</p><p>vivo é outro ser vivo à sua imagem. Este é o princípio da multiplicação:</p><p>O princípio da multiplicação afeta todas as áreas da igreja. Assim como o fruto</p><p>definitivo de uma macieira não é uma maçã, mas outra macieira; o fruto defini-</p><p>tivo de um grupo não é apenas um membro, mas outro grupo. O fruto definitivo</p><p>de uma congregação não é um novo grupo, mas uma nova igreja; o fruto definitivo</p><p>de um evangelista não é uma conversão, mas novos evangelistas. Por exemplo,</p><p>veja uma plantação de trigo: cresce até certa altura e então se detém e forma a</p><p>espiga, cujos grãos servirão para reproduzir-se. Inclusive no caso do trigo, a plan-</p><p>ta morre, mas dá origem a muitas outras. O quintal de nossa casa nos ensina esta</p><p>lição por meio de diversas plantas. A rosa chinesa foi a que mais nos impressio-</p><p>nou. As diferentes plantas tiveram um rápido crescimento. No momento de es-</p><p>crever estas linhas (abril), todas as rosas chinesas praticamente pararam de cres-</p><p>cer, mas estão florescendo em todo seu esplendor. Em toda a criação de Deus, e</p><p>também no corpo vivo de sua igreja, o crescimento – se é saudável – não conti-</p><p>nua indefinidamente, mas se reproduz.11</p><p>Então, é normal que uma igreja nova e pequena cresça muito, e devemos</p><p>esperar esse rápido crescimento nos primeiros anos. No entanto, também é normal</p><p>que com o decorrer dos anos uma igreja pare de crescer. Esta realidade deve ser uti-</p><p>lizada para a reprodução de novas igrejas, pequenos grupos ou ministérios. Quais-</p><p>quer destas formas de reprodução irão gerar crescimento nas filhas e na mãe.</p><p>Isso mostra que é verdade que Deus continua fazendo milagres hoje. No</p><p>crescimento natural de todo ser vivo, presenciamos o milagre sobrenatural da</p><p>vida. O mesmo acontece com as igrejas. No entanto, dentro dessa forma divina</p><p>e milagrosa de se trabalhar, Ele também atua por meio de princípios como o da</p><p>reprodução. Para isso, devemos fazer algo que Ellen G. White menciona:</p><p>Muitos dos membros de nossas igrejas grandes relativamente nada fazem. Po-</p><p>deriam eles realizar um bom trabalho se, em vez de se aglomerarem, se disper-</p><p>sassem em lugares ainda não atingidos pela verdade. As árvores plantadas junto</p><p>demais umas das outras, não se desenvolvem. São elas transplantadas pelo hor-</p><p>telão a fim de terem espaço para crescer, e não ficarem mirradas e débeis. O</p><p>mesmo procedimento daria bons resultados em nossas igrejas grandes. Muitos</p><p>membros estão morrendo espiritualmente por falta desse mesmo trabalho. Es-</p><p>tão se tornando fracos e incapazes. Transplantados que fossem, teriam espaço</p><p>para crescer fortes e vigorosos.12</p><p>Livro_Crescimento.indd 97 28/6/2007 22:54:32</p><p>����</p><p>A consciência da importância de fundar igrejas e ministérios</p><p>Pesquisas em diferentes denominações mostram que as igrejas novas são</p><p>mais eficientes em trazer pessoas a Cristo. Por exemplo, um estudo mostrou</p><p>que nas igrejas com menos de três anos, são necessários três membros para tra-</p><p>zer um novo converso, ao passo que nas igrejas de quatro a dez anos de idade,</p><p>são necessários sete membros para trazer um converso. Mas quando a igreja</p><p>ultrapassou os dez anos, são necessários, em alguns casos, até 89 membros para</p><p>trazer um novo.13</p><p>Mas, depois de muitos anos, se uma igreja não tem filhas, algo maior</p><p>acontece à igreja como organismo vivo. A maioria das igrejas maiores e inova-</p><p>doras do mundo são igrejas que deram à luz várias filhas. A igreja do Evangelho</p><p>Completo de Seul, Coréia – de Paul Yonggi Cho –, tem igrejas-filhas em toda</p><p>Coréia e em diferentes partes do mundo. A Igreja de Abbot Loop, do Alaska,</p><p>fundou igrejas em toda América, Europa e África. A igreja Batista Comunitária</p><p>do Vale de Saddleback, Missão Velha, Califórnia – de Rick Warren –, deu à</p><p>luz 26 filhas antes de ter um edifício. A Igreja Adventista Central de Rosário</p><p>deu origem direta ou indiretamente às igrejas de Alberdi, Sul, Oeste, Empalme</p><p>Graneros, General Baigorria, Capitão Bermúdez, Triângulo e Vila Governa-</p><p>dor Gálvez. A igreja de Libertador San Martín, direta ou indiretamente, deu</p><p>origem à igreja do Parque, de Libertador Norte; à igreja Central; e às igrejas e</p><p>congregações de Camarero, Puiggari, Diamante, Diamante Sul, Strobel, Vale</p><p>Maria, Vitória, Molino Doll, Las Cuevas, Rincón del Doll, entre outras. A lista</p><p>seria interminável. Quero dizer que o corpo vivo de Cristo, se está saudável, se</p><p>reproduz. Do contrário, algo estranho está acontecendo. Normalmente espera-</p><p>se que uma igreja dê à luz uma nova filha a cada cinco anos.14</p><p>O sonho de Deus é cobrir a Terra com sua glória. Seu plano original para</p><p>o primeiro lar do Éden era este. Por isso “Deus os abençoou e lhes disse: Sede</p><p>fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a” (Gn 1:28). Ellen G. Whi-</p><p>te amplia esta idéia quando diz:</p><p>O Jardim do Éden era uma representação do que Deus desejava se tornasse a</p><p>Terra toda; e era seu intuito que à medida que a família humana se tornasse mais</p><p>numerosa, estabelecesse outros lares e escolas semelhantes à que Ele havia dado.</p><p>Dessa maneira, com o correr do tempo, a Terra toda seria ocupada com lares e</p><p>escolas em que as palavras e obras de Deus seriam estudadas e onde os estudantes</p><p>mais e mais ficariam em condições de refletir pelos séculos sem fim a luz do co-</p><p>nhecimento de sua glória.15</p><p>O modelo de pastor-evangelista-fundador de igrejas de Paulo consistia</p><p>em mudar a sede de seu grande distrito pastoral à medida que avançava na</p><p>evangelização e no estabelecimento de novas igrejas. Os resultados de sua estra-</p><p>tégia foram notáveis O modelo de Paulo ficou registrado para nos inspirarmos</p><p>na evangelização do mundo.16 No seu início, a Igreja Adventista também teve</p><p>pastores-evangelistas-fundadores de igrejas. O crescimento adventista do sécu-</p><p>Livro_Crescimento.indd 98 28/6/2007 22:54:32</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>����</p><p>lo 19 nunca foi superado pela igreja até hoje e foi motivo de inveja para as igre-</p><p>jas protestantes. Entre 1870 e 1880, a igreja teve um crescimento de 188% na</p><p>TCD, e entre 1890 e 1900 o crescimento foi de 155% de TCD.17 Nessa época,</p><p>o dízimo era usado para sustentar os pastores, para que fossem “evangelistas</p><p>e fundadores de igrejas”.18 Os batistas do sétimo dia, notando o crescimento</p><p>adventista, registraram em seu Sabbath Recorder: “Todos os clérigos adventistas</p><p>do sétimo dia são missionários – não-pastores –, e estão ocupados pregando,</p><p>ensinando e organizando igrejas ao redor do mundo.”19 Ellen White pediu às</p><p>igrejas que apoiassem este tipo de pastores-evangelistas para a evangelização</p><p>local e do campo missionário:</p><p>Em vez de reter os pastores a trabalhar pelas igrejas que já conhecem a verdade,</p><p>digam os seus membros a esses obreiros: “Ide trabalhar pelas almas que perecem</p><p>em trevas. Tomaremos à nossa conta o serviço da igreja. Manteremos as reuniões</p><p>e, permanecendo em Cristo, nos esforçaremos por conservar vida espiritual. Tra-</p><p>balharemos pelas almas que estão ao nosso redor, e enviaremos as nossas orações</p><p>e ofertas para sustentar os obreiros nos campos mais necessitados e pobres.” 20</p><p>Convém dizer, então, que assim como o fruto definitivo de uma macieira</p><p>não é uma maçã, mas outra macieira, o fruto definitivo de uma família não é</p><p>um filho, mas outra família; o fruto definitivo de uma igreja não é um conver-</p><p>so, mas uma série de conversos que se</p><p>seguintes características: uma liderança vi-</p><p>sionária, solícita e habilitadora; ministérios segundo dons e necessidades; uma</p><p>espiritualidade contagiante; prioridades segundo a ordem bíblica; estruturas</p><p>funcionais; um culto inspirador; células integradoras; relacionamentos afetivos</p><p>carinhosos; uma metodologia eficaz para fazer discípulos; valorização de todos</p><p>os grupos humanos, e a consciência da importância de se estabelecer novas igre-</p><p>jas, ministérios e pequenos grupos.</p><p>Quando a igreja é reavivada pelo Espírito Santo, afloram estes fatores que</p><p>proporcionam o crescimento natural, e ao mesmo tempo sobrenatural e extra-</p><p>ordinário nas igrejas. O pastor adventista Gilberto Ribeiro experimentou esta</p><p>realidade no distrito de Castanhal, no estado brasileiro do Pará. Sua visão foi</p><p>conquistar a cidade para Cristo. Começou sua experiência em 2000 com um</p><p>reavivamento espiritual em seu distrito de 700 membros. Como sempre acon-</p><p>Livro_Crescimento.indd 12 28/6/2007 22:53:57</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>13</p><p>tece, os reavivamentos autênticos resultam em missão. Quatrocentos irmãos</p><p>se integraram como pregadores, instrutores bíblicos, participantes em diversos</p><p>ministérios e líderes de 77 pequenos grupos. No ano de 2001, organizaram-se</p><p>para fazer a colheita e fundar novas igrejas. Foram convidados seis pastores para</p><p>realizarem, com o pastor do distrito, sete campanhas evangelísticas de um mês</p><p>e meio de duração. Os resultados foram assombrosos. Em 2001, foram bati-</p><p>zadas 2.700 pessoas e organizadas sete novas igrejas. Em 2002, confirmaram</p><p>o projeto e em setembro haviam batizado mais 500 irmãos. Esta é sem dúvida</p><p>uma região receptiva para a missão no Brasil, mas também é uma antecipação</p><p>do grande despertar missionário do tempo do fim.</p><p>Estas características que proporcionam o crescimento foram vivenciadas</p><p>de forma espetacular no distrito pastoral de Castanhal e é sobre elas que falare-</p><p>mos em cada um dos capítulos deste livro.</p><p>RefeRências</p><p>1 Por exemplo, W. A. Criswell usa a pregação expositiva como fator de cresci-</p><p>mento, mas Robert Schuller, da Catedral de Cristal, nunca prega expositi-</p><p>vamente. Para James Kennedy, a visitação é crucial para o crescimento, mas</p><p>não foi útil para Stephen Olford em Nova Iorque, que em vez disso, usou a</p><p>televisão para entrar nos lares. Richard Halverson conclui que a koinonia foi</p><p>a chave de seu crescimento, mas para Wendell Belew, dos Batistas do Sul, as</p><p>koinonias enfraqueceram as igrejas. Para Jack Hyles, pastor da terceira maior</p><p>igreja do mundo, a primeira igreja batista de Hammond, Indiana, o grande</p><p>segredo se encontra na multiplicação de Escolas Dominicais fortalecidas pelo</p><p>serviço de ônibus, mas Ray Ortlund diz que sua igreja continuou crescendo</p><p>depois que venderam o último ônibus. Peter Wagner, Your Church Can Grow</p><p>(Ventura, CA: Regal, 1984), 31-32; Su Iglesia Puede Crecer (Terrassa, Barce-</p><p>lona: Clie, 1980), 36-37.</p><p>2 Gottfried Oosterwal, La Iglesia Adventista del Séptimo Día en el Mundo Contem-</p><p>poráneo (Libertador San Martín, Entre Ríos: Seminario Adventista Latinoame-</p><p>ricano de Teología, 1981), 9-10.</p><p>3 Peter Wagner, Your Church can Be Healthy (Nashville, TN: Abingdon, 1979),</p><p>24-28; Plantando iglesias para una mayor cosecha (Miami, FL: Unilit, 1997), 9;</p><p>Daniel Julio Rode, Didáctica y administración pastoral. Anotações de sala de</p><p>aula (Libertador San Martin. Entre Ríos: Imprenta UAP, 2000), 176.</p><p>4 Wagner, Your Church Can Grow, 21-35; Foundations of church growth. Anotações</p><p>de sala de aula (Pasadena, California: Seminario Teológico Fuller, 1991), 117.</p><p>5 Kenneth Hemphill, EI modelo de Antioquia: 8 características de una iglesia efec-</p><p>tiva (EI Paso,Texas: Casa Bautista de Publicaciones, 1996). Wagner, Su iglesia</p><p>puede crecer; Fred H. Smith, La dinámica del iglecrecimiento (Miami, FL: Edito-</p><p>rial Caribe, 1993). Christian Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia</p><p>saludable (Terrassa, Barcelona: Clie, 1996). A pesquisa de Schwarz reuniu mais</p><p>de 4 mihões de respostas, daí a contundência de suas conclusões.</p><p>Livro_Crescimento.indd 13 28/6/2007 22:53:57</p><p>1414</p><p>Introdução</p><p>6 Mario Veloso, Teología de Ia administración eclesiástica (Libertador San Martin, En-</p><p>tre Ríos: SALT, 1982), 27-32.</p><p>7 Warren destaca cinco objetivos, mas o sexto, o testemunho, de certo modo permeia</p><p>todo o programa. Entrevista com Jay Baker, agosto de 2000.</p><p>8 David Barret, World Christian Encyclopedia (New York: Oxford University Press,</p><p>1982), 4.</p><p>9 Veloso, Teología de La administración eclesiástica, 27-32.</p><p>Livro_Crescimento.indd 14 28/6/2007 22:53:57</p><p>15</p><p>capítUlo 1</p><p>lideRanÇa visionÁRia, solícita e haBilitadoRa</p><p>Um amigo nosso, o pastor Velino Arturo Salazar, enquanto pastoreava a</p><p>Igreja Adventista de San Fernando entre 1990 e 1994, manteve uma liderança</p><p>visionária, solícita e habilitadora. Em sua igreja, nos sentíamos úteis servindo na</p><p>área de nossos pontos fortes. Nós nos lembramos dos anos que vivemos nessa</p><p>igreja como “membros felizes”. Toda a família se dirigia entusiasmada para a</p><p>igreja, porque cada um tinha uma atividade de acordo com seus dons: Silvia,</p><p>nossa fi lha caçula, conduzia os hinos no culto juvenil e dava aulas de ginástica aos</p><p>sábados à noite; Carina, nossa fi lha mais velha, ensinava piano e dirigia o coral;</p><p>Isabel era a conselheira dos departamentos infantis, e Daniel era conselheiro da</p><p>Escola Sabatina e orientava em aspectos relacionados ao crescimento da igreja.</p><p>As idéias do pastor Velino nem sempre coincidiam com as nossas. Discutí-</p><p>amos com franqueza vários aspectos da igreja, e às vezes o fazíamos de forma vee-</p><p>mente; mas jamais isso foi levado para o plano pessoal. Éramos pessoas diferentes,</p><p>com uma mesma missão, mas com visões diferentes para alcançar o objetivo. Unia-</p><p>nos uma real fraternidade em Cristo e o anseio de ver crescer a igreja para glória de</p><p>Deus. Quando se trabalha para sua glória, Deus qualifi ca seus servos para concreti-</p><p>zarem seus sonhos ou visões. Nunca esqueceremos os anos que trabalhamos juntos.</p><p>Eles foram os melhores. Ao trabalhar com nossos companheiros no ministério, é</p><p>importante o respeito da visão que cada um tem da obra. Esta visão particular de</p><p>cada um está determinada por nossa forma de ser, nossa experiência e nossos dons.</p><p>Orar de forma intercessora uns pelos outros esclarece a visão de Deus para a vida de</p><p>cada crente e a visão geral que Deus tem para uma igreja em particular. O resultado</p><p>é um crescimento integral e sobrenatural de sua igreja.</p><p>As igrejas que crescem têm líderes incentivadores e visionários. Esses lí-</p><p>deres são pessoas otimistas que incentivam; ou seja, aceleram, concentram e</p><p>dirigem todas as atividades na direção da visão de Deus para essa igreja, para o</p><p>que realmente produz crescimento. São pessoas que têm a capacidade de gerar</p><p>entusiasmo1, são agentes de mudança com um dom especial para vislumbrar</p><p>as necessidades da igreja e da comunidade, e habilidade de visualizar os minis-</p><p>Livro_Crescimento.indd 15 28/6/2007 22:53:59</p><p>1616</p><p>Liderança visionária, solícita e habilitadora</p><p>térios que podem ajudar nessas necessidades e utilizar os dons da igreja para</p><p>implementar esses ministérios. Com esta visão em mente, transformam-se em</p><p>servos que se dedicam à capacitação a fim de conseguir que as igrejas e seus</p><p>membros se desenvolvam e alcancem seus objetivos de missão. Nessas igrejas,</p><p>todos os membros são importantes e estão integrados para concretizar o pro-</p><p>pósito, o sonho ou visão da igreja.2</p><p>Os estudos modernos confirmam a validade do líder-servo da Bíblia. O</p><p>especialista em crescimento de igreja, Ken Hemphill, dedica todo um capítulo</p><p>de seu livro ao tratar do tema dos líderes-servos, no qual declara que o conceito</p><p>bíblico do líder eficaz contém uma série de características que se harmonizam</p><p>com a qualidade de servo. Apresenta o líder visionário como a pessoa-chave de</p><p>uma igreja, pois valoriza o potencial dos dons e os provê do necessário.3 “As</p><p>igrejas que estão crescendo têm captado de novo a visão bíblica</p><p>agrupam dando à luz uma nova igreja.</p><p>Somente desta forma se pode concretizar o sonho de Deus de cobrir a Terra</p><p>com sua glória. Com isto, queremos concluir este capítulo para dar lugar a</p><p>certos comentários gerais, em forma de conclusão, sobre as onze características</p><p>de uma igreja saudável e em crescimento.</p><p>RefeRências</p><p>1 Vaughan, The World’s 20 Largest Churches: Church Growth Principles in Action; To-</p><p>wns, An inside Look at 10 of Today’s Most Innovative Churches.</p><p>2 C. Peter Wagner, Plantando iglesias para una mayor cosecha (Miami, Florida: Unilit,</p><p>1997), 11.</p><p>3 Ron Gladden, Plantar el futuro. Hay muchas iglesias! Por qué plantar más? (Buenos</p><p>Aires: ACES, 2002), 38, 39.</p><p>4 Ibid., 39.</p><p>5 A Iglesia de Lago surgiu com a colaboração da Igreja Central, Igreja de San Agustín</p><p>e principalmente pelo apoio da igreja do Este.</p><p>6 Gladden, Plantar el futuro, 51, 52.</p><p>7 Roger L. Dudley e Clarence B. Gruesbeck, Plant a Church, Reap a Harvest (Osbawa,</p><p>Ontario: Pacific Press, 1989), 203; Gladden, Plantar el futuro, 83.</p><p>8 Charles Chaney, Church Planting at the End of the Twentieth Century (Wheaton,</p><p>lllinois: Tyndaie House Publishers, 1982), 158-162.</p><p>9 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 47.</p><p>Livro_Crescimento.indd 99 28/6/2007 22:54:33</p><p>100100</p><p>A consciência da importância de fundar igrejas e ministérios</p><p>10 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 68.</p><p>11 Ibid., 68.</p><p>12 White, Serviço Cristão, 183-184.</p><p>13 Gladden, Plantar el futuro, 41,42.</p><p>14 Objetivos da Missão Global para a América do Sul.</p><p>15 White, Educação, 22.</p><p>16 Ricardo Zambelli, Implicaciones de la duración de los pastorados en Argentina, 5-58.</p><p>17 Sahlin, Sharing our Faith with Friends Without Losing Either: What the Fastest Gro-</p><p>wing Adventist Churches Know, 9-24, 127, 129.</p><p>18 Ron Gladden, Plantar el futuro, 64-69.</p><p>19 Gladden, Plantar el Futuro, 67 (Sabbath Recorder de 28 de dezembro de 1908,</p><p>reimpresso pela Review and Herald em 14 de janeiro de 1909; reproduzido en</p><p>Russell Burrill, Revolution in the Church [Fallbrook, CA: Hart, 1993], 41).</p><p>20 White, Serviço Cristão, 171.</p><p>Livro_Crescimento.indd 100 28/6/2007 22:54:33</p><p>101</p><p>conclUsão</p><p>“Esse método já não serve, agora esta é a estratégia que funciona.” Expres-</p><p>sões parecidas com essa são próprias da mentalidade que procura constantemen-</p><p>te o método “panacéia”; um método que na prática não existe. Devido a esse</p><p>conceito errôneo, muitos planos de êxito foram descartados e deixados de lado</p><p>pela novidade de um método que está na moda. Este problema é característico</p><p>da Igreja Adventista e compartilhado por muitas igrejas evangélicas.1 Nenhuma</p><p>igreja que busca seu crescimento deve permitir-se prescindir de alguma das carac-</p><p>terísticas analisadas neste livro. O ponto crucial é que não há nenhum fator que</p><p>individualmente conduza ao crescimento de uma igreja, mas a ação conjunta de</p><p>uma série de elementos.2 No entanto, se é certo que o conjunto de elementos é</p><p>o que produz o crescimento de igreja, cada igreja tem sua própria personalidade,</p><p>seu aspecto distintivo ou sua ênfase que a caracteriza, e, por sua vez, elemen-</p><p>tos secundários que colaboram com a causa central de seu desenvolvimento. Os</p><p>exemplos a seguir nos ajudarão a entender melhor.</p><p>A igreja de Itabuna (Estado da Bahia, Brasil), de 400 membros, foi por</p><p>muitos anos a única igreja adventista da cidade. Durante 1976 e 1977, os</p><p>irmãos se organizaram em 35 centros de pregação ou pequenos grupos nos</p><p>bairros. Ao mesmo tempo, se começou a utilizar uma variedade de dons da</p><p>maioria dos irmãos da igreja em diversos ministérios. Vários irmãos, especial-</p><p>mente jovens, empregaram seus dons em organizar reuniões sociais dinâmicas</p><p>e piqueniques. Um numeroso grupo de irmãos participava de diversas tarefas</p><p>relacionadas com o estabelecimento de novas congregações. Vários irmãos for-</p><p>maram grupos musicais e corais. Estes fatos dinamizaram os cultos, a atividade</p><p>missionária e as relações públicas da igreja. No primeiro ano foram batizados</p><p>530 novos irmãos. Em dois anos se triplicou o número de membros e foram</p><p>estabelecidas quatro novas igrejas. Isto signifi cou um crescimento sete vezes</p><p>maior que o ritmo de crescimento da Igreja Adventista no âmbito mundial.</p><p>Qual é a chave para este crescimento? O detonante foi a visão e a liderança</p><p>habilitadora do pastor Eduardo Pereira (pai), que transformou a igreja numa</p><p>“escola prática de obreiros cristãos”.3 Todas às segundas-feiras havia aulas na</p><p>igreja. Entretanto, este não foi o único fator, mas o incentivador central ao</p><p>redor do qual giraram uma diversidade de fatores – como alguns dos mencio-</p><p>nados – que contribuíram para o crescimento deste distrito. Hoje, a cidade de</p><p>Itabuna, com 70 mil habitantes, tem 20 igrejas adventistas e é a sede da Asso-</p><p>ciação Adventista do Sul da Bahia.</p><p>Livro_Crescimento.indd 101 28/6/2007 22:54:34</p><p>102102</p><p>Conclusão</p><p>Você dirá: “Isso aconteceu no Brasil, mas não funciona hoje e aqui, na</p><p>minha cidade.” Em 1996, Christian Schwarz provou que os princípios mencio-</p><p>nados funcionam em diferentes tipos de denominações. Ele fez uma pesquisa</p><p>em mil igrejas de 32 países dos cinco continentes. Além disso, o que aconteceu</p><p>no Brasil foi a repetição de algo que havia acontecido na Argentina com o</p><p>mesmo pastor. Com a mesma metodologia, a Igreja Adventista de Avellaneda</p><p>experimentou um crescimento fenomenal que incluiu o estabelecimento de</p><p>igrejas como Monte Chingolo, Barceló, Quilmes, Fiorito e outras.4</p><p>Primeiro, o organismo deve sanar seus pontos débeis, diz Schwarz, an-</p><p>tes de passar a buscar um crescimento nos pontos fortes.5 O fator mínimo</p><p>determina o nível da igreja, da mesma forma em que o nível de água de um</p><p>barril de várias tábuas é dado por sua tábua mais baixa.6 Por isso, as igrejas</p><p>em crescimento têm uma saúde boa em diferentes aspectos cruciais de cres-</p><p>cimento, como as características analisadas neste estudo. Então, geralmente</p><p>dão uma ênfase especial no aspecto central que se torna a característica so-</p><p>bressalente de sua personalidade, ou como dizem outros, o centro de sua</p><p>filosofia de ministério.</p><p>A pesquisa de crescimento de igreja realizada no Canadá e Estados</p><p>Unidos por Dudley revelou que os adolescentes adventistas que estão aban-</p><p>donando a igreja o fazem clamando por uma igreja mais cristã. Esses jo-</p><p>vens, muitos deles promissores cristãos, rogam por uma mudança. Eles</p><p>nos convidam a revisar nossas pretensas “formas ortodoxas” de conduzir a</p><p>igreja e a depor idéias pessoais desconectadas da missão cristã de hoje. Seu</p><p>clamor é comovente, pois são exemplos vivos de muitos outros sinceros</p><p>filhos de Deus, especialmente jovens, que estão abandonando o rebanho</p><p>do Senhor por atitudes egocêntricas de alguns poucos que pretendem ser</p><p>os “senhores das normas”.</p><p>A mensagem é clara: estes adolescentes querem que a igreja se torne</p><p>sua amiga. Buscam relevância no âmbito do coração, da afetividade e da</p><p>aceitação, clamam por uma igreja que se interesse por eles. Não procuram</p><p>uma experiência de adoração individualista, mas sim uma experiência de um</p><p>companheirismo envolvente e genuíno. Inclusive os que abandonam a igreja</p><p>gostariam de ter uma igreja que causassem um verdadeiro impacto no mun-</p><p>do, uma igreja que não se concentrasse em julgar e condenar, mas em servir,</p><p>em curar as feridas e na salvação.7</p><p>Para sermos equilibrados, devemos dizer que muitos irmãos adultos e</p><p>jovens permanecem na igreja porque seguem a Cristo. Não se concentram</p><p>nos aspectos negativos de um grupo, pelo contrário, se fixam nos aspectos</p><p>positivos da igreja. Isto os influencia de forma notável. O estudo de Dudley</p><p>revelou que a maioria dos adolescentes que permanecem na igreja indica</p><p>que “as coisas mais importantes que a igreja lhes provê são: companheirismo</p><p>cristão, alimento espiritual, segurança e estabilidade”.8 Fica claro, então, que</p><p>como igreja devemos perseverar no desenvolvimento dos princípios cristãos</p><p>Livro_Crescimento.indd 102 28/6/2007 22:54:35</p><p>CRESCIMENTO: chaves para</p><p>revolucionar sua igreja</p><p>103103</p><p>básicos, de tal forma que a igreja cristã de hoje seja o que Cristo quis que</p><p>sempre fosse: um lugar de refúgio, um retiro de amor, um lugar onde os</p><p>desvalidos e solitários pecadores do século 21 possam encontrar a solução do</p><p>problema do pecado com todas suas conseqüências.</p><p>Quando a igreja não manifesta as características positivas analisadas neste</p><p>estudo, apresentará uma diversidade de enfermidades, como algumas das men-</p><p>cionadas. Os adolescentes da pesquisa de Dudley identificaram algumas dessas</p><p>enfermidades: disseram que o que mais os perturba são as atitudes condenató-</p><p>rias, a politicagem dos líderes, a hipocrisia, a intriga, os códigos e as regras rígidas, e</p><p>uma atitude de “eu sou mais santo que você”.9 A igreja de hoje deve corrigir estes</p><p>erros com urgência, e a juventude, que é o presente e o futuro da igreja, deve</p><p>saber que os pais, os professores de nossas instituições e a liderança eclesiásti-</p><p>ca estão sinceramente interessados em fazer qualquer mudança para alcançar</p><p>esse objetivo. Isto trará ânimo principalmente aos adolescentes. A igreja deve</p><p>aprender urgentemente a usar uma linguagem significativa para todos os seus</p><p>freqüentadores, o que significa atender uma diversidade de necessidades do</p><p>multifacetado conjunto de seus membros. Terá que fazê-lo de tal forma que</p><p>não comprometa nenhum princípio cristão, mas, ao mesmo tempo, deve fazê-</p><p>lo de uma forma relevante para as mentes modernas do século 21.10</p><p>Neste livro discutimos onze das características mais distintivas das igre-</p><p>jas que estão crescendo, perseverando e multiplicando-se em diferentes partes</p><p>do mundo. Destacamos que estas igrejas possuem: uma liderança visionária,</p><p>solícita e habilitadora; ministérios segundo dons e necessidades; uma espirituali-</p><p>dade contagiante; prioridades segundo a ordem bíblica; estruturas funcionais; um</p><p>culto inspirador; células integradoras; relacionamentos afetivos e carinhosos; uma</p><p>metodologia eficaz para fazer discípulos; valorização de todos os grupos humanos,</p><p>e a consciência da importância de estabelecer novas igrejas, ministérios e pequenos</p><p>grupos. Estes aspectos caracterizam a igreja ideal.</p><p>Dudley perguntou aos adolescentes de sua pesquisa: “Se vocês pudessem</p><p>desenhar a congregação adventista ideal, como seria essa igreja?” As diversas</p><p>respostas poderiam ser agrupadas em oito características que são bastante</p><p>coincidentes com as que estivemos analisamos. Essa igreja ideal, conforme</p><p>os adolescentes entrevistados por Dudley, deveria ser: amigável e carinhosa;</p><p>profundamente espiritual; como uma família; com diversos ministérios envolvi-</p><p>dos com a comunidade e com a missão; com pessoas de mente aberta; com muita</p><p>gente jovem participando; com uma adoração significativa; com grupos de uma</p><p>diversidade de idades e culturas.11</p><p>Em outras palavras, a igreja que Cristo idealizou, a igreja primitiva, as</p><p>igrejas que hoje estão crescendo e a igreja ideal dos adolescentes adventistas</p><p>são parecidas. Isto é animador. Por quê? Porque seguindo as diretrizes divinas</p><p>poderemos alcançar o objetivo. Por outro lado, os diversos exemplos apresenta-</p><p>dos nos mostram a praticidade do tema abordado. Apresentamos exemplos de</p><p>diferentes partes do mundo e de distintas crenças religiosas. Igrejas de crenças</p><p>Livro_Crescimento.indd 103 28/6/2007 22:54:35</p><p>104104</p><p>Conclusão</p><p>muito díspares conseguiram o ideal de Cristo para elas, o que significa que este</p><p>ideal é possível para toda igreja que queira alcançá-lo e esteja disposta a pagar o</p><p>preço, e, é claro, fazer as adaptações adequadas a cada situação. Além disso, es-</p><p>clarecemos também que não são as únicas características, como já dissemos no</p><p>início. O crescimento de uma igreja é complexo. Manter alto o nível da maio-</p><p>ria dessas características constitui o que mencionamos como o quinto axioma</p><p>de crescimento. Mas, há um sexto axioma com o qual queremos concluir.</p><p>Estas onze características foram o tema central deste estudo. Entretanto, en-</p><p>tendemos que por trás de um alto nível desses aspectos visíveis sempre esteve a obra</p><p>invisível do Espírito Santo. Da mesma forma que os grandes icebergs evidenciam</p><p>que há debaixo da água uma parte invisível maior que os sustenta, a obra invisível</p><p>do Espírito Santo é o fundamental sustentador destas características.</p><p>Ao analisar as setenta e quatro menções diretas que Lucas faz ao Espírito</p><p>no seu evangelho e em Atos, encontramos uma relação muito interessante com</p><p>as características de crescimento estudadas neste livro.12 “Para Lucas, é impossível</p><p>separar a atividade de Jesus da atividade do Espírito ou a missão dos discípulos da</p><p>atividade do Espírito.”13 Por isso, sugeriu-se como teologicamente mais apropria-</p><p>do intitular o livro de Atos como “Os Atos do Espírito Santo”.14 De igual forma,</p><p>se poderá mencionar os fatores estudados como “as características de crescimen-</p><p>to do Espírito Santo”. Dizemos isto porque entendemos que “se a igreja não é</p><p>vitalizada pelo Espírito Santo, deixa realmente de ser igreja”.15 A isto chamamos</p><p>de sexto axioma de crescimento de igreja: “a igreja deve reconhecer que só Deus</p><p>produz o verdadeiro crescimento e que a verdadeira batalha é espiritual, para a</p><p>qual uma de nossas principais armas é a oração”.16</p><p>As igrejas em crescimento sabem que só Deus produz o verdadeiro cres-</p><p>cimento (1Co 3:6). Todos os grandes planos de Deus para este mundo foram</p><p>divinos e humanos: a Bíblia, Jesus Cristo e, é claro, sua igreja. Rick Warren,</p><p>fundador da igreja em crescimento do Vale de Saddleback, resume isso muito</p><p>bem ao dizer:</p><p>O crescimento da igreja é uma tarefa compartilhada entre Deus e o homem. As</p><p>igrejas crescem por intermédio do poder de Deus e do sábio esforço das pessoas.</p><p>Ambos os elementos, o poder de Deus e o sábio esforço humano, devem estar</p><p>presentes. Não podemos fazê-lo sem Deus, mas Ele decidiu não fazê-lo sem nós!</p><p>Deus utiliza as pessoas para fazer com que seus propósitos se cumpram [...] En-</p><p>quanto esperamos que Deus trabalhe em nosso lugar, Ele está esperando trabalhar</p><p>por meio de nós.17</p><p>Em outras palavras, o crescimento natural da igreja continuará sendo</p><p>uma obra sobrenatural da parte de Deus, assim como o crescimento de uma</p><p>planta. O exército e a força humana têm seu lugar, mas o fator decisivo con-</p><p>tinuará sendo a obra do Espírito Santo. Recordemos sempre o versículo que</p><p>nos ajuda a trabalhar com afinco pela verdade e pela igreja que tanto amamos:</p><p>Livro_Crescimento.indd 104 28/6/2007 22:54:35</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>105</p><p>“Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos</p><p>Exércitos” (Zc 4:6).</p><p>RefeRências</p><p>1 Testemunho de pastores evangélicos em diálogos informais com Daniel Rode na</p><p>Escola de Missão Mundial do Seminário Teológico Fuller, Pasadena, Califórnia,</p><p>entre 1991 e 1994.</p><p>2 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 38, 39.</p><p>3 White, Serviço Cristão, 75.</p><p>4 Eduardo Pereyra (pai), entrevista pessoal, 12 de dezembro de 2001.</p><p>5 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 57.</p><p>6 lbid., 52,53.</p><p>7 Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church, 66.</p><p>8 Ibid., 146.</p><p>9 Ibid., 171. O itálico foi usado para destacar o que mais perturba os jovens.</p><p>10 Ibid., 130, 131.</p><p>11 lbíd., 194-198. Grifo nosso.</p><p>12 Rode, Los siete signos vitales de crecimiento de Wagner en seis iglesias adventistas his-</p><p>panas del Sur de California, 23.</p><p>13 Roger Stronstad, The Carismatic Theology of St. Luke (Peabody, Massachusetts:</p><p>Hendrickson, 1984), 47.</p><p>14 Bruce, Commentary on the Book of the Acts, 33.</p><p>15 Alasdair I. C. Heron, The Holy Spirit (Philadelphia, Pennsylvania: The Westmins-</p><p>ter Press, 1983), 95.</p><p>16 Rode, Didáctico y administración pastoral, 176. Grifo nosso.</p><p>17 Warren, Una iglesia con propósito, 66, 67.</p><p>Livro_Crescimento.indd 105 28/6/2007 22:54:35</p><p>Livro_Crescimento.indd 106 28/6/2007 22:54:35</p><p>107</p><p>BiBliogRafia</p><p>Aland, Kurt. Th e Greek NewTestament. Alemanha: Sociedade Bíblica Unida, 1994.</p><p>Allison, Mark Evan. Th e</p><p>Motif of “Parresia” in Acts. Tese de doutorado. 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Pasadena, California: Seminario Teológico Fuller, Escuela de Misión Mundial,</p><p>1992.</p><p>__________. Escudo de oración. Nashville, Tennessee: Editorial Caribe, 1995.</p><p>__________. Los dones espirituales y el iglecrecimiento. Pasadena, California: Instituto</p><p>de Evangelismo e Iglecrecimiento, sem data.</p><p>__________. Plantando iglesias para una mayor cosecha. Miami, Florida: Unilit, 1997.</p><p>Wagner, C. Peter, Arn, Win e Towns, Elmer, ed. Church Growth:The State of the Art.</p><p>Wheaton, Illinois: Tyndale House Publisher, 1986.</p><p>Livro_Crescimento.indd 110 28/6/2007 22:54:37</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>111</p><p>Warren, Rick. Una iglesia con propósito: Cómo crecer sin comprometer el mensaje y la</p><p>misión. Miami, Florida: Editorial Vida, 1998.</p><p>Werlen, Fabián. Grupos pequeños: estudio del pensamiento de Elena de White, tese não</p><p>publicada. Libertador San Martín, Entre Ríos: Imprenta de la UAP, 2001.</p><p>White, Arthur. “Adventist Responsability to the inner City”, Review and Herald, 5,</p><p>12, 19 e 26 de novembro de 1870.</p><p>White, Elena de. “Proclairning the Truth Where There is Race Antagonism”, Testimo-</p><p>nies, 9 volumes. Washington DC: Review and Herald, 1909. Joyas de los testimonios,</p><p>3 volumes. Buenos Aires:ACES, 1970.</p><p>__________. Obreiros Evangélicos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1993.</p><p>__________. Profetas e Reis. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1987.</p><p>__________. Ciência do Bom Viver. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004.</p><p>__________. Serviço Cristão. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999.</p><p>__________. Parábolas de Jesus. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1998.</p><p>__________. A fin de conocerle. Buenos Aires:ACES, 1964.</p><p>__________. Evangelismo. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997.</p><p>__________. Atos dos Apóstolos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006.</p><p>__________. Educação. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997.</p><p>__________. História da Redenção. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1999.</p><p>__________. Cristo em Seu Santuário. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1988.</p><p>__________. O Desejado de todas as nações. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira,</p><p>2000.</p><p>__________. La voz. Buenos Aires: ACES, 1995.</p><p>__________. Notas biográficas de Elena de White. Buenos Aires: ACES, 1995.</p><p>Zackrison, James W. Dones espirituales prácticos. Buenos Aires: ACES, 1996.</p><p>__________. Dones espirituales: claves del ministerio. Buenos Aires: ACES, 1996.</p><p>Zambelli, Ricardo. Implicaciones de la duración de los pastorados en Argentina, tese de</p><p>doutorado. Libertador San Martín, Entre Ríos, 1997.</p><p>Livro_Crescimento.indd 111 28/6/2007 22:54:37</p><p>do líder-servo,</p><p>que é dotado de dons para guiar a congregação e equipar os leigos para desem-</p><p>penharem seu papel único de alcançar as metas e a missão da igreja”.4</p><p>Os estudos de Schwarz demonstraram algo semelhante. De acordo com</p><p>ele, os pastores das igrejas em crescimento “são modelos reproduzíveis” que</p><p>visualizam o potencial leigo. “É uma boa notícia comprovar que os pastores</p><p>de igrejas que crescem não necessariamente precisam ser ‘super estrelas’[...] Os</p><p>responsáveis por igrejas em crescimento concentram seu trabalho em qualificar</p><p>outros crentes para o serviço.”5</p><p>Quando dizemos pastor, talvez estejamos pensando somente nos que</p><p>passaram por um seminário e estudaram Teologia. Gostaria de ampliar esta</p><p>perspectiva, mas a partir da visão bíblica do pastor. O ministro é alguém a</p><p>quem Deus deu o dom pastoral, e a quem a igreja tem ajudado a se desenvolver</p><p>como aquele que cuida do rebanho, tenha estudado Teologia em um seminário</p><p>ou não. Graças a Deus, e para a bênção das igrejas, existem muitos deles no</p><p>mundo. Benito Vega Loyola é um desses líderes visionários com dom para o</p><p>pastorado e para o evangelismo. Por vários anos trabalhou como colportor, e</p><p>logo como diretor de publicações de sua missão. Durante esses anos, ajudou a</p><p>estabelecer e consolidar numerosas igrejas. Em 1996, o irmão Benito passou a</p><p>liderar o distrito pastoral de Tacna, e logo o de Arequipa, no Peru. Em 1998</p><p>foi ordenado ao ministério. Por causa do seu fecundo trabalho ministerial e de</p><p>sua dedicação, em dezembro de 1999 o Congresso da Missão Peruana do Sul</p><p>o nomeou secretário ministerial e evangelista. O interessante é que o irmão</p><p>Benito não estudou Teologia em um seminário, porém, isso não impediu que</p><p>Deus o usasse para pastorear todos os pastores de sua missão e liderar as tarefas</p><p>de evangelização naquele território.6</p><p>Hadaway, crítico pesquisador de crescimento de igreja, ao concluir</p><p>o tema sobre “O papel do pastor e o crescimento da igreja”, no seu livro</p><p>Church Growth Principles (Princípios de crescimento de igreja), propõe as</p><p>seguintes idéias:</p><p>Livro_Crescimento.indd 16 28/6/2007 22:53:59</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>1717</p><p>Este capítulo deveria significar boas novas para o pastor mediano. Não são exigi-</p><p>dos dons incomuns para pastorear uma igreja que cresce. Não é necessário ser um</p><p>orador dinâmico ou um professor de administração. O que, sim, deve acontecer</p><p>é que devemos estar comprometidos em alcançar os perdidos e capacitar os membros.</p><p>Um pastor também deve ter visão. As igrejas em crescimento têm uma disposição</p><p>diferente, e essa disposição pode ser descrita como “vida”. Muitas vezes tudo o</p><p>que um pastor deve fazer para levar a congregação à vida é acrescentar uma faísca</p><p>e alimentar a chama.7</p><p>Esta idéia de Hadaway, de alcançar os perdidos e capacitar os membros, é</p><p>compartilhada e colocada em prática por Warren de uma forma magistral. Na</p><p>realidade, estas são duas das características em torno das quais gira sua igreja: está</p><p>direcionada a pessoas que normalmente não freqüentam a igreja e tem um sistema</p><p>de classes bem organizado para que seus membros se convertam em discípulos.8</p><p>Os pastores cujas igrejas crescem, são visionários que vislumbram o po-</p><p>tencial em dons dos leigos, que podem suprir as grandes necessidades da con-</p><p>gregação e da comunidade. Estas duas visões, a das necessidades e a dos dons,</p><p>levam-nos a ocuparem o lugar de líderes-visionários-servos-educadores-funda-</p><p>dores de novas igrejas e ministérios. Assim, esses líderes se transformaram na</p><p>peça-chave para o crescimento de sua igreja.</p><p>O pastor Aduviri tinha bem claras estas duas visões. Este ex-professor</p><p>aproveitou seu ponto forte: o ensino. Então, visualizando as necessidades das</p><p>pessoas e o potencial dos dons da igreja, se dedicava principalmente a instruir</p><p>os irmãos. Quando era pastor do distrito de Collana, Bolívia, um distrito com</p><p>mais de 50 igrejas e congregações, foi realmente um líder visionário, servo e</p><p>educador que preparava os irmãos para as diversas tarefas de seu distrito. Sua</p><p>especial atenção era preparar os membros que de alguma forma iriam alcançar</p><p>os perdidos. Durante seu ministério nesse distrito, que tinha em torno de 3</p><p>mil membros, cada ano se batizavam mais de mil novos irmãos, e em 1985 o</p><p>número de batismos chegou a 1.300.9</p><p>Todavia, o pastor visionário precisa de tempo para que a igreja confie nele e</p><p>o siga no plano de concretizar a visão de Deus para essa congregação. Então, para</p><p>que esta crucial característica de liderança visionária, de serviço e habilitadora se</p><p>cumpra, é necessário curar a doença de transferência habitual de pastores. Este</p><p>mal destrói o rebanho, porque atenta contra vários princípios de crescimento.</p><p>Em geral, os pastores são transferidos com muita freqüência e não conseguem</p><p>fazer um trabalho sério e de longo alcance. Não conseguem levar a cabo os mi-</p><p>nistérios que requerem a capacitação profunda da liderança local, para que esta</p><p>possa atender as necessidades reais da igreja e da comunidade. O que acontece</p><p>“é que a congregação sofre uma mudança precisamente quando estão a ponto de</p><p>começarem os anos mais produtivos da vida de um pastor”.10</p><p>As pesquisas entre evangélicos indicam que, em geral, os anos mais frutí-</p><p>feros de um ministério pastoral vão do terceiro ao sexto anos, chegando alguns</p><p>Livro_Crescimento.indd 17 28/6/2007 22:53:59</p><p>1�1�</p><p>Liderança visionária, solícita e habilitadora</p><p>até o décimo ano. Permanências pastorais frutíferas de menos de dois anos e de</p><p>mais de dez são exceções, pois na média, os pastorados excessivamente curtos</p><p>ou excessivamente longos são características de igrejas estagnadas.11 Para aten-</p><p>der as necessidades das grandes cidades e conseguir evangelizá-las, é necessário</p><p>colocar em prática uma estratégia adventista eficaz de longo prazo. Com rela-</p><p>ção à evangelização de grandes cidades, Monte Sahlin diz que isto requer um</p><p>coordenador, um líder que perdure por vários anos.12</p><p>Por outro lado, os estudos feitos na Argentina revelam, segundo Zambelli,</p><p>que um pastorado ideal oscila entre quatro e seis anos. Quando este ideal é al-</p><p>cançado, 94% das áreas do ministério pastoral são afetadas de maneira positiva.13</p><p>Durante o ministério de seis anos do pastor Alfredo Mirolo, deu-se o maior cres-</p><p>cimento da igreja adventista de Tartagal. Entre 1998 e 2001, esta igreja cresceu</p><p>no ritmo de 24% da Média de Crescimento Anual (MCA), e foram fundadas</p><p>quatro congregações-filhas. Este é um crescimento notável, já que em porcenta-</p><p>gem é quatro vezes maior do que o ritmo mundial de desenvolvimento da Igreja</p><p>Adventista. Lamentavelmente, a média da permanência dos pastores em seus</p><p>distritos em toda América do Sul é somente de dois anos e meio.14</p><p>A igreja adventista anglo-saxônica de Roseville, Sacramento, somou 419</p><p>membros em cinco anos, entre 1988 e 1993. Deles, 192 foram por batismo</p><p>e 227 por cartas de transferência. Ou seja, esta igreja também cresceu a um</p><p>ritmo de 24% de MCA. Este foi um crescimento integral: a congregação se</p><p>triplicou, os dízimos foram quadruplicados, aumentou a congregação ativa e</p><p>gerou-se uma filha: a igreja adventista anglo-saxônica de Rocklin, na área norte</p><p>de Roseville. Por que coloco esse exemplo dos Estados Unidos? Porque normal-</p><p>mente, a Igreja Adventista nesse país cresce pouco. O aumento é quase nulo,</p><p>cerca de 1% de MCA. Mas eis aqui uma igreja adventista anglo-saxônica que</p><p>quadruplicou o crescimento normal da igreja adventista mundial. Onde está</p><p>o segredo? De acordo com o pastor, os fatores-chave deste crescimento foram:</p><p>ênfase na oração intercessória, desenvolvimento dos dons espirituais, adoração</p><p>dinâmica, rápida integração dos novos conversos para que tenham um senti-</p><p>mento de pertencer, atenção às necessidades da comunidade e entusiasmo na</p><p>evangelização.15 Sim, acreditamos que tudo isso seja verdade, mas, ao nosso</p><p>ver, o fator desencadeante esteve no ministério de Ron Clouzet que perma-</p><p>neceu durante cinco anos no mesmo lugar. Ron foi um líder visionário, servo</p><p>e</p><p>habilitador que pagou o preço e aproveitou os cinco anos orientando todas as</p><p>atividades da igreja para o crescimento.</p><p>Foi a comunhão com Deus que fez com que um líder pudesse se transformar</p><p>no desencadeador de um crescimento fenomenal em um dos lugares onde a igreja</p><p>menos cresce. Mas, além disso, essa dinamite explodiu e encontrou eco em uma</p><p>comunidade cristã que estava em comunhão com Deus e disposta a colocar todos</p><p>os seus dons a serviço da missão. Este último aspecto constitui a segunda caracterís-</p><p>tica das igrejas que crescem, e é sobre isso que falaremos no capítulo seguinte.</p><p>Livro_Crescimento.indd 18 28/6/2007 22:53:59</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>1�1�</p><p>RefeRências</p><p>1 Wagner, Su iglesia puede crecer, 71.</p><p>2 Ibidem; ver também Schwarz, Las ocho características básicas de una iglesia saluda-</p><p>ble, 22-23; Hemphill, El modelo de Antioquia, 76-103; Rick Warren, Una iglesia</p><p>con propósito: Cómo crecer sin comprometer el mensaje y la missión (Miami, Florida:</p><p>Editorial Vida, 1998).</p><p>3 Hemphill, El modelo de Antioquia, 76-103.</p><p>4 Ibid., 81.</p><p>5 Schwarz, Las ocho características básicas de una iglesia saludable, 23, 22.</p><p>6 Entrevista com Carlos Sánchez, Universidade Peruana Unión, 7 de fevereiro de</p><p>2000.</p><p>7 C. Kirk Hadaway, Church Growth Principles (Nashville, TN: Broadman, 1991), 92.</p><p>Grifo nosso.</p><p>8 Warren, Una iglesia con propósito, 127-159.</p><p>9 Entrevista com Cástulo Aduviri, outubro de 1988. Dados extras fornecidos por</p><p>René Castillo na Universidade Peruana Unión, janeiro de 2000.</p><p>10 R. Daniel Reeves e Ronald Jenson, Avanzando: Estrategias modernas para el creci-</p><p>miento de la iglesia (Terraza, Barcelona: Clie, 1988), 23.</p><p>11 Wagner, Your Church Can Be Healthy, 106; Juan Carlos Miranda, Manual de Igle-</p><p>crecimiento (Miami, Florida: Editorial Vida, 1989), 58-59.</p><p>12 Monte Sahlin, Scharing our Faith with Friends Without Losing Either: What the</p><p>Fastes Growing Adventist Churches Know (Washington, DC: Review and Herald,</p><p>1990), 219.</p><p>13 Ricardo Zambelli, Implicaciones de la duración de los pastorados en Argentina, tese</p><p>de doutorado (Libertador San Martín, Entre Rios, 1996), 76.</p><p>14 Zambelli, Implicaciones de la duración de los pastorados em Argentina, 75- 77, 192.</p><p>A Igreja Adventista tem ao redor de 6% de MCA líquido. Ver Daniel Rode, Encues-</p><p>ta entre pastores alumnos de maestria del SALT en Perú, Brasil y Argentina. Janeiro de</p><p>1999, janeiro de 2000 e fevereiro de 2001; Carlos Hein, entrevista pessoal, 12 de</p><p>dezembro de 2001.</p><p>15 Sahlin, Sharing our Faith with Friends Without Losing Either, 119; Ron Clouzet,</p><p>entrevista pessoal na UAP, 31 de janeiro de 2000.</p><p>Livro_Crescimento.indd 19 28/6/2007 22:53:59</p><p>Livro_Crescimento.indd 20 28/6/2007 22:54:00</p><p>21</p><p>capítUlo 2</p><p>ministÉRios segUndo dons e necessidades</p><p>“Quando eu estava naquela igreja, tudo ia muito bem; quando fui</p><p>embora, tudo desabou”. Você já escutou isso alguma vez? Tenho certeza</p><p>que sim. Geralmente escutamos isto de um líder de muita infl uência, mas</p><p>pergunto: isto expressa algo bom ou mal desse líder? O líder pensa que</p><p>expressa algo bom, mas entendemos que é o contrário. Um bom líder é o</p><p>que deixa atrás de si um rastro de líderes que o imitam, seguem-no e são</p><p>a continuidade de sua obra. Assim aconteceu com nosso maior líder, Jesus</p><p>Cristo. Um de seus maiores legados à igreja foram seus apóstolos.</p><p>Perguntamos: você é um líder “fi gueira” ou um líder “pinheiro”?</p><p>Quando a fi gueira cresce bastante, suas folhas largas conseguem fazer uma</p><p>copa impenetrável, pela qual não passa sequer um raio de sol. Ela produz</p><p>uma sombra tão fechada, que debaixo de sua enorme copa não cresce ab-</p><p>solutamente nada. Isso me faz pensar no líder que diz “quando eu estava</p><p>naquela igreja, tudo ia muito bem”. Mas será que realmente tudo ia bem,</p><p>ou a sombra era tão escura que não conseguia ver os “fracos educados”, os</p><p>“meros refl etores” que estava produzindo? Não conseguia compreender que</p><p>devia formar “pensadores”, “senhores e não escravos das circunstâncias”,</p><p>líderes que possuíssem “amplidão de espírito, clareza de pensamento e co-</p><p>ragem nas suas convicções”?1 Em contraste, os “pinheiros”, quando crescem</p><p>em uma região apropriada, espalham ao seu redor as pinhas cheias de se-</p><p>mentes que darão origem a 27 numerosos descendentes. As folhas fi nas do</p><p>pinheiro permitem a ampla entrada do sol. Por conseguinte, sua sombra</p><p>não impede o crescimento de seus fi lhos. Que maravilhoso espetáculo é ver</p><p>esses enormes pinheiros e suas hastes crescendo ao seu redor à sua imagem</p><p>e semelhança! São pequenos, mas já são “pinheiros” cumprindo sua missão</p><p>de pinheiros. Quando o pinheiro-pai, cansado dos anos, morrer, muitos de</p><p>seus fi lhos estarão substituindo-o muito bem. Você é um líder “fi gueira” ou</p><p>um líder “pinheiro”?</p><p>Livro_Crescimento.indd 21 28/6/2007 22:54:01</p><p>2222</p><p>Ministérios segundo dons e necessidades</p><p>O Espírito Santo, ao distribuir os dons, já determinou em quais ministérios</p><p>deveria integrar-se cada discípulo para que a igreja possa suprir suas necessidades</p><p>próprias e as da comunidade. As igrejas que funcionam dentro deste modelo</p><p>bíblico são as que hoje estão crescendo. Então, qual é a função de um bom líder</p><p>de igreja? Cremos que é ser um líder “pinheiro”. Christian Schwarz diz:</p><p>A função dos dirigentes se reduz, simplesmente, a ajudar os membros da igreja</p><p>a encontrar e a reconhecer os dons que Deus lhes deu, e a encontrar um servi-</p><p>ço de acordo com tais dons. Quando os crentes vivem em consonância com seus</p><p>dons espirituais, não trabalham por força própria, mas o Espírito de Deus é quem</p><p>trabalha neles. Dessa forma, cristãos totalmente comuns podem ter um rendi-</p><p>mento extraordinário.2</p><p>Nas igrejas que crescem, 68% de seus membros disseram: “As tarefas que</p><p>realizo na igreja estão de acordo com meus dons”. Por outro lado, nas igrejas em</p><p>que não há crescimento, apenas 9% disseram o mesmo. Trabalhar de acordo com</p><p>os dons aumenta a auto-estima dos membros, faz com que vivam felizes. Isto atrai</p><p>mais pessoas. Há bem poucos fatores relacionados tão estritamente com o senti-</p><p>mento de gozo na vida de um crente como o fato de saber que se está vivendo de</p><p>acordo com seus dons espirituais.3 Quantos irmãos estão desmotivados por que</p><p>não são valorizados na área de suas habilidades, mas estão sendo questionados</p><p>por não serem fortes naquilo para o que Deus não os preparou! Que injustiça! A</p><p>igreja deve dar mais valor ao derramamento da chuva temporã, que nos trouxe</p><p>uma quantidade de conversos com seus preciosos dons. Apenas então, teremos</p><p>direito de reclamar a chuva serôdia. Quantos têm desprezado os dons dados por</p><p>Deus aos seus semelhantes e exigido que façam aquilo para o que Deus não os</p><p>preparou! Além disso, sua soberba tem feito com que se levantem como juízes a</p><p>ponto de fazer os membros se sentirem culpados por não realizarem o que “estes</p><p>juízes” crêem que deveriam.</p><p>Por outro lado, ficou comprovado que nas igrejas que crescem, os cola-</p><p>boradores voluntários recebem mais preparo do que nas igrejas onde não há</p><p>crescimento. Cerca de 63% de voluntários nas igrejas que crescem disseram:</p><p>“Em nossa igreja, os colaboradores voluntários recebem treinamento para suas</p><p>tarefas”. Apenas 12% disseram o mesmo nas igrejas que não crescem.4 No pri-</p><p>meiro século, Paulo e Barnabé usaram o treinamento dos novos crentes como um</p><p>fator-chave de sua tarefa de evangelização (At 15:35,36). Ellen G. White ressalta</p><p>este fato:</p><p>E, quando os apóstolos partiam para outro lugar, a fé daqueles homens não vaci-</p><p>lava, antes aumentava. Haviam sido fielmente instruídos no caminho do Senhor,</p><p>e se lhes ensinara como trabalhar abnegadamente, fervorosamente e perseveran-</p><p>temente pela salvação de seus semelhantes. Esta cuidadosa instrução aos novos</p><p>conversos era um importante fator no êxito notável que acompanhava Paulo e Bar-</p><p>nabé, pregando eles o evangelho nas terras gentílicas.5</p><p>Livro_Crescimento.indd 22 28/6/2007 22:54:01</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>2323</p><p>Chaney, fundador de igrejas</p><p>e especialista em crescimento de igreja, men-</p><p>ciona que, “bíblica e historicamente têm sido os leigos mobilizados e motiva-</p><p>dos a um ministério espiritual que têm produzido a expansão espontânea da</p><p>igreja”.6 Também o missiólogo adventista Oosterwal descobriu que um dos fa-</p><p>tores básicos do desenvolvimento da Igreja Adventista no mundo havia sido “a</p><p>mobilização das forças laicas”.7 Há mais de cem anos, Ellen G. White já dizia:</p><p>Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do</p><p>povo. O Salvador misturava-se com os homens como uma pessoa que lhes dese-</p><p>java o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e</p><p>granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: “Segue-me.”8</p><p>A biografia mais curta da vida de Cristo nos diz que ele “andou fazendo</p><p>o bem e curando a todos os oprimidos do diabo”. Este mesmo texto dá a</p><p>chave para fazer o que Cristo realizou: “Estava ungido pelo Espírito Santo,</p><p>cheio de poder, e Deus era com ele” (At 10:38). Este princípio, posto em</p><p>prática por Jesus e recomendado por Ellen G. White, é o que Robert Schul-</p><p>ler tem levado adiante durante mais de 35 anos na Catedral de Cristal, do</p><p>território de Orange, Califórnia. Esta igreja, com mais de 10 mil membros,</p><p>20 pastores e 350 empregados, tem uma evangelização centrada na atenção</p><p>das necessidades das pessoas por meio de mais de 150 ministérios. Schuller</p><p>explica a chave de seu extraordinário êxito em uma frase simples: “o segredo</p><p>do crescimento da igreja está em encontrar uma necessidade e suprí-la”.9</p><p>As igrejas que crescem usam seu potencial evangelístico máximo dado</p><p>pelo Espírito Santo. O potencial máximo de evangelização de uma igreja está</p><p>em combinar de 10 a 15% dos irmãos que têm o dom de evangelização com</p><p>10 a 15% dos irmãos recém-batizados para criar “uma força de choque para a</p><p>evangelização”. E, por outro lado, motivar ao máximo o restante dos irmãos,</p><p>70 a 80%, para desenvolver com seus dons uma diversidade de ministérios</p><p>que atendam as necessidades dos membros e da comunidade, e ao mesmo</p><p>tempo confirme e integre os novos conversos.10</p><p>Esta estratégia combina todas as forças da igreja numa “evangeliza-</p><p>ção segundo as necessidades”, o que permite transformar os resultados da</p><p>evangelização em crescimento de igreja. Esta forma de fazer missão tem</p><p>sido provada por Schwarz como um princípio universal de crescimento.11</p><p>O precursor do movimento de crescimento de igreja, McGavran, falava</p><p>em termos muito realistas sobre este aspecto. Ele dizia que as igrejas que</p><p>crescem têm em torno de 60% de membros ativos, dos quais 20% estão na</p><p>evangelização direta e 40% em tarefas internas mas dirigidas para o cresci-</p><p>mento. As igrejas que têm porcentagens inferiores às indicadas se transfor-</p><p>mam em igrejas estancadas ou decrescentes.12</p><p>Os “líderes figueira”, e mesmo igrejas completas do tipo figueira, po-</p><p>dem ser as propagadoras de uma doença denominada “hipercooperação”.</p><p>Livro_Crescimento.indd 23 28/6/2007 22:54:01</p><p>2424</p><p>Ministérios segundo dons e necessidades</p><p>Esta doença é produzida por excesso de cooperação da parte de igrejas-mãe</p><p>e líderes. Isto acontece nas igrejas grandes quando não são organizados di-</p><p>ferentes ministérios para realizar uma evangelização que atenda as necessi-</p><p>dades. Um grupo reduzido faz todas as tarefas e o resto morre por falta de</p><p>atividade. Alguns dos inativos visitam igrejas vizinhas para cooperar, e pro-</p><p>duzem o mesmo efeito sobre seus membros. Quando a cooperação vem se</p><p>somar à iniciativa local, então é boa. Mas, quando a cooperação é tão grande,</p><p>que seus membros e a igreja que a recebe não estão no comando principal</p><p>da ação, então temos a doença da “hipercooperação”. Os sintomas são os</p><p>seguintes: a igreja parece que vai bem porque há muita atividade, inclusive</p><p>existe certo grau de evangelização que atende algumas necessidades, porém,</p><p>esta atividade é realizada com demasiada ajuda exterior, a Liderança local é</p><p>débil, a vida e o crescimento real são pobres. Isso se deve ao descuido de uma</p><p>grande necessidade das igrejas: a participação de cada membro com todos</p><p>seus dons. Se não são usados, os dons são enterrados e morrem.</p><p>Há outra doença que surge quando esta característica falha: a “ociosite”.</p><p>Esta doença não só afeta o membro inativo, mas sobrecarrega e, em longo</p><p>prazo, destrói os membros ativos. Se sua igreja é “normal”, terá em torno de</p><p>20% dos irmãos que fazem 80% do trabalho da igreja. A primeira conseqüê-</p><p>ncia desta situação é uma atitude hostil dos que trabalham com relação aos</p><p>que ocupam os bancos, o que prejudica ainda mais os inativos e geralmente</p><p>os coloca fora da igreja. A segunda conseqüência é um esgotamento e poste-</p><p>rior abandono da atividade por parte dos ativos.</p><p>Os membros inativos têm uma necessidade primária: a urgente incor-</p><p>poração em algum ministério que utilize seus dons, lhes dê um sentido de</p><p>pertencer e realização e os mantenha comprometidos com sua igreja. Se isto</p><p>não acontece, se transformam em “membros nominais”. A segunda necessi-</p><p>dade urgente desses membros é perceber que sua igreja atende “suas necessi-</p><p>dades” imediatas. O livro Diez que se fueron (Dez que se foram) declara que o</p><p>caminho que leva ao abandono da igreja começa por alguns acontecimentos</p><p>que angustiam o membro necessitado. A igreja não atende sua necessidade,</p><p>o que o deixa indignado e faz com que sua participação diminua ainda mais.</p><p>Além disso, acontece de os membros não se darem conta nem responderem</p><p>de modo cristão a estes silenciosos pedidos de ajuda. Então o membro afe-</p><p>tado deixa de assistir aos cultos, esperando que se note sua ausência, mas</p><p>ninguém o procura. Isto faz com que se distancie mais, procurando esque-</p><p>cer sua experiência dolorosa e dedicando-se a alguma atividade que ocupe o</p><p>tempo que antes dedicava à igreja.13 Dessa forma, temos um novo “membro</p><p>nominal” ou um “apóstata” da igreja.</p><p>O que foi declarado no parágrafo anterior é o maior drama que en-</p><p>frentamos como Igreja Adventista. Pouco a pouco começamos a vislumbrar</p><p>este drama em toda sua magnitude. Estima-se que estão fora da igreja mais</p><p>que o dobro dos membros cadastrados. Nos Estados Unidos, país das esta-</p><p>Livro_Crescimento.indd 24 28/6/2007 22:54:02</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>2525</p><p>tísticas, onde há uns 800 mil membros cadastrados, estima-se que haja 1 ou</p><p>2 milhões de “ex-adventistas”.14 No mundo, somos 12 milhões de adven-</p><p>tistas, e teríamos que dizer, então, que uns 15 a 20 milhões mais estariam</p><p>fora da igreja. Isto significa muita gente. Mas se pensamos que cerca de 10</p><p>mil irmãos que nos acompanharam no sábado passado não estarão conosco</p><p>no próximo sábado, e isto acontece a cada semana, enquanto cada semana</p><p>se incorporam em torno de 20 mil novos irmãos, ou seja umas 200 igrejas</p><p>de 100 membros, umas 100 igrejas de 100 membros desaparecem de nosso</p><p>meio neste mesmo lapso.15</p><p>Diversos estudos nos indicaram vários fatores que influenciariam na</p><p>perda que estamos sofrendo.16 Mas agora, Cornforth e Lale, com o livro Diez</p><p>que se fueron (Dez que se foram), estão fazendo com que nos conscientizemos</p><p>da força do testemunho. Os irmãos que se foram concordam quanto à grande</p><p>necessidade de se ter uma igreja carinhosa e afetuosa, que dê mais importân-</p><p>cia ao aspecto social, que seja mais humana e que ajude a viver o cristianismo</p><p>prático e real de todos os dias. Em outras palavras, uma igreja que valorize</p><p>todos os dons e os utilize em ministérios que atendam as necessidades de</p><p>seus membros e da comunidade.17 Os “ex-adventistas” concordam com o</p><p>presidente da Associação Geral da Igreja Adventista, Jan Paulsen, que está de-</p><p>safiando a Igreja a ser mais carinhosa, a cumprir sua missão e a ser relevante</p><p>para a comunidade na qual está inserida.18 Em outras palavras, que a igreja</p><p>tenha a segunda característica das igrejas saudáveis: “Ministérios segundo dons</p><p>para uma evangelização de acordo com as necessidades”.</p><p>Como fazer para que esta característica seja uma realidade? Rick Warren,</p><p>pastor de uma das igrejas batistas</p><p>que mais crescem, conseguiu implementar um</p><p>sistema que faz isso. O modelo de Warren transforma pouco a pouco um mem-</p><p>bro da sociedade em um discípulo cristão que serve a comunidade. Para conse-</p><p>guir isso, sua igreja tem, entre outros aspectos, diferentes níveis de classes bíbli-</p><p>cas: as classes de nível 101 ensinam a conhecer a Cristo e a descobrir o discipulado,</p><p>tem como objetivo que a multidão de assistentes faça um pacto para se tornar um</p><p>membro, ou seja, que sejam membros mediante o batismo. No ambiente adven-</p><p>tista, isto se consegue por meio de estudos bíblicos e classes batismais. As classes</p><p>de nível 201 de Warren têm como objetivo o crescimento dos novos membros em</p><p>Cristo, que estes descubram a maturidade espiritual e façam um pacto de matu-</p><p>ridade (veja o gráfico na página seguinte). Nas igrejas adventistas isto é feito por</p><p>meio dos estudos ou classes pós-batismais ou classes especiais de Escola Sabatina.</p><p>Nas classes 301, a igreja de Warren ajuda os irmãos maduros a descobrirem os</p><p>dons e as possibilidades de ministério. O objetivo é que os participantes sirvam</p><p>a Cristo e façam um pacto de ministério. Este sistema está começando a surgir na</p><p>Igreja Adventista com os seminários, mas ainda não há consciência de que é algo</p><p>que deve acontecer de forma permanente em aulas semanais.</p><p>Livro_Crescimento.indd 25 28/6/2007 22:54:02</p><p>2626</p><p>Ministérios segundo dons e necessidades</p><p>pRocesso de desenvolvimento de Um discípUlo19</p><p>compRometido</p><p>com o discipUlado</p><p>classe 101</p><p>Descubra Sabbleback</p><p>Pacto para se tornar membro</p><p>compRometido</p><p>com a matURidade</p><p>classe 201</p><p>Descubra a maturidade espiritual</p><p>Pacto de maturidade</p><p>compRometido</p><p>com o ministÉRio</p><p>classe 301</p><p>Descubra seu ministério</p><p>Pacto de ministério</p><p>compRometido</p><p>com as missÕes</p><p>classe 401</p><p>Descubra sua missão na vida</p><p>Pacto de missões</p><p>siRv</p><p>a a</p><p>cRis</p><p>to</p><p>testemUnhe de cRisto</p><p>conheÇ</p><p>a c</p><p>Ris</p><p>to</p><p>cResÇa em cRisto</p><p>2</p><p>13 Cla</p><p>sse</p><p>s d</p><p>e n</p><p>íve</p><p>l 3</p><p>01</p><p>Classes de nível 401</p><p>Cla</p><p>sse</p><p>s d</p><p>e n</p><p>íve</p><p>l 1</p><p>01</p><p>Classes de nível 201</p><p>Nas classes 401, a igreja de Warren ajuda a descobrir a missão da vida.</p><p>O objetivo é que os participantes que descobriram seus dons testemu-</p><p>nhem de Cristo usando esses dons e façam um pacto de missões. Colocamos</p><p>isso em prática de forma esporádica e só com certos tipos de atividades.</p><p>Por exemplo, damos treinamento aos que desejam dar estudos bíblicos e</p><p>aos pregadores para a Semana Santa. O gráfico anterior ilustra o sistema</p><p>de classes da igreja de Warren.</p><p>Jay Baker, pastor das igrejas adventistas de Bloomington e Piura em Illi-</p><p>nois, Estados Unidos, é um dos ministros adventistas que segue esta forma de</p><p>trabalho neo-testamentária que pratica Warren. Baker concentra seu minis-</p><p>tério, especialmente, em ressuscitar igrejas que praticamente desapareceram.</p><p>Vários pastores adventistas nos Estados Unidos estão aplicando com êxito</p><p>este modelo, e na União do Pacífi co, do mesmo país, utilizam-no como uma</p><p>maneira excelente de estabelecer igrejas.20 O uso dos dons do Espírito nos</p><p>ministérios com sentido de missão trará bons resultados em todo o mundo.</p><p>Um grupo de irmãos jovens da Igreja de Moreno, Buenos Aires, vis-</p><p>lumbrou a missão e o uso dos dons em um ministério específico, ao ver a</p><p>quantidade de crianças e jovens que havia na região de La Perlita, distrito</p><p>de Moreno. Fundaram um clube de desbravadores missionários com reu-</p><p>niões normais do clube aos domingos e classes bíblicas aos sábados. Pouco</p><p>tempo depois, foi estabelecida a igreja de La Perlita. O maior crescimento</p><p>desta igreja se deu enquanto funcionava o clube de desbravadores com</p><p>Livro_Crescimento.indd 26 28/6/2007 22:54:03</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>2727</p><p>todas as atividades adjacentes de um alto potencial evangelístico: reuniões de</p><p>pais, classes bíblicas, classes batismais, retiros espirituais e outras. O clube desta</p><p>igreja ajudou no estabelecimento e fortalecimento de outros clubes de desbra-</p><p>vadores da zona oeste da grande Buenos Aires. Entre 1982 e 1992, a igreja</p><p>de La Perlita teve uma Média de Crescimento Anual (MCA) de 27,4% em</p><p>batismos, quando ao mesmo tempo a Associação Bonaerense teve só 6,4% de</p><p>MCA e a Igreja Adventista em nível mundial 9,6% de MCA em batismos no</p><p>mesmo período. Isso significou um crescimento bruto em La Perlita de 603%</p><p>de Taxa de Crescimento Decenal (TCD). Poucas igrejas no mundo tiveram</p><p>este crescimento; significou seis vezes mais que o crescimento da Igreja Adven-</p><p>tista mundial.21 Esta igreja enfatizou o uso dos dons em vários ministérios, e os</p><p>canalizou em sua maioria por meio do clube de desbravadores, que se adaptava</p><p>muito bem ao bairro cheio de jovens.</p><p>Um crescimento parecido aconteceu numa região sem presença adven-</p><p>tista do distrito pastoral de Morros, na Missão Maranhense, Brasil. O interes-</p><p>sante é que o crescimento também esteve relacionado com a implementação</p><p>de uma variedade de ministérios, dos pequenos grupos, com ênfase no clube</p><p>de desbravadores. O pastor Sidrack começou seu trabalho com 300 desbrava-</p><p>dores não-adventistas, quatro obreiros bíblicos de tempo integral e uma série</p><p>de conferências nas instalações da Igreja Católica de Monsenhor João Bacelar.</p><p>Esta missão do século 21 trouxe como resultado em três anos (2000-2002) a</p><p>fundação de 20 igrejas e o batismo de 3 mil novos irmãos.22</p><p>Estes resultados extraordinários estão conectados com a implantação dos</p><p>dons de um poder extraordinário como é o poder do Espírito Santo. Disse</p><p>Pedro: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons</p><p>despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4: 10). É um privilégio muito</p><p>grande fazer parte da multiforme graça de Deus para beneficiar este mundo com</p><p>suas multifacetárias necessidades. A igreja cumpre sua missão de acordo com a</p><p>estratégia da Trindade. (veja o gráfico na página seguinte).</p><p>A multiforme graça de Deus para alcançar uma variedade de espíritos.</p><p>Esta forma de cumprir com a missão utiliza a multiforme graça de Deus dada à</p><p>igreja numa diversidade de dons, o que lhe permite exercer uma diversidade de</p><p>ministérios e operações para alcançar uma diversidade de mentes (1Pe 4:7-10;</p><p>1Co 12:4-6).23 É inspirador saber que a Trindade está empenhada em alcançar</p><p>as diversas mentes deste mundo.Também entusiasma saber que, para sua estra-</p><p>tégia mundial, leva em conta todos os dons de cada igreja e sua implementação</p><p>por meio de uma diversidade de ministérios que trabalham de muitas maneiras</p><p>distintas. Tudo isto gera um entusiasmo contagioso na igreja, que se transfor-</p><p>ma em outro imã que atrai novos membros e os ajuda a perseverar. Falaremos</p><p>desta espiritualidade contagiante no capítulo seguinte.</p><p>Livro_Crescimento.indd 27 28/6/2007 22:54:03</p><p>2�2�</p><p>Ministérios segundo dons e necessidades</p><p>“mUltifoRme gRaÇa de deUs”</p><p>(1Pe 4:10)</p><p>“vaRiedade de espíRitos a seRem atingidos”</p><p>(Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, 483)</p><p>diveRsidade</p><p>(1Co 12: 4, 6)</p><p>dons</p><p>ministÉRios</p><p>opeRaÇÕes</p><p>espíRito</p><p>senhoR</p><p>pai</p><p>RefeRências</p><p>1 Ellen G. White, Educação (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 18.</p><p>2 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 24. Grifo nosso.</p><p>3 Ibidem.</p><p>4 Ibid., 25.</p><p>5 Ellen G. White, Atos dos Apóstolos (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006), 187.</p><p>Grifo nosso.</p><p>6 Charles L Chaney, Church Planting at the End of the Twentieth Century (Wheaton,</p><p>Illinois: Tyndale House Publishers, 1982), 81.</p><p>7 Gottfried Oosterwal, La Iglesia Adventista del Séptimo Día en el mundo contemporá-</p><p>neo (Libertador San Martín, Entre Rios: Seminario Adventista Latinoamericano de</p><p>Teología, 1981), 7.</p><p>8 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1994),</p><p>143.</p><p>9 Roger e Cummings Dudley, Adventures in Church Growth (Washington, DC: Re-</p><p>view & Herald, 1983), 80.</p><p>10 Wagner estimou que entre 10 e 15% dos membros tinham o dom de evangeliza-</p><p>ção. Normalmente, numa igreja adventista em crescimento, ingressa por meio do</p><p>batismo cada ano cerca de 10 a 15% de novos membros. Peter Wagner, Spiritual</p><p>Livro_Crescimento.indd</p><p>28 28/6/2007 22:54:04</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>2�2�</p><p>Gifts and Church Growth. Strategies or Church Growth (MC52 Pasadena, CA: Semi-</p><p>nário Teológico Fuller, Escuela de Misión Mundial, 1992), 11-12.</p><p>11 Schwarz, Las 8 características básicas de una iglesia saludable, 34-35.</p><p>12 Donald McGavran, How to Grow a Church (Glendale, CA: Regal Books, 1974),</p><p>89-97; Edward Murphy citando o doutor McGavran num esboço de uma con-</p><p>ferência ditada em Rosário, Argentina em 1974; Juan Carlos Miranda, Manual</p><p>de Iglecrecimiento (Miami, FL: Editorial Vida, 1985), 78-98; Donald McGavran e</p><p>George Hunter III, Church Growth: Strategies That Work (Nashville, TN: Abingdon</p><p>Press, 1980), 59-80.</p><p>13 Fred Cornforth e Tim Laje, Diez que se fueron (Buenos Aires: ACES, 2001), 118.</p><p>14 Ibid., 117, 123.</p><p>15 Associação Geral da IASD, Annual Statistical Report, 1999, 2000 e 2001. O doutor</p><p>James Zackrison, na Universidade Adventista do Peru, declarou que, de acordo com</p><p>suas observações em nível mundial, considera que temos nas igrejas 60% dos mem-</p><p>bros adventistas que estão registrados (janeiro de 2001). O doutor Jonas Arrais, em</p><p>abril de 2002, declarou que diariamente se batizam em torno de três mil pessoas na</p><p>Igreja Adventista. Uma estimativa conservadora indica que 50% dos que se batizam</p><p>está abandonando a igreja.</p><p>16 Rubén Pereyra, A Process of Self-Assessment and Goal Setting for a Latin- american</p><p>Local Congregation as a Possible Means to Create the Necessary Conditions for Church</p><p>Renewal, Fruitful Evangelism, and Effective Nurture, tese de doutorado (Michigan:</p><p>Universidade Andrews, 1980); Roger Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church:</p><p>Personal Stories From a 10-year Study (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000);</p><p>Rubén Otto, Factores que inciden en forma prioritaria en el abandono de Ia IASD por</p><p>parte de sus membros en Argentina, Paraguay y Uruguay, tese de doutorado não pub-</p><p>licada (Libertador San Martín, Entre Rios, 2000).</p><p>17 Cornforth e Lale. Diez que se fueron, 26, 32, 41, 46, 59, 65, 73, 98, 108, 118, 124.</p><p>18 Jaul Paulsen, sermão no auditório da UAP, abril de 2000.</p><p>19 Warren, Una iglesia con propósito, 136.</p><p>20 Rick Warren ensinou em seminários a mais de 22 mil pastores e líderes de 60 de-</p><p>nominações (Jay Baker, entrevista pessoal, agosto de 2000).</p><p>21 Roque Roselot, Un estudio de Ia influencia deI Club de Conquistadores en el</p><p>establecimiento y desarrollo de Ia Igreja Adventista deI Séptimo Dia de La Perlita,</p><p>(monografia não-publicada Libertador San Martín, Entre Rios: Universidade Ad-</p><p>ventista del Plata, 1999), 49-79.</p><p>22 Izéas Santos Cardoso, entrevista pessoal, São Paulo, 24 de julho.</p><p>23 Ellen G. White, Obreiros Evangélicos (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1993),</p><p>483.</p><p>Livro_Crescimento.indd 29 28/6/2007 22:54:04</p><p>Livro_Crescimento.indd 30 28/6/2007 22:54:04</p><p>31</p><p>capítUlo 3</p><p>espiRitUalidade contagiante</p><p>O distrito de Santo Domingo, província de Pichincha, no Equador, teve</p><p>sete anos de prosperidade entre 1995 e 2002. Durante o ministério dos pasto-</p><p>res Daniel Debrun, Carlos Zárate e Elid Moreira, o número de membros pas-</p><p>sou de 1.200 a 2.800. Este crescimento representa um ritmo de 310% de Taxa</p><p>de Crescimento Decenal (TCD) nesses sete anos. A Igreja Adventista mundial</p><p>teve 70% de TCD nesse mesmo período. As igrejas e congregações passaram</p><p>de seis a 12, o que signifi cou 217% de TCD nesses sete anos. Como resultado,</p><p>o distrito se dividiu em dois.</p><p>O pastor Eugenio Jara Morán, evangelista da Missão Equatoriana do</p><p>Norte, atribui este despertar a uma maior atenção dada à espiritualidade conta-</p><p>giante e motivadora por parte da administração da Missão. Mas, como sempre</p><p>acontece em se tratando de crescimento de igreja, o êxito se deve a uma série</p><p>de fatores e, neste caso, também se deveu ao estabelecimento dos pequenos</p><p>grupos, às campanhas evangelísticas longas e curtas, ao despertar dos leigos</p><p>quanto ao uso de seus dons, ao uso dos meios de comunicação e à liderança</p><p>capacitada com sentido de missão.1</p><p>Os estudos na área de crescimento de igreja realizados por Schwarz em</p><p>todo o mundo nos dizem que “nas igrejas onde se observam tendências lega-</p><p>listas, a espiritualidade que contagia a outros se encontra no estado de sub-</p><p>desenvolvimento”.2 Hoje, como antes, o “testemunho” contagiante de seus</p><p>seguidores era e continua sendo o método de Cristo por excelência para a</p><p>evangelização do mundo (Mt 24:14).</p><p>não confUndamos legalismo com</p><p>fidelidade aos pRincípios cRistãos</p><p>O diabo, conhecedor do poder da espiritualidade feliz e contagiante, tem</p><p>lançado um engano aparentemente mais valioso para diminuí-la. Trata-se do</p><p>“legalismo”, apresentado como se fosse “a mais fi na ortodoxia religiosa ou fi de-</p><p>Livro_Crescimento.indd 31 28/6/2007 22:54:06</p><p>3232</p><p>Espiritualidade contagiante</p><p>lidade aos princípios cristãos”. É assim que sinceros cristãos de todas as deno-</p><p>minações caem nessa armadilha mortal ou enfermidade eclesiástica.</p><p>Este engano é o componente essencial de uma das enfermidades mais</p><p>destrutivas da igreja: a síndrome de João. O Apocalipse descreve muito bem</p><p>esta enfermidade. Quem padece dela pensa ser rico e sem necessidade de</p><p>qualquer coisa; mas não sabe que é um infeliz, miserável, pobre, cego e</p><p>nu (Ap 3:17). Por causa dessa situação, o indivíduo pensa que é o dono</p><p>da verdade, superior a seus irmãos, chegando a considerar que seu dever é</p><p>“ser um defensor da ortodoxia cristã”. Lamentavelmente, na maioria dos</p><p>casos, o que se defende são aspectos supérfluos, verificando-se a atitude de</p><p>observar os aspectos exteriores e detalhes da vida dos outros. Estas pessoas</p><p>vivem preocupadas com a “hortelã, o endro e o cominho” modernos; mas</p><p>geralmente desprezam o importante da vida religiosa, como a justiça, a mi-</p><p>sericórdia e a fé (Mt 23:23, 24). Neste erro caíram os líderes religiosos do</p><p>tempo de Cristo, e devido a essa atitude não serviram para os propósitos da</p><p>missão divina. Por esta razão, o Senhor os rejeitou e pediu para que se ore</p><p>pelos líderes e se trabalhe no sentido de formar novos líderes que aprendam</p><p>dele (Mt 9:35-39; 23).</p><p>No livro Diez que se fueron (Dez que se foram), nossos irmãos que dei-</p><p>xaram a igreja concordam ao apontar como fator de apostasia uma marcada</p><p>tendência para o legalismo, a religião dos detalhes supérfluos e do descuido</p><p>anticristão das necessidades espirituais relevantes para a vida.3 Esta enfer-</p><p>midade deve ser curada com urgência na igreja, colocando em prática a</p><p>espiritualidade contagiante, ou o que também se denomina intrepidez.</p><p>O legalismo é uma das causas principais do “abandono da igreja por</p><p>nossos adolescentes”. Isto foi confirmado mais uma vez por uma pesquisa</p><p>recente realizada no Canadá e nos Estados Unidos, na qual os adolescentes</p><p>foram acompanhados durante dez anos.4 O que aconteceu com Ariel ilustra</p><p>o caso de muitos adolescentes que deixam a igreja. Ariel era uma adolescen-</p><p>te adventista fiel, boa filha de pais adventistas, inteligente, profundamente</p><p>espiritual, que desejava o melhor para sua vida religiosa e para sua igreja.</p><p>No decorrer dos dez anos da pesquisa, sua vida espiritual continuou cres-</p><p>cendo em relação a Cristo, apesar da influência negativa de grupos legalis-</p><p>tas que não tinham lugar para adolescentes como ela. Alguns líderes dentro</p><p>da igreja não tinham solução para suas necessidades, mas tinham críticas</p><p>para sua forma juvenil de encarar a religião. No quarto ano da pesquisa,</p><p>“Ariel informou que seu relacionamento com Jesus estava mais forte do</p><p>que no início da pesquisa, mas se considerava um membro ‘mais ou menos’</p><p>da igreja”.5 Durante esses dez anos, esta jovem espiritual buscava crescer</p><p>em Cristo, mas certos líderes da igreja esconderam dela o amor de Deus,</p><p>bem como sua graça e misericórdia, e lhe apresentaram um cristianismo</p><p>legalista, crítico, irrelevante para suas vivências, intolerante para suas ne-</p><p>cessidades espirituais juvenis e preocupado com assuntos menores da vida</p><p>Livro_Crescimento.indd 32 28/6/2007 22:54:06</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar</p><p>sua igreja</p><p>3333</p><p>dos demais. Quando a pesquisa chegou ao fim, Ariel continuava apegada</p><p>a Cristo, mas havia perdido seu entusiasmo pela igreja. Compartilhamos a</p><p>tristeza do pesquisador, o pastor Dudley, e também seu clamor à igreja por</p><p>uma solução:</p><p>Por preceito e exemplo, devemos fazer todo o possível para esclarecer o tema da</p><p>graça e acabar com o legalismo entre nós. Devemos comunicar um evangelho de</p><p>esperança. Sem este esforço, nunca conservaremos nossos jovens na igreja. Eles</p><p>não continuarão nesta luta se lhe dermos a entender que não poderão ganhar.</p><p>Valuegénesis tem nos mostrado que devemos transmitir de forma eficaz</p><p>uma orientação de graça a nossa juventude, provendo um clima afetuoso e de</p><p>aceitação em nossa congregação local, e por meio de professores carinhosos em</p><p>nosso sistema educacional. Aprendemos e aceitamos melhor a graça por meio</p><p>de um relacionamento afetuoso de apoio interpessoal com pessoas cheias de</p><p>graça. Uma tarefa importante nos próximos anos é instruir nossos professores</p><p>e líderes congregacionais a serem esse tipo de pessoa.</p><p>Também necessitamos examinar nosso próprio coração e atos para ver se há</p><p>tendências à crítica e a fazer julgamentos. Não devemos julgar como menos cristão</p><p>que nós um jovem que se veste de forma diferente, escuta música que não é de</p><p>nosso gosto ou adora em um estilo contemporâneo que não apoiamos. Deus não</p><p>nos colocou para decidirmos quem tem uma experiência cristã autêntica e quem</p><p>não tem. Podemos, com total segurança, deixar esse trabalho com Deus e dedicar</p><p>nossas energias a amar a todos nossos irmãos e irmãs de forma incondicional.</p><p>Para a igreja, podia ser tarde demais para ganhar Ariel de volta (embora</p><p>eu espere que não, porque creio que a igreja e Ariel necessitam uma da outra).</p><p>Mas, como ela disse: outros como eu estão vindo atrás de mim. Falharemos</p><p>com eles ou teremos a capacidade e grandeza de coração para suprir suas ne-</p><p>cessidades espirituais?6</p><p>Quando meditávamos nesses conceitos durante uma de nossas caminha-</p><p>das a Puiggari, num domingo às 6h30 da manhã, encontramo-nos com um</p><p>grupo de jovens que vinha chegando a Libertador San Martín. Ao vê-los, pen-</p><p>samos: “É muito cedo para vir trabalhar e muito tarde para vir de uma festa de</p><p>sábado à noite”. Pouco depois começamos a escutar uma música que vinha do</p><p>lado onde está a igreja católica. Pensamos: “Que cedo para missa e que tarde</p><p>para terminar um baile”. Não agüentando mais, perguntamos a um jovem que</p><p>vinha em sentido contrário:</p><p>- “Que festa é esta?”</p><p>- “É a festa de término de aulas do ensino médio de Puiggari”, disse-nos ele.</p><p>Fiquei pensando em quantas vezes estamos, como igreja, perdendo tem-</p><p>po, tratando de detalhes sem importância, enquanto ao nosso lado a juventude</p><p>enfrenta situações graves que desconhecemos! Questionamos os jovens que vêm</p><p>Livro_Crescimento.indd 33 28/6/2007 22:54:06</p><p>3434</p><p>Espiritualidade contagiante</p><p>à igreja quanto ao motivo de não estarem “marchando” no passo que nos pare-</p><p>ce correto, em vez de animá-los por estarem, pelo menos, vindo à igreja. Mas,</p><p>por outro lado, temos deixado de nos interessar pelos problemas profundos que</p><p>enfrentam os jovens que estão decidindo seu destino para esta vida e para a eter-</p><p>nidade. Por esquecer que “estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram</p><p>escritas para advertência nossa” (1Co 1:10), é possível que estejamos repetindo</p><p>a história dos fariseus do tempo de Jesus (Mt 23). O filósofo George Santayana</p><p>disse: “Os que esquecem a história estão condenados a repeti-la.”7</p><p>a impoRtância da mensagem</p><p>Oosterwal disse que “os pioneiros da Igreja Adventista descreveram esta</p><p>mensagem como a ‘verdade presente’, ou seja, uma verdade dada para um tem-</p><p>po específico e relevante para pessoas que vivem numa situação (histórica) par-</p><p>ticular”.8 Ele comprovou há vários anos que “o crescimento da igreja está pro-</p><p>porcionalmente relacionado com a relevância da mensagem para a vida e para</p><p>a existência das pessoas, no contexto de sua situação particular”.9 O entusiasmo</p><p>pela doutrina adventista é em si mesmo um fator de crescimento.</p><p>As conclusões dos estudos realizados nas igrejas adventistas hispanas em</p><p>crescimento do sul da Califórnia nos deixaram clara esta verdade: A mensagem</p><p>adventista, em si mesma, é um fator de crescimento. Quando se aprecia a</p><p>importância da mensagem bíblica, requer-se compartilhar. Como adventistas,</p><p>ansiamos compartilhar as profecias que nos tornaram cristãos crentes fervo-</p><p>rosos na segunda vinda. Além disso, desejamos ardorosamente compartilhar</p><p>todos os ensinamentos que nos tornaram felizes e nos ajudaram a viver melhor</p><p>a vida real de todos os dias. Quando meu pai [de Daniel] faleceu, eu desco-</p><p>nhecia o ensinamento sobre o estado dos mortos. Isto fez com que eu vivesse</p><p>uma experiência espiritual instável e de desespero diante da morte do meu pai.</p><p>Minha experiência ia desde a felicidade de pensar que meu pai podia estar no</p><p>Céu à angústia de imaginá-lo no purgatório ou no inferno. Quando aprendi</p><p>pela Bíblia que os mortos nada sabem, que dormem no pó da terra, havendo de</p><p>ressuscitar no último dia, e que seu destino eterno está nas mãos de um Deus</p><p>de misericórdia, a paz e a alegria inundaram meu coração. Então, cada vez que</p><p>tenho oportunidade, dou testemunho e compartilho esta verdade que me aju-</p><p>dou a viver melhor aqui e agora. Em outras palavras, verdades que atenderam</p><p>a uma necessidade geram atividade missionária sincera que é transmitida de</p><p>coração para coração; e não por mero proselitismo.</p><p>O pastor Ricardo Norton, quando pastoreava a igreja adventista hispana</p><p>de Van Nuys, Califórnia, usava “a importância da mensagem” como centro de</p><p>sua estratégia de crescimento. Este é um típico modelo adventista para crescer.</p><p>Ele procurava fazer com que os membros gostassem, conhecessem, entendes-</p><p>sem e apreciassem as verdades bíblicas. Atendia às necessidades próprias dos</p><p>Livro_Crescimento.indd 34 28/6/2007 22:54:06</p><p>CRESCIMENTO: chaves para revolucionar sua igreja</p><p>3535</p><p>membros e os habilitava a ajudar a outros que estivessem enfrentando situações</p><p>parecidas. Por exemplo, quando veio à tona o caso do fanático religioso David</p><p>Koresh, a Igreja de Van Nuys recebeu uma orientação bem metódica e detalha-</p><p>da por parte de seu pastor. As igrejas pastoreadas por Norton eram as que mais</p><p>cresciam na Associação Adventista do Sul da Califórnia (1980-1994), mais de</p><p>cem pessoas se batizavam anualmente.10</p><p>Esta forma de trabalhar gera entusiasmo, mas há uma enfermidade eclesiás-</p><p>tica que atenta contra a espiritualidade contagiante: a “amarguite crítica”.</p><p>Uma enfeRmidade fatal: a “amaRgUite cRítica”11</p><p>A amarguite crítica é um grau exagerado de amargura e crítica produzi-</p><p>das por um estado de infelicidade interior ou negativismo, que vê sombras e</p><p>espinhos por todos os lados, e impede a pessoa de ver o lado bom da vida. Se</p><p>espalha pela igreja e faz com que se perca a espiritualidade contagiante.</p><p>Os sintomas desta enfermidade são os seguintes: para a pessoa contami-</p><p>nada por essa doença, nada está bom; ela tem uma atitude de crítica diante de</p><p>qualquer plano e pessoa contrária a suas idéias fixas. Geralmente, as pessoas</p><p>com esta enfermidade criticam o modelo eclesiástico estabelecido e criticam</p><p>desde o pastor e os dirigentes da igreja local até a Associação, União, Divisão</p><p>e Associação Geral da IASD. Possivelmente criticariam os anjos e o próprio</p><p>Cristo se estes estivessem em nosso meio de uma forma visível.</p><p>As causas que produzem esta enfermidade são diversas, mas geralmente</p><p>se trata de ressentimentos profundos e antigos causados por experiências ne-</p><p>gativas não-digeridas de forma cristã. Esses ressentimentos, geralmente, foram</p><p>causados por líderes legalistas e muito orgulhosos. Esta amargura, misturada</p><p>com orgulho e soberba ocultos e não entregues a Cristo, é o que os impede</p><p>de ver seus próprios problemas. Também pode ter ligações com problemas</p><p>psicológicos não-reconhecidos nem tratados e que só um profissional poderia</p><p>ajudar a solucionar.</p><p>Em nosso primeiro distrito</p>