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Questão 002 (Resolvida) 29815

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<p>FilosoFia</p><p>2ª</p><p>Fa</p><p>se</p><p>- U</p><p>FU</p><p>/ M</p><p>eD</p><p>“Desde que comecei a integrar as ações do movimento negro e a</p><p>estudar a fundo as relações raciais, passei a prestar atenção ao número</p><p>de pessoas negras nos ambientes em que frequento, e que papel</p><p>desempenham. Nos ambientes acadêmicos e próprios ao exercício</p><p>da advocacia, percebi que, na grande maioria das vezes, eu era uma</p><p>das poucas pessoas negras, senão a única na condição de advogado</p><p>e de professor.</p><p>Entretanto, essa percepção se altera completamente quando,</p><p>nesses mesmos ambientes, olho para os trabalhadores da segurança</p><p>e da limpeza: a maior parte dos negros e negras como eu, todos</p><p>uniformizados, provavelmente mal remunerados, quase imperceptíveis</p><p>aos que não foram “despertados” para as questões raciais como eu fui.</p><p>Essa	segregação	não	oficial	entre	negros	e	brancos,	que	vigora</p><p>em muitos espaços sociais, é sustentada por argumentos e explicações</p><p>falaciosas. Eis algumas delas:</p><p>1 - Pessoas negras são menos aptas para a vida acadêmica e para</p><p>a advocacia.</p><p>2 - Pessoas negras, como todas as outras pessoas, são afetadas</p><p>por suas escolhas individuais, e sua condição racial nada tem a</p><p>ver com a situação socioeconômica.</p><p>3 - Pessoas negras, por fatores históricos, têm menos acesso</p><p>à educação e, por isso, estão alocadas em trabalhos menos</p><p>qualificados,	os	quais,	consequentemente,	são	mal	remunerados.”</p><p>ALMEIDA, Sílvio Luiz de. O que é racismo estrutural? Coleção Feminismos Plurais.</p><p>Belo Horizonte: Letramento, 2018, p. 47-48. (Adaptado)</p><p>A)	Explique	as	razões	que	fazem	com	que	as	afirmações	1	e	2	sejam</p><p>racistas.</p><p>B)	Com	base	na	afirmação	3,	explique	o	porquê	das	pessoas	negras</p><p>terem menos acesso à escolarização e por que essa desigualdade</p><p>também está ligada à questão racial.</p><p>Resolução</p><p>A)	A	afirmação	1	é	racista	por	defender	a	inferioridade	intelectual	de	um</p><p>sujeito,	segundo	a	cor	de	sua	pele.	Aqui	o	negro	é	visto	como	“bár-</p><p>baro”, “inferior”. Associar, portanto, aptidão acadêmica e a aptidão</p><p>para	advogar	a	cor	da	pele,	configura	o	que	podemos	chamar	de</p><p>racismo	aberto	que	ocorre	quando	há	afirmações	racistas	dirigidas</p><p>diretamente	aos	sujeitos	de	pele	negra.	Já	a	afirmação	2	é	racista</p><p>porque	joga	a	culpa	do	racismo	na	própria	mão	dos	negros,	ao	dis-</p><p>sociar o racismo das condições históricas, sociais e econômicas,</p><p>naturalizando, desse modo, a desigualdade racial e econômica, o</p><p>que é chamado de racismo estrutural. Ademais, vale lembrar que</p><p>a	afirmação	2,	ainda	é	racista,	porque	esquece	deliberadamente</p><p>que o sistema capitalista foi fundado em termos racistas, a partir da</p><p>invasão das Américas e consequentemente, com a escravização</p><p>do povo preto.</p><p>B)	Podemos	afirmar,	segundo	a	afirmação	3,	que	as	pessoas	negras</p><p>têm menos acesso à escolarização porque historicamente elas foram</p><p>mantidas em cativeiro físico e mental pelos povos autodeclarados</p><p>brancos;	 segundo	a	ótica	do	branco	 (que	se	diz	 sujeito	 racional</p><p>e criador de cultura) o negro (exótico, não civilizado na visão do</p><p>branco) somente é aceito no mundo do branco em alguns nichos</p><p>culturais (música, esporte, etc.) e, sobretudo, como mão de obra a</p><p>ser explorada. Essa postura dos brancos reverbera durante toda a</p><p>construção do sistema capitalista de produção, o que faz com que</p><p>os	negros	sejam	relegados	à	função	de	meros	trabalhadores	mal</p><p>pagos	e	mal	qualificados.	Os	negros,	desse	modo,	são	a	“carne</p><p>mais barata” e menos instruída do mercado, porque o próprio mer-</p><p>cado capitalista foi fundado em termos racistas. Assim, a criação</p><p>da expressão “branco” e “não-branco”, por uma visão eurocêntri-</p><p>ca, caracterizou o “negro” como não humano, impossibilitando a</p><p>existência de uma identidade para esse povo. De tal sorte, tem-se</p><p>que as questões políticas e históricas também são um processo de</p><p>construção	da	subjetividade.</p>