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Cartilha NUDDH NÚCLEO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO GRANDE DO SUL Rua Siqueira Campos, 731 - Porto Alegre/RS Equipe Editorial Alessandra dos Santos Pereira Bruna Alexsandra Rocha da Rosa Cristina Schwarz Luana Borba Iserhard Mariana de Mello Sampaio Nathalie Gut Ferreira Sandrine Monte Knopp Simone Vieira da Cruz Thiago Silveira de Oliveira Veyzon Campos MunizMuniz Coordenação Andrey Régis de Melo Gizane Mendina Rodrigues Mário Silveira Rosa Rheingantz Centro de Referência em Direitos Humanos da Defensoria Pública email: crdh@defensoria.rs.def.br Grupo de Trabalho Igualdade email: gtigualdade@defensoria.rs.def.br Material confeccionado pela Assessoria de Comunicação Social da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul. 3 INTRODUÇÃO Defensoria Pública tem como função institucional promover a difusão e a conscientização dos Direitos Humanos, objetivando, também, a primazia da dignidade humana e a redução dasA desigualdades. Tem ainda a missão de exercer a defesa de grupos sociais vulneráveis que mereçam proteção especial do Estado. Nessa perspectiva, se faz necessária uma abordagem histórica, social e cultural do racismo para que possamos romper com preconceitos tão arraigados na sociedade. Assim, compartilharemos informações para que não somente conceituemos o que é o racismo, mas também entendamos as distinções epistemológicas desse contexto. MAS AFINAL, POR ONDE COMEÇAR A ENTENDER O ASSUNTO?4 “A construção da deƤnição jurídico-constitucional do termo ‘racismo’ requer a conjugação de fatores e circunstâncias históricas, políticas e sociais que regeram a sua formação e aplicação (…) racismo constitui um atentado contra os princípios nos quais se erige e se organiza a sociedade humana, baseada na respeitabilidade e dignidade do ser humano e de sua pacíƤca convivência.” (STF, Plenário, HC 82.4245RS, Rel. Min. Moreira Alves, julgado em 1950352004.) “O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justiƤcar a desigualdade e destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade!” (STF, Plenário, ADO 265DF, Rel. Min. Celso de Mello, MI 47335DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 135652019, Info. 944.) Iniciaremos pela conceituação de raça e cor. O conceito de RAÇA tem sua origem em uma suposta fundamentação biológica, dentro do paradigma de uma raça inferior e uma raça superior. Cientificamente a terminologia é inaplicável à espécie humana. No entanto, quando nos referimos ao termo, não estamos falando em distinção biológica mas, sim, em uma construção política e histórica desse conceito. A importância de falarmos sobre raça se dá no sentido de reconstituir a identidade da população negra no país, que é marcada pela desvalorização de seus traços físicos e de sua cultura. Já a COR diz respeito à gradação do tom da pele. De forma semelhante, na perspectiva daqueles que alimentam um pensamento discriminatório, é um marcador de diferença e indicaria inferioridade daqueles que possuem a tonalidade mais escura. A partir desses conceitos, toda uma simbologia excludente foi construída no inconsciente coletivo pela qual a cor preta representaria o mal, o feio e o sem inteligência, ao passo que a cor branca representaria o bom, o bonito e o inteligente. Importante ressaltar: o racismo é um fenômeno social e não biológico! Nesse sentido, já decidiu o STF: Assim, ao ponderarmos sobre a diferença entre raça e cor, estamos fazendo importante reWexão sobre CONSCIÊNCIA RACIAL, isto é, a noção de que a construção de uma sociedade verdadeiramente justa depende do reconhecimento coletivo das origens e dos efeitos sistêmicos da discriminação entre negros e brancos. 5 QUANDO O RACISMO COMEÇOU? Historicamente, houve um sistema complexo que, ao longo de mais de 400 anos, fez com que aproximadamente 15 milhões de homens, mulheres e crianças ao redor do globo fossem vítimas do TRÁFICO HUMANO e da EXPLORAÇÃO COMPULSÓRIA de sua mão de obra. As pessoas negras eram tidas como objetos e sofriam violências de toda ordem. No Brasil pós-escravidão, em que pese os negros compusessem o contingente populacional majoritário, a racionalidade racista gerou uma política estatal de exclusão e marginalização do negro, de tentativa de branqueamento da população, através da imigração europeia e asiática, e de instituição constitucional de uma proposta eugênica de educação. A proposta de ocupação do Brasil por imigrantes se dava não apenas para estimular o processo de branqueamento da sociedade, mas também como um instrumento estatal de aniquilação do negro e de suas características físicas. Importante destacar: a indução da miscigenação (com predominância branca) fez surgir o mito de que no país vigora uma “democracia racial”, na qual brancos e negros gozariam de plena igualdade social, não existindo racismo. WILSON TIBÉRIO (1923-2005) “Damomex - Figuras”, o.s.t., 71 X 89 cm, assinado, titulado e datado (1948) no c.i.d. 6 QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DE ACREDITAR NESSE MITO? A representação de nossa sociedade como expressão de uma democracia racial de caráter supostamente inclusivo e universalista encobre problemas graves. A referência a uma neutralidade racial está na raiz de uma narrativa responsável pela preservação da brutal desigualdade entre negros e brancos, quando, em verdade, negros e brancos deveriam estar em posições sociais equivalentes. Nesse contexto, o conceito de BRANQUITUDE nos revela que existe um sistema de valores e comportamentos que toma o ser branco como o “modelo universal de humanidade” e representante de todas as pessoas, levando a uma espécie de cegueira social. Isso faz com que grande parte das pessoas brancas não consiga enxergar a dor das pessoas que enfrentam discriminação étnico-racial. Em outras palavras: há um lugar de privilégios simbólicos, subjetivos, objetivos, isto é, materiais palpáveis que colaboram para construção social e reprodução do racismo. O não reconhecimento da identidade racial branca é um dos sintomas da branquitude, pois transfere o problema das desigualdades raciais exclusivamente à população negra e acredita que a ascensão social ocorre por processos meritocráticos. Já o COLORISMO (ou pigmentocracia), conceito desenvolvido por Alice Walker, feminista estado-unidense, no ano de 1982, nos explica que quanto mais pigmentada uma pessoa é, mais exclusão e discriminação ela sofrerá. Isto é, independentemente de a pessoa ser reconhecida socialmente como negra, a tonalidade de sua pele será decisiva para o tratamento que receberá. Em outras palavras: mesmo entre pessoas negras, há diferenças no tratamento, vivências e oportunidades, a depender do quão escura é sua pele. O colorismo dificulta e até mesmo impede completamente o acesso de pessoas de pele mais escura a certos lugares da sociedade. ENTÃO, O QUE RACISMO QUER DIZER? Segundo a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, RACISMO é a doutrina que afirma a superioridade de determinados grupos étnicos, nacionais, linguísticos, religiosos, sobre outros (Lopes, 2o14). Importante destacar: o termo etnia não é sinônimo de raça! Ele se refere a um grupo culturalmente homogêneo, ou seja, povo que tem os mesmos costumes ou a mesma origem, cultura, língua ou religião. O racismo se expressa em ideias e práticas discriminatórias advindas da afirmação da superioridade de um grupo étnico-racial sobre outro. Trata-se de um sistema estrutural de privilégios na sociedade, pelo que pode ser definido como RACISMO ESTRUTURAL. Afinal, é um conjunto de práticas, hábitos, situações, falas, políticas e normatizações que promovem, direta ou indiretamente, a segregação e o preconceito racial. 7 COMO SABER SE UMA AÇÃO É RACISTA? A prática racista se expressa em ações discriminatórias. Contudo, o agente frequentementenão admite ou reconhece seu preconceito. O fato é que alguém está sendo racista, por exemplo, quando: · Apelida negras e negros de acordo com as características físicas, a partir de elementos de cor e etnia da pessoa. · Inferioriza as características estéticas de negras e negros. · Considera uma negra ou um negro inferior intelectualmente, podendo até negar-lhe determinados cargos, funções ou empregos. · Ofende verbal ou fisicamente a pessoa negra. · Despreza seus costumes, hábitos e tradições, como na ofensa a religiões de matriz africana. · Duvida da honestidade e competência da pessoa negra. · Recusa-se a prestar serviços a negras e negros. · Faz ou se diverte com piadas depreciativas da pessoa negra e, ao ser confrontado, afirma que é exagero. · Afirma que o cabelo natural de uma pessoa negra é bonito ou feio, em razão de sua textura ou volume. · Identifica a profissão de uma pessoa negra a partir de sua vestimenta e de suas pré-concepções sobre os papéis sociais ou profissionais que crê ser adequados a ela. 8 EXISTEM EXPRESSÕES POPULARES QUE REFLETEM O RACISMO? Sim! O racismo, igualmente, se materializa quando a pessoa utilizar termos como: “A coisa está preta”: uma situação desconfortável é o mesmo que uma situação preta? Essa expressão é racista porque reWete uma associação entre “preto” e uma situação desconfortável, desagradável, difícil, perigosa. “Da cor do pecado”: termo que reforça a objetificação e a sexualização do corpo negro, especialmente das mulheres negras. Denegrir: sinônimo de difamar, tonar negro, obscurecer; e Clarear: sinônimo de iluminar, tonar branco, esclarecer. São palavras que reforçam o negro como algo ruim e o branco como algo bom. “Inveja branca” e “alma branca”: a cor branca é utilizada como adjetivação para expressar algo positivo e suavizado. Mulata: termo derivado de mula (cruzamento entre uma espécie superior e outra inferior), usado para designar mulheres negras de pele clara. A expressão é ainda mais pejorativa quando seguida de “tipo exportação”, pois reitera a visão do corpo da mulher negra como mercadoria. Morena: termo originalmente utilizado para caracterizar uma pessoa branca de cabelos pretos, usado para afastar a negritude de uma pessoa. É palavra utilizada para evitar a caracterização de uma pessoa como “negra”, acreditando que isso seria ofensivo. 9 MAS E A PESSOA NEGRA PODE SER RACISTA COM UMA PESSOA BRANCA? Não! Negros não possuem poder institucional para serem racistas, pois a história teceu o contexto de supremacia branca, sobretudo pelos vários séculos de sistema escravista. Para haver RACISMO REVERSO seria necessário modificar a história para que os negros fossem capazes de criar um conjunto de privilégios para si e de oprimir outros grupos sociais, o que, obviamente, não é possível. A PESSOA NÃO NEGRA PODE SER DISCRIMINADA? Sim! As pessoas brancas podem sofrer algum tipo de agressão verbal relacionada à sua cor ou origem, por exemplo, mas tal discriminação não pode ser considerada racismo, porque, como já vimos, o racismo é única e exclusivamente direcionado a pessoas negras. A pessoa branca, nesse caso, sofre um preconceito, uma discriminação ou uma injúria que está relacionada à ofensa contra sua honra. A PESSOA NÃO NEGRA PODE USAR UM TURBANTE? Sim! Incluir no seu modo de se vestir um adorno pessoal, ouvir uma música, seguir determinada religião, falar certa língua são ações que, por si só, não representam prática racista. Mas as pessoas não negras precisam ficar atentas à APROPRIAÇÃO CULTURAL que, tal qual o racismo, se materializa sistemicamente quando elementos específicos de uma cultura são explorados ou distorcidos por outra. SOMENTE A PESSOA NEGRA PODE FALAR SOBRE RACISMO? Não! Embora apenas as pessoas que sofrem racismo possam falar por si, como protagonistas da própria luta e movimento, toda pessoa possui, a partir de suas vivências e experiências, condições potenciais de reWetir sobre as relações raciais e contribuir para a superação do racismo estrutural. O LUGAR DE FALA de alguém deve ser entendido como uma possibilidade para a democratização do diálogo e das trocas interpessoais, com vista à diminuição das desigualdades existentes. 10 E NAS INSTITUIÇÕES, COMO O RACISMO OPERA? Ele se manifesta tanto em normas, práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano do trabalho, quanto no fracasso das instituições públicas e organizações privadas em prover um serviço profissional e adequado às pessoas negras. Em ambos os casos, o chamado RACISMO INSTITUCIONAL coloca os negros em situação de desvantagem no acesso a benefícios gerados pelo Estado e pelos demais organismos sociais. Além disso, o racismo estrutural é reWexo nítido das práticas racistas e das discriminações estruturais, no âmbito de instituições públicas e privadas. Asinstituiçõessãoconstituídas de pessoaseelasdevem estar cientesecomprometidas com o combate ao racismo, sob pena de tais práticas serem naturalizadas nas instituições. COMO É POSSÍVEL ERRADICAR ESSAS PRÁTICAS? Medidas reparatórias têm importância fundamental para a construção de uma sociedade genuinamente igualitária. Através de AÇÕES AFIRMATIVAS é possível a superação do racismo institucional. Elas são políticas temporárias que destinam recursos em benefício de pessoas pertencentes a grupos discriminados pela exclusão no passado ou no presente. Tratam-se de medidas que têm como objetivo combater discriminações, aumentando a participação de grupos vulnerabilizados ou excluídos no processo político e no acesso à educação, saúde, emprego, bens materiais, redes de proteção social e reconhecimento cultural. As COTAS, isto é, a reserva de vagas para ingresso nas universidades federais e em cargos públicos, são exemplo de ações afirmativas manejadas no combate ao racismo. Trata-se de um sistema de inclusão para pessoas identificadas como integrantes de grupos vulnerabilizados, conforme regramento próprio. umentam que essas iniciativas são problemátic asileira. Mas não é bem assim. A cidadania rias que só existem quando diferentes segmen cesso às mesmas oportunidades materiais. COMO É POSSÍVEL IDENTIFICAR OS DESTINATÁRIOS DESSAS POLÍTICAS? A implementação de ações afirmativas nos processos de admissão nas universidades federais e no serviço público tem gerado reƪexão sobre os significados sociais da raça no nosso país. Para auxiliar na identificação dos destinatários das políticas reparatórias são utilizados dois mecanismos. A HETEROIDENTIFICAÇÁO, que é o reconhecimento da raça, cor ou etnia por terceiros, baseado em aspectos visuais e características físicas. E a AUTODECLARAÇÁO, que é o reconhecimento próprio como pessoa de determinada raça, ou etnia. A identificação deve ocorrer, primariamente, pelo próprio indivíduo, a fim de evitar que terceiros o identifiquem, baseando-se em padrões racistas e discriminatórios. NO CASO DOS CONCURSOS PÚBLICOS, COMO AS COTAS FUNCIONAM? As pessoas que optam por concorrer pelas vagas reservadas, após se autodeclararem, passam por um procedimento de heteroidentificação complementar à autodeclaração, a fim de evitar fraudes e, assim, o ingresso de pessoas não negras. Atualmente, há uma consonância nos processos de heteroidentificação, sendo normatizada de acordo com o órgão e o ente federativo que realiza o concurso público. Há uma portaria, a nível federal (Portaria Normativa n° 04/2018), que normatiza esses procedimentos e determina que seus componentes respeitem a diversidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Defensoria Pública defende a construção de ambientes livres de discriminação racial. Atos e manifestações que propagam preconceitos e projetam a exclusão de pessoas negras correspondem a um verdadeiro atentado ao Estado Democrático de Direito. Articulando, assim, o reconhecimento da problemática do racismo com a necessidade urgente de seu combate, propomos um convite ao seu engajamento na luta antirracista. 111 “Não dá para falar em consciência humana enquanto pessoas negras não tiverem direitos iguais e sequer forem tratadas como humanas.”Djamila Ribeiro NUDDH NÚCLEO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DEFENSORIA PÚBLICA DO RIO GRANDE DO SUL image6.png image96.png image97.png image98.png image99.png image100.png image101.png image102.png image103.png image104.png image105.png image7.png image106.png image107.png image108.png image109.png image110.png image111.png image112.png image113.png image114.png image115.png image8.png image116.png image117.png image118.png image119.png image120.png image121.png image122.png image123.png image124.png image125.png image9.png image126.png image127.png image128.png image129.png image130.png image131.png image132.png image133.png image134.png image135.png image10.png image136.png image137.png image138.png image139.png image140.png image141.png image142.png image143.png image144.png image145.png image11.png image146.png image147.png image148.png image149.png image150.png image151.png image152.png image153.png image154.png image155.png image12.png image156.png image157.png image158.png image159.png image160.png image161.png image162.png image163.png image164.png image165.png image13.png image166.png image167.png image168.png image169.png image170.jpeg image171.png image172.png image173.png image174.png image175.png image14.png image176.jpeg image177.jpeg image178.png image179.jpeg image180.png image181.png image182.png image183.png image15.png image184.png image185.jpeg image186.png image187.png image188.png image189.png image190.png image191.png image192.png image193.png image16.png image194.png image195.png image196.png image197.png image198.png image199.png image200.png image201.png image202.png image203.png image17.png image204.png image205.png image206.png image207.png image208.png image209.png image210.png image211.png image212.png image213.png image18.png image214.png image215.png image216.png image217.png image218.png image219.png image220.png image221.png image222.png image223.png image19.png image224.png image225.png image226.png image227.png image228.png image229.png image230.png image231.png image232.png image233.png image20.png image234.png image235.png image236.png image237.png image238.png image239.png image240.png image241.png image242.png image243.png image21.png image244.png image245.png image246.png image247.png image248.png image249.png image250.png image251.png image252.png image253.png image22.png image254.png image255.png image256.png image257.png image258.png image259.png image260.png image261.png image262.png image263.png image23.png image264.png image265.png image266.png image267.png image268.png image269.png image270.png image271.png image272.png image273.png image24.png image274.png image275.png image276.png image277.png image278.png image279.png image280.png image281.png image282.png image283.png image25.png image284.png image285.png image286.png image287.png image288.png image289.png image290.png image291.png image292.png image293.png image26.png image294.png image295.png image296.png image297.png image298.png image299.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image1.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image2.png image56.png image57.png image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image3.png image66.png image67.png image68.png image69.png image70.png image71.png image72.png image73.png image74.png image75.png image4.png image76.png image77.png image78.png image79.png image80.png image81.png image82.png image83.png image84.png image85.png image5.png image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image92.png image93.png image94.png image95.png