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Rotinas Jurídicas e Administrativas Professora Me. Caroline Rodrigues Celloto Dante Reitor Prof. Me. José Carlos Barbieri Vice-Reitor Prof. Dr. Hamilton Luiz Favaro Pró-Reitora Acadêmica Prof. Ma. Margareth Soares Galvão Diretor de Operações Comerciais Prof. Me. José Plínio Vicentini Diretor de Graduação Prof. Me. Alexsandro Cordeiro Alves da Silva Diretor de Pós-Graduação e Extensão Prof. Ma. Marcela Bortoti Favero Diretor de Regulamentação e Normas Prof.. Me. Lincoln Villas Boas Macena Diretor de Operações EAD Prof. Me. Cleber José Semensate dos Santos 2021 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2021 Os autores Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. UNIFCV CAMPUS SEDE Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho, 5950, Novo Centro - Maringá - PR CEP: 87.020-035 UNIFCV SEDE ADMINISTRATIVA Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho, 5410, Maringá - PR CEP: 87.020-035 (44) 3028-4416 www.unifcv.edu.br/ As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP D192r Dante, Caroline Rodrigues Celloto Rotinas jurídicas e administrativas / Caroline Rodrigues Celloto Dante. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 80 p. : il. Color. 1. Cartórios. 2. Direito notaria e registral. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância III. Título. CDD : 23 ed. 346.81 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 AUTORA Olá, caro(a) aluno(a). Sou a professor Me. Caroline Rodrigues Celloto Dante e te acompanharei ao longo da nossa disciplina de Rotinas Jurídicas e Administrativas. Para que você possa me conhecer, trarei algumas informações gerais, disponíveis no meu Currículo Lattes. Sou formada em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, especialista em: a) Direito do Trabalho e Direito Previdenciário, pelo IDCC - Instituto de Direito Constitucional e Cidadania; b) Docência no Ensino Superior, pelo UniCesumar; c) Tecnologias Aplicadas ao Ensino à Distância, pelo Centro Universitário Cidade Verde (UniCFV). Por fim, sou profes- sora mestre em Ciências Jurídicas, pelo UniCesumar. Atualmente sou professora universitária da graduação e também da pós-gradua- ção, além de advogada em escritório particular. Caso você tenha interesse em conhecer maiores informações quanto à minha formação e atividades desenvolvidas no cenário acadêmico, fica o convite para acesso ao meu Currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/0182529445943282. APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá, querido(a) acadêmico(a)! Daremos início a nossa disciplina de “Rotinas Jurídicas e Administrativas”. Nos- so estudo será estruturado em quatro unidades, nas quais veremos as principais rotinas administrativas e jurídicas, tanto dos cartórios extrajudiciais, quanto judiciais, bem como estratégias possíveis para aprimoramento da gestão deles. Na primeira unidade vamos conhecer os conceitos gerais atrelados à gestão, enfa- tizando a necessidade de planejamento para obtenção de melhores resultados. Falaremos sobre gestão de tarefas e as principais características da rotina jurídica e da rotina adminis- trativa, bem como abordaremos algumas estratégias. Já na Unidade II, introduziremos a análise das rotinas administrativas e jurídicas relacionadas aos cartórios extrajudiciais. Você irá saber mais sobre os seguintes cartórios extrajudiciais, suas atribuições e principais estratégias de gestão: cartório de títulos e docu- mentos, cartório de imóveis, registro civil de pessoas físicas e jurídicas. Em sequência, na Unidade III, concluiremos o estudo quanto aos cartórios extra- judiciais, mediante análise dos seguintes cartórios: notas e protestos, bem como cartório distribuidor. Ainda nesta unidade, falaremos a respeito dos cartórios judiciais, introduzindo o estudo mediante análise das noções gerais de tais cartórios. Por fim, na nossa Unidade IV, finalizaremos o estudo mediante análise das principais rotinas jurídicas e administrativas nos cartórios judiciais e da atividade forense, destacando, ao final, exemplos práticos de programas criados com a intenção de aprimorar a prestação jurisdicional. Bons estudos! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 3 Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa UNIDADE II ................................................................................................... 21 Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais UNIDADE III .................................................................................................. 38 Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais UNIDADE IV .................................................................................................. 55 Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense 3 Plano de Estudo: ● Conceitos e Definições de Gestão de Tarefas; ● Características Gerais sobre as Rotinas Administrativas; ● Características Gerais sobre as Rotinas Jurídicas; ● Tipos ou Estratégias de Gestão das Rotinas Jurídicas e Administrativas. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a Gestão de Tarefas; ● Compreender os tipos de ou as estratégias relativas às rotinas jurídicas e administrativas; ● Estabelecer a importância de uma Gestão das Rotinas Jurídicas e Administrativas. UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa Professor Me. Nathan Marques Oliveira 4UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), como está? Iniciamos, hoje, o estudo sobre as Rotinas Jurídicas e Administrativas. Em primeiro momento, é preciso compreender os conceitos gerais a respeito da disciplina, sendo este o nosso enfoque nesta primeira unidade. Veremos os conceitos gerais de Gestão de Tarefas, características fundamentais quanto à Rotina Jurídica e Administrativa. Por fim, abordaremos estratégias que podem ser adotadas visando à otimização da gestão. Está pronto(a)? Podemos começar? Ótimo estudo! 5UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa 1. DO CONCEITO GERAL AFETO À GESTÃO DE TAREFAS, COM ÊNFASE NA ROTINA JURÍDICA E ADMINISTRATIVA A gestão é essencial para otimização na prestação de serviços, bem como da eficiência, da eficácia e da efetividade da atividade, seja atrelado ao setor público ou ao privado. Precisamos, desta feita, analisar conceitos gerais atrelados à gestão, para que seja possível sua correlação à rotina jurídica e administrativa. Mas, afinal, como conceituar gestão? O que este termo significa? A referida terminologia nos lembra, em primeiro momento, gerir, organizar, admi- nistrar. Mas, não apenas isso, o contexto por trás envolvido significa dar a vida, ou seja, buscar a otimização das tarefas, mediante planejamento, estratégias, que possibilitem que a atividade seja desenvolvida de forma mais eficiente e efetiva. Para elucidar a questão, pense quantas vezes você foi a um determinado lugar, seja, por exemplo, um comércio, uma organização pública, e, embora goste ou precise dos serviços do local, deseja não mais voltar por conta do atendimento que recebeu, da demora na prestaçãodo serviço, do não atendimento à sua solicitação. Exatamente neste ponto se enquadra a gestão. Isso porque não basta apenas a qualidade do produto em si, da mercadoria. São diversos os fatores a serem considerados na escolha do serviço prestado, ou seja, as pessoas almejam pelo bom atendimento em sua totalidade, em todos os seus aspectos. 6UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa Este modelo de excelência na gestão de produtos e serviços é fruto do processo de globalização, pois responsável pela aproximação dos aspectos culturais, econômicos e políticos sendo palco, portanto, de adequações tanto nas empresas privadas quanto nas instituições públicas. Diante deste cenário, houve uma necessidade de adequação do trabalho e da formação de mão de obra dos trabalhadores em geral. Este exemplo geral pode ser aplicado à rotina jurídica e administrativa. É preciso buscar estratégias para assegurar a qualidade no serviço a ser prestado, atrelando-se à gestão de serviços ou tarefas. A gestão de tarefas ou serviços é de suma importância, sen- do considerado um diferencial para o desenvolvimento das rotinas em geral, incluindo-se as jurídicas e administrativas. Segundo Kotler (1988, p. 191), “serviço é qualquer atividade ou benefício que uma parte possa oferecer a uma outra, que seja essencialmente intangível e que não resulte propriedade de alguma coisa. Sua produção pode ou não estar ligada a um produto físico”. Da leitura do conceito apresentado, podemos concluir que não é atividade em si realizada que moldará o serviço prestado, mas sim as peculiaridades que são atribuídas, ou seja, a experiência gerada na consecução daquela atividade. Diante desse cenário, foram, aos poucos, surgindo mecanismos atrelados à efi- ciência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços, que são conceitos atrelados à gestão. Como, por exemplo, a chamada gestão de pessoas, gestão de serviços, gestão de projetos, gestão estratégica, gestão de desempenho, gestão de riscos. Nesta unidade, veremos mecanismos atrelados à gestão correlacionada ao serviço jurídico e administrativo. Quando falamos em processos gerenciais, alguns aspectos precisam ser levados em consideração: planejamento, organização, direção e controle. Há, ainda, a possibilidade de inclusão da comunicação. Segundo Lima Moreira (2019), tais conceitos são encadeamento lógico nas ativida- des e podem ser assim conceituados: 7UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa QUADRO 1 - PROCESSOS GERENCIAIS - ENCADEAMENTO LÓGICO PLANEJAMENTO ORGANIZAÇÃO DIREÇÃO Definição dos objetos e os métodos de trabalho. Distribuição dos recursos e das tarefas, estabelecen- do, para tanto, uma estru- tura de organização. Pessoa responsável por li- derar as demais, ou seja, motivar, influenciar e inspi- rar, para que as atividades anteriormente programa- das sejam executadas. COMUNICAÇÃO COORDENAÇÃO CONTROLE Atrelada à direção, mode- lando o comportamento das pessoas, por intermé- dio de mensagens, ordens, pedidos, discussões, etc. O objetivo central é a busca pela harmonia no trabalho, na estrutura organizacio- nal. Visa apurar os resultados da ação, ou seja, garantir que o desempenho plane- jado seja alcançando, corri- gindo eventuais omissões. Fonte: Lima Moreira (2019). Para a referida autora (2019, p. 390), “não há começo e fim definidos, não obstante, de forma isolada, as funções serem executadas a partir de uma ordem determinada”, afir- mando, ainda, “a função de planejamento possui estreita ligação com a função de controle, assim como a função de direção possui relação direta com a função de organização”. Em toda atividade, portanto, seja atrelada à rotina jurídica ou administrativa, é importante ter em mente esse contexto, ligado à gestão, conforme discorreremos nos pró- ximos tópicos e unidades. 8UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa 2. DAS CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ROTINA JURÍDICA Vimos no tópico anterior que a gestão de tarefas e/ou serviços, em linhas gerais, almeja atingir uma qualidade maior na atividade desenvolvida. Devido a importância no atual contexto, seja em relação à tendência de especialização empresarial, ou mesmo no cenário público, o conceito passou a ser visto, também, como um produto. O reflexo deste contexto é a busca por mecanismos voltados à rotina jurídica ou administrativa, sem perder de vista a prestação dos serviços em si. O modelo de gestão de pessoas e tarefas do serviço público foi repensado para que se tornasse cada vez mais flexível e eficiente, concretizando, desta forma, os princípios descritos no art. 37 da Constituição Federal. Para tanto, foi necessário o estabelecimento de uma política pública de desjudicialização de alguns serviços, originando um novo tipo de gestão pública baseado na parceria público-privada (BERGUE, 2007, p. 18). Neste tópico, falaremos um pouco mais da gestão relativa aos serviços jurídicos, que, segundo Blanch-Ribas e Cantera (2011, p. 526): “reduz instituição, seja qual for a sua titularidade (pública, mista ou privada) ao status de empresa mercantil que compete em igualdade de condições com outras, tratando de vender sua mercados em escala local ou global, de acordo com as regras do livre comércio”. Quando falamos de gestão de tarefas atrelada à rotina jurídica, é preciso pontuar uma onda crescente de terceirização dos serviços no mercado de trabalho. Ou seja, não raras vezes, as empresas têm optado por contratar gestores jurídicos, para dar o suporte parajurídico, seja nos escritórios de advocacia, cartórios, tribunais. 9UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa Por consequência, este é um dos aspectos que devemos nos atentar, em especial no curso de Gestão de Serviços Jurídicos e Notariais, já que estes profissionais, como via de atuação, podem se dedicar a prestar suporte administrativo e jurídico, sem que isto configure função exclusiva de bacharéis e advogados. Há, igualmente, a gestão vinculada à rotina jurídica propriamente dita, ou seja, na atividade cotidiana nos cartórios extrajudiciais, a exemplo dos cartórios de título e notas, de imóveis, de registro, bem como no âmbito judicial, como no cartório distribuidor. Quando falamos de gestão de serviços jurídicos, um dos aspectos essenciais, é o planejamento, sendo preciso ter em mente três aspectos centrais: a) meta a ser alcançada e seu ponto de partida; b) recursos disponíveis e necessários; c) estratégias que poderão ser utilizadas. Segundo Chiavenato (2009, p. 4), a “estratégia é basicamente um curso de ação escolhido pela organização a partir da premissa de que uma futura e diferente posição poderá oferecer ganhos e vantagens em relação à situação presente”. Neste contexto, verificamos que o planejamento é fundamental seja para a atuação frente às rotinas jurídicas, seja no âmbito das rotinas administrativas. Deve, em verdade, ser o primeiro passo, pois atrela-se à formulação dos objetivos e dos meios para alcançá-los. Lima Moreira (2019, p. 390) aponta que: O planejamento permite o controle do desempenho e a correção dos desvios. Constitui um processo sistemático, permanente, integrado, participativo e coordenado de analisar a situação atual, estabelecer e hierarquizar objetivos, tomar decisões que provocam mudanças nas pessoas, tecnologias e siste- mas e, por fim, elaborar planos, assim representado. Há, ainda, a possibilidade de descrever o planejamento em três níveis: QUADRO 2 - NÍVEIS DE PLANEJAMENTO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PLANEJAMENTO TÁTICO PLANEJAMENTO OPERACIONAL É este planejamento que norteará os demais planos, uma vez que abrange a or- ganização como um todo. É, portanto, um processo sistêmico, sintético e gené- rico visando o estabeleci- mento dos objetivos a longo prazo e dos meios disponí- veis para alcançá-los. Envolve a tomada de deci- são interna, seja,de uma unidade, departamento, divisão, etc. Neste plane- jamento, o enfoque são os objetivos, estratégias já previstas no planejamento estratégico, porém median- te ações de médio prazo. A intenção, por consequên- cia, é reduzir a incerteza do planejamento estratégico. Nesse caso, ocorre a pro- dução de planos específi- cos e detalhados, com en- foque a curto prazo. Desta forma, ocupa-se do tem- po presente, do cotidiano, buscando uma execução eficiente das atividades. Fonte: Lima Moreira (2019). 10UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa O alinhamento dos três níveis de planejamento, da forma como descrito no Quadro 2, confere o mapeamento das competências necessárias à organização, permitindo o diá- logo entre o necessário e o existente e permite a construção de uma fonte de informação capaz de demonstrar a necessidade da adequação do pessoal e melhoria do serviço quan- do comparado com as demandas externas. (SCHIKAMANN, 2010, p. 23). Desta forma, a gestão de pessoas passa a fazer parte da estratégia de gestão jurídica, como observaremos no nosso próximo capítulo. 11UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa 3. DAS CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ROTINA ADMINISTRATIVA Quanto à gestão, afeta na administração um dos aspectos mais importantes: a chamada gestão de pessoas. Você já ouviu falar sobre? Aqui neste tópico falaremos um pouco sobre a relação de pessoas, de organizações e da necessidade de comprometimento organizacional. As pessoas consistem na fonte de diferencial competitivo, daí a necessidade de estudo sobre a gestão de pessoas. Por sua vez, as organizações podem ser vistas como entidades formais e entidades informais. Ao diferenciá-las Elisabete de Abreu e Lima Moreira (2019, p. 550) aponta que As organizações, vistas como formais, são compostas de aspectos lógicos e racionais, planejados, explícitos, documentados e oficialmente adotados, prescritos nos manuais e organogramas (gráfico que representa a estrutura das organizações); e como entidades informais são compostas das redes de relações e interações, que se desenvolvem espontaneamente entre os indi- víduos, em razão de interesses comuns, percepções, sentimentos, normas próprias e padrões de liderança, independentemente das regras e posições oficiais. Por sua vez, são os indivíduos que “levam sua inteligência, características pessoais, biografias, percepções, cognições e habilidades, que precisam ser gerenciadas para promo- verem desempenho e vantagem competitiva organizacional” (LIMA MOREIRA, 2019, p. 556). Por isso, a necessidade de estudo sobre a chamada gestão de pessoas. Dutra (2008) aponta que, na gestão de pessoas, é preciso fornecer diretrizes con- sistentes para que seja possível alcançar os objetivos organizacionais, bem como os indi- viduais, ou seja, é preciso que haja sintonia entre os planos organizacionais e estratégicos, atentando para a necessidade de respeito mútuo entre os indivíduos. 12UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa A gestão de pessoas insere-se tanto nas organizações modernas, empresariais, mas também no setor público. Devido à importância da temática nas rotinas administrativas foram inseridas diversas regulamentações, como, por exemplo: Decreto 5.497/05: define critérios para ocupação dos cargos em comissão do gru- po Direção e Assessoramento Superiores (DAS) da administração pública federal direta, autárquica e fundacional; Decreto 9.991/19: dispõe sobre a Política Nacional de Desenvolvimento Pessoal - PNDP, considerando a capacitação um processo permanente e deliberado de aprendiza- gem para o desenvolvimento de competências institucionais e individuais. Quanto às rotinas jurídicas, ou seja, quanto ao Poder Judiciário, o cenário não é diferente, ou seja, também tem primado pela gestão de pessoas, como, por exemplo, atra- vés da Resolução 192/2014, do Conselho Nacional de Justiça, que versa sobre a Política Nacional de Formação e Aperfeiçoamento dos Servidores do Poder Judiciário. Ainda que seja crucial, a gestão de pessoas dentro da administração pública, prin- cipalmente quando evidenciamos a necessidade de uma prestação de serviço eficiente, já que é um dos pilares constitucionais da Administração Pública, não é a única alternativa para a concretização de um serviço eficiente. É imprescindível que tenhamos estratégia de gestão de rotinas jurídicas e administrativas, dialogando com serviços extrajudiciais, matéria correlata do nosso último capítulo. 13UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa 4. DAS ESTRATÉGIAS PARA A GESTÃO DAS ROTINAS JURÍDICAS E ADMINISTRATIVAS A busca por estratégias, isto é, mecanismos que facilitem a gestão das rotinas jurídicas e administrativas, é fator essencial para a otimização da prestação de serviços. Você já ouviu falar em alguma dessas possibilidades? Este é nosso enfoque neste quarto e último tópico da primeira unidade. Quanto à rotina jurídica, ou seja, prestação jurisdicional, há um campo enorme para atuação especializada no mercado de trabalho, seja auxiliando escritórios de advoca- cia, ou mesmo perante cartórios, setores jurídicos de grandes empresas etc. A título de exemplificação destes serviços é possível mencionar: Serviço de Busca em Diários Oficiais A rotina atrelada a esse serviço consiste no recebimento de todas as publicações devidamente selecionadas conforme a área de interesse, abarcando mandados, citações, intimações, editais de licitação, dentre outros. Há vários prestadores de serviços neste sentido, como, por exemplo: WEBJUR, LEXNEWS, SERCORTES. Busca-se, através de tal serviço, que pode ser mediante assinatura mensal, na maioria dos casos, otimizar o recebimento das informações de acordo com a necessidade de cada cliente. A título de exemplificação, em uma empresa que participa de licitações públicas na área da construção civil. Esta empresa pode precisar deste serviço para que haja a seleção nos diários oficiais de editais de licitação em aberto, que se enquadrem na atuação da empresa. 14UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa Consultorias Neste caso, a gestão de tarefas consiste na assessoria relativa às novidades atreladas ao serviço ofertado, por exemplo, precificação de serviços, fluxo de caixa em escritórios ou mesmo para cartórios, utilizando-se de linguagem jurídica, modulada para a gestão de serviços jurídicos. Não raras vezes são oferecidos pacotes mensais de serviços. Legaltechs A expressão legaltech consiste no uso de tecnologias inovadoras, de softwares, para fornecimento de serviços jurídicos e auxílio no contexto das rotinas jurídicas. É possí- vel conceituar o termo da seguinte forma: O termo lawtech, ou legaltech, é utilizado para nomear empresas que desen- volvem produtos e serviços tecnológicos voltados para o mercado jurídico, como softwares de gestão, jurimetria e extração de dados públicos. É a abreviação de Legal Technology – law (advocacia) e technology (tecnologia) (AURUM, 2021). Atrelada à inovação e tecnologia, é possível citar a atuação das startups também no contexto jurídico, mediante desenvolvimento de ferramentas e aplicativos que permitem uma atuação dinâmica aos operadores de direito, auxiliando, por exemplo, no agendamen- to de prazos, tarefas a serem realizadas, distribuição de atividades para a equipe, dentre outros. É possível citar a existência dos seguintes serviços já disponíveis: SOFTWARE JURÍDICO - LEGAL ONE THOMSON REUTERS, PROJURIS. São várias as possibilidades relativas às lawtechs/legaltechs, ou seja, especializa- das em determinados segmentos. Por exemplo, ferramentas para monitoramento e gestão das informações públicas, tais como legislações e publicações. Neste contexto, é possível citar a UPLEXIS. Outra possibilidade, a título de exemplificação, seria relativa ao auxílio na prospecção de clientes, como éo caso do JURÍDICO CERTO. Cartório on-line: Os cartórios on-line relacionam-se com maior precisão às atividades notariais no ambiente digital, por exemplo, oferecendo certificados digitais e assessoria quanto aos am- bientes virtuais. São vários os prestadores de serviços neste sentido já disponíveis, como os seguintes sítios eletrônicos: sistemafederal.com.br; cartorio24horas.com.br. Os certificados digitais cada vez mais tem se inserido na rotina do dia a dia, consis- tindo numa identidade digital, seja para pessoa jurídica ou pessoa física. Segundo Monteiro e Mignoni (2007, p. 15), Um Certificado Digital ou identidade digital é um arquivo digital de computa- dor que, como os demais documentos tradicionais de identificação, além dos dados do indivíduo ou entidade, possuem também uma Chave Pública do assinante. Estes documentos eletrônicos são chancelados digitalmente pela entidade emissora, conhecida como Autoridade Certificadora, com o objetivo 15UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa de interligar a Chave Pública a uma pessoa ou entidade, possuindo o mesmo valor de um documento físico, como carteira de identidade, passaporte, car- tões de créditos, e utilizados da mesma forma na identificação de indivíduos ou entidades na rede (STA 99) que, ao serem apresentados, servem como prova de identificação. O Certificado Digital serve também como um mecanis- mo para divulgação da Chave Pública. São vários os tipos de certificados digitais disponibilizados e com ciclos de vida diferenciados. Porém, vem ganhando cada vez mais espaço, seja nos cartórios, por exem- plo, o tabelião de notas poderá fazer o reconhecimento de firma digital e irá autenticar o documento eletrônico, seja nos sistemas do Poder Judiciário. Há também estratégias relativas às rotinas administrativas. Segundo Elisabete de Abreu e Lima Moreira (2019, p. 453), “as estratégias podem ser classificadas, de várias maneiras, a depender do tipo que mais se adequa a cada organização e as suas necessi- dades”. A estratégia, segundo a autora, pode ser agrupada nos seguintes tipos: Estratégia pelos objetivos: visa alcançar objetivos ou metas; Estratégia pela vantagem competitiva: o intuito é alcançar e manter vantagens competitivas; Estratégia pela competência essencial: vincula-se à geração de vantagens compe- titivas, que decorrem de competências essenciais; Estratégia pela interação com competidores: influência exercida pelos competido- res, abarcando opções adequadas para cada situação. Todas essas estratégias e tecnologias adotadas na gestão jurídica busca a con- cretização de um serviço público essencial e fundamental de forma eficiente e para isso, a adequação da Organização Judiciária com o apoio de uma rede extrajudicial é fundamental. A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, em seu art. 236, autoriza a delegação de serviços jurídicos para os parceiros extrajudiciais, vejamos: Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do poder público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscali- zação de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses (BRASIL, 1988). As serventias extrajudiciais, também conhecidas como cartórios, nada mais são que estabelecimentos que prestam serviços públicos notariais e de registro, com organiza- ção técnica e administrativa que garantem publicidade, autenticidade, seguridade e eficácia aos atos jurídicos e que exerce uma grande função social, como bem descreve Débora Catizane (2015, on-line): 16UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa Talvez o cidadão nunca tenha adentrado ao Fórum local, por jamais ter sido parte em demanda judicial. Contudo, é certo que já passou pelas instalações de um “Cartório”, seja para registrar o nascimento de um filho, ou mesmo o óbito de um parente próximo. As Serventias Extrajudiciais participam das principais fases da existência de uma pessoa natural, imprimindo segurança nas mais diversas relações humanas, tanto em questões de direitos da per- sonalidade extrapatrimoniais, como em direitos patrimoniais disponíveis. Desta forma, podemos evidenciar o grande prestígio conferido às serventias ex- trajudiciais, que exercem funções públicas relevantes e capazes de desafogar o Poder Judiciário, deixando este para o efetivo serviço de demandas complexas. SAIBA MAIS Você sabia que o sucesso de um escritório de advocacia possui relação com a prática de gestão jurídica? Esta gestão não está atrelada, tão somente, às ferramentas utiliza- das no cotidiano do escritório, mas também à gestão pessoal e de processos, tudo com a finalidade de exercer uma advocacia diferenciada. Confira a reportagem: https://blog.sajadv.com.br/gestao-juridica-para-escritorio/ Fonte: TUDO sobre gestão jurídica e seu impacto em escritórios de advocacia. Gestão na advocacia. SAJADV. 2019. Disponível em: https://blog.sajadv.com.br/gestao-juridica-para-escritorio/. Acesso em: 22 jun. 2021. Há, ainda, que se falar em gestão jurídica especializada, ou seja, atrelada a ramos espe- cíficos do Direito. A título de exemplificação, podemos citar a gestão jurídica ambiental, apontada no artigo a seguir descrito: Fonte: RODRIGUES, José Allankardec Fernandes; ARAÚJO, Paulo Sérgio Rodrigues de. Gestão Jurídi- ca Ambiental: alternativa de exequibilidade socioeconômica. X Congresso Nacional de Excelência em Gestão. Disponível em: https://www.inovarse.org/sites/default/files/T14_0239_11.pdf. Acesso em: 22 jun. 2021. 17UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa REFLITA Vimos que há inúmeras tecnologias atinentes à gestão de atividades e serviços jurí- dicos, sejam elas extrajudiciais ou judiciais. Será que toda essa tecnologia, algumas contando com a chamada inteligência artificial, seria capaz de substituir a mão de obra do gestor? Como podemos garantir o uso da tecnologia sem perder a importância do pessoal no exercício jurídico? Leia mais sobre estas indagações no link: https://www.projuris.com.br/inteligencia-artifi- cial-direito-advogado-precisa-saber Fonte: INTELIGÊNCIA artificial no Direito: o que o advogado precisa saber? PROJURIS. [s.d]. Disponível em: https://www.projuris.com.br/inteligencia-artificial-direito-advogado-precisa-saber. Acesso em: 22 jun. 2021. Outro fator importante consiste na gestão de tarefas no ambiente empresarial. Como implementar a gestão? Quais os fatores positivos? Estes pontos, assim como outros, são analisados no seguinte artigo: Fonte: GESTÃO de tarefas: entenda como implementar na empresa para um melhor desempenho. SO- LIDES. 2021. Disponível em: <https://blog.solides.com.br/gestao-de-tarefas/>. Acesso em: 22 jun. 2021. 18UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), encerramos a Unidade I do nosso livro que abordou o estudo sobre a gestão de tarefas com ênfase na rotina jurídica e administrativa. Vimos na primeira parte do livro que a gestão é um elemento crucial para a otimi- zação na prestação de serviços e que o seu estudo está intimamente correlacionado com a eficiência, eficácia e efetividade das atividades, sejam elas públicas ou privadas. E que, por esta razão, a gestão das atividades administrativas e jurídicas passam a ser essenciais para um serviço de qualidade. Na sequência abordamos acerca das características gerais da rotina jurídica. Vimos que o conceito de gestão passou a serencarado como um produto e que este cenário foi o responsável pela busca de mecanismos aplicáveis à gestão de tarefas jurídicas, enfatizan- do a importância do planejamento para a execução destas atividades. Em seguida, falamos um pouco das características gerais da rotina administrativa e a importância da gestão de pessoas como forma de alavancar os objetivos organizacionais, sejam eles públicos ou privados. Por fim, enfatizamos as estratégias para a gestão das rotinas jurídicas e administra- tivas e os diversos produtos e serviços utilizados para esta finalidade. Buscamos demons- trar, neste capítulo, o uso da tecnologia em favor da gestão das tarefas administrativas e jurídicas e os seus impactos no cotidiano. Agora que você já aprendeu sobre gestão de tarefas vamos conversar um pouco sobre as rotinas jurídicas e administrativas nos cartórios extrajudiciais? 19UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa LEITURA COMPLEMENTAR Olá, querido(a) aluno(a), Chegamos ao final da primeira unidade, e, para complementar o estudo, foram apontados a seguir duas obras importantes. A primeira versa sobre a assinatura eletrônica e a segunda sobre gestão jurídica personalizada. Bons estudos! BEHRENS, Fabiele. A assinatura eletrônica como requisito de validade dos negócios jurídicos e a inclusão digital na sociedade brasileira. 2005. 135f. Dissertação (Mestrado em Direito) - PUC-PR, Curitiba, 2005. SILVA, Adilson Aderito da; AMIRA, Chammas; MEDEIROS JUNIOR, Alberto de; SILVA, Celso Flavio da; SILVA, Ricardo Valente da. GESTÃO JURÍDICA PERSONALIZADA − REORGANIZAÇÃO DO DEPARTAMENTO JURÍDICO DE UMA HOLDING DO SETOR QUÍMICO À LUZ DA TEORIA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO. São Paulo: Práticas em contabilidade e gestão, 2020. 20UNIDADE I Da Gestão de Tarefas, Rotina Jurídica e Administrativa MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Gestão de pessoas: bases teóricas e experiências no setor público. Autor: Organizadores: Maria Julia Pantoja, Marinauza R. de Souza Camões e Sandro Trescastro Bergue. Editora: ENAP. Fundação Escola Nacional de Administração Pú- blica. Sinopse: O livro sistematiza reflexões realizadas por docentes e alunos no decorrer da primeira edição do curso de Especialização em Gestão de Pessoas no Serviço Público, realizado pela ENAP no período de 2007 a 2009. Dessa forma, valoriza a articulação entre o conhecimento acadêmico trazido por professores de renomadas universidades brasileiras e a experiência dos servidores públicos participantes do curso. Ao disseminar os aprendizados gerados, a publicação busca ampliar o debate sobre os temas em referência e subsidiar o intercâmbio e a produção de conhecimentos ineren- tes à temática no serviço público, considerando sua centralidade para a sustentabilidade dos programas de governo. Nos artigos publicados, professores e alunos tratam de temas, conceitos e experiências que hoje são desafios na gestão de pessoas no setor público. Não há pretensão de fazer abordagens conclusivas e, sim, trazer indagações e apontar desafios contemporâneos a serem enfrentados. Os textos selecionados para esta publicação foram organizados em sete capítulos teóricos e sete estudos de caso, que levam em conta a centralidade e relevância dos temas no debate atual da gestão de pessoas. FILME/VÍDEO Título: ERIN BROCKOVICH - Uma mulher de talento. Ano:: 2020. Sinopse: Erin (Julia Roberts) é a mãe de três filhos que trabalha num pequeno escritório de advocacia. Quando descobre que a água de uma cidade no deserto está sendo contaminada e es- palhando doenças entre seus habitantes, convence seu chefe a deixá-la investigar o assunto. A partir de então, utilizando-se de todas as suas qualidades naturais, desde a fala macia e convin- cente até seus atributos físicos, consegue convencer os cidadãos da cidade a cooperarem com ela, fazendo com que tenha em mãos um processo de 333 milhões de dólares. 21 Plano de Estudo: ● Conceitos e Definições quanto aos cartórios extrajudiciais, como, por exemplo, ● cartório de títulos e documentos; ● Rotinas afetas ao Cartório de Imóveis; ● Nuances gerais relacionadas às rotinas do cartório de registro civil de pessoas naturais; ● Aspectos gerais sobre as rotinas dos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar as rotinas jurídicas e administrativas nos cartórios extrajudiciais; ● Compreender os tipos de cartórios extrajudiciais e suas atividades principais; ● Estabelecer a importância de uma rotina adequada em tais atividades. UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Professora Me. Caroline Rodrigues Celloto Dante 22UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), Na primeira unidade vimos conceitos gerais afetos à gestão, às rotinas jurídicas e administrativas, e, a necessidade de um planejamento na atuação, de forma a assegurar a qualidade e efetividade na prestação de tais serviços. Vimos, igualmente, a possibilidade de cisão do estudo quanto ao cenário judicial e extrajudicial. Mas, você conhece quais são os cartórios extrajudiciais? Quais as principais atribuições desenvolvidas por cada um deles? Como inserir o contexto de planejamento e gestão em tais cartórios? É sobre isso que falaremos nesta unidade, enfatizando os seguintes cartórios extra- judiciais: títulos e documentos, imóveis, registro civil de pessoas físicas e pessoas jurídicas. Preparado(a)? Animado(a)? Vamos lá! 23UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais 1. DAS ROTINAS JURÍDICAS AFETAS AO CARTÓRIO DE TÍTULO E DOCUMENTOS Olá, prezado(a) aluno(a), Neste tópico falaremos sobre o cartório de título e documentos, em específico quanto às rotinas jurídicas e administrativas. Você sabe qual a importância deste cartório? Quais os serviços prestados? Quais as rotinas e respectivo planejamento possível? Abordaremos essas e outras questões a partir de agora. Quando falamos em registro de títulos e documentos estamos nos referindo a uma das serventias extrajudiciais com atribuições mais amplas, vez que abrange o registro de instrumentos particulares em geral, como no caso de penhor, contrato de locação, contrato de confissão de dívida, dentre outros. A intenção com o registro é, principalmente, dar publicidade ao documento, a fim de que possa gerar efeitos perante terceiros. Segundo Christiano Cassettari, Joao Pedro Lamana Paiva e Percio Brasil Alvares (2018, on-line), é possível conceituar o Registro de Títulos e Documentos como: [...] órgão registral a que é incumbida, na forma da lei, como principal preponderante atribuição, a realização do registro destinado a conferir, ao instrumento particular que prova as obrigações convencionais de qualquer valor, desde que feito e assinado, ou somente assinado, por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, bem como no instrumento da respectiva cessão de direito, os efeitos em relação a terceiros, na forma estabelecida pelo art. 221, do Código Civil, especialmente quando essas obrigações não sejam convencionadas em relação a bens imóveis. 24UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Trata-se de uma serventia extrajudicial, atrelada ao serviço notarial e registral, nos termos do art. 1º, da Lei 8.935/1994, e, portanto, vinculada à organização técnica e adminis- trativa, cujo principal escopo é garantir publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos. Tal cenário também encontra respaldo no art. 1º, § 1º, III, da Lei n. 6.015/73. Podemos concluir, desta feita, que o Registro de Títulos e Documentos é uma das espécies de registro público instituído com base no art. 236, da Constituição Federal, que assim versa (BRASIL, 1988): Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegaçãodo Poder Público. § 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscali- zação de seus atos pelo Poder Judiciário. § 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro. § 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. Da ilação do dispositivo constitucional, podemos extrair que cada um dos serviços de registro notarial e registral possui competências e atribuições distintas, sendo que a principal legislação a respeito, em termos de ilações gerais, é a já citada Lei n. 8.935/1994, bem como a Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973), igualmente mencionada. Segundo Luiz Guilherme Loureiro (2019, p. 535), os princípios registrais possuem três funções, ou seja, a atuação de tais serventias possuem como escopo central as se- guintes atribuições: a) Função Informadora ou Integradora: Constituem um modo de orientação ou direção fundamental para que os preceitos concretos tenham por conteúdo disposições lógicas. b) Função Científica: São uma representação intelectual sistematizada do instrumento publicitário integral [...] traduzem as diretrizes que balizam os microssistemas jurídicos); c) Função Aplicativa: Objetivam facilitar a interpretação das normas jurídicas permitindo uma correta aplicação do ordenamento jurídico. Ao longo desta unidade e das próximas, abordaremos peculiaridades específicas dos principais cartórios extrajudiciais. É preciso, desta feita, compreendermos qual a com- petência, quais as atribuições centrais do Cartório de Títulos e Documentos. O art. 12, da Lei 8.935/1994 assim dispõe: Art. 12. Aos oficiais de registro de imóveis, de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas, civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas compete a prática dos atos relacionados na legislação pertinente aos registros públicos, de que são incumbidos, independentemente de prévia distribuição, mas sujeitos os oficiais de registro de imóveis e civis das pessoas naturais às normas que definirem as circunscrições geográficas. 25UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Em complementação, é preciso destacar os arts. 127, 129 e 160, da Lei n. 6.015/73. O art. 129 da citada lei aponta relação de quais documentos estariam sujeito a registro no Cartório de Títulos e Documentos: a) contratos de locação de prédios; b) documen- tos decorrentes de depósito ou caução, quando feitos em garantia de cumprimento de obrigação; c) cartas de fiança; d) serviços de locação de serviços não atribuídos a outras repartições; d) contratos de compra e venda em prestações, com reserva de domínio ou não, qualquer que seja a forma de que se revistam, os de alienação ou de promessas de venda referentes a bens móveis e os de alienação fiduciária; e) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; f) as quitações, recibos e contratos de compra e venda de automóveis, assim como o penhor destes; g) os atos administrativos expedidos para cumprimento de decisões judiciais, sem trânsito em julgado, pelas quais for determinada a entrega, pelas alfândegas e mesas de renda, de bens e mercadorias proce- dentes do exterior; h) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de sub-rogação e de dação em pagamento. Além das atribuições já descritas, segundo o parágrafo único do art. 127, Caberá ao Registro de Títulos e Documentos a realização de quaisquer registros não atribuídos expressamente a outro ofício. Trata-se de uma competência considerada residual, portanto. Igualmente possui atribuição para realizar as respectivas averbações, nos termos do art. 128, À margem dos respectivos registros, serão averbadas quaisquer ocorrências que os alterem, quer em relação às obrigações, quer em atinência às pessoas que nos atos figura- rem, inclusive quanto à prorrogação dos prazos. Como dito, a principal finalidade com o registro é assegurar a publicidade, e, por consequência gerar efeitos em relação à terceiros, e não apenas aos envolvidos em uma determinada relação jurídica. O efeito prático será assegurar validade e eficácia entre as partes, desde a celebração do negócio jurídico, bem como eficácia ou oponibilidade em relação a terceiros, desde a data de finalização do registro. Tecidas essas considerações, para nossa disciplina, importa o estudo do procedi- mento para que tais registros ocorram, ou seja, as rotinas vinculadas. Segundo a doutrina (CASSETTARI; PAIVA; ALVARES, 2018, on-line), há um padrão geral que pode ser sinteti- zado da seguinte forma: 26UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais - Requerimento explicitando o registro requerido e sua finalidade, tendo em vista que, quando os registros têm caráter prioridade de direitos, eventualmente em concurso, representados por instrumentos registrados, com suas datas previamente fixadas, assim como oponibilidade a terceiros, decorrente da publicidade registral a ele conferida; quando têm caráter facultativo (não obrigatório), ao revés, não garantirão prioridade nem oponibili- dade, pois o efeito é essencialmente conservativo de todo o seu conteúdo; - Requerimento explicando as notificações a serem realizadas e seus destinatários que eventualmente não figurem no documento registrado; - Exame superficial das condições do título, estando vedado o registro de docu- mentos que expressem atividades ilegais, ou tenham conteúdo ofensivo à moral e aos bons costumes; - Dispensa de reconhecimento de firmas (salvo nas procurações a serem apresentadas); - O apontamento de qualquer título a registro não restará obstado em razão da exigência de prévio cumprimento de obrigação fiscal se essa prenotação tiver o condão de garantir prioridade de direitos ao apresentante, assim como no caso de conter evidente causa de impugnação do título (art. 12, da LRP); - A exigência, de regra, de tradução pública juramentada para a realização de registro de documentos estrangeiros salvo quando o registro seja destinado à simples conservação do documento e esteja versado em caracteres comuns (alfabeto latino). As ideias apresentadas, quanto ao padrão geral, nos indicam quais as rotinas adminis- trativas envolvidas no contexto do registro perante o Cartório de Títulos e Documentos, sendo inúmeras as espécies de glossários que podem ser objeto de registro, como, por exemplo, acordos, atas notariais, alvarás, alienação fiduciária, atestados, autorizações, confissões de dívidas, contrato de honorários, contratos de prestação de serviços, dentre outros. Mas mesmo diante de toda a explanação sobre o cartório de títulos e documentos você pode se perguntar: o que efetivamente este cartório faz? Como já mencionamos, o cartório de títulos e documentos é responsável pelo registro de diversos documentos, bem como pela prática de registros de atos não atribuídos aos cartórios especializados, como o registro de imóveis, por exemplo. Mas qual um exemplo prático da rotina deste cartório? Um exemplo típico deste cartório é a realização de notificações extrajudiciais a devedores diversos. Sabe aquela notificação encaminhada pelo credor ao devedor cobrando uma dívida que ainda não foi paga e que tem o selo de um representante público? Pois então, é este cartório quem faz esta diligência. Este é, portanto, um grande exemplo da rotina atinente a este cartório. Agora que você já conhece sobre o cartório de títulos e documentos,que tal conhecermos um pouco sobre a rotina do cartório de registro de imóveis? Um cartório especializado e com uma demanda atrelada ao setor imobiliário. 27UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais 2. DAS ROTINAS AFETAS AO CARTÓRIO DE IMÓVEIS No tópico anterior falamos sobre o Cartório de Títulos e Documentos e suas principais atribuições e rotinas. Neste tópico, nosso enfoque será quanto as rotinas dos Cartórios de Imóveis. Você sabe quais as atribuições destes cartórios? Como funcionam? Quais as prin- cipais demandas e atividades? Veremos essas implicações e outras a partir de agora. Assim como no tópico anterior, é a legislação quem aponta quais atos poderão ser objeto de registro no Cartório de Imóveis, ou seja, podemos falar, neste caso, da incidência do princípio da legalidade. É a legislação que estabelece atos que serão levados a registro e outros que serão averbados. Devemos, então, verificar o teor da Lei n. 6.015/75 (Lei de Registros Públicos) e a Lei 8.935/95. O Cartório de Registro de Imóveis está previsto no art. 1º, § 1º, IV e no art. 5º, IV, da Lei 8.935/94. Desta feita, aplicamos, aqui, aquelas ilações gerais, afetas à finali- dade do registro, ou seja, assegurar autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos. Nesse sentido, é a posição da doutrina (CASSETTARI; SERRA; SERRA, 2018, on-line): Qualquer sistema de registro, seja imobiliário, de empresas, ou de qualquer outra natureza, tem, como fim último, conferir segurança jurídica ao setor que tutela. No caso de registro de imóveis brasileiro, a segurança que se busca é a estática, ou seja, a do titular dos direitos referentes a determinado imóvel, sendo atribuição do tabelião a tutela da segurança jurídica dinâmica (do adquirente). 28UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Complementam os referidos autores, que o registro de imóveis é a instituição com- petente para a formação e conservação do assento dos dados relacionados aos direitos reais previstos na legislação pátria, destacando, igualmente, o registro das demais informa- ções cuja inscrição a lei determinar para efeitos de publicidade. Já a Lei de Registro Público é clara ao prever que: Art. 172 - No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, “ inter vivos” ou “ mortis causa” quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em relação a terceiros, quer para a sua disponibilidade. É por meio dessas serventias registrais que os direitos reais sobre os imóveis se constituem, alteram ou extinguem. O Cartório de Registro de Imóveis funciona, na prática, como um depósito que contém as informações relativas à propriedade dos imóveis, levando em consideração a sua atuação territorial. Com isso, almeja-se que haja maior segurança na aquisição de determinada pro- priedade imobiliária por intermédio de atos oriundos de acordos de vontade entre as partes. Em complementação ao citado dispositivo, somente serão passíveis de registro, nos termos do art. 221, da Lei 6.015/75, os seguintes atos: Art. 221 - Somente são admitidos registro: I - escrituras públicas, inclusive as lavradas em consulados brasileiros; II - escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes e teste- munhas, com as firmas reconhecidas, dispensado o reconhecimento quando se tratar de atos praticados por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro da Habitação; III - atos autênticos de países estrangeiros, com força de instrumento público, legalizados e traduzidos na forma da lei, e registrados no cartório do Registro de Títulos e Documentos, assim como sentenças proferidas por tribunais estrangeiros após homologação pelo Supremo Tribunal Federal; IV - cartas de sentença, formais de partilha, certidões e mandados extraídos de autos de processo. V - contratos ou termos administrativos, assinados com a União, Estados, Municípios ou o Distrito Federal, no âmbito de programas de regularização fundiária e de programas habitacionais de interesse social, dispensado o reconhecimento de firma. Quanto ao registro de imóveis, não é possível o seu registro, sem que haja a respectiva matrícula, conforme o art. 236, da Lei de Registros Públicos: Nenhum registro poderá ser feito sem que o imóvel a que se referir esteja matriculado (BRASIL, 1973). No Registro de Imóveis, além da matrícula, é feito o registro de vários atos, elen- cados no art. 167, I, da Lei nº. 6.015/1973. São as seguintes hipóteses: a) instituição de bem de família; b) hipotecas legais, judiciais e convencionais; c) contratos de locação de prédios, quando consignada cláusula de vigência no caso de alienação da coisa locada; d) penhoras, arrestos e sequestros de imóveis; d) servidões; dentre outras. 29UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Mas qual a importância prática do cartório de imóveis? Para responder esta indaga- ção nada melhor do que lembrá-lo(a) acerca daquele ditado: quem não registra não é dono, lembra? Quando falamos em um bem imóvel, a propriedade deste bem se comprova com o registro imobiliário e é este ato que deve ser realizado no cartório de imóveis. Este registro serve como identificação do imóvel, a exemplo do CPF para pessoas físicas. Pois bem, agora que você já conhece sobre o registro de imóveis, não podemos deixar de abordar o cartório de registro civil de pessoas físicas. Vamos lá? 30UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais 3. DAS ROTINAS AFETAS AO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS FÍSICAS Olá, caro(a) acadêmico. Chegamos ao terceiro tópico da nossa Unidade II. Nesta unidade falaremos um pouco sobre o Registro Civil de Pessoas Naturais/Físicas. Quando falamos de Registro Civil estamos falando apenas da Certidão de Nascimento? De casa- mento? E de óbito? Já iremos descobrir! A primeira ideia que nos vem à mente quando falamos de Registro Civil de pessoas físicas é a identidade da pessoa, ou seja, o seu registro de nascimento. A doutrina destaca que Nada é mais assustador para um jurista do que uma pessoa sem registro. É um fantasma pairando no mundo natural com o qual não se sabe como lidar. O único e imediato conselho é providenciar o seu devido e necessário registro de nascimento, que é seu documento mais elementar e essencial, sem o qual a pessoa não é um indivíduo. Sem individualidade, dilui-se na mais primitiva e bruta humanidade, deixando de ser pessoa, ao menos para o mundo dos direitos (CASSETTARI; OLIVEIRA; CAMARGO NETO, 2014, on-line). Mas seria essa a única atribuição do Cartório de Pessoas Naturais/Físicas? O registro de nascimento? A resposta é não. Quais seriam, então, as outras atribuições? Avaliar o conceito de pessoa natural é essencial para compreender os conteúdos relacionados a registro civil. A pessoa natural é, basicamente, todo ser humano, indepen- dentemente de credo, raça, gênero ou idade. A Constituição Federal de 1988 é clara em seu art. 1º, ao prever como fundamentos da República Federativa do Brasil, dentre outros, a cidadania e a dignidade da pessoa humana. Verifica-se, por consequência, que a atuação do Cartório de Registro de Pessoas Naturais é fundamental, uma vez que o estado da pes- soa pode ser elencado em três caracteres distintivos: nome, domicílio e Estado. Segundo 31UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Loureiro (2019, p. 130), o estado da pessoa exprime qualidades consideradas permanente, quais sejam: a) nome; b) filiação; c) sexo designado no nascimento; d) casamento; e) na- cionalidade. O art. 29, da Lei de Registros Públicos aponta que serão anotados no registro civil de pessoas naturais as seguintes hipóteses: a) nascimentos;b) casamentos; c) óbitos; d) emancipações; e) interdições; f) sentenças declaratórias de ausência; g) opções de nacio- nalidade; h) sentenças que deferirem a legitimação adotiva. Por sua vez, serão averbados no registro civil das pessoas naturais as sentenças que decidirem a nulidade ou a anulação de casamentos, separações consensuais ou litigiosas, divórcios e restabelecimento da sociedade conjugal, atos judiciais ou extrajudiciais de reco- nhecimento de filhos, escrituras de adoção e atos que a dissolverem e, finalmente, alterações ou abreviaturas de nomes. Trata-se da previsão do § 1º, do art. 29, da Lei n. 6.015/73. Cumpre destacar, ainda, a função informativa desenvolvida por tais cartórios, pois devem fornecer dados ao Estado para a elaboração de estudos, estatísticas e orientação de políticas públicas referentes ao acompanhamento dos fatos que produzem efeitos sobre a sociedade. A título de exemplificação, podemos citar as pesquisas realizadas pelo IBGE. O cartório civil de pessoas físicas é de extrema importância na nossa sociedade, pois é responsável por todos os atos da vida civil, desde o nascimento até a morte. Falar neste cartório é descrever a história de cada pessoa dentro da sociedade. Mas se a pessoa física possui um cartório só para ela e é de extrema importância, como vimos, será que há um cartório de pessoas jurídicas? Isso é o que veremos no pró- ximo capítulo. 32UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais 3. DAS ROTINAS AFETAS AO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS Ao longo desta unidade nós já analisamos alguns cartórios extrajudiciais e suas principais atribuições e rotinas. Chegado o momento, neste último tópico da Unidade II, de falarmos sobre o Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Compete às serventias registrais registrar e alterar os atos constitutivos de as- sociações, fundações, sociedades simples, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada e natureza simples (art. 120, da Lei n. 6.015/73). Trata-se de uma serventia notarial e registral prevista, de forma expressa, no art. 1º, II, da Lei de Registros Públicos e no art. 5º, V, da Lei 8.935/94. Podemos concluir, desta feita, que as pessoas jurídicas podem solicitar os seus registros tanto no registro civil das pessoas jurídicas quanto na junta comercial. Segundo o art. 114, da Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) serão inscritos: a) os contratos, atos constitutivos o estatuto ou compromissos das sociedades civis, religio- sas, pias, morais, científicas ou literárias, bem como o das fundações e das associações de utilidade pública; b) sociedades civis que sejam revestidas em conformidade com as leis comerciais, com exceção as anônimas; c) atos constitutivos e estatutos de partidos políti- cos. O parágrafo único, por sua vez, versa que: No mesmo cartório será feito o registro dos jornais, periódicos, oficinas impressoras, empresas de radiodifusão e agências de notícias a que se refere o art. 8º da Lei nº 5.250, de 9-2-1967. 33UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Quando, então, a pessoa jurídica ganha sua identidade, à semelhança da pessoa física? A doutrina (CASSETTARI; PAIVA; ALVARES, 2017, on-line) versa que: O art. 119 da Lei de Registros Públicos (LRP) Lei n. 6.015/73, estabelece que a existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. Disposição em idêntico sentido está albergada nos arts. 45 e 985 do vigente Código Civil. Esse é, portanto, um princípio absoluto, já tradicional no direito brasileiro, de vincular a existência plenamente válida da pessoa jurídica, assim como a fruição de todos os direitos inerentes a essa condição, ao prévio e necessário registro de seus atos constitutivos junto ao órgão registral incumbido de tais atribuições. Compete, desta feita, ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas, o registro destes atos constitutivos das pessoas jurídicas de direito privado, conferindo a elas personalidade de direito, ou seja, para que adquiram existência legal, devidamente reconhecida em nosso ordenamento jurídico pátrio. No quadro a seguir, construídocom base nas informações extraídas da obra dos auto- res Cassettari, Paiva e Alvares (2018), é possível verificar as principais rotinas de tal cartório. QUADRO 1 - PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES DO REGISTRO DE PESSOAS JURÍDICAS - Inscrição e alterações supervenientes das sociedades simples em sua forma típica; - Inscrição e as alterações supervenientes das sociedades simples, que adotaram uma das formas das sociedades empresárias (sociedade limitada, sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples); - Inscrição e alterações supervenientes das sociedades cooperativas; - Inscrição e as alterações supervenientes dos atos constitutivos de associações, fundações, sindicatos, partidos políticos e organizações religiosas; - As matrículas e alterações supervenientes de jornais, periódicos, revistas, oficinas impressoras, empresas de radiodifusão e agências de notícias. Fonte: Cassettari, Paiva e Alvares (2018). Ou seja, assim como o cartório civil de pessoa física é responsável por todo o registro, do nascimento até a morte de uma pessoa, o cartório civil de pessoas jurídicas é apto para o registro do nascimento até a morte de determinadas pessoas jurídicas, mas não de todas elas, pois algumas são de competência da Junta Comercial. Mas aí você pode perguntar: como saberei quem é o responsável pela pessoa jurídica? 34UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais Quando a pessoa jurídica for uma associação, fundação, sociedade simples e cooperativas, o registro do nascimento até a morte acontecerá no cartório civil de pessoas jurídicas, como, por exemplo, o registro da ata do condomínio em que você mora. Em todos os demais casos, a competência será da Junta Comercial. SAIBA MAIS Você sabia que, devido a pandemia mundial, vários cartórios implementaram aten- dimentos online? Trata-se de uma adaptação quanto à rotina implementada devido ao CORONAVÍRUS. No Paraná, por exemplo, tal conduta gerou, em determinados períodos, um acréscimo no número de atendimentos em até 600%. Confira uma re- portagem relacionada ao tema no seguinte sítio eletrônico: Fonte: FÁCIL e eletrônico: registro de imóveis online aumenta 600% no PR na pandemia. Gazeta do Povo. [s.d]. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/conteudo-publicitario/aripar/facil-e- eletronico-registro-de-imoveis-online-aumenta-600-no-pr-na-pandemia/. Acesso em: 22 jun. 2021. O cenário eletrônico, na busca por serviços, está cada vez mais frequente, não apenas no contexto das serventias cartorárias e notariais. Trata-se de uma inovação, quanto à gestão, presente em diversos setores, sejam públicos ou privados, cuja essenciali- dade foi acentuada na pandemia. A título de exemplo, é possível citar as requisições hoje possíveis, via internet, no DETRAN PR, como, por exemplo, para obtenção do CRV. Confira as orientações: Fonte: EMITIR certificado de registro e licenciamento de veículo em meio eletrônico (CRLV-e) para pessoa física. DETRANPR. [s.d]. Disponível em: https://www.detran.pr.gov.br/servicos/Servicos-On- Line/Veiculo/Emitir-Certificado-de-Registro-e-Licenciamento-de-Veiculo-em-meio-eletronico-CRLV-e- para-pessoa-fisica-kZrX8Orl. Acesso em: 22 jun. 2021. 35UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais REFLITA Vimos que o registro de nascimento é que torna a pessoa existente perante à socie- dade, adquirindo personalidade. Porém, ainda é acentuado o número de pessoas que não possuem tal documentação. Há que se deve este cenário? Como erradicar essa situação? A seguir uma reportagem que aborda o tema para complementação do estudo: Fonte: LEITE, Gisele. Invisibilidade por falta de certidão de nascimento.Jornal Jurid. 2020. Disponível em: <https://www.jornaljurid.com.br/colunas/gisele-leite/invisibilidade-por-falta-de-certidao-de-nascimen- to>. Acesso em: 22 jun. 2021. Outro tema que é alvo de discussões no meio acadêmico, com implicações práticas, relacionado ao registro de pessoas físicas/naturais, consiste na inclusão do sexo na certidão de nascimento. Haveria ofensa à dignidade humana? Confira o artigo abaixo sobre o tema: Fonte: WIDER, Roberto. A designação obrigatória no sexo na certidão de nascimento: questionamen- tos. IBDFAM. 2017. Disponível em: https://ibdfam.org.br/index.php/artigos/1212/A+designa%C3%A7%- C3%A3o+obrigat%C3%B3ria+do+sexo+na+certid%C3%A3o+de+nascimento.+Questionamentos. Aces- so em: 22 jun. 2021. 36UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais CONSIDERAÇÕES FINAIS Querido(a) estudante, encerramos a Unidade II do livro e pudemos verificar as pos- sibilidades de junção dos cartórios extrajudiciais e judiciais, sempre buscando uma melhor prestação de serviço. Pudemos estudar, nesta unidade, a importância dos cartórios extrajudiciais de títulos e documentos, registro de imóveis, registro de pessoas físicas e jurídicas. Verificamos que o cartório de títulos e documentos é responsável por registrar di- versos documentos e praticar atos não atribuídos aos demais cartórios extrajudiciais, como o registro de imóveis, por exemplo. A finalidade é conferir publicidade aos atos praticados e, por via de consequência, garantir segurança jurídica a toda a sociedade. Na sequência falamos um pouco sobre o cartório de registro de imóveis, um cartório extrajudicial responsável por toda a rotina do setor imobiliário, ou seja, é ele quem realiza o arquivamento do histórico completo de cada imóvel registrado na comarca competente. A terceira parte desta unidade foi responsável por falar um pouco da rotina dos car- tórios de registro civil das pessoas físicas, que é aquele que faz o arquivamento e registro de todos os atos e fatos jurídicos da vida civil, como nascimento, casamento e óbitos. Por fim, falamos um pouco sobre os cartórios de registro civil das pessoas jurídicas responsáveis pelo registro e armazenamento de documentos das pessoas jurídicas conhe- cidas como associações, fundações, sociedade simples e cooperativas. Agora que você já sabe sobre a rotina destes cartórios, o que acha de aprender um pouco mais sobre as especificidades dos demais cartórios extrajudiciais e judiciais? 37UNIDADE II Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Cartórios e acesso à justiça: a contribuição das serventias extrajudiciais para a sociedade contemporânea, como alternativa ao Poder Judiciário. Autor: Cristiano de Lima Vaz Sardinha Editora: Editora JusPodivm Sinopse: O livro passeia por vários aspectos do Direito, na área constitucional, notarial e registral. Preliminarmente, o autor discor- re sobre o direito ao Acesso à Justiça que se trata de um Direito Fundamental Básico, previsto na Constituição Federal de 1988. Em seguida, é feita uma análise da atividade notarial e de registros públicos, onde o autor faz uma abordagem histórica no Brasil e no mundo, tratando sobre os princípios e as características da atividade cartorária. FILME/VÍDEO Título:12 homens e uma sentença Ano: 1957 Sinopse: Lançado em 1957 e dirigido por Sidney Lumet (Dog Day Afternoon Um Dia de Cão), o filme apresenta a história de um jovem porto-riquenho acusado de ter matado o próprio pai. Quando o caso vai a julgamento, 12 jurados reúnem-se para decidir a sentença, levando em consideração que o réu deve ser inocentado até que se prove o contrário. A maioria dos jurados têm plena certeza de sua culpa e votam pela condenação, mas um deles propõe uma investigação mais profunda para que não haja equívoco na sentença. Para isso, ele terá que enfrentar diferentes interpretações dos fatos e a má vontade dos outros jurados. 38 Plano de Estudo: ● Conceitos e Definições dos Cartórios Extrajudiciais de Notas; ● Rotinas relacionadas ao Cartório de Protestos; ● Campos de estudo das rotinas afetas ao Cartório Distribuidor; ● Introdução às principais rotinas jurídicas e administrativas nos Cartórios Judiciais. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar as Rotinas nos Cartórios de Notas e Protestos; ● Compreender as principais atribuições e rotinas do Cartório Distribuidor; ● Estabelecer a importância das rotinas nos Cartórios Judiciais, mediante introdução do tema. UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais Professora Me. Caroline Rodrigues Celloto Dante 39UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais INTRODUÇÃO Olá, querido(a) aluno(a). Chegamos na reta final da nossa disciplina. Iniciaremos, neste momento, o estudo da nossa terceira unidade, na qual abordaremos, em continuidade à anterior, rotinas jurídi- cas e administrativas nos Cartórios Extrajudiciais de Notas e Protestos. Também veremos as principais atribuições do Cartório Distribuidor e suas rotinas correlatas. Mas não veremos apenas esse conteúdo nesta Unidade. Em nosso último tópico introduziremos a análise das rotinas jurídicas e administra- tivas nos Cartórios Judiciais, mediante apresentação das características gerais. E, aí, preparado(a)!? Animado(a)!? Bons estudos! 40UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais 1. DAS ROTINAS NOS CARTÓRIOS DE NOTAS Neste primeiro tópico da nossa terceira unidade falaremos sobre os Cartórios de Notas. Você já ouviu falar? Conhece suas principais atribuições? Após essa análise inicial, precisaremos definir as principais rotinas, bem como estratégias para aperfeiçoá-las e aprimorá-las. Preparado(a)? Vamos lá! O primeiro passo da nossa aula é a compreensão quanto ao Cartório de Notas. O que é? Quais suas atribuições? O serviço notarial é uma organização técnica e administrativa destinada a garantir a publicidade, a autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos, conforme já analisamos nos tópicos anteriores. Trata-se da previsão do art. 1º, da Lei n. 8.935/94. Já o art. 5º aponta como titulares de serviços notariais e de registro os tabeliães de notas. Em complementação, é possível afirmar que “os tabeliães de notas podem realizar toda e qualquer gestão ou diligência, necessárias ou convenientes ao preparo dos atos notariais” (CASSETTARI; RODRIGUES; FERREIRA, 2018, on-line). Ainda segundo os autores, “o profissional tem uma representação legal para atuar no interesse do usuário, requerendo o que for necessário, sem, porém, poder cobrar emo- lumentos por este trabalho”, isto é, “somente tem direito ao preço devido pelo ato”. Quanto às principais atribuições, é preciso a análise em conjunto dos arts. 6º e 7º, da Lei n, 8.935/94, que prevê atividades comuns e específicas de tais tabeliães, podendo ser sintetizadas da seguinte forma: 41UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais QUADRO 1 - ATRIBUIÇÕES DOS CARTÓRIOS DE NOTAS ATRIBUIÇÕES COMUNS ATRIBUIÇÕES EXCLUSIVAS As atividades, nesta hipótese, estão elen- cadas no art. 6º, da Lei n. 8.935/94: a) Formalizar juridicamente a vontade das partes; b) Intervir nos atos e negócios jurí- dicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou auten- ticidade, autorizando a redação ou redigindo os instrumentos adequa- dos, conservando os originais e ex- pedindo cópias fidedignas de seu conteúdo; c) Autenticar fatos. Por sua vez, o art. 7º, da Lei n. 8.935/94 elenca atividades exclusivas, ou seja, que somente podem ser desenvolvidas pelos tabeliães de notas: a) Lavrar escrituras e procurações, públicas; b) Lavrar testamentos públicos e apro- var os cerrados; c) Lavrar atas notariais;d) Reconhecer firmas; e) Autenticar cópias. O parágrafo único, do citado dispositivo, ainda acrescenta que “é facultado aos ta- beliães de notas realizar todas as gestões e diligências necessárias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o que couber, sem ônus maiores que os emolumentos devidos pelo ato”. Fonte: BRASIL. Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. (Lei dos cartórios). Brasília, 1994. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8935.htm. Acesso em: 20 março 2021. Ainda segundo a doutrina, há dois princípios basilares, atrelados à previsão dos arts. 8º e 9º da Lei n. 8.935/94 (CASSETTARI; RODRIGUES; FERREIRA, 2018, on-line): A liberdade de escolha do tabelião de notas, qualquer que seja o domicílio das partes ou o lugar de situação dos bens objeto do ato ou negócio (art. 8º); O limite territorial da competência, vedando ao tabelião a prática de atos fora do Município para o qual recebeu a delegação (art. 9º). O tabelião de notas, desta feita, no desenvolvimento de sua atividade, precisará, em essência, de livros notariais e classificadores. Será nesses livros que o tabelião irá registrar o documento ou o fato levado pelas partes, sendo possível, por exemplo, extrair um documento notarial. Já podemos, então, definir alguns atos que podem ser praticados pelos tabeliães do cartório de notas. Pensou em algum? Algumas possibilidades seriam os seguintes atos: autenticações, reconhecimentos de firmas, procurações públicas, escrituras públicas (compra e venda, doação, aliena- 42UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais ção fiduciária, pacto antenupcial, união estável, dependência econômica, emancipação, reconhecimento de filho etc.), testamentos, inventários, partilhas, separações, divórcios, reconciliações, atas notariais e validação presencial de certificados digitais. São inúmeras, portanto, as atividades desenvolvidas perante o Cartório de Notas. Como atrelar a gestão neste contexto? Como podemos otimizar o desenvolvimento das rotinas afetas à tal serventia? Importante mencionar que o cartório de notas é reconhecido, popularmente, como tabelionatos e que são os mais comuns e em maior número. Eles estão presentes em todos os municípios e a quantidade de tabelionatos é diretamente proporcional ao número de habitantes daquela localidade. Mas por qual finalidade os tabelionatos existem? Os cartórios de notas possuem uma importância social relevante, pois exercem funções jurídicas e muitas delas acabam por auxiliar no desafogamento do Poder Judiciário. O trabalho do notário, profissional que exerce a profissão junto ao cartório de notas, está atrelada a, na presença das partes, [...] escutar a sua vontade, entendê-la da forma mais plena e clara possível, aconselhar as partes, no sentido de as orientar quanto às diretivas do Direito para o caso, de forma a embasar de existência, validade e posterior eficácia o ato ou negócio jurídico ali entabulado e depois transformar a vontade captada em linguagem jurídica (LUCCHESI; TEOTONIO; CARLUCCI, 2013, p. 93). Mas qual seria um exemplo prático da função do cartório de notas? Podemos citar quatro situações bem típicas e importantes: a) procuração por instrumento público; b) escri- turas públicas; c) autenticação de documentos; e, d) reconhecimento de firma. A procuração pública, diferente da escritura particular, é aquela que é realizada nas dependências de um cartório de notas, na presença do tabelião ou de um escrevente juramentado e que servirá de documento com fé pública, ou seja, com presunção de vera- cidade e autenticidade. Alguns atos da vida civil só podem ser realizados mediante procuração por instru- mento público, como é o caso do casamento por procuração, venda de imóvel e represen- tação de analfabetos. A escritura pública é, na visão de Manica apud Milton Nogueira Marques, “o ins- trumento lavrado com observância das formalidades legais, por tabelião autorizado a atri- buir-lhe fé pública” (MANICA, 2015, on-line). E sua importância está atrelada à realização de atos jurídicos que sem a confecção desta modalidade de escritura, não possui qualquer validade, a exemplo da escritura de inventário, de divórcio, de testamento público, de com- pra e venda, de doação, dentre outras. 43UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais Mas não são somente estas circunstâncias de confecção de documentos que demonstram a importância da atividade jurídica do cartório de notas. Os serviços de auten- ticações de documentos e reconhecimento de firmas são atos praticados pelos tabelionatos e de grande fluxo diário. Mas o que são autenticações de documentos? Nada mais é do que uma declaração, feita por tabeliães, que, por meio de selos ou carimbos, atestam a terceiros a veracidade dos documentos apresentados. Eles são de grande valia para a realização de atos que garantam a segurança jurídica. Por fim, o que é reconhecimento de firma? A Associação dos Notários e Regis- tradores do Brasil conceitua o reconhecimento de firma como sendo o “ato pelo qual o tabelião, que tem fé pública, atesta que a assinatura de um documento corresponde àquela da pessoa que a lançou” (ANOREG/BR, 2018, on-line). Existem duas formas de reconhecimento da assinatura: a) por semelhança: quan- do o tabelião atesta que a assinatura constante no documento confere com a assinatura depositada no banco de dados do tabelionato; e, b) por autenticidade: quando a assinatura será feita, pessoalmente, na presença do tabelião ou pessoa com poderes outorgados para esta finalidade. Independente da forma como o reconhecimento se perfaz, ambas terão fé pública, o que garantirá maior segurança jurídica nas transações. Agora que você já conhece um pouco da rotina dos cartórios de notas, também conhecidos como tabelionatos, e sua importância social como garantidores de segurança pública, vamos falar sobre os chamados cartórios de protestos. 44UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais 2. DAS ROTINAS NOS CARTÓRIOS DE PROTESTOS Vimos no tópico anterior as principais atribuições sobre o Cartório de Notas. Neste tópico, veremos o Cartório de Protestos, concentrando o estudo mediante análise dos se- guintes pontos: a) O que fazem os tabeliães no Cartório de Protesto? b) Quais as principais atribuições? c) Como aprimorar o desenvolvimento das rotinas? São estes os pontos que serão trabalhados neste momento no nosso bate-papo. A atividade do tabelião de protesto de títulos também está prevista no art. 5º, II, da Lei n. 8.935/94, sendo aplicável, portanto, a finalidade geral que já conversamos nos tópicos anteriores, qual seja: assegurar publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, nos moldes do art. 1º, da citada legislação. Aqui se aplica a mesma lógica que vimos no tópico anterior, quanto às atribuições, ou seja, temos atribuições comuns e também funções privativas. Vejamos: 45UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais QUADRO 2 - ATRIBUIÇÕES DOS CARTÓRIOS DE PROTESTO ATRIBUIÇÕES COMUNS ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS As atividades, nesta hipótese, estão elencadas no art. 6º, da Lei n. 8.935/94, conforme elencamos no tópico anterior. São atividades que podem ser exercidas apenas pelos tabeliães de protesto de título aquelas elencadas no art. 11, quais sejam: a) Protocolar de imediato os documentos de dívida, para prova do descumprimento da obrigação; b) Intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê- -los ou pagá-los, sob pena de protesto; c) Receber o pagamento dos títulos protocolizados, dando quitação; d) Lavrar o protesto, registrandoo ato em livro próprio, em microfilme ou sob outra forma de documentação; e) Acatar o pedido de desistência do protesto formulado pelo apresentante; f) Averbar: 1- o cancelamento do protesto; 2- as alterações necessárias para atualização dos registros efetuados; g) Expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis. Fonte: BRASIL. Lei n. 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. (Lei dos cartórios). Brasília, 1994. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8935.htm. Acesso em: 20 março 2021. O art. 3º da Lei 9.492/97 também elenca atividades privativas do Tabelião de Pro- testo de Títulos, nos seguintes termos: Art. 3º Compete privativamente ao Tabelião de Protesto de Títulos, na tutela dos interesses públicos e privados, a protocolização, a intimação, o acolhi- mento da devolução ou do aceite, o recebimento do pagamento, do título e de outros documentos de dívida, bem como lavrar e registrar o protesto ou aca- tar a desistência do credor em relação ao mesmo, proceder às averbações, prestar informações e fornecer certidões relativas a todos os atos praticados, na forma desta Lei. Importante, igualmente, destacarmos o conceito de protesto. Afinal, o que seria? Há uma definição legal para o termo? A Lei n. 9.492/97 aponta a definição legal para o termo protesto, atrelando-se como ato destinado a comprovação do descumprimento de uma obrigação lastreada em títulos ou outros documentos de dívida. Trata-se da previsão do art. 1º, a seguir transcrita: “Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida”. 46UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais O parágrafo único do citado artigo dispõe, por sua vez, que “Incluem-se entre os títulos sujeitos a protesto as certidões de dívida ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas”. Por sua vez, a doutrina, em análise do conceito legal e considerando a realidade do nosso ordenamento, conceitua protesto como sendo o “ato formal e solene pelo qual se prova circunstância cambiária relevante e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívidas” (CASSETTARI; BUENO, 2017, on-line). Em verdade, os conceitos se complementam, sendo relevante, neste momento, enfatizarmos a função probatória do protesto, ou seja, “o termo de protesto transladado para o respectivo instrumento prova o descumprimento da obrigação cambiária, ou daquela materializada em documento de dívida, sendo apto a demonstrar também a falta de aceite” (CASSETTARI; BUENO, 2017, on-line). Agora que você já sabe o que é o protesto, que tal sabermos um pouco sobre quais documentos podem ser protestados? Podem ser protestados todos os títulos de créditos, tais como cheques, duplica- tas, notas promissórias, cédula de crédito bancário, letra de câmbio, bem como os títulos executivos judiciais (sentenças) ou títulos executivos extrajudiciais, a exemplo do contrato assinado por duas testemunhas e cotas condominiais. Além desses, o art. 1º da Lei 9.492/97, em seu parágrafo único, estabelece que as certidões de dívida ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e suas respectivas autarquias e fundações públicas podem ser levadas a protesto. Mas qual a finalidade do protesto? A função básica do protesto é de provar a inadim- plência do devedor, trazendo-a pública, para que outros credores não sejam prejudicados, bem como resguardar o direito de crédito do credor. O protesto de um título executivo, seja ele judicial ou extrajudicial é de extrema importância para o recebimento desse crédito em eventual processo de falência ou recu- peração judicial de uma empresa, pois ele já está com o título de crédito certo, líquido e exigível, requisitos esses fundamentais para o ajuizamento da ação de execução. 47UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais 3. DAS ROTINAS NO CARTÓRIO DISTRIBUIDOR Neste terceiro tópico, falaremos sobre o Cartório Distribuidor ou Cartório de Distri- buição, que possui finalidades afetas ao contexto extrajudicial e também judicial. Tal serventia possui respaldo na legislação que estamos analisando ao longo das últimas unidades, qual seja: Lei 8.935/94, portanto, visa assegurar a publicidade, autentici- dade, segurança e eficácia dos atos jurídicos. Você, porventura, já precisou do atendimento junto ao cartório distribuidor de sua cidade? Por exemplo, ao fazer uma locação, lhe foi exigida a apresentação de certidão negativa de antecedentes? Segundo o art. 5º, da Lei 8.935/94, o registro de distribuição figura como um serviço notarial e de registro (inc. VII), sendo que, as atribuições específicas dos oficiais de distri- buição estão elencadas no art. 13, da citada legislação, conforme transcrito: Art. 13. Aos oficiais de registro de distribuição compete privativamente: I - quando previamente exigida, proceder à distribuição eqüitativa pelos ser- viços da mesma natureza, registrando os atos praticados; em caso contrário, registrar as comunicações recebidas dos órgãos e serviços competentes; II - efetuar as averbações e os cancelamentos de sua competência; III - expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis. Como atividade corriqueira dos cartórios de distribuição, podemos citar a emissão de certidões negativas, tanto para pessoas físicas, quanto para pessoas jurídicas. Quais seriam essas certidões? Você já precisou fazer o requerimento de uma certidão negativa junto ao cartório de distribuição? 48UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais São diversas as certidões negativas que podem ser emitidas para as pessoas físicas, como, por exemplo, negativa criminal, negativa cível, para fins eleitorais e também negativa de improbidade administrativa. Referida certidão, por vezes, é exigida para cele- bração de contratos de locação, financiamento bancário, dentre outros. Por sua vez, há a possibilidade também de requerimento de certidões negativas, por exemplo, negativa quanto à interposição de recursos ou de ação. Muitas vezes se exige referida certidão para participação em licitações públicas. Outra atuação possível dos Cartórios de Distribuição, quanto à emissão de certi- dões, seria a possibilidade de emissão de certidão explicativa de autos da atividade jurídica do advogado e também de precatórios. Devido à relevância do tema e atuação, há disponibilização das informações e acesso junto aos Tribunais de Justiça. A exemplo, podemos citar o sítio eletrônico do Tribu- nal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), que possui aba específica quanto às certidões negativas: https://www.tjpr.jus.br/certidoes. Da visualização de tal sítio eletrônico podemos verificar as modalidades possíveis de certidão, que podem ser emitidas: a) certidões nega- tivas; b) explicativa de autos; c) atividade jurídica; d) precatórios; e) licitações. Há, igualmente, as certidões relacionadas ao primeiro grau de jurisdição e aos juizados especiais, que podem ter como finalidade, por exemplo, a declaração quanto à existência de: a) falência, concordata e recuperação; b) dívidas fiscais com o Estado ou Município; c) Tutela e Curatela; d) Regime de Bens após o divórcio ou separação. Outra atribuição do Cartório Distribuidor consiste na distribuição dos feitos, atrelada à rotina jurídica, nos termos do citado art. 13, I, da Lei 8.935/94. A respeito, é preciso análise quanto ao Regimento Interno, de cada um dos tribu- nais. A título de exemplificação, é possível citar o teor do Regimento Interno do Tribunal de Justiçado Estado do Paraná (disponível em: https://www.tjpr.jus.br/regimento-interno), segundo o qual, no art. 163, é possível inferir que o protocolo integrado será feito pelos Distribuidores, ou seja, Cartório de Distribuição. Vejamos: Art. 163. O protocolo no Tribunal de Justiça se faz: I – em processos eletrônicos, através do sistema Projudi, conforme regula- mentação específica; II – no caso de expedientes físicos: a) diretamente neste tribunal; b) na própria comarca, de forma integrada, descentralizada, nos processos geridos por meio físico; c) sob postagem, mediante convênio postal ou carta registrada com aviso de recebimento; d) por transmissão de dados tipo fac-símile, nos termos do art. 511, § 2º, deste Regimento. § 1º O protocolo integrado far-se-á junto aos Distribuidores das comarcas de entrância inicial e intermediária do Estado do Paraná, que receberão as petições endereçadas ao Tribunal de Justiça, ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça (PARANÁ, 2010) . https://www.tjpr.jus.br/certidoes 49UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais Ademais, no Regimento Interno há toda a regulamentação de como a distribuição deverá ser feita. No caso do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, estas informações estão contidas nos arts. 168 e SS, do Regimento Interno. Mas seria o cartório distribuidor exclusivo para emissão de certidões de processos judiciais? A resposta é não. O cartório do distribuidor é responsável por toda a gestão inicial dos processos judiciais, ou seja, ao distribuir uma ação, seja ela cível ou criminal, o cartório distribuidor faz a análise da legitimidade ativa e passiva para verificação de eventuais requisitos proces- suais, como, por exemplo, a prevenção de alguma vara ou secretaria. E, posteriormente, é ele que faz o sorteio eletrônico para encaminhamento do processo à vara competente. Por ser ele o cartório responsável pelo distribuidor, é ele, também, o responsável pela gestão de toda documentação relacionada à existência de eventuais ações judiciais, por isso acaba sendo o competente para emissão de certidões de inexistência de antecedentes criminais, certidões positivas ou negativas de ação de execução, dentre outras. A gestão de todos os processos é inicialmente, de competência do cartório distribui- dor, que passa, então, a ser o gestor da documentação de existência do processo. Agora que você já sabe sobre a rotina e funcionalidade dos cartórios judiciais, vamos ao último capítulo, que versará um pouco sobre as noções gerais dos cartórios judiciais. 50UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais 3. DAS ROTINAS NOS CARTÓRIOS JUDICIAIS: NOÇÕES GERAIS Ao longo dos tópicos anteriores, bem como na Unidade II, falamos sobre os Car- tórios Extrajudiciais. Chegou o momento, então, de falarmos sobre os Cartórios Judiciais. Qual a finalidade desses cartórios? Quais suas atribuições? Os Cartórios Judiciais são parte integrante do sistema organizacional do Poder Judiciário. Quando falamos da atuação perante o foro judicial, é preciso verificar o Código de Organização e Divisão Judiciária. A título de exemplo, podemos citar o Código de Organi- zação e Divisão Judiciária do Paraná (Lei Estadual n. 14.277/2003), disponível no seguinte sítio eletrônico: https://www.tjpr.jus.br/documents/13302/25143546/C%C3%B3digo+de+Organi- za%C3%A7%C3%A3o+e+Divis%C3%A3o+Judici%C3%A1ria_PDF/6c2878e2-dbfe-08eb- -615f-11b9304b57e3. No art. 145, do citado Código de Normas, são elencadas as atribuições dos servi- dores que desempenham funções perante os cartórios judiciais, nos seguintes termos: Art. 145. Aos servidores do foro judicial em geral incumbe: I – aos Escrivães, a prática de todos os atos privativos previstos em lei, observados as formas, usos, estilos e costumes seguidos no foro; II - aos Distribuidores, a distri- buição de todos os processos e atos entre Juízes, Escrivães, titulares de ofícios de justiça e agentes delegados do foro extrajudicial, observadas as seguintes regras: a) estão sujeitos à distribuição, unicamente, os processos e atos pertencentes à competência de dois ou mais Juízes ou de dois ou mais serventuários ou ainda de dois ou mais agentes delegados; b) é vedado ao Distribuidor reter quaisquer processos e atos destinados à distribuição, a qual deve ser feita imediatamente e em ordem rigorosamente sucessiva, à https://www.tjpr.jus.br/documents/13302/25143546/C%C3%B3digo+de+Organiza%C3%A7%C3%A3o+e+Divis%C3%A3o+Judici%C3%A1ria_PDF/6c2878e2-dbfe-08eb-615f-11b9304b57e3 https://www.tjpr.jus.br/documents/13302/25143546/C%C3%B3digo+de+Organiza%C3%A7%C3%A3o+e+Divis%C3%A3o+Judici%C3%A1ria_PDF/6c2878e2-dbfe-08eb-615f-11b9304b57e3 https://www.tjpr.jus.br/documents/13302/25143546/C%C3%B3digo+de+Organiza%C3%A7%C3%A3o+e+Divis%C3%A3o+Judici%C3%A1ria_PDF/6c2878e2-dbfe-08eb-615f-11b9304b57e3 51UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais proporção que lhe forem apresentados; c) no caso de incompatibilidade ou suspeição daquele a quem for distribuído algum processo ou ato, em tempo oportuno se lhe fará a compensação; d) distribuir-se-ão, por dependência, os feitos de qualquer natureza que se relacionarem com outros já distribuídos e ajuizados; e) os atos e processos que não estiverem sujeitos à distribuição por não pertencerem à competência de dois ou mais Juízes ou de dois ou mais serventuários ou ainda de dois ou mais agentes delegados, serão, não obstante, prévia e obrigatoriamente registrados pelo Distribuidor em livro próprio; f) cumprir as normas editadas pela Corregedoria-Geral da Justiça e pelo Juiz Diretor de Fórum; III – aos Contadores: a) contar, em todos os feitos, antes da sentença ou de qualquer despacho definitivo, mediante ordem do Juiz, os emolumentos e as custas, conforme previsto no regimento respectivo; b) proceder à contagem do principal e dos juros nas ações referentes a dívi- das em quantia certa e nos cálculos aritméticos que se fizerem necessários relativamente a direitos e obrigações; c) fazer o cálculo para pagamento de impostos; d) cumprir, sob pena de responsabilidade, as disposições legais sobre recolhimento de importâncias devidas a instituições ou fundos; IV – aos Partidores, organizar as partilhas judiciais; V - aos Depositários Públicos, ter sob sua guarda e segurança, com obrigação legal de os restituir na oportu- nidade própria, os bens corpóreos apreendidos judicialmente, salvo os que forem confiados a depositários particulares; VI - aos Avaliadores Judiciais, por distribuição nas comarcas em que houver mais de um, expedir laudo de avaliação de bens, rendimentos, direitos e ações, segundo o que for determi- nado no mandado (PARANÁ, CÓDIGO DE NORMAS). Pela leitura de tal dispositivo, podemos citar como servidores atuantes nos Cartórios Judiciais: a) escrivães; b) distribuidores - vinculados ao Cartório Distribuidor; c) contadores; d) partidores; e) depositários públicos; f) avaliadores judiciais. Mas qual seria a função direta do cartório judicial? Os cartórios judiciais, semelhantemente à gestão do cartório distribuidor, é o gestor de processos, sejam eles, cíveis ou criminais que foram distribuídos para aquela vara ou secretaria. O cartório judicial passa, então, a exercer a função de gestor deste processo, seja ele físico ou eletrônico (modelo atual em todas as unidades federativas). Toda a mo- vimentação processual acaba ocorrendo nas dependências do cartório judicial, sendo ele, desta forma, o precursor da movimentação processual, a exemplo da emissão de certidões de inteiro teor do processo. 52UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais SAIBA MAIS Você sabia que é possível a realização de inventário extrajudicial? Ou seja, um processo realizado dentrodas dependências de um cartório de notas, também conhecido como tabelionato? Para isso basta o preenchimento dos requisitos legais. Sobre esse tema, acesse a página a seguir: Fonte: INVENTÁRIO Extrajudicial. Associação dos Notários e Registradores do Brasil. [s.d]. Disponível em: https://www.anoreg.org.br/site/atos-extrajudiciais/tabelionato-de- -notas/inventario-extrajudicial/. Acesso em: 22 jun. 2021. Ainda nesta unidade falamos sobre o protesto de títulos. Mas, você sabe como funcio- na? Quais os requisitos principais? Veja a seguir: Fonte: PROTESTO de títulos: o que é e como funciona? Tabelionato Porto Belo – Notas e Protestos. Dis- ponível em: https://www.tabelionatoportobelo.com.br/protesto-de-titulos-o-que-e-e-como-funciona. Aces- so em: 22 jun. 2021. REFLITA Vimos que o cartório de protesto é uma forma de coação legal ao devedor para realiza- ção de pagamento da dívida já constituída, seja ela por meio de título extrajudicial ou ju- dicial. Porém, muitas vezes o exequente, aquele que é considerado credor dentro de um processo judicial, acaba não tendo sua dívida protestada, muitas vezes por não solicitar sua inscrição ao Juízo ou diretamente ao cartório de protesto, fator que pode impedir a publicidade da dívida junto à sociedade. Você acredita que o protesto de título judicial é uma forma eficaz de coação do devedor para pagamento da dívida? Acesse o link para saber acerca da possibilidade de protesto de dívidas judiciais: Fonte: COSTA, Daniela. Sentenças judiciais: possibilidade de protesto e inclusão do nome do devedor em cadastro de inadimplentes. Migalhas. 2016. Disponível em: ht- tps://www.migalhas.com.br/depeso/237277/sentencas-judiciais---possibilidade-de-pro- testo-e-inclusao-do-nome-do-devedor-em-cadastro-de-inadimplentes. Acesso em: 22 jun. 2021. Você sabia que o CNJ - Conselho Nacional de Justiça - disponibiliza em seu sítio ele- trônico campo específico abordando a gestão estratégica? São informações essenciais atreladas à gestão. Confira no seguinte sítio eletrônico: Fonte: GESTÃO estratégica e planejamento. Conselho Nacional de Justiça. [s.s]. Disponível em: ht- tps://www.cnj.jus.br/gestao-estrategica-e-planejamento/. Acesso em: 22 jun. 2021. 53UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais CONSIDERAÇÕES FINAIS Querido(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma Unidade de nosso livro, a Unidade III, responsável pelo estudo das rotinas dos cartórios especiais, tais como notas, protesto, cartório distribuidor e cartório judicial, concluindo, desta forma, o assunto iniciado em nossa Unidade II. Verificamos, durante os estudos desta Unidade, a importância dos cartórios de notas, também conhecidos como tabelionatos, que são aqueles presentes em todas as ci- dades e que o seu número depende da quantidade de habitantes da cidade. Estes cartórios possuem uma rotina de auxílio ao Poder Judiciário e é o responsável por diversos atos que garantem a chamada segurança jurídica, como, por exemplo, a realização de procurações públicas e reconhecimentos de firmas. Na sequência abordamos um pouco sobre a rotina dos cartórios de protesto e con- seguimos entender que o protesto é passível para todos os títulos de crédito, bem como para títulos executivos extrajudiciais e judiciais, todos com a finalidade de constituição de uma dívida certa, líquida e exigível, requisitos para a propositura da ação executória. Após, pudemos falar um pouco sobre o cartório distribuidor, um serviço de caráter público e que tem a função de distribuir os processos judiciais dentro de uma Comarca. É ele o responsável pelo encaminhamento dos processos judiciais às varas ou secretarias competentes, bem como pela emissão de diversas certidões relacionadas à existência ou não de demandas judiciais. Por fim, abordamos sobre os cartórios judiciais, que são aqueles destinados à gestão e guarda dos processos de determinada vara ou secretaria. Este cartório, pode ser público ou privado, mas suas atribuições e competências estão diretamente vinculadas ao Código de Normas do Tribunal de Justiça competente. Assim, como distribuidor, o cartório judicial poderá emitir certidões relacionadas aos processos que se encontram em trâmite ou arquivados dentro da respectiva vara ou secretaria. 54UNIDADE III Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Extrajudiciais (Parte II) e Judiciais MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Administração Judiciária: gestão cartorária Autor: Marcos Alaor Diniz Grangeia. Editora: ENFAN - Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoa- mento de Magistrados. Sinopse: Da experiência quotidiana, otimista, investigativa, curiosa, de paciência sistemática e sistematizada, imaginativa, brasileira e de amplitude amazônica de um profissional da justiça, um magistrado. Para as experiências ainda por ser, mas há muito necessárias, de milhares de outros profissionais da justiça, magis- trados e serventuários. É um livro do fazer, que convida e apoia o fazer. FILME/VÍDEO Título: A Condenação (Conviction) Ano: 2010 Sinopse: Baseado em fatos reais, o filme lançado em 2010 conta a história de Kenny Waters (Sam Rockwell), que foi acusado por um assassinato ocorrido em 1980 em Massachusetts (EUA). Re- presentado pela defensoria pública, esbarra em dificuldades no seu caso e sua condenação é iminente. Betty Anne (Hilary Swank), irmã de Kenny, é mãe solteira e trabalha, mas para livrar seu irmão da cadeia decide estudar Direito e enfrentar a promotoria. 55 Plano de Estudo: ● Conceitos e Definições de Cartórios Judiciais e Atividades Forenses; ● Diferenças entre as rotinas no que tange aos Cartórios Judiciais; ● Introdução das rotinas atreladas às atividades forense, em especial, quanto à advocacia; ● Apresentar exemplos práticos de atividades forenses. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar as rotinas nos cartórios judiciais; ● Compreender os tipos de atividades forenses; ● Estabelecer a importância da rotina dos cartórios judiciais na atividade advocatícia. UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Professor Me. Nathan Marques Oliveira 56UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense INTRODUÇÃO Olá, querido(a) aluno(a). Chegamos à última unidade do nosso livro. Iniciaremos, neste capítulo, o estudo das rotinas dos cartórios judiciais e seu impacto nas rotinas forenses. Veremos, ainda, a importância da gestão deste cartório para o perfeito andamento processual, garantindo, desta forma, celeridade processual. Para, posteriormente, estabelecermos a correlação entre a atividade cartorária judicial e a atividade advocatícia, trazendo, para tanto, discussão de casos reais. Sem mais delongas, vamos ao que interessa? Preparado(a)? Vamos lá. O aprendizado nunca é demais. 57UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense 1. DAS NUANCES GERAIS DOS CARTÓRIOS JUDICIAIS E PRINCIPAIS ROTINAS Neste primeiro tópico da última unidade falaremos um pouco sobre as nuances gerais dos cartórios judiciais e suas principais rotinas. Você já ouviu falar em cartório judi- cial? Sabe me dizer qual sua função? Por que ele é importante para a gestão processual? Depois de realizar esta primeira análise, falaremos um pouco sobre as diferenças entre as rotinas dos cartórios judiciais. Vamos lá? Preparado(a) para mais aprendizado? O primeiro passo da nossa aula é descobrir a função dos cartórios judiciais. Saber para que eles servem e qual a sua importância na administração dos processos. Os cartórios judiciais são responsáveis pela guarda e execução de todos os pro- cessos judiciais. Ou seja, quando uma pessoa ingressa em Juízo em face de outra pessoa pleiteando o exercício da função jurisdicional, que nada mais é do que buscar aquilo que entende por direito, a faz por meio deuma petição que é endereçada a um Juízo compe- tente. Todavia, para que isso seja possível é imprescindível que a petição ganhe corpo, por meio de um processo. O processo, que pode ser físico ou eletrônico, na visão popular é do que um amontoado de papéis que contém histórias e provas e que necessitam ser geridos em conformidade com um procedimento, procedimento este descrito no Código de Processo, seja ele cível ou criminal. 58UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Com base neste procedimento é que o cartório judicial fará a guarda, a gestão e a movimentação do caderno processual, e é neste cenário que se destaca a função e importância dos cartórios judiciais. Os cartórios judiciais podem ser privados, quando os administradores são forma- dos por particulares que assumem a responsabilidade da gestão e guarda processual. Para isso, eles contratam funcionários celetistas que atuarão na gestão administrativa deste cartório. Será este particular, portanto, o guardião dos atos administrativos processuais e que trabalharão junto com os agentes estatais na tutela jurisdicional. Os cartórios poderão, ainda, ser públicos, quando o próprio Tribunal de Justiça administra as varas processuais. Neste caso, os funcionários serão estatais e assumirão o cargo por meio de concurso público. Aqui, a gestão processual é estatal. É este o formato determinado pelo Conselho Nacional de Justiça e, por esta razão, muitos cartórios, que antes eram privados, hoje são públicos, procedimento este conhecido como estatização da vara judicial. Independentemente da modalidade do cartório, seja ele público ou particular, é imprescindível que a vara ou a secretaria obedeça a um sistema de gestão, que é a forma como os magistrados, os promotores, os servidores do Poder Judiciários, os operadores do Direitos, as partes e os demais profissionais se relacionam com o Tribunal. Mas o que vem a ser o sistema de gestão? O sistema de gestão é conceituado como sendo um Conjunto de elementos para dirigir e controlar uma organização, sendo que dirigir tem o sentido de conduzir a organização, todavia sem qualificar o resul- tado obtido; a direção pode ir de competente a desastrosa. [...] Controlar tem o sentido de, mediante a disponibilidade de informações adequadas, conhe- cidos como indicadores, conduzir a organização conscientemente a um rumo desejado e previamente planejado (MACIEIRA; MARANHÃO, 2010, p. 16). O sistema de gestão autorizará, quando adequadamente implementado, o planejamen- to das ações e o domínio da execução do planejamento, o que permitirá a concretização de um dos princípios constitucionais mais importantes da tutela jurisdicional: a celeridade processual. Ok, já sabemos o que é um sistema de gestão, mas como operacionalizar esse sistema? Os mesmos autores supramencionados apontam cinco alicerces para essa finali- dade, utilizando, para tanto, a analogia da pilotagem de um avião: 59UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense QUADRO 1 - SISTEMA DE GESTÃO - ALICERCES ALICERCE Seria o manual de gestão, de qualidade ou do documento estratégico; ESTRATÉGIA Seria a responsabilidade, a autoridade e a comunicação, ou seja, a missão, a visão, os objetivos, as metas, o organograma, as atribuições, o método de decisão e de co- municação com a equipe; RECURSOS Seria a capacitação de pessoas, as insta- lações da vara ou da secretaria, os com- putadores, os sistemas, os serviços indis- pensáveis para a gestão dos processos; TRANSFORMAÇÕES Seria o método estabelecido para as di- ferentes atividades realizadas, ou seja, como atuar, como processar, como publi- car, como atender o público, dentre outros; MEDIÇÃO, ANÁLISE E MELHORIAS Seria apresentar os indicadores necessá- rios e suficientes do que está acontecen- do e que permitirão a tomada de decisões consistentes para melhoria. Fonte: Macieira e Maranhão (2010, p. 10). Todavia, para que o sistema tenha sucesso é fundamental que a equipe da Vara ou da Secretaria conheça suas funções e suas responsabilidades: QUADRO 2 - FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DA VARA OU SECRETARIA FUNÇÕES ATRIBUIÇÕES JUIZ DE DIREITO Examinar e julgar os feitos de sua compe- tência; Promover a melhoria contínua da gestão, mediante determinação e acompanha- mento da gestão estratégia (objetivos es- tratégicos); Conduzir as reuniões de sua unidade e assegurar os respectivos resultados. ESCRIVÃO OU DIRETOR DE SECRETA- RIA Gerenciar e acompanhar a realização das atividades operacionais do Cartório, relati- vas à prestação jurisdicional; Acompanhar a evolução dos indicadores de desempenho do cartório; Administrar os recursos humanos e a in- fraestrutura do cartório. GABINETE DO JUIZ (SECRETÁRIO OU ASSESSOR) Apoiar o juiz na elaboração e emissão dos pronunciamentos judiciais. EQUIPES Realizar os processos de trabalho de sua responsabilidade. Fonte: Macieira e Maranhão (2010). 60UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Por fim, todo esse sistema de gestão permitirá o chamado gerenciamento do pro- cesso, que vai desde o recebimento da petição inicial, vinda do cartório distribuidor, até o arquivamento do processo. Agora que você já sabe um pouco sobre as nuances gerais dos cartórios judiciais e suas principais rotinas, vamos conversar sobre as diferenças entre as rotinas dos car- tórios judiciais? 61UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense 2. DAS DIFERENÇAS ENTRE AS ROTINAS AFETAS AOS CARTÓRIOS JUDICIAIS Vimos no tópico anterior a importância do sistema de gestão para o gerenciamento do processo. Mas o que seria este gerenciamento? Este gerenciamento é igual em todas as varas judiciais? Como este gerenciamento pode contribuir para a concretização da ce- leridade processual? Antes de adentrarmos ao gerenciamento processual, é importante sabermos como é estruturado um cartório judicial. Geralmente, a estrutura funcional de um cartório é com- posta por um: a) diretor, que é o grande responsável pela gestão do cartório e o juiz, que é uma figura importante, mas distante na gestão processual, uma vez que ele desempenha o papel jurisdicional; b) oficial maior, que é o escrevente chefe responsável pelo cartório na ausência do diretor; c) escreventes, que são os grandes processadores dos feitos, pois cumprem as rotinas administrativas e cruciais para o andamento do processo, como a juntada dos documentos, o envio dos processos para conclusões, a emissão de publi- cações e atas, dentre outras funções burocráticas); d) auxiliares, que geralmente fazem o atendimento do público no balcão da vara ou da secretaria e cuidam do recebimento e encaminhamento dos documentos e processos; e, eventualmente, e) estagiários, que são alunos que desempenham funções semelhantes aos auxiliares. (SILVA, 2007, p. 14). É com essa estrutura que todos os processos em tramitação naquela vara ou se- cretaria são gerenciados. Mas o que seria esse gerenciamento? 62UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense O gerenciamento do processo nada mais é do que a guarda, a gestão e o trâmite deste processo dentro da vara ou da secretaria. O gerenciamento do processo é, na lin- guagem popular, o tempo que o processo fica em cartório e ele está condicionado a uma porcentagem média de 80% do andamento processual. Ou seja, se o processo demorar 10 anos entre a autuação e o arquivamento, durante 8 anos ele viveu nas dependências do cartório judicial. Isso se opera em razão da burocracia que o cartório possui para concretizar todas as etapas do processo em conformidade com o código de processo, seja ele civil ou penal (SILVA, 2007, p. 23). O gerenciamento do processo dentro dos cartórios judiciais se inicia com o rece- bimento da petição inicialque foi protocolada no cartório distribuidor, momento em que ele será autuado e receberá uma “capa” e se finda com o arquivamento definitivo e baixa de distribuição, momento em que o processo foi resolvido em sua integralidade. Mas entre a fase de início e fim há uma série de atos de administração processual desempenhada pela vara ou secretaria. Este gerenciamento é igual em todas as varas judiciais? Depende! Importante mencionar que os atos praticados nos cartórios judiciais influenciam, sobremaneira, o sistema de justiça e esta influência não diz respeito apenas aos atos pratica- dos, mas também na condução e gestão exercida pelo juiz e pelos servidores dos cartórios. Nesta toada, Paulo Eduardo Alves da Silva (2006, p. 8 - 9) afirma que: Os Cartórios Judiciais não compõem o foco imediato de atenção da ciência processual ou da Administração Pública, tampouco do legislador reformista ou dos gestores dos tribunais. Pela doutrina processual, o cartório judicial sequer recebe tratamento autônomo. Os servidores, individualmente, são classificados como “auxiliares da justiça”, ao lado dos peritos, oficiais de justiça, intérpretes e outros, mas os cartórios não são categorizados em se- parado. Já a ciência da Administração Pública não está próxima o suficiente do universo forense para analisar e propor novos modelos de gestão dos tri- bunais e dos cartórios. As reformas legislativas em matéria processual focam pontualmente institutos processuais específicos, criando-os, alterando-os ou dando-lhes novos caminhos ou efeitos, sem, contudo, considerarem que esses institutos se consolidarão em atos e peças judiciais – tão somente por isso que é possível vislumbrar que qualquer novo instituto processual não terá o efeito esperado se não for bem operado pelos atores do sistema de justiça e, especialmente, pelo cartório judicial. Há atos processuais que devem ser iguais em qualquer cartório, quando os proces- sos forem de naturezas idênticas, como, por exemplo, nos processos que versarem acerca da homologação de um acordo extrajudicial. Todavia, há atos administrativos, de gestão propriamente dita, que poderá sofrer alteração a depender da ferramenta e mão-de-obra de cada cartório. Ademais, o gerenciamento poderá sofrer alteração dependendo do procedimento ado- tado para o andamento daquele processo e a Justiça a que ele está sujeito. Mas como assim? 63UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Vamos lá. Primeiramente, temos que saber que a justiça brasileira é dividida em Justiça Co- mum e Justiça Especializada, vejamos: QUADRO 3 - COMPOSIÇÃO DA JUSTIÇA BRASILEIRA JUSTIÇA COMUM JUSTIÇA ESPECIALIZADA Justiça Estadual Justiça do Trabalho Justiça Federal Justiça Eleitoral Justiça Militar Fonte: a autora. A competência de cada Justiça está descrita na Constituição Federal (arts. 92 a 126) e sua organização dependerá, diretamente, do Código de Normas de cada Tribunal. Na sequência, é de suma importância saber qual o procedimento adotado naquele pro- cesso em específico, como, por exemplo, se o procedimento cível é um rito comum ou do Juizado Especial, se o processo criminal é para apuração de um crime contra a vida ou se é um crime de menor potencial ofensivo, pois cada processo deverá obedecer ao procedimento descrito no respectivo código de processo, o que trará uma gestão personalizada para cada caso. O que se deve observar, em qualquer gestão processual e suas respectivas rotinas cartorárias é que ela deve sempre buscar o andamento célere do processo, ou seja, não pode a burocracia de um cartório judicial afastar o direito fundamental à razoável duração do processo. Dentro deste cenário, Gajardoni, Romano e Luchiari (2007, p. 18) afirmam que para que o gerenciamento dos cartórios judiciais aconteça de forma a contribuir para a celeri- dade processual é preciso a harmonização da a) racionalização da atividade cartorária; b) introdução dos meios alternativos de resolução de conflitos; e, c) mudança de cultura dos operadores do Direito. Ou seja, o diálogo entre todos os envolvidos na cadeira processual deve ser otimizado de forma a permitir o diálogo. Agora que você já sabe um pouco sobre a rotina do cartório judicial e suas espe- cificidades, vamos conversar sobre as rotinas atreladas à atividade forense, em especial quanto ao exercício da advocacia. 64UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense 3. DAS ROTINAS ATRELADAS À ATIVIDADE FORENSE, EM ESPECIAL QUANTO À ADVOCACIA Como vimos no capítulo acima, a gestão dos cartórios judiciais, no manuseio do processo em si, deve observar o disposto, primeiramente, no Código de Processo, seja ele Civil ou Penal. Todavia, este não é o único manual que deve ser observado na rotina forense, pois como já enfatizado, cada gestão e administração da vara ou secretaria judicial possui uma normativa descrita no chamado Código de Normas do respectivo Tribunal. É este Código de Normas que estabelecerá, por exemplo, se a Comarca será de entrância inicial (Juízo de uma Única Vara) entrância intermediária (Já há uma subdivisão entre Juízo Cível e Criminal) ou entrância final (possui algumas varas especiais); a quantidade de varas em cada Comarca; a subdivisão de especificidades de vara e assim por diante. Toda esta normativa descrita no chamado Código de Normas possui implicação direta com o exercício da advocacia, principalmente no que tange ao endereçamento da petição inicial ao Juízo competente. Estas rotinas atreladas à atividade forense devem ser interpretadas de forma a auxiliar o exercício da advocacia, já que o advogado é indispensá- vel à administração da Justiça, como bem observa o art. 133 da Constituição da República Federativa do Brasil. Mas então como a rotina forense poderia contribuir com o exercício da advocacia? Como esta rotina poderia colaborar para um andamento processual mais rápido? 65UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Antes de responder estas indagações, é de suma importância falarmos um pouco sobre a gestão judiciária no Brasil, um assunto que podemos evidenciar no relatório intitula- do Justiça em Números 2020, disponibilizado pelo Conselho Nacional de Justiça, disponível em:https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/08/WEB-V3-Justi%C3%A7a-em-N%- C3%BAmeros-2020-atualizado-em-25-08-2020.pdf . Segundo este relatório, o Poder Judiciário finalizou o ano de 2019 com 77,1 mi- lhões de processos em tramitação, ou seja, processos que aguardavam alguma solução administrativa. Enfatiza ainda que: Durante o ano de 2019, em todo o Poder Judiciário, ingressaram 30,2 milhões de processos e foram baixados 35,4 milhões. Houve crescimento dos casos novos em 6,8%, com aumento dos casos solucionados em 11,6%. Tanto a demanda pelos serviços de justiça como o volume de processos baixados atingiram, no último ano, o maior valor da série histórica. Se forem conside- radas apenas as ações judiciais efetivamente ajuizadas pela primeira vez em 2019, sem computar os casos em grau de recurso e as execuções judiciais (que decorrem do término da fase de conhecimento ou do resultado do recur- so), tem-se que ingressaram 20,2 milhões ações originárias em 2019, 3,3% a mais que no ano anterior (BRASIL, 2020, p. 93). Do relatório supramencionado, verifica-se que o número de demanda tem crescido de forma exponencial, mas a mão de obra continua sendo igual ou levemente superior, uma vez que o Tribunal possui um limite orçamentário específico para despesa de pessoal, valor este que também se encontra neste relatório, mas que não será abordado neste capítulo. Diante desta realidade, que só aumenta anualmente, o Conselho Nacional de Jus- tiça, desde o ano de 2010, tem estimulado a adoção de métodos alternativos de solução de conflitos. Este modelo de gestão está descrito na Resolução125 do CNJ e tem como principal escopo o empoderamento das partes por meio do diálogo e com a presença de todos os envolvidos na administração da Justiça: Juiz, Promotor e Advogado. Com a utilização destas ferramentas, que buscam a pacificação judiciária, ou seja, que prega a Justiça da Paz, o acesso à justiça e a razoável duração do processo, dois princípios constitucionais imprescindíveis para o Estado Democrático de Direito passam a ser buscados de forma eficaz, entretanto, para que isso seja possível, a rotina forense deve favorecer o diálogo entre as partes. Mas como isso seria possível? A conciliação, a mediação e a justiça restaurativa, como meios adequados para a resolução do conflito devem ser vistas como as meninas dos olhos e, para isso, é impres- cindível que o processo seja conduzido pelos juízes, como defendem Gajardoni, Romano e Luchiari (2007, p. 18), pois “cabem aos juízes darem o primeiro passo, atuando efetivamente na condução dos processos e estimulando a participação dos demais setores da sociedade nos meios alternativos de solução de conflitos”. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/08/WEB-V3-Justi%C3%A7a-em-N%C3%BAmeros-2020-atualizado-em-25-08-2020.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/08/WEB-V3-Justi%C3%A7a-em-N%C3%BAmeros-2020-atualizado-em-25-08-2020.pdf 66UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Desta forma, a atividade cartorária judicial ganha um precioso auxílio na busca pela celeridade, pela informalidade, pelo menor custo e maior nível de satisfação dos usuários do serviço judicial, situações que repercutirá, de forma direta, no exercício da advocacia, principalmente no que tange aos honorários advocatícios, sejam eles contra- tuais ou subumbenciais. Por fim, imprescindível descrever que o advogado, durante toda a tramitação processual, deve ser visto e respeitado como peça fundamental ao exercício jurisdicional, assim como o Juiz e o Promotor, não havendo, qualquer hierarquia entre eles, pois pilares ao exercício do Estado Democrático de Direito. Pois bem! Agora que você já sabe um pouco sobre a rotina forense, especialmente no exercício da advocacia, vamos analisar alguns casos reais? 67UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense 4. DOS EXEMPLOS PRÁTICOS Vimos no terceiro capítulo desta unidade a importância dos métodos alternativos de solução de conflito como forma de garantir a celeridade processual e, por via de consequência, a satisfação de todas as pessoas envolvidas no poder judiciário. Como forma de demonstrar este reflexo, vamos à análise de alguns casos reais nas rotinas cartorárias judiciais? O primeiro caso descrito no presente capítulo está descrito no trabalho científico da Elaine Maria Gomes Abrantes, intitulado como Gestão de Cartório Judicial: contribuição para a razoável duração do processo (2013), que analisa a gestão processual dos métodos alternativos de resolução de conflitos junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco. A autora descreve que, em Pernambuco, as Câmaras de Conciliação, Mediação e Arbitragem (CCMAs) funcionam como órgãos auxiliares dos demais órgãos do Poder Judiciário, tanto do primeiro quanto do segundo grau de jurisdição e que foram criadas por meio da Resolução TJPR nº 222/2017 e institucionalizadas no Código de Organização Judiciária do Estado, Lei Complementar nº 100/2007. As CCMAs são as responsáveis pela solução pacífica dos conflitos com a utilização das técnicas de autocomposição permitidas pelo direito brasileiro, em especial, com o uso da mediação, conciliação e arbitragem. 68UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense As Centrais de CMAs são importantes para a gestão das Unidades Judiciais porque as auxiliam na respectiva jurisdição, atuando prioritariamente na so- lução alternativa de litígios judiciais pendentes, através de informações pro- cessuais colhidas na Distribuição ou diretamente nas varas cíveis e juizados criminais, enquanto as Câmaras de CMA funcionam descentralizadamente, mas vinculadas institucionalmente às Centrais de MCA, e serão instituídas por entidades da sociedade civil sem fins lucrativos, como faculdades, asso- ciações comerciais, etc. [...] A relevância também pode ser notada no tempo dispensado pelo magistrado para a busca do acordo, já que esta função pode ser bem melhor desem- penhada pelos voluntários treinados de acordo com a necessidade de cada caso concreto e que são mais disponíveis ao diálogo para com as partes. Dessa forma, a dinâmica cartorária funciona integrada com este sistema, sobretudo no trabalho de triagem dos casos compatíveis com a solução autocompositiva. Essa triagem tornou-se constante nos cartórios judiciais, tendo em vista que o sistema implantado no Estado de Pernambuco é tanto extrajudicial (antes), judicial (durante) e em nível de segundo grau (após sentença). Na fase extrajudicial, a triagem é realizada quando a parte interessada dirige-se ao balcão de atendimento dos cartórios judiciais, pessoalmente a procura de informações sobre a melhor solução de seus casos, ou, quando do recebimento das ações recém-protocoladas. Nesta fase, o requerente é orientado a dirigir-se a um setor disponível que seja mais próximo dele, ou, em caso de inicial já distribuída, mas não tramitada, é providenciada sua remessa, mediante cópia na unidade, sobretudo, se o processo judicial pen- dente contiver compromisso arbitral, previsto no art. 267, VII do CPC. Na fase judicial, a triagem dos casos pode ser feita tanto pela Secretaria do CCMA - pelo sistema Judwin ou diretamente na Distribuição do Foro – quanto pelas Secretarias das Diversas Varas existentes no Estado. Nesse caso, mesmo em havendo contribuição da Secretaria da CCMA, esta deve ser uma preocupação constante da gestão dos cartórios, em vista de diminuir ou ame- nizar seu acervo. Em caso de audiência, é o próprio Juiz que deve determinar o encaminhamento, acaso vislumbre possibilidade de autocomposição entre as partes e por algum motivo relevante, não possa acompanhar seu desfecho (ABRANTES, 2013, p. 326 - 328). O caso em tela demonstra a adoção de um modelo, à época inovador, que dialoga com o processo tradicional e consensual, empoderando as partes, e auxiliando no desafo- gamento do Poder Judiciário, inclusive nas instâncias mais elevadas. Ainda na análise de casos reais, não podemos deixar de analisar o balanço proces- sual realizado pelo Conselho Nacional de Justiça, no relatório de 2019 intitulado como Justiça em Números 2020. Neste documento o CNJ demonstra, das páginas 171 a 177 o índice de conciliação que utiliza, como base, o “percentual de sentenças e decisões resolvidas por ho- mologação de acordo em relação ao total de sentenças e decisões terminativas proferidas”. O relatório aponta, ao final de 2019, a existência de 1.284 Centros Judiciários de Solução de Conflito e Cidadania (CEJUSCS), um crescimento que reflete, diretamente, nos números de conciliações. Outro exemplo, agora no Estado de São Paulo, foi a implementação do chamado “Cartório do Futuro”. Trata-se de um programa desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em meados de 2016, que consiste, segundo informação disponibilizada 69UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (https://www.cnj.jus.br/cnj-e-tjs- p-apresentam-cartorio-do-futuro-a-tribunais-para-melhorar-a-gestao/) no “agrupamento de cartórios da mesma competência para processamento e cumprimento de determinações judiciais por meio de equipes e gestores com atribuições previamente definidas”, esclare- cendo, ainda, que “as varas permanecem independentes, mas dispõem de mais pessoal para o cumprimento exclusivo dos atos decisórios (despachos, decisões e sentenças”.Em verdade, o Cartório do Futuro foi um programa essencial para a informatização dos processos. Maiores informações e detalhamentos podem ser obtidos junto ao sítio eletrônico do TJSP: https://www.tjsp.jus.br/CartorioDoFuturo. Igualmente importante, principalmente para mapeamento das dificuldades e en- traves, foi a criação do chamado “Diagnóstico para Eficiência do Poder Judiciário”, pelo CNJ. Tal projeto integra os tribunais do Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte, Amazonas, Roraima, Espírito Santo e Bahia, devido ao baixo rendimento retratado entre 2013 e 2015. A ideia do programa consiste, justamente, na aplicação de ações que promovam uma gestão mais eficiente. É possível visualizar a notícia completa no seguinte site eletrônico: https:// www.cnj.jus.br/diagnostico-para-eficiencia-no-poder-judiciario-chega-a-quatro-tribunais/. Mais recentemente, o CNJ lançou outro programa, visando assegurar maior efe- tividade na prestação de serviços judiciários, qual seja: Programa Resolve; foi criado em 2018, sendo a principal intenção fomentar a Política Judiciária no tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário. Referido programa está regulamen- tado pela Resolução CNJ n. 125/2010, sendo estruturado em quatro eixos principais: a) Resolve Poupança - Planos Econômicos; b) Resolve - Métodos Consensuais Eletrônicos; c) Resolve Previdenciário e; d) Resolve Execução Fiscal (Automação e Governança), sen- do as principais atribuições (https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/programa-resolve/): https://www.cnj.jus.br/cnj-e-tjsp-apresentam-cartorio-do-futuro-a-tribunais-para-melhorar-a-gestao/ https://www.cnj.jus.br/cnj-e-tjsp-apresentam-cartorio-do-futuro-a-tribunais-para-melhorar-a-gestao/ https://www.tjsp.jus.br/CartorioDoFuturo https://www.cnj.jus.br/diagnostico-para-eficiencia-no-poder-judiciario-chega-a-quatro-tribunais/ https://www.cnj.jus.br/diagnostico-para-eficiencia-no-poder-judiciario-chega-a-quatro-tribunais/ https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/programa-resolve/ 70UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense QUADRO 4 - DIVISÃO DO PROGRAMA RESOLVE RESOLVE POUPANÇA RESOLVE PREVIDENCIÁRIO RESOLVE MÉTODOS CONSENSUAIS ELETRÔNICOS RESOLVE EXECUÇÃO FISCAL Busca a promoção de articulação inte- rinstitucional entre o Poder Judiciário, representantes dos Poupadores, ban- cos demandados e a Federação Brasi- leira de Bancos. A intenção é fo- mentar a adesão ao acordo coletivo, homologado pelo STF. Criação de parâ- metros uniformes quanto às deman- das que envolvem benefícios previ- denciários, tanto na justiça estadual, quanto federal. Implementação de solução de Tecnolo- gia da Informação, visando a possibi- lidade de métodos consensuais em versão eletrônica. Visa a implementa- ção de medidas de automação e go- vernança com base em diagnóstico ela- borado por magis- trados (estaduais e federais) atuantes na área. Fonte: PROGRAMA resolve. Conselho Nacional de Justiça. [s.s]. Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/ programas-e-acoes/programa-resolve/. Acesso em: 22 jun. 2021. Conforme vimos ao longo desta Unidade, são inúmeros os projetos criados para o aprimoramento das atividades/rotinas judiciárias e administrativas perante os Cartórios Judiciais, visando, sempre, uma gestão mais efetiva. SAIBA MAIS Você sabia que o advogado é essencial à administração da Justiça? Sendo ele, portan- to, a peça principal para a formulação de uma demanda judicial? Seja na feitura de um processo, seja para orientação dos direitos de seus clientes, o advogado é um garanti- dor da pacificação social. Para saber mais sobre o papel do advogado no Estado Democrático de Direito acesse o link: Fonte: BRASIL. OAB ESA – Minas Gerais. Escola Judicial – TRF 3ª região. Advocacia e Magistratu- ra: por um efetivo acesso material à justiça. 2010. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/ uploads/2011/03/livreto_publicacao2.pdf. Acesso em: 22 jun. 2021. 71UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense Ainda sobre o papel do advogado, muito tem se discutido na atualidade, conforme já apontado ao longo do material, sobre a importância da advocacia nos cartórios extra- judiciais. Há, inclusive, menção de “advocacia do futuro”. Você já conhece esse termo? Sabe do que se refere? Confira a seguir artigo que aborda a temática: Fonte: SANTOS, Maxwel Araújo. Advocacia do futuro. Jus. 2020. Disponível em: https://jus.com.br/arti- gos/82037/advocacia-do-futuro. Acesso em: 22 jun. 2021. REFLITA Vimos que os cartórios judiciais são responsáveis pela gestão e administração de todos os processos judiciais e que muitos deles já se encontram em volume de trabalhos de- sumanos. Será que você seria capaz de contribuir para uma gestão mais pacificadora da Justiça? De que forma isso seria possível? Para saber mais sobre os meios alternativos de solução de conflito acesse o link a se- guir: https://atos.cnj.jus.br/files/resolucao_125_29112010_03042019145135.pdf. Fonte: BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução n. 125, de 2010. Dispõe sobre a política nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário e dá outras providências. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/files/resolucao_125_29112010_03042019145135.pdf. Acesso em: 22 jun. 2021. Os meios de solução de conflitos consistem numa tendência atual, atrelados, por exem- plo, para as demandas judiciais, como, por exemplo, demandas envolvendo direito do consumidor. Veja artigo abordando o tema: Fonte: PUPPE, Fernando Luís; SANTOS, Karinne Emanoela Goettems dos. Sobrecarga do poder judi- ciário: um estudo sobre os meios alternativos de solução efetiva de conflitos em relação às relações de consumo. Disponível em: https://domalberto.edu.br/wp-content/uploads/sites/4/2017/10/SOBRECARGA- -DO-PODER-JUDICI%C3%81RIO-UM-ESTUDO-SOBRE-OS-ME.pdf. Acesso em: 22 jun. 2021. https://atos.cnj.jus.br/files/resolucao_125_29112010_03042019145135.pdf 72UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo desta Unidade falamos sobre os Cartórios Judiciais, bem como sobre as rotinas administrativas e judiciárias envolvidas no contexto. No primeiro tópico vimos as nuances gerais e principais rotinas, sendo diagnosticado que o cartório judicial é responsável pela guarda e execução de todos os processos, o que denota, por consequência, a necessidade de uma gestão com planejamento, estratégias, para que haja uma prestação efetiva e com qualidade. Isso porque, é por intermédio desta gestão, que teremos não apenas a guarda e a gestão, mas também toda a movimentação processual. A atividade dos cartórios, portanto, é essencial para a atividade forense. No segundo capítulo falamos mais nuances quanto ao gerenciamento do cartório judicial, destacando as principais figuras na estrutura funcional cartorária: diretor, oficial maior, escreventes, auxiliares e estagiários, sendo essencial que haja uma estratégia, um gerenciamento pré-definido, para que cada um desempenhe sua função, em complementa- ção à do outro. Isso porque, conforme analisamos ao longo do tópico, os atos praticados nos cartórios judiciais influenciarão diretamente o sistema de justiça, seja quanto à condução do processo, quanto à gestão propriamente dita. Vimos, ainda, que há atos que possuem o mesmo padrão, independentemente do tipo de cartório, por exemplo, homologação de acordo extrajudicial. Porém, há rotinas que podem ser específicas, a depender da ferramenta e da mão-de-obra de cada cartório. Por sua vez, em um terceiro momento, abordamos o papel da advocacia no contexto das rotinas perante os cartórios e, restou verificado, que o advogado possui papel essencial durante a tramitação do processo, inclusive, mediante o incentivo aos métodos alternativosna solução dos conflitos, visando a pacificação social. Por fim, foram elencados exemplos práticos de projetos implementados com a fina- lidade de promover uma gestão mais efetiva, visando assegurar uma maior qualidade nos serviços prestados, e, por consequência, na solução dos conflitos, postos em apreciação pelo Poder Judiciário. 73UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense LEITURA COMPLEMENTAR Você sabia que vários programas têm sido adotados pelos tribunais a fim de otimi- zar a solução de conflitos? Um exemplo foi a criação do Programa CEJUSC PROCON, pelo Tribunal de Justiça do Paraná. A finalidade do projeto é promover o aperfeiçoamento do sistema de tratamento dos conflitos consumeristas, mediante a instalação de uma extensão do CEJUSC nas de- pendências do PROCON municipal. É possível consultar as regras para a participação no programa, bem como as cidades em que já foi instalado o programa diretamente no sítio eletrônico do TJPR: https://www.tjpr.jus.br/programas-e-projetos-2-vice?p_auth=7rYDeYjx&p_p_ id=36&p_p_lifecycle=1&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column- -2&p_p_col_count=1&_36_struts_action=%2Fwiki%2Fview&_36_nodeId=15033140&_36_ title=CEJUSC+PROCON. https://www.tjpr.jus.br/programas-e-projetos-2-vice?p_auth=7rYDeYjx&p_p_id=36&p_p_lifecycle=1&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=1&_36_struts_action=%2Fwiki%2Fview&_36_nodeId=15033140&_36_title=CEJUSC+PROCON https://www.tjpr.jus.br/programas-e-projetos-2-vice?p_auth=7rYDeYjx&p_p_id=36&p_p_lifecycle=1&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=1&_36_struts_action=%2Fwiki%2Fview&_36_nodeId=15033140&_36_title=CEJUSC+PROCON https://www.tjpr.jus.br/programas-e-projetos-2-vice?p_auth=7rYDeYjx&p_p_id=36&p_p_lifecycle=1&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=1&_36_struts_action=%2Fwiki%2Fview&_36_nodeId=15033140&_36_title=CEJUSC+PROCON https://www.tjpr.jus.br/programas-e-projetos-2-vice?p_auth=7rYDeYjx&p_p_id=36&p_p_lifecycle=1&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=1&_36_struts_action=%2Fwiki%2Fview&_36_nodeId=15033140&_36_title=CEJUSC+PROCON 74UNIDADE IV Das Rotinas Jurídicas e Administrativas nos Cartórios Judiciais e Atividade Forense MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Gestão e Administração de Cartório Judicial: possibilidade e perspectivas Autor: José Anderson Santos Cruz; Michelle Godoy de Mattos. Editora: Appris Sinopse: O convite para a leitura desta obra é embarcar e debruçar nas pesquisas e nos relatos que estes autores trazem para fomen- tar a qualidade dos serviços prestados pelos cartórios judiciais, pois este livro sinaliza a importância das pesquisas no âmbito do judiciário, já que os pesquisadores são funcionários públicos com vasta experiência nessa área, hoje especialistas em Administração de Cartório Judicial, pela Faculdade Anhanguera de Bauru. FILME/VÍDEO Título: A busca pela justiça Ano: 2006 Sinopse: Em 1931 nove jovens negros, com idade entre 12 e 20 anos, foram retirados de um trem e presos, acusados de terem estuprado duas mulheres brancas. Após um rápido julgamento, eles foram condenados à cadeira elétrica. A notícia gerou grande polêmica, o que fez com que a Corte Suprema dos Estados Unidos resolvesse fazer um novo julgamento. É quando Samuel Leibowitz (Timothy Hutton), um advogado nova-iorquino com uma impres- sionante sequência de vitórias nos tribunais, decide defender os acusados. 75 REFERÊNCIAS ABRANTES, E. M. G. Gestão de Cartório Judicial: contribuição para a razoável duração do processo. Revista dos Mestrados Profissionais, v. 2, n. 1, jan./jun. 2013. ASSOCIAÇÃO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO BRASIL – ANOREG/BR. Re- conhecimento de firma. 2018. Disponível em: https://www.anoreg.org.br/site/atos-extraju- diciais/tabelionato-de-notas/reconhecimento-de-firma/. Acesso em: 01 abr. 2021. AURUM. O que são Lawtechs e Legaltechs e como elas beneficiam advogados. 2021. Disponível em: https://www.aurum.com.br/blog/lawtech-e-legaltech. Acesso em: 20 março 2021. BERGUE, S. T. Gestão de pessoas em Organizações Públicas. Caxias do Sul: EDUCS, 2007. Blanch-Ribas, J. M. & Cantera, L. (2011). La nueva gestión pública de universidades y hospitales: aplicaciones e implicaciones. In E. Agulló, J. L. Álvaro, A. 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Por sua vez, na segunda unidade, introduzimos o estudo quanto aos cartórios extrajudiciais, enfatizando os principais tipos de rotinas, tanto as jurídicas quanto as ad- ministrativas, enfatizando as atribuições específicas dos seguintes cartórios extrajudiciais: título e documentos, imóveis, registro civil de pessoas físicas e pessoas jurídicas. O estudo foi complementado na Unidade III, quando vimos peculiaridades e atribuições específicas dos seguintes cartórios: notas e protestos, bem como cartório judicial. Foi igual- mente na Unidade III que começamos a análise quanto aos cartórios judiciais. Neste primeiro momento vimos as principais rotinas de tais cartórios, bem como suas principais características. Na quarta e última unidade, completamos o estudo quanto aos cartórios judiciais, suas rotinas e estratégias de gestão, traçando as principais atribuições, diferenças entre eles, concluindo com exemplos práticos de programas criados com a intenção de aprimorar a gestão dos mesmos. Após a nossa análise ao longo da disciplina, acreditamos que você já esteja pre- parado(a) para dar continuidade nos estudos quanto às rotinas jurídicas e administrativas, bem como em pensar estratégias de planejamento e gestão, visando sempre uma melhor prestação dos serviços e/ou obtenção de melhores resultados frente aos cartórios extraju- diciais e judiciais. Bons estudos! Boa prática.