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Sistema Notarial 
e Registral
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades da Atividade 
Notarial e Registral
• Finalidade da Atuação Notarial e Registral;
• Princípios Gerais da Atividade Notarial e Registral no Brasil;
• Responsabilidades do Notários e dos Registradores.
• Entender quais são as fi nalidades com relação aos serviços prestados pelas Atividades 
Notariais e Registrais, na conformidade de nosso sistema jurídico;
• Apreciar os Princípios que balizam o entendimento e a aplicação desses Serviços Públicos, 
tão relevantes, que contribuem como instrumento de pacifi cação social;
• Verifi car quais são as responsabilidades a que estão sujeitos aos agentes delegados no 
desempenho das Atividades Notariais e Registrais.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
Desenvolvimento, Princípios e 
Responsabilidades da Atividade 
Notarial e Registral
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
Finalidade da Atuação Notarial e Registral
Como vimos na aula anterior, as Atividades Notariais e Registrais no Brasil, por 
força do mando constitucional, são Serviços Públicos por Delegação a Particulares, 
mediante Concurso Público, ou seja, a Constituição Federal de 1988, estabeleceu 
os Preceitos Básicos, em seu Artigo 236, para o exercício e organização, dessa tão 
importante Atividade de Notas e Registros dos Atos ou Negócios Jurídicos.
Vejamos, de modo geral, todos os preceitos constitucionais das Atividades No-
tariais e Registrais:
• Serviço Público exercício por Particular por Delegação;
• Atividade regulada por lei;
• A Lei disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, ofi-
ciais de registro e de seus prepostos;
• A Lei definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário;
• Lei Federal estabelecerá Normas gerais para fixação de emolumentos 
relativos aos atos praticados pelos Serviços de Registro;
• O ingresso na atividade dependerá de Concurso Público de Provas 
e Títulos;
• Não se permite que qualquer Serventia fique vaga, sem abertura de 
Concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. 
A expressão “Serventia”, empregada pela Constituição Federal, no Artigo co-
mentado, é replicada nas Leis que regulam esse serviço (Lei n. 8.935/94 – “Lei dos 
Notários e Registradores” e Lei n. 6015/73 – “Lei dos Registros Públicos”).
Podemos, nos termos da Constituição e das Leis mencionadas, entender que as 
Serventias se tratam de repartições, nas quais são delegadas competências do ente 
público para o exercício da Atividade Notarial e Registral.
As Serventias exercem atividade “extrajudicial”, sendo mais conhecidas por sua 
denominação popular de “Cartórios”, que têm como responsável aquele que for 
aprovado em concurso, denominado “Tabelião” ou “Notário”, ambos dotados, na 
forma da Lei, de “fé-pública”.
A atuação dos Tabeliães e dos Notários consiste em representar o Estado, na 
intervenção dos Negócios jurídicos, por intermédio de Registros.
Tal fato é uma decorrência da postura do Sistema Jurídico, que elege alguns 
desses Negócios como aqueles que podem produzir efeitos tendentes a repercutir 
em interesses diversos; daí a necessidade de se tornarem públicos.
Essa forma de atuação estatal interferindo nos Negócios públicos é denominada 
“Administração Pública dos Interesses Privados”, também conhecida como “Juris-
dição Voluntária”.
Embora de fato a atuação Notarial e Registral não sejam especificamente Atos 
relativos ao exercício da “Jurisdição Estatal”, que age quando provocada para pôr 
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fim aos conflitos de interesse (lide), alguns autores justificam essa denominação, 
em razão de uma influência histórica, relativa a uma antiga atividade desen-
volvida pelos magistrados de serem responsáveis em documentar determinados 
Negócios Jurídicos.
Por exemplo, qual a necessidade de ser feita em uma Serventia de Registro Civil 
das Pessoas Naturais uma “certidão de óbito”?
Certidão de óbito: https://bit.ly/2kjdTgS
Ex
pl
or
O interesse jurídico desse registro, se faz pela necessidade, ante às “consequên-
cias” jurídicas”, que podem advir com o óbito de uma pessoa, como, por exemplo, 
a abertura do direito de sucessão, direitos previdenciários, transmissão de certas 
obrigações ao espólio etc., ou seja, abre-se uma série de novas relações jurídicas ad-
vindas da “morte” de uma pessoa natural, que repercutem no Direito e na atuação 
direta do Estado, sendo necessário o reconhecimento desse fato por intermédio de 
um Registro Público.
Uma questão importante, até em virtude da quantidade de Atividades Notariais 
e Registrais existentes, é a possibilidade dos notários e dos registradores contrata-
rem, mediante um Contrato de Trabalho regido pelas Leis Trabalhistas, prepostos 
denominados “Escreventes”, sendo que, entre eles, será designado um como seu 
substituto e os demais atuarão na condição de auxiliares.
Princípios Gerais da Atividade 
Notarial e Registral no Brasil
Os princípios mantêm íntima relação na interpretação e na aplicação de precei-
tos fundamentais de várias Ciências, o que não é diferente no caso das Ciências 
Jurídicas, nas quais se encontra como Ramo aquela que faz parte de nosso estudo 
relativo ao Sistema Notarial e Registral.
Antes de tratarmos, especificamente, dos Princípios que regem as Atividades 
Notariais e Registrais, segundo o Sistema Jurídico brasileiro, vejamos um bom con-
ceito do que vem a ser um “Princípio”. 
Para tanto, iremos recorrer ao entendimento de Cretella Junior:
[...] princípios de uma ciência são as proposições básicas, fundamentais, 
típicas, que condicionam todas as estruturações subsequentes. Situam-se 
entre os valores e as normas, isto é, representam o marco inicial na esca-
la de concreção do direito. Por isso, eles são munidos do mais alto grau de 
abstração, o que lhes confere maior campo de abrangência. (CRETELLA 
JÚNIOR, 2003, p. 3)
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
Especificamente na “Ciência do Direito”, os princípios possuemtrês funções 
amplamente reconhecidas.
São elas:
1. Os princípios são empregados como fornecedores de ideias fundamentais 
das normas positivadas em um Sistema Jurídico determinado;
2. Os princípios funcionam como orientadores, ou “bússolas”, que permitem 
ao intérprete dar a real compreensão da norma jurídica;
Figura 1
Fonte: Getty Images
3. Os princípios podem ser empregados como “preenchedores” de lacunas 
jurídicas para aplicação do Direito, como mecanismo de solução de con-
flitos de interesse, tendo, assim, uma função de integração da norma ao 
caso em concreto.
Para fecharmos a compreensão do que são, de modo geral, os princípios, 
cabe destacar o entendimento de Miguel Realle, sobre eles:
[...] Princípios são verdades fundantes de um sistema de conhecimento, 
como tais admitidas, por serem evidentes ou por terem sido comprova-
das, mas também por motivos de ordem pratica de caráter operacional, 
isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da pesquisa e da 
práxis. (REALLE, 1998, p. 305-22)
O desprezo ao emprego correto dos “princípios”, principalmente, na Ciência do 
Direito, pode provocar o uso ilegal da Norma Jurídica, fazendo com que a parte 
prejudicada na defesa de seu direito utilize, por exemplo, de um dos remédios cons-
titucionais, como é o caso do Mandado de Segurança, previsto em nossa Constitui-
ção Federal em seu Artigo 5º inciso LXIX:
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LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito 
líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, 
quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autori-
dade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições 
do Poder Público;
De modo que o emprego da norma desprezando o princípio jurídico que lhe apon-
ta a necessária interpretação poderá configurar uma ilegalidade e eventual abuso de 
poder, o que permitirá ao prejudicado o emprego do “Mandado de Segurança”.
Com relação aos princípios que integram o Sistema Notarial e Registral, os quais 
passaremos a estudar, cabem algumas observações iniciais.
É sempre necessário reforçar o entendimento já descrito de que as Atividades No-
tarias e Registrais são de natureza pública, exercidas por delegação por particulares.
Desse modo, mesmo não sendo prestados os serviços diretamente pela Admi-
nistração Pública, não se perde a natureza pública deles serviços, ou seja, estão 
sujeitos ao mesmo tratamento se estivessem sob o manto direto da Administra-
ção Pública.
Na qualidade de Serviços Públicos, a primeira questão é que as Atividades Nota-
riais e Registrais devem reverenciar os “Princípios Gerais da Administração”, enu-
merados no caput do Artigo 37 de nossa Constituição Federal:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Pode-
res da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedece-
rá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade 
e eficiência e, também, ao seguinte: 
Além desses, de caráter geral, existem Princípios específicos a serem observa-
dos, tanto isoladamente, pela Atividade Notarial, como também para a Registral.
Entretanto, caberá, neste nosso estudo, apreciarmos os princípios que, em razão 
do seu objeto, devem ser empregados em ambas atividades.
Por fim, os Princípios que estudaremos são aqueles que destacamos como os 
que efetivamente merecem ser realçados, além de terem reconhecimento notória 
da Doutrina, mas nos quais, mesmo assim, ela não é unânime em relação à enu-
meração precisa deles.
Princípio da Publicidade
Como já estudado, o fulcro da atuação Notarial e Registral é registrar Negócios 
Jurídicos ou Atos jurídicos que possam transcender aos interesses das partes, e 
repercutirem em novos Fatos jurídicos, sendo, nesse caso, a intervenção do Estado 
nos Negócios Públicos necessária para garantir segurança e estabilidade nas Rela-
ções e no Sistema Jurídico de determinado Estado.
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
Sendo assim, além do controle dos Atos ou dos Negócios praticados, os Serviços 
Públicos Notariais e Registrais tem como uma de suas funções demonstrar à cole-
tividade que, por intermédio deles, estão sendo cumpridos os mandamentos legais, 
referentes àquele fato relevante para o Direito, permitindo, inclusive, o controle 
social ou coletivo dos Atos Registrados e reconhecidos pelo Poder Público, ainda 
que não realizados diretamente por ele.
Quanto ao Princípio da Publicidade, cabe referenciar Marçal Justen Filho:
O princípio da publicidade impõe que todos os atos do procedimento 
sejam previamente levados ao conhecimento público, que a prática de 
tais atos se faça na presença de qualquer interessado e que o conteúdo do 
procedimento possa ser conhecido por qualquer um. (JUSTEN FILHO, 
2016, E-book, Cap. 6)
A publicidade dos Serviços Notariais e Registrais se dá com a simples prática 
do ato, pois, a partir de sua consumação, torna-se ele presumível ao conhecimento 
de todos, como ocorre com o averbação em certa Matrícula de Imóvel de um novo 
proprietário ou, ainda, com o Registro Civil de um casamento, no qual o registro 
da “Ata de Casamento” faz presumir que há o conhecimento de todos.
Com relação à publicidade dos Atos praticados sob à ótica do Sistema Normati-
vo do Estado, vale esclarecer, ainda, que esse princípio decorre também da figura 
do Estado Democrático de Direito, na qual o detentor do poder é o “povo”, vez que 
a própria Constituição faz menção a essa situação no parágrafo único do Artigo 1º, 
que assegura que “todo o poder emana do povo”.
O doutrinador Walter Ceneviva, com relação à aplicação do Princípio da Publici-
dade, no desenvolvimento dos Serviços Notariais e Registrais, assim, se posiciona:
[...] O vocábulo publicidade compreende realidades jurídicas diversas, tan-
to no direito público quando no direito privado, podendo ser obrigatória 
ou facultativa (...) Publicar, enquanto serviço público, é ação de lançar, 
para fins de divulgação geral, ato ou fato juridicamente relevante em livro 
ou papel oficial, indicando o agente que neles interfira (ou agentes que 
interfiram), com referência o direito ou ao bem da vida mencionado (...) 
A publicidade legal própria da escritura notarial registrada é, em regra, 
passiva, estando aberta aos interessados em conhecê-la, mas obrigatória 
para todos, ante a oponibilidade afirmada em lei. As exceções confir-
mam a regra. Assim é com a publicidade do loteamento, prevista na 
Lei n. 6.766/79 – Lei do Parcelamento do Solo Urbano, cujo art. 19 
impõe a divulgação ativado empreendimento, para assegurar aos tercei-
ros o direito de impugnarem o pedido de registro. No mesmo sentido, a 
incorporação condominial. (CENEVIVA, 2002, p. 24-6)
A garantia ao livre acesso às informações registradas pode ser vista na Lei de 
Registros Públicos – Lei n. 6,015/73 que, em seus Artigos 16 e 17, assim dispõe:
Art. 16. Os oficiais e os encarregados das repartições em que se façam 
os registros são obrigados:
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1º a lavrar certidão do que lhes for requerido;
2º a fornecer às partes as informações solicitadas.
Art. 17. Qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem infor-
mar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou interesse do pedido.
Parágrafo único. O acesso ou envio de informações aos registros públi-
cos, quando forem realizados por meio da rede mundial de computadores 
(internet) deverão ser assinados com uso de certificado digital, que aten-
derá os requisitos da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP. 
Princípio da Boa-fé
O Princípio da Boa-fé decorre, inicialmente, das palavras que a compõem, ou 
seja, a fé, esta, refere-se à crença da veracidade daquilo que se vê ou promete, po-
dendo ter caráter subjetivo. 
Nela, há percepção da certeza, sem necessidade de qualquer prova, já com o 
emprego em conjunto da palavra “boa”, que nos impele a compreender aspectos 
relativos à legalidade e à conformidade do que se referenda, de estar em consonân-
ciacom o ordenamento jurídico.
No tocante às Atividades Notariais e Registrais, vejamos um conceito do que 
vem a ser “boa-fé”, segundo o entendimento de João Mendes de Almeida Júnior, 
ao tratar dos Serviços Notariais e Registrais:
A ideia de fé tem como notas características a sinceridade de quem afirma 
e a adesão confiante do espírito de quem recebe a afirmação. Constituído 
pelo Estado para assegurar e transmitir a verdade da existência de certos 
fatos e atos jurídicos, os órgãos da fé pública têm por função a ‘afirmativa 
geral’[...] Os fins da sua organização são a segurança dos direitos individu-
ais e a conservação dos interesses da vida social, fins esses que lhe dão, 
pela identificação com certos fins do Estado, o caráter público. Como 
instituição de direito público, esses órgãos estão investidos da função 
necessária para transmitir aos cidadãos aquela sinceridade indispensável 
para o equilíbrio social. (ALMEIDA JUNIOR, 1963, p. 5)
Em pura consonância a este entendimento, a própria Lei dos Notários e Regis-
tradores (Lei nº 8.935/94), reafirma esse atributo, a quem exerce estas atividades, 
em seu Artigo 3º:
Art. 3º Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são pro-
fissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício 
da atividade notarial e de registro.
Com relação ao Princípio da Boa-fé, o qual pode também ser denominado de 
“Fé-pública”, vejamos, em parte, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao 
julgar o Agravo de Instrumento – AI n. 4.6785-DF, no qual foi relator o Ministro 
Celso de Mello, e que trata da “Fé-pública”:
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
PODER CERTIFICANTE DO SERVENTUÁRIO DA 
JUSTIÇA – FÉ-PÚBLICA
A função certificante, enquanto prerrogativa institucional, constitui-se 
como emanação da própria autoridade estatal, destinando-se a gerar si-
tuação de certeza jurídica, desde que exercida por determinados agentes 
a quem se outorgou, ministério legis, o privilégio da fé-pública.
Fonte:http://bit.ly/2Awbvbk
Princípio da Segurança Jurídica
Inicialmente, podemos proclamar que os Serviços Públicos desenvolvidos nas 
Serventias, seja por intermédio de prestativos notariais, sejam eles registrais, vi-
sam a dotar qualquer Negócio Jurídico ou Ato Jurídico, de Boa-fé e segurança às 
partes envolvidas.
A Segurança jurídica não afeta somente a proteção das partes envolvidas em 
um negócio ou num ato jurídico; tem, também, por objetivo agregar aos Serviços 
Notariais e Registrais uma proteção mais ampla, quer a de terceiros de boa-fé, quer 
de toda a Sociedade.
A este mister, ressaltam as palavras de João Mendes de Almeida Junior:
Se a busca por segurança é comum a toda forma de vida e, portanto, 
também para o homem; se a sociabilidade é inerente à natureza humana; 
se os pactos (negócios jurídicos), em seu sentido amplo, são manifestação 
de sociabilidade, o notário, ao conferir certeza aos contratos, harmoniza 
essas duas dimensões características de todo ser humano: a sociabilidade 
e a segurança. (ALMEIDA JUNIOR, 1963, p. XXI)
Princípio da Imparcialidade
O Princípio da Imparcialidade guarda íntima relação com o Princípio da Impes-
soalidade, prescrito este entre os Princípios Gerais da Administração, indicados no 
caput do Artigo 37 de nossa Constituição Federal de 1988.
Sobre o princípio da impessoalidade, aplicado à matéria de Direito Administrati-
vo, vejamos o que entende Odete Medauar:
Com o princípio da impessoalidade, a Constituição visa obstaculizar atua-
ções geradas por antipatias, simpatias, objetivos de vingança, represálias, 
nepotismo, favorecimentos diversos, muito comuns em licitações, concur-
sos públicos, exercício do poder de polícia. Busca, desse modo, que pre-
domine o sentido de função, isto é, a ideia de que os poderes atribuídos 
finalizam-se ao interesse de toda a coletividade, portanto a resultados des-
conectados de razões pessoais (MEDAUAR, 2016, E-book, Cap. 7).
Nesse passo, aplicando esses entendimentos sob o restrito aspecto da impar-
cialidade que deve ter o representante delegado nos Serviços Públicos Notariais e 
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 Registrais, este deve manter-se alheio, no desempenho de suas atividades, a quais-
quer posturas de caráter pessoal ou atinentes a qualquer uma das partes. Sendo 
assim, o agente delegado deve promover um tratamento igualitário, prestando a 
todos os esclarecimentos sobre os Atos praticados.
As normas relativas aos Serviços Notariais e Registrais apresentam preceitos que 
se enquadram nesse princípio, como, por exemplo, o descrito no Artigo 27 da Lei 
dos Notários e Registradores:
Art. 27. No serviço de que é titular, o notário e o registrador não pode-
rão praticar, pessoalmente, qualquer ato de seu interesse, ou de interesse 
de seu cônjuge ou de parentes, na linha reta, ou na colateral, consanguí-
neos ou afins, até o terceiro grau.
Quando tratamos da imparcialidade ou da impessoalidade, não podemos dei-
xar de observar que, no desempenho de suas Atividades Notariais ou Registrais, 
os agentes delegados não podem se deixar influenciar, seja pelas partes, seja por 
terceiros interessados.
 A imparcialidade deve ser entendida como a não sujeição ou vinculação a quais-
quer imposições, a não ser as da Lei e das Decisões Fundamentadas emanadas 
pelo Poder Judiciário, ou seja, devem, esses agentes, seguir os limites impostos 
pela legalidade de seus atos, gozando de total independência para praticá-los.
Princípio da Cautela
Como já vimos, a finalidade dos Serviços Notariais e Registrais no Brasil são no 
sentido de sedimentar e se tornarem públicas as Relações e os Atos Jurídicos.
Assim, devemos reconhecer a natureza preventiva desses serviços, pois eles não 
podem ser fundados em qualquer nível de incertezas, que possam de alguma forma 
provocar qualquer prejuízo a direitos das partes envolvidas nas Atividades Notariais 
e Registrais ou que possam atingir terceiros e, até mesmo, a própria coletividade.
Sobre esse princípio, vejamos as palavras de Leonardo Brandelli, com relação 
aos deveres da atividade de um Notário ou Registrador, e a importância do ato que 
praticam, frente à necessidade de formar prova e assegurar direitos:
[...] o notário ajusta juridicamente os negócios privados, de modo que es-
tes venham a se enquadrar no ordenamento jurídico vigente, prevenindo 
que vícios futuros sejam apontados, bem como evitando, ao máximo, a 
instauração de lides sobre referida questão. (BRANDELLI, 2007, p. 131)
Diante de tal princípio, cabe aos Notários e aos Registradores, antes de executa-
rem Atos de sua competência, adotarem todas as medidas pertinentes, para tanto. 
Eles devem utilizar sua prática e seu conhecimento jurídico, evitando que sejam 
realizados Atos que possam causar qualquer espécie de nulidades e, consequente-
mente, prejuízos aos envolvidos na relação jurídica registrada.
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
Sem dúvida, que as Notas e os Registros fundados em Fatos e em Normas Jurí-
dicas sedimentam direitos subjetivos das partes envolvidas em tais atos, o que tem 
por escopo, também, minimizar a busca da jurisdição para solução de eventuais 
conflitos de interesse, vez que os direitos ficam provados pelos documentos e pelas 
certificações produzidas.
Assim, o Princípio da Cautela, é reconhecido por certos doutrinadores como 
uma atividade precatória essencial à Administração da Justiça.
Princípio da Tecnicidade
Sem dúvida, ao dispor no Artigo 1º da Lei nº 8935/94, sobre as Atividades Téc-
nicas Notariais e Registrais, o Legislador reconhece a presteza que deve existir, no 
efetivo exercício dessas atividades, associando tal situação ao Princípio da Cautela. 
Para tanto, os Atos emanados pelos agentes delegados devem ser desempenha-
dos com a devida técnica, no sentido de sedimentar a vontade das partes, ou com 
o propósito de criar relações jurídicas entre pessoas; o certo é que em ambas assituações, o escopo de garantir estabilidade e harmonia social:
Art. 1º Serviços notariais e de registro são os de organização técnica 
e administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segu-
rança e eficácia dos atos jurídicos (grifo nosso).
Leonardo Brandelli, ao tratar da tecnicidade da Atividade Notarial, assim, reco-
nhece esse princípio:
A função a cargo do notário tem acentuado caráter técnico. É evidente 
que grande parte da atuação notarial depende de perfeição do tecnicis-
mo, isto é, depende do conhecimento por parte do notário dos institutos 
jurídicos e dos modos de realização do direito, por meio de suas formas, 
fórmulas, conceitos e categorias (...) É evidente que para lograr tal intento, 
não bastará que o notário seja somente um conhecedor dos institutos jurí-
dicos (o que deverá ser), necessitando que seja ainda um hábil manejador 
da arte de implementação na práxis destes institutos; precisará conhecer 
os meandros da materialização dos institutos jurídicos. (BRANDELLI, 
2007, p. 137)
Princípio Rogatório
Tal princípio também é denominado, por alguns doutrinadores, Princípio da 
Primeira Instância.
Esse princípio, no que concerne à Atividade Registral, reconhece que esta so-
mente ocorre mediante provocação dos interessados, não cabendo atuação de ofí-
cio por parte do Registrador.
A Lei dos Registros Públicos menciona outras hipóteses, que não as de praxe, 
relativas à provocação das atividades desenvolvidas pelos agentes delegados.
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Vejamos, então, o Artigo 13 da Lei dos Públicos (Lei nº 6015/73), quanto a 
tal mister:
Art. 13. Salvo as anotações e as averbações obrigatórias, os atos do re-
gistro serão praticados:
I – por ordem judicial;
II – a requerimento verbal ou escrito dos interessados;
III – a requerimento do Ministério Público, quando a lei autorizar.
Aquele que requer a anotação é o que detém o direito, valendo observar que o 
requerimento verbal não será aceito quando existir previsão legal que exija a forma 
escrita pública ou mesmo particular, como, por exemplo, prevê o Inciso I do Pará-
grafo único do Artigo 5º do Código Civil:
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pes-
soa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por 
sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
Tal, posicionamento com relação ao princípio rogatório terá a mesma aplicabili-
dade com os Notários, que também devem atuar quando provocados.
Responsabilidades do Notários 
e dos Registradores
Com relação ao desempenho de suas Atividades, os Notariais e os Registradores 
estão sujeitos à responsabilização, segundo três Ramos do Direito:
• Direito Civil;
• Direito Penal;
• Direito Administrativo.
A questão dessa sujeição está inclusive descrita tanto na Constituição Federal, 
quanto na própria Lei dos Serviços Notariais e Registrais.
Constituição Federal:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público.
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e cri-
minal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá 
a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
No tocante à Responsabilidade Civil, vejamos o que trata o Artigo 22 da 
Lei nº 8935/94:
Art. 22 – Os notários e oficiais de registro responderão pelos danos que 
eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da 
serventia, assegurado aos primeiros direitos de regresso no caso de dolo 
ou culpa dos prepostos.
A doutrina e a jurisprudência, tem estabelecido que a responsabilidade civil dos 
notariais e dos registrais é a denominada “responsabilidade civil objetiva”, ou seja, 
para que haja a obrigação deles de reparar o dano, bastará ficar demonstrada a 
conduta (ação ou omissão), a existência do “dano” e do “nexo de causalidade”, não 
se faz necessária a demonstração de culpa (dolo ou culpa no sentido estrito).
Já com relação aos Prepostos, aos Notariais e aos Registrais, eles poderão ingres-
sar com uma ação regressiva contra eles, mas, nessa hipótese, deve ficar evidente 
a demonstração de culpa do preposto, pois, aqui, a responsabilidade será subjetiva.
Com relação a essa responsabilidade, destacamos, que será a mesma prevista 
para os Agentes Públicos, de modo geral, na conformidade do § 6º do Artigo 37 
da Constituição Federal:
Art. 37 [...]
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado pres-
tadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, 
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso 
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
O entendimento jurisprudencial consolida essa interpretação. Para tanto, deve-
mos apreciar parte do relatório emanado pelo Ministro Marco Aurélio de Mello, em 
razão do julgamento do Recurso Extraordinário – RE 201595-SP:
RESPONSABILIDADE OBJETIVA – ESTADO – RECONHECIMENTO 
DE FIRMA – CARTÓRIO OFICIALIZADO. Responde o Estado pelos 
danos causados em razão de reconhecimento de firma considerada assi-
natura falsa. Em se tratando de atividade cartorária exercida à luz do arti-
go 236 da Constituição Federal, a responsabilidade objetiva é do notário, 
no que assume posição semelhante à das pessoas jurídicas de direito 
privado prestadoras de serviços públicos – § 6º do artigo 37 também da 
Carta da República. (RE 201595-SP, Relator(a): Min. Marco Aurélio)
Quanto à responsabilidade criminal dos notáriais e dos registradores, como já 
mencionamos, possui previsão de caráter constitucional.
Vejamos, então, como se enquadra o exercício das atividades desempenhas por 
esses agentes delegados, com relação à responsabilidade criminal, nos termos da 
Lei n. 8.935/94:
Art. 24. A responsabilidade criminal será individualizada, aplicando-se, no 
que couber, a legislação relativa aos crimes contra a administração pública.
Parágrafo único. A individualização prevista no caput não exime os notá-
rios e os oficiais de registro de sua responsabilidade civil.
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Desse modo, os Notariais e os Registrais estarão sujeitos a serem responsabiliza-
dos, pela prática de crimes, como, por exemplo, os previstos no atual Código Penal 
Brasileiro, descritos entre os Artigos 312 a 326, que tratam dos “crimes praticados 
por funcionários públicos contra a administração em geral”.
Um exemplo é o tipo penal descrito no Artigo 324, do mencionado Código Penal:
Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado
Art. 324 – Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as 
exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de 
saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso:
Pena – detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.
No tocante à responsabilidade administrativa, esta possui previsão das condutas 
que se enquadram como infrações de caráter administrativo, entre os Artigos 30 e 
31 da Lei n. 8.935/94:
• Inobservância das prescrições legais e normativas;
• Conduta atentatória às instituições notariais e de registro;
• Cobrança indevida ou excessiva de emolumentos, ainda que sob a alegação 
de urgência;
• Violação do sigilo profissional e o descumprimento de quaisquer dos deveres 
decorrentes da função.
Com relação a essas infrações, os delegatários estarão sujeitos às seguintes penas:
• Repreensão;
• Multa;
• Suspensão;
• Perda da delegação.
Em razão de a competência fiscalizatória das Atividades Notariais e Registrais 
ser do Poder Judiciário, o Processo Administrativo Disciplinar também se dará jun-
to a esse Poder, ressaltando que a responsabilidade administrativa somente atinge a 
figura dos Delegatários (Notariais e Registradores)não podendo ser imputadas aos 
prepostos que são submetidos ao regime celetista.
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
da Atividade Notarial e Registral
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Estado é responsável civilmente por erros cartorários
http://bit.ly/2AuKW6e
Serventias extrajudiciais como instrumento de pacificação social
https://bit.ly/2miI7Bf
Constituição Federal de 1988
http://bit.ly/2LUKnti
Do princípio da publicidade notarial e registral. Aspectos doutrinários e jurisprudenciais
http://bit.ly/2AquAvv
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Referências
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públicos. Disponível em: .
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UNIDADE Desenvolvimento, Princípios e Responsabilidades 
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