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Paulo Cesar

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<p>Educação e tecnologia</p><p>LUCIANA FERREIRA FURTADO DE MENDONÇA</p><p>1ª Edição</p><p>Brasília/DF - 2019</p><p>Autores</p><p>Luciana Ferreira Furtado de Mendonça</p><p>Produção</p><p>Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e</p><p>Editoração</p><p>Sumário</p><p>Organização do Livro Didático....................................................................................................................................... 4</p><p>Introdução ............................................................................................................................................................................. 6</p><p>Capítulo 1</p><p>O papel da técnica e da tecnologia na história da humanidade ................................................................. 9</p><p>Capítulo 2</p><p>Educação na Sociedadeda Informação ...............................................................................................................31</p><p>Capítulo 3</p><p>Mídia Impressa e Educação .....................................................................................................................................52</p><p>Capítulo 4</p><p>O Uso dos Recursos Audiovisuais na Educação ...............................................................................................72</p><p>Capítulo 5</p><p>O Uso dos Recursos Digitais na Educação .........................................................................................................92</p><p>Capítulo 6</p><p>Educação Aberta e a Distância ...........................................................................................................................106</p><p>Referências .......................................................................................................................................................................129</p><p>4</p><p>Organização do Livro Didático</p><p>Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e</p><p>coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros</p><p>recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também,</p><p>fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.</p><p>A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.</p><p>Atenção</p><p>Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a</p><p>síntese/conclusão do assunto abordado.</p><p>Cuidado</p><p>Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o</p><p>aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.</p><p>Importante</p><p>Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.</p><p>Observe a Lei</p><p>Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem,</p><p>a fonte primária sobre um determinado assunto.</p><p>Para refletir</p><p>Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa</p><p>e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.</p><p>É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus</p><p>sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas</p><p>conclusões.</p><p>5</p><p>ORgAnIzAçãO DO LIvRO DIDátICO</p><p>Provocação</p><p>Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes</p><p>mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor</p><p>conteudista.</p><p>Saiba mais</p><p>Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões</p><p>sobre o assunto abordado.</p><p>Sintetizando</p><p>Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o</p><p>entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.</p><p>Sugestão de estudo complementar</p><p>Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,</p><p>discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.</p><p>Posicionamento do autor</p><p>Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o</p><p>aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.</p><p>6</p><p>Introdução</p><p>“Os tempos são ‘líquidos’ porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para</p><p>durar, para ser ‘sólido’.”</p><p>(BAUMAN, 2007, p. 23).</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 1. zygmunt Bauman.</p><p>Disponível em: <https://3.bp.blogspot.com/-uinbD6FL_kI/W1Xwz3ezO4I/AAAAAAAAe7Y/</p><p>X0zY0EvOnh4sQ4Hmhg7nlmgjF8jHXa8AACLcBgAs/s1600/zygmunt%2Bbauman.png> Acesso em 3 de dezembro de 2018.</p><p>Um pouco sobre Zygmunt Bauman</p><p>Vivemos num mundo cada vez mais dinâmico, fluido e veloz. As informações estão literalmente em nossas mãos e esta</p><p>facilidade possibilita novas formas de comunicação e interação com as pessoas ao nosso redor. Redimensionamos a noção</p><p>de espaço e tempo, atualmente com todo o potencial da internet, podemos exercer diversas atividades e relações em espaços</p><p>geograficamente distantes, tais como: acessar banco (alguns não possuem mais agências físicas somente atendimento</p><p>online), estudar via ambientes virtuais de aprendizagem, participar de processos seletivos por meio de videoconferência,</p><p>entre muitas outras ações (SOARES e PERTANELLA, 2013).</p><p>Mesmo com o uso acentuado e cotidiano de diversas mídias sociais, especialmente por meio dos</p><p>smartphones e tablets, 34% dos brasileiros ainda não possuem acesso à web, dos que utilizam a</p><p>rede, a maioria é homem e reside em grandes centros urbanos de acordo com a última Pesquisa</p><p>Brasileira de Mídia (BRASIL, 2016). Percebe-se que este perfil ainda não reflete o retrato da maioria</p><p>da população brasileira, no entanto, nos ajuda a refletir sobre a importância deste tema para a</p><p>formação de um indivíduo consciente dos seus direitos e deveres.</p><p>Para Greier (2017), vivenciamos uma profunda transformação da sociedade feita por uma</p><p>comunidade intergeracional, ou seja, as relações propiciadas pelas tecnologias digitais atuais</p><p>geram novas oportunidades de trabalho, redes fluidas e novas comunidades de aprendizagem</p><p>aberta para todas as idades.</p><p>7</p><p>IntRODUçãO</p><p>Novas alternativas para educação, aprendizado não tradicionais e ambientes de</p><p>trabalho ganham impulso à medida em que mais pessoas buscam estilos de vida</p><p>alternativos (...). As pessoas começam a acreditar que são capazes de mudar a</p><p>humanidade e de acelerar a mudança. É a descolonização de um pensamento</p><p>fixo. (GREIER, 2017, p. 29-30).</p><p>Os avanços possibilitados por uma maior conectividade com pessoas, serviços e produtos, inseriu</p><p>a nossa comunidade num mundo denominado como globalizado.</p><p>Singer (2000) explica que o termo “globalização” foi utilizado pela primeira vez no final dos anos</p><p>1980, tendo como significado a ideia de unificação dos países, possibilitando a integração das</p><p>culturas mais diversas, línguas, nos trazendo o conceito de “cidadão do mundo”.</p><p>Este conceito de cidadania planetária (MORIN, 2002) reconhece laços que ligam todos os</p><p>habitantes do planeta Terra.</p><p>(...) a partir de uma consciência que reconhece que, independente da nacionalidade</p><p>e do contexto em que vivemos, estamos todos em um ‘mesmo barco’, habitando</p><p>um mesmo planeta que necessariamente precisa ser cuidado, reconhecido,</p><p>valorizado e amado. (MORAES, 2016, p. 2).</p><p>Para superarmos os desafios vigentes precisamos compreender como este cenário</p><p>contemporâneo e suas constantes inovações tecnológicas (originadas na eletrônica,</p><p>microeletrônica, telecomunicações, nanotecnologia, entre outros) estão presentes ou ausentes</p><p>nos espaços formais de aprendizagem, como os professores e a sua formação estão integrado</p><p>estas novas necessidades, entre muitas outras questões que são elencadas neste material de</p><p>estudo.</p><p>Figura 2. Questões norteadoras para o estudo da disciplina Educação e tecnologia.</p><p>Como identificar</p><p>conteúdos relevantes e</p><p>idôneos numa imensidão</p><p>de falas que surgem na</p><p>web?</p><p>O que seria uma</p><p>fonte de</p><p>informação?</p><p>fidedigna e como</p><p>identificá-la?</p><p>Como estabelecer</p><p>limites em nosso</p><p>comportamento para que</p><p>o uso dos aplicativos</p><p>favoreça a nossa vida?</p><p>O que é</p><p>nomofobia?</p><p>Existem legislações que</p><p>indicam regras de uso das</p><p>mídias e tecnologias (relações</p><p>trabalhistas, sala de aula,</p><p>entre outros)?</p><p>Fonte: Elaboração da Autora (2019).</p><p>2</p><p>Hoje em dia conseguimos visualizar, de forma concreta, as redes existentes por meio de estruturas</p><p>mais explícitas como a própria web e a telefonia móvel, em contraste com fatos históricos passados,</p><p>em que as organizações utilizavam cadeias de comandos verticalizadas e racionalizadas.</p><p>Figura 41. Exemplo do pensamento em rede por meio dos aplicativos sociais.</p><p>Fonte: Whatsrel</p><p><http://whatsrel.com.br/post/28/>.</p><p>Figura 42. Exemplo de rede web.</p><p>Fonte: Intel <https://www.google.com/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ah</p><p>UKEwiZg4OIvN3gAhVqDrkGHQN-Di8QjRx6BAgBEAU&url=http%3A%2F%2Fwww.ceara.pro.br%2Fintroducao%2FIV-</p><p>redes%2Fredes02.html&psig=AOvvaw10eMrBklu9mifmFO8IkPvm&ust=1551410281086614></p><p>Para Musacchio (2013), a maioria da população mundial já vivencia o cotidiano da sociedade</p><p>da informação e que o atual desafio é inserir os indivíduos na “sociedade do conhecimento”,</p><p>tornando-se agente participativo e colaborador nas múltiplas redes sociais, interagindo e</p><p>produzindo novos saberes, juntamente com a comunidade em que está inserido.</p><p>44</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Enfatiza que nosso principal dilema não é apenas encontrar o conteúdo, averiguar a sua validade</p><p>e fidedignidade, mas construir informações relevantes cognitivamente, elevando intelectualmente</p><p>os envolvidos.</p><p>Esta noção de “sociedade do conhecimento” começou a ser discutida na década de 1990 e, nos</p><p>anos seguintes, logo foi adotada pela Unesco e diversos autores como uma nova alternativa que</p><p>retrata de forma mais adequada as características que estamos vivenciando.</p><p>Quadro 1.. Características demarcatórias da sociedade da informação e da sociedade do conhecimento.</p><p>Sociedade da Informação Sociedade do Conhecimento</p><p>Acesso democratizado, universalizado e global à</p><p>informação por meio de recursos eletrônicos.</p><p>Produção, participação e colaboração por meio das redes</p><p>sociais</p><p>Acesso à web a diferentes páginas de informação Autorias compartilhadas</p><p>Acesso a revistas, clippings, jornais e notícias do mundo</p><p>inteiro</p><p>Construção e compartilhamento de novos conteúdos</p><p>Acesso a bibliotecas virtuais Conectividade</p><p>Fonte: Musacchio (2013).</p><p>Posicionamento do autor</p><p>Vale ressaltar que as diferenças conceituais apresentadas, defendidas por autores diferentes, demonstram a riqueza do</p><p>estudo e debate, possibilitando a você, estudante, a leitura de concepções que podem aparentar divergências, mas que</p><p>evidenciam os mesmos dilemas sociais a ser superados pelas sociedade.</p><p>Saiba mais</p><p>Caso queira aprofundar o debate, sugerimos a leitura do livro Desafios de palavras: enfoques</p><p>multiculturais sobre as sociedades da informação. Coordenado por Alain Ambrosi, Valérie Peugeot e</p><p>Daniel Pimienta, C & F Éditions, 2005.</p><p>Os dilemas da sociedade da informação</p><p>Provocação</p><p>As informações sempre nos cercaram nos mais diferentes espaços. A grande diferença, atualmente, é a acessibilidade por</p><p>meio das mídias diversas e nos sistemas existentes. Novos dilemas apontam neste novo cenário uma fluidez, ou seja, temos</p><p>acesso a informações que podem ser transformadas e modificadas em qualquer instante, mas será que somente o acesso é</p><p>suficiente para o ser humano realizar as inovações sociais que são necessárias a sua emancipação?</p><p>45</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>A indiferenciação do acesso às informações na internet em relação à identidade,</p><p>idade e formação nivela todos os usuários e provedores. Não há necessidade de</p><p>treinamento ou formação específica para acessar e manipular a informação,</p><p>ao contrário, na internet se dá a ruptura com as fontes estabelecidas do poder</p><p>intelectual e se abre o acesso e a manipulação da informação, há interação e</p><p>comunicação direta entre os autores e leitores. Abrem-se espaços também para</p><p>que todos possam ser atuores e trocar informações e conhecimento com todo o</p><p>mundo (KENSKI, 2005, p. 51).</p><p>Diante deste contexto, quais seriam os desafios de uma sociedade que possui abudantemente</p><p>acesso a informação e aos seus meios de produção? Relacionamos alguns desafios; leia-os com</p><p>atenção, insira novos comentários originados em seu processo reflexivo, nos espaços em branco:</p><p>Figura 43. Mural dos desafio.</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2019).</p><p>46</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Werthein (2000) salienta que os dilemas da sociedade da informação podem ser superados pouco</p><p>a pouco, e incluem o caráter técnico, econômico, cultural, social, legal, de natureza psicológica</p><p>e filosófica.</p><p>Autores mais pessimistas enfatizam os aspectos considerados negativos, tais como: perda de</p><p>postos de trabalho e qualificação, associados à automação das instituições e ao desemprego; de</p><p>comunicação interpessoal e coletiva, alteradas e, até mesmo, destruídas pelo uso intensivo das</p><p>tecnologias da informação e comunicação; de privacidade, em razão da exposição excessiva do</p><p>cotidiano individual e ideias ; controle da vida pessoal, seja pela comunidade profissional ou</p><p>familiar, tendo em vista o fácil acesso a dispositivos geolocalizadores e postagens de status em</p><p>redes sociais.</p><p>A contínua e acelerada transformação tecnológica ressalta a necessidade de uma sociedade</p><p>baseada no pilar “aprender a aprender”, que compreende a educação como processo contínuo</p><p>e para toda a vida.</p><p>(...) trata-se de investir na criação de competências suficientemente amplas</p><p>que lhes permitam ter uma atuação efetiva na produção de bens e serviços,</p><p>tomar decisões fundamentadas no conhecimento, operar com fluência os novos</p><p>meios e ferramentas em seu trabalho, bem como aplicar criativamente as novas</p><p>mídias, seja em usos simples e rotineiros, seja em aplicações mais sofisticadas.</p><p>(TAKAHASHI, 2001, p. 45).</p><p>Desta forma, as instituições formais de ensino precisam assumir o papel de formadores dos</p><p>cidadãos para este cenário complexo que se configura nos dias atuais. Por meio de elaboração e</p><p>implementação de políticas públicas, assegurar um espaço privilegiado à educação, propiciando</p><p>condições para o seu desenvolvimento, ampliando a sua missão e funções sociais (KENSKI, 2005).</p><p>A Importância da Educação na Sociedade da Informação</p><p>Figura 44. O saber na palma das mãos.</p><p>Fonte: <https://sabernarede.files.wordpress.com/2012/11/bsit-header.png></p><p>Uma parte importante da educação tem a ver com informação: sobre o mundo</p><p>que nos rodeia, sobre os outros e sobre nós mesmos. É certo que informação</p><p>47</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>e conhecimento não são exatamente a mesma coisa, mas tampouco se deve</p><p>exagerar tal distinção. Por um lado, o conhecimento sempre implica informação</p><p>(embora vá alem dela) (...) (TEDESCO, 2004, p. 23-24).</p><p>Sabemos que ao longo da história da humanidade a informação sempre foi escassa, muitas vezes</p><p>preservada em sigilo, sendo considerada uma ferramenta de poder, por isso poucos “privilegiados</p><p>” tinham acesso.</p><p>Em contrapartirda, atualmente, convivemos com a facilidade de acessar e adquirir diferentes</p><p>contéudos. Um exemplo interessante foi o sinalizado pela famosa Biblioteca da Univerisdade de</p><p>Harvard que levou 275 anos para reunir seu primeiro milhão de livros. Este motivo de orgulho</p><p>somente foi superado, ao realizar a última contagem, e perceber que somente nos últimos cinco</p><p>anos conseguiu atingir a aquisição de mais um milhão de livros em versões digitais e impresso.</p><p>O uso da Biblioteca Digital revolucionou o acesso a múltiplas obras literárias, especialmente as</p><p>mais recentes e atualizadas, nas universidades, e aponta que encontrar a informação não é mais</p><p>um dilema. Sendo assim, o papel atual da educação é incluir e conectar todos nesta imensa rede,</p><p>desenvolvendo suas funções cognitivas superiores, por meio de atividades que possibilitem a</p><p>solução de problemas, a selecionar, a avaliar e a interpretar o conteúdo, “ (...) evitando, assim,</p><p>que o ensino fique reduzido ao nível de destrezas elementares” (TEDESCO, 2004, p. 25).</p><p>Portanto, os espaços formais de ensino compartilham com outros meios o papel de informar. Esta</p><p>é considerada uma grande alteração no papel social e pedagógico da escola, pois há poucos anos</p><p>a rigidez dos conteúdos curriculares e a dificuldade em se ter acesso a uma ampla e atualizada</p><p>bibliografia facilitava o desempenho das funções da escola.</p><p>Figura 45. Charge sobre a produção de conhecimento.</p><p>Fonte: Estadão (2015).</p><p>48</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Como ilustrado pela charge, as múltiplas redes de informação, propiciam novas e múltiplas</p><p>possibilidades de relacionamento com o conhecimento e o aprendizado (KESNKI, 2005). A sensação</p><p>é de que somos detentores de todos os saberes devido à facilidade de acessar conteúdos variados.</p><p>Esta mudança de postura somente ocorrerá com investimento contínuo em educação, Takahashi</p><p>e colaboradores de diversas areas (2001) apontam iniciativas que devem ser amplamente</p><p>desenvolvidas para assegurar a soberania e o crescimento do nosso país diante das outras</p><p>nações que, em larga escala, aumentam significativamente a sua capacidade de inovação e,</p><p>consequentemente, solidez econômica:</p><p>» Aumento drástico e veloz do nível de alfabetização digital no País.</p><p>» Novos modelos de conectividade amplo de escolas públicas e privadas.</p><p>» Qualificação dos profissionais em nivel técnico e superior de todas as áreas das novas tecnologias.</p><p>» Aumento significativo de programas que formem especialistas nas novas tecnologias em todos os níveis.</p><p>» Uso em larga escala das novas tecnologias para a formação dos cidadãos em propostas híbridas e/ou em</p><p>educação on-line.</p><p>» Criação de laboratórios virtuais em apoio às pesquisas interdisciplinares com especialistas</p><p>geograficamente dispersos.</p><p>» Leitura e produção em multimeios a partir da inserção do tema transversal “leitura crítica e produção de</p><p>informações nos meios providos pelas tecnologias da informação e da comunicação” na educação básica.</p><p>Assim, os diversos segmentos da sociedade brasileira devem se articular e integrar para assegurar</p><p>às escolas e às universidades o acesso às tecnologias digitais, sendo essencial que já no cotidiano</p><p>educacional o ser humano possa vivenciar o uso de múltiplas mídias e aplicações em informática</p><p>como meio de aprendizado.</p><p>“Na nova realidade tecnológica, o tempo da educação é o tempo da vida” (KENSKI, 2005, p.</p><p>124). Todas estas pontuações elencadas são desafios a serem superados pelo País, em especial,</p><p>o sistema educacional. Tedesco (2004) nos ajudar a refletir :</p><p>Figura 46. Reflexões sobre as necessidades educacionais contemporâneas.</p><p>49</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Não podemos descartar que um dos papéis sociais da escola é, minimamente, preparar o indivíduo</p><p>para atuar no mercado de trabalho, ser um cidadão economicamente ativo na sociedade em que</p><p>está inserido. E para Giddens (2000), a escola auxilia o estudante ao desenvolvê-lo para ser capaz</p><p>de “construir” mundos de sentidos neste contexto de saturação de informações.</p><p>Os “mundos de sentidos” auxiliam na organização dos conteúdos acessados, especialmente aqueles</p><p>que requerem um alto grau de reflexividade: plurarismo de valores, significados conflituosos,</p><p>racionalização das tradições, secularização e déficit de socialização (TEDESCO, 2004).</p><p>São desafios adicionais ao cotidiano educacional, num universo de inúmeras possibilidades em</p><p>que nada é fixo e cada interpretação dependerá do ponto de vista do observador. Tapscott (2010)</p><p>realizou uma pesquisa com 10 mil jovens americanos, com o objetivo de entender melhor como</p><p>atuavam e percebiam a sociedade em que estavam inseridos, levantou dados sobre hábitos de</p><p>consumo e relacionamento e publicou a máxima expressão “se você entender a geração internet,</p><p>entenderá o futuro”.</p><p>Em verdade, o autor destaca aspectos geracionais relevantes para pensarmos as situações de</p><p>aprendizagem a serem oferecidas a este novo grupo. O conceito de “geração”, bem como seus</p><p>critérios e classificações, tem sido tema de estudo de sociólogos, sendo inexistente o consenso</p><p>sobre como os períodos são classificados.</p><p>Para o nosso estudo, a organização das gerações é somente para fins didáticos que visa enfatizar</p><p>as principais características de cada época. O Quadro 2 nos apresenta uma síntese, contendo</p><p>o período, principais acontecimentos e características das gerações Belle Époque (ou Geração</p><p>Tradicional), Baby Boomer, Geração X (ou Geração Baby Bust ou, ainda, Geração TV), Geração Y</p><p>(Millennials, Geração Internet ou Geração Digital) e Geração Z (ou Geração Next) (TAPSCOTT,</p><p>2010; AGUIAR e SILVA, 2013).</p><p>50</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Quadro 2. Características e Informações ds gerações Belle Époque, Baby Boomer, X, Y e z.</p><p>Fonte: Aguiar e Silva (2013).</p><p>A sociedade da informação, na qual a aprendizagem e o conhecimento ocorrem em rede, por</p><p>meio da “literacia digital” solicita a participação ativa dos indivíduos, com autoria e colaboração</p><p>constante. A atuação e leitura crítica neste novo cenário social não pode ser realizada com as</p><p>ferramentas do passado, requer novos posicionamentos e posturas que possibilitem a integração</p><p>de todos.</p><p>Desta forma, novos letramentos são necessários, o digital (que possibilita ao indivíduo um mínimo</p><p>de autonomia em relação ao uso e à manipulação das tecnologias), o visual (compreender a</p><p>navegação por meio de imagens, cores e ícones) e o informacional (identificar a fidegnidade e</p><p>validade das informaçõs encontradas na web).</p><p>Nesta nova era digital, faz-se urgente um novo aprendizado, que não seja orientado em memorização</p><p>de conteúdos. As questões postas pela sociedade da informação solicita o desenvolvimento de</p><p>novas metodologias de ensino nas quais o sujeito possa sentir-se engajado.</p><p>51</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>O momento requer de nós uma mudança de olhar, um novo posicionamento diante da pluralidade</p><p>e diversidade que o nosso futuro vislumbra.</p><p>Sintetizando</p><p>Neste capítulo vimos que:</p><p>» Na “sociedade da informação” ter acesso à informação não é suficiente, e é necessário competência para transformá-la</p><p>em conhecimento, sendo a educação continuada ao longo da vida um elemento-chave para que possamos acompanhar e</p><p>inovar diante deste novo contexto que requer posturas e adaptações.</p><p>» Neste novo paradigma da sociedade da informação a difusão de acesso às redes é uma urgência, universalizando</p><p>os serviços de informação e comunicação para todos os indivíduos, evitando a exclusão digital e a ampliação das</p><p>desigualdades sociais existentes.</p><p>» O conceito de disrupção é processual, tem como característica a ruptura com o que já existe estabelecido, trazendo novos</p><p>olhares e formas de uso.</p><p>» Sociedade da informação é uma expressão comumente usada para designar uma forma de organização social, econômica</p><p>e cultural, que tem como base, tanto material como simbólica, a informação.</p><p>» A contínua e acelarada transformação tecnológica ressalta a necessidade de uma sociedade baseada no pilar “aprender a</p><p>aprender”, que compreende a educação como processo contínuo e para toda a vida.</p><p>52</p><p>Apresentação</p><p>Entendemos por mídia todo recurso que possui som, imagem, movimento, cores</p><p>e texto. As mídias podem ser classificadas em mídias informativas, TV, vídeo, livro,</p><p>filme, revista, rádio, jornais e, mídias interativas como a internet e videogames.</p><p>(LUSTOSA e MACIEL, 2010, p. 1).</p><p>Ao longo da história da civilização percebemos estratégias diferenciadas construídas pelo ser</p><p>humano para se comunicar e interagir com os seus pares, seja face a face ou a longas distâncias.</p><p>Nas civilizações antigas era comum o uso de mensageiros para envio de recados e informações</p><p>via navio, cavalo e, até mesmo, a pé. E se hoje temos um ritmo veloz na divulgação de conteúdos</p><p>somente foi possível devido à existência da escrita.</p><p>A escrita apoia a memória humana, possibilitando o registro de histórias e mensagens importantes</p><p>para a identidade da humanidade. Todos os povos sempre usaram marcas gráficas para registrar</p><p>os acontecimentos da sociedade, mas</p><p>foi na Mesopotâmia, há 6 mil anos, que foi desenvolvida</p><p>a escrita ideográfica, progredindo até a escrita alfabética conhecida por todos nós.</p><p>Com a escrita, ultrapassamos a barreira do tempo e preservamos informações sobre os povos,</p><p>no entanto, a disseminação e popularização dos conteúdos que eram escritos somente puderam</p><p>ocorrer com a invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV.</p><p>Figura 47.</p><p>Fonte: Comunicação Dez</p><p>Disponível: <http://1.bp.blogspot.com/_u8t3nnL81_Y/S8p21SlX9LI/AAAAAAAAAIM/-5ABz0tAaR0/s1600/cris_desenhos.</p><p>jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>3CAPÍTULO</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>53</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Com o material impresso as informações podem circular de forma ágil e transpor barreiras que</p><p>não eram possíveis somente com a fala, ampliando o alcance da mensagem.</p><p>E assim, com o uso da imprensa, logo se divulgam gazetas e folhetos informativos, com conteúdos</p><p>uteis às comunidades, pasquins e outros recursos que também divulgavam notícias relacionadas</p><p>aos “mexericos” de determinados grupos sociais. Com o advento do jornalismo, no século XVII,</p><p>organizam-se jornais modernos com notícias mais confiáveis ao todo público.</p><p>Atualmente, mesmo com o uso intensivo da web, por meio das mídias sociais e aplicativos</p><p>diferenciados, ainda percebemos a presença da mídia impressa. Ainda com o crescimento dos</p><p>recursos digitais ainda se faz presentes estes recursos impressos para comunicação tais como:</p><p>panfletos, jornais, revistas, livros, entre outros.</p><p>No cotidiano educacional a mídia impressa é um recurso muito utilizado, da educação infantil à</p><p>Universidade, com estratégias diferenciadas se faz presente este recurso rico para o desenvolvimento</p><p>das atividades pedagógicas. Na Educação Infantil ao Ensino Médio a mídia impressa está</p><p>presente por meio dos livros didáticos e paradidáticos, como fonte de pesquisas e informação.</p><p>E na Universidade, mesmo com a disponibilização de textos em formatos digitais, nota-se que</p><p>os jovens e adultos recorrem a impressão dos documentos para a realização dos seus estudos.</p><p>Figura 48. Exemplos de materiais impressos utilizados no cotidiano escolar.</p><p>Fonte: <http://blog.pama.ind.br/wp-content/uploads/2017/01/Encarte-com-Dobra-670x670.jpg></p><p><http://www.blogdofurao.com/blog/wp-content/uploads/2017/03/jornais-5-1.jpg></p><p><http://s3.amazonaws.com/libapps/accounts/115343/images/revistas-cientificas-papel.jpg></p><p><http://1.bp.blogspot.com/-6ewUk6dY9kI/VdNqFhlPrYI/AAAAAAAAMks/8fw4l7SXUaU/s1600/img-brasiliana.png></p><p>54</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Cada época histórica possui determinada ecologia comunicacional que contribui decisivamente</p><p>na estruturação das relações do ser humano com o mundo. Silva e Conceição (2013) destacam</p><p>que o predomínio de uma tecnologia sobre a outra não se realiza num mero ato de substituição</p><p>e, neste capítulo, observaremos a importância da integração dos recursos disponíveis existentes</p><p>para potencializar o processo de ensino e aprendizado numa perspectiva de emancipação social</p><p>e vivência plena da cidadania na sociedade da informação.</p><p>Nesta unidade de estudo conheceremos o percurso histórico da escrita e a importância deste</p><p>desenrolar para compreendermos o significado do texto escrito impresso para a nossa civilização.</p><p>Você conhecerá a multiplicidade de recursos impressos existentes no cotidiano educacional,</p><p>refletindo sobre o seu uso na prática de ensino e na formação do leitor.</p><p>Para melhor compreendermos o significado dos materiais impressos para as práticas pedagógicas,</p><p>nossa leitura está organizada em duas partes que se complementam: no primeiro momento</p><p>histórico, narrando as fases da evolução da escrita até a abordagem dos textos digitais, enfatizando</p><p>suas diferentes formas e meios de apresentação; no segundo momento conheceremos os múltiplos</p><p>materiais impressos existentes e disponíveis aos educadores nos diferentes níveis de ensino,</p><p>destacando a sua importância para o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Conhecer o histórico da escrita, dos manuscritos até os textos digitais.</p><p>» Identificar o material impresso como ferramenta pedagógica no cotidiano educacional.</p><p>» Caracterizar os recursos impressos presentes na prática pedagógica, analisando suas</p><p>possibilidades de uso para potencializar o aprendizado do estudante.</p><p>» Compreender a relevância do texto escrito, no formato impresso e multimidiático, para</p><p>a formação do leitor.</p><p>Importância do material impresso no contexto educacional</p><p>A discussão sobre a importância do material impresso no dia a dia escolar e suas diferentes</p><p>possibilidades de uso na prática pedagógica envolve o conhecimento da evolução da linguagem</p><p>humana com destaque para os tipos de registros que as antigas civilizações utilizavam como</p><p>recurso para comunicação e interação. Este processo é permeado pela história da escrita e da</p><p>leitura, da invenção da imprensa por Gutenberg e, atualmente, a hipertextualidade presente nos</p><p>textos em formato digital.</p><p>55</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Evolução da escrita: da pictografia aos textos digitais</p><p>Figura 49. Escrita cuneiforme.</p><p>Fonte: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/TEJFKCO3wAI/AAAAAAAAFok/FpKXf5sEFAQ/s1600/</p><p>untitled.bmp>. Acesso em 12 de fevereiro de 2019.</p><p>Os primeiros registros da escrita foram realizados por meio de desenhos, ficando conhecidos como</p><p>pictografia. Eram tabuletas de argila com registros contábeis difíceis de serem decifrados. Seu</p><p>sistema era complexo e envolvia milhares de sinais, dificultando a compreensão da mensagem. Por</p><p>ser uma árdua tarefa desenhar em grandes blocos de argila e paredes, os escribas da Mesopotâmia</p><p>quebravam as argilas em tabletes menores, também escreviam em pedras e outros materiais,</p><p>com um pedaço de madeira ou com a ponta de um prego. Assim surge a escrita cuneiforme, no</p><p>formato de cunha, com aproximadamente 600 símbolos, organizados de cima para baixo e da</p><p>direita para a esquerda.</p><p>Figura 50. Escrita ideográfica – Hieróglifos egípcios.</p><p>Fonte: <http://www.plataformadoletramento.org.br/arquivo_upload/27a0eaef667a42e6c4eb092d92126ec7.jpg>.</p><p>Acesso em 18 de fevereiro de 2019.</p><p>Com o passar dos anos, a escrita cuneiforme evoluiu para a ideográfica, que usava como recurso</p><p>uma imagem ou figura, representando uma ideia, assim os leitores precisavam compreender o</p><p>contexto em que estavam inseridos para decodificação da mensagem. Temos vários exemplos de</p><p>escritas ideográficas, tais como: os hieróglifos egípcios, as escritas suméricas, minoicas e chinesa.</p><p>A concepção da escrita alfabética surgiu a partir da convenção dos ideogramas, assumindo, com</p><p>o passar do tempo, uma função fonográfica, depois de seguidas transformações. No entanto,</p><p>antes da sua configuração por fonema, existia o silabário, formado por um conjunto de sinais</p><p>específicos representados por uma sílaba. Mas foi a adaptação realizada pelos gregos que</p><p>56</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>possibilitou o sistema de escrita alfabético. O sistema que utilizamos atualmente é o resultado</p><p>de uma ressignificação desta adaptação realizada anteriormente pelos romanos, originando o</p><p>sistema alfabético greco-romano.</p><p>Kenski ressalta que todo este caminho histórico somente foi possível quando o indivíduo deixou</p><p>de ser nômade, permanecendo em determinado espaço, construindo uma nova história com a</p><p>prática da agricultura.</p><p>Segundo um autor francês, Pierre Lévy, a própria origem da palavra página viria</p><p>de pagus, o campo arado e preparado para o plantio. A disposição das linhas na</p><p>página estaria também ligada à simetria do campo cultivado. (KENSKI, 2007, p. 29).</p><p>Como vimos acima, historicamente, diversos materiais foram utilizados para a realização dos</p><p>primeiros registros gráficos, incluindo o papiro, criado pelos egípcios. Neste último são encontradas</p><p>anotações funerárias, documentos legais e administrativos, textos literários e informativos sobre a</p><p>vida do antigo Egito. Diferente do pergaminho, um artigo caro e feito</p><p>de pele de ovelha, utilizado</p><p>somente por nobres para registro de suas posses (KENSKI, 2005).</p><p>Figura 51. Pergaminho.</p><p>Fonte: Iped</p><p>Disponível em: <https://www.iped.com.br/_upload/content/2014/11/03/antigo-testamento.jpg></p><p>Acesso em 15 de abril de 2019</p><p>Figura 52. Papiro.</p><p>Fonte: Bibliateca</p><p><http://bibliateca.com.br/site/images/img/Biblia-Corpo/_corpo-Biblia-Papiro-bodmer2.jpg></p><p>Há dois mil anos, a partir da cortiça da amoreira, os chineses inventaram o papel; foi somente</p><p>no século XIII que este monopólio foi rompido, a partir da produção deste artigo por países</p><p>57</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Europeu. A fabricação de papel, neste novo continente, estimulou a escrita e a impressão de</p><p>livros, no entanto, sua disseminação só foi possível com a “invenção de um molde de composição</p><p>tipográfica para confeccionar tipos móveis em metal. Era a descoberta de uma nova tecnologia</p><p>de impressão gráfica que iria revolucionar a cultura e os costumes desde então” (KENSKI, 2007,</p><p>p. 30).</p><p>A tecnologia da escrita possibilitou autonomia à informação, democratizando o acesso a diversos</p><p>conteúdos, por outro lado excluindo aqueles que não entendem e dominam estas representações</p><p>alfabéticas. Desta forma, com o suporte essencial da escrita, os livros tornam-se um marco para</p><p>a história da nossa sociedade, sendo um grande meio de se difundir o conhecimento.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 53. Cartazes do filme O Nome da Rosa.</p><p>Fonte: Adorocinema</p><p>Disponíveis em: <http://br.web.img3.acsta.net/c_215_290/</p><p>medias/nmedia/18/90/19/35/20085225.jpg></p><p>Figura 54. Cartaz do documentário “Martinho Lutero”.</p><p>Fonte: Cultetc</p><p>Disponíveis em: <https://i0.wp.com/cultetc.com/wp-</p><p>content/uploads/2017/12/MARtIn-LUtHER_-tHE-IDEA-</p><p>tHAt-CHAngE-tHE-WORLD.jpg?resize=567%2C319></p><p>O filme O nome da Rosa narra a dinâmica histórica da Idade Média e seus principais conflitos. Já o documentário sobre</p><p>Martinho Lutero reconta a história do reformista e suas 95 teses, ambas as produções destacam o controle do Estado e da</p><p>Igreja e o papel do material impresso.</p><p>O material impresso atualmente ganhou uma característica fluida e dinâmica com o advento e</p><p>uso da internet,</p><p>a tecnologia digital rompe com as narrativas circulares e repetidas da oralidade</p><p>e com o encaminhamento contínuo e sequencial da escrita e se apresenta como</p><p>um fenômeno descontínuo, fragmentado e, ao mesmo tempo, aberto e veloz</p><p>(KENSKI, 2008, p. 32).</p><p>O formato digital possibilita uma nova linguagem, sem uma estrutura hierárquica rígida, pois</p><p>caberá ao leitor estabelecer o caminho a ser realizado no processo de leitura num tempo e espaço</p><p>diferenciado.</p><p>58</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Atenção</p><p>Hipertexto e Hipermídia</p><p>Hipertexto</p><p>texto no formato digital composto</p><p>por outros links que nos levam a</p><p>novas leituras, num formato não</p><p>linear, cabendo ao autor a escolha dos</p><p>caminhos possíveis para a navegação.</p><p>Hipermídia</p><p>texto no formato digital integrado</p><p>a outras mídias (imagens, vídeos,</p><p>infográficos, jogos, sons, entre outros).</p><p>Silva e Conceição (2013) destacam que a tecnologia é uma das variáveis utilizadas para compreender</p><p>a evolução sociocultural de cada sociedade, contribuindo para a estruturação da ecologia</p><p>comunicacional de cada época. Entende-se como “ecologia comunicacional” uma teia de</p><p>vínculos repleta de riquezas e potencialidades que envolvem o corpo, os sentidos, a comunicação</p><p>presencial e eletrônica (MENEZES, 2015).</p><p>Figura 55. Linha do tempo e desenvolvimento das ecologias comunicativas.</p><p>Fonte: Revista Época (2011).</p><p>Ao analisar a linha do tempo, pode-se pontuar a existência de cinco ecologias da comunicação,</p><p>sendo elas: interpessoal, elite, massa, individual e ambiente virtual. Cada ecologia influenciou</p><p>no modo de o indivíduo se relacionar com o mundo ao seu redor, provocando transformações</p><p>no que chamamos de sistema sociocultural (educativo, econômico, político, social, religioso,</p><p>cultural, entre outros). Desta forma, podemos reler a linha do tempo acrescentando uma nova</p><p>59</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>perspectiva, levando em consideração como nos relacionamos ao longo do tempo com as</p><p>tecnologias em destaque:</p><p>Quadro 3. Desenvolvimento das ecologias comunicativas e tecnologias demarcatórias.</p><p>Fonte: Silva e Conceição (2013).</p><p>Vale observar no quadro o tempo histórico entre a passagem de uma “ecologia comunicativa”</p><p>para a outra; ressaltando a tecnologia marcante de cada era, nota-se a natureza e a forma de</p><p>se relacionar com a “massa”, de um para muitos, dos materiais impressos e sua permanente</p><p>presença nos dias atuais.</p><p>Assim, mesmo com o uso intenso dos meios digitais na sociedade em que estamos inseridos, a</p><p>mídia impressa continua sendo uma presença marcante e constante nos cenários educacionais,</p><p>contribuindo significativamente para o aprendizado dos estudantes.</p><p>Materiais impressos como ferramenta pedagógica</p><p>No contexto educacional brasileiro, os materiais impressos são ferramentas tradicionais e</p><p>amplamente utilizadas pelos professores, em consonância com as políticas públicas educacionais</p><p>desenvolvidas e implementadas pelo Ministério da Educação.</p><p>Assim, as diferentes formas de uso do material impresso, que ainda se configura como o recurso</p><p>de mais fácil acesso no universo escolar, contribuem para o desenvolvimento das habilidades</p><p>que envolvem a interpretação, a criatividade, o uso social da linguagem, o estímulo às múltiplas</p><p>inteligências e o incentivo à leitura.</p><p>A construção de jornais, a formação de rodas de leituras, a partilha da leitura com os colegas e</p><p>familiares, a pesquisa de livros na biblioteca, entre outras atividades, amplia a leitura de mundo</p><p>dos estudantes (GREIER, 2017). Ferreira e Oliveira (2004, p. 6) destacam que</p><p>O desenvolvimento pedagógico e os meios utilizados para uma aprendizagem</p><p>significativa são pontos de partida para formar indivíduos leitores, contadores de</p><p>histórias, escritores (...) através da interação com o mundo e de mídias impressas.</p><p>60</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Figura 56. Os principais materiais impressos utilizados no cotidiano pedagógico.</p><p>Revistas</p><p>Quadrinhos</p><p>Enciclopédias</p><p>Livros</p><p>Didáticos</p><p>Dicionários</p><p>Livros</p><p>Paradidáticos</p><p>Jornais</p><p>Propaganda</p><p>Mapas</p><p>Cordel</p><p>Impressos</p><p>Escolares</p><p>Materiais</p><p>Impressos</p><p>na</p><p>Educação</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2019).</p><p>Moran, Masetto e Behrens (2007) destacam que a aprendizagem integradora deve unir a teoria</p><p>com a prática, aproximando o pensar do viver. Assim conhecemos e aprendemos melhor ao</p><p>conectar todas as dimensões da realidade, por meio de variadas fontes e recursos. Assim, listamos</p><p>os materiais impressos mais utilizados no cotidiano pedagógico: jornais, livros paradidáticos e</p><p>didáticos, impressos escolares, mapas, cordel, enciclopédias, quadrinhos, revistas, propagandas,</p><p>revistas, cordel, entre outros.</p><p>Os livros didáticos são materiais impressos tradicionais e institucionalizados na maioria dos</p><p>espaços formais de ensino, expressam o resultado das ciências e os valores de determinada</p><p>sociedade. Muitos avanços podem ser percebidos, no Brasil, em relação à adoção dos livros</p><p>didáticos:</p><p>» Até a metade do século, a maioria dos livros didáticos, era produzida por autores</p><p>estrangeiros, destacando realidades, repertórios culturais e vocabulares bem divergentes</p><p>ao nosso país.</p><p>» Até a década de 1960, o vocabulário dos livros era demasiadamente acadêmico, sendo</p><p>mais um desafio à compreensão do conteúdo.</p><p>» A partir da década de 1970, com a democratização do acesso ao ensino público, o livro</p><p>didático é distribuído gratuitamente nas escolas, tornando-se o foco nos processos de</p><p>ensino e aprendizagem.</p><p>61</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>» Na década de 1990, o Ministério da Educação cria o Programa Nacional do Livro Didático,</p><p>ainda vigente, com o objetivo de avaliar os livros existentes no mercado editorial brasileiro,</p><p>respeitando as diversidades regionais e estabelecendo critérios de qualidade.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 57. Programa nacional do Livro</p><p>Didático.</p><p>O Programa Nacional do Livro Didático é destinado a avaliar e disponibilizar obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre</p><p>outros materiais de apoio à prática educativa sistemática, regular e gratuita nas escolas públicas de educação básica das</p><p>redes federal, estaduais, municipais e distrital e, também, às instituições de educação infantil comunitárias, confessionais ou</p><p>filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o Poder Público.</p><p>Saiba mais acessando o site do MEC. Disponível em:</p><p><http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=12391:pnld></p><p>Figura 58. Livro Paradidático.</p><p>Fonte: <https://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=3070031&qld=90&l=430</p><p>&a=-1=1000215943></p><p>Acesso em 13 de fevereiro de 2019.</p><p>Os livros paradidáticos têm como função o aprofundamento conceitual por meio da apresentação</p><p>de textos com linguagens diferenciadas, bem como o incentivo à leitura. De acordo com os</p><p>Parâmetros Nacionais Curriculares (1998), estes livros cumprem o papel de oportunizar o</p><p>desenvolvimento de valores como: empatia, bondade, amizade, entre outros.</p><p>62</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 59.</p><p>Atualmente, existem inúmeros aplicativos para tablets e smartphones produzidos pelas próprias editoras com o objetivo de</p><p>ampliar a interatividade com o texto, inserindo recursos multimidiáticos (vídeos, jogos, imagens animadas, entre outros).</p><p>Figura 60.</p><p>Fonte: <https://cultura.estadao.com.br/blogs/curiocidade/wp-content/uploads/sites/520/2012/03/barsa-2012.jpg>.</p><p>Acesso em 20 de fevereiro de 2019.</p><p>O uso de enciclopédias também não é recente. Enciclopédias configuram-se como obras que</p><p>reúnem assuntos variados de maneira sistemática, organizadas em verbetes por ordem alfabética,</p><p>sendo utilizadas principalmente como fonte de pesquisa. Com o constante uso da web seu</p><p>conceito foi ampliado; temos como exemplo a Wikipedia, com uma pluralidade de temas, que</p><p>possibilita que qualquer indivíduo contribua inserindo novos temas, editando e revisando os</p><p>textos já publicados, sendo um conteúdo aberto e gratuito.</p><p>Saiba mais</p><p>Wikipedia</p><p>A Wikipédia é um projeto de enciclopédia colaborativa, universal e</p><p>multilíngue estabelecido na internet sob o princípio wiki. Tem como</p><p>propósito fornecer um conteúdo livre, objetivo e verificável, que todos</p><p>possam editar e melhorar.</p><p>Figura 61.</p><p>Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/</p><p>commons/thumb/7/7f/Wikipedia-logo-v2-pt.</p><p>svg/1200px-Wikipedia-logo-v2-pt.svg.png></p><p>63</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Os jornais constituem-se como um material impresso rico em</p><p>possibilidades de uso, tendo em vista a riqueza e diversidade</p><p>de assuntos e tipos de linguagens abordados. Como ferramenta</p><p>pedagógica, permite desenvolver com os estudantes as funções e</p><p>organização do texto jornalístico, bem como a capacidade de síntese</p><p>e objetividade. Sua linguagem informativa aproxima os indivíduos</p><p>do cotidiano social, propicia a organização de trabalhos em grupos</p><p>e domínio de diversas habilidades (editor de texto, diagramação,</p><p>pesquisas, entre outras).</p><p>Saiba mais</p><p>Na web podemos encontrar versões digitais do jornal impresso com informações interativas (vídeos, gráficos, fóruns, entre</p><p>outros) e aplicativos que agrupam as notícias, bem como diversos jornais, por tópicos de interesse (Flipboard, PlayBanca,</p><p>Press, Reader, entre outros).</p><p>Figura 63. Folheto de Propaganda.</p><p>Fonte: Rede Show</p><p>Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_XinG8EDBPbM/TUararxGZOI/AAAAAAAAAC8/lOKpRCjOOgU/s1600/folheto+31-</p><p>01+a+05-02-01.jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>Os folhetos, flyers são materiais de propaganda, muitas vezes é o universo escrito mais próximo</p><p>à realidade da maioria dos brasileiros, sendo distribuído de forma gratuita e com papel bem</p><p>definido. Pode ser um instrumento rico de possibilidades de aprendizagem que possibilita desde</p><p>a criação de novas peças publicitárias, como uso para pesquisa e recorte, análise das mensagens</p><p>contidas e debates sobre suas abordagens e produtos anunciados.</p><p>Figura 62.</p><p>64</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Figura 64. gibis.</p><p>Fonte: Abril (2001).</p><p>Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-BtQIo3W_kik/vjI3ogzoF4I/AAAAAAAAPwA/pQXHXU7YzzU/s1600/_</p><p>CHtM_49_%25282%2529.jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>Como um gênero da literatura, a história em quadrinhos</p><p>é, ao mesmo tempo, icônica e verbal, com linguagem</p><p>acessível a todos os públicos e níveis de ensino,</p><p>apresentando estratégias variadas para o seu uso no</p><p>cotidiano escolar: construção de histórias, vinhetas,</p><p>diálogos, imagens, diagramação, construção de figuras</p><p>e cenários, onomatopeias e sons. Já nos HQ, a partir</p><p>da observação das imagens, o estudante pode criar ou</p><p>deduzir o enredo da história.</p><p>Figura 65. Cordel.</p><p>Fonte: tudo sobre o cangaço</p><p>Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_LmI5dYBWwiI/SP9DDWE3rqI/AAAAAAAAAFk/f9hjjppHW9A/s320/Canga%25C3</p><p>%25A7o%2BUm%2Bmovimento%2Bsocial.jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>Saiba mais</p><p>Temos inúmeras possibilidades de criar</p><p>histórias em quadrinhos e, atualmente,</p><p>existem softwares e aplicativos gratuitos que</p><p>facilitam a diagramação, design e animação</p><p>das histórias (Pixton, Go Animate, no</p><p>próximo site das editoras são disponibilizados</p><p>ferramentas gratuitas para a recriação das</p><p>narrativas dos Gibis e HQ).</p><p>65</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>A literatura de cordel, conhecida em nosso país como literatura popular em verso, configura-se</p><p>num gênero literário no formato rimado. Originalmente, era popularizado oralmente e, depois,</p><p>registrado em folhetos simples. Chama-se cordel, pois no início da sua divulgação, os folhetos</p><p>eram apresentados para venda em cordas ou barbantes, primeiramente, em Portugal. Atualmente,</p><p>é reconhecido como uma tradição do Nordeste brasileiro, que costuma imprimir xilogravuras</p><p>para a representação gráfica dos textos compostos por estrofes de 10, 8 ou 6 versos. O uso do</p><p>cordel possibilita a aproximação com a cultura nordestina, incentiva um olhar crítico, poético e</p><p>rimado da sociedade, valoriza a espontaneidade e o trabalho artesanal por meio da construção</p><p>das xilogravuras.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 66. Aplicativo “Cordel Encantado”.</p><p>Fonte: O globo (2014).</p><p>Disponível em: <https://s2.glbimg.com/I8Jm7IIOUlZx5CtZ20T95DZAK_E=/0x600/s.glbimg.com/po/tt2/f/original/2014/09/11/</p><p>5a60700c012ecdd7123139171260.jpeg> Acesso em 03 de dezembro de 2018.</p><p>Na internet podemos encontrar diversos cordéis para ler e ouvir. Também podemos criar o nosso próprio “cordel” com</p><p>suporte do aplicativo “Cordel Encantado”.</p><p>Figura 67. Revista.</p><p>Fonte: Abril (2017).</p><p>Disponível em: <https://2.bp.blogspot.com/-jHH7hV7SKQs/WTA5INX9LLI/</p><p>AAAAAAAAMuI/igKarNAVfI0DzfQQhvri3_ZEQSsGZCsXgCLcB/s1600/</p><p>images%2B%25281%2529.jpg>. Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>Revistas, sejam impressas ou</p><p>on-line, facilitam o acesso dos</p><p>estudantes às noticiais, tal como</p><p>o jornal, sendo que o uso do</p><p>material disponível na web pode</p><p>facilitar a pesquisa histórica, bem</p><p>como comparativa de diferentes</p><p>assuntos.</p><p>66</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Os mapas são a representação espacial, muito utilizada pela Geografia, estimulando as operações</p><p>mentais em três níveis: localização e análise, correlação e síntese. Para interpretar um mapa</p><p>é preciso compreender que este recurso representa fenômenos e lugares por meio do uso de</p><p>noções cartográficas como: localização, escala, identificação e a temática representada (GERON</p><p>& FRANSCISCHETT, 2016). De acordo com os PCNs (1998), com o mapa, o indivíduo aprende</p><p>referências e simbologia, essenciais para a representação do meio geográfico, destacando duas</p><p>funções: localização dos fatos e apresentação das informações quantitativas e qualitativas.</p><p>Os recursos apontados acima são os meios em que se</p><p>legitima o “saber científico”. Estes diferentes suportes</p><p>midiáticos (revistas, jornais, mapas, entre outros)</p><p>“refletem o momento político e econômico vivido em</p><p>um determinado contexto social. Esse contexto define</p><p>os conhecimentos que são</p><p>úteis e necessários em cada e</p><p>época” (KENSKI, 2003, p. 58). Os saberes são organizados</p><p>pelos currículos, projetos e programas pedagógicos, viabilizando o seu desenvolvimento nas</p><p>disciplinas e atividades educacionais.</p><p>Para Veen e Vrakking (2006), o atual desafio é ensinar por meio do uso destes recursos impressos,</p><p>tornando-o o aprendizado instigante, para uma nova geração que desde muito cedo aprendeu</p><p>que existem múltiplas fontes de informação, que atua numa cultura cibernética global com base</p><p>na multimídia.</p><p>A diferença entre o homo zapiens e você é que você funciona linearmente, lendo</p><p>primeiro as instruções, usando o papel, e depois começa a jogar, descobrindo</p><p>as coisas por conta própria quando há problemas. O homo zapiens não usa a</p><p>linearidade, ele primeiro começa a jogar e, depois, caso encontre problemas, liga</p><p>para um amigo, busca informações na internet ou envia uma mensagem para</p><p>um fórum. Em vez de trabalhar sozinho, eles usam redes humanas e técnicas</p><p>quando precisam de respostas instantâneas. (VEEN & VRAKKING, 2006, p. 31-32).</p><p>Eis a razão de este novo grupo ser conhecido como a “geração instantânea”, tornando a informação</p><p>parte da sua vida juntamente com as tecnologias digitais. Neste contexto, o papel da leitura</p><p>é reorientado, ou seja, se transforma historicamente. Atualmente, não se exige a leitura das</p><p>enciclopédias ou densos compêndios repletos de erudição, sendo necessário o investimento da</p><p>formação de leitores “por diversos caminhos e linguagens” (KENSKI, 2008 p. 62).</p><p>Relevância da leitura na formação escolar</p><p>Na sociedade da informação, saber ler e escrever são necessidades essenciais para a atuação do</p><p>indivíduo, sendo considerada uma habilidade que define a cidadania e criticidade diante do</p><p>mundo que nos cerca.</p><p>Saiba mais</p><p>Com o suporte da internet, o uso dos mapas</p><p>pode ser vivenciado num novo meio e com</p><p>visualizações diferenciadas (Google Maps,</p><p>Tom Tom GO, Here Maps, entre outros)</p><p>67</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Ao longo da história, a leitura sempre esteve associada à escrita. Com o advento da cultura</p><p>impressa, amplia-se o número de pessoas alfabetizadas, saber ler torna-se uma forma de destaque</p><p>e promoção para espaços mais privilegiados.</p><p>Aqueles que sabem ler, que compreendem e interpretam o que leem, acabam</p><p>adquirindo prestigio, ocupando espaços privilegiados em nossa sociedade,</p><p>utilizando a leitura para atingir seus propósitos: melhores postos de trabalho e</p><p>melhor formação acadêmica, por exemplo. Em síntese, conquistam os melhores</p><p>empregos e acabam usufruindo de melhor qualidade de vida. (SCHWARZBOLD,</p><p>2011, p. 11-12)</p><p>A capacidade de interpretar um texto, independente do meio em que ele se apresenta, é um</p><p>importante instrumento de poder, possibilitando que o indivíduo tenha voz, que a partir das suas</p><p>reflexões possa formar novas percepções diante das questões que são apresentadas no mundo</p><p>(SOARES, 1998). Em contrapartida, aquele que não sabe ler ou tem dificuldade em construir sua</p><p>própria opinião acerca as leituras disponíveis e acessíveis estabelece uma relação de dependência</p><p>com outras pessoas, pois continuará necessitando de suporte para compreender a dinâmica</p><p>social de modo autônomo.</p><p>Leitura se refere a amplos e diferentes processos expressivos que envolvem o ser humano, não</p><p>se restringindo somente a textos escritos, envolvendo gestos, símbolos, imagens, entre outros.</p><p>Como já dizia Paulo Freire (1983, p. 11) “a leitura de mundo precede a leitura de palavra”, portanto,</p><p>o ato de ler é considerado uma ação complexa que envolve múltiplas produções de sentidos e</p><p>requer do leitor interação com o texto.</p><p>Isso significa que todo esse processo refere-se à produção de significados ou que popularmente</p><p>costumamos afirmar “há muita diferença do que eu digo para aquilo que você interpreta”, pois,</p><p>ao ler um texto, a construção dos sentidos dependerá de todo o repertório de informações que</p><p>adquirimos ao longo da nossa vida.</p><p>Figura 68. Charge sobre a taxa de escolarização dos brasileiros.</p><p>Fonte: Educação em Luta Blog</p><p>Disponível: <http://3.bp.blogspot.com/-m8s1tLqB2ok/UDIntQ8Xx_I/AAAAAAAAATI/ERhIRGb8crk/s1600/escolarizacao.jpg></p><p>Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>68</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Percebe-se que o ato de ler não é puramente mecânico, podemos ler o mesmo texto e a partir</p><p>dele atribuir divergentes significados, pois não é uma mera decodificação de símbolos. Assim,</p><p>a leitura é compreendida como uma prática social, se estabelecendo como um precioso recurso</p><p>que promove e instiga a prática reflexiva no sujeito, ampliando seu sistema de crenças e valores.</p><p>Provocação</p><p>E como podemos definir ou até mesmo identificar se estamos produzindo novos sentidos ao realizar a leitura? O que é</p><p>“atribuir sentido”? Como podemos aprimorar a nossa competência leitora?</p><p>Para pensar nestas questões, leia a história a seguir.</p><p>Figura 69. História Pinguim e o nada.</p><p>Fonte: <https://i.pinimg.com/originals/93/9f/5e/939f5e89bfec62ae69ecf12f63795cc4.jpg></p><p>Histórias em quadrinhos são textos literários, muitas vezes considerados como entretenimento.</p><p>Diversos elementos devem ser considerados na “leitura” da história: imagens, cores, fontes das</p><p>letras, entre outras características que auxiliam a interpretação do leitor. Corriqueiramente,</p><p>utilizam balões de diálogos para que possamos compreender o sentido e a entonação a ser dada</p><p>para cada frase que está sendo apresentada.</p><p>69</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Na história acima temos vários elementos que nos levam à reflexão, e estes interferem diretamente</p><p>em como compreendemos a mensagem. Para Leffa (1999, p. 24-27) este processo de relacionar</p><p>o discurso em destaque com as imagens e o contexto em que está inserido o texto, faz parte do</p><p>processo de leitura com “atribuição de sentido”. Veja alguns pressupostos destacados pelo autor</p><p>que salienta como ocorre:</p><p>» Ler consiste em usar estratégias: cada tipo de leitura exige, por parte do leitor, uma</p><p>prática diferente.</p><p>» Ler depende mais de informações não visuais do que visuais: a memória do leitor</p><p>comanda sua leitura.</p><p>» O conhecimento prévio está organizado em esquemas: esses possibilitam que o cérebro</p><p>organize as experiências vividas e as acione sempre que necessário.</p><p>» Ler é prever: a leitura só́ é possível porque o leitor usa seu conhecimento prévio para</p><p>direcionar a trajetória da leitura.</p><p>» Ler é conhecer as convenções da escrita: o leitor precisa conhecer e dominar as</p><p>convenções da escrita (símbolos, códigos, sistemas, relações) para compreender de</p><p>maneira eficiente o texto lido.</p><p>Portanto, não existem respostas “prontas”, ampliando o desenvolvimento formal da competência</p><p>leitora a todas as disciplinas e níveis de ensino, num constante aprimoramento, como já nos</p><p>apontam os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998).</p><p>Desta forma, chamamos de “competência leitora” a capacidade/habilidade que o indivíduo</p><p>possui de compreender textos escritos, atribuindo sentidos por meio de reflexão pessoal, tendo</p><p>como objetivo o seu desenvolvimento cognitivo, potencial pessoal e atuação autoral na sociedade</p><p>(GALLART, 2006).</p><p>Saiba mais</p><p>Aproveite para aprofundar seus estudos sobre competência leitora e escritora, conhecendo estratégias e experiências bem-</p><p>sucedidas no contexto brasileiro, lendo o texto resultado de um congresso de formação de professores Desenvolvimento da</p><p>Competência leitora e escritora. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/vol2a.pdf></p><p>A “competência leitora” não se configura numa técnica mesmo que requeira do leitor o</p><p>estabelecimento de estratégias para a realização da leitura indicada.</p><p>70</p><p>CAPÍTULO 3 • MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO</p><p>Figura 70. Estratégias para a melhoria da leitura.</p><p>Fonte: <https://i.pinimg.com/originals/48/7e/1e/487e1e422c61f71a8598ab5583a68202.png></p><p>Acesso em 22 de fevereiro de 2019.</p><p>As relações de poder que emergem no contexto da sociedade atual, a partir dos recursos e</p><p>ferramentas tecnológicas, nos trazem um novo posicionamento diante</p><p>da importância da formação</p><p>do leitor. O texto, agora configurado em bites, tem um caráter não linear, multimidiático, repleto de</p><p>links que permitem a navegação e leitura por novos caminhos, novas mensagens (RAMAL, 2000).</p><p>Esta polifonia, múltiplas vozes, compostas num novo ritmo em que é formado o texto digital,</p><p>integra autores, leitores e textos. O que exige um comportamento diferenciado diante a leitura,</p><p>em substituição aos sistemas fixos de interpretação, para um modelo em rede, nós, multilinear.</p><p>71</p><p>MÍDIA IMPRESSA E EDUCAçãO • CAPÍTULO 3</p><p>Sintetizando</p><p>Vimos até agora:</p><p>» A escrita apoia a memória humana, possibilitando o registro de histórias e mensagens importantes para a identidade da</p><p>humanidade.</p><p>» A tecnologia da escrita possibilitou autonomia à informação, democratizando o acesso a diversos conteúdos, por outro</p><p>lado excluindo aqueles que não entendem e dominam estas representações alfabéticas.</p><p>» Desta forma, com o suporte essencial da escrita, os livros tornam-se um marco para a história da nossa sociedade, sendo</p><p>um grande meio de se difundir o conhecimento.</p><p>» A tecnologia é uma das variáveis utilizadas para compreender a evolução sociocultural de cada sociedade, contribuindo</p><p>para a estruturação da ecologia comunicacional de cada época.</p><p>» A mídia impressa continua sendo uma presença marcante e constante nos cenários educacionais, contribuindo</p><p>significativamente para o aprendizado dos estudantes.</p><p>» No contexto educacional brasileiro, os materiais impressos são ferramentas tradicionais e amplamente utilizadas pelos</p><p>professores, em consonância com as políticas públicas educacionais desenvolvidas e implementadas pelo Ministério da</p><p>Educação.</p><p>» Na sociedade da informação, saber ler e escrever são necessidades essenciais para a atuação do indivíduo, sendo</p><p>considerada uma habilidade que define a cidadania e criticidade diante do mundo que nos cerca.</p><p>» A capacidade de interpretar um texto, independente do meio em que ele se apresenta, é um importante instrumento de</p><p>poder, possibilitando que o indivíduo tenha voz, que a partir das suas reflexões possa formar novas percepções diante das</p><p>questões que são apresentadas no mundo.</p><p>» As relações de poder que emergem no contexto da sociedade atual, a partir dos recursos e ferramentas tecnológicas, nos</p><p>trazem um novo posicionamento diante da importância da formação do leitor.</p><p>72</p><p>Apresentação</p><p>Figura 71.</p><p>e fosse ensinar a uma criança a beleza da música</p><p>não começaria com partituras, notas e pautas.</p><p>Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria</p><p>sobre os instrumentos que fazem a música.</p><p>Aí, encantada com a beleza da música,</p><p>ela mesma me pediria</p><p>que lhe ensinasse o mistério</p><p>daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.</p><p>Porque as bolinhas pretas</p><p>e as cinco linhas são apenas ferramentas</p><p>para a produção da beleza musical.</p><p>A experiência da beleza tem de vir antes.</p><p>(Rubem Alves, 2016, p. 6).</p><p>Fonte: <https://i.pinimg.com/originals/3b/6f/33/3b6f3303fe4ad4646ae0c1c75c135767.png></p><p>O educador Rubem Alves tinha o costume de nos deliciar com encantadores e reflexivos textos</p><p>que, com leveza e sensibilidade, apontava os caminhos para a Educação significativa com afeto</p><p>e compromisso com o outro. É uma abordagem diferente, mas com pontos de encontro no</p><p>discurso, das pesquisas científicas que, por meio de dados alarmantes de evasão escolar, nos</p><p>apresentam a todo o momento o desinteresse que as pessoas destacam ao longo do processo</p><p>formal de ensino e aprendizagem.</p><p>Despertar a curiosidade, explorar conteúdos de forma dinâmica, usar mais imagens, sons e</p><p>vídeos são sempre recomendações dos pesquisadores do campo educacional para a superação</p><p>deste desafio (MORAN, 1995; ALMEIDA e ALMEIDA, 1998).</p><p>4</p><p>CAPÍTULO</p><p>O USO DOS RECURSOS</p><p>AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>73</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>Para Glasser (2001), nenhum ser humano é desmotivado, ao contrário, o prazer pelo aprendizado</p><p>faz parte da nossa essência. A desmotivação está aliada ao tédio, à ausência de significado em</p><p>determinada atividade, portanto, para este autor a memorização e técnicas similares pouco</p><p>contribuem para o aprendizado do ser humano num longo prazo.</p><p>Ao pensarmos em produção de sentidos para o aprendizado, Glasser (2001) aponta que ler, ver</p><p>e escutar, quando se revertem em atividades pedagógicas, contribuem 50% para a qualidade</p><p>e eficiência do aprendizado, sendo que para os outros 50% devem ser desenhadas ações que</p><p>possibilitem ao estudante:</p><p>Figura 72. Ações determinantes para o aprendizado significativo.</p><p>Discutir</p><p>Fazer</p><p>Ensinar</p><p>Fonte: glasser (2001).</p><p>Estas ações propiciam ao indivíduo um pensar sobre o conteúdo, motivam a reflexão e a autocrítica,</p><p>relação das temáticas abordadas com a sua vivência, aplicação da informação em contexto real,</p><p>ensino do que aprendeu e a sua relevância para a comunidade, enfim, possibilitando a atuação</p><p>de forma cidadã e consciente.</p><p>Partindo do princípio de que a motivação para o aprendizado não nasce de fora para dentro,</p><p>e que ameaças e recompensas podem ser recursos ineficazes a médio e longo prazo, Glasser</p><p>(2001) propõe seis condições fundamentais para que o ambiente de aprendizagem possa ser</p><p>significativo para o estudante:</p><p>» afetividade, apoio e confiança;</p><p>» relevância do estudo que é realizado;</p><p>» incentivo e estímulo;</p><p>» avaliação do próprio trabalho;</p><p>» ambiente confortável e acolhedor;</p><p>» estímulo a comportamentos construtivos.</p><p>74</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>Com esses princípios levados em consideração para a constituição de um clima favorável e seguro</p><p>a novas descobertas, sugere-se ao professor um pensar cuidadoso no planejamento das atividades,</p><p>selecionando recursos e estratégias pedagógicas que possam potencializar o aprendizado do</p><p>indivíduo por meio das considerações apresentadas na pirâmide a seguir:</p><p>Figura 73. Pirâmide da Aprendizagem de glasser.</p><p>Fonte: glasser (2001).</p><p>Disponível em: <https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*rewFR_9JPe9RoCHFKdezTg.png></p><p>Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>A participação ativa do estudante propicia um aprendizado mais atuante e participativo, que,</p><p>ao provocar a curiosidade, cria um espaço propício à interação e à pesquisa, reforçando a fala</p><p>inicial do poeta Rubem Alves “a experiência da beleza tem de vir antes”.</p><p>Neste caminho nota-se que os recursos audiovisuais são aliados, tendo em vista que possibilitam</p><p>a experiência com o aprendizado por meio do uso de outros sentidos, permitindo a associação</p><p>com o que ouve e vê. Para Ferrés (1996), a imagem favorece o envolvimento emocional com os</p><p>símbolos, sensibilizando e envolvendo-o na temática a ser desenvolvida, centrando a sua atenção.</p><p>75</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>Partindo destes pressupostos, nota-se a importância do uso e difusão dos recursos audiovisuais no</p><p>contexto educacional, sendo a sala de aula um espaço privilegiado de comunicação e informação,</p><p>relacionando-se com três aspectos da sociedade da informação: a convergência dos meios de</p><p>comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva (JENKINS, 2009).</p><p>Neste capítulo, conheceremos os múltiplos recursos audiovisuais que permeiam o cotidiano</p><p>educacional, bem como práticas necessárias para o seu uso com intencionalidade pedagógica</p><p>integrado ao currículo do nível de ensino em questão. Na primeira parte do estudo refletiremos</p><p>sobre a influência dos meios de comunicação em massa na sociedade, sob um olhar histórico.</p><p>E na segunda parte analisaremos sua importância para a escola e prática docente, destacando</p><p>práticas bem-sucedidas para ilustrar o seu desenvolvimento no cotidiano educativo.</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Reconhecer a importância das mídias audiovisuais para a sociedade da informação,</p><p>identificando vantagens e desvantagens do seu uso no contexto educativo.</p><p>» Descrever o papel da linguagem audiovisual para a educação, destacando seus principais</p><p>elementos.</p><p>» Conhecer experiências</p><p>de uso da linguagem audiovisual no ambiente educacional.</p><p>Mídias audiovisuais e sua atuação na sociedade</p><p>O universo em que vivemos está repleto de sons e imagens. Podemos observar que todo o</p><p>nosso cotidiano possui cores, símbolos e signos que sensibilizam nossos sentidos e emoções,</p><p>favorecendo a contínua construção da cultura e humanidade.</p><p>É o carro de som que anuncia ofertas e venda de produtos, os meios de transporte estampados</p><p>com propagandas, os passarinhos cantando, o barulho do vento e do mar, demonstrando que</p><p>as nossas experiências são ricas em sensações que envolvem todas as formas de interpretar que</p><p>possuímos com o nosso corpo e mente.</p><p>Cada indivíduo terá uma interpretação única da situação vivenciada, mas a necessidade de</p><p>comunicar aquilo que sente, a realidade vivida, fez o ser humano buscar técnicas e meios para</p><p>registrar a sua mensagem.</p><p>76</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>Figura 74. A Última Ceia pintada por Leonardo da vinci.</p><p>Fonte: Santha tela (2017)</p><p>Disponível em: <https://santhatela.com.br/wp-content/uploads/2017/07/da-vinci-ultima-ceia-d.jpg> Acesso em 03 de</p><p>dezembro de 2019.</p><p>Figura 75. A liberdade guiando o povo – Eugene Delacroix.</p><p>Fonte: Wikimedia (2015)</p><p><https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/Eugène_Delacroix_-_La_liberté_guidant_le_peuple.jpg> Acesso</p><p>em 03 de dezembro de 2019.</p><p>Figura 74. Independência ou morte – Pedro Américo.</p><p>Fonte: Santhatela (2017).</p><p>Disponível em: <https://santhatela.com.br/wp-content/uploads/2017/10/americo-independencia-ou-morte-b.jpg> Acesso</p><p>em 03 de dezembro de 2019.</p><p>77</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>Nesta busca por documentar a nossa história, por “comunicar” nossos hábitos e conquistas,</p><p>fomos criando recursos para informar e ler as narrativas, como as imagens acima que registram</p><p>momentos distintos da civilização.</p><p>Com o passar dos anos, fomos aperfeiçoando as nossas formas de comunicação, organizando</p><p>estas ferramentas por seu campo e atuação: individual ou de massa. Os meios de comunicação</p><p>individuais são aqueles de “um para um”, ou seja, estabelece uma comunicação num primeiro</p><p>momento mais limitada e individualizada (exemplos: telefone, cartas, fax), sendo que os de</p><p>“massa” tem como objetivo a comunicação com um grande número de pessoas (exemplos:</p><p>jornais, revistas, rádio).</p><p>Figura 77. Linha do tempo dos meios de comunicação.</p><p>Fonte: Enciclopédia Abril, 1972.</p><p>Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/-KIQ6EJCRW-s/VNi7pl-a9oI/AAAAAAAABmM/J-NyeRPl7Rg/s1600/</p><p>Sem%2Bt%C3%ADtulo.jpg> Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>78</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>Também podemos classificá-los de acordo com o tipo de linguagem utilizada:</p><p>Sonoros Linguagem por meio dos sons tais como rádio e telefone</p><p>Escritos Linguagem escrita dos jornais e revistas</p><p>Audiovisuais Convergência do som e da imagem, por exemplo, televisão e cinema</p><p>Multimídias Uso de vários meios de comunicação diferentes (texto, imagem, áudio, vídeos, jogos,</p><p>entre outros)</p><p>Hipermídias Fusão de meios de comunicação por meio de sistemas eletrônicos como por exemplo:</p><p>CD ROM, DvD, tv digital.</p><p>O mundo da comunicação, em especial dos meios de comunicação em massa (MCM), “abrem os</p><p>horizontes do pensamento, criam fantasias, envolvem e seduzem emocionalmente” (KENSKI, 2008,</p><p>p. 59). Neste cenário aproveitamos para conhecer novas formas de linguagens, um novo ritmo</p><p>e discurso, bem como inovações propiciadas pelas convergências das mídias (sons, imagens,</p><p>vídeos).</p><p>Figura 78.</p><p>Meios de comunicação ou mídias em massa</p><p>são os recursos tecnológicos utilizados para</p><p>transmitir mensagens a um vasto número de</p><p>receptores, temos como exemplo: a televisão,</p><p>o rádio, jornais, revistas, teatro, cinema,</p><p>internet, entre outros. no entanto, nesta</p><p>unidade, concentramos nossos estudos nos</p><p>meios audiovisuais, ou seja, aqueles permitem</p><p>a interação com a imagem e o som (televisão,</p><p>cinema, teatro, entre outros).</p><p>Mídia tem origem na palavra “media”</p><p>do latim e significa meio ou forma.</p><p>Forma o conjunto dos diversos meios</p><p>de comunicação.</p><p>79</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>Cada programa ou comercial, no rádio ou TV, nos transmite por meio de suas histórias visões de</p><p>ética, gênero, ideologias, conceitos de moral e etnia. As mensagens nem sempre são explícitas</p><p>como no caso dos filmes, das novelas e seriados. Outro exemplo tem sido o uso destes cursos</p><p>pelos Governos com caráter educativo, seja para alertar sobre determinada conduta, prevenir</p><p>e informar.</p><p>Figura 79. Cartaz educativo divulgado pelo Estado de São Paulo.</p><p>Fonte: Prefeitura de São Paulo (2017).</p><p><https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/Dengue-cartaz_final_1254860930.jpg></p><p>Há ainda a produção planejada de produtos culturais pelos países, especialmente as grandes</p><p>potências mundiais, com o objetivo de promover e valorizar seus valores e ideais, como os filmes</p><p>e documentários que retratam fatos históricos, o terrorismo, o perigo de uma guerra nuclear,</p><p>a produção e o tráfico de drogas, entre tantos outros desafios vivenciados pela Sociedade da</p><p>Informação (BONETTI, 2008).</p><p>Estas produções audiovisuais, por meio dos seus múltiplos elementos (visuais, textuais, sonoros),</p><p>imprime aos poucos uma nova cultura, consumo de novos objetos, padrões estéticos e éticos a</p><p>partir da exposição massiva da “cultura dominadora”.</p><p>80</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>Provocação</p><p>Como aprendemos que os produtos da Apple eram os mais sofisticados? A partir de que momento a nossa sociedade</p><p>começou a usar calça jeans? E por que para muitos o cigarro aparenta uma sensação de liberdade e poder? Quando</p><p>aprendemos a comemorar o Natal com neve e roupas quentes se vivemos num país tropical?</p><p>Figura 80. Indústria Cultural e consumismo.</p><p>Fonte: Portal do Professor MEC (2014)</p><p>Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/galerias/imagem/0000005830/md.0000059205.jpg></p><p>Na busca pela audiência, as mídias de massa, inventam fórmulas sedutoras para assegurar a</p><p>permanência do indivíduo como expectador , construindo cenários imaginários que atuam</p><p>diretamente na vida real, tornando-se foco do nosso consumo e diálogos.</p><p>A informação e a forma de ver o mundo predominantes no Brasil provêm</p><p>fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo sensorial,</p><p>afetivo e ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos - levam a para</p><p>sala de aula. Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é muito</p><p>mais difícil para o educador contrapor uma visão mais critica, um universo mais</p><p>abstrato, complexo e na contramão da maioria como a escola se propõe a fazer.</p><p>Fonte: MORAN, 1995, p 2.</p><p>Para Chomsky (2010) a informação sempre terá uma relação com a propaganda a ser divulgada,</p><p>possibilitando que a forma de destaque da mensagem seja influenciada pelos interesses de quem</p><p>81</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>a financia e a compartilha. Desta forma, o “controle da informação”, o que se pode ou não tornar</p><p>público, e o elemento central desta “guerra simbólica”.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Para compreender com outra linguagem os</p><p>conceitos que estamos abordando assista o</p><p>filme “O Show de Truman” que nos remete a</p><p>um futuro distópico em que um programa de</p><p>televisão abre mão da liberdade e privacidade</p><p>de um indivíduo para o entretenimento de</p><p>seu público. O filme retrata um reality show</p><p>no qual o protagonista desconhece que está</p><p>sendo vigiado por câmeras e vivendo em uma</p><p>cidade cenográfica.</p><p>Figura 81. O Show de truman.</p><p>Fonte: <http://memorialdoconsumo.espm.br/wp-content/</p><p>uploads/2017/04/the-truman-Show_poster_goldposter_com_22.jpg></p><p>A história dos meios de comunicação em massa, que atingem a maioria da população do nosso</p><p>país, está diretamente ligada às politicas de massas. Desempenham um papel importante na</p><p>veiculação de informações seja por meio de noticiários, programas diversos, novelas, desenhos,</p><p>entre outros, formando percepções acerca ao mundo ao nosso redor. Assim as mensagens</p><p>divulgadas nestas mídias influenciam diretamente nosso pensamento, forma de agir e interpretar</p><p>as informações que são apresentadas.</p><p>Outro exemplo marcante é a influência que as grandes metrópoles exercem em nosso país,</p><p>normalmente a sede das produtoras culturais localizam-se no eixo Rio-São Paulo, reproduzindo</p><p>o comportamento desta região em seus programas (BONETTI, 2008).</p><p>A partir da década de 60 no Brasil, com o uso intenso destas novas mídias, iniciou a formação de</p><p>cursos via correspondência, rádio, estudos com materiais impressos e, posteriormente, oferta</p><p>via satélite e fitas de vídeo. Nota-se uma íntima relação dos meios de comunicação e mídias com</p><p>a área educacional.</p><p>Martin-Barbero (1996) nos chama a atenção para as estratégias adotadas para a inserção</p><p>destas múltiplas mídias, em especial no contexto educativo, possibilitando uma modernização</p><p>tecnológica, mas uma manutenção das práticas tradicionais de ensino, ou seja, não se possibilita</p><p>a formação de indivíduos que atuem criticamente diante ao que lhe é apresentado.</p><p>Para Moran (1995, p. 3) “escola não pode voltar as costas para os meios, para esta iconosfera tão</p><p>atraente e, em consequência, tão eficiente”. Até porque antes de ingressar no universo escolar, o</p><p>sujeito vivencia seus primeiros grupos sociais e nestes as mídias também estão presentes, tanto</p><p>que nos últimos anos temos discutidos a educação de crianças “cuidadas” por programas de TV</p><p>82</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>e internet, sem a devida atenção dos seus responsáveis sobre o conteúdo exposto, bem como a</p><p>adequação à faixa etária.</p><p>Não podemos acreditar que a escola está desassociada as manifestações e transformações sociais,</p><p>muitas vezes, configura-se no único espaço onde o estudante poderá refletir sobre as questões</p><p>que envolvem os dilemas sociais.</p><p>Linguagem Audiovisual e seu papel na Educação</p><p>As mídias são importantes e sofisticados dispositivos técnicos presentes em todas as esferas</p><p>da nossa vida, especialmente para as novas gerações, propiciando novas possibilidades de</p><p>aprendizado. De acordo com Bévort e Belloni (2009) a expressão “mídias na educação” ou “mídia-</p><p>educação” foi utilizada pela primeira vez pela UNESCO, relacionado aos temas de formação</p><p>continuada e alfabetização em larga escala com o suporte dos recursos tecnológicos de massa.</p><p>Somente na década de 70, por meio das pesquisas acadêmicas realizadas nos Estados Unidos e</p><p>em alguns países da América Latina, que a abordagem diante uma leitura crítica das mídias no</p><p>contexto educacional começou a ser difundida.</p><p>Ao longo dos anos, os estudos relacionados a linguagem audiovisual no contexto educacional,</p><p>foram construindo seus significados a partir das concepções de ensino adotadas. Ainda nos</p><p>anos 1970, em nosso país, o uso dos recursos audiovisuais veio em parceria com as reformas</p><p>educacionais, evidenciando um modelo tecnicista de ensino.</p><p>(...) as mídias apresentam-se, pedagogicamente, sob três formas: como conteúdo</p><p>escolar integrante das várias disciplinas do currículo, portanto, portadoras de</p><p>informação, ideias, emoções, valores; como competências e atitudes profissionais;</p><p>e como meios tecnológicos de comunicação humana (visuais, cênicos, verbais,</p><p>sonoros, audiovisuais) dirigida para ensinar a pensar, ensinar a aprender a</p><p>aprender, implicando, portanto, efeitos didáticos como: desenvolvimento de</p><p>pensamento autônomo, estratégias cognitivas, autonomia para organizar e</p><p>dirigir seu próprio processo de aprendizagem, facilidade de análise e resolução</p><p>de problemas, etc. (LIBÂNEO, 2003, p. 70).</p><p>Denominamos recursos audiovisuais os materiais e técnicas (cinema, retroprojetor, televisão,</p><p>rádio, retroprojetor, imagens entre outros) e, também, os procedimentos didáticos (excursão,</p><p>exposição, entre outros).</p><p>Os elementos da linguagem visual</p><p>Em todos os instantes somos convidados e provocados por mensagens e elementos visuais.</p><p>Num simples caminhar pela rua encontramos outdoor, cartazes e desenhos em muros, panfletos,</p><p>83</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>jornais, revistas e hoje ainda podemos registrar o melhor ângulo com as câmeras dos nossos</p><p>smartphones.</p><p>Para nos expressarmos por meio da imagem devemos conhecer os elementos que compõem</p><p>esta linguagem e incorporar este conhecimento nas atividades pedagógicas, promovendo o</p><p>desenvolvimento das competências que envolve a leitura e análise visual.</p><p>Ao “lermos” uma imagem nem percebemos que consideramos seus aspectos (superfície,</p><p>linha, volume, cor e luz), estabelecendo um “jogo de negociação de sentidos”, formulando</p><p>questionamentos e relações com o espaço-tempo em que a imagem foi produzida.</p><p>Figura 82. Pintura de Monet – O Ramo de Girassóis.</p><p>Fonte: Blog O Universo é uma Casca de noz (2016)</p><p><https://abrancoalmeida.files.wordpress.com/2011/10/cmonet_bouquetsunflowers_metme01203g.jpg></p><p>Utilizaremos como exemplo o quadro “O Ramo de Girassóis”,</p><p>do pintor impressionista francês Claude Monet, observe</p><p>sua tela. O que ela provoca em você? Quais sentimentos</p><p>despontam? Estas sensações são influenciadas pelo modo</p><p>com a pintura foi organizada, sua superfície, as cores</p><p>utilizadas (relembrando as aulas de artes e o papel das</p><p>cores quentes e frias), sua iluminação, o enquadramento</p><p>e, possivelmente, a história que levou o artista a selecionar</p><p>e registrar esta cena.</p><p>De acordo com Leblanc (2013), no mundo contemporâneo e no ambiente educacional, devemos</p><p>pensar a educação visual como emancipadora e com o intuito de criar novas imagens, numa prática</p><p>transdisciplinar que envolva e transpasse todas as disciplinas. Assim ampliamos a perspectiva</p><p>de somente ler e compreender a imagem para a produção ou o mero ensino da técnica.</p><p>Saiba mais</p><p>Aproveite e realize uma visita virtual ao</p><p>Museu do Louvre, localizado no centro de</p><p>Paris, neste espaço icônico se encontram</p><p>diversas obras que remontam a história da</p><p>nossa civilização (Mona Lisa, Vênus de Milo,</p><p>entre muitas outras).</p><p><https://www.louvre.fr/en/visites-en-ligne></p><p>84</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>(...) Não se trata de treinamento de operadores de câmeras ou técnicos de</p><p>microfone assujeitados pela técnica, mas de conhece-la para transformá-la. Criar</p><p>imagens é criar mundos. (...) Ler uma imagem significa interpretá-la, relacioná-la</p><p>a um contexto de produção, entender que uma imagem dá forma a um discurso.</p><p>(LEBLANC, 2013, p. 40-41).</p><p>Neste sentido orienta-se a integração de atividades que promovam o conhecimento da técnica</p><p>para que novas produções possam acontecer e a prática de análise das imagens nos diferentes</p><p>meios (filmes, programas de televisão, jogos, entre tantos outros).</p><p>Provocação</p><p>Figura 83. Roger Chartier.</p><p>Fonte: Publish new (2016)</p><p><https://www.publishnews.com.br/materias/2016/08/17/2-edicao-do-paixao-de-publicar-discute-novos-meios-de-leitura-</p><p>no-universo-digital>. Acesso em 18 de fevereiro de 2019.</p><p>Para o historiador Roger Chartier a leitura é sempre uma forma de apropriação, invenção e produção de significados.</p><p>Podemos afirmar que esta “visão” também pode ser relacionada a leitura de imagem?</p><p>Os elementos da linguagem sonora</p><p>Figura 84.</p><p>Os sons nos despertam memórias de conforto ou desconforto, basta pensarmos na risada de</p><p>uma criança, no uivo de um cachorro, no barulho da panela de pressão e num grito estridente,</p><p>quais sensações afloram neste cenário? Nós fazemos parte da “paisagem sonora”, ouvindo e</p><p>compondo sons a todos os instantes. E o ato de interpretar as mensagens sonoras dependerá</p><p>do nosso repertório pessoal e cultural, sendo organizado em quatro momentos: ouvir (o ato),</p><p>85</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>escutar (captação do ato), reconhecer (atribuição da qualidade do ato) e compreender (atribuição</p><p>do significado ao ato).</p><p>Os sons, sob a perspectiva humana, são organizados em verbais-orais e não verbais. A linguagem</p><p>verbal-oral envolve</p><p>a entonação, o timbre e a modulação da voz que são responsáveis pela</p><p>interpretação que daremos a mensagem. E os sons não verbais são compostos por “ruídos</p><p>sonoros” que servem para informar sobre o espaço ou a situação.</p><p>A linguagem sonora possui seus componentes básico que envolvem a propriedade do som</p><p>(intensidade, duração, altura e timbre) e a implicação na música (dinâmica, pulsação/ritmo,</p><p>grave/agudo, fonte sonora/instrumentação) provocando combinações que nos despertam força,</p><p>movimento e/ou calma.</p><p>O conhecimento das especificidades acima da linguagem sonora amplia a nossa habilidade de</p><p>reconhecer e interpretar os sons, ampliando a nossa capacidade de expressar sentimentos e ideias.</p><p>No espaço educacional o som tem o desafio de propor cenários sonoros para a construção de</p><p>imagens mentais, quando o som é associado a uma imagem constituímos a narrativa audiovisual.</p><p>Neste cenário, o contexto brasileiro, tem reconhecido</p><p>a importância destas práticas para a educação,</p><p>promovendo a criação de rádios escolares, grupos</p><p>de dramatização, entre outras estratégias onde o</p><p>som pode ser explorado e utilizado como ferramenta</p><p>pedagógica.</p><p>Os elementos da linguagem audiovisual</p><p>As narrativas audiovisuais foram possíveis com a implementação da TV tendo seus recursos</p><p>ampliados com a web e o uso dos tablets, smartphones. Estas ferramentas possibilitaram a</p><p>convergência da imagem com o som, que antes não era possível ser realizado de forma simultânea.</p><p>A imagem, a palavra e o som envolvem o indivíduo na história que está sendo apresentada por</p><p>meio da criação do cenário que remontam determinada época e cultura, sendo assim o audiovisual</p><p>possui uma linguagem própria.</p><p>No audiovisual a música tem como função a identificação de programas (vinhetas), destaque</p><p>de personagens e situações, definição de ambientes, delimitação do clima da cena e mensagem</p><p>da imagem, estruturação das narrativas e provocação de recordação.</p><p>Saiba mais</p><p>Um bom exemplo é a famosa música “Tema da vitória”, canção instrumental composta pelo maestro Eduardo Souto Neto,</p><p>para uso nas transmissões da Fórmula 1 como a trilha sonora dos campeões. A canção ficou mundialmente reconhecida em</p><p>razão das vitórias do piloto Ayrton Senna, tendo uma nova versão criada especialmente em sua homenagem.</p><p>Saiba mais</p><p>O Instituto OuvirAtivo promove o desenvolvimento</p><p>do ser humano e instituições por meio da música.</p><p><http://ouvirativo.com.br></p><p>86</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>A construção e produção do audiovisual envolve um processo de desenho de cada característica</p><p>da cena, seja visual ou sonora, que chamamos de roteirização. No roteiro cria-se toda a narrativa</p><p>que será utilizada na história que, muitas vezes, já está escrita no formato textual. Estabelece</p><p>também os elementos específicos da linguagem audiovisual que são: o enquadramento, o</p><p>movimento da câmera, iluminação, efeitos especiais, edição de som, entre outros.</p><p>Podemos dizer que a câmera é um prolongamento do “olho humano”, captando a imagem que</p><p>deverá ilustrar a narrativa.</p><p>Figura 84. Plano de Imagem selecionado para a construção da narrativa.</p><p>Fonte: Despertar Coletivo (2016)</p><p><http://despertarcoletivo.com/wp-content/uploads/2016/02/A-m%C3%ADdia-é-a-entidade-mais-poderosa-na-terra.-Eles-</p><p>tem-o-poder-de-fazer-o-inocente-ser-culpado-e-o-culpado-ser-inocente.jpg></p><p>Cada história possui suas características, seu tempo histórico e personagens que podem ser reais</p><p>ou fictícios. Acrescenta-se a este cenário a escolha do gênero de cada texto que a mensagem se</p><p>desenvolverá: animação, aventura, drama, humor e documentário.</p><p>A linguagem audiovisual possui seus meios próprios para a apresentação das suas produções,</p><p>alguns destes recursos são amplamente conhecidos por todos nós e relevantes para o nosso</p><p>estudo como educadores , são eles: televisão, cinema e o rádio.</p><p>Acrescentamos neste repertório o uso das mídias digitais, mas que serão estudadas no próximo</p><p>capítulo.</p><p>televisão</p><p>A mídia com a maior inserção social e consumo ainda é a televisão, o seu acesso somente foi</p><p>possível devido ao barateamento dos custos de uma produção industrial em larga escala. Desta</p><p>forma, para muitos indivíduos, continua sendo a única fonte de informação. A televisão tem</p><p>o potencial de comunicação em massa envolvendo a todos , proporcionando uma vivência</p><p>doméstica.</p><p>87</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>A televisão movimentou o cenário educacional, provocando novas possibilidades de aprendizado</p><p>por meio da imagem, som e do movimento, a partir de informações realistas. Os recursos</p><p>audiovisuais nos possibilitam uma imersão na história narrada, pois se configuram como</p><p>sensoriais, envolvendo a linguagem falada, musical e escrita. De acordo com Moran (1995, p.30)</p><p>podem ser utilizados na educação a partir das seguintes estratégias:</p><p>» Audiovisual como motivação – sendo uma ferramenta para a introdução de um novo</p><p>assunto com a intenção de despertar a curiosidade e o conhecimento por novos temas,</p><p>incitando o desejo de pesquisa para o aprofundamento do conteúdo em questão.</p><p>» Audiovisual como ilustração – sendo utilizado como recurso ilustrativo, possibilitando</p><p>que o estudante construa em seu repertório imaginativo o cenário desconhecido,</p><p>contemplando a possibilidade de vivenciar realidades distantes.</p><p>» Audiovisual como simulação – possibilitando a simulação de vivências diversas em</p><p>ambientes e ações que dificilmente o indivíduo teria a oportunidade de participar.</p><p>» Audiovisual como contexto de ensino – sendo uma ferramenta informativa sobre um tema</p><p>específico visando a orientação, possibilitando abordagens múltiplas e interdisciplinares;</p><p>» Audiovisual como produção – sendo um recurso para registro e documentação</p><p>de atividades realizadas nas instituições de ensino, propiciando aos professores e</p><p>estudantes uma infinita possibilidade de ações desde o planejamento, produção, edição</p><p>e apresentação do conteúdo.</p><p>» Audiovisual integrando o processo de avaliação - registro das atividades educacionais</p><p>realizadas para avaliação e auto avaliação em momento posterior, possibilitando a</p><p>análise detalhada de comportamentos, discursos, entre outros.</p><p>O uso pedagógico da televisão e do vídeo teve a sua origem no cinema, sendo que seu papel</p><p>“ilustrativo” da utilização de imagens fixas projetadas por meio de slides e as lanternas mágicas.</p><p>Sua linguagem audiovisual é compreendida como verbo-icônica, sendo aquela que utiliza</p><p>palavras e imagens e sons para expressar uma mensagem, o resultado desta complementação</p><p>é a própria mensagem.</p><p>Saiba mais</p><p>Desde o ano de 1996 que o Ministério da Educação utiliza a televisão para o</p><p>desenvolvimento das políticas educacionais de integração das novas tecnologias e</p><p>formação docente. Atualmente mantem o canal “TV Escola” com a apresentação de</p><p>diversos conteúdos para toda a comunidade escolar. (MEC, 2011).</p><p>Saiba mais em: <https://tvescola.org.br></p><p>Figura 86. tv Escola.</p><p>@(MEC, 2011)</p><p>88</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>Cinema</p><p>A palavra cinema tem a origem no grego kinesis que significa movimento, o que conduz à ação. É</p><p>uma manifestação artística, conhecida com a sétima arte, com linguagem própria que converge</p><p>sons, luzes, roteiros e efeitos especiais. Seu uso como ferramenta pedagógica não é novidade no</p><p>contexto brasileiro (DUARTE, 2002).</p><p>O uso do cinema como ferramenta pedagógica teve o pioneirismo dos franceses e alemães,</p><p>nomeado cinema científico. No Brasil tivemos como referência o Instituto Nacional de Cinema</p><p>Educativo, fundado em 1936 por Roquette Pinto.</p><p>No entanto, foi na década de 70, com a expansão da TV que o cinema se popularizou no contexto</p><p>do país, sendo utilizado nas práticas educativas com finalidades similares ao uso da televisão</p><p>(MORAN, 1995).</p><p>Neste mundo contemporâneo, uma prática que tem se destacado é a realizada pela França sob a</p><p>liderança do profo. Alain Bergala, que foi o responsável pela elaboração de um projeto integrando</p><p>esta arte aos currículos</p><p>8</p><p>IntRODUçãO</p><p>Lembre-se de que você não está sozinho nesta caminhada. Caso tenha alguma dúvida sobre</p><p>determinada palavra ou conceito, não se intimide, pesquise em dicionários e busque sempre</p><p>o suporte acadêmico que a universidade proporciona. Juntos iniciamos esta jornada de novas</p><p>descobertas, portanto, aproveite para embarcar nesta viagem que possui diferentes trilhas que</p><p>auxiliarão o seu aprendizado!</p><p>Bons estudos!</p><p>Objetivos do Livro Didático</p><p>» Conhecer o papel da técnica na sociedade e a relação entre os seres humanos e as</p><p>máquinas.</p><p>» Compreender a importância do material impresso, dos recursos audiovisuais,</p><p>dos recursos computacionais e digitais no contexto educacional e suas diferentes</p><p>possibilidades de uso nas práticas pedagógicas.</p><p>» Analisar o papel da educação na sociedade da informação e as potencialidades das</p><p>novas tecnologias da informação e da comunicação no processo educativo neste</p><p>contexto informacional.</p><p>» Compreender a educação a distância como uma modalidade de ensino, suas</p><p>especificidades, definições e influência na sociedade informacional. identificando o</p><p>perfil de cada uma de suas gerações, bem como as novas competências do professor</p><p>para uma educação aberta, em rede e híbrida.</p><p>» Conceituar design educacional e design instrucional, analisando sua importância para</p><p>o planejamento educativo emancipatório.</p><p>Figura 3. Percurso de Estudo e Aprendizagem da disciplina Educação e tecnologia.</p><p>Fonte: Elaboração da Autora (2019).</p><p>9</p><p>Apresentação</p><p>O homem e a mulher são seres históricos, ou seja, são os autores dos diversos fatos e experiências</p><p>que compõem esta grande “colcha de retalhos” que forma a história da nossa humanidade. Por</p><p>sermos históricos, produzimos a todo instante conhecimento, seja para criar novos artefatos</p><p>e ideias ou para ressignificá-los, assegurando a nossa sobrevivência (VALENTE, ALMEIDA E</p><p>KUIN, 2017).</p><p>Com a Revolução Industrial e o uso constante de diversas máquinas e ferramentas, houve uma</p><p>grande necessidade de se pesquisar novos produtos e formas de agir na sociedade. Este estímulo</p><p>ao desenvolvimento científico, muitas vezes com o foco no mercado e geração de lucros, ganhou</p><p>tanta visibilidade que a Unesco (2017) reconhece a capacidade de produzir conhecimento como</p><p>um dos critérios para distinguir a riqueza e a pobreza de um povo.</p><p>No entanto, nos enganamos a pensar que a tecnologia somente se faz presente com a criação</p><p>de máquinas, aplicativos e todo aquele cenário bem típico nos filmes de ficção científica “forma</p><p>concreta com que a tecnologia é popularmente conhecida” (KENSKI, 2005, p. 17).</p><p>Ainda permeia nossas mentes um conceito restritivo de tecnologia como algo sofisticado,</p><p>dominado por robôs e equipamentos com grau de inteligência superior aos homens e mulheres.</p><p>Nesta unidade de estudo, Tecnologia e Sociedade, compreenderemos que em todas as eras</p><p>históricas predominaram diferentes tecnologias. Assim, cada momento da nossa civilização foi</p><p>composto por determinado avanço científico, alterando comportamentos e estruturas sociais.</p><p>Na capítulo 1 estudaremos a relação existente entre a técnica e a tecnologia na história</p><p>da humanidade, destacando a evolução social em cada tempo histórico, enfatizando que</p><p>as inovações científicas são compostas por recursos “ressignificados”, ou seja, recriamos</p><p>permanentemente novas tecnologias a partir da apropriação das ferramentas já existentes.</p><p>1</p><p>CAPÍTULO</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA</p><p>tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA</p><p>HUMAnIDADE</p><p>10</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Compreender o papel da “técnica” e da “tecnologia” para a construção da sociedade</p><p>em que vivemos.</p><p>» Conceituar “técnica” e “tecnologia”, identificando novas formas de uso e significados de</p><p>acordo com as necessidades de cada grupo social.</p><p>» Analisar a evolução histórica da tecnologia e o papel do homem e da mulher em seu</p><p>desenvolvimento.</p><p>» Identificar as principais características da relação homem/mulher com as máquinas,</p><p>destacando o papel de cada parte para o constante aprimoramento social.</p><p>O papel da técnica e suas relações na história da</p><p>humanidade</p><p>Nos debates e criações artísticas estão sempre presentes as previsões sobre o nosso futuro, uma</p><p>característica em comum é que teremos uma sociedade altamente tecnológica, com a presença</p><p>constante de robôs e outros equipamentos sofisticados, com cenários bem típicos daqueles</p><p>apresentados nas histórias de ficção científica.</p><p>Se pensarmos nos últimos 10 anos, realmente, contamos com a presença de muitas inovações</p><p>em nosso cotidiano, algumas até inimagináveis pela maioria da população.</p><p>Estes questionamentos permeiam o nosso estudo,</p><p>especialmente, neste tópico, e no final, você será</p><p>capaz de reconhecer que a tecnologia e a técnica</p><p>estão em todos os lugares, portanto, “todas as eras</p><p>correspondem ao predomínio de determinado tipo</p><p>de tecnologia” (KENSKI, 2005, p. 18).</p><p>Então vamos começar identificando algumas das</p><p>ferramentas e recursos, considerados técnicas</p><p>e/ou tecnologias presentes na história da humanidade a partir do infográfico a seguir?</p><p>Saiba mais</p><p>No entanto, o que significa para nós uma</p><p>“sociedade altamente tecnológica”? Será que já</p><p>não estamos inseridos neste espaço? Ou será que</p><p>este espaço sempre estará num futuro? Como</p><p>nossos antepassados sobreviveram e superaram as</p><p>dificuldades do seu cotidiano (comida, habitação,</p><p>saúde, lazer, entre outros)?</p><p>11</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Figura 4. Infográfico que destaca algumas das tecnologias/técnicas presentes ao longo da história da</p><p>humanidade.</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>Há muitos anos, o homem e a mulher iniciaram seu processo de humanização, evidenciando</p><p>características denominadas racionais para diferenciarmos os nossos comportamentos dos</p><p>animais.</p><p>12</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Você conhece a história dos nossos ancestrais que viviam em cavernas num passado um pouco</p><p>distante da nossa civilização? Consegue imaginar como eles viviam? Como faziam para enfrentar</p><p>os desafios encontrados num cotidiano bem diferente do que vivenciamos atualmente? Vamos</p><p>ajudar você a pensar um pouco sobre esse contexto.</p><p>Saiba mais</p><p>Conheça um pouco mais da história da nossa civilização assistindo ao vídeo Homem Pré- Histórico: Vivendo entre as feras.</p><p>Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sCBMPug_fE8></p><p>Figura 5. Homem pré- histórico: vivendo entre as feras.</p><p>Sinopse: Prepare-se para uma viagem na era da pré-história. Entre 12 e 40 mil anos atrás, o homem moderno já havia se</p><p>estabelecido em todos os continentes, com exceção da Antártica. Ele convivia com tigres dentes-de-sabre, mamutes e ursos</p><p>gigantes. Aqui, foram usados os mais modernos recursos tecnológicos e científicos para que se vejam nossos ancestrais</p><p>vivendo entre as feras e lutando pela sobrevivência da forma mais realista possível.</p><p>Pedras, ossos, galhos e troncos de árvores foram transformados em ferramentas pelos nossos</p><p>ancestrais pré-históricos. Com esses materiais procuram superar suas fragilidades físicas em</p><p>relação às demais espécies. O homem primitivo contava com duas grandes ferramentas: o cérebro</p><p>e a mão criadora (CHAUCHARD, 1972 apud KENSKI, 2005, p. 20).</p><p>Figura 6. Ossos e pedras utilizados como ferramentas e adornos na pré-história.</p><p>Fonte: Mundo Antiguo</p><p>Disponível: <http://3.bp.blogspot.com/-bncA2o9u7tE/TsG5CIQ35LI/AAAAAAAAAAs/CQ2yhS4qW-Q/s1600/herramientas2.</p><p>jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>13</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Chuva, frio, neve e grandes animais selvagens desafiavam a sobrevivência dos seres humanos</p><p>e, somente com o uso da sua inteligência e competência, foi possível a construção de recursos</p><p>que asseguraram a sobrevivência da nossa espécie.</p><p>Algumas descobertas mudaram a vida pré-histórica e foram</p><p>idealizadas, construídas por esta população, tais como: fogo,</p><p>objetos</p><p>do ensino fundamental. Uma das estratégias adotadas foi a divulgação</p><p>de uma coleção de filmes em DVD a serem desenvolvidos nas atividades da escola ao longo de</p><p>5 anos. O intuito é proporcionar aos estudantes o acesso livre e permanente a filmes históricos,</p><p>com valor artístico e cultural, com apoio dos professores na oferta desta experiência que não tem</p><p>como objetivo a análise crítica, mas a avaliar o que veem, dando sentido a narrativa em destaque.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 87. CInEDUC.</p><p>Fonte: <https://www.cineduc.org.br/images/logo-cineduc.jpg?crc=268731376></p><p>O CINEDUC, uma iniciativa brasileira, tem como missão Promover a reflexão sobre as linguagens audiovisuais com o público</p><p>infanto-juvenil e educadores, formais e informais, a fim de contribuir no processo educativo transformador, através do</p><p>desenvolvimento da consciência crítica e da expressão criativa.</p><p>Saiba mais em : <http://www.cineduc.org.br/historia.html></p><p>Rádio</p><p>O conceito de comunicação em massa somente foi possível devido a existência do rádio que</p><p>permitiu a transmissão de informações em larga escala por meio do som. A primeira transmissão</p><p>89</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>no Brasil foi em 1922, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da independência do</p><p>Brasil. No ano seguinte, foi fundada a Rádio Sociedade Rio de Janeiro por Roquete Pinto. Em</p><p>1941 foi inaugurado o primeiro noticiário “Repórter Esso” que tinha como papel resumir as</p><p>notícias divulgadas no jornal impresso. Logo após a qualidade sonora das programações foram</p><p>aprimoradas com a modulação da frequência eletromagnética para FM e, atualmente, temos a</p><p>transmissão via web.</p><p>A rádio continua sendo considerada uma mídia de grande atuação nacional por meio desta temos</p><p>acesso a informação e entretenimento. No contexto educacional a “rádio” pode se organizar da</p><p>seguinte forma:</p><p>» Rádio Pátio – o programa construído pelos estudantes é divulgado a partir das caixas</p><p>de sons instaladas nos pátios e corredores da Escola.</p><p>» Programas em CDs de áudio ou Pen Drive – nesta estratégia os programas são gravados</p><p>previamente e os áudios gravados em CD ou pen-drive para apresentação posterior.</p><p>» Web rádio – a programação da rádio é transmitida via streaming pela web, podendo usar</p><p>vídeo e som, ao vivo ou gravada. Também pode ser divulgada no formato “podcast” que</p><p>possibilitam o download dos programas.</p><p>» Transmissão por FM – esta oferta requer a aquisição de equipamentos de transmissão,</p><p>envolvendo custos, e possibilita o acesso por FM.</p><p>Figura 88. guia do Projeto Radio Escolar.</p><p>Fonte: MEC (2015)</p><p><https://image.slidesharecdn.com/manualdemontagemderdioescolaruspeducom-151129115612-lva1-app6892/95/</p><p>manual-de-montagem-de-rdio-escolar-usp-educom-1-638.jpg?cb=1448798211></p><p>A organização de uma rádio no espaço escolar promove o envolvimento de toda a comunidade,</p><p>favorecendo a integração entre as pessoas, informando por meio de notícias específicas ao</p><p>90</p><p>CAPÍTULO 4 • O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO</p><p>cotidiano social, apresentando programas de músicas e entretenimento, com informes para a</p><p>prestação de serviço, entre outros.</p><p>No Brasil temos algumas experiências educativas bem interessantes como o programa “Nas ondas</p><p>da Rádio”, criado em 2004 pela Secretaria Municipal de Educação, por meio da Lei EDUCOM</p><p>– Educomunicação pelas ondas da rádio sancionada em 2005. A legislação prevê a adoção das</p><p>práticas radiofônicas nas escolas, oferecendo o equipamento necessário para a sua implementação.</p><p>Ainda em São Paulo temos uma “Rádio Bicicleta</p><p>Itinerante” que circula pela Zona Leste, sendo</p><p>uma ferramenta colaborativa que envolve toda</p><p>a comunidade e informativa, pois divulga as</p><p>atrações culturais da região.</p><p>No município Horizonte (CE) temos o projeto “Radioescola”, em 10 unidades de ensino, com</p><p>o objetivo de promover o diálogo e a discussão acerca os direitos da criança e do adolescente,</p><p>fomentando a promoção da democracia, da liberdade de pensamento, da responsabilidade</p><p>social, da autonomia e do protagonismo juvenil.</p><p>E na Bahia temos o programa “Evolução Hip Hop” comandado pelo Dj Branco, Hamilton de</p><p>Oliveira, que acessa 13 mil ouvintes por segundo de acordo com a Rádio Educadora FM, que é</p><p>uma emissora pública e pertence ao Estado.</p><p>Figura 89. Rádio Maluca com zé zuva.</p><p>Fonte: MEC (2013)</p><p><http://2.bp.blogspot.com/-7ZeEy2s1g-k/T3tpmtmFIhI/AAAAAAAAA2g/jinPZDGbYlY/s1600/estação+brincadeira.jpg></p><p>E em 2013 foi finalizada a transmissão da Rádio Maluca conhecida por seu conteúdo educativo</p><p>e artístico, encantava crianças e adultos com músicas e brincadeiras folclóricas e de autoria do</p><p>seu apresentador Zé Zuca. O seu repertório musical, literário e lúdico ainda pode ser vivenciado</p><p>por meio do programa “Estação Brincadeira”, também idealizado por Zé Zuca, que é transmitido</p><p>pela Rádio MEC.</p><p>Saiba mais</p><p>Kit Educom de Implementação da Rádio Escolar</p><p><http://www.usp.br/nce/manual/paginas/manual1.pdf></p><p>91</p><p>O USO DOS RECURSOS AUDIOvISUAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 4</p><p>Saiba mais</p><p>Saiba mais sobre o Programa Estação Brincadeira e o repertório de atividades e Músicas infantis do artista Zé Zuca no link</p><p>abaixo:</p><p><http://radios.ebc.com.br/estacao-brincadeira></p><p>Sintetizando</p><p>Vimos até agora:</p><p>» O Universo em que vivemos está repleto de sons e imagens, podemos observar que todo o nosso cotidiano possui</p><p>cores, símbolos e signos que sensibilizam nossos sentidos e emoções, favorecendo a contínua construção da cultura e</p><p>humanidade.</p><p>» Meios de comunicação ou mídias em massa são os recursos tecnológicos utilizados para transmitir mensagens a um vasto</p><p>número de receptores, temos como exemplo: a televisão, o rádio, jornais, revistas, teatro, cinema, internet, entre outros. No</p><p>entanto, nesta unidade, concentramos nossos estudos nos meios audiovisuais, ou seja, aqueles permitem a interação com</p><p>a imagem e o som (televisão, cinema, teatro, entre outros).</p><p>» As produções audiovisuais, por meio dos seus múltiplos elementos (visuais, textuais, sonoros), imprime aos poucos uma</p><p>nova cultura, consumo de novos objetos, padrões estéticos e éticos a partir da exposição massiva da “cultura dominadora”.</p><p>» A história dos meios de comunicação em massa, que atingem a maioria da população do nosso país, está diretamente</p><p>ligada às politicas de massas.</p><p>» Ao longo dos anos, os estudos relacionados a linguagem audiovisual no contexto educacional, foram construindo seus</p><p>significados a partir das concepções de ensino adotadas.</p><p>» Ao “lermos” uma imagem nem percebemos que consideramos seus aspectos (superfície, linha, volume, cor e luz),</p><p>estabelecendo um “jogo de negociação de sentidos”, formulando questionamentos e relações com o espaço-tempo em que</p><p>a imagem foi produzida.</p><p>» No audiovisual a música tem como função a identificação de programas (vinhetas), destaque de personagens e situações,</p><p>definição de ambientes, delimitação do clima da cena e mensagem da imagem, estruturação das narrativas e provocação</p><p>de recordação.</p><p>» A câmera é um prolongamento do “olho humano”, captando a imagem que deverá ilustrar a narrativa.</p><p>92</p><p>Apresentação</p><p>Crianças e jovens são verdadeiros representantes da chamada “Geração Z” (VEEN e VRAKKING,</p><p>2009). A geração que nasceu imersa em tecnologias digitais, vivem em multi-telas, zapeando</p><p>pelo canais digitais, aplicativos e jogos.</p><p>O conceito “Z” origina-se no “zapping” que segundo Ramal (2012, p. 17) “é o ato de mudar</p><p>contínua e rapidamente de canal de televisão ou de rádio, buscando, em tese, algo interessante</p><p>ou simplesmente por hábito de pular para outra programação (...)”. Considerada uma geração</p><p>silenciosa, por estar constantemente conectada a web, cerca-se de amigos e seguidores nas</p><p>múltiplas redes sociais, mas nota-se limitações na competência interpessoal, ainda mais em</p><p>contexto presencial.</p><p>Para esta geração a rede é o espaço de atuação e reinvindicação social, ampliando a prática iniciada</p><p>em ambientes virtuais para locais reais. Expressões como “sobe a hashtag”, “twitaço”, “top trend”</p><p>são materializadas</p><p>nos diálogos nos mostrando na prática a convergências das tecnologias com</p><p>as práticas discursivas.</p><p>Figura 90. Jovem e uso de aplicativo.</p><p>Fonte: Blog tecnologias voltadas para a agricultura (2015)</p><p>Disponível: <https://aledessbesell.files.wordpress.com/2015/06/moodle.png></p><p>5</p><p>CAPÍTULO</p><p>O USO DOS RECURSOS</p><p>DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>93</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Identificar as contribuições da Linguagem Digital para a aprendizagem.</p><p>» Conhecer um breve histórico da informática e suas influências para a constitiução da</p><p>Sociedade da Informação.</p><p>Figura 91.</p><p>(aqui é ilustrativo)</p><p>Fonte: <https://medium.com/publicitariossc/linguagem-digital-a-introdução-de-s%C3%ADmbolos-como-facilitadores-do-</p><p>discurso-f8be36a50e1d></p><p>Contribuições da Linguagem Digital para a Aprendizagem</p><p>Você conhece a música abaixo composta e cantada por Gilberto Gil? Leia a letra:</p><p>Figura 92.</p><p>94</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>Gilberto Gil escreveu a primeira versão da música, Pela Internet, no ano de 1996. A história tem</p><p>características peculiares e não é somente a linguagem que se destaca. A letra da música fez</p><p>parte de um projeto inovador em parceria com a Flora e Gilberto Gil, IBM, Embratel e o Globo.</p><p>Aconteceu há 20 anos e, tal como a música “Pelo Telefone” composta por Donga e Mauro Almeida,</p><p>a letra composta por Gil retrata o universo contemporâneo com seu vocabulário específico e</p><p>muito mais.</p><p>“Pela Internet” foi transmitida ao vivo “pela internet”, sendo o primeiro vídeo de música no</p><p>Brasil a realizar esta façanha, sendo possível ser o primeiro do mundo. O projeto foi um sucesso</p><p>e rendeu novos momentos inovadores ao longo dos anos pelo Brasil.</p><p>Saiba mais</p><p>Saiba mais sobre a história da música “Pela Internet” versão 1 e 2 no link abaixo. Aproveite e também conheça as primeiras</p><p>iniciativas de transmissãos ao vivo pela web no Brasil.</p><p><http://www.maurosegura.com.br/pela-internet-gilberto-gil/></p><p>Como tudo neste universo está integrado, conheça também a história da música “Pelo Telefone” considerada percursora e</p><p>marco do samba urbano:</p><p><http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra7091/pelo-telefone-1916></p><p>“O pensamento é nuvem”, pois a linguagem digital altera o aspecto linear do texto impresso,</p><p>possibilitando a interpretação da informação em multiplas mídias, facilitando a compreensão</p><p>de conceitos e conteúdos. Sua base é o hipertexto “que funcionam como páginas sem numeração</p><p>e trazem informações variadas sobre determinado assunto “ (KENSKI, 2005, p. 32)</p><p>“Que o desejo agora é garimpar. Nas terras das serras peladas virtuais”, pela web podemos conhecer</p><p>diversos locais sem sair do espaço físico em que meu corpo se localiza, pesquisar e consultar</p><p>bancos de dados virou parte da rotina, as páginas “hipermidiáticas”, possuem vídeos e imagens</p><p>integrados, muitas vezes, realizam transmissão ao-vivo. E quem nunca se perdeu no “links”, nós,</p><p>da rede “garimpando” um contéudo?</p><p>“É zap-zap, é like. É Instagram, é tudo muito bem bolado” os novos aplicativos e softwares</p><p>reconfiguram o modo como lemos e acessamos as informações. A estrutura da linguagem digital</p><p>possibilita que saltemos entre os dados, podemos escolher o caminho mais interessante para</p><p>navegar.</p><p>“Criei meu website. Lancei minha homepage. Com 5 gigabytes”, a criação desta nova linguagem e</p><p>cultura digital somente foi possível devido a popularização no acesso a computadores e todos os</p><p>seu periféricos que propiciaram a convergências das múltiplas mídias existentes (KENSKI, 2005).</p><p>95</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>Convergência das Mídias: Breve histórico da informática na</p><p>Educação</p><p>A evolução da informática possibilitou a formação de uma nova cultura e linguagem. Até chegarmos</p><p>ao “Ciberespaço” do jeito que conhecemos há uma longa estrada iniciada no período antes de</p><p>Cristo com a criação do ábaco.</p><p>Saiba mais</p><p>Ábaco – antigo instrumento utilizado para cálculos com</p><p>origem na Mesopotâmia, considerado uma extensão do ato</p><p>natural de se contar utilizando os dedos.</p><p>Figura 93 ábaco.</p><p>Fonte: Hora da Escola (2017)</p><p>Disponível em: <https://horadaescola.com/wp-content/</p><p>uploads/2017/01/abaco-instrumento-historia.jpg></p><p>Acesso em 01 de marco de 2019.</p><p>Outras invenções com o intuito de facilitar a vida do ser humano para administrar os dados</p><p>foram surgindo ao longos dos anos, conheça algumas delas abaixo:</p><p>Figura 94. Máquina de somar de Blaise Pascal.</p><p>1642</p><p>Fonte: Webpages (2015)</p><p><http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/seminario/pasca_l/images/pascalinecores3.gif></p><p>figura 95. Máquina de calcular de Leibnitz.</p><p>1672</p><p>Fonte:Steemitiimages (2014)</p><p><https://steemitimages.com/DQmvHMB8kCrudxAppwvnApX9Cw7w73QUuEg4wBvPDwW3Pem/image.png></p><p>96</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>Figura 96. Máquina de Babbage</p><p>1791-1981</p><p>Fonte: Jamisson Fatec (2011)</p><p><https://sites.google.com/site/jamissonfatec/_/rsrc/1314497662261/analitica-de-babbage/maquina-de-diferencas-de-</p><p>babbage/BabbageAnalyticalEngineModel.JPG></p><p>Figura 97. Cartões perfurados.</p><p>1890</p><p>Fonte: Retrocomputaria (2015)</p><p><https://www.retrocomputaria.com.br/wp-content/uploads/2015/11/card.png></p><p>Figura 98. Impressora de Cartões Perfurados.</p><p>1924</p><p>Fonte: Disponível em: PcHistory (2014)</p><p><http://pchistorycfpic.weebly.com/uploads/2/4/4/7/24470850/5559452.jpg>. Acesso em 18 de fevereiro de 2019</p><p>Figura 99. Calculadora mecânica e elétrica.</p><p>1944</p><p>Fonte: Instituto PoIncare (2009)</p><p><http://www.institutopoincare.com.br/images/portfolio/recent/prim_comp.jpg></p><p>97</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>O aprimoramento destas máquinas permitiu a chegada a</p><p>1a Geração de computadores (1946-1947) que tinha como</p><p>características o desenvolvimento das válvulas eletrônicas,</p><p>inicialmente criada para a indústria radiofônica, a</p><p>introdução da programação e da comunicação. Na 2a</p><p>Geração (1957-1964) consumindo menos energia que</p><p>as válvulas entram em cena os transistores, sua função</p><p>básica é o de interruptor eletrônico para as operações lógicas do computador. Com a 3aGeração</p><p>(1946-1970) introdução dos circuitos integrados, desenvolvimento de softwares e criação de</p><p>minicomputadores. Para Torquato (ano) estamos na transição da 4a Geração (1970 até os dias atuais)</p><p>para a 5a Geração (Futuro próximo). Na 4a Geração temos a evolução de diversos componentes</p><p>do computador, desenvolvimentos dos computadores pessoais, microprocessadores e diversos</p><p>softwares. E a 5a Geração tem como foco o desenvolvimento da inteligência artificial e sistemas</p><p>inteligentes.</p><p>Figura 100. Linha do tempo evolutiva da informática.</p><p>Fonte: Dutra (2015)</p><p>Disponível em: <https://image.slidesharecdn.com/evoluodainformtica-130805123556-phpapp01/95/evoluo-da-</p><p>informtica-1-638.jpg?cb=1375706247>. Acesso em 16 abril de 2019.</p><p>Percebe-se que a história da informática se entrelaça com a história da humanidade, sendo a</p><p>própria ciência da informação. No campo educacional foi na década de 60, com as “máquinas de</p><p>ensinar” de Skinner entituladas “tecnologia do ensino”, que por meio da instrução programada</p><p>discute-se o aumento da eficiência do processo de ensino e aprendizagem.</p><p>As máquinas de ensinar tinham como característica o reforço imediato da resposta correta.</p><p>Naquela época, de expansão no acesso a educação pública e gratuita, o uso desta “tecnologia”,</p><p>quando bem planejada, possibilitava o acompanhamento do professor em especial aquele que</p><p>necessitava de ajuda.</p><p>Saiba mais</p><p>Leia mais sobre o histórico da informática na</p><p>Educação:</p><p><https://www.dca.ufrn.br/~lmarcos/courses/</p><p>DCA800/pdf/Apresentacao_historico.pdf></p><p>98</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>Figura 101. Máquina de Ensinar.</p><p>Fonte: Psicoedu (2016)</p><p>Disponível em: <https://www.psicoedu.com.br/2016/11/maquina-de-ensinar-skinner.html></p><p>A máquina possuía uma abertura na parte superior para visualização do exercício, impresso</p><p>numa tira de papel juntamente com as respostas, a criança movia um ou mais cursores para</p><p>responder a questão, onde estavam impressos</p><p>os dígitos. Caso a resposta estivesse correta</p><p>bastava o estudante girar o botão, com a resposta incorreta o botão não girava, permanecendo</p><p>na atividade até alcançar êxito.</p><p>No Brasil, as primeiras iniciativas no uso de computadores na educação ocorreram na década de</p><p>70, com a pioneira Universidade Federal do Rio de Janeiro para o ensino de informática numa</p><p>determinada disciplina. Logo em seguida, o curso de Química, também adotou a informática</p><p>educativa para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas. A partir destas experiências</p><p>outras Universidades, com o suporte do MEC e do Banco Interamericano de Desenvolvimento</p><p>(BID) registraram a implementação de projetos interativos com o uso de computadores no âmbito</p><p>universitário e, isoladamente, em parceria com algumas escolas da Educação Básica.</p><p>Neste cenário emerge a “Filosofia e Linguagem LOGO” liderado pelo pesquisador Seymour</p><p>Papert, que trabalhou diretamente com Jean Piaget, influenciado pelos princípios construtivistas</p><p>desenvolveu uma linguagem de programação para crianças. O LOGO apresentou estratégias</p><p>diferenciadas para a infância que até então tinha como referência a instrução programada.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Figura 103. LOgO. Por meio da linguagem LOGO, o computador passa a ser usado como uma</p><p>ferramenta para a criança realizar ações: comandar o robô ou criar desenhos.</p><p>Era uma forma de usar o computador muito diferente dos tutoriais e da</p><p>instrução programada que eram usados na educação na época em que LOGO</p><p>foi criado. Não existe uma “resposta certa” a ser dada. Ao usar a linguagem Logo,</p><p>é a criança quem ensina o computador a realizar alguma coisa por meio dos</p><p>comandos. O usuário interage livremente, o conhecimento é construído a partir</p><p>da reflexão sobre as reações decorrentes dos comandos dados.</p><p>99</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>Em 1989 foi efetivado o Programa Nacional de Informática Educativa (PRONINFE), como</p><p>politica pública, com o intuito de desenvolver esta área no Brasil por meio da criação de equipes</p><p>multidisciplinares para atuação pedagógica, técnica e administrativa. A partir dos resultados e</p><p>vivências consolidados neste ação no ano de 1997 foi lançado o PROINFO (Programa Nacional</p><p>de Tecnologia Educacional). Este último atuava de forma descentralizada, liderado pelo Governo</p><p>Federal, mas o desenvolvimento era de responsabilidade dos Núcleos de Tecnologia Educacional</p><p>(NTE), com profissionais especialistas em software e hardware, formação docente e que atuava</p><p>mais próximo às necessidades das escolas.</p><p>Com a meta de integrar as Tecnologias da Informação e da Comunicação, foram implantados os</p><p>laboratórios de informática educativa, configurando um patrimônio para toda a comunidade.</p><p>Com a informática é possível realizar variadas ações, como se comunicar, fazer</p><p>pesquisas, redigir textos, criar desenhos, efetuar cálculos e simular fenômenos.</p><p>As utilidades e os bene- fícios no desenvolvimento de diversas habilidades fazem</p><p>do computador, hoje, um importante recurso pedagógico. Não há como a escola</p><p>atual deixar de reconhecer a influência da informática na sociedade moderna e</p><p>os reflexos dessa ferramenta na área educacional.</p><p>Fonte: NASCIMENTO, 2007, p.38.</p><p>A articulação das tecnologias com a proposta pedagógica de cada unidade escolar foi a premissa</p><p>principal para a adoção destas novas ferramentas, levando em consideração: (NASCIMENTO,</p><p>2007):</p><p>» As percepções dos docentes, colaboradores da escola, estudantes, pais e comunidade</p><p>externa.</p><p>» Dialogar com os estudantes sobre a influência, desafio e benefício do uso das tecnologias</p><p>para a sociedade.</p><p>» Integrar as tecnologias da informação e da comunicação ao cotidiano educacional com</p><p>finalidade pedagógica.</p><p>E o uso do computador nas práticas de ensino podem ser classificados de duas formas, a saber</p><p>(NASCIMENTO, 2007):</p><p>Por</p><p>disciplina</p><p>Por Projetos</p><p>Educacionais</p><p>100</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>O enfoque na disciplina tem como escopo o uso dos computadores como reforço, complementação</p><p>ou sensibilização para o desenvolvimento dos conteúdos curriculares, numa disciplina específica</p><p>e de forma isolada. Na abordagem por projetos educacionais existe uma integração entre as</p><p>disciplinas, sendo o uso do computador o meio aglutinador dos temas curriculares (NASCIMENTO,</p><p>2007).</p><p>Em relação aos ambientes de informática, no contexto brasileiro ainda tendo a sua infraestrutura</p><p>centralizada num único espaço, pode ser sistematizada (com horários definidos e planejado,</p><p>sendo recomendada na fase de implementação, visando proporcionar o melhor suporte e</p><p>atendimento a comunidade – docente e estudantes) e não sistematizada (o uso do espaço é livre,</p><p>tendo o professor autonomia para selecionar o momento adequado, indicado para as escolas</p><p>que já possuem atores ativos na utilização das tecnologias) (NASCIMENTO, 2007).</p><p>Quanto ao objetivo, as mídias pedagógicas, podem ser de ordem social ou pedagógica. A</p><p>finalidade pedagógica tem como intuito o uso integrado ao currículo e as atividades pedagógicas,</p><p>a tecnologia é o meio, não o centro do processo de ensino e aprendizagem. E a finalidade social</p><p>privilegia a alfabetização tecnológica, enfatizando como prática social, ensinando suas técnicas</p><p>para inserção no mercado de trabalho (NASCIMENTO, 2007).</p><p>Convergência das Mídias: princípios pedagógicos</p><p>Provocação</p><p>Quais habilidades são necessárias para os indivíduos participarem ativamente da “cultura da convergência”? Elas podem ser</p><p>ensinadas? Qual o papel da educação diante este cenário ?</p><p>Vamos ler mais uma vez o trecho da música de Gilberto Gil, Pela Internet 2:</p><p>Figura 103.</p><p>Como apontamos anteriormente esta é a segunda versão da música que nos leva a entender</p><p>que todas as expectativas em relação a sua inserção a linguagem digital foram saciadas, pois ele</p><p>101</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>“criou o website”, “lançou a homepage”, entre outras ações que indicam a sua familiriedade com</p><p>este novo mundo hipermidiático.</p><p>Para Moran, Masetto e Behrens (2007) uma atitude inquieta, humilde e confiante para com a</p><p>vida, com os outros e conosco, são condições essenciais para que o ensino aconteça.</p><p>Pessoas abertas, sensíveis, humanas, que valorizem mais a busca que o resultado</p><p>pronto, o estímulo que a repreensão, o apoio que a crítica, capazes de estabelecer</p><p>formas democráticas de pesquisa e de comunicação, que desenvolvam formas de</p><p>comunicação autênticas, abertas, confiantes (MORAN, MASETTO e BEHRENS,</p><p>2007, p.62).</p><p>Os fundamentos acima estabelecem uma relação dialógica (FREIRE, 1997), propiciando tanto</p><p>ao estudante quanto ao docente o aprender a aprender,num processo colaborativo e coletivo de</p><p>produção de conhecimento, o que não pode ser diferente numa sociedade digital.</p><p>Para uma aprendizagem colaborativa se faz necessário reconhecer que sempre estaremos na</p><p>condição de aprendiz, reforçando a necessidade de termos como referência os 4 pilares de Delors</p><p>(1998) para o desenvolvimento da Educação do século XXI.</p><p>Figura 104. Os 4 pilares da Educação de Delors.</p><p>Fonte: Delors, 1998.</p><p>O primeiro pilar “Aprender a conhecer” ressalta a necessidade do prazer pelas novas e constantes</p><p>descobertas, curiosidade e espírito investigativo, compreendendo que o processo de aprendizado</p><p>não se finda, não é mnemonico e que aprender a conhecer é aprender a pensar.</p><p>102</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>“Aprender a fazer”, segundo pilar, relaciona-se ao “mão na massa”, a capacidade criadora do ser</p><p>humano, possibilitando uma ação empreendedora e efetiva na solução de problemas cotidianos.</p><p>O terceiro pilar “Aprender a viver juntos” enfatiza a importância de convivermos em harmonia</p><p>com todos os seres do nosso planeta, ter empatia, trabalhar em parceria e cooperação, respeitando</p><p>as diversidades e individualidades.</p><p>“Aprender a ser”, quarto pilar, envolve todo o processo de auto-conhecimento do indivíduo. Ao</p><p>me conhecer, aprimoro as minhas habilidades individuais e potencializo</p><p>as inteligências que</p><p>naturalmente despontam em minha personalidade, sendo assim me desenvolvo integralmente.</p><p>Todos pilares integrados às competências desejáveis na cultura da convergência que são: jogo,</p><p>representação, simulação, apropriação, multitarefa, pensamento distribuído, inteligência coletiva,</p><p>juízo, navegação transmídia, trabalho em rede e negociação (JENKINS e ALEXANDRIA, 2009).</p><p>Quadro 4. Pilares integrados às competências desejáveis na cultura da convergência.</p><p>Jogo</p><p>capacidade de experimentar</p><p>formas de aprendera solucionar</p><p>problemas</p><p>Representação</p><p>capacidade de adotar</p><p>identidades alternativas com a</p><p>finalidade de improvisação e</p><p>descobertas</p><p>Apropriação</p><p>capacidade de interpretar e</p><p>remixar conteúdo de mídia</p><p>Multitarefa -</p><p>capacidade de avaliar seu</p><p>ambiente e focar a atenção,</p><p>quando necessário, em</p><p>significativos</p><p>Pensamento Distribuído -</p><p>capacidde de interagir</p><p>significativamente com as</p><p>ferramentas que ampliam as</p><p>capacidades mentais</p><p>Inteligência Coletiva capacidade</p><p>de adicionar conhecimetnos e</p><p>comparar as notas com outras</p><p>pessoas com base em um</p><p>objetivo comum</p><p>Juízo</p><p>capacidade de avaliar a</p><p>confiabiliddade e a</p><p>credibilidade das diferentes</p><p>fontes de informação</p><p>Navegação transmídia</p><p>capacidade de acompanhar o</p><p>fluxo de histórias e informações</p><p>em diferentes mídias</p><p>Trabalho em rede capacidade</p><p>de pesquisar, sintetizar e</p><p>divulgar informações</p><p>Negociação capacidade de</p><p>viajar de diversas comunidades,</p><p>percebendo e respeitando as</p><p>várias perspectivas e</p><p>entendimento e seguindo as</p><p>normas alternativas</p><p>Fonte: Adaptado de (JENKINS e ALEXANDRIA, 2009).</p><p>As competências listadas nos suscitam uma pedagogia da participação e mediação colaborativa</p><p>que integra a diversidade das novas percepções dos indivíduos que atuam nesta grande rede</p><p>103</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>digital. Criam novas possibilidades de expressão e comunicação, despontando significativos</p><p>desafios à escola, que podem afastar os estudantes do cotidiano educacional.</p><p>Para facilitar a combinação das estratégias de ensino presenciais e as múltiplas ferramenas</p><p>disponíveis on-line emerge a educação híbrida. A convergências destes dois modelos educacionais</p><p>permite o aprendizado em tempo e espaço distintos, sendo muito utilizada no Ensino Superior</p><p>na modalidade de ensino a distância.</p><p>Atualmente, este conceito foi ampliado favorecendo o uso de diversos recursos didáticos,</p><p>apoiados pela tecnologias digitais, integrados ao currículo. O modelo de rotação tem sido o mais</p><p>utilizado, com foco no uso da avaliação como recurso para a personalização, configurando-se</p><p>em diferentes espaços de ensino-aprendizagem, dentro ou fora da sala, alternando de acordo</p><p>com a orientação para estudo.</p><p>O modelo de rotação possui as seguintes</p><p>propostas. rotação por estações, laboratório</p><p>rotacional, sala de aula invertida, rotação</p><p>individual. O objetivo da aprendizagem</p><p>híbrida é o desenvolvimento da autonomia</p><p>do estudante para que trabalhe em grupo,</p><p>compartilhando conhecimento e usando as</p><p>tecnologias da informação e da comunicação.</p><p>Percebe-se que o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no ambiente educacional,</p><p>com o apoio da internet, amplia os espaços de aprendizado, aproveitando melhor o tempo para</p><p>estudo, estabelecendo uma nova relação com o conhecimento.</p><p>As diferentes ferramentas de comunicação da Internet</p><p>No livro “A Estrada do Futuro”, escrito por Bill Gates, destaca-se a importância das redes para o</p><p>contexto escolar, em especial, para os indivíduos que não tiveram a oportunidade de estudar</p><p>nas melhores instituições de ensino ou no tempo indicado para cada faixa etária. Estudantes</p><p>conectados na sua residência e escola, com pessoas de outras culturas, criando documentos</p><p>eletrônicos, exigindo uma nova postura dos professores .</p><p>Quando um estudante desenvolve seu aprendizado por meio da colaboração, em busca da</p><p>cooperação global, possibilita-se a experiência de medir, coletar, sintetizar, ler, publicar, avaliar,</p><p>dividir, relatar, pesquisar, ampliando também a capacidade do indivíduo de comunicar e</p><p>apresentar os dados.</p><p>Saiba mais</p><p>A Fundação Lemann trabalha há 15 anos por uma</p><p>educação pública de qualidade para todos, apoiando</p><p>organizações educacionais para solucionar os principais</p><p>desafios sociais do Brasil. No site da Fundação tem vários</p><p>relatos de experiências bem sucedidas, principalmente, no</p><p>contexto brasileiro.</p><p>104</p><p>CAPÍTULO 5 • O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO</p><p>A comunicação mediada por computador (CMC) apresenta diferentes papéis: entretenimento,</p><p>comércio e informação. Pode ser utilizada para comunicação em massa ou individual, dependerá</p><p>da finalidade do sujeito. No âmbito educacional e interativo propicia a formação de redes,</p><p>comunidades de aprendizagem, formadas pelos professores e estudantes num formato assíncrono</p><p>(que não é simultâneo) e síncrono (em tempo real). Diversas estratégias tradicionais adotadas</p><p>para a comunicação via internet (MORAN, MASETTO e BEHRENS, 2007; PRIMO, 2007):</p><p>» E-mails – também conhecido como “correio eletrônico”, possibilita uma discussão textual</p><p>assíncrona, entre no mínimo duas pessoas, propicia a troca de arquivos variados e uso</p><p>de emoticons e gifs; Como ferramenta educacional, o email é utilizado para a troca de</p><p>mensagens pessoais, entre alunos, entre professores e alunos, entre escolas, e sobre os</p><p>assuntos mais variados, como: trocar informações sobre os tipos de vegetação, estudo da</p><p>arte pré-histórica, entre outros. Utiliza-se para a participação em projetos educacionais</p><p>e cursos de educação à distância.</p><p>» Lista de discussão - também conhecida como “grupo de discussão”, permite a interação</p><p>entre diversas pessoas, envio de mensagens audiovisuais e debate sobre temáticas,</p><p>sendo umas das primeiras experiências de formação de comunidades de aprendizagem</p><p>na internet. As listas são divididas em moderadas e não-moderadas. São consideradas</p><p>moderadas aquelas que são controladas por um administrador, e não-moderadas aquelas</p><p>em que todas as mensagens são repassadas automaticamente e sem um controle pode-se</p><p>criar diversas listas educacionais de diferentes assuntos e áreas de conhecimento. Podem</p><p>existir fóruns de debate entre grupos de alunos e professores com o mesmo interesse</p><p>em um determinado assunto, ou ainda, ser uma clínica de professores ou educadores</p><p>de uma forma geral. Os temas das discussões podem ser atuais e polêmicos, ou ainda,</p><p>estarem ligados à orientação escolar à distância</p><p>» Chats ou sala de bate-papo – a interação é síncrona, ou seja, de forma simultânea por</p><p>meio do texto, favorecendo o diálogo e a aproximação, podendo ser realizado de forma</p><p>individual ou coletiva. Como ferramenta pedagógica pode ser utilizada para discussão de</p><p>temas específicos, saneamento de dúvidas sobre determinado conteúdo e apresentação</p><p>de trabalho</p><p>» Videoconferência – permite o diálogo em tempo real com vídeo, áudio e muitas vezes o</p><p>uso de texto. No contexto educacional pode ser utilizado para a organização e realização</p><p>de grupos de estudos, apresentação de seminários, aulas e entrevistas, entre outras ações.</p><p>Ao longo da conversa pode ser realizada enquetes, apresentação de imagens e vídeos,</p><p>bem como a construção de textos coletivos.</p><p>Outras ferramentas podem ser utilizadas, especialmente os aplicativos, na prática pedagógica:</p><p>blogs, editores on-line de textos, editores de vídeo, jogos eletrônicos, simuladores, ferramentas para</p><p>a localização geográfica, construção de bonecos e histórias em quadrinhos, editores de imagens,</p><p>105</p><p>O USO DOS RECURSOS DIgItAIS nA EDUCAçãO • CAPÍTULO 5</p><p>entre muitos outros. Mesmo com todas as oportunidades paa o aprendizado se faz necessário um</p><p>monitoramento do uso da web entre as crianças e jovens, selecionando o conteúdo adequado</p><p>a faixa etária e conversando sobre os temas mais relevantes para a formação ética do individuo.</p><p>Sintetizando</p><p>Vimos até agora:</p><p>» A linguagem digital altera o aspecto linear do texto impresso, possibilitando</p><p>a interpretação da informação em múltiplas</p><p>mídias, facilitando a compreensão de conceitos e conteúdos.</p><p>» Pela web podemos conhecer diversos locais sem sair do espaço físico em que digito, pesquisar e consultar bancos de</p><p>dados virou parte da rotina, as páginas “hipermidiáticas”, possuem vídeos e imagens integrados, muitas vezes, realizam</p><p>transmissão ao-vivo.</p><p>» Os novos aplicativos e softwares reconfiguram o modo como lemos e acessamos as informações. A estrutura da linguagem</p><p>digital possibilita que saltemos entre os dados, podemos escolher o caminho mais interessante para navegar.</p><p>» A evolução da informática possibilitou a formação de uma nova cultura e linguagem.</p><p>» Percebe-se que a história da informática se entrelaça com a história da humanidade, sendo a própria ciência da</p><p>informação.</p><p>» Para uma aprendizagem colaborativa se faz necessário reconhecer que sempre estaremos na condição de aprendiz,</p><p>reforçando a necessidade de termos como referência os 4 pilares de Delors (1998).</p><p>106</p><p>Apresentação</p><p>Nas unidades anteriores estudamos a importância das diversas tecnologias para o desenvolvimento</p><p>da humanidade, em especial, no contexto educacional. Percebemos que nos conectando, por meio</p><p>das relações e junções diversas com o meio, as pessoas e as ferramentas disponíveis, ampliamos</p><p>a nossa capacidade de compreender todas as dimensões da realidade (MORAN, 2007).</p><p>Assim aprender on-line é uma realidade cada vez mais reconhecida e praticada pelas pessoas,</p><p>seja numa rápida pesquisa no “google” aos cursos organizados e sistematizados oferecidos a</p><p>distância. Com características distintas do aprendizado realizado via correspondências, rádio e</p><p>TV, meios unidirecionais, a educação a distância (EaD) via web conecta docentes e estudantes</p><p>de forma síncrona e assíncrona.</p><p>Figura 105. Ensino a distância.</p><p>Fonte: Blog Prilany (2016)</p><p><https://prilany.files.wordpress.com/2016/06/tirinha-ead.png?w=700> Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>Educação a Aberta e a distância despontam como possibilidades de emancipação social,</p><p>tendo em vista que propiciam a um número maior de indivíduos, acesso ao ensino e formação</p><p>especializada. O sentimento de pertencimento a “aldeia global”, a imersão no mundo virtual e</p><p>os repositórios abertos que facilitam o uso de diversos conteúdos de qualidade, caracterizam a</p><p>nossa sociedade digital, a cibercultura.</p><p>6CAPÍTULO</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>107</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Tem sido um longo caminho de conquistas e desafios para alcançarmos os benefícios que</p><p>usufruímos hoje, bem como as desvantagens que também fazem parte desta história. E, nesta</p><p>unidade, conheceremos que a educação a distância (EaD) não é algo novo, sua prática é antiga, e</p><p>que o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação influenciaram diretamente</p><p>a organização, oferta e mediação.</p><p>Após uma viagem histórica, para que possamos entender o movimento de construção da EaD no</p><p>território nacional, refletimos sobre os papeis do estudante, do docente e da própria instituição</p><p>de ensino neste novo cenário educativo.</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Identificar o conceito de Educação a distância e Educação aberta.</p><p>» Conhecer a história da Educação a distância nos contextos nacional e internacional.</p><p>» Comparar as difererenças e semelhanças da Educação a DistÂncia e Educação Aberta.</p><p>» Reconhecer as competências e habilidades necessárias para atuação na EaD, destacando</p><p>o papel do docente e do estudante.</p><p>A Educação Aberta e a Distância: Características e</p><p>Definições</p><p>A crescente demanda por educação, devido não somente à expansão populacional</p><p>como, sobretudo às lutas das classes trabalhadoras por acesso à educação,</p><p>ao saber socialmente produzido, concomitantemente com a evolução dos</p><p>conhecimentos científicos e tecnológicos está exigindo mudanças em nível da</p><p>função e da estrutura da escola e da universidade (PRETI, 1996).</p><p>Provocação</p><p>A partir dos seus estudos, leituras diversas e o fragmento de texto acima, reflita sobre “ o que é uma educação a distância? “,</p><p>“quais personagens compõem este sistema de ensino aprendizagem? “, “quais recursos tecnológicos são utilizados?”, “como</p><p>se aprende na EaD”?</p><p>De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educacional Nacional (9394/96) vigente, a Educação</p><p>brasileira é organizada em duas modalidades, presencial e a distância. Atualmente, todo indivíduo</p><p>possui experiência no ensino presencial, conhecido como convencional, utilizado nos cursos</p><p>regulares.</p><p>108</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Educação a distância (EaD) é a uma modalidade de ensino que tem como característica o uso</p><p>de tecnologias para mediar o processo ensino e aprendizagem, possibilitando que estudantes</p><p>e professores estejam distantes fisicamente mas que possam interagir por meio dos recursos</p><p>oferecidos (MORAN, 2007).</p><p>Para Keegan (1996) a EaD possui as seguintes características:</p><p>Figura 106. Características da EaD.</p><p>Separação física</p><p>entre docente e</p><p>estudante em</p><p>quase todo o</p><p>desenvolvimento</p><p>do curso</p><p>A separação do (a) estudante de um</p><p>grupo de aprendizado presencial</p><p>A organização da</p><p>oferta de um curso</p><p>ou projeto por uma</p><p>Instituição,</p><p>contendo</p><p>planejamento,</p><p>recursos didáticos,</p><p>professores (a),</p><p>entre outros</p><p>O uso de diversas e variadas</p><p>tecnologias e mídias para a</p><p>distribuição do conteúdo</p><p>Comunicação</p><p>bidirecional</p><p>(estudantes e</p><p>professores</p><p>interagindo e</p><p>trocando</p><p>informações)</p><p>Encontros presenciais ocasionais com</p><p>objetivo didático e de socialização</p><p>Fonte: Elaboradora pela autora (2019).</p><p>Outras características devem ser adicionadas às destacadas acima, pois fazem parte da essência</p><p>do desenvolvimento da modalidade, tais como: interatividade, auto estudo, possibilidade de</p><p>acesso a uma população mais ampla, flexibilidade de horários, alfabetização digital e trabalho</p><p>colaborativo.</p><p>Na EaD o planejamento é essencial, sendo difícil a improvisação, os recursos tecnológicos e</p><p>didáticos devem ser levados em consideração antes da oferta do curso via internet. Por isso que</p><p>é definida como sistema de aprendizagem organizada, e a distância indicada na modalidade, de</p><p>acordo com Tori (1999), não é para ser compreendida como a distância física real entre estudante</p><p>e professor (separados por quilômetros ou metros) mas a “sensação de distância” existente entre</p><p>os participantes.</p><p>109</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Saiba mais</p><p>Você já ouviu falar de “distância transacional”?</p><p>A teoria da “distância transacional” foi organizada e apresentada a sociedade pelo pesquisador Michael Grahame Moore.</p><p>Para o autor a distância existentre entre o estudante e o docente não é apenas geográfica, também pode ser psicológica e</p><p>educacional. Esse espaço psicológico e de comunicação existente entre os dois parceiros no empreendimento educacional é</p><p>um espaço de potencial mal-entendido entre as entradas do instrutor e as do aluno.</p><p>Saiba mais no texto abaixo: Teoria da Distância Transacional</p><p><http://www.abed.org.br/revistacientifica/Revista_PDF_Doc/2002_Teoria_Distancia_Transacional_Michael_Moore.pdf<</p><p>No Brasil a EaD foi regulamentada pelo Decreto Lei no. 2.494 de 10 de fevereiro de 1988, pelo</p><p>Ministério da Educação, para Lemgruber (2007) o marco legal da expansaão da EaD no Brasil foi o</p><p>artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), determinando que:</p><p>» Será oferecida somente por instituições credenciadas pela União.</p><p>» Serão oferecidos cursos de extensão, graduação, pos graduação, ensino técnico,</p><p>profissionalizantes, entre outros.</p><p>» A EaD para o ensino médio e fundamental será regulamentada pelo Estado.</p><p>No caput da LDBEN (9394/1996) dispõe que:</p><p>Figura 107.</p><p>Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação</p><p>de programas de ensino a distância, em todos os níveis e</p><p>modalidades de ensino, e de educação continuada</p><p>Estas orientações possibilitaram uma nova normatização, mais detalhada, por meio do Decreto</p><p>5.622 do ano de 2005, que conceitua a EaD:</p><p>como modalidade</p><p>educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos</p><p>processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias</p><p>de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo</p><p>atividades educativas em lugares ou tempos diversos (Art. 1o).</p><p>Lemgruber (2007) ressalta que este novo conceito foi um avanço em relação às legislações</p><p>anteriores, especialmente, em razão à especificação da necessidade de docentes mediando o</p><p>110</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>desenvolvimento pedagógico dos cursos. A legislação aponta inovações e exigências, visando a</p><p>qualidade acadêmica da EaD (Art.12):</p><p>» projetos pedagógicos para os cursos e programas que serão ofertados na modalidade</p><p>a distância;</p><p>» apresentar corpo docente com as qualificações exigidas na legislação em vigor e,</p><p>preferencialmente, com formação para o trabalho com educação a distância;</p><p>» descrição detalhada dos serviços de suporte e infraestrutura adequados à realização do</p><p>projeto pedagógico, relativamente a: a) instalações físicas e infraestrutura de suporte e</p><p>atendimento remoto aos estudantes e professores (...) c) polos de educação a distância</p><p>(...) para a execução descentralizada de funções pedagógico-administrativas do curso,</p><p>quando for o caso; d) bibliotecas adequadas, inclusive com acervo eletrônico remoto</p><p>e acesso por meio de redes de comunicação e sistemas de informação, com regime de</p><p>funcionamento e atendimento adequados aos estudantes de educação a distância.</p><p>Esta nova visão da EaD, no contexto nacional, possibilitou uma ressignificação das práticas</p><p>também do ensino presencial, originadas a partir da Portaria 4.059 do ano de 2004, nomeada</p><p>como a “Portaria dos 20%”, propiciando as instituições de ensino superior a oferta de disciplinas</p><p>na modalidade semipresencial, limitando a 20% da carga horária total do curso.</p><p>Este dispositivo legal aproxima as modalidades, presencial e EaD, enfatizando o compartilhamento</p><p>de práticas e uma nova formação docente diante às necessidades despontadas, diminuindo os</p><p>limites rígidos existentes entre ambas (tal como vemos hoje com os cursos “blended” ou “flex”).</p><p>Lemgruber (2007) afirma que EaD não é uma educação massificada, embora atinja as massas,</p><p>ressaltando que esta característica foi marcante em sua origem por conta das práticas de cunho</p><p>tecnicista e “teacherprooof”, ou seja,“à prova de professor ”.</p><p>A falta da presença física do professor condenaria, portanto, a educação a distância</p><p>a um estilo frio, impessoal, mais próprio de pedagogias “bancárias”. Sem dúvida,</p><p>a existência de cursos de má qualidade reforça a imagem da EaD como negócio</p><p>de instituições não idôneas que a têm como estratégia de corte de custos, para</p><p>aumentar sua lucratividade.</p><p>LEMGRUBER, 2007, p.05.</p><p>A Educação a distância tem sido configurada como uma ferramenta eficaz para a formação em</p><p>grande escala, possibilitando que num país continental como o Brasil, sem redução da qualidade</p><p>da oferta dos cursos, possam ofertar cursos que qualifiquem os indivíduos diante às necessidades</p><p>de cada região.</p><p>Atualmente, temos uma nova normativa que regula o nosso fazer na Educação a Distância. No</p><p>ano de 2019, por meio da Portaria 2.117, foi autorizada a ampliação de até 40% a carga horária de</p><p>EaD nos cursos presenciais de graduação. Cursos de Medicina e Engenharia também ampliaram</p><p>a oferta de EaD na organização pedagógica do curso, possibilitando novos arranjos híbridos.</p><p>111</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Figura 108. O que é Educação a Distância.</p><p>Fonte: SEnAR (2015)</p><p><http://ead.senar.org.br/wp-content/uploads/2015/06/infografico01.jpg></p><p>A Educação a Distância é uma modalidade democratizadora do ensino, possibilita as pessoas</p><p>que tem pouco tempo para cumprir as atividades de um curso presencial, por múltiplos motivos,</p><p>a oportunidade de investir em seu desenvolvimento acadêmico. Atualmente, a EaD tem como</p><p>base a oferta dos cursos num ambiente virtual de aprendizagem e mídias sociais, propiciando</p><p>a interação entre os participantes e o acesso aos materiais que são utilizados para o estudo</p><p>(LITWIN, 2001).</p><p>O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) facilita a organização do curso, centralizando as</p><p>interações e recursos num único espaço, possibilitando que o estudante acesse por meio da</p><p>internet de um computador, tablet ou smartphone.</p><p>Ao longo da história da humanidade, a EaD sempre esteve ligada as tecnologias da informação</p><p>e da comunicação (TIC) de cada época, existem registros que consideram as primeiras ações</p><p>desta modalidade de ensino realizadas por meio de correspondências.</p><p>112</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Educação Aberta (EA)</p><p>Desde a década de 70, com as práticas de educação aberta (EA) na infância e nas Universidades,</p><p>que diversos teóricos seguem estudando esta temática. Nos dias de hoje, a Educação Aberta (EA)</p><p>é utilizada para conceituar os Recursos Educacionais Abertos (REA) com acesso popularizado</p><p>com a difusão da internet. Algumas características devem ser levadas em consideração ao se</p><p>definir uma “educação aberta” (SANTOS, 2009):</p><p>» a liberdade do aprendiz decidir onde estudar, podendo ser de sua casa, do seu trabalho</p><p>ou até mesmo da própria instituição de ensino e/ou polos de aprendizagem;</p><p>» a possibilidade de se estudar por módulos, acúmulo de créditos ou qualquer outra</p><p>forma que permita ao aprendiz aprender de forma compatível com o ritmo necessário</p><p>para seu estilo de vida;</p><p>» a utilização da autoinstrução, com reconhecimento forma ou informal da aprendizagem</p><p>por meio de certificação opcional;</p><p>» a isenção de taxas de matrícula, mensalidades e outros custos que seriam considerados</p><p>uma barreira ao acesso à educação formal;</p><p>» a isenção de vestibulares e da necessidade de apresentar qualificações prévias, que</p><p>poderiam constituir uma barreira de acesso à educação formal;</p><p>» a acessibilidade dos cursos para estudantes portadores de alguma deficiência física,</p><p>bem como dos que têm alguma desvantagem social;</p><p>» a provisão de recursos educacionais abertos, utilizados tanto na educação formal quanto</p><p>na informal.</p><p>Elenca-se outras definições importantes para a conceituação da “Educação Aberta” (EA), tais</p><p>como: aprendizagem centrada no estudante, criação e uso de materiais construídos pelos</p><p>aprendizes, não possui restrição ao acesso do estudante (sem exigência de formação mínima),</p><p>acesso aberto a repositórios de pesquisas públicas e softwares educacionais com código aberto.</p><p>113</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Posicionamento do autor</p><p>Existem múltiplas definições para “Educação Aberta”, no entanto, algumas características estão presentes neste conceito</p><p>e são apontadas por seus pesquisadores: são cursos flexíveis, atendem as necessidades individuais, são abertos a todos</p><p>participantes, são compostos por materiais disponíveis na web e gratuitos, o estudante tem autonomia para criar o seu</p><p>percurso de aprendizagem.</p><p>Diversas práticas da Educação Aberta (EA) contem seus primeiros registros na infância, datam</p><p>do ano de 1965, tendo autores que reforçam a educação socrática como a primeira prática de</p><p>“Educação Aberta” da humanidade.</p><p>Em nosso estudo, nos concentraremos na aprendizagem de adultos, ressaltando o primeiro</p><p>exemplo de EA que foi a Universidade Aberta Britânica, fundada em 1969, ressaltando: baixo</p><p>critério de ingresso do estudante ao curso, rigoroso acompanhamento para certificação da</p><p>qualidade do curso, bem como o alcance do objetivo proposto.</p><p>O sucesso das práticas de EA propiciou o surgimento de diversas outras Universidades Abertas,</p><p>na Índia (Indira Gandhi National University), na (Tailândia Sukhotai Thammanthirat Open</p><p>University), no Brasil (Universiade Aberta do Brasil), entre outras. Para assegurar o cumprimento</p><p>das atividades pedagógicas com qualidade pelo estudante utiliza-se a “aprendizagem aberta</p><p>apoiada” com suporte variado desde contato telefônico a videoconferências.</p><p>No caso do Brasil, por exemplo, a principal característica do sistema de abertura</p><p>da</p><p>Universidade Aberta do Brasil, criada em 2005, é o acesso gratuito à educação por</p><p>meio da rede pública de educação a distância. O sistema é aberto principalmente</p><p>porque elimina as barreiras financeiras de acesso e permanência no sistema.</p><p>É aberto também porque a modalidade de educação a distância constitui</p><p>importante estratégia para aumentar a oferta de educação superior nas regiões</p><p>distantes dos grandes centros, diminuindo, portanto, as barreiras geográficas</p><p>de acesso à educação.</p><p>Fonte: SANTOS, 2009, p.06.</p><p>Em 2007, com a Declaração da Cidade do Cabo sobre EA, o uso de recursos educacionais com</p><p>licença aberta torna-se uma prioridade para a ampliação do acesso ao conhecimento, engajando</p><p>professores e estudantes na produção, colaboração, adaptação dos recursos educacionais abertos</p><p>(REA).</p><p>114</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 109. Declaração de Educação Aberta da Cidade do Cabo.</p><p>Disponível em: <https://aberta.org.br/wp-content/uploads/2018/01/CPt10Revisado.pdf></p><p>O documento “10 o. aniversário da Declaração de Educação Aberta da Cidade do Cabo” destaca dez direções para fortalecer a</p><p>educação aberta no mundo.</p><p>Fonte: ABERTA (2018)</p><p>A utilização dos REA originou as práticas educacionais abertas (PEA), conceituadas recentemente,</p><p>pois relatam a experiência de criação, uso e reuso dos REA. No cenário das PEA o que é significativo</p><p>é a abordagem pedagógica utilizada no espaço educativo que favoreceu e ampliou a vivência</p><p>da aprendizagem com o REA.</p><p>Um exemplo bem atual é a aprendizagem distribuída em Rede</p><p>propiciada pelos MOOCs (Massive Open Online Course),</p><p>curso aberto online em massa, difundindo em nosso cotidiano</p><p>por diversos ambientes virtuais de aprendizagem com</p><p>características diferenciadas e que, muitas vezes, tem como</p><p>único custo a impressão e/ou a certificação.</p><p>A História da EaD no Brasil e no Mundo</p><p>(...) compêndios citam as epístolas de São Paulo às comunidades cristãs da</p><p>Ásia Menor, registradas na Bíblia, como a origem histórica da Educação a</p><p>Distância. Estas epístolas ensinavam como viver dentro das doutrinas cristãs</p><p>em ambientes desfavoráveis e teriam sido enviadas por volta de meados do</p><p>século I. Considerando à parte esta informação, é possível estabelecer alguns</p><p>marcos históricos que consolidaram a Educação a Distância no mundo, a partir</p><p>do século XVIII.</p><p>Fonte: VASCONCELOS, 2010; GOLVÊA & OLIVEIRA, 2006.</p><p>Provocação</p><p>Depois dos estudos realizados você</p><p>afirmaria que EaD e EA possuem</p><p>o mesmo conceito? Descreva as</p><p>diferenças e semelhanças:</p><p>115</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Em 1728 considera-se o marco inicial da EaD, a Gazeta de Boston na edição de 20 de março,</p><p>anuncia um curso oferecido pelo prof. Caleb Philips por correspondência, sendo a primeira</p><p>iniciativa de muitas ações que ocorreram a seguir (ALVES, 2011):</p><p>Quadro 5. Fatos marcantes para a EaD no Mundo.</p><p>1829 -na Suécia é inaugurado o</p><p>Instituto Líber Hermondes, que</p><p>possibilitou a mais de 150.000</p><p>pesso- as realizarem cursos</p><p>através da Educação a Distância</p><p>1840 – na Faculdade Sir Isaac</p><p>Pitman, no Reino Unido, é</p><p>inaugurada a primeira escola</p><p>por correspondência na Europa</p><p>1856 – em Berlim, a Sociedade</p><p>de Línguas Modernas patrocina</p><p>os professores Charles Tous-</p><p>saine e Gustav Laugenschied</p><p>para ensinarem Francês por</p><p>correspondência</p><p>1892 – no Departamento de</p><p>Extensão da Universidade de</p><p>Chicago, nos Estados Unidos da</p><p>América, é criada a Divisão de</p><p>Ensino por Correspondência</p><p>para preparação de docentes</p><p>1922 – inicia-se cursos por</p><p>correspondência na União</p><p>Soviética</p><p>1935 – o Japanese National</p><p>Public Broa- dcasting Service</p><p>inicia seus programas escolares</p><p>pelo rádio, como complemento</p><p>e enriquecimento da escola</p><p>oficial</p><p>1947 – inicia-se a transmissão</p><p>das aulas de quase todas as</p><p>matérias literárias da Faculdade</p><p>de Letras e Ciências Humanas</p><p>de Paris, França, por meio da</p><p>Rádio Sorbonne</p><p>1948 – na Noruega, é criada a</p><p>primeira legis- lação para</p><p>escolas por correspondência</p><p>1951 – nasce a Universidade de</p><p>Sudáfrica, atualmente a única</p><p>universidade a distância da</p><p>África, que se dedica</p><p>exclusivamente a desenvolver</p><p>cursos nesta modalidade</p><p>1956 – a Chicago TV College, Estados</p><p>Unidos, inicia a transmissão de programas</p><p>educativos pela televisão, cuja influência</p><p>pode notar-se rapidamente em outras</p><p>universidades do país que não tardaram</p><p>em criar unidades de ensino a distância,</p><p>baseadas fundamentalmente na televisão</p><p>1960 – na Argentina, nasce a</p><p>Tele Escola Pri- mária do</p><p>Ministério da Cultura e</p><p>Educação, que in- tegrava os</p><p>materiais impressos à televisão</p><p>e à tutoria</p><p>1968 – é criada a Universidade</p><p>do Pacífico Sul, uma</p><p>universidade regional que</p><p>pertence a 12 países-ilhas da</p><p>Oceania</p><p>1969 – no Reino Unido, é criada</p><p>a Fundação da Universidade</p><p>Aberta</p><p>1971 – a Universidade Aberta</p><p>Britânica é fundada</p><p>1972 – na Espanha, é fundada a</p><p>Universi- dade Nacional de</p><p>Educação a Distância</p><p>1977 – na Venezuela, é criada a</p><p>Fundação da Universidade</p><p>Nacional Aberta</p><p>1978 – na Costa Rica, é fundada</p><p>a Univer- sidade Estadual a</p><p>Distância</p><p>1984 – na Holanda, é</p><p>implantada a Univer- sidade</p><p>Aberta</p><p>1985 – é criada a Fundação da</p><p>Associação Europeia das</p><p>Escolas por Correspondência</p><p>1985 – na Índia, é realizada a</p><p>implantação da Universidade</p><p>Nacional Aberta Indira Gandhi</p><p>1987 – é divulgada a resolução</p><p>do Par- lamento Europeu sobre</p><p>Universidades Abertas na</p><p>Comunidade Europeia</p><p>1987 – é criada a Fundação da</p><p>Associação Europeia de</p><p>Universidades de Ensino a</p><p>Distância</p><p>1988 – em Portugal, é criada a</p><p>Fundação da Universidade</p><p>Aberta</p><p>1990 – é implantada a rede Europeia</p><p>de Educação a Distância, baseada na</p><p>declaração de Budapeste e o</p><p>relatório da Comissão sobre educa-</p><p>ção aberta e a distância na</p><p>Comunidade Europeia</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2019).</p><p>Todos estes acontecimentos registrados até a década de 90 nos mostram a adoção da EaD, bem</p><p>como seu aprimoramento, em todo o mundo. As experiências realizadas ao longo dos programas</p><p>de formação permitiram o desenvolvimento de novas práticas e princípios pedagógicos.</p><p>Em nosso país temos como registro a primeira ação em EaD em 1904, sendo um curso de</p><p>datilografia por correspondência divulgado na seção dos Classificados pelo Jornal do Brasil. A</p><p>partir deste momento uma série de programas foram sendo realizados com o intuito de formar</p><p>116</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>profissionais, especialmente, na área técnica, tendo em vista a expansão industrial do país</p><p>(ALVES, 2011):</p><p>Quadro 6. Fatos marcantes para a EaD no Brasil.</p><p>1923 –Criação da Rádio</p><p>Sociedade do Rio de Janeiro</p><p>1934 – Fundação da Rádio–</p><p>Escola Municipal no Rio de</p><p>Janeiro</p><p>1939 – Fundação em São</p><p>Paulo do Instituto Rádio</p><p>Técnico Monitor</p><p>1941 - Criação do Instituto</p><p>Universal Brasileiro</p><p>1947</p><p>1959 – Criação de escolas</p><p>radiofônicas em Natal</p><p>1962 -Fundação da Ocidental</p><p>School focada no campo da</p><p>eletrônica</p><p>1967 – o Instituto Brasileiro de</p><p>Administração Municipal usa</p><p>ensino por correspondência.</p><p>Fundação Padre Landell de</p><p>Moura criou seu núcleo de</p><p>Educac ̧̃o a Distância.</p><p>1970 – Projeto MINERVA</p><p>1974</p><p>1976 –Sistema Nacional de</p><p>Teleducação</p><p>1979 – a Universidade de</p><p>Brasília cria cursos veiculados</p><p>por jornais e revistas</p><p>1981 – Fundação do Centro</p><p>Internacional de Estudos</p><p>Regulares (CIER) do Colégio</p><p>Anglo- Americano que oferecia</p><p>Ensino Fundamental e Médio a</p><p>distância.</p><p>1983 – O SENAC desenvolveu</p><p>uma série de programas</p><p>radiofônicos sobre orientação</p><p>profissional</p><p>1991</p><p>1992 – é criada a Universidade</p><p>Aberta de Brasília</p><p>1995 –Secretaria Municipal de</p><p>Educação cria a MultiRio (RJ)</p><p>Ainda em 1995, foi criado o</p><p>Programa TV Escola</p><p>1996 – é criada a Secretaria de</p><p>Educação a Distância (SEED),</p><p>pelo Ministério da Educação</p><p>2000 – é formada a UniRede,</p><p>Rede de Educação Superior a</p><p>Distância ; nasce o Centro de</p><p>Educação</p><p>a Distância do Estado</p><p>do Rio de Janeiro (CEDERJ)</p><p>2002</p><p>a</p><p>2004 – Proletramento e o</p><p>Mídias na Educação são ações</p><p>que conflagraram na criação do</p><p>Sistema Universidade Aberta</p><p>do Brasil.</p><p>2005 – é criada a Universidade</p><p>Aberta do Brasil</p><p>2006 – entra em vigor o</p><p>Decreto n° 5.773, de 09 de</p><p>maio de 2006</p><p>2008 – em São Paulo, uma Lei</p><p>permite o ensino médio a</p><p>distância ( até 20% da carga</p><p>horária)</p><p>Portaria no</p><p>2011 – A Secretaria de</p><p>Educação a Distância é extinta</p><p>Fonte: Elaborado pela Autora (2019).</p><p>Figura 110. Jornal anuncia a instalação da Radio Sociedade Rio de Janeiro.</p><p>Fonte:ELMCLARRY (1998)</p><p><http://elmclarrypage.weebly.com/uploads/4/7/8/9/47894473/6665143_orig.jpg></p><p>117</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Em 1923, com a criação da Radio Sociedade Rio de Janeiro iniciaram as primeiras ofertas EaD</p><p>de cursos profissionalizantes, um grupo liderado por Henrique Morize e Edgard Roquette-Pinto,</p><p>ofereciam cursos de Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, Esperanto, Radiotelegrafia</p><p>e Telefonia. Com a boa aceitação da população Roquette Pinto, em 1934, fundou a Radio Escola</p><p>Municipal no Rio de Janeiro, nestes cursos caracterizados por uma nova organização didática,</p><p>os estudantes tinham acesso prévio aos encartes e ementas as aulas, sendo o principal contato</p><p>via correspondência.</p><p>Em São Paulo, no ano de 1939, iniciam as atividades</p><p>do primeiro instituto brasileiro a disponibilizar</p><p>cursos profissionalizantes via correspondência,</p><p>Instituto Rádio Técnico Monitor, atualmente</p><p>conhecido como Instituto Monitor. Em seguida,</p><p>1941, um ex sócio do Instituto Monitor funda</p><p>o Instituto Brasileiro que também tem como</p><p>objetivo a oferta de cursos profissionalizantes.</p><p>Seu papel foi significativo para a formação de</p><p>indivíduos capacitados, alcançando o numero</p><p>de 4 milhões de pessoas que finalizaram o curso</p><p>e, ainda hoje, possui cerca de 200 mil estudantes.</p><p>Figura 111. Folheto Impresso do Instituto Rádio</p><p>técnico Monitor.</p><p>Fonte: Radio técnico, 1939.</p><p>Figura 112. Folheto Impresso do Instituto Universal Brasileiro.</p><p>Fonte: Instituto Universal Brasileiro (1997)</p><p><https://2.bp.blogspot.com/-BYfjbuUAbvg/v2QFIArOiCI/AAAAAAAAAOE/axlEckHbfvYYczOzCae4RjXedtMkI6WyQCLcB/</p><p>s1600/iub3im7.jpg></p><p>118</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Em 1944 iniciou a Universidade do Ar que foi reorganizada e apresentada novamente a sociedade</p><p>em 1947 com o patrocínio do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Serviço</p><p>Social do Comércio (SESC) e outras entidades, oferecendo cursos comerciais radiofônicos</p><p>(estudantes estudavam por meio de material impresso e tinham o apoio de monitores na correção</p><p>dos exercícios). Com a criação de diversas escolas radiofônicas em 1959, pelo Diocese de Natal</p><p>– Rio Grande do Norte, originou-se o Movimento de Educação de Base (MEB), considerado um</p><p>marco na EaD não formal.</p><p>As práticas em EaD vão sendo consolidadas por meio das ondas dos rádios e via</p><p>correspondência, possibilitando que o Instituto Brasileiro de Administração Municipal oferte</p><p>atividades na área da educação pública desenvolvendo-se por meio de correspondência. Ainda</p><p>em 1967, a Fundação Padre Landell de Moura funda seu Núcleo de Educação a Distância,</p><p>objetivando o constante estudo e organização de formação inicial e continuada em EaD, por</p><p>meio da metodologia de ensino por cartas e rádio.</p><p>Com a necessidade constante de trabalho integrado e</p><p>compartilhado, surgiu o convênio em 1970 (Projeto MINERVA)</p><p>entre o Ministério da Educação, a Fundação Padre Landell</p><p>de Moura e Fundação Padre Anchieta; reunindo as melhores</p><p>práticas e experiências em EaD, ampliando a possibilidade</p><p>de atingir uma maior numero de pessoas com o suporte do</p><p>Ministério da Educação, utilizando o rádio como ferramenta</p><p>pedagógica e de inclusão social de jovens e adultos.</p><p>Figura 113. Caderno de Estudo</p><p>impresso do Projeto Minerva.</p><p>Fonte: MEC, 1973.</p><p>Figura 114. Noticia do Jornal Impresso sobre a TV Educativa.</p><p>Fonte: MEC, 1971</p><p><https://s3.amazonaws.com/s3.timetoast.com/public/uploads/photos/8676165/tvE_ARQUIvO_RECORtE_zH_1.</p><p>jpg?1478654599></p><p>Ainda pensando na inclusão dos jovens e adultos, com a crescente taxa de analfabetos e indivíduos</p><p>que não conseguiam continuar seus estudos, em 1971 o Instituto Padre Reus e a TV Ceará</p><p>119</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>organizaram cursos destinados ao segundo segmento do ensino fundamental (antigamente 5ª. a</p><p>8ª. séries), com material impresso, vídeo pela televisão e monitores para saneamento das dúvidas.</p><p>Em 1976, após a avaliação e sucesso das práticas com o suporte da televisão, criou-se o Sistema</p><p>Nacional de Teleducação, agregando o uso desta nova mídia ao material impresso básico para</p><p>estudo e leitura. Assim aumentam os interesses de estudo e uso da EaD em todo o território</p><p>nacional, especialmente, no ensino superior com o pioneirismo da Universidade de Brasilia,</p><p>com a veiculação de cursos por jornais e revistas, sendo considerada um marco para a EaD e</p><p>transformada em Centro de Educação Aberta, Continuada a Distância (CEAD) em nosso país.</p><p>No Rio de Janeiro, em 1981, o Colégio Anglo Americano inovou fundando o Centro Internacional</p><p>de Estudos Regulares (CIER), oferecendo ensino fundamental e médio em EaD, para crianças e</p><p>jovens. O CIER possibilitou que as famílias brasileiras que temporariamente estivessem fora do</p><p>país, permanecessem estudando pelo sistema educacional brasileiro.</p><p>Figura 115. Cartaz de divulgação da tv Escola.</p><p>Fonte: MEC, 1997</p><p>Fonte: <https://pbs.twimg.com/media/Dtgrgf1XQAcpd97.jpg></p><p>A Fundação Roquete Pinto, sempre pioneira na produção e desenvolvimento de programas em</p><p>EaD, lança em 1991 o programa “Jornal da Educação – Edição do Professor”. Este programa foi</p><p>o idealizador do marco nacional da EaD, especialmente para a formação de educadores, que é</p><p>o “Um salto para o futuro”, ofertado pela TV Escola (canal educativo da Secretaria de Educação</p><p>a Distância – MEC).</p><p>Da década de 90 até o ano 2000 iniciativas com o foco em transmissão televisiva e via satélites são</p><p>desenvolvidas como práticas em EaD. No Rio de Janeiro, organiza-se a MultiRio (RJ), que possui</p><p>um papel crucial na produção e distribuição de conteúdos no cenário educacional brasileiro,</p><p>incluindo um canal com vídeos e programas construídos por professores e estudantes da rede</p><p>municipal de ensino.</p><p>Com a criação da Secretaria de Educação a Distância (SEED) privilegia-se no contexto nacional</p><p>programas e práticas públicas que asseguram a qualidade em sua oferta, desdobrando-se em atos</p><p>normativos e regulatórios nos anos a seguir. Em 2000 formou-se a UniRede, Rede de Educação</p><p>120</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Superior a Distância, consórcio que reuniu 70 instituições públicas do Brasil, por meio da oferta</p><p>de cursos a distância. Neste mesmo ano,no Estado do Rio de Janeiro, origina-se o Centro de</p><p>Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ),oferecendo cursos de graduação,</p><p>pós-graduação e extensão.</p><p>A expansão da EaD pública no território nacional é facilitada pela formação da a Universidade</p><p>Aberta do Brasil, uma parceria entre o MEC, estados e municípios.</p><p>gerações de EaD</p><p>Provocação</p><p>O breve histórico da EaD no Brasil e no mundo, estudado no tópico anterior, nos possibilita afirmar que as Tecnologias da</p><p>Informação e da comunicação foram essenciais para o desenvolvimento das ações a serem implementadas, favorecendo a</p><p>comunicação e interação entre as pessoas. Moore & Kearsley (2007) organizam a evolução da EaD em cinco gerações.Retorne</p><p>ao tópico anterior, olhe a linha do tempo, e tente organizar a EaD por geração, como você organizaria?</p><p>A primeira geração, também conhecida como geração textual, tinha como caraterística o uso de textos</p><p>impressos via correspondência, conhecidos como tecnologia independente, que não necessita de</p><p>recursos eletrônicos ou elétricos para o seu funcionamento. Os cursos utilizavam os correios para</p><p>envio do material, exercícios e até mesmo avaliações. Destaca-se o baixo nível</p><p>de interatividade,</p><p>no entanto, como estratégia pedagógica democratizou o acesso a educação a uma população</p><p>desfavorecida socialmente. A interação do estudante com o professor é unidirecional caracterizada</p><p>por um “distanciamento espacial e temporal”, configurando numa distância transacional repleta de</p><p>desafios e dificuldades.</p><p>Figura 116. Folheto de ensino por correspondência.</p><p>Fonte: Alvaro torrao, 1920.</p><p>121</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Figura 117. Anúncio do Telecurso 2o. Grau no Jornal impresso.</p><p>Fonte: Fundação Roberto Marinho (1978)</p><p><https://4.bp.blogspot.com/-HwjUtDKF_U8/WcANfj-oMqI/AAAAAAAAfcw/rpS6yXRa1dYwzIjhsNW_Iub8IzeGzEx6gCLcBGAs/</p><p>s1600/estadao%2B15.01.1978.Png></p><p>A segunda geração iniciou-se com a popularização do uso do rádio e da TV, ampliando o acesso</p><p>a EaD e a estes recursos. Por ser uma nova fase também foram aprimoradas as estratégias</p><p>pedagógicas, adaptadas ao meio radio e tv, consideradas tecnologias dependentes por necessitar</p><p>de vários recursos elétricos ou eletrônicos para o seu desenvolvimento. Novas ferramentas foram</p><p>introduzidas nesta geração, muitas delas ainda utilizadas atualmente, tais como: fita k-7, telefone,</p><p>caderno de estudos, apostilas, fitas vhs. Os cursos também considerados multimidiáticos eram</p><p>ofertados com um mix de recursos, reunindo as tecnologias da informação e da comunicação</p><p>disponíveis. Nesta geração a relação do professor com o estudante começa a se estabelecer de</p><p>forma bidirecional e síncrona por meio do uso do telefone, especialmente.</p><p>A geração das Universidades Abertas, denominada como a terceira geração, surgiu na Europa em</p><p>1969 na Inglaterra com a Bristish Open University. Com maior interatividade, os cursos foram</p><p>planejados com menor custo para estudantes não universitários mas como ênfase na qualidade.</p><p>Uma multiplicidade de recursos e estratégias pedagógicas eram utilizados para assegurar a relação</p><p>estudante-professor, bem como o processo ensino- aprendizado, tais como: conferências via</p><p>telefone, transmissão por rádio, orientação via correspondência, fitas k7 e vhs com gravações, kits</p><p>para experiência em residência, disponibilização da biblioteca e infraestrutura da Universidade</p><p>para encontros presenciais (principalmente nas férias).</p><p>Vermeersch (2006) destaca que nesta geração o diálogo é compreendido como uma interação</p><p>construtiva, sendo favorecido pelo uso das TIC, evitando o isolamento e propiciando a construção</p><p>de uma comunidade real de aprendizagem. refere-se a três tipos:</p><p>» Diálogo instrucional – professor fornece as instruções aos estudantes.</p><p>122</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>» Diálogo indireto – elaboração de perguntas e atividades para o aprendiz verificar os</p><p>resultados da sua aprendizagem.</p><p>» Diálogo direto – conversa em tempo real ou assíncrona com o próprio estudante (via</p><p>email, telefone, fórum, entre outros).</p><p>Na quarta geração, integrou-se diversos recursos utilizados anteriormente com o uso do</p><p>computador e da internet, propiciando uma revolução no desenvolvimento da EaD. As fragilidades</p><p>apontadas nas gerações anteriores podem ser superadas com a inserção destas duas tecnologias</p><p>no cotidiano educacional. Nesta fase, iniciou-se a interação em tempo real com o estudante, a</p><p>tutoria síncrona (em tempo real) e assíncrona (em tempos diferentes) minimizou a evasão dos</p><p>cursos e possibilitou o acompanhamento mais próximo do desenvolvimento do indivíduo. Esta</p><p>geração da inteligência flexível ampliou ainda mais o alcance da EaD.</p><p>A última geração, conhecida com a geração internet, destacou-se pela aprendizagem flexível. São</p><p>os cursos ofertados atualmente, baseados na web, com materiais digitais e ambiente virtual de</p><p>aprendizagem. Estas tecnologias surgem para superar a sensação de “distância” ainda existentes</p><p>entre os professores/tutores com os estudantes, propiciando aprendizado em colaboração,</p><p>estratégias blended (ora presenciais ora a distância, os famosos cursos flex), aulas ao vivo,</p><p>aulas gravadas e disponíveis via web, bem como o uso de ambientes não estruturados para a</p><p>aprendizagem formal para o desenvolvimento de formações diversas (exemplo: as mídias sociais).</p><p>Ultimamente existem cursos desenvolvidos em aplicativos de mensagem instantânea, nas mídias</p><p>sociais e no próprio smartphone.</p><p>Percebemos que nas 1ª e 2ª gerações, o ambiente pedagógico é centrado conhecimento, o objetivo</p><p>principal dos cursos é a transmissão de conhecimento e a aquisição de novas rotinas por meio</p><p>de materiais e manuais impressos.</p><p>Já na 3ª. Geração, o ambiente pedagógico é centrado na comunidade, as ferramentas disponibilizadas</p><p>favorecem a interação de forma assíncrona, estimulando a colaboração e o aprendizado entre</p><p>os pares. Nas 4ª. e 5ª. gerações novos papeis são esperados dos professores e estudantes na</p><p>modalidade EaD, sendo considerados determinantes para o sucesso do ensino, agora on-line.</p><p>Novas competências e perfis dos estudantes e professores</p><p>na EaD</p><p>Provocação</p><p>Será que existe um típico estudante de EaD? E será que existe um docente com perfil para EaD? Existem competências e</p><p>habilidades necessárias para o estudo EaD? Antes de começar a leitura pense nestes questionamentos.</p><p>123</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Leia a descrição dos estudantes abaixo que atuam na EaD:</p><p>Mauro trabalha no PARES (Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio), no Cáritas – Rio</p><p>de Janeiro, auxilia os refugiados a se integrarem no Estado. A língua materna dele é a Portuguesa, no entanto,</p><p>necessita aprender novas línguas. neste primeiro momento optou pelo Inglês e para se capacitar fez sua</p><p>matrícula num curso EaD. Mauro está responsável por várias famílias de refugiados, viaja frequentemente</p><p>para os municípios no interior do Estado do Rio de Janeiro e divide as tarefas de casa com a sua esposa,</p><p>Joana. Mauro possui 2 horas livres por dia, dedica-se na hora do almoço e a noite quando chega em sua</p><p>residência às leituras e atividades do curso.</p><p>Luisa trabalha como técnica de enfermagem num hospital municipal de Belo Horizonte, a rede em que atua</p><p>está formando seus colaboradores por meio de um curso em EaD. Este curso é essencial para ascender em</p><p>sua profissão e ter uma remuneração melhor. O curso possui materiais para leitura, que Luisa imprime e lê ao</p><p>longo do dia, nas brechas entre os atendimentos. Assim quando acessa o celular pode entrar no AVA do curso</p><p>e trocar informações com a turma e seus colegas. Para Luisa é sempre um tormento acessar a sala virtual</p><p>do curso, ela se atrapalha, não entende as orientações e sempre solicita auxílio de alguém que esteja por</p><p>perto. Luisa também não gosta muito de ler, não lê livros te só “passa o olho” nos jornais na banca próxima ao</p><p>ponto de ônibus.</p><p>Os estudantes acima representam características distintas e contextos diferenciados que os</p><p>fazem únicos , podendo ser semelhante ou diferente à sua história de vida. Tal como um aluno</p><p>da modalidade presencial a forma como irão abordar a aprendizagem influenciará em seu estudo.</p><p>Até a década passada o perfil do estudante em EaD era de adultos com vidas ativas, compromisso</p><p>familiares e profissionais, com objetivos claros de aprendizagem, sem estudo formal há muitos</p><p>anos, pouco acesso a bibliotecas ou outros recursos acadêmicos e pouco tempo para estudo</p><p>(ARETIO, 1996; FIORENTINI, 2003).</p><p>Estas implicações delimitadas acima determinavam o ritmo, o tempo e as atividades planejadas</p><p>ao longo de um curso EaD. Aretio (1996) aponta que os principais desafios que envolvem a</p><p>aprendizagem de adultos são:</p><p>» Diminuição da curiosidade.</p><p>» A memória tende a diminuir.</p><p>» Diminuição na rapidez de reação e das atitudes sensoriais e receptivas.</p><p>» A aprendizagem tende a ser mais lenta do que na infância.</p><p>» Dificuldade na mudança de hábitos.</p><p>» Cansaço e escassez de tempo devido as atribuições do cotidiano pessoal, familiar e</p><p>profissional.</p><p>No entanto, alguns atributos essenciais devem ser ressaltados: disciplina e organização, foco,</p><p>proatividade e facilidade</p><p>com internet. O estudante que opta estudar na EaD deve buscar</p><p>ferramentas para a organização do seu estudo, levando em consideração as destacadas pela</p><p>Instituição de ensino, deve ter acesso a web e saber basicamente navegar por ela, ter noção</p><p>124</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>básica de uso dos editores de textos para participar nos fóruns e construir seus trabalhos no</p><p>computador/tablet, autonomia é a palavra chave para a sua atuação no curso.</p><p>Figura 118. Competências desenvolvidas pela EaD.</p><p>Fonte: UOL (2016)</p><p><https://f.i.uol.com.br/estudiofolha/images/1903812.jpeg></p><p>125</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>O estudante na educação em rede deve ter múltiplos papéis: persistente, organizado, autônomo,</p><p>ter iniciativa, ser flexível e tenaz.</p><p>E para acompanhar este novo ritmo de estudante que surge com a sociedade digital, em especial,</p><p>a EaD, se faz necessário novas competências docentes para a mediação do processo ensino</p><p>aprendizagem, num contexto multimidiático e flexível.</p><p>Para Moran (2007, p. 30) o professor na EaD atual tem como papel ser “o orientador/gestor</p><p>setorial do processo de aprendizagem, integrando de forma equilibrada a orientação intelectual, a</p><p>emocional e a gerencial”. Novas competências surgem num cenário mais desafiador, cabendo ao</p><p>educador ser um constante pesquisador e provocador, aprendendo e ensinando num processo</p><p>que se retro-alimenta, sendo um orientador de percursos, que para Moran (2007):</p><p>Figura 119. Características do Professor na EaD.</p><p>Mediador Intelectual</p><p>Mediador</p><p>emocional</p><p>Mediador gerencial e</p><p>comunicacional</p><p>Mediador</p><p>ético</p><p>Professor</p><p>Orientador</p><p>Fonte: Moran, 2007.</p><p>Sabendo que o “orientar” configura-se no principal papel do docente, neste novo contexto de</p><p>ensino, “mediar” assume uma ação de possibilitar o estudante construir com autoria o seu</p><p>caminho acadêmico, tendo um profissional com mais experiência em determinado conteúdo</p><p>mas que o permite inovar, aprendendo juntos.</p><p>Para Moran (2007) o professor orientador/mediador intelectual é aquele que auxilia o estudante</p><p>a selecionar as informações relevantes, possibilitando que estas tornem-se significativas,</p><p>compreendendo-as e avaliando sua aplicação prática e conceito ético. O professor orientador/</p><p>mediador emocional tem como principal papel motivar e incentivar o estudante a ser a sua melhor</p><p>versão, propiciando que com equilíbrio, possa se fortalecer diante os desafios superando-os com</p><p>autenticidade, também deve promover situações de aprendizagem que provoquem empatia entre</p><p>a comunidade de aprendizagem. O professor orientador/mediador gerencial e comunicacional</p><p>tem como competência central ser a ponte entre o estudante e o ambiente institucional, auxilia</p><p>no planejamento e suporte tecnológico, organiza grupos de pesquisa, orienta o processo de</p><p>126</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>avaliação e desenvolve variadas formas de expressão do sujeito. Já o papel de orientador ético</p><p>“ensina a assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente”.</p><p>Algumas especificidades em relação à comunicação e estratégias pedagógicas são essenciais para</p><p>uma interação com confiança e transparente do professor com o estudante, são elas (CHIKERING</p><p>e EHRMANN, 1999, p.100/101):</p><p>Figura 120. Competências do professor na EaD.</p><p>Encorajar contato entre</p><p>estudantes e Universidade</p><p>Encorajar cooperação entre</p><p>os estudantes</p><p>Encorajar aprendizagem</p><p>colaborativa</p><p>Dar retorno e respostas</p><p>imediatas</p><p>Enfatizar tempo para as</p><p>tarefas</p><p>Comunicar altas</p><p>expectativas</p><p>Respeitar talentos e modos</p><p>de aprender diferentes</p><p>Fonte: Autora, 2019.</p><p>As posturas em destaque possibilitam uma integração com o universo do estudante, facilitando</p><p>a interação e propiciando que este vá além da atividade proposta em cada disciplina do curso</p><p>on-line, em seu ritmo próprio e com o seu estilo de aprendizagem. O docente que compreende</p><p>seu papel como um “mediador pedagógico”, reconhece que está centrado na aprendizagem do</p><p>estudante e que precisava ouvi-lo, sendo empático e co-responsável em todo o processo.</p><p>127</p><p>EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA • CAPÍTULO 6</p><p>Considera o aluno como adulto, ou seja, busca propostas pedagógicas destinadas a esta faixa etária</p><p>(andragogia). Está sempre lendo e pesquisando novas formas e meios de desenvolvimento do</p><p>estudante, com ênfase na aquisição de habilidades e competências, não somente a memorização</p><p>do conteúdo. Desta forma facilita a relação do indivíduo com as ferramentas tecnológicas,</p><p>promove a reflexão e questionamentos desafiadores linkados com o mundo real.</p><p>As competências e habilidades para o século XXI, que podem ser compreendidas também</p><p>na perspectiva do estudantes, envolvem três domínios cognição, interpessoal e intrapessoal,</p><p>promovendo os “4 Cs”: colaboração, comunicação, criatividade e pensamento crítico.</p><p>Figura 121. 4Cs.</p><p>Fonte: (FAvA, 2014).</p><p><https://s3.amazonaws.com/porvir/wp-content/uploads/2012/08/habilidadesdoseculo21.jpg></p><p>A “cognição” relaciona-se às estratégias e processos de aprendizagem, memória, capacidade de</p><p>solucionar novos problemas, tomar decisão e ao pensamento crítico. A competência “interpessoal”</p><p>envolve a liderança, o trabalho em equipe, a empatia, expressão das suas ideias e respeito ao</p><p>posicionamento das outras. E a “intrapessoal” é a chave para o auto-conhecimento, ou seja, a</p><p>habilidade de compreender as suas emoções, de perseverar diante os desafios do cotidiano,</p><p>sendo responsável e flexível, moldando comportamentos que auxiliam o alcance dos objetivos</p><p>(FAVA, 2014).</p><p>128</p><p>CAPÍTULO 6 • EDUCAçãO ABERtA E A DIStÂnCIA</p><p>Sintetizando</p><p>Vimos até agora:</p><p>» De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educacional Nacional (9394/96) vigente a Educação brasileira é organizada</p><p>em duas modalidades, presencial e a distância.</p><p>» Educação a distância (EaD) é a uma modalidade de ensino que tem como característica o uso de tecnologias para mediar</p><p>o processo ensino e aprendizagem, possibilitando que estudantes e professores estejam distantes fisicamente, mas que</p><p>possam interagir por meio dos recursos oferecidos.</p><p>» A Educação a distância tem sido configurada como uma ferramenta eficaz para a formação em grande escala,</p><p>possibilitando que num país continental como o Brasil, sem redução da qualidade da oferta dos cursos, possam ofertar</p><p>cursos que qualifiquem os indivíduos diante às necessidades de cada região.</p><p>» Ao longo da história da humanidade a EaD sempre esteve ligada as tecnologias da informação e da comunicação (TIC)</p><p>de cada época existem registros que consideram as primeiras ações desta modalidade de ensino realizadas por meio de</p><p>correspondências.</p><p>» A “Educação Aberta” (EA) apresenta as seguintes características: aprendizagem centrada no estudante, criação e uso de</p><p>materiais construídos pelos aprendizes, não possui restrição ao acesso do estudante (sem exigência de formação mínima),</p><p>acesso aberto a repositórios de pesquisas públicas e softwares educacionais com código aberto.</p><p>» O estudante na EaD deve desenvolver os seguintes atributos: disciplina e organização, foco, proatividade e facilidade</p><p>com internet, buscando ferramentas para a organização do seu estudo, levando em consideração as destacadas pela</p><p>Instituição de ensino, deve ter acesso a web e saber basicamente navegar por ela, ter noção básica de uso dos editores de</p><p>textos para participar nos fóruns e construir seus trabalhos no computador/tablet, autonomia é a palavra chave para a sua</p><p>atuação no curso.</p><p>» O professor na EaD atual tem como papel ser “o orientador/gestor setorial do processo de aprendizagem, integrando de</p><p>forma equilibrada a orientação intelectual, a emocional e a gerencial”.</p><p>» As competências e habilidades para o século XXI, que podem ser compreendidas também na perspectiva do estudantes,</p><p>envolvem três domínios cognição, interpessoal e intrapessoal, promovendo os “4 Cs”: colaboração, comunicação,</p><p>criatividade e pensamento crítico.</p><p>129</p><p>Referências</p><p>AGUIAR, Giseli.; SILVA,</p><p>de pedra para caçar e cortar peles, entre outros. Esta</p><p>“Era” tão conhecida pelas pinturas rupestres, que veio antes</p><p>da criação da escrita, é chamada de pré-história e é dividida</p><p>em idade da pedra, do bronze e do ferro.</p><p>Na Idade da Pedra, os homens – que eram frágeis fisicamente diante dos outros</p><p>animais e das manifestações da natureza – conseguiram garantir a sobrevivência</p><p>da espécie e sua supremacia, pela engenhosidade e astúcia com que dominavam</p><p>o uso de elementos da natureza. (KENSKI, 2005, p. 15).</p><p>Usavam as cavidades naturais das rochas, copas de árvores e tendas de galhos como “casas”;</p><p>criavam tintas com alguns minerais coloridos, sepultavam seus mortos em “dólmenes”, aprenderam</p><p>como obter o fogo, vestiam-se com peles de animais, caçavam e plantavam sua comida todos os</p><p>dias, pois não tinham como armazenar os alimentos. Este mundo bem diferente deste em que</p><p>vivemos hoje existiu e nos deixou muitas contribuições e invenções que hoje podem até parecer</p><p>simples, mas causaram uma revolução à época.</p><p>Figura 7. Pintura rupestre realizada na parede de uma caverna.</p><p>Fonte: Portal guia Escolas</p><p>Disponível em: <http://www.portalguiaescolas.com.br/acontece-nas-escolas/wp-content/uploads/2015/10/lbv-rupestre.</p><p>jpg> Acessado em 8 de dezembro de 2018.</p><p>Saiba mais</p><p>O Museu do Côa, situado em Portugal no Vale do Côa,e constitui-se como o maior conjunto mundial</p><p>de arte paleolítica ao ar livre, Patrimônio Mundial pela Unesco.</p><p>Saiba mais</p><p>Aproveite para navegar pelo Museu Virtual</p><p>“Arte na Pré – História” e conheça um</p><p>pouco mais : <http://museusesi.blogspot.</p><p>com/p/arquitetura-do-egito.html></p><p>14</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>A “invenção da roda” possibilitou a superação da locomoção e movimentação de cargas que</p><p>estavam além da capacidade humana. O indivíduo era nômade, e esta nova “tecnologia” permitiu</p><p>novas práticas e atividades que alteraram a rotina das comunidades desse período histórico e,</p><p>também, daqueles que vieram depois.</p><p>Figura 8. Linha do tempo que apresenta a evolução da roda de pedra à roda automotiva.</p><p>Fonte: Burica Pneus</p><p>Disponível em: <http://www.buricapneus.com.br/files/noticias/9/b08ec850176fa37a8c82577d4b9c863f.jpeg></p><p>Acessado em 10 de dezembro 2018.</p><p>Ao longo da história do nosso planeta podemos afirmar que o homem e a mulher modificaram</p><p>tanto a natureza quanto construíram diversas ferramentas para superar as dificuldades que</p><p>vivenciam em suas relações. Assim, podemos afirmar que “as tecnologias são tão antigas quanto</p><p>a espécie humana” (KENSKI, 2005, p. 15), em cada época temos uma tecnologia. Você saberia</p><p>dizer o porquê? Registre a seguir seus comentários sobre a afirmativa da autora Kenski (2005):</p><p>O processo cotidiano e crescente de inovações somente é possível porque utilizamos o raciocínio,</p><p>o nosso conhecimento materializado, ou seja, quando o colocamos em prática, origina diversos</p><p>“equipamentos, instrumentos, produtos, processos, ferramentas, enfim, a tecnologias” (KENSKI,</p><p>2005, p. 15).</p><p>E isso acontece a todo o instante e tempos históricos, não sendo uma marca apenas de um século,</p><p>pois faz parte do nosso dia a dia.</p><p>Então podemos afirmar que estamos rodeados de tecnologias? Como você definiria tecnologia?</p><p>Leia os conceitos de “tecnologia” a seguir:</p><p>15</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Conjunto de processos, métodos, técnicas e</p><p>ferramentas relativos à arte, indústria, educação, etc.</p><p>(Dicionário Michaelis, 2016)</p><p>As palavras técnica e tecnologia têm origem comum</p><p>na palavra grega techné, que consistia muito mais</p><p>em se alterar o mundo de forma prática do que</p><p>compreendê-lo. Inicialmente, era um processo em</p><p>que a contemplação científica praticamente não</p><p>exercia influências (KNELLER, 1978 )</p><p>A palavra tecnologia provém de uma junção do termo</p><p>tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do</p><p>grego logus, razão. Portanto, tecnologia significa a razão</p><p>do saber fazer (RODRIgUES, 2001).</p><p>Kenski (2008) conceitua tecnologia de duas formas</p><p>distintas: por meio da relação existente com técnicas</p><p>e equipamentos, e por meio das novas tecnologias,</p><p>levando em conta o conceito de inovação.</p><p>Fonte: Elaboração da Autora (2019).</p><p>E aí percebemos que o que nomeamos de tecnologia nos rodeia, a todo o momento, e nem</p><p>paramos para pensar como são usuais, naturais, ao nosso dia a dia. Vejamos alguns exemplos:</p><p>Figura 9. Exemplos de tecnologias utilizadas em nosso cotidiano.</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>A definição de tecnologia costuma nos apresentar conceituações diferentes, pois está</p><p>estreitamente relacionada com a história da técnica, do trabalho e da produção do homem e</p><p>da mulher, estabelecendo relações que alteram o seu contexto e trazendo novos significados</p><p>para as suas ações, “empregando uma técnica até então inexistente” (VERASZTO et al. 2008,</p><p>p. 65).</p><p>A tecnologia existia muito antes dos conhecimentos científicos, muito antes que</p><p>homens, embasados em teorias pudessem começar o processo de transformação</p><p>e controle da natureza. Além de ser mais antiga que a ciência, a tecnologia não</p><p>auxiliada pela ciência, foi capaz de inúmeras vezes, criar estruturas e instrumentos</p><p>complexos.</p><p>16</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Assim, cada indivíduo possui uma maneira de utilizar os objetos, as tecnologias e “(...) aos jeitos</p><p>ou às habilidades especiais de lidar com cada tipo de tecnologia, para executar ou fazer algo, nós</p><p>chamamos de técnicas” (KENSKI, 2005, p. 18). E, desta forma, cada geração, cada grupo social,</p><p>apresentará os seus costumes e hábitos de fazer a sua comida, de estudar, desde comunicar com</p><p>seus pares, vivenciando uma imensa diversidade de usos.</p><p>Figura 10. Modo de se alimentar na Índia.</p><p>Fonte: Mega Curioso</p><p>Disponível em: <https://img.ibxk.com.br/2014/3/materias/75105885812125123.jpg?w=1040></p><p>Acessado em 15 de abril de 2019.</p><p>Figura 11. vestuário típico das mulheres muçulmanas.</p><p>Fonte: Dhresource</p><p>Disponível em: <https://www.dhresource.com/0x0s/f2-albu-g4-M01-29-C9-rBvaEvewOn6AvMxfAAMlying1_E196.jpg/</p><p>mulheres-turcas-roupas-mulheres-mu-ulmanas.jpg></p><p>Acessado em 10 de dezembro de 2018.</p><p>As técnicas propiciam ao homem e à mulher usos bem diferentes das ferramentas e recursos</p><p>disponíveis, como vimos nas imagens acima. Vestuário e alimentação são diferenciados em cada</p><p>comunidade. Sendo assim, Veraszto et al. (2008, p. 64) afirmam que o grande diferencial do ser</p><p>humano para os animais:</p><p>(...) é que o primeiro descobriu que não tem  somente o seu corpo como</p><p>instrumento; muito  pelo contrário, o homem aprende que é capaz  de criar</p><p>17</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>extensões inéditas para que seus membros possam agir no meio de maneira</p><p>cada vez mais eficiente.</p><p>Após esta leitura, você ainda tem a mesma definição de “tecnologia” quando iniciou este estudo?</p><p>Vamos reler o conceito de tecnologia e técnica:</p><p>Tecnologia – podemos identificar como um corpo sólido de conhecimentos concebidos a partir</p><p>das necessidades sociais que alteram os valores e costumes, agregando-se à cultura de determinada</p><p>comunidade. É considerada uma produção basicamente humana que envolve a capacidade</p><p>de se criar utensílios, ferramentas, recursos, aparelhos e tecnologias simbólicas ou tecnologias</p><p>da inteligência (LEVY, 1993), tais como a escrita, a linguagem e sistemas de representação e de</p><p>pensamento.</p><p>Técnica – podemos compreender como o conjunto de métodos, processos ou regras que são</p><p>aplicados em determinada atividade/ação humana, sendo uma habilidade para desempenhar/</p><p>realizar determinada função (KUSSLER, 2015).</p><p>Vamos a exemplos bem interessantes que facilitam a compreensão da nossa distinção diante</p><p>dos conceitos acima:</p><p>Figura 12.</p><p>você sabe utilizar o micro-ondas para</p><p>descongelar ou cozinhar determinado alimento?</p><p>Sabe programar um relógio digital, pode ser</p><p>do seu próprio celular, para despertar em</p><p>determinado dia e horário? Consegue utilizar um</p><p>software de</p><p>José Fernando. Geração Y e as ferramentas de redes sociais: novas perspectivas para as</p><p>bibliotecas universitárias. XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação.</p><p>Florianópolis, SC, 2013.</p><p>ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini.; ALMEIDA, Fernando José de. Uma zona de conflitos e muitos interesses.</p><p>TV e Informática na Educação. Salto para o Futuro. MEC, Brasília, p. 49-54, 1998.</p><p>ALVES, Lucineia. Educação a distância: conceitos e história no Brasil e no mundo. Revista BAAD – ABED. São Paulo,</p><p>2011. Disponível em: <http://www.abed.org.br/revistacientifica/Revista_PDF_Doc/2011/Artigo_07.pdf>. Acesso em</p><p>12 de fevereiro de 2019.</p><p>ARETIO, Lorenzo Garcia. La educación a distancia y la UNED. Madrid: UNED, 1996.</p><p>BACICH, L. Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação. Tecnologias, Sociedade e Conhecimento,</p><p>Campinas, vol. 3, n. 1, dez. 2015. 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Se ainda não compreendeu a finalidade do</p><p>estudo até aqui realizado, reinicie a leitura com calma</p><p>e solicite suporte acadêmico a sua comunidade de</p><p>aprendizagem formada por seus professores, tutores,</p><p>estudantes e coordenadores.</p><p>18</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Conseguiu identificar que a tecnologia originou-se a partir do momento em que o homem e a</p><p>mulher pré-históricos realizaram a primeira modificação na natureza com o objetivo de aprimorar</p><p>o seu modo de viver e da sua comunidade?</p><p>Histórico das inovações tecnológicas no campo da</p><p>informação e da comunicação</p><p>O uso de inovações tecnológicas, que se aprimoram com o passar do tempo, possibilita aos</p><p>homens a ampliação da sua dominação, dos seus poderes políticos e econômicos (KENSKI, 2005).</p><p>A busca pela soberania política e/ou econômica tem sido o principal objetivo e investimento</p><p>dos países e instituições que utilizam boa parte do seu orçamento em inovação tecnológica, em</p><p>novos produtos que possam assegurar a manutenção do seu poder sobre os outros que adquirem,</p><p>como consumidores, diversas ferramentas que alcançam nossos lares.</p><p>Muitas foram as inovações elencadas ao longo da nossa leitura, mas algumas delas se destacam</p><p>por sua relevância para a história da própria tecnologia da informação e da comunicação, você</p><p>consegue pontuar algumas delas? Vamos relembrá-las numa breve linha do tempo:</p><p>1837 - 1839</p><p>Johannes Gutenberg, com o desenvolvimento da ptrensa para impressão tipográfica possibilitou</p><p>a primeira grande revolução com a publicação de livros, folhetos e, depois, jornais. Em 1837, foi</p><p>patenteado o telégrafo, considerado o maior meio de comunicação a longa distância do século</p><p>XIX e, logo em seguida, em 1839, o artista e pesquisador francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre</p><p>obteve a primeira fotografia.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 13. Johannes Gutenberg.</p><p>Disponível <https://pbs.twimg.com/profile_images/673316523826544640/54EaTlbt_400x400.jpg></p><p>Acesso em 09 de dez. de 2018</p><p>19</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Johannes Gutenberg (1396-1468) foi um inventor e gráfico alemão, sendo o primeiro a usar a prensa e os tipos móveis de</p><p>metal que revolucionaram a técnica de impressão.</p><p>Nasceu em Mogúncia, Alemanha, no ano de 1396. Poucos anos após seu nascimento sua família mudou-se para Estrasburgo,</p><p>onde Gutemberg viveu por mais de vinte anos. Em 1434 já era conhecido como um homem de grande habilidade mecânica,</p><p>proprietário de uma oficina onde ensinava vários ofícios, entre eles o de talhador de pedra, cortador e polidor de espelhos,</p><p>ourives etc. Quando Gutemberg nasceu, a impressão de imagens era feita através de carimbos e blocos de madeira que mal</p><p>permitia produzir textos. Sabe-se, que essa técnica foi usada pelo holandês Laurens Janszoon Closter e, que era antiga no</p><p>Extremo Oriente.</p><p>Saiba mais em e-biografia: <https://www.ebiografia.com/johannes_gutenberg/></p><p>Figura 14. Primeira fotografia registrada por Daguerre de uma rua em Paris.</p><p>Fonte: <https://oglobo.globo.com/sociedade/historia/conheca-primeira-fotografia-onde-aparece-um-ser-</p><p>humano-14468103></p><p>1876</p><p>Alexander Graham Bell pesquisou, durante anos, a transmissão de sons por meio da eletricidade</p><p>e, em 1876, patenteou o telefone. Mas foi Thomas Alva Edison que aprimorou esta última</p><p>invenção, desenvolveu a produção e distribuição de energia, e patenteou mais de 8 mil inventos</p><p>(fonógrafo, lâmpada elétrica, gramofone, cinetoscópio, entre tantos outros);</p><p>Saiba mais</p><p>Disponível em: <http://www.vantagebroadband.com.au/assets/images/AlexanderGrahamBell.jpg> Acesso em 08 dez. 2018</p><p>Alexander Graham Bell nasceu em Edimburgo, na Escócia. Sua família tinha tradição na correção da fala e no treinamento de</p><p>portadores de deficiência autditiva.</p><p>Saiba mais sobre Alexander Grahma Bell em:</p><p><https://educacao.uol.com.br/biografias/alexander-graham-bell.htm>.</p><p>20</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>1881 - 1891</p><p>O engenheiro eletrônico e físico John Ambrose Flemming trabalhou com Thomas Edison e esta</p><p>parceria rendeu a criação de geradores e luminárias e, juntamente com o cientista Marconi,</p><p>pesquisaram e construíram diversos recursos que possibilitaram a base técnico-cientifica para</p><p>o desenvolvimento do rádio, da televisão, bem como dos primeiros computadores.</p><p>Saiba mais</p><p>Disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_thomas_alva_edison_arquivos/image001.</p><p>jpg></p><p>Nasceu em 11 de fevereiro de 1847,  em Milan, localidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos. Autodidata, em 1863,</p><p>começou a trabalhar como operador de telégrafo da Western Union Telegraph Company.</p><p>Saiba mais sobre Thomas Edison em: <http://www.dee.ufrj.br/Museu/edison.html></p><p>]</p><p>Observa-se que nesse curto período de tempo “novas tecnologias” foram apresentadas à sociedade,</p><p>alterando modos e comportamento do indivíduo e sua comunidade, com desdobramentos até</p><p>os dias atuais.</p><p>Continuando com o nosso “passeio histórico”, destaca-se um novo período que possibilitou</p><p>novas pesquisas e tecnologias a chamada Guerra Fria.</p><p>Durante quase 50 anos, o mundo ficou dividido em dois grandes blocos de econômicos, de</p><p>poder, época conhecida como Guerra Fria. Algumas conquistas científicas que aconteceram</p><p>nessa época são consideradas essenciais para o desenvolvimento tecnológico vivenciado nas</p><p>últimas décadas. Vamos conhecê-las?</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Aproveite para conhecer um pouco mais desta história no site abaixo: <https://historiadigital.org/resumos/resumo-guerra-</p><p>fria/></p><p>Dica de Filme:</p><p>Dr. Fantástico – (1964) – Dirigido por Stanley Kubrick</p><p>Sinopse do Filme: Um general americano acredita que os soviéticos</p><p>estão sabotando os reservatórios de água dos Estados Unidos e</p><p>resolve fazer um ataque anticomunista, bombardeando a União</p><p>Soviética para se livrar dos “vermelhos”. Com as comunicações</p><p>interrompidas, ele é o único que possui os códigos para parar as</p><p>bombas e evitar o que provavelmente seria o início da Terceira</p><p>Guerra Mundial.</p><p>Figura 15. Carta do Filme Dr. Fantástico</p><p>Fonte: Descafeinado</p><p>Disponível em: <https://2.bp.blogspot.com/-dyVt70EQflA/</p><p>WOmWFGidiiI/AAAAAAAAdX8/ivpMaouG9jsPQfC8cTc2X4bcKHbD_</p><p>J17QCLcB/s1600/diDa3VLWtRktVrfHwPhIJHBwoBf.jpg> Acesso em</p><p>15 de abril de 2019</p><p>21</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Figura 16. Linha do tempo com inovações demarcatórias para o desenvolvimento tecnológico</p><p>contemporâneo..</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>Em 1957, os soviéticos lançaram o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik 1, e, em 1961,</p><p>Yuri Gagarin tornou-se o primeiro astronauta a realizar um voo de 48 minutos ao redor do planeta.</p><p>Em 1958, os Estados Unidos da América criaram a NASA, e, em 1969, conseguiram cumprir o</p><p>desafio lançado anteriormente, e dois astronautas chegaram até a Lua, pisaram o solo lunar e</p><p>hastearam uma bandeira do país.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Documentário – 40 anos do homem na Lua</p><p>Especial feito no ano em que se comemorava quarenta anos da chegada do homem a Lua. - Até 20 de julho de 1969, a ida do</p><p>homem à Lua parecia algo impossível. Uma série especial de três programas com depoimentos de astronautas, engenheiros</p><p>e chefes da missão conta detalhes do momento. A chegada do homem à lua marcou o século XX. Com o tempo, tecnologias</p><p>desenvolvidas pela NASA chegaram ao alcance de todos. A comunicação via satélite, tão popular atualmente,</p><p>já salvou vidas.</p><p>Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=QViKhWgGVgE></p><p>Acesso em: 11 dezembro de 2018.</p><p>Então você pode se perguntar: Mas como esta disputa pelo “espaço sideral” pode propiciar tanto</p><p>desenvolvimento tecnológico?</p><p>Uma das respostas possíveis foi a grande conquista ocorrida em 1964, considerada um marco</p><p>para a humanidade, que foi a transmissão para todo o mundo via satélite dos Jogos Olímpicos</p><p>do Japão. Esta façanha pôde ser conquistada devido aos dois satélites de comunicações lançados</p><p>anteriormente.</p><p>22</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Outra utilidade possibilitada pelo investimento em satélites artificiais, com objetivos bélicos e</p><p>de espionagem, foi o seu uso para a agricultura, meteorologia e sensoriamento remoto.</p><p>Figura 17.</p><p>Faça uma pausa na sua leitura e pesquise inovações relevantes para o seu dia a dia que se</p><p>originaram a partir de estudos e que têm fins bélicos. Anote seus achados no espaço a seguir:</p><p>Caso não tenha a oportunidade de realizar a pesquisa, não se preocupe, instigamos você a pensar nestas</p><p>“inovações”, tão corriqueiras atualmente, que foram criadas para fins bélicos: Café solúvel, antibióticos, fitas</p><p>adesivas, bancos de sangue, micro-ondas, isopor, entre outros.</p><p>Com o término da Segunda Guerra Mundial, as chamadas Tecnologias da Informação e da</p><p>Comunicação “tornam-se importantes meios de comunicação de massa” (CURY & CAPOBIANCO,</p><p>2011, p. 5).</p><p>O infográfico a seguir destaca algumas tecnologias da Primeira Guerra Mundial que foram</p><p>aprimoradas e utilizadas na Segunda Guerra Mundial e atualmente. Aproveite para refletir sobre</p><p>como tudo é reaproveitado, ressignificado, possibilitando novos usos e utilidades.</p><p>23</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 18. Infográfico da Inovação movida à destruição.</p><p>Fonte: <http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/14180368.png></p><p>Acesso em 2 de dezembro de 2018.</p><p>As relações entre conhecimento, poder e tecnologias permeiam toda a história da civilização e</p><p>Kenski (2005, p. 17) ainda ressalta:</p><p>Enciclopédias, dicionários, livros, revistas e jornais, por exemplo, são criados</p><p>em contextos definidos e apresentam informações da ótica de seus autores e</p><p>editores, ou seja, a informação veiculada em jornal, revista ou livro não envolve a</p><p>totalidade de informações sobre determinado assunto nem pode ser considerada</p><p>totalmente isenta e imparcial. O autor apresenta sua versão do fato.</p><p>Notadamente, percebemos a orientação da percepção do autor nos inúmeros jornais, revistas e</p><p>blogs que lemos. E assim a mesma notícia pode ser compreendida sobre diferentes óticas. Com</p><p>a globalização, essas relações de poder, que envolvem o tratamento da informação de acordo</p><p>com a finalidade desejada do autor , possibilita o engajamento do leitor e define o acesso à</p><p>tecnologia como primordial.</p><p>Kenski (2005) ainda aponta que as Tecnologias da Informação e da Comunicação, consideradas</p><p>midiáticas, alteram o nosso modo de sentir e agir, especialmente, sobre como aprendemos</p><p>novos conteúdos. Essa “nova cultura” que surge é bem diferente dos “produtos” em massa que</p><p>24</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>consumíamos, tais como: jornais, rádios e revistas; eles propiciam uma “personalização das</p><p>interações com a informação e as ações comunicativas” (KENSKI, 2005, p. 24).</p><p>Atualmente, podemos escolher as nossas músicas na própria rádio, selecionar as notícias e</p><p>conteúdos que consideramos mais relevantes para lermos (“chegam” até nós após identificarmos</p><p>a sua importância), digitalizamos documentos com a câmera do celular, entre outras ações.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Leia um pouco mais sobre o assunto. Disponível em:</p><p><http://www.ihu.unisinos.br/noticias/505494-qdeuscriaassecas-e-ohomemafomeqdizex-chefeanticorrupcao-do-quenia>.</p><p>Acesso em 4 de dezembro de 2018.</p><p>Figura 19. John Gitongo.</p><p>Fonte: One Org</p><p>Disponível em: <https://www.one.org/us/person/john-githongo/> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>John Githongo, notório líder contra corrupção no Quênia, apontou que “o crescimento no acesso a smartphones leva à</p><p>criação de redes que são mais amplas, profundas e duráveis do que nunca vimos antes”, possibilitando a união de pessoas</p><p>com as mesmas necessidades, que podem estar geograficamente separadas, mobilizando-as em ações sociais, possibilitando</p><p>a participação ativa no governo do seu país (DIALOGANDO VIVO, 2017).</p><p>A popularização das ferramentas que conhecemos e temos acesso em nosso cotidiano só foi</p><p>possível , de acordo com Cury e Capobianco (2011), devido às 10 invenções demarcatórias para</p><p>a história da TIC (Tecnologias da informação e comunicação), são elas: transistor, computador,</p><p>software Windows, Atari, navegador web, ICQ, Google, MP3, Facebook e smartphone.</p><p>Para refletir</p><p>Você reconhece algumas destas “inovações” destacadas? Pense como e quando utilizava cada uma, relembre como era essa</p><p>época, as roupas, as músicas, como se relacionava com as pessoas, como estudava... Após esta parada para reflexão, prossiga</p><p>com o seu estudo!</p><p>25</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Caso não tenha recordação ou vivência com estas tecnologias, que já foram consideradas “novas”,</p><p>leia a linha do tempo a seguir, bem como suas principais contribuições.</p><p>Figura 20. Infográfico com as 10 inovações que marcaram a história da Tecnologia da</p><p>Informação e da comunicação.</p><p>O transistor, considerado o tijolo da tecnologia,</p><p>possibilitou a evolução dos eletrônicos. Seus</p><p>desenvolvedores ganharam o prêmio nobel da</p><p>Física em 1956, possibilitando a segunda geração</p><p>de computadores da década 1960.</p><p>O primeiro computador portátil foi criado em</p><p>1981. Anteriormente as máquinas eram enormes</p><p>e chegavam a ocupar uma sala. Considerado fácil</p><p>de transportar, ainda pesava 12 quilos, era grande</p><p>para ser utilizado no colo e necessitava estar</p><p>conectado a uma tomada todo o tempo.</p><p>Fundado em 1996 por cinco israelenses, o ICQ era o</p><p>comunicador de mensagem instantânea que fornecia um</p><p>número para o usuário e permitia que ele se conectasse</p><p>a outros para a troca de mensagens. Ao contrário do IRC,</p><p>em que o usuário se conectava a uma sala, sem saber</p><p>quem estaria por lá, o ICQ permitia, pela primeira vez,</p><p>enxergar a disponibilidade de determinado usuário.</p><p>O Facebook foi lançado em 2004 e hoje é</p><p>considerado a maior rede virtual do mundo.</p><p>Um celular que possui todas as ferramentas</p><p>disponíveis num computador pessoal,</p><p>possibilitando acesso à web, na palma da mão.</p><p>O sistema operacional Windows, comercializado e vendido</p><p>pela Microsoft, é o mais utilizado em todo o mundo por</p><p>ter facilitado a compreensão da interface gráfica e ter</p><p>inserido o mouse. Assim, os usuários não precisavam</p><p>saber os comandos específicos para acessar o sistema,</p><p>apresentando novidades como: barra de menu, barra de</p><p>rolagem, ícones e caixa de mensagem.</p><p>Já o videogame Atari, lançado em 1977, fez sucesso no</p><p>Brasil e iniciou uma comunidade no mundo dos jogos</p><p>eletrônicos, possibilitando a geração de novos empregos</p><p>por meio de uma nova cultura de games.</p><p>Criado oficialmente em 1998, o Google.com tornou-se</p><p>líder global no mercado de buscas no início dos anos</p><p>2000 e persegue a “modesta” missão de organizar todo</p><p>o conhecimento humano. Sua invenção mudou o modo</p><p>como são organizadas as informações na internet e tornou</p><p>possível aos usuários comuns encontrarem o que desejam</p><p>no gigantesco emaranhado de informações da internet.</p><p>Esta forma de compressão de dados possibilitou</p><p>um novo e eficaz formato de se armazenar áudio</p><p>digital como qualidade, alterando as condições</p><p>sociais, comerciais e legais da música.</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>Assim, podemos perceber que cada período da nossa história é marcado pela existência de uma</p><p>“nova tecnologia”, alterando as nossas relações com a economia, a política e a divisão social</p><p>do trabalho e que influenciam diretamente o nosso modo de pensar e agir,</p><p>expandindo o que</p><p>compreendemos como “tecnologia”.</p><p>As novas condições de interação e manipulação destas novas ferramentas, seja a TV digital ou um</p><p>jogo interativo, por exemplo, nos propicia um relacionamento diferenciado com as “máquinas”,</p><p>abordando questões éticas que devem ser debatidas como a suposta substituição de homem e</p><p>mulher por robôs, bem como o uso da inteligência artificial.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Sherry Turkle, que pesquisa o tema “Robôs Emocionais”, dissertou sobre o assunto no TED (Transformation, Education and</p><p>Design) destacando as experiências apresentadas em seu último livro.</p><p>Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rv0g8TsnA6c&t=630s>. Acesso em 23 de janeiro de 2019.</p><p>26</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>No próximo tópico discutiremos a relação que constituímos, e estamos desenvolvendo, com as</p><p>máquinas, pois para Turkle (2013), a forma com que lidamos com estes recursos tem modificado</p><p>significativamente quem somos e como agimos em nossa comunidade.</p><p>As relações seres humanos e máquinas</p><p>Desde a revolução industrial, quando as primeiras</p><p>máquinas foram ocupando espaços tipicamente de</p><p>trabalhadores que exerciam a “força física”, que as queixas</p><p>sobre esta substituição, tendo como consequência a perda</p><p>de funções e empregos aumentaram. A interação entre</p><p>humanos e robôs a cada dia que passa torna-se mais</p><p>natural, seja para o atendimento ao solicitar uma refeição,</p><p>para o agendamento de um exame ou para cuidar de um</p><p>idoso, os chamados robôs emocionais (TURKLE, 2013).</p><p>A robótica japonesa já domina o mundo, mas, na área de serviços, ainda é uma novidade o uso de</p><p>robôs na maioria dos países. Os robôs sociais, ou de serviço, são pensados para cuidar, recepcionar</p><p>ou dar assistência, com aparência humana e agradável. A empresa Nextage apresentou um busto</p><p>humanoide com câmeras integradas em seus olhos e braços; ele tem capacidade de operar caixas</p><p>eletrônicos, e já está presente em mais de cem fábricas japonesas.</p><p>As máquinas podem pensar?</p><p>O que é uma máquina?</p><p>O que é pensamento?</p><p>A criação de “máquinas para pensar” não é algo novo. Os estudos se iniciaram na década de 1950,</p><p>sendo um projeto audacioso conhecido como “inteligência artificial”. Allan Turing, pesquisador</p><p>desta área de estudo, logo percebeu que estas perguntas são complexas e nos levam a múltiplas</p><p>respostas. Ainda buscando solução para os questionamentos elencados acima, o pesquisador</p><p>buscou o “Jogo da Imitação”, conhecido como Teste de Turing, e esta experiência foi decisiva para</p><p>o desenvolvimento da ciência cognitiva e, logo em seguida, da inteligência artificial.</p><p>Para refletir</p><p>Os “robôs de serviço” ocupam cada vez</p><p>mais espaço no Japão. Você sabe o que é um</p><p>“robô de serviço? Já imaginou ser recebido</p><p>em um hotel por um robô “humanoide” que</p><p>se comunica em qualquer língua ou dialeto</p><p>existente neste planeta?</p><p>27</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>Leia a definição que o Dicionário Michaelis (2016) apresenta sobre “máquina”:</p><p>1. Aparelho destinado a produzir, dirigir ou transformar uma forma de energia em</p><p>outra, ou aproveitar essa mesma energia para a produção de determinado efeito.</p><p>2. Qualquer equipamento empregado com um fim específico e cuja ação mecânica</p><p>é capaz de substituir o trabalho humano.</p><p>3. Conjunto de peças que determinam o funcionamento de um mecanismo ou</p><p>engenho.</p><p>4. Qualquer instrumento ou ferramenta que se emprega na indústria para a</p><p>fabricação de um produto.</p><p>5. Aparelho elétrico usado nos afazeres domésticos; instrumento, utensílio.</p><p>6. Equipamento mecânico, elétrico, eletrônico ou digital operado pelo ser humano.</p><p>Para Rodrigues (2018), existem algumas fases evolutivas que nos ajudam a compreender a relação</p><p>do homem/mulher na evolução dos inúmeros dispositivos para a informação e comunicação.</p><p>A primeira fase é conhecida como a Lei de Newton ou de botões, iniciada com a Revolução</p><p>Industrial, é constituída de uma relação mecânica entre o homem/ mulher e a ferramenta,</p><p>centralizada na ação “apertar botões”, uma resposta digital a um estímulo meramente mecânico.</p><p>Em nossa literatura temos vários exemplos ilustrativos como a famosa cena de Charles Chaplin</p><p>no Filme Tempos Modernos, em que a ação repetida de apertar parafusos e, posteriormente,</p><p>com a máquina ultramoderna que otimizaria o tempo de refeição do trabalhador.</p><p>Figura 21. Cena do filme Tempos Modernos em que o trabalhador, Charles Chaplin, testa uma</p><p>nova máquina de comer.</p><p>Fonte: Portal Raízes</p><p>Disponível: <https://www.portalraizes.com/content/uploads/2016/11/pl-696x365.jpg?width=1200&enable=upscale></p><p>Acesso em 3 de dezembro de 2018.</p><p>28</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Sinopse do Filme: O filme Tempos Modernos (1936) mostra a vida de</p><p>operários com a Revolução Industrial, em que houve a passagem da produção</p><p>artesanal, para a produção em série. Os operários se submetiam a uma</p><p>forma de produção que não era mais de acordo com suas condições físicas</p><p>e psicológicas, mas, sim, uma forma de produção que visava maior lucro,</p><p>independente das condições de seus trabalhadores.</p><p>Figura 22. Filme Tempos</p><p>Modernos.</p><p>Fonte: Portal Raízes</p><p>Disponível em: <http://4.bp.blogspot.</p><p>com/_44fPDMi1Gzc/S_huqLltygI/</p><p>AAAAAAAAFPY/4V2JcVb6Ocs/</p><p>s1600/075Moderntimes.jpg>. Acesso em 3 de</p><p>dezembro de 2018.</p><p>A segunda fase, a aproximação do significante/significado ou quando meu dedo virou o</p><p>mouse, introduziu sentimentos humanos na comunicação mediante o computador (CMC).</p><p>Nesse momento utilizamos o corpo em substituição aos inúmeros “cliques”, comportamentos</p><p>mecânicos, para acessarmos o que desejamos. Vamos a alguns exemplos: o uso da biometria,</p><p>jogos virtuais, consoles de videogames que acessam os jogos por meio de movimentos, câmeras</p><p>fotográficas, uso da voz para acessar comandos e softwares, entre outros.</p><p>Figura 23. Imagem de uma menina jogando boliche em um videogame.</p><p>Fonte: Kinect (2011)</p><p>Disponível em: <https://i.ytimg.com/vi/Wpp7rcu9ndg/maxresdefault.jpg> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>Penso, logo executo, é indicada por Rodrigues (2018) como a terceira fase, ainda em</p><p>desenvolvimento, que possibilitará a execução de comandos somente pelo nosso desejo,</p><p>pensamento, envolve pesquisas já existentes nomeadas como Brain Computer Interface. Por</p><p>meio do campo da “Biônica”, estudos que buscam interpretar ondas elétricas cerebrais para</p><p>29</p><p>O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE • CAPÍTULO 1</p><p>execução de ações, como no caso Ian Burkhart, que, mesmo sendo tetraplégico, movimenta suas</p><p>pernas por meio de um implante.</p><p>Figura 24. Imagem de Ian utilizando o sistema neurolife, capaz de restaurar a comunicação entre o cérebro e</p><p>os músculos.</p><p>Fonte: Reprodução/Ohio State University Wexner Medical Center/ Batelle (2014).</p><p>As fases citadas nos ajudam a organizar o nosso pensamento e, principalmente, reconhecer</p><p>como a sociedade se comporta diante da máquina e seus usos. E os cenários, nomeados como</p><p>distópicos, foram e são criados pelas mídias estabelecendo uma relação competitiva entre as</p><p>máquinas e seres humanos, não enfatizando a colaboração necessária para que determinado</p><p>objetivo seja alcançado.</p><p>O essencial para a nossa reflexão é que o avanço e a</p><p>descoberta de “novas tecnologias” são certezas que nos</p><p>orientam, pois vimos ao longo deste capítulo que estas</p><p>estão presentes em toda a nossa história. A ampliação do</p><p>seu uso em nosso cotidiano continuará alterando os nossos</p><p>comportamentos e relações, evidenciando vantagens e</p><p>desvantagens.</p><p>No entanto, o que devemos destacar é a necessidade de</p><p>uma constante formação crítica do ser humano, ampliando</p><p>o nosso olhar para além dos saberes estáticos, que nos</p><p>exigem a memorização, para uma educação reflexiva em que as pessoas possam ser criativas,</p><p>autoras e inovadoras.</p><p>» Por meio deste nosso estudo compreendemos que não foi somente a “percepção” do</p><p>ser humano, ao criar novas tecnologias para o seu uso,</p><p>que originou o surgimento do</p><p>que denominamos técnica.</p><p>» As técnicas são ressignificadas por cada grupo social e, portanto, originam novas</p><p>apropriações e inovações para a mesma ferramenta e ou objeto.</p><p>Atenção</p><p>O conceito de distopia foi popularizado</p><p>em 1868 por John Stuar Mill, sendo o</p><p>oposto a utopia. Assim, o que é positivo e</p><p>bom é considerada algo “utópico” e visões</p><p>negativas e alarmistas como “distópicas”.</p><p>Como exemplo, as previsões futurísticas</p><p>que anunciam o domínio do nosso mundo</p><p>por robôs, que seremos controlados e</p><p>guiados por eles.</p><p>30</p><p>CAPÍTULO 1 • O PAPEL DA tÉCnICA E DA tECnOLOgIA nA HIStÓRIA DA HUMAnIDADE</p><p>» A tecnologia existia muito antes dos conhecimentos científicos, muito antes que homens,</p><p>embasados em teorias pudessem começar o processo de transformação e controle da</p><p>natureza.</p><p>» Por isto que conhecer a história dos nossos antepassados nos ajuda a entender o</p><p>nosso mundo de hoje, bem como refletir criticamente sobre o processo criador da</p><p>humanidade, concebendo a tecnologia como algo em constante e veloz mudança,</p><p>com novos significados e saberes sendo integrados a todo instante, assegurando seu</p><p>dinamismo e diversidade.</p><p>» A história da tecnologia está estreitamente relacionada ao desenvolvimento da</p><p>humanidade e, nas definições lidas, podemos perceber semelhanças entre as definições</p><p>de ciência e tecnologia.</p><p>» As palavras técnica e tecnologia são originadas da palavra grega techné, tendo como</p><p>significado: fabricar, construir, dar à luz.</p><p>» O conceito de tecnologia pode ser compreendido como o estudo da técnica, ou seja, o</p><p>estudo da própria atividade do modificar, do transformar, do agir.</p><p>» Enumeramos as diferenças entre nós e nossos antepassados, especialmente na questão</p><p>dos costumes e uso de inúmeros artefatos tecnológicos.</p><p>» Reconhecemos que a sociedade contemporânea possui como marca o acesso mais</p><p>generalizado às inúmeras tecnologias eletrônicas de comunicação e informação.</p><p>» Até pouco tempo considerávamos um luxo e sinal de status socioeconômico um telefone</p><p>fixo em nossa residência e, atualmente, é difícil um indivíduo não ter o seu próprio</p><p>telefone celular com acesso à internet e a infinidade de aplicativos que asseguram não</p><p>somente a comunicação, como a locomoção, registro de fotos e vídeos, entre muitas</p><p>outras ações.</p><p>» A velocidade com que a comunicação ocorre e as informações são transmitidas,</p><p>compartilhadas, impõem um novo ritmo de aprendizado e constante adaptação ao novo.</p><p>» Se antes tínhamos a sirene da escola, da própria fábrica, anunciando o início e término das</p><p>atividades escolares e profissionais, com as tecnologias da informação e da comunicação</p><p>que estão à nossa disposição, o nosso conceito de espaço e tempo foi redimensionado.</p><p>» Vimos que a relação do ser humano com a máquina, conhecida popularmente, também</p><p>recebeu influência das múltiplas mídias existentes que nos apresentaram cenários</p><p>futurísticos fantásticos e com o domínio da máquina.</p><p>» Compreendemos que cada era histórica e suas tecnologias nos proporcionam vantagens</p><p>e desvantagens, enfatizando a importância de uma educação voltada para a solução de</p><p>problemas, criativa e que engaje seus estudantes com as questões que nos rodeiam.</p><p>31</p><p>Apresentação</p><p>O saber não nos torna melhores nem mais felizes. Mas a educação pode ajudar</p><p>a nos tornarmos melhores, se não mais felizes, e nos ensinar a assumir a parte</p><p>prosaica e viver a parte poética de nossas vidas (MORIN, 2003, p. 10).</p><p>Escolher a refeição por um aplicativo, levando em consideração critérios como a distância,</p><p>o tempo de entrega, o preço e as referências de outras pessoas, já é uma realidade. Podemos</p><p>comprar um livro pela web, recebê-lo em casa ou na loja física da empresa; também podemos</p><p>fazer compras de roupas e outros produtos via aplicativos disponibilizados pelos shoppings, ou</p><p>adquirir objetos de outros países e realizar pagamentos com o uso de pulseiras e relógios.</p><p>Aprendemos a nos expressar por caracteres, com emoticons e a nos relacionar por meio de sala de</p><p>bate-papos e, atualmente, aplicativos de relacionamento nos aproximam por nossas semelhanças</p><p>emocionais ou até mesmo geográficas, por meio de um match.</p><p>Figura 25. Charge sobre o cotidiano da sala de aula contemporânea.</p><p>Fonte: gazeta do Povo</p><p>Fonte: <https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/wp-content/uploads/sites/19/import/tirinha_tecnologia_sala_de_aula.</p><p>jpg> Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>Na sociedade atual, também conhecida com “sociedade da informação”, ter acesso à informação</p><p>não é suficiente, é necessário competência para transformá-la em conhecimento, sendo a</p><p>2</p><p>CAPÍTULO</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE</p><p>DA InFORMAçãO</p><p>32</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>educação continuada ao longo da vida, um elemento-chave para que possamos acompanhar e</p><p>inovar diante deste novo contexto que requer posturas e adaptações.</p><p>Imagem 26. Convergência de conteúdos, computação e comunicações.</p><p>Fonte: takahashi (2001).</p><p>A convergência de conteúdos, computação e comunicações, num período curto, disseminou</p><p>por meio da internet a conectividade como um fenômeno singular, que tem possibilitado o</p><p>desenvolvimento de diversos países do mundo (TAKAHASHI, 2001, p. 3).</p><p>Subjacente a todas aquelas atividades corriqueiras está uma imensa malha de</p><p>meios de comunicação que cobre países inteiros, interliga continentes e chega as</p><p>casas e empresas: são fios de telefone, canais de micro-ondas, linhas de fibra ótica,</p><p>cabos submarinos transoceânicos, transmissões via satélite. Saco computadores,</p><p>que processam informações, controlam, coordenam e tornam compatíveis os</p><p>diversos meios. Aglutinando e dando sentido à estrutura física, estão as pessoas</p><p>que a operam ou dela se utilizam</p><p>A complexidade das relações é tão vasta que muitas vezes nem nos damos conta da</p><p>infraestrutura existente para que possamos atuar e interagir com tantos serviços disponíveis.</p><p>Estes recursos reunidos formam uma verdadeira “superestrada” de conteúdos nomeada como</p><p>“infovia” ou “supervia” (LEVY, 2003).</p><p>Neste novo paradigma da sociedade da informação, a difusão de acesso às redes é uma urgência,</p><p>universalizando os serviços de informação e comunicação para todos os indivíduos, evitando a</p><p>exclusão digital e a ampliação das desigualdades sociais existentes.</p><p>Fomentar a universalização de serviços significa, portanto, conceber soluções e</p><p>promover ações que envolvam desde a ampliação e melhoria da infraestrutura de</p><p>acesso até a formação do cidadão, para que este, informado e consciente, possa</p><p>utilizar os serviços disponíveis na rede. (TAKAHASHI, 2001, p. 31)</p><p>33</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Figura 27. Livro verde.</p><p>Fonte: <https://cache.skoob.com.br/local/images//e_p7BzK1PdjWHetMvz2IK32mbcs=/960x720/center/top/</p><p>smart/filters:format(jpeg)/https://skoob.s3.amazonaws.com/livros/255364/SOCIEDADE_DA_INFORMACAO_NO_</p><p>BRASIL_1343537753B.jpg></p><p>Sociedade da Informação no Brasil: Livro Verde</p><p>No ano de 2000, o Ministério da Ciência e Tecnologia, de forma colaborativa com diversos agentes sociais, organizou metas</p><p>para a implementação da sociedade da informação no Brasil. O documento contempla um conjunto de ações que tem</p><p>como objetivo impulsionar o desenvolvimento do nosso país. Os seguintes aspectos são abordados: ampliação do acesso,</p><p>meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico,</p><p>desenvolvimento de novas aplicações. (SocInfo, 2001).</p><p>Neste capítulo, abordaremos o papel da educação na sociedade da informação, conceituando</p><p>suas principais características, possibilitando, por meio dos dilemas e vantagens apresentados,</p><p>que você possa refletir sobre a sua importância no contexto atual.</p><p>Conhecendo as potencialidades disponíveis pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação</p><p>para o processo educacional, esperamos que sua atuação diante destas novas ferramentas seja</p><p>de forma crítica, significativa e ética.</p><p>Objetivos do capítulo</p><p>» Conhecer o contexto histórico</p><p>que possibilitou a configuração da sociedade da informação,</p><p>identificando suas principais características.</p><p>» Identificar o papel da educação diante do cenário desenhado pela socidade da informação,</p><p>descrevendo as principais oportunidades e desafios para o desenvolvimento integral</p><p>do ser humano.</p><p>» Relacionar as características identificadas como próprias da sociedade da informação</p><p>às necessidades de aprendizado do indivíduo, de forma que possa exercer o seu papel</p><p>cidadão com protagonismo e criticidade com o uso de múltiplas linguagens.</p><p>34</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Características da Sociedade da Informação</p><p>Figura 28. Smartphone.</p><p>Fonte: vexels.</p><p>Disponível em: <https://images.vexels.com/media/users/3/132187/isolated/lists/8479163c107a3a4e3256b5263e63b321-</p><p>smartphone-na-mao-dos-desenhos-animados.png> Acesso em 15 de abril de 2019.</p><p>Existem sete bilhões de números de telefones celulares no mundo e 50% da</p><p>população adulta do planeta tem um smartphone. O percentual será de 75%</p><p>em 2020. Consequentemente, a rede é uma realidade generalizada para a vida</p><p>cotidiana, as empresas, o trabalho, a cultura, a política e os meios de comunicação.</p><p>Entramos plenamente numa sociedade digital (não o futuro, mas o presente)</p><p>e teremos que reexaminar tudo o que sabíamos sobre a sociedade industrial,</p><p>porque estamos em outro contexto. (CASTELLS, 2015, p. 2).</p><p>Aos poucos podemos confirmar que estamos vivendo, em larga escala e com toda velocidade,</p><p>uma nova era de inovações tecnológicas, denominada por Schwab (2016) como a 4ª Revolução</p><p>Industrial. As transformações surgem das áreas da Engenharia Genética e Neurotecnologias,</p><p>ampliando o impacto à segurança geopolítica e a tudo aquilo que consideramos ético, tendo</p><p>repercussão em como nos relacionamos com nossos pares, trabalho, familiares e a sociedade.</p><p>Para os estudiosos deste tema não é apenas uma mudança que se refere às inovações tecnológicas, e,</p><p>sim, uma mudança de paradigma, uma transição para novos sistemas e infraestruturas já alicerçadas</p><p>pela revolução digital. Observe o infográfico a seguir que destaca as principais características das</p><p>três revoluções anteriores, evidenciadas como processos históricos transformadores.</p><p>35</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Figura 29. Infográfico sobre as Quatro Revoluçõs Industriais.</p><p>Fonte: <http://engenhariae.com.br/wp-content/uploads/2018/04/grafico-revolucao-industrial.jpg></p><p>A primeira revolução, com o apoio das máquinas a vapor, alterou o processo produtivo artesanal</p><p>para mecânico, com estruturas bem hierarquizadas e ações em série a serem cumpridas de forma</p><p>mecânica pelos trabalhadores.</p><p>Sugestão de estudo</p><p>Figura 30. Cartaz do Filme Os miseráveis.</p><p>A obra literária Os Miseráveis foi escrita pelo autor francês Victor Hugo, publicada em 1862, e retrata a sociedade francesa do</p><p>século XIX, tendo como panorama a visão da população pobre. A história já foi adaptada para filmes, séries e teatro. Tenha</p><p>uma nova perspectiva sobre a Revolução Industrial assistindo à última versão cinematográfica deste clássico, adaptado de</p><p>um musical da Broadway, que retrata as más condições de trabalho, êxodo rural, desigualdade social, pobreza, bem como o</p><p>empreendedorismo e a importância do trabalho para o ser humano.</p><p>A segunda Revolução Industrial destaca-se com a descoberta e o aproveitamento de novas fontes</p><p>de energias (o petróleo, a água, a eletricidade e, até mesmo, o urânio), ampliou a produção</p><p>36</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>especializada e em massa, surgindo as esteiras rolantes, de forma a dinamizar todo o processo da</p><p>linha de montagem, este método de racionalização conhecido mundialmente como Fordismo.</p><p>Saiba mais</p><p>Figura 31. Henry Ford.</p><p>O Fordismo refere-se aos sistemas de produção em massa elaborado pelo maquinista e americano Henry Ford, com o</p><p>objetivo de aumentar a produção, visando à dimuição nos preços e ao crescimento das vendas. Este modelo segue princípios</p><p>simples de padronização, sendo que cada operário realizava apenas uma ação da etapa de produção, sem a necessidade da</p><p>especialização do trabalhador para efetivar a atividade.</p><p>Fonte: <http://leansixsigmadefinition.com/glossary/henry-ford/.></p><p>Figura 32. O mundo envolvido e consumindo os mesmos produtos.</p><p>Fonte: Racionalize Blog</p><p><https://racionalizeblog.files.wordpress.com/2017/03/cultura-e-globalizacao.jpg> Acesso em 03 de dezembro de 2019.</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial, com a possibilidade de uso da energia nuclear do átomo, da</p><p>robótica e o advento da internet, marca-se o despontar da Revolução Informacional, ou seja, a</p><p>3ª Revolução Industrial. Os destaques são os avanços tecnológicos e científicos desenvolvidos e</p><p>aplicados na indústria, agricultura, pecuária, comércio e prestação de serviços. Sendo a globalização</p><p>compreendida como essencial nas relações sociais entre os diferentes países, transpondo as</p><p>fronteiras continentais por meio da venda e consumo massificado dos produtos.</p><p>37</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Figura 33. Fábrica Inteligente na Alemanha.</p><p>Fonte: O globo</p><p>Disponível em: <https://s2.glbimg.com/7cEdl3KjpPtfWx7RvHmUV9DLHf4=/0x0:1920x1080/1008x0/smart/</p><p>filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/2/A/</p><p>wHfiJZQYOqq3zogy2Oow/fiat.jpg> Acesso em 16 de abril de 2019.</p><p>Já a expressão quarta revolução industrial foi criada pelos alemães em 2011 para identificar</p><p>as “fábricas inteligentes” que utilizam todos os recursos tecnológicos existentes aliados à</p><p>conectividade. Apresentam sistemas ciberfísicos, integrando máquinas e processos digitais,</p><p>capazes de tomar decisões e cooperar com os seres humanos. As fábricas inteligentes poderão se</p><p>autocontrolar, economizando, ao longo do tempo, bilhões de dólares para a economia mundial,</p><p>acarretando o fechamento de 5 milhões de postos de trabalhos nos 15 países mais industrializados</p><p>do mundo, dados apresentados no Fórum Mundial de Davos, realizado em 2016.</p><p>Saiba mais</p><p>Barômetro Global de Inovação – É uma pesquisa de opinião realizada anualmente, pela empresa GE, com executivos</p><p>seniores de 23 países engajados com estratégias disruptivas. A primeira edição foi publicada em 2011, sendo sempre</p><p>organizada em duas partes: os achados-chave e o resultado de apoio.</p><p>Schwab (2016) reconhece que esta revolução possui o potencial de aprimorar a qualidade de vida</p><p>da sociedade, promovendo ganhos para a economia mundial. Muitos líderes de diversos países,</p><p>70%, estão entusiasmados e acreditam que estamos vivenciando a “4ª Revolução Industrial”, foi</p><p>o resultado do Barômetro de Inovação Global (2016), pesquisa realizada com 4.000 líderes de</p><p>23 países interessados e financiadores das novas tecnologias.</p><p>Assim, a palavra-chave da atualidade é “disrupção”? Já leu alguma notícia ou artigo sobre este</p><p>conceito? Dê uma paradinha nesta leitura, busque o significado e anote, com as suas palavras,</p><p>o que você compreendeu nesta pesquisa:</p><p>38</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Agora, vamos fazer uso somente das expressões-chave da sua pesquisa, formando uma “nuvem</p><p>de palavras”. Preencha o espaço a seguir com as suas palavras e reflita sobre as questões que</p><p>envolvem o processo disruptivo:</p><p>Figura 34. nuvem de Palavras construída no aplicativo tagul.</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>Saiba mais</p><p>Você já construiu uma “Nuvem de Palavras”?</p><p>A nuvem de palavras, também conhecida como nuvem de etiquetas/Tags, é uma excelente ferramenta de estudo. Possibilita</p><p>“brincar com os dados”, ou melhor, por meio do destaque e análise das palavras de um texto. Aprimora a apresentação dos</p><p>seus dados, pois você pode escolher a melhor imagem que se adéqua ao destaque das palavras a partir de três características</p><p>importantes: método heurístico de análise – cada palavra pode ter ser seu tamanho definido pela sua relevância em</p><p>determinado corpus do texto, estabelecido pelo autor ou sua repetição no texto, apontando caminhos para se interprertar</p><p>o texto; possui recurso navegacional que possibilita interação ao passarmos o curso em cada palavra; apresentação</p><p>ou visualização dos dados – destaque dos dados de forma sintética, resumida. Alguns sites gratuitos que permitem a</p><p>construção: wordle, wordcounter, tagxedo, tagul, wordclouds, word clouds for kids, entre outros.</p><p>39</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Saiba mais</p><p>E como este conceito, “disrupção”, pode afetar ou influenciar o cotidiano educacional? Vamos refletir a partir de uma história</p><p>real de um produdo considerado inicialmente disruptivo, e, hoje, seu uso alterou a forma de nos relacionarmos com diversas</p><p>formas de conteúdo:</p><p>Figura 35. Logo Yoube.</p><p>Fonte: <https://www.youtube.com/yts/img/yt_1200-vfl4C3T0K.png></p><p>Seu primeiro escritório ficava em cima de uma pizzaria, como não tinham recurso financeiro para colocar paredes na</p><p>sala, separavam os espaços com cortinas, seu primeiro produto lançado foi alvo de risadas, pois era considerado tosco e</p><p>mal acabado. Os três estudantes, fundadores, tinham como objetivo criar uma plataforma para armazenamento de vídeos</p><p>caseiros, o primeiro vídeo possuía apenas 19 segundos com um assunto “eletrizante”, uma rápida visita ao zoológico.</p><p>Somente dois anos depois que o empreendimento começou a apresentar resultados positivos e logo em seguida já era</p><p>responsável por 65% do mercado de vídeos on-line e, desde então, alterou nossa forma de nos relacionarmos provocando</p><p>o surgimento de uma nova cultura, possibilitando o surgimento de novos espaços de trabalho e propaganda como os</p><p>youtubers, entre outros.</p><p>Fonte: Youtube</p><p>Outra experiência, que num primeiro instante foi considerada fracassada foi o lançamento das</p><p>câmeras digitais portáteis que possuíam um padrão de qualidade bem inferior em relação às</p><p>cameras antigas, com forte rejeição ao seu uso.</p><p>Normalmente, as inovações disruptivas chegam à sociedade com qualidade inferior aos produtos</p><p>já existentes e, aos poucos, ganham espaços. Vamos pensar em mais alguns exemplos?</p><p>Figura 36. Serviços com projetos disruptivos.</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p>Disponível em: <https://www.underconsideration.com/brandnew/archives/uber_2018_app_icon_before_after.png></p><p><https://cuponomia-a.akamaihd.net/img/stores/original/netflix.jpg></p><p>Os serviços destacados alteraram o nosso relacionamento com os produtos em questão. O Uber</p><p>sensibilizou uma categoria de trabalhadores, levantando pontuações jurídicas sobre a sua validade</p><p>e aumentando a concorrência neste setor de transporte particular. Recentemente, lançaram uma</p><p>40</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>nova opção para baratear o custo, em que você pode dividir o valor do seu trajeto, “corrida”, com</p><p>desconhecidos, compartilhando, assim, o mesmo veículo, contribuindo com a diminuição de</p><p>veículos e emissão de gases poluentes no trânsito da cidade.</p><p>Para refletir</p><p>Aproveite para pensar em como o “Airbnb” e a “Netflix”, inicialmente, foram considerados disruptivos. Busque outros</p><p>exemplos e relacione-os com as características que estamos conhecendo da sociedade da informação. Se possível, liste suas</p><p>vantagens e desvantagens.</p><p>Então, podemos compreender que disrupção é um processo, pois o produto evolui ao longo</p><p>do caminho, requerendo um modelo de negócio bem diferenciado, com custo mais acessível e</p><p>alterando a forma com que nos relacionamos com o produto em questão.</p><p>Figura 37. Estudante em dúvida</p><p>Fonte: <https://www.oticalider.com.br/media/wysiwyg/rwd2/blog/duvidas.png></p><p>E como ficam os países que não possuem acesso a estas tecnologias “de ponta”? Como eles se</p><p>relacionam ou se organizarão para acompanhar estas transformações? Qual o papel da escola</p><p>neste cenário de constantes mudanças que nos solicitam uma postura criativa e empreendedora?</p><p>E o Brasil possui infraestrutura científica, tecnológica, educacional e financeira para acompanhar</p><p>esta velocidade de inovações?</p><p>De acordo com Castells (2018), vivenciamos um novo paradigma tecnológico, que pode ser</p><p>explicado por meio do termo sociedade informacional, reforçando que foi no final do século</p><p>passado que o termo sociedade da informação foi difundido, juntamente com o conceito de</p><p>Globalização, também conhecido como Nova Economia ou Sociedade do Conhecimento.</p><p>A expressão sociedade da informação foi utilizada pela primeira vez pelo economista Fritz Machlup</p><p>(1993) em substituição ao complexo conceito de sociedade pós-industrial. Para Machlup (1993),</p><p>o conhecimento é um recurso econômico e seus estudos vislubraram o surgimento de uma nova</p><p>economia após a Revolução Industrial, ou seja, com o uso intenso dos recursos tecnológicos na</p><p>sociedade, o papel do ser humano seria reconfigurado.</p><p>41</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO 2</p><p>Atenção</p><p>Sociedade da informação é uma expressão comumente usada para designar uma forma de organização social, econômica e</p><p>cultural, que tem como base, tanto material como simbólica, a informação (MATTOS, 2002, p.12).</p><p>Uma das características presentes no conceito formado de “sociedade da informação” é a</p><p>constante transformação das dinâmicas sociais propulsadas pelas Tecnologias da Informação</p><p>e da Comunicação.</p><p>As seguintes características são destacadas por Castells (2000):</p><p>Figura 38. Características da Sociedade da Informação.</p><p>O efeito das novas tecnologias tem alta penetrabilidade</p><p>Flexibilidade</p><p>Predomínio da lógica de redes</p><p>Crescente convergência de tecnologias</p><p>A informação é sua matéria prima</p><p>Fonte: Elaboração da autora (2019).</p><p><https://www.shutterstock.com/pt/image/1109859014></p><p>Neste “novo paradigma”, o ser humano tem como objetivo desenvolver novas tecnologias para</p><p>atuar na informação e, a partir destas, criar diferentes cenários para a sociedade, interligando</p><p>todas as atividades que desempenhamos em nosso cotidiano.</p><p>De acordo com Delors (2010), surge uma nova sociedade mundial que obriga todos os indivíduos</p><p>e países, local e global, a repensar o vínculo entre educação e política, economia, sociedade e</p><p>cultura.</p><p>Castells (2003) atribui como algo realmente “novo” à Sociedade da Informação a reestruturação</p><p>nas relações de trabalho, poder e entre as pessoas, propiciando o surgimento de uma nova</p><p>cultura. Esta nova estrutura decorrente das novas relações se configura em forma de “rede”.</p><p>42</p><p>CAPÍTULO 2 • EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO</p><p>Figura 39. Rede relacional</p><p>Fonte: Disponível em: <http://eventos.ifg.edu.br/encontropsicologosifs/wp-content/uploads/sites/42/2018/07/cliente-</p><p>rede1.jpg>. Acesso em 12 de Janeiro de 2019.</p><p>Uma rede é um conjunto de nós interconectados. A formação de redes é uma</p><p>prática humana muito antiga, mas as redes ganharam vida nova em nosso</p><p>tempo transformando-se em redes de informação energizadas pela internet.</p><p>(CASTELLS, 2003, p. 7).</p><p>O conceito de “rede” também não é algo novo. A caça e a agricultura também exigiram do ser</p><p>humano uma cultura em rede, ou seja, as gerações mais novas se apropriavam das informações</p><p>e conhecimentos adquiridos pelos mais antigos para a melhoria contínua das práticas sociais.</p><p>Vimos vários exemplos destes aperfeiçoamentos ao longo dos estudos na Unidade 1; sendo assim,</p><p>as principais vantagens da rede são a flexibilidade e a adaptabilidade inerentes, essenciais para</p><p>a sobrevivência num contexto em eterna e veloz mutação (CASTELLS, 2002).</p><p>Sugestão de estudo</p><p>A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os</p><p>negócios e a sociedade (Manuels Castells)</p><p>Manuel Castels, professor de Sociologia da Universidade</p><p>de Berkeley – Califórnia, é considerado o principal</p><p>analista da era da informação e da sociedade em rede,</p><p>sendo considerado o primeiro e mais importante</p><p>filósofo do Ciberespaço. No livro indicado, o autor</p><p>aponta a web como a espinha dorsal da sociedade atual</p><p>e da nova economia, pontua as contradições criadas e</p><p>discute as realidades do mundo digital.</p><p>Figura 40. Manuels Castells.</p><p>Fonte: <http://sonic.northwestern.edu/</p><p>wp-content/uploads/2011/03/Castells.</p><p>jpg></p><p>43</p><p>EDUCAçãO nA SOCIEDADE DA InFORMAçãO • CAPÍTULO</p>

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