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<p>Práticas</p><p>arteterapêuticas</p><p>na escola</p><p>Profa. Adriana Sanajotti Nakamuta</p><p>Descrição</p><p>Você vai entender como práticas terapêuticas por meio da arte, em contexto escolar, são fundamentais para o</p><p>desenvolvimento individual e infantil, respeitando as diferenças e acolhendo diferentes necessidades.</p><p>Propósito</p><p>A arte com fins terapêuticos em escolas potencializa os aspectos metodológicos do ensino de arte, uma vez que</p><p>reconhece diferentes sujeitos e necessidades no ambiente educacional e de aprendizagem. Por esse motivo, trata-</p><p>se de um conteúdo essencial para os profissionais atuantes no campo da arte cultura, educação e da saúde.</p><p>Preparação</p><p>Antes de iniciar seu estudo, tenha em mãos um Dicionário de Artes e Artistas e acesse o site da Enciclopédia Itaú</p><p>Cultural para conhecer termos específicos da área.</p><p>Objetivos</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>A escola como campo da arte</p><p>Reconhecer a escola e os sujeitos envolvidos como grupo social para interação e desenvolvimento de</p><p>linguagens.</p><p>Módulo 2</p><p>Arteterapia na escola</p><p>Identificar diferentes práticas de arteterapia para o cotidiano escolar.</p><p>Introdução</p><p>A presença da arte na educação infantil pressupõe o uso de variados materiais artísticos, o que permite à criança</p><p>se expressar com plenitude, ato que muitas vezes não é atingido nas formas tradicionais de aulas. Nesse sentido, a</p><p>arteterapia apresenta uma variada gama de benefícios aos pacientes que passam por essas sessões.</p><p>No ensino da educação infantil, a arteterapia tem especial função no auxílio do processo de ensino aprendizagem</p><p>da criança. Considerando o contexto escolar, neste conteúdo, vamos compreender três temáticas importantes: a</p><p>escola como um campo potente para o desenvolvimento artístico no contexto infantil, a arte na perspectiva da</p><p>cultura e as interpretações das representações, a criatividade e, por fim, os processos e práticas artísticas com</p><p>base em técnicas e materiais.</p><p></p><p>1 - A escola como campo da arte</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a escola e os sujeitos envolvidos como grupo</p><p>social para interação e desenvolvimento de linguagens.</p><p>Arte e liberdade</p><p>A literatura discute extensivamente a necessidade do sentimento de liberdade para que a criança possa criar, se</p><p>expressar e interagir. No entanto, essa dinâmica que parece simples não ocorre de forma automática para todos</p><p>igualmente. Por isso, a arteterapia oferece ferramentas para que a criança possa de fato exteriorizar seus</p><p>sentimentos, medos, frustrações, vontades, dúvidas, dentre outros muitos sentimentos.</p><p>Crianças com necessidades especiais realizando atividades lúdicas em sala de aula.</p><p>Todas essas questões estão relacionadas com o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem da</p><p>criança, que deve lhe permitir interagir com o ambiente no qual está inserida e entender sua função nesse lugar,</p><p>atingindo seu desenvolvimento (social, físico, emocional e cognitivo), além da formação de caráter e personalidade,</p><p>visto que a interação tem fundamental importância na formação do indivíduo.</p><p>A educação infantil exerce influência sobre a formação da criança. Logo, é necessário dar especial atenção a essa</p><p>fase, considerando que a aprendizagem é um processo dependente de muitos aspectos, como, por exemplo,</p><p>fatores sociais, culturais, emocionais e cognitivos. Esse processo é muito mais complexo do que se costuma</p><p>pensar, envolvendo aquisição de linguagem e conceitos armazenados. Ocorre ainda de maneira contínua, por meio</p><p>de transformações criadas pelo próprio indivíduo, que deve ser ativo durante o processo.</p><p>O professor precisa se incluir nesse processo, pois é o mediador de todos os eventos que compõem essas fases.</p><p>O docente deve entender que cada criança aprende de uma forma, por isso ele deve</p><p>conhecer, propor e explorar diferentes maneiras de ensinar para que cada aluno consiga</p><p>aprender, mediante a forma que seja mais “adequada” para o seu eu.</p><p>Nesse ponto é que a arteterapia tem sua importância.</p><p>A arteterapia é mais do que uma terapia criada para ser aplicada nos serviços de saúde. A escola, além de ensinar,</p><p>auxilia na construção do indivíduo tendo como base seu autoconhecimento, por meio de seus pensamentos,</p><p>sentimentos e ações. Tudo isso irá impactar o desenvolvimento do indivíduo na fase da educação infantil.</p><p>Professora de música em sala de aula com alunos.</p><p>Tendo em vista que as crianças precisam aprender a se expressar, comunicar, dividir, interagir e socializar, a</p><p>arteterapia aparece como uma ferramenta imprescindível para esse feito. Cabe ao professor conhecer esses</p><p>recursos e utilizá-los de forma aplicada e com sentido.</p><p>A arte não deve estar presente apenas para ocupar o tempo de aula ou muito menos para distração.</p><p>Criança realizando artesanato com garrafa pet.</p><p>A arte permite que as crianças se expressem por meio da linguagem simbólica, variados materiais, instrumentos,</p><p>movimentos e música. Desse modo, elas criam memórias, situações e lembranças que as auxiliarão a construir o</p><p>seu eu para atuar de forma ativa, consciente e responsável na sociedade.</p><p>Dito isso, nos deparamos com algumas questões: qual é o papel da arteterapia na educação infantil e qual a sua</p><p>contribuição para o desenvolvimento da criança nessa fase?</p><p>Como o professor pode utilizar a arte como uma ferramenta para auxiliar a expressão, comunicação, interação e</p><p>socialização das crianças na educação infantil, levando em consideração a importância do autoconhecimento e</p><p>construção do eu?</p><p>A professora Adriana Nakamuta irá nos esclarecer essas questões!</p><p>Cultura e criatividade: interações</p><p>Acompanharemos, no vídeo a seguir, a professora Adriana respondendo a um interativo teste de conhecimento</p><p>sobre cultura e criatividade. Não perca!</p><p></p><p>Arte e aprendizagem</p><p>A aprendizagem é um processo que vem sendo estudado e explicado ao longo dos anos. Entender como o homem</p><p>aprende é alvo de estudos e de desenvolvimento de metodologias por muitos pesquisadores ao redor do mundo.</p><p>Jean Piaget (1896-1980) foi um grande estudioso desse processo, definindo que o conhecimento humano se dá</p><p>por meio da ação do indivíduo sobre o objeto, ou seja, a interação do indivíduo com o meio no qual ele está inserido</p><p>resulta na produção de conhecimento. Assim como Gonzaguinha cantava em O Que É, o Que É?, somos todos</p><p>eternos aprendizes na vida!</p><p>Jean Piaget.</p><p>Gonzaguinha.</p><p>Muitas definições de aprendizagem convergem para a afirmação de que ela realmente ocorre quando o indivíduo</p><p>passa por experiências e vivências que sejam capazes de mudar, quase que permanentemente, seu</p><p>comportamento e o seu conhecimento. Baseando-se nos estudos de Piaget, Kagin e Lusebring publicaram em 1978</p><p>o artigo intitulado The expressive therapies continuum, também chamado de ETC, em português traduzido para</p><p>Continuum das Terapias Expressivas.</p><p>Saiba mais</p><p>O ETC destaca a necessidade da evolução das ações para que o desenvolvimento humano ocorra em uma</p><p>sequência, de acordo com cada estágio por ele vivenciado. O ETC também ressalta os estágios do</p><p>desenvolvimento da inteligência.</p><p>Assim, uma sessão de arteterapia que segue o ETC se desenvolveria seguindo estas etapas/componentes:</p><p>Etapa na qual o trabalho corporal é empregado. Não é necessário o uso de palavras. Nesse caso, usam-se</p><p>Sinestésica-sensória </p><p>os cinco sentidos, a visão, a audição, o paladar, o olfato ou o tato, para que a interação com materiais traga</p><p>ao indivíduo memórias e sensações. Aqui se toma como base o fato de que toda atividade mental do ser</p><p>humano se forma por meio das sensações, que auxiliam o indivíduo a ter consciência de si mesmo.</p><p>Nesta etapa, a expressão visual é o foco. Cores, texturas, linhas e desenhos são empregados em atividades</p><p>para fortalecer o processo de aprendizagem dos alunos, que utilizam a arte para expressar seus</p><p>pensamentos, sentimentos e ideias.</p><p>O componente cognitivo é indicado para trabalhos com pessoas mais velhas ou com déficit de atenção e</p><p>hiperatividade, por exemplo. Aqui se exige que o indivíduo tenha um planejamento de ações e que reflita</p><p>sobre</p><p>o seu próprio comportamento. Ele é levado a pensar sobre um problema e sua solução, passando pela</p><p>construção dessa solução com coerência e lógica.</p><p>O componente simbólico apresenta-se praticamente como um método que auxilia na descrição do</p><p>indivíduo. Muitas vezes, não é possível realizar isso de forma verbal. Assim, o símbolo pode fazer a relação</p><p>entre o ser (exterior) e seu interior, descrevendo o indivíduo como um todo.</p><p>A arteterapia faz uso de oficinas de criatividade (ou oficinas criativas) de forma que as atividades desenvolvidas</p><p>levem o indivíduo a externar as mais diversas situações do seu íntimo, auxiliando-o para que essas questões sejam</p><p>enfrentadas e resolvidas. O método da oficina criativa segue uma sequência básica, a saber:</p><p>Perceptual-afetivo </p><p>Cognitivo </p><p>Simbólico </p><p>Sensibilização</p><p>O indivíduo estabelece o contato com o seu eu por meio da percepção do seu próprio corpo e do</p><p>ambiente no qual está inserido.</p><p>Na última etapa, o destaque principal é para o que foi produzido após a sessão. Aqui se trata do que antes era “não</p><p>verbal” e passou a ser externado. A produção de frases, textos, histórias e imagens, dentre outros materiais, traz à</p><p>tona os sentimentos que até então estavam encobertos/desconhecidos.</p><p>Atenção!</p><p>Os materiais e recursos da arteterapia no contexto educacional podem ajudar na construção de conhecimento,</p><p>convidando os alunos a criarem a partir das mais variadas fontes (histórias, música, imagens etc.), trazendo-os</p><p>para uma participação efetiva do processo de ensino aprendizagem.</p><p>Para Bernardo (2006 apud ASSIS, 2013, p. 31), a oficina de criatividade em ambiente institucional promove essa</p><p>abertura ao novo e contribui para a saúde coletiva, na medida em que possibilita o diálogo entre o eu, o outro e o</p><p>meio ambiente, mediado pela utilização de recursos expressivos, favorecendo o resgate da cidadania, de se sentir</p><p>fazendo parte do todo e atuando nele.</p><p>Vamos agora conhecer a relação entre aprendizagem e artes, suas características e estágios.</p><p>Expressão livre</p><p>O indivíduo explora os movimentos que surgem naturalmente.</p><p>Transposição de linguagem</p><p>Momento em que o indivíduo escreve sua experiência. Os símbolos desta etapa surgem do seu</p><p>inconsciente, porém são trazidos para o consciente.</p><p>Finalização</p><p>As oficinas são encerradas com uma avaliação e discussão do que foi produzido tornando o</p><p>indivíduo consciente da sua aprendizagem.</p><p></p><p>Inteligências, estágios e artes</p><p>Neste vídeo, falaremos sobre as listas da ETC, esclarecendo e exemplificando cada um dos itens.</p><p>Efeitos da arteterapia na aprendizagem</p><p>Antes de prosseguirmos, vamos ver o que destaca um documento da Unesco intitulado “Educação: um tesouro a</p><p>descobrir” a respeito da educação:</p><p>[...] a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais</p><p>que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do</p><p>conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão;</p><p>aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a</p><p>fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas;</p><p>finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes.</p><p>(UNESCO, 1996, p. 90)</p><p>Assis (2013, n. p.), após aplicar variadas oficinas de arteterapia junto a alunos de uma escola pública, destacou que</p><p>“as atividades expressivas como descritas no desempenho dos alunos favoreceram uma reestruturação interna,</p><p>quando escolhiam e ordenavam imagens significativas”. Analisando as produções dos alunos após participação</p><p>nas oficinas de arteterapia, a autora percebeu que os resultados foram de encontro com os objetivos propostos</p><p>pela UNESCO (1996), especialmente considerando que a educação:</p><p>[...] devia fazer com que todos pudessem descobrir, reanimar e fortalecer o seu</p><p>potencial criativo — revelar o tesouro escondido em cada um de nós. Isto supõe que</p><p>p p q</p><p>se ultrapasse a visão puramente instrumental da educação, considerada como a via</p><p>obrigatória para obter certos resultados (saber-fazer, aquisição de capacidades</p><p>diversas, fins de ordem econômica), e se passe a considerá-la em toda a sua</p><p>plenitude: realização da pessoa que, na sua totalidade, aprende a ser.</p><p>(UNESCO, 1996, p. 90)</p><p>O desenho, por exemplo, é uma forma de expressão que auxilia o aluno a manifestar seu potencial criativo.</p><p>Infelizmente, com o aumento das disciplinas a serem cumpridas a cada ano, o aluno não é mais convidado a ser</p><p>criativo e a se expressar por meio do desenho. A tirinha a seguir ilustra o desenho infantil como forma de</p><p>expressão:</p><p>Tirinha de Calvin e Hobbes.</p><p>Byington (2004) destaca que existem tipos psicológicos que apresentam “canais de inteligências múltiplas que</p><p>podem e devem ser identificados em professores e alunos” (BYINGTON, 2004, p. 105 apud ASSIS, 2013). O autor</p><p>destaca que o uso da imaginação e da fantasia como técnicas de ensino são estratégias proveitosas aos alunos</p><p>por estimularem sua intuição.</p><p>Podemos esquematizar o que Byington quis dizer da seguinte forma:</p><p>Estímulo do pensar</p><p>A tradicional “explicação” utilizada extensivamente nas aulas estimula o pensar.</p><p>Estímulo do sentir</p><p>Técnicas corporais favorecem sensações e as técnicas que envolvem música, poemas e emoção estimulam o</p><p>sentimento.</p><p>Ao realizar uma oficina sobre o tema “valor”, utilizando o conto Negrinha, de Monteiro Lobato, Assis (2013) não</p><p>focou apenas/exclusivamente no ensino lógico, mas também houve uma vivência simbólica, ligando o indivíduo</p><p>com o processo de aprendizagem e, consequentemente, com sua vivência como cidadão.</p><p>Como resultado dessa oficina, uma aluna, nomeada como M. F. S, escreveu (ASSIS, 2013):</p><p>“Eu gostei muito da história, e o título que eu daria é ‘A negrinha’”.</p><p></p><p>A parte que mais gostei foi quando ela não teve mais medo, se sentiu gente, sorridente e alegre.</p><p>Hoje essa aula foi muito relaxante, divertida.</p><p>Essa história me mostrou que a gente tem que sorrir pra vida e não ter medo.</p><p>Palavra de hoje – felicidade!”</p><p>Aluna sorrindo em sala de aula durante oficina.</p><p>Assis (2013, p. 178) classifica que para a aluna M. F. S. “houve um prazer em aprender, um encantamento,</p><p>favorecendo a transformação da personalidade, uma preparação para o enfrentamento dos problemas que a vida</p><p>nos apresenta”. Segundo a autora, o conhecimento apresentado pela aluna foi transformado em sabedoria.</p><p>Os professores da escola alvo da pesquisa, analisando o comportamento dos alunos após as oficinas, foram</p><p>unânimes em dizer que a aluna M. F. S. apresentou mudanças em suas atitudes. Anteriormente, tratava-se de uma</p><p>criança que não sorria e falava pouco com todos. Após estar presente em quase todas as oficinas, tendo faltado</p><p>em apenas uma, a aluna passou a se expressar com clareza sobre variados assuntos em sala de aula.</p><p>Assis destaca ainda que as oficinas permitiram uma maturação contínua da personalidade dos alunos. Também</p><p>afirma que a realização das oficinas atuou como um convite a estar na escola.</p><p>Uma segunda aluna assim descreveu as oficinas:</p><p>Aluna mostranso satisfação com a oficina para professora.</p><p>“um momento mais que especial na minha vida. Hoje valeu a pena vir à escola para ter esse momento. Uma aula</p><p>diferente. Tive oportunidade de recortar e colar figuras que achei interessante e importante nas vidas das pessoas</p><p>e também momento legal de um passeio da linha de um clássico instrumental” (ASSIS, 2013, p. 179).</p><p>Como conclusão, Assis (2013) afirma que a arteterapia resultou em mudanças que favoreceram o processo de</p><p>aprendizagem dos alunos. Houve uma maior percepção do ser frente aos conhecimentos, levando os indivíduos a</p><p>diferentes saberes, não só os tradicionais relacionados ao currículo escolar, mas também àqueles relativos à vida</p><p>do indivíduo em sociedade. Esses aprendizados e conhecimentos também serão exigidos do aluno quando ele sair</p><p>da sala de aula e estiver em sociedade, frente aos problemas cotidianos que precisarão ser enfrentados,</p><p>compreendidos e resolvidos da melhor maneira possível.</p><p>O resultado das oficinas</p><p>de Assis nos reforçam a importância e a efetividade da aplicação arteterapia na educação.</p><p>A aluna M. F. S, que apresentou substancial mudança de comportamento, convivência e entendimento em sala de</p><p>aula, declarou ao final da oficina:</p><p>Alunas expressando suas opiniões sobre a oficina.</p><p>“No começo das oficinas de Aida, eu não estava muito interessada, mas aos poucos eu comecei a gostar. A parte</p><p>que mais gostava era dos rabiscos. Vou sentir muita saudade das oficinas e das histórias. Elas significaram muito</p><p>para mim, porque eu comecei a participar mais das aulas dos outros professores... Na verdade eu gostei de tudo...</p><p>elas foram marcantes na minha vida.” (ASSIS, 2013, p. 181)</p><p>A arteterapia, segundo Assis, é um fator facilitador do processo de aprendizagem dos alunos, apesar de ser</p><p>diferente dos métodos tradicionais utilizados longamente na história do ensino. O uso da arteterapia e de oficinas</p><p>traz para a sala de aula a oportunidade para que todos os alunos recebam o conteúdo e consigam, de maneira</p><p>homogênea, aprendê-lo. Além disso, os ajuda a se formarem cidadãos para o mundo.</p><p>Todo processo de ensino e aprendizagem, para que seja realizado de forma contundente na qual o aluno entenda o</p><p>seu papel de atuante, deve se utilizar de diferentes ferramentas para que esse aluno não apenas se interesse pelo</p><p>conteúdo, como também mantenha esse interesse ao longo processo.</p><p>Assim, o modelo de aula que conhecemos, focando no professor expositor e no aluno receptor, pode ser mudado</p><p>para uma atividade mais dinâmica, adequada e agradável, permitindo a compreensão do aluno e até mesmo que</p><p>ele assuma um papel de protagonista.</p><p>A tirinha a seguir mostra a importância do dinamismo pensando na compreensão do aluno:</p><p>Tirinha da Mafalda.</p><p>A arteterapia traz o aluno para esse protagonismo, como um ser produtivo e, além de tudo, o torna interessado e</p><p>feliz com o processo. Conheça a seguir mais sobre esse processo e o compartilhamento de experiências.</p><p>Arteterapia e aprendizagem: compartilhando experiências</p><p>Neste vídeo, assistiremos a alguns depoimentos de professoras do Parque Lage sobre aprender e a arte. Está</p><p>imperdível!</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p></p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>De acordo com os estágios do desenvolvimento da inteligência destacados pelo Continuum das Terapias</p><p>Expressivas (ETC), uma sessão de arteterapia seguiria uma sequência de etapas/componentes. Assinale a</p><p>seguir qual deve ser a terceira etapa.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Com base nos estudos de Piaget, Kagin e Lusebring definiram que o componente cognitivo é destinado a</p><p>trabalhos com pessoas adultas e também pessoas com déficit de atenção e hiperatividade, por exemplo.</p><p>Nessa etapa, o objetivo é pensar sobre um problema e sua solução, com enfoque na construção desta solução</p><p>com coerência e lógica.</p><p>Questão 2</p><p>De acordo com o documento da Unesco intitulado Educação: um tesouro a descobrir, a arte pode contribuir</p><p>significativamente para o processo de aprendizagem dos estudantes, promovendo diferentes tipos de</p><p>inteligências e estimulando a expressão criativa. Nesse contexto, qual das seguintes afirmações está de</p><p>acordo com a visão apresentada no documento?</p><p>A Sinestésica-sensória</p><p>B Perceptual-afetivo</p><p>C Cognitiva</p><p>D Simbólica</p><p>E Operativa</p><p>A</p><p>A arte é apenas uma forma de entretenimento e não tem relação direta com a aprendizagem</p><p>acadêmica dos estudantes.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>O documento da Unesco destaca que a educação deve promover a aprendizagem integral dos estudantes,</p><p>incluindo não apenas o desenvolvimento de habilidades cognitivas, mas também habilidades emocionais,</p><p>sociais e criativas. A arte é considerada uma forma importante de expressão e comunicação, que pode</p><p>contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes.</p><p>B</p><p>A arte é uma atividade exclusiva para os estudantes talentosos em áreas artísticas e não tem</p><p>relevância para os demais estudantes.</p><p>C</p><p>A arte é um meio importante de expressão e comunicação, contribuindo para o</p><p>desenvolvimento integral dos estudantes.</p><p>D</p><p>A arte é uma disciplina isolada e não deve ser integrada ao currículo escolar como uma</p><p>ferramenta de aprendizagem.</p><p>E</p><p>A arte é um processo que não deve ser confundido com terapia, afinal tem técnicas próprias</p><p>que o aluno deve aprender.</p><p>2 - Arteterapia na escola</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car diferentes práticas de arteterapia para o</p><p>cotidiano escolar.</p><p>Arteterapia e a inclusão</p><p>Breve re�exão histórica</p><p>Vivemos atualmente em um novo paradigma na educação, o da inclusão. Desde o Congresso de Salamanca e os</p><p>debates dos especialistas, entendemos que a educação e a convivência nos ambientes educacionais são direitos</p><p>fundamentais.</p><p>Retirar uma criança com necessidades especiais das possibilidades do convívio social, como se fosse possível</p><p>criar um ambiente controlado, sem considerar que esse indivíduo fará parte da sociedade e se integrará trazendo</p><p>as marcas da segregação, é uma preocupação fundamental.</p><p>Re�exão</p><p>A questão é como promover a inclusão sem prejudicar os demais alunos e sem reforçar estereótipos ou fragilizar</p><p>ainda mais as crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Esses debates precisam ser</p><p>enfrentados com compreensão e entendimento das ações tomadas.</p><p>A educação especial, que já existia há muito tempo antes da nossa era, foi estabelecida em institutos voltados para</p><p>meninos surdos e cegos, por exemplo, no Brasil e em outros lugares do mundo. A ideia predominante era de que</p><p>esses jovens teriam alguma possibilidade de desenvolvimento, desde que não apresentassem qualquer tipo de</p><p>atraso ou transtorno de desenvolvimento.</p><p>No entanto, hoje em dia, discute-se que esses transtornos não devem ser pontos de atenção ou elementos</p><p>exclusivos da caracterização desse aluno no coletivo do cotidiano escolar, pois podem efetivamente prejudicar o</p><p>trabalho educacional e as oportunidades dessas crianças. É importante considerar a série, a modalidade e as</p><p>possibilidades de aprendizado de cada aluno com necessidades educacionais especiais. Diversas maneiras têm</p><p>sido desenvolvidas e trabalhadas para incluir esses alunos de modo que façam parte do cotidiano escolar.</p><p>Criança em cadeira de rodas utilizando instrumento musical como arteterapia.</p><p>Diversas maneiras têm sido desenvolvidas e trabalhadas para incluir esses alunos de modo que façam parte do</p><p>cotidiano escolar.</p><p>Inclusão: um exercício social de compreensão do outro</p><p>A inclusão não é específica apenas para os jovens com transtornos ou deficiências, mas também é um exercício</p><p>social fundamental de compreensão do outro.</p><p>Atenção!</p><p>As pessoas com deficiências ainda precisam de suporte da educação especial, que não deve mais ser entendida</p><p>como um espaço segregado, mas, sim, como práticas, formas, buscas e modernizações que permitam o efetivo</p><p>desenvolvimento de cada aluno dentro de suas limitações. É nesse ponto que a arteterapia entra em cena.</p><p>A arteterapia pode ser parte integrante do plano individualizado de aprendizagem para alunos com necessidades</p><p>educacionais especiais. Todas as escolas deveriam ter setores vinculados a uma equipe multidisciplinar, em que a</p><p>liderança pedagógica visa garantir que esses alunos recebam um plano individualizado para seu desenvolvimento.</p><p>Esses alunos são mapeados e suas necessidades são identificadas, seja de um mediador, de suporte especial ou</p><p>de adequações na estrutura física para pessoas com deficiência (PCD). Além disso, os professores precisam ser</p><p>preparados para organizar e estruturar o planejamento de suas aulas, considerando a individualidade dos alunos. A</p><p>ideia é que, dentro dessa estrutura, o aluno se sinta acolhido e tenha condições de desenvolvimento.</p><p>A arteterapia é uma abordagem terapêutica que utiliza a expressão artística como meio de comunicação e</p><p>transformação emocional. Ela tem sido cada vez mais reconhecida como uma prática efetiva no contexto</p><p>educacional, especialmente na inclusão</p><p>de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais.</p><p>Autores como Lev Vygotsky, psicólogo e pedagogo russo, defendem a importância do uso de atividades artísticas</p><p>na educação, pois acreditam que a arte pode ser uma forma poderosa de expressão e desenvolvimento de</p><p>habilidades cognitivas e emocionais. Vygotsky (1998) afirma que a arte é uma das formas mais poderosas de</p><p>desenvolvimento intelectual, emocional e social na infância.</p><p>Lev Vygotsky.</p><p>Mas calma, a criança não precisa ser nenhum Van Gogh! O importante é se permitir experimentar e explorar, sem se</p><p>preocupar com a perfeição ou a avaliação dos outros. Afinal, a arte é uma forma de expressão pessoal e única, e</p><p>cada um tem sua própria maneira de criar.</p><p>Por meio da arteterapia, é possível oferecer aos estudantes com necessidades educacionais especiais um espaço</p><p>seguro para a expressão de emoções, pensamentos e experiências, utilizando diferentes formas artísticas como</p><p>pintura, desenho, escultura, música, dança, entre outras. Essas atividades podem ser adaptadas de acordo com as</p><p>habilidades e os interesses de cada estudante, possibilitando a sua participação ativa no processo terapêutico.</p><p>Além disso, a arteterapia também pode ser utilizada como uma forma de estimulação sensorial e motora,</p><p>auxiliando no desenvolvimento de habilidades motoras finas, coordenação motora e percepção sensorial. Por</p><p>exemplo, atividades como pintura com os dedos ou modelagem com argila podem estimular a coordenação</p><p>motora e a sensibilidade tátil de crianças com deficiências motoras.</p><p>Menino com síndrome de down realizando pintura em artes com argila.</p><p>Exemplos de projetos de arteterapia na inclusão</p><p>Diversos projetos têm sido desenvolvidos ao redor do mundo para promover a inclusão de crianças e jovens com</p><p>necessidades educacionais especiais por meio da arteterapia. Vejamos dois exemplos a seguir:</p><p>Projeto Arte e Inclusão</p><p>O projeto Arte e Inclusão, desenvolvido pela Associação de Arte e Terapia do Estado de São Paulo (AATESP), busca</p><p>promover o acesso à arte e à cultura para pessoas com deficiências e necessidades especiais, visando ao</p><p>desenvolvimento de suas potencialidades e à melhoria de sua qualidade de vida.</p><p>Projeto Arte Inclusiva</p><p>O projeto Arte Inclusiva, desenvolvido pela organização não governamental (ONG) Arte Despertar em parceria com</p><p>escolas inclusivas. Nesse projeto, a arteterapia é usada como uma estratégia para a inclusão social de crianças</p><p>com deficiências múltiplas, buscando promover a expressão artística, a criatividade e a socialização dessas</p><p>crianças, além de seu desenvolvimento integral.</p><p>A t d i h i b t ã d t t i d i l ã</p><p>Antes de prosseguirmos, vamos conhecer mais sobre a atuação da arteterapia no processo de inclusão.</p><p>Incluindo com arte</p><p>Neste vídeo, continuaremos a conversar com as professoras sobre o poder da arte na inclusão – tanto social,</p><p>quanto física.</p><p>A arteterapia e a recuperação</p><p>Outro aspecto que tem sido objeto de debate é o potencial da arteterapia na recuperação de crianças que sofreram</p><p>traumas e abusos durante seu processo de desenvolvimento. Percebe-se que a estrutura e a modelagem artística</p><p>podem, de alguma maneira, auxiliar no processo terapêutico de crianças que passaram por situações traumáticas e</p><p>possibilitar a reestruturação de seu desenvolvimento.</p><p>Vamos considerar o seguinte exemplo:</p><p></p><p>Um grupos de jovens imigrantes atravessaram o mar em balsas, fugindo de países marcados por</p><p>violência, negação e fragilidade.</p><p>No entanto, apesar dessas adversidades, os membros desse grupo estavam com seus amigos e</p><p>famílias, fazendo parte de uma estrutura cotidiana e mecanismos de proteção, mesmo que</p><p>precários.</p><p>Sobre o exemplo acima, ficam os questionamentos:</p><p>O que fazer com essas crianças? Como lidar com seus medos e dores decorrentes dessas experiências?</p><p>Em países como Portugal e Finlândia, foram desenvolvidos mecanismos para o aprendizado da nova língua e para</p><p>a inserção desses alunos, mesmo que inicialmente sem compreensão clara, por meio de mecanismos de</p><p>proximidade que permitem sua expressão por meio de desenhos, formas, músicas e manifestações de choro e voz.</p><p>Cada expressão revela a presença da dor vivenciada, permitindo o acesso a processos de subjetividade que</p><p>resgatam os laços de humanidade e oferecem um novo sentido para essas crianças.</p><p>Terapeuta utilizando a arte para se comunicar com criança que passou por um trauma.</p><p>No caso de crianças que foram expostas a situações traumáticas na infância, ao serem questionadas sobre</p><p>aqueles momentos, muitas vezes se recordam de músicas, vozes e cantigas trabalhadas repetidamente por suas</p><p>mães ou avós, mesmo que a compreensão seja limitada. A expressão e o peso dessas experiências são</p><p>transformadores.</p><p>A arte, como forma de expressão, não precisa necessariamente se enquadrar em processos de defesa, mas é</p><p>fundamental que cada técnica seja estimulada, pensada e transformada em vivências de maneiras diferentes. Isso</p><p>é um traço fundamental para o desenvolvimento da arte como processo de recuperação das crianças.</p><p>Teorizando</p><p>Como sabemos, a arteterapia tem sido amplamente debatida em relação ao seu potencial na recuperação do</p><p>desenvolvimento da aprendizagem, especialmente em crianças que sofreram traumas e abusos durante seu</p><p>processo de desenvolvimento.</p><p>Para Malchiodi (2013), a estrutura e a modelagem da arte podem auxiliar no processo terapêutico de crianças que</p><p>passaram por situações traumáticas, permitindo que seu desenvolvimento seja reestruturado.</p><p>Em situações particularmente traumáticas, como a vivenciada por grupos de jovens</p><p>refugiados que atravessaram o mar em busca de segurança, a arteterapia tem se</p><p>mostrado uma abordagem eficaz na recuperação dos impactos emocionais e</p><p>psicológicos dessas experiências.</p><p>Porém, ao chegar no novo país, muitas dessas crianças são separadas de suas famílias por questões</p><p>burocráticas e acabam perdendo seus pais durante essa jornada.</p><p>p g p</p><p>Segundo Landy (2016), a expressão artística por meio de desenhos, músicas e manifestações criativas permite que</p><p>as crianças expressem suas dores e seus medos, mesmo sem compreender completamente a nova língua ou o</p><p>contexto em que se encontram. Essas expressões artísticas acessam processos de subjetividade humana e</p><p>recuperam os laços de humanidade, oferecendo um novo sentido às experiências dessas crianças.</p><p>Além disso, a arte também tem sido destacada como uma forma de resgate de memórias traumáticas e</p><p>reconstrução do significado dessas experiências.</p><p>Conforme destacou Gussak (2015), a música, as cantigas e as melodias podem ser lembranças de momentos</p><p>difíceis na infância, mas também podem ser transformadoras ao permitir que as crianças expressem suas</p><p>emoções e vivenciem uma sensação de plenitude e voz própria, em contraste com a sensação de luta e desespero</p><p>diante do trauma.</p><p>Criança expressando suas emoções através da música.</p><p>Por meio da arte como processo de recuperação, a criança é estimulada a expressar-se de maneira diferente e a</p><p>encontrar uma nova forma de lidar com suas experiências traumáticas.</p><p>Conforme destacado por McNiff (2009), a arte como expressão não precisa necessariamente passar por processos</p><p>de defesa, e sim ser estimulada, pensada e transformada em uma vivência única para cada indivíduo. Nesse</p><p>sentido, a arteterapia desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de crianças que enfrentaram</p><p>traumas, oferecendo uma abordagem criativa e integradora que auxilia na recuperação do bem-estar emocional e</p><p>psicológico.</p><p>Traumas, acolhimento e amor na escola: com arte</p><p>Neste vídeo, vamos conhecer mais a articulação entre acolhimento e arteterapia, entendendo como a arte cura até</p><p>a alma e tem uma grande potência na escola.</p><p>A arte como prática e diálogo com o mundo</p><p></p><p>p g</p><p>O fascínio de pré-adolescentes e adolescentes pelas redes sociais pode ter diversas origens.</p><p>Uma delas é a ideia de expressão pessoal, em que os jovens veem nas redes sociais uma plataforma para se</p><p>expressarem, seja por meio de imagens, músicas, danças,</p><p>entre outras maneiras. Essa expressão pessoal pode ser</p><p>vista de maneira positiva, como uma forma de autoafirmação, ou imitativa, em que os jovens reproduzem o que é</p><p>popular nas redes sociais.</p><p>Garota dançando e fazendo pose divertida enquanto a irmã a filma para as redes sociais.</p><p>Esse fenômeno tem levantado questionamentos éticos, uma vez que a expressão nas redes sociais pode ser</p><p>contraditória, sendo afirmativa em um sentido pessoal, mas imitativa em outro. Além disso, o controle dos pais</p><p>sobre o uso das redes sociais é um desafio, já que essas plataformas ainda carecem de regulamentação e controle</p><p>de algoritmos em relação à propaganda e a outros aspectos.</p><p>Um dado importante a ser discutido é o impacto das redes sociais na construção da imagem e identidade dos</p><p>jovens.</p><p>Comentário</p><p>Sabemos bem que a internet pode ser um teatro de aparências, um ambiente em que “nada é orgânico, é tudo</p><p>programado”, como canta a roqueira Pitty em Admirável Chip Novo. O nome da música é inspirado no livro</p><p>Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e, assim como a obra, critica a manipulação da sociedade.</p><p>Muitas vezes, as redes sociais apresentam um espelho distorcido da realidade, o que pode levar a uma fragilização</p><p>e inadequação daqueles que não se veem representados. Embora a internet seja um lugar de múltiplas vozes, nem</p><p>sempre todas são representadas de forma equitativa, o que pode levar a marginalizações e violências.</p><p>O aumento da violência negativa e a falta de controle sobre ansiedades e competências emocionais têm sido</p><p>observados nas redes sociais, o que tem impactado negativamente a saúde mental dos jovens, com aumento de</p><p>problemas como suicídio e consumo de materiais inadequados.</p><p>Apesar desses desafios, é importante notar que nem tudo nas redes sociais é ruim.</p><p>A expressão artística, por exemplo, tem encontrado espaço nesse ambiente, permitindo a criação de novas formas</p><p>de arte, como dança, teatro, música, entre outras. A ideia de resistência, crítica e transformação, características</p><p>importantes da expressão artística, também pode ser encontrada nas redes sociais.</p><p>Adolescente se filmando enquanto dança.</p><p>Nesse contexto, a arteterapia na escola pode desempenhar um papel importante na mediação dos processos de</p><p>expressão e na construção dos círculos de paz.</p><p>A arte, ao estimular a expressão, o aprendizado de novas técnicas e a exploração do</p><p>corpo e do pensamento, pode contribuir para a construção de ambientes e linguagens</p><p>p p , p p ç g g</p><p>que promovam o bem-estar, a saúde mental e a cultura da paz.</p><p>É fundamental que a escola promova uma cultura da paz, por meio de projetos e currículos que valorizem a arte e</p><p>outras manifestações que possam contribuir para a formação integral dos jovens.</p><p>Saiba mais</p><p>Paulo Freire, renomado educador brasileiro, abordou a importância da arte e da expressão nas práticas</p><p>educacionais. O autor defendia a valorização das experiências culturais dos estudantes e a construção coletiva do</p><p>conhecimento, utilizando métodos dialógicos e participativos. Nesse contexto, a arte e a expressão artística têm</p><p>um papel fundamental na construção de ambientes educacionais que promovam a cultura da paz e a saúde mental</p><p>dos estudantes.</p><p>A arte, incluindo a arteterapia, pode ser uma ferramenta poderosa para a mediação e transformação de conflitos</p><p>nas escolas. Por meio dela, os estudantes podem explorar suas emoções, expressar suas opiniões e perspectivas,</p><p>e criar formas de comunicação não violentas. A arte pode ser usada como um meio de diálogo e compreensão</p><p>entre os estudantes, promovendo a empatia, a tolerância e o respeito às diferenças. Além disso, pode ser uma</p><p>forma de resistência e crítica social, encorajando os estudantes a questionarem normas e padrões estabelecidos, e</p><p>a se posicionarem de maneira autônoma e reflexiva.</p><p>Por meio da arteterapia, os estudantes podem desenvolver habilidades socioemocionais, como a autoexpressão, a</p><p>autorregulação emocional, a empatia e a resolução de problemas. Diante de questões emocionais e sociais, como</p><p>o bullying, a baixa autoestima, a ansiedade e a inadequação social, são oferecidas aos alunos ferramentas criativas</p><p>para expressarem suas emoções, compreenderem suas experiências e se conectarem com os outros de forma</p><p>mais saudável e construtiva.</p><p>Crianças em escola da rede pública realizando pinturas em sala de aula.</p><p>A arteterapia na escola contribui para a construção de uma cultura de paz, promovendo a valorização da</p><p>diversidade, a compreensão intercultural e a construção de relacionamentos saudáveis e respeitosos. Desse modo,</p><p>os alunos são capazes de explorar diferentes culturas, identidades e perspectivas, desenvolvendo a empatia e a</p><p>compreensão mútua.</p><p>A arte também pode ser utilizada como uma estratégia de prevenção de comportamentos violentos e</p><p>autodestrutivos, oferecendo aos alunos uma forma saudável e construtiva de lidar com suas emoções e</p><p>experiências.</p><p>Resumindo</p><p>A arteterapia desempenha um papel importante na construção de ambientes educacionais saudáveis, promovendo</p><p>a expressão, a compreensão mútua, a resistência criativa, e a construção de uma cultura da paz. É fundamental que</p><p>educadores, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da área da educação considerem a importância da arte e</p><p>da expressão artística como uma ferramenta poderosa na promoção da saúde mental, do bem-estar e do</p><p>desenvolvimento integral dos estudantes.</p><p>Vamos agora explorar a relação entre arte e o mundo.</p><p>O mundo contra a arte. Será?</p><p>Neste vídeo, a professora Adriana Nakamuta troca experiências com outras professoras sobre como a arte dialoga</p><p>com o mundo dá novos caminhos de expressão.</p><p>Arte e a sala de recursos x os recursos do mundo</p><p>Você já ouviu falar em sala de recursos? A sala de recursos, muitas vezes, é apresentada como argumento de</p><p>“venda” das escolas, para apresentar aos pais de futuros alunos o seu cuidado, seus usos tecnológicos e suas</p><p>possibilidades de desenvolvimento de estudantes.</p><p>Na verdade, as salas de recursos são um ambiente em que professores podem dispor de recursos mais complexos,</p><p>seja de maneira coletiva seja individualizada. Nesse ambiente, os docentes realizam as suas atividades de</p><p>construções de histórias a partir de estruturas táteis, a guarda de determinados materiais e a percepção sobre a</p><p>variação das superfícies, sobre o papel do mundo e como esse papel fica estruturado.</p><p>Um traço fundamental do desenvolvimento de artes é justamente a percepção sobre as diversas formas e</p><p>expressões que a linguagem artística possui, tais como: a dança, a expressão vocal, a expressão corporal, o teatro,</p><p>o contar histórias, o reelaborar histórias, o desenho, a pintura, a moldagem, a construção de brinquedos.</p><p>Professora utilizando sala de recursos para trabalhar o lúdico de seus alunos.</p><p>Menino sorrindo segurando seu desenho.</p><p>Cada uma dessas expressões, de alguma maneira, permite que os alunos construam e sejam medidos, verificados</p><p>e observados sobre as competências que podem estabelecer e realizar.</p><p></p><p>Atenção!</p><p>Não confunda sala de recursos com sala de confinamento para momentos de surto, de dificuldade. Aliás, esses</p><p>ambientes podem ser outros, sendo espaços preparados com determinadas cores e formas visando ao processo</p><p>de acalmar o aluno. Rediscutir a ambiência e a estética muitas vezes postas de lado dentro das estruturas</p><p>escolares é uma fragilidade que faz parte de um entendimento da arte como terapia para além de estruturas</p><p>lineares e pontuais que ficam imediatamente postas dentro de uma primeira observação.</p><p>Vejamos agora como trabalhar na sala de recursos os diferentes tipos de expressões artísticas:</p><p>Manuais</p><p>É possível realizar colagens com os alunos. Para isso, não precisa utilizar não apenas papel, mas</p><p>também folhas naturais, flores, materiais recicláveis, massinha, argila, entre outros materiais</p><p>disponíveis.</p><p>Musicais</p><p>Para se trabalhar com música, é possível sugerir a construção de instrumentos de percussão como</p><p>chocalho ou reco-reco. Para isso, podem ser usados copos e grãos, rolos</p><p>de papel ou de plástico, um</p><p>palito de churrasco ou até um galho mais resistente.</p><p>Pinturas</p><p>Na pintura, pode-se utilizar papel mais resistentes e no tamanho A3 para dar mais liberdade para as</p><p>crianças manifestarem seus sentimentos e desejos.</p><p>Teatrais</p><p>Ao realizar uma peça de teatro, o professor pode reunir os alunos e permitir que escolham um papel</p><p>para atual ou mesmo uma atividade da produção da qual gostem mais.</p><p>Antes de finalizarmos nosso estudo, vamos ler o emocionante relato sobre a inclusão de uma aluna com paralisia</p><p>cerebral que encontrou seu lugar na peça da escola, sendo acolhida pelos demais alunos.</p><p>Nicole Alcebíades de Oliveira é professora de educação artística em uma escola</p><p>municipal de São Paulo (SP) e dá aulas do 1º ao 9º anos do ensino fundamental. [...]</p><p>Outro caso relatado pela professora é o de uma aluna com paralisia cerebral. Ela é</p><p>cadeirante e tem dificuldades para escrever e falar. Porém, é capaz de entender tudo.</p><p>‘A aluna também estava no 9º ano, período em que trabalho bastante com teatro;</p><p>fiquei sem saber direito o que propor a ela. Quando eu dividi os grupos para que</p><p>fizessem as cenas, disse a eles que a aluna precisava participar. Eles precisavam</p><p>incluí-la na cena, e essa regra era fundamental. E foi surpreendente como deu certo!</p><p>Eu me lembro especialmente de uma cena bem divertida em que eles simularam</p><p>uma luta e ela fazia parte da torcida.</p><p>A aluna conseguia se manifestar, gritando alto como uma torcedora, se mexendo e</p><p>se envolvendo na cena. Ela participava do jeito dela e o grupo a acolhia.</p><p>(PICOLLO, 2022)</p><p>Vamos conhecer mais sobre a noção de recursos e a arteterapia.</p><p>Vamos fazer arte?</p><p>Neste vídeo, teremos uma demonstração de como fazer algumas oficinas de arte. Vamos aprender?</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A arteterapia tem sido meio para a prática de inclusão. Qual é o objetivo da arteterapia no contexto da inclusão</p><p>de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais?</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>A arteterapia tem como objetivo proporcionar um espaço seguro e acolhedor para que os alunos com</p><p>necessidades educacionais especiais possam expressar suas emoções, pensamentos e experiências por meio</p><p>de atividades artísticas. A expressão artística pode ser uma forma poderosa de comunicação e transformação</p><p>emocional, auxiliando no desenvolvimento cognitivo e emocional desses alunos.</p><p>A Proporcionar atividades recreativas para os alunos com necessidades especiais.</p><p>B</p><p>Oferecer um espaço seguro para a expressão emocional dos alunos com necessidades</p><p>especiais.</p><p>C Substituir a educação especial como prática segregada.</p><p>D Promover a exclusão de crianças com deficiências múltiplas.</p><p>E Estimular apenas a coordenação motora fina dos alunos com deficiências motoras.</p><p>Questão 2</p><p>A arteterapia na escola pode contribuir para a construção de uma cultura da paz e o bem-estar dos estudantes,</p><p>promovendo a expressão emocional, a resolução de problemas e a compreensão intercultural. Com base</p><p>nesse contexto, assinale a alternativa correta.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A arteterapia na escola pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos</p><p>estudantes, como a expressão emocional, a autorregulação emocional, a resolução de problemas e a</p><p>compreensão intercultural. A arte é um meio para explorar as emoções, opiniões e perspectivas, além de</p><p>propiciar aos estudantes a possibilidade de uma comunicação não violenta.</p><p>A</p><p>A arteterapia é uma forma ineficaz de abordar questões emocionais e sociais dos estudantes</p><p>na escola.</p><p>B</p><p>A arteterapia na escola não tem impacto na construção de uma cultura da paz e no bem-estar</p><p>dos estudantes.</p><p>C</p><p>A arteterapia na escola pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades</p><p>socioemocionais, a expressão emocional e a compreensão intercultural dos estudantes.</p><p>D A arteterapia é uma forma de censurar a expressão artística dos estudantes na escola.</p><p>E</p><p>A arteterapia na escola é desnecessária, uma vez que as redes sociais já fornecem um espaço</p><p>suficiente para a expressão artística dos estudantes.</p><p>Considerações �nais</p><p>A arteterapia e a educação são uma potência. Gigantes e poderosas, o encontro das duas nos oferece diversos</p><p>elementos, de modo que ainda há muito a ser demonstrado ou explicitado a partir dessa troca.</p><p>A inclusão de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, o cuidado com traumas, a melhora das</p><p>atividades, o sentir-se mais confortável com o mundo são algumas dessas abordagens que você foi convidado a</p><p>perceber neste conteúdo.</p><p>Se temos conclusões? Não! Mas temos convites: vem fazer arte com a gente!</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast falaremos sobre o universo arteterapêutico e em como essa é uma poderosa ferramenta para ser</p><p>utilizada em nossas escolas.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Para aprimorar os seus conhecimentos no assunto estudado:</p><p>Pesquise e acesse o site da Enciclopédia Itaú Cultural.</p><p>Leia o artigo A Arteterapia e a reforma psiquiátrica no Brasil, de Ana Cláudia Afonso Valladares e Flora Elisa de</p><p>Carvalho Fussi, publicado em 2003 na Rev. Arteterapia: Imagens da Transformação, v. 10, n. 10.</p><p>Referências</p><p>ASSIS, A. Os efeitos da arteterapia na aprendizagem: uma análise do desempenho de alunos concluintes do ensino</p><p>fundamental de uma escola pública. Dissertação de Mestrado, Universidade Lusófona de Humanidades e</p><p>Tecnologias, Instituto de Educação, 2013.</p><p>GUSSAK, D. The effectiveness of art therapy in reducing symptoms associated with childhood trauma. Art Therapy:</p><p>Journal of the American Art Therapy Association, v. 32, n. 1, pp. 11-17, 2015.</p><p>LANDY, R. Art-based research. In: FINLEY, L.; MCNIFF, R. Handbook of arts-based research. New York: Guilford</p><p>Press. 2016</p><p>PICOLLO, L. Caminho criativo — o potencial da arte-educação para pessoas com deficiência. Itaú Social, 2022.</p><p>Consultado na internet em: 27 abr. 2023.</p><p>MALCHIODI, C. The art therapy sourcebook. New York: McGraw-Hill Education, 2013.</p><p>MCNIFF, S. Art heals: How creativity cures the soul. Boston: Shambhala Publications, 2009.</p><p>UNESCO. Educação, um tesouro a descobrir. Relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o século</p><p>XXI. Porto: Edições ASA, 1996.</p><p>VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>javascript:CriaPDF()</p>

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