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<p>Práticas em Saúde</p><p>Danieli Juliani Garbuio Tomedi</p><p>Sandmary Dechechi Chambó</p><p>© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou</p><p>transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo</p><p>fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de</p><p>informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Imagens</p><p>Adaptadas de Shutterstock.</p><p>Todos os esforços foram empregados para localizar os detentores dos direitos autorais das</p><p>imagens reproduzidas neste livro; qualquer eventual omissão será corrigida em futuras edições.</p><p>Conteúdo em websites</p><p>Os endereços de websites listados neste livro podem ser alterados ou desativados a qualquer momento</p><p>pelos seus mantenedores. Sendo assim, a Editora não se responsabiliza pelo conteúdo de terceiros.</p><p>Presidência</p><p>Rodrigo Galindo</p><p>Vice-Presidência de Produto, Gestão</p><p>e Expansão</p><p>Julia Gonçalves</p><p>Vice-Presidência Acadêmica</p><p>Marcos Lemos</p><p>Diretoria de Produção e</p><p>Responsabilidade Social</p><p>Camilla Veiga</p><p>2020</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza</p><p>CEP: 86041-100 — Londrina — PR</p><p>e-mail: editora.educacional@kroton.com.br</p><p>Homepage: http://www.kroton.com.br/</p><p>Gerência Editorial</p><p>Fernanda Migliorança</p><p>Editoração Gráfica e Eletrônica</p><p>Renata Galdino</p><p>Luana Mercurio</p><p>Supervisão da Disciplina</p><p>Carla Fortunato dos Santos</p><p>Cirino</p><p>Revisão Técnica</p><p>Ana Carolina de Castro Curado</p><p>Carla Fortunato dos Santos</p><p>Cirino</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>Tomedi, Danieli Juliani Garbuio</p><p>T656p Práticas em saúde / Danieli Juliani Garbuio Tomedi,</p><p>Sandmary Dechechi Chambó. – Londrina:</p><p>Distribuidora Educacional S.A., 2020.</p><p>1. Laboratórios. 2. Materiais biológicos. 3. Primeiros</p><p>socorros. I. Chambó, Sandmary Dechechi. II. Título.</p><p>CDD</p><p>Jorge Eduardo de Almeida CRB-8/8753</p><p>Sumário</p><p>Unidade 1</p><p>Práticas em saúde sob a óptica da biomedicina ........................................ 7</p><p>Seção 1</p><p>Laboratórios clínicos .......................................................................... 8</p><p>Seção 2</p><p>Laboratórios e hospitais ...................................................................18</p><p>Seção 3</p><p>Outros campos de atuação do biomédico .....................................27</p><p>Unidade 2</p><p>Coleta de materiais biológico .....................................................................42</p><p>Seção 1</p><p>Biossegurança e variáveis pré-analíticas ........................................43</p><p>Seção 2</p><p>Manejo de amostras laboratoriais: parte I ....................................55</p><p>Seção 3</p><p>Manejo de amostras laboratoriais: parte II ...................................68</p><p>Unidade 3</p><p>Sinais vitais ...................................................................................................83</p><p>Seção 1</p><p>Pressão arterial e frequência cardíaca ............................................84</p><p>Seção 2</p><p>Respiração .........................................................................................99</p><p>Seção 3</p><p>Temperatura e dor .........................................................................112</p><p>Unidade 4</p><p>Primeiros socorros ...................................................................................129</p><p>Seção 1</p><p>Primeiros socorros parte I ............................................................130</p><p>Seção 2</p><p>Primeiros socorros parte II ..........................................................145</p><p>Seção 3</p><p>Suporte básico de vida ..................................................................162</p><p>Palavras do autor</p><p>Caro aluno, vamos iniciar agora o conteúdo da disciplina de Práticas em</p><p>Saúde. Você sabe o que vamos estudar? Este livro tem como objetivo</p><p>fazer com que você compreenda e aplique os conhecimentos necessá-</p><p>rios para o exercício da biomedicina, pois aqui iremos abordar conteúdos de</p><p>grande relevância para a área biomédica, desde normas e diretrizes de labora-</p><p>tórios, sejam de hospitais ou laboratório clínicos, até as diferentes atribuições</p><p>do biomédico. Além disso, você irá aprender sobre as práticas de coleta dos</p><p>diferentes tipos de materiais biológicos, a importância da fase pré-analítica,</p><p>assim como o uso correto dos equipamentos de segurança, para garantir a</p><p>segurança de todos os envolvidos no processo, sobre a identificação, armaze-</p><p>namento e descarte correto dos materiais produzidos no processamento das</p><p>amostras, e também sobre os sinais vitais e os procedimentos utilizados para</p><p>efetuar os primeiros socorros.</p><p>Na primeira unidade deste livro, vamos estudar os diferentes tipos de</p><p>laboratórios, as normas e legislações pertinentes para cada etapa do processo,</p><p>as várias atribuições do profissional biomédico, assim como perspectivas</p><p>futuras de ação deste profissional. Na segunda unidade, você irá conhecer</p><p>os diferentes tipos de coletas de materiais biológicos, desde coleta de sangue</p><p>(arterial, venoso, hemocultura), coleta de urina, fezes, secreções e raspagem.</p><p>Além disso, você irá entender a importância da identificação e do armazena-</p><p>mento correto dos materiais biológicos, assim como o descarte correto dos</p><p>resíduos produzidos em todas as etapas. Na terceira unidade, vamos conhecer</p><p>e entender os procedimentos para verificação dos sinais vitais em vítimas</p><p>de acidentes ou incidentes, desde pressão arterial e frequência cardíaca, até</p><p>temperatura e fisiologia da dor. Na quarta e última unidade, você conhecerá</p><p>os procedimentos utilizados para efetuar os primeiros socorros, condutas em</p><p>acidentes com materiais perfurocortantes, avaliação primária e secundária e</p><p>todo o processo de suporte básico de vida.</p><p>Agora, para que você compreenda as informações e possa aplicar seus</p><p>conhecimentos, é essencial que leia este livro didático, acesse os links e se</p><p>aprofunde mais no conteúdo. Ao final deste livro didático, você terá a oportu-</p><p>nidade de aplicar os conhecimentos obtidos para sua atuação profissional.</p><p>Unidade 1</p><p>Sandmary Dechechi Chambó</p><p>Práticas em saúde sob a óptica da biomedicina</p><p>Convite ao estudo</p><p>Prezado aluno, seja bem-vindo à disciplina de Práticas em Saúde! No</p><p>decorrer deste livro, você estudará conteúdos de grande relevância para a</p><p>sua atuação profissional, conhecendo os conceitos básicos de práticas em</p><p>saúde sob a luz da biomedicina, identificando campos de atuação e ambientes</p><p>de trabalho.</p><p>Nesta primeira unidade, você conhecerá conceitos de laboratórios</p><p>clínicos e de hospitais, assim como as principais normas e diretrizes relacio-</p><p>nadas, além de conhecer o campo de atuação de diferentes atribuições que</p><p>o profissional biomédico possui e as perspectivas futuras para seu campo</p><p>de atuação.</p><p>Na segunda unidade, você estudará as práticas de coleta de material</p><p>biológico, qualificando-o para obtenção das principais amostras de material</p><p>para análises clínicas, promovendo uma consciência ética no seu desenvol-</p><p>vimento profissional.</p><p>Na terceira e quarta unidade, você conhecerá os procedimentos para</p><p>verificação de sinais vitais em vítimas de acidentes ou incidentes, e os proce-</p><p>dimentos utilizados para efetuar os primeiros socorros.</p><p>8</p><p>Seção 1</p><p>Laboratórios clínicos</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno, vamos iniciar os estudos da disciplina de Práticas em Saúde!</p><p>Nesta primeira unidade, vamos conhecer sobre as atribuições do biomé-</p><p>dico, assim como as principais normas e diretrizes para vários campos de</p><p>atuação. Além disso, vamos conhecer as perspectivas futuras de atuação do</p><p>biomédico. Com isso, você será capaz de correlacionar as diferentes áreas,</p><p>promovendo</p><p>ESTETICA.pdf. Acesso em: 13 mar. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Normativa CFBM nº 01/2012, de 10 de</p><p>abril de 2012. Dispõe sobre rol de atividades para fins de inscrição e fiscalização dos profissionais</p><p>Biomédicos, Técnicos, Tecnólogos nas áreas de acupuntura, estética, citologia e anatomia patoló-</p><p>gica e imaginologia, junto aos Conselhos Regionais de Biomedicina. Disponível em: http://www.</p><p>crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/normativas.pdf. Acesso em: 13 mar. 2020.</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2954239/RDC_51_2011_COMP.pdf/e0720f17-70fc-4eb8-b89f-acc025bdf661</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2954239/RDC_51_2011_COMP.pdf/e0720f17-70fc-4eb8-b89f-acc025bdf661</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19</p><p>https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20170553/04145350-rdc-anvisa-34-2014.pdf</p><p>https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20170553/04145350-rdc-anvisa-34-2014.pdf</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/norma_palc_2016_web.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/norma_palc_2016_web.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/Normativa-001-2019-CFBM-Dispoe-sobre-a-normatizacao-da-habilitacao-em-perfusao.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/Normativa-001-2019-CFBM-Dispoe-sobre-a-normatizacao-da-habilitacao-em-perfusao.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/NORMATIVA-CFBM-N.003.2015-ESTETICA.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/NORMATIVA-CFBM-N.003.2015-ESTETICA.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/NORMATIVA-CFBM-005.2015-ESTETICA.pdf</p><p>http://www.crbm3.org.br/images/legislacao/normativas/NORMATIVA-CFBM-005.2015-ESTETICA.pdf</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Normativa nº 004/2015, de 5 de novembro</p><p>de 2015. Dispõe sobre procedimentos realizados por Biomédicos Estetas, utilizando-se de fios de</p><p>sustentação tecidual para fins estéticos. Disponível em: http://www.crbm3.org.br/images/legis-</p><p>lacao/normativas/NORMATIVA-CFBM-004.2015-ESTETICA.pdf. Acesso em: 13 mar. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Resolução n. 241, de 29 de maio de 2014.</p><p>Dispõe sobre atos do profissional biomédico com habilitação em biomedicina estética e regula-</p><p>menta a prescrição por este profissional para fins estéticos. CRBM, 2014. Disponível em: http://</p><p>crbm1.gov.br/novosite/wp-content/uploads/2013/12/RESOLUCAOCFBM-n-241-2014.pdf.</p><p>Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Resolução n. 304, de 23 de abril de 2019.</p><p>Dispõe sobre a especialidade em estética de biomedicina. Brasília: Diário Oficial da União, ed.</p><p>78, seção 1, p. 74. Disponível em: http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolu%C3%87%C3%83o-n%b-</p><p>C2%BA-304-de-23-de-abril-de-2019-84796429. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Resolução n. 309, de 17 de julho de 2019.</p><p>Cria a habilitação e regulamenta a atividade do profissional biomédico em fisiologia do esporte</p><p>e da prática do exercício físico. Brasília: ABMES, 2019. Disponível em: https://abmes.org.br/</p><p>arquivos/legislacoes/Resolucao-CFBM-309-2019-07-17.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA – CFBM. Resolução n. 78, de 29 de abril de</p><p>2002. Dispõe sobre o Ato Profissional Biomédico, fixa o campo de atividade do Biomédico e cria</p><p>normas de Responsabilidade Técnica. Disponível em: http://www.crbm1.gov.br/RESOLUCOES/</p><p>Res_78de29abril2002.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>CONSELHO REGIONAL DE BIOMEDICINA 1ª REGIÃO. Manual do Biomédico. Edição</p><p>digital. CRB 1ª Região, 1º semestre, 2017. Disponível em: https://crbm1.gov.br/site2019/wp-con-</p><p>tent/uploads/2016/04/Manual-do-Biomedico-Edicao-digital-2017.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL. Secretaria do estado de Saúde. Segurança do Paciente:</p><p>higienização das mãos nos serviços de saúde. Brasília, DF: CPPAS, [201?]. Disponível em: http://</p><p>www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/04/3.-Seguranca-do-Paciente-higienizacao-</p><p>-das-maos-nos-servicos-de-saude.pdf. Acesso em: 16 mar. 2020.</p><p>HOSPITAL NOSSA SENHORA DA SAÚDE. Serviço de Controle de Infecção Hospitalar.</p><p>Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Disponível em: https://www.hnss.org.br/ccih/.</p><p>Acesso em: 16 mar. 2020.</p><p>https://w2.fop.unicamp.br/cibio/downloads/nbr_14785.pdf. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>ITO, T. S. A Importância do Técnico de Laboratório no Diagnóstico Laboratorial. Secretaria de</p><p>Saúde de Curitiba. Laboratório Municipal. Curitiba- PR, 2015.</p><p>NICKEL, R. Sistema de Gestão da Qualidade nos Laboratórios Clínicos: Documentação da</p><p>Qualidade. LACEN/PR. Disponível em: http://www.lacen.saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/</p><p>Doc_Qual.pdf. Acesso em: 9 mar. 2020.</p><p>http://crbm1.gov.br/novosite/wp-content/uploads/2013/12/RESOLUCAOCFBM-n-241-2014.pdf</p><p>http://crbm1.gov.br/novosite/wp-content/uploads/2013/12/RESOLUCAOCFBM-n-241-2014.pdf</p><p>http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolu%C3%87%C3%83o-n%C2%BA-304-de-23-de-abril-de-2019-84796429</p><p>http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolu%C3%87%C3%83o-n%C2%BA-304-de-23-de-abril-de-2019-84796429</p><p>https://abmes.org.br/arquivos/legislacoes/Resolucao-CFBM-309-2019-07-17.pdf</p><p>https://abmes.org.br/arquivos/legislacoes/Resolucao-CFBM-309-2019-07-17.pdf</p><p>http://www.crbm1.gov.br/RESOLUCOES/Res_78de29abril2002.pdf</p><p>http://www.crbm1.gov.br/RESOLUCOES/Res_78de29abril2002.pdf</p><p>https://crbm1.gov.br/site2019/wp-content/uploads/2016/04/Manual-do-Biomedico-Edicao-digital-2017.pdf</p><p>https://crbm1.gov.br/site2019/wp-content/uploads/2016/04/Manual-do-Biomedico-Edicao-digital-2017.pdf</p><p>http://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/04/3.-Seguranca-do-Paciente-higienizacao-das-maos-nos-servicos-de-saude.pdf</p><p>http://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/04/3.-Seguranca-do-Paciente-higienizacao-das-maos-nos-servicos-de-saude.pdf</p><p>http://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/04/3.-Seguranca-do-Paciente-higienizacao-das-maos-nos-servicos-de-saude.pdf</p><p>https://www.hnss.org.br/ccih/</p><p>https://w2.fop.unicamp.br/cibio/downloads/nbr_14785.pdf</p><p>http://www.lacen.saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/Doc_Qual.pdf</p><p>http://www.lacen.saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/Doc_Qual.pdf</p><p>ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO – ONA. Avaliação de organizações presta-</p><p>doras de serviços de laboratório clínico. Normas Técnicas, 3 nov. 2003. Disponível em: http://</p><p>portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-</p><p>af98-6f120f2827a3. Acesso em: 9 mar. 2020.</p><p>SÃO PAULO (Estado). Divisão de Infecção Hospitalar. Diretrizes para Implantação de um</p><p>Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) para hospitais do Estado de São</p><p>Paulo. São Paulo: Comitê Técnico de Infecção Hospitalar Divisão de Infecção Hospitalar, [199-].</p><p>Disponível em: http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/</p><p>areas-de-vigilancia/infeccao-hospitalar/doc/ih_diretriz.pdf. Acesso em: 15 mar. 2020</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB. Comissão de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar (CCIH). João Pessoa/ PB: Hospital Universitário Lauro Wanderley. Disponível em:</p><p>http://www2.ebserh.gov.br/web/hulw-ufpb/comissao-de-controle-de-infeccao-hospitalar. Acesso</p><p>em: 16 mar. 2020.</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3</p><p>Unidade 2</p><p>Sandmary Dechechi Chambó</p><p>Coleta de materiais biológico</p><p>Convite ao estudo</p><p>Olá, caro aluno! Agora vamos iniciar os estudos sobre os materiais bioló-</p><p>gicos. O objetivo dessa unidade é estudar sobre as normas de biossegu-</p><p>rança, as práticas de coleta de material biológico e as principais amostras</p><p>de</p><p>material para análises clínicas. Com isso, você será capaz de correlacionar os</p><p>temas voltados à coleta e conservação de amostras biológicas com as noções</p><p>básicas de biossegurança, promovendo uma consciência ética no seu desen-</p><p>volvimento profissional.</p><p>Nesta unidade, você terá conhecimento das principais normas de</p><p>biossegurança, da importância de se utilizar corretamente os EPIs e EPCs,</p><p>assim como os riscos que eles podem trazer caso utilizados indevidamente.</p><p>Você estudará também sobre o conhecimento das variáveis pré-analíticas na</p><p>rotina de um laboratório clínico, assim como os procedimentos corretos no</p><p>manuseio de diferentes materiais biológicos, desde sua coleta até o transporte</p><p>desses materiais. E você vai aprender sobre o gerenciamento de resíduos de</p><p>serviço de saúde (RSS) e os riscos que eles podem trazer para a sua saúde e</p><p>para o meio ambiente.</p><p>Para compreendermos o conteúdo e aplicarmos os conhecimentos,</p><p>é muito importante que você, aluno, leia esta unidade, acesse os links e</p><p>procure aprimorar seus estudos, para que tenha a oportunidade de aplicar</p><p>os conhecimentos obtidos para a sua atuação nas diferentes áreas da</p><p>biomedicina, permitindo uma visão crítica que possivelmente auxiliará você</p><p>em várias situações.</p><p>43</p><p>Seção 1</p><p>Biossegurança e variáveis pré-analíticas</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno, vamos iniciar os estudos desta unidade. Você sabe o que é</p><p>biossegurança? A biossegurança tem sido muito discutida nos dias atuais</p><p>e se reveste de grande importância, principalmente no campo da educação</p><p>profissional em saúde, pois o ambiente em que os profissionais de saúde</p><p>trabalham apresentam potenciais riscos que podem causar acidentes e/ou</p><p>doenças às pessoas a eles expostas. Com isso, temos a missão de possibilitar a</p><p>você uma inserção das práticas em saúde e possibilitar uma conscientização</p><p>sobre os riscos envolvidos nessa área, assim como o exercício de técnicas</p><p>e práticas necessárias para o manuseio correto e seguro dos materiais e</p><p>fluidos biológicos. Para assimilarmos o assunto, acompanhe uma situação</p><p>hipotética que favorecerá o seu entendimento e compreensão dos conteúdos</p><p>teóricos aliados com a prática. Thiago está cursando o 5º semestre do curso</p><p>de Biomedicina e sonha em conquistar seu espaço no mercado de trabalho,</p><p>por isso resolveu sair em busca de uma vaga de estágio para aprimorar ainda</p><p>mais seu conhecimento. Não demorou muito para que ele conseguisse seu</p><p>tão sonhado estágio, ainda mais em um laboratório de referência em sua</p><p>cidade. Muito bom, não é mesmo? Thiago, além de conseguir melhorar seu</p><p>currículo, terá um grande diferencial ao buscar seu primeiro emprego na</p><p>área. E terá a oportunidade de passar por todas as áreas, desde a coleta do</p><p>material até o transporte, pois alguns exames são coletados no laboratório</p><p>e terceirizados para uma outra empresa, fora da cidade. Antes de iniciar em</p><p>um setor específico, Thiago foi informado que teria que realizar um treina-</p><p>mento a respeito das boas práticas de segurança, pois todos os funcionários</p><p>dessa empresa passam por treinamentos e atualizações constantes sobre as</p><p>técnicas que devem ser adotadas para manter um ambiente seguro, zelando</p><p>pela proteção dos colaboradores, do meio ambiente e da comunidade. Vamos</p><p>ajudar Thiago nesta jornada?</p><p>Em seu primeiro dia, além de conhecer todos os setores em que vai atuar,</p><p>Thiago foi instruído sobre as principais normas de biossegurança e também</p><p>sobre a utilização correta dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI)</p><p>e dos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), pois mesmo com tantos</p><p>cuidados e regulamentações, a maioria dos acidentes em laboratórios ocorre</p><p>pelo comportamento inadequado dos profissionais. Diante do contexto</p><p>apresentado, qual a importância em se conhecer as normas de biossegurança?</p><p>A quais tipos de riscos Thiago pode ser exposto em um laboratório de análises</p><p>44</p><p>clínicas? É muito importante que você, aluno de Biomedicina, também aprofunde</p><p>seus conhecimentos sobre as boas práticas laboratoriais. Você pode ajudar o Thiago</p><p>nessa jornada pesquisando sobre as orientações que os laboratórios devem fornecer</p><p>para que mantenham um padrão de qualidade em seus serviços, com segurança</p><p>aos usuários e também com a proteção ao meio ambiente.</p><p>Não pode faltar</p><p>Para iniciarmos nossa jornada, vamos conhecer um pouco sobre as normas</p><p>básicas de biossegurança e todos os processos e normas das atividades laboratoriais</p><p>para se obter resultados satisfatórios e manter a qualidade dos envolvidos.</p><p>Princípios de biossegurança</p><p>A biossegurança pode ser definida como um conjunto de medidas enfatizadas</p><p>na conservação do meio ambiente e dos animais, assim como na saúde do homem.</p><p>E, também, visa minimizar, controlar ou eliminar os riscos direcionados às ativi-</p><p>dades de produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços.</p><p>No Brasil, existem dois aspectos quando se trata de biossegurança: o legal, que diz</p><p>respeito à manipulação de organismos geneticamente modificados, e o praticado,</p><p>que está ligado aos riscos químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes</p><p>nos ambientes laborais, que são amparados por diversas normas regulamentadoras,</p><p>como a do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Anvisa e do Conselho</p><p>Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).</p><p>Um dos objetivos da biossegurança é a prevenção frente à exposição dos</p><p>profissionais aos agentes biológicos potencialmente nocivos. Com conhecimento,</p><p>o profissional terá condições seguras para manipular e conter esses agentes,</p><p>incluindo: os equipamentos de segurança (EPIs e EPCs), as práticas e técnicas de</p><p>laboratório, assim como sua estrutura física e a gestão administrativa.</p><p>A finalidade da contenção é reduzir ou eliminar a exposição dos profissio-</p><p>nais, da comunidade e do meio ambiente em geral a esses agentes biológicos,</p><p>e pode ser dividida em primária ou secundária. A contenção primária é a</p><p>proteção do trabalhador e do ambiente de trabalho contra os agentes bioló-</p><p>gicos e é obtida com o uso de equipamentos de segurança e das práticas</p><p>microbiológicas seguras. Já a contenção secundária é relacionada à proteção</p><p>do ambiente externo contra a contaminação procedente de setores que</p><p>manipulam agentes nocivos. Neste caso é essencial uma estrutura física</p><p>adequada e atividades de trabalho bem estabelecidas, tais como descarte de</p><p>resíduos sólidos, limpeza e desinfecção de artigos e áreas, entre outros.</p><p>45</p><p>Equipamentos de segurança</p><p>Sabe-se que a atividade laboral é muito importante no desenvolvimento do ser</p><p>humano, e o ambiente laboral foi modificado para receber o trabalhador, trazendo</p><p>riscos à saúde e à sua segurança. Desta forma, de acordo com a Constituição Federal</p><p>de 1988, em seu art. 7º, inciso XXII, a redução dos riscos específicos ao trabalho deve</p><p>ser executada de acordo com as normas de saúde, higiene e segurança do trabalho.</p><p>Assim, dentre as 37 Normas Regulamentadoras (NR) criadas até o momento,</p><p>podemos citar a NR 06 (BRASIL, 2018), que estabelece o dever da utilização dos</p><p>equipamentos de segurança como ferramenta ao trabalhador. Esses equipamentos</p><p>são denominados de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos</p><p>de Proteção Coletiva (EPC). Um ponto importante a se discutir é que somente a</p><p>utilização desses equipamentos é insuficiente para garantir a proteção dos traba-</p><p>lhadores e do ambiente; é preciso que se apliquem as boas práticas de labora-</p><p>tório, garantindo uma segurança maior das atividades. Com certeza você já ouviu</p><p>e até mesmo utilizou algum EPI ou EPC, mas você sabe realmente quando eles</p><p>devem ser utilizados, por que e com qual finalidade se opta por um, por outro ou</p><p>pelos dois?</p><p>O equipamento de proteção coletiva serve para preservar a integridade física e</p><p>a saúde de um grupo de profissionais que estão executando alguma atividade em</p><p>determinado local. Se você observar pelos locais em que circula, você já deve ter</p><p>identificado alguns. Por exemplo, o extintor de incêndio, sistemas de ventilação</p><p>em estacionamentos fechados, kit de primeiros</p><p>socorros, entre muitos outros. Já</p><p>os equipamentos de proteção individual, como o próprio nome diz, conferem</p><p>proteção individual a cada trabalhador, de acordo com a atividade que está sendo</p><p>executada, e se referem a todo equipamento destinado à proteção de riscos suscetí-</p><p>veis de ameaça à segurança e à saúde do trabalhador. Você pode considerar como</p><p>exemplos de EPIs as máscaras, os óculos de segurança, as luvas etc. Quais os EPIs</p><p>que você mais utiliza em um laboratório? Existem vários, não é mesmo? E para</p><p>cada atividade desenvolvida é necessária a utilização do EPI adequado. Assim, é</p><p>essencial que você saiba que a escolha correta do EPI está intimamente ligada ao</p><p>conhecimento dos tipos de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos aos</p><p>quais o trabalhador pode estar exposto.</p><p>Ainda de acordo com a NR 06, a recomendação do EPI adequado ao risco é de</p><p>competência do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina</p><p>do Trabalho (SESMT) ou da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA),</p><p>quando as empresas estiverem desobrigadas a manter o SESMT. Assim, para as</p><p>empresas isentas de constituir a CIPA, é muito importante que se orientem com a</p><p>ajuda de um profissional habilitado. Mas, como você sabe, não basta que a empresa</p><p>forneça os equipamentos de proteção individual, certo? É necessário que ela treine</p><p>46</p><p>os trabalhadores e supervisione o uso de tais equipamentos. Seguem os EPIs mais</p><p>utilizados em uma rotina de laboratório e suas principais especificações.</p><p>• Luvas: devem ser usadas em atividades laboratoriais com riscos químicos,</p><p>físicos e biológicos. Sua utilização é muito importante, pois elas fornecem</p><p>proteção contra diferentes afecções de pele, além de proteger contra conta-</p><p>minações ocasionadas pela exposição a compostos químicos. Outro ponto</p><p>importante é que o profissional tenha em mente que enquanto estiver</p><p>de luva, ele não pode manusear maçanetas, telefones e outros objetos de</p><p>uso comum; além disso, ele não usar luva fora do ambiente de trabalho</p><p>e nunca reutilizar as luvas descartáveis. A escolha da luva deve se basear</p><p>nas características, condições, duração e nos perigos inerentes ao trabalho.</p><p>Por exemplo, um profissional que trabalhe com agentes biológicos deve</p><p>utilizar luvas de látex descartáveis estéreis ou não estéreis. E para as pessoas</p><p>alérgicas ao látex, é recomendada a utilização de luvas de PVC, vinil ou</p><p>nitrila. Em relação aos produtos químicos, a escolha do tipo de luva deve</p><p>ser de acordo com o tipo de substância química a ser manipulada (Quadro</p><p>2.1).</p><p>Quadro 2.1 | Tipos de luvas para o manuseio de substâncias químicas</p><p>Substância Borracha</p><p>natural Neoprene PVC PVA Borracha</p><p>butadieno</p><p>Acetaldeído E E NR NR NR</p><p>Acetaldeído E E NR NR B</p><p>Acetona E B NR NR B</p><p>Benzeno NR NR NR E NR</p><p>Butanol E E NR NR E</p><p>Dissulfeto de</p><p>carbono NR NR NR E B</p><p>CCL4 NR NR NR E B</p><p>Clorofórmio NR NR NR E B</p><p>Formaldeído E E E NR E</p><p>HCl B E E NR E</p><p>Metiletilcetona B NR NR NR NR</p><p>Fenol E E B B NR</p><p>Tolueno NR NR NR B NR</p><p>Xileno NR NR NR E B</p><p>B= Bom; E= Excelente; NR= Não Recomendável</p><p>Fonte: Espírito Santo (2019, p. 15).</p><p>47</p><p>• Jaleco: fornece uma proteção que reduz o risco de transmissão de micror-</p><p>ganismos e contaminação química. Previne a contaminação das roupas,</p><p>protegendo a pele da exposição a materiais biológicos. É importante que</p><p>não seja inflamável, tenha mangas longas, seja confeccionado em algodão</p><p>ou fibra sintética; descartável, resistente e impermeável. Um ponto muito</p><p>importante é que assim como não se deve usar luva fora do ambiente</p><p>de trabalho, também não se deve utilizar jaleco nas áreas comuns, áreas</p><p>administrativas, banheiros e refeitórios.</p><p>• Óculos de proteção: devem estar disponíveis para todos os profissionais</p><p>que trabalham em ambientes onde haja manuseio ou armazenamento de</p><p>substâncias químicas e/ou biológicas. São destinados à proteção contra</p><p>respingos de agentes corrosivos , evitando lesões oculares consequentes da</p><p>ação de produtos químicos, radiações e partículas sólidas.</p><p>• Máscaras de proteção: são equipamentos necessários para diversas ativi-</p><p>dades nas quais possa haver a formação de aerossóis de materiais poten-</p><p>cialmente contaminados, protegendo, assim, as vias aéreas superiores</p><p>(nariz e boca). Podem ser produzidas em tecido ou fibra sintética descar-</p><p>tável. Um exemplo de máscara são as chamadas “bicos de pato” (N95),</p><p>que apresentam um filtro com 95% de eficiência de filtração, podendo</p><p>reter contaminantes presentes na atmosfera sob a forma de aerossóis, tais</p><p>como o bacilo da tuberculose e outras doenças de transmissão aérea. Dessa</p><p>forma, aumentam a proteção dos profissionais manipuladores.</p><p>Vamos imaginar que você esteja trabalhando no setor de coleta de sangue sem</p><p>os EPIs necessários. Você está transportando um tubo com sangue coletado e este</p><p>tubo está com a tampa entreaberta. Por acidente, você tropeça e o sangue escorre</p><p>pelas suas mãos. Pode ser que não aconteça nada, mas se este material biológico</p><p>estiver contaminado? Já pensou em todo o transtorno que isso poderá causar?</p><p>A não utilização dos EPIs ou seu uso inadequado pode ocasionar sérios danos à</p><p>saúde do trabalhador, como as doenças ocupacionais. E devido aos riscos aos quais</p><p>os trabalhadores estão expostos, principalmente os riscos biológicos, é essencial</p><p>que cada laboratório desenvolva um manual de biossegurança, identificando os</p><p>riscos que poderão ser encontrados e especificando também as práticas e procedi-</p><p>mentos para minimizar ou eliminar as exposições a esses riscos.</p><p>Assimile</p><p>De acordo com a Norma Regulamentadora nº 6, determinada pelo</p><p>Ministério do Trabalho (BRASIL, 2018):</p><p>Cabe ao empregador quanto ao EPI:</p><p>• Adquirir o adequado ao risco de cada atividade.</p><p>• Exigir seu uso.</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.htm</p><p>48</p><p>• Fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional</p><p>competente em matéria de segurança e saúde no trabalho.</p><p>• Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e</p><p>conservação.</p><p>• Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado.</p><p>• Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica.</p><p>• Comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.</p><p>• Registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser</p><p>adotados livros, fichas ou sistema eletrônico.</p><p>Cabe ao empregado quanto ao EPI:</p><p>• Usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina.</p><p>• Responsabilizar-se pela guarda e conservação.</p><p>• Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio</p><p>para uso.</p><p>• Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.</p><p>Procedimentos Operacionais Padrão e Boas Práticas laboratoriais</p><p>Agora, vamos falar um pouco sobre os Procedimentos Operacionais Padrão</p><p>(POPs). Você já ouviu falar sobre eles? São documentos indispensáveis para</p><p>o exercício de qualquer tarefa realizada com qualidade e eficiência e obede-</p><p>cendo critérios técnicos, normas e legislação das áreas apropriadas. O POP é um</p><p>documento que descreve os trabalhos a serem executados, pois contém as instru-</p><p>ções necessárias das operações, ou seja, um roteiro padronizado para realizar todas</p><p>as atividades. É importante lembrar que a versão do procedimento deverá ser</p><p>sempre atualizada: nunca deixe um procedimento obsoleto circular pelo labora-</p><p>tório. Portanto, o responsável deve sempre realizar a revisão dos procedimentos.</p><p>Este documento garante que a qualidade de um procedimento seja sempre igual,</p><p>mesmo com diferentes profissionais atuando no processo. Com isso, aumenta-se a</p><p>previsibilidade dos resultados, minimizando as variações causadas por imperícia</p><p>ou até mesmo pela ausência de um funcionário. Além disso, o POP representa um</p><p>ótimo instrumento para a gerência da qualidade na prática de auditorias internas;</p><p>assim, o responsável pela elaboração do POP deve ser qualificado e habilitado.</p><p>Alguns itens são obrigatórios para o desenvolvimento de um procedimento</p><p>operacional padrão. Devem, por exemplo, conter o nome do laboratório que está</p><p>desenvolvendo, a identificação do profissional</p><p>responsável, a data, as instruções</p><p>sequenciais das operações e a frequência de execução. No caso dos equipamentos,</p><p>devem constar no documento informações sobre a calibração e manutenção, sobre</p><p>as amostras, os valores de referências, a interpretação dos resultados e as referências.</p><p>49</p><p>O biomédico ocupa um grande espaço no mercado de trabalho, e com a elabo-</p><p>ração de POPs ele garante a qualidade do seu serviço, com a garantia de que o</p><p>cliente receba um produto e um atendimento de alto padrão. Além disso, a elabo-</p><p>ração de POPs anda em conformidade com as Boas Práticas de Laboratório (BPLs),</p><p>minimizando os riscos no seu ambiente de trabalho. Segundo a Agência Nacional</p><p>de Vigilância Sanitária (Anvisa), as BPLs têm o objetivo de avaliar o potencial</p><p>de riscos e o nível de toxicidade dos produtos, garantindo a promoção da saúde</p><p>humana, animal e do meio ambiente.</p><p>Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC)</p><p>Além de todos os requisitos discutidos até o momento, chegou a hora de</p><p>falarmos sobre o Programa de Acreditação de Laboratório Clínico (PALC). Você já</p><p>pesquisou sobre ele? O PALC é cabível a laboratórios onde são realizados exames</p><p>de materiais biológicos, incluindo materiais microbiológicos, imunológicos e</p><p>químicos, entre outros materiais provenientes do corpo humano. Quem fornece o</p><p>certificado de Acreditação do PALC é a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/</p><p>Medicina Laboratorial. O PALC não é obrigatório, ou seja, é um processo volun-</p><p>tário em que uma instituição avalia um laboratório por meio de uma auditoria,</p><p>realizando uma análise cuidadosa e sistemática para determinar se ele atende</p><p>a requisitos predeterminados para exercer as tarefas a que se propõe, prezando</p><p>sempre em garantir a qualidade dos serviços prestados.</p><p>Mesmo não sendo obrigatório, você não acha importante que o laboratório</p><p>em que atua sejam reconhecidos por este sistema? Os laboratórios que adotam</p><p>um programa de controle de qualidade já estão à frente daqueles que ainda não o</p><p>fizeram, pois fornecem informações objetivas que permitem às pessoas envolvidas</p><p>avaliar se um laboratório opera em nível satisfatório. O PALC foi lançado em 1998</p><p>e se mantém atualizado de acordo com as tendências científicas e internacionais.</p><p>Na prática, esse conjunto de medidas proporciona um gerenciamento de qualidade</p><p>dos processos laboratoriais, redução da variabilidade e do desperdício, aumento da</p><p>segurança e fornecimento de resultados de exames mais confiáveis.</p><p>Reflita</p><p>Geralmente, em um ambiente da área da saúde, é feito um levanta-</p><p>mento dos principais riscos aos quais os colaboradores e pacientes</p><p>podem ser expostos. Assim, podem ser impostas medidas de segurança,</p><p>tanto nos processos quantos nos equipamentos. Você já pensou sobre</p><p>isso? Da próxima vez que entrar em um laboratório, pense nas medidas</p><p>de segurança que podem ser realizadas naquele local.</p><p>50</p><p>Variáveis pré-analíticas</p><p>Muito se estuda sobre os erros laboratoriais, mas você sabia que as principais</p><p>causas desses erros ocorrem na fase pré-analítica? Pois é sobre a qual os labora-</p><p>tórios detêm o menor controle. A fase pré-analítica compõe todas as etapas que</p><p>precedem a análise laboratorial, e inicia-se desde o pedido médico até o momento</p><p>da análise, isto é, inclui as informações para indicação do exame, o pedido em si,</p><p>a preparação do paciente, os procedimentos para coleta, o acondicionamento,</p><p>o transporte e o preparo do material biológico. Desta forma, a fase pré-analítica</p><p>é bem mais difícil de ser controlada, pois algumas etapas, como o preparo do</p><p>paciente, fogem do controle direto do laboratório. Você já parou para pensar com</p><p>o que os erros pré-analíticos podem estar relacionados? Vamos imaginar todas as</p><p>hipóteses, como a elevada rotatividade dos profissionais, a falta de cuidado frente</p><p>alguns procedimentos, a falta de entendimento sobre boas práticas em laboratório</p><p>e o treinamento insuficiente. E sabe qual o resultado de tudo isso? Laudos liberados</p><p>erroneamente, que provocam condutas médicas equivocadas e que podem ser</p><p>catastróficas aos pacientes, colaborando para a insegurança no sistema de saúde.</p><p>Figura 2.1 | Erros em laboratório</p><p>Fonte: Paraná (2014, [s.p.]).</p><p>Para tentar reduzir ao máximo os erros desta fase, é importante utilizar</p><p>medições que acompanham os processos, como os indicadores de desem-</p><p>penho. É muito importante que as pessoas entendam que, neste caso, somente</p><p>somos capazes de melhorar aquilo que podemos medir, certo? Indicadores</p><p>51</p><p>precisam ter metas definidas, além de estarem representados em gráficos, pois</p><p>assim é possível demonstrar claramente a realidade encontrada. Assim, fica</p><p>claro o que pode ser melhorado, pois quanto mais informações o indicador</p><p>fornecer, maior a capacidade de enxergar como o serviço está caminhando, e</p><p>tomar as ações necessárias.</p><p>Exemplificando</p><p>Você já pensou nos impactos que os erros pré-analíticos podem causar?</p><p>Os erros de um laudo, por exemplo, podem causar impactos significa-</p><p>tivos na carga de trabalho de uma equipe, nos custos para o laboratório</p><p>e principalmente na segurança do paciente. Algumas etapas da fase</p><p>pré-analítica não estão sob a gestão do laboratório, porém os profis-</p><p>sionais devem entender a importância de uma boa coleta e proces-</p><p>samento das amostras, além dos efeitos finais que isso pode causar.</p><p>Dentre as causas de uma variação pré-analítica, pode-se destacar a</p><p>idade, sexo, jejum, exercício físico e as variáveis de coleta e manipu-</p><p>lação das amostras.</p><p>A fase pré-analítica é a mais suscetível a erros. Quando o laboratório</p><p>cumpre todas as etapas predefinidas na gestão de qualidade, as oportuni-</p><p>dades de erros nesta fase são reduzidas significativamente. Podemos dizer</p><p>que a gestão da qualidade em laboratórios funciona como um diferencial</p><p>competitivo, por demonstrar um controle efetivo dos processos e de sua</p><p>rastreabilidade em todos os procedimentos. É importante ressaltar que a</p><p>implementação de Programas de Certificação e de Acreditação da Qualidade</p><p>aumentam a adesão ao controle de processos e pessoas, reduzindo os riscos e</p><p>falhas que possam comprometer a qualidade do serviço.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Em seu primeiro dia, além de conhecer todos os setores em que deverá</p><p>atuar, Thiago foi instruído sobre o uso correto dos Equipamentos de Proteção</p><p>Individual (EPI) e os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), assim como</p><p>as normas de biossegurança, pois mesmo com tantos cuidados, padrões</p><p>e regulamentação, a maioria dos incidentes em laboratórios ocorre pelo</p><p>comportamento inadequado dos profissionais. Diante do contexto apresen-</p><p>tado, qual a importância em se conhecer as normas de biossegurança? A</p><p>quais tipos de riscos Thiago pode ser exposto em um laboratório de análises</p><p>clínicas?</p><p>52</p><p>É essencial que o biomédico se preocupe com a biossegurança no seu</p><p>ambiente de trabalho, pois ele está frequentemente realizando atividades em</p><p>que pode ser exposto a diferentes tipos de riscos, principalmente a exposição</p><p>a agentes patogênicos. As normas de biossegurança garantem a saúde do</p><p>profissional, da comunidade e do meio ambiente, e o seu não cumprimento</p><p>pode acarretar problemas como transmissão de doenças e até mesmo epide-</p><p>mias. Thiago iniciou os estudos sobre as normas de biossegurança e começou</p><p>a entender que, para garantir boas condições de trabalho, as boas práticas</p><p>laboratoriais e uma equipe qualificada são muito importantes. Essas normas</p><p>tem como base a necessidade de proteger os colaboradores, o meio ambiente</p><p>e a comunidade da exposição a agentes presentes nestes locais e que repre-</p><p>sentam possíveis riscos. Para seguir as normas, assegura-se aos profissio-</p><p>nais os equipamentos adequados às tarefas executadas, como luvas, jaleco e</p><p>máscara, além de treinamento para o manuseio correto de cada equipamento</p><p>do laboratório. Assim, Thiago se sentiu muito mais seguro, e quando começar</p><p>a trabalhar com os equipamentos ele poderá contar com uma equipe quali-</p><p>ficada, assim como os procedimentos operacionais padrão para cada tipo de</p><p>atividade. Thiago</p><p>entendeu que a biossegurança é bastante ampla, existindo</p><p>uma interação entre os riscos biológicos e os riscos físicos, químicos e</p><p>ergonômicos. E a exposição acidental a determinado risco poderá desenca-</p><p>dear outras exposições que poderão comprometer o profissional e todo o</p><p>processo. Conversando com os funcionários do laboratório, Thiago desco-</p><p>briu que mesmo com tantos cuidados e normas, a maioria dos incidentes</p><p>que acontece nos laboratórios se dá pelo comportamento inadequado dos</p><p>profissionais, como os acidentes com materiais biológicos e com perfurocor-</p><p>tantes, que ocorrem geralmente durante o uso e descarte de agulhas. Outro</p><p>ponto importante que Thiago está entendendo são as variáveis pré-analí-</p><p>ticas. Um exemplo disso é o horário da coleta de um exame, por exemplo:</p><p>a concentração de analitos varia em função do horário da coleta sanguínea;</p><p>assim, tanto o profissional – que deverá informar ao paciente sobre o horário</p><p>correto – como o próprio paciente, devem se atentar às orientações especifi-</p><p>cadas em cada exame.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A segurança no ambiente de trabalho depende de toda a equipe, que</p><p>deve planejar a tarefa a ser executada, verificar o funcionamento dos equipa-</p><p>mentos que serão utilizados e conhecer o material a ser manipulado. Além</p><p>disso, devem ser aplicadas as boas práticas laboratoriais que se referem às</p><p>normas de conduta que regem os trabalhos de laboratórios, para garantir a</p><p>segurança individual e coletiva dos envolvidos.</p><p>53</p><p>Sobre a finalidade da biossegurança, assinale a alternativa correta.</p><p>a. Uma das finalidades da biossegurança é prevenir a exposição do</p><p>profissional aos agentes biológicos potencialmente patogênicos,</p><p>estabelecendo condições seguras para a manipulação e a contenção</p><p>de agentes biológicos.</p><p>b. A biossegurança envolve o desenvolvimento de ações de biosse-</p><p>gurança, em especial aquelas relacionadas à saúde pública, para</p><p>promover o debate sobre a necessidade de elaboração de uma Política</p><p>Nacional de Biossegurança em Saúde.</p><p>c. A biossegurança compreende apenas as ações que são destinadas a</p><p>eliminar os riscos inerentes às atividades que possam interferir ou</p><p>comprometer a qualidade de vida e a saúde humana e dos animais.</p><p>d. A biossegurança é um quadro acidental passível de ocorrer durante o</p><p>trabalho, sem danos imediatos ao trabalhador, porém, com possibili-</p><p>dades de agravos futuros se não houver medidas urgentes de impedi-</p><p>mento.</p><p>e. A biossegurança tem a finalidade de estabelecer ações destinadas a</p><p>eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir no meio</p><p>ambiente, caracterizando como estratégia fundamental para desen-</p><p>volvimentos de novas tecnologias à saúde.</p><p>2. Todas as atividades que possam levar a algum tipo de risco físico para</p><p>o trabalhador devem ser cumpridas com o auxílio dos Equipamentos de</p><p>Proteção Individual (EPIs). Seu uso é regido pela Norma Regulamentadora</p><p>nº 6, sendo muito importante a conscientização dos envolvidos para evitar</p><p>consequências negativas em casos de acidentes de trabalho.</p><p>Considerando as atividades que cabe ao empregador quanto ao EPI,</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>a. Responsabilizar-se pela guarda e conservação dos EPIs de seus</p><p>funcionários.</p><p>b. Utilizá-lo apenas para a finalidade a que se destina.</p><p>c. Comunicar a CIPA sobre qualquer alteração que o torne impróprio</p><p>para uso.</p><p>d. Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e</p><p>conservação dos EPIs.</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.htm</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.htm</p><p>54</p><p>e. Cumprir as determinações da CIPA sobre o uso adequado do EPI</p><p>para instruir aos funcionários.</p><p>3. A acreditação é um mecanismo para gerar confiança na atuação de labora-</p><p>tórios. Admite que a que a empresa atende aos requisitos definidos e atesta</p><p>ser competente para realizar suas atividades com confiança. O Programa de</p><p>Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) é um desses programas, que foi</p><p>criado em 1998 e hoje é reconhecido por instituições e entidades nacionais</p><p>e estrangeiras.</p><p>Sobre o Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos, assinale a alter-</p><p>nativa correta.</p><p>a. O PALC é um processo voluntário em que uma instituição avalia um</p><p>laboratório por meio de uma auditoria e determina se ele atende a</p><p>requisitos predeterminados para exercer as tarefas a que se propõe.</p><p>b. O PALC é um processo de caráter obrigatório em que uma instituição</p><p>avalia um laboratório por meio de uma auditoria e determina se ele</p><p>atende a requisitos predeterminados para exercer as tarefas a que se</p><p>propõe.</p><p>c. O PALC é um sistema de gestão voltado às indústrias que visa propor-</p><p>cionar o gerenciamento efetivo dos processos, promovendo a redução</p><p>da variabilidade, do desperdício e o aumento da segurança.</p><p>d. O PALC é um software de gestão da qualidade que ajuda a melhorar</p><p>os processos da qualidade nas organizações e, com isso, facilita o</p><p>monitoramento e gestão de normas no laboratório.</p><p>e. O PALC é um processo que uma instituição deve introduzir para que</p><p>possa ser aprovada pelas auditorias externas, determinando se ele</p><p>atende a requisitos mínimos exigidos.</p><p>55</p><p>Seção 2</p><p>Manejo de amostras laboratoriais: parte I</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, vamos iniciar os estudos sobre os procedimentos de coleta</p><p>de materiais biológicos.</p><p>Agora você está mais familiarizado sobre as principais normas de biosse-</p><p>gurança e, com isso, ajudou o aluno Thiago a aprimorar ainda mais o seu</p><p>conhecimento. Além das normas, Thiago teve um treinamento sobre as boas</p><p>práticas de segurança pois, como você aprendeu, é essencial que antes de</p><p>qualquer procedimento o profissional esteja equipado com todos os EPIs</p><p>necessários. E conforme você estudou na seção anterior, é na a fase pré-ana-</p><p>lítica que ocorre a maior parte dos erros no laboratório. Neste momento você</p><p>vai entender que dentre todos os itens que você verificou, o procedimento de</p><p>coleta dos materiais biológicos é essencial para a rotina de um laboratório,</p><p>pois impacta diretamente a qualidade do exame e no bem-estar do paciente.</p><p>Você sabia que a maioria das imprecisões nos exames de sangue são ocasio-</p><p>nados por erros humanos? Após estudar sobre as boas práticas laboratoriais</p><p>e as principais normas de biossegurança, Thiago poderá iniciar suas ativi-</p><p>dades. Seu supervisor de estágio informou que ele vai começar aprendendo</p><p>sobre os vários procedimentos de coleta, como a coleta de sangue, de urina,</p><p>de fezes e de secreções. É essencial que você compreenda que, quando se</p><p>trata de coleta de material biológico, um dos pontos muito importantes para</p><p>um serviço de qualidade e para a segurança deste tipo de procedimento é a</p><p>atenção redobrada com a higiene, pois ajuda a garantir a exatidão dos resul-</p><p>tados, além de minimizar os riscos de contaminação, principalmente quando</p><p>trabalhamos com instrumentos perfurocortantes. Você, aluno, sabe quais são</p><p>as variáveis que Thiago deve observar as quais podem interferir nos procedi-</p><p>mentos de coleta de material biológico?</p><p>Não pode faltar</p><p>O procedimento correto para a coleta de materiais biológicos deve ser</p><p>realizado por profissionais capacitados, estabelecendo estratégias para</p><p>aprimorar o manuseio dessas amostras.</p><p>Você sabe como realizar uma coleta de sangue adequada? Ela é uma</p><p>técnica praticada há muito tempo e ainda é um dos procedimentos invasivos</p><p>mais comuns nos sistemas de saúde. Cada etapa do processo pode afetar</p><p>56</p><p>diretamente a qualidade da amostra, e por isso é importante estar atento para</p><p>evitar erros de laboratório a fim de não prejudicar o paciente.</p><p>Antes de iniciar a coleta, é essencial verificar se o paciente está em condi-</p><p>ções favoráveis para a coleta, por exemplo, se ele está no tempo correto de</p><p>jejum e se está sob efeito do uso de eventuais medicações. Alguns exames</p><p>necessitam de cuidados mais específicos, como dietas próprias e a necessi-</p><p>dade de repouso antes da coleta de sangue, como na dosagem de prolactina.</p><p>Procedimento de coleta de sangue</p><p>Provavelmente você já foi a um laboratório e realizou uma coleta</p><p>de</p><p>sangue para algum exame específico, não é mesmo? A coleta de sangue é</p><p>extensamente praticada, e a maior parte dos exames laboratoriais são reali-</p><p>zados a partir de amostras de sangue; portanto, o procedimento correto tem</p><p>um valor inestimável para manter a qualidade em um ambiente laborato-</p><p>rial. Entretanto, o grande problema é que aproximadamente 70% dos erros</p><p>que afetam os resultados socorrem na fase pré-analítica, implicando expres-</p><p>samente os procedimentos equivocados de coleta de materiais biológicos.</p><p>Você já pensou em algum exemplo disso? Na hora da coleta, se o profissional</p><p>coloca o dedo na pele do paciente para verificar a localização da veia e logo</p><p>em seguida insere a agulha, pode aumentar a probabilidade de coletar uma</p><p>amostra que esteja contaminada. No caso de uma hemocultura isso é muito</p><p>importante, pois pode atrasar o diagnóstico e levar ao uso inapropriado de</p><p>medicamentos. Assim, as variáveis pré-analíticas para a coleta de sangue são</p><p>muito importantes para evitar possíveis interferências na exatidão dos resul-</p><p>tados. Além disso, um procedimento errado não traz prejuízos somente ao</p><p>paciente, mas também riscos aos profissionais de saúde, quando realizam</p><p>práticas que aumentam o risco de lesão por picada de agulha e de trans-</p><p>missão de doenças. Antes de iniciar a coleta de sangue, o profissional deve</p><p>fazer a higienização correta das mãos, antes de calçar as luvas e após removê-</p><p>-las. A coleta deve ser feita em um ambiente que garanta conforto e segurança</p><p>ao paciente, assim o ambiente também deve ser limpo para evitar possíveis</p><p>infecções e eventos adversos.</p><p>Procedimentos de coleta de sangue venoso</p><p>Você já ouviu falar da Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI)? É</p><p>uma organização internacional que promove o desenvolvimento e a utilização</p><p>de normas e diretrizes voluntárias para os cuidados de saúde da comunidade</p><p>em geral, e assessora os serviços de saúde a cumprirem o seu trabalho com</p><p>muita eficácia. Assim, vamos nos basear nas diretrizes impostas pelo CLSI.</p><p>A punção venosa é um procedimento que exige habilidade e conhecimento</p><p>57</p><p>do profissional. Antes de iniciar o procedimento, ele deve verificar o pedido</p><p>médico e o cadastro e apresentar-se ao paciente, explicando o procedimento</p><p>ao qual ele será submetido. O profissional deverá fazer a assepsia das mãos</p><p>entre os atendimentos, realizar a identificação do paciente, confirmando</p><p>seus dados pessoais e verificando se as condições de preparo e o jejum estão</p><p>adequados, além de perguntar a ele sobre alergia ao látex – pois pode ocorrer</p><p>e é dever do laboratório prevenir certos riscos.</p><p>Locais de escolha para venopunção</p><p>Há muitas áreas que podem ser escolhidas pelo profissional para a punção</p><p>venosa, sendo que é essencial a escolha correta para garantir resultados satis-</p><p>fatórios. Assim, é necessário avaliar o estado do paciente para verificar qual</p><p>é a área mais indicada. Normalmente é escolhida a fossa antecubital, que se</p><p>localiza na área anterior do braço na porção anterior do cotovelo, pois ali se</p><p>encontram muitas veias, mas, conforme mencionado, as veias desta região</p><p>podem variar de pessoa para pessoa. Mesmo que a coleta possa ser feita</p><p>em muitas veias nesse local, as veias cubitais mediana e cefálica são as mais</p><p>utilizadas. Quando não for possível realizar a coleta nessa região, podemos</p><p>utilizar as veias do dorso da mão. Você sabe como podemos evidenciar as</p><p>veias na hora da coleta? Primeiramente é necessário observar as veias mais</p><p>calibrosas e pedir ao paciente abaixar o braço, fazendo movimentos de abrir</p><p>e fechar a mão. Você pode também esfregar levemente o braço do paciente</p><p>e realizar a palpação com o dedo indicador para facilitar. Existem, também,</p><p>alguns equipamentos que auxiliam no momento da coleta, como o transi-</p><p>luminador cutâneo, que possibilita a visualização das veias com precisão</p><p>e de forma não invasiva, por feixes de luz emitidos no tecido subcutâneo.</p><p>Interessante, não é mesmo?</p><p>Figura 2.2 | Veias do membro superior e do dorso da mão</p><p>Veia</p><p>cefálica mediana</p><p>Veia</p><p>cefálica acessória</p><p>Veia cefálica</p><p>Veia basílica</p><p>Veia basílica mediana</p><p>Veia cubital mediana</p><p>Veia basílica</p><p>Veia</p><p>basílica</p><p>Veia</p><p>dorsal metacarpal</p><p>Veia</p><p>dorsal digital</p><p>Veia</p><p>cefálica</p><p>Arco venoso</p><p>dorsal</p><p>Veia dorsal</p><p>super�cial</p><p>Fonte: SBPC/ML (2010, p. 19).</p><p>58</p><p>Um ponto importante na hora da coleta é o uso do torniquete ou garrote,</p><p>pois ajuda a aumentar a pressão intravascular, facilitando a palpação da veia</p><p>e o momento da coleta. Em caso de contaminação ele deve ser descartado</p><p>imediatamente. O profissional deve tomar algumas precauções, pois quando</p><p>o uso do torniquete exceder um minuto, podem ocorrer algumas complica-</p><p>ções que alteram o resultado dos exames, como infiltração de sangue para os</p><p>tecidos, o que ocasiona resultados falsos, pois eleva alguns analitos baseados</p><p>em medidas de proteínas, além de alguns elementos celulares. Ele também</p><p>pode gerar desconfortos ao paciente, como hematomas e formigamentos.</p><p>Outra questão importante para apresentar é a correta antissepsia da pele</p><p>no local da punção, assim, o antisséptico escolhido deve ser eficaz, ter ação</p><p>rápida e ser hipoalergênico. Dentre os mais utilizados estão o álcool etílico</p><p>e isopropílico, que na concentração de 70% apresentam efeito antisséptico.</p><p>Existe dois sistemas para coleta de amostras de sangue: o sistema aberto,</p><p>em que é feita a coleta com seringa e agulhas descartáveis, e o sistema fechado</p><p>ou a vácuo, o mais recomendado por ser mais seguro para o profissional que</p><p>está coletando, já que não tem contato direto com o sangue e por ser mais</p><p>rápido e prático, trazendo mais comodidade ao paciente. Veja, a seguir, os</p><p>procedimentos para cada tipo de coleta.</p><p>Figura 2.3 | Procedimentos de coleta com sistemas fechado e aberto</p><p>COLETA COM SERINGA E AGULHA DESCARTÁVEIS COLETA COM SISTEMA A VÁCUO E COLETA MÚLTIPLA</p><p>1. Coloque a agulha na seringa sem retirar a capa protetora.</p><p>Não toque na parte inferior da agulha.</p><p>2. Movimente o êmbolo e pressione-o para retirar o ar.</p><p>3. Ajuste o garrote e escolha a veia.</p><p>4. Faça a antissepsia do local da coleta com algodão umedecido em</p><p>álcool a 70% ou álcool iodado a 1%. Não toque mais o local</p><p>desinfetado.</p><p>5. Retire a capa da agulha e faça a punção.</p><p>6. Solte o garrote assim que o sangue começar a �uir na seringa.</p><p>7. Colete aproximadamente 10 ml de sangue. Em crianças,</p><p>colete de 2 a 5 ml.</p><p>8. Separe a agulha da seringa com o auxílio de uma pinça.</p><p>9. Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada,</p><p>mantendo o braço estendido, sem dobrá-lo.</p><p>10. Trans�ra o sangue para um tubo de ensaio sem anticoagulante.</p><p>Escorra delicadamente o sangue pela parede do tubo. Este</p><p>procedimento evita a hemólise da amostra. Descarte a seringa no</p><p>mesmo recipiente de descarte da agulha.</p><p>1. Rosqueie a agulha no adaptador (canhão). Não remova a</p><p>capa protetora de plástico da agulha.</p><p>2. Ajuste o garrote e escolha a veia.</p><p>3. Faça a antissepsia do local da coleta com algodão umedecido em</p><p>álcool a 70% ou álcool iodado a 1%. Não toque mais o local</p><p>desinfetado.</p><p>4. Remova o protetor plástico da agulha. Faça a punção.</p><p>5. Introduza o tubo no suporte, pressionando-o até o limite.</p><p>6. Solte o garrote assim que o sangue começar a �uir no tubo.</p><p>7. Separe a agulha do suporte com o auxílio de uma pinça.</p><p>Descarte a agulha em recipiente de boca larga, paredes rígidas e</p><p>com tampa, contendo hipoclorito de sódio a 2%.</p><p>8. Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada,</p><p>mantendo o braço estendido, sem dobrá-lo.</p><p>Fonte: adaptada de Brasil (2001b, p. 13-14).</p><p>Então, para que se obtenha uma punção ideal, é importante observar</p><p>diferentes fatores, desde a solicitação do médico até o descarte correto dos</p><p>objetos utilizados na coleta.</p><p>59</p><p>Coleta de sangue para hemocultura</p><p>A hemocultura é o exame utilizado para comprovar se há a presença de</p><p>microrganismos patogênicos na corrente sanguínea e, com isso, verificar</p><p>uma provável infecção no paciente. A bacteremia se define como a presença</p><p>de microrganismos viáveis no sangue, o que representa um grande problema</p><p>de saúde e está intimamente ligada a altas taxas de morbidade e mortalidade,</p><p>por representar uma importante complicação em um processo infeccioso.</p><p>Desta forma, a hemocultura é um exame fundamental para ser aplicado</p><p>diretamente na terapêutica escolhida pelo médico. Portanto, é uma ótima</p><p>ferramenta para investigar infecções no âmbito hospitalar. É ideal que a</p><p>coleta da hemocultura seja feita antes de iniciar o uso de medicamentos de</p><p>pacientes que tenham um quadro sugestivo de infecção.</p><p>Grande parte das amostras de hemocultura são coletadas por punção</p><p>venosa, e como em qualquer outra coleta, é muito importante realizar a antis-</p><p>sepsia da pele. Como todos os procedimentos em um laboratório, deve-se</p><p>seguir as normas de biossegurança. Após a coleta, faz-se a transferência</p><p>para garrafas que contenham meios de culturas apropriados para o cresci-</p><p>mento dos microrganismos. Desse modo, uma boa coleta é um fator muito</p><p>importante, para que se obtenha resultados com positividade e agilidade.</p><p>Para pacientes adultos, de acordo com a CLSI, não é recomendado realizar a</p><p>coleta de apenas uma hemocultura e, geralmente, as coletas devem ocorrer</p><p>sem intervalo de tempo. O volume também é um ponto importante: para</p><p>adultos é recomendado que seja coletado de 20 a 30 ml por amostra, e para</p><p>crianças, a recomendação é que não se ultrapasse mais do que 1% do volume</p><p>total de sangue. As amostras devem ser transportadas em no máximo duas</p><p>horas para que não atrase a sua incubação, dificultando o crescimento dos</p><p>microrganismos. Além disso, as amostras nunca devem ser refrigeradas ou</p><p>congeladas, sendo ideal o transporte em temperatura ambiente.</p><p>Coleta de amostras de sangue arterial</p><p>A coleta de sangue arterial é realizada para verificar a capacidade</p><p>pulmonar do paciente, avaliando a sua oxigenação, ventilação e equilíbrio</p><p>ácido-base. É essencial que a coleta de sangue arterial seja realizada por</p><p>profissionais de saúde que tenham recebido treinamento formal. A coleta</p><p>pode ser feita inserindo um cateter em uma artéria ou com a utilização de</p><p>agulha e seringa, que devem ser pré-heparinizadas com mínima exposição de</p><p>ar, para que os valores sanguíneos não sejam alterados.</p><p>60</p><p>Existem várias artérias que podem ser utilizadas para a punção. A mais</p><p>indicada é a artéria radial, mas as artérias umeral e femoral também podem</p><p>ser usadas, porém, são de localização mais difícil.</p><p>Figura 2.4 | Coleta de sangue arterial</p><p>Localize a artéria e tire uma amostra</p><p>Fonte: WHO (2008, p. 33).</p><p>Após a coleta, o profissional deverá cobrir a agulha com seus dispositivos</p><p>de segurança. Caso o laboratório não possua esse dispositivo, o profissional</p><p>poderá coletar apenas com uma mão, para, assim, reencapar a agulha após</p><p>sua remoção e encaminhando imediatamente para análise, sem exceder o</p><p>prazo de 15 minutos.</p><p>Papel filtro para triagem neonatal</p><p>Você sabe o que é a triagem neonatal? Ela é popularmente conhecida</p><p>como “teste do pezinho”, e é uma das principais formas de auxiliar na identi-</p><p>ficação de diversas doenças de origem metabólica, genética, enzimática e</p><p>endocrinológica, como a fenilcetonúria, anemia falciforme e fibrose cística,</p><p>entre outras. A coleta requer muita atenção e cuidado, e todas as etapas</p><p>são importantes, desde o profissional realizar o procedimento até o meio</p><p>de transporte das amostras. De acordo com a recomendação do Programa</p><p>Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), a amostra deve ser coletada entre o</p><p>3º e o 5º dia de vida do bebê. No Cartão de Coleta a área do papel-filtro é a</p><p>mais sensível, onde há a absorção e transporte do sangue do recém-nascido.</p><p>O profissional responsável pela coleta deve realizar a assepsia do calcanhar</p><p>do recém-nascido com álcool a 70%, massageando a área para ativar a circu-</p><p>lação. Para a punção deve-se utilizar lancetas estéreis. O local ideal é uma das</p><p>laterais da região plantar do calcanhar. Após a punção, deve-se aguardar uma</p><p>http://saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-da-triagem-neonatal</p><p>http://saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-da-triagem-neonatal</p><p>61</p><p>gota de sangue, retirar a primeira gota e encostar o verso do papel-filtro na</p><p>nova gota que se formar na região, realizando movimentos circulares com o</p><p>cartão até preencher todo o círculo.</p><p>Reflita</p><p>O teste do pezinho é um direito de todas as crianças e um dever</p><p>do Estado. Ele é integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), e de</p><p>acordo com a Portaria nº 822 de 06 de junho de 2001 (BRASIL, 2001a),</p><p>é obrigatória a realização do teste em todos os recém-nascidos vivos</p><p>no país, gratuitamente, visando à preservação da saúde infantil. Assim,</p><p>esse teste está incluído no rol de políticas de saúde pública de acordo</p><p>com os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS.</p><p>Você sabe quais as doenças que ele pode detectar?</p><p>Procedimento de coleta de urina: rotina, urocultura e urina</p><p>de 24 horas</p><p>Existe diferentes tipos de exames de urina, como o de rotina, urina de 24</p><p>horas e urocultura. Esses exames são importantes ferramentas para diagnos-</p><p>ticar alterações no sistema fisiológico do organismo, sendo muito úteis para</p><p>uma abordagem de muitas doenças de origem nefrótica, urológica e sistê-</p><p>mica. Além disso, é um exame fácil e rápido de realizar, com baixo custo.</p><p>O exame de rotina – ou Tipo I – é o mais simples, realizado com a coleta</p><p>de urina em um pequeno pote de plástico. Assim como todos os exames</p><p>laboratoriais, o profissional deve orientar o paciente para realizar a higie-</p><p>nização correta dos órgãos genitais e evitar os primeiros jatos de urina, pois</p><p>podem vir contaminados com células e microrganismos da uretra, vulva ou</p><p>prepúcio. O ideal é que a amostra seja a primeira urina da manhã, mas, caso</p><p>não seja possível, o paciente deve ser orientado para ficar sem urinar por no</p><p>mínimo duas horas antes de realizar a coleta. Em bebês, a coleta deve ser feita</p><p>com um coletor de urina infantil estéril. Se não for possível analisar rapida-</p><p>mente a amostra, ela deve ser refrigerada (a 4 °C) por no máximo 12 horas.</p><p>Já o exame de urina 24 horas, ou proteinúria, é um exame para diagnós-</p><p>tico de algumas doenças renais. É um exame mais trabalhoso: a urina deve</p><p>ser coletada durante 24 horas, sendo fundamental que o profissional instrua</p><p>o paciente sobre o procedimento correto. Ao levantar-se pela manhã, ele deve</p><p>desprezar toda a urina contida na bexiga e anotar o horário. A partir daí,</p><p>ele deve coletar integralmente toda a urina que fizer durante o dia, também</p><p>durante a noite e, na manhã seguinte, o paciente deve coletar a primeira</p><p>urina – sempre no mesmo frasco – e encaminhar para o laboratório. Esse</p><p>http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=24627</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2001/prt0822_06_06_2001.html</p><p>62</p><p>tipo de exame está sendo cada vez menos utilizado, devido sua complexi-</p><p>dade de realização, além disso, hoje, outros exames também podem fornecer</p><p>dados suficientes para se obter um diagnóstico preciso.</p><p>A cultura da urina, também denominada urocultura, auxilia na identi-</p><p>ficação de microrganismos presentes na urina e na escolha dos antibió-</p><p>ticos adequados ao tratamento. É uma técnica quantitativa e o resultado é</p><p>de acordo com o número de unidades formadoras de colônias/mL de urina</p><p>(UFC/mL). E, como em todos os exames, um dos maiores desafios para</p><p>resultados fidedignos está na fase pré-analítica, pois é diretamente influen-</p><p>ciada pela correta orientação dos procedimentos para o paciente. Na hora</p><p>da coleta, ele deve tomar cuidado para não contaminar o material biológico</p><p>com a microbiota uretral e perineal. Este é um fator de suma importância,</p><p>pois os índices de contaminação podem variar de 7 a 31%. A coleta deve ser</p><p>realizada da mesma forma que a urina de rotina, desprezando o primeiro jato</p><p>no vaso sanitário e coletando o jato médio da urina sem interrupção do fluxo</p><p>em um frasco estéril, desprezando o jato final.</p><p>Procedimento de coleta de fezes</p><p>A área de</p><p>Parasitologia tem fundamental importância pelo estudo sobre</p><p>as doenças parasitárias e infecciosas, que representam um grande problema</p><p>de saúde pública, e os exames parasitológicos de fezes são os mais utilizados</p><p>para diagnóstico dessas doenças. A coleta do material é relativamente simples</p><p>e pode ser realizado em casa pelo próprio paciente. Existem diferentes tipos</p><p>de exames, porém a forma de coleta do material é sempre a mesma. São</p><p>recomendados para análises macroscópicas, microscópicas e bioquímicas</p><p>do material, a fim de avaliar possíveis disfunções digestivas, quantidade</p><p>de gordura e cistos ou ovos de parasitas. O exame parasitológico de fezes</p><p>é realizado para diagnosticar diferentes parasitas, e do mesmo modo que</p><p>outros exames, é essencial que o paciente receba a orientação correta quanto</p><p>à coleta do material. As fezes devem ser coletadas em um recipiente plástico,</p><p>fornecido pelo laboratório, contendo um líquido conservante que ajudará</p><p>na estabilidade da amostra. O paciente deve tomar cuidado para não conta-</p><p>minar a amostra, e com uma espátula colocar a quantidade necessária para a</p><p>análise, lembrando que os potes devem conter a identificação do paciente. Os</p><p>laxativos devem ser utilizados somente quando houver orientação médica. Já</p><p>a coprocultura é utilizada para identificação de bactérias presentes nas fezes,</p><p>sendo importante realizar a coleta na fase aguda da doença. A amostra deve</p><p>ser coletada em um frasco contendo um meio de transporte (Cary-Blair ou</p><p>salina glicerinada tamponada) e, após a coleta, este frasco deve ser agitado.</p><p>63</p><p>Exemplificando</p><p>Você sabia que as falhas nos processos envolvidos na fase pré-analí-</p><p>tica correspondem a aproximadamente 70% do total de erros? As</p><p>mais evidentes são a amostra insuficiente ou incorreta, a amostra</p><p>inadequada, a identificação do paciente ou da amostra incorretos e</p><p>problemas no acondicionamento e no transporte da amostra.</p><p>Procedimento de coleta de secreções: escarro, secreção vagi-</p><p>nal, esperma</p><p>Escarro</p><p>É de grande importância o controle de diversas doenças, sendo necessário</p><p>o uso de diferentes metodologias para atender a todas as demandas. Assim, o</p><p>diagnóstico laboratorial depende de uma correta coleta dos materiais bioló-</p><p>gicos necessários para os testes. Você sabe como é feito o diagnóstico da</p><p>tuberculose pulmonar, por exemplo? Na maioria dos casos, ele pode ser feito</p><p>por meio de exames de escarros. Esse material biológico é muito importante</p><p>no acompanhamento do tratamento dos casos da doença.</p><p>Muitas vezes esse exame pode ser constrangedor para o paciente, portanto</p><p>o profissional deve manter o acolhimento adequado a ele, explicando de</p><p>maneira simples e objetiva todos os procedimentos para a coleta, pois é uma</p><p>etapa fundamental para um resultado satisfatório.</p><p>A coleta deve ser realizada preferencialmente em locais abertos. Antes de</p><p>o paciente iniciar a coleta, o profissional deve se certificar de que água, pote e</p><p>papel toalha estejam disponíveis para o paciente. Um ponto muito importante</p><p>é que o profissional que acompanha a coleta esteja utilizando uma mascará de</p><p>proteção (N95), conforme vimos na seção anterior. O paciente deve inspirar</p><p>profundamente, reter o ar por alguns instantes e expirar. Após repetir esses</p><p>procedimentos três vezes, ele deverá tossir e expectorar a secreção dentro do</p><p>pote, repetindo esse procedimento até que o volume de 10 ml seja atingido.</p><p>Secreção vaginal</p><p>Ao longo de sua vida a mulher pode apresentar diversos tipos de corri-</p><p>mento vaginal, que podem ser de diferentes etiologias como infecções</p><p>vaginais, DSTs e vulvites, entre outras. Porém, é preciso investigar o que</p><p>está causando essa condição, pois ela pode trazer desconforto para mulher,</p><p>como dor e odor desagradável, além de complicações mais sérias acarretando</p><p>64</p><p>diferentes doenças. Portanto, a coleta da secreção vaginal é uma importante</p><p>ferramenta diagnóstica que auxilia a realização de um tratamento adequado.</p><p>Para a coleta de secreção vaginal, é importante orientar a paciente para</p><p>que ela esteja nas condições adequadas: recomenda-se que ela não esteja</p><p>menstruada, que evite duchas e cremes vaginais na véspera da coleta e que</p><p>não mantenha relações sexuais nos três dias anteriores à coleta. A paciente</p><p>deve ser colocada em posição ginecológica, e então é inserido um espéculo</p><p>(sem lubrificante) na vagina e retirado o excesso de muco cervical com swab</p><p>ou gaze estéril, inserindo a amostra em um tubo com 1 mL de solução fisio-</p><p>lógica estéril, homogeneizando-a logo depois.</p><p>Esperma</p><p>O espermograma é um exame que auxilia na avaliação de infertilidade</p><p>do homem, analisando as condições físicas e composição do sêmen. É um</p><p>exame simples, não invasivo e de fácil execução. Orientar o paciente correta-</p><p>mente é primordial para uma análise de qualidade. Assim, o paciente precisa</p><p>receber todas as informações por escrito. Uma delas é se abster de relações</p><p>sexuais por no mínimo por 48 horas. A coleta do material é realizada por</p><p>processo de masturbação, e o paciente deve ejacular integralmente dentro de</p><p>um frasco estéril.</p><p>Para todos os procedimentos de coleta de material biológico, a identi-</p><p>ficação do material com os dados do paciente é uma parte essencial do</p><p>processo, e a atenção com a higiene deve ser redobrada, tanto pessoal como</p><p>do ambiente. Todas as etapas devem ser realizadas seguindo as normas de</p><p>biossegurança, com a utilização correta dos equipamentos de segurança.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Os exames laboratoriais auxiliam o profissional que solicitou o exame a</p><p>reduzir as dúvidas e a contribuir de maneira adequada para um diagnóstico e</p><p>tratamento correto ao paciente. Para que o laboratório consiga cumprir este</p><p>papel, é indispensável a referência de profissionais devidamente treinados</p><p>e habilitados para as diferentes funções, desde a coleta até o resultado do</p><p>exame. Um ponto essencial é a coleta adequada de diferentes materiais bioló-</p><p>gicos, considerando todas as variáveis que possam vir a interferir na quali-</p><p>dade dos exames.</p><p>Thiago entendeu que as variáveis pré-analíticas podem interferir signifi-</p><p>cativamente no resultado do exame, como a utilização de medicamentos, o</p><p>tempo correto do jejum e dietas específicas. Também entendeu que a utilização</p><p>65</p><p>do torniquete para coleta sanguínea deve ser por tempo determinado para</p><p>não prejudicar o exame e para que o paciente saia ileso do laboratório.</p><p>Além disso, muitos exames podem ser constrangedores para os pacientes,</p><p>portanto, é dever do profissional tranquilizar os pacientes, explicando de</p><p>maneira simples e objetiva todos os passos da coleta. Além disso, após a</p><p>coleta é importante conhecer a estabilidade de cada material biológico para</p><p>que as amostras sejam representativas e mantenham sua integridade até</p><p>o momento da análise. Agora Thiago já está apto para diferentes tipos de</p><p>coletas de materiais biológicos e conhece a importância de estudar todas as</p><p>variáveis envolvidas no processo.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A coleta de sangue por punção venosa deve ser realizada por profissionais</p><p>aptos para esse tipo de procedimento. Sendo assim, eles devem ter conheci-</p><p>mento de diferentes áreas como anatomia, fisiologia e farmacologia, pois a</p><p>coleta influencia diretamente o resultado do exame.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. Há muitas regiões nas quais a prática de punção venosa pode ser</p><p>feita, porém, é necessário avaliar o estado do paciente para verificar</p><p>qual é a área mais indicada para a punção.</p><p>II. A área de referência para coleta de punção venosa é a fossa antecu-</p><p>bital, que se localiza na área anterior do braço na porção anterior do</p><p>cotovelo, pois ali se encontram muitas veias.</p><p>III. As veias cubitais mediana e cefálica são as mais utilizadas para</p><p>punção venosa. Quando não for possível a coleta nessa região, é</p><p>necessário que o paciente retorne em outro momento.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I e II.</p><p>b. Apenas III.</p><p>c. Apenas I e III estão corretas.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>66</p><p>2. Para pacientes</p><p>hospitalizados, a sepse está entre as condições mais preocu-</p><p>pantes, principalmente pelo seu curso grave e pelas altas taxas de letalidade.</p><p>Muitas vezes o diagnóstico se dá apenas no momento da complicação, porém</p><p>nem sempre as hemoculturas são positivas, pois o processo de bacteremia</p><p>pode ser transitório.</p><p>Sobre o exame de hemocultura, assinale a alternativa correta.</p><p>a. A coleta ideal para hemocultura é por meio da punção arterial, pois</p><p>garante resultados mais fidedignos e implica diretamente o trata-</p><p>mento escolhido pelo médico.</p><p>b. A hemocultura é um exame muito importante que reflete diretamente</p><p>na terapêutica escolhida pelo médico, por isso é essencial que antes da</p><p>coleta o paciente inicie a medicação.</p><p>c. A hemocultura coletada com o paciente em tratamento garante a</p><p>confiabilidade dos resultados positivos, sugerindo qual o quadro de</p><p>infecção que o paciente apresenta.</p><p>d. A hemocultura é o exame utilizado para comprovar se há ou não a</p><p>presença de microrganismos patogênicos na corrente sanguínea, além</p><p>de verificar se o paciente tem alguma possível infecção.</p><p>e. Para uma coleta satisfatória, é recomendo pelo CLSI que o profissional</p><p>colete apenas uma garrafa de hemocultura, com volume mínimo de</p><p>50 mL.</p><p>3. Nos últimos anos, o índice de mortalidade infantil vem diminuindo</p><p>consideravelmente. A triagem neonatal tem prioridade na atenção básica</p><p>relacionada à saúde materno-infantil, pois possibilita o diagnóstico precoce</p><p>de diferentes doenças.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. A triagem neonatal é popularmente conhecida como “teste do</p><p>pezinho” e auxilia na identificação de várias doenças, como a anemia</p><p>falciforme e a fibrose cística.</p><p>II. De acordo com a recomendação preconizada pelo Programa</p><p>Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), a amostra deve ser coletada</p><p>entre o 1º e o 5º dia de vida do bebê.</p><p>III. Para a punção, a região ideal é o calcanhar direito, na parte central da</p><p>região plantar, devendo coletar todo o sangue retirado com a lance-</p><p>ta.É correto o que se afirma em:</p><p>http://saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-da-triagem-neonatal</p><p>http://saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-da-triagem-neonatal</p><p>67</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I e II.</p><p>b. Apenas III.</p><p>c. Apenas I e III.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>68</p><p>Seção 3</p><p>Manejo de amostras laboratoriais: parte II</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, nesta seção vamos estudar sobre os procedimentos de coleta</p><p>por meio de raspagem, assim como a identificação armazenamento e transporte</p><p>correto dos materiais biológicos. Além disso, vamos conhecer a importância do</p><p>descarte correto dos materiais biológicos e os prejuízos que o descarte inadequado</p><p>dos resíduos pode ocasionar. Até o momento, você já estudou sobre as normas e</p><p>legislações relacionadas com a biossegurança, assim como a importância do uso</p><p>correto dos EPIs e EPCs. Você conheceu os diferentes tipos de coletas e a impor-</p><p>tância da fase pré-analítica, pois ela remete à qualidade dos resultados dos exames.</p><p>Thiago já está apto a começar suas atividades, pois realizou os treinamentos</p><p>a respeito das boas práticas de segurança. A partir de agora ele participará de</p><p>atualizações constantes sobre as técnicas que devem ser adotadas para manter um</p><p>ambiente seguro, zelando pela proteção dos colaboradores, do meio ambiente e</p><p>da comunidade. Agora vamos ajudar Thiago no seu próximo setor, pois ele vai</p><p>aprender como realizar a coleta de material por meio de raspagem. Além disso,</p><p>ele colocará em prática conhecimentos sobre como verificar se a requisição do</p><p>exame está preenchida corretamente, como orientar o paciente para a preparação</p><p>do exame, assim como o correto armazenamento dos materiais biológicos. Você,</p><p>no lugar de Thiago, como faria o transporte das amostras biológicas a partir do</p><p>momento de sua coleta até a análise final? Você já leu sobre o descarte de materiais</p><p>biológicos? Procure sobre o gerenciamento de resíduos de serviço de saúde (RSS)</p><p>e ajude Thiago a entender sobre o manejo correto dos resíduos e todos os proce-</p><p>dimentos que constam no RSS, além dos impactos que eles podem causar ao</p><p>meio ambiente.</p><p>Não pode faltar</p><p>Conforme já estudado, é muito importante fornecer informações para</p><p>o paciente sobre a necessidade de algum preparo antes da coleta, como jejum,</p><p>dieta, abstinência sexual e utilização de medicamentos, entre outros. Além disso,</p><p>é importante que o profissional se certifique que o paciente entendeu todas as</p><p>recomendações para o preparo da coleta. Em relação ao profissional, ele deve</p><p>sempre utilizar os equipamentos de segurança para garantir a segurança de todo</p><p>o processo, tanto dele próprio quanto do paciente.</p><p>69</p><p>Procedimento de coleta de material por meio de raspagem</p><p>O exame micológico direto para lesões superficiais de pele e couro</p><p>cabeludo pode ser realizado por meio de raspagem da área. Desta forma,</p><p>antes da coleta, é necessário limpar a superfície com soro fisiológico, e caso</p><p>a área a ser coletada esteja inflamada, é importante utilizar soro fisiológico</p><p>estéril. Na pele, pode-se utilizar um bisturi ou a borda de uma lâmina e</p><p>realizar a raspagem das bordas da lesão – nunca no centro, pois pode ocorrer</p><p>resultado falso-negativo. O profissional deverá realizar a raspagem em</p><p>vários pontos da lesão, procurando as mais recentes, e colocando o material</p><p>coletado em frascos estéreis. Para todas as coletas de exames micológicos,</p><p>o paciente deve ser orientado a suspender o uso de antifúngico ou qualquer</p><p>outra medicação tópica 15 dias antes da coleta e o uso do antifúngico oral</p><p>30 dias antes.</p><p>No caso da hanseníase, uma doença infecciosa crônica causada pelo</p><p>Mycobacterium leprae e que ainda constitui um importante problema de</p><p>saúde pública, pode ser realizado, para o diagnóstico laboratorial, o exame</p><p>baciloscópico do raspado intradérmico, conhecido como baciloscopia. Este</p><p>exame é muito utilizado por ser um método fácil, de baixo custo e pouco</p><p>invasivo, porém ele não pode ser considerado critério de diagnóstico da</p><p>doença. Como qualquer outro procedimento de coleta, é necessário que</p><p>todos os profissionais envolvidos estejam devidamente protegidos com</p><p>luvas, máscaras e avental/jaleco.</p><p>A coleta é realizada em uma sala específica. No momento da coleta, o</p><p>profissional deverá explicar todo o procedimento ao paciente. Na solici-</p><p>tação médica, poderá haver indicações dos sítios de coleta. A lâmina deverá</p><p>estar identificada, e o procedimento inicia-se com a assepsia com álcool a</p><p>70% na área a ser coletada. Com a pinça de Kelly faz-se uma prega na área,</p><p>pressionando-a o suficiente para obter isquemia. Faz-se um corte na pele de</p><p>5mm de extensão por 3mm de profundidade, e com o lado não cortante do</p><p>bisturi realiza-se o raspado intradérmico das bordas e do fundo da incisão,</p><p>colocando o material coletado na lâmina com movimentos circulares,</p><p>mantendo uma camada firme e uniforme. Após o procedimento, coloca-se</p><p>um curativo compressivo – é muito importante não liberar o paciente se a</p><p>lesão ainda estiver sangrando.</p><p>Conforme já estudamos nas seções anteriores, para um resultado satisfa-</p><p>tório, a fase pré-analítica deve ser seguida rigorosamente. Ela começa desde</p><p>o preenchimento correto da requisição até a coleta ou o recebimento da</p><p>amostra (ainda que feita pelo paciente em outro local (urina, fezes, escarro)</p><p>e o seu cadastramento.</p><p>70</p><p>Identificação correta das amostras</p><p>Após conhecermos os procedimentos de coleta de diferentes exames, vimos</p><p>que é de suma importância atentar às boas práticas laboratoriais, assim como</p><p>seguir as normas de biossegurança. Para um resultado satisfatório e sem intercor-</p><p>rência, é necessária também uma correta identificação das amostras.</p><p>Imagine que você receba uma amostra sem identificação para ser analisada.</p><p>Além de atrasar o diagnóstico do paciente, isso causará um grande transtorno,</p><p>pois você terá que identificar qual é o paciente e muitas vezes solicitar que ele</p><p>retorne ao laboratório para coleta de uma nova amostra. Assim,</p><p>o laboratório</p><p>deve ter uma organização atenta de todas as etapas, pois a identificação deve ser</p><p>feita na primeira interação com o paciente, conferindo os dados e etiquetando o</p><p>material corretamente, porque a falta de organização pode gerar prejuízo finan-</p><p>ceiro ao laboratório.</p><p>Para que o laboratório mantenha qualidade em seu serviço, é indispensável</p><p>que todas as fases pré-analíticas sejam atendidas adequadamente, pois ela segue</p><p>uma sequência de eventos que envolve muitas pessoas, com diferentes forma-</p><p>ções profissionais.</p><p>Para iniciar, o laboratório deverá perguntar o nome completo do paciente,</p><p>solicitar o documento de identidade e comparar as informações do documento</p><p>com os dados obtidos na requisição do exame. Este mesmo passo deve ser feito pelo</p><p>profissional que realizará a coleta. No caso de pacientes que estão hospitalizados, é</p><p>importante comparar os dados do exame com as etiquetas na pulseira de identi-</p><p>ficação do paciente, e nunca utilizar somente o número do leito como referência.</p><p>A requisição do exame deve apresentar informações necessárias para a identi-</p><p>ficação, tanto do requisitante como do paciente. Além dos dados gerais, este</p><p>documento deve ter informações a respeito de medicações que o paciente possa</p><p>estar em uso, além de características epidemiológicas.</p><p>De acordo com a norma PALC de 2013, item 8.0, subitem 8.5, é sugerido</p><p>que o cadastro do paciente tenha informações mínimas, como o seu número de</p><p>registro de identificação, gerado pelo laboratório, nome, idade e sexo; telefone</p><p>e endereço; no caso de o paciente ser menor de idade, deve-se colocar as infor-</p><p>mações do responsável; identificar o requisitante, assim como a data e hora do</p><p>atendimento; horário em que foi realizada a coleta, quais as análises solicitadas;</p><p>e informações adicionais que possam vir a interferir no exame, como utilização</p><p>de medicamentos, data da última menstruação quando aplicável e a data prevista</p><p>para o resultado do exame.</p><p>71</p><p>Assimile</p><p>A Norma PALC de 2013, em seu item 8.0, subitem 8.3, comenta que</p><p>o laboratório deve disponibilizar ao paciente as instruções por escrito,</p><p>orientando sobre o preparo e coleta de materiais e amostras quando o</p><p>próprio paciente for o responsável por esses atos, dizendo que apenas</p><p>as instruções mais simples podem ser dadas verbalmente. Sugerimos</p><p>uma leitura mais aprofundada desta norma, pois ela contém informa-</p><p>ções muito importantes sobre as ações que são realizados em vários</p><p>processos em laboratório para reduzir as variáveis, obtendo resultados</p><p>mais seguros e eficientes (SBPC/ML, 2013).</p><p>Armazenamento e transporte adequado do material biológico</p><p>O transporte do material biológico é uma parte integrante da fase pré-ana-</p><p>lítica do processo operacional em um laboratório. E para que ele possa oferecer</p><p>resultados satisfatórios e confiáveis, apenas realizar o exame corretamente não</p><p>é suficiente: é necessário que a amostra esteja devidamente conservada, com</p><p>quantidade suficiente, com a integridade do material a ser analisado mantida,</p><p>assim como uma correta identificação.</p><p>Muitos laboratórios terceirizam alguns exames, porém realizam a coleta e</p><p>fazem o transporte dessas amostras para o laboratório terceirizado. De acordo</p><p>com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados com a saúde devem ser</p><p>efetivos e seguros (WHO, 2017). Em relação ao laboratório clínico, isso depende</p><p>das interações entre todos os profissionais envolvidos. Atualmente, todos os</p><p>laboratórios, sejam eles privados ou públicos, acabam contratando um labora-</p><p>tório de apoio para certos tipos de exames, por diferentes motivos, como a invia-</p><p>bilidade de realização em seu laboratório. Após definir o laboratório terceirizado</p><p>e os serviços que serão realizados por eles, é essencial que seja estabelecido um</p><p>contrato, formalizando a prestação de serviço e definindo todos os processos da</p><p>fase pré-analítica.</p><p>A requisição deverá conter todas as informações que garantam a rastreabili-</p><p>dade dos dados completos não somente do paciente, mas da empresa responsável</p><p>pelo envio do pedido, assim como as informações das amostras coletadas, como</p><p>data e horário, tipo de amostra e alguns dados complementares como resultado</p><p>de exames anteriores, data da solicitação e condições clínicas do paciente.</p><p>No caso de a amostra não apresentar as condições adequadas para a reali-</p><p>zação do exame, o laboratório de apoio (terceirizado) poderá rejeitá-la; por isso,</p><p>os critérios de rejeição devem estar bem estabelecidos, conforme mencionado.</p><p>Em relação à amostra, os critérios devem ser rígidos para manter sua integri-</p><p>dade. Se a amostra precisar estar apenas sob refrigeração, deverá ser conservada</p><p>72</p><p>à temperatura de 2 a 8 °C; amostras congeladas deverão ser conservadas em até</p><p>20 °C negativos; e para amostras à temperatura ambiente, a conservação poderá</p><p>estar entre 17 a 27 °C ou à temperatura ambiente.</p><p>Essas temperaturas devem ser seguidas rigorosamente, assim como o tempo</p><p>que devem ser mantidas, pois podem interferir nas análises. Um exemplo são as</p><p>amostras para dosar o potássio, que devem ser mantidas refrigeradas, mas sem</p><p>ultrapassar o tempo de duas horas para ser analisada, pois na temperatura entre</p><p>2 a 8 °C pode acontecer a inibição da glicólise que faz a alimentação da bomba</p><p>de potássio, promovendo sua liberação para o meio extracelular, desta forma,</p><p>elevando o resultado.</p><p>Para o transporte do material biológico, o recipiente deve ter a simbologia do</p><p>risco biológico, com o comunicado “espécimes para diagnóstico”, ser isotérmico,</p><p>higienizável e impermeável.</p><p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é necessária a classi-</p><p>ficação de risco do material biológico para o transporte, fornecendo regras básicas</p><p>que são utilizadas nos regulamentos nacionais e internacionais para todos os tipos</p><p>de transportes, assim é possível uniformizar todo o processo (WHO, 2017). Você</p><p>sabe como acontece a proteção durante o transporte do material biológico? A</p><p>medida de proteção mais importante é o sistema de embalagens.</p><p>Figura 2.5 | Gerenciamento de riscos biológicos no transporte de material biológico</p><p>Fonte: Anvisa (2015, p. 37).</p><p>73</p><p>Ainda de acordo com a OMS, os materiais perigosos são os que apresentam</p><p>riscos durante o transporte. Existem nove classes desses materiais, porém</p><p>apenas três são considerados importantes para o transporte do material bioló-</p><p>gico. São eles a categoria A, B e espécime humano de risco mínimo (WHO,</p><p>2017). Na categoria A se enquadra o material biológico infeccioso – caso haja</p><p>exposição a ele durante o transporte, pode ocorrer uma infecção. Exemplos</p><p>são o vírus Ebola e o Bacilllus anthracis, que podem incapacitar permanen-</p><p>temente, havendo perigo para os seres humanos e animais. A categoria B</p><p>engloba amostras das quais se suspeita ou se tem certeza que contenham</p><p>agentes infecciosos causadores de doença em humanos, como microrga-</p><p>nismos patogênicos não enquadrados na categoria A. Já na espécime humana</p><p>de risco mínimo estão os materiais biológicos de pacientes que, mesmo que</p><p>o material não tenha sido submetido a testes laboratoriais, de acordo com a</p><p>história clínica do paciente e dados epidemiológicos locais há uma probabi-</p><p>lidade mínima conterem microrganismos patogênicos.</p><p>É importante salientar que segundo a RDC 302 de 2005 da Anvisa</p><p>(ANVISA, 2005), o laboratório clínico deve ter alvará/licenciamento sanitário</p><p>atualizado expedido pela Vigilância Sanitária estadual ou municipal.</p><p>Reflita</p><p>Na Resolução nº 306 de 07 de dezembro de 2004 da ANVISA e na</p><p>Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA nº 358</p><p>de 29 de abril de 2005, é definido que o grupo A engloba os resíduos</p><p>identificados como Resíduos Biológicos – Infectantes. Essa definição se</p><p>subdivide em 5 grupos, de A1 a A5. Cada subdivisão compõe as caracte-</p><p>rísticas de cada material biológico (ANVISA, 2004; BRASIL, 2005).</p><p>Exemplificando</p><p>Os profissionais devem estar cientes das normas sanitárias sobre o trans-</p><p>porte de amostras biológicas para diagnóstico clínico, principalmente</p><p>no âmbito do</p><p>uma consciência ética para o seu desenvolvimento profissional.</p><p>Para iniciarmos os estudos, quero que você acompanhe comigo uma situação</p><p>hipotética que irá beneficiar o seu entendimento e sua compreensão dos</p><p>conteúdos. Vamos, lá?</p><p>Mariana, Carlos e Francisca acabaram de se formar em biomedicina, e</p><p>agora procuram seu primeiro emprego na área. Os três sempre foram muito</p><p>dedicados e esforçados, e além de todo conhecimento adquirido no curso,</p><p>eles realizaram estágios em diferentes empresas, podendo assim conhecer</p><p>algumas áreas de atuação do biomédico. Dentre tantas opções, cada um</p><p>decidiu seguir um caminho diferente. Desta forma, será muito importante</p><p>para sua formação vivenciar cada situação apresentada, pois assim você</p><p>também entenderá a diferença dos diversos campos de atuação.</p><p>Mariana, sempre foi muito esforçada, e irá tentar seu primeiro emprego</p><p>em um laboratório de análises clínicas em sua pacata cidade natal. Ela</p><p>percebeu a importância que um bom diagnóstico pode fazer na vida de uma</p><p>pessoa, pois o profissional que solicita o exame poderá com o laudo emitido</p><p>pelo biomédico, trilhar o tratamento específico para cada patologia. Carlos,</p><p>decidiu trabalhar em um laboratório dentro de um hospital, pois durante sua</p><p>graduação, ele fez um estágio em um hospital e ficou encantado com todos</p><p>os setores nos quais poderá atuar, assim como a equipe da qual ele fará parte.</p><p>Já Francisca optou por não trabalhar na área de análises clínicas e escolheu</p><p>ir atrás de outro ambiente de atuação, apesar de estar perdida e não saber ao</p><p>certo o que quer, ela gostaria de estudar mais sobre as outras áreas.</p><p>Mariana, a primeira a enviar seu currículo para os laboratórios de análises</p><p>clínicas de sua cidade, foi chamada para várias entrevistas de emprego. Na</p><p>sua primeira entrevista, Mariana se saiu muito bem, pois estava atenta a</p><p>todas as informações passadas a ela, e se mostrou muito interessada na vaga,</p><p>ela foi proativa e estava muito animada, pois o entrevistador comunicou que</p><p>ela passou na primeira etapa. Agora, ela foi informada que irá passar por um</p><p>9</p><p>processo seletivo na próxima semana, com mais 3 concorrentes, e que terá</p><p>de fazer uma prova sobre as principais normas vigentes em um laboratório</p><p>de análises clínicas. Vamos ajudar Mariana nessa jornada e auxiliá-la em</p><p>sua pesquisa? Você sabe quais são as principais normas em um laboratório</p><p>clínico? Faça essa pesquisa e ajude Mariana, pois assim, você também irá</p><p>entender pontos cruciais para o desenvolvimento de um laboratório.</p><p>Bom estudo!</p><p>Não pode faltar</p><p>No Brasil, a biomedicina surgiu em 1966 e, desde sua criação, passou por</p><p>muitas alterações curriculares, para que o biomédico tivesse diferentes áreas</p><p>de habilitação e para qualificar cada vez mais os profissionais dessa área.</p><p>Em 1979, ela foi regulamentada pela Lei federal nº 6.684, dispondo que o</p><p>exercício da profissão é permitido apenas ao portador da carteira de identi-</p><p>dade profissional, emitida pelo Conselho Regional De Biomedicina da juris-</p><p>dição em que o profissional irá atuar. O biomédico pode atuar em diferentes</p><p>áreas da saúde, contribuindo para o diagnóstico de diversas patologias, assim</p><p>como na prevenção e no tratamento de diversas doenças. Assim, esse profis-</p><p>sional poderá atuar em um laboratório de análises clinicas, em auxílio aos</p><p>serviços médicos, para complementar o processo diagnóstico dos pacientes.</p><p>Para termos ideia da dimensão de um laboratório clinico, ele pode realizar</p><p>mais de 3.000 tipos diferentes de exames, dentre as mais diversas áreas como</p><p>hematologia, bioquímica, imunologia, parasitologia, urinálise entre outras.</p><p>Laboratório clínico: conceitos e definições</p><p>A análise clinica trabalha com estudo de materiais biológicos, coletando</p><p>dados e direcionando para um diagnóstico sobre a saúde do paciente. Essas</p><p>análises são realizadas a partir de uma solicitação médica, e consolidam-se</p><p>como as principais formas para complementar um exame clínico.</p><p>O laboratório clínico interage com profissionais de saúde para as mais</p><p>diversas finalidades. Diminuindo incertezas no tratamento, colaborando</p><p>para a prevenção de diversas patologias e complementando o diagnóstico</p><p>clinico. Além disso, fornece critérios de normalidade e delimita fatores de</p><p>riscos evolutivos.</p><p>De uma maneira geral, os laboratórios são classificados no nível 2 de</p><p>segurança pelo Decreto nº 1.752 de fevereiro de 1995 (Instrução norma-</p><p>tiva nº 7 do CTNBio), com risco moderado para as pessoas e para o meio</p><p>ambiente. Porém, podem conter nos materiais biológicos, microrganismos</p><p>10</p><p>contaminantes classificados no nível 3 e 4, com por exemplo, vírus da</p><p>hepatite C, HIV, Mycobacterium tuberculosis, entre outros. Por isso, o labora-</p><p>tório clínico deve possuir em sua equipe profissionais legalmente habilitados</p><p>e capacitados para exercerem as mais variadas funções.</p><p>A garantia de qualidade em um laboratório é essencial para assegurar</p><p>a confiabilidade dos serviços prestados, seja por meio de controle interno</p><p>de qualidade (CIQ), seja por controles externos de qualidade (CEQ), com</p><p>ensaios de proficiência. Para os CIQs, o laboratório deverá utilizar amostras</p><p>comerciais regularizadas junto a ANVISA/MS, e as amostras devem ser</p><p>analisadas da mesma forma que as amostras de rotina dos pacientes. No</p><p>CEQ, o laboratório deverá registrar os resultados, inadequações e inves-</p><p>tigar as causas, assim como as ações tomadas para cada resultado rejeitado.</p><p>Existem inúmeras normas e certificações que os laboratórios clínicos podem</p><p>seguir, a ISO 15189 de 2012, por exemplo, especifica os requisitos para que o</p><p>laboratório tenha qualidade e competência na gestão dos seus processos. Já o</p><p>Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) avalia o labora-</p><p>tório para verificar se atende aos requisitos determinados para exercício de</p><p>suas atividades, mostrando aos pacientes/clientes a confiabilidade daquela</p><p>empresa, com base nas auditorias realizadas por especialistas. Além de todas</p><p>as informações citadas, é importante que o laboratório esteja ajustado aos</p><p>regulamentos propostos a seguir no prazo de 180 dias.</p><p>Assimile</p><p>Existem diversos tipos de laboratórios clínicos, e cada um tem suas</p><p>características individuais assim como as instalações exigidas para cada</p><p>função.</p><p>Para aprofundar seus conhecimentos e conhecer os tipos de laboratórios,</p><p>leia as páginas 1 e 2 do material indicado a seguir:</p><p>ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO – ONA. Avaliação</p><p>de organizações prestadoras de serviços de laboratório clínico. Normas</p><p>Técnicas, 3 nov. 2003.</p><p>Laboratório clínico: diretrizes e normativas</p><p>A RDC nº 302 de 13 de outubro de 2005 dispõe sobre os regulamentos</p><p>técnicos para o pleno funcionamento dos laboratórios clínicos, sejam eles</p><p>públicos ou privados. É muito importante que o laboratório possua alvará</p><p>11</p><p>de licença atualizado, que deve ser expedido pelo órgão sanitário compe-</p><p>tente. Este é um documento que libera o funcionamento do estabelecimento</p><p>para que exerçam suas atividades sob a fiscalização da vigilância sanitária,</p><p>e devem também estar inscritos no Cadastro Nacional de Estabelecimento</p><p>de Saúde (CNES). Além disso, todo laboratório deve ter um profissional</p><p>legalmente habilitado com a função de responsável técnico. Este profissional</p><p>poderá assumir a responsabilidade técnica de no máximo dois laboratórios</p><p>clínicos. E como todo estabelecimento de saúde, os profissionais devem</p><p>receber treinamentos de todos os processos e receber instruções escritas</p><p>sobre as normas de biossegurança, sobre os riscos biológicos, a utilização</p><p>correta de EPI e EPCs, os procedimentos caso ocorra algum acidente e sobre</p><p>o manuseio e transporte do material biológico.</p><p>Já a NBR nº 14785, uma norma reguladora criada pela Associação</p><p>Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estabelece especificações sobre a</p><p>segurança aplicada aos laboratórios clínicos, sejam para pacientes, funcio-</p><p>nários e para o meio ambiente. São instruções desde a realização de exames</p><p>à implantação de novos métodos, assim como as orientações dadas</p><p>transporte e o gerenciamento do risco das amostras.</p><p>Veja a seguir as principais normas e regulamentos que dispõem sobre o</p><p>transporte de material biológico.</p><p>Portaria GM 472, de 9 de março de 2009: aprova o regulamento técnico</p><p>para o transporte das amostras biológicas no âmbito dos países-mem-</p><p>bros do Mercosul. RDC 302, de 13 de outubro de 2005: apresenta a</p><p>definição que o laboratório deve dispor de instruções escritas para o</p><p>transporte do material biológico, com prazos e condições para manter a</p><p>integridade das amostras.</p><p>74</p><p>RDC 20, de 10 de abril de 2014: comenta sobre a regulamentação</p><p>sanitária para o transporte dos materiais em suas diversas modalidades</p><p>e formas.</p><p>Descarte correto de materiais produzidos na coleta</p><p>Quando se trata de materiais biológicos, uma das etapas mais impor-</p><p>tantes de todo o processo é o seu descarte adequado. Muito deles podem</p><p>causar doenças graves e até fatais, portanto todo o material, tanto o utilizado</p><p>no momento da coleta como o material que deverá ser descartado após a</p><p>análise, deve ter a destinação correta. Devemos pensar que não somente o</p><p>profissional que está manipulando pode ter algum problema, mas o descarte</p><p>inadequado pode causar sérios danos ao meio ambiente, levando à contami-</p><p>nação do lençol freático e ocasionando epidemias.</p><p>A Resolução nº 306 de 07 de setembro de 2004 da ANVISA e o Conselho</p><p>Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) dispõem sobre o tratamento e a</p><p>disposição final dos resíduos de saúde. Para se estabelecer segurança em todo</p><p>o processo, é importante padronizar que qualquer material biológico é consi-</p><p>derado potencialmente de risco. Além disso, essas normas definem como</p><p>geradores de resíduos de serviços de saúde (RSS) os serviços relacionados</p><p>à saúde humana e animal. Além disso, são classificados em cinco grupos: A,</p><p>B, C, D e E.</p><p>O grupo A engloba os resíduos potencialmente infectantes; o grupo B são</p><p>os resíduos químicos; o grupo C trata dos rejeitos radioativos; o grupo D é</p><p>formado pelos resíduos comuns; e o grupo E são os perfurocortantes.</p><p>Todos os resíduos não devem ultrapassam 2/3 do volume do recipiente</p><p>no qual ele será depositado. E os sacos (mantidos dentro do recipiente)</p><p>devem ser resistentes e impermeáveis, sendo proibida a sua reutilização. Já</p><p>os resíduos do grupo E devem ser mantidos separadamente e descartados</p><p>imediatamente após o uso, contendo a simbologia adequada.</p><p>Sobre os resíduos do grupo A: devem estar em sacos de cor branco leitoso,</p><p>com o símbolo de substância infectante. Caso seja feita a descontaminação</p><p>do material, diminuindo o risco à saúde e alterando as características físicas</p><p>desses resíduos, eles podem ser descartados no grupo D.</p><p>Para os resíduos perfurocortantes, o preacondicionamento deve ser em um</p><p>recipiente específico, resistente à ruptura e vazamentos, com tampa e simbologia</p><p>da substância. Além disso, o recipiente jamais pode ser reutilizado, devendo ser</p><p>descartado quando atingir 2/3 de sua capacidade.</p><p>75</p><p>Todos os resíduos gerados em um laboratório ou hospital devem ser</p><p>armazenados em ambiente externo, pois é inviável que esses resíduos sejam</p><p>descartados todos os dias. Esse ambiente deve ser exclusivo, segregado e com</p><p>acesso limitado aos funcionários, pois somente pessoas autorizadas podem</p><p>permanecer no local.</p><p>Um ponto muito importante é que todos os laboratórios devem elaborar</p><p>um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), de</p><p>acordo com as características dos resíduos que são gerados naquele local.</p><p>Nesse PGRSS devem estar descritas todas as etapas relacionadas à coleta,</p><p>transporte e disposição final desses resíduos. São 10 etapas relativas ao manejo</p><p>dos resíduos, devendo considerar todas as características dos resíduos com as</p><p>ações para proteção da saúde e do meio ambiente.</p><p>A primeira etapa é a segregação, em que os resíduos serão separados no local</p><p>que são gerados, de acordo com suas características. Após os resíduos serem</p><p>segregados, é realizado o seu acondicionamento, quando serão embalados</p><p>em sacos ou recipientes de acordo também com suas características. Após o</p><p>acondicionamento é realizada a identificação: essa etapa é muito importante,</p><p>pois são identificados os resíduos contidos em cada recipiente, dispondo,</p><p>assim, informações sobre o seu correto manejo. A partir de então os resíduos</p><p>podem ser transportados para um armazenamento temporário, denominado</p><p>de Transporte Interno, sendo transportados do ponto de geração até o local</p><p>destinado ao armazenamento temporário, com a finalidade de disponibili-</p><p>zação para a coleta. Caso seja no mesmo local, o armazenamento temporário</p><p>pode ser dispensado. Uma das etapas finais é o tratamento desses resíduos,</p><p>que consiste em sua descontaminação por meios físicos ou químicos. Essa</p><p>etapa deve estar de acordo com a resolução CONAMA nº 237/1997. Após</p><p>a descontaminação, ocorre o armazenamento externo, quando os resíduos</p><p>são armazenados até a coleta externa, em um ambiente exclusivo. E, por</p><p>fim, as três etapas finais são a coleta, transporte externo e disposição final.</p><p>A disposição final consiste na disposição dos resíduos no solo ou em locais</p><p>preparados para recebê-los, lugares que também devem estar de acordo com</p><p>a Resolução do CONAMA.</p><p>Todos os envolvidos no manejo de materiais biológicos devem se</p><p>conscientizar sobre a importância do descarte correto desses materiais,</p><p>principalmente sobre os riscos que eles podem trazer a sua saúde e ao meio</p><p>ambiente. Assim, a redução dos resíduos torna-se um desafio para todas as</p><p>empresas envolvidas com esses materiais.</p><p>76</p><p>Sem medo de errar</p><p>Conforme já visto, a fase pré-analítica é primordial para que o laboratório</p><p>possa emitir laudos com confiança, garantindo a qualidade em seus serviços.</p><p>Devem ser considerados todos os procedimentos de coleta de material</p><p>biológico, com o uso adequado dos EPIs, assim como a correta identifi-</p><p>cação das amostras. Thiago iniciou seu estágio no laboratório conhecendo</p><p>todos os setores em que atuará e, além disso, está realizando treinamentos</p><p>a respeito das boas práticas de segurança. É sabido que mesmo com tantos</p><p>cuidados, a maioria dos acidentes ocorre pelo comportamento inadequado</p><p>dos profissionais.</p><p>Em todo o processo, é essencial conhecer as normas vigentes, para que as</p><p>ações estejam de acordo com a vigilância sanitária. Após a coleta de amostras,</p><p>os materiais utilizados devem ser descartados em locais apropriados, para</p><p>que não gerem prejuízos à saúde humana, animal e ao meio ambiente.</p><p>Agora, tanto você quanto Thiago estão muito bem preparados para todos</p><p>os setores de coleta e sabem muito bem da importância do descarte correto</p><p>de todos os resíduos produzidos nesse processo. O PGRSS é um documento</p><p>muito importante que todos os laboratórios devem elaborar, de acordo com</p><p>as características dos resíduos gerados. Para isso, você estudou sobre as dez</p><p>etapas do manejo correto dos resíduos. É fundamental conhecê-las, mesmo</p><p>que você não participe de todas, pois cada etapa pode gerar impactos na</p><p>disposição final desses resíduos.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A hanseníase representa um grande problema de saúde pública. Ela é</p><p>causada pelo Mycobacterium leprae, e a fonte principal da doença são os</p><p>pacientes multibacilares que não são tratados. Portanto, o diagnóstico dessa</p><p>doença é essencial para que o tratamento tenha um resultado satisfatório.</p><p>Assinale a alternativa correta que identifique qual o exame diagnóstico</p><p>laboratorial mais utilizado para identificação da doença.</p><p>a. Bacisloscopia.</p><p>b. Método de Graham.</p><p>c. Exame Microscópico Direto com Tinta-da-China ou Nanquim.</p><p>d. Hemograma.</p><p>e. Cultura de escarro.</p><p>77</p><p>2. A identificação correta do material biológico é uma etapa muito impor-</p><p>tante da fase pré-analítica. Muitas vezes alguns exames são terceirizados pelo</p><p>próprio laboratório; sendo assim ele deve estabelecer critérios para todo o</p><p>processo da amostra, desde a coleta até o laboratório de apoio.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. A requisição deverá conter</p><p>todas as informações que garantam</p><p>a rastreabilidade dos dados da empresa, não sendo necessário os</p><p>dados dos pacientes.</p><p>II. No caso de a amostra não apresentar as condições adequadas para</p><p>a realização do exame, o laboratório de apoio (terceirizado) poderá</p><p>rejeitá-la.</p><p>III. Em relação à amostra, os critérios devem ser rígidos para manter a</p><p>sua integridade. Por exemplo, se a amostra precisar estar congelada,</p><p>deverá ser conservada até 20 °C negativos.</p><p>É correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. II e III.</p><p>b. III.</p><p>c. I e II.</p><p>d. I.</p><p>e. II.</p><p>3. Uma das etapas essenciais, quando se trata de materiais biológicos, é o</p><p>seu descarte correto, pois muito dos resíduos produzidos na coleta desses</p><p>materiais podem causar doenças graves e até fatais. Portanto, todo o material,</p><p>tanto o utilizado no momento da coleta como o material que deverá ser</p><p>descartado após a análise, deve ter a destinação correta.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. A Resolução nº 306 de 07 de setembro de 2004 e o CONAMA</p><p>dispõem sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos de</p><p>saúde, que são classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E.</p><p>II. No PGRSS precisam estar especificadas as cinco etapas do gerencia-</p><p>mento correto desses resíduos, lembrando que cada etapa deve ser</p><p>realizada por um profissional específico.</p><p>78</p><p>III. Todo o laboratório deverá contratar um serviço terceirizado para a</p><p>elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços</p><p>de Saúde (PGRSS).</p><p>É correto o que se afirma apenas em:</p><p>a. I e III.</p><p>b. III.</p><p>c. I e II.</p><p>d. I.</p><p>e. II..</p><p>Referências</p><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Gerenciamento dos Resíduos</p><p>de Serviços de Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, 2006. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/</p><p>servicosaude/manuais/manual_gerenciamento_residuos.pdf. Acesso em: 12 dez. 2019.</p><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Manual de Vigilância Sanitária</p><p>sobre o Transporte de Material Biológico Humano para fins de Diagnóstico Clínico. Ministério</p><p>da Saúde. Brasília, 2015. Disponível em: https://www.pncq.org.br/uploads/2015/not%C3%ADcias/</p><p>Manual%20de%20Transporte%20de%20Material%20Biolo_gico.pdf. Acesso em: 11 dez. 2019.</p><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Resolução da diretoria</p><p>colegiada RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o geren-</p><p>ciamento de resíduos de serviços de saúde. Ministério da Saúde. Brasília, 2004. 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CIBio – Procedimento Operacional Padrão (POPs) de</p><p>Rotina de Laboratório. Instituto e Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo. Disponível em:</p><p>https://ww3.icb.usp.br/pops-laboratorio/. Acesso em: 27 nov. 2019.</p><p>INSTITUTO DE QUÍMICA. Biossegurança no Laboratório. Universidade de São Paulo, Labiq –</p><p>Laboratório Integrado de Química e Bioquímica, [s.d.]. Disponível em: http://cursobioquimica.iq.usp.br/</p><p>paginas_view.php?idPagina=496&idTopico=1026#.XlalDqhKjIV. Acesso em: 27 nov. 2019.</p><p>PARANÁ. Laboratório Central do Estado do Paraná – LACEN/PR. Processos Operacionais. Secretaria</p><p>de Estado da Saúde, Superintendência de Vigilância em Saúde: jun. 2014. Disponível em: http://www.lacen.</p><p>saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/PROCESSOS_OPERACIONAIS.pdf. Acesso em: 27 nov. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA – SBPC. Programa de Acreditação de</p><p>Laboratórios Clínicos (PALC). Rio de Janeiro, [s.d.]. Disponível em: http://www.sbpc.org.br/programa-</p><p>-da-qualidade/palc/. Acesso em: 21 nov. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA /MEDICINA LABORATORIAL – SBPC/</p><p>ML. Coleta e Preparo da Amostra Biológica. Barueri/SP: Manole/Minha Editora, 2014. Disponível em:</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/livro_coleta_biologica2013.pdf. Acesso em: 27 fev. 2020.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL – SBPC/ML.</p><p>Boas Práticas em Microbiologia Clínica. Barueri: Manole/Minha Editora, 2015. Disponível em: http://</p><p>www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Microbiologia.pdf. Acesso em: 4 dez. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL – SBPC/ML.</p><p>Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de</p><p>sangue venoso. 2. ed. Barueri: Manole/Minha Editora, 2010. Disponível em: http://www.sbpc.org.br/</p><p>upload/conteudo/320090814145042.pdf. Acesso em: 29 nov. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL – SBPC/ML.</p><p>Norma PALC 2013. Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos. Comissão de Acreditação de</p><p>Laboratórios Clínicos. 2013. Disponível em: http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Norma_palc2013_</p><p>web.pdf. Acesso em: 20 dez. 2019.</p><p>WHO. World Health Organization. Quality, Equity, Dignity. A Network for Improving Quality of Care</p><p>for Maternal, Newborn and Child Health. 2017. Disponível em: https://www.who.int/maternal_child_</p><p>adolescent/topics/quality-of-care/quality-of-care-brief-qed.pdf?ua=1. Acesso em: 16 abr. 2020.</p><p>WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diretrizes da OMS para a tiragem de sangue: boas</p><p>práticas em flebotomia. 2008. Disponível em: https://www.who.int/infection-prevention/publications/</p><p>Phlebotomy-portuges_web.pdf. Acesso em: 12 dez. 2019.</p><p>https://ww3.icb.usp.br/pops-laboratorio/</p><p>http://cursobioquimica.iq.usp.br/paginas_view.php?idPagina=496&idTopico=1026#.XlalDqhKjIV</p><p>http://cursobioquimica.iq.usp.br/paginas_view.php?idPagina=496&idTopico=1026#.XlalDqhKjIV</p><p>http://www.lacen.saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/PROCESSOS_OPERACIONAIS.pdf</p><p>http://www.lacen.saude.pr.gov.br/arquivos/File/SESLAB/PROCESSOS_OPERACIONAIS.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/programa-da-qualidade/palc/</p><p>http://www.sbpc.org.br/programa-da-qualidade/palc/</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/livro_coleta_biologica2013.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Microbiologia.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Microbiologia.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/320090814145042.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/320090814145042.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Norma_palc2013_web.pdf</p><p>http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/Norma_palc2013_web.pdf</p><p>https://www.who.int/maternal_child_adolescent/topics/quality-of-care/quality-of-care-brief-qed.pdf?ua=1</p><p>https://www.who.int/maternal_child_adolescent/topics/quality-of-care/quality-of-care-brief-qed.pdf?ua=1</p><p>https://www.who.int/infection-prevention/publications/Phlebotomy-portuges_web.pdf</p><p>https://www.who.int/infection-prevention/publications/Phlebotomy-portuges_web.pdf</p><p>Unidade 3</p><p>Danieli Juliani Garbuio Tomedi</p><p>Sinais vitais</p><p>Convite ao estudo</p><p>Caro aluno, bem-vindo à Unidade 3 da disciplina de Práticas em Saúde.</p><p>Nesta unidade abordaremos os conceitos relacionados a verificação dos cinco</p><p>sinais vitais: pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória,</p><p>temperatura e dor, em vítimas de acidentes ou incidentes. Os sinais vitais</p><p>são parâmetros utilizados na área da saúde que demonstram a condição de</p><p>equilíbrio das funções orgânicas por meio de sua avaliação. Esses parâmetros</p><p>traduzem o estado de saúde do indivíduo de forma clara e servem como um</p><p>mecanismo de comunicação universal sobre o cliente e seu</p><p>estado de saúde. A</p><p>verificação dos sinais vitais pode ser facilmente realizada por qualquer profis-</p><p>sional da área da saúde devidamente treinado e apresenta a vantagem de não</p><p>exigir equipamentos avançados para sua realização, o que a torna um proce-</p><p>dimento eficaz e de baixo custo. Além disso, como os valores obtidos repre-</p><p>sentam a situação de saúde do cliente, auxiliam o profissional em relação à</p><p>tomada de decisões, bem como intervenções específicas. Ademais, para uma</p><p>análise do quadro clínico e investigação de suas alterações, é imprescindível</p><p>que o biomédico conheça os valores normais (ou basais) dos parâmetros dos</p><p>sinais vitais, além das alterações benignas e aquelas que demandam urgência</p><p>no atendimento.</p><p>Dessa forma, ao longo da primeira seção abordaremos assuntos relacio-</p><p>nados ao conceito de pressão sistólica e diastólica, funcionamento do esfig-</p><p>momanômetro, principais fatores relacionados à hipotensão e hipertensão,</p><p>conceito de frequência cardíaca e principais fatores relacionados com suas</p><p>alterações, bem como as condutas do biomédico diante das alterações de</p><p>pressão arterial e da frequência cardíaca.</p><p>Na segunda seção, falaremos sobre o conceito de respiração e os processos</p><p>fisiológicos de seu controle, trocas gasosas pulmonares, técnicas aplicadas na</p><p>avaliação da capacidade respiratória e oxigenação sanguínea, além das corre-</p><p>lações clínicas da capacidade respiratória e oxigenação.</p><p>Já na terceira seção discutiremos sobre a fisiologia da regulação da termor-</p><p>regulação normal, a fisiopatologia da febre, os procedimentos técnicos para</p><p>obtenção da temperatura corpórea e, por fim, a dor como quinto sinal vital.</p><p>84</p><p>Seção 1</p><p>Pressão arterial e frequência cardíaca</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você sabe o que são os sinais vitais? Os sinais vitais são</p><p>parâmetros que auxiliam os profissionais de saúde a perceberem o funciona-</p><p>mento orgânico do corpo humano por meio da realização de alguns proce-</p><p>dimentos básicos. Eles são classificados em cinco categorias, a saber, pressão</p><p>arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e dor.</p><p>Essas categorias orientam o profissional quanto às condições de homeostasia</p><p>do indivíduo e direcionam as condutas do profissional de saúde, por isso</p><p>o conhecimento sobre esse tema se torna tão relevante. Para assimilarmos</p><p>o assunto, convido você a acompanhar a rotina de Melissa, uma estagiária</p><p>de Biomedicina que conquistou uma vaga em um laboratório de análises</p><p>clínicas. Dentre as primeiras atividades que Melissa deverá desenvolver estão</p><p>as de coleta de materiais biológicos e, neste momento, além de aprimorar</p><p>suas técnicas de coleta, ela também terá a oportunidade de estar em contato</p><p>direto com os clientes do laboratório. No primeiro dia de estágio, Melissa</p><p>teve oportunidade de realizar a coleta de material sanguíneo. Com auxílio</p><p>de seu supervisor, ela realizou o procedimento sem nenhuma intercor-</p><p>rência, apesar de ter sentido o cliente bastante receoso e amedrontado. Ao</p><p>final do procedimento, percebeu que o cliente se apresentava pálido e, logo</p><p>em seguida, ele começou a se queixar de visão turva e batimentos cardíacos</p><p>acelerados. Diante dessa situação, Melissa começou a se questionar sobre</p><p>a origem daqueles sintomas. Seria alguma manifestação de alteração dos</p><p>sinais vitais? Como verificar os sinais vitais? Quais as possíveis causas que</p><p>podem ter desencadeado os sintomas? Qual conduta a estagiária e seu super-</p><p>visor devem apresentar neste momento? Para ajudá-los na resolução desta</p><p>situação, retomaremos os principais conceitos a respeito da fisiologia do</p><p>sistema cardiovascular que regulam a pressão arterial e a frequência cardíaca,</p><p>bem como suas alterações e forma de avaliação. Vamos lá? Aproveite bem o</p><p>seu tempo e não deixe de estudar todos os materiais que serão disponibili-</p><p>zados em mais uma seção da nossa disciplina!</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você já ouviu falar em pressão arterial e frequência cardíaca?</p><p>Em nosso dia a dia é muito comum ouvirmos pessoas que tiveram episódios</p><p>de pressão baixa ou que têm diagnóstico de hipertensão arterial crônica, ou,</p><p>85</p><p>ainda, aquelas que referem palpitações ou que sentem o coração acelerado.</p><p>Diante disso, enquanto profissionais da saúde, torna-se importante conhe-</p><p>cermos os conceitos básicos dos mecanismos fisiológicos de regulação desses</p><p>parâmetros, das alterações fisiológicas que são desencadeadas sob determi-</p><p>nadas circunstâncias, bem como os valores consideradas normais para cada</p><p>sinal vital, além das técnicas adequadas para verificação desses sinais vitais.</p><p>Conceito de pressão sistólica e diastólica e funcionamento</p><p>do esfigmomanômetro</p><p>O sistema cardiovascular é constituído pela bomba cardíaca e pelos vasos</p><p>sanguíneos, os quais são definidos como tubos fechados que transportam</p><p>o sangue para todo o organismo e o trazem de volta ao coração. Os vasos</p><p>sanguíneos, por sua vez, são classificados em artérias, arteríolas, capilares,</p><p>vênulas e veias.</p><p>Durante o ciclo cardíaco, a bomba cardíaca exerce as funções de contração</p><p>dos ventrículos com ejeção do sangue, conhecida como sístole, e relaxamento</p><p>dos ventrículos e enchimento dessas câmaras com sangue, conhecida como</p><p>diástole, portanto, a atividade mecânica do coração promoverá a energia</p><p>circulatória para o restante do organismo. Fisiologicamente, o sangue sai do</p><p>ventrículo esquerdo com maior pressão sanguínea e, à medida que alcança</p><p>a circulação sistêmica, perde gradativamente essa pressão até chegar ao</p><p>átrio direito.</p><p>Como a sístole promove maior energia impulsora para circulação do</p><p>sangue, no nível arterial a pressão sanguínea será mais elevada, pois neste</p><p>local observamos força maior sendo exercida pelo sangue quando compa-</p><p>ramos com as veias, por exemplo. Desta forma, a pressão arterial será</p><p>utilizada como parâmetro para avaliação da capacidade circulatória do</p><p>sistema cardiovascular.</p><p>Além disso, o registro da pressão arterial (PA) será realizado com base em</p><p>duas pressões diferentes: a máxima e a mínima. Essas oscilações de pressão</p><p>podem ser registradas devido às oscilações provenientes do próprio ciclo</p><p>cardíaco, uma vez que a pressão máxima refletirá a pressão promovida pela</p><p>sístole, e a mínima, pela diástole. Sua medida será expressa em mmHg e regis-</p><p>trada em forma de fração:</p><p>PA = pressão sistólica (máxima)</p><p>pressão diastólica (mínima)</p><p>86</p><p>Além da medida da tensão exercida na parede dos vasos sanguíneos,</p><p>especificamente das artérias, a PA também pode ser entendida como uma</p><p>força motriz que gera fluxo e mantém a circulação sanguínea. Dessa forma, o</p><p>controle da PA a níveis aceitáveis garante que todas as células do organismo</p><p>recebam suprimento sanguíneo suficiente para manter seu metabolismo</p><p>satisfatório, tanto em situação de repouso quanto em situações de atividade</p><p>física. Para que os limites de variação da PA sejam mantidos dentro de valores</p><p>condizentes com a demanda do organismo, os mecanismos de controle são</p><p>acionados para promover respostas em curto, médio e/ou longo prazos.</p><p>Para a verificação da PA são utilizados o estetoscópio e o esfigmoma-</p><p>nômetro, representados na Figura 3.1. O estetoscópio auxilia o profissional</p><p>a auscultar os sons que são detectados pela campânula (1) e transmitidos</p><p>aos ouvidos através das olivas (2). Já o esfigmomanômetro é composto por</p><p>uma bolsa inflável de borracha, denominada manguito (3), conectado a um</p><p>manômetro (4), que indica o valor das pressões em mmHg, e a uma pera (5),</p><p>que tem a finalidade de insuflar o manguito.</p><p>Figura 3.1 | Estetoscópio e o esfigmomanômetro</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>O princípio deste equipamento é verificar a PA por meio da ausculta das</p><p>variações do pulso arterial. Basicamente, a verificação da pressão arterial</p><p>ocorre da seguinte maneira:</p><p>1. O manguito colocado ao redor do braço do paciente, em cima da</p><p>artéria braquial, deve ser insuflado com alta pressão até o impedi-</p><p>mento total da passagem de fluxo sanguíneo através da artéria.</p><p>2. A descompressão lenta do manguito favorece o retorno</p><p>da circulação</p><p>do sangue neste local, uma vez que a pressão intra-arterial se torna</p><p>suficientemente alta em relação à pressão do manguito e permite a</p><p>87</p><p>passagem de sangue. Neste momento, o fluxo de sangue forma turbi-</p><p>lhões percebidos à ausculta por meio do estetoscópio, conhecidos</p><p>como sons de Korotkoff. Quanto maior a descompressão, mais o fluxo</p><p>sanguíneo aumenta, tornando possível a verificação de pulsac ̧ões,</p><p>conforme a atividade cardíaca.</p><p>3. Ao final, a intensidade da pulsação decresce ao ponto em que as</p><p>pulsações se tornam inaudíveis, pois que a pressão intra-arterial se</p><p>equilibra ou se torna superior à pressão dentro do manguito e o fluxo</p><p>turbulento se transforma novamente em fluxo laminar contínuo e</p><p>uniforme.</p><p>4. Neste procedimento devem ser registrados dois valores de pressões no</p><p>manômetro acoplado ao manguito: aquele determinado no momento</p><p>em que comec ̧am a aparecer as pulsac ̧ões, que se identifica como</p><p>pressão máxima, e aquele determinado no momento da descompres-</p><p>são que produz desaparecimento total das pulsac ̧ões, que é conside-</p><p>rado como pressão mínima.</p><p>Além disso, cabe ressaltar que alguns pontos devem ser observados</p><p>durante a realização do procedimento para que se garanta resultados</p><p>fidedignos, uma vez que falsos resultados conduzem a condutas equivocadas</p><p>e geram estresse e ansiedade desnecessários ao cliente. Dessa forma, o profis-</p><p>sional deve estar atento quanto aos cuidados elencados a seguir:</p><p>• Explicar o procedimento ao cliente em ambiente calmo e orientá-lo a</p><p>não conversar durante o procedimento.</p><p>• Certificar-se de que o paciente esteja com a bexiga vazia, não tenha</p><p>praticado exercícios físicos nos últimos 60 minutos; não tenha</p><p>ingerido bebidas alcoólicas, café ou alimentos; ou tenha fumado nos</p><p>30 minutos anteriores.</p><p>• Manter o paciente sentado, com pernas descruzadas, pés apoiados no</p><p>chão, dorso recostado na cadeira e relaxado.</p><p>• Posicionar o braço dele na altura do coração, apoiado, com a palma da</p><p>mão voltada para cima.</p><p>• Excluir causas subjetivas de alteração da pressão, como: estresse,</p><p>ansiedade, medo ou dor.</p><p>• Testar o aparelho para excluir erros ocasionados por defeito de</p><p>aparelho e manter rotina de manutenção apropriada.</p><p>• Escolher um manguito que apresente largura adequada, correspon-</p><p>dendo a cerca de dois terços do comprimento do braço.</p><p>88</p><p>• Colocar o manguito sobre o braço nu e a cerca de 2 a 2,5 cm acima da</p><p>fossa antecubital. As roupas não devem garrotear o membro.</p><p>• Na incerteza do valor obtido, aguardar no mínimo 30 segundos para</p><p>nova aferição, no mesmo local, ou realizar aferição em outro braço.</p><p>• Insuflar o manguito rapidamente e desinflá-lo lentamente.</p><p>• Não permitir que o diafragma do estetoscópio toque a borda inferior</p><p>do manguito.</p><p>Cuidados especiais: não verificar a pressão em braço homolateral à</p><p>mastectomia, com venopunção ou fístula arteriovenosa.</p><p>Reflita</p><p>Você sabe por que o procedimento de aferição da pressão arterial não</p><p>pode ser realizado em braço homolateral à mastectomia? Este cuidado</p><p>é importante pois junto com mastectomia também há o esvaziamento</p><p>axilar dos vasos linfáticos. Com isso, a paciente apresenta maiores</p><p>chances de desenvolvimento de edema neste membro, e a compressão</p><p>promovida pelo manguito durante a medida da pressão arterial, por sua</p><p>vez, pode prejudicar a drenagem, levando à piora do edema local.</p><p>Hipotensão e hipertensão: principais fatores relacionados às</p><p>alterações de pressão</p><p>Os fatores que determinam o controle fisiológicos dos níveis de PA estão</p><p>relacionados a: eficiência da bomba cardíaca (força de contração e frequ-</p><p>ência cardíaca); resistência vascular periférica total; e volume sanguíneo.</p><p>Portanto, para que a PA seja controlada a níveis adequados, necessariamente</p><p>cada um desses fatores citados deve ser individualmente regulado, seja por</p><p>mecanismos neurais (curto a médio prazo), hormonais ou renais (médio a</p><p>longo prazo).</p><p>Os mecanismos neurais compreendem a inervação do sistema vascular</p><p>pelo sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. A principal</p><p>função do sistema simpático é a de realizar vasoconstrição, sendo o resul-</p><p>tado desta ação o aumento da pressão arterial pela resistência à passagem do</p><p>sangue. Já o sistema parassimpático promove a vasodilatação, que resultará</p><p>na redução da pressão arterial pela diminuição da resistência à passagem do</p><p>sangue pelo vaso sanguíneo. Cabe ressaltar que a ação conjunta desses dois</p><p>feixes nervosos mantém o diâmetro e a tonicidade dos vasos sanguíneos, que</p><p>89</p><p>são fatores primordiais na distribuição sanguínea e na manutenção do equilí-</p><p>brio hemodinâmico.</p><p>Outro mecanismo neural de controle da PA corresponde ao controle</p><p>reflexo por meio dos mecanorreceptores, os quais são constituídos por termi-</p><p>nações nervosas localizadas na aorta, na bifurcação do seio carotídeo, nos</p><p>átrios, nos ventrículos e nos vasos pulmonares, as quais identificam as altera-</p><p>ções de pressão arterial pela força que o sangue os atinge. Como resposta</p><p>reflexa, o sistema nervoso central desencadeia uma série de atividades do</p><p>sistema nervoso autônomo. Dessa forma, o sistema simpático será ativado</p><p>em caso de hipotensão arterial e o sistema parassimpático, em caso de hiper-</p><p>tensão arterial.</p><p>Já os mecanismos humorais dependem da síntese e secreção de hormô-</p><p>nios. Os hormônios agem em territórios específicos e desencadeiam uma</p><p>resposta mais longa (de algumas horas até dias) em comparação à resposta</p><p>neural. Dentre os hormônios envolvidos, podemos destacar: adrenalina e</p><p>noradrenalina (produzidos pela glândula adrenal); vasopressina (produzidos</p><p>pela neuro-hipófise); e angiotensina (produzida pelos rins).</p><p>Por sua vez, os rins exercem papel primordial em relação à manutenção da</p><p>pressão arterial a longo prazo. Uma das funções realizadas por estes órgãos é</p><p>o controle da quantidade de sódio no meio extracelular, contribuindo princi-</p><p>palmente para o equilíbrio da pressão osmótica plasmática. Nas situações</p><p>de aumento da pressão arterial, os rins promovem uma elevação da taxa de</p><p>filtração glomerular, excretando uma quantidade de sódio mais elevada do</p><p>que aquela que foi ingerida, promovendo a natriurese pressórica. Isso resul-</p><p>tará em um balanço negativo de sódio, com redução do líquido extracelular</p><p>e queda da PA para alcance do ponto de equilíbrio. O contrário se dá quando</p><p>ocorre uma diminuição nos valores de pressão arterial.</p><p>Além da natriurese pressórica, os rins também realizam o controle da</p><p>pressão arterial a longo prazo por meio da ativação do sistema renina-an-</p><p>giotensina-aldosterona. De uma forma geral, pode-se dizer que este sistema</p><p>é ativado na vigência de uma pressão arterial baixa e os efeitos finais consti-</p><p>tuem em reabsorção de sódio, vasoconstrição de arteríolas e ativação da</p><p>atividade simpática. Com isso, observa-se retenção de sal e água e aumento</p><p>do volume circulante pela ação da aldosterona, além de vasoconstrição</p><p>promovida pela angiotensina, e o resultado é a melhora da perfusão e da</p><p>circulação sanguínea.</p><p>Como a pressão arterial depende de fatores como contratilidade cardíaca</p><p>eficiente, volume circulante e tônus vascular, qualquer alteração nesses</p><p>componentes desencadeará um quadro de hipotensão ou hipertensão.</p><p>90</p><p>Dessa forma, os quadros de hipotensão frequentemente estão relacionados a:</p><p>• Hipotensão ortostática: ocorre devido às diferenças de pressão quando</p><p>o indivíduo que se encontra sentado ou deitado se levanta rapidamente.</p><p>• Síndrome vaso-vagal: ativação do nervo vago, do sistema parassimpá-</p><p>tico, levando à vasodilatação.</p><p>• Hemorragias: perda importante do volume circulante.</p><p>• Insuficiência cardíaca: perda da capacidade da bomba cardíaca em</p><p>realizar a contração cardíaca e promover débito cardíaco adequado.</p><p>• Choque séptico: no choque séptico tem-se uma liberação excessiva</p><p>de prostaglandinas, as quais atuam diretamente no endotélio vascular</p><p>e promovem vasodilatação periférica importante. Com aumento</p><p>do calibre dos vasos, o volume circulante se torna ineficiente para</p><p>perfundir todos os</p><p>tecidos, resultando em hipotensão.</p><p>Já os quadros de hipertensão frequentemente estão relacionados a:</p><p>• Aumento da atividade cardíaca, relacionado com estimulação do</p><p>sistema nervoso simpático.</p><p>• Aumento da resistência vascular periférica por estímulo simpático em</p><p>situação de estresse, ansiedade e dor aguda. Além disso, a arterioscle-</p><p>rose e a aterosclerose também são fatores determinante para o aumento</p><p>da resistência vascular periférica: a primeira está relacionada a perda</p><p>da elasticidade das artérias, e a segunda, ao depósito de gordura na</p><p>parede endotelial e à ativação do sistema renina-angiotensina.</p><p>• Aumento do volume circulante principalmente pela retenção de sódio,</p><p>que devido à pressão osmótica leva à retenção de água, aumento do</p><p>volume circulante e, por consequência, aumento da pressão arterial.</p><p>Exemplificando</p><p>De acordo com a 7ª Diretriz de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasi-</p><p>leira de Cardiologia (2016), os valores de pressão arterial de indivíduos</p><p>adultos podem ser classificados de acordo com o Quadro 3.1:</p><p>Quadro 3.1 | Classificação da pressão arterial em adultos</p><p>Classificação Valores da pressão arterial</p><p>Hipotensão < 80/50 mmHg ou valores menores que o basal</p><p>e sintomáticos</p><p>Normal ≤ 120/80 mmHg</p><p>91</p><p>Limítrofe Entre 121/81 e 139/89 mmHg</p><p>Hipertensão estágio I Entre 140/90 e 159/99 mmHg</p><p>Hipertensão estágio II Entre 160/100 e 179/109 mmHg</p><p>Hipertensão estágio III ≥ 180/110 mmHg</p><p>Fonte: adaptado de Sociedade Brasileira de Cardiologia (2016a, p. 11).</p><p>A PA também sofre variações ao longo do ciclo vital, podendo ser mais</p><p>baixa durante o sono e levemente aumentada ao final da tarde. Além disso,</p><p>o indivíduo deitado apresenta pressão mais baixa do que quando está em pé</p><p>ou sentado. Fatores como ingestão de alimentos, exercícios, dor e emoções</p><p>como medo, ansiedade, raiva e estresse aumentam a pressão arterial.</p><p>Em um indivíduo adulto, a pressão arterial é considerada dentro da</p><p>normalidade quando está inferior a 130/85 mmHg. Entretanto, é importante</p><p>ressaltar que cada indivíduo apresenta um valor diferente de pressão arterial</p><p>basal. Mulheres e idosos podem apresentar uma PA mais baixa, enquanto os</p><p>homens podem apresentar uma PA mais elevada.</p><p>Conceito de frequência cardíaca e principais fatores relacio-</p><p>nados com suas alterações</p><p>O sistema de condução cardíaca gera e transmite impulsos elétricos</p><p>que estimulam a contração do miocárdio. Primeiramente há o estímulo de</p><p>contração dos átrios para posteriormente os ventrículos serem contraídos.</p><p>Essa sequência possibilita que os ventrículos sejam preenchidos completa-</p><p>mente antes da ejeção ventricular, maximizando o débito cardíaco.</p><p>Na contração ventricular (sístole), o sangue presente no ventrículo</p><p>esquerdo é lançado na artéria aorta com determinado volume e pressão, os</p><p>quais provocam oscilações ritmadas em toda a extensão da parede arterial,</p><p>sendo denominadas pulso. Portanto, pelo fato de o pulso periférico arterial</p><p>estar sincronizado com o ciclo cardíaco, ele refletirá a frequência cardíaca.</p><p>Os locais mais comuns para a verificação do pulso são nas artérias:</p><p>temporal, carótida, radial, braquial, femoral, poplítea, tibial posterior e dorsal</p><p>do pé. O pulso deve ser avaliado durante o intervalo de 1 minuto, e além da</p><p>sua presença outras características devem ser avaliadas, como:</p><p>• Frequência: quantidade de pulsos arteriais que ocorrem no intervalo</p><p>de 1 minuto.</p><p>• Volume: pulso cheio ou filiforme.</p><p>92</p><p>• Ritmo: intervalo de tempo entre os batimentos, podendo ser regular</p><p>(rítmico) ou irregular (arrítmico).</p><p>Assim como a pressão arterial, a frequência cardíaca também sofre altera-</p><p>ções durante o ciclo vital e os valores considerados dentro da faixa de norma-</p><p>lidade em um indivíduo adulto são de 60 a 100 batimentos por minuto (bpm).</p><p>Exemplificando</p><p>De acordo com a III Diretriz sobre análise de laudos eletrocardiográficos</p><p>da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2016), os valores de pressão</p><p>arterial de indivíduos adultos podem ser classificados de acordo com</p><p>o quadro a seguir:</p><p>Quadro 3.2 | Valores de pressão arterial</p><p>Classificação Valores da frequência cardíaca</p><p>Bradicardia < 60 bpm</p><p>Normal Entre 60 e 100 bpm</p><p>Taquicardia > 100 bpm</p><p>Fonte: adaptado de Sociedade Brasileira de Cardiologia (2016b, p. 1-23).</p><p>Além disso, as alterações do pulso cardíaco também estão relacionadas</p><p>à ativação do sistema nervoso simpático e parassimpático. O sistema simpá-</p><p>tico promoverá aumento da frequência cardíaca, enquanto o parassimpático</p><p>promoverá diminuição da frequência cardíaca.</p><p>O volume do pulso também está intimamente ligado às condições de</p><p>pressão arterial, ou seja, em um quadro de hipotensão observaremos um</p><p>pulso filiforme, enquanto que em um quadro de volemia adequada ou hiper-</p><p>tensão observaremos um pulso cheio.</p><p>Quando o coração apresenta um ritmo sinusal (normal), o pulso será</p><p>rítmico, e na vigência de arritmias cardíacas, observaremos um pulso igual-</p><p>mente irregular.</p><p>Condutas do biomédico diante das alterações de pressão</p><p>arterial e da frequência cardíaca</p><p>Ao realizar a abordagem ao cliente que apresenta alterações de pressão</p><p>arterial ou de frequência cardíaca, torna-se necessário investigar seu histó-</p><p>rico de saúde, bem como antecedentes pessoais e uso de medicamentos.</p><p>93</p><p>Além disso, os dados isolados não são tão relevantes como quando conse-</p><p>guimos associá-los a outros sinais e sintomas.</p><p>No caso das alterações de pressão arterial, é imprescindível que o profis-</p><p>sional questione a respeito do valor basal da PA basal daquele indivíduo, uma</p><p>vez que esse valor pode sofrer alterações de indivíduo para indivíduo. Os</p><p>sintomas relacionados com a hipotensão são: mal estar, calor, tontura, náusea,</p><p>perda de força ou parestesia nos membros, palpitações, dor abdominal e</p><p>fadiga, que evoluem para escurecimento visual progressivo e sensação de</p><p>desfalecimento. O atendimento ao cliente com quadro de hipotensão requer</p><p>alguns cuidados como:</p><p>• Transferir a vítima, se possível, para um ambiente arejado.</p><p>• Afastar pessoas curiosas.</p><p>• Colocar a vítima deitada no chão com as costas para baixo, elevando</p><p>suas pernas, para que elas fiquem mais altas em comparação ao</p><p>restante do corpo, favorecendo o retorno sanguíneo; ou então, com a</p><p>vítima sentada, colocar a cabeça entre as pernas.</p><p>• Se a vítima estiver acordada, oferecer líquidos em pequenos goles no</p><p>intuito de aumentar o volume do fluxo sanguíneo.</p><p>• Caso os sintomas persistam por período superior a 15 minutos, a pessoa</p><p>deve ser encaminhada para atendimento médico o quanto antes.</p><p>Já os picos hipertensivos que requerem atenção especial são aqueles</p><p>em que se observa elevação pressórica diastólica ≥ 120 mmHg associada à</p><p>cefaleia em região de nuca, dispneia, dor torácica, alterações visuais ou, ainda,</p><p>perda da consciência. Esse quadro é caracterizado como uma urgência hiper-</p><p>tensiva, portanto, a equipe de socorro deve ser acionada o mais breve possível</p><p>para transferência do cliente a um serviço hospitalar especializado.</p><p>Reflita</p><p>Você já ouviu sobre a hipertensão do avental branco? Sabe quais impli-</p><p>cações isso pode acarretar para a prática profissional do biomédico?</p><p>Em casos de elevação da pressão arterial sem outros sintomas associados,</p><p>deve-se questionar se o cliente faz uso de medicamentos anti-hipertensivos e</p><p>se os tomou naquele dia. Caso não, orienta-se que ele faça uso de seu medica-</p><p>mento para que a pressão arterial seja confirmada após 30 minutos a 1 hora.</p><p>Caso não haja melhora, o cliente deve ser encaminhado a um serviço de</p><p>pronto atendimento. Além disso, os fatores que possam ter elevado a pressão</p><p>94</p><p>devem ser investigados, como: ansiedade, crise de pânico, estresse e dor.</p><p>Após a retirada do estímulo, espera-se que a PA retorne a seus valores basais.</p><p>Com relação às alterações de pulso, primeiramente deve-se observar,</p><p>tanto nas bradicardias quanto nas taquicardias, a presença de sintomas que</p><p>indiquem baixo débito cardíaco como dispneia, visão turva, dor torácica,</p><p>alterações de nível de consciência, tontura e síncope. Na vigência desses</p><p>sintomas, a equipe de socorro deve ser acionada o mais breve possível para</p><p>transferência a um serviço hospitalar especializado. Caso o paciente se</p><p>apresente confortável ou sem nenhum outro tipo de sintoma, ele deve ser</p><p>aconselhado a procurar um cardiologista assim que possível.</p><p>Agora você, como um profissional da área de saúde, conhece a impor-</p><p>tância da pressão arterial e da frequência cardíaca e seus mecanismos de</p><p>regulação. Você viu durante a seção que os parâmetros de pressão arterial</p><p>e frequência cardíaca do indivíduo refletem diretamente suas condições</p><p>hemodinâmicas. Neste sentido, é essencial que o biomédico conheça a fisio-</p><p>logia do sistema cardiovascular a fim de interpretar suas alterações. Uma boa</p><p>conduta é essencial para a recuperação do paciente e, assim como em todas as</p><p>profissões da saúde, o trabalho multidisciplinar se torna imprescindível para</p><p>garantir o restabelecimento da saúde do indivíduo.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu as principais alterações de pressão</p><p>arterial e de frequência cardíaca, vamos solucionar a situação-problema</p><p>exposta, na qual estamos acompanhando a rotina de Melissa, uma estagiária</p><p>de Biomedicina que realizou a coleta de sangue em um cliente sem nenhuma</p><p>intercorrência, porém, ele se apresentava muito receoso e amedrontado. Ao</p><p>final do procedimento, o cliente se apresentou pálido, com queixas de visão</p><p>turva e batimentos cardíacos acelerados. Diante dessa situação, Melissa se</p><p>questionou sobre a origem daqueles sintomas. Seria alguma manifestação de</p><p>alteração dos sinais vitais? Como verificar os sinais vitais diante dessa situação?</p><p>Quais as possíveis alterações que podem ter desencadeado os sintomas? Qual</p><p>conduta o estagiário e seu supervisor devem realizar neste momento?</p><p>Para a resolução da situação-problema, cabe ressaltar que na vigência de</p><p>qualquer queixa relatada pelo cliente antes, durante e após qualquer proce-</p><p>dimento, torna-se importante a avaliação dos sinais vitais, uma vez que nos</p><p>indicam as condições de equilíbrio das funções orgânicas. Os sinais vitais</p><p>são cinco e os que refletem diretamente as condições hemodinâmicas do</p><p>indivíduo são a pressão arterial e a frequência cardíaca. Neste sentido, o</p><p>estagiário deve verificar tais parâmetros. Após a verificação, compara-se o</p><p>95</p><p>resultado obtido com os parâmetros considerados para normalidade a fim de</p><p>identificar quais alterações podem ter ocorrido.</p><p>No caso apresentado, este cliente possivelmente apresentou uma queda de</p><p>pressão arterial devido à ativação vaso-vagal. O nervo vago é um dos princi-</p><p>pais nervos do sistema parassimpático e sua ativação culmina com alterações</p><p>compatíveis com sua função, como redução da frequência cardíaca e queda</p><p>na pressão arterial.</p><p>O estímulo vaso-vagal pode apresentar as seguintes causas: central,</p><p>quando decorre de respostas emocionais; postural, quando ocorre como</p><p>resultado de um logo período em posição ortostática; ou situacional, decor-</p><p>rente de estimulação específica de aferentes sensoriais e viscerais, compatível</p><p>com o caso do cliente em questão.</p><p>A taquicardia apresentada por este cliente possivelmente ocorreu por</p><p>um sistema de regulação compensatório neural em curto prazo, ou seja, ao</p><p>evoluir com queda na pressão arterial, os barorreceptores enviaram sinais ao</p><p>sistema nervoso central, o qual respondeu com mecanismos neurais compen-</p><p>satórios, como a ativação do sistema simpático. Este sistema, por sua vez,</p><p>realiza aumento da frequência cardíaca e vasoconstrição a fim de promover</p><p>aumento na pressão arterial.</p><p>Diante desta situação, o cliente deve ser colocado em decúbito dorsal</p><p>(barriga para cima), com as pernas elevadas a fim de favorecer o retorno</p><p>sanguíneo e melhorar a pressão arterial.</p><p>Avançando na prática</p><p>Identificando as alterações de pressão arterial e frequência</p><p>cardíaca em diferentes faixas etárias</p><p>Melissa está desenvolvendo muito bem os procedimentos de coleta</p><p>de material sanguíneo em adultos e seu supervisor está satisfeito com seu</p><p>trabalho. Dessa forma, propôs à estagiária um novo desafio: coleta de sangue</p><p>em crianças e lactentes. O primeiro cliente que chega ao laboratório é um</p><p>bebê de 11 meses de idade, trazido pela sua mãe, que necessita de coleta de</p><p>sangue arterial para análise de gasometria. Ao realizar a palpação do pulso do</p><p>bebê, Melissa percebeu que ele se encontrava em ritmo acelerado, chegando a</p><p>120bpm. A estagiária passou a se questionar: o bebê estaria apresentando uma</p><p>taquicardia? Quais os valores considerados normais para cada faixa etária?</p><p>Os valores normais de pressão arterial também sofrem alterações conforme a</p><p>96</p><p>idade? Além das crianças, os idosos também podem sofrer alterações basais</p><p>da frequência cardíaca e da pressão arterial?</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Os valores normais de pressão arterial e de frequência cardíaca sofrem</p><p>algumas alterações conforme o ciclo da vida. Dessa forma, torna-se impor-</p><p>tante que o profissional biomédico conheça os valores basais de cada faixa</p><p>etária a fim de realizar uma avaliação adequada de cada indivíduo, identi-</p><p>ficando se as alterações encontradas merecem atenção do profissional ou se</p><p>apenas estão relacionadas às condições fisiológicas normais.</p><p>Neste sentido, destaca-se que os lactentes e as crianças apresentam valores</p><p>de frequência cardíaca mais elevados quando comparados com adultos, pois</p><p>seu metabolismo é mais acelerado devido às suas exigências de crescimento</p><p>e desenvolvimento, enquanto os adolescentes apresentam valores mais</p><p>próximos ao dos adultos:</p><p>Quadro 3.3 | Valores de frequência cardíaca de acordo com a idade</p><p>Faixa etária Valores da frequência cardíaca</p><p>Nenonato 90 a 170 bpm</p><p>1 mês 110 a 180 bpm</p><p>1 ano 90 a 160 bpm</p><p>8 anos 60 a 120 bpm</p><p>Adolescência 60 a 100 bpm</p><p>Fonte: adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria (2017, p. 511).</p><p>Portanto, o bebê atendido por Melissa apresenta-se normocárdico para</p><p>sua idade. Quanto à pressão arterial da criança, orienta-se que sua verificação</p><p>seja realizada em ambiente hospitalar devido às especificidades por faixa</p><p>etária, bem como sua interpretação.</p><p>Já no idoso, é possível identificar com maior facilidade a presença de arrit-</p><p>mias e bradicardias, por conta das alterações estruturais e de condução elétrica</p><p>do coração, às quais o idoso é mais suscetível. Além disso, frequentemente</p><p>encontramos quadros de hipertensão sistólica isolada, na qual ocorre elevação</p><p>da pressão sistólica sem alteração da pressão diastólica. É resultante das altera-</p><p>ções estruturais e funcionais no coração, nos vasos sanguíneos e nos rins,</p><p>provocadas pelo acúmulo de placa aterosclerótica, enrijecimento das paredes</p><p>arteriais com comprometimento da vasodilatação, além da disfunção renal.</p><p>97</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Para garantir uma medida de pressão arterial fidedigna, torna-se neces-</p><p>sário que o biomédico esteja a atento a alguns cuidados que devem ser</p><p>empregados ao cliente e à técnica correta.</p><p>Considerando os fatores que possam interferir no resultado obtido a partir</p><p>da aferição da pressão arterial, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I. O posicionamento do paciente não provoca nenhum tipo de inter-</p><p>ferência, desde que o braço esteja nivelado na altura do coração e a</p><p>palma, voltada para cima.</p><p>II. O manguito deve apresentar um tamanho adequado, correspon-</p><p>dendo a cerca de dois terços do comprimento do braço.</p><p>III. Na incerteza do valor obtido, realizar a medida logo em seguida para</p><p>conferência.</p><p>IV. Conferir se o cliente praticou exercícios físicos nos últimos 60 minutos</p><p>ou se fumou nos últimos 30 minutos. Em caso positivo, o profissional</p><p>deve aguardar para proceder a verificação da pressão arterial</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, II e IV, apenas.</p><p>b. II e III, apenas.</p><p>c. II e IV, apenas.</p><p>d. I, II e III, apenas.</p><p>e. I, II, III e IV.</p><p>2. O controle neural da pressão arterial é um mecanismo utilizado para</p><p>manter a homeostasia do organismo em curto e médio prazo por meio do</p><p>sistema autônomo simpático e parassimpático.</p><p>Com base nas informações apresentadas, avalie</p><p>as seguintes asserções e a</p><p>relação entre elas proposta:</p><p>I. O sistema parassimpático promove redução da frequência cardíaca</p><p>e hipotensão arterial.</p><p>PORQUE</p><p>II. O sistema nervoso parassimpático se utiliza do neurotransmissor acetilco-</p><p>lina para reduzir a frequência cardíaca e promover a vasoconstrição arterial.</p><p>98</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:</p><p>a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I.</p><p>b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II não justifica a I.</p><p>c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.</p><p>d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.</p><p>e. As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>3. O controle fisiológico da pressão arterial é dependente de três fatores</p><p>inter-relacionados: funcionamento da bomba cardíaca, resistência vascular</p><p>periférica adequada e volume sanguíneo. Além disso, existem mecanismos</p><p>neurais hormonais e renais que atuam nestes três componentes a fim de</p><p>garantir o equilíbrio hemodinâmico do indivíduo a curto, médio e longo</p><p>prazo.</p><p>Considerando estes mecanismos, analise as afirmativas a seguir e julgue com</p><p>V para verdadeiro e F para falso:</p><p>( ) A ação conjunta dos feixes nervosos simpático e parassimpático mantém</p><p>o diâmetro e a tonicidade dos vasos sanguíneos, que são fatores primordiais</p><p>na distribuição sanguínea e na manutenção do equilíbrio hemodinâmico a</p><p>curto prazo.</p><p>( ) Os hormônios agem em territórios específicos e desencadeiam respostas</p><p>mais longas em comparação à resposta neural.</p><p>( ) Os rins exercem papel primordial em relação à manutenção da pressão</p><p>arterial a longo prazo, principalmente em relação ao controle da quantidade</p><p>de sódio no meio extracelular pela ação da renina-angiotensina-aldosterona.</p><p>( ) Na vigência de valores de pressão arterial mais baixos, os rins passam a</p><p>realizar reabsorção de sódio pela natriurese pressórica, secundária à ação da</p><p>renina-angiotensina-aldosterona.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.</p><p>a. V – V – V – V.</p><p>b. F – V – F – V.</p><p>c. V – V – V – F.</p><p>d. V – V – F – F.</p><p>e. F – V – V – F.</p><p>99</p><p>Seção 2</p><p>Respiração</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você já ouviu falar na avaliação da respiração enquanto um</p><p>sinal vital? Esse parâmetro é considerado um dos sinais vitais, uma vez que</p><p>estes são parâmetros que auxiliam os profissionais de saúde a perceberem o</p><p>funcionamento orgânico do corpo humano por meio da realização de alguns</p><p>procedimentos básicos. Por sua vez, a respiração é classificada como função</p><p>vital do organismo humano, pela qual realiza a troca de gases dos alvéolos,</p><p>transformando o sangue venoso rico em dióxido de carbono em sangue</p><p>arterial rico em oxigênio. Esse processo será determinante para a manutenção</p><p>do metabolismo celular. Para assimilarmos o assunto, convidamos você a</p><p>continuar acompanhando a rotina de Melissa, uma estagiária de Biomedicina</p><p>que conquistou uma vaga em um laboratório de análises clínicas. Melissa</p><p>está muito contente com seu desempenho no laboratório e tem desenvol-</p><p>vido as habilidades de coleta de materiais biológicos de forma satisfatória.</p><p>Diante disso, seu supervisor ofereceu a oportunidade de realizar a coleta de</p><p>rotina do setor de pronto socorro do hospital da sua universidade, uma vez</p><p>que é conveniado com o laboratório no qual realiza o estágio. Acompanhada</p><p>de seu supervisor, Melissa iniciou os procedimentos no paciente Antônio,</p><p>de 74 anos, com diagnóstico de insuficiência cardíaca, que se apresentava</p><p>ofegante, com respiração curta e rápida. Neste momento, Melissa recordou</p><p>que, momentos antes, seu supervisor comentou que o paciente se encontrava</p><p>taquipneico. Ao observar o quadro geral do paciente e diante da fala de seu</p><p>supervisor, Melissa se questionou: como realizar a avaliação da frequência</p><p>respiratória? Quais valores estão dentro da faixa de normalidade? Como</p><p>utilizar a terminologia técnica para as alterações de frequência respiratória?</p><p>Existem diferentes tipos de padrão respiratório? Para ajudá-los na resolução</p><p>desta situação, retomaremos os principais conceitos a respeito da fisiologia</p><p>da regulação do sistema respiratório, bem como suas alterações e forma</p><p>de avaliação. Vamos lá? Aproveite bem o seu tempo e não deixe de estudar</p><p>todos os materiais que serão disponibilizados em mais uma seção da nossa</p><p>disciplina!</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você se recorda por que a respiração é tão importante para</p><p>a manutenção do metabolismo celular? Os tecidos vitais, como o encéfalo</p><p>100</p><p>e o coração, não são capazes de sobreviver por longo tempo sem um supri-</p><p>mento de oxigênio, uma vez que este componente químico realiza a oxidação</p><p>de carboidratos, gorduras e proteínas para obtenção de energia, da qual</p><p>depende o metabolismo celular. Dessa forma, a manutenção de um padrão</p><p>respiratório adequado também refletirá no equilíbrio das funções orgânicas,</p><p>sendo imprescindível sua avaliação pelos profissionais da saúde. Diante disso,</p><p>torna-se importante conhecermos os conceitos básicos dos mecanismos</p><p>fisiológicos de controle da respiração, bem como reconhecer suas principais</p><p>alterações, além das técnicas corretas de sua avaliação.</p><p>Conceito de respiração, trocas gasosas pulmonares e proces-</p><p>sos fisiológicos de controle da respiração</p><p>O sistema respiratório é composto pelas vias respiratórias superiores</p><p>e inferiores. Juntas, elas desenvolvem o processo de ventilação, que é o</p><p>movimento do ar para dentro e para fora das vias respiratórias. A via respi-</p><p>ratória superior é formada por: nariz; seios paranasais; faringe, tonsilas e</p><p>adenoides; laringe e traqueia, e é responsável por aquecer e filtrar o ar inspi-</p><p>rado. Já a via respiratória inferior é composta por estruturas brônquicas,</p><p>pulmões e alvéolos, os quais realizam a troca gasosa, processo também</p><p>conhecido como difusão.</p><p>Já a fisiologia da respiração envolve três etapas: ventilação, difusão e</p><p>perfusão. A ventilação é definida como o movimento de ar entre a atmos-</p><p>fera e os alvéolos, realizada mecanicamente pelo movimento de inspiração</p><p>e expiração da caixa torácica e diafragma. A fase inspiratória normalmente</p><p>requer energia para a contração dos músculos respiratórios e expansibilidade</p><p>pulmonar, ocorrendo no primeiro terço respiratório. A fase expiratória, por</p><p>sua vez, desenvolve-se de forma passiva nos dois terços finais da respiração,</p><p>com relaxamento dos músculos e retração dos pulmões, gastando pouca ou</p><p>quase nenhuma energia.</p><p>Por meio da ventilação, o oxigênio (O2) é levado até os alvéolos na inspi-</p><p>ração para ser transportado pela corrente sanguínea e o dióxido de carbono</p><p>(CO2) ser removido da corrente sanguínea e eliminado na expiração. Assim,</p><p>os movimentos respiratórios repõem continuamente o oxigênio e removem</p><p>o dióxido de carbono das vias respiratórias e dos pulmões.</p><p>Esse processo de troca gasosa entre os capilares pulmonares e os</p><p>alvéolos é chamado de difusão ou hematose. Essas trocas gasosas ocorrem</p><p>nas membranas alveolares por processo de difusão devido às diferenças de</p><p>gradiente de concentração dos gases. Assim, o O2 e o CO2 saem de um local</p><p>com maior concentração para outro com menor concentração, conforme</p><p>demonstrado na Figura 3.2.</p><p>101</p><p>Figura 3.2 | Processo de hematose alveolar</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock.</p><p>Após a difusão do O2 para os capilares pulmonares, ele será transpor-</p><p>tado até as células e tecidos do corpo para que seja utilizado pelas mitocôn-</p><p>drias para a respiração celular, processo também conhecido como perfusão</p><p>tecidual. Neste último processo, o O2 finalmente chega até as mitocôndrias</p><p>para realização da respiração celular e obtenção de energia, e o produto desta</p><p>reação, que é o CO2, é removido deste meio devido ao seu potencial ácido.</p><p>A respiração acontece de forma automática e involuntária para que se</p><p>mantenham equilibradas as pressões parciais de O2 e CO2 no sangue e nos</p><p>alvéolos. Para tanto, seu controle é realizado por três elementos básicos:</p><p>mecanismos sensores, controle central cerebral e mecanismos efetores. Os</p><p>mecanismos</p><p>sensores são responsáveis por reunir as informações e levá-las</p><p>aos centros de controle central pelas vias aferentes, as quais, por sua vez,</p><p>coordenam as informações e as enviam aos mecanismos efetores pelas vias</p><p>eferentes, a fim de promover a mecânica ventilatória.</p><p>Quanto aos mecanismos sensores, um dos principais são os quimiorre-</p><p>ceptores, agrupamentos de neurônios que identificam e respondem às altera-</p><p>ções de concentração de íons H+ ou de CO2 no líquido extracelular cerebral</p><p>e na corrente sanguínea. Quando estão localizados na superfície do bulbo do</p><p>tronco encefálico, são classificados como central, quando estão localizados</p><p>na bifurcação das artérias carótidas e no arco aórtico, são classificados como</p><p>periféricos. A partir das informações identificadas, os receptores estimulam</p><p>o centro respiratório no próprio bulbo a aumentar a frequência respiratória</p><p>(FR) nas situações de elevação da concentração dessas duas substâncias</p><p>(acidose), ou diminuir a FR quando há redução desses dois componentes</p><p>(alcalose).</p><p>102</p><p>Assimile</p><p>O organismo humano possui mecanismos reguladores que trabalham</p><p>para manter o pH dentro da faixa de 7,35 a 7,45. Um pH inferior a 7,35 é</p><p>denominado acidose e um pH superior a 7,45 é chamado alcalose. São</p><p>três os principais sistemas de regulação do equilib́rio ácido-base: os</p><p>sistemas tampão, a respiração e o controle renal da concentração de</p><p>ións hidrogênio.</p><p>O controle do equilíbrio ácido-base pelas vias respiratórias não ocorre</p><p>de forma instantânea, porém, ocorre dentro de minutos, tornando-o</p><p>bastante efetivo na manutenção da homeostase do organismo. Sua</p><p>atuação dependerá da concentração de dióxido de carbono no fluido</p><p>extracelular, uma vez que essa substância forma o ácido carbônico ao</p><p>se combinar com água. Assim, o aumento do CO2 no fluido extracelular</p><p>estimula o aumento da profundidade e da frequência respiratória, para</p><p>que se exale maior quantidade de CO2. A redução da concentração do</p><p>CO2, por sua vez, estimula o organismo a responder com dimunuição da</p><p>frequência respiratória na intenção de reter maior quantidade de CO2.</p><p>Estes indicadores de equilíbrio ácido-base são verificados por meio</p><p>da gasometria arterial, uma vez que este exame avalia o pH, a pressão</p><p>parcial de oxigênio (PO2 ou PaO2), a pressão parcial do dióxido de</p><p>carbono (PCO2 ou PaCO2), a saturação de oxigênio (SaO2) e o bicarbo-</p><p>nato (HCO3-).</p><p>Além dos quimiorreceptores, outro mecanismo sensor são os receptores</p><p>pulmonares, os quais estão localizados na musculatura lisa das vias aéreas e</p><p>promovem um mecanismo autorregulador dos pulmões, de forma a limitar</p><p>a amplitude da insuflação e desinsuflação dos pulmões a valores compatíveis</p><p>com sua capacidade. Já os receptores irritativos estão localizados nas células</p><p>epiteliais das vias aéreas e são responsáveis por promover broncoconstrição,</p><p>hiperpneia, além de reflexos de tosse e espirro na presença de gases nocivos,</p><p>tabagismo, inalação de poeiras, ar frio, entre outros.</p><p>Em relação ao controle central, podemos citar o tronco encefálico como</p><p>o responsável pela regulação automática e involuntária do padrão de inspi-</p><p>ração e expiração. Os estímulos são gerados a partir de alguns grupos de</p><p>neurônios localizados na ponte e no bulbo, como: centro respiratório bulbar,</p><p>área expiratória, centro apnêustico e centro pneumotáxico. Já o córtex realiza</p><p>o controle voluntário dos movimentos respiratórios, ou seja, a partir deste</p><p>controle o indivíduo é capaz de inspirar mais profundamente, ou mesmo</p><p>parar de respirar por um determinado período de tempo, além de conseguir</p><p>falar, cantar ou tossir pelo controle respiratório.</p><p>103</p><p>Figura 3.3 | Estruturas que realizam o controle respiratório central</p><p>Córtex</p><p>Ponte</p><p>Bulbo</p><p>Tronco</p><p>encefálico{</p><p>Fonte adaptada de Shutterstock .</p><p>A partir das informações processadas pelo controle central, elas são</p><p>conduzidas ao sistema respiratório pelas vias eferentes a fim de produzir</p><p>os movimentos coordenados de inspiração e expiração. As vias eferentes</p><p>consistem no nervo frênico, o qual recebe informações do sistema autônomo</p><p>simpático e parassimpático, e nos músculos respiratórios, como o diafragma,</p><p>os intercostais, os abdominais e os acessórios, como o esternocleidomastoideo.</p><p>Técnicas aplicadas na avaliação da capacidade respiratória e</p><p>correlações clínicas da capacidade respiratória</p><p>A avaliação da capacidade respiratória consiste em verificação da</p><p>frequência e outras características da respiração, como ritmo e profundidade,</p><p>e apesar de ser considerada um procedimento simples, é muito relevante para</p><p>a avaliação do estado geral do indivíduo.</p><p>A frequência respiratória é avaliada em relação à quantidade de incursões</p><p>respiratórias (inspiração e expiração) em um intervalo de tempo de 1 minuto.</p><p>Um adulto sem qualquer tipo de alteração respiratória, confortavelmente em</p><p>repouso, realiza cerca de 16 a 20 rpm (respirações por minuto). Portanto,</p><p>será considerado eupneico quando apresentar de 16 a 20 rpm, bradpneico</p><p>quando apresentar frequência respiratória abaixo de 16 rpm e taquipneico,</p><p>acima de 20 rpm.</p><p>104</p><p>Para verificação da frequência respiratória, o profissional pode realizar</p><p>a contagem de forma visual ou colocando a mão sobre o tórax. Entretanto,</p><p>como a respiração pode ser modificada de forma voluntária, interferindo</p><p>na realização do exame, o examinador pode continuar segurando o punho</p><p>mesmo após a verificação de pulso, a fim de contar a frequência respiratória</p><p>durante 1 min.</p><p>Além disso, o ritmo da respiração deve ser regular e a profundidade,</p><p>adequada.</p><p>Exemplificando</p><p>Existem vários tipos de padrões respiratórios que podem ser identifi-</p><p>cados na prática clínica. Para facilitar sua compreensão, eles podem</p><p>ser apresentados em formas de curvas que representam a frequência,</p><p>ritmo e profundidade de cada um deles:</p><p>Quadro 3.4 | Padrões respiratórios</p><p>Padrão observado Descrição</p><p>Eupneia: frequência, ritmo e profun-</p><p>didade regulares.</p><p>Bradipneia: frequência diminuída,</p><p>ritmo e profundidade regulares.</p><p>Hipoventilação: frequência dimi-</p><p>nuída, ritmo irregular, respiração</p><p>superficial.</p><p>Taquipneia: frequência aumentada,</p><p>ritmo regular, respiração superficial.</p><p>Hiperventilação: frequência aumenta-</p><p>da, ritmo regular, respiração profunda.</p><p>Apneia: cessação da respiração por</p><p>tempo variável. Pode ocorrer em cur-</p><p>tos períodos, como na apneia do sono</p><p>ou de forma sustentada na parada</p><p>respiratória.</p><p>Cheyne-Stokes: ciclos regulares de</p><p>aumento da frequência e da profun-</p><p>didade da respiração, com posterior</p><p>diminuição até a ocorrência de mo-</p><p>mentos de apneia.</p><p>Biot/Atáxica: períodos de respiração</p><p>normal (3 a 4 incursões), seguidos por</p><p>um período variável de apneia.</p><p>Fonte: adaptado de Smeltzer e Bare (2016).</p><p>105</p><p>Alguns padrões respiratórios são característicos de patologias específicas,</p><p>além disso, qualquer fator relacionado ao comprometimento do controle</p><p>central da respiração, dificuldade na expansibilidade torácica, prejuízo na</p><p>difusão alveolar, falhas na distribuição de oxigênio ou alterações metabó-</p><p>licas terão como resultado a alteração da frequência e padrão respiratórios.</p><p>Dentre esses fatores, podemos citar os que estão relacionados a:</p><p>• Controle central da respiração: lesões cerebrais e de tronco encefálico.</p><p>Resultam frequentemente em padrão respiratório como a respiração</p><p>de Biot ou atáxica, bradipneia ou hipoventilação.</p><p>• Expansibilidade torácica: trauma torácico, lesão do nervo frênico,</p><p>doenças neuromusculares, obstrução de vias aéreas, broncoespasmo,</p><p>doenças crônicas como enfisema, asma e bronquite.</p><p>• Hematose: pneumonia, edema pulmonar.</p><p>• Transporte de oxigênio: anemia, intoxicação por monóxido de</p><p>carbono, hipotensão arterial, insuficiência cardíaca.</p><p>• Alterações metabólicas: acidose ou alcalose respiratória promovida</p><p>por insuficiência renal e situações críticas, como choque. Resultam</p><p>frequentemente em padrão respiratório como o Cheyne-Stokes.</p><p>• Outras situações: posicionamento, realização de exercícios físicos,</p><p>fatores subjetivos como ansiedade, estresse e crises de</p><p>pânico,</p><p>entre outros.</p><p>Reflita</p><p>Você conhece outros termos relacionados às alterações do padrão</p><p>respiratório além dos citados acima? Os termos dispneia, ortopneia,</p><p>hipoxemia, hipóxia (um resultado da hipoxemia), por exemplo, também</p><p>definem alguma dificuldade respiratória apresentada pelo indivíduo.</p><p>Além disso, uma avaliação respiratória completa envolve a interpre-</p><p>tação dos dados da gasometria arterial, quando possível, e pela avaliação</p><p>da saturação periférica de oxigênio (SpO2). O primeiro método é realizado</p><p>de forma invasiva, ao coletar uma amostra de sangue, enquanto o segundo</p><p>fornece os dados de forma rápida e não invasiva, sendo realizada com auxílio</p><p>do oxímetro de pulso.</p><p>O oxímetro de pulso fornece informações relevantes a respeito da</p><p>saturação do oxigênio carreado pelas hemoglobinas presentes no sangue</p><p>arterial sendo descrito em forma de porcentagem. Assim, os valores</p><p>106</p><p>considerados ótimos para a saturação de oxigênio, em qualquer faixa etária,</p><p>correspondem à faixa de 95 a 100%. Valores entre 90 a 95% são considerados</p><p>regulares e devem ser monitorados pela equipe de saúde. Já os valores abaixo</p><p>de 90% merecem atenção especial com rápida intervenção.</p><p>Agora você, como um profissional da área de saúde, conhece a impor-</p><p>tância da respiração sobre as funções orgânicas do corpo humano. Você</p><p>viu durante a seção que os parâmetros da respiração refletem diretamente</p><p>nas condições de oxigenação tecidual e atuam no metabolismo celular.</p><p>Além disso, a respiração também apresenta papel primordial na regulação</p><p>do equilíbrio ácido-base. Dessa forma, as alterações do padrão respiratório</p><p>podem estar relacionadas tanto aos mecanismos fisiológicos de adaptação a</p><p>modificações na demanda de oxigênio tecidual, quanto às patologias origi-</p><p>nadas do sistema respiratório ou outros sistemas.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu as principais alterações do sistema</p><p>respiratório e sua avaliação, vamos solucionar a situação-problema exposta,</p><p>na qual estamos acompanhando a rotina de Melissa, uma estagiária de</p><p>Biomedicina que realizou a coleta de sangue em um cliente que se encon-</p><p>trava taquipneico. Ao observar o quadro geral do paciente e diante da fala</p><p>de seu supervisor, Melissa se questionou: como realizar a avaliação da frequ-</p><p>ência respiratória? Quais valores são dentro da faixa de normalidade? Como</p><p>utilizar a terminologia técnica para as alterações de frequência respiratória?</p><p>Existem diferentes tipos de padrão respiratório?</p><p>Para a resolução da situação-problema, é necessário conhecermos os</p><p>valores considerados normais da frequência respiratória. Em adultos, a FR</p><p>(frequência respiratória) normalmente varia de 14 a 20 rpm (respirações</p><p>por minuto). Dessa forma, para ser considerado taquipneico, o indivíduo</p><p>deverá apresentar um FR acima de 20 rpm, e bradipneico, abaixo de 14 rpm.</p><p>Além disso, indivíduos que apresentam um padrão respiratório confortável</p><p>e tranquilo apresentam um padrão eupneico, já os indivíduos com esforço</p><p>respiratório são considerados dispneicos. Os indivíduos com quadro de</p><p>hipoxemia têm uma diminuição da tensão arterial de oxigênio no sangue,</p><p>enquanto os indivíduos em hipóxia não têm um suprimento de oxigênio</p><p>para os tecidos e células de forma adequada. Já os indivíduos que apresentam</p><p>ortopneia têm grande dificuldade de respirar em posição deitada, sentin-</p><p>do-se confortável somente na posição sentada ou deitado com apoio de</p><p>vários travesseiros nas costas.</p><p>107</p><p>Outras alterações do padrão respiratório podem ser classificadas da</p><p>seguinte forma:</p><p>• Bradipneia: frequência diminuída, ritmo e profundidade regulares.</p><p>• Hipoventilação: frequência diminuída, ritmo irregular, respiração</p><p>superficial.</p><p>• Taquipneia: frequência aumentada, ritmo regular, respiração</p><p>superficial.</p><p>• Hiperventilação: frequência aumentada, ritmo regular, respi-</p><p>ração profunda.</p><p>• Apneia: cessação da respiração por tempo variável. Pode ocorrer em</p><p>curtos períodos, como na apneia do sono ou de forma sustentada na</p><p>parada respiratória.</p><p>• Cheyne-Stokes: ciclos regulares de aumento da frequência e</p><p>da profundidade da respiração, com posterior diminuição até a</p><p>ocorrência de momentos de apneia.</p><p>• Respiração de Biot/Atáxica: períodos de respiração normal (3 a 4</p><p>incursões), seguidos por um período variável de apneia.</p><p>Avançando na prática</p><p>Conhecendo o funcionamento do oxímetro de pulso e as</p><p>alterações de saturação periférica de oxigênio</p><p>Melissa está finalizando os procedimentos de coleta de material bioló-</p><p>gico no hospital universitário e a última coleta foi realizada em uma paciente</p><p>de 55 anos, com quadro de asma e que possuía uma solicitação de exame</p><p>de gasometria arterial. Ao realizar uma avaliação geral da paciente, Melissa</p><p>percebe que a paciente apresenta esforço respiratório, está recebendo</p><p>oxigênio suplementar por máscara e monitoramento da saturação perifé-</p><p>rica por meio de oxímetro. O supervisor de Melissa explicou que além da</p><p>gasometria, o oxímetro de pulso é uma importante ferramenta para verifi-</p><p>cação da saturação de oxigênio, porém, de forma não invasiva e contínua.</p><p>Essa situação levou Melissa a se indagar: como funciona o oxímetro de pulso?</p><p>Como realizar a interpretação desses dados? Existe alguma técnica adequada</p><p>para sua verificação? Quais fatores podem alterar sua leitura?</p><p>108</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>A saturação periférica de oxigênio (SpO2) corresponde à porcentagem</p><p>de oxige ̂nio que se combina com a hemoglobina no sangue e é capaz de</p><p>indicar o grau de oxigenação dos tecidos. Quando a hemoglobina está ligada</p><p>ao oxigênio é chama oxi-hemoglobina, e quando ligada ao gás carbônico</p><p>é chamada desoxi-hemoglobina. Portanto, a saturação de oxigênio corres-</p><p>ponde a quantidade de oxi-hemoglobina, expressa como porcentagem.</p><p>A saturação periférica é medida com auxílio de um oxímetro de pulso,</p><p>um sensor digital, geralmente em formato de clipe. Este aparelho possui, em</p><p>um dos lados, os diodos (que emitem uma luz vermelha e outra infraver-</p><p>melha), as quais atravessam o tecido e os vasos sanguíneos; no outro lado,</p><p>há um detector de fótons que recebe a luz e mede a quantidade dela que</p><p>foi absorvida. A oxi-hemoglobina absorve mais luz vermelha infravermelha</p><p>e a desoxi-hemoglobina, mais luz vermelha. Dessa forma, a saturação do</p><p>oxigênio do sangue arterial é determinada pelo espectro da luz. Além da</p><p>saturação, o oxímetro também é capaz de fornecer informações acerca dos</p><p>valores de pulso do indivíduo.</p><p>Figura 3.4 | Leitura da saturação do oxigênio pelo oxímetro</p><p>A desoxi-hemoglobina absorve</p><p>a maior parte da luz vermelha</p><p>Luz vermelha</p><p>Receptor</p><p>Luz infravermelha</p><p>A oxi-hemoglobina absorve a maior</p><p>parte da luz infravermelha</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock.</p><p>109</p><p>A leitura dos valores encontrados deve ser realizada da seguinte forma:</p><p>Quadro 3.5 | Interpretação da saturação do oxigênio pelo oxímetro</p><p>Valor Interpretação</p><p>95 a 100% Ótimo e ideal</p><p>90 a 95% Regular, deve ser monitorado</p><p>Abaixo de 90% Crítico, merece intervenção</p><p>Fonte: elaborado pela autora.</p><p>Os fatores que podem interferir na leitura do oxímetro de pulso são:</p><p>vasoconstrição das extremidades, presença de cicatrizes e esmaltes escuros e/</p><p>ou unhas artificiais, uma vez que interferem nas medições do sensor.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. O controle da respiração acontece de forma automática e involuntária por</p><p>meio de três elementos básicos: os mecanismos sensores, o controle central</p><p>cerebral e os mecanismos efetores. Os mecanismos sensores possuem a</p><p>função de receber e captar as informações e enviá-las aos centros de controle</p><p>central.</p><p>Com relação aos mecanismos sensores, complete as lacunas da sentença a</p><p>seguir:</p><p>________________ consistem em agrupamentos de neurônios que</p><p>identificam e respondem às alterações de concentração de íons H+ ou de</p><p>________________no líquido ________________ e na corrente sanguínea.</p><p>Assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente:</p><p>a. Os receptores pulmonares; monóxido de carbono; intersticial.</p><p>b. Os receptores irritativos; ácido</p><p>a todos</p><p>os envolvidos. Todo o laboratório deve estabelecer uma gestão de segurança</p><p>com as atividades técnicas e administrativas, destinadas a preservar a integri-</p><p>dade de todos, com a identificação e monitorização dos riscos químicos, boas</p><p>práticas laboratoriais, a desinfecção das áreas, o treinamento dos profissio-</p><p>nais e também a investigação de acidentes e doenças ocupacionais.</p><p>Para o pleno funcionamento dos laboratórios clínicos, é essencial que estes</p><p>estejam de acordo com a RDC 050/02 e RDC 051/11, que aprovam o regula-</p><p>mento sobre planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação</p><p>dos projetos físicos de estabelecimentos de saúde; e dispõe sobre os requisitos</p><p>mínimos para a análise, avaliação e aprovação dos projetos físicos de estabe-</p><p>lecimentos de saúde no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).</p><p>Para que o laboratório tenha excelência em seu atendimento, é preciso</p><p>padronizar as etapas, iniciando com as informações sobre a coleta que</p><p>são fornecidas ao paciente, assim como seu cadastro, a amostra analisada,</p><p>e a entrega dos resultados. Essas etapas são divididas em três fases: a fase</p><p>pré-analítica, que compõe desde a solicitação do exame, até a preparação da</p><p>amostra para a análise; a fase analítica, que compõe a validação do sistema</p><p>analítico, por meio do controle de qualidade, a análise do material, e as infor-</p><p>mações levantadas; e por fim a fase pós-analítica, que inclui o preparo do</p><p>laudo e seu recebimento, para que possa ser tomada uma decisão de um</p><p>possível diagnóstico.</p><p>12</p><p>Figura 1.1| Fases pré-analítica, analítica e pós analítica</p><p>Fonte: Menezes ([s.d.] apud ITO, 2015 [s.p.]).</p><p>Além de todas as etapas fundamentais no processo dos exames, um ponto</p><p>fundamental é o laboratório estar de acordo com as normas relacionadas com</p><p>o gerenciamento dos resíduos produzidos no processamento dos materiais</p><p>biológicos. Conforme iremos discutir na próxima unidade, o laboratório</p><p>deverá implantar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de</p><p>Saúde (PGRSS), de acordo com os requisitos da RDC n° 306 de 07/12/2004</p><p>da ANVISA.</p><p>Figura 1.2 | Segregação de resíduos de saúde</p><p>INFECTANTEINFECTANTE</p><p>RESÍDUOS</p><p>COMUNS</p><p>PAPEL</p><p>RESÍDUOS</p><p>QUÍMICOS</p><p>Fonte: Ito (2015).</p><p>Reflita</p><p>Você sabia que o Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos</p><p>(PALC) foi desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/</p><p>Medicina Laboratorial (SBPC/ML)? Atualmente, existem no Brasil</p><p>inúmeros programas de acreditação, porém, o PALC é a que se destaca</p><p>13</p><p>como mais desenvolvido na América Latina. Sugerimos que você faça</p><p>a leitura do programa para aprofundar ainda mais seu conhecimento.</p><p>CHAVES, C. D. et al. Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos:</p><p>Norma 2016. SBPC/ML/ AMB, 2016.</p><p>Laboratório clínico: equipe multiprofissional</p><p>Uma equipe multidisciplinar é composta por um grupo de profissionais</p><p>de diferentes especialidades atuando em conjunto em prol de um objetivo em</p><p>comum. Você já deve ter observado quantos profissionais diferentes existe</p><p>em um laboratório clinico, não é mesmo? Um laboratório clínico pode</p><p>contar com diversos profissionais que incluem biomédicos, farmacêuticos-</p><p>-bioquímicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, auxiliares</p><p>de laboratório, auxiliares administrativos e estagiários. E a admissão dos</p><p>funcionários deve ser precedida de exames conforme o Programa de Controle</p><p>Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da NR-7 da Portaria MTE nº 3214</p><p>de 08/06/1978 e da Lei nº 6514 de 22/12/1977. A NR 7 estabelece parâme-</p><p>tros que devem ser executados no PCMSO, no qual os empregadores devem</p><p>garantir a sua efetiva elaboração e implementar as ações previstas nele.</p><p>A parte administrativa fica responsável pelo gerenciamento do labora-</p><p>tório, assim como o primeiro contato com o paciente, já contribuindo para</p><p>a fase pré-analítica. Os enfermeiros e auxiliares de enfermagem, assim como</p><p>os técnicos, podem trabalhar principalmente na fase pré-analítica, desde o</p><p>contato com o paciente, até a coleta do material biológico, e muitos técnicos</p><p>em laboratórios realizam também o processamento dessas amostras. Os</p><p>biomédicos e farmacêuticos-bioquímicos podem ter inúmeras atribuições</p><p>dentro de um laboratório clinico, porém, sua participação primordial, é na</p><p>última etapa da fase pós-analítica, como o laudo do exame, pois somente</p><p>profissionais legalmente habilitados podem assiná-lo.</p><p>Além de toda equipe mencionada, existe o diretor do laboratório que</p><p>deverá ter a responsabilidade sobre o funcionamento do estabelecimento,</p><p>designando um profissional legalmente habilitado para assumir a respon-</p><p>sabilidade técnica do laboratório, ou de um setor específico. Além disso, a</p><p>direção deverá planejar, coordenar, executar e avaliar os resultados obtidos no</p><p>laboratório, para estar em constantes melhorias. Os funcionários, indepen-</p><p>dentemente de sua formação, deverão receber treinamento sobre os riscos</p><p>em que estão submetidos, de acordo com suas atribuições.</p><p>A equipe de um laboratório clínico deve estar capacitada e treinada para</p><p>interromper atividades que possam oferecer riscos imediatos a sua saúde;</p><p>14</p><p>identificar problemas relativos a segurança dos envolvidos; assim como</p><p>estabelecer ações corretivas para diversas situações relacionadas à segurança,</p><p>e também ajudar na implementação dessas ações. Lembrando que toda a</p><p>equipe deve trabalhar de acordo com as especificidades de sua formação e</p><p>respeitando esse limite.</p><p>O biomédico tem suma importância dentro de uma equipe multidisci-</p><p>plinar, atuando como um facilitador no acompanhamento laboratorial, assim</p><p>como na realização e interpretação dos exames, contribuindo para o esclare-</p><p>cimento e compreensão dos resultados dos exames laboratoriais.</p><p>Exemplificando</p><p>O controle de qualidade de um laboratório clínico é de suma impor-</p><p>tância e permite que todos os profissionais acompanhem o desem-</p><p>penho dos procedimentos para conseguir alcançar alternativas que</p><p>garantam resultados mais satisfatórios.</p><p>Para profundar seus conhecimentos sobre o sistema de gestão e as</p><p>legislações obrigatórias, leia o texto de Rosiane Nickel do Laboratório</p><p>Central do Estado do Paraná:</p><p>NICKEL, R. Sistema de Gestão da Qualidade nos Laboratórios Clínicos:</p><p>Documentação da Qualidade. LACEN/PR.</p><p>Laboratório clínico: perspectivas futuras da atuação do bio-</p><p>médico</p><p>Os laboratórios de análises clínicas devem acompanhar as tendências</p><p>do mercado de saúde de maneira global, com um modelo de atenção mais</p><p>personalizada, estreitando o relacionamento do paciente com os profissio-</p><p>nais envolvidos, sejam eles biomédicos, médicos ou outros.</p><p>Dentro de um laboratório clinico, o biomédico tem um leque muito</p><p>grande de competência, podendo se encarregar da realização de exames,</p><p>assumir responsabilidades técnicas e compor a diretoria. Sua atuação pode</p><p>envolver as mais diversas áreas, como citologia, bioquímica, imunologia,</p><p>parasitologia, urinálise, microbiologia além de testes com biologia molecular.</p><p>Na busca por se aperfeiçoar cada vez mais, é importante que um labora-</p><p>tório clínico identifique a procura de exames de cada região, para que possa</p><p>adquirir os equipamentos na medida correta e com a melhor tecnologia</p><p>15</p><p>disponível. Na gestão, um ponto importante é entender o setor de coleta</p><p>e recepção, pois o contato com o paciente é crucial, desta forma, deve-se</p><p>analisar o quão produtiva é a fase pré-analítica e, caso necessário, aplicar as</p><p>boas práticas, e por meio de indicadores, a gestão de um laboratório consegue</p><p>verificar as falhas e criar novas saídas para melhorar seu atendimento.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Conforme aprendemos, a análise clínica desempenha um importante</p><p>papel na detecção, no acompanhamento e tratamento das mais variadas</p><p>patologias. Em média, 70% da decisão do médico é baseada nos resultados</p><p>dos exames solicitados.</p><p>Mariana, Carlos e Francisca estão iniciando a vida profissional e estão</p><p>empenhados e dedicados para conseguir bons empregos.</p><p>Mariana está muito contente por ter passado na primeira etapa do</p><p>processo seletivo</p><p>carbônico; intersticial cerebral.</p><p>c. Os quimiorreceptores; dióxido de carbono; extracelular cerebral.</p><p>d. Os barorreceptores; ácido carbônico; extracelular cerebral.</p><p>e. Os neurônios do nervo frênico; dióxido de carbono; intersticial</p><p>cerebral.</p><p>110</p><p>2. Além da avaliação da frequência respiratória, é muito relevante que o</p><p>biomédico também conheça os diferentes tipos de padrão respiratório que</p><p>podem ser encontrados na prática clínica.</p><p>Em relação ao contexto apresentado, faça a associação correta entre os tipos</p><p>de padrão respiratório apresentados na Coluna 1 às suas respectivas caracte-</p><p>rísticas, apresentadas na Coluna 2.</p><p>1. Bradipneia A. Frequência diminuída, ritmo irregular,</p><p>respiração superficial.</p><p>2. Hipoventilação B. Períodos de respiração normal seguidos por um</p><p>período variável de apneia.</p><p>3. Cheyne-Stokes C. Frequência respiratória diminuída.</p><p>4. Respiração de Biot/Atáxica</p><p>D. Ciclos regulares de aumento da frequência e</p><p>da profundidade da respiração, com posterior</p><p>diminuição até a ocorrência de momentos de</p><p>apneia.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta da associação.</p><p>a. 1-C; 2-A; 3-B; 4-D.</p><p>b. 1-C; 2-A; 3-D; 4-B.</p><p>c. 1-A; 2-C; 3-D; 4-B.</p><p>d. 1-A; 2-C; 3-B; 4-D.</p><p>e. 1-D; 2-B; 3-C; 4-A.</p><p>3. O padrão respiratório sofre influência de alterações nas funções de venti-</p><p>lação, difusão e perfusão do oxigênio, bem como das mudanças no meio</p><p>extracelular, como aumento/diminuição de íons H+ e de CO2. A partir das</p><p>informações identificadas, o centro respiratório é estimulado a alterar o</p><p>padrão respiratório a fim de atender às demandas metabólicas.</p><p>Considerando os fatores relacionados a interferência no padrão respiratório,</p><p>analise as afirmativas a seguir:</p><p>I. A hipoventilação ocorre quando a frequência respiratória é inferior</p><p>a 16 rpm. Seus efeitos consistem na retenção de CO2 e consequente</p><p>aumento do pH sanguíneo.</p><p>II. O indivíduo é considerado eupneico quando se apresenta confor-</p><p>tável, com uma frequência respiratória de 16 a 20 rpm, com ritmo</p><p>regular e profundidade adequada.</p><p>111</p><p>III. A hiperventilação ocorre quando a frequência respiratória é superior</p><p>a 20 rpm. Seus efeitos consistem em aumento da eliminação de CO2,</p><p>conduzindo a um quadro de acidose respiratória.</p><p>IV. A ortopneia consiste em piora do quadro respiratório quando o</p><p>indivíduo deixa a posição sentada e assume a posição deitada.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I e III.</p><p>b. Apenas II, III e IV.</p><p>c. Apenas I e II.</p><p>d. I, II, III e IV.</p><p>e. Apenas II e IV</p><p>112</p><p>Seção 3</p><p>Temperatura e dor</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você sabia que a temperatura e a dor também devem ser</p><p>avaliadas durante a verificação dos sinais vitais? Estes dois parâmetros, além da</p><p>pressão arterial, da frequência cardíaca e da frequência respiratória, auxiliam</p><p>os profissionais de saúde a perceberem o funcionamento orgânico do corpo</p><p>humano a partir da realização de alguns procedimentos básicos. A temperatura</p><p>é definida como uma função vital do organismo pois determina as condições</p><p>ótimas de funcionamento do corpo, especialmente quando se trata do metabo-</p><p>lismo celular. O homem é capaz de sobreviver apenas alguns graus acima ou</p><p>abaixo do ponto de equilíbrio, considerado como o set-point da temperatura, e</p><p>na vigência de uma variação, nosso corpo responde com algumas estratégias de</p><p>regulação dos processos de geração e perda de calor. A avaliação da dor, por sua</p><p>vez, passou a ser definida como o quinto sinal vital a partir de 1996, pois além</p><p>de interferir nos demais sinais vitais por acionar o sistema nervoso simpático,</p><p>de alerta, por muito tempo foi subdiagnosticada e subtratada nas instituições</p><p>de saúde. Para assimilarmos o assunto, convidamos você a continuar acompa-</p><p>nhando a rotina de Melissa, uma estagiária de Biomedicina que conquistou</p><p>uma vaga em um laboratório de análises clínicas. O supervisor de Melissa</p><p>percebeu seu bom desempenho na coleta de materiais biológicos e ofereceu</p><p>que continuasse desenvolvendo as atividades da semana no hospital da univer-</p><p>sidade da qual a estagiária é aluna, e hoje eles ficarão responsáveis por realizar</p><p>as coletas da Unidade de Terapia Intensiva. Acompanhada de seu supervisor,</p><p>Melissa coletou sangue e urina do paciente Miguel, de 65 anos, que apresenta</p><p>diagnóstico de infecção urinária cinco dias após realizar cirurgia de retirada</p><p>da próstata (prostatectomia). A equipe multidisciplinar da UTI explicou à</p><p>Melissa e a seu supervisor que o paciente estava apresentando quadro febril</p><p>persistente, portanto, decidiram verificar novamente o leucograma, bem como</p><p>a urocultura, na intenção de revisarem o plano de tratamento de Miguel. Além</p><p>de ansioso, Melissa também percebeu que o paciente se encontrava descon-</p><p>fortável, uma vez que apresentava dor no sítio cirúrgico. Ao observar o quadro</p><p>geral do paciente e diante das explicações da equipe multidisciplinar, Melissa</p><p>começou a se indagar: Como identificar um quadro febril? Qual a fisiopatologia</p><p>da febre? Quais valores estão dentro da faixa de normalidade? Como avaliar a</p><p>dor do paciente de forma adequada para tratá-la de forma eficaz? Como você,</p><p>no lugar de Melissa, responderia a essas questões, considerando a fisiologia do</p><p>controle térmico, bem como as técnicas de avaliação da temperatura e da dor?</p><p>Vamos lá? Aproveite bem o seu tempo e não deixe de estudar todos os materiais</p><p>que serão disponibilizados em mais esta seção da nossa disciplina!</p><p>113</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você sabia que as amplas variações na temperatura ambiental,</p><p>abaixo de 18 °C ou maiores que 45 °C estão associadas à dor e lesão tissular? As</p><p>temperaturas baixas promovem vasoconstrição importante, com diminuição</p><p>do fluxo sanguíneo, isquemia e até mesmo necrose. Já as temperaturas altas</p><p>estão relacionadas com a desnaturação de proteínas. Dessa forma, o controle</p><p>da temperatura apresenta-se como uma condição vital do organismo por</p><p>determinar as condições de funcionamento do corpo, especialmente quando</p><p>se trata do metabolismo basal. A dor, por sua vez, é considerada uma experi-</p><p>ência sensorial desagradável, por isso sua avaliação e controle são imprescin-</p><p>díveis na prática do profissional de saúde. Diante disso, torna-se importante</p><p>conhecermos os conceitos básicos dos mecanismos fisiológicos de controle</p><p>da temperatura, suas alterações e avaliação, além de reconhecer a dor como</p><p>quinto sinal vital e verificar todos os aspectos que devem ser avaliados.</p><p>Fisiologia da regulação da termorregulação normal</p><p>A temperatura corporal apresenta um valor muito constante em condi-</p><p>ções fisiológicas, sendo considerada um dos parâmetros mais bem contro-</p><p>lados em todo o organismo humano. A manutenção de uma temperatura</p><p>corporal limiar, mesmo com as variações amplas de temperatura no meio</p><p>ambiente, será ajustada por meio da quantidade de calor produzido (termo-</p><p>gênese) e a quantidade de calor perdido (termólise), e regulada no sistema</p><p>nervoso central (SNC) pelo hipotálamo.</p><p>A termogênese está intimamente relacionada com o calor produzido pelo</p><p>metabolismo corporal, sendo este determinante para a temperatura corporal</p><p>basal. Como vimos na Seção 2 deste livro, o metabolismo celular é mantido</p><p>pelas reações químicas celulares, as quais produzem energia a partir do</p><p>consumo de oxigênio. Esta reação tem como resultado, além da produção do</p><p>dióxido de carbono, a liberação de calor que se distribuirá por todo o corpo.</p><p>Qualquer fator que interfira diretamente no metabolismo celular, por</p><p>consequência também terá ação no consumo de oxigênio e na liberação de</p><p>calor. Dessa forma, os hormônios considerados termogênicos têm papel</p><p>fundamental na termogênese, como: a tetraiodo-tironina (T4), a triiodo-</p><p>tironina (T3), as catecolaminas (noradrenalina e adrenalina), a insulina, o</p><p>glucagon e o hormônio de crescimento.</p><p>114</p><p>Assimile</p><p>A temperatura corporal pode apresentar variações ao longo do dia, as</p><p>quais refletem a ação do metabolismo celular. Dessa forma, é possível</p><p>observar que a temperatura corpórea central alcança o ponto mais alto</p><p>no final da tarde</p><p>e à noite, e o ponto mais baixo nas primeiras horas</p><p>da manhã. Além disso, as mulheres apresentam um aumento de cerca</p><p>de 0,5 a 1,0 °C durante o período depois da ovulação em seu ciclo</p><p>menstrual, enquanto os idosos apresentam um decréscimo de 0,15 °C a</p><p>cada década de vida.</p><p>Além da termogênese, o organismo também lança mão de fatores</p><p>relacionados à perda de calor, ou termólise. A dissipação do calor, por</p><p>sua vez, é realizada por meio de mecanismos como: vasodilatação perifé-</p><p>rica, ofegação e sudorese, além de outros mecanismos físicos como a</p><p>radiação, a convecção, a condução e a evaporação:</p><p>• Radiação: condução de calor por ondas eletromagnéticas na vigência</p><p>de uma diferença no gradiente térmico entre o corpo e o meio</p><p>ambiente. No organismo, a radiação emitida é controlada especial-</p><p>mente pela vasodilatação e vasoconstrição.</p><p>• Convecc ̧ão: perda de calor através de fluxos de gases, como o vento</p><p>ou uso de ventiladores. Ocorre tanto a nível cutan̂eo quanto a nível</p><p>pulmonar na inspiração e expiração.</p><p>• Conduc ̧ão: passagem do calor do ponto mais quente para o mais</p><p>frio, quando há contato da superfície corporal com outra superfície.</p><p>Ocorre quando estamos submersos em uma piscina, ou encostamos</p><p>em uma superfície mais fria, por exemplo.</p><p>• Evaporação: perda de calor de uma superfície de evaporac ̧ão, onde</p><p>um líquido que estava depositado passa para a forma gasosa. Ocorre</p><p>quando a superfície corporal está úmida com suor, por exemplo.</p><p>Em condições fisiológicas observa-se um perfeito equilíbrio entre a</p><p>termogênese e a termólise na manutenção da temperatura corporal dentro de</p><p>sua faixa de normalidade. Dessa forma, a temperatura basal será considerada</p><p>a referência térmica, ou set-point, e sofrerá ajustes para se manter em torno</p><p>de 37 graus Celsius (°C). Para isso, o centro regulador da temperatura, locali-</p><p>zado no hipotálamo, desempenha o papel tanto de receptor das aferências</p><p>térmicas quanto de regulador do termostato corporal e atuará no sentido de</p><p>diminuir o frio ou de diminuir o calor, conforme as diferenças de tempera-</p><p>tura forem trazidas pelas aferências térmicas.</p><p>115</p><p>As aferências térmicas, por sua vez, são classificadas em termorreceptores</p><p>periféricos e centrais. Os periféricos estão localizados na pele e são subdivi-</p><p>didos em receptores de Krause (do frio) e de Ruffini (do calor). Já os recep-</p><p>tores centrais estão localizados no núcleo pré-óptico e são sensíveis às varia-</p><p>ções da temperatura do sangue.</p><p>Ao interpretar as informações advindas dos termorrecepotres, o</p><p>hipotálamo aciona os mecanismos termocorretores a fim de manter o equilí-</p><p>brio da temperatura de acordo com o set-point de 37 °C, como já mencio-</p><p>nado. Esses mecanismos são divididos em: núcleo simpático adrenérgico,</p><p>núcleo simpático colinérgico, núcleo da termogênese por tremor e núcleo da</p><p>termogênese sem tremor.</p><p>O núcleo simpático adrenérgico está situado nos neurônios simpáticos</p><p>que inervam a musculatura lisa vascular e da raiz dos pelos. Quando o</p><p>sistema simpático é acionado, observa-se vasoconstrição e piloereção, que</p><p>resultam em uma redução do fluxo sanguíneo e diminuição da termólise por</p><p>radiação, por consequência. Em uma situação inversa, com o aumento do</p><p>fluxo sanguíneo pela vasodilatação, observa-se um aumento da termólise</p><p>por radiação.</p><p>O núcleo simpático colinérgico inerva as glândulas sudoríparas e se</p><p>constitui como o principal mecanismo regulador da função secretória destas</p><p>glândulas. Dessa forma, o suor possui função de termólise, atuando na</p><p>redução da temperatura corpórea por meio do mecanismo de evaporação.</p><p>Já o núcleo da termogênese por tremor controla a produção de calor pela</p><p>atividade musculatura esquelética, estimulando-a por meio dos gânglios da</p><p>base. Por meio dos tremores musculares, involuntários, descontínuos e de</p><p>intensidade variável, observa-se a produção de calor pelo trabalho muscular.</p><p>Por fim, o núcleo da termogênese sem tremor apresenta função menos</p><p>precisa quando comparado aos demais, controlando a função endócrina</p><p>metabólica em situações de adaptação térmica. É extremamente relevante</p><p>para aclimatação frente a climas frios, em que a secreção de hormônios pela</p><p>glândula tireóide é aumentada.</p><p>Reflita</p><p>Os mecanismos de regulação da temperatura supramencionados são</p><p>classificados como fisiológicos. Entretanto, também contamos com</p><p>os mecanismos comportamentais para a manutenção do equilíbrio</p><p>térmico. Você sabe quais são estes mecanismos?</p><p>116</p><p>Fisiopatologia da febre</p><p>Os processos de termólise e termogênese devem ocorrer em uma mesma</p><p>proporção para a manutenção do equilíbrio térmico. Quando um desses</p><p>mecanismos se sobressai e as respostas fisiológicas não são suficientes para</p><p>uma rápida regulação, observa-se uma anormalidade na regulação da tempe-</p><p>ratura corpórea, traduzida em hipotermia ou hipertermia.</p><p>A hipotermia é definida como uma diminuição da temperatura corporal,</p><p>na qual se observa uma perda de calor maior do que a termogênese consegue</p><p>suportar. Com a diminuição da temperatura, há também uma redução da taxa</p><p>metabólica, bem como da velocidade de condução dos impulsos nervosos.</p><p>Diante disso, os sintomas observados são: redução da coordenação motora,</p><p>confusão na fala, amnésia, dilatação da pupila, redução da frequência respi-</p><p>ratória e acidose respiratória pela redução da ventilação pulmonar, pulso</p><p>arterial fraco e irregular, apatia, letargia, coma e até mesmo morte.</p><p>Já a hipertermia é um aumento da temperatura corporal, na qual a</p><p>termogênese predomina sobre a termólise, devido a uma sobrecarga de calor</p><p>ambiental ou metabólica. É considerada uma situação potencialmente séria</p><p>e pode ser acompanhada de sinais e sintomas como: edema dos membros</p><p>inferiores, tontura, síncope, dor de cabeça, vômitos e diarreia. Se não tratado,</p><p>o quadro de hipertermia pode conduzir ao óbito devido a transtornos dos</p><p>sistemas enzimáticos, por funcionarem até uma determinada temperatura,</p><p>levando a uma alteração na função orgânica em geral, principalmente a</p><p>cerebral.</p><p>A hipertermia não deve ser confundida com a febre, uma vez que em</p><p>ambas é possível observar uma elevação na temperatura corporal. Neste</p><p>sentido, afirma-se que toda febre é uma hipertermia, mas nem toda hiper-</p><p>termia é uma febre. No primeiro caso, há um desequilíbrio entre a termogê-</p><p>nese; já na febre, a elevação da temperatura é causada por uma alteração do</p><p>nível regulador da temperatura no hipotálamo.</p><p>As causas da febre estão relacionadas a qualquer fator que proporcione</p><p>estresse ao organismo. Pode ser causada por infecção por agentes biológicos</p><p>(bactérias, vírus ou parasitas); morte celular por hipoxemia ou isquemia;</p><p>resposta ao uso de substâncias tóxicas ou efeito adverso de alguns medica-</p><p>mentos; ou ainda de irregularidades na estrutura e funcionamento cerebral</p><p>como tumores, hemorragias ou lesões cerebrais. Nestes casos, o sistema</p><p>imune será responsável por iniciar o processo pirogênico com a ação das</p><p>citocinas do processo inflamatório, classificadas em interleucinas e TNF</p><p>alfa. As citocinas induzem à febre por alterarem o termostato hipotalâmico,</p><p>elevando o set-point. Assim, a temperatura corpórea se elevará para atender</p><p>117</p><p>ao novo set-point estabelecido de forma progressiva, podendo ser classificada</p><p>em quatro estágios: pródromo, calafrio, rubor e defervescência. Nem sempre</p><p>é possível observar os quatro estágios da febre em um indivíduo, uma vez que</p><p>pode não haver sudorese ou ainda, a febre se desenvolver de forma gradual,</p><p>sem calafrios ou tremores.</p><p>Exemplificando</p><p>Os estágios da febre são classificados em:</p><p>Pródromo: queixas inespecíficas como leve cefaleia e fadiga; mal-estar</p><p>generalizado e dores no corpo.</p><p>Estágio de calafrios: desconforto da sensação de frio devido ao</p><p>aumento do limiar térmico pela ação das citocinas. O sangue que irriga</p><p>o hipotálamo se apresenta teoricamente frio quando comparado à nova</p><p>temperatura. Assim, os mecanismos termocorretores entram em ação</p><p>para aumentar a termogênese e reter o calor: redução da termólise</p><p>por radiação com vasoconstrição</p><p>e piloereção; diminuição da secreção</p><p>das glândulas sudoríparas; presença de calafrios; e intensificação do</p><p>metabolismo tecidual.</p><p>Estágio de rubor: ocorre quando a temperatura chega ao novo</p><p>limiar indicado pelo hipotálamo. A temperatura será regulada pelos</p><p>mecanismos de manutenção da temperatura ou de dissipação do calor:</p><p>aumento da perda de calor por radiação por meio da vasodilatação;</p><p>pele quente e avermelhada; inibição dos músculos piloeretores e dos</p><p>calafrios.</p><p>Estágio de defervescência: ocorre quando a temperatura corpórea se</p><p>normaliza de forma espontânea ou pela ação de antipiréticos. É a fase</p><p>da resposta febril marcada pelo início da transpiração e diminuição do</p><p>metabolismo.</p><p>Procedimentos técnicos para obtenção da temperatura cor-</p><p>pórea</p><p>A condução da temperatura corporal é realizada pela circulação</p><p>sanguínea, enquanto a pele, os tecidos subcutâneos e a gordura realizam o</p><p>isolamento térmico. Diante disso, é possível afirmar que o corpo é dividido</p><p>em dois compartimentos térmicos: núcleo homeotermo e camada poicilo-</p><p>terma. O núcleo homotermo corresponde às vísceras e órgãos internos, os</p><p>quais apresentam valores de temperatura constantes, enquanto a camada</p><p>poiciloterma é representada pela pele e apresenta temperatura mais baixa</p><p>e variável.</p><p>118</p><p>Essas informações são relevantes para a compreensão das diferenças de</p><p>temperatura nos diferentes locais do corpo, principalmente em relação aos</p><p>mais utilizados para a verificação da temperatura como: cavidades oral e retal</p><p>e região axilar. Considera-se a temperatura oral como a mais próxima ao</p><p>set-point do hipotálamo, ou seja, por volta dos 37 °C, enquanto a temperatura</p><p>axilar será 0,6 °C mais baixa em relação à temperatura oral, e a retal, 0,6 °C</p><p>mais alta.</p><p>As alterações da temperatura corporal representam informações valiosas,</p><p>pois podem indicar o desenvolvimento de infecções (na vigência de febre)</p><p>ou quadros de emergência clínica, como em casos de febre muito alta ou</p><p>hipotermia, por exemplo. Em crianças e idosos qualquer elevação na tempe-</p><p>ratura corporal deve ser entendida como um sinal de alerta. Isso se deve</p><p>ao fato de que as crianças possuem função imunológica reduzida, o que as</p><p>predispõem a infecção por microrganismos virulentos. Já nos idosos, a febre</p><p>pode não se manifestar nos primeiros estágios da infecção, portanto, quando</p><p>surge, demonstra um agravamento deste quadro inicial.</p><p>A temperatura deve ser aferida com termômetro digital eletrônico, uma</p><p>vez que os termômetros de mercúrio não são mais utilizados pelo risco</p><p>ocupacional e ambiental, devido à toxicidade desse elemento químico. O</p><p>local a ser escolhido para colocação do termômetro deve, preferencialmente,</p><p>apresentar uma boa rede vascular. Além disso, ele deve ser mantido por um</p><p>determinado tempo para uma leitura adequada da temperatura, geralmente</p><p>até o aviso sonoro indicado pelo próprio termômetro.</p><p>Figura 3.5 | Componentes do termômetro</p><p>Corpo</p><p>Bulbo</p><p>Leitor</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock .</p><p>Os resultados devem ser interpretados adequadamente a fim de se</p><p>determinar, ou não, a presença de alterações, além de traçar um plano de</p><p>cuidados ao indivíduo. Veja, a seguir, a faixa de valor considerada normal</p><p>para cada local:</p><p>119</p><p>Quadro 3.6 | Faixas de temperaturas normais por local</p><p>Temperatura axilar Temperatura oral Temperatura retal</p><p>35,8 a 37 °C 36,3 a 37,4 °C 37 a 38 °C</p><p>Fonte: elaborado pela autora.</p><p>O tratamento da hipotermia consiste em aquecer o indivíduo com</p><p>auxílio de cobertores, aquecedores e até mesmo por meio da infusão de soro</p><p>levemente aquecido, em casos extremos. Já a hipertermia deve ser tratada</p><p>com uso de compressas frias em regiões de pescoço, axilas e virilha, banhos</p><p>mornos a frios e uso de antipiréticos quando se tratar de febre. Além disso, as</p><p>causas devem ser investigadas e devidamente tratadas.</p><p>A dor como quinto sinal vital</p><p>A dor é descrita como experiência sensorial e emocional desagradável</p><p>associada a lesões reais ou potenciais. Além disso, os estímulos nocivos à pele</p><p>ou qualquer outro órgão promovem uma sensação desagradável e informam</p><p>ao indivíduo sobre um perigo para sua integridade física por meio de</p><p>processos conhecidos como nocicepção, ou fisiologia da dor. A nocicepção</p><p>ocorre por meio das etapas de transdução, transmissão e modulação de sinais</p><p>neurais que são gerados em resposta ao estímulo nocivo.</p><p>Além disso, a dor pode ser classificada em fisiológica ou patológica. A dor</p><p>fisiológica é gerada com o objetivo de interromper a exposição ao estímulo</p><p>nocivo por meio de respostas protetoras, como o reflexo de retirada (ou</p><p>reação de fuga). Já a dor visceral e a dor somática profunda são causadas por</p><p>estímulos inevitáveis, podendo ser acompanhadas de respostas autonômicas</p><p>(aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e da frequência respira-</p><p>tória, por exemplo) ou comportamentais.</p><p>Devido à importância da avaliação da dor, esse parâmetro passou a ser</p><p>incorporado com quinto sinal vital como uma forma de conscientizar os</p><p>profissionais de saúde quanto à relevância da sua identificação, classificação,</p><p>tratamento, bem como do acompanhamento da sua evolução. Assim, ao</p><p>realizar a avaliação da dor juntamente com os demais sinais vitais, assegu-</p><p>ra-se que todos os pacientes tenham acesso às intervenções para controle</p><p>deste sintoma. Além disso, a avaliação da dor consiste em identificar os</p><p>seguintes parâmetros:</p><p>• Padrão: constante, intermitente ou breve, data e horário do seu início</p><p>e quando foi o último episódio.</p><p>120</p><p>• Tipo: queimação, em aperto, pontada, cólica, entre outros.</p><p>• Localização: locais do corpo que doem e identificação de novos</p><p>locais dolorosos, pois além de auxiliarem a determinar sua etiologia,</p><p>também podem sinalizar uma nova complicação.</p><p>• Intensidade: avaliada por meio de escalas:</p><p>– Descritores verbais: o paciente classifica sua dor em ausente, leve,</p><p>moderada, intensa ou insuportável.</p><p>– Analógica visual (Figura 3.6): o paciente visualiza uma escala de</p><p>0 a 10 e atribui uma pontuação à sua dor. Dessa forma, 0 (zero)</p><p>representa “sem dor” e 10 representa “a pior dor imaginável”.</p><p>– Escala com descritores visuais (Figura 3.7): combina a escala</p><p>analógica visual com as faces de sofrimento, sendo especialmente</p><p>relevante na avaliação de pacientes que apresentam dificuldades</p><p>em compreender as escalas numéricas, como as crianças.</p><p>Figura 3.6 | Escala analógica visual</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Figura 3.7 | Escala visual analógica para avaliação da dor</p><p>Sem dor Leve Moderada Forte Muito</p><p>Forte</p><p>Pior dor</p><p>Possível</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock .</p><p>Exemplificando</p><p>Para os indivíduos que não consigam expressar a dor verbalmente,</p><p>como bebês ou pessoas com deficits cognitivos, a dor será avaliada</p><p>121</p><p>de forma comportamental. Assim, reações como choro, gemência,</p><p>agitação, faces de sofrimento ou posição de proteção serão um grande</p><p>indicativo de desconforto e presença de dor, consequentemente.</p><p>Dessa forma, ressalta-se a importância de escolher um instrumento de</p><p>avaliação que seja compatível com a capacidade do paciente em compre-</p><p>endê-lo. Portanto, os instrumentos devem ser adequados à faixa etária, à</p><p>capacidade cognitiva e aos aspectos culturais dos indivíduos avaliados.</p><p>Além da identificação da dor, este parâmetro deve ser tratado de forma</p><p>adequada, a fim de se garantir o conforto e a qualidade de vida do indivíduo. De</p><p>acordo com a Organização Mundial da Saúde, dores leves podem ser tratadas</p><p>com analgésicos ou anti-inflamatórios, enquanto as dores moderadas devem</p><p>ser tratadas com opioides fracos, associados a analgésicos e anti-inflamató-</p><p>rios. Já as dores fortes devem ser tratadas com opioides fortes, associados a</p><p>analgésicos e anti-inflamatórios.</p><p>As medidas não farmacológicas para alívio da dor incluem: orientações</p><p>sobre posições de conforto, com uso de coxins e imobilizações mecânicas,</p><p>por exemplo, além de apoio emocional, musicoterapia, massagem, aplicação</p><p>de calor ou frio, entre outros.</p><p>Agora você, como um profissional da área de saúde, conhece</p><p>a impor-</p><p>tância da respiração e da dor sobre as funções orgânicas do corpo humano.</p><p>Você viu durante a seção que os parâmetros da temperatura corporal são</p><p>minimamente controlados pelo hipotálamo e qualquer alteração é imedia-</p><p>tamente regulada pelos mecanismos termocorretores. Alterações como</p><p>hipotermia e hipertermia ocorrem na vigência de desequilíbrios entre a</p><p>termogênese e a termólise. Já a febre é determinada pela alteração do set-point</p><p>no hipotálamo pela ação das citocinas do processo inflamatório. A dor, por</p><p>sua vez, é um parâmetro subjetivo e que deve ser avaliado com atenção pela</p><p>equipe de saúde, sendo considerado um sinal vital. O uso de escalas auxilia</p><p>o profissional a interpretar a intensidade da dor sentida pelo paciente, e as</p><p>adaptações devem ser realizadas conforme as características do indivíduo,</p><p>como idade e estado cognitivo.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu sobre a avaliação da temperatura</p><p>e da dor, vamos solucionar a situação-problema exposta, na qual estamos</p><p>acompanhando a rotina de Melissa, uma estagiária de Biomedicina que</p><p>realizou a coleta de sangue e urina de um paciente febril em pós-operatório</p><p>de prostatectomia e que apresenta febre e dor. Um cliente que se encontrava</p><p>122</p><p>taquipneico. Ao observar o quadro geral do paciente, Melissa começou a se</p><p>indagar: Como identificar um quadro febril? Quais valores de temperatura</p><p>são dentro da faixa de normalidade? Qual a fisiopatologia da febre? Como</p><p>avaliar a dor do paciente de forma adequada para tratá-la de forma eficaz?</p><p>Como você, no lugar de Melissa, responderia a essas questões, considerando</p><p>a fisiologia do controle térmico, bem como as técnicas de avaliação da tempe-</p><p>ratura e da dor?</p><p>Para resolvermos esta situação-problema, é necessário conhecermos os</p><p>valores considerados normais da temperatura corporal: na cavidade oral, a</p><p>medida da temperatura varia entre 36,3 a 37,4 °C; na cavidade retal, a tempe-</p><p>ratura fica em torno de 37 a 38 °C; já em região axilar, a temperatura ideal</p><p>está em torno de 35,8 a 37 °C.</p><p>Em condições fisiológicas observa-se um perfeito equilíbrio entre a</p><p>termogênese e a termólise na manutenção da temperatura corporal dentro</p><p>de sua faixa de normalidade. Para isso, o centro regulador da tempera-</p><p>tura, localizado no hipotálamo, desempenha o papel tanto de receptor das</p><p>aferências térmicas quanto de regulador do termostato corporal, e atuará no</p><p>sentido de diminuir o frio ou de diminuir o calor conforme as diferenças de</p><p>temperatura forem trazidas pelas aferências térmicas.</p><p>Quando a termogênese ou a termólise se sobressai e as respostas fisioló-</p><p>gicas não são suficientes para uma rápida regulação, observa-se uma anorma-</p><p>lidade na regulação da temperatura corpórea, traduzida em hipotermia ou a</p><p>hipertermia.</p><p>A febre, por sua vez, é classificada como um hipertermia; entretanto,</p><p>a elevação da temperatura nesta situação é causada por uma alteração do</p><p>nível regulador da temperatura no hipotálamo. As causas da febre estão</p><p>relacionadas a qualquer fator que proporcione estresse ao organismo, como:</p><p>infecção por agentes biológicos; morte celular por hipoxemia ou isquemia;</p><p>resposta ao uso de substâncias tóxicas ou efeito adverso de alguns medica-</p><p>mentos; ou ainda, tumores, hemorragias ou lesões cerebrais. Nestes casos, o</p><p>sistema imune será responsável por iniciar o processo pirogênico pela ação</p><p>das citocinas do processo inflamatório, classificadas em interleucinas e TNF</p><p>alfa. As citocinas induzem à febre por alterar o termostato hipotalâmico,</p><p>elevando o set-point. Assim, a temperatura corpórea se elevará para atender</p><p>ao novo set-point estabelecido de forma progressiva, podendo ser classificada</p><p>em três fases: fase do frio, de calor e de declínio ou sudorese.</p><p>No caso do paciente, a suspeita é de que o quadro febril seja ocasio-</p><p>nado por uma infecção de trato urinário, devido à manipulação cirúrgica</p><p>recente deste local. A confirmação será realizada avaliando-se o resultado</p><p>123</p><p>da urocultura, que não só indicará a presença de microrganismos na urina,</p><p>como também a espécie que está causando a infecção.</p><p>Além disso, para avaliação da dor deste paciente, será necessário identificar os</p><p>seguintes parâmetros:</p><p>• Padrão: constante, intermitente, esporádica ou breve; data e horário do</p><p>seu início e quando foi o último episódio.</p><p>• Tipo: queimação, em aperto, pontada, cólica, entre outros.</p><p>• Localização: locais do corpo que doem e identificação de novos locais</p><p>dolorosos, pois além de auxiliarem a determinar sua etiologia também</p><p>podem sinalizar uma nova complicação.</p><p>• Intensidade: avaliada por meio de uma escala visual analógica, que</p><p>consiste em uma escala de 0 a 10, sendo 0 (zero) representando “sem dor”</p><p>e 10 representando “a pior dor imaginável”. A partir dessas informações, o</p><p>indivíduo estima sua dor e consegue interpretá-la para o avaliador.</p><p>Avançando na prática</p><p>Identificando as manifestações febris no idoso</p><p>Após realizar a coleta de materiais biológicos da Unidade de Terapia</p><p>Intensiva do HU, Melissa e seu supervisor foram chamados para uma coleta de</p><p>urgência de um paciente de 85 anos, internado na unidade semi-intensiva. A</p><p>equipe multidisciplinar explicou que precisava dos resultados de hemograma</p><p>e hemocultura para confirmar a hipótese de infecção relacionada a cateter</p><p>venoso central, pois apesar de o paciente se encontrar afebril, seu quadro</p><p>geral piorou bastante nas últimas 24 horas. Além disso, os focos pulmonar</p><p>e urinário foram descartados quanto à presença de infecção. Diante dessa</p><p>situação, Melissa se questionou: é comum que os idosos não apresentem</p><p>febre diante de um quadro infeccioso? O idoso apresenta alguma alteração na</p><p>temperatura corporal basal por conta da idade? Na ausência da febre, quais</p><p>outros sintomas podem servir como alerta à equipe multidisciplinar?</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>O idoso saudável normalmente apresenta uma diminuição do metabo-</p><p>lismo decorrente da idade avançada. Somando-se a isso, situações como</p><p>diabetes mellitus, doenças neurológicas, desnutrição, sarcopenia, imobili-</p><p>dade e medicamentos podem acentuar ainda mais a redução do metabolismo</p><p>basal. Com a redução do metabolismo, a temperatura corporal também se</p><p>124</p><p>torna menor, chegando a um decréscimo de 0,15ºC na temperatura basal</p><p>média por década de vida.</p><p>Além disso, as infecções nos idosos podem se apresentar de maneira atípica,</p><p>e a febre pode estar presente em apenas 30% dos casos. Com base nisso, é impor-</p><p>tante que os profissionais da saúde, em vez de considerarem os valores da tempe-</p><p>ratura corporal de forma isolada, façam uma análise considerando as oscilações</p><p>de temperatura em relação à temperatura basal. Dessa forma, alterações equiva-</p><p>lentes ou superiores a 1,3ºC em um período de 24 horas podem ser consideradas</p><p>como um quadro febril. Cabe ainda ressaltar que o envelhecimento predispõe</p><p>o indivíduo a síndromes com temperaturas atípicas, representadas pelas infec-</p><p>ções afebris e até mesmo hipotermia. Esses casos indicam maior gravidade da</p><p>condição clínica, tendo grandes chances de evolução para septicemia.</p><p>Além dos sintomas específicos de cada infecção, estes são outros sintomas que</p><p>podem ser observados em idosos, principalmente naqueles mais fragilizados: novo</p><p>quadro ou aumento da confusão mental, agitação ou sonolência, incontinência,</p><p>queda, piora da mobilidade ou falta de cooperação para a realização dos cuidados.</p><p>É importante que os profissionais de saúde conheçam as manifestações atípicas</p><p>do padrão de febre no idoso, pois muitas vezes elas podem retardar o diagnóstico</p><p>e aumentar os índices de morbimortalidade nessa população (FREITAS, 2018).</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Leia a seguinte frase a respeito do controle da temperatura corporal:</p><p>“Os periféricos estão localizados na pele e são denominados Krause (do frio)</p><p>e Ruffini (do calor), já os centrais estão localizados no núcleo pré-óptico.</p><p>Esse trecho se refere a quais mecanismos de equilíbrio térmico?</p><p>a. Mecanismos eferentes, denominados termocorretores.</p><p>b. Mecanismos aferentes,</p><p>denominados termorreceptores.</p><p>c. Mecanismos eferentes de termólise.</p><p>d. Mecanismos aferentes de termogênese.</p><p>e. Mecanismos de manutenção do equilíbrio térmico dos núcleos núcleo</p><p>homeotermo e poicilotermo.</p><p>2. Uma avaliação da dor de qualidade deve envolver vários aspectos para</p><p>que seja o mais completa possível, uma vez que isso auxiliará o profissional</p><p>de saúde a entendê-la e tratá-la de forma adequada. Dessa forma, complete as</p><p>lacunas com os aspectos da dor que podem ser identificados nessa descrição:</p><p>125</p><p>“Dor intermitente, com início há dois dias (________), definida pelo</p><p>paciente como uma dor moderada a forte (__________), em região de</p><p>abdome (___________) e semelhante a uma cólica (_________), com último</p><p>episódio há meia hora (__________).”</p><p>Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.</p><p>a. tipo; padrão; localização; intensidade; tipo.</p><p>b. padrão; intensidade; tipo; localização; padrão.</p><p>c. intensidade; padrão; localização; padrão; tipo.</p><p>d. padrão; tipo; localização; intensidade; padrão.</p><p>e. padrão; intensidade; localização; tipo; padrão.</p><p>3. O hipotálamo é responsável por receber e interpretar as informações</p><p>provenientes dos termorreceptores, além de acionar os mecanismos termo-</p><p>corretores para manter o equilíbrio da temperatura corporal de acordo com</p><p>o set-point de 37 °C.</p><p>Considerando estes mecanismos, analise as afirmativas a seguir e julgue com</p><p>V para verdadeiro e F para falso:</p><p>( ) O núcleo simpático colinérgico estimula a secreção das glândulas sudorí-</p><p>paras e, dessa forma, promove perda de calor pelo mecanismo físico de</p><p>condução.</p><p>( ) O núcleo da termogênese por tremor estimula a produção de calor por</p><p>meio do aumento da atividade muscular traduzida em tremores.</p><p>( ) O núcleo simpático adrenérgico controla a função endócrina metabólica</p><p>em situações de adaptação térmica.</p><p>( ) O núcleo da termogênese sem tremor permite a perda ou a conservação</p><p>de calor por meio da vasodilatação ou vasoconstrição, sendo a radiação o</p><p>principal mecanismo físico envolvido.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.</p><p>a. V – V – V – F.</p><p>b. V – F – V – F.</p><p>c. F – V – F – V.</p><p>d. F – V – F – F.</p><p>e. V – F – F – V.</p><p>Referências</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Dor crônica.</p><p>Brasília, 27 nov. 2017. Disponível em: https://bit.ly/2ErCqqM. Acesso em: 13 dez. 2019.</p><p>CHULAY, M.; BURNS, S. M. Fundamentos de Enfermagem em Cuidados Críticos da AACN.</p><p>2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788580551075/cfi/265!/4/2@100:0.00. Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>CURI, R.; PROCÓPIO, J. A. F. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>DOUGLAS, C. R. Tratado de fisiologia aplicada às ciências da saúde. 6. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2006.</p><p>FREITAS, E.V.; PY, L. Tratado de geriatria e gerontologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2018.</p><p>GIANNETTI, N. S.; TIMERMAN, S. Cuidados pós-ressuscitação-cardiopulmonar (RCP).</p><p>Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 28, n. 3, p. 302-311,</p><p>2018. Disponível em: https://bit.ly/2Z1jicn. Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>GORZONI, M. L. et. al. Febre em idosos. Arquivos Médicos do Hospital da Faculdade de</p><p>Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, São Paulo, v. 55, n. 1, p. 27-29, 2010. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/2rULHEY. Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>GROSSMAN, S. C.; PORTH, C. M. Fisiopatologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2019. Disponível em: https://bit.ly/2YTSf2E. Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>KAWAMOTO, E. E.; FORTES, J. I. Fundamentos de Enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2011.</p><p>KUHMMER, R.; LAZZARETTI, R. K.; ZIMERMAN, L. I. Síncope vasovagal e suplementação de</p><p>sal. Revista do Hospital de Clínicas e da Faculdade de Medicina da UFRGS, v. 28, n. 2, p. 110-115,</p><p>2008. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/164510/001020347.</p><p>pdf?sequence=1. Acesso em: 25 nov. 2019.</p><p>MARTINS, L. C.; ALMEIDA, E. A. Hipertensão do jaleco branco: de Riva-Rocci aos nossos</p><p>dias. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, v. 13, n. 3, p. 163-164, jul./set. 2015.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/2sNO8JF. Acesso em: 2 dez. 2019.</p><p>OLIVEIRA JUNIOR, N. J. et al. O papel da enfermagem no tratamento não farmacológico</p><p>da dor de pacientes oncológicos. Revista Dor, São Paulo, v. 18, n. 3, p. 261-265, jul./set. 2017.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/2Q0BtuW. Acesso em: 13 dez. 2019.</p><p>SANTOS, N. C. M. Anatomia e fisiologia humana. 2. ed. São Paulo: Érica, 2014.</p><p>SANTOS, T. M. P.; VASCONCELOS; S. M. L. Ingestão de Na+ e K+ versus HAS: bases para o</p><p>seu manejo e protocolo de investigação. 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Rio</p><p>de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial.</p><p>Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 107, n. 3, set. 2016a. Disponível em: http://publicacoes.</p><p>cardiol.br/2014/diretrizes/2016/05_HIPERTENSAO_ARTERIAL.pdf. Acesso em: 25 nov. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. III Diretriz sobre análise e emissão de laudos</p><p>eletrocardiográficos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 106, n. 4, p. 1-23, abr. 2016b.</p><p>Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/01_III_DIRETRIZES_</p><p>ELETROCARDIOGR%C3%81FICOS.pdf. Acesso em: 2 dez. 2019.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de pediatria. 4. ed. Barueri/SP: Manole,</p><p>2017.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA PARA ESTUDO DA DOR – SBED. Hospital sem dor: Diretrizes</p><p>para implantação da dor como 5º sinal vital. 2018. Disponível em: https://sbed.org.br/5o-sinal-</p><p>-vital/. Acesso em: 13 dez. 2019.</p><p>WEST, J. B. Fisiologia respiratória: princípios básicos. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.</p><p>WHITE, L.; DUNCAN, G.; BAUMLE, W. Fundamentos de enfermagem básica. 3 ed.. São</p><p>Paulo: Cengage Learning, 2012. Capítulo 23. Disponível em : https://integrada.minhabiblioteca.</p><p>com.br/#/books/9788522113705/cfi/561!/4/2@100:0.00. Acesso em: 8 dez. 2019.</p><p>http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/881738/rbh_v19n2_51-55.pdf</p><p>http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/05_HIPERTENSAO_ARTERIAL.pdf</p><p>http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/05_HIPERTENSAO_ARTERIAL.pdf</p><p>http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/01_III_DIRETRIZES_ELETROCARDIOGR%C3%81FICOS.pdf</p><p>http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/01_III_DIRETRIZES_ELETROCARDIOGR%C3%81FICOS.pdf</p><p>https://sbed.org.br/5o-sinal-vital/</p><p>https://sbed.org.br/5o-sinal-vital/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522113705/cfi/561!/4/2@100:0.00</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522113705/cfi/561!/4/2@100:0.00</p><p>Unidade 4</p><p>Danieli Juliani Garbuio Tomedi</p><p>Primeiros socorros</p><p>Convite ao estudo</p><p>Caro aluno, bem-vindo à Unidade 4 da disciplina de Práticas em Saúde!</p><p>Nesta unidade conheceremos sobre os procedimentos utilizados para efetuar</p><p>os primeiros socorros em situações de risco, a fim de torná-lo apto a realizar os</p><p>procedimentos com as técnicas adequadas. Os primeiros socorros consistem</p><p>no atendimento básico às situações de urgência e emergência até a chegada</p><p>do socorro. Os minutos iniciais após a ocorrência do agravo são preciosos</p><p>em situações de risco de vida, demandando intervenção rápida e eficaz para a</p><p>manutenção da sobrevida</p><p>da vítima e prevenção de sequelas incapacitantes.</p><p>Além disso, cabe ressaltar que o atendimento de urgência e emergência</p><p>pode ser desenvolvido em diversos níveis de atenção, ou seja, em todos os</p><p>locais que ofereçam risco de acidentes ou que possuam grande número de</p><p>pessoas expostas a este risco. Diante disso, é imprescindível que o biomé-</p><p>dico, enquanto profissional da área da saúde, conheça os procedimentos de</p><p>primeiros socorros para efetuar a melhor conduta possível nesses casos.</p><p>Para tanto, ao longo da primeira seção desta unidade abordaremos</p><p>assuntos relacionados às condutas em acidentes com materiais perfurocor-</p><p>tantes, atendimento à vítima de intoxicação exógena, além do manejo correto</p><p>nas situações de queimaduras e hemorragias.</p><p>Na segunda seção, falaremos sobre o atendimento às emergências ortopé-</p><p>dicas, desde as torções até as fraturas, além do atendimento em casos de crise</p><p>convulsiva, engasgamento, bem como das síncopes e desmaios.</p><p>Já na terceira seção discutiremos sobre o suporte básico de vida, incluindo</p><p>a cadeia de sobrevivência da American Heart Association, a avaliação primária</p><p>e secundária da vítima, assim como o atendimento à parada cardiorrespira-</p><p>tória propriamente dita.</p><p>130</p><p>Seção 1</p><p>Primeiros socorros parte I</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você sabe o que são os primeiros socorros? Os primeiros</p><p>socorros são definidos como os cuidados imediatos realizados a uma pessoa</p><p>que esteja em situação de risco. São procedimentos realizados por um socor-</p><p>rista devidamente treinado e objetiva manter as funções vitais, bem como</p><p>evitar o agravamento da condição em que se encontra a vítima. O biomédico</p><p>exerce papel fundamental no reconhecimento das situações de risco, entre-</p><p>tanto, deve realizar somente os procedimentos básicos para estabilização</p><p>da vítima até a chegada de atendimento especializado. Para assimilarmos o</p><p>assunto, convido você a acompanhar a rotina de Henrique, um aluno do 8º</p><p>semestre do curso de Biomedicina, que está iniciando as atividades de estágio</p><p>obrigatório para obtenção do seu diploma de Bacharel. Após muitas tentativas,</p><p>Henrique conseguiu uma vaga de estágio no maior laboratório de análises</p><p>clínicas de sua cidade, o qual também é conveniado ao Hospital Municipal.</p><p>Com isso, Henrique terá a oportunidade de conhecer todas as áreas: desde</p><p>a coleta e o transporte, até a análise dos materiais. A primeira atividade de</p><p>Henrique é participar da semana de integração e acolhimento de novos</p><p>colaboradores e estagiários, a fim de conhecer as normas e rotinas do labora-</p><p>tório, bem como receber treinamento de primeiros socorros. No primeiro dia</p><p>de treinamento, os temas abordados serão: acidentes com material perfuro-</p><p>cortante, intoxicação exógena; queimaduras e hemorragias. Você, aluno, teria</p><p>as mesmas dúvidas de Henrique? Sabe como realizar os primeiros socorros</p><p>desses agravos de forma segura e eficaz? Sabe quais são as prioridades de</p><p>atendimento? Vamos ajudar o Henrique a resolver essas dúvidas? Para ajudá-</p><p>-los na resolução dessa situação, apresentaremos os principais conceitos</p><p>relacionados ao atendimento inicial desses agravos. Vamos lá? Aproveite bem</p><p>o seu tempo e não deixe de estudar todos os materiais que serão disponibili-</p><p>zados em mais uma seção da nossa disciplina!</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você conhece quais procedimentos devem ser realizados em</p><p>incidentes como acidentes com material biológico, intoxicações, queima-</p><p>duras e hemorragias? Esses agravos são comuns em nosso dia a dia, uma</p><p>vez que cerca de 3 milhões de trabalhadores da área da saúde no mundo</p><p>sofrem algum tipo de acidente com material perfurocortante, por ano. Além</p><p>131</p><p>disso, por volta de 1,5 a 3% da população brasileira intoxica-se anualmente,</p><p>representando 4.800.000 casos novos a cada ano. Já em relação às queima-</p><p>duras, observa-se uma prevalência de 1.000.000 de casos anuais, sendo que</p><p>destes, 200 mil são atendidos em serviços de emergência e 40 mil demandam</p><p>hospitalização. Diante disso, torna-se imprescindível que os indivíduos sejam</p><p>capacitados para realizar atendimentos de urgência e emergência, principal-</p><p>mente os profissionais da área da saúde.</p><p>Condutas em acidentes com materiais perfurocortantes</p><p>Os acidentes de trabalho com material biológico são caracterizados</p><p>quando há contato percutâneo com sangue, no caso dos acidentes com</p><p>material perfurocortante, ou ainda, quando há contato direto da mucosa ou</p><p>da pele não íntegra, com fluidos orgânicos. Os fluidos orgânicos que podem</p><p>ser classificados como potencialmente infectantes são: sêmen, secreção</p><p>vaginal, líquor, líquido sinovial, líquido pleural, peritoneal, pericárdico e</p><p>amniótico. Já os fluidos potencialmente não-infectantes são: suor, lágrima,</p><p>fezes, urina e saliva, exceto se contaminados com sangue.</p><p>Dentre os tipos de acidentes ocupacionais, as exposições perfurocortantes</p><p>ganham destaque em relação à sua frequência e periculosidade, uma vez que</p><p>são capazes de transmitir mais de 20 tipos de patógenos diferentes, incluindo</p><p>o vírus da hepatite B (HBV), da hepatite C (HCV) e da imunodeficiência</p><p>humana (HIV). A prevenção da exposição ao sangue e a outros materiais</p><p>biológicos ainda é a principal medida para que não ocorra contaminação e</p><p>transmissão destes patógenos. Dessa forma, recomenda-se fortemente o uso</p><p>frequente de barreiras de proteção quando previsto o contato mucocutâneo</p><p>com materiais biológicos, bem como os cuidados com a manipulação de</p><p>agulhas ou outros materiais cortantes.</p><p>Como medida específica, há disponível a vacina contra a hepatite B, que</p><p>apresenta cerca de 90 a 95% de eficácia e, para os casos em que já ocorreu a</p><p>exposição, o risco poderá ser reduzido por meio da instituição da profilaxia</p><p>pós-exposição (PPE) do HBV e do HIV. Nas situações em que houver contato</p><p>com o HCV, a pessoa-fonte deve ser testada para que se garanta o diagnóstico</p><p>precoce e a redução do risco de progressão para hepatite crônica, uma vez</p><p>que ainda não existe nenhuma profilaxia pós-exposição contra este patógeno.</p><p>Assimile</p><p>Muitos dos acidentes ocupacionais podem não resultar em infecção</p><p>pelos vírus, mesmo que o paciente-fonte esteja infectado. Assim, o</p><p>risco será variável e dependerá de fatores como:</p><p>132</p><p>• Tipo de exposição: perfurocortante > mucosa > pele não íntegra.</p><p>• Agente causador da lesão perfurocortante: agulha com lúmen ></p><p>agulha sem lúmen > instrumentos > vidro.</p><p>• Condições clínicas e sorológicas do paciente- fonte.</p><p>• Uso de profilaxia pós- exposição.</p><p>• Acompanhamento adequado pós- exposição.</p><p>As condutas pós-acidente devem ser realizadas preferencialmente em até</p><p>duas horas após o acidente e baseiam-se na adoção de cuidados com a área</p><p>exposta, acidente, orientação, aconselhamento ao acidentado e notificação</p><p>do acidente:</p><p>Cuidados com a área exposta: em casos de exposição cutânea e</p><p>percutânea orienta-se lavar o local exposto com água e sabão; já nas exposi-</p><p>ções de mucosa, deve-se lavar o local com água ou solução salina fisioló-</p><p>gica. O uso de antisséptico não é contraindicado, porém ele não reduz o risco</p><p>de transmissão. Comunicar a ocorrência do acidente ao chefe imediato e</p><p>solicitar atendimento de um médico e um enfermeiro.</p><p>Avaliação do acidente (30 min): é imprescindível estabelecer o material</p><p>biológico envolvido, além de verificar o tipo do acidente (perfurocortante,</p><p>contato da pele com solução de continuidade e contato com mucosas) bem</p><p>como identificar o paciente-fonte ou considerar exposição com paciente-</p><p>-fonte desconhecido.</p><p>Aconselhar e orientar o acidentado: equipe médica e de enfermagem</p><p>solicitarão consentimento para a realização de exames sorológicos e avaliarão</p><p>diagnóstico prévio do acidentado e do paciente-fonte de infecção por hepatite</p><p>viral B/C ou vírus HIV.</p><p>Conduta ao acidentado: equipe médica e de enfermagem classificarão</p><p>a gravidade do acidente e definirão necessidade de uso de profilaxia para o</p><p>vírus HIV e HBV; o acidentado que receber a PPE deve realizar acompanha-</p><p>mento ambulatorial durante seis meses para averiguação da resposta imuno-</p><p>lógica</p><p>específica ao vírus.</p><p>Notificar o acidente: realizar registro do acidente em CAT (Comunicação</p><p>de Acidente de Trabalho) e preenchimento da ficha de notificação do SINAN.</p><p>Exemplificando</p><p>A profilaxia pós-exposição é indicada a alguns casos específicos,</p><p>conforme descrito a seguir:</p><p>133</p><p>Quando indicar profilaxia pós-exposição para o HIV?</p><p>Exposição a material biológico com risco de transmissão do vírus.</p><p>Pessoa-fonte com exame de HIV positivo ou reagente, ou ainda, pessoa-fonte</p><p>desconhecida, em até 72 horas após o acidente.</p><p>Como realizar a PPE para o HIV?</p><p>Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Atazanavir (ATV/r) durante 28 dias.</p><p>Quando indicar profilaxia pós-exposição para o HBV?</p><p>Pessoa-fonte positivo HBV (HBs-AG positivo).</p><p>Acidentado sem vacina, com vacinação incompleta, ou sem resposta adequa-</p><p>da à vacina (Anti-HBs negativo).</p><p>Como realizar a PPE para o HBV?</p><p>Administrar imunoglobulina em até uma semana após o acidente e orientar</p><p>sobre vacinação (BRASIL, 2011).</p><p>Intoxicação exógena</p><p>A intoxicação exógena é definida quando alguma substância tóxica</p><p>entra em contato com o organismo, seja por ingestão, inalação ou através do</p><p>contato com a pele. Qualquer substância pode agir como tóxico, dependendo</p><p>da quantidade, do tempo de exposição e da via de contato do agente tóxico</p><p>com o organismo.</p><p>As intoxicações mais comuns são decorrentes da ingestão de medica-</p><p>mentos ou outras substâncias químicas, podendo ser acidental ou inten-</p><p>cional e se acontecer de forma aguda ou crônica. Além disso, quanto maior o</p><p>tempo de exposição, maiores serão chances de intoxicação, e quanto maior a</p><p>concentração do agente químico, maiores serão as chances de efeitos danosos</p><p>à saúde. Vale destacar que algumas substâncias são mais tóxicas do que</p><p>outras, quando comparadas a uma mesma concentração, e a sensibilidade ao</p><p>agente tóxico pode variar de uma pessoa para outra.</p><p>Em relação aos efeitos que essas substâncias podem provocar no</p><p>organismo, é possível identificar desde uma simples irritação até mesmo</p><p>quadros graves e que evoluem à óbito. Diante disso, é imprescindível estar</p><p>atento a alguns sinais e sintomas apresentados por uma vítima de intoxi-</p><p>cação, como:</p><p>• Sinais evidentes na boca ou na pele, de que a vítima tenha mastigado,</p><p>engolido, aspirado ou estado em contato com substâncias tóxicas.</p><p>• Salivação, aumento ou diminuição das pupilas dos olhos, sudorese</p><p>excessiva, respiração alterada e inconsciência.</p><p>• Modificação na coloração dos lábios e interior da boca, como a cianose.</p><p>134</p><p>• Queixa de dor, sensação de queimação na boca, garganta ou estômago.</p><p>• Sonolência, confusão mental, torpor, convulsões ou outras alterações</p><p>de consciência.</p><p>• Náuseas, vômitos e diarreia.</p><p>• Lesões cutâneas, queimaduras intensas com limites bem definidos</p><p>ou bolhas.</p><p>Reflita</p><p>Você já ouviu falar nos Centros de Assistência Toxicológica (CIT)? Sabe</p><p>quais serviços são prestados à população e aos profissionais de saúde?</p><p>Acesse a Portaria nº 1.678, de 2 de outubro de 2015 do Ministério da</p><p>Saúde e conheça esse serviço.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.678 de 2 de outubro de 2015.</p><p>Institui os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox)</p><p>como estabelecimentos de saúde integrantes da Linha de Cuidado ao</p><p>Trauma, da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília, out. 2015.</p><p>Durante o atendimento à vítima de intoxicação exógena é necessário</p><p>estar atento aos seguintes cuidados:</p><p>• Não provocar vômitos: as substâncias podem ser potencialmente</p><p>corrosivas; além disso, esse ato pode culminar com broncoaspiração</p><p>do conteúdo gástrico devido à sonolência da vítima.</p><p>• Identificar o tipo e a quantidade de produto, o nome da droga/produto</p><p>e dosagem.</p><p>• Investigar horário da ingestão.</p><p>• Retirar qualquer resíduo tóxico, até mesmo roupas da vítima, e lavar o</p><p>local acometido abundantemente.</p><p>• Verificar sinais vitais: a vítima pode apresentar hipo/hipertermia,</p><p>braqui/taquipneia, braqui/taquicardia, além de arritmias.</p><p>• Realizar cuidados com crises convulsivas.</p><p>• Iniciar ressuscitação cardiopulmonar se necessário.</p><p>• Manter vítima lateralizada.</p><p>• Chamar e aguardar socorro especializado.</p><p>135</p><p>Exemplificando</p><p>É muito comum encontrarmos substâncias potencialmente tóxicas em</p><p>ambientes como os laboratórios. A seguir listamos algumas delas:</p><p>Fenol ou ácido fênico: tóxico e altamente corrosivo, pode penetrar</p><p>diretamente através da pele e ser absorvido para a corrente sanguínea.</p><p>A ingestão desse reagente geralmente é fatal.</p><p>Éter etílico: em contato com a pele provoca ressecamento e até mesmo</p><p>dermatites.</p><p>Clorofórmio: o contato deste produto pode levar à lesão no fígado e</p><p>rins. Acetonitrila ou cianeto de metila: pode ser fatal se inalado ou se</p><p>entrar em contato com a pele. Trabalhadores que usam cianeto devem</p><p>ser submetidos a exames médicos periódicos.</p><p>Para a prevenção de ocorrência de intoxicação exógena em laborató-</p><p>rios, é imprescindível a observância das normas de boas práticas.</p><p>Queimaduras</p><p>Queimaduras são lesões decorrentes de agentes térmicos, químicos ou</p><p>elétricos, capazes de produzir calor excessivo que danifica os tecidos corpo-</p><p>rais e desencadeiam morte celular. As queimaduras podem ser classificadas</p><p>como primeiro, segundo ou de terceiro grau, conforme a profundidade da</p><p>lesão no local atingido.</p><p>Assimile</p><p>Conheça como é realizada a classificação das queimaduras conforme</p><p>sua profundidade:</p><p>Figura 4.1 | Classificação das queimaduras: (a) primeiro grau; (b)</p><p>segundo grau; (c) terceiro grau</p><p>Aspecto Descrição</p><p>Primeiro grau: afeta somente a epiderme, sem</p><p>formar bolhas; apresenta vermelhidão, dor, edema e</p><p>descama em 4 a 6 dias.</p><p>Segundo grau: afeta a epiderme e parte da derme,</p><p>forma bolhas ou flictenas; a restauração das lesões</p><p>ocorre entre 7 e 21 dias. Superficial: a base da bolha</p><p>é rósea, úmida e dolorosa. Profunda: a base da bolha</p><p>é branca, seca, indolor e menos dolorosa (profunda).</p><p>136</p><p>Terceiro grau: afeta a epiderme, a derme e estrutu-</p><p>ras profundas; indolor; presença de placa esbranqui-</p><p>çada ou enegrecida; não reepiteliza e necessita de</p><p>enxertia de pele.</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Além da profundidade, as queimaduras também devem ser avaliadas</p><p>quanto à sua extensão. A avaliação da extensão da queimadura está intima-</p><p>mente ligada ao nível de gravidade da vítima, pois quanto maior a extensão</p><p>da área queimada, maior a repercussão sistêmica. Normalmente se utiliza</p><p>a regra dos nove, criada por Wallace e Pulaski, que calcula a porcentagem</p><p>da superfície corporal queimada (SCQ), considerando apenas as áreas</p><p>queimadas com profundidade de segundo e terceiro graus. Esse método</p><p>é de fácil memorização e leva em consideração as seguintes porcentagens,</p><p>conforme a região afetada:</p><p>Figura 4.2 | Cálculo da SCQ pela regra de Wallace e Pulaski</p><p>Fonte: Gomes, Serra e Pellon ( apud MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012, p. 9).</p><p>137</p><p>As queimaduras graves são consideradas quando há extensão maior do</p><p>que 20% de SCQ em adultos ou 10% em crianças; extremos de idade (menor</p><p>que 3 anos e maior do que 65 anos); presença de lesão inalatória; politrauma e</p><p>doenças prévias associadas; queimadura química ou trauma elétrico; acome-</p><p>timento de áreas nobres (cabeça, mão, pé, região inguinal, grandes articula-</p><p>ções, órgãos genitais); violência, maus-tratos, tentativa de autoextermínio.</p><p>O atendimento imediato à vítima de queimaduras consiste em:</p><p>• Interromper o processo de queimadura, afastando o agente causador</p><p>da vítima.</p><p>• Remover roupas, joias, anéis, piercings e próteses.</p><p>• Resfriar o local com água entre 35,5 °C a 36 °C.</p><p>• Cortar as roupas que não estiverem aderidas à pele.</p><p>• Cobrir as lesões com gaze ou pano limpo.</p><p>• Nunca cobrir material que grude na pele.</p><p>• Não romper as bolhas: elas protegem a pele contra infecções e possí-</p><p>veis desconfortos.</p><p>• Não aplicar pomadas, líquidos, cremes ou outras substâncias sobre</p><p>a queimadura.</p><p>• Não retire nada aderido à queimadura, incluindo roupas e</p><p>corpos estranhos.</p><p>• Não tocar na queimadura sem uso de luvas.</p><p>• Chamar socorro</p><p>especializado o quanto antes.</p><p>• Nos casos de queimadura por eletricidade ou substâncias químicas,</p><p>realizar cuidados específicos conforme descritos mais adiante.</p><p>Exemplificando</p><p>Algumas substâncias que oferecem potencial para queimaduras</p><p>também podem ser comumente encontradas em ambientes como os</p><p>laboratórios. Conheça algumas delas:</p><p>Agentes oxidantes: peróxidos, permanganatos, cloratos e perclo-</p><p>ratos, nitritos orgânicos ou inorgânicos, nitratos, iodados, periodados,</p><p>cromatos, perbromatos, persulfatos, dicromatos e óxidos.</p><p>Substâncias ácidas e alcalinas: ácido clorídrico, ácido sulfúrico, ácido</p><p>nítrico, hidróxido de sódio e potássio.</p><p>138</p><p>Solvente orgânico: éter etílico.</p><p>O manuseio adequado dessas substâncias é extremamente relevante na</p><p>prevenção de acidentes.</p><p>Hemorragias</p><p>Hemorragia é definida como a perda súbita de sangue que ocorre devido</p><p>ao rompimento de um ou mais vasos sanguíneos, sendo eles artérias, veias</p><p>ou capilares. É classificada em externa, quando o sangramento é visível, e</p><p>interna, quando corre em órgãos e cavidades. As hemorragias internas</p><p>podem se exteriorizar através de orifícios naturais como boca, nariz e ouvido,</p><p>entre outros.</p><p>Assimile</p><p>Saiba como reconhecer os tipos de conforme o tipo de vaso acometido:</p><p>Figura 4.3 | Tipos de hemorragia: arterial; venosa; capilar</p><p>Aspecto Descrição</p><p>Arterial: sangramento vermelho vivo, em jatos, e</p><p>se exterioriza em pulsos, a cada sístole. Por isso, a</p><p>perda de sangue é rápida e abundante.</p><p>Venosa: sangramento uniforme e de cor escura,</p><p>ocorre de forma linear.</p><p>Capilar: cor é vermelha, porém, menos viva que o</p><p>sangue arterial, e o fluxo é lento.</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock.</p><p>As hemorragias arteriais são as mais graves, quando comparadas às</p><p>venosas, por apresentarem maior fluxo sanguíneo.</p><p>O socorro à vítima de hemorragia consiste em:</p><p>• Compressão direta: realizar compressão manual sobre a lesão com</p><p>auxílio de um pano limpo ou curativo. O curativo deve ser mantido</p><p>até que ocorra a coagulação, uma vez que a interrupção precoce</p><p>dessa manobra pode remover o coágulo recém-formado, reiniciando</p><p>o sangramento.</p><p>• Elevar o membro afetado: elevação em nível acima do tórax, se as</p><p>condições da vítima permitirem, combinando com a compressão</p><p>direta para um controle eficaz da hemorragia.</p><p>139</p><p>• Compressão indireta: realizar a compressão em uma artéria proximal</p><p>ao ferimento a fim de reduzir o fluxo sanguíneo que chega até a lesão.</p><p>• Torniquete: técnica que consiste em aplicar uma força na circun-</p><p>ferência do membro afetado. Como a pressão é transferida para as</p><p>paredes dos vasos sanguíneos, acaba por controlar o fluxo sanguíneo</p><p>no local da lesão por determinado período. Deve ser aplicado em</p><p>casos de amputação traumática do braço ou da perna, ou na presença</p><p>de sangramento abundante e que não tenha respondido às técnicas</p><p>anteriores. Caso você não se sinta seguro quanto à técnica correta,</p><p>não utilizar o torniquete, pois quando mal realizado, pode trazer mais</p><p>prejuízos do que benefícios.</p><p>Agora você, como um profissional da área de saúde, conhece os proce-</p><p>dimentos que devem ser realizados frente a agravos como acidentes com</p><p>material biológico, intoxicações, queimaduras e hemorragias. Você viu,</p><p>durante a seção, que a atuação rápida e efetiva até a chegada de atendimento</p><p>especializado é importante na manutenção das funções vitais, bem como</p><p>para evitar o agravamento da condição em que se encontra a vítima.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu sobre a primeira parte do atendi-</p><p>mento a agravos de urgência e emergência, vamos solucionar a situação-</p><p>-problema exposta, na qual estamos acompanhando a rotina de Henrique,</p><p>um aluno do 8º semestre do curso de Biomedicina que está iniciando as</p><p>atividades de estágio obrigatório em um laboratório de análises clínicas de</p><p>sua cidade. A primeira atividade de Henrique é participar da semana de</p><p>integração e acolhimento de novos colaboradores e estagiários, a fim de</p><p>conhecer as normas e rotinas do laboratório, bem como receber treinamento</p><p>de primeiros socorros. No primeiro dia de treinamento, os temas abordados</p><p>serão: acidentes com material perfurocortante, intoxicação exógena; queima-</p><p>duras e hemorragias. Você, aluno, teria as mesmas dúvidas de Henrique? Sabe</p><p>como realizar os primeiros socorros desses agravos de forma segura e eficaz?</p><p>Sabe quais são as prioridades de atendimento? Vamos ajudar o Henrique a</p><p>resolver essas dúvidas? Para a resolução da situação-problema, é necessário</p><p>conhecermos os procedimentos de primeiros socorros:</p><p>Acidentes com materiais perfurocortantes</p><p>As condutas pós-acidente com materiais perfurocortantes devem ser</p><p>realizadas preferencialmente em até 2 horas após o acidente e baseiam-se na</p><p>adoção dos seguintes cuidados:</p><p>140</p><p>• Cuidados com a área exposta: em casos de exposição cutânea e</p><p>percutânea orienta-se lavar o local exposto com água e sabão; já nas</p><p>exposições de mucosa, deve-se lavar o local com água ou solução</p><p>salina fisiológica. O uso de antisséptico não é contraindicado, porém</p><p>ele não reduz o risco de transmissão. Comunicar a ocorrência do</p><p>acidente ao chefe imediato e solicitar atendimento de um médico e</p><p>um enfermeiro.</p><p>• Avaliação do acidente (30 min): é imprescindível estabelecer o</p><p>material biológico envolvido, além de verificar o tipo do acidente</p><p>(perfurocortante, contato da pele com solução de continuidade e</p><p>contato com mucosas) bem como identificar o paciente-fonte ou</p><p>considerar exposição com paciente-fonte desconhecido.</p><p>• Aconselhar e orientar o acidentado: equipe médica e de enfermagem</p><p>solicitarão consentimento para a realização de exames sorológicos e</p><p>avaliarão diagnóstico prévio do acidentado e do paciente-fonte de</p><p>infecção por hepatite viral B/C ou vírus HIV.</p><p>• Conduta ao acidentado: equipe médica e de enfermagem classi-</p><p>ficarão a gravidade do acidente e definirão necessidade de uso de</p><p>profilaxia para o vírus HIV e HBV; o acidentado que receber a PPE</p><p>deve realizar acompanhamento ambulatorial durante seis meses para</p><p>averiguação da resposta imunológica específica ao vírus.</p><p>• Notificar o acidente: realizar registro do acidente em CAT</p><p>(Comunicação de Acidente de Trabalho) e preenchimento da ficha de</p><p>notificação do SINAN.</p><p>Intoxicação exógena</p><p>• Não provocar vômitos: as substâncias podem ser potencialmente</p><p>corrosivas, além disso, esse ato pode culminar com broncoaspiração</p><p>do conteúdo gástrico devido à sonolência da vítima.</p><p>• Identificar o tipo e a quantidade de produto, o nome da droga/produto</p><p>e dosagem.</p><p>• Investigar horário da ingestão.</p><p>• Retirar qualquer resíduo tóxico, até mesmo roupas da vítima, e lavar</p><p>o local acometido abundantemente.</p><p>• Verificar sinais vitais: a vítima pode apresentar hipo/hipertermia,</p><p>braqui/taquipneia, braqui/taquicardia, além de arritmias.</p><p>141</p><p>• Realizar cuidados com crises convulsivas.</p><p>• Iniciar ressuscitação cardiopulmonar se necessário.</p><p>• Manter vítima lateralizada.</p><p>• Realizar encaminhamento para um hospital o mais breve possível.</p><p>Queimaduras</p><p>• Interromper o processo de queimadura, afastando o agente causador</p><p>da vítima.</p><p>• Remover roupas, joias, anéis, piercings e próteses.</p><p>• Resfriar o local com água entre 35,5 °C a 36 °C.</p><p>• Cortar as roupas que não estiverem aderidas à pele.</p><p>• Cobrir as lesões com gaze ou pano limpo.</p><p>• Nunca cobrir material que grude na pele.</p><p>• Não romper as bolhas: elas protegem a pele contra infecções e possí-</p><p>veis desconfortos.</p><p>• Não aplicar pomadas, líquidos, cremes ou outras substâncias sobre</p><p>a queimadura;</p><p>• Não retire nada aderido à queimadura, incluindo roupas e</p><p>corpos estranhos.</p><p>• Não tocar na queimadura sem uso de luvas.</p><p>• Chamar socorro especializado o quanto antes.</p><p>Hemorragias</p><p>• Compressão direta: realizar compressão manual sobre a lesão com</p><p>auxílio de um pano limpo ou curativo. O curativo deve ser mantido</p><p>até que ocorra a coagulação, uma vez que a interrupção precoce</p><p>dessa manobra pode remover o coágulo recém-formado, reiniciando</p><p>o sangramento.</p><p>• Elevar o membro afetado: elevação em nível acima do tórax,</p><p>se as</p><p>condições da vítima permitirem, combinando com a compressão</p><p>direta para um controle eficaz da hemorragia.</p><p>• Compressão indireta: realizar a compressão em uma artéria proximal</p><p>ao ferimento a fim de reduzir o fluxo sanguíneo que chega até a lesão.</p><p>142</p><p>• Torniquete: técnica que consiste em aplicar uma força na circunfe-</p><p>rência do membro afetado a uma distância aproximada de 5 a 7cm</p><p>da lesão. Como a pressão é transferida para as paredes dos vasos</p><p>sanguíneos, acaba por controlar o fluxo sanguíneo no local da lesão</p><p>por determinado período. Deve ser aplicado em casos de amputação</p><p>traumática do braço ou da perna, ou na presença de sangramento</p><p>abundante e que não tenha respondido às técnicas anteriores.</p><p>Avançando na prática</p><p>Cuidados adicionais em situações especiais de queimadura</p><p>Durante o treinamento sobre socorro às vítimas de queimaduras, na</p><p>semana de integração e acolhimento do estagiário Henrique no laboratório</p><p>de análises clínicas, o palestrante citou que as queimaduras por trauma</p><p>elétrico e por substâncias químicas merecem atenção especial do socorrista</p><p>por se tratar de casos específicos. Você, aluno, teria as mesmas dúvidas de</p><p>Henrique? Quais cuidados adicionais devem ser dirigidos às vítimas desses</p><p>tipos de queimaduras? Vamos ajudar Henrique a resolver essa questão?</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>Na queimadura por eletricidade, o socorrista não deve tocar na vítima antes</p><p>que o circuito tenha sido interrompido, desligada a chave geral e chamada a</p><p>companhia de energia elétrica e o Corpo de Bombeiros. Identificar se houve</p><p>passagem de corrente elétrica com ponto de entrada e saída, avaliando os</p><p>prováveis órgãos que sofreram lesões; avaliar os traumas associados (queda</p><p>de altura e outros traumas); e verificar ocorrência de perda de consciência ou</p><p>parada cardiorrespiratória (PCR) no momento do acidente.</p><p>Já nas queimaduras químicas, o socorrista deve utilizar proteção universal</p><p>para evitar o contato com o agente químico; identificar o agente causador</p><p>da queimadura: ácido, base ou composto orgânico; avaliar a concentração,</p><p>o volume e a duração de contato; remover as roupas e retirar o excesso do</p><p>agente causador, pois a lesão é progressiva; retirar o excesso das substâncias</p><p>em pó com escova ou panos.</p><p>143</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A classificação das queimaduras quanto à sua profundidade é muito</p><p>importante para direcionar o atendimento pré-hospitalar, além da continui-</p><p>dade de tratamento nos centros especializados.</p><p>Em relação ao contexto apresentado, faça a associação correta entre as classi-</p><p>ficações da profundidade da queimadura, apresentada na Coluna 1, às suas</p><p>respectivas características, apresentadas na Coluna 2.</p><p>Coluna 1 Coluna 2</p><p>1. Primeiro grau</p><p>A. Afeta a epiderme e parte da derme,</p><p>forma bolhas ou flictenas.</p><p>2. Segundo grau</p><p>B. Afeta a epiderme, a derme e estruturas</p><p>profundas; indolor; presença de placa</p><p>esbranquiçada ou enegrecida.</p><p>3. Terceiro grau</p><p>C. Afeta somente a epiderme, sem formar</p><p>bolhas; apresenta vermelhidão, dor, edema.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a associação correta.</p><p>a. 1-A; 2-B; 3-C.</p><p>b. 1-B; 2-A; 3-C.</p><p>c. 1-C; 2-A; 3-B.</p><p>d. 1-C; 2-B; 3-A.</p><p>e. 1-B; 2-C; 3-A.</p><p>2. Hemorragia é definida como a perda súbita de sangue que ocorre devido</p><p>ao rompimento de um ou mais vasos sanguíneos, sendo eles artérias, veias</p><p>ou capilares. É classificada em externa, quando o sangramento é visível, e</p><p>interna, quando corre em órgãos e cavidades.</p><p>Considerando este assunto, analise as afirmativas a seguir e julgue com V</p><p>para verdadeiro e F para falso:</p><p>( ) A hemorragia arterial se apresenta como um sangramento vermelho vivo,</p><p>em jatos, exteriorizada em pulsos, a cada sístole. A perda de sangue é lenta,</p><p>porém, abundante.</p><p>( ) Um dos métodos utilizados para controle da hemorragia é a compressão</p><p>direta, que consiste na pressão manual realizada diretamente sobre a lesão.</p><p>144</p><p>Um pano limpo ou curativo pode ser utilizado, e deve ser mantido até que</p><p>ocorra a coagulação.</p><p>( ) A técnica de compressão indireta consiste no uso de torniquete, cerca de</p><p>5 a 7cm distante da lesão.</p><p>( ) O torniquete deve ser aplicado exclusivamente em casos de amputação</p><p>traumática do braço ou da perna.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.</p><p>a. V – V – V – V.</p><p>b. F – V – F – F.</p><p>c. V – V – V – F.</p><p>d. V – V – V – F.</p><p>e. F – V – V – F.</p><p>3. Ana é biomédica e trabalha em um laboratório de análises clínicas. Ao</p><p>realizar uma técnica de esfregaço sanguíneo, acabou derrubando a lâmina</p><p>de vidro e, ao tentar segura-la, sofreu acidente percutâneo com o material</p><p>biológico. Sua chefia direta foi comunicada, e seguiram com o protocolo de</p><p>Acidente com Material Biológico. A pessoa-fonte teve exame HIV e Hepatite</p><p>C negativos, HBsAG negativo e Anti-HBs positivo. Ana apresenta esquema</p><p>vacinal incompleto para Hepatite B. No dia do acidente coletou os exames de</p><p>HIV, hepatite C, Anti-HBs e HBsAG, todos com resultados negativos.</p><p>A conduta mais indicada para Ana, neste caso é:</p><p>a. Fazer imunoglobulina para hepatite B e orientar sobre a vacinação</p><p>para hepatite B.</p><p>b. Fazer imunoglobulina para hepatite B, acompanhar resultados de</p><p>sorologia do HBV por seis meses e orientar sobre a vacinação.</p><p>c. Orientar sobre a vacinação para hepatite B.</p><p>d. Acompanhar resultados de sorologias HIV, HBV e HCV durante seis</p><p>meses, apenas.</p><p>e. Fazer profilaxia pós-exposição para o HIV e o HBV, além de acompa-</p><p>nhar por seis meses todas as sorologias.</p><p>145</p><p>Seção 2</p><p>Primeiros socorros parte II</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você já presenciou alguma situação de desmaio, crise convul-</p><p>siva, engasgo ou algum tipo de lesão musculoesquelética, como entorse,</p><p>distensão muscular, luxação ou fratura? Você se lembra como foi realizado</p><p>o atendimento inicial? Os primeiros socorros a esses agravos são determi-</p><p>nantes não somente para a estabilidade da vítima até a chegada de atendi-</p><p>mento especializado, mas também para prevenir sequelas e garantir uma boa</p><p>recuperação posteriormente. Para assimilarmos o assunto, convido você a</p><p>continuar acompanhando a rotina de Henrique, um aluno do 8º semestre</p><p>do curso de Biomedicina que iniciou as atividades de estágio obrigatório no</p><p>maior laboratório de análises clínicas de sua cidade, e que está participando</p><p>da semana de integração e acolhimento. No segundo dia de treinamento,</p><p>Henrique participará de palestras que abordam os seguintes temas: lesão</p><p>musculoesquelética: torção a fratura; crise convulsiva; desmaio; e engasgo.</p><p>Ao ler o roteiro, Henrique se lembrou de uma vez em que tentou auxiliar no</p><p>atendimento a uma pessoa com crise convulsiva, mas estava tão aflito que não</p><p>obteve sucesso. Como você realizaria os primeiros socorros desses agravos de</p><p>forma confiante e segura no lugar de Henrique? Qual passo a passo você</p><p>realizaria em cada um desses atendimentos? Vamos ajudar o Henrique a</p><p>resolver essas dúvidas? Para ajudá-los na resolução dessa situação, apresen-</p><p>taremos os principais conceitos relacionados ao atendimento inicial desses</p><p>agravos. Vamos lá? Aproveite bem o seu tempo e não deixe de estudar todos os</p><p>materiais que serão disponibilizados em mais uma seção da nossa disciplina!</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você conhece quais procedimentos de primeiros socorros</p><p>devem ser realizados em agravos com lesões musculoesqueléticas, crises</p><p>convulsivas, desmaios e engasgos? O atendimento a esses casos exige conhe-</p><p>cimento sobre cada uma dessas situações, uma vez que podem evoluir com</p><p>complicações e consequências graves. Diante disso, torna-se imprescindível</p><p>que os indivíduos sejam capacitados para realizar atendimentos de urgência</p><p>e emergência, principalmente os profissionais da área da saúde.</p><p>146</p><p>Lesões musculoesqueléticas: torção a fratura</p><p>O sistema musculoesquelético humano possui a função de apoiar e</p><p>proteger o corpo e promover o movimento dos membros, os quais ocorrem</p><p>pela interligação entre componentes como ossos, articulações, músculos,</p><p>tendões e ligamentos. Como qualquer outro sistema do organismo humano,</p><p>o musculoesquelético</p><p>também está sujeito a agravos clínicos e traumáticos,</p><p>e dentre os agravos traumáticos, podemos citar as distensões, as entorses, as</p><p>luxações e as fraturas.</p><p>A maioria das lesões traumato-ortopédicas não apresenta muita gravi-</p><p>dade, entretanto, são extremamente dolorosas e demandam treinamento</p><p>adequado para a realização do atendimento inicial, uma vez que manobras</p><p>desorientadas e descontroladas podem provocar laceração de partes moles</p><p>e até mesmo perfurações da pele, transformando uma fratura fechada em</p><p>exposta, por exemplo, com prognóstico muito pior. Na maior parte das vezes</p><p>a imobilização será suficiente para aliviar a dor e estabelecer condições</p><p>favoráveis à cura da lesão, entretanto, o manejo de cada uma delas tem suas</p><p>especificidades. Para isso, apresentaremos a seguir as características de cada</p><p>uma delas.</p><p>Distensões</p><p>A distensão de um músculo ou de um tendão pode ser causada por uso,</p><p>alongamento ou estresse excessivo. De acordo com os sintomas apresentados,</p><p>as distensões podem ser classificadas em:</p><p>• Primeiro grau: estiramento leve do músculo ou do tendão.</p><p>• Segundo grau: ruptura parcial do músculo ou do tendão.</p><p>• Terceiro grau: alongamento significativo do músculo ou do tendão,</p><p>com ruptura e laceração do tecido envolvido.</p><p>Os sinais e sintomas variam desde dor, edema, espasmo muscular, ausência</p><p>da capacidade em sustentar o peso muscular, equimoses e até mesmo perda</p><p>funcional do membro afetado.</p><p>Entorses</p><p>A entorse é definida quando há lesão nos ligamentos e tendões que</p><p>envolvem as articulações. É causada por movimentos de torção ou hiperex-</p><p>tensão forçada de uma articulação. Nesse tipo de traumatismo, os ligamentos</p><p>são distendidos além de sua amplitude normal, que acabam rompidos.</p><p>147</p><p>As formas graves produzem perda da estabilidade da articulação, às vezes</p><p>acompanhada por luxação. As entorses são classificadas em:</p><p>• Primeiro grau: estiramento das fibras ligamentares com lesões mínimas.</p><p>• Segundo grau: ruptura parcial do ligamento.</p><p>• Terceiro grau: o ligamento é completamente lacerado ou rompido,</p><p>podendo causar avulsão óssea.</p><p>Os sintomas apresentados são: dor intensa na região da articulação</p><p>atingida, edema, dificuldade de movimentação, que poderá ser maior ou</p><p>menor, conforme a contração muscular ao redor da lesão, perda parcial da</p><p>função ou, ainda, movimento articular anormal.</p><p>Luxações</p><p>A luxação é uma lesão na qual a extremidade de um dos ossos de uma</p><p>articulação é deslocada de seu lugar. O dano aos tecidos moles pode ser muito</p><p>grave, afetando vasos sanguíneos, nervos e cápsula articular. Esse agravo</p><p>provoca dor intensa, limita o movimento da articulação afetada e provoca</p><p>deformidade grosseira no local da lesão. Os casos de luxação ocorrem geral-</p><p>mente devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos articu-</p><p>lares violentos. As articulações mais atingidas são o ombro, cotovelo, articu-</p><p>lação dos dedos e mandíbula.</p><p>A redução da luxação deverá ser realizada somente em ambiente hospi-</p><p>talar devido ao risco de lesões em vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas.</p><p>Reflita</p><p>Você sabia que “reduzir” uma fratura ou luxação significa tracionar o</p><p>membro afetado com a finalidade de alinhá-lo à sua posição anatômica?</p><p>Esse procedimento é sempre realizado pelo médico, em ambiente</p><p>hospitalar, para garantir que estruturas próximas à fratura não sofram</p><p>algum tipo de lesão.</p><p>Os cuidados a serem observados tanto nas distensões, como nas entorses</p><p>e nas luxações consistem em aplicar gelo no local para reduzir a formação</p><p>de edema e aliviar a dor e imobilizar o membro na posição mais cômoda</p><p>à vítima.</p><p>O gelo pode ser aplicado com auxílio de bolsas térmicas ou colocado</p><p>dentro de sacos plásticos. Nessa segunda situação, a pele da vítima deverá ser</p><p>protegida com um pano limpo para não provocar lesões dos tecidos.</p><p>148</p><p>Já a imobilização deve ser realizada com talas, tipoias e faixas. Na ausência</p><p>dessas, qualquer outro material rígido poderá ser utilizado: pedaços de</p><p>madeira, revista ou papelão dobrados. Além disso, a tala improvisada deverá</p><p>ser amarrada com auxílio de faixas, tecidos, bandagens ou outros, desde que</p><p>não permitam que o membro se movimente em qualquer direção. Por outro</p><p>lado, a imobilização não deve ficar apertada a ponto de prejudicar a circu-</p><p>lação do membro afetado.</p><p>Fraturas</p><p>A fratura é definida como uma ruptura completa ou incompleta na conti-</p><p>nuidade da estrutura óssea, e é classificada acordo com seu tipo (aberta ou</p><p>fechada) e com sua extensão. Ela ocorre quando o osso é submetido a um</p><p>estresse maior do que ele é capaz de absorver, provocado por golpes diretos,</p><p>forças de esmagamento, movimentos de torção repentinos e contrações</p><p>musculares extremas.</p><p>As fraturas fechadas (ou fraturas simples) são aquelas que não compro-</p><p>metem a integridade da pele. Já as fraturas expostas acometem também toda</p><p>a extensão do osso até a pele ou membrana mucosa, e são facilmente detec-</p><p>tadas visualmente.</p><p>Exemplificando</p><p>Aspecto Descrição</p><p>Fratura completa: ruptura em toda a seção</p><p>transversa do osso; frequentemente é deslo-</p><p>cada.</p><p>Fratura incompleta: ruptura ao longo de ape-</p><p>nas parte da seção transversa do osso; ocorre</p><p>mais comumente em crianças.</p><p>149</p><p>Fratura cominutiva: produz vários fragmentos</p><p>ósseos.</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock .</p><p>Além dos ossos, tanto as estruturas adjacentes como os órgãos próximos</p><p>à fratura também podem sofrer algum tipo de lesão. Portanto, é comum</p><p>encontrarmos edema das partes moles, hemorragias, luxações, rompimento</p><p>de tendões ou secção de nervos. Os sintomas apresentados pela vítima são:</p><p>dor intensa, impotência funcional, deformidade ou descontinuidade do</p><p>segmento fraturado, edema, sangramento e crepitação causada por atrito dos</p><p>fragmentos ósseos fraturados.</p><p>No atendimento inicial à vítima de fratura as orientações são:</p><p>• Imobilizar o membro afetado e estabilizar as articulações próximas.</p><p>• Não remover a vítima até que as fraturas estejam imobilizadas.</p><p>• No primeiro atendimento, o alinhamento e a tração do membro</p><p>devem ser realizados de forma delicada somente se necessário.</p><p>• Não retificar fraturas em joelho, tornozelo, punho e cotovelo, e imobi-</p><p>lizá-las na posição da deformidade em que se encontra.</p><p>• Não apertar a imobilização de forma excessiva para que a circulação</p><p>do membro não seja prejudicada.</p><p>• Manter as talas de imobilização firmes, porém não as apertar a ponto</p><p>de interferir na circulação.</p><p>• Em caso de fraturas abertas, controlar o sangramento e cobrir a ferida</p><p>com curativo limpo antes da imobilização; não reposicionar o osso</p><p>em casos de exposição óssea e encaminhar para serviço especializado</p><p>o mais breve possível.</p><p>Crise convulsiva</p><p>A crise convulsiva, ou convulsão, é decorrente de um problema neuro-</p><p>lógico que desencadeia uma desordem temporária no cérebro. Durante um</p><p>breve período, o cérebro deixa de funcionar normalmente e envia descargas</p><p>elétricas desorganizadas ao restante do corpo, caracterizando as crises.</p><p>150</p><p>Reflita</p><p>As pessoas que apresentam convulsões recorrentes ao longo de sua</p><p>vida são diagnosticadas com epilepsia, porém isso não quer dizer que</p><p>toda crise convulsiva seja decorrente de um quadro de epilepsia.</p><p>As crises convulsivas podem ser causadas por inúmeros outros fatores,</p><p>como hemorragia intracraniana, intoxicação exógena, falta de oxige-</p><p>nação no cérebro, efeitos colaterais provocados por medicamentos,</p><p>além de doenças como tétano, meningite e tumores cerebrais.</p><p>Dessa forma, é possível afirmar que nem toda crise convulsiva é decor-</p><p>rente da epilepsia, porém, todo quadro de epilepsia se manifesta</p><p>através das crises convulsivas.</p><p>Existem várias formas de manifestação das crises convulsivas, mas a mais</p><p>frequente e importante no aspecto de atendimento de emergência são as crises</p><p>generalizadas ou tônico-clônicas. Essas crises se manifestam com espasmos</p><p>incontroláveis, coloração azulada dos lábios, olhos virados para cima, incons-</p><p>ciência e salivação abundante. Além disso, geralmente se iniciam com perda</p><p>súbita de consciência, que provocam queda</p><p>e está satisfeita com seus estudos, pois agora poderá</p><p>ir tranquilamente realizar a prova que será aplicada na segunda fase do</p><p>processo seletivo. Ela entendeu que as normas dentro de um laboratório</p><p>são muito importantes, atingindo todas as fases (pré-analíticas, analíticas e</p><p>pós- analíticas). Ela entendeu como um bom gerenciamento e a aplicação de</p><p>controles internos e externos de qualidade podem melhorar cada vez mais os</p><p>serviços prestados.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A biomedicina é uma ciência voltada principalmente para pesquisas das</p><p>mais variadas doenças presentes em humanos, com foco na prevenção, no</p><p>diagnóstico e no tratamento.</p><p>Com relação ao contexto apresentado, complete as lacunas da sentença a</p><p>seguir:</p><p>A biomedicina foi ____________, em 1979, pela ____________, dispondo</p><p>que o exercício da profissão é permitido apenas ao portador da carteira de</p><p>identidade profissional, emitida pelo ____________ da jurisdição em que o</p><p>profissional irá atuar.</p><p>Assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente.</p><p>a. Regulamentada/ Lei Federal nº. 6.684/ Conselho Regional de Biome-</p><p>dicina.</p><p>b. Criada/ Lei Estadual nº. 6.684/ Conselho Regional de Biomedicina.</p><p>16</p><p>c. Inaugurada/ federação de biomedicina/ Conselho Federal de Biome-</p><p>dicina.</p><p>d. Regulamentada/ Lei Estadual nº. 25.381/ Conselho da cidade.</p><p>e. Iniciada/ Lei Estadual nº. 5.384/ Conselho Federal De Biomedicina.</p><p>2. Inúmeros profissionais incorporam um laboratório clínico, cada um com</p><p>uma função específica e legalmente habilitados, colaborando para o trata-</p><p>mento e prevenção de diversas patologias.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. Normalmente os laboratórios clínicos são classificados no nível 2 de</p><p>segurança, porém, podem conter micro-organismos do nível 3 e 4.</p><p>II. Os laboratórios clínicos estão sujeitos ao contato com todos os níveis</p><p>de micro-organismos, mas de acordo com a CTNBio, devem estar</p><p>preparados para o nível 1.</p><p>III. Os laboratórios são classificados no nível 2 de segurança, com risco</p><p>moderado para as pessoas e o meio ambiente.</p><p>a. Apenas I e III.</p><p>b. Apenas I e II.</p><p>c. Apenas II e III.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>3. Um laboratório clínico deve prestar serviços destinados às amostras</p><p>de materiais biológicos de pacientes, com o intuito de fornecer apoio ao</p><p>diagnóstico, assim como a terapêutica que deverá ser utilizada, compreen-</p><p>dendo todas as fases analíticas, e sempre de acordo com as normas vigentes.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. A RDC Nº 302 de 13 de outubro de 2005 dispõe sobre os regula-</p><p>mentos técnicos para o pleno funcionamento dos laboratórios</p><p>clínicos, sejam eles públicos ou privados.</p><p>II. O laboratório de análises clínicas deve possuir alvará de licença, que</p><p>deve ser expedido pelo próprio laboratório, para que esteja legal-</p><p>mente habilitado para suas funções.</p><p>17</p><p>III. Todo laboratório deve ter um profissional legalmente habilitado,</p><p>com a função de responsável técnico, devendo este ser encarregado</p><p>de chefiar todos os setores, independentemente de suas funções.</p><p>É correto o que se afirma em.</p><p>a. Apenas I e III.</p><p>b. Apenas III.</p><p>c. Apenas II e III.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>18</p><p>Seção 2</p><p>Laboratórios e hospitais</p><p>Diálogo aberto</p><p>Caro aluno, vamos iniciar os estudos sobre laboratórios de hospitais.</p><p>Nesta seção, aprenderemos sobre conceitos básicos relacionados ao labora-</p><p>tório hospitalar, assim como as principais normas e diretrizes relacionadas</p><p>à equipe multiprofissional envolvida. Além disso, conheceremos um pouco</p><p>sobre as perspectivas futuras de atuação do biomédico nessa área.</p><p>Entender sobre as normas vigentes em um laboratório clínico é essencial,</p><p>principalmente para manter resultados satisfatórios dentro de uma empresa.</p><p>Mariana, Carlos e Francisca estão muito animados para iniciar a vida</p><p>profissional. Nós ajudamos Mariana a estudar a legislação envolvida nessa</p><p>área. Agora, chegou a vez de ajudarmos Carlos em sua jornada. Diferente</p><p>de Mariana, ele acabou de iniciar sua vida profissional, então foi à procura</p><p>do seu primeiro emprego em diferentes hospitais, e como tinha um ótimo</p><p>currículo, foi contratado para trabalhar em um laboratório hospitalar, que é</p><p>referência em sua cidade. Ele ainda está realizando as capacitações e os treina-</p><p>mentos exigidos pela empresa, e iniciará suas atividades no setor de micro-</p><p>biologia. Além disso, ele foi convidado a compor a Comissão de Controle de</p><p>Infecção Hospitalar. Carlos está muito animado, e não é para menos, não é</p><p>mesmo? Porém, ele está um pouco apreensivo, pois ainda não conhece muito</p><p>sobre essa comissão. Você sabe o que é a Comissão de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar, quais são os objetivos dela e a equipe que atua nela? Vamos ajudar</p><p>Carlos a entender um pouco mais sobre ela?</p><p>Bom estudo!</p><p>Nâo pode faltar</p><p>Laboratório de hospitais: conceitos e definições</p><p>Assim como em um laboratório de análises clínicas, um laboratório de</p><p>um hospital deve seguir diversas normas e diretrizes para as mais variadas</p><p>funções, para que consolide qualidade e precisão diagnóstica.</p><p>Geralmente, podemos definir dois tipos de laboratório: os privados, que</p><p>recebem mais solicitações médicas de clínica geral, centro de pesquisas e</p><p>19</p><p>outras clínicas de saúde; e os hospitalares, que são ligados a um hospital e</p><p>realizam testes, principalmente com mais urgência.</p><p>Os exames de rotina em um laboratório de análises clínicas são, em</p><p>sua maioria, dentro da normalidade ou levemente alterados, porém, nos</p><p>laboratórios de hospitais, eles são, em sua grande totalidade, alterados,</p><p>então, muitas vezes, isso exige intervenção e apoio médico imediato. É claro</p><p>que essa condição depende muito do porte do hospital e da complexidade</p><p>dos pacientes, por exemplo, hospitais que possuem muitas especialidades,</p><p>pronto-socorro e UTI precisam de muito mais apoio diagnóstico do que um</p><p>laboratório de um hospital geral, com menos especialidades e sem centro de</p><p>urgência.</p><p>Laboratório de hospitais: diretrizes e normativas</p><p>Conforme já estudamos na seção anterior, a RDC nº 302, de 13 de</p><p>outubro de 2005, é uma resolução da Anvisa que dispõe sobre o regulamento</p><p>técnico para o funcionamento de laboratórios clínicos e comenta que todos</p><p>os laboratórios devem ter atualizações constantes, com orientações sobre</p><p>a biossegurança, como normas e condutas de segurança dos mais diversos</p><p>riscos envolvidos no ambiente; instruções para o uso de equipamentos de</p><p>segurança; procedimentos em caso de acidentes; e manejo de amostra bioló-</p><p>gica, desde a coleta até a disposição final desses resíduos.</p><p>É fundamental que os laboratórios hospitalares possuam um contrato</p><p>formal entre as partes, e caso possuam exames terceirizados, estes devem ter</p><p>a definição de assistência e responsabilidades com o laboratório de apoio.</p><p>Em relação aos resíduos produzidos no laboratório, este deve se integrar das</p><p>normas e da gestão de resíduos do hospital.</p><p>Já a RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, comenta sobre o regulamento</p><p>técnico para planejar, elaborar e avaliar os projetos físicos dos laboratórios. Porém,</p><p>é importante salientar que essa norma não estabelece um único padrão de estabele-</p><p>cimento de saúde, assim, cada laboratório deverá se adequar às suas peculiaridades,</p><p>de acordo com as atividades distintas que ocorrem no local. O laboratório deverá</p><p>ter continuidade em suas funções, e caso falte energia, deverá ter um gerador para</p><p>dar continuidade à análise dos exames.</p><p>E de acordo com o que vimos na seção anterior, o controle de qualidade,</p><p>independentemente do ambiente que o laboratório clínico se encontra, é primor-</p><p>dial, portanto, devem ser implantados controles de qualidade internos e externos.</p><p>O TAT, sigla em inglês para Turn Around Time, que quer dizer tempo de retorno,</p><p>é um importante indicador quantitativo que demonstra se o laboratório está</p><p>cumprindo o tempo de retorno acordado com todos os envolvidos, sejam os</p><p>20</p><p>pacientes, os médicos ou os serviços hospitalares. Esse indicador engloba as três</p><p>ao chão; posteriormente, a</p><p>vítima permanece por um curto período com o corpo rígido e, a seguir, os</p><p>movimentos involuntários se iniciam, durando cerca de três a cinco minutos.</p><p>Os tremores diminuem progressivamente até a cessação completa, seguidos</p><p>por um período de inconsciência. Conforme a retomada da consciência, a</p><p>vítima pode apresentar certa confusão mental, dor de cabeça e sonolência.</p><p>A maioria das crises são de curta duração e autolimitadas, entretanto, o</p><p>socorrista deverá estar atento às crises convulsivas prolongadas (com duração</p><p>igual ou maior do que 30 minutos) ou repetidas. As contrações musculares</p><p>consomem oxigênio e impõem uma intensa demanda metabólica. Além</p><p>disso, os movimentos respiratórios, os quais também dependem da muscu-</p><p>latura, podem sofrer interferências como períodos de parada respiratória</p><p>associada a risco de dano cerebral.</p><p>O atendimento de emergência às crises convulsivas consiste em:</p><p>• Manter a calma e acalmar os demais: a convulsão, na maioria das</p><p>vezes, é autolimitada com começo, meio e fim.</p><p>• Cronometrar duração da crise e acionar serviço de emergência.</p><p>• Segurar e/ou proteger a cabeça da vítima com travesseiros, almofadas,</p><p>blusas, entre outros.</p><p>• Remover objetos ao redor que podem causar lesões.</p><p>151</p><p>• Manter a região cervical livre, afrouxando gravatas, colarinhos, lenços</p><p>ou colares.</p><p>• Manter a cabeça lateralizada para que a saliva não provoque obstrução</p><p>de vias aéreas.</p><p>• Não abrir a boca e nem prender a língua com a mão ou algum objeto,</p><p>pois a vítima pode morder sua mão ou se machucar.</p><p>• Após a crise (pós-ictal), colocar a vítima em posição de recuperação</p><p>(Figura 4.5).</p><p>• Permanecer com a vítima até que a respiração volte ao normal e ela</p><p>se levante.</p><p>Figura 4.5 | Posição de recuperação após crise convulsiva</p><p>Mão sob o queixo para manter</p><p>a boca aberta</p><p>Braço e perna dobrados para apoio</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock.</p><p>Síncope e desmaio</p><p>As síncopes (ou desmaios) ocorrem quando uma pessoa apresenta perda</p><p>breve e repentina da consciência e geralmente evolui com rápida recupe-</p><p>ração. Comumente se manifestam com sensação de mal-estar e tonturas que</p><p>levam ao desfalecimento, e são provocadas por uma redução temporária do</p><p>fluxo de sangue e oxigênio ao cérebro.</p><p>Exemplificando</p><p>A redução de sangue ao tecido cerebral pode ser ocasionada pelas</p><p>seguintes condições: acidente vascular encefálico isquêmico e hemor-</p><p>rágico, convulsões, tumor cerebral; arritmias, cardiopatias; embolias</p><p>152</p><p>e hipertensão pulmonar; hipoglicemias, intoxicações; hipotensão</p><p>postural, síncope situacional ou vasovagal; infecções mais graves;</p><p>origem psicogênica: ansiedade ou tensão emocional.</p><p>A vítima apresenta sinais e sintomas como: náuseas, tonturas, suor</p><p>moderado ou abundante, palidez cutânea, turvação visual e perda da consci-</p><p>ência. Além disso, os cuidados ao indivíduo que apresenta mal-estar – ou</p><p>síncope propriamente dita – devem ser direcionados conforme seus sintomas:</p><p>Mal-estar e tonturas: deitar a vítima com as pernas mais elevadas em</p><p>relação à sua cabeça, ou sentá-la em uma cadeira, abaixando sua cabeça até</p><p>o nível dos joelhos – esses procedimentos auxiliam no aumento do fluxo de</p><p>sanguíneo ao cérebro.</p><p>Síncope: tentar amparar a vítima durante a queda e verificar sua respi-</p><p>ração. Se os movimentos respiratórios estiverem presentes, deitar a vítima</p><p>de costas, afrouxar sua roupa e elevar as pernas acima do nível da cabeça. Na</p><p>presença de vômito, lateralizar a cabeça para evitar broncoaspiração.</p><p>Ausência de movimentos respiratórios: verificar se as vias respira-</p><p>tórias estão desobstruídas e confirmar presença de pulso, se necessário,</p><p>iniciar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, conforme veremos na</p><p>próxima seção.</p><p>Engasgo</p><p>O engasgo é definido como uma manifestação do organismo em tentar</p><p>expelir qualquer objeto que esteja obstruindo a passagem do ar nas vias</p><p>aéreas. É considerado uma emergência, principalmente em crianças, já que</p><p>os casos graves podem levar à insuficiência respiratória e até mesmo à morte</p><p>em um período de apenas quatro minutos. Como não há tempo suficiente</p><p>para esperar a chegada do socorro médico, o socorrista deve agir o mais</p><p>rápido possível.</p><p>Assimile</p><p>A epiglote é uma estrutura cartilaginosa, localizada na parte superior da</p><p>laringe, atrás da língua, a qual funciona como uma válvula: permanece</p><p>aberta durante a inspiração permitindo a entrada do ar aos pulmões,</p><p>e se fecha durante o processo de deglutição, bloqueando a passagem</p><p>do alimento para os pulmões. Diante disso, qualquer interferência no</p><p>processo de deglutição ou no funcionamento da epiglote pode levar a</p><p>um engasgo.</p><p>153</p><p>Os casos de engasgamento podem ser identificados a partir da presença</p><p>de alguns sinais clássicos como: a pessoa tenta falar, mas a voz não sai;</p><p>agitação; posição das mãos na região da garganta; cianose. A presença</p><p>da tosse ou choro (no caso das crianças), indica que o indivíduo não teve</p><p>obstrução completa de suas vias aéreas, nesse caso, orienta-se observar</p><p>o quadro clínico e deixar a pessoa tossir à vontade para eliminar o corpo</p><p>estranho. Porém, se o caso clínico piorar nesse período, o socorrista deverá</p><p>prestar auxílio imediatamente.</p><p>Para atender aos casos de engasgo o socorrista deve aplicar a Manobra de</p><p>Heimlich. Essa manobra foi descrita pela primeira vez em 1974 por Henry</p><p>Heimlich, sendo posteriormente reconhecida pela Cruz Vermelha e difun-</p><p>dida mundialmente. Consiste em provocar uma tosse forçada ou auxiliada</p><p>com o objetivo de ajudar a vítima a desobstruir suas vias aéreas. A seguir,</p><p>apresentaremos a técnica de aplicação dessa manobra.</p><p>Como realizar a manobra de Heimlich com a vítima em pé e</p><p>consciente</p><p>• Confirmar a presença de dificuldade para respirar (dispneia) ou</p><p>ausência de respiração (apneia).</p><p>• Posicionar-se atrás da vítima.</p><p>• Enlaçar a vítima com os braços ao redor do abdome; se for uma</p><p>criança, ajoelhe-se primeiro.</p><p>• Manter uma das mãos fechada e sobre a região epigástrica.</p><p>• A outra mão comprime a primeira a mesmo tempo que empurra a</p><p>região epigástrica para dentro e para cima, como se quisesse levantar</p><p>a vítima do chão, realizando um movimento em “J”.</p><p>• Repetir os movimentos rápida e vigorosamente, quantas vezes</p><p>forem necessárias.</p><p>Vale lembrar que essa técnica é aplicável a adultos e crianças em idade</p><p>escolar. No caso dos bebês de colo, a técnica de desobstrução deve ser reali-</p><p>zada de maneira diferentes, conforme veremos mais adiante.</p><p>Se a vítima estiver sozinha, ela poderá realizar a técnica também, porém,</p><p>com auxílio de uma cadeira. Essa técnica também será explorada ao final</p><p>desta seção.</p><p>154</p><p>Figura 4.6 | Manobra de Heimlich com a vítima em pé</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock .</p><p>Como realizar a manobra de Heimlich com a vítima deitada</p><p>e/ou inconsciente</p><p>• Chamar ajuda pelo número 192.</p><p>• Sentar-se de frente para a vítima, sobre suas pernas.</p><p>• Posicionar as mãos abertas, uma sobre a outra, em região epigástrica.</p><p>• Realizar movimentos de pressão sobre a região epigástrica e para</p><p>cima, utilizando o peso do corpo.</p><p>• Repetir quantas vezes forem necessárias.</p><p>Agora você, como um profissional da área de saúde, conhece os procedi-</p><p>mentos que devem ser realizados frente a agravos com lesões musculoesque-</p><p>léticas, crises convulsivas, desmaios e engasgos. Você viu durante a seção que</p><p>a atuação rápida e efetiva do socorrista até a chegada de atendimento especia-</p><p>lizado é importante na manutenção das funções vitais, bem como para evitar</p><p>o agravamento da condição em que se encontra a vítima.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu sobre a primeira parte do atendi-</p><p>mento a agravos de urgência e emergência, vamos solucionar a situação-</p><p>-problema exposta, na qual estamos acompanhando a rotina de Henrique,</p><p>155</p><p>um aluno do 8º semestre do curso de Biomedicina que está iniciando as</p><p>atividades de estágio obrigatório em um laboratório de análises clínicas de</p><p>sua cidade e está participando da semana de integração e acolhimento. No</p><p>segundo dia de treinamento, Henrique</p><p>participou de palestras que abordam</p><p>os seguintes temas: lesão musculoesquelética: torção a fratura; crise convul-</p><p>siva; desmaio; engasgo. Ao ler o roteiro, Henrique se lembrou de uma vez em</p><p>que tentou auxiliar no atendimento a uma pessoa com crise convulsiva, mas</p><p>estava tão aflito que não obteve sucesso. Como você realizaria os primeiros</p><p>socorros desses agravos de forma confiante e segura no lugar de Henrique?</p><p>Qual passo a passo você realizaria em cada um desses atendimentos? Vamos</p><p>ajudar o Henrique a resolver essas dúvidas? Para a resolução da situação-pro-</p><p>blema, é necessário conhecermos os procedimentos de primeiros socorros a</p><p>cada um dos agravos citados:</p><p>Lesões musculoesqueléticas</p><p>Distensão, entorse e luxação: imobilizar o membro afetado e aplicar</p><p>gelo. O gelo pode ser aplicado com auxílio de bolsas térmicas ou colocado</p><p>dentro de sacos plásticos. Nessa segunda situação, a pele da vítima deverá ser</p><p>protegida com um pano limpo para não provocar lesões dos tecidos.</p><p>Já a imobilização deve ser realizada com talas, tipoias e faixas. Na ausência</p><p>dessas, qualquer outro material rígido poderá ser utilizado: pedaços de</p><p>madeira, revista ou papelão dobrados. Além disso, a tala improvisada deverá</p><p>ser amarrada com auxílio de faixas, tecidos, bandagens ou outros, desde que</p><p>impeçam o membro de se movimentar em qualquer direção.</p><p>Fratura</p><p>• Imobilizar o membro afetado e estabilizar as articulações próximas.</p><p>• Não remover a vítima até que as fraturas estejam imobilizadas.</p><p>• Realizar alinhamento e tração de forma delicada antes de imobilizar</p><p>as fraturas de ossos longos (fêmur, tíbia, úmero, rádio, ulna).</p><p>• Não retificar fraturas em joelho, tornozelo, punho e cotovelo, e imobi-</p><p>lizá-las na posição da deformidade em que se encontra.</p><p>• Não apertar a imobilização de forma excessiva para que a circulação</p><p>do membro não seja prejudicada.</p><p>• Manter as talas de imobilização firmes, porém não as apertar a ponto</p><p>de interferir na circulação.</p><p>156</p><p>• No caso de fraturas abertas: controlar o sangramento e cobrir a ferida</p><p>com curativo limpo antes da imobilização; não reposicionar o osso</p><p>em casos de exposição óssea.</p><p>Crise convulsiva</p><p>• Manter a calma e acalmar os demais: a convulsão, na maioria das</p><p>vezes, é autolimitada com começo, meio e fim.</p><p>• Cronometrar a duração da crise e acionar atendimento especializado.</p><p>• Segurar e/ou proteger a cabeça da vítima com travesseiros, almofadas,</p><p>blusas, entre outros.</p><p>• Remover objetos ao redor que podem causar lesões.</p><p>• Manter a região cervical livre, afrouxando gravatas, colarinhos, lenços</p><p>ou colares.</p><p>• Manter a cabeça lateralizada para que a saliva não provoque obstrução</p><p>de vias aéreas.</p><p>• Não abrir a boca e nem prender a língua com a mão ou algum objeto,</p><p>pois a vítima pode morder sua mão ou se machucar.</p><p>• Após a crise (pós-ictal), colocar a vítima em posição de recuperação.</p><p>• Permanecer com a vítima até que a respiração volte ao normal e ela</p><p>se levante.</p><p>• Acionar o serviço de emergência caso a crise demore ou ocorra na</p><p>sequência de outras.</p><p>Síncope e desmaio</p><p>Mal-estar e tonturas: deitar a vítima com as pernas mais elevadas em</p><p>relação à sua cabeça, ou sentá-la em uma cadeira, abaixando sua cabeça até</p><p>o nível dos joelhos – estes procedimentos auxiliam no aumento do fluxo de</p><p>sanguíneo ao cérebro.</p><p>Síncope: tentar amparar a vítima durante a queda e verificar sua respi-</p><p>ração. Se os movimentos respiratórios estiverem presentes, deitar a vítima</p><p>de costas, afrouxar sua roupa e elevar as pernas acima do nível da cabeça. Na</p><p>presença de vômito, lateralizar a cabeça para evitar broncoaspiração.</p><p>Ausência de movimentos respiratórios: verificar se as vias respiratórias</p><p>estão desobstruídas e confirmar presença de pulso; se necessário, iniciar as</p><p>manobras de ressuscitação cardiopulmonar.</p><p>157</p><p>Engasgo</p><p>Vítima em pé e consciente</p><p>• Confirmar a presença de dificuldade para respirar (dispneia) ou</p><p>ausência de respiração (apneia).</p><p>• Posicionar-se atrás da vítima.</p><p>• Enlaçar a vítima com os braços ao redor do abdome; se for uma</p><p>criança, ajoelhe-se primeiro.</p><p>• Manter uma das mãos fechada e sobre a região epigástrica.</p><p>• A outra mão comprime a primeira a mesmo tempo que empurra a</p><p>região epigástrica para dentro e para cima, como se quisesse levantar</p><p>a vítima do chão, realizando um movimento em “J”.</p><p>• Repetir os movimentos rápida e vigorosamente, quantas vezes</p><p>forem necessárias.</p><p>Vítima deitada e/ou inconsciente</p><p>• Chamar ajuda pelo número 192.</p><p>• Sentar-se de frente para a vítima, sobre suas pernas.</p><p>• Posicionar as mãos abertas, uma sobre a outra, em região epigástrica.</p><p>• Realizar movimentos de pressão sobre a região epigástrica e para</p><p>cima, utilizando o peso do corpo.</p><p>• Repetir quantas vezes forem necessárias.</p><p>Avançando na prática</p><p>Realizando a desobstrução de vias aéreas em situações espe-</p><p>ciais</p><p>Durante o treinamento sobre socorro às vítimas de engasgo, na semana de</p><p>integração e acolhimento do estagiário Henrique no laboratório de análises</p><p>clínicas, o palestrante citou que a manobra de desobstrução de vias aéreas</p><p>apresenta variações quando realizada em bebês ou, ainda, quando a vítima</p><p>se encontra sozinha e apresenta obstrução de vias aéreas. Você, aluno, teria</p><p>as mesmas dúvidas de Henrique? Sabe como e realizar essas manobras? Sabe</p><p>como aplicá-las de forma adequada?</p><p>158</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>As crianças frequentemente são vítimas de engasgo; em bebês lactentes</p><p>o engasgo geralmente é causado por líquidos; em crianças maiores (até 1</p><p>ano de idade) é comum ocorrer por conta de alimentos sólidos e pequenos</p><p>objetos, como brinquedos e botões, entre outros. Para realizar a desobstrução</p><p>de vias aéreas nesses casos, orienta-se os seguintes cuidados:</p><p>• Observar sinais de obstrução de vias aéreas, como início súbito de</p><p>grave dificuldade respiratória; choro fraco ou silencioso; tosse silen-</p><p>ciosa ou inefetiva.</p><p>• Colocar o bebê de bruços em cima do seu braço, segurando seu</p><p>queixo, e aplicar cinco golpes na região entre as escápulas da criança,</p><p>utilizando o “calcanhar” da sua mão (Figura 4.7).</p><p>• Virar o bebê de barriga para cima em seu braço e efetuar mais cinco</p><p>compressões sobre o esterno.</p><p>• Tentar visualizar e remover o corpo estranho da boca delicadamente.</p><p>• Se não obtiver sucesso, repetir as compressões até a chegada a um</p><p>serviço de emergência.</p><p>• Em caso de bebês não responsivos: deitar a criança em superfície</p><p>rígida e iniciar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar.</p><p>Figura 4.7 | Manobra de desobstrução de vias aéreas em bebês</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>As vítimas que se encontram sozinhas no momento do engasgo também</p><p>podem realizar a manobra de Heimlich:</p><p>159</p><p>• Colocar seu punho acima da região umbilical e segure-o com a</p><p>outra mão.</p><p>• Incline-se sobre uma cadeira ou bancada e conduza seu punho em</p><p>direção a si mesmo com um impulso para cima.</p><p>• Se não conseguir, faça os movimentos sem o uso das mãos, direta-</p><p>mente na cadeira.</p><p>Figura 4.8 | Aplicação da manobra de Heimlich com a vítima sozinha</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Leia a seguinte afirmativa a respeito dos procedimentos de primeiros</p><p>socorros:</p><p>Tentar amparar a vítima durante a queda e verificar sua respiração. Se os</p><p>movimentos respiratórios estiverem presentes, deitar a vítima de costas,</p><p>afrouxar sua roupa e elevar as pernas acima do nível da cabeça. Na presença</p><p>de vômito, lateralizar a cabeça para evitar broncoaspiração.</p><p>Esse trecho se refere ao atendimento inicial de qual agravo? Assinale a alter-</p><p>nativa correta.</p><p>a. Crise convulsiva.</p><p>b. Síncope ou desmaio.</p><p>160</p><p>c. Epilepsia.</p><p>d. Engasgo.</p><p>e. Intoxicação exógena.</p><p>2. Como qualquer outro sistema do organismo humano, o musculoesque-</p><p>lético também está sujeito a tramas. Apesar da maioria das lesões trauma-</p><p>to-ortopédicas não apresentarem muita gravidade, elas são extremamente</p><p>dolorosas e demandam treinamento adequado para a realização do atendi-</p><p>mento inicial.</p><p>Considerando os tipos de lesão traumato-ortopédicas, analise as afirmativas</p><p>a seguir:</p><p>I. A entorse é definida quando</p><p>há lesão nos ligamentos e tendões que</p><p>envolvem as articulações. É causada por movimentos de torção ou</p><p>hiperextensão forçada de uma articulação.</p><p>II. A luxação é definida como uma ruptura completa ou incompleta na</p><p>continuidade da estrutura óssea, sendo classificada acordo com seu</p><p>tipo (aberta ou fechada) e com sua extensão. Ela ocorre quando o</p><p>osso é submetido a um estresse maior do que ele é capaz de absorver,</p><p>provocado por golpes diretos, forças de esmagamento, movimentos</p><p>de torção repentinos e contrações musculares extremas</p><p>III. A fratura é uma lesão na qual a extremidade de um dos ossos de</p><p>uma articulação é deslocada de seu lugar. O dano aos tecidos moles</p><p>pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos, nervos e cápsula</p><p>articular.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I.</p><p>b. Apenas II.</p><p>c. Apenas I e II.</p><p>d. Apenas II e III.</p><p>e. I, II e III.</p><p>3. A crise convulsiva é uma manifestação decorrente de uma desordem</p><p>temporária do cérebro. Durante um breve período, o cérebro envia descargas</p><p>elétricas desordenadas ao restante do corpo, caracterizando as crises.</p><p>161</p><p>Considerando os aspectos relacionados ao atendimento inicial das crises</p><p>convulsivas, analise as afirmativas a seguir e julgue com V para verdadeiro e</p><p>F para falso:</p><p>( ) As crises convulsivas geralmente se iniciam com perda súbita de consci-</p><p>ência e com queda ao chão. Posteriormente os movimentos involuntários se</p><p>iniciam, durando cerca de 30 minutos.</p><p>( ) A maioria das crises são de curta duração e autolimitadas, por isso é</p><p>essencial que o socorrista mantenha a calma e acalme os demais.</p><p>( ) Um dos aspectos que merecem destaque durante uma crise convulsiva</p><p>são os movimentos respiratórios, uma vez que podem sofrer interferências,</p><p>chegando a períodos de parada respiratória, que correspondem a risco de</p><p>dano cerebral.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.</p><p>a. V – V – V.</p><p>b. F – V – F.</p><p>c. V – V – F.</p><p>d. V – F – V.</p><p>e. F – F – V.</p><p>162</p><p>Seção 3</p><p>Suporte básico de vida</p><p>Diálogo aberto</p><p>Olá, aluno! Você já deve ter visto um atendimento a uma situação de</p><p>parada cardiorrespiratória, seja em filmes, novelas ou até mesmo séries.</p><p>Você se lembra quais procedimentos foram demonstrados nas cenas? Sabe</p><p>identificar se o atendimento apresentado corresponde à realidade? A parada</p><p>cardiorrespiratória (PCR) é considerada uma emergência e exige que o</p><p>socorrista tenha habilidade para realizar os procedimentos de forma ágil</p><p>e assertiva. Para otimizar o atendimento, este deve ser realizado com base</p><p>em etapas interdependentes, conhecidas como cadeia de sobrevivência,</p><p>conforme preconizado pela American Heart Association.</p><p>Para assimilarmos o assunto, convido você a continuar acompanhando a</p><p>rotina de Henrique, um aluno do 8º semestre do curso de Biomedicina que</p><p>iniciou as atividades de estágio obrigatório no maior laboratório de análises</p><p>clínicas de sua cidade, e que está participando da semana de integração e</p><p>acolhimento. No terceiro dia de treinamento, Henrique participará de pales-</p><p>tras que abordam os seguintes temas: avaliação primária e secundária da</p><p>vítima, cadeia de sobrevivência da American Heart Association e parada</p><p>cardiorrespiratória. Henrique estava muito animado com o último dia</p><p>de treinamento, pois sempre quis aprender como realizar as manobras de</p><p>ressuscitação cardiopulmonar, por julgar serem elas de extrema importância,</p><p>principalmente para os profissionais de saúde. Você, aluno, também pensa</p><p>como Henrique? Sabe como realizar as manobras de ressuscitação cardio-</p><p>pulmonar conforme a cadeia de sobrevivência? Sabe quais são as prioridades</p><p>nesse atendimento? Vamos ajudar o Henrique a resolver essas dúvidas? Para</p><p>ajudá-lo na resolução dessa situação, apresentaremos os principais conceitos</p><p>relacionados ao atendimento inicial desses agravos. Vamos lá? Aproveite bem</p><p>o seu tempo e não deixe de estudar todos os materiais que serão disponibili-</p><p>zados em mais uma seção da nossa disciplina!</p><p>Não pode faltar</p><p>Olá, aluno! Você sabe como realizar a avaliação de uma vítima de</p><p>agravos clínicos e traumáticos apresentados nas seções anteriores? Sabe</p><p>quais procedimentos devem ser realizados na ressuscitação cardiopul-</p><p>monar? Um atendimento sistematizado otimiza o atendimento à vítima, de</p><p>forma a priorizar situações de maior risco de morte e, assim, garantir sua</p><p>163</p><p>sobrevida. Diante dessa importância, descreveremos a seguir as etapas de</p><p>avaliação primária e secundária da vítima, bem como do atendimento a uma</p><p>parada cardiorrespiratória.</p><p>Avaliação primária</p><p>A avaliação primária é realizada nos atendimentos iniciais de primeiros</p><p>socorros com o objetivo de identificar e corrigir situações de risco imediato</p><p>de morte. Dessa forma, uma vítima em estado crítico será considerada como</p><p>aquela que apresenta alterações significativas em qualquer etapa da avaliação.</p><p>Para realização da avaliação primária, algumas etapas devem ser levadas</p><p>em consideração e podem ser facilmente memorizadas pelo método ABCDE.</p><p>Este método organiza as ações do socorrista de modo a priorizar o atendi-</p><p>mento às situações de maior risco:</p><p>Figura 4.9 | Método ABCDE</p><p>• Circulation – Circulação</p><p>• Airway – Vias aéreas e controle de cervical</p><p>• Breathing – Respiração</p><p>• Disability – Disfunção neurológica</p><p>• Exposure – Exposição com controle de temperatura</p><p>C</p><p>A</p><p>B</p><p>D</p><p>E</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>C – Circulação</p><p>• Procurar por hemorragias externas de natureza não traumática;</p><p>na presença de sangramento ativo, realizar técnicas de controle de</p><p>hemorragia, conforme vimos na Seção 1 desta unidade.</p><p>• Avaliar pulsos periféricos ou centrais: frequência, ritmo, amplitude e</p><p>simetria, conforme vimos na Seção 1 da Unidade 3, “Sinais Vitais –</p><p>pressão arterial e frequência cardíaca”.</p><p>164</p><p>• Verificar coloração e temperatura da pele.</p><p>Assimile</p><p>O choque hipovolêmico – ou hemorrágico – ocorre quando há perda</p><p>excessiva de sangue e/ou fluidos corporais. Como o sangue transporta</p><p>o oxigênio, quanto maior a perda de sangue menor a quantidade de</p><p>O2 que chega aos órgãos e tecidos. Nos casos críticos, o coração não</p><p>consegue bombear sangue suficiente para todas as partes do corpo,</p><p>levando a um quadro de choque.</p><p>Sintomas do choque hemorrágico: palidez, pele úmida e fria; sudorese;</p><p>náuseas; sensação de frio e calafrios; visão turva; respiração acelerada e</p><p>curta; fraqueza; excesso de sede; perda parcial ou total da consciência.</p><p>A – Vias aéreas e controle de cervical</p><p>• Avaliar a responsividade ao chamar a vítima e, concomitantemente,</p><p>observar expansão torácica: se a vítima não responde e não apresenta</p><p>movimentos respiratórios: checar pulso.</p><p>– Pulso ausente: iniciar protocolo para ressuscitação cardiopul-</p><p>monar, lembrando de que essa avaliação não deve demorar mais</p><p>do que dez segundos.</p><p>– Pulso presente: abrir as vias aéreas por meio das manobras de</p><p>hiperextensão da cabeça (Chin Lift) e elevação do queixo (Jaw</p><p>Thrust), conforme demonstrado nas figuras a seguir.</p><p>Figura 4.10 | Manobra de hiperextensão da cabeça (Chin Lift)</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>165</p><p>Figura 4.11 | Manobra de elevação do queixo (Jaw Thrust)</p><p>Fonte: Shutterstock .</p><p>Exemplificando</p><p>A principal causa de obstrução de vias aéreas em vítimas sonolentas é a</p><p>queda da língua para a região orofaríngea. O impedimento da passagem</p><p>de ar conduz a um quadro de parada respiratória, se não atendida</p><p>adequadamente. As manobras de hiperextensão da cabeça (Chin Lift) e</p><p>elevação do queixo (Jaw Thrust), apesar de simples, são muito efetivas</p><p>para promover a desobstrução nesses casos.</p><p>Figura 4.12 | Vias aéreas</p><p>Vias aéreas desobstruídas Obstrução por queda</p><p>de língua</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock.</p><p>166</p><p>• Se as manobras forem suficientes para a vítima voltar a respirar, o</p><p>socorrista deve monitorar sua evolução e prosseguir a avaliação. Caso</p><p>não, o socorrista deve aplicar ventilações de resgate.</p><p>B – Respiração</p><p>• Avaliar a respiração da vítima com base nos critérios de padrão e</p><p>frequência respiratórios, conforme vimos na Seção 2 da Unidade 3,</p><p>“Sinais Vitais –</p><p>respiração”.</p><p>D – Disfunção neurológica</p><p>• Nesta etapa, a avaliação se volta para a observação do nível de consci-</p><p>ência da vítima, sendo realizada com base no AVDI. Quanto pior a</p><p>resposta da vítima, mais crítico será o seu estado de saúde.</p><p>A: acordado.</p><p>V: resposta verbal.</p><p>D: resposta à dor.</p><p>I: sem resposta.</p><p>Além do nível de consciência, avaliar pupilas em relação à sua simetria e</p><p>reatividade. Pupilas assimétricas ou dilatadas bilateralmente e sem reação à</p><p>luz são indicativas de lesão grave em região cerebral.</p><p>E - Exposição com controle de hipotermia</p><p>• Realizar avaliação geral, buscando por lesões até então não identifi-</p><p>cadas. Se necessário, cortar as roupas das vítimas e, posteriormente,</p><p>aquecer com cobertores ou outros materiais.</p><p>Avaliação secundária</p><p>A avaliação secundária é importante, porém não obrigatória nos</p><p>primeiros socorros. Ela pode ser realizada pela equipe especializada durante</p><p>o atendimento e transporte, bem como em ambiente intra-hospitalar. Além</p><p>do nome, idade e queixa principal, outros dados da vítima devem ser levan-</p><p>tados por meio da entrevista SAMPLA. Essa etapa pode ser realizada com a</p><p>própria vítima, familiares ou terceiros:</p><p>S: verificação dos sinais vitais: respiração (frequência, ritmo e amplitude);</p><p>pulso (frequência, ritmo e amplitude); pressão arterial; temperatura.</p><p>167</p><p>A: história de alergias.</p><p>M: medicamentos em uso e/ou tratamentos em curso.</p><p>P: passado médico – problemas de saúde, doença prévia ou gravidez.</p><p>L: horário da última ingestão de líquidos ou alimentos.</p><p>A: ambiente do evento.</p><p>Além da entrevista, realizar o exame da cabeça aos pés:</p><p>• Cabeça: lesão; corte; contusão; sangramentos; parte óssea; pupilas;</p><p>cor da pele; obstrução na boca.</p><p>• Cervical: dor; imobilização; distensão de veias jugulares.</p><p>• Tórax: alteração na respiração; contusão ou lesão.</p><p>• Abdome e pelve: deformidade ou dor, sangramento nos órgãos genitais.</p><p>• Membros superiores e inferiores: coloração e temperatura da pele;</p><p>sensibilidade; alinhamento; deformidades; força motora.</p><p>De uma forma geral, o objetivo dessa avaliação será localizar alterações</p><p>na cor da pele ou mucosas, assimetrias morfológicas, instabilidades hemodi-</p><p>nâmicas, além de alterações de motricidade ou sensibilidade.</p><p>Cadeia de sobrevivência da American Heart Association</p><p>A American Heart Association (AHA) é uma associação americana e sem</p><p>fins lucrativos, fundada em 1924, responsável pela elaboração de protocolos</p><p>de salvamento utilizados por profissionais de saúde, empresas e hospitais nos</p><p>Estados Unidos e em todo o mundo. Um dos objetivos das ações da AHA</p><p>é reduzir a taxa de mortalidade por doença coronária e acidente vascular</p><p>cerebral, além de prevenir os fatores de risco para essas doenças ao longo</p><p>dos anos.</p><p>Frequentemente os protocolos da AHA são revisados para assegurar a</p><p>eficácia das condutas e otimizar o fluxo de atendimento, garantindo maiores</p><p>chances de sobrevida. Cabe destacar que as informações incluídas neste</p><p>capítulo são referentes à atualização que ocorreu em 2019 em relação ao</p><p>suporte básico de vida, portanto, é de extrema importância que o socorrista</p><p>busque sempre por atualizações que venham a ser publicadas.</p><p>Para o atendimento à parada cardiorrespiratória (PCR), a AHA propõe</p><p>uma série ideal de eventos que devem ocorrer após o reconhecimento desse</p><p>agravo, conhecida como a cadeia de sobrevivência. A cadeia é composta por</p><p>etapas interdependentes, representadas por elos de uma corrente. Para o</p><p>168</p><p>Suporte Básico de Vida (SBV), realizado em ambiente pré-hospitalar e sem</p><p>o suporte de equipe especializada, as etapas do atendimento são: reconhe-</p><p>cimento precoce e acionamento do serviço de emergência; manobras de</p><p>ressuscitação cardiopulmonar (RCP) precoce com ênfase nas compressões</p><p>torácicas; desfibrilação precoce; cuidados pós RCP.</p><p>Figura 4.13 | Cadeia de sobrevivência do suporte básico de vida da AHA</p><p>Reconhecimento</p><p>Precoce</p><p>RCP</p><p>Precoce</p><p>Desfibrilação</p><p>precoce</p><p>Cuidados pós RCP</p><p>Fonte: adaptada de Shutterstock .</p><p>Primeiro elo: reconhecimento da inconsciência, ausência de respiração</p><p>e de pulso, bem como acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de</p><p>Emergência (SAMU – 192).</p><p>Segundo elo: realização das manobras de ressuscitação cardiopulmonar</p><p>(RCP) precoce com ênfase nas compressões torácicas. As manobras que</p><p>fazem parte do suporte básico de vida são a compressão torácica e a venti-</p><p>lação, as quais podem ser realizadas por socorristas leigos até a chegada de</p><p>um desfibrilador ou de uma equipe médica.</p><p>Terceiro elo: desfibrilação precoce, que consiste em aplicação de terapia</p><p>elétrica para reversão do quadro de PCR, efetiva na maioria dos casos. A</p><p>desfibrilação pode ser realizada pelo leigo com o desfibrilador externo</p><p>automático (DEA) ou pela equipe especializada na ausência do DEA.</p><p>Quarto elo: cuidados após o retorno da circulação espontânea que pode</p><p>ocorrer após as manobras do suporte básico ou avançado de vida.</p><p>Reflita</p><p>As etapas da cadeia de sobrevivência apresentadas correspondem ao</p><p>Suporte Básico de Vida (SBV), realizadas pelo leigo. Na presença de</p><p>169</p><p>equipe especializada, a cadeia passa a apresentar um elo a mais: o</p><p>Suporte Avançado de Vida (SAV), ao qual será incluído a desfibrilação</p><p>precoce. O SAV consiste em fornecer suporte ventilatório adequado e</p><p>acesso venoso, administrando drogas, entre outros procedimentos.</p><p>Parada cardiorrespiratória</p><p>O atendimento à parada cardiorrespiratória deve ser realizado conforme</p><p>a sequência das etapas da corrente de sobrevivência da AHA:</p><p>Reconhecimento precoce e acionamento do serviço de emer-</p><p>gência</p><p>Ao observar uma vítima inconsciente, busque avaliar se a respiração está</p><p>ausente, se apresenta gasping e se há pulso palpável.</p><p>• Checar responsividade: chamar a pessoa em voz alta, tocando em</p><p>seus ombros.</p><p>• Vítima que não responde: chamar ou pedir que alguém chame o</p><p>serviço especializado (SAMU 192) e solicitar que tragam o desfibri-</p><p>lador externo automático (DEA).</p><p>• Verificar a respiração e o pulso simultaneamente. Checar pulso central</p><p>(carotídeo) em até dez segundos.</p><p>Assimile</p><p>Gasping é um termo em inglês que significa “respiração agônica”. Ele</p><p>ocorre nos estados hipoxemia, ou seja, quando não há uma quantidade</p><p>adequada de oxigênio para a manutenção das funções vitais do corpo.</p><p>O gasping ainda pode ser reconhecido quando a vítima apresenta</p><p>movimentos respiratórios assíncronos, não efetivos, associado a inspi-</p><p>rações de curta duração e apneia subsequente, como se o paciente</p><p>sentisse “fome de ar”. Tem origem no tronco cerebral como uma última</p><p>tentativa de obtenção de oxigênio.</p><p>RCP precoce</p><p>• Posicionar o paciente em decúbito dorsal em superfície plana, rígida</p><p>e seca.</p><p>170</p><p>• Respiração ausente, ou gasping, e pulso ausente: iniciar RCP pelas</p><p>compressões torácicas, mantendo ciclos de 30 compressões eficientes</p><p>e duas ventilações, ou realizar somente compressões torácicas na</p><p>frequência de 100 a 120/min e checar pulso a cada dois minutos.</p><p>Figura 4.14 | Técnica para realização das compressões torácicas</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Exemplificando</p><p>Compressões torácicas eficientes e de boa qualidade compreendem:</p><p>• Mãos entrelaçadas.</p><p>• Deprimir o tórax em pelo menos 5 cm (sem exceder 6 cm) e permitir</p><p>o completo retorno entre as compressões.</p><p>• Manter frequência de compressões em 100 a 120 compressões/min.</p><p>• Alternar os profissionais que aplicam as compressões a cada dois</p><p>minutos.</p><p>• Minimizar as interrupções das compressões.</p><p>Insuflações eficientes e de boa qualidade compreendem:</p><p>• Insuflação de um segundo cada.</p><p>• Visível elevação do tórax.</p><p>Desfibrilação precoce</p><p>Os ciclos de RCP devem ser realizados até a chegada do DEA ou da</p><p>equipe especializada. O DEA deve ser utilizado assim que estiver disponível,</p><p>171</p><p>entretanto, as manobras de reanimação devem ser mantidas até a efetiva</p><p>instalação e disponibilidade do equipamento.</p><p>• Instalar os eletrodos do DEA diretamente sobre a pele do tórax da</p><p>vítima enquanto são realizadas as compressões torácicas.</p><p>• Ligar o aparelho.</p><p>• Interromper as compressões</p><p>assim que o equipamento solicitar análise</p><p>e seguir as orientações do aparelho quanto à indicação de choque.</p><p>• Se choque for indicado:</p><p>• Solicitar que todos se afastem do contato com o paciente.</p><p>• Disparar o choque quando indicado pelo DEA.</p><p>• Reiniciar imediatamente as compressões torácicas após o choque por</p><p>dois minutos.</p><p>Quando o choque não é indicado, as compressões e insuflações devem</p><p>ser realizadas normalmente por um período de dois minutos; após, checar o</p><p>ritmo com o DEA.</p><p>Assimile</p><p>Os ciclos de RCP devem ser mantidos nas seguintes situações:</p><p>• Chegada da equipe especializada.</p><p>• Sinais de circulação espontânea da vítima: pulso, respiração, tosse</p><p>e/ou movimento presentes.</p><p>Cuidados pós RCP</p><p>Diante dos sinais de retorno da circulação espontânea, como pulso, respi-</p><p>ração, tosse e/ou movimento presentes, alguns cuidados devem ser realizados</p><p>até a chegada do serviço especializado:</p><p>• Manter os eletrodos do DEA instalados no tórax do paciente.</p><p>• Otimizar a ventilação e oxigenação, mantendo vias aéreas desobstruídas.</p><p>• Avaliar sinais vitais.</p><p>• Manter atenção para a recorrência de PCR e a necessidade de reini-</p><p>ciar RCP.</p><p>Agora você está capacitado a realizar os procedimentos que devem ser</p><p>feitos frente a uma parada cardiorrespiratória. Durante esta seção você viu</p><p>que a avaliação primária exerce papel relevante para identificar e corrigir</p><p>172</p><p>situações de risco imediato de morte, enquanto a avaliação secundária</p><p>buscará informações adicionais por meio da entrevista SAMPLA. Por sua</p><p>vez, a corrente de sobrevivência da American Heart Association é formada</p><p>por etapas interdependentes e auxilia o socorrista a realizar o atendimento</p><p>de forma ágil e assertiva.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Agora que você conheceu e aprendeu sobre o atendimento a uma parada</p><p>cardiorrespiratória, vamos solucionar a situação-problema exposta, na qual</p><p>estamos acompanhando a rotina de Henrique, um aluno do 8º semestre do</p><p>curso de Biomedicina que está iniciando as atividades de estágio obrigatório</p><p>em um laboratório de análises clínicas de sua cidade e está participando</p><p>da semana de integração e acolhimento. No terceiro dia de treinamento,</p><p>Henrique participará de palestras que abordam os seguintes temas: avaliação</p><p>primária e secundária da vítima, cadeia de sobrevivência da American Heart</p><p>Association e parada cardiorrespiratória. Henrique estava muito animado</p><p>com o último dia de treinamento, pois sempre quis aprender a realizar as</p><p>manobras de ressuscitação cardiopulmonar, por julgar serem elas de extrema</p><p>importância, principalmente para os profissionais de saúde. Você, aluno,</p><p>também pensa como Henrique? Sabe como realizar as manobras de ressus-</p><p>citação cardiopulmonar conforme a cadeia de sobrevivência? Sabe quais são</p><p>as prioridades nesse atendimento? Vamos ajudar o Henrique a resolver essas</p><p>dúvidas? Para a resolução da situação-problema, é necessário conhecermos</p><p>os procedimentos propostos pela American Heart Association (AHA)</p><p>A AHA propõe uma série ideal de eventos que devem ocorrer após o</p><p>reconhecimento de uma PCR, conhecida como a cadeia de sobrevivência.</p><p>A cadeia é composta por etapas interdependentes, representadas por elos de</p><p>uma corrente. Para o Suporte Básico de Vida (SBV), realizado em ambiente</p><p>pré-hospitalar e sem o suporte de equipe especializada, as etapas do atendi-</p><p>mento são: reconhecimento precoce e acionamento do serviço de emergência;</p><p>manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) precoce com ênfase nas</p><p>compressões torácicas; desfibrilação precoce; cuidados pós RCP.</p><p>Primeiro elo: reconhecimento da inconsciência, ausência de respiração</p><p>e de pulso e acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Emergência</p><p>(SAMU – 192).</p><p>Segundo elo: realização das manobras de ressuscitação cardiopul-</p><p>monar (RCP) precoce com ênfase nas compressões torácicas. As manobras</p><p>que fazem parte do suporte básico de vida são a compressão torácica e a</p><p>173</p><p>ventilação, as quais podem ser realizadas por socorristas leigos até a chegada</p><p>de um desfibrilador ou de uma equipe médica.</p><p>Terceiro elo: desfibrilação precoce, que consiste em aplicação de terapia</p><p>elétrica para reversão do quadro de PCR, efetiva na maioria dos casos. A</p><p>desfibrilação pode ser realizada pelo leigo com o desfibrilador externo</p><p>automático (DEA) ou pela equipe especializada na ausência do DEA.</p><p>Quarto elo: cuidados após o retorno da circulação espontânea que pode</p><p>ocorrer após as manobras do suporte básico ou avançado de vida.</p><p>Avançando na prática</p><p>Decisão de aplicar ou não as ventilações de resgate em uma</p><p>parada cardiorrespiratória</p><p>Durante o treinamento sobre socorro às vítimas de parada cardiorres-</p><p>piratória, na semana de integração e acolhimento do estagiário Henrique</p><p>no laboratório de análises clínicas, o palestrante citou que as ventilações de</p><p>resgate podem não ser realizadas no atendimento inicial, e que as compres-</p><p>sões torácicas devem ser sempre a prioridade. Você, aluno, teria as mesmas</p><p>dúvidas de Henrique? Sabe os motivos pelos quais as ventilações de resgate</p><p>podem ser mantidas em segundo plano? Conhece os dispositivos para a</p><p>realização dessas ventilações?</p><p>Resolução da situação-problema</p><p>As ventilações de resgate, apesar de fazerem parte das manobras de</p><p>ressuscitação, podem expor o socorrista a contato com materiais biológicos</p><p>como saliva, sangue, secreções e até mesmo conteúdo gástrico, se a vítima</p><p>apresentar vômito. Diante disso, a respiração “boca a boca” deve ser realizada</p><p>somente nas vítimas em que se conhece a história pregressa, as doenças de</p><p>base e infecciosas. Ao se tratar de uma pessoa desconhecida, a ventilação</p><p>deve ser sempre realizada com dispositivos que ofereçam uma barreira de</p><p>174</p><p>proteção e válvulas antirrefluxo, como as máscaras descartáveis (Figura 4.15)</p><p>e as máscaras Pocket (Figura 4.16).</p><p>Figura 4.15 | Máscara descartável</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Figura 4.16 | Máscara Pocket</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Na ausência desses dispositivos, o socorrista deverá realizar somente</p><p>as compressões torácicas, uma vez que a depressão e o retorno torácico</p><p>estimulam a movimentação de ar nas vias aéreas e, consequentemente, as</p><p>trocas gasosas. Por esse motivo, as ventilações de resgate não serão primor-</p><p>diais em um atendimento à PCR, ao contrário do que ocorre com as compres-</p><p>sões torácicas.</p><p>175</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. Leia o trecho apresentado a seguir, referente à avaliação da vítima:</p><p>Nesta etapa, a avaliação se volta para a observação do nível de consciência da</p><p>vítima, sendo realizada com base no AVDI. Quanto pior a resposta da vítima,</p><p>mais crítico será o seu estado de saúde.</p><p>Esse trecho corresponde a qual etapa do ABCDE do trauma? Assinale a alter-</p><p>nativa correta.</p><p>a. Refere-se à etapa D “disfunção neurológica” da avaliação primária.</p><p>b. Refere-se à etapa de coleta de dados da avaliação secundária.</p><p>c. Refere-se à etapa A “controle de vias aéreas” da avaliação primária.</p><p>d. Refere-se à etapa do exame físico da avaliação secundária.</p><p>e. Refere-se à etapa E “exposição com controle de temperatura” da</p><p>avaliação primária.</p><p>2. A American Heart Association (AHA) é uma associação americana, respon-</p><p>sável pela elaboração de protocolos de salvamento utilizados em todo o mundo.</p><p>Com base nos procedimentos recomendados pela AHA no atendimento a parada</p><p>cardiorrespiratória, analise as afirmativas a seguir e julgue com V para verdadeiro</p><p>e F para falso:</p><p>( ) Uma das etapas principais do atendimento a PCR consiste no reconhecimento</p><p>imediato e acionamento do serviço médico de emergência.</p><p>( ) Uma compressão torácica efetiva não permite o retorno total do tórax após as</p><p>compressões.</p><p>( ) Uma compressão torácica efetiva deprime o tórax em pelo menos 5 cm.</p><p>( ) O socorrista deve dar ênfase às compressões torácicas, com uma frequência</p><p>de 100 a 120 por minuto.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.</p><p>a. V – V – V – V.</p><p>b. V – F – V – V.</p><p>c. V – V – V – F.</p><p>d. V – F – F – V.</p><p>e. F – V – V – F.</p><p>176</p><p>3. A AHA propõe uma série ideal de eventos que devem ocorrer após o</p><p>reconhecimento</p><p>de uma PCR, conhecida como a cadeia de sobrevivência.</p><p>A cadeia é composta por etapas interdependentes, representadas por elos de</p><p>uma corrente.</p><p>Para o Suporte Básico de Vida (SBV), realizado em ambiente pré-hospitalar</p><p>e sem o suporte de equipe especializada, quais são as etapas do atendimento?</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a. Avaliar nível de consciência/ abrir via aérea/ ventilar/ realizar</p><p>compressão torácica/ realizar cuidados pós RCP.</p><p>b. Constatar inconsciência ou gasping/ realizar compressões torácicas/</p><p>ventilar/ desfibrilar se houver indicação do DEA.</p><p>c. Avaliar irresponsividade ou gasping/ checar temperatura, pulso, respi-</p><p>rações e pressão arterial/ desfibrilar se houver indicação do DEA.</p><p>d. Constatar irresponsividade ou gasping/ compressão torácica/ verificar</p><p>sinais vitais/ realizar cuidados pós RCP.</p><p>e. Constatar irresponsividade ou gasping/ verificar respiração/ avaliar</p><p>locais com focos de hemorragia/ avaliar disfunção neurológica/</p><p>realizar exposição da vítima com controle de temperatura.</p><p>Referências</p><p>AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das atualizações direcionadas nas</p><p>diretrizes de 2019 a American Heart Association para RCP e atendimento cardiovascular de</p><p>emergência. American Heart Association, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3b1pKVy. Acesso</p><p>em: 16 mar 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Engasgo. Biblioteca Virtual em Saúde. Brasília, 2017. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/2Hhl7dp. Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Manual de Primeiros Socorros. Rio de</p><p>Janeiro, 2003. Disponível em: https://bit.ly/2v7imbN. Acesso em: 5 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.678 de 2 de outubro de 2015. Institui os Centros</p><p>de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) como estabelecimentos de saúde integrantes</p><p>da Linha de Cuidado ao Trauma, da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília, out. 2015. Disponível em: https://bit.ly/2ugbmci. Acesso</p><p>em: 20 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações</p><p>Programáticas Estratégicas. Exposição a materiais biológicos. Brasília: Editora do Ministério</p><p>da Saúde, 2011. Disponível em: https://bit.ly/2PaIGJ2. Acesso em: 4 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o</p><p>SAMU 192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/31BM3h5. Acesso em: 6 fev. 2020.</p><p>CARDOSO M. G. et al. Seguimento clínico laboratorial de trabalhadores que sofreram acidente</p><p>com material biológico em instituições hospitalares. Revista de Enfermagem da UFSM, Santa</p><p>Maria, v. 9, n. 51, p. 1-16, 2019.</p><p>CORRÊA, R. G.; CRIVELLARO, J. L. G.; FERREIRA FILHO, U. R. Medicina do Trabalho e</p><p>Primeiros Socorros. Instituto Federal do Paraná. Curitiba, 2012.</p><p>FIGUEIREDO, W. M. et al. Acidentes ocupacionais por material de risco biológico: estudo</p><p>etnográfico. Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 4, n. 7, Edição Especial, p. 4500-4518, nov. 2018.</p><p>FRANCO, E. Torniquete: uma ferramenta salvadora de vidas. Portal PEBMED, 23 maio 2019.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/2tFOjaM. Acesso em: 6 fev. 2020.</p><p>GOMES, D. R.; SERRA, M. C.; PELLON, M. A. Tratado de Queimaduras: um guia prático. São</p><p>José, SC: Revinter, 1997.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cartilha para Tratamento de Emergências das Queimaduras.</p><p>Brasília, DF: Secretaria de Atenção à Saúde, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/</p><p>bvs/publicacoes/cartilha_tratamento_emergencia_queimaduras.pdf. Acesso em: 13 abr. 2020.</p><p>https://bit.ly/3b1pKVy</p><p>https://bit.ly/2Hhl7dp</p><p>https://bit.ly/2v7imbN</p><p>https://bit.ly/2ugbmci</p><p>https://bit.ly/2PaIGJ2</p><p>https://bit.ly/31BM3h5</p><p>https://bit.ly/2tFOjaM</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_tratamento_emergencia_queimaduras.pdf</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_tratamento_emergencia_queimaduras.pdf</p><p>NOGUEIRA, E. S. et al. Primeiros socorros em centro estético: hemorragias, hematomas e</p><p>sangramentos – Revisão da literatura. Revista Saúde em Foco. n. 11, p. 137-148, 2019.</p><p>RASSLAN, Z. Medicina de urgência. Série Manuais de Especialização Einstein. Barueri, SP:</p><p>Manole, 2016.</p><p>SAMPAIO, C. Capacitação parada cardiorrespiratória adulto. Ambiente Virtual de</p><p>Aprendizagem em Parada Cardiorrespiratória. Universidade de São Paulo: Escola de</p><p>Enfermagem de Ribeirão Preto, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/2wzSwOo. Acesso em: 5</p><p>mar. 2020.</p><p>SANTOS, N. C. M. Enfermagem de pronto atendimento: urgência e emergência. 1. ed. São</p><p>Paulo: Érica, 2014.</p><p>SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner/Suddarth: tratado de enfermagem médico cirúrgica.</p><p>13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Ressuscitação</p><p>Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de</p><p>Cardiologia – 2019. Arq. Bras. Cardiol., v. 3, n. 113, p. 449-663, 2019. Disponível em: https://</p><p>bit.ly/33mgb0Z. Acesso em: 16 mar. 2020.</p><p>https://bit.ly/2wzSwOo</p><p>https://bit.ly/33mgb0Z</p><p>https://bit.ly/33mgb0Z</p><p>fases (pré-analítica, analítica e pós-analítica), as quais se iniciam na solicitação do</p><p>exame e seguem até o recebimento do resultado, permitindo que o laboratório</p><p>saiba o tempo gasto em todos os seus processos. Para um laboratório dentro de</p><p>um ambiente hospitalar, é essencial otimizar o tempo gasto em cada etapa, pois o</p><p>médico necessita, muitas vezes, dos resultados para tomar importantes decisões.</p><p>Com o conhecimento do tempo envolvido em cada etapa do processamento do</p><p>exame, é possível identificar as intercorrências e contribuir para a correção das</p><p>falhas. Com esse indicador, é possível otimizar as fases, como é o caso da fase analí-</p><p>tica, que pode ser melhorada com a automação completa dos laboratórios. Com</p><p>um laboratório mais automatizado, é possível diminuir também o desperdício e</p><p>melhorar sua eficiência, além disso, as informações podem ser ajustadas de acordo</p><p>com a necessidade do cliente.</p><p>Com todos os apontamentos discutidos, pode-se observar quão importante</p><p>é um Sistema de Gestão Laboratorial, não é mesmo? Cada laboratório tem a sua</p><p>devida necessidade e prioridade, pois, além dos pacientes ambulatoriais, dentro de</p><p>um ambiente hospitalar, tem-se o atendimento aos pacientes que estão em terapia</p><p>intensiva, como também os pacientes em procedimentos cirúrgicos.</p><p>Geralmente, a unidade de laboratório em um ambiente hospitalar possui vários</p><p>setores, como de Bioquímica, Hematologia, Imunologia, Parasitologia e Urinálise,</p><p>além de um setor de Microbiologia Clínica Hospitalar.</p><p>Depois de todas as normas e diretrizes e do sistema de qualidade de um</p><p>laboratório que já vimos, você sabia que todos os hospitais devem constituir uma</p><p>Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)? Essa comissão é um órgão</p><p>deliberativo, subordinado ao diretor técnico do hospital, e tem por objetivo estabe-</p><p>lecer diretrizes que direcionam as ações relacionadas à prevenção e ao controle das</p><p>infecções hospitalares.</p><p>Exemplificando</p><p>Você sabia que a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar deve</p><p>estar de acordo com as características do hospital? Sua constituição</p><p>deve ser representada de acordo com os seguintes integrantes:</p><p>- Representante do corpo clínico.</p><p>- Representante da diretoria administrativa.</p><p>- Representante da farmácia.</p><p>- Representante do laboratório de microbiologia.</p><p>- Representante da diretoria de enfermagem.</p><p>- Membros do núcleo de controle de infecção hospitalar.</p><p>São Paulo ([199-]).</p><p>21</p><p>O controle das infecções bacterianas teve seu início com o emprego da</p><p>sulfanilamida e, posteriormente, da penicilina, e com o passar do tempo, um</p><p>grande número de microrganismos adquiriram resistência a muitos medica-</p><p>mentos, por diferentes mecanismos, como mutação, transdução, transfor-</p><p>mação e conjugação. Atualmente, esse tipo de resistência é um dos fatores</p><p>mais preocupantes dentro de um ambiente hospitalar, por esse motivo, os</p><p>hospitais possuem a CCIH, com o objetivo de elaborar, executar e avaliar</p><p>as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar, e esta deve estar de</p><p>acordo com a Portaria do Ministério da Saúde nº 2.616, de 12 de maio de</p><p>1998. É importante entendermos que a infecção hospitalar é adquirida após</p><p>a entrada do paciente no hospital, e que se manifesta durante a internação,</p><p>ou até mesmo após a alta, desde que esteja relacionada com a permanência</p><p>dele no ambiente hospitalar.</p><p>Quando se trata de infecção hospitalar, é importante entendermos</p><p>um pouco sobre a portaria mencionada, a qual normatiza e regulamenta</p><p>as medidas de prevenção e controle dessas infecções. Ela impõe vários</p><p>requisitos fundamentais, por exemplo, exige que o hospital implante um</p><p>Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares; capacite</p><p>os funcionários em relação à prevenção e ao controle das infecções; imple-</p><p>mente e supervisione as normas e rotinas técnico-operacionais; entre muitos</p><p>outros requisitos.</p><p>A CCIH disponibiliza manuais sobre os procedimentos de vários</p><p>processos dentro de um hospital, por exemplo, a higienização correta das</p><p>mãos. Esse processo, de acordo com a Anvisa, é reconhecido mundialmente</p><p>como uma medida de proteção primária, muito importante para o combate</p><p>das infecções hospitalares. As mãos devem ser higienizadas com água e sabão</p><p>ou com uma solução alcoólica quando já estiverem limpas.</p><p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a segurança do</p><p>paciente é uma prioridade na saúde pública mundial, com isso, deve-se</p><p>sempre melhorar todos os processos que envolvem o paciente, reduzindo os</p><p>riscos desnecessários associados à atenção à saúde, além disso, os familiares</p><p>também devem se conscientizar da importância do seu envolvimento.</p><p>Dentro de suas atribuições, a CCIH também se destaca pela vigilância</p><p>e busca das infecções hospitalares, controlando o uso de antimicrobianos.</p><p>Assim, os exames microbiológicos são realizados para a adoção de terapias,</p><p>para que se tenha o conhecimento do padrão de resistência dos micror-</p><p>ganismos, com isso, não há o uso desnecessário de antimicrobianos,</p><p>diminuindo o tempo de internação do paciente e, consequentemente,</p><p>diminuindo a mortalidade e os custos assistenciais. Portanto, os laboratórios</p><p>22</p><p>de microbiologia, dentro de um hospital, devem sempre enfatizar as técnicas de</p><p>identificação dos microrganismos, determinando sua sensibilidade.</p><p>Outro setor laboratorial comumente encontrado em hospitais de grande porte</p><p>é o de Hematologia e Hemoterapia (banco de sangue), que é responsável pela</p><p>coleta, pelo armazenamento, pelo processamento e pela distribuição de sangue</p><p>para os pacientes. Assim, faz-se necessária a hemovigilância, que visa a procedi-</p><p>mentos que abrangem todo o ciclo do sangue, com a finalidade de disponibilizar</p><p>informações sobre as diferentes etapas desse setor, melhorando a qualidade do</p><p>processo e aumentando a segurança do doador e receptor.</p><p>Todas as etapas do banco de sangue devem estar de acordo com a Lei nº 10.205,</p><p>de 21 de março de 2001, que comenta sobre a captação, a proteção ao doador e ao</p><p>receptor, a coleta, o processamento, a estocagem, a distribuição e a transfusão do</p><p>sangue, de seus componentes e derivados. Além disso, é importante que os profis-</p><p>sionais envolvidos estejam de acordo com a RDC nº 34, de 11 de junho de 2014,</p><p>que compõe sobre as boas práticas no Ciclo do Sangue, o qual envolve as ativi-</p><p>dades relacionadas ao ciclo produtivo de sangue, que inclui também o controle de</p><p>qualidade. Todo o serviço de hemoterapia deve implantar um sistema de gestão</p><p>de qualidade, com a inclusão da estrutura organizacional e a responsabilidade dos</p><p>envolvidos, assim como a padronização de todos os processos e procedimentos.</p><p>Independentemente do setor que o profissional esteja envolvido, é essencial que</p><p>se estabeleçam os procedimentos operacionais padrão (POP) de todos os proce-</p><p>dimentos técnicos e administrativos envolvidos, assim como o gerenciamento</p><p>correto dos resíduos. Esses POP devem ser implantados pela área correspondente,</p><p>ser aprovados por supervisores técnicos dos respectivos setores, ser implantados</p><p>por meio de treinamentos e estar disponíveis nos setores, para que seja feita a</p><p>consulta, caso haja alguma dúvida.</p><p>Laboratório de hospitais: equipe multiprofissional</p><p>Num ambiente hospitalar, contamos com os mais diversos profissionais, como</p><p>médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, farmacêuticos, nutri-</p><p>cionistas, biomédicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros; e assim como o</p><p>laboratório clínico, também deve possuir uma equipe multiprofissional, garan-</p><p>tindo de forma integrada a qualidade e eficiência em seus serviços, desde técnicos</p><p>de laboratórios, biomédicos, bioquímicos, entre outros.</p><p>Já a CCIH é composta somente por profissionais de saúde com nível superior,</p><p>os quais são divididos em membros consultores, que representam e coordenam</p><p>medidas de prevenção de controle de infecção hospitalar, e executores, que realizam</p><p>as ações do programa da comissão.</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 10.205-2001?OpenDocument</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 10.205-2001?OpenDocument</p><p>23</p><p>Reflita</p><p>Você já parou para pensar sobre quais são os fatores de riscos para se</p><p>adquirir uma infecção?</p><p>Faça uma reflexão sobre esse assunto e pesquise mais sobre esses</p><p>fatores, além disso, correlacione com as medidas que podem ser feitas</p><p>para evitar essas infecções. Lembrando que, atualmente, o termo</p><p>“infecção hospitalar” está sendo substituído por Infecção Relacionada à</p><p>Assistência à Saúde (IRAS), pois esse novo termo abrange não somente</p><p>a infecção adquirida no hospital mas também todos os procedimentos</p><p>que envolvam os profissionais de saúde, independentemente do</p><p>ambiente, como em ambulatórios, cuidados domiciliares, entre outros.</p><p>Laboratório de hospitais: perspectivas futuras da atuação do</p><p>biomédico</p><p>Em relação às infecções hospitalares, para que haja sucesso na prevenção</p><p>e no controle delas, é importante o empenho de todos os profissionais envol-</p><p>vidos, assim como de todos que frequentam as instituições de saúde.</p><p>O laboratório tem várias prioridades, incluindo a qualidade de seus</p><p>exames e o tempo de resposta aos envolvidos – hospital-médico-paciente –,</p><p>pois, em um ambiente hospitalar, devemos lembrar que o laboratório não</p><p>atende apenas pacientes ambulatoriais mas também pacientes internados,</p><p>os que chegam em estado de emergência ou terapia intensiva, assim como</p><p>aqueles que serão submetidos a cirurgias. Isso requer um conjunto de ações,</p><p>para que se possa ter resultados imediatos. O sistema de gestão laboratorial,</p><p>assim como a automação de vários processos, está evoluindo cada vez mais,</p><p>com o objetivo de otimizar muitas etapas e consolidar um padrão de quali-</p><p>dade nos serviços prestados.</p><p>Sem medo de errar</p><p>Os laboratórios hospitalares, em sua maioria, realizam exames que se</p><p>apresentam alterados, ou que necessitam de máxima urgência para o seu</p><p>processamento, e isso requer profissionais capacitados que realizem os</p><p>exames com rapidez e, acima de tudo, com muita qualidade.</p><p>Mariana, Carlos e Francisca estão iniciando suas vidas profissionais.</p><p>Mariana já está apta a realizar a prova que compõe a última etapa do processo</p><p>seletivo para ser contratada, e Carlos conseguiu entender mais sobre os labora-</p><p>tórios hospitalares e sobre a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar</p><p>24</p><p>(CCIH) e a equipe com quem ele atuará. Ele entendeu que o laboratório em</p><p>um ambiente hospitalar tem diferentes prioridades de respostas aos exames</p><p>que são solicitados, e isso requer do laboratório a implantação de um conjunto</p><p>de funcionalidades que facilitem o processo de todas as etapas (pré-analí-</p><p>tica, analítica e pós-analítica), por exemplo, a implantação de um Sistema de</p><p>Gestão Laboratorial. Assim como você, Carlos também entendeu que todo</p><p>hospital deve constituir uma CCIH, a qual deve estar de acordo com as carac-</p><p>terísticas de cada um, com o objetivo de reduzir ao máximo a incidência</p><p>e gravidade de infecções hospitalares. Essa comissão é representada por</p><p>vários profissionais, como médicos, biomédicos, enfermeiros, farmacêu-</p><p>ticos, entre outros, os quais colocarão à disposição de todos os envolvidos no</p><p>processo manuais sobre os procedimentos de vários processos dentro de um</p><p>hospital, visando sempre à segurança dos pacientes. Para se obter sucesso na</p><p>prevenção ou no controle das infecções hospitalares, é essencial a dedicação</p><p>de todos que frequentam o hospital. Além disso, os exames microbiológicos</p><p>são muito importantes para o conhecimento do padrão de resistência micro-</p><p>biana, evitando o uso desnecessário de antimicrobianos.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. As infecções hospitalares consistem em um grande problema de saúde</p><p>pública em todo o mundo. Elas acabam prolongando a permanência do</p><p>paciente no hospital, aumentando os índices de mortalidade e os custos assis-</p><p>tenciais.</p><p>Com relação ao contexto apresentado, complete as lacunas da sentença a</p><p>seguir:</p><p>A Portaria do Ministério da Saúde ____________, exige de todos os</p><p>____________ a criação de uma Comissão de Controle de Infecção Hospi-</p><p>talar (CCIH), com o objetivo de elaborar, executar e avaliar as ações de</p><p>____________ e controle dessas infecções.</p><p>Assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente:</p><p>a. nº 1.987, de 12 de maio de 2005/funcionários/aumento.</p><p>b. nº 2.616, de 12 de maio de 1998/hospitais/prevenção.</p><p>c. nº 2.677, de 12 de maio de 1998/familiares/cautelas.</p><p>d. nº 2.020, de 12 de maio de 1987/pacientes/prevenção.</p><p>e. nº 1.988, de 12 de maio de 1998/funcionários/vigilância.</p><p>25</p><p>2. Hospitais de referência se preocupam com a qualidade de todos os</p><p>processos, garantindo sempre a segurança do paciente, assim como a satis-</p><p>fação com os serviços assistenciais. Para um laboratório dentro de um</p><p>ambiente hospitalar, é essencial otimizar o tempo gasto em cada etapa, pois o</p><p>médico necessita dos resultados para tomar importantes decisões.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. O TAT (tempo de retorno) é um importante indicador qualitativo,</p><p>que demonstra se o laboratório está cumprindo o tempo correto de</p><p>coleta do material biológico do paciente, englobando a fase pré-a-</p><p>nalítica.</p><p>II. As três fases do TAT (pré-analítica, analítica e pós-analítica) se</p><p>iniciam na solicitação do exame e seguem até o recebimento do</p><p>resultado, permitindo que o laboratório saiba o tempo gasto em</p><p>todos os seus processos.</p><p>III. Com alguns indicadores de qualidade é possível identificar as inter-</p><p>corrências e contribuir para a correção das falhas, como o TAT,</p><p>que dentro de um laboratório hospitalar representa um importante</p><p>indicador quantitativo.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I e III, apenas.</p><p>b. I e II, apenas.</p><p>c. II e III, apenas.</p><p>d. I, apenas.</p><p>e. II, apenas.</p><p>3. Todo hospital deve possuir uma Comissão de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar (CCIH), com a função de elaborar, planejar, executar, manter e</p><p>avaliar o programa de controle de infecção hospitalar, com diversas ações,</p><p>como elaborar um manual de normas e condutas que devem ser implantadas</p><p>e seguidas por todos os funcionários do hospital.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. Toda CCIH deve ser representada por pelo menos um profissional</p><p>do corpo clínico, da enfermagem e da administração.</p><p>26</p><p>II. A CCIH deve ser composta apenas por profissionais habilitados na</p><p>área biomédica, pois a finalidade é combater as infecções hospita-</p><p>lares.</p><p>III. Além dos mais diversos profissionais, como de enfermagem e da</p><p>diretoria administrativa, a CCIH deve ter um representante do</p><p>laboratório de microbiologia.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I e III, apenas.</p><p>b. I e II, apenas.</p><p>c. II e III, apenas.</p><p>d. I, apenas.</p><p>e. II, apenas.</p><p>27</p><p>Seção 3</p><p>Outros campos de atuação do biomédico</p><p>Diálogo aberto</p><p>Prezado aluno, vamos iniciar os estudos sobre os principais ambientes</p><p>de atuação do biomédico. Nesta seção vamos conhecer as diversas áreas</p><p>de atuação do profissional biomédico, assim como as principais normas</p><p>e diretrizes relacionadas e a equipe multiprofissional envolvida. Além</p><p>disso, vamos estudar um pouco sobre as perspectivas futuras de atuação</p><p>do biomédico.</p><p>As normas que envolvem o funcionamento de laboratórios, sejam eles</p><p>clínicos ou dentro de um ambiente hospitalar, são primordiais para uma</p><p>atuação de excelência de todos os profissionais envolvidos, principalmente o</p><p>biomédico. Além disso, não podemos esquecer de que a atuação da Comissão</p><p>de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é de suma importância para</p><p>o controle, prevenção e tratamento de infecções dentro de um hospital.</p><p>Assim como Mariana, Carlos está muito ansioso para atuar em seu primeiro</p><p>emprego. Nós ajudamos Mariana a estudar as principais legislações para</p><p>atuar em laboratórios clínicos e Carlos a iniciar seu trabalho em um labora-</p><p>tório hospitalar. Francisca, ao contrário de seus colegas, não pretende atuar</p><p>em análises clínicas, pois apesar de ter feito alguns estágios em laboratórios</p><p>clínicos durante a sua graduação,</p><p>não gostou de atuar nesse ambiente. Como</p><p>o biomédico dispõe de um mercado de trabalho diversificado, Francisca</p><p>gostaria de estudar um pouco mais sobre outras áreas. Pesquisando sobre as</p><p>habilitações do biomédico, ela teve interesse na área de estética, de perfusão</p><p>e de acupuntura. São áreas bem distintas, o que deixa Francisca ainda mais</p><p>confusa. Você sabe quais são as atribuições do biomédico nessas habilitações?</p><p>O que você deve fazer para atuar nessas áreas, após concluir a sua graduação?</p><p>Bom estudo!</p><p>Não pode faltar</p><p>A biomedicina está sempre atenta às evoluções da ciência; consequente-</p><p>mente, por meio de suas mais variadas habilitações, tem participado inten-</p><p>samente das atividades que são regulamentadas pelos Conselhos Regionais</p><p>e Federal de Biomedicina. Assim, o profissional biomédico possui dispõe de</p><p>uma carreira ampla de atuação, com um mercado de trabalho diversificado.</p><p>28</p><p>Demais ambientes de atuação do biomédico: conceitos e</p><p>definições</p><p>O biomédico pode atuar em diferentes áreas, mas é importante salientar</p><p>que para isso o profissional deverá ter o reconhecimento de habilitação na</p><p>área específica em que atua. Se a atividade que ele esteja desenvolvendo</p><p>não for compatível com sua habilitação, ele deverá procurar o Conselho</p><p>Regional de Biomedicina para receber as orientações cabíveis para regula-</p><p>rizar a sua situação. Caso ele não se habilite, poderá sofrer punição, como</p><p>ter seu registro cassado. O profissional que desempenha suas atividades sem</p><p>a devida regulamentação cometerá crime, já que isso caracteriza exercício</p><p>ilegal da profissão. Vale lembrar de que a função dos Conselhos Regionais</p><p>e Federal são zelar pelo profissional, protegendo seus direitos e punindo,</p><p>quando necessário, sempre em defesa da coletividade.</p><p>O biomédico é completamente capacitado para atuar em diferentes áreas,</p><p>tanto para o desenvolvimento de pesquisas quanto para na prática, enfren-</p><p>tando as mais diversas situações. Atualmente, o biomédico poderá escolher</p><p>entre as 35 habilitações que existem para exercer suas atividades, execu-</p><p>tando as mais diversas habilidades. Agora, vamos conhecer um pouco sobre</p><p>algumas áreas, assim como as normas relacionadas para cada situação.</p><p>Demais ambientes atuação do biomédico: diretrizes e nor-</p><p>mativas</p><p>Dentre as 35 habilitações que o biomédico pode exercer, a área de análises</p><p>clínicas é a mais procurada entre os profissionais biomédicos, representando</p><p>80% da escolha dos profissionais da área. Durante a sua graduação, o biomé-</p><p>dico pode conseguir algumas habilitações, com estágio de no mínimo 500</p><p>horas ou que seja correspondente a 20% da carga horária total do curso, e que</p><p>esteja de acordo com a Resolução nº 78 de 29/04/2002 do Conselho Federal</p><p>de Biomedicina. É importante que seja respeitada a carga horária mínima,</p><p>pois, com menos tempo, o biomédico não conseguirá a inclusão da área junto</p><p>ao CRBM, e consequentemente não poderá atuar. Muitas áreas estão em alta,</p><p>como a biomedicina estética, uma modalidade relativamente recente com o</p><p>objetivo de promover o cuidado à saúde, ao bem-estar e à beleza do paciente.</p><p>O profissional biomédico habilitado em estética poderá atuar com procedi-</p><p>mentos estéticos não invasivos e invasivos não cirúrgicos, desenvolvendo</p><p>e aplicando tratamentos paras as diversas disfunções dermatofisiológicas</p><p>corporais e faciais, como também no envelhecimento fisiológico.</p><p>A Biomedicina Estética está regulamentada em diversas resoluções e</p><p>normativas do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). É importante</p><p>29</p><p>salientar que apenas os biomédicos inscritos no conselho de classe da sua</p><p>jurisdição e que forem legalmente habilitados poderão realizar atividades</p><p>referentes à estética. Para o biomédico atuar nessa área, ele deverá estar em</p><p>consonância com sua capacitação profissional e com a legislação vigente do</p><p>CFBM e ANVISA.</p><p>Em cada normativa são estabelecidos pontos cruciais para a atuação do</p><p>biomédico nessa área.</p><p>A Normativa nº 005/2015 de 05 de novembro de 2015, por exemplo,</p><p>estabelece sobre procedimentos realizados por biomédicos, utilizando</p><p>substâncias aplicadas por via intramuscular. A Normativa nº 004/2015</p><p>dispõe sobre procedimentos com a utilização de fios de sustentação tecidual</p><p>para fins estéticos. Já a Normativa nº 003/2015 comenta sobre Procedimento</p><p>Estético Injetável para microvasos. E, por fim, a Normativa nº 01/2012 dispõe</p><p>sobre a lista de atividades para fins de inscrição e fiscalização dos profissio-</p><p>nais biomédicos em diversas áreas como a de estética, junto aos Conselhos</p><p>Regionais de Biomedicina.</p><p>Figura 1.3 | Biomedicina estética</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>De acordo com a Resolução nº 241 de 29 de maio de 2014 e a Resolução nº</p><p>304 de 23 de abril de 2019, o biomédico habilitado em estética poderá realizar a</p><p>prescrição de substâncias e outros produtos para fins estéticos, seguindo as norma-</p><p>tizações da ANVISA.</p><p>Outro setor de bastante expansão na biomedicina é a de docência e pesquisa,</p><p>formando profissionais aptos para iniciar na área acadêmica e na pesquisa. No Brasil,</p><p>30</p><p>o biomédico é um dos profissionais mais envolvidos nas pesquisas relacionadas à</p><p>saúde, desde instituições privadas e públicas até institutos de pesquisas renomados.</p><p>O biomédico pode ainda atuar em diversos campos como na análise ambiental,</p><p>citologia oncótica e banco de sangue, entre muitos outros.</p><p>Outra área de atuação do biomédico é a perfusão extracorpórea, área ainda não</p><p>muito popularizada. Essa técnica consiste em manter o paciente com suporte artifi-</p><p>cial de vida (coração, pulmão e rim artificiais) durante uma cirurgia cardiovascular,</p><p>por meio de uma máquina, enquanto esses órgãos ficam excluídos da circulação.</p><p>Dessa forma, o biomédico perfusionista assume um papel de grande relevância</p><p>na condução desse tipo de cirurgia, visto que, nesse momento, a fisiologia desses</p><p>órgãos deve ser monitorada pelo profissional dentro dos mais estritos parâmetros</p><p>da normalidade. A perfusão é exercida desde 1953, porém, no Brasil, somente em</p><p>2002 o perfusionista foi reconhecido como membro de uma equipe de cirurgia</p><p>cardíaca. A Normativa nº 001/2019 comenta sobre a normatização da habilitação</p><p>em Perfusão/Circulação Extracorpórea e dispõe sobre as inúmeras atividades que o</p><p>biomédico pode exercer nessa área, por exemplo: preparar a montagem do circuito</p><p>de circulação extracorpórea; realizar perfusão para procedimentos de quimiote-</p><p>rapia hipertérmica extracorpórea; realizar exames como gasometria e tempo de</p><p>coagulação ativada no pré, intra e pós operatório, entre outras.</p><p>Figura 1.4 | Perfusão</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>31</p><p>É importante frisar que a perfusão só pode ser exercida por profissionais</p><p>com formação de nível superior como biomédicos, enfermeiros e médicos.</p><p>Ainda de acordo com essa normativa, somente poderão exercer essas ativi-</p><p>dades os biomédicos que apresentarem certificado de pós-graduação lato ou</p><p>stricto sensu reconhecido pelo MEC, com 800 horas práticas e 400 horas</p><p>teóricas, ou que tenham título de especialista pela Associação Brasileira de</p><p>Biomedicina (ABBM) ou pela Sociedade Brasileira Circulação Extracorpórea</p><p>(SBCEC).</p><p>Uma área que desde 1986 é reconhecida pelo Conselho Federal de</p><p>Biomedicina e vem se popularizando cada vez mais é a acupuntura. A origem</p><p>dessa técnica remonta há mais de cinco mil anos, quando já era praticada</p><p>na China. Destaca-se por ser uma técnica milenar da medicina tradicional</p><p>chinesa, com o objetivo de liberar o fluxo de energia vital – conhecido como</p><p>Qi – pelo princípio de aplicação de agulhas em várias regiões do corpo,</p><p>promovendo a manutenção e a recuperação da saúde e do bem-estar do</p><p>paciente. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a técnica</p><p>é estabelecida como um método de tratamento complementar.</p><p>Figura 1.5 | Acupuntura</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>A já mencionada Normativa nº 01/2012 dispõe sobre as atividades dos</p><p>biomédicos em diversos campos, incluindo a acupuntura. Nela você pode</p><p>verificar todas as atribuições do biomédico nessa área.</p><p>32</p><p>De acordo com a</p><p>Resolução nº 2 de março de 1995, o biomédico</p><p>pode aplicar completamente as técnicas de acupuntura. Contudo, ele só</p><p>poderá exercer a profissão desde que apresente junto ao CRBM diploma</p><p>ou certificado de conclusão do curso de acupuntura, por entidade devida-</p><p>mente reconhecida.</p><p>É importante ressaltar que o biomédico tem suas atividades regulamen-</p><p>tadas em várias resoluções, como as Resoluções nº 78 e nº 83, de 29 de abril</p><p>de 2002, a Resolução nº 135, de 3 de abril de 2007, a nº 140, de 4 de abril</p><p>de 2007 e a Resolução nº 145, de 30 de agosto de 2007, todas do Conselho</p><p>Federal de Biomedicina. Essas resoluções comentam sobre o ato biomédico e</p><p>falam das inúmeras áreas de atuações do profissional, além de expor normas</p><p>de responsabilidade técnica.</p><p>Outro ponto em destaque para se comentar é que, mesmo um biomé-</p><p>dico escolhendo uma habilitação para atuar, não é somente na prática clínica</p><p>que ele poderá exercer sua função. Também compete ao biomédico atuar na</p><p>docência, em universidades, em equipes de saúde de nível tecnológico e na</p><p>política nacional de práticas integrativas em secretarias de Estado e autar-</p><p>quias vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>Reflita</p><p>Conforme estudamos, de acordo com a Normativa nº 001 de 28 de</p><p>janeiro de 2016 do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM, 2016), o</p><p>biomédico acupunturista, desde que devidamente registrado no CRBM,</p><p>poderá atuar em diversos segmentos, além da técnica tradicional de</p><p>acupuntura. Você sabe quais são as atividades que o profissional poderá</p><p>trabalhar? Você já ouviu falar na técnica de cromoterapia?</p><p>Demais ambientes de atuação do biomédico: equipe multi-</p><p>profissional</p><p>A biomedicina pode interagir com os profissionais da área que tenham</p><p>competência para diversas funções, como prevenindo doenças, atuando na</p><p>promoção de saúde, na análise dos resultados de exames e na gestão dos</p><p>serviços laboratoriais, devendo sempre ser orientado pela conduta ética e</p><p>pelos interesses da comunidade.</p><p>Dentre as mais variadas áreas, o biomédico pode atuar com diferentes</p><p>profissionais, como a área de perfusão, por ser multidisciplinar. Pode ser</p><p>33</p><p>praticada por muitos profissionais habilitados e, além disso, o perfusio-</p><p>nista agrega esforços junto à equipe médica, trazendo qualidade de vida</p><p>ao paciente.</p><p>Já o biomédico esteta deve respeitar os outros profissionais como integrantes</p><p>da equipe multiprofissional, executando-se no cumprimento do dever legal. No</p><p>caso do biomédico acupunturista, este pode atuar em vários ramos, por exemplo</p><p>em clínicas particulares ou em grupos multidisciplinares da saúde e até mesmo no</p><p>campo acadêmico, como todas as outras áreas.</p><p>Exemplificando</p><p>Você sabia que a mais nova habilitação do profissional biomédico é</p><p>em Fisiologia do Exercício? De acordo com Resolução nº 309, de 17 de</p><p>julho de 2019, o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) regulamenta</p><p>esta atividade para o biomédico devidamente habilitado, podendo ele,</p><p>assim, atuar diretamente com o cliente. Se preferir, o profissional poderá</p><p>integrar-se na comissão técnica de equipes, uma vez que essas equipes</p><p>de esportes de alto rendimento sempre estão à procura de aperfeiçoar</p><p>a preparação e capacidade de seus atletas. Assim, o biomédico poderá</p><p>atuar baseando-se na monitorização de indicadores fisiológicos e bioquí-</p><p>micos no desempenho do exercício físico. Interessante, não é mesmo?</p><p>(CFBM, 2019)</p><p>Demais ambientes de atuação do biomédico: perspectivas</p><p>futuras da atuação do biomédico</p><p>Mesmo que a biomedicina seja considerada relativamente nova, ela disponi-</p><p>biliza aos biomédicos diferentes possibilidades para sua carreira. E hoje ela atinge</p><p>inúmeros avanços e realizações, com grande participação na história da saúde.</p><p>Desta forma, é indispensável a união da categoria para que os biomédicos alcancem</p><p>seus objetivos, consolidando uma estrutura ideal da profissão.</p><p>A personalização é, sem dúvida, a maior tendência para a área da saúde, sendo</p><p>um ato de humanização da prática do profissional. Da mesma forma ocorre com</p><p>a gestão dos processos, para que seja possível medir, monitorar e executar as mais</p><p>diversas ações, a fim de que se tenha sempre resultados com segurança e quali-</p><p>dade. Como o mercado cresce rapidamente e se torna cada vez mais competitivo,</p><p>é importante que o profissional esteja sempre atento às inovações e tendências em</p><p>seu campo de atuação.</p><p>34</p><p>Sem medo de errar</p><p>A biomedicina vem cada vez mais ultrapassando barreiras e pode ser</p><p>exercida em diversos segmentos como em universidades, laboratórios, hospi-</p><p>tais, clínicas de estética e acupuntura e indústrias, entre muitos outros.</p><p>Mariana, Carlos e Francisca vão iniciar suas carreiras profissionais.</p><p>Mariana trabalhará em um laboratório clínico, e agora conhece todas as</p><p>normas vigentes. Carlos começou a trabalhar em um laboratório dentro de</p><p>um hospital; além disso é membro da Comissão de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar e entendeu que, para se obter sucesso na prevenção ou controle</p><p>das infecções hospitalares, é essencial a dedicação de todos que frequentam o</p><p>hospital. Agora, você sabe quais são as atribuições do biomédico nas habili-</p><p>tações em que Francisca teve interesse? E o que você deve fazer para atuar</p><p>nessas áreas? Assim como você, Francisca conheceu as diversas áreas em que</p><p>o biomédico pode atuar e percebeu que dependendo da área, faz-se neces-</p><p>sária a devida obtenção da habilitação para começar a atuação profissional.</p><p>A área de biomedicina estética, por exemplo, está em constante crescimento,</p><p>podendo o profissional realizar inúmeras atividades, como os procedimentos</p><p>estéticos não invasivos e minimamente invasivos. A área de acupuntura, de</p><p>acordo com a Normativa nº 01/2012, é uma área com um campo bem diver-</p><p>sificado, podendo o profissional ter várias atribuições, dentre elas a cromo-</p><p>terapia. E há a área de perfusão, em que o biomédico assume um papel de</p><p>grande relevância na condução de diversas cirurgias cardíacas, visto que,</p><p>nesse momento, a fisiologia desses órgãos deve ser monitorada pelo biomé-</p><p>dico. Além disso, o profissional habilitado poderá preparar a montagem</p><p>do circuito de circulação extracorpórea; realizar perfusão para procedi-</p><p>mentos de quimioterapia hipertérmica extracorpórea; realizar exames, como</p><p>gasometria e tempo de coagulação ativada no pré, intra e pós operatório,</p><p>entre outras.</p><p>Assim como Mariana, Carlos e Francisca, você estudou que a biomedi-</p><p>cina é uma profissão em constante crescimento e que exige que o profissional</p><p>esteja sempre se atualizando e se aperfeiçoando.</p><p>Faça valer a pena</p><p>1. A acupuntura é uma técnica que desde 1986 é reconhecida pelo Conselho</p><p>Federal de Biomedicina, e vem se popularizando cada vez mais. De acordo</p><p>com a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa técnica é estabelecida</p><p>como um método de tratamento complementar.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:.</p><p>35</p><p>I. A acupuntura é uma técnica milenar da Medicina Tradicional</p><p>Ocidental, com o objetivo de concentrar a energia vital, conhecido</p><p>como Qi.</p><p>II. A acupuntura atua pelo princípio de aplicação de agulhas em vários</p><p>pontos do corpo, promovendo a manutenção e a recuperação da</p><p>saúde e do bem-estar do paciente.</p><p>III. A acupuntura é uma habilitação já incluída na graduação do curso</p><p>de biomedicina; assim, poderá ser exercida pelo recém-formado,</p><p>sem a necessidade de aperfeiçoamento.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I e II.</p><p>b. Apenas III.</p><p>c. Apenas II e III.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>2. É ampla a área de atuação do biomédico, e para que o profissional possa</p><p>desenvolver suas atividades, é imprescindível que ele tenha o reconheci-</p><p>mento de habilitação na área específica em que atua.</p><p>Com base nas informações apresentadas, avalie as seguintes asserções e a</p><p>relação proposta entre elas:</p><p>I. O biomédico pode atuar em diferentes áreas, desde que tenha o</p><p>reconhecimento de habilitação na área específica em que deverá</p><p>atuar.</p><p>PORQUE</p><p>II. Se a atividade que ele esteja desenvolvendo não for compatível</p><p>com sua habilitação, basta que</p><p>ele procure o Conselho Regional de</p><p>Biomedicina e apresente seu diploma de graduação, regularizando</p><p>sua atividade.</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.</p><p>a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica</p><p>a I.</p><p>b. As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.</p><p>c. A asserção I é uma proposição verdadeira e a II, falsa.</p><p>36</p><p>d. A asserção I é uma proposição falsa e a II, verdadeira.</p><p>e. As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>3. É muito importante que o biomédico conheça as resoluções e normativas</p><p>da área em que deverá atuar, pois nelas são estabelecidos pontos cruciais para</p><p>sua atuação profissional. A área de estética, por exemplo, é muito promissora</p><p>e vem crescendo a cada dia e, como consequência, os profissionais devem</p><p>estar cada vez mais preparados, investindo em cursos para seu aperfeiçoa-</p><p>mento.</p><p>Considerando o contexto apresentado, analise as seguintes afirmativas:</p><p>I. A Normativa nº 005/2015 dispõe sobre os procedimentos realizados</p><p>por biomédicos, utilizando substâncias via intramuscular, indepen-</p><p>dentemente da área em que atuará.</p><p>II. A Normativa nº 004/2015 dispõe sobre procedimentos com a utili-</p><p>zação de fios de sustentação tecidual para fins estéticos.</p><p>III. A Normativa nº 01/2012 dispõe sobre a lista de atividades para fins de</p><p>inscrição e fiscalização dos profissionais biomédicos em diversas áreas,</p><p>como a de estética, junto aos Conselhos Regionais de Biomedicina.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. Apenas I e II.</p><p>b. Apenas III.</p><p>c. Apenas II e III.</p><p>d. Apenas I.</p><p>e. Apenas II.</p><p>Referências</p><p>ABBM. Associação Brasileira de Biomedicina. História da biomedicina. Disponível em: http://</p><p>www.abbm.org.br/historia-biomedicina. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14785. Laboratório clínico – Requisitos</p><p>de segurança. Disponível em:</p><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – Anvisa. Segurança do Paciente:</p><p>Higienização das mãos. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/</p><p>paciente_hig_maos.pdf. Acesso em: 16 mar. 2020.</p><p>ANDRIOLO, A. O laboratório clínico e os intervalos de referência. J. Bras. Patol. Med. Lab. Rio</p><p>de Janeiro, v. 46, n. 6, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-</p><p>t&pid=S1676-24442010000600002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Avaliação de organizações presta-</p><p>doras de serviços de laboratórios clínicos. 2006. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/</p><p>documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3.</p><p>Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.205, de 21 de março de 2001. Regulamenta o § 4º do art. 199 da Constituição</p><p>Federal, relativo à coleta, processamento, estocagem, distribuição e aplicação do sangue, seus</p><p>componentes e derivados, estabelece o ordenamento institucional indispensável à execução</p><p>adequada dessas atividades, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República,</p><p>[2020]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10205.htm. Acesso</p><p>em: 30 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998. Diretrizes e normas para a prevenção e o</p><p>controle das infecções hospitalares. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [2020]. Disponível em:</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html. Acesso em: 30</p><p>dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução ANVISA RDC nº 302 de 13 de outubro de 2005. Dispõe sobre o</p><p>Regulamento técnico para funcionamento de laboratórios clínicos. Brasília, DF, [2005].</p><p>Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.</p><p>pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução ANVISA RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o regula-</p><p>mento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de</p><p>estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília, DF, [2002]. Disponível em: http://bvsms.saude.</p><p>gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução ANVISA RDC nº 51 de 10 de outubro de 2011. Dispõe sobre os requisitos</p><p>mínimos para a análise, avaliação e aprovação dos projetos físicos de estabelecimentos de saúde</p><p>no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) e dá outras providências. Brasília, DF, 2011.</p><p>http://www.abbm.org.br/historia-biomedicina</p><p>http://www.abbm.org.br/historia-biomedicina</p><p>http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/paciente_hig_maos.pdf</p><p>http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/paciente_hig_maos.pdf</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442010000600002&lng=en&nrm=iso</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442010000600002&lng=en&nrm=iso</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271892/NA4%2B_laboratorio.pdf/eb9d43e2-7127-485a-af98-6f120f2827a3</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 10.205-2001?OpenDocument</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10205.htm</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19</p><p>http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html</p><p>Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2954239/RDC_51_2011_COMP.</p><p>pdf/e0720f17-70fc-4eb8-b89f-acc025bdf661. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução de Diretoria Colegiada nº 302, de 13 de outubro de 2005. Dispõe sobre o</p><p>Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos. Brasília, DF: Anvisa, [2020].</p><p>Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_302_2005_COMP.</p><p>pdf/7038e853-afae-4729-948b-ef6eb3931b19. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução de Diretoria Colegiada nº 34, de 11 de junho de 2014. Dispõe sobre as Boas</p><p>Práticas no Ciclo do Sangue. Brasília, DF: Anvisa, [2020]. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/</p><p>upload/arquivos/carga20170553/04145350-rdc-anvisa-34-2014.pdf. Acesso em: 30 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Resolução de Diretoria Colegiada nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre</p><p>o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos</p><p>físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília, DF: Anvisa, [2020]. 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