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ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! PROFESSOR Dr. Marcel Pereira Rangel Farmacologia e Fitoterapia https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15480 FICHA CATALOGRÁFICA C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA. RANGEL, Marcel Pereira Farmacologia e Fitoterapia.Marcel Pereira Rangel. Maringá - PR: Unicesumar, 2022. 224 P. ISBN: 978-85-459-2192-9 “Graduação - EaD”. 1. Farmacologia 2. Gastrointestinal 3. Metabolismo. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 615.1 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar Diretoria de Design Educacional NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Paula Renata dos Santos Ferreira Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie Medeiros Vilela Daros Head de Recursos Digitais e Multimídia Fernanda Sutkus de Oliveira Mello Gerência de Planejamento Jislaine Cristina da Silva Gerência de Design Educacional Guilherme Gomes Leal Clauman Gerência de Tecnologia Educacional Marcio Alexandre Wecker Gerência de Produção Digital e Recursos Educacionais Digitais Diogo Ribeiro Garcia Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Supervisora de Design Educacional e Curadoria Indiara Beltrame Coordenador de Conteúdo Renato Castro da Silva Designer Educacional Ivana Martins Curadoria Katia Salvato Revisão Textual Cintia Prezoto Editoração Adrian Marçareli dos Santos Ilustração Geison Ferreira da Silva Realidade Aumentada Maicon Douglas Curriel, Matheus Alexander de Oliveira Guandalini, Eduardo Pereira Carvalho Fotos Shutterstock. Tudo isso para honrarmos a nossa missão, que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Reitor Wilson de Matos Silva A UniCesumar celebra mais de 30 anos de história avançando a cada dia. Agora, enquanto Universidade, ampliamos a nossa autonomia e trabalhamos diariamente para que nossa educação à distância continue como uma das melhores do Brasil. Atuamos sobre quatro pilares que consolidam a visão abrangente do que é o conhecimento para nós: o intelectual, o profissional, o emocional e o espiritual. A nossa missão é a de “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária”. Neste sentido, a UniCesumar tem um gênio importante para o cumprimento integral desta missão: o coletivo. São os nossos professores e equipe que produzem a cada dia uma inovação, uma transformação na forma de pensar e de aprender. É assim que fazemos juntos um novo conhecimento diariamente. São mais de 800 títulos de livros didáticos como este produzidos anualmente, com a distribuição de mais de 2 milhões de exemplares gratuitamente para nossos acadêmicos. Estamos presentes em mais de 700 polos EAD e cinco campi: Maringá, Curitiba, Londrina, Ponta Grossa e Corumbá, o que nos posiciona entre os 10 maiores grupos educacionais do país. Aprendemos e escrevemos juntos esta belíssima história da jornada do conhecimento. Mário Quintana diz que “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. Seja bem-vindo à oportunidade de fazer a sua mudança! Aqui você pode conhecer um pouco mais sobre mim, além das informações do meu currículo. Dr. Marcel Pereira Rangel Eu, primeiramente, sou apaixonado pelo meu trabalho, sou certamente aquelas pessoas que acordam de manhã felizes em trabalhar naquilo que lhe satisfazem, e, além desta minha paixão pela docência, tenho mais dois prazeres no meu dia a dia, minha família e esportes. A minha família, atualmente, é formada, além de mim, pelo meu filho de 4 anos, minha esposa e companheira por 15 anos e nossa pequena cachorrinha que nos acompanha a 12 anos. Nós somos muito companheiros uns dos outros e temos o costume de sempre estarmos juntos, quando possível, aproveitar cada momento, fazer piquenique, andar de bicicleta e viajar. Entendo que todo momento com as pessoas que te amam se torna fundamental para a saúde em todos os aspectos. O esporte me encontrou há muito tempo, sou uma pessoa extremamente ativa, gosto de acordar 5h da manhã, e começar meu dia fazendo atividade, acredito que o benefício, além de relacionado à saúde o bem-estar, é fundamental para iniciar o dia, principalmente aqueles cheios de compromissos. Além de praticar esportes, eu assisto qualquer jogo que esteja passando na televisão, seja basquete, futebol, futebol americano, boxe etc. Enfim, eu tenho uma vida corrida pelas exigências do trabalho e, ao mesmo tempo, tranquila, porque, acredito que o segredo é você se desligar do trabalho quando pode e aproveitar os momentos ao lado das pessoas que ama. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0513665217265483 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10170 Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento. PENSANDO JUNTOS EU INDICO Enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliaram a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor. Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das possibilidades de interação de cada objeto. REALIDADE AUMENTADA Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido PÍLULA DE APRENDIZAGEM Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas. RODA DE CONVERSA EXPLORANDO IDEIAS Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discutido, de forma mais objetiva. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881 FARMACOLOGIA E FITOTERAPIA O estudo de plantas com ação farmacológica no organismo é um processo antigo e a humanidade foi aprendendo a selecionar seus constituintes tanto para alimentação quanto para curar os males e doenças. Assim, alguns povos, como egípcios e mesopotâmicos, dominaram a arte da medicina fitoterápica, evoluindo no processo de cura x doenças. A Fitoterapia constitui uma forma de terapia medicinal que vem crescendo notadamente nestes últimos anos, ao ponto que, atualmente, o mercado mundial de fitoterápicos gira em torno de, aproximadamente, 22 bilhões de dóla- res. Atentos a isso, a indústria farmacêutica investiu neste tipo de comércio, tanto que um estudo da FDA (Food and Drugs Administration) mostrou que 50% dos medicamentos aprovados entre 1981 e 2006 são direta ou indiretamente derivados de produtos naturais. Mesmo que a nova entidade química não passe em todos os testes clínicos, ela servirá de modelo para a síntese de novos candidatosa fármaco. Dentro desta perspectiva, o Brasil é um país privilegiado, considerando sua extensa e diversificada flora, detendo aproximadamente um terço da flora mundial, assim, existe no país um grande número de grupos de pesquisa que tem contribuído significativamente para o desenvolvimento da química de produtos naturais de plantas, a quimiotaxonomia, a farmacologia de produtos naturais e outras áreas relacionadas. É fundamental destacar que a falta de acesso ao medicamento é um dos fatores associados, muitas vezes, à utilização dos fitoterápicos. Entretanto, é importante destacar que o uso deste tipo de composto deve ser respaldado por um profissional habilitado e, além disso, a produção dos compostos é complexa envolvendo desde o plantio, colheita, extração e produção final. Outro ponto importante a se destacar é a falsa crença que pode ocorrer, muitas vezes, pelas pessoas, de que, por se constituir de um medicamento fitoterápico à base de produtos naturais, não desenvolva efeitos adversos ou toxicológicos na população. Deste modo, a garantia da eficácia e de todos os processos desde a extração até a comer- cialização são imprescindíveis para eficácia do produto final disponibilizado à população. Neste aspecto, o ministério da Saúde atento às demandas e necessidades populacionais, aprovou mais de 60 compostos medicinais a base de plantas, dos quais a maioria é de uso popular a muitos anos, e agora, passam por uma maior fiscalização desde a sua extração até comercio final. Portanto, nota-se que a farmacologia relacionada à fitoterapia possui inúmeras interfaces, que envolvem um processo interdisciplinar, multidisciplinar e interinstitucional, relacionando diversas áreas de conhecimento que vão desde a antropologia botânica, fitoquímica, farmacologia, toxicologia, biotecnologia, química orgânica até a tecnologia farmacêutica e aspectos nutricionais, com objetivo final para o desenvolvimento de fitoterápicos. Neste contexto, o profissional nutricionista foi contemplado pelas Resoluções do Conselho Federal de Nutrição (CFN) 525/20131 e CFN 556/20152, onde regulamentam a prática da Fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe competên- cia para, nas modalidades que especifica, prescrever plantas medicinais e chás medicinais e medicamentos, produtos tradicionais e preparações magistrais de fitoterápicos como complemento da prescrição dietética. Essa atribuição é permitida aos profissionais nutricionista com Título de especialista outorgado pela Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN) ou Certificado, devidamente registrado do CRN, de pós-graduação Lato Sensu com ênfase em Fitoterapia. Você consegue imaginar a importância da fitoterapia para a humanidade ao longo dos anos? E na sua vida? Ou, já parou para pensar como seria o tratamento das doenças ou complicações clínicas sem que pudéssemos utilizar plantas ou seus derivados no desenvolvimento de medicamentos? Isso causaria limitação ou impacto nos tratamentos dos pacientes? Também já pensou como elas são extraídas e se apresentam algum tipo de malefício no seu uso? Difícil pensar que todos esses assuntos estão interligados e conectados, certo? Mesmo que não pareça, muito antes do produto final chegar à população, todo processo de extração, análise far- macológica, interação e toxicidade são analisadas e testadas para que o produto final seja utilizado como tratamento em alguma situação. Isso demonstra a importância da utilização de compostos a base de plantas no desenvolvimento dos medicamentos, constituindo, assim, a base da farmacologia moderna. No estudo deste livro, iremos caminhar por esse complexo caminho, que envolve desde a análise básica dos métodos extrativos até o possível potencial terapêutico ou tóxico da planta, portanto, será fundamental o entendimento da comple- xidade do assunto, para isso, estar atualizado dos principais descritores relacionados ao assunto é imprescindível, desse modo, faça uma pequena busca de medicamentos à base de plantas, para isso você pode utilizar palavras como: fitoterapia, nutracêuticos e farmacognosia. Após essa pequena busca, realize uma reflexão descritiva ou não sobre a importância do estudo das plantas e seus compostos atualmente e tente relacionar a sua vida e como este livro irá lhe auxiliar. Vamos tentar mergulhar no assunto, experimente pensar em você em contato com a natureza, uma floresta, um campo repleto de flores e folhas. Em algum momento você pensou que esse seria o cenário ideal para descobrir um novo com- posto, capaz, talvez, de ser a chave para o tratamento de uma doença? Não seria maravilhoso? Para isso, você precisará ter noções básicas de como extrair o produto essencial para formulação do seu composto, além disso pesquisar sobre as análises farmacológicas (farmacocinética e farmacodinâmica), além de toxicológicas (toxicocinética e toxicodinâmica) e, a partir destes questionamentos, você deveria se perguntar “eu saberia resolver todas essas questões”? Saberia o melhor método de extração? Quais testes foram utilizados para avaliar o efeito? Como avaliar a toxicidade? Qual melhor grupo de estudo? Qual melhor planta? Folhas? Flores? E talvez, após estes questionamentos, você chegará a uma conclusão de que todo seu conhecimento prévio é imprescindível para o sucesso de seu desenvolvimento profissional. Deste modo, vale a pena uma pequena autorreflexão antes do início da nossa jornada, “Como eu me sairia neste cenário?” Eu conseguiria resolver todas estas questões? Teria facilidade? Dificuldade? Onde eu ficaria com mais perguntas a serem respondidas? Para isso, utilize seu Diário de Bordo respondendo brevemente esses questionamentos, lembrando que todos estes temas serão abordados em toda esta unidade, com objetivo de lhe auxiliar nestas respostas. Agora que você já teve uma breve experiência sobre a temática deste livro, que tal se fizéssemos um breve desafio, vá até uma farmácia ou qualquer loja que comercialize produtos à base de plantas e analise quais medicamentos você irá encontrar com a formulação que contenha planta ou seus derivados. Após essa breve imersão, faça uma breve busca para quais doenças ou condições são utilizados, como foram formulados, extraídos e, o mais importante, como saber se são confiáveis. Após essa breve imersão, vá até uma farmácia e analise quais destes medicamentos estão disponíveis. O que acha de colocar tudo no papel? Pegue os conceitos apresentados que, primeiramente, veem em sua mente, e depois tente relacioná-los com intuito de formular o conteúdo, nós chamamos isso de brainstorming, ferramenta imprescin- dível na construção do conhecimento, e fique tranquilo se inicialmente suas considerações forem superficiais, é exatamente por isso que você está iniciando essa jornada junto conosco e verá que, ao longo do módulo, iremos propor diversos tipos de avaliações com objetivo de fixar e que você tenha a melhor compreensão possível do conteúdo apresentado. 1 2 43 5 6 81 11 57 37 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FARMACOLOGIA 127 FÁRMACOS QUE ATUAM NOS DISTÚRBIOS COM- PORTAMENTAIS ATIVADORES E DE- PRESSORES DO SISTEMA NERVOSO FÁRMACOS QUE ATUAM NO METABOLISMO GLICÊMICO E LIPÍDICO FÁRMACOS QUE ATUAM NO TRATO GASTROINTESTINAL FARMACOLOGIA HORMONAL FÁRMACOS QUE ATUAM NA OBESI- DADE - FÁRMACOS E SUBSTÂNCIAS RELACIONADAS AO ESTILO DE VIDA E ESPORTE 105 7 8 9 151 191 171 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO E PRO- DUTOS NATURAIS INTERAÇÃO MEDICAMENTOS X PLANTAS E INTERAÇÃO ALIMENTAR X PLANTAS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA TOXICIDADE 1 Neste capítulo, você será convidado a uma imersão no mundo da farmacologia, onde todos os parâmetros importantes para que o fármaco tenha sucesso no organismo sejam traçados e vencidos. Para isso, devemos iniciar uma longa jornada por meio dos conceitos básicos que fundamentam a farmacologia. Vamos lá? Princípios Básicos da Farmacologia Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 12 Quandovocê toma algum medicamento, já pensou como ele caminha dentro do organismo para fazer efeito? Pense, você está com dor de cabeça, e toma um comprimido para tal. Como aquele composto que você engole sabe onde está a dor? Ou a inflamação? Muito interessante, não é mesmo? Todas estas etapas do caminho do medicamento até seu efeito e eliminação serão abordadas neste capítulo. Os caminhos do medicamento desde sua administração, seu efeito e sua eliminação são denominados Farmacocinética e Farmacodinâmica. Estes estudos garantem que o composto ativo seja absorvido, faça seu efeito e seja prontamente eliminado do organismo, minimizando a probabilidade de provocar efeitos adversos, e a partir destes estudos são definidas como será a via de administração e formulação do composto. O estudo dos processos farmacocinéticos e farmacodinâmicos do fármaco correspondem a um processo demorado, que pode levar até 2 anos para serem finalizados, dependendo da comple- xidade estrutural do fármaco. Esse processo deve ser bem detalhado, uma vez que ele determinará qual via de administração do medicamento, como ele será eliminado, onde realizará o efeito e quais os possíveis efeitos adversos o medicamento pode causar, assim, todas as análises devem ser bem feitas e o conhecimento dos processos deve ser compreendido na sua integridade. Portanto, conhecer todos os processos, suas etapas e suas variações são fundamentais para melhor compreensão do capítulo. Para aplicarmos, veja em sua casa, com amigos ou no trabalho, quais formulações (gotas, compri- midos, aerossóis) de um mesmo medicamento estão disponíveis e perceba que, para alguns, temos apresentações em muitas formas farmacêuticas, e outros, somente em uma, e pergunte-se por quê? Pense um pouco no que acabamos de acordar, não seria mais fácil e prático se você pudesse escolher como tomar o seu medicamento? Por que antes ou durante a refeição? De 8 em 8 ou de 12 em 12 horas? Ou “em gotas” e não comprimido? Pensando nisso, você pode, primeiramente, se perguntar: como isso é definido? E para tentar responder a essas questões, deve-se pensar no medicamento antes mesmo dele ser comercializado, ou seja, no seu desenvolvimento, uma vez que, durante este processo, uma das etapas mais importantes baseia-se no estudo em que se avalia qual a melhor via de administração do medicamento, e após esta decisão, outras pesquisas relacionadas a sua efetividade, toxicidade, efeitos adversos e vias de eliminação são definidas. Somente após todos estes testes, em células e em animais, chamada fase pré-clínica, o composto está apto para testar sua segurança e eficácia em seres humanos, e isso leva em torno de 5 a 10 anos. Você pensava que esse processo era tão complexo assim? Sem problemas, este capítulo irá auxiliar no seu entendimento sobre os processos de absorção, metaboli- zação, degradação e efeito dos princípios ativos, sejam de origem sintética ou natural. Para melhor compreensão, que tal uma pequena dinâmica? Faça um brainstorming do assunto, ou seja, coloque em um papel tudo o que você conhece sobre os princípios farmacocinéticos e farmacodinâmicos, guarde e compare o seu conhecimento inicial com o conhecimento que você adquiriu após este módulo acabar. UNIDADE 1 13 A farmacologia é um estudo multidisciplinar e sua compreensão intriga a humanidade há milhares de anos, quando se utilizava compostos de origem natural com finalidade terapêutica. Além disso, as influências sociais e econômicas se relacionam à farmacologia no âmbito de viabilizar políticas públicas que melhor atendam à população (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Ciência que nasceu em meados do século XIX, uma das muitas novas ciências baseadas nos prin- cípios da experimentação, entretanto, muito antes disso, desde os primórdios da civilização, remédios à base de ervas foram amplamente utilizados, farmacopeias foram escritas e o mercado dos boticários floresceu (GOLAN et al., 2014). Os povos pré-históricos, indiscutivelmente, reconheciam os efeitos benéficos ou tóxicos de muitas matérias vegetais e animais. Registros escritos iniciais listam remédios de muitos tipos, inclusive uns poucos que ainda são reconhecidos como fármacos úteis até os dias de hoje. As últimas três décadas tem mostrado um crescimento ainda mais rápido de informações e compreensão da base molecular para ação de fármacos (KATZUNG; GRAW, 2013). PRINCÍPIOS GERAIS DA FARMACOLOGIA - O que é um fármaco? Fármaco pode ser definido como uma substância química de estrutura conhecida, que não seja um nutriente ou um in- grediente essencial da dieta, o qual produz um efeito biológico quando administrado a um organismo vivo. De origem química ou obtido a partir de plantas ou animais, um medicamento é uma preparação química que, geralmente (mas não exclusivamente) contém um ou diversos fármacos associados a outras substâncias, como: excipientes, conservantes, solventes etc. (RANG; DALE, 2016). Na maioria dos casos, a molécula do fármaco interage como um agonista (ativador) ou antagonista (inibidor) com uma molécula específica no sistema biológico que desempenha uma função reguladora ou seu mecanismo de ação e, finalmente, após desempenhar sua função, deve ser inativado ou excre- tado do corpo em uma velocidade razoável, de modo que suas ações tenham a duração apropriada e não provoquem efeitos indesejáveis (KATZUNG; GRAW, 2013). Interações fármaco x corpo - Estas interações são divididas em duas classes: quando se referem- -se às ações do corpo sobre o fármaco são denominados processos farmacocinéticos e farmacodi- nâmicos. O estudo farmacocinético é de grande importância, principalmente na escolha da via de administração e potencial tóxico ao organismo. Já quando se refere às ações do fármaco no corpo, são denominados processos farmacodinâmicos, propriedades relacionadas à interação do fármaco ao seu receptor. Estas etapas estão representadas na Figura 1, e nos parágrafos seguintes há uma breve introdução à farmacodinâmica e à farmacocinética (KATZUNG; GRAW, 2013). FARMACOCINÉTICA - é fundamentada no estudo do “caminho” do fármaco no organismo após sua administração, avaliando a duração e intensidade da ação. Os caminhos farmacocinéticos (absorção, distribuição, biotransformação e eliminação), estão representados na figura 1 (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). UNICESUMAR 14 Novos fármacos são planejados e testados em formas posológicas distintas e administrados por uma via específica. Deste modo, o sucesso do tratamento farmacológico envolve muitos fatores, dentre eles wa escolha correta da via pela qual o medicamento será administrado (GOLAN et al., 2014). Assim, quando se determina a via de administração a ser utilizada, de certo modo, define-se também a superfície a qual o fármaco terá que ultrapassar para que seja distribuído na circulação até a chegada ao órgão alvo (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). As vias de administração são escolhidas para tirar proveito das moléculas de transporte e de outros mecanismos que possibilitem a entrada do fármaco nos tecidos corporais (GOLAN et al., 2014). A via de administração é determinada, primariamente, pelas propriedades do fármaco (p. ex., hidro ou lipossolubilidade, ionização) e pelos objetivos terapêuticos (p. ex., necessidade de um início rápido de ação, necessidade de tratamento por longo tempo ou restrição de acesso a um local específico). As vias principais de administração A D M E Farmacocinética Farmacodinâmica Absorção Distribuição Metabolismo Excreção Atividade Figura 1. Representação dos passos farmacocinéticos e farmacodinâmicos Fonte: adaptada de Wikimedia Commnons (2020, on-line). Descrição da Imagem: na imagem é possível visualizar o desenho de um corpo dividido em dois momentos, do lado esquerdo da imagem as fases da farmacocinética estão escritas em preto (Absorção, Distribuição, Metabolização e Excreção). Ainda do lado esquer- do, no canto superior, está escrito (Farmacocinética), abaixo há um triânguloamarelo, uma flecha preta sai desse triângulo e entra no corpo pelo pescoço e vai até outro triângulo desenhado no centro do corpo, próximo a região do umbigo, desse triângulo no centro saem quatro flechas, três verdes e uma preta, a primeira flecha verde sai do triângulo e vai até o crânio indicando uma bolinha verde, a segunda flecha verde sai do triângulo central e vai até o ombro direito indicando uma bolinha verde, a terceira flecha verde sai do triângulo central e vai até o quadril do lado direito indicando também uma bolinha verde, por último, a quarta flecha, na cor preta, sai do triângulo central e indica outro triângulo fora do corpo na cor cinza, na parte inferior da imagem. No lado direito da imagem, no canto superior, está escrito (Farmacodinâmica) e no centro da imagem, abaixo do braço do desenho está escrito (Atividade), ambos na cor verde. UNIDADE 1 15 de fármacos incluem a enteral, parenteral e a tópica (PENILDON, 2010). ENTERAL - constitui modo mais seguro, comum, conveniente e econômico de administrar os fármacos apresentando a absorção direta na circulação sanguínea. Atualmente, são divididas em via oral, ou pode ser colocado sob a língua (sublingual) ou entre a bochecha e a gengiva (bucal). (PENIL- DON, 2010). ORAL: vantagens: possui diversas apresentações (gotas, comprimidos, cápsulas, liberação pro- longada), sendo de autoadministração, deglutição têm menos tendência do que outros métodos a causar infecções sistêmicas, como complicação do tratamento; e, em caso de intoxicação, o processo é facilmente neutralizado com carvão ativado. Desvantagens: sofre interferência direta do pH esto- macal e intestinal, inibindo ou diminuindo a absorção do fármaco (GOLAN et al., 2014; WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). PARENTERAL - consiste na introdução direta do fármaco na circulação sistêmica, líquido cefalor- raquidiano ou em outro espaço tecidual, tendo como resultado o início de ação imediata, uma vez que as barreiras corporais já foram superadas. Apresenta desvantagem em relação à necessidade de admi- nistração somente por profissional habilitado e aumento no potencial tóxico do fármaco, em virtude da velocidade de ação rápida. A Figura 2 elucida a divisão das vias de administração (GOLAN et al., 2014). Tipos de Injeções/Administrações Subcutânea Intravenosa Intramuscular Intradérmica Figura 2 - Representação dos tipos de vias parenterais, bem como seus níveis de profundidade na pele. Descrição da Imagem: a imagem apresenta as maneiras de aplicar medicamento pela via injetável. Na parte superior da imagem, no centro, está escrito “Tipos de Injeção”. No lado direito, na parte inferior, há o desenho de um quadrado representando as camadas da pele. Na parte superior do quadrado na cor marrom clara, no centro, há um pelo na cor preta. No lado esquerdo do quadrado estão descritas as camadas da pele, começando, na parte superior, epiderme, abaixo a derme, abaixo o tecido subcutâneo e por último o músculo. Na parte superior da imagem, sobre o quadrado, há uma seringa com sua agulha que penetra todas as camadas até chegar no músculo, acima dessa seringa está escrito “Intramuscular”. No lado direito do quadrado, na parte mais central da imagem, há outra seringa com agulha que penetra as camadas até chegar no tecido subcutâneo, acima dessa seringa está escrito “Subcutânea”. No lado direito do quadrado, logo abaixo da seringa anterior, há outra seringa com agulha que penetra a epiderme e a derme até chegar ao vaso sanguíneo, acima dessa seringa, do lado direito da imagem, está escrito “Intravenosa”. No lado direito da imagem, na lateral direita do quadrado, há outra seringa com agulha que penetra a derme, no canto esquerdo da imagem, atrás da seringa está escrito “Intradérmica”. UNICESUMAR 16 Intravenosa (IV): útil para fármacos que não são absorvidos por via oral, permite um efeito rápido e um grau de controle máximo sobre a quantidade de fármaco administrada. Vantajosa para fármacos que podem causar irritação quando administrados por outras vias, porque o fármaco se dilui no sangue rapidamente. Entretanto, pode precipitar constituintes do sangue, causar hemólise ou outras reações adversas se for introduzida muito rapidamente ou se alcançar concentrações elevadas. Intramuscular (IM): fármacos administrados estão em soluções aquosas, que são absorvidas ra- pidamente, ou em preparações especializadas de depósito, que são absorvidas lentamente. À medida que o veículo se difunde para fora do músculo, o fármaco se precipita no local da injeção. Subcutânea (SC): oferece absorção por difusão simples e é mais lenta do que a via IV. A injeção SC minimiza os riscos de hemólise ou trombose associados à injeção IV e pode proporcionar efeitos lentos, constantes e prolongados. Esta via não deve ser usada com fármacos que causam irritação tissular, porque pode ocorrer dor intensa e necrose. Fármacos administrados comumente por via SC incluem insulina e heparina (RANG; DALE, 2016). Outras: Inalação oral: as vias inalatórias oral e nasal (ver adiante) asseguram a rápida oferta do fármaco por meio da ampla superfície. Tópica: a aplicação tópica é usada quando se deseja um efeito local do fármaco, ou seja, aplicado diretamente na pele para o tratamento. Transdérmica: essa via de administração proporciona efeitos sistêmicos pela aplicação do fármaco na pele, em geral, por meio de um adesivo cutâneo. A velocidade de absorção pode variar de modo acentuado, dependendo das características físicas da pele no local da aplicação e da lipossolubilidade do fármaco. Retal: Como 50% da drenagem da região retal não passa pela circulação portal, a biotransformação dos fármacos pelo fígado é minimizada com o uso desta via. A vantagem adicional da via retal é evitar a destruição do fármaco no ambiente Trato Gastrointestinal (TGI). Ela também é útil se o fármaco provoca êmese (vômito), quando administrado por via oral, ou se o paciente já se encontra vomitando ou se está inconsciente (RANG; DALE, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013). FASES FARMACOCINÉTICAS ABSORÇÃO - é a transferência de um fármaco do seu local de administração para a corrente san- guínea. O tegumento humano apresenta uma camada externa queratinizada no epitélio com objetivo de defesa do organismo contra a invasão de microrganismos, entretanto, essas barreiras constituem uma limitação ao processo de absorção de fármacos e podem limitar sua chegada a certos órgãos-alvo. A velocidade e a eficiência da absorção dependem do ambiente onde o fármaco é absorvido, das suas características químicas e da via de administração (o que influencia sua biodisponibilidade). Exce- tuando a via IV, as demais podem resultar em absorção parcial e menor biodisponibilidade (GOLAN et al., 2014; GOODMAN; GILMAN, 2012). UNIDADE 1 17 Mecanismos de absorção de fármacos a partir do TGI - constitui modo mais seguro, comum, conveniente e econômico de administrar os fármacos apresentando a absorção direta na circulação san- guínea. Atualmente, são divididos em via oral (Figura 3), sob a língua (sublingual) ou entre a bochecha e a gengiva (bucal) (GOODMAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Dependendo das propriedades químicas, os fármacos podem ser absorvidos do trato gastroin- testinal por difusão passiva, difusão facilitada, transporte ativo ou endocitose. Veículos de fármacos podem ser muito importantes em facilitar o transporte e a permeação, por encapsular o agente ativo em lipossomos e regular a liberação, como em preparados de liberação lenta, representados na Figura 4. Métodos mais novos de facilitar o transporte de fármacos por seu acoplamento a nanopartículas estão sendo pesquisados (KATZUNG; GRAW, 2013; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Descrição da Imagem: A imagem apresenta, ao centro, uma mão com 5 tipos de comprimidos, sendo uma cápsula azul claro e escura, um comprimido vermelho, um verde, um amarelo e um azul. Ao lado da mão, do lado esquerdo, temos um comprimido (preto eamarelo) grande acenando para o leitor com a mão direita e um grande sorriso mostrando os dentes. No canto superior esquerdo da imagem, há um copo azul com água até sua metade, ao lado uma figura representando paciente em amarelo observado o medicamento a sua mão, um pouco abaixo, o paciente agora em verde, está tomando o copo de água, acima desta imagem, temos um copo azul com três tipos de medicamentos: um comprimido amarelo, uma capsula azul clara e um comprimido vermelho. E por fim, aparece a última descrição do paciente em rosa, este, aparece de lado, com trajeto da boca até o estômago onde é observado os medicamentos dentro do órgão representado por um comprimido azul e duas cápsulas, uma rosa escura e claro e outra azul escuro e claro. Figura 3 - A administração do fármaco pela via oral e sua passagem pelo sistema digestório UNICESUMAR 18 Difusão passiva: o fármaco se move da região mais concentrada para a menos concentrada, este tipo de transporte é utilizado pela maioria dos fármacos. Nota-se que compostos hidrossolúveis atravessam as membranas celulares através de canais/poros aquosos, e os lipossolú- veis movem-se facilmente através das membranas biológicas, em função da sua solubilidade da bicamada lipídica. Difusão facilitada: transporte de moléculas grandes com alto peso molecular que somente é possível pela presença de proteínas transpor- tadoras. Transporte que não necessita de energia, entretanto, pode ser saturado ou inibido por compostos que competem pelo transportador. Transporte ativo: transporte que também envolve transportadores proteicos específicos que atravessam a membrana. Poucos fármacos cujas estruturas se assemelham às de metabólitos de ocorrência natural são transportados através da membrana celular usando esses trans- portadores proteicos específicos (GOODMAN; GILMAN, 2012; WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016; GOLAN et al., 2014). UNIDADE 1 19 Difusão Difusão Facilitada Alta concentração do Gradiente Alta concentração do Gradiente Baixa/ Alta concentração do Gradiente Alta/ Baixa concentração do Gradiente Baixa concentração do Gradiente Baixa concentração do Gradiente TRANSPORTE PASSIVO TRANSPORTE ATIVO Descrição da Imagem: a imagem representa um tecido e seus receptores expressos na membrana, na parte inferior (parte interna - cor rosada) e sangue (parte externa em azul), também pode-se observar pequenos pontos que representam os fármacos que variam de cor ao decorrer da imagem. No primeiro processo, do lado esquerdo, observa-se o transporte conhecido como difusão, este é representado por uma seta que se inicia no ambiente externo (mais concentrado) para o ambiente interno (menos concentrado), nela percorre o fármaco representado pela coloração azul. Ao lado, seguindo para direita, observa-se o transporte conhecido como difusão facilitada, representado por dois processos, que necessita de transportadores acoplados na membrana e tem início no ambiente externo (mais concentrado) para o ambiente interno (menos concentrado), no primeiro processo, o fármaco representado pela coloração verde per- corre do meio mais concentrado para o meio menos concentrado. No segundo processo, o fármaco representado por círculos na cor rosa, percorre do meio mais concentrado para o meio menos concentrado. Separado por um tracejado, do lado esquerdo da imagem, encontra-se o último tipo de transporte, conhecido como transporte ativo, na figura nota-se dois tipos de transporte inicialmente do ambiente interno (mais concentrado) para o ambiente externo (menos concentrado), provocando o gasto de energia (representado pelo ATP), e por fim último transporte do ambiente externo (mais concentrado) para o ambiente interno (menos concentrado). Figura 4 - Representação dos tipos de transportes utilizados pelos fármacos UNICESUMAR 20 Fatores que influenciam a absorção - a velocidade e a magnitude de absorção de um fármaco são influenciadas por fatores locais, regionais e sistêmicos. Deste modo, qualquer interferente que diminua a concen- tração do fármaco no local da administração pode diminuir a concen- tração a ser distribuída para os tecidos. Entre os interferentes, temos: Efeito do pH na absorção de fármacos: a maioria dos fármacos é ácido fraco ou base fraca. Um fármaco atravessa a membrana mais facilmente se estiver não ionizado. Assim, para os ácidos fracos, a forma não ionizada consegue permear através das membranas. Para a base fraca, a forma não ionizada consegue penetrar através das membranas celulares, mas a protonada não consegue. Fluxo de sangue no local de absorção: os intestinos recebem um fluxo de sangue muito maior do que o estômago, de modo que a absorção no intestino é favorecida em relação a do estômago. Área ou superfície disponível para absorção: com uma superfície rica em bordas em escova contendo microvilosidades, o intestino tem uma superfície cerca de 1.000 vezes maior que a do estômago; por isso, a absorção de fármacos pelo intestino é mais eficiente. Tempo de contato com a superfície de absorção: se um fármaco se desloca muito rapidamente ao longo do TGI, como pode ocorrer em uma diarreia intensa, ele não é bem absorvido. Contudo, qualquer retardo no transporte do fármaco do estômago para o intestino reduz a sua velocidade de absorção (RANG; DALE, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014). BIODISPONIBILIDADE - após o fármaco sofrer sua dissolução (Figura 5) e absorção, ele atingirá a circulação sistêmica, estando sua concentração diretamente relacionada à via de administração do fármaco, à sua forma química e a certos fatores específicos do paciente – como transportadores e enzimas gastrointestinais e hepáticos (GOLAN et al., 2014). UNIDADE 1 21 A biodisponibilidade é determinada pela comparação dos níveis plasmáticos do fármaco de- pois de uma via de administração. Na administração IV, 100% do fármaco entra na circulação rapidamente. Quando o fármaco é administrado por via oral, somente parte da dose aparece no plasma (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). Considerando a concentração plasmática do fármaco em função do tempo, pode-se mensurar a área sob a curva (ASC). A ASC reflete a extensão da absorção do fármaco. A biodisponibilidade de um fármaco administrado por via oral é a relação da ASC após administração oral com a ASC por administração IV. A ASC da concentração x tempo no sangue é proporcional à dose e a extensão de biodisponibilidade de um fármaco, se sua eliminação é de primeira ordem (KATZUNG; GRAW, 2013). Descrição da Imagem: Imagem em azul escuro no fundo com uma cápsula em destaque no canto inferior esquerdo, esta cápsula possui, na parte superior, a cor azul clara e na inferior azul escura. A imagem representa o fármaco em azul cintilante/brilhante saindo de dentro da cápsula e sendo difundido na circulação. Figura 5 - Representação do processo de dissolução do fármaco, possibilitando a sua absorção UNICESUMAR 22 Fatores que influenciam a biodisponibilidade: Efeito de primeira passagem hepática: o medicamento, ao ser absorvido, no trato gastrointestinal, antes de atingir a circulação sistêmica, percorre a circulação porta hepática, sofrendo biotransforma- ção (p. ex., pelo sistema enzimático CYP3A4), perdendo-se uma porcentagem da sua concentração inicialmente administrada. Portanto, fármacos que sofrem intenso efeito de primeira passagem devem ser administrados com uma dosagem suficiente garantindo assim sua eficácia (Figura 6). Co nc en tr aç ão d o m ed ic am en to no o rg an is m o Intravenoso Intramuscular Subcutâneo Oral Tempo (t) Descrição da Imagem: a imagem apresenta um gráfico com duas variáveis, horizontalmente o tempo, e verticalmente a concentração de droga no corpo, ambos marcados por um traço preto. Na primeira imagem, tem-se a representação da administração por via intra- venosa, representada por uma seringa branca, com agulha preta e líquido até metade rosa, esta, insere-se no braço com veia vermelhamarcada, sua administração está representada no gráfico pela linha rosa que inicialmente começa com uma alta concentração de droga no corpo, mas à medida que o tempo passa essa concentração vai caindo. A próxima imagem representa a via de administração intramuscular em verde, a imagem representada por uma seringa branca, com agulha preta e líquido até metade rosa, esta, insere-se no músculo do braço representado por uma imagem acastanhada e com rasuras pretas. Sua administração está representada no gráfico pela linha verde que, inicialmente, começa com uma alta concentração, menor que a linha rosa anteriormente apresentada, de droga no corpo, mas à medida que o tempo passa essa concentração vai caindo. A próxima imagem representa a via de administração subcutânea em azul, a imagem representada por uma seringa branca, com agulha preta e líquido até metade rosa, esta, insere-se na parte subcutânea da pele representado por uma imagem rosada e com rasuras brancas. Sua administração está representada no grá- fico pela linha azul que, inicialmente, começa com uma alta concentração de droga no corpo, mas à medida que o tempo passa essa concentração vai caindo. Por fim, a última imagem representa a via de administração oral em roxo, a imagem representada por uma pessoa engolindo um comprimido vermelho, este, desce pelo trato gastrointestinal representado por um tudo branco dentro do corpo rosado. Sua administração está representada no gráfico pela linha roxa que, inicialmente, começa com uma concentração inferior que as outras de droga no corpo, mas à medida que o tempo passa essa concentração vai caindo. Figura 6 - Representação da biodisponibilidade de acordo com a via de administração do fármaco UNIDADE 1 23 Descrição da Imagem: imagem com fundo branco e uma representação do fígado em vermelho e vesícula biliar em verde ao centro. Em destaque, encontra-se uma caixa de medicamento entreaberta em azul, expondo quatro ampolas de fármacos com um liquido amarelo, que preenche quase em sua totalidade as ampolas. Figura 7 - Representação do processo de primeira passagem hepática Solubilidade do fármaco: as membranas celulares são lipídicas, assim, fármacos lipossolúveis apresentam maior facilidade na absorção (GOODMAN; GILMAN, 2012; WHALEN; PANAVE- LIL; FINKEL, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013). DISTRIBUIÇÃO DE FÁRMACOS - após o fármaco ser absorvido e sofrer o efeito de primeira passagem, ele deve ser distribuído no organismo, ou seja, ele rapidamente sai da circu- lação e entra nos tecidos. Esse processo depende, principalmente, do fluxo sanguíneo tecidual, permeabilidade capilar e, principalmente, da ligação às proteínas plasmáticas que realizam o transporte do fármaco através da circulação. A ligação entre o fármaco e a proteína plasmática tem como principal carreadora a albumina (com concentração de cerca de 4 g/dℓ), que pode atuar como uma reserva de composto. Isso mantém a concentração de fármaco livre como uma fração constante do fármaco total no plasma. A ligação às proteínas plasmáticas tende a reduzir a disponibilidade de um fármaco para difusão ou transporte até seu órgão-alvo, visto que, em geral, apenas a forma livre ou não ligada do fármaco é capaz de propagar-se através das membranas (GOODMAN; GILMAN, 2012; PENILDON et al., 2010; GOLAN et al., 2014). UNICESUMAR 24 VOLUME DE DISTRIBUIÇÃO - o volume de distribuição (VD) é uma relação entre a quanti- dade/concentração do fármaco no corpo e sangue. Em termos quantitativos, VD representa o volume de líquido necessário para conter a quantidade total do fármaco absorvido no corpo. Este volume, não necessariamente, relaciona-se ao volume total de sangue presente no organismo, e sim um volume aparente, ao qual, necessitaríamos para conter a quantidade final do fármaco de forma homogênea. Deste modo, fármacos com elevados valores de VD, apresentam-se com concentrações elevadas no tecido extravascular (RANG; DALE, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013). TEMPO DE MEIA VIDA - tempo de meia-vida (t1/2) de um fármaco é o tempo necessário para que ele tenha sua concentração reduzida pela metade. O conhecimento dessa informação torna possível calcular a frequência de doses necessárias para manter a concentração plasmática do fármaco dentro da faixa terapêutica adequada. Este tempo sofre algumas interferências no organismo, deve-se levar em consideração que com o processo de envelhecimento, a massa muscular esquelética diminui, o que pode reduzir o volume de distribuição. Em contrapartida, um indivíduo obeso apresenta aumento na capacidade de captação de um fármaco pelo tecido adiposo, e, para um fármaco que se distribui na gordura, pode ser necessário administrar uma dose mais alta, a fim de alcançar níveis plasmáticos terapêuticos. Os processos fisiológicos e patológicos também são capazes de afetar a depuração dos fármacos, principalmente quando estão relacionados com as enzimas do citocromo P450 responsáveis pelo metabolismo dos fármacos no fígado podem ser induzidas, aumentando a taxa de inativação dos fármacos, ou inibidas, diminuindo-a (GOODMAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010; GOLAN et al., 2014). DEPURAÇÃO - O processo de depuração (clearance), representado na Figura 8, inicia-se ime- diatamente quando o fármaco entra no organismo, onde a maioria deles é eliminada de acordo com uma cinética de primeira ordem. As três principais vias de eliminação são biotransformação hepática, eliminação biliar e eliminação urinária. Juntos, esses processos de eliminação diminuem exponencial- mente a concentração no plasma (PENILDON, 2010; KATZUNG; GRAW, 2013). UNIDADE 1 25 DETOXIFICAÇÃO Vesícula Biliar Rim UrinaBile Toxinas Resíduo Fase 1 Fase 2 Neutralizar toxinas decomposição de toxinas Descrição da Imagem: : a imagem apresenta um fluxograma, na parte superior da imagem, no centro, está escrito "Detoxificação"; abaixo, inicia-se o fluxograma com o desenho do fígado em vermelho ao centro, neste fígado aparece a entrada da toxina/fármaco, ocorrendo, assim, as reações de Fase 1 e 2, formando o resíduo. Uma seta sai do fígado na parte inferior indicando a palavra "Resíduo". Abaixo da palavra resíduo saem duas setas, uma para a direita e outra para a esquerda. A seta para a esquerda indica a vesícula biliar, desenhada em verde, uma seta sai da vesícula biliar e indica o intestino, logo abaixo. Ao lado dessa seta está escrito bili. A seta para a direita indica os rins, outra seta sai dos rins e indica a bexiga, logo abaixo. Ao lado dessa seta está escrito urina. Figura 8 - Representação do processo de metabolização do organismo envolvendo fígado, vesícula biliar e rins. BIOTRANSFORMAÇÃO - os seres humanos são expostos diariamente a uma grande variedade de compostos estranhos chamados de xenobióticos. Deste modo, acredita-se que os sistemas de biotransformação de fármacos tenham evoluído a partir da necessidade de detoxificar e eliminar bioprodutos e toxinas vegetais e bacterianas, o que, mais tarde, se estendeu a fármacos e outros xeno- bióticos ambientais. Os rins têm dificuldade ou são impossibilitados de eliminar fármacos altamente apolares, assim, estes compostos são primeiramente biotransformados no fígado em substâncias mais polares (hidrofílicas), usando dois grupos gerais de reações, denominados fase I e fase II (Fig. 1.16). As reações de fase I tem como objetivo transformar os fármacos apolares mais polares, por meio de reações de redução, oxidação ou hidrólise que introduzem grupamentos polares (–OH ou –NH2). Estas reações são catalisadas pelo sistema citocromo P450, sendo estes complexos um alvo importante de interações farmacocinéticas de fármacos, podendo ser: Inibidas à diminuindo sua concentração, dificultando o processo de metabolização do fármaco e, consequentemente, aumentando sua concentração e risco potencial de intoxicação. UNICESUMAR 26 Ex.: os fitoterápicos também exercem efeitos significativos no sistema P450. Um exemplo é a erva-de-são-joão,fitoterápico popular usado para estabilização do humor. Muitos estudos ob- servacionais constataram que o hipérico consegue induzir a expressão de P450 e, assim, reduzir a eficácia de outras substâncias. Induzidas à aumentando sua concentração, favorecendo o processo de metabolização do fármaco e, consequentemente, diminuindo sua concentração. Ex.: Omeprazol e Cetoconazol. As reações de fase II são utilizadas apenas quando a Fase I não foi suficiente para provocar a eli- minação do fármaco e consistem em reações de conjugação, ou seja, adição de compostos como: ácido glicurônico, ácido sulfúrico, ácido acético ou aminoácido que resulta na produção de um composto polar em geral mais hidrossolúvel e terapeuticamente inativo, e o fármaco conjugado altamente polar é então excretado pelos rins ou pela bile. Acredita-se que o processo possa ser influenciado diretamente pela Microbiota: a flora intestinal possui um grande potencial redutivo, consequentemente, apresentando um grande potencial de interferência na metabolização dos fármacos; e também pela idade: acredita-se que ocorra uma di- minuição metabólica relacionada à senilidade, principalmente na redução das enzimas relacionadas à biotransformação hepática (RANG; DALE, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013, GOLAN et al., 2014; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). EXCREÇÃO - a excreção renal é um último processo farmacocinético, e tem como objetivo a eliminação dos agentes farmacológicos residuais. Os fármacos e seus metabólitos são, em sua maioria, eliminados do corpo por excreção renal e biliar. A excreção renal é o mecanismo mais comum de eliminação de fármacos e se baseia na natureza hidrofílica de um fármaco ou seu metabólito. O fluxo sanguíneo renal representa cerca de 25% do fluxo sanguíneo sistêmico total, assegurando contínua ex- posição de qualquer fármaco presente no sangue aos rins. A taxa de eliminação dos fármacos pelos rins depende do equilíbrio das taxas de filtração, secreção e reabsorção. Apenas um número relativamente pequeno de fármacos é excretado primariamente na bile ou pelas vias respiratórias e dérmicas. Muitos fármacos administrados oralmente sofrem absorção incompleta pelo trato gastrointestinal superior, e o fármaco residual é então eliminado por excreção fecal (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Você sabia que o estudo destas etapas farmacocinéticas é imprescindível no desenvolvimento de compostos com potencial terapêutico? Que estes estudos são caracterizados como pré-clínicos? E que o medicamento só pode ser utilizado em pessoas se forem aprovados e observados sua segurança e eficácia e como ele é absorvido, metabolizado, distribuído e eliminado, em estudos muito bem pla- nejados e adequados. Todas essas etapas estão representadas na Figura 9. UNIDADE 1 27 Agora que você já está contextualizado com os processos cinéticos do fármaco, ou seja, como nosso organismo interage com ele, que tal aprendermos como ocorre o seu efeito? Lembre-se do início do capítulo, quando foi questionado como o princípio ativo “sabe” onde ele precisa desenvolver seu efeito terapêutico: pois bem, vamos desvendar esse mistério! Sigamos em frente e iniciemos o estudo dos processos farmacodinâmicos! FARMACODINÂMICA – o termo farmacodinâmico se refere aos efeitos do fármaco no corpo, ou seja, trata-se da ligação do fármaco com seu receptor específico desencadeando uma resposta no organismo, processo representado pela Figura 9. Portanto, o estudo da farmacodinâmica se baseia no conceito da ligação fármaco-receptor, uma vez que isso acontece, pode ocorrer uma resposta como consequência dessa interação, se por acaso, existir um número considerável de receptores ocupados, ou seja, a resposta a um fármaco é proporcional à concentração de receptores ligados (ocupados) (GOODMAN; GILMAN, 2012; KATZUNG; GRAW, 2013). Tratamentos Clínicos Resultados LaboratoriaisDNA Testes Médicos Efeitos do MedicamentoAnálise Química Exame de SanguePesquisa Biomédica Dados e Registros Descrição da Imagem: a imagem apresenta três colunas e três linhas com desenhos em cada uma. Na primeira linha, no canto esquerdo superior, possui duas pessoas e um comprimido, seguindo o raciocínio do teste, a próxima imagem à sua direita representa uma mo- lécula de DNA e ao seu lado um microscópio finalizando a primeira linha. Na segunda linha, há o desenho de um vidro representando processos químicos e logo após uma estrutura molecular, por fim, tem-se um paciente e um frasco de medicamento indicando o início do teste clínico. Na última linha do lado esquerdo, observa-se duas pessoas com um tubo de sangue, ao lado uma mão com uma gota de sangue e um tubo de ensaio, sendo finalizada a imagem com uma prancheta com os dados analisados. Figura 9 - Representação dos passos de um teste clínico. UNICESUMAR 28 Quando pensamos em efeito, a primeira palavra que deve vir a sua mente se chama receptor, mas você realmente sabe o que isso quer dizer? Receptor é um termo genérico para descrever o local de ação de um fármaco, ou seja, é uma molécula com propriedades que interagem com o fármaco, provo- cando o efeito desejável ou não. Essas interações fármaco-receptor, normalmente, são classificadas em estado ativo ou inativo, e deste modo, os fármacos são classificados de acordo com a capacidade em manter ou alterar este estado, sendo divididos em: Agonista: processo que favorece o efeito celular quando ocorre a ligação do receptor ao fármaco. Antagonista: processo que dificulta ou inativa o efeito celular quando ocorre a ligação do re- ceptor ao fármaco. Este ainda pode ser subdividido em: Reversíveis e Irreversíveis, ou seja, seu efeito pode ser suprimido rapidamente ou seu efeito é prolongado, estando diretamente relacionado com sua especificidade ao sítio de ação. Após a interação fármaco x receptor, tem-se uma série de efeitos relacionados à concentração x tempo, sendo considerados: efeitos imediatos, tardios e cumulativos (GOODMAN; GILMAN, 2012). Efeitos Imediatos à: diretamente proporcional à concentração plasmática do fármaco, iniciando, imediatamente após a administração do fármaco. Efeitos Retardados à: atraso no mecanismo de ação, estão relacionados com alterações na con- centração plasmática e no volume de distribuição. Deste modo, o efeito, leva um tempo até seu início, dependendo do processo de absorção e distribuição do fármaco no organismo. Efeitos Cumulativos à: relacionados ao potencial cumulativo, normalmente associado a lipossolubilidade do composto e seu volume de distribuição, entretanto, condições como agres- sões hepáticas e renais não devem ser descartadas, uma vez que interferem diretamente na biotransformação e excreção dos compostos. Assim, o efeito ocorre a longo prazo, ou seja, pode demorar horas ou dias para iniciar-se ou sessar-se (RANG; DALE, 2016; KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). UNIDADE 1 29 Canal de íon fechado por ligante Receptor Sinal Líquido Extracelular Líquido Intracelular Canal abertoCanal Fechado Membrana Descrição da Imagem: a imagem apresenta o processo de interação fármaco x receptor. Na parte superior da imagem, no centro, está escrito "Canal de Íon fechado por ligante". No centro da imagem há o desenho de uma membrana celular em amarelo escuro, onde observa duas proteínas de forma oval em azul escuro com seus respectivos receptores acoplados na forma de Y. Abaixo desta membrana se tem o meio intracelular na cor bege claro e, acima, o meio extracelular representado pela coloração azul clara. Do lado esquerdo da membrana há o dese- nho de uma proteína com seu canal fechado. Acima desta proteína há pequenos círculos na cor vermelha, na superfície desta proteína há um receptor em formato de Y. Na parte inferior sai uma seta indicando a palavra "Canal fechado". No lado direito há o desenho de uma proteína com o canal aberto; na superfície desta proteína há um receptor na forma de Y e nele está acoplado um fármaco, representadopor hexágono verde. Acima desta proteína há pequenos círculos vermelhos, uma flecha aponta para o canal aberto e dentro do canal há um círculo vermelho, abaixo dela, no meio intracelular, há dois círculos vermelhos. Uma seta sai da parte inferior da proteína indicando a palavra "Canal Aberto" Figura 10 - Representação do processo de interação fármaco x receptor. Você saberia me dizer quanto tempo demoraria da descoberta do princípio ativo desde sua ex- tração até a aprovação pré-clínica nesta etapa em que estamos? Pense um pouco. Reflita sobre tudo o que abordamos. Já tem uma estimativa? Em média, a pesquisa pré-clínica, ou seja, a análise das interações entre o fármaco x organismo analisados em animais, demora em média 1 a 2 anos, achou muito tempo? Esse tempo é necessário para que haja uma compensação do potencial tóxico do fármaco, bem como qual sua melhor via de administração, como ele é eliminado, metabolizado e, somente se for aprovado nesta etapa, o fármaco está apto a iniciar os estudos clínicos. No desenvolvimento dos estudos clínicos, é importante o acompanhamento dos parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos para que se comprove em humanos o que foi analisado em animais, e qualquer variação deve ser analisada e decidir se os testes continuaram ou retornaram à fase pré-clínica. UNICESUMAR 30 Interações Fármaco-Receptor Como o fármaco, ao ser disponibilizado na circulação sanguínea, sabe onde deve se ligar para promover o efeito desejável? Essa pergunta pode facilmente ser respondida, com o estudo da interação fármaco x receptor (macromoléculas que, ao se ligarem ao fármaco, iniciam alterações celulares), com objetivo de pro- vocar o seu efeito específico. Entretanto, a seletividade da ligação entre os fármacos e seus respectivos receptores pode também iniciar os efeitos indesejáveis. Como a ligação do fármaco produz uma alteração bioquímica e/ou fisiológica no organismo? Sabe-se que a ligação de um fármaco a seu receptor resulta em mudança na conformação do receptor, e esta alteração afeta diretamente a sua função (RANG; DALE, 2016). Descrição da Imagem: imagem representada por uma membrana externa em azul, em que se nota a presença de receptores acima, estes estão se conectando a moléculas de fármacos representadas em vermelho. Figura 11 - Representação do processo de interação fármaco x receptor Regulação celular das interações fármaco-receptor - a ativação (ou a inibição) de um receptor induzida por fármacos, em geral, têm impacto duradouro sobre a resposta subsequente do receptor à ligação do fármaco, representado na Figura 11. Os mecanismos que medeiam esses efeitos são im- portantes, uma vez que impedem a estimulação excessiva que poderia levar à lesão celular ou afetar adversamente o organismo como um todo. Muitos fármacos apresentam redução dos efeitos com o decorrer do tempo; esse fenômeno é conhecido como taquifilaxia. Em termos farmacológicos, o UNIDADE 1 31 receptor e a célula se tornam dessensibilizados à ação do fármaco. Os mecanismos de dessensibiliza- ção podem ser divididos em dois tipos: dessensibilização homóloga, em que ocorre diminuição dos efeitos de agonistas em apenas um tipo de receptor, e dessensibilização heteróloga, em que se verifica diminuição coordenada dos efeitos de agonistas em dois ou mais tipos de receptores. Acredita-se que o segundo tipo seja causado por uma alteração induzida pelo fármaco em um ponto comum de con- vergência nos mecanismos de ação dos receptores envolvidos, como molécula efetora compartilhada. Muitos receptores apresentam dessensibilização. Por exemplo, a resposta celular à estimulação repetida dos receptores β-adrenérgicos pela epinefrina diminui de maneira uniforme com o decorrer do tempo (GOODMAN; GILMAN, 2012; RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). INSÔNIA VÔMITO ALERGIA IRRITABILIDADE NAU SEA CÓLIC A SUOR DIARREIA Descrição da Imagem: imagem descreve alguns efeitos adversos comuns na administração do medicamento, sendo escrito, cada um, em um pedaço de papel branco, sendo: Insônia, Vômito, Alergia, irritabilidade, Suor, Cólica, Diarreia e Náusea. Entre eles há comprimidos de diversas cores e tamanhos espalhados. Figura 12 - Representação dos efeitos farmacológicos e adversos do medicamento após sua administração Índice terapêutico - Definida como faixa de doses (concentrações) de um fármaco que pro- duz resposta terapêutica, sem efeitos adversos inaceitáveis (toxicidade), em uma população de pacientes. Para fármacos que apresentam pequena janela terapêutica, é preciso efetuar estreito monitoramento de seus níveis plasmáticos, a fim de manter uma dose efetiva, sem ultrapassar o nível passível de provocar toxicidade (GOLAN et al., 2014). UNICESUMAR 32 Após toda a imersão do conteúdo, você já deve saber porque a administração dos medicamentos deve seguir uma orientação rígida, evitando a possibilidade de surgirem efeitos adversos relacionados ao seu uso. Querido(a) aluno(a), após nossa imersão no mundo da farmacologia, sen- do apresentados os parâmetros interativos entre fármaco no organismo, eu convido você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo no desenvolvimento de compostos com potencial terapêutico https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10156 33 Encerramos esse longo e divertido momento, lembre-se que este capítulo irá ajudá-lo(a) em todos os módulos relacionados ao uso dos compostos que possuem ação dentro do organismo, uma vez que foram abordados os conceitos iniciais desta jornada farmacológica, entretanto, você deve pensar que, para chegarmos ao final da construção do conhecimento, precisamos solidificar muito bem a base dele. Para isso, temos que garantir que você conseguiu absorver as informações de ma- neira objetiva e correta, então, que tal se você produzir um Mapa Mental, estabelecendo a relação e integração entre os processos Farmacocinética e Farmacodinâmica, utilizando as palavras-chave: Absorção, Biodisponi- bilidade, Ação e Receptor, de modo, que levem a uma integração e con- exão com conteúdo? Para isso, uma sugestão de ferramenta gratuita é o https://www.goconqr.com/. FARMACOCINÉTICA DIGESTÃO ELIMINAÇÃO EFEITO ACÚMULO METABOLIZAÇÃO https://www.goconqr.com/ https://www.goconqr.com/. 34 Vamos lá? 1. A Farmacologia, no seu sentido mais amplo, é a ciência que estuda o caminho do fármaco desde sua administração, efeito e eliminação. Considerando o contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I) O estudo da interação corpo x fármaco pode ser estudado pelos processos farmacocinéticos, ou seja, desde sua via de administração, absorção, metabolização e excreção. PORQUE II) O estudo dos receptores e sua capacidade de interação com o fármaco x desencadeando uma resposta desejável ou não é determinada pela farmacodinâmica. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Analise o texto. Processo fundamental da farmacocinética, em que se estuda a concentração da dose admi- nistrada do fármaco que consegue ser disponibilizada na circulação sistêmica para promover o efeito desejado. Esse processo deve associar-se ao estudo do efeito de primeira passagem, solubilidade do fármaco e via de administração. O texto faz alusão correta ao processo de: a) Absorção. b) Distribuição. c) Biodisponibilidade. d) Tempo de meia vida. e) pH. 3. O estudo da farmacocinética e farmacodinâmica são imprescindíveis para o desenvolvimento inicial de um medicamento, norteando quanto às vias de administração, dose, toxicidade e efeito terapêutico.Portanto, analise as alternativas. I) Independentemente da via de administração, o fármaco sofre o efeito de primeira passagem hepático, sendo este efeito nada mais do que a passagem do medicamento pelo fígado antes de entrar na circulação sistêmica, contudo, perde-se uma pequena porcentagem de medicamento. II) Fármacos que apresentam, na sua constituição, uma grande lipossolubilidade necessitam ser transportados até o seu receptor após a absorção, sendo este transporte realizado, princi- palmente, pelas proteínas plasmáticas, em especial a Albumina. III) O volume de distribuição é uma estimativa do volume de sangue necessário para diluir e 35 distribuir os fármacos, deste modo, nota-se que fármacos com altos volumes de distribuição possuem menor capacidade de acúmulo, uma vez que são muito lipossolúveis, ou seja, fazem o efeito farmacológico rapidamente. IV) Os fármacos com melhor absorção tecidual são na forma ionizada, estes utilizam transporte ativo, uma vez que não gasta ATP e promove a entrada rápida do fármaco. V) Fármacos que, ao se ligarem no seu receptor, promovem uma resposta similar à produzida por uma substância fisiológica são classificados como Agonistas. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. e) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. 36 2 Vamos mergulhar no mundo da farmacologia? Convidamos você a iniciar nossa jornada pelo vasto conteúdo da farmacologia. Iniciando pelo trato gastrointestinal, aqui, iremos apresentar a você todos os processos que devem ser vencidos pelo medicamento até iniciar seu efeito farmacológico. Você está pronto para iniciarmos esta jornada? Então, vamos lá! Fármacos que atuam no Trato gastrointestinal Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 38 Você sabia que o trato gastrointestinal possui a maior área de absorção do corpo humano? Sendo assim, quando você toma um medicamento, como o faz? Junto ou depois da refeição? Água? Suco? Você acha que comprimido ou gotas possuem o efeito mais rápido? Como chegou à sua conclusão? Você sabia que o trato gastrointestinal tem um sistema nervoso tão rico em neurônios quanto o central? Interessan- te, correto? Então, vamos juntos, aprofundar nosso conhecimento sobre este assunto. As vias de administração foram trabalhadas no módulo passado. Quando pensamos em medicamen- tos que atuam no trato gastrointestinal, temos que lembrar que eles atuam diretamente, ou seja, não pre- cisam sofrer processo de absorção, deste modo, eles devem permanecer no sistema gástrico e realizar seu efeito, assim, qualquer interferência neste trajeto, seja por alimento ou líquido, pode aumentar ou reduzir o efeito. Ou atuam aumentando ou inibindo o sistema nervoso entérico, sendo este, um rico sistema nervoso presente no trato gastrointestinal. O que acha de analisar com seus amigos, paren- tes ou você mesmo como são utilizados os medi- camentos, se antes ou depois do almoço? Com ou sem refeições prévias ou posterior? Anote como as pessoas costumam fazer uso do medicamento e perceba se há diferença entre eles, e tente entender se isso vai interferir no seu efeito. Ao refletirmos sobre a importância do trato gas- trointestinal no processo farmacológico, temos que ponderar que ele constitui a principal via de absor- ção do organismo, deste modo, apresenta inúmeros tipos de transportes, receptores e uma vasta flora intestinal que contribuem positiva ou negativa- mente para que todo processo ocorra. Ao analisar todos estes fatores, a administração de qualquer forma farmacêutica, seja em gotas, comprimidos ou cápsulas, deve ser observada para que não haja interação alimentar, hídrica ou qualquer condição que interfira na ação farmacológica. UNIDADE 2 39 Quando analisamos os medicamentos com ação direta no trato gastrointestinal, devemos relacionar uma ação direta, ou seja, medicamento possui um efeito local, sem sofrer absorção. Ou uma ação indireta, quando fármaco é absorvido e atua, principalmente, no sistema nervoso entérico, este, possui ação direta no controle da motilidade gástrica, pH, síntese ou inibição de enzimas, estando, assim, diretamente relacionado com as funções do trato gastrointestinal. Agora pare e reflita, você pensava que seu trato gastrointestinal seria tão importante assim na ação dos medicamentos? E fique tranquilo, neste capí- tulo, iremos abordar todo o sistema gástrico para que você entenda sua importância e, como sempre, estamos atentos para que você tenha uma boa percepção e aprendizagem do módulo. Faça um Diário de Bordo antes de iniciarmos o módulo, para que possamos analisar seu conhecimento prévio sobre o assunto, e depois disso, podemos começar nossa imersão neste capítulo recheado de informações. UNICESUMAR 40 Você sabia que as injúrias gástricas correspondem a quase 10% do dinheiro gasto em cuidados de saúde? Condições como azia, indigestão, gases e constipação são problemas que causam mais desconforto do que riscos à saúde (SILVERTHORN, 2017). O trato gastrointestinal, além de possuir inúmeras funções além da digestão e absorção dos alimentos e medicamentos, constitui um sistema endócrino especializado, bem como uma rede neural complexa conhecida como Sistema Nervoso Entérico. Essa complexidade do trato gastrointestinal faz com que este sistema seja local de patologias simples como azia, até complexa como síndromes genéticas (RANG; DALE, 2016). ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO - Para iniciarmos a discussão do trato gastrointestinal, vamos, primeiramente, conhecer sua anatomia e funcionalidade básica, assim, este conhecimento lhe dará suporte nas discussões farmacológicas posteriores. O sistema digestório inicia com a cavidade oral (boca e faringe), esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso (SILVERTHORN, 2017). FISIOLOGIA BÁSICA - A digestão consiste na quebra mecânica do alimento ao longo deste caminho, sendo auxiliada por secreções de órgãos anexos, como glândulas salivares, o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas. Sendo assim, o produto desta digestão é absorvido no epitélio intestinal, sendo direcionado para o sangue e distribuído ao organismo. Qualquer resíduo remanescente no lúmen ao final do trato gastrointestinal (GI) deixa o corpo por meio de uma abertura, chamada de ânus. Vale observar que há uma incrível variedade de bactérias no lúmen, particularmente no intestino grosso (SILVERTHORN et al., 2017). Para aprofundarmos um pouco a discussão, devemos observar que o trato gastrointestinal está sob duplo controle: neuronal e hormonal. O sistema nervoso entérico (SNE) pode atuar de forma independente e foi inicialmente reconhe- cido há mais de um século, quando os cientistas observaram a habilidade do SNE de realizar um reflexo independentemente do controle exercido pelo sistema nervoso central (SNC), observado na Figura 1. Descrição da Imagem: a imagem apresenta, na parte superior, um cérebro em rosa (parte cen- tral) e o cerebelo (amarelo) com uma seta rosada em direção ao intestino representado em rosa o intestino grosso, também rosa, e em amarelo o intestino delgado. Este, também apresenta uma seta em direção ao cérebro, formando assim, uma conexão entre os dois sistemas. Figura 1 - A figura representa a integração entre o sistema nervoso central e o sistema nervoso entérico. UNIDADE 2 41 O sistema nervoso entérico controla a motilidade, a secreção e o cres- cimento do trato digestório. Anatômica e funcionalmente, o SNE com- partilha muitas características com o SNC como: Neurotransmissores e neuromoduladores. Os neurônios do SNE liberam neurotransmissores e neuromoduladores como: Serotonina, o peptídeo intestinal vasoativo e o óxido nítrico. Células gliais de sustentação. As células gliais de sustentação dos neurônios dentro do SNE são similares à astrogliado encéfalo. Barreira de difusão. Os capilares que circundam os gânglios no SNE não são muito permeáveis e criam uma barreira de difusão que é similar à barreira hematoencefálica dos vasos sanguíneos encefálicos. Centros integradores. Rede de neurônios do SNE é o seu próprio centro integrador, assim como o encéfalo e a medula espinal (SILVERTHORN, 201 7; GUYTON; HALL, 2017). CONTROLE HORMONAL - Os hormônios do trato gastrointestinal incluem gastrina e a colecisto- quinina. As secreções parácrinas incluem muitos peptídeos reguladores liberados de células especiais encontradas em toda a parede do trato. Esses hormônios atuam sobre células próximas e, no estômago, o mais importante desses é a histamina (RANG; DALE, 2016). FARMACOLOGIA DO TRATO GASTROINTESTINAL BASEADO NA SUA DISFUNÇÃO - O trato gastrointestinal possui funções importantes para nosso organismo, e possui um sistema complexo de controle. Deste modo, a farmacologia deste sistema será abordada analisando o distúr- bio da sua funcionalidade relacionando ao tratamento preconizado, vamos mergulhar neste mundo complexo do trato gastrointestinal? UNICESUMAR 42 SECREÇÃO GÁSTRICA - As secreções gástricas são fundamentais para processo de digestão e absorção, deste modo, ácido clorídrico é secre- tado no estômago pelas células parietais com média de 2,5 litros de suco gástrico por dia, tendo como principais componentes proenzimas ácido clorídrico. Estas secreções são influenciadas por hormônios como: Histamina (hormônio local estimulador): a histamina atua de forma parácrina nos receptores H1 das células parietais. Gastrina (hormônio peptídico estimulador): a sua principal ação é a estimulação da secreção de ácido pelas células enterocromafins (ECS ) através da sua ação nos receptores de gastrina/colecistoquinina 2, que aumentam a concentração de cálcio intracelular. Acetilcolina (neurotransmissor estimulador): a acetilcolina (juntamente com uma bateria de outros neurotransmissores e peptídeos) é liberada de neurônios colinérgicos pós-ganglionares, estimula receptores M3 muscarínicos específicos na superfície das células parietais, elevando a secreção de ácido pelas células parietais. Prostaglandinas E2 e I2 (hormônios locais que inibem a secreção de ácido): as prostaglandinas exercem efeitos “citoprotetores” em muitos as- pectos da função gástrica, incluindo aumento da secreção de bicarbonato (receptores EP1/2), aumento da liberação de mucina protetora (receptores EP4), redução da produção de ácido gástrico, provavelmente por ação sobre os receptores EP2/3 nas células ECS, e prevenindo a vasoconstri- ção (e, portanto, o dano à mucosa) que ocorre após estímulo agressivo. Somatostatina diminui a secreção ácida por meio de três mecanismos: (1) inibição da liberação de gastrina das células; (2) inibição da liberação de histamina de células ECL e mastócitos; e (3) inibição direta da secreção ácida pelas células parietais. Em resumo, a secreção gástrica sofre efeito positivo aumentando sua secreção (histamina, gastrina e acetilcolina) e efeitos negativos (prostaglandinas), e o desequilíbrio destes agentes está relacionado ao desenvolvimento de condições como: Úlceras pépticas, refluxo gastroesofágico (DRGE) e lesões causadas pelos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). FISIOPATOLOGÍA ÚLCERA - A úlcera péptica consiste em perda da integridade da mu- cosa de revestimento tanto do estômago quanto do duodeno, causando dor, sangramento e obstrução. Essa condição está associada por um desequilíbrio entre fatores protetores e fatores lesivos na mucosa gastrintestinal. Esta seção descreve os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos na formação ulcerosa, dos quais os mais comuns se refere a infecção por Helicobacter pylori, a Bactéria gram-negativa que reside no ambiente ácido do estômago e induz o aumento na produção da gastrina por meio do aumento da amônia, e como resultado uma hipersecreção UNIDADE 2 43 de ácido clorídrico. Helicobacter pylori também diminui a secreção de bicarbonato duodenal, portanto, enfraquece os mecanismos protetores da mucosa duodenal. TRATAMENTO - A terapia da úlcera péptica visa diminuir a secreção de ácido gástrico usando antagonistas dos receptores H2 ou inibidores da bomba de prótons, e/ou neutralizar o ácido secretado com antiácidos. Esses tratamentos com frequência são acoplados a medida para erradicar a Helicobacter pylori (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Antagonistas do receptor H2 da histamina - A descoberta dos antagonistas dos recepto- res H2 por Black et al., na década de 70, modificou consideravelmente o tratamento da doença ulcerosa péptica. Os antagonistas/bloqueadores dos receptores H2 inibem reversível e competi- tivamente a ligação de histamina aos receptores H2, resultando em supressão da secreção ácida gástrica. Os antagonistas dos receptores H2 também diminuem indiretamente a secreção ácida gástrica induzida por gastrina e acetilcolina (GOLAN et al., 2014). Os principais fármacos usados são cimetidina, ranitidina (algumas vezes combinada a bismuto), nizatidina e famotidina. Há poucas diferenças entre eles. São, geralmente, administrados por via oral, apresentam boa absorção, com uma biodisponibilidade máxima entre 1 – 3h após a administração. Apresentam metabolização hepática e excreção renal, deste modo, devem ser analisados a prescrição em pacientes com problemas hepáticos e renais evitando os seus efeitos adversos mais comuns, como: Diarreia, dores musculares, tonturas e hipergastrinemia. Importante destacar que a cimetidina atra- vessa a placenta e é secretada no leite materno, razão pela qual não é recomendada para uso durante a gravidez ou o aleitamento (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Em 2019, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu a importação da Ranitidina motivada pela presença de níveis altos de N-nitrosodimetilamina, compostos com potencial carcinogênico nos insumos oriundos da índia. Inibidores da bomba de prótons - Medicamento com potencial de bloquear a bomba de prótons da célula parietal, deste modo, impede a síntese do ácido clorídrico irreversivelmente por um tempo médio de 18h. Efeito fundamental na cicatrização das úlceras pépticas superior aos antagonistas dos receptores H2. O primeiro inibidor da bomba de prótons foi o omeprazol, entretanto, atualmente existem outros medicamentos como: Lansoprazol, Pantoprazol e Dexlanprazol. Independente do medicamento, todos são considerados pró-fármacos, ou seja, necessitam de um ambiente ácido para liberarem sua forma ativa, que, no caso, é a sulfenamida (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Normalmente, são administrados por via oral, com tempo de meia vida de 1 hora. Apresentam metabolização pelo complexo CYP450 hepático, sendo excretados pelo rim. Não necessitam de ajuste de dosagem em pacientes com insuficiência hepática, entretanto, recomenda-se doses menores em idosos em decorrência do risco de acúmulo e eventuais intoxicações. Em geral, os efeitos adversos são bem tolerados e podem ser: Náuseas, Vômitos, cefaleia e dores abdominais, além de quadros de hipergastrinemia também pode resultar em hipersecreção rebote de ácido com a interrupção do ini- bidor da bomba de prótons (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Agentes anticolinérgicos - Fármacos que antagonizam os receptores muscarínicos da ace- tilcolina e, consequentemente, diminuem a secreção ácida gástrica. Entre os compostos se tem a diciclomina. Estes medicamentos são pouco utilizados, uma vez que seus efeitos são inferiores às UNICESUMAR 44 duas classes já apresentadas e os efeitos adversos são: boca seca, visão turva, arritmias cardíacas e retenção urinária (GOLAN et al., 2014). Antiácidos - Os antiácidos são o modo mais simples de tratar os sintomas da secreção exces- siva de ácido gástrico. Neutralizam diretamente o ácido por meio de sua reação com o ácido, formando água e sais. A maioria dosantiácidos em uso comum são sais de magnésio e alumí- nio. (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014). Os efeitos adversos comuns associados a esses antiácidos incluem diarreia (magnésio) e constipação intestinal (alumínio). Os pacientes com doença renal crônica devem evitar o uso de antiácidos contendo magnésio, pois podem levar ao desenvolvimento de hipermagnesemia (GOLAN et al., 2014). Descrição da Imagem: a imagem apresenta um estômago ilustrado em alaranjado, a parte central se encontra aberta e representa um líquido esverdeado contendo um sanduíche com salsicha, comprimidos e outros alimentos, representando o processo digestivo. Fora deste estômago, temos uma pessoa de cabelo amarelado segurando uma lupa e outra pessoa "em cima" do estômago com um estetoscópio. Abaixo do estômago tem-se cinco comprimidos no chão da imagem, sendo dois comprimidos escuros e três comprimidos com duas cores: vermelho e branco. Figura 2 - Figura representa a análise dos compostos que podem ocasionar problemas gástricos UNIDADE 2 45 Fármacos que protegem a mucosa - Afirma-se que alguns agentes, denominados citoprotetores, aumentam os mecanismos endógenos de proteção da mucosa e/ou proporcionam uma barreira física sobre a superfície da úlcera. Os agentes que promovem a defesa da mucosa são utilizados para alívio sintomático da doença ulcerosa péptica. Quelato de bismuto → Usado por apresentar efeito agressor ao bacilo da Helicobacter pylori e acredita-se que também possua outras ações protetoras da mucosa, por mecanismos que não são claros, e é amplamente utilizado como medicamento de venda livre para tratamento de sintomas gastrointestinais leves. Sucralfato→ O sucralfato tem pouca capacidade de modificar o pH gástrico. Na verdade, no am- biente ácido do estômago, esse complexo pode formar géis complexos com o muco, ação que se pensa diminuir a degradação do muco pela pepsina e limitar a difusão de íons hidrogênio. O sucralfato pode também inibir a ação da pepsina e estimular a secreção de muco, bicarbonato e prostaglandinas pela mucosa gástrica. Todas essas ações contribuem para o seu efeito protetor da mucosa (RANG; DALE, 2016; GOLAN et al., 2014) Antimicrobianos - Pacientes com úlcera péptica (úlceras gástricas ou duodenais) infectados com H. pylori precisam de tratamento antimicrobiano. A infecção por Helicobacter pylori é diagnosticada via biópsia endoscópica da mucosa gástrica. A erradicação da bactéria resulta na cicatrização rápida da úlcera ativa, esta erradicação bem-sucedida é possível com associações de antimicrobianos. Atual- mente, o tratamento de escolha consiste em um Inibidor da Bomba de Prótons (IBP) combinado com amoxicilina (metronidazol pode ser usado em pacientes alérgicos à penicilina) mais claritromicina. O tratamento quádruplo com subsalicilato de bismuto, metronidazol e tetraciclina combinada a um inibidor da bomba de prótons é outra opção. O tratamento quádruplo deve ser considerado em regiões em que é elevada a resistência à claritromicina (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). INTRODUÇÃO À MOTILIDADE GASTRINTESTINAL - Até este ponto, já sabemos que o trato gastrintestinal é controlado por uma rede neural e por estímulos simpáticos e parassimpáticos, bem como hormônios. Deste modo, os circuitos reflexos, dentro do Sistema Nervoso Entérico, estão subjacentes a comportamentos estereotipados do intestino, como é o peristaltismo. Este processo consiste em uma série de respostas reflexas à presença do bolo alimentar no lúmen de determinado segmento do intestino. Este reflexo resulta na contração da musculatura e em um gradiente de pressão que move o bolo alimentar em direção ao ânus (SILVERTHORN, 2017; GUYTON; HALL, 2017). Estes processos dependem de uma série de elementos neurais responsáveis pelas funções sensorial, retransmissora e efetora. Os neurônios motores sofrem influência positiva e negativa. A parte exci- tatória é mediada pela ação da acetilcolina, enquanto a parte inibitória é mediada pela ação do: óxido nítrico, péptido intestinal vasoativo (GOODMAN; GILMAN, 2012). Fármacos que aumentam a motilidade gastrointestinal - A domperidona antagoniza princi- palmente o receptor dopaminérgico D2, sem afetar significativamente os outros receptores. É usada por aumentar a pressão no esfíncter esofágico inferior (desse modo, inibindo o refluxo gastroesofágico), aumenta também o esvaziamento gástrico e o peristaltismo duodenal (GOODMAN; GILMAN, 2012). UNICESUMAR 46 A metoclopramida estimula a motilidade gástrica, provocando acentuada aceleração do esva- ziamento gástrico. É útil no refluxo gastroesofágico e em distúrbios do esvaziamento gástrico, mas é ineficaz no íleo paralítico (RANG; DALE, 2016). Agora, para entendermos essa etapa do capítulo, primeiramente, vamos fazer uma breve revisão das funções do trato gastrointestinal, para relacionarmos a atividade farmacológica dos ativos. Descrição da Imagem: Imagem representa uma criança com ambos os braços erguidos, chorando, representada por duas gotas de lágri- mas azuladas em cada olho, e com dores abdominais, representadas por um círculo vermelho na sua barriga. Este círculo se irradia por toda a barriga. Figura 3 - Representação de uma criança com dores gástricas CONSTIPAÇÃO - O trânsito do alimento através do intestino pode ser utilizado por diferentes tipos de fármacos, como laxativos, emolientes fecais e purgati- vos estimulantes. Estes últimos podem ser usados para aliviar a constipação ou evacuar o intestino antes de cirurgia ou exame. Os laxantes são comumente usados contra a constipação, para acelerar o movimento do ali- mento por meio do trato gastrointestinal (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016; RANG; DALE, 2016). A constipação tem muitas causas reversíveis ou secundárias, inclusive baixa ingestão de fibras die- téticas, fármacos, problemas hormonais, distúrbios neurogênicos e doenças sistêmicas. Na maioria dos casos de constipação crônica, não foi encontrada uma causa específica (GOODMAN; GILMAN, 2012). Porque meu filho tem cólica? Quando a criança pode comer alimentos sólidos? Você pode não se lembrar, mas seu trato gastrointestinal demorou em torno de 2 anos para atingir uma maturidade que permitisse com que os processos digestivos e absortivos fossem eficazes. Sabia que não é re- comendado a introdução de alimentos sólidos antes dos 6 meses de idade? E que essa introdução deve ser contínua e progressiva até que a criança tenha capacidade de digerir todo e qualquer alimento? E que se essa introdução for feita de maneira errônea, as chances de provocar alguma disfunção gástrica são muito grandes, principalmente quadros de cólica crônicos? UNIDADE 2 47 Descrição da Imagem: a imagem apresenta um intestino e suas voltas, imagem escura com pontos de exclamação em ambos os lados, representando anormalidade na função. Os fármacos que atuam neste tipo de condição são classificados com base no seu mecanismo de ação, que será descrito a seguir: Figura 4 - Figura representa uma figura das ramificações do intestino TRATAMENTO FARMACOLÓGICO - Laxativos formadores de volume e osmóticos. Esses agentes são polímeros polissacarídeos que não sofrem digestão, deste modo, formam uma massa hidratada no lúmen intestinal, promovendo o peristaltismo e, consequentemente, melhorando a consistência fecal. Os laxativos formadores de volume incluem metilcelulose e certos extratos de plantas, como sterculia, ágar, farelo e palha de ispaghula. Podem levar vários dias para produzir efeitos, mas não têm efeitos adversos graves. Os laxativos osmóticos consistem em solutos pouco absorvidos, os principais sais em uso são o sulfato de magnésio e o hidróxido de magnésio. Produzindo uma carga osmótica, esses agentes pren- dem volumes aumentados de líquido no lúmen do intestino, acelerando a transferência do conteúdo intestinal através do intestino delgado. Isso resulta em volume anormalmente grande que entra no cólon, causando distensão e purgação em cerca de 1 hora.Podem também ocorrer cólicas abdominais (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016; RANG; DALE, 2016). Laxativos estimulantes - Atuam por estimulação de nervos entéricos, resultando no aumento do peristaltismo e secreção de eletrólitos e água. O bisacodil, picossulfato de sódio e o docusato sódico têm ações semelhantes. Sena e dantrona são laxativos do tipo antraquinona. O princípio ativo (depois da hidrólise de ligações glicosídicas no caso do extrato de planta, a sena) estimula diretamente o plexo mioentérico, causando aumento do peristaltismo e, desse modo, a defecação (RANG; DALE, 2016). UNICESUMAR 48 Emolientes fecais - O docusato de sódio é um composto tensoativo que atua no trato gastrointestinal de maneira semelhante a um detergente e produz fezes mais umedecidas. Adicionalmente, tem um mo- desto efeito estimulante laxativo (RANG; DALE, 2016; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Agentes umectantes e emolientes fecais reduzem a tensão superficial das fezes com o objetivo de facilitar a mistura das substâncias aquosas e gordurosas, amolecer as fezes e permitir a evacuação mais fácil. O óleo mineral é indigerível e absorvido apenas em pequenas quantidades, penetra e ama- cia as fezes, podendo interferir na reabsorção da água. Os efeitos adversos do óleo mineral impedem sua utilização prolongada e incluem: interferência na absorção de substâncias lipossolúveis (como as vitaminas); desenvolvimento de reações de corpo estranho na mucosa intestinal e em outros tecidos; e eliminação do óleo pelo esfincter anal (GOODMAN; GILMAN, 2012). Fibras da dieta e suplementos - Em condições normais, o volume, a consistência e a hidratação das fezes dependem do teor de fibras da dieta. A definição de fibra é a parte do alimento que resiste à digestão enzimática e chega ao intestino grosso praticamente inalterada. As bactérias do cólon fer- mentam as fibras em graus variáveis, dependendo de sua composição química e hidrossolubilidade. A fermentação das fibras exerce dois efeitos importantes: forma ácidos graxos de cadeias curtas, que atuam como fatores tróficos no epitélio do intestino grosso e aumenta a contagem de bactérias. Em geral, as fibras insolúveis e pouco fermentáveis, como a lignina, são mais eficazes para aumentar o volume fecal e o trânsito intestinal (GOODMAN; GILMAN, 2012). DIARREIA - O termo diarreia é definido como massa líquida excessiva, onde a maioria dos casos resulta de distúrbios do transporte intestinal de água e eletrólitos (GOLAN et al., 2014). Globalmente, a doença diarreica aguda é uma das principais causas de morte em lactentes desnutridos, especialmente em países em desenvolvimento onde o atendimento médico é menos acessível, e cerca de 1-2 milhões de crianças morrem por ano pela simples falta de contramedidas. A investigação e o entendimento dos processos etiológicos responsáveis pela diarreia facilitam o tratamento eficaz (KUMAR; ABBAS; FAUSTO, 2016; RANG; DALE, 2016; GOODMAN; GILMAN, 2012). Você sabia que o consumo excessivo de fibras e laxantes pode provocar um efeito reverso e ser o fator desencadeante da constipação? Por este motivo, a dieta deve ser equilibrada com concentra- ção correta de água e alimentos que favorecem a motilidade intestinal, impactando diretamente na absorção intestinal. UNIDADE 2 49 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO - O tratamento farmacológico da diarreia deve ser reservado para os pacientes com sintomas persistentes ou significativos. Em geral, os agentes antidiarreicos agem de forma inespecífica ao mecanismo responsável pela diarreia, tendo como objetivo oferecer alívio sintomático nos casos brandos de diarreia aguda. Uma observação importante é de que alguns desses antidiarreicos atuam diminuindo a motilidade intestinal, assim, devem ser evitados quando causados por doenças diarreicas por microrganismos patogênicos, uma vez que podem retardar a eliminação dos microrganismos e aumentar o risco de invasão sistêmica pelos agentes infecciosos; além disso, os antidiarreicos podem causar complicações locais, como megacólon tóxico (RANG; DALE, 2016; GOODMAN; GILMAN, 2012). Fármacos higroscópicos e formadores do bolo fecal - Esses agentes são polímeros polissacarídeos que não sofrem digestão, deste modo, formam uma massa hidratada no lúmen intestinal, promovendo o peristaltismo e, consequentemente, melhorando a consistência fecal. Os coloides ou os polímeros hidrofílicos pouco fermentáveis como a carboximetilcelulose e a poli- carbofila cálcica absorvem água e aumentam o volume fecal (a policarbofila absorve 60 vezes sua massa em água). Em geral, são usados para constipação, mas são úteis, às vezes, em diarreia episódica aguda e em diarreias crônicas brandas em pacientes com síndrome do intestino irritável. O mecanismo desse efeito não está claro, mas eles podem atuar como géis e modificar a consistência e a viscosidade das fezes, gerando uma sensação de redução da fluidez das fezes (GOLAN et al., 2014; KATZUNG; GRAW, 2013). Outros compostos: Sequestradores dos ácidos biliares: a colestiramina aumenta a excreção fecal dos ácidos biliares e reduz seus níveis circulantes e, por fim, diminui as concentrações sistêmicas com alívio do prurido dentro de 1-3 semanas. Bismuto: utilizados para tratar várias doenças e sintomas gastrointestinais há séculos, embora seu mecanismo de ação permaneça mal compreendido. Probióticos: o trato GI contém ampla flora comensal necessária para a saúde. Alterações no equi- líbrio ou composição desta flora são responsáveis pelas diarreias associadas ao uso de antibióticos e possivelmente, outras doenças. Preparações probióticas contendo uma variedade de cepas bacterianas mostraram algum grau de benefício nas diarreias agudas, diarreias associadas a antibióticos e diarreias infecciosas, mas a maioria dos estudos clínicos foi pequena e, por isso, as conclusões são limitadas (RANG; DALE, 2016; GOODMAN; GILMAN, 2012; GOLAN et al., 2014). VÔMITO - Em geral, a ação de vomitar e a sensação de náusea que a acompanha são considera- das reflexos protetores que ajudam a livrar o estômago e o intestino das substâncias tóxicas e impedir sua ingestão subsequente. O ato físico de vomitar é coordenado centralmente pelo centro do vômito (emético) na medula conhecido como zona do gatilho quimiorreceptora; estas áreas recebem estímulos do labirinto no ouvido interno, através do núcleo vestibular (o que explica o mecanismo da cinetose), e de aferentes vagais vindos do trato gastrointestinal. Os principais neurotransmissores envolvidos nesse neurocircuito são a acetilcolina, histamina, serotonina, dopamina e a substância P. Vale ressaltar que as náuseas e os vômitos são efeitos colaterais indesejáveis de muitos fármacos clinicamente úteis, notadamente os usados para quimioterapia, no câncer, mas também dos opioides, anestésicos gerais e digoxina. (SILVERTHORN, 2017; GUYTON; HALL, 2017; KUMAR; ABBAS; FAUSTO, 2016). UNICESUMAR 50 Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma mulher com camiseta verde e calça rosa, ajoelhada na frente de um vaso sanitário branco em cima de um chão azul e paredes com azulejos azul e riscado branco, esta mulher encontra-se encostada com a mão esquerda no vaso e com a mão na boca aparentemente com vontade de vomitar. Figura 6 - Processo de vômito TRATAMENTO FARMACOLÓGICO - Em geral, os antieméticos são classificados de acordo com os receptores predominantes, nos quais, provavelmente, atuam sendo classificados em: UNIDADE 2 51 Anti-histamínicos - os antagonistas dos receptores histamínicos H1 são úteis principalmente nos vômitos pós-operatórios, atuando nos nervos aferentes vestibulares e no tronco cerebral. Ciclizina, hi- droxizina, prometazina e difenidramina são alguns exemplos desse grupo de fármacos. Nenhum é muito eficaz contra substâncias que atuam diretamente sobre a zona gatilho. Os principais efeitos adversos são sonolência e sedação, conquanto possivelmente contribuindo para a eficácia clínica (RANG; DALE, 2016). Agentes anticolinérgicos- o antagonista dos receptores muscarínicos utilizado mais comumente é a escopolamina, este apresenta efeito antiemético, entretanto, em geral, os anticolinérgicos não são eficazes no tratamento das náuseas induzidas pela quimioterapia (GOODMAN; GILMAN, 2012). Os efeitos adversos mais comuns são secura de boca e visão embaçada. Também ocorre sonolência, mas o fármaco tem menos ação sedativa que os anti-histamínicos devido à fraca penetração no sistema nervoso central (RANG; DALE, 2016). Antagonistas dos receptores 5-HT3 - o local primário de ação desses fármacos é a zona de gatilho quimiorreceptora (ZGQ). Podem ser administrados por via oral ou parenteral (às vezes, útil se as náuseas já estiverem presentes). Fazem parte desta classe medicamentos como granisetrona, on- dansetrona e a palonosetrona, particularmente valiosas na prevenção e tratamento de vômitos e, em menor proporção, de náuseas, comumente observados no pós-operatório ou naqueles causados por radioterapia ou administração de fármacos citotóxicos como a cisplatina. Os efeitos adversos, como cefaleia e desconforto gastrointestinal, são relativamente incomuns (RANG; DALE, 2016). Antagonistas da dopamina - A domperidona, usado para tratar vômitos causados por citotóxicos, bem como sintomas gastrointestinais. Diferentemente da metoclopramida, não atravessa facilmente a barreira hematoencefálica e, consequentemente, tem menos propensão a produzir efeitos colaterais centrais (RANG; DALE, 2016). DOENÇA INTESTINAL CRÔNICA - Essa categoria compreende a síndrome do cólon irritável (SCI) e as doenças inflamatórias intestinais. DOENÇAS INFLAMATÓRIAS - A colite ulcerativa e a doença de Crohn são formas de doenças inflamatórias intestinais afetando o cólon ou o íleo. Trata-se de distúr- bios inflamatórios autoimunes, que podem ser graves e progressivos, necessitando de tratamento com fármacos anti-inflamató- rios e imunossupressores e, ocasionalmente, ressecção cirúrgica (RANG; DALE, 2016). Descrição da Imagem: a imagem apresenta a anato- mia intestinal com suas voltas, sendo representada pelo intestino de coloração marrom e processos infla- matórios em três partes representadas pela coloração vermelha. Essa coloração se destaca na parte superior, lateral esquerda e centro. Figura 7 - Processo inflamatório do intestino UNICESUMAR 52 TRATAMENTO FARMACOLÓGICO - Glicocorticoides - São potentes anti-inflamatórios, cujos fármacos de escolha são, em geral, a prednisolona ou a budesonida (embora outros possam ser usados). São dados por via oral ou localmente no intestino por supositórios ou enemas. Os glicocorticoides são úteis para as crises agudas de doenças inflamatórias intestinais, não são ideais para o tratamento de longo prazo (em razão de seus efeitos colaterais) (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). Aminossalicilatos - a manutenção da remissão tanto na colite ulcerativa quanto na doença de Crohn, em geral, é obtida com os aminossalicilatos, embora sejam menos úteis nessa última condição. Seu mecanismo de ação é obscuro; pode reduzir a inflamação por remoção de radicais livres, inibindo a produção de prostaglandinas e leucotrienos e/ou por diminuição da quimiotaxia dos neutrófilos e da geração de superóxidos. Seus efeitos adversos são diarreia, hipersensibilidade aos salicilatos e nefrite intersticial (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). SÍNDROME DO CÓLON IRRITÁVEL - A SCI é caracterizada por crises de diarreia, constipa- ção ou dor abdominal. A etiologia da doença é incerta, mas fatores psicológicos podem ter alguma participação. O tratamento é sintomático, usando-se uma dieta rica em fibras mais loperamida ou um laxativo, se necessário. As anormalidades da função intestinal, que podem ser evidenciadas por constipação ou diarreia, ou ambas, nas mais diferentes ocasiões, resultaram na interpretação clássica da SCI como um “distúrbio da motilidade”, embora as alterações motoras não possam explicar intei- ramente o quadro clínico observado (KUMAR; ABBAS; FAUSTO, 2016). TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Muitos pacientes podem ser tratados satisfatoriamente por aconselhamento simples e medidas com- plementares como restrições dietéticas e suplementação com fibras; as anormalidades psicológicas evidentes devem ser tratadas adequadamente. Apesar dessas medidas, uma porcentagem significativa dos pacientes continua incomodada pelos sintomas da doença e o tratamento farmacológico quase sempre é experimentado (PENILDON, 2010). Entretanto, existem poucas opções farmacológicas eficazes para esses casos, entre eles tem-se: Antiespasmódicos: incluem anticolinérgicos, antagonistas do canal de cálcio e antagonistas dos receptores opioides. Fármacos podem ser moderadamente eficazes em um subgrupo de pacientes e são úteis como medida complementar. Antidepressivos: classe mais eficaz devido suas propriedades neuromoduladoras e analgésicas, independentes do seu efeito antidepressivo. Os antidepressivos tricíclicos têm uma longa história de eficácia comprovada no tratamento da dor visceral “funcional” crônica. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina têm menos efeitos adversos e têm sido recomendados especialmente para os pacientes com constipação funcional, porque podem aumentar os movimentos intestinais e, até mesmo, causar diarreia (GOODMAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). UNIDADE 2 53 Após toda essa exposição do conteúdo, vamos pensar um pouco. Qual interferência farmaco- lógica pode acontecer em um paciente constipado? Com diarreia? Vômito? Intestino Irritado? Úlcera? Pense um pouco! Se sua resposta foi relacionada aos processos absortivos, você pen- sou corretamente, se lembrarmos que o trato gastrointestinal é a principal via de absorção do organismo, qualquer condição que altere sua funcionalidade correta irá interferir diretamente na absorção e, consequentemente, na biodisponibilidade do medicamento. Se você pensou em probabilidade de intoxicação, você pensou certo também, uma vez que processos constipativos evitam que o medicamento seja eliminado e, consequentemente, acumule-se no organismo, sendo um fator de risco ao desenvolvimento de efeitos adversos. Portanto, o estudo dos processos gastrointestinais, bem como seu tratamento, garantem uma boa probabilidade de redução nos efeitos adversos relacionados a não absorção ou toxicidade. Pronto! Mais um capítulo se encerra e queremos ter a certeza de que este conteúdo complexo e fundamental no entendimento dos processos digestivos, suas interferências e tratamento foi bem aproveitado. Deste modo, convido você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo para o desenvolvimento de compostos com potencial terapêutico. Quanta informação interessante, concorda? Aposto que após este capítulo, você teve uma real dimensão da importância da manutenção da integridade e funcionalidade do trato gastrointes- tinal evitando, assim, complicações farmacológicas. Deste modo, que tal analisarmos uma breve pesquisa sobre as formas mais rápidas de absorção? Faça uma comparação entre as formas far- macêuticas, gotas ou comprimidos e responda essa pergunta: “QUAL FORMA É ABSORVIDA MAIS RAPIDAMENTE NO TRATO GASTROINTESTINAL?” https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10157 54 Encerramos esse longo e divertido momento, lembre-se que este capítulo irá ajudá-lo em todos os módulos relacionados ao uso dos compostos que possuem ação dentro do organismo, uma vez que foram abordados os conceitos iniciais desta jornada farmacológica, entretanto, você deve pen- sar que para chegarmos ao final da construção do conhecimento, precisamos solidificar muito bem a base dele. Para isso, temos que garantir que você conseguiu absorver as informações de maneira objetiva e correta, então, que tal se você produzir um Mapa Mental, estabelecendo a relação e inte- gração entre os processos Farmacocinética e Farmacodinâmica, utilizando as palavras-chave: Trato gastrointestinal, Controle,Sistema Nervoso Entérico, Serotonina, Hormônios, Gastrina, Problemas, Constipação, Laxativos, Úlceras, Inibidores de Bomba de Prótons, Motilidade, Domperidona. Vamos lá? TRATO GASTROINTESTINAL CONTROLE PROBLEMA ÚLCERAS LAXATIVOS DOMPERIDONA SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO GASTRINA 55 1. O trato gastrointestinal apresenta particularidades farmacológicas importantes que impactam diretamente os processos farmacocinéticos e dinâmicos. Considerando o contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. O sistema nervoso entérico é conhecido pela sua vasta similaridade com sistema nervoso central, este sofre influência excitatória da acetilcolina e inibitória do óxido nítrico. PORQUE Os agentes colinérgicos utilizados no tratamento das úlceras pépticas atuam com antagonistas dos receptores muscarínicos, provocando a diminuição da secreção do ácido clorídrico. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Analise o texto. O trato gastrointestinal possui inúmeras funções importantes no organismo, deste modo, a manutenção da sua integridade é fundamental e o tratamento das suas agressões deve ser bem-sucedido. Assinale a alternativa que descreve corretamente o fármaco de primeira escolha na síndrome do Cólon irritável: a) Antagonistas Histaminérgicos. b) Inibidores da Bomba de próton. c) Sulcratos. d) Antidepressivos Tricíclicos. e) Laxantes. 56 3. Analise as afirmativas referente a farmacologia do trato gastrointestinal: I) A secreção gástrica exacerbada é resultado do efeito positivo da prostaglandina, ou seja, essa substância atua aumentando a síntese e liberação dos precursores do ácido clorídrico nas células gástricas. II) Os citoprotetores são utilizados nas ulcerações, uma vez que produzem uma camada protetora na superfície da mucosa gástrica, entre as classes tem-se o Quelato de Bismuto e os Sulcratos. III) Fármacos como Metoclopramida e Domperidona são utilizados para constipação, uma vez que aumentam a pressão do bolo alimentar, facilitando a evacuação. IV) Os probióticos são compostos que contêm flora comensal para reposição da flora residente intestinal. São compostos muito utilizados em quadros de diarreia agudas. V) Os glicocorticóides são antieméticos muito utilizados no vômito, uma vez que diminuem os disparos sensitivos no centro do vômito, deste modo, impede os sintomas relacionados ao mal estar e, consequentemente, vontade de vomitar.; Assinale a alternativa correta: a) Apenas as alternativas I, II e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. 3 Nos capítulos anteriores, foram trabalhados como os fármacos atuam, primeiramente, de forma geral em todo organismo e depois com foco no trato gastrointestinal, agora, vamos come- çar as análises pontuais focando nas patologias comuns, como as síndromes metabólicas, e escolhemos para trabalhar nesta unidade Diabetes e Dislipidemias, as duas condições mais impor- tantes atualmente e que provocam grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos. Vamos conhecer como é a farmacologia no tratamento desta condição? Fármacos Que Atuam no Metabolismo Glicêmico e Lipídico Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 58 Qual seu conhecimento prévio das Síndromes Metabólicas? Já ouviu falar? Sabe do que se trata? E o tratamento destas síndromes são efetivos? Curativos? Preventivos? Insulina, sabe o que é? Pense um pouco sobre Diabetes Mellitus e Dislipidemias, e agora conseguiria responder os questionamentos propostos? Independentemente da sua resposta, convido você para, juntos, nos aprofundar neste assunto tão importante para o organismo, bem como seu tratamento farmacológico. Como anda seus hábitos de vida? Já se perguntou se eles impactam diretamente na sua saúde? E no seu bem-estar? Fatores estressantes do dia a dia, como longas jornadas de trabalho ou estudo asso- ciados às mudanças nos hábitos de vida, como diminuição do tempo para atividades físicas, consumo excessivo de alimentos com alto teor de gordura e carboidratos, fez com que a população reduzisse a sua qualidade de vida impactando diretamente no surgimento de doenças crônicas não transmissí- veis que caracterizam a síndrome metabólica (SM), como Diabetes e dislipidemias. Estas condições, atualmente, tornaram-se um grande problema de saúde pública em todas as faixas etárias, e mesmo apresentando um tratamento considerado efetivo e com muitas opções, desde medicamentos por via oral e injetável no controle do seu percurso, quando não tratada corretamente, pode levar o indivíduo à morte ou complicações graves. Reflita sobre sua alimentação, o que acha dela? Analise sua dieta por 1 semana, e anote os exercícios físicos que faz. Após este período, tente analisar como são seus hábitos e se eles o levam como um candidato ao desenvolvimento das Síndromes Metabólicas. Você também pode fazer uma árvore ge- nealógica sua e dos seus familiares analisando quem já teve algum tipo de problema com carboidratos e lipídios, uma vez que a condição genética, nestas situações, é muito forte. Ao analisarmos o impacto das síndromes metabólicas na qualidade de vida do indivíduo, temos que levar em conta que elas são consideradas doenças não transmissíveis, ou seja, o desenvolvimento, agravamento e início delas estão relacionadas quase que exclusivamente aos hábitos de vida da pessoa. Neste ponto, devemos ponderar que a população mundial está doente, quando relacionamos ao con- sumo alimentar e prática de atividade física, isso pode ser facilmente constatado quando analisamos que as síndromes metabólicas estão relacionadas a quatro das dez principais causas de morte na popu- lação. Você pode fazer um simples questionamento “Mas não é só comer bem e fazer atividade física, ou controlar a doença com medicamentos?” A resposta é sim, entretanto, isso é fácil? Pensando que atualmente os hábitos de vida associados ao dia a dia de trabalho com rotinas cada vez menos saudáveis são fatores de risco ao desenvolvimento das Síndromes Metabólicas e seus impactos são devastadores na saúde e na qualidade de vida do indivíduo, mesmo o tratamento sendo efetivo quando utilizado da forma correta. Assim, neste capítulo, iremos abordar as principais classes dos medicamentos que atuam em diferentes momentos no desenvolvimento das doenças. UNIDADE 3 59 UNICESUMAR 60 Os hormônios pancreáticos insulina e glucagon são os principais responsáveis pelo controle da glicemia do organismo. Estes hormônios são secretados pelas células pancreáticas localizadas nas ilhotas de Langerhans (células β produzem insulina; células α produzem glucagon) (FUCHS WANNMACHER; FERREIRA, 2010). O nível de glicemia é facilmente obtido e proporciona orientação acurada sobre o equilíbrio de insulina e hormônios contrarreguladores. Esse equilíbrio, normalmente, mantém os níveis de glicemia dentro de uma faixa estreita (70 a 120 mg/dℓ), independentemente da ingestão recente de alimentos. Entretanto, deve-se observar quadros de hipoglicemia, uma vez que sistemas como central e cardíaco dependem de um suplemento constante de glicose para seu funcionamento apropriado (GOLAN et al., 2014). Por outro lado, a hiperglicemia crônica é tóxica para numerosas células e tecidos, provocando quadros de Diabetes Mellitus, que será abordado a seguir. DIABETES MELLITUS - O médico Areteu, no ano 200, observou uma sede incontrolável e excesso de urina em pacientes, assim, denominou esseconjunto de sinais como “diabetes”, cujo significado, em grego, é “sifão” ou “que passa por”. Os estudos subsequentes acrescentaram o ter- mo “mellitus” (do latim, “melado, doce”) ao nome da doença, após verificarem que os pacientes diabéticos produziam urina contendo açúcar (GOLAN et al., 2014). O diabetes é um grupo heterogêneo de síndromes caracterizadas por elevada glicemia atri- buída à deficiência absoluta ou relativa de insulina. A American Diabetes Association (ADA) reconhece algumas classificações clínicas do diabetes: Diabetes Mellitus tipo 1, Diabetes Mellitus tipo 2 e Diabetes gestacional (FUCHS et al., 2010). Diabetes melito tipo 1: mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens, mas algu- mas formas latentes podem ocorrer mais tardiamente. A doença é caracterizada por deficiência absoluta de insulina devido à destruição das células β (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). A predisposição genética ao diabetes tipo 1 está fortemente mapeada nos loci do antígeno leucocitário humano (HLA), também conhecido como complexo principal de histocompati- bilidade (CPH), que codifica proteínas envolvidas na apresentação de antígenos. Outros loci genéticos contribuem fracamente para o diabetes tipo 1 (GOLAN et al., 2014). Os diabéticos tipo 1 necessitam de insulina exógena para evitar a hiperglicemia grave e o estado catabólico de cetoacidose, ameaçador à sobrevivência (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Diabetes melito tipo 2: síndrome com caráter influenciador genético, idade, obesidade e resis- tência periférica à insulina, em vez de processos autoimunes (FUCHS; WANNMACHER; FERREI- RA, 2010). Em geral, a doença se desenvolve de modo gradual, sem qualquer sintoma no início. A progressão para o diabetes tipo 2 frequentemente começa com um estado de resistência à insulina. Com o aumento da idade e de peso, os tecidos que antes eram normalmente responsivos à insulina se tornam relativamente refratários à ação do hormônio e necessitam de níveis aumentados de insulina para responder de modo apropriado (GOLAN et al., 2014). Diabetes Gestacional: durante a gravidez, a placenta e os hormônios placentários criam uma resistência à insulina, que se torna mais pronunciada no último trimestre (KATZUNG; GRAW, 2013). O diabetes gestacional não controlado pode causar macrossomia fetal (corpo anormalmente grande), distócia de ombro (dificuldade no parto), bem como hipoglicemia neonatal. Dieta, exercício e/ou ad- ministração de insulina são eficazes nessa condição (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). UNIDADE 3 61 Receptor de Insulina Receptor de Insulina Receptor de Insulina Glicose Glicose Glicose Saudável Tipo I Diabetes Tipo II Diabetes Insulina Insulina Insulina Descrição da Imagem: a imagem é dividida em três quadros. O primeiro representa um orga- nismo funcional sem nenhum distúrbio pan- creático, ou seja, o pâncreas, na figura, libera o hormônio insulina representado por triângulos roxos (sete) e uma flecha representando sua ligação ao seu receptor, este receptor está em um círculo que representa o tecido-alvo da in- sulina, assim, ao se ligar ao seu receptor, ela ativa o GLUT4 e este promove a internalização da glicose representado por círculos vermelhos. Na segunda imagem está representado indiví- duo com diabetes do tipo I, ou seja, existe um “xix” na liberação pancreática de insulina, deste modo, não ocorre toda a sequência de eventos celulares que resultaria na entrada da glicose na célula mediada pelo GLUT4. Na terceira e última imagem está representado indivíduo com dia- betes do tipo II, ou seja, o processo de liberação pancreática de insulina ocorre normalmente, entretanto, tem-se um “xix” na ligação da insu- lina ao seu receptor, deste modo, não ocorre a translocação do GLUT4 para permitir a entrada da glicose na célula. Figura 1 - Representação dos tipos de diabetes segundo o mecanismo fisiopatológico da doença Você sabia que existem mais de 460 milhões de pessoas com diabetes no mundo? E que a maioria destas pessoas não recebe diagnóstico correto? Também sabia que o custo com saúde envolvendo a doença ou seus agravantes foi em torno de US $ 760 bilhões de dólares em 2019 e que o diabetes entre suas distintas formas está entre as 10 principais causas de morte, com quase metade ocorrendo em pessoas com menos de 60 anos? Estes números destacam a importância da doença no impacto de vida dos indivíduos. Deste modo, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de Novembro como “DIA MUNDIAL DO DIABETES", como meio de conscientização para os dados alarmantes da doença. UNICESUMAR 62 Após observarmos o impacto da doença, vamos nos aprofundar nos seus distintos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos: TRATAMENTO - O objetivo do tratamento para diabetes é aliviar os sintomas relacionados aos quadros hiperglicêmicos e, consequentemente, suas complicações, uma vez que não existe cura. Lembrando de que, para sucesso do tratamento, é imprescindível a participação ativa do paciente nos cuidados do diabetes (GOODMAN; GILMAN, 2012). NÃO FARMACOLÓGICO - O paciente portador de diabetes deve receber educação nutricional, praticar exercícios e receber instruções sobre os medicamentos destinados a reduzir o nível plasmá- tico de glicose. No diabetes tipo 1, a correspondência entre o aporte de calorias e a dose de insulina é muito importante. No diabetes tipo 2, a dieta é direcionada para a perda de peso, a redução da pressão arterial e o risco de aterosclerose. O exercício proporciona múltiplos benefícios a pacientes portadores de diabetes, porém pode ser necessário um ajuste da dose dos medicamentos hipoglicemiantes para evitar a hipoglicemia relacionada ao exercício (GOODMAN; GILMAN, 2012). FARMACOLÓGICO - O principal objetivo da terapia farmacológica consiste em normalizar os parâmetros metabólicos, como a glicemia, reduzindo o risco de complicações a longo prazo. O tra- tamento é diversificado, e em primeiro lugar, os pacientes obesos devem empenhar-se em reduzir o peso corporal e aumentar a prática de exercícios físicos, a fim de melhorar a sensibilidade à insulina. Dispõe-se de agentes terapêuticos para modificar a maior parte das etapas do processo de regulação da homeostasia da glicose (GOLAN et al., 2014). INSULINA Descrição da Imagem: possui uma pes- soa de camisa vermelha, cabelos marrons e calça azul, sentada em um aparelho que mede glicemia capilar, este, mede núme- ro nove ponto cinco. Ao lado, e no meio da imagem, tem um caderno de anota- ções com linhas em azul e no título aci- ma escrito Diabetes. No canto esquerdo deste caderno, tem um frasco azul claro escrito insulina com duas folhas verde claras atrás. Figura 2 - Representação do acompanha- mento e monitoramento do Diabetes UNIDADE 3 63 A seguir, vamos discutir as classes de fármacos disponíveis: INSULINA - se analisarmos que a glicose é a fonte primária de energia para o cérebro no adulto, e o seu controle fisiológico reflete as necessidades de manter o aporte adequado de combustível em face de uma ingestão intermitente de alimentos e de uma demanda metabólica variável e que na alimentação estão disponíveis quantidades superiores ao que é necessário imediatamente, então, é fundamental o controle hormonal realizado pela Insulina, que é um hormônio proteico, onde o pâncreas é respon- sável pela sua secreção contínua (GOLAN et al., 2014). Em 2021, a descoberta da Insulina completa 100 anos. O histórico desta descoberta passa, inicial- mente, em 1869, em Berlim, por meio do estudo estrutural do pâncreas por Paul Langerhans, em seguida pelas inúmeras tentativas de isolamento do hormônio até 1906 e 1922 quando foi realizada a primeira injeção de insulina em Leonard Thompson. Finalmente, a insulina foi a primeira proteína cuja sequência de aminoácidos foi identificada pelo grupo de Sanger em Cambridge, em 1955. INSULINA Descrição da Imagem: imagem com fundo azul, e a direita um dispositivo que elucidao mecanismo de aplicação da insulina, nele, está representado, em Azul escuro, a gra- duação de perfuração, em seguida a graduação volumétrica e uma agulha na ponta. Ao lado, tem-se um frasco com líquido azul escrito INSULINA (IN- SULINA), e representando o volume de 10 mL. Figura 3 - Representação de uma seringa e um frasco de Insulina UNICESUMAR 64 A insulina é um hormônio proteico sintetizado, inicialmente, em uma molécula grande de 110 ami- noácidos conhecida como pré-pró-insulina, esta é processada em pró-insulina e, a seguir, em insu- lina e peptídeo C (GOODMAN; GILMAN, 2012). Ambos são armazenados e liberados juntos em proporções idênticas (RANG; DALE, 2016). O principal fator que controla a síntese e a secreção de insulina é a concentração de glicose no sangue, uma vez que as células pancreáticas respondem tanto à concentração absoluta de glicose quanto a suas alterações. Além da glicose, sabe-se que estímulos distintos, como: aminoácidos (principalmente arginina e leucina), ácidos graxos, o sistema nervoso parassimpático e incretinas (especialmente GLP-1 e o GIP, também estão relacionados a liberação da insulina (RANG; DALE, 2016). Estímulo para secreção - Ao entrar no pâncreas, a glicose, por meio do transportador GLUT 2, aumenta seu metabolismo em razão ATP/ADP intracelular, que estimula a secreção de insulina. A razão ATP/ADP modula a atividade de um canal de potássio sensível a concentração de ATP, este fechado permite a abertura do Canal de Cálcio que, aberto, aumenta a concentração intracelular de cálcio, resultando na liberação de insulina (GOLAN et al., 2014). Quando circulante, o hormônio se liga aos seus receptores expressos em quase todos os tipos de tecidos, produzindo diversos efeitos. No fígado, a insulina aumenta a atividade da glicoqui- nase, mediando, assim, a fosforilação e o sequestro da glicose nos hepatócitos. Esse suprimento aumentado de glicose no hepatócito fornece a energia necessária para síntese de glicogênio, glicólise e síntese de ácidos graxos (GOLAN et al., 2014). No músculo esquelético, a insulina estimula a translocação do transportador de glicose responsivo à insulina, o GLUT4, das vesí- culas intracelulares para a superfície celular, facilitando a captação tanto da glicose quanto dos aminoácidos, promovendo a síntese proteica e armazenamento da glicose, respectivamente. No tecido adiposo, a insulina promove a expressão da lipoproteína lipase, que hidrolisa os triglice- rídeos a partir das lipoproteínas circulantes para captação nos adipócitos. Uma vez no interior da célula adiposa, glicose e ácidos graxos são armazenados predominantemente na forma de triglicerídeos (GOLAN et al., 2014; GOODMAN; GILMAN, 2012; KATZUNG; GRAW, 2013). Degradação da insulina - A insulina apresenta uma meia-vida de 5-6 min, devido à extensa depu- ração hepática e excreção renal. Em geral, o fígado depura cerca de 60% da insulina circulante liberada pelo pâncreas, em virtude de sua localização como sítio terminal do fluxo sanguíneo da veia porta, ao passo que os rins removem 35 a 40% do hormônio endógeno (GOLAN et al., 2014; GOODMAN; GILMAN, 2012; KATZUNG; GRAW, 2013). TIPOS DE INSULINA - Insulina de ação curta – Ação após 30 min da administração com pico entre 2 e 3 horas, recomenda-se ser injetada 30 a 45 minutos ou mais antes das refeições para minimizar o desequilíbrio. Insulina de ação rápida – Possui ação rápida (4 a 5 horas), permite a administração de insulina imediatamente antes da refeição. Insulinas de ação intermediária e de ação longa – A insulina NPH tem início de ação de cerca de 2 a 5 horas e duração de 4 a 12 horas, esse efeito é obtido por meio da combinação da insulina com protamina. Sistemas de administração de insulina - Padrão: o modo padrão de insulinoterapia consiste em sua injeção subcutânea com agulhas e seringas convencionais descartáveis. UNIDADE 3 65 Injetores portáteis do tipo caneta: para facilitar as múltiplas injeções subcutâneas de insulina, particularmente durante a insulinoterapia intensiva, foram desenvolvidos injetores portáteis do ta- manho de uma caneta, que contêm cartuchos de insulina e agulha substituível. Dispositivos de infusão subcutânea contínua de insulina: os dispositivos de infusão subcutânea contínua de insulina consistem em bombas externas para a administração de insulina, programados a partir dos resultados de automonitoração do nível de glicemia (KATZUNG; GRAW, 2013; GOOD- MAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Complicações da insulinoterapia - Hipoglicemia: Normalmente ocorre logo após a adminis- tração, ou consumo inadequado de carboidratos e esforço físico, sendo revertida com administração de soro glicosado (KATZUNG; GRAW, 2013). Alergia à insulina – Constitui uma reação de hipersensibilidade de tipo imediato, e uma condição rara, em que a urticária local ou sistêmica resulta da liberação de histamina por mastócitos teciduais sensibilizados por anticorpos IgE anti-insulina (KATZUNG; GRAW, 2013). Lipodistrofia nos locais de injeção: a injeção de preparações de insulina animal, algumas vezes, resultou em atrofia do tecido adiposo subcutâneo no local da injeção (KATZUNG; GRAW, 2013). Resistência à insulina – A incapacidade da insulina em quantidades normais de produzir a res- posta esperada é descrita como resistência à insulina. A sensibilidade à insulina é afetada por muitos fatores, incluindo idade, peso corporal, níveis de atividade física, doença e medicamentos (GOOD- MAN; GILMAN, 2012; PENILDON, 2010). UNICESUMAR 66 Secretagogos da insulina: sulfonilureias - Fármacos classificados como secretagogos de insuli- na, pois promovem a liberação de insulina das células β do pâncreas (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA 2010). Sulfonilureias - As sulfoniluréias foram desenvolvidas após a observação casual de que um derivado da sulfonamida (utilizado no tratamento da febre tifoide) causava hipoglicemia. Estão disponíveis no mercado diversas sulfonilureias (RANG; DALE, 2016). MECANISMO DE AÇÃO - Estimulam a liberação de insulina das células β do pâncreas, uma vez que se ligam ao seu receptor pancreático, inibindo o canal de potássio ATP dependente. Sendo um efeito análogo a períodos pós-prandiais descritos anteriormente (GOLAN et al., 2014). Comer comida Fazendo InsulinaSentindo-se Cansado e com Fome Açúcar armazenado como Gordura Células Resistentes à Insulina CÉLULAS RESISTENTES À INSULINA Descrição da Imagem: trata-se de um fluxograma, iniciando pela imagem escrito (Comer comida). Na parte superior tem-se uma pessoa com calça vermelha e camisa branca, segurando um garfo cinza maior do que ela e ao lado um prato também cinza com quatro frutas dentro: Abacate verde cortado ao meio deixando analisar o caroço em marrom, uma penca com duas bananas amarelas, uma laranja cortada ao meio com três gomos aparentes e ao fundo um pedaço de melancia vermelha com oito sementes pretas, essa figura possui uma flecha saindo dela em direção a próxima figura escrito (Fazendo Insulina), levemente abaixo, onde está representado pâncreas com a cor laranja e dele saindo um círculo roxo representando o hormônio insulina. Essa figura possui uma flecha saindo dela em direção a próxima figura escrito (Células Resistentes à Insulina), representada por cinco células arredondadas e com cor vermelha claro com uma bola vermelha escura representando o núcleo, onde três moléculas de insulina representados pelos círculos roxos estão em contato. Essa figura possui uma flecha saindo dela em direção à próxima figura escrita (Açúcar armazenado como Gordura), onde dois círculos representando insulina e dois cubos de açúcar entram em uma célula representada pelo tecido adiposo. Essa figura possui uma flecha saindo dela em direção a próxima figura escrita (Sentindo-se Cansado e com Fome), onde tem uma pessoa com calça vermelha e camisa branca sentada em uma cadeira cinza dormindo representada Figura 4 - Representação de um fluxograma da evoluçãoda resistência à insulina no organismo UNIDADE 3 67 Atualmente, temos duas gerações da classe das Sulfonilureias: Primeira geração: tolbutamida, Clorpropamida e tolazamida. Segunda geração: glibenclamida (gliburida), a glipizida, a gliclazida e a glimepirida. Ilha Pancreática Célula Beta InsulinaGlucose Descrição da Imagem: a imagem é uma sequência de eventos, iniciando com pâncreas representado por uma imagem amarelada, desta imagem sai uma seta para baixo, onde está representada célula pancreática conhecida como (ilha pancreática), caracterizado por uma porção de células azuladas, avermelhadas e roxas, onde ocorre o último processo descrito, por uma célula azulada com receptores roxos escritos GLUT2, nele ocorre a passagem de moléculas de glicose representadas por círculos vermelhos. Dentro da célula tem três flechas pretas em direção a um círculo azul claro com três triângulos roxos. Por fim, neste processo, tem-se um círculo acoplado na membrana da célula aberta para exterior liberando três triângulos roxos. Figura 5 - Representação da liberação do hormônio insulina pelo pâncreas FARMACOCINÉTICA - Administradas por via oral, as sulfonilureias se ligam às proteínas séricas, são biotransformadas pelo fígado e excretadas pelo fígado e pelos rins. A duração de ação varia de 12 a 24 horas. (ILUSTRADA). Em virtude de sua meia-vida e inativação pelo fígado, são consideradas relativamente seguras para uso no idoso e em pacientes com comprometimento renal (KATZUNG; GRAW, 2013). UNICESUMAR 68 O principal efeito adverso consiste em hipoglicemia, dada a secreção excessiva de insulina. Os estudos realizados mostram que o uso de sulfonilureias está associado à diminuição marginal dos lipídios circulantes (GOLAN et al., 2014). Interações medicamentosas - Fármacos como: anti-inflamatórios não esteroidais, varfarina, clo- ranfenicol e alguns antifúngicos e o álcool aumentam os efeitos hipoglicemiantes das sulfonilureias. A provável base para a maioria dessas interações consiste na competição pelas enzimas de metabolismo, porém a interferência na ligação com as proteínas plasmáticas ou com mecanismos de transporte que facilitam a excreção também pode desempenhar algum papel (RANG; DALE, 2016). Redução da produção hepática de glicose: biguanidas - A metformina utilizada na medicina tradicional durante séculos para tratar o diabetes é a única biguanida utilizada clinicamente no trata- mento do diabetes tipo 2, para o qual é, agora, um fármaco de primeira escolha (RANG; DALE, 2016). MECANISMO DE AÇÃO - A produção hepática de glicose pode estar anormalmente elevada no diabetes tipo 2, assim, o mecanismo da metformina é diminuir a síntese hepática da glicose, por meio da ativação da enzima regulatória PQAM. Ao ativar essa enzima, o fármaco inibe o processo conhecido como gliconeogênese, a síntese de ácidos graxos e a produção de colesterol. Além deste efeito hepático, a metformina também melhora a captação de glicose no músculo periférico (GOLAN et al., 2014). FARMACOCINÉTICA - A metformina é bem absorvida por via oral, possui meia-vida de 1,5 a 3 horas e não se liga a proteínas séricas e não é biotransformada. A excreção é pela urina na forma do composto ativo (KATZUNG; GRAW, 2013). EFEITOS ADVERSOS - O efeito adverso mais comum da metformina consiste em leve descon- forto gastrintestinal, habitualmente transitório e que pode ser minimizado por titulação lenta da dose. Um efeito adverso potencialmente mais grave é a acidose láctica (GOLAN et al., 2014). A metformina também interfere na absorção dependente de cálcio do complexo vitamina B12, e deste modo, pode provocar a má absorção da vitamina B12 (KATZUNG; GRAW, 2013; RANG; DALE, 2016). Inibidores da absorção intestinal de glicose - Os inibidores da α-glicosidase são “bloqueadores do amido”, deste modo retardam a absorção dos carboidratos da dieta ao inibir as enzimas α-glicosi- dades da borda em escova intestinal. Ao aumentar o tempo necessário para absorção dos carboidratos complexos, os inibidores da α-glicosidase reduzem o pico pós-prandial da glicemia. Os inibidores da α-glicosidase mostram-se efetivos quando tomados com as refeições, mas não em outros horários. Os inibidores da α-glicosidase podem ser usados como monoterapia ou terapia adjuvante. Não apresentam risco de causar hipoglicemia e têm maior utilidade em hiperglicemia pós-prandial e para diabéticos de início recente, com hiperglicemia leve (GOLAN et al., 2014). Os efeitos colaterais proeminentes dos inibidores da a-glicosidase consistem em flatulência, diarreia e dor abdominal, e resultam do aparecimento de carboidratos não digeridos no cólon, que são então fermentados em ácidos graxos de cadeia curta, com liberação de gases (RANG; DALE, 2016). Ao final desta abordagem dos hipoglicemiantes, percebe-se que, apesar do grande impacto que o Diabetes, independentemente do tipo, provoca no indivíduo, o seu tratamento é considerado eficaz e com múltiplas opções. Assim, cabe muito a participação do paciente neste tratamento, ou seja, tomar o medicamento de forma correta associado à mudança nos hábitos de vida, o que, levaria a um controle na maioria dos casos, evitando o surgimento das complicações, associados, ao não controle da doença. UNIDADE 3 69 LIPÍDIOS Os lipídios são moléculas insolúveis, e consideradas essenciais para diversas funções no organismo, como: síntese hormonal, biogênese das membranas e a manutenção da integridade das membranas. Entretanto, seu excesso provoca as doenças cardiovasculares que estão relacionadas ao grande número de óbitos mundialmente. Os principais fatores que contribuem para as anormalidades de lipoproteínas parecem consistir nas dietas ocidentais combinadas a um estilo de vida sedentário; entretanto, foi tam- bém identificado um número limitado de causas genéticas de hiperlipidemia (GOLAN et al., 2014). Transporte de lipoproteínas - Apresentam esta apolaridade e devem ser transportados por meio de um complexo chamado lipoproteínas, ou seja, agregadas macromoleculares que transportam triglicerídeos e colesterol no sangue. Estas são diferenciadas baseadas na concentração e tipo dos componentes, apresentando diferentes tipos de densidade e tamanho (GOLAN et al., 2014). Existem quatro principais classes de lipoproteínas, que diferem quanto à proporção relativa dos lipídios no núcleo e no tipo de apoproteína (diferentes tipos de apoA e apoB). A base para sua classi- ficação em, de acordo com Rang e Dale (2016) é: • HDL (contêm apoA1 e apoA2); • LDL (contêm apoB-100); • VLDL contêm apoB-100; • Quilomícrons (contêm apoB-48). Essas lipoproteínas executam o transporte de lipídios do organismo, seja pela via exógena (quilomí- crons) ou endógena (HDL, LDL e VLDL). Os distúrbios metabólicos que envolvem elevações em qual- quer espécie de lipoproteína são denominados Dislipidemias, sendo consideradas um dos principais fatores de risco ao desenvolvimento de problemas coronarianos, necessitando, assim, de tratamento adequado (KATZUNG; GRAW, 2013), uma vez que estudos demonstraram a existência de uma as- sociação definitiva entre as concentrações plasmáticas de lipídios e o risco de doença cardiovascular. O risco aumentado de mortalidade cardiovascular está mais estreitamente ligado a níveis elevados de colesterol LDL e a níveis diminuídos de colesterol HDL. Além disso, a hipertrigliceridemia representa um fator de risco (PENILDON, 2010; GOLAN et al., 2014). UNICESUMAR 70 Proteína Colesterol Triglicerídeos Descrição da Imagem: na figura podemos observar três imagens, da direita para esquerda, inicia-se com a descrição da molécula do HDL que está representada por um círculo cinza, com quatro estruturas semelhantes a grãos de feijão na cor verde, seis traços amarelos e quatro vermelhos intercalados que representam a gordura e proteína do HDL, acima dela há um símbolo em forma de V e na cor verde, abaixo da figura estão as letras HDL em verde. Ao lado tem-se um coração representado em suaforma anatômica e com cor vermelha, com duas artérias, uma em azul e outra em vermelho, localizadas na porção superior. Ao lado, temos a descrição da molécula do LDL que está representada por um círculo cinza, com uma estrutura semelhante a um grão de feijão na cor verde, múltiplos traços amarelos e oito vermelhos intercalados e que representam a gordura e proteína do LDL. Acima temos a letra X em vermelho e abaixo da molécula temos as letras LDL em vermelho. Na parte inferior da imagem, no centro, há uma legenda. Uma estrutura semelhante a um grão de feijão na cor verde, representando proteína, outra estrutura amarela representando colesterol e outra estrutura vermelha representando os triglicerídeos. Figura 6 - Representação das lipoproteínas HDL e LDL relacionadas aos efeitos cardioprotetores do HDL e prejudiciais do LDL. Do ponto de vista clínico, as dislipidemias podem ser divididas em hipercolesterolemia, hipertrigli- ceridemia, hiperlipidemia mista e distúrbios do metabolismo das HDL. Portanto, a dislipidemia pode ser primária ou secundária. As formas primárias ocorrem por uma combinação de dieta e genética (geralmente, mas nem sempre poligênicas). São classificadas em seis fenótipos (classificação de Fre- derickson) (RANG; DALE, 2016; PENILDON, 2010). UNIDADE 3 71 A aterosclerose constitui a principal causa de morte direta ou indiretamente. Sua fisiopatologia está relacionada ao metabolismo de lipoproteínas que contêm apolipoproteína (apo) B-100, sendo elas as lipoproteínas de baixa densidade (LDL), as lipoproteínas de intensidade intermediária (IDL) e as lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL). Os componentes celulares nas placas ateroscleró- ticas consistem em células espumosas, que são macrófagos transformados, e células musculares lisas repletas de ésteres de colesterol. O ateroma é uma doença focal da camada íntima das artérias de tamanhos médio e grande. As lesões evoluem durante décadas e, durante a maior parte desse tempo são clinicamente silenciosas. A ocorrência de sintomas sinaliza doença avançada. Descrição da Imagem: a imagem é uma representação do comprometimento do fluxo sanguíneo, que à medida que a placa de gordura acontece, ocorre comprometimento sanguíneo. Inicialmente, temos o fluxo normal, com as hemácias representadas por círculos vermelhos, passando livremente na artéria, e uma placa de gordura centralizada e com baixa espessura. Abaixo, a placa de gordura aumentou de tamanho e, consequentemente, o fluxo sanguíneo já sofreu uma queda. Por fim, a última imagem se tem a placa de gordura quase comprometendo todo o vaso, e cessando o fluxo sanguíneo com as hemácias todas acumuladas no canto. Figura 7 - Representação da circulação e seu comprometimento pela placa de ateroma. UNICESUMAR 72 A hipercolesterolemia familiar (HF) é um subconjunto das dislipidemias associado a um defeito genético na expressão dos receptores LDL na membrana do tecido. Os fármacos utilizados no tratamento da dislipidemia primária são descritos adiante (RANG; DALE, 2016). Fármacos redutores de lipídeos - A decisão quanto ao uso de terapia farmacológica para a hi- perlipidemia se baseia no defeito metabólico específico e no seu potencial de causar aterosclerose ou pancreatite. A dieta deve ser mantida para a obtenção de todo o potencial do esquema farma- cológico (KATZUNG; GRAW, 2013). A terapia medicamentosa é usada complementarmente às medidas dietéticas e à correção de outros fatores de risco cardiovascular modificáveis. Os principais agentes usados clinicamente são: • Estatinas: inibidores da 3-hidroxi-3-metilglutaril-coenzima A (HMG-CoA) redutase. • Fibratos. • Inibidores da absorção de colesterol. • Ácido nicotínico. • Óleo de Peixe. ESTATINAS - A conversão de HMG-CoA a ácido mevalônico é uma das etapas mais importantes da síntese de colesterol, sendo mediada pela enzima HMG-CoA redutase. Deste modo, os medicamentos desta classe, como Sinvastatina, Lovastatina e a Pravastatina, são inibidores competitivos, específicos e reversíveis da HMG-CoA redutase (RANG; DALE, 2016). A inibição da HMG-CoA redutase resulta na ativação da proteína de ligação dos elementos reguladores de esteróis 2 ou SREBP 2, sendo este considerado um fator de transcrição regulatória dos receptores de LDL. Este aumento na expres- são dos receptores de LDL resulta no aumento da sua captação intracelular e, consequentemente, diminuição da concentração circulante (PENILDON, 2010). COLESTEROL BAIXO NORMAL ALTO Descrição da Imagem: imagem apresenta um gráfico crescente de barras, pequena, média e grande, recortadas na diagonal na parte su- perior. A primeira barra, pequena, de cor ver- de clara está localizada no lado esquerdo da imagem, dentro dela está escrito (baixo), em seguida, no centro, representado em amarelo, temos a barra média, dentro dela está escrito NORMAL, em por último, no lado direito, repre- sentada em vermelho, a barra grande, dentro dela está escrito (alto). Abaixo do gráfico está a palavra COLESTEROL. Figura 8 - Representação dos níveis de colesterol no organismo UNIDADE 3 73 FARMACOCINÉTICA: apresenta tempo de meia vida variando entre 1 a 3 horas, com absorção quase completa. Todos os fármacos sofrem efeitos de primeira passagem hepática, sendo eliminados na urina (KATZUNG; GRAW, 2013). EFEITOS ADVERSOS: Classe que apresenta uma boa tolerância, com efeitos indesejáveis leves: citam-se dor muscular (mialgia), desconforto gastrointestinal, elevação das concentrações plasmáticas de enzimas hepáticas, insônia e rash cutâneo. Efeitos adversos mais sérios são raros, mas incluem o dano do músculo estriado (miosite que, quando é grave, é descrita como rabdomiólise) e angioedema (RANG; DALE, 2016). Em alguns pacientes, ocorrem elevações na atividade da aminotransferase sérica (até três vezes o normal). Esse aumento costuma ser intermitente e, em geral, não está associado a outras evidências de hepatotoxicidade. A terapia pode ser mantida nesses pacientes na ausência de sintomas se os níveis de aminotransferase forem monitorados e estáveis. Em alguns pacientes, que podem apresentar doença hepática subjacente ou história de abuso de álcool, os níveis podem ultrapassar três vezes os valores de referência (KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014; GOODMAN; GILMAN, 2012). FIBRATOS - Classe relacionada à redução acentuada da lipoproteína VLDL, e, consequente- mente, dos níveis séricos de triglicerídeos e LDL, e aumento do HDL. Apresenta mecanismo de ação complexo como aumento da transcrição das lipoproteínas lipase, APOA1, e APOA5 que apresentam como função a captação hepática do LDL. Além dos efeitos sobre lipoproteínas, os fibratos reduzem a proteína C-reativa e o fibrinogênio plasmático, aumentam a tolerância à glicose e inibem a infla- mação da musculatura lisa vascular por inibição da expressão do fator de transcrição nuclear NFκB. Estão disponíveis vários derivados do ácido fíbrico (fibratos), incluindo bezafibrato, ciprofibrato, genfibrozila, fenofibrato e clofibrato (RANG; DALE, 2016). FARMACOCINÉTICA: Apresentam tempo de meia vida 1,5 horas, com absorção quase completa. Todos os fármacos sofrem efeitos de primeira passagem hepático, sendo eliminados na urina na sua forma inalterada (KATZUNG; GRAW, 2013; GOODMAN; GILMAN, 2012). EFEITOS ADVERSOS: os efeitos adversos raros dos fibratos consistem em exantemas, sin- tomas gastrintestinais, miopatia, arritmias, hipopotassemia e níveis sanguíneos elevados de aminotransferases ou fosfatase alcalina. Alguns pacientes apresentam redução da contagem de leucócitos ou do hematócrito (PENILDON, 2010). FÁRMACOS QUE IMPEDEM A ABSORÇÃO DO COLESTEROL - Esta classe são resinas que se ligam aos ácidos biliares no intestino delgado, formando um complexo resina-ácido biliar que não pode ser absorvido, sendo assim, eliminado nas fezes. Esta diminuição da absorção dos ácidos biliares resulta na regulação e aumento hepático da enzima 7α-hidroxilase, responsável pela síntese de ácidosbiliares. Deste modo, com aumento na síntese de ácidos biliares ocorre o aumento na expressão de receptores LDL e, consequentemente, diminuição desta lipoproteína circulante e redução nos níveis de colesterol. Os três sequestradores de ácidos biliares disponíveis são colestiramina, colesevelam e co- lestipol. Esses fármacos apresentam eficácia semelhante e produzem reduções de até 28% nos níveis de LDL em concentrações terapêuticas. UNICESUMAR 74 FARMACOCINÉTICA: Para maximizar a ligação desses agentes aos ácidos biliares, a admi- nistração do fármaco deve ter sua hora programada, de modo que esteja presente no intestino delgado depois de uma refeição (GOLAN et al., 2014). EFEITOS ADVERSOS: os inibidores da absorção do colesterol têm apresentado um perfil de segurança satisfatório, com poucos efeitos adversos ou nenhum. As queixas comuns consistem em constipação intestinal de distensão abdominal, que habitualmente são aliviadas com o aumento das fibras dietéticas. Deve-se evitar o uso de resinas em pacientes com diverticulite. Raramente, verifica-se a ocorrência de má-absorção de vitamina K, resultando em hipoprotrombinemia (KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014). ÁCIDO NICOTÍNICO (NIACINA) - A niacina ou ácido nicotínico, vitamina B3, apresenta uma diminuição das concentrações plasmáticas de LDL e Triglicerídeos, além de apresentar um aumento no HDL. Seu mecanismo está relacionado ao aumento de receptores acoplados à proteína G nos adi- pócitos, sendo que este estímulo pela niacina diminui a atividade da lipase sensível a hormônio dos adipócitos, resultando em menor catabolismo dos triglicerídios nos tecidos periféricos e, portanto, em fluxo diminuído de ácidos graxos livres para o fígado (GOODMAN; GILMAN, 2012). FARMACOCINÉTICA: o uso farmacológico da niacina exige grandes doses (1.500 a 3.000 mg/dia), é excretada na urina em sua forma inalterada, bem como na forma de vários metabólitos. Um deles, a N-metil nicotinamida, cria uma retirada dos grupos metilas, o que pode, algumas vezes, resultar em macrocitose eritrocitária, semelhante à deficiência de folato ou de vitamina B12 (KATZUNG; GRAW, 2013; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). EFEITOS ADVERSOS: além do rubor e do prurido, os efeitos adversos importantes da niacina consistem em hiperuricemia, comprometimento da sensibilidade à insulina, hepatotoxicidade e pos- sibilidade de miopatia induzida por estatinas. O comprometimento da sensibilidade à insulina pode levar ao desenvolvimento de diabetes em pacientes de alto risco, e a niacina deve ser utilizada com cautela nos pacientes diabéticos. Raramente, a niacina pode provocar miopatia, náuseas e desconforto abdominal (KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014). ÓLEO DE PEIXE - Os ácidos graxos ômega-3, o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosaexaenoico (DHA), também conhecidos como óleos de peixe, mostram-se efetivos na redução, em até 50%, dos níveis plasmáticos de triglicerídeos nos pacientes que apresentam hipertrigliceridemia. O provável mecanismo de redução dos triglicerídios envolve a regulação de fatores de transcrição nucleares, incluindo SREBP-1c e PPARα, produzindo uma redução na biossíntese de triglicerídeos e um aumento da oxidação de ácidos graxos no fígado. Em geral, os ácidos graxos ômega-3 são acrescentados ao tratamento quando as concentrações plasmáticas de triglicerídeos ultrapassam 500 mg/dℓ. A influência do uso de ácidos graxos ômega-3 sobre os desfechos clínicos não está bem definida (GOLAN et al., 2014; RANG; DALE, 2016). UNIDADE 3 75 Descrição da Imagem: Imagem com fundo todo amarelo/dourado, com três peixes. O primeiro e maior, escrito Óleo de Peixe; abaixo, no canto direito, um menor, escrito DHA; e na frente escrito EPA. Todos os peixes em amarelo mais claro que o fundo. Figura 9 - Representação do óleo de peixe e suas frações A Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular (2003) apresentou estudos clínicos que demonstram que a suplementação com óleo de peixe que possuíam 2 a 4 g de EPA/DHA ao dia pode diminuir os níveis de triglicérides (TG) em até 25% a 30%, aumentar discretamente os de HDL colesterol (1% a 3%) e elevar os de LDL-colesterol em até 5% a 10% 134-136. Também relatou que a capacidade de reduzir os níveis de TG depende da dose, com uma redução aproximada de 5% a 10% para cada 1 g de EPA/DHA consumido ao dia, e é maior nos indivíduos com níveis basais mais elevados de TG. TRATAMENTO DIETÉTICO DA HIPERLIPOPROTEINEMIA - O tratamento farmacológico deve vir acompanhado de uma boa dieta, uma vez que o consumo excessivo de sacarose e, em parti- cular, a frutose aumenta as VLDL. O álcool pode causar hipertrigliceridemia significativa ao aumentar a secreção hepática de VLDL. Durante a perda de peso, os níveis de LDL e VLDL podem diminuir muito, ficando abaixo daqueles que podem ser mantidos durante o equilíbrio calórico neutro. Portanto, a a conclusão de que a dieta é suficiente para o tratamento só é possível após a estabilização do peso UNICESUMAR 76 Descrição da Imagem: Imagem possui uma bandeja em forma de coração e dentro dela tem-se: um brócolis, uma maçã verde, uma maçã vermelha, uma pera vermelha, uma laranja e um punhado de tomatinhos cereja avermelhados. No meio da bandeja tem-se um estetoscópio que se expande para fora na coloração azul. Figura 10 - Representação de uma alimentação balanceada como fator protetor ao desenvolvimento de doenças Você sabia que os diagnósticos do diabetes e das dislipidemias são realizados através do exame de sangue? O teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada são recomendados para diagnóstico e monitoramento do diabetes. Enquanto o lipidograma completo avalia o colesterol total, triglicerídeos e as lipoproteínas de interesse: HDL, LDL e VLDL (BURTIS et al., 2016). Deste modo, uma simples avaliação sanguínea pode ser a chave de um diagnóstico precoce e sucesso no tratamento farmacológico das duas condições. corporal durante, pelo menos, um mês. As recomendações gerais consistem em limitar as calorias totais provenientes das gorduras de 20 a 25% do consumo diário, as gorduras saturadas a menos de 7%, e o colesterol a menos de 200 mg/dia. Com esse esquema, são obtidas reduções dos níveis séri- cos de colesterol na faixa de 10 a 20%. Recomenda-se o uso de carboidratos complexos e fibras, com predominio das gorduras cis-monoinsaturadas. A redução do peso corporal, a restrição calórica e a abstinência de álcool são particularmente importantes em pacientes com níveis elevados de VLDL e IDL. (KATZUNG; GRAW, 2013; GOLAN et al., 2014). UNIDADE 3 77 Querido(a) aluno(a), após nossa imersão nos medicamentos hipoglice- miantes e lipídicos, sendo apresentados os parâmetros interativos entre fármaco no organismo, eu convido você para ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo no desen- volvimento de compostos com potencial terapêutico. Após esse vasto conhecimento sobre as síndromes metabólicas, percebemos quão importante é a manutenção dos seus níveis no organismo para evitarmos o desenvolvimento das fisiopatologias cardíacas e glicêmicas. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10158 78 Finalizamos mais uma jornada neste vasto conhecimento da farmacologia, e esperamos que após a leitura deste capítulo, seu conhecimento dentro dos mecanismos farmacológicos no controle glicêmico e lipídico esteja atualizado e solidificado. Neste intuito, é imprescindível realizar uma integração dos conteúdos e estabelecer a relação destes medicamentos nos processos de saúde e doença. Para isso, que tal formarmos um mapa mental sobre os assuntos com objetivo de inte- grá-los? Utilizando palavras-chave: Síndromes Metabólicas, Diabetes, Insulina, Alimentação, Dislipi- demias, FIbratos, sendo assim, uma sugestão de ferramenta gratuita é o https://www.goconqr.com/. Vamos lá? Diabetes Fibratos Alimentação https://www.goconqr.com/ 79 1. Atualmente, as síndromesmetabólicas são conhecidas como um dos principais problemas de saúde pública, e entre as doenças destaca-se o Diabetes Mellitus, um distúrbio relacionado ao metabolismo dos carboidratos. Sobre o Diabetes Mellitus, assinale a alternativa que descreve corretamente a causa do Diabetes tipo 1: a) Aumento na Síntese e Liberação de Insulina. b) Diminuição do Antígeno Leucocitário Humano (HLA). c) Aumento do Antígeno Leucocitário Humano (HLA). d) Inibição do GLU2. e) Destruição Células Hepatocitárias. 2. A Farmacologia é complexa e atua de inúmeras formas na tentativa do controle glicêmico, com objetivo de minimizar ou retardar os impactos do excesso de glicose no organismo a longo prazo. Considerando o contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. As biguanidas são fármacos classificados como secretagogos de insulina, pois promovem a liberação de insulina das células β do pâncreas. PORQUE As biguanidas atuam no GLUT4 pancreático, aumentando a sinalização da síntese e liberação do hormônio proteico insulina, conhecido, como hormônio regulatório da glicemia sérica. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 3. Analise o texto: As dislipidemias são distúrbios lipídicos importantes e quando não tratados são os principais fatores de riscos no desenvolvimento de doenças coronarianas, principalmente a Aterosclerose. Deste modo, assinale a alternativa em que descreve o fármaco que atua inibindo a enzima HMG-CoA e, consequentemente, reduzindo a concentração de colesterol circulante: a) Sinvastatina. b) Óleo de Peixe. c) Ciprofibrato. d) Metformina. e) Ácido Nicotínico. 80 4. Paciente K, L em resultados do lipidograma apresentou como resultado: Excesso da fração VLDL e triglicerídeos. Portanto, analise as alternativas e assinale a que descreve o fármaco mais indicado na regulação desta lipoproteína: a) Sinvastatina. b) Óleo de Peixe. c) Ciprofibrato. d) Metformina. e) Ácido Nicotínico. 4 Neste capítulo, iremos analisar o tema FARMACOLOGIA HORMONAL, este tema, há alguns anos, era pouco discutido no âmbito farmaco- lógico, entretanto, após a percepção que nosso organismo é con- trolado por um sistema complexo de sinalizadores que caminham pelo organismo e possui funções específicas metabólicas, hídricas, sexuais etc., os estudos avançaram de modo que, atualmente, a manipulação hormonal se tornou uma das áreas mais interessantes da pesquisa. Deste modo, convidamos você a mergulhar neste vasto conteúdo de informações para que fique atualizado às tendências farmacológicas nesta área. Vamos começar? Farmacologia Hormonal Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 82 Após a explanação do capítulo passado, talvez você esteja se perguntando, além da insulina existe algum outro hormônio controlador? Controla apenas o Metabolismo? Quais outros locais os hormônios atuam? Onde são produzidos? Podemos aumentar ou diminuir sua concentração? A sua administração exógena é recomendada? A farmacologia endócrina é uma área onde as perguntas são vastas e o conhecimento também, deste modo, vamos juntos analisar todos os pontos fundamentais para sua imersão completa. Nosso organismo funciona, em grande parte, pelo controle coordenado entre o sistema nervoso central e sistema endócrino, por este motivo, não estranhe em encontrar, com muita frequência, o termo neuroendócrino. Isso é uma clara referência da importância dos hormônios no controle do organismo, e o metabolismo está intimamente ligado ao controle hormonal. Essa relação hormônio x metabolismo fica clara quando encontramos as disfunções hormonais e o indivíduo apresenta algum tipo de transtorno metabólico, um dos exemplos foi abordado no capítulo anterior com a relação insu- lina x glicose x diabetes, entretanto, podemos também relacionar os distúrbios da tireoide, hipofisários, gonadais etc. Deste modo, o objetivo deste capítulo é fazer com que você entenda a íntima relação dos hormônios no controle metabólico do organismo e como seus distúrbios podem afetar o indivíduo. Você conhece alguma pessoa que apresenta problemas hormonais? Se sim, questione ela qual o seu distúrbio e se ele impactou diretamente no seu metabolismo como ganho ou perda de peso. Se não, pro- cure as principais desordens nutricionais atualmente e tente fazer uma relação com o controle metabólico. Ao pararmos e analisarmos o contexto atual dos hormônios, notamos uma grande evolução na busca pelo seu entendimento. Isso faz todo sentido não? Se pensarmos que os hormônios são nossos ‘centros controladores’ fora do sistema nervoso central, ou seja, aumento minha energia celular, aumento a força de contração, aumento ou diminuo a eliminação de água, minerais e sais. Os hormônios regulam a vontade de comer ou de parar de comer, pensando nisso, as pesquisas relacionando os hormônios avançaram muito, nota-se isso quando analisamos a administração de hormônios exógenos no controle metabólico, como: hormônios tireoidianos, insulina, hormônio do crescimento etc. UNIDADE 4 83 Os hormônios podem ser divididos em: Parácrinos são secretados por células no líquido extracelular e afetam células-alvo vizinhas de tipo diferente. Autócrinos são secretados por células no líquido extracelular e afetam a função das mesmas células que os produziram, ligando-se a receptores na superfície celular. Hormônios endócrinos: liberados por células especializadas na circulação, possuindo re- ceptores em células alvo distante. Hormônios neuroendócrinos: secretados por neurônios na circulação e influenciam a função de células-alvo, em outro local do corpo (GUYTON; HALL, 2017) . Após essa reflexão, a pergunta que talvez você tenha é: se os hormônios são tão fundamentais por que controlá-los? Como mantê-los em uma concentração adequada? Essa pergunta é muito complexa e envolve sistemas distintos que são impactados desde a alimentação até os hábitos de vida, como con- sumo de álcool, prática de atividade física, sono etc. Enfim, vamos juntos, agora, nos aprofundar neste universo complexo e intrigante dos hormônios e sua relação com metabolismo. INTRODUÇÃO A ENDOCRINOLOGIA - Hormônios são substâncias liberadas por células especializadas, considerados mensageiros químicos do organismo, fundamentais em diversos proces- sos, como Metabólico, Controle térmico, Hídrico, Reprodutivo, crescimento e desenvolvimento. Para atingir esta ação, os hormônios agem nas suas células-alvo de três maneiras básicas: (1) controlando a taxa de reações enzimáticas, (2) controlando o transporte de íons ou moléculas através de membranas celulares e (3) controlando a expressão gênica e a síntese proteica (SILVERTHORN, 2017). Os hormônios podem ser classificados de acordo com diferentes esquemas. O esquema utili- zado os agrupa de acordo com a sua origem. Um esquema diferente divide os hormônios entre aqueles cuja liberação é controlada pelo encéfalo e aqueles cuja liberação não é controlada por ele. Outro esquema agrupa hormônios de acordo com a sua capacidade de se ligar a receptores acoplados a proteínas G, receptores ligados a tirosinas-quinase ou a receptores intracelulares, e assim por diante (SILVERTHORN, 2017). UNICESUMAR 84 ESTRUTURA QUÍMICA → Os hormônios são classificados de acordo com sua estrutura química em: Proteicos (Insulina, Glucagon e Paratireoide); Esteróides (Cortisol, Aldosterona, Estrogenio e Progesterona) e Derivados de Aminoácios (Tiroxina e triiodotironina) e medula adrenal (epinefrina e norepinefrina) (GUYTON; HALL, 2017). É importante ressaltar que os peptídios e as proteínas intactas não são absorvidas pelo lúmenintestinal; na verdade, são digeridas por proteases locais, com liberação de seus aminoácidos constituintes. Por esse motivo, a administração terapêutica de um hormônio ou antagonista hormonal peptídico deve ser realizada por via não oral (SILVERTHORN, 2017). Sinalização Hormonal Vaso Sanguineo Tipos de Sinalização Hormonal AutócrinoEndócrino Paracrino Ligante Descrição da Imagem:: a imagem é dividida em três desenhos que representam os tipos de sinalização hormonal. Inicialmente, na parte superior da imagem, tem-se a sinalização ENDÓCRINA - representada por uma célula arredondada na cor verde clara, com núcleo em rosa. Esta célula libera hormônios representados por círculos azuis, tem-se mais de dez hormônios sendo liberados desta célula verde em direção a um vaso sanguíneo, representado por um cone rosa. Estes hormônios caem na circulação sanguínea e fazem a ação em uma célula azulada com núcleo representado por um círculo interno roxo, representando uma ação distante da célula que libera os hormônios. Ao lado deste desenho, tem-se a sinalização AUTÓCRINA - representada por uma célula arredondada na cor verde clara, com núcleo em rosa, esta célula libera hormônios representados por círculos azuis, tem-se mais de dez hormônios sendo liberados desta célula verde, em direção a própria célula que libera os hormônios. Representando uma ação na mesma célula que libera os hor- mônios. Na parte inferior da imagem, tem-se a sinalização PARÁCRINA - representada por uma célula arredondada na cor verde clara, com núcleo em rosa, esta célula libera hormônios representados por círculos azuis, tem-se mais de dez hormônios sendo liberados desta célula verde, em direção a próxima célula que libera os hormônios. Figura 1 - Representação dos tipos de classificação hormonal de acordo com sua sinalização UNIDADE 4 85 As localizações para os diferentes tipos de receptores de hormônios, em geral, são as seguintes: Na membrana celular ou em sua superfície. Os receptores de membrana são específicos, principalmente para os hormônios proteicos, peptídicos e catecolamínicos. No citoplasma celular. Os receptores primários para os diferentes hormônios esteroides são encontrados principalmente no citoplasma. No núcleo da célula. Os receptores para os hormônios da tireoide são encontrados no núcleo e acredita-se que sua localização está em associação direta com um ou mais dos cromossomos. (GUYTON ; HALL, 2017 CONTROLE - Feedback negativo: princípio baseado na autorregulação da secreção hormonal, sendo autolimitante. Exemplo: a insulina é secretada pelas células beta do pâncreas em resposta a um aumento do nível de glicemia. Por sua vez, a insulina provoca aumento da captação de glicose pelas células, resul- tando em diminuição da glicemia. A diminuição da glicemia reduz, então, a secreção adicional de insulina. Feedback positivo: raro tendo um hormônio com ações biológicas que, direta ou indiretamente, aumentam sua secreção. Exemplo, o pico de hormônio luteinizante (LH) que ocorre exatamente antes da ovulação resulta do feedback positivo do estrogênio sobre a adeno-hipófise. Em seguida, o LH atua sobre os ovários e provoca mais secreção de estrogênio “Depuração” de Hormônios do Sangue: expressa em termos do número de mililitros de plas- ma depurado do hormônio por minuto, sendo realizada a metabolização hepática e excreção renal; (SILVERTHORN, 2017; CONSTANZO, 2018). MECANISMOS DE AÇÃO DOS HORMÔNIOS RECEPTORES HOR- MONAIS E SUA ATIVAÇÃO Para que ocorra a ação hormonal, é necessário que este se ligue aos seus receptores específicos em células-alvo, desencadeando uma cascata de reações na célula, com cada etapa ficando mais potencialmente ativada, de modo que até pequenas concentrações do hormônio podem ter grande efeito (GUYTON; HALL, 2017). Você sabia que a terminologia “hormônio” foi abordada, pela primeira vez, no âmbito acadêmico em 1905, pelo fisiologista britânico Ernest Staling, em uma palestra onde relatou essa substância como mensageiro químico que organizava e mediava as reações químicas do organismo. Essa abordagem foi possível uma vez que Ernest havia isolado o primeiro hormônio conhecido na época: a secretina, hormônio relacionado ao processo digestivo do organismo. UNICESUMAR 86 FARMACOLOGIA HORMONAL - Agora que temos uma base sólida e introdutória dos hor- mônios, vamos iniciar a discussão de como ocorre suas alterações e, consequentemente, condições que necessitam de tratamento farmacológico. Para isso, vamos dividir os hormônios de acordo com seus eixos de liberação e ação. EIXO HIPOTÁLAMO x HIPÓFISE - A interação entre hipotálamo e hipófise constitui a integra- ção mais importante entre o sistema nervoso e endócrino, uma vez que o hipotálamo constitui o local de transdução neuroendócrina, ou seja, recebe e integra os sinais provenientes do cérebro desencadeando Hormônios e seus alvos celulares ALVOS CELULARES PARA os Hormônios A ALVOS CELULARES PARA os Hormônios B ALVOS CELULARES PARA os Hormônios A e B Descrição da Imagem: Imagem dividida em três células, uma ao lado da outra, no sentido horizontal. A primeira célula (Alvo A) está representada pela coloração amarelada, é circular com núcleo mais escuro que o resto da célula, e apresenta oito pequenos ligantes em forma de “Y” para fora, representando os receptores extracelulares. Destes, apenas um está ligado ao hormônio, representado nesta célula por um losango amarelo. A segunda célula (Alvo B) está representada pela coloração vermelha, é circular com núcleo mais escuro que o resto da célula, e apresenta oito pequenos ligantes em forma de “Y” para fora, representando os receptores extracelulares. Destes apenas um está ligado ao hormônio, representado nesta célula por um círculo vermelho. A terceira e última célula (Alvo C) está representada pela coloração azul, é circular com núcleo mais escuro em alaranjado e apresenta oito pequenos ligantes em forma de “Y” para fora, representando os receptores extracelulares. Destes, dois estão ligados pelo hormônio, representado nesta célula por um losango amarelo e outro por um círculo vermelho. Figura 2 - Representação da ação extracelular dos hormônios, ligando-se aos seus receptores de membrana A terapia de reposição hormonal é comumente utilizada em múltiplos casos, ela serve para repor a concentração hormonal que, por algum motivo, apresentou um declínio em decorrência da idade, doença, tumores. Entretanto essa terapia deve ser acompanhada e realizada apenas por profissionais habilitados, uma vez que, após a imersão deste capítulo, você deve ter notado que a concentração dos hormônios é muito bem estabelecida e controlada, de forma que seu aumento ou diminuição apresenta respostas de controle por meio do feedback positivo e negativo. Deste modo, qualquer alteração na sua concentração deve ser muito bem determinada para que isso não impacte no organismo interferindo de maneira deletéria no funcionamento do corpo e, consequentemente, na qualidade de vida do indivíduo. UNIDADE 4 87 uma resposta por meio de sinais químicos que regulam a secreção dos hormônios hipofisários. Por sua vez, os hormônios hipofisários alteram as atividades dos órgãos endócrinos periféricos (GOLAN et al., 2014). Deste modo, hipotálamo e a hipófise funcionam de modo cooperativo como reguladores dominantes do sistema endócrino. Em seu conjunto, os hormônios secretados pelo hipotálamo e pela hipófise con- trolam importantes funções homeostáticas e metabólicas, incluindo reprodução, crescimento, lactação, fisiologia da glândula tireoide e das glândulas suprarrenais e homeostasia da água (GOLAN et al., 2014). Os hormônios da adeno-hipófise que serão abordados neste capítulo serão os seguintes: os hormô- nios somatotróficos – hormônio do crescimento (GH) e A adrenocorticotrofina (ACTH). Hormônio do crescimento (GH) - O hormônio é fundamental no crescimento e desenvolvimento do corpo desde a infância até a fase adulta, sendo liberado de formapulsátil com secreção aumentada durante sono, hipoglicemia e exercícios físicos. A secreção é diminuída por somatostatina, obesidade, hiperglicemia e gravidez (CONSTANZO, 2018; GUYTON; HALL, 2017). Controle hipotalâmico - O hormônio liberador de hormônio do crescimento (GHRH) es- timula a síntese e a secreção do hormônio do crescimento, este é liberado pelo núcleo arqueado do hipotálamo. Já o núcleo paraventricular hipotalâmico libera o hormônio antagonista a sua liberação conhecido como somatostatina, este inibe a secreção de hormônio do crescimento ao bloquear a resposta da adeno-hipófise ao GHRH (CONSTANZO, 2018). Os efeitos anabólicos do GH de aumento glicêmico sérico, síntese proteica, mobilização lipídica e aumento da massa óssea são mediados tanto pela sua ação direta nos receptores da superfamília das citocinas quanto pelo fator de crescimento semelhantes à insulina 1 (IGF-1), um hormônio liberado na circulação pelos hepatócitos em resposta à estimulação pelo GH. Diferentemente do GH, que apre- senta curta meia vida circulante e padrão pulsátil de secreção, o IGF-1 está ligado à proteína e perma- nece estável na circulação por períodos mais prolongados em concentrações em estado de equilíbrio dinâmico (GOLAN et al., 2014; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010; PENILDON, 2010). HORMÔNIO DO CRESCIMENTO Tecido Adiposo Fígado Efeitos Indiretos Efeitos Diretos Descrição da Imagem: Imagem representa os efeitos diretos e indiretos do hormônio do crescimento, repre- sentado por um círculo grande ao centro da imagem na coloração roxa, esta imagem possui duas setas roxas que se dividem em dois lados. Ao lado esquerdo da imagem, tem-se os efeitos diretos do hormônio do crescimento, sendo representado no tecido adiposo, representado por cinco círculos amarelos com pequenos núcleos marrons, o efeito demonstrado é de que, após a ação do hormônio, ocorre a multiplicação do tecido adiposo, uma vez que, após este efeito, tem-se uma flecha com os dizeres “efei- tos diretos” e abaixo, o número de círculo amarelados que representam o tecido adiposo, passa de cinco para seis, demonstrando o aumento na síntese deste local. Ao lado direito, tem-se uma representação de que o hormô- nio do crescimento passa pelo fígado, representado por uma imagem do órgão marrom, que, após a ação dos hormônios do crescimento, libera um fator IGF-1, este tem ação no osso, representado por uma imagem branca do tecido. Este tecido, após a ação do IGF-1, aumenta de tamanho, sendo indicativo de que este hormônio tem ação no aumento da síntese do tecido ósseo. Figura 3 - Representação dos efeitos do hormônio do crescimento sobre os diferentes tecidos do organismo UNICESUMAR 88 Deficiência de hormônio do crescimento - Tanto a incapacidade de secretar hormônio do cres- cimento ou aumentar a secreção de IGF-1 durante a puberdade resulta em retardo do crescimento, essas situações podem ser observadas em decorrência de uma disfunção hipotalâmica, resultando na deficiência na liberação do GHRH ou insuficiência hipofisária (GOLAN et al., 2014). A maioria dos casos de retardo do crescimento dependente de hormônio do crescimento é tratada pela reposição de hormônio do crescimento humano recombinante, designado pelo nome genérico de somatropina. Os esquemas típicos de dosagem envolvem injeção diária subcutânea ou intramuscular (GOLAN et al., 2014). REALIDADE AUMENTADA UNIDADE 4 89 Excesso de hormônio do crescimento - Normalmente altas concentrações do hormônio do cres- cimento são observadas no adenoma somatotrófico. Esse aumento na concentração do GH antes do fechamento das epífises resulta no gigantismo. Após o fechamento das epífises, os níveis anormalmente altos de GH provocam acromegalia. Essa condição ocorre porque o IGF-1, embora não possa mais estimular o crescimento dos ossos longos, ainda pode promover o crescimento de órgãos profundos e tecido cartilaginoso (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010; GUYTON; HALL, 2017). As opções clínicas incluem agonistas dos receptores de somatostatina, análogos de dopamina e antagonistas de receptores de GH (GOODMAN; GILMAN, 2012). Os agonistas dos receptores de somatostatina constituem a base do tratamento clínico, uma vez que a somatostatina inibe a secreção do GH. Este medicamento apresenta um tempo de meia vida de minutos. Assim, Octreotida e lanreotida são análogos peptídicos sintéticos da somatostatina, de ação mais longa. Os receptores de somatostatina exibem ampla distribuição, deste modo, sua administração sistêmica pode resultar em diversos efeitos adversos, como náuseas, diarreia, cálculos biliares e tontura (GOLAN et al., 2014; FUCHS; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Análogos da dopamina é um fator hipotalâmico que estimula a liberação de GH pelos somatotrofos em condições fisiológicas; porém, os pacientes com acromegalia podem exibir diminuição paradoxal da secreção de hormônio do crescimento em resposta à dopamina. Baseado neste efeito, os análogos da dopamina, bromocriptina e cabergolina, são, algumas vezes, utilizados como agentes adjuvantes no tratamento de acromegalia (GOLAN et al., 2014). Hormônio da Tireoide - Síntese - O hormônio hipotalâmico TRH é secretado e tem como tecido alvo a adeno-hipófise, onde estimula a secreção de “hormônio estimulador da tireoide” (TSH). O TSH aumenta tanto a síntese quanto a secreção dos hormônios da tireoide por meio de 3 etapas: Etapa 1 - Bomba de iodeto encontrada nas células epiteliais foliculares da tireoide tem como função transportar, de forma ativa, Iodeto para dentro da célula. Etapa 2 - Oxidação do Iodeto, etapa catalisada pela enzima peroxidase presente na membrana da tireoide. Etapa 3 - Combinação do Iodo com a tirosina na tireoglobulina síntese dos hormônios; (CONSTANZO, 2018; GUYTON; HALL, 2017). UNICESUMAR 90 Hipotálamo Glândula Pituitária Glândula Tireoide CalcitoninaCalcitonina TRH (Hormônio Liberador de Tireotropina) TSH (Hormônio Tireoestimulante) ( )3T Hormônio Triiodotironina ( )4T Hormônio Tiroxina HORMÔNIOS TIREOIDE Descrição da Imagem: Imagem apresenta o eixo de liberação dos hormônios da tireoide. Seguindo a sequência fisiológica, tem-se o início da cascata de reação no hipotálamo, este está representado em marrom, liberando o hormônio TRH, ao qual tem uma flecha se deslocando para glândula pituitária, localizada abaixo do hipotálamo, sendo representada anatomicamente na coloração rósea. Esta glândula libera o hormônio TSH, este hormônio dirige-se em direção a glândula tireoide, representada anatomicamente na coloração vermelha. Após a ação do TSH na tireoide, ocorre a síntese e liberação de três hormônios, sendo representados por círculos. O círculo verde representa o hormônio T3, o círculo roxo representa o hormônio T4 e o círculo cinza representa o hormônio Calcitonina. Por fim, tem-se uma seta ver- melha saindo da tireoide com os dizeres: Feedback de inibição negativa em direção tanto para glândula pituitária quanto para hipotálamo. Figura 4 - Representação do eixo de síntese e liberação dos hormônios tireoidianos A forma T3 é considerada biologicamente ativa, assim, nos tecidos periféricos, a T4 é convertida em T3 pela enzima 5’-deiodinase (ou em rT3), estes apresentam ação distinta e influenciam: Crescimento: atuam de modo sinérgico com o hormônio do crescimento para promover a formação dos ossos, maturação dos ossos em consequência da ossificação e fusão das placas de crescimento. Na deficiência de hormônio tireoidiano, a idade óssea é inferior à idade cronológica. Sistema nervoso central (SNC): a presença dos hormônios tireoidianos é fundamental na ma- turação do SNC, uma vez que sua deficiência provoca retardo mental irreversível. Efeitos metabólicos: aumenta consumo de oxigênio, deste modo, aumenta a taxa metabó- lica basal e, de modo geral, este aumento no metabolismo resulta no maior consumo de glicose, UNIDADE 4 91 impulsionando a glicogenólise, e gliconeogênese e a oxidação da glicose parasíntese de energia (CONSTANZO, 2018; GUYTON; HALL, 2017). DISFUNÇÕES TIREOIDIANAS - As alterações da tireoide se encontram entre os distúrbios mais comuns da meia idade ou idade avançada, que podem ou não estar associados ao sistema imu- nológico a uma resposta autoimune. Independentemente da causa, em geral, a disfunção tireoidiana está associada ao aumento da glândula, conhecido como bócio (RANG; DALE, 2016). A fisiopatologia das doenças da tireoide pode ser compreendida como um distúrbio do eixo fisiológico hipotálamo-hipófise-tireoide, sendo usualmente classificada em Hipertireoidismo ou Hipotireoidismo. DESORDENS DA TIREOIDE Descrição da Imagem: a imagem representa a glândula tireoide, em um formato anatômico específico na coloração vermelha, esta glân- dula está representada com lágrimas azuis nos dois olhos, que se apresentam com expressão triste voltados para baixo e sobrancelhas franzidas, expressando sentimento de dor, bem como a boca. Acima dos olhos, tem-se um curativo no formato de “X” na coloração amarela. Fora da glândula, tem-se seis cápsulas, metade azul e metade vermelha, círculos vermelhos e cruzes azuis e verdes, em um fundo branco Figura 5 - Ilustração representando os problemas da tireoide • Hipertireoidismo - Nesta condição ocorre aumento da liberação e, consequentemente, ação dos hormônios, resultando no aumento da taxa metabólica, temperatura da pele, sudorese e sensibilidade ao calor. Sintomas como nervosismo, tremor, taquicardia e aumento do apetite vêm associados à perda de peso. Os tipos de hipertireoidismo mais frequentes são: Doença de Graves e Bócio tóxico nodular. • Doença de Graves: Condição autoimune órgão-específica causada por autoanticorpos ao re- ceptor de TSH, que o ativa, aumentando a secreção de tiroxina. Imagina-se que ele seja causado pela presença de proteínas semelhantes ao receptor de TSH nos tecidos da órbita. UNICESUMAR 92 • O bócio tóxico nodular é causado por neoplasia benigna ou adenoma, e pode desenvolver-se em pacientes com bócio simples de longa duração. Essa condição pode ser resultado do uso tanto do fármaco antiarrítmico amiodarona, que é rico em iodo, quanto de radiocontraste, que também contém iodo. • Bócio simples, não tóxico: o consumo prolongado de dieta deficiente em iodo leva ao aumento do TRH plasmático e, por fim, ao aumento no tamanho da glândula. Em geral, a tireoide aumen- tada produz quantidades normais de hormônio tireoidiano (RANG; DALE, 2016; GUYTON; HALL, 2017; GOLAN et al., 2014). • TRATAMENTO - O hipertireoidismo pode ser tratado farmacológico ou cirurgicamente. • A cirurgia atualmente é usada apenas quando há problemas mecânicos decorrentes da com- pressão da traqueia pela tireoide. Nessas circunstâncias, é comum a remoção de apenas parte do órgão (RANG; DALE, 2016). • Agentes farmacológicos têm como alvo cada etapa da síntese do hormônio tireoidiano, desde a captação inicial de iodeto até a organificação, o acoplamento e a conversão periférica de T4 em T3. Clinicamente, dispõe-se de: • Inibidores da captação de iodeto - Como o iodeto necessita ser transportado para dentro da tireoide por um transporte simporte que utiliza sódio, os medicamentos desta classe possuem uma similaridade ao iodeto, assim, ocorre uma competição por este transporte, inibindo sua captação e, consequentemente, diminuindo a síntese dos hormônios tireoidianos. Entretanto, o uso deste fármaco é incomum, por causa do potencial de causar anemia aplásica, doença que acontece devido à falência da medula óssea (GOLAN et al., 2014, GUYTON; HALL, 2017). Inibidores de organificação e liberação do hormônio da tireoide • Iodetos - Na prática clínica, são utilizados dois tipos distintos de iodeto, esta classe interfere na captação do iodeto pela tireoide sendo elas: • Isótopo radioativo do iodeto: este agente possui uma similaridade ao iodeto e, consequente- mente, é captado para dentro da tireoide pelo canal de sódio/iodeto. O iodeto radioativo intra- celular concentrado continua emitindo partículas beta, provocando destruição local e seletiva da glândula tireoide. Isso o torna uma forma de terapia específica e efetiva para o hipertireoidismo. Existe a preocupação de que o paciente possa, eventualmente, desenvolver hipotireoidismo após tratamento com iodeto radioativo, entretanto, baseado em estudos, é pouco provável que o iodeto radioativo em doses terapêuticas tenha qualquer efeito sobre a incidência de câncer da tireoide (KATZUNG; GRAW, 2013). • Iodeto inorgânico estável: altas concentrações do iodeto, inibe a síntese e liberação de hor- mônio tireoidiano, fenômeno conhecido como efeito de Wolff–Chaikoff ou efeito de retroali- mentação negativa. Vale lembrar que este efeito é reversível e transitório; deste modo, o iodeto inorgânico não constitui útil terapia a longo prazo para hipertireoidismo (GOLAN et al., 2014; KATZUNG; GRAW, 2013). UNIDADE 4 93 • Tioaminas - essa classe de medicamentos compete com a tireoglobulina pelo iodeto oxidado, processo mediado pela enzima tireoperoxidase, deste modo, diminui a síntese dos hormônios tireoidianos. É importante ressaltar que as tioaminas são bociógenos, ou seja, frequentemente resultam na formação de bócio, este efeito ocorre uma vez que a inibição do fármaco acarreta no aumento da liberação do TSH pela adeno-hipófise, na tentativa de restabelecer a homeostasia, contudo, mesmo com os níveis plasmáticos aumentados de TSH, não conseguem elevar os ní- veis de hormônio tireoidiano, devido à ação de tioamina. Em resposta à estimulação pelo TSH elevado, a glândula tireoide sofre hipertrofia na tentativa de aumentar a síntese de hormônio tireoidiano. Isso provoca eventual formação de bócio (MOLINA, 2014). • Farmacocinética: Classe com meia-vida curta, o que exige sua administração 3 vezes/dia, são geralmente bem tolerados. O efeito adverso mais frequente desses fármacos consiste em exan- tema pruriginoso no início do tratamento, o qual pode sofrer remissão espontânea; artralgias também são motivo comum para a interrupção desses fármacos e podem interferir na síntese de protrombina dependente de vitamina K, ocasionando hipoprotrombinemia e aumento da tendência a sangramento. Agranulocitose, hepatotoxicidade e vasculite constituem três com- plicações raras, porém graves (GOODMAN; GILMAN, 2012). • Inibidores do metabolismo periférico do hormônio da tireoide - Embora a maior parte do hormônio tireoidiano seja sintetizada na glândula tireoide como T4, o hormônio tireoidiano atua em sítios periféricos principalmente como T3. A conversão de T4 em T3 depende de uma 5’-desiodase periférica, e inibidores dessa enzima são adjuvantes efetivos no tratamento dos sintomas de hipertireoidismo (GOLAN et al., 2014). • Ipodato - O ipodato é um contraste radiológico utilizado antigamente para visualização de ductos biliares em procedimentos de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE). Além de sua utilidade como contraste radiológico, o ipodato inibe significativamente a conversão de T4 em T3 por meio da inibição da enzima 5′-desiodase. Embora no passado tenha sido, algumas vezes, empregado no tratamento de hipertireoidismo, não é mais comercialmente disponível. Outros fármacos que afetam a homeostasia do hormônio da tireoide Lítio: Fármaco utilizado no tratamento de transtorno afetivo bipolar pode causar hipotireoidismo, uma vez que, altos níveis deste composto inibe a síntese e liberação de hormônio tireoidiano das células foliculares da tireoide. Amiodarona: agente antiarrítmico que se assemelha a hormônio tireoidiano, portanto, contém grande concentração de iodo, uma vez que metabolismo da amiodarona libera esse iodo na forma de iodeto, resultando em aumento das concentrações plasmáticas de iodeto. O iodeto plasmático aumentado se concentra na glândula tireoide, podendo ocasionar desenvolvimento de hipotireoidismo pelo efeito de Wolff–Chaikoff. Corticosteroides: Inibem a enzima 5′-desiodase, que converte T4 em T3, metabolica-mente mais ativa. Como T4 exibe menos atividade fisiológica do que T3, o tratamento com corticosteroides reduz a atividade efetiva do hormônio tireoidiano (GOLAN et al., 2014; KATZUNG; GRAW, 2013). UNICESUMAR 94 Hipotireoidismo - A atividade reduzida da tireoide resulta em hipotireoidismo, essa condição tam- bém tem origem imunológica, na qual ocorre reação imune contra a tireoglobulina ou algum outro componente do tecido da tireoide conhecida como tireoidite de Hashimoto. As manifestações incluem taxa metabólica baixa, fala arrastada, voz rouca e profunda, letargia, bradicardia, sensibilidade ao frio e comprometimento mental (RANG; DALE et al., 2016). TRATAMENTO - Não existem fármacos que aumentem, especificamente, a síntese ou liberação dos hormônios tireoidianos, deste modo, a melhor alternativa é administração do próprio hormônio como reposição através do T4 (nome oficial: levotiroxina) e T3 (nome oficial: liotironina) sintéticos, idênticos aos hormônios naturais, e são administrados por via oral. A levotiroxina, como sal de sódio em doses de 50-100 μg/dia, é o fármaco de primeira linha nor- malmente escolhido. Ter um grande reservatório de “profármaco” tireoidiano (T4) no plasma pode ser importante, talvez como tampão efetivo para normalizar taxas metabólicas em ampla variedade de condições. Em segundo lugar, a meia-vida de T4 é de 6 dias, em comparação com a meia-vida de 1 dia de T3. A meia-vida prolongada de T4 possibilita ao paciente tomar apenas uma pílula ao dia para reposição de hormônio tireoidiano. A eficácia da reposição de hormônio tireoidiano é monitorada por dosagens dos níveis plasmáticos de TSH e hormônio tireoidiano. TSH é um acurado marcador da atividade do hormônio tireoidiano, visto que a liberação de TSH pela adeno-hipófise é extremamente sensível ao controle de retroalimentação pelo hormônio tireoidiano no sangue (GOLAN et al., 2014). Em casos de superdosagem, podem ocorrer efeitos adversos, que incluem, além dos sinais e sintomas de hipertireoidismo, o risco de ocorrência de angina pectoris, arritmias cardíacas ou até insuficiência cardíaca (RANG; DALE, 2016). O dia 25 de Maio é comemorado o “Dia Mundial da Tireoide”, sendo dedicado aos pacientes com tireoide e a todos os que estão comprometidos com o estudo e o tratamento de doenças da tireoide em todo o mundo. Este dia é dedicado e estimulado pelas sociedades responsáveis pelo estudo das disfunções tireoidianas a fornecer informações e atualizações sobre o tratamento da tireoide ao redor do mundo, seja ele farmacológico ou nutricional. Essas informações podem ser distribuí- das por meio da mídia, eventos organizados e reuniões com a população. O objetivo é aumentar a conscientização, por meio do acesso otimizado à educação, sobre a importância do funcionamento ideal da glândula tireoide na infância, durante a gravidez e ao longo da vida adulta. UNIDADE 4 95 A hipófise e o córtex suprarrenal Considerações gerais A hipófise e o córtex da glândula suprarrenal liberam hormônios que regulam o equilíbrio de sal e água, o dispêndio de energia, o crescimento, o comportamento sexual, a função imunológica e muitos outros mecanismos vitais. O comandante-chefe desse impressionante exercício logístico é o hipotálamo, e a unidade funcional é conhecida como eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (na sigla em inglês, HPA) (GOODMAN; GILMAN, 2012; MOLINA, 2014). Hipotálamo à Fator de liberação da corticotrofina O fator liberador de corticotrofina (CRF), tem como função estimular a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Preparações sintéticas são usadas para testar a capacidade da hipófise em secretar ACTH e para avaliar se a deficiência de ACTH é causada por defeito na hipófise ou no hipotálamo. Também são usadas para avaliar a função hipotalâmico-hipofisária após o tratamento da síndrome de Cushing (RANG; DALE, 2016). DIA MUNDIAL DA �������� Descrição da Imagem: Imagem representa uma glândula tireoide, no seu formato anatômico, esta imagem está pintada com uma mistura de cores, azuis, roxo, verde e branco que se misturam ao decorrer da tireoide, e abaixo os dizeres “DIA MUNDIAL DA TIREOIDE”, em uma referência a comemoração mundial da prevenção e cuidado aos distúrbios da tireoide. Figura 6 - Representação do Símbolo em comemoração ao Dia Mundial da Tireoide UNICESUMAR 96 O córtex da suprarrenal - A glândula suprarrenal é composta de duas partes: a medula interna, que secreta catecolaminas, e o córtex externo, que secreta os esteroides da suprarrenal. Os principais esteroides da suprarrenal são aqueles com atividade de glicocorticoides. Os glicocorticoides têm ações difusas no metabolismo intermediário, afetando o metabolismo de carboidratos e de proteínas, além de possuírem potente efeito regulatório sobre os mecanismos de defesa do organismo (RANG; DALE et al., 2016). Glicocorticoides - Síntese e liberação - O precursor dos glicocorticoides é o colesterol e são sintetizados pela influência do ACTH liberado pela adeno hipófise, este, é liberado em forma pulsátil com interferência circadiana, ou seja, sofrem interferência da hora do dia que aumentam ou diminuem sua concentração. Este ritmo circadiano bem definido em sua secreção nos humanos sadios, cuja concentração sanguínea é maior durante a manhã e sofre redução gradual ao longo do dia, atingindo o ponto mais baixo à noite (RANG; DALE, 2016). Cortisol ACORDADO DORMINDO Meltatonina Descrição da Imagem: Imagem representa a liberação do hormônio cortisol durante o dia. A figura é dividida em colunas. Inicial- mente, a figura está na coluna azul e tem-se os dizeres “acordado” onde a concentração de cortisol está baixa, essa concentração é representada por uma linha preta. Esta linha sofre alterações na sua concentração, sendo que é finalizada em altas concentrações quando a pessoa está dormindo, finalizando na coluna amarelada. Outra variável analisada é a concentração da melatonina, esta se inicia na coluna azul e tem-se os dizeres “acordado” onde a concentração de melatonina está alta, essa concentração é repre- sentada por uma linha amarela. Esta linha sofre alterações na sua concentração, sendo que é finalizada em baixas concentrações quando a pessoa está dormindo, finalizando na coluna amarelada. Figura 7 - Representação do ciclo circadiano de liberação do cortisol Aspectos farmacocinéticos - Existem muitos fármacos glicocorticoides em uso terapêutico. Embo- ra o cortisol (hidrocortisona), um hormônio endógeno, seja comumente utilizado, seus derivados sintéticos, como Predinisolona, Dexametasona e Betametasona são ainda mais usuais. Eles possuem diferentes propriedades físico químicas, bem como potência variada, e foram otimizados para a administração por diferentes vias. Podem ser administrados por via oral, sistêmica ou intra- -articular; administrados em aerossóis para o interior do trato respiratório; como gotas, nos olhos, ou em forma de spray, no nariz; aplicados em cremes ou pomadas sobre a pele; ou como enemas de espuma no trato gastrointestinal. A administração tópica reduz a possibilidade de efeitos tóxicos UNIDADE 4 97 sistêmicos, a não ser que sejam em- pregadas quantidades muito grandes. Quando é necessário o prolongamen- to da terapia com glicocorticoides, a utilização em dias alternados pode reduzir a supressão do eixo HPA ou outros efeitos adversos (KATZUNG; GRAW, 2013). Mecanismo de ação dos glico- corticoides - Efeitos metabólicos e sistêmicos gerais: provocam tanto re- dução da captura e utilização da glico- se quanto aumento da gliconeogênese, resultando em tendência à hiperglice- mia. Ocorre aumento concomitante do armazenamento de glicogênio, que pode ser resultado da secreção de insu- lina em resposta ao aumento de açúcar no sangue. De modo geral, há síntese reduzida de proteínas e aumento da quebra de proteínas, particularmente no músculo, o que pode levar à atrofia do tecido. A administração de grandes doses de glicocorticoides, por longo períodode tempo, resulta na redistri- buição da gordura corporal caracterís- tica da síndrome de Cushing (RANG; DALE, 2016; MOLINA, 2014). Efeitos de retroalimentação ne- gativa na adeno-hipófise e no hi- potálamo: exercem efeito de retroa- limentação negativa na secreção de CRF e ACTH, inibindo a secreção de glicocorticoides endógenos e, poten- cialmente, levando à atrofia do cór- tex da suprarrenal. Caso o tratamento seja prolongado, podem ser necessá- rios muitos meses para o retorno à função normal após a suspensão dos fármacos (RANG; DALE, 2016). UNICESUMAR 98 Efeitos anti-inflamatórios e imunossupresso- res: os glicocorticoides exógenos são os fárma- cos anti-inflamatórios por excelência, e, quando administrados terapeuticamente, inibem as ma- nifestações do sistema imune, tanto inato como adaptativo. Revertem praticamente todos os tipos de reações inflamatórias causadas por patógenos invasores, por estímulos químicos ou físicos, ou por respostas imunes desencadeadas inadequa- damente, como ocorre na hipersensibilidade ou na doença autoimune. As ações sobre as células inflamatórias in- cluem: menor saída de neutrófilos dos vasos sanguíneos e redução da ativação de neutrófi- los, macrófagos e mastócitos, seguida de redu- ção da transcrição gênica de fatores de adesão celular e citocinas. As ações nos mediadores das respostas infla- matória e imune incluem: produção reduzida, várias citocinas, fator de necrose tumoral (TN- F-Alfa), fatores de adesão celular, redução da li- beração de histamina pelos basófilos; redução da produção de imunoglobulina G (IgG); síntese au- mentada de fatores anti-inflamatórios (GOOD- MAN; GILMAN, 2012; PENILDON, 2010). Cortisol é considerado hormônio do es- tresse, representado na Figura 8, uma vez que ocorre o aumento dos seus níveis séricos em resposta ao estresse, esse mecanismo acontece quando os efeitos sistêmicos do cortisol estão relacionados ao aumento da atenção e meta- bólico, entretanto, essa liberação a longo prazo (crônica), torna-se prejudicial ao organismo. UNIDADE 4 99 Efeitos adversos - a terapia de reposição com glicocorticoides em doses baixas normalmente não traz problemas, mas em doses elevadas ou administração prolongada ocorrem efeitos adversos graves. Os principais efeitos adversos são os seguintes: Supressão da resposta a infecções ou lesões: infecções oportunistas podem se tornar muito graves se não forem tratadas rapidamente com agentes antimicrobianos e com aumento na dose do esteroide. Sapinho (candidíase, uma infecção fúngica) ocorre com frequência quando os glicocorticoides são administrados por inalação, em razão da supressão local dos mecanismos anti-inflamatórios. A cicatrização de lesões é prejudicada e também pode ocorrer ulceração péptica (GOODMAN; GILMAN, 2012; PENILDON, 2010). Síndrome de Cushing - Condição relacionada ao excesso na produção do cortisol resultado do aumento na síntese e liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), normalmente associado a um distúrbio hipofisário ou aumento do distúrbio no córtex adrenal. Normalmente, o indivíduo apresenta um acúmulo excessivo de gordura no tronco, uma face grande e redonda e pele fina. RESPOSTA AO ESTRESSE Hipotálamo Glândula Pituitária Glândula Tireóide Rim Alterações Psicológicas que apoiam as respostas de luta ou fuga Cortisol Hormônio adrenocorticotró�co Descrição da Imagem: Imagem representa o estímulo do estresse diretamente no hipotálamo, este estímulo é representado por uma seta vermelha, e o hipotálamo anatomicamente em azul. Este estímulo acarreta na liberação do hormônio ACTH pela pituitária anterior, que se direciona para glândula adrenal, localizada na parte superior do rim, representado anatomicamente na coloração marrom, e na parte superior um aglomerado de células na cor amarela, representando a glândula adrenal. Esta glândula sofre ação do ACTH, ocorrendo, assim, a liberação do cortisol. Figura 8 - Representação da influência do estresse no eixo de liberação do cortisol UNICESUMAR 100 Insuficiência aguda da suprarrenal: a retirada abrupta desses fármacos após terapia prolongada, devido à supressão da capacidade do paciente para sintetizar corticosteroides. Devem-se seguir proce- dimentos cautelosos para a retirada em estágios. A recuperação da função total da suprarrenal demora, aproximadamente, 8 semanas, embora possa levar até 18 meses ou mais após tratamento prolongado com doses elevadas (RANG; DALE, 2016). Como diferenciar se o problema relacionado ao excesso dos níveis de glicocorticoides na síndro- me de Cushing estão relacionados a Adeno-Hipófise ou Córtex Adrenal? Essa diferenciação é feita pelo teste de supressão de dexametasona. Este teste consiste na administração de doses baixas de dexametasona (um glicocorticoide sintético) e avaliação dos níveis hormonais cortisol e ACTH. Se após a administração da dexametasona o cortisol continuar alto, temos duas interpretações: Cortisol Elevado + ACTH elevado: caracteriza um distúrbio na Adeno-Hipófise; Cortisol Elevado + ACTH baixo: caracteriza um distúrbio no Córtex adrenal (MOLINA, 2014). Querido(a) aluno(a), depois de percebermos a importância dos hormô- nios na nossa vida, percebemos que a manutenção do nosso organismo é incompatível sem eles, correto? Portanto, convido você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresen- tados no capítulo na manutenção da homeostase do nosso organismo. As informações sobre os hormônios são voláteis e constantes, a todo momento você pode encontrar uma nova terapia de reposição hormonal específica para algum tipo de doença. Tornando, assim, este assunto muito interessante, concorda? Deste modo, que tal realizarmos uma breve busca das principais terapias de reposição hormonal disponíveis atualmente, com objetivo de responder essa pergunta: “QUAIS OS BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DA REPOSIÇÃO HORMONAL?”. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10159 101 Após toda essa vivência hormonal e complexa, convido você a analisar seus conhecimentos por meio de Mapa mental utilizando as seguintes palavras chave: Hormônios, Definição, Classificação, Ação, Química, Controle (feedback) Negativo, Positivo, Eixos Liberação, Hipotálamo, GHRH, Somato- statina, Hipófise, Hormônio Crescimento, IGF-1, TSH, Tireoide, T3/T4, CRH, Adrenal e Cortisol. Tente fazer a integração destas palavras para formar o mapa mental deste capítulo, lembrando que elas são integradas. Vamos lá? HORMÔNIOS EIXOS LIBERAÇÃO GHRH HIPÓFISE HORMÔNIO CRESCIMENTO TIREÓIDE Substãncias liberadas por células especializadas, considerados mensageiros químicos do organismo Lipídios, Aminoácidos e Protéicos CLASSIFICAÇÃO POSITIVO AÇÃO ADRENAL ACTH CORTISOL CRH 102 1. Leia o caso a seguir: Mulher de 35 anos chega ao médico com queixas de fadiga generalizada, perda de 4 kg re- centemente sem dieta. O exame bioquímico apresentou deficiência no hormônio TSH com índices elevados de T4 e T3, destacando presença de Anticorpos contra receptores tireoidianos. Assinale a assertiva que descreve corretamente o quadro do paciente: a) Hipotireoidismo de Graves. b) Hipertireoidismo de Hashimoto. c) Hipertireoidismo de Graves. d) Síndrome de Cushing. e) Hipotireoidismo de Hashimoto. 2. Leia o caso a seguir: Homem de 45 anos chega ao médico com queixas de Fadiga, ganho rápido de peso com obe- sidade central. Cortisol sérico e urinário elevado tanto às 24h (meia-noite), quanto às 08h da manhã. Após a administração de 1 mg de Dexametasona ACTH plasmático, era de 100 ng/L (Valor de Referência: Normal < 80 ng/L); Assinale a assertiva que descreve corretamente o quadro do paciente: a) Tumor na Medula da Adrenal provocando a Síndrome de Cushing. b) Tumor na Neuro-hipófise provocando a Síndrome de Cushing. c) Tumor no Córtex da Adrenal provocando a Síndrome de Cushing. d) Tumor na Adeno-hipófise provocando a Síndrome de Cushing. e) Tumor na Adeno-hipófise provocando a Síndrome de Addison.3. O sistema endócrino tem a função de garantir o fluxo de informações entre diferentes tipos de células, possibilitando a integração funcional de todo organismo. Portanto, assinale a assertiva correta. a) O Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal constitui o principal eixo hormonal, regulatório. Entre eles, a hipófise atua como centro integrado dos sinais de diferentes locais do organismo, bem como ambiental e responde aumentando ou diminuindo a concentração dos hormônios circulantes. b) A sinalização do hormônio CRH (hipotalâmica) provoca o estímulo da neurohipófise e como resultado a liberação do hormônio ACTH que irá estimular a medula adrenal a síntese e liberação do cortisol. c) O teste de supressão de dexametasona é utilizado para avaliar os níveis em excesso do cortisol para diagnóstico da Síndrome de Addison. O teste se baseia na retroalimentação negativa do hormônio cortisol. 103 d) O hormônio TSH atua estimulando a tireoide, a síntese e liberação dos hormônios T3 e T4, estes possuem ação metabólica importante, uma vez que diminuem as proteínas desacopla- doras e a utilização do oxigênio celular. e) A síndrome de Laron é caracterizada pela incapacidade do organismo em sintetizar os re- ceptores do IGF-1 e, como consequência, ocorre o déficit do crescimento e desenvolvimento do indivíduo. 4. Hormônios são substâncias químicas que controlam diversas funções do organismo. As glân- dulas endócrinas são aquelas que produzem substâncias que são lançadas diretamente no sangue. Considerando, analise as assertivas. A ação dos hormônios depende da característica química deles, uma vez que podem ser lipí- dicos, proteicos e aminoácidos. PORQUE Os hormônios lipídicos apresentam receptores intracelulares e demoram para realizar seu efeito, já os proteicos e de aminoácidos possuem receptores de membrana e seu efeito é rápido. A respeito das asserções, ASSINALE a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 5. A classe farmacológica “AGONISTAS DE DOPAMINA” são utilizadas no tratamento de: a) Hipotireoidismo. b) Hiporiteoidismo. c) Excesso de GH. d) Déficit GH. e) Síndrome de Cushing. 104 5 Nesta unidade, iremos analisar o tema OBESIDADE E ESTILO DE VIDA, tem impactado diretamente na qualidade de vida adulta e infantil nos últimos anos, e mesmo assim, farmacologicamente, é um assunto muito novo. Atualmente, os tratamentos farmacológi- cos para obesidade são considerados de última escolha, ou seja, a mudança de hábitos associados à prática de exercícios se encontram como a melhor opção nestes casos. Deste modo, iremos realizar uma integração entre ambos os conceitos para fazer com que você entenda a importância deles no tratamento da obesidade. Vamos começar? Fármacos Que Atuam na Obesidade - Fármacos e Substâncias Relacionadas ao Estilo de Vida e Esporte Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 106 Você acredita que excesso de peso seja um fator de risco para sua saúde? Se sim, sabe- ria o número de óbitos por ano que temos no nosso país atribuídos ao excesso de peso? E as complicações? Riscos de desenvolvimento de complicações? E sua relação negativa com portadores do covid-19. Esse assunto será ex- tensamente abordado nesta unidade com ob- jetivo de informar você sobre a importância de mantermos o peso ideal de acordo com faixa etária e gasto energético, portanto, vamos ini- ciar essa longa e complexa jornada. O controle do peso, é um dos estigmas mais antigos da sociedade e seu excesso está direta- mente relacionado como fator de risco ao de- senvolvimento de doenças metabólicas, como diabetes, principalmente tipo 2, e dislipidemias, ambas trabalhadas na Unidade 3, bem como pro- blemas cardíacos, respiratórios e endócrinos. O controle do peso vai muito além de comer melhor ou praticar exercícios, é necessário avaliar a taxa metabólica de cada indivíduo e realizar um pla- nejamento baseado no gasto energético dele. Este tipo de atividade demanda uma grande disciplina do indivíduo e pode ser associada a medicamen- tos que auxiliam neste controle. Vamos pensar, você sabe qual seu índice de Massa Corporal (IMC)? Está adequado? Então, vamos calculá-lo brevemente. O IMC é determinado pela divisão da massa do in- divíduo pelo quadrado de sua altura, em que a massa está em quilogramas e a altura em metros. O normal para um adulto jovem se encontra entre 18-24. Após o cálculo, vamos analisar quais medidas descritas nesta unida- de podem auxiliá-lo a chegar ou manter seu índice nos parâmetros recomendados e, assim, prevenir o desenvolvimento de complicações associadas à obesidade. https://pt.wikipedia.org/wiki/Massa https://pt.wikipedia.org/wiki/Quilograma https://pt.wikipedia.org/wiki/Metros UNIDADE 5 107 Como já foi descrito no texto acima, a obesidade, atualmente, se encontra entre as condições mais preocupantes da sociedade. A correria do dia a dia, associado aos fatores ambientais e genéticos, faz com que as pessoas se alimentem erroneamente, com alimentos cada vez mais industrializados com pouco teor nutricional e extremamente calóricos. Estes fatores associados formam, em conjunto, riscos ao desenvolvimento da obesidade e junto a ela as comorbidades, como riscos cardiovascular, hepático, renal, entre outros. Esses fatores são tão importantes que, em 2020, ocorreram 168 mil mortes asso- ciadas à obesidade no Brasil, este número reforça a necessidade de um controle do peso. Este controle pode ser feito em diversos aspectos, desde nutricional quanto farmacológico. O aspecto nutricional, relaciona-se ao consumo alimentar balanceado e, principalmente, com menor expressão calórica. Na parte farmacológica, existe uma gama de fármacos que vão desde simples medicamentos associados a menor absorção de nutrientes até inibição do centro da fome. Nosso objetivo é de que, nesta unidade, abordaremos todos os métodos farmacológicos e não farmacológicos associados ao controle da obesidade, para isso, faça um Diário de Bordo antes de iniciarmos o módulo, para que possamos analisar seu conhecimento prévio sobre o assunto e, depois disso, podemos começar nossa imersão nesta unidade recheada de informações. UNICESUMAR 108 APETITE E SACIEDADE - O controle da ingestão de alimentos é um processo complexo e envolve múltiplos sistemas, dessa forma, o comportamento de alimentar-se basicamente depen- de de dois processos: Fome e Saciedade, onde ambos sofrem influência ambiental, psicológica e nutricional. A regulação comportamental de comer se baseia, principalmente, no controle exercido pelo hipotálamo por meio do seu “centro da fome” e outro “centro da saciedade”, ambos se autocontrolam. Os sinais eferentes provenientes desses centros causam mudanças no comportamento alimentar e criam as sensações de fome e de plenitude (saciedade). CONTROLE - O córtex cerebral e o sistema límbico atuam como sinalizadores ao hipotálamo, assim, uma grande quantidade de mensageiros químicos influenciam a ingestão de alimentos e a sa- ciedade, sendo eles: neuropeptídeos, hormônios com ação intestinal, mensageiros químicos chamados de adipocinas, secretados pelo tecido adiposo (SILVERTHORN, 2017). Fome Comida Saciedade Descrição da Imagem: a imagem possui um fundo acinzentado escuro, representando o corpo humano, sendo destacado dois locais: o cérebro, em vermelho, e o estômago, em alaranjado. Estes dois órgãos estão interligados a um fluxograma que descreve o controle da fome e saciedade. No início do fluxograma está o cérebro e dele sai um traço até uma caixa com texto em azul escrito (fome), desta caixa segue uma flecha branca para baixo e, em outra caixa azul, com osdizeres (Comida). Desta caixa segue uma flecha branca para baixo e em outra caixa azul com os dizeres (Saciedade), esta última caixa, desloca uma linha para o estômago, este fecha o fluxograma com uma linha até o cérebro, deste modo, o fluxograma tem início e fim no cérebro. Figura 1 - Representação do controle exercido pelo sistema nervoso central no processo de fome e saciedade UNIDADE 5 109 Na tentativa de explicar como ocorre a regulação da ingestão alimentar, existem duas teorias: Teoria glicostática: sugere que o metabolismo glicolítico nos centros hipotalâmicos regulam o consumo do alimento, ou seja, quando ocorre a diminuição sérica da glicose, ocorre inibição do cen- tro da saciedade e ativação do centro da fome; e quando ocorre o aumento sérico da glicose, ocorre ativação do centro da saciedade e inibição do centro da fome (SILVERTHORN, 2017). Teoria lipostática: sugere que a concentração lipídica do corpo, mediaria a liberação de sinais químicos, modulando O centro da fome. Assim, se o armazenamento de gordura aumenta, a ingestão diminui. No jejum, a ingestão aumenta. Deste modo, a obesidade seria o resultado da ruptura dessa via (SILVERTHORN, 2017). A descoberta do hormônio sintetizado pelos adipócitos – Leptina, em 1994, reforçou e embasou a teoria lipostática. Estes hormônios atuam de forma de feedback negativo entre o hipotálamo x tecido adiposo, ou seja, quanto maior a concentração de gordura corporal, isto é, aumento de tecido adiposo, maior seria a secreção de leptina e menor consumo alimentar. Vale ressaltar que estes achados são muito bem determinados em testes laboratoriais e não são bem transpostos para os seres humanos, visto que só uma pequena porcentagem dos obesos é deficiente em leptina (SILVERTHORN, 2017). Outra molécula atuante neste controle é o neuropeptídeo Y (NPY), um neurotransmissor cerebral que parece servir de estímulo para a ingestão alimentar. Este neuropeptídeo pode sofrer influência na sua concentração pelo hormônio grelina, secretado pelo estômago durante períodos de jejum, au- mentando a sensação de fome. E, finalmente, pode-se associar o ciclo circadiano (sono ou vigília) no processo de fome e saciedade, uma vez que os peptídeos cerebrais, chamados de peptídeos orexígenos parecem desempenhar um papel na vigília, e no sono também exercem papel regulatório (SILVER- THORN, 2017). EQUILÍBRIO ENERGÉTICO - O metabolismo determina o destino dos alimentos consumidos, ou seja, o que será queimado, e produzirá calor ou se tornará músculo, gordura ou outros componentes celulares. No controle do peso, aplica-se a primeira lei da termodinâmica, onde fica estabelecido que a quantidade de energia é constante, assim, determina-se que toda a energia que entra em um sistema biológico, como o corpo humano, deve ser contabilizada, ou seja, equilíbrio de energia: em que mu- danças nos estoques de energia corporal resultam na diferença entre a energia posta no sistema e a energia utilizada (GUYTON; HALL, 2017). Vale ressaltar que “entrada de energia” consiste na quantidade do alimento ingerido e absorvido, e “saída de energia” consiste na utilização desta energia. Para isso, é fundamental que o indivíduo saiba a concentração correta do alimento a ser ingerido e a quantidade de energia que o seu corpo gasta, deste modo, vamos aplicar alguns conceitos a você para que isso fique claro. GASTO ENERGÉTICO - Para estabelecer um equilíbrio de energia para o corpo humano, devemos ser capazes de estimar tanto a energia contida nos alimentos (entrada de energia) quanto a energia gasta na perda de calor e nos vários tipos de trabalho (saída de energia). O modo para medir o conteúdo energético dos alimentos é por meio da calorimetria direta, ou seja, após a ingestão, o alimento é queimado e ocorre liberação de calor, este calor, pode ser mensurado em quilocalorias (kcal). O conteúdo calórico de qualquer alimento pode ser calcula- UNICESUMAR 110 do pela multiplicação do número de gramas de cada componente pelo seu conteúdo de energia metabólica (SILVERTHORN, 2017; GUYTON; HALL, 2017). Taxa Metabólica - O método mais comum para estimar a taxa metabólica é determinar o consumo de oxigênio da pessoa, a taxa na qual o corpo consome oxigênio à medida que metaboliza os nutrientes. Essa taxa metabólica, entretanto, sofre diversas influências como: Consumo de oxigênio ou produção de dióxido de carbono – Sabe-se que o aumento do con- sumo de oxigênio resulta no maior consumo metabólico. Idade e sexo – Homens apresentam maior taxa de massa magra e, consequentemente, uma maior taxa metabólica do que as mulheres. Entretanto, destaca-se que em ambos os sexos ocorre a diminuição da taxa metabólica em consequência da diminuição da massa magra. Nível de atividade – A contração muscular proveniente da atividade física aumenta o consumo de oxigênio e, consequentemente, a taxa metabólica, consumindo mais energia. Hormônios – Os hormônios da tireoide (apresentados na unidade 4), aumentam o consu- mo de oxigênio, deste modo, aumentam a taxa metabólica (SILVERTHORN, 2017; McARDLE; KACTH; KATCH, 2016). Estimando a gordura – Índice de massa corporal (IMC) - Um método simples e eficiente de estimar o total de energia acumulada é pela análise do índice de massa corporal (IMC). Para calcular o seu IMC: Peso (quilogramas/kg)/altura ao quadrado (metros). Os valores considerados ideais variam entre 18,5 e 24,9. Valores inferiores a 18,5 são considerados abaixo do peso normal e acima de 24,9 são considerados como sobrepeso. Um IMC acima de 30 indica obesidade, que se correlaciona com o aumen- to do risco de desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, incluindo o diabetes, doença cardiovascular e pressão alta (SILVERTHORN, 2017; McARDLE; KACTH; KATCH, 2016). UNIDADE 5 111 ÍNDICE DE MASSA CORPORAL Abaixo do Peso Normal Acima do Peso Obeso Obesidade Extrema Descrição da Imagem: a imagem representa os níveis de índice de massa corporal, e nela estão inseridas silhuetas coloridas de cinco pessoas, todas na posição ereta com os pés juntos e braços colados ao corpo. Da esquerda da imagem para direita, inicia-se com um corpo em azul, indicando uma pessoa abaixo do peso (com o texto <18,5). Ao lado, corpo em verde, indicando uma pessoa com peso normal (com o texto 18,5 - 25,9). Em seguida, corpo em amarelo, indicando uma pessoa com sobrepeso (com o texto 25 - 29,9). Seguido de um corpo em alaranjado, indicando uma pessoa obesa (com o texto 30 - 34,9). E por fim, corpo em rosa, indicando uma pessoa com peso extremo (com o texto 35<). Figura 2 - Representação dos níveis de massa corporal Levando em consideração que o cálculo do IMC não distingue a quantidade de massa gorda e massa magra, atletas altamente treinados, incluindo jogadores de futebol e halterofilistas, podem ter valores distorcidos de IMC, fazendo-os parecer obesos. Neste sentido, atualmente, pode-se utilizar o cálculo pela bioimpedância. A bioimpedância elétrica é um exame destinado à avaliação da composição corporal, estimando a massa magra, gordura corporal, água corporal total, entre outros dados que proporcionam informa- ções mais precisas sobre o estado nutricional do paciente. O exame pode ser realizado nas consultas de avaliação e acompanhamento nutricional ou em pacientes que tenham encaminhamento médico ou de nutricionista para realizar somente o exame. UNICESUMAR 112 OBESIDADE - A obesidade pode ser definida como a doença em que a saúde é afetada adversamente por excesso de gordura corporal. Atualmente, é considerada um problema de saúde pública, tanto da população adulta quanto infantil. Já foi abordado, neste módulo, que a gordura corporal representa energia armazenada, e a obesidade ocorre quando os mecanismos homeostáticos que controlam o balanço calórico apresentam alterações ou são suplantados (GOLAN et al., 2014). Assim, a combinação de estilo de vida sedentário, suscetibilidade genética, influências culturais e acesso irrestritoa amplo suprimento de alimentos altamente calóricos está levando à epidemia global de obesidade (GUYTON; HALL, 2017; McARDLE; KACTH; KATCH, 2016). Obesidade como um problema de saúde: Em 2008, a OMS estimou que já existem mais de 1,4 bilhão de adultos acima do peso, aproximadamente metade dos quais – equivalente a mais de 10% da população mundial – é obesa, de acordo com os critérios descritos anteriormente. Apesar da própria obesidade raramente ser fatal, está frequentemente coexiste com distúrbios me- tabólicos e outros (particularmente a hipertensão, hipercolestrolemia e diabetes tipo 2), compreen- dendo todos a síndrome metabólica. Isso acarreta um elevado risco de afecções cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), cânceres (particularmente dependentes de hormônios), doenças respiratórias (particularmente a apneia do sono) e problemas digestivos, além da osteoartrite. Devido a esta importância do tema, foi criado o “DIA MUNDIAL DA OBESIDADE”, onde, no dia 4 de março, promove a conscientização sobre a crescente crise global de obesidade e os perigos para a saúde de estar gravemente acima do peso. UNIDADE 5 113 EXERCÍCIO E SAÚDE - A atividade física tem muitos efeitos positivos no corpo humano e, levando em consideração de que o estilo de vida vem se alterando incessantemente durante o decorrer dos anos, o controle da alimentação associado a atividade física regulares é uma mudança no estilo de vida que muitas pessoas têm dificuldade (SILVERTHORN, 2017). DIA MUNDIAL DAObesidade Descrição da Imagem: a imagem possui uma pessoa em pé, com os braços colados no corpo na coloração azul escura e desta pessoa sai uma sombra em azul claro representando um corpo obeso. Ao lado desta imagem, os dizeres Dia mundial da Obe- sidade em azul Figura 3 - Representação da imagem referente ao dia mundial da obesidade UNICESUMAR 114 Descrição da Imagem: a imagem representa uma mulher ao ar livre fazendo alongamento em seu corpo para iniciar uma atividade física. Esta mulher está de costas, com cabelo até metade das costas da coloração preta, com uma calça preta e uma camisa regata na cor rosa claro. Está levemente inclinada para direita da imagem, onde seu braço esquerdo está acima da cabeça com a mão espalmada para cima, o outro braço apoiado na cintura. Ao fundo, nota-se que a pessoa está em um local parecido com um parque ou um bosque, no período do entardecer, uma vez que, pequenos raios de sol batem no corpo da mulher, bem como na grama ao seu redor. Figura 4 - Representação de uma pessoa praticando exercício físico Desde a década de 50, sabe-se que as práticas de exercícios físicos reduzem o risco de desenvolvimento de problemas cardíacos. Foi demonstrado que o exercício apresenta benefícios como: Diminuição na pressão arterial e nos níveis de triacilgliceróis plasmáticos e aumento nos níveis de colesterol-HDL. Se analisarmos que a pressão arterial alta é o principal fator de risco para acidentes vasculares encefálicos (AVE), e triacilgliceróis elevados e níveis baixos de colesterol-HDL estão associados ao desenvolvi- mento de aterosclerose e ao aumento no risco de infarto do miocárdio, a prática de exercícios físicos se apresenta eficaz no combate a estas condições (GUYTON; HALL, 2017; SILVERTHORN, 2017). Além disso, durante o exercício intenso, fatores neuro-humorais aumentam a liberação hormonal de epinefrina, norepinefrina e glucagon e diminuem a liberação de insulina, provocando uma melhora na mobilização glicêmica (McARDLE; KACTH; KATCH, 2016). UNIDADE 5 115 FARMACOLOGIA - A obesidade surge em consequência de um balanço calórico positivo. Idealmente, obtém-se redução de massa corporal pelo aumento gradual do gasto energético por meio de exercício, associado a uma restrição dietética para diminuir a ingestão de calorias. Contudo, essa abordagem óbvia apresenta uma taxa de sucesso relativamente baixa (GOODMAN; GILMAN, 2012). As primeiras opções no combate à obesidade são simples e dependem exclusivamente do indiví- duo, seriam elas, a prática regular de exercícios físicos e mudanças nos hábitos alimentares, entretanto, infelizmente, costumam falhar ao decorrer do processo ou trazem resultados a longo prazo. Outra opção não farmacológica seria a cirurgia bariátrica, eficaz na perda de peso, mas deve ser considerada a última opção (RANG; DALE, 2016, GOLAN et al., 2014). Enfoques farmacológicos do problema da obesidade - AGONISTAS SIMPATICOMIMÉTICOS Efeitos das anfetaminas sobre o organismo é diversificado, apresentando efeito: Sistema nervoso central. A anfetamina é uma das aminas simpaticomiméticas mais potentes na estimulação do sistema nervoso central (GOODMAN; GILMAN, 2012). Mecanismos de ação no SNC: as anfetaminas exercem seus efeitos no sistema nervoso central (SNC), por meio da liberação do armazenamento das aminas biogênicas (Monoaminas) nas termi- nações nervosas (GOODMAN; GILMAN, 2012). Depressão do apetite: a anfetamina e substâncias semelhantes têm sido utilizadas no tratamento da obesidade, resultando na perda de peso. Esta perda se deve a uma redução da ingestão de alimentos e um leve aumento no metabolismo basal. Esta redução no apetite ocorre pela inibição hipotalâmica no centro da fome. Os mecanismos neuroquímicos de ação não estão bem esclarecidos, mas podem envolver um aumento da liberação de noradrenalina e dopamina. Vale ressaltar que ocorre um rápido desenvolvimento de tolerância à supressão do apetite. Por conseguinte, não se observa habitualmente uma redução contínua do peso em indivíduos obesos sem restrição dietética (GOODMAN; GILMAN, 2012). Toxicidade e efeitos adversos: os efeitos tóxicos agudos da anfetamina constituem, habitual- mente, extensões de suas ações terapêuticas e, em geral, resultam de superdosagem. Os efeitos sobre o SNC consistem, comumente, em inquietação, tontura, tremor, reflexos hiperativos, ocor- rem confusão, agressividade, alterações da libido, ansiedade e delírio. Os efeitos cardiovasculares são comuns e incluem cefaleia, calafrios, palidez ou rubor, palpitações, arritmias cardíacas, dor anginosa, hipertensão ou hipotensão e colapso circulatório. O tratamento da intoxicação aguda por anfetamina pode incluir a acidificação da urina com a administração de cloreto de amônio, aumentando a sua taxa de eliminação. Faz-se necessário o uso de sedativos para os sintomas do SNC (GOODMAN; GILMAN, 2012; KATZUNG; GRAW, 2013). UNICESUMAR 116 Supressores do apetite que atuam centralmente - Fármacos que atuam no sistema nervoso central têm sido utilizados na tentativa de controlar o apetite, os exemplos destas classes são: sibu- tramina, o rimonabanto (ambos retirados na maioria dos países) e a lorcaserina, um agonista do receptor 5-HT2C recentemente aprovado como um supressor do apetite como medicamento de auxílio à dieta, que deve ser retirado após perda de peso dos pacientes (RANG; DALE, 2016). Descrição da Imagem: a imagem mostra uma mulher de semblante triste, esta possui cabelo escuro curto, com um prende- dor de cabelo amarelo do lado esquerdo da cabeça. Ela se apresenta na coloração rósea, e está com a mão direita apoiando a cabeça e a mão esquerda segurando uma colher branca. Na frente da mulher, encontra-se um prato de comida arredondado, nele tem-se três itens na coloração verde (representando brócolis), um alimento amarelado (representando um purê) e por fim um item vermelho com cabo verde (representando um tomate). Este prato está acima de uma toalha azul escura, que possui quatro listras brancas, em cima de uma mesa amarelada. No fundo da imagem se encontra uma parede azul, com um relógio arredondado, e ao no canto superior direito, um quadro com alguns riscos e um círculo branco. Figura 5 - Representação de uma pessoa sem vontade de comer frente ao alimento UNIDADE 5 117 O mecanismo da sibutramina é inibir a recaptação da serotonina e norepinefrina nos centros hi- potalâmicos que regulam a fome, obtendo como principal efeito a redução da ingestão alimentare, consequentemente, perda de peso. Este medicamento aumenta a saciedade e leva a redução de peso com diminuição dos triglicerídeos plasmáticos e das lipoproteínas com densidade muito baixa, mas aumento das lipoproteínas de alta densidade. Além disso, foram reportados efeitos benéficos na hi- perinsulinemia e no metabolismo da glicose (RANG; DALE, 2016). Orlistate - O Fármaco inibidor da enzima lipase, deste modo, atuante no intestino, impede a degradação da gordura da dieta em ácidos graxos e glicerol, impossibilita a sua absorção, levando-a eliminação fecal. Outro possível efeito está associado à redução dos níveis de leptina e retardo do esvaziamento gástrico. O medicamento deve ser associado a exercícios físicos e dieta hipocalórica, produzindo uma perda de peso modesta (GOLAN et al., 2014). Aspectos farmacocinéticos e efeitos adversos: quase todo composto é eliminado nas fezes na forma inalterada, sendo absorvida pouco metabólito ativo, entretanto, cólicas abdominais, flatulência e incontinência fecal são comuns. Reduzem concentração plasmática de anticon- cepcionais, mas se apresentam como seguras e não necessitam de prescrição médica para uso (RANG; DALE, 2016, KATZUNG; GRAW, 2013). Novos enfoques da terapia da obesidade - A busca por novos compostos levou a pesquisa à tentativa de desenvolvimento de compostos capazes de interferir na regulação hormonal – hormônios abordados no início desta unidade, responsáveis pelo controle de apetite e da sacie- dade. Assim, estes medicamentos visam explorar a ação ou a produção de sinais de saciedade neuroendócrina, como o hormônio colecistocinina (CCK), para produzir supressão do apetite. Outro exemplo seria os peptídeos semelhantes ao glucagon, como a liraglutida usada para tra- tar diabetes tipo 2 (trabalhada na Unidade 3), que têm ações anorexígenas e têm mostrado uma atividade promissora em alguns ensaios, entretanto são necessários mais estudos para melhor afirmar seu real efeito sistêmico. Deste modo, esse campo foi extensivamente estudado, porém, até o momento, falhou em produzir um fármaco aceitável (RANG; DALE, 2016). Portanto, é importante abordar que a combinação das terapias farmacológicas é muito mais eficaz quando usadas em conjunto com modificações do estilo de vida e de outros comportamentos. A busca pelo corpo perfeito, muitas vezes, leva a quadros perigosos, principalmente na modulação do metabolismo. O 2,4-dinitrofenol mais conhecido como “DNP” um produto químico industrial, é facilmente encontrado em vendas online com propósito de “queimar gorduras”, seu mecanismo de ação ocorre pelo bloqueio da síntese energética mitocondrial e, consequentemente, desvio para metabolismo energético com objetivo de síntese de ATP, este desvio aumenta a taxa metabólica, como consequência há aumento na mobilização lipídica. Entretanto, seus efeitos adversos mais comuns são: aumento da temperatura corporal e pressão arterial, o que pode levar a complicações e até mesmo ao óbito. UNICESUMAR 118 Descrição da Imagem: a imagem demonstra dois planos, no primeiro há um pote de vidro arredondado branco, metade dele cheio com água, representada pela coloração azul. Dentro desta água está uma imagem de uma caveira representada em ver- melho e possui dois ossos cruzados um para cada lado. No segundo plano, temos um livro aberto na coloração alaranjada com a capa em marrom, além disso, um marca-página em verde. No lado direito do livro, há uma representação de escritas por 8 linhas paralelas escuras. Figura 6 - Representação do potencial tóxico dos compostos UNIDADE 5 119 Atualmente, um dos controles da obesidade se refere à melhora nos hábitos alimentares, associados à prática de atividade física que contribui para a redução do risco de desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis. Portanto, uma reeducação alimentar deve ser realizada e adequada às ne- cessidades de cada indivíduo, para que tenha um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas. Descrição da Imagem: a imagem representa um homem com expressão alegre, este possui cabelo marrom, olhos fechados, boca aberta em direção ao garfo e está com uma camiseta branca. Um dos seus braços está com garfo em direção a boca. Na sua frente, encontra-se uma tigela cinza, apoiada em uma bancada marrom. Na tigela, tem- -se algumas frutas como: uva representada em roxo com dez gomos circulares, duas bananas amarelas, uma maçã vermelha com cabo marrom e uma folha verde fixada, uma laranja alaranjada com cabo marrom e uma folha verde fixada e um pedaço de melancia vermelha com oito sementes pretas. Figura 7 - Representação de uma alimentação saudável O uso medicinal de plantas na sua forma natural e sem processamento são utilizados em larga escala por estarem disponíveis sem necessidade de prescrição e, ao contrário dos medicamentos de venda livre, são considerados legalmente suplementos dietéticos e não medicamentos. Entretanto, são regulados por órgãos competentes para analisar sua eficácia e efeitos adversos. Para os propósitos desta unidade, as substâncias a base de plantas e as substâncias químicas sintéticas purificadas serão denominadas suplementos dietéticos. Estes, não são considerados medicamentos de venda livre, mas sim suplementos alimentares usados para manutenção da saúde. Legalmente, os suplementos dietéticos têm como objetivo suplementar a dieta, mas os consumidores podem utilizá-los da mesma forma que usam medicamentos e, inclusive, no lugar de fármacos ou combinados a eles. Muitos consumidores adotaram o uso de suplementos dietéticos como uma abordagem “natural” para cuidar de sua saúde. Infelizmente, é comum que haja equívocos concei- tuais acerca de segurança e eficácia dos agentes, e o fato de as substâncias serem denominadas “naturais” não representa garantia de segurança. UNICESUMAR 120 Pré-contemplação: pessoa ainda não pensa seriamente em mudar o comportamento. Contemplação: pessoa reconhece a existência de um problema e começa a considerar a possibilidade de mudança. Preparação: pensamentos e ações para mudanças já presentes. Ação: pessoas já mudaram o comportamento e estão tentando manter os esforços. Manutenção: pessoas continuam a obter sucesso . Um fator importante na reeducação alimentar é o fator psicológico, estas interferências contribuem tanto para o agravamento ou tratamento da doença. Sendo assim, teorias sobre o comportamento de saúde foram desenvolvidas na psicologia, para explicar por que as pessoas praticam ou não determi- nados comportamentos diante da saúde e da doença. Estas teorias buscam compreender o motivo do comportamento de certos indivíduos frente aos hábitos alimentares e sua interferência na saúde. Uma das teorias mais descritas é a “teoria dos estágios, ou modelo transteórico”, que afirma que a pessoa passa por estágios durante a mudança de compor- tamento relacionada à saúde, que são classificados como: Neste sentido, na teoria do modelo transteórico, uma pessoa com sobrepeso que inicia a reeducação alimentar deverá passar do estágio de pré-contemplação para a contemplação, e assim por diante, ou seja, necessita compreender a obesidade como um problema de saúde e se preparar para as mudanças oriundas desse novo comportamento alimentar. Ao final desta unidade, percebemos a importância do controle da ali- mentação, o impacto do sobrepeso na vida das pessoas e como este tema é imprescindível na vida de qualquer profissional da área da saúde. Convidamos você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados na unidade para o desenvolvimento de compostos com potencial terapêutico. Após este vasto conteúdo abordado nesta unidade, o que acha de uma boa leitura para fixar melhor o conteúdo? Assim, fique atento(a) nas dicas: https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10160http:// UNIDADE 5 121 Título: Prevenção da obesidade e de doenças do adulto na infância Autor: Maria das Graças Garcez Silveira Editora: VozesSinopse: o padrão alimentar e o estilo de vida na infância têm passado por transformações significativas nas últimas décadas. Essas mudanças, ao lado do sedentarismo, favorecem o aumento dramático da obesidade infantil, que já é considerada pela Organização Mundial da Saúde uma epidemia de difícil controle. Este livro, ao se apoiar em recomendações de entidades nacionais e internacionais de Pediatria, transmite valiosos conhecimentos sobre nutrição, educação alimentar e consumo saudável de alimentos. Nele, os profissionais da saúde, pais e educadores encontrarão informações sobre redução do consumo de gorduras trans e saturadas; uso moderado de sal e açúcar; estratégias para a redução do LDL colesterol e dos triglicerides; mudança de hábitos alimentares, dentre outros. Outra dica bem interessante seria um conteúdo mais complexo no documentário a seguir: Título : Documentário: Muito Além do Peso Ano: 2012 Sinopse: o documentário analisa a qualidade da alimentação infantil e os efeitos da publicidade de alimentos. Isso permite discussões e reflexões críticas sobre a alimentação e nutrição de forma multifatorial, abordando com muita seriedade os problemas referentes à obesidade infantil no Brasil. Isso ocorre por meio de uma série de entrevistas, com famílias de crianças com obesidade, e especialistas nacionais e internacionais nos campos da nutrição, direito, psicologia, medicina e publicidade. UNICESUMAR 122 Após esta unidade, esperamos que você tenha compreendido a importância na manutenção dos hábitos alimentares saudáveis, e como esse estilo de vida impacta diretamente na saúde de cada pessoa. Após o final desta unidade, você repensou nos seus hábitos alimentares? Esperamos que sim, uma vez que, como descrevemos durante todo o módulo, a obesidade é uma condição muito comum em todas as idades e deve ser controlada para que não origine nenhum pro- blema de saúde. Deste modo, que tal calcular- mos seu IMC e analisar como sua alimen- tação está impactando na sua qualidade de vida? 123 Encerramos este módulo e suas considerações fundamentais para a compreensão do processo saúde x doença, principalmente relacionado aos hábitos alimentares atuais. E como observamos, o tratamento farmacológico, apesar de limitado, apresenta uma boa eficácia, e visando esta ob- servação, convidamos você para produzir um Mapa Mental, estabelecendo a relação e integração entre os hábitos alimentares e desenvolvimento da obesidade e seu tratamento. Para isso, utilize as palavras-chave: Obesidade, Controle, Fome, Grelina, Leptina, Saciedade, Tratamento, Farmacológi- co, Supressor Apetite, Anfetaminas, Não farmacológicos, Reeducação Alimentar, Exercícios Físicos, Variáveis, IMC e Taxa Metabolismo. Vamos lá? ANFETAMINAS OBESIDADE CONTROLE TRATAMENTO IMCVARIÁVEIS EXERCÍCIOS FÍSICOS NÃO FARMACOLÓGICOSLEPTINA GRELINA 124 1. O tratamento não farmacológico da obesidade é complexo e depende de inúmeros fatores para que tenha sucesso. Considerando o contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. A obesidade é uma condição relevante em idades adultas, uma vez que as crianças não de- senvolvem este tipo de problema. PORQUE Possuem uma taxa metabólica superior aos adultos e, deste modo, seu consumo energético supre a demanda calórica consumida, independentemente do teor do alimento. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Assinale a alternativa que descreve corretamente o fármaco que possui como mecanismo de ação inibir a recaptação da serotonina e norepinefrina nos centros hipotalâmicos regulando a fome. a) Anfetaminas. b) Sibutraminas. c) DNP (2,4-dinitrofenol). d) Grelina. e) Leptina. 125 3. Analise as afirmativas referente ao tratamento da obesidade: I) O Orlistate é considerado no tratamento da obesidade por apresentar como ação inibir a enzima lipase, impedindo a degradação da gordura da dieta em ácidos graxos e glicerol, deste modo, impossibilita a sua absorção, levando-a eliminação fecal. II) Fármacos inibidores de dopamina como Sibutramina e Rimonabanto são utilizados como supressores de apetite, uma vez que este neurotransmissor se apresenta como regulador do centro da fome. III) A anfetamina e substâncias semelhantes têm sido utilizadas no tratamento da obesidade, resultando na perda de peso. Esta perda se deve a uma redução da ingestão de alimentos e um leve aumento no metabolismo basal. IV) A obesidade não deve ser tratada como problema de saúde pública, uma vez que seus índices de mortalidade são baixos e pouco evoluem para complicações sistêmicas ou comorbidades. V) O estágio de preparação é caracterizado quando a pessoa reconhece a existência do problema e começa a considerar a possibilidade de mudança. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as alternativas I e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. 126 6 Este certamente será o capítulo mais desafiador desde o início da nossa jornada farmacológica, isso será observado e constatado por você quando iniciarmos o nosso capítulo e você observar como o sistema nervoso é complexo e possui conexões perfeitas entre si. Deste modo, a farmacologia é desafiadora em todos seus aspectos, desde o seu mecanismo de ação até os inúmeros efeitos adversos. E aí ficou empolgado(a)? Esperamos que sim, portanto, vamos iniciar nosso capítulo e desejamos uma imersão completa nesse sistema complexo onde serão analisados os sistemas dopaminérgicos, se- rotoninérgicos, gabaérgicos e glutamatérgicos. Fármacos Que Atuam nos Distúrbios Comportamentais Ativadores e Depressores do Sistema Nervoso Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 128 Quantas condições que acometem o sistema nervoso você conhece? Pense a respeito, talvez, a primeira que venha na sua cabeça seja “Depressão” ou “Ansiedade”, e você está correto, entretan- to, as condições agressoras do sistema nervoso são muito mais amplas e podem ser classificadas de acordo com os neurotransmissores ou áreas específicas e acabam impactando diretamente na qualidade de vida das pessoas. Pense também sobre o tratamento, você acredita que ele seja efetivo? Muitos efeitos adversos? Venda liberada? Necessita de acompanhamento? São muitas questões corretas, deste modo, convido você para que iniciemos esta complexa imersão no sistema controlador do nosso organismo e juntos desvendarmos a sua farmacologia. Você conhece alguma pessoa que apresenta condições que necessitam de medicamentos atuantes no sistema nervoso central? Já observou se este tratamento teve um efeito imediato? Tardio? Ou não apre- sentou efeito benéfico somente adversos? Os transtornos comportamentais atualmente compreendem um dos principais problemas de saúde pública, uma vez que são condições debilitantes aos indivíduos que impactam diretamente na qualidade de vida tanto da pessoa quanto dos seus cuidadores quando necessário. Apesar do tratamento ser considerado efetivo na maioria das condições, pelo menos na manutenção dos sintomas e na evitação da progressão das doenças, muitas vezes, o diagnóstico é tar- dio, o que reduz proporcionalmente sua eficácia. Os tratamentos farmacológicos atuam em múltiplos neurotransmissores e locais no sistema nervoso, assim, uma das primeiras perspectivas que você deve ter, é que o sistema nervoso atua de forma integrada, ou seja, em conjunto, em suas múltiplas áreas. Isso, muitas vezes, torna os medicamentoseficazes em distintas doenças, mas também aumenta a chance no desenvolvimento de efeitos adversos. Você saberia me dizer qual a doença mais incapacitante do sistema nervoso central? Quando relacionamos incapacitações no sistema nervoso, pode ser tanto excitatória quanto inibitória. Pense um pouco, e depois convido para que faça uma breve busca para que resolva esta pergunta, e assim, juntos, iremos desvendar os tratamentos mais indicados em cada caso. Certamente as doenças do sistema nervoso central são as condições mais impactantes tanto na qualidade de vida direta do indivíduo quanto no seu cuidador, pensando assim, podemos refletir, prin- cipalmente, nas condições neurodegenerativas que serão trabalhadas neste capítulo, estas condições, como Alzheimer e Parkinson, apresentam um impacto direto no cuidado do indivíduo, uma vez que elas evoluem para demência. Se pensarmos em condições como Esquizofrenia, Ansiedade, Pânico e Epilepsia, estas condições impactam diretamente no próprio indivíduo. Independentemente da con- dição, iremos abordar que a farmacologia é eficaz, entretanto, existem limitações, principalmente na demora do diagnóstico e na persistência terapêutica do indivíduo que limitam sua efetividade. Outra reflexão que podemos levantar neste capítulo seria do aumento no número de casos, independentemente da idade com estas condições relacionadas acima, isto mostra como as doenças comportamentais e demenciais estão inseridas no nosso cotidiano. Assim, neste capítulo, iremos abordar as principais classes dos medicamentos que atuam em diferentes momentos no desenvolvimento e no controle destas condições. Para iniciarmos, convido-o a realizar um Diário de Bordo, com objetivo de que possamos ana- lisar seu conhecimento prévio sobre o assunto e, depois disso, podemos começar nossa imersão neste capítulo recheado de informações. UNIDADE 6 129 O sistema nervoso é uma rede de neurônios interligados por conexões sinápticas que confe- rem uma complexidade incomparável a outros locais. Estes neurônios desempenham funções distintas e importantes, como percepção – incluindo processamento sensorial, auditivo e visual, estado de vigília, linguagem e consciência. Para desempenhá-las, os neurônios individuais que compõem o sistema nervoso precisam estar organizados em redes funcionais, as quais são, por sua vez, organizadas em unidades anatômicas maiores (MACHADO, 2014). Deste modo, a farmacologia relacionada ao sistema nervoso central é certamente o local mais desafiador de estudo, uma vez que este sistema é complexo e suas conexões se estendem por todo o organismo, tornando a compreensão dos efeitos dos fármacos muito mais difícil. O cérebro compreende o sistema mais “alto” do organismo; para iniciarmos nosso caminho na farmacologia deste local tão complexo, primeiramente você precisa entender alguns conceitos básicos que, certamente, irão guiar na compreensão dos efeitos farmacológicos, são eles (RANG; DALE, 2016): Barreira hematoencefálica - Compreende um emaranhado de células endoteliais vasculares justapostas que têm entre suas funções a proteção do sistema nervoso central contra partículas poten- cialmente agressoras. Deste modo, os fármacos, para possuírem ação no SNC, devem ter condições de atravessar essas barreiras (RANG; DALE, 2016; MACHADO, 2014). Transmissão eletroquímica - Os neurônios se comunicam entre si e com outros tipos de células por meio da liberação regulada de neurotransmissores. Estes, ao serem liberados, podem agir em lo- UNICESUMAR 130 cais próximos ou distantes em conexões especializadas denominadas sinapses, que apresentam uma sequência geral de processos essenciais à transmissão eletroquímica, sendo: Síntese e Armazenamento, Deslocamento Vesicular, Liberação, Retorno, Ação (GOLAN et al., 2014). Descrição da Imagem: Imagem apresenta processo de sinapse, ou seja, transmissão de impulso de um neurônio para o outro. Assim, a imagem possui dois neurônios, representados anatomicamente na coloração alaranjada. No neurônio superior está escrito Célula Pré-Sináptica, nele tem-se um ciclo com quatro vesículas pré-sinápticas, na coloração azulada, este ciclo é iniciado com a entrada de cálcio por canais de cálcio acoplados no neurônio representada por dois círculos vermelhos, assim, temos dois destes na membrana do neurônio. Esta entrada de cálcio inicia o deslocamento desta vesícula azul, do interior do neurônio até sua borda, onde libera o neurotransmissor representado por pequenos pontos azulados (em grande quantidade) na fenda sináptica. Esta fenda é o espaço vazio entre os dois neurônios. A imagem continua com o neurotransmissor liberado se ligando aos seus respectivos receptores representados por retângulos roxos no neurônio pós-sináptico Figura 1 - Representação do processo de sinapse FARMACOLOGIA SNC - Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM 5), os problemas comportamentais são divididos de acordo com os sintomas apresentados e uma série de disfunções nas neurotransmissão (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). O termo neuromodulador é frequentemente utilizado para se referir a determinado mediador, cujas ações não se adaptam ao conceito original de neurotransmissões. Em geral, a neuromodulação se relaciona com a plasticidade sináptica, incluindo os eventos fisiológicos de curto prazo, tais como a regulação da liberação do transmissor pré-sináptico ou da excitabilidade pós-sináptica. Deste modo, vamos apresentar as principais classes dos neuromoduladores e, juntos, discutiremos a farmacologia relacionada a estas classes. Vamos começar? (RANG; DALE, 2016). Célula Pré Sináptica Receptor Neurotransmissor Vesículas pre-sinápticas Célula Pós Sináptica Canais de cálcio UNIDADE 6 131 NEUROTRANSMISSÃO GABAÉRGICA - O neurotransmissor GABA atua como principal agente inibitório do SNC. Além disso, a maioria dos neurônios e dos astrócitos do SNC expressam receptores gabaérgicos, deste modo, em decorrência de sua distribuição disseminada, os receptores de GABA influenciam muitos circuitos e funções neurais, conferindo aos fármacos que modulam os receptores GABA ações: relacionadas à atenção, formação da memória, ansiedade, sono, tônus muscular, hiperatividade neuronal focal ou disseminada na epilepsia (GOLAN et al., 2014). Os receptores iono- trópicos (GABA-A), que são proteínas de membrana de múltiplas subunidades, as quais se ligam ao GABA e abrem um canal iônico de cloreto intrínseco (GOODMAN; GILMAN, 2012). E os receptores metabotrópicos (GABA-B), que são receptores heterodiméricos acoplados à proteína G, que afetam as correntes iônicas neuronais por meio de segundos mensageiros (GOODMAN; GILMAN, 2012). Mecanismo de Ação: a concentração interna de cloreto nos neurônios é menor do que a concentração extracelular, assim, a ativação dos canais de cloreto pelos receptores GABAérgicos, desloca a voltagem provocando uma hiperpolarização, reduzindo a probabilidade de condução do potencial de ação e a probabilidade de que estímulos excitatórios possam iniciar potenciais de ação (GOLAN et al., 2014). Receptor GABA Íon Cloreto Membrana celular Descrição da Imagem: Imagem representa o receptor GABAérgico, nela pode-se observar, inicialmente, uma visão superior do receptor, onde se nota cinco pontos ou sítios de ligação coloridos representados por círculos. Dois sítios Alfa em azul, “Y” em verde e dois sítios Beta em amarelo. Em seguida, este receptor aparece acoplado a membrana celular, esta membrana, na sua conformação fosfolipídica, ou seja, parte da cadeia polar para cima representada por círculos azulados, com dois traços roxos representando a parte apolar saindo da parte azul em direção a outro círculo azulado, deste modo, formando a membrana celular. No centro da imagem e no meio desta membrana, tem-se o receptor GABAérgico acoplado, este receptor se apresenta transversalmente a membrana com os receptores citados nas mesmas colocações. Na parte superiordeste receptor, tem-se um círculo vermelho do íon cloreto, representando o mecanismo de ação do receptor GABAérgico que, ao ser ativado, aumenta a entrada do íon cloreto para o espaço intracelular. Figura 2 - Representação do Receptor GABAérgico UNICESUMAR 132 Classes e agentes farmacológicos que afetam a neurotransmissão GABAérgica - Os agentes farmacológicos que atuam na neurotransmissão GABAérgica afetam o metabolismo do GABA ou a atividade de seu receptor. A maioria dos agentes farmacológicos que afetam a neurotransmissão GABAérgica atua sobre o receptor GABAA ionotrópico (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). Inibidores do metabolismo do GABA - Classe de medicamentos que competem pelo transpor- tador do neurotransmissor GABA tanto nos neurônios quanto nas células da glia. Possuem indicação para epilepsia, uma vez que aumentam a concentração do neurotransmissor extra sináptico. São absor- vidos oralmente com biodisponibilidade de 90%, apresentam metabolismo hepático, principalmente pela CYP3A4, sem indução enzimática (GOLAN et al., 2014). Benzodiazepinas - Os benzodiazepínicos são os compostos que possuem transporte pela barreira hematoencefálica, deste modo, apresentam grande potencial de efeitos no SNC. O mecanismo de ação desta classe está relacionado com aumento/potencialização dos canais de cloreto, ocasionando no influxo deste íon para o meio intracelular do neurônio, resultando na hiperpolarização (RANG et al., 2016). O ponto fundamental neste mecanismo é de que os benzodiazepínicos não ativam os receptores GABA inativos na ausência dos neurotransmissores GABA, isso confere proteção a superdosagem fatal. Entretanto, a margem de segurança diminui quando as benzodiazepinas são coadministradas com álcool ou outros sedativos/hipnóticos (GOLAN et al., 2014). Aplicações clínicas - Utilizados em diversas condições, tais como potencializadores do sono, facilitam o início do sono e também aumentam a duração total. Além disso, alteram a proporção dos vários estágios do sono: aumentam a duração do sono sem movimento ocular rápido (NREM) e dimi- nuem a duração do sono REM. Muitas benzodiazepinas, incluindo estazolam, flurazepam, triazolam e zolpidem são prescritas para o tratamento da insônia. Ansiolíticos: exercem efeito ansiolítico ao inibir as sinapses no sistema límbico, uma região do SNC que controla o comportamento emocional. As classes utilizadas são: diazepam e alprazolam; Sedativos: a diferença da ação ansiolítica x sedativa está relacionada quanto à velocidade de início e duração dos efeitos. Como exemplo, podemos analisar a ação do flurazepam, este apresenta tempo de ação longo, utilizado na facilitação do início e a manutenção do sono, assim seu elevado tempo de eliminação (aproximadamente 72 horas), resulta no acúmulo de metabólitos ativos que podem oca- sionar sedação diurna (GOODMAN; GILMAN, 2012; RANG; DALE, 2016). Farmacocinética e metabolismo - A lipossolubilidade confere a esta classe uma absorção rápida e completa, deste modo, pode ser administrada por diferentes vias: Oral, intravenosa e intramuscular. Apresenta metabolização hepática, sendo eliminados na urina (FUCHS; WANN- MACHER; FERREIRA, 2010). Efeitos adversos - Classe considerada segura devido seu mecanismo depender da modulação dos re- ceptores GABAA. Altas doses raramente estão associadas à morte, a não ser que sejam administradas com outros fármacos ou substâncias, como etanol, depressores do SNC, analgésicos opioides ou antidepressivos tricíclicos. O aumento da depressão do SNC, observado com o uso concomitante de etanol, decorre de efei- tos sinérgicos sobre os receptores GABAA e da inibição da CYP3A4 mediada pelo etanol. Esta intoxicação pode ser revertida pelo uso do antagonista flumazenil (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). UNIDADE 6 133 Você sabia que a cada 100 mortes 1 está relacionada ao suicídio? E que atualmente jovens na faixa etária entre 15-20 anos são os que mais sofrem este tipo de acometimento? Pensando nisso, a Organização Mundial de Saúde levou a discussão aos seus fóruns mundiais, para chamar a atenção de um problema, muitas vezes, negligenciado em muitos países. No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, desde 2014, promove discussões no mês de se- tembro com o objetivo de prevenir e reduzir estes números. 10 DE SETEMBRO 10 DE SETEMBRO Dia Mundial na PREVENÇÃO DO SUICÍDIO Descrição da Imagem: Imagem apresenta uma mão na coloração rósea saindo do canto inferior esquerdo da imagem, esta mão apresenta-se com braço esticado e entre ela passa-se um laço de uma corda marrom, assim, a mão segura essa corda com os dedos fechados no canto superior do laço. Em cima desta mão, temos uma tesoura com cabo preto e pontas pontiagudas cinzas, em direção a corda no ato de cortar. Esta tesoura é empunhada por outra mão que surge no canto direito superior também na coloração rósea. Ao lado da imagem estão os dizeres, ou seja, 10 de setembro - Dia Mundial na Prevenção do Suicídio. Figura 3 - Imagem que representa o dia mundial na prevenção do suicídio UNICESUMAR 134 NEUROTRANSMISSÃO GLUTAMATÉRGICA - As sinapses glutamatérgicas se estendem por todo SNC, desencadeando respostas excitatórias principalmente em neurônios motores, sensoriais, memória e neurotoxicidade cerebral em função da isquemia cerebral. Sua farmacologia atual é limitada, sendo, ainda, um campo de pesquisa vasto a ser explorado (GOODMAN; GILMAN, 2012). Receptores do glutamato - Assim como os GABAérgicos, são divididos em subgrupos ionotrópicos e metabotrópicos. Receptores ionotrópicos: atuam como respostas sinápticas excitatórias rápidas. Assim, após sua ativação, provocam o fluxo de sódio, cálcio e potássio pelas membranas plasmáticas. Existem três subtipos (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010): AMPA (ácido α-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazol propiônico) estão localizados em todo o SNC, particularmente no hipocampo e córtex cerebral. A sua ativação resulta, principalmente, no influxo de sódio e em menor concentração de potássio (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Cainato expressos em todo o SNC, particularmente em hipocampo e cerebelo (GOODMAN; GILMAN, 2012). NMDA (N-metil-D-aspartato) são expressos, principalmente, em hipocampo, córtex cerebral e medula espinal. Sua ativação exige a ligação simultânea de glutamato e glicina, possibilitando o influxo dos íons sódio, potássio e cálcio (GOODMAN; GILMAN, 2012). Receptores metabotrópicos de glutamato - Os receptores metabotrópicos de glutamato (mGluR) consistem em uma proteína de domínio transmembrana que atravessa sete vezes a membrana, acoplada por meio de proteínas G a vários mecanismos efetores. Estes receptores provocam excitação neuronal por meio da ativação da fosfolipase C (PLC) e da liberação de cálcio (GOODMAN; GILMAN, 2012). Farmacologia da neurotransmissão glutamatérgica - Doenças neurodegenerativas - A ocorrência de níveis elevados de glutamato desregulado (excitotoxicidade) foi mencionada em doença de Huntington, doença de Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica (ELA) (GOLAN et al., 2014). Os pacientes com ELA apresentam comprometimento dos transportadores de glutamato em medula espinhal e córtex motor. Esses transportadores de glutamato anormais possibilitam o acúmu- lo de concentrações elevadas de glutamato na fenda sináptica, levando, possivelmente, à morte dos neurônios motores por excitotoxicidade (GOLAN et al., 2014). A excitotoxicidade em decorrência da liberação excessiva de glutamato também foi citada na progressão da demência na doença de Alzheimer. A memantina é um antagonista não competitivo dos receptores NMDA, utilizado no tratamento dessa doença (GOLAN et al., 2014; WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). Epilepsia - As convulsões podem resultar da estimulação excessiva das vias glutamatérgicas, principalmente relacionada aos receptores AMPA. Foi sugerido que a inibição da ativação dos receptores AMPA impede o início das convulsões, enquanto os antagonistas dos receptoresNMDA diminuem a intensidade e a duração das convulsões, assim, o fármaco lamotrigina atua estabilizando o estado inativado do canal de sódio, diminuindo a excitabilidade da membrana, a quantidade de potenciais de ação em um surto e a liberação de glutamato (GOLAN et al., 2014; WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). UNIDADE 6 135 NEUROTRANSMISSÃO DOPAMINÉRGICA - A dopamina (DA) é um alvo terapêutico para múl- tiplos fármacos, uma vez que este neurotransmissor está relacionado à doença de Parkinson e esquizo- frenia. Além disso, este neurotransmissor pertence à classe das catecolaminas e atuam como precursor dos outros neurotransmissores catecolamínicos, a norepinefrina e a epinefrina (RANG; DALE, 2016). Processo Dopaminérgico - A DA é sintetizada no citoplasma do neurônio e segue para vesículas secretoras; sendo armazenadas, elas aguardam o processo de sinalização para liberação na fenda sináp- tica. Após a liberação da DA na fenda sináptica, ela pode: ligar-se aos seus receptores pós-sinápticos ou autorreceptores pré-sinápticos, e absorvida pelo neurônio pré-sináptico, caminho mais comum onde o “retorno” da DA pré-sináptica ocorre por uma proteína transmembrana, o transportador de dopamina (TDA) (RANG; DALE, 2016). Outro caminho é ser degradado pela enzima monoamina oxidase (MAO), que é uma enzima-chave, cuja função consiste em finalizar a ação das catecolaminas tanto no cérebro quanto na periferia. A MAO é encontrada em duas isoformas: a MAO-A, que é expressa no cérebro, bem como na periferia; e a MAO-B, que se concentra no SNC (RANG; DALE, 2016). Descrição da Imagem: a imagem apresenta fundo marrom claro, com quatro mãos uma, sobreposta a outra, segurando um desenho de uma cabeça humana na coloração rosa claro. Esta cabeça apresenta, no seu interior, na parte superior do crânio, um cérebro ana- tomicamente representado na coloração rosa escuro. Dentro deste cérebro se encontram ondas cerebrais na coloração branca que “cortam” todo o cérebro da esquerda para direita e que sobem e descem ao decorrer do percurso, representando as ondas cerebrais. Figura 4 - Representação as ondas cerebrais no Sistema Nervoso Central UNICESUMAR 136 Ambas as isoformas da MAO podem degradar a dopamina, a MAO-B apresenta maior capacidade e seletividade de quebra, assim, fármacos que atuam inibindo esta enzima são utilizados para aumentar a função da DA no SNC. Por outro lado, a inibição da MAO-A retarda a degradação de todas as cate- colaminas centrais e periféricas; inibição da MAO-A pode levar a uma toxicidade potencialmente fatal quando combinada com agentes que liberam catecolaminas, como o simpaticomimético de ação indireta, a tiramin , encontrado em certos vinhos e queijos (RANG; DALE, 2016; GOODMAN; GILMAN, 2012). Receptores de dopamina - as propriedades dos receptores de dopamina foram originalmente clas- sificadas com base em seu efeito sobre a formação do AMP cíclico (AMPc): a ativação dos receptores de classe D1 leva ao aumento do AMPc, enquanto a ativação dos receptores da classe D2 inibe a produção de AMPc. Ambos os receptores D1 e D2 são expressos em altos níveis no estriado (núcleo caudado e pu- tamen), no qual desempenham um papel no controle motor dos núcleos da base, bem como no nucleus accumbens. Os receptores D2 também são expressos em altos níveis nos lactotrofos da adeno-hipófise, nos quais regulam a secreção de prolactina, além disso, seu papel na esquizofrenia é suportado pela amortização dos sintomas quando fármacos atuam neste receptor (GOODMAN; GILMAN, 2012). Vias centrais de dopamina - Sistema nigroestriatal: compreende o maior trato dopaminér- gico, contendo, aproximadamente, 80% da DA do cérebro. Esse trato se projeta e se comunica com o núcleo caudado e o putamen, que juntos apresentam o nome de estriado, intimamente relacionados ao controle e ajuste do movimento. Deste modo, os neurônios dopaminérgicos do sistema nigroestriatal estão envolvidos na estimulação do movimento intencional. Sua degeneração resulta em anormalidades do movimento, que são características da doença de Parkinson (GOODMAN; GILMAN, 2012; RANG; DALE, 2016). Área tegmental ventral: apresenta projeções para córtex, nucleus accumbens e outras estruturas límbicas, áreas intimamente relacionadas com comportamentos motivacionais, pensamentos, afeti- vas e recompensa (reforço positivo). Deste modo, a relação do comprometimento destas áreas está relacionado com esquizofrenia (MACHADO, 2014; RANG; DALE, 2016). UNIDADE 6 137 VIAS DOPAMINÉRGICAS Estriado Cerebelo Substância Negra Via Ventral tegmental Glândula Pituitária CÓRTEX FRONTAL Hipotálamo Descrição da Imagem:a imagem representa as vias dopaminérgicas no sistema nervoso central, assim temos um sistema nervoso com corte anatômico, nele se apresenta o telencéfalo em roxo claro na parte superior, o mesencéfalo no meio da imagem em amarelo, o cerebelo no canto direito da imagem em branco com riscos amarelos e, por fim, um risco preto no meio da imagem em direção ao mesencéfalo representando o Tronco encefálico. Destas estruturas representadas anteriormente, inicia-se as projeções das vias do- paminérgicas representadas por traços vermelhos, assim temos: Via Ventral tegmental, que se inicia com um círculo amarelo, abaixo do mesencéfalo e se projeta com cinco flechas em direção ao córtex frontal do cérebro, representado na região superior esquerda da imagem, destas quatro flechas chegam ao córtex e uma no hipotálamo um pouco abaixo na imagem. A próxima área Substância Negra se inicia ao lado da área ventral também na parte inferior do mesencéfalo e se projeta com três flechas para o próprio mesencéfalo que está anatomicamente acima desta área. Figura 5 - Representação das vias Dopaminérgicas no sistema nervoso central Após uma breve introdução ao mundo da Dopamina, vamos explicar a ação farmacológica da Doença de Parkinson. Doença de Parkinson - Na doença de Parkinson, há perda seletiva de neurônios dopaminér- gicos na parte compacta da substância negra, estima-se que quando essa perda neuronal chega a pelo menos 60-70%, surgem os primeiros sintomas. Essa perda resulta em comprometimentos motores clássicos como: bradicinesia ou lentidão dos movimentos; rigidez, uma resistência ao movimento passivo dos membros; comprometimento do equilíbrio postural e, principalmente, o tremor característico quando os membros estão em repouso (GOLAN et al., 2014). UNICESUMAR 138 Agentes farmacológicos - A maioria das intervenções farmacológicas atualmente utilizadas na doença de Parkinson visa a restauração dos níveis da DA no cérebro, entretanto, a administração da própria dopamina não é recomendada devido à sua incapacidade de penetrar a Barreira Hematoencefálica (BHE) (MACHADO, 2014). Analisando este aspecto, antes de entramos no perfil farmacológico, a meta de grande parte da pesquisa atual consiste em desenvolver tratamentos neuroprotetores e neu- rorestauradores, capazes de retardar ou eliminar a necessidade de tratamento sintomático e evitar as complicações tardias da doença (GOODMAN; GILMAN, 2012; RANG; DALE, 2016). Precursores de dopamina - Levodopa (L-DOPA): consegue facilmente ultrapassar a BHE e, consequentemente, ser convertida em dopamina pela enzima Dopa Carboxilase. Algumas reco- mendações na administração deste fármaco garante a eficácia do tratamento como: administrar longe de refeições hiperproteicas, uma vez que, uma grande concentração de aminoácidos interfere diretamente no transporte da L-DOPA pela BHE; não é administrada pela via oral em jejum, uma vez que, mesmo sendo rapidamente absorvida, ocorre a conversão de L-DOPA em DA pela enzima Dopa Carboxilase no trato gastrointestinal e não no SNC. Isso resulta em efeitos adversos periféricos e, consequentemente, diminuição da concentração no SNC e pouco efeito terapêutico (GOLAN et al., 2014). Analisando estes aspectos, a L-DOPA quase nunca é prescrita isoladamente, isso porque, quando administrada isoladamente, apenas 1-5% da doseatinge efetivamente o SNC. Deste modo, normalmente, ocorre a administração concomitantemente a Carbidopa. Descrição da Imagem: a imagem representa os sintomas clássicos da Doença de Parkinson, assim, e para isso, apresenta quatro homens idosos. Estes homens, em todas as imagens, são representados por um senhor de cabelos brancos acinzentados, com face rosada, óculos cinza, olhos pretos e bochechas marcadas em rosa, com uma camisa de manga longa verde, uma calça marrom clara e sapatos marrons escuros. Na primeira imagem, da esquerda para direita, este senhor se apresenta imóvel, com os dois braços perto do corpo e mãos paralelas aos braços, representando a bradicinesia (dificuldade em realizar movimentos); na segunda imagem, o senhor se apresenta inclinado para trás com expressão de espanto como se fosse cair, sua mão esquerda está no ar, apresentando o sintoma de dificuldade de execução do movimento. Na terceira imagem, apresenta-se parado e com a sua mão direita representando um tremor, sintoma clássico da Doença de Parkinson, que seria o tremor em repouso. Por fim, na última imagem, tem-se o senhor com tremores na perna direita, representando a “marcha parkinsoniana” ou seja, o movimento de marcha característico da Doença de Parkinson. Figura 6 - Representação dos sintomas clássicos da Doença de Parkinson UNIDADE 6 139 Carbidopa: impede efetivamente a conversão da levodopa em DA na periferia ao inibir a enzima Dopa Carboxilase, vale ressaltar que este fármaco não ultrapassa a BHE, deste modo, não interfere nesta conversão no SNC. Esta associação aumenta em quase 10-15% a concentração disponível da L-DOPA no SNC, possibilitando uma redução significativa na dose de levodopa e uma diminuição na incidência de efeitos adversos periféricos. NEUROTRANSMISSÃO SEROTONINÉRGICA - O neurotransmissor serotonina (5-hidroxitrip- tamina; 5-HT), constitui o alvo de muitos dos fármacos usados no tratamento de transtornos psiquiátri- cos, entre eles: Depressão, Ansiedade Generalizada e Transtorno Afetivo Bipolar (RANG; DALE, 2016). Síntese e regulação da serotonina - A serotonina é sintetizada do aminoácido triptofano pela enzima triptofano hidroxilase (TPH), que converte o triptofano em 5-hidroxitriptofano. Em segui- da, a L-aminoácido aromático converte o 5 - hidroxitriptofano em serotonina. Essas enzimas estão presentes em todo o citoplasma dos neurônios serotoninérgicos, tanto no corpo celular quanto nos processos celulares. A serotonina é concentrada e armazenada no interior de vesículas localizadas em axônios, corpos celulares e dendritos e, ao ser liberada, pode apresentar caminhos como: Retorno ao neurônio Pré-sináptico: os transportadores seletivos da recaptação de serotonina reciclam a 5-HT do espaço extracelular de volta ao neurônio pré-sináptico. Receptores de serotonina - Foram caracterizados inúmeros receptores, mas, em geral, as principais classes são: Receptores 5-HT1: inibe a atividade celular pela via da Gi (diminuindo a atividade da adenilciclase e abrindo os canais de K+). Receptores 5-HT2: aumenta a sinalização pela via da Gq, resultando em renovação do fosfatidilinositol. Fisiopatologia dos transtornos afetivos - A 5-HT desempenha papel fundamental na modulação do humor, ciclo de sono-vigília, motivação e recompensa, uma vez que suas projeções são difusas por todo SNC, principalmente para o mesencéfalo. Deste modo, a ampla variedade de processos comportamen- tais e psicológicos regulados por esses dois neurotransmissores explica a variedade semelhantemente ampla de distúrbios que podem ser tratados por medicamentos que alteram os níveis ou a sinalização pós-sináptica de 5-HT (GOLAN et al., 2014). UNICESUMAR 140 Descrição da Imagem: : imagem representa pessoa com sintomas depressivos, nota-se uma menina sentada com calça jeans azul escuro, cabelo longo verde e sapatos e camisa em azul claro. Esta menina está sentada de olhos fechados e expressão fechada, com as duas mãos entrelaçadas à perna e sob esta pessoa tem-se uma chuva provocada por uma nuvem azul escura quase cinza. Figura 7 - Representação dos sentimentos relacionados a depressão. A hipótese monoaminérgica propõe que os transtornos do humor são causados por di- minuição dos níveis de serotonina. Essa teoria começou a ser exposta entre as décadas de 40 e 50, quando pesquisadores observaram os efeitos de alguns medicamentos, e este efeitos estavam relacionados ao comportamento, sendo eles (FU- CHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010): Classes e agentes farmacológicos - Como a serotonina está envolvida em diversos processos fisiológicos, tanto centrais quanto periféricos, os agentes farmacológicos que alteram a sinaliza- ção serotoninérgica exercem ações diversas no cérebro (humor, sono, enxaqueca) no sistema gastrintestinal (GI). O mecanismo de ação destes fármacos atua no armazenamento, degradação e recaptação da Serotonina. Vamos analisá-los? Inibidores do armazenamento da sero- tonina - A anfetamina interfere na capacida- de das vesículas sinápticas no armazenamento da serotonina; uma vez que provocam o des- locamento do neurotransmissor da vesícula, aumentam sua liberação na fenda sináptica. Este tipo de mecanismo é considerado útil em quadros depressivos e podem ser combinados a outros medicamentos no tratamento do TDAH (RANG; DALE, 2016). Por apresentarem uma elevação nos níveis de serotonina em todo SNC, esses fármacos exibem substancial potencial de uso abusivo (GOLAN et al., 2014). UNIDADE 6 141 Inibidores da degradação da serotonina - Como analisado anteriormente, a MAO exerce a principal via de degradação dos neurotransmissores na fenda sináptica, assim ocorre também com a serotonina; os inibidores desta enzima, classificados como “inibidores da enzima monoaminoxidase” (IMAO), são classificados com base em sua especificidade para as isoenzimas MAO-A e MAO-B, e de acordo com a reversibilidade ou irreversibilidade de sua ligação (RANG; DALE, 2016). Seu mecanismo de ação é simples, inibindo a via de degradação na fenda sináptica, aumentando a concentração dos neurotransmissores no local. Apresentam efeitos adversos e tóxicos, principalmente relacionados aos efeitos gastrointestinais e hepáticos relacionados ao consumo concomitante da tiramina, subs- tância encontrada em carnes, queijos e vinhos. Este composto possui a capacidade de estimu- lar a liberação das catecolaminas e, consequente- mente, inibir sua recaptação, deste modo, associado aos IMAO, provocam um au- mento exacerbado de neurotrans- missores, induzindo crises hipertensivas, taquicardia, arritmias cardíacas e acidente vascular encefálico (GOODMAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Inibidores da recaptação - Antes de abordarmos as principais classes dos agentes serotoninérgicos, temos que analisar a seguinte questão neurofisiológica, que embasará seu estudo na farmacologia desta classe. A concentração dos neurotransmissores serotoninérgicos na fenda sináptica é mantido em equilíbrio, ou seja, sua liberação, recaptação e degradação atuam de maneira a deixar a concentração balanceada. Deste modo, ao inibir a recaptação dos neurotransmisso- res na fenda, ocorre um aumento significativo da concentração de serotonina, sendo fármacos muito utilizados no tratamento da depressão e ansiedade (KATZUNG; GRAW, 2013). Agora, vamos analisar as principais classes desses medicamentos: Antidepressivos tricíclicos (ADT) - Os ADT possuem a capacidade de inibir a recaptação de Serotonina e Noradrenalina na fenda sináptica, assim, aumentam a concentração e não atuam sobre Dopamina. São exemplos desta classe: imipramina, amitriptilina, desipramina, nortriptilina e clomi- pramina (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). UNICESUMAR 142 O mecanismo molecular da inibição dos transportadores ainda não foi elucidado, entretanto, sabe-se que este aumento na concentração de neurotransmissores na fenda sináptica potencializa os disparos pós-sinápticos e, consequentemente,apresente um efeito excitatório no neurônio. Deste modo, ADT apresenta efeito terapêutico benéfico no tratamento da depressão, enxaqueca e outros distúrbios do- lorosos (KATZUNG; GRAW, 2013). Os efeitos adversos mais limitantes ao seu uso, incluem problemas cardiovasculares, uma vez que interferem em canais de sódio, diminuindo o potencial de ação na condução do impulso cardíaco. Outros efeitos mais comuns incluem (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010): Efeito Colinérgico: devido ao bloqueio de receptores muscarínicos: boca seca, vômito, visão turva. Efeitos Anti-Histamínicos: sedação, ganho de peso. Efeitos Antiadrenérgicos: Hipotensão, taquicardia e sonolência. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) - Classe que revolucionou o tratamento dos transtornos psiquiátricos. Sendo apresentado ao mercado na década de 80, a Fluoxetina se tornou, rapidamente, um dos fármacos mais prescritos como primeira escolha, principalmente no transtorno depressivo. Outros medicamentos desta classe incluem: citalopram, fluvoxamina, paroxetina, sertralina e escitalopram (GOLAN et al., 2014; KATZUNG; GRAW, 2013; WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). Apresentam mecanismo de ação semelhante aos ADTs, entretanto, com especificidade na recaptação somente da serotonina. No que diz respeito à eficácia clínica, pouca ou nenhuma diferença aos ADTs, entretanto, sua grande “vantagem” está relacionada a menos efeitos adversos, principalmente ausência de efeitos cardiovasculares, já que apresentam uma maior seletividade (GOLAN et al., 2014). Deste modo, os ISRS são, em geral, mais bem tolerados que os ATC e apresentam melhor índice terapêu- tico. Entretanto, mesmo com essas vantagens, apresentam efeitos adversos que devem ser considerados como: Problemas Gastrointestinais, Insônia, disfunção sexual e rigidez muscular (GOLAN et al., 2014). Sinapse Pré sináptico serotoninérgico Vesículas com serotonina Serotonina serotonina Aumentar a ligação de serotonina - Neurotransmissor Aumentada Eduzindo a concentração de serotonina na fenda sináptica Inibidores da recaptação de serotonina Aumento do neurotransmissor na fenda sináptica Neurônio pós sináptico UNIDADE 6 143 Descrição da Imagem: :a imagem representa o mecanismo de ação dos antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina. Nela tem-se duas sinapses representadas. A primeira sinapse, na parte superior da imagem, representa a transmissão serotoninérgica com neurônio pré-sináptico serotoninérgico, contendo vesículas com serotonina, esta transmissão apresenta um problema, uma vez que, ao liberar a serotonina representada por círculo rosa, ela retorna para o próprio neurônio pelo processo de recaptação mediado pelo transportador acoplado no neurônio pré-sináptico representado em azul escuro reduzindo a concentração de serotonina na fenda sináptica, deste modo, dificultando a ligação da serotonina no seu receptor pós-sináptico representado por um triângulo em roxo no neurônio pós-sináptico. A segunda imagem, apresenta o mecanismo de ação dos fármacos Inibidores da recaptação de serotonina, representados em verde, este promove o bloqueio do mecanismo de recaptação da serotonina da fenda sináptica para o neurônio pré-sináptico representado em azul escuro. Com este, bloqueio nota-se um aumento do neurotransmissor na fenda sináptica repre- sentado por círculos rosados, promovendo maior conexão com seus receptores pós-sinápticos representados por triângulos roxos e, consequentemente, maior efeito. Figura 8 - mecanismo de ação dos antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina UNICESUMAR 144 Inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (IRSN) - Embora os ISRS sejam agentes de primeira linha úteis para o tratamento da depressão, existe uma população significativa de pacientes que só responde parcialmente, sendo assim, uma classe mais recente de fármacos, conhecida como agentes “duais”, ou seja, inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (IRSN), que demonstrou ser particularmente útil nesse grupo de pacientes, são eles: venlafaxina, duloxetina e milnaciprana (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010; KATZUNG; GRAW, 2013). A venlafaxina bloqueia o transportador de recaptação de 5-HT em baixas concentrações e atua no transporte de NE em altas concentrações; a duloxetina também inibe, especificamente, a recaptação de NE e de 5-HT, e foi aprovada para o tratamento da depressão; a milnaciprana é um inibidor seletivo da recaptação de NE e de 5-HT que foi recentemente aprovada para o tratamento da fibromialgia (KATZUNG; GRAW, 2013). Descrição da Imagem: a imagem apresenta um cérebro representado anatomicamente e com dois tênis azul claro. Esse cérebro está em rosa claro e seus lobos e giros traçados em rosa escuro. Ele se apresenta com olhos roxos fechados, sobrancelhas cerradas e boca em expressão de dor ou tristeza, os dois braços também em roxo escuro para baixo representando cansaço. Figura 9 - cérebro com problemas, apresentando cansaço e choro. UNIDADE 6 145 Antidepressivos atípicos - Esta classe inclui os medicamentos que não se enquadram em nenhuma outra classe acima, com mecanismos de ação desconhecidos ou que ainda não foram totalmente ca- racterizados e apresentam algum efeito nas comorbidades do SNC. Esses agentes incluem bupropiona, mirtazapina, nefazodona e a trazodona (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). A bupropiona parece atuar por mecanismos semelhantes aos das anfetaminas e mostra-se particu- larmente útil no tratamento da depressão atípica, por aumentar os níveis de serotonina e de dopamina no cérebro. A principal contraindicação ao uso da bupropiona consiste em predisposição a convulsões, visto que o fármaco diminui o limiar convulsivo (WHALEN; PANAVELIL; FINKEL, 2016). A mirtazapina bloqueia os receptores 5-HT2A e 5-HT2C pós-sinápticos apresentando um potente efeito sedativo, além de estimulante do apetite, tornando-a um antidepressivo particularmente útil para a população idosa (KATZUNG; GRAW, 2013). A nefazodona e a trazodona também bloqueiam os receptores 5-HT2A e 5-HT2C pós-sinápticos e de modo global, os antidepressivos atípicos apresentam relativamente poucos efeitos adversos e sua eficácia clínica é significativa nos transtornos depressivos (KATZUNG; GRAW, 2013; GOODMAN; GILMAN, 2012; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). Você sabia que podemos modular a liberação de neurotransmissores e neuro-hormônios no siste- ma nervoso central? Incrível né? Isso ocorre quando nosso corpo passa por experiências positivas ou negativas, ou seja, aquela sensação de bem-estar após um exercício físico e aquele prazer re- lacionado a uma bela refeição estão relacionados à liberação de substâncias que tornam aquele momento mais prazeroso, bem como aquela sensação de estresse, os problemas que surgem no trabalho também liberam substâncias relacionadas ao mal-estar e que trazem prejuízo ao organismo. Deste modo, equilibrar o seu dia, com uma dieta adequada e precisa de exercícios, além de trazer benefícios à saúde, como apresentamos nos capítulos passados, faz com que seu sistema nervoso trabalhe a favor da sua sensação de prazer e bem-estar. Então, bora correr, andar de bicicleta e fazer uma boa alimentação? Espero que, ao final deste intrigante capítulo, você tenha tido uma expe- riência interessante no mundo da neurofarmacologia e tenha aprendido o máximo possível nos distintos caminhos do sistema nervoso central. Assim, convidamos você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a impor- tância destes conhecimentos apresentados no capítulo no entendimento dos processos neuroquímicos que modulam o nosso comportamento https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10156 UNICESUMAR 146 Título: TEMPO DE DESPERTAR Ano: 1990 Sinopse: Bronx, 1969. Malcolm Sayer (Robin Williams) é um neurologis- ta que conseguiu emprego em um hospital psiquiátrico. Lá ele encontra vários pacientes que aparentemente estão catatônicos, mas Sayer sente que eles estão só "adormecidos"e que se forem medicados da maneira certa poderão ser despertados. Assim, pesquisa bem o assunto e chega à conclusão de que a L-DOPA, uma nova droga que já estava sendo usada para pacientes com o Mal de Parkinson, deve ser o medicamento ideal para estes casos. No en- tanto, ao levar o assunto para o diretor, ele autoriza que apenas um paciente seja submetido ao tratamento. Imediatamente Sayer escolhe Leonard Lowe (Robert De Niro), que há décadas estava "adormecido". Gradualmente Lowe se recupera e isto encoraja Sayer em administrar L-DOPA nos outros pacientes, sob sua supervisão. Comentário: O filme demonstra os efeitos inicial, moderado e tardio com efeitos adversos da DOPAMINA em pacientes. Título: AMOR E OUTRAS DROGAS Ano: 2010 Sinopse: Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) após ser demitido do cargo de vendedor em uma loja de eletrodomésticos, passa a trabalhar num grande laboratório da indústria farmacêutica. Como representante comercial, sua função é abordar médicos e convencê-los a prescrever os produtos da empresa para os pacientes. Em uma dessas visitas, ele conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de mal de Parkinson. Inicialmente, Jamie fica atraído pela beleza física e por ter sido dispensado por ela, mas aos poucos descobre que existe algo mais forte. Maggie, por sua vez, também sente o mesmo, mas não quer levar o caso adiante por causa de sua doença. Comentário: Filme demonstra o progresso do Parkinson e busca pelo tratamento UNIDADE 6 147 Ao terminarmos a leitura deste ca- pítulo, esperamos que tenha perce- bido como os fár- macos que atuam no sistema nervo- so central possuem funções distintas em decorrência da complexida- de do sistema nervoso central. Deste modo, que tal fazermos um levantamento dos 5 principais fár- macos utilizados no tratamento das condições relacio- nadas ao sistema nervoso central e relacionar seus efeitos adversos a idade e comor- bidades? 148 Estamos quase chegando ao final de mais um módulo, e este conteúdo talvez seja o mais denso e aprofundado até o momento. Também não poderíamos deixar o sistema que coordena nosso organismo explicado de forma superficial, você concorda? Deste modo, convido você a fazer um MAPA MENTAL utilizando as seguintes palavras: sistema nervoso central, vias, barreira hematoencefálica, gabaérgica, glutamatérgica, dopaminérgica, serotoninérgica, ansie- dade, ansiolíticos, sedativos, ISRS, ADT, levodopa, carbidopa, parkinson, esclerose lateral amiotrófica, depressão e TDAH. Porque o Mapa é fundamental neste capítulo? Analisando a complexidade dos conteúdos abordados e todas as suas conexões, sugerimos o Mapa para que você tenha a maior percepção de tudo o que foi abordado neste capítulo, assim, teremos a certeza de que todo o conteúdo que gostaríamos que aprendesse foi aprendido. SISTEMA NERVOSO CENTRAL DOPAMINA ANSIOLÍTICOS DEPRESSÃO ADT LEVODOPA GLUTAMATÉRGICA BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA 149 1. A neurofarmacologia é, talvez, o sistema mais complexo de atuação dos fármacos, isso ocorre devido à plasticidade neural encontrada entre as conexões neuronais. Considerando o con- texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. Os fármacos que atuam no sistema nervoso central possuem um caráter excitatório, deste modo, atuam ativando as sinapses e favorecem a condução do potencial de ação. PORQUE Possuem como mecanismo de ação a abertura de canais de cloreto, deste modo, aumentam a excitabilidade neuronal e, consequentemente, induzem a propagação do potencial de ação dentro do corpo do neurônio. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Analise o texto. “ Fármaco que quando utilizado impede efetivamente a conversão da levodopa em Dopamina através da inibição da enzima Dopa Carboxilase”. Assinale a alternativa que descreve corretamente o fármaco utilizado na doença de Parkinson inibindo a enzima Dopa Carboxilase: a) L-DOPA. b) Selegilina. c) Carbidopa. d) Fluoxetina. e) Imipramina. 150 3. Analise as afirmativas referente ao tratamento da obesidade. I) Os benzodiazepínicos apresentam efeitos potencializando a saída de cloreto do meio intra- celular, deste modo, deixando a célula hiperpolarizada. Medicamentos muito utilizados no tratamento da Ansiedade, uma vez que apresentam um adequado índice terapêutico. II) Fármacos que atuam nas vias dopaminérgicas nigro estriatais estão relacionados ao tratamento dos sintomas motores da doença de Parkinson. III) Os Antidepressivos Tricíclicos são muito utilizados na clínica, entretanto, apresentam limitações, principalmente pelos seus efeitos adversos relacionados à hipotensão. IV) As vias glutamatérgicas são muito utilizadas no tratamento das comorbidades do sistema nervoso central, uma vez que a ativação ou inibição dos seus receptores é considerada mais seguro do que os outros neurotransmissores. V) Os inibidores da Monoamina Oxidase se apresentam como uma boa associação aos Antide- pressivos Tricíclicos no tratamento da depressão, deste modo, aumentam progressivamente a concentração dos neurotransmissores, evitando efeitos de tolerância e dependência. Assinale a alternativa correta. a) Apenas as alternativas I e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. 4. Assinale a alternativa que descreve corretamente o mecanismo pelo qual os medicamentos que atuam no sistema nervoso central apresentam menor eficácia relacionado ao uso contí- nuo, necessitando, o ajuste da dose. a) Tolerância. b) Dependência. c) Efeitos Muscarínicos. d) Efeitos Colinérgicos. e) Efeitos Adrenérgicos. 7 Agora mudamos um pouco a temática do livro, passamos, deste capítulo em diante, a abordar o diversificado mundo da fitoquími- ca, ou seja, como as plantas atuam farmacologicamente no nosso organismo. Este tema traz muitas discussões e conceitos aos quais iremos abordar ao longo destes capítulos, desde os métodos de extração até a chegada do produto metabolicamente ativo ao consu- mo final com uma ação farmacológica. Esperamos que estes últimos capítulos sejam tão importantes quanto os anteriores, então vamos lá, iniciar esta gama de assuntos como: métodos de extração a frio e a quente e os equipamentos que mais são utilizados. Métodos de Extração e Produtos Naturais Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 152 Você já escutou falar da palavra “NUTRECÊUTI- COS”? Se sim, acredito que esta palavra já fez você perder algum tempo lendo sobre. Se não, então pre- ciso definir ela antes de começarmos: São compostos com potencial nutricional e farmacêutico ao mesmo tempo, normalmente, são compostos isolados de plantas. Deste modo, os princípios ativos das plantas são fundamentais no controle de condições, onde, antes, utilizava-se somente produtos farmacêuticos. Agora que você sabe o conceito, pense a respeito. Será que você já consumiu algum produto com estas ca- racterísticas? Estes produtos devem ser prescritos por quais profissionais? Existem efeitos adversos? Enfim, é um conceito relativamente novo, que iremos analisar ao longo deste capítulo, vamos juntos? Os produtos de origem vegetal se tornaram um grande atrativo para a indústria farmacêutica e mé- dica nos últimos anos, uma vez que se apresentam com inúmeras possibilidades de aplicação em diversas áreas. Sua análise é muito complexa e sua extração demanda uma grande complexidade, contudo, suas possibilidades sãomuito exploradas no contexto da indústria atual. Você sabia que a maioria dos medi- camentos disponíveis para comércio tem origem de algum princípio ativo vegetal? Se não, sem proble- mas, iremos descrever, neste capítulo, como ocorre o processo de identificação, seleção da matéria-prima, extração do princípio ativo, os métodos mais indi- cados para melhor garantir a qualidade do produto final, com objetivo terapêutico. Pense a respeito dos produtos que consome no dia a dia. Agora, reflita se eles podem apresentar efeito farmacológico ou efeitos adversos? Pensando nisso, analise quais alimentos naturais ou fitoterá- picos está consumindo e analise se eles possuem efeitos terapêuticos. Registre suas reflexões no Diá- rio de Bordo. Vamos lá? UNIDADE 7 153 Atualmente, não há como pensar no tratamento das doenças sem a associação dos produtos naturais. Isso é observado pelo simples fato de que a maioria dos medicamentos disponíveis na farmácia com múltiplos princípios ativos são, na sua grande maioria, oriundos de plantas ou metabólitos produzidos pelas plantas. Temos que analisar que o caminho desde a classificação, extração, análise biológica, química e testes em animais e humanos são um caminho longo e complexo. Deste modo, a produção de qual- quer medicamento a base de plantas encontra, muitas vezes, barreiras desde sua extração até sua real disponibilidade no mercado. Também esbarramos no problema da falta de informação da população em geral, que tende a associar produtos naturais a substâncias inócuas, ou seja, que não produzem efeitos adversos no organismo. Portanto, nosso objetivo neste capítulo é aprofundar e esclarecer os processos extrativos e de análise dos princípios ativos a base de plantas, deste modo, convidamos você a realizar um Diário de Bordo, com objetivo de que possamos analisar seu conhecimento prévio sobre o assunto e, depois disso, podemos começar nossa imersão neste capítulo recheado de informações. UNICESUMAR 154 Biodiversidade é definida como “variabilidade de organismos vivos com múltiplas origens e ecossistemas”. Neste sentido, o Brasil é considerado um dos locais com maior biodiversidade do planeta, com uma estimativa entre 180 a 210 mil espécies, sendo correspondente a 13% de todo o mundo (SIMÕES et al., 2017). Descrição da Imagem: a imagem representa a floresta amazônica e toda sua biodiversidade, é uma foto com visão superior da mata, com um tronco marrom de árvore a sua direita, e ao fundo, as copas das árvores verdes, com o pôr do sol amarelado acima das copas das árvores. Figura 1 - Representação da floresta amazônica Neste aspecto, foi criado o Catálogo Taxonômico da Fauna Brasileira, com participação de pes- quisadores do país todo, esta iniciativa registrou mais de 100 mil espécies de animais e plantas de interesse científico. Em termos gerais, os dados coincidem com as estimativas prévias de riqueza realizadas para a fauna brasileira. Neste sentido, mesmo com essa riqueza de plantas presentes no nosso país, devemos ter processos extrativos eficientes para que os metabólitos ativos de interesse clínicos sejam extraídos, deste modo, agora, iniciaremos uma grande imersão neste mundo dos métodos extrativos. Vamos? Antes do processo de extração, é importante analisarmos como o material chega até o labo- ratório ou indústria que irá realizar o processo de extração, deste modo, vamos abordar alguns pontos importantes como: UNIDADE 7 155 Plantio: após preparo correto do solo e análise da melhor estação para plantio, recomenda-se evi- tar a monocultura para as plantas medicinais. A associação ou consorciação entre plantas de espécies diferentes deve ser uma prática constante, sempre procurando associar as plantas. Há plantas que têm um certo antagonismo entre si, como os manjericões, a arruda e o funcho, que devem ficar afastados da maioria das plantas (PEREIRA et al., 2011). Colheita: deve-se analisar muito bem o ponto da colheita, para que ocorra o melhor apro- veitamento na qualidade dos produtos naturais a serem extraídos, uma vez que, nas espécies medicinais, a produção de substâncias com atividades terapêuticas apresentam alta variabilidade. O ponto de colheita varia de acordo com o órgão da planta, estágio de desenvolvimento e época do ano e hora do dia. O estágio de desenvolvimento é muito importante para que se determine o ponto da colheita, principalmente (PEREIRA et al., 2011). Outro aspecto que se deve observar seria na distribuição das substâncias ativas que se encon- tra de forma irregular. Alguns grupos de substância se localizam preferencialmente em partes específicas (PEREIRA et al., 2011). Controle de qualidade: para o controle de qualidade devem ser anotados os seguintes dados: momento da colheita, condução da lavoura, local, produtor, condições de secagem etc. Imediata- mente após a colheita, o material deve ser encaminhado para a secagem. O consumo de plantas medicinais frescas garante uma ação mais eficaz dos poderes curativos nelas presentes, embora isso nem sempre seja possível, o que torna a secagem um método de conservação eficaz quando bem conduzido (SÃO PAULO, 2017). Armazenamento: • O local deve ser escuro, sem umidade e limpo. • As plantas devem ficar sobre estrados e não sobre o chão. • Plantas aromáticas devem ficar armazenadas separadas em embalagens herméticas, para evitar contaminação cruzada. • A embalagem deve ser etiquetada, fornecendo informações sobre o conteúdo, data da colheita, tipo de secagem, peso etc. • Limpeza e inspeções periódicas devem ser realizadas para evitar infestação por insetos ou pequenos animais (SÃO PAULO, 2017). PROCESSOS EXTRATIVOS - O objetivo da investigação fitoquímica é analisar a viabilidade e con- centração dos metabólitos secundários que podem possivelmente constituir substâncias com caráter farmacológico com potencial terapêutico (SIMÕES et al., 2017; AKISUE; OLIVEIRA; AKISUE, 2005). Os metabólitos de interesse como: alcaloides, ou então de forma ampla, em diversas taxas, como os compostos fenólicos simples. Nesse contexto, o processo de caracterização química objetiva a identi- ficação de grupos de metabólitos de uma espécie vegetal, cuja constituição química é desconhecida, a busca de um grupo específico de metabólitos em uma espécie já caracterizada previamente, visando ao isolamento desse metabólito de interesse e sua posterior caracterização estrutural ou, ainda, a in- UNICESUMAR 156 vestigação fitoquímica baseada em aspectos etnofarmacológicos e/ou quimiotaxonômicos (SIMÕES et al., 2017, AKISUE; OLIVEIRA; AKISUE, 2005). Descrição da Imagem: : a imagem apresenta um fundo desfocado, com incidência de raios solares onde se percebe uma vege- tação verde. A imagem, da esquerda para direita, apresenta uma mesa, onde tem-se: um ramo de planta com folhas verdes e três frutos, ao lado, uma placa de petri com duas folhas em um líquido amarelado, atrás desta placa, uma vidraria alta com um líquido transparente, e neste líquido um ramo de vegetal verde dentro. Ao lado um tubo vertical com líquido marrom até sua metade, ao lado, um béquer grande com três tubos verticais preenchidos até sua metade com líquido esverdeado e, por fim, no final da imagem um ramo de um galho com folhas verdes sob a mesa. Figura 2 - Representação dos métodos extrativos Agora iremos analisar as etapas para que ocorra o processo de extração dos metabólitos ativos de origem vegetal: Obtenção do material - Todo processo de investigação fitoquímica passa, necessariamente, pela verificação da autenticidade do material vegetal a ser analisado. Tais dados podem ser obtidos a par- tir de parâmetros botânicos como ensaios microscópicos e macroscópicos. Neste tipo de obtenção, é recomendado um depósito em herbanário oficial para identificação do material, assim, evita-se similaridade morfológica da planta a ser investigada (SIMÕES et al., 2017). UNIDADE 7 157 Preparação da amostra para análise - A investigação dos ativos na plantapode ser feita do ma- terial fresco ou seco; normalmente a opção do material a seco é mais utilizada, uma vez que a secagem do material proporciona facilidade na fragmentação e estabilidade microbiológica. No entanto, vale destacar que, dependendo do tipo de material a ser isolado e de suas características, a utilização do material a fresco é mais recomendado (COSTA, 2002; AKISUE; OLIVEIRA; AKISUE, 2005). Processos de Extração - Os processos de extração são utilizados para extrair a matéria desejada do vegetal, utilizando, normalmente, métodos que se baseiam nas características físico-químicas do vegetal, bem como processos de lavagem, deste modo, obtendo o metabólito de interesse. Estes pro- cessos são, normalmente, divididos em processos extrativos a frio e a quente (COSTA, 2002). A partir de agora, os métodos extrativos serão expostos para que você tenha uma boa noção de como ocorre a extração do material de interesse dos vegetais. Processos de extração a frio - Maceração: método baseado na extração da matéria-prima moída ou triturada, sendo realizada em recipiente fechado por um período considerado longo, de dias ou horas. Neste período ocorre a agitação pontual do material, sem que haja uma renovação do líquido extraído. Portanto, ocorre o que se chama de “esgotamento” do material vegetal (SIMÕES et al., 2017). Descrição da Imagem: a imagem representa o processo de maceração, assim, nela, temos ao centro um cadinho de madeira, e algumas folhas verdes dentro e um macerador de madeira acima, este macerador possui dois frisos em sua ponta. Ao fundo da imagem, percebe-se que o cadinho está sobre uma superfície amadeirada, nela tem-se treze folhas verdes alocadas de forma aleatória na imagem. Figura 3 - Representação dos métodos da maceração UNICESUMAR 158 Percolação: método sugerido para ser utilizado quando material de interesse é termossensível e com baixa concentração na planta. É um método mais dinâmico que o anterior, no qual ocorre a passagem contínua do líquido extrator no material, levando ao esgotamento (COSTA, 2002). Turbo-extração ou turbolização: método mais complexo que se baseia na extração do metabólito ao mesmo tempo que ocorre a redução das partículas, para isso, utiliza-se um Ultra- turrax. Esse método em conjunto de extração mais redução da matéria-prima favorece a extração e o tempo. Somado a isso, é considerado um método simples, barato e eficaz. O ponto negativo observado é de que há a redução do material, que pode levar a uma dificuldade na extração final do metabólito ativo (SIMÕES et al., 2017; COSTA, 2002). Processos de extração a quente - Os métodos de extração a quente são divididos em sistemas abertos e fechados, assim, a seguir, iremos apresentar as suas particularidades. Sistemas abertos - Infusão: processo simples com pouca demanda de utilização de equipamen- tos ou materiais especiais. Método indicado para extração de materiais moles. O método se baseia no contato direto de água fervente em recipientes cobertos, onde não ocorre a exaustão na extração do metabólito de interesse (SIMÕES et al., 2017). Sistemas fechados - Extração sob refluxo: método onde tanto o líquido quanto material são colocados em um mesmo recipiente que será aquecido, este ficará acoplado a um condensador. Método mais complexo que exige materiais e líquidos extratores específicos, assim, permite a extração de materiais voláteis (COSTA, 2002). Descrição da Imagem: a imagem apresenta um copo sobre um piso branco, ao fundo, uma folha verde grande. Este copo apre- senta um líquido transparente quase em sua totalidade, e dentro do copo um líquido verde sendo dissolvido e espalhando-se por todo o líquido transparente. Figura 4 - Representação dos métodos de infusão UNIDADE 7 159 Extração em Soxhlet: método semelhante ao anterior, com a diferença em que o material e o líquido ficam em locais distintos, possibilitando uma extração altamente eficiente e com quan- tidade reduzida de solvente (SIMÕES et al., 2017). Descrição da Imagem:a imagem apresen- ta três colunas representadas por vidrarias transparentes na parte superior, que estão acopladas a uma barra de ferro que as deixa na posição vertical. No meio destas colunas existe um líquido marrom. Estas vidrarias es- tão acampadas em uma vidraria arredondada, que está com líquido transparente um pouco abaixo da metade. E por fim, a vidraria arre- dondada está acoplada a um equipamento em inox que fornece o suporte a todo o sistema descrito. Figura 5 - Representação dos métodos de extração Soxhlet Análise fitoquímica - Após a utilização dos métodos extrativos, existe a necessidade de caracterizar os grupos metabólitos presentes no vegetal, para isso, utiliza-se ensaios clássicos que se baseiam em reações químicas. Contudo, antes da análise ser realizada, há necessidade do isolamento do material, assim, realiza-se processos que antecedem a análise propriamente dita como: Fracionamento e Isolamento: processos que viabilizam a obtenção dos metabólitos primários e secundários, por meio da redução de compostos com potenciais tóxicos e interferentes. A primeira UNICESUMAR 160 etapa para o isolamento dos metabólitos é a preparação dos extratos que normalmente são utilizados solventes líquidos, onde este processo tem como objetivo separar os compostos considerando sua solubilidade e seu coeficiente de partição em diferentes solventes” (SIMÕES et al., 2017, SCHULZ; HÄNSEL; TYLER, 2001). Após a preparação dos extratos e do processo de partição com solventes, a obtenção de frações enriquecidas ou o isolamento de compostos bioativos ocorre pelo uso de técnicas cromatográficas. O termo METABOLÔMICA é implementado para determinar um conjunto de metabólitos pre- sentes em um tecido. Os estudos são realizados partir de análises comparativas dos perfis metabólicos individuais, obtidos a partir de métodos analíticos, sendo feito em duas etapas: Primeira: envolve o cruzamento de informações relativas aos perfis metabólicos dos extratos investigados e às atividades biológicas observadas para esses compostos. Segunda: envolve análises metabólicas mais detalhadas. Descrição da Imagem: a imagem possui um fundo esverdeado, nela tem-se uma folha verde, que possui uma gota de líquido na sua ponta, este líquido, está caindo em um frasco marrom com a boca arredondada aberta. Neste frasco, encontra-se um líquido transparente que preenche até sua metade. Figura 6 - Representação dos métodos da extração dos princípios ativos A diversidade química e a complexidade do metaboloma tornam a análise simultânea dos perfis de todos os metabólitos um grande desafio. Atualmente, o emprego de apenas uma técnica analítica não é capaz de fornecer o volume necessário de dados para esse tipo de análise, fato que pode ser minimizado pelo uso de extrações seletivas e análises paralelas utilizando uma combinação de tecnologias para uma compreensão maior do metaboloma. Nesse contexto, as técnicas de separação acopladas às técnicas es- pectrométricas de alta eficiência são usadas para a obtenção das informações qualitativas e quantitativas sobre o maior número possível de constituintes de cada amostra (SIMÕES et al., 2017; COSTA, 2002). UNIDADE 7 161 Eletroforese capilar: métodos baseiam na diferença de migração de compostos iônicos ou ionizáveis na presença de um campo elétrico. Técnica com grande pos- sibilidade de investigar moléculas pequenas e simples até grandes e complexas como: ácidos graxos, proteínas e ácidos nucleicos. Assim, a técnica é utilizada na quantificação de metabólitos secundários (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). Técnicas cromatográficas - Os processos cromatográficos são ferramentas indispensáveis para extração e quantificação de produtos de origem natural. Estes processos podem ser divididos de acordo com as técnicas utilizadas e serão abordados a seguir. Descrição da Imagem:a imagem possui um fundo azulado e representa uma lâmina após a revelação do método cromatográficoem eletroforese. Esta lâmina está sendo segurada por uma mão, onde na imagem aparece apenas dois dedos. A lâmina, após a revelação, possui diversas cores que, da esquerda para direita, são pequenas faixas: Verde, Cinza, Rosa, Azul, Preta, Verde, Azul, Laranja, Preta, Rosa, Preta, Alaranjada, Roxo, Rosa e Preta. Figura 7 - Representação dos métodos cromatográficos UNICESUMAR 162 Cromatografia em papel (CP): técnica mais simples onde não requer equipamentos ou materiais específicos. Método baseado na fluidez de um líquido extrator em um papel de celulose que possui grande afinidade pela água presente no solvente. A medida que o solvente contendo o soluto flui através do papel, uma partição deste composto ocorre entre a fase móvel orgânica (pouco polar) e a fase estacionária aquosa. Desta forma, parte do soluto deixa o papel e entra na fase móvel. Com o fluxo contínuo de solvente, o efeito desta partição entre a fases móvel e estacionária possibilita a transferência do soluto do seu ponto de aplicação no papel, para um outro ponto localizado a alguma distância do local de aplicação no sentido do fluxo de solvente (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). Cromatografia em camada delgada (CCD): a fase estacionária é for- mada por um sólido (sílica ou poliamida), que se encontra dentro de uma placa de vidro, então, coloca-se em um recipiente contendo a fase móvel. A polaridade do solvente deverá ser de acordo com a substância que se deseja separar. A revelação da placa é feita com a aplicação de um reativo que de cor às substâncias de interesse (CASS; DEGANI, 2002). Cromatografia gasosa (CG): técnica muito utilizada pelo alto poder de resolução e análise de inúmeras substâncias na mesma amostra. O método se baseia em uma fase estacionária da cromatografia gasosa, é um material, líquido ou sólido que propicia a separação da mistura através de processos físicos e químicos. Na fase móvel é utilizada um gás, denominado gás de arraste, que transporta a amostra por meio da coluna de separação até o detector, onde os compostos separados são detectados. Os gases mais utilizados são o hélio (He), hidrogênio (H), nitrogênio (N) e argônio (Ar). Os detectores são dispositivos que transformam as variações na composição do gás de arraste em sinais elétricos (CASS; DEGANI, 2002). Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE): método utilizado para separação de espécies iônicas ou macromoléculas e compostos ter- molábeis. A principal característica é que a fase móvel dissolve a amostra sem qualquer interação química entre ambas. Esta fase deve ter alto grau de pureza ou ser de fácil purificação, para que se possa fazer análises de alta sensibilidade. Embora existam vários solventes, três deles são mais utilizados: água, metanol e acetonitrila (LANÇAS, 2009). UNIDADE 7 163 Atualmente, mesmo com baixo curso da CCD e CP, estas estão sendo pouco utilizadas em decorrência da perda de exatidão e precisão. Assim, atualmente, as CLAE e CG são técnicas mais utilizadas e con- fiáveis para análise de produtos naturais, sendo considerada os métodos de referências em inúmeros países incluindo Europa e EUA (COLLINS; BRAGA; BONATO, 1997). CLAE: técnica mais utilizada uma vez que permite uma ampla amplitude de amostras a serem analisadas e quantificadas. Assim, a técnica possui uma grande diversidade de detectores passíveis de serem acoplados ao cromatógrafo, como detectores por ultravioleta. Outro fator importante foi a pos- sibilidade do acoplamento de espectros de massas (EM) e de ressonância magnética nuclear (RMN), fato que possibilitou a elucidação estrutural completa de moléculas sem a necessidade de amostras de referência para comparação (LANÇAS, 2009). Descrição da Imagem: a imagem representa um desenho de homem sentado em uma cadeira azul, ele se apresenta de jaleco branco, calça cinza e sapatos marrons, possui cabelo castanho curto, com óculos e sorrindo. O homem está sentado em frente a uma mesa, onde está apoiado com a mão direita, nesta mesa tem-se um equipamento cromatográfico com quatro partes pretas e acima destas partes dois tubos de ensaio transparentes com líquido azul. Ao lado deste suporte uma tela de computador com uma tabela com duas linhas e duas colunas, um gráfico acima em vermelho e um gráfico abaixo em azul. Figura 8 - Representação dos métodos cromatográficos extração líquido UNICESUMAR 164 CG: método aplicado na separação de constituintes com ponto de ebulição em até 300 ºC e que sejam termicamente estáveis. Características facilmente encontradas em amostras de óleos vo- láteis (CASS; DEGANI, 2002). Desde a década de 70, houve um grande movimento em relação à padronização de metodologias analíticas confiáveis e reprodutíveis. Com base nisso, foi criado um grupo de trabalho responsável por essa padronização, que posteriormente deu origem, nos EUA, ao ICH (International Conference on Harmonization). Em seguida, vários países adotaram o mesmo conjunto de metodologias. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por volta do ano 2000, começou a elaborar as mesmas regras que resultaram no Guia para a Validação de Métodos Analíticos e Bioanalíticos em 2003. Esse guia da ANVISA serve de referência para a padronização dos métodos analíticos para registro de medicamentos. Para o registro de fitoterápicos, também é necessária a validação dos métodos analíticos. Nem sempre todos os procedimentos descritos na legislação da ANVISA são aplicáveis aos fitoterápicos VALIDAÇÃO DE MÉTODOS ANALÍTICOS - Após tudo o que já foi visto neste capítulo, é fun- damental que os métodos utilizados para extração sejam garantidos a sua capacidade de extrair os compostos de interesse clínico. Assim, para o registro de tais medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determina que os métodos analíticos sejam validados (LORENZI; MATOS, 2008). Essa validação passa por uma Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), onde é fun- damental que os laboratórios disponham de meios e critérios objetivos para demonstrar, através da validação, que os métodos de ensaio que executam conduzem a resultados confiáveis e adequados à qualidade pretendida (LORENZI; MATOS, 2008). UNIDADE 7 165 Descrição da Imagem:a imagem representa uma mulher dentro de um laboratório, onde, ao fundo e na frente da imagem há inúmeras vidrarias laboratoriais desfocadas na imagem. Esta mulher se apresenta com cabelo loiro preso, um brinco em forma de círculo na orelha esquerda, com jaleco branco, óculos de proteção transparente e uma luva azul na mão direita. Esta mão segura uma vidraria laboratorial com líquido transparente. Figura 9 - Representação da validação dos métodos analíticos O processo de validação do método de extração é realizado com objetivo de garantir que a metodologia seja capaz de extrair o composto de interesse com exatidão e precisão, assim, toda sua documentação é obrigatória na solicitação de registro de produtos farmacêuticos. LEGISLAÇÃO - relembramos a grande biodiversidade encontrada no território brasileiro, tornando um recurso estratégico para o país em relação ao banco genético, fazendo a conservação do patrimônio biológico e genético fundamental para o estudo da farmacologia moderna. Deste modo, a biodiversidade deve ser considerada um bem jurídico relevante, uma vez que o uso de plantas da biodiversidade brasileira constitui uma ferramenta potencial para a descoberta de novos fármacos (BRASIL, 2014). UNICESUMAR 166 DIREITOS DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL - Com objetivo de minimizar o impacto da extração ilegal dos produtos de origem vegetal pertencentes a biodiversidade brasileira, foi redigida pela lei Nº 9.279, DE 14 DE MAIO DE 1996 e atualizada em 30 de abril de 2009 e, foram publicadas a Medida Provisória que dispõe, em seu artigo 31, que “ a concessão de propriedade industrial pelos órgãos competentes, sobre processo ou produto obtido a partir de amostra de componente do patrimônio genético, fica con-dicionadaà observância desta Medida Provisória, devendo o requerente informar a origem do material genético e do conhecimento tradicional associado, quando for o caso (BRASIL, 2020, on-line). Analisando o contexto, os princípios ativos são de inestimável interesse econômico e social e, há muito tempo, ocuparam seu espaço no mercado mundial. Os produtos e serviços provenientes da biodiversidade amazônica estão em contínuo crescimento. O mercado dos produtos naturais foi estimado em US$ 60 bilhões anuais, o de extratos vegetais medicinais em US$ 16,5 bilhões e as drogas fitoterápicas em US$ 30 milhões. Assim, cerca de 80% da população mundial é tratada com remédios à base de plantas medicinais, que fazem parte da farmacopeia popular. Descrição da Imagem:a imagem a legislação vigente no que rege os direitos autorais após a extração dos princípios ativos, nela, tem ao centro, um martelo preto com meio dourado, em cima de uma folha de papel branca com os dizeres “DIREITOS AUTO- RAIS”, esta folha branca está dentro de uma pasta marrom, ao lado de duas pastas escutas e em cima de uma mesa de madeira. Figura 10 - Representação dos direitos autorais na extração dos princípios ativos http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.279-1996?OpenDocument http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.279-1996?OpenDocument UNIDADE 7 167 O objetivo desse dispositivo é condicionar a concessão dos direitos de propriedade industrial à observân- cia da Medida Provisória, ou seja, ao cumprimento dos requisitos da legislação de acesso. Assim, trouxe a dificuldade no fato de que a exigência de qualquer novo requisito à concessão de patentes (no caso, a comprovação de observância à Medida Provisória) resultaria no descumprimento, por parte do Brasil. Ao final deste, percebemos a complexidade do estudo da farmacogno- sia, ou seja, analisamos desde a coleta até o produto final da obtenção de um princípio ativo, um conteúdo vasto e complexo, deste modo, convidamos você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo. Após o final deste capítulo, você se deu conta que a maioria dos medicamentos utilizados na farma- cologia moderna tem origem nas plantas? Deste modo, convido a você fazer uma breve pesquisa dos três principais compostos utilizados na clínica moderna que são oriundos de plantas, tenho certeza que o resultado vai surpreender. Vamos lá? https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10162 168 Para finalizarmos bem este módulo extremamente complexo e distinto, convidamos você para ana- lisar o caminho desde a coleta do material até sua consolidação como princípio ativo de interesse por meio de um Mapa mental, nele vamos utilizar as palavras: PRODUTO DE ORIGEM NATURAL, BIODIVERSIDADE, PROCESSO DE EXTRAÇÃO, A FRIO, PERCOLAÇÃO, TURBOEXTRAÇÃO, A QUENTE, SISTEMA ABERTO, INFUSÃO, DECOCÇÃO, SISTEMA FECHADO, REFLUXO, SOXHLET, TÉCNICAS CRO- MATOGRÁFICAS, ELETROFORESE CAPILAR, CROMATOGRAFIA PAPEL, CROMATOGRAFIA CAMADA DELGADA, CROMATOGRAFIA GASOSA, CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA, VALIDAÇÃO, LEGISLAÇÃO, PRINCÍPIO ATIVO ISOLADO. Consolidando seu conhecimento e conectando tudo o que foi abordado neste capítulo. Vamos lá? PRODUTO DE ORIGEM NATURAL ELETROFORESE CAPILAR CROMATOGRAFIA CAMADA DELGADA CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA VALIDAÇÃO PRINCÍPIO ATIVO ISOLADO BIODIVERSIDADE PROCESSO DE EXTRAÇÃOA FRIO TURBOEXTRAÇÃO INFUSÃO DECOCÇÃO SISTEMA FECHADO SOXHLETTÉCNICAS CROMATOGRÁFICAS 169 1. Os métodos de extração são fundamentais no processo de isolamento e caracterização dos produtos ativos, deste modo, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. O método de Soxhlet é conhecido por ser uma metodologia barata, simples, que utiliza solvente a quente em sistema aberto simples. PORQUE Necessita de equipamentos ou materiais pouco específicos, sendo utilizada para extração de materiais moles. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Assinale a alternativa que descreve corretamente o método caracterizado no texto: “Métodos baseiam na diferença de migração de compostos iônicos ou ionizáveis na presença de um campo elétrico Técnica com grande possibilidade de investigar moléculas pequenas e simples até grandes e complexas como: ácidos graxos, proteínas e ácidos nucleicos. Assim, técnica utilizada na quantificação de metabólitos secundários” a) Eletroforese Capilar. b) CLAE. c) CG. d) CP. e) CCD. 170 3. Analise as afirmativas abaixo: I) O fracionamento do material constitui a verificação da autenticidade do composto a ser ana- lisado, sendo recomendado depósito em herbanário oficial para identificação. II) O processo de extração a frio conhecido como maceração se baseia na extração da matéria- -prima moída ou triturada, sendo realizada em recipiente fechado por um período considerado longo, de dia ou horas. III) O processo de infusão é um sistema a quente de sistema fechado, este método é muito uti- lizado e necessita de equipamentos simples, baseado na extração de raízes e caules. IV) A cromatografia gasosa (CG) é uma técnica muito utilizada devido ao seu alto poder de reso- lução e capacidade de analisar inúmeras substâncias pertencentes à mesma amostra. V) Antes que seja feita a análise e quantificação dos analitos presentes no vegetal recomenda-se a validação do método pelo Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), tornando os resultados confiáveis. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as alternativas I e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas IV e V estão corretas. 8 Este capítulo difere um pouco dos demais, uma vez que tem como objetivo preparar você para o último capítulo, onde será comparado e analisado as propriedades farmacológicas dos produtos naturais em relação à capacidade de promover efeitos tóxicos no organismo, assim, antes desta comparação, precisamos embasar o conteúdo da toxicologia, para que você esteja apto a compreender todos os tópicos do próximo e último capítulo. Deste modo, convidamos você para que aprofunde e conheça o grande mundo da toxicologia, onde serão abordados temas como Toxicodinâmica, Toxicocinética entre outros. Princípios Básicos da Toxicidade Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 172 Quando você pensa em potencial toxicológico, qual o primeiro assunto que lhe vem à mente? Medicamento? Drogas de abuso? Entretanto, a toxicologia analisa a capacidade tóxica de todas as substâncias que entram em contato com orga- nismo humano, desde o chazinho até os produtos de venda controlada. Estes conhecimentos são imprescindíveis na manutenção da qualidade dos produtos disponíveis no comércio e dos ser- viços prestados sem que ocorra contaminação dos funcionários. Deste modo, tenho certeza que chamamos sua atenção para este conteúdo, portanto, vamos iniciar uma grande abordagem neste conteúdo vasto e completo chamado TO- XICOLOGIA. Você já teve algum efeito indesejável ao to- mar um medicamento? Comer alguma comida? Beber alguma bebida? Se sim, você teve um efei- to tóxico destes compostos no seu organismo. A toxicologia é a ciência que estuda os efeitos indesejáveis de substâncias no organismo. Este conceito parece simples, mas acredito que seja muito mais amplo do que a maioria das pessoas pensam. O estudo da toxicologia aborda desde as substâncias presentes nos alimentosin natura até as substâncias presentes no seu ambiente de trabalho, isso mesmo, isso chama-se toxicologia ocupacional, você já ouviu falar deste nome? Pois bem, como abordado anteriormente, este capítulo é uma imersão complexa no mundo, muitas vezes desconhecidos pelos profissionais da saúde, por isso, preparamos ele com muito respeito aos con- textos e aos assuntos pertinentes ao livro. Em caso de um quadro de intoxicação, seja por alimentos, bebidas, medicamentos ou drogas de abuso, você saberia para onde ligar? Existe um cen- tro especializado na sua cidade para estas situações? Pois bem, convido você a buscar qual o centro toxicológico mais próximo de você e quais os atendimentos prestados nestes locais. Vamos lá? UNIDADE 8 173 A toxicologia é um campo com estudo impactante no nosso dia a dia, podemos não perce- ber, mas tudo que compramos antes de ser comercializado passou por testes toxicológicos que garantiram sua segurança. Os testes toxicológicos analisam distintos parâmetros toxicológicos que serão abordados neste capítulo, que muito se assemelham à primeira unidade deste livro, onde foram abordados os princípios da farmacologia. Ao analisarmos e refletirmos, podemos pensar se todas as substâncias passam por testes toxico- lógicos antes de serem comercializadas, porque existem efeitos indesejáveis e riscos toxicológicos eminentes. A resposta é complexa, mas devemos analisar que cada indivíduo responde a determinada substâncias de uma forma, assim, os testes analisam o potencial tóxico que garante que, na maioria das pessoas, essa substância não irá provocar nenhum tipo de problema, mas são muitas variáveis, como idade, doenças pregressas e comorbidades que fazem com que o risco aumente a cada variável desta. Assim, para iniciarmos, convido você a realizar o Diário de Bordo, com objetivo de que pos- samos analisar seu conhecimento prévio sobre o assunto e, depois disso, podemos começar nossa imersão neste capítulo recheado de informações. UNICESUMAR 174 Toxicologia ocupacional: área que identifica possíveis substâncias nocivas ao organismo presente no ambiente de trabalho e seus possíveis riscos à saúde do trabalhador (MOREAU; SIQUEIRA, 2011). Toxicologia ambiental: estuda os efeitos de produtos com potencial impacto no ambiente e nos organismos biológicos do ambiente como os animais e plantas (MOREAU; SIQUEIRA, 2011). Toxicologia alimentar: abrange múltiplos aspectos de como os agen- tes químicos presentes nos alimentos, sejam naturais ou sintéticos, podem provocar danos ao organismo (MOREAU; SIQUEIRA, 2011). Toxicologia Forense: tem como objetivo a busca de evidências que permitam a identificação de substâncias químicas em investigações criminais (MOREAU; SIQUEIRA, 2011). Toxicologia de Medicamentos: atua na pesquisa de novos compostos para serem usados no tratamento e prevenção de doenças (KLASSEN; WATIKINS, 2012). A toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes das interações das substâncias ao organismo, este estudo tem como objetivo prevenir, diagnosticar e tratar possíveis casos de intoxica- ção. Atualmente, é uma das áreas com maior campo de atuação como: Análise de medicamentos, ocupacional, alimentar, forense, veterinária, ambiental e genética (OGA, 2021). UNIDADE 8 175 Descrição da Imagem: : a imagem representa substâncias com potência toxicológica, tem-se, assim, oito tubos com cores e símbolos diferentes, sendo eles, da esquerda para direita. Primeiro tubo preenchido com líquido verde e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação em preto de um material explodindo com estilhaços. Ao lado, tubo preenchido com líquido azul claro e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação em preto de um material em chamas como uma fogueira. Ao lado, tubo preenchido com líquido azul um pouco mais escuro que o anterior e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação em preto com uma árvore seca. Ao lado tubo preenchido com líquido azul escuro e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação em preto com uma pessoa e um traço branco no meio do corpo dela. Ao lado, tubo preenchido com líquido vermelho claro e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação em preto com uma caveira ao centro e dois ossos cruzados em diagonal. Ao lado, tubo preenchido com líquido vermelho claro igual ao anterior e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação de um ponto de exclamação. Ao lado tubo preenchido com líquido rosa e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação de um anel redondo com a borda superior em chamas, e por último um tubo preenchido com líquido amarelo claro igual ao anterior e um adesivo com fundo branco e borda vermelha e ao centro uma representação de uma cauda de escorpião. Figura 1 - Representação dos compostos com potencial toxicológico UNICESUMAR 176 Antes de iniciarmos o conteúdo propriamente dito, vamos abordar alguns pontos importantes para que você aproveite o máximo possível deste capítulo. Xenobióticos: substâncias químicas estranhas ao organismo sem valor nutricional. Agentes Tóxicos: substâncias que possuem capacidade de lesar o sistema biológico alterando sua função. Vale ressaltar que a intensidade da ação do agente tóxico será proporcional à concentração e tempo de exposição (MOREAU; SIQUEIRA, 2011). Intoxicação: processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas levando a um desequilíbrio fisiológico. Estes levam ao surgimento de sintomas (MOREAU; SIQUEIRA, 2011; BRU- NI; VELHO; OLIVEIRA, 2012). Toxicidade: capacidade do agente tóxico em provocar os efeitos nocivos ao organismo. O grau de toxicidade de uma substância é avaliado quantitativamente pela medida da Dose Letal (DL) 50, que é a dose de um agente tóxico, obtida estatisticamente, capaz de produzir a morte de 50% da população em estudo (OGA, 2021). TOXICOLOGIA E DOSAGEM Dose terapêutica Dose tóxica Dosagem letal Descrição da Imagem: a imagem representa a análise do potencial tóxico dos compostos. A primeira imagem é representada com uma seringa e um composto verde em uma baixa concentração em relação aos demais, sendo aplicada em um gato, este animal, aparece com os olhos fechados e um leve sorriso, abaixo do animal estão os dizeres em verde DOSE TERAPÊUTICA. Ao lado desta imagem, temos uma nova seringa e um composto amarelo com uma concentração superior à primeira imagem, sendo aplicada em um gato, este animal, aparece com os olhos abertos e expressão de preocupação com boca fechada, abaixo do animal estão os dizeres em amarelo DOSE TÓXICA. Ao lado desta imagem, temos uma nova seringa e um composto vermelho com uma concentração superior a todas as imagens, sendo aplicada em um gato, este animal, aparece com os olhos e boca fechada, abaixo estão os dizeres em vermelho DOSE LETAL. Figura 2- Representação da análise das doses UNIDADE 8 177 Agora que fizemos algumas breves conceitualizações, vamos iniciar nosso capítulo vasto de informações! INTRODUÇÃO À TOXICOLOGIA - A história da toxicologia remete a civilizações desde a his- tória antiga por meio das pesquisa dos venenos presentes em animais e vegetais, tais estudos presentes em pergaminhos e escritas antigas. O estudo toxicológico teve um grande olhar, durante a segunda guerra mundial, sendo utilizada nos conflitos e resultou no desenvolvimento de técnicas forenses avançadas que são utilizadas até hoje (OGA, 2021; BRUNI; VELHO; OLIVEIRA, 2012). Atualmente, o campo toxicológico avançou muito desde a análise até as notificações e, mesmo assim, óbitos ou agravos relacionados aos processos inerentes da intoxicação resultam em grandes impactos econômicos e sociais. As mortes de mais de 100 pessoas nos EUA, decorrentes do dietilenoglicol contido em xarope de sulfanilamida (1937), a epidemia de focomelia e outras malformaçõesproduzidas pela talidomida (1960) contribuíram de modo categórico para a necessidade de se introduzir mecanismos para prevenir os efeitos indesejáveis dos medicamentos, agregando-se aos métodos existentes, os de pós-comercialização, constituindo a Farmacovigilância (KLASSEN; WATIKINS, 2012). Você já deve ter escutado a frase “A DIFERENÇA ENTRE REMÉDIO E O VENENO É SIMPLESMENTE A DOSE”, dita pelo médico alquimista e físico Paracelso (1493), conhecido como um dos fundadores da toxicologia. O que realmente ele quis dizer nesta frase é de que a dose da substância é um fator importante na toxicologia, pois tem uma relação significativa com os efeitos sobre o indivíduo, uma vez que todas as substâncias têm o potencial de serem tóxicas dependendo das condições e doses administradas. Uma dose pequena de uma substância tóxica pode ser mortal. Da mesma forma, uma dose alta de uma substância de baixa toxicidade pode não ter nenhum efeito. Deste modo, para analisar a toxicidade de uma substância química, antes de ser comercializada, são realizados testes em animais analisando a Dose Letal 50%, uma variável que analisa a dose necessária para provocar a morte em 50% da população, assim, estabelecendo a dose de segurança do composto. Descrição da Imagem: a imagem representa o potencial tóxico dos produtos onde aparece um fundo cinza com um sinal de “soma” circulado, abaixo deste sinal, tem-se três traços cinzas horizontais. Por fim, ao lado destes itens, tem-se um tubo de ensaio arredondado com a borda abaulada e no centro uma caveira com dois olhos, um nariz e dois dentes. No meio destas duas imagens se encontram dois círculos preenchidos e um círculo vazado. Figura 3 - Representação do potencial tóxico dos produtos UNICESUMAR 178 A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 1,5 a 3% da população são intoxicadas anualmente, isso representa, a cada ano, uma média de 4.800.000 novos casos. Já em casos de óbitos resultam, apro- ximadamente, 0,1 a 0,4 % . No Brasil, existe o Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica (Sinitox/MS/Fiocruz) que divulga estatísticas anuais referentes a casos de intoxicação registrados pelos Centros de Assistência e Informação Toxicológica (KLASSEN; WATIKINS, 2012). O conceito de intoxicação já foi abordado anteriormente, agora vamos discutir os principais aspectos a serem analisados em relação as suas classificações que podem ser de acordo com: Tempo de exposição - Intoxicação aguda – decorre de um único contato (dose única/relacionado à potência da droga) ou múltiplos contatos (efeitos cumulativos) com o agente tóxico, num período de tempo aproximado de 24 horas. Os efeitos surgem de imediato ou no decorrer de alguns dias (OGA, 2021). Intoxicação subaguda – exposições repetidas a substâncias químicas, normalmente essa exposição ocorre em um período menor ou igual a 1 mês (KLASSEN; WATIKINS, 2012; OGA, 2021). Intoxicação crônica – efeito tóxico após exposição prolongada a doses cumulativas do toxicante, num período prolongado, geralmente maior de 3 meses, chegando até a anos (OGA, 2021). Severidade Leve – são rapidamente reversíveis e desaparecem com o fim da exposição. Moderada – quando os distúrbios são reversíveis e não são suficientes para provocar danos. Severa – quando ocorrem mudanças irreversíveis suficientemente severas para produzir lesões graves ou morte (KLASSEN; WATIKINS, 2012). Situações Clínicas - Local aguda – efeitos sobre pele, membranas mucosas e olhos após exposição que varia de segundos a horas. Sistêmica aguda – efeitos nos diversos sistemas orgânicos após absorção de substâncias por diversas vias; a exposição pode ser de segundos ou horas. Local crônica – efeitos sobre pele e olhos após repetidas exposições durante meses e anos. Sistêmica crônica – efeitos nos sistemas organizados após repetidas exposições por diversas vias durante longo período de tempo (KLASSEN; WATIKINS, 2012). UNIDADE 8 179 Fases - Fase de exposição – fase em que a superfície do organismo entra em contato com o agente tóxico. Sendo importante analisar a via de contato, frequência e duração da exposição, além das pro- priedades do agente (OGA, 2021). Fase de toxicocinética – inclui os processos desde a absorção, distribuição, armazenamento, biotransformação e excreção do agente. Deve-se analisar as propriedades físico-químicas e os órgãos alvos (OGA, 2021; KLASSEN; WATIKINS, 2012). Fase de toxicodinâmica – compreende a interação entre as moléculas do toxicante e os sítios de ação, específicos ou não, dos órgãos e, consequentemente, a alteração do equilíbrio homeostático (OGA, 2021). Fase clínica – fase em que há evidências de sinais e sintomas ou, ainda, alterações patológicas detectadas mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo (OGA, 2021, KLASSEN; WATIKINS, 2012). Agora que você já tem uma boa base toxicológica, vamos abordar dois conceitos fundamentais em qualquer área da toxicologia que seriam: Toxicocinética e Toxicodinâmica. Você pode fazer uma analogia na grande parte dos conceitos com os assuntos abordados na unidade 1, onde analisamos os Descrição da Imagem: a imagem representa alguns sintomas comuns em quadros de intoxicação. Nele tem-se seis sintomas, todos representados por um menino, de coloração rosada, cabelo castanho escuro e com uma camisa azul. No primeiro sintoma, este menino aparece com lenço de papel branco sendo segurado pelas duas mãos abaixo dos olhos, onde aparecem duas manchas vermelhas e duas gotas azuladas, representando um espirro. Ao lado direito da imagem, o menino aparece com a mão esquerda fechada sendo levada a boca, onde sai duas gotas azuis, representando a tosse. Seguindo a última imagem superior, o menino aparece com um termômetro na boca onde a temperatura é mensurada por um líquido vermelho e aparecem três gotas azuis em seu rosto e duas manchas vermelhas na sua face, representando a febre. No canto inferior, a primeira imagem à esquerda, representada pelo menino com a mão esquerda na cabeça, e dela saem três raios vermelhos, representando dor de cabeça. Ao lado o menino aparece com múltiplas manchas na cabeça representando erupções cutâneas e, por fim, na última imagem, o menino aparece com um líquido verde saindo de sua boca e com os olhos fechados, representando o vômito. Figura 4 - Representação dos sintomas de intoxicação UNICESUMAR 180 conceitos de Farmacocinética e Farmacodinâmica. Deste modo, antes de iniciar, se tiver um tempo, volte na primeira unidade e faça uma breve revisão. Toxicocinética - Fase caracterizada pela movimentação do agente intoxicante no organismo desde sua entrada até sua eliminação. Envolve a transposição das membranas, em que o organismo atua de forma a tentar impedir ou diminuir a ação nociva, deste modo, resulta a quantidade do agente dispo- nível para atuar no sítio alvo e exercer sua atividade tóxica. Estas fases são: Absorção: o processo ocorre quando o agente tóxico passa do meio externo para interno e atinge a circulação sistêmica. Este processo depende da interação do agente químico com as membranas e pode ocorrer pelas vias dérmicas, respiratória e pelo trato gastrointestinal (KLASSEN; WATIKINS, 2012). Dérmica: constitui uma barreira efetiva contra a penetração de substâncias químicas exógenas. No entanto, alguns xenobióticos podem sofrer absorção cutânea, dependendo das propriedades fisiológicas da pele e das propriedades físico-químicas dos agentes. Constitui a porta de entrada mais frequente das intoxicações por agrotóxicos (OGA, 2021, MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). Descrição da Imagem: a imagem representa ação térmica do composto, uma vez que nela está representado um tubo de ensaio com líquido na coloração escura, deste líquido, sai uma gota com três traços que entram em contato com uma mão espalmada com cinco dedos. Esta gota, ao entrar em contato no dedo indicador, provoca uma lesão representada por um achatamentode uma parte deste dedo. Figura 5 - Representação da ação tóxica dos compostos Respiratórias: possuem grande área de superfície absortiva com fluxo sanguíneo extenso, assim exerce uma boa ação de dissolução e muitos agentes químicos podem ser absorvidos rapidamente a partir dos pulmões. Os agentes passíveis de sofrerem absorção pulmonar são os gases e vapores e os aerossóis. As partículas podem entrar na circulação sistêmica ou não serem absorvidas e provocar danos no epitélio pulmonar (BRUNI; VELHO; OLIVEIRA, 2012). Trato gastrintestinal: o agente tóxico poderá sofrer absorção desde a boca até o reto. Poucas substâncias sofrem a absorção na mucosa oral, porque o tempo de contato é pequeno nesse local. Um UNIDADE 8 181 dos fatores que favorecem a absorção intestinal de nutrientes e xenobióticos é a presença de microvi- losidades, que proporcionam grande área de superfície (BRUNI; VELHO; OLIVEIRA, 2012). DISTRIBUIÇÃO - processo no qual o agente tóxico é transportado para o resto do organismo, deslocando-se para células e tecidos distintos no organismo. Sua concentração depende, entre outras propriedades, da sua característica lipossolúvel (MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005; BRUNI; VELHO; OLIVEIRA, 2012). Na circulação, o agente tóxico pode: ligar-se ao seu sítio de ação, ser eliminado, ser complexado em hemácias e proteínas plasmáticas ou armazenado. Os principais locais de armazenamento são: proteínas plasmáticas, fígado e rins, tecido ósseo, tecido adiposo, placenta, leite materno e cabelos (OGA, 2021). BIOTRANSFORMAÇÃO - Processo que objetiva a redução da concentração e, consequentemen- te, a possibilidade de uma substância desencadear uma resposta tóxica. Logo, a biotransformação é conjunto de alterações químicas que pode ocorrer em qualquer órgão ou tecido orgânico como, por exemplo, no intestino, rins, pulmões, pele, testículos e placenta, com objetivo de diminuir ou cessar a toxicidade e facilitar a excreção (MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). EXCREÇÃO - os xenobióticos que penetram no organismo são, posteriormente, excretados por meio da urina, bile, fezes, ar expirado, leite, suor e outras secreções, sob forma inalterada ou modificada quimicamente. Os fatores que atuam sobre velocidade de excreção são: “ Afinidade – geralmente o agente tóxico na sua forma livre está disponível a eliminação, deste modo, se apresentar afinidade por tecidos ou agentes do sangue podem aumentar a permanência no organismo;Facilidade de biotransformação – Ao aumento da polaridade na biotransformação facilita-se a secreção urinária; Função renal – como a via renal e a principal via de excreção dos xenobióticos, qual- quer disfunção dos órgãos irá interferir na velocidade e proporção de excreção (BRUNI; VELHO; OLIVEIRA, 2012. p. 33). Doping é o termo designado para indivíduos que utilizam substâncias que alteram a resposta fisioló- gica do organismo, aumentando seu rendimento. Essas substâncias apresentam risco à saúde destas pessoas, uma vez que potencializam a proliferação de células cancerígenas, sobrecarga cardiovascular, sobrecarga hepática e alteração dos níveis de colesterol. Apesar de ter um histórico não tão recente apenas, em 1967, o Comitê Olímpico Internacional (COI) formou uma comissão para classificação, controle e proibição das substâncias utilizadas e suas devidas punições. O exame de doping pode ser realizado pela coleta da urina ou sangue, sendo que os controles podem ser realizados nos períodos de competições e fora delas. Entretanto, apesar dos avanços tecnológicos para a detecção do uso de substâncias dopantes por atletas de alto-rendimento, o controle antidopagem ainda não é totalmente seguro, favorecendo aos atletas desonestos que utilizam meios ilegais para levar vantagem a outros competidores, assim, escândalos de doping no esporte são notícias frequentes. UNICESUMAR 182 TOXICODINÂMICA - Etapa onde ocorre interação com sítio de ação e pode ocorrer adição, sinergismo, potencialização ou antagonismo entre as substân- cias, resultando no aumento ou diminuição dos efeitos tóxicos. Adição – Ocorre quando dois ou mais compostos apresentam o mesmo efeito, que se somam. Sinergismo – O efeito induzido por dois ou mais compostos juntos é maior do que a soma dos efeitos de cada agente (PASSAGLI, 2013). Potenciação – Ocorre quando um agente que, primariamente, é desprovido de ação tóxica, aumenta a toxicidade de um agente tóxico (PASSAGLI, 2013). Antagonismo – O efeito de um agente é diminuído, inativado ou eliminado quando combinado com outro agente (OGA, 2021, MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). Desta forma, os dados obtidos são fundamentais para: Estimar a possibilidade do agente químico causar efeitos deletérios e qual população pode ser atingida ou seja, a avaliação do risco. Estabelecer procedimentos preventivos e estratégicos. Desenvolver produtos específicos com maior seletividade para a espécie de interesse. Como por exemplo no caso de pesticidas mais seletivos que não causem danos aos seres humanos e animais (OGA, 2021; MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). Descrição da Imagem:a imagem representa um símbolo no combate ao doping, assim, nela encontra-se com fundo branco e na parte superior uma cápsula com metade dela em azul e a outra metade em vermelho. No meio uma seringa, com agulha toda na coloração preta, e sob ela, um grande círculo em vermelho, e no meio do círculo cortando a seringa os dizeres “antidoping”. Figura 6 - Representação de combate ao doping UNIDADE 8 183 A atropina foi descoberta, em 1809, pelo químico francês Louis Nicolas Vauquelin (1763-1829), ele isolou uma forma impura de beladona. Atualmente, é um dos principais antídotos para neutralizar os efeitos tóxicos, principalmente de inseticidas e organofosforados, devido seu efeito farmacológico de antagonizar os efeitos muscarínicos da acetilcolina. O mecanismo de ação da atropina é inibir as ações muscarínicas da acetilcolina nas estruturas inervadas pelos nervos colinérgicos pós-gan- glionares e nos músculos lisos que respondem à acetilcolina endógena, mas não são tão inervados. Descrição da Imagem:a imagem representa o antídoto para tratamento das intoxicações, nela tem-se uma mão coberta por uma luva azul, e com braço esticado na coloração rosada. Esta mão está segurando com seu polegar e seu dedo indicador, no centro da imagem, um frasco transparente com líquido um pouco acima da metade em azul, e um rótulo branco. Figura 7 - Representação do antídoto AGENTES TÓXICOS - Os agentes tóxicos apresentam estruturas químicas das mais variadas e podem ser classificados utilizando-se critérios diferentes conforme a finalidade de seu estudo. Entre os critérios comumente usados, tem-se, por exemplo, o químico (Aminas Aromáticas, Hidrocar- bonetos), físico (gás, líquido e sólido), o bioquímico (inibidor de sulfidrila, metemoglobinemia) e o farmacológico (bloqueadores de receptores nicotínicos da acetilcolina; picrotoxina - bloqueador dos canais de cloro GABA) (OGA, 2021). A lei regulamentadora da utilização de agrotóxicos no Brasil era a lei n° 7.802, de 1989, sendo com quase 35 anos sem sofrer muitas alterações em 2019, foi aprovado pelo congresso nacional sua atualização. Um dos principais pontos a serem considerados seria para introduzir conceitos relativos a “produtos novos”, “produto equivalente”, “avaliação de risco” e normas para registro de novos agrotóxicos. SELETIVIDADE DE AÇÃO - Todas as substâncias químicas tóxicas produzem seus efeitos alteran- do as condições fisiológicas e bioquímicas normais das células. Apresentando como mecanismos gerais: UNICESUMAR 184 Interações com receptores: os receptores são elementos sensoriais no sistema de comunicações químicas que coordenam a função de todas as células no organismo (PASSAGLI, 2013). Interferências nas funções e membranas excitáveis: a manutenção e a estabilidade das mem- branas excitáveis são essenciais à fisiologia normal dos tecidos. As substâncias químicas podemalterar a função do fluxo de íons no tecido (PASSAGLI, 2013). Inibição da fosforilação oxidativa: interferindo diretamente na síntese de Adenosina Trifosfato (ATP) e, consequentemente, na concentração energética do organismo (PASSAGLI, 2013). Complexação com biomoléculas: entre as mais afetadas, encontram-se as enzimas, onde o me- canismo de ação principalmente dos pesticidas e inseticidas (organofosforados) inibem as enzimas esterases, aumentando a concentração de acetilcolina (MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). FATORES DETERMINANTES DA INTOXICAÇÃO - Todos os efeitos tóxicos são conse- quentes das alterações fisiológicas e bioquímicas normais do organismo. De regra, a extensão da lesão é diretamente proporcional à concentração do agente tóxico, com exceção, de indivíduos com problemas renais e hepáticos aumentando o tempo de permanência do agente no organismo (OGA, 2021; PASSAGLI, 2013). Descrição da Imagem: a imagem representa um borrifador em verde escuro, com líquido verde claro até um pouco acima da metade do frasco, este líquido possui uma representação de veneno que se destaca por uma caveira branca com dois ossos cruzados trans- versalmente. O borrifador é segurado por uma mão ilustrada na cor acastanhada. Na ponta dele sai uma fumaça branca que encobre uma copa de árvore. Ao fundo da imagem, tem-se uma representação de uma vegetação, onde aparecem arbustos em verde escuro, duas árvores com tronco em verde escuro e três ramificações de galhos com as folhas representadas em verde claro e outra árvore com tronco em verde escuro e três ramificações de galhos com as folhas representadas em branco. Por fim, o céu é representado por uma cor rosada que vai de encontro ao chão da floresta representado em laranja. Figura 8 - Representação a alusão da ação dos inseticidas UNIDADE 8 185 Descrição da Imagem: a imagem representa uma pessoa deitada em uma cama com lençol branco, esta pessoa está com vestimenta em azul claro, da mesma cor do lençol, este lençol também contém uma parte branca na sua borda. Esta pessoa, encontra-se deitada com o braço esquerdo na cabeça com a mão ao lado do ouvido encobrindo seus olhos e nariz, seu braço direito está com uma agulha que está acoplada a um cano transparente; ao fundo nota-se três vasos brancos com folhagens verdes desfocadas. Figura 9 - Representação de um indivíduo hospitalizado A gravidade do efeito tóxico, por outro lado, varia muito conforme o órgão afetado. Naturalmente, o efeito é grave se o órgão afetado desempenha uma função vital, a elucidação dos mecanismos básicos da toxicidade, assim como o estudo sobre os fatores que modificam a intensidade dos efeitos tóxicos dos agentes são essenciais nos dias de hoje, uma vez que estes estudos norteiam o desenvolvimento de antídotos e medidas preventivas com objetivo de minimizar o impacto do agente tóxico (MORAES; SZNELWAR; FERNICOLA, 2005). UNICESUMAR 186 Após este capítulo, percebe-se a importância no estudo prévio das substâncias com objetivo de minimizar os impactos nocivos ao nosso organismo, pensando nisso, convidamos você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo. Acesse o QR Code. A importância deste capítulo, principalmente na análise da toxicologia fo- rense, pode ser observada em qualquer série criminal, assim, deixo aqui a recomendações: Título: CSI: Investigação Criminal Ano: [2000 - 2015] Sinopse: CSI: Crime Scene Investigation foi uma série norte-americana concentrada nas investigações de um grupo de cientistas forenses para elucidação de crimes, estes cientistas faziam parte do departamento de criminalística da polícia de Las Vegas, Nevada. Ao terminarmos o estudo conceitual deste capítulo, esperamos que você tenha se conscientizado da importância da toxicologia em diferentes áreas, deste modo, que tal um desafio, encontre as 3 princi- pais substâncias responsáveis por provocar quadros de intoxicação nos dias de hoje. Vamos lá? https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10166 187 Estamos quase prontos para finalizar esta unidade e preparar você para compreensão da próxi- ma e última unidade deste livro, mas, antes disso, esperamos que tenha compreendido os efeitos tóxicos e os parâmetros a serem analisados nesta unidade, então, convido a você a fazer um MAPA MENTAL, utilizando as seguintes palavras: INTOXICAÇÃO, CONCEITOS, AGENTE TÓXICO, TOX- ICOLOGIA, TOXICIDADE, TOXICODINÂMICA, TOXICOCINÉTICA, TOXICOLOGIA ALIMENTAR, ÁREA DE ATUAÇÃO, ANÁLISES, TOXICOLOGIA OCUPACIONAL e TOXICOLOGIA AMBIENTAL TOXICOLOGIA INTOXICAÇÃO TOXICIDADE ÁREA DE ATUAÇÃO TOXICOLOGIA AMBIENTAL TOXICOLOGIA ALIMENTAR TOXICODINÂMICA 188 1. Os conceitos da toxicologia são amplos e complexos, entretanto seu estudo é imprescindível atualmente em diversas áreas. Deste modo, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I) Intoxicação é o processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas levando a um desequilíbrio fisiológico. O conhecimento da fase clínica é imprescindível. PORQUE II) Ela é determinada por existir evidências de sinais e sintomas ou, ainda, alterações patológicas detectadas mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do intoxicante com o organismo. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Assinale a alternativa que descreve corretamente a fase caracterizada no texto: “Processo que objetiva a redução da concentração e, consequentemente, a possibilidade de uma substância desencadear uma resposta tóxica. Logo, a biotransformação é conjunto de alterações químicas que pode ocorrer em qualquer órgão ou tecido orgânico como, por exemplo, no intestino, rins, pulmões, pele, testículos, placenta, com objetivo de diminuir ou cessar a toxicidade e facilitar a excreção”. a) Absorção. b) Distribuição. c) Biotransformação. d) Excreção. e) Sítio alvo. 189 3. Analise as afirmativas a seguir. I) A severidade moderada ocorre quando os distúrbios são reversíveis e não são suficientemente graves para provocar danos. II) A definição de xenobióticos são de substâncias que possuem capacidade de lesionar o sistema biológico alterando sua função. III) Intoxicação crônica é determinada quando ocorre apenas um único contato com agente tóxico em período de 24 horas. IV) A fase de intoxicação conhecida como toxicocinética inclui os processos desde a absorção, distribuição, armazenamento, biotransformação e excreção do agente. V) O sinergismo descrito na toxicodinâmica é determinado pelo efeito induzido por dois ou mais compostos juntos, é maior do que a soma dos efeitos de cada agente. Assinale a alternativa correta. a) Apenas as alternativas I e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas I, IV e V estão corretas. 190 9 O último capítulo do livro irá integrar as duas últimas unidades onde se relacionou os conceitos toxicológicos às suas interações alimentares e com os próprios fitoterápicos. É um capítulo desafia- dor ao aluno, uma vez que, para entendê-lo na sua integralidade, o aluno deverá ter aprendido os conceitos abordados anteriormente com muita profundidade, assim, convido a você para que, neste último capítulo, aprofunde e integre tudo o que foi abordado nesta unidade. Interação Medicamentos x Plantas e Interação Alimentar x Plantas Dr. Marcel Pereira Rangel UNICESUMAR 192 Você já se sentiu mal após comer algumacoisa? Ou uma indisposição ao tomar algum líquido feito de plantas ou folhas? Isso pode ser mais comum do que você imagina. Segundo o centro de intoxicação e assistência toxicológica, as interações alimentares e com produtos de origem vegetal representam uma boa parte das notificações de efeitos toxicológicos atualmente. Deste modo, o próprio centro possui folders explicativos com uma listagem de produtos que podem vir provocar estes tipos de efeitos, com objetivo de orientar melhor a população que pensa estar isenta desses efeitos pelo simples fato de ser uma planta que cultiva no próprio quintal. Neste sentido, este capítulo tem como objetivo orientar melhor você, futuro profissional da saúde, neste aspecto. Após esta introdução, convido você a fazer uma breve busca sobre as principais interações alimentares e fitoterápicas que provocaram qualquer efeito adverso no ano de 2021. Garanto que você irá se surpreender com o número de casos e com a gravidade dos sintomas, você pode fazer essas anotações no seu Diário de Bordo. Vamos lá? UNIDADE 9 193 As interações entre fitoterápicos e alimentos, bem como medicamentos em geral são, muitas vezes, confundidos com pequenos sintomas e, muitas vezes, negligenciados pelas pessoas a procurarem um sistema de saúde. Entretanto, as intoxicações com este tipo de interação podem ser, na maioria das vezes, muito mais perigosas ao organismo do que podem parecer. Isso ocorre, porque as pessoas, na demora de procurar ajuda especializada, passam da fase aguda para crônica, do processo de intoxicação; um pro- blema localizado, muitas vezes, pode se tornar sistêmico e muito mais perigoso e difícil de ser revertido. Duas populações devem ser consideradas de alto risco, a idosa e a infantil. Idosa uma vez que utilizam, na sua grande maioria, a polifarmácia, ou seja, muitos medicamentos, e o risco de interação aumenta, associado a possíveis problemas hepáticos e renais. Já a infantil, deve-se levar em consideração que a ingestão pode ser acidental ou mesmo provocada pelos pais, onde a criança remete sintomas inespecíficos, como choro e dores abdominais, o que pode dificultar a percepção do problema. Assim, para iniciarmos, convido você a realizar o Diário de Bordo, com objetivo de que pos- samos analisar seu conhecimento prévio sobre o assunto, e depois disso, podemos começar nossa imersão neste capítulo recheado de informações. UNICESUMAR 194 FITOTERÁPICOS - Segundo a RDC n° 26, de 13 de maio de 2014 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (BRASIL, 2014), o fitoterápico é definido como “medicamento produzido a partir de extratos de plantas medicinais que apresentem alguma ação terapêutica”. Sua eficácia e segurança, bem como efeitos terapêuticos comprovados, composição padronizada e segurança de uso para a popu- lação. A qualidade deve ser alcançada mediante o controle das matérias-primas, do produto acabado, materiais de embalagem, formulação farmacêutica e estudos de estabilidade que são validados por meio da etnofarmacologia, documentações científicas publicadas e por ensaios clínicos, devidamente fiscalizados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) (SIMÕES et al., 2007). Sabe-se que a prática da fitoterapia cresce a cada dia, muito impulsionada pelo seu custo mais acessível, fácil acesso e pelo grande interesse da população por terapias menos agressivas e por ser uma prática comum na sociedade, fazendo com que as pessoas enxerguem na fitoterapia um método de cura e prevenção mais acessível. Deste modo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), durante a conferência em Alma-Ata, em 1978, reconheceu oficialmente o uso de plantas medicinais e fitoterápicos com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico (HARAGUCHI; CARVALHO, 2010). UNIDADE 9 195 Descrição da Imagem: A imagem representa os fitoterápicos como medicamentos. Nela, encontra-se uma colher marrom ao centro da imagem em uma superfície cinza; dentro desta colher, tem-se oito cápsulas marrons. Ao lado esquerdo da imagem possui um ramo de folhas verdes entrelaçados e acima destas mais três cápsulas marrons idênticas às que estão dentro da colher. Figura 1 - Representação dos fitoterápicos como medicamentos No Brasil, em 22/06/2006 foi aprovada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e criou um Grupo de Trabalho Interministerial, com a participação da sociedade civil, visando a elaboração do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, estabelecendo medidas voltadas à garantia de acesso seguro e uso racional e correto de plantas medicinais e fitoterápicos pela população, com segurança e eficácia (BRASIL, 2006). Medida necessária uma vez que a falta de informação da população a respeito dos seus efeitos adversos, juntamente com o comércio facilitado dos medicamentos, faz com que, muitas vezes, esses sejam consumidos sem a devida orientação por parte de um profissional qualificado. Principalmente por, muitas vezes, a crença popular de que “se é natural não faz mal” é um grande equívoco e inibe os indivíduos de relatar ocorrências de reações adversas devido ao uso de remédios populares. Assim, utilizar um composto de forma inadequada, mesmo quando apresenta baixa toxicidade, pode provocar riscos à saúde (HOEFLER, 2008). UNICESUMAR 196 Portanto, sabe-se que quando a população não recebe a devida orientação, mostra-se mais sus- cetível aos efeitos danosos produzidos pelas plantas medicinais e fitoterápicas. Esses efeitos nocivos são decorrentes da administração isolada ou quando associados aos medicamentos sintéticos. Deste modo, agora iremos analisar os principais pontos das interações que resultam nas intoxicações nos fitoterápicos (SIMÕES et al., 2007). INTERAÇÕES E INTOXICAÇÃO - Intoxicação é caracterizada como sendo a introdução voluntária ou involuntária de substância danosa ao organismo, capaz de produzir consequências de alterações significativas das funções vitais e que pode advir por inalação, ingestão e por contato direto. O processo de intoxicação vegetal pode ser: fulminante, quando leva a morte do indivíduo; aguda, quando o organismo apresenta defesa orgânica; e crônica quando o indivíduo apresenta equilíbrio funcional orgânico que bloqueia a atividade tóxica. Destaca-se que os compostos que agem sobre os centros nervosos são bem mais lesivos para o homem (HOEFLER, 2008). Descrição da Imagem: A imagem representa uma pessoa com intoxicação. Nela tem-se uma mulher com cabelo castanho longo, blusa amarela de mangas longas, uma calça azul clara e tênis pretos com cadarço branco. Esta mulher está com coloração facial verde com as bocas fechadas e as duas mãos na cintura/barriga e encurvada, como se fosse vomitar. Ao lado tem-se uma representação anatômica do estômago, que aparece na coloração vermelha e dentro dele possui um líquido verde que preenche mais da sua metade. Abaixo do estômago, a imagem traz três cápsulas metade vermelha e metade azul. Figura 2 - Representação dos efeitos de uma intoxicação Intoxicações fitoterápicas são comuns e ocorrem por inúmeros motivos como: falta de infor- mações a respeito do cultivo, reações adversas, posologia, duração do tratamento, entre outras. Interações entre plantas e fármacos podem levar a alterações farmacológicas e ainda a toxicidade do medicamento. Essas interações podem ser do tipo: UNIDADE 9 197 Farmacodinâmicas: onde há um aumento ou diminuição do efeito do fármaco, devido ao siner- gismo ou antagonismo (OGA, 2021). Esses efeitos sinérgicos descritos nos fitoterápicos, normalmente, estão relacionados à combinação de extratos com distintos tipos de métodos de extração como no caso da Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum L.), largamente utilizada como fitoterápico, tem sido objeto de vários estudos de sinergia entre componentes de extratos vegetais. Estudos in vitro corroboram essa hipótese mostrando que pro- cianidinas presentes no extrato, desprovidas de ação antidepressiva,são capazes de potencializar a ação da hypericina. O mecanismo proposto para esse efeito sinérgico é o aumento da solubilidade em água da hypericina em presença destas procianidinas, com destaque para a procianidina B2 (15), que se traduz em um aumento considerável (140-160%) na biodisponibilidade da primeira (NEWMAN; CRAGG, 2016). Farmacocinéticas: levam a alterações na absorção e disposição do fármaco no organismo, levan- do a alteração na concentração plasmática. Podem acontecer na absorção, distribuição, metabolismo ou excreção. Na absorção, pode interferir tanto na velocidade, levando a mudança na intensidade do efeito farmacológico e, ainda, ocorrer tanto o aumento quanto a redução da quantidade de fármaco a ser absorvido. Interações que alteram a metabolização são as mais comuns, onde pode ocorrer de- vido a alguns compostos de determinada planta que podem levar a indução ou inibição das enzimas que são responsáveis pelo metabolismo oxidativo pertencentes ao citocromo P450, sendo o principal responsável por eliminar a droga do organismo (OGA, 2021). REALIDADE AUMENTADAA cada ano, são registrados diversos casos de intoxicações por plantas tóxicas ornamentais, que envolvem, principalmente, crianças e pequenos animais de estimação que ingeriram, de forma acidental, plantas ornamentais tóxicas. E não é raro tais plantas serem cultivadas dentro das residências, como plantas ornamentais. As plantas tóxicas podem ser encontradas em todos os lugares, seja como ornamentais dentro das residências ou nos jardins e praças. Além disso, é bastante comum a ocorrência de plantas tóxicas nas áreas rurais, as quais não são conhecidas pelas populações locais, o que acaba favorecendo o acontecimento de intoxicações (OSORIO-DE-CASTRO, 2010). UNICESUMAR 198 Descrição da Imagem: A imagem representa um pesquisador em um laboratório com vidraças ao fundo. Este pesquisador está com as duas mãos cobertas por luva azul, jaleco e camisa branca e máscara azul. Na sua mão direita está segurando um tubo com líquido verde, que está sendo despejado em outro tubo com líquido verde apoiado em uma estante verde no centro da imagem. Na frente desta estante há um suporte de vidro com três eppendorfs abertos com líquido verde. A sua mão esquerda está no canto da imagem segurando um equipamento preto, ao lado da mão tem uma tampa vermelha na bancada branca. No primeiro plano, à direita da ima- gem, tem-se uma estante com inúmeros tubos de ensaios vazios e com líquido verde tampados com tampa vermelha. Figura 3 - Representação dos estudos toxicológicos UNIDADE 9 199 Agora vamos relacionar as principais interações entre os medicamentos e os fitoterápicos em tópicos: Ginkgo biloba (Ginkgo biloba L.) - O omeprazol é um fármaco utilizado no tratamento da úl- cera péptica e do refluxo gastroesofágico, sendo que a sua metabolização ocorre, principalmente, via isoforma CYP2C19 do sistema hepático P450. Através de um ensaio clínico randomizado conduzido com 18 voluntários sadios, verificou-se que o ginkgo, quando administrado concomitantemente com este fármaco, reduziu a biodisponibilidade e aumentou a concentração plasmática do seu metabólito ativo. Esse resultado indica que o ginkgo pode induzir a isoforma CYP2C19 e, com isso, reduzir a concentração plasmática do omeprazol (HOEFLER, 2008). Além deste efeito, o uso do Ginkgo biloba deve ser evitado concomitante: • Anticoagulantes e/ou antiplaquetários podem aumentar o risco de complicações hemorrágicas, já que estes medicamentos aumentam a fluidez sanguínea. • Nifedipina (antagonista dos canais de cálcio) pode aumentar a frequência de efeitos adversos desse anti-hipertensivo, tais como cefaleia, rubor e edema do tornozelo. • Reduzir a eficácia dos anticonvulsivantes (GONÇALVES, 2019). Boldo (Peumus boldus Molina) - A boldina causa inibição da agregação plaquetária decorrente da não formação do tromboxano A2, deste modo, pacientes que estão sob a terapia de anticoagu- lantes não devem ingerir concomitantemente medicamentos contendo Boldo pela ação aditiva à função antiplaquetária de anticoagulante. Outro efeito importante ocorre no uso prolongado abusivo como laxativo, onde poderá ocorrer intensificação da ação de fármacos antiarrítmicos, como a quinidina, que afeta os canais de potássio (FILHO; CECCONI; ZANCHETT, 2021). Ginseng (Panax ginseng C. A, Meyer) - Destaca-se a interação com estrogênios, onde há efeitos adversos devido ao aumento da atividade estrogênica, como mastalgia e excesso de sangramento menstrual, provavelmente devido à atividade estrogênica sinérgica. Ainda, destaca-se que o ginseng pode interagir com os hipoglicemiantes levando a hipoglicemia por mecanismos ainda não elucidados, mas provavelmente pelo fato do ginseng aumentar a sensibilidade aos receptores de insulina (FILHO; CECCONI; ZANCHETT, 2021). UNICESUMAR 200 Hipérico (Hypericum perforatum Linaeus ou erva-de-são-joão) - Promove redução do nível sérico de vários fármacos, provavelmente por indução das enzimas hepáticas (citocromo P450 - isoenzima CYP1A2). Há relatos de interações do hipérico com drogas antirretrovirais, onde pode interferir com a ação do indinavir, diminuindo significativamente a concentração plasmática do inibidor de protease, onde os outros inibidores de protease (nelfinavir, ritonavir e saquinavir) provavelmente interagem de maneira similar. Há, ainda, a interação com a sinvastatina e digoxina, que acabam tendo seus níveis plasmáticos diminuídos pelo hipérico (GONÇALVES, 2019). Camomila (Matricaria recutita L) - Interage com anticoagulantes, como a varfarina, resultando no aumento do risco de sangramento. Também há indícios da sua interação com os barbitúricos, re- presentado pelo fenobarbital, e outros sedativos, nesse caso, a camomila intensifica e aumenta a ação depressora do sistema nervoso central, reduzindo a absorção de ferro ingerido (GONÇALVES, 2019) Chá verde (Camellia sinensis [L.] Kuntze) - Como possui cafeína em sua composição, esta in- terage com a efedrina, podendo interferir em fatores cardiovasculares, levando a aumento da pressão arterial, risco de infarto e ataque cardíaco (SIMÕES et al., 2007). Descrição da Imagem: : A imagem representa o Ginseng, nela temos oito raízes do Ginseng na coloração castanho entrelaçadas entre si, e no meio das raízes cinco folhas verdes. Este Ginseng está sob uma mesa marrom com fundo desfocado de plantas verdes. Figura 4 - Representação do Ginseng UNIDADE 9 201 Eucalipto (Eucalyptus globulus) - Óleo essencial, obtido a partir das folhas do eucalipto, induz enzimas hepáticas envolvidas no metabolismo de fármacos e a ação de outras drogas poderá ser diminuída quando administradas, concomitantemente. Relatos clínicos associam a adminis- tração oral do óleo de eucalipto com dificuldade de raciocínio e alterações no sistema nervoso; estes sintomas poderão ser intensificados quando esta droga for administrada conjuntamente com medicamentos que atuam no sistema nervoso central (benzodiazepínicos, barbitúricos, narcóticos, alguns antidepressivos e álcool) (GONÇALVES, 2019). USO RACIONAL - A toxicidade de fitoterápicos tem se tornado um sério problema de saúde pública, isso porque, além de causar reações adversas pelos seus próprios constituintes, promove interações com alimentos ou medicamentos, sendo fundamental a orientação direcionada ao uso ra- cional. O entendimento do uso racional de medicamentos está pautado no processo que compreende a prescrição apropriada, a disponibilidade oportuna e a preços acessíveis, a dispensação em condições adequadas e o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo indicado, de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade (TAVARES, 2012). UNICESUMAR 202 Entretanto, as dificuldades encontradas no sistema de saúde, aliado aos fatores como o baixo poder aquisitivo, a falta de programas educativos em saúde para a população em geral, além de outros aspectos, leva as pessoas a praticarema automedicação, baseando-se em qualquer informação recebida por leigos e que são tomadas como verdadeiras para o restabelecimento da saúde. Deste modo, a cultura popular na utilização de plantas medicinais, trazida através dos tempos, corrobora no uso indiscriminado de plantas medicinais dentro do contexto da automedicação, que é entendida como a utilização de me- dicamentos sem prescrição, orientação e/ou o acompanhamento. Deste modo, em setembro de 2003, segundo o Relatório Final da 1.ª Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica (Brasília-DF), evidenciou as propostas sobre o uso de fitoterápicos, considerando-se a necessidade de políticas que considerassem o aconselhamento do seu uso correto, evitando o desenvolvimento dos efeitos indesejáveis (TAVARES, 2012; FILHO; CECCONI; ZANCHETT, 2021). Descrição da Imagem: : A imagem representa como a alimentação correta pode ser considerada um tratamento. Nela temos uma cápsula verde no canto direito da imagem, que está entreaberta e nela está sendo inserida inúmeros alimentos que, da direita para esquerda, aparecem na imagem: Uma maçã verde, um repolho verde, um coco aberto com interior branco e extremidades marrom, três raízes de gengibre, uma goiaba aberta com interior vermelho, um filé de peixe alaranjado cortado, um tomate vermelho, uma cebola roxa, um abacate cortado ao meio com interior amarelo, um morando, um alho branco, uma cebola cortada, uma laranja, um ramo de brócolis, dois caules de alho-poró, azeitonas e castanhas. Figura 5 - Representação da alimentação como um medicamento UNIDADE 9 203 O risco é definido como a probabilidade de ocorrer um efeito adverso, com base na exposição e potência de um ou mais agentes tóxicos expostos. A determinação do risco de intoxicação é calculada por meio de estudos de avaliação ou monitoramento da exposição aos agentes poten- cialmente danosos, tendo como interface de pesquisa a ótica ambiental e biológica. Dentre os fatores, que podem influenciar no quadro de intoxicação, a idade dos indivíduos expostos ganha destaque. Crianças e idosos são considerados grupos mais susceptíveis a intoxicação, quando expostos a um agente sabidamente tóxico (OGA, 2021). As crianças têm características que as tornam mais susceptíveis aos acidentes tóxicos, des- tacando-se a imaturidade física e mental, a inexperiência e a incapacidade para prever e evitar situações de perigo, a grande curiosidade e motivação em realizar tarefas, deste modo, acidentes na infância constituem um sério problema de saúde pública no mundo. As intoxicações exógenas envolvendo crianças menores de cinco anos são frequentes no mundo inteiro e podem responder por, aproximadamente, 7% de todos os acidentes, dos quais 2% evoluem para óbito infantil. Nos Descrição da Imagem: a imagem representa o risco elevado de intoxicação em crianças. Na imagem aparece uma menina com cabelos longos coloração castanho claro e com tranças, com uma blusa vinho. A menina aparece no centro da imagem com uma cartela na sua mão esquerda com cinco comprimidos alaranjados ainda na cartela e um comprimido na sua mão direita indo em direção a sua boca. Figura 6 - Representação do risco toxicológico em crianças UNICESUMAR 204 países desenvolvidos, as intoxicações exógenas constituem a principal causa de mortalidade nas crianças acima de um ano de idade. Além disso, os acidentes não fatais representam um impor- tante custo para os sistemas de saúde (KLAASSEN; WATKINS, 2012). Agora, vamos analisar as principais interações entre os fitoterápicos e alimentos. Interações entre Fitoterápicos e Alimentos - O uso de medicamentos de origem vegetal ou de plantas medicinais, assim como medicamentos alopáticos, está sujeito a interações com alimentos, podendo reduzir a absorção do próprio princípio ativo, como também de nutrientes essenciais. Como já foi abordado anteriormente, os fitoterápicos são constituídos por uma mistura complexa de vários compostos químicos, o que torna a previsão de interações mais difícil de identificar. Alguns fitoterápicos podem diminuir a absorção de sais minerais, como o ferro e cálcio, o que pode gerar uma deficiência alimentar (COSTA, 2017). Uma alimentação equilibrada e variada possibilita a manutenção da saúde, pois proporciona os nutrientes necessários e os compostos bioativos que podem reduzir os riscos de doenças. Os alimentos ou ingredientes que aleguem propriedades funcionais básicas produzem efeitos me- tabólicos e/ou fisiológicos, que devem ser consumidos de forma segura sem supervisão médica. Alguns compostos minerais presentes nas plantas possuem um papel preventivo no combate de doenças, entretanto, o desequilíbrio eletrolítico pode ser tóxico ao organismo, principalmente de magnésio, zinco, manganês e selênio, uma vez que atuam em importantes vias metabólicas (POLACOW, 2020; FILHO; CECCONI; ZANCHETT, 2021). UNIDADE 9 205 As interações entre nutrientes dependem, na sua maioria, dos hábitos alimentares do indivíduo, não tendo grandes consequências clínicas se houver consumo de dieta equilibrada. O desequilíbrio no consumo dos alimentos e o uso crônico de alguns fármacos devem ser considerados, pois podem ocasionar algumas destas interações negativas (COSTA, 2017). A ocorrência da interação depende da natureza física e química do medicamento, da formulação na qual o medicamento é administrado, do tipo e volume da refeição, da ordem de ingestão do alimento e medicamento, do intervalo de tempo entre alimentação e a administração do medi- camento, da idade e estado nutricional do indivíduo (POLACOW, 2020). Deve-se destacar também que com o aumento de doenças crônicas em grande parte da população, aumentou também a procura por hábitos alimentares mais saudáveis. Uma das categorias alimenta- res mais procuradas é a dos novos alimentos/ingredientes, substâncias bioativas, alimentos para fins especiais e até mesmo medicamentos fitoterápicos derivados de alimentos (TAVARES, 2012). As interações de alimentos atrasam o esvaziamento gástrico e reduzem a absorção de muitos fár- macos; a quantidade total absorvida de fármaco pode ser ou não reduzida. Para garantir o uso eficaz e seguro, é necessário identificar os possíveis riscos de interações a que estão expostos os indivíduos Descrição da Imagem: A imagem representa os riscos à saúde das interações alimentares. Nela tem-se uma tigela em formato de coração na coloração marrom clara e, dentro dela alguns alimentos, como: três tomates vermelhos, quatro azeitonas verdes, um filé de peixe alaranjado, cereais brancos, frutas rosas, cebola roxa, castanhas e tubérculos cortados. No fundo da imagem está em coloração preta/cinza escura, e no meio da imagem, em branco, uma representação de um eletrocardiograma. Figura 7 - Representação dos riscos à saúde das interações UNICESUMAR 206 que fazem o uso concomitante desses compostos com tipos diferenciados de alimentos. Portanto, agora vamos apresentar as principais interações entre fitoterápicos e alimentos presentes na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) (TAVARES, 2012). Sene (Senna alexandrina Mill) - Fitoterápico utilizado como laxante, interfere reduzindo a ab- sorção de nutrientes dos alimentos. Salgueiro (Salix alba L.) - Fitoterápico utilizado como antitérmico, anti-inflamatório e analgésico, interfere reduzindo a absorção de ferro (POLACOW, 2020). Psylium (Plantago ovata) - Fitoterápico utilizado para reduzir os níveis de colesterol circulante, interfere reduzindo a absorção de cálcio (POLACOW, 2020). Hortelã-Pimenta (Mentha piperita L.) - Fitoterápico utilizado para cólica e gases intestinais, interfere reduzindo a absorção de ferro. Descrição da Imagem: a imagem representa as folhas de hortelã. Nela tem-se várias folhas espalhadas sobre uma bancada cinza e também dentro de um cadinho e o pistilo branco. Figura 8 - Representação das folhas de hortelã UNIDADE 9 207 Cascara Sagrada (Rhamnus purshiana D.C) - Fitoterápicoutilizado para constipação intestinal, interfere na absorção de nutrientes e alimentos (COSTA, 2017). Alho (Allium sativum L.) - Utilizado com anticoagulantes orais como a varfarina, poderá aumentar o tempo de sangramento, intensifica efeito de drogas hipoglicemiantes (insulina e glipizida), levando a uma hipoglicemia (SIMÕES et al., 2007). Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) - Pode desencadear possível quadro de pseudoaldosteronismo por ação mineralocorticoide (caracterizado por retenção de sódio, cloro e água, edema, hipertensão arterial e ocasionalmente mioglobinúria) (COSTA, 2017). Após estas observações, fica evidente que o controle na utilização e prescrição dos fitoterápicos é im- prescindível para controle dos efeitos adversos e toxicológicos, deste modo, resoluções examinadas, com intuito de controlar essas prescrições, foram elaboradas na Resolução CFN 525/201314, recentemente promulgada remete: “Regulamenta a prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe competên- cia para, nas modalidades que especifica, prescrever plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos como complemento da prescrição dietética e, dá outras providências” (BRASIL, 2013, on-line). Essa medida foi necessária, uma vez que a prescrição de fitoterapia exige o domínio de um vasto cabedal de conhecimentos e demanda cuidadosa análise do efeito terapêutico, avaliação de dosagem, forma de apresentação, duração do tratamento, dos efeitos colaterais adversos, interações com medica- mentos, outros fitoterápicos e alimentos, pois as interações desencadeiam efeitos duplicados, opostos, alterações na absorção, no metabolismo e na excreção, ou seja, essas interações podem implicar toxi- cidade, ineficácia do tratamento, deficiências nutricionais entre outras consequências (COSTA, 2017). Descrição da Imagem: a imagem representa uma prescrição do fitoterápico. Nela tem-se uma pessoa com jaleco branco, camisa azul e um estetoscópio no pescoço em dourado. Essa pessoa segura, com sua mão esquerda, um frasco branco de medicamento. Ao lado direito da imagem, observa-se um copo de suco de laranja pela metade em uma mesa marrom, na sua frente uma fita métrica verde com ponta amarela, ao fundo um limão amarelado. Atrás deste copo, uma tigela com frutas: um cacho de uva verde, uma maçã vermelha, um pêssego vermelho e amarelo e um Kiwi marrom. Figura 9 - Representação da prescrição de fitoterápicos UNICESUMAR 208 Portanto, para a prescrição de fitoterápicos de forma segura, é imperioso que o profissional busque capacitação específica para o desenvolvimento de conhecimentos e de habilidades com objetivo de minimizar os potenciais riscos que sua utilização venha a trazer, garantindo sua eficácia sem desenvolver os efeitos tóxicos ao organismo. Após este capítulo, percebe-se a importância na utilização dos fitoterá- picos no cotidiano e suas possíveis reações adversas, pensando nisso, convidamos você para clicar aqui e ouvir o Podcast sobre a importância destes conhecimentos apresentados no capítulo. Acesse o QR Code. Ao terminarmos o estudo conceitual deste capítulo, esperamos que você tenha se conscientizado da importância da análise e prescrição do fitoterápico no cotidiano das pessoas, assim, aqui vai o nosso último desafio, que tal analisar quais fitoterápicos você ou alguém da sua família faz ou já fez uso e levantar quais as possíveis interações ele teria, vamos lá? https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/10168 209 Estamos quase prontos para finalizar esta unidade e preparar você para finalizar este livro, mas, an- tes disso, esperamos que tenha compreendido as interações e potenciais tóxicos analisados nesta unidade, então, convido você, aluno(a), a fazer um MAPA MENTAL, utilizando as seguintes palavras: INTERAÇÕES, INTOXICAÇÃO, TOXICOCINÉTICA, TOXICODINÂMICA, USO RACIONAL, OMEPRAZOL, PRESCRIÇÃO, ANTICOAGULANTE, SENE, GILSEN, GINKGO, ESTROGÊNIO, ALIMENTO, FITOTERÁPI- COS, BOLDO, ALHO, HORTELÃ, VARFARINA, DÉFICIT FERRO, DÉFICIT NUTRICIONAL. INTERAÇÕES HORTELà DÉFICIT NUTRICIONAL ALHO ALIMENTARES GINKGO ESTROGÊNIO ANTICOAGULANTE USO RACIONAL INTOXICAÇÃO FARMACODINÂMICA FARMACOCINÉTICA 210 1. As análises de interação medicamentosa são imprescindíveis tanto no uso dos fitoterápicos quanto na sua possível interação com os alimentos. Deste modo, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. Produtos de origem vegetal apresentam, em sua composição, inúmeros metabólitos ativos com potencial terapêutico, assim, devem passar por testes que comprovem qual sua dose efetiva e tóxica PORQUE Mesmo sendo de origem vegetal, podem apresentar interações entre compostos ativos de outras substâncias e também com alimentos ingeridos diariamente pelas pessoas. A respeito das asserções, assinale a assertiva correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. Assinale a alternativa que descreve corretamente a substância que possui este tipo de interação: “Composto promove redução do nível sérico dos fármacos quando associados, uma vez que induz a concentração das enzimas hepáticas, em especial a CP450. Sua interferência ocorre principalmente quando associado aos inibidores de protease”. a) Ginkgo. b) Hipérico. c) Sene. d) Alho. e) Psyllium. 3. Assinale a alternativa que descreve corretamente a substância que possui este tipo de interação: “Composto utilizado para reduzir os níveis de colesterol sérico, entretanto, interfere na ab- sorção de cálcio”. a) Ginkgo. b) Hipérico. c) Sene. d) Alho. e) Guaco. 211 4. Analise as afirmativas a seguir: I) Intoxicação na fase farmacocinética ocorre quando há um aumento ou diminuição do efeito do fármaco, devido ao sinergismo ou antagonismo. II) A boldina encontrada no Bolso deve ser evitada em pacientes com problemas na coagulação, uma vez que este metabólito provoca inibição da agregação plaquetária decorrente da não formação do tromboxano A2. III) A camomila possui cafeína em sua composição, que interage com a efedrina, podendo inter- ferir em fatores cardiovasculares, levando a aumento da pressão arterial, risco de infarto e ataque cardíaco. IV) O Salgueiro é um fitoterápico utilizado como antitérmico, anti-inflamatório e analgésico, in- terfere reduzindo a absorção de ferro. V) A Resolução CFN 525/201314 regulamenta a prática da fitoterapia pelo nutricionista, atribuin- do-lhe competência para prescrição. Assinale a alternativa correta: a) Apenas as alternativas I e III estão corretas. b) Apenas as alternativas II e III estão corretas. c) Apenas as alternativas II, IV e V estão corretas. d) Apenas as alternativas II e V estão corretas. e) Apenas as alternativas I, IV e V estão corretas. 212 UNIDADE 1 FUCHS, F. D.; WANNMACHER, L.; FERREIRA, M. B. C. Farmacologia Clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. GOLAN, D. et al. Princípios de Farmacologia. A Base Fisiopatológica da Farmacologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. KATZUNG, B, G.; GRAW, H. Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. PENILDON, S. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. 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GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. KATZUNG, B, G.; GRAW, H. Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. PENILDON, S. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2016. UNIDADE 4 COSTANZO, L. S. Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2018. FUCHS, F. D.; WANNMACHER, L.; FERREIRA, M. B. C. Farmacologia Clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. GOLAN, D. et al. Princípios de Farmacologia. A Base Fisiopatológica da Farmacologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2017. KATZUNG, B, G.; GRAW, H. Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. MOLINA, P. Fisiologia Endócrina. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. PENILDON, S. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2016. SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 214 UNIDADE 5 GOLAN, D. et al. Princípios de Farmacologia. A Base Fisiopatológica da Farmacologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2017. KATZUNG, B. G.; GRAW, H. Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. MCARDLE, W. D.; KACTH, F.; KATCH, V. Fisiologia do Exercício - Nutrição, Energia e De- sempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2016. 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Farmacognosia. São Paulo: Atheneu, 2005. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução ANVISA RDC n. 26, de 215 13 de maio de 2014. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitoterápicos. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, 14 mai. 2014. BRASIL. Medida Provisória nº 927, de 22 de Março de 2020. Dispõe sobre as medidas trabalhistas para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (covid-19), e dá outras providências. 2020. Dis- ponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/mpv/mpv927.htm. Acesso em: 16 maio 2022. CASS, Q. B.; DEGANI, L. G. Desenvolvimento de métodos por HPLC: fundamentos, estratégia e validação. São Carlos: EDUFSCar, 2002. COLLINS, C. H.; BRAGA, G. L.; BONATO, P. S. 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Resolução CFN nº 525, de 25 de junho de 2013. Regulamenta a prática da Fitoterapia pelo nutricionista, atribuindo-lhe competências para, nas modalidades que especifica, prescrever plantas medicinais e chás medicinais, medicamentos fitoterápicos, produtos tradicionais fitoterápi- cos e preparações magistrais de fitoterápicos como complemento da prescrição dietética e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: https://www.cfn.org.br/ wp-content/uploads/resolucoes/Res_525_2013.html.Acesso em: 23 maio 2022. BRASIL. Resolução da diretoria colegiada – RDC nº 26, de 13 de maio de 2014. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitote- rápicos. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/ bvs/saudelegis/anvisa/2014/rdc0026_13_05_2014.pdf. Acesso em: 23 maio 2022. COSTA, E. A. Tratamento alternativo através das plantas. 3. ed. 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Sendo observado todas os interferentes neste processo que podem alterar a concentração do fármaco diminuindo, cessando ou eliminando seu efeito, a farmacodi- nâmica analisa os tipos de receptores no organismo que possuem afinidade aos fármacos, e esta afinidade promove um efeito desejável ou não no organismo. 2. C. A biodisponibilidade é definida como a concentração do fármaco disponível para realizar seu efeito após sofrer os processos farmacocinéticos de digestão, absorção e efeito de primeira pas- sagem. A solubilidade do fármaco, bem como a via de administração, interfere diretamente na biodisponibilidade e devem ser analisadas, uma vez que fármacos altamente lipossolúveis, quando administrados por via oral, são melhores absorvidos, bem como a via de administração, uma vez que fármacos injetáveis não sofrem efeito de primeira passagem e possuem alta biodisponibilidade. 3. C. Pois os fármacos administrados pela via injetável não sofrem efeito de primeira passagem, logo não sofrem interferência na sua concentração administrada; os fármacos com alto volume de dis- tribuição possuem maior capacidade de acúmulo, uma vez que o volume disponível no organismo é limitado, deste modo, eles tendem a se acumular em tecidos como tecido adiposo, o que, a longo prazo, é um fator de risco ao desenvolvimento da toxicidade do medicamento; fármacos na forma ionizada não sofrem ou têm dificuldade na absorção. UNIDADE 2 1. B. Ambas as respostas são verdadeiras, mas não se complementam por se tratar de assuntos distintos. O sistema nervoso entérico (SNE) pode atuar de forma independente e foi, inicialmente, reconhecido há mais de um século, quando os cientistas observaram a habilidade do SNE de rea- lizar um reflexo independentemente do controle exercido pelo sistema nervoso central (SNC). Os neurônios motores sofrem influência positiva e negativa. A parte excitatória é a acetilcolina, enquanto os inibitórios são: óxido nítrico, embora, peptídeo intestinal vasoativo e, atualmente, sabe-se que células enterocromafins dispersas por todo o epitélio do intestino liberam serotonina (5-HT) para iniciar reflexos do intestino. Fármacos que antagonizam os receptores muscarínicos da acetilcolina e consequentemente di- minuem a secreção ácida gástrica. Entre os compostos tem-se a diciclomina. Estes medicamentos são pouco utilizados, uma vez que seus efeitos são inferiores as duas classes já apresentados e os efeitos adversos são: boca seca, visão turva, arritmias cardíacas e retenção urinária 219 2. D. Antidepressivos: Classe mais eficaz no tratamento da síndrome do Cólon irritável devido suas propriedades neuromoduladoras e analgésicas, independentes do seu efeito antidepressivo. Os antidepressivos tricíclicos têm uma longa história de eficácia comprovada no tratamento da dor visceral “funcional” crônica. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina têm menos efeitos adversos e têm sido recomendados especialmente para os pacientes com constipação funcional, porque podem aumentar os movimentos intestinais e até mesmo causar diarreia. 3. D. A secreção gástrica sofre efeito positivo aumentando sua secreção (histamina, gastrina e ace- tilcolina) e efeitos negativos (prostaglandinas), e o desequilíbrios destes agentes está relacionado ao desenvolvimento de condições como: Úlceras péptica, refluxo gastroesofágico). Citoprotetores, aumentam os mecanismos endógenos de proteção da mucosa e/ou proporcionam uma barreira física sobre a superfície da úlcera. Os agentes que promovem a defesa da mucosa são utilizados para alívio sintomático da doença ulcerosa péptica. Quelato de bismuto e Sucratos fazem parte desta classe). A domperidona antagoniza, principalmente, o receptor dopaminérgico D2, sem afetar significativamente os outros receptores. É usada por aumentar a pressão no esfíncter esofágico inferior (desse modo, inibindo o refluxo gastroesofágico), aumenta também o esvaziamento gástri- co e o peristaltismo duodenal. É útil em distúrbios do esvaziamento gástrico e no refluxo gástrico crônico. A metoclopramida estimula a motilidade gástrica, provocando acentuada aceleração do esvaziamento gástrico. É útil no refluxo gastroesofágico e em distúrbios do esvaziamento gástrico, mas é ineficaz no íleo paralítico, deste modo, úteis no tratamento do vômito). Probióticos: o trato GI contém ampla flora comensal necessária para a saúde. Alterações no equilíbrio ou composição desta flora são responsáveis pelas diarreias associadas ao uso de antibióticos e, possivelmente, outras doenças. Preparações probióticas contendo uma variedade de cepas bacterianas mostraram algum grau de benefício nas diarreias agudas, diarreias associadas a antibióticos e diarreias infec- ciosas, mas a maioria dos estudos clínicos foi pequena e por isso as conclusões são limitadas). Os glicocorticoides são potentes anti-inflamatórios, utilizados no tratamento das doenças intestinais inflamatórias; os fármacos de escolha são em geral prednisolona ou budesonida (embora outros possam ser usados). São dados por via oral ou localmente no intestino por supositórios ou enemas. Os glicocorticoides são úteis para as crises agudas de doenças inflamatórias intestinais, não são ideais para o tratamento de longo prazo (em razão de seus efeitos colaterais). UNIDADE 3 1. C. Mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens, mas algumas formas latentes podem ocorrer mais tardiamente. A doença é caracterizada por deficiência absoluta de insulina devido à destruição das células β (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2010). A predisposição genética ao diabetes tipo 1 está fortemente mapeada nos loci do antígeno leucocitário humano (HLA), também conhecido como complexo principal de histocompatibilidade (CPH), que codifica proteínas envolvidas na apresentação