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<p>SISTEMA DE ENSINO</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>LINDB – Parte II</p><p>Livro Eletrônico</p><p>2 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Sumário</p><p>Apresentação ................................................................................................................................... 3</p><p>LINDB – Parte II ................................................................................................................................ 5</p><p>1. Interpretação ............................................................................................................................... 5</p><p>1.1. Definição ..................................................................................................................................... 5</p><p>1.2. Classificação quanto ao Sujeito ............................................................................................ 6</p><p>1.3. Classificação quanto ao Resultado ...................................................................................... 7</p><p>1.4. Classificação quanto ao Modo .............................................................................................. 9</p><p>2. Integração ...................................................................................................................................12</p><p>2.1. Advertências Iniciais...............................................................................................................12</p><p>2.2. Definição ..................................................................................................................................13</p><p>2.3. Espécies de Integração .........................................................................................................15</p><p>2.4. Equidade: Integração ou Não? ............................................................................................ 18</p><p>2.5. Autointegração vs Heterointegração .................................................................................19</p><p>2.6. Espécies de Lacunas .............................................................................................................20</p><p>2.7. Revogação ou Não dos Arts. 4º e 5º da LINDB ..................................................................21</p><p>3. Lei no Espaço ............................................................................................................................. 22</p><p>3.1. Conceitos Importantes .......................................................................................................... 23</p><p>3.2. Elementos de Conexão .........................................................................................................24</p><p>4. Lei da Segurança Hermenêutica ............................................................................................ 35</p><p>5. Palavras Finais .......................................................................................................................... 37</p><p>Questões de Concurso .................................................................................................................38</p><p>Gabarito ........................................................................................................................................... 58</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>3 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>ApresentAção</p><p>Olá!</p><p>Hoje, vamos tratar de uma parte que sempre é cobrada: interpretação, integração e lei no</p><p>espaço. Desses três assuntos, penso que o último tempo (lei no espaço) é o que mais gera</p><p>dificuldades para os alunos. As questões que os candidatos mais erram costumam ser nesse</p><p>tema. Isso significa que quem faz Gran Cursos Online sai em larga vantagem no concurso, pois</p><p>consegue aprender o que quase ninguém sabe (rs). Vamos em frente!</p><p>Resumo</p><p>Meus caríssimos e minhas caríssimas, começo com o resumo da aula. Se você tem pressa,</p><p>leia, ao menos, o resumo. Todavia, o ideal, porém, é você ler a aula inteira, pois o resumo não</p><p>tem detalhamentos nem contém tudo que você tem de saber.</p><p>Segue o resumo:</p><p>• Interpretar é extrair um sentido possível da norma, ao passo que integrar é suprir lacuna</p><p>da norma. Dessa forma, não podemos falar em interpretação quando há omissão legal;</p><p>• Há diferentes formas de classificar a interpretação, a saber: (1) quanto ao sujeito: autêntica,</p><p>doutrinária e judicial; (3) quanto ao resultado: extensiva, restritiva e declarativa; e (4) quanto</p><p>ao modo: gramatical, sistemática, histórica, teleológica (=sociológica) e racional (=lógica);</p><p>• Havendo omissão na lei, o juiz deverá servir-se dos métodos de integração na seguinte</p><p>ordem: analogia, costumes e princípios gerais de Direito (art. 4º, LINDB);</p><p>• A equidade, na LINDB, não é método de integração, ao contrário do que sucede no Direito</p><p>Trabalhista (CLT) e no Direito Tributário (CTN);</p><p>• O Brasil adotou a doutrina da territorialidade moderada, de maneira que, em regra, fatos</p><p>ocorridos no território brasileiro submetem-se à legislação brasileira;</p><p>• O art. 7º e seguintes da LINDB prevê os elementos de conexão, assim entendidas as</p><p>regras que definem quando se aplica a lei brasileira e quando se aplica a estrangeira;</p><p>• Lei do domicílio da pessoa (lex domicilii): questões relativas à personalidade, capacida-</p><p>de, nome e direito de família;</p><p>• Lei do domicílio do casal (lex domicilli): invalidade do matrimônio;</p><p>• Lei do domicílio do de cujus ou do ausente (lex sucessionis): sucessão causa mortis.</p><p>Exceção: princípio do prélèvement ou de princípio do favor negotti (art. 10, § 1º, LINDB +</p><p>art. 5º, XXXI, da CF);</p><p>• Lei do lugar do ato (lex loci actus): obrigações contratuais, administrativas ou de outra</p><p>natureza. Exceção: lei do lugar da execução do ato (lex loci executionis) para a forma,</p><p>admitidas peculiaridades da lei estrangeira quanto aos pressupostos extrínsecos do ato</p><p>(art. 9º, § 1º, da LINDB). Filial brasileira de multinacional de renome com marketing dire-</p><p>cionado responde solidariamente por problema no produto comprado no exterior (“Caso</p><p>Panasonic”). Filial brasileira não responde por contrato de plano de férias em regime de</p><p>Time Sharing firmado pelo consumidor no exterior com outra empresa da multinacional,</p><p>salvo se tiver havido prova de interrelação entre as duas empresas (“Caso Meliá”);</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>4 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>• Coisa móvel transportada (mobilia sequuntur personam): lei do domicílio do proprietário</p><p>(art. 8º, § 1º, LINDB);</p><p>• Prova de fato jurídico: lei do lugar do fato (art. 13, LINDB);</p><p>• Retorno, devolução, reenvio ou remissão: é vedado (art. 16, LINDB);</p><p>• Leis, atos e sentenças estrangeiros não produzirão efeitos no Brasil, quando violarem</p><p>os bons costumes, a soberania nacional e a ordem pública (art. 7º, LINDB). Sentença</p><p>estrangeira: necessidade de homologação;</p><p>• Eficácia de documento estrangeiro no Brasil: consularização (ou apostilamento) + tradu-</p><p>ção + Registro de Títulos e Documentos (art. 148 da Lei de Registros Públicos, Resolu-</p><p>ção CNJ n. 228, de 22/JUN/2016, e Provimento CNJ n. 58, de 9/12/2016)</p><p>• Os arts. 20 a 30 da LINDB foi acrescentado pela Lei da Segurança Hermenêutica e se</p><p>destina a dará maior segurança jurídica aos gestores. Podem ser resumidos em três</p><p>assuntos:</p><p>− Clareza normativa (arts. 29 e 30): estímulo à edição de orientações e consulta públi-</p><p>ca prévia;</p><p>− Responsabilização do agente por interpretação</p><p>Ministra Nancy Andrighi, Rel. p/ Acórdão Ministro Ricar-</p><p>do Villas Bôas Cueva, DJe 26/10/2018).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>30 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Caso Sony: Responsabilidade de Filial por Assistência Técnica</p><p>Situação diversa é aquela em que, no Brasil, o consumidor celebra contrato com empre-</p><p>sa brasileira que se vale do nome empresarial de uma multinacional estrangeira para vender</p><p>produtos. Nesse caso, a empresa brasileira é considerada fornecedora aparente e, por isso,</p><p>responde solidariamente por qualquer dano causado ao consumidor. Nesse sentido, o STJ já</p><p>aceitou que a Sony do Brasil S/A fosse punida com multa administrativa do Procon por não</p><p>prestar assistência técnica para os produtos da marca Sony que são vendidos, de maneira que</p><p>é irrelevante aí que esses produtos sejam fabricados pela empresa norte-americana Sony Ame-</p><p>rica Inc (STJ, REsp 1709539/MG, 2ª Turma, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 05/12/2018).</p><p>3.2.6. Coisas (Lex Rei Sitae)</p><p>Aplica-se a lei do lugar da coisa quando se tratar de relações jurídicas concernentes à coi-</p><p>sa (como os direitos reais) e de sua qualificação (ex.: definir a coisa como móvel ou imóvel).</p><p>Trata-se da regra do lex rei sitae, que é a lei do lugar onde a coisa está situada (art. 8º, LINDB).</p><p>Se um brasileiro adquire um imóvel nos EUA, as regras de direito de propriedade serão regidas</p><p>pela lei norte-americana, e não pela brasileira.</p><p>O STJ – ao nosso sentir, de modo atécnico – entendeu que a lex rei sitae deve ser apli-</p><p>cada também para reger a sucessão causa mortis relativa a bens imóveis quando houver</p><p>testamento. O motivo disso seria o fato de que, havendo imóveis em vários Países, a regra</p><p>da lex sucessionis (art. 10 da LINDB) deve ser afastada quanto aos imóveis em proveito</p><p>da lex rei sitae (ar.t 9º, da LINDB) em homenagem ao princípio da pluralidade de juízos su-</p><p>cessórios, segundo o qual deverá haver um juízo de inventário para cada País onde houver</p><p>imóveis em razão da competência jurisdicional exclusiva do juízo do local do imóvel, confor-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>31 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>me arts. 12, § 1º, da LINDB e 23, I, do CPC (STJ, REsp 1362400/SP, Rel. Min. Marco Aurélio</p><p>Bellizze, DJe 05/06/2015). Entendemos que a competência jurisdicional exclusiva do juízo</p><p>do local é regra meramente processual e, portanto, é irrelevante para a definição da regra</p><p>de direito material que será aplicada ao caso concreto, razão por que, independentemente</p><p>da situação dos bens móveis e imóveis deixados pelo de cujus e do lugar onde haverá de</p><p>processar os inventários, a lei regente da sucessão hereditária deve ser a do domicílio do</p><p>falecido (art. 10, LINDB).</p><p>3.2.7. Coisas Móveis Transportadas (Mobília Sequuntur Personam)</p><p>Quanto à norma que rege os bens móveis que o proprietário trouxer consigo ou se destina-</p><p>rem a transporte para outros lugares, prevalece a lei do lugar do domicílio do proprietário (art.</p><p>8º, § 1º, LINDB). Esse elemento de conexão, que é batizado de mobília sequuntur personam,</p><p>somente é aplicado aos bens móveis em deslocamento (ou seja, às coisas in transitu), em es-</p><p>tado de mobilidade, pois os bens móveis que não estiverem em mobilidade serão regidos pela</p><p>lei do lugar onde estiverem (lex rei sitae). Assim, o direito real de propriedade que um brasileiro</p><p>tem sobre um computador é regido pelo lugar onde o bem estiver. Se esse computador estiver</p><p>nos EUA (numa casa que o brasileiro tem, por exemplo), vige a lei norte-americana, ainda que</p><p>o brasileiro seja domiciliado no Brasil, pois não se trata de uma coisa in transitu. Todavia, se</p><p>esse brasileiro viaja para Cuba de férias portando o seu computador, o seu direito real de pro-</p><p>priedade sobre o computador observará a lei do domicílio brasileiro, e não a lei cubana, pois</p><p>se trata de coisa in transitu.</p><p>Há bens móveis com elementos de conexão próprios, a exemplo das aeronaves, que se-</p><p>guem as regras de sua matrícula na forma do Código Brasileiro de Aeronáutica e da Convenção</p><p>Internacional de Cabo Verde (Decreto n. 6.395/2008), e das embarcações, que seguem a Lei n.</p><p>7.652/1988.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>32 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>3.2.8. Prova de Fatos Jurídicos (Lex Loci vs Lex Fori)</p><p>Regras relativas a provas e ao ônus de prova são de direito material, e não de direito proces-</p><p>sual, pois se vinculam à própria essência do direito. De nada adianta assegurar, por exemplo,</p><p>um direito de crédito se não houver como comprovar esse direito. Prova e direito se imiscuem</p><p>visceralmente. A lei que disciplina o fato deve também reger a lei das provas. Por essa razão,</p><p>segundo o art. 13 da LINDB, aplica-se a lei do lugar do nascimento do fato (lex loci) para disci-</p><p>plinar questões relativas aos meios de prova (tipos de provas admissíveis) e ao ônus probató-</p><p>rio (quem deve provar o fato).</p><p>A doutrina dá interpretação restritiva desse dispositivo para fixar que o modo como a</p><p>prova deve ser produzida em juízo (ex.: o momento processual, o prazo para apresentar a</p><p>prova em juízo etc.) não deve ser abrangido pela regra do art. 13 da LINDB por se cuidar de</p><p>questão meramente processual, para a qual se aplica o elemento de conexão conhecido</p><p>como lex fori: aplica-se a lei do lugar do juízo (do foro) para as regras processuais, pois ob-</p><p>viamente um juízo italiano não conduzirá o processo sob as regras procedimentais do CPC</p><p>brasileiro.</p><p>O art. 13 da LINDB condena, porém, o emprego de provas desconhecidas pelos tribu-</p><p>nais brasileiros. Se, por exemplo, um determinado País admite um “ordálio” como meio de</p><p>prova (ordálios eram meios mágicos para comprovar fatos, como, por exemplo, verificar a</p><p>inocência de um indivíduo caso este sobreviva após ser arremessado em um rio com uma</p><p>rocha amarrada aos seus pés), esse tipo de prova fantasiosa não é admitida no Brasil e,</p><p>portanto, ela não poderá ser utilizada. Isso excepciona, portanto, a lex loci prevista no art.</p><p>13 da LINDB.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>33 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>3.2.9. Retorno, Devolução, Reenvio ou Remissão</p><p>Em regra, o retorno é vedado pelo art. 16 da LINDB. Retorno é considerar os elementos de</p><p>conexão de lei estrangeira e, em razão disso, redirecionar a regência do caso para o abrigo de</p><p>lei diversa da indicada pelos elementos de conexão brasileira. Se, por exemplo, um contrato</p><p>foi celebrado na Alemanha por um árabe, a LINDB fixa, como elemento de conexão, o locus</p><p>regit actum a apontar para a incidência da lei alemã para disciplinar o caso. O retorno aconte-</p><p>ceria se, ao aplicar a legislação alemã, fosse identificado, nela, um elemento de conexão que</p><p>remetesse o caso para a disciplina</p><p>por outra lei, como sucederia na situação hipotética de a lei</p><p>alemã indicar a lei da nacionalidade do contratante como a regente do caso. Nesse caso, se se</p><p>levar em conta o elemento de conexão, haverá um retorno, reenvio, devolução ou remissão: a</p><p>LINDB encaminhou o caso para a lei alemã e essa devolveu-o (remeteu-o, reenviou-o etc.) à lei</p><p>árabe. Isso seria um caso de retorno de primeiro grau, pois houve apenas um redirecionamento</p><p>do caso. Isso é vedado, sob pena de adentrarmos um ciclo ininterrupto de remissões sucessi-</p><p>vas. No referido exemplo, a lei árabe pode ter elemento de conexão que restitua o caso para a</p><p>regência da lei alemã, o que criaria um ciclo infindável de remissões (“o cão correndo atrás do</p><p>rabo”, como diz a sabedoria popular).</p><p>3.2.10. Óbices a Lei, Atos e Sentenças Estrangeiras no Brasil (Art. 17)</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>34 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Conforme art. 17 da LINDB, em regra, leis, atos e sentenças estrangeiros têm plena eficácia</p><p>no Brasil. Quem, por exemplo, casou em Las Vegas é considerado casado no Brasil, pois o ato</p><p>estrangeiro (casamento) tem eficácia no Brasil. A única exceção corre à conta de casos em</p><p>que há violação à ordem pública, aos bons costumes e à soberania nacional. Se, por exemplo,</p><p>um contrato estipula uma pena de morte para o devedor em um País estrangeiro que admita</p><p>esse meio coercitivo, esse contrato não terá eficácia no Brasil por violar a ordem pública.</p><p>3.2.11. Sentenças Estrangeiras</p><p>Decisões judiciais estrangeiras, por serem manifestação própria da soberania de um país,</p><p>devem submeter-se a um procedimento de prévia chancela pelo STJ. Se se tratar de decisão</p><p>judicial de natureza executiva (que implica atos próprios de execução, como penhora de bens),</p><p>o procedimento adequado é o da homologação de sentença estrangeira, previsto no art. 15 da</p><p>LINDB e art. 105, I, “i”, da CF. Se, porém, a decisão judicial for para atos “passivos” (que</p><p>não implicam atos executivos, a exemplo dos atos de comunicação processual: citação e in-</p><p>timação), o procedimento de chancela prévia é o exequatur, orquestrado pelo art. 12, § 2º, da</p><p>LINDB e art. 105, I, “i”, da CF.</p><p>3.2.12. Eficácia de Documento Estrangeiro</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>35 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>O uso de documentos estrangeiros no Brasil deve atender a algumas formalidades. Em</p><p>princípio, para produzir efeitos no Brasil, documentos estrangeiros exigem uma tradução feita</p><p>por tradutor juramentado (profissional liberal registrado na Junta Comercial) e o registro dessa</p><p>tradução e do documento no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (art. 148 da Lei de</p><p>Registros Públicos).</p><p>Se esse documento estrangeiro for público, ou seja, foi produzido por um agente público</p><p>estrangeiro, a condição de agente público e a autenticidade dessa assinatura deve ser pre-</p><p>viamente atestada por um procedimento batizado como consularização ou legalização. Se,</p><p>porém, o país for signatário da Convenção Internacional da Apostila de Haia, a consularização</p><p>ou a legalização é substituída pela Apostila (= apostilamento). O Brasil é um dos signatários,</p><p>pois incorporou aquela convenção internacional por meio do Decreto n. 8.660/2016. O objetivo</p><p>da convenção é suprimir as legalizações feitas pelas autoridades diplomáticas ou consulares,</p><p>pois são muito burocráticas. No Brasil, para obter apostila em documento público brasileiro</p><p>para uso no exterior (ex.: um diploma de universidade brasileira para ser usada na inscrição</p><p>em uma pós-graduação em Harvard), pode-se ir aos Cartórios de Notas, que estão autorizados</p><p>a apor a apostila nos documentos. A propósito dessa aposição da apostila, convém consulta</p><p>a estes atos infralegais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): Resolução CNJ n. 228, de 22/</p><p>JUN/2016, e Provimento CNJ n. 58, de 9/12/2016.</p><p>4. leI DA segurAnçA HerMenêutICA</p><p>Os arts. 20 a 30 da LINDB foram introduzidos pelo que chamamos de Lei da Segurança</p><p>Hermenêutica (Lei n. 13.655/2018).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>36 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>O seu objetivo foi, sobretudo, dar maior segurança ao gestor, que, antes da nova lei, era</p><p>sujeito a constrangimentos causados pelos órgãos de controle. Trata-se de lei mais afeta ao</p><p>Direito Administrativo, embora entendemos que, por analogia, ela pode ser utilizada para os</p><p>demais ramos do Direito.</p><p>A propósito da nova lei e da síntese de seu conteúdo, transcrevemos aqui lições do profes-</p><p>sor Flávio Tartuce:</p><p>“Na verdade, as novas previsões não dizem respeito diretamente ao Direito Privado, mas ao Direito</p><p>Público, fugindo ao objeto principal da presente obra. A Lei da Introdução às Normas do Direito Bra-</p><p>sileiro, assim, distancia-se mais ainda do Direito Civil, o que agora justifica plenamente a sal mudan-</p><p>ça de nome, como antes aqui foi destacado [antigamente, o nome era “Lei de Introdução ao Código</p><p>Civil”]. Quanto às provas, acreditamos que esse conteúdo deva ser cobrado na disciplina de Direito</p><p>Administrativo, e não no âmbito do Direito Civil.</p><p>Como bem pondera Carlos Eduardo Elias de Oliveira, professor de Direito Civil e assessor jurídico</p><p>do Senado Federal, que tem participado ativamente da elaboração de várias normas recentes, o</p><p>diploma que surge poderia ser batizado de Lei da Segurança Hermenêutica na Administração Públi-</p><p>ca, pois ‘seu objetivo foi, em síntese, implantar um ambiente de menor instabilidade interpretativa</p><p>para os agentes públicos e para os atos administrativos, os quais sambam nas asas vacilantes das</p><p>surpresas provocadas pela superveniência de interpretações jurídicas advindas especialmente de</p><p>órgãos de controle’ (OLIVEIRA, Carlos Eduardo Elias de. A segurança hermenêutica... Disponível em:</p><p><www.flaviotartuce.adv.br>.</p><p>O autor divide a norma em três grupos temáticos, o que serve muito bem para resumir o seu conte-</p><p>údo. O primeiro diz respeito à clareza normativa (arts. 29 e 30). O segundo à responsabilização do</p><p>agente por infração hermenêutica (arts. 22 e 28). O terceiro grupo está relacionado à invalidade de</p><p>atos administrativos, o que ele fraciona em quatro subgrupos: a) princípio da motivação concreta</p><p>(arts. 20 e 21, caput); b) regime de transição (art. 23), princípio da menor onerosidade da regulariza-</p><p>ção (art. 21, parágrafo único) e irregularidade sem pronúncia de nulidade (art. 21, parágrafo único, e</p><p>22, caput e § 1º); c) convalidação por compromisso com ou sem compensações (arts. 26 e 27); e d)</p><p>invalidade referencial (art. 24 da LINDB).”</p><p>(TARTUCE, Flávio. Direito Civil: lei de introdução e parte geral. Rio de Janeiro: Forense, 2020, p. 60).</p><p>Para provas de concurso, a tendência é a cobrança do texto literal. O resumo acima é sufi-</p><p>ciente para esta exposição teórica. Para aprofundamentos, reportamos a texto nosso intitula-</p><p>do “A segurança hermenêutica nos vários ramos do direito e nos cartórios extrajudiciais: reper-</p><p>cussões da LINDB após a lei n. 13.655/2018” (http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/</p><p>artigosc/dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/artigosc/dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx</p><p>http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/artigosc/dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx</p><p>37 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>5. pAlAvrAs fInAIs</p><p>Amigos e amigas, resolva exercícios agora. Separamos vários para vocês se divertirem ao</p><p>final desta aula. E não deixem de nos falar acerca das suas impressões sobre essa nossa aula.</p><p>Temos nosso facebook (Carlos Eduardo Elias de Oliveira), nosso Instragram (@profcarloselias</p><p>e @direitoprivadoestrangeiro), nosso e-mail (carloseliasdeoliveira@yahoo.com.br) e também a</p><p>plataforma virtual aqui.</p><p>E curta essa aula no link que aparece aí para você (se você gostou, é claro! Kkkk).</p><p>Foi um prazer estar com vocês nesta primeira aula.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>38 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>QUESTÕES DE CONCURSO</p><p>002. (CESPE/ANALISTA/TRE-PI/2016) O aplicador do direito, ao estender o preceito legal</p><p>aos casos não compreendidos em seu dispositivo, vale-se da</p><p>a) interpretação teleológica.</p><p>b) socialidade da lei.</p><p>c) interpretação extensiva.</p><p>d) analogia.</p><p>e) interpretação sistemática.</p><p>Quando há omissão legal (= caso não abrangido por um dispositivo legal), o caso é de integra-</p><p>ção, e não de interpretação. Na questão, a única alternativa que menciona um dos métodos de</p><p>integração é a letra “D”. Os meios de integração são a analogia, os costumes e os princípios</p><p>gerais de direito, conforme art. 4º da LINDB:</p><p>Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os</p><p>princípios gerais de direito.</p><p>Letra d.</p><p>003. (CESPE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/TJ-SE/2014) A interpretação teleológica consiste na</p><p>análise da norma de forma contextual, com a comparação entre os dispositivos do próprio</p><p>texto legal e outros diplomas normativos.</p><p>A questão define a interpretação sistemática, que é aquela que leva em conta outros dispositi-</p><p>vos legais. A interpretação teológica é aquela que busca a finalidade da norma.</p><p>Errado.</p><p>004. (CESPE/ANALISTA DO MPU/MPU/2018) Na interpretação sistemática de lei, o intérpre-</p><p>te busca o sentido da norma em consonância com as que inspiram o mesmo ramo do direito.</p><p>Tem de estar em consonância com as normas que inspiram o mesmo ramo do direito.</p><p>Certo.</p><p>005. (CESPE/ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO/TCE-MG/2018) Ao buscar uma adapta-</p><p>ção da lei para aplicá-la a exigências atuais e concretas da sociedade, o intérprete da legisla-</p><p>ção utiliza-se da interpretação</p><p>a) histórica.</p><p>b) sistemática.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>39 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>c) extensiva.</p><p>d) teleológica.</p><p>e) lógica.</p><p>Interpretação teológica ou sociológica é a que se adapta às exigências da realidade social da</p><p>atualidade, tudo conforme expondo na questão. O gabarito é letra “D”.</p><p>Letra d.</p><p>006. (CESPE/ADVOGADO DA UNIÃO/AGU/2009] Suponha que, no dia 20 de janeiro, tenha sido</p><p>publicada lei estabelecendo, no art. 2º, que os proprietários de veículos populares pagariam, na</p><p>ocasião do abastecimento, 20% a menos do preço fixado na bomba de combustível. Suponha,</p><p>ainda, que, no art. 5º, a referida lei tenha definido veículo popular como aquele com motoriza-</p><p>ção até 1.6. Considerando essa situação hipotética, julgue o item a seguir.</p><p>Caso o juiz constate erro na definição de veículo popular pela referida lei, ele poderá, em pro-</p><p>cesso sob seu exame, corrigi-lo sob a fundamentação de que toda lei necessita ser interpreta-</p><p>da teleologicamente e de que, na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se</p><p>dirige e às exigências do bem comum.</p><p>Interpretar é extrair um sentido possível da lei, e não um sentido impossível nem para corrigir</p><p>uma lei. Logo, não é possível usar interpretação teológica para “corrigir” uma lei. Juiz não pode</p><p>corrigir lei; ele tem de aplicá-la ou, se for o caso, declará-la inconstitucional. Por isso, está er-</p><p>rada a questão.</p><p>Errado.</p><p>007. (CESPE/PROCURADOR/PGM-CAMPO GRANDE-MS/2019) Diante de omissão legal, o</p><p>juiz decidirá de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito, visando</p><p>atender aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum.</p><p>O gabarito final é correto pelo fato de a questão reproduzir os arts. 4º e 5º da LINDB. Seria,</p><p>porém, viável questionar esse gabarito pelo fato de que o enunciado está tratando de “omissão</p><p>legal” (lacuna legal), ou seja, de falta de lei, e não de “aplicação da lei”. O art. 5º da LINDB, que</p><p>está parcialmente reproduzido ao final da questão, trata de “aplicação da lei”, e não de “inte-</p><p>gração normativa”. Em suma, poder-se-ia impugnar a questão acusando-a de misturar o art. 4º</p><p>da LINDB (que trata de meios de integração, ou seja, de meios para suprir lacuna legal) com o</p><p>art. 5º (que lida com aplicação da lei). Seja como for, o gabarito oficial foi o de que tudo estava</p><p>correto com base no entendimento (razoável!) de que sempre o juiz deve buscar os fins sociais</p><p>e às exigências do bem comum. Veja esses preceitos:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>40 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os</p><p>princípios gerais de direito.</p><p>Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem</p><p>comum.</p><p>Certo.</p><p>008. (INSTITUTO ACESSO/DELEGADO/PC-ES/2019/ADAPTADA) Na hipótese de lacuna le-</p><p>gal, que consiste em não haver uma hipótese normativa especifica e expressa a ser aplicada</p><p>para um determinado caso concreto, o Juiz decidirá utilizando a ponderação, a analogia, os</p><p>costumes e os princípios gerais do direito.</p><p>Ponderação não é meio de integração, ao contrário do exposto na questão (art. 4º, LINDB).</p><p>Errado.</p><p>009. (CESPE/PROMOTOR/MPE-PI/2012/ADAPTADA) Segundo as regras legais brasileiras,</p><p>permite-se ao julgador o non liquet, nos casos de lacunas ou obscuridade da norma.</p><p>É vedado o non liquet no Direito Brasileiro: o juiz sempre tem de dar uma solução aos proble-</p><p>mas, mesmo quando faltar lei ou quando esta for obscura. No caso de lacunas legais, o juiz</p><p>deve valer-se de meios de integração (art. 4º, LINDB).</p><p>Errado.</p><p>010. (CESPE/PROCURADOR/PGE-PI/2014/ADAPTADA) A lacuna ontológica ocorre quando</p><p>existe texto legal que soluciona uma situação concreta, mas que contraria os princípios e os</p><p>axiomas norteadores da própria ideia de justiça.</p><p>A questão define a lacuna axiológica.</p><p>LACUNA NORMATIVA = ausência total de norma prevista para um determinado caso concreto.</p><p>É para esses casos que há os meios de integração para suprir a lacuna, como a analogia, os</p><p>costumes e os princípios gerais de direito (art. 4º, LINDB).</p><p>LACUNA ONTOLÓGICA</p><p>= presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficá-</p><p>cia social (= sem condições fáticas de ser aplicada na prática, como no caso de uma lei a que</p><p>ninguém obedece ou de uma lei que estabelece obrigações impossíveis materialmente).</p><p>LACUNA AXIOLÓGICA = presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja</p><p>insatisfatória ou injusta. É quando há uma “norma injusta”.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>41 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>011. (CESPE/ANALISTA/TRE-MT/2015/ADAPTADA) Ocorre lacuna ontológica na lei quando</p><p>existe texto legal para a solução do caso concreto, mas esse texto contraria os princípios que</p><p>regem a própria justiça.</p><p>A questão define a lacuna axiológica (falta de justiça na norma), e não a ontológica (falta de</p><p>condições fáticas para efetivação da norma).</p><p>Errado.</p><p>012. (CESPE/AUDITOR/TCE-PR/2016/ADAPTADA) Não se admite no ordenamento jurídi-</p><p>co pátrio a chamada integração normativa, ainda que para preencher eventuais lacunas do</p><p>ordenamento.</p><p>Havendo omissão legal, o art. 4º da LINDB prevê meios de preencher essa lacuna, ou seja, pre-</p><p>vê a integração normativa. Veja o dispositivo:</p><p>Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os</p><p>princípios gerais de direito.</p><p>Errado.</p><p>013. (CESPE/ANALISTA JUDICIÁRIO/TRE-TO/2017/ADAPTADA) Em caso de omissão da</p><p>lei, o juiz decidirá o caso de acordo com as regras de experiência.</p><p>Regras de experiência não é meio de integração. Veja o art. 4º da LINDB, que lista os meios de</p><p>integração normativa:</p><p>Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os</p><p>princípios gerais de direito.</p><p>Errado.</p><p>014. (CESPE/ANALISTA/TRE-MT/2015/ADAPTADA) O juiz poderá decidir por equidade,</p><p>mesmo sem previsão legal.</p><p>Só com previsão legal, conforme o art. 140, parágrafo único, do CPC:</p><p>Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento</p><p>jurídico.</p><p>Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>42 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>015. (CESPE/PROMOTOR/MPE-RR/2012) A declaração privada da vontade oriunda de outro</p><p>país terá eficácia no Brasil, ainda que ofenda a ordem pública e os bons costumes locais.</p><p>Lei estrangeira não pode ofender a ordem público, os bons costumes nem a soberania nacio-</p><p>nal, ao contrário do exposto na questão. É o art. 17 da LINDB:</p><p>Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não te-</p><p>rão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.</p><p>Errado.</p><p>016. (CESPE/ANALISTA/TRT-8ª/2016) Quanto à eficácia da lei no espaço, no Brasil se adota</p><p>o princípio da territorialidade moderada, que permite, em alguns casos, que lei estrangeira seja</p><p>aplicada dentro de território brasileiro.</p><p>A questão define corretamente o princípio da territorialidade moderada, que é o que vale no</p><p>Brasil. Fatos ocorridos no Brasil se sujeitam à lei brasileira (doutrina da territorialidade), mas há</p><p>exceções (doutrina da territorialidade moderada). Há, de modo excepcional, fatos que, mesmo</p><p>ocorrendo no Brasil, serão sujeitos à lei estrangeira. Ex.: se um estrangeiro que vive no exterior</p><p>morre no território brasileiro, será aplicado a lei estrangeira (a do país de seu domicílio) para</p><p>disciplinar a sucessão causa mortis (art. 10, LINDB).</p><p>Certo.</p><p>017. (VUNESP/ADVOGADO/PREFEITURA DE ARUJÁ-SP/2019/ADAPTADA) As regras sobre</p><p>o começo e o fim da personalidade são determinadas pela lei do país de origem do estrangeiro</p><p>domiciliado no Brasil.</p><p>Aplica-se a lei de domicílio da pessoa. Como, na questão, o estrangeiro é domiciliado no Brasil,</p><p>aplica-se a lei brasileira, conforme art. 7º, caput, da LINDB:</p><p>Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da</p><p>personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.</p><p>Errado.</p><p>018. (CESPE/ANALISTA/TRE-MT/2015/ADAPTADA) No tocante aos regramentos do direito</p><p>de família, adota-se o critério jus sanguinis na referida lei.</p><p>Para direito de família, aplica-se a lei do domicílio, e não a lei da nacionalidade (nem a do “san-</p><p>gue”). É o art. 7º da LINDB:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>43 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da</p><p>personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.</p><p>Errado.</p><p>019. (VUNESP/ADVOGADO/PREFEITURA DE ARUJÁ-SP/2019/ADAPTADA) O casamento</p><p>de estrangeiros celebrado no Brasil obedece às regras do direito brasileiro quanto aos impedi-</p><p>mentos dirimentes, às formalidades da celebração e ao regime de bens.</p><p>Para os impedimentos dirimentes e as formalidades da celebração, aplica-se a lei do lugar</p><p>da celebração (lex loci celebrationis), conforme art. 7º, § 1º, LINDB. Todavia, para o regime de</p><p>bens, aplica-se a lei do país de domicílio dos nubentes ou, se estes morarem em países diferen-</p><p>tes, aplica-se a lei do país do primeiro domicílio do casal (art. 7º, § 4º, LNDB). Veja os referidos</p><p>dispositivos:</p><p>Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da</p><p>personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.</p><p>§ 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos</p><p>dirimentes e às formalidades da celebração.</p><p>§ 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consula-</p><p>res do país de ambos os nubentes.</p><p>§ 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do</p><p>primeiro domicílio conjugal.</p><p>§ 4º O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes</p><p>domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.</p><p>§ 5º O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu</p><p>cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a</p><p>adoção do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta</p><p>adoção ao competente registro.</p><p>§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será</p><p>reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida</p><p>de separação judicial por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obe-</p><p>decidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior</p><p>Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do inte-</p><p>ressado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio</p><p>de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais.</p><p>§ 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos</p><p>filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes</p><p>sob sua guarda.</p><p>§ 8º Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou</p><p>naquele em que se encontre.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>44 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>020. (CESPE/OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/TJ-AM/2019) Em se tratando de indivíduo</p><p>de nacionalidade estrangeira domiciliado no Brasil, as regras sobre o começo e o fim da sua</p><p>personalidade, seu nome, sua capacidade civil e seus direitos de família são aquelas da legis-</p><p>lação vigente no seu país de origem.</p><p>É o caput do art. 7º da LINDB:</p><p>Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da</p><p>personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.</p><p>§ 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos</p><p>dirimentes e às formalidades da celebração.</p><p>§ 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consula-</p><p>res do país de ambos os nubentes.</p><p>§ 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do</p><p>primeiro domicílio conjugal.</p><p>§ 4º O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes</p><p>domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.</p><p>§ 5º O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu</p><p>cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a</p><p>adoção do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta</p><p>adoção ao competente registro.</p><p>§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será</p><p>reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida</p><p>de separação judicial por igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obe-</p><p>decidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior</p><p>Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar, a requerimento do inte-</p><p>ressado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio</p><p>de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais.</p><p>§ 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos</p><p>filhos não emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda.</p><p>§ 8º Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou</p><p>naquele em que se encontre.</p><p>Errado.</p><p>021. (CESPE/ANALISTA JUDICIÁRIO/TJ-AM/2019) Em se tratando de indivíduo de naciona-</p><p>lidade estrangeira domiciliado no Brasil, as regras sobre o começo e o fim da sua personalida-</p><p>de, seu nome, sua capacidade civil e seus direitos de família são aquelas da legislação vigente</p><p>no seu país de origem.</p><p>É a lei do país do domicílio (Brasil), e não país da nacionalidade. Veja o art. 7º, caput, da LINDB:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>45 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da</p><p>personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.</p><p>Errado.</p><p>022. (CONSULPLAN/TITULAR/CARTÓRIO/TJ-MG/2019/ADAPTADA) A lei do último domicí-</p><p>lio do falecido regula a capacidade para suceder.</p><p>É a lei do domicílio do sucessor, conforme art. 10, § 2º, da LINDB, que assim dispõe:</p><p>Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto</p><p>ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.</p><p>§ 2º A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.</p><p>Errado.</p><p>023. (CONSULPLAN/TITULAR/CARTÓRIO/TJ-MG/2019/ADAPTADA) A sucessão de bens</p><p>de estrangeiros, situados no país, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou</p><p>dos filhos brasileiros, mesmo nas hipóteses em que a lei pessoal do falecido lhes seja mais</p><p>favorável.</p><p>Se a lei pessoal do falecido for mais benéfica, ela deve ser aplicada nesse caso. Trata-se do art.</p><p>10, § 1º, da LINDB e do art. 5º, XXXI, da CF:</p><p>Art. 10, § 1º, LINDB: “A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei</p><p>brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que</p><p>não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus”.</p><p>Art. 5º, XXXI, da CF: “a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei</p><p>brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável</p><p>a lei pessoal do ‘de cujus’”</p><p>Errado.</p><p>024. (CESPE/ANALISTA/TRE-MT/2015/ADAPTADA) A sucessão de bens de estrangeiros si-</p><p>tuados no território brasileiro é disciplinada pela lei brasileira em favor do cônjuge ou dos filhos</p><p>brasileiros, mesmo se a lei do país de origem do de cujus for-lhes mais favorável.</p><p>Aplica-se a lei mais favorável, ao contrário do dito na questão. Trata-se do art. 10, § 1º, da LIN-</p><p>DB e do art. 5º, XXXI, da CF:</p><p>Art. 10, § 1º, LINDB: “A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei</p><p>brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que</p><p>não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>46 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Art. 5º, XXXI, da CF: “a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei</p><p>brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável</p><p>a lei pessoal do ‘de cujus’”</p><p>Errado.</p><p>025. (VUNESP/ADVOGADO/PREFEITURA DE ARUJÁ-SP/2019/ADAPTADA) Para qualificar</p><p>os bens e regular as relações a eles concernentes, aplica-se a lei do país de domicílio do pro-</p><p>prietário ou possuidor.</p><p>Ao contrário do afirmado na questão, aplica-se a lei do lugar do bem (lex rei sitae), conforme</p><p>art. 8º, caput, da LINDB. A única exceção seria na hipótese de coisas in transitu (coisas móveis</p><p>carregadas pelo titular de forma passageira ou destinadas a transporte), para as quais se apli-</p><p>caria a lei do domicílio do proprietário (art. 8º, § 1º, LINDB). A questão não trata das coisas in</p><p>transitu; logo, o gabarito é errado. Veja o art. 8º, caput e § 1º, da LINDB:</p><p>Art. 8º Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país</p><p>em que estiverem situados.</p><p>§ 1º Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens moveis que ele</p><p>trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.</p><p>Errado.</p><p>026. (VUNESP/PROCURADOR/PREFEITURA DE ITAPEVI-SP/2019/ADAPTADA) Para quali-</p><p>ficar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que residir</p><p>o proponente, ainda que diversa do local onde situados os bens.</p><p>Aplica-se a lei do lugar do bem (lex rei sitae), conforme art. 8º, caput, da LINDB.</p><p>Errado.</p><p>027. (VUNESP/ADVOGADO/PREFEITURA DE ARUJÁ-SP/2019/ADAPTADA) A sucessão por</p><p>morte ou ausência obedece</p><p>à lei do país de domicílio do falecido ou do ausente, independen-</p><p>temente da natureza e da localização dos bens.</p><p>É o art. 10, caput, da LINDB (lex sucessionis).</p><p>Certo.</p><p>028. (VUNESP/ADVOGADO/PREFEITURA DE ARUJÁ-SP/2019/ADAPTADA) Para qualificar</p><p>e reger as obrigações, aplica-se a lei do país onde devam ser cumpridas.</p><p>A regra é a aplicação da lei do lugar da obrigação (lex loci actum), ao contrário do exposto na</p><p>questão (art. 9º, caput, da LINDB). Essa regra é parcialmente flexibilizada quando se tratar de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>47 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>uma obrigação contraída no exterior e destinada a ser cumprida no Brasil. Nesse caso, apenas</p><p>no tocante à forma da obrigação, aplicar-se-á a lei do lugar da execução (lex loci actum), admi-</p><p>tida peculiaridades da lei estrangeira quanto aos pressupostos extrínsecos do ato (art. 9º, § 1º,</p><p>LINDB). Por isso, está errada a questão. Veja o art. 9º, caput e § 1º, da LINDB:</p><p>Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.</p><p>§ 1º Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será</p><p>esta observada, admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos</p><p>do ato.</p><p>§ 2º A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.”</p><p>Errado.</p><p>029. (INSTITUTO ACESSO/DELEGADO/PC-ES/2019/ADAPTADA) A lei do país em que a</p><p>pessoa natural é domiciliada, seja ela brasileira nata ou naturalizada após processo regular</p><p>com decisão transitada em julgado, determina as regras específicas sobre responsabilidade</p><p>civil a serem aplicadas num caso concreto.</p><p>Regras de responsabilidade civil são dadas pela lei do lugar da obrigação (lex loci actum), pois</p><p>responsabilidade civil é uma decorrência da obrigação. Trata-se da correta interpretação do</p><p>art. 8º da LINDB. Logo, está errada a questão.</p><p>Errado.</p><p>030. (FUNCERN/PROCURADOR/PREFEITURA DE APODI-RN/2019/ADAPTADA) A prova</p><p>dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos</p><p>meios de produzir-se, admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.</p><p>A parte final da questão está errada: os tribunais brasileiros não admitem provas desconheci-</p><p>das pela lei brasileira (art. 13, LINDB). Por exemplo, não faz sentido que os tribunais brasileiros</p><p>admitam a tortura como meio de prova, ainda que esse meio de prova seja admitido no país</p><p>estrangeiro em que ocorreu o fato. Trata-se de prova desconhecida pela legislação brasileira.</p><p>Veja o referido dispositivo da LINDB:</p><p>Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao</p><p>ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira</p><p>desconheça.</p><p>Lembramos que, para prova de fatos (direito material: meios de prova e ônus de produzir a pro-</p><p>va), aplica-se a lei do lugar do fato (lex loci), conforme art. 13 da LINDB. Todavia, para o modo</p><p>de produzir a prova em juízo (direito processual: o procedimento processual a ser adotado,</p><p>como os prazos), aplica-se a lei do lugar do foro (lex fori), pois o juiz brasileiro evidentemente</p><p>tem de seguir as regras procedimentos da lei brasileira. Não faz sentido um juiz seguir regras</p><p>procedimentais de um Código de Processo Civil estrangeiro!</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>48 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>031. (CESPE/ANALISTA MINISTERIAL/MPC-PA/2019) No curso de uma representação em</p><p>determinado tribunal de contas, o Ministério Público junto ao tribunal apresentou um extrato</p><p>de movimentação bancária emitido por um banco internacional, como prova de movimentação</p><p>financeira irregular praticada fora do Brasil.</p><p>Nesse caso, segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a lei de regência para</p><p>verificação da legitimidade do meio de produção dessa prova deve ser a legislação</p><p>a) brasileira.</p><p>b) do país onde a movimentação irregular tiver sido feita.</p><p>c) do país onde se encontra a sede do referido banco.</p><p>d) do país onde o representado tenha residência.</p><p>e) indicada em tratado internacional de cooperação.</p><p>Como se trata de uma prova relativa a fato ocorrido no exterior, aplica-se a lei estrangeiro para</p><p>a prova, conforme art. 13 da LINDB:</p><p>Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao</p><p>ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira</p><p>desconheça.</p><p>Letra b.</p><p>032. (VUNESP/PROCURADOR/PREFEITURA DE ITAPEVI-SP/2019/ADAPTADA) A prova</p><p>dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei brasileira.</p><p>Aplica-se a lei estrangeira, e não a brasileira (art. 13, LINDB).</p><p>Errado.</p><p>033. (CONSULPLAN/TITULAR/CARTÓRIO TJ-MG/2019/ADAPTADA) As organizações des-</p><p>tinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem à lei do</p><p>Estado em que se constituírem, mas só poderão ter filiais no Brasil depois que os seus atos</p><p>constitutivos forem aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.</p><p>É o art. 11, § 1º, da LINDB. Veja o dispositivo:</p><p>Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as funda-</p><p>ções, obedecem à lei do Estado em que se constituírem.</p><p>§ 1º Não poderão, entretanto ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os</p><p>atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.</p><p>Certo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>49 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>034. (CONSULPLAN/TITULAR/CARTÓRIO TJ-MG/2019/ADAPTADA) Os governos estran-</p><p>geiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituído, dirijam</p><p>ou hajam investido de funções públicas, poderão adquirir no Brasil bens imóveis além daque-</p><p>les destinados à sede de sua representação, desde que essa aquisição seja precedida de auto-</p><p>rização do Senado Federal.</p><p>Só podem adquirir os bens relacionados à sua representação diplomática ou consular, confor-</p><p>me art. 11, §§ 2º e 3º, da LINDB e também pela Lei n. 4.331/1964. Confira-se o referido dispo-</p><p>sitivo da LINDB:</p><p>Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as funda-</p><p>ções, obedecem à lei do Estado em que se constituírem.</p><p>§ 2º Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham</p><p>constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens</p><p>imóveis ou suscetíveis de desapropriação.</p><p>§ 3º Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos</p><p>representantes diplomáticos ou dos agentes consulares.</p><p>Errado.</p><p>035. (FUNCERN/PROCURADOR/PREFEITURA DE APODI-RN/2019/ADAPTADA) A sentença</p><p>proferida no estrangeiro não será executada no Brasil, salvo se preencher o requisito único de</p><p>homologação pelo Supremo Tribunal Federal.</p><p>A homologação é pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ: art. 15 da LINDB foi derrogado</p><p>pelo</p><p>art. 105, I, “i”, da CF. O procedimento de homologação de sentença estrangeira segue o art. 963</p><p>do CPC e os arts. 216-A e ss do RISTJ (Regimento Interno do STJ).</p><p>Errado.</p><p>036. (CESPE/ANALISTA MINISTERIAL/MPE-PI/2018) Conforme a jurisprudência do Supe-</p><p>rior Tribunal de Justiça (STJ), cassino que funcione no exterior de forma legal poderá cobrar,</p><p>no Brasil, por dívida de jogo contraída por brasileiro no exterior.</p><p>O STJ entendeu que contrato de jogo firmado por brasileiro nos EUA – onde tal prática é legal</p><p>– tem eficácia no Brasil, pois não viola os óbices do art. 17 da LINDB (ordem pública, bons</p><p>costumes e soberania nacional). É o entendimento do STJ:</p><p>RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. COBRANÇA. DÍVIDA</p><p>DE JOGO. CASSINO NORTE-AMERICANO. POSSIBILIDADE. ART. 9º DA LEI DE INTRO-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>50 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>DUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO. EQUIVALÊNCIA. DIREITO NACIONAL E</p><p>ESTRANGEIRO. OFENSA À ORDEM PÚBLICA. INEXISTÊNCIA. ENRIQUECIMENTO SEM</p><p>CAUSA. VEDAÇÃO. (...)</p><p>1. Na presente demanda está sendo cobrada obrigação constituída integralmente nos Esta-</p><p>dos Unidos da América, mais especificamente no Estado de Nevada, razão pela qual deve</p><p>ser aplicada, no que concerne ao direito material, a lei estrangeira (art. 9º, caput, LINDB).</p><p>2. Ordem pública é um conceito mutável, atrelado à moral e a ordem jurídica vigente em</p><p>dado momento histórico. Não se trata de uma noção estanque, mas de um critério que</p><p>deve ser revisto conforme a evolução da sociedade.</p><p>3. Na hipótese, não há vedação para a cobrança de dívida de jogo, pois existe equiva-</p><p>lência entre a lei estrangeira e o direito brasileiro, já que ambos permitem determinados</p><p>jogos de azar, supervisionados pelo Estado, sendo quanto a esses, admitida a cobrança.</p><p>4. O Código Civil atual veda expressamente o enriquecimento sem causa. Assim, a maté-</p><p>ria relativa à ofensa da ordem pública deve ser revisitada sob as luzes dos princípios que</p><p>regem as obrigações na ordem contemporânea, isto é, a boa-fé e a vedação do enrique-</p><p>cimento sem causa.</p><p>5. Aquele que visita país estrangeiro, usufrui de sua hospitalidade e contrai livremente</p><p>obrigações lícitas, não pode retornar a seu país de origem buscando a impunidade civil.</p><p>A lesão à boa-fé de terceiro é patente, bem como o enriquecimento sem causa, motivos</p><p>esses capazes de contrariar a ordem pública e os bons costumes.</p><p>(...)</p><p>11. Recurso conhecido em parte e, nessa parte, parcialmente provido.</p><p>(REsp 1628974/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, jul-</p><p>gado em 13/06/2017, DJe 25/08/2017)</p><p>Certo.</p><p>037. (CESPE/OFICIAL/CARTÓRIO TJ-DFT/2019/ADAPTADA) Sinésio, turista brasileiro em</p><p>Las Vegas, compareceu a um cassino naquela cidade norte-americana, cuja atividade é lícita,</p><p>e contraiu dívida de U$ 1.000.000. Ao encerrar a jogatina, Sinésio saiu do local sem efetuar o</p><p>pagamento e, no dia seguinte, retornou ao Brasil. Passado algum tempo, ele foi comunicado da</p><p>existência de uma ação de cobrança proposta no Brasil pela sociedade empresária administra-</p><p>dora do cassino. A autora da ação alega que a obrigação regularmente contraída nos Estados</p><p>Unidos da América não foi paga. Inconformado, Sinésio sustenta que a cobrança é ilícita, pois</p><p>o jogo explorado por cassinos é proibido pela legislação brasileira. Além disso, segundo Siné-</p><p>sio, por ser esse um jogo proibido, a dívida é inexigível judicialmente, e entender o fato de modo</p><p>diverso geraria violação à soberania brasileira.</p><p>Considerando-se essa situação hipotética, o entendimento do STJ e as previsões contidas na</p><p>Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), é correto afirmar que</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>51 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>a) a dívida de jogo contraída por Sinésio é uma obrigação natural e, portanto, exigível ju-</p><p>dicialmente.</p><p>b) a dívida de jogo contraída por Sinésio é uma obrigação civil, porém a sua exigibilidade afron-</p><p>ta a soberania brasileira.</p><p>c) a dívida de jogo contraída por Sinésio no exterior é exigível no Brasil, pois deve ser observada</p><p>a legislação do país de origem da dívida.</p><p>d) a dívida de jogo contraída no exterior por Sinésio, por violar os bons costumes nacionais,</p><p>não poderá ser exigida no Brasil.</p><p>e) a dívida de jogo contraída por Sinésio no exterior não pode ser cobrada no Brasil, pois afron-</p><p>ta a ordem pública brasileira.</p><p>Atos estrangeiros, como os contratos, não podem ter eficácia no Brasil apenas se violarem a</p><p>ordem pública, os bons costumes e a soberania nacional (art. 17, LINDB). STJ entendeu que</p><p>dívidas de jogos licitamente contraídas no exterior não viola os bons costumes brasileiros e,</p><p>por isso, podem ser cobradas no Brasil. Condenou, assim, um turista brasileiro a pagar mais</p><p>de dois milhões de reais ao famoso hotel Wynn Las Vegas LLC, que ajuizou ação monitória</p><p>aqui no Brasil para cobrar dívida de jogo. O que viola os bons costumes é os brasileiros irem</p><p>a Las Vegas ou outras cidades estrangeiras onde o jogo é lícito e dar um “calote” (STJ, REsp</p><p>1628974/SP, 3ª Turma, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 25/08/2017). Por isso, o</p><p>gabarito é letra “C”.</p><p>Letra c.</p><p>038. (VUNESP/PROCURADOR/PREFEITURA DE ITAPEVI-SP/2019/ADAPTADA) Só à auto-</p><p>ridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil.</p><p>Trata-se competência internacional absoluta. Como imóveis envolvem o território – que é um</p><p>dos elementos do Estado e, portanto, um componente da soberania nacional –, o nosso or-</p><p>denamento, por cautela, considera que só juízes brasileiros podem decidir sobre demandas</p><p>relativas a imóveis. Grosso modo, isso evitaria, por exemplo, que um juiz alemão determinasse</p><p>a transferência dos terrenos brasileiros a um alemão por motivos de nacionalidade (art. 12, §</p><p>1º, LINDB e art. 23, § 1º, CPC).</p><p>Certo.</p><p>039. (INSTITUTO AOCP/PERITO/PC-ES/2012) A competência da autoridade judiciária bra-</p><p>sileira, para conhecer ações relativas a imóveis situados no Brasil, é relativa ou concorrente.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>52 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Trata-se de competência absoluta e exclusiva, e não relativa nem concorrente (art. 12, § 1º,</p><p>LINDB e art. 23, § 1º, CPC).</p><p>Errado.</p><p>040. (INSTITUTO ACESSO/DELEGADO/PC-ES/2019/ADAPTADA) Nas decisões emanadas</p><p>das esferas administrativas, judicial e controladora, valores abstratos podem ser utilizados</p><p>desde que, em tais decisões, sejam consideradas as consequências práticas de sua utilização</p><p>no caso concreto.</p><p>É o art. 20 da LINDB, que estabelece o princípio da motivação concreta. Veja o dispositivo:</p><p>Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores</p><p>jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.</p><p>Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da</p><p>invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possí-</p><p>veis alternativas.</p><p>Sobre os arts. 20 a 30 da LINDB, reportamo-nos a texto nosso, que detalha o assunto: “A se-</p><p>gurança hermenêutica nos vários ramos do direito e nos cartórios extrajudiciais: repercussões</p><p>da LINDB após a lei n. 13.655/2018” (http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/artigosc/</p><p>dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx).</p><p>Certo.</p><p>041. (NC-UFPR/AUDITOR-FISCAL/PREFEITURA DE CURITIBA-PR/2019/ADAPTADA) Um</p><p>dos temas mais debatidos da Administração Pública atual é o do controle. Particularmente,</p><p>é interessante o impacto nesse tema que a nova redação da Lei de Introdução às Normas do</p><p>Direito Brasileiro (LINDB) promoveu. Sobre o assunto, [julgue o item]:</p><p>A intenção formalmente declarada da recente modificação da LINDB foi propiciar mais efici-</p><p>ência à atividade de controle, ainda que reduzindo o espectro da segurança jurídica incidente.</p><p>O objetivo foi, sobretudo, dar maior segurança ao gestor, que, antes da nova lei (Lei n.</p><p>13.655/2018, que acresceu os arts. 20 a 30 à LINDB), era sujeito a constrangimentos causados</p><p>pelos órgãos de controle. A propósito, ensina o professor Flávio Tartuce:</p><p>Como bem pondera Carlos Eduardo Elias de Oliveira, professor de Direito Civil e assessor jurídico</p><p>do Senado Federal, que tem participado ativamente da elaboração de várias normas recentes, o</p><p>diploma que surge poderia ser batizado de Lei da Segurança Hermenêutica na Administração Públi-</p><p>ca, pois ‘seu objetivo foi, em síntese, implantar um ambiente de menor instabilidade interpretativa</p><p>para os agentes públicos e para os atos administrativos, os quais sambam nas asas vacilantes das</p><p>surpresas provocadas pela superveniência de interpretações jurídicas advindas especialmente de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/artigosc/dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx</p><p>http://www.flaviotartuce.adv.br/assets/uploads/artigosc/dee82-carlos-elias-mudancas-lindb.docx</p><p>53 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>órgãos de controle. (TARTUCE, Flávio. Direito Civil: lei de introdução e parte geral. Rio de Janeiro:</p><p>Forense, 2020, p. 60).</p><p>Errado.</p><p>042. (NC-UFPR/AUDITOR-FISCAL/PREFEITURA DE CURITIBA-PR/2019/ADAPTADA) Um</p><p>dos temas mais debatidos da Administração Pública atual é o do controle. Particularmente,</p><p>é interessante o impacto nesse tema que a nova redação da Lei de Introdução às Normas do</p><p>Direito Brasileiro (LINDB) promoveu. Sobre o assunto, [julgue o item]:</p><p>A nova redação aplica-se às esferas administrativa e controladora, não incidindo sobre a esfe-</p><p>ra judicial.</p><p>Vale também para esfera judicial. Veja, por exemplo, os arts. 20, 21, 23 e 24 da LINDB:</p><p>Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores</p><p>jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.</p><p>Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da</p><p>invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possí-</p><p>veis alternativas.</p><p>Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação</p><p>de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas</p><p>consequências jurídicas e administrativas.</p><p>Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar</p><p>as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos</p><p>interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das</p><p>peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.</p><p>Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orienta-</p><p>ção nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento</p><p>de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou con-</p><p>dicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo</p><p>aos interesses gerais.</p><p>Parágrafo único. (VETADO).</p><p>Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato,</p><p>contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará</p><p>em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de</p><p>orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.</p><p>Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em</p><p>atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as</p><p>adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>54 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>043. (CONSULPLAN/JUIZ LEIGO/TJ-CE/2019/ADAPTADA) Nos termos das recentes altera-</p><p>ções à Lei de introdução às normas do Direito Brasileiro, no que tange à atuação dos gestores</p><p>públicos, é correto afirmar que:</p><p>a) Os gestores públicos ficam impedidos de praticar atos administrativos discricionários.</p><p>b) O ato administrativo que invalidar uma norma administrativa prescinde de motivação.</p><p>c) O dever de motivação dos atos administrativos restou diminuído, em face da maior autono-</p><p>mia dos gestores.</p><p>d) As decisões com base em valores abstratos devem considerar as consequências práticas</p><p>que delas advierem.</p><p>a) Errada. Não há proibição alguma aos atos discricionários na LINDB.</p><p>b) Errada. A motivação sempre foi exigida para os atos administrativos. O art. 20 da LINDB pas-</p><p>sou a exigir uma motivação concreta, ou seja, uma motivação que não se resuma a conceitos</p><p>meramente abstratos.</p><p>c) Errada. Foi reforçado, e não diminuído, o dever de motivar, pois o gestor precisa justificar</p><p>concretamente o ato (art. 20, LINDB).</p><p>d) Certa. É o art. 20 da LINDB.</p><p>Letra d.</p><p>044. (FUNDEP/DEFENSOR/DPE-MG/2019/ADAPTADA) As instâncias controladora e judi-</p><p>cial, embora obrigadas a motivar suas decisões, não devem considerar as consequências prá-</p><p>ticas da medida imposta, que é atividade de competência exclusiva da administração pública.</p><p>Tem de levar em conta consequência prática na decisão (art. 20, LINDB).</p><p>Errado.</p><p>045. (FUNDEP/DEFENSOR/DPE-MG/2019/ADAPTADA) Os obstáculos e as dificuldades</p><p>reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo são irrelevantes quando</p><p>da interpretação de normas sobre gestão pública, haja vista a indisponibilidade do interes-</p><p>se público.</p><p>É necessário levar em conta as dificuldades reais enfrentadas pelo gestor. Trata-se do que</p><p>designamos de “parâmetro da contextualização”, que exige do órgão de controle um grau de</p><p>empatia em relação ao gestor (“colocar-se no lugar à época do fato”), tudo nos termos do art.</p><p>22 da LINDB:</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>55 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as</p><p>dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos</p><p>direitos dos administrados</p><p>§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou nor-</p><p>ma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado</p><p>ou condicionado a ação do agente.</p><p>§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida,</p><p>os danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenu-</p><p>antes e os antecedentes do agente.</p><p>§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de</p><p>mesma natureza e relativas ao mesmo fato.</p><p>Errado.</p><p>046. (COMPERVE/PROCURADOR/PREFEITURA DE PARNAMIRIM-RN/2019/ADAPTADA)</p><p>Segundo recente alteração da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro, na interpretação</p><p>de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades reais do</p><p>gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos admi-</p><p>nistrados. Nesse sentido, na aplicação de sanções, serão</p><p>a) desconsideradas outras sanções aplicadas ao agente, na dosimetria das demais sanções</p><p>de mesma natureza e relativas ao mesmo fato.</p><p>b) consideradas a natureza da infração cometida, os danos que dela provierem para a adminis-</p><p>tração pública bem como as circunstâncias pessoais do agente.</p><p>c) consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem</p><p>para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes</p><p>do agente.</p><p>d) levadas em conta, na dosimetria das sanções, outras sanções administrativas outrora apli-</p><p>cadas ao autor, analisadas como antecedentes.</p><p>a) Errada. É o contrário (art. 22, § 3º, LINDB), pois se objetiva evitar “bis in idem”.</p><p>b) Errada. Texto legal não fala de circunstâncias pessoais, e sim de circunstâncias agravantes</p><p>e atenuantes, além de falar também em antecedentes do agente (art. 22, § 2º, LINDB).</p><p>c) Certa. É o art. 22, § 2º, LINDB.</p><p>d) Errada. Só sanções da mesma natureza e relativas ao mesmo fato, e não qualquer sanção</p><p>administrativa (art. 22, § 3º, LINDB).</p><p>Letra c.</p><p>047. (INSTITUTO ACESSO/DELEGADO/PC-ES/2019/ADAPTADA) O agente público, em nível</p><p>Federal, Estadual ou Municipal, no uso de suas atribuições estabelecidas em regime jurídico</p><p>próprio, responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de Impru-</p><p>dência, negligência, imperícia ou erro grosseiro.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>56 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Só dolo ou erro grosseiro, conforme art. 28 da LINDB:</p><p>Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em</p><p>caso de dolo ou erro grosseiro.</p><p>Errado.</p><p>048. (FUNDEP/DEFENSOR/DPE-MG/2019/ADAPTADA) Embora a segurança jurídica seja</p><p>uma preocupação da norma, as respostas a consultas emitidas não terão caráter vinculante</p><p>em relação ao órgão ou à entidade a que se destinam, mas, sim, informativo.</p><p>Há caráter vinculante ao órgão ou ente destinatário até revisão, conforme art. 30, pu, da LINDB:</p><p>Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das</p><p>normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.</p><p>Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em rela-</p><p>ção ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.</p><p>Errado.</p><p>049. (FUNDEP/DEFENSOR/DPE-MG/2019/ADAPTADA) A edição de atos normativos por au-</p><p>toridade administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consul-</p><p>ta pública para manifestação de interessados.</p><p>É o art. 29 da LINDB:</p><p>Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa,</p><p>salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação</p><p>de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão.</p><p>§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da con-</p><p>sulta pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver.</p><p>§ 2º (VETADO).</p><p>Certo.</p><p>050. (NC-UFPR/AUDITOR-FISCAL/PREFEITURA DE CURITIBA-PR/2019/ADAPTADA) Em</p><p>qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os</p><p>de mera organização interna, deverá ser precedida de consulta pública para manifestação de</p><p>interessados, preferencialmente por meio presencial, podendo ser substituída pela via eletrôni-</p><p>ca desde que justificadamente.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>57 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Está equivocado por dois motivos: (1) a preferência é pelo meio eletrônico, e não presencial; e</p><p>(2) a consulta pública “poderá”, e não “deverá”, ser precedida de consulta pública. Trata-se do</p><p>art. 29 da LINDB.</p><p>Errado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>58 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>GABARITO</p><p>1. d</p><p>2. d</p><p>3. E</p><p>4. C</p><p>5. d</p><p>6. E</p><p>7. C</p><p>8. E</p><p>9. E</p><p>10. E</p><p>11. E</p><p>12. E</p><p>13. E</p><p>14. E</p><p>15. E</p><p>16. C</p><p>17. E</p><p>18. E</p><p>19. E</p><p>20. E</p><p>21. E</p><p>22. E</p><p>23. E</p><p>24. E</p><p>25. E</p><p>26. E</p><p>27. C</p><p>28. E</p><p>29. E</p><p>30. E</p><p>31. b</p><p>32. E</p><p>33. C</p><p>34. E</p><p>35. E</p><p>36. C</p><p>37. c</p><p>38. C</p><p>39. E</p><p>40. C</p><p>41. E</p><p>42. E</p><p>43. d</p><p>44. E</p><p>45. E</p><p>46. c</p><p>47. E</p><p>48. E</p><p>49. C</p><p>50. E</p><p>Carlos Elias</p><p>Consultor Legislativo do Senado Federal em Direito Civil, Processo Civil e Direito Agrário (único aprovado no</p><p>concurso de 2012). Advogado. Professor em cursos de graduação, de pós-graduação e de preparação para</p><p>concursos públicos em Brasília, Goiânia e São Paulo. Ex-membro da Advocacia-Geral da União (Advogado</p><p>da União). Ex-Assessor de Ministro do STJ. Ex-técnico judiciário do STJ. Doutorando e Mestre em Direito</p><p>pela Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Direito na UnB (1º lugar em Direito no vestibular da UnB</p><p>de 2002). Pós-graduado em Direito Notarial e de Registro. Pós-Graduado em Direito Público. Membro do</p><p>Conselho Editorial da Revista de Direito Civil Contemporâneo.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>Apresentação</p><p>LINDB – Parte II</p><p>1. Interpretação</p><p>1.1. Definição</p><p>1.2. Classificação quanto ao Sujeito</p><p>1.3. Classificação quanto ao Resultado</p><p>1.4. Classificação quanto ao Modo</p><p>2. Integração</p><p>2.1. Advertências Iniciais</p><p>2.2. Definição</p><p>2.3. Espécies de Integração</p><p>2.4. Equidade: Integração ou Não?</p><p>2.5. Autointegração vs Heterointegração</p><p>2.6. Espécies de Lacunas</p><p>2.7. Revogação ou Não dos Arts. 4º e 5º da LINDB</p><p>3. Lei no Espaço</p><p>3.1. Conceitos Importantes</p><p>3.2. Elementos de Conexão</p><p>4.</p><p>Lei da Segurança Hermenêutica</p><p>5. Palavras Finais</p><p>Questões de Concurso</p><p>Gabarito</p><p>AVALIAR 5:</p><p>Página 59:</p><p>(arts. 22 e 28): parâmetro da contex-</p><p>tualização (art. 22) e exigência de dolo ou erro grosseiro (art. 28);</p><p>− Invalidade do ato administrativo:</p><p>◦ princípio da motivação concreta (arts. 20 e 21, caput);</p><p>◦ regime de transição (arts. 21, parágrafo único, e 23);</p><p>◦ irregularidade sem pronúncia de nulidade (art. 21, parágrafo único);</p><p>◦ administração consensual ou dialógica envolvendo convalidação por compromis-</p><p>so com ou sem compensações (arts. 26 e 29);</p><p>◦ invalidade referencial (art. 24).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>5 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>LINDB – PARTE II</p><p>1. InterpretAção</p><p>1.1. DefInIção</p><p>Amigos e amigas, uma das primeiras preocupações aqui é não confundir interpretação</p><p>com integração. Ainda falaremos de integração, mas já te antecipo que integração é meio para</p><p>suprir lacunas na lei. Se não há lei, temos de usar um meio de integração para preencher a la-</p><p>cuna. Interpretar, porém, só é usado quando há uma lei.</p><p>Não caia em pegadinha em concurso. Se falarem, na questão, que não há lei, jamais pode-</p><p>remos falar em interpretação, mas apenas em integração.</p><p>Vamos à parte teórica.</p><p>Interpretar é extrair um sentido possível de uma norma. Quando se diz possível, quer-se</p><p>dizer que o intérprete não pode romper os limites da norma nem pode “consertá-la”, embora</p><p>se saiba que as linhas demarcatórias do campo interpretativo da norma são pouco nítidas.</p><p>Todo texto permite mais de um sentido a depender da técnica de interpretação. Uma norma</p><p>que proíbe a entrada de animais em um ambiente poderia ser interpretada restritivamente para</p><p>permitir o ingresso de cães-guia com uma pessoa com as vistas anuviadas, para usar exemplo</p><p>de Recasens Siches.</p><p>Nunca se fala em interpretação quando há ausência de norma, pois o objeto da interpreta-</p><p>ção é uma norma. Se há lacuna normativa, o caso é de integração – meios para suprir omis-</p><p>sões normativas –, e não de interpretação.</p><p>Há diferentes perspectivas para a classificar a interpretação, conforme se verá. Uma não</p><p>vincula a outra. Uma interpretação lógica (classificação quanto ao modo), por exemplo, pode</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>6 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>ser doutrinária (quanto ao sujeito) e restritiva (quanto ao resultado) ou pode ter outros enqua-</p><p>dramentos de classificação sob a ótica do sujeito e do resultado.</p><p>1.2. ClAssIfICAção quAnto Ao sujeIto</p><p>É fundamental você saber as formas de classificação. Isso cai demais em concurso.</p><p>Há diferentes formas de classificar a interpretação. Pode ser quanto ao sujeito, quanto ao</p><p>modo e quanto ao resultado.</p><p>Vamos estudá-la, começando com a interpretação quanto ao sujeito.</p><p>Quanto ao sujeito, a interpretação pode ser classificada em autêntica, doutrinária ou judicial.</p><p>A interpretação autêntica é a feita pelo autor da norma, ou seja, pelo legislador (daí o adjeti-</p><p>vo “autêntico”, que se reporta à autoria, à veracidade, à originalidade). A interpretação autêntica</p><p>é a constante em leis interpretativas. Leis que definem conceitos (como o art. 327 do Código</p><p>Penal, que define o que é funcionário público para efeitos penais) e que interpretam outras</p><p>normas (como o art. 4º da Lei Complementar 118/2005, que interpretou o art. 168, I, do CTN,</p><p>afastando a tese dos “5+5” e fixando o prazo prescricional de 5 anos para a repetição de in-</p><p>débito tributário). Lembre-se de que leis, ainda que interpretativas, não retroagem como regra,</p><p>salvo regra específica em cada ramo do Direito (a exemplo do que sucede no Direito Tributário:</p><p>art. 106 do CTN). O sujeito intérprete é o legislador.</p><p>A interpretação doutrinária é a feita pelos juristas nos seus escritos doutrinários (os doutri-</p><p>nadores). Interpretar de acordo com o pensamento exposto em um livro jurídico é um exemplo.</p><p>O sujeito intérprete é um doutrinador.</p><p>A interpretação judicial é a feita pelo operador do Direito (= profissional do Direito). Apesar</p><p>do adjetivo “judicial”, essa interpretação não se limita à interpretação feita pelo Poder Judiciá-</p><p>rio (juízes e Tribunais), mas abrange as exaradas por qualquer profissional do Direito (parece-</p><p>res da AGU, recomendações do Ministério Público, acórdãos do TCU etc.). O sujeito intérprete</p><p>é um profissional do Direito.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>7 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Chamo a atenção para um problema: A exposição de motivos das leis é exemplo de inter-</p><p>pretação autêntica ou doutrinária?</p><p>No âmbito do Direito Civil, a maior parte dos doutrinadores são omissos. O único que trata</p><p>do tema é o Professor Christiano Cassettari, que expressamente cataloga a exposição de motivos</p><p>como exemplo de interpretação autêntica (CASSETTARI, Christiano. Elementos de Direito Ci-</p><p>vil. São Paulo: Saraiva, 2011).</p><p>No âmbito do Direito Penal, os doutrinadores costumam afirmar que a exposição de moti-</p><p>vos é interpretação doutrinária.</p><p>Em concurso público, o CESPE, em questão baseada em direito penal, adotou essa última</p><p>corrente, sustentando que a exposição de motivos ilustra uma interpretação doutrinária, e não</p><p>autêntica1.</p><p>A questão é: como agir em provas de Direito Civil?</p><p>Entendo que uma questão assim deveria ser anulada. Todavia, como você tem de respon-</p><p>der algo, talvez seja mais cauteloso você marcar a resposta como sendo ‘interpretação doutri-</p><p>nária”, amparando-se nas questões de direito penal anteriores do CESPE. Desconheço, por ora,</p><p>questões do CESPE em Direito Civil sobre o tema.</p><p>1.3. ClAssIfICAção quAnto Ao resultADo</p><p>1 O CESPE considerou errada esta assertiva em matéria de Direito Penal: “A exposição de motivos do CP é típico exemplo de</p><p>interpretação autêntica contextual” (Analista Judiciário – área Judiciária/STF/2008). Há outra questão do CESPE parece ter</p><p>seguido caminho similar ao considerar errada a seguinte questão de direito penal: “No Código Penal, a exposição de motivos</p><p>é exemplo de interpretação autêntica, pois é realizada no próprio texto legal” (Oficial de Justiça/TJDFT/2015). Essa última</p><p>questão, porém, pode ter sido considerada errada apenas pela sua parte final, pois a exposição de motivos não está no</p><p>corpo da lei, e sim fora.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>8 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Quanto ao resultado, a interpretação pode ser extensiva (ou ampliativa), declarativa e res-</p><p>tritiva (ou estrita).</p><p>A interpretação extensiva é a que resulta em um sentido que abrange mais casos concre-</p><p>tos do que o texto da norma. Os romanos ensinavam que aí o legislador disse menos do que</p><p>queria (lex minus dixit quam voluit). Por exemplo, o inciso XI do art. 5º da CF, embora tenha se</p><p>reportado à inviolabilidade da “casa”, é interpretado extensivamente pelo STF, que inclui, no</p><p>conceito</p><p>de casa, locais onde há a intimidade dos indivíduos, como o escritório de advocacia.</p><p>A interpretação declarativa é a que resulta em um sentido equivalente à norma. O legislador</p><p>disse o que queria, nem mais, nem menos. Se o verbete “casa” fosse interpretado declarativa-</p><p>mente, o STF não teria estendido a proteção da inviolabilidade domiciliar prevista no inciso XI</p><p>do art. 5º da CF para o escritório de advocacia.</p><p>A interpretação restritiva é a que resulta em um sentido que abrange menos casos concre-</p><p>tos do que o texto da norma. Diz-se que, nesses casos, o legislador disse mais do que queria</p><p>(lex dixit plus quam voluit). Se fosse conferida interpretação restritiva ao verbete “casa” do art.</p><p>5º, XI, da CF, poder-se-ia, por exemplo, excluir a casa de políticos dessa proteção, argumentan-</p><p>do que pessoas públicas renunciam a sua intimidade e, portanto, a proteção da inviolabilidade</p><p>da casa não os confortaria.</p><p>É princípio geral de direito que normas que restringem direitos ou que impõe sanções de-</p><p>vem ser interpretadas restritivamente. O art. 113 do CC chega a impor a interpretação restritiva</p><p>para negócios jurídicos gratuitos (como uma doação) e renúncias a direitos (como uma renún-</p><p>cia ao direito hereditário, que não deve ser interpretada extensivamente para abranger também</p><p>uma renúncia a uma deixa procedente de testamento descoberto posteriormente à renúncia).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>9 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>1.4. ClAssIfICAção quAnto Ao MoDo</p><p>A interpretação pode ser feita de vários modos (várias maneiras); por isso, quanto ao modo,</p><p>ela pode ser gramatical (=literal), sistemática, histórica, teleológica (= sociológica) ou racional</p><p>(=lógica).</p><p>A interpretação gramatical ou literal é a feita pela busca do sentido denotativo das pala-</p><p>vras, seja o sentido técnico, seja o sentido geral ou comum das palavras. Não se confunde com</p><p>o sentido popular das palavras, pois as palavras podem ser polissêmicas e ter sentido técnico</p><p>(ex.: incompetente popularmente significa inapto, mas, no linguajar técnico-jurídico, significa</p><p>“sem atribuições”). Se interpretarmos literalmente o § 5º do art. 236 da CF – que se reporta a</p><p>“homem” e “mulher” em casamento –, o STF e o STJ não haveriam aceitado o casamento entre</p><p>pessoas do mesmo sexo.</p><p>A interpretação histórica é a que busca os debates havidos na fase de elaboração da nor-</p><p>ma. Leva em conta, por exemplo, os debates entre os parlamentares e os pareceres proferidos</p><p>pelas comissões do Parlamento. Por exemplo, a prisão civil por dívida de alimentos prevista</p><p>nos arts. 528 e 911 do CPC não deve ser estendida a casos de alimentos indenizativos (os</p><p>decorrentes de responsabilidade civil), pois, no Senado Federal, o parecer que aprovou esses</p><p>dispositivos do CPC foi explícito em afirmar que essas normas devem ser interpretadas de</p><p>modo a limitar a medida coercitiva drástica da prisão civil para caso de alimentos legítimos ou</p><p>familiares (que são os decorrentes de Direito de Família).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>10 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>A interpretação teleológica ou social é a que adéqua o texto da lei à realidade social da atu-</p><p>alidade. O verbete “teleológico” descende etimologicamente do grego “teleos”, que se reporta</p><p>à ideia de finalidade. A interpretação teleológica busca a finalidade da norma sob a ótica da</p><p>realidade social atual. Dialoga com os arts. 5º da LINDB e 8º do CPC, por prestigiar os fins so-</p><p>ciais da norma. O art. 1.593 do CC, por exemplo, ao tratar de parentesco, deve ser interpretado</p><p>de modo a contemplar também o parentesco socioafetivo.</p><p>A interpretação lógica ou racional é a que se vale de um raciocínio lógico para definir o</p><p>alcance da norma a partir das suas motivações políticas, históricas e ideológicas. O STF, por</p><p>exemplo, ao interpretar as normas que preveem cotas raciais (a que reserva vagas a negros</p><p>em universidades públicas), analisou as motivações políticas, históricas e ideológicas que cer-</p><p>cam o tema e entendeu que essas regras podem ser aplicadas a qualquer negro, rico ou pobre,</p><p>pois a finalidade é aumentar a quantidade de negros no meio acadêmico como resposta ao</p><p>histórico de preconceito racial (STF, ADPF 186, Pleno, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe</p><p>17/10/2014).</p><p>Metaforicamente, costuma-se dizer que a interpretação deve coadunar com o espírito da</p><p>norma. Essa expressão significa que o sentido da norma deve ser compatível com a razão de</p><p>ser dela. Todas as interpretações acima, com exceção da gramatical (que busca mais o texto</p><p>da norma do que o seu espírito), buscam o espírito da norma por modos diversos.</p><p>A interpretação sistemática é a que busca harmonizar uma norma com as demais por con-</p><p>siderar que o ordenamento jurídico deve ser um sistema, que pressupõe elementos constitutivos</p><p>sincronizados. Condena-se, pois, a interpretação isolada de uma norma. Ex.: o art. 215 da Lei</p><p>n. 8.112/90, ao prever a pensão por morte para o caso de óbito dos servidores, deve ser inter-</p><p>pretado sistematicamente com o art. 22 do CC, que prevê a ausência como um estado civil</p><p>prévio à declaração de morte presumida, de maneira que entendemos ser devido o pagamento</p><p>de pensão de morte no caso de desaparecimento de um servidor público, se este for declarado</p><p>ausente na forma do CC.</p><p>Há um ponto controverso: a interpretação sistemática se restringe ou não a harmonizar</p><p>uma norma com outras do mesmo ramo do direito? A doutrina se divide.</p><p>De um lado, há quem defina a interpretação sistemática como sendo a harmonização ape-</p><p>nas com normas do mesmo ramo do Direito (da mesma província jurídica) ou com normas an-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>11 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>teriores, sem abranger a sincronização com normas de outros ramos do Direito2. Essa posição</p><p>já foi acolhida até em concursos públicos3.</p><p>De outro lado, há quem não faça essa restrição. Essa nos parece a melhor corrente. Afinal</p><p>de contas, a harmonia sistemática deve ocorrer não apenas dentro do mesmo ramo do Direi-</p><p>to, mas também entre os diversos ramos naquilo em que eles dialogarem entre si. Assim, por</p><p>exemplo, normas de Direito Civil têm de guardar coerência não apenas com outras normas de</p><p>Direito Civil, mas também com as de Direito Penal ou de Direito Administrativo naqueles casos</p><p>em que houver intersecção principiológica. Além do mais, não importa se as normas compara-</p><p>das são posteriores ou anteriores à norma interpretada: a interpretação sistemática pressupõe</p><p>que o ordenamento jurídico como um todo é harmônico.</p><p>Exemplos: se inexistisse o art. 221 da Lei n. 8.112/90 – que assegura pensão por morte no</p><p>caso de declaração de ausência –, a Lei n. 8.112/90 teria de ser interpretada sistematicamente</p><p>com o art. 22 do CC, que prevê a ausência como um estado civil prévio à declaração de morte</p><p>presumida, de maneira que seria devido o pagamento de pensão de morte no caso de desa-</p><p>parecimento de um servidor público declarado ausente. Ao considerar que o pagamento com</p><p>sub-rogação previsto no art.</p><p>346 do Código Civil está dentro do Título III, batizado como “Do</p><p>Adimplemento e Extinções das Obrigações, pode-se fazer a interpretação sistemática para</p><p>defender que a sub-rogação envolve a extinção de uma obrigação, pois aí se estará harmoni-</p><p>zando a norma com a lei em que ela está inserida.</p><p>Ora, se admitirmos a primeira corrente no sentido de afirmar que a interpretação sistemáti-</p><p>ca, esses exemplos não encontrariam correspondência em nenhuma das espécies de interpre-</p><p>tação quanto ao modo, o que seria inadequado.</p><p>Seja como for, para concurso público, recomendamos que o candidato só leve em conta</p><p>a segunda corrente se o examinador, na questão, pretender fazer a distinção. Se, porém, ele</p><p>não enfocar a distinção, siga a primeira corrente, pois já houve prova do CESPE nesse sentido,</p><p>conforme já mencionamos.</p><p>2 Na doutrina, há quem defina a interpretação sistemática enfatizando harmonia sistemática apenas dentro do mesmo ramo</p><p>do Direito (Farias e Rosenvald, 2016, p. 122; Gonçalves, 2011, p. 81) ou apenas com leis anteriores (Cassettari, 2011, p. 51),</p><p>o que nos parece incorreto por sua incompletude: interpretação sistemática busca harmonização não apenas com normas</p><p>do mesmo ramo do direito ou com normas anteriores, mas também com normas de outros ramos ou posteriores que pos-</p><p>suam alguma conexão lógico-principiológica.</p><p>3 O CESPE, apoiando-se em Farias e Rosenvald, (2016, p. 122), entendeu como “correta” a seguinte assertiva: “(CESPE/Ana-</p><p>lista – MPU/2018) Na interpretação sistemática de lei, o intérprete busca o sentido da norma em consonância com as que</p><p>inspiram o mesmo ramo do direito”.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>12 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>2. IntegrAção</p><p>2.1. ADvertênCIAs InICIAIs</p><p>Desde logo, faço uma advertência: se há lei, fala-se em interpretação, que é extrair um sen-</p><p>tido possível da norma. Não se interpretar o vazio! Interpreta-se uma lei. Por outro lado, se não</p><p>há lei (omissão legal), não se pode falar em interpretação, pois não há nada do que se possa</p><p>extrair um sentido possível. Aí será o caso de integração, pois temos de preencher essa lacuna</p><p>legal. Com essa visão inicial você já se livra de um “peguinha” clássico de concursos.</p><p>Dito isso, vamos a uma questão:</p><p>001. (CESPE/TJ-PB/JUIZ/2011) Com relação aos institutos da interpretação e da integração</p><p>da lei, assinale a opção correta.</p><p>a) Segundo a doutrina, os princípios gerais do direito expressam-se nas máximas jurídicas,</p><p>nos adágios ou brocardos, sendo todas essas expressões fórmulas concisas que representam</p><p>experiência secular, com valor jurídico próprio.</p><p>b) A interpretação histórica tem por objetivo adaptar o sentido ou a finalidade da norma às</p><p>novas exigências sociais, em atenção às demandas do bem comum.</p><p>c) Implícito no sistema jurídico civil, o princípio segundo o qual ninguém pode transferir mais</p><p>direitos do que tem é compreendido como princípio geral de direito, podendo ser utilizado</p><p>como meio de integração das normas jurídicas.</p><p>d) No direito civil, não há doutrina que admita a hierarquia na utilização dos mecanismos de</p><p>integração das normas jurídicas constantes no Código Civil.</p><p>e) Não há distinção entre analogia legis e analogia juris, uma vez que ambas se fundamentam</p><p>em um conjunto de normas para a obtenção de elementos que permitam sua aplicação em</p><p>casos concretos.</p><p>E aí? Qual é a resposta? Se você não sabe, chute mesmo assim.</p><p>Letra c.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>13 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>A alternativa “a” está errada, pois não é qualquer brocardo que representa princípio geral</p><p>de direito. Ele tem de ter suporte em algum valor jurídico da história do direito. Seja como for,</p><p>é fato que os brocardos jurídicos geralmente condensam um princípio geral de direito, mas</p><p>nem sempre. O fato é que princípios gerais de direito não podem ser confundidos com máxi-</p><p>mas jurídicas, embora estas possam, em muitas situações, resumir alguns princípios gerais de</p><p>direito. Os brocardos representam a sabedoria popular, que, em alguns casos, podem conter</p><p>princípios gerais de direito. Mas nem sempre é assim. Concordo que a letra “a” é mal redigida,</p><p>mas o examinador acabou seguindo a doutrina do Carlos Roberto Gonçalves.</p><p>A letra “b” está errada interpretação histórica é aquela que se adapta à história da lei (mais</p><p>especificamente ao que foi debatido na sua fase de elaboração, nos debates legislativos).</p><p>A letra “c” retrata um princípio geral de direito, que é um dos modos de integração das nor-</p><p>mas jurídicas. A propósito, no Direito de Registros Públicos, falamos do princípio da disponi-</p><p>bilidade, segundo o qual o titular tabular só pode transferir aquilo que titulariza. Esse princípio</p><p>decorre da milenar regra de que ninguém pode transferir mais direitos do que tem.</p><p>A letra “d” está errada, porque o art. 4º da LINDB fixa hierarquia nesta ordem: analogia, cos-</p><p>tumes e princípios gerais de direito.</p><p>A letra “e” está errada, porque há distinção entre essas espécies de analogia, confor-</p><p>me veremos.</p><p>Vamos tratar do tema um pouquinho.</p><p>2.2. DefInIção</p><p>O ordenamento jurídico nunca é omisso. Ele tem resposta jurídica para qualquer caso. O</p><p>caso mais inusual imaginável encontraria resposta do Direito. Em um exemplo ad absurdum,</p><p>o ordenamento jurídico seria capaz até de dizer se devem ou não ser aplicadas as regras de</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>14 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>direito da personalidade (como a da integridade física ou da honra) para um alienígena que</p><p>viesse a aparecer na Terra.</p><p>É por essa razão que vigora o princípio da vedação ao non liquet, em razão do qual o juiz ja-</p><p>mais pode recusar-se a resolver um caso sob a alegação de ausência de norma. O juiz sempre</p><p>tem que dar, a qualquer caso, uma resposta efetiva (uma “solução líquida”4), pois o ordenamen-</p><p>to jurídico nunca é omisso (art. 140, CPC).</p><p>Isso decorre também do princípio da obrigatoriedade da jurisdição, que também é conhe-</p><p>cido como princípio da inafastabilidade ou da indeclinabilidade. Esse princípio é sediado no</p><p>art. 5º, XXXV, da CF e, ao estabelecer que nenhuma lesão a direito pode ser afastado do Poder</p><p>Judiciário, deixa implícito que o juiz nunca pode se recusar a dar uma solução sob o argumento</p><p>de omissão legal e, portanto, deve valer-se de alguma meio de suprir a lacuna legal (método</p><p>de integração).</p><p>O ordenamento jurídico é amplo, abrangendo todas as fontes de direito, formais e informais,</p><p>como as leis, os costumes, os princípios etc. Embora o ordenamento nunca seja lacunoso, o fato</p><p>é que a lei – que é um dos componentes do ordenamento – pode sê-lo. A imensidão dos casos</p><p>concretos e as constantes transformações da sociedade tornam impossível que tudo seja pre-</p><p>viamente disciplinado em lei. Havendo omissão na lei, aí sim o jurista haverá de servir-se de um</p><p>meio para preencher essa lacuna. Esse suprimento de lacunas na lei é chamado de integração.</p><p>Nunca se fala de integração do Direito (= do ordenamento), pois este já é íntegro. Fala-se, sim, em</p><p>integração</p><p>da lei, pois esta não consegue abranger integralmente todos os fatos da vida.</p><p>Conforme art. 4º da LINDB, a integração da lei para suprir sua lacuna deve acontecer me-</p><p>diante o uso dos seguintes meios integrativos, nesta ordem: (1º) analogia; (2º) costumes; (3º)</p><p>princípios gerais de direito. Diante de uma omissão legal, em primeiro lugar, o jurista deve</p><p>buscar a solução em outra manifestação legal semelhante (buscar solução na própria legisla-</p><p>ção por analogia) para, só depois, buscar a solução respectivamente nos costumes (afinal de</p><p>contas, como diziam os romanos, o direito nasce dos fatos – ex facto oritur jus) ou nos princí-</p><p>pios gerais de direito. No Direito Trabalhista (art. 8º, CLT) e no Direito Tributário (art. 108, CTN),</p><p>os meios integrativos são diversos e seguem outra ordem por força de norma específica que</p><p>afasta a regra geral do art. 4º da LINDB.</p><p>Essa ordem do art. 4º é flexível?</p><p>Há controvérsias doutrinárias.</p><p>Para grande parte da doutrina, essa ordem de meios integrativos não é rígida nem abso-</p><p>luta, ao contrário do que preconizavam doutrinadores tradicionais. No cenário do Direito Civil</p><p>Constitucional, não se pode negar que princípios e regras constitucionais podem ter aplicação</p><p>direta em relações privadas. A ordem do art. 4º da LINDB é uma diretriz que admitirá flexibilização</p><p>sempre que maximizar a justiça no caso concreto, à luz dos valores constitucionais. Além do</p><p>mais, o art. 140 do CPC, ao mencionar “lacuna no ordenamento” (e não mais “lacuna ou obscu-</p><p>ridade da lei”, como fazia o antigo art. 126 do já revogado CPC/1973), dá a entender que o foco</p><p>4 Quando falamos que temos um salário líquido, estamos a falar daquilo que efetivamente recebemos. A ideia é a de que o</p><p>juiz deve dar uma solução efetiva a qualquer caso, daí a metáfora de que lhe é vedado o non liquet.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>15 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>atualmente não é a aplicação da lei (paradigma da legalidade), e sim o ordenamento como um</p><p>todo (paradigma da juridicidade). Essa é a tendência da doutrina moderna.</p><p>Preferimos, porém, ainda a doutrina tradicional, pois entendemos que o texto legal repre-</p><p>senta a conciliação democrática de todo o ordenamento jurídico por meio do Parlamento, ins-</p><p>tância escolhida para tanto. Havendo omissão na lei, deve-se buscar o suprimento primeira-</p><p>mente em outra lei similar, ou seja, em outra manifestação do Parlamento. Só na insuficiência</p><p>da analogia é que se deve buscar os costumes e, por último, os princípios gerais de direito (o</p><p>que abrangeria a aplicação direta de princípios constitucionais). Enfim, a aplicação direta de</p><p>princípios constitucionais só deve ser aplicada como meio de integração juntamente com os</p><p>princípios gerais de direito, embora se deva admitir sua aplicação indireta como: (1) guia da</p><p>interpretação da lei e (2) censura a soluções inconstitucionais.</p><p>Para concurso público, o correto é que seja anulada qualquer questão que cobrar esse</p><p>tema controverso. Seja como for, recomendamos que o aluno tente identificar, da leitura da</p><p>questão, qual das correntes examinador está seguindo. Caso isso não seja viável, recomenda-</p><p>mos que o aluno siga a doutrina mais moderna e adote o entendimento de que, embora a regra</p><p>seja a observância da ordem do art. 4º da LINDB, ela pode ser flexibilizada.</p><p>2.3. espéCIes De IntegrAção</p><p>2.3.1. Analogia</p><p>A analogia é aplicação de uma norma similar (= análoga) para suprir uma omissão norma-</p><p>tiva diante de um caso concreto. A analogia pode ser de duas espécies.</p><p>A primeira é a analogia legis ou legal, que é a aplicação de um dispositivo semelhante. Dis-</p><p>positivo é uma unidade normativa, como um artigo, um parágrafo, um inciso ou uma alínea de</p><p>uma lei. Ex.1: o art. 1.899 do CC, que trata de interpretação de cláusula dúbia de testamento,</p><p>pode ser aplicada analogicamente para o caso de cláusula dúbia de contratos de doação, pois</p><p>testamento e doação são semelhantes por serem formas de liberalidade. Ex.2: o art. 21 da Lei</p><p>4.717/65, que prevê prescrição de 5 anos para a ação popular, é estendida analogicamente</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>16 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>para fixar o prazo prescricional de ações civis públicas diante da omissão da Lei de Ação Civil</p><p>Pública (Lei n. 7.347/85).</p><p>A segunda é a analogia iuris ou jurídica, que é a aplicação de vários dispositivos semelhantes</p><p>e/ou de vários princípios jurídicos similares. Na analogia iuris, infere-se a norma de todo o siste-</p><p>ma jurídico, valendo-se de vários dispositivos legais, de vários princípios e até de doutrina e juris-</p><p>prudência. Há quem sustente que a analogia iuris não é uma analogia, pois inexistiria aí lacuna</p><p>normativa, ou que a analogia iuris corresponderia, na verdade, à categoria dos princípios gerais</p><p>de direito. Todavia, não é esse o entendimento que prevalece, pois o fato é que só se valerá da</p><p>analogia iuris quando inexistir uma norma (um dispositivo legal) específica para o caso concreto.</p><p>Ex.: como inexiste norma específica disciplinando o destino do animal de estimação no caso de</p><p>divórcio, é razoável, por analogia iuris, aplicar as regras de guarda de filhos do casal (arts. 1.584</p><p>e seguintes do CC) em razão dos valores constitucionais envolvidos. Não seria razoável vender</p><p>o animal e repartir o dinheiro obtido entre os ex-cônjuges, como se faz com objetos indivisíveis.</p><p>2.3.2. Costumes</p><p>Os costumes são práticas e usos de uma sociedade. São “a regra de conduta criada espon-</p><p>taneamente pela consciência comum do povo, que a observa por modo constante e uniforme</p><p>e sob a convicção de corresponder a uma necessidade jurídica”, como alertava Vicente Ráo</p><p>(2013, p. 272). São o consenso implícito da população de acordo com o seu histórico.</p><p>Há três espécies de costume.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>17 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>O primeiro é o costume segundo a lei (secundum legem), que se aplica quando a lei manda</p><p>aplicar os costumes, a exemplo do art. 445, § 2º (costume para prazo decadencial por vício</p><p>redibitório de animal no caso de falta de norma diversa), art. 569, II, (costume do lugar para de-</p><p>finir modo de pagamento de aluguel no caso de falta de pacto contratual diverso) e do art. 596</p><p>(costume para arbitrar remuneração por serviço prestado no caso de falta de pacto contrário),</p><p>do CC. Esse tipo de costume não é meio de integração, pois inexiste aí omissão normativa: a</p><p>lei manda aplicar o costume ao caso. O costume secundum legem exerce função interpretativa,</p><p>pois auxilia na interpretação da norma que o prevê.</p><p>O segundo é o costume contra a lei (contra legem), que incide quando os costumes contra-</p><p>riam a lei. Apesar da controvérsia doutrinária, prevalece o entendimento de que o costume contra</p><p>legem não é admitido no Brasil e, portanto, o costume não pode revogar uma lei, como acontecia</p><p>no Direito Romano, em que o desuso era hipótese de revogação da lei (STJ, REsp 30.705, 6ª T.,</p><p>Rel. Min. Adhemar Maciel, DJ 03/04/1995). O costume contra legem não é técnica integrativa,</p><p>pois não há omissão legal aí. Embora não seja admitido no Brasil, o costume contra legem pres-</p><p>ta-se como incentivo ao legislador para modificar normas anacrônicas. Induz, também, muta-</p><p>ções constitucionais (novas interpretações da Constituição), contribuindo, por exemplo, na de-</p><p>claração de inconstitucionalidade de normas que anteriormente eram tidas por constitucionais.</p><p>O terceiro é o costume na falta de lei (praeter legem), que incide diante da omissão legal, o</p><p>costume serve para suprir essa lacuna normativa a fim de disciplinar o caso concreto. É essa</p><p>espécie de costume que é meio de integração. Esse tipo de costume tem função supletiva, pois</p><p>supre lacuna na norma.</p><p>2.3.3. Princípios Gerais de Direito</p><p>Os princípios gerais de direito são noções de justiça de acordo com a história do Direito.</p><p>Abrange regras clássicas como a de não causar dano a outrem, a de vedar o enriquecimento sem</p><p>causa etc. Os brocardos latinos tradicionais não podem ser confundidos com princípios gerais</p><p>de direito, embora, em muitas situações, consigam sintetizar ideias de alguns princípios. Os bro-</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>18 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>cardos (as máximas ou os adágios jurídicos) são mais uma expressão didática da experiência do</p><p>que propriamente um princípio geral de direito. É o que adverte Carlos Roberto Gonçalves.</p><p>Os princípios gerais de direito são bem mais amplos do que os brocardos e, por isso, não</p><p>podem ser confundidos com eles. Por exemplo, o princípio da vedação ao enriquecimento</p><p>sem justa causa é um princípio geral de direito e, na sua amplitude, acaba estando por trás de</p><p>inúmeros brocardos latinos, como este: Juris Praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non</p><p>laedere, suum cuique tribuere (tais são os preceitos do direito: viver honestamente, ofender</p><p>ninguém, dar a cada um o que lhe pertence). Os brocardos, em suma, embora nem sempre re-</p><p>presentem princípios gerais de direito, possuem um valor jurídico próprio, por serem ideias da</p><p>experiência que devem ser levadas em conta pelo jurista, como lembra Miguel Reale.</p><p>2.4. equIDADe: IntegrAção ou não?</p><p>A equidade não é um método de integração na LINDB, embora seja reconhecida como tal</p><p>no Direito Trabalhista (art. 8º, CLT) e no Direito Tributário (art. 108, CTN).</p><p>Na LINDB, a equidade é, na verdade, um recurso auxiliar à aplicação da lei. É uma ferramenta</p><p>de que se vale o legislador quando tem que disciplinar uma situação repleta de variáveis casu-</p><p>ísticas e reconhece ser inviável preestabelecer regras objetivas de antemão para todas as pos-</p><p>sibilidades concretas. É praticamente um “cheque em branco” que o legislador concede ao juiz</p><p>para, diante de uma determinada situação, este dar a solução mais justa (mais equitativa). Por</p><p>essa razão, o art. 140, parágrafo único, do CPC estabelece que “o juiz só decidirá por equidade</p><p>nos casos previstos em lei”. O uso da equidade, portanto, depende de uma lei que autorize o juiz</p><p>a tanto. Como exemplos, pode-se citar: (1) art. 928, parágrafo único, CC: manda aplicar equida-</p><p>de no arbitramento da indenização a ser paga pelo incapaz; (2) art. 944, parágrafo único, CC:</p><p>permite redução equitativa do valor da indenização diante de manifesta desproporção entre o</p><p>grau de culpa e o dano; (3) art. 1.586, CC: autoriza juiz a fixar a guarda de criança pelos genitores</p><p>da maneira que a sua criatividade equitativa recomendar caso haja motivos graves que impe-</p><p>çam a guarda compartilhada ou unilateral; (4) art. 1.740, II, CC: autoriza juiz a, mediante pedido</p><p>do tutor, decidir “como houver por bem” sobre a forma de correção do menor; (5) art. 413, CC:</p><p>juiz pode reduzir equitativamente o valor da cláusula penal quando for desproporcional.</p><p>O conteúdo da equidade é aplicar concepções de justiça. Nesse sentido, a título de exemplo,</p><p>o velho brocardo ubi eadem ratio, ibi eadem jus (onde há a mesma razão fundamental, há a mes-</p><p>ma regra) é um milenar conceito de justiça que pode ser tido como um exemplo de equidade.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>19 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>2.5. AutoIntegrAção vs HeteroIntegrAção</p><p>Os meios de integração podem ser divididos em dois grupos. O primeiro é chamado de</p><p>autointegração, assim entendido quando o próprio conjunto de normas (a legislação) preenche</p><p>as lacunas da lei. Na autointegração, usam-se recursos do próprio sistema jurídico – entendido</p><p>como um conjunto das normas estatais e oficiais – para suprir as suas lacunas. A analogia</p><p>é exemplo de autointegração, pois decorrem da intervenção de uma norma semelhante para</p><p>suprir uma lacuna. O segundo é batizado como heterointegração (lembre-se de que o prefixo</p><p>“hetero” significa “outro”), que consiste nos casos em que as lacunas da lei são preenchidas</p><p>por recursos alheios à legislação (entendida como um conjunto de normas estatais formais,</p><p>mais especificamente as espécies legislativas do art. 59 da CF e os atos infralegais). O cos-</p><p>tume e os princípios gerais de direito são exemplos de heterointegração, pois não procedem</p><p>de normas estatais formais, e sim respectivamente da sociedade ou da história do Direito.</p><p>Embora haja quem divirja quanto ao enquadramento dos princípios gerais de direito, é essa a</p><p>posição doutrinária que prevalece.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>20 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>2.6. espéCIes De lACunAs</p><p>Há diferentes espécies de lacunas no Direito, entendido no seu sentido amplo que abrange</p><p>todas as fontes jurídicas (leis, costumes etc.), o que permite classificar as lacunas no Direito</p><p>em: (1) normativa; (2) ontológica; (3) axiológica; e (4) de conflito ou antinomia.</p><p>A lacuna normativa é quando inexiste norma disciplinando um caso concreto. Para colma-</p><p>tar essa lacuna, o art. 4º da LINDB prevê a integração.</p><p>A lacuna ontológica ocorre quando há uma norma para o caso concreto, mas ela é des-</p><p>provida de eficácia social (= não aplicável na prática). Trata-se da “lei que não cola”, para usar</p><p>expressão popular. Ontologia se reporta à razão de ser das coisas; ora, a razão de ser das nor-</p><p>mas é que elas tenham aplicação prática na sociedade. Se falta essa eficácia social, o Direito</p><p>padece de uma lacuna ontológica. Ex.: o já revogado art. 240 do CP, embora criminalizasse o</p><p>adultério, não era aplicado na prática.</p><p>A lacuna axiológica sucede quando há uma norma para o caso concreto, mas ela é injusta</p><p>ou insatisfatória. Axiologia diz respeito a valores. Se uma norma não condiz com os valores de</p><p>Justiça, falta uma norma justa para o caso concreto: o Direito padece de lacuna axiológica nes-</p><p>se ponto. Ex.: no Brasil Colônia, havia regra autorizando o trabalho escravo, mas ela era injusta,</p><p>de sorte que o Direito do Brasil Colônia sofria de lacuna axiológica nessa parte.</p><p>A lacuna de conflito (também chamada de antinomia) reporta-se ao caso de haver mais de</p><p>uma norma em divergência para o mesmo caso concreto, o que faz com o que o Direito não</p><p>dê uma solução ao caso concreto. Nesses casos, há de utilizar-se as técnicas de solução de</p><p>antinomia,</p><p>seja os tradicionais (critérios cronológico, hierárquico e da especialidade), seja os</p><p>modernos, como o Diálogo das Fontes.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>21 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>2.7. revogAção ou não Dos Arts. 4º e 5º DA lInDB</p><p>Com o advento do novo CPC em 2015, pairam discussões acerca da possível revogação</p><p>tácita dos arts. 4º e 5º da LINDB. O art. 4º da LINDB, ao colocar a lei em posição de supremacia</p><p>em relação às demais fontes – fixando que outras fontes que serviriam para suprir lacunas da</p><p>lei –, seria incompatível com o CPC/2015, que, no seu art. 140, não reiterou a preferência da lei</p><p>que decorria do antigo art. 126 do CPC/1973. Este velho dispositivo afirmava que o juiz deve</p><p>aplicar as normas legais em primeiro lugar e, só no caso de omissão delas, é que deveria so-</p><p>correr-se dos meios integrativos (analogia, costumes e princípios gerais de direito). Há quem</p><p>sustente que o CPC/2015 superou o paradigma da legalidade, que enaltecia a lei em detrimento</p><p>das demais fontes, e prestigiou o paradigma do ordenamento jurídico, que mescla todas as</p><p>fontes jurídicas em um bloco único de normatividade. Essa mudança de paradigma estaria em</p><p>todo o CPC/2015, que seria incisivo em remeter-se ao ordenamento jurídico, e não à lei, ao tratar</p><p>de solução de casos concretos (p.ex., art. 8º e 140). Nesse sentido, o art. 5º da LINDB, ao tratar</p><p>da aplicação da lei, teria sido revogado pelo art. 8º do CPC/2015, que trata de aplicação do or-</p><p>denamento jurídico (e não mais da lei) e invoca outros princípios para guiar a aplicação da lei.</p><p>Não nos parece ser esse o melhor caminho; os arts. 4º e 5º da LINDB seguem em vigor.</p><p>Quanto ao art. 4º da LINDB, é incontestável que, ao se deparar com um caso concreto disci-</p><p>plinado em lei (norma escrita), o juiz não pode ignorar o texto legal e resolver o caso com base</p><p>em outras fontes jurídicas. A própria súmula vinculante 10/STF veda que o juiz deixe de aplicar</p><p>uma lei, salvo se a declarar inconstitucional. A lei é a fonte primacial de que deve servir-se o</p><p>juiz diante de um caso. Acontece que, como todo texto, a lei dá ensanchas a várias possíveis</p><p>interpretações e é exatamente nesse momento de escolha da interpretação mais adequada</p><p>que podem entrar em cena as demais fontes jurídicas, como os princípios. Se há lei, as outras</p><p>fontes jurídicas servem como leme na interpretação da lei: é a lei que será aplicada, mas sob a</p><p>interpretação obtida com o auxílio das demais fontes jurídicas. Caso, porém, a lei seja omissa,</p><p>aí sim as demais fontes jurídicas devem ser utilizadas, observada a ordem prevista no art. 4º</p><p>da LINDB. A primeira fonte jurídica é a analogia, pois cabe ao operador do Direito buscar, em</p><p>outras manifestações do legislador, uma regra que sirva analogicamente para resolver o caso</p><p>concreto. Inexistindo regra análoga, deve-se servir dos costumes e dos princípios gerais de</p><p>direito respectivamente. Ao empregar a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito,</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>22 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>o jurista deverá servir-se também de todas as fontes jurídicas (como os princípios constitu-</p><p>cionais) para guiar a sua escolha entre as diversas soluções oferecidas por meio integrativo.</p><p>Em suma, o CPC/2015 é compatível com o art. 4º da LINDB. Este segue em vigor, seja pelos</p><p>motivos acima, seja porque seria imprudente presumir que um diploma de tal envergadura teria</p><p>“esquecido” de revogar expressamente um dispositivo tão destacado como o art. 4º da LINDB.</p><p>No tocante ao art. 5º da LINDB, é verdade que o art. 8º do CPC é mais completo, o que au-</p><p>torizaria a ilação de que teria havido revogação tácita por este dispositivo ter regulamentado</p><p>inteiramente a matéria. Todavia, não enxergamos incompatibilidade entre os textos nem utili-</p><p>dade em proclamar a revogação do art. 5º da LINDB, de maneira que, em nome do diálogo das</p><p>fontes, preferimos entender que os dois dispositivos podem ser aplicados concomitantemen-</p><p>te, realçando que, na aplicação da lei ou de qualquer outra fonte, deve-se buscar atender não</p><p>somente aos fins sociais e ao bem comum, mas também os diversos princípios constitucio-</p><p>nais (dignidade da pessoa humana, proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, publicidade</p><p>e eficiência). Temos, pois, que também o art. 5º da LINDB não foi revogado, mas deve ser lido</p><p>em conjunto com o art. 8º do CPC pela via do diálogo das fontes.</p><p>3. leI no espAço</p><p>Vamos tratar agora de um tema que é de Direito Internacional Privado, mas que, por estar</p><p>na LINDB, costuma ser muito cobrado em concurso.</p><p>Enquanto o Direito Internacional Público versa sobre questões jurídicas envolvendo rela-</p><p>ções entre os Estados soberanos e os organismos internacionais, o Direito Internacional Pri-</p><p>vado trata de temas relacionados a situações dos indivíduos e de atuações no plano interna-</p><p>cional, abrangendo questões como nacionalidade, condição jurídica do estrangeiro, conflito de</p><p>leis e conflito de jurisdição.</p><p>Na LINDB, há regras específicas sobre a aplicação da lei no espaço, ou seja, sobre regras</p><p>tratando de conflitos da lei brasileira com a estrangeira para reger situações jurídicas. O nosso</p><p>foco será esse.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>23 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>3.1. ConCeItos IMportAntes</p><p>Ao tratar de lei no espaço, há alguns conceitos básicos, que serão tratados a seguir.</p><p>O primeiro conceito é o de “doutrina da territorialidade moderada”. O Brasil adotou essa</p><p>doutrina, de acordo com a qual, em regra, qualquer fato ocorrido em território brasileiro deve</p><p>submeter-se à legislação brasileira. Diz-se moderada essa doutrina, porque se admitem exce-</p><p>ções, a exemplo de questões de direito de família, que são regidas pela lei do país de domicílio</p><p>da pessoa (ainda que esta esteja em território brasileiro), conforme art. 7º da LINDB.</p><p>O segundo conceito é o de estatuto pessoal. No vernáculo, “estatuto” significa um conjun-</p><p>to de normas. Ex.: estatuto do desarmamento (conjunto de normas sobre uso de armas). Por</p><p>isso, no Direito Internacional Privado, estatuto pessoal significa a aplicação da lei do país de</p><p>origem da pessoa, ou seja, o conjunto de regras do país de origem da pessoa. Ao tratar de apli-</p><p>cação da lei do país de origem, pode-se reportar a duas situações: a da lei do país de domicílio</p><p>de uma pessoa (lex domicilii) ou ao país da nacionalidade (lex patriae). Na LINDB, não se adota</p><p>a lex patriae, salvo de forma mesclada com outras regras, como no caso do § 1º do art. 10 da</p><p>LINDB. Adota-se, apenas, a lex domicilii, como nas questões relacionadas a direito de família,</p><p>conforme o art. 7º da LINDB. Pode-se, pois, dizer que, em questões de direito de família, apli-</p><p>ca-se o estatuto pessoal.</p><p>O terceiro conceito é o elemento de conexão. Elementos de conexão são regras que defi-</p><p>nem se se aplica a lei brasileira ou a estrangeira. São, pois, regras que conectam (daí o nome</p><p>elementos de conexão) o ordenamento brasileiro com os estrangeiros diante de situações</p><p>jurídicas ocorridas</p><p>no território dos diversos países. No Brasil, os principais elementos de co-</p><p>nexão estão nos arts. 7º ao 13 da LINDB.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>24 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Por fim, é bom saber que, nos consulados brasileiros, os brasileiros que estão no exterior</p><p>podem servir-se de atos típicos do Registro Civil das Pessoas Naturais (como os registros</p><p>de nascimento, óbito, casamento etc.) e de Tabelionato (como o de lavratura de escrituras</p><p>públicas).</p><p>3.2. eleMentos De Conexão</p><p>Vamos ver os principais elementos de conexão que estão na LINDB.</p><p>3.2.1. Questões Inerentes à Pessoa (Lex Loci Domicilii)</p><p>O país que uma pessoa escolhe para viver (domicílio) é que deve orquestrar a sua vida civil</p><p>nos aspectos mais inerentes à pessoa. Por essa razão, o art. 7º da LINDB estabelece que se</p><p>aplica a lei do domicílio da pessoa (lex domicilii) para disciplinar questões relativas à persona-</p><p>lidade, capacidade, nome e direito de família. Assim, uma brasileira que decida domiciliar-se</p><p>na Arábia Saudita não poderá invocar a lei brasileira para se considerar capaz civilmente, pois,</p><p>nesse caso, aplicar-se-á a lei árabe, para a qual – por suposição – a mulher casada é incapaz</p><p>e, por isso, precisa estar representada ou assistida para praticar atos jurídicos (como celebrar</p><p>um contrato).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>25 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>3.2.2. Casamento (Lex Loci Celebrationis)</p><p>A lei do lugar da celebração do casamento rege as regras relativas aos impedimentos matri-</p><p>moniais e à formalidade do casamento (lex loci celebrationis). Todavia, a invalidade do matrimô-</p><p>nio será regida pela lei do domicílio dos nubentes ou, caso estes tenham domicílios em países</p><p>diversos, a lei do primeiro domicílio do casal (lex domicilli). Assim, se uma mulher domiciliada no</p><p>Brasil casasse com um homem domiciliado na Arábia Saudita, ela não poderia pedir a nulidade</p><p>do casamento com base na lei brasileira (ex.: pedir nulidade por conta do desconhecido passado</p><p>criminoso do marido, conforme art. 1.557, II, CC), caso o primeiro domicílio do casal fosse na Ará-</p><p>bia Saudita. Se dois turcos, domiciliados na Turquia, casarem-se no Brasil, a lei brasileira regerá</p><p>apenas as formalidades do casamento (habilitação, cerimônia perante juiz de paz etc.) e os im-</p><p>pedimentos matrimoniais (é impedido casamento entre irmãos, por exemplo), mas a invalidade</p><p>do casamento será regida pela lei turca, pois é a lei do domicílio comum dos nubentes.</p><p>3.2.3. Sucessão (Lex Sucessionis)</p><p>Como extensão da lex loci domicilii, o país escolhido como domicílio deve reger não ape-</p><p>nas a vida, mas também a morte da pessoa. Por essa razão, o art. 10 da LINDB estatui que se</p><p>aplica a lei do domicílio do de cujus ou do ausente para disciplinar a sua sucessão causa mortis</p><p>(ou seja, a repartição da sua herança). Trata-se da lex sucessionis.</p><p>O § 1º do art. 10 da LINDB, que é reproduzido no art. 5º, XXXI, da CF, fixa uma exceção que dá</p><p>prestígio a quem tenha nacionalidade brasileira: aplica-se a lei mais favorável ao cônjuge (o que</p><p>deve abranger o companheiro por interpretação extensiva compatível com a igualdade dos mode-</p><p>los de família à luz do art. 226 da CF) ou aos filhos brasileiros para a sucessão hereditária relativa</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>26 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>aos bens situados no Brasil. Em outras palavras, falecendo uma pessoa que era domiciliada na</p><p>Arábia Saudita e deixando um filho árabe e uma filha brasileira, os bens situados no Brasil deverão</p><p>ser rateados entre os filhos herdeiros de acordo com a lei mais favorável à filha: supondo que a lei</p><p>árabe (que é a lei do domicílio do de cujus5) estabeleça que apenas o filho primogênito herda tudo,</p><p>excluindo as filhas, a sucessão do falecido aí quanto aos bens que estão no Brasil deve ser feita</p><p>de acordo com a lei brasileira, que, por assegurar igualdade entre os filhos, é mais benéfica à filha</p><p>brasileira. Nesse exemplo, porém, os bens situados fora do Brasil serão rateados de acordo com a</p><p>lei do domicílio do de cujus, ou seja, a lei árabe, o que será pior para a filha brasileira.</p><p>Essa aplicação da lei mais favorável ao nacional diante do conflito de uma lei brasileira com a es-</p><p>trangeira é designada de princípio do prélèvement ou de princípio do favor negotti. Há, porém, quem</p><p>distinga essas expressões, estabelecendo que o favor negotti se reserva a situações envolvendo o</p><p>Direito Comercial, ao passo que o prélévement é mais amplo, alcançando também o Direito Civil.</p><p>Um outro exemplo de prélévement é dado pelo art. 42, parágrafo único, do Decreto n.</p><p>2.044/1908, que estabelece que, caso o estrangeiro seja incapaz segundo a lei de seu domicí-</p><p>lio, será aplicada para ele a lei brasileira se esta for mais benéfica e lhe reconhecer capacidade</p><p>com o objetivo de mantê-lo obrigado pelas declarações que fizer. Eis o texto do referido dispo-</p><p>sitivo: “Tendo a capacidade pela lei brasileira, o estrangeiro fica obrigado pela declaração, que</p><p>firmar, sem embargo da sua incapacidade, pela lei do Estado a que pertencer”.</p><p>3.2.4. Obrigações (Lex Loci Actus vs Lex Loci Executionis)</p><p>5 Há uma controvérsia doutrinária acerca de definir o que é a “lei pessoal do de cujus” no texto do § 1º do art. 10 da LINDB</p><p>(A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos</p><p>brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus”) e no XXXI do art. 5º</p><p>da CF. Consideramos que, como o caput do art. 10 da LINDB adota a lei do domicílio do de cujus (que é uma lei pessoal, ou</p><p>seja, é um estatuto pessoal) como a regra da sucessão causa mortis, o seu § 1º deve ser interpretado em compatibilidade</p><p>com ele, de maneira que a expressão “lei pessoal do de cujus” se refere à lei do domicílio. Há, contudo, quem, na doutrina,</p><p>entenda que a “lei pessoal do de cujus” aí pode ser tanto a lei do domicílio do de cujus quanto a lei da sua nacionalidade,</p><p>de maneira que o juiz deverá, no caso concreto, verificar qual é a lei mais favorável ao cônjuge ou filho brasileiros entre as</p><p>três possíveis: a lei brasileira e as duas leis que podem ser tidas por pessoais do de cujus (lei do seu domicílio e lei da sua</p><p>nacionalidade). Nesse sentido ampliativo, é o pensamento de Valério de Oliveira Mazzuoli (2016).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>27 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Em regra, obrigações contratuais, administrativas ou de outra natureza se sujeitam à lei do</p><p>país em que se constituírem (art. 9º, LINDB). Trata-se da regra do lex loci actus (lei do lugar do</p><p>ato para reger substância</p><p>do ato jurídico) ou locus regit actum (lei do lugar do ato para reger as</p><p>formalidades do ato). Se um brasileiro celebra um contrato na Espanha, ele não pode invocar</p><p>a lei brasileira, mas deverá sujeitar-se à lei desse país ibérico, local onde se constituiu a sua</p><p>obrigação. Se um brasileiro dirige um veículo acima da velocidade máxima em uma rodovia</p><p>nos EUA, ele não poderá invocar a lei brasileira (como o Código de Trânsito Brasileiro) para</p><p>reger o seu caso, visto que essa obrigação administrativa nasceu nos EUA, cujas leis discipli-</p><p>narão o caso.</p><p>Essa regra sofre parcial restrição quando se tratar de obrigação que, embora tenha nascido</p><p>em outro país, exige uma forma especial e destina-se a ser executada (cumprida) no Brasil. A</p><p>forma especial significa que o modo de exteriorização dessa obrigação não é livre, mas deve</p><p>se materializar de determinado modo (escrito, escritura pública etc.). Nesses casos, como a</p><p>obrigação há de ser adimplida no Brasil, é preciso que ela seja exteriorizada no Brasil de acor-</p><p>do com a forma exigida pela lei brasileira. Por isso, o art. 9º, § 1º, da LINDB estabelece que aí</p><p>a forma da obrigação deve observar a lei brasileira. Esse dispositivo, porém, admite as pecu-</p><p>liaridades da lei estrangeira quanto aos pressupostos extrínsecos do ato, reconhecendo que</p><p>a lei estrangeira pode conter peculiaridades que impediriam a formalização da obrigação em</p><p>consonância com a lei brasileira e que, portanto, frustrariam a prática de um ato no estrangeiro</p><p>(como a celebração de um contrato). O art. 9º, § 1º, da LINDB prevê o elemento de conexão</p><p>batizado como lex loci executionis (lei do lugar da execução do ato), que se aplica apenas para</p><p>a forma da obrigação, admitidas peculiaridades da lei estrangeira quanto aos pressupostos</p><p>extrínsecos.</p><p>Alerte-se que, quanto aos aspectos do negócio não relativos à forma – como a nulidade de</p><p>cláusulas contratuais –, continua em pleno vigor a regra geral da lex loci actus. Por exemplo,</p><p>um contrato, celebrado em outro País, de compra e venda de um apartamento em Copacabana</p><p>com valor superior a 30 salários-mínimos depende, no Brasil, da observância a dois requisitos</p><p>formais: (a) extrínsecos: deve ser por escritura pública, por força do art. 108 do CC; (b) intrín-</p><p>secos: o contrato de compra e venda depende da indicação, por escrito, do objeto, do preço, da</p><p>identificação das partes etc., conforme Lei n. 7.433/85, Decreto n. 93.240/86, art. 167 e ss da</p><p>Lei n. 6.015/73, art. 4º, parágrafo único, da Lei n. 4.591/64 e art. 481 e seguintes do CC. Esse</p><p>contrato deve ser executado no Brasil: a transferência do apartamento só se aperfeiçoará com</p><p>o registro no competente Cartório de Imóveis situado no Rio de Janeiro. Por isso, esse contrato</p><p>deve observar os requisitos formais da lei brasileira, admitido, porém, que o requisito extrín-</p><p>seco siga a lei estrangeira se esta for diferente da brasileira (ex.: se a lei estrangeira admite</p><p>venda de imóveis sem escritura pública, o negócio poderá ocorrer por meio de um instrumento</p><p>particular, ou seja, por um documento produzido pelas partes sem a intervenção de um oficial</p><p>público, como um contrato digitado no computador pessoal das partes e por elas assinado).</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>28 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>Amigos e amigas, talvez você tenha achado isso um pouco complicado. Vamos esclarecer</p><p>com as seguintes questões:</p><p>a) Se você viajar para Dubai e fechar uma excussão lá, indago: você pode invocar o Código</p><p>de Defesa do Consumidor brasileiro? Não, por conta da lex loci actus;</p><p>b) Se você, nessa viagem a Dubai, encontrar o milionário Sheikh Zayed e decidir vender o</p><p>seu apartamento no Rio de Janeiro para ele celebrando o contrato lá em Dubai mesmo, indago:</p><p>(a) você pode fazer o contrato por instrumento particular (um papel qualquer manuscrito ou</p><p>impresso de sua impressora) ou por escritura pública? (b) nesse contrato, o que você precisa</p><p>escrever? Resposta à questão “a”: você precisa fazer por escritura pública, porque a lei brasi-</p><p>leira a exige para venda de imóveis de valor superior a 30 salários mínimos, conforme art. 108</p><p>do CC; todavia, se em Dubai não houver tabelião e se lá as vendas de imóveis forem feitas</p><p>por instrumento particular, você poderá fazer o contrato em instrumento particular. Resposta</p><p>à questão “b”: o conteúdo do contrato, ou seja, as informações que têm de estar no contrato</p><p>deverá observar a lei brasileira por força da lex loci executionis.</p><p>3.2.5. Casos Especiais: Compras a Distância ou no Exterior</p><p>Compra a Distância ou no Exterior: Caso Panasonic</p><p>No caso de compras a distância (ex.: uma compra na internet), aplica-se a regra da lei do</p><p>país do proponente, pois aí se presume que o interessado “viajou” nas ondas virtuais da Inter-</p><p>net até o domicílio de quem fez a proposta. Assim, se acesso o site da Iceland Air para cobrar</p><p>uma passagem aérea para a Islândia, o meu contrato será presumidamente celebrado na Islân-</p><p>dia, local de domicílio do proponente (a Iceland Air). Trata-se do art. 9º, § 2º, da LINDB.</p><p>O STJ, porém, faz uma ressalva. No caso de compra de produtos no exterior, é aplicável o</p><p>Código de Defesa do Consumidor – CDC (lei brasileira, portanto) para o caso de o vendedor ser</p><p>uma multinacional de renome que tenha filial no Brasil e que tenha marketing direcionado ao</p><p>Brasil. O motivo é que, com o marketing no Brasil, capaz de seduzir os consumidores brasilei-</p><p>ros, a multinacional começou a praticar os atos iniciais do contrato que viria a ser, no exterior,</p><p>concretizado, de modo que o contrato pode ser tido por celebrado no Brasil também. Foi o que</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,</p><p>a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>https://www.grancursosonline.com.br</p><p>29 de 59www.grancursosonline.com.br</p><p>LINDB – Parte II</p><p>DIREITO CIVIL</p><p>Carlos Elias</p><p>o STJ decidiu no caso que chamamos de “caso Panasonic”: um brasileiro que havia comprado</p><p>uma câmara em uma loja da Panasonic Incorporation em Nova Iorque (EUA) e que identificou</p><p>um defeito de fabricação no Brasil conseguiu a aplicação do CDC no caso concreto e, com</p><p>base nesse diploma brasileiro, conseguiu a condenação da filial da Panasonic no Brasil para</p><p>responder por esse vício do produto (STJ, REsp 63.981/SP, 4ª T. Rel. p/ Acórdão Min. Sálvio de</p><p>Figueiredo Teixeira, DJ 20/11/2000).</p><p>Caso Meliá</p><p>O retrocitado Caso Panasonic não pode ser banalizado. Veja este caso, que chamamos de</p><p>Caso Meliá.</p><p>Consumidor, em viagem ao México, celebrou contrato de plano de férias sob a modalidade</p><p>de Time Sharing com a empresa mexicana Meliá Mexico (Sol Meliá VC, México S.A.) e, depois,</p><p>ajuizou ação para rescindir o contrato contra a empresa brasileira Meliá Brasil (Meliá Brasil</p><p>Administração Hoteleira e Comercial Ltda.). O STJ entendeu que a Meliá Brasil não é parte</p><p>legítima para o processo, pois, apesar de a empresa brasileira integrar o grupo multinacional</p><p>Meliá, não havia nenhuma prova de correlação entre essa empresa e a mexicana para efeito da</p><p>celebração desse contrato. Seria inaplicável a teoria da aparência aí, pois o consumidor sabia</p><p>que estava a celebrar o contrato com uma empresa mexicana de acordo com a lei mexicana.</p><p>Havia clareza para o consumidor de que seu contrato era com a empresa mexicana. Além do</p><p>mais, apesar de nada ter sido dito pelos ministros nesse julgamento, o fato é que não havia um</p><p>marketing direcionado ao Brasil para a venda de planos de férias em regime de Times Sharing</p><p>(STJ, REsp 1616587/SP, 3ª Turma, Rel.</p>