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<p>O impacto das relações entre Estado e</p><p>Sociedade na formulação de políticas</p><p>públicas</p><p>Apresentação</p><p>Ainda é muito comum pensar que a elaboração, a formulação e a execução de políticas públicas é</p><p>de responsabilidade única do Estado. No entanto, a Constituição Federal de 1988 (CF/88) e outras</p><p>leis que a sucederam atribuem a participação em todo o processo de políticas públicas, desde a</p><p>elaboração até o monitoramento a outros atores sociais, que podem ser públicos e privados. Cada</p><p>vez mais, a participação da sociedade nos processos de elaboração e fiscalização de políticas</p><p>públicas tem sido valorizada; prova disso são os canais de participação instituídos por leis e que têm</p><p>grande importância na relação entre Estado e sociedade.</p><p>A participação social, entre outras coisas, promove transparência na deliberação e na visibilidade</p><p>das ações, democratizando o sistema decisório, permitindo maior expressão e visibilidade das</p><p>demandas sociais, provocando um avanço na promoção da igualdade e da equidade nas políticas</p><p>públicas. Além disso, a participação social, por meio dos canais instituídos para tal, gera impactos</p><p>positivos, como o aprofundamento e a consolidação da democracia em nosso país.</p><p>Nesta Unidade de Aprenizagem, você irá estudar sobre os atores públicos e privados das políticas</p><p>públicas; os canais de participação social e sua influência na formulação dessas políticas, bem como</p><p>os impactos das relações entre Estado e sociedade em sua formulação.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Identificar os atores públicos e privados na formulação das políticas públicas.•</p><p>Explicar os canais de participação social e sua influência na formulação das políticas públicas.•</p><p>Descrever os principais impactos das relações entre Estado e sociedade na formulação de</p><p>políticas públicas.</p><p>•</p><p>Mobile User</p><p>Desafio</p><p>Você trabalha no setor de planejamento da prefeitura de sua cidade e seu chefe lhe convoca para</p><p>organizar, junto com ele, um evento que possibilite a participação da sociedade local na avaliação,</p><p>na discussão e na elaboração de propostas de novas políticas públicas na área de saúde.</p><p>No entanto, seu chefe precisou se ausentar por uns dias e deixou os preparativos iniciais por sua</p><p>conta, sem lhe comunicar qual é o tipo de evento que vocês deverão organizar.</p><p>Considerando a situação:</p><p>1) Apresente os canais de participação social existentes em nosso país.</p><p>2) Escolha, dentre eles, o evento que tem as características apresentadas anteriormente.</p><p>Infográfico</p><p>Veja no Infográfico quem são os atores das políticas públicas que participam do processo de</p><p>discussão, elaboração e execução dessas políticas; quais são os canais de participação social onde</p><p>os interesses da sociedade são explicitados e negociados junto ao Poder Público, bem como as</p><p>contribuições da participação social na relação entre Estado e sociedade.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ed7ff7db-9ec4-47d8-a7ee-d9aeab09a128/676b0ef0-095f-4cb2-905b-60d5a95ddc2f.jpg</p><p>Conteúdo do livro</p><p>A ampliação dos espaços de participação popular permite que a sociedade atue em conjunto com o</p><p>Estado na elaboração, na implementação e na fiscalização das políticas públicas, contribuindo para</p><p>aumentar a eficácia e a abrangência das ações públicas. Esses espaços têm permitido aos atores</p><p>sociais localizarem e apresentarem suas demandas, possibilitanto sua aproximação junto aos</p><p>legisladores e formuladores de políticas públicas.</p><p>No capítulo O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas,</p><p>da obra Gestão Social, você vai ver os atores públicos e privados das políticas públicas; os canais de</p><p>participação social e sua influência na formulação de tais políticas.</p><p>Boa leitura.</p><p>Mobile User</p><p>GESTÃO</p><p>SOCIAL</p><p>Ligia Maria Fonseca Affonso</p><p>O impacto das relações</p><p>entre Estado e sociedade</p><p>na formulação de</p><p>políticas públicas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar os atores públicos e privados na formulação das políticas</p><p>públicas.</p><p>� Explicar os canais de participação social e sua influência na formulação</p><p>das políticas públicas.</p><p>� Descrever os principais impactos das relações entre Estado e sociedade</p><p>na formulação de políticas públicas.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo você vai estudar os atores públicos e privados das políticas</p><p>públicas; os canais de participação social e sua influência na formulação</p><p>das políticas públicas e os impactos das relações entre Estado e sociedade</p><p>na formulação de políticas públicas.</p><p>Atores públicos e privados</p><p>Os grupos que integram o sistema político demandando ou executando ações</p><p>que podem ser transformadas em políticas públicas são chamados de atores. A</p><p>ideia de que a elaboração, formulação e execução de políticas públicas sejam</p><p>unicamente de responsabilidade estatal ainda é comum. No entanto, com a</p><p>promulgação da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) e outras leis</p><p>que a sucederam, a participação mais significativa em todo o processo de</p><p>Mobile User</p><p>políticas públicas, desde a elaboração até o monitoramento, foi atribuída a</p><p>outros atores sociais. Você sabe quem são esses atores?</p><p>No processo de discussão, elaboração e execução das políticas públicas parti-</p><p>cipam basicamente dois tipos de atores com modo de agir diferente: os públicos</p><p>(oriundos do governo ou do Estado) e os privados (oriundos da sociedade civil).</p><p>Os atores públicos são aqueles que exercem funções públicas no Estado, eleitos</p><p>pela sociedade para um cargo por tempo determinado, ou seja, os políticos</p><p>eleitos, que podem contratar outros funcionários, os chamados cargos de livre</p><p>provimento ou cargo comissionado, ou aqueles que atuam de forma permanente,</p><p>como os servidores públicos, ou seja, os funcionários de carreira, concursados.</p><p>Figura 1. Atores das políticas públicas.</p><p>Fonte: Observatório da Sociedade Civil (2017).</p><p>Cabe destacar que as políticas públicas são definidas no Poder Legislativo</p><p>e executadas pelo Poder Executivo. Nesse contexto, os servidores públicos</p><p>têm a responsabilidade de dar todo o apoio e suporte ao processo de tomada</p><p>de decisão dos políticos, fornecendo as informações necessárias e operacio-</p><p>nalizando as políticas públicas definidas.</p><p>Apesar de a burocracia ser politicamente neutra, conflitos acontecem, pois,</p><p>enquanto os servidores de carreira possuem interesses técnicos e preocupação</p><p>de longo prazo com as políticas de Estado, os funcionários nomeados e eleitos</p><p>possuem interesses políticos e preocupação com as ações de curto prazo com</p><p>políticas de governo. Apesar dessa posição antagônica e uma inversão de expec-</p><p>tativas, que podem dificultar as ações governamentais, o surgimento de conflitos</p><p>é visto como consequência natural, uma vez que o governo não é formado por</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas2</p><p>Mobile User</p><p>Mobile User</p><p>uma única posição. Ainda assim, o funcionalismo público compõe um elemento</p><p>essencial para o bom desempenho das diretrizes adotadas pelo governo.</p><p>São atores estatais envolvidos no processo de políticas públicas vereadores, deputados,</p><p>prefeitos, senadores, ministros, governadores (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO</p><p>E PEQUENAS EMPRESAS, 2008).</p><p>Os atores privados, por sua vez, são aqueles que não possuem vínculo direto</p><p>com a estrutura administrativa do Estado e fazem parte da sociedade civil.</p><p>Nesse contexto, existe uma multiplicidade de interesses que chegam aos gestores</p><p>públicos. São demandas que precisam ser atendidas pelo mesmo governo que</p><p>possui recursos escassos para atender a todas. É natural que cada ator privado se</p><p>feche em pauta específica, já que assim como o governo, a sociedade não possui</p><p>um único interesse, ou seja, nem todos querem a mesma coisa. No entanto, a</p><p>sociedade tem como interesse maior a boa execução</p><p>das políticas.</p><p>O papel dos atores, públicos e privados, é determinado em grande parte</p><p>pelos diferentes interesses que guiam suas ações. A responsabilidade maior</p><p>é do Estado, porque é ele quem mobiliza todos os recursos necessários para</p><p>a elaboração, execução, monitoramento e avaliação das diversas políticas</p><p>públicas. Os atores privados possuem participação garantida nesse processo</p><p>por meio de leis orgânicas, nos respectivos canais institucionais. Seus interes-</p><p>ses devem ser explicitados e negociados junto ao poder público, nos espaços</p><p>previstos para esse fim.</p><p>São exemplos de atores privados: imprensa, institutos de pesquisa, grupos de</p><p>pressão, grupos de interesse, associações e entidades da sociedade civil organi-</p><p>zada (SCO), entidades de representação empresarial, sindicatos e trabalhadores.</p><p>A criação das políticas públicas pode ser entendida como uma coprodução entre o</p><p>Estado e a sociedade para a construção do interesse coletivo. No entanto, a participação</p><p>social na elaboração de políticas públicas aqui no Brasil ainda é um desafio.</p><p>3O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>Mobile User</p><p>Mobile User</p><p>Mobile User</p><p>Canais de participação</p><p>A Constituição Federal de 1988, reconhecendo a necessidade da participação</p><p>social em algumas políticas específicas, abriu espaço para o compartilhamento</p><p>do poder, nas diferentes áreas, ampliando a democracia e reconhecendo a</p><p>participação social como elemento fundamental na organização das políticas</p><p>públicas. A participação social permite ao cidadão, além de controlar as ações</p><p>do Estado, participar do processo de implementação e decisão das políticas</p><p>sociais, atuando em caráter complementar nos campos da educação, saúde,</p><p>assistência social, previdência social e trabalho. Dessa forma, a participação</p><p>social (SILVA et al., 2009):</p><p>� Promove transparência na deliberação e visibilidade das ações, demo-</p><p>cratizando o sistema decisório;</p><p>� Permite maior expressão e visibilidade das demandas sociais, provo-</p><p>cando um avanço na promoção da igualdade e da equidade nas políticas</p><p>públicas; e</p><p>� Permeia as ações estatais na defesa e alargamento de direitos, demanda</p><p>ações e é capaz de executá-las no interesse público, por meio de inúmeros</p><p>movimentos e formas de associativismo.</p><p>Dessa forma, a participação social possui também papel relevante no que</p><p>diz a respeito à expressão de demandas. A Figura 2 mostra outras formas de</p><p>participação social.</p><p>Figura 2. Instrumentos de democracia participativa.</p><p>Fonte: Nassif (2014).</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas4</p><p>Mobile User</p><p>Mobile User</p><p>Os conselhos de políticas públicas são instâncias vinculadas a órgãos do</p><p>Poder Executivo, cuja finalidade maior é permitir a participação da sociedade</p><p>na formulação, fiscalização e controle das políticas públicas, nos âmbitos</p><p>nacional, estadual e municipal, nas mais diversas áreas. Os conselhos são</p><p>espaços onde interesses podem ser expressados e negociações estabelecidas,</p><p>por meio de debates e decisões sobre políticas setoriais, ou seja, a inserção</p><p>de novos temas e atores sociais na agenda política são permitidos. Assim,</p><p>são considerados espaços híbridos, onde o poder de decisão é compartilhado</p><p>por Estado e sociedade civil, em fóruns públicos, que acontecem com certa</p><p>regularidade e continuidade dos trabalhos, para captação de demandas e</p><p>pactuação de interesses específicos (AVRITZER; PEREIRA, 2005). Dessa</p><p>forma, os conselhos exercem impactos sobre as políticas públicas, uma vez</p><p>que são canais de ampliação da articulação do Estado com os diversos atores</p><p>sociais, na definição de prioridades para a agenda política, bem como na</p><p>formulação, acompanhamento e controle dessas políticas.</p><p>Em 2010, funcionavam no Brasil 61 conselhos nacionais com participação social,</p><p>sendo 45% de representação do Estado e 55% de representação da sociedade civil</p><p>(ALMEIDA, 2010).</p><p>Cabe destacar que os conselhos de saúde, de assistência social e de direitos</p><p>da criança e do adolescente foram criados a partir da regulamentação dessas</p><p>políticas (BRASIL, 1988). Outros foram surgindo conforme demandas da</p><p>sociedade em áreas que ainda não possuíam sistemas ou institucionalidades</p><p>específicas. Na Figura 3 você observa a composição do Conselho Nacional</p><p>de Saúde (CNS).</p><p>5O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>Mobile User</p><p>Figura 3. Composição do Conselho Nacional de Saúde (CNS).</p><p>Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (2010).</p><p>O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) é um órgão de deli-</p><p>beração colegiada superior, vinculado à estrutura federal do Estado, institu-</p><p>ído pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Dentre suas principais</p><p>competências estão a aprovação da Política Nacional de Assistência Social</p><p>(PNAS) e a normatização de ações e regulação da prestação de serviços de</p><p>natureza pública e privada no campo da assistência social.</p><p>A Lei n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, dispõe sobre a organização da Assistência</p><p>Social e dá outras providências (BRASIL, 1993).</p><p>O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CO-</p><p>NANDA) é um órgão colegiado permanente de caráter deliberativo e tem como</p><p>principais finalidades integrar e articular os conselhos estaduais, distrital e</p><p>municipais e conselhos tutelares, bem como os diversos conselhos setoriais,</p><p>órgãos estaduais e municipais e entidades não governamentais e cooperar</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas6</p><p>Mobile User</p><p>Mobile User</p><p>com organismos governamentais e não governamentais, nacionais e interna-</p><p>cionais, além de convocar a Conferência Nacional dos Direitos da Criança e</p><p>do Adolescente a cada dois anos.</p><p>Acesse o link ou o código a seguir e leia a Lei n. 8.069,</p><p>de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto</p><p>da Criança e do Adolescente e dá outras providências</p><p>(BRASIL, 1990).</p><p>https://goo.gl/UdwKV</p><p>As conferências de políticas públicas são espaços democráticos de par-</p><p>ticipação e deliberação, onde diferentes setores da sociedade se reúnem para</p><p>avaliar, discutir, criticar e propor novas políticas públicas. Elas são convo-</p><p>cadas por decreto federal, estadual ou municipal, dependendo da esfera em</p><p>que acontecem. Os temas e objetivos devem ser detalhados e as comissões</p><p>organizadas. Cronogramas e regulamentos para a implantação das reuniões</p><p>regionais e para as eleições de delegados devem ser estabelecidos e constar no</p><p>referido decreto. Nesse sentido, as conferências exigem esforços diferenciados,</p><p>tanto de mobilização social quanto de constituição da representação em torno</p><p>da definição de uma determinada política pública.</p><p>A VIII Conferência Nacional da Saúde, realizada em março de 1986, é</p><p>considerada um marco. Foi a primeira Conferência Nacional da Saúde com a</p><p>participação da sociedade e que teve como resultado o Sistema Unificado e</p><p>Descentralizado de Saúde (SUDS), num convênio entre o Instituto Nacional</p><p>de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) e os governos esta-</p><p>duais. Essa conferência teve como eixos temáticos: a saúde como direito; a</p><p>reformulação do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e o financiamento do setor.</p><p>Dentre as várias políticas públicas propostas em conferências nacionais</p><p>estão o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o Programa Nacional dos</p><p>Direitos Humanos (PNDH), a criação do Conselho das Cidades (CONCIDADES),</p><p>a institucionalização do Estatuto do Idoso, o Plano Nacional de Erradicação do</p><p>Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador, entre outros.</p><p>7O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>As conferências nacionais, estaduais e municipais da saúde e da assistência social são</p><p>regulamentadas por leis ou por decreto do Poder Executivo, e existem ainda aque-</p><p>las que não possuem instrumentos de institucionalização obrigando sua realização</p><p>(ROCHA, 2008).</p><p>Veja os demais canais de participação social (BRASIL,</p><p>2014a):</p><p>� Comissão de políticas públicas: instância colegiada temática criada</p><p>para permitir o diálogo entre governo e sociedade civil acerca de objeti-</p><p>vos específicos, com prazo de funcionamento vinculado ao cumprimento</p><p>de suas finalidades;</p><p>� Ouvidoria pública federal: instância de controle e participação social</p><p>responsável por tratar as reclamações, solicitações, denúncias, sugestões</p><p>e elogios relacionados às políticas e aos serviços públicos prestados. É</p><p>essencial para melhorar a qualidade do serviço público e, consequen-</p><p>temente, da gestão pública;</p><p>� Mesas de negociação e diálogo: instâncias de discussão e construção</p><p>de propostas para temas específicos, com a participação dos setores</p><p>da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de</p><p>prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais;</p><p>� Fórum interconselhos: espaço que permite o diálogo entre repre-</p><p>sentantes dos conselhos e comissões de políticas públicas, visando</p><p>o acompanhamento das políticas públicas e dos programas gover-</p><p>namentais, fornecendo recomendações para aprimoramento de sua</p><p>intersetorialidade e transversalidade;</p><p>� Audiência pública: possibilita o diálogo com o objetivo de buscar</p><p>soluções para as demandas sociais ao longo da discussão sobre obras</p><p>e políticas públicas;</p><p>� Consulta pública: mecanismo de participação que possibilita a qualquer</p><p>interessado realizar consulta sobre determinado assunto, com prazos e</p><p>formas definidas no ato de convocação;</p><p>� Ambiente virtual: permite a interação social por meio de tecnologias de</p><p>informação e de comunicação, em especial a internet, para a promoção</p><p>do diálogo entre o Estado e a sociedade civil.</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas8</p><p>Mobile User</p><p>O portal Dialoga Brasil é um exemplo de ambiente virtual de participação, criado</p><p>nos modelos das mídias sociais de internet, pela Secretaria Geral da Presidência da</p><p>República, para que a sociedade civil possa participar em temas de importância para</p><p>o governo federal (BRASIL, 2014a).</p><p>Principais impactos na formulação</p><p>de políticas públicas</p><p>A ampliação dos espaços de participação popular, permitindo que a sociedade</p><p>atue em conjunto com o Estado na elaboração, implementação e fiscalização</p><p>das políticas públicas, tem contribuído para aumentar a eficácia e abrangência</p><p>das ações públicas. Esses espaços têm permitido aos atores sociais localizarem</p><p>e apresentarem suas demandas, aproximando-os de legisladores e formuladores</p><p>de políticas públicas. Um grande avanço se deu com a criação de espaços</p><p>concretos de participação da sociedade no processo de políticas públicas,</p><p>desde sua elaboração até sua execução, por meio de conselhos municipais,</p><p>estaduais e federais (ROCHA, 2008).</p><p>As relações entre Estado e sociedade nas políticas públicas, por meio dos</p><p>canais de participação social, geram impactos positivos como o aprofunda-</p><p>mento e consolidação da democracia em nosso país. A elaboração das políticas</p><p>públicas torna-se mais eficiente uma vez que a participação dos cidadãos</p><p>na vida pública pode torná-los aptos a intervir nos processos de discussão e</p><p>deliberação de seus interesses, tendo suas demandas atendidas, o que contribui</p><p>para o desenvolvimento da sociedade, redução das desigualdades sociais e</p><p>políticas e, consequentemente, para a democratização da gestão pública.</p><p>A ampliação da estrutura de participação social no âmbito nacional (conselhos</p><p>e conferências nacionais) proporcionou aumento de políticas públicas em áreas</p><p>de tradição participativa, como saúde, assistência social e meio ambiente. A</p><p>expansão dos conselhos e conferências municipais de políticas públicas para</p><p>médias e pequenas cidades do Brasil proporcionou a inclusão de temas novos</p><p>ou de menor tradição participativa, como, por exemplo, a garantia de direitos</p><p>e proteção. Além disso, proporcionou a essas cidades forte protagonismo, não</p><p>só na vida política como na vida econômica, social, cultural e nos meios de</p><p>comunicação, melhorando seu desempenho administrativo, ampliando o acesso</p><p>aos serviços públicos, permitindo o aumento do acesso da população de baixa</p><p>9O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>renda a bens públicos. Houve também melhoria significativa da administração</p><p>fiscal nas cidades com uma maior presença das políticas participativas; menor</p><p>incidência de corrupção devido às experiências exitosas de orçamento participa-</p><p>tivo e fiscalização dos recursos públicos, fortalecendo a governabilidade local.</p><p>O desempenho na implementação de políticas sociais nas áreas de saúde e</p><p>educação melhorou, outros programas foram criados, bem como a revisão de</p><p>normas de operação de sistemas nacionais. Houve aumento de leis e decretos</p><p>presidenciais que refletem as diretrizes de conferências nacionais, evidenciando</p><p>a influência da participação social no ciclo de formulação de políticas públicas</p><p>(POGREBINSCHI, 2013).</p><p>A participação social contribui para a criação de novos vínculos e estimula as</p><p>redes de confiança e solidariedade entre atores que antes atuavam sem conexão.</p><p>Dessa forma, houve um fortalecimento dos canais de inclusão da sociedade e de</p><p>seus cidadãos nos processos de produção das políticas públicas, o que explica a</p><p>melhoria dos indicadores econômicos e sociais do país. Essa inclusão da socie-</p><p>dade nesses canais permite melhores condições de disputa e acaba funcionando</p><p>como um informante confiável e qualificado auxiliando a ação parlamentar.</p><p>Acesse o link ou o código a seguir para obter informações</p><p>sobre a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o</p><p>Sistema Nacional de Participação Social (SNPS) no Decreto</p><p>nº 8.243, de 23 de maio de 2014 (BRASIL, 2014b).</p><p>https://goo.gl/IW8OQ8</p><p>No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 ter regulamentado a</p><p>participação da sociedade civil nas três esferas de governo (municipal, estadual</p><p>e federal), instituído vários mecanismos para tal e, de a participação exercer</p><p>forte influência na formulação e implementação de políticas públicas, ainda</p><p>existem desafios a serem enfrentados. É preciso fortalecer os mecanismos</p><p>institucionais que garantam o acesso aos processos de tomada de decisão,</p><p>visto que o sistema político representativo em vigor, em sua grande maioria, e</p><p>principalmente em sociedades contemporâneas, ainda atua como fator inibidor</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas10</p><p>Mobile User</p><p>da participação dos cidadãos na esfera da administração pública, dificultando</p><p>o atingimento de um nível satisfatório na relação entre Estado e sociedade</p><p>civil (BENEVIDES, 1991; HABERMAS 1997).</p><p>Aqui no Brasil, apesar dos espaços instituídos legalmente para a partici-</p><p>pação social nas políticas públicas e dos indiscutíveis avanços quantitativos</p><p>observados nos últimos anos, o governo ainda tem dificuldade de aprofundar</p><p>a democracia, ou seja, o país enfrenta vários desafios para a consolidação da</p><p>participação social, principalmente no que diz respeito à melhoria da qualidade</p><p>e da efetividade dos espaços de participação social (ROCHA, 2008).</p><p>O Participa.br é uma plataforma criada para ampliar o diálogo entre o governo federal</p><p>e a sociedade civil. Estruturada com as redes sociais, permite ainda o lançamento de</p><p>consultas, debates, conferências, enquetes e transmissão de eventos online (BRASIL,</p><p>2014a).</p><p>Apesar de hoje o país contar com mais de 60 mil conselhos municipais;</p><p>dezenas de conselhos nacionais; centenas de conselhos estaduais e mais de</p><p>uma centena de conferências nacionais realizadas, os espaços de participação</p><p>como arenas democráticas e legítimas, de formulação, acompanhamento e</p><p>controle das ações do Estado ainda não são reconhecidos por grande parte da</p><p>sociedade. É necessária uma maior divulgação dos canais de diálogo existentes</p><p>e aumentar a confiança da sociedade nas instituições e nos partidos políticos.</p><p>Outros problemas identificados nos conselhos subnacionais são a elitização dos</p><p>conselheiros</p><p>e não participação destes no cotidiano dos conselhos, e o baixo</p><p>poder de decisão em relação às suas pastas (TATAGIBA, 2002; SANTOS</p><p>JÚNIOR; AZEVEDO E RIBEIRO, 2004; FUKS, 2004 apud BRASIL, 2014a).</p><p>Você pode notar que muitos ajustes ainda são necessários para que as</p><p>deliberações da sociedade civil sejam encaminhadas corretamente aos setores</p><p>apropriados da administração pública federal e se materializem em medidas</p><p>e políticas públicas adequadas à população. No entanto, uma coisa é certa, é</p><p>preciso uma mudança na cultura política brasileira, capaz de redefinir e alterar</p><p>as relações entre Estado e sociedade.</p><p>11O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>ALMEIDA, G. A participação social no governo federal. In: SILVA, E. M.; CUNHA, E. S. M.</p><p>(Org.). Experiências internacional de participação. São Paulo: Cortez, 2010. p. 133-146.</p><p>AVRITZER, L.; PEREIRA, M. L. D. Democracia, participação e instituições híbridas.</p><p>Teoria e sociedade: Instituições Híbridas e Participação no Brasil e na França, n. esp.,</p><p>p. 16- 41, 2005.</p><p>BENEVIDES, M. V. A cidadania ativa: referendo, plebiscito e iniciativa popular. São</p><p>Paulo: Ática, 1991.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da</p><p>República, 1988.</p><p>BRASIL. Decreto nº 8243, de 23 de maio de 2014. Institui a Política Nacional de Partici-</p><p>pação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social - SNPS, e dá outras</p><p>providências. Brasília: Presidência da República, 2014b.</p><p>BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1990.</p><p>BRASIL. Lei nº 8742, de 7 de dezembro de 1993. Dispõe sobre a organização da Assistência</p><p>Social e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1993.</p><p>BRASIL. Participação social no Brasil: entre conquistas e desafios. Brasília: Secretaria-</p><p>-Geral da Presidência da República, 2014a.</p><p>HABERMAS, J. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo</p><p>Brasileiro, 1997. v. 1.</p><p>INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Estado, instituições e democracia:</p><p>democracia. Brasília: IPEA, 2010. v. 2, livro 9.</p><p>NASSIF, L. A verdade sobre o decreto de Dilma. [S.l.]: Pragmatismo Político, 2014. Dis-</p><p>ponível em: <https://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/06/verdade-sobre-o-</p><p>-decreto-de-dilma.html>. Acesso em: 23 nov. 2017.</p><p>OBSERVATÓRIO DA SOCIEDADE CIVIL. Site. São Paulo: Observatório da Sociedade Civil,</p><p>[2017?]. Disponível em: <https://observatoriosc.wordpress.com/tag/sociedade-civil/>.</p><p>Acesso em: 23 nov. 2017.</p><p>13O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas</p><p>POGREBINSCHI, T. Conferências nacionais e políticas públicas para grupos mino-</p><p>ritários. In: AVRITZER, L.; SOUZA, C. (Org.). Conferências nacionais: atores, dinâmicas</p><p>participativas e efetividade. Brasília: IPEA, 2013.</p><p>ROCHA, E. A Constituição Cidadã e a institucionalização dos espaços de participação</p><p>social: avanços e desafios. In: VAZ, F. T.; MUSSE, J. S.; SANTOS, R. F. 20 anos da Constituição</p><p>Cidadã: avaliação e desafios da seguridade social. Brasília, 2008. cap. 2, p. 131- 148.</p><p>SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Políticas públicas:</p><p>conceitos e práticas. Belo Horizonte: Sebrae/MG, 2008.</p><p>SILVA, V. R. et al. Controle social no Sistema Único de Assistência Social: propostas,</p><p>concepções e desafios. Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 7, n. 2, p. 250-265, 2009.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>AVRITZER, L. Modelos de sociedade civil: uma análise específica do Caso Brasileiro. In:</p><p>AVRITZER, L. (Coord.). Sociedade civil e democratização. Belo Horizonte: Del Rey, 1994.</p><p>DIEGUES, G. C. O controle social e participação nas políticas públicas: o caso dos</p><p>conselhos gestores municipais. Revista NAU Social, Salvador, v. 4, n. 6, p. 82-93, maio/</p><p>out. 2013.</p><p>INSTITUTO POLIS. Governança democrática no Brasil contemporâneo: estado e</p><p>sociedade na construção de políticas públicas. Arquitetura da participação no Brasil:</p><p>avanços e desafios. [S.l.]: Instituto Pólis, 2011.</p><p>ROCHA, R. A gestão descentralizada e participativa das políticas públicas no Brasil.</p><p>Revista Pós Ciências Sociais, São Luís, v. 1, n. 11, 2009. Disponível em: <http://www.ppg-</p><p>csoc.ufma.br/index.php?option=com_content&view=article&id=318&Itemid=114>.</p><p>Acesso em: 23 nov. 2017.</p><p>SANTOS, A. Construção das políticas públicas: processos, atores e papéis. Participação</p><p>Cidadã. [S.l.]: Instituto Polis, 2014.</p><p>O impacto das relações entre Estado e sociedade na formulação de políticas públicas14</p><p>Dica do professor</p><p>Quando a Política Pública é debatida e elaborada por meio da participação social, utilizando os</p><p>canais específicos para tal, as chances de as necessidades serem atendidas com eficácia são muito</p><p>maiores. Acompanhe no vídeo o que são as conferências e sua importância na construção e no</p><p>acompanhamento de políticas públicas. Veja também os principais passos para a realização de uma</p><p>conferência municipal e os principais aspectos envolvidos nessa movimentação.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/b593375d027f06ef9d0165fd96ec1c28</p><p>Exercícios</p><p>1) Como são chamados os grupos que integram o sistema político demandando ou executando</p><p>ações que podem ser transformadas em políticas públicas?</p><p>A) Atores.</p><p>B) Sociedade.</p><p>C) Políticos.</p><p>D) Grupos de pressão.</p><p>E) Movimentos sociais.</p><p>2) Os espaços considerados como híbridos, onde o poder de decisão é compartilhado por</p><p>Estado e sociedade civil, em fóruns públicos, que acontecem com certa regularidade e</p><p>continuidade dos trabalhos, para captação de demandas e pactuação de interesses</p><p>específicos, são chamados de:</p><p>A) Senado.</p><p>B) Conselhos.</p><p>C) Câmara.</p><p>D) Mesa redonda.</p><p>E) Audiência pública.</p><p>3) O canal de participação social onde diferentes setores da sociedade se reúnem para avaliar,</p><p>discutir, criticar e propor novas políticas públicas e que necessita de convocação por</p><p>Decreto é chamado de:</p><p>A) Mesa de diálogo.</p><p>B) Conversação.</p><p>C) Consulta pública.</p><p>D) Conselho.</p><p>E) Conferências.</p><p>4) Dentre os canais de participação social, aquele que tem por finalidade o controle das ações</p><p>púbicas, por meio do tratamento de reclamações, solicitações, denúncias, sugestões e</p><p>elogios relacionados às políticas e aos serviços públicos prestados, é o seguinte:</p><p>A) Fórum interconselho.</p><p>B) Comissão de políticas públicas.</p><p>C) Mesas de negociação.</p><p>D) Ouvidoria pública federal.</p><p>E) Ambiente virtual de participação.</p><p>5) Apesar de gerar muitos impactos positivos na sociedade, a participação social no Brasil ainda</p><p>enfrenta alguns desafios que devem ser superados para que a relação entre Estado e</p><p>sociedade atinja um nível satisfatório. Dentre os problemas identificados nos conselhos</p><p>subnacionais, podemos destacar:</p><p>A) Elitização dos conselheiros.</p><p>B) Falta de diálogo.</p><p>C) Ilegitimidade dos canais.</p><p>D) Ausência de propostas.</p><p>E) Problemas de tomada de decisão.</p><p>Na prática</p><p>A partir da Constituição Federal de 1988, houve uma participação popular mais significativa no</p><p>processo das políticas públicas, de tal forma que estas foram construídas na forma de coprodução</p><p>entre o Estado e a sociedade.</p><p>Você sabia que esse processo de vínculo, confiança, responsabilidades mútuas e decisões</p><p>compartilhadas entre o Estado e a sociedade chega até a instituição em que você estuda?</p><p>A Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação</p><p>Superior - SINAES, com o objetivo de assegurar o processo nacional de avaliação das instituições</p><p>de educação superior, dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para</p><p>acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/8fc6041f-4a62-4921-90fe-ea7f0f250746/508f8102-6b60-4747-bfd7-c9e02f2ad59e.jpg</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Dialoga Brasil</p><p>Conheça o canal que estimula a participação da sociedade para melhorar propostas e programas do</p><p>governo.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Conselhos Gestores de Políticas Públicas: relações entre estado</p><p>e sociedade civil no contexto local</p><p>Neste link, você terá acesso ao artigo Conselhos Gestores de Políticas Públicas: relações entre</p><p>estado e sociedade civil no contexto local, que visa a analisar as relações entre Sociedade Civil e</p><p>Estado com vistas à promoção social no Município de Viçosa/MG.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Aferindo a capacidade de influência das conferências de</p><p>políticas públicas sobre os programas das respectivas políticas</p><p>setoriais</p><p>O artigo tenta propor um método para aferir a capacidade de influência de conferências sobre as</p><p>respectivas políticas setoriais pela comparação entre o conteúdo das propostas nelas aprovadas e o</p><p>conteúdo dos programas elaborados após o processo conferencial.</p><p>http://www.dialoga.gov.br/</p><p>https://www.researchgate.net/publication/309385923_CONSELHOS_GESTORES_DE_POLITICAS_PUBLICAS_RELACOES_ENTRE_ESTADO_E_SOCIEDADE_CIVIL_NO_CONTEXTO_LOCAL</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>http://www.scielo.br/pdf/op/v21n3/1807-0191-op-21-3-0643.pdf</p>