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<p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>INTERPRETAÇÃO DA LEI</p><p>I - GENERALIDADES</p><p>1. Aspetos relevantes</p><p>A interpretação da lei desdobra-se nos seguintes aspetos:</p><p>- finalidade da interpretação: descobrir se a interpretação visa descobrir a intenção do</p><p>legislador ou o significado objetivo da lei;</p><p>- seleção dos elementos de interpretação;</p><p>- inferência da regra jurídica: há que conjugar os vários elementos da interpretação</p><p>para saber a que casos é que a lei é aplicável; é assim é que se obtém o resultado da</p><p>interpretação da lei, i.e, a inferência de uma regra jurídica da lei interpretada.</p><p>2. Caráter normativo</p><p>A interpretação responde à pergunta “Como é que uma lei deve ser interpretada?”, daí o</p><p>seu caráter normativo. Ao caráter normativo da interpretação geral da lei acresce o</p><p>recurso a regras específicas de interpretação da lei (cf. Art.9º CC). É por esta razão qur</p><p>conhecer como é que a lei é interpretada NUNCA prejudica a questão de saber como é</p><p>que ela deve ser interpretada.</p><p>II – FINALIDADES DA INTERPRETAÇÃO</p><p>1. Generalidades</p><p>1.1. Subjetivismo</p><p>Segundo esta orientação, a finalidade da interpretação é a reconstituição da intenção do</p><p>legislador subjacente à produção da lei.</p><p>1.2. Objetivismo</p><p>A finalidade da interpretação é a determinação do significado objetivo da lei, qualquer</p><p>que tenha sido a intenção do legislador.</p><p>➔ Esta dicotomia (objetivismo VS subjetivismo) reveste-se da máxima</p><p>importância quando a intenção do legislador NÃO COINCIDIR com o</p><p>significado objetivo da lei.</p><p>➔ Na orientação subjetivista irá prevalecer o legislador, enquanto que na</p><p>orientação objetivista será o intérprete.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>1.3. Semântica VS Pragmática</p><p>A opção entre subjetivismo e objetivismo é também uma grande opção entre a a</p><p>semântica e a pragmática. O subjetivismo fica-se pelo legislador, esgotando-se na</p><p>dimensão semântica. O objetivismo orienta-se por aquilo que pode ser feito, movendo-</p><p>se numa dimensão pragmática.</p><p>1.4. Orientações objetivistas</p><p>A favor das correntes objetivistas é frequente argumentar com a igualdade perante a lei</p><p>(art.13º/1 CRP) porque a investigação sobre a vontade do legislador exige um esforço e</p><p>uma preparação que não está ao alcance de todos. Invoca-se também a impossibilidade</p><p>de determinar a intenção do legislador histórico.</p><p>É necessário assegurar a integração da lei no ambiente social, não o ambiente quando a</p><p>lei foi criada, mas o ambiente em que a lei vale no momento. A lei deve libertar-se do</p><p>legislador e passar a valer com um significado objetivo adequado às circunstâncias</p><p>económicas, sociais e culturais no momento da interpretação. Também quando há</p><p>alteração de um significado de uma palavra, deve-se atender ao seu significado atual.</p><p>Em todo o caso, a interpretação subjetivista encontra-se excluída no art.9º/2 CC,</p><p>segundo o qual o que conta é o que está expresso na lei. Esta prevalência significa que o</p><p>intérprete não tem de procurar a intenção do legislador, e por isso a competência para</p><p>interpretar não coincide com a competência para legislar. O poder jurisdicicional</p><p>prevalece sobre o legislativo porque o direito não é o que o legislador quis que fosse,</p><p>mas o que o juiz considera que é. Elas não impedem que o significado objetivo da lei</p><p>coincida com a intenção do legislador, mas se tal não acontecer prevalece o primeiro.</p><p>Quanto mais antiga for a lei mais provável é que ela se afaste da intenção do legislador.</p><p>Surgem novos ambientes políticos, económicos e culturais ao longo do tempo que</p><p>modificam o significado que foi originalmente dado à lei, podendo acontecer que o</p><p>significado atual seja mais amplo ou restrito do que aquele que corresponde à intenção</p><p>do legislador histórico.</p><p>No Direito português, há uma certa ambiguidade – o art. 9º/1 CC determina que a</p><p>interpretação tem por finalidade a reconstituição do pensamento legislativo a partir do</p><p>texto da lei. Esta expressão pode significar tanto o pensamento do legislador como o</p><p>pensamento da lei.</p><p>1. Subjetivista historicista - significado da lei é aquele que o legislador lhe deu no</p><p>momento da sua elaboração;</p><p>2. Subjetivista atualista – significado da lei é aquele que o legislador lhe daria se</p><p>tivesse de legislar na atualidade;</p><p>3. Objetivista historicista – significado da lei é aquele que ela tinha no momento da</p><p>sua criação;</p><p>4. Objetivista atualista – significado da lei é aquele que ela tem na atualidade.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>O art.9º/1 CC consagra uma orientação atualista prospetiva: o significado que o</p><p>intérprete deve atribuir à lei é aquele que ela possui no momento da interpretação e não</p><p>da sua criação. O pensamento legislativo é então o pensamento da lei, porque esta é</p><p>uma orientação objetivista.</p><p>A finalidade da interpretação é aplicar a lei e encontrar a sua razão de ser como</p><p>elemento de um raciocínio prático.</p><p>III – ELEMENTOS DA INTERPRETAÇÃO</p><p>Segundo Savigny:</p><p>- elemento gramatical (ou sentido literal da lei);</p><p>- elemento lógico (ou a construção lógica lei);</p><p>- elemento sistemático (ou a conexão sistemática existente entre as diversas regras que</p><p>constam da lei);</p><p>- elemento histórico (circunstância que motivou a elaboração da lei).</p><p>2. Enunciado</p><p>Apesar de o art.9º CC se referir à interpretação da lei, o que nele se dispõe é aplicável a</p><p>qualquer lei em sentido material, pelo que também, vale para os atos de caráter</p><p>regulamentar.</p><p>Importa igualmente esclarecer que o que vale para a interpretação da lei vale, mutatis</p><p>mutandis (mudando o que tem de ser mudado), para a interpretação de cada um dos seus</p><p>preceitos.</p><p>Há que mencionar que, como a regra jurídica é o resultado da interpretação, não é</p><p>correto falar da interpretação da regra.</p><p>Art.9º/1 CC → opõe a letra da lei ao pensamento legislativo e impõe a reconstituição</p><p>deste pensamento com fundamento no elemento histórico, sistemático e teleológico.</p><p>É importante distinguir entre uma hierarquia relativa ao método da interpretação e uma</p><p>hierarquia respeitante ao resultado da interpretação:</p><p>- Quanto à 1ª, a interpretação deve reconstituir o pensamento legislativo a partir dos</p><p>textos, o que permite concluir que o elemento gramatical tem primazia sobre os não</p><p>literais.</p><p>- Quanto à 2ª, os elementos não literais prevalecem sobre o gramatical.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>IV – SIGNIFICADO LITERAL</p><p>1. Concretização do elemento</p><p>O elemento literal da interpretação comporta uma dimensão sintática - respeita à</p><p>estrutura gramatical da lei e considera-a na totalidade do seu enunciado - e uma</p><p>dimensão semântica – refere-se ao significado das palavras utilizadas na lei no</p><p>contexto da sua estrutura.</p><p>1.2. Dimensão semântica</p><p>Na determinação do significado literal da lei, há que observar certas regras</p><p>nomeadamente:</p><p>- a de que o intérprete não deve deixar de atribuir um significado a todas as expressões</p><p>da lei;</p><p>- há que evitar a atribuição de significados incompatíveis, i.e, que não respeitem</p><p>relações de implicação ou de equivalência entre palavras ou expressões OU que são</p><p>atribuídos a palavra ou expressões iguais ou semelhantes;</p><p>- são irrelevantes, em regra, quer o género, quer o número.</p><p>IMPORTANTE: Há que distinguir as palavras da linguagem jurídica, da linguagem</p><p>técnica e da linguagem corrente. Por exemplo, as palavras próprias da linguagem</p><p>jurídica como cumprimento e declaração de vontade devem ser interpretadas com o</p><p>significado que elas possuem no direito em geral ou no respetivo ramo do direito</p><p>em que se insere a lei interpretada, daí a relevância das definições legais. Também</p><p>ocorre haver aceções jurídicas diferentes para a mesma palavra em distintos ramos</p><p>jurídicos.</p><p>2. Valor da letra</p><p>2.1. Limites legais</p><p>A letra da lei tem um valor próprio que não pode ser ignorado pelo intérprete e que</p><p>impõe</p><p>dois limites:</p><p>- um decorre das presunções que se encontram estabelecidas no art.9º/3 CC</p><p>- o outro limite está consagrado no art.9º/2 CC</p><p>2.2. Limite mínimo</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>A letra da lei não constitui uma fronteira inultrapassável pelo resultado da interpretação,</p><p>mas antes um ponto de partida para a obtenção deste resultado.</p><p>EXEMPLO: apesar da lei se referir a comida para animais domésticos, é possível</p><p>reduzi-la à comida para gatos e, apesar da lei se referir à vacina dos cães, é possível</p><p>estendê-la à vacina de outros animais domésticos.</p><p>A conjugação da orientação objetivista com a exigência da correspondência literal</p><p>mínima atribui à interpretação uma enorme margem: esta pode ficar-se pela</p><p>confirmação do significado literal da lei, mas também pode restringir-se ou alargar esse</p><p>significado.</p><p>3. Significado provisório</p><p>O significado literal é apenas o primeiro degrau na interpretação da lei, pelo que ele é</p><p>sempre algo de provisório ou de inacabado. Esse significado fornece apenas uma</p><p>hipótese de interpretação, sendo que depois de obtido, o intérprete deve procurar a sua</p><p>corroboração ou infirmação através de elementos não literais.</p><p>V – ELEMENTO HISTÓRICO</p><p>1. Generalidades</p><p>Há que considerar aspetos objetivos e subjetivos:</p><p>- os objetivos respeitam à situação social e jurídica existente no momento da formação</p><p>da lei</p><p>- os subjetivos referem-se à intenção do legislador que produziu a lei</p><p>Encontra-se mencionado no art.9º/1 CC.</p><p>2. Aspetos objetivos</p><p>Aqui há que atender aos precedentes normativos e doutrinários, quer à occasio legis.</p><p>Os precedentes normativos respeitam os antecedentes da lei, que podem ser históricos</p><p>ou comparativos:</p><p>- os precedentes históricos referem-se às leis que antecederam a lei que se interpreta e</p><p>que esta substitui;</p><p>- os precedentes comparativos referem-se às leis vigentes em outros ordenamentos</p><p>jurídicos no momento da formação da lei.</p><p>A occasio legis respeita ao condicionalismo que rodeou a formação da lei. Toda a lei</p><p>interage com a realidade política, social, económica, cultural ou outra que existe no</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>momento da sua formação, pelo que o conhecimento desta realidade ajuda a</p><p>compreender o seu significado. A occasio legis encontra-se expressamente referida no</p><p>art.9º/1 CC.</p><p>3. Aspetos subjetivos</p><p>Referem-se à intenção do legislador. Como meios auxiliares para a determinação da</p><p>intenção do legislador há que considerar os seguintes:</p><p>- as exposições oficiais de motivos;</p><p>- os trabalhos preparatórios, que comportam os estudos que foram elaborados para a</p><p>preparação da lei, os vários anteprojetos e projetos que antecederam a sua versão final;</p><p>- discussão que ocorreu nos órgãos legislativos (por exemplo, debates parlamentares);</p><p>- preâmbulos dos diplomas legais e os relatórios explicativos das convenções</p><p>internacionais.</p><p>4. Aspeto evolutivo</p><p>Trata-se de saber qual a interpretação que tem sido dada, pela jurisprudência e pela</p><p>doutrina, a uma determinada lei após o início da sua vigência, ou seja, trata-se de</p><p>averiguar que novas necessidades, diferentes daquelas que justificaram a sua produção,</p><p>têm sido entendidas como podendo ser satisfeitas pela lei. Torna-se indispensável</p><p>conhecer a aplicação da lei.</p><p>VI – ELEMENTO SISTEMÁTICO</p><p>1. Generalidades</p><p>Este elemento decorre da orientação de que os institutos jurídicos constituem um</p><p>sistema e apenas em conexão com este sistema podem ser completamente</p><p>compreendidos, baseando-se no pressuposto de que o significado de uma lei resulta</p><p>normalmente do seu contexto, ou seja, do “conjunto de regulação dentro da qual ela</p><p>realiza uma determinada função”.</p><p>Impõe que a lei seja interpretada no respetivo ambiente sistemático, ou seja, impõe que</p><p>se passe do preceito para o texto legal que o contém, deste para o respetivo subsistema</p><p>e, finalmente, deste para o sistema o sistema jurídico. Disto se deve retirar que</p><p>NENHUMA lei deve ser interpretada isolada de outras leis com as quais ela apresenta</p><p>uma conexão sistemática.</p><p>O elemento sistemático permite resolver uma das principais dificuldades na</p><p>interpretação da lei: a da polissemia ou ambiguidade semântica das palavras.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>2. Concretização do elemento</p><p>O elemento sistemático expressa-se em duas vertentes:</p><p>- relação de contexto (o intérprete só pode interpretar a lei depois de a ter enquadrado</p><p>no conjunto mais vasto em que ela se integra);</p><p>- princípio de consistência (é tanto uma consequência da unidade do sistema jurídico,</p><p>como um postulado da construção da unidade).</p><p>Traduz-se ainda em duas regras interpretativas:</p><p>- a regra positiva impõe que o significado a atribuir à lei deve ser o que melhor se</p><p>harmoniza com outras fontes ou com outros preceitos da mesma fonte;</p><p>- a regra negativa impede que o intérprete atribua à lei um significado que não seja</p><p>consistente com outras fontes ou com outros preceitos da mesma fonte ou que seja</p><p>redundante em relação a outras fontes.</p><p>2.1. Relação de contexto</p><p>O sistema externo resulta de uma “atividade ordinatória do investigador” através da</p><p>construção de conceitos ordinatórios, de divisões e da ordem do tratamento das</p><p>matérias.</p><p>No enquadramento sistemático torna-se necessário distinguir entre o contexto vertical e</p><p>horizontal:</p><p>- o contexto vertical respeita à conexão da lei com outras leis de hierarquia superior</p><p>sobre a mesma matéria;</p><p>- o contexto horizontal refere-se à conexão da lei com outras leis da mesma hierarquia</p><p>sobre idêntica matéria.</p><p>2.2. Princípio da consistência</p><p>Decorre da unidade do sistema jurídico. Para este efeito revela o chamado sistema</p><p>interno, ou seja, o sistema que corresponde às conexões materiais e a uma ordem</p><p>imanente.</p><p>Ele vale num duplo sentido, dado que é indispensável tanto para encontrar o significado</p><p>da lei na unidade do sistema jurídico, como para encontrar significados da lei da</p><p>unidade do sistema jurídico, como para afastar significados incompatíveis com essa</p><p>unidade.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>VII – ELEMENTO TELEOLÓGICO</p><p>(retirado da sebenta de Catarina Candeias)</p><p>Este elemento é respeitante à finalidade da lei. Procura determinar-se, através deste</p><p>elemento, quais são os objetivos que a lei pode prosseguir. Ele procura encontrar a</p><p>finalidade que justifica a vigência da lei, impondo ao intérprete que procure descobrir a</p><p>ratio legis (o entendimento de que a fonte não prossegue a realização de nenhuns fins) e</p><p>utilizá-la na determinação do espírito da lei.</p><p>É necessário primeiro compreender o que a estatuição da lei (o que ela proibe, permite</p><p>ou obriga) para determinar a finalidade por ela prosseguida. Para tal deve-se considerar</p><p>o enquadramento sistemático da lei porque o que a lei estatui só pode, muitas vezes, ser</p><p>entendido dentro do seu contexto.</p><p>A teleologia da lei pode ser considerada numa:</p><p>Perspetiva historicista</p><p>- subjetivista onde o intérprete tem de procurar encontrar a finalidade com que o</p><p>legislador intentava prosseguir com a lei;</p><p>- objetivista ou a finalidade que a lei podia realizar no momento da sua</p><p>elaboração;</p><p>Perspetiva atualista</p><p>- O intérprete tem de atribuir à lei um significado correspondente à finalidade que ela</p><p>pode realizar no momento da sua interpretação.</p><p>O art.9º/1 CC indica-nos que devem ser observadas as condições específicas do tempo</p><p>em que a lei é aplicada. Por isso, o direito positivo impõe uma teleologia objetiva e</p><p>atualista, dado que é ela que permite determinar a finalidade da lei através da análise das</p><p>circunstâncias políticas, sociais, económicas e culturais no momento da sua</p><p>interpretação.</p><p>A interpretação da lei deve considerar os princípios materiais e formais do sistema</p><p>jurídico e do respetivo subsistema em</p><p>que ela se insere. O intérprete deve procurar</p><p>descobrir o princípio formal ou material que fundamenta a lei e visar a sua otimização</p><p>através da interpretação.</p><p>A melhor interpretação é aquela que conseguir a melhor otimização do princípio que</p><p>está subjacente à lei.</p><p>Introdução ao Estudo do Direito II</p><p>Matilde Pinhol</p><p>Pode ainda acontecer que o intérprete se depare com a dificuldade de determinar o</p><p>princípio, e nessa escolha é-lhe exigida uma ponderação entre os princípios de justiça,</p><p>confiança e eficiência, escolhendo ele o que melhor se adequar aos interesses que a lei</p><p>visa proteger.</p><p>Consequência: havendo duas ou mais teleologias possíveis, há que evitar aquelas que</p><p>sejam incompatíveis com o sistema, e escolher a que melhor se coadunar com esse</p><p>mesmo. Assim, a interpretação que melhor se adequar ao sistema é a que lhe acrescenta</p><p>geralmente algo, ou seja, é uma interpretação que permite proteger interesses que antes</p><p>dessa lei não se encontravam tutelados.</p><p>Experiência: este elemento exige frequentemente o recurso à experiência de vida</p><p>quotidiana, porque ela atribui ao intérprete o indispensável background de vivência que</p><p>lhe permite realizar a interpretação da lei de acordo com parâmetros que melhor</p><p>correspondam à normalidade da vida em sociedade.</p><p>Importância: é o elemento que permite controlar a correção da interpretação e é</p><p>também o que mais apela ao intérprete, porque permite-lhe utilizar valores éticos,</p><p>políticos, culturais e económicos na procura da otimização dos princípios subjacentes à</p><p>lei interpretada.</p><p>É através dele que se descobrem as situações de fraude à lei, que são artificialmente</p><p>criadas pelos interessados para evitar a aplicação da lei.</p><p>A finalidade encontrada pelo intérprete na lei tem de ser valorada como positiva porque,</p><p>salvo em casos extremos raramente vistos num Estado de direito, o intérprete não tem a</p><p>faculdade de deixar de aplicar a lei.</p><p>VIII- CONJUGAÇÃO DOS ELEMENTOS</p><p>Nenhum dos elementos da interpretação é suficiente em si mesmo para determinar o</p><p>significado da lei, mas cada um deles dá um contributo para essa determinação. A</p><p>interpretação da fonte resulta da conjugação de cada um destes contributos. O art.9º/1</p><p>CC, ao impor que o intérprete reconstitua o pensamento legislativo a partir do texto da</p><p>lei, mostra que pode haver oposição entre o elemento literal e os elementos não literais,</p><p>mas não entre cada um destes últimos.</p><p>Assim, deve o intérprete escolher a interpretação que, dentro dos limites impostos pela</p><p>correspondência mínima com a letra da lei e com o apoio na justificação histórica da lei,</p><p>melhor se integrar no sistema jurídico e melhor se adequar às necessidades sociais.</p>

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