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<p>EMBRIOLOGIA</p><p>DESENVOLVIMENTO CRANIOFACIAL – Aparelho Faríngeo</p><p>• O aparelho faríngeo é constituído por arcos faríngeos, bolsas faríngeas, sulcos faríngeos e</p><p>membranas faríngeas.</p><p>ARCOS FARÍNGEOS: ou arcos branquiais – termo antigo, pois as estruturas se assemelham às brânquias de</p><p>um peixe –, começam a se desenvolver no início da 4ª semana, quando as células da crista neural, derivadas</p><p>do processo de neurulação, migram do metencéfalo para a futura região da cabeça e do pescoço. Cada arco faríngeo é</p><p>constituído por um eixo de mesênquima (tecido conjuntivo embrionário indiferenciado), recoberto externamente por</p><p>ectoderma e internamente por endoderma.</p><p>• O primeiro par de arcos faríngeos, o primórdio da mandíbula e da maxila, aparece como</p><p>elevações superficiais laterais à faringe em desenvolvimento. Logo aparecem outros</p><p>arcos como cristas arredondadas, dispostas obliquamente a cada lado da futura região</p><p>da cabeça e do pescoço. Ao final da quarta semana, quatro pares de arcos são visíveis.</p><p>•Os arcos faríngeos sustentam as paredes laterais da faringe primitiva, que deriva da</p><p>parte cefálica do intestino anterior. A boca primitiva, ou estomodeu, aparece</p><p>inicialmente como uma pequena depressão do ectoderma superficial. Ela está separada</p><p>da cavidade da faringe primitiva por uma membrana bilaminar – a</p><p>membrana bucofaríngea – composta externamente por ectoderma</p><p>e internamente por endoderma. A membrana bucofaríngea se</p><p>rompe em torno dos 26 dias, fazendo com que a faringe e o</p><p>intestino anterior se comuniquem com a cavidade amniótica. Os</p><p>arcos faríngeos contribuem extensamente com a formação da</p><p>face, das cavidades nasais, da boca, da laringe, da faringe e do</p><p>pescoço. Durante a quinta semana, o segundo arco faríngeo</p><p>aumenta e recobre o terceiro e o quarto arcos, formando uma</p><p>depressão ectodérmica – o seio cervical. Ao final da sétima semana, os sulcos faríngeos, do segundo ao</p><p>quarto, e o seio cervical desaparecem, dando ao pescoço um contorno liso.</p><p>• O primeiro arco faríngeo forma duas saliências: a saliência maxilar menor origina a maxila,</p><p>o osso zigomático e a porção escamosa do vômer; e a saliência mandibular maior forma a</p><p>mandíbula.</p><p>• O segundo arco faríngeo contribui, sobretudo, para a formação do osso hioide.</p><p>Componentes dos arcos faríngeos: um típico arco faríngeo contém uma artéria do arco</p><p>faríngeo (artéria do arco aórtico) que surge do tronco arterial do coração primitivo e</p><p>passa ao redor do primórdio da faringe para entrar na aorta dorsal; um</p><p>bastonete cartilaginoso que forma o esqueleto do arco; um componente</p><p>muscular que se transforma em músculos na cabeça e no pescoço; e nervos</p><p>que suprem a mucosa e os músculos derivados do arco.</p><p>Derivados das cartilagens dos arcos faríngeos: cartilagem do</p><p>1º arco (cartilagem de Meckel) – forma dois ossículos da orelha</p><p>média, o martelo e a bigorna; forma o ligamento anterior do</p><p>martelo e ligamento esfeno-mandibular, além do molde</p><p>primordial para formação da mandíbula.</p><p>cartilagem do 2º arco (de Reichert) – estribo da orelha média, processo</p><p>estiloide do osso temporal, ligamento estilo-hioideo, ossifica-se</p><p>para formar o corno menor e a parte superior do osso hioide.</p><p>cartilagem do 3º arco – ossifica-se para formar a parte inferior e corno maior do osso hioide.</p><p>cartilagens do 4º e 6º - fundem-se para formar as cartilagens laríngeas, exceto a</p><p>epiglote.</p><p>Derivados musculares dos arcos faríngeos: os componentes musculares dos arcos</p><p>formam vários músculos da cabeça e do pescoço. A musculatura do primeiro arco forma</p><p>os músculos da mastigação e outros músculos.</p><p>Derivados dos nervos dos arcos faríngeos: cada arco é suprido por seu próprio nervo craniano.</p><p>1º arco: n. trigêmio (V par) - 2º arco: n. facial (VII par) - 3º arco: n. glossofaríngeo (IX par) -</p><p>4º arco: n. vago (X par).</p><p>BOLSAS FARÍNGEAS: a faringe primitiva alarga-se cefalicamente onde se encontra com a boca</p><p>primitiva (estomodeu), e estreita-se caudalmente onde se liga ao esôfago. O endoderma da</p><p>faringe reveste as superfícies internas dos arcos faríngeos e estende-se em bolsas faríngeas. Estas</p><p>separam internamente os arcos e se desenvolvem numa sequência cefalocaudal. Há quatro pares bem definidos de bolsas; o quinto é ausente</p><p>ou rudimentar. O endoderma das bolsas entra em contato com o ectoderma dos sulcos faríngeos e, juntos, foram as membranas faríngeas.</p><p>Derivados das bolsas faríngeas: 1º par de bolsas: dá origem à cavidade timpânica, antro mastoideo e tuba faringotimpânica // 2º par de</p><p>bolsas: desenvolvimento da tonsila palatina e fossa tonsilar // 3º par de bolsas: ajuda a formar a glândula paratireoide inferior e o timo // 4º</p><p>par de bolsas: desenvolve a glândula paratireoide superior e corpo ultimobranquial. Se o 5º par de bolsas é presente, acaba tornando-se</p><p>parte da quarta bolsa.</p><p>SULCOS FARÍNGEOS: desde a 4ª e 5ª semanas, as regiões da cabeça e do pescoço do embrião humano apresentam quatro sulcos (fendas)</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>faríngeos em cada lado. Estes sulcos separam os arcos</p><p>externamente. Apenas um par de sulcos contribui para a</p><p>formação de estruturas no adulto – o primeiro par, que persiste</p><p>como o meato acústico externo.</p><p>MEMBRANAS FARÍNGEAS: se formam onde os epitélios dos</p><p>sulcos encontram com as bolsas. Apenas um par de</p><p>membranas persiste como estrutura nos adultos – a membrana</p><p>do primeiro sulco que se torna a membrana timpânica.</p><p>Embriologia bucal</p><p>• Como visto antes, o estabelecimento da comunicação entre a cavidade oral</p><p>primitiva (estomodeu) e intestino cefálico se dá pelo rompimento da</p><p>membrana bucofaríngea, em torno do 26, 27º dia.</p><p>DESENVOLVIMENTO DA FACE: os primórdios face começam a aparecer</p><p>no início da 4ª semana em torno do grande estomodeu primitivo. O</p><p>desenvolvimento da face depende da influência indutora dos centros</p><p>organizadores. O centro organizador prosencefálico, derivado do mesoderma</p><p>pré-cordal que migra da linha primitiva, fica localizado rostralmente à notocorda</p><p>e ventralmente ao prosencéfalo. O centro organizador romboencefálico</p><p>é inferior ao encéfalo médio.</p><p>• Os cinco primórdios da face, que</p><p>aparecem como saliências (projeções)</p><p>em torno do estomodeu,</p><p>são: um processo</p><p>frontonasal, um par de</p><p>processos maxilares e um</p><p>par de processos</p><p>mandibulares.</p><p>• Os pares de processos da</p><p>face derivam do primeiro par</p><p>de arcos faríngeos. Os processos</p><p>são produzidos predominantemente</p><p>pela proliferação de células da</p><p>crista neural, que migram para os arcos durante a 4ª semana. Estas células são a fonte principal dos componentes do tecido conjuntivo,</p><p>inclusive da cartilagem, dos ossos e dos ligamentos na regiões facial e oral.</p><p>• O processo frontonasal circunda a parte ventrolateral do encéfalo anterior, que origina as vesículas ópticas formadoras dos olhos. A parte</p><p>frontal do processo forma a testa; a parte nasal forma o limite rostral do estomodeu, da boca primitiva e do nariz. Os processos maxilares</p><p>pares formam os limites laterais do estomodeu, e o par de processos mandibulares constitui o limite caudal da boca primitiva. A mandíbula e</p><p>o lábio inferior são as primeiras partes da face a se formar.</p><p>• Ao final da 4ª semana, espessamentos ovalados bilaterais do ectoderma superficial – placóides nasais – se desenvolvem nas partes ínfero-</p><p>laterais do processo frontonasal. O mesênquima dos placóides prolifera, produzindo elevações em forma de ferradura – os processos nasais</p><p>mediais e laterais. Como resultado, os placóides ficam situados no fundo de depressões – as fossetas nasais. Essas fossetas são os primórdios</p><p>das narinas e das cavidades nasais. A proliferação do mesênquima nos processos maxilares faz com que estes aumentem de tamanho e</p><p>cresçam medialmente em direção uma à outra e às saliências nasais. A migração medial dos processos maxilares desloca os processos nasais</p><p>mediais em direção ao plano mediano e</p><p>a quantidade de alças capilares nos odontoblastos secretores diminui.</p><p>• Ocorrem numerosas anastomoses (redes de canais que se bifurcam e recombinam em vários pontos) arteriovenosas na polpa coronária,</p><p>sendo que o retorno venoso segue o mesmo percurso da porção arterial. Vasos linfáticos são também observados, originando-se na polpa</p><p>coronária e dirigindo-se ao forame apical.</p><p>PERIODONTO</p><p>O periodonto é constituído pelas estruturas que participam na sustentação dos dentes na maxila e na mandíbula, podendo ser dividido em</p><p>duas partes: a primeira, constituída pelo cemento, ligamento periodontal e osso alveolar (responsáveis pela ancoragem do dente no alvéolo,</p><p>formando, portanto, o periodonto de sustentação) e a segunda, pela gengiva (recobre a crista do processso alveolar e estabelece</p><p>continuidade do epitélio da mucosa oral com o colo do dente pelo epitélio juncional, sendo chamada de periodonto marginal ou de proteção.</p><p>PERIODONTO DE INSERÇÃO OU DE SUSTENTAÇÃO: cemento, ligamento periodontal e osso alveolar constituem uma unidade estrutural e</p><p>funcional entre o dente e o alvéolo; possuem a mesma origem ectomesenquimal do folículo e dependem da formação da dentina radicular e</p><p>da bainha epitelial de Hertwig. Feixes de fibras colágenas do ligamento se inserem no cemento e no osso alveolar, formando as fibras de</p><p>Sharpey.</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>CEMENTO: é um tecido conjuntivo mineralizado que recobre a dentina radicular, tendo como principal função a inserção das</p><p>fibras do ligamento periodontal na raiz do dente. Desenvolve-se a partir do folículo dentário, uma estrutura que não faz parte</p><p>do germe dentário propriamente dito. Por ser depositado sobre a raiz, uma vez mineralizado, adere firmemente.</p><p>• É muito semelhante ao tecido ósseo, com 60% de mineral, matriz orgânica constituída principalmente por colágeno</p><p>do tipo I e por proteínas não colágenas (osteopontina, sialoproteína óssea); suas células, cementoblastos e</p><p>cementócitos são similares aos osteoblastos e ostéocitos respectivamente. Em contraste, a matriz orgânica do</p><p>cemento contêm a proteína de adesão cementária e pequenas quantidades de fibronectina, esta última, associada a</p><p>algumas das fibras colágenas do ligamento periodontal inseridas no cemento. É um tecido avascular que depende do</p><p>ligamento para se nutrir por difusão. Ele não sofre remodelação normalmente, embora seja passível de reabsorção e</p><p>neoformação com uma intensidade muito menor.</p><p>• Desenvolvimento: o processo de formação do cemento, denominado cementogênese, coincide com o início da</p><p>formação radicular do dente. Antes de sua formação, ocorre a deposição de uma fina camada mista, denominada camada</p><p>hialina, de material oriundo de células da bainha epitelial de Hertwig e do ectomesênquima do folículo dentário. A</p><p>diferenciação das células ectomesênquimais da papila em odontoblasto é induzida pelas células da bainha, possivelmente pela secreção de</p><p>amelogeninas. Durante a formação da dentina do manto radicular, as células da bainha preservam sua membrana basal, ao contrário do que</p><p>ocorre com as epiteliais na coroa. A membrana basal permanece até que as células da bainha comecem a se separar e, nesse estágio, as</p><p>células ectomesênquimais do folículo entram em contato com a raiz em formação, pelos espaços que aparecem entre as células epiteliais da</p><p>bainha. Desse modo, as primeiras fibrilas colágenas se inserem na região da membrana basal, a qual começa a se mineralizar, estabelecendo a</p><p>camada hialina. As células ectomesênquimais diferenciam-se em cementoblastos e fibroblastos, exibindo organelas de síntese e secreção</p><p>desenvolvidas. Imediatamente após a sua diferenciação, tais células produzem a matriz orgânica do cemento, constituída principalmente por</p><p>fibrilas e outras moléculas. A mineralização do cemento ocorre pela deposição do fosfato de cálcio na forma de hidroxiapatita, à semelhança</p><p>do tecido ósseo e da dentina, porém, sem vesículas da matriz.</p><p>- Os três componentes do periodonto de inserção são formados simultaneamente, de modo que no início da cementogênese, inicia-se</p><p>também a formação das fibras do ligamento periodontal e do osso alveolar do lado externo do folículo. Interações das células</p><p>ectomesênquimais por meio de receptores de membrana (integrinas) com moléculas da matriz extracelular são as responsáveis pelo</p><p>desencadeamento da diferenciação para a formação simultânea das células dos três componentes. Por essa razão, fibroblastos diferenciados</p><p>de células do folículo depositam fibrilas, que se arranjam de maneira oblíqua em relação à superfície da dentina radicular – essas fibrilas</p><p>formam a maior parte do cemento das regiões da raiz próximas do colo do dente e, como não foram originadas dos cementoblastos, são</p><p>denominadas fibras extrínsecas ao cemento. Com a deposição do cemento sobre toda superfície radicular, as células da bainha em</p><p>fragmentação aparecem afastadas da dentina como grupos celulares (restos epiteliais de Malassez), que são observados no ligamento</p><p>periodontal, afastados do cemento, porém mais próximos que do osso alveolar.</p><p>- Durante os eventos inicias de formação dos componentes do periodonto, ocorre morte celular programada tanto nas células epiteliais</p><p>quanto nas ectomesênquimais. A formação do cemento ocorre por aposição, sendo que, durante a formação das primeiras camadas, na altura</p><p>do futuro terço cervical da raiz, tanto os fibroblastos que formam os feixes de fibras colágenas extrínsecas quanto os cementoblastos recuam</p><p>ao secretarem essa matriz, não sendo aprisionados por ela. Por esse motivo, o cemento dessa região é denominado acelular.</p><p>- Quando a formação da dentina radicular alcança, aproximadamente, a metade da raiz, os cementoblastos recém diferenciados passam a</p><p>secretar maior quantidade de matriz orgânica que nas regiões cervicais, nas quais a secreção dessas células é mínima. Além disso, nessa fase, o</p><p>dente encontra-se em processo de erupção, propiciando a mais rápida secreção de matriz. Durante esse processo, cementoblastos ficam</p><p>aprisionados na matriz, tornando-se cementócitos. Esse padrão de formação do cemento nos terços médio e apical da raiz, denominado</p><p>cemento celular, resulta em uma matriz contendo fibras mistas, isto é, fibras extrínsecas dos fibroblastos do ligamento periodontal e fibras</p><p>intrínsecas dos próprios cementoblastos.</p><p>• Estrutura: Cemento acelular (de fibras extrínsecas) – ou primário, encontra-se no terço cervical de todos os dentes, tem matriz bastante</p><p>fibrosa, constituída por grossos feixes de fibras colágenas produzidas pelos fibroblastos do ligamento periodontal.</p><p>Cemento celular (de fibras mistas) – encontra-se a partir do terço médio da raiz e nas áreas de furcação dos dentes bi ou trirradiculares, é</p><p>composto de fibras mistas produzidas pelos fibroblastos do ligamento e pelos cementoblastos e tem maior espessura que o tipo acelular.</p><p>Ainda, possui lacunas contendo cementócitos e numerosos canalículos percorridos pelos prolongamentos dessas células. Além disso, possui</p><p>uma mineralização incompleta das fibras de Sharpey.</p><p>Cemento celular (de fibras intrínsecas) – ou secundário, não se forma durante o desenvolvimento do dente. É originado e depositado durante</p><p>a vida, em casos de reparação, geralmente após reabsorção cementária ou na compensação dos desgaste oclusionais funcionais.</p><p>• Células: Cementoblastos – sintetizam a matriz orgânica de natureza intrínseca do cemento. Possuem abundantes organelas relacionadas à</p><p>síntese de fibras colágenas do tipo I. No dente formado, ficam justapostos ao cementoide, porém, em estado de repouso, apresentando forma</p><p>achatada e quantidade reduzida de organelas, sendo que podem voltar à atividade a qualquer momento.</p><p>Cementócitos – são os cementoblastos que ficaram aprisionados na matriz do cemento durante sua formação; possuem numerosos</p><p>prolongamentos que estabelecem comunicações com os das células adjacentes</p><p>pelos canalículos; possuem baixa atividade metabólica e</p><p>nutrição dependente da difusão de nutrientes essenciais a partir dos vasos sanguíneos do ligamento periodontal (prolongamentos se dirigem</p><p>para a superfície externa do cemento).</p><p>Cementoclastos – semelhantes aos osteoclastos.</p><p>• Limite amelocementário: limite do cemento com o</p><p>esmalte determina a separação entre coroa e raiz do</p><p>dente. Podem se encostar borda a borda (30% dos casos),</p><p>o cemento pode recobrir parte do esmalte (60%) ou</p><p>podem não se encontrar, deixando uma faixa exposta de</p><p>dentina radicular (10%).</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>uma em direção à outra. Cada processo nasal lateral é separado do processo maxilar por uma fenda</p><p>denominada sulco nasolacrimal.</p><p>• Ao final da 5ª semana, seis elevações auriculares se formam em torno do 1º sulco faríngeo, dos primórdios da aurícula e do meato acústico</p><p>externo (canal), respectivamente. Inicialmente, as orelhas externas ficam localizadas na região do pescoço; entretanto, à medida que a</p><p>mandíbula se desenvolve, estas ascendem para o lado da cabeça ao nível dos olhos. Ao final da 6ª semana, cada processo maxilar começa a</p><p>fundir-se com o processo nasal lateral ao longo da linha do sulco nasolacrimal.</p><p>• O ducto nasolacrimal desenvolve-se de um espessamento ectodérmico em forma de bastão no assoalho do sulco nasolacrimal. Esse</p><p>espessamento dá origem a um cordão epitelial compacto, que se separa do ectoderma e se aprofunda no mesênquima. Mais tarde, em</p><p>consequência da degeneração celular, este cordão epitelial se canaliza para formar o ducto nasolacrimal.</p><p>• Entre a 7ª e 8ª semana, os processos nasais mediais fundem-se um com o outro e com os processos maxilares e nasais laterais, o que resulta</p><p>na desintegração dos epitélios superficiais que estavam em contato. Isto causa a mistura das células mesenquimais subjacentes. Quando as</p><p>saliências nasais se fundem, elas formam um segmento intermaxilar, que dá origem à parte central, ou filtro do lábio superior; à parte pré-</p><p>maxilar da maxila e a gengiva associada; e o palato primário.</p><p>• O lábio superior é formado pelos processos maxilares e nasais mediais, que crescem em direção à linha mediana, na qual se fundem. Dessa</p><p>maneira, o processo frontonasal é deslocado, deixando de ocupar a região do lábio superior. O lábio inferior é formado pela fusão dos dois</p><p>processos mandibulares na linha mediana.</p><p>DESENVOLVIMENTO DAS CAVIDADES NASAIS: à medida que a face se desenvolve, os placóides nasais tornam-se deprimidos, formando</p><p>fossetas nasais. A proliferação do mesênquima subjacente forma os processos nasais mediais e laterais, que resultam no aprofundamento das</p><p>fossetas nasais e na formação dos sacos nasais primitivos. Inicialmente, os sacos nasais estão separados da cavidade oral pela membrana</p><p>oronasal. Esta membrana se rompe ao final da 6ª semana, fazendo com que as cavidades se comuniquem. As regiões de continuidade entre as</p><p>cavidades nasal e oral são as coanas primitivas, situadas posteriormente ao palato primário. Após o desenvolvimento do palato secundário, as</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>coanas se localizam na junção da cavidade nasal com a faringe. Enquanto</p><p>essas alterações estão ocorrendo, as conchas superior, média e inferior se</p><p>desenvolvem como elevações das paredes laterais das cavidades nasais.</p><p>DESENVOLVIMENTO DO PALATO: as cavidades oral e nasal somente se</p><p>separam após a formação do palato secundário.</p><p>• Palato Primário: no início da 6ª semana, o palato primário (processo</p><p>palatino mediano) começa a se desenvolver da parte profunda do</p><p>segmento intermaxilar da maxila. Inicialmente, este segmento é uma</p><p>massa de mesênquima em forma de cunha entre as superfícies internas</p><p>das saliências maxilares das maxilas em desenvolvimento. O palato</p><p>primário forma a parte pré-maxilar da maxila. Ele representa apenas uma</p><p>pequena parte do palato duro no adulto.</p><p>• Palato Secundário: o palato secundário é o primórdio das partes</p><p>duras e moles do palato; ele começa a se desenvolver de duas</p><p>projeções mesenquimais que se estendem das faces internas dos</p><p>processos maxilares. Inicialmente, estas estruturas – os processos</p><p>palatinos laterais – se projetam ínfero-medialmente a cada lado da</p><p>língua. Com o desenvolvimento da mandíbula, a língua torna-se</p><p>relativamente curta e assume uma posição inferior. Os processos</p><p>palatinos laterais se alongam e ascendem para uma posição</p><p>horizontal superior à língua. Gradativamente, eles se aproximam e</p><p>se fundem no plano mediano. Os processos se fundem também</p><p>com o septo nasal e a parte posterior do palato primário.</p><p>• O septo nasal desenvolve-se como um crescimento para baixo das partes internas dos processos</p><p>nasais mediais fundidos. A fusão entre o septo nasal e os processos palatinos começa pela parte</p><p>anterior e termina na parte posterior.</p><p>• Gradativamente, desenvolve-se ossificação intramembranosa no palato primário, formando a parte</p><p>pré-maxilar da maxila, que aloja os dentes incisivos. Concomitantemente, o osso avança da maxila e</p><p>do palato para os processos palatinos laterais para formar o palato duro. As partes posteriores destes</p><p>processos não são ossificadas. Elas se estendem posteriormente para além do septo nasal, fundindo-se</p><p>para formar o palato mole, incluindo sua projeção cônica mole, a úvula.</p><p>• A rafe palatina mediana indica a linha de fusão dos processos palatinos laterais. Um pequeno</p><p>canal nasopalatino persiste no plano mediano do palato entre a parte pré-maxilar da maxila e os</p><p>processos palatinos da maxila. Este canal é representado no palato duro adulto pela fossa incisiva.</p><p>Uma sutura irregular corre da fossa incisiva para o processo alvoelar da maxila, entre os dentes</p><p>incisivo lateral e canino em cada lado, indicando o local da fusão dos palatos primário e secundário</p><p>embrionários.</p><p>DESENVOLVIMENTO DA LÍNGUA: a língua têm origem na parede ventral da orofaringe, na região dos</p><p>quatro primeiros arcos branquiais. Na 4ª semana de gestação, duas saliências do ectomesênquima</p><p>aparecem no aspecto interno do primeiro arco branquial, formando, assim, as saliências linguais. Atrás</p><p>e entre essas saliências, aparece uma eminência medial, denominada tubérculo ímpar; sua margem caudal forma o forame cego.</p><p>• As saliências linguais crescem e fundem-se, cobrindo o tubérculo ímpar, de modo a formar a mucosa dos dois terços anteriores da língua</p><p>(parte oral), cujo epitélio é de origem ectodérmica.</p><p>• A formação do terço posterior da língua (parte faríngea) é indicada por duas elevações</p><p>que se desenvolvem caudalmente ao forame cego: a cópula (formada pelas porções</p><p>centrais do 2º arco) e a eminência hipofaríngea (desenvolve-se caudalmente à</p><p>cópula, formada pelo mesênquima das partes centrais do 3º e 4º pares de arcos).</p><p>Com o desenvolvimento da língua, a cópula é gradativamente englobada pelo</p><p>crescimento da eminência hipofaríngea e desaparece. A linha de fusão das partes anterior</p><p>e posterior da língua é aproximadamente indicada por um sulco em forma de V – o sulco</p><p>terminal. O mesênquima dos arcos faríngeos forma o tecido conjuntivo e os vasos da língua.</p><p>Os músculos da língua derivam dos mioblastos que migram dos somitos occipitais.</p><p>• O nervo hipoglosso acompanha os mioblastos durantes sua migração e inerva os músculos</p><p>da língua à medida que estes se desenvolvem. A língua conta com uma complexa inervação,</p><p>fazendo parte o nervo trigêmeo (1º arco), nervo facial (2º arco), nervos glossofaríngeo e</p><p>vago (3º e 4º arcos).</p><p>DERIVADOS DA CAVIDADE ORAL – GLÂNDULAS SALIVARES: parótidas,</p><p>submandibulares e sublinguais.</p><p>TIREOIDE: começa como um espessamento endodérmico mediano no assoalho da faringe</p><p>primitiva. Este espessamento logo forma uma pequena saliência – o primórdio da tireoide.</p><p>Com o crescimento do embrião e da língua, a tireoide em desenvolvimento desce pelo</p><p>pescoço, passando ventralmente ao osso hioide e às cartilagens laríngeas em</p><p>desenvolvimento. Por um curto período, ela fica conectada à língua por um tubo estreito,</p><p>o ducto tireoglosso. Como resultado da rápida proliferação celular, a luz do divertículo da</p><p>tireoide se oblitera e se divide em dois lobos, direito e esquerdo, unidos pelo istmo da</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>tireoide. Na 7ª semana, já assume sua forma e posição definitiva e, normalmente, o ducto tireoglosso já se</p><p>degenerou. A abertura proximal do ducto persiste como uma pequena fosseta – o forame cego da língua.</p><p>HIPÓFISE:</p><p>tem origem ectodérmica da evaginação do teto do estomodeu (adenohipófise; parte</p><p>glandular) e neuroectodérmica da invaginação do diencéfalo (neurohipófise; parte nervosa).</p><p>ESTRUTURA DO DENTE</p><p>ODONTOGÊNESE</p><p>Apesar de cada dente se desenvolver como uma estrutura independente e de tipos dentários</p><p>morfologicamente diferentes, o processo de formação do dente (odontogênese) é o mesmo.</p><p>• Inicia-se como resultado da interação entre o epitélio oral e o ectomesênquima subjacente,</p><p>originando a banda epitelial primária e, em seguida, a lâmina dentária. Os germes dentários</p><p>seguem, subsequentemente, as fases de botão, capuz, campânula, coroa e raiz. A formação específica</p><p>dos diversos tecidos que constituirão o dente e suas estruturas de suporte, entretanto, só se inicia a</p><p>partir da campânula – dentinogênese, amelogênese, cementogênese e osteogênese.</p><p>LÂMINA DENTÁRIA E LÂMINA VESTIBULAR:</p><p>CÉLULAS QUE MIGRAM DA CRISTA NEURAL CONSTITUEM O ECTOMESÊNQUIMA</p><p>• No embrião humano, a cavidade oral primitiva é revestida pelo ectoderma, um delgado epitélio. Por volta do</p><p>22º dia, este epitélio entra em contato com o endoderma que reveste o tubo digestivo anterior, formando-se,</p><p>assim, a membrana bucofaríngea, que persiste até aproximadamente o 27º dia de desenvolvimento, quando então sofre desintegração. Dessa</p><p>maneira, fica estabelecida a comunicação entre o estomodeu e a faringe, bem como do restante do tubo digestivo.</p><p>• Nessa fase, a cavidade oral primitiva é revestida por um epitélio de apenas duas ou três camadas de células, que recobre um tecido que está</p><p>sendo invadido por uma população de células de origem ectodérmica geradas nas cristas neurais. Essas células migram lateralmente quando</p><p>as pregas neurais dobram, chegando até as regiões do futuro crânio e da face. Uma vez nos locais, esse tecido de origem neural, e, portanto,</p><p>ectodérmico, passa a se comportar como um mesênquima, originando estruturas de natureza</p><p>conjuntiva – daí sua denominação ectomesênquima. O fator indutor inicial encontra-se no</p><p>epitélio oral primitivo, que, na 5ª semana de vida intrauterina, começa a proliferar,</p><p>invadindo o ectomesênquima subjacente e produzindo uma banda epitelial contínua</p><p>em forma de ferradura na região em que irão se formar os arcos dentários – a banda</p><p>epitelial primária. A partir deste momento, ocorrem interações entre o epitélio e o</p><p>ectomesênquima. Ainda não pode se afirmar que as células da crista neural são</p><p>pré-programadas para isso antes da sua migração ou se adquirem a especificidade</p><p>nos locais definitivos.</p><p>A BANDA EPITELIAL PRIMÁRIA SUBDIVIDE-SE NAS LÂMINAS VESTIBULAR E DENTÁRIA</p><p>• O cordão epitelial sofre, quase imediatamente após sua formação, uma bifurcação, resultando</p><p>em duas populações epiteliais proliferativas que seguem a mesma forma dos arcos, correndo,</p><p>portanto, uma paralela à outra. A banda epitelial situada do lado externo, ao continuar sua proliferação,e aumentar, com isso, o número de</p><p>suas células, tem as centrais degeneradas, dando lugar a uma fenda que constituirá o futuro fundo de saco do sulco vestibular, localizado</p><p>entre a bochecha/lábios e os futuros arcos dentários.</p><p>• Por essa razão, essa subdivisão externa da banda epitelial primária denomina-se lâmina vestibular. A</p><p>proliferação epitelial situada medialmente à anterior é responsável pela formação dos dentes e denomina-se,</p><p>portanto, lâmina dentária, representando o futuro arco dentário. Esta cresce mais lentamente que a lâmina</p><p>vestibular e possui uma lâmina basal subjacente muito dinâmica, que desempenhará importante papel no</p><p>processo de odontogênese, participando nas interações entre epitélio e ectomesênquima.</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>FASE DE BOTÃO</p><p>A FASE DE BOTÃO REPRESENTA O VERDADEIRO INÍCIO DA FORMAÇÃO DE CADA DENTE</p><p>• Representando o início da formação dos germes dos dentes decíduos (‘’dentes de leite’’)</p><p>e, com base na sua morfologia, esta fase é chamada de fase de botão, caracterizando-se pela invaginação do</p><p>epitélio oral para o interior do ectomesênquima devida a intensa proliferação celular. A intensa atividade mitótica</p><p>das células da lâmina dentária forma pequenas esférulas que invadem o</p><p>ectomesênquima, de modo que não é raro identificar histologicamente várias</p><p>mitoses nas células epiteliais. Essas apresentam aspecto normal, embora após</p><p>cuidadosa observação, seja possível diferenciar as células cúbicas ou cilíndricas</p><p>baixas da periferia das células de formato poligonal do centro.</p><p>• Por sua vez, o ectomesênquima subjacente apresenta uma discreta</p><p>condensação de suas células em torno da parte mais profunda da esférula</p><p>epitelial. Nessa região de ectomesênquima condensado, aparecem duas</p><p>importantes moléculas, a glicoproteína tenascina e o sincedan-1, um</p><p>proteoglicano rico em sulfato de heparina. O aparecimento dessas substâncias</p><p>é regulado por sinais a partir das células em proliferação do botão epitelial. As duas moléculas interagem tanto com as próprias células</p><p>ectomesênquimais e com outros elementos da matriz extracelular quanto com fatores de crescimento, especialmente com fator de</p><p>crescimento de fibroblastos.</p><p>FASE DE CAPUZ: A FASE DE CAPUZ CARACTERIZA-SE POR INTENSA PROLIFERAÇÃO DAS CÉLULAS EPITELIAIS</p><p>• Com a continuação da proliferação epitelial, o botão não continua a crescer uniformemente, apresentando,</p><p>portanto, um crescimento desigual que o leva a adotar uma forma que assemelha a um ‘’capuz’’. No centro da</p><p>sua parte mais profunda, o capuz epitelial apresenta uma concavidade, sob a qual é observada maior</p><p>concentração de células ectomesênquimais do que a visualizada no estágio anterior. Embora haja algumas</p><p>células em divisão no ectomesênquima, provavelmente a razão para o aumento da condensação seja a</p><p>interação célula-matriz celular, na qual a tenascina e o sindecan-1 continuam desempenhando importante papel.</p><p>• Como o botão epitelial está em ativa proliferação, possivelmente a maior condensação ectomesenquimal seja,</p><p>em parte, fisicamente responsável pela concavidade inferior do capuz: é provável que a resistência criada pela</p><p>condensação ectomesenquimal localizada na parte central faça com que a proliferação epitelial do botão resulte</p><p>principalmente no crescimento da sua borda.</p><p>O GERME DENTÁRIO É CONSTITUÍDO PELO ÓRGÃO DO ESMALTE E PELA PAPILA DENTÁRIA</p><p>• Uma vez estabelecida a fase de capuz, observam-se vários componentes</p><p>no germe dentário. A porção</p><p>epitelial, que, a partir desta fase, apresenta várias regiões distintas, denomina-se ‘’órgão do esmalte’’,</p><p>pois é responsável pela formação do esmalte dentário. Assim, ao observar essa porção epitelial,</p><p>distingue-se uma camada única e contínua de células que constitui a periferia do órgão do esmalte. As</p><p>células localizadas na concavidade adjacente à condensação ectomensenquimal constituem o epitélio</p><p>interno do órgão do esmalte e as células localizadas na convexidade externa do capuz epitelial</p><p>constituem o epitélio externo do órgão do esmalte. As células que ficam na região central do</p><p>órgão do esmalte vão se separando umas das outras, observando-se, entre elas, maior quantidade</p><p>de substância fundamental rica em proteoglicanos. Desse modo, essas células adotam uma forma</p><p>estrelada, com vários prolongamentos que estabelecem contatos entre si pelos desmossomos.</p><p>Em razão da forma das células, essa porção central do órgão do esmalte é dita ‘’retículo estrelado’’.</p><p>• Ao mesmo tempo, o ectomesênquima aumenta seu grau de condensação de maneira que se observa</p><p>claramente uma massa de células muito próximas umas das outras. Essa condensação celular, denominada</p><p>papila dentária a partir dessa fase de desenvolvimento, é responsável pela formação da dentina e da polpa.</p><p>O FOLÍCULO DENTÁRIO RODEIA COMPLETAMENTE O GERME DENTÁRIO</p><p>• Ainda na fase de capuz, o ectomesênquima que rodeia tanto o órgão do esmalte quanto a papila dentária sofre uma condensação de modo</p><p>que suas células alinham-se em torno do germe em desenvolvimento, formando uma cápsula que o separa do restante do ectomesênquima da</p><p>maxila e da mandíbula. Essa condensação periférica, chamada de ‘’folículo ou saco dentário’’, é a responsável pela formação do periodonto de</p><p>inserção do dente, isto é, do cemento, do ligamento periodontal e do osso alveolar. Ainda, nessa fase, capilares penetram o folículo dentário,</p><p>especialmente na região adjacente ao epitélio externo do órgão do esmalte. Assim a nutrição da porção epitelial do germe dentário provém da</p><p>vascularidade do folículo.</p><p>FASE DE CAMPÂNULA: OS PROCESSOS DE MORFOGÊNESE E DIFERENCIAÇÃO CELULAR INICIAM-SE NA FASE DE CAMPÂNULA</p><p>• Após a fase de capuz, a proliferação das células epiteliais e, portanto, o crescimento do órgão do esmalte, vai diminuindo. Nessa nova fase, a</p><p>parte epitelial do germe dentário (órgão do esmalte) apresenta o aspecto de um sino com sua cavidade mais acentuada e, consequentemente,</p><p>com suas margens mais profundas – uma aparência morfológica que determina a denominação da fase. Todavia, a diminuição da divisão</p><p>celular é acompanhada da diferenciação das diversas células do germe dentário, de modo que</p><p>esta fase é também chamada de ‘’fase de morfo e histodiferenciação’’.</p><p>OS EPITÉLIOS EXTERNO E INTERNO FORMAM A ALÇA CERVICAL</p><p>• Na porção epitelial, a região central correspondente ao retículo estrelado continua a crescer</p><p>em volume por causa do aumento da distância entre as células e seus prolongamentos. Esse</p><p>fenômeno é provocado pela maior quantidade de água, associada a outras moléculas, como</p><p>os proteoglicanos. As células do epitélio externo do órgão do esmalte são achatadas, tornando-se</p><p>pavimentosas; as do epitélio interno, por sua vez, alongam-se, constituindo células cilíndricas baixas</p><p>com núcleo central.</p><p>• Além dessas modificações nas diversas estruturas do órgão do esmalte, nessa fase aparecem,</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>entre o epitélio interno e o retículo estrelado, duas ou três camadas de células pavimentosas que</p><p>constituem o estrato intermediário, que participa, acredita-se, formação do esmalte. Por outro lado, na</p><p>campânula, na região em que os epitélios externo e interno se encontram, ao nível da borda do sino, forma-</p><p>se um ângulo agudo. Essa região, chamada de alça cervical, é o local em que, por volta do final da fase de</p><p>coroa, tanto as células do epitélio externo quanto as do interno irão proliferar para constituir a Bainha</p><p>epitelial de Hertwig, que induz a formação da raiz do dente.</p><p>• Na papila dentária, as células ectomesenquimais apresentam-se indiferenciadas na sua região central,</p><p>com finas fibrilas colágenas ocupando a matriz extracelular, junto aos componentes não colágenos. Além</p><p>disso, os capilares inicialmente encontrados no folículo dentário começam também a penetrar, durante esta</p><p>fase, a papila dentária, aparecendo em grande número entre as células.</p><p>O GERME DENTÁRIO SEPARA-SE DA LÂMINA DENTÁRIA E DO EPITÉLIO ORAL</p><p>• O folículo dentário torna-se mais evidente, pois passa a envolver o germe dentário por completo, inclusive</p><p>na extremidade oclusal. Nesta fase, a porção da lâmina dentária entre o órgão do esmalte e o epitélio bucal</p><p>desintegra-se. Além disso, em geral, o osso do processo alveolar em formação acaba rodeando</p><p>completamente o folículo dentário, constituindo a cripta óssea. O dente em desenvolvimento separa-se do</p><p>epitélio oral, porém grupos de células epiteliais da lâmina permanecem nos pertuitos ósseos, nesta região,</p><p>formando o gubernáculo ou canal gubernacular, que desempenhará importante papel na erupção.</p><p>A FORMAÇÃO DE DOBRAS NO EPITÉLIO INTERNO DETERMINA A FORMA DA COROA DO DENTE</p><p>• Na fase de campânula, verificam-se alguns fenômenos morfogenéticos que levam à determinação</p><p>da forma da coroa do futuro dente. Isso se deve à formação de dobras no epitélio interno do órgão</p><p>do esmalte nos locais em que as primeiras células cessam sua atividade mitótica, antes da diferenciação em</p><p>ameloblastos, e também ao fato de que a alça cervical permanece fixa. Como o restante das células do epitélio</p><p>interno continua se dividindo por mais algum tempo, o aparecimento de novas células resultantes das</p><p>sucessivas mitoses ocasiona uma força no epitélio interno em direção aos pontos nos quais não há mais</p><p>divisão. Mais tarde, quando a atividade mitótica das células vai terminando sequencialmente a partir</p><p>dos vértices das cúspides, em direção à alça cervical, as vertentes das cúspides vão se delineando,</p><p>estabelecendo, assim, a forma da futura coroa do dente. Além disso, nesta fase aparecem acúmulos</p><p>de células epiteliais na região correspondente ao estrato intermediário, nos futuros vértices das cúspides, formando o nó do esmalte, o qual</p><p>tem sido relacionado com o fenômeno de determinação da forma da coroa dos dentes.</p><p>A DENTINOGÊNSE INICIA-SE ANTES DA AMELOGÊNESE</p><p>• Após esses eventos, as células de epitélio interno localizadas nos vértices das cúspides, até</p><p>então, cilíndricas baixas com núcleo próximo à lâmina basal, tornam-se cilíndricas altas. O</p><p>seu núcleo passa a se localizar do lado oposto à papila dentária. Após esse fenômeno,</p><p>denominado inversão da polaridade, essas células se transformam em pré-ameloblastos.</p><p>Nesse momento, na papila dentária adjacente, as células ectomesênquimais da região</p><p>periférica, sob influência dos pré-ameloblastos, param de se dividir, aumentam de tamanho</p><p>e começam sua diferenciação em odontoblastos, passando a secretar a primeira camada de</p><p>matriz de dentina – a dentina do manto.</p><p>• Essa matriz dentária, cujo componente mais abundante é o colágeno tipo I, e contatos</p><p>entre odontoblastos e pré-ameloblastos, desencadeia a diferenciação final destes em</p><p>ameloblastos, os quais sintetizam e secretam a matriz orgânica do esmalte – que também</p><p>é, basicamente, proteica, porém de natureza não colágena.</p><p>A INDUÇÃO RECÍPROCA RESULTA NA DIFERENCIAÇÃO DE ODONTOBLASTOS E AMELOBLASTOS</p><p>• Em resumo, esses eventos começam nos locais correspondentes às futuras cúspides</p><p>do dente e progridem sequencialmente, descendo pelas vertentes das cúspides até a</p><p>região da alça cervical. A diferenciação dos odontoblastos é induzido, com participação</p><p>da lâmina basal, pelas células do epitélio interno do órgão do esmalte, que, após a</p><p>inversão da sua polaridade, denominam-se pré-ameloblastos. Em estágio posterior, com</p><p>a primeira camada de dentina, completa-se a diferenciação dos pré-ameloblastos que se</p><p>tornam, assim, ameloblastos. Diversos produtos, como fatores de crescimento, fatores</p><p>de transcrição, moléculas de adesão, integrinas e elementos da matriz extracelular,</p><p>participam das várias interações epitélio-mesênquima, que, juntas, constituem o fenômeno</p><p>conhecido como indução recíproca.</p><p>FASE DE COROA: A DENTINOGÊNESE E A AMELOGÊNESE OCORREM NA FASE DE COROA</p><p>• A fase de coroa é denominada também ‘’fase avançada de campânula’’ e corresponde à deposição de dentina e esmalte da coroa do futuro</p><p>dente, que progride desde os locais correspondentes às cúspides para a região cervical. Portanto, há uma diferenciação progressiva de</p><p>odontoblastos e ameloblastos – em um mesmo germe dentário, poderão ser observadas zonas</p><p>próximas à alça onde o epitélio interno ainda não sofreu inversão de polaridade e, em uma</p><p>região adjacente, mais próxima da cúspide, a presença de pré-ameloblastos e</p><p>pré-odontoblastos já se diferenciando em odontoblastos.</p><p>• A deposição de dentina caracteriza-se por ser de fora para dentro (centrípeta) e a</p><p>deposição de esmalte, de dentro para fora (centrífuga).</p><p>FASE DE RAIZ: PROLIFERAÇÃO CELULAR NA ALÇA CERVICAL ORIGINA O DIAFRAGMA</p><p>EPITELIAL E A BAINHA EPITELIAL DE HERTWIG</p><p>• Como já foi mencionado, durante a formação coronária do dente, é necessário que células epiteliais</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>(do epitélio interno do órgão do esmalte) induzam as células ectomesênquimais (da papila dentária)</p><p>a se diferenciarem em odontoblastos. Uma vez que a porção radicular do dente também é constituída</p><p>por dentina, é preciso que células de origem epitelial deem início ao processo de diferenciação</p><p>dos odontoblastos. Ao final da fase de coroa, quando os eventos de diferenciação alcançam a</p><p>região da alça cervical, os epitélios interno e externo do órgão do esmalte que constituem a alça</p><p>proliferam em sentido apical para induzir a formação da raiz do dente. As células resultantes da</p><p>proliferação não se aprofundam verticalmente, talvez em razão do folículo dentário e do folículo</p><p>do osso da base da cripta que rodeiam a base do germe dentário. Por esse motivo, o epitélio</p><p>resultante da proliferação das duas camadas da alça cervical sofre uma dobra, constituindo o</p><p>diafragma epitelial. A partir deste momento, as células epiteliais continuam a proliferar,</p><p>originando outra estrutura: a bainha epitelial de Hertwig. Desse modo, as duas estruturas,</p><p>bainhas e diafragma epitelial, são contínuas e constituídas pelas mesmas células.</p><p>A FASE DE RAIZ OCORRE ENQUANTO O DENTE ERUPCIONA</p><p>• Como a continuação da proliferação da bainha coincide com o processo de erupção</p><p>dentária, enquanto vai sendo formada a raiz do dente, o germe dentário movimenta-se</p><p>em sentido coronário. Antigamente, acreditava-se que a proliferação da bainha da raiz</p><p>ocorria no sentido apical, com aprofundamento gradual em direção ao futuro ápice radicular.</p><p>OS RESTOS EPITELIAIS DE MALASSEZ ORIGINAM-SE DA FRAGMENTAÇÃO DA BAINHA DE HERTWIG</p><p>• Para a formação da dentina radicular, as células da camada interna da bainha de Hertwig induzem</p><p>as células ectomesênquimais da papila dentária a se diferenciarem em odontoblastos. As células da região da bainha</p><p>que exerceram a indução cessam sua proliferação, secretando, sobre a dentina radicular em formação, uma fina matriz cuja composição é</p><p>similar à matriz inicial do esmalte.</p><p>• Enquanto isso, os odontoblastos recém diferenciados formam dentina radicular, aumentando gradualmente o comprimento da raiz. Uma vez</p><p>que apenas as células da bainha localizadas imediatamente adjacentes ao diafragma epitelial continuam proliferando, enquanto as mais</p><p>afastadas, que já induziram a diferenciação dos odontoblastos, não mais se dividem, gera-se uma defasagem em relação ao crescimento da</p><p>raiz. A contínua formação de dentina e a parte da bainha que não acompanha esse crescimento são responsáveis por esse fato. Por essa razão,</p><p>apenas a porção mais apical da bainha continua em contato com a raiz. No restante da bainha, localizada mais cervicalmente, aparecem</p><p>espaços devido ao aumento da superfície da dentina radicular subjacente, fenômeno denominado ‘’fragmentação da bainha de Hertwig’’. O</p><p>contínuo crescimento da raiz provoca aumento progressivo dos espaços, que se aglutinam, reduzindo a bainha a cordões celulares. Com o</p><p>progresso dessa fragmentação, os cordões se rompem, constituindo grupos isolados de células, denominados restos epiteliais de Malassez.</p><p>Esses restos aparecem nos cortes histológicos como grupos de 3 a 6 células separadas da matriz extracelular do ligamento periodontal por</p><p>uma lâmina basal contínua. Essas células epiteliais têm poucas organelas. Refletindo seu aparente estado inativo.</p><p>O PERIODONTO DE INSERÇÃO É FORMADO DURANTE A FASE DE RAIZ</p><p>• A fase de raiz, e, portanto, o processo de odontogênese propriamente dito, é concluída com</p><p>a formação da dentina radicular, até o fechamento do ápice. Os tecidos que compõem o</p><p>periodonto de inserção são também formados durante a fase de raiz.</p><p>CEMENTO, LIGAMENTO PERIODONTAL E OSSO ALVEOLAR SÃO FORMADOS SIMULTANEAMENTE</p><p>• A fragmentação da bainha epitelial torna possível o contato do folículo dentário com a dentina radicular</p><p>em formação. Assim, após entrar em contato com a dentina, as células ectomesênquimais do folículo</p><p>diferenciam-se em cementoblastos, secretando a matriz orgânica do cemento. Simultaneamente, as</p><p>células do lado externo do folículo diferenciam-se em osteoblastos, formando o osso alveolar,</p><p>enquanto as da região central tornam-se principalmente fibroblastos e formam o ligamento</p><p>periodontal. Dessa maneira, as fibras colágenas do ligamento são formadas ao mesmo tempo do</p><p>colágeno que constitui a matriz do cemento e do osso alveolar, possibilitando que as extremidades das</p><p>fibras do ligamento, denominadas fibras de Sharpey, fiquem inseridas quando o cemento e o osso se mineralizam.</p><p>O EPITÉLIO REDUZIDO RECOBRE O ESMALTE ATÉ A ERUPÇÃO COMPLETAR</p><p>• Enquanto ocorre a fase de raiz e o dente erupciona, na coroa, aumenta o teor de mineral do esmalte durante sua maturação pré-eruptiva.</p><p>Então, o órgão do esmalte colapsa completamente, constituindo o epitélio reduzido do esmalte, recobrindo esse tecido até o aparecimento da</p><p>coroa na cavidade oral. Após a completa erupção do dente, o epitélio reduzido contribui para a formação do epitélio juncional da gengiva.</p><p>OS DENTES PERMANENTES QUE TÊM PREDECESSOR DECÍDUO DESENVOLVEM-SE A PARTIR DO BROTO DO PERMANENTE</p><p>• A sequência do desenvolvimento dos tecidos dentários anteriormente descrita é idêntica</p><p>para os dentes decíduos e permanentes. Os dentes permanentes que têm predecessor</p><p>decíduo desenvolvem-se a partir de uma proliferação epitelial em relação à face palatina ou</p><p>lingual do germe do decíduo, denominado broto do dente permanente, cuja formação</p><p>ocorre durante a fase de capuz do dente decíduo. Os molares permanentes, entretanto,</p><p>desenvolvem-se diretamente da lâmina dentária original, que se estende posteriormente.</p><p>----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------</p><p>RIZOGÊNESE: é o processo de formação da raiz do dente.</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>ORGÃO DENTÁRIO x GERME DENTÁRIO</p><p>Germe dentário é a estrutura embrionária da</p><p>onde se derivam o elemento dental e suas</p><p>estruturas de suporte. É o conjunto do órgão</p><p>dentário e papila dentária, rodeado pelo folículo</p><p>dentário.</p><p>Órgão dental é dividido em dente e periodonto.</p><p>• O dente pode ser dividido anatomicamente em</p><p>coroa e raiz ou, estruturalmente, por esmalte</p><p>dentário, dentina e polpa.</p><p>• O periodonto pode ser dividido em periodonto</p><p>de proteção (gengiva) e periodonto de fixação</p><p>(osso alveolar,</p><p>ligamento periodontal e cemento).</p><p>ESMALTE</p><p>• O esmalte é a estrutura que recobre a coroa dos</p><p>dentes, sendo o tecido mais mineralizado do</p><p>organismo. Entretanto, diferentemente dos outros</p><p>tecidos calcificados e mesmo dos outros tecidos</p><p>dentários, o esmalte é formado por células</p><p>epiteliais. Ainda, é o único que mineralizado</p><p>completamente acelular, não mantendo relação</p><p>com as células que o formaram após a erupção do dente.</p><p>• A extrema dureza do esmalte se deve ao seu alto conteúdo inorgânico (97%), representado por cristais de fosfato de cálcio sob a forma de</p><p>hidroxiapatita, com quantidades de carbonato, sódio, magnésio, cloreto, potássio e flúor no meio. Possui 1% de material orgânico de natureza</p><p>proteica (escassos carboidratos e lipídios) e 2% de água. Essa composição é responsável pela dureza, mas também pela sua fácil fragmentação</p><p>(friável), necessitando da sustentação da dentina subjacente.</p><p>• A coloração varia de branco-acinzentado à branco-amarelado; é translúcido dado sua estrutura quase exclusivamente cristalina. É insolúvel</p><p>em soluções aquosas e solúvel em soluções ácidas.</p><p>DESENVOLVIMENTO (AMELOGÊNESE): a amelogênese compreende o processo de</p><p>formação do esmalte, sendo dividida em 5 fases.</p><p>• FASE MORFOGENÉTICA: corresponde ao início do estágio de campânula, quando nas</p><p>regiões dos vértices das futuras cúspides (ou borda incisal) do dente as células do epitélio</p><p>interno do órgão do esmalte param de se dividir, determinando que a forma da coroa do</p><p>dente seja estabelecida pela dobra desse epitélio. As células, que, até então, multiplicam-se</p><p>por sucessivas divisões, são cúbicas, com núcleo ovoide, grande e central ou próximo à</p><p>lâmina basal que as separa da papila dentária; o citoplasma tem numerosos ribossomos</p><p>livres, mitocôndrias dispersas e C. Golgi pouco desenvolvido.</p><p>• FASE DE DIFERENCIAÇÃO: após o período de divisão, as células do epitélio interno do órgão do esmalte</p><p>alongam-se, passando de cúbicas à cilíndricas. Aparecem ainda duas ou três camadas de células achatadas</p><p>entre o epitélio interno e o retículo estrelado, constituindo o estrato intermediário. Com o alongamento</p><p>das células do epitélio, ocorre a inversão da polaridade: núcleo próximo ao estrato e C. Golgi no sentido</p><p>inverso, próximo à papila dentária; desenvolvem-se, também, cisternas de RER e um citoesqueleto bem</p><p>desenvolvido. Nessa nova disposição das organelas e do núcleo, as células passam a se denominar</p><p>pré-ameloblastos e, estes, induzem a diferenciação das células da periferia da papila dentária. Enquanto</p><p>isso, o processo de diferenciação dos pré-ameloblastos continua gradualmente, com aumento da altura,</p><p>desenvolvimento do C. Golgi e RER, liberação de enzimas lisossomais pelo seu polo distal, degradando a lâmina</p><p>basal. Ainda, desenvolvem-se numerosos e curtos processos na superfície distal, que se projetam para a matriz de</p><p>dentina (dentina do manto começando a se mineralizar). Esses processos dos pré-ameloblastos formam contatos com</p><p>os processos dos odontoblastos e com vesículas da matriz. Entre os pré-ameloblastos, estabelecem-se junções intercelulares comunicantes,</p><p>desmossomos e junções oclusivas nos dois polos celulares, formando, desse modo, os complexos juncionais proximais e distais (controle da</p><p>passagem de substâncias). Após esses eventos, os pré-ameloblastos tornam-se ameloblastos diferenciados, prestes a secretar matriz de</p><p>esmalte.</p><p>• FASE SECRETORA: no início da fase, o órgão do esmalte é constituído de epitélio externo, retículo estrelado, estrato intermediário e</p><p>ameloblastos recém diferenciados nas regiões dos vértices das futuras cúspides. Entretanto, como a amelogênese começa nessas regiões e</p><p>progride em direção à alça cervical, existe um gradiente de ameloblastos, pré-ameloblastos e células indiferenciadas do epitélio interno.</p><p>Ainda, todos os componentes do órgão do esmalte ligam-se entre si pelas junções intercelulares comunicantes e desmossomos; todavia, entre</p><p>os ameloblastos recém diferenciados, as junções oclusivas dos complexos juncionais distais, já observadas entre pré-ameloblastos,</p><p>desenvolvem-se ainda mais, passando a constituir extensas fileiras. Desse modo, a formação do esmalte e, sobretudo, sua mineralização, são</p><p>reguladas exclusivamente pelos ameloblastos, em razão da resultante restrição da via intercelular.</p><p>- A fase secretora marca o início da amelogênese propriamente dita; os ameloblastos já têm todas características estruturais das células</p><p>sintetizadoras e secretoras de proteínas. O RER inicia a síntese de proteínas da matriz orgânica do esmalte, segue-se a condensação e</p><p>empacotamento no C. Golgi e, posteriormente, os grânulos de secreção migram para o polo distal, sendo liberados nos espaços intercelulares</p><p>e sobre a dentina do manto (que está consolidando sua mineralização).</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>- A composição da matriz do esmalte é basicamente proteica (natureza não colágena), contendo</p><p>ainda carboidratos e lipídios. As proteínas envolvidas mais importantes são as amelogeninas</p><p>(mais abundantes e hidrofóbicas, ricas em prolina), ameloblastinas (glicoproteínas sulfatadas),</p><p>bem como as enamelinas e as tuftelinas (ambas fosfoproteínas glicosiladas acídicas).</p><p>- A mineralização inicial chega apenas até 15% do total da matriz recém-formada, sendo, portanto,</p><p>o esmalte jovem constituído principalmente por componentes orgânicos. Os primeiros cristais de</p><p>mineral, ou seja, de hidroxiapatita, são depositados em contato direto com a dentina do manto, que, neste estágio,</p><p>forma uma camada mineralizada contínua. Desse modo, forma-se uma primeira camada mais ou</p><p>menos homogênea de esmalte, com os cristais de mineral alinhados perpendiculares à dentina.</p><p>Acredita-se que sejam os cristais de fosfato de cálcio da dentina do manto os agentes responsáveis para</p><p>desencadear esse processo no esmalte, em associação com algum componente da matriz do esmalte.</p><p>- Como consequência da deposição da primeira camada de esmalte, os ameloblastos afastam-se</p><p>em direção ao estrato intermediário, desenvolvendo uma curta projeção cônica a partir do seu</p><p>citoplasma distal, o processo de Tomes. O aparecimento dessa nova estrutura no polo distal</p><p>inicia a segunda parte da fase secretora, em razão dessas projeções passarem a comandar a</p><p>orientação do esmalte em formação.</p><p>- Enquanto a camada de ameloblastos secreta ativamente e apresenta, no conjunto, sua porção distal com</p><p>aspecto serrilhado, em razão dos processos de Tomes, os outros componentes do órgão do esmalte</p><p>sofrem também modificações: células do estrato intermediário passam a exibir alta atividade da enzima</p><p>fosfatase alcalina enquanto o retículo estrelado perde parte de seu material intercelular. Como</p><p>consequência disso, a tonalidade do órgão do esmalte, na região correspondente à matriz em formação,</p><p>sofre colapso, tornando possível a aproximação entre a camada de ameloblastos e o folículo dentário,</p><p>de modo que o folículo passa a representar a única fonte de nutrição, pois a dentina calcificada impede a</p><p>passagem de nutrientes provenientes dos vasos sanguíneos da papila dentária. Ainda, nesse estágio, vasos</p><p>sanguíneos do folículo penetram na região do folículo estrelado pelas invaginações do epitélio externo.</p><p>- Após a formação dos processos de Tomes, os ameloblastos formam um esmalte</p><p>estruturalmente diferente, constituído pelo arranjo de cristais de mineral em unidades</p><p>denominadas prismas, devido à mudança na movimentação dos ameloblastos durante a</p><p>deposição da matriz e mineralização. É o esmalte prismático. Com o avançar da secreção,</p><p>os outros componentes do órgão do esmalte (estrato intermediário, retículo estrelado e</p><p>epitélio externo) completam seu colapso, passando a compor uma só estrutura</p><p>constituídas por duas ou trêscamadas de células pavimentosas, adjacente à camada</p><p>ameloblástica. Tais processos ocorrem,</p><p>por morte celular programada – apoptose.</p><p>- Ao finalizar a fase secretora, o ameloblastos não mais apresentam o processo de</p><p>Tomes; antes disso, entretanto, mais algumas camadas podem ser ainda depositadas,</p><p>estabelecendo o esmalte aprismático superficial (o esmalte aprismático constitui também a primeira camada de esmalte a ser depositada).</p><p>• FASE DE MATURAÇÃO: é caracterizada por uma fase transicional e por uma fase de maturação propriamente dita – após a deposição da fina</p><p>camada de esmalte aprismático, antes do esmalte começar a se mineralizar, grande parte dos ameloblastos sofre apoptose e os restantes</p><p>reduzem sua altura e diminuem suas organelas relacionadas com a síntese e secreção, apresentando-se como células cilíndricas baixas com</p><p>superfície distal lisa ou com dobras. Além disso, o alto conteúdo de amelogeninas é reduzido nessa fase, já</p><p>que elas inibem o crescimento de cristais.</p><p>- A fase de maturação é a mais longa da amelogênese e nela se completa toda a mineralização restante</p><p>(97% mineralizado ao final). Consiste em um processo cíclico de mineralização denominado modulação</p><p>ameloblástica onde se alternam as terminações lisas e rugosas das células. Enquanto as lisas estão</p><p>envolvidas na remoção de elementos orgânicos e água, as rugosas participam no rápido bombeamento de</p><p>íons de cálcio e fosfato para a matriz, tornando possível também o rápido crescimento dos cristais de hidroxiapatita. Assim, ocorre um</p><p>processo cíclico de degradação da matriz orgânica, para depois formação de uma estrutura mineralizada.</p><p>• FASE DE PROTEÇÃO: uma vez completada a maturação do esmalte, os ameloblastos perdem a ondulação na superfície distal, a qual se torna</p><p>definitivamente lisa. A altura das células diminui ainda mais, tornando-se cúbicas, e elas secretam um material semelhante ao da lâmina basal,</p><p>que é depositado sobre o esmalte recém-formado. São formados também hemidesmossomos que ligam os ameloblastos a essa lâmina basal.</p><p>Estabelece-se assim, com a camada de ameloblastos protetores, o epitélio reduzido do esmalte, estrutura que reveste a coroa até sua</p><p>erupção na cavidade oral, separando-a do conjuntivo adjacente.</p><p>ESTRUTURA DO ESMALTE: o esmalte maduro tem a maior parte da sua espessura constituída por unidades estruturais em forma de barras,</p><p>denominadas primas. As zonas periféricas dessas barras, chamadas regiões interprismáticas, completam a estrutura cristalina do dente.</p><p>• Prismas: são barras ou colunas mais ou menos cilíndricas que se estendem desde a camada estreita de esmalte aprismático depositada em</p><p>contato com a dentina do manto até a superfície externa do esmalte (que pode ser recoberta em algumas regiões superficiais por outra</p><p>camada de esmalte aprismático). Os cristais de hidroxiapatita dispõem-se seguindo mais ou menos o eixo do prisma, mas a exata orientação</p><p>no sentido longitudinal só se mantém na região central do prisma; daí para a periferia, a orientação dos cristais</p><p>muda. Os prismas possuem uma estrutura semelhante a fechadura, sendo reconhecidos uma cabeça, uma</p><p>cauda e uma bainha (matriz orgânica – não tem cristais).</p><p>• Estrias ou linhas incrementais de Retzius: em cortes histológicos por desgaste, visualizam-se</p><p>linhas paralelas mais escuras que refletem os períodos de repouso na formação do esmalte,</p><p>indicando as leves mudanças de direção dos ameloblastos quando recomeçam a deposição da matriz</p><p>durante a formação dos prismas.</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>• Estriações transversais: leves estriações observadas em algumas regiões</p><p>de esmalte desgastado, supõem-se que estão relacionadas ao ritmo</p><p>circadiano na produção do esmalte pelos ameloblastos.</p><p>• Esmalte nodoso: as leves curvaturas dos primas, que determinam seu</p><p>trajeto sinuoso, não interferem no arranjo nas superfícies laterais da coroa</p><p>nem nas vertentes das cúspides. Entretanto, na região dos vértices</p><p>das cúspides, alguns prismas entrecruzam-se irregularmente uns com os</p><p>outros desde a junção amelodentinária até a superfície externa do vértice</p><p>da cúspide, constituindo a região denominada de esmalte nodoso.</p><p>• Tufos: lembram tufos de grama; são finas e curtas fitas onduladas que se originam na junção amelodentinária, alcançando no</p><p>máximo um terço da espessura do esmalte – são regiões hipomineralizadas que contêm a proteína tufelina.</p><p>• Lamelas: são também áreas hipomineralizadas em forma de fita, porém, são mais longas, alcançando frequentemente a superfície externa</p><p>do dente. Ambos, tufos e lamelas, são possivelmente geradas nos momentos finais da maturação.</p><p>• Fusos: deposição de matriz inorgânica ao redor do prolongamento do odontoblasto que atinge o limite amelodentinário; são continuações</p><p>dos túbulos dentinários.</p><p>• Junção amelodentinária: é a superfície de contato entre o esmalte e a dentina subjacente, bastante ondulada.</p><p>COMPLEXO DENTINA-POLPA</p><p>A dentina é um tecido mineralizado de natureza conjuntiva que constitui a maior parte da estrutura do dente, sendo recoberta pelo esmalte,</p><p>na porção coronária, e pelo cemento, na porção radicular. Ela aloja em seu interior um tecido conjuntivo não mineralizado – a polpa dentária</p><p>– com o qual tem muitas características em comum referentes a origem e função, sendo os dois intimamente ligados e constituindo o</p><p>complexo dentina-polpa.</p><p>• A dentina é uma estrutura avascular que não apresenta células em seu interior. Apenas os prolongamentos dos odontoblastos estão dentro</p><p>de túbulos que percorrem desde a polpa até a junção amelodentinária. Além disso, a dentina apresenta algumas semelhanças com o tecido</p><p>ósseo, ainda que tenha maior dureza, dado seu conteúdo mineral maior que o do osso (70% na forma de hidroxiapatita, 18% de material</p><p>orgânico e 12% de água). Apresenta cor branco-amarelada, que é parcialmente observada desde o exterior em razão da translucidez do</p><p>esmalte. É mais radiopaco que o osso e menos que o esmalte.</p><p>• A polpa, por sua vez, é um tecido conjuntivo não mineralizado ricamente vascularizado e inervado, rodeado inteiramente pela dentina. Se</p><p>comunica com o ligamento periodontal, outro tecido conjuntivo, pelo forame apical e pelas foraminas acessórias.</p><p>DESENVOLVIMENTO (DENTINOGÊNESE): a dentinogênese compreende o processo de formação da dentina, no qual células da periferia da</p><p>papila dentária (polpa primitiva) diferenciam-se em odontoblastos, que são as células responsáveis pela formação da dentina.</p><p>• DIFERENCIAÇÃO DOS ODONTOBLASTOS: durante a fase de câmpanula, as células do epitélio interno do órgão do esmalte sofrem inversão</p><p>da polaridade, constituindo os pré-ameloblastos. Esses parecem ter uma influência na indução da diferenciação das células ectomesênquimais</p><p>(pequenas, de forma fusiforme, núcleo central em um citoplasma escasso com poucas organelas) em pré-odontoblastos, que param de se</p><p>dividir e aumentam de tamanho graças ao desenvolvimento de organelas de síntese e secreção de proteínas, diferenciando-se nos</p><p>odontoblastos. Tal indução é mediada pela lâmina basal da interface epitélio-ectomesênquima com a participação de fatores de crescimento,</p><p>integrinas e matriz celular. Assim, simultaneamente com a diferenciação, ocorre a polarização dos odontoblastos, que se alongam e o núcleo</p><p>permanece na extremidade oposta ao epitélio interno, constituindo o polo proximal. Também desenvolvem-se o RER, o C. Golgi, alinhando-se</p><p>paralelamente ao eixo da célula. No polo distal dos odontoblastos, formam-se vários processos curtos. Posteriormente, com a deposição da</p><p>matriz orgânica, que resulta no consequente afastamento dos odontoblastos em direção à papila dentária, e como o avanço da polarização,</p><p>forma-se um prolongamento único – prolongamento odontoblástico –, que contém ramificações próximas ao limite amelodentinário. A</p><p>diferenciação final e sua subsequente polarização resultam no aumento da síntese de colágeno tipo I e na supressão da síntese do colágeno</p><p>tipo III, além do</p><p>aparecimento de junções comunicantes e oclusivas.</p><p>• FORMAÇÃO DA MATRIZ ORGÂNICA DA DENTINA: a matriz orgânica da dentina tem dois componentes: o fibrilar (fibrilas colágenas) e a</p><p>substância fundamental interfibrilar. As células responsáveis pela síntese e secreção dessa matriz são os odontoblastos recém-diferenciados</p><p>que assumem características estruturais típicas de uma célula sintetizadora e secretora.</p><p>• FORMAÇÃO DA DENTINA DO MANTO: o processo de formação da dentina do manto começa</p><p>com a secreção dos principais componentes da matriz orgânica (fibrilas colágenas). Simultaneamente</p><p>com a secreção delas, aparecem corpos arredondados rodeados de membrana de tamanhos</p><p>variáveis, denominados vesículas da matriz, que brotam dos odontoblastos, passando a</p><p>situar-se entre as fibrilas colágenas.</p><p>- Com o aparecimento dos primeiros componentes da matriz orgânica da dentina, os pré-ameloblastos</p><p>completam sua diferenciação, tornando-se ameloblastos – a observação de lisossomos na superfície</p><p>distal deles sugere que essas células, em conjunto com a atividade proteolítica dos odontoblastos,</p><p>é responsável pela desagregação e remoção da lâmina basal.</p><p>- Nessa etapa inicial, cada odontoblasto emite, em média, 2 a 3 processos curtos. Entretanto, quase</p><p>imediatamente, como resultado do aumento da deposição de matriz e do consequente deslocamento dos odontoblastos em sentido da papila,</p><p>tornam-se um prolongamento único, o qual se apresenta bi ou trifurcado na extremidade distal (prolongamento odontoblástico).</p><p>- Uma vez formada uma fina camada de matriz orgânica, inicia-se a deposição de mineral em seu anterior, sendo os primeiros cristais de</p><p>hidroxiapatita observados nas vesículas da matriz. Nestes primeiros momentos da mineralização da dentina do manto, não há deposição</p><p>mineral no restante da matriz orgânica. Após a mineralização da maioria das vesículas, observa-se grandes regiões eletrón-opacas</p><p>correspondente a matriz mineralizada, não sendo mais liberadas novas vesículas; tais regiões tem um centro mineralizado muito denso e, ao</p><p>redor dele, a matriz calcificada é menos densa. A continuação do processo leva ao estabelecimento de uma banda contínua de dentina</p><p>mineralizada, situada logo abaixo do esmalte; essa primeira camada constitui a dentina do manto e é produzida pelos odontoblastos em</p><p>diferenciação (odontoblastos do manto ou imaturos). Durante essa dentinogênese, começam a ser estruturadas junções intercelulares entre</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>as regiões distais dos odontoblastos, especialmente do tipo oclusivo.</p><p>• FORMAÇÃO DA DENTINA CIRCUMPULPAR: posteriormente, os</p><p>odontoblastos alcançam sua completa diferenciação e polarização</p><p>(tornando-se odontoblastos circumpulpares ou maduros) e, enquanto se</p><p>deslocam centripetamente, continuam a síntese e secreção, depositando as</p><p>moléculas de matriz orgânica. Como a formação ocorre por aposição</p><p>centrípeta, a dentina do manto é externamente adjacente a uma nova</p><p>camada de matriz não mineralizada, chamada de pré-dentina, a qual, por</p><p>sua vez, constituirá, quando mineralizada, a primeira camada de dentina</p><p>circumpulpar. Enquanto esses eventos ocorrem, os odontoblastos possuem</p><p>um único processo, o qual vai se tornando rodeado pela dentina</p><p>mineralizada na sua extremidade mais distal e pela pré-dentina.</p><p>- Inicialmente, durante a calcificação da dentina, permanece um espaço em</p><p>volta do prolongamento odontoblástico; uma vez alcançada determina espessura, começa a ser secretada pelas extremidades distais dos</p><p>prolongamentos, uma fina matriz orgânica de composição distinta (quase desprovida de fibrilas colágenas), que se mineraliza rapidamente,</p><p>tornando-se mais densa e homogeneamente calcificada que a dentina inicialmente formada. Essa camada muito fina em volta dos</p><p>prolongamentos é denominada dentina peritubular e forma a parede do túbulo dentinário em toda sua extensão. O restante da dentina é</p><p>chamado de intertubular e representa a maior parte do tecido.</p><p>- A dentina circumpulpar forma-se por aposição enquanto odontoblastos recuam em direção à papila à medida que novas camadas de pré-</p><p>dentina são depositadas, deixando o prolongamento e suas numerosas ramificações rodeadas por dentina peritubular, porém, com uma</p><p>camada muito final de material não calcificado entre eles, o espaço periodontoblástico. Assim, a parede da dentina peritubular que aloja o</p><p>prolongamento e esse estreito espaço adotam a forma de um longo túnel, denominado, por isso, túbulo dentinário. Os númerosos canalículos</p><p>oriundos do túbulo contém as ramificações do prolongamento odontoblástico. Uma vez formada cerca de metade da espessura da dentina, o</p><p>prolongamento odontoblástico começa a se retrair enquanto continua a deposição de nova pré-dentina. Com isso, as extremidades distais dos</p><p>túbulos vão tornando-se ‘’vazias’’, porém preenchidas pelo fluido dentinário, muito semelhante ao</p><p>líquido intersticial do restante do organismo.</p><p>- Como a mineralização da dentina do manto se inicia nas vesículas da matriz, a partir das quais a</p><p>mineralização progride para as fibrilas colágenas e para os espaços intefibrilares localizados em sua</p><p>volta, formam-se glóbulos de calcificação. A união desses glóbulos resulta no aparecimento de</p><p>pequenas regiões hipomineralizadas que constituem a dentina interglobular. Todavia,</p><p>após a formação de várias camadas de dentina circumpulpar, o processo de mineralização</p><p>torna-se mais regular, sendo menos evidentes as regiões interglobulares. Entretanto, a da dentina</p><p>continua a seguir um padrão globular, porém, a partir de glóbulos muito menores que se coalescem.</p><p>• FORMAÇÃO DA DENTINA RADICULAR: o início da odontogênese radicular marca o início da fase de</p><p>raiz da odontogênese. Do mesmo modo que na região coronária, em que eram necessárias as células</p><p>epitélio interno para induzirem a diferenciação dos odontoblastos, na porção radicular são também</p><p>elas que desempenham esse papel, porém, provenientes, desta vez, da bainha epitelial de Hetwig. Contudo, como não se forma esmalte</p><p>sobre a dentina radicular, as células epitelias não se diferenciam em ameloblastos; pouco tempo depois, ocorre a fragmentação da bainha,</p><p>constituindo-se os restos epiteliais de Malassez.</p><p>- A dentinogênese radicular ocorre com apenas algumas diferenças: as fibrilas colágenas mais grossas da primeira camada dispõem-se</p><p>paralelas, porém não justapostas à lâmina basal, isto é, paralelas ao eixo da raiz; os odontoblastos apresentam seus prolongamentos mais</p><p>ramificados na sua extremidade distal, próximos ao limite com o cemento. Além disso, os corpos dos odontoblastos são menos alongados que</p><p>nos da coroa, sendo, portanto, células cúbicas, em vez de cilíndricas.</p><p>• DESENVOLVIMENTO DA POLPA: a polpa deriva da papila dentária, tendo, portanto, origem ectomesênquimal. As mudanças na papila</p><p>começam na fase de campânula quando as células ectomesêquimais da sua periferia diferenciam-se em odontoblastos. O restante da papila é</p><p>constituído por células indiferenciadas,</p><p>fusiformes ou estreladas, com numerosos prolongamentos citoplasmáticos e quase desprovidas de</p><p>organelas, com uma abundante matriz extracelular com escassas e finas fibrilas colágenas e grande quantidade de substância fundamental.</p><p>- No início da fase de coroa, é evidente a vascularização da papila graças à penetração de ramos da artéria alveolar, os quais chegam até a</p><p>periferia na camada de odontoblastos secretores. As primeiras fibras nervosas na papila aparecem, entretanto, mais tarde, quando a fase de</p><p>coroa está de fato estabelecida. Com o avançar da dentinogênese, o volume da papila diminui em razão da deposição centrípeta de dentina. A</p><p>transformação da papila em polpa dentária ocorre com a diminuição da concentração de células ectomesênquimais, o aparecimento de</p><p>fibroblastos e o aumento gradual das fibrilas colágenas na matriz extracelular. O colágeno começa a distribuir-se de maneira diferente entre as</p><p>regiões coronária e radicular da polpa recém formada. A transformação se completa, portanto, durante os estágios avançados da erupção</p><p>dentária, já no aparecimento do dente na cavidade oral.</p><p>ESTRUTURAS: • DENTINA PRIMÁRIA: é a dentina formada até o fechamento do ápice radicular que, compreende, portanto a dentina do</p><p>manto e a dentina circumpulpar.</p><p>- Dentina do manto: as fibrilas são grossas e dispõem-se à princípio, perpendicularmente à lâmina basal, isto é, a futura junção</p><p>amelodentinária, enquanto na dentina circumpulpar são finas e seguem uma orientação paralela a esse limite. O grau de mineralização da</p><p>dentina do manto é um pouco menor também.</p><p>- Dentina circumpulpar: formada por estruturas tubulares que seguem um trajeto sinuoso em toda espessura da dentina, por onde passam os</p><p>prolongamentos dos odontoblastos. Esses túbulos, denominados túbulos dentinários, são delimitados por uma dentina bastante mineralizada</p><p>(a dentina peritubular). Por entre os túbulos dentinários, localiza-se uma dentina menos mineralizada (dentina intertubular). Os túbulos</p><p>podem se comunicar entre si por intermédio de canalículos (canalículos dentinários), os quais podem inclusive conter partes dos</p><p>prolongamentos do odontoblastos.</p><p>- Linhas incrementais: a formação da matriz orgânica de dentina e sua mineralização seguem um padrão rítmico: longas fases de formação da</p><p>Baixado por Ana Paula Pinheiro (anapaulaloiolapinheiro3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|12687863</p><p>dentina seguidas de curtos períodos de repouso, o que determina a formação de linhas incrementais ao</p><p>longo eixo dos túbulos dentinários (corresponde às linhas de Retzius no esmalte).</p><p>- Camada granulosa de Tomes: camada de aspecto granular observada na região mais periférica da dentina</p><p>na porção radicular dos dentes. Esses ‘’grânulos’’ representam pequenos espaços nas lamelas desgastadas</p><p>que aparecem escuros no microscópio de luz. Tais espaços ocorrem durante a formação da camada mais</p><p>externa da dentina radicular, quando os prolongamentos odontoblásticos ramificam-se excessivamente,</p><p>adotando a forma de alças ao redor dos quais é formada a dentina propriamente dita.</p><p>• DENTINA SECUNDÁRIA: é semelhante à dentina primária (dentina circumpulpar), sendo depositada durante</p><p>a vida do indivíduo (tanto nos dentes decíduos quanto nos permanentes), para repor tecidos dentinários</p><p>antigos e aumentar a camada de dentina. Por esse motivo, é também denominada de dentina fisiológica.</p><p>• DENTINA TERCIÁRIA: frente a diversos fatores, como atrição e cárie, é possível verificar a formação de outra</p><p>camada de dentina terciária do tipo reacional, que constitui uma tentativa dos odontoblastos em formar uma</p><p>barreira, restabelecendo a espessura de dentina e, tornando-se assim, mais afastados dos fatores que</p><p>representam agressão. Essa dentina reacional é irregular, não tendo, portanto, a estrutura tubular ordenada das</p><p>dentinas 1ª e 2ª. Ainda, há a dentina terciária do tipo reparativa, que é formada por células indiferenciadas da</p><p>polpa, originando-se, na maioria das vezes, um tecido semelhante ao osso primário (também denominada</p><p>dentina osteoide). Sua função é promover o reparo do tecido dentinário quando este sofre algum tipo de agressão e posterior destruição.</p><p>• PRÉ-DENTINA: camada de matriz não mineralizada que separa a dentina calcificada dos corpos celulares dos odontoblastos, evitando o</p><p>contato da parte mineralizada com a polpa, que poderia reabsorvê-la se houvesse o contato. É constituída de fibrilas colágenas e maior</p><p>quantidade de proteoglicanos/glicosaminoglicanos que a dentina mineralizada.</p><p>• POLPA DENTÁRIA: tecido conjuntivo frouxo com duas camadas periféricas: camada de odontoblastos e região subodontoblástica.</p><p>- Odontoblastos: dispõem-se em paliçada, constituindo uma só camada de células colada à pré-dentina, contornando a periferia da polpa</p><p>dentária e estabelecendo numerosos contato pelas junções intercelulares, de modo a compartimentalizar a dentina em relação à polpa.</p><p>- Região subodontoblástica: encontra-se logo abaixo da camada de odontoblastos e difere-se em duas zonas: pobre e rica em células.</p><p>Zona pobre em células: a mais periférica, é atravessada por numerosos prolongamentos das células subjacentes, estabelecendo contato entre</p><p>eles e com as superfícies basais dos odontoblastos. Apresenta numerosos vasos sanguíneos, que constituem o plexo capilar, cujas ramificações</p><p>penetram até a camada odontoblástica. A zona é também atravessada por fibras nervosas que se dirigem para os odontoblastos, podendo</p><p>alcançar a pré-dentina e a parte inicial dos túbulos dentinários.</p><p>Zona rica em células: subjacente, essa zona é constituída pelos corpos das células que emitem</p><p>seus prolongamentos para a zona acelular. Essas células têm, em maioria, forma bipolar,</p><p>apresentando também prolongamentos que se dirigem para a região central da polpa. Embora</p><p>algumas dessas células sejam fibroblastos (quase todas em estado de repouso), a maioria são</p><p>células indiferenciadas.</p><p>- Região central da polpa: as células mais abundantes são os fibroblastos em diversos estados</p><p>funcionais com seu aspecto fusiforme, núcleo central ovoide e longos prolongamentos, além de</p><p>citoplasma com organelas de síntese e secreção de proteínas, refletindo sua capacidade de</p><p>renovar os elementos da matriz extracelular, principalmente o colágeno. É encontrado também</p><p>células indiferenciadas, macrófagos e linfócitos, etc. A matriz extracelular é constituída por</p><p>elementos fibrosos (colágeno mais abundante) e substância fundamental.</p><p>INERVAÇÃO DO DENTE E SENSIBILIDADE DENTINOPULPAR: nervos que contém fibras sensoriais</p><p>provenientes do nervo trigêmeo e ramos simpáticos do gânglio cervical superior penetram pelo forame apical e pelos forames acessórios</p><p>como grandes feixes. Esses feixes, constituídos por axônios mielínicos e não mielínicos atravessam a polpa do canal radicular, chegando, assim,</p><p>até a câmara pulpar, onde ramificam-se em direção à periferia. A maioria termina no plexo subodontoblástico, alguns chegam a atravessar a</p><p>camada de odontoblastos e poucos chegam até os túbulos dentinários.</p><p>• Qualquer estímulo no complexo dentina-polpa (bacteriano, térmico, mecânico ou químico) é sempre traduzido em dor, além de que regiões</p><p>diferentes da dentina têm graus de sensibilidades diferentes. A maior sensibilidade dolorosa se dá tanto na dentina superficial, próxima à</p><p>junção amelodentinária, quanto na dentina profunda, próxima à polpa.</p><p>SUPRIMENTO VASCULAR DA POLPA: artérias de pequeno calibre provenientes das artérias alveolares superior e inferior penetram na polpa</p><p>pelo forame apical e dos forames acessórios. Atravessam longitudinalmente o canal radicular em direção à câmara pulpar, enviando pequenos</p><p>ramos colaterais que chegam até a região subodontoblástica em que se ramificam intensamente, constituindo um plexo vascular. Capilares</p><p>muito finos atravessam a zona pobre em células chegando até a camada odontoblástica, na qual formam alças entre os odontoblastos. Uma</p><p>vez que o dente completa sua formação,</p>