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COMPLEXO DENTINA-POLPA Complexo dentina-polpa se refere a relação desses tecidos do ponto de vista topográfico. Na região radicular a dentina é revestida por cemento e na região coronal é revestida por esmalte. A separação da coroa e da raiz é perceptível pela junção amelocementária. A câmara pulpar e o canal radicular são ocupados pela polpa e constituído de tecido dentinário. A dentina e a polpa são originadas da mesma célula, estão relacionados topograficamente, além disso são funcionalmente relacionadas, pois no tecido pulpar existem células que irão se diferenciar em odontoblastos para produzir o tecido dentinário. DESENVOLVIMENTO A dentina e a polpa se originam da papila dentária. É na fase de campânula avançada que inicia a dentinogênese, fase de diminuição de proliferação e início de morfogênese. A dentinogênese se inicia, mais especificamente no ponto de dobra inicial que se configura o vértice da futura cúspide. A inversão de polaridade dos pré-ameloblastos induz, por de sinalizadores químicos, a diferenciação citológica dos pré-odontoblastos, as quais antes eram fusiformes, estreladas com prolongamentos e passam a aumentar o citoplasma, se enriquecer com células secretoras e seus núcleos se voltam para o polo proximal e no polo distal ocorre a secreção da dentina. A partir do momento em que ocorre o aumento do citoplasma, eles passam de pré-odontoblastos para odontoblastos. CARACTERISTICAS DA DENTINA A dentina tem uma dureza superior ao osso, mas inferior ao esmalte. A dentina é constituída por: 85% de Colágeno 1; 5% de Colágenos 3 e 4; 10% de componentes não colágenos (sialoproteína dentinária, fosfoproteína dentinária, proteínas da matriz dentinária 1, 2 e 3, proteínas morfogenéticas dentinária, osteopontina, osteocalcina, osteonectina, decorin, biglican, osteoaderin, proteínas séricas). DENTNOGÊNESE 1. Diferenciação dos odontoblastos 2. Formação da matriz orgânica da dentina 3. Formação da dentina do manto 4. Formação da dentina circumpulpar 5. Formação da dentina radicular 6. Desenvolvimento da polpa ✓ DIFERENCIAÇÃO DOS ODONTOBLASTOS A associação entre órgão do esmalte e papila dentaria é essencial para a diferenciação citológica e funcional dos ameloblastos e odontoblastos. As células ectomensenquimais da papila dentaria se diferenciam em odontoblastos, sendo assim os odontoblastos em diferenciação são células alongadas, o núcleo é voltado para o próximo proximal e o polo distal contém um prolongamento único que se ramifica em sua terminação. A matriz depositada vai sair desses prolongamentos e com a deposição e mineralização dessa dentina, os prolongamentos são retidos lá. Células do epitélio interno do órgão do esmalte (cilíndricas baixas ou cubicas com núcleos centrais) → tornam-se pré-ameloblastos (células fracamente cilíndricas e núcleos voltados para estrato intermediário) → odontoblastos em diferenciação (células da periferia da papila dentaria tornam-se maiores com muitas organelas e inicia, a polarização dos núcleos) → secretam matriz orgânica da dentina Os componentes da matriz orgânica da dentina são produzidos pelos odontoblastos. ✓ FORMAÇÃO DA MATRIZ ORGÂNICA DA DENTINA Primeiramente no Complexo de Golgi e no Reticulo endoplasmático, grânulos de secreção são formados e liberados por exocitose. Serão secretados na porção distal, a matriz orgânica em forma de grânulos de secreção. ✓ FORMAÇÃO DA DENTINA DO MANTO Primeira camada de dentina formada, pelos odontoblastos em diferenciação. Composta de fibrilas de colágeno e vesículas da matriz são os elementos mais importantes. Essa dentina do manto vai fazer interface com o esmalte e formará a junção amelodentinária. Quando os odontoblastos finalizam a deposição dessa dentina do manto, serve de estimulo para os pré- ameloblastos terminarem sua diferenciação e produzem o esmalte, então a DENTINOGÊNESE antecede a AMELOGÊNESE. Fibrilas de colágenos, na região que faz interface com os pré-ameloblastos, são perpendiculares à superfície dos pré-ameloblastos. A medida que ocorre a diferenciação dos odontoblastos, eles apresentavam corpos curtos e múltiplos prolongamentos citoplasmáticos curtos, que vão se alongando e os prolongamentos vão tornando-se longos e únicos (apenas com uma ramificação terminal, bi ou trifurcado), que ficarão contidas no interior da dentina do manto. O aumento da produção da dentina favorece o deslocamento dos corpos celulares dos odontoblastos em direção a papila dentaria e o alongamento dos prolongamentos únicos e ramificados. A mineralização da dentina do manto inicia nas vesículas de matriz. A dentina do manto tem uma espessura que varia de 10-30nm, enquanto os odontoblastos ainda estão em diferenciação. Geralmente quando a produção de dentina atinge 50% de sua formação, o prolongamento do odontoblastos se retraem. ✓ FORMAÇÃO DA DENTINA CIRCUMPULPAR Inicia-se com diferenciação completa dos odontoblastos. Os odontoblastos deslocam-se centripetamente (aposição centrípeta) Aqui os odontoblastos passam a produzir uma matriz que já não tem as vesículas de matriz, vai ser constituídas por FIBRILAS DE COLÁGENOS + MOLECULAS PROMOTORAS DE MINERALIZAÇÃO. A associação desses dois componentes da matriz serve como gatilho para a mineralização, assim fazendo a calcificação da matriz orgânica. A produção de dentina circumpulpar se inicia com a finalização da diferenciação dos odontoblastos e perpetua por toda a vida. A dentina é formada por aposição centrípeta. Na porção distal, vai se manter uma camada de dentina não mineralizada, que é a Pré dentina, essa é a dentina recém depositada que vai dando lugar a uma dentina mineralizada. Quando se atinge 50% da produção de dentina, há o aparecimento de uma parede de dentina, a qual não é composta por fibrilas, é homogênea e hipermineralizada que irá revestir os prolongamentos dos odontoblastos, essa dentina se chama Dentina Peritubular que irá constituir os túbulos dentinários – espaço constituído pela dentina peritubular que é ocupado pelos prolongamentos, porém esses prolongamentos se retraem e o espaço que ficará desocupado, é chamado de Espaço periodontoblástico, será preenchido por fluido dentinário. A dentina interbular é a dentina que fica entre os túbulos dentinários, mas é um tipo de dentina circumpulpar. Recapitulando, o TUBULO DENTINÁRIO é constituído pelo prolongamento odontoblástico + fluido dentinário. Em relação a mineralização da dentina circumpulpar, ocorre por um padrão globular. São formados glóbulos de mineralização ou calcosferitos, que vão crescendo. As áreas que não se comunicam, são chamadas se dentina interglobular, essa região é hipomineralizada. ✓ FORMAÇÃO DA DENTINA RADICULAR Células epiteliais da camada interna da bainha epitelial de Hertwig induzem a diferenciação dos odontoblastos. No estagio de campanula tem as alças cervicais que em determinado momento formam uma angulação acentuada, que forma o diafragma epitelial, a partir de então a há um crescimento apenas para cima dando origem a bainha de Hertwig, o epitélio interno vai induzir a diferenciação das células da papila dentária em odontoblastos e assim produzir a dentina radicular, após isso há a fragmentação da bainha. Fases importantes da formação da dentina radicular: 1. Os odontoblastos apresentam seus prolongamentos mais ramificados. 2. Corpos dos odontoblastos da porção radicular são menos alongados. 3. Fibrilas colágenas da primeira camada da dentina radicular dispõem-se paralelas ao longo do eixo da raiz. TIPOS DE DENTINA Dentina Primaria → até o fechamento do ápice radicular. A dentina do manto e a dentina circumpulpar. Dentina Secundária → após o fechamento do ápice radicular. Dentina circumpulpar. Dentina Terciária → frentea uma agressão (ex: carie, atrito), em que se forma uma barreira para separar o agressor do tecido pulpar. Dentina reacional, onde é irregular, má formada atubular e Dentina reparativa, produzida por células indiferenciadas do tecido ósseo imaturo. ESTRUTURA DA DENTINA DO MANTO → A mineralização inicia-se nas vesículas de matriz. Dentina do manto tem um padrão de mineralização globular, é menos mineralizada, compõe a junção amelodentinária, tem intimidade com esmalte. As fibrilas de colágeno são mais grosseiras, a ponto de visualiza-las em cortes histológicos, essas são chamadas Fibras de Von Kroff Os túbulos dentinários não tem dentina peritubular. ESTRUTURA DA DENTINA CIRCUMPULPAR→ Constitui a maior parte da espessura total da dentina. Características é a presença dos túbulos dentinários, revestidos pela dentina peritubular, a presença da dentina intertubular que contém as fibrilas de colágenos perpendiculares aos túbulos. Os túbulos percorrem toda a espessura da dentina e seguem um trajeto sinuoso, entre os túbulos há os canalículos dentinários que interligam os túbulos entre si. Espaço periodontoblástico – um espaço virtual ocupado por fluido dentinário, há uma fina camada revestindo a parede dos túbulos, a Bainha de Neumann, que é uma fina matriz não mineralizada. O túbulo dentinário vai se afunilando, visto que o prolongamento também vai se afunilando, ele é mais largo próximo a polpa e mais fino próximo a junção AD. Em relação as fibrilas colágenas da dentina intertubular se orientam perpendicularmente em relação aos túbulos. A dentina interglobular são áreas de hipomineralização frente a fusão inadequadas dos glóbulos de calcificação, localizam-se, predominantemente na interface da dentina do manto com a dentina circumpulpar. A dentina circumpulpar segue um processo de formação rítmica, com longos períodos de produção e pequenos intervalos de pausas, o que geram LINHAS DE VON EBNER, que são linhas incrementais perpendiculares ao longo do eixo dos túbulos. É uma camada na porção mais externa da dentina radicular, onde há uma intensa ramificação dos prolongamentos odontoblásticos. ESTRUTURA DA DENTINA SECUNDÁRIA → Uma dentina formada após o fechamento do ápice radicular, produzida ao longo de toda a vida, produção mais lenta, estruturalmente similar a dentina primaria. Alguns sítios podem ter maior deposição como o assoalho da câmara pulpar e a região lingual ou palatina dos dentes. ESTRUTURA DA DENTINA TERCIÁRIA → Formada frente a uma agressão e tem estrutura irregular, pode ser REACIONAL – irregular, sem estrutura tubular ou REPARATIVA – dentina do tipo osteóide. PRÉ-DENTINA → Camada não mineralizada que permanece no dente adulto separando os odontoblastos da dentina mineralizada. Constituída por fibras colágenas e contem maior quantidade de proteoglicanos e glicosaminoglicanos que a dentina mineralizada. DESENVOLVIMENTO DA POLPA Tem inicio na fase de campanula, quando os odontoblastos iniciam a sua diferenciação, até os estágios mais avançados da erupção dentária. • Transformação da papila em polpa dentaria, tem alguns eventos: Campânula → diferenciação dos odontoblastos Inicio da fase de coroa → penetração de ramos da artéria alveolar, para vascularizar esse tecido Fase de coroa estabelecida → primeiras fibras nervosas, diminuição das células ectomensenquimais, aumento dos fibroblastos, aumento de MEC. Estágios avançados da erupção dentária → completa a transformação da papila em polpa. ESTRUTURA DA POLPA Formada por tecido conjuntivo frouxo com duas camadas periféricas: camada de odontoblastos e região subodontoblástica. CAMADA DE ODONTOBLASTOS → Responsável pela formação de dentina. Constituída pelo corpo e prolongamento dos odontoblastos, que possuem formato cilíndrico, seu núcleo é polarizado voltado para o polo proximal. A organização é em paliçada. Seu principal constituinte é o colágeno tipo 1, o prolongamento tem diâmetro maio na base e vai afunilando na extremidade. A camada na região da coroa se arranja de forma pseudoestratificada. REGIÃO SUBODONTOBLÁSTICA → Se divide em duas zonas: uma mais periférica, denominada zona pobre em células e outra subjacente chamada zona rica em células. ZONA POBRE EM CÉLULAS → Também chamada Zona de Weill, comporta os prolongamentos celulares e vasos sanguíneos e fibras nervosas. ZONA RICA EM CÉLULAS → contem corpos celulares bipolares, podem ter fibroblastos, nessa zona contem bastante células mesenquimais indiferenciadas. REGIÃO CENTRAL DA POLPA → Composta por tecido conjuntivo frouxo singular, não tem abundancia em células tronco e sim em fibroblastos e fibrócitos. Contem macrófagos e linfócitos que irão reconhecer patógenos e agir na defesa. Sua MEC é composta de colágenos + substância fundamental – que dá o aspecto gelatinoso. VASCULARIZAÇÃO DA POLPA Vem das artérias alveolares superior e inferior que são provenientes do forame apical, atingindo a região subodontoblásticas, onde forma o plexo vascular. Capilares finos podem formar alças entre os odontoblastos. Aqui chegam também as veias e os vasos linfáticos. INERVAÇÃO DA POLPA Fibras nervosas do nervo trigêmeo penetram no forame apical. Na região subodontoblástica, forma-se o plexo de Raschkow, esses axônios que formam esse plexo podem alcançar a camada de odontoblastos e penetrar os túbulos dentinários. SENSIBILIDADE DENTINÁRIA Existem três teorias sobre a sensibilidade. A) Parte do pressuposto que por as inervações alcançarem o começo dos túbulos, estas receberiam uma percepção sensitiva, mas não explica por exemplo a sensibilidade superficial. B) Defende que o próprio prolongamento dentinário seria o transdutor do impulso, responsável pela percepção sensitiva, uma vez que são provenientes da crista neural, contudo não explica a sensibilidade superficial, uma vez que mesmo em áreas em que há uma retração dos prolongamentos, ocorre a sensibilidade. C) A teoria hidrodinâmica é a mais aceita e defende que o agressor, seja químico, físico, bacteriano, entrará em contato pelos túbulos que estão preenchidos de fluidos dentinários e então promovem uma movimentação hidrodinâmica que irá em contato com as inervações, gerando assim a sensibilidade.