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<p>V</p><p>is</p><p>a</p><p>g</p><p>is</p><p>m</p><p>o</p><p>A</p><p>a</p><p>r</p><p>t</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>e</p><p>r</p><p>s</p><p>o</p><p>n</p><p>a</p><p>l</p><p>iz</p><p>a</p><p>r</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>s</p><p>e</p><p>n</p><p>h</p><p>o</p><p>d</p><p>o</p><p>s</p><p>o</p><p>r</p><p>r</p><p>is</p><p>o</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>e colaboradores</p><p>Volume 1</p><p>A supervalorização da imagem é uma das características mais significativas do</p><p>mundo contemporâneo. As pessoas reconhecem sua importância e seu poder</p><p>buscando obter através dela o bem-estar pessoal, o sucesso profissional e a</p><p>aceitação social. E cada vez mais se submetem a procedimentos em todas as</p><p>áreas da Medicina e da Estética para melhorar sua aparência. Nesse sentido,</p><p>tem-se percebido a grande procura dos pacientes por tratamentos odontológicos</p><p>que reestabeleçam a beleza do sorriso. Tais procedimentos têm grande poder na</p><p>percepção da imagem pessoal, influenciando diretamente o senso de identidade,</p><p>autoestima e qualidade de vida.</p><p>O Visagismo, a arte de customizar a imagem pessoal, desenvolvido pelo artista plástico Philip</p><p>Hallawell, tem como objetivo a busca por soluções que expressem visualmente características positivas</p><p>de uma personalidade. Para isso, faz uso consciente dos elementos de linguagem visual artística como</p><p>linhas, formas e cores. Essas técnicas estão acessíveis por meio de uma consultoria que tem como</p><p>finalidade oferecer ao profissional uma melhor compreensão do paciente, com suas particularidades,</p><p>desejos e necessidades pessoais, para só então propor uma solução corretiva.</p><p>Dessa forma, pretendemos, através dessa obra, levar ao profissional da área uma nova</p><p>abordagem da Odontologia, buscando soluções personalizadas a seus pacientes através de um desenho</p><p>de sorriso que traduza visualmente suas principais qualidades.</p><p>Certamente, alinhado com uma das mais fortes tendências mundiais, a da personalização de</p><p>produtos e serviços, esse Livro acenderá o debate acerca dos impactos psicocomportamentais das</p><p>intervenções odontológicas e buscará colaborar na construção de uma Odontologia mais humanizada.</p><p>Bráulio Paolucci V</p><p>is</p><p>a</p><p>g</p><p>is</p><p>m</p><p>o</p><p>A</p><p>a</p><p>r</p><p>t</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>e</p><p>r</p><p>s</p><p>o</p><p>n</p><p>a</p><p>l</p><p>iz</p><p>a</p><p>r</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>s</p><p>e</p><p>n</p><p>h</p><p>o</p><p>d</p><p>o</p><p>s</p><p>o</p><p>r</p><p>r</p><p>is</p><p>o</p><p>V</p><p>o</p><p>l</p><p>u</p><p>m</p><p>e</p><p>1</p><p>B</p><p>r</p><p>á</p><p>u</p><p>l</p><p>io</p><p>P</p><p>a</p><p>o</p><p>l</p><p>u</p><p>c</p><p>c</p><p>i</p><p>e</p><p>c</p><p>o</p><p>l</p><p>a</p><p>b</p><p>o</p><p>r</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>r</p><p>e</p><p>s</p><p>2011</p><p>Visagismo</p><p>A arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Bráulio Paolucci e colaboradores</p><p>Visagismo – a arte de personalizar o desenho do sorriso - 1a Edição - Volume 1 - São Paulo:</p><p>Vm Cultural Editora Ltda., 2011</p><p>Visagismo – a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Vm Cultural Editora Ltda.</p><p>Título: Visagismo – a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Autor: Bráulio Paolucci e colaboradores</p><p>Prefácio: Robert G. Coachman</p><p>Editor de Conteúdo: Haroldo Joaquim Vieira</p><p>Editor Científico: marcelo Calamita</p><p>Coordenação de Conteúdo: Vivian Priscila Arais Soares</p><p>Padronização e Revisão de Texto: Ana Lúcia Zanini Luz</p><p>Projeto gráfico, Diagramação: Angélica Pinheiro</p><p>Tratamento de Imagem: Angélica Pinheiro e Cristina Sigaud</p><p>Capa: miriam Ribalta</p><p>Ilustrações: Eder max Ilustração e Design e Philip Hallawell</p><p>Produção: José dos Reis Fernandes</p><p>Impressão e acabamento: Ipsis Gráfica e Editora Ltda.</p><p>ISBN: 978-85-64761-02-5</p><p>Todos os direitos reservados à VM Cultural Ltda., editora proprietária. Nenhuma parte da presente publicação pode</p><p>ser reproduzida, armazenada ou transmitida por quaisquer que sejam os meios – mecânico, fotocópia, eletrônico –</p><p>sem a prévia permissão da Editora.</p><p>As imagens contidas nesta obra são naturais, sem retoque. E o texto está de acordo com o Novo Acordo Ortográfico</p><p>da Língua Portuguesa.</p><p>VM Cultural Editora Ltda.</p><p>Rua dos Otonis, 152 – Vila Mariana</p><p>04025-000 – São Paulo – SP</p><p>AUTOR: Bráulio Paolucci</p><p>Graduado em Odontologia pela Escola Federal de Odontologia de</p><p>Alfenas/MG; Especialista em Implantodontia pela Universidade de</p><p>Lavras/MG; Master in Implantology and Oral Reabilitation - European</p><p>School of Oral Rehabilitation Implantology and Biomaterials. Atualmente</p><p>atende em clínicas particulares em Minas Gerais e São Paulo. Presta</p><p>consultoria de desenho do sorriso personalizado para renomados</p><p>cirurgiões-dentistas do Brasil e do exterior. Palestrante internacional</p><p>(brauliopaolucci@yahoo.com.br - www.brauliopaolucci.com.br).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 5</p><p>6 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>AndreA ricci</p><p>Graduado em Odontopediatria e Prótese Dentária – Universidade</p><p>de Perugia; Pós-graduação em Prótese Avançada – University of</p><p>Southem California, Los Angeles; Membro ativo da Academia Eu-</p><p>ropeia de Odontologia Estética – Eaed e membro associado da</p><p>Academia Americana de Dentística Restauradora (AARD). Coautor</p><p>de vários artigos publicados em revistas internacionais (andrea@</p><p>studioriccifirenze.it).</p><p>christiAne sAuer</p><p>Graduada em Psicologia - Instituto Unificado Paulista da Uni-</p><p>versidade Paulista, com habilitação em licenciatura Plena</p><p>e bacharelado. Especializações - grupo de Estudos em Psi-</p><p>quiatria, Psicologia e Psicoterapia da Infância – Gepppi; For-</p><p>mação em Psicanálise de Adolescentes e Adultos - Instituto</p><p>Sedes Sapientiae; Psicodiagnóstico de Rorschach - Socie-</p><p>dade de Rorschach de São Paulo; Avaliação Psicológica de</p><p>Crianças e Adolescentes - Child Study Center - Universidade</p><p>de Yale (christiane.sauer@gmail.com).</p><p>GAliP Gurel</p><p>Graduado pela Faculdade de Odon-</p><p>tologia da Universidade de Istambul;</p><p>Especialista em Prótese Dentária</p><p>pela Universidade de Kentucky;</p><p>Mestre (MSc) pela Yeditepe Uni-</p><p>versity, Istambul; Fundador e presi-</p><p>dente honorário da Edad - Turkish</p><p>Academy of Aesthetic Dentistry</p><p>(Academia Turca de Odontologia Es-</p><p>tética); Presidente da Eaed - Euro-</p><p>pean Academy of Esthetic Dentistry;</p><p>Membro da American Society for</p><p>Dental Aesthetics - Asda; Diploma</p><p>de honra da American Board of Aes-</p><p>thetic Dentistry - Abad; Editor-chefe</p><p>da Quintessence Magazine, Tur-</p><p>quia. Membro do conselho editorial</p><p>da AACD journal, PPAD - Practical</p><p>Procedure & Aesthetic Dentistry e</p><p>Ejed - European Journal of Esthetic</p><p>Dentistry. Autor do livro The Scien-</p><p>ce and Art of Porcelain Laminate Ve-</p><p>neers (garipgurel@garipgurel.com).</p><p>COLABORADORES:</p><p>christiAn coAchmAn</p><p>Formado em Prótese Dentária e Odontologia - Universidade de São Paulo;</p><p>Membro da Academia Brasileira de Odontologia Estética; Participou do</p><p>Programa de Especializacão em Cerâmica - Centro de Treinamento</p><p>Ceramoart; Foi consultor da Ceramica Creation-Willi Geller; Co-</p><p>ordenador Cientifico do website de ensino odontológico www.</p><p>identalclub.com; Publica e ministra cursos internacionais nas áre-</p><p>as de Odontologia Estética, Reabilitação Oral, Cerâmica Dental e</p><p>Implantodontia. Recentemente vem trabalhando com cirurgiões-</p><p>-dentistas renomados na América e Europa, como os doutores Eric</p><p>Van Dooren (Antuérpia - Bélgica), Galip Gurel (Istambul - Turquia),</p><p>Tal Morr (Miami - EUA), Nitzan Bichacho (Tel Aviv - Israel), Mauro</p><p>Fradeani (Pesaro - Itália), Giano e Andrea Ricci (Florença - Itália),</p><p>Nikolay Bakhurinskyi (Moscou - Rússia) e no Brasil com os doutores Sid-</p><p>ney Kina, Claudio Pinho, Paulo Kano, Mario Groisman e Marcelo Calamita</p><p>(ccoachman@hotmail.com).</p><p>livio GAliAs YoshinAGA</p><p>Brasileiro, especializado em projetos especiais para o uso das tecnologias de imagem em consultó-</p><p>rios odontológicos e instituições de ensino. Foi editor de tecnologia da publicação PPAD - Practical</p><p>Procedures and Aesthetic Dentistry , EUA e da Revista Estética do Brasil. Autor de inúmeros projetos</p><p>e consultor de tecnologia de profissionais e professores brasileiros e internacionais como Robert</p><p>Gray Coachman (Brasil), Sidney Kina (Brasil), Claudio Pinho (Brasil), Rogério Zambonato (Brasil), Fran-</p><p>cisco Massola (Brasil), Eric Van Dooren (Bélgica), Mauro Fradeani (Itália), Nitzan Bichacho (Israel),</p><p>Galip Gurel (Turquia), Marcelo Calamita (Brasil), Christian Coachman (Brasil), Team Atlanta (EUA).</p><p>Palestrante internacional ministra cursos nas áreas de tecnologia em imagem digital em fotogra-</p><p>fia e vídeo; Mentor do projeto piloto dos EUA www.dentalxp.com e do portal de ensino odontológico</p><p>desenho do sorriso</p><p>É através desse processo de percepção visual condicio-</p><p>nado por arquétipos visuais (os mais básicos seriam os ge-</p><p>ométricos compostos por linhas, formas e cores) que sen-</p><p>timos algo a respeito de uma pessoa pelo simples fato de</p><p>observá-la. Não há necessidade de conversar com ela para</p><p>que sintamos simpatia, aversão ou uma gama de outros</p><p>sentimentos e emoções45. A leitura automática de aspectos</p><p>faciais, inclusive do sorriso, e sua associação a uma série</p><p>de sensações pré-programadas em nossa mente (algumas</p><p>universais e outras de significado pessoal), é que explica a</p><p>tênue relação entre esses aspectos faciais e a construção</p><p>do senso de identidade visual pessoal46.</p><p>2.3 Linguagem arquetípica</p><p>O suíço Carl Jung foi um dos grandes nomes da pisquiatria</p><p>do século 20. E mais que um psiquiatra, Jung foi um grande</p><p>pensador. A originalidade e criatividade de suas ideias se rela-</p><p>cionam à maneira de pensar e ao comportamento de todos</p><p>os seres humanos. O “pai” da Psicologia analítica encontrou</p><p>o elo entre a razão ocidental e o misticismo e simbolismo</p><p>das culturas orientais primitivas. Sua teoria psicológica fora</p><p>profundamente influenciada por pensadores como Nietzs-</p><p>che, Schopenhauer, Kant e Goethe, entre outros. Entre suas</p><p>principais ideias algumas são especialmente relevantes ao</p><p>visagismo, entre elas seu conceito de inconsciente coletivo,</p><p>o simbolismo dos arquétipos, assim como suas definições so-</p><p>bre persona, sombra, anima e animus.</p><p>2.3.1 Inconsciente coletivo</p><p>Para Jung, o inconsciente seria composto por duas ca-</p><p>madas, uma pessoal e outra coletiva, sendo o inconscien-</p><p>te pessoal composto por conteúdos individuais exclusivos,</p><p>adquiridos pela vivência de cada um em sua interação com</p><p>o ambiente cultural, educacional e suas experiências de</p><p>vida cotidiana47-48.</p><p>Já o componente coletivo seria a camada mais profunda</p><p>da psiquê compartilhada por todos os seres humanos, onde</p><p>estariam os arquétipos ou imagens primordiais, condicionado-</p><p>res de traços comportamentais pré-programados (ou instin-</p><p>tos) relacionados a situações de sobrevivência e reprodução.</p><p>Sobre o inconsciente Jung disse: “as camadas mais pro-</p><p>fundas da psiquê perdem sua singularidade individual à medi-</p><p>da que mergulham na escuridão. Nos níveis mais baixos, isto</p><p>é, quando se aproximam dos sistemas funcionais autônomos,</p><p>tornam-se cada vez mais coletivas até que se universalizam48”.</p><p>2.3.2 Arquétipos</p><p>Jung desenvolveu profunda pesquisa sobre diversas cul-</p><p>turas e civilizações e percebeu que a interpretação de deter-</p><p>minados símbolos era comum a várias dessas culturas que</p><p>existiram em tempos e locais distintos e não tiveram nenhu-</p><p>ma relação entre si. Chamou a esses símbolos de símbolos</p><p>arquetípicos ou arquétipos48.</p><p>Com a publicação de O Homem e seus Símbolos, em</p><p>1968, Jung estabelecia os parâmetros da linguagem arque-</p><p>típica. Afirmou que esses símbolos faziam parte do conteú-</p><p>do inconsciente do ser humano e que surgiam na consciên-</p><p>cia independente da vontade do indivíduo, causando reações</p><p>sentimentais e emocionais. Segundo ele, a compreensão do</p><p>conteúdo dos arquétipos seria fundamental para a interpre-</p><p>tação da linguagem dos sonhos49.</p><p>Há dois tipos de arquétipos: os que se encontram grava-</p><p>dos no inconsciente coletivo (camadas mais profundas da psi-</p><p>quê) e despertam emoções e sensações em todos os seres</p><p>humanos da mesma maneira. Estão relacionados aos proces-</p><p>sos ligados a sobrevivência e reprodução e são conhecidos</p><p>como arquétipos coletivos. Há também os arquétipos pesso-</p><p>ais, que estariam gravados no inconsciente pessoal (camadas</p><p>mais superficiais da psiquê) e seriam fortemente influenciados</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: E</p><p>de</p><p>r M</p><p>ax</p><p>Carl Jung</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>por experiências pessoais e influências culturais e ambientais.</p><p>Influenciado pela obra de Jung, Hallawell procurou demons-</p><p>trar como imagens despertavam emoções específicas e porque</p><p>artistas usaram, ao longo dos tempos, de maneira consciente</p><p>ou intuitiva, elementos visuais de significado coletivo (símbolos</p><p>geométricos) na estrutura de suas obras de forma a despertar</p><p>emoções e sensações em seus observadores45.</p><p>O objetivo do visagismo será o estudo de arquétipos visuais</p><p>coletivos ou mais especificamente o seu uso no universo das</p><p>artes visuais45-46. Os arquétipos visuais coletivos fundamentais</p><p>seriam as linhas e cores primárias ou pigmentos puros. Essas</p><p>linhas se organizam de maneira a constituirem formas bási-</p><p>cas que têm sua expressão a partir da somatória dos valores</p><p>emocionais individuais de suas linhas constituintes. Da mesma</p><p>forma as cores se unem para a formação de cores secundá-</p><p>rias e terciárias e lhe conferem significado.</p><p>Segundo Piet Mondrian as formas puras seriam “a ex-</p><p>pressão da realidade pura, livre de qualquer condicionamen-</p><p>to a ideias e sentimentos subjetivos”. O significado de uma</p><p>forma estaria implícito nas linhas de sua composição48.</p><p>2.3.3 Persona e sombra</p><p>A palavra persona tem sua origem na Grécia antiga. O</p><p>termo era usado para designar as máscaras usadas pelos</p><p>atores do antigo teatro grego. Na teoria jungana representa</p><p>a maneira como nos apresentamos ao convívio social. Signi-</p><p>fica a forma como queremos ser percebidos pelas pessoas</p><p>com quem nos comunicamos. Seu objetivo é de facilitar a</p><p>aceitação social e o convívio em sociedade, de acordo com</p><p>os papéis que ela exige. Um determinado indivíduo pode</p><p>apresentar várias personas de acordo com o ambiente em</p><p>que vive e suas exigências. Pode representar o papel de</p><p>dentista em seu consultório, de pai, irmão, filho, amigo, ma-</p><p>rido e outras possibilidades ligadas a situações de convívio</p><p>social. A persona tende a facilitar o convívio por transmitir</p><p>certa segurança ao indivíduo, impedindo que o mesmo se</p><p>exponha demasiadamente. Pode se tornar negativa quando</p><p>o indivíduo se prende a ela e permanece distanciado de sua</p><p>natureza, ocorrendo aí muitos problemas de ordem psico-</p><p>lógica. Sua compreensão e uso interessam ao visagismo,</p><p>pois na transformação da imagem, a equipe pode reforçar</p><p>a persona ou contrabalanceá-la, trazendo para a imagem</p><p>pessoal aspectos da identidade46.</p><p>No caso de intervenções de imagens mutáveis, como</p><p>cortes de cabelo, maquiagem, roupas e acessórios, pode-se</p><p>reforçá-la de acordo com as necessidades momentâneas</p><p>individuais pelo uso dos elementos visuais adequados, mas</p><p>em intervenções permanentes, como no caso da Odonto-</p><p>logia, deve-se analisar a vontade de expressão do paciente</p><p>com cuidado para não evidenciar aspectos que não tenham</p><p>a ver com sua identidade, pois com o tempo, aquela nova</p><p>imagem criada passará a influenciar o indivíduo em seu</p><p>comportamento, inclusive em seu senso de identidade de</p><p>maneira não controlada. Por esse motivo é tão importante</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 33</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: I</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>34 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a investigação prévia das razões e necessidades apresenta-</p><p>das pelos pacientes e orientá-los quanto às consequências</p><p>da execução de sua vontade de expressão.</p><p>Entende-se por sombra o centro do incosciente pessoal,</p><p>onde estariam presentes experiências pessoais, lembran-</p><p>ças de infância, e desejos rejeitados pelo indivíduo por não</p><p>estarem de acordo com as regras sociais. Quanto mais for-</p><p>te for a persona, mais elementos estarão depositados nos</p><p>“porões da psiquê humana” em forma de sombra.</p><p>Esse material psíquico denominado sombra não aceita</p><p>silenciação por vontades conscientes, de forma que de tem-</p><p>pos em tempos tende a emergir na consciência, podendo se</p><p>tornar motivo de crises. O seu reconhecimento por parte do</p><p>indivíduo e a manifestação de seu conteúdo é uma ação po-</p><p>sitiva para a saúde mental, sendo considerada como grande</p><p>fonte de inspiração para a criatividade, energias instintiva, vital</p><p>e espontânea49. Profissionais que trabalham na transforma-</p><p>ção consciente da imagem poderiam discutir previamente</p><p>com seus pacientes através da intervenção de um terapeuta</p><p>a possibilidade de trazer para a imagem pessoal algum mate-</p><p>rial pessoal reprimido, mas essa seria uma outra modalidade</p><p>de tratamento ainda por ser desenvolvida conjuntamente</p><p>com profissionais capacitados na área de Psicologia.</p><p>2.3.4 Anima e animus</p><p>Para Jung, a psiquê humana é composta por elementos</p><p>femininos e masculinos e proporções variadas e desiguais.</p><p>Ambos os sexos possuem em si aspectos do sexo oposto48.</p><p>Existe um tipo sexual ativo e inconsciente oposto àquele ma-</p><p>nifestado morfologicamente. Designa-se anima o aspecto</p><p>feminino da psiquê masculina e animus o aspecto masculino</p><p>da psiquê feminina.</p><p>2.4 Linguagem visual artística</p><p>Há tempos a humanidade busca compreender os ele-</p><p>mentos (linhas, ângulos, formas e cores) e fundamentos da</p><p>composição estética. Ambos constituem as ferramentas</p><p>básicas da linguagem visual artística, ou seja, o conjunto de</p><p>signos e símbolos usados para se comunicar com harmo-</p><p>nia e senso estético. A linguagem visual artística é a lingua-</p><p>gem do desenho45.</p><p>O estudo da linguagem visual artística surgiu no século</p><p>6º a.C. na Grécia antiga de maneira científica. Seus elemen-</p><p>tos e fundamentos começaram a ser revelados com o uso</p><p>da matemática e da ciência. Os gregos queriam criar ima-</p><p>gens que reproduzissem a realidade visual, e não apenas</p><p>a representassem através de imagens simbólicas usadas</p><p>em ritos pelos egípcios. Descobriram que o que era per-</p><p>cebido como belo era perfeito matemática e geometrica-</p><p>mente e, então, começaram a decifrar regras e fórmulas</p><p>relacionadas à estrutura, proporção, volume, movimento e</p><p>perspectiva (fundamentos) com o intuito de criar imagens</p><p>com harmonia e estética.</p><p>Esse estudo teve novo impulso na Renascença, quando</p><p>conhecimentos acerca da óptica descobertos pelos árabes</p><p>chegaram à Europa ocidental após a queda de Constantinopla.</p><p>Em Florença, na Itália, grandes mestres como Leonardo da</p><p>vinci, Michelangelo e Rafael desenvolveram a arte do realismo</p><p>visual usando os ideais e valores estéticos do Humanismo Gre-</p><p>go, com seu culto à beleza, associados aos recém-chegados</p><p>conhecimentos sobre física óptica, estudos sobre anatomia,</p><p>uso da luz, cor e perspectiva. Pela primeira vez na história da</p><p>Humanidade, o homem era capaz de criar imagens com muito</p><p>realismo, volume e profundidade de maneira consciente. Com</p><p>o domínio dos elementos e fundamentos da linguagem visual,</p><p>que até hoje norteiam o universo das artes visuais, não só era</p><p>possível criar imagens muito realistas, como também transmi-</p><p>tir através delas pensamentos, sensações e emoções46,50.</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>2.5 Elementos da linguagem visual artística</p><p>(linhas, ângulos, formas e cores e sua</p><p>interpretação visual)</p><p>O elemento fundamental da arte visual é o ponto. Invisível,</p><p>silencioso, estático, introvertido, representa o marco zero na</p><p>construção de uma imagem sobre um plano. O elemento pri-</p><p>mário da pintura. A ação de alguma força sobre o ponto em</p><p>qualquer direção produz a linha. Logo, a linha é o resultado da</p><p>quebra da imobilidade do ponto. É essencialmente dinâmica. É,</p><p>portanto, um elemento secundário da pintura. Pode ser dividi-</p><p>da em duas categorias: retas e curvas50.</p><p>2.5.1 Linhas retas</p><p>A linha reta mais simples é a linha horizontal, resultante</p><p>da movimentação do ponto sobre o plano51. Representa a</p><p>superfície sobre a qual o homem vive e se move. Sua tem-</p><p>peratura é fria e seu significado arquetípico básico é de con-</p><p>sonância com a gravidade. Por isso sua principal expressão</p><p>é de estabilidade. Pode representar obstáculo ou encerra-</p><p>mento. Outras expressões associadas: conformismo, resis-</p><p>tência, apatia, monotonia e calma.</p><p>A linha reta vertical é o oposto da horizontal, por represen-</p><p>tar o movimento do ponto contrariamente à gravidade, repre-</p><p>senta rompimento, desafio, força, poder. Sua temperatura, por-</p><p>tanto, é quente. Está relacionada à intensidade, vigor, atividade,</p><p>virilidade, controle, estruturação, divisão, objetividade, praticida-</p><p>de e liderança. A linha inclinada representa o meio termo em</p><p>relação às linhas retas vertical e horizontal e sua temperatura</p><p>transita entre o frio e o quente. Sua relação com a gravidade</p><p>sugere instabilidade, sendo por esse motivo a máxima expres-</p><p>são da tendência ao movimento e dinamismo. É relacionada à</p><p>impulsividade, ímpeto, criatividade e extroversão. Não obstante,</p><p>o ser humano sente-se inseguro ao estar debaixo de estrutu-</p><p>ras inclinadas, como uma árvore, pois se tem a sensação de</p><p>que o objeto “está caindo”. Um exemplo disso é a forte sensa-</p><p>ção de instabilidade passada pela Torre de Pisa.</p><p>As linhas curvas representam o movimento do ponto sob</p><p>a ação de duas forças simultâneas. Sugerem uma tendência</p><p>a formar um círculo em moto contínuo. Representam a transi-</p><p>ção gradual/suave entre dois planos (um plano horizontal e um</p><p>plano vertical) que de forma habitual se chocariam formando</p><p>um ângulo reto. Apresentam vários tipos: curvas amplas (sen-</p><p>suais e femininas), curvas fechadas (expressam emoções con-</p><p>turbadas e introversão), curvas interrompidas (lúdicas, festivas</p><p>e infantis), onduladas.</p><p>O sistema nervoso evoluiu por milhões de anos desde o sur-</p><p>gimento das primeiras células nervosas nos celenterados até</p><p>chegar à complexidade do cérebro humano sempre com a lei</p><p>da gravidade como uma constante; consequentemente, o signi-</p><p>ficado mais básico (arquetípico) de cada linha se dará de acor-</p><p>do com sua relação com a lei da gravidade, como se segue:</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: I</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>O encontro entre um plano vertical e</p><p>um plano horizontal forma um ângulo</p><p>reto, sendo uma transição abrupta.</p><p>Para uma transição gradual e suave,</p><p>cria-se uma linha curva.</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>36 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>2.5.2 Relação entre duas linhas retas</p><p>A relação entre duas linhas retas varia de harmonia</p><p>absoluta representada por linhas retas paralelas até o</p><p>conflito máximo representado pelo choque perpendicular.</p><p>Três tipos principais de ângulos se dão a partir do encontro</p><p>entre duas linhas retas: ângulos reto, agudo e obtuso. O</p><p>conhecimento de sua expressão visual arquetípica é impor-</p><p>tante à equipe restauradora.</p><p>O ângulo reto é composto por uma linha horizontal e</p><p>uma vertical se chocando em algum ponto sobre um plano.</p><p>Sua expressão se deverá à força de cada componente, por</p><p>exemplo, expressarão equilíbrio quando o componente hori-</p><p>zontal for do mesmo comprimento do componente vertical.</p><p>Se o componente vertical for dominante sobre o horizon-</p><p>tal expressará principalmente força. Se ao invés o domínio</p><p>ficar por parte do componente horizontal sua expressão</p><p>principal será de estabilidade.</p><p>Duas linhas retas podem formar um ângulo agudo que</p><p>expressarão características de linhas inclinadas, e sua ex-</p><p>pressão aumentará de acordo com o aumento do ângulo.</p><p>Expressam dinamismo, agressividade, capacidade perfuro-</p><p>cortante, ação e extroversão. Sua temperatura é quente.</p><p>Um ângulo obtuso perdendo cada vez mais sua força</p><p>agressiva penetrante assume uma expressão de passivida-</p><p>de e fraqueza. É frio, calmo e submisso.</p><p>2.5.3 Linhas e a construção</p><p>de formas simples</p><p>De acordo com Rufenacht52, as características geométri-</p><p>cas de uma forma determinam seu significado e suas conota-</p><p>ções psicológicas.</p><p>Para Kandinsky cada forma tem seu próprio signifi-</p><p>cado, nenhuma forma não diz nada. E disse certa vez “A</p><p>forma, mesmo quando abstrata e geométrica tem uma</p><p>ressonância interior; é um ser espiritual cujas qualidades</p><p>coincidem exatamente com aquela forma”.</p><p>É importante considerar que as linhas básicas podem se</p><p>organizar numa infinidade de formas e que sempre darão a es-</p><p>sas formas o seu significado expressivo único e primordial53-54.</p><p>As formas mais básicas formadas pelas linhas apre-</p><p>sentadas são: o círculo, o quadrado, o triângulo</p><p>equilátero</p><p>e a lemniscata45.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>Is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Eixo inclinado gera</p><p>no observador sensação</p><p>de instabilidade.</p><p>Torres gêmeas do World Trade Center: símbolo de força e</p><p>poderio norte-americano.</p><p>Linhas curvas do corpo</p><p>feminino e sua expressão</p><p>de sensualidade,</p><p>envolvimento e</p><p>feminilidade.</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>Quadrado Círculo</p><p>Kandinsky W. Ponto e linha sobre o plano. São Paulo: Martins Fontes; 1997.</p><p>Triângulo Lemniscata</p><p>O círculo</p><p>É formado a partir da ação de duas forças sobre</p><p>o ponto, de forma que seu movimento o levará a unir-</p><p>se novamente ao ponto de partida. Representa a ex-</p><p>pressão da linha curva e ângulo obtuso: maturidade,</p><p>estabilidade, passividade, calma e monotonia (repe-</p><p>tição contínua). O olho humano se desinteressa e</p><p>se cansa com a repetição. Assim como o ponto, o</p><p>círculo é introvertido, frio e, segundo Jung, simboliza</p><p>na mente humana a psiquê, o sol e a eternidade.</p><p>O quadrado</p><p>É formado por linhas retas verticais e hori-</p><p>zontais que se equilibram nessa estrutura. Sua</p><p>temperatura compreende o quente e o frio em</p><p>relação de igualdade.</p><p>Expressa equilíbrio, força, resistência, obje-</p><p>tividade, imobilidade e conservadorismo. Repre-</p><p>senta o elemento masculino da psiquê (animus).</p><p>Segundo Jung simboliza a matéria terrestre e a</p><p>realidade. Para Kandisnsky simboliza a morte51.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 37</p><p>O triângulo</p><p>É sempre formado por ângulos e linhas in-</p><p>clinadas. Geralmente pela constituição básica</p><p>de linhas inclinadas e ângulos agudos expressa</p><p>visualmente, dinamismo, jovialidade, impulso, ati-</p><p>vidade e extroversão. Pode ser um triângulo de</p><p>base horizontal com duas linhas inclinadas que</p><p>se dirigem para cima expressando certa estabi-</p><p>lidade dada pela linha horizontal que o sustenta,</p><p>simbolizando o culto a alguma divindade. Pode</p><p>ser um triângulo invertido com forte expressão</p><p>de instabilidade simbolizando o perigo.</p><p>Lemniscata Oval</p><p>Lemniscata</p><p>Constituída por linhas curvas amplas expres-</p><p>sa suavidade, sensualidade, romantismo, envolvi-</p><p>mento, lirismo e abstração. O oval é uma forma</p><p>próxima e tem sua expressão parecida à lemnis-</p><p>cata. Simboliza o elemento feminino da psiquê</p><p>(anima) e também o infinito.</p><p>2.5.4 Cores</p><p>Esta obra apresentará um conceito resumi-</p><p>do acerca do significado emocional das cores</p><p>primárias, por se tratar de um assunto de pou-</p><p>ca aplicação direta na Odontologia. No entan-</p><p>to sua explanação se faz necessária para que</p><p>o leitor compreenda ou mais especificamente</p><p>“sinta”55 como as cores assim como as formas</p><p>constituem sinais ou símbolos básicos de co-</p><p>municação visual.</p><p>RELAçãO EntRE COR, LInhAs E fORmAs:</p><p>Azul: relaciona-se às linhas horizontal e curva e ao</p><p>ângulo obtuso, assim como ao círculo e quadrado</p><p>(componente horizontal).</p><p>Vermelho: relaciona-se à linha vertical, ângulo reto,</p><p>retângulo e quadrado (componente vertical).</p><p>Amarelo: relaciona-se às linhas inclinadas, ângulo</p><p>agudo e ao triângulo.</p><p>ExPREssõEs básICAs dAs COREs56:</p><p>Azul: calma, tranquilidade, paz e frio.</p><p>Vermelho: intensidade, força, perigo,</p><p>atração sexual e quente.</p><p>Amarelo: dinamismo, vibração,</p><p>energia, alegria e quente/frio.</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>38 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>1. Fisher RS. Uma breve história da lingua-</p><p>gem. Osasco: Nova Editora; 2009.</p><p>2. Sengelaub DR. Advances in comparative and</p><p>environmental physiology 3: molecular and</p><p>cellular basis of social behavior in vertabrates.</p><p>Nova York: Balthazart; 1989. p.239-67.</p><p>3. Bickerton D. Language and species. Univer-</p><p>sity of Chicago Press; 1992.</p><p>4. Bouton ME, Peck CA (1989). Animal Lear-</p><p>ning and Behavior 17, p.188-98 Skinner</p><p>BF (1938).</p><p>5. Ramussen LEL. The sensory and communi-</p><p>cation systems. In: Mikota S, Sargent E, Ran-</p><p>glack G. Michigan: Medical Management of</p><p>the Elephant 1994;207-17.</p><p>6. Lilly JC. Communication between man and</p><p>dolphin. New York: Julian Press; 1987.</p><p>7. Aitchison J. The seeds of speech: Language</p><p>origin and evolution. Cambridge University</p><p>Press; 1996.</p><p>8. Bickerton D. Language and human beha-</p><p>vior. Seattle: University of Washington</p><p>Press; 1995.</p><p>9. Rowe N. The pictorial guide to the living pri-</p><p>mates . Nova York: Pogonias Pr; 1996.</p><p>10. Rumbaugh SS. Primate language and cogni-</p><p>tion. Social Research, LXII; 1995. p.711-30.</p><p>11. Auricchio P. Primatas do Brasil. São Paulo:</p><p>Terra Brasilis; 1995.</p><p>12. Nowak RM. Walker’s Primates of the world.</p><p>Hopkins University Press; 1999.</p><p>13. Bouton ME. Animal behavior process. Journal</p><p>of Experimental Psychology 1994;20:219-31.</p><p>14. Patterson F. In search of man: experiments</p><p>in primate communication. Michigan Quar-</p><p>terly Review 1980;95-114.</p><p>15. Darwin C. The origin of species by means</p><p>of natural selection; on the preservation of</p><p>favored races in the struggle gor life. New</p><p>York: Collier; 1859.</p><p>16. Darwin C (1872). The expression of the</p><p>emotions in man and animals. University of</p><p>Chicago Press; 1965).</p><p>17. Pinker S. The language instinct: how the mind</p><p>creates language. New York: Morrow; 1994.</p><p>18. Bickerton D. language and human behavior.</p><p>Seattle: University of Washington Press; 1995.</p><p>19. McLean P. The Triune Brain in Evolution:</p><p>Role in Paleocerebral Function. New York:</p><p>Plenum; 1990.</p><p>20. Werner H. Comparative Psychology of Men-</p><p>tal Development. New York: International</p><p>University; 1948.</p><p>21. Ungerleider LG, Mishkin M. Two visual sys-</p><p>tems. In: Ingle DJ, Goodale MA, Mansfield</p><p>RJW (eds). Analysis of visual behavior.</p><p>Cambridge: MIT Press; 1982. p.549-86</p><p>22. McGaugh JL, Intrint-Collison IB, Cahill LF,</p><p>Castellano C, Dalmaz C, Parent MB et al.</p><p>Emotion and Memory. Behavioral Brain Re-</p><p>search; 1993;58:81-90.</p><p>23 Rumbaugh SS, Shanker S, Taylor T. Apes</p><p>Language and the human mind. Oxford Uni-</p><p>versity Press; 1998.</p><p>24. Clark H, Clark E. Language Processing. In: Uni-</p><p>versals of Human Language, Greenberg J.</p><p>Stanford University Press 1978;1:225-77.</p><p>25. Armstrong E. Brains, bodies and metabo-</p><p>lism. Brain Behav Evol 1990;36:166-76.</p><p>26. Nieuwenhuys R, voogd J, van Huijzen C. The</p><p>human central nervous system: a synopsis</p><p>and atlas. 3a ed. New York: Springer;1988.</p><p>27. Rhawn J. The naked neuron: evolution and</p><p>the languages of the brain and the body.</p><p>New York: Plenum;1993.</p><p>28. Archer J. Fear in animals and man, W Sluckin</p><p>(ed). New York: van Nostrand Reinhold; 1979.</p><p>29. Souza R. Explaining emotions. Rortry AO (ed).</p><p>Berkeley: University of California Press; 1980.</p><p>30. Goleman D. Inteligência emocional. Rio de</p><p>Janeiro: Objetiva; 1995.</p><p>31. Ledoux J. O cérebro emocional: os miste-</p><p>riosos alicerces da vida emocional. Rio de</p><p>Janeiro: Objetiva; 2001.</p><p>32. The amygdala: neurobiological aspects of emo-</p><p>tion, memory and mental disfunction. Aggle-</p><p>ton JP Publisher. New York: Wiley-Liss.</p><p>33. Amaral DG, Price JL, PitKanen A, Carmicha-</p><p>el ST (1992). The amygdala: Neurobiologi-</p><p>cal aspects of emotion, memory and mental</p><p>dysfunction, Aggleton JP (ed). New York:</p><p>Wiley-Liss; 1992. p.1-66.</p><p>34. Ono T, Nishijo H. The amygdala: Neurobiolo-</p><p>gical aspects of emotion memory and men-</p><p>tal dysfunction, Aggleton JP (ed). New York:</p><p>Wiley-Liss; 1992. p.167-90.</p><p>35. Rolls ET. The amygdala: Neurobiological</p><p>aspects of emotion, memmory and mental</p><p>dysfunction, J Aggleton JP (ed). New York:</p><p>Wiley-Liss; 1992b. p.143-65.</p><p>36. LeDoux J. Sensory systems and emotion.</p><p>Integrative Psichology 1986;4.</p><p>37. LeDoux J. Emotion and the limbic system</p><p>concept. Concepts in Neuroscience;1992;2.</p><p>38. LeDoux J. Emotion, memory and the Brain.</p><p>Scientific American 1994 Jun.</p><p>39. LeDoux JE. Cognition and emotion. 1989;3:</p><p>267-89.</p><p>40. Ledoux JE. Behavioural Brain Research</p><p>1993;58:69-79.</p><p>41. Arnold MB Emotion and personality. New</p><p>York: Columbia University Press; 1960.</p><p>42. Averill J. Explaining emotions. Rorty AO (ed.).</p><p>Berkeley: University of California Press; 1980.</p><p>43. Blanchard DC, Blanchard RJ. Human ag-</p><p>gression: naturalistic approaches, Arche</p><p>J, Browne K (eds). New York: Routledge;</p><p>1989. p.94-121.</p><p>44. Cannon WB (1929). Bodily changes in pain,</p><p>hunger, fear and rage, New Iorque: Apple-</p><p>ton; 1929;2.</p><p>45. Hallawell P. visagismo: harmonia e estética.</p><p>São Paulo: Senac; 2003.</p><p>46. Hallawell, P. visagismo integrado: identida-</p><p>de, estilo e beleza. São Paulo: Senac; 2009.</p><p>47. Jung C, Carl G. O espírito na arte e ciência.</p><p>Petrópolis: vozes; 1985.</p><p>48. Jung C. O homem e seus símbolos. Rio de</p><p>Janeiro: Nova Fronteira; 1996.</p><p>49. Jung CG. Dreams. Princeton, NJ: Princeton</p><p>University, 1974.</p><p>50. Panofsky E. Significado nas artes visuais.</p><p>São Paulo: Perspectiva; 2001.</p><p>51. Kandinsky W. Ponto e linha sobre o plano.</p><p>São Paulo: Martins Fontes; 1997.</p><p>52. Rufenacht CR. Princípios da integração es-</p><p>tética. São Paulo: Quintessence; 2003.</p><p>53. Parramon JM. Le grand livre de la peinture</p><p>à láquarelle. Paris: Bordas; 1984.</p><p>54. Agnati LF, Bjelke B, Fuxe K. volume transmi-</p><p>tion in the brain. Am Sci 1992;80:362-73.</p><p>55. Cytowic RE. The man who tasted shapes.</p><p>London: Abacus; 1994.</p><p>56. Kandinsky W. Do espiritual na arte. São</p><p>Paulo: Martins Fontes; 1996.</p><p>2.6 Referências</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 39</p><p>3.1 Formação da identidade e da autoimagem</p><p>No princípio da vida, o bebê não consegue discriminar-se</p><p>dos outros e, nessa fase, a mãe desempenha um papel fun-</p><p>damental na vida do filho, que a percebe como uma exten-</p><p>são de si. Sempre que sente algum desconforto, a criança</p><p>chora e a mãe aparece para ampará-la e satisfazer suas</p><p>necessidades. Embora o pai seja muito importante para ofe-</p><p>recer acolhimento e segurança à família, sua significância</p><p>vai se desenvolver de maneira gradual no decorrer dos pri-</p><p>meiros estágios de vida do filho.</p><p>No início do segundo mês de vida, a face humana torna-</p><p>se o objeto de percepção visual preferido a todos os outros</p><p>objetos do ambiente e o bebê se dirige a ela ou a algo que</p><p>se pareça com ela virando a cabeça em sua direção sempre</p><p>que esta surge em seu campo de visão. A partir do terceiro</p><p>mês, a criança esboça uma reação de sorriso ao ver a face</p><p>humana ou algo que se assemelhe a ela, mas basta que a</p><p>pessoa se vire de perfil para que ela deixe de reconhecê-la,</p><p>o que denota que nesta fase a capacidade de reconhecer a</p><p>face humana ainda não está completamente estabelecida.</p><p>Com o progresso da maturação física, do desenvolvimento</p><p>psicológico e das contínuas trocas afetivas com a mãe, a</p><p>face materna assumirá um significado cada vez mais impor-</p><p>tante para o filho.</p><p>A maneira como a mãe acolhe e ampara o bebê no colo,</p><p>seu olhar, o tom de voz, o ritmo dos batimentos cardíacos,</p><p>seu cheiro, sua capacidade de compreensão, continência</p><p>e responsividade frente às demandas físicas e emocionais,</p><p>ou seja, a forma como ela cuida e se relaciona com o filho,</p><p>proporciona uma determinada estabilidade que permite a</p><p>formação de contornos táteis, gustativos, auditivos, visuais</p><p>e olfativos. Apesar de cada ser humano reagir de forma</p><p>particular, a relação com a mãe permite que a criança co-</p><p>mece a integrar várias impressões anteriormente dissocia-</p><p>das, formulando um registro unificado do próprio corpo.</p><p>A mãe tende a reagir com uma atitude semelhante à de</p><p>um espelho, repetindo o gestual, as expressões faciais e os</p><p>sons que o bebê emite. O espelhamento é uma das manei-</p><p>ras de a mãe criar um vínculo com o filho, pois, mostrando-</p><p>se igual a ele, estabelece uma sintonia e a possibilidade de</p><p>a criança perceber-se igual ao que vê refletido na mãe, es-</p><p>timulando sua identificação com esta imagem. Podemos</p><p>dizer que é através do espelho dos olhos da mãe e de como</p><p>ela o interpreta, segundo as fantasias e desejos que nutre</p><p>em relação ao filho, que este vai se identificando e forman-</p><p>do sua própria imagem.</p><p>identidade,</p><p>personalidade</p><p>e sua relação com a imagem</p><p>Christiane Sauer</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>40 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>A primeira forma de relação que a criança mantém com</p><p>a própria imagem no espelho é de estranhamento. Ela mos-</p><p>tra curiosidade e fascinação, embora ainda não se reconhe-</p><p>ça nesta imagem. No processo de desmame, o bebê inicia</p><p>a elaboração da separação do corpo materno, passa a per-</p><p>ceber a mãe como um todo e a estabelecer uma fixação de</p><p>sua imagem em relação aos semelhantes.</p><p>Gradativamente, a figura do pai vai ganhando impor-</p><p>tância na vida do filho e, ao explorar novos territórios, há</p><p>sempre um ponto em que ele volta seu olhar para os pais.</p><p>Certificando-se da presença deles, sente-se seguro para</p><p>continuar a empreitada na qual se aventurou. Mas esse es-</p><p>tágio de desenvolvimento logo evolui para uma espécie de</p><p>confusão entre a imagem do outro e seu próprio eu, em que</p><p>a criança confunde-se com o outro e assim, não consegue</p><p>discriminar quem é o agente da ação. É só num terceiro</p><p>momento, por volta do sexto mês de vida, que a imagem no</p><p>espelho será reconhecida como uma representação de si</p><p>mesmo. Agora, o bebê não mais se confunde com o outro e</p><p>percebe que possui uma existência própria.</p><p>Sempre que ele realiza um novo feito, volta-se para os pais</p><p>esperando sua aprovação. Inicialmente, a reação dos pais</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 41</p><p>tende a ser muito entusiasmada, mas com o tempo, esta rea-</p><p>ção vai diminuindo e a criança busca novas formas de rece-</p><p>ber sua aprovação, o que impulsiona o seu desenvolvimento.</p><p>O amor dos pais suscita a identificação com as figuras</p><p>em torno das quais a identidade primária do filho se forma.</p><p>Esta é a operação pela qual o sujeito humano se constitui</p><p>como um indivíduo e proporciona a confiança e a segurança</p><p>em que a autoestima se baseia. É o movimento de reconhe-</p><p>cimento pelo qual a criança assume através da imagem de</p><p>si que recebe do outro, que ela pode realizar-se como um</p><p>indivíduo. Isso modifica profundamente sua relação com a</p><p>formação da imagem em geral e coordena as relações do</p><p>“eu” com os seus semelhantes. Daí o fato do “eu” ser sem-</p><p>pre uma espécie de outro interiorizado integrado à imagem</p><p>que vejo no espelho, somado ao que penso e sinto de mim.</p><p>A passagem do amor incondicional que tudo aprova e</p><p>narcisisa a criança, para o condicional, em que os pais es-</p><p>peram uma imagem do filho que ele desconhece, gera ten-</p><p>sões e inseguranças, trazendo consequências para a sua</p><p>autoimagem e o reconhecimento das próprias limitações.</p><p>Entre os seis e os dez anos de idade, a criança entra</p><p>num período de latência, em que o interesse antes centra-</p><p>do nas figuras parentais desvia-se para o aprendizado e</p><p>para as amizades. Gradativamente, desenvolve-se um con-</p><p>tato cada vez maior com o mundo externo e suas relações</p><p>ampliam-se tanto qualitativa quanto quantitativamente.</p><p>A vivência interna é profundamente dependente da</p><p>experiência com o mundo exterior, e este processo contí-</p><p>nuo de projeção do mundo interno no exterior e introjeção</p><p>desses aspectos modificados pela relação do sujeito com</p><p>o meio, contribui para a maneira pela qual o desenvolvimen-</p><p>to da percepção dos mundos interno e externo vai sendo</p><p>construído. A experiência que o sujeito tem de si é fruto da</p><p>interação que ele estabelece com o meio e gera o senso de</p><p>unidade dentro de uma existência contínua, que é denomi-</p><p>nado de identidade.</p><p>O mundo interno é constituído através da incorporação</p><p>de várias identificações adotadas nos diversos níveis do de-</p><p>senvolvimento. Essas identificações vão sendo sintetizadas</p><p>e integradas como um amálgama, formando a imagem que</p><p>a pessoa tem de si, sendo que este modo de experienciar</p><p>o mundo interno é conduzido através do desenvolvimento e</p><p>no decorrer de toda a vida.</p><p>Na adolescência, os hormônios deflagram alterações</p><p>cerebrais que levam a alterações físicas, comportamentais,</p><p>psíquicas, sexuais e sociais tão acentuadas que promovem</p><p>uma crise de identidade. Em apenas três anos, o adolescen-</p><p>te adquire de 20% a 25% da estatura e 50% da massa cor-</p><p>poral definitiva, ou seja, se vê em média 30 kg mais pesado</p><p>e de 30 cm a 50 cm mais alto do que era.</p><p>A imagem corporal deixa de corresponder ao antigo re-</p><p>flexo no espelho e, diante deste estranhamento, o adoles-</p><p>cente precisará realizar um profundo processo de adapta-</p><p>ção para ajustar-se a esta nova realidade corporal, que traz</p><p>consigo reverberações identitárias, tanto no plano subjetivo</p><p>quanto no social.</p><p>Ao final da adolescência, a imagem pessoal é caracte-</p><p>rizada pela avaliação global que fazemos de nós próprios e</p><p>baseia-se na integração de uma série de fatores, tais como:</p><p>a aparência física, a capacidade intelectual, o que possuí-</p><p>mos em termos de recursos internos e materiais, os víncu-</p><p>los afetivos, os valores culturais, a sexualidade e o reconhe-</p><p>cimento dos outros.</p><p>A adolescência de ambos os sexos realiza um tortuoso</p><p>processo de separação entre pais e filhos dando origem</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>42 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a uma pessoa sexuada, desejante e dependente de que</p><p>alguém a queira. Neste sentido, a autoimagem desempe-</p><p>nha um papel muito importante para que o sujeito sinta-se</p><p>capaz de despertar o desejo e o amor alheios. Apesar do</p><p>esforço para estabelecer uma certa estabilidade, espera-se</p><p>que nesta etapa, o jovem perceba que a autoimagem possui</p><p>um valor simbólico e, portanto, mutável e flexível.</p><p>Estreitamente ligado à formação dos símbolos, encontra-</p><p>se o campo da estética e a representação do conceito do</p><p>belo. O belo, neste sentido circunscrito, é a manifestação</p><p>de todas as qualidades da personalidade incluindo a beleza</p><p>física, ou seja, é um conceito bastante amplo que supera</p><p>o que é simplesmente bonito. Assim, é importante que o</p><p>jovem amplie sua visão e inclua todas as suas qualidades</p><p>na percepção da imagem pessoal. Isso não desmerece a</p><p>beleza física, mas a coloca como um dos fatores que con-</p><p>tribui para a formação da imagem pessoal, assim como</p><p>todas as esferas da inteligência, a afetividade, o caráter, a</p><p>empatia, a criatividade, a sensibilidade, a integridade, a so-</p><p>ciabilidade, a capacidade de amar, a ética etc. Enfim, todo</p><p>o conjunto de qualidades que fazem de cada ser humano</p><p>um universo particular.</p><p>3.2 O impacto da primeira impressão</p><p>O desejo de prognosticar o interior segundo o aspecto</p><p>externo do outro é tão antigo quanto a própria humanidade,</p><p>pois entre os homens primitivos, quando um sujeito perce-</p><p>bia um reflexo de temor ou um rasgo de agressividade nos</p><p>olhos do outro, isso levava a tentar prever a necessidade</p><p>de uma reação de ataque, fuga ou aproximação com vistas</p><p>a uma colaboração. Era uma questão de sobrevivência. E a</p><p>confiança ou o receio podia ser favorecido pela compara-</p><p>ção com similaridades ou pela lembrança de episódios an-</p><p>teriores. No decorrer dos séculos, a experiência acumulada</p><p>foi sendo transmitida através das gerações.</p><p>Antes de conhecer uma pessoa, o outro só tem a sua</p><p>imagem como referência. É o impacto dessa imagem e,</p><p>principalmente, de seu rosto, que fará com que ele registre</p><p>uma impressão positiva ou negativa a seu respeito. A per-</p><p>cepção é instantânea e, vários fatores, muitos deles subje-</p><p>tivos e inconscientes, combinam-se para fazer com que a</p><p>pessoa processe a primeira impressão a respeito do outro.</p><p>São naqueles instantes iniciais em que se estabelece o pri-</p><p>meiro contato, que um sujeito abrirá ou fechará as portas</p><p>para conhecer o outro mais profundamente. Este é um pro-</p><p>cesso emocional e não racional. Acreditamos naquilo que</p><p>vemos e, apesar dos órgãos dos sentidos enganarem-se,</p><p>a percepção é cognitivamente impenetrável, ou seja, ela é</p><p>imune à correção intelectual. Um exemplo disso são as gra-</p><p>vuras do holandês Escher MC que criam efeitos paradoxais</p><p>e as ilusões de óptica. Há desenhos que nos dão a impres-</p><p>são de movimento e, apesar de racionalmente sabermos</p><p>que estão imóveis, podemos afirmar, categoricamente, que</p><p>eles se movimentam. Mesmo se o desenho for desmembra-</p><p>do e suas partes reunidas de forma a esclarecer o fenôme-</p><p>no, curiosamente a ilusão não se dissipa.</p><p>3.3 O rosto e a identidade</p><p>O corpo e o psiquismo são duas faces da mesma rea-</p><p>lidade, visto que o ser humano, como um ser total, intera-</p><p>ge sincronicamente. Por esta razão, devemos estudar as</p><p>relações entre a forma do rosto e seus elementos com a</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 43</p><p>psiquê de forma integrada, pois o todo supera a soma das</p><p>partes. Ao conhecermos as relações entre a mente e o cor-</p><p>po, desenvolvemos o autoconhecimento e a compreensão</p><p>dos outros, melhorando as relações interpessoais.</p><p>A face é a matriz da identidade e, como a maioria dos</p><p>receptores sensoriais, localiza-se próximo ao rosto; ele se</p><p>torna o portal de entrada e saída entre a interioridade e o</p><p>meio. Como os nervos que controlam os movimentos faciais</p><p>e fazem regressar as sensações a partir dos movimentos</p><p>faciais ao cérebro vão diretamente do cérebro ao rosto sem</p><p>passar pela medula espinhal. Essas ligações nervosas são</p><p>mais curtas e, portanto, mais rápidas na transmissão da</p><p>mensagem nervosa devido à proximidade entre a face e o</p><p>cérebro. Por conseguinte, fatos psíquicos são quase simul-</p><p>tâneos aos físicos, tornando a fisionomia uma fonte muito</p><p>rica de informações a respeito do sujeito e de sua interação</p><p>com o meio externo.</p><p>Paul Elkman (1980) estudou o reconhecimento das emo-</p><p>ções nas expressões faciais e constatou que movimentando</p><p>os músculos do rosto com a expressão de felicidade, após</p><p>algum tempo, os sujeitos sentiam felicidade e movimentando</p><p>os músculos do rosto com a expressão de aborrecimento,</p><p>depois de algum tempo, os sujeitos sentiam-se aborrecidos.</p><p>Quando solicitamos que uma pessoa responda com sin-</p><p>ceridade ou falsidade, microexpressões revelam se ela está</p><p>falando a verdade ou mentindo, por mais que tente esconder</p><p>ou disfarçar o que realmente está pensando e sentindo.</p><p>Muitas vezes, o corpo contradiz as palavras, pois aquele</p><p>revela as emoções enquanto estas revelam os pensamen-</p><p>tos. Como nem sempre temos consciência ou queremos</p><p>que os outros saibam de nossas reais emoções, é conve-</p><p>niente confiarmos mais no que o corpo revela do que as pa-</p><p>lavras dizem.</p><p>A forma é um processo e, como tal, não pode ser vista</p><p>como uma unidade estática. Ela é o resultado da informa-</p><p>ção que a anima e do que é duradouro. A forma do rosto</p><p>expressa o que é estrutural em termos de personalidade, e</p><p>as áreas maleáveis da face expressam a dinâmica da perso-</p><p>nalidade da pessoa.</p><p>3.4 Personalidade</p><p>A palavra personalidade deriva do vocábulo persona e</p><p>refere-se às máscaras usadas pelos atores de teatro na</p><p>Grécia antiga. Este termo comporta o sentido da variedade</p><p>de papéis desempenhados ao longo da vida, em diferentes</p><p>situações, além da interface entre a própria pessoa e o am-</p><p>biente que a cerca. A persona tem a peculiaridade de reco-</p><p>brir o rosto, protegendo-o, escondendo-o e até misturando-</p><p>se a ele, ao mesmo tempo em que revela e apresenta seu</p><p>portador. Assim, a personalidade mostra uma combinação</p><p>intersubjetiva complexa e única, tal qual uma impressão di-</p><p>gital psíquica.</p><p>Desde os tempos antigos, questões relativas à persona-</p><p>lidade ocupam a mente do homem. Buscamos desenvolver</p><p>sistemas capazes de descrever, mensurar e qualificar a</p><p>personalidade. Muitos tentaram classificá-la, sem encon-</p><p>trar terminologias que abarcassem todos os seus matizes</p><p>e nuances. Ao longo dos séculos, teorias surgiram e deba-</p><p>tes sobre o tema passaram a ser travados nos campos da</p><p>Psicologia, Filosofia, Sociologia e Medicina.</p><p>Esses questionamentos são uma tentativa de explicar</p><p>por que, apesar da essência do ser humano ser a mesma,</p><p>cada um se discrimina e elabora de forma tão particular os</p><p>aspectos de sua história,</p><p>tornando-se um ser humano único e</p><p>diferente de todos os demais, com qualidades específicas que</p><p>formam seu caráter e sua identidade pessoal. Tais caracte-</p><p>rísticas são uma combinação de fatores genéticos, biológicos,</p><p>psíquicos, cognitivos, familiares, culturais, sociais e ambien-</p><p>tais. A formação da personalidade constitui-se e diferencia-se</p><p>pela resultante da interação de todos esses fatores com a</p><p>maneira particular que cada indivíduo combina essas carac-</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>44 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>terísticas nos vínculos afetivos e na interação com o ambiente</p><p>dentro do contexto de sua história de vida.</p><p>Apesar dos aspectos estruturais da personalidade con-</p><p>solidarem-se aos 21 anos, os aspectos dinâmicos permane-</p><p>cem em processo de desenvolvimento constante pelo resto</p><p>da vida, em função da relação do sujeito com o meio. A maio-</p><p>ria dos aspectos da personalidade são inconscientes, razão</p><p>pela qual muitas vezes precisamos do auxílio de testes psico-</p><p>lógicos para avaliá-la. As técnicas projetivas são considera-</p><p>das atualmente pelos expoentes na área de Psicodiagnósti-</p><p>co como as mais eficazes em revelar os aspectos ocultos e</p><p>latentes da personalidade.</p><p>3.5 Personalidade e identidade visual</p><p>“Quando tomo uma decisão de pequena importância,</p><p>sempre considero uma vantagem ponderar sobre todos os</p><p>prós e os contras. Porém, em assuntos vitais, como a es-</p><p>colha de uma companheira ou de uma profissão, a decisão</p><p>deve vir do inconsciente, de algum lugar dentro de nós mes-</p><p>mos. Nas importantes decisões da vida pessoal, penso que</p><p>devemos ser governados pelas mais profundas necessida-</p><p>des interiores de nossa natureza” (Sigmund Freud).</p><p>O ser humano, além de ver e ser visto, pode se ver,</p><p>olhando a si mesmo no espelho. Seu rosto revela e oculta</p><p>aspectos de sua personalidade, tanto para si quanto para os</p><p>outros. A personalidade é criada desde os primórdios do de-</p><p>senvolvimento e vai sendo transformada ao longo dos anos.</p><p>Cada modificação na imagem afeta a pessoa psicologi-</p><p>camente, porque altera o modo que ela se vê e é vista e o</p><p>que revela e oculta de si, influindo em seu comportamento e</p><p>na sua relação com o mundo externo. Ao mesmo tempo, o</p><p>rosto registra a memória da vida e de como a vivemos, pois</p><p>é no rosto em que se manifestam todos os aspectos da per-</p><p>sonalidade. O formato do rosto e seus elementos, as linhas</p><p>de expressão, o grau de ativação das estruturas, o equilí-</p><p>brio e a harmonia das mesmas, as proporções e o grau de</p><p>integração e interação delas denotam fisicamente a manei-</p><p>ra de ser de cada um. Por exemplo: uma pessoa saudável,</p><p>feliz consigo mesma e satisfeita em seus relacionamentos,</p><p>tende a projetar sua felicidade na realidade, demonstrando</p><p>uma atitude ativa e confiante, o que no rosto manifesta-se</p><p>através de olhos brilhantes e vivazes e do sorriso aberto e</p><p>com os cantos inclinados para cima, chegando a provocar</p><p>a formação de algumas rugas ao redor dos olhos. Com o</p><p>tempo, as pessoas tenderão a vê-la e tratá-la como alguém</p><p>de bem com a vida e, essa pessoa, a cada vez que se olhar</p><p>no espelho e vir aquela figura realizada ou se relacionar</p><p>com alguém que a encare desta forma, reintrojetará uma</p><p>figura ainda mais positiva e se sentirá melhor do que antes,</p><p>criando um círculo virtuoso.</p><p>Os aspectos negativos da personalidade nada mais são</p><p>do que o mau uso ou o desequilíbrio de aspectos positivos.</p><p>Um bom exemplo disso é a agressividade. Se bem utilizada,</p><p>ela pode ser extremamente construtiva, no sentido de levar</p><p>o indivíduo a lutar por seus objetivos, levando-o a competir</p><p>saudavelmente de forma a superar suas dificuldades, além</p><p>de ser um importante fator na sexualidade, na colocação</p><p>de limites e, por conseguinte, na preservação da vida física</p><p>e mental. No entanto, se a agressividade estiver muito exa-</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 45</p><p>3.6 Referências</p><p>1. Spitz RA. O primeiro ano de vida. Martins Fontes; 1983.</p><p>2. Hinshelwood RD. Dicionário do Pensamento Kleiniano. Artes Médicas; 1992.</p><p>3. Freud S. Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: Obras Completas. Amorrortu 7;1993.</p><p>4. Gabarre J. Morfopsicologia: o rosto e a personalidade. A Esfera dos Livros; 2009.</p><p>5. Dunker CIL. O olhar adolescente: corpos em transição. Ediouro; [s.d.].</p><p>6. Chauí M. Convite à Filosofia. Editora Ática; 2004.</p><p>cerbada poderá gerar violência e explosividade. Se estiver</p><p>muito reduzida ou reprimida pode tornar a pessoa passiva,</p><p>incapaz de se defender, além de poder desencadear trans-</p><p>tornos de humor e de sexualidade.</p><p>Também é preciso observar os mecanismos de compen-</p><p>sação com os quais o sujeito conta para se equilibrar. Por</p><p>exemplo: um sujeito muito impulsivo pode valer-se de vários</p><p>aspectos de maior ou menor grau de desenvolvimento para</p><p>compensar esta característica, tais como: o autoconheci-</p><p>mento e controle consciente das expressões de afeto de</p><p>forma madura, juízo crítico elevado, reduzida disponibilidade</p><p>para agir e submissão às normas e padrões sociais. Caso</p><p>não disponha desses recursos, muitos destes mecanismos</p><p>compensatórios podem ser desenvolvidos ao longo da vida,</p><p>pois fazem parte dos aspectos dinâmicos da personalidade</p><p>do indivíduo.</p><p>Algumas pessoas se escondem atrás de imagens nega-</p><p>tivas ou se apegam a imagens de um passado em que se</p><p>sentiam mais seguras ou felizes, mas que não corresponde</p><p>a sua realidade atual. Há ainda, pessoas que escondem as-</p><p>pectos importantes da personalidade ou revelam uma iden-</p><p>tidade falsa, outras buscam compensar sentimentos de infe-</p><p>rioridade através da imagem, em uma tentativa de agradar</p><p>o outro ou adequar-se ao meio externo. Mesmo sendo muito</p><p>“adequadas” ou seguindo as tendências da moda, estas pes-</p><p>soas não souberam criar uma identidade própria e, por isso,</p><p>não se veem como indivíduos autônomos e autênticos, o que</p><p>se expressa através de uma imagem incongruente com sua</p><p>verdadeira personalidade.</p><p>Muitas vezes, quando uma mudança da imagem revela</p><p>uma característica que estava oculta, o sujeito pode não sa-</p><p>ber lidar com tal aspecto de sua personalidade, razão pela</p><p>qual se protegia dele, ocultando-o de si e dos outros. Caso</p><p>não disponha de nenhum mecanismo compensatório para</p><p>lidar com sua dificuldade esta alteração pode causar danos</p><p>à sua vida. Portanto, é preciso ter cautela na mudança da</p><p>imagem, pois apesar de afetar o comportamento e a auto-</p><p>estima, ela não tem o poder de alterar a estrutura da per-</p><p>sonalidade de ninguém. O mais indicado é orientar o sujeito</p><p>na construção de uma identidade visual que revele sua real</p><p>estrutura de personalidade, possibilitando que ele vivencie</p><p>plenamente suas qualidades e amenize suas dificuldades,</p><p>através de alterações nos mecanismos compensatórios ne-</p><p>cessários, expressando, desta forma, os melhores aspectos</p><p>de sua verdadeira identidade.</p><p>“O Visagismo ensina o profissional a ler a imagem da pes-</p><p>soa, o que cada linha, formato, proporção e cor expressa, e</p><p>como afeta as pessoas emocional e psicologicamente. Ensi-</p><p>na como o profissional pode ajudar seus pacientes a estabe-</p><p>lecer uma imagem pessoal que os identifiquem positivamen-</p><p>te para o mundo e para si mesmos, com um comportamento</p><p>em sintonia com o melhor de si” (Phillip Hallawell).</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem</p><p>46 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>46 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>4.1 A função define a forma</p><p>(funções mastigatória e comunicativa)</p><p>O termo morfologia tem sua origem na língua grega,</p><p>sendo que o prefixo morfos significa forma e logos signi-</p><p>fica estudo; portanto, a tradução precisa do termo seria</p><p>estudo das formas. Esse termo abrange várias áreas do</p><p>conhecimento humano, entre elas, a linguística.</p><p>No estudo</p><p>da estrutura, formação e classificação das palavras, a ma-</p><p>temática e a biologia, essa no estudo da forma de um ser</p><p>vivo ou parte dele.</p><p>Na Odontologia, morfologia é o estudo das formas que</p><p>compõe o sistema estomatognático, ou seja, o formato de</p><p>lábios, língua, músculos, estruturas ósseas de suporte, gen-</p><p>giva e dentes1.</p><p>O estudo das formas de maneira geral mudou com o ad-</p><p>vento da teoria de Louis Sullivan (1856-1924), consagrado</p><p>arquiteto americano, considerado “pai” da Arquitetura ame-</p><p>ricana moderna, que trabalhou na moderna escola de arte</p><p>Bauhaus2 e desenvolveu uma teoria sobre o estudo das for-</p><p>mas que mudaria o mundo do design e arquitetura. Segundo</p><p>ele a função de um objeto define sua forma. Esse conceito</p><p>hoje nos parece óbvio e simples demais, mas provocou gran-</p><p>de mudança no universo do desenho de objetos e arquitetu-</p><p>ra. Pensava-se mais na estética dos projetos e deixava-se a</p><p>funcionalidade para segundo plano até que Sullivan mudou a</p><p>maneira de se pensar a arquitetura, o desing e a comunica-</p><p>ção visual com seu conceito de funcionalidade3-4.</p><p>morfos</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Louis Sullivan Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u;</p><p>Il</p><p>us</p><p>tra</p><p>çã</p><p>o:</p><p>E</p><p>de</p><p>r M</p><p>ax</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 47</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 47</p><p>Na natureza a função está na base do desenho anatô-</p><p>mico de cada ser vivo. A evolução tem premiado, ao longo</p><p>de milhões de anos, características físicas que tragam</p><p>consigo alguma vantagem de sobrevivência e reprodução</p><p>para determinada espécie. A evolução se prestou a sele-</p><p>cionar aquelas formas mais apropriadas a determinadas</p><p>funções num universo de formas possíveis. Esse processo</p><p>nunca se encerra, sendo que variações ambientais exigem</p><p>novas formas para um melhor desempenho e, assim, o</p><p>processo está sempre em curso enquanto houver mu-</p><p>danças. A forma orgânica será sempre variável de acordo</p><p>com a necessidade5.</p><p>A evolução seleciona desenhos de formas mais adapta-</p><p>dos à realidade, ou seja, mais funcionais. E essas formas são</p><p>passadas para futuras gerações ao mesmo tempo em que</p><p>vão sendo aperfeiçoadas. Para a natureza a forma física ideal</p><p>desempenha determinada função com maestria, mínimo des-</p><p>gaste físico e gasto energético. Exemplos disso não faltam ao</p><p>mundo natural, como o desenvolvimento de asas para voar,</p><p>caudas e barbatanas para nadar e uma inesgotável variedade</p><p>de formas perfeitamente desenvolvidas para a execução de</p><p>tarefas que garantissem a sobrevivência e consequente re-</p><p>produção dos indivíduos de cada espécie.</p><p>Analogias de formas entre avião e pássaro,</p><p>torpedo e peixe barracuda. Formas perfeitamente</p><p>adaptadas à sua função.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u</p><p>48 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>48 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>No ambiente da Odontologia, observam-se grupos dentá-</p><p>rios que se desenvolveram em formas específicas de acordo</p><p>com sua função. Por exemplo: incisivos com formato de pá se</p><p>prestam a cortar, assim como caninos em forma de lança são</p><p>apropriados a dilacerar, enquanto molares e pré-molares com</p><p>mesas oclusais são excelentes na masseração de alimentos6.</p><p>Há de se considerar que assim como os dentes, outros elemen-</p><p>tos como ossos, gengiva, crânio e face se desenvolvem conjun-</p><p>tamente buscando a excelência da função.</p><p>A base óssea, os dentes, assim como o fenótipo periodon-</p><p>tal e a estrutura muscular possuem estrita relação entre si</p><p>de tal forma que numa face retangular (musculatura forte),</p><p>com mandíbula larga e projetada para anterior, é comum se</p><p>encontrar bom suporte alveolar e fenótipo periodontal espes-</p><p>so com larga faixa de gengiva queratinizada, dentes robustos</p><p>e com raízes longas para serem capazes de suportar e guiar</p><p>essa mandíbula em suas excursões de lateralidade, protusão</p><p>e mastigação, enquanto que em faces longelíneas e delgadas</p><p>com mandíbula pouco marcante, geralmente encontra-se fe-</p><p>nótipo periodontal delgado, com fina tábua óssea de suporte</p><p>dental e dentes mais delicados7-8.</p><p>Animais mais desenvolvidos como os mamíferos geralmen-</p><p>te apresentam arcos dentários em heterodontia ou anisodon-</p><p>tia, ou seja, grupos dentários diferentes entre si como incisivos,</p><p>caninos, pré-molares e molares. Já na maioria das demais es-</p><p>pécies, como peixes e répteis, a isodontia é mais comum, com</p><p>arcos dentários constituídos de dentes com o mesmo formato,</p><p>na maioria das vezes, pontas de lança em tamanhos variados</p><p>em todo o arco1. Em arcadas dentárias de mamíferos de gru-</p><p>pos alimentares específicos, como carnívoros, encontram-se</p><p>dentes com formas parecidas entre si, formas cônicas ou em</p><p>lança. Como caninos são comuns nesses animais e mesmo</p><p>tendo grupos dentais diferentes como incisivos, caninos e mola-</p><p>res, ambos apresentam uma forma muito parecida adequada</p><p>à função mastigatória que lhes cabem.</p><p>Os dentes humanos apresentam-se com variados for-</p><p>matos de acordo com variadas funções em detrimento de</p><p>uma alimentação onívora, ou seja, uma alimentação variada</p><p>com grupos de alimentos diversos, como sementes, carnes,</p><p>Incisivos: função de corte e incisão como uma pá. Caninos: função de perfuração e dilaceração,</p><p>como lança.</p><p>Molares: função de masseração</p><p>de alimentos como o pilão.</p><p>(a) Crânio de primata com dentes</p><p>em heterodontia e (b) Crânio de</p><p>réptil com dentes em isodontia.</p><p>a</p><p>b</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 49</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 49</p><p>frutos, verduras etc. No entanto observa-se uma grande va-</p><p>riedade de formas dentro de um mesmo grupo dentário em</p><p>nossa espécie, como incisivos, e essas variações múltiplas</p><p>de forma não são explicáveis pela função mastigatória, que</p><p>no caso de incisivos seria o corte, pois todas as formas en-</p><p>contradas de incisivos se prestam a cortar. O que estaria</p><p>por trás dessas variações de forma? Provavelmente outra</p><p>função, a comunicativa (Figuras 1a e 1b).</p><p>Não apenas os incisivos apresentam variações de forma</p><p>não explicáveis pela função mastigatória, mas também os</p><p>demais dentes, gengiva, lábios, estrutura óssea, muscular e</p><p>tegumentar, só para ficar no ambiente odontológico.</p><p>Assim como dentes e gengiva, ossos, cartilagens, múscu-</p><p>los e pele se relacionam para modelar a face, que pelo for-</p><p>mato geral e de suas feições, está intimamente relacionada</p><p>ao senso de autoimagem de cada indivíduo, sendo considera-</p><p>da como a sede da identidade visual do ser humano. Traços</p><p>de personalidade podem estar expressos na configuração</p><p>visual da face e do sorriso.</p><p>O Visagismo se propõe a estudar o significado expressivo</p><p>das formas e sua relação com aspectos da personalidade.</p><p>Para o visagista uma forma qualquer nunca se encerra em si.</p><p>Através da investigação das linhas ou arquétipos básicos de</p><p>Figuras 1</p><p>Formatos distintos de incisivos: (a) Formato oval e (b) Formato retangular.</p><p>a b</p><p>50 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>50 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>sua configuração é possível conhecer o que essa forma está</p><p>comunicando visualmente de maneira subliminar, ou seja, a re-</p><p>lação entre sua morfologia e sua função comunicativa.</p><p>4.2 Sorriso e comunicação visual</p><p>O sorriso é, desde os primórdios da humanidade, uma</p><p>fortíssima maneira de se comunicar, expressar sentimen-</p><p>tos, seduzir, aproximar, convencer, e faz isso sem precisar</p><p>de palavras. Isso é o que se chama de comunicação não-</p><p>verbal, ou seja, a capacidade de se expressar através de</p><p>gestos e/ou imagens sem o uso do artifício da linguagem</p><p>verbal9. Na situação específica do sorriso esse tipo de co-</p><p>municação se dá de duas maneiras principais: a expressão</p><p>de sentimentos e emoções através da ação muscular (diver-</p><p>sos tipos de sorrisos) e a expressão</p><p>visual dos elementos</p><p>constituintes do sorriso através de suas formas ou mais de-</p><p>talhadamente através do significado arquetípico das linhas</p><p>e cores de sua constituição.</p><p>4.3 Sorriso e expressão emocional</p><p>Entende-se por sorriso, a entidade visual representati-</p><p>va do ato de sorrir. Dentes, gengiva, lábios e músculos em</p><p>ação conjunta comunicando um estado emocional. Apenas</p><p>seres humanos, de todos os animais existentes, têm essa</p><p>capacidade. Quando se diz “sorriso”, a maioria das pessoas</p><p>o associam àqueles sorrisos da mídia, estampados na maio-</p><p>ria das capas de revistas de moda e beleza, com pessoas</p><p>expressando um estado de espírito de alegria e felicidade. No</p><p>entanto o sorriso, juntamente com os demais elementos de</p><p>expressão facial, é capaz de comunicar quase todos os es-</p><p>tados emocionais e sentimentais10-11 como simpatia, amor,</p><p>raiva, vergonha, sarcasmo, tristeza, felicidade e desconfiança</p><p>(Figuras 2). A interpretação visual da expressão do sorriso é</p><p>feita pelo cérebro do observador de maneira emocional, ou</p><p>seja, é instantânea e involuntária, representando nas mais</p><p>diversas expressões do sorriso nada mais do que símbolos</p><p>visuais arquetípicos.</p><p>Figuras 2</p><p>Boca e expressão visual.</p><p>D. Pedro I</p><p>Imagem retirada do</p><p>site do Museu Imperial,</p><p>Petrópolis/Rj.</p><p>A</p><p>na</p><p>C</p><p>ar</p><p>ol</p><p>in</p><p>a</p><p>Lim</p><p>a</p><p>(a</p><p>tri</p><p>z)</p><p>Im</p><p>ag</p><p>em</p><p>-</p><p>M</p><p>ar</p><p>ce</p><p>la</p><p>B</p><p>ar</p><p>ro</p><p>s</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 51</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 51</p><p>A representação do sorriso com dentes saudáveis à mos-</p><p>tra é um fato recente e exclusivo da sociedade moderna. Ao</p><p>longo da história da humanidade, o ser humano era repre-</p><p>sentado em pinturas e esculturas sempre com o sorriso con-</p><p>tido, sendo que nas raras imagens em que se representava</p><p>o sorriso, era como atributo negativo, significando doença,</p><p>morte ou loucura. Qualquer exposição de dentes era conside-</p><p>rada vulgar. A boca sempre representou para o ser humano</p><p>uma fonte de prazer e sensualidade12-13.</p><p>Um exemplo marcante seria o famoso sorriso de Mona</p><p>Lisa, em que ela fora representada por Da Vinci com um sor-</p><p>riso discreto e enigmático14.</p><p>Há dois tipos principais de sorriso: o autêntico ou emo-</p><p>cional e o sorriso social ou voluntário15. O sorriso autêntico</p><p>corresponde a uma reação emocional involuntária instantâ-</p><p>Figuras 3</p><p>(a) Sorriso social e (b) Sorriso autêntico com envolvimento de musculatura facial complementar como os orbiculares dos olhos.</p><p>a b</p><p>nea, que geralmente ocorre automaticamente frente à deter-</p><p>minada situação. É incontrolável e arrebatador, geralmente</p><p>concomitante à contração de mais músculos de expressão</p><p>facial, como os orbiculares dos olhos. Já o sorriso social é</p><p>produzido pelo córtex cerebral (parte pensante), é consciente,</p><p>produzido de acordo com a situação social, não expressando</p><p>emoções ou sentimentos verdadeiros, mas tem papel impor-</p><p>tante na harmonização de relações interpessoais (Figuras 3a</p><p>e 3b). É um forte elemento no processo de socialização e, cer-</p><p>tamente, facilitou aos seres humanos a vida em comunidades</p><p>formadas por grande número de indivíduos. Tende a reforçar</p><p>a imagem de cordialidade, gerar simpatia num primeiro en-</p><p>contro e facilitar acordos socioeconômicos16.</p><p>A</p><p>na</p><p>C</p><p>ar</p><p>ol</p><p>in</p><p>a</p><p>Lim</p><p>a</p><p>(a</p><p>tri</p><p>z)</p><p>Im</p><p>ag</p><p>em</p><p>-</p><p>M</p><p>ar</p><p>ce</p><p>la</p><p>B</p><p>ar</p><p>ro</p><p>s</p><p>Sorriso enigmático</p><p>de Mona Lisa.</p><p>52 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>52 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Para os profissionais da Odontologia, o sorriso pode ser</p><p>classificado, segundo a maneira como é observado, como</p><p>estático ou dinâmico. Sorriso dinâmico é aquele observado</p><p>rapidamente, ao vivo, nas mais variadas situações do dia a</p><p>dia, enquanto sorriso estático é aquele observado em foto-</p><p>grafias e pinturas, de tal forma que sua imagem é imóvel.</p><p>Na interpretação do sorriso dinâmico, outros elementos</p><p>visuais da face entram em cena, afirmando ou refutando</p><p>a mensagem passada pelo sorriso. O profissional de Odon-</p><p>tologia vai valer-se exaustivamente da análise do sorriso,</p><p>tanto estático (fotos) quanto dinâmico (filmes), com o obje-</p><p>tivo de identificar possíveis causas de insatisfação estética,</p><p>como também possibilidades restauradoras na elaboração</p><p>do plano de tratamento.</p><p>No trabalho clínico é importante ao profissional desen-</p><p>volver estratégias para conseguir de seus pacientes sorri-</p><p>sos autênticos, pelo fato de poder se observar nesse tipo de</p><p>Figuras 4</p><p>Protocolo fotográfico facial frontal para planejamento proposto por Coachman.</p><p>a b c d</p><p>sorriso o quanto de estruturas dentais e gengivais são nor-</p><p>malmente expostos em situações reais. No entanto, profis-</p><p>sionais que trabalham diariamente com imagens em seus</p><p>consultórios sabem o quanto é difícil capturar em suas len-</p><p>tes esse tipo de sorriso. Assim, é mais fácil seguir um pro-</p><p>tocolo fotográfico que utilize o sorriso voluntário como base</p><p>para uma análise dentária estética ou utilizar a filmagem</p><p>como substituto da fotografia, onde se consegue, através</p><p>do estímulo adequado do paciente, capturar situações de</p><p>sorriso autêntico com mais facilidade. E, então, a partir do</p><p>congelamento de imagens, conseguir fotografias do sorriso</p><p>emocional, além de poder observar o sorriso dinâmico em</p><p>ação17-19 (Figuras 4a a 4d). Na avaliação dinâmica do sorri-</p><p>so pode-se observar as relações dinâmicas entre dentes e</p><p>lábios, além de analisar suas relações na fala.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 53</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 53</p><p>4.4 Estruturas do sorriso e expressão visual</p><p>O terço inferior facial compreende desde a base do na-</p><p>riz até a base do mento, abrangendo toda parte inferior da</p><p>face (Figura 5). Nele encontram-se estruturas como maxila,</p><p>mandíbula, boca – incluindo lábios e estruturas intraorais –,</p><p>além de toda a musculatura e tecidos componentes do sis-</p><p>tema estomatognático. Do ponto de vista morfopsicológico,</p><p>é nesse terço que se manifestam, através de variadas for-</p><p>mas, aspectos pessoais como comunicação, sexualidade,</p><p>afetividade, vontade e agressividade.</p><p>A boca é a estrutura dominante nesse terço, sendo uma</p><p>das áreas faciais mais observadas pelo olho humano em suas</p><p>excursões pelo rosto humano20-22. Compreende-se a boca</p><p>desde lábios, limite externo, até a orofaringe, limite interno.</p><p>É a estrutura relacionada à comunicação e expressão, além</p><p>de estar correlacionada a sexualidade e afetividade. A sua</p><p>comunicação se dá de duas maneiras, sendo uma a comu-</p><p>nicação verbal e outra a comunicação não verbal. A primeira</p><p>forma de comunicação se dá através da expressão de sons</p><p>pela articulação de lábios, língua e demais músculos periorais</p><p>contra dentes e processos alveolares dos ossos componen-</p><p>tes do terço inferior. Já a segunda maneira de comunicação</p><p>se dá de forma estática através de um conjunto de signos</p><p>e símbolos componentes da própria estrutura oral, tal como</p><p>forma dos lábios, formas dentais e sua disposição nos arcos,</p><p>especialmente dos seis elementos anterossuperiores, forma</p><p>dos arcos dentários etc. Também a comunicação não verbal</p><p>se dá de forma dinâmica através das diversas maneiras de</p><p>contração labial desenvolvendo muitas formas de expressão</p><p>emocional do sorriso, como sorriso triste, alegre, tímido, so-</p><p>cial, malicioso, envergonhado, de desprezo etc. Essas estru-</p><p>turas tanto estáticas quanto dinâmicas são compostas de</p><p>linhas, ângulos, formas e cores que são interpretadas de ma-</p><p>neira emocional.</p><p>O objetivo de estudo do Visagismo é a comunicação não</p><p>verbal estática, pois conhecendo-se as diversas maneiras</p><p>de expressão não verbal, as formas e símbolos por trás de</p><p>cada tipo de expressão, o ciurgião-dentista será capaz de</p><p>construir desenhos de reabilitação com significado próprio</p><p>que deverá estar de acordo com a vontade de expressão e</p><p>identidade do paciente avaliado na consultoria</p><p>(ver Capítulo</p><p>Consultoria), isso trará certamente mais satisfação e reali-</p><p>zação pessoal a ambos.</p><p>O sorriso, como estrutura visual, também é constituí-</p><p>do por várias linhas, ângulos, formas e cores, que têm ex-</p><p>pressão própria de acordo com a simbologia arquetípica,</p><p>Figura 5</p><p>Divisão da face em terços - terço inferior.</p><p>54 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>54 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>sendo de responsabilidade da equipe restauradora a com-</p><p>preensão e o domínio desses elementos para intervir com</p><p>segurança e previsibilidade em suas reabilitações (Figura</p><p>6). Na análise do sorriso estático, vários elementos da sua</p><p>composição poderão ser minuciosamente avaliados pelo</p><p>profissional e o significado comunicativo de cada elemento</p><p>ser avaliado, tais como: forma dos lábios, amplitude da boca</p><p>ao sorrir, linha dos zênites gengivais, linhas das ameias in-</p><p>cisais, formas dentais, posicionamento dental 3D, relação</p><p>de dominância no arco ou peso visual, plano incisal, formato</p><p>das incisais etc.</p><p>4.4.1 Lábios</p><p>Os lábios têm função comunicativa importante no sor-</p><p>riso, e exercem essa função tanto por seu formato quanto</p><p>pela sua espessura e amplitude de abertura no sorriso. Re-</p><p>presentam a moldura do sorriso. Seu desenho, volume e to-</p><p>nicidade exercem grande influência nas exposições dental e</p><p>gengival, com suas consequentes expressões visuais. A re-</p><p>lação entre lábios superior e inferior representa importante</p><p>elemento na investigação de sua comunicação não-verbal.</p><p>Expressam emoções pelas mais diversas maneiras de con-</p><p>tração muscular, sem que para isso sejam necessárias</p><p>palavras, mas também a sua própria estrutura estática co-</p><p>munica, de maneira que lábios finos com cantos da boca ca-</p><p>ídos (Figura 7a) expressam autocontrole, submissão e tris-</p><p>teza, enquanto lábios grossos (Figura 7b) com amplitude de</p><p>sorriso regular (até segundo pré)23 expressam autoridade,</p><p>força temperamental, sensualidade latente, materialismo.</p><p>Lábios em forma de cupido (Figura 8) expressam doçura,</p><p>grande afetividade e cuidado na expressão verbal.</p><p>A estrutura labial pode apresentar variada tonicidade</p><p>numa população, diversificando-se entre as raças, os sexos</p><p>e a idade; a quantidade de exposição gengival está direta-</p><p>mente relacionada a essa estrutura. A exposição gengival</p><p>Figura 6</p><p>Diversas linhas configurantes intraorais do desenho do sorriso.</p><p>Figuras 7</p><p>(a) Lábios finos com cantos da boca levemente caídos expressando tristeza, reserva e/ou envelhecimento</p><p>e (b) Lábios volumosos, expressando sensualidade, vigor físico e jovialidade.</p><p>a</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 55</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 55</p><p>pode ser classificada como alta ou linhas do sorriso alta,</p><p>média ou baixa, (linha do sorriso baixa), Figuras 9a a 9c.</p><p>Lábios regulares, sendo que o lábio superior representa</p><p>metade ou 1/3 do lábio inferior, geralmente exibem gran-</p><p>de amplitude de sorriso (além de segundo prés)23. E grande</p><p>exposição gengival (Figuras 10a e 10b), geralmente estão</p><p>relacionados e extroversão, simpatia e muita comunicação</p><p>verbal. Já lábios espessos, de desenho horizontal, de modo</p><p>geral estão associados a baixa exposição gengival, e a ca-</p><p>racterísticas comunicativas de cordialidade, tranquilidade e</p><p>timidez (Figura 11).</p><p>Figura 8</p><p>Lábios em forma de cupido expressando feminilidade e delicadeza.</p><p>Figuras 9</p><p>(a) Linha do sorriso alta;</p><p>(b) Linha do sorriso</p><p>média; e (c) Linha</p><p>do sorriso baixa.</p><p>Figuras 10</p><p>Sorriso amplo,</p><p>com grande exposição,</p><p>demonstrando grande</p><p>expressão comunicativa,</p><p>transparência emocional</p><p>e abertura social.</p><p>Figura 11</p><p>Sorriso largo</p><p>e horizontalizado.</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>56 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>56 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>A forma e tonicidade dos lábios também es-</p><p>tão associadas à quantidade de exposição den-</p><p>tal em situação de repouso muscular com suas</p><p>consequentes conotações comunicativas. Por</p><p>exemplo: quanto mais se expõe incisivos centrais</p><p>superiores, menor tende a ser a tonicidade mus-</p><p>cular labial, expressando características visuais</p><p>relacionadas a jovialidade, dinamismo e entu-</p><p>siasmo, enquanto a ausência de exposição visual</p><p>desses elementos dentais relaciona-se a alta to-</p><p>nicidade muscular, a idade avançada, conserva-</p><p>dorismo e comportamento reservado20,24-25.</p><p>4.4.2 Dentes anterossuperiores</p><p>Os elementos dentais anterossuperiores se-</p><p>rão o foco dos estudos do visagismo dental, por</p><p>se tratar, segundo a literatura odontológica, da</p><p>região oral que concentra mais informações co-</p><p>municativas não-verbais. Esses elementos vão de</p><p>canino superior esquerdo a canino superior direi-</p><p>to, passando pelos incisivos laterais e centrais</p><p>(Figura 12).</p><p>Os incisivos centrais são os elementos den-</p><p>tais mais importantes em relação à comunicação</p><p>não-verbal pela posição de destaque que ocupam</p><p>Figura 12</p><p>Dentes componentes do</p><p>segmento anterossuperior</p><p>(de canino esquerdo a</p><p>canino direito).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 57</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 57</p><p>na boca, expressando informações gerais acerca</p><p>de nossa personalidade20, 26-27. Seu formato perce-</p><p>bido10-13 é determinado pela área que reflete a luz</p><p>diretamente para a frente, ou seja, a área compre-</p><p>endida entre suas cristas de reflexão de luz mesial,</p><p>distal, sua cervical e sua incisal28, formando a “si-</p><p>lhueta de Pincus29” (Figura 13).</p><p>Os centrais geralmente apresentam formato</p><p>básico da coroa trapezoidal1, mas apresentam múl-</p><p>tiplas variações de forma, que de acordo com as</p><p>linhas predominantes ou símbolo arquetípico final</p><p>da forma podem expressar mensagens específi-</p><p>cas9 (ver Capítulo Composição). De maneira geral,</p><p>o seu terço vestibular distal é o principal elemento</p><p>de caracterização de forma, mas a sua cervical e</p><p>a sua incisal também têm papel importante nesse</p><p>aspecto; e seu terço vestibular mesial tem menor</p><p>importância na caracterização da forma1. Alguns</p><p>estudos associavam a morfologia de centrais com</p><p>a forma da face invertida30-33.</p><p>Incisivos retangulares e quadrados geral-</p><p>mente possuem seus zênites gengivais mais</p><p>deslocados para distal que triangulares e ovais.</p><p>A forma do contorno cervical exerce grande in-</p><p>fluência sobre a percepção da forma de centrais</p><p>(Figuras 14a a 14c).</p><p>Figura 13</p><p>Área de reflexão de luz influenciando na percepção da forma do dente.</p><p>Figuras 14</p><p>A influência do formato dental no posicionamento do zênite gengival: (a) Central retangular e o zênite posicionado para distal</p><p>e (b) Central oval e triangular apresentando zênites mais centralizados.</p><p>a b c</p><p>58 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>58 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Incisivos laterais são dentes que comunicam</p><p>em relação a elementos intelectuais e/ou emo-</p><p>cionais da personalidade20. Estão ligados ao ele-</p><p>mento feminino da psiquê (anima)34. Geralmente</p><p>apresentam menos variações de forma que cen-</p><p>trais, sendo que essas variações são principal-</p><p>mente caracterizadas por sua incisal, contorno</p><p>mesial, distal e ângulo incisodistal. No entanto</p><p>sua relação de dominância com os vizinhos (cen-</p><p>tral e canino) e sua posição no arco são impor-</p><p>tantes maneiras de expressão visual e devem ser</p><p>explorados pela equipe restauradora na persona-</p><p>lização de trabalhos (Figuras 15a a 15c).</p><p>Figuras 15</p><p>Diferentes tipos de incisais em incisivos laterais e sua influência sobre a percepção da forma nesses dentes.</p><p>a b c</p><p>Caninos são dentes relacionados a ação, agres-</p><p>sividade e dinamismo35. Sua função é indicada pela</p><p>forma cônica da coroa, que termina em linhas an-</p><p>gulares inclinadas que formam sua ponta de lança</p><p>(Figura 16). É um instrumento perfeito</p><p>para a pe-</p><p>netração e, segundo Darwin, penetra mais profun-</p><p>damente na carne do que laterais e centrais. Mas</p><p>o mesmo autor relata que sua forma perdeu um</p><p>pouco de sua função, pois hoje já não se presta a</p><p>dilacerar seus inimigos.</p><p>No entanto esse elemento ainda não sofreu</p><p>com a redução evolucionista e seu volume acaba</p><p>significando um exagero nos tempos atuais para</p><p>muitos pacientes. Portanto, sua expressão visu-</p><p>al de perigo acabou sendo superdimensionada e</p><p>muitos clientes acabam se sentindo incomoda-</p><p>dos com seu aspecto e procuram profissionais</p><p>para fazer sua redução visual. Isso para expres-</p><p>sarem mais suavidade com sua imagem e me-</p><p>nos agressividade, por terem intuitivamente uma</p><p>noção do profundo impacto que uma imagem</p><p>agressiva gera nos relacionamentos pessoais</p><p>em suas várias facetas.</p><p>Estudos de paleontologia apontam clara-</p><p>mente a função agressiva desses dentes, pois</p><p>animais que apresentavam alimentação predo-</p><p>Figura 16</p><p>O canino e sua configuração em formato de lança, adequado a perfurar e dilacerar.</p><p>O canino e sua expressão visual</p><p>de agressividade.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: i</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 59</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 59</p><p>minantemente herbívora muitas vezes apresen-</p><p>tavam caninos volumosos e bem visíveis como</p><p>os anomodontes, grandes herbívoros que re-</p><p>ceberam esse nome em virtude dos enormes</p><p>caninos. Esse fato ilustra que mesmo não se</p><p>prestando ao corte e dilaceração de alimentos o</p><p>canino serviria de proteção numa época em que</p><p>grandes répteis carnívoros representavam uma</p><p>ameaça constante para os herbívoros36.</p><p>São dentes relacionados ao elemento mas-</p><p>culino da psiquê (animus), Jung. Assim como os</p><p>laterais suas variações de forma são menos im-</p><p>portantes que seu posicionamento no arco e sua</p><p>relação de dominância com os demais elementos</p><p>constituintes da bateria anterossuperior. A ana-</p><p>tomia de seu contorno vestibular, visto de frente,</p><p>seu contorno mesial e sua incisal representam um</p><p>caminho interessante na personalização de reabi-</p><p>litações (ver Capítulo Composição).</p><p>4.4.3 Arco superior</p><p>“A morfologia e função da nossa arcada den-</p><p>tária é bem próxima à morfologia do nosso crâ-</p><p>nio. As variadas funções comunicativas de nossa</p><p>cabeça e face estão todas encontradas na for-</p><p>ma de nossa arcada dentária” Jan Hatjó.</p><p>O formato do arco superior geralmente se</p><p>relaciona ao formato de nossa face e se apre-</p><p>senta resumidamente em quatro tipos princi-</p><p>pais, como retangular, oval, triangular e circular</p><p>larga. Formas decorrentes da mistura desses</p><p>tipos básicos são muito frequentes37-39.</p><p>A forma retangular ou quadrada expressa</p><p>força, principalmente por condicionar a um posi-</p><p>cionamento dental dos elementos anterossupe-</p><p>riores mais retilíneo (ver Capítulo Composição).</p><p>A forma triangular expressa dinamismo, e com a</p><p>projeção de centrais para anterior sugere impul-</p><p>sividade e extroversão. A forma oval alinha bem</p><p>os elementos dentais e por esse motivo expres-</p><p>sa harmonia, controle, ponderação. Já o formato</p><p>circular largo expressa estabilidade, calma, mo-</p><p>notonia (Figuras 17a a 17d).</p><p>Figuras 17</p><p>Diferentes tipos de arcos superiores: (a) Retangular; (b) Circular; (c) Oval; e (d) Triangular ou angulado.</p><p>a b c d</p><p>60 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos</p><p>60 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>1. Hatjó J. A beleza natural dos dentes anteriores. São Pau-</p><p>lo: Santos; 2008.</p><p>2. Argan GC. Arte moderna. São Paulo: Editora Companhia</p><p>das Letras; 1992.</p><p>3. Benevolo L. História da arquitetura moderna. São Paulo:</p><p>Editora Perspectiva; 1989.</p><p>4. Gropius W. Bauhaus – novarquitetura. São Paulo: Edito-</p><p>ra Perspectiva; 1972.</p><p>5. Darwin C. A origem do homem e a seleção sexual. Curiti-</p><p>ba: Hemus; 2002.</p><p>6. Mizoguchi Y. Shoveling: a statistical analysis of its mor-</p><p>phology. Tokyo: The University Museum of Tokyo. 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Dentistry: An illustrated history. New York: Har-</p><p>ry N Abrams; 1985.</p><p>16. Ekman P, Davidson RJ, Friesen WV. The duchenne smile:</p><p>emotional expresion and brain psychology II. J Pers Soc</p><p>Psychol 1990;58:342-53.</p><p>17. Andreani g. La vie à belles dents. Elle 1987; (92161):76-9.</p><p>18. Ackermann Jl, Ackermann MB, Brensinger CM, Landis</p><p>JR. A morphometric analysis of the posed smile. Clin Or-</p><p>thod Res 1998;1:2-11.</p><p>19. Wylie DR, Goodale MA. Left sided oral asymmetries in</p><p>spontaneous but not posed smiles. Neuropsychologia</p><p>1988;26:823-32.</p><p>20. Ackermann MB, Ackermann JL. Smile analysis and de-</p><p>sign in the digital era. J Clin Orthod 2002;36:221-36.</p><p>21. Rufenacht CR. Fundamentals of esthetics. Chicago: Quin-</p><p>tessence; 1990.</p><p>22. Paolucci B. Visagismo e Odontologia. In: Hallawell P. Vi-</p><p>sagismo integrado: identidade, estilo, beleza. São Paulo:</p><p>Senac; 2009. p.243-50.</p><p>23. Henderson JM, Falk R, Minut S, Dyer FC, Mahadevan</p><p>S. Gaze control for face learning and recognition by hu-</p><p>mans and machines. Michigan: State University Eye Mo-</p><p>vem Labor Tech Report 2000;4:1-14.</p><p>24. Tijan AHL, Miller GD. The JG. Some esthetic factors in a</p><p>smile. J Prosthet Dent 1984;51:24-8.</p><p>25. Vig RG, Brundo GC. The kinetics of anterior tooth display.</p><p>J Prosthet Dent 1972;39:502.</p><p>26. Husley CM. An esthetic evaluation of lip-teeth re-</p><p>lashionships present in smile. Am J Orthod 1970;57:132.</p><p>27. Rufenacht CR. Principles of esthetic integration. Chicago:</p><p>Quintessence; 2000.</p><p>28. Chiche GJ, Pinault A. Esthetics of anterior fixed prostho-</p><p>dontics. Chicago: Quintessence; 1996.</p><p>29. Ash MM. Weeler’s dental anatomy, physiology and occlu-</p><p>sion. Philadelphia: Saunders; 1984.</p><p>30. Pincus CL. Cosmetics - The psychologic fourth dimen-</p><p>sion in full mouth rehabilitation. Dent Clin North Am</p><p>1967;3:71-88.</p><p>31. Hall WR. Shapes and sizes of teeth from american sis-</p><p>tem of dentistry. Philadelphia: Lea Bros 1887:971.</p><p>32. Williams Jl. A new classification of human tooth forms with</p><p>a special reference to a new system of artificial teeth. Dent</p><p>Cosmos 1914;56:627.</p><p>33. Carson JW. Tooth form and face form, is it a “comedy of</p><p>errors”? J Prosthet dent 1951;1:96.</p><p>34. Berry FH. Is the theory temperament the foundation to</p><p>the study of prosthetic art? dent Mag 1905;61:405.</p><p>35. Jung C. Man and his symbols. New York: Dell; 1968.</p><p>36. Saadun PA. Tudo sobre o sorriso. In: Romano R. A Arte</p><p>do Sorriso. São Paulo: Quintessence; 2006. p.265-95.</p><p>37. Liu J, Rubidge B, Li J. (2009). “A new specimen of Bi-</p><p>seridens qilianicus indicates its phylogenetic position as</p><p>the most basal anomodont”. Proceedings of the Royal</p><p>Society B 277 (1679): 285–292 Lavelle CLB.</p><p>38. Preti G, Pera P, Bassi F. Prediction of the shape and size</p><p>of the maxillary anterior arch in edentulous patients. J Oral</p><p>Rehabil 1986;13:115-25.</p><p>39. Gysi A. Unregelmassige stellung der frontzähne für pros-</p><p>thetische arbeiten. Schweiz Monatsschr Zahnheilkd</p><p>1936; 46:58.</p><p>40. Lavelle CLB. The relashionship between stature, skull, den-</p><p>tal arch and tooth dimensions in different racial goups. Or-</p><p>thodontist Spring 1971;7.</p><p>4.5 Referências</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Linguagem</p><p>visual artística</p><p>5.1 Composição</p><p>mundial www.identalclub.com. Atualmente, desenvolve a interface colaborativa de aulas ao vivo pela</p><p>internet LiveWeb interligando professores e alunos ao vivo em um ambiente extramuros. Organi-</p><p>za grupos especiais para cursos presenciais no Brasil e na Europa. Empresário e diretor do portal</p><p>identalclub.com. Tem sua matriz em São Paulo e filiais na Bélgica e na Itália (liviovkd@hotmail.com).</p><p>mArcelo cAlAmitA</p><p>Especialista, mestre e doutor em</p><p>Prótese Dentária - Universidade de</p><p>São Paulo; Presidente da Academia</p><p>Brasileira de Odontologia Estética</p><p>(mcalamita@uol.com.br).</p><p>PhiliP hAllAwell</p><p>Philip Hallawell nasceu em São Paulo em 1951</p><p>e teve sua formação na Inglaterra, e Haverford</p><p>College, EUA. Artista plástico de renome interna-</p><p>cional, com mais de 50 exposições. Apresentou</p><p>e criou a Oficina de Desenho no programa Re-</p><p>vistinha e a série À Mão Livre - A Linguagem do</p><p>Desenho - TV Cultura. Autor dos livros da série</p><p>À Mão Livre, Visagismo: Harmonia e Estética e</p><p>Visagismo Integrado: Identidade, Estilo e Beleza</p><p>(philson@terra.com.br).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 7</p><p>8 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Em primeiro lugar gostaria de agradecer a Deus por me</p><p>honrar com a força, determinação e inspiração necessá-</p><p>rias para a realização deste projeto.</p><p>Muito obrigado a meus pais, Ana e Lúcio, pelo apoio incondi-</p><p>cional e dedicação à educação de seus filhos. Seu amor foi fonte</p><p>de inspiração e superação na criação deste Livro.</p><p>Gostaria de manifestar profunda gratidão a meus fami-</p><p>liares e amigos, em especial à minha esposa Danielle Car-</p><p>lier por todo apoio e paciência que demonstraram ao longo</p><p>da caminhada que culmina com a produção dessa obra.</p><p>Obrigado também a Philip e Sônia Hallawell por sua ines-</p><p>timável colaboração, que inclui várias horas de conversas</p><p>que se estenderam noites adentro, esclarecendo dúvidas</p><p>e orientando ativamente no processo de elaboração deste</p><p>Livro. Seu apoio vai além desta criação, se estendendo ao</p><p>carinho como me acolheram em São Paulo. A Philip Halla-</p><p>well, gostaria ainda de agradecer por ter-me apresentado</p><p>de maneira totalmente aberta suas ideias, as quais muda-</p><p>ram completamente minha percepção da Odontologia e os</p><p>rumos de minha vida. Muito obrigado.</p><p>Meus sinceros agradecimentos a todos os profissio-</p><p>nais com quem trabalhei para a realização dos casos clí-</p><p>nicos aqui apresentados, entre eles: Galip Gurel e equipe</p><p>(Istambul, Turquia), Alexandre dos Santos e equipe do</p><p>Studio Dental (Curitiba/PR); Marcos Celestrino e equipe</p><p>do Laboratório Aliança (São Paulo/SP); Roberto Yoshida</p><p>(Londrina/PR); Fernando Pastor, Jorge Alberguine e André</p><p>Luís dos Santos (São Paulo/SP); Juvenal de Souza Neto</p><p>(Joinville/SC); Andrea e Catarina Ricci (Florença, Itália);</p><p>e Thiago Reis (São Paulo/SP).</p><p>Minha gratidão a Robert Coachman e a toda equipe da</p><p>Well Clinic pela hospitalidade e contribuição na construção</p><p>de um novo modelo de atendimento.</p><p>agradecim entos</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 9</p><p>A Christian Coachman por ter contribuído efetivamente</p><p>para que a realização clínica que ilustra este Livro, incluindo</p><p>fotografia e planejamento digital, chegassem próximos do</p><p>patamar de excelência.</p><p>Agradeço também aos membros de minha equipe, Fer-</p><p>nanda de Oliveira, Leila Tafuri, Angelo Meneghin e Marina</p><p>Cotan; o convívio com vocês é fonte de incentivo constante,</p><p>e seu apoio foi fundamental na elaboração dos trabalhos</p><p>clínicos.</p><p>Meus agradecimentos aos colegas que colaboraram</p><p>para o amadurecimento e melhoria do conceito de visagis-</p><p>mo aplicado à Odontologia, entre eles: Tânia e Ary Lacerda,</p><p>Frederico Gomes, Osmar vieira de Castro e Luciana Inoue.</p><p>A Ricardo de Andrade por ter sido um dos maiores icenti-</p><p>vadores dessa publicação, assim como a Haroldo vieira, Paulo</p><p>Rosseti, Ana Lúcia Zanini Luz pela revisão de texto, Angélica</p><p>Pinheiro pelo projeto gráfico e toda a equipe da vM Cultural,</p><p>pelo esforço para tornar esse sonho uma realidade.</p><p>Não poderia deixar de agradecer aos senhores Herbert</p><p>Mendes (Ivoclar vivadent) e Knud Soerensen (KG Soeren-</p><p>sen), pela colaboração com materiais de uso clínico neces-</p><p>sários à realização dos casos clínicos aqui apresentados.</p><p>Agradeço do fundo do coração ao meu grande parcei-</p><p>ro clínico e “braço direito” Adriano Schayder, protético que</p><p>esteve presente desde os primeiros passos da materializa-</p><p>ção do conceito, apoiando e incentivando constantemente,</p><p>pessoa sem a qual essa obra não se realizaria. A maioria</p><p>dos casos de minha autoria foram realizados por ele.</p><p>A Marcelo Calamita, meu editor, que esteve engajado a</p><p>tornar a linguagem desse livro adequada aos moldes cien-</p><p>tíficos e compreensível aos leitores.</p><p>Aos competentes Josias Santana, Lívio Yoshinaga, Mar-</p><p>cela Barros e Edson Inácio, responsáveis pela qualidade</p><p>das imagens apresentadas.</p><p>À amiga Christiane Sauer, que participou ativamente da</p><p>elaboração da aplicabilidade do visagismo na Odontologia,</p><p>orientando acerca dos aspectos psicológicos envolvidos</p><p>e apontando erros e acertos, trabalho esse fundamental</p><p>para realização deste Livro.</p><p>À doutora Iraci Galias, membro fundadora da Socieda-</p><p>de Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA), pela valorosa</p><p>colaboração e orientação.</p><p>Aos queridos amigos e “companheiros de estrada”,</p><p>Lígia Lima, Heloísa Lima, Graça Guimarães, José Fontes</p><p>Neto e Roberto Caproni. Seu entusiasmo e incentivo foram</p><p>fundamentais para a conclusão desse trabalho.</p><p>agradecim entos</p><p>Algumas vezes, finalizei restaurações estéticas e, apesar do paciente ficar satisfeito</p><p>por termos atingidos os objetivos estéticos e funcionais predeterminados, ficava com</p><p>uma sensação incômoda de ter criado um sorriso que parecia não pertencer àquela</p><p>pessoa. Mas não conseguia entender exatamente o porquê.</p><p>O Visagismo Odontológico, de maneira brilhante como estudado e desenvolvido pelo</p><p>doutor Bráulio Paolucci, interrelaciona conceitos clássicos e modernos de Psicologia,</p><p>Antropologia e diversas formas de arte integrando-os ao desenho do sorriso do pacien-</p><p>te. Desta maneira, acrescenta uma nova dimensão ao processo de planejamento por</p><p>meio de ferramentas práticas e efetivas para serem utilizadas pelos cirurgiões-dentis-</p><p>tas e técnicos em prótese dental.</p><p>Acompanhei a devoção com que foram desenvolvidos os seus preceitos apresentados</p><p>neste livro. Observador atento, perspicaz, Bráulio colheu e integrou referências de fontes</p><p>de diferentes áreas do conhecimento humano à Odontologia estética. De leitura fluente e</p><p>inquietante, percorremos os capítulos do livro com a certeza de que, com a utilização sábia</p><p>dos conceitos apresentados, podemos influenciar de maneira positiva a qualidade de vida</p><p>dos nossos pacientes, aprimorando a sua imagem pessoal e elevando a sua autoestima.</p><p>embora não existam fórmulas prontas, a chave está em abrir as nossas portas da</p><p>percepção, observando e escutando o paciente com a devida atenção e valorizando os</p><p>seus desejos e expectativas. Uma conversa aberta sobre o significado das diferentes</p><p>linhas, ângulos e formas, fazendo o paciente sentir-se coautor do planejamento de sua</p><p>obra, é crucial para executar com previsibilidade um trabalho harmonioso que demons-</p><p>tre ao mundo aquilo que o paciente realmente gostaria de expressar. Um sorriso que</p><p>realmente pertença a ele!</p><p>Uma ótima leitura a você!</p><p>Marcelo Calamita</p><p>editor Científico</p><p>Visagismo</p><p>10 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Antes de profissionais clínicos, que com maestria dominam</p><p>técnicas, somos seres humanos com a nobre função de cuidar</p><p>e atender às necessidades e aspirações de seres humanos em</p><p>busca de uma vida mais plena.</p><p>Na dinâmica do desenvolvimento, a Odontologia como ciên-</p><p>cia e arte, ocasionalmente, e de forma muito especial, é pre-</p><p>senteada por conceitos inovadores que rompem paradigmas e</p><p>estendem nossas fronteiras de atuação.</p><p>Graças à sensibilidade e percepção</p><p>psicodentalofacial</p><p>“Em minha opinião, a arte nada mais é do que o desen-</p><p>volvimento de ideias determinadas, do mesmo modo que</p><p>na natureza os seres são o desenvolvimento definitivo de</p><p>determinados genes.”</p><p>Wassily Kandinsky</p><p>O conceito básico da arte é o desenvolvimento de ideias</p><p>acerca de um tema (ver Capítulo 1 Conceito de Visagismo</p><p>e seu Método) e, mais precisamente na arte visual, o de-</p><p>senvolvimento de uma imagem que expresse a intenção</p><p>de seu autor. Nesse contexto, a compreensão dos varia-</p><p>dos elementos de construção de imagem é fundamental ao</p><p>autor para conseguir criar uma imagem que traduza sua</p><p>intenção. Da mesma maneira, a compreensão do conceito</p><p>de composição visual o ajudará no processo de criação.</p><p>Para Wassily Kandisnky, pintor russo, educado em ale-</p><p>mão, precursor da arte abstrata e um dos maiores estu-</p><p>diosos sobre os elementos da arte pictória, é necessário</p><p>ao artista compreender a diferença entre os conceitos de</p><p>construção e composição artística. Para ele, a construção</p><p>seria a organização racional dos elementos visuais (cores e</p><p>formas). “Construir é estabelecer no espaço, um conjunto</p><p>coerente, compreensível e reprodutível ou repetível”1. Já</p><p>a composição artística seria a junção de elementos distin-</p><p>tos (unidades), ora coerentes, ora antagônicos de maneira</p><p>harmônica, respeitando os fundamentos de criação visual</p><p>(fundamentos de estética) para traduzir visualmente um</p><p>conceito ou a intenção do autor1-2.</p><p>No âmbito odontológico, uma organização de elementos vi-</p><p>suais dedicada a transmitir sensações, emoções e expressar</p><p>visualmente características de uma personalidade, requer do</p><p>profissional uma investigação mais profunda para determina-</p><p>ção “daquilo a ser feito”, e é nesse sentido que o Visagismo</p><p>procura colaborar com seu método de consultoria3.</p><p>Os profissionais de Odontologia, de certa maneira, traba-</p><p>lham com o conceito de arte quando se veem diante de uma</p><p>boca, ou melhor, de um indivíduo com suas particularidades,</p><p>desejos e necessidades pessoais, e precisa investigar qual</p><p>seria a intenção que norteará a construção do trabalho pro-</p><p>tético. Uma vez definida a intenção junto ao cliente, o pro-</p><p>aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: E</p><p>de</p><p>r M</p><p>ax</p><p>Wassily Kandisnky</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 61</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>fissional se verá diante do desafio da composição, ou seja,</p><p>organizar no espaço elementos visuais que traduzam sexo,</p><p>idade, personalidade e intenção de expressão do pacien-</p><p>te, isso sem abrir mão do respeito às regras de estéticas</p><p>dental e dentofacial. Em resumo: seria a criação de uma</p><p>composição psicodentofacial4-5. A harmonia ou equilíbrio</p><p>entre esses diversos elementos é que dá ao conjunto a be-</p><p>leza necessária e que promove o trabalho odontológico ao</p><p>patamar de arte6-7.</p><p>Na composição psicodentofacial, o profissional se vale-</p><p>rá, principalmente, de linhas e formas em sua construção</p><p>para dar expressão ao trabalho. Essa expressão se deverá</p><p>principalmente à força do conjunto e em menor grau à ex-</p><p>pressão de suas unidades constituintes. Isso implica, por</p><p>exemplo, que o significado geral da composição se deverá,</p><p>especialmente, à custa da resultante final da somatória</p><p>dos valores individuais8. Como mencionado no Capítulo 4</p><p>Morfos, a comunicação visual do trabalho reabilitador se</p><p>pautará sobretudo nos elementos anterossuperiores e,</p><p>portanto, atenção especial deverá ser dada pela equipe</p><p>restauradora (cirurgiões-dentistas e protéticos) a esse</p><p>segmento, não devendo, entretanto, menosprezar os de-</p><p>mais dentes9.</p><p>Nessa composição, abordada no Volume I, em relação</p><p>aos casos sobre dentições naturais (Odontologia restaura-</p><p>dora estética), a utilização das unidades visuais escolhidas</p><p>pelo aspecto da intenção de expressão do cliente, deverá</p><p>sempre ser utilizada de acordo com a possibilidade que as</p><p>próprias condições orais pré-operatórias permitirem, dife-</p><p>rente das composições mais complexas, como por exemplo</p><p>em edentados totais, em que o profissional se verá frente</p><p>a uma “tela em branco”, e terá mais liberdade para usar</p><p>elementos que o cliente desejar.</p><p>Principais elementos estruturais do sorriso (ou unidades</p><p>orais)7,10-14 em ordem de importância para dar expressão</p><p>à composição: plano incisal, eixos dentais, posicionamento</p><p>dental, formas dentais, exposição dental, proporções den-</p><p>tais, linhas complementares (Figura 1).</p><p>Figura 1</p><p>Plano incisal, eixos</p><p>dentais, formas dentais,</p><p>posicionamento dental,</p><p>proporções dentais, linhas</p><p>complementares.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>62 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Sorriso e suas linhas/formas configurativas</p><p>Plano incisal</p><p>Eixos dentais</p><p>Linha dos zênites</p><p>gengivais</p><p>Linhas das ameias</p><p>gengivais</p><p>Linha das ameias</p><p>dentais</p><p>Formas dentais</p><p>Proporção dental</p><p>5.1.1 Plano incisal</p><p>Representa para o segmento anterossuperior, a limi-</p><p>tação do posicionamento das bordas incisais dos incisivos</p><p>centrais, laterais e caninos. Pode ser configurado segundo a</p><p>intenção do profissional como ascendente, ou seja, com as</p><p>bordas dos incisivos centrais bem projetadas para inferior,</p><p>de projeção regular (projeção média), reto ou ainda cônca-</p><p>vo invertido, sendo esse último visto como antiestético pela</p><p>maioria dos profissionais e pacientes; portanto, pouco ou</p><p>nunca utilizado em reabilitações8,15-16 (Figuras 2a a 2c).</p><p>As principais referências para sua configuração são a</p><p>inclinação sagital do plano oclusal e o formato do arco su-</p><p>perior, que quanto mais largo, mais se relaciona a um plano</p><p>incisal retilíneo, enquanto maxilas mais estreitas tendem a</p><p>apresentar incisivos mais projetados para inferior17 (Figuras</p><p>3a a 3c) . Em termos de estética, uma relação de harmonia</p><p>ou paralelismo, com a borda superior do lábio inferior quan-</p><p>do em sorriso, é considerada mais agradável à maioria das</p><p>pessoas7,15-18 (Figuras 4a a 4c).</p><p>Figuras 2</p><p>Plano incisal: (a) Ascendente; (b) Reto; e (c) Invertido.</p><p>a b c</p><p>Figuras 3</p><p>Arcos em variadas</p><p>larguras e a projeção</p><p>inferior de centrais</p><p>correspondentes.</p><p>a b c</p><p>Im</p><p>ag</p><p>em</p><p>re</p><p>tir</p><p>ad</p><p>a</p><p>do</p><p>li</p><p>vr</p><p>o:</p><p>A</p><p>nt</p><p>er</p><p>io</p><p>re</p><p>s -</p><p>A</p><p>B</p><p>el</p><p>ez</p><p>a</p><p>N</p><p>at</p><p>ur</p><p>al</p><p>d</p><p>os</p><p>D</p><p>en</p><p>te</p><p>s A</p><p>nt</p><p>er</p><p>io</p><p>re</p><p>s,</p><p>Te</p><p>or</p><p>ia</p><p>,</p><p>Pr</p><p>át</p><p>ic</p><p>a</p><p>e</p><p>Re</p><p>gr</p><p>as</p><p>A</p><p>pl</p><p>ic</p><p>ad</p><p>as</p><p>n</p><p>a</p><p>Es</p><p>té</p><p>tic</p><p>a.</p><p>A</p><p>uto</p><p>r:</p><p>Ja</p><p>n</p><p>H</p><p>at</p><p>jó</p><p>. E</p><p>di</p><p>to</p><p>ra</p><p>S</p><p>an</p><p>to</p><p>s;</p><p>20</p><p>08</p><p>.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 63</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Um segmento anterossuperior que apresente um plano</p><p>incisal reto geralmente será associado a características</p><p>masculinas e idade avançada, enquanto planos curvos e</p><p>projetados, são associados a características femininas e</p><p>joviais21-23 (Figuras 5a e 5b). No entanto, a utilização des-</p><p>se elemento é fundamental para dar uma expressão forte,</p><p>suave, dinâmica ou estável à reabilitação, independente do</p><p>sexo e idade, sendo a intenção de expressão do paciente</p><p>um bom indicativo para a correta escolha. Uma vez esco-</p><p>lhido o tipo de plano a ser usado, segundo a intenção de</p><p>expressão do cliente, ele deverá ser confrontado com os pa-</p><p>râmetros preestabelecidos pelas condições orais tais como</p><p>forma do arco, linha do lábio inferior e inclinação sagital do</p><p>plano oclusal e, só então, a partir da fusão entre a intenção</p><p>do paciente e o plano ideal, segundo parâmetros estéticos</p><p>próprios da arcada em questão, surgirá o plano incisal a ser</p><p>usado na reabilitação. O plano incisal deveria ser o primeiro</p><p>elemento ou unidade oral a ser determinado na criação da</p><p>estrutura da composição psicodentofacial.</p><p>5.1.2 Eixos dentais</p><p>O eixo dental representa a posição dos dentes na ar-</p><p>cada em relação à linha mediana central12 e, em termos</p><p>clínicos, o que realmente interessa aos restauradores é a</p><p>posição visual da coroa dental em uma vista frontal.</p><p>Em la-</p><p>terais e caninos o eixo também exerce influência em sua</p><p>percepção numa vista lateral24.</p><p>Figuras 4</p><p>Relação lábio inferior – plano i ncisal: (a) Antagônicos;</p><p>(b) Paralelos; e (c) Desarmonia de paralelismo.</p><p>a b c</p><p>a1 a2</p><p>b1 b2</p><p>Figuras 5a e 5b</p><p>(a) Plano incisal ascendente expressando características mais suaves e femininas e (b) Plano</p><p>incisal reto, mais relacionado a características de força, estabilidade e masculinidade.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>64 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Os incisivos centrais são os dentes mais sensíveis em</p><p>relação ao posicionamento do eixo pela posição de desta-</p><p>que visual que ocupa na arcada, mas sua percepção visual é</p><p>tipicamente frontal.</p><p>Normalmente os eixos dos dentes anterossuperiores con-</p><p>vergem para incisal14,24-28, mas a alteração dos eixos pode re-</p><p>sultar em efeitos visuais distintos e o conhecimento dessas va-</p><p>riações deve ser de domínio do profissional para intervir com</p><p>segurança e precisão (Figura 6).</p><p>Normalmente o eixo dos centrais é ligeiramente posicio-</p><p>nado para distal (numa avaliação do sentido mesiodistal),</p><p>sendo que a sua alteração trazendo-o para vertical dará ao</p><p>desenho do sorriso uma percepção de maior domínio desse</p><p>dente24 e uma expressão visual de maior força e estabilida-</p><p>de. Quanto mais os eixos dos centrais forem inclinados para</p><p>mesial, mais dominância visual será dada a esses dentes</p><p>(Figura 7).</p><p>Numa vista frontal o eixo coronal dos laterais segue as</p><p>mesmas condições dos eixos dos centrais, sendo que quanto</p><p>mais se inclina para distal, mais dinamismo será expresso e</p><p>quanto mais verticalizado, mais força (Figuras 8a e 8b).</p><p>Figura 6</p><p>Eixos dentais numa arcada natural média geralmente são ligeiramente</p><p>distalizados e convergentes para incisal.</p><p>Figura 7</p><p>Centrais com seus eixos ligeiramente rotacionados para mesial,</p><p>o que lhes confere maior domínio visual.</p><p>a b</p><p>Figuras 8</p><p>(a) Laterais ligeiramente inclinadas para distal ou (b) Posicionadas com eixo retilíneo.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 65</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figuras 9</p><p>Diferentes inclinações de eixos dentários em caninos numa visão frontal: (a) Retos; (b) Inclinados para medial; e (c) Inclinados para a lateral.</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>Os caninos são dentes de profundo impacto comunica-</p><p>tivo no desenho do segmento anterossuperior. Numa vista</p><p>frontal seu eixo coronal pode variar de inclinado para medial</p><p>(torque negativo), vertical e inclinado pra vestibular (torque</p><p>positivo). São dentes relacionados à agressão e ação29 e</p><p>podem expressar dinamismo e impulsividade, se inclinados</p><p>para medial, força e persistência quando retilíneos e calma,</p><p>apatia e até comicidade24 quando levemente inclinados para</p><p>vestibular (Figuras 9a a 9c).</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>66 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>REsumo</p><p>Paciente LNPY, 30 anos, apresentou-se à clínica in-</p><p>satisfeito com a estética de seu sorriso. Em análise facial</p><p>constatou-se divergência de paralelismo entre eixos dentá-</p><p>rios, linha média facial e linha média dental. Sua linha média</p><p>dental, além de não ser coincidente com a linha média facial,</p><p>apresentava-se inclinada em relação a essa. Em uma análi-</p><p>se oral, constatou-se como principais deficiências estéticas</p><p>o não paralelismo entre os eixos dentários dos dentes an-</p><p>terossuperiores, assim como uma linha de união de ameias</p><p>dentais irregular. Seus incisivos centrais, laterais e caninos</p><p>apresentavam projeção incisal assimétrica entre lados es-</p><p>querdo e direito, sendo o lado esquerdo mais projetado que</p><p>o direito, o que lhe conferia uma sensação de desequilíbrio</p><p>entre esse segmento e sua linha bipupilar. Além desses</p><p>fatores, havia desarmonia de cor entre incisivos direitos e</p><p>esquerdos. Seu incisivo lateral direito apresentava coroa clí-</p><p>nica curta e exposição radicular com coloração alterada. As</p><p>bordas incisais de seus incisivos centrais apresentavam-se</p><p>irregulares. Observou-se ainda deficiência de projeção den-</p><p>tal de pré-molares em seu corredor bucal. Frente a esse</p><p>quadro diversos fatores agora diagnosticados poderiam ser</p><p>trabalhados para uma configuração mais estética. O dese-</p><p>nho de sorriso agora realizado corrigia tais deficiências e</p><p>ainda poderia trabalhar as formas dentais, em termos de</p><p>detalhamento, a fim de personalização. O paciente passou</p><p>pelo processo de consultoria visagista, em que se mostrou</p><p>bastante alegre, extrovertido, dinâmico em seu ritmo de vida</p><p>e criativo na maneira como executa suas funções, buscando</p><p>sempre inovar profissionalmente. O mesmo relatou que tais</p><p>características seriam adequadas para a expressão de seu</p><p>sorriso. De posse dessas informações o consultor visagista</p><p>elaborou um desenho de sorriso caracterizado pelo domínio</p><p>de linhas inclinadas e formas triangulares, que serviu de re-</p><p>ferência para o técnico em prótese dentária confeccionar o</p><p>enceramento diagnóstico e o trabalho cerâmico.</p><p>Figuras 1</p><p>Protocolo fotográfico facial frontal.</p><p>Caso 1</p><p>a b dc e</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 67</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 2</p><p>Eixos de referências</p><p>faciais, vertical e horizontal.</p><p>Figura 3</p><p>Formas dentais</p><p>pré-operatórias.</p><p>Figura 4</p><p>Discrepância entre</p><p>eixos dentais e faciais.</p><p>Assim como</p><p>entre linhas média</p><p>dental e facial.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>68 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 5</p><p>Correção de eixos</p><p>e desenho de sorriso</p><p>novo com formas</p><p>baseadas na</p><p>vontade de expressão</p><p>do paciente.</p><p>Figura 7</p><p>Sorriso - pré-operatório.</p><p>Figuras 6</p><p>Protocolo fotográfico extraoral frontal.</p><p>a b c d</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 69</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 8</p><p>Imagem intraoral dos</p><p>elementos anterossuperiores</p><p>com fundo negro.</p><p>Figura 9</p><p>Moldagens para</p><p>confecção de</p><p>modelos de estudo.</p><p>Figuras 10</p><p>Enceramento diagnóstico.</p><p>a b c</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>70 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 11</p><p>Confecção de mock-up.</p><p>Figuras 12</p><p>Imagens extraorais com mock-up demonstrando a correção do paralelismo entre eixos dentários com linha média facial.</p><p>a</p><p>b</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 71</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a</p><p>b1 b2 b3</p><p>c1 c2</p><p>d1 d2 d3</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>72 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 13a a 13h</p><p>(a e b) Guia de silicone</p><p>para preparo dentário</p><p>e (c até h) Preparos dentários</p><p>expostos com a inserção</p><p>do primeiro fio retrator.</p><p>e</p><p>f</p><p>g</p><p>h</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 73</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>74 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 14a a 14e</p><p>Inserção do segundo fio retrator para moldagem com a técnica do duplo fio.</p><p>e1 e2</p><p>d</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 75</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>76 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 15a a 15g</p><p>Moldagem em passo único.</p><p>d</p><p>e</p><p>f</p><p>g</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 77</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 16</p><p>Escolha de cor.</p><p>Figuras 17</p><p>Guia de silicone para</p><p>confecção de provisórios.</p><p>a</p><p>a b</p><p>b1</p><p>b2</p><p>b3</p><p>Figuras 18a e 18b</p><p>Provisório imediato.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>78 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 19</p><p>Laminados e coroa.</p><p>Figura 20</p><p>Checagem de adaptação.</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 79</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a4 a5 a6</p><p>a1 a2 a3</p><p>b1 b2 b3 b4</p><p>b5 b6 b7</p><p>c1 c2 c3 c4 c5</p><p>Figuras 21a e 21c</p><p>Sequência operatória da cimentação do elemento 21.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>80 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>d</p><p>e</p><p>f</p><p>Figuras 21d a 21f</p><p>Cimentação do elemento 11.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 81</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>g</p><p>h</p><p>i</p><p>Figuras 21g a 21J</p><p>Cimentação dos</p><p>elementos 22 e 23.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>82 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>k</p><p>l</p><p>Figuras 21k a 21l</p><p>Checagem de excesso em área interproximal da coroa do elemento 12 com carbono.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 83</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>m</p><p>n1</p><p>n2</p><p>n3</p><p>o</p><p>p</p><p>Figuras 21m a 21p</p><p>(m e n) Ajustes</p><p>interproximais na</p><p>coroa do elemento</p><p>12 para proceder</p><p>a cimentação e</p><p>(o e p) Cimentação.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>84 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 22</p><p>Remoção de fio retrator</p><p>usado para cimentação.</p><p>Figura 23</p><p>Trabalho finalizado em</p><p>dentes anteriores.</p><p>Figura 24</p><p>Sorriso com trabalho</p><p>anterior cimentado.</p><p>Figuras 25</p><p>Cimentação de</p><p>laminados em pré-molares,</p><p>em que não houve</p><p>necessidade de preparos. a b c d e</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 85</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>Figuras 26</p><p>Pré-molares cimentados.</p><p>Figura 27</p><p>Vista palatina do trabalho cimentado. Restauração da anatomia palatina de centrais com resina composta.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>86 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 28a a 28c</p><p>Trabalho finalizado –</p><p>imagens intraorais. (a)</p><p>Vista frontal; (b) Vista</p><p>lateral direita do</p><p>trabalho finalizado; e (c)</p><p>Vista lateral esquerda</p><p>do trabalho finalizado.</p><p>a</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 87</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>c</p><p>b</p><p>f</p><p>a</p><p>Figuras 28d a 28f</p><p>Trabalho finalizado - imagens intraorais.</p><p>Observar caracterização de cor e textura</p><p>que dão naturalidade ao trabalho.</p><p>Figura 29a</p><p>Trabalho finalizado - imagem extraoral.</p><p>e</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>88 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Material Clínico</p><p>O substrato das lâminas – A2 no lateral, dente 12, coroa, o dente</p><p>era um pouco mais escurecido. Foi utilizado nas lâminas a pastilha</p><p>e.max L.T A1 (Ivoclar Vivadent) e na coroa e.max M.O A1</p><p>(Ivoclar Vivadent). Nessas coroas foi utilizada a técnica de</p><p>estratificação por camadas. Para esse tipo de coroas a espessura</p><p>das pastilhas podem ser mais finas 0,3 mm. A cerâmica de cobertura</p><p>utilizada foi e.max Ceram A1 (Ivoclar Vivadent) dentina + incisal e</p><p>massa de impulso ex. opal e Efect 1,2 e 3 (Ivoclar Vivadent).</p><p>Ceramista – Marcos Celestrino – Laboratório Aliança, São Paulo/SP</p><p>Consultoria de Visagismo – Bráulio Paolucci</p><p>Desenho Digital do Sorriso – Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas – Roberto Yoshida</p><p>Fotografias Laboratoriais – Marcos Celestino</p><p>Protesista – Roberto Yoshida – Londrina/PR</p><p>Figuras 30</p><p>Imagens faciais finais.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 89</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>5.1.3 Posicionamento dental no arco</p><p>O posicionamento dos dentes no segmento anterossupe-</p><p>rior, constitui-se de forte elemento na elaboração da expres-</p><p>são visual da composição. Entende-se por ele a relação da face</p><p>vestibular, borda incisal, cervical e face palatina dos dentes</p><p>desse conjunto com os planos verticais anterior e posterior.</p><p>A posição de cada elemento do segmento anterossupe-</p><p>rior é fundamental na definição da percepção visual frontal</p><p>do arco com suas conotações comunicativas. O alinhamen-</p><p>to perfeito dos elementos anterossuperiores, em torno de</p><p>um arco curvo padrão, pode gerar efeito estético insatisfa-</p><p>tório por desconsiderar variações individuais e comuncati-</p><p>vas8,30-35. Numa vista oclusal o posicionamento dos centrais</p><p>pode variar de reto (Figuras 10a a 10c ) “extrovertido” e ”in-</p><p>trovertido” e esse tipo de posicionamento é dado pela forma</p><p>Figuras 10</p><p>Posicionamento de centrais em uma vista oclusal:</p><p>(a) Introvertidos; (b) Retos; e (c) Extrovertidos.</p><p>e largura do arco. Arcos retangulares geralmente apresen-</p><p>tam centrais retos, arcos triangulares normalmente apre-</p><p>sentam centrais “extrovertidos” (com a crista mesial proje-</p><p>tada para anterior e crista distal projetada para posterior)</p><p>ou ligeiramente apinhados e arcos atrésicos, centrais “intro-</p><p>vertidos” (com a crista mesial projetada para posterior, a</p><p>crista distal projetada para anterior) ou girados para dentro</p><p>da cavidade bucal. A expressão desses posicionamentos de</p><p>centrais segue a nomenclatura escolhida para classificá-la,</p><p>sendo que os retos expressam força e estabilidade, assim</p><p>como a sua linha de construção, a linha reta.</p><p>a b c</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>90 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>No posicionamento 3D das coroas dos incisi-</p><p>vos laterais, tem-se a opção de posicionar sua face</p><p>vestibular de maneira bem frontal, ou seja, refletin-</p><p>do a luz por toda e extensão da vestibular direta-</p><p>mente para frente, e isso confere ao desenho do</p><p>sorriso uma expressão de força emocional, a ou-</p><p>vestibular voltada para anterior, e quanto mais</p><p>estreito o arco, como nos formatos triangulares</p><p>e ovais, mais pedirá laterais girovertidos com sua</p><p>mesial mais para anterior que sua distal.</p><p>Em relação ao posicionamento vestibulopala-</p><p>tino, dentes vestibularizados abrem o arco e lhe</p><p>conferem maior estabilidade sendo essa a ex-</p><p>pressão desse efeito. Dentes posicionados em li-</p><p>nha reta expressam força e dentes palatinizados</p><p>dinamismo e introversão. A posição vestibulopa-</p><p>latina dos elementos anterossuperiores exerce</p><p>forte influência no suporte labial, o que acaba por</p><p>influenciar o contorno e volume labial com suas</p><p>comunicações visuais associadas12-36.</p><p>Figuras 11</p><p>Formatos de centrais:</p><p>(a) Retangular; (b) Oval;</p><p>(c) Quadrado;</p><p>e (d) Triangular.</p><p>a b c d</p><p>tra opção é sua coroa ficar levemente girovertida</p><p>expressando extroversão. A condição oral preexis-</p><p>tente condicionadora desse posicionamento coro-</p><p>nal é a forma do arco; quanto mais retangular ou</p><p>aberto, mais pedirá lateral posicionado com sua</p><p>5.1.4 Forma da coroa dental</p><p>A forma das coroas dentais dos elementos</p><p>anterossuperiores é definida pelo seu contorno,</p><p>ou seja, a porção da coroa que reflete a luz dire-</p><p>tamente à frente. A forma dos elementos difere</p><p>de acordo com o grupo dental. Por exemplo: in-</p><p>cisivos centrais têm variações de forma típicas,</p><p>diferente dos incisivos laterais e dos caninos39.</p><p>Em incisivos centrais, a forma média é tra-</p><p>pezoidal ou formato de pá24. No entanto, apre-</p><p>sentam variações de forma na população, sendo</p><p>que os formatos estruturais básicos são: trian-</p><p>gular, retangular, oval e quadrado40 (Figuras 11a</p><p>a 11d). Formas decorrentes da fusão entre es-</p><p>ses formatos básicos são muito comuns e, um</p><p>exemplo disso, é a própria forma trapezoidal que</p><p>representa a fusão entre retângulo e triângu-</p><p>lo39,41-43 (Figura 12).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 91</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>A literatura odontológica é rica de teorias para a escolha</p><p>de formato de centrais de acordo com a forma da face34,44-47</p><p>e, também, de estudos que demonstram a ausência de rela-</p><p>ção entre ambos48-52, o que também se pode comprovar com</p><p>a experiência clinica21-23,53-57. Essa mesma experiência sugere</p><p>que a harmonia entre centrais e face se deva principalmente</p><p>à proporção entre esses elementos e não propriamente à har-</p><p>monia de forma.</p><p>De acordo com Rufenacht12,58, os centrais são os elemen-</p><p>tos orais que mais se relacionam com a personalidade de ma-</p><p>neira geral, e a escolha de seu formato para uma reabilitação</p><p>deve ser feita de maneira muito criteriosa19,59-61.</p><p>Na óptica do Visagismo, a escolha das unidades dentais na</p><p>elaboração de uma composição psicodentofacial, deve ser pau-</p><p>tada numa entrevista prévia com o paciente, onde serão inves-</p><p>Figuras 13</p><p>Contorno cervical e sua relação com o formato geral do dente: (a) Incisivos retangulares apresentam contorno gengival mais</p><p>retilíneo; (b) Incisivos ovais possuem contorno arredondado; e (c) Incisivos triangulares apresentam contorno mais fechado.</p><p>a b c</p><p>tigados aspectos de sua personalidade, tipo sexual, idade21-23,</p><p>necessidades e anseios pessoais e define-se juntamente com</p><p>ele a intenção de expressão visual, que conduzirá à escolha da</p><p>forma mais apropriada. Isto visa detalhar melhor as expectati-</p><p>vas do paciente e, dessa maneira, diminuir insatisfações.</p><p>Uma vez definida a intenção do cliente, o profissional se</p><p>valerá dos conhecimentos acerca de linguagem arquetípica</p><p>para a escolha da forma. Por exemplo: se o cliente deseja</p><p>evidenciar no desenho do sorriso aspectos de sua persona-</p><p>lidade como força, persistência, objetividade, praticidade e</p><p>liderança, o formato mais adequado será o retângulo, que</p><p>por ser composto de linhas retas com domínio das verticais,</p><p>é o formato que expressa tais características.</p><p>Se o paciente optar por evidenciar em seu desenho de</p><p>sorriso aspectos como dinamismo, criatividade, alegria e</p><p>extroversão, o profissional optará pelo formato triangular,</p><p>pois suas linhas inclinadas expressam tais características.</p><p>Da mesma maneira, se a opção for por expressar delicade-</p><p>za, elegância, discrição e suavidade, a forma ideal é o oval. O</p><p>quadrado está relacionado principalmente com estabilidade,</p><p>calma, tranquilidade e conservadorismo.</p><p>Há de se pensar que, no entanto, essa vontade de ex-</p><p>pressão dos pacientes seja um pouco mais elaborada, exi-</p><p>gindo do profissional mesclar elementos baseados no con-</p><p>ceito de estrutura e detalhe.</p><p>Figura 12</p><p>Formato trapezoidal ou em “pá”: representa a fusão entre as formas triangular e retangular.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>92 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Entende-se por estrutura a forma básica do</p><p>dente ou a forma da sua área de reflexão de luz</p><p>(silhueta de Pincus)37-38,62-63 e detalhe, os elemen-</p><p>tos que cercam essa área reforçando sua men-</p><p>sagem ou contrabalanceando-a.</p><p>Aspectos anatômicos relacionados à estru-</p><p>tura básica dental: largura mesiodistal incisal, lar-</p><p>gura mesiodistal cervical e cristas de reflexão de</p><p>luz mesial e distal. Componentes de detalhamento:</p><p>contorno incisal, contorno distal, contorno cervi-</p><p>cal, ângulo distoincisal (Figuras 13a a 13c).</p><p>Figuras 14</p><p>Incisais e sua relação com o formato geral do dente:</p><p>(a) Incisais retilíneas se relacionam mais a centrais</p><p>retangulares e quadrados; (b) Incisais curvas se</p><p>relacionam mais com dentes ovais; e (c) Incisais</p><p>anguladas com dentes triangulares; porém, incisais curvas</p><p>podem ser encontradas em dentes com aspecto geral</p><p>retangular e uma gama infinita de outras combinações.</p><p>As incisais dos elementos anterossuperiores</p><p>representam um detalhe anatômico muito co-</p><p>municativo, pois em muitas situações de sorri-</p><p>so, sua borda fica evidenciada pelo contraste do</p><p>fundo negro da cavidade oral ou, segundo Lom-</p><p>bardi, espaço negativo8. Sua relação com o plano</p><p>horizonal define a sua expressão. Exemplos de</p><p>incisais: ascendente, côncava invertida, curva e</p><p>reta24 (Figuras 14a a 14c).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 93</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b c</p><p>Com o conceito de estrutura e detalhamento é possível se</p><p>criar um grande número de formas dentais através da aplica-</p><p>ção de linhas e ângulos apropriados a expressar visualmente</p><p>a intenção do cliente.</p><p>De maneira geral em casos de estética ou cosmética de</p><p>elementos anterossuperiores naturais, a equipe deve observar</p><p>as formas dentais originais e procurar dar expressão ao de-</p><p>senho da reabilitação preservando as características originais</p><p>(estrutura dental) e se pautar no uso de detalhes para satisfa-</p><p>zer a vontade de expressão do paciente. Dessa forma, procede</p><p>se uma odontologia minimamente invasiva inclusive em relação</p><p>a aspectos psicovisuais54,64-65. Incisivos laterais terão sua ex-</p><p>pressão menos dependente da estrutura e mais dependente</p><p>de sua incisal, ângulo incisodistal, relação de dominância com</p><p>seus vizinhos e posicionamento no arco (Figuras 16a a 16c).</p><p>Exemplo de elaboração da forma dental segundo o con-</p><p>ceito de estrutura e detalhe: paciente deseja expressar força</p><p>em primeiro lugar com suavidade: centrais dominantes, com</p><p>estrutura retangular e detalhamento curvo em sua incisal, ân-</p><p>gulo distoincisal e contorno do terço distal (Figura 15).</p><p>O paciente deseja expressar dinamismo, extroversão</p><p>com estabilidade: centrais com dominância moderada es-</p><p>trutura triangular e incisal reta.</p><p>Figura 15</p><p>Estrutura triangular e detalhamento curvo acentuado.</p><p>Figuras 16</p><p>Laterais com incisais diversas influenciando a percepção de seu formato final.</p><p>a b c</p><p>Caninos por sua vez dependerão de aspectos como a</p><p>forma de seu contorno vestibular em uma visão frontal e in-</p><p>clinação de seu longo eixo, assim como sua relação de domí-</p><p>nio com laterais e centrais. Uma visão frontal o canino pode</p><p>apresentar-se reto, curvo ou inclinado e estar associado à</p><p>força (ação persistente), delicadeza (ação minuciosa e deta-</p><p>lhista) e impulsividade (ação impetuosa e empreendedora),</p><p>respectivamente (Figuras 17a a 17b).</p><p>“Nenhum dente apresenta um efeito emotivo tão forte quan-</p><p>to o canino e, desta maneira, deve-se trabalhar com muito afin-</p><p>co na elaboração de seu comprimento, contorno e forma.”</p><p>Jan Hatjó 24.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>94 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>5.1.5 Exposição dental</p><p>Entende-se por exposição dental o tanto aparente de estru-</p><p>tura dental quando com a boca em repouso. Nessa situação</p><p>músculos de oclusão e de abertura mandibular estão em situa-</p><p>ção de relaxamento e um equilíbrio entre ambos se apresenta.</p><p>Lábios também apresentam relaxamento muscular nessa si-</p><p>tuação. Uma certa quantidade de exposição dental com a face</p><p>sendo observada frontal e lateralmente deve ocorrer. Em pes-</p><p>soas mais jovens, geralmente uma média de exposição dental</p><p>se apresenta diferente entre homens e mulheres. Em pacientes</p><p>jovens (até 30 anos) do sexo feminino a média de exposição</p><p>dental superior é de 3,5 mm, diminuindo gradativamente com o</p><p>avanço da idade chegando a 0,95 mm aos 50 anos e 0,2 mm</p><p>aos 70 anos58 (Figuras 18a e 18b).</p><p>Figuras 18</p><p>Diferentes exposições dentais com lábios em</p><p>repouso: (a) Paciente com 30 anos e exposição de</p><p>3,94 mm e (b) Paciente com 50 anos com</p><p>exposição dental superior</p><p>de aproximadamente 1,0 mm.</p><p>Percebe-se também um aumento</p><p>da exposição de dentes inferiores</p><p>com o avanço da idade.</p><p>ba</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 95</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figuras 17</p><p>Contorno vestibular de caninos naturais numa vista frontal: (a) Retos; (b) Curvos; e (c) Inclinados.</p><p>a b c</p><p>REsumo</p><p>A paciente LTL</p><p>apresentou-se à clínica evidenciando</p><p>desgaste excessivo na região palatina de seus elementos</p><p>anterossuperiores . Observou-se um maior desenvolvimento</p><p>mandibular para anterior em relação à maxila. A linha de</p><p>união dos zênites gengivais apresentava-se côncava inver-</p><p>tida, um indicativo visual de deficiência de extrusão natural</p><p>dos dentes anterossuperiores, em especial incisivos cen-</p><p>trais, provavelmente causada pela posição mais anterior de</p><p>sua mandíbula em relação à maxila .</p><p>A paciente queixou-se desta pouca exposição dental quan-</p><p>do com lábios em repouso, o que lhe dava “ar envelhecido”.</p><p>Na análise facial não foi observada discrepância entre linhas</p><p>médias facial e dental . Na análise intraoral os elementos den-</p><p>tais se apresentavam em excelente condição de saúde, com</p><p>ausência de quaisquer condições possíveis de causa de insa-</p><p>tisfação estética, tais como restaurações deficientes, cáries,</p><p>diferenças de cor, desalinhamento de eixos dentários, propor-</p><p>ção inadequada entre os elementos superiores etc .</p><p>O desenho digital do sorriso indicou o posicionamento</p><p>ideal das bordas incisais dos incisivos centrais, pelo plano</p><p>incisal guiado ou sugerido pelo plano oclusal posterior pa-</p><p>ralelo à borda superior do lábio inferior. O tratamento pro-</p><p>Caso 2 posto foi de tracionar ortodonticamente os incisivos até o</p><p>limite vestíbulo/inferior possível, assim como odontoplastia</p><p>conservadora na região da mandibula anterior.</p><p>Após a fase ortodôntica, avaliou-se a necessidade da com-</p><p>plementação da exposição dental com laminados supercon-</p><p>servadores (lentes de contato), o que se mostrou pertinente.</p><p>Dessa forma foram confeccionados laminados de canino a ca-</p><p>nino com o objetivo de projetá-los ainda mais para inferior, para</p><p>se obter correta exposição dental com lábios em repouso. No</p><p>momento da intervenção reconstrutiva, foi realizada consulto-</p><p>ria, onde paciente manifestou desejo de expressar visualmente</p><p>características autênticas suas como delicadeza no trato pes-</p><p>soal, doçura e perfeccionismo nas ações. Portanto, as formas</p><p>dentais de seus centrais, originalmente triangulares, foram</p><p>mantidas para proceder intervenção minimamente invasiva</p><p>em termos psicovisuais, mas suas incisais e ângulos inciso-</p><p>distais foram discretamente arredondados como medida de</p><p>personalização dessa vontade. Os caninos foram confecciona-</p><p>dos com sua vestibular curva numa vista frontal seguindo a</p><p>mesma vontade de expressão. Incisivos laterais tiveram sua</p><p>dimensão cervicoincisal aumentada, mas suas formas foram</p><p>mantidas no novo desenho do sorriso.</p><p>Figuras 1</p><p>Imagens faciais – pré-operatório.</p><p>a b c d</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>96 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens extraorais - pré-operatório.</p><p>Figuras 3</p><p>(a) Observar linha de união de zênites invertida e (b) Imagem intraoral em desoclusão.</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 97</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 4</p><p>Sorriso - imagem frontal.</p><p>Figura 5</p><p>Configuração</p><p>pré-operatória.</p><p>Figura 6</p><p>Plano incisal corrigido.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>98 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 7</p><p>Alongamento dos dentes</p><p>anterossuperiores.</p><p>Figura 8</p><p>Desenho do</p><p>sorriso final.</p><p>Figuras 9</p><p>Ortodontia. Observar uso de ortoimplantes para tracionamento de incisivos superiores para inferior.</p><p>a</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 99</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b c</p><p>Figuras 10</p><p>Ortodontia - abertura</p><p>de espaço entre laterais</p><p>e caninos pelo</p><p>tracionamento para</p><p>anterior dos incisivos.</p><p>a b</p><p>Figuras 11</p><p>Ortodontia - vistas oclusal</p><p>e superoinferior.</p><p>a b c d</p><p>Figuras 12</p><p>Imagens extraorais ao fim do tratamento ortodôntico.</p><p>a b c</p><p>Figuras 13</p><p>Imagens faciais ao fim do</p><p>tratamento ortodôntico.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>100 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>b</p><p>b</p><p>c d</p><p>Figuras 14</p><p>Imagens extraorais com mock-up.</p><p>Figuras 15</p><p>Mock-up removido em apenas um dos lados para verificar o quanto de ganho vertical se teria.</p><p>Figuras 16</p><p>Imagens faciais com mock-up.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 101</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 17</p><p>Imagem dos preparos ultraconservadores para lentes de contato.</p><p>a b</p><p>Figuras 18</p><p>Modelos de trabalho e guias de silicone.</p><p>Figuras 19</p><p>Lentes de contato</p><p>posicionadas sobre</p><p>modelos de gesso.</p><p>a b</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>102 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 20</p><p>Imagem intraoral - fundo negro. Trabalho finalizado. Observar centrais em forma triangular bastante arredondadas tendendo ao oval</p><p>e linha dos zênites com nova configuração (ascendente) após tratamento ortodôntico. Caninos configurados com lateral curva.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 103</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 21</p><p>Sorriso final - vista lateral.</p><p>ba</p><p>Figuras 22</p><p>Face com trabalho finalizado. Exposição dental adequada.</p><p>Figura 23</p><p>Sorriso - pós-ortodontia.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>104 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 24</p><p>Sorriso com mock-up.</p><p>Figura 25</p><p>Sorriso final.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 105</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figuras 26</p><p>Imagens faciais finais.</p><p>Informações Laboratoriais</p><p>Cor do substrato = ND 1; Cor da pastilha = HT BL4; Espessura da pastilha</p><p>= 0,3 mm até 0,5 mm; Pastilha = dissilicato de lítio, Alta translucidez</p><p>tipo de desenho da infraestrutura = cut back incisal; estratificacão = mix</p><p>OE3 70%, OE2 20% e OE1 10% intercalando, apresentando caracterís-</p><p>ticas incisais suaves.</p><p>Ceramista – Thiago Reis (Well Lab - São Paulo/SP)</p><p>Consultoria de Visagismo – Bráulio Paolucci</p><p>Desenho Digital do Sorriso – Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas e Laboratoriais – Thiago Reis</p><p>Protesista – Robert Coachman</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>106 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a1 a2</p><p>5.1.6 Relação proporcional</p><p>entre elementos dentais</p><p>Entende-se por proporção à relação dimensional de um</p><p>objeto em relação a outro66. A relação proporcional entre os</p><p>elementos anterossuperiores pode levar a diferentes formas</p><p>de percepção visual desse conjunto67. Relações dimensionais</p><p>diferentes são atribuídas a diferenças sexuais e raciais68-69.</p><p>Duas situações de simetria bilateral geralmente se apresen-</p><p>tam: a simetria corrente onde a relação de proporção é de</p><p>dominância quase que exclusiva de largura de centrais sobre</p><p>laterais e esses sobre caninos e expressa monotonia, apatia,</p><p>estabilidade e calma e a simetria radial, onde elementos aná-</p><p>logos são similares, mas apresentam dimensões diferentes</p><p>de seus vizinhos12, geralmente apresentando incisivos centrais</p><p>com forte dominância visual. Essa é a situação mais atraente</p><p>para cirurgiões-dentistas, enquanto a primeira é a mais agra-</p><p>dável para pacientes segundo Brismam71 (Figuras 19a e 19b).</p><p>É importante salientar que a avaliação foi feita sobre o as-</p><p>pecto de simetria bilateral proporcional e não morfológica; pois</p><p>tanto em simetria corrente quanto em radial, discretas assime-</p><p>trias morfológicas são interessantes para dar naturalidade ao</p><p>desenho do sorriso (variedade na unidade)70-72, pois sorrisos</p><p>totalmente simétricos soam falsos como dentaduras.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 107</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figuras 19</p><p>Simetria</p><p>bilateral: (a) Radial e (b) Corrente.</p><p>a b</p><p>Alguns autores sugerem que a dominância de centrais</p><p>num segmento anterossuperior é fundamental para se conse-</p><p>guir resultado estético satisfatório8,21. Quanto mais dominantes</p><p>sobre laterais e caninos se apresentarem os incisivos centrais,</p><p>mais o desenho geral do sorriso expressará imposição, autori-</p><p>tarismo e força temperamental, e quanto mais dominantes em</p><p>um segmento anterossuperior forem os caninos mais agressi-</p><p>vidade e masculinidade expressará o desenho de sorriso geral.</p><p>Na simetria radial os elementos podem apresentar di-</p><p>versas relações de gradação de centrais para caninos, sen-</p><p>do considerada mais estética, ou seja, atraente ao olhar,</p><p>aquela em que prevalece uma sequência gradativa de cen-</p><p>tral para canino em proporção áurea73-75.</p><p>Sua vontade de expressão aliada às queixas estéticas le-</p><p>varam a equipe à confecção de um desenho de sorriso dinâ-</p><p>mico, com plano incisal ascendente, formas dentais triangu-</p><p>lares, caninos inclinados para medial. Como caracterização</p><p>de sua sensibilidade emocional as formas dentais triangu-</p><p>lares foram discretamente arredondadas em sua distal. A</p><p>forte dominância de centrais, aliada a uma configuração</p><p>com incisais retas e posicionamento retilíneo em relação</p><p>a um plano vertical anterior imaginário dariam ao desenho</p><p>do sorriso final a impositividade desejada. Foram realizadas</p><p>cirurgias plásticas gengivais para aumento de coroa clíni-</p><p>ca do elemento 14 ao 24 com laser de alta potência, Seu</p><p>freio labial também foi removido usando-se o mesmo laser.</p><p>Foram realizados laminados cerâmicos nos pré-molares e</p><p>coroas cerâmicas puras de canino a canino.</p><p>Caso 3</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>108 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>REsumo</p><p>Paciente GZ, 32 anos, se apresentou à equipe clínica</p><p>com queixa em relação à estética de seu sorriso, como prin-</p><p>cipais pontos a exposição gengival demasiada em sorriso e</p><p>a diferença de cor entre os elementos anterossuperiores</p><p>(próteses) e demais dentes naturais. Na consultoria visagis-</p><p>ta se mostrou bastante extrovertida e alegre, dinâmica em</p><p>seu ritmo de vida, bastante sensível e transparente na mani-</p><p>festação de suas emoções e que gostaria de evidenciar es-</p><p>sas características em seu desenho do sorriso. Assim como</p><p>gostaria de um sorriso mais marcante e impositivo. O seu</p><p>quadro clínico apresentava-se como um desenho de sorriso</p><p>plano, caracterizado pela ausência de domínio de centrais,</p><p>plano incisal horizontal, formas dentais quadradas. A rela-</p><p>ção proporcional de centrais se encontrava em aproximada-</p><p>mente 50%, quando considera-se 80% como a proporção</p><p>mais estética segundo alguns autores15-16.</p><p>Figuras 1</p><p>Imagens faciais - pré-operatório.</p><p>a b c d</p><p>a b c</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens extraorais – pré-operatório.</p><p>Figura 3</p><p>Imagem oclusal –</p><p>pré-operatório.</p><p>Figura 4</p><p>Imagem facial com eixos</p><p>faciais de referência.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 109</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 5</p><p>Sobreposição de imagem intraoral</p><p>sobre a facial para usar os</p><p>eixos de referência faciais como</p><p>orientação para o desenho do sorriso.</p><p>Figura 6</p><p>Eliminação da imagem facial e</p><p>permanência da imagem intraoral</p><p>com eixos de referências faciais.</p><p>Figura 7</p><p>Ampliação.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>110 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 8</p><p>Análise das formas dentais,</p><p>linha dos zênites e plano</p><p>incisal - pré-operatório.</p><p>Figura 9</p><p>Análise da proporção</p><p>entre elementos dentais e</p><p>estabelecimento de plano</p><p>incisal de acordo com o</p><p>plano oclusal posterior.</p><p>Figura 10</p><p>Proporção altura/largura</p><p>em torno de 50%</p><p>configurando centrais</p><p>com forma quadrada.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 111</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 11</p><p>Correção dessa relação para 80%.</p><p>Figura 12</p><p>Desenho de sorriso final.</p><p>Observar formas dentais triangulares</p><p>arredondadas de acordo com a</p><p>vontade de expressão da paciente.</p><p>Figuras 13</p><p>Demarcações intraorais para plástica gengival - imagens extraorais.</p><p>a b c</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>112 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 14</p><p>Demarcações e sondagem - imagem intraoral</p><p>Figuras 15</p><p>Remoções de coroas metalocerâmicas.</p><p>a b</p><p>a b c</p><p>Figuras 16</p><p>Plástica gengival com laser de alta potência e sondagem para verificação de distância biológica.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 113</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>Figuras 17</p><p>Comparação de antes e depois da plástica gengival.</p><p>Figuras 18</p><p>Confecção de provisórios imediatos e remoção de freio labial.</p><p>a b</p><p>Figura 19</p><p>Tomada de cor do substrato.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>114 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>c</p><p>c</p><p>Figuras 20</p><p>Laminados e coroas posicionadas sobre o modelo de trabalho - vistas frontal e lateral.</p><p>Figura 21</p><p>Cerâmicas - vista frontal.</p><p>Figuras 22</p><p>Cimentação.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 115</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 23</p><p>Cerâmicas - pós-cimentação. Observar dominância de centrais, formas triangulares arredondadas, posicionamento reto e caninos curvos.</p><p>Figuras 24</p><p>Vistas frontal e lateral de trabalho finalizado.</p><p>a b c</p><p>Figuras 25</p><p>Vistas lateral direita e frontal do sorriso - pós-operatório.</p><p>a b</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>116 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 26</p><p>Imagens faciais finais. Sorriso marcante e personalizado.</p><p>Ceramista - Adriano Schayder</p><p>Consultoria de Visagismo - Galip Gurel e equipe</p><p>Desenho Digital do Sorriso - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas e Faciais - Galip Gurel</p><p>Fotografias Laboratoriais - Adriano Schayder</p><p>Periodontia - Galip Gurel e equipe</p><p>Protesista - Galip Gurel</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 117</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>5.1.7 Linhas complementares</p><p>Entende-se por linhas complementares o conjunto de linhas</p><p>imaginárias de união de estruturas24 que podem ser usadas</p><p>na elaboração da composição psicodentofacial como unidades</p><p>para reforço ou balanceio de intenção . São elas: linha de união</p><p>dos zênites gengivais, linha de união das ameias dentais e linha</p><p>de união das papilas gengivais. Seu uso é fundamental para dar</p><p>expressão ao conjunto anterossuperior, sendo muito aplicável</p><p>em próteses totais fixas ou removíveis e menos aplicáveis em</p><p>situações de dentição natural.</p><p>A linha de união dos zênites gengivais une o ponto mais alto</p><p>da curvatura da margem gengival das coroas dentárias dos</p><p>elementos anterossuperiores62. Seu formato pode ir do cônca-</p><p>vo invertido, relacionado a aspectos como tristeza, melancolia</p><p>e reserva, passando pela forma horizontal, expressando esta-</p><p>bilidade, ziguezague que expressa dinamismo, representando o</p><p>desenho médio para esse tipo de linha24 e convexa ascendente</p><p>expressando impulsividade e extroversão. Essa linha pode ser</p><p>trabalhada pela equipe através de cirurgia plástica gengival, e</p><p>na escolha adequada dever-se-á levar em consideração a for-</p><p>ma do arco, o biótipo periodontal e a vontade de expressão do</p><p>paciente76-80 (Figuras 20a e 20b).</p><p>A linha de união das papilas gengivais81 normalmente</p><p>se mostra um grande problema à equipe restauradora</p><p>pela dificuldade de seu manuseio. Normalmente depende</p><p>da forma do arco dental e do tipo de anatomia das coroas</p><p>dentais, sendo que coroas triangulares a configuram como</p><p>ascendente (média), Figura 21, coroas retangulares e qua-</p><p>dradas a configuram como</p><p>reta ou até côncava invertida.</p><p>Essa linha marca a projeção do ponto de contato. Sua ex-</p><p>pressão é a mesma da LUZG.</p><p>Já a linha de união das ameias dentais é fortemente in-</p><p>fluenciada pelo formato de dentes escolhidos, sendo reta</p><p>para dentes retangulares, ascendente para triangulares</p><p>(média), Figura 22, e côncava invertida para ovais. Sua ex-</p><p>pressão é a mesma das demais linhas complementares</p><p>sendo mais percebida quanto à união entre a ameia medial</p><p>e ameias distais dos centrais em função do espaço negati-</p><p>vo, como proposto por Lombardi8.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>118 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 20</p><p>(a) Linha de união de zênites em ziguezague conferindo dinamismo e movimento ao sorriso e (b) Linha de união de zênites invertida.</p><p>Figura 21</p><p>Linha de união de ameias gengivais.</p><p>Figura 22</p><p>Linha de união de ameias incisais.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 119</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>5.1.8 Tipos de desenhos de sorriso e</p><p>sua expressão visual</p><p>O arranjo formado pelos dentes anterossuperiores (for-</p><p>mato, posição no arco, proporção) juntamente com outros</p><p>elementos como lábios, linhas complementares e forma do</p><p>arco dental, compõe a mensagem não-verbal expressa pela</p><p>região oral6,8,21-23, 32,34,44,49,83-85.</p><p>No processo de composição de uma reabilitação esté-</p><p>tica, o primeiro passo é saber qual será a mensagem não-</p><p>-verbal expressa pelo conjunto; a partir daí, avaliar as con-</p><p>dições orais e verificar as reais possibilidades do uso dos</p><p>Arranjos Dentais</p><p>Forte</p><p>Dinâmico Suave</p><p>Plano</p><p>elementos visuais que expressem essa mensagem não-</p><p>verbal previamente discutida com o paciente e, então, usar</p><p>linhas, ângulos e formas apropriados na confecção do dese-</p><p>nho do sorriso86-87. O estudo e o conhecimento do significado</p><p>emocional desses elementos é o pré-requisito para começar</p><p>a desenhar.</p><p>As principais variações de desenhos de sorriso puros, ou</p><p>seja, compostos por um grupo específico de elementos com</p><p>o mesmo significado emocional são:</p><p>Obs.: deve-se considerar variações de acordo com sexo,</p><p>idade e raça.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>120 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>b c</p><p>a d</p><p>Figuras 23</p><p>Diferentes tipos de desenho do sorriso.</p><p>Figuras 24</p><p>Desenho do sorriso forte</p><p>em dentições naturais. (a)</p><p>Mulher e (b) Homem.</p><p>5.1.8.1 Desenho forte</p><p>Composto por dentes anterossuperiores posicionados com</p><p>seus longos eixos perpendiculares ao plano horizontal, com</p><p>predominância visual de incisivos centrais retangulares e ca-</p><p>ninos com limite vestibular reto88. Apresentam simetria radial,</p><p>linha de união das ameias reta entre centrais e laterais, linha</p><p>de união dos zênites gengivais reta de canino a canino e plano</p><p>incisal reto entre centrais e caninos com laterais aquém des-</p><p>se plano, com o arco superior predominantemente retangular.</p><p>Numa vista oclusal, os incisivos se posicionam em linha reta em</p><p>relação a um plano vertical imaginário. É o desenho que expres-</p><p>sa visualmente as caracaterísticas do temperamento colérico.</p><p>Visualmente se harmoniza com rosto retangular, hexagonal de</p><p>base reta e quadrado (Figuras 24 e 25).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 121</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>5.8.1.2 Desenho dinâmico</p><p>Composto por dentes anterossuperiores posicionados</p><p>com seus longos eixos ligeiramente inclinados para distal</p><p>com simetria radial discreta, linha de união dos zênites</p><p>angulada ou em ziguezague, linha de união das ameias as-</p><p>cendente a partir da linha média e plano incisal também</p><p>ascendente a partir da linha média. Os incisivos centrais</p><p>geralmente são triangulares ou trapezoidais com incisais</p><p>ascendentes a partir da linha média e os caninos possuem</p><p>seus limites vestibulares representados por uma linha reta</p><p>inclinada para medial, com o arco superior predominante-</p><p>mente triangular ou poligonal.</p><p>Dominância discreta de centrais; simetria radial discre-</p><p>ta. Numa vista oclusal, os incisivos se apresentam com suas</p><p>mesiais projetadas para a região anterior e distais levemen-</p><p>te voltadas para a região posterior. Visualmente traduz</p><p>características próprias do temperamento sanguíneo e se</p><p>harmoniza com os formatos de rosto hexagonal de lateral</p><p>reta, triangular invertido e o losangular (Figuras 24 a 26).</p><p>Figura 25</p><p>Desenho do sorriso dinâmico em dentições naturais. (a) Mulher e (b) Homem.</p><p>a b</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>122 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>5.1.8.3 Desenho suave</p><p>Composto por dentes posicionados com seus lon-</p><p>gos eixos retilíneos ou discretamente inclinados para</p><p>distal com simetria radial discreta, linha de união dos</p><p>zênites ascendente a partir da linha média em forma</p><p>de parábola, linha de união das ameias descendente a</p><p>partir da linha média e do plano incisal ascendente em</p><p>forma de parábola. As formas dos centrais, geralmen-</p><p>te, são ovalada88, laterais geralmente apresentam sua</p><p>incisal e ângulo distoincisal curvos e os caninos apre-</p><p>sentam seus limites vestibulares curvos e inclinados</p><p>para medial, com o arco superior predominantemente</p><p>oval. Numa vista oclusal os elementos anteriores se</p><p>apresentam bem alinhados em uma curva ou parábo-</p><p>la. Representa visualmente o temperamento melancó-</p><p>lico e se harmoniza com rosto oval (Figuras 24 a 27).</p><p>Figuras 26</p><p>Desenho do sorriso suave em dentições naturais. (a) Homem e (b) Mulher.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 123</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>5.1.8.4 Desenho plano</p><p>Composto por dentes anterossuperiores com</p><p>seus longos eixos perpendiculares ao plano horizontal,</p><p>com exceção do canino que às vezes se apresenta li-</p><p>geiramente rotacionado para lateral, dominância de</p><p>centrais em largura e não em altura, apresentando si-</p><p>metria horizontal ou corrente88, geralmente com dias-</p><p>tema entre dentes em um arco largo ou circular, linha</p><p>de união dos zênites gengivais tendendo a horizontal,</p><p>linha de união das ameias incisais reta ou interrompi-</p><p>Figuras 27</p><p>Desenho do sorriso plano em dentições naturais. (a) Mulher e (b) Homem.</p><p>b</p><p>da por diastemas. Os incisivos centrais tendem a qua-</p><p>drados e os caninos possuem seus limites vestibulares</p><p>curvos, com a forma do arco sendo circular largo. É o</p><p>desenho que melhor expressa visualmente característi-</p><p>cas do temperamento fleumático. E em termos se har-</p><p>moniza com os formatos de rosto quadrado e redondo</p><p>(Figuras 24 a 27).</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>124 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a</p><p>Em pacientes do sexo masculino aos trinta anos de idade</p><p>a média de exposição é de 2,0 mm. Há estudos que cor-</p><p>relacionam as diferenças de exposição dental a diferenças</p><p>raciais. Dentes inferiores também apresentam uma exposi-</p><p>ção variante ao longo do avanço de idade. Isso ocorre por-</p><p>que com o passar dos anos a musculatura se expande e</p><p>contrai diariamente. Muitas vezes, algumas substâncias são</p><p>produzidas pelos tecidos para suportar esses movimentos,</p><p>tais como elastina e colágeno. Com o avanço da idade, a</p><p>produção dessas substâncias cai e as expansões muscu-</p><p>lares não são tão bem compensadas pelos tecidos moles.</p><p>Por isso o tecido que se expande não tem a mesma capa-</p><p>cidade de retornar ao nível inicial provocando um aumento</p><p>tecidual gradual, com aumento visível do filtro labial e, em</p><p>alguns casos, chegando a eversão do lábio superior. A ação</p><p>da gravidade colabora com o processo de tracionamento</p><p>para baixo desses tecidos pobres de elastina e colágeno.</p><p>Concomitante a esse processo há o encurtamento do com-</p><p>primento das coroas dentais pelo desgaste funcional, o que</p><p>colabora</p><p>para menor exposição dos dentes anterossuperio-</p><p>res com lábios em repouso. Por esse motivo a pouca expo-</p><p>sição dental superior e o aumento da exposição de dentes</p><p>inferiores são percebidos como um sinal de envelhecimen-</p><p>to e há um forte desejo de pacientes para solucionar essa</p><p>impressão. O avanço da idade está relacionado à perda da</p><p>vitalidade e vigor físico, elementos fundamentais para a</p><p>reprodução e liderança de grupo; por isso os aspectos</p><p>visuais que denotam esse processo são compreendidos</p><p>como não atraentes e não desejáveis. Muitos tratamentos</p><p>podem ser realizados para reverter quadros visuais rela-</p><p>cionados ao envelhecimento e proporcionar bem-estar aos</p><p>pacientes. Uma dessas formas de intervenção é o aumen-</p><p>to da exposição dental superior pela restauração da parte</p><p>dental perdida no processo de desgaste sofrido ao longo da</p><p>vida; no entanto, em muitas situações pacientes jovens que</p><p>tiveram problemas de extrusão natural ou muita tonicidade</p><p>da musculatura labial podem apresentar tal quadro anties-</p><p>tético, o que justifica um aumento dental até a correta expo-</p><p>sição, o que pode ser feito pelo tracionamento ortodôntico</p><p>ou pela restauração do comprimento dental correto com</p><p>laminados cerâmicos ou resinas compostas. A associação</p><p>de procedimentos pode ser necessária em alguns casos.</p><p>Para o correto planejamento o profissional deve avaliar a</p><p>relação de proporção altura/largura para decidir que tipo</p><p>de intervenção procederá. A proporção altura/largura, em</p><p>incisivos centrais, considerada ideal, é de 80%24.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 125</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>REsumo</p><p>Paciente JPA apresentou-se para reabilitação oral com</p><p>ausência do elemento 21. O elemento 11 apresentava-se gi-</p><p>rovertido, o que deixava o espaço para o elemento 21 grande</p><p>demais para um só dente e estreito para dois. Além da perda</p><p>do elemento 21, o paciente apresentava perda de estruturas</p><p>óssea e gengival nessa região. Os demais elementos esta-</p><p>vam insatisfatórios do ponto de vista estético como laterais</p><p>curtos e estreitos e caninos e pré-molares com coloração</p><p>alterada. O desafio maior, no entanto, era resolver a distribui-</p><p>ção proporcional dos elementos anterossuperiores, de modo</p><p>a obter harmonia dentofacial.</p><p>A equipe restauradora realizou enceramento diagnóstico</p><p>para distribuir o espaço entre centrais e avaliar o quanto de</p><p>restauração dentogengival seria necessária para resolver a</p><p>perda de suporte. Após essa análise o caso estava pronto</p><p>para a reabilitação. Nesse momento a consultoria visagista</p><p>foi realizada para a determinação das formas dentais, haja</p><p>vista que a posição das bordas incisais estava estabelecida</p><p>pelo plano incisal, determinado pelo plano oclusal dos dentes</p><p>posteriores. Na consultoria, o paciente demonstrou compor-</p><p>tamento tranquilo e reservado, comunicação calma e serena,</p><p>grande estabilidade emocional e mencionou que considera</p><p>como pontos fortes de sua personalidade a palavra, a honra</p><p>pessoal, ação objetiva e persistente e o respeito pelos outros.</p><p>Suas características faciais apresentavam-se dominadas por</p><p>traços retilíneos, com formato do rosto retangular tendendo</p><p>ao quadrado. Gostaria que seu desenho do sorriso tivesse al-</p><p>guma relação com essas qualidades de personalidade e tra-</p><p>Caso 4</p><p>ços faciais. Portanto, tais características podem ser en-</p><p>contradas em pessoas com temperamentos dominantes</p><p>coléricos e fleumáticos, ambos caracterizados por linhas</p><p>retas horizontais (fleumático) e verticais (colérico). Em ter-</p><p>mos de desenho do sorriso tais características seriam</p><p>expressas por um desenho plano (ver Capítulo Composi-</p><p>ção), dentes quadrados com incisais retas, e dominância</p><p>de centrais em largura, caninos fortes e curtos.</p><p>O diastema é muito comum em desenhos de sorriso</p><p>planos e por esse motivo foi adicionado à reabilitação final.</p><p>Um novo enceramento foi realizado e provado diretamen-</p><p>te na boca, para que imagens extraorais fossem tiradas</p><p>objetivando verificar a harmonia entre esse desenho de</p><p>sorriso com a face. Sua reabilitação representou um desa-</p><p>fio para os técnicos por trabalharem tanto com laminados</p><p>cerâmicos puros em praticamente todos os dentes exceto</p><p>no elemento 21, em que foi realizada prótese metalocerâ-</p><p>mica com cerâmica gengival. Considerando-se a idade do</p><p>paciente, os elementos foram confeccionados com uma</p><p>cor mais saturada A4, e a exposição dental com a boca</p><p>em repouso ficou reduzida para que o trabalho, além de</p><p>respeitar os princípios de harmonia e estética, também</p><p>respeitasse a personalidade e a idade do paciente.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>126 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 1</p><p>Imagens faciais. Vista frontal - pré-operatório.</p><p>a b c d</p><p>Figura 2</p><p>Eixos faciais</p><p>de referências</p><p>horizontal e vertical.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 127</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 3</p><p>Imagem intraoral dos</p><p>dentes anterosuperiores com</p><p>fundo negro -- pré-operatório.</p><p>Figuras 4</p><p>Análise do espaço.</p><p>a b</p><p>a b</p><p>Figuras 5</p><p>Análise da proporção dental.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>128 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 6</p><p>Espaço largo para</p><p>um dente e estreito para</p><p>dois dentes.</p><p>Figuras 7</p><p>Enceramento diagnóstico.</p><p>a b c</p><p>Figuras 8</p><p>Enceramento pronto.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 129</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>Figura 9</p><p>Sorriso com mock-up.</p><p>Figura 10</p><p>Mock-up vista intraoral com fundo negro - vista frontal. Mock-up com formas dentais arredondadas.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>128 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figuras 12</p><p>Novo enceramento realizado de acordo</p><p>com a entrevista visagista.</p><p>Figuras 11</p><p>Tomada de cor.</p><p>a</p><p>a b c</p><p>Figuras 13</p><p>Enceramento posicionado diretamente em boca.</p><p>a</p><p>b d</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 129</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>c</p><p>Figura 16</p><p>Caso finalizado -</p><p>aspecto intraoral.</p><p>Desenho do</p><p>sorriso plano.</p><p>Figuras 14</p><p>Análise da harmonia dentofacial obtida com novo desenho de sorriso (prova do enceramento direto na boca).</p><p>a b</p><p>Figuras 15</p><p>Confecção das</p><p>cerâmicas seguindo</p><p>o último enceramento</p><p>como guia.</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>130 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a b c</p><p>a c</p><p>Figuras 17</p><p>Face com trabalho finalizado. Observar a perfeita harmonia dentofacial com novo desenho do sorriso (desenho de sorriso plano).</p><p>Figura 18</p><p>Exposição dental correta para</p><p>sexo e idade do paciente</p><p>(aproximadante 1,0 mm).</p><p>Material Clínico</p><p>Foi utilizado pastilha LT. Recorte de borda incisal de 1 mm</p><p>sobre substrato na cor A4. Foi aplicado e.max.</p><p>Ceramistas - Juvenal de Souza Neto - Prótese Dentogengival,</p><p>Joinville/SC; Jorge Alberguine - Laminados e Lentes, São Paulo/SP;</p><p>André Luís Tome dos Santos - enceramento,São Paulo/SP</p><p>Consultoria de Visagismo - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas e Laboratoriais - Fernando Pastor</p><p>Implantodontista - Carlos Diniz</p><p>Protesista - Fernando Pereira Pastor</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 131</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso</p><p>b</p><p>5.2 Referências</p><p>1. Kandinsky W. Ponto e linha sobre o plano. 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É nessa consultoria que o profissional poderá aprofundar</p><p>seu conhecimento acerca do ser humano por trás daquela</p><p>boca a ser tratada. A consultoria objetiva definir “aquilo” a ser</p><p>realizado pela equipe em termos de desenho de sorriso e sua</p><p>expressão1-3. Um sorriso deve expressar visualmente carac-</p><p>terísticas da identidade pessoal do paciente, tais como seu</p><p>temperamento, comportamento e seu estilo de vida, devendo</p><p>revelar características autênticas individuais e não criar uma</p><p>máscara ou persona, que representaria a maneira como a</p><p>pessoa gostaria de ser ou ser percebida pelos outros4.</p><p>De um trabalho odontológico geralmente se espera lon-</p><p>gevidade. De modo que não se pode ficar mudando os dentes</p><p>de acordo com as circunstâncias ou momentos de vida e, por</p><p>este motivo, a reabilitação deve ser fiel às características ou</p><p>qualidades interiores de uma personalidade. O paciente deve</p><p>ser esclarecido que a evidenciação, através de linhas e for-</p><p>mas, de características não autênticas poderá alterar seu</p><p>comportamento com o tempo de maneira não controlada,</p><p>podendo trazer mais prejuízos que benefícios.</p><p>A consultoria se inicia com a análise de traços físicos5-6,</p><p>modo de andar, sentar, tom de voz e postura seguidos de uma</p><p>análise comportamental, onde se avalia como a pessoa se</p><p>porta diante de variadas situações cotidianas. Por fim, avalia-</p><p>se estilo de vida, necessidades pessoais e profissionais, dese-</p><p>jos e preferências pessoais. Ao fim do processo o profissional</p><p>deverá ter um entendimento do tipo temperamental de seu</p><p>paciente, quais seriam as dificuldades vividas por ele e suas</p><p>necessidades pessoais, para então orientar esse paciente na</p><p>definição de sua vontade de expressão, que será o guia para</p><p>a utilização das variadas linhas e formas nas unidades orais</p><p>componentes do desenho de sorriso final. A consultoria ajuda</p><p>o paciente a refletir sobre si e identificar o que gostaria de ex-</p><p>pressar visualmente (de suas qualidades) através de seu sor-</p><p>riso. A pergunta final ao paciente seria: o que você gostaria de</p><p>expressar de si pelo seu sorriso? A vontade de expressão do</p><p>paciente deverá estar de acordo com sua identidade pessoal,</p><p>ou seja, a maneira como essa pessoa se percebe interiormen-</p><p>te, de maneira que o sorriso expresse visualmente algo verda-</p><p>deiro ou autêntico, respeitando os princípios de harmonia e</p><p>estética e, portanto, revele a beleza pessoal.</p><p>Profissionais da Odontologia Estética que direcionam seus</p><p>trabalhos em configuração visual, orientando seus técnicos</p><p>sobre o tipo de formatos a serem utilizados nos casos, geral-</p><p>mente o fazem seguindo sua intuição, o que nem sempre coin-</p><p>A</p><p>Bráulio Paolucci, Philip Hallawell</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>136 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>cide com aquilo que o paciente imaginava como ideal7-9; por</p><p>isso em alguns casos o resultado final fica bom aos olhos do</p><p>profissional e desagrada ao cliente e, na maioria das vezes, a</p><p>causa da insatisfação se torna difícil de ser identificada. A con-</p><p>sultoria objetiva minimizar essas ocorrências especificando</p><p>melhor os desejos e as expectativas dos pacientes e tornando</p><p>consciente o processo de construção visual do desenho do</p><p>sorriso por parte dos profissionais, que como demonstrado</p><p>no Capítulo Desenho Digital do Sorriso, pode ser simulado no</p><p>computador e discutido com o paciente previamente à exe-</p><p>cução final.</p><p>6.2 Temperamentos</p><p>Considera-se que a personalidade de um indivíduo seja</p><p>constituída principalmente de dois componentes: um de ori-</p><p>gem genética10, relacionado à árvore genealógica do indivíduo</p><p>e o outro formado ao longo dos anos através da educação,</p><p>influências culturais e experiências de vida. Os aspectos for-</p><p>mados a partir da educação e experiências pessoais tendem</p><p>a controlar a manifestação das tendências genéticas.</p><p>De maneira geral, as tendências genéticas podem se ma-</p><p>nifestar em uma personalidade mediante condições favorá-</p><p>veis ou não se manifestar mediante repressões ou ambientes</p><p>desfavoráveis durante o período de formação e consolidação</p><p>desta10. O resultado disso é que muitas vezes o indivíduo ape-</p><p>sar de possuir uma genética favorável a um predomínio de</p><p>características comportamentais ligadas à força, pode apre-</p><p>sentar uma personalidade adulta submissa e apática por ter</p><p>tido experiências repressoras e/ou traumáticas ao longo do</p><p>seu desenvolvimento.</p><p>Como demonstrado no Capítulo Identidade, Personalidade</p><p>e sua Relação com a Imagem, algumas correntes da psicolo-</p><p>gia consideram que após a conclusão da formação de uma</p><p>personalidade não será mais possível promover alterações</p><p>em sua estrutura, mas pode-se conseguir que alguém como</p><p>do exemplo acima, que possua tendências genéticas a um</p><p>comportamento forte e impositivo e apresente comporta-</p><p>mento dissociado disso, consiga manifestá-las em seu com-</p><p>portamento após um tratamento psicológico que investigue e</p><p>trate as causas para o distanciamento de sua natureza.</p><p>O temperamento, segundo algumas correntes de pensa-</p><p>mento, se relacionaria aos componentes genéticos de uma</p><p>personalidade.</p><p>No Visagismo procurar-se-á investigar, a partir das estru-</p><p>turas formadoras da face, quais as possíveis tendências tem-</p><p>peramentais do paciente, sua manifestação ou não em seu</p><p>comportamento e qual o impacto prático disso em sua vida.</p><p>A equipe visagista avaliará junto ao cliente a possibilidade</p><p>de expressar características pessoais autênticas em sua ima-</p><p>gem pessoal pelo uso das linhas e formas adequadas, median-</p><p>te a autorreflexão desse sobre os impactos dessa mudança</p><p>em sua vida. Uma imagem pessoal transformada poderá alte-</p><p>rar a maneira como uma pessoa é percebida e tratada pelas</p><p>pessoas de seu convívio e isso resultar em mudanças</p><p>de um excepcional pes-</p><p>quisador e artista como Philip Hallawell aliadas à visão e extre-</p><p>ma dedicação de Bráulio Paolucci, as imensas possibilidades</p><p>e repercussões do conceito de Visagismo foram trazidas de</p><p>forma pioneira e muito oportuna à Odontologia.</p><p>A razão desta relevância reside na real possibilidade de</p><p>transcendermos a esfera estanque das disciplinas, mesmo</p><p>quando praticadas em equipe e adentramos ao riquíssimo e</p><p>ilimitado universo da transdisciplinaridade humana, com suas</p><p>nuances, tendências, sutilezas, poesia e história, que de forma</p><p>nenhuma perdem em relevância para os aspectos mais con-</p><p>cretos das realidades física e biológica. Definitivamente a inte-</p><p>gralidade humana não pode ser satisfeita por conceitos e técni-</p><p>cas que a reduzem a partes desconexas por mais sofisticadas</p><p>e às vezes mirabolantes que sejam estas abordagens.</p><p>entendemos que nossa herança do moderno saber científi-</p><p>co se apoiou sempre numa visão reducionista e compartimen-</p><p>talizada da realidade e que, se de um lado propiciou grandes</p><p>avanços e conquistas, de outro lado nos desconectou das di-</p><p>mensões mais sutis e intangíveis desta mesma realidade.</p><p>O eminente e reconhecido professor Narciso Baratieri em</p><p>meio a uma longa e produtiva carreira clínica e científica relatou</p><p>que tudo o que hoje faz é pautado pela simplicidade. entendo</p><p>essa mensagem de muita elegância como uma demonstração</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 11</p><p>Prefácio</p><p>da sabedoria de alguém que na busca do pleno se desprende</p><p>gradativamente da forma exterior que é efêmera e se apóia</p><p>serenamente na essência interior que nunca se perde.</p><p>Toda a humanidade vive hoje uma enorme hora da verdade.</p><p>esta verdade é uma verdade de síntese, de resgate de nossos</p><p>valores essenciais, universais e eternos que dão sentido e signi-</p><p>ficado a tudo que existe e a tudo que se faz. Que oportunidade</p><p>extraordinária temos aqui. Um novo portal se abre para uma</p><p>profissão que como poucas tem a oportunidade de contato ex-</p><p>tenso , profundo e, muitas vezes, de verdadeira intimidade com</p><p>os pacientes e seus familiares.</p><p>A face de um indivíduo é um verdadeiro outdoor de sua</p><p>essência. Quer estejamos conscientes ou não, o resultado de</p><p>nossas intenções pode afetar sensivelmente o bem-estar de</p><p>nossos pacientes. O papel da autoimagem é determinante e</p><p>a relação dual entre o psicossomático e o somatopsíquico é</p><p>expressa de forma mais do que sensível na região orofacial.</p><p>Sem dúvida, o significado que esta nobre área representa</p><p>para a expressão, o equilíbrio e a harmonia de todo o organis-</p><p>mo transcende em muito aquilo que a própria Medicina e Odon-</p><p>tologia estiveram até hoje preparadas para reconhecer. Sim, é</p><p>preciso ir além.</p><p>O Visagismo em Odontologia tem este poder de síntese e</p><p>nos faz este convite, de penetrarmos mais sensível e profun-</p><p>damente na alma humana, aumentando nossa percepção e</p><p>escuta, nos tornando aprendizes e parceiros, traduzindo isto</p><p>numa expressão harmoniosa não só da estética da exteriorida-</p><p>de, mas também e, principalmente, da estética da interioridade.</p><p>Para todos nós da Well Clinic foi sempre uma honra e um</p><p>prazer participar desta comunhão criativa e acompanhar o sur-</p><p>gimento e consolidação deste novo portal.</p><p>Robert G. Coachman</p><p>Master of Science em Oclusão e</p><p>Odontologia Restauradora – Universidade de Michigan;</p><p>Diretor clínico da Well Clinic Odontologia.</p><p>Sumário</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética .......................................................................................................................................................................................... 15</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método .......................................................................................................................................................................21</p><p>Philip Hallawell</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual ............................................................................................................................................................................................................ 28</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Capítulo 3</p><p>Identidade, personalidade e sua relação com a imagem .................................................................................................................................39</p><p>Christiane Sauer</p><p>Capítulo 4</p><p>Morfos ..................................................................................................................................................................................................................................... 46</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Capítulo 5</p><p>Linguagem visual artística aplicada ao desenho do sorriso ...........................................................................................................................61</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria ......................................................................................................................................................................................................................135</p><p>Bráulio Paolucci, Philip Hallawell</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica ................................................................................................145</p><p>Christian Coachman, Andrea Ricci, Marcelo Calamita, Livio Galias Yoshinaga</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo ..................................................................................................................................................................................161</p><p>Bráulio Paolucci, Galip Gurel</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 13</p><p>Desde seus primeiros passos sobre a superfície da terra</p><p>o ser humano sente o belo. Isso certamente o orientou em</p><p>suas escolhas, desenvolvimento do pensamento, linguagem</p><p>e artes influenciando profundamente o caminho tomado pela</p><p>humanidade. Mas o que pode ser considerado belo? Ou além:</p><p>o que é beleza? A essas perguntas todos nós sabemos res-</p><p>ponder, mas não exatamente com palavras. Caracterizar o</p><p>belo como sentimento fica mais plausível para a maioria dos</p><p>seres humanos. O belo seria algo do qual temos certeza ab-</p><p>soluta, algo que nos arrebata, que deixa-nos boquiabertos,</p><p>gera admiração, desejo e atração; no entanto, essas são sen-</p><p>sações que descrevemos ao nos depararmos com algo de</p><p>genuína beleza. Já a tradução disso em palavras ou em um</p><p>conceito não é tão simples.</p><p>A beleza é produto da percepção humana através de seus</p><p>vários sentidos (visual, olfativo, tátil, auditivo e gustativo). Pode</p><p>ser percebida de maneira emocional ou racional. Ao nos de-</p><p>pararmos com algo belo por qualquer de nossos sentidos,</p><p>somos arrebatados imediatamente; assim é a percepção do</p><p>belo: é inconsciente, inexplicável e fulminante. O talento para</p><p>perceber o belo é uma característica inata e exclusiva do ser</p><p>Visagismo,</p><p>beleza e estética</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>Toscana, Itália.</p><p>Padrão de beleza cultural do sorriso.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 15</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>.c</p><p>om</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética</p><p>humano. Este livro se aterá à “beleza humana”, especialmen-</p><p>te aquela relacionada à face e ao sorriso.</p><p>Por milênios, artistas, filósofos, biólogos, antropólogos,</p><p>neurocientistas e outros profissionais procuraram descre-</p><p>ver o que seria o padrão de beleza, segundo suas convic-</p><p>ções. Porém, cada linha de raciocínio tem sua visão ou con-</p><p>ceito acerca desse problema. Atualmente pode-se dividir a</p><p>conceituação da beleza em duas principais vertentes: o con-</p><p>Davi, Michelângelo</p><p>(à esquerda) e o</p><p>homem vitruviano,</p><p>Leonardo da vinci (à direita).</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética</p><p>16 • VIsagIsmo - a arte de personalIzar o desenho do sorrIso</p><p>Platão</p><p>Charles Darwin</p><p>ceito clássico de beleza e o conceito cultural do belo1. Esta</p><p>obra se fundamenta ao conceito clássico</p><p>com-</p><p>portamentais. Por esse motivo alterações de imagem pessoal</p><p>realizadas na face devem ser bem avaliadas por parte da equi-</p><p>pe de profissionais. A forma prática para essa avaliação seria</p><p>a consultoria de imagem4.</p><p>Existem muitas teorias sobre os temperamentos huma-</p><p>nos. Algumas datam de tempos antigos, como a teoria grega</p><p>(de Hipócrates), a chinesa e a hindu4. Há também algumas</p><p>atuais como a classificação tipológica de Jung. É importante</p><p>esclarecer que qualquer classificação de tipos psicológicos é</p><p>imprecisa pois cada ser é único e os sistemas de classificação</p><p>tendem a criar generalizações. No entanto, uma organização</p><p>se faz necessária para orientar o profissional que atuará na</p><p>construção da imagem pessoal, pois como já mencionado,</p><p>essa imagem afeta profundamente o indivíduo nas esferas</p><p>emocional, psicológica e comportamental e um certo conhe-</p><p>cimento de aspectos psicológicos do paciente se faz neces-</p><p>sário. A equipe visagista não precisará de um conhecimento</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 137</p><p>aprofundado sobre a personalidade de seus pacientes, mas</p><p>precisará saber quais as principais características positivas</p><p>e negativas de sua personalidade e os sistemas de classifica-</p><p>ção de temperamentos constituirão um guia confiável para</p><p>facilitar a obtenção dessas respostas como proposto por um</p><p>pesquisador em seu método de consultoria4.</p><p>Neste trabalho será utilizada a classificação tempera-</p><p>mental de Hipócrates, a mais antiga do Ocidente, que por</p><p>classificar os temperamentos em quatro tipos principais,</p><p>facilita a sua associação com os quatro tipos básicos de</p><p>linhas e de formas.</p><p>6.3 Hipócrates e os quatro temperamentos</p><p>Para aquele que é considerado o “pai” da Medicina, o ser</p><p>humano seria uma mistura única entre quatro tipos tem-</p><p>peramentais distintos. Um tipo temperamental represen-</p><p>taria uma conjunção de características comportamentais</p><p>e existenciais afins11. Seriam os tipos colérico, sanguíneo,</p><p>melancólico e fleumático. O temperamento geral de cada</p><p>indivíduo seria constituído por uma somatória entre suas</p><p>tendências comportamentais em aspectos distintos de sua</p><p>personalidade, sendo que de modo geral um ou dois des-</p><p>ses tipos geralmente se apresentam como dominantes em</p><p>uma personalidade como um todo.</p><p>O tipo colérico apresenta grande força intelectual, com</p><p>grande capacidade de se concentrar, em geral tem sua opi-</p><p>nião própria bem definida sobre as coisas e para ser conven-</p><p>cido a mudar de opinião precisa de argumentos bem funda-</p><p>mentados. Sua maneira de pensar na maioria das vezes é</p><p>associada à praticidade e objetividade. Emocionalmente tende</p><p>a ser muito intenso, embora manifeste com discrição seus</p><p>sentimentos. É fiel e leal às pessoas com quem convive e que</p><p>admira, abominando a traição. Suas ações são objetivas e di-</p><p>retas. É persistente naquilo que se propõe a fazer, a determi-</p><p>nação é marcante em suas ações. Geralmente lida bem com</p><p>a pressão. Sua comunicação é direta e sem meias voltas, sen-</p><p>do considerado franco e transparente. Em geral impõe suas</p><p>vontades aos outros, tendo grande capacidade de liderança.</p><p>Gosta de mandar e não gosta de ser retrucado. Entre seus</p><p>atributos negativos pode-se relacionar a intolerância, autorita-</p><p>rismo e tendência dominadora. Na raiva tende a ser impiedo-</p><p>so e explosivo podendo apresentar comportamento violento.</p><p>Tende a ser teimoso e a não se importar com a opinião alheia.</p><p>Pode ser vaidoso e orgulhoso. Seu porte é forte com ossos e</p><p>músculos bem definidos, seu andar é firme assim como seus</p><p>gestos. A postura da cabeça é ereta ou inclinada para trás.</p><p>O tipo sanguíneo geralmente é muito criativo, curioso e</p><p>efervescente de ideias, pensa rápido. Emocionalmente pode</p><p>ser instável e transparente, mas não tem tendência a guardar</p><p>mágoas. Seu comportamento tende a ser extovertido, alegre</p><p>e brincalhão. Seu ritmo de vida é muito dinâmico e energético,</p><p>podendo se envolver com várias atividades ao mesmo tempo.</p><p>Tende a ser impetuoso e a correr riscos. De modo geral apre-</p><p>cia esportes ou atividades de risco. Pode ser grande empreen-</p><p>dedor. Na comunicação tende a ser muito falante, expressivo,</p><p>sendo o centro das atenções. Lida bem com os outros pelo</p><p>seu jeito descontraído e expansivo. Não apresenta tendência</p><p>de impor sua vontade aos outros, negociando-a. Como ca-</p><p>racterísticas negativas pode ser inconstante, desorganizado</p><p>e pouco perseverante. Pode agir sem foco. Sua extroversão</p><p>pode torná-lo inconveniente. Sua estrutura física geralmente</p><p>é atlética e/ou magra. Anda de maneira rápida e energética.</p><p>Tem tendência a gesticular bastante.</p><p>O tipo melancólico tende a ser introspectivo, lógico, analíti-</p><p>co e organizado. Emocionalmente tende a ser muito sensível</p><p>e reservado na manifestação das emoções. Sua ação geral-</p><p>mente é persistente, detalhista, perfeccionista e organizada.</p><p>É tímido e discreto na comunicação. Geralmente dá rodeios</p><p>para tratar de assuntos que considera delicado. Tende a ma-</p><p>nipular para conseguir impor sua vontade. Como característi-</p><p>cas negativas o tipo melancólico pode se apresentar ansioso,</p><p>Hipócrates</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>138 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>sistemático e exageradamente perfeccionista. Sua timidez</p><p>na manifestação emocional pode torná-lo frio e antipático</p><p>aos olhos de outras pessoas. Em geral pode apresentar-se</p><p>conservador e controlador em excesso. Sua estrutura física</p><p>tende a apresentar-se magra e longilínea. Seu andar é lento,</p><p>cuidadoso e elegante. Sua postura geralmente é ereta. Seus</p><p>gestos delicados e precisos.</p><p>O tipo fleumático apresenta-se como muito estável em</p><p>seus pensamentos, sendo conservador e apreciando a se-</p><p>gurança. É o mais místico e religioso dos tipos. A diplomacia</p><p>Representação dos temperamentos.</p><p>(a) Sanguíneo; (b) Colérico; (c) Fleumático; e (d) Melancólico.</p><p>a b c d</p><p>seria uma característica marcante desse tipo. Emocional-</p><p>mente se caracterizaria como calmo, tranquilo e dificilmente</p><p>se desequilibraria. Sua ação e ritmo de vida são marcados</p><p>pela lentidão e apatia. Sua comunicação tende a ser cautelo-</p><p>sa e equilibrada, procurando agradar as pessoas com quem</p><p>convive. Não apresenta tendência a impor-se, aceitando tran-</p><p>quilamente situações e condições impostas pelo meio. Como</p><p>fraquezas geralmente apresenta a apatia, o conformismo e o</p><p>comodismo. Pode ser vago e submisso. Seu físico apresenta</p><p>tendência a ser gordo. Seu porte é relaxado e seu andar ar-</p><p>rastado. Expressa-se com poucos gestos.</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>ão</p><p>: P</p><p>hi</p><p>lip</p><p>H</p><p>al</p><p>la</p><p>w</p><p>el</p><p>l</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 139</p><p>6.4 Relação entre temperamentos, formas</p><p>geométricas e cor</p><p>Os temperamentos representam uma conjuntura de carac-</p><p>terísticas comportamentais afins, de modo que pode-se asso-</p><p>ciá-los às expressões de linhas, formas e cores (os arquétipos</p><p>geométricos fundamentais). Geralmente as características do</p><p>temperamento colérico estão associadas a força, imposição,</p><p>estabilidade, intensidade e determinação, características que</p><p>se identificam com a expressão das linhas retas verticais e ho-</p><p>rizontais, especialmente a vertical. As formas básicas forma-</p><p>das por linhas retas verticais e horizontais são o quadrado e</p><p>o retângulo e, por este motivo, essas são as formas que mais</p><p>se aproximam da expressão do temperamento colérico. A cor</p><p>vermelha é a cor que expressa visualmente intensidade e força</p><p>e, assim, caracteriza o temperamento colérico.</p><p>O temperamento sanguíneo geralmente está associado a</p><p>características como extroversão, dinamismo, comunicabilida-</p><p>de, ação e está relacionado à expressão da linha diagonal. O</p><p>triângulo e os hexágonos seriam as formas típicas relaciona-</p><p>das a esse temperamento. O amarelo é a cor primária que</p><p>expressa vibração, energia, movimento e leveza e se identifica</p><p>com esse temperamento.</p><p>TEMPERAMENTOS / LINHAS</p><p>/ FORMAS</p><p>Colérico: linha reta vertical - força, poder - RETÂNGULO</p><p>Sanguíneo: linha inclinada - dinamismo, extroversão, comunicação - TRIÂNGULO</p><p>Melancólico: linha curva - suavidade, abstração, delicadeza - OvAL</p><p>Fleumático: linha horizontal - tranquilidade, paz, passividade - QUAdRAdO OU CíRCULO</p><p>QUATRO FORMAS báSICAS</p><p>Sensibilidade, suavidade, delicadeza, elegância e capaci-</p><p>dade de abstração são características do temperamento</p><p>melancólico que encontram sua expressão nas linhas cur-</p><p>vas, lemniscatas e o formato oval. A cor azul se caracteriza</p><p>por expressar frieza, racionalidade, equilíbrio e se identifica</p><p>com esse temperamento.</p><p>Já o temperamento fleumático representa um conjunto</p><p>de características ligadas à estabilidade, tranquilidade, calma,</p><p>equiíbrio, conservadorismo e a diplomacia entre outras que</p><p>se identificam com a expressão da linha reta horizontal e por</p><p>formas que pelo equilíbrio entre altura e largura sugerem es-</p><p>tabilidade e monotonia como o quadrado e o círculo. Sua cor</p><p>é o roxo ou violeta.</p><p>Quadrado Círculo</p><p>Kandinsky W. Ponto e linha sobre o plano. São Paulo: Martins Fontes; 1997.</p><p>Triângulo Lemniscata</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>140 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>6.5 Face e sua relação com aspectos</p><p>de uma personalidade</p><p>O V isagismo se fundamenta no conceito de que a face ex-</p><p>pressa visualmente a identidade de uma pessoa4,12-13. É atra-</p><p>vés da face que o indivíduo se reconhece como pessoa e é re-</p><p>conhecido pelos outros. Como observa Hallawell: “o rosto é a</p><p>materialização do ser de uma pessoa, e é no espelho que uma</p><p>pessoa constrói seu senso de identidade visual a partir de uma</p><p>certa idade na infância” (ver Capítulo Identidade, Personalidade</p><p>e sua Relação com a Imagem).</p><p>A correlação entre aspectos faciais e tendências de tem-</p><p>peramento figura como objeto de estudos desde civilizações</p><p>antigas. Estudos mais recentes como a morfopsicologia14-15</p><p>procuram evidenciar à luz da ciência a correlação entre aspec-</p><p>tos físicos ou morfológicos e particularidades psicológicas16.</p><p>A análise facial é o primeiro passo da consultoria proposta</p><p>por Hallawell, onde a equipe procurará investigar o formato de</p><p>rosto e das feições, sua representação temperamental e sua</p><p>manifestação no comportamento do indivíduo. É pela análise</p><p>facial que o profissional obterá uma ideia sobre a tendência in-</p><p>dividual para o predomínio de determinado temperamento, que</p><p>deverá levar em consideração também as observações dadas</p><p>pelo próprio paciente.</p><p>Terço</p><p>Superior Intelecto</p><p>Emoção</p><p>Ação e</p><p>Ritmo de vida</p><p>Expressão,</p><p>Intuição e</p><p>Sexualidade</p><p>Vontade</p><p>Terço</p><p>Médio</p><p>Terço</p><p>Inferior</p><p>Na análise facial os profissionais devem iniciar pela identifi-</p><p>cação do formato do rosto do paciente, que geralmente está</p><p>associado ao temperamento dominante. O visagismo trabalha</p><p>com nove formatos básicos de rosto que se relacionam aos</p><p>temperamentos de acordo com os tipos de linhas de sua con-</p><p>figuração como será demonstrado adiante. Os profissionais</p><p>também devem levar em consideração a divisão da face em</p><p>terços e a investigação da proporção entre esses. Alguns ter-</p><p>ços devem ser subdivididos em partes que se relacionam com</p><p>aspectos específicos da personalidade, como se segue:</p><p>6.5.1 Análise do formato do rosto</p><p>São nove os formatos básicos de rosto: oval, redondo,</p><p>quadrado, retangular, triangular, triangular invertido, lo-</p><p>sangular, hexagonal com lateral vertical e hexagonal com</p><p>base horizontal17.</p><p>O formato de qualquer coisa é percebido quando se</p><p>compara o espaço ocupado pelo objeto, chamado de es-</p><p>paço positivo, com o espaço vazio ao seu redor, chamado</p><p>de espaço negativo. Para conseguir perceber o formato do</p><p>rosto é preciso seguir, visualmente, os contornos do rosto,</p><p>observando os espaços ao seu redor e ignorando o rosto</p><p>em si e suas feições. A observação começa pelo ponto exte-</p><p>rior do arco zigomático, com o olhar percorrendo a linha ex-</p><p>terior do rosto, até o ângulo da mandíbula18. Essa linha será</p><p>curva, verticalmente reta, inclinada em direção ao queixo ou</p><p>inclinada para fora do rosto. Em seguida o formato do quei-</p><p>xo é observado, seguindo o ângulo da mandíbula até a ponta</p><p>do queixo, o mento. Finalmente, observa-se as linhas que</p><p>contornam a testa e os formatos que estas determinam.</p><p>O ângulo da mandíbula não aparece nos rostos ovais</p><p>e redondos, caracterizados por uma linha curva do arco</p><p>zigomático até o queixo, e nos triangulares invertidos e lo-</p><p>sangulares, caracterizados por uma linha inclinada, do arco</p><p>zigomático até o mento.</p><p>No rosto oval, a largura é igual ao tamanho do queixo</p><p>até as sobrancelhas. No rosto redondo, a largura é maior e</p><p>é igual à distância entre o queixo e o meio da testa. O rosto</p><p>oval indica que a pessoa tem atributos melancólicos domi- Fo</p><p>to</p><p>:is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>o</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 141</p><p>nantes ou muito fortes, porque expressa suavidade. O re-</p><p>dondo é associado a pessoas essencialmente fleumáticas,</p><p>porque expressa imobilidade e acomodação. Os mentos</p><p>desses formatos são arredondados.</p><p>A diferença entre o rosto losangular e o triângulo inver-</p><p>tido é que o losangular se inclina no arco zigomático, em</p><p>direção à testa, formando um ângulo no arco zigomático,</p><p>enquanto a linha lateral do rosto triangular invertido conti-</p><p>nua subindo, formando uma testa larga. As linhas inclinadas</p><p>do rosto losangular expressam muito dinamismo, por isso</p><p>indica que a pessoa seja essencialmente sanguínea. O tri-</p><p>ângulo invertido é um formato instável, mas flexível. Expres-</p><p>sa características melancólicas e sanguíneas. Os mentos</p><p>desses formatos são triangulares. A linha lateral vertical ou</p><p>quase vertical indica que o formato do rosto é quadrado,</p><p>retangular ou hexagonal com lateral reta.</p><p>Nos rostos retangulares e quadrados o ângulo da man-</p><p>díbula se situa abaixo da linha da boca. A base raramente</p><p>é absolutamente reta. Pode ser levemente arredondada ou</p><p>triangular. Por isso pode ser confundido com os formatos</p><p>redondo, oval e hexagonal de lateral reta. O rosto retangu-</p><p>lar, por conter linhas retas, indica que o temperamento do-</p><p>minante seja o colérico. No entanto, se o rosto for muito</p><p>estreito e longo, isso indica que o temperamento dominante seja</p><p>o melancólico. O rosto quadrado, apesar da força das linhas retas,</p><p>é imóvel e regular, o que sugere que a pessoa seja predominante-</p><p>mente fleumática.</p><p>Quando o ângulo da mandíbula se situa na altura da boca, a</p><p>linha lateral do rosto será vertical e o queixo será formado por um</p><p>triângulo, o que caracteriza o rosto hexagonal de lateral reta. É um</p><p>rosto dinâmico e está associado ao temperamento sanguíneo.</p><p>Assim como os formatos retangulares e quadrados, o ângulo</p><p>da mandíbula do formato hexagonal de base reta também se situa</p><p>abaixo da boca e a base raramente é absolutamente reta. Pode</p><p>ser confundido com o retangular, o quadrado ou o redondo, mas</p><p>diferente desses, a lateral do rosto é angular, formada por linhas</p><p>inclinadas, fazendo com que o arco zigomático seja protuberante,</p><p>igual ao do rosto losangular. Esse formato expressa característi-</p><p>cas coléricas e, com intensidade menor, sanguíneas.</p><p>No rosto triangular a base é mais larga do que o topo, portanto</p><p>a linha lateral se inclina do ângulo da mandíbula, que se situa abaixo</p><p>da linha da boca, para dentro do rosto, até a testa. Pessoas que têm</p><p>esse tipo de rosto geralmente são fortemente coléricas.</p><p>As testas geralmente acompanham a parte inferior do rosto.</p><p>Portanto, as linhas que contornam as testas de rostos redondos e</p><p>ovais são arredondadas. Observada de frente a testa terá formato</p><p>de meia lua. Nos rostos retangulares e quadrados essas linhas</p><p>Formato de rosto oval e formato de rosto redondo.</p><p>Formato de rosto retangular: (a) retangular estreito (b) retangular largo.</p><p>a b</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>õe</p><p>s:</p><p>P</p><p>hi</p><p>lip</p><p>H</p><p>al</p><p>la</p><p>w</p><p>el</p><p>l</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>142 • Visagismo - a arte de personalizar</p><p>o desenho do sorriso</p><p>são retas, formando testas retangulares. As testas dos rostos</p><p>hexagonais, triangulares e losangulares geralmente são trape-</p><p>zoides. O formato da testa do rosto triangular invertido é um</p><p>trapézio invertido.</p><p>6.6 Temperamentos e sua manifestação</p><p>morfológica. Os “tipos puros”</p><p>O indivíduo que apresentasse características pessoais mar-</p><p>cantes relacionadas à força, liderança, objetividade ou praticidade,</p><p>intensidade e estabilidade emocional, ação persistente, expres-</p><p>são direta, sem meias voltas e vontade própria forte e impositiva,</p><p>provavelmente apresentaria como dominante o temperamento</p><p>colérico. Sua intensidade, força e estabilidade emocional o relacio-</p><p>nam automaticamente com as linhas retas, especialmente a reta</p><p>vertical e as formas que expressam tais características seriam</p><p>o retângulo e o quadrado. Em termos faciais esse indivíduo apre-</p><p>sentaria formato de rosto retangular ou quadrado com feições</p><p>caracterizadas por linhas retas como se segue: testa reta numa</p><p>visão lateral, mandíbula marcante com mento reto e projetado</p><p>visto lateralmente, olhos e sobrancelhas retilíneos, lábios expes-</p><p>sos, nariz largo, zigomáticos bem desenvolvidos e marcados e no</p><p>ambiente intraoral apresentaria o desenho de sorriso forte19. Já</p><p>aquelas pessoas que se identificassem com pensamento efer-</p><p>vescente, criatividade, impulsividade, instabilidade emocional,</p><p>ação muito dinâmica e às vezes desfocada, comunicação vi-</p><p>brante, e negociassem a imposição de sua vontade tenderiam</p><p>a apresentar o temperamento sanguíneo como dominante.</p><p>Toda a sua agilidade, extroversão e dinamismo seriam expres-</p><p>sos por traços faciais compostos por linhas inclinadas. Seu</p><p>formato de rosto seria triangular invertido ou hexagonal com</p><p>preferência ao hexagonal de lateral reta. Suas características</p><p>faciais seriam inclinadas, tais como testa inclinada para trás</p><p>quando vista de lado, olhos amendoados, nariz pronunciado,</p><p>boca grande e mento com formato triangular. O seu desenho</p><p>de sorriso seria o dinâmico.</p><p>Características como introspecção, discrição, elegân-</p><p>cia, apreciação de conteúdos culturais e artísticos, sensi-</p><p>bilidade emocional forte, ação sistemática, organizada e</p><p>perfeccionista, expressão tímida e tendência a manipular</p><p>para impor sua vontade provavelmente apresentariam o</p><p>temperamento melancólico como dominante.</p><p>Seu formato de rosto mais provável seria o oval e seus tra-</p><p>ços faciais seriam marcados pela delicadeza e linhas curvas.</p><p>Sua testa provavelmente se apresentaria curva, tanto numa vis-</p><p>ta frontal quanto de perfil onde se apresentaria também longa,</p><p>Formato de rosto hexagonal de lateral vertical ou reta e formato de rosto losangular.</p><p>Formato de hexagonal de base reta e triangular ou “pêra”.</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 143</p><p>seus olhos poderiam ser arredondados ou levemente caídos,</p><p>seu nariz curto e de ponta fina ou longo e adunco, sua boca</p><p>seria pequena, com lábios finos ou em forma de cupido, seu</p><p>mento seria curvo e delicado, podendo se apresentar retraído</p><p>em uma vista lateral. O desenho de sorriso que expressaria tais</p><p>características seria o suave.</p><p>O temperamento fleumático geralmente apresenta como</p><p>características comportamentais aquelas relacionadas a esta-</p><p>bilidade intelectual e emocional, ação lenta e cuidadosa, expres-</p><p>são verbal suave, com muita cautela e ponderação nas palavras</p><p>e tendência a aceitar a vontade alheia com mais facilidade que</p><p>os demais temperamentos. Seu formato de rosto mais prová-</p><p>vel seria o quadrado ou circular e suas feições seriam espaça-</p><p>das com grande abertura no sentido horizontal, tais como testa</p><p>larga e curta, olhos espaçados, redondos e/ou cerrados com</p><p>pálpebras pesadas, o que lhe conferiria ar de cansado, nariz</p><p>bem largo, boca ampla com lábios apresentando pouca tonici-</p><p>dade, mento largo e ligeiramente retraído numa vista lateral.</p><p>Seu desenho de sorriso típico seria o plano.</p><p>6.7 Definição da intenção ou vontade</p><p>de expressão</p><p>O último passo da consultoria e também o mais impor-</p><p>tante é a definição da intenção do paciente ou sua vontade</p><p>de expressão4. Após a análise facial e a constatação de suas</p><p>correspondências psicocomportamentais, a equipe profis-</p><p>sional terá uma melhor ideia sobre as características mais</p><p>importantes da personalidade do paciente em suas esferas,</p><p>intelectual, emocional, de ação, comunicação e imposição da</p><p>vontade e, portanto, terá um quadro psicológico mais detalha-</p><p>do a respeito do paciente apesar de não profundo. Nesse mo-</p><p>mento é fundamental evitar pensar em soluções visuais antes</p><p>que o próprio paciente indique o caminho. O profissional terá</p><p>o compromisso de orientar o paciente a refletir sobre as ca-</p><p>racterísticas apresentadas (positivas e negativas) e a manei-</p><p>ra como elas o afetam em sua vida, de modo que esse deva</p><p>concluir a respeito de quais características gostaria de evi-</p><p>denciar em seu desenho de sorriso e quais gostaria de evitar.</p><p>Quando o paciente diz com precisão aquilo que percebe em si</p><p>como mais forte e determinante e que gostaria de expressar,</p><p>é o momento em que se considera terminada a consultoria</p><p>e passa a ser de responsabilidade do profissional transferir</p><p>essa vontade de expressão para o desenho do sorriso.</p><p>Portanto, o objetivo final da consultoria seria o de identificar</p><p>uma ou mais características positivas marcantes (autênticas)</p><p>que o paciente gostaria de expressar visualmente. Sabendo</p><p>disso o profissional usará dos elementos básicos de linguagem</p><p>visual aplicados sobre as condições orais preexistentes (unida-</p><p>des) respeitando os fundamentos de harmonia e estética. Des-</p><p>sa maneira revelar-se-á a beleza do sorriso.</p><p>Os casos clínicos a seguir exemplificarão a aplicação da</p><p>vontade de expressão dos pacientes no desenho do sorri-</p><p>so de reabilitações estéticas pouco invasivas, respeitando</p><p>as possibilidades e inviabilidades impostas pelas condições</p><p>orais preexistentes.</p><p>Formato de rosto triangular invertido.</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>õe</p><p>s:</p><p>P</p><p>hi</p><p>lip</p><p>H</p><p>al</p><p>la</p><p>w</p><p>el</p><p>l</p><p>Capítulo 6</p><p>A Consultoria</p><p>144 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>1. Weinstein AR. Anterior composite resins and veneers:</p><p>Treatment planning, preparation and finishing. J Am</p><p>Dent Assoc (special issue) 1988;38.</p><p>2. Lackey AD. Examining your smile. Dent Clin North Am</p><p>1989;33:133.</p><p>3. Goldstein RE. Change Your Smile. Chicago: Quintessen-</p><p>ce; 1984.</p><p>4. Hallawell, P. Visagismo integrado: identidade, estilo e</p><p>beleza. São Paulo: Senac; 2009.</p><p>5. Tweed CH. The diagnostic facial triangle in the control</p><p>of treatment of objectives. Am J Orthod 1991;55:651.</p><p>6. Subtelny JD. A longitudinal study of soft tissue facial</p><p>structures and their profile characteristics, defined</p><p>in relation to underlying structures, Am J Orthod</p><p>1959;45:481.</p><p>7. Brisman AS. Esthetics: a comparision of dentists and</p><p>pacients concepts. J Am Dent Assoc 1980;100:345.</p><p>8. Andersen BP, Boersma H, Van der Linden FPG, Mo-</p><p>ore AW. Perceptions of dentofacial morphology by</p><p>laypersons and general dentists. J Am Dent Assoc</p><p>1979;98:209.</p><p>9. Graber LW, Luckner WG. Dental esthetic self-evalua-</p><p>tion and satisfaction. Am J Orthod 1980;77:173.</p><p>10. Dawkins R. (1982). The extended phenotype: The gene</p><p>as the unit of selection (San Francisco: Freeman).</p><p>11. Glas Norbert. Os temperamentos. São Paulo: Antropo-</p><p>sófica; 1990.</p><p>12. Richer P. Artistic anatomy. New York: Watson-Guptill;</p><p>1971.</p><p>13. Fisher S, Cleveland SE. Body Image and Personality.</p><p>New York: Dover; 1968.</p><p>14. Rufenacht CR. Princípios da integração estética. São</p><p>Paulo: Quintessence; 2003.</p><p>15. Rufenacht CR. Fundamentos de estética. São Paulo:</p><p>Santos; 1998.</p><p>16. Cattel RB. The scientific Analysis of the Personality.</p><p>Chicago, III: Aldine Publ; 1965.</p><p>17. Hallawell, P. Visagismo: harmonia e estética. São Pau-</p><p>lo: Senac; 2003.</p><p>18. Perard V. Anatomy and Geometry. New York: Bonanza</p><p>Books Crown; 1989.</p><p>19. Spear F. Facially generated treatment planning:</p><p>a res-</p><p>torative viewpoint. American Academy of Esthetic Den-</p><p>tistry [16th Anual Meeting; 1991 Aug 8; Santa Barba-</p><p>ra, Calif].</p><p>6.8 Referências</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 145</p><p>Christian Coachman, Andrea Ricci, Marcelo Calamita, Livio Galias Yoshinaga</p><p>7.1 Introdução</p><p>Com a demanda crescente por tratamentos altamente</p><p>personalizados na Odontologia Estética contemporânea, tor-</p><p>na-se fundamental incorporar ferramentas que possam am-</p><p>pliar nossa visão diagnóstica, melhorar a comunicação entre</p><p>os membros da equipe e criar sistemas previsíveis durante o</p><p>processo de desenho do sorriso e tratamento.</p><p>Para se obter resultados consistentes, o planejamento das</p><p>restaurações deve ser definido assim que os dados de diag-</p><p>nóstico forem obtidos, orientando as fases subsequentes da</p><p>reabilitação1. Cada trabalho artístico requer uma visualização</p><p>inicial: na arquitetura, escultura ou pintura é necessário fazer</p><p>uso de projetos, esboços ou protótipos. São representações</p><p>bi ou tridimensionais do resultado final e, depois de terem sido</p><p>desenvolvidas, irão guiar os processos de construção, dese-</p><p>nho e modelagem. Da mesma forma, na Odontologia, todas as</p><p>necessidades, expectativas, e questões funcionais e biológicas</p><p>dos pacientes devem ser cientificamente incorporadas no de-</p><p>senho estético do tratamento, que deve servir como referên-</p><p>cia para todo o resto do procedimento2-10.</p><p>O objetivo deste Capítulo é apresentar um conceito singu-</p><p>lar do desenho digital do sorriso em duas dimensões (DDS),</p><p>que fornecerá parâmetros importantes para guiar um ence-</p><p>ramento diagnóstico tridimensional efetivo.</p><p>O DDS é baseado no uso de ferramentas digitais de alta</p><p>qualidade – estáticas e dinâmicas – que são consideradas</p><p>essenciais para análise, documentação e comunicação na</p><p>Odontologia Estética contemporânea11 e que também po-</p><p>dem ser usadas como base para realização de uma série</p><p>de procedimentos diagnósticos, incorporando dados cru-</p><p>ciais no processo do plano de tratamento.</p><p>7.2 Razões efetivas para o uso</p><p>do desenho digital do sorriso</p><p>7.2.1 Diagnóstico</p><p>O desenho digital do sorriso permite a descoberta gra-</p><p>dual de muitos fatores clínicos envolvidos num caso restau-</p><p>rador simples ou complexo que podem passar desperce-</p><p>bidos durante o exame clínico, na avaliação fotográfica ou</p><p>nos modelos de estudo. O desenho das linhas e formas de</p><p>referência sobre imagens de alta qualidade na tela do com-</p><p>putador, seguindo-se um roteiro predeterminado, ampliará</p><p>a visão diagnóstica e ajudará à equipe a ponderar as limita-</p><p>ções e os fatores de risco, como assimetrias, desarmonias</p><p>e violações aos princípios estéticos. Uma vez identificado o</p><p>problema e visualizada a solução, simplifica-se a seleção da</p><p>técnica apropriada.</p><p>O protocolo para o desenho digital do sorriso admite</p><p>a comunicação efetiva entre os membros da equipe inter-</p><p>disciplinar, incluindo o técnico de laboratório. Os membros</p><p>da equipe podem identificar e ressaltar as discrepâncias</p><p>na morfologia dos tecidos moles e duros, discutindo sobre</p><p>imagens ampliadas as melhores soluções possíveis para o</p><p>caso. Cada membro da equipe pode adicionar informações</p><p>diretamente nos slides, escrever ou fazer o registro vocal</p><p>simplificando ainda mais o processo. Com o armazenamen-</p><p>to destes planejamentos “nas nuvens”, outros membros da</p><p>equipe podem acessar estas informações sempre que pu-</p><p>derem, mudando ou adicionando novos elementos durante</p><p>as fases de diagnóstico e tratamento.</p><p>Como o uso do desenho digital do sorriso pode tornar</p><p>o diagnóstico mais efetivo e o plano de tratamento mais</p><p>Desenho digital do sorriso:</p><p>do plano de tratamento à</p><p>realidade clínica</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>146 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>completo, o tempo necessário para sua implantação será</p><p>resgatado, deixando a sequência de tratamento mais lógica</p><p>e direta, poupando tempo, materiais e reduzindo o custo du-</p><p>rante o tratamento.</p><p>7.2.2 Comunicação</p><p>A literatura tem ressaltado a importância do desenho</p><p>do sorriso, embora seja vaga em relação ao responsável</p><p>pela sua realização. Podemos ver a importância da reunião</p><p>dos dados diagnósticos pelos checklists4,7,12-13; entretanto,</p><p>muitas informações podem ser perdidas se o significado</p><p>real não for transferido de forma adequada ao desenho da</p><p>reabilitação.</p><p>Tradicionalmente o desenho do sorriso é materializado</p><p>primeiro pelo técnico de laboratório, quando realiza o encera-</p><p>mento restaurador, criando formas e arranjo, conforme as in-</p><p>formações restritas, seguindo algumas diretrizes escritas ou</p><p>passadas pelo cirurgião-dentista ao telefone como: “aumente</p><p>2 mm”, “feche o diastema” etc. Desta forma, muita responsa-</p><p>bilidade é colocada sob os ombros do técnico(a), porque, mui-</p><p>tas vezes, não possui as informações necessárias para rea-</p><p>lizar a tarefa. Desta forma, perde-se a oportunidade de criar</p><p>um sorriso que satisfaça totalmente o paciente.</p><p>Quando o coordenador ou outro membro da equipe res-</p><p>tauradora que está em contato direto e tem empatia com o</p><p>paciente e assume a responsabilidade pelo desenho do sorriso,</p><p>os resultados podem ser melhores, já que o profissional pode</p><p>incorporar certas preferências pessoais ou características</p><p>morfopsicológicas10,14. Assumindo esta responsabilidade, o ci-</p><p>rurgião-dentista pode comunicar diretrizes importantes para o</p><p>enceramento, como as recomendações sobre o comprimento,</p><p>forma, arranjo e nível do plano oclusal, baseado nas imagens.</p><p>As desculpas para que o cirurgião-dentista não participe</p><p>diretamente do desenho do sorriso são muitas, como o tempo</p><p>ou o treinamento necessário.</p><p>Para um DDS bidimensional, o técnico será capaz de reali-</p><p>zar um enceramento tridimensional mais eficaz, concentrando-</p><p>se no desenvolvimento das características anatômicas dentro</p><p>dos parâmetros especialmente fornecidos, como o plano de re-</p><p>ferência, linhas média facial e dentária, posição da borda incisal,</p><p>dinâmica labial, arranjo dentário básico e plano incisal.</p><p>A transferência da informação do enceramento para a</p><p>fase de prova (test drive), pode ser feita pelo uso de uma si-</p><p>mulação (mock-up) ou restauração provisória. O desenho das</p><p>restaurações estéticas definitivas deveria ser feito e testado</p><p>tão logo possível, guiando toda a sequência de tratamento</p><p>para um resultado estético predeterminado. Um plano de</p><p>tratamento eficiente permite que toda a equipe identifique, o</p><p>mais cedo possível, as mudanças para obtenção do resultado</p><p>esperado em todas as especialidades envolvidas1.</p><p>7.3 Avaliação – feed-back - aprendizado</p><p>O desenho digital do sorriso permite uma reavaliação pre-</p><p>cisa dos resultados obtidos em cada fase do tratamento. Com</p><p>os desenhos e linhas de referências criadas é possível realizar</p><p>comparações simples entre as imagens do antes e depois,</p><p>verificar se estão de acordo com o planejamento, ou se é ne-</p><p>cessária qualquer outra medida para melhorar os resultados.</p><p>Esta verificação dupla constante de todas as informações é</p><p>uma imagem para tratamentos de alta qualidade e ferramen-</p><p>ta de aprendizado para toda a equipe multidisciplinar.</p><p>7.3.1 Educação</p><p>Muitas vezes o paciente não fica satisfeito com sua estéti-</p><p>ca, mas não sabe, exatamente, quais são os fatores que con-</p><p>tribuem para sua aparência. Quando temos a oportunidade</p><p>de mostrar todos os elementos que não estão de acordo com</p><p>os princípios estéticos numa apresentação didática, podemos</p><p>educar o paciente sobre a severidade do caso, estratégias</p><p>de tratamento, prognóstico e recomendações. A educa-</p><p>ção sobre as soluções será mais fácil e direta ao paciente,</p><p>aumentando-se a credibilidade e verdade sobre a equipe</p><p>odontológica e, consequentemente, uma melhor aceitação</p><p>do tratamento proposto.</p><p>7.3.2 Apresentação do caso</p><p>Usado para realizar a apresentação do plano</p><p>de tratamen-</p><p>to, o desenho digital do sorriso tornará o processo mais efetivo</p><p>e direto, porque permitirá ao paciente ver e compreender to-</p><p>dos os múltiplos fatores combinados que criam as característi-</p><p>cas orofaciais. A apresentação do caso será efetiva e dinâmica</p><p>para ele, aumentando a aceitação do plano proposto.</p><p>7.3.3 Visagismo</p><p>O desenho digital do sorriso se apresenta como ferra-</p><p>menta fundamental para o profissional que utiliza o visagis-</p><p>mo em seus planejamentos. Permite a esse profissional</p><p>confeccionar um desenho de acordo com a vontade de ex-</p><p>pressão do paciente e apresentá-lo previamente à confec-</p><p>ção do enceramento diagnóstico. Essa estratégia objetiva</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 147</p><p>a discussão do caso entre ele e o paciente e o alinhamento</p><p>entre aquilo que o paciente espera ou deseja do tratamento</p><p>e o que o profissional visualiza para a resolução do caso. O</p><p>profissional poderá ainda valer-se da apresentação de mais</p><p>de um desenho de sorriso, em caso de dúvida, com as varia-</p><p>ções de formas possíveis para o caso e explicar para o pa-</p><p>ciente o que cada desenho significa em termos psicovisuais.</p><p>A decisão do desenho a ser seguido deve ser baseada na</p><p>vontade do paciente e viabilidade de execução. Geralmente</p><p>aquele desenho preferido pelo paciente terá mais relação</p><p>com seu senso de identidade visual, uma vez que a leitura</p><p>visual é inconsciente.</p><p>7.4 Desenho digital do sorriso – sequência</p><p>A técnica proposta é realizada pelos autores usando o</p><p>programa Keynote (Apple), mas outros programas simila-</p><p>res como o MicroSoft PowerPoint podem ser usados com</p><p>pequenos ajustes na técnica a ser descrita. O Keynote per-</p><p>mite a manipulação simples das imagens digitais e a adição</p><p>de desenhos, linhas, formas e medidas sobre imagens clíni-</p><p>cas ou laboratoriais.</p><p>O desenho digital do sorriso segue uma sequência lógi-</p><p>ca, da região externa para a região interna da análise no</p><p>paciente: facial, dentofacial, dentogengival e dentária (intra</p><p>e interdentária). A sequência mostrada abaixo é um passo</p><p>a passo completo que pode ser modificado, diminuído ou</p><p>adaptado para diversas situações, dependendo das neces-</p><p>sidades individuais.</p><p>Deve-se abrir o programa Keynote num formato de slide 3</p><p>para 1 e começar a inserir as imagens. As primeiras imagens</p><p>serão de face, sendo da esquerda para a direita: face com</p><p>boca fechada (análise do formato do rosto), boca em repouso</p><p>(análise dos terços faciais e exposição dental em repouso),</p><p>sorriso leve (relação entre plano incisal e borda superior do</p><p>lábio inferior) e sorriso largo com a boca aberta (para mostrar</p><p>o contraste das bordas incisais com o fundo negro da boca).</p><p>Para o segundo slide, deve-se selecionar a imagem facial</p><p>com sorriso largo e boca aberta. Nessa imagem delinea-se</p><p>linha média facial, linha horizontal de referência (geralmente</p><p>linha interpupilar), duplicando-se essa linha e trazendo para</p><p>a região oral.</p><p>No terceiro slide, deve-se sobrepor uma imagem intraoral</p><p>maxilar com fundo negro sobre a facial; deve-se ajustar o tama-</p><p>nho da imagem intraoral até se adaptar precisamente sobre</p><p>a facial.</p><p>O quarto slide deve mostrar a imagem intraoral com as</p><p>linhas de referências faciais e começar a confeccionar tra-</p><p>ços para diagnosticar deficiências estéticas.</p><p>Primeiro avalia-se a relação entre linhas média facial e</p><p>dental. Em seguida a relação entre o plano incisal com o</p><p>plano horizontal facial de referência.</p><p>A seguir desenha-se o contorno dos dentes superiores</p><p>onde se avalia a forma dental original e assimetrias de for-</p><p>ma entre os lados direito e esquerdo. Em seguida traça-se o</p><p>longo eixo de cada elemento, o que permite visualizar como</p><p>as variadas posições coronais podem ser a causa de insa-</p><p>tisfação por parte do paciente. O próximo passo é desenhar</p><p>as linhas complementares como linha dos zênites gengivais,</p><p>linha de união das ameias gengivais e incisais.</p><p>Por último deve-se traçar linhas interproximais verticais</p><p>para analisar a proporção “md” entre os diversos elemen-</p><p>tos superiores. Nesse momento o profissional terá um pa-</p><p>norama diagnóstico, em que todos os principais elementos</p><p>visuais constituintes da estrutura do sorriso podem ser</p><p>analisados e começar a visualizar possibilidades reabilitado-</p><p>ras para o caso.</p><p>A partir desse momento as intervenções a serem reali-</p><p>zadas em termos de confecção do desenho do sorriso deve-</p><p>rão levar em conta a vontade de expressão e sua viabilidade</p><p>de execução de acordo com as possibilidades orais do pacien-</p><p>te, conforme mostrado no Capítulo Composição. O exemplo</p><p>clínico a seguir ilustrará a sequência operatória do desenho</p><p>digital do sorriso à reabilitação cerâmica.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>148 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 1</p><p>Situação intraoral inicial.</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens faciais</p><p>pré-operatórias.</p><p>Figura 3</p><p>Linhas de referências</p><p>faciais, verticais</p><p>e horizontais.</p><p>a b c</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 149</p><p>Figura 4</p><p>Relação entre eixos</p><p>faciais verticais e</p><p>horizontais e região oral.</p><p>Figura 5</p><p>Contorno labial</p><p>e plano incisal.</p><p>Pré-operatório.</p><p>Figura 6</p><p>Relação de</p><p>discrepância</p><p>entre linhas médias</p><p>dental e facial.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>150 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 7</p><p>Sobreposição de imagem intraoral com afastador sobre sorriso com eixos</p><p>de referência.</p><p>Figura 8</p><p>Ajuste da sobreposição.</p><p>Figura 9</p><p>Eliminação da imagem inferior</p><p>e manutenção da intraoral com</p><p>eixos de referência faciais</p><p>para começar a desenhar.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 151</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>d</p><p>e</p><p>Figuras 10a a 10e</p><p>Desenhos do sorriso</p><p>para orientar o</p><p>tratamento ortodôntico.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>152 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 11</p><p>Tratamento ortodôntico finalizado.</p><p>Figuras 12</p><p>Comparação entre antes e depois do tratamento ortodôntico.</p><p>a b</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 153</p><p>Figuras 13</p><p>Novos desenhos de sorriso para orientar o enceramento diagnóstico.</p><p>b</p><p>a</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>154 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Figura 14</p><p>Enceramento diagnóstico.</p><p>Figura 15</p><p>Mock-up.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 155</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>c</p><p>c</p><p>d</p><p>d</p><p>Figuras 16</p><p>Imagens extraorais com o mock-up.</p><p>Figuras 17</p><p>Imagens faciais com o mock-up.</p><p>e</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>156 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a b</p><p>c d</p><p>Figuras 18</p><p>Comparação antes e depois com mock-up.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 157</p><p>c</p><p>d</p><p>Figura 19</p><p>Preparo dental.</p><p>Minimamente invasivo.</p><p>Figura 21</p><p>Laminados.</p><p>a b</p><p>Figuras 20</p><p>Prova dos laminados.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>158 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>a</p><p>b</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 159</p><p>c1 c3c2</p><p>d1 d2</p><p>Ceramista - Christian Coachman</p><p>Desenho Digital do Sorriso</p><p>- Christian Coachman</p><p>Fotografias Clínicas e Laboratoriais - Christian</p><p>Coachman e Andrea Ricci</p><p>Ortodontista - Catharina Ricci</p><p>Protesista - Andrea Ricci</p><p>Figuras 22a a 22d</p><p>Resultado final. (d1 e d2). Comparação antes/depois.</p><p>Capítulo 7</p><p>Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à realidade clínica</p><p>160 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>1. Dawson PE. Functional occlusion: From TMJ to smile</p><p>design. St Louis: Mosby; 2007.</p><p>2. Spear FM. The maxillary central incisor edge: a key to</p><p>esthetic and functional treatment planning. Compend</p><p>Contin Educ Dent 1999;20(6):512-6.</p><p>3. Spear FM, Kokich VG, Mathews DP. Interdiscplinary</p><p>management of anterior dental esthetics J Am Dent</p><p>Assoc 2006;137(2):160-9</p><p>4. Goldstein RE. Esthetics in dentistry:principles,</p><p>communication, treatment methods. Ontario: BC</p><p>Decker; 1998.</p><p>5. Kois J. Diagnostically driven interdisciplinary treatment</p><p>planning. Seattle Study Club J 2002;6(4):28-34.</p><p>6. Kois JC. Diagnostically driven treatment planning.</p><p>In: Cohen M. Interdisciplinary treatment planning.</p><p>Principles, Design, Implementation. Hannover Park:</p><p>Quintesssence; 2008:189-212.</p><p>7. Chiche GJ, Pinault A. Esthetics of anterior fixed</p><p>prosthodontics. Hanover Park: Quintessence; 1996.</p><p>8. Rifkin RG. Facial analysis: a comprehensive approach</p><p>to treatment planning in aesthetic dentistry. Pract</p><p>Periodont Aesthet Dent 2000;12(9):865-87.</p><p>9. Ahmad I. Geometric considerations in anterior dental</p><p>aesthetics: restorative principles. Pract Periodontics</p><p>Aesthet Dent 1998;10(7):813-22.</p><p>10. Rufenacht CR. Fundamentals of esthetics. Carol</p><p>Stream: Quintessence; 1990.</p><p>11. Terry DA, Snow SR, McLaren EA. Contemporary dental</p><p>photography: selection and application. Compend</p><p>Contin Educ Dent 2008;29(8):432-40.</p><p>12. Magne P, Belser U. Bonded porcelain restorations in</p><p>the anterior dentition: a biomimetic approach. Carol</p><p>Stream: Quintessence; 2002.</p><p>13. Fradeani M. Esthetic rehabilitation in fixed prosthodontics.</p><p>Esthetic analysis: a systematic approach to prosthetic</p><p>treatment. Chicago: Quintessence; 2004.</p><p>14. Paolucci B. Visagismo e Odontologia. In: Hallawell P.</p><p>Visagismo integrado: identidade, estilo, beleza. São</p><p>Paulo: Senac; 2009. p.243-50.</p><p>15. Gillen RJ, Schwartz, RS, Hilton TJ, Evans DB. An</p><p>analysis of selected normative tooth proportions. Int J</p><p>Prosthoddont 1994;7:410-7.</p><p>16. Sterret JD, Oliver T, Robinson F, Fortson W, Knaak B,</p><p>Russell CM. Width/Lenght ratios of normal clinical</p><p>crowns of the maxillary anterior dentition. Man J Clin</p><p>Periodontol 1999;26(3):153-7.</p><p>7.5 Referências</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 161</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Bráulio Paolucci,</p><p>Galip Gurel</p><p>Na prática clínica o Visagismo se presta a personalizar rea-</p><p>bilitações de configuração visual do desenho de sorriso final.</p><p>Seu objetivo é conseguir um equilíbrio visual entre esse dese-</p><p>nho do sorriso final com a face e com aspectos psicocompor-</p><p>tamentais do paciente. Para isso é imprescindível a consultoria,</p><p>onde a equipe restauradora verificará, com o paciente, quais</p><p>suas principais características psicocomportamentais, suas</p><p>queixas estéticas, suas necessidades pessoais e desejos, e</p><p>através do uso de linhas e formas adequadas, procurará ela-</p><p>borar um desenho de sorriso que expresse visualmente a von-</p><p>tade de expressão do paciente.</p><p>Portanto, o Visagismo entra numa fase adiantada da rea-</p><p>bilitação estética, após a equipe ter identificado os problemas</p><p>estéticos do caso, tanto do ponto de vista intraoral quanto ex-</p><p>traoral, em que se avaliada a proporção entre os elementos</p><p>orais com a face, é proposto suas correções de acordo com os</p><p>princípios de harmonia e estética consolidados na Odontologia.</p><p>Em casos de estética dental, onde já se tem elementos ou</p><p>unidades orais tais como dentes, rebordo ósseo e arcabou-</p><p>ço gengival como referência, a aplicação do Visagismo fica</p><p>condicionada por essas estruturas, que em suma devem ser</p><p>respeitadas o máximo possível, para se conseguir resultados</p><p>naturais e imperceptíveis. A vontade de expressão do paciente</p><p>deve ser aplicada, nesses casos, como um detalhamento do</p><p>desenho do sorriso final, como proposto no Capítulo Compo-</p><p>sição (ver Estrutura e Detalhe). Em reabilitações mais com-</p><p>plexas, onde houve a perda de múltiplos elementos dentais,</p><p>rebordo ósseo e gengival, o seu uso é mais amplo, servindo</p><p>a vontade de expressão do paciente como referência para a</p><p>reconstrução dessas estruturas perdidas tanto em termos de</p><p>estrutura quanto detalhe.</p><p>aplicaçÃo clínica do</p><p>Visagismo</p><p>Este livro apresentará uma abordagem minimamente in-</p><p>vasiva em casos de estética dental superior, em que a aplica-</p><p>ção do Visagismo é restrita à configuração final de formas de</p><p>elementos dentais, buscando respeitar ao máximo a estrutura</p><p>configurativa original, com suas conotações psicovisuais autên-</p><p>ticas, almejando, dessa forma, alcançar resultados que, além</p><p>de preservar as estruturas orais pela mínima intervenção,</p><p>também respeitam seus significados psicológicos.</p><p>A análise de cada caso seguirá uma abordagem inves-</p><p>tigativa de problemas estéticos particulares, partindo da</p><p>análise facial para intraoral, como demonstrado no Capítulo</p><p>Desenho Digital do Sorriso. A seguir um check-list que orien-</p><p>tará essa investigação:</p><p>Análise facial</p><p>•	 Configuração	de	eixos	de	referências	horizontal	e	vertical</p><p>e sua relação com estruturas orais.</p><p>•	 Análise	da	exposição	dental	com	lábios	em	repouso.</p><p>•	 Análise	da	exposição	gengival	em	sorriso	amplo.</p><p>Análise intraoral</p><p>•	 Plano	incisal.</p><p>•	 Formas	dentais.</p><p>•	 Eixos	dentais.</p><p>•	 Proporção	entre	elementos	dentais.</p><p>•	 Linhas	complementares.</p><p>162 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Alterações em formas dentais</p><p>Formas dentais Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4</p><p>Central/Incisal X X X X</p><p>Central/cervical X X</p><p>Central/ângulo</p><p>incisodistal X X X X</p><p>Central/terço distal X X X</p><p>lateral X X X X</p><p>Canino X X X</p><p>Alterações em unidades orais</p><p>Unidades</p><p>Orais Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4</p><p>Plano incisal X X X X</p><p>Eixos dentais X X</p><p>Formas	dentais X X X X</p><p>Posicionamento</p><p>dental X X</p><p>Exposição dental X X</p><p>Proporção dental X X X X</p><p>linhas</p><p>complementares X X</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 163</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>ResUmO</p><p>lOTG 31 anos chegou à clínica reabilitadora queixandose</p><p>do aspecto de seu sorriso. Na primeira consulta foram reali-</p><p>zadas imagens intra e extraorais e modelos de estudos. Na</p><p>segunda consulta foi realizada consultoria visagista onde pro-</p><p>curou-se avaliar a paciente acerca de suas características psi-</p><p>cológicas e comportamentais. Nesse momento a equipe avalia</p><p>a paciente a partir das partes que compõe sua face, do ponto</p><p>de vista morfopsicológico. Avaliou-se como ela processa seus</p><p>pensamentos a partir da forma de sua testa, avaliou-se como</p><p>processa suas emoções a partir do formato de seus olhos, seu</p><p>ritmo de vida a partir da forma de seu nariz e áreas parana-</p><p>sais, como se comunica verbalmente pela forma de sua boca</p><p>e como impõe sua vontade a partir do formato e projeção de</p><p>seu mento. Nessa consulta ela interage indicando acertos e</p><p>correções. No fim dessa consultoria, a equipe tem um panora-</p><p>ma psicocomportamental da paciente e investiga qual ou quais</p><p>de suas características gostaria de evidenciar no desenho de</p><p>sua reabilitação.</p><p>Na análise extraoral descartou-se desvio de linha média,</p><p>mas observou-se pouca exposição dental com lábios em re-</p><p>pouso. Na análise intraoral, descartou-se apinhamentos, desa-</p><p>linhamento entre eixos dentais, restaurações deficientes, alte-</p><p>rações de cor, plano incisal invertido e problemas periodontais,</p><p>causas comuns de insatisfação estética por parte dos pacien-</p><p>tes. A paciente relatou não se sentir satisfeita com seu sorri-</p><p>so, porém, sem saber explicar exatamente o porquê, mesmo</p><p>após a conclusão de tratamento ortodôntico.</p><p>Pela análise computadorizada do sorriso verificou-se pou-</p><p>ca dominância de centrais, tanto em largura quanto em altura</p><p>e consequente deficiência de plano incisal, que se mostrava</p><p>aquém do desejado e não paralelo à borda superior do lábio</p><p>inferior. Por esse mesmo motivo a exposição de centrais</p><p>superiores em situação de lábios em repouso ficava aquém</p><p>Caso 1</p><p>daquela esperada para a idade da paciente (exposição de</p><p>3,5 mm para idade de 30 anos em sexo feminino) exposição</p><p>pré-operatória da paciente: 2 mm. O desenho de seu segmen-</p><p>to anterossuperior com ausência de dominância de centrais</p><p>e plano incisal reto lhe conferia uma situação de simetria cor-</p><p>rente ou horizontal. Após tomar conhecimento do significado</p><p>visual dessa situação (calma/apatia/monotonia), a paciente</p><p>disse que era esse exatamente o que a incomodava, mesmo</p><p>sem ela saber apontar de antemão o problema. Disse ainda</p><p>que gostaria de um sorriso estético, que ao mesmo tempo</p><p>tivesse relação com sua identidade; queria um sorriso mais</p><p>marcante, atraente e sensual.</p><p>Na consultoria a paciente demonstrou-se muito comuni-</p><p>cativa, porém ressaltou que só se mostra comunicativa de-</p><p>pois de ter certo conhecimento ou intimidade com quem se</p><p>relaciona. Apresentou-se positiva e delicada na colocação de</p><p>suas ideias e vontades. A paciente gostaria de evidenciar em</p><p>seu sorriso seus aspectos de comunicabilidade, sensibilidade</p><p>emocional e feminilidade, além de realçar sua força pessoal.</p><p>Portanto, optou-se por manter o formato de seus centrais</p><p>(trapezoidais) com detalhamento arredondado, para expres-</p><p>são de sensualidade, sensibilidade e delicadeza. laterais com</p><p>incisais curvas para caracterizar sua sensibilidade emocional.</p><p>Caninos foram configurados com sua face vestibular discreta-</p><p>mente curva (suavidade). O plano incisal ascendente confere</p><p>jovialidade e extroversão ao desenho do sorriso. A dominância</p><p>conferida a incisivos centrais torna o sorriso mais atraente ao</p><p>olhar, assim como confere à imagem, a expressão de jovialida-</p><p>de pela maior exposição de centrais com lábios em repouso.</p><p>Essa dominância está relacionada a características comporta-</p><p>mentais de imposição e força.</p><p>164 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 1</p><p>Imagens faciais -</p><p>pré-operatório.</p><p>a b c d e</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens extraorais - pré-operatório. Observar pouca exposição dental com lábios em repouso.</p><p>Figuras 3</p><p>Imagens intraorais.</p><p>a b c</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 165</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 4</p><p>Imagens intraorais com fundo negro.</p><p>ba</p><p>ba</p><p>Figuras 5</p><p>Análise do formato de rosto (hexagonal de lateral reta) e eixos faciais de referências horizontal e vertical.</p><p>Observar que não há divergência de eixos dentários em relação a eixos faciais.</p><p>166 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 6</p><p>Análise da relação entre linhas médias</p><p>facial e dental, assim como a relação</p><p>entre o plano horizontal maxilar e a linha</p><p>bipupilar (projetada na região oral).</p><p>Figura 7</p><p>Formas dentais pré-operatórios.</p><p>Figura 9</p><p>Plano incisal</p><p>pré-operatório.</p><p>Praticamente retilíneo.</p><p>Figura 8</p><p>Relação entre formas</p><p>dentais/plano horizontal de</p><p>referência/linhas dos lábios.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 167</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 10</p><p>Proporção entre os</p><p>elementos dentais.</p><p>Figura 11</p><p>Observar relação de dominân-</p><p>cia em largura entre centrais e</p><p>laterais. Está deficiente.</p><p>Figura 12</p><p>Alargamento de centrais</p><p>e estreitamento de laterais</p><p>para se obter uma relação</p><p>gradativa mais próxima do</p><p>número áureo.</p><p>Figura 13</p><p>Correção de plano incisal</p><p>de acordo com plano oclusal</p><p>posterior e paralelo à linha</p><p>superior do lábio inferior.</p><p>168 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 14</p><p>Correção do comprimento dos</p><p>dentes de acordo com o novo</p><p>plano incisal estabelecido.</p><p>Figuras 15</p><p>(a) Sorriso pré-operatório; (b) Mock-up com desenho dinâmico; e (c) Mock-up com desenho forte.</p><p>Figuras 16</p><p>Terceiro mock-up misturando formas triangulares com detalhamento arredondado. Observar correta dominância de centrais, plano incisal e exposição dental.</p><p>a b c</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 169</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 18</p><p>Face com novo mock-up.</p><p>Figura 17</p><p>Sorriso com novo</p><p>mock-up.</p><p>Figuras 19</p><p>Imagens intraorais com novo mock-up.</p><p>a b</p><p>a b c</p><p>170 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 20</p><p>Imagens de novo mock-up com fundo negro.</p><p>Figuras 21</p><p>Remoção de metade do mock-up para verificar o ganho em volume dental.</p><p>Figuras 22</p><p>Verificação do volume a</p><p>ser conquistado: 1 mm</p><p>de expessura e 1 mm</p><p>de comprimento. O que</p><p>restringe o preparo dental</p><p>à remoção das resinas</p><p>interproximais.</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 171</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 23</p><p>Imagem antiga da paciente, antes da confecção das resinas interproximais para servir de orientação no preparo.</p><p>Figuras 24</p><p>Preparos realizados. Houve somente a remoção das resinas interproximais. Não houve preparos incisal e vestibular.</p><p>Figuras 25</p><p>Técnica do duplo fio para moldagem.</p><p>a b</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>172 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>b1 b2</p><p>c1 c2 c3</p><p>Figuras 26a a 26c</p><p>Sequência</p><p>laboratorial: (a)</p><p>Moldagem;</p><p>(b) Modelos precisos</p><p>“Técnica Will Rojas”;</p><p>e (c) Enceramento</p><p>pronto.</p><p>a</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 173</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>d</p><p>e f g</p><p>h</p><p>Figuras 26d a 26h</p><p>Sequência laboratorial:</p><p>(d) Atenção total</p><p>no momento da</p><p>desinclusão;</p><p>(e) Modelo de troquel</p><p>e muralha de silicone</p><p>obtida através do</p><p>enceramento de</p><p>diagnóstico para</p><p>análise do espaço</p><p>a ser trabalhado; (f)</p><p>Enceramento pronto</p><p>para injeção;</p><p>(g) Elementos injetados -</p><p>pastilhas HT A1;</p><p>e (h) e.max ceram.</p><p>174 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>J</p><p>l</p><p>k</p><p>m</p><p>i1 i2 i3 i4</p><p>i7i6i5</p><p>Figuras 26i a 26m</p><p>Sequência laboratorial:</p><p>(i) Sequência de</p><p>modelo, pastilha</p><p>e aplicação; (j)</p><p>Verificação do espaço</p><p>para aplicação da</p><p>cerâmica; (k) Aplicação</p><p>de cerâmica para</p><p>formar as incisais</p><p>(Incisal 1, OE1 e</p><p>mamelos light, salmon</p><p>e yellow-orange);</p><p>(l) Após a primeira</p><p>queima e constatação</p><p>de espaço para a</p><p>segunda queima; e</p><p>(m) Aplicação das</p><p>massas de efeito (Ti3,</p><p>OE3,OE2 e OE1).</p><p>Sempre respeitando a</p><p>muralha definida pelo</p><p>enceramemto.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 175</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 26n</p><p>Sequência laboratorial: (n) Controle.</p><p>n</p><p>Figura 27</p><p>Resultado final - imagem intraoral com fundo negro.</p><p>176 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>b</p><p>c1</p><p>c4</p><p>c2</p><p>c5</p><p>c3</p><p>c6</p><p>Figura 28a a 28</p><p>Resultado final.</p><p>Vistas laterais direita</p><p>e esquerda.Observar</p><p>centrais com</p><p>estrutura triangular</p><p>e detalhamento</p><p>curvo moderado.</p><p>Laterais com incisais</p><p>discretamente</p><p>arredondados.</p><p>Caninos</p><p>configurados com</p><p>vestibular curva.</p><p>a</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 177</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>e</p><p>e</p><p>d</p><p>178 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>g</p><p>h</p><p>Figuras 28g a 28h</p><p>(g) Correta exposição dental e textura</p><p>superficial e (h) Exposição dental de 3,5 mm</p><p>para paciente de sexo feminino com 31 anos</p><p>de idade. Resultado final.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 179</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica</p><p>do Visagismo</p><p>J1 J2</p><p>Figura 28i e 28j</p><p>Resultado final.</p><p>i</p><p>180 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Material Clínico</p><p>Mock-up realizado com Structure-Vocco (resina bisacrílica) e guia em zetalabor.</p><p>O preparo dos dentes foi realizado com broca 2200 e 2134 f (KG Sorensen) e</p><p>discos de acabamento e polimento (Shofu). A moldagem foi realizada com Elite</p><p>(Zhermack). Fios retratores 00 e 0 (Ultrapack). Cimentação com o kit Variolink II</p><p>(Ivoclar Vivadent).</p><p>Ceramista - Adriano Schayder</p><p>Consultoria de Visagismo e Protesista - Bráulio Paolucci</p><p>Desenho Digital do Sorriso - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Faciais Finais - Edson Inácio (Casa da Foto, Barbacena/MG)</p><p>Fotografias Laboratoriais - Adriano Schayder</p><p>Maquiagem - Heloísa Lima (Stúdio Liz, Barbacena/MG)</p><p>Figuras 28k</p><p>Resultado final.</p><p>k1 k2</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 181</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>ResUmO</p><p>Paciente DC apresentava queixa estética relacionada ao</p><p>excesso de volume do caninos, irregularidade da linha dos</p><p>zênites e giroversão do 21. Na análise computadorizada do</p><p>sorriso, a equipe identificou outras possíveis causas de in-</p><p>satisfação e as esclareceu à paciente. Entre tais possíveis</p><p>causas, estaria, a falta de preenchimento dental dos cor-</p><p>redores bucais, o que colaborava para a percepção de ex-</p><p>cesso de volume nos caninos. O elemento 22 apresentava-</p><p>se recuado em relação a um plano vertical anterior, o que</p><p>reforçava a impressão de vestibuloversão do 21 e excesso</p><p>de volume do 23. Em uma vista superoinferior (olhando so-</p><p>bre a cabeça com a pessoa deitada de costas para o obser-</p><p>vador), pôde-se verificar a relação entre as bordas incisais</p><p>dos seis elementos anterossuperiores com a linha seco-mo-</p><p>lhado do lábio inferior, onde se constatava vestibularização</p><p>do 21, recuo palatino do 22 e projeção vestibular do 23.</p><p>A linha dos zênites muito angulada (em ziguezague) inco-</p><p>modava a paciente; portanto, uma regularização dessa linha</p><p>através de plástica periodontal foi sugerida.</p><p>O caso foi avaliado ortodonticamente, porém foi descarta-</p><p>da a intervenção pelo fato de a paciente apresentar grande</p><p>estabilidade oclusal e perfeita intercuspidação. O alinhamento</p><p>dos dentes dar-se-ia pelo desgaste interproximal (slice), o que</p><p>prejudicaria ainda mais a formas dentais já deficientes.</p><p>Através da análise computadorizada do desenho do sor-</p><p>riso observou-se relação de proporção visual inadequada</p><p>entre os dentes anterossuperiores, com caninos se apre-</p><p>sentando mais largos que laterais em uma visão frontal e</p><p>desarmonia de inclinação dos eixos dentais, tais elementos</p><p>Caso 2</p><p>foram corrigidos no computador. Após a correção 2D das</p><p>desarmonias estéticas entre os dentes, chegou o momento</p><p>de se definir a forma dental da reabilitação, em que as in-</p><p>formações colhidas na consultoria ganham sua vez. Nesse</p><p>caso, procurou-se expressar dinamismo de ritmo de vida,</p><p>alegria, entusiasmo, positividade, extroversão, através do</p><p>formato trapezoidal dos centrais e inclinação medial dos</p><p>caninos, assim como plano incisal ascendente; porém, ca-</p><p>racterísticas como sensibilidade emocional, delicadeza,</p><p>perfeccionismo e persistência nas ações, obtiveram sua</p><p>expressão a partir de detalhes curvos como ângulos inci-</p><p>sodistais dos centrais. A paciente manifestou o desejo de</p><p>expressar mais credibilidade e gostaria de ser mais res-</p><p>peitada pelas pessoas, que a consideravam muito jovem, o</p><p>que lhe atrapalhava profissionalmente. Tal característica foi</p><p>trabalhada no desenho do sorriso pelo maior domínio visual</p><p>dos incisivos centrais (impositividade) assim como incisais</p><p>retas que expressam estabilidade.</p><p>O preparo dos dentes foi realizado de maneira minima-</p><p>mente invasiva, segundo técnica proposta por pesquisador,</p><p>em que se realiza preparos sobre mock-up. Nesse caso em</p><p>que havia a necessidade de redução do volume dos caninos,</p><p>esse procedimento deve ser realizado com guias de silicone</p><p>para correta confecção do mock-up.</p><p>182 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 1</p><p>Imagens faciais - pré-operatório.</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens extraorais - pré-operatório.</p><p>a b c d</p><p>Figuras 3</p><p>Imagens intraorais - pré-operatório - frente.</p><p>a b c</p><p>a1 a3a2 a4</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 183</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a b c d</p><p>Figuras 4</p><p>Imagens intraorais -</p><p>pré-operatório -</p><p>45 graus.</p><p>Figuras 5</p><p>Imagens oclusal e</p><p>superoinferior</p><p>demonstrando</p><p>desalinhamento dental.</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>Figuras 6a e 6b</p><p>(a) Formato de rosto</p><p>oval e (b) Eixos faciais</p><p>verticiais e horizontais</p><p>de referência.</p><p>184 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 7</p><p>Colagem de imagem</p><p>intraoral para</p><p>planejamento digital.</p><p>Figura 8</p><p>Verificação de</p><p>relação linha média</p><p>facial/dental.</p><p>Figura 9</p><p>Análise do plano</p><p>incisal.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 185</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 10</p><p>Formas dentais originais.</p><p>Figura 11</p><p>Eixos dentais - pré-operatório.</p><p>186 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 12</p><p>Análise de linhas</p><p>complementares:</p><p>zênites, ameias</p><p>gengivais</p><p>e dentais.</p><p>Figuras 13</p><p>Proporção dental</p><p>pré-operatório.</p><p>a</p><p>b</p><p>a</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 187</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 14</p><p>Configuração do</p><p>sorriso pré-operatório,</p><p>segundo linhas</p><p>constituintes.</p><p>Figura 15</p><p>Correção digital da</p><p>proporção dental.</p><p>Figura 16</p><p>Correção dos eixos</p><p>dentais rotacionando</p><p>as coroas.</p><p>188 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 17</p><p>Definição do</p><p>plano incisal.</p><p>Figura 18</p><p>Correção virtual da</p><p>linha dos zênites.</p><p>Figura 19</p><p>Correção digital</p><p>da linha das</p><p>ameias dentais.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 189</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 20</p><p>Correção da forma dos centrais de acordo com a vontade de expressão da paciente.</p><p>Figuras 21</p><p>Sobreposição do</p><p>planejamento digital</p><p>sobre imagem intraoral.</p><p>a</p><p>b</p><p>190 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 22</p><p>Mock-ups digitais diferentes: o da esquerda configurado com linhas inclinadas e formas triangulares e o segundo composto por linhas curvas.</p><p>Esse teste pode ser realizado para mostrar ao paciente e discutir com ele o que cada tipo de desenho expressa, de modo a fazê-lo refletir sobre o</p><p>que ou quais características são relacionadas a ele e qual desenho lhe agrada mais. Uma vez discutido o procedimento, um terceiro desenho de</p><p>sorriso pode ser apresentado, representando a soma média dos dois primeiros (desenhos de expressão primária) que seriam viáveis para o caso.</p><p>Figuras 23</p><p>Plástica gengival. Observar o corte angulado realizado no elemento 11 para que seu contorno cervical</p><p>reforçasse sua percepção de forma triangular.</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 191</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 24</p><p>Comparação antes/depois imediato.</p><p>Figuras 25</p><p>Pós-operatório imediato. Observar: em pré-molares houve necessidade de osteotomia</p><p>de para reestabelecer distância biológica adequada.</p><p>Figura 26</p><p>Pós-operatório - uma semana. Vista frontal.</p><p>a b</p><p>a b</p><p>192 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 27</p><p>Mock-up - imagem</p><p>extraoral.</p><p>Figuras 28</p><p>Mock-up - imagem</p><p>facial. a</p><p>b1 b2 b3 b4 b5</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 193</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 29</p><p>Preparo sobre mock-up</p><p>e demarcações.</p><p>Figura 30</p><p>Remoção do mock-up</p><p>após demarcações.</p><p>Figuras 31</p><p>Espaço interproximal</p><p>para facetas em dentes</p><p>posteriores após</p><p>preparo - vista oclusal.</p><p>Observar inflamação</p><p>gengival nas</p><p>áreas onde houve</p><p>rebatimento de retalho.</p><p>O preparo dental foi</p><p>realizado uma semana</p><p>após a cirurgia.</p><p>a b</p><p>194 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 32</p><p>Vista oclusal do</p><p>preparo de dentes</p><p>anteriores.</p><p>Figuras 33</p><p>Vista frontal dos preparos.</p><p>Figuras 34</p><p>Fios retratores</p><p>posicionados para</p><p>moldagem - técnica do</p><p>duplo fio.</p><p>a b c</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 195</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 35</p><p>Moldagem.</p><p>Figura 36</p><p>Provisório imediato com</p><p>desenho para orientação</p><p>do laboratório.</p><p>Figura 37</p><p>Comparação antes/</p><p>depois dos laminados -</p><p>imagens intraorais.</p><p>Figura 38</p><p>Trabalho finalizado.</p><p>a b</p><p>196 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 39</p><p>Imagens intraorais do trabalho finalizado.</p><p>Figuras 40</p><p>Imagens faciais do trabalho finalizado.</p><p>a</p><p>a b c</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 197</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 41</p><p>Comparação antes/</p><p>depois - facial.</p><p>a b</p><p>d</p><p>c</p><p>Figuras 42c e 42d</p><p>Imagens do sorriso -</p><p>trabalho finalizado.</p><p>198 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>e</p><p>f</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 199</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Material Clínico</p><p>Mock-up realizado com Structure-Vocco. O preparo dental foi realizado com broca</p><p>4141 (KG Sorensen) para lentes de contato, seguido de acabamento com broca</p><p>4138 f (KG Sorensen) e discos de polimento (Shofu). Utilizou-se fios retratores 0 e</p><p>00 (Ultrapack). A moldagem foi realizada com Virtual (Ivoclar Vivadent) e a</p><p>cimentação com cimento resinoso transparente Variolink II (Ivoclar Vivadent).</p><p>Ceramista - Alexandre Santos (Studio Dental - Curitiba/PR)</p><p>Consultoria de Visagismo e Protesista - Bráulio Paolucci</p><p>Desenho Digital do Sorriso - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Faciais Finais - Edson Inácio (Casa da Foto, Barbacena/MG)</p><p>Maquiagem - Heloísa Lima (Stúdio Liz, Barbacena/MG)</p><p>Figuras 42e a 42h</p><p>Imagens do sorriso -</p><p>trabalho finalizado.</p><p>g</p><p>h</p><p>200 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Descrição da aplicação das facetas laminadas sobre refratário</p><p>Figura 1</p><p>Modelo torquelado com</p><p>precisão no sistema de</p><p>torquelização Giroform (Amann).</p><p>O material refratário utilizado</p><p>para a reprodução dos torqueis</p><p>foi o GCera Vest (GC).</p><p>Figuras 2</p><p>Gengiva artificial</p><p>feita de silicona de</p><p>condensação para</p><p>orientar o perfil de</p><p>emergência das</p><p>lâminas de cerâmica.</p><p>a b</p><p>c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 201</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 3</p><p>Delimitação da área a ser coberta pela</p><p>lâmina de cerâmica e muralha com</p><p>referências no planejamento e preparo</p><p>para a realização das compensações (de</p><p>tamanho do remanescente) e aplicação de</p><p>cerâmica com previsibilidade.</p><p>Figura 4</p><p>Os dentes não apresentavam</p><p>escurecimento, indicando preparos</p><p>conservadores (a adesão cerâmica x</p><p>esmalte é muito mais efetiva do que</p><p>cerâmica x dentina). Como a espessura</p><p>para a realização do caso em cerâmica</p><p>é pequena, os efeitos internos da</p><p>aplicação de cerâmica foram realizados</p><p>já na primeira queima (wash), pois o</p><p>remanescente é considerado como</p><p>dentina para a realização da aplicação</p><p>de cerâmica nestes casos. O refratário é</p><p>totalmente branco e opaco, dificultando</p><p>a verificação da cor final da lâmina, o</p><p>que implica que a cor do remanescente</p><p>dentário influenciará quase que em</p><p>100% na cor final da restauração.</p><p>202 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 5</p><p>Base pronta para a primeira queima de</p><p>cerâmica utilizando Deep Dentina para</p><p>as compensações, transparente Blue nas</p><p>proximais, dentina pura na cervical, massa de</p><p>Mamelos (Ligth), Effect 02 e 03 e uma camada</p><p>de Effect 01 para finalizar.</p><p>Figura 6</p><p>Primeira queima de cerâmica IPS d.Sign</p><p>(Ivoclar Vivadent). Nesse caso, como a</p><p>cerâmica é coccionada sobre o material</p><p>refratário, sua temperatura de queima</p><p>deve ser mais elevada do que</p><p>a queima sobre estruturas metálicas.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 203</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a</p><p>b</p><p>c</p><p>Figuras 7</p><p>Detalhes internos da aplicação sob</p><p>luz transmitida indicando a alta</p><p>opalescência do material cerâmico.</p><p>204 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 8</p><p>Início da segunda queima de cerâmica</p><p>respeitando o formato do planejamento</p><p>realizado para a paciente em questão. A</p><p>camada de esmalte aplicada neste caso</p><p>foi TS1 d.sign (Ivoclar Vivadent), totalmente</p><p>uniforme, mas com um acréscimo de 20%</p><p>de dentina A2, que é a cor selecionada</p><p>para o caso (para manter o matiz), e 20%</p><p>de massa opalescente, mantendo, assim,</p><p>um pouco da característica do esmalte</p><p>dental, com relação a este efeito natural.</p><p>Figura 9</p><p>Segunda queima terminada com luz</p><p>transmitida, evidenciando, ainda, a</p><p>opalescência da cerâmica utilizada.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 205</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 10</p><p>Deixando a superfície da cerâmica uniforme</p><p>para a finalização de forma e textura.</p><p>Figura 11</p><p>Parâmetros iniciais de área de espelho pós-</p><p>queima (a intenção com a aplicação da</p><p>cerâmica é que os ajustes finais sejam os</p><p>mínimos possíveis, evitando, dessa forma, o</p><p>uso excessivo de brocas e com consequência</p><p>da retirada do esmalte que, em alguns casos,</p><p>não chega a espessura de 3 mm, sendo assim</p><p>difícil de controlar o desgate).</p><p>206 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 12</p><p>Perfil de emergência da lâmina,</p><p>caracterizando um desgaste</p><p>muito conservador.</p><p>Figura 13</p><p>Áreas de espelho definidas conforme o</p><p>planejamento inicial e as características</p><p>do paciente e definindo a textura</p><p>superficial com uma iluminação lateral</p><p>com uma lâmpada de contraste</p><p>(Contraste - Caltini do Brasil).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 207</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 14</p><p>Neste caso foi utilizado</p><p>somente pasta de Glase, sem</p><p>caracterizações evidentes,</p><p>mostrando a aplicação das</p><p>massas cerâmicas.</p><p>Figura 15</p><p>Textura após Glaze.</p><p>208 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 16</p><p>Textura superficial.</p><p>b</p><p>a</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 209</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 17</p><p>Laminados cerâmicos logo após a retirada</p><p>do material refratário utilizado como base</p><p>para a aplicação. A espessura gera em</p><p>torno de 3 mm, 4 mm e 5 mm.</p><p>a b</p><p>Figuras 18</p><p>Fundo escuro influenciando totalmente a cor da lâmina.</p><p>210 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 19</p><p>Qualquer alteração no remanescente</p><p>influenciará no resultado final da</p><p>cor do caso; por isso, este tipo de</p><p>restauração (lente de contato) tem de</p><p>ter indicações específicas.</p><p>Figura 20</p><p>Vista das lâminas ajustadas no</p><p>modelo sólido (para ajustes de</p><p>contatos proximais).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 211</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Imagens Laboratoriais e Texto - Alexandre Santos</p><p>Figura 21</p><p>Harmonia dos centrais em</p><p>posição.</p><p>Figura 22</p><p>Formato conforme o</p><p>planejamento inicial.</p><p>212 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo</p><p>8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>ResUmO</p><p>Paciente MACD apresentou-se à equipe restauradora</p><p>demonstrando insatisfação em relação ao seu sorriso. A</p><p>mesma paciente não sabia pormenorizar sua queixa, dizen-</p><p>do que nunca se sentiu à vontade para sorrir, o que pode</p><p>ser observado em suas fotografias antigas. Nunca apre-</p><p>sentava exposição de seus dentes no sorriso e, por esse</p><p>motivo, no passado procurou tratamento ortodôntico em</p><p>busca de uma solução. O problema persistiu após o trata-</p><p>mento e sua procura por profissionais da estética a deixou</p><p>mais frustada, uma vez que os profissionais se negavam a</p><p>intervir em dentes completamente saudáveis e alinhados,</p><p>atribuindo sua queixa a problemas psicológicos.</p><p>Em um primeiro momento uma consultoria de Visagis-</p><p>mo foi realizada, procurando conhecer melhor as carac-</p><p>terísticas psicocomportamentais da paciente, assim como</p><p>confecção de modelos de estudo e protocolo fotográfico.</p><p>Num segundo momento foi explicado à paciente o que</p><p>seu sorriso expressava visualmente: características de</p><p>força, estabilidade, agressividade, determinação etc, ex-</p><p>pressas pelos incisivos retangulares posicionados com sua</p><p>vestibular totalmente voltada para anterior, plano incisal</p><p>reto e caninos volumosos, o que não condizia com as ca-</p><p>racterísticas pessoais autênticas demonstradas na con-</p><p>sultoria, como meiguice, delicadeza, dinamismo na ação e</p><p>Caso 3</p><p>comportamento	discreto	e	reservado.	Foi	proposta	então</p><p>uma mudança do plano incisal de reto para ascendente,</p><p>giroversão de laterais, projetando sua mesial para anterior</p><p>e sua distal discretamente para posterior, assim como a</p><p>redução visual dos caninos e inclinação de seus eixos para</p><p>medial, com o objetivo de suavizar sua imagem do sorriso.</p><p>Tais mudanças serviriam para fazer com que o desenho do</p><p>sorriso expressasse características pessoais autênticas e,</p><p>portanto, houvesse um alinhamento entre autoimagem e</p><p>imagem externa. Pela primeira vez ela sentiu que suas quei-</p><p>xas faziam algum sentido e demonstrou grande interesse</p><p>em realizar a intervenção.</p><p>O trabalho foi realizado de maneira minimamente in-</p><p>vasiva em centrais e caninos e em laterais onde haviam</p><p>facetas de resina. Houve uma intervenção um pouco mais</p><p>profunda, para que se removesse todo o material resino-</p><p>so e o substituisse por cerâmicas. A paciente manifestou,</p><p>ainda, que gostaria que seu novo sorriso soasse o mais</p><p>natural possível, o que indicaria à equipe que as formas</p><p>dentais deveriam ser preservadas, alternado-se apenas a</p><p>retilinidade do plano incisal, a dominância e inclinação verti-</p><p>cal dos caninos, além da retilinidade no posicionamento de</p><p>laterais para que se conseguisse que o desenho do sorriso</p><p>ganhasse a expressão desejada pela paciente.</p><p>O preparo dos dentes foi realizado de maneira mini-</p><p>mamente invasiva segundo técnica proposta, em que se</p><p>realiza preparos sobre mock-up, mas nesse caso há a ne-</p><p>cessidade de desgaste de elementos dentais que terão seu</p><p>volume diminuído, como no caso os caninos, para confec-</p><p>ção correta do mock-up que servirá de referência para a</p><p>execução do trabalho cerâmico.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 213</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 1</p><p>Protocolo fotográfico facial.</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens da face</p><p>- 45 graus.</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>214 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 5</p><p>Imagem intraoral frontal com fundo negro.</p><p>Figuras 4</p><p>Protocolo fotográfico extraoral - frontal.</p><p>a b c d</p><p>Figura 3</p><p>Formato de rosto</p><p>hexagonal de base reta.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 215</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 6</p><p>Análise de eixos dentais.</p><p>Observar que caninos</p><p>e primeiros pré-molares</p><p>apresentam eixos rotacionados</p><p>para lateral numa vista frontal.</p><p>Figura 7</p><p>Desenho digital do sorriso com</p><p>eixos corrigidos para diminuir peso</p><p>visual de caninos e pré-molares</p><p>rotacionando seus eixos para</p><p>medial. Correção do domínio de</p><p>centrais e plano incisal de acordo</p><p>com plano oclusal posterior e</p><p>linha superior do lábio inferior.</p><p>Reproporcionamento dos elementos</p><p>anterossuperiores para diminuir peso</p><p>visual de caninos e obter gradação</p><p>próxima do número áureo.</p><p>Figura 8</p><p>Desenho do sorriso final. Observar</p><p>regiões de desgaste mais intenso em</p><p>caninos para obter melhor proporção</p><p>no segmento anterossuperior e</p><p>acréscimo de volume em incisais</p><p>de incisivos de acordo com</p><p>novo plano incisal estabelecido.</p><p>Acréscimo de volume também</p><p>na vestibular dos pré-molares.</p><p>216 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 9</p><p>Mock-up.</p><p>Figuras 10</p><p>Antes/depois</p><p>mock-up.</p><p>Figuras 11</p><p>Antes/depois - mock-up - face.</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 217</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 12</p><p>Mock-up - face.</p><p>Figuras 13</p><p>Preparo sobre mock-up.</p><p>Figuras 14</p><p>Demarcação.</p><p>a</p><p>a</p><p>a</p><p>b</p><p>b</p><p>b</p><p>c</p><p>c</p><p>c</p><p>218 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 17</p><p>Moldagem com Virtual</p><p>- Ivoclar Vivadent.</p><p>Figuras 16</p><p>Check do espaço para cerâmica - lente de contato.</p><p>a b</p><p>Figuras 15</p><p>Preparos minimamente invasivos.</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 219</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 18</p><p>Lentes de contato.</p><p>Figuras 19</p><p>Sequência laboratorial: (a) Pastilha Opal 1; (b) Verificação de um pequeno espaço para aplicação de efeitos incisais; (c) Wash de OE 2; (d)</p><p>Aplicação de cerâmica para formar as incisais (IBL, OE1 e mamelos light, salmon e yellow-orange); (e) Aplicação das massas de efeito (OE3,OE2 e</p><p>OE1). Sempre respeitando a muralha definida pelo enceramemto; e (f) Caso finalizado.</p><p>a</p><p>d</p><p>b</p><p>e</p><p>c</p><p>f</p><p>220 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 22</p><p>Antes/depois - face. Após a cimentação.</p><p>Figura 20</p><p>Lentes.</p><p>Figura 21</p><p>Antes. Logo</p><p>após cimentação.</p><p>a b</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 221</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 24</p><p>Imagem intraoral pós-cimentação de uma semana.</p><p>Figuras 23</p><p>Antes/depois - sorriso.</p><p>a b</p><p>a b c</p><p>Figuras 25</p><p>Lábios em repouso após uma semana.</p><p>a b c</p><p>222 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 26</p><p>Sorriso após</p><p>uma semana.</p><p>Figuras 27</p><p>Sorriso - vista superior.</p><p>a b</p><p>a</p><p>b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 223</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 28</p><p>Relação lábios/dentes</p><p>- imagem lateral.</p><p>Figuras 29</p><p>Face. Trabalho concluído.</p><p>Material clínico</p><p>Mock-up realizado com Structure-Vocco. O preparo dental</p><p>foi realizado com broca 4141 (KG Sorensen) para lentes de</p><p>contato, seguido de acabamento com broca 4138 f (KG Sorensen)</p><p>e discos de polimento (Shofu). Utilizou-se fios retratores 0 e 00</p><p>(Ultrapack). A moldagem foi realizada com Virtual (Ivoclar Vivadent).</p><p>A cimentação foi realizada com cimento resinoso transparente</p><p>Variolink II (Ivoclar Vivadent).</p><p>Ceramista - Adriano Schayder</p><p>Consultoria de Visagismo e Protesista - Bráulio Paolucci com</p><p>participação do Dr. Marcelo Calamita.</p><p>Desenho Digital do Sorriso - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Faciais Finais - Edson Inácio (Casa da Foto, Barbacena/MG)</p><p>Fotografias Laboratoriais - Adriano Schayder</p><p>Maquiagem - Heloísa Lima (Stúdio Liz, Barbacena/MG)</p><p>a b</p><p>a b</p><p>224 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Caso 4</p><p>ResUmO</p><p>Paciente BRC chegou à clínica reabilitadora apresentado</p><p>deficiência papilar na região correspondente ao elemento</p><p>21 implantado, após várias cirurgias periodontais recons-</p><p>trutivas fracassadas. A perda da crista óssea interproximal</p><p>deixa um</p><p>do belo, por ser</p><p>este de caráter universal e ainda por considerar que às rea-</p><p>bilitações orais estéticas não cabem modismos e diferenças</p><p>culturais como orientação, pois nesses casos, o que é belo</p><p>hoje pode não ser considerado amanhã e não é de bom-</p><p>senso ficar trocando trabalhos odontológicos de tempos</p><p>em tempos para estar de acordo com padrões fugazes.</p><p>O conceito clássico de beleza tem sua origem na Grécia an-</p><p>tiga, a partir de debates filosóficos e considerações matemáti-</p><p>cas. Para Platão, beleza é medida, simetria e virtude em todo</p><p>mundo. Segundo ele, essa mistura raramente é encontrada</p><p>no ser humano, de tal forma que esse deve “buscá-la e louvá-la”</p><p>pois “a feiúra e a discórdia são aliados das palavras e da natu-</p><p>reza doentes” (Platão, A República, livro III)2. Santo Agostinho</p><p>considerava beleza como um atributo divino, como a bondade</p><p>e a verdade. Já James Joyce acreditava que o belo se mani-</p><p>festava de acordo com três requisitos: integridade, harmonia</p><p>e resplendor, ou seja, para ser belo um objeto precisa ser ínte-</p><p>gro ou completo em si, ser proporcionado dentro das regras</p><p>de harmonia e estética e irradiar uma essência verdadeira e</p><p>boa ou qualidade. Portanto, de maneira geral, para os filósofos,</p><p>o belo está relacionado a uma verdade ou uma essência indivi-</p><p>dual ou, ainda, autenticidade e está pautado nas regras de har-</p><p>monia e estética. Segundo o conceito grego de beleza, o belo</p><p>se mostra também através de harmonia e proporção entre</p><p>as partes, como simetria entre lado direito e esquerdo, além</p><p>de partes que se relacionam através da razão áurea. Há uma</p><p>fórmula matemática para decifrar rostos perfeitos esclarecida</p><p>por Pitágoras desde a Grécia antiga. Para ele, a proporção da</p><p>largura da boca para a largura do nariz deveria ser 1/1,680.</p><p>A mesma deveria se aplicar entre a proporção da largura da</p><p>face para a largura da boca. Na verdade para esse autor, as</p><p>diversas partes da face se relacionam entre si através do nú-</p><p>mero áureo, o que torna o conjunto altamente equilibrado e</p><p>agradável ao olhar. Grandes artistas do renascimento usaram</p><p>esse conceito de beleza grega para cria obras que desperta-</p><p>vam grande interesse ao cérebro observador. leonardo da</p><p>Vinci foi um dos grandes estudiosos do conceito e o aplicou</p><p>em muitas de suas obras como numa de suas principais, o</p><p>homem vitruviano. Michelângelo também o utilizou para criar</p><p>uma de suas obras primas, Davi, que até hoje é tido como uma</p><p>das principais manifestações da beleza masculina.</p><p>Nos tempos modernos a biologia tem contribuído para a</p><p>compreensão dos motivos naturais para a beleza. A razão</p><p>da existência de um padrão de beleza universal estaria na</p><p>própria evolução da espécie. O que é belo atrai o sexo opos-</p><p>to e propicia a perpetuação da espécie.</p><p>Charles Darwin3 (abaixo), o “pai” da teoria da evolução,</p><p>era fascinado por rostos. Estudou centenas de faces hu-</p><p>manas de todas as partes do mundo. Ele acreditava que</p><p>as expressões, da mesma forma que muitos outros com-</p><p>portamentos atuais, refletem padrões primitivos fixados</p><p>em nossos cérebros e rostos. A teoria da beleza que se</p><p>pode extrair dessas raízes profundas é bem pouco românti-</p><p>ca: as encantadoras linhas harmônicas da face e do corpo</p><p>humano são mais uma resposta encontrada pela evolução</p><p>para problemas específicos da perpetuação da espécie.</p><p>Basta examinar a representação artística da beleza femi-</p><p>nina, das Deusas da fertilidade pré-históricas às estrelas</p><p>de Hollywood, para se observar atributos como seios fartos</p><p>e quadris largos. Isso demonstra como certas caracterís-</p><p>ticas físicas são apreciadas ao longo de várias épocas e</p><p>culturas. Geralmente são características que favorecem a</p><p>geração e o desenvolvimento da prole.</p><p>As espécies atuais são descendentes daquelas, que ao</p><p>longo da evolução, se mostraram mais aptas a sobreviver e</p><p>reproduzir. O pré-requisito para espécies heterossexuadas</p><p>1 Eco h. história da beleza. Record; 2004.</p><p>2 Composta entre 380 e 370 a.C A República (Politéia) é considerada</p><p>a obra mais importante do filósofo. Nela ele descreve o que seria</p><p>uma sociedade ideal.</p><p>3 Darwin C. A Origem das espécies (1859). Martin Claret; 2004.</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>/</p><p>Ilu</p><p>str</p><p>aç</p><p>õe</p><p>s:</p><p>E</p><p>de</p><p>r M</p><p>ax</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 17</p><p>se reproduzirem é que haja atração entre os sexos opostos</p><p>e, para isso, sinais visuais que indiquem boa saúde física e</p><p>genética são bons estimulantes sexuais, pois demonstram</p><p>boa chance de sucesso da prole e consequente propagação</p><p>genética. Por esse motivo indivíduos que apresentam pele</p><p>sedosa são mais atraentes que aqueles que apresentam</p><p>pele oleosa e cheia de espinhas e acnes. Peles sedosas são</p><p>sinais visuais de boa imunidade, o que impede a instalação e</p><p>propagação de parasitas.</p><p>Na face, determinadas características são inconsciente-</p><p>mente apreciadas pelo sexo oposto. Enquanto nas mulheres</p><p>traços delicados como rosto oval, mandíbulas e narizes pouco</p><p>evidentes e lábios carnudos atraem por atestarem jovialidade</p><p>e fertilidade, nos homens rostos bem definidos com projeção</p><p>do mento, zigomáticos proeminentes, sobrancelhas grossas e</p><p>dentes fortes atestam bons níveis de testosterona, hormônio</p><p>ligado a masculinidade, agressividade e vigor físico.</p><p>Atualmente o debate profundo sobre beleza tem perdido</p><p>espaço para o enfoque em um dos seus aspectos fundamen-</p><p>tais, a estética. A palavra estética tem sua origem no grego</p><p>(aisthesis = princípios da observação). Sabemos que a apre-</p><p>ciação e admiração humana pelo belo é uma característica</p><p>inata proveniente de uma parte da nossa mente chamada cé-</p><p>rebro ancestral. Essa parte da mente é como uma “platafor-</p><p>ma básica” que todos os homo sapiens compartilham e nela</p><p>estão gravadas muitas informações importantes relaciona-</p><p>das à sobrevivência e reprodução da espécie, num processo</p><p>que se estende por milhares de anos, fortemente influenciado</p><p>pela seleção natural. Somos programados pela natureza para</p><p>identificar e desejar coisas belas de maneira inconsciente e</p><p>independente da nossa vontade ou capacidade cognitiva.</p><p>Mais observado será um objeto, e nisso se inclui o sorri-</p><p>so, quanto mais interessante ou atraente for ao sistema visual</p><p>composto por olhos, nervos e cérebro. E como demonstrado</p><p>por diversos estudos, nosso cérebro, principal órgão de per-</p><p>cepção visual, é capaz de fazer uma leitura rápida de um objeto</p><p>e calcular inconscientemente suas dimensões, as proporções</p><p>entre suas partes e a harmonia entre seus elementos cons-</p><p>tituintes. Esse órgão tem em sua plataforma ancestral certa</p><p>programação para identificar quando a matemática do conjun-</p><p>to é interessante ou não e dessa forma desejar ou refutar o ob-</p><p>jeto de maneira inconsciente. A essa matemática ou conjunto</p><p>de regras de harmonia visual, chama-se estética. Portanto, um</p><p>objeto será estético quando estiver, em sua constituição visual,</p><p>de acordo com esse conjunto de regras e leis matemáticas, e</p><p>despertará no cérebro do observador grande interesse. No</p><p>entanto, a beleza vai além disso, como disse Hegel: “a beleza,</p><p>como substância da imaginação e da percepção, não pode ser</p><p>uma ciência exata”. Estética, portanto, é um dos elementos da</p><p>beleza, pois estar matematicamente bem proporcionado gera</p><p>bem-estar e desejo ao cérebro observador. Porém, isso não</p><p>basta para ser considerado belo, pois outros elementos, como</p><p>autenticidade, conteúdo e integridade devem fazer parte des-</p><p>sa composição para irradiar beleza.</p><p>O termo estética, especialmente na Odontologia, se trans-</p><p>formou em lugar comum, onde a maioria dos profissionais de-</p><p>senvolve suas carreiras, estudos e estratégias de marketing.</p><p>Haja vista o grande número de cursos de estética e de produ-</p><p>tos e serviços com essa denominação. A estética é colocada</p><p>como o mais importante ou mais interessante numa profissão</p><p>em que aspectos funcionais e psicológicos têm sido</p><p>quadro clínico de difícil resolução com manipulação</p><p>de tecidos moles. Os elementos 11 e 22 apresentavam as-</p><p>pectos antiestéticos em restaurações de resina composta</p><p>antigas com coloração alterada. Apresentava-se discreto em</p><p>sua comunicação, chegando a demonstrar comportamento</p><p>reservado ou timidez. Sua queixa principal era a vergonha de</p><p>sorrir pelo defeito antiestético, o que comprometia seus re-</p><p>lacionamentos	sociais	e	pessoais.	Foi	realizado	enceramento</p><p>diagnóstico e confeccionado provisório imediato para verifi-</p><p>cação da dimensão da falta de papilas. Realizou-se análise</p><p>de linhas médias dental e facial percebendo não haver dis-</p><p>crepâncias entre as mesmas. A exposição dental com lábios</p><p>em repouso apresentou-se satisfatória com os provisórios.</p><p>Foi	proposto	tratamento	com	coroa	cerâmica	no	elemento</p><p>21 com gengiva artificial e facetas cerâmicas nos elementos</p><p>22 e 11. A restauração dos centrais foi condicionada pela</p><p>situação oral pré-operatória, tal como o espaço disponível e a</p><p>deficiência papilar, indicando dentes retangulares para uma</p><p>melhor solução desse problema. Na consultoria o paciente</p><p>demonstrou interesse em manifestar no desenho de seu</p><p>sorriso qualidades autênticas como tranquilidade no compor-</p><p>tamento e tendência inata para dons musicais (característi-</p><p>cas artísticas). O desenho das bordas incisais foi configurado</p><p>como curvo para expressar tais características pessoais. O</p><p>desenho digital do sorriso indicou qual seria o posicionamen-</p><p>to ideal das pontas das papilas perdidas, pela observação do</p><p>alinhamento das papilas originais adjacentes (linha de união</p><p>das papilas gengivais).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 225</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a b c</p><p>Figuras 1</p><p>Situação pré-operatória demonstrando grande perda de papilas mesial e distal no elemento 21.</p><p>Observar: presença de múltiplas cicatrizes após várias tentativas cirúrgicas para solução do problema.</p><p>Figuras 2</p><p>Imagens extraorais - pré-operatório.</p><p>a b c</p><p>226 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 3</p><p>Eixos de referências faciais horizontais e verticais.</p><p>Figuras 4</p><p>Imagens extraorais: (a)</p><p>Lábios em repouso e</p><p>exposição dental e (b)</p><p>Sorriso autêntico com</p><p>grande exposições</p><p>dental e gengival.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 227</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a b</p><p>Figuras 5</p><p>Situação intraoral com provisório imediato.</p><p>Figura 6</p><p>Avaliação da linha média dental em relação à linha média facial. Não coincidentes, mas paralelas.</p><p>228 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 7</p><p>Avaliação do plano incisal e posicionamento ideal dos zênites.</p><p>Figuras 8</p><p>Avaliação da perda gengival na região do elemento 21. (a) Posição ideal dos zênites gengivais e (b) Simulação de contorno cervical e ameias gengivais.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 229</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 9</p><p>Avaliação das formas dentais resultantes condicionadas pelo contorno cervical e papilas gengivais imaginárias.</p><p>Figura 10</p><p>Correção do comprimento dental de acordo com o plano incisal sugerido pelos dentes posteriores.</p><p>230 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 11</p><p>Preparos dentais para facetas cerâmicas.</p><p>Figura 12</p><p>Simulação de formas dentais previamente planejadas sobre preparos e implante.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 231</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 13</p><p>Relação entre formas dentais planejadas em computador com preparos.</p><p>Figuras 14</p><p>Definição das bordas incisais como medida de personalização: (a) Retas, (b) Curvas e (c) Inclinadas.</p><p>a b c</p><p>232 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 15</p><p>Avaliação da perda de estrutura de suporte vestibular (perda horizontal).</p><p>Figuras 16</p><p>Imagens dos preparos para faceta e sua relação com o arco antagonista.</p><p>a b c</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 233</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 17</p><p>(a) Vista intraoral dos preparos sobre fundo negro e (b) Enceramento diagnóstico dentogengival</p><p>e muralhas de silicone que irão guiar todas as fases do trabalho.</p><p>a1 a2 a3</p><p>b1</p><p>b3 b4</p><p>b2</p><p>234 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a</p><p>e f g</p><p>b c d</p><p>Figuras 18</p><p>Modelos de trabalho com as muralhas de silicone. Note as perdas severas de gengiva em relação</p><p>a posição correta do dente 21 nas Figuras a, d e f.</p><p>Figuras 19</p><p>Confecção do abutment desconsiderando a incorreta posição da gengiva e dando a anatomia</p><p>correta ao preparo sempre guiado pelas muralhas.</p><p>a b</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 235</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 20</p><p>Abutment em modelo de resina.</p><p>Figuras 21</p><p>Abutment em zircônia (Zirkonzahn).</p><p>a b c d</p><p>a b c d e f</p><p>236 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a b c</p><p>Figuras 22</p><p>Abutment posicionado no modelo. Notar o quanto o seu término está afastado da base da gengiva.</p><p>Figuras 23</p><p>Estrutura sobre o abutment imitando o preparo do elemento 11. Artifício usado para ajudar no controle do valor,</p><p>dado a complexidade do caso 11 faceta e 21 implante (supraestrutura MO 1 e aplicado massas para reproduzir a translucidez do preparo).</p><p>a b c</p><p>d</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 237</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a b</p><p>d</p><p>c</p><p>Figuras 24</p><p>Enceramento realizado sobre o abutment para a prensagem.</p><p>a b</p><p>d</p><p>c</p><p>Figuras 25</p><p>Infraestrutura das facetas cerâmicas. Verificação da adaptação (e-max press LT A2).</p><p>238 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 26</p><p>Enceramento da base para gengiva.</p><p>Figura 27</p><p>Abutment com base esculpida pronto para injetar.</p><p>a b c d e</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 239</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 28</p><p>Base da gengiva injetada (Zirpress G3).</p><p>ba</p><p>Figuras 29</p><p>(a) Abutment com base cerâmica e (b) Coping cerâmico sobre abutment e base cerâmica. Verificação da adaptação.</p><p>a b c d e</p><p>240 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 30</p><p>Aplicação da cerâmica para se obter os efeitos incisais desejados (i1, OE1 e mamelos light, salmon e yellow-orange).</p><p>Figura 31</p><p>Primeira prova.</p><p>Figuras 32</p><p>Sequência clínica: (a) Instalação do abutment; (b) Cimentação do coping sobre a o abutment; (c) Primeira prova das facetas;</p><p>e (d) Adaptação das facetas finalizadas previamente à cimentação.</p><p>a b c d</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 241</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figuras 33</p><p>Observe que falta cor, volume e papilas na gengiva. Devido à complexidade deste caso, por ser um único central, ter uma</p><p>linha de sorriso alta e uma cor bem complexa, usaremos a resina de gengiva Anaxgum by Christian Coachman.</p><p>Figuras 34</p><p>(a) Condicionamento</p><p>ácido; (b) Silano;</p><p>(c) Adesivo; e</p><p>(d) Resina Flow.</p><p>a b c</p><p>a b</p><p>a b c d</p><p>Figuras 35a e 35b</p><p>Sequência de aplicação</p><p>da resina gengival</p><p>Anaxgum (Anaxdent).</p><p>242 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>c1</p><p>d</p><p>c2 c3</p><p>Figuras 35c a 35f</p><p>Sequência de aplicação da resina gengival Anaxgum (Anaxdent).</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 243</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>e</p><p>f</p><p>244 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>g</p><p>h</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 245</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação</p><p>clínica do Visagismo</p><p>i</p><p>J</p><p>Figuras 35g a 35j</p><p>Sequência de aplicação da resina gengival Anaxgum (Anaxdent).</p><p>246 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>Figura 35k</p><p>Sequência de aplicação da resina gengival Anaxgum</p><p>(Anaxdent). Remoção da prótese dentogengival para</p><p>acabamento (área de contato interno com a gengiva deve ser</p><p>convexa para proporcionar higienização adequada).</p><p>k</p><p>a1 a2 a3</p><p>Figuras 36a a 36c</p><p>Resultado final.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 247</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>c</p><p>b1 b2</p><p>248 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>a</p><p>Figura 36d</p><p>Resultado final, após dois anos. Houve pequenas fraturas na incisal de centrais, o que exigiu uma reanatomização com discos diamantados.</p><p>Figuras 37a e 37b</p><p>As incisais dos centrais reanatomizadas ficaram menos curvas.</p><p>d</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 249</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>b</p><p>Material Clínico</p><p>Os preparos de central e lateral foram realizados com</p><p>brocas 2135 e 4138 (KG Sorensen) e discos de acabamento</p><p>e polimento (Shofu). O provisório imediato foi confeccionado</p><p>com Structure-Vocco. O implante utilizado foi Neodent 4.1 hexagono</p><p>externo. Resina para gengiva artificial Anaxgum (Anaxdent).</p><p>Cimentação kit Variolink II (Ivoclar Vivadent).</p><p>Consultoria de Visagismo - Bráulio Paolucci</p><p>Desenho Digital do Sorriso - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Clínicas - Bráulio Paolucci</p><p>Fotografias Laboratoriais - Adriano Schayder</p><p>Implantodontista - Angelo Meneghin</p><p>Protesista - Bráulio Paolucci</p><p>Técnico em Prótese Dentária - Adriano Schayder</p><p>250 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 8</p><p>Aplicação clínica do Visagismo</p><p>1. Chiche GJ, Pinault A. A estética em próteses fixas</p><p>anteriores. São Paulo: Quintessence; 1996.</p><p>2.	 Arnett	 GW,	 Bergman	 RT.	 Facial	 keys	 of	 orthodontic</p><p>diagnosis and treatment planning. Part I. Am J Orthod</p><p>Dentofac Orthop 1993;103: 299-312.</p><p>3.	 Fradeani	M.	Esthetic	reabilitation	in	fixed	prosthodontics:</p><p>esthetic	 analysis:	 a	 systematic	 approach	 to	 prosthetic</p><p>treatment. Chicago: Quintessence; 2004.</p><p>4.	 Tarnow	DP,	Magner	 AW,	 Fletcher	 P.	 The	 efect	 of	 the</p><p>distance from the contact point to the crest of bone</p><p>on the presence or absence of the interproximal dent</p><p>papilla. J Periodontol 1992;63:995-6.</p><p>5. Coachman C, Salama M, Garber D, Calamita MA, Salama</p><p>H, Cabral G. Prosthetic gingival reconstruction in a fixed</p><p>partion restoration. Part 1. Introduction to artificial</p><p>gingiva	 as	 an	 alternative	 therapy.	 Int	 J	 Periodontics</p><p>Restorative Dent 2009;29:471-7.</p><p>6. Salama M, Coachman C, Garber D, Calamita MA,</p><p>Salama H, Cabral G. Prosthetic gingival reconstruction</p><p>in the fixed partial restoration. Part 2. Diagnosis and</p><p>treatment plannig. Int J Periodontics Restorative Dent</p><p>2009;29:S73-S81.</p><p>7. Coachman C, Salama M, Garber D, Calamita MA,</p><p>Salama H, Cabral G. Prosthetic Gingival reconstruction</p><p>in the fixed partial restoration. Part 3. Int J Periodontics</p><p>Restorative Dent 2010;30:19-29.</p><p>8. Rosa DM, Souza Neto J. Odontologia estética e a</p><p>prótese fixa dentogengival - Considerações cirúrgicas</p><p>e protéticas - Casos clínicos e laboratoriais: uma</p><p>alternativa entre as soluções estéticas. J Assoc Paul Cir</p><p>Dent 1999;53:291-6.</p><p>9.	 Vig	RG,	Brundo	GC.	The	Kinetics	of	anterior	tooth	display.</p><p>J Prosthet Dent 1972;39:502.</p><p>10. Gurel G. Atlas of porcelain venners. In: Gurel G (ed).</p><p>Science and art of porcelain laminate venners. london:</p><p>Quintessence; 2003. p.231-4.</p><p>11. Kina S, Bruguera A. Invisível-restaurações estéticas</p><p>cerâmicas. Maringá: Dental Press Editora; 2008.</p><p>12. Baratieri l, Monteiro Jr S, Andrada MAC, Vieira lCC,</p><p>Ritter AV, Cardoso AC. Odontologia Restauradora.</p><p>Ed Santos; 2001. p. 619-12.</p><p>Referências</p><p>menos va-</p><p>lorizados. Muitas iatrogenias têm sido cometidas em nome da</p><p>estética e o preço disso ainda não foi precisamente calculado.</p><p>Na prática das odontologias clínica e protética beleza</p><p>tem uma importância muito maior que simplesmente o con-</p><p>tentamento de vaidades pessoais dos pacientes, profissio-</p><p>nais ou uma cosmética superficial.</p><p>Parece que o mundo moderno despertou para o fato de</p><p>que a imagem pessoal está diretamente relacionada com</p><p>a identidade pessoal ou como se é percebido pelos outros.</p><p>É através da imagem que se expressa quem você é para</p><p>o mundo. Valores, crenças e princípios pessoais, origem</p><p>sociocultural, condição de saúde física e mental, profissão,</p><p>nível educacional, origem genética e personalidade, são todos</p><p>elementos da identidade pessoal revelados na imagem. Por</p><p>isso tanta importância se tem dado a ela, e como é importante</p><p>que a imagem seja percebida e desejada pelos outros, ela pre-</p><p>cisa ser estética.</p><p>No entanto, além da estética os demais elementos expres-</p><p>sados na imagem devem ser levados em consideração na cria-</p><p>ção ou adequação da imagem pessoal, inclusive na do sorriso.</p><p>Essa é a proposta desse trabalho: convocar os profissionais da</p><p>Odontologia a pesquisarem a expressão do sorriso e proporem</p><p>a seus pacientes, trabalhos que, além de estéticos, sejam inti-</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética</p><p>18 • VIsagIsmo - a arte de personalIzar o desenho do sorrIso</p><p>mamente relacionados com aquilo que possa torná-los belos:</p><p>sua originalidade, autenticidade e individualidade. E, ainda, des-</p><p>pertar no leitor o prazer de trabalhar com criatividade, intuição</p><p>e conhecimento na escolha de formas dentais e desenho do sor-</p><p>riso e dar um passo além na sua prática diária, trabalhar com o</p><p>conceito de “beleza do sorriso”, por considerar que esse concei-</p><p>to vai além da estética e engloba elementos que fundamentam</p><p>a existência humana.</p><p>A palavra visagisme surgiu na França originária do termo</p><p>visage que significa rosto, mas apesar disso ainda não havia</p><p>um conceito bem definido sobre essa arte até que o artista</p><p>plástico Philip Hallawell, em 2003, lançou seu livro Visagismo,</p><p>Harmonia e Estética, em que estabelecia o que seria a cria-</p><p>ção ou adequação da imagem pessoal segundo característi-</p><p>cas pessoais autênticas. Abria-se aí uma nova possibilidade</p><p>de intervenção visual totalmente alinhada com as tendências</p><p>contemporâneas do comportamento humano, que nesse sé-</p><p>culo, mais que nunca, busca autoconhecimento e expressão</p><p>individual. A personalização é a palavra de ordem em um mer-</p><p>cado cada vez mais globalizado.</p><p>O Visagismo espera fazer a ponte entre o que o consumi-</p><p>dor quer ou espera do tratamento e a tradução dessa vontade</p><p>num desenho de sorriso que a expresse visualmente através</p><p>das formas e linhas adequadas. Para isso é fundamental domi-</p><p>nar o método de consultoria desenvolvido pelo artista plástico</p><p>Philip Hallawell, que permite ao profissional conhecer melhor</p><p>seus pacientes no âmbito psicológico, com suas particularida-</p><p>des, necessidades e desejos, e poder orientá-los quanto às pos-</p><p>sibilidades de expressão visual em seus casos e então definir</p><p>juntamente com eles o que será criado em termos de desenho</p><p>de sorriso. Dessa maneira os pacientes passam a coautores</p><p>do trabalho, o que certamente diminuirá as insatisfações finais</p><p>tanto de profissionais quanto de pacientes.</p><p>Esta obra será dividida em dois volumes, sendo o pri-</p><p>meiro dedicado à apresentação do conceito de Visagismo,</p><p>à análise dos elementos básicos de expressão visual com</p><p>suas conotações psicológicas, ao estudo da relação entre</p><p>imagem e identidade pessoal, do método Philip Hallawell</p><p>de consultoria como o fator primeiro na elaboração de um</p><p>planejamento estético por esclarecer aos profissionais e pa-</p><p>cientes o caminho expressivo a ser seguido, bem como o</p><p>estudo dos elementos ou unidades orais, suas variações, ex-</p><p>pressões psicovisuais, e sua aplicação nos delicados casos</p><p>de estética dental. Neste primeiro volume será apresentada</p><p>também uma abordagem distinta no planejamento estético</p><p>de casos, o planejamento digital do sorriso proposto por</p><p>Christian Coachman.</p><p>Os casos clínicos apresentados aqui foram realizados pelo</p><p>autor, como clínico, e em colaboração com outros cirurgiões-</p><p>dentistas como consultor, onde o autor entrevistou os pacien-</p><p>tes e definiu para a equipe operatória o desenho de sorriso a</p><p>ser executado.</p><p>O segundo volume será dedicado às reabilitações mais</p><p>complexas, quando a equipe se verá diante da grande respon-</p><p>sabilidade da composição psicodentofacial. Neste volume se-</p><p>rão explorados, a consultoria visagista como referência para</p><p>a correta escolha e montagem de dentes e demais elementos</p><p>da configuração do desenho do sorriso em casos onde se tem</p><p>menos referências orais e mais liberdade de criação como em</p><p>edentados totais, além da abordagem dos fundamentos fun-</p><p>cionais e apresentação da aplicação clínica dos fundamentos</p><p>da composição psicodentofacial como estrutura, perspectiva,</p><p>proporção, concepção de forma e volume, cor e textura, peso e</p><p>leveza, como requisito para se alcançar resultados excelentes</p><p>e personalizados.</p><p>Hoje frente ao grande desenvolvimento da Odontologia,</p><p>cabe mais pensar “no que fazer” em um caso clínico e nem</p><p>tanto no “como fazer”, haja vista o grau de excelência técnica</p><p>alcançado pelos profissionais, instrumentais e materiais dentá-</p><p>rios. Só se saberá o que fazer quando o ser humano por trás</p><p>daquela boca a ser tratada for capaz de dizer quem ele é e o</p><p>que espera do tratamento, e a filosofia de trabalho apresenta-</p><p>da neste livro presta-se a facilitar a obtenção dessa resposta,</p><p>bem como orientar a equipe operatória na tradução dela em</p><p>desenho do sorriso. A Odontologia, assim como outras pro-</p><p>fissões, está engajada em oferecer às pessoas, tratamentos</p><p>cada vez mais humanizados e personalizados.</p><p>Introdução</p><p>Visagismo, beleza e estética</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: i</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>1.1 Conceito</p><p>O conceito de que o sorriso de uma pessoa expressa sua</p><p>personalidade é algo com que se trabalha na Odontologia há</p><p>muito tempo. Muitas pesquisas e teorias a esse respeito fo-</p><p>ram desenvolvidas ao longo da história da Odontologia. No</p><p>entanto, por falta de um método objetivo e científico para a</p><p>aplicação dessas teorias, os odontólogos, que trabalham com</p><p>a estética do sorriso, dependem da intuição para obter resul-</p><p>tados satisfatórios.</p><p>Até a publicação dos livros Visagismo: harmonia e estética1</p><p>e Visagismo: Identidade, estilo e beleza2, o Visagismo era consi-</p><p>derado somente uma técnica para harmonizar o corte de cabe-</p><p>lo e a maquiagem com o formato do rosto e o tom e a “imagem</p><p>interior” que a pessoa tem de si mesma. essa imagem interior é</p><p>muito mais um conjunto de sensações, emoções e fragmentos</p><p>de imagens indefinidas e vagas, do que uma imagem concreta e</p><p>completa. Quando se pensa na imagem pessoal nesses termos</p><p>percebe-se que é mais importante se importar com o que a</p><p>imagem expressa do que com questões estéticas, embora es-</p><p>sas também sejam importantes. há poucas coisas mais precio-</p><p>sas para uma pessoa do que seu senso de identidade e, como</p><p>diz a psicóloga Maria Rita Kehl, o rosto é a sede da identidade3.</p><p>Partindo desse princípio, o conceito de Visagismo es-</p><p>tabelecido nos livros mencionados acima é a arte de criar</p><p>uma imagem pessoal customizada, que expressa a perso-</p><p>nalidade e o estilo de vida, com harmonia e estética. essa</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 21</p><p>Philip hallawell</p><p>1hallawell P. Visagismo: harmonia e estética: Senac; 2003.</p><p>2hallawell P. Visagismo: identidade, estilo e beleza.</p><p>São Paulo: Senac; 2010.</p><p>3Kehl MR. O espelho partido. Folha de São Paulo. 2005 Dez 11.</p><p>conceito de</p><p>Visagismo e</p><p>seu método</p><p>arte é constituída de duas fases: na primeira, o profissional,</p><p>por meio de uma consultoria, ajuda o cliente a decidir o que</p><p>deseja</p><p>expressar através de sua imagem e, na segunda, uti-</p><p>liza sua técnica, sensibilidade e domínio dos elementos que</p><p>compõem a linguagem visual para transformar a intenção</p><p>numa imagem com harmonia e estética.</p><p>No Visagismo trabalha-se com a conceituação de arte</p><p>proposta por James Joyce4 em Retrato do Artista quando</p><p>Jovem. Neste Livro o escritor faz uma distinção entre o que</p><p>seria arte pura e arte impura. Para ele, arte pura revela</p><p>algo que é verdadeiro, com harmonia e estética, enquanto a</p><p>arte impura se preocupa apenas com a aparência estética,</p><p>em ser agradável e em ter qualidade artesanal. esse tipo de</p><p>arte se baseia em regras e formas e, por isso, é acadêmica</p><p>e opaca, não revelando nada. O Visagismo é um conceito</p><p>baseado na arte pura, que busca oferecer os meios para</p><p>criá-la com constância e consciência.</p><p>1.2 O método Philip Hallawell</p><p>Foi necessário criar um método, baseado nesse conceito,</p><p>para exercer essa arte. O resultado foi um método interdiscipli-</p><p>nar, em que os princípios da linguagem visual são associados a</p><p>trabalhos, teorias e pesquisas das áreas da psicologia, da cog-</p><p>nição, da neurociência e da antropologia.</p><p>No livro O homem e seus Símbolos5, Carl Jung mostra que</p><p>há certos símbolos que sempre foram utilizados com o mesmo</p><p>significado em todas as culturas e em todos os tempos. esses</p><p>símbolos também formam a linguagem dos sonhos. Chamou-</p><p>os de símbolos arquetípicos (ver Capítulo Alfabetização Visual).</p><p>Os símbolos mais simples são os formatos geométricos que,</p><p>inclusive, podem ser utilizados como símbolos ao estruturar a</p><p>composição de um quadro. Na Renascença, os grandes mes-</p><p>tres incorporavam formatos geométricos às suas composi-</p><p>ções, mas baseando-se em conhecimentos esotéricos. Não é</p><p>de estranhar que os significados da simbologia esotérica sejam</p><p>os mesmos da simbologia arquetípica.</p><p>A Ressurreição, Rafael Sanzio.</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>22 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>4James J. Retrato do artista quando jovem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1998. 5Jung CG. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1996.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: i</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>No estudo da composição, no entanto, aprende-se que</p><p>toda composição é estruturada por formas geométricas.</p><p>Pode ser uma única, como o círculo, usado por Michelangelo</p><p>no afresco O Julgamento Final, da Capela Sistina em Roma, ou</p><p>uma combinação de formas, como Rafael Sanzio compôs A</p><p>Ressurreição, quadro pertencente à coleção do Masp em São</p><p>Paulo. Isso significa que toda imagem contém um símbolo ar-</p><p>quetípico na sua estrutura, seja intencionalmente ou não. Isso</p><p>se aplica a todas as imagens criadas pelo homem: pinturas,</p><p>fotografias, arquitetura e imagem pessoal. Aplica-se, também,</p><p>às imagens naturais, como o rosto. Os formatos do rosto, das</p><p>feições e dos dentes são todos símbolos arquetípicos, com</p><p>significados predeterminados.</p><p>Carl Jung só falou sobre os formatos geométricos, mas</p><p>as linhas que compõem esses formatos também devem ser</p><p>consideradas símbolos arquetípicos. As linhas encontradas nas</p><p>imagens interagem com as formas geométricas e transmitem</p><p>significados diversos e até complexos. Saber ler o significado</p><p>das linhas e das formas permite entender o que o rosto e suas</p><p>partes dizem da pessoa e de seu temperamento, e o que a ima-</p><p>gem, como um todo, e nas suas partes, expressa.</p><p>Como o cérebro processa os símbolos arquetípicos e como</p><p>entende seus significados ainda não é bem compreendido. Carl</p><p>Jung teorizou que os símbolos faziam parte do subconsciente e</p><p>do inconsciente coletivo. Mas isso não explica como o cérebro</p><p>os reconhece.</p><p>O trabalho de Joseph LeDoux6, neurobiólogo e especialista</p><p>em cognição, na Universidade de Nova YorK, eUA, começa a</p><p>elucidar esse enigma. há mais de dez anos ele pesquisa como</p><p>as emoções são criadas. Descobriu, primeiro, que a formação</p><p>de emoções não envolve o córtex. O tálamo reconhece os ele-</p><p>mentos ou “gatilhos”, que estimulam os diversos sistemas, re-</p><p>lacionados às diferentes emoções, que atuam dentro da área</p><p>límbica. Não há um único sistema, um suposto sistema límbico,</p><p>responsável pela formação das emoções, como se pensava</p><p>antes. Quando estimulados esses sistemas geram elementos</p><p>químicos e hormônios que produzem reações físicas e, em se-</p><p>guida, as emoções são formadas, ao mesmo tempo em que</p><p>memórias relacionadas à emoção são recuperadas.</p><p>Fazendo a associação entre os símbolos arquetípicos de</p><p>Jung e o trabalho de LeDoux ficou claro que os arquétipos são</p><p>importantes gatilhos desses sistemas. Isso significa que são</p><p>compreendidos emocionalmente e não racionalmente. O sím-</p><p>bolo arquetípico, portanto, age sobre o emocional da pessoa. É</p><p>um processo que não envolve o racional. embora um símbolo</p><p>arquetípico tenha um significado universal e comum a todos</p><p>e, portanto, sempre ative determinada emoção, a reação a</p><p>essa emoção será sempre individual, porque é associada às</p><p>memórias que a pessoa guardou, quando experimentou emo-</p><p>ções semelhantes. O mesmo símbolo arquetípico, contido na</p><p>mesma imagem, que diversas pessoas observam, pode, por-</p><p>tanto, provocar diferentes reações: desde uma leve sensação</p><p>até violentas emoções.</p><p>Que a imagem provoca reações emocionais, antes que seja</p><p>compreendida racionalmente, é algo que muitos estudiosos da</p><p>imagem e da linguagem visual observaram, desde que a per-</p><p>cepção visual e a cognição começaram a ser estudadas no</p><p>início do século 20.</p><p>O artista plástico Wassily Kandinsky7 notou que toda ima-</p><p>gem produz uma reação emocional antes de ser compreendi-</p><p>da racionalmente e fez importantes observações sobre a na-</p><p>tureza da imagem. No seu livro Ponto, Linha, Plano ele explica</p><p>como é a dinâmica de cada tipo de linha (ver Capítulo Alfabeti-</p><p>zação Visual). Kandinsky, porém, não tinha pesquisas científicas</p><p>em que pudesse apoiar suas teorias, mas tinha um profundo</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 23</p><p>6 LeDoux J. O cérebro emocional. Rio de Janeiro: Objetiva; 1998.</p><p>7 Kandinsky Wassily (1866-1944), artista, teórico e autor russo.</p><p>Kandinsky W. Ponto, linha, plano (ed. 70; 2006) e “Do espiritual na</p><p>arte” (Martins Fontes; 2000).</p><p>conhecimento da linguagem visual e seu uso. Nessa época, as</p><p>primeiras teorias de psicologia foram criadas, como a Gestalt,</p><p>mas ainda não havia técnicas para estudar o funcionamento do</p><p>cérebro, como a ressonância magnética.</p><p>A associação dos princípios da linguagem visual com a</p><p>teoria de Jung, dos símbolos arquetípicos, e com as pes-</p><p>quisas de LeDoux sobre o cérebro emocional permitem</p><p>compreender melhor como imagens são percebidas e pro-</p><p>cessadas. entender que o cérebro reage primeiro, instanta-</p><p>neamente, aos símbolos arquetípicos contidos na imagem</p><p>– linhas e formas em particular – e que estes estimulam os</p><p>sistemas que produzem as emoções, antes que se possa</p><p>pensar racionalmente a respeito disso, é fundamental para</p><p>quem trabalha com ela. Implica que toda imagem contém,</p><p>na sua estrutura, uma mensagem subliminar, contida nos</p><p>símbolos arquetípicos que a estruturam.</p><p>Para o profissional da Odontologia, isso tem uma impor-</p><p>tância maior, porque implica que a imagem pessoal, que ele</p><p>cria, afeta emocionalmente o próprio cliente e as pessoas com</p><p>quem ele se relaciona, influenciando sua autoestima, seu esta-</p><p>do emocional e psicológico e seu comportamento. Acima de</p><p>tudo, explica por que a imagem pessoal estabelece a identidade</p><p>e por que é tão importante que haja o encontro entre as ima-</p><p>gens exterior e interior. De fato, pode-se afirmar que esse é um</p><p>encontro de emoções. Se houver sintonia de emoções será al-</p><p>tamente salutar emocional e psicologicamente. Por outro lado,</p><p>conflitos podem provocar consequências muito graves.</p><p>Segue que se pode ler o temperamento de uma pessoa</p><p>ao analisar o formato do rosto e as características de cada</p><p>área da face, porque</p><p>esses elementos são símbolos arque-</p><p>típicos que se relacionam e revelam seu temperamento.</p><p>Por exemplo: o retângulo exprime força, determinação e</p><p>certa imobilidade; portanto, uma pessoa com o formato</p><p>de rosto retangular expressa essas características. Se ela</p><p>não fosse assim, cada vez que se olhasse no espelho as</p><p>emoções geradas pelo formato do seu rosto entrariam em</p><p>conflito com seu senso de si mesma. evidentemente isso</p><p>pode acontecer se a pessoa sofrer algum tipo de repres-</p><p>são, mas seria considerado um transtorno ou desvio de</p><p>personalidade. Para completar o método, ainda foi neces-</p><p>sário adotar um sistema de classificação dos temperamen-</p><p>tos e um procedimento para estimular a reflexão do cliente,</p><p>que o ajudasse a definir o que gostaria de expressar atra-</p><p>vés de sua imagem, a consultoria (ver Capítulo Consultoria).</p><p>1.3 Visagismo e a evolução</p><p>da criação da imagem pessoal</p><p>A maneira como se trata a imagem pessoal no Ocidente</p><p>é muito diferente de como é tratada por tribos de indígenas,</p><p>índios americanos e africanos, e isso é reflexo dos sistemas</p><p>básicos em que cada cultura é estruturada.</p><p>Tribos são estruturadas em sistemas cooperativos. São</p><p>pequenos núcleos de pessoas, que vivem de acordo com</p><p>determinada filosofia ou religião. Na maioria dessas cultu-</p><p>ras, acredita-se que cada pessoa e sua vida são regidas por</p><p>guias. Os guias dos índios americanos são animais, enquanto</p><p>os dos africanos são o que chamamos de orixás, por exem-</p><p>plo. A individualidade é valorizada, porque cada membro da</p><p>tribo tem uma função e uma posição nessa hierarquia e é</p><p>importante que sejam facilmente identificados: seu guia, sua</p><p>função e sua posição. Por isso, os estilos de cabelos, ma-</p><p>24 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Composição com</p><p>vermelho, amarelo e azul,</p><p>Piet Mondrian (1930).</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: i</p><p>sto</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>quiagens, pinturas no corpo e vestimentas são altamente</p><p>individualizados8. Podemos dizer que o conceito de Visagis-</p><p>mo é parte fundamental de suas culturas. Portanto, embora</p><p>o termo seja novo, a ideia de personalizar ou customizar a</p><p>imagem pessoal é algo muito antigo.</p><p>No Ocidente, somente pessoas com um alto senso de</p><p>estilo, inteligência visual e um forte senso de identidade fo-</p><p>ram capazes de criar um estilo próprio. essas pessoas são</p><p>raras. Sabem o que querem e orientam os profissionais que</p><p>executam o trabalho. Geralmente são pessoas de destaque</p><p>na sociedade, com muita influência ou poder. Todo estilo e</p><p>todas as tendências de moda têm suas origens nos estilos</p><p>pessoais que essas pessoas criaram.</p><p>Um estilo expressa princípios filosóficos, morais e cultu-</p><p>rais e um modo de vida e, quando pessoal, a personalidade</p><p>de uma pessoa. Nas culturas ocidentais e orientais, basea-</p><p>das em sistemas feudais, uma elite da sociedade dominava</p><p>todos os outros membros. A sociedade era formada por um</p><p>grande grupo de pessoas, que dominava a massa, a maioria</p><p>com funções genéricas e todos no mais baixo nível hierárqui-</p><p>co, e uma pequena elite, com enorme poder e que dominava</p><p>a massa. Portanto, a individualização não era valorizada. Por</p><p>isso, só a elite, a classe nobre e a burguesia emergente,</p><p>tinham direito a se expressarem através de um estilo. Ma-</p><p>nifestações de estilo pelo povo eram encontradas somente</p><p>em alguns artefatos, construções e nas vestimentas utiliza-</p><p>das em festivais, que expressavam o caráter de uma nação</p><p>ou de um clã. Os nobres adotavam um estilo padronizado</p><p>que expressava os princípios da nobreza, e que indicava o</p><p>grau de poder do indivíduo pela suntuosidade e riqueza dos</p><p>materiais empregados nas vestimentas. As únicas qualida-</p><p>des individuais que podiam ser mostradas eram a sensibi-</p><p>lidade, o refinamento e o senso artístico, nos cabelos, nas</p><p>maquiagens e nas vestimentas. esse estilo padronizado era</p><p>igual para todos os nobres na europa e nas suas colônias,</p><p>por isso é difícil distinguir um nobre francês de um espanhol.</p><p>O final do século 18 marcou o início da revolução indus-</p><p>trial e o fim da era agrícola, que provocou enormes mudanças</p><p>nas sociedades no mundo todo. Foi caracterizada pela gradual</p><p>mecanização na produção de manufaturados, incentivada por</p><p>sucessivas inovações tecnológicas. Com o desenvolvimento in-</p><p>dustrial em diversas áreas, houve um êxodo do campo e a cria-</p><p>ção de metrópoles. Com início na Inglaterra, aos poucos, todos</p><p>os países europeus foram transferindo sua dependência na</p><p>agricultura para a produção industrial. O mesmo aconteceu</p><p>nos eUA e, eventualmente, no mundo todo. No brasil, esse</p><p>processo só foi intensificado a partir de 1930. esse processo</p><p>teve um profundo impacto social que ainda vivenciamos. Com</p><p>a criação de grandes cidades e a educação de pessoas para</p><p>que tivessem condições de trabalhar nas fábricas, uma classe</p><p>proletária foi criada e a classe média cresceu consideravel-</p><p>mente. Na europa e nos eUA já havia uma pequena classe</p><p>média formada por profissionais liberais, negociantes e ban-</p><p>queiros, principalmente. houve, também, maior distribuição</p><p>de renda. em consequência disso, muitas pessoas ganharam</p><p>condições de se vestir e se produzirem com estilo. A classe</p><p>média queria se diferenciar do proletariado e procurava as-</p><p>censão social, com aspirações a se assemelhar ao nobre. Por</p><p>isso, adotou seu estilo, embora com menos luxo. A indústria</p><p>da moda foi criada e em vez de personalidades como Marie</p><p>Antoinette, ditarem a moda, de uma estação, estilistas surgi-</p><p>ram criando modelos de roupas que pessoas das classes alta</p><p>e média copiavam na europa e outras partes do mundo. Paris</p><p>se tornou o centro desse movimento.</p><p>Por outro lado, a revolução industrial promoveu uma</p><p>crescente consciência social, que resultou no fortalecimen-</p><p>to do socialismo e do advento do sindicalismo, a defesa</p><p>das liberdades individuais e o fim dos privilégios. Depois da</p><p>I Guerra Mundial, a maioria dos intelectuais, poetas, artistas e</p><p>até alguns membros da elite se declaravam socialistas e mate-</p><p>rialistas. Procuravam manifestar essa maneira de pensar na</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 25</p><p>8Lody R. Cabelos de axé. Identidade e resistência.</p><p>Rio de Janeiro: Senac; 2004.</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>26 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>sua aparência. exigiam estilos diferentes dos da classe dominan-</p><p>te, com a qual não se identificavam. A ideia da personalização</p><p>da imagem pessoal também apareceu nessa época, como uma</p><p>forma de valorizar a individualização e combater a crescente</p><p>massificação, que as indústrias incentivavam, a fim de aumen-</p><p>tarem suas vendas.</p><p>Ao longo do século 20, milhões de pessoas ganharam o</p><p>direito de fazer escolhas, por causa do aumento do nível eco-</p><p>nômico, melhor educação, acesso à informação e novas expe-</p><p>riências. A invenção do automóvel, a possibilidade de viajar de</p><p>navio e, depois, de avião e conhecer outros lugares e povos, o</p><p>conhecimento e cultura obtidos por meio de livros, jornais, revis-</p><p>tas, o rádio, a televisão e, agora, pela internet fez com que um</p><p>universo, que até há pouco tempo era restrito a uma minoria,</p><p>fosse disponível a qualquer um. Isso fez com que o conflito entre</p><p>a massificação e a customização fosse se intensificando e ge-</p><p>rou dois problemas: a grande maioria das empresas não sabe</p><p>oferecer escolhas e como customizar seus produtos ou servi-</p><p>ços, e as pessoas não são ensinadas a como fazer escolhas.</p><p>As escolas não empregam sistemas muito diferentes daque-</p><p>les utilizados desde o século 19. Tudo isso pode fazer com que</p><p>nos sintamos incapazes de lidar com as imposições do mundo</p><p>contemporâneo, além de insignificantes diante da grandeza do</p><p>mundo que conhecemos. Não é fácil lidar com a consciência de</p><p>que se é “um” entre bilhões de habitantes deste mundo. Todo</p><p>mundo quer se sentir especial, mas ao</p><p>mesmo tempo quer ser</p><p>aceito e respeitado. Por isso as redes sociais ganham tanta</p><p>força: ao mesmo tempo em que cada um pode expor o que</p><p>pensa e faz, compartilha isso com centenas de pessoas. A ne-</p><p>cessidade de se sentir único também criou a moda de se ta-</p><p>tuar, pois a tatuagem é como uma marca pessoal. Porém, a</p><p>“marca pessoal” deveria ser expressa em todos os aspectos</p><p>da imagem pessoal.</p><p>Já há alguns anos, todas as agências que pesquisam ten-</p><p>dências apontam a customização e a despadronização como</p><p>sendo as principais tendências em todas as áreas. Na área de</p><p>beleza, no entanto, é a massificação que se vê praticada. É essa</p><p>a realidade da maioria dos salões, clínicas e butiques. Rara-</p><p>mente o cliente sabe o que deseja expressar. As imagens</p><p>criadas são geralmente padronizadas.</p><p>Os melhores profissionais das diversas áreas da criação</p><p>da imagem pessoal conseguem algum sucesso em atender</p><p>as necessidades dos seus clientes, mas dependem somente</p><p>da sua intuição, sensibilidade artística e sua capacidade de</p><p>percepção do outro. Nunca dispuseram de um método, ba-</p><p>seado em conhecimentos científicos, para avaliar seu cliente</p><p>ou paciente; e a maioria não teve acesso, nos seus cursos</p><p>de formação, ao ensino formal da linguagem visual, essencial</p><p>para poder transformar um conceito abstrato numa ima-</p><p>gem concreta. Por sua vez, a grande maioria das pessoas</p><p>não tem meios para indicar o que querem ao profissional.</p><p>É importante notar que a análise do comportamento e</p><p>da linguagem corporal pode levar a muitos equívocos. A ima-</p><p>gem da pessoa a afeta emocionalmente e, consequentemen-</p><p>te, seu comportamento, sua postura e seus gestos. Uma</p><p>imagem que não está em sintonia com seu temperamento</p><p>fará com que se comporte de uma maneira inadequada. Se</p><p>o profissional estiver dependendo somente de sua intenção,</p><p>ele estará sendo levado pelas emoções que sente ao ver</p><p>a pessoa e o que as linhas, formas e cores estão transmi-</p><p>tindo. Isso significa que estará reagindo ao que a imagem</p><p>expressa e não ao que a pessoa é. em outras palavras, ele</p><p>vê como a pessoa está e não como ela é. evidentemente,</p><p>isso poderá resultar em conclusões totalmente errôneas.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 27</p><p>Capítulo 1</p><p>Conceito de Visagismo e seu método</p><p>1.4 Visagismo - Philip Hallawell na Odontologia</p><p>A boca e os olhos são as duas áreas que mais transmitem</p><p>informações sobre uma pessoa.</p><p>A boca é o ponto focal do olhar e, imediatamente, pela cap-</p><p>tação dos formatos e das linhas dos lábios e dos dentes, esta-</p><p>belecem as condições das interações humanas, antes que haja</p><p>comunicação verbal.</p><p>A boca tem diversas funções. há a da alimentação e a da</p><p>fala. Os lábios têm conotações sensuais9 e os dentes são asso-</p><p>ciados às presas, elementos de ataque e defesa. A configura-</p><p>ção da boca e dos dentes, especialmente da bateria anterossu-</p><p>perior, indica a capacidade de exercer essas funções e afeta a</p><p>autoconfiança. Para alguém se sentir confiante, a dentição pre-</p><p>cisa ser alinhada, íntegra, sem falhas e sem grandes desgastes.</p><p>Dentes pequenos e sem proeminência prejudicam a capacida-</p><p>de de se impor, e os dentes amarelados e manchados são vis-</p><p>tos como indícios de falta de saúde e de vigor. Nos trabalhos de</p><p>Visagismo - Philip hallawell, realizados ao longo dos últimos oito</p><p>anos, constatou-se que uma pessoa não sustenta uma imagem</p><p>que a destaca, se tiver problemas sérios nos dentes, porque</p><p>não se sente segura para lidar com a exposição a que está su-</p><p>jeita e por que o que os dentes expressam entram em conflito</p><p>com aquilo que o resto da imagem transmite. É muito impor-</p><p>tante, no entanto, estar atento às mudanças na expressão que</p><p>os procedimentos provocam. É mais importante preservar as</p><p>características do temperamento do paciente do que promover</p><p>ganhos estéticos.</p><p>O ortodontista, por exemplo, precisa analisar se, ao alinhar a</p><p>dentição, haverá uma mudança no formato da arcada e se isso</p><p>será prejudicial ao paciente.</p><p>Na Odontologia estética é sempre aconselhável questionar</p><p>se os ganhos estéticos acarretam perdas no senso de identida-</p><p>de ou qualidades de personalidade. em cirurgias ortognáticas é</p><p>importante levar em conta que a área relacionada com a força</p><p>da vontade (mento) será profundamente afetada e que, ao con-</p><p>trário do que se pensa geralmente, nem sempre esse ganho</p><p>estético traz consequências positivas. há um ganho estético</p><p>porque o queixo retraído é associado à fraqueza, à dificuldade</p><p>de se impor. É, portanto, considerado feio. Já o queixo alinhado,</p><p>que expressa força, é visto como sendo bonito. O outro lado</p><p>da força é a agressividade e, quando há um repentino ganho</p><p>de força, muitas pessoas não estão preparadas para lidar com</p><p>isso e podem se tornar agressivas.</p><p>O Visagismo - Philip hallawell permite que se avalie todas</p><p>essas questões e que se estabeleça uma direção clara para</p><p>os procedimentos, promovendo ganhos estéticos, ao mesmo</p><p>tempo em que se cria um sorriso que expressa o melhor da</p><p>personalidade. Isso se aplica tanto aos casos em que a confi-</p><p>guração original é modificada ou aos casos em que o envelhe-</p><p>cimento ou traumatismos exigam uma recuperação parcial ou</p><p>total da dentição.</p><p>O Visagismo é uma arte. É a arte de criar uma imagem pes-</p><p>soal customizada e bela, que faz com que o paciente se sinta</p><p>valorizado, aceito e com poder de atração.</p><p>9 Morris D. O macaco nu.</p><p>Rio de Janeiro: Record; 2004.</p><p>Fo</p><p>to</p><p>: s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>28 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>Alfabetização</p><p>Visual</p><p>2.1. Linguagem</p><p>Numa definição simplória, linguagem significa troca de</p><p>informações, englobando gestos, expressões faciais, cor-</p><p>porais, assobios, posturas, linguagem química, matemáti-</p><p>ca, verbal, escrita etc1. Na perspectiva dos estudiosos da</p><p>linguagem sua delimitação à linguagem verbal e escrita é</p><p>um atributo egoísta do pensamento humano. É incorreto</p><p>afirmar, inclusive, que linguagem seria a troca de informa-</p><p>ções entre indivíduos da mesma espécie, pois a ciência já</p><p>demonstrou a possibilidade de indivíduos de espécies dife-</p><p>rentes se comunicarem2-4 .</p><p>Desde o surgimento da vida na terra, os seres mais</p><p>primitivos necessitavam trocar informações para garantir</p><p>sua sobrevivência e reprodução, e o faziam através da cha-</p><p>mada comunicação química1-3. Animais como insetos, pei-</p><p>xes, anfíbios, aves e mamíferos desenvolveram diferentes</p><p>meios de comunicação, que vão desde a comunicação por</p><p>feromônios, gestos e até linguagem sonora em variadas</p><p>frequências de percepção auditiva que, muitas vezes, esca-</p><p>pam à percepção humana5-6.</p><p>Durante os milhões de anos de evolução dos primatas</p><p>muitas características de comunicação foram surgindo e</p><p>sendo aperfeiçoadas, de modo que as espécies de prima-</p><p>tas existentes nos tempos atuais, apesar de apresentarem</p><p>diferentes formas de comunicação, ainda compartilham es-</p><p>truturas cerebrais mais antigas de processamento de infor-</p><p>mações comunicativas7-11.</p><p>A família dos primatas surgiu na terra a aproximadamen-</p><p>te 70 milhões de anos. Seus descendentes atuais incluem</p><p>desde pequenos até os grandes primatas como orangotan-</p><p>gos, chimpanzés, gorilas, bonobos e, os últimos hominídeos,</p><p>os seres humanos12.</p><p>Entre as formas de linguagem de primatas não huma-</p><p>nos pode-se citar como principais as linguagens sonora,</p><p>gestual ou corporal e as expressões faciais. A comunicação</p><p>através de gestos e expressões faciais são compreendidas</p><p>como linguagem visual primitiva13-16.</p><p>Bráulio Paolucci</p><p>A</p><p>na</p><p>C</p><p>ar</p><p>ol</p><p>in</p><p>a</p><p>Lim</p><p>a</p><p>(a</p><p>tri</p><p>z)</p><p>Im</p><p>ag</p><p>em</p><p>-</p><p>M</p><p>ar</p><p>ce</p><p>la</p><p>B</p><p>ar</p><p>ro</p><p>s</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>Is</p><p>to</p><p>ck</p><p>ph</p><p>ot</p><p>os</p><p>O homo sapiens é o primata mais capaci-</p><p>tado à comunicação por apresentar tanto</p><p>as características comunicativas primitivas</p><p>de seus parentes (linguagem visual primiti-</p><p>va) quanto características exclusivas e mais</p><p>complexas de comunicação, como a fala e a</p><p>escrita. Essas</p><p>duas últimas formas de linguagem</p><p>estão relacionadas ao neocórtex humano, parte externa</p><p>de nossos cérebros responsável pela elaboração de pen-</p><p>samentos e raciocínio17.</p><p>A história da evolução da linguagem em seres humanos</p><p>é paralela à história da evolução do cérebro humano. Por</p><p>milhões de anos o cérebro primitivo foi compartilhado pelos</p><p>grandes primatas e era responsável pela compreensão do</p><p>ambiente à sua volta e sua comunicação com intuito de so-</p><p>brevivência e reprodução. Ao longo de milhões de anos o cé-</p><p>rebro primata se desenvolveu de baixo para cima, ou seja,</p><p>os centros superiores se desenvolvendo como elaborações</p><p>das partes inferiores (tronco cerebral) culminando com o</p><p>surgimento do neocórtex17-18.</p><p>O desenvolvimento do cérebro de embriões humanos</p><p>segue esse caminho19.</p><p>A existência de um cérebro emocional (cérebro primitivo</p><p>compartilhado pelos grandes primatas), programado para fa-</p><p>zer leitura ambiental e disparar reações emocionais, com o</p><p>objetivo de sobrevivência, é muito mais antiga que o cérebro</p><p>racional que apresentamos hoje19-20. Seu processo de leitura</p><p>visual e de interpretação é instintivo e inconsciente, e não de-</p><p>pende do aprendizado e raciocínio21. Essa leitura se daria, en-</p><p>tre outras maneiras, pela interpretação de arquétipos visuais</p><p>ou imagens primordiais (ver Jung e os Arquétipos).</p><p>Estudos com grandes primatas têm apontado cami-</p><p>nhos para a compreensão da escalada evolutiva da lingua-</p><p>gem visual dos seres humanos, de modo a indicar quais</p><p>seriam as formas de comunicação visual mais primitivas</p><p>que carregamos em nossos cérebros em comunhão com</p><p>esses animais22.</p><p>Estudos in vitro com gorilas demonstraram que esses,</p><p>além de compreenderem gestos e expressões faciais, pos-</p><p>suem capacidade para o aprendizado da linguagem de si-</p><p>nais norte-americanos ou Ameslan (linguagem dos surdos-</p><p>mudos americanos)1.</p><p>Estudos realizados com uma fêmea de bonobo em labo-</p><p>ratório apontam para uma grande capacidade de aprendi-</p><p>zado da linguagem de sinais. Ela desenvolveu a capacidade</p><p>de compreensão e comunicação através de um lexigrama</p><p>de 256 símbolos geométricos23. Esses estudos sugerem</p><p>que a compreensão visual a partir de imagens primordiais</p><p>ou símbolos arquetípicos não está relacionada ao neocór-</p><p>tex humano e estaria, provavelmente, relacionada aos cen-</p><p>tros cerebrais mais antigos comuns àqueles primatas e ao</p><p>homo sapiens24.</p><p>Como demonstrado em vários experimentos, a capaci-</p><p>dade para a compreensão de sinais e símbolos não é uma</p><p>exclusividade humana e certamente está relacionada a</p><p>estruturas cerebrais primitivas presentes em nossos cé-</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>30 • Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso</p><p>rebros; no entanto o pensamento simbólico, ou seja, a or-</p><p>ganização de processos cognitivos com signos e símbolos</p><p>e a comunicação através da fala e escrita são capacidades</p><p>exclusivas do homo sapiens17.</p><p>O objetivo do visagismo é o estudo da linguagem visu-</p><p>al, mais especificamente dos símbolos arquetípicos mais</p><p>básicos (linhas, formas e cores), o seu processo de inter-</p><p>pretação pelo cérebro humano e a possibilidade de seu uso</p><p>consciente para gerar imagens com significado. Na Odon-</p><p>tologia seu uso seria na criação estrutural de desenhos de</p><p>sorriso com expressão própria, de percepção inconsciente</p><p>e involuntária que deveria estar de acordo com a identidade,</p><p>vontade de expressão e necessidades pessoais do paciente</p><p>(ver Capítulo Consultoria).</p><p>2.2 O caminho cerebral da percepção visual</p><p>Perceber é organizar dados sensoriais levados ao cére-</p><p>bro através dos receptores nervosos ou sentidos (visuais,</p><p>olfativos, táteis, sonoros e gustativos)25. Seres humanos são</p><p>principalmente visuais no processo de percepção do am-</p><p>biente, assim como lobos são olfativos e baleias auditivas, e</p><p>o processo de percepção visual está intimamente ligado a</p><p>uma interpretação emocional automática26.</p><p>O processo de percepção e interpretação visual pelo cé-</p><p>rebro humano figura entre objeto de estudo de ínumeros</p><p>neurocientistas já ha algum tempo, e sua pesquisa se faz</p><p>necessária para a compreensão dos processos emocionais</p><p>básicos que governam a vida dos seres humanos27-29.</p><p>A palavra emoção é originada do latim e sua tradução</p><p>seria movere ou mover acrescida do prefixo e que significa</p><p>afartar-se30. De maneira geral uma emoção implica numa</p><p>ação imediata, ou seja, cada tipo de emoção predispõe o in-</p><p>divíduo a uma ação pré-programada, que ao longo da evolu-</p><p>ção da espécie se mostrou como a ação mais bem-sucedida</p><p>para a sobrevivência e reprodução; portanto, para a perpe-</p><p>tuação da espécie30-31. Não há consenso entre os cientistas</p><p>sobre as emoções básicas, mas de maneira geral pode-se</p><p>dizer que raiva, medo, aversão, expectativa, alegria, tristeza,</p><p>surpresa e aceitação sejam algumas das principais31.</p><p>Ao se deparar com uma imagem, o olho humano capta</p><p>sinais sensoriais na retina e os envia a uma área ances-</p><p>tral do cérebro chamada tálamo32. No tálamo esses sinais</p><p>são traduzidos para a linguagem cerebral. O tálamo, então,</p><p>envia mensagens para duas estruturas cerebrais, para o</p><p>córtex cerebral, onde se processa um raciocínio acerca do</p><p>que é visto e para uma estrutura primitiva localizada acima</p><p>do tronco cerebral e logo abaixo do anel límbico, a amígda-</p><p>la31-35. Essa seria responsável por disparar uma sensação</p><p>ou emoção sobre aquilo que se vê30-31.</p><p>Estudos mais recentes de como o cérebro processa ima-</p><p>gens, realizados pela equipe de neurocientistas, do Centro de</p><p>Ciência Neural da Universidade de Nova York, liderados por</p><p>pesquisador36-40, indicam que há um caminho mais curto en-</p><p>tre o tálamo e a amígdala, do que aquele caminho percorrido</p><p>pelo impulso do tálamo ao córtex cerebral (parte pensante),</p><p>indicando que o processamento de emoções acerca do que</p><p>se vê ocorre mais rápido do que o raciocínio sobre o que se</p><p>vê31. Com isso a natureza nos programou para agirmos rapi-</p><p>damente segundo a sensação que sentimos diante de uma</p><p>imagem. Isso nos permitiria sobreviver em situações críticas,</p><p>como a deparação com um perigo eminente28,41-44. Em outras</p><p>situações nos impele a agir para reproduzir e garantir que nos-</p><p>sos genes sejam passados a gerações futuras antes que um</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>concorrente direto o faça. Portanto, imagens trazem consigo</p><p>significados emocionais próprios que podem variar de espécie</p><p>para espécie.</p><p>Estes estudos sugerem que imagens são processadas</p><p>na amígdala como imagens primordiais ou arquétipos visu-</p><p>ais e estes conduziriam a uma reação emocional condicio-</p><p>nada de acordo com seu significado próprio, ou seja, cada</p><p>tipo de imagem desperta sensações ou emoções próprias.</p><p>Desta maneira entende-se que estes símbolos agiriam</p><p>como mensagens subliminares que agem sobre nós sem</p><p>que estejamos conscientes delas. Isso se aplica à estrutura</p><p>de todas as imagens, sejam fotografias, gravuras, pinturas,</p><p>imagens pessoais, sorrisos ou espaços tridimensionais45-46.</p><p>Esse fato também indica um caminho para a compreen-</p><p>O tálamo reconhece símbolos arquétipos, que disparam os diversos sistemas que produzem emoções,</p><p>antes que o córtex possa processar a imagem racionalmente.</p><p>Criação de emoções</p><p>e sensações físicas</p><p>Córtex</p><p>Visual</p><p>Área Límbica</p><p>Tálamo Visual</p><p>são da maneira como a imagem pessoal exerce influências</p><p>emocionais, psicológicas e comportamentais nas pessoas.</p><p>Imagens pessoais mal cuidadas podem agir negativamente</p><p>sobre a autopercepção e autoestima das pessoas, podendo</p><p>levar a/ou facilitar um estado depressivo, exatamente por</p><p>despertarem sensações e/ou emoções negativas46.</p><p>Visagismo - a arte de personalizar o desenho do sorriso • 31</p><p>Fo</p><p>to</p><p>s:</p><p>s</p><p>xc</p><p>.h</p><p>u,</p><p>Il</p><p>us</p><p>tra</p><p>çã</p><p>o</p><p>re</p><p>tir</p><p>ad</p><p>a</p><p>do</p><p>li</p><p>vr</p><p>o</p><p>Vi</p><p>sa</p><p>gi</p><p>sm</p><p>o:</p><p>h</p><p>ar</p><p>m</p><p>on</p><p>ia</p><p>e</p><p>e</p><p>sté</p><p>tic</p><p>a</p><p>A</p><p>ut</p><p>or</p><p>: P</p><p>hi</p><p>lip</p><p>H</p><p>al</p><p>la</p><p>aw</p><p>el</p><p>l.</p><p>Se</p><p>na</p><p>c;</p><p>2</p><p>00</p><p>3.</p><p>Capítulo 2</p><p>Alfabetização visual</p><p>32 • Visagismo - a arte de personalizar o</p>

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