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<p>Introdução à sociologia</p><p>Pablo Ornelas Rosa</p><p>Nascimento da sociologia</p><p>com o positivismo</p><p>O grande responsável pela atribuição</p><p>deste nome a este campo do</p><p>conhecimento foi Augusto Comte</p><p>(1798–1857) que, em sua obra</p><p>intitulada Curso de Filosofia Positiva,</p><p>escrito em 1839, propõe a alteração</p><p>da física social - termo empregado</p><p>pelo autor em 1830, mas já utilizado</p><p>anteriormente por Saint-Simon e</p><p>Thomas Hobbes - para sociologia.</p><p>Nesse caso, a substituição do termo</p><p>física social para sociologia ocorreu</p><p>devido à constatação de Comte de</p><p>que, em 1836, Quételet havia</p><p>aplicado este termo no estudo</p><p>estatístico dos fenômenos morais.</p><p>•"O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim."</p><p>Contexto</p><p>Após o período das revoluções, a Europa viu crises deixadas pelo caos</p><p>político resultante da Revolução Francesa e pelo acirramento da</p><p>miséria causado pela repentina explosão demográfica das grandes cidades</p><p>inglesas. A ideia de Comte era analisar a situação em que as sociedades</p><p>europeias encontravam-se e propor soluções para os problemas enfrentados.</p><p>Comte cria o termo Física Social para falar de uma ciência que, assim como as</p><p>ciências da natureza descobrem as leis naturais, descobriria as leis sociais.</p><p>Através da observação, o físico social conseguiria desenvolver um trabalho</p><p>positivo de observação e experimentação que o permitiria decodificar a sociedade</p><p>para então criar propostas de intervenção nela. Mais tarde, essa ciência passa a</p><p>ser chamada de Sociologia, mas não tendo ainda um método próprio e preciso,</p><p>atribuição esta que foi deixada para Émile Durkheim.</p><p>Principais Influências de Comte</p><p>Além de Saint Simon, Comte também foi influenciado por cientistas da natureza,</p><p>como Galileu e Newton. Nesse caso, ele acreditava que a biologia, ou seja, as</p><p>ciências da vida, seria o campo de conhecimento mais avançado para o</p><p>positivismo, com exceção da sociologia.</p><p>Émile Durkheim teceu críticas ao pensamento comtiano e acabou</p><p>desenvolvendo um método mais preciso para que os estudos sociológicos</p><p>pudessem ser estabelecidos, recebendo forte influencia da sociologia positivista</p><p>de Comte na elaboração de sua sociologia funcionalista.</p><p>Também é necessário destacar que, embora distintos e até mesmo antagônicos,</p><p>tanto o positivismo de Comte quanto o materialismo histórico e dialético de Karl</p><p>Marx são duas perspectivas teóricas que formam as bases para o entendimento</p><p>da intelectualidade desenvolvida no século XIX e de grande parte do pensamento</p><p>filosófico, sociológico e histórico do século XX.</p><p>Ciências Naturais e Ciências Sociais</p><p>A grande preocupação de Comte ao propor esta nova disciplina</p><p>consistia em formular as bases deste campo de saberes sobre a</p><p>sociedade moderna que emergia, amparando-se na utilização de</p><p>metodologias validadas pelo conhecimento científico da época. Deste</p><p>modo, o autor propôs que fossem utilizados às Ciências Sociais</p><p>métodos semelhantes àqueles validados pelas Ciências Naturais e</p><p>Exatas daquele período, no intuito de que fossem abandonados os</p><p>pressupostos analíticos abarcados pela filosofia política, saber que até</p><p>aquele momento se dedicava exclusivamente a analisar os fenômenos</p><p>sociais, por meio de especulações.</p><p>Dinâmica e Estática Social</p><p>Para Comte, a sociologia se fundamenta em duas dimensões distintas: a estática</p><p>social e a dinâmica social.</p><p>Assim, enquanto a estática social estabeleceria certa conexão entre os diferentes</p><p>aspectos da vida em sociedade, como a política, a economia e a cultura; a</p><p>dinâmica social investigaria as leis através das quais a sociedade se desenvolve,</p><p>considerando a existência de três estágios pelos quais o progresso percorreria – o</p><p>teológico, o metafísico e o positivo.</p><p>Como a estática social estuda a ordem enquanto que a dinâmica social estuda o</p><p>progresso da sociedade, o desenvolvimento e o progresso social seguiriam estes</p><p>três estágios justamente porque as pessoas também os seguem em seu</p><p>desenvolvimento. Neste caso, a história da humanidade seria um reflexo da</p><p>natureza humana.</p><p>Três Estágios de Desenvolvimento</p><p>Segundo Comte, a racionalidade humana havia passado por três</p><p>estágios durante o seu desenvolvimento: o teológico, o metafísico</p><p>e o positivo, sendo o último destes o mais importante por se</p><p>fundamentar exclusivamente no conhecimento científico, que para</p><p>o autor era o saber mais avançado. Comte ainda constatou que no</p><p>interior do campo científico existia uma espécie de hierarquia, na</p><p>qual a matemática encontrava-se no nível mais baixo desta escala,</p><p>entretanto, a biologia, naquela época chamada de fisiologia e,</p><p>principalmente, a sociologia ocupava o posto mais alto.</p><p>Poder Temporal e Poder Espiritual</p><p>Para Comte o princípio fundamental da Sociologia Estática é o “princípio de Aristóteles”,</p><p>segundo o qual toda sociedade consiste na separação de ofícios e na convergência dos</p><p>esforços. Em termos políticos, esse princípio resulta em que há sempre uma separação</p><p>entre o governo e a sociedade civil: o governo baseia-se em última análise na força – é o</p><p>que Augusto Comte chama de “princípio de Hobbes” – e é o responsável por manter a</p><p>coesão social, orientar os esforços gerais e evitar as ações por demais divergentes.</p><p>O governo baseia sua ação na força e na coerção física, portanto, isso é o Poder</p><p>Temporal. Em oposição, porém complementar a ele, existe o Poder Espiritual, responsável</p><p>pelo surgimento, pela sistematização e pela difusão de ideias e valores, caracterizando-se</p><p>pelo aconselhamento. Ambos são “governos”, ambos dirigem e mudam as condutas</p><p>humanas. Entretanto, enquanto o Poder Temporal age objetivamente, exteriormente, o</p><p>Poder Espiritual age subjetivamente</p><p>Evolução do Conhecimento</p><p>Para Comte, a evolução do conhecimento é</p><p>comparada à evolução do ser humano. Assim, a</p><p>religião representaria a infância da humanidade,</p><p>a filosofia (metafísica) representaria a</p><p>adolescência e só a ciência traria a plena</p><p>maturidade, atingindo o estado positivo.</p><p>Religião da Humanidade</p><p>Entendendo que a ciência positivista seria a única explicação legítima</p><p>da sociedade, Comte constatou que a religião e a filosofia conduzem o</p><p>ser humano ao engano, mas que este estava sendo substituído pelo</p><p>avanço da ciência, propiciando à sociedade um completo domínio e</p><p>conhecimento do mundo que o cerca. Embora tenha proferido críticas à</p><p>religião, no final de sua vida, Comte acabou propondo a chamada</p><p>Religião da Humanidade, em sua obra intitulada Catecismo Positivista,</p><p>escrita em 1852. O principal objetivo de Comte era resgatar a</p><p>moralidade perdida com a ascensão da modernidade. Daí o fato de ser</p><p>caracterizado como um autor conservador.</p><p>Diferentes Sociologias</p><p>Apesar de Maquiavel ser comumente</p><p>considerado o fundador da Ciência</p><p>Política, e Comte o instituidor da</p><p>Sociologia, principalmente pelo fato</p><p>de ter atribuído o nome a esta</p><p>disciplina, há certo consenso entre os</p><p>sociólogos acerca da maior</p><p>importância dada, do ponto de vista</p><p>teórico-metodológico e político, a Karl</p><p>Marx, Émile Durkheim e Max Weber</p><p>(além de outros autores como</p><p>Simmel, Tarde, Tönnies, etc.).</p><p>Porém, é importante ressaltar que, embora tenham desenvolvido suas</p><p>teorias sociológicas e políticas, bem como suas visões acerca da</p><p>modernidade, de forma bastante distinta, não há uma unidade no</p><p>pensamento desses autores. Logo, cada um deles desenvolveu</p><p>distintamente sua teoria sociológica, sua teoria da modernidade e sua</p><p>teoria política:</p><p>Teoria sociológica:</p><p>Métodos de estudo da realidade</p><p>social.</p><p>Teoria da modernidade:</p><p>Interpretações quanto às</p><p>características das relações sociais em</p><p>tempos modernos.</p><p>Teoria política:</p><p>Discussão sobre os problemas e</p><p>desafios da vida em sociedade.</p><p>Modernidade</p><p>Como Comte, Marx, Durkheim e Weber viveram em diferentes momentos daquele</p><p>período que se convencionou chamar de modernidade, marcado por diversas</p><p>mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas, sobretudo, em decorrência do</p><p>Renascimento, Iluminismo, Revolução Industrial e Revolução Francesa;</p><p>cada um</p><p>deles desenvolveu suas metodologias e teorias destinadas a analisar os fenômenos</p><p>sociais que estavam à sua volta, posicionando-se politicamente diante daqueles</p><p>acontecimentos. Aliás, a construção desses diversificados arcabouços teóricos</p><p>elaborados pela sociologia clássica, que trata tanto dos fenômenos sociais daquela</p><p>época, como também da sistematização de metodologias e dos posicionamentos</p><p>políticos desses autores, são reflexos de suas diferentes concepções de mundo.</p><p>Importância dos clássicos</p><p>Também é importante destacar que os clássicos da Sociologia foram alguns dos grandes</p><p>intérpretes do mundo moderno. Eles nos ajudaram a entender que a modernidade implica</p><p>uma profunda ruptura com o passado, trazendo novas formas de organizar a produção</p><p>(economia), distribuir o poder (política) e compreender a existência (cultura)</p><p>Autores Teoria Sociológica Teoria da Modernidade Teoria Política</p><p>Marx</p><p>Método Histórico-</p><p>Dialético</p><p>Modo de Produção</p><p>Capitalista</p><p>Comunismo</p><p>Durkheim Método Funcionalista Divisão do Trabalho Social Culto do indivíduo</p><p>Weber Método Compreensivo</p><p>Racionalismo da Dominação</p><p>do Mundo</p><p>Liderança Carismática</p><p>Importantes acontecimentos</p><p>A Revolução Francesa e a Revolução Industrial – que, de certa forma, estiveram permeadas por certa</p><p>revolução científica – foram acontecimentos imprescindíveis para o surgimento da sociologia. Sendo</p><p>assim, tanto o Renascimento quanto o Iluminismo proporcionaram importantes mudanças dos pontos de</p><p>vista social, cultural e religioso, assim como a Revolução Francesa provocou uma transformação política e</p><p>a Revolução Industrial uma modificação na ordem econômica.</p><p>Todavia, antes da Revolução Francesa consagrou-se uma nova forma de pensar filosoficamente o mundo,</p><p>através do chamado ou Século das Luzes. Este se destacou por ser um movimento intelectual que possuía</p><p>como objetivo entender e organizar o mundo a partir da razão. Segundo os filósofos Voltaire, Rousseau,</p><p>Diderot, D’Alembert dentre outros, a razão era a luz que sepultaria as trevas apresentadas pela monarquia</p><p>e pela religião que manipulavam o conhecimento da época.</p><p>Esse processo de transformação cultural teve seu início no Renascimento, século XV, pois embora tenha</p><p>sido mais forte no campo das artes, o objetivo era colocar o ser humano (antropocentrismo) no lugar de</p><p>Deus (teocentrismo). Entretanto, o Iluminismo acabou acrescentando um elemento importantíssimo ao</p><p>Renascimento, que seria o potencial da razão humana.</p><p>Émile Durkheim</p><p>De certa forma, seguidor de Comte, Durkheim teve como</p><p>principal objetivo desenvolver um importante aspecto que</p><p>faltava na sociologia criada por seu precursor: um método</p><p>de análise: o Funcionalismo. Através de sua tese intitulada</p><p>Divisão do Trabalho Social (1893), Durkheim desenvolveu</p><p>“ferramentas” que o ajudaram a ser considerado por seus</p><p>pares um dos pesquisadores pioneiros na área da sociologia</p><p>da religião (com sua obra intitulada As Formas Elementares</p><p>da Vida Religiosa, 1912), na área do conhecimento (com sua</p><p>obra intitulada As Regras do Método Sociológico, 1895), nos</p><p>estudos empíricos sobre o fenômeno do suicídio (em sua</p><p>obra intitulada O Suicídio, 1897), e na área da educação</p><p>(expostos em sua obra Educação Moral, 1925).</p><p>Principais Influências de Durkheim</p><p>Além deHerbert Spencer e Alfred Espinas, Durkheim foi influenciado diretamente pelo filósofo francês</p><p>considerado o fundador da sociologia, Auguste Comte. De Comte, Durkheim colheu a ideia acerca</p><p>da criação de uma ciência capaz de estudar a sociedade e reconhecer as suas especificidades.</p><p>Porém, Durkheim foi além ao produzir uma crítica à teoria de Comte que consolidaria a sociologia</p><p>como uma ciência bem fundamentada.</p><p>Segundo Durkheim, Comte não fundou a sociologia como uma ciência bem definida, tampouco</p><p>ultrapassou a filosofia na medida em que continuou formulando teorias no campo do ideal metafísico.</p><p>O que ele fez de fato foi fundar um método baseado no reconhecimento dos fatos sociais como</p><p>primeira regra sociológica, inaugurando, portanto, a sua sociologia funcionalista.</p><p>Durkheim criticou algumas ideias de Comte relacionadas à sociologia, o que demonstra as influências</p><p>sofridas pelo pensador considerado o criador do método sociológico por aquele que é considerado o</p><p>“pai” da sociologia (Comte). Para Durkheim, apesar da pretensão oposta, o modelo sociológico</p><p>comtiano é demasiadamente filosófico, pois a base do positivismo e da sociologia é a Lei dos três</p><p>estágios, que não recorre a um método preciso de observação e estudo rigoroso de uma sociedade,</p><p>mas trata-se de umamera abstração.</p><p>Relação entre Indivíduo e Sociedade</p><p>- Ao averiguar que a sociedade incide sobre os indivíduos, Durkheim verificou que a</p><p>explicação da realidade está condicionada pelo objeto. Portanto, a sociedade</p><p>(objeto) tem precedência sobre o indivíduo (sujeito).</p><p>- Segundo o autor, a sociedade deve ser tratada como algo para além da soma dos</p><p>indivíduos que a compõem, pois uma vez vivendo em sociedade, os indivíduos dão</p><p>origem às instituições sociais que possuem dinâmica própria: os seres humanos</p><p>passam pela sociedade, mas ela fica. Para Durkheim, é a sociedade que age sobre o</p><p>indivíduo, modelando suas formas de agir, influenciando suas concepções e modos de</p><p>ver, condicionando e padronizando o seu comportamento. Assim, a noção de que</p><p>somos pessoas ou sujeitos individuais nada mais é do que uma construção social.</p><p>Método Funcionalista</p><p>Em relação ao método científico elaborado por Durkheim na construção da teoria sociológica</p><p>funcionalista a partir de sua obra As Regras do Método Sociológico (1895), o autor afirma que a</p><p>primeira e a mais importante regra da sociologia é considerar os fatos sociais como “coisas”. Essa</p><p>concepção parte do princípio de que a realidade social se aproxima da realidade da natureza. Assim,</p><p>tal como as “coisas” da natureza funcionam de forma independente da ação humana, cabendo ao</p><p>cientista apenas mostrar suas regularidades; as “coisas” da sociedade, chamadas de fatos sociais,</p><p>também seriam uma realidade distinta da ação humana.</p><p>Segundo Durkheim (1979), para a sociologia obter a objetividade plena deveria “registrar” da forma</p><p>mais imparcial e neutra possível a realidade pesquisada (objeto), tal qual fariam as demais ciências.</p><p>Desta forma, o papel do pesquisador seria elaborar um retrato da realidade pesquisada, pois ela seria</p><p>uma realidade objetiva como qualquer outra “coisa” da natureza. Na percepção sociológica do autor,</p><p>é a realidade (objeto) que se impõe ao sujeito (observador). Por isso, Durkheim e Comte defendiam</p><p>a tese de que as ciências sociais deveriam adotar os mesmos métodos utilizados nas ciências</p><p>naturais.</p><p>Fato Social e Função Social</p><p>Para Durkheim (1979), o objeto da sociologia são os fatos sociais, que consistem em “diferentes</p><p>maneiras de agir capazes de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior generalizante do</p><p>ponto de vista do conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência</p><p>própria que independe de suas manifestações individuais”. Segundo o autor, a forma como o ser</p><p>humano age é sempre condicionada pela sociedade, já que essas formas de agir chamadas de fatos</p><p>sociais possuem um tríplice caráter: são exteriores (provêm da sociedade e não do indivíduo),</p><p>coercitivos (são impostas pela sociedade ao indivíduo) e objetivos (tem uma existência</p><p>independente do indivíduo). Um professor, por exemplo, ao fazer a chamada em sala de aula no</p><p>intuito de verificar os alunos presentes e os ausentes ou ao aplicar uma simples prova, não o faz</p><p>necessariamente por ser seu próprio desejo, mas sim porque é coagido por normas e regimentos</p><p>objetivos que são exteriores a ele, provenientes da instituição de ensino da qual faz parte. Portanto,</p><p>este ato pode ser tratado, sob um viés funcionalista, como um fato social, exatamente também por</p><p>pressupor elementos exteriores, coercitivos e objetivos.</p><p>Divisão do Trabalho Social</p><p>Embora tenha desenvolvido o conceito de fato social de forma mais aprofundada somente em sua</p><p>segunda obra As Regras</p><p>do Método Sociológico (1895), foi em sua primeira obra intitulada Divisão do</p><p>Trabalho Social, que Durkheim (2010) centrou suas análises sobre a função da divisão do trabalho nas</p><p>sociedades modernas. Neste trabalho, o autor adotou a tese de que a sociedade havia passado por um</p><p>processo de evolução caracterizado pela diferenciação social, partindo de uma sociedade demarcada por</p><p>laços de solidariedade mecânica – caracterizada pela consciência coletiva, pelas sociedades</p><p>fragmentadas e pelo direito repressivo – para outra demarcada por laços de solidariedade orgânica –</p><p>assinalada pela consciência individual, pela divisão social do trabalho, pelas sociedades diferenciadas e</p><p>pelo direito restitutivo.</p><p>Conforme o autor, o que distingue esses momentos de “evolução” da sociedade são os mecanismos que</p><p>geram os laços de solidariedade social (tipos de consciência e divisão social do trabalho), pois a</p><p>solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica seriam diferentes estratégias de integração das pessoas</p><p>nos grupos ou instituições sociais, correspondendo diferentes formas de organização da sociedade</p><p>(sociedades fragmentadas ou sociedades diferenciadas) e podendo ser percebidas de acordo com o tipo</p><p>de organização jurídica predominante (repressivo ou restitutivo).</p><p>Sociedades de solidariedade mecânica e orgânica</p><p>As sociedades de solidariedade mecânica se caracterizam pela semelhança, enquanto</p><p>que as de solidariedade orgânica se afirmam pela diferença. Nas primeiras, os</p><p>indivíduos se diferem pouco uns dos outros, já que os membros dessas coletividades</p><p>compartilham os mesmos sentimentos e valores, reconhecendo os mesmos elementos e</p><p>objetos como algo sagrado, conforme podemos localizar certos elementos de integração</p><p>social na chamada Idade Média. Já as segundas são aquelas em que a unidade coerente</p><p>da coletividade, o consenso, resulta de certa diferenciação ou é exprimida por meio dela,</p><p>conforme os dados encontrados por Durkheim nas formas de organização social da</p><p>modernidade. Segundo o autor, a oposição gerada entre essas duas formas de</p><p>solidariedade social se combina com a distinção entre as chamadas sociedades</p><p>segmentárias e aquelas em que aparece a moderna divisão do trabalho social. Embora as</p><p>sociedades de solidariedade mecânica sejam, em certo sentido, sociedades</p><p>segmentárias, a definição de ambas não é exatamente a mesma.</p><p>Consciência Individual e Consciência Coletiva</p><p>Ao elaborar os conceitos de solidariedade mecânica e solidariedade orgânica a partir da obra Divisão do</p><p>Trabalho Social, Durkheim (2010) evidenciou dois tipos de consciência presentes em todos os indivíduos e</p><p>que variam de intensidade de acordo com o tipo de organização social. A constatação de que existem</p><p>diferentes tipos de solidariedade social fez com que o autor verificasse que o grau de coesão, ou melhor,</p><p>de integração entre os indivíduos, acabou sendo alterado com a divisão do trabalho social, incidindo</p><p>sobre eles de maneira distinta através da variação da preponderância das consciências individual e</p><p>coletiva. No entanto, Durkheim alerta que a solidariedade social não pode ser realizada somente para que</p><p>cada um cumpra apenas sua tarefa, antes disso, é imprescindível que ela lhe seja conveniente.</p><p>Enquanto a consciência individual refere-se a todos os estados mentais relacionados às nossas</p><p>concepções pessoais e visões de mundo provenientes de acontecimentos ocorridos em nossas vidas; a</p><p>consciência coletiva trata do sistema de ideias, sentimentos e hábitos que exprimem em todos nós as</p><p>concepções do grupo e da sociedade que fazemos parte, revelando nossas crenças religiosas, tradições</p><p>nacionais, práticas morais, além de quaisquer outras opiniões manifestadas coletivamente que formam o</p><p>ser social.</p><p>Anomia e Moralidade</p><p>A constatação de que a sociedade francesa de sua época estava imersa em um estado doentio</p><p>provocado pela ascensão da modernidade acabaram levando-o a enfatizar em sua tese de doutorado</p><p>intitulada A Divisão do Trabalho Social tanto a importância dos fatos morais na integração e coesão</p><p>dos indivíduos à vida coletiva, quanto à preocupação com as possíveis consequências ocasionadas</p><p>pela desintegração social, chamada por Durkheim (2010) de anomia.</p><p>O primeiro diagnóstico das patologias da modernidade de Durkheim recebeu uma formulação</p><p>sociológica e é representado especialmente pelo conceito de anomia (a + nómos, que significa</p><p>ausência de normas). Segundo a tese desenvolvida em A divisão do trabalho social, com a passagem</p><p>da sociedade de solidariedade mecânica para a sociedade de solidariedade orgânica, ocorre uma</p><p>ampliação da esfera da individualidade. A especialização das funções acarreta o declínio da</p><p>consciência coletiva que ainda não havia sido substituída por novos valores adaptados aos diversos</p><p>órgãos da sociedade. Nesta obra, Durkheim sustenta que a anomia seria um fenômeno passageiro,</p><p>fruto de um desajuste temporário na integração das tarefas econômico-sociais.</p><p>Fatos Morais</p><p>A preocupação de Durkheim com a anomia também está relacionada com a questão</p><p>da moral, que aparece em vários pontos da sua obra, apresentando como fatos</p><p>morais aqueles fenômenos em que a moral aparece como um sistema de</p><p>acontecimentos relacionados ao sistema total do mundo que permite tratar dos</p><p>fatos da vida moral a partir do método das ciências positivas, apresentadas no</p><p>capítulo anterior. É possível constatar que a concepção durkheimiana de divisão do</p><p>trabalho se apresenta intimamente relacionada à sua visão de moral, quando o autor</p><p>verifica que a divisão do trabalho deve estar permeada por um caráter moral, porque</p><p>as necessidades de ordem, de harmonia e de solidariedade social são geralmente</p><p>tidas como elementos morais. Assim, verifica-se que a construção do conceito de</p><p>solidariedade social é visto como um fenômeno totalmente moral.</p><p>Moral Objetiva e Moral Subjetiva</p><p>Para Durkheim (2004), a chamada realidade moral pode ser visualizada sob dois</p><p>aspectos diferentes: um objetivo e outro subjetivo. A moral objetiva pressupõe que</p><p>sociedade é regida por normas baseadas em seus preceitos morais sob as quais os</p><p>tribunais se guiam para tratar da condenação dos indivíduos que violam as barreiras</p><p>dessa moral, ou seja, o compartilhamento d e uma moral comum e geral para todos os</p><p>seres humanos que pertencem a uma coletividade. Já a moral subjetiva se situa na</p><p>esfera da posição dos indivíduos frente à moral objetiva citada. Nela, cada um pode</p><p>interpretar a moral comum ao seu modo, possibilitando ainda que os diferentes</p><p>indivíduos interpretem-na como imoral. Portanto, ao verificar que existe um número</p><p>indefinido desse tipo de moral, Durkheim (2004) acabou constatando que o seu</p><p>enraizamento nas consciências originaram-se das influências do meio, da educação e,</p><p>até mesmo, da hereditariedade.</p><p>Instituições e coesão social</p><p>Para Durkheim (2010), o mundo moderno passou a ser caracterizado pela redução da eficácia daquelas</p><p>instituições sociais integradoras como a religião e a família, uma vez que os indivíduos passaram a se agrupar</p><p>conforme suas atividades profissionais. Enquanto a família deixou de manter sua condição integradora de</p><p>garantir a unidade e a indivisibilidade diminuindo, assim, sua influência sobre a vida privada, o Estado também</p><p>se manteve distante dos indivíduos, exercendo sobre eles relações exteriores intermitentes, possibilitando</p><p>uma profunda penetração nas consciências individuais, socializando- as interiormente. Para ele, o</p><p>enfraquecimento do poder de coesão da religião proporcionou às profissões uma importância cada vez</p><p>maior na vida social, substituindo e excedendo a antiga condição da família.</p><p>Ao constatar o deslocamento da ênfase da religião e da família como instituições que engendravam laços de</p><p>coesão social para o campo do trabalho, sobretudo, dos grupos profissionais, Durkheim encontrou nesses</p><p>espaços os caminhos para a reconstrução da solidariedade social e da moralidade integradoras que careciam</p><p>nas sociedades industriais. Assim, conforme o autor, os</p><p>grupos profissionais e as corporações poderiam suprir</p><p>essas demandas na medida em que cumpririam as condições necessárias para a regulamentação da vida</p><p>social que havia sido perdida com a emergência da modernidade.</p><p>O Estado para Durkheim</p><p>Segundo Durkheim (1958), a utilidade do Estado seria de possibilitar a introdução de certos tipos de</p><p>reflexões sobre a vida social, tendo elas papéis cada vez maiores na medida em que ele se encontre mais</p><p>desenvolvido. Da mesma forma que o cérebro não cria a vida do corpo, o Estado não cria a vida coletiva,</p><p>conforme podemos averiguar naquelas sociedades políticas em que ele não existe. Nelas, a coesão se dá</p><p>através das crenças dispersas em todas as consciências que movem os indivíduos.</p><p>Quando há algum tipo de Estado, os elementos diversos que podem mover a multidão anônima em</p><p>sentidos diferentes não teriam a capacidade de determinar a consciência coletiva, pois essa</p><p>determinação seria a própria ação do Estado, segundo Durkheim (1958). Deste modo, entende-se o</p><p>Estado como um lugar onde todos deveriam convergir, pois ele não é somente um órgão de reflexão</p><p>social, como também é um espaço de inteligência institucionalizada.</p><p>Para Durkheim (2010), o direito e a moral são compreendidos como a materialização da lógica de</p><p>funcionamento das distintas sociedades. Além disso, em seu entendimento, o responsável pela</p><p>manutenção da sociedade na modernidade não é mais o Estado, mas as leis que ele expressa que são</p><p>constituídas pelos costumes presentes nos fatos morais.</p><p>Karl Marx</p><p>Apesar de não ter a mesma preocupação de Comte em</p><p>fundar uma disciplina científica que reivindicasse sua</p><p>supremacia em relação não somente aos demais</p><p>saberes, mas também em relação às outras ciências</p><p>como a matemática, a física, a química, a astronomia e</p><p>a biologia, por exemplo, Marx elaborou uma ampla</p><p>teoria social através da utilização de elementos da</p><p>filosofia, da história, da economia e da política. Embora</p><p>Marx, diferentemente de Comte, Durkheim e Weber,</p><p>não tenha sido um sociólogo de profissão, ele foi um</p><p>exemplo de pensador que soube unificar a teoria com</p><p>a prática, pois tanto a sua vida quanto as suas obras</p><p>estiveram marcadas pelo pensamento voltado para a</p><p>classe proletária, buscando construir um novo tipo de</p><p>sociedade.</p><p>Principais Influências de Marx</p><p>Marx produziu uma vasta obra que permeou diferentes áreas. Dentre as suas maiores influências</p><p>estão: filosofia alemã– iniciou suas análises fazendo parte de um grupo de pensadores alemães</p><p>chamados de esquerda hegeliana, da qual faziam parte Bauer, Stirner e Feuerbach. Embora</p><p>adotassem o método dialético elaborado por Hegel que, grosso modo, consistia em pensar as relações</p><p>sociais por meio de suas contradições, possuíam uma atitude crítica em relação ao pensamento deste</p><p>autor do qual eram estudiosos; socialismo utópico, pois, embora Marx já tivesse conhecimentos sobre</p><p>o socialismo, foi na França que aproximou o seu contato com este movimento de intelectuais do qual</p><p>fazia parte Fourier, Saint Simon e Proudhon. Estes foram chamados por Marx de socialistas utópicos,</p><p>devido a não elaborarem análises mais aprofundadas sobre o funcionamento do capitalismo e não</p><p>reconhecerem a classe operária como a única possibilidade de construção do socialismo, embora</p><p>fossem eles críticos severos do capitalismo de sua época; economia política, uma vez que o seu</p><p>contato com a ciência econômica se ampliou e se aprofundou, quando Marx passou um período na</p><p>Inglaterra buscando demonstrar as leis do funcionamento do modo de produção capitalista e</p><p>apontando as possibilidades de sua superação. Neste estudo, aproveitou a contribuição de vários</p><p>economistas ingleses, principalmente Adam Smith e David Ricardo que apontavam o trabalho como</p><p>elemento chave para o entendimento do sistema econômico.</p><p>Dialética e Metafísica</p><p>A noção de dialética possui uma longa história no pensamento filosófico, que começa</p><p>com Heráclito, passando por Platão, Kant e outros pensadores até chegar a Hegel, que</p><p>sistematizou o método dialético no sentido moderno. A intenção de Hegel ao apontar o</p><p>seu método dialético era entender a história do “movimento”, criticando o método</p><p>dominante da filosofia de sua época chamada de metafísica, que não tinha como objeto a</p><p>investigação empírica, mas, ao contrário, as realidades transcendentes que somente</p><p>poderiam ser descobertas pelas luzes da razão.</p><p>Esta, contrariamente à dialética, defendia a ideia de que a realidade possui uma essência</p><p>que a define e que, embora as coisas se modifiquem, a essência permanecerá a mesma.</p><p>Assim, enquanto o método metafísico propõe uma essência imutável das coisas, a</p><p>dialética proposta por Hegel defenderá a ideia de que a realidade é um movimento</p><p>constante.</p><p>Dialética Marxista</p><p>A dialética marxista consiste em adotar a ação recíproca e a unidade polar, pressupondo que “tudo se</p><p>relaciona”; pressupõe certa mudança, onde ocorre à negação da negação amparada na concepção de que</p><p>“tudo se transforma”; pressupõe a passagem da quantidade à qualidade, amparada na mudança</p><p>qualitativa; e a interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários.</p><p>No intuito de explicar como todas as coisas estão submetidas à lei do movimento e da contradição, os</p><p>estudiosos de Hegel afirmavam a existência de três momentos fundamentais: tese, momento da</p><p>afirmação; antítese, momento da negação; síntese, momento da negação da negação e que gerará uma</p><p>nova tese, que produzirá uma antítese e assim por diante. Assim, para Hegel, tudo seria história e toda</p><p>realidade seria modificação e movimento gerados pela contradição. Partindo da evolução histórica é que</p><p>Hegel desenvolverá sua filosofia chamada de “idealismo dialético”, que partirá da ideia de que no início da</p><p>história tudo era essencialmente espírito ou pensamento, ou seja, o “espírito absoluto” ou a ideia era o</p><p>elemento fundante das coisas.</p><p>Crítica de Marx à Esquerda Hegeliana</p><p>Marx, que era da esquerda hegeliana, adotara o método dialético elaborado por Hegel, mas havia conservado uma atitude</p><p>crítica diante do mesmo. Segundo o autor, o seu método dialético difere fundamentalmente do método hegeliano, sendo</p><p>inteiramente oposto a ele, pois em Hegel, a dialética está “de cabeça para baixo”. Assim, seria necessário pô-la de cabeça para</p><p>cima, a fim de descobrir a substância racional dentro do invólucro místico. Marx se utiliza da dialética enquanto método,</p><p>entretanto, adota uma atitude crítica em relação ao seu conteúdo, o fundamento. Enquanto Hegel parte de um princípio</p><p>idealista permeado pela concepção de que as ideias constituem as relações matérias de existência, Marx inverte esta lógica,</p><p>partindo do pressuposto de que são as relações materiais de existência que criam as ideias.</p><p>O ponto de partida do pensamento de Marx foi à crítica radical tanto ao idealismo de Hegel, quanto aos filósofos da esquerda</p><p>hegeliana, em especial a Feuerbach, que partia de uma concepção materialista, entretanto, sem levar tanto em consideração a</p><p>história. Marx buscou colocar o pensamento humano sobre novas bases, rompendo com o pensamento filosófico, propondo que</p><p>estes possuem bases ideológicas, tratadas por ele como falsas representações. Suas críticas, ao mesmo tempo, não conseguiram</p><p>romper sua dependência com Hegel, já que são os pressupostos reais e materiais de que não se pode fazer abstração a não ser</p><p>na imaginação. São indivíduos reais em meio as suas relações sociais, ações e condições materiais de vida, tanto aquelas já</p><p>encontradas, como as produzidas por sua própria ação.</p><p>Consciência e História</p><p>Segundo Marx, o primeiro pressuposto básico da história é que os seres humanos devem estar em condições de viver</p><p>para fazer história, pois a primeira realidade histórica é a produção da vida material; o segundo pressuposto é que tão</p><p>logo a primeira necessidade é satisfeita, a ação de satisfazê-la e o instrumento já adquirido para essa satisfação criam</p><p>novas necessidades. E essa produção de necessidades novas é o primeiro</p><p>ato histórico; o terceiro pressuposto existente</p><p>desde o início da evolução histórica é a de que os indivíduos, que renovam diariamente sua própria vida, se põem a criar</p><p>outros, a se reproduzirem – é a relação entre homem e mulher, pais e filhos; o quarto pressuposto é de que um modo de</p><p>produção ou um estágio industrial está sempre ligado a um modo de cooperação. Assim, a massa das forças produtivas</p><p>determina o estado social; o quinto e último pressuposto é que se pode verificar que o indivíduo tem consciência que</p><p>nasce da necessidade e da existência de intercâmbio com outros indivíduos. A consciência é, desde o seu início, um</p><p>produto social.</p><p>Para Marx, o ponto de partida em direção ao real não é mais o pensamento como propunha Hegel através da sua</p><p>filosofia chamada “idealismo dialético”, mas sim a vida material, daí o materialismo dialético. Marx, ao fazer a crítica do</p><p>método dialético de Hegel, tinha a intenção de aplicar este esquema ao estudo da história. Também compreendia que o</p><p>trabalho era o elemento central para se entender o desenvolvimento da sociedade, ou seja, seria a expressão da ação do</p><p>indivíduo sobre a matéria.</p><p>Importância do trabalho como valor</p><p>Se a matéria (mundo natural) representa a tese, temos o trabalho que representa a antítese da</p><p>matéria, que uma vez modificada pelo ser humano gera a sociedade, que é a síntese; a</p><p>sociedade é justamente a síntese do eterno processo dialético pelo qual o indivíduo atua sobre</p><p>a natureza e a transforma. Para o autor, o trabalho é um processo de que participa o ser</p><p>humano, e a natureza, processo em que o indivíduo, com sua própria ação, impulsiona, regula</p><p>e controla o intercâmbio material com a natureza. Atuando assim, sobre a natureza externa e</p><p>modificando-a, ao mesmo tempo modifica a sua própria natureza.</p><p>Assim, o trabalho não só é uma condição indispensável da vida social, mas também é o</p><p>elemento determinante para a formação do ser humano, seja como indivíduo, seja como ser</p><p>social. Sem trabalho não haveria ser humano, nem relações sociais, nem sociedade e nem</p><p>história. Por tudo isso, podemos dizer que a categoria trabalho é o conceito fundante e</p><p>determinante de toda construção teórica marxista.</p><p>Indivíduo e Sociedade</p><p>Na perspectiva dialética, existe uma relação externa entre o indivíduo e a sociedade, que faz com que tanto a</p><p>sociedade quanto o indivíduo se modifiquem, desencadeando o processo histórico-social, no qual os seres</p><p>humanos fazem a história, mas não a fazem como querem. Eles a fazem sob as condições herdadas do</p><p>passado. Deste modo, Marx deixa muito claro o peso que as estruturas sociais exercem sobre os indivíduos,</p><p>mas dialeticamente, mostrou que eles partem justamente destas mesmas estruturas para recriá-las pela</p><p>sua própria ação.</p><p>Diferentemente de Hegel, que compreende que a história é fruto do espírito absoluto, ou seja, que o fim do</p><p>processo especulativo é a culminância do processo dialético em que o real se torna racional; Marx partirá da</p><p>ideia de que a história é fruto do trabalho humano. Assim, seria a interação dos indivíduos buscando a</p><p>satisfação de suas necessidades que desencadearia o processo histórico. Foi com base neste pressuposto</p><p>geral que o autor propôs um estudo sobre a sociedade buscando a tomada de consciência fundamentada na</p><p>ideia de que o modo de produção pela vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e</p><p>intelectual em geral. Portanto, o estudo da sociedade deve se iniciar pelo estudo das condições da vida</p><p>material dos indivíduos, elemento que condiciona todo o desenvolvimento da vida social.</p><p>Infraestrutura e Superestrutura</p><p>Marx chama a dimensão econômica da sociedade de infraestrutura, sendo esta a “base” da sociedade, e</p><p>sobre esta base é que estaria construída a estrutura política e ideológica da sociedade, que são chamadas de</p><p>superestrutura. Assim, de acordo com a tese do autor, a infraestrutura (economia) condicionaria a</p><p>superestrutura (vida política e vida cultural da sociedade), ou seja, para explicar a sociedade precisaríamos</p><p>partir da análise de sua base material (economia) e perceber como ela condiciona a vida política e ideológica</p><p>da sociedade.</p><p>Em relação aos elementos que compõem a infraestrutura, Marx dirá que no processo de trabalho existem</p><p>duas dimensões principais: a relação do indivíduo com a natureza e a relação do indivíduo com os outros no</p><p>próprio processo de trabalho. A relação do indivíduo com a natureza é mediada pela matéria-prima e pelos</p><p>instrumentos de trabalho, que são os meios auxiliares que o indivíduo encontrou para desenvolver o</p><p>processo de produção. Esse conjunto, formado pela matéria-prima e pelos meios de produção de uma</p><p>sociedade, é chamado por Marx de forças produtivas. Logo, as forças produtivas da sociedade correspondem</p><p>a tudo aquilo que é utilizado pelo indivíduo no processo de produção, desde um simples martelo até as</p><p>grandes máquinas.</p><p>Relações de Produção e Luta de Classes</p><p>Como a produção ou o processo de trabalho não é um fenômeno isolado e sim um fenômeno social e coletivo,</p><p>envolvendo, portanto, a relação do indivíduo com o próprio indivíduo, Marx chamará este processo de trabalho de</p><p>relações de produção. As relações de produção são as interações que os indivíduos estabelecem entre si diante das</p><p>atividades produtivas. Corresponde, de forma geral, à divisão do trabalho, seja dentro de uma atividade específica,</p><p>seja entre as diversas atividades em seu conjunto. Portanto, os dois elementos fundamentais da infraestrutura são</p><p>as forças produtivas e as relações de produção, sendo estas as formadoras da base econômica da sociedade.</p><p>Em relação aos elementos que compõem a superestrutura, percebemos que foi partindo das relações de produção</p><p>que Marx constatou que a sociedade se dividia em classes sociais.</p><p>As classes sociais são fruto das relações que os indivíduos estabelecem no processo de produção, surgindo quando</p><p>um grupo social se apropria das forças produtivas, tornando-se proprietários dos instrumentos de trabalho. No</p><p>modo de produção capitalista, elas se dividem, grosso modo, em dois grupos: os proprietários e os não</p><p>proprietários dos meios de produção. Portanto, é através da propriedade burguesa que surgem as classes sociais</p><p>que se encontram em constante luta, uma vez que a burguesia possui os meios de produção e o proletariado deve</p><p>vender sua força de trabalho a qualquer preço para poder subsistir.</p><p>Estado</p><p>Ao consolidar o domínio dos proprietários (burgueses) sobre os não</p><p>proprietários dos meios de produção (proletariado), a classe dominante</p><p>(proprietários) intensificou sua força por meio do Estado. De modo geral,</p><p>Marx afirmou que o Estado é um instrumento criado pelas classes</p><p>dominantes para garantir o seu domínio econômico, pois suas leis e</p><p>determinações estão sempre voltadas para o interesse da classe dos</p><p>proprietários, garantindo o domínio da classe burguesa sobre o</p><p>proletariado. Quando as leis e normas do Estado falham, o poder estatal</p><p>ainda tem o recurso da força, principalmente das forças armadas, que</p><p>garantem os interesses da classe dominante.</p><p>Ideologia</p><p>Um segundo elemento que compõe a superestrutura e que também busca garantir o</p><p>domínio das classes proprietárias ocorre através da força das ideias e é chamada de</p><p>ideologia. Para Marx, as ideias da sociedade são as ideias da classe dominante. Isto</p><p>quer dizer que, quando uma classe se torna dominante (do ponto de vista</p><p>econômico e político), ela também consegue difundir a sua “visão de mundo” e os</p><p>seus valores. Assim, uma classe impõe os seus preceitos sobre as demais, que adotam</p><p>as suas concepções e acabam sendo exploradas sem perceberem a sua condição. A</p><p>ideologia, portanto, é vista por Marx como um conjunto de falsas representações da</p><p>realidade, que servem para legitimar e consolidar o poder das classes dominantes.</p><p>Modo de Produção</p><p>Tanto o Estado quanto a ideologia são considerados por Marx como dois elementos da superestrutura.</p><p>Entretanto, para se entender o funcionamento do</p><p>Estado e da ideologia é preciso descer até a</p><p>infraestrutura, pois é lá que se forma a classe que vai controlar o poder político e ideológico da sociedade,</p><p>razão esta pela qual a superestrutura está condicionada pela infraestrutura.</p><p>Para Marx, a infraestrutura e a superestrutura constituem o que ele chama de modo de produção.</p><p>Para ele, as sociedades se transformam quando alteram o modo de produzir. É por esta razão que a teoria</p><p>sociológica de Marx é chamada de “materialismo histórico”. Foi analisando a infraestrutura da sociedade ao</p><p>longo da história que o autor elaborou um esquema acerca do desenvolvimento da sociedade ocidental,</p><p>mostrando como as modificações das forças produtivas alteravam as relações de produção (classes sociais),</p><p>produzindo novas classes dominantes e novas formas de enxergar a realidade através das ideologias. Marx</p><p>percebe as seguintes etapas do desenvolvimento histórico ocidental: 1) modo de produção primitivo; 2)</p><p>modo de produção escravista; 3) modo de produção asiático; 4) modo de produção feudal; 5) modo de</p><p>produção capitalista; 6) modo de produção comunista.</p><p>Teses Fundamentais sobre o capitalismo</p><p>1) o objetivo do sistema capitalista é o lucro;</p><p>2) o lucro é gerado pela exploração (mais-valia);</p><p>3) na base do sistema capitalista está um sistema de</p><p>relações de classe;</p><p>4) no capitalismo, o indivíduo se encontra alienado (sob a</p><p>égide do fetichismo da mercadoria).</p><p>Alienação em Feuerbach</p><p>A categoria alienação Marx herdara de Feuerbach, o filósofo alemão mais conhecido do grupo de pensadores</p><p>chamados de “esquerda hegeliana” que buscavam estudar o pensamento de Hegel de forma crítica, cuja</p><p>principal obra chamava-se A Essência do Cristianismo (1841). O principal objetivo da teoria filosófica de</p><p>Feuerbach era criticar o aspecto religioso da filosofia hegeliana. Para este autor, a religião representaria uma</p><p>forma de alienação do indivíduo. Por isso, Feuerbach buscou substituir o idealismo de Hegel por uma postura</p><p>materialista, pois para ele não foi Deus quem criou os seres humanos, e sim os seres humanos que o criaram; os</p><p>seres humanos não são a imagem e semelhança de Deus, e sim Deus que é a imagem e semelhança dos seres</p><p>humanos.</p><p>De acordo com Feuerbach, a religião seria uma projeção dos desejos dos seres humanos, e a ideia de que Deus</p><p>é um ser perfeito e absoluto foi uma criação dos seres humanos, pois representa tudo aquilo que eles gostariam</p><p>de ser. Deus nada mais é do que um ser humano perfeito, um “super-homem”, ou seja, ele é a própria essência</p><p>humana exposta pelo ser humano, que o coloca para fora, expressando um ser espiritual que ele mesmo</p><p>projetou. Assim, a alienação ocorreria justamente quando o ser humano não percebe as coisas como elas são.</p><p>Os seres humanos se encontram alienados quando não percebem a si mesmos.</p><p>Alienação em Marx</p><p>A ideia ou conceito de alienação exerceu enorme influência na obra de Marx, pois ele também achava que os seres humanos</p><p>estavam alienados. Entretanto, a causa da alienação, diferentemente de Feuerbach, não era a religião, mas sim o</p><p>capitalismo. Na obra Manuscritos Econômico-Filosóficos (1846), também chamada de Manuscritos de Paris, Marx</p><p>desenvolveu inicialmente uma análise sobre a alienação. Esta obra, que só veio a ser conhecida em 1932, trouxe uma grande</p><p>controvérsia entre os estudiosos do marxismo. Neste texto, o autor apresentou a ideia de que o capitalismo aliena os seres</p><p>humanos de sua própria condição humana, que é o trabalho. Em outros termos, o fundamento do capitalismo, que seria a</p><p>propriedade privada, provocaria a separação dos seres humanos de seu próprio ser, ou seja, de sua própria natureza. De</p><p>acordo com as ideias contidas no texto, Marx argumenta que a propriedade privada provoca quatro tipos de alienação</p><p>humana: 1) Alienação do trabalhador do produto do seu próprio trabalho, ou seja, aquilo que o trabalhador produz no</p><p>capitalismo não pertence a ele, mas ao proprietário capitalista (dono dos meios de produção). Portanto, o ser humano perde</p><p>o controle daquilo que ele mesmo produz que é o objeto de seu trabalho, alienando-se do mesmo; 2) Alienação do</p><p>trabalhador no ato da produção, ou seja, na economia capitalista, o trabalhador também não controla a atividade de</p><p>produzir. Esta capacidade é vendida por ele ao capitalista. Portanto, no processo de produção, o trabalhador também aliena</p><p>sua atividade. Ela não lhe pertence, além de ser controlada por outra pessoa; 3) Alienação do trabalhador de sua espécie,</p><p>ou seja, o ser humano acaba se separando de seus semelhantes; 4) Alienação do trabalhador de sua própria natureza</p><p>humana, ou seja, a principal consequência da propriedade privada e do capitalismo é que o ser humano está alienado de si</p><p>mesmo – daquilo que ele mesmo é.</p><p>Fetichismo da mercadoria</p><p>Para Marx, o segredo de sua teoria está no fato de que ela demonstra que dinheiro é mercadoria e</p><p>mercadoria é trabalho. Entretanto, quando o dinheiro perde sua relação com o trabalho e parece</p><p>ganhar vida própria, o autor chama este fenômeno de fetichismo da mercadoria.</p><p>O capital desvinculado do trabalho aliena o ser humano da produção de sua essência social. A alienação</p><p>inverte o sentido das relações sociais, pois os seres humanos (sujeitos) se tornam objetos, enquanto</p><p>que os objetos (mercadorias) se tornam sujeitos. Assim, ao invés de a produção estar a serviço dos seres</p><p>humanos, no capitalismo são os seres humanos que se encontram dominados pela produção.</p><p>Reconhecendo que o capitalismo pode levar a uma total mercantilização da vida fazendo com que</p><p>todas as tarefas da vida estejam submetidas às exigências da reprodução do capital, Marx constatou que</p><p>a produção produz a perda de sua finalidade essencial que nada mais é do que a satisfação das</p><p>necessidades. Assim, o capital, livre de qualquer impedimento, tornou-se o elemento fundante da</p><p>sociedade, reproduzindo-se constantemente como se tivesse ganhado vida própria. Foi essa inversão</p><p>que fez com que o ser humano se tornasse uma coisa e as coisas se tornassem humanas.</p><p>Mais valia</p><p>Integração social e conflito</p><p>Diferentemente de Marx, que possuía um projeto político revolucionário, defendendo a ideia de que os seres</p><p>humanos são autores e atores de sua própria história, podendo produzir uma consciência de classe a partir da</p><p>compreensão de sua condição material de existência, Comte e Durkheim, por exemplo, defenderam uma posição</p><p>conservadora. Não obstante, assim como para Marx a característica fundamental da modernidade foi à</p><p>consolidação do modo de produção capitalista que alienou o ser humano, para Durkheim foi à instituição da</p><p>divisão social do trabalho, conforme vimos no segundo capítulo.</p><p>Enquanto que as tradições positivistas, iniciadas com Comte, e funcionalistas, iniciadas por Durkheim, colocaram</p><p>toda a ênfase no equilíbrio e na integração social, compreendendo que grande parte das formas de conflitos ou de</p><p>contestações deveria ser vista como desvios e ano mias que precisariam ser eliminadas12. A tradição marxista</p><p>partiu de um pressuposto oposto, permeado pela constatação de que os fenômenos sociais estão tangenciados por</p><p>relações de poder circunscritas aos campos culturais, políticos e econômicos e estão situadas no campo do conflito.</p><p>Desta forma, os movimentos contestadores, que buscam algum tipo de mudança social, não encontram respaldo</p><p>neste tipo de teoria conservadora enunciada por Comte e Durkheim, pois entendem que elas estão comprometidas</p><p>com a ordem vigente e com sua preservação, tratando-se de um projeto político que se fundamenta na</p><p>manutenção da estrutura organizada pela classe dominante, diferentemente da proposta revolucionária elaborada</p><p>por Karl Marx.</p><p>Max Weber</p><p>Contrapondo-se aos pressupostos do</p><p>positivismo iniciado com Comte, Max</p><p>Weber desenvolveu uma análise pautada</p><p>na ideia de que a razão humana, na versão</p><p>encarnada pela economia capitalista e pela</p><p>burocracia do Estado, seria uma força que,</p><p>ao mesmo tempo em que “desencanta” o</p><p>mundo, invade todas as esferas da vida</p><p>humana, ocasionando</p><p>a perda da liberdade</p><p>e o sentido da vida.</p><p>Principais Influências de Weber</p><p>Dentre as correntes teóricas que mais influenciaram o pensamento de Weber podemos</p><p>citar: a filosofia moderna a partir de Kant, que afirmava que o conhecimento não capta a</p><p>essência da realidade, mas apenas os fenômenos que nos são transmitidos através dos</p><p>sentidos, de Nietzsche, do qual herdou uma visão pessimista da sociedade moderna e de</p><p>Marx, que propôs uma análise rigorosa sobre o chamado modo de produção capitalista.</p><p>Weber ainda foi influenciado pelos filósofos neokantianos, como Dilthey, Windelband e</p><p>Rickert, que insistiam na necessidade da distinção entre as características das ciências</p><p>sociais (chamadas de ciências do espírito/cultura) das demais ciências da natureza,</p><p>contrapondo-se às ideias positivistas desenvolvidas por Comte, e pelo pensamento social</p><p>alemão de diferentes autores contemporâneos a ele, pois, embora tenha sido um dos</p><p>maiores expoentes da sociologia alemã, o autor retomou as ideias de vários outros</p><p>importantes pensadores da época, principalmente Tönnies, Simmel e Sombardt.</p><p>Primado no sujeito</p><p>Contrariamente às propostas do positivismo de Comte e do funcionalismo de Durkheim,</p><p>que construíram suas teorias sociológicas com base no primado do objeto, Weber propunha</p><p>uma teoria sociológica compreensiva ou hermenêutica com base no primado do sujeito,</p><p>contextualizando o objeto.</p><p>Ao inaugurar na sociologia um novo caminho para a interpretação da realidade social</p><p>chamada de teoria sociológica compreensiva ou hermenêutica, Weber atacou o</p><p>pensamento de Comte a partir da absorção da grande preocupação dos filósofos</p><p>neokantianos, que buscavam combater o pressuposto positivista de que as ciências naturais</p><p>e as ciências sociais deveriam adotar o mesmo método. Em seu texto intitulado A</p><p>Objetividade do Conhecimento nas Ciências Sociais (1904), o autor questionou se o fim ideal</p><p>do trabalho científico deveria consistir numa redução da realidade empírica a certas leis, ou</p><p>seja, se os fenômenos sociais deveriam ser tratados a partir de leis universais e invariáveis</p><p>supostamente encontradas na sociedade.</p><p>Crítica ao positivismo</p><p>Para Weber, as leis científicas seriam apenas probabilidades típicas, confirmadas pela</p><p>observação, de que determinadas situações de fato ocorrem de forma esperada, e que certas</p><p>ações sociais são compreensíveis pelos seus motivos típicos e pelo sentido típico mencionado</p><p>pelos sujeitos da ação.</p><p>Enquanto que nas ciências naturais o objeto do estudo é algo exterior aos seres humanos, nas</p><p>ciências sociais os seres humanos são o sujeito e o objeto ao mesmo tempo. Enquanto as</p><p>ciências naturais fazem uso do método da explicação, as ciências sociais devem se articular em</p><p>torno dos princípios da explicação e da compreensão, dependendo da finalidade da pesquisa.</p><p>Weber não apenas criticou os positivistas, dizendo que a realidade é infinita, logo, não pode</p><p>ser explicada totalmente a partir de leis científicas, como também deferiu suas criticas aos</p><p>neokantianos, defendo a tese de que a Sociologia deveria utilizar os dois métodos</p><p>supracitados (individualizante/ compreensivo e generalizante/explicativo), dependendo da</p><p>finalidade da pesquisa, entendendo, ainda, que as leis científicas seriam apenas probabilidades</p><p>de ação social.</p><p>Indivíduo como fundamento da sociedade</p><p>Se para Comte e Durkheim a sociedade seria superior ao indivíduo, poderíamos</p><p>dizer que para Weber o indivíduo é o fundamento da sociedade, pois a existência</p><p>da sociedade só ocorre pela ação e interação recíprocas entre as pessoas. Para</p><p>Weber, o conhecimento científico cultural que entendemos encontra-se preso,</p><p>portanto, há premissas “subjetivas” pelo fato de apenas se ocupar daqueles</p><p>elementos da realidade que apresentem alguma relação, por muito indireta que seja</p><p>com os acontecimentos a que conferimos uma significação cultural. Deste modo, o</p><p>autor enfatiza a importância do sujeito (pesquisador) ao analisar seu objeto</p><p>(fenômenos sociais), demonstrando que o primeiro incide sobre o segundo.</p><p>Ação Social</p><p>O objeto de estudo da sociologia para Weber é a ação social. Para o autor que propõe o</p><p>pressuposto filosófico do individualismo metodológico perpassado pela preponderância do</p><p>sujeito sobre o objeto, ação social significa uma ação que, quanto a seu sentido visado</p><p>pelo agente ou pelos agentes, se refere ao comportamento de outros, orientando-se por</p><p>este em seu curso.</p><p>Assim, a tarefa da sociologia para o autor consistiria em determinar qual o “sentido” ou</p><p>“significado” da ação. O fundamento para explicar a ação social, portanto, é o seu motivo,</p><p>pois para a sociologia o importante seria recuperar a razão e a finalidade que os próprios</p><p>indivíduos conferem às suas atividades – bem como às suas relações com os demais</p><p>indivíduos e com a sociedade. São essas razões que explicam o motivo e a própria</p><p>existência das ações sociais. A teoria sociológica proposta por Weber é chamada de</p><p>metodologia compreensiva porque busca compreender o significado da ação social.</p><p>Quatro Tipos de Ação Social</p><p>1) Ação Racional Referente a Fins: Ação determinada por expectativas quanto ao</p><p>comportamento de objetos do mundo exterior e de outras pessoas.</p><p>2) Ação Racional Referente a Valores: Ação determinada pela crença consciente no</p><p>valor – ético, estético, religioso ou qualquer outro que seja sua interpretação –</p><p>absoluto e inerente a determinado comportamento como tal, independente do</p><p>resultado.</p><p>3) Ação Social Afetiva: Ação determinada por um modo afetivo, especialmente</p><p>emocional, através de afetos ou estados emocionais atuais.</p><p>4) Ação Social Tradicional: Ação determinada por costumes arraigados.</p><p>Tipos Ideais</p><p>Para Weber, o sociólogo não pode tratar dos seus conceitos e suas teorias como se</p><p>fosse uma mera reprodução da realidade, como propunham os positivistas.</p><p>Adotando a filosofia kantiana, o autor parte do princípio de que o conhecimento</p><p>humano não é uma reprodução da essência da realidade. Pelo contrário, o</p><p>conhecimento humano só capta as relações entre as coisas existentes, de acordo</p><p>com a estrutura da mente humana. Reconhecendo os limites das ciências sociais,</p><p>Weber dirá que a sociologia não capta toda a essência da realidade, mas sim alguns</p><p>de seus elementos que são condicionados pela cultura no qual o sociólogo está</p><p>inserido. Desta forma, o sujeito teria um papel ativo na construção do conhecimento</p><p>sociológico, na medida em que é o sociólogo que determina os traços ou aspectos da</p><p>realidade que serão analisados e qual a relação existente entre eles. Será este</p><p>aspecto que chamará de tipo ideal.</p><p>Conceito de Tipo Ideal</p><p>Segundo Weber, um tipo ideal é obtido por meio da acentuação unilateral de um ou vários</p><p>pontos de vista, e mediante o encadeamento de grande quantidade de fenômenos isolados</p><p>dados, difusos e discretos, que podem dar em maior ou menor número ou mesmo faltar por</p><p>completo, e que se ordenam segundo pontos de vista unilateralmente acentuados, a fim de</p><p>se formar um quadro homogêneo de pensamento.</p><p>Desta forma, os tipos de ação social, constatados no capitalismo, feudalismo, burocracia,</p><p>Estado, dentre outros, devem ser entendidos como tipos ideais que não devem se</p><p>encontrar de forma pura na realidade. Pois eles permitem que o pesquisador possa</p><p>comparar de forma constante suas teorias com a realidade pesquisada, a partir de um</p><p>aspecto da mesma.</p><p>No intuito de empreender o seu estudo sobre a modernidade, Weber se dedicou a entender</p><p>a relação entre o protestantismo e a conduta econômica do capitalismo, concluindo que as</p><p>racionalizações existiram em todas as culturas, nos mais diversos setores e dos tipos mais</p><p>diferentes.</p><p>Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo</p><p>Os objetivos da obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905) são, primeiramente, desenvolver uma</p><p>investigação sobre as origens do capitalismo, juntamente à ciência, arte, arquitetura, universidade, Estado,</p><p>entendendo que estes seriam marcados em grande parte pela civilização ocidental, verificando</p><p>qual a influência da</p><p>religião na origem do moderno sistema econômico capitalista-industrial e, em seguida, mostrar como se dá o</p><p>progresso da racionalização no ocidente do qual o capitalismo é sua maior expressão.</p><p>Para Weber, a “ética luterana” muito mais favoreceu o capitalismo do que o gerou sozinha. Para exemplificar o</p><p>que chamou de “espírito do capitalismo”, o autor cita as máximas do ex-presidente estadunidense Benjamim</p><p>Franklin: tempo é dinheiro, crédito é dinheiro, dinheiro gera mais dinheiro, o bom pagador é dono da bolsa alheia,</p><p>etc. Assim, ser capitalista, antes de tudo, não é ser uma pessoa avara, mas ter uma vida disciplinada, ou ascética, de</p><p>tal forma que as ações praticadas se revertam em lucro – o que chamou de ascese do mundo.</p><p>Para Weber, a primeira contribuição para este processo foi dada por Lutero através de sua concepção de vocação,</p><p>que propunha a salvação das pessoas não através do retiro do mundo para a reza, mas pela aceitação de suas tarefas</p><p>profissionais proporcionadas por Deus e seu cumprimento disciplinado pelas pessoas. Ao desenvolver suas análises</p><p>sobre a ascese do mundo, o autor analisou quatro seitas protestantes: calvinismo, pietismo, metodismo e as seitas</p><p>batistas, constatando que a que mais explica a relação entre a ética protestante e a origem do capitalismo é o</p><p>calvinismo, sendo Deus quem dá a salvação aos seus escolhidos.</p><p>Relação entre Protestantismo e Capitalismo</p><p>Para Weber, mais do que a origem do capitalismo, o protestantismo ascético favoreceu também a</p><p>racionalização da vida, pois esta estaria movida pelo sistema econômico. O comportamento ideal do</p><p>protestante seria a princípio uma vida metódica, dedicada ao trabalho de forma disciplinada e ordenada,</p><p>representando uma forma extremamente racionalizada de vida.</p><p>Segundo Weber, as religiões orientais levam o crente a uma atitude contemplativa diante do mundo. Já o</p><p>caráter específico da religião ocidental, consiste em levar o crente a uma atitude de engajamento diante do</p><p>mundo. Por isso, a ideia do autor de que a ética protestante favoreceu a origem do capitalismo, enquanto</p><p>que as religiões orientais não inspiraram nenhum movimento neste sentido.</p><p>Segundo sua análise, o processo de intelectualização compreende as seguintes etapas: religião ></p><p>desencantamento do mundo > racionalização. Entretanto, o aumento do grau de racionalidade do mundo</p><p>não levou necessariamente a um estágio superior de vida social, mas à perda de liberdade e também da</p><p>burocratização (ou racionalização social) não só do Estado, mas da vida.</p><p>A racionalidade ocidental foi representada por Weber como uma jaula de ferro que, embora tenha</p><p>libertado os seres humanos das forças divinas e naturais, acabou tornando o homem um escravo da própria</p><p>criação.</p><p>Ciência e Política: Duas Vocações</p><p>Embora não fosse um político de profissão, mas um cientista, Weber acabou participando</p><p>ativamente dos debates políticos da Alemanha em sua época, que o inspiraram a pesquisar e escrever</p><p>textos e reflexões acadêmicas especialmente sobre o capitalismo, a burocracia e o poder político. Na</p><p>época em que viveu, o capitalismo industrial estava se expandindo fortemente por toda a Europa,</p><p>entretanto, a Alemanha se encontrava como um país retardatário neste processo de industrialização.</p><p>Assim, só conseguiu participar da corrida econômica com a unificação dos territórios germânicos</p><p>através de Bismarck em 1870.</p><p>Uma das características fundamentais do pensamento de Weber consiste na separação radical entre a</p><p>figura do “cientista” e do “político”, ou seja, entre as esferas da ciência e da política. Entretanto, isso</p><p>não o impediu de se pronunciar várias vezes sobre os problemas políticos de sua época. Herdado de</p><p>Rickert, filósofo alemão neokantiano, a convicção de que as ciências humanas são ciências</p><p>relacionadas com os valores, Weber insistiu que as ciências humanas são ciências subjetivas e que</p><p>dependem do “ponto de vista” adotado pelo autor. Assim, esta questão acaba levando Weber a refletir</p><p>sobre a questão da objetividade nas ciências humanas e/ou sociais.</p><p>Juízo de Valor e Juízo de Fato</p><p>No intuito de resolver este dilema, o autor afirmará que a ciência deverá cuidar</p><p>para distinguir rigorosamente entre os juízos de fato e os juízos de valor, pois</p><p>na condução da pesquisa, todas as considerações pessoais do autor (ou os seus</p><p>juízos de valor ou axiológicos) deveriam ser colocadas de lado. Na pesquisa, o</p><p>sociólogo só poderia emitir os seus juízos de fato, mostrando rigorosamente</p><p>o desenvolvimento de um determinado fenômeno sem julgá-lo, não</p><p>tomando posições sobre o problema.</p><p>Ao invés de dizer qual o melhor sistema político, por exemplo, o sociólogo</p><p>deve apontar quais as consequências da adoção deste, pois fazer a escolha é</p><p>uma tarefa da sociedade.</p><p>Duas formas de se fazer política</p><p>No texto A Política como Vocação (1919), Weber chamou a atenção para a condição do</p><p>político profissional. Para o autor, com o aparecimento do Estado, em todos os países</p><p>do globo, nota-se o aparecimento de uma nova espécie de político profissional. Assim,</p><p>há duas maneiras de fazer política: ou se vive para a política ou se vive da política.</p><p>Aquele que vê na política uma permanente fonte de renda, dirá que vive da política e</p><p>aquele que vive a partir dos ideais da política dirá que vive para a política. A partir desta</p><p>distinção, Weber observa que os governantes estão divididos entre o apelo de uma</p><p>“ética da convicção”, na qual o indivíduo permanece fiel às suas concepções e valores,</p><p>independente das consequências práticas que isto possa ter e uma “ética da</p><p>responsabilidade”, na qual se pergunta primeiramente sobre a consequência de suas</p><p>ações e decisões. Entretanto, deixa claro que a ética da convicção não significa ausência</p><p>de responsabilidade e nem o contrário.</p><p>Poder e Tipos de Dominação</p><p>Para Weber, o poder é entendido como a capacidade de impor a própria vontade</p><p>dentro de uma relação social, enquanto que a dominação é entendida como a</p><p>probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato. O autor</p><p>distinguiu três tipos puros de dominação, certamente uma das categorias mais</p><p>utilizadas pela sociologia weberiana: dominação legal racional, na qual a</p><p>obediência apoia-se na crença da legalidade da lei e dos direitos de mandos das</p><p>pessoas autorizadas a comandar a lei; dominação tradicional, na qual sua</p><p>legitimidade se apoia na crença de que o poder de mando tem um caráter</p><p>sagrado, herdado dos tempos antigos; e a dominação carismática, na qual a</p><p>legitimidade da autoridade do líder carismático lhe é conferida pelo afeto e</p><p>confiança que os indivíduos depositam nele.</p><p>Teoria da Estratificação Social</p><p>A grande novidade da teoria da estratificação social de Weber centra-se na busca pela compreensão</p><p>das diferentes posições do indivíduo em relação à sociedade, não a partir de um único critério, mas a</p><p>partir de sua inserção em várias esferas da realidade. Assim, do ponto de vista econômico as pessoas</p><p>são separadas por “classes sociais”. Do ponto de vista político, se encontrarão divididas nos “partidos”,</p><p>e enquanto o aspecto cultural, as pessoas poderão se diferenciar em diferentes tipos de “estamentos”.</p><p>A classe diz respeito aos interesses econômicos das pessoas em relação às diferenças na posse dos</p><p>bens. O partido se relacionará com a diferente distribuição do poder e o estamento relacionado com os</p><p>diferentes estilos de vida das camadas sociais, juntamente com o prestígio e a honra conferida a cada</p><p>uma.</p><p>Não obstante, Weber também foi responsável pelo desenvolvimento de umas das mais cuidadosas</p><p>análises sobre o fenômeno da organização burocrática que perpassou a história do Egito, do Principado</p><p>Romano, do Estado Bizantino, da Igreja Católica, da China, dos Estados Europeus Modernos, das</p><p>grandes empresas capitalistas modernas, dentre outros, avaliando suas vantagens e tarefas,</p><p>relacionando-a com o direito e com os meios de administração.</p><p>Burocratização</p><p>Ao constatar que o fenômeno da burocratização atinge todas</p><p>as esferas da vida social e não</p><p>somente o Estado11, Weber averiguou que a burocracia moderna é regida pelo princípio das</p><p>áreas de jurisdição fixas e oficiais através de regulamentos estabelecidos por meio de leis,</p><p>documentos ou normas administrativas escritas; age por meio de princípios hierárquicos</p><p>disponibilizados pela construção de diferentes níveis de autoridade que operam em postos</p><p>distintos; promove treinamento especializado e completo, exigindo atividades oficiais que</p><p>capacitam o trabalho do funcionário; articula uma avaliação do desempenho do cargo a partir de</p><p>regras gerais supostamente estáveis e exaustivas que podem e devem ser aprendidas.</p><p>Ao ponderar sobre o crescimento do Estado e sobre a complexidade dos problemas que este se</p><p>incumbiu de resolver, Weber constatou que a ascensão da burocracia resultou em problemas</p><p>graves para os regimes democráticos, uma vez que distanciou os cidadãos das decisões</p><p>fundamentais proferidas pelo Estado e demais instituições sociais.</p>

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