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<p>PSICOLOGIA DO</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>INFANTIL</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Caracterizar o desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância.</p><p>> Descrever os marcos de desenvolvimento motor na primeira infância.</p><p>> Reconhecer aspectos que influenciam o desenvolvimento físico e psicomotor</p><p>na primeira infância.</p><p>Introdução</p><p>Para compreender plenamente como ocorre o desenvolvimento humano, é</p><p>preciso considerar as mudanças físicas, cognitivas e comportamentais do</p><p>indivíduo, bem como a continuidade e a progressividade dessas mudanças para</p><p>cada idade. Ao mesmo tempo, é preciso identificar as origens dos padrões de</p><p>desenvolvimento no que concerne à relação biologia versus ambiente, ou seja,</p><p>aquilo que é constitucional e genético do desenvolvimento humano e aquilo</p><p>que sofre influência externa, como criação, nutrição, educação, estimulação</p><p>e relações interpessoais.</p><p>Basicamente, o desenvolvimento infantil se divide em três etapas: a primeira</p><p>infância (0-2 anos), o desenvolvimento na segunda infância (2-6 anos) e o desen-</p><p>volvimento na terceira infância (6-12 anos). Neste capítulo, é abordada a primeira</p><p>infância, um período fundamental para a formação humana, quando a criança</p><p>constitui as potencialidades de se desenvolver. Nessa fase, são encontrados</p><p>Desenvolvimento</p><p>físico e psicomotor</p><p>na primeira infância</p><p>Claudio Luciano Dusik</p><p>marcos do desenvolvimento do repertório motor, detalhadamente discutido a</p><p>seguir, que favorecerá o aprimoramento de outras habilidades no decorrer da</p><p>vida. Além disso, também serão discutidos alguns aspectos que influenciam o</p><p>desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância.</p><p>Conceitos fundamentais: evolução física</p><p>e psicomotora</p><p>O desenvolvimento humano é um processo contínuo. Nesta seção, será</p><p>discutida a evolução psicomotora inerente à primeira infância (0-2 anos).</p><p>Especificamente, você verá a evolução dos reflexos e da motricidade, das</p><p>primeiras funções intelectivas e cognitivas, da comunicação, da afetividade, da</p><p>sociabilidade e de diversas outras aprendizagens de forma global e simultânea.</p><p>De fato, trata-se de um processo de alterações complexas e interligadas,</p><p>das quais participam todos os aspectos de crescimento e maturação dos</p><p>aparelhos e sistemas do organismo (XAVIER, 2018).</p><p>O desenvolvimento humano decorre por etapas, depende da maturação</p><p>do sistema nervoso central e, obviamente, inicia-se na gestação. Quando a</p><p>criança nasce, já demonstra os reflexos primitivos, que possibilitarão, pos-</p><p>teriormente, os movimentos voluntários. Esses reflexos, inatos, permitem</p><p>ao bebê realizar as funções básicas de respirar, sugar ou virar a cabeça à</p><p>procura do peito materno. Assim, tão logo o bebê nasce, a avaliação do de-</p><p>senvolvimento de funções básicas para a sobrevivência e a preservação do</p><p>cérebro é realizada por meio da escala de Apgar, desenvolvida pela médica</p><p>norte-americana Virginia Apgar (GOMES; SILVA FILHO 2010).</p><p>Apgar é a sigla dos sinais avaliados pela escala: aparência, pulso,</p><p>gesticulação, atividade e respiração). A aparência é a cor da pele, que</p><p>pode ser caracterizada como pálida, azulada, amarelada ou rosada, enquanto o</p><p>pulso é a frequência cardíaca avaliada em batimentos cardíacos por minuto. Já a</p><p>gesticulação consiste nos reflexos percebidos por caretas, tosse ou espirro ante</p><p>uma estimulação específica. Por fim, a atividade é o tônus muscular analisado</p><p>pela flexibilidade e pela movimentação das pernas, e a respiração é verificada</p><p>por meio do choro fraco ou vigoroso (GOMES; SILVA FILHO 2010).</p><p>A partir dos ajustes neurofuncionais imediatos do recém-nascido à vida</p><p>fora do útero, bebês e crianças passam por etapas essenciais do desenvol-</p><p>vimento, embora o ritmo na aquisição de funções psicomotoras possa variar</p><p>sutilmente de uma criança para a outra. Durante os dois primeiros anos de</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância2</p><p>vida, o desenvolvimento da motricidade e o do psiquismo se confunde e</p><p>sobrepõe-se por meio do desenvolvimento sensorial, motor e cognitivo,</p><p>consistindo no desenvolvimento psicomotor (LE BOULCH, 1992).</p><p>Nesse desenvolvimento, intervêm fatores genéticos e fatores do meio,</p><p>bem como o sexo do bebê. Os fatores genéticos se referem a tudo o que cada</p><p>criança herda dos pais. Fatores ambientais se referem ao início da aprendi-</p><p>zagem, que é muito global. Isto é, o bebê aprende, de forma simultânea, a</p><p>deslocar-se, a prestar atenção ao que lhe dizem, a estabelecer um vínculo</p><p>com a figura de afeição, entre outras competências (LE BOULCH, 1992).</p><p>A vida psíquica se desenvolve a partir de três dimensões: motora, afetiva</p><p>e psíquica, que coexistem, operam e se desenvolvem de forma integrada.</p><p>Mesmo que, em determinado momento, uma dimensão pareça predominar,</p><p>essa dominância se alterna, e as conquistas ocorridas em uma dimensão</p><p>são incorporadas às outras. Dessa forma, ao longo do desenvolvimento, as</p><p>dimensões alternam preponderâncias, e a afetividade reflui para dar espaço à</p><p>intensa atividade cognitiva assim que a maturação põe em ação o equipamento</p><p>sensório-motor, que é necessário à exploração da realidade (DANTAS, 1992).</p><p>A primeira infância se caracteriza por marcantes e importantes</p><p>aquisições dessas dimensões, como, por exemplo, a marcha, a fala,</p><p>o controle esfincteriano e a capacidade de representar utilizando diferentes</p><p>linguagens, havendo alternância entre momentos afetivos e cognitivos. Assim,</p><p>a educação familiar, por meio dos estímulos para as crianças pequenas, deve</p><p>promover a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos</p><p>e sociais (BRASIL, 2021).</p><p>Para Wallon (2008), a criança deve ser entendida pela sucessão das etapas</p><p>de desenvolvimento, caracterizadas pelos domínios funcionais da afetividade,</p><p>do ato motor e do conhecimento, primordialmente pelo meio social. Por essa</p><p>razão, as crianças, assim como os bebês, necessitam de uma rotina plane-</p><p>jada, estruturada e organizada para o seu melhor desenvolvimento, visando</p><p>a conforto, segurança, maior facilidade de organização e espaço temporal,</p><p>libertando-as do sentimento de estresse que uma rotina desestruturada</p><p>pode causar.</p><p>Vê-se, portanto, que a primeira infância é decisiva no desenvolvimento</p><p>e na formação do ser humano. É nesse período que são formadas as bases</p><p>para o desenvolvimento físico, neurológico e psicológico saudável da criança.</p><p>Estudos teóricos e pesquisas sobre o desenvolvimento dos bebês mostram</p><p>que a capacidade de conhecer e aprender se constrói por meio do corpo, com</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 3</p><p>as coisas do ambiente onde estão inseridos, por intermédio das interações</p><p>que são estabelecidas com as outras crianças e com os adultos.</p><p>Conforme Wallon (1998), o desenvolvimento infantil contempla motricidade,</p><p>afeto e cognição. Nas suas pesquisas, enfatiza que o desenvolvimento da</p><p>inteligência depende das experiências oferecidas pelo meio e pelo grau de</p><p>apropriação que cada ser humano faz delas. Ou seja, os aspectos físicos do</p><p>espaço, as pessoas próximas, a linguagem e os conhecimentos presentes na</p><p>cultura contribuem efetivamente para formar o contexto de desenvolvimento.</p><p>Referente às bases do desenvolvimento psicomotor, há, então, os fatores</p><p>externos e internos (Figura 1). Os fatores externos são as ocorrências que são</p><p>fora do corpo, isto é, as ocorrências ambientais, as interferências positivas e</p><p>negativas do entorno da pessoa, que fazem parte do dia a dia. Já os fatores</p><p>internos são os do corpo, que fazem parte de todos os sistemas do organismo.</p><p>Figura 1. Bases do desenvolvimento psicomotor.</p><p>Os fatores externos influenciam os externos e vice-versa. Assim, por exem-</p><p>plo, um fator externo como um parto demorado e complexo pode ocasionar</p><p>falta de oxigenação para o bebê e, consequentemente, uma paralisia cerebral</p><p>pela falta de oxigênio no cérebro. Outro exemplo é a privação de alimentos ou</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância4</p><p>de movimentos, que pode ocasionar diferentes prejuízos no desenvolvimento.</p><p>Em ambos os exemplos, a parte motora do bebê será afetada. Dependendo da</p><p>gravidade, também a linguagem, a cognição e outras funções psicomotoras</p><p>podem sofrer consequências.</p><p>Por sua vez, fatores internos como a alteração no cromossomo 23, que</p><p>ocasiona a síndrome de Down, afetam principalmente o sistema cognitivo,</p><p>e alterações no gene SMN1 ocasionam degeneração do sistema muscular.</p><p>Porém, ao se intervir nos fatores internos e, principalmente, nos externos,</p><p>o bebê pode ter amenizadas ou até sanadas as consequências de fatores</p><p>negativos.</p><p>Dessa forma, para que a criança possa ter os seus interesses e possibili-</p><p>dades ampliados, conquistando cada vez mais habilidades e competências,</p><p>precisa evoluir nas diversas dimensões do desenvolvimento infantil, supe-</p><p>rando limitações, construindo a sua identidade, tomando consciência de si,</p><p>compreendendo o seu lugar no mundo e sentindo-se segura para explorar</p><p>e vivenciar novas experiências. Daí a importância das relações de estímulos</p><p>psicomotores, de amor e de confiança que são estabelecidas com a sua</p><p>família, cuidadores e amigos.</p><p>Nesse contexto, é possível caracterizar as etapas do desenvolvimento da</p><p>criança a partir das quatro dimensões do desenvolvimento infantil:</p><p>1. socioafetividade;</p><p>2. linguagem;</p><p>3. cognição;</p><p>4. motricidade.</p><p>Essas quatro dimensões estão diretamente interligadas e são interdepen-</p><p>dentes, tendo em vista que a criança é um ser integral e deve ser atendida a</p><p>partir da sua completude (BRASIL, 2021).</p><p>Socioafetividade</p><p>O aspecto socioafetivo se refere às relações e interações que a criança es-</p><p>tabelece desde o seu nascimento, e elas são definidas pelo meio em que a</p><p>criança está inserida. Dessa forma, ao se relacionar e interagir, ela vai esta-</p><p>belecendo vínculos afetivos: inicialmente com os seus cuidadores primários,</p><p>sejam eles pais, familiares ou outros que exerçam a função materna e paterna,</p><p>e futuramente com os seus pares (BRASIL, 2021).</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 5</p><p>É na relação com os seus cuidadores primários que a criança busca a pro-</p><p>teção, o carinho e os cuidados. Ela precisa estar cercada de afeto e atenção</p><p>para que se desenvolva de maneira saudável e criativa, integral e integrada.</p><p>O aspecto afetivo envolve o toque, o olhar, o tom de voz, o nível e a quali-</p><p>dade de diálogo, o acolhimento e a aceitação do outro. Na dimensão afetiva,</p><p>deve-se reconhecer que essas experiências são determinantes para que se</p><p>estabeleçam meios para a criança lidar com as próprias emoções, como o</p><p>apego seguro, a autoestima e padrões de comportamentos, segurança e</p><p>determinação (BRASIL, 2021).</p><p>Linguagem</p><p>Os fatores biológicos, e já a primeira interação social entre mãe e bebê, estão</p><p>permeados por emoções, que são definidas por meio da afetividade existente.</p><p>Assim, o bebê se comunica bem antes de emitir sons: sorriso, choro, gestos,</p><p>movimentos corporais e expressões faciais dão voz aos desejos e interações</p><p>do bebê já nos seus primeiros dias. Ele chora de um jeito diferente, depen-</p><p>dendo do que sente: fome, frio, calor, dor ou necessidade de aconchego. Ele</p><p>também se comunica pela expressão facial e com movimentos corporais</p><p>(BRASIL, 2020a; 2020b; 2021).</p><p>O processo de aquisição da linguagem, o seu desenvolvimento e aperfei-</p><p>çoamento iniciam-se desde o início da vida de um bebê. Por isso, é importante</p><p>que a mãe converse com o seu filho, pois a voz e as palavras dirigidas a ele</p><p>servirão como base fundamental para os quatro aspectos das dimensões</p><p>do desenvolvimento. Após o nascimento, como a criança ainda não fala,</p><p>ela expressa os seus desejos, vontades e necessidades por meio do choro.</p><p>Quando o adulto percebe esse choro, é impelido a resolver o problema. Ou</p><p>seja, o choro provoca intervenções que aliviam o sofrimento e a angústia,</p><p>em um intercâmbio entre ação e reação (BRASIL, 2021).</p><p>Nesse sentido, as primeiras tentativas de expressão verbal são os cha-</p><p>mados gorjeios, seguidos pelo balbucio. Na medida em que os bebês se</p><p>desenvolvem, conforme a quantidade e qualidade de estímulos, o vocabulário</p><p>infantil se torna cada vez mais rico, amplo e complexo. Nesse período, as</p><p>interações estabelecidas com as crianças são fundamentais para o desenvol-</p><p>vimento linguístico: perceber e responder aos sinais e gestos da criança, dar</p><p>continuidade ao diálogo iniciado, criar histórias, perguntar e responder são</p><p>exemplos que potencializam novas aquisições e aprendizagens na linguagem</p><p>(BRASIL, 2021).</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância6</p><p>Cognição</p><p>A cognição é uma dimensão diretamente entrelaçada à dimensão da linguagem</p><p>e ao aspecto afetivo, pois essas dimensões mobilizam as aprendizagens.</p><p>A cognição se refere a um conjunto de funções cerebrais necessárias</p><p>para a obtenção de conhecimento sobre o mundo, e essas funções</p><p>envolvem pensamento, raciocínio, abstração, linguagem, memória, atenção,</p><p>criatividade, capacidade de resolução de problemas, entre outras funções. Dessa</p><p>forma, as habilidades e competências cognitivas não são transmitidas, mas</p><p>desenvolvidas a partir de estímulos. O estímulo une a adaptabilidade do cérebro</p><p>à capacidade de aprendizagem, favorecendo experiências que oportunizarão</p><p>a exploração e aquisição de habilidades mentais (BRASIL, 2021; PERIN, 2010).</p><p>A cognição é um elemento fundamental na psicogênese da pessoa, sendo</p><p>o seu desenvolvimento também relacionado às bases biológicas e às suas</p><p>constantes interações com o meio. A dimensão cognitiva conta com a ne-</p><p>cessidade de cuidados e estímulos, além de carinho e atenção. A fase mais</p><p>importante desse processo de construção é a primeira infância, em que a</p><p>plasticidade do cérebro é maior do que em todas as outras etapas da vida,</p><p>pois o cérebro ainda está se formando e são criadas ligações que serão a base</p><p>dos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Isso acontece por meio</p><p>da aprendizagem e da boa desenvoltura de outras funções que o alicerçam,</p><p>como a linguagem, a coordenação motora e o suporte afetivo-emocional</p><p>(BRASIL, 2021; FERREIRA; ACIOLY-RÉGNIER, 2010).</p><p>É nesse período que o estímulo externo tem maior chance de sucesso. E o</p><p>contrário também é válido: se os estímulos forem nulos ou inadequados, ha-</p><p>verá efeitos negativos para o funcionamento cerebral. Portanto, é importante</p><p>que a criança cresça em um ambiente saudável, amoroso e com estímulos que</p><p>proporcionem avanços na sua cognição, de modo que se alcance o potencial</p><p>do seu desenvolvimento (BRASIL, 2021).</p><p>Motricidade</p><p>O desenvolvimento motor se inicia ainda na vida intrauterina, e a primeira</p><p>infância é a fase na qual se tem a maior receptividade aos estímulos vindos</p><p>do ambiente, de modo que o desenvolvimento das habilidades motoras ocorre</p><p>de maneira eficaz. Nessa fase, conhecida como janela de oportunidades (ou</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 7</p><p>de períodos sensíveis), o cérebro se desenvolve e vivencia períodos mais</p><p>sensíveis para algumas aprendizagens, estando mais receptivo do que em</p><p>outras fases da vida aos novos estímulos e à aquisição de novas habilidades.</p><p>Na primeira infância, o cérebro passa por grandes mudanças, que são maiores</p><p>do em outros momentos (MUNIZ, 2012; XAVIER, 2018).</p><p>Esse desenvolvimento motor pode ser definido como alterações nos níveis</p><p>funcionais dos indivíduos, de forma que tem relação com as exigências das</p><p>tarefas e o desenvolvimento de capacidades para executá-las. Com isso,</p><p>evidencia-se a importância de o bebê ter a liberdade de realizar movimentos</p><p>e experimentar os estímulos das mais variadas tarefas, pois isso facilitará</p><p>a execução de movimentos mais complexos no futuro (PIKLER, 1984; BRASIL,</p><p>2021).</p><p>Vê-se, portanto, que o desenvolvimento motor repercute na vida da criança</p><p>nos aspectos social, intelectual e cultural, além de oferecer liberdade e</p><p>independência. Exemplo disso é quando a criança está com déficit motor,</p><p>como nos casos de paralisia cerebral, em que foi afetada a sua capacidade</p><p>de falar e andar, bem como a sua coordenação motora. Nesse caso, ela terá</p><p>limitações</p><p>nas interações com outras pessoas, na exploração do ambiente e</p><p>no manuseio de objetos, bem como no acesso aos ambientes sociais quando</p><p>não houver acessibilidade às pessoas com deficiência. Essas limitações podem</p><p>incorrer em atrasos ou prejuízos no desenvolvimento neuropsicomotor se não</p><p>houver intervenções de estimulação precoce e acesso a ambientes inclusivos.</p><p>A vida e o desenvolvimento das crianças foram afetados pela massiva</p><p>entrada da mulher no mundo do trabalho. Além disso, a sociedade,</p><p>a vida e o conjunto de conhecimentos foram mudando, estendendo-se às ne-</p><p>cessidades de cada pessoa. Isso provocou mudanças na sociedade, fazendo as</p><p>tarefas de educar e cuidar, que antes eram exclusivas da família, ficar a cargo</p><p>da escola. Assim, além de ensinar, hoje cabe aos educadores cuidar, educar,</p><p>instruir e socializar crianças e adolescentes (BARBOSA, 2008; WEIL, 1960).</p><p>Nesse contexto, Martinello et al. (2011) descobriram que 42% das crianças</p><p>matriculadas em berçários e creches foram consideradas com risco e provável</p><p>atraso no seu desenvolvimento motor, o que foi associado ao ambiente insti-</p><p>tucional escolar. De fato, esse estudo observou que o ambiente institucional de</p><p>creches proporcionou poucas oportunidades para que as crianças pudessem</p><p>brincar e interagir com o meio.</p><p>Para se aprofundar em abordagens pedagógicas para a primeira infância em</p><p>ambiente institucional escolar, consulte as pesquisas e metodologias pedagó-</p><p>gicas de Loris Malaguzzi, Emmi Pikler e Jerome Bruner, que focam na liberdade</p><p>de movimentos, em ambientes propícios ao desenvolvimento psicomotor e na</p><p>estimulação de bebês.</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância8</p><p>Nesta seção, foram discutidos importantes aspectos conceituais e ca-</p><p>racterísticas do desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância.</p><p>Especialmente, você viu que a atenção a partir das quatro dimensões do</p><p>desenvolvimento infantil é relevante para a saúde e o desenvolvimento</p><p>humano, pois essas dimensões demonstram impactos dos eventos iniciais</p><p>na configuração das funções cerebrais e do desenvolvimento psicomotor.</p><p>Na próxima seção, você verá algumas aquisições de competências e ha-</p><p>bilidades que são elementos fundamentais ao desenvolvimento infantil,</p><p>relacionados especificamente à primeira infância.</p><p>Marcos do desenvolvimento motor</p><p>na primeira infância</p><p>Como visto na primeira seção, a primeira infância é uma fase muito importante</p><p>para o desenvolvimento mental e emocional e a socialização da criança. Essa</p><p>é a fase em que a criança se encontra mais receptiva aos estímulos vindos</p><p>do ambiente e é quando o desenvolvimento das habilidades motoras ocorre</p><p>muito rapidamente.</p><p>Principalmente no primeiro ano de vida, os primeiros marcos motores</p><p>aparecem, como o controle de cabeça, o rolar, o arrastar e, mais tarde, o sentar,</p><p>o engatinhar e a marcha no final do primeiro ano. Assim, devido ao período</p><p>da janela de oportunidades, os primeiros mil dias de vida (período que soma</p><p>os 270 dias da gestação aos 730 dias, até que o bebê complete dois anos de</p><p>idade) são os mais importantes para o desenvolvimento físico e mental da</p><p>criança, servindo de base para toda a sua evolução futura (XAVIER, 2018).</p><p>Por exemplo, um bebê que não teve estímulos ou foi privado de praticar a</p><p>motricidade fina, como o movimento de pinça (pegar algo com o indicador</p><p>e o polegar), terá mais dificuldades de manuseio de tesouras e lápis na fase</p><p>escolar do que crianças que foram estimuladas. Sem intervenções, a criança</p><p>poderá achar as atividades escolares difíceis e desmotivadoras, resultando</p><p>em outros prejuízos da aprendizagem.</p><p>A criança cresce modificando a aparência e a resistência do seu corpo,</p><p>mas também desenvolvendo capacidades como se comunicar, manusear</p><p>objetos, movimentar-se, sentar-se, equilibrar-se e andar e falar. Desde bebê,</p><p>a criança é ativa no seu desenvolvimento e nas suas relações. Porém, cada</p><p>criança tem a sua própria forma de explorar o mundo e de construir os seus</p><p>conhecimentos a partir da comunicação com as pessoas próximas e da inte-</p><p>ração com o ambiente em que vive. Nessa fase, são definidas as principais</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 9</p><p>características do jeito de ser da criança e a maneira como ela vai interagir</p><p>com as pessoas na sua família, na escola e em outros espaços da sua comu-</p><p>nidade (BRASIL, 2020a; 2020b).</p><p>Referente à primeira infância, Wallon (2008) classificou o desenvolvimento</p><p>humano nos estágios descritos no Quadro 1.</p><p>Quadro 1. Estágios do desenvolvimento humano</p><p>Estágio Descrição</p><p>Estágio impulsivo-</p><p>-emocional (primeiro</p><p>ano de vida)</p><p>Período em que prevalecem, nas crianças, as</p><p>relações emocionais com o ambiente. Nessa fase, são</p><p>desenvolvidos o olhar, o pegar e o andar, entre outras</p><p>aquisições, tornando possível, ao longo do segundo</p><p>ano de vida, uma maior exploração do ambiente, como</p><p>subir e descer degraus, com a autoconfiança de passar</p><p>por desafios.</p><p>Estágio sensório-</p><p>-motor (de 1 a 3 anos,</p><p>aproximadamente)</p><p>Nessa fase, ocorre uma grande exploração do mundo</p><p>físico e predominam relações cognitivas com o</p><p>meio. A criança desenvolve a inteligência prática e</p><p>a capacidade de simbolizar, ou seja, por exemplo, a</p><p>capacidade de desenhar um triângulo e dizer que é um</p><p>telhado, de fazer de conta que um palito é um boneco</p><p>ou uma vassoura é um cavalo. Sem isso, mais adiante,</p><p>a criança terá dificuldades para reconhecer que um</p><p>triângulo com um risco horizontal no meio é o símbolo</p><p>a letra A e para entender que esse símbolo tem um</p><p>som, prejudicando a sua alfabetização.</p><p>Fonte: Adaptado de Wallon (2008).</p><p>Piaget (1979) acrescenta que o período sensório-motor tem duas subfases,</p><p>que se subdividem em seis estágios. A primeira subfase consiste na relação</p><p>da centralização do próprio corpo e contempla os estágios um e dois, deta-</p><p>lhados a seguir.</p><p>� Estágio 1: relacionado às respostas reflexas, que Piaget não considera</p><p>como respostas isoladas, mas integradas nas atividades espontâneas</p><p>e totais do organismo (0 a 1 mês). Por exemplo, virar a cabeça para</p><p>procurar o seio materno e mamar.</p><p>� Estágio 2: aparecimento dos primeiros hábitos, que ainda não significam</p><p>inteligência, posto que não têm uma determinação de meio e fim (1</p><p>a 4 meses). Por exemplo, segurar objetos e sacudir ou levar à boca.</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância10</p><p>Já a segunda fase trata da objetivação e especialização dos esquemas de</p><p>inteligência prática (estágios três a seis). Veja a seguir.</p><p>� Estágio 3: começo da aquisição da inteligência, que geralmente apa-</p><p>rece entre o quarto e quinto mês, apresentando o desenvolvimento</p><p>da coordenação da visão e da apreensão (4 a 8 meses). Por exemplo,</p><p>o bebê escuta algum som ou voz de interesse, direciona o olhar e a</p><p>cabeça em direção a ele. Ou o bebê percebe que, se parar de sacudir</p><p>o chocalho, o som para, criando a noção de causa e efeito (causa:</p><p>sacudir; efeito: produz som).</p><p>� Estágio 4 e 5: a inteligência sensório-motora prática possibilita, à</p><p>criança, uma finalidade nos seus atos. Em seguida, ela procura por</p><p>meios diferentes dos esquemas de assimilação que já conhecia (8 a</p><p>12 meses e 12 a 18 meses). Por exemplo, a noção de causa e efeito é</p><p>assimilada em outras ações, como bater a colher no prato para fazer</p><p>barulho, balançar e, em seguida, soltar um objeto para jogá-lo longe</p><p>e sorrir para receber um elogio.</p><p>� Estágio 6: estágio de transição para o início do simbolismo, que, para</p><p>Piaget, só começa aos 2 anos, permitindo abandonar os simples ta-</p><p>teios exteriores e materiais em favor de combinações interiorizadas</p><p>(18 a 24 meses). Por exemplo, em vez de apenas pegar blocos e soltar</p><p>(tateios), a criança combina um cubo e um triângulo, formando, na sua</p><p>imaginação (interior), uma casa.</p><p>Conforme o Ministério da Saúde (BRASIL, 2020a; 2020b; 2021), as etapas do</p><p>desenvolvimento do bebê podem ser acompanhadas de acordo com alguns</p><p>marcos que ajudam os trabalhadores de saúde e os familiares a identificar</p><p>precocemente problemas</p><p>no desenvolvimento da criança. Assim, possibilita-se</p><p>que o apoio necessário seja oferecido o mais rápido possível.</p><p>Marcos do primeiro ano de vida</p><p>Os primeiros 12 meses de vida de um bebê são marcados por grandes avanços</p><p>em todos os aspectos e dimensões do seu desenvolvimento. Inicialmente, a</p><p>maioria dos seus movimentos é marcada por atividades reflexas. Porém, na</p><p>medida em que o bebê vai crescendo e sendo estimulado, passa a direcionar</p><p>as suas ações de forma cada vez mais intencionais.</p><p>Logo que nasce, a audição do bebê está bem desenvolvida, mas a sua</p><p>visão vai se aperfeiçoando ao longo dos primeiros meses. Aos poucos, o</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 11</p><p>bebê passa a fixar o olhar e seguir pessoas e objetos que se movimentam</p><p>dentro do seu campo de visão. Inicialmente, comunica ao outro o que sente e</p><p>o que precisa por meio do choro. Esse choro pode significar frio, fome, calor,</p><p>desconforto, sono, dor ou desejo por colo, atenção, carinho e afeto. Com o</p><p>tempo, aprende a se comunicar com gestos, olhares, expressões faciais e sons,</p><p>que vão ganhando significado na medida em que os seus pais e cuidadores</p><p>conversam e respondem ao que o bebê lhes diz, até que se tornem palavras</p><p>que expressam os seus desejos.</p><p>Com base no Programa Nacional Criança Feliz (BRASIL, 2021), são descritos,</p><p>a seguir, os principais marcos do desenvolvimento da primeira infância a</p><p>partir das quatro dimensões do desenvolvimento infantil.</p><p>O primeiro mês (período neonatal)</p><p>O período neonatal corresponde às primeiras quatro semanas de vida do</p><p>bebê após o nascimento. A dependência ao nascer é total, de modo que,</p><p>inicialmente, o bebê vive um vínculo simbiótico com a sua mãe. Ou seja, não</p><p>existe uma diferenciação entre um e o outro. Surge o estabelecimento dos</p><p>vínculos do bebê com as pessoas por meio dos seus sentidos: tato, audição e</p><p>visão. Ele começa, então, a reconhecer a mãe e as suas figuras de referência.</p><p>O sorriso, nos primeiros dias, é um movimento reflexo (o sorriso social surge</p><p>a partir do próximo mês, quando o bebê sorri ao olhar a sua figura materna).</p><p>A expressão de necessidades ocorre por meio do choro e do olhar, mo-</p><p>vimentando as pernas e emitindo sons. O bebê emite sons com a boca ao</p><p>agarrar o seio da mãe. Ainda, quando escuta diferentes sons e ruídos, pode</p><p>reagir movimentando o seu corpo. A partir das duas semanas, pode começar</p><p>a imitar gestos faciais dos adultos de referência.</p><p>Além disso, o neonato consegue reconhecer a voz da mãe e virar a cabeça</p><p>em direção a um som, embora predominem os movimentos reflexos. Ele passa</p><p>a maior parte do tempo em posição fetal, com os punhos fechados, flexio-</p><p>nando braços e pernas, e consegue levantar a cabeça por alguns instantes.</p><p>O segundo mês de vida</p><p>É por meio do vínculo de afeto e confiança estabelecido que o bebê se sente</p><p>seguro para experimentar e aprender cada vez mais. Ele já começa a apresentar</p><p>variações de humor (ontem estava calmo; hoje está agitado) e o seu choro</p><p>pode vir acompanhado por lágrimas. Também reconhece a mãe e, quando as</p><p>pessoas se aproximam do seu campo de visão, as olha por alguns instantes</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância12</p><p>e interage com gestos, mudando as expressões faciais. Comunica-se pelo</p><p>choro, pelo olhar, pelo sorriso e pelo gorjeio.</p><p>Ademais, o bebê começa a fixar o seu olhar em objetos que estão até</p><p>50 centímetros de distância dos seus olhos, atenta-se a sons e acompanha</p><p>objetos pelo olhar. Ao ser colocado de barriga para baixo, vira a cabeça e a</p><p>levanta por alguns segundos. As suas mãos ficam, na maior parte do tempo,</p><p>fechadas e com o polegar para dentro, mas o bebê já começa a descobri-las,</p><p>brincando com elas.</p><p>O terceiro e o quarto mês de vida</p><p>As noções de causalidade vão se aprimorando e o bebê percebe que um</p><p>acontecimento tem uma resposta. Sorri cada vez mais espontaneamente,</p><p>copia algumas expressões faciais e demonstra interesse por brincadeiras</p><p>(como esconde-esconde com um paninho ou as mãos). Ainda, ao ver a sua</p><p>imagem refletida em um espelho, pode demonstrar interesse.</p><p>Nessa idade, cada vez mais o bebê emite diferentes sons, balbuciando ao</p><p>conversar com as pessoas. As bolhas que faz com a sua saliva ao balbuciar e</p><p>gorjear são importantes para o desenvolvimento da linguagem, já que é por</p><p>meio delas que coordena os movimentos dos lábios e da língua e a respiração.</p><p>O bebê já reconhece rostos familiares e objetos a uma distância maior.</p><p>Também já explora as suas mãos e os seus dedos, observa-os e leva-os à boca,</p><p>avançando a sua coordenação óculo-manual. Usa as mãos e os olhos juntos</p><p>ao ver um objeto no seu campo de visão e tenta alcançá-lo, além de começar</p><p>a descobrir e se interessar pelo mundo a partir da relação de causa-efeito.</p><p>Segura objetos e os sacode, mas ainda não consegue soltá-los de maneira</p><p>voluntária. De barriga para baixo, sustenta-se sobre os cotovelos ou mãos</p><p>e levanta a cabeça. Ainda, começa a sustentá-la quando está no colo de um</p><p>adulto ou quando está sentado com ajuda.</p><p>O quinto e o sexto mês de vida</p><p>Nessa idade, o bebê se diverte e sorri em resposta a diferentes ações. Também</p><p>demonstra desaprovação quando retiram o seu brinquedo ou lhe impedem</p><p>de fazer algo que estava divertido. Quando manipula objetos, observa-os e</p><p>sente prazer repetindo ações, aperfeiçoando a sua noção de causa e efeito.</p><p>Além disso, começa a procurar por objetos e pessoas que não estão à sua</p><p>frente — é o início do desenvolvimento da permanência de objeto.</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 13</p><p>A permanência de objeto ocorre quando os bebês passam a entender</p><p>que o objeto existe mesmo sem estar no seu campo de visão, audição</p><p>ou toque.</p><p>A essa altura, a visão do bebê já está mais desenvolvida, o que desperta</p><p>ainda mais curiosidade para explorar o ambiente ao seu redor. As memórias</p><p>de curto e longo prazo estão pouco a pouco se consolidando, de modo que</p><p>o bebê pode passar a identificar familiares próximos e objetos favoritos.</p><p>Além disso, o bebê já sustenta a cabeça e pode tentar dar pequenos passos</p><p>com apoio. Começam, ainda, as tentativas de rolar em ambas as direções (de</p><p>bruços para as costas e vice-versa). Ao final desse período, começa a sentar-se</p><p>sem apoio ou apoiado sobre as mãos. De bruços, arrasta-se na tentativa de</p><p>engatinhar. Os movimentos passam a ser mais coordenados e ele consegue</p><p>pegar objetos com as duas mãos.</p><p>Do sétimo ao nono mês de vida</p><p>Diante do espelho, o bebê se olha e explora o seu rosto. Nessa fase, também</p><p>busca validação e atenção dos adultos, tentando repetir ações quando é</p><p>reforçado por eles, demonstrando felicidade e prazer. Diverte-se brincando</p><p>com outras pessoas e com ele mesmo (conversando, dançando, batendo</p><p>palmas, descobrindo um objeto, etc.) e passa a reconhecer mais pessoas</p><p>do seu ciclo social, demonstrando satisfação ao interagir com elas. Ao final</p><p>desse período, pode duplicar sons, dizendo “ma ma, pa pa, ne ne, te te”, e</p><p>imitar sons de palavras ditas pelos adultos.</p><p>Caso seja estimulado, o bebê já bate palmas quando pedem, segura os</p><p>objetos que encontra e os leva até à boca, apalpa e explora. Também começa</p><p>a se concentrar por alguns instantes em uma mesma atividade de interesse,</p><p>como explorar um brinquedo, e tenta criar soluções para problemas simples,</p><p>como desviar de algo para alcançar um objeto. Ainda, presta atenção ao</p><p>movimento da boca do adulto, tentando, às vezes, colocar a mão na boca de</p><p>quem está falando com ele.</p><p>Além disso, o bebê já consegue transferir objetos de uma mão para a</p><p>outra, está mais seguro para rolar em ambas as direções e leva o pé até à</p><p>boca utilizando as mãos. Isso acontece porque o seu tônus muscular está</p><p>mais desenvolvido, permitindo que controle melhor os movimentos, como</p><p>se inclinar para frente e para trás. Usa o movimento de pinça (com o dedo</p><p>indicador e o polegar) para pegar objetos menores e introduzi-los em outro</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância14</p><p>local, arrasta-se e já pode estar engatinhando</p><p>com mais mobilidade. Também</p><p>fica mais tempo sentado sem apoio e vai se locomovendo com crescente</p><p>destreza por debaixo dos móveis ou tentando subir degraus. Tenta ficar de</p><p>pé e consegue manter-se apoiado em algum local. Pode, ainda, tentar dar</p><p>passos sozinho.</p><p>Do décimo ao décimo segundo mês de vida</p><p>O bebê se diverte comendo com as mãos e é afetivo com brinquedos, ob-</p><p>jetos, pessoas, abraçando-os e beijando-os. Já levanta braços e pernas na</p><p>hora de se vestir e pode mexer a cabeça dizendo “não” e acenar com a mão</p><p>dando tchau ou mandando beijo. Começa, ainda, a emitir algumas palavras</p><p>e a compreender os seus significados. Diverte-se com monólogos e gosta de</p><p>escutar histórias e canções infantis. Quando está interessado em um objeto,</p><p>aponta com os dedos. Também responde a alguns pedidos verbais simples.</p><p>A essa altura, o bebê é capaz de aprender a reconhecer partes do corpo</p><p>e mostrá-las quando lhe é perguntado. Passa a interiorizar mais conceitos</p><p>como aqui, ali, perto e longe. Ademais, é comum que passe a ter preferência</p><p>por utilizar uma das suas mãos. O seu desenvolvimento motor e cognitivo</p><p>lhe oferece informações em relação aos objetos, e por isso não precisa mais</p><p>descobri-los pela boca. Observa o caminho do objeto quando este cai/rola</p><p>e a memória de longo prazo está cada vez mais desenvolvida. Já olha para</p><p>o objeto correto quando escuta o seu nome e utiliza utensílios da forma</p><p>correta, como colocar a escova de dente na boca para escovar os dentes e</p><p>passar o pente no cabelo.</p><p>O movimento de pinça está cada vez mais desenvolvido e seguirá se</p><p>aperfeiçoando. Ainda, o bebê tenta colocar e tirar, abrir e fechar objetos com</p><p>mais precisão. Solta-os sem ajuda e os bate uns contra os outros. Também</p><p>engatinha com domínio e rapidez, sobe nos móveis e pode ficar de pé sozinho,</p><p>dar alguns passos ou até mesmo caminhar.</p><p>Marcos do segundo ano de vida</p><p>A partir do segundo ano de vida, o bebê passa a ser um explorador repleto de</p><p>curiosidade. Quanto mais estimulado, maior será o seu desejo de explorar. A</p><p>mobilidade que adquire abre portas para um mundo cheio de descobertas.</p><p>Nessa fase, então, já pode estar engatinhando ou caminhando e arremessando</p><p>objetos. Aperfeiçoa, também, a sua motricidade fina. O desenvolvimento da</p><p>linguagem está ligado ao pensamento e a sua capacidade de expressão verbal</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 15</p><p>está mais autônoma. Assim, o pensamento simbólico começa a aparecer, e</p><p>por isso o jogo e a brincadeira são tão importantes, já que é por meio do</p><p>brincar que a criança desenvolve a sua identidade e autonomia.</p><p>Do décimo terceiro ao décimo quinto mês de vida</p><p>O bebê expressa as suas emoções de raiva, alegria, medo, tristeza e afeto</p><p>mesmo que ainda não saiba dar nome a elas. Gosta de ser elogiado pelo</p><p>que faz e procura pelo adulto de referência quando se depara com uma</p><p>nova situação. Ainda, mostra os seus desejos claramente e persiste caso</p><p>não sejam atendidos.</p><p>A essa altura, o bebê se diverte abrindo e fechando, tirando e colocando</p><p>objetos. Também percebe causas e efeitos (por exemplo, se a mãe está se</p><p>vestindo, significa que vai sair), resolve problemas por tentativa e erro até</p><p>que domine a habilidade e pensa por alguns segundos antes de realizar uma</p><p>ação. Ainda, está aprendendo o conceito de “mais”.</p><p>Além disso, o bebê já pode engatinhar e alternar com passos, consolidando</p><p>cada vez mais o seu equilíbrio. Já agarra e carrega alguns objetos com firmeza,</p><p>consegue fazer rabiscos, segura o seu copo, consegue encaixar as formas</p><p>geométricas básicas em uma base e segura mais de um objeto ao mesmo</p><p>tempo, um em cada mão.</p><p>Do décimo sexto ao décimo oitavo mês de vida</p><p>O bebê identifica e aponta alguns objetos familiares, tenta combinar duas</p><p>ou mais palavras em uma frase e demonstra intencionalmente o que está</p><p>no campo de interesse. Nessa fase, já imita alguns jogos de simulação, como</p><p>passar pano em uma mesa ou dar comida a um boneco, e animais e pessoas,</p><p>mesmo que não estejam presentes. Ainda, passa a ter ideia de quantidade,</p><p>pedindo por mais água ou mais comida.</p><p>Além disso, o bebê já consegue encaixar peças e empilhar torres pequenas,</p><p>segurar um lápis com mais firmeza e fazer traços cada vez mais fortes. Anda</p><p>sem apoio e tem cada vez mais equilíbrio, possibilitando que abra e feche</p><p>portas, suba e desça degraus e empurre um objeto. Se for estimulado, já</p><p>pode utilizar garfo e colher e virar páginas de um livro.</p><p>Do décimo nono ao vigésimo quarto mês de vida</p><p>A essa altura, o bebê já é capaz de realizar o controle do esfíncter. Ainda,</p><p>demonstra maior interesse pelos jogos sociais e, quando estimulado e enco-</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância16</p><p>rajado, passa a aceitar dividir brinquedos. Quando sente interesse por algo,</p><p>pergunta. Também começa a combinar mais palavras do seu vocabulário, cria</p><p>palavras e se faz entender por elas, entende o seu nome e passa a utilizar</p><p>pronomes como “eu”, “meu” e “seu”.</p><p>Além disso, o bebê começa a imitar a contagem dos números mesmo sem</p><p>ter construído o seu conceito. Os períodos de atenção e/ou concentração são</p><p>maiores, de modo que se lembra onde deixou objetos e volta para buscá-</p><p>-los. Já tem preferências por certos lugares, comidas e roupas e as expressa.</p><p>Encaixa peças e monta quebra-cabeças adequados à sua faixa etária, além de</p><p>tentar chutar a bola. Também consegue caminhar e puxar um objeto, comer</p><p>com garfo ou colher de forma cada vez mais autônoma, escalar uma cadeira</p><p>e se virar para sentar-se. Talvez já esteja correndo e subindo degraus baixos</p><p>e tentando vestir-se e despir-se.</p><p>Nesta seção, foram abordadas algumas aquisições que são fundamentais</p><p>ao desenvolvimento psicomotor na primeira infância. Porém, é fundamental</p><p>destacar que, apesar de esses marcos serem difundidos como padrão, cada</p><p>criança é única, singular, com especificidades, características, tempos e</p><p>ritmos próprios, podendo haver algumas variações de idade que cabe ao</p><p>médico avaliar.</p><p>A seguir, você verá que fatores internos e externos podem interferir no</p><p>percurso do desenvolvimento psicomotor infantil.</p><p>Aspectos que impactam o desenvolvimento</p><p>físico e psicomotor</p><p>É durante a infância que ocorrem as maiores modificações físicas e psico-</p><p>lógicas que caracterizam o crescimento e desenvolvimento infantil. Nessa</p><p>fase, o desenvolvimento psicomotor inclui a aquisição de habilidades que</p><p>possibilitam, à criança, o domínio do seu corpo em diversas posturas, a sua</p><p>locomoção de diversas formas e a manipulação de objetos e instrumentos</p><p>variados. Essas habilidades motoras apresentam uma sequência definida e</p><p>são influenciadas tanto por fatores internos quanto por fatores externos.</p><p>Assim, tanto a família quanto a escola, a creche e o berçário impactam o</p><p>desenvolvimento da criança na primeira infância, uma vez que os fatores</p><p>externos influenciam no externo e vice-versa (MARTINELLO et al., 2011; SANTOS;</p><p>DANTAS; OLIVEIRA, 2004; CARABOLANTE; FERRIANI, 2003).</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 17</p><p>Segundo Willrich, Azevedo e Fernandes (2009), o aprimoramento</p><p>motor é um processo sequencial e contínuo, que tem relação com</p><p>a idade cronológica. Por meio dele, o ser humano adquire uma enorme quan-</p><p>tidade de habilidades motoras simples e desorganizadas, mas que depois se</p><p>transformam em habilidades motoras altamente organizadas e complexas.</p><p>Santos, Dantas e Oliveira (2004) referem que algumas diferenças em relação</p><p>ao desenvolvimento psicomotor são devidas a características hereditárias,</p><p>enquanto outras resultam de diferenças na maturação do sistema nervoso</p><p>e fisiológico. Segundo Shepherd (2002), o crescimento e o desenvolvimento</p><p>não dependem apenas dos processos de maturação determinados pelo</p><p>código genético, mas também advêm da experiência da criança e das suas</p><p>oportunidades de interação com o ambiente por meio de estímulo e contato</p><p>com objetos e pessoas.</p><p>Burns e MacDonald (1999) ressaltam que o conhecimento do desenvolvi-</p><p>mento motor do lactente (isto é, bebê</p><p>que ainda mama ou criança até o fim</p><p>da primeira dentição completa) é muito importante, principalmente em casos</p><p>de o recém-nascido apresentar ou correr o risco de apresentar distúrbio</p><p>motor. As causas podem ser múltiplas e constituem motivo de referência a</p><p>consultas médicas em idade pediátrica, uma vez que a sua identificação é</p><p>fundamental para o tratamento e/ou a prevenção de complicações maiores.</p><p>Magalhães, Rodrigues e Sá (2017) descrevem alguns fatores internos e ex-</p><p>ternos a serem levados em conta nos cuidados de saúde primários, conforme</p><p>apresentado no Quadro 1.</p><p>Quadro 1. Fatores internos e externos levantados nos cuidados de saúde</p><p>primários</p><p>Fatores internos</p><p>Situação</p><p>genética</p><p>Patologia de foro genético (trissomia 21, síndrome do X</p><p>frágil, síndrome de Angelman, síndrome de Prader-Willi,</p><p>etc.)</p><p>Condições</p><p>biológicas</p><p>e funcionais</p><p>Infecções perinatais ou recorrentes, alergias, erros</p><p>inatos do metabolismo e outras condições neurológicas,</p><p>fisiológicas e sensoriais</p><p>Temperamento</p><p>individual da</p><p>criança</p><p>Alterações neuropsicológicas</p><p>(Continua)</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância18</p><p>Fatores externos</p><p>Condições</p><p>de gestação</p><p>� Exposição a tóxicos (intoxicação pelo chumbo, exposição</p><p>a álcool-espectro fetal-alcoólico, drogas de abuso ou</p><p>medicamentosas durante o período gestacional)</p><p>� Infecções pré-natais, ou seja, certas infecções</p><p>maternas que podem danificar o feto, como infecção</p><p>por citomegalovírus, infecção neonatal pelo herpes-</p><p>vírus simples, rubéola, toxoplasmose, hepatite, sífilis,</p><p>listeriose, clamídia, zika vírus, etc. Essas infecções são</p><p>sintomáticas ao nascimento e as manifestações incluem</p><p>situações como restrição do crescimento intrauterino,</p><p>malformação fetal, prematuridade, microcefalia,</p><p>icterícia, etc.</p><p>� Subnutrição materna e trauma psicológico ou físico</p><p>infligido à grávida</p><p>Condições</p><p>do parto</p><p>Disfunções do assoalho pélvico, trabalho de parto muito</p><p>longo, posição errada do bebê, bebê muito grande,</p><p>gestante com problemas cardíacos e problemas de âmbito</p><p>perinatal (prematuridade, baixo peso e anoxia neonatal</p><p>grave e moderada)</p><p>Ambiente Falta de ambiente estimulador e saudável, acidentes,</p><p>traumatismos cranianos ou medulares, desnutrição,</p><p>alterações psicológicas maternas e outros fatores nocivos</p><p>ao bebê.</p><p>Fonte: Adaptado de Magalhães, Rodrigues e Sá (2017).</p><p>Os primeiros anos de vida da criança são relevantes para a saúde e o</p><p>desenvolvimento humano, com evidências científicas que demonstram im-</p><p>pactos dos eventos iniciais na futura configuração das funções cerebrais e do</p><p>desenvolvimento. Condições adversas no ambiente, em contextos familiares ou</p><p>institucionais, podem levar a prejuízos severos no desenvolvimento humano</p><p>(HILÁRIO et al., 2022). As condições adversas no ambiente incluem:</p><p>� alimentação inadequada;</p><p>� ambientes pouco afetivos ou agressivos;</p><p>� maus-tratos;</p><p>� falta de higiene e condições sanitárias precárias;</p><p>� privação constante de movimentos em berços e cercadinhos;</p><p>� falta de estímulos e de interações sociais;</p><p>� acidentes domésticos.</p><p>(Continuação)</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 19</p><p>O conhecimento do impacto desses fatores de risco no desenvolvimento</p><p>nos primeiros anos de vida é fundamental nas estratégias dos cuidados</p><p>de saúde primários de promoção e prevenção de prejuízos ou atrasos no</p><p>desenvolvimento físico e psicomotor.</p><p>Quando presente, o atraso no desenvolvimento interfere na maturi-</p><p>dade global da criança, impactando o desenvolvimento dos processos</p><p>de socialização, autocuidado, cognição e linguagem. Por sua vez, atrasos no</p><p>desenvolvimento cognitivo da criança implicarão em atrasos na sua aquisição</p><p>motora e vice-versa (ROSA et al., 2008; SANTOS et al., 2009; LAMÔNICA; PICOLINI,</p><p>2009).</p><p>Para Pikler (1984), a conquista autônoma dos movimentos da criança está</p><p>relacionada ao desenvolvimento cognitivo. Ou seja, um depende do outro:</p><p>movimentos, relações, sentimentos e cognição, em um amadurecimento</p><p>harmônico da criança por inteiro. De fato, a promoção do desenvolvimento</p><p>neuropsicomotor nessa fase da vida tem impacto decisivo no futuro. Com isso,</p><p>nos últimos anos, tem crescido o interesse de profissionais e pesquisadores</p><p>da área da saúde em favorecer as condições de vida da criança, revelando</p><p>a importância da atenção integral na primeira infância (BORDIN; LINHARES;</p><p>JORGE, 2001). A evidente relevância do desenvolvimento motor justifica o</p><p>acompanhamento das crianças a fim de detectar precocemente alterações</p><p>que possam ser minimizadas.</p><p>As aquisições nos marcos motores são necessárias à criança com menos de</p><p>12 meses. Assim, ressalta-se que é evidente o prejuízo ao desenvolvimento de</p><p>crianças quando se limita os seus movimentos na tenra idade, deixando-as por</p><p>um longo período no mesmo espaço fechado, como berço, carrinho, andador,</p><p>cercado/chiqueirinho e bebê conforto. Para possibilitar o movimento livre, são</p><p>fundamentais espaços repensados e objetos desafiadores, que estimulem a</p><p>autonomia e a descoberta. Deve ser um ambiente preparado exclusivamente</p><p>para as crianças pequenas, de modo que possam escolher e brincar com</p><p>os objetos e usar a imaginação para fingir que são outras coisas. Também</p><p>podem ser disponibilizadas passarelas e caminhos com corrimão, dando-</p><p>-lhes confiança para se movimentar pela sala, e espelhos, para que possam</p><p>explorar a sua imagem (PIKLER, 1984; KRAUSE; VICHESSI; CASSIMIRO, 2017).</p><p>O desenvolvimento intelectual de uma criança também se relaciona com</p><p>a segurança das posturas. Hansen (2016) salienta que, antes de se pensar</p><p>em treinar a criança a fazer algo, é preciso se perguntar por que ela não está</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância20</p><p>fazendo aquilo ainda, ou seja, por que ela não engatinha ou por que não se</p><p>senta. Assim, os cuidadores ou educadores precisam estar sempre atentos e</p><p>ter muito claras as possibilidades e limitações do desenvolvimento da faixa</p><p>etária com a qual trabalham.</p><p>É preciso saber identificar claramente quando há necessidade de</p><p>intervenção e quando é preciso que o desenvolvimento aconteça de</p><p>forma espontânea. Cada criança é única e é preciso respeitar o seu processo.</p><p>Falk (2011) também menciona a importância do espaço e do movimento</p><p>para o desenvolvimento da criança. Para a criança, a liberdade de movimentos</p><p>significa a possibilidade, nas condições materiais adequadas, de descobrir,</p><p>experimentar, aperfeiçoar e viver, a cada fase do seu desenvolvimento, as</p><p>suas posturas e os seus movimentos. Por isso, precisa de um espaço adaptado</p><p>aos seus movimentos, de roupas ou objetos que não a atrapalhem, de um</p><p>chão sólido e de brinquedos que a motivem.</p><p>Já Pikler (2010) enfatiza que, quando se deixa que os bebês estudem o</p><p>mundo e os objetos à sua volta, confia-se que eles sejam capazes de passar</p><p>longos minutos desvendando mistérios e descobrindo o peso do seu corpo,</p><p>as diferentes texturas e as muitas formas de interação. Isso ainda oportu-</p><p>nizará que se locomovam sozinhos para chegar ao que lhes interessa, que</p><p>compartilhem e tenham a oportunidade de voltar e de tentar os movimentos</p><p>e descobertas para seguirem se aperfeiçoando.</p><p>Segundo Falk (2011), a criança que consegue algo por iniciativa própria e</p><p>utilizando os próprios meios adquire uma classe de conhecimentos superior</p><p>àquela que recebe a solução pronta. Também observa que o não interven-</p><p>cionismo na atividade independente da criança não significa abandoná-la.</p><p>Nesse contexto, Hansen (2016) observa que, quando se oportuniza que os</p><p>bebês aprendam e superem as suas dificuldades, possibilita-se que tenham</p><p>destreza, equilíbrio e agilidade. O seu deslocamento será autônomo, a sua</p><p>postura será relaxada e segura e o seu movimento será natural. O caminhar</p><p>hesitante é sinal de que a criança não chegou à eficácia por conta própria.</p><p>Pesquisas identificaram que a intervenção que limita ou interfere</p><p>nos movimentos do bebê não apenas perturba a situação de inde-</p><p>pendência, mas também pode provocar a perda do interesse</p><p>dele pelos seus</p><p>próprios objetivos, aumentando a dependência da criança (FALK, 2011).</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância 21</p><p>Nesse sentido, um dos recursos que pode ser utilizado para a promoção do</p><p>desenvolvimento integral das crianças são os trabalhos que envolvem atividades</p><p>psicomotoras livres. Saber como cada criança se desenvolve contribui para que</p><p>os pais, os responsáveis e os educadores possam protegê-las e educá-las em</p><p>um ambiente saudável e seguro (FIN; BARRETO, 2010).</p><p>Neste capítulo, você viu que a primeira infância consiste em um período</p><p>fulcral para a formação humana, pois tem impactos fundamentais na con-</p><p>figuração das funções cerebrais e do neurodesenvolvimento. Também foi</p><p>elucidado que fatores internos e externos podem interferir no percurso do</p><p>desenvolvimento físico e psicomotor. Assim, percebe-se que intervenções que</p><p>favorecem o crescimento e o desenvolvimento saudável na primeira infância</p><p>são essenciais, sobretudo pelos seus altos benefícios à saúde, ao desenvolvi-</p><p>mento, ao aprendizado e à autonomia. Daí a necessidade de aprimoramento</p><p>de políticas públicas com impacto e foco na primeira infância, principalmente</p><p>políticas nas áreas de saúde, assistência social e educação, que objetivem</p><p>intervenções capazes de fornecer cuidados e proteção, em especial visando</p><p>a potencializar efeitos positivos no desenvolvimento infantil.</p><p>Referências</p><p>BARBOSA, M. C. S. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2008. (E-book).</p><p>BORDIN, M. B. M.; LINHARES, M. B. M.; JORGE, S. M. Aspectos cognitivos e comporta-</p><p>mentais na média meninice de crianças nascidas pré-termo e com muito baixo peso.</p><p>Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 17, n. 1, p. 49-57, 2001.</p><p>BRASIL. Caderneta da criança: passaporte para cidadania – menina. 2. Ed. Brasília:</p><p>Ministério da Saúde, 2020ª. (E-book).</p><p>BRASIL. Caderneta da criança: passaporte para cidadania – menino. 2. Ed. Brasília:</p><p>Ministério da Saúde, 2020b. (E-book).</p><p>BRASIL. Manual de apoio a visitas domiciliares: um olhar sobre as dimensões do desen-</p><p>volvimento da criança de 0 a 36 meses. Brasília: Ministério da Cidadania, 2021. (E-book).</p><p>BURNS, Y. R.; MACDONALD, J. Fisioterapia e crescimento na infância. São Paulo: Santos,</p><p>1999.</p><p>CARABOLANTE, A. C.; FERRIANI, M. G. C. O crescimento e desenvolvimento de crianças na</p><p>faixa etária de 12 a 48 meses em creche na periferia da cidade de Ribeirão Preto – SP.</p><p>Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 5, n. 1, p. 28-34, 2003.</p><p>DANTAS, H. A afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon. In: LA</p><p>TAILLE, Y. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo:</p><p>Summus, 1992. P. 85-100.</p><p>FALK, J. (org.). Educar os três primeiros anos: a ex-periênciade Lóczy. Araraquara: JM</p><p>Editora, 2011.</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância22</p><p>FERREIRA, A. L.; ACIOLY-RÉGNIER, N. M. 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Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Desenvolvimento físico e psicomotor na primeira infância24</p>