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<p>FACULDADE PITÁGORAS — UNIDADE DE GUARAPARI-ES</p><p>BACHARELADO EM DIREITO</p><p>AMANDA CASTELUBER GALIMBERTI</p><p>AINOÃ SODRÉ TEIXEIRA</p><p>ANA VITHÓRIA COUTINHO FAGUNDES</p><p>BRENDA DIERSEY EVENCIO DUARTE</p><p>CAELANA DIAS MATIELI</p><p>DRIELY DOS SANTOS SILVA BOTELHO</p><p>A EVOLUÇÃO DOS CONTRATOS NO DIREITO CIVIL BRASILEIRO</p><p>Uma Análise Sobre os Principais Conceitos e Aplicações no Código Civil de 2002</p><p>GUARAPARI – ES</p><p>2024</p><p>2</p><p>AMANDA CASTELUBER GALIMBERTI</p><p>AINOÃ SODRÉ TEIXEIRA</p><p>ANA VITHÓRIA COUTINHO FAGUNDES</p><p>BRENDA DIERSEY EVENCIO DUARTE</p><p>CAELANA DIAS MATIELI</p><p>DRIELY DOS SANTOS SILVA BOTELHO</p><p>A EVOLUÇÃO DOS CONTRATOS NO DIREITO CIVIL BRASILEIRO</p><p>Uma Análise Sobre os Principais Conceitos e Aplicações no Código Civil de 2002</p><p>Trabalho apresentado à disciplina de Direito</p><p>Civil – Contratos, sob a orientação do Professor</p><p>Me. Raniel Fernandes de Ávila, para avaliação</p><p>parcial do semestre.</p><p>GUARAPARI – ES</p><p>2024</p><p>3</p><p>SUMÁRIO</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 1 ................................................................................. 4</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 2 ............................................................................... 11</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 3 ............................................................................... 16</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 4 ............................................................................... 20</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 5 ............................................................................... 32</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 6 ............................................................................... 37</p><p>4</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 1</p><p>a)Quais as espécies de invalidades? Diferencie uma da outra.</p><p>RESPOSTA: Analisando o negócio jurídico, no âmbito do plano da validade identifica-se duas</p><p>espécies de invalidade do ato jurídico: a nulidade e a anulabilidade</p><p>A nulidade é a penalidade prevista pela lei para atos realizados sem cumprir os requisitos</p><p>necessários, resultando na sua incapacidade de gerar os efeitos que normalmente deveriam</p><p>produzir. Esse instituto pode ser decretado de ofício pelo magistrado e não está sujeito a prazo</p><p>prescricional ou decadencial, isto é, ele não se convalesce com o tempo. (FARIAS;</p><p>ROSENVALD, 2023, pg. 40-41))</p><p>Os exemplos de nulidade são dados pelos artigos 166 e 167 do Código Civil. Quais sejam:</p><p>“Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:</p><p>I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;</p><p>II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;</p><p>III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;</p><p>IV - não revestir a forma prescrita em lei;</p><p>V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;</p><p>VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;</p><p>VII- a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Art.</p><p>167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido</p><p>for na substância e na forma.” (BRASIL, 2002)</p><p>Com relação a anulabilidade, a violação é de caráter menos grave e pode ser sanada com o</p><p>decurso do tempo ou com a vontade das partes. No entanto, para que isso ocorra é necessário</p><p>que o magistrado seja provocado, não podendo essa decisão ser decretada de ofício. Se tratando</p><p>de anulabilidade, há prazos prescricionais e decadenciais que, caso a lei seja omissa, será de</p><p>dois anos, caso não seja, o dispositivo legal irá prever prazo próprio, por exemplo, os vícios do</p><p>consentimento (erro, dolo, coação, estado de perigo e fraude contra credores) tem prazo de 4</p><p>anos (FARIAS; ROSENVALD, 2023, pg. 40-41). Essas características estão dispostas nos</p><p>artigos 171 a 179 do Código Civil. (BRASIL, 2002)</p><p>5</p><p>b)Diferencie o erro do dolo.</p><p>RESPOSTA: O erro se trata de uma falsa percepção da realidade por uma das partes que a leva</p><p>a realizar o ato jurídico. O erro pode ser essencial/substancial, afetando a essência do negócio</p><p>o que leva a anulação do negócio jurídico, ou o erro pode ser acidental, nesse caso não suficiente</p><p>para anular o negócio jurídico, pois recai sobre os aspectos secundários do ato não afetando o</p><p>ponto central do negócio. (PEREIRA, 2020).</p><p>O erro representa uma discrepância entre a vontade real do agente e a realidade objetiva,</p><p>decorrente de uma interpretação equivocada dos elementos que compõem o negócio jurídico,</p><p>como a pessoa, o objeto, a quantidade ou a qualidade. Em sua essência, o erro é espontâneo e</p><p>involuntário, resultante de uma percepção errônea ou da ignorância do agente sobre as</p><p>circunstâncias envolvidas. (2007, p. 508-509). Por exemplo, vou a uma loja de joias e presumo</p><p>que determinado anel é de ouro e, sem verificar, compro.</p><p>Diferentemente do dolo, que consiste na indução proposital do outro ao erro, ou seja, a parte de</p><p>forma consciente incita o outro ao erro. Pode subdividir-se em dolo principal e acidental. No</p><p>dolo principal, assim como no erro essencial, o negócio jurídico pode ser anulado, pois se parte</p><p>contrária tivesse ciência do que estava pactuando não haveria realizado o negócio. Já o dolo</p><p>acidental também como no erro acidental, não há anulação do negócio jurídico, vez que o erro</p><p>recai sobre fator secundário, o que significa dizer que o negócio aconteceria de toda a forma,</p><p>porém apenas não nas condições nas quais aconteceram, sendo assim a parte só poderá ser</p><p>ressarcida em perdas e danos. (PEREIRA, 2020). Por exemplo, no caso do anel, não presumo</p><p>que seja de ouro, mas o vendedor me assegura que é para que eu compre. O erro difere do dolo</p><p>no sentido de ser espontâneo, enquanto o dolo é provocação intencional do erro. Segundo</p><p>Amaral, o dolo não é um vício, porém causa um vício, que é o erro.</p><p>c)Diferencie lesão do estado de perigo.</p><p>RESPOSTA: Conforme indica o artigo 156 do Código Civil (BRASIL, 2002) “Configura-se o</p><p>estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua</p><p>família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.”.</p><p>Por exemplo, a pessoa que está prestes a se afogar pois não sabe nadar e promete toda a sua</p><p>fortuna para quem o salvar.</p><p>6</p><p>Destaca-se no artigo 156 o dolo de aproveitamento, isto é, nesse instituto, para que haja sua</p><p>configuração, a outra parte precisa ter conhecimento do dano e que a prestação excessivamente</p><p>onerosa se deu por causa dele, mesmo que essa outra parte não tenha dado causa a tal dano.</p><p>Por outro lado, também definido pelo Código Civil, em seu artigo 157, está o instituto da lesão,</p><p>qual seja: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência</p><p>[requisito subjetivo], se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da</p><p>prestação oposta. [requisito objetivo]” (BRASIL, 2002, grifo nosso). Um exemplo de lesão se</p><p>daria na venda de imóvel por valor 50%abaixo do valor de mercado para quitar uma dívida com</p><p>instituição financeira credora.</p><p>d)Diferencie condição, termo e encargo.</p><p>RESPOSTA: De acordo com a valorosa pesquisa do “Direito Diário” (2017), sobre as</p><p>características e distinções da condição, do termo e do encargo, podem se verificar as seguintes</p><p>informações:</p><p>A condição é o acontecimento futuro e incerto de que depende a eficácia do negócio jurídico.</p><p>O seu modo de atuação pode ser suspensivo ou resolutivo. A Condição Suspensiva impossibilita</p><p>a produção dos efeitos até que o evento futuro e incerto seja realizado, logo, não haverá</p><p>aquisição do direito antes do implemento da condição. Por exemplo, te darei um carro se você</p><p>passar na faculdade.</p><p>Já a Condição Resolutiva extingue o direito após a ocorrência do evento futuro e incerto, ou</p><p>seja, cessa para o beneficiário a aquisição</p><p>algumas medidas jurídicas que podem ser</p><p>tomadas, por exemplo: exigir judicialmente o imediato cumprimento dessa cláusula</p><p>contratual através de uma ação de obrigação de fazer (Art. 247 a 249 do CC); requerer</p><p>uma tutela de urgência antecipada (Art. 300 do CPC); pode pedir a resolução do contrato</p><p>em virtude do descumprimento; pode pedir reparação por danos materiais pelos lucros</p><p>cessantes (Art. 402 do CC), entre outras opções</p><p>c) CASO: João das Couves alugou para Pedro canário uma casa, onde este último</p><p>estabeleceria uma clínica veterinária. Durante o primeiro ano, Pedro Canário</p><p>descobriu que o imóvel não era regularizado (faltava-lhe o “habite-se”, não emitido</p><p>por falta de acessibilidade do imóvel consistente em ausência de portas e banheiros</p><p>adaptados para pessoas cadeirantes, bem como a ausência de rampa ou elevador</p><p>para acesso ao 2º andar), razão pela qual conseguiu adquirir apenas o alvará</p><p>provisório no Município de Guarapari/ES. Pedro Canário fez uma série de</p><p>adaptações no imóvel, com autorização do proprietário, para instalar a clínica</p><p>veterinária. O empreendimento funcionou normalmente por dois anos; porém,</p><p>após ter vencido o prazo do alvará provisório, Pedro Canário não mais conseguiu</p><p>renovar o alvará, pois o Município exigiu a regularização do imóvel para conceder</p><p>o alvará definitivo. Por conta disso, a clínica veterinária deveria interromper as</p><p>atividades até a mencionada regularização efetivamente ocorrer, o que demoraria</p><p>prazo indefinido. João das Couves não aceitou os pagar os custos da regularização,</p><p>alegando que o locatário que deveria arcar com eles. Por conta disso, Pedro</p><p>Canário resolveu se retirar do imóvel e se instalar em outra localidade, onde</p><p>pudesse trabalhar normalmente. João das Couves acionou judicialmente Pedro</p><p>Canário alegando que este último violou o contrato de locação, que tinha prazo de</p><p>5 anos, devendo por isso pagar a multa contratual de R$25.000,00 (vinte e cinco</p><p>mil reais). QUESTÕES:</p><p>35</p><p>a. Qual princípio contratual sustenta a pretensão de João das Couves?</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: A reivindicação de João das Couves está amparada pelo princípio</p><p>do pacta sunt servanda, que estabelece que os contratos têm força de lei entre as</p><p>partes envolvidas e devem ser cumpridos conforme o acordado. João argumenta</p><p>que Pedro descumpriu o contrato de locação ao desocupar o imóvel antes do</p><p>prazo estipulado, razão pela qual ele deve pagar a multa prevista no contrato.</p><p>b. Qual princípio dos contratos (aplicável ao direito de propriedade) pode</p><p>embasar a negativa do Município em conceder alvará definitivo? Explique.</p><p>RESPOSTA: O princípio relevante aqui é o da função social da propriedade, o</p><p>qual determina que a propriedade deve atender a uma função social, respeitando</p><p>normas de segurança, acessibilidade e adequação para o uso proposto. O</p><p>Município justifica a recusa do alvará definitivo pela ausência de regularização</p><p>do imóvel, que não cumpre os requisitos de acessibilidade para abrigar uma</p><p>clínica veterinária. A função social da propriedade exige que o imóvel esteja</p><p>devidamente adaptado para o uso a que se destina.</p><p>c. Existe algum princípio contratual que embasa o direito de Pedro Canário</p><p>sair do imóvel sem ter de arcar com qualquer tipo de multa? Explique.</p><p>RESPOSTA: Sim, existem princípios contratuais que apoiam o direito de Pedro</p><p>Canário de rescindir seu contrato de locação sem enfrentar penalidades. Isso</p><p>inclui a teoria do "tu quoque", o princípio da boa-fé objetiva, justiça contratual</p><p>e onerosidade excessiva. Segundo a teoria do Tu Quoque, João das Couves,</p><p>como proprietário, não conseguiu obter as licenças necessárias para a</p><p>propriedade (como o "habite-se" e garantir a acessibilidade) como essas são</p><p>responsabilidades essenciais de qualquer proprietário ele não pode exigir que</p><p>Pedro cumpra o contrato, incluindo o pagamento de uma multa por rescisão</p><p>antecipada.</p><p>No que consiste o princípio da boa-fé é necessário que as partes ajam com</p><p>honestidade, lealdade e cooperação. João violou esse princípio ao não</p><p>36</p><p>regularizar a propriedade para uso comercial, impedindo Pedro de renovar sua</p><p>licença comercial e continuar suas operações, e como a incapacidade de Pedro</p><p>de permanecer na propriedade foi devido às ações do locador, seria injusto</p><p>penalizá-lo por sair.</p><p>No que diz respeito ao princípio da justiça contratual seu objetivo é garantir</p><p>justiça e equilíbrio nas obrigações e direitos de ambas as partes. Pedro investiu</p><p>na propriedade, mas foi prejudicado pela falta de regularização, o que paralisou</p><p>seu negócio. Forçá-lo a pagar uma multa quando João deixou de cumprir com</p><p>suas obrigações seria injusto e violaria esse senso de equilíbrio. E com relação</p><p>a onerosidade excessiva, é permitido que os contratos sejam rescindidos ou</p><p>ajustados se cumpri-los se tornar excessivamente oneroso devido a</p><p>circunstâncias imprevistas. Aqui, Pedro enfrentou uma situação inesperada — a</p><p>incapacidade de regularizar a propriedade — tornando muito difícil continuar o</p><p>arrendamento. Exigir que ele pagasse a multa, neste contexto, também violaria</p><p>esse princípio. Portanto, com base na teoria do "tu quoque" e nos princípios da</p><p>boa-fé, da justiça contratual e da onerosidade excessiva, Pedro Canário tem o</p><p>direito de rescindir o contrato de locação sem pagar multa, pois foi João, o</p><p>locador, quem primeiro descumpriu parte fundamental do contrato ao deixar de</p><p>tornar o imóvel próprio para uso.</p><p>37</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 6</p><p>a) O que é a classificação de contratos e qual a sua importância no Direito? Quais são</p><p>as principais classificações de contratos no Código Civil brasileiro?</p><p>RESPOSTA: A classificação de contratos refere-se à categorização dos contratos com</p><p>base em suas características, objetivos, modo de formação e outros critérios relevantes.</p><p>Esta classificação é fundamental no Direito, pois facilita a interpretação, aplicação e</p><p>execução das normas jurídicas pertinentes. Compreender a natureza e a classificação</p><p>dos contratos ajuda na correta aplicação da legislação, evitando erros na declaração de</p><p>ineficácia e garantindo a eficácia dos contratos. Além disso, a classificação adequada é</p><p>crucial na resolução de disputas, pois permite identificar o regime jurídico aplicável e</p><p>orientar a solução dos conflitos com base nas regras específicas que regem cada tipo de</p><p>contrato.</p><p>O Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002) estabelece várias classificações para os</p><p>contratos, organizando-os de acordo com suas características e efeitos. Entre as</p><p>principais classificações, destacam-se:</p><p>Os contratos podem ser classificados como consensuais ou reais. Os contratos</p><p>consensuais são formados apenas pelo acordo de vontades das partes, como é o caso do</p><p>contrato de prestação de serviços. Já os contratos reais, como o contrato de empréstimo,</p><p>requerem a entrega de um bem para sua formação.</p><p>Existem contratos unilaterais, onde apenas uma parte assume uma obrigação, como no</p><p>contrato de doação; e contratos bilaterais ou sinalagmáticos, onde ambas as partes têm</p><p>obrigações mútuas, como no contrato de compra e venda. Além disso, há contratos</p><p>plurilaterais, que envolvem mais de duas partes, como em contratos de consórcio.</p><p>Os contratos podem ser classificados em imediatos ou diferidos. Contratos imediatos</p><p>são aqueles em que as obrigações são devidas e realizadas imediatamente, como na</p><p>compra e venda à vista. Contratos diferidos, por sua vez, têm obrigações que devem ser</p><p>cumpridas em um momento futuro, como em contratos com pagamento a prazo.</p><p>38</p><p>A classificação pode ser em comutativos ou aleatórios. Contratos comutativos possuem</p><p>prestações e obrigações certas e determinadas desde o início, como no contrato de</p><p>prestação de serviços onde o valor e a prestação são definidos. Contratos aleatórios,</p><p>como os de seguro, envolvem prestações dependentes de eventos futuros e incertos.</p><p>Os</p><p>contratos podem ser formais ou informais. Contratos formais exigem uma forma</p><p>específica para sua validade, como os contratos de compra e venda de imóveis, que</p><p>precisam ser celebrados por escritura pública. Já contratos informais não necessitam de</p><p>forma específica, podendo ser celebrados de forma verbal ou escrita, conforme a</p><p>natureza do contrato.</p><p>A classificação pode ser em adesão ou negociada. Contratos de adesão têm condições</p><p>impostas por uma das partes, com a outra parte apenas aderindo, como em contratos de</p><p>adesão encontrados em serviços de telecomunicações. Contratos negociados, por outro</p><p>lado, são aqueles onde as condições são discutidas e acordadas entre as partes</p><p>b) Qual a diferença entre um contrato oneroso e um contrato gratuito? Exemplifique.</p><p>RESPOSTA: Nas definições de Tartuce (2021, p. 52), os contratos onerosos são</p><p>aqueles em que há dispêndio patrimonial para ambas as partes, ou seja, as obrigações</p><p>são recíprocas, há prestação e contraprestação, como no contrato de locação por</p><p>exemplo.</p><p>Por outro lado, os contratos gratuitos ou benéficos se constituem na não reciprocidade</p><p>das obrigações, que em outros termos, significa dizer que apenas uma das partes sofrerá</p><p>sacrifício patrimonial. É importante destacar que os contratos gratuitos são regulados de</p><p>forma diferente dos contratos onerosos, tendo em vista a sua não reciprocidade, essa</p><p>regulação se dá de forma mais favorável para aquele que sofreu o dispêndio patrimonial,</p><p>como se identifica no artigo 114 do CCB, que define a interpretação mais restritiva desse</p><p>tipo de contrato, e também a não aplicação das regras de vícios redibitórios o da evicção</p><p>dispostos nos artigos 441 e 447 respectivamente.</p><p>39</p><p>c) O que são contratos comutativos e aleatórios? Dê exemplos.</p><p>RESPOSTA: Segundo a doutrina de Flávio Tartuce (2021, pg. 53-55), essa</p><p>classificação diz respeito aos riscos da prestação podendo se tratar de um contrato</p><p>comutativo, o qual consiste na ciência das partes das especificações e obrigações</p><p>contratuais, ou seja, as partes já tem conhecimento do objeto pactuado e quais são seus</p><p>direitos e deveres. Como também pode tratar-se de um contrato aleatório, no qual os</p><p>contratantes não tem conhecimento de todas as especificidades do objeto e de seus</p><p>direitos e deveres. Esse tipo de contrato se subdivide em outras duas classificações: o</p><p>emptio spei e o emptio rei speratae.</p><p>Um contrato aleatório emptio spei ou contrato da esperança, consiste na incerteza da</p><p>existência do objeto, isto é, a parte não sabe efetivamente se o objeto contratado virá a</p><p>existir. Já um contrato aleatório emptio rei speratae consiste na incerteza da quantidade</p><p>do objeto pactuado.</p><p>A título de exemplo podemos fala-se sobre uma colheita de café, se o contrato celebrado</p><p>for do tipo emptio spei previsto no artigo 458 do CC mesmo que a colheita seja</p><p>completamente perdida devido a pragas ou intempéries, o comprador não tem direito a</p><p>reembolso, pois comprou a chance de uma colheita, não a colheita em si. Já se o contrato</p><p>for do tipo emptio rei speratae e nele estiver prevista a quantidade de sacas de café e se,</p><p>devido a fatores como seca ou pragas, não sejam colhidas a quantidade obrigada o</p><p>comprador pagará apenas pela quantidade disponível e se nenhuma colheita ocorrer, o</p><p>comprador não tem obrigação de pagar, pois o contrato dependia da existência de uma</p><p>quantidade específica de café, conforme previsto no 459 do CCB.</p><p>d) Qual a importância de saber a classificação de um contrato na hora de interpretá-</p><p>lo? Comente sobre o contrato de adesão.</p><p>RESPOSTA: A classificação dos contratos é crucial para sua interpretação, pois orienta</p><p>a aplicação das normas e a compreensão dos direitos e obrigações das partes. No caso</p><p>dos contratos de adesão, essa importância se destaca, pois esses contratos são elaborados</p><p>por uma das partes, deixando o aderente sem poder de negociação sobre as cláusulas.</p><p>Assim, a interpretação tende a ser mais protetiva em favor do aderente, reconhecendo</p><p>40</p><p>sua vulnerabilidade. Dispositivos legais, como os artigos 423 e 424 do Código Civil e</p><p>normas do Código de Defesa do Consumidor, reforçam essa proteção, determinando</p><p>que cláusulas ambíguas sejam interpretadas de maneira favorável ao aderente. Isso ajuda</p><p>a equilibrar as relações contratuais e evitar abusos. (Tartuce, 2021, pg. 81).</p><p>e) Como a classificação de um contrato pode influenciar na sua validade? Explique.</p><p>RESPOSTA: A classificação de um contrato impacta diretamente sua validade, pois</p><p>cada tipo de contrato pode ter requisitos formais e substanciais específicos que precisam</p><p>ser atendidos para que produza efeitos legais. Por exemplo, contratos formais, como a</p><p>escritura pública para a compra e venda de um imóvel, exigem uma forma específica</p><p>para serem válidos. Se esses requisitos não forem cumpridos, o contrato pode ser</p><p>considerado nulo ou anulável. Assim, a classificação ajuda a definir quais condições são</p><p>necessárias para a validade do negócio jurídico, garantindo segurança nas relações</p><p>contratuais (Tartuce, 2021).</p><p>f) É possível que um contrato tenha características de mais de uma classificação?</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: Sim, é possível que um contrato tenha características de mais de uma</p><p>classificação, pelo fato das classificações se complementarem. Por exemplo, o contrato</p><p>de compra e venda, pode ser classificado como oneroso e comutativo. Oneroso, pois</p><p>traz "vantagens para ambos os contratantes, pois ambos sofrem o mencionado sacrifício</p><p>patrimonial, [...] por haver uma prestação e uma contraprestação" (TARTUCE, 2019,</p><p>p.52) e comutativo, pela razão, das prestações de envolverem riscos e as partes já</p><p>saberem deles, "pois o vendedor já sabe qual o preço a ser pago e o comprador qual é a</p><p>coisa a ser entregue" (TARTUCE, 2019, p.53).</p><p>41</p><p>g) Existe contrato unilateral? Explique.</p><p>RESPOSTA: Sim, existe contrato unilateral. "O contrato unilateral é aquele em que</p><p>apenas um dos contratantes assume deveres em face do outro. É o que ocorre na doação</p><p>pura e simples, uma vez que há duas vontades (a do doador e a do donatário), mas do</p><p>concurso de vontades surgem deveres apenas para o doador; o donatário apenas auferirá</p><p>vantagens. Também são exemplos de contratos unilaterais o mútuo (empréstimo de bem</p><p>fungível para consumo) e o comodato (empréstimo de bem infungível para uso).</p><p>Percebe-se, assim, que nos contratos unilaterais, apesar da presença de duas vontades,</p><p>apenas uma delas será devedora, não havendo contraprestação"(TARTUCE, 2019,</p><p>p.50). Ademais, "a doação modal ou com encargo – modalidade de doação onerosa, por</p><p>trazer um ônus ao donatário – é tida como contrato unilateral imperfeito" (TARTUCE,</p><p>2019, p.50).</p><p>Ou seja, existem contratos unilaterais, pelo fato de que há a presença de dois polos de</p><p>interesse, porém, somente é gerado obrigação para uma das partes. Ademais, é</p><p>inexistente um contrato que só tenha uma declaração de vontade, o que faz necessário</p><p>que se tenha pelo menos duas declarações.</p><p>h) O que é um contrato solene? Diferencie dos contratos formais. Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo define Tartuce (2021, pg. 69-71) solenidade refere-se à</p><p>necessidade de um ato público, como uma escritura pública (espécie), enquanto a</p><p>formalidade abrange qualquer exigência legal de forma, como a simples escritura</p><p>(gênero).</p><p>De acordo com o Código Civil, a validade das declarações de vontade não depende de</p><p>forma específica, exceto quando a lei exigir expressamente essa forma, refletindo o</p><p>princípio da liberdade das formas. Em contratos solenes, a falta de forma necessária</p><p>resulta em nulidade. Por outro lado, em contratos não solenes, a ausência de</p><p>formalidades não necessariamente gera nulidade, permitindo que a relação jurídica</p><p>ainda produza efeitos entre as partes. Essa diferenciação é crucial para compreender a</p><p>segurança jurídica nas relações contratuais.</p><p>42</p><p>i) Quanto à interpretação dos contratos, diferencie os contratos gratuitos dos</p><p>contratos onerosos.</p><p>RESPOSTA: Os contratos gratuitos e onerosos possuem formas distintas de</p><p>interpretação. Nos contratos gratuitos, onde existe vontade das duas partes, mas só uma</p><p>deverá uma prestação, a interpretação tende a ser mais favorável ao beneficiário, uma</p><p>vez que não há reciprocidade nas obrigações. Isso se reflete no artigo 114 do Código</p><p>Civil Brasileiro, que estabelece que esses contratos devem ser interpretados de maneira</p><p>mais restritiva em relação ao lado que arca com o dispêndio patrimonial. Em contraste,</p><p>os contratos onerosos, que envolvem prestação e contraprestação, que envolvem</p><p>obrigações mútuas e compensações, são interpretados levando em conta a equidade</p><p>entre as partes. (TARTUCE, 2021, pg. 52).</p><p>j) Diferencie os contratos acessórios dos contratos coligados.</p><p>RESPOSTA: Têm a função de alcançar a execução de uma obrigação principal. O</p><p>exemplo típico é o contrato de fiança, que depende de outro, como, por exemplo, de um</p><p>contrato de locação de imóvel urbano" (TARTUCE, 2019, p.71). Ademais, o</p><p>doutrinador Flávio Tartuce frisa que "diante do princípio da gravitação jurídica, pelo</p><p>qual o acessório segue o principal, tudo o que ocorre no contrato principal repercute no</p><p>acessório. Desse modo, sendo nulo o contrato principal, nulo será o acessório; sendo</p><p>anulável o principal o mesmo ocorrerá com o acessório; ocorrendo prescrição da dívida</p><p>do contrato principal, o contrato acessório estará extinto; e assim sucessivamente"(2019,</p><p>p.71). Já os contratos coligados, "situação em que, em regra, existe uma independência</p><p>entre os negócios jurídicos cujos efeitos estão interligados" (TARTUCE, 2019, p.72).</p><p>Ademais, "são os que se encontram ligados por um nexo funcional, podendo essa</p><p>dependência ser bilateral (vende o automóvel e a gasolina); unilateral (compra o</p><p>automóvel e arrenda a garagem, ficando o arrendamento subordinado à compra e</p><p>venda); alternativa (compra a casa na praia ou, se não for para lá transferido, loca-a para</p><p>veraneio). Mantém-se a individualidade dos contratos, mas as vicissitudes de um podem</p><p>influir sobre o outro" (TARTUCE, 2019, p.72).</p><p>43</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>AZEVEDO, Antônio Junqueira. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 4ª ed. São</p><p>Paulo: Saraiva, 2002, p. 1-175.</p><p>ÁVILA, Raniel Fernandes de. A teoria dos fatos jurídicos processuais no processo civil do</p><p>Estado Democrático Constitucional brasileiro. Dissertação (Mestrado em direito processual) –</p><p>Ufes, 2017, 370 f, p. 61-66.</p><p>BARROSO, Lucas Abreu. Funcionalização do contrato: o direito privado e a organização</p><p>econômico-social contemporânea. In: Revista de Direito Privado, vol. 24/2005, p. 79-88.</p><p>BASAN, Arthur. Formação do Contrato: proposta entre ausentes e aceitação. YouTube, 23</p><p>de abril de 2020. Disponível em: https://youtube.com/Formação-do-contrato-proposta-entre-</p><p>ausentes-e-aceitação. Acesso em: 20/08/2024.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial [da]</p><p>República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm. Acesso em: 20/08/2024.</p><p>Artigos 121-479.</p><p>CICIVIZZO, Flávio Augusto. O silêncio como manifestação de vontade. Consultor</p><p>Jurídico, 6 de fevereiro de 2013. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2013-fev-</p><p>06/flavio-cicivizzo-silencio-como-manifestacao-vontade. Acesso em: 19/08/2024.</p><p>FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil: contratos -</p><p>teoria geral e contratos em espécie. 13ª edição. Salvador: Juspodivm, 2023, p. 40-218.</p><p>GOMES, Orlando. Contratos. 26ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 1-47.</p><p>LOPES, Laura Loro. FUNDAMENTOS DA TEORIA DA DECLARAÇÃO TÁCITA NO</p><p>SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO. Rio Grande do Sul, 29 de junho de 2012. Disponível</p><p>em: https://www.pucrs.br/FUNDAMENTOS-DA-TEORIA-DA-DECLARAÇÃO-TÁCITA.</p><p>Acesso em: 19/08/2024.</p><p>MAZZEI, Rodrigo Reis. Notas iniciais à leitura do Novo Código Civil. In: ALVIM, Arruda;</p><p>ALVIM, Thereza (Coord.). Comentários ao Código Civil Brasileiro: parte geral. Rio de</p><p>Janeiro: editora Forense, 2005, p. 82-86.</p><p>MARTINS-COSTA, Judith. Os campos normativos da boa-fé objetiva: as três perspectivas</p><p>do direito privado brasileiro. In: AZEVEDO, Antonio Junqueira de; TORRES, Heleno</p><p>Taveira; CARBONE, Paolo (Coord.). Princípios do novo Código Civil brasileiro e outros</p><p>temas: homenagem a Tullio Ascarelli. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 405-412.</p><p>MENEZES, Mario SE. Responsabilidade civil pré-contratual. São Paulo, (s.d). Disponível</p><p>em: https://www.tjsp.jus.br/rc4.pdf. Acesso em: 18/08/2024.</p><p>SANTIAGO, Mariana Ribeiro. Simulação e Dissimulação. Conteúdo Jurídico, 01 de junho</p><p>de 2010. Disponível em:</p><p>44</p><p>https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/19970/simulacao-e-dissimulacao.</p><p>Acesso em: 22/08/2024.</p><p>SILVA, Ariadna F.; ROCHA, Maria V. A noção de contrato do Direito Romano à</p><p>contemporaneidade: uma análise evolutiva do sistema contratual moderno. Revista Brasileira</p><p>de Direito Civil em Perspectiva, p. 01-22, Maranhão, julho-dezembro de 2017. Disponível</p><p>em: https://www.ufc.br/2017_art_contrato_mvrovha.pdf. Acesso em: 20/08/2024.</p><p>TARTUCE, Flávio. Direito Civil: teoria geral dos contratos e contratos em espécie. 16ª</p><p>edição. Rio de Janeiro: Forense, 2021, p. 52-81, Art. 423 e 424 do CC.</p><p>https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/19970/simulacao-e-dissimulacao</p><p>dos direitos anteriormente garantidos. Exemplo:</p><p>Tirarei sua mesada quando você conseguir um emprego. Termo é o acontecimento futuro e</p><p>certo, podendo começar ou extinguir a eficácia do negócio jurídico. Ele pode ter como unidade</p><p>de medida a hora, o dia, o mês ou o ano. Vale a pena frisar, que não há suspensão da aquisição</p><p>de direito, já que existe plena convicção da ocorrência do evento. Ex: Te darei esse carro quando</p><p>você completar 25 anos.</p><p>Encargo é uma cláusula acessória mais comum nos contratos em que há uma liberalidade, como</p><p>a doação. Também é admitido em declarações unilaterais de vontade. Ex: Quando um pai dá</p><p>um dinheiro como presente a um filho, mas diz que ele precisa usar parte desse dinheiro para</p><p>comprar livros. O encargo não é uma prestação equivalente. Normalmente, o encargo não</p><p>7</p><p>suspende a aquisição nem o exercício do direito, a não ser que o contrato excepciona tal regra,</p><p>caso a cláusula contratual não seja cumprida, a liberalidade pode ser revogada, por meio de</p><p>ação revocatória proposta pelo seu instituidor. Logo, o encargo é coercitivo e não suspensivo.</p><p>e)Os contratos precisam de alguma forma? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo ensinamentos do doutrinador Orlando Gomes (2009), os contratos em</p><p>geral não carregam em si a solenidade como requisito, desde haja declaração de vontade das</p><p>partes, mas existem também aqueles que reclamam determinadas solenidades.</p><p>Existem contratos que necessitam ser solenes (ou especiais), pois devem obedecer à forma</p><p>prescrita em lei para se aperfeiçoar. Um exemplo é o art. 108 do CC, que relata que em relação</p><p>a imóveis com o valor superior a 30 salários-mínimos, para a validade do contrato é necessário</p><p>que seja feito por meio de escritura pública.</p><p>Mas também há contratos que não necessitam de tal solenidade, em que a sua forma é livre ou</p><p>não solene, nesse caso, a lei não reclama nenhuma formalidade para o seu aperfeiçoamento,</p><p>fornecendo liberdade para que o contrato seja celebrado por qualquer forma, ou seja, a</p><p>exteriorização da vontade pode ser verbal, escrita ou até mesmo silenciosa, tudo vai depender</p><p>do ato a ser realizado. Por exemplo, o Contrato de Locação.</p><p>Vale a pena frisar, que a forma é o meio pelo qual se exterioriza a manifestação de vontade nos</p><p>negócios jurídicos, para que possam produzir efeitos jurídicos. Se a lei prever solenidade ela</p><p>deverá ser cumprida sob pena de invalidade do negócio. A forma deverá ser prescrita ou não</p><p>proibida por lei.</p><p>f)Quais as espécies de fatos jurídicos não são analisadas no plano da validade? Explique.</p><p>RESPOSTA: Considerando que o elemento humano volitivo é um requisito fundamental para</p><p>análise no plano de validade, não serão analisadas no plano da validade as espécies de fatos</p><p>jurídicos que não contarem com o elemento volitivo.</p><p>Segundo as pesquisas e interpretações do Dr. Raniel Fernandes Ávila (2017, pg. 61-62), as</p><p>espécies de Fatos Jurídicos que não são analisadas no plano de validade são Fato Jurídico Stricto</p><p>Sensu e Ato–Fato Jurídico. O primeiro, é por conta de que o suporte fático é um acontecimento</p><p>8</p><p>natural ou biológico, e não apresenta elemento humano e nem vontade. Ex: Terremoto. O</p><p>segundo, o núcleo do suporte fático apresenta o elemento humano, porém desconsidera/ignora</p><p>o elemento volitivo. Ex: Uma criança descobre um tesouro enterrado e por isso adquire a</p><p>propriedade.</p><p>Em suma, para que haja a presença do plano de validade é primordial que se tenha presente o</p><p>elemento volitivo no fato jurídico, e ele precisa ser livre, não podendo ser viciado</p><p>g)Todos os negócios jurídicos nascem eficazes? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo ensinamentos de Antônio Junqueira Azevedo (2002, pg. 1-175) não,</p><p>nem todos os negócios jurídicos nascem eficazes, pois a eficácia de um negócio jurídico está</p><p>condicionada a diversos outros fatores. Antes de passar pela análise no plano da eficácia deve-</p><p>se observar os planos da existência e da validade do negócio jurídico. Cabem os exemplos:</p><p>O artigo 104 do CCB nos diz que para que um negócio seja existente e válido é necessário que</p><p>haja agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não</p><p>defesa em lei, sem esses elementos não há existência e nem validade, assim, por consequência,</p><p>também não terá eficácia.</p><p>Por outro lado, ressalta-se que a vontade é um requisito fundamental de um negócio jurídico,</p><p>portanto, não pode haver vício de consentimento (erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo e</p><p>fraude contra credores) pois, no plano da validade, o negócio não produzirá efeitos jurídicos, se</p><p>tornando ineficaz.</p><p>Ainda, caso esteja sujeito a condições, termos ou encargos o negócio deve ser cumprido, para</p><p>também não o tornar ineficaz. Desse modo, pode-se afirmar que os negócios jurídicos não</p><p>nascem eficazes, porém podem se tornar através de sua análise nos planos de validação.</p><p>h)Pesquise: o que é reserva mental? Explique e dê exemplos que deem sentido ao art.</p><p>110 do CCB.</p><p>RESPOSTA: Segundo Pesquisas do Prof. Flávio Monteiro de Barros, em tese, a reserva mental</p><p>consiste na manifestação de uma vontade sem intenção de cumpri-la, com o intuito de enganar</p><p>a outra parte ou terceiros, ou seja, é um comportamento premeditado de descumprimento. A</p><p>reserva mental tem como característica a divergência intencional entre a vontade interna e a</p><p>9</p><p>vontade externa declarada e também a intenção de fraudar terceiros ou o destinatário. Existem</p><p>diversas classificações de reserva mental, que são: absoluta, na qual a pessoa não tem nenhuma</p><p>intenção de cumprir o que afirmou; relativa, onde a intenção é diferente daquilo que foi</p><p>declarado; inocente, onde não há o propósito de prejudicar ninguém com a declaração; ilícita,</p><p>cujo o objetivo é causar prejuízo à outra parte; unilateral, onde somente uma das partes</p><p>envolvidas não tem a intenção de cumprir o que foi dito; e bilateral, onde nenhuma das partes</p><p>pretende agir conforme o que foi acordado. Como regra geral, a reserva mental é irrelevante</p><p>para a validade de um negócio jurídico, que deve ser cumprido de acordo com a intenção</p><p>expressa.</p><p>A exceção seria se a outra parte estiver ciente da reserva mental, o negócio jurídico então é</p><p>considerado inexistente devido à falta de verdadeira intenção. Importante destacar também as</p><p>distinções entre a reserva mental e outros conceitos jurídicos como a simulação, onde ambas as</p><p>partes visam enganar uma terceira parte ou violar a lei, enquanto na reserva mental, apenas a</p><p>pessoa que faz a reserva pretende enganar a outra parte; a declaração jocosa, irônica ou teatral,</p><p>por outro lado, é feita em tom de brincadeira, sem intenção de engano legal, ao contrário da</p><p>reserva mental, que é projetada para enganar.</p><p>Como exemplos temos, o contrato de compra e venda onde o vendedor assina um contrato de</p><p>venda de um carro, mas desde o início não tem intenção de entregar o veículo ao comprador, a</p><p>transação é válida, a menos que o comprador saiba dessa intenção oculta; ou um contrato de</p><p>prestação de serviços sem intenção de executar os serviços: no qual uma pessoa celebra um</p><p>contrato para prestar serviços de consultoria, mas desde o início não tem a intenção de realizar</p><p>o trabalho acordado, se a outra parte não conhece essa intenção, o contrato é válido</p><p>i)Pesquise: o que é o negócio jurídico simulado e o que é o negócio jurídico que se</p><p>dissimulou? Dê sentido com exemplos ao art. 167, caput, CCB.</p><p>RESPOSTA: De acordo com a pesquisa e com as interpretações de Mariana Ribeiro Santiago</p><p>(2010) a respeito das lições de distintos doutrinadores como Maria Helena Diniz, Orlando</p><p>Gomes e Alberto Tabucchi, por exemplo, podem se interpretar o seguinte a respeito da</p><p>simulação e da dissimulação:</p><p>A simulação é um vício que ocorre quando as partes envolvidas em um negócio jurídico fazem</p><p>uma declaração enganosa de suas intenções, criando uma falsa aparência para ocultar a</p><p>10</p><p>verdadeira natureza do acordo</p><p>e iludir terceiro, há uma discrepância intencional entre a vontade</p><p>manifestada e a real intenção das partes, com o objetivo de prejudicar terceiros que não têm</p><p>conhecimento da verdadeira situação. Nesse sentido, percebe-se que as características principais</p><p>da simulação são: (1) a falsa declaração bilateral da vontade, (2) a divergência entre a vontade</p><p>interior e a externa, (3) a intencionalidade no desacordo entre as vontades, e (4) o objetivo de</p><p>enganar terceiros</p><p>Apesar de a simulação criar uma discrepância entre a vontade real e a declarada, ela não é</p><p>considerada um vício de consentimento, pois o agente está ciente dos resultados desejados. Em</p><p>vez disso, é classificada como um vício social devido à falta de conformidade com a ordem</p><p>legal.</p><p>A simulação pode ser classificada em absoluta ou relativa: a simulação é absoluta quando as</p><p>partes não pretendem praticar nenhum ato jurídico real e o ato simulado não encobre a</p><p>realização de outro. Um exemplo de simulação absoluta é a venda fictícia, onde o vendedor</p><p>transfere ficticiamente um bem para evitar que este seja penhorado pelos credores. Um exemplo</p><p>de simulação absoluta presente no artigo 167, caput.</p><p>A simulação relativa, também conhecida como dissimulação, ocorre quando um contrato</p><p>aparente é utilizado para ocultar um pacto real que as partes desejam manter em segredo.</p><p>Segundo Orlando Gomes, na simulação relativa existem dois contratos: o contrato aparente e o</p><p>contrato verdadeiro, que é o realmente pretendido pelas partes e ocultado do terceiro. A</p><p>simulação relativa, como conceito jurídico, se subdivide em duas categorias: subjetiva e</p><p>objetiva. A simulação relativa subjetiva concentra-se nos participantes do negócio jurídico.</p><p>Nessa modalidade, o foco está na discrepância entre a pessoa que formaliza o contrato e aquela</p><p>que realmente se beneficiará dos seus resultados.</p><p>Por outro lado, a simulação relativa objetiva refere-se à dissimulação relacionada à natureza, ao</p><p>objeto ou a um dos elementos do contrato. Neste caso, a intenção das partes é mascarar a</p><p>verdadeira natureza do negócio. Por exemplo, a simulação objetiva ocorre quando um contrato</p><p>de venda é utilizado para disfarçar uma verdadeira doação. Da mesma forma, o objeto do</p><p>contrato é dissimulado quando o contrato aparenta vender um bem específico, mas a transação</p><p>real envolve um bem diferente. Outro exemplo é a adulteração de elementos do contrato, como</p><p>a alteração da data de celebração, para modificar ou ocultar a verdadeira natureza do acordo.</p><p>11</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 2</p><p>a)Diferencie negócio jurídico de contrato.</p><p>RESPOSTA: O negócio jurídico é um conceito mais amplo, que consiste na declaração de</p><p>vontade proferida em conformidade com o ordenamento jurídico e que objetiva produzir</p><p>efeitos. A formação desse conceito tem como base o princípio da autonomia da vontade que</p><p>segundo Maria Helena Diniz (2011, p. 40) é “o poder de estipular livremente, como melhor lhes</p><p>convier, mediante acordo de vontade, a disciplina de seus interesses, suscitando efeitos</p><p>tutelados pela ordem jurídica”. Um exemplo de negócio jurídico unilateral é o testamento. Os</p><p>contratos, por sua vez, são um fato jurídico cujo cerne é a declaração da vontade desejada por</p><p>pelo menos duas partes, com aptidão a produzir efeitos jurídicos, ou seja, o que distingue o</p><p>negócio jurídico do contrato é a exigência de pelo menos duas partes para a formação do</p><p>mesmo. Sendo assim, pode-se afirmar que o negócio jurídico é gênero do qual o contrato é</p><p>espécie. (AZEVEDO, 2002, pg. 4). Um exemplo de contrato é o contrato de compra e venda de</p><p>um imóvel.</p><p>b)Aponte diferenças entre as concepções romana e contemporânea dos contratos.</p><p>RESPOSTA: Segundo definem Silva e Rocha (2017), no Direito Romano, os contratos eram</p><p>profundamente marcados pelo formalismo, onde a validade do negócio jurídico dependia da</p><p>observância de rituais e formas específicas. A contratação exigia que certos atos formais fossem</p><p>cumpridos, como as palavras pronunciadas ou a entrega de uma coisa, sem os quais o contrato</p><p>não era considerado válido. Além disso, a concepção romana de obrigação estava mais focada</p><p>no "vínculo jurídico" (iuris vinculum), sendo a "actio" o principal mecanismo para exigir o</p><p>cumprimento das obrigações, em vez de um reconhecimento da vontade como o elemento</p><p>central.</p><p>Por outro lado, porém correlacionado, a noção de autonomia da vontade, essencial no direito</p><p>contratual contemporâneo, ainda não era plenamente desenvolvida no direito romano. Os</p><p>romanos não formularam um conceito de negócio jurídico ou contrato baseado unicamente no</p><p>consenso entre as partes, sendo que a manifestação da vontade não era suficiente para gerar</p><p>efeitos jurídicos sem a observância das formas prescritas.</p><p>12</p><p>Em contrapartida, o Direito Contemporâneo se afasta dessa rigidez formalista e adota o</p><p>consensualismo como princípio fundamental. A evolução histórica dos contratos,</p><p>principalmente com o advento do liberalismo econômico e o fortalecimento das ideias de</p><p>liberdade individual no século XIX, permitiu que a vontade das partes adquirisse papel central</p><p>na constituição dos contratos. Nesse modelo, a autonomia da vontade permite que os indivíduos,</p><p>na maioria dos casos, firmem contratos apenas pelo consenso mútuo, sem a necessidade de</p><p>formalidades específicas, mesmo que, por vezes, a lei reclame certos tipos mais solenes/formais</p><p>de contratos, mas a previsão da formalidade é exceção e não regra. Além disso, o Direito</p><p>contemporâneo introduz o dirigismo contratual, a boa-fé objetiva e a função social dos</p><p>contratos, com o Estado intervindo para garantir que os contratos sejam justos, probos e</p><p>equilibrados, especialmente em contextos de desigualdade entre as partes, onde existe</p><p>desequilíbrio econômico e social entre contratantes, algo que não estava presente na concepção</p><p>romana.</p><p>Nesse sentido, o contrato deixa de ser uma simples manifestação privada de vontades, passando</p><p>a ser visto também como um instrumento de realização de justiça social, sujeito a limitações</p><p>impostas pela ordem pública.</p><p>c)O que são os planos do mundo jurídico? Explique.</p><p>RESPOSTA: Nas explicações de Raniel Fernandes de Ávila (2017, p. 64-66), no mundo</p><p>jurídico, os atos são analisados em três planos: plano da existência, plano da validade e plano</p><p>da eficácia.</p><p>O plano da existência versa sobre os elementos mínimos necessários para que um ato jurídico</p><p>possa ser considerado existente. No caso dos contratos, isso corresponde à manifestação de</p><p>vontade das partes envolvidas. Sem esses elementos, o ato simplesmente não existe. Por</p><p>exemplo, os fatos jurídicos em sentido estrito não possuem o elemento da vontade, logo, sem</p><p>vontade não há existência.</p><p>No plano da validade, avalia-se os requisitos que determinam a validade do ato jurídico. Em</p><p>relação aos contratos, envolve a capacidade das partes, a forma exigida por lei, o objeto lícito,</p><p>e a ausência de vícios na vontade das partes. A falta de qualquer um desses elementos pode</p><p>resultar na anulação do contrato. Por exemplo, um negócio jurídico celebrado com agente</p><p>completamente incapaz, esse negócio não possuirá validade.</p><p>13</p><p>O plano da eficácia refere-se à capacidade do ato jurídico de produzir os efeitos desejados.</p><p>Mesmo um contrato válido pode não ser eficaz, por exemplo, se estiver condicionado a uma</p><p>condição suspensiva que ainda não tenha ocorrido.</p><p>d)Discorra sobre os contratos nas concepções voluntarista e estruturalista, diferenciando-</p><p>as.</p><p>RESPOSTA: Segundo definem Antônio Junqueira Azevedo (2002, pg. 1-22) e Orlando Gomes</p><p>(2009, p. 15-22) a concepção voluntarista de um contrato está enraizada na ideia de autonomia</p><p>das partes. Dessa perspectiva, um contrato é principalmente um acordo entre indivíduos, que</p><p>deve ser honrado desde que não viole disposições legais. As obrigações que surgem de um</p><p>contrato são vistas como o resultado direto do consentimento</p><p>livre e consciente das partes</p><p>contratantes. Nessa estrutura, o papel do Estado é limitado à regulamentação mínima,</p><p>garantindo que a liberdade contratual seja mantida e que os acordos sejam cumpridos conforme</p><p>estabelecido. O envolvimento do Estado é focado em prevenir abusos e garantir que os contratos</p><p>operem dentro dos limites legais, ao mesmo tempo em que salvaguarda a máxima liberdade de</p><p>negociação entre as partes.</p><p>Em contraste, a visão estruturalista destaca a função social dos contratos e as estruturas</p><p>socioeconômicas que influenciam as relações contratuais. Aqui, um contrato não é meramente</p><p>um acordo entre as partes, mas também está sujeito à regulamentação legal, com o objetivo de</p><p>proteger interesses sociais e econômicos mais amplos. A abordagem estruturalista enfatiza o</p><p>equilíbrio contratual e a proteção das partes mais vulneráveis, reconhecendo o impacto social e</p><p>econômico significativo que os contratos podem ter. Assim, o Estado desempenha um papel</p><p>mais ativo na regulamentação dos contratos, garantindo a justiça social e prevenindo</p><p>desequilíbrios que possam prejudicar uma das partes. Em resumo, enquanto a visão voluntarista</p><p>prioriza a liberdade contratual e a autonomia individual, a abordagem estruturalista busca</p><p>equilibrar os contratos de uma forma que considere sua função social e interesses coletivos.</p><p>(2002, pg. 1-22) e Orlando Gomes (2009, pg. 15-22).</p><p>e)O que são cláusulas gerais e conceitos jurídicos indeterminados? Dê exemplos de</p><p>aplicações no direito contratual.</p><p>RESPOSTA: Tanto as cláusulas gerais quanto os conceitos jurídicos indeterminados são</p><p>14</p><p>ferramentas essenciais que proporcionam flexibilidade ao sistema jurídico, permitindo que ele</p><p>se adapte a uma vasta gama de cenários e situações.</p><p>De acordo com a doutrina de Mazzei (2007, pg. 82-86) cláusulas gerais podem ser vistas como</p><p>um gênero do qual os conceitos jurídicos indeterminados são uma espécie. As cláusulas gerais</p><p>desempenham um papel crucial ao trazer mobilidade e abertura ao Código Civil, suavizando</p><p>sua rigidez e permitindo que ele acompanhe as mudanças e evoluções da sociedade. O papel do</p><p>juiz é fundamental nesse contexto, pois cabe a ele interpretar os termos e expressões presentes</p><p>na cláusula, atribuindo-lhes um sentido prático e integrando direitos. Além disso, o juiz deve</p><p>estabelecer as consequências para cada caso específico que se apresenta. A indeterminação</p><p>dessas cláusulas é preenchida com o auxílio de valores éticos, morais, sociais, econômicos e</p><p>jurídicos, que orientam a decisão final do juiz. Um exemplo de cláusula geral é o artigo 927 do</p><p>Código Civil Brasileiro (BRASIL, 2002), que estabelece que "aquele que, por ato ilícito, causar</p><p>dano a outrem, fica obrigado a repará-lo". Esta cláusula geral permite que o juiz defina as</p><p>condições e os parâmetros para a reparação de danos, considerando fatores como a extensão do</p><p>dano e a capacidade de reparação, conforme a situação concreta</p><p>Por outro lado, os conceitos jurídicos indeterminados, embora também contribuam para a</p><p>flexibilidade do sistema, têm a função de evitar a excessiva abstração ou generalização da lei.</p><p>Assim como nas cláusulas gerais, o juiz exerce uma função interpretativa para definir o</p><p>significado de termos vagos. Ele também deve aplicar diretamente as consequências previstas</p><p>pela norma em questão. O preenchimento da indeterminação nos conceitos jurídicos é orientado</p><p>por princípios éticos, sociais, econômicos e jurídicos, que moldam o julgamento conforme o</p><p>contexto específico de cada situação. Um exemplo de conceito jurídico indeterminado é o</p><p>chamado "justo valor", que é indeterminado porque não define um valor exato, permitindo que</p><p>o juiz ou avaliador determine um valor apropriado com base em fatores como o valor de</p><p>mercado e as características específicas do bem</p><p>f)Um contrato celebrado na vigência do Código Civil de 1916 perde a validade quando</p><p>da vigência do Código Civil de 2002? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo o artigo 2.035 do Código Civil Brasileiro (2002) e os ensinamentos de</p><p>Farias e Rosenvald (2023, pg. 41-45), os contratos firmados durante a vigência do Código Civil</p><p>de 1916 não perdem de imediato sua validade com a entrada em vigor do novo Código Civil.</p><p>De acordo com o princípio da irretroatividade das leis, a nova legislação não afeta atos ou</p><p>15</p><p>contratos realizados sob a vigência da lei anterior. Assim, os contratos celebrados sob o Código</p><p>Civil de 1916 continuam válidos e devem ser regidos por ele, a menos que haja uma disposição</p><p>legal específica que determine o contrário.</p><p>No entanto, o Código Civil de 2002 pode influenciar a execução e o cumprimento desses</p><p>contratos, na medida em que novas normas sejam aplicáveis a aspectos procedimentais ou</p><p>materiais relacionados a contratos celebrados sob a legislação anterior. Portanto, enquanto a</p><p>validade dos contratos realizados sob o Código Civil de 1916 é preservada, as novas disposições</p><p>podem ser aplicáveis para questões de execução ou cumprimento, conforme a previsão legal</p><p>específica e o contexto do contrato em questão.</p><p>g)O que é a concepção econômica dos contratos? É correto dizer que essa concepção</p><p>deve ser descartada pelos juristas?</p><p>RESPOSTA: Conforme explica o doutrinador Orlando Gomes (2009, pg. 22-24) concepção</p><p>econômica dos contratos caracteriza que contratos são mecanismos importantes para circulação</p><p>de riqueza, colaboração, prevenção de risco e extensão de crédito, entre outros, isto é cada</p><p>contrato desempenha um papel econômico distinto, moldando os interesses das partes</p><p>envolvidas e sendo moldados por eles, ou seja, a razão de ser de um contrato está diretamente</p><p>relacionada aos interesses econômicos das partes envolvidas e ao impacto que esses interesses</p><p>têm no cenário econômico mais amplo..</p><p>Não se pode dizer que essa concepção deve ser descartada pelos juristas, ela deve ter sua</p><p>importância reconhecida e então deve ser integrada ao princípio da função social do contrato,</p><p>que consiste na valorização do indivíduo ao invés do patrimônio, o que significa dizer que o</p><p>contrato pode ter como causa a questão financeira, mas precisará ser exercido dentro dos limites</p><p>da função social dos contratos. Desse modo, equilibram-se interesses econômicos com os</p><p>interesses sociais e éticos envolvidos nos contratos.</p><p>16</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 3</p><p>a)A proposta e a aceitação podem ser vistas como contratos? São negócios jurídicos?</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo Cristiano Chaves Farias e Nelson Rosenvald (2023, pg. 7), o contrato é</p><p>um fato jurídico cuja essência reside na manifestação de vontade de, pelo menos, duas partes,</p><p>com o propósito de gerar efeitos jurídicos. O contrato, portanto, é um negócio jurídico bilateral,</p><p>resultante da convergência de duas vontades. A proposta e a aceitação, isoladamente, são</p><p>classificadas como negócios jurídicos unilaterais, já que cada um reflete apenas a vontade de</p><p>uma parte.</p><p>Dessa forma, pode-se afirmar que, sozinhas, a proposta e a aceitação não constituem um</p><p>contrato. Entretanto, são elementos essenciais para a formação do contrato, pois é a combinação</p><p>desses dois negócios jurídicos unilaterais que gera o acordo de vontades necessário para a</p><p>formação do negócio jurídico bilateral que é o contrato.</p><p>b)As tratativas são uma espécie de negócio jurídico? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo explicam Farias e Rosenvald (2023, p. 51-54), tratativas (ou</p><p>negociações preliminares) não são consideradas uma espécie de negócio jurídico, pois elas</p><p>constituem a fase de negociações que antecede a formação do contrato. Durante esse período,</p><p>as partes ainda estão discutindo os termos e condições do possível contrato, e não há um acordo</p><p>final ou vínculo jurídico que as obrigue a concluir o negócio. Assim, não há, em regra,</p><p>responsabilidade jurídica pela não conclusão das tratativas, uma vez que ainda não há contrato.</p><p>Contudo, isso não significa que as partes</p><p>estão completamente livres de obrigações durante essa</p><p>fase. Conforme o artigo 422 do Código Civil, as partes devem agir com boa-fé e probidade</p><p>durante as negociações. Caso uma das partes gere na outra uma legítima expectativa de</p><p>celebração do contrato, criando despesas ou expectativas, e depois rompa as negociações de</p><p>forma abrupta e sem justificativa, poderá incorrer em culpa in contrahendo. Nesses casos, a</p><p>parte que agiu de forma abusiva poderá ser responsabilizada pelos danos causados à outra parte,</p><p>mesmo que o contrato não tenha sido formalizado.</p><p>17</p><p>c)Há diferença entre “declaração tácita” de aceitação da proposta de contrato e</p><p>“comportamento concludente”? Explique.</p><p>RESPOSTA: O artigo 111 do Código Civil (BRASIL, 2002) nos traz em sua redação que, o</p><p>silêncio importa anuência quando não for necessária a declaração de vontade expressa, ou seja,</p><p>nem todo contrato exige uma declaração expressa de vontade, portanto, entende-se que pelo</p><p>silêncio ou pela ausência de manifestação contrária da outra parte, existe a aceitação do negócio</p><p>jurídico. Diante disso, Lopes (2012, pg. 23-24) afirma que a declaração tácita se refere à</p><p>aceitação do negócio jurídico que não recorre a palavras, mas que apresenta um comportamento</p><p>que demonstra anuência com o negócio a partir da inferência dos denominados “factos</p><p>concludentes”., nesse sentido, o comportamento concludente seria a exteriorização da</p><p>declaração tácita, o elemento objetivo da dela, isto é, a conduta a partir da qual se pode chegar</p><p>à conclusão de anuência silenciosa. A critério de esclarecimento, o elemento subjetivo da</p><p>declaração tácita é a investigação do agente, para aferir se tinha consciência do significado de</p><p>sua manifestação, se as condutas guardam adequação com o que foi acordada entre os</p><p>contratantes.</p><p>d)Quais as teorias que o Código Civil de 2002 adotou quanto ao tema do tempo da</p><p>aceitação da proposta entre ausentes? Explique.</p><p>RESPOSTA: De acordo com Basan (2020) e o artigo 434 do Código Civil Brasileiro (BRASIL,</p><p>2002), na maioria dos casos, é admitida no CCB de 2002 a teoria da expedição, ou seja, pode</p><p>se considerar aceita a proposta a partir do momento em que expedida a aceitação. Por exemplo,</p><p>se no dia dois escrevi uma carta informando que aceito proposta de pessoa X e ela só chegou</p><p>para esse no dia nove, considera-se aceito desde o dia dois.</p><p>No entanto, o artigo 434 possui algumas exceções, elas, diferentemente do que informa o caput,</p><p>não admitem a teoria da expedição, mas sim a teoria da recepção, isto é, considera-se a aceitação</p><p>somente a partir do recebimento da resposta pelo proponente. Isso ocorre nos seguintes casos:</p><p>(1) se antes do recebimento da aceitação ou junto a ela chegar à retratação do aceitante; (2) se</p><p>o proponente se compromete a esperar resposta do aceitante; e (3) se o proponente estipular um</p><p>prazo e a aceitação não ocorrer no prazo convencionado.</p><p>É correto dizer, no direito contratual brasileiro, que “o silêncio importa a anuência”?</p><p>Explique.</p><p>18</p><p>RESPOSTA: O art. 111 do CCB, relata que "o silêncio importa anuência, quando as</p><p>circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa".</p><p>Nesse sentido, é correto dizer que o silêncio importará anuência nos casos em que: “(1) a lei</p><p>não exigir, para a espécie contratual em questão, declaração expressa de vontade em</p><p>concordância com os termos do negócio; e se (2) pelos usos e costumes inerentes ao lugar que</p><p>o pacto é feito, o silêncio for entendido como ato de concordância.” (CICIVIZZO, 2013). Um</p><p>exemplo do silêncio anuente está no artigo 539 do Código Civil (BRASIL, 2002), onde se define</p><p>que “O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade.</p><p>Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que</p><p>aceitou, se a doação não for sujeita a encargo.”</p><p>e)Diferencie as negociações preliminares do denominado contrato preliminar. Apresente</p><p>exemplos.</p><p>RESPOSTA: As negociações preliminares correspondem à fase inicial em que as partes estão</p><p>discutindo a possibilidade de firmar um contrato. Durante esse período, as partes estão</p><p>conhecendo o objeto do contrato e negociando os termos, mas ainda não se vinculam</p><p>juridicamente a uma obrigação definitiva. Nessas negociações, não há compromisso de</p><p>fechamento do negócio, e, em regra, as partes não são responsabilizadas pela desistência, desde</p><p>que ajam de acordo com os princípios da boa-fé objetiva e da probidade. Exemplo de</p><p>negociações preliminares seria a troca de propostas e contrapropostas sobre a compra de um</p><p>imóvel, sem que as partes tenham firmado um compromisso formal.</p><p>Por outro lado, o contrato preliminar é um acordo que vincula juridicamente as partes à</p><p>celebração de um contrato definitivo no futuro. Nesse tipo de contrato, as partes se obrigam a</p><p>concluir o contrato principal, e a recusa em cumprir essa obrigação pode gerar a</p><p>responsabilidade de indenizar a outra parte. Para ser válido, o contrato preliminar deve conter</p><p>todos os elementos essenciais do contrato definitivo, com exceção da forma, ou seja, ele não</p><p>precisa ser necessariamente formalizado por escrito, a menos que a lei exija essa forma para o</p><p>contrato definitivo. Um exemplo de contrato preliminar seria uma promessa de compra e venda</p><p>de um imóvel, em que as partes se comprometem a firmar o contrato de compra e venda</p><p>definitivo em uma data futura.</p><p>19</p><p>Vale ressaltar que o descumprimento de contrato preliminar pode ensejar execução específica,</p><p>indenização por perdas e danos, responsabilidade por culpa in contrahendo, entre outras.</p><p>f)O que é a denominada teoria da culpa in contrahendo? Explique a construção teórica</p><p>de Jhering.</p><p>RESPOSTA: Segundo o juiz Mário Sérgio Menezes (s.d. pg. 103-112) Jhering introduziu a</p><p>teoria da culpa in contrahendo em sua obra "Culpa in Contrahendo ou indenização em contratos</p><p>nulos ou não chegados à perfeição", publicada na segunda metade do século XIX. O conceito</p><p>de Jhering partiu da premissa de que, mesmo que um contrato não se formalize ou seja declarado</p><p>nulo, ainda assim pode haver responsabilidade por danos se houver culpa na fase de negociação.</p><p>Central para a teoria de Jhering é o conceito de interesse contratual negativo. Este conceito</p><p>refere-se ao direito das partes envolvidas nas negociações de não serem enganadas ou</p><p>prejudicadas durante o processo pré-contratual. Segundo Jhering, mesmo que o contrato não se</p><p>concretize, a parte que agiu com negligência ou má-fé, contribuindo para a nulidade ou</p><p>insucesso do contrato, deve indenizar a outra parte pelos danos resultantes dessa conduta</p><p>inadequada.</p><p>Jhering argumentava que a culpa in contrahendo tem uma natureza semelhante à culpa</p><p>contratual, na medida em que exige um padrão de diligência e cuidado comparável ao que se</p><p>espera durante a execução de um contrato formalizado. Ele sustentava que as partes devem</p><p>aplicar a boa-fé e a diligência desde o início das negociações, e não apenas uma vez que o</p><p>contrato esteja formalizado.</p><p>No entanto, a teoria de Jhering não permaneceu estática. Posteriormente, Jhering abandonou a</p><p>ideia de culpa subjetiva e reconheceu a necessidade de uma abordagem mais objetiva para a</p><p>responsabilidade pré-contratual. Essa evolução trouxe a incorporação dos conceitos de boa-fé e</p><p>confiança, que passaram a desempenhar papéis fundamentais na determinação da</p><p>responsabilidade durante a fase pré-contratual.</p><p>Portanto, a teoria da culpa in contrahendo, conforme elaborada por Jhering, estabeleceu um</p><p>regime autônomo de responsabilidade para a fase de formação do contrato. Ela introduziu a</p><p>ideia de que a culpa durante as negociações deve ser reparada, mesmo na ausência de um</p><p>contrato formalizado, marcando um avanço significativo na compreensão da responsabilidade</p><p>civil pré-contratual.</p><p>20</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 4</p><p>a)Diferencie autonomia da</p><p>vontade da autonomia privada.</p><p>RESPOSTA: Para discutir os conceitos de autonomia da vontade e autonomia privada, é</p><p>essencial compreender o contexto histórico em que foram desenvolvidos e suas respectivas</p><p>evoluções. Segundo Farias e Rosenval (2023, pg. 121-124) autonomia da vontade tem suas</p><p>origens nos ideais iluministas, que consistiam na crença de que os indivíduos, sendo seres</p><p>racionais, eram totalmente capazes de fazer escolhas livres e conscientes sobre seus interesses</p><p>e necessidades, sendo assim o Estado não deveria interferir nas relações privadas dos</p><p>indivíduos. A autonomia da vontade refere-se, portanto, no poder do indivíduo de formar</p><p>contratos e assumir obrigações de acordo com suas próprias intenções. Essa autonomia permitia</p><p>aos indivíduos a liberdade de celebrar contratos nos quais podiam determinar os termos de seus</p><p>acordos sem interferência externa. A falta de intervenção estatal, entretanto, acabou provocando</p><p>grandes desigualdades sociais, o que desencadeou uma nova fase de transformações. Essas</p><p>mudanças permitiram ao Estado intervir, impondo limites nas relações privadas para corrigir os</p><p>desequilíbrios e assegurar tanto os interesses coletivos quanto a dignidade humana. Surge então</p><p>o princípio da autonomia privada como resposta ao extremo formalismo do princípio da</p><p>autonomia da vontade. Este princípio consiste no poder das partes de regular suas relações</p><p>jurídicas, dentro dos limites da lei. Autonomia privada não abole e sim, engloba a autonomia</p><p>da vontade, podendo as partes exercerem seu direito de liberdade contratual dentro dos limites</p><p>legais, ou seja, desde que não gere prejuízos a terceiros não envolvidos na relação, como</p><p>também podem elas escolherem o contratante e o conteúdo do contrato. Em suma, pode-se</p><p>afirmar que a autonomia da vontade está relacionada diretamente com os princípios clássicos</p><p>contratuais, sendo está mais restrita ao âmbito contratual e com ausência de interferência estatal.</p><p>Já a autonomia privada surge trazendo a ideia de equilíbrio entre a liberdade contratual e os</p><p>valores sociais e coletivos, sendo utilizada em todas as áreas do direito privado e admissão de</p><p>interferência estatal.</p><p>b)Que é o princípio do pacta sunt servanda? Explique e exemplifique.</p><p>RESPOSTA: Segundo a doutrina de Orlando Gomes (2009, pg. 38-41), o princípio do pacta</p><p>sunt servanda significa que os contratos são obrigatórios para as partes e devem ser cumpridos</p><p>21</p><p>como foram estipulados. Está baseado na propriedade da vontade das partes, manifestada em</p><p>um contrato válido, que teria criado uma lei privada que obriga os contratantes a cumpri-lo,</p><p>conferindo previsibilidade e certeza às relações jurídicas. Ao realizar um contrato, as partes</p><p>definem direitos e obrigações que devem ser cumpridas. O princípio da pacta sunt servanda</p><p>proíbe que uma parte faça, unilateralmente, a alteração ou rescisão do contrato sem o</p><p>consentimento da outra parte, salvo em casos excepcionais previstos na lei. Dessa forma,</p><p>garante a estabilidade da relação contratual entre as partes e é de suma importância para o</p><p>comércio e negócios, por exemplo, se duas partes realizarem um contrato de compra e venda</p><p>de um imóvel, ambas devem respeitar todas as cláusulas combinadas. Por exemplo, o</p><p>comprador tem que pagar a quantia e no prazo acordados, e o vendedor deve entregar o imóvel,</p><p>sob as condições ajustadas. O descumprimento da obrigação pode levar a ações judiciais,</p><p>visando o cumprimento ou a respectiva indenização em razão do descumprimento.</p><p>Esse princípio, porém, não é absoluto. Em algumas situações, como nas que ocorre a mudança</p><p>extrema das condições e que decorre da teoria da imprevisão, pode-se flexibilizá-lo, editando-</p><p>se o contrato adequado às novas realidades, ajustando-o, desta maneira, para uma efetiva justiça</p><p>e parasitária da relação contratual.</p><p>c)O que é o dirigismo contratual? Confronte-o com a famigerada autonomia da vontade.</p><p>RESPOSTA: De acordo com Lucas Abreu Barroso (2005, pg. 79–88), o dirigismo contratual</p><p>é um conceito que se refere à intervenção do Estado na liberdade contratual com o objetivo de</p><p>proteger interesses coletivos ou de partes mais vulneráveis. Essa intervenção busca garantir que</p><p>as condições contratuais não sejam abusivas e que os contratos respeitem normas de ordem</p><p>pública e políticas sociais. Em contraste, a autonomia da vontade é um princípio fundamental</p><p>que assegura que as partes envolvidas em um contrato têm a liberdade de estabelecer os termos</p><p>do acordo conforme suas próprias intenções, sem interferência externa, desde que respeitados</p><p>os limites legais.</p><p>Os dois conceitos, dirigismo contratual e autonomia da vontade, representam abordagens</p><p>distintas na regulamentação dos contratos. A autonomia da vontade é central nas doutrinas</p><p>clássicas do direito contratual, onde se considera que os contratos devem ser respeitados como</p><p>se fossem leis para as partes. Esse princípio valoriza a liberdade dos indivíduos de moldar seus</p><p>próprios acordos e assumir obrigações com base em suas preferências e negociações.</p><p>22</p><p>Por outro lado, o dirigismo contratual emerge como uma necessidade para corrigir</p><p>desequilíbrios e proteger interesses sociais e econômicos. Através do dirigismo, o Estado pode</p><p>estabelecer normas que limitam a liberdade contratual para garantir que os contratos não sejam</p><p>prejudiciais ou injustos, especialmente para as partes mais vulneráveis ou em situações de</p><p>desequilíbrio de poder.</p><p>Apesar de parecerem opostos, os princípios do dirigismo contratual e da autonomia da vontade</p><p>não são totalmente incompatíveis. Eles podem ser vistos como complementares na forma da</p><p>autonomia privada. A autonomia privada é a ideia de que a liberdade contratual deve ser</p><p>exercida dentro dos limites estabelecidos pela lei, equilibrando a liberdade individual de</p><p>contratar com a necessidade de proteger valores sociais e coletivos. Assim, enquanto a</p><p>autonomia da vontade promove a liberdade e a autonomia dos indivíduos, o dirigismo assegura</p><p>que essa liberdade não resulte em abusos ou injustiças, proporcionando um equilíbrio entre a</p><p>autonomia das partes e a necessidade de intervenção estatal para garantir justiça e equidade.</p><p>d)Qual o papel do juiz dentro da nova perspectiva da autonomia privada? Explique.</p><p>RESPOSTA: Com a introdução de cláusulas gerais, da boa-fé objetiva, do dirigismo contratual</p><p>e tantos outros institutos no direito brasileiro, principalmente após o Código Civil de 2002, o</p><p>papel do juiz se expandiu, se antes eram meros aplicadores da lei, agora assumem postura mais</p><p>dinâmica e flexível, pois cabe a ele não apenas interpretar os termos e expressões, atribuindo-</p><p>lhes um sentido prático, mas também integrar direitos e estabelecer as consequências para cada</p><p>caso específico que se apresenta, moldam a lei de forma a garantir que a sua interpretação reflete</p><p>os valores constitucionais e serve à causa da justiça (FARIAS.ROSENVALD; 2023, pg. 135-</p><p>138).</p><p>e)O princípio da res inter alios acta é absoluto? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo Orlando Gomes (2009, p. 46-47), o princípio da res inter alios acta,</p><p>também conhecido como princípio da relatividade dos contratos, refere-se à eficácia dos</p><p>negócios jurídicos, ou seja, aos efeitos que eles produzem. Segundo esse princípio, os efeitos</p><p>dos contratos se limitam às partes envolvidas (inter partes). Isso significa que as partes</p><p>contratantes não podem, por meio do contrato, impor obrigações ou restrições, nem criar</p><p>direitos ou benefícios para terceiros que não participaram da formação do acordo. Assim, o</p><p>23</p><p>contrato vincula apenas aqueles que dele participaram, respeitando a autonomia privada e a</p><p>liberdade contratual dos que não integram a relação jurídica.</p><p>No entanto, é importante destacar que o princípio da res inter alios acta não é absoluto, pois</p><p>existem exceções, como a estipulação em favor de terceiros e os contratos coletivos de trabalho,</p><p>entre</p><p>outros. Além disso, esse princípio não se aplica apenas ao elemento subjetivo da relação</p><p>jurídica, ou seja, às partes envolvidas, ele também pode se referir ao elemento objetivo do</p><p>contrato, ou seja, ao objeto do negócio jurídico, delimitando os efeitos do contrato tanto em</p><p>relação às partes contratantes quanto em relação aos bens ou interesses envolvidos</p><p>f)Confronte os princípios clássicos do direito contratual com os novos princípios. É</p><p>possível dizer que estes limitam aqueles? Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo a doutrina de Farias e Rosenvald (2023, pg. 179-344) explica, os</p><p>princípios clássicos do direito contratual, como a liberdade contratual, a força obrigatória dos</p><p>contratos (pacta sunt servanda) e a relatividade dos contratos, têm suas raízes no Estado Liberal,</p><p>que privilegiava a autonomia das partes para negociar e estabelecer os termos de seus contratos</p><p>conforme seus interesses. No entanto, essa liberdade era essencialmente formal, o que levou à</p><p>necessidade de novos princípios que regulassem essa autonomia de maneira mais efetiva, de</p><p>modo a atender às exigências de justiça e equidade.</p><p>Com isso, emergiram novos princípios contratuais, como a boa-fé objetiva, a função social do</p><p>contrato e a justiça contratual. A liberdade contratual, por exemplo, passou a ser limitada pela</p><p>boa-fé objetiva, que exige das partes um comportamento ético e leal, e pela função social do</p><p>contrato, que estabelece que o acordo entre as partes não pode violar interesses coletivos ou</p><p>sociais. O princípio da obrigatoriedade dos contratos, ou pacta sunt servanda, também sofreu</p><p>limitações com a introdução do princípio da justiça contratual, que permite a revisão ou</p><p>anulação de contratos em casos de lesão ou onerosidade excessiva, protegendo contra cláusulas</p><p>abusivas que anteriormente deveriam ser cumpridas independentemente de seu impacto</p><p>desproporcional. Já o princípio da relatividade dos contratos, que determinava que os efeitos do</p><p>contrato se limitavam às partes contratantes (inter partes), foi relativizado pelas novas diretrizes,</p><p>permitindo exceções como a estipulação em favor de terceiros e os contratos coletivos de</p><p>trabalho. Dessa forma, os novos princípios contratuais atuam como limitadores dos princípios</p><p>clássicos, buscando equilibrar a liberdade contratual com a necessidade de proteger interesses</p><p>coletivos e individuais, promovendo maior justiça e equidade nas relações contratuais.</p><p>24</p><p>g)O que é a funcionalização dos contratos? Explique.</p><p>RESPOSTA: De acordo com Lucas Abreu Barroso (2005, pg. 79–88) funcionalização dos</p><p>contratos é uma escola de pensamento que defende uma mudança na forma como o direito é</p><p>concebido e aplicado. Em vez de se concentrar apenas numa abordagem puramente científica,</p><p>que dá prioridade à estrutura interna e à organização sistemática dos elementos jurídicos, esta</p><p>visão defende que a lei também deve ter em conta os resultados económicos e sociais das suas</p><p>regras e instituições.</p><p>De acordo com esta perspectiva, como sublinha, o direito tal como a sociedade– deve</p><p>preocupar-se não só em manter o controlo e a disciplina social, mas também em garantir a</p><p>eficácia das suas regras na formação e orientação da sociedade. Isto sugere que as normas</p><p>jurídicas devem ser avaliadas com base na sua capacidade de produzir resultados justos e</p><p>eficazes na prática, alinhando-se com objetivos sociais e económicos mais amplos. No contexto</p><p>dos contratos, a funcionalização introduz uma nova dimensão para além das tradicionais</p><p>funções econômicas e regulatórias: a função social. Isto reflete um compromisso do direito</p><p>privado com os princípios de cidadania e justiça social, alinhando-se com os valores</p><p>democráticos e afastando-se dos paradigmas individualistas que dominaram no passado. Assim,</p><p>a funcionalização dos contratos representa uma contribuição do direito privado para moldar os</p><p>fatores econômicos e sociais dentro da comunidade política. Implica reconhecer os limites</p><p>impostos pelo sistema jurídico ou pelos seus princípios fundamentais ao exercício dos direitos</p><p>subjetivos, visando prevenir o abuso de direitos e ao mesmo tempo promover a proteção</p><p>humana integral e a salvaguarda dos interesses coletivos.</p><p>h)Se dois contratantes resolverem incluir uma cláusula em um instrumento contratual</p><p>dizendo que não são obrigados a seguir os princípios da boa-fé objetiva e da função social</p><p>dos contratos, eles podem assim fazer, sob o fundamento da liberdade contratual?</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo o artigo 421 e 422 do Código Civil (BRASIL, 2002), os contratantes</p><p>precisam guardar os princípios da boa-fé e da função social do contrato. Portanto, não, os</p><p>contratantes não podem contornar o princípio da boa-fé com os objetivos e desempenho social</p><p>do contrato, ainda que o estipulado nos artigos do contrato, porque esses são preceitos de caráter</p><p>legal imperativo e inescusável, dos quais as partes não podem dispor ou convencionar, ou seja,</p><p>25</p><p>embora a liberdade contratual seja garantida, não é ilimitada e deve ser exercida dentro dos</p><p>limites da lei, respeitados os princípios e regras básicas do direito civil.</p><p>i)Quais as funções desempenhadas pela boa-fé objetiva? Explique.</p><p>RESPOSTA: A boa-fé objetiva desempenha três funções principais no direito contratual.</p><p>A primeira é a função integrativa, que estabelece deveres anexos ou também chamados de</p><p>deveres de conduta, como lealdade, cooperação e informação, transparência, mesmo quando</p><p>não expressamente previstos no contrato.</p><p>Outra função da boa-fé é a interpretativa, ela serve de norte hermenêutico para as partes, ou</p><p>seja, orienta a interpretação das cláusulas contratuais conforme o sentido que uma pessoa</p><p>honesta atribuiria, segundo o artigo 113 do código.</p><p>Por último a função de limitadora ou de controle, que limita o exercício de direitos contratuais</p><p>para prevenir eventuais abusos e comportamentos contraditórios.</p><p>j)Quais as consequências jurídicas do descumprimento do princípio da boa-fé objetiva.</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: O artigo 113 do Código Civil Brasileiro (BRASIL, 2002) prevê que os negócios</p><p>jurídicos devem observar a boa-fé. Por se tratar de norma imperiosa o desrespeito ao princípio</p><p>da boa-fé objetiva pode resultar em numerosas consequências legais a depender e de acordo</p><p>com as circunstâncias. A título de exemplo: a declaração de ineficácia de cláusulas abusivas;</p><p>anulação ou revisão do contrato; responsabilidade de indenizar pelos danos causados a outra</p><p>parte, com base na teoria da culpa in contrahendo (responsabilização da parte por gerar</p><p>expectativa do cumprimento do contrato), entre outros (FARIAS; ROSENVALD, 2023, pg.</p><p>141-147)</p><p>k)Diferencie a boa-fé objetiva da boa-fé subjetiva, apresentando exemplos extraídos do</p><p>Código Civil.</p><p>RESPOSTA: Segundo Farias e Rosenvald (2023, pg. 141-147), a boa-fé subjetiva diz respeito</p><p>ao estado psicológico de uma das partes, ou seja, à crença genuína de que está agindo</p><p>26</p><p>corretamente em uma determinada situação. Um exemplo claro desse conceito pode ser</p><p>encontrado no artigo 1.201 do Código Civil, que trata da posse de boa-fé. Neste caso, o</p><p>possuidor acredita, sem conhecimento de qualquer vício, que é o legítimo proprietário do bem,</p><p>agindo com a convicção de que sua posse é justa.</p><p>Em contrapartida, a boa-fé objetiva refere-se a um padrão de comportamento esperado das</p><p>partes, exigindo que elas adotem atitudes éticas e leais durante todas as etapas da negociação e</p><p>execução do contrato. Assim, a boa-fé objetiva implica uma conduta externa, observável, que</p><p>deve ser mantida pelas partes. Exemplos dessa abordagem estão nos artigos 187 e 422 do</p><p>Código Civil. O artigo 187, por exemplo, aborda a proibição do exercício abusivo de direitos,</p><p>enquanto o artigo 422 determina que as partes devem agir com lealdade e confiança recíproca</p><p>nas relações contratuais.</p><p>Portanto, enquanto a boa-fé subjetiva se relaciona com a percepção interna</p><p>de uma parte, a boa-</p><p>fé objetiva é uma norma de conduta que orienta as interações entre as partes, assegurando que</p><p>seus comportamentos sejam justos e respeitosos ao longo do relacionamento contratual.</p><p>l)O que é o chamado dever de mitigar o dano, dentro da concepção de boa-fé objetiva?</p><p>Explique e apresente exemplos.</p><p>RESPOSTA: De acordo com a doutrina de Farias e Rosenvald (2023, pg. 176-177), o dever de</p><p>mitigar o dano, dentro da concepção de boa-fé objetiva, refere-se à obrigação que as partes têm</p><p>de evitar que o prejuízo se agrave em situações de inadimplemento. Segundo o enunciado n°</p><p>169 do Conselho de Justiça Federal e o artigo 422 do Código Civil, o credor deve tomar medidas</p><p>razoáveis para evitar que seus danos aumentem, agindo de maneira cooperativa e leal. Um</p><p>exemplo disso ocorre quando as instituições financeiras silenciam diante do inadimplemento de</p><p>seus clientes, preferindo que o tempo passe e o valor da dívida aumente significativamente</p><p>devido à incidência de juros sobre o montante principal. Quando a dívida se torna insustentável,</p><p>o devedor acaba sendo forçado a aceitar uma renegociação ou novação) que geralmente é</p><p>desfavorável a ele</p><p>É importante destacar que o comportamento negligente do credor ao perceber vantagem no</p><p>inadimplemento do devedor obrigar-se-á arcar com seus próprios prejuízos, pois há uma quebra</p><p>no princípio da confiança demonstrando total desrespeito ao dever de cooperação previsto no</p><p>ordenamento jurídico.</p><p>27</p><p>m)Qual a diferença da supressio em relação à surrectio? Exemplifique.</p><p>RESPOSTA: A supressio e a surrectio são conceitos jurídicos que tratam da modificação de</p><p>direitos em decorrência da conduta das partes, e cada um possui características e implicações</p><p>distintas.</p><p>Segundo definem Farias e Rosenvald (2023, pg. 171-173) supressio ocorre quando o titular de</p><p>um direito deixa de exercê-lo em determinada situação, levando à sua perda, uma vez que sua</p><p>manutenção contradiria o princípio da boa-fé. Um exemplo clássico de supressio é a não-</p><p>cobrança de uma multa contratual durante muitos anos. Se o credor não exigir essa multa, ele</p><p>pode perder o direito de cobrá-la no futuro, uma vez que a inércia pode ser interpretada como</p><p>uma desistência de sua exigibilidade.</p><p>Por outro lado, a surrectio refere-se à criação de um novo direito subjetivo em decorrência de</p><p>uma situação jurídica contínua que se desvia do que foi originalmente acordado. Isso ocorre</p><p>quando, ao longo do tempo, um comportamento ou prática acaba gerando um novo direito, em</p><p>função da estabilidade que a situação alcançou. Um exemplo de surrectio seria o pagamento</p><p>reiterado de um bônus por parte do empregador, mesmo que esse bônus não estivesse previsto</p><p>no contrato de trabalho. Com o tempo, o empregado pode adquirir o direito de continuar</p><p>recebendo esse bônus, pois a prática se estabilizou e passou a ser esperada.</p><p>Em resumo, a supressio implica a perda de um direito pela inação, enquanto a surrectio se refere</p><p>à formação de um novo direito a partir de práticas consolidadas. Ambos os conceitos refletem</p><p>a importância da boa-fé e da continuidade nas relações jurídicas.</p><p>n)Tu quoque: pesquise a origem e apresente uma aplicação hoje.</p><p>RESPOSTA: A origem do tu quoque se deu na "Roma Antiga, em 44 a.C., um grupo de</p><p>Senadores se reuniu para executar um ataque ao então chefe militar Caio Júlio César. Durante</p><p>o atentado, Júlio César viu que Brutus, seu filho adotivo, era um dos que lideravam o</p><p>movimento. Na ocasião, teria proferido a frase "tu quoque, Brute, fili mi? (até tu, Brutus, meu</p><p>filho?), que se tornou expressão símbolo de momentos em que a confiança depositada é traída,</p><p>desrespeitada" (Até tu, Brutus, meu filho?, 2021).</p><p>28</p><p>A expressão “tu quoque”, exprime-se a ideia de que a parte que descumpre as disposições do</p><p>contrato não pode invocá-lo para pleitear o adimplemento das obrigações assumidas pela</p><p>contrária. A vedação do comportamento contraditório, que é complementar àquela ideia, indica</p><p>a possibilidade de a parte prejudicada pelo inadimplemento de uma obrigação contratual</p><p>suspender o cumprimento da sua parcela do contrato" (FARIAS; ROSENVALD, 2015, p.165)</p><p>"A exceção de aquisição de direitos de má-fé tem o seu fundamento na conhecida regra de ouro</p><p>da tradição ética: “Não faça aos outros aquilo que não quer que lhe façam” (FARIAS;</p><p>ROSENVALD, 2015, p.174)</p><p>"Importa dizer que quem viola determinada norma jurídica não poderá exercer a situação</p><p>jurídica que essa mesma norma lhe atribui. Com efeito, fere à sensibilidade ética e jurídica que</p><p>alguém desrespeite um comando legal e posteriormente venha de forma abusiva exigir a outrem</p><p>o seu acatamento (FARIAS; ROSENVALD, 2015, p.174).</p><p>Significa dizer, que "quem não cumpre os seus deveres também não pode exigir os seus direitos</p><p>com base na norma violada, sob pena de abuso" (FARIAS; ROSENVALD, 2015, p.175).</p><p>Ademais, é uma espécie "da teoria dos atos próprios, que importa reconhecer a existência de</p><p>um dever de adoção de uma linha de conduta uniforme, proscrevendo a duplicidade de</p><p>comportamento"(FARIAS; ROSENVALD, 2015, p.175).</p><p>"Exemplo clássico do tu quoque está na conduta dolosa do menor que oculta a sua menoridade</p><p>e, posteriormente, dela pretende se aproveitar para afastar os efeitos da obrigação (art. 180,</p><p>CC); outrossim, o beneficiário de uma condição não pode aproveitar-se de sua verificação</p><p>quando maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita (art. 129, CC)" (FARIAS;</p><p>ROSENVALD, 2015, p.175).</p><p>o)Venire contra factum proprium: pesquise a origem e apresente uma aplicação hoje.</p><p>RESPOSTA: Nas definições de Farias e Rosenvald (2023, pg. 170-171) expressão latina</p><p>"Venire contra factum proprium", traduzida para o inglês, é definida como "ir contra as</p><p>próprias ações". O axioma supracitado é a espinha dorsal do direito contratual e tem suas</p><p>raízes na história jurídica romana, onde era de extrema importância permanecer consistente</p><p>e agir de boa-fé. Esse tipo de prática impõe que uma pessoa não deve enganar a outra</p><p>devido à contradição de seus pensamentos e, especialmente, se a contradição quebrar a</p><p>confiança que a outra pessoa depositou nela. Nas negociações atuais, o "venire contra</p><p>29</p><p>factum proprium" é usado para evitar o transtorno que surge quando um reclamante se</p><p>envolve em um comportamento inconsistente com sua conduta anterior. Para ilustrar, a</p><p>súmula 370 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu esse princípio em um caso</p><p>em que a apresentação antecipada de um cheque pré-datado era uma ofensa moral. Nesse</p><p>caso, a expectativa razoável do comprador, induzida pelo acordo do vendedor de</p><p>permanecer até a data acordada, foi comprometida quando ele tentou obter a entrada do</p><p>cheque antes da data de vencimento. Tal ação é considerada manifestamente inconsistente</p><p>e, portanto, viola o princípio da boa-fé objetiva. A partir de então, o dispositivo ("venire</p><p>contra factum proprium") é adotado para garantir que a confiança e a sustentabilidade das</p><p>relações jurídicas sejam resguardadas, protegendo, assim, as partes do contraditório que</p><p>sofrem uma perda injusta e uma desvantagem.</p><p>p)Diferencie o abuso do direito do denominado “ato ilícito”. Explique.</p><p>RESPOSTA: De acordo com a doutrina de Farias e Rosenvald (2023, pg. 162-163) abuso de</p><p>direito ocorre quando um titular exerce um direito subjetivo de maneira anormal, ou seja, de</p><p>forma contrária à sua finalidade econômica ou social, com a intenção de prejudicar outrem.</p><p>Nesse caso, o direito é legalmente reconhecido, mas seu exercício ultrapassa os limites do que</p><p>é considerado razoável ou justo. Um exemplo de abuso de direito é quando um locador tem o</p><p>direito de realizar vistorias no imóvel alugado a cada seis meses, conforme estipulado no</p><p>contrato. No entanto, ele começa a fazer vistorias mensais, sem justificativa razoável, apenas</p><p>para incomodar o inquilino e invadir sua privacidade.</p><p>Em contrapartida,</p><p>o ato ilícito é qualquer ação ou omissão voluntária que infringe uma norma</p><p>jurídica, causando danos a outra pessoa. Nesse caso, a conduta do agente é claramente contrária</p><p>à lei, independentemente de sua intenção. Um exemplo de ato ilícito seria causar um acidente</p><p>de carro ao desrespeitar uma sinalização de trânsito, resultando em danos materiais e pessoais.</p><p>A principal diferença entre os dois conceitos reside na legitimidade do exercício do direito. No</p><p>abuso de direito, o ato é juridicamente permitido, mas sua forma de execução é inadequada e</p><p>gera efeitos negativos. Já no ato ilícito, há uma violação direta da norma jurídica, o que o torna</p><p>automaticamente reprovável e passível de sanção.</p><p>30</p><p>q)O que foi a funcionalização dos negócios jurídicos? Explique.</p><p>RESPOSTA: A funcionalização dos negócios jurídicos refere-se à abordagem que considera</p><p>não apenas a vontade das partes envolvidas, mas também o impacto social e as finalidades mais</p><p>amplas das relações contratuais. Essa perspectiva busca entender os negócios jurídicos à luz de</p><p>suas consequências e funções na sociedade, reconhecendo que os acordos não existem</p><p>isoladamente, mas fazem parte de um contexto social, econômico e jurídico mais amplo.</p><p>Essa funcionalização implica que, ao analisar um litígio ou um contrato, deve-se levar em conta</p><p>não apenas os interesses individuais das partes, mas também como esses interesses se</p><p>relacionam com valores coletivos e objetivos sociais. Por exemplo, um contrato de prestação</p><p>de serviços não deve apenas ser visto como um acordo entre duas partes, mas também como</p><p>um meio de promover o desenvolvimento econômico e social, respeitando princípios como a</p><p>boa-fé, a equidade e a proteção de grupos vulneráveis. (FARIAS; ROSENVALD, 2023, pg.</p><p>186)</p><p>r)Apresente possíveis consequências jurídicas do desrespeito à função social dos</p><p>contratos. Explique.</p><p>RESPOSTA: Segundo os artigos 478 e 479 do Código Civil (BRASIL, 2002) o não respeito</p><p>da responsabilidade social pode levar à rescisão do contrato, a uma revisão judicial do contrato</p><p>para alinhá-lo com a responsabilidade social, ou mesmo a uma decisão se a violação for mais</p><p>grave. Além disso, pode criar a obrigação de pagar uma indemnização à vítima e outras</p><p>consequências relacionadas com o cumprimento de boa-fé do acordo contratual</p><p>s)Diferencie o instituto da lesão do instituto da onerosidade excessiva. Explique.</p><p>RESPOSTA: De acordo com a interpretação da doutrina de Farias e Rosenvald (2023, pg. 214-</p><p>218) lesão ocorre quando uma pessoa, movida por necessidade ou por inexperiência acaba</p><p>assumindo uma relação obrigacional extremamente desproporcional. Um exemplo é a venda de</p><p>bem muito abaixo do preço de mercado pela necessidade de pagar uma dívida. Por outro lado,</p><p>a onerosidade excessiva se refere a uma situação que surge após a celebração do contrato,</p><p>quando eventos imprevistos e extraordinários alteram substancialmente as condições que</p><p>fundamentavam o acordo. Essa alteração pode tornar o cumprimento das obrigações</p><p>excessivamente oneroso para uma das partes. Por exemplo, em um contrato de aluguel de</p><p>31</p><p>imóvel comercial, uma crise econômica inesperada pode levar a uma queda drástica na receita</p><p>do locatário, tornando impossível o cumprimento das obrigações contratuais em termos</p><p>previamente acordados. Nesse caso, a parte afetada pode buscar a revisão do contrato para</p><p>ajustar as condições de pagamento.</p><p>32</p><p>RESPOSTAS AO PLANO DE AULA 5</p><p>a) CASO: Em 2003, o cantor Zeca Pagodinho assinou um contrato milionário com a</p><p>Schincariol para ser garoto-propaganda da cerveja Nova Schin. A campanha foi</p><p>um sucesso, impulsionando as vendas e a popularidade da marca. Contudo, em</p><p>2004, Zeca Pagodinho protagonizou um comercial da cerveja Brahma, concorrente</p><p>da Schincariol, afirmando ter voltado a consumir a marca. A Schincariol alegou</p><p>quebra de contrato e danos à sua imagem, processando o cantor. QUESTÕES:</p><p>a. Imagine que, no contrato firmado entre Zeca e a Schincariol, não havia uma</p><p>cláusula de exclusividade. Em tal cenário, a Schincariol ainda teria</p><p>fundamentos para alegar prejuízo e exigir reparação por parte do cantor,</p><p>mesmo após o término do contrato? Justifique sua resposta.</p><p>RESPOSTA: Apesar da inexistência de uma cláusula de exclusividade, a</p><p>Schincariol poderia argumentar que sofreu prejuízos e buscar compensação,</p><p>amparando-se no princípio da boa-fé objetiva. Esse princípio estabelece que as</p><p>partes devem manter um comportamento probo e ético, ou seja, tem de haver</p><p>uma obrigação de lealdade e cooperação entre as partes, dever esse que se</p><p>estende além de seu término conforme disposto no artigo 422 do Código Civil,</p><p>especialmente em situações que afetam imagem e publicidade. Portanto, a</p><p>participação do Zeca Pagodinho em uma campanha publicitária de uma outra</p><p>marca logo após o fim de seu contrato com a Schincariol poderia ser vista como</p><p>uma violação ao princípio da boa-fé, que poderiam causar prejuízos a imagem</p><p>da empresa e o valor da marca, especialmente considerando o investimento</p><p>significativo feito nas campanhas com o cantor. Dessa forma, mesmo sem uma</p><p>cláusula explícita de exclusividade, a empresa poderia reivindicar uma</p><p>indenização pelos danos causados</p><p>b. A Brahma poderia ser responsabilizada de alguma forma por ter induzido</p><p>o cantor Zeca Pagodinho a celebrar novo contrato atacando a concorrente?</p><p>Explique.</p><p>RESPOSTA: O princípio clássico da relatividade, afirma que o contrato só</p><p>33</p><p>produz efeitos inter partes, porém, segundo a teoria do terceiro cúmplice um</p><p>terceiro pode ser responsabilizado pela violação ao princípio da boa-fé. No caso</p><p>em tela, a Brahma tinha conhecimento da existência do contrato publicitário</p><p>existente entre o Zeca Pagodinho e a Schincariol, e ainda assim, induziu o cantor</p><p>a celebrar novo contrato publicitário, que era prejudicial à imagem do</p><p>concorrente. Portanto, pode-se concluir através desta teoria que sim, a Brahma</p><p>é responsável solidariamente junto ao Zeca pelos danos causados à imagem da</p><p>Schincariol.</p><p>b) CASO: Maria, confeiteira de mão cheia, sonhava em abrir sua própria loja. Após</p><p>anos economizando, finalmente encontrou o local perfeito: uma pequena loja em</p><p>um novo shopping, ainda em construção. Empolgada com a oportunidade, assinou</p><p>contrato com a Incorporadora "Sonhos Urbanos", prometendo a ela exclusividade</p><p>na venda de doces e sobremesas no shopping por 10 anos. A alegria de Maria durou</p><p>pouco. Próximo à inauguração, a Incorporadora, visando maior lucro, alugou uma</p><p>loja maior para uma famosa franquia de cafés, liberando-a para vender doces e</p><p>sobremesas. A loja de Maria, por outro lado, sofreu com a concorrência desleal,</p><p>tendo sua clientela reduzida drasticamente. QUESTÕES:</p><p>a. A atitude da Incorporadora "Sonhos Urbanos" pode ser considerada</p><p>ilícita? Justifique sua resposta, indique eventuais princípios contratuais</p><p>violados.</p><p>RESPOSTA: Sim, a atitude da Incorporadora "Sonhos Urbanos" pode ser</p><p>considerada ilícita, uma vez que contraria o princípio da boa-fé objetiva e o</p><p>princípio da função social do contrato.</p><p>Ao permitir que uma loja concorrente, vendendo os mesmos produtos que Maria</p><p>deveria comercializar com exclusividade, se instalasse, a Incorporadora quebrou</p><p>uma cláusula contratual essencial. Esse ato configura uma conduta desleal,</p><p>prejudicando diretamente a operação comercial de Maria. Além disso, ao</p><p>frustrar a legítima expectativa de exclusividade acordada, a Incorporadora</p><p>violou o princípio da função social do contrato, que tem como objetivo garantir</p><p>que o contrato preserve um equilíbrio justo entre as partes envolvidas, bem como</p><p>34</p><p>a sua repercussão social mais ampla</p><p>b. Diante da situação, quais medidas jurídicas poderiam ser adotadas por</p><p>Maria para restabelecer o equilíbrio contratual e buscar reparação pelos</p><p>prejuízos sofridos? Explique.</p><p>RESPOSTA: Maria tem à disposição</p>

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