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<p>PESQUISA ACADÊMICA 01</p><p>Em que consiste o dever de autorreferência previsto no CPC/2015? Explique.</p><p>Trata-se de um mecanismo jurídico, em que as decisões devem seguir como base os precedentes jurisdicionais que tratem da mesma questão. Os precedentes são vinculantes e persuasivos.</p><p>Discorra de forma fundamentada e contextualizada, exemplificando, sobre os impactos da unidade do direito e da uniformização da jurisprudência previstos no CPC/2015 para: (a) a ordem jurídica, (b) para o poder judiciário e (c) para o jurisdicionado.</p><p>A uniformização da jurisprudência consiste em mantê-la estável, integra e coerente, visando ainda a segurança jurídica e sua coerência, evitando decisões distintas e incoerentes para questões pariformes, resgatando assim a estabilidade do direito, tornando previsíveis suas decisões e assegurando-as dessa forma, no ordenamento jurídico.</p><p>No que concerne aos impactos promovidos no âmbito do poder judiciário, torna-o mais eficiente, evita a disparidade das decisões, o subjetivismo do julgador, forçando ainda um livre convencimento motivado, impede que haja argumentações jurídicas inapropriadas, a reprodução mecânica de julgados e combate ao casuísmo, com decisões de finalidades específicas.</p><p>Logo, essa medida restaura a confiança dos jurisdicionados, que vêm a imparcialidade sendo norteadora da decisão, produz e estimula a igualdade dos cidadãos perante o direito. Pela previsibilidade, desestimula a litigância, favorece acordos e a razoável duração do processo.</p><p>Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.</p><p>§ 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante.</p><p>§ 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação.</p><p>Julgado do TJDFT</p><p>“3. A jurisprudência deve ser mantida estável, íntegra e coerente (art. 926 do CPC), incumbindo aos juízes e Tribunais, como medida de preservação da segurança jurídica, observar os pronunciamentos judiciais vinculantes, dentre os quais estão as súmulas do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional. 3.1. A utilização da técnica de distinção deve se dar mediante decisão devidamente fundamentada, sob pena de se macular o art. 927 do CPC e, por conseguinte, a própria segurança jurídica.”</p><p>Enunciado 316. A estabilidade da jurisprudência do tribunal depende também da observância de seus próprios precedentes, inclusive por seus órgãos fracionários.</p><p>Enunciado 453. A estabilidade a que se refere o caput do art. 926 consiste no dever de os tribunais observarem os próprios precedentes.</p><p>Enunciado 454. Uma das dimensões da coerência a que se refere o caput do art. 926 consiste em os tribunais não ignorarem seus próprios precedentes (dever de autorreferência).</p><p>Enunciado 455. Uma das dimensões do dever de coerência significa o dever de não- contradição, ou seja, o dever de os tribunais não decidirem casos análogos contrariamente às decisões anteriores, salvo distinção ou superação.</p><p>Enunciado 456. Uma das dimensões do dever de integridade consiste em os tribunais decidirem em conformidade com a unidade do ordenamento jurídico.</p><p>Enunciado 457. Uma das dimensões do dever de integridade previsto no caput do art. 926 consiste na observância das técnicas de distinção e superação dos precedentes, sempre que necessário para adequar esse entendimento à interpretação contemporânea do ordenamento jurídico.</p><p>É possível uma norma infraconstitucional conferir eficácia vinculante aos precedentes no Brasil? Explique e se posicione a respeito.</p><p>1. Regra constitucional – Liberdade funcional da magistratura, exceto em hipóteses de controle concentrado e súmula vinculante.</p><p>2. O CPC dispõe que os juízes observarão</p><p>A CF estabelece que a fonte do Direito é a Lei.</p><p>TRAZ SEGURANÇA JURÍDICA, ENTRETANTO FERE EM ALGUMA MEDIDA A LIBERDADE FUNCIONAL DO MAGISTRADO.</p><p>Inciso XXXVI do Art 5º, segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”.</p><p>Quais os pressupostos da segurança jurídica? Explique-os.</p><p>Continuidade da ordem jurídica, clareza dos textos, conhecimento das regras jurídicas</p><p>As leis devem ser claras e acessíveis, para que as pessoas possam entender as normas e as consequências das suas ações.</p><p>A certeza, no que diz respeito ao direito objetivo, envolve a legitimidade da fonte de que emana e a clareza do seu teor, pois é importante que as orientações administrativas e as decisões judiciais primem pela coerência nos seus fundamentos e preservem uniformidade de entendimento em todos os seus planos.</p><p>Em linhas gerais, o que diferencia a common law da civil law?</p><p>Partindo do sistema de civil law, em que se prioriza tradicionalmente a lei como fonte do direito, há uma vasta margem interpretativa conferida ao operador do direito, visto que, ao aplicar o diploma legal, parte-se de um comando geral e abstrato a ser aplicado a um caso concreto. Como o método interpretativo utilizado por um operador do direito pode ser diferente do utilizado por outro, é muito comum a existência de soluções díspares para demandas que deveriam receber o mesmo tratamento. Diferentemente, no sistema típico de common law, em que são utilizados os precedentes judiciais como principal fonte do direito, a solução para os litígios é encontrada com base em uma fonte concreta para um caso concreto, o que acaba garantindo maior estabilidade e previsibilidade às decisões judiciais e, consequentemente, o princípio da segurança jurídica.</p><p>Em que consiste a denominada “circulação de modelos”?</p><p>O que é o stare decisis?</p><p>Stare decisis é a obrigatoriedade de cumprimento das decisões proferidas em sede de controle de constitucionalidade abstrato, já que possuem efeito vinculante (binding effect), tanto em relação ao próprio órgão prolator da sentença (efeito horizontal) quanto aos demais órgãos do Poder Judiciário e Administração Pública (efeito vertical).</p><p>O que é um modelo precedentailsta? Explique suas ideias fundamentais.</p><p>O CPC/2015 introduziu em nosso ordenamento a teoria dos precedente utilizada pelo sistema commum law, com o intuito de se aperfeiçoar e uniformizar a interpretação e aplicação de nossa legislação e consequentemente das decisões judiciais, conferindo aos jurisdicionado não só uma maior segurança jurídica quanto aos entendimentos dos juízes e Tribunais, como uma previsibilidade de como será decidida eventual caso.</p><p>O que é um precedente? O que a doutrina vem denominando de “precedente à brasileira”? Explique.</p><p>O precedente pode ser compreendido como uma decisão judicial proferida em determinado caso concreto, cujo núcleo essencial pode servir como parâmetro para o julgamento posterior de casos análogos (DIDIER JÚNIOR; BRAGA; OLIVEIRA, 2015).</p><p>O precedente à brasileira parte da ideia de que uma força vinculativa decorre do direito processual legislado (statutory procedural law), centrado hoje no novo código de processo civil, e não de uma força persuasiva que decorre exclusivamente de um convencimento racional dos juízes dentro do sistema, além de outros motivos, que os levam tradicionalmente a seguir precedentes. (Revista Jurídica da Presidência Brasília v. 23 n. 129 Fev./Maio 2021 p. 149-172)</p><p>O que é um Leading case?</p><p>Leading Case é uma expressão jurídica muito utilizada no Common Law, mas passou a ser empregada no direito brasileiro, podendo ser traduzida como “caso líder”.</p><p>Quando uma decisão judicial pode ser considerada um precedente? Explique.</p><p>Quando servir como exemplo para outros julgamentos similares.</p><p>Precedente, jurisprudência e súmula são expressões sinônimas? Explique.</p><p>Não. Precedente é a decisão judicial de um caso concreto, que pode servir como exemplo para outros julgamentos análogos.</p><p>Jurisprudência é o conjunto de decisões, aplicações e interpretações das leis.</p><p>Súmulas são as orientações resultantes de um conjunto de decisões proferidas com o mesmo entendimento acerca de determinada matéria.</p><p>O que</p><p>é súmula? Qual sua importância no CPC/2015? Mencione, de forma fundamentada, cinco exemplos dos efeitos do enunciado de súmula como padrão decisório no CPC/2015.</p><p>Súmulas são as orientações resultantes de um conjunto de decisões proferidas com o mesmo entendimento acerca de determinada matéria. Conforme o texto do artigo 926 do Código de Processo Civil (CPC), os tribunais têm o dever de uniformizar sua jurisprudência, por meio da edição de enunciados de súmulas. Conforme o texto do artigo 926 do Código de Processo Civil (CPC), os tribunais têm o dever de uniformizar sua jurisprudência, por meio da edição de enunciados de súmulas.</p><p>Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.</p><p>§ 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante.</p><p>§ 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação.</p><p>Em seus efeitos, serve como princípio argumentativo na construção de decisões judiciais, dispensa da remessa necessária (496, §4º, I), dispensa de caução na execução provisória: 521, IV, autoriza o relator negar provimento a recurso: 932, IV, “a”, autoriza o relator dar provimento a recurso após o contraditório: 932, V, “a”</p><p>PESQUISA ACADÊMICA 02</p><p>1. Em que consiste o denominado "microssistema de resolução de demandas repetitivas? O microssistema é constitucional? Explique de forma fundamentada.</p><p>Recursos especiais e extraordinários repetitivos e o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) compõem um microssistema de julgamento de questões repetitivas.</p><p>O STJ afirmou que, embora os recursos especiais e extraordinários repetitivos e o IRDR possuam uma série de elementos próprios diferenciadores, os mecanismos possuem também "muitas e acentuadas semelhanças, razão pela qual alguns procedimentos são intercambiáveis", para que se possa aplicar ao IRDR determinadas disposições apenas previstas aos recursos repetitivos e vice-versa.</p><p>Esta tese foi estabelecida pela ministra Nancy Andrighi, relatora do caso que abriu o debate. A julgadora explicou como a legislação permite esse entendimento: "a inexistência de vedação expressa no texto do novo CPC que inviabilize a integração entre os instrumentos e, ainda, a inexistência de ofensa a um elemento essencial do respectivo instituto, o que equivaleria a desnaturá-lo".</p><p>2. Quando é cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas? Fale sobre os requisitos fáticos e jurídicos para sua instauração.</p><p>O artigo 976 do CPC trata da admissibilidade da instauração do IRDR:</p><p>Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas quando houver, simultaneamente:</p><p>I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito;</p><p>II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica.</p><p>Requisitos fáticos: Processos com mesmo objeto.</p><p>Requisitos jurídicos: Tratando unicamente de direito; Risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica.</p><p>Logo, quando processos semelhantes sem uniformização das decisões, que preponderantemente expõe ao risco de quebra da isonomia e de ofensa à segurança jurídica e para que não se congestione a atividade julgadora, firma-se uma tese com base no IRDR.</p><p>Pode se aplicar a recursos e a causas de competências originárias.</p><p>3. Qual o reflexo da desistência no e IRDR? Explique.</p><p>§ 1º A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do incidente.</p><p>Logo, se, admitido o IRDR, houver a desistência do recurso ou o abandono de processo que serviu de base para a instauração do incidente, não haverá óbice para o exame de seu mérito e fixação da tese jurídica</p><p>4. Qual o papel do Ministério Público no e IRDR?</p><p>§ 2º Se não for o requerente, o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente e deverá assumir sua titularidade em caso de desistência ou de abandono.</p><p>O MP tem legitimidade para pedir para instaurar; Quando o autor desiste o MP Intervém assumindo a titularidade. A intervenção do MP é obrigatória;</p><p>Função do MP no IRDR: pedir para instaurar, substituir o requerente quando desistir, agir como custus legis/ fiscal da lei, pedir overruling (revisão da tese).</p><p>5. Qual a legitimidade para instaurar o IRDR?</p><p>É cabível em (FPPC – 342 – cf. art. 947 e 978, § ún.): recurso, remessa necessária, causa de competência originária</p><p>O artigo 977 do CPC, trata do pedido de instauração:</p><p>Art. 977. O pedido de instauração do incidente será dirigido ao presidente de tribunal:</p><p>I - pelo juiz ou relator, por ofício;</p><p>II - pelas partes, por petição;</p><p>III - pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, por petição.</p><p>6. Quem é legítimo para propor a revisão de tese do IRDR? Explique.</p><p>Art. 986. A revisão da tese jurídica firmada no incidente far-se-á pelo mesmo tribunal, de ofício ou mediante requerimento dos legitimados mencionados no art. 977, inciso III.</p><p>Quais sejam: “ III - pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, por petição .”</p><p>Para a doutrina não existe diferença em quem pode pedir para instaurar e quem pode pedir para revisar.</p><p>7. Onde se pode instaurar o IRDR?</p><p>TJ e TRF e STJ em processo de comp originária</p><p>“Enunciado 44. Admite-se o IRDR nos juizados especiais, que deverá ser julgado por órgão colegiado de uniformização do próprio sistema”.</p><p>O pedido de instauração do IRDR será dirigido ao presidente do tribunal, podendo ser feito pelo juiz, relator, pelas partes, pelo Ministério Público ou Defensoria Pública.</p><p>8. Como se instrui o IRDR?</p><p>Requisitos 976</p><p>9. Porque a publicidade é importante no IRDR?</p><p>O CPC dispõe quanto à obrigatoriedade de se dar publicidade, haja vista o interesse coletivo, e a necessidade de informar a sociedade potencialmente atingida, garantia do contraditório para participação dos afetados ou de quem possa contribuir.</p><p>Art. 979. A instauração e o julgamento do incidente serão sucedidos da mais ampla e específica divulgação e publicidade, por meio de registro eletrônico no Conselho Nacional de Justiça.</p><p>§ 1º Os tribunais manterão banco eletrônico de dados atualizados com informações específicas sobre questões de direito submetidas ao incidente, comunicando-o imediatamente ao Conselho Nacional de Justiça para inclusão no cadastro.</p><p>§ 2º Para possibilitar a identificação dos processos abrangidos pela decisão do incidente, o registro eletrônico das teses jurídicas constantes do cadastro conterá, no mínimo, os fundamentos determinantes da decisão e os dispositivos normativos a ela relacionados.</p><p>§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo ao julgamento de recursos repetitivos e da repercussão geral em recurso extraordinário.</p><p>10. Por que o IRDR possui preferência para seu julgamento?</p><p>Com vistas a conferir celeridade ao procedimento, o Novo CPC estipulou o prazo máximo de um ano para julgamento do IRDR. Por isso, o IRDR tem preferência em relação a todos os demais feitos, exceto os processos que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus.</p><p>11. Qual a peculiaridade prevista na fundamentação do IRDR em relação à fundamentação de uma sentença? Explique.</p><p>§ 2º O conteúdo do acórdão abrangerá a análise de todos os fundamentos suscitados concernentes à tese jurídica discutida, sejam favoráveis ou contrários.</p><p>§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:</p><p>VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.</p><p>12. Quando ocorre a suspensão de outros processos no processamento do IRDR? (313, IV e 982, I)</p><p>Se admitido o IRDR, deverá haver a suspensão de todos os processos pendentes que envolvam a mesma questão, no mesmo Estado ou região (art. 982, I, CPC), que deverá perdurar por até 1 ano (art. 980, caput, CPC), findo o qual os processos deverão retomar a sua tramitação, salvo decisão fundamentada do relator em sentido</p><p>contrário (art. 980, parágrafo único, CPC). Anota-se que, se não houver a interposição de recurso especial ou extraordinário contra a decisão de mérito proferida no incidente, os processos também deverão retomar a sua tramitação. Se, contudo, forem interpostos recursos contra a decisão de mérito proferida no IRDR, a suspensão dos demais processos perdurará até o julgamento dos recursos especial e/ou extraordinário perante o STJ e/ou STF. Nesse caso, inclusive, sequer caberá o ajuizamento de reclamação, eis que o precedente ainda não será executável.</p><p>13. Qual a extensão dos efeitos do julgamento do IRDR? Mencione cinco exemplos</p><p>Art. 985. Julgado o incidente, a tese jurídica será aplicada:</p><p>I - a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal, inclusive àqueles que tramitem nos juizados especiais do respectivo Estado ou região;</p><p>II - aos casos futuros que versem idêntica questão de direito e que venham a tramitar no território de competência do tribunal, salvo revisão na forma do art. 986 .</p><p>Autoriza a concessão da tutela de evidência: 311, II; improcedência liminar do pedido: 332, III; obriga todos a identificar os fundamentos determinantes para usar: 489, V; obriga todos a demonstrar distinção para não usar quando invocado pela parte: 489, VI; exceção à remessa necessária: 496, §4º, III</p><p>TEMA 3 – QUESTÃO 10 -</p>