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ORDEM DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS 1- PROCESSOS E INCIDENTES NOS TRIBUNAIS – 1-1 GENERALIDADES – O livro III da Parte Especial do atual Código de Processo Civil congrega um conjunto de Normas, regras, que disciplinam o procedimento aplicável aos processos nos Tribunais brasileiros, aplicando-se aos recursos, meios de impugnação das decisões judiciais e eventuais incidentes correlatos. Assim o livro III, é subdivido em duas partes, ou seja, dois títulos. No título I, temos as disposições genéricas identificadas como “da ordem dos processos e dos processos de competência originária dos Tribunais”. Essas regras têm vigência a partir de disposições constitucionais que assinalam as regras de competência dos aplicáveis aos Tribunais nacional, complementadas pelas disposições regimentais (regimentos internos dos Tribunais) que regulam a matéria (ver Constituição Federal – art. 96, inciso I, letra “a”). No título II, temos a regulamentação e tramitação “dos recursos em espécie”, contendo também neste título regras alusivas à teoria geral dos recursos. 2- DISTRIBUIÇÃO – O art. 926 – Dispões que: “os autos serão registrados no protocolo do tribunal no dia de sua entrada, cabendo à Secretaria ordená-los, e proceder a imediata distribuição. A Emenda Constitucional n° 45, de 30/12/2004, instituiu a obrigatoriedade da distribuição imediata dos processos, em atenção a disposição constitucional (art. 93, inciso XV) pois, em alguns tribunais da republica era comum que os processos ficassem aguardando em uma espécie de fila de espera aguardando para oportuna distribuição, bem como designação da Câmara e Relator responsável pelo processo. Observados os critérios de alternatividade, sorteio eletrônico e publicidade, far-se-á a distribuição do processo. Art. 930: Far-se-á a distribuição de acordo com o regimento interno do tribunal, observando-se a alternatividade, o sorteio eletrônico e a publicidade. Parágrafo único. O primeiro recurso protocolado no tribunal tornará prevento o relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou em processo conexo. 3- RELATOR – 929 Prevenido Recebidos os autos da distribuição, o Relator através de sua assessoria fará a leitura e análise dos autos do processo findando por elabora um relatório e rascunho do seu futuro voto, devolvendo-o a secretaria da câmara de julgamento. Art. 931: Distribuídos, os autos serão imediatamente conclusos ao relator, que, em 30 (trinta) dias, depois de elaborar o voto, restituí-los-á, com relatório, à secretaria. O relatório nos julgamentos colegiados tem a função preparatória e deverá indicar as questões de fato e de direito relevantes para o julgamento da questão e já submetidas ao contraditório no primeiro grau de jurisdição, ou seja, o relatório deverá versar sobre pontos controvertidos na ação originária, no recurso, no reexame necessário etc. Em verdade é trata-se de uma análise primária, que servirá de orientação aos seus pares (outros desembargadores que compõem a Câmara de julgamento). Temos no artigo 932 as principais funções do Desembargador Relator: Art. 932: Incumbe ao relator: I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de prova, bem como, quando for o caso, homologar auto composição das partes; II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência originária do tribunal; III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; IV - negar provimento a recurso que for contrário a: a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal; b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária a: VI – decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, quando este for instaurado originariamente perante o tribunal; VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso; VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do tribunal. Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. 4- DA INCLUSÃO EM PAUTA – Não sendo o caso de decisão monocrática ou unipessoal, (art. 932), seguir-se-ão as providências para o julgamento colegiado, com a submissão dos autos do processo ao presidente da Câmara de julgamento, que providenciará a inclusão do processo na pauta de julgamento (designará dia e hora para a sessão), ordenando a prévia publicação da pauta no órgão oficial (diário oficial da Justiça), com a intimação das partes interessadas (art. 934). É imprescindível que entre a data da publicação da pauta e a sessão de julgamento decorra, pelo menos, prazo de cinco (5) dias, incluindo-se em nova pauta os processos que não tenham sido julgados, salvo aqueles cujo julgamento tiver sido expressamente adiado para a primeira sessão seguinte (art. 935), sob pena de nulidade do julgamento. 5- DA ORDEM DE JULGAMENTO – Art. 936: Ressalvadas as preferências legais e regimentais, os recursos, a remessa necessária e os processos de competência originária serão julgados na seguinte ordem: I - aqueles nos quais houver sustentação oral, observada a ordem dos requerimentos; II - os requerimentos de preferência apresentados até o início da sessão de julgamento; III - aqueles cujo julgamento tenha iniciado em sessão anterior; e IV - os demais casos. 6- DA SUSTENTAÇÃO ORAL – Aberta a sessão de julgamento, os recursos e processos serão julgados de acordo com as preferências legais. O art. 937, prevê que, nessa sessão, depois de feita a exposição da causa pelo relator (leitura do relatório previamente elaborado), o presidente da câmara de julgamento dará a palavra sucessivamente ao recorrente e recorrido e eventualmente ao Ministério Público (Procurador de Justiça) para no prazo improrrogável de quinze (15) minutos para cada um, sustentarem as razões de recurso. Decisão monocrática- proferida por apenas um magistrado, podendo ocorrer em qualquer instância ou tribunal 7- DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO Art. 943: Os votos, os acórdãos e os demais atos processuais podem ser registrados em documento eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na forma da lei, devendo ser impressos para juntada aos autos do processo quando este não for eletrônico. § 1º - Todo acórdão conterá ementa. § 2º - Lavrado o acórdão, sua ementa será publicada no órgão oficial no prazo de 10 (dez) dias. Finalmente, para efeito de publicidade e intimação das partes, o acórdão será publicado na imprensa oficial (diário oficial da justiça), oportunizando assim, eventual interposição de recursos pela parte inconformada com o decidido. Transcorrido o prazo recursal sem interposição de recurso, se opera o transito em julgado do acordão, transformando este em aresto, devolvendo-se os autos ao primeiro grau de jurisdição para cumprimento do acórdão (execução de título judicial), assunto tratado nas aulas anteriores. 8- BIBLIOGRAFIA – CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – Comentado e anotado. ARESTO → decisão final TEORIA GERAL DOS RECURSOS – RECURSOS EM ESPÉCIE – CORREIÇÃO PARCIAL 1- TEORIA GERAL DOS RECURSOS – 1-1- INTRODUÇÃO – Adotado o princípio do duplo grau de jurisdição, fixado pela Revolução Francesa e garantia de uma melhor qualidade da prestação jurisdicional, pelo qual a causa deve analisada por dois juízos distintos, o legislador ordinário regulou a sua aplicação criando meios de impugnação de decisões pelo vencido. As várias espécies de recursos e as hipóteses em que eles podem ser interpostos estão previstas em leiprocessual Civil. Assim, somente a União tem competência legislativa para criar, modificar os recursos (Lei Ordinária Federal. (Art. 22, I, da Constituição Federal). Desta forma, temos a partir do artigo 994 do CPC, as disposições gerais sobre recursos no processo civil e o Rol dos recursos em espécie. 1-2- CONCEITO – Recurso é o poder que se reconhece à parte vencida em qualquer incidente ou no mérito da demanda de provocar o reexame da questão decidida pela mesma autoridade judiciária ou por outra de hierarquia superior, ou, segundo Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero "É um meio voluntário de impugnação de decisões judiciais, interno ao processo, que visa à reforma, à anulação ou ao aprimoramento da decisão atacada" (Código de Processo Civil). Além dos recursos, existem meios autônomos de impugnação das decisões judiciais, como, por exemplo, a ação rescisória, que não é um recurso, mas se presta a impugnar sentenças e acórdãos transitados em julgado, quando ocorrente qualquer das hipóteses previstas no art. 996 do Código de Processo Civil. Ressalta-se também que o mandado de segurança e o "habeas corpus" também são meios autônomos que podem ser utilizados contra decisões judiciais. O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão; modificação que não pode ser para pior - reformatio in pejus. Assim, é requisito indispensável de qualquer recurso que o recorrente tenha sucumbido, isto é, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte. Somente aqueles atos que ostentam conteúdo decisório é que são passíveis de recurso, pois somente estes podem gerar a sucumbência. 1-3 – OBJETIVO DOS RECURSOS – os objetivos dos recursos são: i) reformar (inverter a sucumbência -> só é possível em se tratando de “error in judicando”) Duplo grau de jurisdição resguarda os direitos de revisão e de reforma das decisões tomadas pelos órgãos do poder judiciário, monocráticos ou colegiados, quando no exercício da jurisdição em competente originária. ii) invalidar -> cabível no “error in procedendo” -> retroage-se ao momento do vício e os atos são refeitos. iii) esclarecer -> tornar claro algo obscuro ou contraditório (por meio de Embargos de Declaração). iv) integrar -> completar uma omissão (também por meio de Embargos de Declaração). 1-4 - REGRA GERAL DOS RECURSOS – É importante entender que existem critérios específicos estabelecidos em Lei para que os recursos sejam admitidos. Entre eles, está o fato de que não se pode inovar em recurso, ou seja, não se pode trazer novo pedido no recurso. Entretanto, para esta regra, o Código do Processo Civil aponta três exceções: Art. 493: Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Art. 1.014: As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. Questões de ordem pública: No âmbito do processo civil, as questões de ordem pública, como a prescrição, são relacionadas às condições da ação - os pressupostos processuais e requisitos processuais e materiais capazes de impedir o alcance de um pronunciamento de mérito - e podem ser alegadas a qualquer momento. Além da não inovação no recurso, outros requisitos que devem ser observados são os denominados requisitos genéricos como legitimidade, interesse em recorrer, cabimento, inexistência de fatos impeditivos ou extintivos do poder de recorrer, tempestividade, regularidade formal e preparo. 2 - PRESSUPOSTOS PARA A INTERPOSIÇÃO DOS RECURSOS – 2-1- SUBJETIVOS - São aqueles que levam em consideração a pessoa do recorrente, ou seja: LEGITINIDADE e INTERESSE. 2-1-1- Legitimidade: O "vencido" está legitimado, isto é, a parte que tenha sofrido prejuízo jurídico com a decisão. Também estão legitimados o Ministério Público - quer esteja atuando na condição de parte, quer na de custos legis -, o terceiro interveniente e o terceiro prejudicado (CPC, art. 996). 2-1-2- Interesse: Para recorrer é indispensável que o recurso seja útil e necessário ao recorrente, a fim de evitar que este sofra prejuízos com a decisão. Assim, constata-se que haverá interesse em recorrer somente àquele que for sucumbente, ou seja, àquele que não recebeu da decisão tudo o que dela esperava. 2-2- OBJETIVOS - São aqueles que dizem respeito ao recurso em si, ou seja: TEMPESTIVIDADE; CABIMENTO e PREPARO. 2.2.1. Tempestividade: Para a interposição do recurso, há um prazo fixado na lei, sendo que o prazo comum é de 15 (quinze) dias (art. 1.003, §5º do CPC); para outros como o agravo retido ou de instrumento, é de 15 (quinze) dias (art. 1.015 do CPC) etc. Decorrido o prazo, não mais poderá ser interposto o recurso. Esses prazos são contados do momento em que o advogado tem conhecimento da decisão: quando a decisão for prolatada em audiência, conta-se da audiência - ainda que o advogado a ela não esteja presente, mas tenha sido intimado regularmente; quando prolatada fora da audiência, quando for intimado pelo órgão oficial (art. 224 do CPC), lembrando que evidenciado o conhecimento da decisão, ainda que não intimado, o prazo tem início. 2.2.2. Cabimento: Em princípio, todos os atos com conteúdo decisório são passíveis de recursos, uma vez que o legislador, além de prever o recurso para as sentenças e decisões terminativas, adotou o princípio da "recorribilidade das decisões interlocutórias", pelo qual somente aquelas decisões que o legislador estabeleceu não serem passíveis de recurso é que não são recorríveis. O exemplo de decisão interlocutória irrecorrível está no art. 1.007, §6º do CPC: a decisão que releva a pena de deserção da apelação é irrecorrível, como proclama o seu parágrafo único. Não estando prevista a irrecorribilidade, todas as decisões sujeitam-se ao recurso. Para cada espécie de decisão, há previsão de um recurso adequado: contra a sentença cabe apelação; contra decisão interlocutória cabe agravo de instrumento; contra acórdão unânime cabe recurso especial ou recurso extraordinário, e assim por diante. Não é possível utilizar-se um recurso por outro. Somente em situações excepcionais, em que houver dúvida quanto à natureza do ato Quem perde judicial, será possível admitir-se um recurso por outro - princípio da fungibilidade recursal. Mas deverá o recurso inadequado ter sido interposto no prazo do recurso adequado, sob pena de ofensa ao pressuposto da tempestividade. 2.2.3. Preparo: O art. 1.007, do CPC, determina que no ato da interposição do recurso se comprovará o preparo. Logo, o prazo para o preparo não é o mesmo do recurso, mas se encerra antes, já que no ato da interposição deve-se comprovar a sua realização. Ausente o preparo exigido em lei, ocorre a deserção, que é uma pena ao recorrente desidioso, mas que pode ser relevada, desde que alegado e provado o justo impedimento. O recorrente, ao interpor seu recurso, deverá comprovar o pagamento das custas processuais respectivas, que são fixadas no âmbito da Justiça Federal por lei federal, e no âmbito das Justiças estaduais por leis dos respectivos Estados. Salvo nos casos expressamente previstos em lei, o preparo é obrigatório, excetuando-se os beneficiários da justiça gratuita, a União, os Estados, Municípios e suas autarquias, e os caso de embargos de declaração e de agravo retido. 3- EFEITOS NOS RECURSOS – Vários são os efeitos da via recursal, porém, dois são principais e importantes conhecermos, finalizando com o efeito translativo. 3-1- Devolutivo: O efeito devolutivo está presente em todos os recursos. Este efeito consiste na transferência ao Juízo, ao Órgão, “ad quem” o conhecimento da matéria, que está sendo impugnada na via recursal, adiando assim a formação da coisa julgada e permitindo a reapreciação da matéria decidida em primeiro grau e o mérito do recurso. O efeito devolutivo deve ser analisado sobdois aspectos: a extensão e a profundidade. A Extensão, corresponde ao pedido e a Profundidade aos fundamentos pelos quais se recorre. Ao interpor o recurso, o recorrente, através de seu pedido, determinará a extensão do apelo e decidirá a abrangência da matéria impugnada bem como sua devolução a apreciação pelo Órgão superior ao qual se recorre. 3-2- Suspensivo: consiste na paralisação da produção de efeitos de um recurso. Os recursos que não são recebidos no efeito suspensivo, autorizam a produção imediatos dos efeitos da decisão, mediante requerimento de execução provisória. A princípio, o efeito suspensivo deriva da lei – “ope legis”. No entanto, o efeito suspensivo também pode ser requerido ao juiz por meio de um recurso (que pela letra da lei não o tem), se tal efeito for aplicado a tal recurso, estaremos diante do efeito suspensivo “ope judicis”. Tecnicamente, o efeito suspensivo não é efeito de recurso, e sim efeito de decisão (que fica suspensa ou não). Já a retirada do efeito suspensivo culmina na produção imediata de efeitos daquela decisão. Já se o recurso for recebido sem efeito suspensivo, a decisão pode produzir efeitos desde sua publicação, mediante requerimento de execução provisória ou antecipada. Se em meio à execução antecipada, o recurso interposto for provido, de nada servirá tal execução, pois haverá a inversão dos papeis de credor e devedor e a situação retornará a seu “status quo ante”. 3-3- Efeito translativo: As matérias de ordem pública são transladadas nas instâncias ordinárias e portanto, devem ser conhecidas de ofício no grau recursal, ainda que nenhuma das partes aleguem. Em Recurso Especial ou Recurso Extraordinário estas matérias, ainda que de ordem pública, exigem pré-questionamento. Recursos dotados do efeito translativo: Embargos de Declaração contra sentença ou decisão interlocutória (em Primeiro Grau); Apelação; Agravo de Instrumento; Embargos de Declaração contra acórdão em Apelação ou contra acórdão no julgamento de Agravo de Instrumento; Agravo Interno (todos do Segundo Grau). As matérias de ordem pública, ainda que não suscitadas pelo recorrente, deverão ser conhecidas. Consequências: extinção do processo sem resolução do mérito. Matérias de ordem pública não precluem, porém, ainda assim, deve-se abrir o contraditório. Referências bibliográficas MARINONI, Luiz Guilheme. MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil - Comentado artigo por artigo. Editora Revista dos Tribunais. 2008. 3ª Tiragem. BARROSO. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. Editora Saraiva. 2006. 6ª Edição. CORREIÇÃO PARCIAL – TEXTO 1- NOÇÕES – Inicialmente, é oportuno consignar que a correição parcial tem cabimento para sanar erros ou abusos do julgador, que invertam ou tumultuem a ordem dos atos processuais, quando tais vícios não comportarem correção pelas vias recursais. É importante salientar que a correição parcial, conforme entendimento da doutrina majoritária, não tem natureza jurídica de recurso haja vista não ter sido criada por Lei Federal. Com efeito, é cediço que compete privativamente à União legislar sobre matéria processual civil, a teor do art. 22, inciso I, da Constituição Federal. Diz-se que este instituto tem natureza jurídica administrativo-disciplinar, e presta-se, como visto, a reparar erros ou abusos cometidos pelos juízes dentro do processo, quando para o caso não haja recurso. Tal expediente deve seguir o rito do agravo de instrumento, nos moldes do art. 94 do Código Judiciário do Estado de São Paulo, e do art. 212 do Regimento Interno do TJ/SP. Discute-se, na doutrina, se a correição parcial aplica, também, ao processo civil ou somente ao processo penal. Por certo, o entendimento que prevalece, é o que defende a incidência da medida em questão somente no processo penal. Isso porque no processo civil, as decisões interlocutórias podem ser atacadas por agravo de instrumento. Ademais, o art. 211 do regimento Interno do TJ/SP diz, expressamente, que: “Cabe correição parcial, no processo penal, para a emenda de erro ou abuso que importe inversão tumultuária dos atos e fórmulas processuais, quando não previsto recurso específico”. O Novo Código de Processo Civil, traz as hipóteses de cabimento do agravo de instrumento, que foram enumeradas no rol do art. 1.015 do novo codex. Discute-se, nesse sentido, se tal rol é taxativo ou meramente exemplificativo. https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10639039/artigo-22-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10719809/inciso-i-do-artigo-22-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15 https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28887392/artigo-1015-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015 Com efeito, se considerado for como taxativo o rol do supramencionado dispositivo, é possível concluir que determinados atos processuais não mais poderão ser impugnados por agravo de instrumento, situação que reacende a discussão acerca da possibilidade de aplicação ou não da correição parcial também no processo civil. A discussão, entretanto, deve ficar a cargo da doutrina e dos operadores do direito, que deverão avaliar a melhor ação a ser desenvolvida no caso concreto. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS – TEORIA E FUNDAMENTOS. 1- TEORIA – A teoria dos precedentes judiciais foi desenvolvida a partir do sistema do “Common Law”. Essa teoria afirma que os precedentes normativos devem ser usados em casos semelhantes, garantindo, assim, previsibilidade do direito. O sistema jurídico adotado no Brasil é o chamado “Civil Law”; nesse sistema a fonte primária do direito é a lei. Todavia em outros países adota-se o sistema do “Common Law”, no qual segue um direito costumeiro, aplicado pela jurisprudência. A teoria dos precedentes judiciais foi desenvolvida a partir do sistema do “Common Law”. Essa teoria afirma que os precedentes normativos devem ser usados em casos semelhantes, garantindo, assim, previsibilidade do direito. O Brasil adota o sistema de “Civil Law”, por isso não existe dever de que o Poder Judiciário, como intérprete da lei, deva dar tratamento uniforme em processos diferentes, onde se discutem as mesmas questões. Nesse sistema os precedentes apenas orientam. Todavia, no sistema brasileiro vem ocorrendo mudanças e a Teoria dos Precedentes vem ganhando mais destaque nesse sistema. Por conta dessa influência, o presente trabalho visa abordar alguns conceitos básicos inerentes à teoria dos precedentes judiciais, como a própria noção de precedente, jurisprudência, súmula, “ratio decidendi” (razão de decidir), “obter dictum”( parte da decisão considerada dispensável), “distinguishing” e “overruling”. Ao adotar a Teoria dos Precedentes os juízes e tribunais devem seguir a “ratio decidendi”, que significa a razão de decidir dos precedentes. Trata-se da tese jurídica acolhida pelo órgão julgador no caso concreto. Todavia o “Obiter dictum” não vira precedente, refere-se àquela parte da decisão considerada dispensável, pois o precedente somente engloba a “ratio decidendi”, contudo, o “obiter dictum” não pode ser desprezado, pois pode representar uma futura orientação do tribunal. No sistema de precedentes vinculantes, como é o caso do “Commom Law”, existem técnicas de aplicação e superação de precedentes que permitem, de um lado, a estabilidade e uniformidade do direito e, de outro, o seu natural desenvolvimento. As duas principais técnicas são o “distinguishing” e o “overruling”. Um “distinguishing”, que ocorre quando o caso concreto em julgamento apresenta particularidades que não permitem aplicar adequadamente a jurisprudência do tribunal. O “overruling” é uma forma de superação, ou seja, revogação de precedentes que ocorre tanto no plano horizontal, quando o órgão revoga seupróprio precedente, quanto no plano vertical quando o tribunal superior revoga um precedente de um inferior hierárquico. Diante da atual conjuntura no ordenamento jurídico brasileiro percebe-se uma nítida mudança, abandonando um pouco as clássicas premissas do sistema da “Civil Law”, rendendo-se às influências da teoria do “stare decisis”(decisão anterior). Ocorre atualmente uma transição no sistema do “Civil Law” para um sistema de forma híbrida. Essa transição vem ocorrendo pelo fato de que a teoria dos precedentes garante uma segurança jurídica. Diante disso, pretende-se demonstrar que, o uso de precedentes com eficácia vinculante parece ser a melhor forma de desafogar o sistema jurídico brasileiro dos milhares de processos existentes, considerando que muitos são iguais, com a Razão de decidir finalidade de trazer isonomia, certeza e previsibilidade aos jurisdicionados, procurando acabar com as injustiças e com a falta de segurança jurídica vividas atualmente. 2- OS SISTEMAS “CIVIL LAW” E “COMMON LAW” – Os principais sistemas jurídicos vigentes hoje no mundo são o sistema de “Civil Law” e o sistema de “Common Law”. Esses sistemas possuem diferenças significativas. Enquanto o sistema de “Common Law” possui a tradição da linguagem oral, o sistema de “Civil Law” caracteriza-se pelo imperativo da escrita. O Sistema de “Common Law” também é chamado de Sistema Anglo-Saxão pelo fato de ser uma estrutura mais utilizada por países de origem anglo-saxônica como Estados Unidos e Inglaterra. Nesse sistema, o direito se baseia mais na jurisprudência, trata-se de um conjunto de interpretações das normas do direito proferidas pelo Poder Judiciário. Nesse sistema também existe a lei, porém o caso é analisado principalmente de acordo com outros casos semelhantes. No referido sistema quando as partes discordam quanto o direito aplicável, o tribunal idealmente procuraria uma solução dentre as decisões precedentes dos tribunais competentes. Se uma controvérsia semelhante foi resolvida no passado, o tribunal é obrigado a seguir o raciocínio usado naquela decisão anterior, aplicando assim o princípio conhecido como “stare decisis” (decisão anterior). Tal princípio ocorre quando uma decisão é usada para outros casos idênticos, nesse caso, tal decisão se tornará um precedente e vinculará os tribunais futuros. Todavia, na prática, o sistema de “common law” é consideravelmente mais complexo do que o funcionamento descrito acima. Dessa forma, as decisões de um tribunal são vinculantes apenas numa jurisdição em particular e, mesmo dentro de uma certa jurisdição, alguns tribunais detêm mais poderes do que outros. Por exemplo, na maior parte das jurisdições, as decisões de um tribunal de recursos são obrigatórias para os juízos inferiores daquela jurisdição e para as futuras decisões do próprio tribunal de recursos, mas as decisões dos juízos inferiores são apenas "persuasivas", não vinculantes. Importante observar que a interação entre o “Common Law”, o direito constitucional, o direito legislado e os regulamentos administrativos causam considerável complexidade. Contudo, o “stare decisis”, o princípio de que os casos semelhantes devem ser decididos conforme as mesmas regras, está no cerne de todo o sistema de “Common Law”. No princípio, o “Common Law”, era um direito cuja fonte primária eram os costumes e a tradição, daí ter sido denominado de “direito comum”, os quais eram então aplicados nos tribunais, transformando-se, então, em precedentes. Com o tempo, tais precedentes foram se transformando em jurisprudência, fortalecendo-se desse modo e impulsionando o sistema jurídico. No Brasil, o sistema jurídico adotado é o chamado de “Civil Law” ou de Sistema Romano Germânico, e sua principal fonte do Direito é a Lei. Assim, usa-se o texto seguindo a vontade do legislador. Essa é a estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil. O prof. Miguel Reale também expressa esta característica: “[...] caracteriza-se pelo primado do processo legislativo, com atribuição de valor secundário às demais fontes do direito. A tradição latina ou continental (Civil Law) acentuou-se especialmente após a revolução francesa, quando a lei passou a ser considerada a única expressão autêntica da nação, da vontade geral, tal como verificamos na obra de Jean-Jacques Rousseau, Du Contrat Social”. Importante observar que o sistema adotado pelo Brasil apresenta competências distintas quanto ao momento de julgar e legislar. Enquanto que no sistema de “Common Law” o momento de julgar e de legislar são simultâneos. O ordenamento romano-germânico é reconhecido principalmente pela forma como privilegia como fonte primária do direito a lei, em prejuízo da jurisprudência e dos costumes que figuram como fontes secundárias do direito. No Brasil, para decidir deve-se recorrer à legislação, porém essa lei pode ter várias interpretações, nesse caso é possível se recorrer à jurisprudência. De acordo com os sistemas apresentados, importante comparar a Constituição Norte Americana com a Constituição Brasileira, entre as duas cartas há algumas diferenças. Isso se dá devido a diferença de extensão entre as duas e a semelhança entre alguns institutos. Enquanto a lei suprema brasileira é composta de várias páginas, artigos, parágrafos e incisos, a Constituição norte-americana não possui essa característica. Na verdade, ela é sucinta sendo composta por sete artigos, além de vinte e sete emendas, cada qual com suas devidas seções. Outro fato importante a ser ressaltado é que a Constituição dos Estados Unidos foi promulgada no ano de 1787, sofrendo poucas modificações desde então. Diferentemente da carta magna brasileira, que há pouco completara 25 anos de existência. Diante disso, percebe-se a grande diferença entre esses sistemas jurídicos. E conclui-se que atualmente as mudanças ocorridas no sistema brasileiro se dá principalmente com influência do sistema de “Common Law”. 3- CONCEITO E FUNDAMENTO DOS PRECEDENTES JUDICIAIS - O Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Mauro Viveiros (2009) afirma que, ao considerar o conceito de precedente judicial de forma ampla e genérica pode ser definido como uma decisão judicial que servirá como parâmetro nos posteriores julgamentos de casos análogos sempre que tenha certa capacidade de adaptação ao futuro. Dessa forma, precedente é a decisão judicial tomada à luz de um caso concreto, cujo núcleo essencial pode servir como diretriz para o julgamento posterior de casos idênticos. O precedente judicial, por este conceito, é contemplado por todos os sistemas jurídicos, sendo que os seus atributos e a sua eficácia é que vão variar a depender dos contornos que lhe serão atribuídos. Tal qual explica Marcelo Alves Dias de Souza (2008), as qualidades extrínsecas do precedente são as mesmas em qualquer sistema, a função a ele atribuída é que varia, podendo ter força obrigatória ou meramente persuasiva, quando possuirá um caráter secundário em relação às normas legisladas. No sistema do “Common Law”, cuja fonte primordial do direito é a jurisprudência, o precedente judicial é elemento fundamental, possuindo, via de regra, força vinculante. Nos países adeptos no sistema de “Common Law” segue-se a teoria do “stare decisis”, da expressão latina “stare decisis et non quieta movere” que significa “mantenha-se a decisão e não se moleste o que foi decidido”. A teoria do “stare decisis” possui duas características básicas: a força obrigatória atribuída aos precedentes, e a ideia de hierarquia funcional que rege a aplicabilidade dos precedentes. A obrigatoriedade do precedente judicial se dará não só em relação ao caso em análise, como também em relação a futuros casos análogos a serem julgados pelo tribunal bem como os órgãos a estes inferiores, o que José Rogério Cruz e Tucci (2004) denomina respectivamente de eficácia interna e externa. Esta vinculação de acordo com a posição hierárquicado órgão é conhecida também como vinculação vertical. Pela ótica do “stare decisis”, o precedente judicial, ou seja, a decisão anteriormente prolatada, possui força vinculante obrigatória, constituindo o que se chama de “binding” precedente. Uma vez firmado entendimento judicial sobre determinada matéria, o mesmo deve ser obrigatoriamente observado, de forma que os juízes estarão a ele vinculados. Tucci (2004) faz uma observação importante quando afirma que o precedente vincula as próximas decisões: “Essa sistemática hierárquica da vinculação do precedente influi no estilo do julgamento caracterizado pela “auto-referência” jurisprudencial, devendo a fundamentação de uma decisão fazer expressa alusão à decisão precedente do próprio órgão ou de tribunal superior”. Dessa forma, quando um juiz prolata uma decisão, se houver precedentes, esses se vinculam de forma obrigatória. Assim, o juiz deverá utilizá-los para fundamentar sua decisão. 4- RATIO DECIDENDI (RAZÃO DE DECIDIR) - Precedente é uma norma construída pela jurisdição a partir de um caso concreto que pode se aplicar a casos futuros. Tal norma se encontra na fundamentação da decisão, tendo um nome técnico: “ratio decidendi” (razão de decidir). A “ratio decidendi” (razão de decidir) trata-se da norma geral do caso concreto que sustenta a decisão judicial, é, pois, a razão de decidir. Dessa forma a Súmula é o texto da “ratio decidendi” (razão de decidir). Inicialmente é importante observar que o juiz no momento de proferir sua decisão cria necessariamente duas normas jurídicas. Segundo Marinoni (2011), as normas jurídicas criadas são: uma norma jurídica de caráter individual que representa a decisão para o caso concreto e outra norma de caráter geral, ou seja, trata-se de uma norma jurídica contida na fundamentação do julgado, criada para justificar a sua decisão. Aquela norma jurídica, de caráter geral, criada pelo magistrado e constante da fundamentação do julgado, que consubstancia a tese jurídica a ser adotada em determinado caso, é justamente a “ratio decidendi” (razão de decidir). Didier leciona que “a tese jurídica (“ratio decidendi”) se desprende do caso específico e pode ser aplicada em outras situações concretas que se assemelhem àquela em que foi originariamente construída”. 5- OBTER DICTUM (ARGUMENTOS PERIFÉRICOS) - Ao lado da “ratio decidendi”, o precedente judicial também é composto por considerações periféricas, desprovidas de força vinculante para julgamentos posteriores, chamadas de “obter dictum” que são os “argumentos jurídicos que são expostos apenas de passagem na motivação da decisão, consubstanciando juízos normativos acessórios, provisórios, secundários, impressões ou qualquer outro elemento jurídico-hermenêutico que não tenha influência relevante e substancial para a decisão”. O “obter dictum”, a seu turno, é tudo aquilo que está na fundamentação da decisão e que não é a “ratio decidendi”. É o que está na fundamentação e que lá foi colocado de passagem (lateralmente). É um comentário que se faz e que poderia não ter existido. Constitui um trecho que poderia ser retirado da decisão sem comprometê-la. O fato de ser um comentário desnecessário, contudo, não faz com que o “obter dictum” seja inútil: ele pode, por exemplo, funcionar como um instrumento de “signaling” (instrumento que o Tribunal utiliza para sinalizar seu posicionamento em outro caso). Ele pode, também, ajudar na elaboração de um recurso (um exemplo é o voto vencido: ele não sustenta a decisão). Insta salientar que nenhum dos efeitos do precedente se aplica àquilo que foi dito de passagem, assim conclui-se que “obter dictum” não gera Súmula. O “obiter dictum (obiter dicta, no plural)”, ou simplesmente “dictum”, consiste nos argumentos que são expostos apenas de passagem na motivação da decisão, consubstanciando juízos acessórios, provisórios, secundários, impressões ou qualquer outro elemento que não tenha influência relevante e substancial para a decisão. O “obiter dictum”, embora não sirva como precedente, não é desprezível, pois pode sinalizar uma futura orientação do tribunal, por exemplo. Didier ((2009), cita um exemplo prático previsto no Art. 475-J do CPC, este estabelece uma multa para o caso de não cumprimento de uma sentença. Todavia tal multa é polêmica, e uma das questões está em torno dessa multa é como se conta o prazo para cumprir a decisão. Diante dessa dúvida, em 2007, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão sobre o caso dizendo que o prazo para cumprir a sentença contava-se do trânsito em julgado. Com essa decisão o STJ criou uma “ratio decidendi” (razão de decidir). Porém o Ministro do STJ, ao proferir o acórdão disse que o prazo conta-se do trânsito em julgado e se o advogado não comunicar ao seu cliente o trânsito em julgado, quem arcará com a multa será o advogado. Com esse comentário do Ministro ele criou um “obter dictum”, pois não era isso que se discutia na decisão, a discussão dizia respeito a partir de quando se aplicava a multa. Deste modo, não há precedente do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o advogado responde pela multa, isso não é precedente, e sim “obter dictum”, pois foge da fundamentação. Estabelecido, portanto, o precedente como uma decisão judicial cuja “ratio decidendi” pode ser utilizada em julgamento de casos futuros, cumpre distingui-lo de jurisprudência e súmula, ainda que se trate de noções umbilicalmente ligadas. Um precedente judicial, quando reiteradamente aplicado, se transforma em jurisprudência, que, assim, apresenta-se como o conjunto de julgados harmônicos entre si, fruto da reiterada e constante interpretação e aplicação da lei num determinado sentido. Por sua vez, se a jurisprudência – conjunto de precedentes – passa a ser dominante num determinado tribunal, esta corte pode, de acordo com as regras regimentais, editar uma súmula. A súmula, desta forma, é um enunciado normativo, enumerado e publicado por um dado tribunal, que retrata o seu posicionamento predominante acerca de um determinado tema, pois extraído da “ratio decidendi” (razão de decidir) de casos anteriormente julgados. Portanto, ao contrário da “obter dictum”, que não serve como precedente, a “ratio decidendi” quando utilizada por diversas vezes em um tribunal, pode ser transformada em súmula. 6- TÉCNICA DE APLICAÇÃO E SUPERAÇÃO DE PRECEDENTE Nos sistemas de precedentes vinculantes, existem técnicas de aplicação e superação de precedentes que permitem, de um lado, a estabilidade e uniformidade do direito e, de outro, o seu natural desenvolvimento. As duas principais técnicas são o “distinguishing” (comparação) e o “overruling” (revogação). De acordo com o que já foi citado anteriormente, o precedente se aplica a casos futuros. Dessa forma faz-se necessário analisar se o precedente anterior se aplica ou não ao caso, examinando o contexto fático de onde surgiu o precedente e verificar em que medida o caso atual se assemelha ao caso que gerou o precedente. É necessário confrontar o caso atual e o caso que gerou o precedente. Se os casos forem semelhantes, o precedente se aplica; se não forem semelhantes, não se aplica. Esse confronto (comparação) se chama “distinguishing”. E tal instituto é absolutamente indispensável na aplicação dos precedentes. A aplicação dos precedentes não é automática; é necessário verificar em que medida o caso atual comporta o precedente anterior. Importante observar que o juiz, ao aplicar a súmula vinculante, é obrigado a fazer o “distinguishing” (comparação), pois é necessário verificar se o caso que está sob sua jurisdição é ou não caso de aplicação da Súmula. Ele só não pode discutir a Súmula, mas tem sim que fazer essa análise. Por mais célebre que seja o precedente, sempre haverá “distinguishing”. Além da técnica de aplicação também existe a técnica de superação do precedente, chamada de “overruling”(revogação), é uma forma de superação, ou seja,revogação de precedentes que ocorre tanto no plano horizontal (órgão revoga seu próprio precedente) como também no plano vertical (tribunal superior revogando um precedente de um inferior hierárquico). Essa superação do precedente judicial pode ocorrer com eficácia “ex tunc” (restrospective overruling), quando o jurisdicionado é julgado com base na regra nova, mesmo que inexistente no momento do fato que deu ensejo à demanda, ou com eficácia “ex nunc” (prospective overruling), quando a nova orientação do valerá da data da decisão em diante. Pelo entendimento do professor Fredie Didier, “overruling é a técnica através da qual um precedente perde a sua força vinculante e é substituído (overruled) por outro precedente”. Trata-se de método em que os tribunais, depois da reavaliação dos fundamentos que levaram à formação de um precedente que ordinariamente se aplicaria ao caso em julgamento, decidem cancelar a fórmula anterior e atribuir uma interpretação, total ou parcialmente, diferente daquele antecedente. De acordo com o entendimento de Ataíde Junior (2012), para haver revogação de um precedente faz-se necessário observar dois requisitos, quais sejam: a perda de congruência social e o surgimento de inconsistência sistêmica. Segundo o entendimento de Luiz Guilherme Marinoni (2011) haverá a perda da congruência social quando um precedente passa a negar proposições morais, políticas e de experiência. As proposições morais determinam uma conduta como certa e errada a partir do consenso geral da comunidade, as políticas caracterizam uma situação como boa ou má em face do bem-estar geral e as de experiência dizem respeito ao modo como o mundo funciona. De outra parte, o precedente não tem consistência sistêmica quando deixa de guardar coerência com outras decisões. Quando há uma nova concepção geral em termos de teoria ou dogmática jurídica, a evidenciar que aquilo que se pensava acerca de uma questão ou instituto jurídico se alterou. Insta salientar que pelo entendimento de Ataíde Junior (2012), para ocorrer a revogação de um precedente é necessário justificação por séria argumentação, uma vez que pode causar perda da estabilidade, confiança e redução na possibilidade de previsão. No ordenamento jurídico brasileiro o artigo 103-A, § 2º da Constituição Federal, é um exemplo de técnica de superação de precedentes, pois prevê o processo para revisão ou cancelamento de súmulas vinculantes. Destarte as técnicas de aplicação e superação dos precedentes são imprescindíveis, pois orientam o juiz para observar se é possível a aplicação para determinado caso e também observar se o precedente se encontra em decadência, necessitando assim de substituição, devido a mudança de posicionamento. 7- OS PRECEDENTES JUDICIAIS NO BRASIL Os precedentes judiciais no ordenamento jurídico brasileiro não possuem a mesma importância que no sistema de “Common Law”, todavia, são importantes para orientar as futuras decisões. Para o professor Haroldo Lourenço (2011) no ordenamento jurídico brasileiro o precedente pode produzir três efeitos. 1- O primeiro efeito é chamado de efeito mínimo do precedente ou efeito persuasivo do precedente. Esse efeito significa que todo precedente pode ser utilizado como argumento, como reforço de argumentação. Essa força persuasiva será maior ou menor dependendo da origem do precedente e da qualidade. 2- Outro efeito que alguns precedentes possuem é o efeito de impedir meio de impugnação da decisão que se baseia nele. Uma vez adotado esses precedentes, eles impedem recurso para impugnar a decisão que o adote. É o que acontece nos precedentes consolidados em Súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal, que impedem recurso para discutir as decisões que nele se baseiam. 3- Por fim, existem os precedentes com efeitos vinculantes ou vinculativos, esses são precedentes que devem ser observados e devem ser seguidos. No Brasil, um exemplo de precedentes vinculativos são as súmulas vinculantes. O problema é que, no Brasil, os precedentes não vêm sequer sendo tidos como persuasivos. Isto porque os juízes e tribunais, muitas vezes, não se julgam obrigados a respeitar os precedentes dos Tribunais Superiores (eficácia vertical) e também não levam em consideração os precedentes demonstrados pelos advogados. 8- A TEORIA DO PRECEDENTE NO NOVO CPC Na atual conjuntura brasileira há uma ideia muito forte de “jurisprudência lotérica” pelo fato de que uma mesma questão jurídica pode ser julgada de várias maneiras diferentes. Dessa forma é necessário que a parte tenha sorte para que sua causa seja distribuída para um juiz que tenha entendimento favorável da matéria a ser discutida. No entanto, não se pode admitir que duas pessoas que entrem com uma ação no judiciário pleiteando a mesma coisa e estejam na mesma situação tenha solução para seu litígio de forma diferente. O artigo 5º da Constituição Federal prevê em seu caput o princípio da isonomia. E a situação jurídica acima descrita configura uma afronta a esse princípio, pois não respeita a segurança jurídica, um princípio imprescindível. Essa aplicação isonômica da lei, por sua vez, está ligada ao princípio da legalidade, pois para que a supremacia da lei vigore imperioso que esta preeminência seja observada também no momento de sua aplicação. Permitir que em situações jurídicas idênticas a lei seja aplicada de modo dispare é quebrar a própria ideia de supremacia legal. Continuar com este sistema marcado por tratamentos diferenciados para situações jurídicas análogas é quebrar toda consistência e unidade do ordenamento, e negar o seu próprio fundamento primordial consagrado no princípio da legalidade. Tereza Arruda Alvim Wambier (1997, p. 150) também defende a aplicação dos precedentes no Brasil, devido a sua importância na garantia da segurança jurídica: “Trata-se de uma conquista dos povos civilizados, que gera segurança, previsibilidade e se constitui numa defesa do sistema contra a arbitrariedade”. Ante tal momento é que a busca pela uniformização da jurisprudência se torna uma realidade nos dias atuais. Essa é a tendência que o ordenamento jurídico tem seguido, como ocorreu, a título de exemplo, com a edição Resolução n. 12/2009 do Superior Tribunal de Justiça que permitiu a utilização de reclamação constitucional nos Juizados Especiais em hipóteses de divergência jurisprudencial, com base no Artigo 105, inciso I, alínea “f” da Constituição da República. A finalidade almejada com essas progressivas reformas legislativas que contemplam a figura do precedente judicial é prestigiar os princípios da isonomia, legalidade e segurança jurídica, essa é a “ratio legis" que devemos ter em mente ao interpretar os Artigo 518, § 1º e Artigo 557 do Código de Processo Civil como verdadeiras hipóteses de jurisprudência vinculante. Caso contrário, em considerando ser uma mera faculdade atribuída ao judiciário, é fazer dos princípios postos meros textos de lei e tornar infundada a ideia supremacia legal. FONTE : - Déborah Caron https://doi.org/10.14393/RFADIR-v42n1a2014-3 Palavras-chave: Precedente judicial, Código de Processo Civil, Eficácia do precedente, Segurança jurídica https://doi.org/10.14393/RFADIR-v42n1a2014-3 PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS EM ESPÉCIE 1- CONCEITOS IMPORTANTES – 1-1- LEIS – LEI: Lei é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito. DECRETO: decreto é uma ordem emanada de uma autoridade superior ou órgão (civil, militar, leigo ou eclesiástico) que determina o cumprimento de uma resolução. ESTATUTO: estatuto é um regulamento, que determina ou estabelece a norma. Lei orgânica ou regulamento especial de um Estado, associação, confraria, companhia, irmandade ou qualquer corpo coletivo em geral. REGIMENTO: regimento é um conjunto de regras ou normas estabelecidas como necessáriasa uma organização; é um regimento em que se determina o modo de direção, funcionamento e outras exigências de uma empresa, associação ou entidade, ou de um concurso. PORTARIA: portaria é um documento de ato administrativo de qualquer autoridade pública, que contém instruções acerca da aplicação de leis ou regulamentos, recomendações de caráter geral, normas de execução de serviço, nomeações, demissões, punições, ou qualquer outra determinação da sua competência. RESOLUÇÃO: resolução é norma jurídica destinada a disciplinar assuntos do interesse interno do Congresso Nacional, no caso do Brasil. Também é elaborado e finalizado no âmbito legislativo, a exemplo da norma examinada anteriormente, mas esta trata de questões do interesse nacional. Os temas da resolução mais corriqueiros referem-se à concessão de licenças ou afastamentos de deputados ou senadores, a atribuição de benefícios, etc. O quorum exigido para a sua aprovação é a maioria simples (Art. 47, CF/88), sendo que a sua sanção, promulgação e publicação ficam a cargo do presidente do respectivo órgão que a produziu (do Congresso, do Senado ou da Câmara dos Deputados). 1-2- DOUTRINA NO DIREITO – Doutrina, no direito, trata-se de um conjunto de princípios, ideias e ensinamentos de autores e juristas que, no caso, servem de base para o Direito e que influenciam e fundamentam as decisões judiciais. É fonte do Direito, utilizada também para a interpretação das leis, fixando as diretrizes gerais das normas jurídicas. (Art. 4º da LICC). 1-3- JURISPRUDÊNCIA – Jurisprudência é o resultado de um conjunto de decisões judiciais (Acórdãos) de uma mesma matéria em determinado sentido. Tais decisões são proferidas pelos tribunais, notadamente os Tribunais Superiores (Supremo Tribunal Federal / Superior Tribunal de Justiça). O termo jurisprudência pode ser entendido como aplicação da lei pelos tribunais. É o resultado da aplicação da lei ao caso concreto que, após julgamento, surge no mundo jurídico para ser utilizado como fonte do Direito. É, ao fim, uma série de decisões proferidas pelos tribunais sobre determinado tema. A jurisprudência serve para uniformizar o entendimento de todos os tribunais, garantindo segurança jurídica e auxiliando advogados e advogadas em suas petições. Como fonte do Direito, a jurisprudência tem a importância de suprir possíveis lacunas existentes na aplicação e conciliação da legislação, garantindo uma linha de decisões mais coesas. Na advocacia, é importante fonte para embasar petições e comprovar que o direito requerido aos clientes acompanha o histórico de decisões. 2- ESPÉCIES DE JURISPRUDÊNCIA – 2-1- JULGADOS (PRECEDENTES) – Decisões dos juízes ou tribunais. Passar em julgado, decidir, sem que tenha apelado qualquer dos litigantes dentro do prazo prescrito para recurso; exercido o direito de recorrer. Diferença entre precedente e jurisprudência O precedente pode ser entendido como a decisão judicial proferida em determinada situação que serve de fundamento para demais casos. Ou seja, um julgamento que pode ser utilizado de fundamentação para outro julgamento posterior. Assim, jurisprudência pode ser entendida como um conjunto de precedentes. 2-2- SUMULAS – Súmula - Orientações resultantes de um conjunto de decisões proferidas com mesmo entendimento sobre determinada matéria. Uniformização da jurisprudência de um Tribunal. Precedente é a decisão judicial de um caso concreto, que pode servir como exemplo para outros julgamentos similares. A súmula nada mais é do que a pacificação jurisprudencial que um tribunal tem a respeito da interpretação e aplicação de uma norma jurídica qualquer. Todos os tribunais do país criam suas súmulas, unificando o pensamento dos órgãos colegiados acerca de alguma norma ou tema específico, evitando que haja discordância a respeito da aplicação de determinada legislação. Diferença entre súmula e jurisprudência As súmulas nada mais são que a consolidação da jurisprudência. Assim, após determinado tribunal formar um entendimento majoritário sobre certo tema, há dever de consolidá-lo para que as pessoas possam compreendê-lo com mais clareza. Podem ter caráter vinculante, impondo força normativa sobre órgãos do Poder Judiciário e administração pública nas esferas federal, estadual e municipal. O enunciado de súmula é a expressão da orientação dos tribunais acerca de um tema. O objetivo é divulgar a consolidação da jurisprudência e padronizar e unificar os atos processuais praticados por todos os julgadores. 2-3- SUMULAS VINCULANTES – As súmulas vinculantes são instrumentos jurídicos de extrema importância para a garantia da segurança jurídica e para que as https://www.aurum.com.br/blog/sumula-vinculante/ normas constitucionais sejam interpretadas e aplicadas de forma uniformizada. A súmula vinculante, no entanto, não apenas traz a pacificação jurisprudencial a respeito de um tema, mas também obriga todo o Poder Judiciário e a Administração Pública a seguir o que foi determinado por ela. É daí que vem o termo “vinculante”, uma vez que ela vincula os demais órgãos do Judiciário e do Executivo a seguir o que for apresentado por ela. Por ter esse poder normativo, então, a súmula vinculante pode ser aplicada exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se, portanto, de um dispositivo constitucional que possibilita que a mais alta instância do Poder Judiciário crie normas que possuem efeito de leis, tendo que ser cumpridas, desempenhando, na matéria, o papel que é do Poder Legislativo. A fundamentação está prevista na Carta Constitucional vigente: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Assim sendo, deu-se o poder ao Supremo Tribunal Federal (STF) de estabelecer uma normativa para todo o Poder Judiciário e Executivo, através da Administração Pública. Embora esse poder normativo seja limitado (deve incidir necessariamente sobre matéria constitucional), ele escapa da divisão comum dos três poderes, uma vez que concede ao órgão máximo do Judiciário a possibilidade de legislar sobre determinado assunto. Essa possibilidade é baseada não no direito clássico romano, mas sim no direito norte-americano, onde em vários aspectos a jurisprudência formada tem peso maior para a normatização de ações judiciais do que a própria legislação. Além da disposição constitucional, através do artigo 103-A, as súmulas vinculantes são regulamentadas através da lei nº 11.417, de 19 de dezembro de 2006, que regulamentou o artigo 103-A da Carta Maior brasileira, além de outros artigos. A súmula vinculante tem como principal objetivo unificar a interpretação e aplicação do texto constitucional dentro do Poder Judiciário e da Administração Pública em todas as suas esferas. Ao pacificar um determinado tema constitucional por ofício ou por pressão de terceiros, os ministros do STF acabam por uniformizar a atuação do Judiciário, tornando-o mais coeso, dando mais segurança jurídica às pessoas e limitando a atuação dos demais juízes à interpretação soberana da Carta Maior. FONTE: https://www.projuris.com.br/blog/sumula-vinculante/#h-o-que-e-sum ula-vinculante.