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ORDEM DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS
1- PROCESSOS E INCIDENTES NOS TRIBUNAIS –
1-1 GENERALIDADES –
O livro III da Parte Especial do atual Código de Processo Civil congrega um
conjunto de Normas, regras, que disciplinam o procedimento aplicável aos
processos nos Tribunais brasileiros, aplicando-se aos recursos, meios de
impugnação das decisões judiciais e eventuais incidentes correlatos.
Assim o livro III, é subdivido em duas partes, ou seja, dois títulos. No título I,
temos as disposições genéricas identificadas como “da ordem dos processos e
dos processos de competência originária dos Tribunais”.
Essas regras têm vigência a partir de disposições constitucionais que
assinalam as regras de competência dos aplicáveis aos Tribunais nacional,
complementadas pelas disposições regimentais (regimentos internos dos Tribunais)
que regulam a matéria (ver Constituição Federal – art. 96, inciso I, letra “a”).
No título II, temos a regulamentação e tramitação “dos recursos em espécie”,
contendo também neste título regras alusivas à teoria geral dos recursos.
2- DISTRIBUIÇÃO –
O art. 926 – Dispões que: “os autos serão registrados no protocolo do tribunal no
dia de sua entrada, cabendo à Secretaria ordená-los, e proceder a imediata
distribuição.
A Emenda Constitucional n° 45, de 30/12/2004, instituiu a obrigatoriedade da
distribuição imediata dos processos, em atenção a disposição constitucional (art. 93,
inciso XV) pois, em alguns tribunais da republica era comum que os processos
ficassem aguardando em uma espécie de fila de espera aguardando para oportuna
distribuição, bem como designação da Câmara e Relator responsável pelo processo.
Observados os critérios de alternatividade, sorteio eletrônico e publicidade,
far-se-á a distribuição do processo.
Art. 930: Far-se-á a distribuição de acordo com o regimento interno do tribunal,
observando-se a alternatividade, o sorteio eletrônico e a publicidade.
Parágrafo único. O primeiro recurso protocolado no tribunal tornará prevento o
relator para eventual recurso subsequente interposto no mesmo processo ou em
processo conexo.
3- RELATOR –
929
Prevenido
Recebidos os autos da distribuição, o Relator através de sua assessoria fará
a leitura e análise dos autos do processo findando por elabora um relatório e
rascunho do seu futuro voto, devolvendo-o a secretaria da câmara de julgamento.
Art. 931: Distribuídos, os autos serão imediatamente conclusos ao relator, que, em
30 (trinta) dias, depois de elaborar o voto, restituí-los-á, com relatório, à secretaria.
O relatório nos julgamentos colegiados tem a função preparatória e deverá indicar as
questões de fato e de direito relevantes para o julgamento da questão e já
submetidas ao contraditório no primeiro grau de jurisdição, ou seja, o relatório
deverá versar sobre pontos controvertidos na ação originária, no recurso, no
reexame necessário etc. Em verdade é trata-se de uma análise primária, que servirá
de orientação aos seus pares (outros desembargadores que compõem a Câmara de
julgamento).
Temos no artigo 932 as principais funções do Desembargador Relator:
Art. 932: Incumbe ao relator:
I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de
prova, bem como, quando for o caso, homologar auto composição das partes;
II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de
competência originária do tribunal;
III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha
impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida;
IV - negar provimento a recurso que for contrário a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do
próprio tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de
Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso
se a decisão recorrida for contrária a:
VI – decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, quando este
for instaurado originariamente perante o tribunal;
VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso;
VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do tribunal.
Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o
prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada
a documentação exigível.
4- DA INCLUSÃO EM PAUTA –
Não sendo o caso de decisão monocrática ou unipessoal, (art. 932),
seguir-se-ão as providências para o julgamento colegiado, com a submissão dos
autos do processo ao presidente da Câmara de julgamento, que providenciará a
inclusão do processo na pauta de julgamento (designará dia e hora para a sessão),
ordenando a prévia publicação da pauta no órgão oficial (diário oficial da Justiça),
com a intimação das partes interessadas (art. 934).
É imprescindível que entre a data da publicação da pauta e a sessão de
julgamento decorra, pelo menos, prazo de cinco (5) dias, incluindo-se em nova pauta
os processos que não tenham sido julgados, salvo aqueles cujo julgamento tiver sido
expressamente adiado para a primeira sessão seguinte (art. 935), sob pena de
nulidade do julgamento.
5- DA ORDEM DE JULGAMENTO –
Art. 936: Ressalvadas as preferências legais e regimentais, os recursos, a
remessa necessária e os processos de competência originária serão julgados na
seguinte ordem:
I - aqueles nos quais houver sustentação oral, observada a ordem dos
requerimentos;
II - os requerimentos de preferência apresentados até o início da sessão de
julgamento;
III - aqueles cujo julgamento tenha iniciado em sessão anterior; e
IV - os demais casos.
6- DA SUSTENTAÇÃO ORAL –
Aberta a sessão de julgamento, os recursos e processos serão julgados de acordo
com as preferências legais. O art. 937, prevê que, nessa sessão, depois de feita a
exposição da causa pelo relator (leitura do relatório previamente elaborado), o
presidente da câmara de julgamento dará a palavra sucessivamente ao recorrente e
recorrido e eventualmente ao Ministério Público (Procurador de Justiça) para no
prazo improrrogável de quinze (15) minutos para cada um, sustentarem as razões de
recurso.
Decisão monocrática- proferida por apenas um magistrado, podendo ocorrer em qualquer instância ou tribunal
7- DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO
Art. 943: Os votos, os acórdãos e os demais atos processuais podem ser
registrados em documento eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na
forma da lei, devendo ser impressos para juntada aos autos do processo quando
este não for eletrônico.
§ 1º - Todo acórdão conterá ementa.
§ 2º - Lavrado o acórdão, sua ementa será publicada no órgão oficial no prazo
de 10 (dez) dias.
Finalmente, para efeito de publicidade e intimação das partes, o acórdão será
publicado na imprensa oficial (diário oficial da justiça), oportunizando assim, eventual
interposição de recursos pela parte inconformada com o decidido.
Transcorrido o prazo recursal sem interposição de recurso, se opera o transito
em julgado do acordão, transformando este em aresto, devolvendo-se os autos ao
primeiro grau de jurisdição para cumprimento do acórdão (execução de título
judicial), assunto tratado nas aulas anteriores.
8- BIBLIOGRAFIA –
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – Comentado e anotado.
ARESTO → decisão final
TEORIA GERAL DOS RECURSOS – RECURSOS EM ESPÉCIE –
CORREIÇÃO PARCIAL
1- TEORIA GERAL DOS RECURSOS –
1-1- INTRODUÇÃO –
Adotado o princípio do duplo grau de jurisdição, fixado pela
Revolução Francesa e garantia de uma melhor qualidade da prestação
jurisdicional, pelo qual a causa deve analisada por dois juízos distintos, o
legislador ordinário regulou a sua aplicação criando meios de impugnação
de decisões pelo vencido.
As várias espécies de recursos e as hipóteses em que eles podem
ser interpostos estão previstas em leiprocessual Civil. Assim, somente a
União tem competência legislativa para criar, modificar os recursos (Lei
Ordinária Federal. (Art. 22, I, da Constituição Federal).
Desta forma, temos a partir do artigo 994 do CPC, as disposições
gerais sobre recursos no processo civil e o Rol dos recursos em espécie.
1-2- CONCEITO –
Recurso é o poder que se reconhece à parte vencida em qualquer
incidente ou no mérito da demanda de provocar o reexame da questão
decidida pela mesma autoridade judiciária ou por outra de hierarquia
superior, ou, segundo Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero "É um
meio voluntário de impugnação de decisões judiciais, interno ao processo,
que visa à reforma, à anulação ou ao aprimoramento da decisão
atacada" (Código de Processo Civil).
Além dos recursos, existem meios autônomos de impugnação
das decisões judiciais, como, por exemplo, a ação rescisória, que não é
um recurso, mas se presta a impugnar sentenças e acórdãos transitados
em julgado, quando ocorrente qualquer das hipóteses previstas no art.
996 do Código de Processo Civil. Ressalta-se também que o mandado
de segurança e o "habeas corpus" também são meios autônomos que
podem ser utilizados contra decisões judiciais.
O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na
modificação da decisão; modificação que não pode ser para pior
- reformatio in pejus. Assim, é requisito indispensável de qualquer recurso
que o recorrente tenha sucumbido, isto é, que não tenha sido atendido em
sua pretensão, no todo ou em parte. Somente aqueles atos que ostentam
conteúdo decisório é que são passíveis de recurso, pois somente estes
podem gerar a sucumbência.
1-3 – OBJETIVO DOS RECURSOS – os objetivos dos recursos são:
i) reformar (inverter a sucumbência -> só é possível em se tratando
de “error in judicando”)
Duplo grau de jurisdição resguarda os direitos de revisão e de reforma das decisões tomadas pelos órgãos do poder judiciário, monocráticos ou colegiados, quando no exercício da jurisdição em competente originária.
ii) invalidar -> cabível no “error in procedendo” -> retroage-se ao
momento do vício e os atos são refeitos.
iii) esclarecer -> tornar claro algo obscuro ou contraditório (por meio
de Embargos de Declaração).
iv) integrar -> completar uma omissão (também por meio de
Embargos de Declaração).
1-4 - REGRA GERAL DOS RECURSOS –
É importante entender que existem critérios específicos
estabelecidos em Lei para que os recursos sejam admitidos. Entre eles,
está o fato de que não se pode inovar em recurso, ou seja, não se pode
trazer novo pedido no recurso. Entretanto, para esta regra, o Código do
Processo Civil aponta três exceções:
Art. 493: Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo,
modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá
ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no
momento de proferir a decisão.
Art. 1.014: As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão
ser suscitadas na apelação se a parte provar que deixou de fazê-lo por
motivo de força maior.
Questões de ordem pública: No âmbito do processo civil, as
questões de ordem pública, como a prescrição, são relacionadas às
condições da ação - os pressupostos processuais e requisitos processuais
e materiais capazes de impedir o alcance de um pronunciamento de
mérito - e podem ser alegadas a qualquer momento.
Além da não inovação no recurso, outros requisitos que devem ser
observados são os denominados requisitos genéricos
como legitimidade, interesse em recorrer, cabimento, inexistência de
fatos impeditivos ou extintivos do poder de
recorrer, tempestividade, regularidade formal e preparo. 
2 - PRESSUPOSTOS PARA A INTERPOSIÇÃO DOS RECURSOS –
2-1- SUBJETIVOS - São aqueles que levam em consideração a pessoa
do recorrente, ou seja: LEGITINIDADE e INTERESSE.
2-1-1- Legitimidade: O "vencido" está legitimado, isto é, a parte que
tenha sofrido prejuízo jurídico com a decisão. Também estão legitimados o
Ministério Público - quer esteja atuando na condição de parte, quer na
de custos legis -, o terceiro interveniente e o terceiro prejudicado (CPC,
art. 996).
2-1-2- Interesse: Para recorrer é indispensável que o recurso seja útil e
necessário ao recorrente, a fim de evitar que este sofra prejuízos com a
decisão. Assim, constata-se que haverá interesse em recorrer somente
àquele que for sucumbente, ou seja, àquele que não recebeu da decisão
tudo o que dela esperava.
2-2- OBJETIVOS - São aqueles que dizem respeito ao recurso em si, ou
seja: TEMPESTIVIDADE; CABIMENTO e PREPARO.
2.2.1. Tempestividade: Para a interposição do recurso, há um prazo
fixado na lei, sendo que o prazo comum é de 15 (quinze) dias (art. 1.003,
§5º do CPC); para outros como o agravo retido ou de instrumento, é de 15
(quinze) dias (art. 1.015 do CPC) etc.
Decorrido o prazo, não mais poderá ser interposto o recurso.
Esses prazos são contados do momento em que o advogado tem
conhecimento da decisão: quando a decisão for prolatada em audiência,
conta-se da audiência - ainda que o advogado a ela não esteja presente,
mas tenha sido intimado regularmente; quando prolatada fora da
audiência, quando for intimado pelo órgão oficial (art. 224 do CPC),
lembrando que evidenciado o conhecimento da decisão, ainda que não
intimado, o prazo tem início.
2.2.2. Cabimento: Em princípio, todos os atos com conteúdo decisório
são passíveis de recursos, uma vez que o legislador, além de prever o
recurso para as sentenças e decisões terminativas, adotou o princípio da
"recorribilidade das decisões interlocutórias", pelo qual somente aquelas
decisões que o legislador estabeleceu não serem passíveis de recurso é
que não são recorríveis. O exemplo de decisão interlocutória irrecorrível
está no art. 1.007, §6º do CPC: a decisão que releva a pena de deserção
da apelação é irrecorrível, como proclama o seu parágrafo único. Não
estando prevista a irrecorribilidade, todas as decisões sujeitam-se ao
recurso.
Para cada espécie de decisão, há previsão de um recurso
adequado: contra a sentença cabe apelação; contra decisão interlocutória
cabe agravo de instrumento; contra acórdão unânime cabe recurso
especial ou recurso extraordinário, e assim por diante.
Não é possível utilizar-se um recurso por outro. Somente em
situações excepcionais, em que houver dúvida quanto à natureza do ato
Quem perde
judicial, será possível admitir-se um recurso por outro - princípio da
fungibilidade recursal. Mas deverá o recurso inadequado ter sido
interposto no prazo do recurso adequado, sob pena de ofensa ao
pressuposto da tempestividade. 
2.2.3. Preparo: O art. 1.007, do CPC, determina que no ato da
interposição do recurso se comprovará o preparo. Logo, o prazo para o
preparo não é o mesmo do recurso, mas se encerra antes, já que no ato
da interposição deve-se comprovar a sua realização. Ausente o preparo
exigido em lei, ocorre a deserção, que é uma pena ao recorrente
desidioso, mas que pode ser relevada, desde que alegado e provado o
justo impedimento.
O recorrente, ao interpor seu recurso, deverá comprovar o
pagamento das custas processuais respectivas, que são fixadas no
âmbito da Justiça Federal por lei federal, e no âmbito das Justiças
estaduais por leis dos respectivos Estados.
Salvo nos casos expressamente previstos em lei, o preparo é
obrigatório, excetuando-se os beneficiários da justiça gratuita, a União, os
Estados, Municípios e suas autarquias, e os caso de embargos de
declaração e de agravo retido.
3- EFEITOS NOS RECURSOS –
Vários são os efeitos da via recursal, porém, dois são principais e
importantes conhecermos, finalizando com o efeito translativo.
3-1- Devolutivo: O efeito devolutivo está presente em todos os recursos.
Este efeito consiste na transferência ao Juízo, ao Órgão, “ad quem” o
conhecimento da matéria, que está sendo impugnada na via recursal,
adiando assim a formação da coisa julgada e permitindo a reapreciação
da matéria decidida em primeiro grau e o mérito do recurso.
O efeito devolutivo deve ser analisado sobdois aspectos: a
extensão e a profundidade.
A Extensão, corresponde ao pedido e a Profundidade aos
fundamentos pelos quais se recorre. Ao interpor o recurso, o recorrente,
através de seu pedido, determinará a extensão do apelo e decidirá a
abrangência da matéria impugnada bem como sua devolução a
apreciação pelo Órgão superior ao qual se recorre.
3-2- Suspensivo: consiste na paralisação da produção de efeitos de um
recurso. Os recursos que não são recebidos no efeito suspensivo,
autorizam a produção imediatos dos efeitos da decisão, mediante
requerimento de execução provisória. A princípio, o efeito suspensivo
deriva da lei – “ope legis”.
No entanto, o efeito suspensivo também pode ser requerido ao juiz
por meio de um recurso (que pela letra da lei não o tem), se tal efeito for
aplicado a tal recurso, estaremos diante do efeito suspensivo “ope judicis”.
Tecnicamente, o efeito suspensivo não é efeito de recurso, e sim
efeito de decisão (que fica suspensa ou não). Já a retirada do efeito
suspensivo culmina na produção imediata de efeitos daquela decisão.
Já se o recurso for recebido sem efeito suspensivo, a decisão
pode produzir efeitos desde sua publicação, mediante requerimento de
execução provisória ou antecipada.
Se em meio à execução antecipada, o recurso interposto for
provido, de nada servirá tal execução, pois haverá a inversão dos papeis
de credor e devedor e a situação retornará a seu “status quo ante”.
3-3- Efeito translativo: As matérias de ordem pública são transladadas
nas instâncias ordinárias e portanto, devem ser conhecidas de ofício no
grau recursal, ainda que nenhuma das partes aleguem.
Em Recurso Especial ou Recurso Extraordinário estas matérias,
ainda que de ordem pública, exigem pré-questionamento.
Recursos dotados do efeito translativo: Embargos de Declaração
contra sentença ou decisão interlocutória (em Primeiro Grau); Apelação;
Agravo de Instrumento; Embargos de Declaração contra acórdão em
Apelação ou contra acórdão no julgamento de Agravo de Instrumento;
Agravo Interno (todos do Segundo Grau).
As matérias de ordem pública, ainda que não suscitadas pelo
recorrente, deverão ser conhecidas. Consequências: extinção do
processo sem resolução do mérito.
Matérias de ordem pública não precluem, porém, ainda assim,
deve-se abrir o contraditório.
Referências bibliográficas
MARINONI, Luiz Guilheme. MITIDIERO, Daniel. Código de
Processo Civil - Comentado artigo por artigo. Editora Revista dos
Tribunais. 2008. 3ª Tiragem.
BARROSO. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. Teoria Geral do
Processo e Processo de Conhecimento. Editora Saraiva. 2006. 6ª
Edição.  
CORREIÇÃO PARCIAL – TEXTO
1- NOÇÕES –
Inicialmente, é oportuno consignar que a correição parcial tem
cabimento para sanar erros ou abusos do julgador, que invertam ou
tumultuem a ordem dos atos processuais, quando tais vícios não
comportarem correção pelas vias recursais. É importante salientar que a
correição parcial, conforme entendimento da doutrina majoritária, não tem
natureza jurídica de recurso haja vista não ter sido criada por Lei Federal.
Com efeito, é cediço que compete privativamente à União legislar sobre
matéria processual civil, a teor do art. 22, inciso I, da Constituição Federal.
Diz-se que este instituto tem natureza jurídica administrativo-disciplinar,
e presta-se, como visto, a reparar erros ou abusos cometidos pelos juízes
dentro do processo, quando para o caso não haja recurso.
Tal expediente deve seguir o rito do agravo de instrumento, nos moldes
do art. 94 do Código Judiciário do Estado de São Paulo, e do art. 212 do
Regimento Interno do TJ/SP.
Discute-se, na doutrina, se a correição parcial aplica, também, ao
processo civil ou somente ao processo penal.
Por certo, o entendimento que prevalece, é o que defende a
incidência da medida em questão somente no processo penal. Isso porque
no processo civil, as decisões interlocutórias podem ser atacadas por agravo
de instrumento. Ademais, o art. 211 do regimento Interno do TJ/SP diz,
expressamente, que: “Cabe correição parcial, no processo penal, para a
emenda de erro ou abuso que importe inversão tumultuária dos atos e
fórmulas processuais, quando não previsto recurso específico”.
O Novo Código de Processo Civil, traz as hipóteses de cabimento
do agravo de instrumento, que foram enumeradas no rol do art. 1.015 do
novo codex. Discute-se, nesse sentido, se tal rol é taxativo ou meramente
exemplificativo.
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10639039/artigo-22-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10719809/inciso-i-do-artigo-22-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28887392/artigo-1015-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
Com efeito, se considerado for como taxativo o rol do
supramencionado dispositivo, é possível concluir que determinados atos
processuais não mais poderão ser impugnados por agravo de instrumento,
situação que reacende a discussão acerca da possibilidade de aplicação ou
não da correição parcial também no processo civil.
A discussão, entretanto, deve ficar a cargo da doutrina e dos
operadores do direito, que deverão avaliar a melhor ação a ser desenvolvida
no caso concreto.
PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS – TEORIA E
FUNDAMENTOS.
1- TEORIA –
A teoria dos precedentes judiciais foi desenvolvida a partir do
sistema do “Common Law”. Essa teoria afirma que os precedentes
normativos devem ser usados em casos semelhantes, garantindo,
assim, previsibilidade do direito.
O sistema jurídico adotado no Brasil é o chamado “Civil
Law”; nesse sistema a fonte primária do direito é a lei. Todavia em outros
países adota-se o sistema do “Common Law”, no qual segue um direito
costumeiro, aplicado pela jurisprudência.
A teoria dos precedentes judiciais foi desenvolvida a partir do
sistema do “Common Law”. Essa teoria afirma que os
precedentes normativos devem ser usados em casos
semelhantes, garantindo, assim, previsibilidade do direito.
O Brasil adota o sistema de “Civil Law”, por isso não existe
dever de que o Poder Judiciário, como intérprete da lei, deva dar
tratamento uniforme em processos diferentes, onde se discutem as
mesmas questões. Nesse sistema os precedentes apenas orientam.
Todavia, no sistema brasileiro vem ocorrendo mudanças e a Teoria dos
Precedentes vem ganhando mais destaque nesse sistema. Por conta
dessa influência, o presente trabalho visa abordar alguns conceitos
básicos inerentes à teoria dos precedentes judiciais, como a
própria noção de precedente, jurisprudência, súmula, “ratio
decidendi” (razão de decidir), “obter dictum”( parte da decisão
considerada dispensável), “distinguishing” e “overruling”.
Ao adotar a Teoria dos Precedentes os juízes e tribunais
devem seguir a “ratio decidendi”, que significa a razão de decidir dos
precedentes. Trata-se da tese jurídica acolhida pelo órgão julgador no
caso concreto. Todavia o “Obiter dictum” não vira precedente, refere-se
àquela parte da decisão considerada dispensável, pois o precedente
somente engloba a “ratio decidendi”, contudo, o “obiter dictum” não pode
ser desprezado, pois pode representar uma futura orientação do tribunal.
No sistema de precedentes vinculantes, como é o caso do
“Commom Law”, existem técnicas de aplicação e superação de
precedentes que permitem, de um lado, a estabilidade e uniformidade do
direito e, de outro, o seu natural desenvolvimento. As duas principais
técnicas são o “distinguishing” e o “overruling”. Um “distinguishing”, que
ocorre quando o caso concreto em julgamento apresenta
particularidades que não permitem aplicar adequadamente a
jurisprudência do tribunal.
O “overruling” é uma forma de superação, ou seja,
revogação de precedentes que ocorre tanto no plano horizontal, quando
o órgão revoga seupróprio precedente, quanto no plano vertical quando
o tribunal superior revoga um precedente de um inferior hierárquico.
Diante da atual conjuntura no ordenamento jurídico brasileiro
percebe-se uma nítida mudança, abandonando um pouco as clássicas
premissas do sistema da “Civil Law”, rendendo-se às influências da
teoria do “stare decisis”(decisão anterior). Ocorre atualmente uma
transição no sistema do “Civil Law” para um sistema de forma híbrida.
Essa transição vem ocorrendo pelo fato de que a teoria dos precedentes
garante uma segurança jurídica. Diante disso, pretende-se demonstrar
que, o uso de precedentes com eficácia vinculante parece ser a melhor
forma de desafogar o sistema jurídico brasileiro dos milhares de
processos existentes, considerando que muitos são iguais, com a
Razão de decidir
finalidade de trazer isonomia, certeza e previsibilidade aos
jurisdicionados, procurando acabar com as injustiças e com a falta de
segurança jurídica vividas atualmente.
2- OS SISTEMAS “CIVIL LAW” E “COMMON LAW” –
Os principais sistemas jurídicos vigentes hoje no mundo são
o sistema de “Civil Law” e o sistema de “Common Law”. Esses sistemas
possuem diferenças significativas. Enquanto o sistema de “Common
Law” possui a tradição da linguagem oral, o sistema de “Civil Law”
caracteriza-se pelo imperativo da escrita.
O Sistema de “Common Law” também é chamado de
Sistema Anglo-Saxão pelo fato de ser uma estrutura mais utilizada por
países de origem anglo-saxônica como Estados Unidos e Inglaterra.
Nesse sistema, o direito se baseia mais na jurisprudência, trata-se de
um conjunto de interpretações das normas do direito proferidas pelo
Poder Judiciário. Nesse sistema também existe a lei, porém o caso é
analisado principalmente de acordo com outros casos semelhantes.
No referido sistema quando as partes discordam quanto o
direito aplicável, o tribunal idealmente procuraria uma solução dentre as
decisões precedentes dos tribunais competentes. Se uma controvérsia
semelhante foi resolvida no passado, o tribunal é obrigado a seguir o
raciocínio usado naquela decisão anterior, aplicando assim o princípio
conhecido como “stare decisis” (decisão anterior).
Tal princípio ocorre quando uma decisão é usada para outros
casos idênticos, nesse caso, tal decisão se tornará um precedente e
vinculará os tribunais futuros. Todavia, na prática, o sistema de
“common law” é consideravelmente mais complexo do que o
funcionamento descrito acima. Dessa forma, as decisões de um tribunal
são vinculantes apenas numa jurisdição em particular e, mesmo dentro
de uma certa jurisdição, alguns tribunais detêm mais poderes do que
outros. Por exemplo, na maior parte das jurisdições, as decisões de um
tribunal de recursos são obrigatórias para os juízos inferiores daquela
jurisdição e para as futuras decisões do próprio tribunal de recursos,
mas as decisões dos juízos inferiores são apenas "persuasivas", não
vinculantes.
Importante observar que a interação entre o “Common Law”,
o direito constitucional, o direito legislado e os regulamentos
administrativos causam considerável complexidade. Contudo, o “stare
decisis”, o princípio de que os casos semelhantes devem ser
decididos conforme as mesmas regras, está no cerne de todo o sistema
de “Common Law”.
No princípio, o “Common Law”, era um direito cuja fonte
primária eram os costumes e a tradição, daí ter sido denominado de
“direito comum”, os quais eram então aplicados nos tribunais,
transformando-se, então, em precedentes.
Com o tempo, tais precedentes foram se transformando
em jurisprudência, fortalecendo-se desse modo e impulsionando o
sistema jurídico.
No Brasil, o sistema jurídico adotado é o chamado de “Civil
Law” ou de Sistema Romano Germânico, e sua principal fonte do Direito
é a Lei. Assim, usa-se o texto seguindo a vontade do legislador. Essa é
a estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil.
O prof. Miguel Reale também expressa esta característica:
“[...] caracteriza-se pelo primado do processo legislativo, com atribuição
de valor secundário às demais fontes do direito. A tradição latina ou
continental (Civil Law) acentuou-se especialmente após a revolução
francesa, quando a lei passou a ser considerada a única expressão
autêntica da nação, da vontade geral, tal como verificamos na obra de
Jean-Jacques Rousseau, Du Contrat Social”.
Importante observar que o sistema adotado pelo Brasil
apresenta competências distintas quanto ao momento de julgar e
legislar. Enquanto que no sistema de “Common Law” o momento de
julgar e de legislar são simultâneos. O ordenamento romano-germânico
é reconhecido principalmente pela forma como privilegia como fonte
primária do direito a lei, em prejuízo da jurisprudência e dos costumes
que figuram como fontes secundárias do direito.
No Brasil, para decidir deve-se recorrer à legislação, porém
essa lei pode ter várias interpretações, nesse caso é possível se recorrer
à jurisprudência.
De acordo com os sistemas apresentados, importante
comparar a Constituição Norte Americana com a Constituição Brasileira,
entre as duas cartas há algumas diferenças. Isso se dá devido a
diferença de extensão entre as duas e a semelhança entre alguns
institutos. Enquanto a lei suprema brasileira é composta de várias
páginas, artigos, parágrafos e incisos, a Constituição norte-americana
não possui essa característica. Na verdade, ela é sucinta sendo
composta por sete artigos, além de vinte e sete emendas, cada qual
com suas devidas seções.
Outro fato importante a ser ressaltado é que a Constituição
dos Estados Unidos foi promulgada no ano de 1787, sofrendo poucas
modificações desde então. Diferentemente da carta magna brasileira,
que há pouco completara 25 anos de existência. Diante disso,
percebe-se a grande diferença entre esses sistemas jurídicos. E
conclui-se que atualmente as mudanças ocorridas no sistema brasileiro
se dá principalmente com influência do sistema de “Common Law”.
3- CONCEITO E FUNDAMENTO DOS PRECEDENTES JUDICIAIS -
O Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de
Mato Grosso, Mauro Viveiros (2009) afirma que, ao considerar o
conceito de precedente judicial de forma ampla e genérica pode ser
definido como uma decisão judicial que servirá como parâmetro nos
posteriores julgamentos de casos análogos sempre que tenha certa
capacidade de adaptação ao futuro.
Dessa forma, precedente é a decisão judicial tomada à
luz de um caso concreto, cujo núcleo essencial pode servir como
diretriz para o julgamento posterior de casos idênticos.
O precedente judicial, por este conceito, é contemplado por
todos os sistemas jurídicos, sendo que os seus atributos e a sua eficácia
é que vão variar a depender dos contornos que lhe serão atribuídos.
Tal qual explica Marcelo Alves Dias de Souza (2008), as
qualidades extrínsecas do precedente são as mesmas em qualquer
sistema, a função a ele atribuída é que varia, podendo ter força
obrigatória ou meramente persuasiva, quando possuirá um caráter
secundário em relação às normas legisladas.
No sistema do “Common Law”, cuja fonte primordial do
direito é a jurisprudência, o precedente judicial é elemento fundamental,
possuindo, via de regra, força vinculante.
Nos países adeptos no sistema de “Common Law” segue-se
a teoria do “stare decisis”, da expressão latina “stare decisis et non
quieta movere” que significa “mantenha-se a decisão e não se moleste o
que foi decidido”.
A teoria do “stare decisis” possui duas características
básicas: a força obrigatória atribuída aos precedentes, e a ideia de
hierarquia funcional que rege a aplicabilidade dos precedentes.
A obrigatoriedade do precedente judicial se dará não só em
relação ao caso em análise, como também em relação a futuros casos
análogos a serem julgados pelo tribunal bem como os órgãos a estes
inferiores, o que José Rogério Cruz e Tucci (2004) denomina
respectivamente de eficácia interna e externa. Esta vinculação de
acordo com a posição hierárquicado órgão é conhecida também como
vinculação vertical.
Pela ótica do “stare decisis”, o precedente judicial, ou
seja, a decisão anteriormente prolatada, possui força vinculante
obrigatória, constituindo o que se chama de “binding” precedente.
Uma vez firmado entendimento judicial sobre determinada matéria, o
mesmo deve ser obrigatoriamente observado, de forma que os juízes
estarão a ele vinculados.
Tucci (2004) faz uma observação importante quando afirma
que o precedente vincula as próximas decisões: “Essa sistemática
hierárquica da vinculação do precedente influi no estilo do
julgamento caracterizado pela “auto-referência” jurisprudencial,
devendo a fundamentação de uma decisão fazer expressa alusão à
decisão precedente do próprio órgão ou de tribunal superior”.
Dessa forma, quando um juiz prolata uma decisão, se houver
precedentes, esses se vinculam de forma obrigatória. Assim, o juiz
deverá utilizá-los para fundamentar sua decisão.
4- RATIO DECIDENDI (RAZÃO DE DECIDIR) -
Precedente é uma norma construída pela jurisdição a partir
de um caso concreto que pode se aplicar a casos futuros. Tal norma se
encontra na fundamentação da decisão, tendo um nome técnico: “ratio
decidendi” (razão de decidir).
A “ratio decidendi” (razão de decidir) trata-se da norma geral
do caso concreto que sustenta a decisão judicial, é, pois, a razão de
decidir. Dessa forma a Súmula é o texto da “ratio decidendi” (razão de
decidir).
Inicialmente é importante observar que o juiz no momento de
proferir sua decisão cria necessariamente duas normas jurídicas.
Segundo Marinoni (2011), as normas jurídicas criadas são: uma norma
jurídica de caráter individual que representa a decisão para o caso
concreto e outra norma de caráter geral, ou seja, trata-se de uma norma
jurídica contida na fundamentação do julgado, criada para justificar a sua
decisão. Aquela norma jurídica, de caráter geral, criada pelo magistrado
e constante da fundamentação do julgado, que consubstancia a tese
jurídica a ser adotada em determinado caso, é justamente a “ratio
decidendi” (razão de decidir).
Didier leciona que “a tese jurídica (“ratio decidendi”) se
desprende do caso específico e pode ser aplicada em outras situações
concretas que se assemelhem àquela em que foi originariamente
construída”.
5- OBTER DICTUM (ARGUMENTOS PERIFÉRICOS) -
Ao lado da “ratio decidendi”, o precedente judicial
também é composto por considerações periféricas, desprovidas de
força vinculante para julgamentos posteriores, chamadas de “obter
dictum” que são os “argumentos jurídicos que são expostos apenas
de passagem na motivação da decisão, consubstanciando juízos
normativos acessórios, provisórios, secundários, impressões ou
qualquer outro elemento jurídico-hermenêutico que não tenha
influência relevante e substancial para a decisão”.
O “obter dictum”, a seu turno, é tudo aquilo que está na
fundamentação da decisão e que não é a “ratio decidendi”. É o que
está na fundamentação e que lá foi colocado de passagem
(lateralmente). É um comentário que se faz e que poderia não ter
existido. Constitui um trecho que poderia ser retirado da decisão sem
comprometê-la.
O fato de ser um comentário desnecessário, contudo, não
faz com que o “obter dictum” seja inútil: ele pode, por exemplo,
funcionar como um instrumento de “signaling” (instrumento que o
Tribunal utiliza para sinalizar seu posicionamento em outro caso). Ele
pode, também, ajudar na elaboração de um recurso (um exemplo é o
voto vencido: ele não sustenta a decisão). Insta salientar que nenhum
dos efeitos do precedente se aplica àquilo que foi dito de passagem,
assim conclui-se que “obter dictum” não gera Súmula.
O “obiter dictum (obiter dicta, no plural)”, ou
simplesmente “dictum”, consiste nos argumentos que são expostos
apenas de passagem na motivação da decisão, consubstanciando
juízos acessórios, provisórios, secundários, impressões ou
qualquer outro elemento que não tenha influência relevante e
substancial para a decisão. O “obiter dictum”, embora não sirva
como precedente, não é desprezível, pois pode sinalizar uma futura
orientação do tribunal, por exemplo.
Didier ((2009), cita um exemplo prático previsto no Art.
475-J do CPC, este estabelece uma multa para o caso de não
cumprimento de uma sentença. Todavia tal multa é polêmica, e uma das
questões está em torno dessa multa é como se conta o prazo para
cumprir a decisão.
Diante dessa dúvida, em 2007, o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) proferiu uma decisão sobre o caso dizendo que o prazo
para cumprir a sentença contava-se do trânsito em julgado. Com essa
decisão o STJ criou uma “ratio decidendi” (razão de decidir). Porém o
Ministro do STJ, ao proferir o acórdão disse que o prazo conta-se do
trânsito em julgado e se o advogado não comunicar ao seu cliente o
trânsito em julgado, quem arcará com a multa será o advogado.
Com esse comentário do Ministro ele criou um “obter dictum”, pois não
era isso que se discutia na decisão, a discussão dizia respeito a partir de
quando se aplicava a multa.
Deste modo, não há precedente do Superior Tribunal de
Justiça no sentido de que o advogado responde pela multa, isso não é
precedente, e sim “obter dictum”, pois foge da fundamentação.
Estabelecido, portanto, o precedente como uma decisão
judicial cuja “ratio decidendi” pode ser utilizada em julgamento
de casos futuros, cumpre distingui-lo de jurisprudência e súmula,
ainda que se trate de noções umbilicalmente ligadas.
Um precedente judicial, quando reiteradamente aplicado, se
transforma em jurisprudência, que, assim, apresenta-se como o conjunto
de julgados harmônicos entre si, fruto da reiterada e constante
interpretação e aplicação da lei num determinado sentido.
Por sua vez, se a jurisprudência – conjunto de precedentes
– passa a ser dominante num determinado tribunal, esta corte pode, de
acordo com as regras regimentais, editar uma súmula. A súmula, desta
forma, é um enunciado normativo, enumerado e publicado por um dado
tribunal, que retrata o seu posicionamento predominante acerca de um
determinado tema, pois extraído da “ratio decidendi” (razão de decidir)
de casos anteriormente julgados.
Portanto, ao contrário da “obter dictum”, que não serve como
precedente, a “ratio decidendi” quando utilizada por diversas vezes em
um tribunal, pode ser transformada em súmula.
6- TÉCNICA DE APLICAÇÃO E SUPERAÇÃO DE PRECEDENTE
Nos sistemas de precedentes vinculantes, existem técnicas
de aplicação e superação de precedentes que permitem, de um lado, a
estabilidade e uniformidade do direito e, de outro, o seu natural
desenvolvimento. As duas principais técnicas são o “distinguishing”
(comparação) e o “overruling” (revogação).
De acordo com o que já foi citado anteriormente, o
precedente se aplica a casos futuros. Dessa forma faz-se necessário
analisar se o precedente anterior se aplica ou não ao caso, examinando
o contexto fático de onde surgiu o precedente e verificar em que medida
o caso atual se assemelha ao caso que gerou o precedente. É
necessário confrontar o caso atual e o caso que gerou o precedente.
Se os casos forem semelhantes, o precedente se aplica; se
não forem semelhantes, não se aplica. Esse confronto (comparação) se
chama “distinguishing”. E tal instituto é absolutamente
indispensável na aplicação dos precedentes. A aplicação dos
precedentes não é automática; é necessário verificar em que medida o
caso atual comporta o precedente anterior.
Importante observar que o juiz, ao aplicar a súmula
vinculante, é obrigado a fazer o “distinguishing” (comparação), pois é
necessário verificar se o caso que está sob sua jurisdição é ou não caso
de aplicação da Súmula. Ele só não pode discutir a Súmula, mas tem
sim que fazer essa análise. Por mais célebre que seja o precedente,
sempre haverá “distinguishing”.
Além da técnica de aplicação também existe a técnica de
superação do precedente, chamada de “overruling”(revogação), é uma
forma de superação, ou seja,revogação de precedentes que ocorre
tanto no plano horizontal (órgão revoga seu próprio precedente)
como também no plano vertical (tribunal superior revogando um
precedente de um inferior hierárquico). Essa superação do precedente
judicial pode ocorrer com eficácia “ex tunc” (restrospective overruling),
quando o jurisdicionado é julgado com base na regra nova, mesmo que
inexistente no momento do fato que deu ensejo à demanda, ou com
eficácia “ex nunc” (prospective overruling), quando a nova orientação
do valerá da data da decisão em diante.
Pelo entendimento do professor Fredie Didier, “overruling é a
técnica através da qual um precedente perde a sua força vinculante e é
substituído (overruled) por outro precedente”. Trata-se de método em
que os tribunais, depois da reavaliação dos fundamentos que levaram à
formação de um precedente que ordinariamente se aplicaria ao caso em
julgamento, decidem cancelar a fórmula anterior e atribuir uma
interpretação, total ou parcialmente, diferente daquele antecedente.
De acordo com o entendimento de Ataíde Junior (2012), para
haver revogação de um precedente faz-se necessário observar dois
requisitos, quais sejam: a perda de congruência social e o surgimento
de inconsistência sistêmica.
Segundo o entendimento de Luiz Guilherme Marinoni
(2011) haverá a perda da congruência social quando um precedente
passa a negar proposições morais, políticas e de experiência. As
proposições morais determinam uma conduta como certa e errada a
partir do consenso geral da comunidade, as políticas caracterizam
uma situação como boa ou má em face do bem-estar geral e as de
experiência dizem respeito ao modo como o mundo funciona. De
outra parte, o precedente não tem consistência sistêmica quando
deixa de guardar coerência com outras decisões. Quando há uma
nova concepção geral em termos de teoria ou dogmática jurídica, a
evidenciar que aquilo que se pensava acerca de uma questão ou
instituto jurídico se alterou. Insta salientar que pelo entendimento de
Ataíde Junior (2012), para ocorrer a revogação de um precedente é
necessário justificação por séria argumentação, uma vez que pode
causar perda da estabilidade, confiança e redução na possibilidade
de previsão.
No ordenamento jurídico brasileiro o artigo 103-A, § 2º
da Constituição Federal, é um exemplo de técnica de superação de
precedentes, pois prevê o processo para revisão ou cancelamento
de súmulas vinculantes.
Destarte as técnicas de aplicação e superação dos
precedentes são imprescindíveis, pois orientam o juiz para observar
se é possível a aplicação para determinado caso e também
observar se o precedente se encontra em decadência, necessitando
assim de substituição, devido a mudança de posicionamento.
7- OS PRECEDENTES JUDICIAIS NO BRASIL
Os precedentes judiciais no ordenamento jurídico
brasileiro não possuem a mesma importância que no sistema de
“Common Law”, todavia, são importantes para orientar as futuras
decisões.
Para o professor Haroldo Lourenço (2011) no
ordenamento jurídico brasileiro o precedente pode produzir três
efeitos.
1- O primeiro efeito é chamado de efeito mínimo do
precedente ou efeito persuasivo do precedente. Esse efeito
significa que todo precedente pode ser utilizado como argumento,
como reforço de argumentação. Essa força persuasiva será maior
ou menor dependendo da origem do precedente e da qualidade.
2- Outro efeito que alguns precedentes possuem
é o efeito de impedir meio de impugnação da decisão que se
baseia nele. Uma vez adotado esses precedentes, eles impedem
recurso para impugnar a decisão que o adote. É o que acontece
nos precedentes consolidados em Súmula do Superior Tribunal de
Justiça ou do Supremo Tribunal Federal, que impedem recurso para
discutir as decisões que nele se baseiam.
3- Por fim, existem os precedentes com efeitos
vinculantes ou vinculativos, esses são precedentes que devem ser
observados e devem ser seguidos. No Brasil, um exemplo de
precedentes vinculativos são as súmulas vinculantes.
O problema é que, no Brasil, os precedentes não vêm
sequer sendo tidos como persuasivos. Isto porque os juízes e
tribunais, muitas vezes, não se julgam obrigados a respeitar os
precedentes dos Tribunais Superiores (eficácia vertical) e também
não levam em consideração os precedentes demonstrados pelos
advogados.
8- A TEORIA DO PRECEDENTE NO NOVO CPC
Na atual conjuntura brasileira há uma ideia muito forte
de “jurisprudência lotérica” pelo fato de que uma mesma questão
jurídica pode ser julgada de várias maneiras diferentes. Dessa
forma é necessário que a parte tenha sorte para que sua causa seja
distribuída para um juiz que tenha entendimento favorável da
matéria a ser discutida.
No entanto, não se pode admitir que duas pessoas que
entrem com uma ação no judiciário pleiteando a mesma coisa e
estejam na mesma situação tenha solução para seu litígio de forma
diferente.
O artigo 5º da Constituição Federal prevê em seu caput
o princípio da isonomia. E a situação jurídica acima descrita
configura uma afronta a esse princípio, pois não respeita a
segurança jurídica, um princípio imprescindível.
Essa aplicação isonômica da lei, por sua vez, está
ligada ao princípio da legalidade, pois para que a supremacia da lei
vigore imperioso que esta preeminência seja observada também no
momento de sua aplicação. Permitir que em situações jurídicas
idênticas a lei seja aplicada de modo dispare é quebrar a própria
ideia de supremacia legal. Continuar com este sistema marcado por
tratamentos diferenciados para situações jurídicas análogas é
quebrar toda consistência e unidade do ordenamento, e negar o seu
próprio fundamento primordial consagrado no princípio da
legalidade.
Tereza Arruda Alvim Wambier (1997, p. 150) também
defende a aplicação dos precedentes no Brasil, devido a sua
importância na garantia da segurança jurídica: “Trata-se de uma
conquista dos povos civilizados, que gera segurança, previsibilidade
e se constitui numa defesa do sistema contra a arbitrariedade”.
Ante tal momento é que a busca pela uniformização da
jurisprudência se torna uma realidade nos dias atuais. Essa é a
tendência que o ordenamento jurídico tem seguido, como ocorreu, a
título de exemplo, com a edição Resolução n. 12/2009 do Superior
Tribunal de Justiça que permitiu a utilização de reclamação
constitucional nos Juizados Especiais em hipóteses de divergência
jurisprudencial, com base no Artigo 105, inciso I, alínea “f” da
Constituição da República.
A finalidade almejada com essas progressivas reformas
legislativas que contemplam a figura do precedente judicial é
prestigiar os princípios da isonomia, legalidade e segurança
jurídica, essa é a “ratio legis" que devemos ter em mente ao
interpretar os Artigo 518, § 1º e Artigo 557 do Código de
Processo Civil como verdadeiras hipóteses de jurisprudência
vinculante. Caso contrário, em considerando ser uma mera
faculdade atribuída ao judiciário, é fazer dos princípios postos
meros textos de lei e tornar infundada a ideia supremacia legal.
FONTE : - Déborah Caron
https://doi.org/10.14393/RFADIR-v42n1a2014-3
Palavras-chave: 
Precedente judicial, Código de Processo Civil, Eficácia do precedente, Segurança
jurídica
https://doi.org/10.14393/RFADIR-v42n1a2014-3
PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS EM ESPÉCIE
1- CONCEITOS IMPORTANTES –
1-1- LEIS –
LEI: Lei é uma norma ou conjunto de normas jurídicas
criadas através dos processos próprios do ato normativo e
estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito.
DECRETO: decreto é uma ordem emanada de uma
autoridade superior ou órgão (civil, militar, leigo ou eclesiástico) que
determina o cumprimento de uma resolução.
ESTATUTO: estatuto é um regulamento, que determina ou
estabelece a norma. Lei orgânica ou regulamento especial de um
Estado, associação, confraria, companhia, irmandade ou qualquer
corpo coletivo em geral.
REGIMENTO: regimento é um conjunto de regras ou normas
estabelecidas como necessáriasa uma organização; é um
regimento em que se determina o modo de direção, funcionamento
e outras exigências de uma empresa, associação ou entidade, ou
de um concurso.
PORTARIA: portaria é um documento de ato administrativo de
qualquer autoridade pública, que contém instruções acerca da
aplicação de leis ou regulamentos, recomendações de caráter geral,
normas de execução de serviço, nomeações, demissões, punições,
ou qualquer outra determinação da sua competência.
RESOLUÇÃO: resolução é norma jurídica destinada a
disciplinar assuntos do interesse interno do Congresso Nacional, no
caso do Brasil. Também é elaborado e finalizado no âmbito
legislativo, a exemplo da norma examinada anteriormente, mas esta
trata de questões do interesse nacional. Os temas da resolução
mais corriqueiros referem-se à concessão de licenças ou
afastamentos de deputados ou senadores, a atribuição de
benefícios, etc. O quorum exigido para a sua aprovação é a maioria
simples (Art. 47, CF/88), sendo que a sua sanção, promulgação e
publicação ficam a cargo do presidente do respectivo órgão que a
produziu (do Congresso, do Senado ou da Câmara dos Deputados).
1-2- DOUTRINA NO DIREITO –
Doutrina, no direito, trata-se de um conjunto de princípios,
ideias e ensinamentos de autores e juristas que, no caso, servem
de base para o Direito e que influenciam e fundamentam as
decisões judiciais. É fonte do Direito, utilizada também para a
interpretação das leis, fixando as diretrizes gerais das normas
jurídicas. (Art. 4º da LICC).
1-3- JURISPRUDÊNCIA –
Jurisprudência é o resultado de um conjunto de decisões
judiciais (Acórdãos) de uma mesma matéria em determinado
sentido. Tais decisões são proferidas pelos tribunais, notadamente
os Tribunais Superiores (Supremo Tribunal Federal / Superior
Tribunal de Justiça).
O termo jurisprudência pode ser entendido como aplicação
da lei pelos tribunais. É o resultado da aplicação da lei ao caso
concreto que, após julgamento, surge no mundo jurídico para ser
utilizado como fonte do Direito. É, ao fim, uma série de decisões
proferidas pelos tribunais sobre determinado tema.
A jurisprudência serve para uniformizar o entendimento de
todos os tribunais, garantindo segurança jurídica e auxiliando
advogados e advogadas em suas petições.
Como fonte do Direito, a jurisprudência tem a importância de
suprir possíveis lacunas existentes na aplicação e conciliação da
legislação, garantindo uma linha de decisões mais coesas. Na
advocacia, é importante fonte para embasar petições e comprovar
que o direito requerido aos clientes acompanha o histórico de
decisões. 
2- ESPÉCIES DE JURISPRUDÊNCIA –
2-1- JULGADOS (PRECEDENTES) –
Decisões dos juízes ou tribunais. Passar em julgado,
decidir, sem que tenha apelado qualquer dos litigantes dentro
do prazo prescrito para recurso; exercido o direito de recorrer.
Diferença entre precedente e jurisprudência
O precedente pode ser entendido como a decisão judicial
proferida em determinada situação que serve de fundamento para
demais casos. Ou seja, um julgamento que pode ser utilizado de
fundamentação para outro julgamento posterior.
Assim, jurisprudência pode ser entendida como um conjunto de
precedentes.
2-2- SUMULAS –
Súmula - Orientações resultantes de um conjunto de decisões
proferidas com mesmo entendimento sobre determinada matéria.
Uniformização da jurisprudência de um Tribunal. Precedente é a
decisão judicial de um caso concreto, que pode servir como
exemplo para outros julgamentos similares.
A súmula nada mais é do que a pacificação jurisprudencial
que um tribunal tem a respeito da interpretação e aplicação de uma
norma jurídica qualquer.
Todos os tribunais do país criam suas súmulas, unificando o
pensamento dos órgãos colegiados acerca de alguma norma ou
tema específico, evitando que haja discordância a respeito da
aplicação de determinada legislação.
Diferença entre súmula e jurisprudência
As súmulas nada mais são que a consolidação da
jurisprudência. Assim, após determinado tribunal formar um
entendimento majoritário sobre certo tema, há dever de consolidá-lo
para que as pessoas possam compreendê-lo com mais clareza. 
Podem ter caráter vinculante, impondo força normativa sobre
órgãos do Poder Judiciário e administração pública nas esferas
federal, estadual e municipal.
O enunciado de súmula é a expressão da orientação dos
tribunais acerca de um tema. O objetivo é divulgar a consolidação
da jurisprudência e padronizar e unificar os atos processuais
praticados por todos os julgadores.
2-3- SUMULAS VINCULANTES –
As súmulas vinculantes são instrumentos jurídicos de extrema
importância para a garantia da segurança jurídica e para que as
https://www.aurum.com.br/blog/sumula-vinculante/
normas constitucionais sejam interpretadas e aplicadas de forma
uniformizada.
A súmula vinculante, no entanto, não apenas traz a
pacificação jurisprudencial a respeito de um tema, mas também
obriga todo o Poder Judiciário e a Administração Pública a seguir o
que foi determinado por ela.
É daí que vem o termo “vinculante”, uma vez que ela vincula
os demais órgãos do Judiciário e do Executivo a seguir o que for
apresentado por ela. Por ter esse poder normativo, então, a súmula
vinculante pode ser aplicada exclusivamente pelo Supremo Tribunal
Federal (STF).
Trata-se, portanto, de um dispositivo constitucional que
possibilita que a mais alta instância do Poder Judiciário crie normas
que possuem efeito de leis, tendo que ser cumpridas,
desempenhando, na matéria, o papel que é do Poder Legislativo.
A fundamentação está prevista na Carta Constitucional
vigente: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício
ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus
membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,
aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial,
terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder
Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou
cancelamento, na forma estabelecida em lei.”
Assim sendo, deu-se o poder ao Supremo Tribunal Federal
(STF) de estabelecer uma normativa para todo o Poder Judiciário e
Executivo, através da Administração Pública.
Embora esse poder normativo seja limitado (deve incidir
necessariamente sobre matéria constitucional), ele escapa da
divisão comum dos três poderes, uma vez que concede ao órgão
máximo do Judiciário a possibilidade de legislar sobre determinado
assunto.
Essa possibilidade é baseada não no direito clássico romano,
mas sim no direito norte-americano, onde em vários aspectos a
jurisprudência formada tem peso maior para a normatização de
ações judiciais do que a própria legislação.
Além da disposição constitucional, através do artigo 103-A, as
súmulas vinculantes são regulamentadas através da lei nº 11.417,
de 19 de dezembro de 2006, que regulamentou o artigo 103-A da
Carta Maior brasileira, além de outros artigos.
A súmula vinculante tem como principal objetivo unificar a
interpretação e aplicação do texto constitucional dentro do Poder
Judiciário e da Administração Pública em todas as suas esferas.
Ao pacificar um determinado tema constitucional por ofício ou
por pressão de terceiros, os ministros do STF acabam por
uniformizar a atuação do Judiciário, tornando-o mais coeso, dando
mais segurança jurídica às pessoas e limitando a atuação dos
demais juízes à interpretação soberana da Carta Maior.
FONTE:
https://www.projuris.com.br/blog/sumula-vinculante/#h-o-que-e-sum
ula-vinculante.

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