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<p>MÓDULO</p><p>O POLICIAL PENAL</p><p>E A SAÚDE</p><p>EM AMBIENTES</p><p>DE PRIVAÇÃO</p><p>DE LIBERDADE</p><p>UNIDADE 2</p><p>O policial penal</p><p>como agente</p><p>da promoção</p><p>da saúde</p><p>no ambiente</p><p>de privação</p><p>de liberdade</p><p>Andréia Ferreira de Souza</p><p>Renata Terumi Shiguematsu Yassuda</p><p>2</p><p>UNIDADE 2</p><p>O policial penal como agente da promoção</p><p>da saúde no ambiente de privação de liberdade</p><p>Olá, caro (a) cursista! O sistema carcerário é fechado, constitui uma rotina inten-</p><p>sa, apresenta circunstâncias que emergem no cenário complexo. Devido à</p><p>necessidade de proteção em função da exposição aos riscos, a segurança deve</p><p>ser vista em primeiro lugar, o que justifica o uso da estrutura rígida para manter</p><p>o controle dos indivíduos intramuros. No ambiente de privação de liberdade, o</p><p>policial penal é o profissional mais próximo das Pessoas Privadas de liberdade</p><p>(PPL). Vale destacar que esse precisa compreender a sua grande importância</p><p>como agente transformador. Pois assume na prática o papel de atuar para</p><p>promover a saúde, o bem-estar e hábitos mais saudáveis para a evolução e</p><p>melhoria dos quadros. Nesta unidade, enfatizaremos a necessidade do uso da</p><p>promoção da saúde pelo policial penal no ambiente de privação de liberdade.</p><p>Bons estudos!</p><p>Caro (a) aluno (a), convidamos você para ouvir uma narração da situação pro-</p><p>blema através do áudio, disponibilizado na Plataforma AVASUS. Vamos lá!</p><p>SITUAÇÃO PROBLEMA: Relações inerentes a profissão,</p><p>ressocialização e a cultura da humanização no ambiente prisional</p><p>Figura 1 - Acompanhamento do policial penal durante a prática da promoção</p><p>da saúde durante o atendimento realizado por profissionais da saúde</p><p>no ambiente de privação de liberdade.</p><p>Fonte: Gazeta do Norte. Disponível em: https://www.plantaoamazonense.com/seap-</p><p>-promove-mutirao-de-saude-mental-nas-unidades-prisionais/</p><p>3</p><p>AULA 1 - O policial penal</p><p>como agente reintegrador/</p><p>ressocializador dos presos e</p><p>internos do sistema carcerário</p><p>Caro (a) aluno (a), nesta aula, iremos apresentar a importância do poli-</p><p>cial penal como agente reintegrador/ressocializador das pessoas priva-</p><p>das de liberdade no sistema carcerário. Nosso objetivo será alcançado</p><p>se você conseguir compreender esse aspecto. Está preparado(a) para</p><p>conhecer um pouco mais sobre essa temática? Vamos lá!</p><p>A RESSOCIALIZAÇÃO NO AMBIENTE PRISIONAL</p><p>Prezado, iniciamos com o seguinte questionamento: É possível melhorar</p><p>as condições de vida nas prisões? Sabemos que os conceitos iniciais nos</p><p>trazem inúmeras reflexões. Você, enquanto profissional de segurança</p><p>que trabalham nas instituições carcerárias possuem inúmeras deman-</p><p>das inerentes a profissão. Uma delas é o papel como agente reintegra-</p><p>dor das Pessoas Privadas de Liberdade. Mas o que está fazendo para</p><p>contribuir com o processo de ressocialização?</p><p>Como vimos na reunião dos profissionais de segurança da nossa situ-</p><p>ação problema, a equipe de policiais penais da unidade prisional apre-</p><p>senta dificuldade em saber como contribuir para a ressocialização da</p><p>população que vive em privação de liberdade em penitenciárias.</p><p>Vale destacar que é imprescindível compreender o “sujeito” e o processo</p><p>de adoecimento de forma integral antes de reconhecer os riscos ou agra-</p><p>vos que o prejudicam no decorrer do período do cárcere, uma vez que o</p><p>olhar profissional com vistas a plenitude, proporciona a prática do cuidado</p><p>respeitando os amplos aspectos no meio coletivo (VIEGAS; PENNA, 2015).</p><p>A integralidade engloba o homem no meio social em que ele vive, bem</p><p>como todas as relações. Avaliando tal dimensão, a continuidade da</p><p>assistência é uma tarefa difícil, mas fundamental para perceber que não</p><p>podemos deixar de citar a epidemiologia, já que esta surge no ambien-</p><p>te carcerário. E como entender sua importância e contribuição? Vamos</p><p>compreender através da figura abaixo sobre esse processo.</p><p>4</p><p>Figura 2 - A Epidemiologia no sistema prisional.</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>Analisando a imagem do ponto de vista epidemiológico, é possível obser-</p><p>var claramente no sistema carcerário “intramuros” que a determinação</p><p>social influencia no processo saúde-doença. Todavia precisamos carac-</p><p>terizar a saúde como processo biológico ou natural. A população pri-</p><p>sional enfrenta múltiplas condições de iniquidade social justificada pela</p><p>necessidade gigante de mais serviços de saúde (ALVES et al., 2017).</p><p>O ambiente prisional é cercado por inúmeros fatores complexos que</p><p>contribuem para o adoecimento da população carcerária. Dentre eles</p><p>existe a carência de higiene pessoal, a má circulação de ar, a alimenta-</p><p>ção inapropriada, a vulnerabilidade, a restrição da assistência à saúde e</p><p>a rigidez estrutural, isolamento social, sedentarismo e a aglomeração,</p><p>culminando no surgimento de doenças. Vejamos a seguir uma imagem</p><p>que representa essa condição:</p><p>Surgimento</p><p>de Doenças</p><p>Sedentarismo</p><p>Isolamento</p><p>social</p><p>Aglomeração</p><p>Carência de</p><p>Higiene</p><p>Rigidez</p><p>Estrutural</p><p>Alimentação</p><p>Inapropriada</p><p>Vulnerabilidade</p><p>Má circulação</p><p>de Ar</p><p>Restrição da</p><p>Assistência à</p><p>Saúde</p><p>Figura 3 - Fatores Negativos que Influenciam Sobre a Saúde das Pessoas</p><p>Privadas de Liberdade no Ambiente de Privação de Liberdade</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>5</p><p>A figura acima denota os vários fatores negativos que influenciam dire-</p><p>tamente para o surgimento de doenças em PPL no sistema penitenciário</p><p>nacional. É possível reconhecer que o ambiente é um fator determinante</p><p>para a saúde do indivíduo. A manutenção da vida está associada a integri-</p><p>dade do sujeito.</p><p>Desse modo, o contexto é complicado. Identificar de fato quais são as pos-</p><p>síveis causas das doenças deve ser o objetivo central e a mínima associação</p><p>entre condições de saúde e fatores determinantes são vistos como insipien-</p><p>tes diante da compreensão notado nessa população (NOGUEIRA, 2010).</p><p>Atenção: O sistema carcerário brasileiro é um desafio para a</p><p>sociedade e o Estado. De acordo com o último levantamento</p><p>feito pelo Departamento Penitenciário Nacional, somente cerca</p><p>de 20% dos presos conseguem um emprego após deixarem</p><p>o presídio. Se você quiser saber um pouco mais sobre esse</p><p>assunto, assista o vídeo através do link a seguir:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=FiwaJ4oUbyI</p><p>Relembrando o assunto abordado sobre a Lei de Execução Penal (LEP)</p><p>de 1984, desde a sua criação assegura atendimento de saúde através</p><p>dos profissionais: médico, farmacêutico e odontológico aos privados de</p><p>liberdade. No entanto, houve a falta de recursos e investimentos por um</p><p>período prolongado e o cuidado integral acabou não atingindo os efeitos</p><p>esperados nas unidades prisionais (BRASIL, 1984).</p><p>O sistema prisional necessita urgentemente ser reformulado, o modelo</p><p>deve ser repensado. Assim, o termo “ressocialização” refere-se à humani-</p><p>zação do indivíduo enquanto recluso pelo sistema prisional (NUNEZ, 2019).</p><p>A seguir apresentaremos um vídeo do Prof. Dickson Cosseti que aborda</p><p>essa temática informando os principais desafios enfrentados diante do</p><p>regresso das PPL à sociedade. Que ao assistir você consiga adquirir conhe-</p><p>cimento, permitindo condições de melhorar a Ressocialização no Brasil.</p><p>Acesse o vídeo do Prof. Dickson Cosseti</p><p>Após assistir o vídeo explicativo sobre a temática em questão, é impor-</p><p>tante ressaltar que o sistema carcerário é uma organização firmada em</p><p>todo o território nacional, sob responsabilidade do Departamento Peni-</p><p>tenciário Nacional (DEPEN). Ainda para refletir sobre esse assunto, veja</p><p>abaixo a imagem onde consta os índices.</p><p>6</p><p>Figura 4 - Desafios enfrentados para a implementação da ressocialização no Brasil.</p><p>Fonte: Desenvolvimento do Potencial Humano, 29 de julho de 2019. Disponível em:</p><p>https://blog.ipog.edu.br/desenvolvimento-do-potencial-humano/ressocializacao/.</p><p>A figura acima mostra o cenário marcante pelo qual o país vivencia. Nela,</p><p>observamos que do total de presos 737.892 do sistema carcerário, ape-</p><p>nas 18,9% trabalham e cerca de 12,6% estudam. Os dados observados</p><p>evidenciam a dificuldade da ressocialização na prática. Segundo o Levan-</p><p>tamento exclusivo do G1 dentro do Monitor da Violência, uma parceria</p><p>com</p><p>o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasi-</p><p>leiro de Segurança Pública, em outras palavras, menos de 1/5 dos presos</p><p>trabalha no Brasil e 1 em cada 8 estuda. Outra circunstância é destacar</p><p>que uma forma de tratamento desumanizado irá influenciar na maneira</p><p>como os privados de liberdade vão reagir. Entretanto, a prisão precisa</p><p>ser um ambiente com finalidade de aprendizado e conscientização.</p><p>7</p><p>Fazendo uma análise sobre esse sistema no Brasil, observa-se</p><p>que ele é visto como um dos piores do mundo. Ocorre a super-</p><p>lotação, há falta de condições mínimas de higiene, propagação</p><p>de doenças infecto contagiosas, insalubridade, quantitativo</p><p>insuficiente de profissionais. Conheça mais sobre o tema.:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=3N0kqUkHoJ8</p><p>Após assistir o vídeo explicativo vemos que existe a necessidade de uma</p><p>melhor organização do sistema. Embora seja o Estado responsável pela cria-</p><p>ção de leis, sua implantação e aplicabilidade devem ser preservados os princí-</p><p>pios constitucionais que tratam da pena. São constatados que alguns disposi-</p><p>tivos constitucionais não são respeitados na Lei de Execução Penal, tendo em</p><p>vista o panorama atual do sistema prisional. A pena não combate ou previne</p><p>a criminalidade, ou seja, não fornece a segurança esperada pela sociedade.</p><p>Dessa forma, ressocializar visa readequar e reeducar as pessoas privadas da</p><p>liberdade para se adequarem às normas e condições impostas pela legisla-</p><p>ção. Nesse sentido, eles terão condições de reduzir a pena e sair do presídio</p><p>com algumas habilidades que trarão alguma renda (TAKEMIYA, 2015).</p><p>A finalidade da pena não é somente punir o condenado, mas também</p><p>recuperá-lo. O desenvolvimento de políticas públicas é um fator funda-</p><p>mental para que o Estado possa oferecer uma execução penal que adote</p><p>a estratégia de ressocialização do indivíduo (ROSSINI, 2015).</p><p>Conforme Takemiya (2015), a ressocialização de presos é tratada como</p><p>um princípio do Direito Penal no Brasil e configura uma vontade do cida-</p><p>dão. Na maioria dos países não é um objetivo do Direito Penal, já que o</p><p>objetivo principal é punir para evitar novos delitos.</p><p>A ressocialização de presidiários é sempre um assunto polêmico. Mas</p><p>há iniciativas importantes que precisam ser consideradas, em busca de</p><p>soluções efetivas para o quadro de segurança pública do país. Assista</p><p>Quando avaliamos o sistema prisional, nos deparamos com as seguintes</p><p>problemáticas: celas superlotadas, condições precárias e um processo</p><p>de tratamento desumanizado por se tratar de um ambiente extrema-</p><p>mente rígido. O Brasil é um dos países que mais encarcera pessoas no</p><p>mundo. Apesar dos entraves, alguns passos foram dados. Conforme vis-</p><p>to na aula 3 da unidade 1, a respeito da ética e a cultura da humanização</p><p>em ambiente de privação de liberdade, citamos a Associação de Prote-</p><p>ção ao Condenado (PAC), que propõe um modelo humanizado de siste-</p><p>ma penitenciário sem deixar de lado a finalidade punitiva das prisões.</p><p>8</p><p>aqui o vídeo do Prof. Jacoby comentando sobre os caminhos para rein-</p><p>tegração social citando alguns exemplos que acontecem, como no Rio</p><p>Grande do Norte e a recente medida do Ministério da Justiça e Segu-</p><p>rança Pública, para que cada estado ofereça um projeto para aplicação</p><p>de recursos em iniciativas que viabilizem a reintegração dos apenados,</p><p>resolvendo esse grave problema.</p><p>Acesse o vídeo do Prof. Jacoby</p><p>Vale destacar que pretendemos atingir mediante a efetivação e aplica-</p><p>bilidade das leis no decorrer da execução penal, o amplo respeito dos</p><p>direitos aos privados de liberdade, seguindo o princípio da legalidade e</p><p>cumprindo todas as medidas apropriadas com o compromisso de instru-</p><p>mentalizar a função de ressocializar a pena, com o intuito de reintegrá-</p><p>-los no meio social, objetivando uma pacificação coletiva (ASSIS, 2007).</p><p>É com essa proposta que encerramos a nossa primeira aula já convidando</p><p>você para aprofundar os conhecimentos sobre as principais relações</p><p>inerentes quanto a prática da profissão do policial penal, tema da nossa</p><p>próxima aula. Vamos lá?</p><p>9</p><p>AULA 2 - Identificando as</p><p>principais relações inerentes à</p><p>profissão de policial penal no</p><p>ambiente prisional</p><p>Caro (a) aluno (a), conforme abordamos na aula 1, o papel do policial</p><p>penal no ambiente de privação de liberdade é extremamente importan-</p><p>te para a reintegração dos internos na sociedade, porém necessita de</p><p>transformação do cenário atual. Vamos então, caracterizar as principais</p><p>relações inerentes à profissão de policial penal?</p><p>Bons estudos!</p><p>As relações profissionais no ambiente prisional</p><p>A atividade de trabalho do policial penal é cercada por vários fatores</p><p>complexos. A exemplo citamos o ambiente de tensão constante com</p><p>grupos de criminosos. Assim, estes usam estratégias e habilidades que</p><p>vão além das questões de segurança. Por se tratar de um lugar onde o</p><p>trabalho resulta na resolução de conflitos diários, torna a função extre-</p><p>mamente desgastante. Esses fatos atribuem ao profissional uma vida</p><p>restrita diante dos riscos constantes da atividade de trabalho. Embora os</p><p>gestores pouco façam para resolver os inúmeros problemas agravados</p><p>pelo tempo de exposição pessoal.</p><p>Falando sobre as relações durante o exercício profissional no ambiente</p><p>prisional, estas, necessitam do uso da ética visando estabelecer a inte-</p><p>ração entre as equipes de trabalho para que o ambiente seja favorável</p><p>e saudável. Nesse sentido, vamos pensar um pouco. Veja o vídeo abaixo</p><p>do Professor Marcus Garcia de Almeida falando a respeito desse assunto.</p><p>Assista agora o vídeo Professor Marcus Garcia de Almeida</p><p>A respeito do vídeo em questão, observa-se que as relações humanas</p><p>são influenciadas e determinadas pelos círculos sociais dos quais nós</p><p>participamos. O maior desafio é encontrar o equilíbrio entre todos eles.</p><p>Ressalta-se que aprender sobre as Relações Humanas no Trabalho opor-</p><p>tuniza o desenvolvimento, o trabalho produtivo e conduz a oportunida-</p><p>de de crescimento profissional. Então use os seus novos conhecimentos</p><p>para identificar o que realmente é saudável nas relações profissionais.</p><p>10</p><p>O sistema possui rotinas estabelecidas através de protocolos. Entretanto,</p><p>as equipes de saúde e segurança precisam interagir no ambiente laboral e</p><p>assegurar às PPL o acesso universal às ações de assistência básica à saúde</p><p>para a prevenção de doenças e acesso a tratamentos de saúde.</p><p>Além destes pontos, outro que deve ser avaliado é a mudança de com-</p><p>portamento individual do policial penal, devido a alguns hábitos do</p><p>ambiente de trabalho, pois muitos começam a agir de forma mais rígida</p><p>e impositiva, podendo tornar-se agressivo por tanto conviver com a vio-</p><p>lência no cotidiano.</p><p>Figura 5 - Processo de Atuação da Função do Policial Penal no Ambiente Prisional</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>O policial penal atua para manter a ordem e a disciplina nos estabeleci-</p><p>mentos penitenciários, e, diante das suas possibilidades, garantir uma</p><p>justa aplicação da Lei. É ele que está na linha de frente nos motins e</p><p>rebeliões, comuns nos presídios brasileiros, transporta os reeducandos</p><p>e trabalha sob pressão constantemente.</p><p>Estes trabalham no ambiente desgastante pois muitas vezes o número</p><p>de profissionais é insuficiente, acarretando a sobrecarga de trabalho. A</p><p>sensação de insegurança é constante. Uma rotina intensa de desgas-</p><p>te mental e psicológico tanto dentro quanto fora do sistema carcerário,</p><p>pois a convivência diária com os encarcerados trás o risco a exposição.</p><p>Caro (a) aluno (a), trouxemos um vídeo explicativo para auxiliá-lo na com-</p><p>preensão dos riscos diários que acometem a rotina do servidor peniten-</p><p>ciário no sistema prisional. É importante que assista.</p><p>11</p><p>Acesse o vídeo sobre a Rotina do Servidor Penitenciário no Sistema</p><p>Prisional. Nele você encontrará as informações necessárias.</p><p>Rotina do Servidor Penitenciário no Sistema Prisional</p><p>O vídeo acima retrata a fragilidade da rotina enfrentada por profissionais</p><p>no setor de trabalho, enfatizando a necessidade de compreender melhor</p><p>o cenário,</p><p>pois seguir as normas estabelecidas proporcionará um ambien-</p><p>te mais seguro.</p><p>Estamos finalizando a nossa aula 2. Na próxima aula, vamos nos familia-</p><p>rizar com o Sistema Único de Saúde como política pública que assegura</p><p>aos cidadãos o direito à saúde por meio da integralidade da assistência.</p><p>Até breve!</p><p>12</p><p>AULA 3 - O sistema que</p><p>assegura o direito à saúde</p><p>do policial penal</p><p>Caro (a) cursista, considerando que você estudou as principais relações</p><p>inerentes à profissão de policial penal, bem como se instrumentalizou a</p><p>Identifica-las, te convidamos a refletir agora sobre as singularidades que</p><p>envolvem a saúde do profissional de segurança no ambiente prisional.</p><p>Nesta aula abordaremos o sistema que assegura o direito à saúde do</p><p>policial penal. Vamos lá!</p><p>Na aula 2, apresentamos as relações inerentes a profissão. Vamos apren-</p><p>der sobre o conceito de saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS). Você</p><p>vai conhecer as interfaces e alguns aspectos da história da saúde pública.</p><p>Mas o que é saúde para você?</p><p>Conhecendo o Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>Durante muito tempo, a saúde foi entendida simplesmente como o esta-</p><p>do de ausência de doença. Segundo o conceito da Organização mundial</p><p>da Saúde (OMS), é o estado do mais completo bem-estar físico, mental</p><p>e social, e não somente a ausência de doenças. Agora que já sabemos</p><p>como o conceito de saúde é complexo, que tal construirmos uma ideia a</p><p>partir de suas vivências?</p><p>Entende-se por sistema de saúde um conjunto integrado de ações e</p><p>serviços de iniciativa do poder público com características sociais, com</p><p>enfoque coletivo. Logo abaixo estão descritos alguns dos principais mar-</p><p>cos históricos da saúde pública brasileira para consulta após a 8ª Confe-</p><p>rência Nacional de Saúde quando o SUS ganhou forma. Boa leitura!</p><p>LINHA DO TEMPO - HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL</p><p>Caro (a) aluno (a), agora que você conhece um pouco do panorama his-</p><p>tórico da saúde brasileira, vamos aprofundar sobre este assunto?</p><p>Um marco histórico da saúde pública no Brasil foi a garantia da saúde</p><p>como direito de todos os cidadãos e dever do Estado, conforme preco-</p><p>niza a Constituição Federal de 1988 no artigo 196 e a criação do Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS), garantido, mediante as políticas sociais e econô-</p><p>micas, a redução de riscos ou outros agravos à saúde com acesso uni-</p><p>versal e igualitário às ações e serviços de saúde (BRASIL, 1990).</p><p>13</p><p>Art. 196: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido</p><p>mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução</p><p>do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal</p><p>e igualitário às ações e aos serviços para sua promoção, pro-</p><p>teção e recuperação.</p><p>A implantação do SUS foi realizada de forma gradual, por meio de suas</p><p>Leis Orgânicas. Você as conhece? Veja o quadro sobre as legislações.</p><p>Lei nº 8.080,</p><p>de 19 de setembro de 1990</p><p>Lei nº 8.142,</p><p>de 28 de dezembro de 1990</p><p>Dispõe sobre as condições para</p><p>a promoção, proteção e recu-</p><p>peração da saúde, bem como a</p><p>organização e o funcionamento</p><p>dos serviços.</p><p>Dispõe sobre a participação da</p><p>comunidade na gestão SUS e</p><p>suas transferências de recursos</p><p>financeiros na área da saúde.</p><p>Para ajudar na sua compreensão, separamos um vídeo sobre os princí-</p><p>pios do SUS. Veja o vídeo para tornar a fixação do conteúdo mais fácil.</p><p>Assista pelo link:</p><p>Assista ao vídeo sobre os Princípios do SUS</p><p>Após assistir o vídeo dos princípios organizativos do SUS - aprendendo</p><p>com exemplos, vemos que sua organização ocorre em todo o território</p><p>nacional, sob responsabilidade autônoma nas três esferas do governo:</p><p>federal, estadual e municipal (BRASIL, 1990).</p><p>O art. 198 da Constituição Federal prevê como diretrizes do SUS: “I - des-</p><p>centralização, com direção única em cada esfera de governo; II - aten-</p><p>dimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem</p><p>prejuízo dos serviços assistenciais; e III - participação da comunidade”</p><p>(BRASIL, 2020, p.105).</p><p>Considerando a história da saúde pública e o cenário atual, como você</p><p>analisa a política de saúde brasileira? Na sua opinião, os princípios do</p><p>SUS são aplicados?</p><p>14</p><p>Os diferentes cenários compreendem a saúde pública brasileira. Nessa</p><p>perspectiva, convidamos você a assistir o documentário: História da saúde</p><p>pública no Brasil - um século de luta pelo direito à saúde, que resume de</p><p>forma criativa os principais marcos da saúde pública brasileira. Assistir a</p><p>esse vídeo oportuniza à compreensão da trajetória histórica da saúde públi-</p><p>ca. Além disso, proporcionará importantes reflexões sobre o atual cenário</p><p>político. Tente elencar os principais aspectos que considera importantes.</p><p>Assista ao vídeo sobre a História da saúde pública no Brasil</p><p>- um século de luta pelo direito à saúde</p><p>Constatamos que história da saúde pública no país sempre foi marca-</p><p>da pela sucessiva falta de prioridade financeira e inúmeras diferenças</p><p>sociais. Continuamos procurando atender as demandas e enfrentar os</p><p>problemas. Apesar dos muitos avanços e conquistas, continuamos na</p><p>busca de soluções.</p><p>O SUS foi criado para atender às necessidades de saúde do indivíduo de</p><p>maneira integral. Assim, através de parâmetros determinados pela Organi-</p><p>zação Mundial da Saúde (OMS), sua finalidade é proteger, restaurar e man-</p><p>ter a saúde da população. Vamos conhecer cada um dos níveis de atenção?</p><p>A Atenção Primária é a porta de entrada para o sistema a grupos popu-</p><p>lacionais em uma área de abrangência delimitada bem como para os</p><p>níveis de maior complexidade.</p><p>Na média complexidade do atendimento são realizados exames mais</p><p>detalhados para um diagnóstico preciso e tratamento adequado. É onde</p><p>estão as Clínicas, Unidades de Pronto Atendimento e Hospitais Escolas</p><p>que dão conta de alguns procedimentos de intervenção, bem como tra-</p><p>tamentos a casos crônicos e agudos de doenças.</p><p>A alta complexidade compreende os Hospitais de Grande Porte, onde</p><p>são realizadas manobras mais invasivas e de maior risco à vida.</p><p>O atendimento através Sistema Único de Saúde é garantido a qualquer</p><p>cidadão. As ações e serviços prestados ocorrem seguindo o modelo</p><p>baseado na hierarquização. Desta forma, apresentaremos a seguir uma</p><p>imagem dos Níveis de Atenção do SUS.</p><p>15</p><p>Figura 6 - Os Níveis de Atenção do Sistema Único de Saúde.</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>O SUS promove a realização de consultas, exames e internações. A assis-</p><p>tência envolve o atendimento nos diferentes níveis de complexidade de</p><p>acordo com a necessidade, dando ênfase a solução dos problemas de</p><p>saúde conforme abaixo:</p><p>• Primário - responsável por resolver 80% dos problemas de saúde;</p><p>• Secundário - resolvem 15% dos problemas;</p><p>• Terciário - resolutividade de 5% dos casos.</p><p>O Sistema Único de Saúde é o sistema público de saúde brasi-</p><p>leiro, sendo um dos sistemas mais complexos e abrangentes</p><p>do mundo. Visando o seu aprendizado a respeito do funcio-</p><p>namento do SUS, estamos disponibilizando um vídeo para a</p><p>sua melhor compreensão. Se você quiser saber mais assista</p><p>ao vídeo sobre o tema clicando no link: https://www.youtube.</p><p>com/watch?v=ojXoMaPW2og</p><p>16</p><p>Caro (a) cursista, você já tem conhecimento sobre o sistema que garante</p><p>o direito à saúde mediante a Constituição Federal. A partir de agora, você</p><p>sabe onde procurar atendimento caso necessite de assistência. Levando</p><p>em consideração a sua realidade profissional e pessoal, reflita sobre o</p><p>atendimento à saúde de um indivíduo.</p><p>Você já aprendeu sobre o SUS, sistema que assegura o atendimento</p><p>integral garantido pela Constituição Federal. Nesse sentido, após as con-</p><p>siderações sobre a aula, deixamos duas questões para reflexão: o poli-</p><p>cial penal realiza o cuidado em saúde? Como se dá essa procura por</p><p>atendimento? Até a próxima aula. A seguir, iremos identificar o caminho</p><p>a percorrer em situação de doença no sistema carcerário. Até breve!</p><p>17</p><p>AULA 4 - Identificar o caminho</p><p>a percorrer em situação</p><p>de doença no cárcere</p><p>Olá, cursista! Esta é a última aula da unidade 2. Vamos dar continuida-</p><p>de? Assumindo o compromisso ético-político com a garantia</p><p>dos direitos</p><p>humanos e com a redução dos danos dos efeitos do encarceramento, a</p><p>pergunta mais óbvia e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser respondida</p><p>é: como reduzir o sofrimento daqueles que estão mais vulneráveis? Qual</p><p>é o caminho a percorrer em situação de doença no cárcere?</p><p>Na aula anterior, apresentamos o conceito de saúde e SUS. Também</p><p>refletimos sobre os diferentes contextos que envolvem a nossa realida-</p><p>de. A seguir, discutiremos brevemente sobre a criação da Política Nacio-</p><p>nal de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no</p><p>Sistema Prisional (PNAISP), atendimento à saúde e como identificar o</p><p>caminho a seguir em situação de doença no sistema prisional.</p><p>Vamos iniciar? Bons estudos!!</p><p>O atendimento à saúde no ambiente prisional</p><p>A PNAISP trouxe vários avanços na atenção a população vulnerável, ten-</p><p>do em vista a previsão de ampliação das ações de saúde do SUS. Essa foi</p><p>criada para atender às necessidades da população privada de liberdade.</p><p>É fundamentada nos princípios da integralidade e da intersetorialidade,</p><p>com foco no plano normativo, porém o grande desafio é assegurar o</p><p>direito constitucional mediante a efetividade da assistência à saúde da</p><p>população carcerária (CARVALHO, 2017).</p><p>Como vimos na aula 1 da unidade 1, no que se refere a Lei da Execu-</p><p>ção Penal (LEP) nº 7.210 de 1984, é a primeira legislação que garante a</p><p>assistência à saúde de caráter preventivo e curativo. Antes da criação da</p><p>PNAISP, esta assegura atendimento médico, farmacêutico e odontológi-</p><p>co com ações pontuais. Lembramos que se iniciou o processo de demo-</p><p>cratização a partir da Constituição Federal de 1988 pela qual, a saúde é</p><p>um direito de todo e qualquer cidadão e dever do Estado, incluindo-se</p><p>também os que vivem em privação de liberdade (BARSAGLINI, 2016).</p><p>Caro (a) aluno (a), agora como que você já tem o conhecimento de que</p><p>o direito à saúde é uma garantia constitucional, falaremos, a partir de</p><p>agora, do direito do privado de liberdade à assistência à saúde e os cami-</p><p>nhos para o atendimento.</p><p>18</p><p>Atenção: Nessa perspectiva do “direito à saúde”, Barsaglini</p><p>(2016) denota o seu entendimento informando que:</p><p>A proposição do SUS incluía a saúde das PPL pelo</p><p>princípio da universalidade, mas ainda timida-</p><p>mente. Significativo impulso adveio de sua insti-</p><p>tucionalização, ao ser focalizada pelas publicações</p><p>das Portarias Interministeriais (Saúde e Justiça) nº</p><p>668/2002 (revogada, conforme o autor explica) e</p><p>nº 1.777/2003, que instituíram o Plano Nacional de</p><p>Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), vigente de</p><p>2002 a 2013 e, recentemente, pela Política Nacional</p><p>de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas</p><p>de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), em</p><p>2014 (BARSAGLINI, 2016, p. 1430).</p><p>Mas por que foi criada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde</p><p>das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP)?</p><p>Vamos aprender agora?</p><p>Veja a seguir sobre o surgimento da política pública que assegura o aten-</p><p>dimento da população privada de liberdade do sistema prisional.</p><p>Compreendendo os aspectos fundamentais</p><p>da política nacional de atenção integral a saúde</p><p>das pessoas privadas de liberdade</p><p>A superação dos desafios atribuídos pela condição de confinamento, difi-</p><p>culta a efetivação das políticas públicas e consequentemente o acesso</p><p>às ações e serviços de saúde das pessoas privadas de liberdade. Então,</p><p>com base nessa consequência da desconformidade por parte na falta de</p><p>atendimento integral e efetividade da assistência, gerou a implicação por</p><p>parte do governo e a cobrança para a elaboração de uma política voltada</p><p>a atender às demandas do sistema carcerário.</p><p>Diante da necessidade estabelecida pelo cenário marcante do sistema</p><p>prisional, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção</p><p>Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional</p><p>(PNAISP), pela qual foi instituída através da Portaria Interministerial nº 1,</p><p>de 2 de janeiro de 2014, objetivando a ampliação das ações de saúde no</p><p>19</p><p>âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) para os privados de liberdade.</p><p>É importante destacar que cada Unidade Básica de Saúde (UBS) prisional</p><p>passa a ser visualizada como ponto de atenção da Rede de Atenção à</p><p>Saúde (RAS) (BRASIL, 2014).</p><p>Esta nasceu da prática de avaliação de caráter eficaz dos dez anos de</p><p>aplicação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP).</p><p>Observa-se que se constatou o esgotamento desse modelo mostrando-</p><p>-se extremamente restrito por não contemplar em seu escopo ações que</p><p>favorecessem a totalidade do sistema carcerário (CARVALHO, 2017).</p><p>Assim, o plano se integra ao princípio da universalidade ofertando o</p><p>acesso aos demais níveis de atenção à saúde. Entretanto, o foco princi-</p><p>pal era a redução de riscos, prevenção de agravos e doenças com limita-</p><p>ções na atenção integral à saúde (BARSAGLINI, 2016).</p><p>Com base nessa afirmação, Lermen et al. (2015, p. 913) denota seu enten-</p><p>dimento a respeito do plano considerando que:</p><p>É relevante mencionarmos ainda que, apesar dos inúmeros avanços</p><p>alcançados através da implementação do PNSSP, como já discutimos,</p><p>ainda não é abrangida a totalidade das pessoas privadas de liberda-</p><p>de, pois as ações estão voltadas unicamente à população penitenciá-</p><p>ria, deixando descoberta a parte restante do sistema prisional.</p><p>A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de</p><p>Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) representa um excelente avan-</p><p>ço ofertando cuidado à saúde da população prisional, com ampliação</p><p>voltada a assistência e a garantia de direitos sociais (BRASIL, 2014b).</p><p>Constituem-se como diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à</p><p>Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PANAISP):</p><p>• Promoção da cidadania e inclusão das pessoas privadas de liberdade por meio</p><p>da articulação com os diversos setores de desenvolvimento social, como edu-</p><p>cação, trabalho e segurança;</p><p>• Atenção integral resolutiva, contínua e de qualidade às necessidades de saúde</p><p>da população privada de liberdade no sistema prisional, com ênfase em ativi-</p><p>dades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;</p><p>• Controle e/ou redução dos agravos mais frequentes que acometem a popula-</p><p>ção privada de liberdade no sistema prisional;</p><p>• Respeito à diversidade étnico-racial, às limitações e às necessidades físicas e</p><p>mentais especiais, às condições econômico sociais, às práticas e concepções</p><p>culturais e religiosas, ao gênero, à orientação sexual e à identidade de gênero;</p><p>• Intersetorialidade para a gestão integrada e racional e para a garantia do direi-</p><p>to à saúde.</p><p>20</p><p>O objetivo geral da PNAISP é garantir o acesso das pessoas privadas de</p><p>liberdade do sistema prisional ao cuidado integral do SUS, que deverá</p><p>ocorrer através da Rede de Atenção à Saúde (RAS).</p><p>Atenção: A formação das Equipes de Atenção Básica no Sistema</p><p>Prisional (EABP) é constituída de acordo com alguns critérios</p><p>como: número de privados de liberdade por unidade prisional;</p><p>Vinculação dos serviços de saúde a uma unidade básica de</p><p>saúde no território; Demandas referentes à saúde mental.</p><p>Para o seu entendimento, apresentaremos um quadro caracterizando</p><p>os tipos de Equipe de Atenção Básica Prisional (EABP).</p><p>Tipo de Equipe Composição Mínima Número de PPL Carga Horária</p><p>Equipe de Atenção</p><p>Básica Prisional tipo I</p><p>(EABP I)</p><p>médico, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem, cirur-</p><p>gião dentista, técnico ou auxiliar de saúde bucal.</p><p>Até 100 pessoas 6 horas semanais</p><p>Equipe de Atenção</p><p>Básica Prisional tipo II</p><p>(EABP II)</p><p>médico, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem, cirur-</p><p>gião dentista, técnico ou auxiliar de saúde bucal, psicólogo,</p><p>assistente social e um profissional de nível superior dentre</p><p>as seguintes ocupações: fisioterapia, psicologia, assistência</p><p>social, farmácia, terapia ocupacional, nutrição ou enfermagem</p><p>101 a 500 pessoas</p><p>20 horas semanais, ficando</p><p>a cardo do gestor a distribui-</p><p>ção da carga horária de cada</p><p>profissional, não podendo ser</p><p>inferior</p><p>a 10 horas semanais.</p><p>Equipe de Atenção</p><p>Básica Prisional tipo III</p><p>(EABP III)</p><p>médico, enfermeiro, um técnico ou auxiliar de enfermagem,</p><p>um cirurgião dentista, técnico ou auxiliar de saúde bucal,</p><p>psicólogo, assistente social e um profissional de nível supe-</p><p>rior dentre as seguintes ocupações: fisioterapia, psicologia,</p><p>assistência social, farmácia, terapia ocupacional, nutrição ou</p><p>enfermagem, acrescida, necessariamente, da equipe de saú-</p><p>de mental.</p><p>501 a 1.200 pessoas</p><p>30 horas semanais, ficando</p><p>a cardo do gestor a distribui-</p><p>ção da carga horária de cada</p><p>profissional, não podendo ser</p><p>inferior a 10 horas semanais.</p><p>Quadro 7 - Caracterização dos Tipos de Equipe de Atenção Básica Prisional (EABP).</p><p>Fonte: Brasil (2014a).</p><p>Poderá ser acrescentada as equipes tipo I e II uma equipe de saúde mental, conforme a análise epidemiológica da uni-</p><p>dade prisional. Esta consistirá em, no mínimo, um médico psiquiatra ou que possua experiência em saúde mental e</p><p>mais dois profissionais das funções: fisioterapeuta, psicólogo, assistência social, farmacêutico, terapeuta ocupacional ou</p><p>enfermeiro (BRASIL, 2014 a).</p><p>22</p><p>Para compreender um pouco mais as funções da Atenção Básica</p><p>(porta de entrada) nas Redes de Atenção à Saúde, acesse o</p><p>link a seguir: https://aps.saude.gov.br/smp/smprasfuncoesab.</p><p>Assim, você encontrará os possíveis caminhos a percorrer na</p><p>Atenção Primária à Saúde (APS).</p><p>Leitura complementar</p><p>Desta forma, o profissional precisa conhecer o caminho a seguir diante</p><p>da necessidade de atendimento à saúde dos privados de liberdade no</p><p>sistema prisional, pois é fundamental manter a comunicação direta com</p><p>os membros da equipe de saúde e as instâncias da rede de atenção.</p><p>Apresentamos uma figura que identifica as Funções do Policial Penal no</p><p>ambiente prisional para o seu melhor entendimento.</p><p>Figura 7 - Funções do Policial Penal no ambiente prisional</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>Caro (a) aluno (a), vamos ressaltar no caminho a percorrer em situação</p><p>de doença no cárcere. Para isso, você vai conhecer um pouco das redes</p><p>de assistência à saúde. O nosso objetivo é alcançar a integralidade dire-</p><p>cionada às necessidades da população privada de liberdade.</p><p>23</p><p>Começamos com o Decreto nº 7.508, de 28 de julho de 2011 que regula-</p><p>menta a Lei nº 8.080/90, definindo o acesso universal, igualitário e orde-</p><p>nado às ações e serviços de saúde iniciando pela porta de entrada do</p><p>SUS e continuando o acesso na rede regionalizada e hierarquizada. Vale</p><p>salientar que a atenção básica deve contribuir com o funcionamento das</p><p>Redes de Atenção à Saúde cumprindo as funções: base; resolutiva; coor-</p><p>denar o cuidado; ordenar as redes (BRASIL, 2011a).</p><p>O Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), instituído</p><p>pela Portaria Interministerial n° 1.777/2003 prevê a inclusão da popu-</p><p>lação penitenciária no SUS. As ações e os serviços de saúde definidos</p><p>pelo Plano Nacional são consoantes com os princípios e as diretrizes do</p><p>SUS. O garantindo que o direito à cidadania se efetive na perspectiva dos</p><p>direitos humanos (BRASIL, 2005).</p><p>As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos que organizam de ações</p><p>e serviços de saúde integradas por meio de sistemas de apoio técnico,</p><p>logístico e de gestão que visam garantir o cuidado integral (BRASIL, 2010).</p><p>Essas redes integradas prestam serviços de saúde e se caracterizam por</p><p>focar nas necessidades de saúde da população; coordenar e integração</p><p>o cuidado através do atendimento; integrar sistemas de informação que</p><p>interliguem consumidores, prestadores e pagadores através de uma linha</p><p>de cuidados; prestar informações sobre custos dos serviços, qualidade dos</p><p>atendimentos e satisfação dos usuários; utilizar incentivos financeiros e</p><p>estruturas organizacionais para alinhar o governo, gestores e profissionais</p><p>de saúde; e contínua melhoria dos serviços prestados (MENDES, 2010).</p><p>O Ministério da Saúde, por meio da Portaria nº 4.279/10, estabelece as</p><p>diretrizes para a organização das Redes de Atenção (RAS) à saúde no</p><p>âmbito SUS. A implementação das RAS aponta para uma maior eficácia</p><p>durante a produção de saúde, melhorando o nível de eficiência da ges-</p><p>tão do sistema de saúde, contribui para o avanço. Seu objetivo é promo-</p><p>ver a integração sistêmica de ações e serviços de saúde com provisão de</p><p>atenção de qualidade, de forma contínua, integral, responsável, humani-</p><p>zada incrementando o desempenho do sistema em termos de acesso e</p><p>equidade (BRASIL, 2010).</p><p>24</p><p>As RAS constituem-se como atual estratégia de orientação e</p><p>organização das ações e serviços do SUS. Se ficou interessado</p><p>saber um pouco mais sobre esse assunto, assista ao vídeo sobre</p><p>o tema para conhecer o caminho a percorrer em situação de</p><p>doença no cárcere. Obtenha acesso pelo link a seguir: https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=v6YH8yhn0O4.</p><p>Caro (a) aluno (a), depois de assistir ao vídeo espero que tenha compreen-</p><p>dido a importância de conhecer o processo de organização das Redes de</p><p>Atenção à Saúde para que a assistência seja mais efetiva proporcionando</p><p>o fortalecimento da Atenção Básica e a superação da sua fragmentação.</p><p>Figura 8 - Descrição do Conceito das Redes de Atenção à saúde no SUS (RAS)</p><p>no Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>Fonte: Linhas de Cuidado em enfermagem. Disponível em: https://unasus2.moodle.</p><p>ufsc.br/pluginfile.php/6023/mod_resource/content/3/un01/top01p03.html</p><p>25</p><p>Geralmente nas prisões as condições de vida são precárias. Em alguns</p><p>locais existem dificuldades estruturais como deficiências de alojamen-</p><p>tos, umidade excessiva, falta de circulação do ar, alimentação insufi-</p><p>ciente, más condições de higiene, odores o que origina a propagação de</p><p>doenças Além das doenças do corpo, as unidades auxiliam ainda mais</p><p>para o desenvolvimento de doenças psicológicas, tais como depressão,</p><p>demência e esquizofrenias (ROSSINI, 2015).</p><p>Finalizamos, assim, esta aula e a unidade 2, destacando o conhecimento</p><p>da prática da promoção da saúde pelo policial penal no sistema carcerá-</p><p>rio. Na próxima unidade, abordaremos a saúde mental, trazendo refle-</p><p>xões acerca da necessidade de identificar as principais doenças psicos-</p><p>sociais e agravos à saúde dos policiais penais no exercício da profissão.</p><p>Vamos seguir os estudos!</p><p>ATIVIDADE AVALIATIVA UNIDADE 2</p><p>26</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALVES, J. P. et al. 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