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<p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 O CONCEITO DE IDADE MÉDIA ............................................................... 3</p><p>1.1 A Cronologia da Idade Média ............................................................... 4</p><p>1.2 Os Elementos da Transição da Idade Antiga para a Idade Média ....... 5</p><p>2 CONHECENDO AS FONTES DA HISTÓRIA ............................................. 8</p><p>3 O ISLAMISMO: MAOMÉ, ORGANIZAÇÃO DA RELIGIÃO E</p><p>IMPORTÂNCIA PARA O EXPANSIONISMO, LEGADO CULTURAL. ...................... 11</p><p>3.1 Maomé e as Origens do Islamismo .................................................... 11</p><p>3.2 A Expansão do Islã ............................................................................ 12</p><p>4 AS TRANSFORMAÇÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS E SOCIAIS DA</p><p>ALTA IDADE MÉDIA ................................................................................................. 14</p><p>4.1 Recuperação Econômica ................................................................... 15</p><p>4.2 Os Elementos Formadores do Feudalismo ........................................ 16</p><p>4.3 Questão da Terra na Idade Média ...................................................... 18</p><p>4.4 Os senhores ....................................................................................... 18</p><p>4.5 Os trabalhadores ................................................................................ 18</p><p>4.6 Os Domínios e os senhorios: A Divisão Interna ................................. 19</p><p>5 A SOCIEDADE FEUDAL .......................................................................... 20</p><p>6 O Renascimento COMERCIAL URBANO ................................................. 21</p><p>6.1 Renascimento Comercial ................................................................... 21</p><p>6.2 Renascimento Urbano ........................................................................ 23</p><p>7 A CULTURA MEDIEVAL E A INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA ....... 24</p><p>7.1 Educação ........................................................................................... 24</p><p>8 LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................... 27</p><p>9 RESUMO .................................................................................................. 27</p><p>10 A QUESTÃO ECONÔMICA ................................................................... 28</p><p>11 A QUESTÃO MILITAR ........................................................................... 30</p><p>2</p><p>12 A QUESTÃO RELIGIOSA ..................................................................... 32</p><p>13 CONCLUSÃO ........................................................................................ 34</p><p>14 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 35</p><p>3</p><p>1 O CONCEITO DE IDADE MÉDIA</p><p>Fonte: www.colegioweb.com.br</p><p>Durante muito tempo a Idade Média ficou conhecida como Idade das Trevas.</p><p>Isto significa dizer que ela não teria trazido nenhuma contribuição para a história do</p><p>mundo, em especial do Ocidente. Teria sido um período dominado pela barbárie e</p><p>pela cegueira do conhecimento. Os homens que construíram este conceito sobre a</p><p>Idade Média buscaram condena-la em todos os aspectos que caracterizaram a vida</p><p>social da mesma: a arte sob influência de povos ditos bárbaros, a vida social e política</p><p>organizada segundo os parâmetros da fé católica, dentre outros fatores.</p><p>No século XVI, os renascentistas estavam desenvolvendo um novo conceito de</p><p>arte baseada no que havia sido produzido no mundo greco-romano. Para estes, a</p><p>Idade Média, ao admitir outras influências sobre a sua arte, além da clássica, acabou</p><p>por barbarizá-la, daí designarem a arte deste período como gótica. Foram alguns</p><p>destes homens que primeiro utilizaram os termos “Idade Média” e “Idade das Trevas”.</p><p>Nos séculos posteriores, o XVII e o XVIII, os intelectuais racionalistas, os</p><p>protestantes, os burgueses e os iluministas acrescentaram novas críticas ao período</p><p>e ampliaram ainda mais a visão negativa da Idade Média.</p><p>Os historiadores do século XX, movidos pelo desejo de compreender o homem</p><p>do passado em seu próprio tempo, desenvolveram métodos e novas teorias que, ao</p><p>serem aplicadas ao estudo da Idade Média, levaram-nos a compreender a riqueza da</p><p>produção cultural deste período e a forma como o mesmo influenciou na construção</p><p>da Europa Ocidental. Seus estudos têm revelado a importante contribuição étnica,</p><p>linguística, política, cultural que estas sociedades legaram para o mundo europeu</p><p>moderno.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>4</p><p>1.1 A Cronologia da Idade Média</p><p>Fonte: jogadorpensante.com</p><p>Neste tópico adotamos uma cronologia que consideramos mais completa,</p><p>conforme nos alerta o autor do texto em que a extraímos, Hilário Franco Júnior, por</p><p>trabalhar com a concepção de história como resultado de um processo e não de fatos</p><p>isolados (Franco Júnior, 2001, p. 14-17). Este autor divide o período que compreende</p><p>os séculos IV a meados do XVI em quatro momentos distintos que trazem uma relativa</p><p>coesão interna:</p><p>PRIMEIRA IDADE MÉDIA (séculos IV-VIII): é o período de encontro entre os</p><p>elementos que vão fundamentar as sociedades medievais – a herança romana, a</p><p>herança germânica e o Cristianismo.</p><p>ALTA IDADE MÉDIA (séculos VIII-X): período de alianças entre o poder</p><p>germânico e a Igreja, que culminou no Império Carolíngio, marcado pela recuperação</p><p>econômica e pela expansão territorial e cristã.</p><p>IDADE MÉDIA CENTRAL (séculos XI-XIII): período de apogeu da Idade Média,</p><p>onde vigoram em sua máxima expressão o feudalismo, o renascimento urbano e</p><p>comercial, as artes, o poder da Igreja, dentro outros fatores.</p><p>BAIXA IDADE MÉDIA (Séculos XIV-XVI): período de crise, marcado por</p><p>guerras, pestes e fome, pela recessão demográfica e monetária. Mas também se</p><p>gestam os valores e as transformações do mundo moderno como a reforma</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>5</p><p>protestante, os descobrimentos, o renascimento artístico e cultural, numa resposta à</p><p>crise do início do período.</p><p>1.2 Os Elementos da Transição da Idade Antiga para a Idade Média</p><p>Fonte: www.google.com.br</p><p>Pode-se verificar que os romanos conquistaram praticamente toda a região ao</p><p>redor do Mar Mediterrâneo, consolidando um Império em que este foi seu eixo</p><p>principal. Uma das mais significativas mudanças operadas na Europa Ocidental com</p><p>a decadência do Império e o início da Idade Média foi o deslocamento do centro da</p><p>sua vida social para o norte, sobrevivendo durante alguns séculos num ritmo de vida</p><p>em que o mar, a vida urbana e as relações comerciais deixaram de ter na região a</p><p>referência que tinham durante o mundo antigo.</p><p>A decadência do mundo romano é atribuída a diferentes fatores, e aqui</p><p>destacaremos alguns dos que consideramos mais significativos:</p><p>Pax Romana: o fim das guerras de conquistas e de ampliação do Império põe</p><p>fim aos recursos representados pelos saques e a fácil obtenção da mão-de-obra</p><p>escrava, que desenvolvia o trabalho produtivo.</p><p>Elevação do sistema tributário, para a manutenção do Estado, afetando os</p><p>pequenos proprietários de terras e levando a concentração da riqueza e de poder aos</p><p>grandes latifundiários.</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>6</p><p>Declínio do comércio e da vida urbana, movimento de ruralização.</p><p>Como podemos ver, o Império Romano estava vivendo um grave momento de</p><p>declínio interno quando se soma a estes fatores a invasão dos povos germânicos na</p><p>sua parte ocidental. Os povos germânicos invadiram a Europa Ocidental em dois</p><p>momentos distintos:</p><p>Uma primeira geração - visigodos, suevos, burgúndios, ostrogodos e vândalos</p><p>– ocupa diferentes territórios da Europa ocidental a partir de 406. Os visigodos e</p><p>suevos fixaram-se</p><p>na Península Ibérica organizando reinos na região. O que mais</p><p>sobreviveu foi o dos visigodos, que foi destruído pelos árabes em 711. Os ostrogodos</p><p>fixaram-se na península itálica sofrendo no século VI as ameaças do Império Bizantino</p><p>e depois com as invasões de lombardos. Os vândalos fixaram-se e organizaram um</p><p>reino no norte da África e os burgúndios no centro da Europa.</p><p>Segunda geração de invasores – anglo-saxões, francos, alamanos, bávaros –</p><p>ocupam a área da Grã-Bretanha, Gália e outros territórios do centro europeu a partir</p><p>da segunda metade do século V. Composta de povos pagãos e conservando o contato</p><p>com a pátria-mãe germânica tiveram mais oportunidade de estabilidade, graças à</p><p>conversão ao catolicismo, o que facilitou o contato com os romanos, além de se</p><p>caracterizarem pela superioridade militar.</p><p>Fonte: 4.bp.blogspot.com</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>7</p><p>O Cristianismo, por outro lado, veio se desenvolvendo de forma significativa ao</p><p>longo deste período. Em 313, o Imperador Constantino, através do Édito de Milão,</p><p>tornou o</p><p>Cristianismo uma religião livre de perseguições e em 380 o Imperador Teodósio</p><p>transformou o Cristianismo em religião oficial do império através do Édito de</p><p>Tessalônica. A partir de então, a religião cresceu em número de adeptos, vindos de</p><p>diferentes grupos sociais, e teve a oportunidade, com a ajuda do Estado, de organizar-</p><p>se internamente.</p><p>Durante este período, a Igreja organizou seu clero regular, seu clero secular o</p><p>seu patrimônio e a sua liturgia. Prestou, também, importante assistência a população</p><p>durante as invasões germânicas, estabelecendo alianças com os invasores à medida</p><p>em que estes conquistavam o poder. Como herdeira do legado cultural e do patrimônio</p><p>do Império Romano, a Igreja tornou-se a mais homogênea e duradoura instituição do</p><p>Ocidente.</p><p>Podemos concluir, então, que a união dos três elementos descritos acima</p><p>caracterizou o desenvolvimento das sociedades medievais no Ocidente: a herança do</p><p>mundo romano, a herança do mundo germânico e o Cristianismo.</p><p>Vejamos qual foi, segundo Fernand Braudel, a contribuição de cada um deles</p><p>(Braudel, 1989, p. 3-5):</p><p>Ao final deste período, os reis francos iniciaram um processo de expansão</p><p>territorial e política, e da união de seus interesses com os da Igreja Católica nasceu o</p><p>Império Carolíngio, que iremos estudar no próximo bloco.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>8</p><p>2 CONHECENDO AS FONTES DA HISTÓRIA</p><p>Fonte: sciart.eu</p><p>ÉDITO DE MILÃO (313)</p><p>Eu, Constantino Augusto, e eu também, Licíno Augusto, reunidos felizmente</p><p>em Milão para tratar de todos os problemas que se relacionam com a segurança e o</p><p>bem público, cremos ser o nosso dever tratar junto com outros assuntos, que merecem</p><p>a nossa atenção para o bem da maioria, tratar também daqueles assuntos nos quais</p><p>se funda o respeito à divindade, a fim de conceder tantos aos cristãos quanto a todos</p><p>os demais a faculdade de seguirem livremente a religião que cada um desejar, de</p><p>maneira que toda a classe de divindade que habita a morada celeste seja propícia a</p><p>nós e a todos os que estão sob a nossa autoridade.</p><p>Assim, temos tomado esta saudável e retíssima determinação de que a</p><p>ninguém seja negada a faculdade de seguir livremente a religião que tenha escolhido</p><p>para o seu espírito, seja a cristã ou qualquer outra que achar mais conveniente; a fim</p><p>de que a suprema divindade a cuja religião prestamos está livre homenagem possa</p><p>nos conceder o seu favor e benevolência. Por isso, é conveniente que vossa</p><p>excelência saiba que temos resolvido anular completamente as disposições que lhe</p><p>foram enviadas anteriormente com relação ao nome dos cristãos, por encontrá-las</p><p>hostis e pouco apropriadas à nossa Clemência, e temos resolvido permitir a todos os</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>9</p><p>que queiram observar a religião cristã, de agora em diante, que o façam livremente</p><p>sem ter que sofrer nenhuma inquietação ou moléstia. Assim, pois, acreditamos ser o</p><p>nosso dever dar a conhecer com clareza estas decisões à vossa solicitude, para que</p><p>saiba que temos concedido aos cristãos a plena e livre facilidade de praticar a sua</p><p>religião ... Levou-nos a agir assim o desejo de não aparecer como responsáveis por</p><p>diminuir em nada qualquer religião ou culto ... E além, disso, no que diz respeito aos</p><p>cristãos, decidimos que lhes sejam devolvidos os locais onde anteriormente se</p><p>reuniam, sejam eles propriedade do nosso fisco, ou tenham sido comprados por</p><p>particulares, e que os cristãos não tenham de pagar por eles nenhuma classe de</p><p>indenização ... e como consta que os cristãos possuíam não só locais de reuniões</p><p>habitual, mas também outros pertencentes à sua comunidade ... ordenamos que lhe</p><p>sejam devolvidos sem nenhum tipo de equívoco nem de oposição ... Em todo o dito</p><p>anteriormente (vossa excelência) deverá prestar o apoio mais eficiente à comunidade</p><p>dos cristãos, para que as nossas ordens sejam cumpridas o mais depressa possível</p><p>e para que também neste assunto a nossa Clemência vale pela tranquilidade pública.</p><p>Desta maneira, como já temos dito anteriormente, o favor divino que em tantas e tão</p><p>importantes ocasiões nos tem sido propício, continuará ao nosso lado</p><p>constantemente, para o êxito das nossas empresas e para a prosperidade do bem</p><p>público.</p><p>Lactancio. (De mortibus persecutorum) Sobre la muerte de los perseguidores.</p><p>introd.., trab. Española e notas de R. Teja. Madrid: Gredos, 1982. XLVIII, p.2-</p><p>3. In: Apud Pedrero Sanchéz, p. 27-8.</p><p>ÉDITO DE TESSALÔNICA (380)</p><p>Os imperadores Graciano, Valentiniano e Teodósio Augusto: édito ao povo da</p><p>Cidade de Constantinopla.</p><p>É a nossa vontade que todos os povos regidos pela administração de nossa</p><p>Clemência pratiquem a religião que o divino apóstolo Pedro transmitiu aos romanos,</p><p>na medida em que a religião por ele introduzida tem prosperado até os nossos dias.</p><p>É evidente que esta é a religião que professa também o pontífice Damaso, e Pedro,</p><p>bispo de Alexandria, homem de apostólica santidade; isto é, que de acordo com a</p><p>disciplina apostólica e a doutrina evangélica, devemos acreditar na divindade do Pai,</p><p>do Filho e do Espírito Santo com igualdade de majestade e sob (a noção) da Santa</p><p>Trindade.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>10</p><p>Fonte: blogspot.com</p><p>Ordenamos que todas aquelas pessoas que seguem esta norma tomem o</p><p>nome de cristãos católicos. Porém, o resto, aos quais consideramos dementes e</p><p>insensatos, assumirão a infâmia dos dogmas heréticos, os lugares de suas reuniões</p><p>não receberão o nome de igreja e serão castigados em primeiro lugar pela divina</p><p>vingança, e, depois, também, (por justo castigo) pela nossa própria iniciativa, que</p><p>providenciaremos de acordo como juízo divino.</p><p>Dado no terceiro dia das calendas de março, no ano de quinto consulado de</p><p>Graciano e do primeiro consulado de Teodósio Augusto. (28 de fevereiro de 380).</p><p>Código Teodosiano. XVI, 1-2. In: Tuñón de Lara, M. Textos y documentos de</p><p>História Antigua, Media y Moderna. Barcelona: Labor, 1984. p.127 (Historiade</p><p>EspañaXI). In: Apud Pedrero Sanchéz, p. 28-9.</p><p>SOBRE A ORIGEM DOS FRANCOS</p><p>(...) Muitos autores contam que estes povos saíram da Panômia e que se</p><p>estabeleceram primeiro na margem do Reno; tendo em seguida atravessado este rio,</p><p>passaram à Turíngia e aí, nas aldeias ou nas cidades, escolheram reis cabeludos, que</p><p>foram buscar na primeira, e, se assim posso</p><p>dizer, à mais nobre das suas famílias.</p><p>(...) Mas este povo mostrou-se sempre entregue a cultos fanáticos sem ter</p><p>qualquer conhecimento do verdadeiro Deus. Fez imagens das florestas e das águas,</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>11</p><p>dos pássaros, dos animais selvagens e dos outros elementos aos quais tinha por</p><p>hábito prestar um culto divino e oferecer sacrifícios (...)”</p><p>São Gregório de Tours [Bispo de Tours – 538-595 – 1º historiador da França].</p><p>Historiae Ecclesiasticae Francorum. Lib. II, IX-X. Trad. De Guadet e Taranne.</p><p>Paris, 1836.</p><p>In: Apud Pedrero Sanchéz, p. 33.</p><p>3 O ISLAMISMO: MAOMÉ, ORGANIZAÇÃO DA RELIGIÃO E IMPORTÂNCIA</p><p>PARA O EXPANSIONISMO, LEGADO CULTURAL.</p><p>Agora, vamos sair um pouco da Europa Ocidental e deter o nosso olhar sobre</p><p>outro espaço geográfico do mundo medieval, observando a Península Arábica, do</p><p>outro lado do mar, lugar onde nascia uma nova sociedade que viria marcar de forma</p><p>permanente, nos séculos futuros, a história da humanidade. Vamos seguir o nosso</p><p>caminho em direção ao mundo islâmico.</p><p>3.1 Maomé e as Origens do Islamismo</p><p>O Islamismo nasceu e expandiu-se, para além das fronteiras da Península</p><p>Arábica, no período medieval marcando a história universal desde então.</p><p>A Península Arábica teve um papel decisivo nas relações econômicas entre</p><p>Ocidente e Oriente devido às caravanas que atravessaram os desertos transportando</p><p>mercadorias e a navegação de cabotagem através de seu extenso litoral. Os árabes</p><p>eram povos politeístas e nômades cuja língua era semita, a aramaica.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>12</p><p>Fonte: www.geocities.ws</p><p>O Islã nasceu no século VII com Maomé. Este nasceu em Meca em 570 d. C.</p><p>Meca era um importante centro comercial da Arábia Ocidental e de peregrinação,</p><p>devido ao santuário de Caaba, onde inúmeros deuses eram cultuados.</p><p>Maomé era filho de mercadores da tribo coraixitas que mantinham acordo com</p><p>tribos pastoris de Meca. Após sua experiência de revelação, - onde diz receber as</p><p>profecias de Alá, que ele passa a reconhecer como o único deus - Maomé sofreu a</p><p>perseguição da aristocracia mercantil de Meca, que não aceitava o monoteísmo de</p><p>sua pregação. Ele fugiu para Medina em 16 de julho de 622 e esta data ficou</p><p>conhecida como hégira marcando o início do calendário islâmico.</p><p>Em Medina ocorreu a organização definitiva do Alcorão e a instituição da</p><p>peregrinação, prece regular, esmola e jejum. Maomé foi o sintetizador de doutrinas e</p><p>preceitos existentes em outras formas religiosas, como o judaísmo, com as quais</p><p>manteve contato através de viagens à Palestina. O conteúdo que resultou desta</p><p>experiência revestiu-se de um aspecto nacional (língua, origens, primeiros adeptos</p><p>árabes) e um aspecto internacional (acolhendo todos os povos sem distinção de raça</p><p>tal qual o Cristianismo).</p><p>Após a morte de Maomé, em 632, os califas iniciaram o processo de expansão</p><p>do Islã e do poder árabe sobre outros territórios.</p><p>3.2 A Expansão do Islã</p><p>O sucesso da expansão dos árabes, e por consequência do Islamismo, pelo</p><p>Oriente explica-se pela:</p><p> Fraqueza dos adversários (Bizâncio e Pérsia estavam exauridos pelas</p><p>contínuas lutas);</p><p> O entusiasmo dos adeptos movidos por motivos religiosos e pela</p><p>possibilidade de riqueza;</p><p> O bom acolhimento dos povos dominados por Bizâncio (para sírios,</p><p>judeus e egípcios os árabes foram considerados libertadores).</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>13</p><p>Os primeiros califas foram:</p><p>Abu Bakr (632-34) – sogro de Maomé, conquista a Arábia e o sul da Palestina.</p><p> Umar Ibn Abd al-Khattab (634-44) – avança até Damasco, parte do</p><p>Império Sassânida (Pérsia), províncias sírias e egípcias do Império</p><p>Bizantino;</p><p> Uthman ibn Affan (644-56) – desloca o poder de Medina para as cidades</p><p>do norte, da Síria e do Iraque, gerando conflitos com os conversos</p><p>antigos e recentes do islamismo;</p><p> Ali ibn Abi Talib (656-61) – primo de Maomé, tem um governo marcado</p><p>pelos conflitos com Medina, que pretendia retomar o controle do império.</p><p>Os conflitos levaram ao poder a família dos Omíadas, que não possuíam laços</p><p>familiares com Maomé e tornaram a transmissão do califado hereditária. Estes</p><p>levaram a capital do império para Damasco e avançaram até o norte da África e</p><p>Península Ibérica e deram os primeiros passos em direção a Índia. A subida ao poder</p><p>desta família dividiu os árabes em sunitas e xiitas. Os xiitas não concordavam com o</p><p>califado nas mãos de não familiares de Maomé e pretendiam uma interpretação</p><p>rigorosa dos preceitos do Alcorão.</p><p>Após séculos os Omíadas foram substituídos pelos Abássidas, que transferiram</p><p>a capital do império para Bagdá, no Iraque. No século X as contradições do sistema</p><p>de governo centralizado e burocrático levaram a fragmentação do mesmo.</p><p>A partir do séc. XI, iniciou-se a intolerância religiosa e a guerra santa. Este</p><p>período foi marcado pelo declínio desta sociedade após aliança entre o califa de</p><p>Bagdá e os turcos seldjúcidas.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>14</p><p>4 AS TRANSFORMAÇÕES POLÍTICAS, ECONÔMICAS E SOCIAIS DA ALTA</p><p>IDADE MÉDIA</p><p>Fonte: afehistoria.ning.com</p><p>No século IX várias transformações modificaram o cenário europeu ocidental.</p><p>Abaixo, comentaremos algumas destas mudanças:</p><p>Novas invasões desestabilizam o espaço europeu (islâmicos, normandos,</p><p>húngaros):</p><p>Ao norte e por mar - escandinavos ou normandos (vikings): seus objetivos eram</p><p>a pilhagem; fizeram isto devastando o litoral, abadias e cidades europeias. Suecos</p><p>atacaram a Rússia, noruegueses atacaram a Irlanda e dinamarqueses invadiram pelo</p><p>mar do norte e Canal da Mancha</p><p>Em 980, os normandos tornaram-se senhores da Inglaterra, conquistando-a</p><p>definitivamente em 1066; em 911 criaram o reino da Normandia no norte da Gália de</p><p>onde enxameiaram o ocidente e deixaram sua marca; e em 1029 ocuparam a Itália</p><p>meridional e a Sicília. Os normandos controlavam o comércio através do mar do Norte.</p><p>http://cafehistoria.ning.com/photo/1980410:Photo:11599?context=user</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>15</p><p>Fonte: www.fatosdesconhecidos.com.br</p><p>Ao sul e por mar - os islâmicos invadiram a costa italiana ao longo do século</p><p>IX, controlando boa parte do mediterrâneo e o comércio nele realizado.</p><p>Ao leste e por terra: húngaros ou magiares. Instalaram-se no território russo no</p><p>século VII, de onde foram expulsos por povos turcos iniciando, a partir de 899,</p><p>invasões sistemáticas nas fronteiras do leste da França Oriental e da Germânia, além</p><p>de excursões na França e Itália também.</p><p>A vitória sobre os húngaros em 955, pelo rei Otão I, ajudou no surgimento do</p><p>poder da dinastia otoniana que restaurou o poder imperial carolíngio, fundando o</p><p>Sacro Império Germânico, que durou de 936 a 1806, sob o território da Itália e</p><p>Germânia. Otão I foi sagrado pelo papa João XII, em 961. Os húngaros sedentarizam-</p><p>se e cristianizaram-se fundando o reino da Hungria.</p><p>4.1 Recuperação Econômica</p><p>Segundo Jacques Le Goff, verificamos a partir do século IX uma recuperação</p><p>da economia medieval no Ocidente, desestabilizada desde o século V pela</p><p>decadência romana e invasões germânicas. Este século foi decisivo no campo das</p><p>transformações econômicas para a Cristandade Ocidental (Le Goff, 1995, p. 80-5).</p><p>Foi o início do renascimento econômico, resultado de uma renovação do comércio</p><p>nos</p><p>séculos VIII e IX, decorrentes do:</p><p> Apogeu do comércio da Frísia e do porto de Duurstede;</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>16</p><p> Reforma monetária de Carlos Magno;</p><p> Melhoria da produção agrícola: novos sistemas de atrelamento de</p><p>animais, divisões de terrenos cultivados, avanços das técnicas de</p><p>cultivo.</p><p>O século X foi um período de novidades decisivas, especialmente no domínio</p><p>do cultivo e da alimentação.</p><p>Le Goff atribui este despertar do Ocidente ao:</p><p>1) Estímulo externo: formação do mundo islâmico – administrando metrópoles</p><p>urbanas e consumidoras - que suscitaram no Ocidente germânico o aumento da</p><p>produção de matérias primas para exportação para Córdoba, Fustat, Cairo, Damasco,</p><p>Bagdá. São madeiras, ferro, estanho, mel e escravos.</p><p>2) Estímulo interno: progresso técnico verificado no próprio solo ocidental –</p><p>agrícola, com aumento das áreas cultivadas e seu rendimento; militar, no uso do</p><p>estribo que permitiu melhor domínio do cavalo e gerou uma nova classe de guerreiros,</p><p>os cavaleiros.</p><p>3) Os grandes proprietários promoveram exploração intensa do solo e geraram</p><p>pequenos excedentes de produção aos mercadores (Le Goff, 1995, p. 84-5).</p><p>4.2 Os Elementos Formadores do Feudalismo</p><p>O Feudalismo não possuiu as mesmas características e nem teve uma</p><p>evolução simultânea em toda a Europa. Embora concretamente só podemos falar de</p><p>uma sociedade feudal na Idade Média Central, iniciamos a discussão sobre este tema</p><p>neste espaço dedicado à Alta Idade Média para mostrar como sua consolidação</p><p>dependeu de processos históricos deste período.</p><p>Segundo Loyn, no Dicionário da Idade Média, “...as origens da sociedade feudal</p><p>situam-se melhor na França setentrional dos séculos IX e X, com o declínio da</p><p>monarquia carolíngia (na Inglaterra, de maneira mais dramática em 1066, com a</p><p>conquista normanda), e seu desaparecimento no século XVI (Loyn, 1997, p.146).</p><p>Considerando a visão deste autor, listamos alguns dos elementos que</p><p>caracterizam o feudalismo e a sua origem, seguindo uma ordem de importância:</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>17</p><p> A supremacia de uma classe de guerreiros especializados, chamados</p><p>cavaleiros, que formavam a classe dominante, surgindo o feudalismo deste</p><p>processo de ascensão da cavalaria;</p><p> Relações de suserania e vassalagem, marcadas por vínculos de obediência e</p><p>proteção que ligam homem a homem e, dentro da classe guerreira, assumem</p><p>a forma específica denominada vassalagem (Bloch, Marc APUD Loyn, 1997, p.</p><p>146). Esta relação foi originada de uma “forma de encomendação germância</p><p>antiga, pela qual um homem livre se submetia a um outro por um ato de</p><p>homenagem (as mãos juntas colocadas entre as do senhor), confirmado por</p><p>um juramento sagrado de fidelidade e vassalagem e usualmente acompanhada</p><p>pela outorga de um feudo” (Loyn, 1997, p.146).</p><p> A existência do feudo, “que é a essência dominial do feudalismo e vincula o</p><p>senhorio e as relações feudais à terra” (Loyn, 1997, p.146). O feudo era</p><p>outorgado por investidura.</p><p>Segundo Loyn, feudo era a terra de um senhor, confiada a seu vassalo em troca</p><p>de serviços meritórios, os quais incluíam serviços militares, ajuda e conselhos. (Loyn,</p><p>1997, p.146).</p><p> A existência da propriedade senhorial, representada no castelo que “era o</p><p>símbolo e a essência do senhorio feudal, que se impunha à terra por meio dos</p><p>homens montados que tinham sua base dentro de suas sólidas muralhas”</p><p>(Loyn, 1997, p.146).</p><p> A existência de um campesinato mantido em sujeição dentro de um senhorio.</p><p> É bom lembrar que, além de cavaleiros, nobres possuíam relações</p><p>feudalizadas com monarquia medieval e a Igreja. Esta última recebia a</p><p>concessão de feudos “em troca do serviço de rezar” (Loyn, 1997, p. 146). Mas</p><p>sobre isto falaremos no próximo bloco, ao tratarmos sobre a sociedade feudal.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>18</p><p>4.3 Questão da Terra na Idade Média</p><p>Fonte: www.google.com.br</p><p>4.4 Os senhores</p><p>A posse dos domínios territoriais era de três grupos distintos: a Igreja, a Coroa</p><p>e a nobreza. Os domínios da Igreja eram indivisos, ao contrário dos outros que sofriam</p><p>divisões sucessivas devido a doações e partilhas sucessórias. Isto explica o fato de a</p><p>Igreja possuir a maior parte das terras do Ocidente cristão ao final da Alta Idade Média.</p><p>4.5 Os trabalhadores</p><p>Encontramos, nas propriedades feudais, os camponeses. Temos camponeses</p><p>livre, não-livres e escravos. A tendência é que a partir do século XII os encontremos</p><p>em sua maioria na condição de servos. Estes trabalhadores colocavam-se sob o</p><p>domínio dos seus senhores em troca de proteção e de um pedaço da terra para</p><p>usufruto pessoal. Para isto, sujeitavam-se ao cumprimento de obrigações pessoais e</p><p>encargos como descreveremos no item abaixo, sobre as propriedades senhoriais.</p><p>http://www.google.com.br/</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>19</p><p>4.6 Os Domínios e os senhorios: A Divisão Interna</p><p>Vejamos como estavam divididas as propriedades do clero e da nobreza ao</p><p>longo da Idade Média:</p><p> A Alta Idade Média predominou a economia agrária dominial, baseada</p><p>no modelo da villa romana. Neste período a grande propriedade era</p><p>designada de domínio.</p><p>O domínio era dividido em: terra indominicata (reserva senhorial) e terra</p><p>mansionaria (mansus). Os mansus eram partes do território destinadas ao usufruto</p><p>dos camponeses, desde quando estes cumprissem sua parte no contrato estabelecido</p><p>com os seus senhores.</p><p>As prestações pagas por servos ao senhor eram em forma de encargos em</p><p>espécie e em dinheiro por ano e encargos em prestações de serviços na reserva</p><p>(corvéia). O fundamento da economia dominial: prestação de serviços na reserva</p><p>senhorial pelos camponeses livres, mas dependentes.</p><p>No século IX este regime já se encontrava descaracterizado, sendo as corvéias</p><p>substituídas por dinheiro.</p><p> A Idade Média Central observamos a passagem da agricultura dominial</p><p>para a senhorial. Segundo Hilário Franco Júnior o “senhorio era um</p><p>território que dava a seu detentor poderes econômicos (fundiários) ou</p><p>jurídicos-fiscais (banal)” e o feudo “era uma cessão de direitos,</p><p>geralmente, mas não necessariamente sobre um senhorio” (Franco</p><p>Júnior, 2001, p. 37). Portanto, não se deve confundir senhorio com</p><p>feudo. O senhorio era assim caracterizado: “era um território que dava a</p><p>seu detentor poderes econômicos (senhorio fundiário) ou jurídico-fiscais</p><p>(senhorio banal), muitas vezes ambos ao mesmo tempo (Franco Júnior,</p><p>2001, p. 37)”.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>20</p><p>Durante este período observamos a diminuição das terras destinadas aos</p><p>camponeses, e os mansus foram transformados em tenências, lotes menores e com</p><p>maiores encargos. Os encargos destinados aos camponeses eram de duas espécies:</p><p>Senhorio fundiário: censive (pequena renda fixa – censo) paga em dinheiro ou</p><p>espécie. Mão-morta - transferência hereditária. Champart - proporcional ao</p><p>rendimento da colheita. Corveia.</p><p>Senhorio banal: taxas pelo uso de moinhos, lagar, forno, bosques albergagem,</p><p>alojamento, multas e taxas judiciárias, talha.</p><p>Com o seu poder ampliado devido ao poder banal sobre o senhorio, que agora</p><p>o senhor passava a possuir,</p><p>este acabava aumentando a exploração sobre os</p><p>camponeses através da criação das taxas listadas acima. Verificamos também uma</p><p>diminuição da reserva senhorial devido a criação de novas tenências, ao progresso</p><p>das técnicas agrícolas que não exigiam necessariamente terras tão extensas para</p><p>manter o mesmo nível de produção e a cessão de feudos para os vassalos.</p><p>Este foi um período marcado por um intenso crescimento da produção</p><p>consequência da ampliação da mão de obra e de terras e da difusão de diferentes</p><p>técnicas (sistema trienal, charrua, força motriz animal, adubo mineral, moinho de água</p><p>e de vento).</p><p>5 A SOCIEDADE FEUDAL</p><p>É preciso destacar a importância da Igreja na consolidação do modelo de</p><p>sociedade feudal, pois é através do seu intermédio que se dá, segundo Franco Júnior,</p><p>a conexão entre os vários elementos que compunham esta formação social. O autor</p><p>lembra que a Igreja era a maior detentora de terras e detinha o controle da vida dos</p><p>indivíduos, além de ser a legitimadora das relações de suserania e vassalagem e da</p><p>dependência dos servos em relação aos seus senhores (Franco Júnior, 2001, p. 89).</p><p>Que elementos caracterizam esta sociedade?</p><p>Podemos lembrar, em primeiro lugar, da ideologia da ordem, que leva a mesma</p><p>a ser pensada dentro de uma lógica de imutabilidade e dificulta a mobilidade social,</p><p>além de promover a tradição e a obediência nas relações sociais.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>21</p><p>Esta ideologia por outro lado, baseada na ideia de uma ordem celeste e</p><p>imutável que inspiraria o modelo de vida dos homens, deu origem a uma forma de</p><p>divisão social em que uns oram, outros combatem e outros trabalham.</p><p>Fonte: www.miniweb.com.br</p><p>Mas, principalmente a partir da Idade Média Central, outros grupos começam a</p><p>crescer dentro deste: eram trabalhadores assalariados, artesãos, burgueses,</p><p>resultado do renascimento comercial e urbano do período. Estas transformações</p><p>viriam, séculos mais tarde, alterar profundamente este modelo de sociedade.</p><p>6 O RENASCIMENTO COMERCIAL URBANO</p><p>6.1 Renascimento Comercial</p><p>As transformações na agricultura da Europa Ocidental a partir do século X</p><p>levaram à produção de um excedente agrícola que gerou o revigoramento do</p><p>comércio na região. Isto levou a um amplo crescimento demográfico e urbano na</p><p>região: havia mais mão-de-obra e melhor qualidade na alimentação o que ampliava</p><p>cada vez mais a produção.</p><p>http://www.miniweb.com.br/</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>22</p><p>Fonte: alunosonline.uol.com.br</p><p>O crescimento demográfico e urbano gerou a ampliação das atividades</p><p>artesanais em cidades próximas a rios e estradas, produzindo um progresso</p><p>econômico. E o que resultou disto? Vejamos:</p><p> Desenvolvimento do comércio marítimo e fluvial.</p><p> Surgimento e o renascimento de muitas cidades europeias. Este processo</p><p>era resultado do povoamento dos pontos de encontros das atividades</p><p>comerciais - feiras, estimuladas por reis e nobres, através da emissão de</p><p>salvo-condutos para os mercadores garantindo a sua segurança na região.</p><p> Desenvolvimento da indústria da construção (igrejas, mosteiros, castelos,</p><p>palácios, prédios públicos e militares).</p><p> Desenvolvimento da indústria têxtil: panos de lã em Flandres, Itália e</p><p>Inglaterra.</p><p> Organização da produção nas cidades através das corporações de ofício.</p><p> Monetarização da economia, promovendo o retorno da circulação da</p><p>moeda.</p><p> Nascimento das atividades bancárias: nasce na Itália - câmbio, depósitos,</p><p>empréstimos, transferências, crédito.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>23</p><p>6.2 Renascimento Urbano</p><p>Segundo Jacques Le Goff as cidades medievais nasceram como sucessoras</p><p>das antigas cidades, devido ao despertar da vida comercial e do desenvolvimento</p><p>agrícola do Ocidente, desenvolvendo-se a partir desta função econômica: renovação</p><p>das trocas de mercadorias. Nasceram ao longo dos rios ou estradas frequentadas por</p><p>comerciantes, também por iniciativa senhorial, para poder taxá-las, ou de um</p><p>entreposto comercial ou de um mercado rural (Le Goff, 1995, p. 102-13).</p><p>Estas cidades foram também importantes espaços de trocas das grandes rotas</p><p>comerciais. Aqui identificamos algumas destas cidades:</p><p> Veneza e Gênova – cidades italianas, com parcas possibilidades agrícolas</p><p>que empurram-nas para as atividades mercantis. As Cruzadas promoveram</p><p>o seu crescimento pelo Extremo Oriente (especiarias, seda, perfumes), mar</p><p>Egeu e mar Negro (matéria prima para indústria têxtil).</p><p> Hansa Teutônica – associação formada por cidades alemãs do norte, ligada</p><p>a expansão germânica sobre a Europa oriental. Em 1161, mercadores</p><p>alemães criaram associações, que em meados do séc. XIV transformaram-</p><p>se em associações de cidades.</p><p> O eixo que caracterizou as atividades comerciais por elas desenvolvidas foi:</p><p> Novgorod-Reval-Lubeck-Hamburgo-Bruges-Londres.</p><p> Eram comercializados: mel e cera da Rússia, trigo e madeira da Polônia e</p><p>da Prússia, minerais da Hungria, peixe da Noruega e da Islândia, cobre e</p><p>ferro da Suécia, vinho da Alemanha do sul, sal da França e de Portugal, lã</p><p>da Inglaterra e tecidos de Flandres.</p><p>Os pontos de encontros entre o eixo mediterrânico, controlado pelas cidades</p><p>italianas, e o eixo nórdico, controlado pelas cidades alemãs eram as feiras e os</p><p>burgos, como o de Champanhe, que deu origem a uma cidade.</p><p>As cidades são também áreas de produção “industrial”, ampliadas pelo</p><p>desenvolvimento do artesanato urbano, devido as crescentes necessidades de uma</p><p>população (rural e urbana) em expansão e mais exigente. Temos o desenvolvimento</p><p>da indústria têxtil -Flandres, Itália e Inglaterra -, e da construção.</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>24</p><p>Devido às atividades artesanais e comerciais que ocorriam com cada vez maior</p><p>intensidade nas cidades, vamos encontrar nestas a formação de corporações de</p><p>ofícios, que derivaram de confrarias religiosas, destinadas a devoção e caridade.</p><p>Estas corporações generalizaram-se após 1120. As mais antigas eram de mercadores</p><p>e as mais recentes de artesãos. Elas funcionavam como um conjunto de oficinas com</p><p>monopólio da atividade comércio ou artesanal para impedir concorrência.</p><p>A leitura de dois textos, Le Goff (1995, p. 87-140) e Franco Júnior (2001, p. 36-</p><p>46) em especial permitiram a seleção das informações acima sobre o comércio e as</p><p>cidades.</p><p>7 A CULTURA MEDIEVAL E A INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA</p><p>Fonte: www.estudopratico.com.br</p><p>A cultura e a arte na Idade Média desenvolvem-se principalmente no ambiente</p><p>monástico. Segundo Hilário Franco Júnior, na Idade Média Central o primado cultural</p><p>transferiu-se dos mosteiros para as cidades, principalmente no ensino e na arquitetura</p><p>(Franco Júnior, 2001, p. 102-122).</p><p>7.1 Educação</p><p>Devido ao crescimento das cidades e dos grupos sociais nela existentes,</p><p>vemos a partir do século XI as escolas urbanas ganharem mais destaque que as</p><p>http://www.estudopratico.com.br/</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>25</p><p>monásticas, transformando-se em universidades no século XIII, que funcionavam</p><p>como corporações eclesiásticas.</p><p>O método de estudo destas escolas urbana era a escolástica. A escolástica</p><p>consistia num “conjunto de leis sobre como pensar determinado assunto” (Franco</p><p>Júnior, 2001, p. 118).</p><p>Quais eram estas leis? Vejamos o que nos diz este autor:</p><p>A- Leis de linguagem para buscar o sentido exato da palavra;</p><p>B- Leis de demonstração usando a dialética, uma forma de provar certa posição</p><p>recorrendo</p><p>a argumentos contrários;</p><p>C - Lei da autoridade, recurso a fonte cristã e do pensamento clássico para</p><p>fundamentar as ideias defendidas;</p><p>D - Leis da razão: utilizável para uma compreensão mais profunda. .</p><p>As etapas de estudo eram:</p><p>Lectio, leitura, comentário e análise do texto.</p><p>Disputatio ou debate sobre o assunto.</p><p>Também verificamos neste período a revalorização do estudo do direito antigo,</p><p>devido à necessidade das monarquias nascentes e da população urbana, e da</p><p>medicina, num lento processo de dessacralização da natureza, que permitiu a</p><p>ampliação dos estudos.</p><p>Anterior a Idade Média Central: Arte românica. Esta arte marca o período</p><p>posterior as invasões dos normandos, islâmicos e húngaros – séculos XI e XII,</p><p>terminando por volta de 40-60. Inúmeras igrejas foram construídas. O que caracteriza</p><p>este estilo artístico? Vejamos:</p><p>Não havia arte pela arte, feita pelo seu valor estético e sim eram elaboradas</p><p>com finalidade exclusivamente didática, marcada pelo simbolismo. Arte arquitetônica</p><p>expressa na construção de templos a ideia de construir “fortalezas de Deus” (largas</p><p>paredes, grossos pilares e poucas janelas), transmitindo a ideia de que somente</p><p>dentro da igreja (edifício religioso) e da Igreja (instituição) era possível a salvação</p><p>(Franco Júnior, 2001, p. 111).</p><p>Idade Média Central: Arte gótica. O estilo gótico resultou do renascimento</p><p>urbano e comercial verificado na Europa. Este estilo nasce por volta de 1140, no sul</p><p>da França, e a primeira experiência verificou-se na construção da basílica de Saint-</p><p>Denis (1132-44). Ocorreu um desenvolvimento importante da arquitetura que levou as</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>26</p><p>igrejas góticas a elevarem-se “a grandes alturas”, verificando-se também a introdução</p><p>de vitrais, arcos ogivais e rosáceas.</p><p>A escultura também adquire função decorativa e pedagógica (Batista Neto,</p><p>1988, p. 215). Neste período a arte não deixa de ser religiosa, inclusive estará sempre</p><p>ligada ao sagrado, mas há influência da cultura popular na sua elaboração, da</p><p>burguesia local e da monarquia. Quais as suas características? Vejamos:</p><p>Novas necessidades espirituais e práticas, ligadas a valorização da relação</p><p>entre fé e razão, e a cultura que está se desenvolvendo nas escolas urbanas.</p><p>Deus como luz (vitrais) e valorização do seu lado humano (culto à Virgem);</p><p>valorização da natureza como parte essencial da criação (realismo). Arquitetura busca</p><p>equilíbrio entre a vida ativa e a contemplativa (Franco Júnior, 2001, p. 111).</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>27</p><p>8 LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Nome do autor: Marcos Emílio Ekman Faber</p><p>Fonte:http://historiali.dominiotemporario.com/revistahistoriador/espum/marcosf</p><p>aber.pdf</p><p>Data do acesso: 09/05/2016</p><p>O NASCIMENTO DA IDADE MÉDIA A PARTIR DA ANÁLISE COMPARATIVA</p><p>DAS OBRAS: PASSAGENS DA ANTIGUIDADE AO FEUDALISMO E DECLÍNIO E</p><p>QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO</p><p>Marcos Emílio Ekman Faber</p><p>9 RESUMO</p><p>Neste artigo analiso o fim do Império Romano do Ocidente e a consequente</p><p>fragmentação de poder na Europa. Minha análise ocorre a partir de três pontos</p><p>principais: os motivos do declínio econômico romano; as invasões bárbaras e; a</p><p>cristianização do Império, assim como o papel desempenhado pela igreja cristã no</p><p>processo de reestruturação européia. Como metodologia, utilizei a análise</p><p>comparativa das obras Passagens da Antiguidade ao Feudalismo de Perry Anderson</p><p>e Declínio e Queda do Império Romano de Edward Gibbon. Sendo o primeiro um autor</p><p>marxista e o segundo um livro clássico, escrito no séc. XVIII, de um autor iluminista</p><p>que influenciou as gerações que o seguiram.</p><p>Palavras-chave: Crise do Império Romano. Nascimento da Idade Média. Mão-</p><p>de-obra escrava.</p><p>A proposta deste artigo é analisar o nascimento da Idade Média européia a</p><p>partir da análise comparativa das obras Passagens da Antiguidade para o</p><p>Feudalismo3 de Perry Anderson e Declínio e Queda do Império Romano de Edward</p><p>Gibbon. Os autores foram escolhidos por serem representantes de vertentes</p><p>históricas distintas, mas também por terem vivido em épocas diferentes. Enquanto o</p><p>primeiro autor é um historiador contemporâneo adepto do materialismo histórico</p><p>dialético em sua versão contemporânea, o segundo é fruto do século XVIII – Declínio</p><p>e Queda do Império Romano foi escrito entre 1766-1788 – Gibbon, um iluminista,</p><p>influenciou as gerações que o seguiram, principalmente os historiadores positivistas.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>28</p><p>Neste artigo a versão de Declínio e Queda que será analisada é a edição abreviada.</p><p>A comparação das duas obras será centralizada na análise de três aspectos</p><p>principais: a questão econômica, procurando entender quais os motivos do declínio</p><p>econômico romano; a questão militar, principalmente relacionada às invasões</p><p>bárbaras e; a questão religiosa com a cristianização do Império e a proibição aos</p><p>cultos pagãos.</p><p>Para compreendermos as diferenças teóricas e metodológicas ente os dois</p><p>autores é importante entendermos que existem três correntes distintas de pensamento</p><p>sobre o final do Império Romano. Uma primeira corrente, que chamo de internalista,</p><p>atribui a ruína do Império às questões internas, ou seja, o Império Romano chegou ao</p><p>seu colapso devido a problemas estruturais no seio do próprio Império; outra corrente,</p><p>que chamo de externalista, afirma que o Império Romano ruiu por causas externas ao</p><p>Império, ou seja, pela cristianização do Império e/ou pelas invasões bárbaras5 , como</p><p>é o caso de Edward Gibbon e; uma terceira corrente, que chamo de conciliadora, que</p><p>imputa o final do Império Romano a uma combinação de causas internas e externas,</p><p>como é o caso de Perry Anderson. Por motivos óbvios, analisaremos principalmente</p><p>a segunda e a terceira hipóteses.</p><p>Outro fator importante neste artigo é a preocupação com a compreensão do</p><p>contexto histórico em que ocorreu o fim do Império Romano do Ocidente levando-o a</p><p>fragmentação do poder político na Europa, para isso, analiso também outros autores</p><p>que auxiliam na compreensão do fundo histórico aqui abordado.</p><p>10 A QUESTÃO ECONÔMICA</p><p>A questão econômica, ou seja, os motivos que levaram à crise econômica do</p><p>Império Romano são, por mais que possa parecer contraditório, o ponto em que os</p><p>dois autores aqui analisados mais se aproximam. Apesar de Gibbon não atribuir muita</p><p>importância às questões econômicas, suas afirmativas sobre a crise econômica</p><p>romana se aproximam às de Perry Anderson, porém, este último, ao contrário de</p><p>Gibbon, atribui à crise econômica um papel decisivo no queda do Império Romano.</p><p>Para Anderson, o esgotamento do trabalho escrava foi o principal motivo do colapso</p><p>romano (ANDERSON, 2004, p. 82-83).</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>29</p><p>Edward Gibbon afirma que o gigantismo, ou seja, a extensão territorial, do</p><p>Império dificultava a administração e a proteção das fronteiras, representando gastos</p><p>significativos ao Estado romano.</p><p>O declínio de Roma foi a natural e inevitável consequência da grandeza</p><p>imoderada. A prosperidade fez com que amadurecesse o princípio de decadência; as</p><p>causas de destruição se multiplicaram com a extensão das conquistas; e, tão logo o</p><p>tempo ou os acidentes removeram os sustentáculos artificiais, a estrutura desabou</p><p>sob seu próprio peso. A história de sua ruína é simples e óbvia; em vez de perguntar</p><p>por que o Império Romano foi destruído, devemos antes surpreender-nos de ele ter</p><p>durado tanto (GIBBON, 2005, p. 538).</p><p>Perry Anderson, que concorda com tal teoria, acrescenta que</p><p>a Pax Romana</p><p>representou, antes de tudo, o ápice do Império, mas também o início de sua ruína.</p><p>Pois, os altos gastos estatais na modernização do Império – construção de estradas,</p><p>diques, aquedutos, etc. –, crescia a cada ano, assim, a crise econômica que assolava</p><p>Roma gerou uma série de conflitos internos no Império. Ao suspender as guerras de</p><p>conquistas, também acabou por inviabilizar um sistema que era baseado na mão-de-</p><p>obra escrava.</p><p>O poder militar estava mais intimamente ligado ao crescimento econômico do</p><p>que talvez em qualquer outro modo de produção, antes ou depois, porque a principal</p><p>fonte de trabalho escravo eram normalmente prisioneiros de guerra, enquanto o</p><p>aumento das tropas urbanas livres para a guerra dependia da manutenção da</p><p>produção doméstica por escravos; os campos de batalha forneciam a mão-de-obra</p><p>para os campos de cereais e viceversa – os trabalhadores capturados permitiam a</p><p>criação de exércitos de cidadãos (ANDERSON, 2004, p. 28).</p><p>Para o autor, o mais grave do modelo escravista romano era a inexistência de</p><p>um mecanismo interno que possibilitasse sua renovação, assim, no momento em que</p><p>a renovação de escravos fosse inviabilizada haveria uma grave crise no sistema,</p><p>como de fato ocorreu (ANDERSON, 2005, p. 82). A saída encontrada para a crise da</p><p>mão-de-obra foi criar o sistema de colonatos, porém, essa solução aparentemente</p><p>positiva tornou-se um sério problema ao promover a ruralização da sociedade romana,</p><p>pois ao conceder incentivos ao novo sistema, muitos trabalhadores urbanos</p><p>abandonaram as cidades em busca de espaço no campo. O problema da mão-de-</p><p>obra somente seria resolvido com o progressivo processo de transformação dos</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>30</p><p>trabalhadores livres em servos, o que somente se completaria muitos anos depois</p><p>quando a nobreza carolíngia adotaria o sistema de servidão forçando os trabalhadores</p><p>a submeterem-se a um sistema onde ficavam presos a terra que cultivavam, lançando,</p><p>assim, os alicerces do feudalismo que iria dominar o cenário europeu nos séculos</p><p>seguintes.</p><p>A transferência de cidadãos para o campo e a ruralização da sociedade</p><p>romana inviabilizaram a manutenção do exército, pois gerava indiretamente uma</p><p>ausência de alistados, fato este que enfraquecia a defesa das fronteiras, possibilitando</p><p>a entrada de bárbaros no território. A solução encontrada foi a de permitir o</p><p>alistamento de estrangeiros nas legiões romanas.</p><p>11 A QUESTÃO MILITAR</p><p>Neste ponto, os autores possuem divergências essencialmente no peso que</p><p>atribuem às invasões bárbaras10 no processo de ruína do Império Romano. Ficando</p><p>mais claro o contexto histórico em que cada um dos autores viveu, pois elementos de</p><p>seus dias estão muito presentes nas teorias de cada um. Para Gibbon, um inglês que</p><p>apoiou arduamente a Revolução Francesa, inclusive morando muitos anos na França</p><p>durante a Revolução (GIBBON, 2005, p. 28-29), os bárbaros representavam um</p><p>retrocesso, um atraso civilizacional. Para ele as hordas invasoras eram hostis aos</p><p>ideais de liberdade, de igualdade e de propriedade, importantes itens do ideário</p><p>iluminista.</p><p>As leis e os costumes das nações modernas protegem a segurança e a</p><p>liberdade do soldado vencido; o cidadão pacato, outrossim, raras vezes tem razões</p><p>de queixar-se de que sua vida ou mesmo sua fortuna ficaram expostas à fúria da</p><p>guerra. No desastroso período da queda do Império Romano, que pode ser</p><p>justificadamente datada do reinado de Valente, a felicidade e a segurança de cada</p><p>indivíduo eram atacadas, e as artes e as obras de séculos, rudemente desfiguradas</p><p>pelos bárbaros da Cítia e da Germânia. (GIBBON, 2005, p. 446).</p><p>Para este autor, os bárbaros representavam a desestabilização da civilização</p><p>grecoromana e eram, portanto, os grandes vilões no processo de desintegração do</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>31</p><p>Império Romano. Para Gibbon, a Idade Média, um período terrível, fora o resultado</p><p>da vitória da barbárie sobre a civilização (GIBBON, 2005, p. 544-545).</p><p>Já Perry Anderson, um marxista – escreveu Passagens da Antiguidade ao</p><p>Feudalismo ainda durante a Guerra Fria –, analisou as invasões bárbaras do ponto de</p><p>vista socioeconômico. Para ele, a proteção militar às fronteiras gerava elevados</p><p>gastos ao Império, sendo muito difícil a manutenção e sua preservação. Outro</p><p>elemento importante foi ocasionado pela ruralização da sociedade romana em</p><p>consequência da crise da mão-deobra escrava, fatores que enfraqueciam o exército,</p><p>pois desestimulavam o alistamento militar. A solução foi permitir a entrada de bárbaros</p><p>nas fileiras do exército romano. Já no século III, as legiões romanas estavam</p><p>abarrotadas de soldados germânicos, com alguns ocupando importantes cargos de</p><p>comando no exército (ANDERSON, 2004, p. 82-85). Portanto, nos séculos IV e V,</p><p>quando ocorreram as invasões, o território romano já convivia há muito tempo com a</p><p>maioria dos povos invasores.</p><p>As tribos bárbaras que entraram no Império Romano eram basicamente tribos</p><p>rurais e patriarcais divididas em clãs de famílias. Em geral, não tinham noções de</p><p>Estado. A base agrária era formada por camponeses livres e a terra era coletiva, com</p><p>raríssimas exceções tinham escravos (ANDERSON, 2004, p. 109-110). Já nesta</p><p>época, o cristianismo não se restringia ao Império Romano, padres e bispos já tinham</p><p>ultrapassavam as fronteiras do Império em direção aos territórios bárbaros. Assim,</p><p>quando os invasores chegaram a Roma, a sua maioria era formada por cristãos.</p><p>Se para Edward Gibbon, as invasões bárbaras tiveram papel decisivo na queda</p><p>do Império Romano, com os germânicos representando a vitória da anarquia política</p><p>sobre uma civilização mais avançada, para Anderson, os bárbaros fizeram parte de</p><p>um processo de reconstrução da sociedade romana em ruína, não sendo os</p><p>responsáveis pela queda do Império, que já estava em crise há muito tempo, mas os</p><p>responsáveis pela sua reformulação ao possibilitar a síntese entre sua cultura e a</p><p>romana.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>32</p><p>12 A QUESTÃO RELIGIOSA</p><p>É difícil imaginar um estudo sobre a Idade Média sem uma análise criteriosa da</p><p>religiosidade que impregnou todo o período. Portanto, os autores aqui comparados</p><p>analisaram exaustivamente o papel da Igreja Cristã12 no processo de formação do</p><p>medievo. Mas também é neste ponto que os dois autores apresentam mais</p><p>discordâncias.</p><p>A começar pelo fato de que somente Gibbon descreve as causas de a Igreja</p><p>tornar-se parte do Estado romano e como ela se sobrepôs ao paganismo. O autor</p><p>afirma que isto somente foi possível com a vitória do cristianismo sobre a religião pagã</p><p>romana. As causas, segundo ele, foram:</p><p>I. O inflexível zelo e, se nos é permitido usar tal expressão, a intolerância dos</p><p>cristãos – derivada, em verdade, da religião judaica, mas purificada pelo espírito</p><p>acanhado e antissocial que, em vez de atrair, dissuadir os gentios de abraçar a lei de</p><p>Moisés. II. A doutrina de uma vida futura, valorizada por toda e qualquer circunstância</p><p>ocasional que pudesse dar peso e eficácia a essa importante verdade. III. Os poderes</p><p>miraculosos atribuídos à Igreja primitiva. IV. A pura e austera moralidade dos cristãos.</p><p>V. A união e a disciplina da república cristã, que formou aos poucos um Estado</p><p>independente que se desenvolveu no coração do Império Romano (GIBBON, 2005,</p><p>p. 236).</p><p>Para o autor, os mesmos motivos que levaram a vitória do cristianismo sobre o</p><p>culto pagão formaram as causas</p><p>de sua interferência na queda do Império. Gibbon</p><p>colocou a Igreja como a principal causadora da queda do Império Romano, para ele</p><p>os cristãos foram o principal motivo da ruína e crise de Roma (2005, p. 539-540), pois</p><p>a Igreja imobilizou o Estado romano ao desviar a atenção do imperador de questões</p><p>relativas à manutenção estatal para o combate às seitas e heresias13 que surgiam no</p><p>seio do cristianismo.</p><p>Anderson, que não descarta esta teoria, completa afirmando que a Igreja ao</p><p>tornar-se uma segunda burocracia mantida pelo Estado (2004, p. 126-127), onerava</p><p>os cofres romanos a tal ponto que ajudou no colapso econômico romano. Porém, para</p><p>Anderson, o papel da Igreja não foi tão decisivo e aponta que outros fatores foram</p><p>mais importantes para a crise econômica romana, como os vistos anteriormente –</p><p>principalmente a crise da mão- de-obra escrava.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>33</p><p>Para ele, a Igreja desempenhou um papel muito mais ligado à transição entre</p><p>dois modos de produção, um em extinção – o escravista – e outro na sua gênese – o</p><p>feudal. Assim, a Igreja representou muito mais um processo de conciliação entre duas</p><p>épocas do que o de desintegração de uma. Pois, a Igreja teve muita importância para</p><p>o surgimento da sociedade medieval, sendo responsável pela preservação de parte</p><p>importante da cultura e da legislação romana, desempenhando papel fundamental no</p><p>processo de síntese entre as culturas romana e bárbara (ANDERSON, 2004, p. 130).</p><p>Enquanto Gibbon denuncia que a Igreja, ao transformar a sociedade romana numa</p><p>sociedade intolerante e austera, corrompeu a cultura clássica greco-romana,</p><p>Anderson chama a atenção para o fato de que:</p><p>Parte de um gigantesco processo de assimilação e adaptação dessa cultura</p><p>por uma população mais vasta, que iria arruiná-la e salvaguardá-la no colapso de sua</p><p>infraestrutura tradicional. A mais impressionante manifestação desta transmissão foi</p><p>ainda outra vez a da linguagem.Com a cristianização do Império, os bispos e o clero</p><p>das províncias ocidentais, assumindo a conversão em massa da população rural,</p><p>latinizaram permanentemente sua fala durante os séculos IV e V. As línguas romanas</p><p>foram o efeito desta popularização, um dos elos sociais mais essenciais de</p><p>continuidade entre a Antiguidade e a Idade Média (ANDERSON, 2004, p. 130-131).</p><p>Portanto, para Anderson, a participação da Igreja teve importante papel e lugar</p><p>no processo de transição entre o final do Império Romano e o nascimento do medievo.</p><p>Sua eficácia autônoma não seria encontrada na esfera de estruturas de</p><p>relações econômicas ou sociais, onde às vezes tem sido equivocadamente procurada,</p><p>mas na esfera cultural acima destas relações (ANDERSON, 2004, p. 131).</p><p>A civilização clássica, definida por seu desenvolvimento superestrutural sem</p><p>precedentes na história da humanidade, necessitava de um aparelho ideológico que</p><p>a preservasse do colapso romano, a Igreja cumpriu este papel (ANDERSON, 2005, p.</p><p>131). Apesar de não discordar integralmente de Gibbon, que colocava a Igreja como</p><p>uma das principais culpadas pelo fim do Império Romano, Anderson atribuiu à Igreja</p><p>a sobrevivência da cultura romana, sendo esta essencial no processo de assimilação</p><p>cultural dos povos bárbaros ao legado greco-romano. Desempenhando, assim, um</p><p>importante papel no nascimento da Idade Média e no surgimento do feudalismo.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>34</p><p>A Igreja foi a indispensável ponte entre duas épocas, numa passagem</p><p>“catastrófica” e não “cumulativa” entre dois modos de produção. (...)</p><p>Significativamente, foi o mentor oficial da primeira tentativa sistemática de fazer</p><p>“renascer” o Império no Ocidente – a monarquia carolíngia. Com o Estado Carolíngio,</p><p>começa a história do feudalismo propriamente dito. (ANDERSON, 2004, p. 131).</p><p>Para Perry Anderson, o cristianismo foi peça importante no processo de</p><p>desintegração do Império Romano, mas, ao mesmo tempo, foi de extrema importância</p><p>na preservação da cultura latina. Sem o cristianismo não existiria a síntese entre a</p><p>cultura romana e a germânica que resultaram na sociedade feudal (ANDERSON,</p><p>2004, p. 136-137).</p><p>13 CONCLUSÃO</p><p>Ao lermos as obras aqui analisadas podemos perceber o quanto devemos,</p><p>ainda hoje, aos clássicos da literatura historiográfica, trata-se de um grande exercício</p><p>intelectual entrar em contato com livros que influenciaram e ainda influenciam o</p><p>entendimento histórico hoje disponível. Como professor e historiador, lastimo que a</p><p>maioria dos jovens estudantes de história pouco ou nada sabe sobre os autores</p><p>clássicos. Assim, se faz necessário cada vez mais revisar e estudar essas obras. Ao</p><p>lermos Declínio e Queda do Império Romano e Passagens da Antiguidade ao</p><p>Feudalismo percebemos que mesmo sendo Edward Gibbon um iluminista e Perry</p><p>Anderson um marxista, eles tiveram ideias e teorias em comum, mesmo que na maior</p><p>parte das vezes tenham discordado.</p><p>Ao acreditar que os motivos da queda do Império Romano estavam em</p><p>questões externas, Gibbon retirou o peso da crise econômica que Roma enfrentava.</p><p>Já Perry Anderson, conciliou as questões internas e externas como motivadoras da</p><p>crise e queda de Roma, pois para ele, apesar da participação da Igreja como peso</p><p>burocrático onerando os cofres públicos, o problema do esgotamento da mão-de-obra</p><p>escrava foi tão ou mais importante para o colapso do Império.</p><p>Já as três questões propostas pelo artigo – questões econômica, militar e</p><p>religiosa –, percebemos o quanto os autores divergem ou se aproximam dependendo</p><p>da situação analisada. Como é o caso da questão econômica, apesar das ideias de</p><p>Gibbon se aproximarem das de Anderson no que se refere às causas da crise</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>35</p><p>econômica romana. Os dois se distanciam no grau de importância que dão a esta</p><p>questão, já que, devido a sua orientação teórica, somente Perry Anderson analisou</p><p>com profundidade os problemas relativos ao esgotamento da mão-de-obra escrava e,</p><p>por consequência, do modo de produção assentado na escravidão.</p><p>Na questão militar, principalmente com relação às invasões bárbaras, os</p><p>autores apresentam diferenças significativas na leitura que fazem. Para Gibbon, as</p><p>invasões representaram a vitória da anarquia sobre a civilização. Já para Anderson, o</p><p>episódio representou um processo de reestruturação de uma sociedade em crise e</p><p>sua consequente superação. Já a questão religiosa foi outra que gerou muita</p><p>divergência entre os dois autores. Apesar de ambos considerarem a Igreja Cristã uma</p><p>causa importante no processo de crise romana, foi Gibbon quem afirmou que a Igreja</p><p>teve papel decisivo neste processo. Enquanto que Anderson defendeu a posição de</p><p>que a Igreja, apesar de sua parcela na crise romana, desempenhou um importante</p><p>papel como preservadora do legado romano, sendo responsável pelo processo de</p><p>síntese entre as culturas romana e bárbara.</p><p>Por fim, ler e comparar as duas obras se torna um exercício de percepção</p><p>indispensável ao estudante do medievo, pois apesar das grandes diferenças teóricas</p><p>e metodológicas, os dois autores são complementares para o entendimento do tema,</p><p>o que torna o estudo de ambos, indispensável na compreensão dos motivos que</p><p>levaram à queda do Império Romano e no consequente nascimento da Idade Média.</p><p>14 BIBLIOGRAFIA</p><p>ALARCÃO, Jorge. Portugal Romano. Lisboa: Editorial Verbo, 1974.</p><p>ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade para o Feudalismo. São Paulo:</p><p>Brasiliense,</p><p>1998.</p><p>AZEVEDO, J. Lúcio de. Épocas de Portugal Econômico. 4º ed, Porto: Clássica, 1988.</p><p>BALARD, Michel (org.). A Idade Média no Ocidente: dos bárbaros ao renascimento.</p><p>Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994.</p><p>BATISTA NETO, Jônatas. História da Baixa Idade Média 1066-1453, São Paulo: Ática,</p><p>1989.</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>Positivo</p><p>Sublinhado</p><p>Positivo</p><p>Riscado</p><p>36</p><p>BLOCH, MARC. A Sociedade Feudal. Lisboa: Edições 70, 1987.</p><p>BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989.</p><p>CASTRO, Amando. 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