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<p>1</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 3</p><p>2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS ......................... 4</p><p>3 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO ........... 9</p><p>4 IDENTIFICAR A IMPORTÂNCIA DOS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM</p><p>À ÉTICA 12</p><p>5 ÉTICA E MORAL ............................................................................. 14</p><p>6 CÓDIGO DE ÉTICA ......................................................................... 15</p><p>7 ÉTICA SOCIAL, PROFISSIONAL E POLÍTICA ............................... 16</p><p>8 SEIS PRINCÍPIOS DA ÉTICA SOCIAL............................................ 18</p><p>9 CÓDIGOS DE ÉTICA....................................................................... 20</p><p>10 VIRTUDES DA ÉTICA PROFISSIONAL ....................................... 21</p><p>11 ÉTICA, MORAL E LEI ................................................................... 21</p><p>12 A FUNÇÃO DA ÉTICA .................................................................. 23</p><p>13 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS ...................................................... 24</p><p>14 O CÓDIGO DE ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES ............................ 27</p><p>15 ÉTICA NA TOMADA DE DECISÕES ........................................... 28</p><p>16 AS RELAÇÕES ENTRE TRABALHO E ÉTICA ............................ 30</p><p>17 OS EFEITOS DAS TRANSFORMAÇÕES CONTEMPORÂNEAS</p><p>NOS CÓDIGOS NORMATIVOS ....................................................................... 32</p><p>18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 38</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado(a) aluno(a)!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI esclarece que o material virtual é</p><p>semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula é raro – quase</p><p>improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao</p><p>professor e fazer uma pergunta para que seja esclarecida uma dúvida sobre o</p><p>tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos</p><p>ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual é a mesma coisa. Não</p><p>hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de</p><p>atendimento que serão respondidas em tempo hábil.</p><p>Os cursos a distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da</p><p>nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e</p><p>execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da</p><p>semana e a hora que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 O AMBIENTE ORGANIZACIONAL E AS PESSOAS</p><p>As organizações são movidas por pessoas e necessitam delas para</p><p>cumprir sua função, sobreviver e crescer e, em contrapartida, são para elas um</p><p>meio para atingir seus objetivos pessoais. Alguns objetivos são conscientes e</p><p>tangíveis, tais como o sustento e manutenção da sobrevivência com</p><p>estabilidade, comodidade, segurança. O trabalho ainda desempenha funções</p><p>psicossociais, como menciona Salanova (1996, apud Coelho, 2009), servindo</p><p>para atender necessidades humanas: dá sentido à vida, prestígio e poder sobre</p><p>outras pessoas, coisas, dados e processos; serve de elemento para configurar</p><p>a identidade pessoal (como somos, como nos vemos e somos vistos por outros),</p><p>viabiliza interação e contatos sociais; oportuniza o desenvolvimento de</p><p>habilidades e competências, transmissão de normas, valores, crenças e</p><p>expectativas sociais. (SILVEIRA 2020)</p><p>Ao observar a organização do trabalho na produção percebe-se se as</p><p>pessoas estão alocadas adequadamente em suas competências. Se a</p><p>empresa propicia ao trabalhador oportunidades de crescimento promove</p><p>a sua satisfação no desenvolvimento do seu labor na opinião de Bergamini</p><p>(2005). O atual cenário competitivo do mercado exige que os gestores</p><p>corporativos se atentem para o desenvolvimento pessoal para gerar as</p><p>mudanças desejadas no ambiente organizacional que leve a empresa a</p><p>se destacar ou mesmo se manter no mercado. Cabe aos gestores de pessoas</p><p>saber lidar com os sentimentos, observar a capacidade e reconhecer as</p><p>emoções próprias e daqueles que trabalham na equipe. (JUSTINO et al 2015)</p><p>Para COSENZA (2020) é essencial que o dia a dia profissional seja</p><p>permeado por um relacionamento interpessoal no trabalho eficiente e positivo.</p><p>Dentro da rotina de uma empresa os colaboradores precisam trabalhar em</p><p>conjunto e se comunicar. Para isso, é importante que os relacionamentos sejam</p><p>baseados em confiança, transparência e respeito. Assim como na vida pessoal</p><p>precisamos de pessoas ao nosso lado para crescermos e nos desenvolvermos,</p><p>no meio profissional não é diferente. As relações saudáveis entre os funcionários</p><p>de uma organização são benéficas para todos os envolvidos, inclusive para a</p><p>evolução da empresa como um todo.</p><p>https://www.vittude.com/empresas/confianca-como-construir-dentro-das-empresas</p><p>5</p><p>A importância das equipes nas atividades de trabalho cresceu</p><p>exponencialmente nas últimas décadas. O trabalho tem sido mais cooperativo</p><p>do que solitário. Equipes mostram maior adaptabilidade, inovação e</p><p>produtividade (Salas, Shuffler, Thayer, Bedwell, & Lazzara, 2015). A ênfase na</p><p>cooperação colocou em xeque metodologias clássicas de recrutamento,</p><p>seleção, treinamento e avaliação de desempenho. As competências técnicas se</p><p>mostraram insuficientes para a compreensão do desempenho de indivíduos e</p><p>grupos de trabalho, pois a sinergia interpessoal entre membros de equipe se</p><p>revelou fundamental para o sucesso (Salas et al., 2015). Esta sinergia está</p><p>relacionada à similaridade dos interesses e valores dos participantes de equipes</p><p>de trabalho (Brito, 2012; Larson, 2013, apud MAGALHÃES 2018).</p><p>Segundo MENDES (2021) Mesmo profissionais que trabalham em casa</p><p>dependem de construir boas relações para serem bem-sucedidos. Por isso,</p><p>desenvolver um forte relacionamento interpessoal no trabalho é uma tarefa</p><p>importante. Quando falamos de relacionamento interpessoal no</p><p>trabalho entendemos a união de vários indivíduos dentro do ambiente</p><p>corporativo. É comum que essa relação se desenvolva entre profissionais que</p><p>trabalhem em uma mesma organização ou façam parte de um mesmo time.</p><p>Cresce a prática de contratação de profissional através da sua pessoa</p><p>jurídica, mas que trabalha dentro da empresa em relação comercial continuada</p><p>similar ao empregado. O modelo de sentimento e relacionamento pode</p><p>impregnar também este tipo de ligação profissional, visto que o ser humano</p><p>tende a transpor seus modelos internalizados para diferentes convivências.</p><p>(SILVEIRA 2020)</p><p>Perceber a vontade, o empenho, o envolvimento de cada funcionário é</p><p>imprescindível para saber como e onde pontuar para melhorar. Aos dirigentes</p><p>cabe tomar a consciência do quanto o seu olhar e a sua presença influencia</p><p>e interfere no comportamento do grupo modelando-o para a direção</p><p>necessária. Essa atuação promove mudanças que refletem no</p><p>relacionamento com os clientes e fornecedores. Melhora a relação</p><p>interpessoal e aumenta o respeito entre os colaboradores levando-os a</p><p>executar melhor as tarefas, e construir relacionamentos. Propõe-seque todos</p><p>https://www.napratica.org.br/qual-e-a-melhor-forma-de-cobrar-seu-time/</p><p>6</p><p>se envolvam, trazendo uma comunicação eficaz motivando-os a compreender,</p><p>respeitar uns aos outros. (JUSTINO 2015)</p><p>Fonte: www.tomanini.com.br</p><p>O relacionamento interpessoal no trabalho nada mais é do que a</p><p>conexão, ou seja, a relação entre duas ou mais pessoas em âmbito</p><p>profissional. Trata-se de como esses indivíduos se relacionam, se tratam e qual</p><p>é o nível de qualidade dessas relações. No trabalho, essas relações estão</p><p>baseadas nas funções de cada profissional.</p><p>Dependendo da área de atuação</p><p>você tem mais contato com uma ou outra pessoa e para que o trabalho seja</p><p>executado da melhor forma muitas vezes é necessário ser capaz de cultivar tais</p><p>relações com maestria. (COSENZA 2020)</p><p>Cada ambiente de trabalho tem um modo particular de resolver suas</p><p>questões no âmbito das relações sociais, apresentando estilos de interação</p><p>social e estratégias preferidas de solução de problemas. Quando um trabalhador</p><p>não possui o estilo interpessoal pertinente a determinado contexto, dificilmente</p><p>obterá aceitação e reconhecimento por seus pares, resultando no seu</p><p>afastamento voluntário ou involuntário. Neste sentido, a avaliação psicológica</p><p>para fins de seleção e movimentação de pessoas para ambientes de trabalho</p><p>7</p><p>possui uma longa tradição no uso de medidas de personalidade. Por outro lado,</p><p>ainda se observa a carência de pesquisas que investiguem quais características</p><p>de personalidade são predominantes em contextos laborais específicos (Larson,</p><p>2013 apud MAGALHÃES 2018).</p><p>“Normalmente o relacionamento interpessoal no trabalho ocorre em</p><p>empresas de médio e grande porte, em função do maior número de pessoas que</p><p>integram um sistema de trabalho. As pessoas costumam se aproximar por</p><p>empatia, fator importante para o relacionamento interpessoal no trabalho e</p><p>também para a colocação do individuo no mercado”, explica o psicólogo Marcelo</p><p>Tozato. Por meio do relacionamento interpessoal no trabalho, profissionais</p><p>conseguem mais facilmente feedback honesto, apoio durante momentos de</p><p>crise, uma divisão melhor das tarefas do trabalho e melhora do clima</p><p>organizacional. (MENDES 2021)</p><p>As relações de emprego ou de prestação de serviço tendem a ser</p><p>pactuadas por contrato formal que especifica direitos e obrigações legais, como</p><p>trabalho a ser desenvolvido e a compensação a ser recebida. Esses contratos</p><p>tendem a não investigar ou tratar aspectos subjetivos presentes nesses casos.</p><p>Para Woolams e Brown (1979), "todas as vezes que duas ou mais pessoas se</p><p>relacionam, há sempre alguma expectativa à parte de cada uma em relação ao</p><p>que deseja tirar do relacionamento." (SILVEIRA, 2020)</p><p>De acordo com JUSTINO (2015) o autocontrole permite que a pessoa</p><p>reconheça o seu sentimento quando ele ocorre e controle a emoção,</p><p>adequando-se a situação. A automotivação é capacidade de dirigir o</p><p>sentimento e a emoção com foco no objetivo. Depende de empatia para</p><p>reconhecer as necessidades dos outros como a própria e ser receptivo às</p><p>diferenças. Isso facilita a habilidade do relacionamento interpessoal. O</p><p>profissional que consegue compreender e administrar suas emoções como</p><p>a raiva, o medo e a frustração, além de se reconhecer nos outros,</p><p>apresenta desempenho positivo em situações desafiadoras como cobrança</p><p>e mudanças organizacionais. Coloca-se de forma flexível e madura,</p><p>controla os instintos explosivos e intempestivos.</p><p>https://www.napratica.org.br/como-pedir-feedback-e-usar/</p><p>8</p><p>O clima organizacional trata-se de um indicador que tem como objetivo</p><p>medir a satisfação e percepção dos funcionários de uma empresa em relação ao</p><p>ambiente de trabalho no qual estão inseridos.</p><p>Quando não há colaboração e respeito, o clima organizacional pode ficar</p><p>mais pesado e negativo. As pessoas acabam se sentindo mais isoladas e tristes,</p><p>afinal, um dia a dia com uma boa comunicação e parceria contribui para um clima</p><p>mais leve e positivo. (COSENZA, 2020)</p><p>Pesquisadores desde muito tempo se dedicam a compreender o</p><p>funcionamento das relações interpessoais no trabalho em equipe (Salas et al.,</p><p>2015). Os grupos humanos tendem a desenvolver um estilo particular de</p><p>desenvolver suas atividades. As características das tarefas e das pessoas</p><p>combinam-se para formar um padrão de interações sociais que se estabiliza</p><p>como o modus operandi de uma equipe de trabalho. Estes processos envolvem</p><p>aspectos de personalidade dos membros da equipe que interagem entre si e com</p><p>as características do trabalho (Peeters, Tuijl, Rutte, & Reymen, 2006; Tett, &</p><p>Burnett, 2003, apud MAGALHÃES, 20218).</p><p>Em geral, os profissionais que desenvolvem relacionamento interpessoal</p><p>no trabalho são pessoas que possuem metas e objetivos em comum. Eles</p><p>compartilham os mesmos interesses, possuem a mesma linha de raciocínio ou</p><p>vêm de backgrounds parecidos. “A linguagem verbal e não verbal e o saber ouvir</p><p>são condições importantíssimas para se estabelecer o vínculo e fortalecê-lo.</p><p>A liderança tem um papel muito importante neste caso, onde deve se</p><p>estabelecer por respeito e admiração. Um relacionamento interpessoal no</p><p>trabalho forte é aquele que, independentemente de posição ou cargo na</p><p>empresa, se estabelece por empatia e equilíbrio”, ressalta o profissional.</p><p>(MENDES, 2021)</p><p>O diálogo é um recurso para conhecer as vontades e interesses como</p><p>elementos que impactam na motivação e compromisso com o que precisa ser</p><p>realizado. Mando e cobrança não estimulam criatividade e comprometimento,</p><p>mas dependência, rebeldia e até má vontade e sabotagem. Tendem a</p><p>desencadear mal estar e afastamento, conversas paralelas, que é o contrário do</p><p>que o gestor necessita: foco na ação e qualidade para chegar aos resultados em</p><p>clima favorável. (SILVEIRA, 2020)</p><p>https://www.napratica.org.br/metas-smart/</p><p>https://www.napratica.org.br/o-que-e-lideranca-e-por-que-e-importante-para-carreira/</p><p>Positivo</p><p>Realce</p><p>9</p><p>O fortalecimento do relacionamento interpessoal no trabalho é essencial</p><p>para se trabalhar uma comunicação mais assertiva. Pessoas que têm dificuldade</p><p>para se comunicar podem acabar cometendo mais erros e não conseguem ser</p><p>tão eficientes trabalhando em equipe. Por isso, fomentar boas relações entre os</p><p>colaboradores é essencial para garantir uma comunicação mais eficaz e</p><p>transparente. (JUSTINO, 2015)</p><p>3 ÉTICA PROFISSIONAL E BASES LEGAIS DA PROFISSÃO</p><p>De acordo com a literatura, os conceitos de ética profissional tendem a</p><p>convergir; mesmo assim, alguns autores debatem alguns tópicos por considerá-</p><p>-los mais significativos que outros. Portanto, a concepção de ética é exteriori</p><p>zada, visto que o mundo ético é o mundo do “deve ser” e do “ser”; o primeiro</p><p>significa o mundo dos juízos de valor, e o segundo, o mundo dos juízos de</p><p>realidade.</p><p>Também é importante mencionar que “a moral é a parte subjetiva da</p><p>ética”. Sendo assim, a moral disciplina o comportamento do homem consigo</p><p>mesmo, pois se trata dos costumes, deveres e modo de proceder dos homens</p><p>com os outros homens segundo a justiça e a equidade natural. Em outras</p><p>palavras, os princípios éticos e morais são, na verdade, os pilares da construção</p><p>de uma identidade profissional e de sua moral mais do que sua representação</p><p>social contribui com a formação da consciência profissional.</p><p>Refletindo sobre o tema, a moral é o conjunto de regras restritivas de</p><p>conduta consideradas válidas no convívio social. É imperativa, restritiva,</p><p>sujeitando o ato à condenação, à punição e conduzindo à heteronomia. A ética</p><p>é aconselhadora: sujeita o ato à avaliação crítica e conduz à autonomia.</p><p>Ética profissional é um conjunto de normas e valores de relacionamento</p><p>e comportamento que é adotado no ambiente de trabalho. Ética, em um sentido</p><p>mais amplo, refere-se à ciência da conduta. De origem grega, éthos, a palavra</p><p>ética significa “costume”, “propriedade do caráter” ou “modo de ser”.</p><p>Também pode-se trabalhar com o conceito de ética como o conjunto de</p><p>normas tomado pela pessoa que vai adquirindo consciência de como deve se</p><p>portar um profissional, e isso passa a fazer parte de sua conduta. O indivíduo</p><p>10</p><p>que possui ética profissional e cumpre com as normas de conduta de uma</p><p>organização é mais valorizado e reconhecido, afinal, ética é a reflexão crítica</p><p>sobre valores e princípios referentes à conduta humana para o agir consciente,</p><p>o senso crítico e a arte de conviver e de ser feliz.</p><p>Fonte: suarevista.com.br</p><p>A ética profissional é comparada com a filosofia do agir humano, visto que</p><p>a vida é considerada como o bem em organizações humanas. A vida plenamente</p><p>humana participa da cidadania, assumindo com plena consciência a recíproca</p><p>relação entre direitos e deveres, sem esquecer que consiste essa mesma</p><p>existência na esfera profissional.</p><p>Esse mundo humano não é uma dádiva da natureza; é uma conquista</p><p>cultural. A ética é aplicada no campo das atividades profissionais; assim, há a</p><p>ética profissional do estudante de gestão ambiental e das demais outras</p><p>profissões. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque “o fazer” e “o</p><p>agir” estão interligados na ação humana. O fazer diz respeito à competência, à</p><p>eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão;</p><p>o agir refere-se à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve</p><p>assumir no desempenho de sua profissão.</p><p>11</p><p>Trabalhamos com a informação que a moral estabelece regras que são</p><p>assumidas pela pessoa como uma forma de garantir o seu bem-viver. Independe</p><p>das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer</p><p>se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O direito</p><p>busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras</p><p>do Estado. As leis têm uma base territorial; valem apenas para a área geográfica</p><p>onde uma determinada população ou seus delegados vivem.</p><p>Pode se reafirmar que a ética é o estudo geral do que é bom ou mau,</p><p>correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos seus</p><p>objetivos é a busca de justificativas para as regras propostas pela moral e pelo</p><p>Direito. Ela é diferente de ambos – moral e Direito – porque não estabelece</p><p>regras.</p><p>Os líderes de empresas têm defendido a ideia de que as pessoas éticas</p><p>profissionalmente têm mais comprometimento com o trabalho e contribuem para</p><p>o aumento do nível de confiança, o que resulta em mais produção e</p><p>desenvolvimento da organização. No ambiente profissional, a ética se refere ao</p><p>caráter e é nela que se baseiam as relações interpessoais, objetivando</p><p>principalmente o bem-estar e respeito no campo laboral.</p><p>Mais uma reflexão importante: afinal, quando se inicia a pensar sobre</p><p>ética profissional? Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma</p><p>profissão deve iniciar bem antes da prática profissional.</p><p>A escolha profissional, muitas vezes, pode acontecer na adolescência e</p><p>já deve ser permeada por esta reflexão. Escolher uma profissão é uma opção,</p><p>mas, ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório.</p><p>Muitas vezes, quando somos jovens, escolhemos uma carreira sem conhecer o</p><p>conjunto de deveres que estamos prestes a assumir, tornando-nos, assim, parte</p><p>daquela categoria.</p><p>Voltando a reforçar a ideia da reflexão, esta deve incluir toda a fase de</p><p>formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades referentes</p><p>à prática específica em uma determinada área antes do início do trabalho. Ao</p><p>completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que</p><p>significa seu comprometimento com a categoria profissional em que formalmente</p><p>ingressa. A adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como</p><p>12</p><p>sendo as mais adequadas para o seu exercício é entendida pelo aspecto moral</p><p>da chamada ética profissional.</p><p>É importante ter sempre em mente que há atitudes que não estão escritas,</p><p>ou mesmo descritas nos códigos de todas as profissões, mas são comuns a</p><p>todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Estas atitudes são, por</p><p>exemplo, generosidade e cooperação no trabalho em equipe. Mesmo quando</p><p>exercidas solitariamente em uma sala, fazem parte de um conjunto maior de</p><p>atividades de que depende o bom desempenho desta. Também há atitudes</p><p>consideradas como postura proativa como, por exemplo, não ficar restrito às</p><p>tarefas solicitadas, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo</p><p>que temporário.</p><p>A pessoa ética segue estritamente todas as tarefas exigidas de seu cargo</p><p>e cumpre os princípios estabelecidos pela sociedade e por sua equipe de</p><p>trabalho. Também se menciona que qualquer profissão possui um conjunto de</p><p>normas que serve de base da conduta dos profissionais, ou seja, a ética</p><p>profissional vale para todos os colaboradores de uma empresa. Esse conjunto</p><p>de normas se chama código de ética.</p><p>4 IDENTIFICAR A IMPORTÂNCIA DOS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM A</p><p>ÉTICA</p><p>O código de ética profissional é um dos princípios que norteiam a ética e</p><p>tem algumas diferenciações, pois varia de acordo com os campos de atuação.</p><p>Porém, alguns itens da ética profissional são universais, ou seja, são aplicados</p><p>independentemente da área em que o profissional atua.</p><p>Alguns elementos de ética profissional são válidos para qualquer</p><p>profissão:</p><p> Respeito à vida;</p><p> Cooperação;</p><p> Seriedade;</p><p> Competência;</p><p> Respeito à hierarquia;</p><p>13</p><p> Responsabilidade, entre outros.</p><p>Fonte: sebraeinteligenciasetorial.com.br</p><p>Os conselhos de representação das profissões têm como</p><p>responsabilidade criar os códigos de ética para cada área de atuação. Os</p><p>códigos de ética servem para padronizar as condutas de comportamento e</p><p>procedimentos operacionais. Dessa maneira, será garantida a segurança dos</p><p>usuários de cada serviço e dos profissionais atuantes.</p><p>Um código de ética não tem força jurídica de lei universal, porém deveria</p><p>ter força simbólica para tal. Embora um código de ética possa prever sanções</p><p>para os descumprimentos de seus dispositivos, elas sempre dependerão da</p><p>respectiva legislação, ou mesmo da sua existência; sendo assim, o código de</p><p>ética é por ela limitado. Por essa limitação, o código de ética é um instrumento</p><p>frágil de regulação dos comportamentos de seus membros. Essa regulação só</p><p>será ética quando o respectivo código for uma convicção que venha do interior</p><p>das pessoas. Sendo assim, a elaboração do código de ética é um ato de muita</p><p>responsabilidade para que ele tenha a força da legitimidade.</p><p>Não se pode esquecer que quanto mais democrático e participativo esse</p><p>processo de elaboração do código de ética, maiores as chances de identificação</p><p>14</p><p>dos membros do grupo com seu referido código. Como consequência, serão</p><p>maiores as suas chances de eficácia.</p><p>Este é o princípio fundamental que constitui a ética: o outro é um sujeito</p><p>de direitos e sua vida deve ser digna tanto quanto a minha deve ser. O</p><p>fundamento dos direitos e da dignidade do outro é a sua própria vida e a sua</p><p>liberdade de viver plenamente.</p><p>5 ÉTICA E MORAL</p><p>No contexto filosófico, ética e moral possuem significados distintos. Ética</p><p>é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento</p><p>humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada,</p><p>científica e teórica, ou seja, é uma reflexão sobre a moral. Já a moral é o conjunto</p><p>de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão.</p><p>Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus</p><p>julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.</p><p>A palavra ética vem do grego ethos, que significa morada, habitat, refúgio.</p><p>Contudo, para os filósofos, a palavra se refere a caráter, índole. Sócrates coloca</p><p>o autoconhecimento como a melhor forma de viver com sabedoria. Seguindo a</p><p>máxima de Aristóteles em Ética a Nicômaco e em seu pensamento moral de</p><p>forma geral, “somos o resultado de nossas escolhas”. Aristóteles acreditava que</p><p>a ética se caracteriza pela finalidade e pelo objetivo a ser atingido, isto é, que se</p><p>possa viver bem, ter uma vida boa, com e para os outros, com instituições justas.</p><p>Já Platão entende que a justiça é a principal virtude a ser seguida.</p><p>A palavra “moral” deriva do latim mores, que significa costume. A moral</p><p>existe desde o início, pois as pessoas possuem uma consciência moral que as</p><p>levam a distinguir</p><p>o bem do mal no meio em que vivem, iniciando de fato quando</p><p>o homem passou a viver em grupos, ou seja, surgiu nas sociedades primitivas.</p><p>15</p><p>6 CÓDIGO DE ÉTICA</p><p>Código de ética é um acordo que estabelece os direitos e deveres de uma</p><p>empresa, instituição, categoria profissional, organização não governamental</p><p>(ONG), etc., a partir da sua missão, cultura e posicionamento social, que deve</p><p>ser seguido pelos funcionários no exercício de suas funções profissionais.</p><p>Formulação do código de ética</p><p>O processo de produção de um código de ética é, por si só, um processo</p><p>de ética. De outro modo, nunca passará de um simples código moral defensivo</p><p>de uma organização. A formulação de um código de ética deve englobar</p><p>intencionalmente todos os membros do grupo social que ele abrangerá e</p><p>representará. Isso exige um sistema ou processo de construção “de baixo para</p><p>cima”, do diverso ao unitário, construindo consensos progressivos de modo que</p><p>o resultado seja reconhecido como representativo de todas as disposições</p><p>morais e éticas da sociedade.</p><p>A elaboração de um código de ética, portanto, realiza-se como um</p><p>processo educativo no interior do próprio grupo, devendo resultar em um produto</p><p>que cumpra também uma função educativa e exemplar de cidadania diante dos</p><p>demais grupos sociais e de todos os cidadãos.</p><p>Limites de um código de ética</p><p>Um código de ética não tem força jurídica de lei universal, mas deveria ter</p><p>força simbólica. Embora um código de ética possa prever sanções para os</p><p>descumprimentos de seus dispositivos, essas sanções dependerão sempre da</p><p>existência de uma legislação, que lhe é juridicamente superior e, portanto o</p><p>limita. Por essa limitação, o código de ética é um instrumento frágil de regulação</p><p>dos comportamentos de seus membros. Essa regulação só será ética se, e</p><p>quando, o código de ética for uma convicção que venha do íntimo das pessoas.</p><p>Isso aumenta a responsabilidade do processo de elaboração do código</p><p>de ética, para que ele tenha a força da legitimidade. Quanto mais democrático e</p><p>16</p><p>participativo for esse processo, maiores serão as chances de identificação dos</p><p>membros do grupo e, em consequência, maiores serão as chances de sua</p><p>eficácia.</p><p>Fonte: marcioantoniassi.wordpress.com</p><p>7 ÉTICA SOCIAL, PROFISSIONAL E POLÍTICA</p><p>Conforme GOMES (2017) O convívio social é permeado por regras,</p><p>princípios e noções que fundamentam a vida moral. O papel da ética é fazer a</p><p>refl exão sobre esses princípios e noções. Existem diversas concepções de ética</p><p>que variam de acordo com a ideia de ser humano com que se trabalha, desde a</p><p>noção religiosa até o pragmatismo mais radical. Diferentemente da moral – que</p><p>é relativa à um grupo social, uma cultura –, a ética pretende ser universal.</p><p>Enquanto a moral pergunta “o que devo fazer?”, a ética pergunta “o que é o</p><p>bem?“. A primeira é normativa, enquanto a segunda é reflexiva.</p><p>Aristóteles (384-322 a.C. apud GOMES, 2017) considerava a felicidade a</p><p>finalidade da vida e a consequência do único dom humano, a razão. As virtudes</p><p>intelectuais e morais seriam apenas os artifícios destinados à sua consecução.</p><p>O epicurismo, doutrina idealizada por Epicuro (341-270 a.C. apud</p><p>GOMES 2017), entretanto, identificava como sumo bem o prazer, sobretudo o</p><p>17</p><p>prazer intelectual, e – tal como os adeptos do estoicismo, escola fundada por</p><p>Zenão de Cítio (340-264 a.C. apud GOMES 2017) – recomendava uma vida</p><p>dedicada à contemplação.</p><p>No fim da Idade Média, São Tomás de Aquino (1225-1274 apud GOMES</p><p>2017) viria a estabelecer na lógica aristotélica os conceitos agostinianos de</p><p>pecado original e da redenção através da graça divina.</p><p>À medida que a Igreja Medieval se tornava mais poderosa, crescia um</p><p>modelo de ética que trazia castigos aos pecados e recompensa à virtude pela</p><p>imortalidade.</p><p>Para Baruch Spinoza (1632-1677 apud GOMES 2017), a razão humana</p><p>é o critério para um comportamento correto, e apenas as necessidades e</p><p>interesses do homem estabelecem o que pode ser considerado bom e mau, o</p><p>bem e o mal.</p><p>Jean-Jacques Rousseau (1712-1778 apud GOMES 2017), por sua vez,</p><p>em seu Contrato Social (1762), conferiu o mal ético aos desajustamentos sociais</p><p>e declarava que os seres humanos eram bons por natureza.</p><p>Uma das maiores cooperações à ética foi a de Emmanuel Kant (1724-</p><p>1804 apud GOMES 2017), em fins do século XVIII. Segundo ele, a moralidade</p><p>de um ato não deve ser julgada por suas consequências, e sim por sua</p><p>motivação ética.</p><p>As teses do utilitarismo, formuladas por Jeremy Bentham (1748-1832</p><p>apud GOMES 2017), recomenda o princípio da utilidade como meio de contribuir</p><p>para aumentar a felicidade da comunidade.</p><p>Já para Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831 apud GOMES 2017),</p><p>a história do mundo compreende “disciplinar a vontade natural descontrolada,</p><p>levá-la a obedecer a um princípio universal e facilitar uma liberdade subjetiva”.</p><p>Segundo GOMES (2017) a ética contemporânea é fragmentada, pois se</p><p>abandonam os desejos de montar um conjunto de postulados e passa-se a</p><p>analisar situações, temas e questões pontuais. Ainda se encontram divisões no</p><p>modo de análise, e as duas principais visões são:</p><p>18</p><p>Morais deontológicas (ou do</p><p>dever ou da lei)</p><p>que afirmam que o critério supremo é o dever ou</p><p>as leis. O termo deontologia surgiu das palavras</p><p>gregas “déon, déontos”, que significam “dever”, e</p><p>“lógos”, que significa “discurso” ou “tratado”.</p><p>Morais situacionais e</p><p>relativistas</p><p>que se recusam a construir a moral sobre um</p><p>princípio absoluto, seja ele o fim último ou o dever.</p><p>Seis princípios da ética social</p><p>A ética social fundamenta-se em seis princípios clássicos, veja quais são:</p><p>Dignidade da pessoa</p><p>humana</p><p>A Convenção Americana sobre Direitos Humanos,</p><p>de 1969, estabelece, em seu art. 11, § 1º, que “Toda</p><p>pessoa humana tem direito ao respeito de sua honra</p><p>e ao reconhecimento de sua dignidade. ” É</p><p>característica intrínseca e inalienável de cada ser</p><p>humano, colocando-o como merecedor do respeito</p><p>e da consideração do estado e da sociedade.</p><p>Direito de propriedade</p><p>O direito de propriedade é o direito das pessoas de</p><p>possuírem coisas para atender às suas</p><p>necessidades, para seu uso; é um direito pacifi-</p><p>camente reconhecido por todos.</p><p>Primazia do trabalho</p><p>O trabalho – atividade que o ser humano realiza para</p><p>sobreviver, ganhar a vida e crescer como pessoa –</p><p>é a atividade de primordial importância, sem dúvida</p><p>a mais expressiva da pessoa humana. A pessoa</p><p>mesma está em seu trabalho. É comum as pessoas</p><p>apresentarem-se pelo nome e pelo trabalho. Não só</p><p>a subsistência pessoal e de familiares depende do</p><p>trabalho, mas antes a própria pessoa, seu</p><p>crescimento, seu desenvolvimento.</p><p>19</p><p>Primazia do bem</p><p>comum</p><p>O interesse do coletivo deve se sobrepor ao</p><p>interesse individual, pois o avanço de uma</p><p>sociedade depende do esforço conjunto das</p><p>pessoas e só pode ser alcançado com a colaboração</p><p>de todos os integrantes do grupo. Os seres humanos</p><p>buscam naturalmente a união, primeiramente</p><p>porque são essencialmente sociais e em segundo</p><p>lugar porque sentem inúmeras limitações ao agir</p><p>isoladamente. É o conjunto de condições sociais que</p><p>permite e favorece aos membros da sociedade o seu</p><p>desenvolvimento pessoal e integral.</p><p>Solidariedade</p><p>Um dos traços mais fortes da natureza humana. A</p><p>pessoa imediatamente identifica o próximo como</p><p>seu igual, ainda que não o conheça, ainda que de</p><p>outra raça ou de outra língua. A solidariedade entre</p><p>os seres humanos decorre diretamente do fato de</p><p>todos serem da mesma natureza. É a chamada</p><p>fraternidade humana.</p><p>Subsidiariedade</p><p>A participação ativa das pessoas e de todos os</p><p>grupos sociais nas esferas superiores, econômicas,</p><p>políticas e sociais, de cada país e do mundo é a base</p><p>desse princípio. Em latim, subsidere significa</p><p>“sentar-se debaixo”, estar na reserva. Subsídio é o</p><p>auxílio dado; quem recebe é dito</p><p>subsidiado; quem</p><p>doa é o subsidiário. Devido à presença do sufixo -</p><p>idade, a palavra subsidiariedade significa o estado</p><p>ou a qualidade de subsidiário. A organização social</p><p>funciona porque o ser humano a sustenta na base.</p><p>20</p><p>Ética profissional</p><p>A ética profissional diz respeito tanto ao</p><p>comportamento do indivíduo em um ambiente de</p><p>trabalho quanto à atuação de empresas e</p><p>organizações. Para o indivíduo, é a observância dos</p><p>comportamentos adequados ao convívio com</p><p>colegas, chefias e clientes e dos compromissos</p><p>assumidos com o trabalho. Para as empresas e</p><p>organizações, é pautar sua atuação sempre</p><p>pensando em algo melhor para a sociedade, pelo</p><p>uso de boas práticas, como transparência, respeito</p><p>às diversidades, respeito às leis, entre outras. Um</p><p>conceito amplamente utilizado atualmente é o da</p><p>sustentabilidade. Empresas e organizações</p><p>procuram hoje o título de “sustentáveis”. Para tanto,</p><p>precisam demonstrar suas práticas corretas em três</p><p>esferas: ambiental, econômica e social.</p><p>8 CÓDIGOS DE ÉTICA</p><p>O profissional deve aderir tanto aos padrões éticos da sociedade quanto</p><p>às normas e regimentos internos das organizações. A ética profissional</p><p>possibilita ao profissional um exercício diário e prazeroso de honestidade,</p><p>comprometimento, confiabilidade, entre tantos outros, que conduzem o seu</p><p>comportamento e tomada de decisões em suas atividades. Enfim, a recompensa</p><p>é ser reconhecido – não só pelo seu trabalho, mas também por sua conduta</p><p>exemplar.</p><p>Algumas profissões possuem comitês representativos que são</p><p>responsáveis por definir códigos éticos específicos para cada ramo de atividade.</p><p>Você já deve ter ouvido falar do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou do</p><p>Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), esses dois exemplos</p><p>bem conhecidos.</p><p>Esses códigos de ética formulados pelo conselho de administração visam</p><p>padronizar procedimentos operacionais e comportamentos e garantir a</p><p>segurança dos profissionais e usuários de cada serviço. Eles estabelecem</p><p>princípios éticos e morais para ocupações específicas e impõem punições</p><p>disciplinares aos trabalhadores que não cumprem os procedimentos e normas</p><p>21</p><p>de sua área, e protegem a sociedade de injustiças e desrespeito em qualquer</p><p>área. Para tanto, o conselho de administração também é responsável por</p><p>monitorar o cumprimento do código de ética.</p><p>9 VIRTUDES DA ÉTICA PROFISSIONAL</p><p>Algumas virtudes são ressaltadas como primordiais para o bom</p><p>desenvolvimento profissional, como:</p><p>Comprometimento</p><p>O compromisso do profissional se aplica</p><p>sistemicamente. Em primeiro lugar, ele deve se</p><p>comprometer com o próprio desenvolvimento contínuo e</p><p>se comportar de maneira congruente com sua linha de</p><p>pensamento, ou seja, agir para alcançar suas metas e</p><p>objetivos, e o único caminho é a entrega dos resultados</p><p>solicitados pela empresa. Em segundo lugar – e não</p><p>menos importante –, ele deve estar comprometido com</p><p>os colegas de trabalho, com os líderes e com o público</p><p>da marca. Ao desempenhar sua função com excelência,</p><p>automaticamente estará contribuindo para o todo.</p><p>Responsabilidade</p><p>Para a preservação de uma marca ou produto, o</p><p>profissional deve manter uma postura congruente com</p><p>seu trabalho e manter para si os dados que lhe foram</p><p>confiados, a fim de garantir o sigilo necessário.</p><p>Integridade</p><p>É indispensável manter a transparência nas atividades</p><p>exercidas, ser honesto com o gestor direto e demais</p><p>profissionais, garantindo que todos sejam influenciados</p><p>positivamente por seu trabalho, de forma direta ou</p><p>indireta.</p><p>10 ÉTICA, MORAL E LEI</p><p>Outra questão que muitas vezes dificulta a compreensão do conceito e da</p><p>importância da conduta ética pelos indivíduos reside em outro conflito conceitual</p><p>em relação às seguintes instituições: ética, moral e lei. Como não fomos</p><p>educados a pensar nas questões - Quero? Devo? Posso? Nosso comportamento</p><p>22</p><p>segue padrões automáticos, repetindo soluções e fórmulas há muito presentes</p><p>no meio social ao pertencemos.</p><p>Fonte: enfermagembio.blogspot.com</p><p>Esse padrão de comportamento provoca uma sensação de normalidade</p><p>posto que nossas ações sejam aceitas pelo grupo, sobretudo porque os</p><p>membros do grupo agem da mesma forma quando em situações semelhantes.</p><p>Ora, isso não significa necessariamente que estamos agindo eticamente, antes,</p><p>porém; indica que estamos repetindo um padrão, e isso se configura</p><p>comportamento de grupo. Por isso as pessoas oferecem grande resistência em</p><p>romper com os costumes e aceitar as mudanças.</p><p>Isso nos leva a refletir sobre a questão da moral. O termo moral vem do</p><p>latim mores que quer dizer costumes. Portanto moral trata-se de um conjunto de</p><p>hábitos e costumes praticados por um grupo. Tais hábitos e costumes são</p><p>aceitos e incorporados por serem considerados bons. Por consequência, os</p><p>hábitos por serem bons; são considerados justos. Finalmente, os hábitos bons e</p><p>justos cooperam para a realização das pessoas.</p><p>Considerando que um conjunto de hábitos bons e justos se tornam</p><p>imprescindíveis para os indivíduos, os mesmos são convencionados em forma</p><p>de lei. Assim sendo, podemos dizer que a lei é um conjunto de bons costumes</p><p>(moral) aceitos e praticados por um grupo social. Sintetizando o conceito de lei</p><p>23</p><p>podemos dizer que as leis são acordos obrigatórios definidos entre os indivíduos</p><p>de um grupo, no objetivo de assegurar o mínimo de justiça ou direitos. Desta</p><p>forma fica explícito que a lei é um instrumento que possibilita efetuar a justiça.</p><p>Conforme Camargo (1999), toda lei deve ser uma ordenação da razão com o</p><p>propósito de promover o bem comum. Sendo assim, para que a lei atenda ao</p><p>componente ético, ela deve ser justa, ou seja; indicar o que está em consonância</p><p>com a natureza e a dignidade do homem.</p><p>A justiça não uma qualidade humana ou um direito adquirido, mas sim</p><p>um princípio ou pilar da fundação de uma sociedade bem estruturada.</p><p>11 A FUNÇÃO DA ÉTICA</p><p>A ética tem por finalidade investigar e esclarecer uma realidade moral e</p><p>estruturar seus respectivos conceitos. A realidade moral sofre variações como</p><p>passar do tempo afetando de igual forma seus princípios e normas. As</p><p>convenções e os princípios éticos doutrinários vigentes no passado se alteram</p><p>em função de vários fatores e influencias que vão desde as mudanças culturais</p><p>até o avanço cada vez mais veloz da tecnologia.</p><p>A ética investiga a forma do comportamento humano e da moral, e busca</p><p>explicá-lo. É nesse contexto que se concentra o verdadeiro valor da ética.</p><p>Portanto, a ética fornece a compreensão racional do comportamento humano, o</p><p>qual será posteriormente o elemento formador da consciência. A consciência por</p><p>sua vez nos leva a buscar o que é realmente bom, correto e justo, buscando</p><p>identificar e estabelecer os novos parâmetros que nortearão os limites e</p><p>capacidades.</p><p>É necessário lembrar de que as empresas são compostas pelos seus</p><p>colaboradores, pelas pessoas que nela trabalham e onde passam a maior parte</p><p>do seu tempo, portanto; quando dizemos que uma empresa é ética, na verdade</p><p>estamos afirmando que as pessoas de determinada empresa se comportam de</p><p>forma ética.</p><p>Outro ponto importante é a questão da imagem que a corporação</p><p>transmite ao mercado. Uma empresa cujos empregados - independentes do</p><p>setor em que trabalham ou do nível hierárquico que ocupam – se comportam de</p><p>24</p><p>maneira incorreta no aspecto ético; certamente sofrerá as consequências deste</p><p>comportamento na medida em que os consumidores deixarão de adquirir seus</p><p>produtos ou serviços, afetando a sua rentabilidade.</p><p>Outro fator de grande influência é o acesso à informação. Com o avanço</p><p>das tecnologias de comunicação, o acesso ás informações foi facilitado</p><p>permitindo que as pessoas, aonde quer que estejam, acompanhem praticamente</p><p>em tempo real os fatos ao redor do mundo.</p><p>Em função disso, as empresas estabelecem os códigos de ética no</p><p>objetivo de regulamentar</p><p>o comportamento dos colaboradores buscando desta</p><p>forma evitar problemas que venham afetar sua imagem no mercado.</p><p>Mesmo assim, grandes corporações muitas vezes se vêem em situações</p><p>embaraçosas e delicadas perante o mercado no aspecto. Isso significa que não</p><p>basta apenas haver um código formalmente redigido para ser obedecido. É</p><p>necessário que haja a conscientização sobre a importância da conduta ética no</p><p>ambiente e nas ações profissionais.</p><p>12 QUESTÕES ÉTICAS ATUAIS</p><p>A atualidade tem exposto desafios e problematizações éticas que se</p><p>configuram como um grande obstáculo para as sociedades, mas também como</p><p>um grande aprendizado. A pluralidade entre os indivíduos traz questões muitas</p><p>vezes pensadas no campo moral e, portanto, valorativo e mais subjetivo, que</p><p>necessitam de uma intervenção ética. Ou seja, questões como a ética em</p><p>relação à política, a aceitação do outro diferente e o reconhecimento de direitos</p><p>compõem a reflexão ética contemporânea — que, de modo mais universal, tem</p><p>o papel de ponderar os posicionamentos e deliberar sobre o bem comum.</p><p>Os dilemas éticos que se apresentam atualmente formam uma espécie de</p><p>bifurcação. Se de um lado temos uma “crise ética” no campo da política e da</p><p>organização social, por outro temos um avanço discursivo relacionado a campos</p><p>como a bioética, questões de gênero e igualdade racial, entre outras questões.</p><p>Não que essas áreas não necessitem de muitas conquistas — mas elas ocupam</p><p>lugares de debate, o que anteriormente não era tão problematizado na</p><p>sociedade.</p><p>25</p><p>De acordo com Bertonha (2012), no artigo intitulado “Fascismo. Um risco</p><p>real para o mundo de hoje?”, hoje vivemos o resgate de certos ideais que</p><p>colocam em risco o pacto democrático ao redor do mundo. Desse modo, ao</p><p>mesmo tempo em que podemos observar um avanço nos debates sobre alguns</p><p>temas, observamos um regresso sobre os mesmos temas engendrado por uma</p><p>moral mais conservadora em alguns aspectos.</p><p>Fonte: es.123rf.com/imagenes-de-archivo</p><p>O fascismo surgiu na Europa, especificamente nos anos 1920, e serviu</p><p>como modelo político para governos com o viés totalitário. Foi com Benito</p><p>Mussolini que o Partido Nacional Fascista surgiu e ocupou o poder em 1922, na</p><p>Itália. Tal partido, de viés socialista, adotou práticas antidemocráticas e de</p><p>repressão para se manter no poder e acabou por servir de modelo a Hitler para</p><p>a imposição do nazismo na Alemanha, com viés à extrema-direita. Ou seja, após</p><p>a Primeira Guerra Mundial, tanto a Itália quanto a Alemanha ficaram devastadas,</p><p>o que levou à ascensão de líderes ditadores que vinham com a promessa de</p><p>revitalização social e econômica. Independentemente da orientação ideológica,</p><p>ambos tinham práticas ditas fascistas. Ou seja, enquanto Mussolini tinha como</p><p>inimigo qualquer oposição aos seus ideais e governo, Hitler tinha como inimigos</p><p>comunistas, judeus e qualquer oposição (BERTONHA, 2012).</p><p>26</p><p>Não se pode dizer que o fascismo esteja ressurgindo na sua versão</p><p>clássica — a imposição de um partido único, mobilização das massas em torno</p><p>de tal partido ou, ainda, a repressão e o extermínio de opositores. Entretanto, a</p><p>recombinação de elementos totalitários nas sociedades atuais é perceptível. Por</p><p>exemplo, o controle sobre a mídia em certos países, ou ainda a descredibilização</p><p>de informações, a fim de que haja uma “verdade” vinculada ao governo, como</p><p>se pode observar na Rússia, sob a governança de Vladimir Putin. Outro elemento</p><p>é a responsabilização de crises que se dão no mercado financeiro a um inimigo</p><p>comum, como ocorreu na Alemanha nazista, quando a má situação econômica</p><p>foi atribuída ao sucesso financeiro dos judeus. Assim, assistimos ao surgimento</p><p>de novos líderes em contextos de crise, com esperanças messiânicas por parte</p><p>da população — e eles utili zam como agência de poder o ódio ao outro, ao</p><p>escolherem um grupo para responsabilizar pelos resultados negativos. Como</p><p>ressalta Bertonha (2012, p. 107), “[...] no tocante ao racismo e à xenofobia, eles</p><p>sempre existiram na Europa, mas cada vez mais se tornam instrumentos</p><p>políticos para mobilizar as pessoas em direção ao medo e à desconfiança. Ao</p><p>invés do ódio ao judeu ou ao comunismo [entre outros]”. Nesse contexto,</p><p>ressalta-se o risco democrático atual, tendo como exemplo o número crescente</p><p>de neonazistas na Alemanha ou a fundação do Partido CasaPound (em</p><p>homenagem ao poeta Ezra Pound, que apoiou Mussolini) na Itália, que tem como</p><p>proposta o antissistema, o ultranacionalismo, a anti-União Europeia e a anti-</p><p>imigração, e se declara de extrema-direita.</p><p>Vale ressaltar que o avanço de debates éticos em diversos campos fica</p><p>condicionado à abertura cultural de determinadas sociedades, o que passa pela</p><p>abertura política. Por exemplo, a discussão atrelada ao gênero. Os números de</p><p>mulheres que reivindicam igualdade salarial e social só têm aumentado;</p><p>entretanto, um dos obstáculos que se fazem presentes é a relativização dos</p><p>problemas enfrentados pelas mulheres, tais como feminicídio, agressão, abusos</p><p>físicos e psicológicos, jornada dupla ou tripla, etc. Assim, diante da importante</p><p>conquista de esse tema estar sendo discutido e problematizado, também há a</p><p>descredibilização da importância desse debate. O mesmo se dá em torno da</p><p>discussão sobre identidade de gênero, em que se tem um grande avanço na</p><p>27</p><p>discussão sobre a imposição heteronormativa sobre os corpos — e, do mesmo</p><p>modo, uma grande repressão em torno dessa discussão.</p><p>Já no campo das ciências, que também são afetadas pela política, tem- -</p><p>se uma vida dupla em relação os avanços e retrocessos, tais como: ao mesmo</p><p>tempo que descobertas são feitas e debatidas sobre aplicabilidade e respeito à</p><p>vida, tem-se, principalmente no Brasil, o questionamento sobre o investimento</p><p>na pesquisa ser importante ou não. Muitas das obstaculizações ocorrem por</p><p>parte de setores conservadores, o que gera um impasse entre moral e ética.</p><p>Uma vez que a tarefa da ética é buscar um consenso em vista de um bem</p><p>comum, muitos dos avanços científicos são interpelados pelos discursos</p><p>religiosos, a exemplo das discussões sobre anticoncepcionais, transfusão</p><p>sanguínea, clonagem, etc. Dessa forma, é possível concluir que as questões</p><p>éticas estão inseridas em todos os setores da sociedade e estão em constante</p><p>mutação.</p><p>13 O CÓDIGO DE ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES</p><p>O código de ética, ou manual de conduta ética empresarial, é um</p><p>documento que espelha os valores, princípios e a missão das organizações. O</p><p>código permite que se conheça o posicionamento da corporação perante a</p><p>sociedade com a qual interage direta e indiretamente. Através do Código é</p><p>possível compreender e avaliar a função da empresa no mercado e a sua</p><p>expectativa para com os seus colaboradores.</p><p>O Código de Ética das organizações é baseado na legislação vigente no</p><p>país, e versa sobre:</p><p>a. As relações internas na organização;</p><p>b. As relações com o consumidor;</p><p>c. A proteção dos Direitos dos Trabalhadores;</p><p>d. O Repúdio às práticas ilegais (corrupção, assédio moral e sexual);</p><p>e. Outros temas vigentes.</p><p>Vantagens da implantação do Código de Ética</p><p>28</p><p>A implantação do Código promove benefícios que vão além do retorno</p><p>financeiro imediato. Também não se trata de um modismo, pois o código</p><p>estabelece a forma de conduta da empresa o qual, por sua vez, agregará valor</p><p>à imagem da empresa no mercado.</p><p>As principais vantagens da implantação do código são:</p><p>a. Fortalece a imagem da instituição junto à comunidade;</p><p>b. Aproxima os profissionais da organização;</p><p>c. Enquanto ferramenta soluciona conflitos e problemas internos;</p><p>d. Colabora na ordem e transparência da imagem empresarial;</p><p>e. Reflete a conduta moral da empresa e como ela é conduzida;</p><p>f. Melhora a relação com os stakeholders;</p><p>g. O código leva a empresa a se comprometer com seu próprio desenvolvimento</p><p>e o desenvolvimento da sociedade.</p><p>Portanto, a empresa que projeta a sua ascensão e permanência no</p><p>mercado promovendo o retorno dos investimentos aos acionistas e cumprindo o</p><p>seu papel social perante a comunidade, jamais poderá prescindir da ética.</p><p>14 ÉTICA NA TOMADA DE DECISÕES</p><p>Segundo Alencastro, 2012 – Os códigos de conduta, a responsabilidade</p><p>sócio ambiental, políticas, regulamentos, contratos e gestão, são algumas das</p><p>principais formas de como as corporações podem e devem praticar sua ética na</p><p>tomada das decisões empresariais e nas relações institucionais com a</p><p>sociedade.</p><p>As organizações buscam o máximo lucro como forma de acumulação de</p><p>riqueza e sua distribuição aos acionistas e colaboradores. Contudo, o que vai</p><p>possibilitar que esta meta seja alcançada, é a forma como a empresa atua e</p><p>mobiliza a sua estrutura respeitando seus valores morais, princípios e conduta</p><p>ética. A competitividade do mercado é um dos fatores que tem levado as</p><p>empresas a compreenderem que a ética e o respeito às leis, são valores</p><p>inegociáveis e necessários no mundo atual.</p><p>29</p><p>As decisões empresariais pautadas em princípios éticos refletem o</p><p>comprometimento das empresas em respeitar as leis com transparência de tal</p><p>modo que atendam as expectativas da sociedade. Nas tomadas de decisão</p><p>baseadas em princípios éticos é fundamental a clareza e a objetividade, pois é</p><p>a partir destes procedimentos que os colaboradores se motivam e se sentem</p><p>realmente partes integrantes da corporação.</p><p>Fonte: medium.com/@rafaelasouza_26759</p><p>Quando as decisões dos gestores respeitam os valores éticos, os</p><p>consumidores, fornecedores, parceiros, governo e a sociedade de forma geral</p><p>se sentem seguros e confiantes quanto aos produtos e ou serviços prestados</p><p>por esta organização.</p><p>Através da conduta ética a empresa fideliza e atrai novos clientes,</p><p>solidificando a confiança destes junto à empresa, além de agregar credibilidade</p><p>aos negócios. Ao aplicar padrões éticos na gestão da organização e nas</p><p>decisões empresariais a organização obtém melhores resultados ao enfrentar a</p><p>concorrência.</p><p>Um fator muito importante é o momento ou o quadro conjuntural em que</p><p>as decisões serão tomadas. Decidir corretamente não é o suficiente, por isso a</p><p>ética atua como uma bússola na tomada de decisões no mundo corporativo. Ao</p><p>30</p><p>administrador compete a responsabilidade de tomar importantes decisões</p><p>empresariais que causarão impactos relevantes em toda a corporação. Isso</p><p>implica que suas decisões não devem apenas focar as questões da lucratividade</p><p>e retorno financeiro aos investidores. As decisões também envolvem pessoas,</p><p>e, por esta razão; devem ser pautadas pela ética.</p><p>Muitas empresas elaboram sua declaração de missão, visão e valores,</p><p>porém, no momento de decidir sobre determinadas questões acabam por não</p><p>observar tais princípios o que se configura em atitude incorreta sob o foco da</p><p>ética.</p><p>A crise Americana de 2008, que se transformou numa grave crise global,</p><p>foi provocada também pela ausência de uma conduta ética nas empresas que</p><p>avalizavam financiamentos aos consumidores do mercado imobiliário</p><p>considerados de alto risco. A empresa quebrou o código de ética no momento</p><p>em que omitiu as reais condições da carteira que já indicava a possibilidade de</p><p>inadimplência generalizada, como de fato ocorreu. Este exemplo mostra como</p><p>as decisões tomadas sem amparo ético comprometem a imagem e o resultado</p><p>das organizações, podendo inclusive causar danos irreparáveis à sociedade.</p><p>15 AS RELAÇÕES ENTRE TRABALHO E ÉTICA</p><p>Para que um trabalhador alcance a sua excelência profissional, é</p><p>importante que siga padrões e valores da sociedade e, principalmente, da</p><p>organização em que trabalha. A credibilidade vem da postura ética adotada pelo</p><p>trabalhador, uma vez que a sua atuação deve ser consequência de uma reflexão</p><p>sobre a melhor maneira de agir. A ética proporciona o ganho de confiança e</p><p>respeito dos gestores e colegas.</p><p>A ética no trabalho vai além do ponto de vista do dever, da obrigação, ou</p><p>das normas de conduta que funcionam como um código moral dos funcionários.</p><p>Ela pode ser entendida como um conjunto de (BORGES; RODRIGUES, 2011):</p><p> saberes, que forma a moral do trabalho, entendida como algo que define</p><p>a forma como os trabalhadores devem conduzir as suas vidas enquanto</p><p>estiverem trabalhando;</p><p>31</p><p> normas éticas que devem formar a consciência do profissional e ser</p><p>imperativas para a sua conduta;</p><p> princípios morais que devem ser observados no exercício de uma</p><p>profissão;</p><p> valores e normas de comportamento e relacionamento que são adotados</p><p>no ambiente de trabalho, no exercício de uma atividade</p><p>As organizações adotam padrões éticos profissionais, aplicando-os às</p><p>suas regras de comportamento internas, visando o bom andamento de todos os</p><p>processos organizacionais, o atingimento das metas e o alcance dos objetivos</p><p>estratégicos. A ética no trabalho é a ferramenta de exercício cotidiano de</p><p>honestidade, lealdade e comprometimento, que conduzem as ações do indivíduo</p><p>no exercício de suas atividades na empresa.</p><p>A ética no ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom</p><p>funcionamento das atividades da empresa e das relações de trabalho entre os</p><p>colaboradores. Quanto maior a organização, mais se faz necessário um código</p><p>de ética, para que ele sirva para padronizar os procedimentos de trabalho e</p><p>estabeleça regras e valores de conduta para todas as áreas.</p><p>O código de ética prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos</p><p>trabalhadores que não obedecerem aos procedimentos e normas da área.</p><p>Normalmente as organizações disponibilizam canais de comunicação próprios</p><p>para denúncias, em que os funcionários podem relatar fatos de descumprimento</p><p>das normas estabelecidas no código de ética e que tenham sido observados no</p><p>ambiente de trabalho ou na relação com clientes.</p><p>A ética no trabalho serve para construir relações de qualidade com os</p><p>colegas de trabalho, chefes e subordinados, e para contribuir para o bom</p><p>funcionamento das rotinas de trabalho, uma vez que relações amigáveis e</p><p>respeitosas contribuem para o aumento do nível de confiança e</p><p>comprometimento dos funcionários, refletindo no aumento da produção e do</p><p>desenvolvimento da empresa. Os comportamentos antiéticos, por outro lado,</p><p>prejudicam o clima organizacional, afetando o rendimento das equipes.</p><p>A relação entre a ética no trabalho e os processos de subjetivação, ou</p><p>seja, a maneira como podemos pensar a ética e o trabalho de forma mais</p><p>abstrata e subjetiva, pode ser compreendida como (BITENCOURT, 2010):</p><p>32</p><p> um código normativo, que age como um mecanismo disciplinador e de</p><p>submissão dos funcionários;</p><p> um processo de identificação, relacionado ao reconhecimento social do</p><p>funcionário como um cidadão;</p><p> o conjunto de possibilidades trazidas pelo código normativo associado ao</p><p>trabalho, que influencia a ética como prática reflexiva da liberdade, ou</p><p>seja, uma reflexão sobre as decisões dos trabalhadores quanto ao próprio</p><p>destino.</p><p>O grau de liberdade para a reflexão ética vai depender dos valores morais</p><p>que envolvem as formas de gestão e a cultura das empresas, bem como as</p><p>restrições que são impostas pelo mercado de trabalho.</p><p>Algumas profissões têm conselhos de representação que têm a</p><p>responsabilidade de criar os códigos de ética específicos de cada área de</p><p>atuação e, também, de fiscalizar o seu cumprimento. Esse código, chamado de</p><p>código de ética profissional, é o conjunto de normas éticas que devem ser</p><p>seguidas pelos profissionais enquanto exercem seu trabalho,</p><p>independentemente da empresa em que estiverem. Ele existe para padronizar</p><p>procedimentos operacionais e condutas de comportamento, garantindo a</p><p>segurança dos profissionais e dos usuários de serviços específicos. Ele também</p><p>prevê princípios a seguir e penas disciplinares aos trabalhadores que não</p><p>obedecerem aos procedimentos e normas</p><p>da área (BORGES; RODRIGUES,</p><p>2011).</p><p>16 OS EFEITOS DAS TRANSFORMAÇÕES CONTEMPORÂNEAS NOS</p><p>CÓDIGOS NORMATIVOS</p><p>A discussão em torno das transformações da ética no trabalho gera duas</p><p>definições sobre o tema (BITENCOURT, 2010):</p><p> é um código antigo, com origem na doutrina protestante e que se associou</p><p>ao espírito capitalista da modernidade;</p><p>33</p><p> é a discussão sobre a remodelação desse código devido às</p><p>transformações sociais, que possibilitam a reflexão sobre o lugar que o</p><p>trabalho exerce na vida das pessoas.</p><p>Fonte: www.mapadaobra.com.br</p><p>O termo ética no trabalho, ou ética protestante do trabalho, surgiu no</p><p>Brasil em 1967, depois da tradução brasileira da obra A ética protestante e o</p><p>“espírito” do capitalismo, de Max Weber. Ele faz referência às condições morais</p><p>para o surgimento do capitalismo, condições essas que estavam presentes na</p><p>ética protestante. O protestantismo foi um movimento religioso que eclodiu na</p><p>Europa Central, no início do século XVI, como reação contra as doutrinas e</p><p>práticas do catolicismo romano medieval. A motivação psicológica para o</p><p>trabalho era uma forma de a doutrina protestante se assegurar. O trabalho</p><p>passou a ser visto como obrigação moral para as pessoas e o capitalismo</p><p>passou, então, a não precisar mais da religião como um suporte. No princípio,</p><p>os fundamentos da ética no trabalho eram (BITENCOURT, 2010):</p><p> a busca individual do sucesso;</p><p> a capacidade de o indivíduo postergar o seu prazer e divertimento em prol</p><p>do acúmulo de dinheiro;</p><p>34</p><p> a aceitação da existência de uma obrigação moral de trabalhar de forma</p><p>disciplinada, mesmo que o trabalho fosse árduo e difícil;</p><p> a obediência às ordens do patrão, sempre com o devido sentimento de</p><p>obrigação em relação a elas;</p><p> a importância do trabalho em todos os aspectos da vida, significando</p><p>valorização pessoal.</p><p>Na sociedade industrial, a ética no trabalho passou a ser considerada</p><p>como um elemento essencial para a modernização da sociedade, e muitos</p><p>estudos tentaram estabelecer a relação existente entre a ética no trabalho e as</p><p>transformações possivelmente trazidas pelo capitalismo.</p><p>No Brasil, o trabalho passou a ser valorizado com a criação da carteira de</p><p>trabalho, documento que demonstra o exercício da cidadania do indivíduo e o</p><p>esforço do país em atribuir ao trabalho um caráter essencial na vida dos</p><p>indivíduos. O trabalho passou a ser visto então como uma fonte de dignidade e</p><p>de moralidade e uma ferramenta de ascensão na sociedade, além de uma forma</p><p>de servir ao sustento do país por meio da submissão e da obediência.</p><p>Atualmente, a relação entre trabalho e cidadania e a associação dos</p><p>valores ligados ao trabalho e à família passam por modificações radicais na nova</p><p>estruturação do capitalismo. Nos países capitalistas, os códigos normativos</p><p>começaram a passar por transformações contemporâneas devido ao aumento</p><p>do individualismo, à diminuição dos laços sociais, à cultura do narcisismo, à</p><p>perspectiva de incerteza generalizada na sociedade, à competição extremada, à</p><p>destruição das garantias das estabilidades e à consideração do código moral</p><p>como algo de importância relativa (BITENCOURT, 2010).</p><p>A sensação de insegurança e a impossibilidade de planejar o futuro a</p><p>longo prazo, decorrentes do modelo produtivo da atualidade, começaram a</p><p>afetar o caráter dos trabalhadores, que passaram a se sentir hesitantes com</p><p>relação ao padrão moral de comportamento que será oferecido para as próximas</p><p>gerações. As pessoas se sentem incapazes de transmitir parâmetros sobre o</p><p>que é certo ou errado. A nova configuração de mundo e sociedade gera</p><p>incertezas, tornando indefinidos os critérios para o julgamento moral.</p><p>O comportamento passou a se deslocar da ética profissional para a ética</p><p>do consumo, que é caracterizada pela necessidade de satisfação imediata. A</p><p>35</p><p>transformação do trabalhador da modernidade, que era produtor, para o</p><p>consumidor contemporâneo, indica uma acentuação do individualismo: o</p><p>consumo é essencialmente individual, enquanto o trabalho é coletivo. Além</p><p>disso, os novos modelos de gestão procuram individualizar os trabalhadores que</p><p>exercem suas atividades em equipe, visando avaliá-los.</p><p>Passou a existir uma nova forma de reflexão da ética, que surgiu da</p><p>sociedade moderna e teria como fundamento os cuidados dos indivíduos</p><p>consigo mesmos. Antes, no modelo cultural da era industrial, os cuidados</p><p>próprios estavam sempre relacionados com as obrigações frente aos outros,</p><p>sendo que esses outros podiam ser a religião, os filhos, os amigos próximos, a</p><p>família e a sociedade como um todo. A autorrealização do indivíduo era</p><p>proporcionada pelo esforço do trabalho, projetado no futuro (BITENCOURT,</p><p>2010).</p><p>Nesse novo modelo de reflexão ética, a satisfação imediata é o que</p><p>importa, e existe a sensação de um presente permanente, o que traduz a</p><p>importância do individualismo. As altas taxas de desemprego, as modificações</p><p>tecnológicas e as alterações organizacionais das empresas são, na realidade,</p><p>os dispositivos responsáveis pelas transformações na reflexão ética. A ética,</p><p>como está hoje, é sustentada pelo individualismo, por um dever do indivíduo para</p><p>com ele próprio, em uma busca incessante pela sua autossatisfação.</p><p>O individualismo da atualidade também está ligado à solidariedade, só</p><p>que uma solidariedade direcionada para com os grupos aos quais as pessoas</p><p>são mais próximas, ou seja, para com a sua microssociedade. Assim, são</p><p>formadas comunidades pela livre escolha dos indivíduos, ao contrário do que</p><p>acontece com as relações no trabalho, que são impostas.</p><p>A crise de identidade pela qual as pessoas passam na atualidade está</p><p>relacionada com a crise no modelo cultural, pois todo o conjunto de significados</p><p>e valores que existia está, hoje, desestabilizado. Essa crise cultural provoca nos</p><p>indivíduos mais jovens uma reflexão sobre as melhores formas de existir. Ela</p><p>passa a ser uma crise da própria identidade do indivíduo, que se vê em uma</p><p>situação de indefinição, uma vez que a liberdade existente para as escolhas</p><p>quanto ao modo de viver – como relacionamentos amorosos, lazer, amizades,</p><p>divertimentos, produtos de consumo, entre outros – não existe no trabalho e no</p><p>36</p><p>mundo profissional. Até mesmo a escolha do próprio trabalho é limitada pelas</p><p>imposições estabelecidas pelo mercado (BITENCOURT, 2010).</p><p>Fonte: ead.sestsenat.org.br</p><p>A saída para os indivíduos mais jovens poderia ser, então, a transferência</p><p>da sua realização pessoal para a vida fora do trabalho, pois esta não seria</p><p>moderada por regras e princípios morais. A consequência disso, a longo prazo,</p><p>pode ser o surgimento de um indivíduo contemporâneo completamente</p><p>desconectado do que é social, alguém que não vê sentido na sociedade, que</p><p>ignora o fato de fazer parte de uma sociedade e que, por isso, não possui senso</p><p>de responsabilidade para com as regras sociais. O individualismo exagerado</p><p>pode conduzir o indivíduo a achar que não é nada, e que não está ou não</p><p>pertence a qualquer lugar.</p><p>O código moral referente ao trabalho na sociedade atual vai se</p><p>transformando à medida que o capitalismo muda suas estratégias para dominar,</p><p>cada vez mais, o mundo. A ética, então, volta a se tornar essencial na nossa</p><p>sociedade, pois o aumento do individualismo, que se revela sob a forma de</p><p>narcisismo, resulta da impossibilidade de se pensar em um futuro, o que traz</p><p>uma vontade incontrolável de aproveitar os momentos do presente da forma</p><p>mais intensa possível. A perspectiva desse tempo presente, que pede essa</p><p>37</p><p>pressa dos indivíduos, traduz a ausência de princípios que possibilitem enxergar</p><p>um sentido para a vida em comunidade, o que denota uma fragilidade nos laços</p><p>sociais e um fortalecimento do individualismo, consequência da destruição dos</p><p>valores e da dissolução dos laços centrados no trabalho, sem que eles tenham</p><p>sido substituídos por quaisquer outros que não sejam apenas aqueles que</p><p>valorizam a própria existência. Somente o respeito pelo outro e o</p><p>reconhecimento de que temos limites e somos finitos é que podem acabar com</p><p>o individualismo e possibilitar um retorno à solidariedade.</p><p>A ética profissional é um conjunto de padrões de conduta que</p><p>normalmente está estabelecido nos códigos normativos das empresas, mas é</p><p>também um elemento de reconhecimento e identificação da sociedade. A</p><p>transformação dos códigos morais e a consequente mudança na ética do</p><p>trabalho dependem do grau de liberdade existente para uma prática reflexiva,</p><p>indispensável para se pensar a ética (BITENCOURT, 2010).</p><p>A atual conjuntura implica uma transformação do código moral que</p><p>sustenta as relações em sociedade. A ética no trabalho muitas vezes surge</p><p>somente como uma teoria, e não como algo presente na rotina de ações das</p><p>pessoas. Embora seja algo ainda muito solicitado no perfil de executivos, a ética</p><p>se encontra subordinada a valores maiores, que são o individualismo e a</p><p>competitividade.</p><p>38</p><p>17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BERTONHA, J. Fascismo: um risco real para o mundo de hoje? Revista</p><p>Espaço Acadêmico, [s. l.], v. 12, nº. 137, p. 106–108, 2012. Disponível em:</p><p>http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/1822</p><p>7. Acesso em: 16 abr. 2019.</p><p>BITENCOURT, C. Gestão Contemporânea de Pessoas: novas práticas,</p><p>conceitos tradicionais. 2. ed. Porto Alegre: Bookman. 2010.</p><p>BORGES, I. R.; RODRIGUES, M. C. Ética e Responsabilidade Profissional.</p><p>Canoas: Ulbra, 2011.</p><p>BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 2664/2011. Brasília, DF,</p><p>2011. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2016. BRASIL.</p><p>CAMARGO, M. Fundamentos de ética geral e profissional. Petrópolis, Rio de</p><p>Janeiro: Vozes, 1999.</p><p>CORTELLA, M. S. Qual é a tua Obra? 6.ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2007.</p><p>COSENZA Bruna. Como o líder deve tratar o relacionamento interpessoal</p><p>no trabalho? 2020.</p><p>CUNHA, C. Ética e moral: qual é a diferença? UOL vestibular, 6 nov, 2015.</p><p>Disponível em: Acesso em: 19 fev. 2018.</p><p>EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA. Ética e moral. Em Cantos e versos, 2014.</p><p>Acesso em: 16 out. 2017.</p><p>FERREIRA, J. O. 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Ética profissional. Belém: IFPA; Santa Maria: UFSM, 2012.</p><p>Acesso em: 25 ago. 2016.</p><p>ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS INTERAMERICANOS. Convenção</p><p>Americana sobre Direitos Humanos. San José: OEA, 1969. Acesso em: 18 jul.</p><p>2017.</p><p>PINEDA, E. S.; MARROQUÍN, A. C. J. Ética nas empresas. Porto Alegre:</p><p>AMGH, 2009.</p><p>RICOEUR, P. Ética e Moral.. Covilhã: LusoSofia, 2011.</p><p>SIGNIFICADO de ética e moral. Significados. Disponível em: . Acesso em: 19</p><p>fev. 2018.</p><p>SIGNIFICADO de valores morais. Siginificados, 2017. Disponível em: . Acesso</p><p>em: 16 out. 2017.</p><p>SENGE, P. M. A quinta disciplina. 25.ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2009.</p><p>SILVEIRA Laucemir - As Etapas do Contrato Transacional nas Relações</p><p>Interpessoais, Grupais e Organizacionais. 2020.</p><p>Sousa Júnior, Walter Alves de. Ética e legislação contábil. 2016.</p>