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<p>Como concebemos (e intervimos) no processo saúde-doença no âmbito da saúde</p><p>do trabalhador, considerando os conflitos entre trabalho prescrito e real, no</p><p>cenário contemporâneo de precarização e informalidade?</p><p>A Saúde do Trabalhador no Brasil, surge em um momento de redemocratização</p><p>do país, com forte influência dos movimentos sociais e da construção do SUS,</p><p>pensado através de muitas reivindicações sindicais operárias.</p><p>De acordo com o pensamento do autor Dejours, o trabalho prescrito é elaborado</p><p>com prescrições, normas e metas de uma organização que a idealiza. Já o trabalho</p><p>real, tal como ele, se manifesta nas práticas do dia-dia dos trabalhadores e representa</p><p>a experiência, que muitas vezes se distancia do trabalho prescrito. Mas, do que apenas</p><p>seguir instruções; existe a capacidade de adaptação, resolução de problemas e</p><p>inventividade diante de situações inesperadas. Porém, a produção não seria possível</p><p>se os trabalhadores respeitassem totalmente as diretivas. Para que o trabalho funcione,</p><p>é preciso que haja um investimento na elaboração de um engajamento humano. Que</p><p>revela além da função como mero instrumento, é um corpo subjetivo, repleto de afetos,</p><p>desejos e vivências, que se conecta com o mundo de maneira pessoal.</p><p>No mundo globalizado, regido pelos meios tecnológicos, em uma</p><p>pós-pandemia, ocorreu um aumento da precarização e informalidade do trabalho.</p><p>Contribuindo para mais microempreendimentos e a demissão de trabalhadores . Isso</p><p>gerou novas ocupações como prestadores de serviços por aplicativos, ambulantes,</p><p>freelancers, entre outras formas de terceirizações.</p><p>Conflitos gerados entre o prescrito e o real estão entre os interesses da</p><p>organização, como o desejo dos clientes a qual prestam serviços, que nem sempre</p><p>coincidem com os interesses dos trabalhadores e sua subjetividade, podendo</p><p>comprometer a saúde dos trabalhadores, a qual muitas vezes não são reconhecidos e</p><p>respeitados. Estabelecem o prescritivo em um sistema visando a máxima</p><p>produtividade, competitividade e escassez de tempo. A subjetividade desses corpos se</p><p>declina para o adoecimento psicossomático. Peter Kevin Spink, questiona e argumenta</p><p>que o conceito tradicional de trabalho decente, que é associado ao emprego formal e</p><p>protegido. Se torna insuficiente para compreender a realidade da maioria dos</p><p>trabalhadores, muitas vezes informais, e que se baseiam em relações locais e redes de</p><p>apoio ( nanoeconomia) , quase sempre invisíveis aos olhos do Estado e das</p><p>estatísticas oficiais. Se constituindo em contratos temporários, a terceirização e</p><p>subemprego, cada vez mais comuns. Gerando uma baixa remuneração que muitas</p><p>vezes é inferior ao salário mínimo, dificultando a manutenção de um padrão de vida. Os</p><p>trabalhadores precarizados geralmente não têm acesso a benefícios como férias,</p><p>assistência médica e outros direitos trabalhistas. A legislação trabalhista é muitas</p><p>vezes ignorada ou flexibilizada, deixando os trabalhadores vulneráveis a abusos, em</p><p>jornadas de trabalho excessivas, sem acesso à saúde e condições de trabalho dignas.</p><p>As divergências desses conflitos podem gerar injustiças e sentimentos de</p><p>desvalorização. O real no sistema neo-liberal, se constitui muitas vezes no trabalho</p><p>individual, sem acesso e trocas de informações. Onde as construções e acordos que</p><p>se compõe no coletivo, se perdem reivindicar melhores condições de trabalho.</p><p>Para conceber e ocorrer uma intervenção nos contextos sociais no processo</p><p>saúde-doença no âmbito da saúde do trabalhador em que o trabalho precário e</p><p>informal se encontram. Deve se estabelecer uma nova abordagem que permita</p><p>compreender as condições de forma mais amplificada, da perspectiva de diferentes</p><p>atores sociais,dinâmicas culturais troca de experiências para observar o cotidiano</p><p>laboral, modificar os espaços e as políticas públicas, incentivo a projetos cooperativos,</p><p>informação, diminuir a burocratização e as relações de poder, onde bem-estar dos</p><p>trabalhadores sejam priorizados. Como maior atuação da psicologia social nos Centros</p><p>de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) que são principais dispositivos</p><p>para a implementação dessa política da Saúde do Trabalhador, inserida no SUS. A</p><p>psicologia do trabalho precisa se adaptar às novas realidades do mercado de trabalho,</p><p>desenvolvendo novas ferramentas e conceitos para analisar e oferecer soluções para</p><p>os desafios enfrentados pelos trabalhadores em um contexto crescente de</p><p>informalidade, precarização e desigualdade, para promover a saúde dos trabalhadores,</p><p>prevenir doenças e garantir a assistência aos trabalhadores adoecidos em um contexto</p><p>multidisciplinar e integrado.</p>