Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Alto Contraste A- A+ Imprimir FINITUDE Aula 1 SIGNIFICADO DE FINITUDE Significado de finitude Olá, estudante! Para esta aula, vamos compreender o conceito de finitude humana, que se mostra essencial para contemplarmos a jornada da vida em seus estágios: início, meio e fim. Iniciamos nossa existência no ventre materno, onde se estabelece nossa individualidade, desde a fusão do óvulo com o espermatozoide até o momento da gestação. desenvolvimento e crescimento marcam o meio da nossa jornada, enquanto a morte, seja pela cessação das atividades cerebrais ou pelo fim da vida, sinalizam seu término.</p><p>Ponto de Partida conceito de finitude é um tema central em diversas áreas de conhecimento. A finitude refere-se à condição de existência de limites ou um fim, contrapondo-se à ideia de infinitude. Assim, o conceito de finitude é multifacetado e sua compreensão oferece entendimento sobre a natureza da existência humana, nossa relação com o mundo e com o divino, bem como os limites dos sistemas naturais. É um tema que convida à reflexão profunda sobre o significado e o propósito da vida diante de nossas limitações inerentes. Neste contexto, nesta aula, vamos estudar tópicos importantes, como o conceito de finitude, o sentido da vida e os aspectos psicossociais que envolvem a velhice. Essa temática será o início para entendermos a profundidade da disciplina Vida Limitada pelo Tempo. Nesta aula, você terá a oportunidade entender a finitude como um processo natural da vida, ampliando seus conhecimentos a respeito do tema, e notar o quão proveitoso será para sua formação. Para ampliarmos a nossa compreensão, vamos partir da seguinte situação problema: Joana, uma psicóloga de 68 anos, recentemente aposentada, começa a refletir sobre sua própria vida e finitude. Ao</p><p>Joana se vê em uma encruzilhada. Ela percebe que, com o avançar da idade, seus relacionamentos sociais diminuíram, e ela sente a falta de um propósito claro após a aposentadoria. Joana também se preocupa com a inevitabilidade da morte e como isso afeta sua perspectiva de vida. Embora tenha uma rica experiência profissional, ela luta para aplicar esses conhecimentos em sua situação pessoal. Assim, vamos refletir sobre as seguintes questões: como Joana pode conciliar seu conhecimento profissional sobre a finitude e suas emoções e pensamentos pessoais sobre envelhecer e a morte? De que maneiras Joana pode encontrar um novo sentido e propósito em sua vida após a aposentadoria, considerando a limitação de suas interações sociais e atividades? Quais estratégias Joana pode adotar para melhorar sua saúde mental e bem-estar social nessa fase da vida, considerando os desafios únicos enfrentados na velhice? Vamos lá? Vamos Começar! Conceito de finitude Para compreendermos o conceito de finitude, precisamos entender que a vida humana passa por um processo de início, meio e fim. Dentro da nossa potencialidade genética, o início se dá no processo de gestação que, pela visão embrionária, começa na terceira semana de gravidez, quando a individualidade humana fica estabelecida; e, pela visão genética, quando o espermatozoide se encontra com o óvulo, trocando material genético (Barchifontaine,</p><p>do cérebro, quando o indivíduo tem a morte encefálica. Assim, o conceito de finitude dentro da realidade humana é essa condição de ser finito/limitado, é a característica de ter fim, de morrer. Diferente de outras espécies, o Homo sapiens lida com a morte de forma diferenciada devido ao seu importante envolvimento cultural nesse processo, tendo, de forma mais evidenciada na cultura ocidental, a característica de negar a morte como um processo natural da vida - não só o processo de morte, mas também o processo do envelhecer, quando tentamos rejuvenescer através de procedimentos estéticos, realização de harmonização facial e cirurgias plásticas. Todos esses métodos tentam mascarar as marcas que o tempo implantou em nossa face para escondermos nossas rugas, por exemplo. O envelhecimento é um processo inerente ao ser humano que corresponde ao desgaste fisiológico do corpo, apresentando declínio em vários aspectos. No âmbito psicossocial, as mudanças de papéis e relações são bastante significativas, tanto quanto as alterações cognitivas. Bee e Boyd (2011) afirmam que existe uma transição de papéis entre o adulto jovem, o de meia-idade e idoso. Enquanto o adulto jovem assume papéis complexos e que exigem maior dedicação perante a sociedade, as atribuições das pessoas de meia-idade (40-65 anos) são redefinidas e renegociadas, principalmente quanto ao tempo de dedicação. Por fim, na vida do idoso, os papéis assumidos na mocidade são colocados de lado e quase esquecidos. No final da vida adulta, grande parte dos papéis que vinham sendo exercidos ao longo da existência não têm mais razão de ser, como ser filho, profissional, cônjuge e, até mesmo, líder de entidades específicas - papéis que são essenciais na vida adulta, mas que, muitas vezes, para o idoso, já não têm mais sentido.</p><p>rotina afeta principalmente as relações sociais do idoso. No casamento, o componente mais valorizado é o companheirismo, que muitas vezes se manifesta por demonstrações de cuidado e assistência entre os cônjuges. Sentido da vida O sentido da vida possui diversas visões e perspectivas. Neste bloco, tentaremos explicá-lo por meio de algumas teorias e definições trazidas ao longo da história humana. A teoria do gene tenta explicar a evolução biológica por meio de uma perspectiva genética, em que o sentido da vida é o de se reproduzir, ou seja, ter filhos (Dawkins, 1976). Contudo, quando entramos na perspectiva humana, ao contrário de outras espécies, o sentido da vida tende a ser diferente, dependendo da influência de cada cultura sobre o indivíduo. ser humano, na sua mais íntima essência, procura entender a vida e encontrar um sentido duradouro para a sua existência (Carneiro, 2006 apud Kraus; Rodrigues; Dixe, 2009). A definição de sentido de vida, para Frankl (1990 apud Kraus; Rodrigues; Dixe, 2009), é o que motiva o indivíduo a lutar por alguma coisa ou agir de determinada maneira. O ser humano pode construir o sentido da vida a partir de três formas, fontes ou categorias de valores: criadores (fazer algo), vivenciais ("eu com o mundo - natureza") e de atitude (desenvolvem-se, pela transcendência de si, para algo ou quer seja pelo trabalho com espírito de missão, pela aceitação do inevitável (tríada trágica) ou, ainda, pelo amor incondicional a outra pessoa) (Frankl, 1990 apud Kraus; Rodrigues; Dixe, 2009).</p><p>diferente e, por isso, terá uma motivação individualizada do "existir". Inclusive, podemos "perder" o nosso sentido da vida quando estamos desnorteados, quando nossos atos do cotidiano perdem o significado, perdem a relevância, nossa razão de viver (Ferreira, 1990). Um importante acontecimento social para o idoso é a aposentadoria. Embora a idade para se aposentar varie, em países desenvolvidos essa transição aparenta ser menos turbulenta e mais respeitada, como em países orientais, onde idosos são mais respeitados de forma geral. Em países em desenvolvimento, a aposentadoria é geralmente acompanhada por dois sentimentos: a sensação de incapacidade por não ter mais uma responsabilidade laboral e a preocupação financeira, devido à diminuição de proventos. Em relação à personalidade, não há evidências de que haja alterações nesse âmbito. principal ponto é que o idoso adquire consciência de sua condição limitada, ou seja, percebe sua própria situação e essa percepção só é alcançada em estado de espírito elevado, e é maior do que qualquer outra medida de cunho social ou econômico. Ainda nesse cenário, o idoso muitas vezes reconhece a necessidade de ir para uma casa de repouso a partir do momento em que não tem mais condições de ficar sozinho, sem o auxílio dos familiares ou de um cuidador. Siga em Frente... Aspectos psicossociais da velhice Os indivíduos que possuem idade superior a 60 anos são classificados como idosos (Brasil, 2003). Contudo, essa classificação despreza os aspectos biopsicossociais, levando em</p><p>incidência de patologias (Lopes, 2016). O processo de envelhecimento pode ser diferente de pessoa para pessoa, sendo mais ágil para uns e lento para outros. Isso acontece por ser um processo biopsicossocial, sendo caracterizado por mudanças fisiológicas, psicológicas e nos papéis sociais (Caetano, 2006 apud Silva; Ferret, 2019). Essa mudança fisiológica refere-se a alterações no organismo decorrentes dos efeitos da idade avançada, que se traduzem numa diminuição progressiva das funções fisiológicas. O fator psicológico é associado às funções psíquicas que podem decorrer de alterações cognitivas ou da adequação a novos papéis; sobre o fator social, o indivíduo está em constante confronto por conta das ideias, tabus e crenças que a sociedade em geral tem sobre a velhice (Silva; Ferret, 2019). É importante lembrarmos que a representação da velhice está enraizada na sociedade ocidental como algo a ser temido, pois existe uma associação a doenças e à morte, tornando-se uma etapa da vida que se caracteriza pela perda do vigor físico e de papéis sociais. Uma outra visão sobre a velhice é a da melhor idade, expressão utilizada no final da década de 1980, em que a velhice perde o estigma de algo ruim, promovendo a busca do envelhecimento saudável, em que o indivíduo cuida do seu corpo e da mente. Diferente de adultos jovens e de que têm os aspectos socioculturais como elementos mais influentes no desenvolvimento cognitivo, psicossocial e físico, para o idoso, esses elementos tangem condições socioambientais. As condições que circundam o idoso são mais relevantes que suas relações psicossociais. Em muitos casos, os idosos dependem de ajuda para uma ou mais tarefas do cotidiano (cuidados do lar, alimentação, deslocamento) e a condição da interação entre o cuidador e o idoso é primordial para</p><p>Nesse sentido, é importante observar que a pessoa idosa já carrega consigo um hábito alimentar próprio. Querer que o idoso mude sua alimentação de forma drástica, nesse estágio da vida, é um tanto inadequado, portanto é preciso entender e respeitar as opções de alimentação do idoso, desde que sejam equilibradas com a saúde. Como nessa faixa etária a dependência de terceiros é considerável, é importante observar a forma como se cozinha. A quantidade e a qualidade do sono para o idoso não produzem efeitos deletérios ao desenvolvimento humano. Como o processo de envelhecimento é caracterizado pelo desgaste fisiológico do corpo humano e propicia o desenvolvimento de doenças, é comum que essa população necessite de assistência médica e hospitalar. Quando os idosos dependem de assistências gratuitas em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, o tempo de espera é excessivamente longo e pode gerar consequências drásticas no processo de desenvolvimento. Dessa forma, as condições financeiras estão estritamente ligadas a esse cenário, proporcionando uma associação direta e importante entre o desenvolvimento humano e as condições socioambientais Vamos Exercitar? Joana, uma psicóloga recém aposentada vem se questionando acerca de sua própria vida e finitude. Reflexão sobre finitude: Joana pode se beneficiar ao aplicar um processo de autorreflexão, talvez com práticas de escrita reflexiva ou terapia. Reconhecer a universalidade da finitude e a aceitação da mortalidade como uma parte natural da vida pode ajudar a aliviar o</p><p>Busca por sentido: Joana pode explorar novas atividades e hobbies que tragam satisfação e alegria. O voluntariado, por exemplo, pode oferecer um senso de propósito e conexão com os outros. Além disso, ela pode reavaliar e fortalecer laços com a família e amigos, buscando novas formas de interação e suporte social. A aprendizagem contínua, seja através de cursos, leitura ou outras formas de educação, também pode enriquecer sua vida e proporcionar novos interesses. Aspectos psicossociais na velhice: para enfrentar os desafios psicossociais da velhice, Joana pode buscar grupos de apoio ou comunidades de idosos em que possa compartilhar experiências e se sentir parte de uma comunidade. Manter-se fisicamente ativa, através de exercícios adaptados à sua idade, e engajar-se em atividades sociais é fundamental para a saúde mental. Além disso, é importante que ela reconheça e busque ajuda profissional para enfrentar problemas como depressão ou ansiedade. Essas abordagens podem ajudar Joana a navegar pelos desafios do envelhecimento, encontrando satisfação e significado na sua atual fase de vida. Saiba Mais Após o contato com os temas abordados, você pode aprofundar seus conhecimentos analisando alguns artigos selecionados: Dimensão psicossocial da atividade física na velhice, de Maria da Silva Santana, artigo em que a autora identifica as representações sociais da atividade física no contexto dos programas para a terceira idade no município de Natal (RN).</p><p>tem como proposta investigar a percepção dos idosos quanto aos aspectos psicossociais do seu processo de envelhecimento, em interface dos espaços públicos. Velhice e envelhecimento: questões e aspectos contemporâneos, de Mônica Younes de Souza. O estudo pretende estabelecer um olhar sobre a velhice e o envelhecimento, por meio de uma investigação crítica, a partir de suas imagens e representações sociais; o laço social, suas vias de efetivação e esgotamento diante dos oferecimentos disponíveis na sociedade, assim como suas implicações em dar sentido à experiência vital; contrastando direitos sociais legislados versus sua real efetivação. Referências Bibliográficas BARCHIFONTAINE, C. P. Bioética no início da vida. Pistis Prax, Curitiba, V. 2, n. 1, p. 41-55, 2010. BEE, H.; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. BRASIL. Lei 10.741, de 1 de outubro de 2003. Estatuto do idoso. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2003. DAWKINS, R. o gene egoísta. [s. I.]: [s. i.], [s. d.]. Disponível em: kins o Gene_Egoista.pdf Acesso em: 2 jan. 2024. FERREIRA, B. W. sentido da vida. Educação e Filosofia, Uberlândia, V. 9, n. 5, p. 129-134, 1990. KRAUS, T.; RODRIGUES, M.; DIXE, M. dos A. Sentido de vida, saúde e desenvolvimento humano. Referência, Coimbra, V. 2, n. 10,</p><p>LOPES, A. Os desafios da gerontologia no Brasil. São Paulo: Alinea, 2016. SILVA, J. R; FERRET, J. C. F. Os aspectos biopsicossociais do envelhecimento: um enfoque na sexualidade. Uningá, Maringá, V. 56, n. S1, p. 110-117, 2019. Disponível em: http://revista.uninga.br/index.php/uninga/article/view/148/1864 Acesso em: 2 jan. 2024. Aula 2 TEMPO DA VIDA O tempo da vida Olá estudante! Nesta aula, iremos refletir sobre a essência da vida! Esta é uma jornada marcada por três segmentos temporais interligados: o ontem, o hoje e o amanhã. O "ontem" representa nossas memórias e experiências, o "hoje" é o momento de ação e plenitude, e o "amanhã" é repleto de promessas e possibilidades. Nessa tríade temporal, encontramos o equilíbrio necessário para uma existência harmoniosa e significativa. Ao celebrarmos a vida, devemos fazê-lo com consciência, gratidão e autenticidade.</p><p>Ponto de Partida Nesta aula, falaremos sobre o processo de celebração da vida, o qual envolve o conceito de felicidade. Sabemos que celebrar é algo muito bom, importante e necessário em nossas vidas. Porém, essa felicidade só vai acontecer a partir do que nós construímos a partir do nosso ontem, do hoje e do que planejamos para o nosso amanhã. Assim, para contextualizarmos nossa aula, vamos analisar a seguinte situação: Maria, uma profissional de marketing de 35 anos, vive em uma grande cidade e é constantemente bombardeada com imagens de sucesso e felicidade nas redes sociais. Ela se encontra em uma encruzilhada em sua vida, ponderando sobre o que realmente significa ser feliz. Maria reflete sobre as lições do passado (ontem), as realidades de sua vida presente (hoje) e suas esperanças e sonhos para o futuro (amanhã). Maria luta para equilibrar as pressões do sucesso material e a busca por um sentido mais profundo de felicidade e realização. Ela sente que, apesar de sua carreira bem-sucedida e vida social ativa, há um vazio que não consegue preencher. Maria está tentando descobrir como pode viver uma vida mais autêntica e satisfatória, balanceando suas aspirações pessoais e profissionais com seu bem-estar emocional e espiritual.</p><p>por suas experiências passadas e pela cultura contemporânea? De que maneira Maria pode reconhecer e superar o impacto da cultura do consumo e das redes sociais em sua percepção de felicidade? Quais passos Maria pode tomar para equilibrar o ontem, o hoje e o amanhã em sua busca pela felicidade? Partindo desse contexto, vamos analisar os significados de ontem, hoje, amanhã, o conceito de felicidade e a importância da celebração da vida. Vamos Começar! Ontem, hoje e amanhã Em sua essência, a vida é formada basicamente por três segmentos temporais: o ontem, o hoje e o amanhã. Embora distintos, esses três segmentos estão intrinsecamente ligados, formando a continuidade da existência humana. A percepção dessa continuidade é o que dá significado à nossa jornada, moldando nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. O "ontem" é o alicerce da nossa vida, um vasto reservatório de memórias e experiências. É no passado que encontramos as raízes de nossa identidade e os aprendizados que nos formaram. As alegrias e os desafios de ontem têm o poder de influenciar quem somos no presente. No entanto, é vital reconhecer que, embora o passado seja um valioso professor, ele não deve ser um carcereiro. O apego excessivo ao ontem pode nos prender em um ciclo de nostalgia e arrependimento, impedindo o crescimento e a evolução. "hoje" é o momento do poder e da ação. É no presente que a vida se desenrola em sua plenitude, oferecendo-nos a oportunidade de</p><p>capazes de apreciar os pequenos momentos, as alegrias simples e as conexões humanas que dão e sabor à vida. Contudo, o presente é efêmero, escapando de nossas mãos como grãos de areia, lembrando-nos da natureza transitória da existência. O "amanhã" é o reino do desconhecido, repleto de possibilidades e promessas. É a direção para onde todos os nossos sonhos, esperanças e planos se dirigem. futuro nos oferece um espaço para aspirar, planejar e sonhar. No entanto, é importante não viver exclusivamente para o amanhã, pois, ao fazer isso, podemos perder a riqueza e a beleza do presente. amanhã é também um lembrete de nossa finitude; cada dia que passa é um dia a menos em nossa reserva temporal, enfatizando a importância de viver com intenção e propósito. Nesse contexto, a vida limitada pelo tempo é um conceito que nos convida a refletir sobre a impermanência e a preciosidade de nossa existência. Saber que nossos dias são contados nos encoraja a viver com mais significado, a buscar relações mais profundas e apreciar cada momento. equilíbrio entre ontem, hoje e amanhã é a chave para uma vida harmoniosa e realizada. Devemos aprender com o passado, viver plenamente no presente e esperar o futuro com otimismo, tudo enquanto navegamos na corrente inexorável do tempo. Felicidade Desde os primórdios de sua existência, o ser humano busca formas e maneiras de compreender o sentido da felicidade. Em cada contexto cultural, desenvolve concepções específicas sobre condições de felicidade. As culturas, por suas particularidades, apresentam um caráter pedagógico forte que se relaciona</p><p>essas ideias são aceitas como verdades universais, influenciando fortemente as metas e aspirações individuais, levando a objetivos, por vezes, ambíguos. São muitos os mitos que cercam o desejo humano por celebrar a vida, com alguns olhando para o passado, enquanto outros se projetam para o futuro. Frequentemente, a felicidade é erroneamente atrelada a aspectos materiais e superficiais, como sucesso no trabalho, popularidade nas redes sociais (medido em número de curtidas e seguidores) e riqueza material. Para ter uma compreensão mais profunda das diversas concepções de felicidade que marcaram o imaginário e a vida das pessoas ao longo da história, é crucial reconhecer que muitas dessas ideias emergiram dos contextos de cada momento histórico. Assim, nascem crenças e práticas culturais que se manifestam em nosso cotidiano. No contexto contemporâneo, o conceito de cultura passou por transformações significativas ao longo dos últimos séculos, deslocando-se de uma ideia mais elitista e associada ao ser intelectual, para abranger aspectos e espaços anteriormente negligenciados, que agora influenciam diretamente os sujeitos sociais. Segundo Moreira e Candau (2007), considerando os aspectos antropológicos, a cultura é definida como as condições de vida de um determinado grupo, adotando, a partir de sua realidade, suas visões e concepções de mundo. Compreender o que se pensa hoje sobre a felicidade é, portanto, fundamental, pois essas percepções provêm justamente das representações culturais de seus grupos. Ao entender o conceito de felicidade, buscamos mapear as tendências formuladas ao longo da história para que essa emoção seja percebida e valorizada em cada época, considerando o passado, presente e futuro de cada ser. Esse</p><p>Conscientes disso, torna-se mais fácil entender o conceito de felicidade e as influências culturais que afetam nossa vida cotidiana. Atualmente, em quase todos os lugares a que vamos ou programas que assistimos, há uma tentativa de associar a ideia de felicidade aos estímulos da vida em sociedade. Essa nova compreensão enfatiza a importância de reconhecer as diversas faces da felicidade, percebendo-a como uma experiência multifacetada e profundamente enraizada em nossas culturas e histórias individuais e coletivas. Minois (2011), ao compreender o debate em torno da genealogia do conceito de felicidade, busca retomar a mitologia grega para trazer essa discussão. Ele verifica que, nesse aspecto, a felicidade dos indivíduos, no início dos tempos, era idêntica à dos deuses mitológicos. Ao estudar as obras de Hesíodo, Torrano (1995) apontou que sua obra Os trabalhos e os dias apresenta os homens como a raça de ouro, que existiam sob perfeitas condições morais e, com isso, viveram o reinado de Cronos, justamente no período em que ele reinava no céu. Logo, eles viviam com ânimo, não apresentavam tristeza, não conheciam a fadiga nem a miserabilidade; a velhice não se fazia presente, mas se mostravam sempre iguais quanto às pernas e braços; se alegravam na opulência, distantes do mal (Torrano, 1995, p. 48). Assim, percebemos que os seres humanos eram considerados iguais aos deuses mitológicos, pois não viviam miséria, cansaço, velhice ou tristeza. Nem mesmo a morte os preocupava, porque se consideravam afortunados, possuíam todos os bens e viviam em constante fartura. Quando a filosofia surgiu no período da antiguidade clássica, veio com a finalidade de inserir a razão em contrapartida ao entendimento da mitologia.</p><p>estava restrita a um pequeno grupo de pessoas que atuavam incessantemente para obter tais características. No ontem, para ter felicidade, era necessário ter bens, poder e posses. No hoje, não tem sido muito diferente: a mídia e as redes sociais ostentam a felicidade atrelada ao ter e não ao ser. Os valores pessoais dão espaço ao vazio do like e dos números de seguidores. Deixamos de viver o hoje e o agora para gravar um vídeo e postá-lo nas redes sociais, para mostrar ao outro uma ideia de felicidade, mesmo que apenas aparente. Para Aristóteles, a felicidade está diretamente ligada a um bem supremo que o indivíduo busca acima de todos os demais, mas associando-o diretamente aos bens materiais e prazeres terrenos. Isso também não se difere muito do que vemos hoje: muitos tornam a busca pela felicidade no acesso a determinados bens materiais e prazeres momentâneos, esquecem da importância da convivência familiar, das relações pessoais e das amizades feitas no decorrer de nossas vidas. O amanhã é algo a ser alcançado, mas é construído baseado no hoje, nas relações que construímos no agora. Para que o amanhã seja da forma que buscamos, ele começa a ser construído pautado no ontem e no hoje. Siga em Frente... Celebração da vida Quando falamos em celebração da vida, referimo-nos à felicidade do indivíduo em celebrar e/ou comemorar algo em seu cotidiano. Com isso, percebemos que as comemorações fazem parte da vida social das pessoas, tanto no âmbito público quanto privado. O cotidiano privado é marcado por diversas celebrações, como casamentos, aniversários, nascimentos e outros. Na esfera pública também se</p><p>contemporânea, em que as principais e maiores datas históricas são parte da agenda cristã. Os aniversários, os jubileus de ouro, prata e diamante, os centenários, são um aspecto que demonstra a íntima relação entre o processo de passagem do tempo cronológico e é consenso que essas datas sejam festejadas com maior ênfase. O que conseguimos notar é que a oportunidade de celebrar historicamente sempre esteve marcada com a ideia do poder de compra, com o que se conquistou no decorrer da vida. Isso, consequentemente, fará com que a renda seja vista e encarada como uma característica própria da felicidade, principalmente na sociedade marcada pelo consumo. Saraiva (2014) vem nos esclarecer que o avanço significativo do neoliberalismo norte-americano estende a noção de Homo economicus e de mercado (conceito teórico, dada a compreensão de que os homens do mundo moderno sempre pautam suas decisões financeiras na base da razão). Essa racionalidade neoliberal, baseada no desenvolvimento econômico capitalista, vem sendo imposta ao longo do século XX e XXI de maneira hegemônica. Com isso, fica evidenciado que a felicidade e o direito a celebrar estão muito relacionados à capacidade de possuir ou não bens e capital. O que se percebe é uma tendência voltada justamente ao ser que, justamente, quer se basear na formação moral do indivíduo, além de pensar no esperar (pós-morte), fazendo com que haja a necessidade de deslocar isso para o tempo presente, quando a receita para a felicidade está diretamente atrelada ao consumo e ao prazer imediatos: são esses os caminhos de felicidade propagados pela grande mídia como a fórmula perfeita para celebrar a vida.</p><p>que se é, abrindo espaço para um vazio pessoal muito grande, que pode justamente ocasionar problemas de saúde mental grave. Muitos influenciadores digitais têm declarado nas redes sociais o uso abusivo de drogas e até mesmo graves quadros de depressão e que, apesar dos seus milhões de seguidores, sentem-se sozinhos. Faz-se necessário saber celebrar, com quem celebrar e o real motivo de celebrar. Não se pode perder os principais aspectos que nos levam a realmente celebrar que é a vida, a qualidade de vida obtida e sobretudo a saúde. As nossas conquistas serão as consequências para celebração, mas não necessariamente o principal motivo e razão para tal. Vamos Exercitar? Maria vem se questionando acerca do conceito de felicidade em relação à sua vida, já que constantemente está diante de imagens de sucesso e felicidade nas redes sociais, o que a leva a ponderar sobre o que realmente significa ser feliz, levando-a a questionar alguns fatores. Assim, em relação às influências culturais e experiências passadas, percebe-se que Maria foi influenciada pela cultura do sucesso material e da popularidade nas redes sociais, que enfatiza a felicidade como consequência de possuir bens materiais e obter reconhecimento externo. Suas experiências passadas, especialmente em um ambiente corporativo competitivo, reforçaram a ideia de que o sucesso profissional e financeiro é sinônimo de felicidade. Além disso, Maria precisa reconhecer que a felicidade não é medida apenas por realizações externas ou aprovação social. Ela pode buscar atividades que promovam satisfação intrínseca, como hobbies, voluntariado, ou práticas de mindfulness. Limitar o tempo</p><p>Quanto ao equilíbrio entre o ontem, o hoje e o amanhã, Maria deve aprender com o passado (ontem) mas não se prender a ele, usando suas experiências para informar, mas não limitar, suas ações presentes. Viver no presente (hoje) requer que Maria aprecie as pequenas alegrias e conexões humanas do cotidiano, além de buscar o crescimento pessoal. Planejar para o futuro (amanhã) envolve estabelecer metas que não apenas alcancem o sucesso externo, mas também promovam seu bem-estar e realização pessoal. Saiba Mais Com a finalidade de aprofundarmos o debate aqui proposto em aula, aproveite algumas leituras da área: Sobre a Felicidade, de Marcos Ferreira de Paula autor traz uma retrospectiva histórica acerca do conceito de felicidade desde os gregos, passando pelo Cristianismo, até chegar aos tempos modernos - disponível na Biblioteca Virtual [Minha Biblioteca]. A conquista da felicidade, de Bertrand Russell - o autor apresenta o conceito de felicidade, as causas da infelicidade e da felicidade. Psicologia positiva e psiquiatria positiva: a ciência da felicidade na prática clínica, de Leonardo Machado e Lina Sue Matsumoto (seção 1) - os autores apresentam o conceito de felicidade à luz da psicologia positiva. Disponível na Biblioteca Virtual [Minha Biblioteca]. Referências</p><p>HALL, S. Cultura e representação. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Apicuri, 2016. MINOIS, G. A idade de ouro: história da busca da felicidade. São Paulo: Unesp, 2011. MOREIRA, A. F. B.; CANDAU, V. M. Indagações sobre currículo: currículo, conhecimento e cultura. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. SARAIVA, K. A aliança biopolítica educação-trabalho. Pro-Posições, p. 139-156, 2014 Disponível em: Acesso em: 4 jan. 2024. TAMURA, T.T.; LAURENTI, C. Felicidade e prazer: um diálogo entre Epicuro e Skinner. Perspectivas em Análise do Comportamento, V. 8, n. 2, p. 186-199, 2017. Disponível em: http://www.revistaperspectivas.org/perspectivas/article/view/279 Acesso em: 4 jan. 2024. TORRANO, J. H. Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 1995. Aula 3 LEMBRANÇAS E MEMÓRIAS</p><p>dualidade da vida humana: medo e coragem. Tanto a coragem para enfrentar nossos medos quanto a aceitação e o entendimento da ausência são partes essenciais da jornada humana, moldando nossa experiência de vida e nosso crescimento pessoal. Através dessas experiências, navegamos pelas complexidades da existência, encontrando significado e aprendizado ao longo do caminho. Ponto de Partida Nesta aula, faremos um debate apresentando questões que envolvem o processo de medo e coragem. Muitos de nós passamos por situações no decorrer da vida que envolvem essas temáticas. Além disso, analisaremos o processo de aceitação e entendimento da ausência e como isso precisa ser trabalhado por cada indivíduo. Por fim, falaremos também sobre o sofrimento, como esse sentimento se faz presente na vida de muitos e a forma de lidar com ele para que não se perca a qualidade de vida e a vontade de viver. Para tanto, partimos da seguinte situação: Alice, uma mulher de 40 anos, foi recentemente diagnosticada com uma doença crônica. Ela</p><p>doença, o impacto em suas relações pessoais e profissionais, e a necessidade de reavaliar suas expectativas de vida e objetivos futuros. Enquanto Alice enfrenta esses desafios, ela precisa encontrar maneiras de aceitar sua nova realidade e lidar com o medo e a incerteza que acompanham sua condição. Ela busca equilibrar a necessidade de reconhecer e expressar seus sentimentos com a busca por resiliência e a vontade de se adaptar à sua nova situação. A partir de agora, precisaremos pensar em algumas situações: Como Alice pode gerenciar o medo e a incerteza trazidos por sua doença crônica? De que maneiras a aceitação da ausência de saúde pode ajudar Alice a se adaptar à sua nova realidade? Quais estratégias Alice pode adotar para encontrar um equilíbrio entre o reconhecimento de sua condição e a manutenção de uma perspectiva positiva sobre sua vida? E aí, vamos pensar sobre essas questões? Vamos Começar! Medos e coragem A jornada humana é marcada por uma dualidade constante entre medos e coragem. Enquanto o medo é uma emoção primordial, arraigada em nossa psique como um mecanismo de sobrevivência, a coragem é a força que nos permite enfrentar e superar esses medos. Essa interação complexa molda não apenas nossas ações individuais, mas também o tecido de nossas sociedades.</p><p>história da humanidade. Ele nos alerta sobre o perigo, nos protege de danos e, em muitos casos, nos mantém vivos. No entanto, quando não é gerido adequadamente, o medo pode se tornar paralisante, impedindo-nos de explorar nosso pleno potencial, de assumir riscos e de abraçar novas experiências. A coragem, por outro lado, não é a ausência de medo, mas sim a capacidade de agir apesar dele. É um ato de vontade que desafia as incertezas e enfrenta as adversidades, seja em pequenos atos do dia-a-dia ou em momentos cruciais da vida. A coragem pode se manifestar de diversas formas: na resiliência de continuar em frente após um fracasso, na audácia de questionar o status quo, ou na bravura de defender o que é justo contra todas as probabilidades. A relação entre medos e coragem é dinâmica e, muitas vezes, contraditória. Às vezes, o que é percebido como coragem por uns pode ser visto como imprudência por outros. Em certos contextos, o ato mais corajoso pode ser reconhecer e expressar o próprio medo, desafiando as normas que nos incentivam a esconder nossas No nível pessoal, entender a interação entre medos e coragem é crucial para o crescimento e desenvolvimento. Confrontar nossos medos, sejam eles racionais ou irracionais, não é um processo fácil, mas é fundamental para superar limitações autoimpostas e alcançar um estado de maior liberdade e autoconhecimento. A coragem, cultivada através de pequenos atos e decisões diárias, fortalece a confiança e a capacidade de lidar com desafios maiores. Assim, medos e coragem são dois lados da mesma moeda. Eles coexistem dentro de cada um de nós, moldando nossa experiência</p><p>empreender. Aceitação e entendimento da ausência A ausência manifesta-se de várias formas e dimensões em nossas vidas. Pode ser a perda de um ente querido, o fim de um relacionamento, a falta de realização de um sonho, ou até mesmo a carência de um sentido mais profundo de propósito. Ela traz consigo um vazio que, muitas vezes, tentamos preencher com substitutos temporários ou negações, mas que, no fundo, requer uma abordagem muito mais introspectiva e pacífica. Aceitar a ausência é, em primeiro lugar, reconhecer que ela é uma parte inerente da existência. Todo ser humano, em algum momento, enfrentará formas de perda e vazio. Essa aceitação não significa resignação passiva, mas sim uma compreensão profunda de que a ausência é um convite para uma nova forma de presença. Nesse contexto, a ausência deixa de ser apenas um espaço vazio e se transforma em um espaço de potencial - para reflexão, reavaliação e, eventualmente, renovação. O entendimento da ausência requer um mergulho corajoso nas profundezas de nossos sentimentos. É um processo de luto, que varia grandemente de pessoa para pessoa, no qual a tristeza, a saudade, a frustração e até a raiva têm seu lugar. No entanto, é também nesse processo que podemos descobrir uma resiliência desconhecida, uma capacidade de adaptação e a força para seguir em frente. Além disso, a ausência ensina sobre o valor das coisas presentes em nossas vidas. Na falta, aprendemos a apreciar mais intensamente aquilo que temos, os relacionamentos que cultivamos e os momentos que vivemos.</p><p>Assim, a ausência de saúde, ou seja, o adoecimento, é um dos fatores que gera grande desestabilidade nos indivíduos. Adoecer a partir de uma enfermidade costuma desestruturar a dinâmica afetiva e produtiva do sujeito em todas as instâncias de sua vida, promovendo, na maior parte das vezes, sofrimento e pesar. Girardon-Perlini e Ângelo (2017) afirmam que o adoecimento com diagnóstico de câncer, por exemplo, traz à tona alterações no funcionamento familiar, seja pela trajetória da doença, por repercussões físicas, enfrentamento da finitude, seja pelas fantasias e mitos que remetem à pessoa doente e ao seu tratamento. O contrário também se aplica à dinâmica corpo-mente, quando uma carga muito intensa de sofrimento psíquico se converte em fenômenos dolorosos que se inscrevem no corpo como uma doença. Estudiosos em psicologia, psicanálise, psiquiatria, psicossomática, psicopatologia e neurociência debruçaram-se em suas pesquisas sobre esses fenômenos. Apesar de a doença acompanhar a espécie humana desde os primórdios da humanidade, a maioria dos indivíduos em sociedade não deseja adoecer ou sentir dor (Scliar, 2007). Segundo Alves Neto (2009), no mundo primitivo, a dor e o inimigo eram vistos com o mesmo temor, pois vinham de fora e atacavam a pessoa como uma força mágica. De acordo com Helman (2006), a dor é inseparável da vida diária e um dos sintomas mais comuns da prática clínica da medicina, sendo considerada mais do que um efeito neurofisiológico, estando relacionada a aspectos psicológicos e sociais. A dor parece estar marcada por um solipsismo (i.e., é solitária e individual), algo que não pode ser reproduzido e expresso tal como um sujeito o sente, não pode ser compartilhado. Portanto, a dor não implicaria a</p><p>O próprio corpo ganha representação, sendo mais do que um organismo físico que oscila entre a saúde e a doença, e a imagem corporal tem sido utilizada para descrever todas as formas pelas quais um sujeito conceitualiza e experimenta o próprio corpo e a dor. Não há como negar que a dor e o adoecimento físico alteram a dinâmica afetiva dos sujeitos e podem influenciar os aspectos psicológicos, como atenção, pensamento, humor e sentimentos (Helman, 2006). Assim, de acordo com Brant e Minayo (2004), existem diversas maneiras de experimentar e manifestar o sofrimento, como por meio de fala, sonhos, corpo, atos e trabalho. Desde que expresso, o sofrimento recebe diferentes significações e destinos no presente e ao longo da história, sempre exigindo do homem uma explicação lógica, principalmente quanto maior for a estranheza que provoca na sociedade. Siga em Frente... Sofrimento Freud (1920 apud Brant; Minayo, 2004) destaca que o sofrimento é um estado diretamente marcado por expectativas diante de algo identificado como perigo e dor. Mesmo que ainda de forma desconhecida, gera muita angústia o processo para enfrentá-lo. Ele pode ser duas coisas: susto, quando você se depara com o perigo sem estar preparado para tal, ou medo, quando já é algo conhecido. Dessa forma, o sofrimento está diretamente marcado como uma reação a algo, uma manifestação por viver em um ambiente hostil. Brant e Minayo (2004) reforçam que é necessário reconhecer que o sofrimento se manifesta de diversas maneiras em cada indivíduo</p><p>indivíduo assume no tempo e no espaço, até mesmo no corpo que ele toca. Dessa forma, produz algo que foge e até mesmo escapa na concepção freudiana da lógica "além do princípio do prazer". Segundo Dunker (2004), o sofrimento psíquico tem sido estudado sob diversas formas pela psicanálise, como sintomas, inibições, angústias, distúrbios de caráter, compulsões à repetição, entre outras. O sofrimento possui características de investigação no setting analítico que não podem ser totalmente reproduzidas em diversas instituições de saúde, mas existem formas de enfrentá-lo na prática profissional nos espaços destinados à saúde. O adoecimento, como desencadeador de transtornos mentais, também é uma preocupação para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Viapiana, Gomes e Albuquerque (2018) afirmam que, segundo dados da OMS, os transtornos mentais são agravos de saúde altamente prevalentes na sociedade atual, e transtornos como depressão, abuso de álcool, transtorno bipolar e esquizofrenia encontram-se entre as 20 principais causas de incapacidade para o trabalho e diminuição da qualidade de vida. Atualmente, estima-se que a depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas em todo mundo, sendo a principal causa de incapacitação dos indivíduos quando se considera o total de anos perdidos (8,3% dos anos para homens e 13,4% para mulheres). Apesar das estatísticas apontadas por Viapiana, Gomes e Albuquerque (2018), cuja principal reivindicação é maior disponibilidade de serviços de assistência aos sujeitos em sofrimento, a gravidade desse quadro tem tido pouco destaque, fazendo a relação entre sofrimento e adoecimento psíquico e as condições de vida, em especial para o trabalho, ter pouca visibilidade. Isso se deve principalmente ao predomínio da racionalidade biomédica, a partir de meados do século XX, como</p><p>Para os autores, para que haja a compreensão do sofrimento psíquico, é fundamental que se entenda a produção social ou os processos pelos quais as relações sociais, históricas e culturais incluem e subordinam o sofrimento biológico. Desde a criação da psicanálise, mais e mais estudos orientam para o entendimento e tratamento desse tipo de fenômeno (Viapiana; Gomes; Albuquerque, 2018). Segundo a psicanálise, o sofrimento, a psicossomática e a psicopatologia ganham expressão por meio do adoecimento, manifestos no corpo físico quando a linguagem não pode ser, por algum motivo, realizada. Essa característica não é genérica, pois difere de um indivíduo para outro. O atendimento e o cuidado em saúde devem levar em consideração que, para transformar essa manifestação corporal em outra forma de expressão, de preferência verbal, é preciso um trabalho que envolve o conhecimento da dinâmica psíquica. Quando os processos somáticos influenciam o psiquismo humano? Sempre, poderíamos afirmar. Assim como a mente é capaz de transformar o corpo doente, a doença é capaz de transformar o psiquismo, produzindo reações, aspectos e comportamentos psicofísicos que remetem a uma doença psíquica ou mental. Na atualidade, isso ocorre com mais frequência nos espaços públicos de cuidado em saúde, uma vez que as pessoas deixam de adoecer e ser cuidadas dentro de casa para serem tratadas nas instituições de saúde, principalmente em casos que exigem uma intervenção mais especializada nos hospitais. Barreira (1999) afirma que a clínica em hospital geral está constituída em um espaço em que se privilegia a dor e o corpo biológico. O psicólogo do hospital, ao considerar que algo de ordem circunstancial pode interferir no corpo biológico ou que um corpo</p><p>Então, ele verifica, no contexto hospitalar, as representações das dinâmicas afetivas e os aspectos cognitivos das pessoas que atuam sobre o adoecer, sendo elas pacientes, familiares, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, amigos, vizinhos ou pessoal da nutrição e limpeza, e como elas lidam com as dores, as perdas e a morte no contexto do adoecimento. Em decorrência de fatores histórico-sociais, podemos afirmar que falar sobre as dinâmicas afetivas e os aspectos cognitivos das pessoas que atuam sobre o adoecer - considerando aqui o doente, a família e os profissionais do cuidado, e como elas lidam com as dores, as perdas e a morte - é falar em hospitalização. Sartor (2017) afirma que os cuidados para com a saúde e o corpo já existiam nos primórdios da existência humana, quando a assistência era oferecida no contexto familiar, mas não se tinha o médico como referência nem como detentor do poder e do saber. Na modernidade, o hospital tornou-se o lugar de busca pela cura do paciente. Porém, no espaço do discurso médico, sua preocupação sempre esteve centrada na doença, e não no próprio sujeito acometido por doenças. Hoje, ele é palco constante de representações da dor, das expressões de sentimentos e emoções diante da perda e da proximidade da morte e elaboração de reflexão de valores, crenças, hábitos, posicionamentos frente ao viver, envolvendo seus diversos atores ou agentes: os pacientes, os familiares e toda a equipe de saúde. Vamos Exercitar? Alice é uma pessoa de 40 anos de idade que recentemente foi diagnosticada com uma doença crônica e, diante disso, vem se</p><p>Vamos lá: Quanto ao seu medo e incerteza em relação ao futuro e à progressão da doença, Alice pode se beneficiar do apoio de terapia ou aconselhamento. Além disso, práticas de mindfulness e técnicas de relaxamento podem ajudá-la a gerenciar a ansiedade e o estresse. Manter-se informada sobre sua condição e opções de tratamento pode dar a Alice um senso de controle sobre sua saúde. Aceitar sua condição não significa desistir, mas reconhecer a realidade atual e adaptar-se a ela. Diante disso, Alice pode buscar novas atividades e hobbies que sejam compatíveis com suas limitações físicas. apoio de amigos, familiares e grupos de apoio pode ser crucial para ajudá-la a se adaptar e encontrar alegria e propósito. Além disso, Alice pode se concentrar no que ainda é capaz de fazer, em vez de se fixar nas limitações trazidas pela doença. Estabelecer novas metas e objetivos adaptados à sua situação atual pode dar a ela um senso de direção e realização. Reconhecer e expressar gratidão pelas pequenas vitórias e momentos felizes pode ajudar Alice a manter uma perspectiva positiva. Saiba Mais Você pode encontrar alguns textos interessantes de referência para que possa aprofundar o debate nessa temática tão importante: Considerações sobre o medo na história da psicanálise, de Luiz Ricardo Pauluk e Cléa Maria Ballão o principal objetivo desse trabalho é realizar uma discussão interdisciplinar entre a Psicanálise e a História a respeito do sentimento de medo e mostrar como as duas disciplinas o compreendem.</p><p>aprofundamento da identidade pessoal, salientando o papel das comunidades paa a compreensão dessas experiências humanas. Benditas sejam as perdas a vida; desapegando-se e seguindo em frente, de Joan Guntzelman - o livro apresenta reflexões acerca do processo de envelhecimento, relacionamentos, perdas, adoecimentos, entre outros. Disponível na Biblioteca Virtual [Biblioteca Virtual 3.0]. Referências Bibliográficas ALVES NETO, O. (org.). Dor: princípios e práticas. Porto Alegre: Artmed, 2009. BARREIRA, W. A. Considerações sobre uma prática psicológica em hospital geral. In: Anais... Congresso Norte Nordeste de Psicologia, Salvador, 1, [s. n.], 1999. BRANT, L. C.; MINAYO, C. G. A transformação do sofrimento em adoecimento: do nascimento da clínica à psicodinâmica do trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, V. 9, n. 1, p. 213-223, 2004. Disponível em: Acesso em: 4 jan. 2024. CRUZ, M. Z.; PEREIRA JÚNIOR, A. Corpo, mente e emoções: referenciais teóricos da psicossomática. Simbio-Logias, [s. I.], V. 4, n. 6, p. 46-66, 2011. DUARTE, L. F. D. Pessoa e dor no ocidente (o "holismo metodológico" na antropologia da saúde e doença). Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, a. 4, n. 9, p. 13-28, 1998.</p><p>GIRARDON-PERLINI, N. M. O.; ÂNGELO, M. A experiência de famílias rurais frente ao adoecimento por câncer. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, V. 70, n. 3, p. 577-584, 2017. HELMAN, C. G. Interações médico-pacientes. In: HELMAN, C. G. Cultura, saúde e doença. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. SARTOR, J. M. O sujeito diante da hospitalização: a tarefa de compreender o que lhe ocorre. 2017. 49 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Curso de Psicologia, Departamento de Humanidades e Educação, Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Sul, Santa Rosa, 2017. Disponível em: http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/1234567 Acesso em: 4 jan. 2024. SCLIAR, M. História do conceito de saúde. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, V. 17, n. 1, p. 29-41, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/physis/v17n1/v17n1a03.pdf Acesso em: 4 jan. 2024. VIAPIANA, V. N.; GOMES, R. M.; ALBUQUERQUE, G. S. C. Adoecimento psíquico na sociedade contemporânea: notas conceituais da teoria da determinação social do processo saúde- doença. Saúde Debate, Rio de Janeiro, V. 42, n. esp. 4, p. 175-186, 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/sdeb/v42nspe4/0103- 1104-sdeb-42-spe04-0175.pdf Acesso em: 4 jan. 2024. Aula 4</p><p>Longevidade Nesta aula, veremos o processo de eternização e os mitos que cercam a vida, especialmente no contexto dos cuidados paliativos. Entraremos nas reflexões sobre as perdas e ganhos que permeiam a experiência dos trabalhadores da saúde, enfrentando de forma profissional os desafios dessa trajetória. Ponto de Partida Nesta aula, falaremos da atuação profissional dos trabalhadores da saúde, abordando os cuidados paliativos no processo que envolve os mitos sobre a vida e a morte. Além disso, retrataremos a história dos cuidados paliativos entendendo como as contribuições de Dame Cicely Saunders (1918-2005) e Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004) foram fundamentais. Novamente, partiremos de uma situação problema para embasar nossos estudos: você é um profissional de saúde atuando em uma instituição que oferece cuidados paliativos. Durante o seu trabalho,</p><p>físicas. Ela tem dificuldade em lidar com a dor física e emocional, e sua família está lutando para compreender e aceitar sua condição. Ao abordar o caso de Maria, você se lembra dos princípios estabelecidos por Cicely Saunders e Elisabeth Kubler-Ross, reconhecendo a importância de cuidar não apenas dos sintomas físicos da paciente, mas também de suas necessidades psicológicas, sociais e espirituais. Diante disto, reflita: Como você aplicaria os princípios dos cuidados paliativos no caso de Maria para abordar sua dor total (física, psíquica, social, espiritual, financeira, interpessoal e familiar)? De que maneira a equipe multiprofissional pode auxiliar Maria e sua família durante o período de cuidados paliativos? Considerando o legado de Saunders e Kubler-Ross, quais seriam as estratégias para humanizar o tratamento de Maria, respeitando suas escolhas e necessidades? Como você abordaria a questão da terminalidade com Maria e sua família, considerando os tabus sociais sobre a morte? Para que possamos refletir sobre essas questões, vamos iniciar nossos estudos falando sobre os mitos acerca da vida. Vamos Começar! Eternização e mitos sobre a vida Nesta aula, buscaremos fazer uma abordagem sobre o processo de eternização e os mitos que estão em torno da vida, debatendo o processo de perdas e ganhos que acontecem aos trabalhadores da</p><p>O fenômeno mundial do envelhecimento populacional encontra-se bem estabelecido por estudos, como o de autoria da Organização das Nações Unidas, que demonstra a tendência do aumento contínuo do número de pessoas idosas, em especial em países em desenvolvimento, em decorrência da melhora significativa na nutrição, nas condições sanitárias, na educação e de avanços importantes na medicina, dentre outros fatores. Vale ressaltar que precisamos debater a questão em torno da eternização. Sabemos que é algo inerente à vontade humana, apesar de a vida ser finita. Logo, temos de pensar em estratégias que vão causar conforto tanto na velhice como na hora da morte. Precisamos desconstruir os mitos que envolvem o processo de morrer, pensando de forma mais objetiva sobre isso e desconstruindo as crenças que existem em torno desse fato. Em contraponto, o aumento na expectativa de vida levou a uma maior prevalência de câncer e de outras doenças crônicas que têm como fator de risco o avanço da idade. O primeiro grande marco da história dos cuidados paliativos, de forma estruturada, aliando os cuidados clínicos, a pesquisa e a formação, ocorreu por meio de Cicely Saunders (1918-2005), enfermeira e médica. Ela começou com o atendimento de um paciente acometido por um câncer terminal, no final dos anos de 1950, em Londres. Um fato curioso de sua história é que, em 1948, ela se apaixonou por um paciente, David Tasma, polonês judeu refugiado, que faleceu por câncer. David foi muito importante para que a ideia de Saunders pudesse virar realidade anos depois, com a criação do St Christopher's Hospice, pois, antes de morrer, ele deixou uma doação em dinheiro para que ela realizasse seu projeto.</p><p>ela inovou a maneira pela qual os profissionais de saúde e a sociedade cuidavam dos pacientes e daqueles que enfrentavam a terminalidade, a morte e o luto. Saunders focava no cuidado direto ao paciente e notou que a terminalidade era ocultada do prognóstico, bem como a forma de lidar com a morte era negada pela sociedade, tornando-se um tabu a ser vencido. Ela se engajou no movimento moderno dos hospices e, em 1969, criou o programa de cuidados paliativos domiciliares. Esse movimento teve como diferencial o foco em novas competências, além do controle da dor, compreendendo os demais problemas associados à terminalidade, incluindo a família no processo e criando meios de formação e investigação do cuidado paliativo. Perdas e ganhos A realidade do paciente paliativo é permeada de adaptações, crenças e, muitas vezes, voltada às reflexões sobre o sentido da vida, afetando direta ou indiretamente diversos aspectos de sua saúde. Para focar em cada um desses aspectos afetados na terminalidade, Saunders apresentou algumas definições: dor física, dor psíquica, dor social, dor espiritual, dor financeira, dor interpessoal, dor familiar. Focar no cuidado do paciente, dimensionando a dor total, é uma forma de lhe dar um suporte integral, fazendo sempre mais como princípio do cuidado, segundo Saunders. Estar fora da possibilidade de cura, para ela, não significava desistir do doente, mas, sim, cuidar e amparar para sua morte, bem como apoiar o luto familiar. Após a criação do St Christopher's Hospice, equipes de especialistas atuantes na instituição, sob a orientação</p><p>controle da dor e o uso de opioides, como morfina, para os doentes, bem como para o controle dos demais sintomas. Para essa equipe, o sofrimento dos pacientes somente era intolerável se eles não fossem cuidados. Cicely Saunders estava convencida da relevância da combinação de cuidados médicos e enfermagem de excelência com o apoio holístico, que reconhecesse as necessidades, tanto práticas como emocionais, sociais e espirituais. Um de seus parceiros de trabalho foi o Dr. Colin M. Parkes, psiquiatra britânico conhecido por seu trabalho com indivíduos enlutados, que desenvolveu no St Christopher's o serviço de atendimento às pessoas enlutadas, durante a doença e depois da morte dos seus entes queridos. Em 1969, Cicely foi novamente pioneira por levar equipes multiprofissionais ao atendimento domiciliar, desenvolvendo a filosofia que estabeleceu essa prática na sociedade. Em 1987, o Colégio Real de Médicos reconheceu os cuidados paliativos como uma nova especialidade médica; já em 2001, o St Christopher's Hospice recebeu o Prêmio Humanitário Conrad N. Hilton. Em 2010, foi fundada a Cicely Saunders International, organização voltada ao atendimento e às pesquisas sobre cuidados paliativos, além de formação profissional e acadêmica em parceria com King's College of London. Essa fundação, seguindo a filosofia estabelecida por Saunders, eternizou seu legado nos cuidados paliativos no mundo. Elisabeth Kubler-Ross (1926-2004), uma psiquiatra suíço- americana, teve sua adolescência marcada pelos temores da Segunda Guerra Mundial e vivenciou muitas situações de morte, o que a influenciou muito para que, mais tarde, trabalhasse com questões sobre morte. Ao ver inúmeros desenhos de borboletas nas</p><p>humano e social. Seu plano inicial era trabalhar na Índia. Porém, como se casou com um psiquiatra americano, acabou residindo em Nova lorque. Com dificuldades de se adaptar ao novo local, ela encontrou nos pacientes que atendia em um hospital a mesma solidão que sentia. Pela empatia que tinha por eles, mostrava-se disponível para ouvi-los e, desse modo, muitos compartilhavam seus sentimentos e suas histórias. Siga em Frente... Atuação profissional Preocupada em compreender como esses pacientes se sentiam e, principalmente, como eles vivenciavam e pensavam a terminalidade e a morte, em 1969, Elisabeth Kluber-Ross publicou o livro A morte e morrer, obra que seria o início de seu sucesso mundial como referência no tema. Compreender a morte era tão importante quanto entender e perceber as fases do luto, definidas por ela em cinco etapas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Ela se dedicou a realizar palestras sobre o fenômeno da morte como algo natural e previsível para todos os seres humanos, uma visão que foi bastante criticada por seus colegas de profissão. Apesar disso, ela seguiu acompanhando pacientes e familiares para entender e atender suas necessidades durante a fase da doença e no processo de luto dos entes queridos. Em 1968, sua persistência a fez transformar suas palestras em cursos oficiais sobre cuidados paliativos, morte e morrer, tornando- se pioneira em tanatologia, a ciência que estuda o fenômeno da morte e o morrer. Em seu currículo, acumulou mais de 20 mil entrevistas com pacientes em cuidados paliativos e que tiveram</p><p>Em suas obras, havia relatos das experiências de seus pacientes e como ela realizava seu trabalho com eles. O que mais Kubler-Ross ressalta é a ideia de que o conhecimento de nada valeria se os profissionais não fossem capazes de entender os doentes e os familiares com profundidade. No final do século passado, ela levantava questões e possibilidades de mudar o foco do modelo biomédico de tratamento para pacientes terminais, pensando em atenção domiciliar e hospices. Ela pregava que a equipe multiprofissional deveria orientar o paciente a fazer escolhas no tratamento e aliviar suas dores físicas e/ou emocionais. Além disso, ela destaca a importância de cuidar igualmente do familiar, para que ele não adoecesse durante o processo e no pós-morte de seu ente querido. Sua obra e seu modelo teórico têm um caráter fluido. A autora não possui a pretensão de sistematizar ou engessar o modelo de cuidado, mas, sim, orientar os profissionais para que estejam preparados para lidar com a morte, questão repleta de tabus. Quando ela dizia que os profissionais deveriam focar em tratamento e cuidado, tinha como intenção principal de que todos se atentassem ao que, hoje, é chamado de humanização. Se fosse possível mensurar as contribuições de Dame Cicely Saunders e Elisabeth Kubler-Ross para os cuidados paliativos, com certeza estariam relacionadas ao foco no ser humano. Elas foram profissionais preocupadas com o cuidado do paciente e suas necessidades, sem esquecer sua família. Hoje, os princípios básicos dos cuidados paliativos definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) passam, claramente, pela contribuição ativa dessas duas profissionais, que dedicaram suas vidas ao cuidado comprometido, humanizado e integral do ser humano...</p><p>de 78 anos, com câncer em estágio avançado e que reside com sua filha e netos, mas que vem se mostrando mais limitada fisicamente e isolada por conta da doença, com dificuldades para lidar com a dor física e emocional. Com relação a esse caso, alguns questionamentos surgiram: Como você aplicaria os princípios dos cuidados paliativos no caso de Maria para abordar sua dor total (física, psíquica, social, espiritual, financeira, interpessoal e familiar)? Nesse caso, deveremos abordar cada aspecto da dor total de Maria, oferecendo suporte médico para a dor física, aconselhamento psicológico para sua dor emocional, assistência social para questões financeiras e interpessoais, e apoio espiritual conforme sua crença. De que maneira a equipe multiprofissional pode auxiliar Maria e sua família durante esse período de cuidados paliativos? A equipe deve incluir médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e, se aplicável, ou conselheiros espirituais. Todos devem trabalhar juntos para atender às necessidades de Maria e de sua família, oferecendo suporte emocional e prático. Considerando o legado de Saunders e Kubler-Ross, quais seriam as estratégias para humanizar o tratamento de Maria, respeitando suas escolhas e necessidades? Respeitar as escolhas e a dignidade de Maria, envolvendo-a nas decisões de tratamento e promover a comunicação aberta e empática, garantindo que ela se sinta ouvida e valorizada. Como você abordaria a questão da terminalidade com Maria e sua família, considerando os tabus sociais sobre a morte? Conversar abertamente com Maria e sua família sobre a terminalidade, de maneira sensível e honesta. Desconstruir os</p><p>Este estudo de caso proporciona uma oportunidade de reflexão e aplicação prática dos conceitos abordados no texto, enfatizando a importância da abordagem integral e humanizada em cuidados paliativos. Saiba Mais A seguir, você encontra alguns artigos científicos de referência para que possamos aprofundar o debate nesta temática tão importante. Conforto de pacientes em cuidados paliativos: revisão integrativa, de Mariana Cristina dos Santos Souza e colaboradores, elaborado com o objetivo de identificar e sintetizar as pesquisas que versam sobre o conforto dos pacientes em cuidados paliativos. Cuidados paliativos: uma abordagem a partir das categorias profissionais de saúde, de Hélida Ribeiro Hermes e Isabel Cristina Arruda Lamarca. Esse artigo trata a questão da morte e do morrer, tanto na visão tradicional como na contemporaneidade, e como o cuidado paliativo tem sido tratado nas categorias de trabalho de medicina, serviço social, psicologia e enfermagem. Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil 2019 Academia Nacional de Cuidados Paliativos ANCP, São Paulo (2020), um atlas que oferece dados e informações relevantes e críticas para o crescimento futuro dos cuidados paliativos. Referências ENCARNAÇÃO, P.; OLIVEIRA, C. C.; MARTINS, T. Dor e sofrimento conceitos entrelaçados: perspectivas e desafios para os enfermeiros. Revista Cuidados Paliativos, Porto, V. 2, n. 2, p. 22- 31, 2015.</p><p>GOMES, A. L. Z.; OTHERO, M. B. Cuidados paliativos. Estudos Avançados, São Paulo, V. 30, n. 88, p. 155-166, 2016. L. Dor no fim da vida: avaliar para tratar. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto, Rio de Janeiro, V. 11, n. 2, p. 26-31, 2012. E. A roda da vida: memórias do viver e do morrer. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. SAPETA, P. Dor total versus sofrimento: a interface com os cuidados paliativos. Dor, Lisboa, V. 15, n. 1, p. 16-21, 2007. SAUNDERS, C. Hospice and palliative care: an interdisciplinary approach. London: Edward Arnold, 1990. Encerramento da Unidade FINITUDE Videoaula de Encerramento Olá, caro estudante! Para alcançar o cerne desta competência, é essencial mergulhar nos conceitos fundamentais que moldam nossa percepção da existência, sendo fundamental reconhecer a importância de cada experiência, de cada encontro e desafio, pois é através deles que</p><p>nuances. Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é a de conhecer os aspectos biopsicossociais que envolvem o final da vida, você deverá primeiramente conhecer alguns conceitos fundamentais. Vamos lá! A jornada humana é marcada por uma constante busca de significado e compreensão, especialmente à medida que nos aproximamos dos capítulos finais da vida. conceito de finitude, a inevitável realidade de que a vida é limitada no tempo, ganha uma ressonância mais profunda na velhice. Essa consciência não apenas molda a nossa perspectiva sobre o existir, mas também influencia a interação com o mundo ao nosso redor. Na velhice, os aspectos psicossociais tornam-se especialmente proeminentes. Com a aposentadoria, a redução dos compromissos sociais e profissionais e, muitas vezes, com o encolhimento do</p><p>oportunidade única para refletir sobre as experiências passadas e extrair delas sabedoria. O sentido da vida, nesse contexto, pode ser visto sob uma nova luz. Longe do frenesi dos anos mais jovens, a velhice permite uma introspecção mais profunda sobre o que realmente importa. Muitos encontram satisfação em passatempos, voluntariado, encontros familiares ou simplesmente nos prazeres cotidianos. O sentido da vida, então, transforma-se: não mais uma busca por sucesso e conquistas externas, mas uma jornada interna em direção à aceitação, ao entendimento e à paz interior. A compreensão da finitude da vida pode ser, paradoxalmente, uma fonte de liberdade. Saber que nosso tempo é limitado pode motivar os idosos a viverem com mais autenticidade, a expressarem seus verdadeiros desejos e sentimentos e a priorizarem que é genuinamente significativo para eles. Nesse estágio, muitos se afastam das preocupações materiais e buscam conexões mais profundas com as pessoas e o mundo ao seu redor. Nesse contexto, vale a pena ressaltar a importância de viver cada dia de nossas vidas, isso porque a tapeçaria da existência humana é tecida com momentos ontem, hoje e amanhã, cada um trazendo sua própria cor e textura para o mosaico da vida. Nesse entrelaçamento temporal, a busca pela felicidade revela-se como uma constante, e a celebração da vida manifesta-se em suas múltiplas facetas. Ontem é o repositório de nossas memórias, aprendizados e experiências. Ele segura os primeiros passos, os risos compartilhados, as lágrimas derramadas e as lições aprendidas. Em cada lembrança de ontem, há ecos de felicidade - momentos que brilharam, mesmo que fugazmente. O ontem nos ensina, nos molda e nos prepara para o hoje. No entanto, a verdadeira celebração da</p><p>Hoje é o palco onde a vida se desdobra em sua plenitude. É aqui e agora que a felicidade é mais tangível e acessível. O hoje nos convida a viver com consciência, apreciando cada momento, cada respiração, cada conexão. Celebrar a vida hoje significa abraçar as pequenas alegrias, encontrar gratidão nas rotinas diárias e reconhecer a beleza nas imperfeições do cotidiano. É no presente que podemos verdadeiramente dançar ao ritmo da vida, permitindo que a felicidade flua através de nós em seu ritmo natural. Amanhã é o horizonte de possibilidades, um campo de sonhos e aspirações ainda a serem realizados. Ele mantém a promessa de novos começos, novas aventuras e novas alegrias. O amanhã nos lembra que a vida é um fluxo contínuo, sempre se movendo em direção ao futuro. A celebração da vida, nesse sentido, é também uma celebração da esperança e do potencial ilimitado que cada amanhã traz. Encarar o amanhã com otimismo e abertura é uma chave para uma felicidade sustentável. A felicidade, então, é encontrada na harmonia entre ontem, hoje e amanhã. É a capacidade de aprender com o passado, viver plenamente no presente e olhar para o futuro com esperança. Celebrar a vida é reconhecer a beleza em cada fase dessa jornada, acolhendo os altos e baixos, as alegrias e as tristezas, como partes integrantes da experiência humana. Entretanto, nem sempre a vida é permeada de harmonia. Existem momentos difíceis nessa longa jornada, e entram aqui questões como o medo, a ausência, o sofrimento. No cerne de nossa existência, o medo se apresenta como uma sombra constante, moldando nossas ações e reações. Ele pode emergir de diversas formas - o medo do desconhecido, do fracasso, da perda ou até mesmo do sucesso. No entanto, é na resposta a esses medos que a coragem encontra seu lugar. A coragem não significa a ausência de</p><p>Em algum momento, cada um de nós enfrenta a dolorosa realidade da ausência - seja a perda de um ente querido, o fim de um relacionamento ou o afastamento de algo que nos é caro. A aceitação dessa ausência é um processo complexo, repleto de dor e nostalgia. No entanto, é também um caminho para o entendimento mais profundo de nossa própria natureza e da natureza da vida. A aceitação não vem facilmente; requer tempo, paciência e, muitas vezes, um profundo trabalho interior. No final, é a aceitação que nos permite seguir em frente, levando conosco as lições e memórias daquilo que perdemos. O sofrimento, frequentemente entrelaçado com a experiência da perda e do medo, é uma realidade inescapável da condição humana. Ele pode ser físico, emocional ou espiritual, e cada pessoa o experimenta de maneira única. O sofrimento pode nos quebrar, mas também tem o potencial de nos transformar. Dentro de sua escuridão, podemos encontrar luzes de compreensão, empatia e resiliência. Através do sofrimento, aprendemos sobre nossas próprias forças e fraquezas e sobre a importância da compaixão e do apoio mútuo. Em suma, a jornada humana é marcada por um constante balanço entre medos e coragem, perdas e aceitação, sofrimento e transformação. Cada experiência de medo, cada ato de coragem, cada momento de aceitação e cada encontro com o sofrimento contribui para a construção de nosso caráter e nossa compreensão da vida. Enfrentar esses desafios não é apenas uma prova de nossa força, mas também uma celebração da resiliência e adaptabilidade humanas. Em última análise, é através desses desafios que encontramos a verdadeira profundidade e significado de nossa existência.</p><p>sentido e permanência. Ao mesmo tempo, muitos de nós aderimos a mitos sobre a vida ideias preconcebidas sobre o que significa sucesso, felicidade ou realização. Esses mitos podem nos guiar ou nos desviar, influenciando profundamente as escolhas e caminhos que tomamos. A eternização, seja na memória ou através de realizações, torna-se uma forma de desafiar a efemeridade da existência, enquanto os mitos que abraçamos moldam nossa percepção da realidade. Assim, nossa jornada é marcada por uma série de perdas e ganhos, cada uma com seu próprio impacto e lições. Perdas podem vir na forma de oportunidades não aproveitadas, falhas, ou até mesmo o término de fases da vida. Embora dolorosas, elas são fundamentais para o crescimento pessoal e profissional, ensinando-nos resiliência e adaptabilidade. Por outro lado, os ganhos - sejam eles sucessos, realizações ou simples alegrias enriquecem nossa experiência, trazendo satisfação e incentivando a busca contínua pelo crescimento. A interação entre perdas e ganhos é o que nos mantém em movimento, impulsionando-nos a explorar novos horizontes e reavaliar constantemente nossas prioridades e valores. À medida que avançamos para a velhice, nos deparamos com uma série de mudanças que transcendem o físico, mergulhando profundamente nos aspectos psicossociais de nossa existência. Nessa fase da vida, as interações sociais e o papel na comunidade assumem uma nova forma. Para muitos, é um período de reflexão intensa sobre as contribuições feitas e as relações cultivadas ao longo dos anos. A velhice pode ser repleta de sabedoria e serenidade, mas também pode trazer desafios únicos, que devem ser encarados para que se possa viver uma velhice com harmonia. É Hora de Praticar!</p><p>transformação. Agora, aposentada e enfrentando mudanças em seu círculo social devido a perdas familiares, ela se depara com a necessidade de redefinir seu sentido de vida. A jornada de Dona Francisca é um reflexo das complexidades da existência humana, especialmente na fase da velhice. Agora, tomando esse caso, vamos analisar as dinâmicas psicossociais nesse estágio da vida, de modo a compreender como a consciência da finitude influencia suas escolhas e perspectivas. Reflita 01) A compreensão dos aspectos biopsicossociais que envolvem o final da vida é fundamental para entender a jornada humana. À medida que envelhecemos, enfrentamos a realidade da finitude da vida, que influencia nossa perspectiva existencial e interações sociais. Na velhice, aspectos psicossociais, como o isolamento e a busca por um novo propósito, tornam-se mais evidentes. Diante disso, qual dos seguintes aspectos melhor representa as mudanças na percepção e experiência da vida durante a velhice? a) Maior foco em conquistas materiais e sucesso profissional. b) Tendência a formar novos círculos sociais extensos. c) Inclinação para viver com mais autenticidade e buscar conexões significativas. d) Diminuição na capacidade de reflexão e introspecção. e) Aumento no envolvimento em atividades de alto risco. GABARITO: C - Na velhice, há um afastamento das preocupações materiais e um foco renovado em viver com autenticidade. Os idosos tendem a expressar seus verdadeiros desejos e sentimentos</p><p>porque não refletem as mudanças, por exemplo, uma delas sugere um foco em conquistas materiais, que o texto contradiz. A outra, sugere a formação de novos círculos sociais extensos, o que não é mencionado. A outra, implica uma diminuição na capacidade de reflexão, enquanto o texto sugere um aumento e, por fim, a última sugere um aumento no envolvimento em atividades de alto risco, o que também não é mencionado no texto. 02) Sabe-se sobre a importância de viver plenamente cada dia, considerando as dimensões do passado (ontem), presente (hoje) e futuro (amanhã) na constituição da experiência humana. Assim, o ontem é repleto de memórias e lições que moldam o presente, enquanto o hoje é o palco da vida cotidiana onde a felicidade é mais tangível. O amanhã é visto como um horizonte de possibilidades e esperanças. A verdadeira felicidade, então, emerge da harmonia e do equilíbrio entre aprender com o passado, viver o presente e manter a esperança no futuro, celebrando cada aspecto da jornada da vida. Dessa forma, qual é a chave para alcançar a felicidade na jornada da vida? a) Concentrar-se exclusivamente nas realizações futuras e aspirações. b) Viver no passado, rememorando constantemente as memórias e experiências. c) Ignorar as lições do passado e focar somente nas experiências atuais. d) Encontrar um equilíbrio entre aprender com o passado, vivenciar o presente e ter esperança no futuro. e) Esperar passivamente que a felicidade surja no futuro, sem ação presente.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina