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<p>Alto Contraste A- A+ Imprimir CONCEITO E PROCESSO DE MORTE Aula 1 SIGNIFICADO DE MORTE Significado de morte Olá, estudante! É com grande entusiasmo que me dirijo a você para compartilhar uma jornada de reflexão e aprendizado sobre o conceito de morte e suas diversas facetas. Ao longo da história da humanidade, a morte tem sido uma companheira inseparável do ser humano, permeando sua existência e influenciando suas crenças, rituais e relações. Assim, nesta aula, iremos enriquecer nosso entendimento sobre a morte e, mais importante ainda, renovar nosso compromisso com a humanização do cuidado e o respeito à dignidade humana em todas as fases da vida.</p><p>Ponto de Partida A presente disciplina pretende abordar uma discussão teórica que lhe possibilite uma compreensão sobre o conceito e o processo de morte. Nesta aula, você estudará o processo de morte, bem como o papel dos profissionais de saúde frente às condições do paciente. Além disso, conhecerá o conceito de morte proposto por Morin (1979) a partir da concepção bioantropológica. Conhecerá ainda o cotidiano de trabalho dos profissionais de saúde e seus posicionamentos frente à vida, ao adoecer e à morte. processo do adoecimento traz estigmas sociais, sofrimento e uma fantasia sempre marcante que norteia o risco de vida ou, em alguns casos mais graves, desvela a realidade da morte, nossa condição de transitoriedade. Para tanto, vamos nos embasar na seguinte situação problema que nos norteará no entendimento dos conceitos que serão apresentados aqui. No ambiente hospitalar, a morte é uma realidade inescapável. Profissionais de saúde enfrentam diariamente o desafio de lidar com a finitude da vida e a complexidade das emoções que permeiam esse processo. Vamos, então, analisar a experiência de uma equipe</p><p>Vamos nos referir ao Hospital Metropolitano São Lucas, uma instituição renomada que atende uma ampla variedade de pacientes em diferentes estágios de doenças graves. A equipe de saúde é composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, técnicos e pessoal de apoio. A equipe de saúde do Hospital São Lucas está enfrentando dificuldades significativas ao lidar com a morte de pacientes, isso porque a cultura institucional e os tabus sociais em torno da morte contribuem para a falta de comunicação eficaz com pacientes e familiares, bem como para a necessidade de desenvolver estratégias para lidar com o luto e a perda de forma saudável. Maria, uma enfermeira dedicada que trabalha na ala de cuidados intensivos do hospital, enfrenta diariamente a angústia de testemunhar a deterioração da saúde de pacientes críticos e as inevitáveis perdas. Recentemente, ela foi confrontada com a morte de um paciente jovem que deixou para trás uma esposa grávida e uma família em luto. Maria sente-se despreparada para lidar com a intensidade das emoções que surgem em situações como essa. A partir desse contexto, reflita: Quais são os principais desafios enfrentados pela equipe de saúde ao lidar com a morte no ambiente hospitalar? Como as crenças culturais e os tabus sociais podem influenciar a comunicação sobre a morte entre profissionais de saúde, pacientes e familiares? Quais estratégias podem ser implementadas para ajudar os profissionais de saúde a lidar com o luto e a perda de forma saudável e eficaz? E aí, vamos juntos conhecer essa realidade?</p><p>O conceito de morte O homem, ao longo da história, não pode se dissociar da ideia de morte, uma vez que ela faz parte de sua realidade, de sua condição enquanto ser vivo. Partindo dessa perspectiva, Edgar Morin, em 1948, realizou um estudo amplo sobre o assunto. Entre os diversos livros que escreveu, pode-se destacar O homem e a morte (1948- 1950), seu segundo livro publicado, no qual propõe uma ampla discussão sobre a concepção de morte para os indivíduos, suas reações e os ritos simbólicos envolvidos. Os rituais relacionados à morte estão presentes em praticamente todas as culturas. O autor, por meio de suas pesquisas, aponta para dois tipos de olhares biológico e antropológico - que se pode ter sobre o homem e como ele encara a morte. Segundo Souza (2003), o livro de Morin traz conceitos próprios, como o estudo de caráter antropobiológico, o duplo morte-renascimento, além da questão sobre os ritos funerários. Para a autora, Morin afirma que as sepulturas são como dados fundamentais da morte humana. Morin (1979), na introdução da segunda edição de O enigma do homem, afirmou que, em O homem e a morte, procurou estabelecer o ponto de união e ruptura entre o homem enquanto espécie (biologia) e a ciência do homem (antropologia). Além disso, criticou algumas afirmações que fez antes da revolução genética, concluindo que o homem não pode ser considerado uma entidade fechada, alheia à natureza. Morin (1979) define a antropocosmologia como a forma de estudar o que significa o homem no mundo. Nesse intercâmbio entre as ciências biológicas e humanas, o homem não pode ser considerado uma matéria viva, mas sistemas vivos, ou seja, o homem, enquanto espécie, é pensado aqui como uma organização específica da matéria físico-química.</p><p>sobrevivem tentam se adaptar à perda de alguém (Morin, 1977 apud Souza, 2003). Pensando na morte como um processo ao qual os sobreviventes têm de se adaptar, vale a pena destacar a definição de luto de Freud (1996), semelhante à concepção de Morin. Para o psicanalista, o luto é um processo de trabalho interno, inconsciente, em que o indivíduo, após a perda de um objeto investido de afeto (pessoa da família, por exemplo), retira as "catexias libidinais" desse objeto perdido para o ego (eu), temporariamente, enquanto o processo do luto acontece. Ele afirma que esse trabalho do luto é a via normal da perda para o sujeito. Na vertente antropológica dos estudos de Morin (1948 apud Souza, 2003) sobre o ser humano e a morte, ela representa para o indivíduo a perda da sua individualidade, por isso, quanto mais próxima a pessoa é do morto, mais intensa será a dor de sua perda, o que ele denomina "traumatismo da morte". Segundo Morin, o homem tem consciência de sua morte desde cedo e sente horror de pensar sobre ela. Além disso, geralmente se acredita na sobrevivência após a morte, em uma vida post mortem. Prova disso é o fato de que as crenças e religiosidades presentes em quase todas as culturas desenvolveram rituais que envolvem essa questão. A esses conceitos de consciência da morte, traumatismo da morte e crença na imortalidade, Morin denominou, em 1950, triplo antropológico da morte (Souza, 2003). Morte, vida e os trabalhadores da saúde Segundo Espíndola e Macedo (1994), nos moldes científicos e capitalistas da modernidade, a doença e a vida são medidas de acordo com a capacidade do ser humano de ser produtivo. Os autores afirmam que, hoje, a partir do instante em que homem adoece e perde sua capacidade de produzir, passa a ser um</p><p>intimidade do lar, junto aos familiares e amigos. Assim, surgem os profissionais qualificados para o desempenho dessas funções, ou seja, cuidar do doente para que ele recupere seu equilíbrio e retorne às suas atividades. Segundo Foucault (2006, p. 71), "As doenças e as mortes oferecem grandes lições nos hospitais [...]". O profissional que trabalha na área da saúde, seja o médico, o enfermeiro, o psicólogo, o assistente social, o fisioterapeuta, os técnicos ou o pessoal de apoio, ao inserir-se no meio hospitalar como local de trabalho, sabe que terá de lidar diariamente com a questão do adoecimento e, consequentemente, com a morte, tendo consciência de que essas experiências podem modificar suas concepções sobre a vida e a morte tanto no nível pessoal quanto no profissional. Ferreira et al. (2014) afirmam que, para o profissional de saúde, a morte se apresenta, muitas vezes, de forma corriqueira, já que a experiência da perda sucessiva de pacientes no hospital pode fazer com que ele construa uma espécie de armadura, como um mecanismo de defesa para se manter desapegado dela. No entanto, esse comportamento pode estar alicerçado por um tabu socialmente compartilhado. Muitos pesquisadores que abordam o tabu e as formas de o humano lidar com a morte (Ariès, 1982; Freud, 1996) defendem que pode ser motivo de desconforto para o ser humano e a sociedade falar sobre esse tema. vezes, as equipes profissionais têm dificuldade de abordá-lo com o paciente e os familiares quando a evolução de uma doença coloca a morte em perspectiva, além do fato de que a lógica presente na ordem médica é de afastá-la para evitar uma sensação de impotência.</p><p>sobre a possibilidade de sua morte traz apenas a ilusão do amparo, por não apresentar a verdade abertamente. Segundo os autores, é um direito do paciente conhecer a verdade e seu prognóstico. Ele tem de ter ao seu dispor o conhecimento para poder se redefinir e fazer suas próprias escolhas no fim de sua vida. Para Kovács (2005 apud Medeiros; Lustosa, 2011), existe uma conspiração do silêncio, um grave distúrbio na comunicação quando o tema é a morte. Segundo Azeredo et al. (2011 apud Medeiros; Lustosa, 2011), o sofrimento no fim da vida é um desafio que se apresenta à medicina nesta era tecnológica, mas não basta a aceitação e uma boa morte: a ideia de viver deveria estar ligada ao bem-estar, ao bem-querer. Apesar do escudo elaborado pelo saber médico para se privar de suas emoções, colocando-se dentro de uma suposta neutralidade científica, o paciente precisa ter condições de se sentir fora do lugar de objeto, de ser considerado enquanto sujeito de sua vida e de sua morte. Siga em Frente... Diversidades de cultura sobre a morte A morte é uma experiência universal, e seu entendimento foi construído de acordo com o período vivido pelo ser humano, dependendo da cultura e sociedade estabelecidas, criando-se muitas crenças e práticas em torno desses fenômenos. A humanidade, independentemente do período ou lugar, procura lidar com ela e sua finitude das diversas maneiras possíveis. Os ritos mortuários são o modo pelo qual se considera a morte, apresentando várias características sobre o grupo que os aplica e suas formas de representação no mundo.</p><p>Ao realizar um ritual, sua própria aceitação e repetição são elementos que comprovam a necessidade da sua existência. Assim, observa-se a grande utilidade dos rituais culturais, uma vez que apresentam os sentimentos de indivíduos de um determinado grupo, seja por intermédio de símbolos míticos ou motivadores de alguma natureza religiosa. Segundo Carvalho e Parsons (2012), todos os povos, cada um à sua maneira, seguem a cultura que ritualiza a morte e acreditam em uma existência pós-morte. Apesar de as culturas serem diversas, nota-se pontos semelhantes entre elas, como ritos e visões do mundo pós-morte. Portanto, todo rito tem o intuito de estabelecer uma comunicação, uma mensagem ao inconsciente, bem como evidenciar um caminho a ser percorrido, a realidade simbólica na qual o inconsciente a reconhece como verdadeira, uma ação que torna real o fictício. Um dos papéis mais consistentes e importantes do rito mortuário, conforme Carvalho e Parsons (2012), consiste em tranquilizar o indivíduo que perdeu um ente querido. Cada grupo tem suas tradições, nas quais procura uma forma de entregar o corpo à natureza e o espírito às entidades superiores. De acordo com os autores, alguns grupos preferem o curso das águas, em que o corpo é colocado em uma balsa ou livre ao mar para achar seu Criador. O elemento água representa o berço da vida, o líquido amniótico que envolve o embrião; já a balsa é o componente que afasta o indivíduo da morte e o aproxima do seu próximo caminho e vida, renascendo em outro local, aqui ou no mundo imaterial. Outros grupos, por sua vez, preferem a terra, o grande elemento que sustenta a vida, sendo nela que se repousa o último suspiro. Cada porção de terra que cobre o corpo físico separa-o mais da morte e encobre a própria fragilidade inerente ao ser humano, apagando sua mortalidade. Por</p><p>avassalador por essência, que liberta e purifica a matéria. Nesse caso, a fumaça proveniente do fogo se eleva aos céus, regressando o indivíduo ao mundo dos espíritos. Determina-se que os ritos mortuários, além de promoverem um caminho, um meio para que o falecido chegue ao mundo imaterial, proporcionam aos entes que ficaram conforto, consolo e capacidade de presenciar a morte em uma dimensão transcendental. No final das contas, essa é uma busca que a humanidade sempre teve para lidar com a perda e a angústia da ausência e da saudade. Vamos Exercitar? Neste estudo, conhecemos o caso de Maria, uma enfermeira que trabalha no grande Hospital Metropolitano São Lucas, uma instituição renomada que atende uma ampla variedade de pacientes em diferentes estágios de doenças graves. Maria enfrenta diariamente a angústia de testemunhar a deterioração da saúde de pacientes críticos e as inevitáveis perdas que ocorrem. Maria sente- se despreparada para lidar com a intensidade das emoções que surgem em situações como essa. Diante dessa realidade, surgem alguns questionamentos: Quais são os principais desafios enfrentados pela equipe de saúde ao lidar com a morte no ambiente hospitalar? Temos que os principais desafios enfrentados pela equipe de saúde ao lidar com a morte no ambiente hospitalar incluem lidar com a frequência das perdas de pacientes, desenvolver mecanismos eficazes para comunicar a morte aos familiares, lidar com o próprio luto e as emoções dos colegas, e manter um equilíbrio entre a empatia e o distanciamento necessário para desempenhar suas funções</p><p>influenciar a comunicação sobre a morte ao criar barreiras para discutir abertamente o assunto, promover o silêncio e a negação da morte, e dificultar a expressão de sentimentos de luto e tristeza. Quais estratégias podem ser implementadas para ajudar os profissionais de saúde a lidarem com o luto e a perda, de forma saudável e eficaz? Estratégias para ajudar os profissionais de saúde a lidarem com o luto e a perda incluem o estabelecimento de programas de apoio psicológico e suporte emocional, a promoção da educação sobre a morte e o luto, o estabelecimento de rituais ou cerimônias de despedida, e o desenvolvimento de espaços seguros para a expressão de emoções. Além disso, a equipe de saúde pode promover uma cultura institucional que apoie uma abordagem mais aberta e compassiva em relação à morte e ao luto através da sensibilização, da educação contínua sobre o tema, do incentivo à comunicação aberta e honesta com pacientes e familiares, e do reconhecimento da importância do cuidado integral, que inclui o cuidado emocional e espiritual. Saiba Mais E aí, o que achou deste tema? Interessante, não é? Se quiser se aprofundar mais no assunto, aqui estão alguns materiais que podem auxiliar você: homem e a morte (1948-1950), por Edgar Morin. Essa obra é uma leitura fundamental para compreender as diferentes dimensões da morte e suas representações culturais. Death Cafe: uma organização que facilita discussões informais sobre a morte em cafés ao redor do mundo. O site oferece recursos e informações sobre eventos locais.</p><p>Referências Bibliográficas P. A morte invertida. In: P. homem perante a morte. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982. BROTTO, T. C.A.; M. É inerente ao trabalho em saúde o adoecimento de seu trabalhador? Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, V. 37, n. 126, p. 290-305, 2012. EARP, A. C. S. A angústia frente à morte: um estudo psicanalítico. Rio de Janeiro: Sociedade Psicanalítica Iracy Doyle, 1999. ELIAS, N. A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. ESPÍNDOLA, T.; MACEDO, M. C. S. A morte no hospital e seu significado para os profissionais. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, V. 47, n. 2, p. 108-117, 1994. FEITOSA, F.; MATTOS, P.; VALENTIM, J. H. O psicólogo no hospital geral. Cadernos do ICHF, [s. n. 28, 1990. FERREIRA, D. C. et al. A experiência do adoecer: uma discussão sobre saúde, doença e valores. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, V. 38, n. 2, p. 283-288, 2014. FOUCAULT, M. A lição dos hospitais. In: FOUCAULT, M. o nascimento da clínica. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. FREUD, S. Luto e melancolia. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1996. V. XIII. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas.</p><p>HELMAN, C.G. Interações médico-pacientes. In: HELMAN, C. G. Cultura, saúde e doença. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. E. Sobre a morte e o morrer. Barueri: Martins Fontes, 1996. LUZ, M. Saúde e estado capitalista: as instituições médicas no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1986. MEDEIROS, L. A.; LUSTOSA, M. A. A difícil tarefa de falar sobre a 2, p. 203-227, 2011. MORIN, E. o enigma do homem. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1979. Aula 2 ASPECTOS PSICOLÓGICOS EA MORTE Aspectos psicológicos e a morte Caro aluno, nesta aula, iremos em busca da compreensão das dinâmicas afetivas e cognitivas no contexto do adoecimento e da hospitalização, que são fundamentais para explorar as complexidades das interações entre pacientes, familiares e profissionais de saúde diante das dores, perdas e da morte. A partir</p><p>Ponto de Partida Vamos, nesta aula, apresentar um debate sobre a compreensão da subjetividade da morte, entendendo os aspectos psicológicos do seu entorno. Veremos também questões fundamentais para que possamos compreender o processo de morte com naturalidade e levando em consideração a vivência das perdas. Acompanhando a evolução histórica das práticas de cuidado em saúde, é perceptível a transformação dos contextos de enfrentamento do adoecimento e da morte. Desde tempos remotos, a assistência era predominantemente familiar, contrastando com a configuração atual, na qual o hospital tornou-se o principal locus de busca pela cura e cuidado dos pacientes. Contudo, essa mudança de paradigma não ocorreu sem impactos na compreensão e na subjetividade da morte e do adoecimento. Sendo assim, vamos ao nosso estudo de caso de hoje: a família Silva é confrontada com a hospitalização de seu patriarca, Sr. José Silva, de 68 anos, devido a complicações decorrentes de uma</p><p>ruptura em sua dinâmica familiar habitual ao enfrentar o ambiente hospitalar e a incerteza associada ao prognóstico de Sr. José. No hospital, a equipe médica liderada pelo Dr. Oliveira, um cirurgião experiente, assume o controle do tratamento do Sr. José. Enquanto a equipe busca as melhores estratégias terapêuticas, a família experimenta uma gama de emoções, desde ansiedade e medo a esperança e resignação. A presença da psicóloga hospitalar, Dra. Martins, torna-se crucial para facilitar a comunicação e apoiar a família diante das dificuldades emocionais. Nesse contexto, surgem os questionamentos: Como a hospitalização do Sr. José afeta a dinâmica familiar e as relações interpessoais dos membros da família? Quais são os principais desafios emocionais enfrentados pela família Silva durante esse período de hospitalização? De que maneira as diferenças na compreensão do processo cirúrgico entre o médico e o paciente podem afetar a eficácia da comunicação e do cuidado? Como as características socioculturais da família Silva influenciam sua expressão de dor e sofrimento no contexto hospitalar? Vamos Começar! Compreensão e subjetividade da morte Em decorrência de fatores histórico-sociais, pode-se afirmar que falar sobre as dinâmicas afetivas e os aspectos cognitivos das pessoas que atuam sobre o adoecer - considerando aqui o doente, a família e os profissionais do cuidado - e como elas lidam com as dores, as perdas e a morte é falar em hospitalização.</p><p>obrigada a solicitar atenção médica por se perceber impotente diante das manifestações do sofrimento, que foram, imediatamente, representadas como sinais de doença. Sartor (2017) afirma que, nos primórdios da existência humana, a assistência era oferecida no contexto familiar, mas não havia o médico como referência nem como detentor do poder e do saber. Na modernidade, o hospital tornou-se o lugar de busca pela cura do paciente. Porém, no espaço do discurso médico, sua preocupação sempre esteve centrada na doença, e não no próprio sujeito portador da enfermidade. Hoje, ele é palco constante de representações da dor, das expressões de sentimentos e emoções diante da perda e da proximidade da morte e elaboração de reflexão de valores, crenças, hábitos, posicionamentos frente ao viver, envolvendo seus diversos atores ou agentes: os pacientes, os familiares e toda a equipe de saúde. Sartor (2017) defende que a hospitalização traz questões significantes quanto à produção dos sentidos sobre o sofrer, o desamparo e o mal-estar que é causado no sujeito pelo processo de adoecimento. autor ainda defende que, no hospital, o sujeito sofre um processo de despersonalização, do qual surge a impressão de que ele é estranho a si mesmo, podendo se apresentar passivo até mesmo frente aos novos fatos e perspectivas existenciais, além de poder reformular seus valores e conceitos na relação interpessoal, pois, por meio do discurso médico, deixa de ter significado próprio para significar a partir de diagnósticos realizados sobre sua patologia. Para Costa, Mombelli e Marcon (2009), o surgimento da doença e a hospitalização constituem, quase sempre, fatores desestruturantes para a família. adoecimento pode ser considerado uma ameaça não só ao paciente, mas também à família, assumindo proporções</p><p>transformar as relações entre seus membros. A doença interrompe a forma habitual de vida, configurando-se em um estado de crise agravado por algumas características específicas determinadas pela hospitalização, com suas intricadas relações e com as reações dos agentes envolvidos. Portanto, faz-se necessária uma intervenção a partir do reconhecimento precoce e do manejo eficiente desse sofrimento. A resistência psíquica As pesquisas de Milanesi et al. (2006) e Viapiana, Gomes e Albuquerque (2018) apontam algumas características psicológicas que se manifestam no contexto do adoecimento e da hospitalização. Milanesi et al. (2006) defendem, em sua pesquisa com mães acompanhantes de filhos hospitalizados, que o hospital é um ambiente onde se estabelecem relações com características peculiares, podendo gerar sentimentos, atitudes e comportamentos específicos, dependendo da maneira como cada pessoa e família enfrentam as situações do cotidiano. Os autores afirmam que, ao adentrar o ambiente hospitalar, a família apresenta problemas emocionais decorrentes do próprio ambiente e sua dinâmica de trabalho, aliado ao fato de ter de conviver com a doença do filho. Dessa forma, eles perceberam que a forma de organização do trabalho no hospital pode desencadear sofrimento psíquico nos familiares das crianças hospitalizadas. Quando o hospital não possibilita à família vias de descarga desse sofrimento, ela acaba desenvolvendo alguns mecanismos de defesa para amenizar esse sentimento. Viapiana, Gomes e Albuquerque (2018) afirmam que as condições de saúde-doença dos indivíduos se desenvolvem a partir de</p><p>ideológico e as relações com o ambiente. Ou seja, esses aspectos psicológicos de defesa podem se tornar protetores ou destrutivos, de acordo com as condições históricas em que ocorrem. A hospitalização, geralmente, propicia o aparecimento desses "processos críticos". Pode-se pensar nessa dualidade dos aspectos protetores ou destrutivos da psique humana também em relação à representação que o profissional de saúde adquire para o enfermo. Segundo Sebastiani e Maia (2005), há uma ambiguidade na forma como os pacientes veem os médicos, calcada em uma concepção tradicional, como um "descendente dos feiticeiros e curandeiros". Assim, o paciente acredita que o médico se encarrega da doença e pode vencê-la, mas esse lado mágico leva o paciente a enxergar o médico com reserva, prudência e desconfiança. O temor e o respeito perante o médico estão, consequentemente, associados ao homem mau e ao salvador, não raro determinante de muitas relações entre cirurgião-paciente. Para o enfermo, esse profissional tem acesso aos segredos da vida, da morte, do corpo e até do sexo. Assim, nas pesquisas realizadas pelos autores entre 2002 e 2003, ficou evidente a diferença entre a forma de interpretar o processo cirúrgico e a relação cirurgião-paciente para cada um desses atores. Enquanto os médicos apresentaram respostas mais racionais/técnicas, os pacientes apresentaram respostas classificadas em um eixo emocional/afetivo. Todavia, embora constatado o envolvimento de um com o outro no processo do tratamento/cirurgia, eles não eram capazes efetivamente de se comunicarem. Helman (2006) já havia apontado essa diferença entre os saberes do médico e do paciente, ressaltando que o processo do adoecer envolve experiências subjetivas e que, para o tratamento, deve haver um consenso entre todos os envolvidos. Sebastiani e Maia</p><p>dúvidas, expectativas do paciente, facilitando, assim, a comunicação com a família e com toda a equipe, além de estabelecer estratégias de cuidado com aqueles que cuidam, identificando situações potencialmente patogênicas. Siga em Frente... Vivência de perdas No caminho do apoio dos profissionais de saúde com os aspectos psicológicos dos pacientes e familiares para lidar com o sofrimento desencadeado pelas dinâmicas de internação, Milanesi et al. (2006) apontam, em sua pesquisa, estabelecer uma relação de confiança e respeito entre a família e os profissionais representa a possibilidade de transformar o ambiente hospitalar em um local de menor sofrimento, tanto para a criança quanto para a família e para os próprios trabalhadores. Valorizar a confiança significa que a equipe deve saber identificar os sentimentos de insegurança, medo, cansaço, irritação, enfim, os sentimentos decorrentes do sofrimento e os comportamentos que os caracterizam. Segundo Helman (2006), nem todos os grupos sociais respondem à dor da mesma maneira. A forma de expressão de uma dor individual pode ser influenciada pelo grupo social ou cultural do qual o sujeito faz parte, e a comunicação dessa dor aos profissionais de saúde, por exemplo, também é influenciada por esses fatores socioculturais. Apesar de a dor ser uma reação biológica universal a um tipo específico de estímulo, ela pode ser representada de duas formas: uma reação involuntária (instintiva), produzindo o afastamento do objeto que a provoca; ou uma reação voluntária, de forma autônoma ou por solicitação da ajuda de outra pessoa (Helman, 2006).</p><p>cesse. Os pacientes em um leito hospitalar encontram-se diante da dor e do adoecimento. Os procedimentos médicos, diagnósticos e o tratamento são encaminhados, mas a forma como o paciente e a família os recebem difere de acordo com seus contextos de estruturação psíquica, históricos e culturais. Para Barreira (1999), o objetivo da prática em psicologia hospitalar junto ao adoecimento do sujeito é reconhecer que o sofrimento do corpo é atravessado por outra dimensão, e é bastante singular para aquele que sofre. Por isso, sustenta-se que o corpo enfermo precisa ser ouvido, mantendo-se, simultaneamente, as especificidades institucionais. Sartor (2017) afirma que o adoecer é um exemplo real da descontinuação de vida supostamente perfeita e autônoma, à qual o indivíduo, geralmente de maneira involuntária, é submetido, e sua confrontação ocorre de forma dura. O autor apresenta, ainda, uma forma genérica de enxergar essa situação. Quando o indivíduo se percebe diante do adoecimento, quando esse corpo primoroso e ideal se depara com a realidade do corpo doente, ele costuma manifestar elementos de resistência e renúncia. Além disso, Sartor (2017) lembra que o ambiente hospitalar é um contexto no qual se confrontam, de forma ambivalente e paradoxal, sentimentos em relação a vida e morte, cura e sofrimento, qualidade de vida plena e limitada, alegrias e tristezas. autor aponta, ainda, que os sentimentos dolorosos muitas vezes provêm da forma como as pessoas são tratadas no ambiente hospitalar, que pode ocasionar descontentamento e gerar depressão e estresse, piorando o quadro patológico. Vamos Exercitar?</p><p>profissionais de saúde envolvidos. Os questionamentos são: como a hospitalização do Sr. José afeta a dinâmica familiar e as relações interpessoais entre os membros da família? Quais são os principais desafios emocionais enfrentados pela família Silva durante esse período de hospitalização? De que maneira as diferenças na compreensão do processo cirúrgico entre o médico e o paciente podem afetar a eficácia da comunicação e do cuidado? Como as características socioculturais da família Silva influenciam sua expressão de dor e sofrimento no contexto hospitalar? Quanto ao impacto da hospitalização na família, pode-se afirmar que a hospitalização do Sr. José interrompe a rotina familiar, gerando estresse, ansiedade e incerteza. A família enfrenta dificuldades emocionais ao lidar com a doença do patriarca e as mudanças na dinâmica familiar, incluindo ajustes de papel e responsabilidades. Em relação à dinâmica cirurgião-paciente, a percepção do Sr. José sobre o Dr. Oliveira é influenciada por crenças culturais e experiências anteriores com profissionais de saúde. As diferenças na compreensão do processo cirúrgico podem levar a mal- entendidos e afetar a confiança mútua entre o paciente e o médico. Quanto à dimensão psicológica da dor e do sofrimento, a expressão da família Silva é influenciada por fatores socioculturais, incluindo crenças sobre saúde, doença e expressão emocional. A intervenção da psicologia hospitalar visa oferecer suporte emocional e promover estratégias de enfrentamento eficazes. Já na reflexão sobre a experiência hospitalar, a hospitalização de Sr. José desencadeia uma reflexão profunda sobre vida, morte e adoecimento. A experiência pode deixar um impacto duradouro na compreensão e nas atitudes da família em relação à saúde e ao</p><p>Saiba Mais Visando fornecer uma compreensão mais ampla sobre o tema, aqui estão algumas sugestões de materiais para você: A morte e o desenvolvimento humano, por Erik H. Erikson - esse livro explora as dimensões psicológicas e emocionais da morte e como ela afeta o desenvolvimento humano. A arte de morrer, por Peter Fenwick e Elizabeth Fenwick - os autores abordam a experiência da morte e os processos de enfrentamento psicológico e espiritual a ela associados. Modelos de mediação alternativos da relação entre o gênero, a fé religiosa e a ansiedade face à morte: Comparação em jovens adultos e em idosos, Dissertação de Mestrado de Carolina Alexandra Santos Carvalho, na qual compara dois modelos de mediação alternativos que relacionaram o gênero, a ansiedade frente à morte e a força da fé religiosa. Referências BRANT, L. C.; MINAYO, C. G. A transformação do sofrimento em adoecimento: do nascimento da clínica à psicodinâmica do trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, V. 9, n. 1, p. 213-223, 2004. COSTA, J. B.; MOMBELLI, M. A.; MARCON, S. S. Avaliação do sofrimento psíquico da mãe acompanhante em alojamento conjunto pediátrico. Estudos de Psicologia, Campinas, V. 26, n. 3, p. 317- 325, 2009. HELMAN, C. G. Interações médico-pacientes. In: HELMAN, C.G. Cultura, saúde e doença. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p><p>SARTOR, J. M. o sujeito diante da hospitalização: a tarefa de compreender o que lhe ocorre. 2017. 49 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) - Curso de Psicologia, Departamento de Humanidades e Educação, Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Sul, Santa Rosa, 2017. Disponível em: https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/handle/123456789/4932 Acesso em: 4 fev. 2024. SEBASTIANI, R. W.; MAIA, E. M. C. Contribuições da psicologia da saúde-hospitalar na atenção ao paciente cirúrgico. Acta Cirúrgica Brasileira, São Paulo, V. 20, supl. n. 1, p. 50-55, 2005. VIAPIANA, V. N.; GOMES, R. M.; G. S. C. Adoecimento psíquico na sociedade contemporânea: notas conceituais da teoria da determinação social do processo saúde- doença. Saúde Debate, Rio de Janeiro, V. 42, n. esp. 4, p. 175-186, 2018. Aula 3 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E A MORTE Aspectos psicossociais e a morte</p><p>Reconhecer a importância dessas dimensões é fundamental para oferecer suporte emocional e espiritual em momentos de perda e sofrimento. Ponto de Partida Nesta aula, vamos compreender melhor as crenças e espirituais em torno do tema da morte. Reforçamos que, como profissionais de saúde, precisamos a todo tempo respeitar e até mesmo abordar essa temática com os pacientes, visto que isso vai influenciar, impactar e, até mesmo, justificar os comportamentos adotados em situações que envolvem doenças e morte. Além disso, faremos um debate sobre os mitos sobre a morte, as questões de senso comum e que, muitas das vezes, também estão associadas a questões religiosas e espirituais dos pacientes e seus familiares. A situação problema desta aula, envolve a seguinte questão: Daise tem 65 anos de idade, e foi diagnosticada com câncer de mama metastático. Ela é viúva e tem dois filhos adultos. Daise é uma</p><p>vida. Daise foi admitida no hospital para iniciar um novo ciclo de quimioterapia. Ela está ciente da gravidade de sua condição e das incertezas associadas ao tratamento. No entanto, Daise expressa confiança em Deus e acredita que sua fé a ajudará a superar esse momento difícil. Daise foi diagnosticada com câncer de mama há dois anos e, desde então, tem passado por tratamentos, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Apesar dos esforços médicos, a doença progrediu e, agora, ela está enfrentando uma fase mais avançada da doença, o que vem trazendo uma série de desafios emocionais e espirituais relacionados à sua doença e ao tratamento. Ela está preocupada com o impacto que o câncer terá em sua família e sente medo do desconhecido. Além disso, ela está lidando com a dor física e os efeitos colaterais do tratamento, o que a deixa fisicamente e emocionalmente exausta. A equipe de saúde, composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais e reconhece a importância das crenças espirituais de Daise em sua jornada de tratamento. Eles se esforçam para criar um ambiente de apoio e compreensão em que Daise sinta-se confortável para expressar suas preocupações e encontrar consolo em sua fé. Nesse contexto, quais são os principais desafios emocionais e espirituais enfrentados por Daise? Como a equipe de saúde aborda as crenças religiosas de Daise durante seu tratamento? Quais intervenções específicas podem ser realizadas pela equipe de saúde para apoiar Daise em sua jornada de tratamento? Vamos Começar!</p><p>No cenário que envolve a morte, existem muitos mitos, crenças e ao seu redor, gerando, na população como um todo, diversas informações que não são reais. Quando a pessoa identifica uma doença, logo ela quer buscar respostas para entender a razão e os motivos que desencadeiam tanto sofrimento. Geralmente, isso está moldado por suas crenças, com base em sua história de vida e, consequentemente, envolvem histórias que buscam entender a fé e o sagrado, que se relaciona diretamente ao que é divino, Deus ou o desconhecido, mas que apresenta um valor superior ou um compromisso de fé. Um mito é compreendido como uma narrativa que apresenta um caráter simbólico e imaginário. Logo, não é uma constatação científica, mas um aprendizado atrelado àquilo que as pessoas creem e interpretam. Precisamos, então, compreender que, ao narrar histórias de sofrimento, de alguma forma isso pode trazer algum alívio e, até mesmo, a oportunidade de encontrar diferentes experiências e significados para elas. Os profissionais da saúde a todo tempo são demandados para realizar a escuta das histórias de vida narradas por familiares e pacientes, justamente para que tais profissionais tenham a capacidade de oferecer um alívio ao seu sofrimento. A capacidade de dar significado e sentido às suas vidas é primordial para que tenhamos a capacidade de entender o processo vivenciado pelo paciente e por sua família. As crenças religiosas e espirituais geram a capacidade de significação e de obter respostas às perguntas existenciais que são colocadas mediante o quadro de doença e de morte do paciente. Com isso, proporcionar meios de ajudar tanto familiares como pacientes a encontrar significados para suas experiências é um</p><p>familiares. Na literatura científica, poucos estudos discutem essa temática, o que dificulta a capacidade de lidar com as crenças dos pacientes e, principalmente, compreender os mitos que envolvem o processo de morte para eles. Conseguir adentrar as crenças religiosas e espirituais dos pacientes está justamente em compreender, de forma mais aprofundada, suas crenças e valores, o que possibilita ao trabalhador da saúde atender e compreender de forma mais satisfatória suas necessidades. A formação no âmbito da saúde tem uma especificidade muito precisa. Com isso, alguns profissionais ainda apresentam dificuldades, até mesmo relutam em adentrar questões que envolvam crenças e espiritualidade. Mitos sobre a morte Atualmente, vem crescendo a tendência de realizar abordagens sobre o mito e crenças em torno da morte no âmbito da assistência à saúde, pois é algo fundamental para compreender determinados comportamentos adotados pelos pacientes e seus familiares, principalmente no que tange à morte. Vale ressaltar que essas decisões e escolhas dos pacientes, no que se refere às suas crenças, devem ser respeitadas. Eles precisam ser entendidos em sua totalidade, enquanto humanos, e não apenas como situações-problema que envolvam doenças. Precisamos aceitar que as pessoas são permeadas de suas crenças baseadas em suas religiões. Tais crenças e mitos influenciam diretamente a maneira como cada um enfrenta as situações de morte, como também influenciam a forma de lidar com perdas e doenças, que afetam a família em determinadas situações.</p><p>situação de perda, que pode ser de maneira positiva em situações em que a perda já vinha sendo esperada, por exemplo, ou muito negativa, caso aconteça abruptamente. Com isso, devemos a todo tempo refletir sobre a importância da religião e da espiritualidade de que o paciente faz parte para que sejam um suporte em momentos de doença e morte. Muitas das vezes, isso traz determinado conforto ao paciente, fazendo com que ele enfrente os fatos de forma mais leve, uma vez que a significação da doença e da morte está diretamente relacionada a suas próprias crenças e religião. No diálogo com Fédon, o Sócrates platônico tratou a meditação da morte como a definição de filosofia. Por meio dela, podemos identificar a origem e, inclusive, o núcleo dos exercícios espirituais, além do cuidado em si. Para ilustrar a relevância atual desses ensinamentos, é importante destacar a significativa influência de Schopenhauer (2015) em diversas áreas da cultura contemporânea. Essa influência justifica a abordagem do tema da morte em nosso contexto atual. Além disso, é notável a proximidade entre as ideias de Schopenhauer (2015) e as de Heidegger (1889-1976), o que evidencia a continuidade e a convergência de seus pensamentos. Confirmando a fala assertiva comum dos dois autores, podemos inferir que, mesmo que de maneira diversa, destaca-se a mesma exigência socrática de conceber a filosofia não como apenas uma investigação no campo epistemológico, mas uma forma de viver (Hadot, 2014, p. 115). Assim, pode-se notar a força que esses ensinamentos trazem e como a sua presença ainda se faz viva em determinadas correntes teóricas marcadamente distintas do pensamento contemporâneo. Siga em Frente...</p><p>a a mundo, justamente por isso é um exercitar, um duro trabalho de passagem do eu, emaranhado em seus afetos desordenados e afazeres comuns para um si mesmo liberado das distrações e preocupações inúteis. A morte, como um fato social, é, geralmente, algo alheio e distante, exceto quando se relaciona com pessoas direta ou indiretamente significativas. Mas, quando ela se torna concreta - em números muito maiores do que o normal, como nas guerras e epidemias - esse tema se torna presente na vida das pessoas com maior intensidade, e o medo de morrer surge com mais frequência. A morte faz parte de nosso ciclo vital natural. Nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos; a finitude da corporeidade. No entanto, é um fato que apenas o ser humano pode conhecer. Desde seu início, a humanidade busca um sentido para a vida e para a morte. Kovács (2005) nos lembra que estamos rodeados por um tecido cultural que determina, até certo ponto, como viveremos e como morreremos. Porém, como lembra Ariès (2003), o tema da morte tornou-se interdito na sociedade ocidental desde o século XX, sendo banido da comunicação entre as pessoas. Em relação à dimensão subjetiva da morte, Freud ([1915] 2006) afirma que tendemos a negá-la, pois nada de pulsional em nós favorece a crença na morte; seja a nossa própria, da qual somos sempre espectadores quando a imaginamos, seja a dos outros, que nos afeta, sobretudo, se atinge as pessoas a quem amamos. Nesse último caso, a morte pode despertar conflitos psíquicos significativos, pois "a perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta" (Freud, [1915] 2006, p. 256).</p><p>e assim por diante". Ou seja, uma resposta emocional a uma situação de perda, concreta ou abstrata. Nesse sentido, a pandemia, em nível global, trouxe consigo o luto pelo que era esperado do ano de 2020, todos os planos e sonhos que não puderam se concretizar. Entretanto, o luto pelo falecimento de alguém traz a dimensão da morte, que se apresenta mais complexa, uma vez que Freud ([1915]/2006) aponta o inconsciente como incompatível com representações negativas. A morte, enquanto pura ausência de vida, constitui-se, então, como irrepresentável - e seu processo de luto, um verdadeiro desafio. Na perspectiva lacaniana, trazida por Maesso (2017), o falecimento de alguém amado deixa um buraco no real, que remete à insuficiência significante ao nível do outro e leva a relação a se estabelecer no imaginário, demandando simbolização. Assim, podemos perceber como se trata fundamentalmente de uma crise que envolve desde os repertórios já estabelecidos do sujeito até a articulação com os processos simbólicos em andamento no seu meio social. Vamos Exercitar? Conhecemos hoje o caso de Daise, uma mulher de 65 anos de idade, diagnosticada com câncer de mama metastático. Mostra-se como uma mulher bastante religiosa, praticante da fé católica há muitos anos, confiando em sua fé para enfrentar os desafios da vida. Entretanto, vem enfrentando uma série de desafios emocionais e espirituais relacionados à sua doença e ao tratamento. Ela está preocupada com o impacto que o câncer terá em sua família e sente medo do desconhecido. Além disso, ela está lidando com a dor física e os efeitos colaterais do tratamento, o que a deixa fisicamente e emocionalmente exausta.</p><p>durante seu tratamento? Quais são algumas intervenções específicas realizadas pela equipe de saúde para apoiar Daise em sua jornada de tratamento. Vamos lá: Daise enfrenta desafios emocionais relacionados ao medo do desconhecido, preocupações com sua família e exaustão física e emocional devido ao tratamento. Ela também está lidando com desafios espirituais, buscando conforto e esperança em sua fé católica diante da gravidade de sua condição de saúde. A equipe de saúde respeita e valoriza as crenças religiosas de Daise, reconhecendo sua importância como fonte de conforto e apoio. Eles oferecem assistência espiritual por meio de um capelão e criam um ambiente de acolhimento e escuta ativa para que Daise sinta-se à vontade para compartilhar suas preocupações. Eles também fornecem informações claras sobre o tratamento e trabalham em equipe para garantir uma abordagem holística ao cuidado de Daise, integrando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. Dessa forma, acredita-se que Daise, que está se sentindo amparada por todos, consiga restabelecer sua fé e volte a acreditar que tem condições de melhora. Saiba Mais Visando aprofundar seus conhecimentos sobre este tema, segue a indicação de alguns materiais que podem adicionais: Reflexão sobre a morte e o morrer na UTI: a perspectiva do profissional, de Maria do Carmo Vicensi. Esse artigo trata de</p><p>A morte é um dia que vale a pena viver, por Ana Claudia Quintana Arantes. Esse livro aborda a morte e o processo de morrer sob a perspectiva de uma médica paliativista. Morte sem tabu é um podcast que aborda diversos aspectos relacionados à morte, incluindo mitos, crenças e práticas culturais. Referências Bibliográficas FREUD, S. O inconsciente. In: FREUD, S. Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. V. 14. Rio de Janeiro: Imago, HADOT, P. Exercícios espirituais e filosofia antiga. São Paulo: É Realizações, 2014. MAESSO, M. C. O tempo do luto e o discurso do outro. Ágora, Rio de Janeiro, V. 20, n. 2, p. 337-355, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-4414201700200 Acesso em: 4 fev. 2024. SCHOPENHAUER, A. o mundo como vontade e como representação. Tomo II. Tradução de Jair Barboza. São Paulo: Editora Unesp, 2015. Aula 4</p><p>PERANTE PROCESSO DE MORTE Sentimentos e intervenções efetivas perante processo de morte Olá, estudante! Ao adentrarmos no universo complexo dos cuidados paliativos, é imprescindível compreender não apenas o conceito de morte e morrer, mas também a relevância do luto. Esta aula tem por objetivo explorar as estratégias de enfrentamento da morte, destacando o papel crucial do cuidado prestado não apenas ao paciente, mas também aos familiares que, em algum momento próximo, enfrentarão a perda de um ente querido. Ponto de Partida</p><p>enfrentamento da morte para compreender o seu processo de dor Outro aspecto importante que vamos abordar são as emoções que vivenciamos no ambiente de trabalho em relação às perdas, mortes e doenças de pacientes, que precisamos separar de nossa vida pessoal. Por fim, vamos fazer uma abordagem sobre o processo de elaboração do luto e como isso é feito por muitas pessoas. Assim, para que possamos embasar nossa aula com os conteúdos da prática diária, vamos à situação problema: Sônia é enfermeira em uma unidade de cuidados paliativos em um hospital de grande porte. Ela trabalha diretamente com pacientes terminais e suas famílias, oferecendo apoio emocional e cuidados médicos. Recentemente, Sônia enfrentou um caso particularmente difícil: um paciente jovem que ela acompanhou de perto veio a falecer após uma longa batalha contra o câncer. Durante todo o processo, Sônia desenvolveu um forte vínculo com o paciente e sua família, compartilhando suas esperanças e desafios. Nos dias que se seguiram à morte do paciente, Sônia começou a perceber que suas emoções estavam tumultuadas. Ela se sentia triste, desanimada e incapaz de se concentrar em suas tarefas. À noite, tinha dificuldade para dormir e se via revivendo os momentos finais do paciente em sua mente. Sônia começou a questionar sua eficácia como enfermeira e se culpava por não ter conseguido salvar seu paciente. Além disso, Sônia notou que estava se tornando mais irritada e impaciente com seus colegas de trabalho e familiares em casa. Ela se sentia sobrecarregada pela tristeza e frustração, e não conseguia separar suas emoções do trabalho de sua vida pessoal. Mesmo</p><p>Reflexões: Quais são os estágios do luto pelos quais Sônia pode estar passando, de acordo com o modelo de Kluber-Ross? Quais estratégias de enfrentamento do luto Sônia poderia adotar para lidar com suas emoções no ambiente de trabalho? Como Sônia pode separar suas emoções vivenciadas no trabalho da sua vida pessoal, de forma a preservar sua saúde mental e seu bem-estar? Vamos aos estudos! Vamos Começar! Estratégias de enfrentamento da morte Assim como se deve compreender o conceito de morte e morrer nos cuidados paliativos, é essencial entender que o luto tem a mesma relevância, porque presta-se cuidado ao paciente e ao familiar que, em algum momento próximo, perderá seu ente querido. O luto trata- se do conjunto de reações psicológicas e emocionais em relação à perda de um objeto, animal ou uma pessoa, que seja de grande estima. Presume-se que, quanto maior e mais intenso for seu vínculo com o objeto ou a pessoa de afeto, maior será o sofrimento. O luto é vivenciado de diferentes maneiras, de acordo com a cultura. Não há um comportamento padrão determinado para todas as pessoas, pois cada ser humano sente e demonstra suas emoções e sentimentos individualmente. Pesquisadores no campo da psicologia muito se dedicaram ao estudo do conceito e entendimento de como se vivencia o processo de luto. Estudiosos, como Freud e Melanie Klein o conceituaram a</p><p>Segundo Freud (2013), durante o processo de luto, a pessoa passa por sofrimento, período de tristeza profunda, desinteresse por qualquer atividade que não esteja relacionada ao objeto de perda, bem como incapacidade e falta de vontade de ter um novo objeto de amor. Indo ao encontro de Freud, Melanie Klein acrescenta ao seu entendimento de luto que, para o sujeito, a perda não é apenas real, mas simbólica. Posteriormente a Freud e Klein, nos estudos sobre cuidados paliativos com foco em morte e morrer, a psicóloga Elisabeth Kluber-Ross criou um modelo do luto, dividindo-o em cinco estágios e chamando-o de modelo Kluber-Ross ou modelo de sofrimento de Kluber-Ross (2005). Inicialmente, aplicou os estágios de seu modelo para qualquer perda pessoal que considerava catastrófica, incluindo a morte e o divórcio. Eles acontecem de formas e ordem diferentes, pois nem toda pessoa manifesta-os na mesma ordem e nem todos eles são vivenciados por todos esses sujeitos, mas um indivíduo experimentará pelo menos dois dos cinco estágios. O modelo de Kluber-Ross envolvia familiares e pacientes com doenças terminais, que tendiam à autodepreciação e necessitavam se apoiar em conceitos para se conscientizar sobre seu estado real. O assunto foi publicado no livro Sobre a morte e o morrer, cuja primeira edição foi lançada em 1969. Os estágios do modelo de Kluber ficaram tão conhecidos por sua extensa divulgação e propagação que se tornaram os cinco estágios do luto (ou da dor da morte ou da perspectiva da morte). Separação das emoções vividas no trabalho com a vida particular</p><p>Kluber, primeiro vem a negação. Diante da realidade da perda, é comum que o sujeito se questione: "não, não é possível, isso não está acontecendo comigo". Por mais que esteja consciente da possibilidade de perda, ninguém está realmente preparado para isso. Nesse estágio, o profissional de saúde precisa lidar bem com a comunicação, principalmente quanto às más notícias. Depois dessa fase, surge a raiva. A pessoa pode se revoltar quanto à perda "por que eu? Não é justo". Percebe-se o início de uma ação consciente em relação ao fato, em que lhe ocorre que não há o que ser feito para reverter a perda e, com o intuito de lidar com a dificuldade de se conformar com ela, tende a canalizar na raiva. Nesse estágio, é comum que a pessoa se utilize de questões de religiosidade ou espiritualidade e culpe divindades para tentar justificar ou culpar alguém pela perda. Outra estratégia utilizada é a da negociação ou barganha: a pessoa começa a propor trocas ou promete mudanças ou atitudes para reverter a perda ou evitar uma nova. As questões ligadas à espiritualidade ou à religiosidade podem estar presentes: "prometo a Deus que serei uma pessoa melhor se eu tiver ele/ela de volta". Há uma tentativa de aliviar a própria dor, na qual ela faz ponderações e pensa em possíveis soluções ou acordos internos. Existem os casos de depressão. Esse pode ser um dos estágios mais longos, pois a pessoa sente-se impotente em relação à perda. Há consciência sobre o fato e, com isso, os sentimentos de tristeza, melancolia, culpa, desesperança e intenso desânimo. Nesse estágio, é comum ter comportamentos de isolamento e introspecção.</p><p>aconteceu. Nos casos de paciente em cuidados paliativos, o familiar consegue entender que a morte do ente querido findou com as dores e dificuldades que ele enfrentava há algum tempo, bem como a importância dos cuidados. De acordo com o modelo teórico de Kluber-Ross, os estágios não são necessariamente vivenciados por todos em sua totalidade e, em alguns casos, as pessoas podem ficar mais ou menos tempo em determinado estágio ou estagnar em um deles. Cabe aos profissionais de saúde identificá-los, observando e avaliando as condições e manifestações do familiar para verificar a necessidade de auxiliá-lo nesse processo de luto. E nós, trabalhadores da saúde, temos que estar prontos para separar essas emoções vividas no ambiente de trabalho da nossa vida pessoal para não carregarmos os problemas do trabalho para o nosso ambiente familiar. Fazer essa divisão é algo muito difícil, mas fundamental para nossa saúde mental e boa convivência familiar. Siga em Frente... Elaboração do luto Culturalmente, vive-se em um mundo com tanta diversidade que não seria possível dimensionar como é o processo de luto com um único significado. Cada sociedade tem uma cultura que permite que um mesmo fato seja interpretado de maneiras muito distintas. Assim, ao pensar em luto com o conceito ocidental aqui definido, tem-se um processo de assimilação de uma perda significativa para uma pessoa.</p><p>tempo deve-se obrigatoriamente assimilar a perda. Porém, o luto não é um processo automático e exato, mas um processo humano e vivenciado. Entre os cinco estágios do luto, propostos por Kluber-Ross, a depressão merece destaque, sendo apenas uma etapa de compreensão do processo de perda natural e que precisa ser vivenciada pela pessoa como algo esperado de se sentir. Nesse caso, não se considera uma doença ou um transtorno emocional. Cabe aos profissionais de saúde diferenciarem os dois tipos de depressão (o estágio do luto e a patologia). A dor de um luto tem prazo de validade para acabar, sendo proporcional ao grau de estima/vínculo que se desenvolveu com a pessoa ou condição, e tendo a presença de nostalgia e saudade, as quais, gradualmente, são extintas ou amenizadas. Em contrapartida, como patologia, a depressão manifesta-se de forma lenta e sutil, devendo ser diagnosticada e tratada, ela até pode estar relacionada a uma perda ou situação adversa, mas seu grau de manifestação em relação ao fato torna-se desproporcional a um comportamento normal. A pessoa com depressão tem uma visão de mundo derrotista, passiva e dependente, em que o desânimo a faz se sentir sem força suficiente para vencer esse estado apático. A diferença entre o luto e a depressão está na proporção de apatia (normal ou maior dimensionada) em relação aos acontecimentos cotidianos e à quebra da realidade habitual por uma perda real. O contexto organizacional modificou-se ao longo dos anos, de forma rápida e multidimensional. Os colaboradores de uma determinada organização/empresa passaram a ocupar um papel de destaque como definidores do sucesso ou fracasso desse lugar. Por isso,</p><p>valorizado, são pequenas ações em um grande conjunto que podem mudar a forma como o indivíduo percebe seu trabalho. No setor público, as necessidades são equivalentes às do setor privado. Cada vez mais, percebe-se que priorizar a qualidade de vida é uma das melhores formas de alcançar resultados satisfatórios. Por isso, cada vez mais os trabalhadores da saúde precisam conseguir diferenciar o que é a vida profissional da vida pessoal. Fazer essa distinção é fundamental para obter um melhor desempenho no trabalho. Vamos Exercitar? Sônia é uma enfermeira que trabalha no setor de cuidados paliativos de um grande hospital. Nas últimas semanas, um de seus pacientes veio a óbito, fazendo com que Sônia ficasse um tanto quanto desestruturada por sua ausência. Diante desse contexto, surgem algumas reflexões: Quais são os estágios do luto pelos quais Sônia está passando, de acordo com o modelo de Kluber-Ross? Quais estratégias de enfrentamento do luto Sônia poderia adotar para lidar com suas emoções no ambiente de trabalho? Como Sônia pode separar suas emoções vivenciadas no trabalho da sua vida pessoal, de forma a preservar sua saúde mental e seu bem-estar? Podemos notar que Sônia está passando por diversos estágios do luto, conforme descritos pelo modelo de Kluber-Ross. Inicialmente, ela demonstra sinais de negação, ao questionar sua eficácia como enfermeira e sentir dificuldade para aceitar a perda do paciente. Em seguida, Sônia experimenta raiva, manifestada pela irritabilidade e impaciência com colegas de trabalho e familiares. Ela também pode estar passando por um estágio de depressão, refletido em sua</p><p>na memória do paciente. Para enfrentar o luto no ambiente de trabalho, Sônia pode adotar diversas estratégias, como buscar apoio emocional de colegas de trabalho e supervisores, participar de grupos de apoio ou terapia, praticar técnicas de relaxamento e mindfulness, e reservar momentos para honrar a memória do paciente, como participar de cerimônias de despedida ou escrever em um diário. Para separar suas emoções vivenciadas no trabalho da sua vida pessoal, Sônia pode estabelecer limites claros entre os dois ambientes, reservando tempo para atividades que a ajudem a relaxar e recarregar as energias, como exercícios físicos, hobbies e momentos de lazer com familiares e amigos. Além disso, é importante que Sônia desenvolva habilidades de autoconhecimento e autocompaixão, reconhecendo que é natural sentir-se afetada pelo trabalho em cuidados paliativos e permitindo-se processar suas emoções de forma saudável. Saiba Mais Muito interessante esse tema, não é mesmo? Quer saber mais sobre ele? Então, confira as seguintes referências: Sobre a morte e o morrer, de Elisabeth Kubler-Ross nesse livro, a autora explora os estágios do luto e como lidar com a morte, oferecendo uma perspectiva valiosa para profissionais de saúde e para aqueles que lidam com perdas. Luto e melancolia, de Sigmund Freud nessa obra clássica da psicanálise, Freud discute as complexidades do luto e sua relação com a melancolia, apresentando perspectivas importantes sobre como o processo de luto é vivenciado.</p><p>Referências Bibliográficas COMBINATO, D. S.; QUEIROZ, M. S. Morte: Uma Visão Psicossocial. Estudos de Psicologia, V. 11, n. 2, p. 209-216, 2006. FREUD, S. Luto e melancolia. São Paulo: Cosac Naify, 2013. GIACOIA, O. J. A visão da morte ao longo do tempo. Medicina Ribeirão Preto, V. 38 n. 1, p. 13-19, 2005. KOVÁCS, M. J. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992. E. Sobre a morte e morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. Encerramento da Unidade CONCEITO E PROCESSO DE MORTE Videoaula de Encerramento Caro estudante, esta aula nos leva a uma jornada fascinante pelo conceito de morte em suas múltiplas facetas. Desde uma perspectiva antropológica até a vivência no contexto dos</p><p>Ponto de Chegada Olá, estudante! Para podermos compreender a competência da nossa aula de hoje, precisamos entender o conceito de morte sob diferentes perspectivas, desde uma análise antropológica até a vivência no contexto dos trabalhadores da saúde e as diversidades culturais associadas aos rituais funerários. Edgar Morin, em seu livro homem e a morte, discute a concepção de morte, enfocando aspectos biológicos e antropológicos, além dos rituais simbólicos ligados a ela. Morin destaca a importância da adaptação do homem à morte e como diferentes culturas lidam com esse tema. No ambiente hospitalar, a morte é uma experiência frequente para os profissionais de saúde, podendo gerar uma armadura emocional para lidar com a perda. No entanto, esse distanciamento pode ser influenciado pelo tabu social em torno da morte. Os rituais mortuários refletem as crenças e práticas de diversas culturas, proporcionando conforto e consolo aos enlutados. Seja</p><p>Dessa forma, podemos concluir que a morte é uma experiência universal, influenciada pela cultura, profissão e crenças individuais, destacando os rituais como uma forma de lidar com a perda e buscar consolo na transcendência. Além disso, faz-se necessária a compreensão e a subjetividade envolvidas no contexto da morte, com destaque para a influência dos fatores histórico-sociais e a transformação dos cuidados médicos ao longo do tempo. Sabemos que, inicialmente, a hospitalização surge como um contexto em que as dinâmicas afetivas e cognitivas das pessoas que lidam com o adoecimento e a morte são influenciadas. A família, antes responsável pela assistência, passa a buscar ajuda médica diante da complexidade das manifestações de sofrimento. Assim, a hospitalização, segundo Sartor (2017), despersonaliza o paciente, levando-o a uma sensação de estranhamento consigo mesmo e à reformulação de seus valores e conceitos. A doença não apenas afeta o paciente, mas também desestrutura a família, que enfrenta a ameaça à sua forma habitual de vida e lida com emoções inconscientes que transformam as relações. A resistência psíquica dos pacientes e familiares é explorada por Milanesi et al. (2006) e Viapiana, Gomes e Albuquerque (2018), que identificam mecanismos de defesa desenvolvidos para lidar com o sofrimento causado pela hospitalização. A relação com os profissionais de saúde também é discutida, destacando-se a ambiguidade na percepção do médico como curador e como fonte de desconfiança. A vivência de perdas no ambiente hospitalar precisa ser trabalhada devido à sua importância na relação de confiança entre a família e</p><p>reconhecer a singularidade do sofrimento do indivíduo. Sartor (2017) destaca o confronto ambivalente e paradoxal entre vida e morte, cura e sofrimento, que ocorre no ambiente hospitalar, sendo que a forma como as pessoas são tratadas nesse contexto pode intensificar o quadro patológico, gerando sentimentos de descontentamento, depressão e estresse. Nesse sentido, mostra-se de grande importância explorar as crenças e convicções espirituais sobre a morte, destacando a influência dos mitos e da religião na forma como as pessoas lidam com o sofrimento e encontram significado em suas experiências. As crenças religiosas e espirituais oferecem respostas às perguntas existenciais diante da doença e da morte, representando um desafio para os profissionais de saúde, que muitas vezes não se sentem preparados para lidar com essas questões. Os mitos sobre a morte são abordados, ressaltando a importância de respeitar as escolhas dos pacientes e compreender suas crenças como parte integrante de sua humanidade. As reações das famílias diante da perda são influenciadas por suas crenças e mitos, exigindo dos profissionais de saúde uma abordagem sensível e respeitosa. Citando importantes autores, como Schopenhauer e Heidegger, destaca-se a importância de compreender a morte como parte do ciclo vital humano. Foi possível observar isso tudo em meio à pandemia global que vivenciamos entre os anos de 2019 e 2021, o que trouxe à tona questões de luto e perda, revelando a complexidade do processo de luto e sua relação com o inconsciente e os processos simbólicos do sujeito e da sociedade.</p><p>cuidados paliativos quanto na vida pessoal. O luto é descrito como um conjunto de reações psicológicas e emocionais à perda, podendo se manifestar de maneiras diferentes, de acordo com a cultura e os vínculos afetivos. Diversos estudiosos, como Freud, Melanie Klein e Elisabeth Kluber- Ross, contribuíram para o entendimento do luto, delineando estágios e modelos para compreender o processo de enfrentamento da perda. Os estágios do modelo de Kluber-Ross, que incluem negação, raiva, negociação, depressão e aceitação, oferecem um quadro para entender como as pessoas lidam com a perda. No ambiente de trabalho da saúde, é essencial separar as emoções vivenciadas no trabalho da vida pessoal, evitando carregar os problemas do trabalho para casa. Essa divisão é fundamental para a saúde mental e o bem-estar dos profissionais. Além disso, ainda há a questão acerca da importância em diferenciar o luto normal da depressão patológica, ressaltando que a promoção da qualidade de vida no trabalho é essencial para o desempenho e o bem-estar dos colaboradores, tanto no setor público quanto no privado. É Hora de Praticar! Marina é uma enfermeira que trabalha em um grande hospital da cidade. Ela tem se dedicado à profissão por muitos anos e enfrentou diversas situações desafiadoras ao longo de sua carreira. Recentemente, ela foi designada para cuidar de um paciente idoso terminal, Sr. Silva, que foi diagnosticado com uma doença grave e sem possibilidade de cura. Marina percebe que lidar com a morte iminente do Sr. Silva não é apenas uma questão de tratamento médico, mas também de apoio emocional para o paciente e sua família. Ela se lembra das lições</p><p>Apesar de sua experiência, Marina se vê diante de um desafio emocional ao lidar com a família do Sr. Silva, que está lutando para aceitar a situação, mas parece não compreender completamente a gravidade da doença. Ela percebe que a comunicação empática e sensível é fundamental para ajudar a família a enfrentar esse momento difícil. Marina se lembra das palavras de Edgar Morin sobre a adaptação do homem à morte e como diferentes culturas lidam com esse tema. Ela sabe que os rituais mortuários podem proporcionar conforto e consolo aos enlutados, então, ela conversa com a família do Sr. Silva para entender suas crenças e necessidades em relação aos rituais funerários. Enquanto acompanha o Sr. Silva em seus últimos dias, Marina utiliza sua formação em psicologia hospitalar para reconhecer a singularidade do sofrimento do paciente e de sua família. Ela se esforça para criar um ambiente de cuidado e compaixão, reconhecendo a importância da expressão da dor influenciada pelo contexto sociocultural. No entanto, Marina também enfrenta seus próprios desafios emocionais ao lidar com a morte iminente de um paciente pelo qual ela desenvolveu um vínculo durante seu tempo no hospital. Ela se lembra das palavras de Sartor sobre o confronto ambivalente entre vida e morte, buscando equilibrar sua própria saúde mental e bem- estar emocional enquanto cuida dos outros. Diante dessa situação, Marina reflete sobre a importância de compreender e lidar com os processos de morte e luto, não apenas no contexto dos cuidados paliativos, mas também em sua própria vida pessoal. Ela sabe que, ao separar as emoções vivenciadas no</p><p>Reflita 01) Como o conceito de morte é abordado por Edgar Morin em seu livro O homem e a morte? GABARITO: Edgar Morin explora a concepção de morte sob diversas perspectivas, incluindo aspectos biológicos, antropológicos e rituais simbólicos. Ele destaca a importância da adaptação do homem à morte e analisa como diferentes culturas lidam com esse tema. 02) Qual a importância dos rituais mortuários nas diferentes culturas? Como esses rituais buscam proporcionar conforto aos enlutados e facilitar a transição do falecido para o mundo espiritual? GABARITO: Os rituais mortuários refletem as crenças e práticas de diversas culturas, oferecendo conforto e consolo aos enlutados. Seja através da água, da terra ou do fogo, esses rituais buscam facilitar a transição do falecido para o mundo espiritual e ajudar os vivos a enfrentarem a ausência e a saudade. 03) Qual a importância de compreender e lidar com os processos de morte e luto no contexto dos trabalhadores da saúde? Por que é essencial separar as emoções vivenciadas no trabalho da vida pessoal? GABARITO: Compreender e lidar com os processos de morte e luto no contexto dos trabalhadores da saúde é crucial devido à frequente exposição a essas experiências. É essencial separar as emoções vivenciadas no trabalho da vida pessoal para preservar a saúde mental e o bem-estar dos profissionais, evitando transferir os problemas do trabalho para casa.</p><p>experiência em um hospital da cidade que é designada para cuidar do Sr. Silva, um paciente idoso terminal. Ela compreende que lidar com a iminente morte do Sr. Silva requer não apenas tratamento médico, mas também apoio emocional para ele e sua família. Enfrentando desafios emocionais ao lidar com uma família lutando para aceitar a situação, Marina aplica suas lições sobre a morte, aprendidas em seus estudos, para oferecer comunicação empática e entender as necessidades da família em relação aos rituais funerários. Utilizando sua formação em psicologia hospitalar, Marina reconhece a singularidade do sofrimento do Sr. Silva e de sua família, esforçando-se para criar um ambiente de cuidado e compaixão, respeitando a expressão da dor influenciada pelo contexto sociocultural. Então, surgem alguns questionamentos: Quais os principais desafios enfrentados por Marina ao lidar com o paciente terminal, Sr. Silva, e sua família? Marina enfrenta desafios emocionais e de comunicação ao lidar com a morte iminente do Sr. Silva e ao tentar ajudar sua família a aceitar a situação. Como Marina aplica os conceitos aprendidos sobre morte e luto em sua prática profissional? Marina utiliza sua compreensão dos rituais mortuários, aspectos culturais e psicológicos da morte para oferecer apoio emocional ao Sr. Silva, sua família e a si mesma. Por que é importante para Marina separar as emoções vivenciadas no trabalho da vida pessoal? Separar as emoções vivenciadas no trabalho da vida pessoal é importante para manter a saúde mental e o bem-estar emocional de Marina, permitindo-lhe continuar a oferecer cuidados de qualidade aos pacientes e suas famílias. Dê o play!</p><p>Assimile Conceito de morte e suas perspectivas 01 03 05 07 09 Diferentes Rituais Mortuários Hospitalização e Crenças e Convicções Modelos de perspectivas Afetivas Espirituais Compreensão do Luto Reflexo das crenças e práticas Despersonalização e Influência dos mitos e Contribuições de Estudiosos Vivência no contexto da Propósito: conforto e reformulação de valores da como Freud e Transição do Impacto na e Desafio para Estágios do Modelo de Diversidades culturais e falecido e aos vivos emoções inconscientes profissionais de saúde Kluber-Ross rituais 02 04 06 08 10 Promoção da Edgar Morin e Compreensão e Resistência e Estratégias de Qualidade de Vida no Homem Subjetividade da Morte Mecanismos de Defesa Enfrentamento da Trabalho da Saúde Morte e do Luto Aspectos Biológicos e dos fatores Identificação dos Importância no contexto dos Separação das emoções Rituais mecanismos de defesa: cuidados paliativos trabalho-pessoal Transformação dos Relação com profissionais Importância na vida pessoal Diferenciação entre luto cuidados médicos de saúde Reações psicológicas e normal e depressão emocionais Importância da no Trabalho Referências P. A morte invertida. In: P. o homem perante a morte. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982. ESPÍNDOLA, T.; MACEDO, M. C. S. A morte no hospital e seu significado para os profissionais. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, V. 47, n. 2, p. 108-117, 1994. FEITOSA, F.; MATTOS, P.; VALENTIM, J. H. O psicólogo no hospital geral. Cadernos do ICHF, [s. n. 28, 1990.</p><p>FREUD, S. Luto e melancolia. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1996. V. XIII. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e morrer. Barueri: Martins Fontes, 1996. MORIN, E. o enigma do homem. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1979.</p>