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<p>FUNDAMENTOS DE</p><p>ECONOMIA, MERCADO DE</p><p>CAPITAIS E INVESTIMENTOS</p><p>Autoria: Adirson Maciel de Freitas Junior</p><p>Indaial - 2022</p><p>UNIASSELVI-PÓS</p><p>1ª Edição</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI</p><p>Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito</p><p>Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC</p><p>Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2022</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>Xxxxxx</p><p>Xxxxxxxxxxx</p><p>Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx</p><p>xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx</p><p>XXX p.; il.</p><p>ISBN XXXXXXXXXXXXX</p><p>1.Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx</p><p>xxxxxxxxxx</p><p>CDD XXXX.XXX</p><p>Impresso por:</p><p>Reitor: Prof. Hermínio Kloch</p><p>Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:</p><p>Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Ilana Gunilda Gerber Cavichioli</p><p>Jóice Gadotti Consatti</p><p>Norberto Siegel</p><p>Julia dos Santos</p><p>Ariana Monique Dalri</p><p>Jairo Martins</p><p>Marcio Kisner</p><p>Marcelo Bucci</p><p>Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais</p><p>Diagramação e Capa:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ............................................................................5</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Conceitos Básicos de Economia .................................................. 7</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Cálculos Financeiros Básicos .................................................. 53</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Cálculos Financeiros Básicos ................................................ 101</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Este livro tem o objetivo de capacitá-lo para compreender teoricamente como</p><p>a economia é estruturada, desde a concepção de microeconomia, que consiste</p><p>em observar como é dada a formação dos preços de mercado, ou seja, como as</p><p>empresas interagem com os consumidores e determinam o preço e a quantidade</p><p>de um produto ou serviço.</p><p>Ademais, estudar a função da oferta e da demanda na formação de preços.</p><p>Compreender as interações dos agentes econômicos, desde analisar o fluxo cir-</p><p>cular de renda na economia, bem como, que as empresas reembolsam as famí-</p><p>lias por meio de um recurso monetário chamado aluguel, tornando essas famílias</p><p>consumidoras de produtos no mercado de commodities, veremos também a con-</p><p>cepção macroeconômica relacionada as interações entres dos grupos de agen-</p><p>tes econômicos, de como as políticas macroeconômicas têm objetivos (metas) a</p><p>serem alcançados. Essas metas incluem: altas taxas de emprego, estabilidade</p><p>de preços, distribuição de renda e crescimento econômico. Veremos como altos</p><p>níveis de emprego são importantes e como as pessoas podem ganhar salários e</p><p>comprar bens.</p><p>Por outro lado, a perda de empregos gera pouca demanda e resultam na</p><p>permanência do produto na gôndola do supermercado. Portanto, se não houver</p><p>demanda pelo produto, haverá menos produção e, por fim, menos lucro. Ao passo</p><p>que, se a população estiver amplamente empregada o efeito oposto é encontrado</p><p>– haverá muito dinheiro circulando na economia, gerando, assim, um efeito de de-</p><p>sequilíbrio na estabilidade de preços, causando a chamada inflação. Essa a que é</p><p>a responsável por um aumento sustentado e generalizado dos níveis de preços. A</p><p>partir dos conhecimentos básicos de microeconomia e macroeconomia são apre-</p><p>sentadas as noções gerais sobre os investimentos de modo geral.</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Conceitos Básicos de Economia</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Entender quais agentes compõem o mundo globalizado sob perspectiva econô-</p><p>mica.</p><p>� Aprender como os agentes desse mundo globalizado interagem entre si e quais</p><p>os fatores econômicos são impulsionadores dessas interações.</p><p>� Identificar quais sãos os conceitos básicos de economia importantes no mundo</p><p>globalizado.</p><p>� Analisar o cenário econômico vigente e aplicar as técnicas básicas de econo-</p><p>mia mais importantes para tomada de decisão.</p><p>8</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>9</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Em um mundo globalizado, as pessoas se conectam por meio do uso da tec-</p><p>nologia e a interação entre diferentes nações permite relações entre países, seja</p><p>no contexto social, cultural, econômico ou político. Assim, nasceu o conceito de</p><p>Aldeia Global, ou seja, um mundo globalizado com tudo conectado.</p><p>O processo de globalização é um fenômeno do modelo econômico capitalis-</p><p>ta, que inclui a globalização geoespacial realizada através da interconexão entre</p><p>economia, política, sociedade e cultura em escala global.</p><p>A microeconomia é a base para a formação dos preços dos produtos porque</p><p>analisa fatores como terra, trabalho e capital. Ou seja, antes de o produto ser co-</p><p>locado no mercado, os economistas por meio da microeconomia realizam uma sé-</p><p>rie de estudos. Dessa forma, a microeconomia traz algumas vantagens ao merca-</p><p>do. A principal delas é a quantidade de informações que agrega para determinar o</p><p>preço do produto e para identificar o valor agregado de fatores não agregados na</p><p>produção do projeto.</p><p>Ao analisar cada grupo, permite à empresa identificar pontos específicos que</p><p>precisam de atenção ou disponibilizar produtos e serviços mais personalizados.</p><p>Além disso, as empresas que usam a microeconomia podem tomar decisões de</p><p>forma mais decisiva e clara. Por outro lado, a microeconomia não permite a aná-</p><p>lise da economia geral, portanto, outros modelos de pesquisa devem ser usados</p><p>para obter um entendimento mais completo (MANKIW, 2001).</p><p>Nesse sentido, a macroeconomia visa entender quais fatores vão mudar a</p><p>realidade econômica do país. Isso mesmo, a macroeconomia estuda os agen-</p><p>tes econômicos de forma coesa. Dessa forma, variáveis podem ser controladas</p><p>e reagidas, políticas podem ser formuladas para conter ameaças que podem de-</p><p>sestabilizar o país e garantir as condições necessárias para o desenvolvimento</p><p>nacional.</p><p>Desse modo, após entender como funciona uma dinâmica microeconômica</p><p>de uma região e observar que essas várias regiões agregadas podem ser es-</p><p>tudadas pelo âmbito macroeconômico é possível analisar os cenários econômi-</p><p>cos partir de uma análise macroeconômica, na qual é discutida a evolução dos</p><p>principais indicadores econômicos, como: inflação, taxa de juros, câmbio, produ-</p><p>ção industrial e nível de emprego e contas externas. Dessa forma, o investidor</p><p>pode analisar se haverá avanço da economia e se existira crescimento, estagna-</p><p>ção ou recessão. Dependendo da perspectiva econômica para esses indicadores,</p><p>são tomados diferentes tipos de investimentos. Por isso, ao se pensar em realizar</p><p>10</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>investimentos consistentes, é importante ter o conhecimento básico de microeco-</p><p>nomia e macroeconomia.</p><p>2 MICROECONOMIA</p><p>Podemos fazer a seguinte pergunta: quais são os aspectos positivos da</p><p>globalização? Aspectos positivos: mercados mais competitivos e inflação bem</p><p>controlada; aumento dos fluxos de capital e investimento entre os países; maior</p><p>desenvolvimento tecnológico; socialmente, a globalização permitiu que diferentes</p><p>culturas se encontrassem e se desenvolvessem, como o turismo, por outro lado,</p><p>os aspectos negativos da globalização são: desemprego, crise mundial, especula-</p><p>ção financeira e questões cambiais (PELLINI, 2020).</p><p>A especulação financeira acontece principalmente nos países em</p><p>desenvolvimento e é a compra de ativos com fins não ao de uso direto,</p><p>mas para a venda futura, com lucro sob condições de incerteza.</p><p>Segundo Francisco (2021), a partir da globalização, a competição no mer-</p><p>cado internacional tornou-se bastante acirrada, pois aconteceu uma disputa de</p><p>mercado em escala global. Para se fortalecerem economicamente, muitos países</p><p>unem forças para entrar no mercado e verticalizar sua participação e influência</p><p>empresarial no mundo. A constituição de grupos econômicos fortalece as relações</p><p>econômicas, financeiras</p><p>aproveitar</p><p>as possíveis oportunidades de investimento. No entanto, isso não sig-</p><p>nifica que os poupadores devam continuar a prestar atenção a todos</p><p>os eventos da economia, principalmente em condições mais instáveis.</p><p>Essa abordagem não trará grandes benefícios aos investidores e,</p><p>em alguns casos, pode até prejudicá-los. Esse acompanhamento deve</p><p>43</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>ser feito naturalmente, sem neurose. É muito indesejável que os in-</p><p>vestidores mudem suas carteiras de investimentos, por exemplo, com</p><p>a divulgação de todas as informações econômicas, ou com todas as</p><p>novas perspectivas econômicas do mercado e dos analistas.</p><p>O fato é que o cenário econômico nada tem a ver com investimentos de curto</p><p>e longo prazos na prática. Se os investidores precisam de liquidez para investi-</p><p>mentos de curto prazo, a situação econômica terá pouco impacto sobre o inves-</p><p>timento. O mesmo vale para os investimentos de longo prazo, pois essa situação</p><p>costuma flutuar de forma mais flexível, sendo difícil prever as condições de lon-</p><p>go prazo dessa conjuntura econômica. Além disso, essas mudanças econômicas</p><p>tendem a se diluir ao longo do tempo e, no longo prazo, costumam ter pouco im-</p><p>pacto sobre os investimentos e seus respectivos retornos.</p><p>Os cenários econômicos relacionados ao investimento só terão maior rele-</p><p>vância e impacto nos investimentos de médio prazo (ou seja, investimentos que</p><p>têm retorno médio entre dois a cinco anos). Nesse caso, é importante estar aten-</p><p>to às projeções econômicas e escolher investimentos que possam ser mais bem</p><p>protegidos de possíveis mudanças no médio prazo. O objetivo principal Indepen-</p><p>dentemente da situação econômica no Brasil ou no mundo, os investidores devem</p><p>sempre ter em mente que suas metas e objetivos são a principal força motriz de</p><p>sua tomada de decisão, não a situação econômica do país.</p><p>Como construir um bom portfólio? Observar o cenário econômico, no curto,</p><p>médio e longo prazo e definir um horizonte de investimento alinhado a um plane-</p><p>jamento adequado em coerência com os objetivos pessoais, permitem ao investi-</p><p>dor escolher a melhor opção para cada prazo, proporcionando bons retornos e a</p><p>liquidez necessária para atender às necessidades dos depositantes sem prejudi-</p><p>car sua organização financeira. Quer se trate de renda fixa ou renda variável, os</p><p>investidores devem lembrar que as decisões relacionadas a investimentos devem</p><p>ser baseadas principalmente em seus planos pessoais de investimento. Escolha</p><p>tipos de produtos que sejam significativos para você e atendam às suas necessi-</p><p>dades específicas, e coloque a situação econômica geral em segundo plano.</p><p>Investimento é qualquer gasto de recurso ou aplicação que gere</p><p>retornos futuros. Este conceito envolve dinheiro e capital intelectual,</p><p>social ou natural. Confie em mim: desvendar seu significado pode ser</p><p>mais fácil do que parece.</p><p>44</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Os investimentos são produtos emitidos por instituições finan-</p><p>ceiras, empresas ou pelo próprio governo, com o objetivo de captar</p><p>recursos mais baratos do que os empréstimos bancários. Em troca,</p><p>eles fornecem uma determinada taxa de retorno ou receita, como se</p><p>tornar um parceiro de negócios e obter receita.</p><p>O mercado financeiro é um ambiente que reúne um grupo de instituições</p><p>entre tomadores e investidores, permitindo a negociação de produtos financeiros</p><p>como títulos públicos, ações, fundos de investimento (SICSÚ, 2009).</p><p>Como definir o local do investimento? Ressalta-se que embora seja impor-</p><p>tante entender e considerar o impacto do cenário atual sobre o investimento, este</p><p>não é o único aspecto da construção de uma carteira de investimentos. Além dos</p><p>indicadores econômicos, devemos atentar para características como perfil do in-</p><p>vestidor, objetivos financeiros, prazos de aplicação e consistência com a estraté-</p><p>gia. Afinal, sua escolha deve refletir o que você está procurando. Por meio dessas</p><p>informações, você descobre que a atual conjuntura econômica interfere na atrati-</p><p>vidade e nos resultados dos investimentos. No entanto, embora os indicadores de</p><p>acompanhamento sejam muito importantes, ele também vê que deve investir de</p><p>acordo com as suas características pessoais!</p><p>Tipos de Investimentos</p><p>Podemos iniciar pelos investimentos de renda fixa, que aliás os brasileiros</p><p>adoram, isso se deve à sensação de segurança associada a ele. Há quase con-</p><p>senso de que é mais popular do que outros ativos mais ousados. No momento</p><p>da aplicação, todos os parâmetros relacionados ao investimento são conhecidos</p><p>pelos investidores com antecedência, não havendo alteração posterior (GARCIA;</p><p>SALOMÃO, 2006). Definidos os indicadores responsáveis pela remuneração do</p><p>papel, pode-se estimar o valor a ser resgatado. Digo estimativa, porque existem</p><p>duas opções de lucro para renda fixa:</p><p>Renda Fixa</p><p>Título pré-fixado: como o nome sugere, esses títulos são investimentos em</p><p>que os investidores conhecem antecipadamente sua lucratividade.</p><p>De acordo com Garcia e Salomão (2006), independentemente de como as</p><p>condições econômicas podem mudar, a lucratividade no vencimento permanece</p><p>inalterada. No entanto, caso haja necessidade de retirada de recursos antes do</p><p>45</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>vencimento, a remuneração é afetada por departamentos externos, ou seja, o retor-</p><p>no recebido pode ser maior ou menor do que o acordado no momento da aplicação.</p><p>Outro aspecto que precisa ser considerado é o risco de taxa de juros de mer-</p><p>cado. Pode superar o assinado pelo investidor. Portanto, os títulos de renda fixa</p><p>não são a escolha mais conservadora em renda fixa.</p><p>Títulos Pré-Fixados: são ativos acompanhados de algum tipo de marca. A</p><p>mais comum é a taxa básica de juros (SELIC) ou “Taxa Interbancária de Oferta”</p><p>(CDI) (GARCIA; SALOMÃO, 2006). Esses indicadores são afetados por fatores</p><p>como a situação econômica e a política monetária da época. Na candidatura es-</p><p>tipule prazo, liquidez, carência e demais indicadores e condições. Por exemplo:</p><p>90% do CDI. Dessa forma, o investidor conhece a expectativa de lucro, mas só</p><p>saberá a taxa exata de retorno no momento do resgate.</p><p>Os títulos pós-fixados: são mais conservadores nos mercados financeiros</p><p>porque seguem a tendência da curva de taxas de juros, mas como nada é perfei-</p><p>to, na maioria dos casos, esse investimento acaba sendo menos lucrativo do que</p><p>os outros métodos oferecidos (BERGER, 2021). Portanto, todos devem ajustar</p><p>seus investimentos de acordo com suas circunstâncias e objetivos pessoais.</p><p>Tipos de investimentos em renda fixa segundo o professor Assaf Neto (2001):</p><p>CDB, LCI/LCA, Letra de Câmbio, Debênture, CRI/CRA, além dos investimos em</p><p>Tesouro Direto. ETF de Renda Fixa e Fundo DI. Esses investimos, em teoria, são</p><p>os ativos mais seguros do país. Porque são totalmente garantidos pelo Tesouro do</p><p>Estado. Por meio do programa Tesouro Direto, pessoas físicas emprestam recur-</p><p>sos ao governo em troca de renda (ASSAF NETO, 2001). O plano oferece vários</p><p>modelos, seja relacionado a lucratividade, prazos ou processos de pagamento.</p><p>CDB: Este é provavelmente o investimento bancário mais famoso após a</p><p>poupança. O certificado de depósito bancário é uma promessa de pagamento fu-</p><p>turo acordada entre uma instituição financeira e um investidor. O banco usa o</p><p>capital investido para financiar suas operações e o devolve a pessoas físicas, jun-</p><p>tamente com os juros. No caso de falência de instituição financeira, o fundo ga-</p><p>rantidor de crédito cobrirá o CDB com limite máximo de 250.000,00 reais por CPF.</p><p>LCI / LCA: são aplicações bancárias amparadas por operações de crédito</p><p>imobiliário ou de agronegócio, respectivamente, que trazem essa garantia adicio-</p><p>nal. Eles também têm a capa do FGC. A isenção do imposto de renda é outra van-</p><p>tagem desse tipo de investimento. No entanto, mesmo a isenção do imposto de</p><p>renda não significa que eles</p><p>sejam sempre melhores do que outros títulos tributá-</p><p>veis de renda fixa. É necessário realizar cálculos matemáticos antes de investir.</p><p>46</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Letra de Câmbio: os títulos de crédito são emitidos por instituições não ban-</p><p>cárias e seus retornos são melhores do que as poupanças com os mesmos tí-</p><p>tulos. Assim como outros investimentos de renda fixa, as letras de câmbio são</p><p>garantidas pelo FGC e servem como seguro contra falência da empresa.</p><p>Debênture: são ativos emitidos por instituições não financeiras, e precisam</p><p>de recursos para expandir seus negócios e até executar novos projetos. Devido</p><p>à localização dos recursos captados, trata-se de títulos de médio e longo prazo.</p><p>Porém, por não se tratarem de títulos emitidos por instituições financeiras, não</p><p>contam com a garantia do FGC. Os títulos de incentivo estão isentos de imposto</p><p>de renda.</p><p>CRI/CRA: São ativos emitidos por securitizadoras isentas de imposto de ren-</p><p>da. O processo de securitização envolve a obtenção de ativos pela venda de con-</p><p>tas a receber. Isso é feito em atividades comerciais e financeiras ou na prestação</p><p>de serviços de valores mobiliários no mercado. No que se refere aos CRI, são di-</p><p>reitos creditórios derivados de financiamentos imobiliários e CRA do agronegócio.</p><p>Tesouro Direto: segundo Barros (2019), o tesouro direto é um projeto imple-</p><p>mentado pelo Ministério da Fazenda em cooperação com o B3 (antiga BM&F Bo-</p><p>vespa) em 7 de janeiro de 2002, que visa democratizar a compra e venda de</p><p>títulos públicos federais por pessoas físicas por meio da Internet. Títulos públicos</p><p>federais são ativos de renda fixa emitidos ao público na forma de escrituração</p><p>(eletronicamente) pelo Ministério da Fazenda, usados para financiar o déficit do</p><p>orçamento geral federal e a dívida pública federal, e são mantidos por centros</p><p>depositários qualificados.</p><p>ETF de Renda Fixa: o ETF de renda fixa reflete o índice da categoria de in-</p><p>vestimento, como IPCA (Índice de Inflação) ou IMA (Índice de Mercado Anbima).</p><p>O fundo pode utilizar qualquer indicador de renda fixa aprovado pela Comissão de</p><p>Valores Mobiliários (CVM) (YOSHINAGA; JUNIOR, 2019).</p><p>Fundo DI: um fundo DI, ou fundo de renda fixa de referência DI, é aquele que</p><p>deve aplicar pelo menos 95% de seu patrimônio em títulos públicos vinculados ao</p><p>SELIC. Lembre-se de que SELIC é a taxa de juros que o governo paga às pesso-</p><p>as que emprestam dinheiro para ele. DI significa depósitos interfinanceiros. Isso</p><p>significa que a taxa de juros é gerada pela soma dos empréstimos que os bancos</p><p>fornecem uns aos outros todos os dias para manter seus respectivos fluxos de</p><p>caixa em azul. Essas transações são garantidas por títulos do governo (YOSHI-</p><p>NAGA; JUNIOR, 2019).</p><p>47</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>4 Quais os tipos de investimentos existentes em renda fixa existem</p><p>diferença entre eles?</p><p>Renda variável</p><p>É composta por alocações nas quais não existe a certeza do comportamento</p><p>do ativo; o mesmo pode caminhar tanto para cima como para baixo sem a neces-</p><p>sidade de um viés plausível. Normalmente, esse tipo investimento tende a tra-</p><p>zer rendimentos mais robustos no longo prazo devido a sua relação risco-retorno.</p><p>Para identificar o melhor racional risco-retorno para você, é importante contar com</p><p>auxílio especializado.</p><p>Segundo Asaf Neto (2001), os principais investimentos em renda variável</p><p>são: Ações, Derivativos, Fundo de Investimento Imobiliário, Mercado de Opções,</p><p>Mercado de futuros além dos investimentos em criptomoedas.</p><p>Ações: são os títulos que representam a parte mais baixa do patrimônio da</p><p>empresa. Ao comprar ações, você se torna parte da estrutura corporativa da orga-</p><p>nização e se torna seu proprietário de acordo com a proporção de títulos adquiri-</p><p>dos. O investimento em ações permite que os investidores participem dos lucros</p><p>da empresa por meio de dividendos, participações no capital, bônus e outras re-</p><p>ceitas. Sem falar que o estoque pode valorizar.</p><p>Derivativos: basicamente, os derivativos são contratos financeiros gerados</p><p>por outro ativo subjacente, taxa de juros ou índice. Os ativos subjacentes podem</p><p>ser objetos físicos - soja, gado vivo, ouro, etc. ou ações financeiras, taxas de ju-</p><p>ros, etc. A priori, foram criados para fins de hedge, ou seja, para proteger os de-</p><p>tentores de ativos de oscilações repentinas. No entanto, muitas pessoas usam</p><p>derivativos especulativamente, buscando ganhos de curto prazo à medida que os</p><p>preços mudam.</p><p>FIIS: o Fundo de Investimento Imobiliário (“FII”) é um pool de recursos utili-</p><p>zado para investir em projetos imobiliários. O FII é composto por apartamentos</p><p>fechados, divididos em cotas, representando a parte ideal de seu patrimônio. Flu-</p><p>xograma – os investidores em Fundos de Investimento Imobiliário podem adquirir</p><p>cotas de FII por meio da subscrição e integralização de cotas no mercado primá-</p><p>rio, ou por meio da compra de cotas no mercado secundário. Nas operações reali-</p><p>zadas no mercado primário, os recursos utilizados pelos investidores para integra-</p><p>48</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>rem a cota são destinados diretamente para o patrimônio do FII. Em operações de</p><p>mercado secundário, os investidores compram ações emitidas pelo FII de outro</p><p>investidor.</p><p>Mercado de Opções: as opções são ferramentas de negociação no mercado</p><p>financeiro. Eles representam um tipo de contrato que dá ao seu titular o direito</p><p>de comprar ou vender um ativo específico por um valor específico em uma data</p><p>específica no futuro. Uma opção é um derivado, ou seja, um contrato negociado</p><p>em bolsa de valores cujo preço é derivado de outro ativo. As opções dão o direito</p><p>de comprar e vender ações sob certas condições, como prazo, prazo de validade,</p><p>preço fixo, preço de exercício, também conhecido como “preço de exercício”. A</p><p>principal vantagem desta opção é que pode utilizar operações para obter maiores</p><p>retornos. No entanto, é importante lembrar que, assim como as oportunidades de</p><p>lucro são maiores, também o são as possibilidades de perda. Por outro lado, não</p><p>é incomum que as pessoas percam todo o seu capital de investimento devido às</p><p>opções de compra, porque as opções são ativos altamente voláteis, o que signi-</p><p>fica que você pode obter 500% de seus lucros, mas também pode perder 100%</p><p>ou mais de seus investimentos. Isso ocorre porque a opção em si não tem valor</p><p>intrínseco e seu valor depende do comportamento do ativo subjacente.</p><p>Mercado de futuros: os contratos de futuros, também conhecidos como con-</p><p>tratos de futuros, são um tipo de contrato de derivativos. De acordo com os re-</p><p>gulamentos de câmbio, os contratos futuros são contratos de compra e venda</p><p>padronizados, especialmente em termos das características dos produtos comer-</p><p>ciais, assim, o investimento no mercado futuro de acordo com a regulamentação</p><p>cambial refere-se à negociação de ativos financeiros ou mercadorias a um preço</p><p>pré-determinado em uma data futura. Simplificando, negociar contratos futuros é</p><p>prever a valorização ou desvalorização dos ativos com base no comportamento</p><p>diário deste mercado e as condições econômicas prevalecentes.</p><p>Criptomoedas: a criptomoeda, ou moeda de rede, é um meio de troca, que</p><p>pode ser centralizado ou descentralizado, utilizando tecnologia blockchain e crip-</p><p>tografia para garantir a validade das transações e a criação de novas unidades</p><p>monetárias. Portanto, a moeda criptografada é um ativo digital criptografado que</p><p>pode ser usado como meio de troca ou meio de armazenamento de valor (DE</p><p>SOUZA JUNIOR; VILA, 2021).</p><p>O teste de perfil de investidor pode ser usado como base para</p><p>determinar seu perfil de investidor: conservador, moderado ou agres-</p><p>sivo. Entender a própria imagem de investidor e esclarecer seus ob-</p><p>49</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>jetivos de investimento são a base para determinar o melhor inves-</p><p>timento, afinal</p><p>não existe o melhor investimento, apenas aquele que</p><p>atenda à imagem e aos objetivos do investidor é o melhor.</p><p>No entanto, o teste de perfil é apenas o começo e o primeiro</p><p>passo em sua jornada como investidor. Entender suas informações</p><p>pessoais mais profundamente e definir metas claras para o período</p><p>de investimento é uma tarefa um pouco mais complicada que requer</p><p>uma análise mais cuidadosa.</p><p>A pesquisa pode ser feira pelo link:</p><p>https://economia.uol.com.br/quiz/perfil-investidor/</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>A partir dos estudos deste Capitulo 1, aprendemos que a economia é forma-</p><p>da por agentes econômicos: esses são as famílias, o governo e as firmas e que</p><p>cada agente tem sua importância nesse ecossistema além de que cada agente</p><p>tem suas peculiaridades e necessidades e que cada agente tem suas individuali-</p><p>dades nas suas tomadas de decisões. Nesse sentido, vimos as principias estrutu-</p><p>ra dos mercados e que existem diferentes tipos de combinações nessas estrutu-</p><p>ras as principais são: a concorrência perfeita, concorrência imperfeita, monopólio,</p><p>concorrência monopolista, oligopólio, oligopsônio e monopsônio. Essas estruturas</p><p>são formadas para satisfazer as necessidades de demanda e oferta de produtos</p><p>e serviços e que o governo tem papel fundamental para regular essas interações,</p><p>mantendo o bem estar social.</p><p>Entendemos também que diversas relações microeconômicas entres os agen-</p><p>tes, quando agregadas a níveis de regiões e quando formam as atividades de uma</p><p>país, podemos estudá-las a nível macroeconômico. Se esse país dispõe de um</p><p>governo, este tem a função de auxiliar e no bom andamento da economia, ainda</p><p>vimos que existem diferentes formas de governos que influenciam mais ou menos</p><p>na economia. Os elementos básicos que o governo pode estimular por meio de</p><p>políticas são: fiscal, monetária, cambial e comercial. Investigamos a existência e</p><p>importância da moeda, criação e forma do sistema financeiro, aspectos do sistema</p><p>financeiro nacional. Completando o capítulo, discutimos por que a taxa de juros é</p><p>um importante fator para ser levado em consideração em investimentos, e ainda</p><p>qual a conexão entre a taxa de juros o consumo e a produção na economia real.</p><p>50</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Por fim, estudamos a importância dos cenários econômicos no que tange pri-</p><p>meiramente os aspectos da estabilização econômica e posteriormente aos seus</p><p>reflexos nos investimentos.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALBUQUERQUE, L. G. Competitividade em recursos humanos. Revista de</p><p>administração, São Paulo, v. 27, n. 4, p. 16-29, 1992.</p><p>ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. [S.l.]: [S.n.], 2001.</p><p>BARROS, A. et al. Tesouro Direto. [S.l.]: [S.n.], 2019.</p><p>BERGER, P. L. Mercado de renda fixa no Brasil: ênfase em títulos públicos.</p><p>[S.l.]: Interciência, 2021.</p><p>BERNARDO, M. P.; NORI, R. B.; BERNARDELLI, L. V. A História da Moeda. MISES:</p><p>Interdisciplinary Journal of Philosophy, Law and Economics, v. 7, n. 2, 2019.</p><p>BRESSER-PEREIRA, L. C. A Inflação decifrada. Revista Economia Política. v.</p><p>16, n. 4, 1996.</p><p>COPOM, 2021. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/copom.</p><p>Acesso em: 15 fev. 2022.</p><p>CNF. 2021. Disponível em: https://cnf.org.br/historia-do-sistema-financeiro-</p><p>nacional-viagem-de-1808-a-2002. Acesso em: 15 fev. 2022.</p><p>CURADO, M. L. Manual de macroeconomia para concursos. São Paulo:</p><p>Saraiva Educação SA, 2017.</p><p>DE SOUZA JÚNIOR, N.; VILA, C. Bitcoin: Cointegração Entre o Mercado</p><p>Brasileiro e o Mercado Americano. Revista FSA, v. 18, n. 2, 2021.</p><p>DOS PASSOS, V. de C. S.; PINHEIRO, J. L. Estratégias de investimento em</p><p>Bolsa de Valores: uma pesquisa exploratória da visão fundamentalista de</p><p>Benjamin Graham. Revista Gestão & Tecnologia, v. 9, n. 1, p. 1-16, 2009.</p><p>FRANCISCO, W. de C. Formação de blocos econômicos. Disponível em:</p><p>https://brasilescola.uol.com.br/geografia/formacao-blocos-economicos.htm.</p><p>Acesso em: 18 nov. 2021.</p><p>51</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>GARCIA, M. E.; VASCONCELLOS, M. A. S. de. Fundamentos de economia.</p><p>São Paulo: Saraiva, 2002.</p><p>GARCIA, M. G. P.; SALOMÃO, J. Alongamento dos títulos de renda fixa no</p><p>Brasil. [Texto para discussão] 2006.</p><p>GONÇALVES, R. R.; DE SOUZA, C. P. Sistema financeiro nacional. São Paulo:</p><p>Editora FGV, 2018.</p><p>GUERRA, M. F. Patrimônio cultural em ouro e prata: técnicas de fabricação</p><p>de objetos e origem dos metais. In: Anais do segundo congresso latino</p><p>americano de restauração de metais. 2005.</p><p>KEYNES, J. M. General Theory of Employment, Interest and Money. London:</p><p>Macmillan Press; New York: St. Martin’s Press; 1936.</p><p>KUPFER, D.; HASENCLEVER, L. (orgs.). Economia Industrial: Fundamentos</p><p>Teóricos e Práticos no Brasil. 6 reimp. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.</p><p>KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à economia. Elsevier Brasil, 2002?.</p><p>LOBATO, C. de F. da S. T. O estado brasileiro da crise e a análise econômica</p><p>da regulação do sistema financeiro nacional: alternativa de superação. [S.l.]:</p><p>[S.n.], 2017.</p><p>IANONI, M. Ciência Política e sistema financeiro no Brasil: o artigo 192 da</p><p>Constituição Federal. Política & Sociedade, v. 9, n. 17, p. 173-204, 2010.</p><p>SICSÚ, J. et al (org.). Sociedade e economia: estratégias de crescimento e</p><p>desenvolvimento. [S.l.]: [S.n.], 2009.</p><p>PELLINI, R. O Futuro do Dinheiro: Entenda como Startups, Bitcoin, Fintechs,</p><p>Tecnologia e investimentos vão lhe dar mais liberdade para gerar riqueza. [S.l.]:</p><p>Editora Gente, 2020.</p><p>PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L.; MEHTA, P. L. Microeconomics. Englewood</p><p>Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1995.</p><p>PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L.; RABASCO, E. Microeconomia. Itália:</p><p>Pearson, 2013.</p><p>QUONIAM, L.; KNIES, C.; MAZIERI, M. Patente como objeto de pesquisa em</p><p>Ciências da Informação e Comunicação. Encontros Bibli: revista eletrônica de</p><p>biblioteconomia e ciência da informação, v. 19, p. 243-268, abr. 2014.</p><p>52</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>PORTER, M. E. Estratégia Competitiva. 7.ed., Rio de Janeiro: Campus., 1993.</p><p>REIS, T. Monopsônio: entenda como funciona essa estrutura de mercado.</p><p>Disponível em: https://www.suno.com.br/artigos/monopsonio. Acesso em: 15 fev.</p><p>2022.</p><p>SALAMA, P. Globalização e competição. Estudos Avançados, v. 23, n. 66, p.</p><p>353-356, 2009.</p><p>SMITH, A. A riqueza das nações investigação sobre sua natureza e suas</p><p>causas. São Paulo: Abril Cultural, 1983.</p><p>MANKIW, N. G.; MONTEIRO, M. J. C. Introdução à economia: princípios de</p><p>micro e macroeconomia. Rio de Janeiro: Campus, 2001.</p><p>MANKIW, N. G. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2009.</p><p>MONTELLA, M. Economia Passo a Passo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.</p><p>VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: Micro e Macro. São Paulo: Atlas,</p><p>2002.</p><p>VARIAN, H. R. Microeconomia-princípios básicos. Rio de Janeiro: Elsevier</p><p>Brasil, 2006.</p><p>VIEIRA, J. A. G.; PEREIRA, H. F. S.; AMARAL PEREIRA, W. N. do. Histórico do</p><p>sistema financeiro nacional. Revista Científica e-Locução, v. 1, n. 2, p. 17-17,</p><p>2012.</p><p>YOSHINAGA, C. E.; EID JUNIOR, W. Perspectivas para os ETFs no Brasil.</p><p>Centro de Estudos em Finanças [on-line], 2019.</p><p>WEATHERFORD, J. A história do dinheiro. São Paulo: Negócio Editora, 1999.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Cálculos Financeiros Básicos</p><p>A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Entender quais os principais cálculos financeiros utilizados para análise de in-</p><p>vestimentos.</p><p>� Compreender a importância dos cálculos financeiros no dia a dia empresarial e</p><p>pessoal.</p><p>� Realizar cálculos financeiros básicos a nível empresarial e pessoal.</p><p>� Desenvolver arcabouço teórico prático para autoaprendizado de níveis profun-</p><p>dos de cálculos financeiros.</p><p>54</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>55</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Este capitulo tem o objetivo de capacitá-lo para compreender sobre a impor-</p><p>tância do fluxo de caixa para gerenciar</p><p>um negócio além dos principais cálculos</p><p>financeiros, desde entender os aspectos básicos da inflação para a organização</p><p>financeira para o dia a dia, até o conhecimento para projeções de cenários econô-</p><p>micos. O livro também apresenta noções práticas de cálculos financeiros.</p><p>O valor do dinheiro no tempo é um conceito muito estudado nas ciências</p><p>sociais e, inicialmente, serão abordados os principais aspectos teóricos a respeito</p><p>do dinheiro e posteriormente as aplicações práticas, ao passo que os conheci-</p><p>mentos abordados nesses capítulos podem ser aplicados nas finanças pessoais e</p><p>em cálculos empresariais.</p><p>Então podemos iniciar com a pergunta, o que é o dinheiro? Para Assaf Neto</p><p>(2020), dinheiro é o que é. O dinheiro pode ser um objeto de metal ou um pedaço</p><p>de papel impresso, mas seu valor físico não corresponde à sua representação</p><p>simbólica. Uma vez que existe um consenso entre as sociedades ao permitir que</p><p>as pessoas negociem indiretamente bens e serviços, será aceito como um meio</p><p>de troca, portanto, tem valor aceito pela sociedade em qual ele está inserido.</p><p>A partir do conceito do dinheiro podemos prosseguir e nos perguntamos, o</p><p>dinheiro tem o mesmo valor no tempo? Segundo Assaf Neto (2020), o valor do</p><p>dinheiro no tempo é uma conjectura amplamente aceita, ou seja, receber uma de-</p><p>terminada quantia agora é melhor do que receber a mesma quantia no futuro. Isso</p><p>é aceito pelas pessoas, pois o dinheiro que você tem agora pode ser investido e</p><p>pago, criando, assim, mais dinheiro no futuro.</p><p>De posse dessa informação, podemos pensar em quais fatores fazem o valor</p><p>do dinheiro flutuar ao longo do tempo, como exemplo a inflação, entre os princi-</p><p>pais tipos de inflação, pode-se destacar os três tipos: sendo o primeiro a inflação</p><p>por demanda, a qual uma determinada mercadoria aumenta e a resposta da ofer-</p><p>ta não é compatível, por isso, é necessário aumentar o valor dessa mercadoria</p><p>para equilibrar a economia. Segundo a Inflação de custos, que também pode ser</p><p>chamado de inflação da oferta e é um aumento de fatores que afetam diretamente</p><p>um produto. Por exemplo, se o valor de uma matéria-prima aumentar, os produtos</p><p>derivados desse material sofrerão com a inflação. Essa inflação também pode</p><p>ocorrer devido a aumentos nas taxas de juros, salários, combustíveis e tarifas pú-</p><p>blica e terceiro a inflação estrutural, esta está relacionado com a ineficiência dos</p><p>serviços prestados pela infraestrutura de uma determinada economia, ou seja,</p><p>baseia-se na rigidez da oferta de bens e serviços dessa estrutura econômica.</p><p>56</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Ações estas as quais fazem com que o poder de compra do dinheiro mude</p><p>com o tempo. Em outras palavras, o valor da moeda mudará com o tempo. As-</p><p>sim, para que possamos pensar nos proteger quanto este fator da inflação uma</p><p>alternativa é investir o dinheiro, entretanto temos que lembrar que a preferência</p><p>natural dos investidores por dinheiro é agora e não mais tarde, logo, os investido-</p><p>res podem investir o dinheiro agora para aumentar a quantia de dinheiro no futuro.</p><p>2 A IMPORTÂNCIA DO FLUXO DE</p><p>CAIXA</p><p>Em Finanças, fluxo de caixa se refere ao fluxo de recursos no caixa da em-</p><p>presa, ou seja, a quantidade de caixa que a empresa arrecada e gasta em um</p><p>determinado período de tempo, e às vezes está relacionado a um projeto especí-</p><p>fico. O fluxo de caixa se refere ao fluxo de fundos no período passado, enquanto</p><p>o orçamento é o equivalente ao período futuro. O fluxo de caixa é uma das ferra-</p><p>mentas mais utilizadas na ciência contábil, é uma ferramenta de gestão financeira</p><p>que pode prever todas as entradas e saídas de recursos financeiros da empresa</p><p>no futuro e indicar o saldo de caixa no período esperado.</p><p>QUADRO 1 – CICLO OPERACIONAL EMPRESARIAL</p><p>FONTE: <https://www.pucjunior.com/single-post/2019/02/28/Como-acabar-de-vez-com-</p><p>um-dos-erros-mais-comuns-da-gest%C3%A3o-financeira>. Acesso em: 16 fev. 2022.</p><p>Assim, o fluxo de caixa é uma ferramenta de controle financeiro que permi-</p><p>te acompanhar as movimentações financeiras da empresa por meio de uma lista</p><p>de entradas (receitas) e saídas (despesas) ocorridas em um determinado período.</p><p>Sendo uma ferramenta muito simples e essencial na gestão financeira da empresa.</p><p>57</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Fluxo de Caixa</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/embed/U8sJI8feaQ4?featu-</p><p>re=oembed.</p><p>Fácil de preparar para empresas de controle financeiro bem organizadas,</p><p>deve ser utilizado para controle, principalmente como ferramenta de tomada de</p><p>decisão. O fluxo de caixa deve ser visto como uma estrutura flexível e os empre-</p><p>endedores devem inserir informações sobre entradas e saídas de acordo com as</p><p>necessidades da empresa. Utilizando informações de fluxo de caixa, os empre-</p><p>endedores podem preparar estrutura de gestão de resultados, análise de sensi-</p><p>bilidade, cálculo de lucratividade, lucratividade, ponto de equilíbrio e período de</p><p>retorno do investimento. O objetivo é verificar a situação financeira do negócio</p><p>com base na análise e obter uma resposta clara sobre a possibilidade de sucesso</p><p>do investimento e o status quo da empresa.</p><p>O fluxo de caixa deficiente cria vários problemas para a empresa, um dos</p><p>obstáculos é o vencimento da dívida que precisa ser paga quando o caixa da em-</p><p>presa acabar. Quando isso acontece, a empresa é obrigada a tomar empréstimos</p><p>na maioria das vezes para evitar dívidas com o fornecedor e prejudicar transa-</p><p>ções futuras. Uma das três principais razões para a falência ou falência de empre-</p><p>sas é a falta de planejamento financeiro ou a ausência completa de fluxo de caixa</p><p>e previsão de fluxo de caixa (previsão de receitas e despesas da empresa). Sem</p><p>o fluxo de caixa esperado, a empresa não pode saber com antecedência quanto</p><p>financiamento será necessário ou quando haverá recursos excedentes para apli-</p><p>car no mercado financeiro (ganhando juros e reduzindo o custo de captação de</p><p>recursos de terceiros).</p><p>58</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>2.1 TIPOS DE FLUXO DE CAIXA</p><p>O fluxo de caixa é apenas o resultado do período (modelo operacional) me-</p><p>dido em termos financeiros (resultados do negócio – semelhantes com a demons-</p><p>tração do resultado anual) ou um modelo completo, incluindo caixa, investimento</p><p>(compra e venda de ativos) e financiamento (novos recursos). A demonstração do</p><p>fluxo de caixa também pode ser dividida em modelos diretos e modelos indiretos.</p><p>No modelo de venda direta, a entrada e saída de recursos são objetivamente des-</p><p>tacadas, informando-se a origem (fonte) e o objetivo (aplicação).</p><p>a) Como criar fluxo de caixa?</p><p>Existem vários tipos de fluxo de caixa que podem ser usados como modelo.</p><p>São eles: fluxo de caixa operacional, direto, indireto, fluxo de caixa projetado, flu-</p><p>xo de caixa livre e fluxo de caixa descontado.</p><p>Conforme apresentado outros exemplos de fluxo de caixa, são: o fluxo de</p><p>caixa livre, que está relacionado ao saldo de caixa disponível da empresa após a</p><p>realização de todos os pagamentos necessários. Ou seja, representa os fundos</p><p>disponíveis após o pagamento de todas as suas obrigações financeiras. Portanto,</p><p>este é um saldo de caixa positivo.</p><p>Outro tipo de fluxo de caixa é o fluxo de caixa projetado o que faz uma pre-</p><p>visão das entradas e saídas financeiras da empresa em um determinado período</p><p>de tempo. Isso é importante porque permite que você crie um histórico do que</p><p>aconteceu dentro da sua empresa. Com a previsão de fluxo de caixa, uma situa-</p><p>ção pode ser prevista e uma ação tomada antes que ela aconteça. Além de per-</p><p>mitir determinar a necessidade de realizar um investimento, essa ferramenta é um</p><p>importante equipamento para prever situações de falha ou risco que tornam sua</p><p>empresa vulnerável a imprevistos.</p><p>No curto prazo, o fluxo de caixa projetado é projetado para identificar quando</p><p>uma empresa tem excedente de caixa e quando falta recursos. Por exemplo, o</p><p>fluxo de caixa projetado</p><p>pode ajudá-lo a escolher a melhor data para pagar for-</p><p>necedores e outras dívidas. A longo prazo, pode ajudar a planejar as atividades</p><p>financeiras da empresa como: analisar a liquidez do seu negócio; controlar a po-</p><p>sição financeira da sua empresa; administrar o capital de giro com mais precisão.</p><p>De outra forma, o método de fluxo de caixa descontado é uma técnica de or-</p><p>çamento de capital (como retorno do investimento e taxa interna de retorno) usa-</p><p>da para determinar o valor presente de uma empresa, ativo ou projeto com base</p><p>no caixa que pode gerar no futuro.</p><p>59</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>De acordo com a CPC pode-se observar o fluxo de caixa a partir de dois</p><p>métodos: diretos e indireto: No método direto, o grupo de atividade operacional</p><p>é composto pelas entradas e saídas, calculadas a partir das contas a pagar e a</p><p>receber do balanço, e com base no resultado do exercício. Já o fluxo de caixa</p><p>indireto é um método que utiliza a contabilidade de competência, ou podemos di-</p><p>zer, as informações contábeis de uma empresa para justificar todas as mudanças</p><p>de caixa em um determinado período – com base em um ponto de vista contábil</p><p>(CPC, 2022).</p><p>Então, em contabilidade, as demonstrações de fluxo de caixa são geralmente</p><p>apresentadas por métodos diretos ou indiretos. Podemos observar um exemplo</p><p>da construção de um fluxo de caixa no método direto no vídeo a seguir.</p><p>Passo a passo do fluxo de caixa</p><p>Acesse em: https://www.youtube.com/embed/19XIUFOi 9DA?fe-</p><p>ature=oembed.</p><p>Este é um modelo mais esclarecedor que pode ser facilmente analisado por</p><p>leigos em contabilidade. No modelo indireto, as variações de caixa causadas pe-</p><p>las atividades operacionais são determinadas pelas variações do capital de giro</p><p>(fluxo) da empresa. Por exemplo, o pré-requisito para um aumento na conta do</p><p>estoque é uma redução no caixa, pois isso resultará em despesas adicionais. A di-</p><p>minuição nas contas de fornecedores também indica uma diminuição em dinheiro,</p><p>uma vez que os fundos são usados para pagar a dívida do fornecedor.</p><p>60</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>O controle correto do fluxo de caixa da empresa é essencial para o vigoroso</p><p>desenvolvimento da empresa. Para controlar o fluxo de caixa da maneira certa, o</p><p>gestor deve ter um certo entendimento do assunto, entender certos conceitos e</p><p>saber quando aplicá-los.</p><p>Considerando alguns elementos básicos, veja a seguir como administrar e</p><p>controlar efetivamente o fluxo de caixa:</p><p>FIGURA 1 – EXEMPLO DE FLUXO DE CAIXA</p><p>Semana 01 Semana 02</p><p>Descrição Previsto Realizado Previsto Realizado</p><p>En</p><p>tra</p><p>da</p><p>Saldo Inicial 10000 11000 12420 11580</p><p>Vendas à vista 8000 7000 8000 7580</p><p>Pix 2500 2000 8000 9000</p><p>A receber 4500 5000 6500 5000</p><p>Outros 900 900 620 5000</p><p>Total entradas 15900 14900 23120 22150</p><p>Sa</p><p>ída</p><p>Fornecedores 1200 900 950 1050</p><p>Água e Luz 280 320 300 260</p><p>Internet 450 550 450 350</p><p>Combustível 450 300 400 320</p><p>Taxas Bancarias 80 120 80 110</p><p>Materiais de Consumo 200 280 200 120</p><p>Compara Equipamento 1200 1800 250 900</p><p>Pró- Labore 4000 4000 0 1200</p><p>Impostos e Taxas 4500 4500 200 200</p><p>Aluguel 1000 1000 0 0</p><p>Outras despesas 120 550 120 400</p><p>Total Saídas 13480 14320 2950 4910</p><p>Saldo Operacional 2420 580 20170 17240</p><p>Saldo Final 12420 11580 32590 28820</p><p>FONTE: <https://blog.contaazul.com/exemplo-de-fluxo-</p><p>de-caixa/>. Acesse em: 16 fev. 2022.</p><p>Os elementos básicos são Contas a receber, Contas a pagar. Lucros. Ven-</p><p>das. E Observações.</p><p>61</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Contas a receber</p><p>São pagamentos efetuados pelos clientes na aquisição de produtos e ser-</p><p>viços parcelados. As contas a receber serão lançadas como receita no caixa da</p><p>empresa. Uma vez que ainda não foram implementados, são tratados como um</p><p>financiamento do qual o cliente é a parte financiada.</p><p>O registro do contas a receber dos próximos meses permite que os gestores</p><p>reflitam sobre seus saldos futuros, já considerando o dinheiro que receberão, e</p><p>auxilia no controle das finanças, servindo de referência para possíveis projetos e</p><p>proporcionando novas perspectivas.</p><p>Contas a Pagar</p><p>As contas a pagar incluem pagamentos a fornecedores, contas de água, con-</p><p>tas de eletricidade, contas de telefone, contas de internet, folha de pagamento,</p><p>propriedade da empresa ou taxas de aluguel de máquinas usadas etc.</p><p>Ao contrário do contas a receber, as contas a pagar é o financiamento da sua</p><p>empresa fornecido por fornecedores, organizações que prestam vários serviços e</p><p>até mesmo funcionários. Deve ser assim, porque a empresa usa produtos e servi-</p><p>ços primeiro e depois paga.</p><p>Essas contas serão lançadas como despesas, que podem ser fixas ou va-</p><p>riáveis. Despesas fixas se referem a despesas que não envolvem mudanças na</p><p>produção ou vendas, como aluguel, salários de funcionários e outras despesas,</p><p>variáveis as quais mudam à medida que as vendas de produtos e serviços ou a</p><p>produção de bens aumentam ou diminuem.</p><p>As contas de água, luz e telefone podem ser fixas ou variáveis, dependendo</p><p>da finalidade. O registro de contas a pagar é importante para evitar atrasos e cor-</p><p>tes em serviços e suprimentos vitais para a sobrevivência do negócio.</p><p>Lucros</p><p>Um dos objetivos de toda empresa é ganhar dinheiro. Sem lucratividade,</p><p>uma empresa não pode operar. É muito importante para um gerente controlar cor-</p><p>retamente a lucratividade de sua empresa, criando um centro de lucro por meio de</p><p>seu software ou planilha.</p><p>Um centro de lucro pode ser um projeto, financiamento, investimento, pro-</p><p>duto ou serviço – qualquer coisa que possa ser transformada em lucro. Simpli-</p><p>ficando, o lucro é a diferença entre receita e despesa. O centro de lucro permite</p><p>visualizar e comparar claramente a lucratividade da sua empresa.</p><p>62</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Vendas</p><p>É muito importante registrar suas vendas, seja para fornecer produtos ou</p><p>serviços. Isso deve ser feito para garantir um melhor controle das receitas e lucros</p><p>e para avaliar a necessidade de aumentar ou diminuir a produtividade ou comprar</p><p>bens, desenvolver novos planos e desenvolver novas estratégias para promover as</p><p>vendas. Desenvolvendo assim estratégias de grupo de produtos para ser vendidos,</p><p>é possível até identificar qual grupo de produto é mais rentável para o negócio.</p><p>Observações</p><p>Uma área especial onde o gerente registra informações relevantes sobre o</p><p>fluxo de caixa. Essas observações podem se referir a qualquer processo, desde</p><p>que interfiram no controle do fluxo de caixa.</p><p>Portanto, observe o investimento, financiamento, estoque, lucros e perdas,</p><p>produtividade etc. É uma área especial para que os gestores possam consultá-los</p><p>sobre os eventos mais importantes relacionados a receitas, despesas, vendas e</p><p>capital de giro disponível.</p><p>2.2 REGULAMENTO DE</p><p>PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS</p><p>De acordo com o item 11 da NPC (Regulamento de Procedimentos Contá-</p><p>beis) nº 20/1999, a demonstração dos fluxos de caixa de determinado período ou</p><p>ano deve relacionar o fluxo de caixa gerado ou utilizado nas atividades operacio-</p><p>nais, de investimento e financiamento e seu fluxo de caixa líquido. Saldo de caixa,</p><p>verifique seu saldo no início e no final do período ou ano.</p><p>A NPC nº 20/1999 também estipula que as empresas devem divulgar infor-</p><p>mações sobre a demonstração do fluxo de caixa, envolvendo a conciliação da</p><p>receita anual e do valor líquido do caixa gerado ou utilizado nas atividades opera-</p><p>cionais.</p><p>Preparação do fluxo de caixa</p><p>Um dos métodos mais simples é a empresa processar todas as transações</p><p>financeiras no modelo de livro-caixa. Outro método amplamente utilizado é avaliar</p><p>as mudanças no balanço anual e na demonstração de resultados (DRE). Para a</p><p>elaboração da DFC pelos métodos diretos ou indiretos, recolher dados do Balan-</p><p>ço do exercício em curso (corrente e anterior) e da DRE do exercício em curso, e</p><p>63</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos</p><p>Capítulo 2</p><p>facultar a consulta de determinadas contas na forma de Razão. No DFC direto e</p><p>indireto, as informações apresentadas nos grupos de atividades de investimento</p><p>e financiamento são as mesmas. O que mudou é a forma como as origens e des-</p><p>tinos de moeda são apresentados devido às atividades operacionais. Na DFC in-</p><p>direta, parte dos resultados anuais é ajustada pela eliminação dos resultados não</p><p>financeiros e pela adição ou exclusão das variações no grupo de contas do ativo</p><p>circulante, com exceção do caixa e do passivo circulante.</p><p>Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) A Demonstração do Fluxo de Caixa</p><p>(DFC) é um relatório contábil cujo objetivo é mostrar as transações que ocorrem</p><p>dentro de um determinado período de tempo e causam alterações no saldo da</p><p>conta de caixa. Esta é uma demonstração resumida dos fatos administrativos re-</p><p>lativos aos fluxos de caixa ocorridos em determinado período, formalmente re-</p><p>gistrados como débitos (entradas) e créditos (saídas) da conta caixa. Portanto, o</p><p>fluxo de caixa inclui o fluxo de fundos que entra e sai da empresa.</p><p>A Lei de Estrutura do DFC 6404/1976 também não estabeleceu um modelo</p><p>de DFC para todas as empresas cumprirem. Limitada ao disposto no Artigo 188,</p><p>Item I, a DFC deve pelo menos contabilizar as variações de caixa e seus equiva-</p><p>lentes durante o ano e dividir essas variações em pelo menos três fluxos: opera-</p><p>ções, financiamento e investimento. Como as informações contidas no DFC são</p><p>muito importantes para análise conjunta com outras demonstrações financeiras,</p><p>o Associação Brasileira dos Auditores Independentes (Ibracon) aprovou o NPC</p><p>(Normas de Procedimento Contábil) nº 20, de 30 de abril de 1999 com base nas</p><p>práticas usuais adotadas nos Estados Unidos e na Europa Nesses países, a ela-</p><p>boração do DFC também é obrigatória foram propostas diretrizes para a elabora-</p><p>ção deste importante relatório no Brasil.</p><p>Conceito de caixa e equivalentes de caixa O fluxo de caixa é entendido como</p><p>a entrada e saída de caixa e equivalentes de caixa. Portanto, no que diz respeito</p><p>ao DFC, o conceito de caixa inclui todos os caixa e equivalentes de caixa da conta</p><p>da empresa: caixa (caixa em poder da própria empresa); fluxo de conta bancária</p><p>(fundos da empresa em poder de instituições bancárias, depositados em contas</p><p>correntes) e fluxo instantâneo.</p><p>Investimento financeiro (os fundos da empresa são investidos em investimen-</p><p>tos de alta liquidez). Essas três contas fazem parte do grupo de disponibilidade no</p><p>ativo circulante do balanço patrimonial. Equivalentes de caixa incluem contas que</p><p>representam aplicações financeiras com as mesmas características de liquidez</p><p>e disponibilidade instantânea. Portanto, os equivalentes de caixa cobrem todos</p><p>os investimentos realizados pela empresa, podem ser resgatados em no máximo</p><p>três meses e possuem liquidez muito elevada. São sobras de caixa utilizadas no</p><p>mercado financeiro, sua operação é caracterizada por fins não especulativos, po-</p><p>64</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>dendo ser resgatados imediatamente, a qualquer momento que a empresa dese-</p><p>jar. Exemplos de aplicações financeiras que podem ser consideradas equivalen-</p><p>tes de caixa: contas de poupança, prefixos CDB (certificado de depósito bancário)</p><p>e RDB (recibo de depósito bancário) etc.</p><p>A classificação das entradas e saídas de caixa por atividade está de acordo</p><p>com o disposto no artigo 188 inciso I da Lei nº 6.404 / 1976, e também de acordo</p><p>com as diretrizes contidas no referido NPC, envolvendo a estrutura do DFC, as</p><p>entradas e saídas de caixa relacionadas a transações são divididas em três gru-</p><p>pos de atividades: atividades operacionais – incluindo transações que envolvem o</p><p>cumprimento das metas corporativas da empresa. Eles podem ser exemplificados</p><p>pelo recebimento de vendas, pagamento de fornecedores de materiais adquiridos,</p><p>pagamento de salários de funcionários etc.; atividades de investimento, incluindo</p><p>transações com ativos financeiros, aquisição ou venda de participação em outras</p><p>empresas e a produção de bens relacionados com o corporativo da empresa fins</p><p>ou ativos de serviço.</p><p>É importante referir que as atividades de investimento não incluem a aquisição</p><p>de ativos para efeitos de revenda; Atividades de financiamento - incluindo a</p><p>captação de recursos junto aos acionistas ou quotistas e sua devolução na</p><p>forma de lucros ou dividendos, a captação de empréstimos ou outros recursos, a</p><p>amortização e a remuneração. É importante observar que atenção especial deve</p><p>ser dada ao categorizar as transações em seus respectivos grupos de atividades,</p><p>pois certos recebimentos e despesas de caixa podem ter características</p><p>adequadas tanto para o fluxo de caixa operacional quanto para as atividades</p><p>de financiamento ou de investimento. a fornecedores, para financiamento da</p><p>produção ou comercialização de mercadorias, devem ser classificadas como</p><p>atividades operacionais.</p><p>Os pagamentos a fornecedores para financiamento da aquisição de ativos</p><p>não correntes devem ser classificados como atividades de investimento; os pa-</p><p>gamentos a credores referem-se a empréstimos utilizados para a expansão dos</p><p>negócios e devem ser classificados como atividades de financiamento.</p><p>O fato de aumentar o saldo de caixa: Na maioria dos casos, o fluxo de caixa</p><p>para o caixa da empresa deve-se aos seguintes fatores:</p><p>a) Receber uma venda em dinheiro;</p><p>b) Receber uma cópia;</p><p>c) Novos empréstimos e financiamentos obtidos;</p><p>d) Entrada de capital de sócios ou acionistas;</p><p>e) Recebeu a venda de ativos permanentes etc.</p><p>65</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>O fato de reduzir os saldos de caixa, entre as diversas transações que redu-</p><p>zem os saldos de caixa da empresa, destacam-se:</p><p>a) Pague para comprar;</p><p>b) Pague ao fornecedor;</p><p>c) Adquirir itens de ativos permanentes;</p><p>d) Pagar taxas;</p><p>e) Pague juros;</p><p>f) O fato de o pagamento de dividendos etc.</p><p>Não alterar o saldo de caixa nas atividades operacionais que ocorrem no dia</p><p>a dia da empresa, existem fatos que não afetarão imediatamente o saldo de caixa,</p><p>mas podem afetar o período futuro a seguir são proeminentes:</p><p>a) Compra de commodities em prestações;</p><p>b) As commodities são vendidas em prestações;</p><p>c) Revisão da moeda do balanço;</p><p>d) Alterações da moeda;</p><p>e) Provisão para dívidas incobráveis;</p><p>f) Depreciação, amortização e perda;</p><p>g) Resultados de renda de capital;</p><p>h) Reavaliação etc.</p><p>FIGURA 2 – COMPOSIÇÃO DE UM FLUXO DE CAIXA</p><p>FONTE: <https://blog.cefis.com.br/fluxo-de-caixa/>. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>66</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Muitos empresários ficam felizes em saber que estão lucrando com seus pro-</p><p>dutos ou serviços, mas esquecem que existem outras variáveis a serem conside-</p><p>radas no modelo de negócios. Não basta controlar a receita sozinho: também é</p><p>preciso monitorar as “perdas”, ou seja, perdas causadas por despesas, despesas</p><p>esporádicas, investimentos e outros sinistros. Porém, para controlar a entrada e</p><p>saída de um negócio, é necessário entender o que é o fluxo de caixa, como fun-</p><p>cionam as demonstrações financeiras desse fluxo e as atividades que o envolvem.</p><p>De acordo com a lei, as finanças da empresa devem ser registradas e infor-</p><p>madas ao IRS. Isso é feito por meio da entrega de obrigações acessórias e princi-</p><p>pais, como declarações, orientações, pagamento de impostos etc.</p><p>O simples fato de escolher um sistema tributário (Simples Nacional, Lucro Pre-</p><p>parado ou Real) já criou uma empresa com certas características para o governo.</p><p>• Quanto seu negócio ganha por ano.</p><p>• Permitir que eles verifiquem os dados das mercadorias que possuem.</p><p>• Em outros projetos.</p><p>Mas as finanças da empresa devem ser registradas e declaradas, não ape-</p><p>nas para cumprir a lei. Por meio da análise de fluxo de caixa, você pode saber se</p><p>os recursos financeiros de sua empresa foram investidos com sabedoria, qual é o</p><p>modelo de lucro de seu negócio e por que as vendas</p><p>caíram ou aumentaram em</p><p>um determinado mês.</p><p>Benefícios da organização do fluxo de caixa</p><p>Resumindo, o fluxo de caixa permite que você controle sua situação financei-</p><p>ra e seus planos de negócios futuros com base em dados relevantes.</p><p>Para obter essas informações e tomar as decisões corretas sobre o futuro</p><p>do negócio, muitas pessoas optam por contratar um contador ou diretor financeiro</p><p>porque esses profissionais sabem criar o melhor modelo de fluxo de caixa para o</p><p>seu negócio.</p><p>No entanto, nem sempre os proprietários de pequenas empresas tomam a</p><p>primeira decisão: às vezes, decidem manter seus registros financeiros em formato</p><p>eletrônico ou optam por usar um sistema de gestão financeira.</p><p>Embora existam vários sistemas que podem ajudar a criar e controlar o flu-</p><p>xo de caixa da empresa, os funcionários nem sempre registram com precisão os</p><p>dados (entrada e saída), o que deixa lacunas e impede os gestores de tomarem</p><p>decisões.</p><p>67</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Por sua vez, essas lacunas podem levar ao desaparecimento ou colapso da</p><p>empresa.</p><p>3 INFLAÇÃO E TAXA DE JUROS</p><p>Conforme já observamos nos estudos de macroeconomia, a inflação é me-</p><p>dida por métodos econométricos. Resumindo: é uma média aritmética ponderada</p><p>das variações de preços ao longo de um período de tempo, onde cada produto é</p><p>ponderado de acordo com sua importância econômica.</p><p>Ou seja, quanto mais os consumidores estiverem interessados em comprar</p><p>produtos e serviços e/ou onde determinados itens são escassos, o preço subirá.</p><p>Nesse caso, a inflação pode levar à incerteza econômica, deprimir o investimento</p><p>e prejudicar o crescimento econômico.</p><p>A principal causa da inflação é a emissão excessiva de dinheiro pelo gover-</p><p>no. As pressões gerais sobre os custos podem explicar o aumento temporário da</p><p>inflação. A inflação é causada pelo excesso de demanda – quando há muita gente</p><p>querendo comprar sem a mesma intensidade de produção.</p><p>Ao passo que a inflação é o nome dado ao aumento dos preços de bens e</p><p>serviços? Como a inflação é calculada?</p><p>Simples, usando um índice de preços, comumente conhecido como índice de</p><p>inflação. IBGE produz dois dos mais importantes índices de preços: IPCA, consi-</p><p>derado oficial pelo governo federal, e INPC.</p><p>• Definição da cesta de consumo;</p><p>• Coleta de preços;</p><p>• Cálculo do custo de cesta;</p><p>• Definição do ano-base para o cálculo do índice;</p><p>IPC=</p><p>Preço do bem e serviço no ano corrente</p><p>Preço da cesta no ano base</p><p>x 100</p><p>• Cálculo da taxa de inflação;</p><p>• Que corresponde à variação percentual do índice de preços</p><p>O custo total de bens e serviços comprados por um consumidor padrão é</p><p>medido pelo índice de preços ao consumidor.</p><p>68</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Mankiw (2014) estabelece cinco etapas para a construção de um índice do</p><p>custo de vida:</p><p>GRÁFICO 1 – IPCA</p><p>FONTE: IPEADATA (2000-2020)</p><p>3.1 OS PROBLEMAS DA INFLAÇÃO</p><p>E COMO O GOVERNO CONTROLA A</p><p>INFLAÇÃO</p><p>Principais Consequências da Alta Inflação A alta inflação é prejudicial para a</p><p>economia de um país. Quando muito alto ou fora de controle, cria alguns proble-</p><p>mas e distorções econômicas. Uma alta taxa de inflação é uma taxa de inflação</p><p>acima de 6% ao ano. A moeda do País se desvaloriza, com a inflação alta, a mo-</p><p>eda se desvaloriza com o tempo, e os consumidores (trabalhadores) sem reajuste</p><p>constante não conseguem comprar o mesmo produto de mesmo valor que antes</p><p>era usado. Os preços dos produtos são constantemente ajustados. Por exemplo,</p><p>50% de inflação mensal (hiperinflação) reduziria os salários dos trabalhadores</p><p>pela metade.</p><p>Dólar em alta e preços de importação em alta. Outro problema é que quando</p><p>a moeda do país se desvaloriza, outras moedas (principalmente o dólar america-</p><p>no) fazem o oposto. Se esse país de alta inflação é muito dependente das impor-</p><p>tações, o fato de os preços dos produtos importados subirem ainda mais contribui</p><p>69</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>para a alta da inflação. Reduzir o investimento no setor produtivo. Em um ambien-</p><p>te de alta inflação, muitos investidores preferem investir seu dinheiro em bancos</p><p>(para ajuste cambial) do que no setor produtivo. Apesar de dar a falsa ideia de que</p><p>o dinheiro “recebe” muito, muitas pessoas preferem os investimentos financeiros.</p><p>Ambiente Econômico Desfavorável Um país que sofre com inflação alta é visto</p><p>negativamente nos mercados internacionais. Grandes investidores e corporações</p><p>evitam investimentos produtivos de médio a longo prazo nesses países, sabendo</p><p>que a inflação alta sinaliza uma economia em dificuldades.</p><p>A especulação financeira aumenta</p><p>Muitos investidores estrangeiros que procuram retornos altos e rápidos ten-</p><p>dem a investir em países com alta inflação para aproveitar as altas taxas de juros.</p><p>Esse capital especulativo não é bom para a economia de um país porque grandes</p><p>quantidades de capital podem entrar e sair rapidamente, levando à instabilidade</p><p>no mercado de câmbio.</p><p>Taxas de juros sobem</p><p>Muitos países usam o aumento das taxas de juros como mecanismo para</p><p>controlar a inflação. A lógica é simples: juros mais altos, menos consumo, forçan-</p><p>do os preços para baixo. No entanto, o aumento das taxas de juros desestimulou</p><p>o endividamento, prejudicando o investimento doméstico em setores produtivos,</p><p>o mercado imobiliário e as vendas de bens de consumo duráveis (automóveis,</p><p>eletrodomésticos etc.).</p><p>Desemprego crescente</p><p>A longo prazo, os países que não conseguem reduzir e controlar a inflação</p><p>são afetados pelo desemprego crescente. Isso aconteceu porque o investimento</p><p>no setor produtivo diminuiu significativamente.</p><p>Em 2021, a taxa de inflação do Brasil é de 10,06% (IPCA), bem acima do</p><p>centro da meta do banco central. Vale lembrar que o governo brasileiro estabe-</p><p>leceu uma meta de 5,25%, mais ou menos 1,5 ponto percentual. Em 2021, a in-</p><p>flação no Brasil subiu acentuadamente nos últimos meses do ano, impulsionada</p><p>pelo aumento dos preços dos combustíveis e alimentos. Atualmente, a Venezuela</p><p>é um dos países mais afetados pela alta inflação. Em 2020, a taxa de inflação</p><p>acumulada para este período atingiu impressionantes 4.000%.</p><p>70</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Como o governo controla a inflação</p><p>Acesse em: https://www.youtube.com/embed/O9XIaFZoS0c?fe-</p><p>ature=oembed.</p><p>Observamos, assim, que o governo tem ferramentas monetárias como ju-</p><p>ros, e ferramentas coercitivas e fiscais, como gastos e tributação para controlar a</p><p>demanda agregada e, portanto, o nível de inflação. A ferramenta de curto prazo</p><p>é a política monetária, a política de taxas de juros do banco central. Assim para</p><p>combater esse a inflação, é preciso reduzir o poder de compra da sociedade. Isso</p><p>pode ser alcançado aumentando os impostos, cortando os gastos públicos, au-</p><p>mentando a taxa básica e limitando o crédito.</p><p>Noções de Macroeconomia</p><p>Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=ucAouUQQmPs.</p><p>71</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>A macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando as decisões</p><p>e o comportamento de grandes agregados, como renda e produtos, níveis de pre-</p><p>ços, emprego e desemprego, estoque de moeda, taxas de juros, balanço de pa-</p><p>gamentos e taxas de câmbio.</p><p>Alguns dos principais mercados de atuação da macroeconomia: mercados</p><p>de bens e serviços: além do volume de produção nacional, também representa</p><p>o preço dos produtos e serviços. Mercado de Trabalho: mede quantas pessoas</p><p>estão aptas a participar do mercado de trabalho, quanto tempo leva e o número</p><p>de pessoas que saem do mercado de trabalho. Além disso, regula o valor dos</p><p>salários e se a oferta de profissionais em uma profissão aumenta ou diminui. Mo-</p><p>eda: análise da inflação no país, bem como oferta e demanda de nossa moeda</p><p>(impressa em papel pelo banco central). Títulos: observe quem ganha ou perde</p><p>com um investimento. Moeda: avalia</p><p>a balança comercial de um país, ou seja, o</p><p>volume de importações e exportações, e as transferências de fundos associadas</p><p>a essas transações.</p><p>Pode-se dizer que o objetivo da macroeconomia é entender quais fatores</p><p>alteram a realidade econômica de um país. E o quanto eles fizeram e que im-</p><p>pacto essas mudanças têm no desenvolvimento do país. Dessa forma, variáveis</p><p>podem ser controladas e reagidas, políticas podem ser desenvolvidas para deter</p><p>possíveis ameaças e garantir as condições necessárias para o desenvolvimento</p><p>do país. Para alcançar esse desenvolvimento, as políticas macroeconômicas defi-</p><p>nirão e perseguirão uma série de objetivos.</p><p>4 INTRODUÇÃO A GESTÃO DE</p><p>RISCOS</p><p>A palavra “crédito” pode possuir várias definições, porém, num sentido mais</p><p>específico para abordagem financeira, crédito consiste em destacar ou ceder,</p><p>temporariamente parte de seu patrimônio a um terceiro, com a expectativa de re-</p><p>torno desse patrimônio depois de passar o tempo estipulado (SCHRICKEL, 1997).</p><p>Quando você separa uma parte do seu patrimônio e sede a uma pessoa, ou</p><p>seja, um terceiro, com a expectativa de receber de volta, (se não tiver expectativa</p><p>de receber de volta é uma doação ou presente). Quando se usa o termo patrimô-</p><p>nio, estamos falando de dinheiro propriamente dito ou pode ser uma mercadoria</p><p>tangível. Por exemplo, a mercadoria que vemos nas lojas ou ainda comercializada</p><p>pela indústria, pode ser também um serviço que você presta, e por sua vez esse</p><p>serviço prestado compõe o patrimônio de sua empresa.</p><p>72</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>A análise de crédito é um processo organizado para analisar dados de clien-</p><p>tes, seja pessoa física ou jurídica, com o intuito de possibilitar o levantamento das</p><p>questões certas acerca do tomador do crédito. Esse processo consiste em ações</p><p>amplas, não é simplesmente analisar dados financeiros para a tomada de decisão</p><p>com propósitos creditícios.</p><p>Tomador do crédito: é aquele se beneficia ou utiliza valores a ele</p><p>cedidos, ou de serviços a ele prestados.</p><p>Por exemplo: o banco cedeu empréstimo a seu cliente; sendo o</p><p>banco o mutuante, e o cliente seu tomador de crédito.</p><p>Segundo Santos (2000), o processo de análise e concessão de crédito recor-</p><p>re ao uso de duas técnicas: a técnica subjetiva e a técnica objetiva, ou estatística.</p><p>A primeira diz respeito à técnica baseada no julgamento humano e a segunda é</p><p>baseada em processos estatísticos. Desse modo entende-se que a primeira téc-</p><p>nica é a análise de crédito, que envolve a habilidade de fazer uma decisão de</p><p>crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações</p><p>incompletas.</p><p>Uma parte da análise de crédito é realizada por meio do julgamento do agen-</p><p>te de crédito, baseada principalmente na habilidade e experiência desse. Sendo</p><p>assim é o momento em que o agente locador avalia o potencial de retorno do to-</p><p>mador e os riscos inerentes à concessão.</p><p>Essa técnica se baseia na experiência adquirida, disponibilidade de informa-</p><p>ções e sensibilidade de cada analista quanto à aprovação do crédito.</p><p>A segunda técnica mencionada é a análise subjetiva do tomador do crédito e</p><p>é muito importante, visto que por meio da experiência do agente de crédito é pos-</p><p>sível identificar fatores de caráter, capacidade, capital e condições de pagamento.</p><p>Entretanto, essa análise não pode ser realizada de maneira aleatória, é preciso</p><p>estar embasada em conceitos técnicos que irão guiar a tomada de decisão.</p><p>Observe-se que análise de crédito é um o processo onde se define o risco de</p><p>conceder o crédito a partir da junção das duas técnicas mencionadas a partir da</p><p>técnica subjetiva e da técnica objetiva.</p><p>73</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Desse modo, a definição é muito clara, o crédito está relacionado à ideia de</p><p>ceder parte do seu patrimônio, com o objetivo de receber o montante emprestado</p><p>mais um valor adicional, depois de um tempo acordado.</p><p>Assim, o conceito de crédito pode ser aplicado a:</p><p>Compras a prazo → instituições comerciais.</p><p>Concessão empréstimos → instituições financeiras</p><p>4.1 CONCEITO TÉCNICO</p><p>Investimento é qualquer gasto de recurso ou aplicação que gere retornos fu-</p><p>turos. Este conceito envolve dinheiro e capital intelectual, social ou natural. Confie</p><p>em mim: desvendar seu significado pode ser mais fácil do que parece.</p><p>Os investimentos são produtos emitidos por instituições financeiras, empre-</p><p>sas ou pelo próprio governo, com o objetivo de captar recursos mais baratos do</p><p>que os empréstimos bancários. Em troca, eles fornecem uma determinada taxa</p><p>de retorno ou receita, como se tornar um parceiro de negócios e obter receita.</p><p>Fundamentos de risco de crédito</p><p>É sabido que em um ambiente, por exemplo, quando o risco aumenta, o</p><p>crédito tende a diminuir, o crédito se apresenta como um fruto da proporção entre</p><p>os riscos e os juros praticadas na economia.</p><p>Uma ferramenta importante utilizada pelo agente emprestador é os “5 Cs do</p><p>Crédito” que são: Caráter; Condição; Capacidade; Caixa; Para as pequenas e</p><p>médias empresas, esse aspecto impacta diretamente nas decisões do negócio.</p><p>Também, nesse sentido, são considerados aspectos como históricos de crédito e</p><p>relacionamento com fornecedores. Portanto, a confiança dos credores nos paga-</p><p>mentos futuros da dívida também é um fator importante.</p><p>A condição agora se refere à condição financeira de uma empresa, e suas</p><p>condições operacionais específicas podem ou não ser propícias a uma boa ava-</p><p>liação de crédito. Nesse sentido, a finalidade da solicitação de crédito tem grande</p><p>impacto nesse aspecto. Já a capacidade se refere à margem da empresa para</p><p>assumir novas dívidas. Ou seja, leva em consideração a dívida atual, o perfil des-</p><p>sa dívida e o fluxo de vencimento da dívida que a empresa já assinou, o que pode</p><p>prejudicar a capacidade de pagamento de novas operações de crédito.</p><p>Uma avaliação de caixa nos diz as perspectivas futuras de geração de caixa</p><p>da empresa. Ou seja, pode ser estimado tanto a partir de demonstrações finan-</p><p>74</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>ceiras, como demonstrações de lucros e perdas e balanços (para grandes em-</p><p>presas), quanto do fluxo de caixa direto de empresas menores que não publicam</p><p>essas demonstrações.</p><p>Garantia é a contraprestação por ativos que muitas vezes são exigidos como</p><p>garantia em operações de crédito. Por exemplo, em empresas menores, uma ga-</p><p>rantia pode ser substituída pela inclusão de uma garantia no negócio. Dessa for-</p><p>ma, torna a garantia uma obrigação moral do devedor para com seu fiador. Além</p><p>disso, outros aspectos incluídos no modelo de análise de crédito incluem a avalia-</p><p>ção do plano de negócios da empresa, a análise do setor em que a empresa atua,</p><p>a utilização de índices financeiros para medir rentabilidade, liquidez e geração de</p><p>caixa etc. Tradicionalmente, a análise de crédito inclui visitas pessoais a empre-</p><p>sas para observar aspectos de difícil avaliação apenas por meio de demonstra-</p><p>ções financeiras. Além de requisitos de relacionamento prévio com instituições</p><p>financeiras para acompanhar a evolução ao longo do tempo e requisitos de garan-</p><p>tias para diferentes tipos de negócios.</p><p>Dentre os riscos envolvendo as operações de crédito os riscos</p><p>sistemáticos e não sistemático. O risco sistêmico afeta toda a eco-</p><p>nomia ou mercados específicos inteiros. O risco não sistemático é</p><p>um risco que afeta apenas uma instituição ou setor específico. Como</p><p>esse risco afeta apenas uma empresa ou um setor, pode ser mitiga-</p><p>do com a diversificação da carteira.</p><p>No que tange ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), a relação entre crédito</p><p>e risco determina as taxas de juros e a quantidade de crédito disponível em uma</p><p>economia. Então, quando estamos falando de risco, estamos falando de crédito,</p><p>pois ambos se relacionam para formar a taxa de juros a ser utilizada na economia,</p><p>além de também determinarem a quantidade de crédito disponível.</p><p>Por exemplo,</p><p>suponha que em um momento de crise, em uma cidade de</p><p>10.000 pessoas, uma indústria que emprega cerca de 1.500 pessoas está prestes</p><p>a fechar. A tendência natural da economia é que haja, muito risco de crédito na-</p><p>quele momento, pois aquela indústria está demitindo funcionários. Esse é um mo-</p><p>mento de muito risco e incerteza para aquela cidade como um todo, assim é natu-</p><p>ral que o crédito caia e que os juros se tornem mais caros, para todos na cidade.</p><p>75</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Por outro lado, se a sociedade está vivendo momentos de bonança, com</p><p>perspectivas favoráveis, muitos empregos sendo criados, com a comida mais ba-</p><p>rata, com “todo mundo” bem empregado, a tendência é que o crédito aumente e</p><p>se torne mais atrativo, ou seja mais barato. Então, é possível observar que existe</p><p>uma relação inversa, entre risco e crédito. Quanto menor o risco, maior e mais</p><p>barato é o crédito, e vice-versa.</p><p>FIGURA 3 – A ANÁLISE DE CRÉDITO</p><p>FONTE: <https://www.planner.com.br/2018/06/14/o-que-e-risco-de-</p><p>credito-e-risco-de-liquidez/>. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>Na elaboração de um plano de negócios, a opinião do gestor é fundamental</p><p>para a qualidade da concessão do crédito, pois é possível obter informações adi-</p><p>cionais quando ele visita a empresa. Isso aumenta muito a probabilidade de tomar</p><p>a decisão certa. Tal risco verificado pelo emprestador resulta em uma taxa de</p><p>juros diferente para cada indivíduo.</p><p>A relação entre crédito, risco e juros</p><p>Risco e juros, como já observamos, caminham juntos, ou seja, são direta-</p><p>mente proporcionais. Em outras palavras, quando um sobe o outro também. Por</p><p>outro lado, na contramão, o crédito e juros/risco são inversamente proporcionais,</p><p>ao passo que é entre relação de crédito e risco que se determina a taxa de juros e</p><p>a quantidade de crédito disponível em uma economia.</p><p>76</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>FIGURA 4 – A RELAÇÃO ENTRE CRÉDITO E RISCO</p><p>FONTE: O autor (2022)</p><p>Assim, o crédito consiste em entregar um bem com valor no presente, ou</p><p>seja, agora, para que haja pagamento em data futura, conforme combinado, ainda</p><p>sujeito à juros taxas e em caso de atrasos, multas e juros adicionados. Essa ope-</p><p>ração carrega consigo um risco, risco de não ser cumprida e deverá ser precedida</p><p>de um contrato que busque assegurar ao ofertador de recurso o direito de recebê-</p><p>-lo, independentemente da vontade do tomador.</p><p>O risco que a gente observa quando se tá discutindo crédito é o risco de não</p><p>ser feito o pagamento, ou seja, o risco de inadimplência, e o risco é o grau de</p><p>volatilidade e incerteza do prazo envolvido no projeto ou investimento. Para uma</p><p>dívida ser cobrada, é necessário que o devedor disponha de recursos ou de bens</p><p>que possam cobrir o valor emprestado, esse fato conduz a uma necessidade de</p><p>que haja uma análise técnica sobre uma possível inadimplência da operação.</p><p>O analista técnico deve estar atento a diversas variáveis que envolvem o</p><p>risco numa operação financeira. Para entender o risco, o analista técnico deve</p><p>entender quatro critérios, são eles: o histórico da pessoa/empresa que está to-</p><p>mando crédito, as condições que esse crédito será realizado (duração, taxas etc.),</p><p>que condições o tomador de empréstimo tem para saldar essa dívida, e qual é o</p><p>capital garantidor (avalista).</p><p>4.2 HISTÓRICO DE PAGAMENTOS</p><p>Uma análise histórica permite verificar se os empréstimos anteriormente realiza-</p><p>dos foram ou não saudados, verificando a pontualidade do cliente seu caráter referen-</p><p>te à intenção de pagar ou renegociar uma dívida caso seja necessário. Nessa fase,</p><p>77</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>são obtidas informações junto a outros bancos e junto a fornecedores onde são verifi-</p><p>cados esses protestos e outros itens que possam desabonar a história desse cliente,</p><p>assim um bom histórico favorece para que as pessoas tenham crédito.</p><p>Então, na maioria das vezes, o crédito é aprovado ou negado de forma automá-</p><p>tica, quando a instituição faz uma solicitação na forma automática, essa não passa</p><p>mais pela mão de um analista, há sistemas onde a informação é disponibilizada. Uma</p><p>análise gerencial em uma loja ou em um banco usa sistemas ligados ao Serviço de</p><p>Proteção ao Crédito (SPC) e SERASA.</p><p>4.3 CONDIÇÕES DE PAGAMENTO</p><p>Quais as condições para análise de crédito, em suma a condição de paga-</p><p>mento define se uma venda ou compra será paga à vista ou a prazo, em quantas</p><p>parcelas será paga, se terá adiantamento, qual o valor de cada parcela, qual o</p><p>prazo de cada parcela e se há alguma restrição para as datas de vencimento por</p><p>dia da semana ou do mês. Assim, discutir essas condições são também pontos</p><p>essenciais na hora da negociação, para verificar se os recursos de entradas men-</p><p>sais que o captador possui, e identificar se são suficientes para saldar os venci-</p><p>mentos, a partir desse ponto, iniciar a estipular prazos e taxas entre outros.</p><p>4.4 CAPACIDADE DE PAGAMENTO</p><p>Esse conceito está bem próximo ao conceito de condições de pagamento, a</p><p>capacidade por sua vez, se refere às condições de um indivíduo ou grupo de in-</p><p>divíduos, empresas e indústrias a em gerar recursos suficientes para saldar seus</p><p>compromissos. Essa capacidade está menos associada ao fluxo de caixa e mais</p><p>de ligada a rentabilidade da empresa. Então, quanto maior a rentabilidade de uma</p><p>empresa, nesse caso, maior é a sua capacidade de honrar seus compromissos.</p><p>Será que meu cliente terá condições de efetuar os pagamentos em dia? As ins-</p><p>tituições financeiras se preocupam principalmente com isso. Por isso que, o cerne</p><p>da questão do risco de crédito é: como o emprestador vai receber os recursos?</p><p>Por exemplo: se você está trabalhando em uma loja e você precisa estabe-</p><p>lecer uma política de crédito para os seus clientes, quanto de crédito você pode</p><p>conseguir ao seu cliente? Quanto que você pode conceder de parcelamento para</p><p>que o seu cliente pague corretamente?</p><p>78</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>4.5 O CAPITAL GARANTIDOR</p><p>É aquilo que se dá em garantia. O capital garantidor oferece a possibilidade</p><p>de facilitar a captação de recursos, uma vez que, além das garantias iniciais</p><p>referentes a concessão de crédito, o emprestador pode reforçar essa garantia</p><p>a partir de um capital sólido da empresa ou pessoa. O capital garantidor é</p><p>geralmente tratado em contrato, no caso de empréstimos volumosos, por exem-</p><p>plo, na aquisição de um carro ou apartamento para pessoa física, e para a expan-</p><p>são ou aquisição de uma máquina para as empresas.</p><p>Sobre o capital próprio e o risco, o capital próprio representa tudo o que per-</p><p>tence realmente a uma empresa. Ou seja, caso essa empresa venha a passar por</p><p>dificuldade, ela terá recursos para pagamento de suas dívidas? Na contabilidade,</p><p>o capital pode estar coberto, isto é, os recursos tomados em empréstimos são</p><p>menores do que o capital, há capacidade para honrar seus compromissos, ou</p><p>ainda, a empresa pode estar na situação descoberta, ou seja, ocorre quando as</p><p>dívidas são maiores do que o capital que a empresa tem. O que certamente repre-</p><p>sentará certas dificuldades na captação de novos empréstimos e financiamentos,</p><p>já que a empresa demonstra incapacidade de pagamento de suas despesas.</p><p>É importante mencionar que no Brasil existe o (FGC) que é uma organização</p><p>privada sem fins lucrativos cuja missão é proteger os investidores dentro do</p><p>sistema financeiro do país e prevenir o risco de uma crise bancária sistêmica.</p><p>Em outras palavras, é um mecanismo que garante aos clientes de instituições</p><p>financeiras filiadas a recuperação de ativos de investimento em caso de regime</p><p>de intervenção ou liquidação extrajudicial. O FGC foi criado em 1995 em resposta</p><p>à crescente preocupação das autoridades com a estabilidade do sistema financei-</p><p>ro. Embora a própria agência afirme ser mais do que uma “pagadora de dívidas” e</p><p>só esteve em cena em momentos dramáticos,</p><p>alguns investidores mais conserva-</p><p>dores têm insistido na presença do FGC para tomar decisões.</p><p>Como funciona O fundo é formado com os recursos depositados periodica-</p><p>mente pelas instituições financeiras associadas: Caixa Econômica Federal, bancos</p><p>múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento,</p><p>sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobi-</p><p>liário, companhias hipotecárias e associações de poupança e empréstimo.</p><p>Lista instituições associadas: https://www.fgc.org.br/associadas/</p><p>associated-institutions</p><p>79</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Qual é o valor máximo garantido? O valor total coberto pelo FGC é limitado a</p><p>R$ 250 mil por CPF/CNPJ por grupo financeiro, com teto de R$ 1 milhão para re-</p><p>novação a cada quatro anos. Então, se um investidor aplicar R$ 150.000 no CDB</p><p>do Banco X através de uma corretora e R$ 200.000 em outra corretora através</p><p>de outra corretora, mas do mesmo banco, e houver inadimplência, ele terá direito</p><p>apenas a um total de 250.000 reais de o FGC. Os fundos de garantia de crédito</p><p>para investimento protegidos pelo FGC não protegem todos os tipos de investi-</p><p>mentos, apenas os seguintes depósitos ou créditos: Depósitos à vista ou saca-</p><p>dos mediante aviso prévio; depósitos de poupança; CDB (Certificado de Depósito</p><p>Bancário); RDB (Recibo de Depósito Bancário); LCIs e LCAs (Cartas de Crédito</p><p>Imobiliário e Agronegócio); LCs (Letras de Câmbio); LHs (Notas Hipotecárias).</p><p>Garante também que os depósitos na conta não podem ser transferidos por</p><p>cheques, que são utilizados para registrar e controlar o fluxo de recursos relacio-</p><p>nados ao pagamento de salários, vencimentos, pensões, pensões e outros servi-</p><p>ços. Acordos de recompra também são celebrados por afiliadas para títulos emiti-</p><p>dos após 8 de março de 2012.</p><p>4.6 AVALIAÇÃO DO CLIENTE PESSOA</p><p>FÍSICA E JURÍDICA</p><p>O processo de avaliação do cliente pode ser dividido em duas partes: ava-</p><p>liação de crédito para pessoa física e para pessoa jurídica, ambos os processos</p><p>partem do mesmo princípio, iniciando-se pela análise de risco de crédito, confor-</p><p>me apesentado a seguir.</p><p>FIGURA 5 – MODELOS DE ANÁLISE DE RISCO DE</p><p>CRÉDITO: PESSOA FÍSICA E JURÍDICA</p><p>FONTE: Adaptado de Duarte (2008)</p><p>Os modelos de análise de risco de crédito para pessoa física e jurídica se-</p><p>guem duas abordagens: a abordagem qualitativa e a abordagem quantitativa. A</p><p>80</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>primeira, por sua vez, caracteriza-se por uma análise judgmental e a segunda a</p><p>abordagem de credit scoring.</p><p>O processo de análise de crédito para pessoa física e jurídica visa identifi-</p><p>car os riscos para a organização que está concedendo o crédito, evidenciar con-</p><p>clusões quanto à capacidade de pagamento do tomador e fazer recomendações</p><p>sobre o melhor tipo de empréstimo a ser concedido. A análise ocorrerá conforme</p><p>as necessidades do solicitante e dentro de um nível de risco aceitável, a partir de</p><p>documentação apresentada e analisada, objetivando a maximização dos resulta-</p><p>dos da instituição.</p><p>A análise de risco de crédito é extremamente importante para as organiza-</p><p>ções de concessão de crédito, principalmente devido à redução de perdas. O pro-</p><p>cesso de simplificação e desburocratização desta modalidade é também muito</p><p>importante.</p><p>A análise subjetiva de crédito não é um exercício que visa ao cumprimento</p><p>de disposições normativas, ela tem por objetivo chegar a uma decisão clara sobre</p><p>a concessão ou não do crédito ao solicitante. Porém, o processo de análise subje-</p><p>tiva, como o próprio nome diz, não é uma ciência exata, podendo existir inúmeras</p><p>soluções para cada situação de concessão, sendo certo que a análise pode fazer</p><p>emergir opções durante o processo decisório.</p><p>Para que ocorra uma análise minuciosa de risco da operação de concessão</p><p>de crédito à pessoa física e jurídica, é preciso passar por algumas fases distintas</p><p>durante o processo. A seguir, serão apresentadas as principais formas de avalia-</p><p>ção de cliente pessoa física e jurídica.</p><p>4.7 AVALIAÇÃO DO CLIENTE PESSOA</p><p>FÍSICA</p><p>Segundo Santos (2000), as 5 principais fases no processo de concessão de</p><p>crédito são:</p><p>• Solicitação de dados cadastrais: são utilizados para identificação, desde</p><p>nome completo, CPF e RG, nascimento, nome dos pais, além de dados</p><p>de contato com e-mail, telefones e endereço para cobrança. Também</p><p>são pedidos dados sobre capacidade de pagamentos, advindo da fon-</p><p>te de renda como: emprego, empresa que trabalha, renda entre outros</p><p>como todos os dados dos cônjuges, se for casado.</p><p>• Análise de restrições no CPF: em posse desses dados, a instituição fi-</p><p>nanceira de crédito pode começar uma análise a partir da verificação da</p><p>existência de alguma pendência do solicitante, tanto na própria institui-</p><p>81</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>ção quanto a outros credores, consultando os registros negativos do Se-</p><p>rasa, SCPC ou outros.</p><p>• Análise do perfil de crédito: a instituição avaliará o perfil do cliente por</p><p>meio da técnica estatística chamada Score de Crédito, a qual trabalhare-</p><p>mos mais detalhadamente mais adiante.</p><p>• Análise da capacidade de pagamento: a instituição financeira analisa se</p><p>o cliente tem capacidade de pagar a quantia a qual deseja tomar em-</p><p>prestado ou financiar. Por exemplo, é possível alguém que ganhe R$</p><p>1.000,00 por mês, tomar emprestado o equivalente a R$ 50.000,00, para</p><p>realizar o pagamento em 12 meses, obviamente não.</p><p>FIGURA 6 – QUADRO RESUMO DE CRÉDITO PESSOA FÍSICA</p><p>FONTE: O autor (2022)</p><p>Pois bem, a questão é como saber qual o valor cliente pode tomar empres-</p><p>tado? As instituições liberam o valor total do crédito, baseado na capacidade de</p><p>pagamento que é diretamente ligada à renda, assim uma proporção de 20 a 30%</p><p>da renda bruta do cliente é a capacidade estipulada pelas instituições.</p><p>Análise de documentos: por fim, a instituição poderá realizar checagens de</p><p>confirmações de dados cadastrados, como ligações para referências colocadas</p><p>pelos clientes etc.</p><p>4.8 AVALIAÇÃO DO CLIENTE PESSOA</p><p>JURÍDICA</p><p>Segundo Duarte (2008), a documentação ampara-se na obtenção de infor-</p><p>mações da empresa como:</p><p>82</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>• Ficha cadastral da empresa: uma ficha cadastral de pessoa jurídica é</p><p>um tanto quanto diferente de pessoa física. Geralmente, são pedidos da-</p><p>dos como razão social; data de constituição; CNPJ; ramo de atividade;</p><p>endereço comercial; e-mail; home-page; acionistas; principais acionistas/</p><p>quotistas; nacionalidade de diretores/gerente delegado; capital social;</p><p>principais clientes; principais fornecedores; entre outros.</p><p>• Demonstrações financeiras: as demonstrações financeiras (ou relatórios</p><p>financeiros) são registros formais das atividades financeiras e da posição</p><p>de uma empresa, pessoa ou outra entidade. Uma demonstração de re-</p><p>sultados fornece informações sobre o funcionamento da empresa. Isso</p><p>inclui vendas e as várias despesas incorridas durante o período indica-</p><p>do. São relatórios contábeis que apoiam a tomada de decisão nas em-</p><p>presas. As demonstrações financeiras mais comuns são: fluxo de caixa,</p><p>demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, balanço patrimonial,</p><p>demonstração de resultados do exercício (DRE), demonstração do valor</p><p>adicionado e o complemento de notas explicativas.</p><p>• Documentação societária: análise de documentação dos sócios de uma</p><p>empresa, ou mesmo de funcionários de alto escalão, a fim de identificar</p><p>os poderes outorgados a cada participante societário. Envolvendo pro-</p><p>cessos como: análise dos documentos pertinentes à empresa (contrato</p><p>social, procurações, atas).</p><p>• Informações setoriais: a análise setorial é uma avaliação da condição</p><p>econômico-financeira e das perspectivas de um determinado setor da</p><p>economia. A análise setorial serve para fornecer ao investidor um julga-</p><p>mento sobre o desempenho esperado das empresas</p><p>e comerciais entre os países que compõem um determi-</p><p>nado grupo econômico (NAFTA, Mercosul, União Europeia, Zona de livre comér-</p><p>cio), com a redução das fronteiras há uma a melhoria da competição econômica,</p><p>pois tecnologia é transferida com mais facilidade entre os países, entretanto e o</p><p>que se seguiu foi a exploração do trabalho (trabalhadores precisam produzir mais</p><p>e mais) (SALAMA, 2009).</p><p>Nesse sentido, estudar a microeconomia é muito importante para entender</p><p>as relações dos agentes no mundo globalizado, questões como quem são os</p><p>agentes onde eles negociam e como tomam suas decisões, logo, é importante</p><p>levar em consideração o mercado, sim, o que é mercado? Segundo Maura Mon-</p><p>tella (2004, p. 38), um mercado é “[...] um conjunto de compradores e vendedores</p><p>que interagem entre si.” A estrutura do mercado é “[...] as características de cada</p><p>mercado conforme compradores e vendedores. Uma função da quantidade e da</p><p>diferenciação ou homogeneidade do produto que está sendo comercializado.</p><p>11</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>2.1 AGENTES ECONÔMICOS</p><p>Portanto, um agente econômico pode ser um responsável pela oferta, de-</p><p>manda ou mesmo um regulador de uma mesma economia. Com certeza, cada</p><p>participante do sistema econômico tem seu próprio papel e participação, portanto,</p><p>a economia trabalha em conjunto. O que é um agente econômico? Depois de</p><p>entender o que eles são, você deve entender o que são os agentes econômicos</p><p>existentes. Os três principais agentes citados na teoria econômica são: família;</p><p>empresa; governo (MANKIW, 2009).</p><p>FIGURA 1 – OS AGENTES ECONÔMICOS NA ECONOMIA</p><p>FONTE: <https://pt.slideshare.net/pumbo1/la-actividad-econmica-y-</p><p>sus-agentes?next_slideshow=1>. Acesso: 15 nov. 2021.</p><p>Famílias: são todas unidades ou unidades familiares da economia que atu-</p><p>am como consumidores porque compram os diversos serviços e bens oferecidos</p><p>na economia. Por outro lado, as famílias também podem possuir os fatores de</p><p>produção, como terra, trabalho e capital, por exemplo. Portanto, as empresas de-</p><p>vem utilizar esses insumos para poderem criar seus produtos e/ou serviços finais.</p><p>Vale ressaltar que ao mesmo tempo que as famílias geram renda ao oferecer às</p><p>empresas os fatores de produção, elas demandam os bens e serviços produzidos</p><p>pelas empresas. Além disso, é importante destacar que o grande objetivo das fa-</p><p>mílias é maximizar sua utilidade, medida amplamente utilizada para medir o bem-</p><p>-estar na teoria econômica (estado de bem-estar).</p><p>Empresas: as empresas são entidades econômicas responsáveis pela pro-</p><p>dução e promoção da comercialização de bens e serviços na economia. Eles tam-</p><p>12</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>bém contribuíram para o desenvolvimento econômico do país. Para viabilizar a</p><p>produção do empreendimento, é necessário firmar contrato de trabalho com a fa-</p><p>mília. Portanto, as empresas pagam salários às famílias, e as famílias consomem</p><p>bens produzidos pelas empresas, possibilitando assim suas atividades produti-</p><p>vas. As empresas usam fatores de produção e realizam atividades de produção</p><p>para maximizar os lucros.</p><p>Governo: o governo pode ser definido como todas as instituições e entida-</p><p>des que atuam direta ou indiretamente em conjunto ou são controladas pelo Esta-</p><p>do. Normalmente, as instituições governamentais procuram atuar com a premissa</p><p>de reduzir a desigualdade econômica por meio de políticas de redistribuição e</p><p>garantir a manutenção e a eficiência do sistema econômico. É claro que, na re-</p><p>alidade, o governo muitas vezes falha em atingir os objetivos acima. Porém, em</p><p>teoria econômica, esse será o papel desempenhado pelo terceiro ente econômico</p><p>(o governo). O governo não tem metas de bem-estar ou de maximização de lucro,</p><p>como famílias e empresas. No entanto, considerando as metas de redistribuição</p><p>que o governo deve atingir, teoricamente a meta do governo será maximizar o</p><p>bem-estar geral da população (MANKIW, 2009).</p><p>FIGURA 2 – ESQUEMA FLUXO ECONÔMICO</p><p>FONTE: Adaptado de Mankiw (2009)</p><p>13</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>As empresas remuneram as famílias por meio de recursos monetários chama-</p><p>dos de renda (salários), tornando essas famílias consumidoras de produtos no mer-</p><p>cado de commodities. Por sua vez, as famílias pagam impostos e também oferecem</p><p>trabalho para o governo, que consome bens e serviços das empresas. As empresas</p><p>e famílias pagam salários para o governo, o qual retorna em salários e recursos</p><p>para famílias e empresas respectivamente. Este é o ciclo básico da encomia.</p><p>Assista o vídeo: Agentes econômicos</p><p>Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=GbFd3RvuKn4</p><p>2.2 ESTRUTURA DE MERCADO</p><p>O termo estrutura de mercado especifica a classificação dos mercados com</p><p>base em suas características. A estrutura do mercado depende fundamentalmen-</p><p>te de três características: o (1) número de empresas que constituem o mercado,</p><p>(2) o tipo de produto (se a empresa produz produtos iguais ou diferentes) e (3) se</p><p>existem barreiras para a entrada de novas empresas no mercado. Portanto, por</p><p>meio dessas estruturas específicas, a estrutura é dividida em um mercado per-</p><p>feitamente competitivo, um mercado imperfeitamente competitivo e um mercado</p><p>competitivo monopolista (MANKIW, 2009).</p><p>Ao passo que o mercado apresenta as seguintes estruturas de competição:</p><p>Concorrência perfeita, Concorrência imperfeita, Monopólio, Concorrência mono-</p><p>polista, Oligopólio, Oligopsônio e Monopsônio.</p><p>14</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Concorrência perfeita</p><p>Em microeconomia, a competição perfeita é uma situação de mercado ideal</p><p>em que há muitos vendedores e muitos compradores. Num mercado perfeitamen-</p><p>te competitivo, a tendência é que, a longo prazo, a receita da empresa correspon-</p><p>da ao seu custo total.</p><p>Assim, a competição perfeita é considerada ideal por muitos economistas. O</p><p>modelo de competição perfeita é adequado para situações onde há muitos ven-</p><p>dedores (oferta) e muitos compradores (demanda). Segundo Pindyck e Rubinfeld</p><p>(2013), nesse caso, as empresas e consumidores não podem abrir o mercado. A</p><p>competição perfeita tem as seguintes características:</p><p>• Há pouca ou nenhuma diferença entre os produtos.</p><p>• Transparência das condições de funcionamento do mercado.</p><p>• Liberdade de entrar ou sair de atividades.</p><p>Exemplo:</p><p>O açúcar se encaixa no modelo competitivo perfeito. É um produto natural e</p><p>quem deseja investir pode explorar suas atividades econômicas. Além disso, há</p><p>um grande número de produtores e pessoas interessadas em consumir açúcar.</p><p>Isso permite estabilidade de preços e mantém certo equilíbrio entre os participan-</p><p>tes do mercado. Embora existam muitas marcas de açúcar, a diferença entre elas</p><p>não é tão grande. Os produtos fornecidos são homogêneos (MANKIW, 2009).</p><p>Se uma empresa de açúcar tentar aumentar os preços sozinha, perderá a</p><p>maior parte da demanda. Isso porque os consumidores estão mais dispostos a</p><p>comprar dos concorrentes, que oferecem produtos semelhantes a preços mais</p><p>baixos. No entanto, também pode ser prejudicial tentar reduzir excessivamente</p><p>os preços dos produtos sob concorrência perfeita. Nessa estrutura de mercado,</p><p>a taxa de lucro não é muito alta. Portanto, no longo prazo, preços extremamente</p><p>baixos podem não ser sustentáveis.</p><p>Observa-se assim que a lei da oferta e demanda é um código não escrito, se-</p><p>gundo o qual preço e procura se relacionam em proporção inversa. Dessa forma,</p><p>é esperado que quando a oferta é maior que a procura, os preços caiam; e quan-</p><p>do a procura é maior que a oferta, os preços aumentem (SMITH, 1983).</p><p>Concorrência Imperfeita</p><p>Em economia, o termo mercado imperfeitamente exige requisitos uma estru-</p><p>tura de mercado na qual uma organização está inserida. Ou seja, nessa estrutura</p><p>15</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>de mercado, pelo menos uma empresa</p><p>do setor.</p><p>FIGURA 7 – ANÁLISES PARA LIBERAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>FONTE: <https://deps.com.br/o-que-e-gestao-de-risco-</p><p>de-credito>. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>83</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>A coleta da documentação gera uma boa quantidade de informações obtidas</p><p>para o processo de análise de crédito. Schrickel (1997) acrescenta três análises</p><p>distintas em qualquer situação de análise de crédito, que são:</p><p>• Análise retrospectiva: usando as informações de crédito e histórico do</p><p>cliente, uma análise retrospectiva validará quão bem é a condição do</p><p>potencial emprestador honrar seus compromissos. Assim, por meio, da</p><p>análise de um modelo previamente definido pelo emprestador, será pre-</p><p>visto, o comportamento futuro do consumidor em seu portfólio, durante</p><p>todo o ciclo de vida da conta.</p><p>• Análise de tendências: na análise de crédito, é feito o exame detalhado</p><p>dos índices financeiros e do fluxo de caixa de uma empresa por vários</p><p>períodos contábeis para determinar mudanças na posição financeira de</p><p>um tomador para assim poder realizar uma projeção de uma possível</p><p>capacidade futura de pagamento, para analisar o nível de qual seria a</p><p>capacidade de endividamento e o quão difícil será para receber a quantia</p><p>emprestada. Essa análise também pode ser feita para pessoa física.</p><p>Indicadores financeiros para previsão de inadimplência: pode-se</p><p>usar índices como: Indicadores de liquidez ou solvência; Indicadores</p><p>atividades; Endividamento e estrutura de capital; Índice de rentabili-</p><p>dade, entre outros.</p><p>• Capacidade creditícia: é decretada assim que um credor determina qual</p><p>o nível de confiabilidade que o cliente tem, determinando se o cliente</p><p>poderá deixar de cumprir suas obrigações com a futura dívida. Por sua</p><p>vez, o emprestador determina o limite que ele pode conceder para toma-</p><p>dor. Em outras palavras, é a credibilidade do cliente que é determinada</p><p>por diversos fatores, incluindo histórico de pagamentos e a pontuação de</p><p>crédito junto aos órgãos competentes, assim é determinado um grau de</p><p>risco estipulado ao tomador, a partir da sua projeção de endividamento.</p><p>É a capacidade creditícia do tomador, ou seja, qual a quantia de capital</p><p>que ele poderá obter junto ao credor.</p><p>É importante ressaltar que todo o processo de análise de cliente deve estar</p><p>ancorado a um modelo funcional adaptado à realidade da organização.</p><p>84</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Por fim, observa-se que a análise de crédito é um processo organizado a</p><p>fim de reunir e montar todos os fatos que conduzem ao problema, determinar as</p><p>questões e suposições relevantes para a tomada de decisão, analisar e avaliar os</p><p>fatos levantados e desenvolver uma decisão a partir das alternativas funcionais</p><p>e aceitáveis. Ademais a análise será mais consistente quanto mais presentes e</p><p>valiosas forem as quantificações dos riscos identificados e praticidade, bem como</p><p>a viabilidade das conclusões chegadas.</p><p>Para se emprestar uma quantia de capital, usualmente é solicitado uma gran-</p><p>de quantia de requisitos, para que assim a intuição possa ter certa garantia de</p><p>que receberá esse dinheiro de volta. Assim, conforme a análise é feita, o cliente</p><p>se encaixa em um perfil de cliente e, por sua vez, o banco delimita qual a taxa de</p><p>juros a ser paga pelo cliente. Como as vezes os requisitos para empréstimos são</p><p>muito restritivos, os clientes optam pela forma de créditos rápidos, para assim</p><p>suprir suas necessidades. Porém, os créditos rápidos são passiveis de maiores</p><p>juros, conforme veremos ao longo do material.</p><p>Assim, quando há necessidade de crédito, diversas podem ser as formas de</p><p>se emprestar, como, por exemplo: as linhas de microcrédito, os créditos com carro</p><p>ou casa em garantia. Há também formas alternativas como: empréstimos particu-</p><p>lares, financiamento através de crowdfunding, entre outros.</p><p>Mitigação de risco é o gerenciamento da consequência do risco, formado por</p><p>estratégias para lidar com a situação desfavorável caso ela ocorra. Primeiro, é</p><p>importante destacar a relação entre risco e retorno. Normalmente, os negócios</p><p>mais rentáveis são também os mais arriscados, mas não quer dizer que tudo que</p><p>é mais arriscado é mais rentável.</p><p>É arriscado porque, em algum momento, um determinado investimento gera</p><p>muito lucro, em outro momento, há prejuízo. Exemplo disso é o mercado de ações.</p><p>Existem investidores que ganham muito dinheiro em pouco tempo, em contrapartida,</p><p>existem muitos investidores que perdem dinheiro nesse mesmo período.</p><p>O risco está diretamente ligado à variação do retorno para um determinado</p><p>investimento, quanto maior a variância de um negócio dentro de um período de</p><p>tempo, mais esse negócio é arriscado.</p><p>Fala-se de mitigação de risco, através do conceito mitigação: que significa dimi-</p><p>nuir atenuar e enfraquecer. Assim, um plano de mitigação de riscos tem como objetivo</p><p>diminuir o impacto e probabilidade de ameaças em um projeto a ser executado.</p><p>Por exemplo, em uma situação hipotética identificou-se que uma empresa</p><p>dispõe de uma situação financeira capaz de sustentar no máximo 1% de inadim-</p><p>85</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>plência, porem através de um monitoramento interno observa-se que esse nú-</p><p>mero é na verdade de 3% de inadimplência, diante desta situação de risco e de</p><p>consequência desfavorável, as estratégias de mitigação de risco estão inseridas</p><p>nas perguntas como: Nesse momento de risco eminente qual vai ser a atitude da</p><p>empresa? chamar todos os fornecedores para negociar ou vou rever a política de</p><p>crédito? a empresa não vai conceder mais crédito ou agora só vou condicionar o</p><p>crédito às pessoas com melhor histórico de pagamento? a empresa buscará um</p><p>fiador? Essas atitudes anteriormente apresentadas e analisadas com cuidado são</p><p>formas de mitigação de risco.</p><p>É importante ressaltar que a mitigação de risco deve ser estruturada, “pensa-</p><p>da” com antecedência ao fato desfavorável, caso venha ocorrer uma atitude, após</p><p>o acontecimento do evento desfavorável, é apenas uma reação ao mercado e não</p><p>uma ação oriunda da mitigação de risco.</p><p>Assim, para muitas pessoas, os mercados financeiros, onde são negociados</p><p>ações e títulos, são os aspectos mais visíveis da economia. Quando você ouve a</p><p>frase “notícias econômicas” na TV ou a lê em um jornal, há uma boa chance de</p><p>que você esteja prestes a descobrir as últimas mudanças nos preços das ações e</p><p>nas taxas de juros.</p><p>O crédito como o financiador do capital</p><p>É comum nos referirmos à moderna economia baseada no lucro como</p><p>capitalista, então, devemos saber o que queremos dizer com “capital”, certo?</p><p>Bem, não é tão fácil. Existem dois significados muito diferentes para essa palavra</p><p>e, embora os economistas tenham lutado desde o tempo de Adam Smith para</p><p>reuni-los em uma teoria consistente, isso ainda não aconteceu e pode ser um</p><p>sonho impossível. Geralmente, por capital nos referimos a recursos que têm três</p><p>características:</p><p>• Eles são criados por um processo inicial de investimento.</p><p>• Eles são usados para produzir mais bens e serviços, incluindo, talvez,</p><p>mais capital.</p><p>• Eles não são usados imediatamente na produção.</p><p>O primeiro deles aponta para um padrão de tempo típico de custos e re-</p><p>ceitas: há uma fase inicial na qual as despesas são incorridas para criar capital,</p><p>seguida de uma segunda fase na qual o capital é empregado produtivamente,</p><p>gerando retorno.</p><p>O segundo tipo de medição é frequentemente usado para descrever quanto</p><p>benefício um investimento de capital cria em comparação com seu custo, o perí-</p><p>86</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>odo de retorno (quantos períodos de uso produtivo serão necessários para recu-</p><p>perar o custo inicial do investimento) e a taxa de retorno (o valor relação entre o</p><p>valor da receita gerada ao longo de sua vida útil e o valor de seus custos).</p><p>Assim, a qualquer atividade que tenha estrutura temporal de custos seguida</p><p>de receitas, provavelmente, será designada uma forma de capital pelos econo-</p><p>mistas, incluindo o capital humano dos investimentos em educação.</p><p>A terceira característica é o que distingue capital de matérias-primas ou de</p><p>produtos semiacabados, como tecidos ou autopeças. Um pouco de tecido que</p><p>entra na confecção de uma camisa é usado simplesmente por ser usado. Um</p><p>equipamento de capital, como um caminhão, agrega valor à produção, mas nor-</p><p>malmente sobrevive para ser usado em períodos futuros. É verdade que uma par-</p><p>te de seu valor é perdida, o que é chamado de depreciação, mas a capacidade</p><p>do capital de ser usada repetidamente é a base para sua estrutura temporal de</p><p>custos e receitas.</p><p>FIGURA 8 – O CAPITAL REAL</p><p>FONTE: <https://www.plataforma-logistica.org/indice-de-reiteracion-de-</p><p>infracciones-iri-y-la-honorabilidad/>. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>O capital “real”, do tipo que é realmente usado na produção, consiste em</p><p>bens de capital, equipamentos específicos, edifícios e outros itens que possuem</p><p>as três características do capital. O estoque desses bens compreende a maior</p><p>parte do que podemos pensar como “a riqueza das nações”, para usar a frase</p><p>de Adam Smith. Se quisermos transmitir a alguém exatamente quanto capital um</p><p>87</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>país em particular possui no momento, teríamos que elaborar uma lista detalhada</p><p>muito longa, indicando cada tipo específico de bem de capital e quanto dele está</p><p>disponível.</p><p>Obviamente, ninguém faz isso em um país, e mesmo a maioria das empre-</p><p>sas, quando alcançam um nível suficiente de tamanho e complexidade, desiste</p><p>da tarefa de enumerar cada item de capital disponível. Em vez disso, as pessoas</p><p>medem o valor desses bens e o valor monetário total de todos eles combinados é</p><p>aceito como resposta à pergunta: “Quanto capital existe?”. Dessa forma, indivídu-</p><p>os, empresas e governos passaram a ver o capital como uma soma de dinheiro,</p><p>conhecida como capital financeiro.</p><p>Vamos supor por um momento que eles são essencialmente os mesmos –</p><p>que o capital financeiro é simplesmente o equivalente monetário de um estoque</p><p>de bens de capital. Nesse caso, poderíamos analisar o mercado de capital consi-</p><p>derando os fatores subjacentes à sua oferta e demanda.</p><p>A quantidade demandada depende das variáveis que influen-</p><p>ciam a escolha do consumidor de comprar ou não um bem ou ser-</p><p>viço: seu preço, o preço de outros substitutos ou complementos, a</p><p>renda do consumidor e gosto ou preferência pessoal.</p><p>Primeiro, considere a oferta, que nesse caso significa a quantidade de dinhei-</p><p>ro disponibilizada para investimentos financeiros. O dinheiro usado dessa maneira</p><p>não está disponível para outros fins. Em vez de comprar bens que podem ser</p><p>consumidos no presente, por exemplo, o investidor está optando pela perspecti-</p><p>va de ganhar ainda mais dinheiro no futuro. Pessoas diferentes, é claro, exigirão</p><p>diferentes incentivos para fazer essa escolha. Alguns, que desejam pouco mais</p><p>poder aquisitivo no período atual, investem seu dinheiro a uma taxa de retorno</p><p>relativamente baixa.</p><p>Outros, para os quais as necessidades financeiras imediatas são mais pre-</p><p>mentes, exigirão uma taxa de retorno mais alta para fornecer seu dinheiro aos</p><p>mercados financeiros. E a um mesmo indivíduo pode-se fornecer algum dinheiro a</p><p>uma taxa mais baixa e a uma taxa mais alta.</p><p>O efeito geral seria uma curva de oferta inclinada para cima: mais dinheiro</p><p>é disponibilizado para fins de investimento à medida que retornos mais altos são</p><p>88</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>oferecidos. Dessa maneira, o lado da oferta do mercado se basearia na obser-</p><p>vação de que há uma taxa geral de retorno sobre o dinheiro no mercado, a taxa</p><p>de juros. A curva de demanda, por outro lado, refletiria a produtividade desse di-</p><p>nheiro quando é investido em bens de capital por quem o empresta. Nesse caso,</p><p>podemos imaginar que existem muitos investimentos produtivos disponíveis para</p><p>aqueles com financiamento para fazê-los.</p><p>Conforme pode ser observado na figura a seguir, em qualquer taxa de ju-</p><p>ros real, digamos r*, há um investimento específico, ou grupo de investimentos,</p><p>designado por I*, cuja taxa de retorno esperada é exatamente igual a ela. Isso</p><p>cobriria apenas o custo do dinheiro usado para financiá-lo, uma vez que a taxa</p><p>de juros é o custo do dinheiro e a taxa de retorno é o que ela ganha. Qualquer in-</p><p>vestimento à esquerda de I* justificaria mais do que o custo dos fundos, qualquer</p><p>investimento à direita não. Isso significa que, à medida que r diminui, mais investi-</p><p>mentos são desejados e mais dinheiro seria usado para financiá-los.</p><p>FIGURA 9 – POTENCIAL DE INVESTIMENTO E PERSPECTIVA DE RETORNO</p><p>FONTE: Adaptado de Dean e Green (2014)</p><p>Os investimentos são classificados por suas taxas de retorno (r), do maior</p><p>para o menor. As barras representam investimentos específicos quando há relati-</p><p>vamente poucos, a curva representa uma classificação contínua quando existem</p><p>muitos investimentos. Em r* investimento, e I* cobre exatamente seu custo finan-</p><p>ceiro, e todos os investimentos à sua esquerda cobrem mais do que isso.</p><p>Em outras palavras, nossa curva de classificação de investimentos também é</p><p>a curva de demanda por capital financeiro. Juntar oferta e demanda produziria um</p><p>diagrama típico, como mostra a Figura 9, que sobrepõe uma curva de oferta à cur-</p><p>va de demanda. Agora r* é uma taxa de retorno do dinheiro em equilíbrio. Assim,</p><p>89</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>se a taxa de juros subir acima disso, haverá um excesso de oferta de fundos no</p><p>mercado à procura de compradores, e isso resultaria em ofertas de empréstimos</p><p>que reduziriam a taxa e vice-versa para taxas de juros abaixo de r*.</p><p>O que é particularmente interessante, é a interpretação de r*. Que representa</p><p>a taxa de juros que é suficiente para convencer o credor marginal (aquele que</p><p>fornece a última quantia em dinheiro) a disponibilizá-lo ao mercado de capitais.</p><p>Portanto, deve ser igual ao custo percebido dessa pessoa de adiar o acesso ao</p><p>poder aquisitivo desse dinheiro até o futuro. Isso é chamado de preferência de</p><p>tempo marginal, a taxa na qual o presente é preferido em relação ao futuro.</p><p>Por exemplo, se eu acho que tudo o mais é igual, ter uma soma de dinheiro</p><p>daqui a um ano é 10% menos desejável do que ter hoje – meu grau de preferên-</p><p>cia de tempo –, será necessário um retorno de 10% do meu dinheiro para apenas</p><p>induzir a emprestá-lo de qualquer maneira. Falar da preferência do tempo mar-</p><p>ginal no mercado como um todo é indicar que a última infusão de dinheiro tem</p><p>exatamente essa barreira psicológica a ser superada. Como já observamos, os</p><p>mercados geralmente seguem a taxa estipulada pela Selic, no Brasil.</p><p>FIGURA 10 – OFERTA E DEMANDA DE CRÉDITO PELO RISCO E RETORNO</p><p>FONTE: Adaptado de Dean e Green (2014)</p><p>Quando uma curva de oferta com inclinação ascendente é adicionada a cur-</p><p>va de demanda, temos uma conta no mercado de “capital” que é simultaneamente</p><p>capital financeiro (dinheiro) e bens de capital (ativos físicos). O retorno de equilí-</p><p>brio, r*, representa tanto a preferência de tempo marginal por dinheiro quanto o</p><p>retorno marginal de investimento I*.</p><p>Enquanto isso, no lado da oferta, r* representa exatamente o que fazia antes:</p><p>a taxa de retorno do último investimento feito com essa taxa de juros. Em outras</p><p>90</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>palavras, r* representa o retorno marginal do capital. Se você deseja ter mais</p><p>investimento colocando os investimentos à direita de I*, seria necessário diminuir</p><p>a taxa de juros paga pelos investidores. Parece um resultado atraente: o custo</p><p>marginal de fornecer uma quantia extra de dinheiro ao mercado de capitais é exa-</p><p>tamente igual ao benefício marginal que esse dinheiro oferece na forma de maior</p><p>produtividade futura. Todos os investimentos cuja produtividade</p><p>justifica o custo</p><p>do financiamento são realizados, e nenhum dos demais. Como não gostar? Há</p><p>apenas um pequeno problema. A análise da curva de oferta.</p><p>A curva de oferta é baseada na preferência das pessoas em ter dinheiro hoje</p><p>e não no futuro, ou seja, capital financeiro enquanto a curva de demanda se ba-</p><p>seia no potencial produtivo do capital em seu estado físico, bens de capital. Se</p><p>essas fossem apenas duas maneiras de descrever a mesma coisa, tudo ficaria</p><p>bem, mas não são. É inteiramente possível que a quantidade de capital financeiro</p><p>aumente, enquanto o estoque de bens de capital é constante ou em queda, ou</p><p>vice-versa.</p><p>O resultado é que a análise incorporada na Figura 10 não é válida. Como</p><p>em grande parte da economia, a questão operativa se tornou impossível de se</p><p>executar. Como não é válida? Muitos economistas gostam de pensar que as</p><p>dificuldades causadas pela combinação de duas definições inconsistentes de</p><p>capital são pequenas o suficiente para serem ignoradas.</p><p>Eles preferem aceitar a interpretação do mercado de capitais como aderente</p><p>ao Modelo de Bem-Estar do Mercado, com suas implicações para a interpretação</p><p>das taxas de juros de equilíbrio. Alguns são mais cautelosos e consideram a ava-</p><p>liação normativa do mercado de capitais algo além do nosso entendimento atual.</p><p>Desse modo, podemos entender que o capital é importante porque é produ-</p><p>tivo, mas os mercados (como as bolsas de valores) nos quais o capital é nego-</p><p>ciado, o capital financeiro não é convertido em bens de capital. Seria conveniente</p><p>ignorar essa distinção, mas, a seguir, tomaremos o capital financeiro em seus</p><p>próprios termos, como simplesmente um veículo para o movimento da moeda e</p><p>faremos inferências limitadas sobre o que os mercados de ações nos dizem sobre</p><p>a capacidade de produção da sociedade. Na verdade, como veremos, manter as</p><p>duas formas de capital distintas em nossas mentes será uma vantagem para nos-</p><p>sa análise.</p><p>Mercados acionários</p><p>Analisamos essa estrutura do ponto de vista da empresa, com foco no maior</p><p>tamanho e segurança que distingue as empresas de outras formas de negócios.</p><p>Aqui, examinaremos esse mesmo desenvolvimento da perspectiva dos investido-</p><p>91</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>res, aqueles que possuem ou gerenciam riqueza financeira suficiente para com-</p><p>prar e vender participações em empresas corporativas. Essas apostas também</p><p>são chamadas de patrimônio e seu valor é medido pelo preço que eles comandam</p><p>no mercado. Em outras palavras, se você multiplicar o número de ações de uma</p><p>corporação mantida por seus acionistas pelo preço por ação, obtém o patrimônio</p><p>total dessa corporação.</p><p>Lembre-se de que são necessários dois desenvolvimentos para que uma</p><p>empresa seja negociada no mercado de ações.</p><p>Existem ações ordinárias (ON) são ações que conferem direitos</p><p>de voto e participação nas decisões societárias. Nas bolsas de valo-</p><p>res, são aqueles que terminam em 3, por exemplo: VALE3, RENT3,</p><p>WEGE3 e ações prioritárias (PN) são aqueles que têm prioridade no</p><p>recebimento de renda, mas não têm direito a voto. Exemplos: ITUB4,</p><p>GGBR4, PETR4 etc.</p><p>Primeiro, a propriedade da corporação deve ser subdividida em ações, peda-</p><p>ços de papel que representam frações do patrimônio líquido da empresa. Normal-</p><p>mente, uma grande corporação possui milhões ou até bilhões de ações disponí-</p><p>veis para propriedade, de modo que cada uma representa uma pequena parte do</p><p>valor total da empresa.</p><p>Segundo, a empresa deve ser “pública” no sentido de permitir que qualquer</p><p>membro do público compre ou venda essas ações (algumas empresas são priva-</p><p>das, elas restringem a propriedade a indivíduos específicos, em vez de a negociar</p><p>em geral.) As empresas que optam por ser públicas, devem ser listadas em uma</p><p>ou mais bolsas de valores. Uma bolsa de valores é uma organização dedicada a</p><p>facilitar o mercado de ações, como a B&MF e Bovespa, as bolsas de Frankfurt,</p><p>Hong Kong e Nova York.</p><p>Os mercados de ações, como todos os mercados financeiros, são puramente</p><p>criaturas de oferta e demanda. A qualquer momento, algumas pessoas desejam</p><p>comprar as ações de uma determinada empresa e algumas desejam vendê-las.</p><p>As transações podem ocorrer apenas se houver um preço acordado, portanto, o</p><p>preço aumenta e diminui à medida que a pressão de compra ou venda se torna</p><p>mais predominante.</p><p>92</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Não está muito longe da verdade considerar a maioria dessas decisões de</p><p>compra e venda como apostas, colocando dinheiro na crença de que eventos fu-</p><p>turos renderão mais lucro do que prejuízo. Claramente, se A vende uma parte das</p><p>ações para B a um determinado preço, A está apostando que é mais provável que</p><p>o preço caia e B que é mais provável que ele suba.</p><p>FIGURA 10 – OS ACIONISTAS OTIMISTAS E PESSIMISTAS</p><p>FONTE: <https://stock.adobe.com/lv/search?k=trend%20</p><p>arrow>. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>As diferenças de opinião são o combustível com o qual os mer-</p><p>cados financeiros funcionam. Geralmente, podemos reconhecer duas</p><p>abordagens diferentes para analisar essas apostas. O primeiro é cha-</p><p>mado de confiar nos fundamentos, as perspectivas econômicas subja-</p><p>centes das empresas, cujo patrimônio está sendo negociado. Possuir</p><p>uma parte de uma empresa significa reivindicar os lucros que ela ob-</p><p>terá. Esses lucros podem ser devolvidos aos proprietários diretamente</p><p>na forma de dividendos, distribuições periódicas aos acionistas com</p><p>base em quantas ações eles possuem, ou indiretamente por meio de</p><p>reinvestimento, o que deve aumentar o valor da empresa no futuro.</p><p>Portanto, de acordo com essa linha de pensamento, o preço da ação de uma</p><p>empresa deve refletir a melhor estimativa possível dos ganhos futuros dessa em-</p><p>presa. Muitos analistas privados são empregados por casas de investimento e</p><p>outras organizações para examinar as perspectivas de negócios futuros das em-</p><p>presas listadas nas bolsas de valores, fornecendo informações e análises para</p><p>orientar as estratégias de negociação.</p><p>93</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Uma abordagem diferente se concentra no próprio mercado e, por esse moti-</p><p>vo, foi chamada de técnica. “Ganhar” no mercado de ações significa fazer apostas</p><p>que são justificadas pelo mercado no futuro, ou seja, pensar como todos os ou-</p><p>tros, mas um pouco mais cedo. A partir dessa perspectiva, a estratégia é examinar</p><p>o mercado o mais cuidadosamente possível, procurando padrões em sua história</p><p>recente e dividindo a psicologia de seus participantes mais influentes.</p><p>O objetivo não é prever o desempenho futuro das empresas por um longo</p><p>período de tempo, mas antecipar os movimentos que o mercado fará nos próxi-</p><p>mos dias, horas ou momentos. Com o advento da negociação computadorizada,</p><p>tornou-se possível incorporar algoritmos técnicos complexos em software, para</p><p>que a velocidade da resposta pudesse se tornar maior quase instantaneamente.</p><p>Como uma porcentagem maior de todo o comércio é acionada por programas</p><p>desse tipo, o potencial para eventos súbitos e extremos de mercado pode estar</p><p>aumentando, embora ninguém saiba ao certo (isso surgiu nos últimos anos como o</p><p>problema de “falhas no flash”). Esses dois métodos convergem? Ou seja, os preços</p><p>previstos das ações pela melhor análise fundamental são mais ou menos os mes-</p><p>mos que os previstos pela análise técnica de ponta? Às vezes sim, às vezes não.</p><p>O significado do mundo real de convergência entre perspectivas fundamen-</p><p>tais e técnicas pode ser visto pela comparação de duas dramáticas vendas na</p><p>história recente dos mercados de ações de Nova York.</p><p>O primeiro foi em 1987, em menos de um dia, o Dow Jones Industrial Ave-</p><p>rage, um índice composto por 30 ações líderes, caiu 22,5% – o pior declínio de</p><p>todos os tempos. Nada havia mudado na economia real ou no potencial de lucro</p><p>das empresas sendo negociadas, no entanto, para justificar esse pânico.</p><p>A segunda começou em 2000 e continuou</p><p>por mais de um ano, quando a</p><p>chamada bolha “pontocom” estourou, e centenas de empresas que apostaram</p><p>suas estratégias de negócios na internet viram os preços das ações caírem. Esti-</p><p>ma-se que o patrimônio total dessas empresas tenha caído cerca de oito trilhões</p><p>de dólares durante esse período. Foi uma liquidação severa, mas provavelmente</p><p>justificada, pelo menos em parte, por motivos fundamentais, já que os preços das</p><p>ações haviam subido para níveis astronômicos com base em expectativas irre-</p><p>ais de crescimento futuro dos lucros. Em termos gerais, poderíamos dizer que as</p><p>duas abordagens divergiram em 1987, mas principalmente convergiram no início</p><p>do novo século. Uma segunda maneira de distinguir entre os comerciantes é se</p><p>eles estão no lado de compra ou venda do mercado.</p><p>Aqueles que querem comprar, otimistas sobre as tendências futuras dos pre-</p><p>ços das ações, são chamados de touros. Os que querem vender são chamados</p><p>94</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>de ursos. Um mercado cujos valores das ações estão subindo ao longo do tempo</p><p>é chamado de mercado em alta, uma vez que os touros superam em número</p><p>(ou são mais entusiasmados) que os ursos, o oposto é chamado de mercado em</p><p>baixa. Há muito tempo se observa que a alta e a baixa têm um forte componente</p><p>psicológico. Alguns players proeminentes do mercado são congenitamente um ou</p><p>outro, independentemente do curso dos eventos econômicos.</p><p>Ao mesmo tempo, no entanto, o estoque de ativos produtivos da empresa,</p><p>como terrenos, prédios, patentes e outros, muda mais lentamente. No final, você</p><p>pode perguntar: quanto vale uma empresa, sua avaliação na bolsa de valores ou</p><p>a quantia em dinheiro que custaria para comprar todos os seus ativos, um por</p><p>um? Vale a pena examinar essa questão com mais detalhes.</p><p>Acontece que existem duas maneiras diferentes de medir o valor de um ati-</p><p>vo, como uma peça de equipamento. Você pode descobrir quanto foi gasto para</p><p>comprá-lo no passado, seu valor de compra ou quanto custaria substituí-lo hoje,</p><p>seu valor de reposição. Como os preços estão sempre mudando, raramente são os</p><p>mesmos. É mais fácil para as empresas registrar o valor da compra, pois tudo o que</p><p>elas precisam fazer é acompanhar as transações passadas, mas a melhor medida</p><p>é o valor de reposição, pois o preço de hoje deve determinar o valor de hoje.</p><p>As empresas públicas precisam arquivar informações financeiras regular-</p><p>mente, e um dos tipos de informações que devem divulgar é o valor de substitui-</p><p>ção dos ativos físicos que possuem. Às vezes, isso é chamado de valor contábil</p><p>da empresa. Acredita-se que divulgar esse número, dividido em suas principais</p><p>categorias, ajude a tornar o mercado de ações mais justo e eficiente.</p><p>Mas, como já vimos, os mercados de ações nos fornecem uma maneira di-</p><p>ferente de atribuir valor às empresas, seu patrimônio total (também chamado de</p><p>capitalização) com base no valor de mercado de todas as ações que emitiram.</p><p>Quando o preço das ações de uma empresa aumenta, seu valor total de merca-</p><p>do sobe, independentemente de seu valor contábil ter aumentado, diminuído ou</p><p>se mantido o mesmo. Essa divergência entre o dinheiro amarrado nas ações de</p><p>uma empresa e o valor calculado de reposição de seus bens de capital reflete a</p><p>distinção entre capital financeiro e físico introduzido anteriormente neste capítulo.</p><p>Uma maneira prática de resumir esses dois tipos de valor é o q de Tobin, de-</p><p>finido como a relação entre a avaliação de mercado e o valor total de reposição,</p><p>e nomeado pelo nobelista James Tobin, que introduziu a ideia em 1969. Essa</p><p>proporção deve sempre ser igual ou superior a 1, caso contrário, os acionistas</p><p>poderiam aumentar sua riqueza, ordenando que a empresa fosse liquidada, ven-</p><p>dendo todos os ativos e distribuindo os recursos (às vezes, q fica abaixo de um</p><p>temporariamente, mas esta é uma situação instável).</p><p>95</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>O que é o q de Tobin?</p><p>Assiste em: https://www.youtube.com/watch?v=JCW_tnq1lD0.</p><p>Outra estatística útil, é a relação preço/lucro de uma empresa em particular</p><p>ou de um mercado inteiro. Como vimos acima, de uma perspectiva fundamental,</p><p>uma parte das ações é simplesmente uma reivindicação dos lucros futuros de</p><p>uma empresa. Ninguém sabe o que serão, mas um possível indicador são os lu-</p><p>cros atuais da empresa. A relação preço-lucro (P-L) relaciona o valor total de mer-</p><p>cado da empresa aos seus lucros durante o período mais recente. Se o índice P-L</p><p>for alto, presumivelmente indica que os investidores esperam que a lucratividade</p><p>futura aumente.</p><p>Em alguns casos, como a varejista de internet Amazon, os investidores pa-</p><p>garam preços substanciais das ações, embora os ganhos fossem negativos por</p><p>muitos anos, porque acreditavam no plano de negócios de longo prazo da empre-</p><p>sa. Deve-se notar, no entanto, que a variabilidade dos ganhos para um mercado</p><p>inteiro é muito menor do que a variabilidade de qualquer empresa em particular.</p><p>As empresas flutuam entre anos de lucros espetaculares e perdas dolorosas, mas</p><p>a maior parte disso é cancelada no nível de todo o mercado, onde os índices P-L</p><p>devem normalmente ser mais estáveis.</p><p>Desse modo, o mercado de ações desempenha um papel importante na alo-</p><p>cação de recursos da sociedade. Uma economia tem apenas uma capacidade</p><p>limitada de fazer investimentos e, de alguma forma, é necessário tomar decisões</p><p>para investir em um setor ou tecnologia em vez de outro. O mercado de ações</p><p>ajuda a desempenhar essa função, mas nem sempre da maneira mais visível.</p><p>96</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Uma conexão direta pode ser vista no procedimento conhecido como oferta</p><p>pública inicial (IPO). Isso ocorre quando uma nova empresa se forma ou quando</p><p>uma empresa privada se torna pública. Novas ações são oferecidas aos investi-</p><p>dores e, quanto maior o preço inicial, mais dinheiro flui para a empresa. Parte dis-</p><p>so pode ser destinada a seus ex-proprietários privados, que agora podem sacar,</p><p>deixando menos de sua riqueza amarrada em um ativo, mas o restante vai para a</p><p>própria empresa.</p><p>Esses fundos estão disponíveis para novos investimentos e obter esse aces-</p><p>so ao capital financeiro é um dos principais estímulos para a abertura de capi-</p><p>tal. As empresas que já são negociadas publicamente, às vezes oferecem novas</p><p>ações pelo mesmo motivo. Mesmo assim, a grande maioria das ações negocia-</p><p>das nos mercados financeiros do mundo foi emitida no passado, e o dinheiro pago</p><p>por elas flui de um grupo de investidores para outro. Esse dinheiro não é canaliza-</p><p>do para a compra de novos bens de capital, pelo menos não dessa maneira. Não</p><p>obstante, flutuações nos preços das ações têm efeitos indiretos profundos nas</p><p>decisões de negócios, um tópico ao qual retornaremos em mais detalhes. Por</p><p>enquanto, basta dizer que os gerentes ficam de olho no mercado de ações e se os</p><p>preços das ações caírem, é provável que se preocupem com seus próprios meios</p><p>de subsistência. Assim, os preços altos são vistos como ratificando as decisões</p><p>atuais de investimento e incentivando mais, preços baixos têm o efeito oposto. No</p><p>caso extremo, que está se tornando menos extremo nos últimos anos, um preço</p><p>baixo o suficiente pode levar a empresa a liquidar seus ativos, efetivamente des-</p><p>fazendo todos os seus investimentos.</p><p>Um uso interessante dos dados do mercado financeiro, particularmente de</p><p>informações das bolsas de valores do mundo (todas disponíveis publicamente),</p><p>é a análise de eventos. Isso envolve observar mudanças nos preços das ações</p><p>que correspondem a eventos que podem mudar a lucratividade subjacente das</p><p>empresas envolvidas. Por exemplo, suponha que o governo promova uma lei que</p><p>regula uma indústria específica. Isso pode afetar os lucros nesse setor, positiva</p><p>ou negativamente, dependendo do que a lei especifica (e de quais interesses a</p><p>promovem).</p><p>Para fazer uma análise de evento, você procuraria o momento</p><p>em que o</p><p>regulamento se tornaria “notícia” para as pessoas que negociam nos mercados</p><p>financeiros no dia em que novas informações saem, o que torna provável a apro-</p><p>vação da lei, ou quando o conteúdo da lei é esclarecido, ou algum outro ponto</p><p>decisivo. Lembre-se de que os participantes do mercado de ações negociarão</p><p>com suas expectativas. Portanto, “notícias” são o que muda suas expectativas</p><p>(normalmente, quando um regulamento é assinado em lei, não é mais novidade</p><p>nesse sentido).</p><p>97</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>Quando você identifica o momento da notícia, procura sinais de resposta no</p><p>mercado de ações: o preço das ações da empresa subiu ou desceu? Para quan-</p><p>to? Se você acredita na abordagem fundamentalista da avaliação do preço das</p><p>ações, esse aumento de preço, se ocorrer, deve refletir mudanças na lucrativida-</p><p>de esperada da empresa. De fato, multiplicando os tempos de resposta do núme-</p><p>ro de ações em circulação, você pode ter uma ideia de quão grande é esperado</p><p>um ganho ou perda de lucro resultante das notícias, mas tenha cuidado.</p><p>A análise de eventos é baseada na noção de que uma alteração no preço</p><p>das ações de uma empresa está relacionada a um evento inesperado que os par-</p><p>ticipantes do mercado financeiro descobrem em um determinado momento, mas</p><p>os preços das ações flutuam por todos os tipos de razões. Ao fazer essa análise,</p><p>observe a tendência de preços de longo prazo de estoque para separar um au-</p><p>mento único das tendências de longo prazo.</p><p>Preste atenção ao tamanho da colisão em relação às variações típicas do</p><p>preço das ações: qual a probabilidade de uma colisão assim ocorrer por acaso?</p><p>(Este é um exemplo de separação do “sinal” do “ruído” na análise de dados). Por</p><p>fim, observe o que estava acontecendo com outras empresas não relacionadas</p><p>no mesmo período, por exemplo, rastreando um índice de todo o mercado. Se to-</p><p>das as empresas estivessem experimentando aproximadamente o mesmo impac-</p><p>to, provavelmente não seria devido a um evento que afetou apenas uma delas. A</p><p>análise de eventos é relativamente fácil, os dados estão prontamente disponíveis</p><p>e os resultados podem ser fascinantes</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Por fim, estudamos a importância dos cenários econômicos no que tange pri-</p><p>meiramente os aspectos da estabilização econômica e posteriormente aos seus</p><p>reflexos nos investimentos.</p><p>1 Segundo Gitman (2007), existem dois importantes conceitos que</p><p>auxiliam na análise do Fluxo de Caixa e no planejamento finan-</p><p>ceira da empresa. Assinale a alternativa que traz corretamente</p><p>esses fluxos.</p><p>a) ( ) Fluxo de Caixa Operacional (FCO) e o Fluxo de Caixa Livre</p><p>(FCL).</p><p>b) ( ) Fluxo de Caixa Organizacional (FCO) e o Fluxo de Caixa Livre</p><p>(FCL).</p><p>98</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>c) ( ) Fluxo de Caixa Estratégico (FCE) e o Fluxo de Caixa Fechado</p><p>(FCF).</p><p>d) ( ) Fluxo de Caixa Financeiro (FCF) e o Fluxo de Caixa Fechado</p><p>(FCF).</p><p>e) ( ) Fluxo de Caixa Operacional (FCO) e o Fluxo de Caixa Estacio-</p><p>nário (FCE).</p><p>2 Um empréstimo foi concedido a uma taxa nominal de juros de</p><p>4,20% ao mês, sabendo-se que a taxa real foi 2,98% ao mês.</p><p>Determine a taxa de inflação anual:</p><p>3 Quando a taxa de juros real se torna negativa?</p><p>a) ( ) Quando a inflação é menor do que a taxa aparente.</p><p>b) ( ) Quando a inflação é igual à taxa aparente.</p><p>c) ( ) Nunca.</p><p>d) ( ) Quando o Copom reduz a taxa básica de juros.</p><p>e) ( ) Quando a inflação é maior do que a taxa aparente.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. São Paulo: Atlas, 2003.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Recomendações de</p><p>Basileia. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/</p><p>recomendacoesbasileia. Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>BLATT, A. Avaliação de Risco e Decisão de Crédito: um enfoque prático. São</p><p>Paulo: Nobel,1999.</p><p>CASAGRANDE NETO, H.; SOUSA, L.; ROSSI, M. C. Guia do mercado de</p><p>capitais. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Ed. Nacional, 2006.</p><p>CAVALCANTE, F.; MISUMI, J. Y.; RUDGE, L. F. Mercado de capitais: o que é,</p><p>como funciona. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Campus, 2009.</p><p>CPC. 2022. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/</p><p>Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34. Acesso em: 7 mar. 2022.</p><p>99</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 2</p><p>DEAN, E.; GREEN, M. R. Blasphemy in the classroom: in search of</p><p>microeconomics textbooks for heterodox instructors: A review of: Peter Dorman,</p><p>Microeconomics: A Fresh Start (Springer, Heidelberg and Berlin, Germany, 2014.</p><p>DUARTE JR., A. Gestão de riscos para fundos de investimentos. Rio de</p><p>Janeiro: Pearson/Prentice Hall, 2005.</p><p>DUARTE, G. F. S. O acordo de Basiléia e a emissão de dívida subordinada:</p><p>uma análise das políticas prudenciais sob o enfoque da assimetria informacional.</p><p>2008.</p><p>ELTON, E. J.; GRUBER, M. J.; BROWN, S. J.; GOETZMANN, W. N. Moderna</p><p>Teoria de Carteiras e Análise de Investimentos. São Paulo: Atlas, 2003.</p><p>LIMA, F. G. Análise de Riscos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018.</p><p>SCHRICKEL, W. K. Análise de Crédito: Concessão e Gerência de Empréstimos.</p><p>3. ed. São Paulo: Atlas, 1997.</p><p>SILVA, J. P. Gestão e Análise de Risco de Crédito. 6. ed. São Paulo: Atlas,</p><p>2008.</p><p>100</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Cálculos Financeiros</p><p>Básicos</p><p>A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Aprender teoricamente sobre o mercado mobiliário e de capitais.</p><p>� Compreender as diferentes modalidades de investimentos e seus riscos.</p><p>� Analisar cenário econômico para tomada de decisão.</p><p>� Entender sobre as diferenças entre a bolsa de valores tradicional e o mercado</p><p>de criptomoedas.</p><p>102</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>103</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>O objetivo deste capítulo é capacitá-lo com o conhecimento teórico de valo-</p><p>res mobiliários e mercado de capitais para conhecer os diferentes tipos de inves-</p><p>timentos e seus riscos, por exemplo, entender o que é renda fixa, que são investi-</p><p>mentos que pagam um retorno correspondente a uma taxa de juros específica por</p><p>um período de tempo definido. nesse tipo de investimento, há risco de crédito, já</p><p>a renda variável: envolvem maior risco porque existem riscos associados à renta-</p><p>bilidade incerta.</p><p>Também é possível investir em imóveis para renda de aluguel. Assim, anali-</p><p>sar os cenários econômicos para tomar decisões, são muito importantes. A princi-</p><p>pal diferença entre as bolsas de valores tradicionais e os mercados de criptomo-</p><p>edas. Estudaremos as criptomoedas, que são um sistema de pagamento digital</p><p>que não depende de bancos para confirmar transações. Em vez de dinheiro físi-</p><p>co que é transportado e trocado no mundo real, os pagamentos em criptomoeda</p><p>existem apenas como entradas digitais em um banco de dados on-line que des-</p><p>creve transações específicas.</p><p>De posse dessa informação, podemos pensar em quais fatores fazem o valor</p><p>do dinheiro flutuar ao longo do tempo, como a inflação – ação que faz com que o</p><p>poder de compra do dinheiro mude com o tempo. Em outras palavras, o valor da</p><p>moeda mudará com o tempo. Assim para que possamos pensar em investir o di-</p><p>nheiro temos que lembrar que a preferência natural dos investidores por dinheiro</p><p>é agora e não mais tarde, logo, os investidores podem investir o dinheiro agora</p><p>para aumentar a quantia de dinheiro no futuro.</p><p>2 AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS</p><p>NA BOLSA DE VALORES</p><p>2.1 BOLSA DE VALORES</p><p>As bolsas de valores são locais onde pessoas e empresas podem realizar ne-</p><p>gócios pela Internet. A empresa vende parte do seu negócio (na forma de ações)</p><p>e as partes interessadas podem comprar e vender entre si com fins lucrativos.</p><p>A partir do desenvolvimento da tecnologia, a bolsa de valores passou a re-</p><p>alizar pregões de forma on-line;</p><p>como a tecnologia agora faz parte da vida da</p><p>104</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>maioria dos brasileiros, ao passo que dificilmente se encontra uma pessoa que</p><p>não tenha acesso às inovações tecnológicas que existem hoje, como um celu-</p><p>lar. Portanto, os mercados financeiros e as bolsas de valores precisam aproveitar</p><p>essa onda de mudança e inovação e continuar engajando as partes interessadas.</p><p>Existem ferramentas digitais que facilitam esse monitoramento no dia a dia,</p><p>apresentando o histórico de cotações aos investidores em tempo real por meio de</p><p>gráficos, valores atualizados de ativos, volatilidade de preços, entre outras infor-</p><p>mações, em apenas alguns cliques.</p><p>A bolsa de valores brasileira a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é o nome atual da</p><p>bolsa de valores brasileira. A antemão pode-se dizer que é preciso um longo cami-</p><p>nho para chegar a uma organização que é uma das maiores empresas de capital</p><p>financeiro do mundo.</p><p>Em 1895, foi criada a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, que décadas</p><p>depois passou a ser conhecida como Bovespa. Já nos anos 2000, a agência e a</p><p>Bolsa de Valores do Rio de Janeiro controlavam quase todo o mercado de ações</p><p>brasileiro. No mesmo período, a Bovespa passou a se concentrar em todas as</p><p>operações do mercado de ações no Brasil.</p><p>Paralelamente à Bovespa, outra bolsa brasileira que negocia contratos de</p><p>negociação de commodities, principalmente commodities e derivativos à vista</p><p>para pagamentos futuros, antes era a maior empresa de ações do Brasil chamada</p><p>Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).</p><p>Ibovespa é o índice da bolsa de valores e Bovespa é o</p><p>antigo nome da B3. O termo Bovespa está fora de circulação</p><p>há algum tempo devido a mudanças no formato da bolsa de</p><p>valores brasileira e fusões que estão ocorrendo.</p><p>Em 2017, uma nova empresa se fundiu com a Bolsa de Valores Brasileira. O</p><p>Centro de Custódia e Compensação Financeira (CETIP) foi incorporado à BM&F</p><p>Bovespa, tornando-se a quinta maior trading de ativos financeiros do mundo, com</p><p>capital social estimado em US$ 13 bilhões.</p><p>105</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>2.1.1 O funcionamento da bolsa de</p><p>valores</p><p>As empresas que desejam negociar suas ações na bolsa de valores devem</p><p>abrir o capital e vender suas ações para arrecadar fundos para seus negócios. A</p><p>primeira etapa é chamada de oferta pública inicial ou oferta pública inicial, que é a</p><p>sigla usada para designar o termo oferta pública inicial.</p><p>Isso significa que cresceu e precisa de recursos de terceiros para continuar</p><p>crescendo nos mercados em que atua. O próximo passo após um Initial Public Of-</p><p>fering (Oferta Pública Inicial), IPO é listar a ação no mercado primário, ou seja, ela</p><p>é vendida pela empresa e comprada pelos investidores pela primeira vez. A partir</p><p>daí, são negociados entre os investidores, formando um mercado secundário.</p><p>Um IPO é o processo pelo qual uma empresa se torna pública.</p><p>Dessa forma, a composição do negócio deixa de ser fechada e passa a</p><p>ser aberta. São muitos os motivos que levam uma empresa a fazer sua</p><p>oferta pública de ações. Entre os principais estão o aumento dos poten-</p><p>ciais investidores; aumento do potencial de crescimento dos negócios.</p><p>Atualmente, em nosso país, existem dezenas de empresas que oferecem</p><p>diferentes interesses e algumas peculiaridades. Por isso, quem quer investir na</p><p>bolsa de valores tem várias opções em mãos para escolher além de diversas cor-</p><p>retoras com custos operacionais distintos.</p><p>2.1.2 Transação on-line da B3</p><p>Sim, as negociações correm de forma on-line, esse processo mais técnico</p><p>aumenta muito a flexibilidade de compra e venda de ações e garante que mais</p><p>pessoas tenham acesso a esse mercado.</p><p>As ações podem ser compradas e vendidas através da própria plataforma da</p><p>corretora. No entanto, apesar de on-line, as transações devem ocorrer durante o</p><p>horário de pregão on-line da Bovespa.</p><p>106</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>TABELA 1 – HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DA BOLSA DE VALORES BRASILEIRA</p><p>Horário de funcionamento da bolsa de valores brasileira:</p><p>Horário de cancelamento da oferta: 9h30 às 9h45.</p><p>Antes de abrir: 9h45 às 10h00.</p><p>Negociação: 10h às 17h55.</p><p>Preço de encerramento: das 17h55 às 18h15 ou 18h15, dependendo do mercado.</p><p>Aftermarket: das 17:30 às 18:00.</p><p>FONTE: BM&F e Bovespa (2022)</p><p>Durante esses períodos, os investidores podem comprar e vender ativos,</p><p>como ações, futuros e derivativos. Exemplo de ações negociadas na Bolsa de</p><p>Valores Brasileira:</p><p>TABELA 2 – EXEMPLO DE AÇÕES NEGOCIAS NA BM&F E BOVESPA</p><p>Ação Empresa Setor</p><p>PETR4 Petrobras Petróleo</p><p>ITUB4 Itaú Unibanco Banco</p><p>VALE3 Vale Mineração</p><p>BBDC4 Bradesco Banco</p><p>ABEV3 Ambev Bebidas</p><p>B3SA3 B3 Financeiro</p><p>BBAS3 Banco do Brasil Banco</p><p>LREN3 Lojas Renner Vestuário</p><p>CIEL3 Cielo Financeiro</p><p>GGBR4 Gerdau Siderurgia</p><p>LAME4 Lojas Americanas Varejo</p><p>MGLU3 Magazine Luiza Varejo</p><p>FONTE: O autor (2022)</p><p>Essas ações estão vinculadas a grandes empresas e fazem parte do Iboves-</p><p>pa, principal índice de nossa bolsa de valores. O monitoramento das oscilações do</p><p>Ibov é importante, pois funciona como um termômetro para o mercado brasileiro.</p><p>O Ibovespa é o principal indicador de desempenho das ações</p><p>negociadas na B3, reunindo as mais importantes empresas do mer-</p><p>cado de capitais brasileiro. Foi criada em 1968 e durante esses 50</p><p>anos tornou-se referência para investidores de todo o mundo. O cál-</p><p>107</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>culo é muito simples: cada ponto no Ibovespa corresponde a 1 real.</p><p>Isso significa que se o Ibovespa abrir a semana a 101.241,73 pontos,</p><p>significa que a carteira das principais ações da bolsa está valendo</p><p>atualmente (no momento da cotação) 101.241,73 reais.</p><p>É por isso que quando acontece algo como um escândalo de corrupção, mui-</p><p>tas vezes ouvimos a notícia de que causou a queda do mercado de ações brasi-</p><p>leiro. Foi o Ibovespa que mostrou esse movimento.</p><p>Assim a atribuição da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de qualquer</p><p>outra entidade autônoma é determinada por lei. A leitura atenta da Lei nº 6.385, de</p><p>7 de dezembro de 1976, e das alterações posteriores que criaram a CVM, dá uma</p><p>visão clara da importância de seu papel na criação de um mercado do tamanho e</p><p>complexidade que temos hoje no Brasil. Face ao quadro institucional anterior, as</p><p>responsabilidades que lhe são atribuídas permitem avaliar os desafios que lhe são</p><p>apresentados. De acordo com a legislação, a atribuição da CVM é exercida para:</p><p>1. Estimular a formação de poupança e sua aplicação em va-</p><p>lores mobiliários; 2. Promover a expansão e o funcionamento</p><p>eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplica-</p><p>ções permanentes em ações do capital social de companhias</p><p>abertas sob controle de capitais privados nacionais;</p><p>3. Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados</p><p>de bolsa e de balcão;</p><p>4. Proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores</p><p>do mercado contra: a.) emissões irregulares de valores mobili-</p><p>ários; b.) atos ilegais de administradores e acionistas das com-</p><p>panhias abertas, ou de administradores de carteira de valores</p><p>mobiliários; c.) o uso de informação relevante não divulgada no</p><p>mercado de valores mobiliários.</p><p>5. Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação des-</p><p>tinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou pre-</p><p>ço dos valores mobiliários negociados no mercado;</p><p>6. Assegurar o acesso do público a informações sobre os va-</p><p>lores mobiliários negociados e as companhias que os tenham</p><p>emitido;</p><p>7. Assegurar a observância de práticas comerciais equitativas</p><p>no mercado de valores mobiliários;</p><p>8. Assegurar a observância no mercado, das condições de uti-</p><p>lização de crédito fixadas pelo Conselho Monetário Nacional</p><p>(BRASIL, 1976, on-line).</p><p>108</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>2.1.3 Como investir na Bolsa de Valores</p><p>Brasileira?</p><p>Logo, o primeiro</p><p>passo é abrir uma conta em alguma corretora credenciada</p><p>da BMF & Bovespa, depois; transferir o dinheiro para corretora, na plataforma</p><p>da corretora escolher os investimentos, confirmar a aplicação e acompanhar os</p><p>resultados.</p><p>Entretanto antes de investir um aspecto importante a se considerar é o perfil</p><p>do investidor e definir o objetivo do investimento, esses fatores juntos são funda-</p><p>mentais para definir uma boa estratégia na bolsa de valores.</p><p>Na Figura 1, “5 Passos para investir”, estão descritos os passos de como</p><p>investir na bolsa de valores.</p><p>FIGURA 1 – 5 PASSOS PARA INVESTIR</p><p>FONTE: Toro Investimentos (2022, on-line)</p><p>Nesse sentido, essa os próximos tópicos têm o objetivo mostrar como definir</p><p>um objetivo de um investimento, a partir do perfil do investidor são importantes</p><p>quando se pensa em investimos! Além apresentar ao estudante outros aspectos</p><p>como custos de oportunidade, rentabilidade e avaliar uma ação.</p><p>109</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>2.2 CUSTO DE OPORTUNIDADE E</p><p>RENTABILIDADE</p><p>Para um investidor, o importante é que o investimento seja rentável. Essa</p><p>rentabilidade em outras palavras, é a capacidade do investimento em gerar renda.</p><p>Esse ganho geralmente é expresso como uma porcentagem do valor monetário</p><p>investido.</p><p>Entretanto, outro aspecto fundamental de qualquer investimento é, o custo</p><p>de oportunidade, esse é um fator não monetário e é o responsável por determinar</p><p>quais são as melhores opções em um determinado momento, fornecendo o “Nor-</p><p>te” para o investimento.</p><p>Por exemplo, se um indivíduo guarda dinheiro em uma caderneta de poupan-</p><p>ça e descobre que um investimento é mais lucrativo que a poupança, esse custo</p><p>é um benefício adicional que o investidor deveria ter recebido se tivesse investido</p><p>no investimento mais lucrativo. Logo, saber calcular a rentabilidade de um investi-</p><p>mento é importante para poder escolher o mais rentável.</p><p>Mas o que é rentabilidade? simplesmente, rentabilidade é o ganho monetário</p><p>do capital “X” durante um período de tempo. Por exemplo, se uma pessoa come-</p><p>ça seu próprio negócio e tem uma certa quantia de dinheiro, ela espera obter os</p><p>lucros da empresa no futuro, certo? Nos mercados financeiros, verifica-se mesmo</p><p>uma situação algo semelhante à anterior. A diferença é que, em vez de criar uma</p><p>instituição com determinado valor, um indivíduo utiliza esse valor para depositá-lo</p><p>em uma aplicação financeira.</p><p>A escolha dos investimentos financeiros mais rentáveis é influenciada por</p><p>muitos fatores, como o capital disponível para investimento, o momento da aloca-</p><p>ção de recursos, impostos, liquidez, os riscos envolvidos. De antemão, é impor-</p><p>tante saber que no mundo dos investimentos, rentabilidade e risco caminham na</p><p>mesma direção. Portanto, quanto maior a chance de perda, maior o potencial de</p><p>lucro e, inversamente, quanto menor o risco, menor a recompensa.</p><p>Assim como os empreendedores, porém, os investidores esperam retornos</p><p>financeiros positivos ao longo do tempo. Apesar desse desejo, pode haver retor-</p><p>nos positivos ou negativos em ambos os casos. É verdade que no mercado finan-</p><p>ceiro, um investidor pode encontrar formas de diminuir o risco e obter renda fixa,</p><p>afinal, isso se chama “renda fixa”, conforme abordado no Capitulo 1.</p><p>Alguns exemplos de fundos de renda fixa de acordo com Siqueira (2017):</p><p>• Fundos de Renda Fixa Curto Prazo: os fundos de curto prazo são fundos</p><p>110</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>de renda fixa que investem em títulos com prazo máximo de 375 dias</p><p>e prazo médio de 60 dias. Em suma, seu principal objetivo é reproduzir</p><p>mudanças nas taxas de juros e taxas flutuantes.</p><p>• Fundos Renda Fixa Referenciado: nesses fundos, quanto à composição</p><p>de suas carteiras, pelo menos 95% dos ativos possuem o mesmo índice,</p><p>sendo 80% dos ativos em títulos públicos e privados de baixo risco, ca-</p><p>racterística de todos os ativos em renda fixa fundos.</p><p>• Fundos Renda Fixa Simples: como o nome sugere, os Fundos de Renda</p><p>Fixa Simples foram criados para dar às pessoas acesso a opções de</p><p>investimento simples, seguras e baratas. A principal característica dessa</p><p>carteira é que ela deve investir pelo menos 95% de seu patrimônio em</p><p>títulos públicos federais.</p><p>• Fundos Renda Fixa Dívida Externa: um fundo de dívida externa é um</p><p>fundo de renda fixa que normalmente investe pelo menos 80% de seu PL</p><p>(ativo líquido) em ativos de renda fixa emitidos no exterior. Basicamente,</p><p>esses ativos são títulos de dívida emitidos pelo governo federal e nego-</p><p>ciados em mercados internacionais.</p><p>Ao passo que como o “potencial de ganhos” envolve um pouco de incerte-</p><p>za, geralmente “um pássaro na mão é melhor do que dois na natureza”, certo?</p><p>Porém, dentro da categoria de investimento de renda fixa, existem investimentos</p><p>financeiros mais lucrativos em comparação com outros investimentos igualmente</p><p>seguros, mas de baixo retorno.</p><p>Antes de analisarmos os tipos de investimentos e riscos envolvidos, vamos</p><p>abordar como um investidor calcula a rentabilidade de um investimento.</p><p>2.3 COMO CALCULAR O ROI?</p><p>Para os investidores, o ROI (Return on Investment) ajuda a entender quanto</p><p>retorno um investimento pode trazer. Além disso, se uma empresa possui projetos</p><p>de expansão e/ou projetos de substituição, geralmente são divulgados custos e</p><p>benefícios esperados. Dessa forma, as informações são usadas para entender as</p><p>expectativas de valorização.</p><p>Com o ROI, também é possível analisar como os investimentos que serão</p><p>feitos contribuirão para os resultados desejados. Portanto, se houver um objetivo</p><p>específico, o ROI pode ser usado para verificar se o investimento é viável.</p><p>Outro ponto interessante, ainda falando de metas, é que o ROI permite definir</p><p>metas uma tanta realista. Ao calcular essa métrica, os investidores poderão real-</p><p>mente entender quanto podem ganhar investindo. Além disso, o ROI pode fornecer</p><p>mais objetividade para a tomada de decisões. Assim, fazer uma análise melhor e</p><p>111</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>pode usar fatores numéricos na hora de escolher uma empresa específica. A situ-</p><p>ação ideal é usar vários indicadores ao mesmo tempo como base para a seleção.</p><p>Assim a formula básica do ROI é = (Receita gerada - Valor investido) / Valor</p><p>investido. Para exibir o ROI em porcentagem, basta multiplicar esse resultado por</p><p>100. Vale lembrar que, normalmente, o ROI é dado em porcentagem, embora um</p><p>investidor também possa ouvir o aplicativo produzir um número real “Y” (Assaf</p><p>Neto, 2003).</p><p>Exemplo: Suponha um investimento de R$ 50.000 com retorno de R$ 70.000.</p><p>Então, temos o cálculo do ROI: (70.000 – 50.000) / 50.000. O ROI deste investi-</p><p>mento é de 0,4.</p><p>2.3.1 Exemplo de Cálculo de</p><p>Rentabilidade em Investimento em</p><p>Renda Fixa</p><p>Os investimentos financeiros em renda fixa funcionam como empréstimos,</p><p>a diferença entre eles é quem será o “destinatário do dinheiro”, que pode ser um</p><p>banco, governo ou até mesmo uma empresa. Independentemente do investimen-</p><p>to, existem vários fatores que afetam o retorno final para a pessoa que “pega” o</p><p>dinheiro. Vejamos um exemplo de como a rentabilidade pode ser calculada usan-</p><p>do um aplicativo de certificado de depósito (CDB) amplamente comercializado no</p><p>mercado financeiro.</p><p>Antes disso, a taxa de juros desse investimento pode ser fixa (conhecida no</p><p>momento da assinatura), flutuante (com base no desempenho do índice de refe-</p><p>rência) ou híbrida (quando os dois primeiros tipos são combinados).</p><p>No caso do CDB flutuante, o indicador de referência mais comum é o Certifi-</p><p>cado de Depósito Interbancário (CDI), que possui taxa de juros muito semelhante</p><p>à Selic, que representa a taxa básica da economia. Portanto, é comum observar</p><p>que um determinado CDB produz uma porcentagem tão grande de CDI.</p><p>Outro fator interessante de conhecimento é a Taxa-DI, que é</p><p>uma das taxas de juros cobradas em empréstimos entre instituições</p><p>financeiras. É derivado do</p><p>chamado certificado de depósito interban-</p><p>112</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>cário ou interbancário (CDI) praticado entre instituições bancárias, já</p><p>o CETIP significa Centro de Custódia de Ativos e Compensação Fi-</p><p>nanceira e é o principal responsável pela integração dos mercados</p><p>financeiros.</p><p>Um exemplo de cálculo de rentabilidade, vamos supor o seguinte: Investir R$</p><p>1.000,00 em CDB por um período de dois anos, rendendo 110% do CDI. Neste</p><p>caso, assume-se que o CDI (Interbank Offered Rate) é de 6,90% ao ano. Nesse</p><p>caso, vale lembrar que após 720 dias do depósito, o investidor pagará a alíquota</p><p>mínima de retenção na fonte de 15% dos lucros.</p><p>Portanto, tem-se o seguinte cálculo de lucro bruto:</p><p>R$ 1000,00 x (1,1 x 0,069) x 2 = R$ 151,80.</p><p>Observe que neste exemplo, usa-se a forma decimal do número em vez de</p><p>uma porcentagem, afinal 110% é a mesma coisa que dividir 110 por 100, que é</p><p>1,1. O mesmo raciocínio se aplica a 6,90%.</p><p>A fórmula pode ser descrita como:</p><p>Investimento de capital x taxa de juros x tempo = retorno total. A taxa e tempo</p><p>devem ter a mesma unidade, como meses ou anos (ASSAF NETO, 2003).</p><p>Agora, do lucro bruto de 151,80 reais, precisamos extrair 15% do IR (Imposto</p><p>de renda). Então multiplicamos 151,80 reais por 0,15 e a dedução desse imposto</p><p>é de 22,77 reais. Por fim, ao retirarmos o imposto de renda do retorno total, obte-</p><p>mos um ganho líquido de 129,03 reais.</p><p>Investimento 1000,00</p><p>Lucro + 151,80</p><p>Imposto Renda (15%) - 22,77</p><p>Lucro Liquido 129,03</p><p>Recebe 1129,03</p><p>Resumo da operação:</p><p>Portanto, após o resgate, o investidor receberá 1.129,03 reais. Por fim, para</p><p>encontrar o retorno líquido, basta dividir esse valor pelo capital inicial (1000 reais),</p><p>multiplicar por 100 e subtrair 100. Nesse caso, o ROI para dois anos é de 12,90%,</p><p>o que representa uma média de 6,45% ao ano.</p><p>113</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>2.4 RENTABILIDADE DOS</p><p>INVESTIMENTOS</p><p>Agora que o investidor já sabe calcular a rentabilidade, precisa simular as</p><p>condições de cada investimento para encontrar o investimento financeiro mais</p><p>rentável. O investidor deve ter em mente que, sob certas circunstâncias, seu re-</p><p>torno líquido sobre o investimento pode aumentar. Por exemplo, se o investidor</p><p>expandir seus recursos alocados, as taxas de juros tendem a ser mais altas e os</p><p>impostos mais baixos (QUINTELLA, 2011).</p><p>Além disso, ao comparar aplicações, vale a pena escolher aqueles que ofe-</p><p>recem maiores benefícios do que a inflação. No exemplo anterior, quando deduzi-</p><p>mos a inflação do lucro líquido, obtemos o lucro real.</p><p>Observe também que o retorno de cada investimento deve ser analisado em</p><p>função dos riscos envolvidos. Portanto, é justo comparar as cadernetas de pou-</p><p>pança com CDB ao invés de ações corporativas, pois fazem parte de realidades</p><p>completamente diferentes, uma com renda fixa e outra com renda variável.</p><p>2.5 PERFIS DE INVESTIDORES</p><p>O Perfil de Investidor ao investir é importante entender as características dos</p><p>investimentos disponíveis para que as opções sejam as melhores para todos. É</p><p>por isso que é importante lembrar que as pessoas são diferentes. O mesmo vale</p><p>para quem está investindo. Os investidores podem ser divididos em três tipos dife-</p><p>rentes de acordo com seu apetite de risco, preferência de liquidez e expectativas</p><p>de lucro. A combinação dessas características determina o perfil do investidor,</p><p>podendo ser conservador, moderado ou ousado (agressivo). De acordo com Ra-</p><p>mos (2011), os perfis de investidores são essenciais para um investidor investir de</p><p>forma consciente e alinhada aos seus objetivos.</p><p>Conservador: isso é para investidores que priorizam segurança e alta li-</p><p>quidez (rapidez de transformar investimentos em caixa nas contas). Não suporta</p><p>oscilação e, portanto, abre mão de alta lucratividade. Como tal, ele gosta de ob-</p><p>ter retornos previsíveis e gerenciáveis. Como resultado, os conservadores nor-</p><p>malmente concentram sua riqueza em investimentos de renda fixa. Um investidor</p><p>pode até dividir renda variável, mas geralmente muito pouco.</p><p>Moderado: gosta da segurança da renda fixa, mas pode assumir mais riscos</p><p>de ações em busca de maior lucratividade. Não aceita riscos significativos como</p><p>114</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>a BM&F Bovespa. Já os moderados utilizam uma parcela maior da renda variável</p><p>para diversificar seus portfólios. Ele pode fazer isso com fundos multimercados ou</p><p>imobiliários de bom desempenho. É um investimento pode até superar as expec-</p><p>tativas, mas ainda não lida bem com as mudanças negativas.</p><p>Arrojado: o investidor que quer ganhar o máximo de dinheiro possível em</p><p>cima do patrimônio. Ele escolhe os fundos de investimento mais agressivos e vo-</p><p>láteis, como ações ou câmbio. Além disso, pode operar em mercados de ações ou</p><p>derivativos (mercados de futuros e opções). Os mais agressivos ainda são aque-</p><p>les que fazem day trade com alavancagem nesses mercados (usando fundos em-</p><p>prestados para comprar títulos e vendê-los no mesmo dia).</p><p>Assim, o perfil do investidor junto aos seus objetivos define qual o melhor in-</p><p>vestimento, em renda fixa ou renda variável, em outras palavras, comparar renda</p><p>variável (agressiva) e renda fixa (conservadora) é como comparar um carro de</p><p>Fórmula 1 com um carro familiar. Uma delas é ser competitivo e rápido. Ele tem</p><p>que fazer o seu melhor para estar à frente de todos. Para conseguir isso, é neces-</p><p>sário acelerar, acelerar o motor e realizar manobras perigosas por sua vez.</p><p>O outro está seguro e pode acertar o alvo sem incidentes. O maior problema</p><p>é que o investidor quer resultados na Fórmula 1 e a segurança do seu carro fa-</p><p>miliar. Infelizmente, isso é o que acontece todos os dias no mercado. As pessoas</p><p>querem lucros garantidos a curto prazo. E isso não existe. Por isso, conheça o</p><p>seu perfil de investidor e atenha-se a ele para evitar situações desconfortáveis.</p><p>2.5.1 Os três investimentos financeiros</p><p>mais seguros</p><p>Depois de entender o perfil de investidor e determinar os objetivos e hori-</p><p>zonte de tempo, o investidor poderá entender os tipos e tipos de investimentos</p><p>disponíveis no mercado e examinar o tipo de investimento que melhor se adapta</p><p>às suas necessidades.</p><p>Quanto maior o risco, maior a probabilidade de o investidor sofrer perdas</p><p>e, dependendo do investimento, podemos ganhar ou perder uma quantia peque-</p><p>na ou substancial. É importante saber que existe o Fundo Garantidor de Crédito</p><p>(FGC), conforme mencionado no Capitulo 1, o qual é a instituição privada que</p><p>protege os depositantes e investidores, ajudando, assim, a manter a estabilidade</p><p>do SFN. Em caso de intervenção institucional ou compensação extrajudicial, o</p><p>FGC oferece garantias de crédito a clientes de instituições financeiras associadas</p><p>115</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>aos fundos. O FGC garante depósitos de poupança e produtos financeiros como</p><p>CDBs (Certificados de Depósito) de até R$ 250 mil.</p><p>Existem muitos tipos de investimentos. Cada um tem suas características es-</p><p>pecíficas. Alguns são mais rentáveis, alguns são mais seguros. No entanto, nem</p><p>todos eles lhe darão tranquilidade, lucro e segurança.</p><p>Portanto, o investidor deve pelo menos conhecer os melhores tipos de inves-</p><p>timentos financeiros e suas categorias. Só assim poderá aplicar seus recursos de</p><p>forma consciente e controlar seus riscos, maximizando seus lucros.</p><p>Conforme já abordado o primeiro passo para entender um investimento é</p><p>entender o perfil do investidor seja o perfil: conservador, moderado ou arrojado.</p><p>assim como a personalidade de cada indivíduo os torna indivíduos únicos, cada</p><p>investimento tem seu próprio comportamento específico. Compreender esses pa-</p><p>drões pode evitar tensões como perda de capital.</p><p>Os investimentos mais seguros e conservadores são os investimentos de</p><p>tenda fixa. Na renda fixa, existem dois tipos de investimentos: taxa</p><p>fixa e taxa</p><p>flutuante. As obrigações de taxa fixa têm uma taxa de retorno fixa. Ou seja, quan-</p><p>do o investidor investe, já sabe exatamente quanto vai receber. Os sufixos têm</p><p>alguma conexão com índices. Normalmente, está atrelado ao CDI, Selic ou IPCA</p><p>(inflação).</p><p>Os títulos de renda fixa mais populares são: Letras do Tesouro Direto; CDB</p><p>(Certificado de Depósito em Banco); LCI e LCA (Carta de Crédito Livre de Impos-</p><p>tos); LC (Draft of Exchange) e Fundos de Renda Fixa. Todos esses investimen-</p><p>tos são títulos emitidos por entidades como governos (Treasury Direct), bancos</p><p>(CDBs, LCIs e LCAs) ou instituições financeiras (LCs) (KÜLZER, 2020).</p><p>Assim, quando um investidor compra um desses ativos, ele está empres-</p><p>tando dinheiro paras as organizações seja (governos (Treasury Direct), bancos</p><p>(CDBs, LCIs e LCAs) ou instituições financeiras (LCs), e o lucro é como se o in-</p><p>vestidor tivesse recebendo juros por ter emprestado o capital.</p><p>Esses, títulos como CDB, LCI e LCA são protegidos pelo FGC até R$ 250.000</p><p>por emissor. Essa é uma forma de garantir que o capital e os lucros sejam recebi-</p><p>dos mesmo que a instituição feche suas portas. Então, se um investidor busca o</p><p>melhor investimento sem risco, escolha uma dessas opções.</p><p>Mesmo dentro da renda fixa, existem certos tipos de investimentos que são</p><p>mais arriscados. Isso não significa que eles sejam instáveis, mas são menos ga-</p><p>rantidos do que outros, a seguir serão apresentados alguns investimentos em ren-</p><p>da fixa, conforme Viera e Oliveira (2020).</p><p>116</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Tesouro Direto: tesouro Direto é a nova poupança. É tão seguro, mas mais</p><p>lucrativo. Na verdade, o Tesouro Direto não é um investimento em si, mas uma</p><p>plataforma de depósito de títulos públicos.</p><p>Tesouro Selic: a tesouraria do IPCA e a tesouraria prefixada. Emitido pelo</p><p>governo. É por isso que eles são tão seguros. Porém, se um investidor não quer</p><p>correr o risco de precisar de dinheiro e não conseguir resgatá-lo sem prejuízo, o</p><p>melhor tipo para um investidor é a Tesouro Selic. Gera cerca de 100% do CDI e</p><p>pode ser resgatado a qualquer momento sem nenhum dano.</p><p>O CDB: Certificado de Depósito em Banco é outro título de renda fixa muito</p><p>popular. É emitido pelo banco e é muito seguro. Como Tesouros, existem muitos</p><p>tipos de títulos. Alguns ativos possuem liquidez diária, indexados ao CDI, indexa-</p><p>dos ao IPCA ou mesmo prefixados.</p><p>LCI e LCA: Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito do Agronegócio</p><p>são investimentos significativos em renda fixa. Eles são muito seguros e também</p><p>garantidos pelo FGC. A maior diferença entre eles é que eles são isentos de im-</p><p>postos. Mesmo assim, outros investimentos tributáveis de renda fixa podem gerar</p><p>retornos mais elevados. Por isso, sempre simule seu investimento e calcule todas</p><p>as taxas para encontrar a melhor opção.</p><p>No entanto, esses ativos têm um lado negativo: geralmente são títulos que</p><p>vencem em 180 dias e seu investimento inicial costuma ser um pouco maior.</p><p>Como vimos, existem diferentes tipos de investimentos. Mas alguns são mais ar-</p><p>riscados do que outros. e nenhum problema com eles. Está em sua natureza ser</p><p>abalado. Esses investimentos são projetados para obter maiores retornos de lon-</p><p>go prazo. Entenda que todo investimento tem um comportamento e um objetivo.</p><p>2.5.2 Investimentos de Renda Variável</p><p>Diferentemente da renda fixa, nas quais os retornos podem ser estimados, a</p><p>renda variável inclui investimentos que oscilam de forma imprevisível e são determi-</p><p>nados por diversos fatores de difícil controle. Desta forma, o investimento pode ter</p><p>um bom desempenho e até perder dinheiro. No entanto, esses ativos também são</p><p>mais propensos a oferecer retornos mais altos do que a renda fixa porque são mais</p><p>arriscados. Essa é a lei do mercado. Quanto maior a chance de lucro, maior a chan-</p><p>ce de perda. Ao escolher um investimento, é necessário equilibrar esses fatores.</p><p>Os investimentos mais populares neste segmento, segundo Silva e Almeida (2019).</p><p>117</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>• Fundos multimercados (renda fixa e mista)</p><p>• Fundo Imobiliário (para desenvolvimento imobiliário)</p><p>• Fundos de ações (para acompanhamento de índices como o Ibovespa)</p><p>• COE (Certificado de Operações Estruturadas)</p><p>• O mercado de ações (comprar e vender títulos ou lucrar com dividendos)</p><p>• Mercado de Opções (Índice ou USD)</p><p>Um dos fatores que mais influenciam esses investimentos é a lei da oferta</p><p>e demanda. Quando um investimento é muito procurado (comprado), seu valor</p><p>aumenta. Quando a demanda é maior que a demanda, ela cai.</p><p>Os lucros estão na identificação de títulos subvalorizados para comprar e</p><p>esperar que eles se valorizem. Para encontrar o preço médio, os traders usam</p><p>análises gráficas e/ou fundamentais. Além disso, assim como os investidores são</p><p>divididos em três níveis de tomada de risco, os investimentos também são. Por-</p><p>tanto, preste muita atenção aos tipos de ações que o investidor deseja adicionar</p><p>ao seu portfólio, devendo corresponder ao seu perfil.</p><p>Segundo Alves (2020), a análise gráfica é um método de avaliação de ações</p><p>em que as mudanças no preço de um ativo são estudadas em forma de gráfico</p><p>com o objetivo de detectar tendências e prever possíveis quedas ou aumentos</p><p>nas cotações. Já a análise fundamentalista baseia-se na utilização de dados eco-</p><p>nômicos, indicadores do mercado financeiro, balanços e desempenho das empre-</p><p>sas, além de metodologia própria para identificar perspectivas e oportunidades de</p><p>mercado.</p><p>2.6 POUPANÇA E INVESTIMENTO</p><p>Ao economizar, uma pessoa pode acumular valor financeiro hoje para uso fu-</p><p>turo. O valor que economiza hoje e investe por um ano, dois ou mais pode ter um</p><p>grande impacto na qualidade de vida dos poupadores no futuro. Então, existem</p><p>vários motivos para economizar: preparar-se para o inesperado, preparar-se para</p><p>a aposentadoria, realizar um sonho etc.</p><p>Segundo a LEI Nº 12.703, DE 7 DE AGOSTO DE 2012. No Art.</p><p>2º O saldo dos depósitos de poupança efetuados até a data de</p><p>entrada em vigor da Medida Provisória n º 567, de 3 de maio</p><p>de 2012, será remunerado, em cada período de rendimento,</p><p>pela Taxa Referencial - TR, relativa à data de seu aniversário,</p><p>acrescida de juros de 0,5% (cinco décimos por cento) ao mês,</p><p>observado o disposto nos §§ 1º, 2º, 3º e 4º do art. 12 da Lei nº</p><p>8.177, de 1o de março de 1991.” (BRASIL, 2021, on-line).</p><p>118</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>A poupança é a diferença entre receitas e despesas, ou seja, a diferença entre</p><p>tudo o que se ganha e tudo o que gasta, e investimento? Um investimento é a apli-</p><p>cação dos recursos que se economiza e se espera um retorno. Um investidor sabe</p><p>a diferença entre uma conta poupança e uma conta poupança? A poupança é um</p><p>excedente financeiro que deve ser investido em algum tipo de investimento para ser</p><p>recompensado. Uma conta poupança ou conta poupança é um investimento.</p><p>2.6.1 Composição do investimento</p><p>Segundo Correia et al. (2008), um investidor deve entender as três caracte-</p><p>rísticas de um investimento: liquidez, risco (em oposição à segurança) e lucrativi-</p><p>dade.</p><p>Liquidez: refere-se à capacidade de um projeto ou investimento ser liquida-</p><p>do a um preço justo a qualquer momento. Por exemplo, o ativo mais líquido é a</p><p>própria moeda. Os recursos aplicados em contas de renda fixa e poupança são</p><p>resgatáveis instantaneamente e são considerados produtos de alta liquidez. Por</p><p>exemplo, uma propriedade pode levar muito tempo para ser vendida e, portanto, é</p><p>considerada um investimento ilíquido.</p><p>Risco: é a probabilidade de perda. Quanto maior o risco, maior a probabilida-</p><p>de de o investidor sofrer perdas. Dependendo do investimento, podemos ganhar</p><p>ou perder pequenos ou grandes. Exemplos de investimentos de baixo risco são</p><p>contas de poupança e letras do Tesouro definitivas, desde que um investidor pos-</p><p>sua os títulos e os retire no vencimento, enquanto as ações são</p><p>consideradas</p><p>investimentos de alto risco.</p><p>Rentabilidade: é o retorno, é o retorno do investimento. Quando fazemos in-</p><p>vestimentos, nossas expectativas de rentabilidade podem ou não se concretizar.</p><p>Em geral, quanto maior o retorno prometido, maior o risco de perder o valor in-</p><p>vestido. Ou seja, o que ganhamos em segurança, perdemos em rentabilidade e</p><p>vice-versa. Portanto, compare a rentabilidade prometida com a média do mercado</p><p>antes de escolher, e desconfie de promessas muito boas.</p><p>2.7 DICAS GERAIS SOBRE</p><p>INVESTIMENTOS</p><p>Escolher a Instituição: ao escolher uma ou outra instituição para administrar</p><p>nossos investimentos, nos preocupamos não apenas com as taxas de adminis-</p><p>119</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>tração cobradas, mas também com a solidez (segurança) da instituição. O inves-</p><p>tidor pode verificar se o fundo de investimento está autorizado pela CVM (veja em:</p><p><http://www.cvm. gov.br>), caso o investidor opere instituição financeira autorizada</p><p>pelo BCB a operar (veja em: <http://www.bcb.gov.br>). Além disso, pode também</p><p>buscar informações de profissionais conceituados e familiarizados com o mercado.</p><p>Para isso, alguns passos antes de investir, segundo o Portal do Investidor (2020):</p><p>• Verifique o registro da empresa a qual se vai investir na CVM.</p><p>• Leia atentamente o regulamento e/ou prospecto para taxas como taxas</p><p>de administração, taxas de custódia, taxas de performance etc.</p><p>• Compreender a estratégia do gestor e a tomada de riscos, medidas pre-</p><p>ventivas.</p><p>• Como diretriz, o Portal do Investidor da CVM recomenda que investi-</p><p>mentos como caderneta de poupança, títulos públicos e fundos de curto</p><p>prazo sejam mais adequados para investidores conservadores. No outro</p><p>extremo, os fundos de hedge são um exemplo de investimento mais ade-</p><p>quado para investidores ousados, porque eles têm muita latitude e maior</p><p>exposição de portfólio em sua busca por maior lucratividade.</p><p>• No entanto, determinados investimentos, como fundos de câmbio, fun-</p><p>dos de renda fixa, ações e títulos, podem ser considerados modestos</p><p>ou audaciosos, dependendo de fatores como a política de investimento</p><p>contida na regulamentação e o risco do emissor do título.</p><p>O investidor deve lembrar que seus investimentos são projetados para finan-</p><p>ciar seus planos futuros, sejam eles de curto ou longo prazo, então pode precisar</p><p>alterar seus investimentos dependendo de seus planos revisados ou contexto (po-</p><p>lítico, econômico etc.).</p><p>Saber o que será feito com o dinheiro? Mensalidade universitária? comprar</p><p>um carro? Comprar uma própria casa? Saber como o investidor pretende usar os</p><p>recursos no futuro é um passo importante na escolha do tipo de investimento.</p><p>Uma vez que tenha uma meta definida, é mais fácil saber quanto tempo pre-</p><p>cisará, ou seja, até que as necessidades de liquidez. Se o objetivo é comprar uma</p><p>casa e o investidor está apenas começando a acumular economias, pode levar al-</p><p>guns anos para economizar. Por outro lado, se o seu objetivo é viajar dentro de</p><p>seis meses, o investidor precisa de investimentos mais líquidos e pode não tolerar</p><p>investimentos de alta volatilidade (alto risco) que possam prejudicar seus objetivos.</p><p>Portanto, para ter certeza de que os objetivos estão realmente sendo alcan-</p><p>çados, o investidor deve sempre monitorar o desempenho de sua aplicação, se</p><p>manter informado e reavalie suas decisões de investimento de tempos em tempos</p><p>para ver se elas se encaixam em seu plano seu entorno. Uma boa dica é alocar</p><p>120</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>seus investimentos em investimentos com características diferentes (por exem-</p><p>plo, imóveis, renda fixa e renda variável) para minimizar riscos e maximizar a ren-</p><p>tabilidade do portfólio.</p><p>Outro tipo importante de investimento é o investimento em criptomoedas.</p><p>Também podem ser usados vários conceitos aprendidos nessa unidade. Entretan-</p><p>to as criptomoedas são instrumentos de especulação financeira recente e serão</p><p>abordados na próxima unidade.</p><p>3 INTRODUÇÃO A CRIPTOMOEDAS</p><p>A história do Bitcoin (BTC) é cheia de mistérios. A primeira criptomoeda do</p><p>mundo foi lançada há 13 anos, mas ninguém sabe quem está por trás do projeto.</p><p>Há dúvidas, mas ninguém foi capaz de resolver o mistério.</p><p>Este capítulo busca trazer compreensão sobre a origem do Bitcoin: contar</p><p>como, por quê e quando aconteceu; abordar segurança, mineração e marketing,</p><p>além de explora como as criptomoedas diferem de outras moedas digitais no mer-</p><p>cado, especialmente aquelas introduzidas pelos bancos centrais moeda digital e</p><p>por fim discutir aspectos fundamentais das carteiras de moedas.</p><p>3.1 O QUE É BITCOIN</p><p>Bitcoin é uma forma de dinheiro eletrônico ponto a ponto que pode ser trans-</p><p>ferido sem a intermediação de uma instituição financeira. Na prática, isso significa</p><p>que duas pessoas, mesmo morando em países diferentes, podem enviar BTC</p><p>uma para a outra sem a necessidade de um banco ou empresa internacional de</p><p>transferência de dinheiro.</p><p>As transações são confirmadas no blockchain, um enorme banco de dados</p><p>de todas as transações do usuário. A tecnologia nasceu com o Bitcoin, e a forma</p><p>como funciona é que os próprios participantes são auditores da rede.</p><p>Blockchain.com é uma empresa de serviços financeiros de crip-</p><p>tomoeda. A empresa começou como o primeiro explorador de block-</p><p>chain de Bitcoin em 2011 e mais tarde criou uma carteira de cripto-</p><p>121</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>moeda que representou 28% das transações de bitcoin entre 2012 e</p><p>2020 Data de lançamento: 30 de agosto de 2011. Criado por: Nicolas</p><p>Cary, Peter Smith, KSI, Ben Reeves, de acordo com a FoxBit (2022).</p><p>Enviar bitcoins de um país para outro geralmente é mais barato e mais rápido</p><p>do que transferir moeda fiduciária, pois não há terceiros envolvidos.</p><p>O Bitcoin é digital, descentralizado e não controlado por governos, empresas</p><p>ou indivíduos. Portanto, nenhuma casa da moeda precisa imprimi-lo e nenhum</p><p>banco central tem o poder de controlar seu preço. Seu valor depende principal-</p><p>mente da lei da oferta e da demanda. Quando o Bitcoin apareceu – o Bitcoin</p><p>apareceu em 31 de outubro de 2008. Naquele dia, o criador (ou criadores) da crip-</p><p>tomoeda, escondido sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, enviou um e-mail</p><p>para qualquer pessoa interessada em criptografia. No texto da mensagem, ele</p><p>escreveu que estava “desenvolvendo um novo sistema de dinheiro eletrônico to-</p><p>talmente ponto a ponto, sem terceiros confiáveis”.</p><p>Ele também inseriu um link em inglês para um white paper (manual) sobre</p><p>criptomoedas. No documento de nove páginas, Satoshi Nakamoto descreveu bre-</p><p>vemente os fundamentos do Bitcoin com base em quatro pontos principais:</p><p>É uma rede peer-to-peer que evita gastos duplos (a mesma moeda pode ser</p><p>enviada várias vezes); elimina a necessidade de intermediários como bancos;</p><p>permite que os participantes permaneçam anônimos; e usa prova de trabalho (um</p><p>algoritmo) para gerar bitcoin (com para o processo de escavação) e evitar esse</p><p>custo duplo.</p><p>No manual, Satoshi Nakamoto também estipulou que o fornecimento de BTC</p><p>é limitado. Em 2140, apenas um total de 21 milhões de unidades podem ser mine-</p><p>radas (fabricadas), tornando-as escassas. Em outubro de 2021, 18,8 milhões de</p><p>bitcoins foram emitidos, de acordo com o agregador Coingecko.</p><p>Embora o Bitcoin tenha sido lançado no final de 2008, o primeiro bloco do</p><p>blockchain da criptomoeda (o nome do arquivo que contém as informações da</p><p>transação) não foi extraído até 3 de janeiro de 2009. Nesse bloco chamado Ge-</p><p>nesis, Satoshi Nakamoto escreveu a mensagem criptografada “The Times 3 Jan</p><p>2009 Chancellor à beira de um segundo resgate bancário”.</p><p>O texto que significa “o chanceler está prestes a entregar um segundo resga-</p><p>te aos bancos” em português, era uma alusão a uma manchete do jornal britânico</p><p>122</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>The Times na época.</p><p>ou consumidor tem poder suficiente para</p><p>acessar os preços de mercado (PINDYCK; RUBINFELD, 2013).</p><p>A competição imperfeita é exatamente o oposto do que é observado na perfei-</p><p>ção. Nesse modelo existe um certo desequilíbrio entre oferta e demanda. Isso per-</p><p>mite que uma das partes controle o mercado e influencie os preços de transação.</p><p>Um exemplo típico de concorrência imperfeita é o cartel composto pelos países com</p><p>maiores reservas de petróleo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo,</p><p>que determina os preços e busca orientar o mercado (MANKIW, 2009).</p><p>Monopólio</p><p>O monopólio ocorre quando uma empresa fornece um determinado produto ou</p><p>serviço. Ao contrário da concorrência perfeita, existem muitos compradores e ape-</p><p>nas um vendedor. Uma empresa monopolista tem o direito de determinar o preço</p><p>de seu produto da maneira mais conveniente, pois é a única empresa que vende o</p><p>produto. Patentes e direitos autorais também são exemplos de monopólios.</p><p>Monopólio natural é uma situação de mercado em que o investimento ne-</p><p>cessário é muito alto e o custo marginal é muito baixo. Também apresenta mer-</p><p>cadorias exclusivas e pouca ou nenhuma concorrência. Esses mercados são ge-</p><p>ralmente regulados pelo governo e têm um longo período de retorno. Concessão</p><p>rodovias e aeroportos, televisão a cabo, distribuição de eletricidade, abastecimen-</p><p>to de água, distribuição de gás natural, sistemas de segurança pública, sistemas</p><p>legais e monetários são exemplos típicos de monopólios naturais, embora possa</p><p>haver concorrência em algumas dessas áreas (MANKIW, 2009).</p><p>Outro tipo de monopólio são as patentes que, segundo Quoniam e Mazieri</p><p>(2014), a patente é uma concessão pública outorgada pelo Estado, que garante</p><p>a exclusividade de seu titular quando a criação for utilizada comercialmente. A</p><p>patente faz parte dos chamados direitos de propriedade industrial, e suas normas</p><p>legais são o direito da propriedade industrial em Portugal e o direito da proprie-</p><p>dade industrial no Brasil. Outra forma de patente é o modelo de utilidade. O di-</p><p>reito exclusivo garantido por uma patente refere-se ao direito de impedir terceiros</p><p>de fazer, usar, vender, fornecer ou importar a invenção. Por outro lado, o público</p><p>pode obter conhecimento dos principais pontos e reivindicações que caracterizam</p><p>a novidade da invenção. Os registros de patentes, por estarem disponíveis em</p><p>bases de dados de acesso aberto, constituem uma grande base de conhecimento</p><p>técnico que pode ser utilizada para pesquisas em diversos campos.</p><p>Podemos observar um monopólio que existia no Brasil, com um bom exem-</p><p>plo de monopólio obrigatório (controle de matéria prima) na exploração de petró-</p><p>leo que era realizado exclusivamente pela Petrobrás antes de 1997. A partir da</p><p>16</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Emenda Constitucional nº 9 de 1995, artigo 177, § 1º da Constituição Federal fle-</p><p>xibiliza esse monopólio, reconhecendo que a União pode celebrar contratos com</p><p>empresas estatais ou privadas para a realização de monopólios (pesquisa, mine-</p><p>ração, refino de petróleo, importação, etc.). Exportação e transporte), mas sujeito</p><p>às condições estipuladas na lei (Lei do Petróleo nº 9.478/97).</p><p>Ademais, outro tipo de monopólio são os monopólios estatais, que incluem ati-</p><p>vidades de produção que fornecem produtos ou serviços, ou exploração e gestão de</p><p>recursos, entre os quais apenas uma instituição ou empresa estatal pode conduzir</p><p>negócios neste campo específico sem concorrentes (PINDYCK; RUBINFELD 2013).</p><p>É possível observar, que existem diferentes tipos de monopólios e diferen-</p><p>tes formas para que esses monopólios aconteçam, entretanto, também é possível</p><p>identificar que existe competição nesses monopólios.</p><p>Competição monopolística</p><p>A competição monopolística é uma competição imperfeita. Por exemplo, isso</p><p>acontece quando uma empresa é responsável por comercializar um produto com</p><p>características de qualidade e aparência, mas não dá a outra empresa a oportuni-</p><p>dade de fornecer também esse produto.</p><p>Na competição monopolística, como empresas competem entre si com pro-</p><p>dutos semelhantes, mas diferentes. Dessa forma, os produtos vendidos podem</p><p>ser considerados substitutos, mas não são substitutos perfeitos. O principal fator</p><p>da concorrência perfeita na concorrência monopolística é a livre entrada de em-</p><p>presas (VARIAN, 2009)</p><p>FIGURA 3 – HAVAIANAS</p><p>FONTE: <https://www.suno.com.br/artigos/competicao-monopolista/>.</p><p>Acesso em: 11 nov. 2021.</p><p>17</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>Um bom exemplo de competição monopolística é o mercado de sandálias. O</p><p>mercado de sandálias oferece produtos muito semelhantes e desempenha suas</p><p>funções quase da mesma forma. No entanto, existem diferenças nos produtos,</p><p>principalmente na imagem da marca de calçados. É justamente por essa diferen-</p><p>ciação que os produtos serão comercializados a preços diferenciados. Por exem-</p><p>plo, o preço de transação da marca Havaianas costuma ser superior ao de seus</p><p>concorrentes. Porque, por meio do posicionamento da marca, o produto é supe-</p><p>rior aos concorrentes. No entanto, os consumidores não estão dispostos a pagar</p><p>qualquer preço pelas sandálias Havaiana.</p><p>Oligopólio</p><p>Oligopólio é um modelo de mercado que segue o conceito de concorrência</p><p>imperfeita e é uma espécie de falha de mercado. Isso significa que o desequilíbrio</p><p>entre oferta e demanda tem levado a certo grau de dominância e influência na</p><p>direção dos preços. Existem poucas empresas no mercado.</p><p>O que é um oligopólio? O oligopólio ocorre quando algumas empresas detêm</p><p>uma quota de mercado considerável. A origem da palavra vem do grego Oligo,</p><p>que significa muito pouco, e poliomielite, que significa vendas ou comércio. Pode</p><p>ser visto como um compromisso entre um mercado competitivo e monopólio. Este</p><p>é um conceito utilizado na economia política, que é uma ciência dedicada ao estu-</p><p>do dos processos econômicos e das relações sociais.</p><p>Quando ocorre um oligopólio e monopólio em uma determinada área da eco-</p><p>nomia, as empresas que nele operam ocuparão completamente uma posição do-</p><p>minante no mercado. Portanto, a competição entre as empresas pode não ser</p><p>acirrada, o que tem causado prejuízos aos consumidores. Monopólio: Entendendo</p><p>como a falta de concorrência prejudica o mercado.</p><p>Monopólio prejudica o mercado?</p><p>Em um mercado altamente competitivo, várias empresas estão</p><p>disputando o espaço de preferência do cliente. Essa disputa fez com</p><p>que os preços dos produtos caíssem, beneficiando o consumidor fi-</p><p>nal. Em um oligopólio, poucas empresas competem por espaço para</p><p>as preferências do consumidor. Dessa forma, os preços podem ser</p><p>mais elevados do que os mercados competitivos.</p><p>18</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Como surgiu o oligopólio? O oligopólio aparecerá naturalmente em um de-</p><p>terminado mercado. Por exemplo, essa situação ocorre em áreas que exigem</p><p>grande produção e não incentivam a participação de pequenos produtores. Nes-</p><p>se caso, apenas grandes empresas podem florescer. O oligopólio também pode</p><p>ocorrer quando a implementação de certas atividades requer intervenção estatal</p><p>ou autorização para prosseguir. É o caso das atividades que contam com deter-</p><p>minado tipo de licença ou concessão. O oligopólio, assim como o monopólio, tam-</p><p>bém é formado pela fusão e formação de empresas de concorrentes anteriores.</p><p>Características do oligopólio.</p><p>Um oligopólio é um modelo de mercado que segue o conceito de concor-</p><p>rência imperfeita, é uma falha de mercado, ou seja, um funcionamento desequi-</p><p>librado da oferta e da demanda, que leva ao impacto dos preços das empresas</p><p>em um determinado ramo e direção. Esta situação cria enormes economias de</p><p>escala. Ou seja, à medida que a empresa aumenta sua participação de mercado,</p><p>obtém economias substanciais diluindo os custos fixos. Isso torna comum o se-</p><p>tor ter poucas grandes empresas (PINDYCK; RUBINFELD, 2013). Ao passo que</p><p>Oligopólio puro: os produtos</p><p>Essas palavras foram interpretadas como indicando a moti-</p><p>vação de Satoshi Nakamoto para criar a criptomoeda.</p><p>A crise financeira dos EUA e o Bitcoin – O white paper do Bitcoin vem pouco</p><p>mais de um mês depois que o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimen-</p><p>to dos EUA, declarou falência. O colapso do conglomerado financeiro foi o evento</p><p>mais simbólico da crise financeira dos EUA, uma das piores recessões da história.</p><p>Esses dois fatos aconteceram quase simultaneamente, levando alguns eco-</p><p>nomistas e entusiastas do mercado de criptomoedas a questionar se o Bitcoin era</p><p>uma resposta à instabilidade financeira da época. O mestre em Economia e espe-</p><p>cialista em criptomoedas Fernando Ulrich fala sobre os dois eventos em seu livro</p><p>“Bitcoin - The Digital Age” (ULRICH, 2017).</p><p>Embora o surgimento de moedas digitais na maior crise financeira desde a</p><p>Grande Depressão da década de 1930 possa ser considerado mera coincidên-</p><p>cia, não podemos deixar de notar o progresso dos estados interventores e medi-</p><p>das arbitrárias sem precedentes por parte das autoridades monetárias. Durante</p><p>a primeira década do novo milênio, a maioria dos cidadãos comuns em países</p><p>desenvolvidos e emergentes enfrentam anos de perda contínua de privacidade</p><p>(ULRICH, 2017).</p><p>Vale lembrar que a crise financeira norte-americana foi causada, em parte,</p><p>pela liberação desenfreada do crédito fácil e pela especulação no mercado imo-</p><p>biliário.</p><p>Segundo o economista Fernando Antônio de Barros Júnior (2022, on-line),</p><p>professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão</p><p>Preto (FEA-RP) da USP, a diferença de tempo entre eles é apenas uma coinci-</p><p>dência. “Acho improvável que o Bitcoin seja lançado por causa de uma crise. Do</p><p>próprio white paper, Satoshi Nakamoto não está tentando criar um ativo financei-</p><p>ro, mas um método de pagamento seguro que não é controlado pelo governo.”.</p><p>Também deve-se notar que as discussões sobre a criação de uma moeda</p><p>semelhante ao Bitcoin começaram antes de 2008. De acordo com Bitcoin.org, o</p><p>conceito de criptomoeda foi descrito pela primeira vez em 1998 pelo engenheiro</p><p>de computação Wei Dai. Satoshi Nakamoto citou o artigo de Wei em seu white</p><p>paper (ULRICH, 2017).</p><p>123</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>3.1.1 O criador do Bitcoin</p><p>O criador do Bitcoin está se escondendo atrás do pseudônimo Satoshi Naka-</p><p>moto. Quem ele é, no entanto, permanece um mistério. Alguns se apresentaram</p><p>alegando ser o personagem, mas ninguém foi capaz de provar nada.</p><p>Traços de sua vida on-line conhecidos até agora. Por exemplo, em novembro</p><p>de 2009, ele lançou o BitcoinTalk, um fórum de discussão sobre criptomoedas.</p><p>Satoshi Nakamoto foi muito ativo no espaço, postando cerca de 600 mensagens</p><p>em quase um ano. No entanto, ninguém forneceu pistas específicas sobre sua</p><p>verdadeira identidade.</p><p>A última vez que ele esteve no fórum foi em 12 de dezembro de 2010. No</p><p>post, ele ofereceu alguns conselhos sobre segurança cibernética. Depois disso,</p><p>ele parou de postar qualquer coisa no BitcoinTalk. No mesmo ano, ele também</p><p>passou o repositório com o código Bitcoin para Gavin Andresen, desenvolvedor</p><p>de software envolvido no projeto de criptomoeda.</p><p>Em sua última “aparição on-line” no final de abril de 2011, ele enviou um</p><p>e-mail de despedida para os desenvolvedores. Na mensagem, Satoshi Nakamoto</p><p>“transferiu” a responsabilidade do Bitcoin para outros desenvolvedores: “Eu me</p><p>voltei para outras coisas. Este [projeto Bitcoin] recebeu ótimas críticas de Gavin e</p><p>de todos os outros.”.</p><p>Candidato a Satoshi Nakamoto – ninguém sabe quem criou o Bitcoin. No</p><p>entanto, existem alguns suspeitos. A lista inclui pessoas que trabalharam com o</p><p>projeto, têm laços estreitos (pelo menos na vida on-line) com o criador do BTC,</p><p>ou foram mencionadas por ele. Há também pessoas ricas que podem influenciar</p><p>o mercado com um único tweet. Confira alguns candidatos: Gavin Andresen, que</p><p>controla o código da criptomoeda e troca informações com Nakamoto, é um deles.</p><p>Outro suposto criador do BTC é Hal Finney, que foi o primeiro a receber uma</p><p>transferência de Bitcoin de Nakamoto – isso foi em 11 de janeiro de 2009. No</p><p>entanto, Finney morreu de uma doença degenerativa em agosto de 2014 aos 58</p><p>anos. O seu próprio pedido, seu corpo é congelado para uma futura ressurreição</p><p>– isto é, se algum tipo de tecnologia surgir que possa derrotar a morte.</p><p>Os cientistas da computação Nick Szabo e Adam Back mencionados no whi-</p><p>te paper do Bitcoin também estão na lista. O cientista da computação e empresá-</p><p>rio Craig Steven Wright, que disse a repórteres em 2016 que ele era o verdadeiro</p><p>Satoshi Nakamoto (sem fornecer evidências convincentes), era outro suspeito.</p><p>124</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Por fim, o CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, também está concorrendo.</p><p>A teoria de Musk vem depois que um funcionário do bilionário, conhecido por seus</p><p>tweets influenciando o mercado de criptomoedas, disse que poderia ter criado o</p><p>BTC. O empresário negou.</p><p>3.1.2 Diferença entre Bitcoin e Moedas</p><p>Digitais</p><p>A principal diferença entre Bitcoin, outras criptomoedas e Moedas Digitais do</p><p>Banco Central (CBDCs) é como elas são emitidas e distribuídas.</p><p>BTC e altcoins (termos usados para identificar qualquer criptomoeda que não</p><p>seja Bitcoin) são descentralizados. Ou seja, nenhum governo ou estado pode con-</p><p>trolar. Portanto, essas regras são determinadas pelas pessoas envolvidas no pro-</p><p>jeto, bem como pelos usuários.</p><p>Por outro lado, as moedas digitais do banco central são emitidas e distribu-</p><p>ídas por agências governamentais. “Um CBDC é uma representação digital de</p><p>uma moeda fiduciária nacional controlada por um banco central”, explicou Ricardo</p><p>Dantas, co-CEO da exchange de criptomoedas Foxbit.</p><p>Assim, na prática, uma moeda digital emitida por um banco central é uma</p><p>cópia virtual da moeda atual do país. Portanto, seu valor é determinado pelas au-</p><p>toridades monetárias. É diferente de uma criptomoeda descentralizada cujo preço</p><p>muda de acordo com a lei de oferta e demanda.</p><p>3.1.3 Como Comprar Bitcoin</p><p>Existem várias maneiras de comprar Bitcoin e altcoins. Exchanges, ETFs de</p><p>criptomoedas e fundos de investimento do setor são algumas das opções. No</p><p>caso de trocas, os usuários precisam escolher uma e abrir uma conta. Geral-</p><p>mente, eles vão pedir a data de nascimento, RG, CPF, CNPJ (se for empresa)</p><p>e endereço no cadastro – isso é feito on-line (MERCADO BITCOIN, 2022). Al-</p><p>guns também pediram uma foto (selfie) para confirmar sua identidade. Retiradas</p><p>e transferências estão sujeitas a cobranças. O investimento mínimo para comprar</p><p>Bitcoin depende de cada exchange. Alguns deles têm um mínimo de 25 reais;</p><p>outros exigem 50 reais.</p><p>Os ETFs de criptomoedas podem ser negociados diretamente nas bolsas de</p><p>valores, assim como as ações. Por isso, é necessário abrir conta em uma das 100</p><p>125</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>corretoras do Brasil. O registro também envolve a apresentação de documentos</p><p>pessoais.</p><p>É importante lembrar que, além das taxas da B3, os investidores também</p><p>devem pagar taxas de corretagem e custódia à corretora no ato da compra. Há</p><p>também taxas de administração. No início de outubro, os fundos de índice (outro</p><p>nome dos ETFs) tinham cotas iniciais que variavam de 14 reais a 72 reais.</p><p>3.2 OS ALTOS E BAIXOS DO BTC</p><p>O Bitcoin atingiu um novo recorde histórico em 20 de outubro, ultrapassan-</p><p>do US$ 65.000 pela primeira vez. No Brasil, algumas corretoras detêm mais de</p><p>370.000 reais em criptomoeda.</p><p>No entanto, em sua curta história, as criptomoedas estiveram em uma mon-</p><p>tanha-russa, passando por períodos de alta valorização (mercados em alta) e pe-</p><p>ríodos de declínios acentuados (mercados em baixa). Confira um histórico dos</p><p>maiores altos e baixos anuais do Bitcoin abaixo.</p><p>Para Mayra Siqueira, gerente geral da Binance Brasil, o Bitcoin é seguro,</p><p>provando que, disse ele, blockchain,</p><p>a tecnologia por trás da criptomoeda, nun-</p><p>ca foi hackeada em seus 13 anos de história. Isso se deve, continuou Mayra,</p><p>principalmente pelo mecanismo que Nakamoto criou, em especial devido a duas</p><p>características: consenso e imutabilidade (NFT e CRIPTOMOEDA: Expectativas</p><p>para 2022, 2022).</p><p>Consenso refere-se à capacidade dos nós (computadores ou</p><p>dispositivos conectados a uma interface Bitcoin) concordarem</p><p>sobre o verdadeiro estado da rede e a validade das transações</p><p>em uma rede blockchain distribuída. A imutabilidade, por outro</p><p>lado, refere-se ao blockchain. Capacidade de evitar a alteração</p><p>de transações confirmadas (BINANCE, 2022, on-line).</p><p>Na prática, esses dois recursos permitem que as transações entre pessoas</p><p>não identificadas sejam transferidas com segurança, sem a necessidade de tercei-</p><p>ros, como um banco ou uma empresa internacional de transferência de dinheiro.</p><p>Além de ter uma tecnologia sólida, o Bitcoin também é um investimento se-</p><p>guro, disse Mayra. No entanto, ele disse que os investidores precisam fazer sua</p><p>lição de casa e estudar o BTC com cuidado, pois é “considerado um risco para a</p><p>volatilidade”.</p><p>126</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>O professor e economista da USP Fernando Antônio de Barros Júnior tam-</p><p>bém disse que o BTC é um investimento seguro. Mas, disse ele, era um ativo de</p><p>alto risco. “Portanto, os investidores devem fazer o que qualquer curso básico de</p><p>educação financeira recomenda: considerar risco e recompensa, e nunca colocar</p><p>todos os ovos na mesma cesta”.</p><p>3.3 MINERAÇÃO DO BITCOIN</p><p>Simplificando, Bitcoin mining é o nome do processo de validação de tran-</p><p>sações de blockchain e recebimento de novas criptomoedas como recompensa.</p><p>Para entender melhor, leia a comparação a seguir:</p><p>Para Maria (personagem fictício) morando no Brasil, para transferir 5.000 re-</p><p>ais para a conta de João (personagem fictício) morando no Reino Unido, o dinhei-</p><p>ro precisa passar por algum terceiro, como banco, como fiador e cobrança de a</p><p>transação serve. No caso do Bitcoin, parte desse papel é o minerador.</p><p>Então, se Maria decidir enviar para o João 1 BTC, alguns mineradores da</p><p>rede terão que registrar a transação na blockchain.</p><p>Toda vez que o minerador valida a transação no blockchain ele</p><p>é recompensado em criptomoeda.</p><p>Apenas lendo o parágrafo acima, minerar Bitcoin pode parecer fácil, mas não</p><p>é. Isso porque, para registrar e ganhar BTC, os mineradores precisam realizar</p><p>uma prova de trabalho (algoritmo), que é um problema matemático complexo na</p><p>prática. Os cálculos são resolvidos em média em 10 minutos – esse é o tempo</p><p>que leva para uma transação ser confirmada na rede BTC.</p><p>O detalhe que torna essa tarefa extremamente difícil é que existem milhares</p><p>de mineradores tentando resolver essa equação ao mesmo tempo. E como há</p><p>tantos concorrentes, quanto mais difícil é encontrar uma solução, mais poder de</p><p>computação é necessário.</p><p>127</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>3.4 COMO MINERAR BITCOIN</p><p>Logo após a criação do Bitcoin, qualquer pessoa poderia facilmente minerar</p><p>a criptomoeda em casa. Basta conectar um computador (com uma placa gráfi-</p><p>ca razoável) à rede BTC e mantê-lo funcionando para resolver problemas mate-</p><p>máticos complexos. No entanto, atualmente é quase impossível “retirar” bitcoins</p><p>através de um PC comum. Isso ocorre porque um dispositivo específico chamado</p><p>circuito integrado específico de aplicativo (ASIC) deve ser usado para implemen-</p><p>tar essa função.</p><p>Dada a complexidade da tarefa e o alto investimento no negócio, essas fa-</p><p>zendas de mineração geralmente são organizadas em pools (grupos) de mine-</p><p>radores que competem coletivamente pela validação da transação, aumentando</p><p>suas chances de serem recompensados em BTC - quando os pools de mineração</p><p>são bem-sucedidos. A batalha é vencida e os 6,25 BTC recebidos são distribuídos</p><p>entre os participantes na proporção do poder de hash entregue.</p><p>Um hash é o resultado de uma função de hashes, que é uma</p><p>operação criptográfica que gera identificadores únicos e irrepetíveis</p><p>a partir de uma determinada informação. Hashes são uma peça cha-</p><p>ve da tecnologia blockchain e são amplamente utilizados (BTC.COM,</p><p>2022).</p><p>3.5 O QUE É PONTO A PONTO (P2P)</p><p>No P2P, o valor das criptomoedas é negociado diretamente entre duas par-</p><p>tes, geralmente por meio de aplicativos de bate-papo, sites ou plataformas que</p><p>reúnem traders ponto a ponto. Isso é diferente do processo de trocas de criptomo-</p><p>edas, que possuem livros de pedidos com preços predeterminados.</p><p>De acordo com Zanoni et al. (2010, on-line), blockchain como um sistema</p><p>P2P consegue resolver algumas dessas limitações com alguma “engenhosidade”.</p><p>O principal deles, disse ele, é o proof-of-work, um protocolo de criptomoeda que</p><p>especifica as etapas nas quais um blockchain funciona.</p><p>128</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>No PoW, tenho que resolver um desafio criptográfico para participar da rede,</p><p>que exige poder computacional, ao mesmo tempo em que fornece segurança a</p><p>todo o sistema. Se alguém quiser subverter a rede, precisa ter muito poder com-</p><p>putacional para realizar tal um feito, que é muito importante na economia, não é</p><p>viável (INFOMONEY, 2022).</p><p>Como isso afeta as operações de criptomoedas: além de ser uma arquitetura</p><p>de rede de computadores, o P2P é uma forma de transação no mundo das crip-</p><p>tomoedas. Nesse modelo, os usuários podem negociar BTC, Ethereum (ETH) ou</p><p>qualquer outra altcoin (o nome de uma criptomoeda que não seja Bitcoin) entre si</p><p>sem intermediários de terceiros, como corretores.</p><p>Como negociar em uma rede ponto a ponto - Para negociar ponto a ponto,</p><p>um investidor precisa encontrar um vendedor P2P na Internet. O investidor pode</p><p>encontrá-los em grupos de bate-papo do WhatsApp e Telegram, redes sociais ou</p><p>sites. Vale também buscar referências dos envolvidos no mercado de criptomoe-</p><p>das (INFOMONEY, 2022).</p><p>É durante a conversa virtual que são definidos os detalhes da negociação,</p><p>como condições de pagamento e prazos. Outra possibilidade é encontrar traders</p><p>P2P em plataformas como Local Bitcoins, Paxful e P2P Catalog. Eles reúnem</p><p>vendedores e compradores de criptomoedas no mesmo espaço virtual, essencial-</p><p>mente um mercado. Para usá-los, o investidor precisa se registrar.</p><p>Assim como nas exchanges, alguns desses sites garantem que as transa-</p><p>ções sejam realizadas sem prejudicar nenhuma das partes. Por exemplo, no caso</p><p>de LocalBitcoins e Paxful, as criptomoedas são mantidas em uma espécie de con-</p><p>ta de garantia até que a transação seja concluída (INFOMONEY, 2022).</p><p>Os diretórios P2P têm classificações de reputação do vendedor, com pontu-</p><p>ações que variam de 1 a 5. Quanto maior o número, melhor está posicionado e,</p><p>portanto, mais confiável é. As avaliações são dadas pelo próprio cliente.</p><p>Algumas exchanges centralizadas, como Binance e OKEx, também possuem</p><p>plataformas de negociação P2P. Como Paxful e LocalBitcoins, as duas exchanges</p><p>mantêm criptomoedas até que as transações entre os usuários sejam concluídas.</p><p>3.6 NEGOCIAÇÃO P2P</p><p>Conforme abordado pela Infomoney (2022), os passos para uma transação</p><p>de Bitcoin no sistema de P2P são:</p><p>129</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>Passo 1: Normalmente, as pessoas interessadas em comprar criptomoedas</p><p>entram em contato com o vendedor P2P por meio de um aplicativo de chat. Du-</p><p>rante o chat virtual, o comprador informa o ativo digital que deseja comprar e o</p><p>valor – por exemplo, 1 BTC.</p><p>Passo 2: Em seguida, o trader cita a criptomoeda em moeda fiduciária (por</p><p>exemplo, dinheiro real) e cobra pelo serviço.</p><p>Passo 3: Se ambas as partes concordarem com o valor, o vendedor informa</p><p>a conta bancária e o comprador encaminha seu endereço de carteira de criptomo-</p><p>edas.</p><p>Passo 4: Normalmente, os compradores enviam o dinheiro primeiro. Somente</p><p>após a confirmação do pagamento, o vendedor enviará a criptomoeda ao cliente.</p><p>É quando um golpe pode acontecer e o traficante pega o dinheiro da pessoa e de-</p><p>saparece. Por isso, é tão importante comprar apenas de profissionais confiáveis.</p><p>Vale ressaltar que as transferências de Bitcoin, Ethereum e outras altcoins</p><p>podem demorar para serem confirmadas. O tempo exato depende do congestio-</p><p>namento do blockchain. Por exemplo, no caso do BTC, o tempo de espera é de</p><p>pelo menos 10 minutos, que é o tempo para minerar um bloco (um conjunto de</p><p>cheques). No entanto, em dias com atrasos na transmissão da rede, a confirma-</p><p>ção pode levar horas.</p><p>3.6.1 Vantagens</p><p>Segundo a Infomoney (2022), algumas das vantagens das negociações P2P:</p><p>A negociação P2P tem vantagens sobre outros modelos de compra de criptomo-</p><p>edas: agilidade – como as transações não envolvem terceiros, como bolsas ou corre-</p><p>toras (no caso de ETFs e fundos mútuos), as transações tendem a ser mais flexíveis.</p><p>Taxas mais baratas: as exchanges normalmente cobram taxas por saques,</p><p>transferências e transações. Nas negociações P2P, os vendedores também co-</p><p>bram taxas (é assim que ganham dinheiro), mas o valor cobrado costuma ser</p><p>mais acessível.</p><p>Transações: o valor das criptomoedas pode ser negociado desde que as</p><p>transações sejam feitas entre duas pessoas. Por exemplo, lembre-se de que o</p><p>BTC não possui um único preço fixo. Existe uma média, mas os revendedores</p><p>podem definir seus próprios preços.</p><p>130</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>3.6.2 Desvantagens</p><p>Apesar das vantagens, as transações P2P também apresentam desvanta-</p><p>gens (INFOMONEY, 2022).</p><p>TABELA 3 – DESVANTAGEM DO P2P</p><p>Confiança</p><p>Nenhuma entidade pode garantir uma transação entre duas pessoas. Isso deixa</p><p>espaço para os cibercriminosos fraudarem. Muitos golpistas usam nomes reais de</p><p>revendedores para atrair vítimas e roubar dinheiro. Há também casos em que o ven-</p><p>dedor não paga o comprador.</p><p>Conhecimento</p><p>Para negociar diretamente com outros usuários, um investidor precisa ter conheci-</p><p>mentos básicos sobre o mercado de criptomoedas. Por exemplo, conhecer endere-</p><p>ços, carteiras de criptomoedas e exploradores de blockchain é essencial. Sem tempo</p><p>para entender como funciona o setor, o mais recomendado e seguro a se fazer é</p><p>negociar por meio de exchanges.</p><p>Timing</p><p>Os próprios compradores precisam acompanhar os vendedores. No entanto, essa</p><p>busca precisa ser trabalhada porque, para não ser enganado, é muito importante</p><p>verificar se o revendedor é confiável, confirmar sua identidade e pedir conselhos a</p><p>outros clientes.</p><p>Custódia</p><p>Nas transações ponto a ponto, os usuários também precisam entender a custódia e</p><p>a segurança dos ativos digitais. Não há troca para manter as criptomoedas no arma-</p><p>zenamento. Muitos acreditam que esse recurso é tão benéfico quanto os investidores</p><p>serem seu próprio banco, o que cria mais responsabilidade. Outros, no entanto, pre-</p><p>ferem entregar o serviço a terceiros.</p><p>Como evitar</p><p>golpes</p><p>Como mencionado anteriormente, é melhor fazer uma pesquisa completa sobre o</p><p>vendedor antes de fechar o negócio. As plataformas que reúnem traders geralmente</p><p>têm classificações de reputação. Também é importante conversar com outras pes-</p><p>soas que já estão fazendo negócios com o vendedor. Ao falar com P2P, certifique-se</p><p>também de estar falando com uma pessoa real, não uma falsa. Muitos golpistas</p><p>fingem ser verdadeiros traficantes de drogas para enganar.</p><p>FONTE: Adaptado de Infomoney (2022)</p><p>Outra forma de evitar golpes é negociar preços baixos. Se tudo der certo e</p><p>o vendedor não cobrar de você, pode valer a pena adicionar o valor negociado</p><p>na sua próxima transação. Outro ponto a considerar é que os traders P2P quase</p><p>nunca tocam em pessoas que oferecem criptomoedas. Os caminhos são geral-</p><p>mente invertidos. Portanto, seja cético se alguém ligar para o P2P para enviar</p><p>uma mensagem com uma promoção de criptomoeda.</p><p>131</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>3.7 DIFERENÇA ENTRE MINERAÇÃO,</p><p>PEER-TO-PEER E EXCHANGE</p><p>Existem muitos conceitos no mundo das criptomoedas, alguns dos quais po-</p><p>dem ser confusos. Assim, a mineração é o nome dado ao processo de colocar</p><p>mais criptomoedas em circulação. Simplificando, novos ativos digitais são criados</p><p>quando mineradores (participantes da rede que validam transações) adicionam</p><p>novos blocos (conjuntos de dados de validação) ao blockchain, um grande banco</p><p>de dados público que registra o histórico de movimentos dos usuários.</p><p>O sistema P2P é basicamente uma rede de computadores descentralizada</p><p>onde cada participante também atua como servidor, não apenas como cliente.</p><p>Não apenas um servidor central. Por exemplo, blockchain é uma rede ponto a</p><p>ponto. As transações P2P são o tipo de transações que ocorrem diretamente en-</p><p>tre usuários, sem intermediário corporativo.</p><p>Finalmente, uma exchange é uma plataforma digital onde um investidor pode</p><p>comprar, vender, negociar e manter criptomoedas como Dogecoin (DOGE), Ethe-</p><p>reum (ETH) e Cardano (ADA). Na prática, são muito semelhantes às corretoras,</p><p>com gestão centralizada. Algumas das corretoras que atuam no Brasil são: Binan-</p><p>ce, Mercado Bitcoin, Foxbit, Coinext e NovaDAX.</p><p>3.8 CARTEIRAS DE CRIPTOMOEDAS</p><p>Carteiras de criptomoedas como meio de armazenamento de criptomoedas</p><p>através do blockchain. O dinheiro, especialmente o dinheiro usado no dia a dia,</p><p>costuma ser armazenado, de forma física ou digital em bancos, por meio de con-</p><p>tas correntes e mais recentemente, carteiras eletrônicas como Apple Pay e Goo-</p><p>gle (Pay Pellini, 2020). O mesmo acontece no mundo das moedas digitais. Para</p><p>armazenar Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Litecoin (LTC) ou qualquer outro ativo</p><p>criptográfico, um investidor precisa de uma carteira de criptomoedas.</p><p>3.8.1 Uma carteira de criptomoedas</p><p>Quando uma pessoa transfere criptomoedas para outra, esses ativos são ar-</p><p>mazenados no blockchain. Blockchain é um conhecido banco de dados descen-</p><p>tralizado que nasceu com o Bitcoin (BTC) no final de 2008.</p><p>132</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Carteiras de criptomoedas são softwares e dispositivos físicos que permitem</p><p>aos usuários acessar esses ativos digitais armazenados no sistema. Além disso,</p><p>permitem o envio de moedas digitais sem a necessidade de intermediário.</p><p>Na prática, as carteiras são semelhantes às contas bancárias, com uma</p><p>grande diferença: os proprietários das carteiras são responsáveis pela proprieda-</p><p>de e segurança de seus ativos, não o banco.</p><p>À primeira vista, a funcionalidade de uma carteira de criptomoedas pode pa-</p><p>recer complicada. Mas quando a tecnologia é comparada a serviços mais popu-</p><p>lares, como transferências bancárias e e-mail, fica mais fácil de entender do se-</p><p>guinte modo:</p><p>Uma vez que a carteira é criada, uma “semente” é gerada imediatamente.</p><p>Uma semente é uma string de 12 a 24 palavras (inglês) que funciona como uma</p><p>senha de recuperação do sistema. Se o investidor perder a senha não terá mais</p><p>acesso ao fundo (RIBEIRO, 2021).</p><p>Depois que a semente é criada, a carteira publica a chave privada, a chave</p><p>pública e o endereço. Uma chave privada é como a senha da uma conta bancária.</p><p>Assim o investidor não deve repassar para ninguém porque através dessa senha</p><p>qualquer pessoa pode acessar criptomoedas.</p><p>A chave pública, por sua vez, é como sua conta bancária. Sua criptomoeda</p><p>é armazenada lá e só pode ser liberada usando a chave privada. Como é público,</p><p>qualquer pessoa pode vê-lo, mas ninguém pode transferir seus fundos.</p><p>Finalmente, o endereço é como o número da sua conta bancária, ou pode</p><p>ser comparado ao um endereço PIX também. É esse endereço, derivado da cha-</p><p>ve pública, que deve ser notificado nas transmissões de moeda criptografada. É</p><p>basicamente uma string alfanumérica como está: 0xDD36dA043eCcE9c9481EfD-</p><p>0C4605d6075EFc6695</p><p>O envio de um e-mail também pode ser análogo: Para enviar uma mensa-</p><p>gem para alguém, uma pessoa precisa fazer login no seu serviço de e-mail (como</p><p>Gmail ou Yahoo), digitar sua senha, escrever uma mensagem</p><p>e digitar o endere-</p><p>ço do destinatário, certo? No caso de criptografia, a chave privada é a senha do</p><p>e-mail. Uma conta pública, por sua vez, é uma conta de e-mail (Gmail, Yahoo,</p><p>etc.). Finalmente, o endereço da carteira de criptomoedas é o endereço de e-mail:</p><p>so-and-so@gmail.com.</p><p>133</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>3.8.2 Tipos de Carteiras</p><p>Existem diversos tipos de carteiras no mercado, com diferentes “naturezas”</p><p>e formatos. No entanto, em geral, os modelos disponíveis podem ser divididos em</p><p>duas grandes categorias: carteiras quentes e carteiras frias.</p><p>Hot wallets são aquelas carteiras que estão conectadas à internet. Eles são</p><p>mais práticos do que carteiras frias, mas geralmente são mais vulneráveis a ata-</p><p>ques cibernéticos. Existem versões mobile, web e desktop.</p><p>Mobile: são carteiras de criptomoedas que podem ser baixadas de lojas de</p><p>aplicativos móveis, como Google Play e Apple Store. Eles são “mãos no volante”</p><p>para quem quer comprar onde Bitcoin e altcoins são aceitos (RIBEIRO, 2021).</p><p>Alguns exemplos de carteiras móveis são Coinomi, Trust Wallet e Exodus.</p><p>Web: as carteiras quentes da Web são aquelas carteiras que podem ser</p><p>acessadas pelo próprio navegador. Os usuários podem transferir suas criptomoe-</p><p>das simplesmente acessando a página da carteira e inserindo dados como login</p><p>e senha.</p><p>Assim como as carteiras móveis, elas também são funcionais. No entanto,</p><p>como estão sempre conectados à internet, também são mais vulneráveis a hacke-</p><p>rs. As duas carteiras web mais populares são MetaMask e Blockchain.com.</p><p>De acordo com Ribeiro (2021), o Desktop: carteiras de desktop são progra-</p><p>mas que podem ser baixados e instalados no disco rígido do seu computador. Ao</p><p>contrário das carteiras web e móveis, neste tipo de carteira, as informações do</p><p>usuário são armazenadas no PC, não na internet.</p><p>No geral, elas são mais seguras do que as carteiras de criptomoedas móveis</p><p>e da web. No entanto, os usuários precisam ter cuidado e manter o dispositivo</p><p>longe de malware, vírus etc. Dois exemplos são Electrum e Exodus.</p><p>Já as carteiras frias ou Cold Wallets carteiras de criptomoedas frias são</p><p>aquelas carteiras que não estão conectadas à World Wide Web. Por não estarem</p><p>na rede, geralmente são mais seguros (RIBEIRO, 2021).</p><p>Existem dois tipos principais. Carteiras de hardware: as carteiras de hardwa-</p><p>re são dispositivos físicos que podem armazenar criptomoedas. Eles são peque-</p><p>nos e muito semelhantes aos pens drives.</p><p>134</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Como não estão conectados à internet, são mais seguros do que as carteiras</p><p>quentes. Por outro lado, não são práticos, principalmente para quem precisa usar</p><p>criptomoedas no dia a dia. Algumas das carteiras de hardware existentes no mer-</p><p>cado são as marcas Ledger e Trezor (RIBEIRO, 2021).</p><p>Carteira de papel: é basicamente um pedaço de papel com chaves privadas</p><p>e públicas impressas nele. Existem programas, como o BitAddress, que podem</p><p>gerar carteiras de papel. Por serem físicas, são mais seguras do que carteiras</p><p>quentes. No entanto, eles também trazem riscos virtuais e físicos.</p><p>Por exemplo, o computador da pessoa pode ter sido infectado por um vírus</p><p>durante a criação da carteira. Alternativamente, a tinta usada na impressão pode</p><p>se desgastar com o tempo, fazendo com que as informações sejam apagadas.</p><p>Importante: uma das palavras de ordem no espaço de criptomoedas, espe-</p><p>cialmente entre investidores experientes, é: “Exchanges are not wallets” e essa</p><p>afirmação é verdadeira.</p><p>Uma carteira é um software ou dispositivo no qual as informações que po-</p><p>dem acessar criptomoedas armazenadas no blockchain podem ser armazenadas.</p><p>Ou seja, é onde estão localizadas as chaves e endereços privados e públicos.</p><p>Deixar criptomoeda em uma carteira ou exchange? Muitos investidores em</p><p>criptomoedas se perguntam se é melhor manter criptomoedas em carteiras ou</p><p>exchanges. Ambas as possibilidades têm lados positivos e negativos.</p><p>A desvantagem de permanecer nas exchanges é que elas são alvo de hacke-</p><p>rs porque movimentam muitas criptomoedas. Globalmente, houve vários casos de</p><p>trocas perdendo ativos de investidores (INFOMONEY, 2021).</p><p>Em outubro de 2021, a Coinbase, uma das maiores exchanges do mundo,</p><p>revelou que hackers roubaram criptomoedas de pelo menos 6.000 clientes. Se-</p><p>gundo a empresa, um terceiro não autorizado explorou uma vulnerabilidade no</p><p>processo de recuperação de conta da empresa para obter acesso às contas das</p><p>vítimas e transferir fundos (INFOMONEY, 2021).</p><p>No entanto, como são alvos de cibercriminosos, os corretores tendem a in-</p><p>vestir pesadamente em segurança. Não houve hacks sérios no Brasil, indepen-</p><p>dentemente de golpes disfarçados de trocas. Além disso, embora o mercado de</p><p>criptomoedas não seja regulamentado, a maioria das corretoras brasileiras ou que</p><p>operam lá tendem a agir de acordo com a lei. Portanto, se algo der errado, como</p><p>fraude ou falência, os usuários podem recorrer à justiça. Solicitar assistência jurí-</p><p>dica é um pouco mais complicado se algo der errado com a carteira.</p><p>135</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>O aspecto positivo de usar uma carteira é a possibilidade de ser seu próprio</p><p>banco. Portanto, os usuários são responsáveis por gerenciar suas criptomoedas</p><p>e calcular as taxas de transferência. Um investidor também não precisa pagar as</p><p>taxas que os corretores costumam cobrar. É mais seguro desde que um investidor</p><p>tome precauções contra vírus e programas maliciosos.</p><p>Enquanto alguns veem a autonomia que vem com o uso de uma carteira</p><p>como algo positivo, outros veem isso como um problema. Isso ocorre porque nem</p><p>todo mundo tem tempo ou desejo de entender os meandros do mercado de cripto-</p><p>moedas. Nesse caso, pode fazer mais sentido manter as moedas na carteira.</p><p>3.8.3 A escolha do tipo de carteira de</p><p>criptomoeda dependerá da finalidade</p><p>Antes de escolher uma carteira de criptomoedas, um investidor precisa pes-</p><p>quisá-la minuciosamente. Os seguintes pontos devem ser considerados.</p><p>TABELA 4 – TIPO DE USO PARA UMA CARTEIRA DE CRIPTOMOEDA</p><p>Todos os dias</p><p>Por exemplo, se a ideia é usar sua criptomoeda todos os dias para comprar café em</p><p>uma padaria ou pagar contas, é melhor mantê-las em uma carteira móvel. Eles são</p><p>práticos e podem guardar notas quase como uma carteira.</p><p>Longo Prazo</p><p>Se um investidor possui criptomoedas “em grande parte” e planeja manter esses ativos</p><p>a longo prazo, uma boa opção é colocá-los em uma carteira de hardware, pois são</p><p>mais seguros. Para proteger ainda mais os ativos criptográficos, uma possibilidade é</p><p>armazenar o dispositivo em um cofre.</p><p>Custódia</p><p>Se um investidor não quer ser responsável pela custódia e guarda de seus ativos, vale</p><p>a pena manter sua criptomoeda em uma exchange. Nesse caso, é importante analisar</p><p>se a troca é séria e não uma farsa.</p><p>FONTE: Adaptado de Ribeiro (2011)</p><p>Quando Satoshi Nakamoto publicou o white paper do Bitcoin no final de</p><p>2008, sua ideia era que os usuários pudessem enviar BTC uns aos outros sem a</p><p>necessidade de um intermediário. Além disso, a figura mítica por trás da primeira</p><p>criptomoeda do mundo quer que os usuários comecem a gerenciar seu próprio</p><p>dinheiro, não um banco. Alguns aspectos são importantes (INFOMONEY, 2022).</p><p>Reputação: é importante verificar se a carteira e as pessoas por trás dela</p><p>são sérias. Comentários postados em mídias sociais, sites de notícias e lojas de</p><p>136</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>aplicativos são boas fontes. Conversar com outros usuários também é divertido.</p><p>Tipos de criptomoedas suportados: algumas carteiras suportam várias criptomoe-</p><p>das, enquanto outras suportam várias. Se um investidor planeja possuir diferentes</p><p>tipos de ativos, escolha uma carteira que aceite moedas em seu portfólio.</p><p>Facilidade de uso: algumas carteiras de criptomoedas têm melhor usabili-</p><p>dade do que outras. Veja o que outros usuários</p><p>têm a dizer sobre isso. Uma boa</p><p>opção é testar alguns deles e ver qual um investidor gosta.</p><p>Segurança: antes de escolher uma carteira, vale a pena visitar o site de cada</p><p>pessoa e analisar quais medidas de segurança são fornecidas. Existe autentica-</p><p>ção de dois fatores (2FA)? Existe identificação biométrica? Quanto maior o nível</p><p>de segurança, melhor.</p><p>Portanto, uma carteira de criptomoedas é importante porque permite que os</p><p>usuários sejam seu próprio banco “próprio” e tenham autonomia sobre suas pró-</p><p>prias finanças. Através do uso de criptografia, as carteiras também podem prote-</p><p>ger ativos de criptomoeda. No entanto, os usuários também precisam fazer sua</p><p>lição de casa e ter cuidado com hackers e programas maliciosos.</p><p>3.8.4 Prós e contras das carteiras</p><p>Conforme abordado pelo o Estadão (2022), cada tipo de carteira de cripto-</p><p>moedas tem seus prós e contras.</p><p>A praticidade é a principal vantagem das carteiras quentes. Por exemplo, as</p><p>carteiras de smartphones facilitam a vida de quem deseja usar criptomoedas para</p><p>pagamentos diários. A desvantagem desse grupo é que eles estão conectados à</p><p>Internet, o que os torna mais vulneráveis a ataques cibernéticos.</p><p>As carteiras frias são mais seguras porque não estão on-line. As carteiras de</p><p>hardware, semelhantes aos pendrives, são mais recomendadas para quem preci-</p><p>sa armazenar grandes quantidades de ativos digitais por muito tempo. A desvan-</p><p>tagem deste grupo é a falta de praticidade.</p><p>Os usuários que optam por gerenciar fundos em suas carteiras devem prestar</p><p>atenção à segurança. Aqui estão algumas dicas. Parte disso foi proposto pelo site</p><p>Bitcoin.org criado por desenvolvedores envolvidos no BTC. No entanto, essas reco-</p><p>mendações também se aplicam a carteiras que suportam outras criptomoedas.</p><p>137</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>Proteção: um investidor precisa manter suas sementes trancadas. Isso por-</p><p>que, se alguém puder acessá-lo, terá acesso aos seus fundos. Por isso, é melhor</p><p>mantê-lo em algum lugar seguro.</p><p>Se um investidor não encontrar mais sua senha, infelizmente, terá que dizer</p><p>adeus ao seu bankroll. Não há serviços de recuperação de senha no mercado de</p><p>criptomoedas.</p><p>Estima-se que 20% dos 18,8 milhões de BTC minerados (emitidos) foram</p><p>perdidos devido à perda de informações de acesso (BITCOIN.ORG, 2020).</p><p>Distribuição: não guardar grandes quantias de criptomoeda em uma única</p><p>carteira. Se um investidor não tem US$ 1.000 no bolso, talvez deva pensar o mes-</p><p>mo sobre sua carteira Bitcoin (BITCOIN.ORG, 2020).</p><p>Backup: fazer backup de sua carteira com frequência. Dessa forma, pos-</p><p>síveis falhas, sejam elas artificiais ou virtuais, podem ser evitadas. As carteiras</p><p>possuem procedimentos diferentes, mas geralmente oferecem opções de backup</p><p>dentro da própria plataforma.</p><p>Atualizações: é ideal manter a carteira de criptomoedas atualizada com a</p><p>versão mais recente do software. Essas atualizações geralmente “atualizam” os</p><p>processos de segurança abordando problemas subjacentes.</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Vimos que o valor do dinheiro flutuar ao longo do tempo. Logo os investido-</p><p>res podem investir o dinheiro agora para aumentar a quantia de dinheiro no futuro.</p><p>Assim observamos que existem diferentes formas de se investir. Para poder in-</p><p>vestir, o investidor deve saber qual é o seu perfil de investidor e qual a finalidade</p><p>do dinheiro no futuro, assim analisar as principais formas de investimento dentro</p><p>de seus objetivos. Vimos que existem diferentes investimentos como renda fixa e</p><p>variável e que cada uma tens seus riscos.</p><p>Por fim, vimos um novo mundo no campo dos investimentos os criptoativos,</p><p>o qual tem suas particularidades, como vantagens e desvantagens. Mas focamos</p><p>nossos estudos na segurança e nos objetivos do criador do BTC.</p><p>138</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>1 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) normatiza o mercado</p><p>de capitais, os quais pertencem às bolsas de valores que viabi-</p><p>lizam os negócios com valores mobiliários. A (CVM) obrigatoria-</p><p>mente por lei, deve fazer:</p><p>a) ( ) Garantir que as informações recebidas das empresas e os ne-</p><p>gócios com valores mobiliários sejam restritas ao público.</p><p>b) ( ) Garantir que o mercado funcione com eficiência.</p><p>c) ( ) Estimular que as pessoas poupem e invistam na poupança.</p><p>d) ( ) Normatizar as transações de câmbio, financeiras e emissão de</p><p>moeda.</p><p>e) ( ) Emprestar recursos para companhias de capital fechado.</p><p>2 Investidores com perfil moderado, visam proteger seus recursos</p><p>alocados e detestam estilos de investimento arriscados. Nesse</p><p>sentido, qual é uma dessas estratégias desses investidores para</p><p>minimizar o risco? Justifique. Sua resposta deve conter no míni-</p><p>mo 300 palavraras.</p><p>3 Finanças Corporativas e Mercado de Capitais Mercado de capi-</p><p>tais é definido como um conjunto de instituições que negociam</p><p>com títulos e valores mobiliários, objetivando a canalização dos</p><p>recursos dos agentes compradores para os agentes vendedores.</p><p>Ou, seja, o mercado de capitais representa um sistema de distri-</p><p>buição de valores mobiliários que tem o propósito de viabilizar a</p><p>capitalização das empresas e dar liquidez aos títulos emitidos por</p><p>elas. Assinale a alternativa que apresenta as entidades que com-</p><p>põe o sistema de distribuição e prestação de serviços do merca-</p><p>do de capitais brasileiro.</p><p>a) ( ) Sociedades corretoras de valores mobiliários, sociedades dis-</p><p>tribuidoras de valores mobiliários, bancos comerciais e bancos de</p><p>desenvolvimento.</p><p>b) ( ) Sociedades corretoras de seguros, sociedades distribuidoras</p><p>de valores mobiliários, bancos de investimento e bancos de de-</p><p>senvolvimento.</p><p>c) ( ) Sociedades corretoras de valores mobiliários, sociedades dis-</p><p>tribuidoras de valores mobiliários, bancos de investimento e ban-</p><p>cos de desenvolvimento.</p><p>d) ( ) Sociedades corretoras de valores mobiliários, sociedades dis-</p><p>tribuidoras de valores mobiliários, bancos de investimento e ban-</p><p>cos de poupança.</p><p>139</p><p>Cálculos Financeiros BásicosCálculos Financeiros Básicos Capítulo 3</p><p>e) ( ) Sociedades corretoras de valores mobiliários, sociedades dis-</p><p>tribuidoras de fundos imobiliários, bancos de investimento e ban-</p><p>cos de desenvolvimento.</p><p>4 Escolha uma das perguntas a seguir e responda com um texto de</p><p>até 300 palavras.</p><p>a) O que é e como funciona o Bitcoin?</p><p>b) Como é chamado o processo de criação de um Bitcoin?</p><p>c) Como são feitas as transações?</p><p>d) E como será o futuro dessa tecnologia, Bticoin é seguro?</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALVES, A. L. C. et al. VALUATION: a origem e os métodos de avaliação de</p><p>empresas, com ênfase no modelo de múltiplos. Diálogos em Contabilidade:</p><p>Teoria e Prática, v. 7, n. 1, 2020.</p><p>ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. São Paulo: Atlas, 2003.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN). Recomendações de</p><p>Basileia. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/</p><p>recomendacoesbasileia. Acesso em: 26 maio 2022.</p><p>BITCOIN.ORG. O Bitcoin. 2020. Disponível em: https://bitcoin.org/en/. Acesso</p><p>em: 26 maio 2022.</p><p>BLATT, A. Avaliação de Risco e Decisão de Crédito: um enfoque prático. São</p><p>Paulo: Nobel,1999.</p><p>BTC.COM. 2022. Disponível em: https://btc.com/. Acesso em: 26 maio 2022.</p><p>CASAGRANDE NETO, H.; SOUSA, L.; ROSSI, M. C. Guia do mercado de</p><p>capitais. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Ed. Nacional, 2006.</p><p>CASTRO, B. R. de. Comparação do desempenho de fundos de ações ativos</p><p>e passivos. 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Por exemplo, as indústrias de informática e automotiva.</p><p>Além disso, isso dificulta a entrada de novos players no mercado, pois a em-</p><p>presa precisa crescer substancialmente para diluir custos e atingir lucratividade.</p><p>Portanto, algumas das características de um mercado de oligopólio são: Existem</p><p>muito poucas empresas no mercado. Normalmente existem dois ou três grandes.</p><p>O preço é controlado ou quase inalterado. As empresas são interdependentes.</p><p>As ações de uma pessoa influenciam e encorajam outras. Barreiras à entrada de</p><p>novos concorrentes.</p><p>Oligopsônio</p><p>Oligopsônio é uma estrutura desenvolvida em um mercado, neste mercado,</p><p>para cenários com muitos vendedores, poucos compradores podem ser identifica-</p><p>dos. No contexto da microeconomia, segundo Oindyck e Rubinfeld (2013), é um</p><p>panorama em que o agente responsável por inserir preço pode intervir na política</p><p>de preços, reduzindo assim o preço. Ao passo que para muitos vendedores, es-</p><p>ses compradores são poucos. O direito de determinar os preços e a dinâmica do</p><p>mercado está nas mãos do comprador. Por exemplo: Vários fabricantes de tabaco</p><p>fornecem essa matéria-prima a alguns fabricantes de cigarros.</p><p>No contexto da microeconomia, é um panorama em que o inseridor pode</p><p>intervir na política de preços, reduzindo, assim, o preço. Se você se lembrar do</p><p>19</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>termo oligopólio após uma leitura rápida, entenda que essas definições estão dis-</p><p>tantes uma da outra – ambas são características que se aplicam ao Brasil e ao</p><p>tipo de mercado mundial.</p><p>A propósito, ambos terão um impacto negativo na capacidade de buscar me-</p><p>lhores preços e na capacidade de ter mais opções. Outra característica marcan-</p><p>te do oligopsônio é que as linhas de produtos desses diversos vendedores, aos</p><p>poucos compradores, costumam ser homogêneas e, portanto, fáceis de serem</p><p>substituídas.</p><p>Monopsônio</p><p>Monopsônio é uma estrutura de mercado em que vários vendedores de um</p><p>determinado produto ou serviço têm apenas um comprador. Portanto, a demanda</p><p>se concentra em uma única pessoa jurídica, sujeitando diversos fornecedores às</p><p>suas condições.</p><p>Na teoria microeconômica, são classificados diversos tipos de estrutura de</p><p>mercados. O monopólio e o monopsônio são exemplos únicos e com característi-</p><p>cas bem diferentes. O monopsônio é a estrutura oposta ao monopólio, em que há</p><p>apenas um vendedor para diversos compradores. Como é o caso do monopólio</p><p>dos correios e de serviços de água e luz (MANKIW, 2009).</p><p>O que é um monopsônio? Segundo Pindyck e Rubinfeld (2013), monopsô-</p><p>nio é a estrutura de mercado em que um comprador controla substancialmente o</p><p>mercado em que atua, sendo o principal demandante de um determinado bem ou</p><p>serviço. Com isso, esse comprador possui poder de mercado e pode influenciar</p><p>no preço da mercadoria que será praticado nesse negócio em seu benefício. Es-</p><p>sas duas estruturas de mercado são opostas a concorrência perfeita, ou mercado</p><p>competitivo, em que há muitos ofertantes e muitos demandantes para um produto</p><p>ou serviço.</p><p>De forma que o preço e a quantidade ofertada são definidos pela concor-</p><p>rência no mercado da forma mais eficiente. Por haver apenas um ofertante no</p><p>monopólio, os demandantes não possuem outra opção que não comprar com o</p><p>monopolista.</p><p>Por isso, em estruturas de monopsônios, geralmente os vendedores se en-</p><p>contram em uma guerra de preços para conseguir fechar negócio com o único</p><p>comprador. O resultado é uma queda de preços e/ou aumento da quantidade ofer-</p><p>tada. Em outras palavras, as empresas não conseguem cobrar o preço desejado</p><p>e ficam à mercê da proposta do comprador ou ficam sem mercado.</p><p>20</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Existem poucos exemplos de monopsônios puros, segundo Reis (2018), por</p><p>exemplo, no Brasil, um deles é a Petrobras no mercado de gás natural. A Petro-</p><p>bras é a única empresa que pode comprar o gás natural do gasoduto Brasil-Bolí-</p><p>via e revender no Brasil. O mais comum é uma estrutura de oligopsônio. Ou seja,</p><p>há poucos compradores e inúmeros vendedores no mercado. De forma que um</p><p>grupo pequeno de empresas, chamados de oligopolistas, possuem poder de mer-</p><p>cado. Mas, em geral, um monopsônio configura um grande poder de mercado ao</p><p>comprador que acaba com a competitividade.</p><p>O mercado onde o monopsônio é mais comum é no mercado de trabalho.</p><p>Empresas muito grandes de um setor podem vir a ser as únicas empregadoras de</p><p>uma mão de obra específica desse mercado. Assim, os trabalhadores desse setor</p><p>não possuem outra escolha que não aceitar qualquer condição de trabalho dessa</p><p>empresa se querem trabalhar nesse ramo (PINDYCK; RUBINFELD, 2013).</p><p>O que resulta em salários baixos para os funcionários. Um exemplo é a in-</p><p>dústria de tecnologia. Existem poucas empresas de porte grande que demandam</p><p>por um determinado serviço engenharia de software. Esses engenheiros, por sua</p><p>vez, só têm a essas empresas como mercado de trabalho e precisam aceitar as</p><p>condições propostas. Por fim, a estrutura de monopsônio garante ao comprador</p><p>uma enorme vantagem no mercado por poder influenciar diretamente nos preços</p><p>que serão praticados. Dessa forma, prejudica os vendedores que precisam com-</p><p>petir por preço para continuarem no mercado (PINDYCK; RUBINFELD, 2013).</p><p>QUADRO 1 – RESUMO ESTRUTURAS DE MERCADOS</p><p>Estrutura</p><p>Número de</p><p>empresas</p><p>Diferenciação</p><p>de produtos</p><p>Condições</p><p>de entrada</p><p>e saída</p><p>Influência</p><p>sobre o preço</p><p>Concorrência</p><p>extrapreço</p><p>Exemplos</p><p>Concorrência</p><p>perfeita</p><p>Muitas</p><p>Produto Homo-</p><p>gêneo</p><p>Fácil Nenhuma</p><p>Não seria</p><p>possível e seria</p><p>ineficaz</p><p>Alguns produ-</p><p>tos agrícolas</p><p>Monopólio Uma</p><p>Produto Único</p><p>sem subsídios</p><p>próximos</p><p>Difícil Forte</p><p>Campanha pra</p><p>salvaguardar</p><p>sua imagem</p><p>Serviços</p><p>telefônicos</p><p>Concorrência</p><p>Monopolista</p><p>Muitas</p><p>Produto Dife-</p><p>renciado</p><p>Fácil Leve</p><p>Intensa para</p><p>algumas dife-</p><p>renças</p><p>Comércio</p><p>varejista,</p><p>restaurantes,</p><p>etc.</p><p>Oligopólio Poucas</p><p>Homogêneo ou</p><p>Diferenciado</p><p>Difícil Considerável</p><p>Intensa sobre-</p><p>tudo quando há</p><p>diferenciação</p><p>Homogêneo:</p><p>Alumínio</p><p>Diferenciado:</p><p>Automóveis</p><p>FONTE: Adaptado de Kupfer (2002)</p><p>21</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>1 De acordo com Maura Montella (2004, p. 38), o mercado é “o</p><p>conjunto de compradores e vendedores que interagem entre si.”.</p><p>E as estruturas de mercado são “as características de cada mer-</p><p>cado em função do número de compradores e vendedores e da</p><p>diferenciação ou homogeneidade dos produtos transacionados.”</p><p>Assim sendo, o mercado compreende a interação e o envolvi-</p><p>mento de compradores e vendedores. Sabendo que as principais</p><p>estruturas de mercado são: concorrência perfeita e monopolista,</p><p>oligopólio e monopólio, assinale a alternativa que NÃO represen-</p><p>te uma característica de empresas que atuam no mercado de</p><p>concorrência perfeita?</p><p>a) ( ) Oferta de diversos produtos serviços parecidos.</p><p>b) ( ) Muitas empresas competindo no mesmo mercado.</p><p>c) ( ) Produtos diferenciados.</p><p>d) ( ) Pouca diferença de preço dos produtos e serviços.</p><p>e) ( ) Qualquer empresa pode competir no neste modelo de mercado.</p><p>As estruturas oligopsônio, oligopólio e suas consequências de</p><p>mercado. No caso de oligopólio, quando algumas empresas detêm</p><p>todo o mercado (ou uma parte importante dele), o oligopsônio será</p><p>determinado. Não é um monopólio, mas também não é um mercado</p><p>competitivo. Como são poucas as empresas que vendem neste mer-</p><p>cado, elas têm grande influência no preço do produto. Outro fator é</p><p>a interdependência entre esses agentes – mudanças em um grupo</p><p>podem interferir em outros grupos.</p><p>Tanto o oligopsônio quanto o oligopólio têm um impacto negativo</p><p>no mercado. Embora não seja ilegal, essa prática tem sido registrada</p><p>como agente de conscientização</p><p>de cenários de vendas e compras</p><p>no Brasil e no mundo. Por serem poucos agentes em um determina-</p><p>do departamento, esses grupos concentram seus esforços na com-</p><p>pra e venda, podendo atuar em conjunto para intervir nos preços e</p><p>aumentar fatores como concentração de renda e desigualdade so-</p><p>cial. Além da possibilidade de formação de cartéis; os lucros nesses</p><p>casos são sempre maiores do que em um mercado mais competitivo,</p><p>onde a concorrência é marginalizada e os lucros elevados.</p><p>22</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Um conglomerado é uma forma de oligopólio, em que várias</p><p>empresas que operam em diferentes setores se reúnem para tentar</p><p>dominar um determinado produto e/ou serviço, geralmente adminis-</p><p>trado por uma holding. Um exemplo é uma grande empresa, nomea-</p><p>damente um trust, desde a extração de matérias-primas até ao trans-</p><p>porte dos seus produtos industrializados.</p><p>A Mitsubishi Corporation produz de tudo, de carros a canetas.</p><p>General Electric Company que produz lâmpadas, fogões, geladeiras,</p><p>aparelhos de ar condicionado etc.</p><p>Economias de escala: organizar o processo produtivo de forma a</p><p>maximizar a utilização dos fatores de produção envolvidos no processo,</p><p>buscando assim reduzir os custos de produção e aumentar os bens e</p><p>serviços. Isso ocorre quando a expansão da capacidade produtiva de</p><p>uma empresa ou indústria leva ao aumento da produção total sem au-</p><p>mento proporcional dos custos de produção. Portanto, à medida que a</p><p>produção aumenta, o custo médio do produto tende a diminuir</p><p>Diferenciação: os empreendedores fazem um esforço conscien-</p><p>te para fornecer tipos e qualidades diferentes de seus concorrentes.</p><p>Isso é chamado de diferenciação de produto. Também chamados de</p><p>empreendedores competitivos de qualidade. Na verdade, nossa ten-</p><p>tativa não é fornecer qualidade tecnicamente melhor, mas fornecer</p><p>produtos que, pelo menos em certa medida, parecem ser de melhor</p><p>ou melhor qualidade. Portanto, vemos que devido à capacidade li-</p><p>mitada dos consumidores de fazer julgamentos e comparações ra-</p><p>cionais, a diversidade de tipos e qualidades aparece naturalmente</p><p>(Vasconcelos, 2002).</p><p>2.3 COMPETITIVIDADE DOS</p><p>MERCADOS</p><p>Albuquerque (1992) define competitividade como “a habilidade de uma em-</p><p>presa em formular e implementar estratégias competitivas para que possa obter e</p><p>manter uma posição sustentável no mercado por muito tempo”.</p><p>23</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>Para determinar a estrutura do mercado, é importante analisar as forças do</p><p>mercado, ou seja, a capacidade dos vendedores ou compradores de influenciar</p><p>os preços. Afeta o bem-estar de consumidores e produtores e pode ser restringido</p><p>pelo governo. Nesse contexto, analisa-se o mercado competitivo (ou concorrência</p><p>perfeita), monopólio e monopsônio.</p><p>Segundo Poter (1993), as 5 forças de mercado são: 1: A ame-</p><p>aça de produtos alternativos. Força 2: Ameaça de entrada de novos</p><p>concorrentes. Vantagem três: poder de barganha dos clientes. Força</p><p>4: O poder de barganha do fornecedor. Vantagem 5: Competição en-</p><p>tre concorrentes.</p><p>Ainda contando com as forças de mercado, as empresas podem desenvol-</p><p>ver estratégias diferenciadas de preços e publicidade para se beneficiarem de</p><p>suas forças de mercado (isso não acontecerá em concorrência perfeita, pois,</p><p>como será mostrado, a empresa não tem poder de influenciar o mercado). Pindy-</p><p>ck (2013) também apontou um mercado com um número limitado de empresas,</p><p>desde a competição monopolística, em que muitas empresas vendem produtos</p><p>diferenciados, por meio de oligopólios e chegam a cartéis, em que grupos de em-</p><p>presas coordenam a tomada de decisões e atuam como monopolistas.</p><p>O mercado altamente competitivo oferece desafios e oportunidades aos in-</p><p>vestidores. Mas analisar esse tipo de competição nesses setores não é fácil.</p><p>Segundo Porter (1993), nessa competição, muitas medidas foram tomadas,</p><p>como redução de lucros e preços, expansão de lojas, redução de custos e forta-</p><p>lecimento do atendimento ao cliente. É justamente porque o mercado altamente</p><p>competitivo afetará o desempenho da empresa, é preciso entender sua dinâmica</p><p>para escolher a ação certa. A ferramenta que auxilia na investigação das melho-</p><p>res empresas nessa situação é chamada de 5 Forças de Porter.</p><p>Um mercado competitivo se refere a uma situação em que muitas empresas</p><p>vendem os mesmos tipos de produtos e serviços, formando um alto grau de con-</p><p>corrência, e uma única empresa não pode influenciar os preços.</p><p>Krugman e Robin (2016, p. 45) destacam que nesse ambiente existem mui-</p><p>tos compradores e vendedores. “Para ser mais preciso, o elemento básico de um</p><p>24</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>mercado competitivo é que nenhuma ação individual terá um impacto significativo</p><p>no preço de venda de bens ou serviços”, explica o autor. Na prática, isso significa</p><p>que a empresa precisa adotar os preços atuais de mercado para não perder com-</p><p>petitividade e clientes. Portanto, os preços seguem a lei da oferta e da demanda.</p><p>Ao contrário das empresas monopolistas, em um mercado altamente competitivo,</p><p>as empresas ocupam uma pequena quota de mercado e é difícil obter uma vanta-</p><p>gem competitiva.</p><p>Para o consumidor, a vantagem é que devido à concorrência os preços são</p><p>baixos e quase não há diferença entre produtos e serviços. É por isso que, nesta</p><p>situação, fidelizar clientes é um desafio para a empresa. Importância dos merca-</p><p>dos competitivos O mercado competitivo desempenha um papel importante na</p><p>economia porque estimula as empresas a aumentar a produtividade e a eficiência.</p><p>Devido à concorrência acirrada, melhorar os processos e a qualidade dos</p><p>produtos e serviços é fundamental para se manter competitivo. Além disso, seja</p><p>ao nível dos processos internos e da tecnologia de produção, seja ao nível dos</p><p>produtos disponibilizados aos consumidores, esta situação irá promover a inova-</p><p>ção. Em síntese, esses fatores impactam a economia, promovendo o crescimento</p><p>econômico e aumentando a competitividade dos diversos setores de um país. No</p><p>entanto, devido à concorrência e aos preços mais baixos, um mercado altamente</p><p>competitivo tende a reduzir as margens de lucro e lucratividade de uma empresa.</p><p>O crescimento econômico se refere ao aumento no número de</p><p>bens e serviços produzidos e vendidos por uma economia em um</p><p>determinado período de tempo. O crescimento econômico é um au-</p><p>mento contínuo da atividade econômica.</p><p>Portanto, tem impacto sobre o investimento da Bolsa de Valores. Para inves-</p><p>tidores que compram ações de empresas em setores altamente competitivos, é</p><p>necessário tomar cuidado com as margens de lucro mais baixas, que podem ter</p><p>um impacto negativo no desempenho das ações. Análise de competitividade de</p><p>mercado.</p><p>Uma ferramenta eficaz para analisar setores e empresas é chamada de 5</p><p>Forças de Porter. Foi criado por Michael Porter, um conhecido professor da Har-</p><p>vard Business School e fundador da Monitor Group Consulting.</p><p>25</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>FIGURA 4 – ESQUEMA AS 5 FORÇAS DE POTER</p><p>FONTE: Adaptado de Porter (1993)</p><p>Segundo Porter (1993), essa ferramenta divide a análise em cinco forças</p><p>competitivas:</p><p>1. Ameaças de produtos substitutos: identifique produtos concorrentes</p><p>que são semelhantes, idênticos ou que podem substituir o seu produto.</p><p>Quanto mais acirrada for a competição, maior será a probabilidade de</p><p>diminuição dos lucros e da participação de mercado de uma empresa.</p><p>2. A ameaça de entrada de novos concorrentes no mercado: ao analisar</p><p>os setores que investem em bolsa, avalia a possibilidade de entrada de</p><p>novos concorrentes no mercado que podem prejudicar a lucratividade do</p><p>negócio existente. O ideal é investir em ações de empresas diferentes</p><p>das concorrentes.</p><p>3. Poder de barganha dos clientes: essa vantagem é a capacidade dos</p><p>consumidores de negociar preços e pagar, o que afeta diretamente as</p><p>vendas.</p><p>Quanto mais acirrada for a competição no mercado, maior será</p><p>o poder de barganha dos clientes.</p><p>4. Poder de barganha do fornecedor: a próxima etapa é determinar o po-</p><p>der de barganha do fornecedor e seu impacto no bom funcionamento do</p><p>negócio. Por exemplo, se uma empresa tiver apenas um fornecedor, seu</p><p>controle sobre o processo de vendas será reduzido.</p><p>5. Concorrência entre concorrentes: a concorrência entre concorrentes é o</p><p>grau de concorrência no setor que você está analisando. Lembre-se de</p><p>26</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>que quanto mais competitivo o mercado, menores as margens de lucro e</p><p>os retornos das ações das pequenas empresas tendem a ser menores.</p><p>Com essas cinco forças em mente, você tem uma direção para analisar a</p><p>posição de mercado de sua empresa e mapear em quais vale a pena investir.</p><p>Porém, é preciso lembrar que outras ferramentas como análise gráfica, monito-</p><p>ramento de tendências e avaliação das demonstrações financeiras também são</p><p>importantes para o investimento em Bolsa.</p><p>Diversificação: refere-se à expansão da empresa para novos</p><p>mercados diferentes de suas áreas originais de negócios, com o ob-</p><p>jetivo de expandir o potencial de acumulação que afeta o ritmo de</p><p>crescimento do negócio.</p><p>Inovação: É entendida como o resultado da busca contínua de</p><p>lucros extraordinários. Ao obter vantagem competitiva entre os agen-</p><p>tes (empresas), os agentes (empresas) buscam ganhar expertise em</p><p>tecnologia e mercados (processos produtivos, produtos, insumos, or-</p><p>ganizações, mercados, clientes, serviço pós-venda).</p><p>3 MACROECONOMIA</p><p>Macroeconomia é o estudo do comportamento geral da economia. A econo-</p><p>mia “ocorre” todos os dias na interação entre indivíduos e instituições. Eles pre-</p><p>cisam integrar as medidas especiais e gerais que usam para entender a relação</p><p>macroeconômica (KRUGMAN, 2016).</p><p>O objetivo da macroeconomia é entender quais fatores vão mudar a realida-</p><p>de econômica do país. E o quanto eles têm de efeito a esse respeito e quais são</p><p>os atos dessas mudanças no desenvolvimento nacional.</p><p>Macroeconomia é um campo de pesquisa da economia, que é responsável</p><p>por analisar fatores em uma determinada região ou sistema econômico de um</p><p>país. A análise da macroeconomia é global e não considera as características ou</p><p>comportamentos individuais. Portanto, a macroeconomia tem uma abordagem</p><p>global para unidades econômicas individuais e mercados específicos. Por exem-</p><p>27</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>plo, a teoria considera apenas o nível geral de preços e não considera as mudan-</p><p>ças nos preços das commodities em diferentes setores (PINDYCK, 1995).</p><p>Neste estudo, pretende-se estabelecer os alguns fundamentos da Macroeco-</p><p>nomia, para que o aluno tenha uma base teórica a respeito de fatores importantes</p><p>para investimentos,</p><p>Metas de política macroeconômica</p><p>As políticas macroeconômicas, como toda política, têm objetivos a serem al-</p><p>cançados. Essas metas incluem: alto nível de emprego, estabilidade de preços,</p><p>distribuição de renda e crescimento econômico. Um alto nível de emprego é im-</p><p>portante porque as pessoas podem receber um salário e comprar mercadorias.</p><p>Por outro lado, o desemprego gera pouca demanda, resultando na permanência</p><p>dos produtos nas prateleiras. Portanto, se não houver demanda para o produto, a</p><p>produção será reduzida e, portanto, o lucro será reduzido. Portanto, as pessoas</p><p>estão preocupadas com o nível de emprego a fim de encontrar um equilíbrio entre</p><p>a demanda e a oferta. Um dos fatores que afetam a estabilidade de preços é a</p><p>chamada inflação. É responsável pelo aumento sustentado e generalizado dos</p><p>níveis de preços.</p><p>No entanto, segundo Mankiw (2009), geralmente se acredita que uma infla-</p><p>ção menor é parte do ajuste social em evolução, porque esse progresso econômi-</p><p>co é difícil de ser alcançado sem aumentar os preços. Os países em desenvolvi-</p><p>mento se concentram na análise da inflação, enquanto os países industrializados</p><p>se concentram no desemprego. A justa distribuição de renda também é uma meta</p><p>macroeconômica, tanto no nível individual quanto no nível regional. Observa-se</p><p>que esse hiato está aumentando a cada dia, ou seja, os ricos estão cada vez mais</p><p>ricos e os pobres cada vez mais pobres.</p><p>No entanto, Garcia e Vasconcellos (2002, p. 86) apontaram que “[...] as rendas</p><p>de todas as classes aumentaram. O problema é que embora os pobres tenham se</p><p>tornado menos pobres, os ricos tornaram-se relativamente mais ricos [...] “. O inte-</p><p>ressante é que os ricos nunca perderão, pelo contrário, sua riqueza só aumentará.</p><p>Talvez haja uma maneira de equilibrar a distribuição de renda e reduzir aque-</p><p>les que têm muito. Quanto ao crescimento econômico, há dúvidas sobre sua</p><p>importância como principal objetivo da política econômica. Tudo isso porque o</p><p>crescimento econômico fornece às comunidades mais bens e serviços do que o</p><p>crescimento populacional.</p><p>Com esse processo, novas indústrias surgiram e trouxeram poluição – dete-</p><p>rioração da qualidade ambiental –, e aumento da renda – cuja redistribuição bene-</p><p>28</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>ficiou as pessoas mais ricas da população. Esse avanço econômico visa estimular</p><p>as atividades produtivas para o incremento da produção nacional, o que ocorre</p><p>quando ocorrem o desemprego e a ociosidade da capacidade produtiva.</p><p>Segundo Mankiw (2009), para manter e melhorar a realidade econômica de</p><p>um país o governo dispõe de algumas políticas macroeconômicas principais como:</p><p>Política Fiscal, Política Monetária, Política Cambial e Comercial, Política de Rendas:</p><p>• Política Fiscal: envolve ferramentas que o governo pode usar para cole-</p><p>tar impostos e doações e controlar seus gastos. Também é usado para</p><p>incentivar ou reduzir os gastos do setor privado.</p><p>• Política Monetária: nesse sentido, o governo age com base na quantidade</p><p>de moeda e títulos do governo. Os recursos disponíveis incluem a emis-</p><p>são, compra e venda de títulos, ajuste de crédito e taxas de juros etc.</p><p>• Política Cambial e Comercial: ambos atuam nos setores externos da</p><p>economia. A política cambial envolve ações do governo sobre as taxas</p><p>de câmbio. O governo define ou permite taxas de câmbio flexíveis por</p><p>meio do banco central. A política comercial refere-se às ferramentas para</p><p>estimular as exportações – estímulo fiscal e taxas de juros subsidiadas –</p><p>e controles de importação, com tarifas e barreiras mais altas.</p><p>• Política de Rendas: refere-se à intervenção do governo na formação da</p><p>receita por meio do controle e congelamento de preços. Esse controle de</p><p>preços e salários se dá por meio do combate a aumentos sustentados e ge-</p><p>neralizados de preços, ou seja, a inflação. As políticas anti-inflacionárias do</p><p>Brasil incluem salários mínimos, congelamento de preços e salários etc.</p><p>Vídeo: Noções de Macroeconomia</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=ucAouUQQmPs</p><p>29</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>A teoria de Keynes é baseada no princípio de que os consumidores usam a</p><p>proporção de seus gastos com bens e poupança em função da renda (KEYNES,</p><p>1936). Para que a crise termine, deve haver intervenção do Estado para aumentar</p><p>a demanda efetiva, aumentando os gastos públicos.</p><p>Essa parte da pesquisa econômica é chamada de teoria da determinação</p><p>do equilíbrio da renda nacional, ou modelo keynesiano básico, que se divide em</p><p>aspectos físicos (mercados de bens e serviços e mercado de trabalho) e aspectos</p><p>monetários (mercados de moeda e títulos). O keynesianismo ou keynesianismo</p><p>é uma economia política que defende o país como um agente ativo contra a re-</p><p>cessão e o alto desemprego. Ao exigir um governo maior como o tomador de</p><p>decisões da economia de um país, o keynesianismo produziu uma oposição ao</p><p>liberalismo, que é uma ideia de defender o menor país possível (MANKIW, 2009).</p><p>Assim, o multiplicador keynesiano é multiplicado pelos gastos independentes</p><p>mais o investimento para determinar a renda. O aumento da despesa autônoma</p><p>por meio do investimento não só levará a um aumento na demanda agregada,</p><p>mas também aumentará a renda por meio da propensão a consumir.</p><p>Audiobook: A Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=1iurJaBraOk</p><p>30</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>3.1 MOEDA</p><p>O dinheiro é comumente reconhecido como um meio de troca aceito no pa-</p><p>gamento de bens, serviços e dívidas. Além disso, a moeda serve para mensurar o</p><p>valor relativo que algum tipo de riqueza ou serviço possui. O preço de cada mer-</p><p>cadoria é atribuído por meio de um número específico de moedas ou cédulas que</p><p>demarcam a quantidade a ser paga por esse bem, no entanto, nem sempre uma</p><p>única moeda serve de referência para uma mesma localidade. Mesmo trazendo</p><p>maior mobilidade para o empreendimento de transações comerciais, a moeda não</p><p>é usada em todas as economias do mundo (MANKIW, 2009).</p><p>Diversas sociedades e regiões preservam o uso da troca em sua economia.</p><p>De forma geral, os produtores inseridos neste tipo de economia utilizam dos exce-</p><p>dentes de sua produção para estabelecerem alguma forma de escambo. Ao longo</p><p>do tempo, a diversificação dos produtos dificultou a realização desse tipo de troca</p><p>natural. Foi nesse contexto que os primeiros tipos de moeda começaram a ser</p><p>estipulados (CURADO, 2017).</p><p>Geralmente, para estabelecer algum padrão monetário, os comerciantes cos-</p><p>tumavam utilizar algum tipo de mercadoria de grande procura. Segundo Weather-</p><p>ford (1999), Na Grécia Antiga, o boi (que era chamado pekus) foi utilizado como</p><p>referência nas trocas comerciais. Uma outra mercadoria comumente utilizada foi</p><p>o sal, que foi usado como moeda entre os romanos e etíopes. O metal passou a</p><p>ser utilizado por algumas culturas na medida em que o mesmo começou a ganhar</p><p>espaço na cultura material desses povos. O fácil acesso, o apelo estético e as</p><p>facilidades de mensuração e transporte fizeram dele um novo tipo de moeda. Em</p><p>um primeiro momento, os metais utilizados no comércio eram usados in natura</p><p>ou sobre a forma de objetos de adorno como os anéis e braceletes (WEATHER-</p><p>FORD, 1999).</p><p>Foi só mais tarde que o metal passou a ser padronizado para fins comerciais.</p><p>A cunhagem padronizada de moedas fez com que as peças de metal tivessem um</p><p>grau de pureza e uma pesagem específica. Além disso, as medas sofreram um</p><p>processo de cunhagem onde a origem da moeda e a representação de algum rei-</p><p>no ou governante ficariam registrados. Uma das mais antigas moedas com o rosto</p><p>de um monarca foi feita em homenagem ao rei macedônico Alexandre, O Grande</p><p>(WEATHERFORD, 1999).</p><p>As reuniões dessas informações fizeram com que estes artefatos servissem</p><p>de fonte de investigação histórica. As primeiras ligas metálicas utilizadas na fa-</p><p>bricação de moedas foram o ouro e a prata. O uso desses metais se justifica por</p><p>seu difícil acesso, a beleza de seu brilho, a durabilidade de seu material e sua</p><p>31</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>vinculação com padrões estéticos e religiosos de uma cultura. Entre os babilônios,</p><p>por exemplo, prata e ouro eram relacionados com a adoração da lua e do sol,</p><p>respectivamente.</p><p>De acordo com Guerra (2005), ao longo dos séculos a requisição de jazidas</p><p>de ouro e de prata para a fabricação de moedas acabou se tornando cada vez</p><p>mais difícil. Por isso, o papel moeda acabou ganhando maior espaço no desen-</p><p>volvimento das transações comerciais. Na Baixa Idade Média, a falta de moedas</p><p>motivava os comerciantes das feiras a utilizarem letras de câmbio para o estabe-</p><p>lecimento de alguma negociação e a partir do século XX, as moedas são mais uti-</p><p>lizadas para o pagamento de quantidades de baixo valor. A perda de espaço para</p><p>o papel-moeda fez com que as moedas metálicas agora fossem mais valorizadas</p><p>por sua durabilidade do que por sua beleza (GUERRA 2005).</p><p>Vídeo: Política Monetária e Fiscal</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=YB8y2PeEpVs</p><p>O rápido processo de circulação de valores e a complexificação de econo-</p><p>mias cada vez mais integradas, fizeram com que as moedas fossem substituídas</p><p>por outras formas de pagamento, como o cheque e o cartão de crédito. Mesmo</p><p>notando todas essas transformações no uso das moedas, não podemos consi-</p><p>32</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>derá-la uma vítima de um processo de “evolução natural” da história econômica.</p><p>Cada tipo de lastro econômico foi criado conforme as necessidades geradas por</p><p>certa cultura ou sociedade.</p><p>A moeda é um ativo que é aceite como meio de pagamento. Cumpre ainda</p><p>duas outras funções: é uma unidade de medida do valor e é um meio de reserva</p><p>de valor. Beneficiariam dos juros do ativo, e também da liquidez da moeda (BER-</p><p>NARDO; BERNARDELLI, 2019).</p><p>3.2 SISTEMA FINANCEIRO</p><p>Segundo Gonçalves e De Sousa (2018), o Sistema Financeiro Nacional (SFN)</p><p>é composto por um conjunto de entidades e instituições que facilitam a intermedia-</p><p>ção financeira, ou seja, reuniões entre credores e tomadores. Operadores são insti-</p><p>tuições que prestam serviços financeiros e atuam como intermediários.</p><p>O sistema financeiro nacional brasileiro é composto por um conjunto de insti-</p><p>tuições dedicadas à gestão da política monetária do governo federal, independen-</p><p>temente de ser uma instituição financeira. O Banco Central do Brasil propõe sub-</p><p>dividir o sistema financeiro nacional em três níveis, a saber, agências reguladoras,</p><p>entidades reguladoras e operadores financeiros (IANONI, 2010). Prédio da Sede</p><p>do Banco Central, em Brasília, conforme art. Artigo 192 da Constituição Federal:</p><p>“Um sistema financeiro nacional construído de forma a promover o desenvolvi-</p><p>mento equilibrado do país e atender aos interesses da comunidade, todos os seus</p><p>componentes, inclusive as cooperativas de crédito, estarão sujeitos à fiscalização</p><p>complementar. estipulou que o capital estrangeiro participa na formação do mes-</p><p>mo A lei da instituição”.</p><p>A formação do sistema financeiro teve início com a chegada da família real</p><p>portuguesa em 1808, quando foi criado o Banco do Brasil. Com o tempo, novas</p><p>instituições surgiram, como a Inspetoria Geral de Bancos (1920), a Câmara do</p><p>Rio de Janeiro (1921) e São Paulo (1932), além de outros bancos privados e cai-</p><p>xas econômicas que fortaleceram o sistema (CNF, 2021).</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram novas instituições financeiras</p><p>mundiais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Em 1945,</p><p>foi criada a Autoridade Monetária e de Supervisão de Crédito (SUMOC), que fu-</p><p>turamente, de acordo com a Lei nº 4.595 de 1964, dará lugar ao Banco Central</p><p>do Brasil. Nas décadas de 1950 e 1960, com a criação do BNDES, do sistema fi-</p><p>nanceiro habitacional, do Banco Nacional da Habitação e da Comissão Monetária</p><p>Nacional, o país vivenciou um novo ciclo econômico e o sistema financeiro nacio-</p><p>33</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>nal passou a ser supervisionado pela CMN (Comissão Monetária Nacional), e os</p><p>bancos centrais (BC, BaCen ou BCB), que passam a ser as principais instituições</p><p>do sistema (CNF, 2021).</p><p>O surgimento dos bancos de investimento e a comodidade do CMN para as</p><p>empresas obterem recursos externos aumentaram os fluxos de capitais no país.</p><p>Em 12 de julho de 1976, foi criada a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para</p><p>facilitar a captação de recursos pelas empresas, e o Sistema Especial de Liquida-</p><p>ção e Custódia (SELIC), instituído em 1979, passou a custodiar e liquidar títulos</p><p>junto ao governo, como letras do tesouro e ajustáveis letras do tesouro (CNF, 2021).</p><p>Vídeo: O que causa a inflação e porque as taxas de juros so-</p><p>bem?</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Yw0Vc30vkLA</p><p>A Constituição de 1988 visa construir um sistema financeiro nacional para</p><p>promover o desenvolvimento e o equilíbrio do país, servir aos interesses sociais e</p><p>à estabilidade</p><p>econômica e dar ao sistema financeiro nacional uma nova aparên-</p><p>cia. Mercados como os de previdência privada estão começando a se fortalecer e</p><p>requerem mais atenção. Em 1996, foi criado o Copom durante a gestão de FHC</p><p>(Fernando Henrique Cardoso), vinculado ao BCB, que estabeleceu diretrizes de</p><p>política monetária, como a taxa de juros SELIC (LOBATO, 2017).</p><p>34</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>2 Cite e explique duas políticas macroeconômicas e suas fer-</p><p>ramentas, e explique como elas afetam a realização dos</p><p>objetivos da política macroeconômica.</p><p>3.3 TAXA DE JUROS</p><p>Os juros são a taxa cobrada pelo empréstimo de dinheiro (ou outros itens). É</p><p>expresso como uma porcentagem do valor emprestado (taxa de juros) e pode ser</p><p>calculado de duas formas: juros simples ou juros compostos. Os juros podem ser</p><p>entendidos como a “renda” de uma moeda.</p><p>Sobre o conceito de juros</p><p>O conceito de juros é bastante antigo. Aparece quando as pes-</p><p>soas percebem a relação entre dinheiro e tempo. A ideia de que o</p><p>processo de acumulação de capital e desvalorização da moeda le-</p><p>vará a juros. A tabela antiga trata da distribuição dos produtos agrí-</p><p>colas e dos cálculos aritméticos com base nessas transações. Os</p><p>antigos sumérios estavam familiarizados com várias leis e contratos</p><p>costumeiros, como faturas, recibos, notas promissórias, crédito, juros</p><p>simples e compostos, hipotecas, contratos de vendas e endossos.</p><p>As tabelas matemáticas envolvem multiplicação, tabelas inversas de</p><p>multiplicação, tabelas quadradas e cúbicas e tabelas exponenciais</p><p>que podem ser usadas para problemas de juros compostos.</p><p>Na Babilônia, 2000 a.C., a primeira indicação parece ser o pa-</p><p>gamento de juros pelo uso de sementes ou outras conveniências</p><p>emprestadas. Esses juros são pagos na forma de bens materiais ou</p><p>sementes. Muitos costumes existentes têm suas raízes nesses cos-</p><p>tumes antigos. Em 575 a.C., já existia uma empresa internacional de</p><p>banqueiros com escritórios na Babilônia. Sua renda vem das altas</p><p>taxas de juros cobradas pelo uso de seu dinheiro para financiar o</p><p>comércio internacional. Quando as sementes são emprestadas para</p><p>semeadura, elas são pagas na próxima colheita – dentro de um ano.</p><p>Assim, o cálculo dos juros é feito de forma corrente, de acordo com</p><p>as necessidades de cada período; desta forma, novos métodos de</p><p>35</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>tratamento da relação tempo-juros (juros semestrais, bimensais, diá-</p><p>rios etc.) são criados.</p><p>Sobre compra e venda de produtos</p><p>A primeira manifestação do comércio é a troca direta de mercado-</p><p>rias: o escambo. Nessa troca, algumas mercadorias são mais procu-</p><p>radas do que outras, assumindo a função de moeda-mercadoria (sal,</p><p>vaca, madeira brasileira, açúcar, cacau, fumo e tecido). O sal produziu</p><p>a palavra salário. Depois que o metal foi descoberto, os humanos co-</p><p>meçaram a usá-lo para fazer utensílios, tornando seu uso benéfico e</p><p>foi eleito como o principal padrão de valor monetário, e apareceu o</p><p>primeiro lote de moedas. Devido à necessidade de guardar moedas,</p><p>surgiram comerciantes com cofres e porteiros. Eles concordaram em</p><p>economizar o dinheiro do cliente fornecendo um recibo por escrito.</p><p>Como resultado, notas de banco e instituições bancárias surgiram.</p><p>Fonte:http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/matematica/</p><p>condigital2/midias/experimentos/Compras /historico.html</p><p>Na economia real, as taxas de juros baixas favorecem o consumo e a pro-</p><p>dução. Por outro lado, o mercado de ações e o dólar americano, que são investi-</p><p>mentos em renda variável, podem ser favorecidos por taxas de juros mais baixas,</p><p>que serão detalhadas a seguir.</p><p>Qual a importância das taxas de juros para a economia? A taxa de juros é</p><p>o instrumento de política monetária mais importante do banco central. Por meio</p><p>dela, a autoridade monetária influencia o nível e o preço da atividade econômica.</p><p>A mera expectativa de mudança é suficiente para ter um impacto econômico.</p><p>Selic é a taxa básica de juros da economia. É a principal ferramenta de po-</p><p>lítica monetária utilizada pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Afeta</p><p>todas as taxas de juros do país, como taxas de juros de empréstimos, financia-</p><p>mentos e aplicações financeiras (BRESSER-PEREIRA, 1996).</p><p>Quando foi criada a taxa de câmbio Selic? A taxa de juros foi fixada pelo</p><p>Banco Central do Brasil e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado</p><p>Aberto em 1979 para tornar as transações de títulos do governo mais seguras e</p><p>transparentes. Antes disso, o registro das transações de títulos do governo era</p><p>feito manualmente. Com a criação do sistema, a emissão de títulos e cheques em</p><p>papel passou a ser registro eletrônico, permitindo que as transações fossem con-</p><p>cluídas no mesmo dia da execução.</p><p>36</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Essa infraestrutura de mercado financeiro administrada pelo BC movimenta</p><p>diariamente mais de 100 bilhões de reais e é uma ferramenta de controle das</p><p>reservas bancárias. O sistema impede a conclusão das operações se a parte en-</p><p>volvida na negociação violar o contrato. Com a popularização dessa ferramenta,</p><p>a taxa média de juros calculada para os ajustes diários dos financiamentos passa</p><p>a se chamar Selic. Em 1996, foi criado o sistema de intervalos de taxas de juros,</p><p>que coexistia com a Selic como parâmetro da economia brasileira (BRESSER-</p><p>-PEREIRA, 1996).</p><p>O índice foi extinto pelo BC em 1999 e substituído pela Selic com as carac-</p><p>terísticas de hoje: definição de meta pelo Copom e indicação de trajetória de alta</p><p>ou de baixa. A maior taxa de juros da história A maior taxa de juros Selic da his-</p><p>tória foi registrada em 1989, período em que a economia brasileira sofreu com a</p><p>hiperinflação. Em 2 de fevereiro daquele ano, o índice apurado naquele dia era de</p><p>3,626%. A maior Selic acumulada em 12 meses ocorreu em 26 de dezembro, e a</p><p>taxa de juros composta atingiu 115.334,03%.</p><p>No período do Plano Real, a maior taxa Selic foi em novembro de 1997, quan-</p><p>do estava em 45,90% ao ano. Na época, o Banco Central do Brasil decidiu aumen-</p><p>tar as taxas de juros para compensar a depreciação acelerada da taxa de câmbio,</p><p>mantendo assim o interesse dos investidores internacionais nos títulos da dívida</p><p>pública. A menor taxa Selic A menor taxa Selic da história ocorreu entre agosto de</p><p>2020 e março de 2021, quando o índice estava no patamar de 1,90% ao ano.</p><p>Vídeo - Plano Real 1994 - Parte 01</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=sJEyuao0rHw</p><p>37</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>Vídeo - Plano Real 1994 - Parte 02</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=m2aiA8NC66A</p><p>Nesse período, o Copom estabeleceu uma meta de 2% ao ano para ten-</p><p>tar estimular a economia na crise provocada pelo coronavírus. Com o avanço da</p><p>vacinação e o início da recuperação econômica, o Copom marca o fim do ponto</p><p>baixo e a tendência de elevação dos juros. Como a Selic afeta a economia? Por</p><p>sua relação com a oferta de crédito e o nível de consumo do país, as oscilações</p><p>da taxa de juros Selic têm impacto direto no controle da inflação (BRESSER-PE-</p><p>REIRA, 1996).</p><p>GRÁFICO 1 – TAXA DE JUROS NOMINAL (OVER/SELIC)</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3dmoTFF>. Acesso: 29 nov. 2021.</p><p>38</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>As altas taxas de juros dificultam a obtenção de crédito pessoal e financia-</p><p>mento e, ao mesmo tempo, afetam as despesas com cartão de crédito e redu-</p><p>zem as compras a prazo. Com isso, o consumo tende a diminuir, principalmente</p><p>em bens e serviços, levando à desaceleração da economia e enfraquecendo a</p><p>trajetória de alta da inflação. Por outro lado, taxas de juros mais baixas terão o</p><p>efeito oposto. Nesse caso, o setor imobiliário é um dos mais benéficos porque o</p><p>financiamento facilita a compra de um imóvel. Isso também estimula a criação de</p><p>oportunidades de emprego, que completa o ciclo com o aumento</p><p>do consumo e o</p><p>crescimento de toda a economia.</p><p>No que diz respeito aos investimentos, a redução da Selic reduzirá a atrati-</p><p>vidade dos investimentos em renda fixa. Por exemplo, devido ao baixo nível do</p><p>índice, a poupança torna-se um dos investimentos menos lucrativos. Nesse caso,</p><p>os investidores tendem a direcionar seus investimentos para renda variável, que</p><p>pode proporcionar maiores retornos.</p><p>Com o aumento da taxa básica de juros, essa tendência foi revertida. Outro</p><p>efeito da volatilidade da Selic na economia está relacionado ao mercado de câm-</p><p>bio. Por causa das taxas de juros mais altas, os investidores estrangeiros serão</p><p>atraídos por rendimentos mais altos dos títulos do governo. A expansão da circu-</p><p>lação do dólar auxilia na valorização do real.</p><p>4 CENÁRIOS ECONÔMICOS PARA</p><p>INVESTIMENTOS</p><p>Os cenários econômicos incluem análises macroeconômicas, que discutem</p><p>a evolução dos principais indicadores econômicos para garantir a consistência do</p><p>cenário, bem como as projeções setoriais, com foco em grandes setores consumi-</p><p>dores de energia.</p><p>Ao escolher quais investimentos farão parte do portfólio, muitas pessoas pro-</p><p>curam entender a situação econômica atual. Por meio dessa avaliação, as perspec-</p><p>tivas econômicas e seu impacto sobre o investimento podem ser determinados.</p><p>Nesse processo, faz sentido usar indicadores econômicos de referência e</p><p>encontrar as melhores oportunidades com base em seus resultados. Ao mesmo</p><p>tempo, você também deve considerar suas características como investidor ao to-</p><p>mar uma decisão. Verifica o impacto dos cenários sobre o investimento e como</p><p>consta-los na tomada de decisão.</p><p>39</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>4.1 IMPORTÂNCIA DOS CENÁRIOS</p><p>ECONÔMICOS</p><p>Como avaliar a situação econômica atual?</p><p>Como o objetivo é entender o impacto da conjuntura econômica nas deci-</p><p>sões de investimento, é necessário entender quais fatores afetarão os resulta-</p><p>dos. Nesse sentido, vale a pena recorrer aos indicadores do cenário econômico.</p><p>Como, taxa SELIC, IPCA e PIB (Mankiw, 2009).</p><p>A taxa de juros Selic é a taxa básica de juros da economia. É definida pelo</p><p>Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (Bacen) a cada 45 dias</p><p>(COPOM, 2021). O comitê pode escolher mantê-la, aumentá-la ou reduzi-la. Você</p><p>verá como ela afeta os investimentos, mas também é importante entender seus</p><p>impactos na economia: quando está elevada, torna o crédito mais caro e imple-</p><p>menta uma política contracionista; quando está baixa, facilita o consumo e busca</p><p>ajudar o desenvolvimento econômico.</p><p>O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a taxa oficial de</p><p>inflação do Brasil. Quanto maior o índice do IPCA, maior a inflação, portanto, com</p><p>o passar do tempo, maior será a perda de poder aquisitivo e do valor da moeda</p><p>(COPOM, 2021).</p><p>Por sua vez, o produto interno bruto (PIB) mede toda a riqueza acumulada no</p><p>país naquele ano. É considerada uma medida de progresso econômico e indica se</p><p>há crescimento, estagnação ou recessão. Dependendo das perspectivas econômi-</p><p>cas desses indicadores, diferentes medidas são tomadas para reverter os resulta-</p><p>dos negativos ou consolidar o bom desempenho. Portanto, a atratividade do investi-</p><p>mento tende a flutuar com a situação econômica de um país (MANKIW, 2009).</p><p>Além disso, é interessante analisar o cenário internacional.</p><p>Complemente a medição da taxa de câmbio monitorando as mudanças nas</p><p>taxas de juros internacionais e as perspectivas de crescimento (SICSÚ, 2009).</p><p>Afinal, o que acontece em outros mercados muitas vezes se reflete em cenários</p><p>internos. Como os indicadores econômicos afetam o investimento? Agora que</p><p>você entende como o cenário econômico é estruturado e afetado por indicadores,</p><p>precisa entender como eles afetam o investimento. Portanto, observe como cada</p><p>elemento afeta o retorno do investimento.</p><p>Taxa Selic: A taxa Selic é um dos principais benchmarks da renda fixa e, por</p><p>isso, afeta diretamente o resultado de investimentos dessa classe, assim quando</p><p>40</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>a Selic sobe, por exemplo, o retorno de títulos pós-fixados do Tesouro Nacional</p><p>é ampliado (SICSÚ, 2009). Como o Tesouro Selic passa a pagar mais, a dívida</p><p>pública também aumenta. Além disso, a variação da Selic afeta outros investimen-</p><p>tos de renda fixa, em especial os pós-fixados. Isso porque muitos títulos rendem</p><p>de acordo com o certificado de depósito interbancário (CDI), que fica apenas um</p><p>pouco abaixo da Selic. Então, quando a taxa de juros se eleva, o retorno do CDI</p><p>também aumenta. Nesse cenário, a renda fixa se torna mais atraente para os</p><p>investidores, já que há uma ampliação do retorno com riscos menores. Por outro</p><p>lado, o mercado de ações é afetado negativamente (ASSAF NETO, 2001).</p><p>Taxa Selic</p><p>Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=pj7Oe4BVJl0</p><p>Além de a renda variável ficar menos atraente com as taxas mais altas na</p><p>renda fixa, o impacto no consumo também se reflete nos resultados dos negó-</p><p>cios. No caso da queda da Selic, o cenário é o contrário. A renda fixa fica menos</p><p>interessante e o mercado de ações tende a sair ganhando (SICSÚ, 2009). Afinal,</p><p>o consumo é estimulado e o acesso ao crédito é mais fácil. Inflação A taxa de</p><p>inflação também afeta os investimentos à medida que pode corroer a rentabili-</p><p>dade. Quanto maior for a expectativa de inflação, maior deverá ser o retorno dos</p><p>investimentos, para que haja um ganho real. Além disso, o avanço da inflação</p><p>41</p><p>Conceitos Básicos de EconomiaConceitos Básicos de Economia Capítulo 1</p><p>pode levar a um aumento do custo produtivo e em cadeia, até chegar ao cliente</p><p>final. Por isso, as empresas tendem a ser afetadas e o cenário econômico pode</p><p>se deteriorar.</p><p>PIB Os resultados do PIB afetam os investimentos por duas questões princi-</p><p>pais. A primeira é que um resultado positivo representa uma economia em cres-</p><p>cimento, o que traz mais confiança para os negócios e para o mercado. Quando</p><p>o crescimento fica abaixo do esperado ou mesmo quando há recessão, é comum</p><p>que as famílias evitem se endividar, diminuindo o consumo. As empresas também</p><p>lucram menos e contratam menos, o que afeta toda a economia. Além disso, o</p><p>segundo fator é que um crescimento econômico costuma atrair recursos de inves-</p><p>tidores estrangeiros. O contrário tende a levar à retirada de recursos para outros</p><p>países, enfraquecendo o cenário interno (ASSAF NETO, 2001).</p><p>3 Como o cenário econômico interfere na avaliação dos pro-</p><p>jetos de investimento?</p><p>Como conhecer e acompanhar o cenário econômico atual? Já que o cenário</p><p>econômico atual pode gerar impactos na tomada de decisão do investimento, é</p><p>essencial saber como acompanhá-lo. Para ter acesso a informações confiáveis</p><p>e constantemente atualizadas, é interessante conferir o Relatório Focus. Ele é</p><p>elaborado pelo Banco Central, que pesquisa junto a dezenas de instituições finan-</p><p>ceiras as expectativas de mercado para os principais indicadores. O documento</p><p>é publicado semanalmente e traz projeções para os próximos meses e anos. Sua</p><p>disponibilização é gratuita e atua como uma bússola para incorporar os efeitos</p><p>dos indicadores econômicos no desempenho do mercado financeiro.</p><p>42</p><p>Fundamentos de Economia Mercado de Capitais e Investimentos</p><p>Taxa de Cambio</p><p>Acesso: https://www.youtube.com/watch?v=9NPrk8shm1k</p><p>Então podemos perguntar:</p><p>Qual é a relevância do cenário econômico nos investimentos?</p><p>Do ponto de vista econômico, o país vive um período difícil, que não é novi-</p><p>dade para ninguém. Nesse caso, é comum descobrir que os investidores se preo-</p><p>cupam em tomar decisões sobre seus investimentos. Afinal, como o cenário eco-</p><p>nômico se relaciona com os investimentos?</p><p>Conhecer os antecedentes do mercado e da economia é essen-</p><p>cial para qualquer investidor interessado em tomar a melhor decisão</p><p>sobre o seu investimento. Portanto, os investidores devem sempre en-</p><p>tender o que está acontecendo ao seu redor e até mesmo</p>

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