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<p>2</p><p>Universidade Federal Fluminense</p><p>Curso de Administração Pública</p><p>Disciplina: Ciência Política</p><p>Nome:</p><p>Polo: Campo Grande</p><p>Matrícula:</p><p>Atividade a Distância 1</p><p>A tipologia clássica das formas de poder baseia-se na elaboração de Aristóteles e é definida de acordo com os fins do seu exercício em três tipos de poder: paterno, despótico e político. O poder paterno é aquele em que o pai é sujeito, o filho é o objeto e o interesse, ou seja, o poder é exercido de tal forma que se obtenha o melhor para o filho. O poder despótico onde o sujeito é o senhor e o objeto é o escravo tem como fim o interesse do sujeito, exercido sem controle e sem limite para atender as vantagens dos senhores e considerando os escravos meros instrumentos. O poder político, que possui os governantes como sujeito e os governados como objeto, tem como fim o interesse de ambos, ou seja, deve ser tal que não privilegie um em detrimento do outro.</p><p>Considerando que o poder político deve ser exercido mediante o interesse de governantes e governados, mas constatando que esta não é sempre a realidade, Aristóteles elaborou a tipologia das formas de governo, que classifica as formas de poder político em seis categorias, sendo três regimes justos e três regimes corruptos: Monarquia, Aristocracia, Politeia, Tirania, Oligarquia e Democracia. O bom governo é caracterizado por ser exercido no interesse de governantes e governados (como a princípio deveriam ser todas as formas), com as categorias diferenciando-se conforme o número de governantes. Assim, a Monarquia é exercida por um só indivíduo (o rei), a Aristocracia por um grupo minoritário (os aristocratas) e a Politeia pela maioria (um grupo majoritário). Contrapondo-se a essas três primeiras categorias, há as formas degeneradas ou mau governo que são exercidas para satisfação do interesse de quem governa, ou seja, despoticamente. Tem-se a Tirania onde há um só indivíduo exercendo o poder, a Oligarquia, em que a minoria mais rica exerce o poder sobre a maioria mais pobre sem considerar o interesse destes, e a Democracia, o governo da maioria sobre a minoria que desrespeita os direitos deste grupo menor.</p><p>A tipologia moderna das formas de poder, elaborada por Bobbio (1984), classifica os poderes a partir dos meios pelos quais eles são exercidos, determinando três categorias: poder econômico, poder ideológico e poder político. O primeiro é baseado nas posses dos meios de produção (terras, máquinas, capital), subordinando os que não os possuem aos proprietários; o segundo influencia o comportamento de outrem mesmo sem a coerção física, baseando-se no convencimento a partir das ideias, influenciando as decisões em diversas áreas e aspectos, inclusive política e economicamente. Já o poder político utiliza-se do uso ou ameaça de uso da força física, possuindo legitimidade e monopólio sobre o uso dessa força quando necessária com o aval dos governados, sendo exercido pelo Estado.</p><p>Apesar de outras instâncias, como sindicatos, empresas e outros lobbies exercerem influência sobre o comportamento político da população, apenas o Estado exerce o poder político na sociedade, pois apenas ele tem a exclusividade da legitimidade do uso da força para coerção ao cumprimento das leis e obrigações civis, ou seja, ele está “ancorado por uma parte na institucionalização e na legitimação da autoridade e por outra na possibilidade efetiva do recurso à ameaça e, como extrema medida, ao uso da violência” (BOBBIO, 1998, p. 941). Outras instituições possuem ações politicamente orientadas, ou seja, objetivam influenciar o Estado em suas decisões e ações, mas não podem utilizar-se dos mesmos meios que o Estado de forma legítima.</p><p>REFERÊNCIAS BIBBLIOGRÁFICAS</p><p>BOBBIO, Norberto. Dicionário de política I. Brasília : Editora Universidade de Brasília, 11ª ed., 1998.</p><p>COELHO, Ricardo Corrêa. Ciência política. Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília] : CAPES : UAB, 2010.</p>