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<p>129</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Unidade III</p><p>7 DIREITO ADMINISTRATIVO</p><p>7.1 Noções introdutórias de direito administrativo</p><p>O direito administrativo, corolário do direito de estado, regula as relações ou os vínculos entre</p><p>os particulares e a administração pública ou os poderes públicos, inclusive com sintética abordagem</p><p>dos atos administrativos (espécie do gênero ato jurídico) e dos tipos de licitação (procedimentos) que,</p><p>obrigatoriamente, antecedem os contratos administrativos.</p><p>O direito administrativo é um ramo do direito público que estuda a administração pública.</p><p>Segundo Führer e Milaré (2004, p. 110), “direito administrativo é o conjunto de normas que regem a</p><p>administração pública”.</p><p>Outra definição que merece destaque é a de Di Pietro (1991, p. 46):</p><p>O direito administrativo como o ramo do direito público que tem por objeto</p><p>os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a</p><p>Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os</p><p>bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública.</p><p>As disposições gerais da Seção I (art. 37 ao art. 38 da CF), Capítulo VII, Da Administração Pública</p><p>(art. 37 ao art. 43 da CF), Título III, Da Organização do Estado (art. 18 ao art. 43 da CF), estatuem</p><p>matéria de ordem principiológica regente da administração pública.</p><p>Internamente, o Estado brasileiro se submete a esse conjunto de normas, as quais se dão como</p><p>verdadeira garantia do administrado contra os desmandos dos administradores. Diferem das normas</p><p>constitucionais porque não organizam propriamente o Estado, mas sim o modo de administração de</p><p>cada um dos poderes da República.</p><p>Assim, há um direito administrativo que vincula o executivo, o legislativo e o judiciário. Cada um</p><p>desses poderes possui um representante que o exerce, no caso, respectivamente, no âmbito da União: o</p><p>presidente, o Congresso Nacional – Senado e Câmara dos Deputados – e os Juízos Federais, os Tribunais</p><p>Regionais Federais, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.</p><p>Cada uma desses poderes, entretanto, possui órgãos que necessitam de administração para que</p><p>possam alcançar sua finalidade. Esta pode ser considerada a administração pública, em sua totalidade. O</p><p>presidente, por exemplo, organiza a administração do país e do poder executivo distribuindo uma série</p><p>de tarefas para seus ministros. Cada ministro, por sua vez, divide seu ministério em uma série de órgãos,</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>130</p><p>Unidade III</p><p>cada qual com uma competência administrativa. O Congresso Nacional e os Tribunais de Justiça, por</p><p>meio de seus regimentos internos, organizam-se administrativamente.</p><p>A função da administração é típica do poder executivo, uma vez que é o chefe do executivo que</p><p>efetivamente administra o território da Federação, dos Estados e dos Municípios. Isso, no entanto,</p><p>não significa, como exposto, que os outros poderes não necessitem desempenhar uma administração</p><p>interna, ou seja, seguir regras para a organização dos órgãos que a compõem.</p><p>Vejamos um exemplo para ilustrar a questão. O poder executivo, em sua função de administrar, deve</p><p>decidir como gastar o orçamento público com estradas; mas também deve decidir como se organizarão</p><p>seus órgãos, como se dividirão ao longo do território e como serão abastecidos de materiais para operar</p><p>(computadores, veículos etc.). O poder judiciário, ainda que tenha por função julgar, também precisa</p><p>administrar seus órgãos (quando será necessário contratar mais servidores, como distribuir os Juízos</p><p>pelas comarcas etc.). Tudo isso é competência administrativa interna do poder judiciário. Por último,</p><p>o poder legislativo também necessita se organizar internamente, ainda que sua função primária seja</p><p>legislar. Assim, para fazer leis, é preciso que cada parlamentar tenha assessores que os ajudem nas</p><p>decisões acerca de votar a favor ou contra a sua promulgação. São necessários também instrumentos</p><p>para a votação (cadeiras, mesas, matérias para os gabinetes etc.).</p><p>Por administração ou administração pública pode-se entender tanto o sujeito de direito, pessoas</p><p>jurídicas de direito público – o titular do interesse coletivo, público e indeterminado o sujeito, e inclusive</p><p>a figura do sujeito coletivo sempre alcançam a noção de cidadão ou usuário do serviço público, que a</p><p>reboque da Emenda Constitucional n. 19 (Brasil, 1998) perpassa o conceito jurídico de consumidor, bem</p><p>como de destinatário final da função ou do serviço –, quanto as funções e os serviços, compreendida a</p><p>noção da perene oferta de serviço público e de funcionamento estatal, pois o titular da soberania é o</p><p>povo. O art. 27 da Emenda traz a seguinte informação: “O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte</p><p>dias da promulgação desta Emenda, elaborará lei de defesa do usuário de serviços públicos”.</p><p>Existe uma diferenciação entre os órgãos e as entidades da administração pública, que são os</p><p>agentes que vão executar os atos em nome do Estado, para a manutenção da sociedade. É o que se</p><p>chama de organização da administração pública. Isso porque o exercício da atividade administrativa</p><p>pelos órgãos da própria pessoa política (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) é realizado pela</p><p>administração pública centralizada. Já os órgãos públicos são centros de competência instituídos</p><p>para exercer a função administrativa; são partes integrantes da pessoa jurídica, razão pela qual não</p><p>possuem personalidade jurídica.</p><p>Para ficar mais claro, seguindo as lições de Costa (2013), a Lei n. 9.784 (Brasil, 1999), em seu art. 1, § 2,</p><p>considera o órgão como a unidade de atuação integrante da estrutura da administração direta e da estrutura</p><p>da administração indireta; a entidade, como a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; e, por</p><p>fim, a autoridade, como o servidor ou agente público dotado de poder de decisão. Desse modo, órgãos que</p><p>integram a estrutura de uma pessoa jurídica não possuem personalidade jurídica e patrimônio próprio e são</p><p>resultado de desconcentração.</p><p>131</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>- Autarquia - serviço antônomo:</p><p>Bacen, Anatel</p><p>- Empresa Pública - pessoa jurídica de direito</p><p>privado (capital exclusivamente público) -</p><p>BNDES e Correios</p><p>- Fundação Pública - PJ direito privado - IBGE</p><p>- Sociedade de economia mista - S/A de capital</p><p>aberto + 50% das Ordinárias sejam do</p><p>Estado.</p><p>- União</p><p>- Estados</p><p>- Distrito Federal</p><p>- Municípios</p><p>In</p><p>di</p><p>re</p><p>ta</p><p>Di</p><p>re</p><p>ta</p><p>Figura 27 – Organização da Administração Pública</p><p>Na figura anterior, o que nos parece mais importante destacar é a presença das sociedades de</p><p>economia mista, que é disciplinada pelo Decreto-lei n. 200 (Brasil, 1967) e pelo Decreto-lei n. 900</p><p>(Brasil, 1969). No texto constitucional, o legislador faz referência à sociedade de economia mista</p><p>para estabelecer que, quando for utilizada para explorar a atividade econômica, deve operar sob</p><p>as mesmas normas aplicáveis às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e</p><p>tributárias (art. 173, § 1), e sujeitar o seu pessoal à proibição de acumulação de cargos, funções ou</p><p>empregos (art. 37, XVII). Como instrumento de descentralização de atividades ou serviços públicos</p><p>ou de interesse coletivo, a sociedade de economia mista pode ser instituída tanto pela União quanto</p><p>pelos Estados-membros e Municípios.</p><p>No entanto, como essas pessoas agem em nome do interesse público, ou seja, do interesse de</p><p>toda a coletividade? A norma do art. 37 da CF (Brasil, 1988) elenca os princípios regentes da ordem</p><p>constitucional administrativa que perpassa pela organização e pelo funcionamento dos poderes</p><p>da República:</p><p>Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes</p><p>da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos</p><p>princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência</p><p>e, também, ao seguinte.</p><p>I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que</p><p>preencham os requisitos estabelecidos</p><p>contribuir para a formação do capital social ou patrimônio social.</p><p>Observação</p><p>Para a contabilidade, há uma diferença entre capital financeiro e capital</p><p>físico, ambos mensurados economicamente. De acordo com o conceito de</p><p>capital financeiro, tal como o dinheiro investido ou o seu poder de compra</p><p>investido, o capital é sinônimo de ativos líquidos ou patrimônio líquido</p><p>da entidade. Segundo o conceito de capital físico, tal como capacidade</p><p>operacional, o capital é considerado a capacidade produtiva da entidade</p><p>baseada, por exemplo, nas unidades de produção diária.</p><p>A constituição da sociedade empresária se dá por meio de um contrato, que exprime a vontade dos</p><p>sócios para contemplar a finalidade da empresa, podendo ser lavrado por tabelião ou por instrumento</p><p>particular, ou seja, sem a presença necessária do Estado.</p><p>Como característica geral dos contratos sociais, é necessário que haja primeiramente uma origem,</p><p>que via de regra se dá pelo contrato ou estatuto social entre duas ou mais pessoas (é possível que haja</p><p>a constituição de uma sociedade considerando outra pessoa jurídica), com as ressalvas legais. Podemos</p><p>ilustrar a hipótese de uma ressalva legal como a hipótese de uma sociedade anônima permanecer por</p><p>prazo superior a um ano com apenas um acionista.</p><p>8.6.1 Sociedades personificadas</p><p>Existem dois tipos de sociedades personificadas: sociedades simples e sociedades empresárias.</p><p>A personificação significa que os patrimônios não se confundem com o patrimônio das pessoas físicas</p><p>ou jurídicas que as compõe. As sociedades personificadas estão regulamentadas nos artigos 997 a 1.101</p><p>do Código Civil (Brasil, 2002a) e, portanto, possuem personalidade jurídica. Você sabe o que é isso?</p><p>A personalidade jurídica é aquela adquirida com o registro, nos termos do art. 985 e do art. 1.150</p><p>do Código Civil. É necessário que haja esse registro, que é instrumentalizado por meio de um</p><p>contrato social.</p><p>Lembrete</p><p>Contrato é um pacto entre duas ou mais pessoas que se obrigam a</p><p>cumprir o que foi entre elas combinado sob determinadas condições.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>157</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>O contrato deve ser escrito, podendo ser particular ou público, sendo que o público é redigido por um</p><p>tabelião, e o particular pelas partes que estipulam cláusulas que representam as condições contratuais,</p><p>as quais devem, no mínimo, mencionar o seguinte:</p><p>• O nome, a nacionalidade, o estado civil, a profissão e a residência dos sócios, se pessoas naturais;</p><p>a firma ou a denominação, a nacionalidade e a sede dos sócios, se jurídicas.</p><p>• A denominação, o objeto, a sede e o prazo da sociedade.</p><p>• O capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de</p><p>bens, suscetíveis de avaliação pecuniária.</p><p>• A quota de cada sócio no capital social e o modo de realizá-la.</p><p>• As prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços.</p><p>• As pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade e seus poderes e atribuições.</p><p>• A participação de cada sócio nos lucros e nas perdas.</p><p>• Se os sócios respondem ou não subsidiariamente pelas obrigações sociais.</p><p>Convém esclarecer que a avaliação pecuniária é a avaliação em dinheiro, e a hipótese se aplica</p><p>quando ocorre a integralização via bens, como um carro para entregas, algum bem imóvel que sirva de</p><p>sede ou equipamentos.</p><p>8.6.2 Sociedades simples</p><p>Na sociedade simples, a atividade desenvolvida pelos sócios deve estar diretamente ligada à atividade</p><p>desenvolvida pela sociedade. É o que ocorre com os serviços de medicina, advocacia, psicologia,</p><p>fisioterapia etc., cujos profissionais chamamos de liberais.</p><p>Dentro das sociedades simples, estão classificadas, ainda, a sociedade simples limitada, a sociedade</p><p>em nome coletivo e as sociedades em comandita simples, além das cooperativas.</p><p>As cooperativas consistem em um tipo de sociedade constituída para prestar serviços aos seus</p><p>associados, e, por determinação do art. 982, parágrafo único, deve se revestir da forma simples, e não</p><p>empresária. Isso significa dizer que as cooperativas não estão sujeitas à falência e não podem requerer</p><p>a recuperação judicial. Sua disciplina legal específica encontra-se na Lei n. 5.764 (Brasil, 1971) e nos</p><p>arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil (Brasil, 2002a).</p><p>Os tipos mais comuns de cooperativas são: as de crédito, que objetivam fomentar as atividades</p><p>do cooperado via assistência creditícia, capitalizando recursos para emprestar aos cooperados; as</p><p>sociais, regidas pela Lei n. 9.867 (Brasil, 1999b), constituídas com a finalidade de inserir as pessoas</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>158</p><p>Unidade III</p><p>em desvantagem no mercado econômico, por meio do trabalho, e atender ao interesse geral da</p><p>comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos; e as de trabalho,</p><p>reguladas pela Lei n. 12.690 (Brasil, 2012), pela Lei n. 5.764 (Brasil, 1971), no que com ela não colidir,</p><p>e, como já sabemos, pelo Código Civil.</p><p>Lembrete</p><p>A sociedade simples limitada não se confunde com a sociedade</p><p>empresária limitada, que é a mais comum no Brasil. A sociedade simples</p><p>limitada é constituída por duas ou mais pessoas que exercem profissão</p><p>intelectual de natureza científica, literária ou artística, mesmo que com o</p><p>concurso de auxiliares ou colaboradores, que contratam entre si os termos</p><p>de funcionamento da sociedade.</p><p>A sociedade em nome coletivo é uma forma de organização na qual os sócios são solidários e todos</p><p>respondem ilimitadamente pelas dívidas da sociedade, ou seja, a dívida da sociedade pode atingir os</p><p>bens dos sócios. A sua regulamentação está no art. 1.039 ao 1.044 do Código Civil (Brasil, 2002a), e essa</p><p>sociedade é constituída necessariamente por pessoas físicas, não sendo admitidas pessoas jurídicas nem</p><p>um administrador para responder pela sociedade. Apenas os sócios podem administrar a sociedade e</p><p>devem adotar a firma social.</p><p>As sociedades em comandita têm duas categorias de sócios, com deveres e responsabilidades</p><p>distintas: os comanditários e os comanditados.</p><p>Os sócios comanditários são aqueles que respondem de forma limitada (apenas até o valor de suas</p><p>quotas) pelas obrigações da sociedade e podem ser pessoas físicas ou jurídicas que contribuem apenas</p><p>com capital subscrito, ou seja, apenas com o valor que consta do contrato social (art. 1.045 ao 1.051 do</p><p>Código Civil).</p><p>Em outra mão estão os sócios comanditados, que são pessoas físicas que respondem solidariamente</p><p>e de forma ilimitada pelas obrigações sociais, podendo contribuir com capital e trabalho, mas seu</p><p>patrimônio pessoal responde pelas obrigações sociais. A administração dessa sociedade pode ser exercida</p><p>somente pelos sócios comanditados.</p><p>Portanto, os sócios comanditários entregam recursos, e os comanditados, trabalho e administração,</p><p>tudo conforme o previsto no art. 1.047 do Código Civil, segundo o qual não pode o comanditário praticar</p><p>qualquer ato de gestão nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidades</p><p>de sócio comanditado.</p><p>8.7 Sociedades empresárias</p><p>Nas sociedades empresárias, existem as sociedades anônimas, as comanditas por ações, as sociedades</p><p>em nome coletivo, as comanditas simples, as sociedades limitadas, as sociedades não personificadas, as</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>159</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>sociedade em comum e as sociedades em conta de participação, que se subdividem em sociedades</p><p>anônimas de capital aberto e sociedades anônimas de capital fechado.</p><p>8.7.1 Sociedade anônima</p><p>Vamos começar pelas sociedades anônimas, o tipo mais complexo, pois emite títulos para a</p><p>captação de recursos, que podem ser ações</p><p>(o tipo mais comum), partes beneficiárias, debêntures e</p><p>bônus de subscrição.</p><p>Entre os direitos do acionista, está o direito de receber dividendos, que nada mais é do que parte</p><p>do resultado das atividades empresariais. Isso justifica muito a persecução pelo lucro das empresas que</p><p>adotam esse tipo societário.</p><p>Sabe-se que administrar uma sociedade não é algo simples, e, portanto, as regras devem estar</p><p>explicitadas de maneira objetiva e clara nos estatutos sociais. Registre-se desde já que, dentro das</p><p>sociedades anônimas, o órgão máximo de deliberação é a Assembleia Geral.</p><p>Existem diferentes órgãos sociais dentro da sociedade anônima, cada qual com uma função</p><p>específica. Analise a figura a seguir:</p><p>Conselho de administração</p><p>Diretoria</p><p>Conselho fiscal</p><p>Outros órgãos consultivos</p><p>Assembleia geral</p><p>extraordinária</p><p>Assembleia geral</p><p>ordinária Assembleias especiais</p><p>Assembleia geral</p><p>Figura 36</p><p>A sociedade anônima capta, por meio de investimentos, os recursos das pessoas. É o que se chama</p><p>de ação. Coelho (2015, p. 232) define “ação” da seguinte forma:</p><p>As ações são valores mobiliários representativos de unidade do capital social</p><p>de uma sociedade anônima, que conferem aos seus titulares um complexo</p><p>de direitos e deveres. Classificam-se as ações segundo três critérios distintos:</p><p>espécie, classe e forma.</p><p>A classificação mais comum divide as ações em ordinárias, preferenciais e de fruição.</p><p>• Ordinárias: dão direitos que a lei reserva ao acionista comum. São ações de emissão obrigatória.</p><p>Todas as sociedades anônimas têm.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>160</p><p>Unidade III</p><p>• Preferenciais: complexo de direitos diferenciado, como a prioridade na distribuição de dividendos</p><p>ou no reembolso do capital, com ou sem prêmio etc. Em regra, não dão direito a voto.</p><p>• De fruição: atribuídas aos acionistas cujas ações foram totalmente amortizadas.</p><p>A amortização consiste na distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do</p><p>capital social, de quantias que lhes poderiam tocar em caso de liquidação da companhia.</p><p>A sociedade anônima é uma sociedade de capital, ou seja, os títulos representativos da participação</p><p>societária não são quotas, mas sim ações, que são livremente negociadas entre os interessados.</p><p>As sociedades anônimas são sempre empresárias, mesmo que seu objeto seja a atividade econômica</p><p>civil, conforme a determinação do art. 982, parágrafo único, do Código Civil e também conforme a</p><p>regulamentação da Lei de Sociedades Anônimas, a LSA, n. 6.404 (Brasil, 1976).</p><p>A sociedade anônima é criada por meio de um estatuto, e não de um contrato social. A diferença é</p><p>que o estatuto determina quem vai administrar a sociedade, de que forma isso será feito.</p><p>É importante ressaltar que existem diversos deveres na administração das sociedades por ações,</p><p>justamente por captar recursos de toda a sociedade de forma direta. Assim, o administrador tem o dever</p><p>de diligência, de lealdade, de informar as situações da empresa de maneira real aos acionistas, bem</p><p>como de manter sigilo em razão de suas funções e atividades.</p><p>A diferenciação entre a sociedade anônima de capital aberto e a de capital fechado é simples: ter</p><p>ou não seus papéis (ações, debêntures ou partes beneficiárias) negociados naquilo que se chama de</p><p>mercado de balcão. Aqui no Brasil, o mercado de balcão (bolsa de valores) é operado pela B3.</p><p>Saiba mais</p><p>O mercado no Brasil é exercido pela B3, ou Brasil, Bolsa, Balcão. Trata-se</p><p>de uma empresa de infraestrutura de mercado financeiro no mundo, com</p><p>atuação em ambiente de bolsa e de balcão. A B3 é também uma sociedade</p><p>de capital aberto, cujas ações (B3SA3) são negociadas no Novo Mercado.</p><p>A Companhia integra os índices Ibovespa, IBrX-50, IBrX e Itag, entre outros.</p><p>Reúne ainda tradição de inovação em produtos e tecnologia e é uma das</p><p>maiores em valor de mercado, com posição global de destaque no setor de</p><p>bolsas. Quer saber mais sobre a B3? Acesse o site:</p><p>Disponível em: http://www.b3.com.br/pt_br/. Acesso em: 1º set. 2023.</p><p>De acordo com os ensinamentos de Coelho (2015), as sociedades anônimas se classificam em abertas</p><p>ou fechadas, conforme tenham ou não admitidos seus papéis à negociação, na Bolsa ou no mercado</p><p>de balcão, os valores mobiliários de sua emissão. Para o autor, o critério de identificação de uma ou</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>161</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>outra categoria de sociedade anônima é meramente formal. Basta que a companhia tenha seus valores</p><p>mobiliários admitidos à negociação na Bolsa ou no mercado de balcão (que compõe o mercado de</p><p>valores mobiliários) para ser considerada aberta. É irrelevante se os valores mobiliários de sua emissão</p><p>são efetivamente negociados nessas instituições.</p><p>Em síntese, a diferença é que nas sociedades anônimas abertas você pode buscar diretamente no</p><p>balcão as suas ações, enquanto nas fechadas essas ações são negociadas de forma privada.</p><p>8.7.2 Sociedade em comandita por ações</p><p>Nas sociedades em comandita por ações, aplicam-se todas as normas relativas à sociedade anônima.</p><p>Lembre-se de que existem duas categorias de pessoas que compõem as sociedades em comandita:</p><p>comanditados e comanditários. Assim, a responsabilidade dos diretores é diferente, pois o acionista</p><p>diretor da sociedade em comandita por ações tem responsabilidade ilimitada pelas obrigações da</p><p>sociedade. Por isso, somente o acionista poderá fazer parte da diretoria.</p><p>Outra particularidade é que a sociedade em comandita por ações pode adotar firma ou denominação,</p><p>além do que, diferentemente do que ocorre com as sociedades anônimas, as assembleias gerais não</p><p>podem alterar o objeto da sociedade, prorrogar o prazo de duração (caso este seja determinado),</p><p>aumentar ou reduzir o capital sem anuência dos diretores.</p><p>8.7.3 Sociedade em nome coletivo</p><p>Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os</p><p>sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais.</p><p>Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, ou seja, com quem contraiu obrigações, os sócios</p><p>podem, no ato constitutivo ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade</p><p>de cada um.</p><p>A sociedade em nome coletivo está regulamentada no art. 1.039 até o art. 1.044 do Código Civil</p><p>(Brasil, 2002a).</p><p>8.7.4 Sociedade em comandita simples</p><p>É um tipo societário híbrido, pois possui características mistas de responsabilização sobre o</p><p>resultado empresarial. Os sócios comanditários não respondem pelas obrigações sociais, ao passo que os</p><p>comanditados sim. Ainda, caso o sócio comanditário pratique algum ato de gestão, ele ficará sujeito às</p><p>responsabilidades próprias do sócio comanditado.</p><p>O regramento legal da sociedade em comandita simples está entre os art. 1.045 e 1051 do Código</p><p>Civil (Brasil, 2002a).</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>162</p><p>Unidade III</p><p>8.7.5 Sociedade limitada</p><p>A maioria das empresas no Brasil é Ltda. Nesse tipo de sociedade, a responsabilidade de cada sócio é</p><p>restrita ao valor de suas cotas, mas o sócio responde solidariamente pela integralização do capital social,</p><p>referente à parte não integralizada pelos demais sócios. Ao nome, deve ser acrescida a expressão “Ltda”.</p><p>A regra sobre a administração da sociedade limitada é que todos os sócios, quando forem pessoas</p><p>naturais, serão os administradores, ou seja, poderão contrair direitos e obrigações em nome da sociedade.</p><p>É possível que a administração seja exercida por apenas um dos sócios ou mesmo por nenhum deles,</p><p>sendo nomeado um terceiro para representar a entidade, nos termos do contrato social. É por isto que</p><p>o contrato social faz parte do rol de documentos usuais dos contratos, termos e ajustes: para verificar</p><p>quem pode contrair obrigações em</p><p>nome da sociedade.</p><p>A sociedade limitada pode ter um conselho fiscal, questão que foi adaptada da Lei de Sociedades</p><p>Anônimas (Brasil, 1976), que irá examinar os livros e papéis da empresa, o caixa, a carteira de clientes,</p><p>além de denunciar erros ou fraudes ocorridas, apresentar um parecer sobre os negócios e as operações</p><p>sociais do exercício etc.</p><p>As deliberações, ou seja, as decisões das sociedades do tipo limitada estão regulamentadas no</p><p>art. 1.071 combinado com o art. 1.076 do Código Civil (Brasil, 2002a) e dependem das quotas que</p><p>representam cada sócio. Existe um quórum mínimo para cada tipo de decisão, conforme a lei.</p><p>Observe o quadro a seguir:</p><p>Quadro 10</p><p>Unanimidade (100%) Três quartos (75%) Dois terços (67%) Maioria absoluta Maioria simples</p><p>Designação de</p><p>administrador não sócio</p><p>quando o capital social</p><p>não estiver totalmente</p><p>integralizado</p><p>Modificação do contrato</p><p>social (exceto com</p><p>relação às matérias com</p><p>quórum diverso)</p><p>Designação de administrador</p><p>não sócio quando o capital</p><p>social estiver totalmente</p><p>integralizado</p><p>Designação dos</p><p>administradores, quando</p><p>feita em ato separado</p><p>Aprovação das contas</p><p>da administração</p><p>Dissolução da sociedade</p><p>limitada com prazo</p><p>determinado</p><p>Incorporação, fusão e</p><p>dissolução da sociedade,</p><p>ou cessação do estado</p><p>de liquidação</p><p>Destituição de</p><p>administrador-sócio nomeado</p><p>no contrato social na hipótese</p><p>de o contrato não prever</p><p>quórum diverso</p><p>Destituição dos</p><p>administradores-sócios,</p><p>quando feita em ato</p><p>separado</p><p>Nomeação e destituição</p><p>dos liquidantes e</p><p>julgamento das suas</p><p>contas</p><p>Definição da remuneração</p><p>dos administradores,</p><p>quando não prevista no</p><p>contrato social</p><p>Nos demais casos</p><p>previstos da lei ou no</p><p>contrato, se não exigir</p><p>quórum mais elevado</p><p>Pedido de recuperação</p><p>Exclusão de sócio</p><p>minoritário</p><p>Dissolução da sociedade</p><p>limitada com prazo</p><p>indeterminado</p><p>Destituição dos</p><p>administradores não sócios</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>163</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Lembrete</p><p>Maioria absoluta é o total do capital social. Maioria simples é o</p><p>total dos presentes.</p><p>Você pode conferir toda a regulamentação legal da sociedade limitada consultando as disposições</p><p>contidas no art. 1.052 até o art. 1087 do Código Civil (Brasil, 2002a).</p><p>8.7.6 Sociedades não personificadas</p><p>As sociedades não personificadas têm como característica a ausência de registro. Assim, há uma</p><p>responsabilização maior por parte dos sócios em comparação com as sociedades personificadas.</p><p>Diante disso, conclui-se que as sociedades não personificadas são aquelas que não possuem</p><p>personalidade jurídica. Nas lições de Silva (2003, p. 1036):</p><p>Personalidade jurídica é a denominação propriamente dada à personalidade</p><p>que se atribuir ou se assegura às pessoas jurídicas, em virtude do que se</p><p>investem de uma qualidade de pessoa, que as tornam suscetíveis de direitos</p><p>e obrigações e com direito a uma existência própria, protegida pela lei.</p><p>É, assim, uma especialização terminológica da personalidade civil para</p><p>designar as pessoas constituídas por força da lei, em distinção à personalidade</p><p>física, própria das pessoas naturais.</p><p>São espécies de sociedades não personificadas a sociedade em comum e a sociedade em conta</p><p>de participação.</p><p>8.7.7 Sociedade em comum</p><p>A sociedade em comum não está registrada. Assim, enquanto não forem inscritos os atos constitutivos,</p><p>as sociedades em comum irão ser regidas pelas normas da sociedade simples.</p><p>Você pode estar se perguntando: como conseguir comprovar a existência da sociedade em comum,</p><p>já que os atos constitutivos não estão registrados? Bem, existem duas formas: se a relação discutida for</p><p>entre os sócios, a prova de que a sociedade existe será feita somente por escrito; se a relação discutida</p><p>ou posta em questão for perante terceiros, eles podem provar a existência da sociedade de qualquer modo.</p><p>8.7.8 Em conta de participação</p><p>A sociedade em conta de participação é uma sociedade especial, pois conta com duas categorias de</p><p>sócios: o ostensivo, que administra e produz a atividade econômica da empresa; e o sócio (ou sócios)</p><p>participante, que compõe a mão de obra e/ou o capital, caso esse sócio participante seja um investidor.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>164</p><p>Unidade III</p><p>O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento</p><p>em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Em outras palavras, os terceiros</p><p>não saberão da existência de sócio participante quando houver uma relação empresarial. É uma espécie</p><p>de sociedade secreta com relação ao sócio participante.</p><p>A disciplina da sociedade em conta de participação está regulamentada nos arts. 991 ao 996 do</p><p>Código Civil (Brasil, 2002a).</p><p>8.8 Transformação societária</p><p>A nossa vida muda o tempo todo. Já dizia o filósofo Heráclito que nenhum homem pode banhar-se</p><p>duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez o rio já não é o mesmo; tampouco o homem é o mesmo.</p><p>Esta é a essência dialética da vida: mudanças e transformações.</p><p>A transformação societária é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de</p><p>dissolução e liquidação, de um tipo para outro. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a</p><p>constituição e o registro do tipo de transformação a ser adotado pela sociedade.</p><p>Pense na seguinte hipótese: você tem um negócio com mais dois sócios, sendo que um deles veio a</p><p>falecer e o outro não tem mais o desejo de manter a sociedade. Pode até parecer um tanto mórbido, mas</p><p>esta é a única certeza que se tem na vida, a de que um dia ela acaba. E assim também pode acontecer</p><p>dentro das sociedades: em razão de algum evento, a sociedade pode deixar de existir, se incorporar,</p><p>fundir ou cindir com outras sociedades. É este o tema do nosso estudo: como se operacionalizam as</p><p>incorporações, as fusões e as cisões em sede de direito societário.</p><p>Como já sabemos, a transformação exige o consentimento unânime dos sócios ou acionistas, salvo</p><p>se prevista no estatuto ou no contrato social, caso em que o sócio dissidente terá o direito de retirar-se</p><p>da sociedade.</p><p>8.8.1 Incorporação</p><p>A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes</p><p>sucede em todos os direitos e obrigações. Um exemplo de incorporação de empresas é a Brasil Foods S/A,</p><p>a maior exportadora de carne de frango do mundo e uma das maiores empresas de alimentos do país,</p><p>surgida com a incorporação da Sadia pela Perdigão. Com a incorporação, a Sadia S/A foi extinta e suas</p><p>ações devidamente canceladas no mercado.</p><p>No entanto, para realizar esse tipo de operação, a assembleia geral da companhia incorporadora,</p><p>se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado</p><p>pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido e nomear os peritos que o avaliarão. Essa</p><p>avaliação de empresas é uma atividade altamente especializada, que pressupõe sólidos conhecimentos</p><p>para não prejudicar credores, acionistas ou mesmo o projeto da sociedade.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>165</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>A sociedade a ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus</p><p>administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do</p><p>aumento de capital da incorporadora.</p><p>Por fim, aprovados pela assembleia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação,</p><p>extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos</p><p>da incorporação.</p><p>8.8.2 Fusão</p><p>Nos termos da legislação, a fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para</p><p>formar uma sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Assim, diferentemente</p><p>da incorporação, que “engole” e assume uma empresa, na fusão, duas empresas são extintas e</p><p>formam uma nova.</p><p>Para ocorrer a fusão, é necessário</p><p>que a assembleia geral de cada companhia, se aprovar o protocolo</p><p>de fusão, nomeie os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das demais sociedades. Então, uma</p><p>vez apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou acionistas das sociedades para</p><p>uma assembleia geral, que deles tomará conhecimento e resolverá sobre a constituição definitiva da</p><p>nova sociedade. Em razão da disposição legal do art. 1.120, § 3°, do Código Civil (Brasil, 2002a), é</p><p>proibido aos sócios ou aos acionistas votar o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade de</p><p>que fazem parte.</p><p>Assim que a nova companhia for devidamente constituída, os primeiros administradores nomeados</p><p>deverão solicitar o arquivamento e a publicação dos atos da fusão, para que todos fiquem sabendo</p><p>da operação.</p><p>8.8.3 Cisão</p><p>A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais</p><p>sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver</p><p>versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão. Em outras palavras,</p><p>a cisão é a divisão de uma sociedade que pode tanto constituir uma nova quanto transferir parcela de</p><p>seu capital para uma empresa que já existe.</p><p>O que é importante na cisão é que, no caso de transferir parcela do capital, a sociedade que</p><p>absorver a parcela do patrimônio da companhia cindida deverá suceder a esta nos direitos e</p><p>obrigações relacionados no ato da cisão. Significa dizer que é necessário relacionar todos os direitos</p><p>e obrigações da entidade, sob pena de a companhia cindida continuar respondendo pelas obrigações,</p><p>já que ela ainda existe.</p><p>Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada</p><p>pela assembleia geral da companhia. Depois, caso seja aprovada na assembleia geral a criação da nova</p><p>sociedade, ela também nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>166</p><p>Unidade III</p><p>Para aproveitar os atos e simplificar o processo, a lei determina que essa mesma assembleia funcionará</p><p>como assembleia de constituição da nova companhia.</p><p>A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições</p><p>sobre incorporação, e, caso seja efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos</p><p>administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o</p><p>arquivamento e a publicação dos atos da operação. No entanto, caso ocorra a cisão com versão parcial</p><p>do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do</p><p>seu patrimônio.</p><p>8.9 Dissolução societária</p><p>A dissolução representa o fim da sociedade, o seu término. É quando os sócios decidem que não</p><p>farão mais esforços ou então que não têm mais interesse em se reunir para perseguir o objeto social,</p><p>definido e contratado no início da sociedade.</p><p>Existem diversas formas de se extinguir uma sociedade, dependendo de vários fatores, como</p><p>o término do prazo de duração, a deliberação dos sócios, a determinação judicial, por decisão de</p><p>autoridade administrativa etc. Veremos a seguir as principais formas, que são a dissolução, a liquidação</p><p>e a extinção.</p><p>8.9.1 Dissolução</p><p>Tal qual a constituição da pessoa jurídica, a dissolução também passa por algumas etapas, a depender</p><p>da forma como ela irá ocorrer. Existem algumas hipóteses que a própria legislação determina que a</p><p>dissolução ocorra, como o vencimento do prazo de duração.</p><p>Uma vez vencido o prazo estabelecido para a empresa durar, ela vai se dissolver. No entanto, pode</p><p>acontecer de os sócios decidirem continuar as atividades sem que nenhum deles se oponha e sem</p><p>que a sociedade entre em liquidação. Nesse caso, a duração da empresa atenderá à regra geral, que é a</p><p>atividade por tempo indeterminado.</p><p>Outra hipótese de dissolução ocorre quando todos os sócios decidirem de forma unânime pela</p><p>dissolução da sociedade ou quando houver uma deliberação dos sócios por maioria absoluta na</p><p>sociedade de prazo indeterminado.</p><p>A falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de 180 dias, também enseja a dissolução</p><p>da sociedade. Convém lembrar que esse foi um dos motivos pelos quais a Eireli teve lugar no ordenamento</p><p>jurídico brasileiro. Pode haver ainda a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.</p><p>Um exemplo é o fechamento de bares e restaurantes pela vigilância sanitária.</p><p>A dissolução da sociedade pode ser requerida por qualquer um dos sócios ao poder judiciário. Temos</p><p>aí a figura da dissolução judicial, que tem cabimento quando for anulada a constituição da empresa,</p><p>sendo que as hipóteses de anulação são aquelas mesmas dos contratos, ou com alguma situação atrelada</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>167</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>ao fim social da entidade, quando ele for esgotado, ou então quando o objeto não tiver possibilidade de</p><p>execução. É o que a lei chama de fim social inexequível.</p><p>Além das hipóteses de dissolução judicial apresentadas, é possível que um dos sócios conteste a</p><p>forma de dissolução prevista no contrato social judicialmente.</p><p>8.9.2 Liquidação</p><p>É importante que você saiba que, quando ocorre a dissolução da empesa, os administradores devem</p><p>providenciar a indicação de um liquidante e restringir a gestão do negócio apenas às situações que não</p><p>puderem ser adiadas, não sendo possível que haja novas operações. Caso os administradores realizem</p><p>novas operações, eles responderão solidária e ilimitadamente pelas obrigações.</p><p>A liquidação é o conjunto de atos destinados a realizar o ativo, pagar o passivo e dividir o saldo</p><p>remanescente entre os acionistas, em um fim, fase ou período em que são concluídos os negócios</p><p>pendentes da sociedade. A Lei n. 6.404 (Brasil, 1976), aplicável às demais sociedades, prevê duas</p><p>modalidades de liquidação: a primeira é a realizada pelos órgãos da companhia, também chamada</p><p>de liquidação privada ou extrajudicial; a segunda é a liquidação judicial, quando há conflito entre os</p><p>acionistas ou sócios.</p><p>É bastante comum que os contratos sociais prevejam a figura do liquidante, em caso de dissolução</p><p>societária, em comum acordo, já no início das atividades. Contudo, caso não haja designação, os sócios</p><p>decidem quem será o liquidante, podendo este ser ou não participante da sociedade, que pode ser</p><p>destituído das suas funções a qualquer tempo.</p><p>Você pode estar se perguntando: quais são as funções que um liquidante realiza em uma dissolução</p><p>societária? São as seguintes, conforme a Lei n. 6.404 (Brasil, 1976):</p><p>• Arquivar e publicar a ata da assembleia geral, ou certidão de sentença, que tiver deliberado ou</p><p>decidido a liquidação.</p><p>• Arrecadar os bens, livros e documentos da companhia, onde quer que estejam.</p><p>• Fazer levantar de imediato, em prazo não superior ao fixado pela assembleia geral ou pelo juiz, o</p><p>balanço patrimonial (BP) da companhia.</p><p>• Ultimar os negócios da companhia, realizar o ativo, pagar o passivo e partilhar o remanescente</p><p>entre os acionistas.</p><p>• Exigir dos acionistas, quando o ativo não bastar para a solução do passivo, a integralização</p><p>de suas ações.</p><p>• Convocar a assembleia geral, nos casos previstos em lei ou quando julgar necessário.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>168</p><p>Unidade III</p><p>• Confessar a falência da companhia e pedir concordata, nos casos previstos na legislação de regência.</p><p>• Finda a liquidação, submeter à assembleia geral o relatório dos atos e das operações da liquidação</p><p>e suas contas finais.</p><p>• Arquivar e publicar a ata da assembleia geral que houver encerrado a liquidação.</p><p>8.9.3 Extinção</p><p>De todos os momentos relativos à dissolução empresarial, a extinção é o mais simples, pois são duas</p><p>hipóteses de extinção: ou pelo encerramento da liquidação ou pela incorporação, fusão ou cisão com</p><p>versão total do patrimônio em outras sociedades.</p><p>A legislação relativa às sociedades anônimas determina que se extingue a companhia:</p><p>• pelo encerramento da liquidação, ou seja, quando forem encerradas as fases de dissolução e</p><p>liquidação da companhia;</p><p>• pela incorporação ou fusão e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades.</p><p>8.10 Falência e recuperação judicial</p><p>A falência é a execução concursal do empresário devedor, que pode ser requerida quando o</p><p>empresário é devedor de valores superiores ao seu patrimônio. É uma execução concursal porque há um</p><p>concurso, ou seja, mais de uma pessoa concorre na execução dos bens da empresa ou do empresário</p><p>que está devendo. É necessário, para que seja caracterizada a falência, que os valores da dívida superem</p><p>o patrimônio empresarial, que é o mesmo que insolvência.</p><p>A falência é a grande vantagem do empresário. A legislação falimentar tem como princípio</p><p>fundamental a recuperação econômica da empresa, pois a Lei de Falências e Recuperação Judicial,</p><p>Lei n. 11.101 (Brasil, 2005), permite a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores</p><p>e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o</p><p>estímulo à atividade econômica.</p><p>Para bem entender a Lei de Falências, é essencial que se registrem quais são os seus princípios e a</p><p>forma de aplicar essa legislação tão importante na atividade empresária.</p><p>Como assinalado na legislação, a preservação da empresa é um dos objetivos da legislação, em razão</p><p>de sua função social de geração de riquezas e criação de empregos. Além disso, quando uma empresa</p><p>fecha as suas portas por falência, ela provoca, nos dizeres do autor do Projeto da Lei de Falências, Ramez</p><p>Tebet (TJ-MG, 2014): “A perda do agregado econômico representado pelos chamados intangíveis, como</p><p>nome, ponto comercial, reputação, marcas, clientela, rede de fornecedores, know-how, treinamento,</p><p>perspectiva de lucro futuro, entre outros”.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>169</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>É importante ressaltar que a recuperação das sociedades e dos empresários está restrita apenas</p><p>aos empresários recuperáveis, retirando do mercado as sociedades e os empresários não recuperáveis.</p><p>A interpretação do senador Ramez Tebet é de que, caso haja problemas crônicos na atividade ou</p><p>na administração da empresa, de modo a inviabilizar sua recuperação, o Estado deve promover de</p><p>forma rápida e eficiente sua retirada do mercado, a fim de evitar a potencialização dos problemas e o</p><p>agravamento da situação dos que negociam com pessoas ou sociedades com dificuldades insanáveis na</p><p>condução do negócio.</p><p>Os trabalhadores devem ser protegidos, não só com precedência no recebimento de seus créditos na</p><p>falência e na recuperação judicial, mas com instrumentos que, por preservarem a empresa, preservem</p><p>também seus empregos e criem oportunidades para a grande massa de desempregados.</p><p>O senador considerou também que é preciso punir com severidade os crimes falimentares, com o</p><p>objetivo de coibir as falências fraudulentas, em função do prejuízo social e econômico que causam.</p><p>Ao citar o Senador Ramez Tabet, Amador Paes de Almeida (2013, p. 35) diz:</p><p>No que tange à recuperação judicial, a maior liberdade conferida ao devedor</p><p>para apresentar proposta a seus credores precisa necessariamente ser</p><p>contrabalançada com punição rigorosa aos atos fraudulentos para induzir</p><p>credores ou o juízo a erro.</p><p>Em síntese, o objetivo é a recuperação da empresa devedora, e o empresário poderá ter suas</p><p>obrigações extintas, com rateio de mais de 50% após a realização de rodo o ativo da empresa</p><p>devedora; já o devedor civil só tem extintas as suas obrigações após o pagamento integral</p><p>do seu valor.</p><p>É necessário para a concessão da falência ao devedor empresário que ele seja insolvente, que</p><p>significa que ele não possui ativos suficientes para cobrir o seu passivo. No entanto, como descobrir se a</p><p>entidade possui ou não ativos suficientes? Existem algumas hipóteses que sugerem que a entidade não</p><p>seja solvente e autorizam a falência.</p><p>A impontualidade injustificada refere-se a uma obrigação representada por um título executivo,</p><p>seja ele judicial, seja extrajudicial, protestado. O protesto é a declaração feita por alguém perante</p><p>uma autoridade administrativa ou uma autoridade judiciária de fato, para preservar os seus direitos.</p><p>Então, o ato de levar um título a protesto serve para que o declarante tenha seus direitos assegurados</p><p>e conservados.</p><p>Você sabe requerer um protesto de um título? Basta requerer junto ao tabelionato de protestos do</p><p>seu município. A seguir, é apresentado um modelo de requerimento:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>170</p><p>Unidade III</p><p>Destaque</p><p>Ao Tabelionato de Protestos de Títulos</p><p>Solicito, na qualidade de apresentante, que efetue o apontamento a protesto do</p><p>título abaixo descrito, nos termos da Lei 9.492/97, autorizando a intimação do devedor</p><p>por edital, caso não encontrado no endereço fornecido, bem como a cobrança de juros</p><p>legais, responsabilizando-me civil e penalmente pelos dados a seguir declarados:</p><p>Nome e qualificação do apresentante</p><p>Nome e qualificação do credor</p><p>Qual é o título, o valor original do título e o valor a ser protestado.</p><p>Devedor e sua qualificação.</p><p>Em caso de duplicata mercantil ou de serviços; declaro que a nota fiscal e o</p><p>comprovante de entrega e recebimento da mercadoria e/ou serviços referente a esta</p><p>duplicata encontram-se em meu poder e serão apresentados no lugar e momento exigidos.</p><p>Declaro ainda que fui cientificado das implicações que podem advir do apontamento de</p><p>título prescrito.</p><p>Local e data.</p><p>Nome e assinatura.</p><p>Agora que você já sabe como demonstrar a impontualidade do devedor, cabe informar que a</p><p>frustração da execução também enseja o pedido de falência, que é a ausência de pagamento para</p><p>a penhora por parte do empresário quando houver execução por parte de algum credor.</p><p>Outra hipótese é a liquidação precipitada, que ocorre quando o devedor vende os seus bens de forma</p><p>fraudulenta e rapidamente, para frustrar eventual execução que recaia sobre os bens. Aí, cabem ainda os</p><p>exemplos de negócios simulados. É o famoso “laranja”.</p><p>A criatividade no ramo empresarial é ampla, especialmente no tocante à extinção dos negócios, e</p><p>pode envolver situação em que o patrimônio empresarial é abandonado ou o plano de recuperação</p><p>judicial proposto não é cumprido.</p><p>O processo falimentar compreende três etapas. A primeira é o pedido de falência ou etapa</p><p>pré-falencial, na qual se faz um pedido ao poder judiciário (petição inicial) da falência, que termina</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>171</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>com a sentença declaratória de falência. A segunda etapa é a falencial, que começa com a sentença</p><p>declaratória de falência e termina com o encerramento da falência, que nada mais é do que a realização</p><p>do ativo e a extinção do passivo devedor. A terceira e última etapa é a reabilitação do falido, que declara</p><p>que estão extintas todas as responsabilidades de ordem civil do falido, ou seja, ele poderá voltar a</p><p>exercer a atividade empresarial.</p><p>A recuperação judicial ou recuperação de empresas, para Gomes (2015, p. 397):</p><p>É o acordo realizado entre o devedor (empresário, empresa individual de</p><p>responsabilidade limitada ou sociedade empresária) e seus credores, em juízo</p><p>ou fora dele, com vistas à recuperação da atividade empresarial em crise e</p><p>ao pagamento do</p><p>passivo submetidos aos efeitos da recuperação.</p><p>Como se aprendeu do conceito, existe uma anuência do credor com o devedor, para facilitar a</p><p>continuidade da atividade empresarial. Grandes críticas foram apresentadas no Projeto da Lei de</p><p>Falências no tocante a esse instituto, que foi chamado de “uma concordata piorada”, na medida em que</p><p>caberia ao poder judiciário socorrer empresários ou administradores de negócios mal sucedidos.</p><p>A legislação aprovada diz que a recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da</p><p>situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora,</p><p>do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da</p><p>empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.</p><p>Como você pode perceber, a recuperação judicial é um benefício que somente deve ser concedido</p><p>para as empresas que forem consideradas viáveis, e essa análise é de responsabilidade do poder judiciário.</p><p>Esclarece-se, por oportuno, que é possível que haja uma recuperação extrajudicial. No entanto, essa</p><p>modalidade privada é usada diretamente pelo devedor, que procura seus credores para uma renegociação</p><p>e, juntos, assinam documentos de novação das dívidas. O plano de recuperação extrajudicial é levado</p><p>para a homologação do poder judiciário.</p><p>Não estão obrigados ao plano de recuperação extrajudicial os credores trabalhistas, os credores</p><p>tributários, o proprietário fiduciário (como o banco, que é dono do carro até o pagamento total da</p><p>dívida contraída), o arrendador mercantil, o vendedor ou promitente vendedor de imóvel e os credores</p><p>decorrentes de adiantamento de contrato de câmbio para exportação.</p><p>A recuperação judicial operacionaliza-se em três etapas. A primeira é a fase postulatória, segundo a</p><p>qual o devedor justifica as causas concretas pelas quais vai requerer a recuperação, contendo informações</p><p>acerca do patrimônio empresarial, necessariamente juntando-se os demonstrativos contábeis relativos</p><p>aos três últimos exercícios sociais, além de uma série de outros documentos.</p><p>A segunda é a recuperação judicial, fase deliberativa na qual o juiz acata o pedido de processamento</p><p>da recuperação judicial e nomeia o administrador judicial. Suspenderá as ações e execuções contra o</p><p>devedor que deve, em até 60 dias, apresentar o seu plano de recuperação.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>172</p><p>Unidade III</p><p>A etapa final é a execução, que perdura até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano,</p><p>no prazo de até dois anos. Caso sejam descumpridos os planos, a recuperação judicial se converterá</p><p>automaticamente em falência.</p><p>Como podemos saber que uma empresa está em recuperação judicial? A legislação determinou que,</p><p>em todos os atos, contratos e documentos firmados em nome da empresa, deverá constar, depois do</p><p>nome empresarial, a expressão: “Em recuperação judicial”.</p><p>Saiba mais</p><p>Existe um estudo acerca das recuperações judiciais no estado de São</p><p>Paulo e o seu índice de sucesso que apontou questões interessantes sobre</p><p>a utilização desse instituto. Entre os dados colhidos, o tempo médio para a</p><p>finalização da recuperação judicial é de três anos. Além disso, quase 60%</p><p>das recuperações judiciais requeridas se tornaram falências. Para saber mais</p><p>sobre os dados, leia o texto a seguir:</p><p>WAISBERG, I. et al. Recuperação judicial no estado de São Paulo: 2ª fase</p><p>do observatório de insolvência. [s.d.]. Disponível em: https://urx1.com/BtDi2.</p><p>Acesso em: 22 mar. 2020.</p><p>Os requisitos da recuperação judicial estão no art. 48 da Lei 11.101 (Brasil, 2005), que determina que</p><p>apenas poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente</p><p>suas atividades há mais de 2 anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:</p><p>• Não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as</p><p>responsabilidades daí decorrentes.</p><p>• Não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de recuperação judicial.</p><p>• Não ter, há menos de 8 anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial</p><p>destinado às microempresas e empresas de pequeno porte.</p><p>• Não ter, há menos de 5 anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial</p><p>destinado às microempresas e empresas de pequeno porte.</p><p>• Não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio controlador, pessoa condenada</p><p>por qualquer dos crimes previstos na Lei de Falências e Recuperação Judicial.</p><p>É importante destacar que, além do devedor, a recuperação judicial também poderá ser requerida</p><p>pelo cônjuge sobrevivente, pelos herdeiros do devedor, pelo inventariante ou pelo sócio remanescente.</p><p>Caso a recuperação judicial se trate do exercício de atividade rural por pessoa jurídica, admite-se a</p><p>comprovação do prazo estabelecido no caput deste artigo por meio da Declaração de Informações</p><p>Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) que tenha sido entregue dentro do prazo legal.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>173</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Resumo</p><p>O direito civil é o ramo mais antigo do direito e regula as relações da</p><p>sociedade que tratam dos direitos da personalidade, da existência de pessoas</p><p>naturais e jurídicas, dos contratos, do direito de família e, atualmente</p><p>incorporado, do direito de empresa.</p><p>A liberdade é o bem jurídico tutelado no direito civil e traz a possibilidade</p><p>de o particular realizar tudo aquilo que a legislação não expressamente</p><p>vedar, tendo como princípio a boa-fé negocial.</p><p>A legislação civil evoluiu do Padroado Régio para as Ordenações</p><p>Manuelinas, Afonsinas e Filipinas, e, como marco legislativo, houve o</p><p>Código Civil de 1916, cuja autoria atribui-se ao jurista Clóvis Beviláqua.</p><p>A escala ponteana em direito civil pressupõe que os negócios jurídicos</p><p>devem ter presentes a existência, a validade e a eficácia, sendo que o</p><p>Código Civil brasileiro reconhece três fontes de obrigações: o contrato,</p><p>o ato ilícito e as declarações de vontade.</p><p>A responsabilidade civil decorre de uma agressão, dolosa ou culposa, a</p><p>um bem juridicamente tutelado e sujeita o infrator ao pagamento de uma</p><p>contraprestação, caso o agente não consiga retornar ao status quo ante</p><p>(estado anterior das coisas). Assim, haverá a obrigação de reparar o dano,</p><p>independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a</p><p>atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua</p><p>natureza, risco para os direitos de outrem.</p><p>O dano material se mensura pela extensão patrimonial, ao passo que o</p><p>dano moral está na comprovação ou demonstração de dor, sofrimento ou</p><p>abalo psicológico.</p><p>As garantias servem para obrigar as pessoas a cumprir os contratos, e a</p><p>confissão de dívida é o instrumento no qual o devedor declara essa condição</p><p>ao devedor. Por fim, a teoria da imprevisão é a que regula a existência de um</p><p>fato imprevisível que impõe consequências indesejáveis e onerosas para um dos</p><p>contratantes, que não consegue cumprir o contrato. Essa situação excepcional</p><p>não poderia ser prevista, evitada ou resistida, respeitados o dever geral de</p><p>cuidado, o princípio geral da confiança e a boa-fé contratual.</p><p>O CDC, Lei n. 8.078 (Brasil, 1990b), regula as relações de consumo a fim</p><p>de equilibrar a situação em que se encontram o fornecedor e o consumidor,</p><p>uma vez que aquele é conhecedor e detentor de informações que podem</p><p>desequilibrar a relação de consumo.</p><p>174</p><p>Unidade III</p><p>Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza</p><p>produto ou serviço como destinatário final. Equipara-se a consumidor a</p><p>coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que tenham intervindo</p><p>nas relações de consumo.</p><p>Fornecedor é toda pessoa, física ou jurídica, pública ou privada, nacional</p><p>ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem</p><p>atividade de produção,</p><p>montagem, criação, construção, transformação,</p><p>importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou</p><p>prestação de serviços.</p><p>Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial; e</p><p>serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante</p><p>remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito</p><p>e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.</p><p>São direitos do consumidor: o direito de informar, o direito de se informar</p><p>e o direito de ser informado. Entre os direitos básicos do consumidor, estão</p><p>a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, contra os métodos</p><p>comerciais coercitivos ou desleais, bem como as práticas e cláusulas</p><p>abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços.</p><p>É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. Por enganosa</p><p>entende-se qualquer modalidade de informação ou comunicação de</p><p>caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro</p><p>modo, mesmo por omissão, capaz de induzir o consumidor ao erro a</p><p>respeito de natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades,</p><p>origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.</p><p>Por publicidade abusiva compreende-se, entre outras, a publicidade</p><p>discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore</p><p>o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e</p><p>experiência da criança, desrespeite valores ambientais ou que seja capaz</p><p>de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa</p><p>à sua saúde ou segurança.</p><p>O direito administrativo é composto por uma série de normas esparsas</p><p>em nosso ordenamento, que visam organizar a administração pública.</p><p>A administração pública, nesse sentido amplo, se dá por meio de atos,</p><p>os quais não se configuram como lei, mas sim como atos infralegais:</p><p>são os atos administrativos. São princípios da administração pública: a</p><p>legalidade, a publicidade, a moralidade, a impessoalidade e a eficiência</p><p>dos atos administrativos.</p><p>175</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Entre os aspectos mais caros ao direito administrativo, estão as licitações,</p><p>que são uma forma de escolher para a administração o que há de mais</p><p>adequado para atender ao interesse público. São modalidades de licitação:</p><p>o pregão como forma preferencial quando se tratar de bens e serviços</p><p>comuns, a concorrência pública, o concurso, o leilão e o diálogo competitivo.</p><p>176</p><p>Unidade III</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. Em uma pequena cidade do interior do Brasil, o prefeito e os vereadores são amigos</p><p>de longa data. Durante uma reunião, prefeito e vereadores resolvem aumentar os tributos sobre a</p><p>propriedade imóvel – IPTU, para que o município tenha mais recursos, inclusive para construir escolas e</p><p>equipar melhor o hospital da cidade. Depois de algum tempo, são surpreendidos com uma ação judicial</p><p>do Tribunal de Contas do Estado, que suspende a cobrança do tributo e ainda obriga a devolução dos</p><p>valores. Essa decisão está:</p><p>I – Correta, porque o município não realizou o aumento de tributo por lei, como exige a</p><p>Constituição Federal.</p><p>II – Incorreta, porque saúde e educação devem ser financiadas exclusivamente pelo poder público federal.</p><p>III – Correta, porque aumentos não podem ser autorizados pelo município, apenas pela União e</p><p>pelos Estados.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>A) I, somente.</p><p>B) II, somente.</p><p>C) III, somente.</p><p>D) I e II, somente.</p><p>E) I e III, somente.</p><p>Resposta correta: alternativa A.</p><p>Análise das alternativas</p><p>I – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: todos os atos da administração pública precisam estar previstos em lei e, por isso, se</p><p>nesse caso a deliberação de majoração do tributo foi feita sem a aprovação de uma lei específica para</p><p>essa finalidade, não pode ser implantada a medida, que é totalmente ilegal.</p><p>II – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: em conformidade com a Constituição Brasileira, a saúde e a educação são direitos</p><p>sociais que deverão ser implementados pelos três entes públicos, ou seja, poderes federais, estaduais</p><p>e municipais.</p><p>177</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>III – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: os municípios podem cuidar de sua tributação nos termos do que dispõe a Constituição</p><p>Federal, porém, nesse caso, o problema é outro porque não foi majorado tributo por lei, por isso, não foi</p><p>cumprido o princípio da legalidade que emana do artigo 37 da Constituição Federal.</p><p>Questão 2. Marcos Wurst é descendente de alemães e acaba de montar um food truck para vender</p><p>cachorro-quente, com muitas receitas diferentes que aprendeu com seus pais e avós. Ele quer que a</p><p>empresa comece pequena para crescer com o tempo e de forma natural, como consequência da boa</p><p>qualidade e do bom preço. O ideal para ele é constituir uma:</p><p>A) Sociedade anônima.</p><p>B) Sociedade limitada.</p><p>C) Sociedade de economia mista.</p><p>D) Cooperativa.</p><p>E) Empresa individual de responsabilidade limitada.</p><p>Resposta correta: alternativa E.</p><p>Análise das alternativas</p><p>A) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: o modelo de sociedade anônima necessita de acionistas que invistam dinheiro na</p><p>empresa comprando ações. Não é o modelo empresarial adequado para um pequeno negócio de venda</p><p>de cachorro-quente.</p><p>B) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: a sociedade limitada se organiza com no mínimo dois sócios, o que também não é</p><p>indicado para um negócio comercial pequeno de venda de cachorro-quente.</p><p>C) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: a sociedade de economia mista é aquela que tem particulares e governo como</p><p>sócio, ou seja, modelo totalmente inadequado para um negócio como aquele que trata o enunciado</p><p>da questão.</p><p>178</p><p>Unidade III</p><p>D) Alternativa incorreta.</p><p>Justificativa: cooperativas não são empresas com fins lucrativos.</p><p>E) Alternativa correta.</p><p>Justificativa: o modelo de empresa individual de responsabilidade limitada é o que melhor se</p><p>adapta aos objetivos explicitados no enunciado da questão, ou seja, um negócio pequeno que vai</p><p>ser administrado e operacionalizado por uma só pessoa.</p><p>179</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Audiovisuais</p><p>O MERCADOR de Veneza. Direção: Michael Radford. Itália; Reino Unido; Luxemburgo: Avenue</p><p>P, 2004. 138 min.</p><p>Textuais</p><p>ALMEIDA, A. P. Curso de falência e recuperação de empresa. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.</p><p>AMORIM, J. R. N.; HORVATH, M. V. F. Direito administrativo. 1. ed. São Paulo: Manole, 2011.</p><p>BARBOSA, R. Oração aos moços. 5. ed. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1999. Disponível em:</p><p>https://l1nk.dev/TaTg3. Acesso em: 28 jan. 2020.</p><p>BARROSO, L. R. Curso de direito constitucional contemporâneo: os conceitos fundamentais e a</p><p>construção do novo modelo. 8. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2019.</p><p>BEVILÁQUA, C. Teoria geral do direito civil. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1976.</p><p>BOBBIO, N. Teoria geral do direito. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.</p><p>BONAVIDES, P. Curso de direito constitucional. 7. ed. São Paulo: Malheiros, 1997.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n. 33, de 3 de junho de</p><p>2008. Brasília: Ministério da Saúde, 2008a. Disponível em: https://l1nk.dev/ZaTQI. Acesso em: 23 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Brasília, 1988. Disponível em: https://l1nk.dev/ZhfOQ. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto n. 737, de 25 de novembro de 1850. Determina</p><p>a ordem do Juízo no Processo Comercial. Brasília, 1850. Disponível em: https://acesse.one/VOz7u.</p><p>Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe</p><p>sobre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e</p><p>dá outras providências. Brasília, 1967. Disponível em: https://acesse.one/ARdj0. Acesso em: 6 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de</p><p>Processo Penal. Brasília, 1941. Disponível em: https://l1nk.dev/dRgVY. Acesso em:</p><p>20 jan. 2020.</p><p>180</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de</p><p>Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Brasília, 1942. Disponível em: https://l1nk.dev/3JeCH.</p><p>Acesso em: 22 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-lei n. 900, de 29 de setembro de 1969. Altera</p><p>disposições do Decreto-lei número 200, de 25 de fevereiro de 1967, e dá outras providências. Brasília, 1969.</p><p>Disponível em: https://l1nk.dev/dRlFd. Acesso em: 6 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Emenda Constitucional n. 19, de 4 de junho de 1998.</p><p>Modifica o regime e dispõe sobre princípios e normas da Administração Pública, servidores e agentes</p><p>políticos, controle de despesas e finanças públicas e custeio de atividades a cargo do Distrito Federal, e</p><p>dá outras providências. Brasília, 1998. Disponível em: https://acesse.one/Kl9cF. Acesso em: 3 mar. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei Complementar n. 101, de 4 de maio de 2000.</p><p>Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras</p><p>providências. Brasília, 2000. Disponível em: https://l1nk.dev/ekycP. Acesso em: 1 mar. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008.</p><p>Altera a Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006, altera as Leis n. 8.212, de 24 de julho</p><p>de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, 8.029, de</p><p>12 de abril de 1990, e dá outras providências. Brasília, 2008b. Disponível em: https://acesse.one/c7IRQ.</p><p>Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 3.071, de 1º de janeiro de 1916. Código</p><p>Civil dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, 1916. Disponível em: https://l1nk.dev/J2tdc.</p><p>Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas</p><p>Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos</p><p>Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Brasília, 1964. Disponível em: https://l1nk.dev/dAqKE.</p><p>Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965. Institui o Código</p><p>Eleitoral. Brasília, 1965. Disponível em: https://l1nk.dev/yAAcG. Acesso em: 22 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o</p><p>Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e</p><p>Municípios. Brasília, 1966. Disponível em: https://l1nk.dev/ew5oe. Acesso em: 13 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Define a Política</p><p>Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras</p><p>providências. Brasília, 1971. Disponível em: https://l1nk.dev/jeSr1. Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>181</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de</p><p>Processo Civil. Brasília, 1973a. Disponível em: https://acesse.one/a74mh. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 6.001, de 19 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o</p><p>Estatuto do Índio. Brasília, 1973b. Disponível em: https://acesse.one/0Evdp. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as</p><p>Sociedades por Ações. Brasília, 1976. Disponível em: https://l1nk.dev/rd9K5. Acesso em: 12 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil</p><p>pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de</p><p>valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (vetado) e dá outras providências. Brasília, 1985.</p><p>Disponível em: https://l1nk.dev/uTuYD. Acesso em: 27 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre</p><p>o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, 1990a. Disponível em:</p><p>https://acesse.one/FAUof. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a</p><p>proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília, 1990b. Disponível em: https://acesse.one/qANPL.</p><p>Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37,</p><p>inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração ública</p><p>e dá outras providências. Brasília, 1993a. Disponível em: https://l1nk.dev/qeT5J. Acesso em: 7 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 8.686, de 20 de julho de 1993. 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Disponível em: https://l1nk.dev/JzrhU. Acesso em: 12 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código</p><p>Civil. Brasília, 2002a. Disponível em: https://l1nk.dev/uPen8. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>182</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 10.520, de 17 de julho de 2002. Institui, no âmbito</p><p>da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição</p><p>Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns, e dá</p><p>outras providências. Brasília, 2002b. Disponível em: https://acesse.one/NYbuo. Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o</p><p>Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências. Brasília, 2003. Disponível em: https://acesse.one/dWWzF.</p><p>Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Regula a</p><p>recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Brasília,</p><p>2005. Disponível em: https://acesse.one/kmzKu. Acesso em: 12 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 12.376, de 30 de dezembro de 2010. Altera a</p><p>ementa do Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Brasília, 2010. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12376.htm. Acesso em: 22 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011. Altera a Lei n. 10.406, de</p><p>10 de janeiro de 2002 (Código Civil), para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade</p><p>limitada. Brasília, 2011a. Disponível em: https://acesse.one/yRogH. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Institui o Regime</p><p>Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra); dispõe sobre</p><p>a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à indústria automotiva; altera a incidência</p><p>das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas que menciona; altera</p><p>as Leis n. 11.774, de 17 de</p><p>setembro de 2008, n. 11.033, de 21 de dezembro de 2004, n. 11.196, de 21 de novembro de 2005, n. 10.865,</p><p>de 30 de abril de 2004, n. 11.508, de 20 de julho de 2007, n. 7.291, de 19 de dezembro de 1984, n. 11.491, de</p><p>20 de junho de 2007, n. 9.782, de 26 de janeiro de 1999, e n. 9.294, de 15 de julho de 1996, e a Medida</p><p>Provisória n. 2.199-14, de 24 de agosto de 2001; revoga o art. 1º da Lei n. 11.529, de 22 de outubro de 2007,</p><p>e o art. 6º do Decreto-Lei n. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, nos termos que especifica; e dá outras</p><p>providências. Brasília, 2011b. Disponível em: https://acesse.one/fsb0x. Acesso em: 28 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei n. 12.690, de 19 de julho de 2012. Dispõe sobre</p><p>a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de</p><p>Fomento às Cooperativas de Trabalho - PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da</p><p>Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943.</p><p>Brasília, 2012. Disponível em: https://l1nk.dev/z4UIY. Acesso em: 11 fev. 2020.</p><p>CAMPOS, N. R. P. R. Noções essenciais de direito. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.</p><p>CARLSSON, U.; VON FEILITZEN, C. A criança e a violência na mídia. Brasília: Unesco Brasil, 1999.</p><p>Disponível em: https://urx1.com/gSOmJ. Acesso em: 28 jan. 2020.</p><p>183</p><p>CARRIDE, N. A. 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Acesso em: 22 mar. 2020.</p><p>186</p><p>187</p><p>188</p><p>Informações:</p><p>www.sepi.unip.br ou</p><p>0800 010 9000</p><p>em lei, assim como aos estrangeiros,</p><p>na forma da lei;</p><p>II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação</p><p>prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com</p><p>a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,</p><p>ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre</p><p>nomeação e exoneração.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>132</p><p>Unidade III</p><p>Grande parte dos testes, das provas e dos concursos públicos exige a disciplina principiológica do</p><p>art. 37 da Constituição. Mas como você poderia fazer para gravar os cinco princípios? Existe um método</p><p>mnemônico de aprendizagem que pode ser utilizado nos princípios, conforme a figura a seguir:</p><p>O agente público só pode fazer o que a legislação</p><p>expressamente determinar</p><p>Igualdade de tratamento entre todos os administrados com</p><p>supremacia do interesse público</p><p>Todos os atos devem ser publicados para que a população</p><p>dele saiba e o controle</p><p>O ato praticado é considerado ilegal quando não for</p><p>moralmente aceitável</p><p>Agir com presteza, perfeição, buscando sempre o melhor</p><p>resultado com o menor custo</p><p>Legalidade</p><p>Impessoalidade</p><p>Publicidade</p><p>Moralidade</p><p>Eficiência</p><p>Figura 28 – Princípios constitucionais da administração pública</p><p>A figura anterior é o famoso “LIMPE” da administração pública, com as principais características</p><p>de cada princípio. Vamos nos aprofundar um pouco na matéria que rege a administração pública</p><p>analisando cada princípio.</p><p>Princípio da legalidade</p><p>Diferentemente das relações privadas, em que os particulares podem fazer tudo o que a lei não</p><p>proíbe, na administração pública só pode ser feito o que a lei prevê. Essa vinculação existe não apenas</p><p>em relação à lei em si, mas também em relação ao ordenamento jurídico como um todo.</p><p>Lembrete</p><p>Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão</p><p>em virtude de lei.</p><p>A função dos atos administrativos é realizar o que preceitua a lei, sendo-lhes negada a inovação no</p><p>ordenamento jurídico. Portanto, devem-se ater a estabelecer os meios para concretizar o determinado</p><p>em lei. Eis a diferença entre o agente público e os particulares: enquanto o primeiro somente deve fazer</p><p>o que a lei determina, o outro terá a liberdade de fazer tudo o que a lei não proibir.</p><p>É relevante o alerta feito por Amorim e Horvath (2011) de que não devemos confundir o princípio</p><p>da legalidade com o princípio da reserva legal ou da legalidade específica; este decorre de cláusula</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>133</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>constitucional que determina e indica quais as matérias que, pela sua natureza, só podem ser tratadas</p><p>por lei formal, sendo vedada qualquer ingerência normativa do poder executivo, como a criação de tipo</p><p>tributário, tipo penal etc.</p><p>Princípio da impessoalidade</p><p>Para Mello (2003), a impessoalidade traduz a ideia de que a administração deve tratar todos os</p><p>administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismo nem perseguições são</p><p>toleráveis. Esse princípio tem o objetivo de impedir atuações geradas por antipatia, simpatia, vingança,</p><p>represália, nepotismo e favorecimentos diversos, bastante comuns em licitações, concursos públicos e</p><p>no exercício de poder de polícia.</p><p>Princípio da moralidade</p><p>Este princípio exige uma atuação ética da administração pública. Isso significa que o agente público</p><p>deverá distinguir não só o ato legal do ilegal, mas também o honesto do desonesto. Assim, o agente</p><p>público deverá atuar segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé (art. 2, IV, da Lei n. 9.784/99).</p><p>O princípio da moralidade administrativa corresponde à perquirição da validade da motivação ou</p><p>fundamentação do ato e, pois, viabiliza o reexame judicial de mérito de ato administrativo, mormente por</p><p>vício de legalidade, compreendido o aviltamento da finalidade do ato; assim, diz respeito ao cotejo entre</p><p>atividade fim da administração e do exercício da ascendência disciplinar administrativo sancionatória.</p><p>Qualquer que seja o prisma de análise, a pauta da moralidade administrativa recai sobre a matéria de</p><p>vício de substância ou de finalidade, bem como de vício de forma, matéria de desvio de objeto, desvio de</p><p>poder e desvio de finalidade, alcançando, portanto, toda a pauta de convalidação e de efeitos residuais</p><p>do nulo (por exemplo, a conversão de remuneração do particular que já adimpliu sua prestação de</p><p>serviços à administração pública, ocorrida por meio de contratação nula, em indenização).</p><p>Um exemplo de moralidade é o recebimento de auxílio-moradia por um casal de servidores públicos</p><p>do poder judiciário. Suponha que ambos recebam auxílio-moradia. O STF liberou esse auxílio para</p><p>qualquer juiz que não tenha à disposição um imóvel funcional, pago pelo poder público. Na sua opinião,</p><p>é moral a atuação desses servidores? Podemos dizer que é legal, porque ambos são servidores e teriam</p><p>direito à percepção do benefício.</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Um dos mais corriqueiros exemplos de violação ao princípio da impessoalidade ocorre quando um</p><p>agente político utiliza os recursos públicos para se promover.</p><p>O juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, concedeu um</p><p>pedido liminar interposto pela codeputada Paula Aparecida, da Bancada Ativista composta por membros</p><p>do PSOL, que solicitava a suspensão imediata dos trabalhos de pintura em prédios de escolas públicas</p><p>da rede paulista de azul e amarelo, cores associadas ao partido do governador João Dória, do PSDB</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>134</p><p>Unidade III</p><p>(Justiça..., 2019). Em nota, a codeputada afirmou que o projeto “Escola + Bonita” fazia propaganda</p><p>ilegal e uso do direito público para benefício próprio, sendo que a escola pública não pode ser usada</p><p>como propaganda eleitoral, pois “é da população de São Paulo, não de um governador ou de um partido</p><p>específico”. No despacho, o magistrado disse que o projeto violou os princípios da moralidade e da</p><p>impessoalidade ao utilizar cores específicas idênticas ao grupo político de Dória. O Ministério Público</p><p>teve o mesmo posicionamento.</p><p>Recorde-se que ser um cidadão e universitário representa um desejo de mudança e cuidado com</p><p>o uso dos recursos públicos, para transformar nosso meio em um espaço digno e justo para todos.</p><p>Agora, reflita: você já percebeu alguma violação ao princípio da impessoalidade ou da moralidade</p><p>administrativa?</p><p>Princípio da publicidade</p><p>O princípio da publicidade refere-se ao dever administrativo de manter plena transparência em</p><p>seus comportamentos. O sigilo só é admitido quando for imprescindível à segurança do Estado e da</p><p>sociedade, nos casos de segurança nacional e de intimidade e privacidade.</p><p>Os atos da administração pública devem ser exibidos em público. Impõe-se a transparência na</p><p>atividade administrativa justamente para que os administrados avaliem se ela está sendo bem ou mal</p><p>conduzida. É importante destacar que os atos administrativos devem ser motivados e que o administrador</p><p>público tem o dever de ser eficiente e de prestar contas.</p><p>Princípio da eficiência</p><p>O princípio constitucional da eficiência exige que o agente público exerça a atividade administrativa</p><p>com presteza, perfeição e com rendimento funcional. Essa eficiência deverá atingir não só os agentes</p><p>públicos, mas também a própria administração pública. Os agentes devem atuar da melhor forma</p><p>possível, na busca dos melhores resultados. Já a administração deverá estruturar de forma racional sua</p><p>organização, de modo a atingir os melhores resultados a um menor custo possível.</p><p>Vejamos os elementos de uma política fiscal efetiva de uso dos recursos públicos:</p><p>Aumentar receitas:</p><p>por meio de uma reforma</p><p>tributária que permita ao</p><p>Estado arrecadar mais</p><p>Diminuir despesas:</p><p>por meio de uma</p><p>reforma</p><p>administrativa que possibilite</p><p>a redução de gastos do</p><p>governo, assim como uma</p><p>política monetária de juros</p><p>mais baixos</p><p>Figura 29</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>135</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Lembre-se de que o aumento das receitas não envolve necessariamente o aumento de alíquotas,</p><p>bases de cálculos ou criação de novos tributos. O que se defende nas ações públicas é a concentração</p><p>de esforços para aumentar a arrecadação por meio do aumento da quantidade de fatos geradores. Por</p><p>exemplo: quanto mais renda você aferir, mais imposto de renda você deverá pagar. A diminuição das</p><p>despesas é matéria corrente e necessária, que envolve aspectos de economia e gestão.</p><p>Findos os princípios e suas exemplificações, traz-se ao estudo uma questão importante. Por</p><p>ser o povo soberano e também o destinatário final dos serviços públicos, chegamos à seguinte</p><p>conclusão: a oferta de serviço essencial, como o serviço médico-hospitalar, deve ser universal,</p><p>além de contínuo e ininterrupto. Isso porque, em matéria de saúde, o binômio eficácia-vigência</p><p>e toda a concepção do princípio da eficiência sedem lugar ao princípio da resolutividade, dada a</p><p>prevalência do bem da vida tutelado, ou seja, a própria vida humana sob tutela da administração.</p><p>Assim, no conceito de destinatário da função e do serviço públicos, a ação estatal alcança não</p><p>apenas o cidadão brasileiro (titular da soberania), mas o estrangeiro em solo nacional. Eis que a</p><p>oferta de serviço essencial médico-hospitalar é universal e de demanda incontenível (prevalência</p><p>do princípio da resolutividade).</p><p>Há outras situações nas quais mesmo o estrangeiro em solo nacional se considera destinatário final</p><p>da administração pública, como é o caso do estrangeiro encarcerado em solo pátrio. Dado o fundamento</p><p>ético do direito, o conceito de destinatário final da administração pública, incluídos sua função e seu</p><p>serviço, ultrapassa a questão da soberania como critério definidor da situação jurídica do sujeito</p><p>destinatário final.</p><p>Observação</p><p>A LINDB, por versar sobre a teoria geral do direito, alcança a matéria de</p><p>direito público. Logo, toda a legislação de direito administrativo também</p><p>respeitará as disposições da LINDB.</p><p>Como você percebeu, as ações da administração pública servem para atender às necessidades públicas.</p><p>Em outras palavras, todos os recursos arrecadados por meio de esforços da coletividade (tributos ou não)</p><p>devem atender a uma finalidade pública. Para atender às necessidades da coletividade, são necessárias</p><p>pessoas, e essas pessoas são os servidores públicos em sentido amplo, ou seja, estão à serviço do público,</p><p>da sociedade.</p><p>O art. 38 da CF (Brasil, 1988), integrante da mesma seção de Disposições Gerais, disciplina a situação</p><p>de servidor público no exercício do mandato eletivo: norma cuja principiologia, assim como toda</p><p>matéria de funcionalismo público, remonta ao art. 37 da CF. Observe a figura a seguir, que mostra as</p><p>diferenças existentes entre as espécies no funcionalismo público.</p><p>136</p><p>Unidade III</p><p>Servidores públicos: todos aqueles</p><p>que mantêm com o Poder Público</p><p>relação de trabalho, de natureza</p><p>profissional e caráter não eventual,</p><p>sob o vínculo de dependência</p><p>Agentes públicos: todas as pessoas</p><p>físicas ou jurídicas que, sob</p><p>qualquer liame jurídico e, algumas</p><p>vezes, sem ele, prestam serviços à</p><p>administração pública</p><p>Agentes políticos: presidente</p><p>e vice, governadores e vices,</p><p>ministros de Estado</p><p>Figura 30</p><p>Os agentes públicos, os servidores no sentido estrito e os agentes políticos devem se preocupar em</p><p>praticar atos administrativos que sirvam, de algum modo, ao interesse público.</p><p>7.2 Atos administrativos</p><p>Os atos administrativos têm presunção de legitimidade, exigibilidade e executoriedade; portanto,</p><p>vão afetar toda a coletividade.</p><p>Meirelles (1998, p. 131) define ato administrativo como:</p><p>[...] toda manifestação unilateral da vontade da administração pública</p><p>que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar,</p><p>transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos</p><p>administrados ou a si própria.</p><p>Recorde-se que a legalidade na administração não resume a ausência de proibição da lei, mas sim</p><p>a autorização desta, como condição de sua validade. A legalidade deve ser entendida como estar de</p><p>acordo com a lei. Para melhor compreender, aos particulares é permitido tudo o que não é vedado pela</p><p>lei; já à administração pública somente é permitido agir em absoluta harmonia com a lei.</p><p>Assim, a administração e os seus agentes devem agir em conformidade com princípios éticos.</p><p>A violação indica também a violação do direito, configurando a ilicitude. É necessário que, no exercício</p><p>da atividade administrativa, sejam aplicados os princípios da boa-fé e da lealdade.</p><p>A improbidade administrativa é considerada crime de responsabilidade. Para os servidores públicos,</p><p>os atos dessa espécie “importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda de função pública, a</p><p>indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem</p><p>prejuízo da ação penal cabível”, conforme art. 37, § 4º, da CF (Brasil, 1988).</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>137</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>É importante você notar que, no tocante ao interesse público, pode-se dizer que a administração</p><p>pública não tem poderes, mas sim deveres-poderes, uma vez que deve cumprir a finalidade que lhe</p><p>é determinada. Tem função e dever de buscar o interesse da coletividade; não tem autonomia da</p><p>vontade nem liberdade, tampouco autodeterminação da finalidade a ser buscada, já que todas seriam</p><p>características do direito privado. Essas finalidades devem ser alcançadas de maneira proporcional, sem</p><p>que haja abuso de poder, seja ele com meios desproporcionais, seja sem atingir a finalidade determinada.</p><p>7.2.1 Atributos e requisitos</p><p>Como já sabemos, para praticar qualquer ato, é necessário que haja um sujeito ativo, ou seja, que</p><p>realiza a conduta administrativa tendente a obter a satisfação de uma necessidade pública, com vistas a</p><p>atender ao interesse público. O sujeito ativo do ato administrativo é o Estado, ou quem lhe faça as vezes.</p><p>São três os atributos ou características do ato administrativo: presunção de legitimidade,</p><p>imperatividade e autoexecutoriedade.</p><p>A presunção de legitimidade é aquela que alcança os atos administrativos e é caracterizada por ser</p><p>do tipo relativa, ou seja, presume-se. Isso significa dizer que a legitimidade dos atos administrativos,</p><p>embora se presuma legítima, admite prova em contrário. Compete a quem se sentir prejudicado fazer</p><p>prova de que o ato administrativo é eivado de vícios, ou seja, questionar a licitude do ato. Até que</p><p>seja feita prova em contrário, o ato administrativo projeta efeitos, é eficaz. De acordo com Amorim</p><p>e Horvath (2011), é devido a essa presunção que a partir de sua edição o ato administrativo já pode</p><p>produzir efeitos, não tendo de aguardar prazo para eventuais questionamentos sobre sua licitude.</p><p>Lembrete</p><p>O ônus da prova compete a quem o alegar.</p><p>Como o ato administrativo praticado é presumidamente lícito, o questionamento judicial acerca</p><p>de legalidade acarreta inversão do ônus probatório da ilicitude do ato; ou seja, mesmo que tenha sido</p><p>praticado ao arrepio das previsões legais, cabe ao interessado provar que o ato é ilícito.</p><p>Imperatividade, para Amorim e Horvath (2011), é o atributo do ato administrativo que impõe</p><p>a coercibilidade para seu cumprimento ou execução. A imperatividade é indispensável aos atos</p><p>administrativos, como forma de a administração atingir sua finalidade, qual seja, a satisfação do interesse</p><p>público. Cabe destacar que nem todos os atos administrativos são imperativos, como os enunciativos</p><p>negociais, que dependem da vontade do particular na sua utilização. Alguns exemplos são</p><p>o ato de</p><p>nomeação e a permissão de uso.</p><p>Os atos cujo conteúdo seja uma ordem, um provimento, pela sua própria natureza são imperativos</p><p>e obrigam seus destinatários ao seu fiel cumprimento, sob pena de sanção, a ser aplicada pelo próprio</p><p>poder público.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>138</p><p>Unidade III</p><p>Autoexecutoriedade, segundo Amorim e Horvath (2011), é o atributo de alguns atos administrativos</p><p>informar que a administração pública pode autoexecutar as sanções por ela impostas aos administrados.</p><p>É um princípio que tem sido objeto de muita polêmica, mormente após a CF de 1988, que, no art. 5,</p><p>LV, assegura o contraditório e a ampla defesa nos processos administrativos e judiciais. A nosso ver, o</p><p>asseguramento da ampla defesa e do contraditório não é incompatível com a autoexecutoriedade dos</p><p>atos administrativos. Entre os atos administrativos que gozam da autoexecutoriedade, podemos citar os</p><p>praticados no exercício do poder de polícia.</p><p>Você sabe o que é o poder de polícia da administração? Trata-se de atividade estatal que limita o</p><p>exercício dos direitos individuais em prol do interesse coletivo. Vejamos o seu conceito legal no artigo</p><p>78 do Código Tributário Nacional (Brasil, 1996):</p><p>Art. 78. Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública</p><p>que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula</p><p>a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público</p><p>concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da</p><p>produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes</p><p>de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao</p><p>respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.</p><p>Di Pietro (1991) ensina que o poder da administração pública é limitado no âmbito de dois</p><p>aspectos opostos: a autoridade da administração pública e a liberdade individual. Do desfecho desse</p><p>antagonismo jurídico decorre que o princípio da predominância do interesse público sobre o particular</p><p>é o fundamento do poder de polícia, pois dele se revela a posição de supremacia da administração</p><p>sobre os administrados.</p><p>Em relação à autoexecutoriedade dos atos administrativos, Meirelles (1998) afirmou que tem</p><p>entendimento mais amplo, ao considerar que a administração pública só deve socorrer-se do poder</p><p>judiciário em casos excepcionais, cabendo ao administrado que se sentir lesado reclamar e buscar a</p><p>reparação da eventual lesão junto ao poder judiciário.</p><p>Requisito nada mais é do que uma condição para alcançar determinado fim. Os requisitos do ato</p><p>administrativo são diversos: agente capaz; objeto lícito; forma prescrita ou não proibida; legalidade;</p><p>moralidade; finalidade de atender ao interesse público e aos objetivos da lei; publicidade; competência</p><p>do agente e motivação dada pela lei ou justificada pelo agente.</p><p>A capacidade ou requisito do agente capaz é uma condição para que se pratique determinado ato</p><p>em nome do poder público. Essa atribuição ou competência é dada por lei para a prática de certos</p><p>atos jurídicos em nome da administração pública. Não é competente quem quer, mas quem a lei</p><p>determina. A competência administrativa não é dada às pessoas físicas, e sim aos sujeitos integrantes</p><p>da administração pública.</p><p>Os atos administrativos hão de buscar, conforme os ensinamentos de Amorim e Horvath (2011),</p><p>sempre a satisfação do interesse público, ou seja, o interesse coletivo. Essa é a razão jurídica pela qual</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>139</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>o ato se encontra abstratamente previsto no sistema jurídico. O não cumprimento da finalidade do</p><p>ato administrativo acarreta o vício denominado desvio de finalidade, que nada mais é que a distorção</p><p>entre o ato previsto abstratamente e o ato efetivamente praticado.</p><p>Leciona Mello (2003) acerca da motivação dos atos administrativos:</p><p>Parece-nos que a exigência de motivação dos atos administrativos</p><p>contemporânea à prática do ato, ou pelo menos anterior a ela, há de ser</p><p>tida como uma regra geral, pois os agentes administrativos não são ‘donos’</p><p>da coisa pública, mas simples gestores de interesses de toda coletividade,</p><p>esta, sim, senhora de tais interesses, visto que, nos termos da Constituição,</p><p>‘todo poder emana do povo’ (art. 1, parágrafo único).</p><p>São poderes e deveres do administrador público:</p><p>• Dever de eficiência.</p><p>• Dever de probidade.</p><p>• Dever de prestar contas.</p><p>• Poder-dever de agir.</p><p>7.2.2 Atos administrativos vinculados e discricionários</p><p>Os atos administrativos podem ser vinculados ou discricionários. No primeiro, o poder público deve</p><p>praticar nos estreitos limites determinados pela lei; no segundo, há uma certa liberdade para sua decisão.</p><p>Mello (1995, p. 229):</p><p>Atos vinculados seriam aqueles em que, por existir prévia e objetiva tipificação</p><p>legal do único possível comportamento da Administração em face de</p><p>situação igualmente em termos de objetividade absoluta, a Administração</p><p>ao expedi-los não interfere com apreciação subjetiva alguma.</p><p>Atos discricionários, pelo contrário, seriam os que a Administração pratica</p><p>com certa margem de liberdade de avaliação ou de decisão segundo</p><p>critérios de conveniência e oportunidade formulados por ela mesma, ainda</p><p>que adstrita à lei reguladora da expedição deles.</p><p>Como síntese dos nossos estudos, o quadro a seguir elucida os atos administrativos e os poderes e</p><p>deveres do administrador público.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>140</p><p>Unidade III</p><p>Quadro 8</p><p>Atributos do ato</p><p>administrativo</p><p>Imperatividade</p><p>Presunção de legitimidade</p><p>Auto executoriedade</p><p>Requisitos do ato</p><p>administrativo</p><p>Agente capaz</p><p>Objeto lícito</p><p>Forma prescrita ou não defesa em lei</p><p>Legalidade</p><p>Moralidade</p><p>Finalidade de atender ao interesse público e aos objetivos da lei</p><p>Publicidade</p><p>Competência do agente</p><p>Motivação dada pela lei ou justificada pelo agente</p><p>Poderes e deveres do</p><p>administrador público</p><p>Dever de eficiência</p><p>Dever de probidade</p><p>Dever de prestar contas</p><p>Poder-dever de agir</p><p>Fonte: Führer e Milaré (2004, p. 111).</p><p>7.3 Contratos administrativos</p><p>Pode-se considerar como contrato administrativo todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades</p><p>da Administração Pública e particulares. Nesse contrato é necessário que haja um acordo de vontade</p><p>para que se forme um vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas.</p><p>Releva destacar que, ainda que a Administração não chame o contrato administrativo de contrato,</p><p>ele ainda assim será, na prática, um contrato.</p><p>Quer um exemplo? Quando a Administração envia uma nota de empenho para um fornecedor que já está</p><p>previamente cadastrado, licitado e escolhido para efetuar o fornecimento de um bem ou serviço, temos um</p><p>contrato administrativo. Desse modo, seja qual for a denominação utilizada, haverá um contrato.</p><p>Você já sabe que os contratos são, no mínimo, bilaterais, ou seja, existem partes contratantes, cada</p><p>qual com direitos e obrigações. No caso dos contratos administrativos, em uma das partes sempre vai</p><p>figurar o Estado, e na outra o particular.</p><p>Quando você decide adquirir algo ou construir a sua casa, você deve, em respeito ao seu dinheiro,</p><p>fazer diversas cotações e buscar no mercado condições favoráveis de negociação, prazo e qualidade.</p><p>O mesmo raciocínio vale para a administração pública; a diferença é que o dinheiro não é só seu, mas</p><p>decorre do esforço de toda a coletividade.</p><p>Percebe-se aí a responsabilidade do agente público quando vai utilizar o dinheiro que não é seu,</p><p>mas de todos. Por isso, o legislador determinou expressamente que todos os contratos devem ser precedidos</p><p>de licitação, ainda que existam cláusulas nos contratos que</p><p>desequilibrem a relação (em favor da</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>141</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>coletividade, nunca do particular). A essas cláusulas, chamamos de cláusulas leoninas, em direito civil,</p><p>ou cláusulas exorbitantes, em direito administrativo.</p><p>Para Nohara (2017), “exorbitante” (do latim, exorbitare) designa algo que exorbita ou sai da órbita.</p><p>Cláusulas exorbitantes são aquelas que seriam anormais se apostas em contratos privados, mas que</p><p>fazem parte dos contratos administrativos, haja vista os interesses perseguidos. Não são cláusulas</p><p>leoninas propriamente ditas, pois, enquanto estas preveem desequilíbrios na comutatividade da</p><p>avença, as cláusulas exorbitantes resguardam ao particular o equilíbrio contratual, uma vez que a parte</p><p>econômico-financeira do contrato não é alterada sem a autorização do contratado.</p><p>São exemplos de cláusulas exorbitantes: a possibilidade de alteração unilateral do contrato pela</p><p>administração, sua rescisão unilateral, a fiscalização do contrato, a possibilidade de aplicação de</p><p>penalidades por inexecução e a ocupação (na hipótese de rescisão contratual). Também se costuma</p><p>denominar de cláusula exorbitante a limitação à oposição da exceptio non adimpleti contractus nos</p><p>contratos administrativos. Assim, os contratos administrativos devem ser sempre cumpridos pelo</p><p>particular. Nessa queda de braços, quem vence é sempre o Estado, pois ele representa a coletividade.</p><p>Figura 31</p><p>Disponível em: https://ury1.com/ggrux. Acesso em: 1º set. 2023.</p><p>As cláusulas exorbitantes nos contratos administrativos também são um claro exemplo de supremacia</p><p>do interesse público. Elas provocam o desnivelamento da relação contratual, tornam a bilateralidade</p><p>quase uma unilateralidade em favor da administração, em razão da desigualdade jurídica que a cerca.</p><p>Obviamente, os particulares sabem disso e estão cientes de que, com a assinatura consensual do</p><p>contrato administrativo, acham-se presos à supremacia do interesse público sobre o privado, traduzida</p><p>nas cláusulas exorbitantes.</p><p>Quando você é um particular, você decide quando se inicia e quando acaba um contrato de</p><p>prestação de serviços contínuos. Existem contratos que são vigentes por tempo indeterminado, como</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>142</p><p>Unidade III</p><p>a contratação por terceirização de uma empresa de limpeza para o seu estabelecimento comercial. No</p><p>entanto, não se admite o contrato administrativo com prazo indeterminado com a administração. Logo,</p><p>todos os contratos dessa natureza devem ter prazo de duração expressamente previsto, nos termos do</p><p>art. 57, § 3º, da Lei n. 8.666 (Brasil, 1993a).</p><p>Em regra, os contratos administrativos possuem prazo de duração limitado aos créditos orçamentários,</p><p>que, como você já sabe, têm duração de um ano, em razão do período de vigência da LOA. Contudo,</p><p>constata-se que esse prazo poderá ser prorrogado em alguns casos específicos, como o de projetos cujos</p><p>produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no PPA, os quais poderão ser prorrogados se</p><p>houver interesse da administração e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório.</p><p>Lembrete</p><p>O PPA prevê as metas da administração pelo período de quatro anos.</p><p>Outra hipótese é a da prestação de serviços a serem executados de forma contínua, como os de</p><p>limpeza, guarda, segurança e vigilância, que não caracterizam a atividade-fim do Estado e que poderão</p><p>ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos, com vistas à obtenção de preços e</p><p>condições mais vantajosas para a administração, limitada a sessenta meses, ou seja, cinco anos.</p><p>7.4 Licitações</p><p>A CF, ao disciplinar a administração pública no art. 37, XXI, determinou que as compras fossem</p><p>precedidas de licitação:</p><p>Ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras</p><p>e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que</p><p>assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas</p><p>que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas</p><p>da proposta, nos termos da lei, a qual somente permitirá as exigências de</p><p>qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento</p><p>das obrigações (Brasil, 1988).</p><p>Em lei complementar (Brasil, 1993b), o legislador determinou o conceito e a finalidade da licitação.</p><p>Apresenta-se o art. 3º, que conceitua licitação:</p><p>A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional</p><p>da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração</p><p>e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e</p><p>julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da</p><p>impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade</p><p>administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento</p><p>objetivo e dos que lhes são correlatos.</p><p>143</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Como você observou, os contratos administrativos sempre devem ser precedidos de licitação pública,</p><p>que pode ser das seguintes espécies, conforme a figura a seguir:</p><p>Espécies de licitação</p><p>Venda de bens móveis</p><p>inservíveis ou produtos</p><p>apreendidos</p><p>Leilão Lei 8.666/93</p><p>Trabalhos técnicos,</p><p>científicos ou artísticosConcurso Lei 8.666/93</p><p>Contratos grandesConcorrência pública Lei 8.666/93</p><p>Contratos médiosTomada de preços Lei 8.666/93</p><p>Contratos pequenosConvite Lei 8.666/93</p><p>Bens e serviços comunsPregão Lei 10.520/02</p><p>Figura 32 – Espécies de licitação</p><p>Fonte: Führer e Milaré (2009, p. 128-129).</p><p>Ressalva-se que, na edição de 2009, Führer e Milaré mencionam como modalidade de licitação o</p><p>pregão, que para muitos autores é uma forma de licitação autorizada pela Lei n. 8.686 (Brasil, 1993b).</p><p>Essa dúvida decorre da interpretação hermenêutica, que tende a acudir aquilo que melhor atenda ao</p><p>interesse da sociedade. Tudo isso porque o rol exposto na Lei 8.666 (Brasil, 1993a) – que é a lei geral de</p><p>licitações e contratos – não contemplava a modalidade de licitação chamada de pregão, e alguns autores</p><p>entendiam que as modalidades de licitação se esgotavam nas cinco espécies dadas pela lei. Porém, em</p><p>razão da necessidade de agilizar a aquisição de bens e serviços comuns, a ritualística proposta na lei</p><p>geral não satisfazia as necessidades de contratação.</p><p>O pregão inverteu as fases da concorrência pública, que primeiro habilitava todos os concorrentes,</p><p>para que somente os habilitados participassem da fase de lances. O pregão primeiro efetua os lances</p><p>e, somente após selecionado o menor preço, verifica se o contratante possui condições de cumprir a</p><p>exigência, ou seja, se está habilitado.</p><p>A licitação é dispensável em certos casos, como na ocorrência de guerra ou grave perturbação da</p><p>ordem, e é inexigível quando não houver possibilidade de competição, como na contratação de artista</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>144</p><p>Unidade III</p><p>consagrado ou de serviço técnico especializado. Em outras palavras, a inexigibilidade de licitação não</p><p>deve ocorrer; mesmo que o administrador queira fazer, não conseguirá. Difere da dispensa de licitação,</p><p>pois nesta a competição é possível, mas a lei autoriza a contratação direta em determinados casos, isto</p><p>é, sem a realização da licitação.</p><p>Um exemplo de licitação inexigível é aquela destinada a adquirir materiais, equipamentos ou</p><p>gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo,</p><p>vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de</p><p>atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se</p><p>realizaria a licitação, a</p><p>obra ou o serviço, pelo Sindicato, pela Federação ou Confederação Patronal ou, ainda, pelas entidades</p><p>equivalentes. É o que acontece quando a administração necessita adquirir medicamentos exclusivos</p><p>para o tratamento do câncer.</p><p>Cabe destacar que o procedimento da licitação é sempre público, proibidos quaisquer critérios</p><p>sigilosos, secretos e subjetivos, pois, nos termos da Lei n. 8.666, Lei Geral de Licitações (Brasil, 1993a), a</p><p>licitação destina-se à observância do princípio constitucional da isonomia, ou seja, busca proporcionar</p><p>a todos os interessados oportunidades de contratar.</p><p>O objeto da licitação será adjudicado ao apresentador da melhor proposta, dentro dos critérios</p><p>fixados. Após o julgamento de eventuais recursos, a adjudicação feita pela Comissão de Licitação será</p><p>homologada pela autoridade administrativa superior, tornando-se então definitiva.</p><p>Passemos agora a estudar as espécies de licitações:</p><p>• Concorrência pública: usada para contratos de vulto de acordo com os valores estabelecidos na</p><p>lei, corrigidos periodicamente.</p><p>• Tomada de preços: usada para contratos de valor médio, com a participação de interessados</p><p>já cadastrados.</p><p>• Convite: licitação adequada para valores mais reduzidos, estabelecidos na lei e corrigidos</p><p>periodicamente, com a participação de três interessados, no mínimo, escolhidos pela unidade</p><p>administrativa. Nos casos em que couber convite, a administração poderá utilizar a tomada de</p><p>preços e, em qualquer caso, a concorrência.</p><p>• Concurso: licitação adequada para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante</p><p>a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores.</p><p>• Leilão: usado na venda de bens imóveis inservíveis ou de produtos apreendidos, por lance igual</p><p>ou superior ao da avaliação.</p><p>• Pregão: sistema misto, com o recebimento prévio de propostas, seguido de um leilão restrito aos</p><p>que oferecerem as melhores propostas, conforme a Lei n. 10.520 (Brasil, 2002b).</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>145</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>8 DIREITO DE EMPRESA</p><p>8.1 Noções introdutórias de direito de empresa</p><p>Situado o direito da empresa em relação ao direito civil e, pois, em vista do direito privado, o que</p><p>se pretende neste tópico é uma análise dos tipos de sociedade existentes no direito brasileiro, com</p><p>abordagem dos requisitos de cada tipo societário e as responsabilidades deles decorrentes, bem como as</p><p>suas formas de extinção, fusão, dissolução e transformação.</p><p>Veremos a classificação das sociedades entre empresárias e empresário individual, antes de classificar</p><p>as sociedades empresárias, uma vez que essas distinções pertencem à teoria da empresa, ao passo</p><p>que a forma de constituição empresarial, os agentes que representam a sociedade e a classificação</p><p>(responsabilidade limitada e ilimitada) pertencem ao direito societário. Para encerrar nossos estudos,</p><p>conforme já alertado, será apresentada a divisão do direito empresarial, que traz a reorganização e a</p><p>extinção da personalidade jurídica. Para melhor compreensão, observe a figura a seguir:</p><p>Agentes societáriosSociedade empresária Dissolução</p><p>Classificação das</p><p>sociedades</p><p>Sociedades</p><p>(personificação)Empresário individual Transformação</p><p>Teoria geral do</p><p>direito societárioTeoria da empresa Reorganização e</p><p>extinção</p><p>Figura 33 – Organização do direito empresarial</p><p>8.2 Origem e evolução histórica do direito comercial</p><p>O comércio surgiu das tecnologias desenvolvidas pelo ser humano. A partir do momento que o</p><p>homem aprendeu a dominar o meio pelas técnicas de agricultura ou domesticação dos animais, por</p><p>exemplo, ele passou a ter mais do que aquilo que efetivamente necessitava para viver.</p><p>Como você dever recordar das suas lições preliminares de história, o homem retirava da terra tudo</p><p>o que precisava para sobreviver e, ao dominar as técnicas de plantio e criação dos animais, passou a</p><p>produzir excedentes. No entanto, esses excedentes nem sempre atendiam a todas suas necessidades, e,</p><p>portanto, os povoados trocavam-nos uns com os outros.</p><p>Rodrigues (2016) narra que, com o crescimento das comunidades e sua transformação em vilas e,</p><p>posteriormente, em cidades, houve a substituição gradual do escambo pela troca monetária. Criaram-se</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>146</p><p>Unidade III</p><p>as primeiras moedas, mas surgiu outra dificuldade: para cada lugar, a moeda tinha um significado</p><p>diferente. Para uma nação, o que representava valor era o marfim; para outra, era o sal; para uma, era o</p><p>casco da tartaruga; para outra, os búzios, e assim por diante. A autora cita uma interessante passagem</p><p>acerca do início das trocas e da necessidade de um denominador comum, a moeda:</p><p>O tenente Cameron em sua viagem pela África (1884) narra como se arranjou</p><p>para obter uma barca: ‘O homem de Said queria ser pago em marfim e</p><p>eu não o tinha. Dei, então, a Ibn Guerib o equivalente em fios de cobre;</p><p>este me deu em troca pano, que passei a Ibn Selib; este enfim, entregou a</p><p>importância em marfim ao agente de Said; e eu obtive a barca’ (Baccarin;</p><p>Silva, 1982, p. 46 apud Rodrigues, 2016, p. 9).</p><p>Na Idade Média, começou a se cristalizar o direito comercial, em razão das primeiras normas e</p><p>regras que traduziam as práticas existentes no comércio. O professor Rubens Requião (2003) ensinou</p><p>que na Idade Média também havia discussão e necessidade de temperança nas relações comerciais,</p><p>pois o direito comercial não possuía regras corporativas, sobretudo dos assentos jurisprudenciais das</p><p>decisões dos cônsules, juízes designados pela corporação, para em seu âmbito dirimirem as disputas</p><p>entre comerciantes. Assim:</p><p>Diante da precariedade do direito comum para assegurar e garantir as</p><p>relações comerciais, fora do formalismo que o direito romano remanescente</p><p>impunha, foi necessário, de fato, que os comerciantes organizados criassem</p><p>entre si um direito costumeiro, aplicado internamente na corporação por</p><p>juízes eleitos pelas suas assembleias: era o juízo consular, ao qual tanto deve</p><p>a sistematização das regras do mercado (Requião, 2003, p. 10-11).</p><p>Os últimos duzentos anos foram marcados por uma multiplicação exponencial da riqueza mundial</p><p>graças às empresas, organizações humanas que combinam eficientemente os fatores de produção de</p><p>forma sinérgica e sistêmica para produzir e fazer circular bens e serviços, exatamente o objeto deste tópico.</p><p>Sempre existiram formas de trabalho organizadas e dirigidas. Porém, a acumulação de capital,</p><p>a invenção de máquinas de produção em série e a expansão dos mercados pós-revolução industrial</p><p>provocaram um desenvolvimento da atividade empresarial em dimensões largas, o que até poderia ser</p><p>desejado, mas nunca previsto naquela ocasião.</p><p>Saiba mais</p><p>A história do filme a seguir, escrita por William Shakespeare, retrata</p><p>uma trama que envolve a prática do comércio e apresenta um julgamento</p><p>realizado pelo cônsul, além de um romance com um final surpreendente.</p><p>Vale a pena assistir:</p><p>O MERCADOR de Veneza. Direção: Michael Radford. Itália; Reino Unido;</p><p>Luxemburgo: Avenue P, 2004. 138 min.</p><p>147</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>No Brasil, o direito comercial é organizado e sistematizado juridicamente desde 1850. Até o ano</p><p>de 2002, ele era regido pela teoria dos atos de comércio. Genericamente, o termo “teoria” remente à</p><p>explicação. Pois é bem isso que faz a teoria dos atos de comércio.</p><p>A teoria dos atos de comércio forneceu elementos para identificar quem eram os sujeitos das</p><p>regras de direito comercial. Para quem elas serviam? Como funcionava o sistema que definia quem</p><p>eram os comerciantes? O próprio nome dá a dica: para se sujeitar ao direito comercial, a pessoa</p><p>deveria praticar algum dos atos de comércio. Temos, aí, a figura do comerciante, que era quem</p><p>praticava algum dos atos de comércio.</p><p>O Decreto n. 737 (Brasil, 1850), em seu art. 19, trazia um rol de atividades que eram consideradas</p><p>atos</p><p>de mercancia, ou seja, atos de comércio. Entre os atos de comércio, estavam a compra e venda, a</p><p>fabricação, a armação de navios, a toca de moedas etc. Então, quem praticava quaisquer desses atos, ou</p><p>ainda aqueles que estavam no regulamento, era considerado comerciante.</p><p>Repare na lacuna imensa que esse tipo de organização faz: se somente pode ser considerada</p><p>comerciante aquela pessoa que pratica atos de mercancia constantes de um determinado rol, como</p><p>fazer para atender às necessidades de alteração decorrentes da própria sociedade, por exemplo, incluir</p><p>as atividades relativas à tecnologia? Esse foi um importante motivo pelo qual a teoria dos atos de</p><p>comércio foi substituída pela teoria de empresa, e essa mudança consta hoje do nosso Código Civil</p><p>(Brasil, 2002a).</p><p>Lembrete</p><p>O direito de empresa faz parte do Código Civil, Lei Federal n. 10.406</p><p>(Brasil, 2002a), a partir do art. 966.</p><p>O Código Civil italiano, sob influência da teoria da empresa, tal como o Código Civil brasileiro, não</p><p>conceitua a empresa, mas sim o empresário, que é quem desenvolve atividade econômica, organizada,</p><p>exercida profissionalmente para a produção ou a circulação de bens e serviços. Por dedução, a empresa</p><p>é a atividade do empresário.</p><p>Por exemplo: a falência, a recuperação judicial, o dever de registrar-se na junta comercial, entre</p><p>outras questões, só podem ou precisam ser feitos por empresários ou sociedades empresárias. Portanto,</p><p>é importante saber quem é o empresário e quem é a sociedade empresária.</p><p>8.3 Fontes do direito comercial</p><p>É essencial conhecer as fontes do direito comercial porque fonte é, para o direito, o que origina</p><p>determinado regramento jurídico, e, caso faltem as fontes primárias (lei), são adotadas as fontes</p><p>secundárias, as subsidiárias ou as fontes indiretas.</p><p>148</p><p>Unidade III</p><p>São consideradas fontes primárias do direito comercial o Código Comercial (Brasil, 1850) e as</p><p>matérias de direito empresarial vigentes no Código Civil (Brasil, 2002a). Com o advento do novo Código</p><p>Civil, reduziu-se o número de dispositivos vigentes do Código Comercial, pois aquele chamou para si a</p><p>competência para tratar dos assuntos que cogitavam os arts. 1 ao 456 do Código Comercial.</p><p>Embora tenham passado a ser tratadas nos Livro II (Parte Especial) do Código Civil (Brasil, 2002a), o</p><p>fato de estar inseridas no Código Civil não retira a natureza comercial dessas normas, como os títulos</p><p>de crédito – documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado, por</p><p>exemplo, o cheque, a duplicata, a letra de câmbio e a nota promissória.</p><p>Ainda acerca das fontes formais, cabe ressaltar que o caráter fragmentário do direito comercial,</p><p>bem como sua natureza dinâmica (liberdade empresarial), propiciam o surgimento de microssistemas</p><p>legislativos, nos quais trabalham determinadas matérias de forma individualizada, como o CDC, já</p><p>apresentado neste livro, e a Lei de Falências e Recuperação Judicial, que será tratada adiante.</p><p>Quanto às fontes indiretas, são considerados fontes secundárias os usos e costumes mercantis, as</p><p>leis civis, a analogia e os princípios gerais de direito.</p><p>Você sabe como funciona o processo de normatização em sede de direito do comércio internacional?</p><p>O processo de normatização do comércio internacional experimenta, nos dias de hoje, um movimento</p><p>espiral contínuo, que varia da autorregulação do comércio pelo próprio mercado à regulação do comércio</p><p>pelo Estado. Naturalmente, o movimento de regulação do comércio pelo Estado, com a finalidade de</p><p>se adequar às exigências do mercado, termina por criar um ambiente mais favorável ao crescimento</p><p>do comércio e à atuação do mercado. Este, por sua vez, em virtude de sua liberdade de autorregulação,</p><p>permanece na busca pelo aperfeiçoamento de suas práticas, recebendo do Estado regulamentação</p><p>adaptativa, e assim sucessivamente.</p><p>São exemplos de regulamentações internacionais sobre o comércio:</p><p>• Leis uniformes sobre letras de câmbio e notas promissórias – Genebra, 1930.</p><p>• Lei uniforme sobre cheques – Genebra, 1931.</p><p>• Regras e usos uniformes de créditos documentários, regras uniformes para garantia de</p><p>contratos (CIC).</p><p>• Lei modelo de arbitragem (Uncitral).</p><p>• Convenção internacional sobre compra e venda internacional – Viena, 1980 –, princípios dos</p><p>contratos internacionais (Unidroit).</p><p>• Convenção interamericana sobre o direito aplicável aos contratos internacionais (Cidip V) –</p><p>Cidade do México.</p><p>149</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>Como você pode perceber, não há um direito supranacional, em especial quando se trata de direito</p><p>de empresa, que regula as relações de comércio. Principalmente em razão da globalização, as relações</p><p>que já eram frequentes se estreitaram ainda mais; basta perceber a expansão dos aplicativos de compras</p><p>diretamente de outros países, como a China. Repare que as relações de comércio são pautadas muito</p><p>mais pela necessidade e pelo utilitarismo do que pela formalidade legal.</p><p>8.4 Empresa, empresário e estabelecimento empresarial</p><p>Como você deve lembrar, o Código Civil de 2002 trata, no seu Livro II, Título I, do direito de empresa,</p><p>e, em razão da organização diferente daquela preconizada no antigo Código Comercial, a figura do</p><p>comerciante despareceu e surgiu a figura do empresário. Assim, aos poucos a nossa sociedade começou</p><p>a chamar de empresário, e não mais de comerciante, a pessoa que exerce a atividade empresarial ou,</p><p>como se dizia antes, comercial. Credita-se até que o termo “comerciante” venha a se tornar obsoleto</p><p>quando utilizado para caracterizar a ocupação da pessoa que exerce atividade empresária.</p><p>O art. 966 do Código Civil traz o conceito de empresário como aquele que pratica a atividade</p><p>empresarial e, ao mesmo tempo, no parágrafo único, determina quem não é empresário. Vejamos:</p><p>Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente</p><p>atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de</p><p>bens ou de serviços.</p><p>Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão</p><p>intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso</p><p>de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir</p><p>elemento de empresa (Brasil, 2002a).</p><p>Portanto, com a edição do Código Civil de 2002, tornam-se obsoletas as noções de comerciante e</p><p>de ato de comércio, que são substituídas pelos conceitos de empresário e de empresa, respectivamente.</p><p>O Código Civil de 2002, orientado pela teoria da empresa, separa os conceitos de empresário e</p><p>sociedade empresária, de um lado, e de empresa, do outro lado. O empresário e a sociedade empresária</p><p>são sujeitos personalizados de direitos e deveres; são pessoas. A empresa não é um sujeito, mas um</p><p>conjunto de atividades. Ambos (empresário e empresa) distinguem-se, ainda, da figura do estabelecimento</p><p>empresarial, que consiste no conjunto de bens utilizados para o exercício da atividade (empresa).</p><p>Conforme dispõe o art. 966 do Código Civil (Brasil, 2002a), o conceito legal de empresário diz respeito</p><p>àquele que “exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação</p><p>de bens ou de serviços”. Tal dispositivo nos indica os principais elementos indispensáveis à caracterização</p><p>do empresário: profissionalismo; atividade econômica; organizada; para a produção de bens ou serviços.</p><p>Guardou essas informações? Passemos adiante para esclarecer cada um dos elementos que constituem</p><p>a atividade econômica organizada, conforme a figura a seguir:</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>150</p><p>Unidade III</p><p>Mão de obra: empregados, prestadores de serviços, proprietários e sócios</p><p>Recursos financeiros: estrutura da empresa prédio, instalações, equipamentos</p><p>Insumos: matéria-prima, água, energia elétrica, entre outros</p><p>Recursos intelectuais: forma de utilização dos recursos. Know-how</p><p>Trabalho</p><p>Capital</p><p>Terra</p><p>Tecnologia</p><p>Figura 34 – Atividade econômica organizada</p><p>Entre as</p><p>atividades econômicas, como pudemos observar na transcrição do parágrafo único do art. 966</p><p>do Código Civil, não é empresário quem exerce a profissão intelectual, de natureza científica, literária</p><p>ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão</p><p>constituir elemento de empresa. Você consegue compreender o que significa elemento de empresa?</p><p>Esclarece o professor Marcelo Tadeu Cometti (2014) que, diferentemente do que muitos doutrinadores</p><p>e professores afirmam, o elemento de empresa não tem qualquer relação com a organização ou não da</p><p>atividade intelectual, com o seu exercício ou não de forma profissional, com o número de empregados</p><p>contratados ou mesmo o seu faturamento. Ser a profissão intelectual “elemento de atividade organizada</p><p>em empresa”, ou simplesmente “elemento de empresa”, significa ser parcela dessa atividade, e não a</p><p>atividade em si, isoladamente considerada. É o caso, por exemplo, do médico que agrega à prática da</p><p>medicina um SPA, onde ao paciente se oferece repouso e alimentação; do veterinário, que, além do</p><p>seu ofício, possui um pet shop que vende ração para os animais, medicamentos, bem como hospeda os</p><p>animais na viagem de seus donos. A atividade inicial, a medicina humana e a veterinária são atividades</p><p>tipicamente intelectuais; porém, ao aumentar a oferta de serviços, há a caracterização do que o legislador</p><p>chamou de “elemento de empresa”.</p><p>Outra exceção é a que consta do art. 971 do Código Civil (Brasil, 2002a), que trata do empresário</p><p>que exerce atividade rural como principal profissão. O artigo autoriza, observadas as formalidades de que</p><p>tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no registro público de empresas mercantis da</p><p>respectiva sede, caso que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário</p><p>sujeito a registro.</p><p>Desse modo, podemos afirmar que “empresa” é um conceito abstrato, incorpóreo, pois representa</p><p>o conjunto de atividades do empresário. O prédio, as máquinas, o nome e os recursos são fatores,</p><p>elementos desse ente abstrato que, utilizados de forma correta, alcançam a razão da sua existência.</p><p>O professor Fábio Ulhoa Coelho (2015) ensina que a empresa pode ser explorada por uma pessoa</p><p>física ou jurídica. Para o mestre, no primeiro caso, o exercente da atividade econômica se chama</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>151</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>empresário individual; no segundo, sociedade empresária. Como é a pessoa jurídica que explora a</p><p>atividade empresarial, não é correto chamar de empresário o sócio da sociedade empresária.</p><p>Antes de encerrar as considerações sobre esse ponto, convém trazer à baila a atividade dos prepostos e</p><p>a sua responsabilidade quando essas pessoas respondem pela sociedade, uma vez que tanto o empresário</p><p>quanto a sociedade empresária precisam ser auxiliados no exercício das atividades empresariais, como</p><p>pessoas de alta confiança dos donos do negócio para ajudar a gerir as atividades. A empresa é chamada</p><p>de preponente e a pessoa de preposta.</p><p>Os preponentes (empresas) respondem por todos os atos praticados pelos prepostos no interior da</p><p>empresa, desde que relativos à sua atividade, mesmo que não convencionados por escrito. Quando</p><p>estiver fora da empresa, é necessário que haja uma autorização por escrito para que o preponente</p><p>seja representado pelo preposto, nos exatos termos da autorização. O mais comum é que os prepostos</p><p>participem, pela empresa, de audiências trabalhistas em nome dos preponentes.</p><p>A função mais comum exercida pelos prepostos é a de gerente ou administrador não sócio, e isso</p><p>pode gerar uma série de questões jurídicas relevantes acerca da extensão dos poderes do preposto</p><p>na representação da empresa. Por isso, o Código Civil disciplinou, no art. 1.174 (Brasil, 2002a), que</p><p>eventuais limitações contidas na outorga de poderes devem ser arquivadas e averbadas no registro</p><p>público de empresas mercantis para poder ser oponível a terceiros.</p><p>Conforme já alertado, antes das classificações das sociedades empresárias, conheceremos o</p><p>microempreendedor individual, popularmente conhecido por MEI, o empresário individual e a empresa</p><p>individual de responsabilidade limitada (Eireli).</p><p>8.5 Empresário individual</p><p>O empresário individual é uma pessoa física que, em nome próprio, exerce atividade de empresa.</p><p>Nesse caso, a empresa tem como proprietário uma única pessoa física, que integraliza seus próprios bens</p><p>na exploração do negócio. Não há separação entre o patrimônio da pessoa jurídica e o da pessoa física.</p><p>Coelho (2015) pondera que empresários individuais cuidam de pequenos negócios. Segundo o</p><p>professor, o empresário individual, em regra, não explora atividade economicamente importante:</p><p>Em primeiro lugar, porque negócios de vulto exigem naturalmente grandes</p><p>investimentos. Além disso, o risco de insucesso, inerente a empreendimento</p><p>de qualquer natureza e tamanho, é proporcional às dimensões do</p><p>negócio: quanto maior e mais complexa a atividade, maiores os riscos.</p><p>Em consequência, as atividades de maior envergadura econômica são</p><p>exploradas por sociedades empresárias anônimas ou limitadas, que são os</p><p>tipos societários que melhor viabilizam a conjugação de capitais e limitação</p><p>de perdas. Aos empresários individuais sobram os negócios rudimentares e</p><p>marginais, muitas vezes ambulantes. Dedicam-se a atividades como varejo</p><p>de produtos estrangeiros adquiridos em zonas francas (sacoleiros), confecção</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>152</p><p>Unidade III</p><p>de bijuterias, de doces para restaurantes ou bufês, quiosques de miudezas</p><p>em locais públicos, bancas de frutas ou pastelarias em feiras semanais etc.</p><p>(Coelho, 2015, p. 41).</p><p>Esse empresário responde de forma ilimitada pelas dívidas contraídas pela empresa. Caso haja</p><p>uma insolvência, seu patrimônio pessoal irá responder perante os credores. Contudo, quando houver a</p><p>inscrição da empresa na junta comercial, o nome da empresa deverá ser o nome do proprietário, pois é</p><p>ele quem responderá, exceto no caso de Eireli, pelas obrigações sociais.</p><p>Em síntese, os negócios são divididos entre grandes e pequenos. Os grandes sujeitam-se a uma</p><p>fiscalização maior em razão da quantidade de stakeholders – pessoas que têm interesse na gestão de</p><p>empresas ou na gestão de projetos, tendo ou não feito investimentos neles.</p><p>Já o empresário individual é o profissional que exerce atividade econômica organizada para a</p><p>produção ou a circulação de bens ou serviços, não se confundindo com os sócios de uma sociedade</p><p>empresária, que podem ser chamados de empreendedores ou investidores.</p><p>Quadro 9 – Tipos de empresários individuais</p><p>Microempreendedor Individual (MEI)</p><p>Enquadramento/faturamento anual N. de titulares Regime tributário Observações</p><p>R$ 81 mil Um titular Simples Nacional</p><p>A pessoa física que se coloca</p><p>como titular responde de forma</p><p>ilimitada pelos débitos do negócio.</p><p>Os patrimônios da empresa e do</p><p>empresário se misturam</p><p>Empresário Individual (EI)</p><p>Enquadramento/faturamento anual</p><p>N. de titulares Regime tributário Observações</p><p>ME EPP Empresa normal</p><p>Até</p><p>R$ 360 mil</p><p>Até</p><p>R$ 4,8 milhões</p><p>Por opção ou por</p><p>faturamento superior</p><p>a R$ 4,8 milhões</p><p>Um titular</p><p>Simples Nacional,</p><p>Lucro Presumido,</p><p>Lucro Real</p><p>A pessoa física que se coloca</p><p>como titular responde de forma</p><p>ilimitada pelos débitos do negócio.</p><p>Os patrimônios da empresa e do</p><p>empresário se misturam</p><p>Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (Eireli)</p><p>Enquadramento/faturamento anual</p><p>N. de titulares Regime tributário Observações</p><p>ME EPP Empresa normal</p><p>Até</p><p>R$ 360 mil</p><p>Até</p><p>R$ 4,8 milhões</p><p>Por opção ou por</p><p>faturamento superior</p><p>a R$ 4,8 milhões</p><p>Um titular</p><p>Simples Nacional,</p><p>Lucro Presumido,</p><p>Lucro Real</p><p>O empresário responde sobre o</p><p>valor do capital social da empresa.</p><p>Capital social mínimo de 100x o</p><p>salário mínimo vigente</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>153</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>8.5.1 Microempreendedor individual (MEI)</p><p>A figura</p><p>do MEI foi criada através da Lei Complementar n. 128 (Brasil, 2008b). Essa lei alterou a Lei</p><p>Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa</p><p>de Pequeno Porte), a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991 (as duas</p><p>últimas regulamentam a previdência e a assistência social no Brasil), e a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro</p><p>de 2002 (Código Civil).</p><p>A Lei Complementar n. 128 (Brasil, 2008b) determinou que, com o registro, o MEI passasse a ter</p><p>a obrigação de contribuir para o INSS, num montante de 5% do salário mínimo, correspondendo</p><p>atualmente a R$ 49,90 para comércio e indústria (sujeitos ao ICMS, tributo de competência estadual)</p><p>e R$ 50,99 para serviços (sujeitos ao ISS, tributo de competência municipal). A contribuição ocorre</p><p>através do documento único de arrecadação do simples nacional do MEI, o DAS-MEI, uma taxa mensal</p><p>obrigatória que o microempreendedor individual precisa pagar para obter direitos e benefícios.</p><p>Saiba mais</p><p>Você sabia que existe um portal de serviços do Governo Federal para o</p><p>MEI, que integra e promove o acesso a soluções que simplificam o dia</p><p>a dia do empreendedor? Simplificar a vida do empreendedor e impulsionar</p><p>o empreendedorismo no Brasil foram os principais objetivos que levaram o</p><p>Governo Federal a criar o Portal do Empreendedor, em 2009. O site é um</p><p>espaço no qual é possível se formalizar como MEI, tirar dúvidas, cumprir</p><p>as obrigações fiscais e procurar por capacitação para incrementar os</p><p>pequenos negócios e a verve empreendedora dos cidadãos. Para saber</p><p>mais, acesse:</p><p>Disponível em: https://l1nk.dev/4IfWW. Acesso em: 1º set. 2023.</p><p>Como você pode supor, em razão da alteração de leis previdenciárias, a contribuição confere ao</p><p>MEI e aos seus dependentes a cobertura previdenciária para os benefícios de aposentadoria por idade,</p><p>auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão.</p><p>Assim, considerando que a contribuição do MEI ocorre sobre um salário mínimo, ele terá direito a</p><p>benefícios nesse valor.</p><p>Caso o empresário MEI queira se planejar e ter uma aposentadoria superior ao valor do salário</p><p>mínimo, é possível pagar um pouco mais (à parte) por meio da Guia da Previdência Social (GPS)</p><p>como contribuinte individual, em uma porcentagem de 20% sobre o valor que desejar ter como</p><p>salário de contribuição.</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>154</p><p>Unidade III</p><p>8.5.2 Empresas individuais de responsabilidade limitada (Eireli)</p><p>A Eireli foi uma inovação introduzida no Código Civil brasileiro pela Lei n. 12.441 (Brasil, 2011a). Assim,</p><p>antes de 2011, a única possibilidade para abertura de uma empresa com limitação de responsabilidade era</p><p>a constituição de uma sociedade empresária limitada. Ocorre que a lei determina a necessidade de duas</p><p>ou mais pessoas para a constituição de uma sociedade empresária. Quando uma pessoa física desejava</p><p>abrir uma empresa, era obrigatório ter no mínimo um sócio. Essa situação fez surgir a figura do “sócio de</p><p>palha”, termo que denomina a pessoa com participação societária ínfima numa sociedade empresária,</p><p>somente para preencher o requisito legal da pluralidade social, vale dizer, um sócio fictício. A Eireli veio</p><p>resolver essa questão, instituindo a empresa individual; ou seja, nessa modalidade empresarial, não há</p><p>necessidade de sócio para a constituição da empresa individual de responsabilidade limitada, como o</p><p>próprio nome sugere.</p><p>Lembrete</p><p>Empresa é diferente de empresário, que é diferente de estabelecimento</p><p>empresarial.</p><p>Nos termos da Lei n. 12.441 (Brasil, 2011a), Eireli é aquela empresa constituída por uma única pessoa</p><p>titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não poderá ser inferior a cem</p><p>vezes o maior salário mínimo vigente no país. O titular não responderá com seus bens pessoais pelas</p><p>dívidas da empresa. A pessoa natural que constituir Eireli somente poderá figurar em uma empresa</p><p>dessa modalidade.</p><p>Como podemos perceber, a Eireli foi criada com o objetivo de proteger os bens da pessoa física. Antes</p><p>dessa lei, o empresário individual, em caso de não pagar as dívidas contraídas em nome da empresa,</p><p>responderia com o seu patrimônio pessoal. Ao constituir a Eireli com o capital social mínimo de cem</p><p>vezes o valor do salário mínimo totalmente integralizado, esse modelo de empresa protege o patrimônio</p><p>pessoal do titular da empresa.</p><p>Para abertura, registro e legalização da Eireli, é necessário registro na junta comercial e, em função da</p><p>natureza das atividades constantes do objeto social, inscrições em outros órgãos, como Receita Federal</p><p>(CNPJ), Secretaria de Fazenda do Estado (inscrição estadual e ICMS) e Prefeitura Municipal (concessão</p><p>do alvará de funcionamento e autorização de órgãos responsáveis por saúde, segurança pública, meio</p><p>ambiente e outros, conforme a natureza da atividade).</p><p>A pessoa jurídica não pode ser titular de Eireli, assim como a pessoa natural impedida por norma</p><p>constitucional ou por lei especial.</p><p>Não pode ser administrador de Eireli a pessoa:</p><p>• Condenada a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime</p><p>falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; ou contra a economia popular,</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>155</p><p>INSTITUIÇÕES DE DIREITO</p><p>contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra relações</p><p>de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação.</p><p>• Impedida por norma constitucional ou por lei especial, como uma pessoa jurídica; um juiz; um</p><p>promotor de justiça; um adolescente menor de 16 anos; o ébrio habitual; o toxicômano etc.</p><p>Duas particularidades das Eirelis merecem destaque: o seu capital social não deve ser inferior a cem</p><p>vezes o maior salário mínimo vigente no país; e uma pessoa física só pode ser titular de uma única Eireli,</p><p>ou seja, a pessoa física não pode abrir duas ou mais empresas desse tipo.</p><p>Como você aprendeu, as Eirelis vieram socorrer as necessidades da sociedade, que dificultava o</p><p>exercício das empresas no país. Com esse tipo societário, o patrimônio pessoal fica protegido, e não há</p><p>mais a necessidade da figura do sócio de palha para que as sociedades possam funcionar livremente.</p><p>8.6 Classificação das sociedades empresárias</p><p>Como podemos diferenciar as sociedades empresárias e as não empresárias, também chamadas de</p><p>sociedades simples? Bem, o Código Civil determina que se considera empresária a sociedade que tem</p><p>por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro, conforme os termos do art. 967,</p><p>e simples as demais.</p><p>A sociedade simples também é uma pessoa jurídica, mas que realiza atividade intelectual, de natureza</p><p>científica, literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o</p><p>exercício da profissão constituir elemento de empresa, conforme parágrafo único do art. 966 do Código</p><p>Civil (Brasil, 2002a).</p><p>Apresenta-se, a seguir, uma figura com o quadro geral das sociedades, conforme o Código Civil:</p><p>Capital</p><p>fechado</p><p>Capital</p><p>aberto</p><p>ComumEmpresáriaSimples Em conta de</p><p>participação</p><p>Sociedades</p><p>personificadas</p><p>Sociedades não</p><p>personificadas</p><p>Comandita</p><p>simples</p><p>Nome</p><p>coletivo</p><p>Limitada</p><p>Cooperativa</p><p>Profissionais</p><p>liberais</p><p>Nome</p><p>coletivo AnônimaComandita</p><p>por ações Limitada Comandita</p><p>simples</p><p>Figura 35 – Sociedades no Código Civil</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>WPS_1701862784</p><p>Highlight</p><p>156</p><p>Unidade III</p><p>Um conceito simples de sociedade, para efeito de direito empresarial, é a pessoa jurídica de direito</p><p>privado que tem por objetivo social a exploração de atividade econômica.</p><p>A sociedade constitui-se por meio de um contrato entre duas ou mais pessoas que se obrigam a</p><p>combinar esforços e recursos para atingir os fins comuns. Por isso, é obrigação de qualquer um dos</p><p>sócios da empresa</p>