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<p>Editorial a convite</p><p>Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1) – 5</p><p>Editorial a convite</p><p>Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1):5-8</p><p>O crime biológico: implicações</p><p>para a sociedade e para o sistema</p><p>de justiça criminal</p><p>The biological crime: implications for society and the</p><p>criminal justice system</p><p>Adrian Raine*</p><p>* Departamentos de Criminologia, Psiquiatria e Psicologia, University of Pennsylvania, Filadélfia, EUA.</p><p>E-mail: araine@sas.upenn.edu</p><p>As últimas duas décadas testemunharam uma</p><p>revolução em nosso entendimento da mente criminal.</p><p>Por quase um século, culpamos a pobreza, a</p><p>desigualdade social e as más companhias como os</p><p>principais causadores de crimes. É quase certo que esses</p><p>fatores desempenhem um papel relevante, porém a</p><p>novidade no século XXI é o aumento do reconhecimento</p><p>de que fatores genéticos e neurobiológicos são</p><p>igualmente importantes na modelagem do</p><p>comportamento criminoso. Os desafios que enfrentamos</p><p>à luz desses novos achados são múltiplos, incluindo</p><p>como vamos abordar os transtornos neurológicos em</p><p>infratores violentos e quais são as implicações para as</p><p>subdisciplinas emergentes de neurodireito e neuroética.</p><p>Genes e crime</p><p>Hoje há poucas dúvidas científicas de que os genes</p><p>desempenham papel significativo no comportamento anti-</p><p>social. Revisões de mais de 100 análises de estudos com</p><p>gêmeos e de estudos de adoção oferecem evidências</p><p>claras de que cerca de 50% da variação no comportamento</p><p>anti-social são atribuíveis a influências genéticas1. A área</p><p>está agora se movendo para uma questão mais importante,</p><p>de terceira geração: “Quais genes predispõem a quais</p><p>tipos de comportamento anti-social?”. Respostas iniciais</p><p>estão começando a surgir a partir de estudos de genética</p><p>molecular. Quando é realizado o knockout do gene da</p><p>monoamina-oxidase A (MAO-A) em camundongos, estes</p><p>se tornam altamente agressivos. Se o gene for reativado,</p><p>eles retornam aos seus padrões normais de</p><p>comportamento. Estudos populacionais e com familiares</p><p>em humanos também implicaram o gene da MAO-A no</p><p>comportamento anti-social2. Uma metanálise mostrou</p><p>replicabilidade deste efeito de interação3.</p><p>O importante desafio para esta terceira geração de</p><p>estudos genéticos sobre comportamento anti-social não</p><p>é simplesmente identificar quais genes estão associados</p><p>ao comportamento anti-social, mas também quais destes</p><p>genes codificam transtornos cerebrais em grupos anti-</p><p>sociais. Usando a MAO-A como exemplo, esta enzima</p><p>metaboliza a serotonina, um neurotransmissor que está</p><p>em níveis baixos em indivíduos anti-sociais. Homens</p><p>com um polimorfismo comum (variante) no gene da</p><p>MAO-A apresentam uma redução de 8% do volume da</p><p>amígdala, giro do cíngulo anterior e córtex órbito-frontal</p><p>(pré-frontal ventral)4. Essas estruturas cerebrais estão</p><p>envolvidas na emoção e encontram-se comprometidas</p><p>em indivíduos anti-sociais. Conseqüentemente, um dos</p><p>genes associados a comportamento anti-social resulta</p><p>em alterações estruturais em áreas cerebrais</p><p>comprometidas em indivíduos anti-sociais – dos genes</p><p>ao cérebro e ao comportamento anti-social.</p><p>Dos genes ao cérebro e ao crime</p><p>Então, como alguém evolui dos genes para o</p><p>comportamento anti-social? Uma hipótese é de que as</p><p>anormalidades genéticas resultem em anormalidades</p><p>estruturais no cérebro, que resultam em anormalidades</p><p>emocionais/cognitivas/comportamentais, as quais, por</p><p>sua vez, predispõem ao comportamento anti-social. Há</p><p>um número crescente de evidências para alterações</p><p>cerebrais em grupos anti-sociais, com fortes evidências</p><p>principalmente para o córtex pré-frontal5. Pacientes com</p><p>transtornos neurológicos com danos no córtex pré-</p><p>frontal ventral exibem comportamento desinibido, do</p><p>tipo psicopático, embotamento emocional e autonômico</p><p>e tomada de decisão inadequada6. Pesquisas com</p><p>Editorial a convite</p><p>6 – Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1)</p><p>ressonância magnética mostraram que indivíduos com</p><p>transtornos de personalidade apresentam redução de</p><p>11% na substância cinzenta pré-frontal, junto com uma</p><p>atividade reduzida durante um estressor social,</p><p>provocando emoções “secundárias” de vergonha,</p><p>constrangimento e culpa7. Indivíduos anti-sociais com</p><p>menor quantidade de substância cinzenta também</p><p>mostraram menor responsividade autonômica ao</p><p>estresse. Diferentes paradigmas clínicos da neurociência</p><p>estão começando a convergir para a mesma conclusão</p><p>de que há uma significativa base cerebral no</p><p>comportamento anti-social, e que esses processos</p><p>neurocomportamentais são relevantes para entender a</p><p>violência na sociedade cotidiana.</p><p>Prejuízos estruturais na área pré-frontal</p><p>correspondem a prejuízos funcionais na área pré-frontal</p><p>(ou seja, funcionamento reduzido) em uma ampla</p><p>variedade de indivíduos anti-sociais. Verificou-se que</p><p>assassinos mostram redução no metabolismo da glicose</p><p>no córtex pré-frontal8. Essa disfunção também</p><p>caracteriza especificamente infratores impulsivamente</p><p>violentos, sugerindo que o córtex pré-frontal age como</p><p>um “freio de emergência” para emoções desenfreadas</p><p>geradas por estruturas límbicas. Estudos de</p><p>neuroimagem são corroborados por achados de estudos</p><p>neuropsicológicos, neurológicos e psicofisiológicos,</p><p>indicando robustez dos achados.</p><p>Essas disfunções cerebrais são causadas por fatores</p><p>ambientais ou por genes? Existe a hipótese de um papel</p><p>significativo da genética por duas razões. Primeiro, a</p><p>disfunção estrutural na área pré-frontal encontrada em</p><p>indivíduos anti-sociais não foi responsabilizada por</p><p>fatores ambientais para o comportamento anti-social</p><p>(por exemplo: histórico de traumatismo craniano, maus</p><p>tratos na infância) ou por abuso de álcool/drogas7.</p><p>Segundo, imagens estruturais do cérebro a partir de</p><p>estudos comportamentais e genéticos com gêmeos</p><p>demonstraram que os genes explicam 90% da variação</p><p>do volume de substância cinzenta pré-frontal em</p><p>humanos9. Esses dois argumentos, em combinação,</p><p>poderiam ser uma forte indicação de que as disfunções</p><p>estruturais em anti-sociais apresentam uma significativa</p><p>base genética, embora estudos futuros possam ainda</p><p>identificar alguma relevância do ambiente.</p><p>O papel do ambiente social</p><p>Embora os genes provavelmente estejam</p><p>implicados na causa do crime, processos psicossociais</p><p>não podem ser descartados, podendo até ser essenciais.</p><p>Influências ambientais no início do desenvolvimento</p><p>poderiam alterar diretamente a expressão do gene, por</p><p>sua vez alterando o funcionamento cerebral e resultando</p><p>em comportamento anti-social. Influências ambientais</p><p>precoces podem alterar a expressão gênica, o que então</p><p>origina a cascata de eventos de comportamento cerebral</p><p>destacados acima. O conceito é que, apesar de 50% da</p><p>variação em comportamento anti-social ser genética na</p><p>sua origem, os genes não são fixos, estáticos e imutáveis;</p><p>influências psicossociais podem resultar em</p><p>modificações estruturais no DNA que têm influências</p><p>profundas no funcionamento neuronal e, em função</p><p>disso, surgiria o comportamento anti-social.</p><p>O ambiente social pode interagir com fatores de</p><p>risco genéticos e biológicos para comportamento anti-</p><p>social de outras formas10. O comportamento violento e</p><p>criminoso está exponencialmente aumentado quando</p><p>combinado com fatores de risco sociais e biológicos.</p><p>Estudos de diversos países demonstraram que</p><p>complicações ao nascimento (incluindo anoxia neonatal,</p><p>que causa lesão particularmente no hipocampo)</p><p>interagem com ambientes familiares negativos (por</p><p>exemplo: rejeição materna precoce da criança) para</p><p>predispor à infração violenta na vida adulta. Também</p><p>há evidências replicadas de que uma anormalidade no</p><p>gene da MAO-A interage com maus tratos na infância</p><p>para predispor ao comportamento anti-social em</p><p>adultos2.</p><p>Processos sociais também podem interagir com</p><p>fatores de risco genéticos e biológicos para gerar</p><p>comportamento antisocial de diversas formas. A redução</p><p>do metabolismo da glicose no córtex pré-frontal</p><p>predispõe à violência em indivíduos com contextos</p><p>familiares positivos. Baixa excitação psicológica está</p><p>particularmente associada ao comportamento anti-social</p><p>em indivíduos de contextos familiares positivos. Nesses</p><p>casos, em que o indivíduo apresenta falta de fatores de</p><p>risco sociais</p><p>que o “empurrem” em direção ao</p><p>comportamento anti-social, fatores biológicos têm um</p><p>maior papel explanatório10. Em contraste, a associação</p><p>entre comportamento anti-social e fatores de risco</p><p>biológicos em indivíduos de contextos familiares</p><p>negativos pode ser mais fraca porque as causas sociais</p><p>do crime “camuflam” a contribuição biológica.</p><p>Implicações do tratamento</p><p>A biologia não é destino, e deve ser, em última</p><p>análise, possível modular fatores de risco</p><p>neurobiológicos. A questão essencial é: “Se os</p><p>criminosos apresentam cérebros com defeito, como eles</p><p>podem ser consertados?”. Soluções definitivas poderiam</p><p>ser naturais e surpreendentemente simples. Deficiência</p><p>alimentar nos primeiros 3 anos de vida tem sido</p><p>associada a comportamento anti-social a longo prazo</p><p>durante a infância e final da adolescência11. O controle</p><p>do QI abole essa relação, sustentando o modelo de que</p><p>alimentação deficiente leva a funcionamento cerebral</p><p>Editorial a convite</p><p>Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1) – 7</p><p>deficiente, resultando em disfunções neurocognitivas</p><p>que predispõem ao comportamento anti-social. O óleo</p><p>de peixe é rico em ômega-3, um ácido graxo de cadeia</p><p>longa que compõe 40% da membrana celular, e a</p><p>suplementação alimentar foi associada a aumento de</p><p>QI e redução de comportamento anti-social grave em</p><p>detentos12. Programas de prevenção que manipulam a</p><p>alimentação nas fases iniciais da vida resultaram em</p><p>redução de delinqüência13 e criminalidade14.</p><p>Manipulações ambientais podem, em tese, reverter</p><p>fatores de risco cerebrais para o crime.</p><p>Uma abordagem alternativa é modular as</p><p>anormalidades dos neurotransmissores produzidas por</p><p>anormalidades nos genes. Genes que regulam o</p><p>transporte da serotonina foram recentemente associados</p><p>a comportamento anti-social e agressivo em crianças e</p><p>adultos. Uma vez que indivíduos anti-sociais/agressivos</p><p>apresentam baixos níveis de serotonina, medicações que</p><p>aumentam a disponibilidade de serotonina (como</p><p>inibidores seletivos da recaptação de serotonina), devem</p><p>diminuir o comportamento anti-social se houver uma</p><p>conexão causal. Há evidências que apóiam essa previsão</p><p>em crianças e adultos agressivos15.</p><p>Implicações neuroéticas e</p><p>neurolegais</p><p>Apesar dessas evidências positivas, permanece o fato</p><p>de que a sociedade reluta em usar medicação para tratar</p><p>comportamento agressivo e anti-social, ao mesmo tempo</p><p>em que se sente confortável para medicar outras condições</p><p>comportamentais. Paradoxalmente, já que as influências</p><p>comportamentais influenciam a expressão do gene, nossa</p><p>constituição está em constante mutação, quer queiramos</p><p>ou não. A sociedade deve "agarrar o touro biológico à</p><p>unha" para extinguir o crime e a violência e reduzir o</p><p>sofrimento? Ou, ao contrário, deve fingir não ver o novo</p><p>conhecimento clínico em neurociência e proibir a</p><p>interferência com a essência biológica da humanidade,</p><p>mesmo se isso resultar em vidas perdidas que poderiam</p><p>ter sido salvas por esforços de prevenção biológica?</p><p>Outra preocupação adicional é a que trata de</p><p>responsabilidade e punição. Se um assassino sofre</p><p>disfunções cerebrais que o predispõem a cometer</p><p>violência impulsiva, deveremos responsabilizá-lo</p><p>inteiramente por seu comportamento? Pesquisas</p><p>pioneiras estão elucidando o mecanismo neural que</p><p>auxilia na tomada de decisão moral16-18. De uma</p><p>perspectiva de julgamento moral, dadas as evidências</p><p>de que os circuitos neurais subjacentes ao sentimento</p><p>moral e tomada de decisão estão prejudicados nas</p><p>populações anti-sociais5, esses indivíduos são tão</p><p>capazes quanto o resto de nós de saber – e fazer – o que</p><p>é certo? Um psicopata pode saber a diferença legal entre</p><p>o certo e o errado, mas eles têm o sentimento do que é</p><p>certo e do que é errado? Acredita-se que as emoções</p><p>sejam centrais ao julgamento moral, oferecendo a força</p><p>de impulsão para agir moralmente. Neste contexto, até</p><p>que ponto é moral punirmos criminosos tão severamente</p><p>quanto o fazemos? Por outro lado, não há perigos</p><p>significativos se afrouxarmos nosso conceito de</p><p>responsabilidade? O próprio conceito “dos genes ao</p><p>cérebro e ao comportamento anti-social” suscita</p><p>questões neuroéticas que precisam ser discutidas para</p><p>que a ciência preventiva possa progredir.</p><p>Uma nova geração de pesquisas em neurociência</p><p>clínica que engloba imagens cerebrais e genética</p><p>molecular está originando o conceito de que genes</p><p>específicos resultam em disfunções cerebrais funcionais</p><p>e estruturais que predispõem ao comportamento anti-</p><p>social, violento e psicopata. Um próximo passo essencial</p><p>para testar a hipótese “dos genes ao cérebro e ao</p><p>comportamento anti-social” é conduzir pesquisa</p><p>genética molecular e de neuroimagem na mesma</p><p>população para identificar os genes codificando tanto</p><p>as anormalidades de estrutura/função cerebral quanto o</p><p>comportamento anti-social. O próximo passo empírico</p><p>é descobrir se indivíduos psicopatas e anti-sociais</p><p>evidenciam processamento anormal de dilemas morais.</p><p>Como lidaremos com esse novo conhecimento em nível</p><p>social e legal é um significativo desafio neuroético.</p><p>Quanto mais aprendemos sobre as causas</p><p>neurobiológicas do crime, mais questões complexas</p><p>surgem a respeito de culpabilidade, punição e livre</p><p>arbítrio. Os desafios futuros científicos e neuroéticos</p><p>para o campo emergente de neurocriminologia podem</p><p>ser melhor enfrentados através de pesquisa</p><p>multidisciplinar integradora que associe teorias</p><p>macrossociais tradicionais (enfatizando amplos</p><p>construtos sociais) com novas perspectivas da</p><p>neurociência clínica e social para entender melhor, e</p><p>por fim prevenir, o comportamento anti-social em</p><p>crianças e o crime em adultos.</p><p>Referências</p><p>1. Moffitt TE. The new look of behavioral genetics in developmental</p><p>psychopathology: Gene-environment interplay in antisocial</p><p>behaviors. Psychol Bull. 2005;131:533-54.</p><p>2. Caspi A, McClay J, Moffitt TE, Mill J, Martin J, Craig IW, et al.</p><p>Role of genotype in the cycle of violence in maltreated children.</p><p>Science. 2002;297:851-4.</p><p>3. Kim-Cohen J. Caspi A, Taylor A, Williams B, Newcombe R, Craig</p><p>IW, et al. MAOA, maltreatment, and gene–environment interaction</p><p>predicting children’s mental health: new evidence and a meta-</p><p>analysis. Mol Psychiatry. 2006;11:903-13.</p><p>4. Meyer-Lindenberg A, Buckholtz JW, Kolachana B, Hariri AR,</p><p>Pezawas L, Blasi G, et al. Neural mechanisms of genetic risk for</p><p>impulsivity and violence in humans. Proc Nat Acad Sci U S A.</p><p>2006;103:6269-74.</p><p>5. Raine A, Yang Y. Neural foundations to moral reasoning and</p><p>antisocial behavior. Soc Cogn Affect Neurosc. 2006;1:203-13.</p><p>Editorial a convite</p><p>8 – Rev Psiquiatr RS. 2008;30(1)</p><p>6. Damasio AR. Descartes’ error: emotion, reason, and the human</p><p>brain. New York: GP Putnam’s; 1994.</p><p>7. Raine A, Lencz T, Bihrle S, LaCasse L, Colletti P. Reduced prefrontal</p><p>gray matter volume and reduced autonomic activity in antisocial</p><p>personality disorder. Arch Gen Psychiatry. 2000;57:119-27.</p><p>8. Raine A, Buchsbaum M, LaCasse L. Brain abnormalities in</p><p>murderers indicated by positron emission tomography. Biol</p><p>Psychiatry. 1997;42:495-508.</p><p>9. Thompson PM, Cannon TD, Narr KL, van Erp T, Poutanen VP,</p><p>Huttunen M, et al. Genetic influences on brain structure. Nat</p><p>Neurosci. 2001;4:1253-8.</p><p>10. Raine A. Biosocial studies of antisocial and violent behavior in</p><p>children and adults: a review. J Abnorm Child Psychol.</p><p>2002;30:311-26.</p><p>11. Liu J, Raine A, Venables PH, Mednick SA. Malnutrition at age 3</p><p>years and externalizing behavior problems at ages 8, 11 and 17</p><p>years. Am J Psychiatry. 2004;161:2005-13.</p><p>12. Gesch CB, Hammond SM, Hampson SE, Eves A, Crowder M J.</p><p>Influence of supplementary vitamins, minerals and essential fatty acids</p><p>on the antisocial behaviour of young adult prisoners: randomised,</p><p>placebo- controlled trial. Br J Psychiatry. 2002;181:22-8.</p><p>13. Olds D, Henderson CR Jr., Cole R, Eckenrode J, Kitzman H, Luckey</p><p>D, et al.. Long-term effects of nurse home visitation on children’s</p><p>criminal and antisocial behavior: 15-year follow-up of a randomized</p><p>controlled trial: reply. JAMA. 1999;281:1377.</p><p>14. Raine A, Mellingen K, Liu JH, Venables PH, Mednick SA. Effects</p><p>of environmental enrichment at 3-5 years on schizotypal</p><p>personality</p><p>and antisocial behavior at ages 17 and 23 years. Am J Psychiatry.</p><p>2003;160:1627-35.</p><p>15. Connor DF, Boone RT, Steingard RJ, Lopez ID, Melloni RH.</p><p>Psychopharmacology and aggression: II. A meta-analysis of</p><p>nonstimulant medication effects on overt aggression-related</p><p>behaviors in youth with SED. J Emot Behav Disord. 2003;11:157-</p><p>68.</p><p>16. Greene JD, Sommerville RB, Nystrom LE, Darley JM, Cohen JD.</p><p>An fMRI investigation of emotional engagement in moral judgment.</p><p>Science. 2001:293:2105-8.</p><p>17. Moll J, de Oliveira-Souza R, Eslinger PJ, Bramati IE, Mourão-</p><p>Miranda J, Andreiuolo PA, et al. The neural correlates of moral</p><p>sensitivity: A functional magnetic resonance imaging investigation</p><p>of basic and moral emotions. J Neurosci. 2002;22:2730-6.</p><p>18. Moll J, de Oliveira-Souza R, Moll FT, Ignacio FA, Bramati IE,</p><p>Caparelli-Dáquer EM, et al. The moral affiliations of disgust: a</p><p>functional MRI study. Cogn Behav Neurol. 2005;18:68-78.</p>

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