Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>0</p><p>1</p><p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO.............................................................................................2</p><p>2 OS DESAFIOS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL................................ 3</p><p>2.1 A política social como campo privilegiado da intervenção profissional</p><p>11</p><p>2.2 Desafios Cotidianos do Assistente Social nas Políticas Públicas ....... 15</p><p>3 A Assistência Social como Política de Seguridade Social ........................ 20</p><p>4 ASSISTÊNCIA SOCIAL É POLÍTICA PÚBLICA ....................................... 24</p><p>5 A GESTÃO DE TRABALHO NO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA</p><p>SOCIAL 28</p><p>6 O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA ASSISTÊNCIA SOCIAL</p><p>32</p><p>7 SERVIÇO SOCIAL E PROJETO ÉTICO-POLÍTICO ................................. 41</p><p>8.1 Sintonizando o Serviço Social com os novos tempos ........................... 47</p><p>9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 51</p><p>2</p><p>2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora</p><p>que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>3</p><p>3</p><p>2 OS DESAFIOS DA INTERVENÇÃO PROFISSIONAL</p><p>Fonte: www.ssrede.pro.br</p><p>Na década de 30 convive-se com um fenômeno que começa a tomar grandes</p><p>proporções. Sendo algo distinto da pobreza já existente o pauperismo das massas</p><p>trabalhadoras retratava o crescimento da pobreza em decorrência da ampliação da</p><p>capacidade da sociedade de produzir cada vez mais bens e serviços.</p><p>Conforme Santos e Costa, (2006) as condições econômico-sociais e políticas</p><p>para o surgimento da denominada questão social estão diretamente articulados ao</p><p>amplo desenvolvimento das forças produtivas, com a expansão do industrialismo e a</p><p>ampliação de mercados no século XIX.</p><p>Na economia são alterados os processos e as relações de produção, as</p><p>máquinas são incorporadas ao processo produtivo desencadeando uma nova</p><p>dinâmica industrial que pressupõe a concentração de mão de obra nas cidades e a</p><p>existência de uma nova disciplina na fábrica.</p><p>Desta forma, os novos processos e relações de produção afetam o operariado</p><p>emergente em suas condições de vida e de existência social em termos materiais e</p><p>políticos. Na grande indústria o grande capital eliminou os entraves à sua plena</p><p>expansão.</p><p>Com a introdução da máquina os trabalhadores passaram a ser vistos como</p><p>apêndices desta, motivo de revolta por parte das massas trabalhadoras. Esse</p><p>processo, denominado Movimento de Reconceituação, desloca o debate da profissão</p><p>do “metodologismo” até então reinante, para o debate das relações sociais nos marcos</p><p>4</p><p>4</p><p>do capitalismo, e com ele passa a dar ampla visibilidade à política social como espaço</p><p>de luta para a garantia dos direitos sociais (FALEIROS, 1990).</p><p>Fonte: www.uel.br</p><p>Nesse contexto, segundo Campos (1988), a política social alçou um estatuto</p><p>teórico, no âmbito do Serviço Social, que lhe permitiu realizar a articulação entre a</p><p>perspectiva analítica de sociedade e de profissão. Isso foi possível, por um lado, em</p><p>razão da gênese da profissão vincular-se ao contexto de enfrentamento da questão</p><p>social através das políticas sociais, assegurando as condições necessárias para a</p><p>expansão do capitalismo monopolista (CARVALHO, IAMAMOTO, 1982, NETTO,</p><p>1992, MONTAÑO, 1998. Apud MIOTO, NOGUEIRA, 2013).</p><p>Por outro lado, há o reconhecimento de que a política social reveste-se de</p><p>um caráter contraditório, pois, ao mesmo tempo em que atende aos</p><p>interesses do capital, atende também às necessidades da classe</p><p>trabalhadora. Portanto, a sua expansão é marcada pela luta dos</p><p>trabalhadores na perspectiva da conquista e da consolidação dos direitos</p><p>sociais (IAMAMOTO, 2003; YAZBEK, 2000; PEREIRA, 2008).</p><p>No Brasil, o debate instaurado em torno da profissão, e sobre a relação visceral</p><p>entre Serviço Social e política social, floresceu e aprofundou-se significativamente ao</p><p>longo das duas últimas décadas do século 20 e consolida-se no início do século 21.</p><p>Isso pode ser explicado pela alteração nos sistemas de proteção social dos brasileiros,</p><p>5</p><p>5</p><p>após o retorno do país ao Estado de Direito em 1985, período de intensa mobilização</p><p>da sociedade civil, no sentido de ampliar e garantir direitos em setores de ponta, ou</p><p>seja, o núcleo duro da política social – saúde, previdência e assistência, e de forte</p><p>investimento nos marcos profissionais, para expandir os saberes sobre a relação entre</p><p>questão social e política social.</p><p>Fonte: www.fespmg.edu.br</p><p>Estabelece-se um amplo processo de produção de conhecimento em torno da</p><p>política social, que tem se constituído em um pilar central na consolidação do Serviço</p><p>Social como área de conhecimento no campo das ciências sociais. Este fato favoreceu</p><p>tanto a inserção da profissão e de seus profissionais no embate político da sociedade</p><p>brasileira como, também, a discussão sobre a intervenção profissional dos assistentes</p><p>sociais no terreno da política social.</p><p>Esse processo, denominado Movimento de reconceituação, desloca o debate</p><p>da profissão do “metodologismo” até então reinante, para o debate das relações</p><p>sociais nos marcos do capitalismo, e com ele passa a dar ampla visibilidade à política</p><p>social como espaço de luta para a garantia dos direitos sociais (FALEIROS, 1990).</p><p>Nesse contexto, segundo Campos (1988), a política social alçou um estatuto</p><p>teórico, no âmbito do Serviço Social, que lhe permitiu realizar a articulação entre a</p><p>perspectiva analítica de sociedade e de profissão. Essa trajetória lhes possibilitou o</p><p>6</p><p>6</p><p>diálogo com uma argumentação mais consistente junto aos defensores do</p><p>“produtivismo econômico” da tecnocracia brasileira.</p><p>Fonte: servicosocial.ulusofona.pt</p><p>Período de intensa mobilização de segmentos da sociedade civil, no sentido de</p><p>ampliar e garantir direitos em setores de ponta, ou seja, o núcleo duro da política social</p><p>– saúde, previdência e assistência – e de forte investimento nos marcos profissionais,</p><p>para expandir os saberes sobre a relação entre questão social e política social.</p><p>Estabelece-se um amplo processo de produção de conhecimento em torno da política</p><p>social, que tem se constituído em um pilar central na consolidação do Serviço Social</p><p>como área de conhecimento no campo das ciências sociais.</p><p>Este fato favoreceu tanto a inserção da profissão e de seus profissionais no</p><p>embate político da sociedade brasileira como, também, a discussão sobre a</p><p>intervenção profissional dos assistentes sociais no terreno da política social. Em</p><p>relação ao conhecimento produzido, Iamamoto, (2004) destaca o privilégio de uma</p><p>categoria profissional que atua “na transversalidade das múltiplas expressões da</p><p>questão social, na defesa dos direitos sociais e humanos e das políticas públicas que</p><p>os materializam”.</p><p>Esta situação, de acordo com Simionatto (2004), não significou unicamente o</p><p>aumento da produção de conhecimento sobre o tema, mas uma crescente</p><p>7</p><p>7</p><p>qualificação em termos de rigor teórico-metodológico</p><p>transformadas em alternativas profissionais.</p><p>Fonte: slideplayer.com.br</p><p>Sempre existe um campo para a ação dos sujeitos, para a proposição de</p><p>alternativas criadoras, inventivas, resultantes da apropriação das possibilidades e</p><p>contradições presentes na própria dinâmica da vida social. Essa compreensão é muito</p><p>importante para se evitar uma atitude fatalista do processo histórico e, por extensão,</p><p>do continente latino-americano.</p><p>Serviço Social: como se a realidade já estivesse dada em sua forma definitiva,</p><p>os seus desdobramentos predeterminados e os limites estabelecidos de tal forma, que</p><p>pouco se pode fazer para alterá-los. Tal visão determinista e a-histórica da realidade</p><p>conduz à acomodação, à otimização do trabalho, ao burocratismo e à mediocridade</p><p>profissional. Mas é necessário, também, evitar uma outra perspectiva, que venho</p><p>chamando de messianismo profissional: uma visão heroica do Serviço Social que</p><p>reforça unilateralmente a subjetividade dos sujeitos, a sua vontade política sem</p><p>confrontá-la com as possibilidades e limites da realidade social (IAMAMOTO, 2014).</p><p>Olhar para fora do Serviço Social é condição para se romper tanto com uma</p><p>visão rotineira, reiterativa e burocrática do Serviço Social, que impede vislumbrar</p><p>possibilidades inovadoras para a ação, quanto com uma visão ilusória e desfocada da</p><p>realidade, que conduz a ações inócuas. Ambas têm um ponto em comum: estão de</p><p>costas para a história, para os processos sociais contemporâneos.</p><p>O segundo pressuposto é entender a profissão hoje como um tipo de trabalho</p><p>na sociedade. Há muito tempo, desde os anos 1980, vem-se afirmando que o Serviço</p><p>49</p><p>49</p><p>Social é uma especialização do trabalho, uma profissão particular inscrita na divisão</p><p>social e técnica do trabalho coletivo da sociedade, ora, essa afirmativa não é sem</p><p>consequências.</p><p>As mudanças históricas estão hoje alterando tanto a divisão do trabalho na</p><p>sociedade, quanto a divisão técnica do trabalho no interior das estruturas produtivas,</p><p>corporificadas em novas formas de organização e de gestão do trabalho. Sendo o</p><p>Serviço Social uma especialização do trabalho na sociedade, não foge a esses</p><p>determinantes, exigindo "apreender os processos macroscópicos que atravessam</p><p>todas as especializações do trabalho, inclusive, o Serviço Social (RAICHELIS,2010).</p><p>Fonte: www.faintvisa.com.br</p><p>A abordagem do Serviço Social como trabalho supõe apreender a chamada</p><p>"prática profissional”, profundamente condicionada pelas relações entre o Estado e a</p><p>Sociedade Civil, ou seja, pelas relações entre as classes na sociedade, rompendo</p><p>com etnogenia no Serviço Social. Por exemplo, aceita-se, como senso comum, que a</p><p>profissionalização do Serviço Social surge de uma reunificação da filantropia. Inclusive</p><p>é esta a tônica do discurso da maioria dos pioneiros e da literatura especializada -</p><p>mesmo na época do movimento de conceituação - que sustenta que o Serviço Social</p><p>se torna profissão ao se atribuir uma base técnico científica de atividades de ajuda, à</p><p>filantropia (PIANA, 2008).</p><p>Esta é uma visão de dentro e por dentro das fronteiras do Serviço Social, como</p><p>se ele fosse fruto de uma evolução interna e autônoma das formas de proteção e de</p><p>apoio social. Todavia, a constituição e institucionalização do Serviço Social como</p><p>50</p><p>50</p><p>profissão na sociedade, ao contrário de uma progressiva ação do Estado na regulação</p><p>da vida social, quando passa a administrar e gerir o conflito de classes, o que</p><p>pressupõe, na sociedade brasileira, a relação capital/trabalho constituída por meio do</p><p>processo de industrialização e urbanização. É quando o Estado se "amplia", nos</p><p>termos de Gramsci passando a tratar a questão social não só pela coerção, mas</p><p>buscando um consenso na sociedade, que são criadas as bases históricas da nossa</p><p>demanda profissional.</p><p>Contudo, se isso é verdade, as mudanças que vêm ocorrendo no mundo do</p><p>trabalho e na esfera estatal, em suas relações com a sociedade civil, incidem</p><p>diretamente sobre os rumos do desenvolvimento dessa profissão na sociedade. O</p><p>Assistente Social dispõe de um Código de Ética profissional e embora o Serviço Social</p><p>seja regulamentado como uma profissão liberal, não tem essa tradição na sociedade</p><p>brasileira.</p><p>51</p><p>51</p><p>9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ABREU, M. Serviço Social e organização da cultura: perfis pedagógicos da prática</p><p>profissional. SP: Cortez, 2002.</p><p>BISPO, Priscila. Questão Social, Políticas Sociais e Serviço Social No Capitalismo</p><p>Monopolista: IV Jorna Internacional de Políticas Públicas,</p><p>BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro, Guanabara,</p><p>1989.</p><p>CARVALHO, R. Relações sociais e Serviço Social no Brasil. São Paulo,</p><p>CortezlCelats, 1982.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Código de Ética</p><p>Profissional do Assistente Social. In:BONETTI, D. A et alli. (Orgues.) Serviço Social</p><p>e Ética. Convite à uma nova próxis. São Paulo, Cortez/CFESS, 1996, pp. 215-230.</p><p>CF GRAMSCI, A. Maquiavel, a Política e o Estado Moderno. Rio de Janeiro,</p><p>Civilização Brasileira, 3ª ed., 1978; COUTINHO, C. N. Gramsci. Um estudo sobre o</p><p>estado político. Rio de Janeiro, Campus, 1989;_. A dualidade dos poderes. Introdução</p><p>à teoria Marxista do Estado e da Revolução. São Paulo, Brasiliense,2a.,1987.</p><p>ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora em Inglaterra. In: Coleção</p><p>síntese. Editorial Presença/Livraria Martins Fontes, s/d.</p><p>GOMES, F.C. “Mobilização social e práticas educativas” In Serviço Social: direitos</p><p>sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS e ABEPSS, 2009.</p><p>“Expressões políticas da crise e as novas configurações do Estado e da</p><p>Sociedade Civil”. In: Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais.</p><p>Brasília: CFESS e ABEPSS, 2009</p><p>IAMAMOTO, M. V. et alii "Relatório avaliativo da área de pós-graduação em</p><p>Serviço Social (período 1987-1989). Serviço Social e Sociedade n° 38. São Paulo,</p><p>Cortez, ano XIII, abril 1992.</p><p>IAMAMOTO, M. V. Renovação e conservadorismo no Serviço Social. Ensaios</p><p>Críticos. São Paulo, Cortez, 1992.</p><p>52</p><p>52</p><p>IAMAMOTO, M. V. A Formação acadêmico-profissional no Serviço Social</p><p>brasileiro. Serv.Soc.Soc.no.120 São Paulo Oct./Dec. 2014.</p><p>LACERDA, Lélica Elis P. Exercício Profissional do Assistente Siocial: Da</p><p>Imediaticidade às Possibilidades históricas. São Paulo Março. 2014.</p><p>LIMA, L. Textos de Serviço Social. São Paulo, Cortez/Celats, 1983; NETTO, J. P.</p><p>Ditadura e Serviço Social. São Paulo, Cortez, 1991, cap. 2.</p><p>MATOS, Maurílio Castro. Considerações sobre atribuições e competências</p><p>profissionais de assistentes sociais na atualidade. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n.</p><p>124, p. 678-698, out./dez. 2015.</p><p>MIOTO, Regina Celia Tamaso; NOGUEIRA, Vera Maria Ribeiro. Política Social e</p><p>Serviço Social: os desafios da intervenção profissional. Rev. katálysis,</p><p>Florianópolis, v. 16, n. spe, p. 61-71, 2013.</p><p>NETTO, José Paulo. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez,</p><p>1992.</p><p>PIANA, Cristina Maria. A construção do perfil do Assistente Social no cenário</p><p>educacional. Franca, dez. 2008.</p><p>PIANA, Cristina Maria. O Serviço Social na Contemporaneidade. Editora UNESP;</p><p>São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.</p><p>RAICHELIS, Raquel. Intervenção profissional do assistente social e as condições</p><p>de trabalho no Suas. Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 104, p. 750-772, Dec. 2010.</p><p>e um sensível aprofundamento</p><p>da discussão dos processos sociais contemporâneos.</p><p>Fonte: cursosindesfor.com.br</p><p>Com referência a intervenção profissional, observa-se que a inclusão da política</p><p>social no debate da profissão permitiu situar mais concretamente os seus objetivos na</p><p>sociedade capitalista. Pôde-se sobrepor, no campo da intervenção, a questão do “por</p><p>que fazer” à do “como fazer”. Com o aprofundamento da investigação sobre a inter-</p><p>relação política social e Serviço Social nas bases da teoria social crítica, pôde-se</p><p>avançar o conhecimento em direção ao “para que fazer”. As proposições daí advindas</p><p>constituíram as bases de um projeto profissional para os assistentes sociais</p><p>brasileiros, construído coletivamente e conhecido como Projeto Ético-Político</p><p>Profissional (MIOTO, 2009).</p><p>A partir da Constituição Federal de 1988, foi possível vislumbrar, no campo da</p><p>política social, uma confluência virtuosa entre os dispositivos legais que foram sendo</p><p>criados para a implementação do projeto da Seguridade Social brasileiro – Lei</p><p>Orgânica da Saúde, Lei Orgânica da Assistência Social – e o movimento da categoria</p><p>profissional em torno de seu Projeto Ético-político Profissional.</p><p>8</p><p>8</p><p>Um projeto que postula o “posicionamento” em favor da equidade e justiça</p><p>social, que assegura a universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos</p><p>programas e às políticas sociais, bem como sua gestão democrática”, além do</p><p>“compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o</p><p>aprimoramento intelectual, na perspectivada competência profissional.</p><p>Porém, duas situações provocaram a ruptura desta relação virtuosa,</p><p>encaminhando-se para uma divergência séria que merece ser trazida ao debate.</p><p>Primeiramente, a reversão praticada, ainda na década de 1990 nas proposições</p><p>fundamentais da Seguridade Social brasileira, quebrando as expectativas de parte da</p><p>sociedade de ampliação de direitos sociais.</p><p>A forma complexa das demandas, em termos quantitativos e qualitativos, além</p><p>do desenho e da maneira de institucionalização dos programas sociais, influenciados</p><p>pelas matrizes de regulação das agências multilaterais de financiamento e fomento,</p><p>com exigências de avaliação de ordem quantitativa e de intenso controle gerencial-</p><p>burocrático sobre as ações desenvolvidas e os resultados obtidos (VARANDAS,</p><p>STABILE, ATHAURI, 2007).</p><p>Fonte: pt.slideshare.net</p><p>As duas situações, além de produzirem impactos significativos nos processos</p><p>interventivos dos assistentes sociais, revelam a existência de questões relativas ao</p><p>9</p><p>9</p><p>tratamento da intervenção nas políticas sociais, no âmbito da profissão, que merecem</p><p>ser abordadas.</p><p>A exposição está organizada em dois tópicos. O primeiro, trata da relação entre</p><p>a política social brasileira e a intervenção profissional, em uma breve retrospectiva</p><p>histórica, marcando os valores profissionais, o espaço da intervenção e a sua</p><p>convergência ou divergência com as políticas públicas da área social. O segundo,</p><p>particulariza o debate sobre a intervenção e sua relação com a política social,</p><p>compreensão favorecida a partir do enquadre do primeiro tópico, no que se refere à</p><p>expansão e à complexidade das demandas e às respostas oferecidas em termos de</p><p>princípios e desenhos institucionais. Os desdobramentos econômicos e sociais da</p><p>divisão do trabalho colocam às necessidades sociais que implicam nas demandas de</p><p>intervenção social a partir das políticas sociais, configurando na base sócio-</p><p>ocupacional do Serviço Social ((JUNQUEIRA, 1980. Apud MIOTO, NOGUEIRA,</p><p>2013).</p><p>Netto (1992) ao analisar a emergência do Serviço Social como profissão coloca</p><p>que é particularmente na intercorrência do conjunto dos processos econômicos,</p><p>sociais, políticos e teórico-culturais ocorridos no período monopolista do capitalismo</p><p>que é instaurado o espaço histórico-social que permite o surgimento do Serviço Social</p><p>enquanto profissão inserida na divisão social (e técnica) do trabalho.</p><p>O caminho da profissionalização do Serviço Social é, na verdade, o processo</p><p>pelo qual seus agentes –ainda que desenvolvendo uma auto representação e um</p><p>discurso centrados na autonomia dos seus valores e da sua vontade–se inserem em</p><p>atividades interventivas cuja dinâmica, organização, recursos e objetivos são</p><p>determinados para além de seu controle [...] precisamente quando passam a</p><p>desempenhar papéis que lhes são alocados por organismos e instâncias alheios às</p><p>matrizes originais das plataformas do Serviço Social é que os agentes se</p><p>profissionalizam (NETTO, 1992).</p><p>10</p><p>10</p><p>Fonte: www.youtube.com</p><p>O processo de instauração do Serviço Social baseia-se nas modalidades de</p><p>intervenção do Estado burguês na questão social, tipificadas nas políticas sociais.</p><p>Estas, por sua vez, além de suas dimensões políticas, também se constituem como</p><p>conjuntos de procedimentos técnico-operativos, o que implica na necessidade de</p><p>agentes técnicos que não só formulem, mas também implementem políticas sociais</p><p>(NETTO, 1992).</p><p>O caráter executivo das políticas sociais envolve a demanda de vários atores</p><p>ou profissionais dentre eles os que prioritariamente atuam no patamar terminal da</p><p>ação executiva. Ou seja, atuam no ponto em que as vítimas das sequelas e refrações</p><p>da questão social são respondidas de forma direta e imediata, tal resposta articulada</p><p>às políticas sociais setoriais.</p><p>O campo para o desenvolvimento das atribuições profissionais é bastante</p><p>amplo se considerarmos de um lado a natureza inclusiva das políticas sociais e o</p><p>caráter dos serviços cuja tendência é se desenvolver nas mais variadas direções. A</p><p>intervenção profissional realiza-se à margem das instâncias de formulação de</p><p>diretrizes e da tomada de decisões em torno das políticas sociais.</p><p>A ação do assistente social se realiza no âmbito da lógica em que se inscrevem</p><p>essas políticas, no espaço das estruturas técnicas, legais, burocráticas e formais.</p><p>Contudo, vale ressaltar que o surgimento do Serviço Social enquanto profissão está</p><p>11</p><p>11</p><p>diretamente articulado ao capitalismo monopolista e que a denominada questão social</p><p>atribui as bases para sua profissionalização (BISPO, 2010).</p><p>2.1 A política social como campo privilegiado da intervenção profissional</p><p>Fonte: www.p3k.com.br</p><p>Um recorrido sobre a trajetória da profissão no Brasil, desde a sua</p><p>institucionalização no país até a época recortada para análise, localiza a intervenção</p><p>profissional à margem do debate sobre o enfrentamento das demandas sociais pela</p><p>sociedade brasileira, embora com a presença de profissionais nos quadros estatais,</p><p>especialmente de âmbito federal, além da inserção em sistemas e organizações de</p><p>cunho religioso e confessional.</p><p>As funções desempenhadas pelos assistentes sociais, até meados da década</p><p>de 1960, evidenciavam a preocupação com a integração dos indivíduos e a</p><p>normalização das suas condutas. Não se discutia a relação com as políticas sociais,</p><p>as quais não eram igualmente tratadas no plano analítico, tanto pelo Serviço Social</p><p>como por outras áreas do conhecimento.</p><p>Questões mais graves com explicações teóricas mais densas não faziam parte</p><p>do cotidiano profissional. Há que se levar em conta o momento particular do Serviço</p><p>Social, buscando a sua consolidação como profissão em uma área supostamente</p><p>considerada como benemerência e desempenhando ações no sentido de organização</p><p>da demanda aos serviços e benefícios oferecidos pelo aparato institucional público e</p><p>privado (MIOTO, NOGUEIRA, 2013).</p><p>12</p><p>12</p><p>Fonte: atuacidadao13.com.br</p><p>O debate sobre o significado das funções no trato das questões sociais, e</p><p>destas com as questões estruturais e conjunturais passava ao largo das</p><p>preocupações profissionais. Essas funções eram centradas de forma bastante</p><p>endógena no interior do Serviço Social, nos processos e métodos de intervenção,</p><p>autonomizados</p><p>das instâncias institucionais. Internacionalmente, conectava-se com</p><p>as questões relativa ao desenvolvimento e ao progresso social como uma trajetória</p><p>natural a ser seguida pelos países, à época considerados subdesenvolvidos.</p><p>Já a partir da segunda metade da década de 50, em clima de grande</p><p>expectativa, decorrente da filosofia do pós-guerra – a do desenvolvimento – e dos</p><p>primeiros planos desenvolvimentistas em implantação, o Serviço Social, ao mesmo</p><p>tempo que incorporava a filosofia, reconhecia a necessidade de uma revisão de sua</p><p>teoria, de sua postura e de seus métodos, como condição de melhor integrar-se nesse</p><p>processo (JUNQUEIRA, 1980).</p><p>Com o rápido processo de urbanização, vivenciado na década de 1970, e o</p><p>empobrecimento populacional, ampliaram-se as demandas por ações no</p><p>campo da proteção social aos estados e municípios. Aumentou-se a oferta</p><p>de serviços, consolidando-se a rede público-privado, especialmente na</p><p>proteção à criança e ao adolescente. Identifica-se a expansão dos quadros</p><p>profissionais, cuja ação é polarizada entre iniciativas de desenvolvimento</p><p>comunitário, atenção a segmentos populacionais bem definidos, tanto em</p><p>organismos governamentais como não governamentais (MIOTO,</p><p>NOGUEIRA, 2013).</p><p>13</p><p>13</p><p>Fonte: www.catanduva.sp.gov.br</p><p>Situa-se, nessa época, a criação das primeiras secretarias estaduais e</p><p>municipais para dar conta das novas demandas. Instaura-se o discurso do bem-estar,</p><p>fazendo eco ao debate internacional. Há um aggiornamento toda profissão, que passa</p><p>a assumir uma função mais definida em termos de posição jurídico administrativa, e,</p><p>aparentemente, mais qualificada e com melhor posição hierárquica nas instituições</p><p>recém-criadas.</p><p>No final deste mesmo período, experiências isoladas trazem uma perspectiva</p><p>crítica ao fazer do assistente social, descolando-se do discurso dominante do</p><p>tecnicismo, decorrente este tanto da influência americana como da influência</p><p>técnica/gerencial própria da ditadura militar, e também das explicações reducionistas</p><p>sobre a relação entre estrutura e questão social (MIOTO, NOGUEIRA, 2013).</p><p>A lógica dos programas e projetos sociais aparece no bojo do racionalismo</p><p>técnico instituído, configurando o momento da emergência dos processos de</p><p>planejamento como forma de orientar e controlar as mudanças sociais. Entretanto, o</p><p>método de formulação e acompanhamento do planejamento estatal, em quaisquer dos</p><p>níveis federativos, foi feito de maneira pontual e assistemática, sempre em termos dos</p><p>grandes objetivos.</p><p>14</p><p>14</p><p>Fonte: www.canalibase.org.br</p><p>Tal favorecia a autonomia da ação profissional, mesmo quando divergente da</p><p>postura oficial dominante, pois as instâncias de controle não detinham a apreensão</p><p>dos processos interventivos locais e particulares. Nessa época, a política social vai</p><p>sendo apreendida em sua relação com a questão social, e a criação dos programas</p><p>de pós-graduação favorece uma leitura mais crítica sobre a realidade brasileira, com</p><p>a perspectiva máxima paulatinamente inscrita na produção teórica de segmentos da</p><p>categoria profissional (MIOTO, NOGUEIRA, 2012).</p><p>O retorno ao Estado de Direito, em 1985, traz um novo alento à profissão,</p><p>principalmente com a Constituição, em 1988. Esta incorpora o ideário dos direitos</p><p>sociais, definindo uma perspectiva, no plano constitucional, de valores éticos, caros</p><p>aos assistentes sociais. Assim como a garantia da proteção social universal sob a</p><p>responsabilidade do Estado, especialmente no campo da saúde e da assistência</p><p>social. A intervenção profissional volta-se para a implementação das políticas</p><p>nacionais. No primeiro momento, logo após o fim da ditadura, é observada a</p><p>identificação entre os valores profissionais e os dispositivos constitucionais relativos</p><p>aos direitos sociais (SILVA, 2007).</p><p>Verifica-se, entretanto, uma assimetria entre a prática do assistente social,</p><p>continuando o fazer de épocas anteriores, em contraste com os valores atualizados,</p><p>como a igualdade na fruição dos direitos, a participação democrática e a proteção</p><p>universal, sob a égide do Estado em algumas políticas sociais. Dura pouco tempo a</p><p>15</p><p>15</p><p>convergência de princípios e valores entre o Serviço Social e as políticas</p><p>governamentais (MIOTO, NOGUEIRA, 2012).</p><p>Fonte: slideplayer.com.br</p><p>O círculo virtuoso rompe-se, pelo menos em duas direções – no campo</p><p>profissional e no plano das políticas nacionais de proteção social. No plano</p><p>profissional, não houve o tempo necessário para o reordenamento das práticas para</p><p>uma perspectiva condizente com as possibilidades de sedimentação dos direitos</p><p>sociais, oferecidas pelo novo momento.</p><p>Uma das explicações possíveis para este fato foi a forma de apropriação do</p><p>novo currículo construído com base na teoria crítica que, no plano ético, posiciona-se</p><p>radicalmente ao lado da classe trabalhadora.</p><p>2.2 Desafios Cotidianos do Assistente Social nas Políticas Públicas</p><p>Para identificar o modo como os assistentes sociais executam o seu exercício</p><p>profissional, torna-se necessário reconhecer que o Serviço Social vem se constituindo</p><p>como profissão, inscrito na divisão social e técnica do trabalho, regulamentada pela</p><p>Lei nº 8662/93, de 07 de junho de 1993, com alterações determinadas pelas</p><p>16</p><p>16</p><p>resoluções CFESS nº 290/94 e nº 293/94, e balizada pelo Código de Ética, aprovado</p><p>através da resolução CFESS nº 273/93, de 13 de março de 1993.</p><p>Fonte: br.linkedin.com</p><p>É uma profissão reconhecida pela sua natureza analítica e interventiva, o que</p><p>legitima os assistentes sociais a planejar e construir respostas profissionais</p><p>mediatizadas pelas necessidades sociais identificadas com experiência pelos</p><p>sujeitos que vivem nesta realidade social. O assistente social atua nas mais</p><p>diversas políticas sociais, contratado pelo Estado para planejar, executar,</p><p>monitorar e avaliar as ações. Ou seja, o Serviço Social é uma profissão</p><p>requisitada pelo Estado e suas instâncias para atender as necessidades</p><p>sociais -via políticas sociais -decorrentes das expressões da "questão social"</p><p>(TORRES, LANZA, SILVA, CAMPOS, 2009).</p><p>De acordo a identificação de tais necessidades, toma como referência: o</p><p>reconhecimento das expressões da "questão social"; a análise da realidade social;</p><p>identifica demandas de atendimento e finca a atuação calcada na perspectiva dos</p><p>direitos. Portanto, o assistente social atua nas contradições inerentes a constituição</p><p>da sociedade capitalista e ao mesmo tempo em que responde aos interesses do</p><p>empregador, interpreta o campo ocupacional no qual se insere como trabalhador</p><p>assalariado.</p><p>Por meio de um conjunto de saberes decorrentes do seu processo formativo,</p><p>constrói respostas profissionais direcionadas as demandas apresentadas pela</p><p>população usuária, bem como aquelas propostas pelo empregador. Neste sentido, o</p><p>exercício profissional é construído a partir do entendimento que o profissional tem das</p><p>17</p><p>17</p><p>dimensões que são constitutivas do seu fazer profissional –interventiva, ético-política;</p><p>analítica e investigativa.</p><p>Fonte: www.ufba.br</p><p>Observando o trabalho realizado pelos assistentes sociais vale dizer que deve</p><p>ser analisado por meio de suas particularidades; no modo como os profissionais</p><p>analisam as contradições constitutivas da realidade social e efetivam suas atividades.</p><p>Assim, a este profissional “[...] remete à compreensão do espaço institucional,</p><p>enquanto expressão das contradições sociais, [...]” (SILVA; SILVA, 1995), bem como</p><p>as implicações destas contradições nas condições objetivas de vida dos usuários que</p><p>buscam no trabalho deste profissional as respostas às suas necessidades.</p><p>Desde os primórdios da profissão, o trabalho desenvolvido pelos assistentes</p><p>sociais é direcionado majoritariamente à população que vive em condição de pobreza.</p><p>Excluída do processo produtivo, da produção de bens e serviços, essa população</p><p>procura</p><p>no assistente social o profissional que poderá ampará-la, orientá-la para que</p><p>possa superar suas necessidades sociais.</p><p>Atua nas mais diversas políticas públicas, sendo reconhecido como um dos</p><p>protagonistas na produção do conhecimento sobre: proteção social; contradições</p><p>inerentes ao modo de produção capitalista; implicações das desigualdades nas</p><p>condições objetivas de vida da população, entre outros temas essenciais para</p><p>interpretar a realidade social.</p><p>18</p><p>18</p><p>Fonte: cursosindesfor.com.br</p><p>A medida em que é requisitado por quem o contratou para construir respostas</p><p>profissionais, o assistente social também tem reconhecido seus saberes, o que</p><p>legitima o seu fazer. Esta legitimação não está somente na intervenção em si mas</p><p>decorre do modo como aqueles que requisitam o trabalho do assistente social</p><p>reconhecem seus saberes, sua capacidade argumentativa e, conferem e dão aval ao</p><p>fazer deste profissional. Outro aspecto fundamental para o reconhecimento do</p><p>exercício profissional do assistente social é identificar as condições objetivas onde</p><p>este trabalho é realizado; ao mesmo tempo em que é necessário entender o porquê</p><p>do Serviço Social ser considerado uma profissão que colabora para dar vida e</p><p>visibilidade às organizações onde os profissionais executam suas ações (LACERDA,</p><p>2014).</p><p>Assim, "as condições que peculiarizam o exercício profissional são uma</p><p>concretização da dinâmica das relações sociais vigentes na sociedade, em</p><p>determinadas conjunturas históricas [...] a atuação do assistente social é</p><p>necessariamente polarizada pelos interesses de tais classes, tendendo a ser</p><p>cooptada por aqueles que têm uma posição dominante (IAMAMOTO,</p><p>CARVALHO, 1983).</p><p>19</p><p>19</p><p>É perceptível o quanto essas relações estabelecidas no cotidiano profissional</p><p>bem como o conhecimento associado a elas colaboram para o estabelecimento de</p><p>uma cultura profissional, ora associada ao consenso, a minimização dos conflitos, ora</p><p>associada à defesa de um projeto societário em consonância ao projeto ético-político.</p><p>A cultura profissional revela hoje as contradições de experiências pelos assistentes</p><p>sociais no seu cotidiano profissional, o que reflete a luta pela hegemonia da direção</p><p>que se quer para o Serviço Social na contemporaneidade.</p><p>Num certo sentido os profissionais reconhecem que o Serviço Social vem</p><p>ganhando visibilidade e qualidade analítica quando se concretiza a partir de uma</p><p>articulação de saberes que lhe garantem consistência argumentativa.</p><p>O que se observa é que a discussão do conhecimento pode ser identificada</p><p>como algo distante do trabalho realizado pelo assistente social que se reconhece</p><p>como profissional da prática, ou seja, a dinâmica imposta nos campos ocupacionais,</p><p>as precárias condições de trabalho possibilitam pouco espaço para que estes</p><p>profissionais possam analisar do ponto de vista teórico –metodológico ético e político</p><p>seu exercício profissional ((BARROCO, 2001. Apud TORRES, FREITAS,</p><p>MONTAGNINI, 2015).</p><p>Isso favorece a reprodução das atividades determinadas pela organização que</p><p>contrata seus serviços, sem questionamentos-não necessariamente com o objetivo de</p><p>se contrapor a elas, mas sim de analisar, com vistas a construção de respostas</p><p>profissionais critico e criativas que de fato tenham relação com a realidade social, com</p><p>o projeto ético-político e com as condições objetivas de vida do usuário, sujeito desse</p><p>processo.</p><p>Fonte: grupouninova.com.br</p><p>20</p><p>20</p><p>3 A ASSISTÊNCIA SOCIAL COMO POLÍTICA DE SEGURIDADE SOCIAL</p><p>Fonte: www.sinasefern.org.br</p><p>A política de Assistência Social, legalmente reconhecida como direito social e</p><p>dever estatal pela Constituição de 1988 e pela Lei Orgânica de Assistência Social</p><p>(LOAS), vem sendo regulamentada intensivamente pelo Governo Federal, com</p><p>aprovação pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), por meio da Política</p><p>Nacional de Assistência Social (2004) e do Sistema Único de Assistência Social (2005)</p><p>(CAMPOS, OLIVEIRA, 2014).</p><p>O objetivo com esse processo é consolidar a Assistência Social como política</p><p>de Estado; para estabelecer critérios objetivos de partilha de recursos entre os</p><p>serviços sócio assistenciais e entre estados, DF e municípios; para estabelecer uma</p><p>relação sistemática e interdependente entre programas, projetos, serviços e</p><p>benefícios, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Bolsa Família, para</p><p>fortalecer a relação democrática entre planos, fundos, conselhos e órgão gestor; para</p><p>garantir repasse automático e regular de recursos fundo a fundo e para instituir um</p><p>sistema informatizado de acompanhamento e monitoramento, até então inexistente.</p><p>Para a efetivação da Assistência Social como política pública, contudo, é</p><p>imprescindível sua integração e articulação à seguridade social e às demais políticas</p><p>sociais. Por isso, a concepção de Assistência Social e sua materialização em forma</p><p>de proteção social básica e especial (de média e alta complexidades), conforme</p><p>21</p><p>21</p><p>previsto na PNAS/SUAS, requer situar e articular estas modalidades de proteção</p><p>social ao conjunto das proteções previstas pela Seguridade Social (OLIVEIRA, 2010).</p><p>Dito de outro modo, a Assistência Social não pode ser entendida como uma</p><p>política exclusiva de proteção social, mas deve-se articular seus serviços e benefícios</p><p>aos direitos assegurados pelas demais políticas sociais, a fim de estabelecer, no</p><p>âmbito da Seguridade Social, um amplo sistema de proteção social.</p><p>Nessa perspectiva, a intervenção profissional na política de Assistência Social</p><p>não pode ter como horizonte somente a execução das atividades arroladas nos</p><p>documentos institucionais, sob o risco de limitar suas atividades à “gestão da pobreza”</p><p>sob a ótica da individualização das situações sociais e de abordar a questão social a</p><p>partir de um viés moralizante.</p><p>Fonte: www.cfess.org.br</p><p>Isso significa que a complexidade e diferenciação das necessidades sociais,</p><p>conforme apontada no SUAS e na PNAS, e que atribui à Assistência Social as funções</p><p>de proteção básica e especial, com foco de atuação na “matricialidade sócio familiar”,</p><p>não deve restringir a intervenção profissional, sobretudo a do/a assistente social, às</p><p>abordagens que tratam as necessidades sociais como problemas e responsabilidades</p><p>individuais e grupais (CAMPOS, OLIVEIRA, 2014).</p><p>Isso porque todas as situações sociais vividas pelos sujeitos que demandam a</p><p>política de Assistência Social têm a mesma estrutural e histórica raiz na desigualdade</p><p>de classe e suas determinações, que se expressam pela ausência e precariedade de</p><p>22</p><p>22</p><p>um conjunto de direitos como emprego, saúde, educação, moradia, transporte,</p><p>distribuição de renda, entre outras formas de expressão da questão social.</p><p>Na PNAS, a Proteção Social Especial refere-se a serviços mais especializados,</p><p>destinados a pessoas em situações de risco pessoal ou social, de caráter mais</p><p>complexo, e se diferenciaria da proteção social básica por “se tratar de um</p><p>atendimento dirigido às situações de violação de direitos”. Assim, é fundamental que</p><p>os/as trabalhadores/as envolvidos/as na implementação do SUAS tenham clareza das</p><p>funções e possibilidades das políticas sociais que integram a Seguridade Social, de</p><p>modo a não atribuir à Assistência Social a intenção e o objetivo hercúleo e inatingível</p><p>de responder a todas as situações de exclusão, vulnerabilidade, desigualdade social</p><p>(SILVA, FERREIRA, 2013).</p><p>Essas são situações que devem ser enfrentadas pelo conjunto das políticas</p><p>públicas, a começar pela política econômica, que deve se comprometer com a</p><p>geração de emprego e renda e distribuição da riqueza. A definição dos campos de</p><p>proteção social (básica ou especial) que compete à assistência e às demais políticas</p><p>sociais é fundamental, não por mero preciosismo conceitual, mas por outras razões.</p><p>Primeiro, porque o sentido de proteção social extrapola</p><p>a possibilidade de uma única</p><p>política social e requer o estabelecimento de um conjunto de políticas públicas que</p><p>garantam direitos e respondam a diversas e complexas necessidades básicas</p><p>(PEREIRA, 2000) da vida social. Desse modo, à Assistência Social não se pode</p><p>atribuir a tarefa de realizar exclusivamente a proteção social.</p><p>Fonte: waltersorrentino.com.br</p><p>23</p><p>23</p><p>Esta compete, articuladamente, às políticas de emprego, saúde, Previdência,</p><p>habitação, transporte e Assistência, nos termos do artigo 60 da Constituição Federal.</p><p>Se esta articulação não for estabelecida, corre-se dois riscos: o primeiro, de</p><p>dimensionar a Assistência Social e atribuir a ela funções e tarefas que competem ao</p><p>conjunto das políticas públicas; e o segundo, de restringir o conceito de proteção social</p><p>aos serviços sócio assistenciais; neste caso, o conceito de proteção social passa a</p><p>ser confundido com a Assistência Social e perde sua potencialidade de se constituir</p><p>em amplo conjunto de direitos sociais.</p><p>Fonte: pt.slideshare.net</p><p>Outra razão, de ordem prática, é que o tipo de serviços sócio assistenciais (de</p><p>proteção social básica ou especial) executados pelos municípios e estados será</p><p>definidor do montante de recursos que o Governo Federal repassará aos Fundos de</p><p>Assistência Social, já que os pisos estabelecidos na Norma Operacional Básica</p><p>(NOB/SUAS) diferenciam-se para cada tipo de proteção social. Portanto, é preciso ter</p><p>clareza de quais são os direitos da Assistência Social que serão executados nas</p><p>modalidades de proteção básica e especial, pois sua configuração definirá o montante</p><p>de recursos que cada município, estado e/ou DF receberá de recursos. Com base</p><p>nessa compreensão de Assistência Social e nas normas regulamentadoras das</p><p>profissões, apontamos a seguir algumas referências relativas à intervenção de</p><p>assistentes sociais no âmbito do SUAS (CORRÊA, MAGALHÃES, 2017).</p><p>24</p><p>24</p><p>4 ASSISTÊNCIA SOCIAL É POLÍTICA PÚBLICA</p><p>Fonte: fortalecerpsi.com.br</p><p>O Serviço Social como profissão, em sete décadas de existência no Brasil e no</p><p>mundo, ampliou e vem ampliando o seu raio ocupacional para todos os espaços e</p><p>recantos onde a questão social explode com repercussões no campo dos direitos, no</p><p>universo da família, do trabalho e do “não trabalho”, da saúde, da educação, dos/as</p><p>idosos/as, da criança e dos/as adolescentes, de grupos étnicos que enfrentam a</p><p>investida avassaladora do preconceito, da expropriação da terra, das questões</p><p>ambientais resultantes da socialização do ônus do setor produtivo, da discriminação</p><p>de gênero, raça, etnia, entre outras formas de violação dos direitos.</p><p>Tais situações demandam ao Serviço Social projetos e ações sistemáticas de</p><p>pesquisa e de intervenção de conteúdos mais diversos, que vão além de medidas ou</p><p>projetos de Assistência Social. Os/as assistentes sociais possuem e desenvolvem</p><p>atribuições localizadas no âmbito da elaboração, execução e avaliação de políticas</p><p>públicas, como também na assessoria a movimentos sociais e populares.</p><p>O primeiro curso de Serviço Social no Brasil surgiu em 1936 e sua</p><p>regulamentação ocorreu em 1957. O processo de conceituação gestado pelo Serviço</p><p>Social desde a década de 1960 permitiu à profissão enfrentar a formação tecnocrática</p><p>conservadora e construir coletivamente um projeto ético-político profissional expresso</p><p>no currículo mínimo de 1982 e nas diretrizes curriculares de 1996 e no Código de Ética</p><p>25</p><p>25</p><p>de 1986 e 1993, nos quais as políticas sociais e os direitos estão presentes como uma</p><p>importante mediação para construção de uma nova sociabilidade.</p><p>Trata-se de uma profissão de nível superior, que exige de seus/suas</p><p>profissionais formação teórica, técnica, ética e política, orientando-se por uma Lei de</p><p>Regulamentação Profissional e um Código de Ética.</p><p>A Assistência Social, como um conjunto de ações estatais e privadas para</p><p>atender a necessidades sociais, no Brasil, também apresentou nas duas últimas</p><p>décadas uma trajetória de avanços que a transportou, da concepção de favor, da</p><p>pulverização e dispersão, ao estatuto de Política Pública e da ação focal e pontual à</p><p>dimensão da universalização. A Constituição Federal de 1988 situou-a no âmbito da</p><p>Seguridade Social e abriu caminho para os avanços que se seguiram (SILVA,</p><p>OLIVEIRA, 2015).</p><p>Fonte: slideplayer.com.br</p><p>A Assistência Social, desde os primórdios do Serviço Social, tem sido um</p><p>importante campo de trabalho de muitos/as assistentes sociais. Não obstante, não</p><p>pode ser confundida com o Serviço Social, pois confundir e identificar o Serviço Social</p><p>com a Assistência Social reduz a identidade profissional, que se inscreve em um</p><p>amplo espectro de questões geradas com a divisão social, regional e internacional do</p><p>trabalho. Que possui interface com todas as políticas públicas e envolve, em seus</p><p>processos operativos, diversificadas entidades públicas e privadas, muitas das quais</p><p>sequer contam com assistentes sociais em seus quadros, mas com profissionais de</p><p>outras áreas ou redes de apoio voluntárias nacionais e internacionais.</p><p>26</p><p>26</p><p>Serviço Social, portanto, não é e não deve ser confundido com Assistência</p><p>Social, embora desde a origem da profissão, os/as assistentes sociais atuem no</p><p>desenvolvimento de ações sócio assistenciais, assim como atuem nas políticas de</p><p>saúde, educação, habitação, trabalho, entre outras ((PASTORINI, 1997. Apud PIANA,</p><p>2008).</p><p>Fonte: http://uniateneu.edu.br/</p><p>A identidade da profissão não é estática e sua construção histórica envolve a</p><p>resistência frente às contradições sociais que configuram uma situação de barbárie,</p><p>decorrentes do atual estágio da sociabilidade do capital em sua fase de produção</p><p>destrutiva, com graves consequências na força de trabalho. A política de Assistência</p><p>Social, por sua vez, comporta equipes de trabalho profissionais, sendo que a</p><p>formação, experiência e intervenção histórica dos/as assistentes sociais nessa política</p><p>social não só os habilitam a compor as equipes de trabalhadores/as, como atribuem</p><p>a esses/as profissionais um papel fundamental na consolidação da Assistência Social</p><p>como direito de cidadania.</p><p>A Seguridade Social deve pautar-se pelos princípios da universalização, da</p><p>qualificação legal e legítima das políticas sociais como direito, do comprometimento e</p><p>dever do Estado, do orçamento redistributivo e da estruturação radicalmente</p><p>democrática, descentralizada e participativa (CORRÊA, MAGALHÃES, 2017).</p><p>Os movimentos específicos do Conjunto CFESS-CRESS na luta pela instituição e</p><p>consolidação da Assistência Social como política pública e dever estatal situam-se</p><p>27</p><p>27</p><p>nesta compreensão de direitos, Seguridade Social e cidadania. Esta tem sido a</p><p>bússola que vem orientando, historicamente, sua ação em momentos importantes no</p><p>processo de reconhecimento da Assistência Social como direito social e política de</p><p>Seguridade Social, entre os quais cabe destacar:</p><p> Durante a Constituinte (1987-1988), o CFESS participou ativamente nas</p><p>subcomissões e Comissão da Ordem Social, sendo um ardoroso defensor da</p><p>Seguridade Social como amplo sistema de proteção social, que deveria incluir a</p><p>Assistência Social. Neste processo, contrapôs-se às forças que defendiam que a</p><p>Seguridade Social deveria se limitar à Previdência Social;</p><p>Fonte: advocaciamaar.com.br</p><p> No transcorrer do processo de elaboração e aprovação da Lei Orgânica da</p><p>Assistência Social (LOAS, 1989-1993), o Conjunto CFESS-CRESS combateu</p><p>ferozmente o veto do então Presidente Collor ao primeiro Projeto de LOAS;</p><p>articulou a elaboração e apresentação ao Congresso de um amplo e alargado</p><p>Projeto de Lei de Assistência Social (que infelizmente não foi aprovado); lutou no</p><p>âmbito do Legislativo contra vários Projetos de Lei que defendiam ações</p><p>extremamente restritivas de Assistência Social; apresentou inúmeras emendas ao</p><p>Projeto de Lei que veio a ser aprovado</p><p>e sancionado em 1993, no intuito de ampliar</p><p>a renda per capita para acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC),</p><p>incluir diferente programas, projetos e serviços e garantir a descentralização e o</p><p>28</p><p>28</p><p>exercício do controle social de forma autônoma pelos Conselhos nas três esferas</p><p>(muitas foram acatadas);</p><p> Após a aprovação da LOAS, o CFESS continuou lutando arduamente para sua</p><p>implementação: entrou com ação judicial para que o Conselho Nacional de</p><p>Assistência Social (CNAS) fosse instituído em 1994; participou de cinco gestões</p><p>no CNAS, representando o segmento dos/as trabalhadores/as; elaborou e publicou</p><p>diversas manifestações em defesa do cumprimento da LOAS e, mais</p><p>recentemente, do SUAS; em todos os estados brasileiros, os CRESS inseriram-se</p><p>nas lutas pela formulação das leis orgânicas estaduais e municipais de Assistência</p><p>Social e pela instituição dos conselhos de Assistência Social.</p><p>5 A GESTÃO DE TRABALHO NO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL</p><p>As possibilidades de atuação profissional não podem ser desvinculadas</p><p>das condições e processos em que se realiza o trabalho. É nesse sentido que</p><p>as competências e atribuições profissionais devem se inserir na perspectiva da</p><p>gestão do trabalho em seu sentido mais amplo, que contempla ao menos três</p><p>dimensões indissociáveis: as atividades exercidas pelos/as trabalhadores/as,</p><p>as condições materiais, institucionais, físicas e financeiras, e os meios e</p><p>instrumentos necessários ao seu exercício (ALVES, 2009. Apud PERES,</p><p>2016).</p><p>Fonte: direitodetodos.com.br</p><p>29</p><p>29</p><p>A garantia e articulação dessas dimensões são fundamentais para que os/as</p><p>trabalhadores/as possam atuar na perspectiva de efetivar a política de Assistência</p><p>Social e materializar o acesso da população aos direitos sociais. A natureza da</p><p>atuação dos/as profissionais referenciada neste documento está, em grande medida,</p><p>condicionada à realização das demais dimensões.</p><p>Fonte: sindiquimicos.org.br</p><p>O estabelecimento de relações de trabalho estáveis, a garantia institucional e</p><p>condições e meios necessários à realização das atividades são indispensáveis para o</p><p>exercício profissional. Nessa perspectiva, o trabalho precário que se manifesta na</p><p>ausência das dimensões anteriormente citadas, nos baixos salários, na elevada carga</p><p>de trabalho, na alta rotatividade, na inexistência de possibilidades institucionais para</p><p>atender às demandas dos/as usuários/as, entre outros, é um obstáculo para a atuação</p><p>profissional, para a universalização das políticas sociais, para as relações entre</p><p>trabalhadores/as e usuários/as e para a qualidade e continuidade dos programas,</p><p>projetos e serviços (PEREIRA, 2008. Apud PERES, 2016).</p><p>A implantação de uma política de reconhecimento e valorização do/a</p><p>trabalhador/a e a concretização da NOB/RH/SUAS, com implementação do Plano de</p><p>Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), aprovada em 2007, são imprescindíveis para</p><p>assegurar as condições de materialização do trabalho dos/as profissionais que atuam</p><p>no SUAS (CORRÊA, MAGALHÃES, 2017). No que se refere à autonomia do trabalho,</p><p>as condições objetivas de estruturação do espaço institucional devem assegurar</p><p>30</p><p>30</p><p>aos/às profissionais o direito de realizar suas escolhas técnicas no circuito da decisão</p><p>democrática, garantir a sua liberdade para pesquisar, planejar, executar e avaliar o</p><p>processo de trabalho, permitir a realização de suas competências técnica e política</p><p>nas dimensões do trabalho coletivo e individual e primar pelo respeito aos direitos,</p><p>princípios e valores ético-políticos profissionais estabelecidos nas regulamentações</p><p>profissionais (BEHRING, 2003).</p><p>Fonte: www.cress-mg.org.br</p><p>No que se refere às condições físicas e técnicas de exercício profissional,</p><p>alguns procedimentos exigem a garantia de espaço para atendimentos individuais e</p><p>coletivos, bem como local adequado para a guarda de prontuários e documentos</p><p>pertinentes ao atendimento aos/às usuários/as. A qualidade na atuação profissional</p><p>implica na realização de educação permanente em Assistência Social e destinação</p><p>de recursos para a supervisão técnica sistemática.</p><p>A carga horária de trabalho deve assegurar tempo e condições para o/a</p><p>profissional responder com qualidade às demandas de seu trabalho, bem como</p><p>reservar momentos para estudos e capacitação continuada no horário de trabalho,</p><p>além de garantir apoio ao/à profissional para participação em cursos de</p><p>especialização, mestrado ou equivalentes, que visam à qualificação e aprimoramento</p><p>profissional (MIOTO, NOGUEIRA, 2012).</p><p>A ausência de espaços de reflexão dos referenciais teóricos e metodológicos</p><p>que subsidiam o trabalho da equipe interdisciplinar gera dificuldade na compreensão</p><p>31</p><p>31</p><p>do papel e atribuições dos/as profissionais, tanto por parte dos/as gestores/as, quanto</p><p>dos/as próprios/as trabalhadores/as. Dessa forma, ações de educação permanente</p><p>devem ser planejadas com base na identificação das necessidades dos (as)</p><p>profissionais, e levando em consideração as características das demandas locais e</p><p>regionais. A atuação na Assistência Social ocorre em espaços institucionais e de</p><p>mediação social junto aos movimentos sociais e populares.</p><p>Fonte: unilins.edu.br</p><p>Valores, ideologias, relações sociais e políticas são constitutivos das práticas</p><p>realizadas nesses espaços. Como seres históricos e sociais, os/as</p><p>profissionais são sujeitos e investigadores/as dos fenômenos e processos</p><p>com os quais trabalham. A luta pela competência profissional é fruto do</p><p>trabalho coletivo e da mobilização social pela garantia dos direitos dos/as</p><p>trabalhadores/as, pela universalização dos direitos sociais e pela</p><p>consolidação da Assistência Social como política pública e dever do Estado</p><p>(PIANA, 2009).</p><p>Os/as assistentes sociais foram os/as primeiros/as a se mobilizar em defesa da</p><p>assistência social como direito. Essa luta não se deu de forma isolada. Desde sempre,</p><p>esses/as profissionais se articularam aos movimentos da classe trabalhadora, dentre</p><p>os quais, os/as usuários/as da assistência social. Essa articulação se deu e se dá</p><p>desde o estímulo à organização dos/as usuários/as, passando pela sua mobilização</p><p>como sujeitos individuais e coletivos, até a construção e fortalecimento de espaços de</p><p>representação e controle democrático, onde possam ter voz e ação (MIOTO,</p><p>NOGUEIRA, 2012).</p><p>32</p><p>32</p><p>Essa postura pauta-se na atitude e posicionamento político de compreender e</p><p>de reconhecer os/as usuários/as como sujeitos históricos, o que implica “fazer com”,</p><p>significa assumir uma atitude profissional que potencializa as ações dos sujeitos. Tal</p><p>posicionamento pode, aparentemente, parecer “banal”, mas ele nem sempre</p><p>prevalece nos espaços profissionais, e requer um compromisso político e uma atitude</p><p>profissional. Contribuir para o fortalecimento do protagonismo dos/as usuários/as,</p><p>portanto, exige compromisso político e profissional com a classe trabalhadora e com</p><p>transformações radicais que tenham como projeto a socialização da riqueza</p><p>socialmente construída, ao contrário do que acontece na sociedade atual, com a</p><p>apropriação privada da riqueza. Só por esse caminho os/as usuários/as realmente</p><p>serão protagonistas de uma história a favor da classe trabalhadora.</p><p>6 O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA ASSISTÊNCIA SOCIAL</p><p>Fonte: cursosabrafordes.com.br</p><p>As atribuições e competências dos/as profissionais de Serviço Social, sejam</p><p>aquelas realizadas na política de Assistência Social ou em outro espaço sócio</p><p>ocupacional, são orientadas e norteadas por direitos e deveres constantes no Código</p><p>de Ética Profissional e na Lei de Regulamentação da Profissão, que devem ser</p><p>33</p><p>33</p><p>observados e respeitados, tanto pelos/as profissionais, quanto pelas instituições</p><p>empregadoras.</p><p>No que se refere aos direitos dos/as assistentes sociais, o artigo 2º do Código</p><p>de Ética assegura:</p><p>Art. 2º - Constituem direitos do/a assistente social:</p><p>a) garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei</p><p>de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código;</p><p>b) livre exercício das atividades inerentes à profissão;</p><p>c) participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na</p><p>formulação e implementação de programas sociais;</p><p>d) inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documenta-</p><p>ção, garantindo o sigilo profissional;</p><p>e) desagravo público por ofensa que atinja a sua honra profissional;</p><p>f) aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos</p><p>princípios deste Código;</p><p>g) pronunciamento em matéria de sua especialidade, sobretudo quando se</p><p>tratar de assuntos de interesse da população;</p><p>h) ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo obrigado a prestar</p><p>serviços profissionais incompatíveis com as suas atribuições, cargos ou funções;</p><p>i) liberdade na realização de seus estudos e pesquisas, resguardados os</p><p>direitos de participação de indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos. No</p><p>que se refere aos deveres profissionais, o artigo 3º estabelece:</p><p>Art. 3º - São deveres do/a assistente social:</p><p>a) desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e</p><p>responsabilidade, observando a Legislação em vigor;</p><p>b) utilizar seu número de registro no Conselho Regional no exercício da</p><p>profissão;</p><p>c) abster-se, no exercício da profissão, de práticas que caracterizem a</p><p>censura, o cerceamento da liberdade, o policiamento dos comportamentos,</p><p>denunciando sua ocorrência aos órgãos competentes;</p><p>d) participar de programas de socorro à população em situação de calamidade</p><p>pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades. Tendo em vista</p><p>o disposto acima, o perfil do/a assistente social para atuar na política de Assistência</p><p>34</p><p>34</p><p>Social deve afastar-se das abordagens tradicionais funcionalistas e pragmáticas, que</p><p>reforçam as práticas conservadoras que tratam as situações sociais como problemas</p><p>pessoais que devem ser resolvidos individualmente.</p><p>O reconhecimento da questão social como objeto de intervenção profissional</p><p>(conforme estabelecido nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS), demanda uma</p><p>atuação profissional em uma perspectiva totalizante, baseada na identificação dos</p><p>determinantes socioeconômicos e culturais das desigualdades sociais.</p><p>Fonte: seguridadesocial3.com.br</p><p>A intervenção orientada por esta perspectiva crítica pressupõe a assunção,</p><p>pelo/a profissional, de um papel que aglutine: leitura crítica da realidade e</p><p>capacidade de identificação das condições materiais de vida, identificação das</p><p>respostas existentes no âmbito do Estado e da sociedade civil, reconhecimento e</p><p>fortalecimento dos espaços e formas de luta e organização dos/as trabalhadores/as</p><p>em defesa de seus direitos; formulação e construção coletiva, em conjunto com os/as</p><p>trabalhadores/as, de estratégias políticas e técnicas para modificação da realidade</p><p>e formulação de formas de pressão sobre o Estado, com vistas a garantir os recursos</p><p>financeiros, materiais, técnicos e humanos necessários à garantia e ampliação dos</p><p>direitos (LACERDA, 2014).</p><p>35</p><p>35</p><p>Fonte: jornal4cantos.com.br</p><p>As competências e atribuições dos/as assistentes sociais, na política de</p><p>Assistência Social, nessa perspectiva e com base na Lei de Regulamentação da</p><p>Profissão, requisitam, do/a profissional, algumas competências gerais que são</p><p>fundamentais à compreensão do contexto sócio-histórico em que se situa sua</p><p>intervenção:</p><p> Apreensão crítica dos processos sociais de produção e reprodução das</p><p>relações sociais numa perspectiva de totalidade;</p><p> Análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as</p><p>particularidades do desenvolvimento do Capitalismo no país e as</p><p>particularidades regionais;</p><p> Compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento</p><p>sócio-histórico, nos cenários internacional e nacional, desvelando as</p><p>possibilidades de ação contidas na realidade;</p><p> Identificação das demandas presentes na sociedade, visando a formular</p><p>respostas profissionais para o enfrentamento da questão social, considerando</p><p>as novas articulações entre o público e o privado (ABEPSS, 1996).</p><p>São essas competências que permitem ao/à profissional realizar a</p><p>análise crítica da realidade, para, a partir daí, estruturar seu trabalho e</p><p>estabelecer as competências e atribuições específicas necessárias ao</p><p>enfrentamento das situações e demandas sociais que se apresentam em seu</p><p>cotidiano. As competências específicas dos/as assistentes sociais, no âmbito</p><p>36</p><p>36</p><p>da política de Assistência Social, abrangem diversas dimensões interventivas,</p><p>complementares e indissociáveis:</p><p>Fonte: www.acsc.com.br</p><p>1. Uma dimensão que engloba as abordagens individuais, familiares ou grupais</p><p>na perspectiva de atendimento às necessidades básicas e acesso aos direitos, bens</p><p>e equipamentos públicos. Essa dimensão não deve se orientar pelo atendimento</p><p>psicoterapêutico a indivíduos e famílias (próprio da Psicologia), mas sim à</p><p>potencialização da orientação social, com vistas à ampliação do acesso dos</p><p>indivíduos e da coletividade aos direitos sociais;</p><p>2. Uma dimensão de intervenção coletiva junto a movimentos sociais, na</p><p>perspectiva da socialização da informação, mobilização e organização popular, que</p><p>tem como fundamento o reconhecimento e fortalecimento da classe trabalhadora</p><p>como sujeito coletivo na luta pela ampliação dos direitos e responsabilização estatal;</p><p>3. Uma dimensão de intervenção profissional voltada para inserção nos</p><p>espaços democráticos de controle social e construção de estratégias para fomentar</p><p>a participação, reivindicação e defesa dos direitos pelos/as usuários/as e</p><p>trabalhadores/as nos Conselhos, Conferências e Fóruns da Assistência Social e de</p><p>outras políticas públicas;</p><p>4. Uma dimensão de gerenciamento, planejamento e execução direta de bens</p><p>e serviços a indivíduos, famílias, grupos e coletividade, na perspectiva de</p><p>fortalecimento da gestão democrática e participativa, capaz de produzir, intersetorial</p><p>37</p><p>37</p><p>e interdisciplinarmente, propostas que viabilizem e potencializem a gestão em favor</p><p>dos/as cidadãos/ãs;</p><p>Fonte: www.youtube.com</p><p>5. Uma dimensão que se materializa na realização sistemática de estudos e</p><p>pesquisas que revelem as reais condições de vida e demandas da classe</p><p>trabalhadora, e possam alimentar o processo de formulação, implementação e</p><p>monitoramento da política de Assistência Social;</p><p>6. Uma dimensão pedagógico-interpretativa e socializadora de informações e</p><p>saberes no campo dos direitos, da legislação social e das políticas públicas, dirigida</p><p>aos/às diversos/as atores/atrizes e sujeitos da política: os/as gestores/as</p><p>públicos/as, dirigentes de entidades prestadoras de serviços, trabalhadores/as,</p><p>conselheiros/as e usuários/as. A materialização dessas diversas dimensões é</p><p>prenhe de possibilidades e pode se desdobrar em diversas competências,</p><p>estratégias e procedimentos específicos, com destaque para:</p><p> Realizar pesquisas para identificação das demandas e reconhecimento das</p><p>situações de vida da população, que subsidiem a formulação dos planos de</p><p>Assistência Social;</p><p> Formular e executar os programas, projetos, benefícios e serviços pró- prios</p><p>da Assistência Social, em órgãos da Administração Pública, empresas e</p><p>organizações da sociedade civil;</p><p>38</p><p>38</p><p> Elaborar, executar e avaliar os planos municipais, estaduais e nacional de</p><p>Assistência Social, buscando interlocução com as diversas áreas e políticas</p><p>públicas, com especial destaque para as políticas de Seguridade Social;</p><p> Formular e defender a constituição de orçamento público necessário à</p><p>implementação do plano de Assistência Social;</p><p> Favorecer a participação dos/as usuários/as e movimentos</p><p>sociais no</p><p>processo de elaboração e avaliação do orçamento público;</p><p> Planejar, organizar e administrar o acompanhamento dos recursos</p><p>orçamentários nos benefícios e serviços sócio assistenciais nos Centros de</p><p>Referência em Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência</p><p>Especializados de Assistência Social (CREAS);</p><p>Fonte: www.garopaba.sc.gov.br</p><p> Realizar estudos sistemáticos com a equipe dos CRAS e CREAS, na</p><p>perspectiva de análise conjunta da realidade e planejamento coletivo das</p><p>ações, o que supõe assegurar espaços de reunião e reflexão no âmbito das</p><p>equipes multiprofissionais;</p><p> Contribuir para viabilizar a participação dos/as usuários/as no processo de</p><p>elaboração e avaliação do plano de Assistência Social; prestar 22 assessoria</p><p>e consultoria a órgãos da Administração Pública, empresas privadas e</p><p>movimentos sociais em matéria relacionada à política de Assistência Social e</p><p>acesso aos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;</p><p>39</p><p>39</p><p> Estimular a organização coletiva e orientar/as os usuários/as e</p><p>trabalhadores/as da política de Assistência Social a constituir entidades</p><p>representativas;</p><p> Instituir espaços coletivos de socialização de informação sobre os direitos</p><p>sócio assistenciais e sobre o dever do Estado de garantir sua implementação;</p><p> Assessorar os movimentos sociais na perspectiva de identificação de</p><p>demandas, fortalecimento do coletivo, formulação de estratégias para defesa</p><p>e acesso aos direitos;</p><p>Fonte: www.amures.org.br</p><p> Realizar visitas, perícias técnicas, laudos, informações e pareceres sobre</p><p>acesso e implementação da política de Assistência Social; realizar estudos</p><p>socioeconômicos para identificação de demandas e necessidades sociais;</p><p> Organizar os procedimentos e realizar atendimentos individuais e/ou coletivos</p><p>nos CRAS;</p><p> Exercer funções de direção e/ou coordenação nos CRAS, CREAS e</p><p>Secretarias de Assistência Social;</p><p> Fortalecer a execução direta dos serviços sócio assistenciais pelas</p><p>prefeituras, governo do DF e governos estaduais, em suas áreas de</p><p>abrangência;</p><p> Realizar estudo e estabelecer cadastro atualizado de entidades e rede de</p><p>atendimentos públicos e privados;</p><p>40</p><p>40</p><p> Prestar assessoria e supervisão às entidades não governamentais que</p><p>constituem a rede sócio assistencial;</p><p> Participar nos Conselhos municipais, estaduais e nacional de Assistência</p><p>Social na condição de conselheiro/a;</p><p> Atuar nos Conselhos de Assistência Social na condição de secretário/a</p><p>executivo/a;</p><p> Prestar assessoria aos conselhos, na perspectiva de fortalecimento do</p><p>controle democrático e ampliação da participação de usuários/as e</p><p>trabalhadores/as; • organizar e coordenar seminários e eventos para debater</p><p>e formular estratégias coletivas para materialização da política de Assistência</p><p>Social;</p><p> Participar na organização, coordenação e realização de conferências</p><p>municipais, estaduais e nacional de Assistência Social e afins;</p><p> Elaborar projetos coletivos e individuais de fortalecimento do protagonismo</p><p>dos/as usuários/as;</p><p> Acionar os sistemas de garantia de direitos, com vistas a mediar seu acesso</p><p>pelos/as usuários/as;</p><p> Supervisionar direta e sistematicamente os/as estagiários/as de Serviço</p><p>Social.</p><p>Fonte: www.cesesb.edu.br</p><p>41</p><p>41</p><p>A realização dessas competências e atribuições requer a utilização de</p><p>instrumentais adequados a cada situação social a ser enfrentada profissionalmente.</p><p>O uso das técnicas e estratégias não deve contrariar os objetivos, diretrizes e</p><p>competências assinalados, ou seja, estes não devem ser utilizados com a</p><p>perspectiva de integração social, homogeneização social, psicologização dos</p><p>atendimentos individuais e/ou das relações sociais, nem se destinar ao</p><p>fortalecimento de vivências e trocas afetivas em uma perspectiva subjetivista</p><p>(CFESS, 2012. Apud MATOS, 2015).</p><p>A definição das estratégias e o uso dos instrumentais técnicos devem ser</p><p>estabelecidos pelo/a próprio/a profissional, que tem o direito de organizar seu trabalho</p><p>com autonomia e criatividade, em consonância com as demandas regionais,</p><p>específicas de cada realidade em que atua. A intervenção profissional, na perspectiva</p><p>aqui assinalada, pressupõe enfrentar e superar duas grandes tendências presentes</p><p>hoje no âmbito dos CRAS.</p><p>A primeira é de restringir a atuação aos atendimentos emergenciais a</p><p>indivíduos, grupos ou famílias, o que pode caracterizar os CRAS e a atuação</p><p>profissional como um “grande plantão de emergências”, ou um serviço cartorial de</p><p>registro e controle das famílias para acessos a benefícios de transferência de renda.</p><p>A segunda é de estabelecer uma relação entre o público e o privado, onde o poder</p><p>público transforma-se em mero repassador de recursos a organizações não</p><p>governamentais, que assumem a execução direta dos serviços sócio assistenciais.</p><p>Esse tipo de relação incorre no risco de transformar o/a profissional em um/a mero/a</p><p>fiscalizador/a das ações realizadas pelas ONGs e esvazia sua potencialidade de</p><p>formulador/a e gestor/a público/a da política de Assistência Social (RAICHELIS, 2010).</p><p>7 SERVIÇO SOCIAL E PROJETO ÉTICO-POLÍTICO</p><p>Segundo Iamamoto (2007), o Serviço Social, por ser uma profissão inserida</p><p>nas relações sociais na sociedade capitalista, tem na questão social a sua base</p><p>fundante. Por isso, a dinâmica do desenvolvimento do capitalismo incide sobre as</p><p>manifestações da questão social, que apresenta diferentes configurações em cada</p><p>42</p><p>42</p><p>conjuntura e, consequentemente, altera as condições concretas do exercício</p><p>profissional.</p><p>Fonte: aprender.buzzero.com</p><p>Em relação as condições concretas de trabalho, as determinações</p><p>institucionais, Iamamoto (2007) destaca que estas não devem ser consideradas pelos</p><p>assistentes sociais como condicionantes externos e nem como obstáculos, mas sim</p><p>como partes constituintes intrínsecas à sua inserção ocupacional. Por isso, é</p><p>fundamental o conhecimento, pelo profissional, das condições estruturais e</p><p>conjunturais para a realização da sua intervenção, condição imprescindível para a</p><p>criação de possibilidades para uma intervenção comprometida com os propósitos</p><p>expressos no projeto ético-político.</p><p>O atual projeto profissional do Serviço Social surge vinculado a um novo projeto</p><p>societário, já que propõe a construção de uma nova ordem social, sem exploração de</p><p>classe. Devido ao seu caráter histórico, este projeto possui raízes sólidas na realidade</p><p>social brasileira, não se constituindo algo abstrato, pois se materializa no cotidiano</p><p>dos assistentes sociais. Como destacado por Braz (2001), a materialidade deste</p><p>projeto se dá a partir de três dimensões articuladas entre si: a dimensão da produção</p><p>de conhecimentos no interior do Serviço Social afinadas com as tendências teórico</p><p>criticas do pensamento social; a dimensão político-organizativa da profissão</p><p>representada pelos fóruns de deliberação e pelas entidades representativas como a</p><p>ENESSO, conjunto CFES/CRESS e ABEPSS; e a dimensão jurídico- política da</p><p>43</p><p>43</p><p>profissão, que na esfera estritamente profissional se expressa pelo Código de Ética,</p><p>pela Lei de Regulamentação da Profissão e pelas novas Diretrizes Curriculares e,</p><p>numa esfera mais abrangente, pelo conjunto de leis advindas do capítulo da Ordem</p><p>Social da Constituição de 1988.</p><p>Por estar vinculado a um novo projeto societário, sem dominação e/ou</p><p>exploração de classe, etnia e gênero, o projeto ético-político do Serviço Social defende</p><p>a liberdade como valor ético central, o compromisso com a autonomia, a emancipação</p><p>e a plena expansão dos indivíduos sociais.</p><p>Por isso, este projeto profissional encontra limites estruturais para se</p><p>concretizar, principalmente no contexto de regulação social fundamentada na</p><p>orientação neoliberal em que há redução das políticas sociais, da concentração de</p><p>riqueza e da sistemática implementação de uma política</p><p>macroeconômica lesiva à</p><p>massa da população.</p><p>Fonte: slideplayer.com.br</p><p>Não obstante, ao considerar a dinâmica contraditória e o contexto histórico</p><p>desfavorável, ao projeto ético-político não se pretende, por isso, desacreditá-lo, mas</p><p>sim ter clareza de seus desafios e reconhecer a sua validade no questionamento das</p><p>relações sociais postas pela sociedade capitalista. É com esta compreensão que</p><p>afirmamos a necessidade de avançarmos nos indicativos de intervenção profissional,</p><p>parte ainda pouco explorada neste projeto profissional.</p><p>44</p><p>44</p><p>Como apontado por Netto (1999), “(..) não se desenvolveram suficientemente</p><p>as suas possibilidades [do projeto profissional], por exemplo, no domínio dos</p><p>indicativos para a orientação de modalidades de práticas profissionais, neste terreno,</p><p>ainda há muito por fazer-se) (..)” [grifos nossos]. Assim, não podemos considerar este</p><p>projeto como algo pronto, acabado, mas sim considerá-lo enquanto um processo a</p><p>ser materializado no cotidiano de intervenção dos assistentes sociais. É com esta</p><p>compreensão que concordamos com (IAMAMOTO, 2007) quando afirma:</p><p>Verifica-se (...) uma tensão entre o trabalho controlado e submetido ao poder</p><p>do empregador, as demandas dos sujeitos de direitos e a relativa autonomia</p><p>do profissional para perfilar seu trabalho. Assim, o trabalho do assistente</p><p>social encontra-se sujeito a um conjunto de determinantes históricos, que</p><p>fogem ao seu controle e impõe limites, socialmente objetivos, à consecução</p><p>de um projeto profissional coletivo no cotidiano do mercado de trabalho.</p><p>Alargar as possibilidades de condução do trabalho no horizonte daquele</p><p>projeto exige estratégias político-profissionais que ampliem bases de apoio</p><p>no interior do espaço ocupacional e somem forças com segmentos</p><p>organizativos da sociedade civil, que se movem pelos mesmos princípios</p><p>éticos e políticos (IAMOMOTO, 2007)</p><p>Desta forma, o assistente social é desafiado, nos diferente espaço sócio</p><p>ocupacionais, a desenvolver mediações que possibilitem, no enfrentamento das</p><p>expressões da questão social, materializar o compromisso ético-político assumido</p><p>pelo projeto profissional hegemônico no Serviço Social.</p><p>Fonte: servicosocialdafama.com.br</p><p>45</p><p>45</p><p>8 O TRABALHO PROFISSIONAL NA CONTEMPORANEIDADE</p><p>É no contexto da globalização mundial sobre a hegemonia do grande capital</p><p>financeiro, da aliança entre o capital bancário e o capital industrial, que se testemunha</p><p>a revolução técnico científica de base microeletrônica, instaurando novos padrões de</p><p>produzir e de gerir o trabalho. Ao mesmo tempo, reduz-se a demanda de trabalho,</p><p>amplia-se a população sobrante para as necessidades médias do próprio capital,</p><p>fazendo crescer a exclusão social, econômica, política, cultural de homens, jovens,</p><p>crianças, mulheres das classes subalternas, hoje alvo da violência institucionalizada.</p><p>Exclusão social esta que se torna, contraditoriamente, o produto do desenvolvimento</p><p>do trabalho coletivo.</p><p>Em outros termos, a pauperização e a exclusão são a outra face do</p><p>desenvolvimento das forças produtivas do trabalho social, do desenvolvimento da</p><p>ciência e da tecnologia, dos meios de comunicação, da produção e do mercado</p><p>globalizado. Estes novos tempos reafirmam, pois, que a acumulação de capital não é</p><p>parceira da equidade, não rima com igualdade. Verifica-se o agravamento das</p><p>múltiplas expressões da questão social, base sócio histórica da requisição social da</p><p>profissão.</p><p>A linguagem de exaltação do mercado e do consumo, que se presencia na</p><p>mídia e no governo, corre paralela ao processo de crescente concentração de renda,</p><p>de capital e de poder. Nos locais de trabalho, é possível atestar o crescimento da</p><p>demanda por serviços sociais, o aumento da seletividade no âmbito das políticas</p><p>sociais, a diminuição dos recursos, dos salários, a imposição de critérios cada vez</p><p>mais restritivos nas possibilidades da população ter acesso aos direitos sociais,</p><p>materializados em serviços sociais públicos.</p><p>Estão todos convidados a pensar as mudanças que vêm afetando o mundo da</p><p>produção, a esfera do Estado e das políticas públicas e analisar como elas vêm</p><p>estabelecendo novas mediações nas expressões da questão social hoje, nas</p><p>demandas à profissão e nas respostas do Serviço Social. Em um primeiro momento,</p><p>pretende-se tratar do tema focando o contexto em que é produzida a questão social e</p><p>suas repercussões no mercado de trabalho do assistente social.</p><p>46</p><p>46</p><p>Fonte: s.socialesaude.zip.net</p><p>Ele atravessa e conforma o cotidiano do exercício profissional do Assistente</p><p>Social, afetando as suas condições e as relações de trabalho, assim como as</p><p>condições de vida da população usuária dos serviços sociais. Em um segundo</p><p>momento, procurar-se-á recuperar alguns dos recursos e forças teóricas e ético-</p><p>políticas, acumulados a partir dos anos 1980, para enfrentar esses desafios,</p><p>trabalhando especificamente o processo de trabalho em que se insere o Assistente</p><p>Social - ou seja, a prática do Serviço Social - e as alternativas ético-políticas que se</p><p>colocam hoje ao exercício e à formação profissional crítica e competente (PIANA,</p><p>2008).</p><p>Pensar o Serviço Social na contemporaneidade requer os olhos abertos para o</p><p>mundo contemporâneo para decifrá-lo e participar da sua recriação. Um grande</p><p>pensador alemão do século XIX dizia o seguinte: "a crítica não arranca flores</p><p>imaginárias dos grilhões para que os homens suportem os grilhões sem fantasia e</p><p>consolo, mas para que se livrem deles e possam brotar as flores vivas". É esse o</p><p>sentido da crítica: tirar as fantasias que encobrem os grilhões para que se possa livrar</p><p>deles, libertando os elos que aprisionam o pleno desenvolvimento dos indivíduos</p><p>sociais (PIANA, 2008).</p><p>É nessa perspectiva que se inquire a realidade buscando, pela sua decifração,</p><p>o desenvolvimento de um trabalho pautado no zelo pela qualidade dos serviços</p><p>prestados, na defesa da universalidade dos serviços públicos, na atualização dos</p><p>compromissos ético-políticos com os interesses coletivos da população usuária.</p><p>47</p><p>47</p><p>8.1 Sintonizando o Serviço Social com os novos tempos</p><p>Fonte: www.pucsp.br</p><p>Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é</p><p>desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho</p><p>criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes</p><p>no cotidiano. Enfim, ser um profissional propositivo e não só executivo. O Assistente</p><p>Social tem sido historicamente um dos agentes profissionais que implementam</p><p>políticas sociais, especialmente políticas públicas. Ou, nos termos de Netto, um</p><p>executor terminal de políticas sociais, que atua na relação direta com a população</p><p>usuária (CFAS, 1979. Apud MIOTO, NOGUEIRA, 2013).</p><p>Mas, hoje, o próprio mercado demanda, além de um trabalho na esfera da</p><p>execução, a formulação de políticas públicas e a gestão de políticas sociais.</p><p>Responder a tais requerimentos exige uma ruptura com a atividade burocrática e</p><p>rotineira, que reduz o trabalho do assistente social a mero emprego, como se esse se</p><p>limitasse ao cumprimento burocrático de horário, à realização de um leque de tarefas</p><p>as mais diversas, ao cumprimento de atividades preestabelecidas. Já o exercício da</p><p>profissão é mais do que isso.</p><p>É uma ação de um sujeito profissional que tem competência para propor, para</p><p>negociar com a instituição os seus projetos, para defender o seu campo de trabalho,</p><p>suas qualificações e funções profissionais.</p><p>Requer, pois, ir além das rotinas institucionais e buscar apreender o movimento</p><p>da realidade para detectar tendências e possibilidades nela presentes passíveis de</p><p>serem impulsionadas pelo profissional. Essa observação merece atenção: as</p><p>48</p><p>48</p><p>alternativas não saem de uma suposta "cartola mágica" do Assistente Social; as</p><p>possibilidades estão dadas na realidade, mas não são automaticamente</p>

Mais conteúdos dessa disciplina