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Jornalismo na Sociedade - aula6

Aula 6 de "Jornalismo e Sociedade" sobre a atuação do jornalista no mercado de trabalho: perfil profissional, responsabilidades e riscos, consumo da informação, jornalismo de massa e segmentado; inclui o Decreto n.83.284/1979 com funções jornalísticas e atribuições de assessor (Fenaj).

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<p>JORNALISMO E SOCIEDADE</p><p>AULA 6</p><p>Prof. Guilherme Carvalh</p><p>Prof. Mauri König</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Bem-vindo(a) a esta aula! Até aqui, pudemos compreender as relações</p><p>entre jornalismo e sociedade. Nesta aula, vamos continuar nesse caminho,</p><p>procurando aprofundar o conhecimento, desta vez focando na sua atuação no</p><p>mercado de trabalho. Para isso, vamos ver:</p><p> O perfil profissional do jornalista</p><p> Responsabilidades e riscos da profissão</p><p> O consumo da informação</p><p> Jornalismo para as massas</p><p> Jornalismo para segmentos</p><p>Bons estudos!</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>O jornalismo é uma atividade com caráter público, embora esteja sob o</p><p>domínio da iniciativa privada. Isso gera desafios e problemas em questões</p><p>relacionadas às condições de trabalho e aos riscos aos quais os jornalistas estão</p><p>expostos. Na lógica comercial dos meios, o jornalismo atua em duas frentes:</p><p>1. jornalismo para as massas, prática tradicional e já consolidada;</p><p>2. jornalismo para segmentos, tendência de mercado na era da internet.</p><p>Nesta aula, vamos aprofundar esse debate, procurando ajudar você a</p><p>encontrar respostas e a fazer suas escolhas para o seu futuro profissional.</p><p>Problematização</p><p>Uma série de fatores sugerem que o jornalismo está em crise: a queda de</p><p>faturamento das empresas, a precarização das condições de trabalho, os erros</p><p>cometidos por jornalistas etc. Porém, a internet abre uma série de possibilidades.</p><p>Então, cabe refletir sobre uma questão: quais tendências são perceptíveis no</p><p>jornalismo e podem ser observadas como um jornalismo que se consolidará nas</p><p>próximas décadas, diante de tantas transformações tecnológicas que afetam as</p><p>relações sociais?</p><p>3</p><p>TEMA 1 – O PERFIL PROFISSIONAL DO JORNALISTA</p><p>A profissão de jornalista é regulamentada no Brasil pelo Decreto n.</p><p>83.284/1979 (Brasil, 1979). Apesar de antigo e desatualizado, ele dispõe sobre</p><p>essa atividade e serve de parâmetro para decisões judiciais, como na resolução</p><p>de questões trabalhistas. Nesse decreto, você encontra várias funções</p><p>entendidas como de jornalistas:</p><p>I - Redator: além das incumbências de redação comum, tem o encargo</p><p>de redigir editoriais, crônicas ou comentários;</p><p>II - Noticiarista: tem o encargo de redigir matérias de caráter</p><p>informativo, desprovidas de apreciações ou comentários, preparando-</p><p>as ou redigindo-as para divulgação;</p><p>III - Repórter: cumpre a determinação de colher notícias ou</p><p>informações, preparando ou redigindo matéria para divulgação;</p><p>IV - Repórter de Setor: tem o encargo de colher notícias ou</p><p>informações sobre assuntos predeterminados, preparando-as ou</p><p>redigindo-as para divulgação;</p><p>V - Radiorrepórter: a quem cabe a difusão oral de acontecimentos ou</p><p>entrevista pelo rádio ou pela televisão, no instante ou no local em que</p><p>ocorram, assim como o comentário ou crônica, pelos mesmos veículos;</p><p>VI - Arquivista-pesquisador: tem a incumbência de organizar e</p><p>conservar cultural e tecnicamente o arquivo redatorial, procedendo à</p><p>pesquisa dos respectivos dados para a elaboração de notícias;</p><p>VII - Revisor: tem o encargo de rever as provas tipográficas de matéria</p><p>jornalística;</p><p>VIII - Ilustrador: tem a seu cargo criar ou executar desenhos artísticos</p><p>ou técnicos de caráter jornalístico;</p><p>IX - Repórter fotográfico: a quem cabe registrar fotograficamente</p><p>quaisquer fatos ou assuntos de interesse jornalístico;</p><p>X - Repórter cinematográfico: a quem cabe registrar</p><p>cinematograficamente quaisquer fatos ou assuntos de interesse</p><p>jornalístico;</p><p>XI - Diagramador: a quem compete planejar e executar a distribuição</p><p>gráfica de matérias, fotografias ou ilustrações de caráter jornalístico,</p><p>para fins de publicação (Brasil, 1979, grifos nossos).</p><p>Essas funções são mais direcionadas a atividades exercidas em redação.</p><p>Mas também há diretrizes para funções em assessoria. O Manual de assessoria</p><p>de comunicação imprensa – 2007 da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj,</p><p>2007b) define quais funções devem ser atribuídas a um jornalista em assessoria</p><p>e de que maneira ele deve atuar:</p><p>4</p><p>Um assessor eficiente facilita a relação entre o seu cliente – empresa,</p><p>pessoa física, entidades e instituições – e os veículos de comunicação.</p><p>Cabe a esse profissional orientar seu assessorado sobre o que pode</p><p>ser notícia, o que interessa aos veículos e à sociedade, o que não</p><p>interessa e o que deve, ou não, ser divulgado (Fenaj, 2007b, p. 9).</p><p>Segundo esse manual, são funções de um assessor de imprensa:</p><p> elaboração de press-releases, sugestões de pauta e press-kits,</p><p> relacionamento formal e informal com os pauteiros, repórteres e</p><p>editores da mídia;</p><p> acompanhamento de entrevistas de suas fontes;</p><p> organização de coletivas (entrevista que reúne jornalistas com</p><p>um entrevistado);</p><p> edição de jornais, revistas, sites de notícia e material jornalístico</p><p>para vídeos;</p><p> preparação de textos de apoio, sinopses, súmulas e artigos;</p><p> organização do mailling de jornalistas;</p><p> clipping de notícias (impressos, internet e eletrônicos);</p><p> arquivo do material jornalístico;</p><p> participação na definição de estratégias de comunicação (Fenaj,</p><p>2007b, p. 10-11).</p><p>Mas, em cada estado, também se determinam condições específicas por</p><p>meio de convenções coletivas de trabalho, assinadas entre sindicatos de</p><p>jornalistas e de empresas. É nas convenções, por exemplo, que estão definidas</p><p>questões como o valor do piso salarial da categoria, negociado anualmente.</p><p>Está decretado</p><p>Veja a íntegra do decreto que regulamenta a atividade jornalística (Brasil, 1979).</p><p>No Brasil, se estima que haja cerca de 150 mil profissionais de jornalismo.</p><p>Alguns dados chamam atenção na pesquisa Perfil do jornalista brasileiro</p><p>(Bergamo; Mick; Lima, 2013), realizada em 2012 pela Fenaj, em conjunto com a</p><p>UFSC, com profissionais de todo o país:</p><p> Idade: trata-se de uma categoria bastante jovem, já que 48% dos</p><p>profissionais têm entre 23 e 30 anos.</p><p> Gênero: há uma predominância de mulheres, que são cerca de 64%.</p><p> Formação: 9 entre 10 eram diplomados em jornalismo, a maioria em</p><p>instituições de ensino privadas, e 4 entre 10 tinham pós-graduação.</p><p> Salário: dois terços tinham renda de até cinco salários-mínimos e quase</p><p>metade trabalhava mais de oito horas por dia (muitos em mais de um</p><p>emprego).</p><p> Colocação: 1 de cada 10 jornalistas era professor, 4 trabalhavam fora da</p><p>mídia e 5 trabalhavam em mídia, como mostra o Gráfico 1.</p><p>5</p><p>Gráfico 1 – Perfil da atuação dos jornalistas brasileiros, de acordo com a</p><p>pesquisa</p><p>Fonte: Bergamo; Mick; Lima, 2013, p. 29.</p><p>Dos que trabalham em mídia, há a seguinte divisão por área de trabalho:</p><p> Meios impressos: 63,9;</p><p> Internet: 44,6%</p><p> TV, Rádio ou Cinema: 33,6%;</p><p> Outras mídias: 20,5%. (Bergamo; Mick; Lima, 2013, p. 36)</p><p>Os jornalistas estavam empregados sobretudo no setor privado, metade</p><p>em micro e pequenas empresas, um quarto nas grandes e o restante em meios</p><p>de porte médio. Os que atuavam fora da mídia estavam distribuídos conforme o</p><p>Gráfico 2.</p><p>Gráfico 2 – Distribuição dos jornalistas brasileiros que atuam fora da mídia, de</p><p>acordo com a pesquisa</p><p>Fonte: Bergamo; Mick; Lima, 2013, p. 50.</p><p>6</p><p>Quem somos?</p><p>Veja na íntegra a pesquisa Perfil do jornalista brasileiro (Bergamo; Mick; Lima,</p><p>2013).</p><p>TEMA 2 – RESPONSABILIDADES E RISCOS DA PROFISSÃO</p><p>Você já parou para pensar nos problemas éticos que a fome da imprensa</p><p>por informações pode causar? Veja um exemplo: em 2009, o cineasta franco-</p><p>polonês Roman Polanski, de 76 anos, foi preso nos Estados Unidos acusado de</p><p>abusar de uma garota de 13 anos em 1977. Primeiro, ele negou, mas depois</p><p>acabou se declarando culpado não de estupro e sim de ter corrompido a menina.</p><p>Foragido, acabou preso mais de 30 anos depois do acontecido. A</p><p>imprensa deu grande repercussão ao caso. Além de Polanski, a vítima também</p><p>teve sua vida superexposta e muito associada ao crime cometido pelo cineasta.</p><p>Ou seja, a imprensa</p><p>não considerou o impacto da divulgação dos</p><p>acontecimentos na vida dos envolvidos, em prol da audiência.</p><p>Tá na rede</p><p>Leia um texto sobre o caso de Polanski (Dowbor, 2013).</p><p>Os desafios diários enfrentados pelos jornalistas têm relação direta com</p><p>a qualidade do seu trabalho. Se algumas questões não forem respeitadas, o</p><p>jornalista se expõe a condições precárias de trabalho e os erros acontecem. O</p><p>jornalista que age de maneira irresponsável, colocando a vida de pessoas em</p><p>perigo ou noticiando informações falsas, por exemplo, está sujeito a punições</p><p>como o ressarcimento de valores por danos morais e até prisão, como previsto</p><p>no Código Civil (Brasil, 2002).</p><p>Também existem regras para questões éticas na profissão. Há vários</p><p>códigos ou normas de conduta, entre eles o Código de Ética dos Jornalistas</p><p>Brasileiros (Fenaj, 2007a).</p><p>O código estabelece regras a serem seguidas por quem atua no</p><p>jornalismo. O seu maior problema é que ainda não há grandes punições para</p><p>quem age contra o código, e esse é um dos principais motivos para a existência</p><p>do sentimento de impunidade e a repetição de atos ilícitos no meio jornalístico.</p><p>Quando um jornalista age de maneira antiética, não é apenas o nome dele que</p><p>está sendo jogado na lama, mas toda a profissão. Mas, não existe um conselho</p><p>7</p><p>profissional que garanta recursos legais para punir quem exerce a profissão de</p><p>maneira a ferir a ética e manchar o nome dos demais jornalistas.</p><p>Uma das bandeiras dos jornalistas que prezam pela ética é a criação de</p><p>mecanismos para punir os antiéticos da mesma maneira como ocorre em outras</p><p>profissões, como médicos, advogados, engenheiros. Nestas, quem age de forma</p><p>antiética fica sujeito inclusive à cassação do direito de exercer a profissão. A</p><p>diferença é que para elas existem conselhos profissionais que regulam suas</p><p>atuações, ao passo que no jornalismo isso ainda é um projeto.</p><p>A discussão sobre a necessidade de criação de um órgão de fiscalização</p><p>profissional do jornalismo que substituísse as Delegacias e Superintendências</p><p>Regionais do Trabalho é antiga. Vários projetos já foram enviados ao Congresso,</p><p>o primeiro em 1965. A criação do Conselho Federal dos Jornalistas entrou nas</p><p>discussões dos Congressos Nacionais de jornalistas em 1990 (Florianópolis),</p><p>1991 (Brasília), 1996 (Porto Alegre) e 1997 (Extraordinário, em Vila Velha).</p><p>Um conselho</p><p>Veja no site da Fenaj ([S.d.]) o que é e como funcionaria o Conselho dos</p><p>Jornalistas.</p><p>A valorização da profissão de jornalista passa por duas questões centrais:</p><p> garantia do direito à liberdade jornalística;</p><p> qualificação do trabalho, isto é, realização de um trabalho de qualidade</p><p>que contribua para a vida do cidadão.</p><p>Agora, veja os principais problemas enfrentados pelos jornalistas:</p><p> Censura: é toda tentativa de se evitar a divulgação de determinado</p><p>conteúdo de interesse público. São os casos de jornalistas que sofrem</p><p>ameaças, ofensas ou agressões, além das empresas ou dos políticos que</p><p>exigem que o jornalista não divulgue determinado conteúdo para não</p><p>afetar seus interesses particulares.</p><p> Pressão por metas: uma maneira de um veículo fidelizar o público é</p><p>publicar as notícias antes do que a concorrência. Com a internet, o tempo</p><p>ganhou ainda mais importância. Ocorre que o jornalista passa também a</p><p>ter menos tempo para investigar fatos e analisar informações. O resultado</p><p>8</p><p>é que muitas notícias acabam publicadas com informações incompletas</p><p>ou que não foram verificadas. É aí que mora o perigo.</p><p> Flexibilização da jornada de 5 horas diárias: a jornada de 5 horas diárias</p><p>para jornalistas está prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)</p><p>(Brasil, 1943). Mas, tem aumentado a pressão para que trabalhem muito</p><p>além disso. Essa flexibilização ocorre por meio de banco de horas ou</p><p>acordos de extensão de jornada e afeta sobretudo os jornalistas que</p><p>atuam em assessorias. O principal problema disso está em como tal</p><p>prática afeta a saúde dos profissionais.</p><p> Jornalismo multitarefa: as tecnologias da informação revolucionaram o</p><p>mercado da comunicação e o jornalismo de modo geral. Quanto às</p><p>condições de trabalho, há concentração de tarefas e uma velocidade cada</p><p>vez maior de produção. Hoje, o jornalista deve realizar várias tarefas, às</p><p>vezes simultâneas, fechando várias pautas diárias. Em alguns casos,</p><p>deve fazer a matéria, a foto, editar ambos, publicar ou diagramar, entre</p><p>outras atividades que antes eram de outros profissionais.</p><p>Leitura obrigatória</p><p>BONA, N. Jornalismo na sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2017. p. 238-243.</p><p>TEMA 3 – O CONSUMO DA INFORMAÇÃO</p><p>No livro O capital da notícia, o pesquisador Ciro Marcondes Filho diz que:</p><p>Notícia é a informação transformada em mercadoria em todos os seus</p><p>apelos estéticos, emocionais e sensacionais; para isso a informação</p><p>sofre um tratamento que a adapta às normas mercadológicas de</p><p>generalização, padronização, simplificação e negação do subjetivismo.</p><p>Além do mais, ela é um meio de manipulação ideológica de grupos de</p><p>poder social e uma forma de poder político (Marcondes Filho, 1986, p.</p><p>13).</p><p>A visão de Marcondes Filho (1986) é extremamente crítica ao jornalismo</p><p>comercial, uma vez que entende que ele está definitivamente a serviço de</p><p>interesses particulares. O debate está fundamentado na dicotomia do jornalismo</p><p>como atividade de interesse público ou atividade de interesse privado. Nessa</p><p>perspectiva, devemos levar em conta alguns pressupostos do jornalismo</p><p>comercial que ajudam a caracterizá-lo:</p><p> Primeiro: o jornalismo surge para atender a uma demanda empresarial</p><p>por informações para empresários decidirem onde investir seu dinheiro.</p><p>9</p><p> Segundo: a notícia, a reportagem ou qualquer outro conteúdo jornalístico</p><p>é um produto resultante de uma produção de cunho industrial, voltado</p><p>para a venda. Assim, o jornalismo é sustentado pela relação de compra e</p><p>venda de notícias, na qual prevalece o objetivo-fim do lucro. Então, é</p><p>pautado pelos assuntos que mais chamam atenção ou que vendem mais.</p><p> Terceiro: o jornalismo se tornou uma indústria própria organizada para</p><p>vender serviços para grupos de pessoas. Entre esses serviços, estão as</p><p>notícias e a possibilidade de divulgação de outros serviços ou produtos</p><p>de anunciantes para o público consumidor de informação. Esse serviço é</p><p>de caráter privado, mas tem um sentido público, uma vez que a notícia</p><p>cumpre um papel social. Assim, apesar de serem de propriedade privada,</p><p>as empresas jornalísticas aparentam ser atividades públicas.</p><p> Quarto: a imprensa detém um monopólio da divulgação de informações</p><p>que lhe garante um significativo controle da opinião pública sobre os mais</p><p>diversos assuntos. Ninguém consegue estar em tantos lugares ao mesmo</p><p>tempo para dar conta de uma cobertura cotidiana dos acontecimentos.</p><p> Quinto: há uma tendência do negócio do jornalismo de concentrar meios</p><p>de comunicação em grandes empresas que controlam diferentes canais.</p><p>O resultado é o crescimento do poder de influência desses meios.</p><p>Esses pressupostos contribuem para se compreender o funcionamento</p><p>da imprensa, de modo geral. O vértice da questão é que o conteúdo jornalístico</p><p>é um produto e, como tal, passa por um processo de produção num sistema</p><p>econômico cujo principal objetivo é a venda ou o consumo de informações.</p><p>Nessa perspectiva, o jornalismo está sujeito a determinados objetivos que</p><p>colocam em xeque seu fundamento ideológico de ser uma atividade de interesse</p><p>público. A questão é se é possível conciliar os interesses público e privado.</p><p>Cuidado: não confunda interesse público com interesse do público. O</p><p>público a que nos referimos é o conjunto da sociedade sujeita ao consumo de</p><p>informações.</p><p>Quadro 1 – Interesse público versus interesse do público</p><p>Interesse público Interesse do público</p><p>É aquilo que propõe o bem comum e</p><p>contribui para uma sociedade melhor.</p><p>É aquilo que dá audiência, ou seja, o fato</p><p>de as pessoas</p><p>se interessarem por</p><p>determinados assuntos.</p><p>Fonte: Marcondes Filho, 1986.</p><p>10</p><p>Uma parte dos estudiosos acredita que o jornalismo, como empresa, está</p><p>submetido exclusivamente aos interesses particulares e que isso transparece de</p><p>várias maneiras no que é publicado. Seja na seleção dos fatos, na escolha das</p><p>fontes, na maneira como se narra um acontecimento ou nas palavras e nos</p><p>recursos utilizados. Por exemplo, há uma associação do jornalismo popular,</p><p>voltado para classes sociais mais baixas, com o sensacionalismo.</p><p>O sensacionalismo é a transformação de um determinado acontecimento</p><p>em algo sensacional, que cria uma sensação entre as pessoas. Muitas vezes, o</p><p>fato nem é tão relevante, mas ganha atenção da mídia por algum aspecto que</p><p>faz com que o público se interesse por ele. Portanto, está ligado ao princípio da</p><p>audiência. Programas como Cidade alerta (Record) e Brasil urgente (Band) se</p><p>enquadram nesse padrão. Em geral, falam de crimes e problemas nas cidades</p><p>e são marcados pela exacerbação de certos aspectos negativos da experiência</p><p>humana, com comentários marcantes em nome de uma suposta justiça social.</p><p>Para outros estudiosos, o jornalismo sensacionalista exerce outro papel</p><p>além do exercício do interesse privado. No livro Dos meios às mediações, Jesus</p><p>Martin-Barbero (2009) diz que o jornalismo popular é nada menos do que a</p><p>expressão da cultura popular. Os meios precisam exibir determinados conteúdos</p><p>porque as pessoas se identificam com isso. Se as emissoras resolvessem</p><p>transmitir um conteúdo mais elitista, a audiência cairia e as empresas teriam</p><p>prejuízos.</p><p>O jornalismo precisa exibir as mazelas sociais e qualquer outro aspecto</p><p>da realidade, de modo a expressar determinadas contradições da sociedade.</p><p>Desse ponto de vista, o jornalismo também acaba cumprindo o interesse público.</p><p>Você já ouviu falar do termo imprensa marrom? Ele está associado à ideia</p><p>de sensacionalismo, que, como vimos, remete a algo popular. Surgiu de uma</p><p>história em quadrinhos chamada O garoto amarelo (The yellow kid), nos Estados</p><p>Unidos, que foi pivô de uma disputa entre dois jornais que queriam publicá-la.</p><p>Lá, foi chamado de jornalismo amarelo.</p><p>Muitos veem o termo como ofensa, já que virou sinônimo de jornalismo</p><p>malfeito. Na verdade, é uma alusão ao jornalismo baseado em narrativas mais</p><p>simplificadas e que tem como público-alvo as classes mais baixas.</p><p>11</p><p>3.1 A influência da internet</p><p>Ao considerarmos que a internet possibilita que várias pessoas tenham</p><p>acesso a diferentes fontes de informação, produzindo e reeditando conteúdos,</p><p>temos um fluxo de informação não apenas dos meios para as massas, mas de</p><p>grupos sociais para a sociedade, incluindo os meios de comunicação. Assim, o</p><p>jornalismo acaba pressionado a reproduzir conteúdos de interesse geral em</p><p>canais paralelos aos meios tradicionais, como blogs e redes sociais.</p><p>Assim, observamos um processo de mudança de paradigma, já que o</p><p>jornalismo, mesmo o comercial, precisa dar voz para certas demandas sociais,</p><p>sob o risco de perder credibilidade. Ou seja, a internet contribui também para</p><p>tornar os interesses menos concentrados em quem detém a propriedade dos</p><p>meios de comunicação, de modo a promover diferentes interesses particulares</p><p>que movem os grupos sociais.</p><p>Quadro 2 – Paradigmas da comunicação</p><p>Antes Agora</p><p>Era dos meios tradicionais Era dos meios digitais</p><p>Interesse privado x interesse público Disputa entre grupos; diferentes</p><p>interesses privados; diferentes</p><p>interesses públicos</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>TEMA 4 – JORNALISMO PARA AS MASSAS</p><p>O conceito de massa se liga a uma percepção crítica sobre os meios de</p><p>comunicação, em relação ao público. Quando dizemos que determinado veículo</p><p>se comunica com a massa, estamos dizendo que ele tem um conteúdo que visa</p><p>estabelecer gostos e um padrão de consumo entre as pessoas.</p><p>Quando os gostos são uniformizados, se estabelece uma</p><p>homogeneidade, como se as pessoas fossem todas uma coisa só. É como a</p><p>massa de um bolo, em que os ingredientes são misturados, transformando-se</p><p>em algo único. Para atingir o público médio, os meios de comunicação precisam</p><p>ter claro quem é o cidadão comum ou o chamado tipo médio, que representa a</p><p>maioria. Com base nisso são estabelecidos critérios e padrões de produção.</p><p>12</p><p>No livro Jornalismo na sociedade, Nívea Bona (2017, p. 252) resgata o</p><p>episódio em que professores de jornalismo da Universidade de São Paulo (USP)</p><p>acompanharam uma reunião de pauta do Jornal Nacional, na qual o editor-chefe,</p><p>William Bonner, descartou algumas notícias por acreditar que o cidadão médio</p><p>brasileiro não iria entendê-la, comparando a massa de audiência a Homer</p><p>Simpson, do desenho animado Os Simpsons. Bonner argumentou que precisava</p><p>selecionar e tratar os assuntos de forma a que toda a audiência compreendesse</p><p>o que lhe seria transmitido.</p><p>Os grandes meios de comunicação tendem a tratar o público como</p><p>consumidores em potencial para garantir a lucratividade do negócio. Mas a</p><p>homogeneização dos conteúdos ocorre por dois motivos básicos:</p><p> Redução de custos de produção: ao estabelecer um modelo único de</p><p>produção e de divulgação, os meios de comunicação conseguem criar</p><p>uma rotina produtiva que lhes permite acelerar a produção e aumentá-la</p><p>em quantidade.</p><p> Busca do consenso: os meios buscam definir os gostos da grande</p><p>maioria do público, de modo a, posteriormente, vender o conteúdo para</p><p>uma grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo.</p><p>Os dois itens têm relação direta com as questões financeiras.</p><p>Resumindo: o termo meios de comunicação de massa ou mídia se refere a</p><p>veículos que estabelecem um processo comunicativo de longo alcance e para</p><p>muitas pessoas ao mesmo tempo. Nesses meios, o jornalismo se enquadra nos</p><p>princípios da comunicação massiva. Vejas quais questões são consideradas,</p><p>nesse sentido:</p><p> Seleção de fatos: são selecionados os assuntos com potencial para</p><p>gerar mais audiência. São os “valores-notícia”, como descrito por Nelson</p><p>Traquina (2013). Os acontecimentos devem interessar a uma maioria, o</p><p>que, na maior parte das vezes, não passa de uma intuição dos jornalistas,</p><p>que acreditam que determinados acontecimentos são mais atrativos do</p><p>que outros. É o caso de Bonner, citado anteriormente.</p><p> Sotaque da equipe: nos veículos de rádio ou tevê, é comum que se</p><p>evitem os regionalismos no sotaque da equipe de reportagem. Assim, os</p><p>jornalistas tendem a falar um sotaque que não existe. Isso é mais comum</p><p>na tevê do que no rádio. O globês, por exemplo, é uma mistura de sotaque</p><p>13</p><p>paulista com carioca que visa agradar a todos os brasileiros. Mas, no</p><p>Brasil, existem centenas de sotaques e eles acabam sendo suprimidos,</p><p>tendo em vista a necessidade de se criar um jeito de falar que seja</p><p>compreensível a todos.</p><p> Adequação narrativa: o conteúdo jornalístico deve ser facilmente</p><p>compreendido, para evitar o desinteresse das pessoas. Aqui voltamos ao</p><p>jornal feito para o Homer Simpson. O jornal precisa ser compreendido por</p><p>todos. Esse é um desafio e tanto para os jornalistas. Não é fácil reduzir</p><p>um acontecimento a alguns poucos minutos de transmissão ou a poucos</p><p>caracteres de texto. Mas, o conteúdo deve ser curto ou sintético para que</p><p>o cidadão, geralmente não acostumado à leitura, sinta-se motivado a</p><p>acompanhar a informação.</p><p>Para que seja alcançada a adequação narrativa, são usados alguns</p><p>recursos:</p><p> Recursos audiovisuais: para acompanhar os conteúdos de texto ou de</p><p>áudio, os veículos utilizam recursos agradáveis, que ajudam não apenas</p><p>a complementar a informação, mas também a valorizar o produto e torná-</p><p>lo atrativo. É muito mais fácil entender algo quando existem desenhos,</p><p>gráficos e imagens do que apenas com a narração.</p><p> Uso de padrões gráficos ou de áudio: tudo que diz respeito a cores,</p><p>formas, tipografia (formato de letras), disposição de conteúdo, entre</p><p>outros aspectos, é elaborado</p><p>com base no uso de certos padrões que dão</p><p>identidade ao veículo e facilitam a compreensão do cidadão.</p><p>Sobre o último item, por exemplo, quem assiste ao telejornal de alguma</p><p>emissora sabe que:</p><p> ele começa e termina em um determinado horário;</p><p> há uma abertura (escalada), na qual são apresentadas as reportagens a</p><p>serem exibidas;</p><p> há uma ordem para a exibição de cada reportagem, normalmente</p><p>apresentada pelo chamado jornalista da bancada;</p><p> geralmente, começa-se com os temas mais “pesados”, como crimes, para</p><p>finalizar com os mais “leves”, como esporte ou bons exemplos;</p><p>14</p><p> quando alguém muda de canal, logo identifica em qual emissora está</p><p>sintonizado. Isso acontece porque há pequenas diferenças na qualidade</p><p>da imagem e devido a um padrão visual que facilita essa compreensão.</p><p>No caso do rádio, é comum o uso de vinhetas, aquelas musiquinhas</p><p>utilizadas na abertura de um programa, efeitos sonoros ou trilhas, também</p><p>chamadas de background ou simplesmente BG.</p><p>Para se fazer jornalismo de massa, não é preciso se fazer o melhor</p><p>telejornal, mas um telejornal que agrade ao cidadão médio e seja compreensível</p><p>para ele. É por isso que alguns programas jornalísticos abusam do</p><p>sensacionalismo, pois têm como foco um tipo de pessoa que compreende e</p><p>gosta do conteúdo. Não se trata de amadorismo ou falta de inteligência da</p><p>equipe. O programa é feito daquela maneira porque vende. Se não fosse assim,</p><p>não estaria no ar.</p><p>Isso leva alguns pesquisadores a considerarem que o jornalismo de cada</p><p>país é um retrato do nível intelectual e cultural de cada sociedade. Na</p><p>Dinamarca, vamos encontrar um jornalismo mais sofisticado do que o nosso.</p><p>Isso porque o jornalismo feito para as massas de lá segue uma demanda por</p><p>informações e por uma maneira de fazer jornalismo que está adequada ao</p><p>público médio de lá.</p><p>Quanto aos programas sensacionalistas, é óbvio que, em geral, eles são</p><p>péssimos exemplos de jornalismo e sua credibilidade é bastante questionável.</p><p>Mas, certamente, há uma parcela da população que assiste e compra as ideias</p><p>do apresentador daquele tipo de programa, que parece mais um palhaço de circo</p><p>do que um jornalista.</p><p>TEMA 5 – JORNALISMO PARA SEGMENTOS</p><p>A Netflix, empresa que se tornou um fenômeno ao oferecer filmes e séries</p><p>pela internet, tem como segredo do sucesso a aposta na diversificação dos seus</p><p>conteúdos, a fim de atender a vários segmentos por meio do serviço on demand</p><p>(sob demanda). Com uma receita fantástica, a empresa agora pretende investir</p><p>no jornalismo, produzindo documentários não fictícios.</p><p>Ou seja, ela compreendeu o novo momento por que passa a busca pela</p><p>informação e tende a lucrar muito com isso. Seu sucesso pode ser uma pista</p><p>15</p><p>para o novo jornalismo que está surgindo, que atende a públicos cada vez mais</p><p>exigentes.</p><p>Não fique de fora</p><p>Para mais informações sobre o jornalismo na era digital, acesse o link da matéria</p><p>de Monteiro (2015).</p><p>Se no jornalismo para as massas a ideia é de que exista um conteúdo-</p><p>padrão para um público distinto, no jornalismo para segmentos, ou</p><p>segmentado, a ideia é de que haja um conteúdo específico para cada tipo de</p><p>público. Ou seja, o jornalismo é feito sob demanda, para agradar a públicos</p><p>específicos.</p><p>Por segmento, entende-se um grupo de pessoas, com interesses comuns,</p><p>que formam um público potencial para determinado conteúdo. Por exemplo, o</p><p>jornal de bairro é segmentado porque não busca estabelecer a comunicação com</p><p>diferentes pessoas, mas com pessoas de uma localidade específica.</p><p>O jornalismo para segmentos, que engloba o jornalismo comunitário,</p><p>ganhou espaço inicialmente naquele tipo de veículo, mas com a internet abriram-</p><p>se várias possibilidades que permitem a ampliação e a diversificação de</p><p>iniciativas como essa, a ponto de alguns acharem que esse é o futuro da</p><p>comunicação.</p><p>Autor do livro A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de</p><p>nicho, o economista Chris Anderson (2006) fala sobre a redução da cultura de</p><p>massa e o avanço de um novo mercado que está se transformando em força</p><p>cultural e econômica baseada no atendimento de demandas de grupos</p><p>específicos. É o que ele chama de mercado de nicho, que é amplificado pela</p><p>conexão mundial via internet. Além disso, nele é possível se atingir um alto índice</p><p>de audiência, porque o público tem condições de filtrar melhor seus interesses</p><p>na internet e encontrar o que deseja.</p><p>Nesse sentido, o jornalismo para segmentos deve considerar alguns</p><p>aspectos que são fundamentais para garantir o seu sucesso:</p><p> Identificação de grupos de interesse: o primeiro passo é saber quais</p><p>temas interessam a um determinado grupo de pessoas e verificar se há</p><p>identificação delas como um segmento. Com a internet, isso ficou mais</p><p>fácil, pois as redes sociais e os blogs permitem a constituição de grupos</p><p>de interesse para troca de informações. O ideal é que o jornalista que</p><p>16</p><p>pretenda trabalhar com segmentos tenha afinidade com os temas, porque</p><p>no jornalismo segmentado há uma exigência maior do público para com</p><p>o tratamento das questões específicas que lhe interessam. Ou seja,</p><p>trabalhar com segmentos que não são do conhecimento do jornalista é</p><p>sempre um risco maior.</p><p> Conhecimento do público: é importante saber quem são as pessoas,</p><p>quais canais de comunicação e linguagem elas utilizam, quais espaços</p><p>frequentam, entre outros hábitos que contribuem para entender como</p><p>funciona a dinâmica das relações de um determinado segmento. Dados</p><p>estatísticos ajudam muito no trabalho, já que se trata de um conteúdo</p><p>direcionado para um grupo específico e não para o cidadão médio.</p><p> Personalização do conteúdo: um aspecto importante apontado como</p><p>tendência no jornalismo em geral e que tem um peso ainda maior no</p><p>jornalismo segmentado é a personalização do conteúdo. Diante de uma</p><p>concorrência maior, com diversos outros conteúdos, e da exigência maior</p><p>do público por informações mais direcionadas para os seus interesses, o</p><p>jornalista precisa buscar atender às demandas de cada indivíduo,</p><p>elaborando um conteúdo que possa ser direcionado para ele. Para isso,</p><p>é preciso pensar como um integrante dos grupos e imaginar o que essa</p><p>pessoa gostaria de saber. Depois, deve-se apurar os fatos e preparar-se</p><p>o conteúdo de modo que esse indivíduo possa consumir aquilo da</p><p>maneira como preferir. É preciso dar opções para o indivíduo, permitindo</p><p>que ele se aprofunde no conteúdo, se desejar, ou oferecendo-lhe</p><p>informações adicionais que façam com que ele permaneça o máximo de</p><p>tempo possível conectado ao conteúdo do veículo. Enfim, a</p><p>personalização é a produção pensada para atender a interesses</p><p>individuais.</p><p> Interatividade: por fim, é fundamental que estejam estabelecidos</p><p>canais de contato e de interatividade com as pessoas que participam do</p><p>grupo, porque é justamente o que permite ao jornalista medir a qualidade do</p><p>seu trabalho e os resultados que estão sendo obtidos. Nesse sentido, o</p><p>jornalista deve possibilitar a participação do público de alguma maneira, de</p><p>modo que um indivíduo que consumiu seu conteúdo possa retribuir o serviço</p><p>dando dicas ou sugestões de novos fatos ou informações que podem ser</p><p>úteis para a produção de uma outra reportagem. O princípio é simples: se</p><p>17</p><p>aquele assunto interessa a um dos indivíduos do grupo, possivelmente deve</p><p>interessar aos demais membros do mesmo grupo.</p><p>O crescimento do mercado de nicho obrigou as grandes empresas a rever</p><p>suas estratégias. Hoje, é comum que as corporações ou os grandes jornais</p><p>apostem em conteúdos voltados para grupos sociais ou comunidades. A</p><p>incorporação de blogs nos sites de notícia, por exemplo, é uma evidência muito</p><p>forte dessa tendência, no mercado jornalístico.</p><p>É comum também encontrarmos em um site de notícias blogs sobre</p><p>moda, música, política, entre tantos outros temas, os quais têm uma inserção</p><p>junto a grupos específicos. Esses conteúdos são compartilhados</p><p>pelos membros</p><p>da comunidade e também alimentam o próprio blog, garantindo um acréscimo</p><p>significativo de audiência nos sites.</p><p>Por exemplo, a Folha de S. Paulo aposta na produção de jornalismo para</p><p>crianças. A Folhinha existe em versão impressa e pode ser acessada também</p><p>pela internet. O seu texto é escrito de maneira acessível e seus temas</p><p>predominantes são entretenimento e cultura, mas política e economia também</p><p>estão presentes.</p><p>Sem confusão</p><p>Acesse na biblioteca virtual o livro Jornalismo na sociedade, de Nívea Bona</p><p>(2017), e veja, na página 256 do livro, a diferença entre jornalismo segmentado</p><p>e especializado.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>O mercado para o jornalismo é bastante fluido. Ou seja, é muito sensível</p><p>às transformações da sociedade. Temos aí um aspecto positivo e outro negativo</p><p>(Quadro 3).</p><p>Quadro 3 – Aspectos positivo e negativo da fluidez do mercado jornalístico</p><p>Positivo Negativo</p><p>Sempre haverá espaço para novas ideias</p><p>e isso ajuda a se repensar a profissão</p><p>constantemente.</p><p>Isso obriga os jornalistas a manterem</p><p>uma busca frenética pelo</p><p>acompanhamento das mudanças sociais.</p><p>Fonte: elaborado pelos autores.</p><p>18</p><p>O que você pensa sobre isso? Entre no fórum, dê sua opinião e veja o</p><p>que seus colegas têm a dizer! É o momento de compartilhar informações e</p><p>opiniões.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Que tal uma atividade prática? Acesse reportagem da Folhinha assinada</p><p>por Bercito (2015).</p><p>Em seguida, faça uma análise da página, procurando identificar aspectos</p><p>dos canais de contato utilizados, como as ferramentas de interatividade, as</p><p>opções para personalização da navegação, entre outros que reforcem que se</p><p>trate de um jornalismo voltado para determinado segmento.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Salvo raras exceções, o jornalismo é um negócio e, como tal, precisa</p><p>vender serviços. Além da notícia, precisa vender audiência a outras empresas,</p><p>as quais querem atingir um público que pode comprar outros produtos e serviços.</p><p>Boa parte dos problemas do jornalismo se deve a essa condição básica, que</p><p>interfere numa atividade cujo princípio é o interesse público. O jornalista precisa</p><p>achar as brechas para poder fazer um bom jornalismo, que lhe garanta</p><p>credibilidade e valorize sua carreira e sua própria profissão.</p><p>19</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de</p><p>nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.</p><p>BERCITO, D. Crianças são obrigadas a fugir de seus países; entenda a crise</p><p>dos refugiados. Folhinha, 19 set. 2015. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 21 dez.</p><p>2018.</p><p>BERGAMO, A.; MICK, J.; LIMA, S. Perfil do jornalista brasileiro:</p><p>características demográficas, políticas e do trabalho (2012). Síntese dos</p><p>principais resultados. Florianópolis: Ufsc; Brasília: Fenaj, 2013. Disponível em:</p><p>BONA, N. Jornalismo na sociedade. Curitiba: InterSaberes, 2017.</p><p>. Acesso em: 21 dez. 2016.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Diário Oficial, Rio de</p><p>Janeiro, p. 11.937, 9 ago. 1943. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 21</p><p>dez. 2018.</p><p>BRASIL. Decreto n. 83.284, de 13 de março de 1979. Diário Oficial da União,</p><p>Brasília, p. 3.594, 13 mar. 1979. Disponível em:</p><p>. Acesso em:</p><p>21 dez. 2018.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da</p><p>União, Brasília, p. 1, 11 jan. 2002. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 21 dez.</p><p>2018.</p><p>DOWBOR, L. Polanski e a menina: uma dura denúncia da mídia e da máquina</p><p>do judiciário. Carta Maior, 27 out. 2013. Disponível em:</p><p>. Acesso</p><p>em: 21 dez. 2018.</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/09/1683351-criancas-fogem-de-seus-paises-entenda-quem-sao-os-refugiados.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/09/1683351-criancas-fogem-de-seus-paises-entenda-quem-sao-os-refugiados.shtml</p><p>http://www.fenaj.org.br/relinstitu/pesquisa_perfil_jornalista_brasileiro.pdf</p><p>http://www.fenaj.org.br/relinstitu/pesquisa_perfil_jornalista_brasileiro.pdf</p><p>20</p><p>FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas. Código de Ética dos Jornalistas</p><p>Brasileiros. Vitória, 4 ago. 2007a. Disponível em: .</p><p>Acesso em: 21 dez. 2018.</p><p>_____. Manual de assessoria de comunicação imprensa – 2007. 4. ed. rev. e</p><p>ampl. Brasília: Fenaj, 2007b. Disponível em: . Acesso</p><p>em: 21 dez. 2018.</p><p>_____. Proposta de substitutivo ao projeto de lei que cria o CFJ. Brasília,</p><p>[S.d.]. Disponível em: . Acesso em: 21 dez. 2018.</p><p>MARCONDES FILHO, C. O capital da notícia. São Paulo: Ática, 1986.</p><p>MARTIN-BARBERO, J. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e</p><p>hegemonia. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2009.</p><p>MONTEIRO, E. O jornalismo não entende o digital. Observatório da Imprensa,</p><p>n. 840, 3 mar. 2015. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 21 dez.</p><p>2018.</p><p>PENA, F. Teoria do jornalismo. São Paulo: Contexto, 2013.</p><p>RAMONET, I. A explosão do jornalismo: das mídias de massa à massa de</p><p>mídias. São Paulo: Publisher Brasil, 2012.</p><p>TRAQUINA, N. Teorias do jornalismo: a tribo jornalística – uma comunidade</p><p>interpretativa transnacional. Florianópolis: Insular, 2013.</p><p>http://www.fenaj.org.br/mobicom/manual_de_assessoria_de_imprensa4.pdf</p><p>http://www.fenaj.org.br/mobicom/manual_de_assessoria_de_imprensa4.pdf</p><p>http://www.fenaj.org.br/mobicom/manual_de_assessoria_de_imprensa4.pdf</p><p>http://www.fenaj.org.br/mobicom/manual_de_assessoria_de_imprensa4.pdf</p><p>http://www.fenaj.org.br/mobicom/manual_de_assessoria_de_imprensa4.pdf</p>

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