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<p>PREVENÇÃO QUATERNÁRIA</p><p>2.1 EXPERIÊNCIA:</p><p>Escolha uma situação clínica que você tenha vivido recentemente e que tenha gerado dúvidas e descreva o caso clínico do paciente em questão, detalhando informações clínicas relevantes, como morbidades, terapêutica em uso, condições de vida, situação familiar e autocuidado.</p><p>O estudo de caso clínico relatado é sobre uma paciente do sexo feminino N.F. M, 69 anos, parda, natural e residente na zona rural de Una BA, dona de casa, casada. Vem a consulta ambulatorial de rotina referindo dores em região da nuca que irradia para o dorso e para a região posterior da cabeça. Sintomas iniciaram a dois dias.Após viagem mal sucedida pra realizar cirurgia ocular, que não pode ser realizada. Paciente é cuidadora da mãe de 93 anos, que também é paciente da nossa UBS, e queixa-se dos esforços intensivos tanto fisicos quanto psicologicos ao lidar com a mãe senil. Paciente nega comorbidades. Nega HAS, todavia refere que a 1 dia durante a dor na nuca aferiu PA estava com valores de 140x90 mmHg. Fez uso de um comprimido de anlodipino de 5 mg, mesmo sem diagnóstico prévio de HAS. Paciente refere ainda que tem desejo de pegar receita de salbutamol inaltatório para asma. todavia não tem histórico de queixas respiratórias e nem mesmo receituário prévio registrado em prontuário da paciente, mas afirma que já faz uso da medicação e que tem uma receita de outro médico e que no momento essa receita antiga está inacessível em outra cidade. Nega outras queixas. Faz acompanhamento regular nessa unidade de saúde.</p><p>Ao Exame físico apresentava-se:</p><p>– BEG,LOTE, corada, Hidratada, afebril, anictérica e acianótica,eupneica</p><p>– PA: 100/70mmHg, Glicemia: 126 (pós brandial), Peso: 48 Kg, Altura: 1,50</p><p>- AP: Murmúrio vesicular preservado sem ruídos adventícios,</p><p>– AC: Bulhas normofonéticas em 2 tempos sem sopro,</p><p>- Abd: plano, flácido, indolor a palpação superficial e profunda, blumberg e giordano negativo</p><p>- extremidades: bem perfundidas sem edema, Tônus muscular: força muscular preservada</p><p>Exames complementares</p><p>19/02/2024: HB: 12,0 HT: 36,7 LEUCO: 6500 PQT: 138 MIL, GLICOSE DE JEJUM 64 UREIA 21 CREAT: 0,72 NA 143,0 K4,2 TP 23,96 RNI 2,29, TTPA 28,66, TEMPO DE COAGULAÇÃO 8,00 MINUTOS TEMPO DE SANGRAMENTO 2 MINUTOS</p><p>26/02/2024 HB: 12,7 HT: 39,7 LEUCO: 4450, PQT: 158 MIL, COAGULOGRAMA TEMPRO DE PROTOMBINA: 83% TTPA TEMPO DE TROMBROPLASTINA 37,1 PQT: 158 MIL VOLUME PLAQUETÁRIO: 11,9</p><p>Ao final do atendimento, em discussão com a paciente e a tutora clínica, Dra Larissa, ficou estabelecido de que a paciente não tinha indicação de uso de Antihipertensivo oral, mas que se tratava apenas de um episódio de dor que deveria ser usado analgesia, pois o processo de dor tem repercussões nos níveis pressóricos até mesmo para pacientes hígidos. Também ficou estabelecido de que a paciente não deveria fazer uso do Salbutamol (broncodilatador de curta duração), pois estava assintomática e não tinha evidências de ser asmática em seu histórico clínico na UBS. Orientando retorno da paciente a unidade de saúde a qualquer novo sintomas ou dados clínicos.</p><p>2.2 LACUNAS:</p><p>Descreva quais foram as dificuldades que você enfrentou ao lidar com este paciente e destaque quais foram as necessidades de cuidado do paciente que ficaram por sanar – Patient Unmet Needs (PUNs).</p><p>A dificuldade central ao avaliar essa paciente, foi evidenciar para a própria paciente, após a história clínica, e o exame físico e resultados laboratoriais, que os sinais e sintomas apresentados tinham maiores consequência pelas condições sociais e psicológicas vividas pela da paciente do que relações com uma patologia de causa física exclusivamente. O grande desafio é acolher o paciente com demandas psicologicas com impactos fisiológicos, sem partir diretamente para o uso da medicalização desnecessariamente.</p><p>2.3 ORIGEM:</p><p>Descreva quais as suas necessidades de aprendizado para lidar melhor com este paciente – Doctor Educational Needs (DENs).</p><p>As necessidades de aprendizado foram revisar os conceitos de saúde quaternária sobre prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias</p><p>2.4 OBJETIVOS:</p><p>Defina os objetivos formativos que serão trabalhados. Lembre-se de deixá-los SMART (Específico, Mensurável, Alcançável, Relevante e Temporizado)!</p><p>1) Discutir a relação do conceito e da prática da prevenção quaternária com a humanização na atenção primária à saúde, focados no cuidado clínico individual.</p><p>2) Apontar o significado principal do conceito de prevenção quaternária, que é prevenir a hipermedicalização do cuidado e evitar intervenções desnecessárias, reduzindo danos, por meio de técnicas e práticas qualificadas e personalizadas de cuidado. Isso efetiva, dentro das práticas profissionais, o preceito ético “primeiro não lesar”, desde há muito tempo declarado no discurso médico.</p><p>3) Assinalar algumas características da prevenção quaternária com foco no seu exercício prático. Apontando a sua relação com a humanização do cuidado e sua relação com o manejo da medicalização social nas práticas profissionais de forma excessiva.</p><p>2.5 SÍNTESE DO ESTUDO:</p><p>Sintetize o estudo realizado e descreva quais foram as fontes bibliográficas que embasaram seu estudo.</p><p>A Prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam evitar danos associada às intervenções médicas e de outros profissionais da saúde como excesso de medicação ou cirurgias desnecessárias (iatrogenias). Assim, quando o tratamento for considerado pior que a doença, deve-se buscar uma alternativa a esse tratamento. A prevenção quaternária deve prevalecer em qualquer outra opção preventiva, diagnóstico e terapêutica, segundo o princípio hipocrático: primun non nocere (em primeiro lugar, não prejudicar o paciente). É conjunto de ações que se desenvolvem visando a identificação de pacientes em risco de sobremedicalização, com o fim de os proteger de novas intervenções médicas inapropriadas e de lhes sugerir alternativas eticamente aceitáveis. Praticar a prevenção quaternária significa dizer não a muitas propostas francamente inaceitáveis, e oferecer alternativas prudentes e científicas. Fazer prevenção quaternária é priorizar a saúde e bem estar, e saber que o importante é a qualidade de vida.</p><p>A prevenção quaternária não quer eliminar, mas apenas temperar a medicalização da vida diária dos pacientes, pois uma parte dessa medicalização não pertence ao ato médico e possui profundas razões sociais, culturais e psicológicas. A prevenção quaternária trata apenas de evitar ou atenuar os aspectos médicos da medicalização da vida diária. Fazer prevenção quaternária na consulta médica significa cumprir o objetivo científico da Medicina, que busca “a máxima qualidade com a mínima quantidade, de uma forma tão próxima do paciente quanto possível”. Evitar as atividades curativas e preventivas desnecessárias é fazer prevenção quaternária. Deve-se introduzir a prevenção quaternária em todos os encontros médico-paciente, para evitar ou limitar os danos causados pela própria atividade do sistema de saúde.</p><p>A prevenção quaternária surgiu da percepção e prática da MFC e de uma ampliação e flexibilização dos conceitos de saúde-doença, típicas da Atenção Primária da Saúde, direcionando-se para uma atitude de diálogo e construção consensual com os usuários sobre o que é saúde e doença. A distinção entre prevenção primária, secundária e terciária, que articula aspectos preventivos, educativos e de saúde pública ao cuidado clínico, está centrada na definição médica de doença e numa visão cronológica de sua evolução, desconsiderando a vivência, a experiência e o saber dos doentes.</p><p>Atualmente, o desenvolvimento tecnológico e científico explora o universo da prevenção e os limites entre saúde e doença, criando doenças, pré-doenças e classificações de risco e em que todos tendem a ser manejados da mesma forma, com tecnologias comercializáveis caras e potencialmente danosas. Isso tornou mais complexa a prática profissional, o que é acentuado quando se considera a invasão da construção do saber e das tecnologias médicas por</p><p>forças comerciais, geração de doenças por meio da legitimação e divulgação científica e midiática.</p><p>As indústrias e comerciantes atuantes no setor saúde e doença descobriram que, além de fazer propaganda dos seus produtos, é altamente efetivo fazer propaganda das doenças, dos riscos, dos sintomas ou das condições para as quais oferecem produtos diagnósticos e terapêuticos. E não se inibem em financiar e influenciar pesquisas científicas que geram informações e classificações que são divulgadas na mídia e oficializadas nos manuais acadêmicos. Isso gera aumento no número de consumidores, por um lado; e profissionais prescritores, por outro, que atestarão a necessidade e propriedade das intervenções, garantindo os lucros ainda maiores dessas indústrias. Dessa forma, populações são compelidas a buscar cuidado biomédico com mais frequência e intensidade, expondo-se aos significativos riscos e danos das tecnologias utilizadas.</p><p>A proteção dos usuários e a evitação desses danos e riscos é um outro aspecto mencionado da prevenção quaternária, o qual serve de parâmetro ao conceito: proteger as pessoas dos danos reais e potenciais da própria ação clínica e sanitária. Tais danos começam a ser percebidos de forma disseminada pelas populações, embora tenham talvez sido subestimados na cultura de profissionais e usuários. Há ainda que destacar o dano derivado do excesso de prevenção: ansiedade e efeitos psicossociais dos testes e dos falsos positivos, intervenções desnecessárias e potenciais complicações derivadas dos falsos-positivos, falsa segurança dos falsos-negativos, iatrogenia dos procedimentos preventivos em si, conversão de sadios em doentes em escala populacional. A propaganda midiática de tecnologias duras curativas e preventivas individuais e o seu uso abusivo por parcelas da corporação médica acabam gerando grande ansiedade e insegurança na população.</p><p>Humanizar o cuidado na APS, nesse contexto complexo, significa também a difícil tarefa de entender essa situação e relacionar-se com cuidado e sabedoria com as motivações, medos e crenças.</p><p>Para isso são necessárias várias habilidades e conhecimentos pouco comuns nos profissionais: habilidades de comunicação e cuidado centrado na pessoa, técnicas e saberes profissionais qualificados e atualizados, espírito crítico e altos índices de ética profissional, de modo que se possa oferecer um cuidado com o máximo de qualidade técnica e humana com o mínimo de intervenção e de dano possível.</p><p>A necessidade de restrição de danos é ainda maior no que tange às ações preventivas, uma vez que, nesses casos, a responsabilidade das intervenções e seus resultados recaem sobre os profissionais e o Sistema de Saúde. Nessa situação, os benefícios devem necessariamente superar, amplamente e com segurança, os danos, o que só pode ser assegurado por evidências científicas de boa qualidade consensuadas por instituições amplas e idôneas, sem a tolerância aos danos no cuidado aos doentes, já que as pessoas estão a princípio e provavelmente saudáveis, e, por compromisso ético, primeiro não devemos lhes prejudicar.</p><p>GUSSO, Gustavo; LOPES, José Mauro Ceratti. Jamoulle, Marc Tratado de Medicina de Família e Comunidade-: Princípios, Formação e Prática. Artes Medicas, Prevenção quaternária: primeiro</p><p>não causar dano p. 834-8520, 2019.</p><p>TESSER, Charles Dalcanale; NORMAN, Armando Henrique. Prevenção quaternária e medicalização: conceitos inseparáveis. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 25, p. e210101, 2021.</p><p>TESSER, Charles Dalcanale. Prevenção quaternária para a humanização da atenção primária à saúde. O Mundo da Saúde, v. 36, n. 3, p. 416-426, 2012.</p><p>NORMAN, Armando Henrique; TESSER, Charles Dalcanale. Prevenção quaternária na atenção primária à saúde: uma necessidade do Sistema Único de Saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 25, n. 9, p. 2012-2020, 2009.</p><p>2.6 SANAR LACUNAS:</p><p>Agora que você sanou as suas lacunas de conhecimento, o que você pretende fazer no próximo encontro com o paciente que motivou este estudo? Descreva o plano das ações e condutas que você irá adotar para os próximos encontros com o paciente/família.</p><p>Na próxima consulta com a paciente, que está fazendo o acompanhamento médico regular na UBS, irei manter a atenção nas queixas e sintomas da paciente, sem subestimar algum processo de adoecimento. Todavia pretendo manter a atenção para evitar a hipermedicação em alguma queixa nova da paciente, mantendo o mesmo nível de postura e orientação realizado na primeira consulta, de que nem sempre é necessario o uso de medicação para um sintoma, e que a introdução ou continuidade de uso de medicamentos, possuem critérios clínicos bem definidos que não podem ser flexibilizados, em prol do bem estar do paciente.</p>

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