Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
2 
 
 
 
CARD 01 – DIREITO PENAL 1 
 
 Olá, galera! Estão prontos para o nosso primeiro CARD do DROPS do MP? Como vocês sabem, esse 
material procura abranger todos os principais pontos de destaque das disciplinas cobradas no edital!!! O 
quadro abaixo serve para guiar vocês em quais são os pontos em comum dos principais editais do MP que 
serão abordados. 
 
CARD 1 – PARTE GERAL: PRINCÍPIOS, LEI PENAL NO TEMPO E ESPAÇO. 
 
DIREITO PENAL 
 
A dica de estudo aqui é ler e reler a doutrina e os artigos iniciais do Código Penal! 
 
#MAPEIA NO VADE 
 
NÃO DEIXE DE LER: Código Penal! 
2º 3º 4º 
5º 6º 7º 
8º 
 
Obs.: pessoal, na #CICLOLEGIS não iremos colocar o gabarito das questões, porque o objetivo, aqui, é 
justamente decorar a legislação. Sendo assim, ao corrigir a questão, vocês precisarão ir ao vade mecum e ler 
o artigo! Isso com certeza irá facilitar o processo de fixação da letra de lei!!!! 
 
#CICLOLEGIS #DECORAALETRADALEI 
 
Questão 01 
A lei _____, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, 
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. 
a) penal 
b) excepcional 
c) temporária 
d) excepcional ou temporária 
Questão 02 
Considera-se praticado o crime no momento ______. 
a) da ação 
b) da omissão 
c) da ação ou da omissão 
d) do resultado 
 
Questão 03 
 
1 Por Michelle Mendes. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
3 
 
Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves 
brasileiras, de natureza _____ onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações 
brasileiras, ______, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. 
a) mercantes ou de propriedade privada; de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro 
b) de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro; mercantes ou de propriedade privada 
c) pública ou privada; pública ou privada 
d) pública, apenas; privada, apenas. 
 
Questão 04 
Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu _______. 
a) a ação ou omissão 
b) a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado 
c) onde se produziu 
d) onde deveria produzir-se o resultado 
 
DIREITO PENAL 
 
INTRODUÇÃO 
 
#NÃOESQUECE: o Direito Penal é predominantemente sancionador e excepcionalmente constitutivo. 
 
CONCEITOS DE DIREITO PENAL: 
 
CONCEITO FORMAL Conjunto de normas penais. 
CONCEITO MATERIAL Conjunto de comportamentos reprováveis. 
CONCEITO SOCIOLÓGICO Instrumento de controle social. 
 
 
ESCOLAS DO DIREITO PENAL: 
 
 
ESCOLA CLÁSSICA 
- Final do século XVIII. 
- Surge como resposta ao Absolutismo. 
- Vale-se do método racionalista e dedutivo. 
- Representa a humanização das penas. 
- Seus fundamentos tiveram origem nos estudos de Beccaria. 
- Entendia o crime como um conceito meramente jurídico, ou seja, a violação de 
um direito. 
- O livre-arbítrio era encarado como fundamento da punibilidade. 
- A pena tinha caráter retributivo. 
 
ESCOLA POSITIVA 
- Meados do século XIX. 
- Vale-se do método experimental e empírico. 
- Opôs a necessidade de se defender mais enfaticamente o corpo social contra a 
ação do delinquente. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
4 
 
- O crime não é encarado de uma perspectiva abstrata, mas fenomênica. 
- Rechaça o livre arbítrio como fundamento da responsabilidade. 
- Dividiu-se em três fases: 
1) Fase Antropológica: tem como principal expoente Cesare Lombroso, para quem 
o homem não é livre em sua vontade. Ao contrário, sua conduta é determinada por 
forças inatas, partindo-se da ideia do criminoso nato, predeterminado à prática de 
infrações penais por características antropológicas, nele presentes de modo 
atávico. 
2) Fase Sociológica: tem como principal expoente Enrico Ferri, que concebe a pena 
como mecanismo de defesa social. Defende a responsabilização social e não moral 
pelo delito. Também se baseia na ideia do determinismo biológico-social. 
3) Fase Jurídica: tem como principal expoente Rafael Garofalo, que sustentava que 
os criminosos não assimiláveis deveriam ser eliminados pela deportação ou pela 
morte. 
TERZA SCUOLA 
- Consiste em uma escola eclética, de posição intermediária entre a Escola Clássica 
e a Escola Positiva. 
- Acolhe o princípio da responsabilidade moral fundada no determinismo 
psicológico. 
- Entende o crime como fenômeno individual e social. 
- Credita à pena função de defesa social. 
 
ESCOLA TÉCNICO 
JURÍDICA 
- Para muitos autores, não consiste em uma nova escola penal. 
- Apresenta-se mais propriamente como reação à confusão sistemática criada pelos 
positivistas quanto aos conceitos de Direito Penal, Política Penal e Criminologia. 
- Entende o crime como um fenômeno jurídico e, por isso, exclui investigações de 
natureza filosóficas. 
 
ESCOLA 
CORRECIONALISTA 
- Surgiu na Alemanha, em 1839, com a publicação da obra “Comentatio na poena 
malum esse debeat”, de Karl David August Röeder. 
- Defende que a pena tem a finalidade de corrigir a injusta e perversa vontade do 
criminoso e, dessa forma, não pode ser fixa e determinada. 
- Atribui ao Direito Penal uma função educadora e tutelar, entendendo que o 
criminoso merece um tratamento corretivo. 
DEFESA SOCIAL 
- Há autores que entendem não se tratar de uma escola, mas de uma ideologia 
presente em determinadas escolas. 
- Parte da premissa de que o criminoso deve ser submetido a um regime rigoroso 
para combater a sua periculosidade e antissocialidade. 
 
FONTES 
 
Para a doutrina tradicional, as fontes do Direito Penal se dividem em: 
 
1. Fonte material ou de produção: diz respeito a quem pode produzir normas de conteúdo penal. 
Nos termos do art. 22, I, da CRFB/88, apenas a União é fonte material do Direito Penal. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
5 
 
2. Fontes formais, de conhecimento ou de cognição: revelam a forma como o Direito Penal se 
materializa no ordenamento jurídico. Podem ser: 
2.1. Imediata: lei. 
2.2. Mediatas: princípios, costumes, atos administrativos. 
 
As fontes do Direito Penal, para a doutrina mais moderna, dividem-se em: 
1. Fonte material ou de produção: diz respeito a quem pode produzir normas de conteúdo penal. 
Nos termos do art. 22, I, da CRFB/88, apenas a União é fonte material do Direito Penal. 
2. Fontes formais, de conhecimento ou de cognição: revelam a forma como o Direito Penal se 
materializa no ordenamento jurídico. Podem ser: 
2.1. Imediatas: Constituição, tratados de direitos humanos, lei, jurisprudência, princípios, atos 
administrativos. 
2.2. Mediatas: doutrina. 
 
PRINCÍPIOS 
 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
Previsto no art. 5.º, XXXIX, da Constituição Federal, no art. 1º do Código 
Penal e no art. 9º da Convenção Americana de Direitos Humanos. 
 
Não há crime, contravenção penal, pena ou medida de segurança sem: 
 
LEI ESTRITA (princípio da reserva legal): A infração penal só pode ser criada 
por lei em sentido estrito, ou seja, lei ordinária ou complementar. Proíbe-
se a utilização da analogia para criar tipo incriminador. 
 
LEI ANTERIOR/PRÉVIA (princípio da anterioridade): A criação de tipos e a 
cominação de sanções exige lei anterior, vedando-se a retroatividade 
maléfica. 
 
LEI ESCRITA: Só a lei escrita pode criar crime e cominar sanções. Em outras 
palavras, é proibido o costume incriminador. 
 
LEI CERTA (princípio da taxatividade/princípio da determinação): É 
proibida a criação de tipos penais vagos e indeterminados pelo legislador. 
Aqui reside a crítica às normas penais incompletas (dependem de 
complemento normativo e/ou valorativo). 
PRINCÍPIO DA 
OFENSIVIDADE OU DA 
LESIVIDADE 
Exige que do fato praticado decorra lesão ou perigo de lesão ao bem 
jurídico. 
PRINCÍPIO DA 
PESSOALIDADE OU 
INTRANSCENDÊNCIADA 
PENA 
Proíbe o castigo penal pelo fato de outrem. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
6 
 
PRINCÍPIO DA 
RESPONSABILIDADE 
SUBJETIVA 
A responsabilidade penal é condicionada à existência de voluntariedade 
(dolo ou culpa). 
PRINCÍPIO DA 
CULPABILIDADE 
O Estado só pode impor sanção penal ao agente imputável (penalmente 
capaz), com potencial consciência de ilicitude (possibilidade de conhecer 
o caráter ilícito de seu comportamento), quando dele exigível conduta 
diversa (podendo agir de outra forma). 
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO 
DE INOCÊNCIA 
Consiste no direito de não ser declarado culpado senão após trânsito em 
julgado de sentença penal condenatória, ao término do devido processo 
legal, em que o acusado tenha se utilizado de todos os meios de prova 
pertinentes para sua defesa (ampla defesa) e para a destruição da 
credibilidade das provas apresentadas pela acusação (contraditório). 
 
- Dimensões do princípio da presunção da inocência: 
 
a) Dimensão interna ao processo: da qual decorrem duas regras de 
aplicação. 
 
• Regra Probatória (In dubio pro reo): recai sobre a acusação o ônus 
de comprovar a culpabilidade do acusado, além de qualquer 
dúvida razoável. 
• Regra de tratamento: a privação cautelar da liberdade de 
locomoção, sempre qualificada pela nota da excepcionalidade, 
somente se justifica em hipóteses estritas. 
 
b) Dimensão externa ao processo: O princípio da presunção da inocência 
e as garantias constitucionais da imagem, dignidade e privacidade 
demandam uma proteção contra a publicidade abusiva e a estigmatização 
do acusado, funcionando como limites democrático à abusiva exploração 
midiática em torno do fato criminoso e do próprio processo judicial. 
 
#DEOLHONAJURIS 
Presunção de não culpabilidade. A condução coercitiva representa 
restrição temporária da liberdade de locomoção mediante condução sob 
custódia por forças policiais, em vias públicas, não sendo tratamento 
normalmente aplicado a pessoas inocentes. Violação. 
(ADPF 444, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 
14/06/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-107 DIVULG 21-05-2019 PUBLIC 
22-05-2019) 
PRINCÍPIO DA DIGNIDADE 
DA PESSOA HUMANA 
A ninguém pode ser imposta pena ofensiva à dignidade da pessoa 
humana, vedando-se reprimenda indigna, cruel, desumana ou 
degradante. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
7 
 
PRINCÍPIO DA 
INDIVIDUALIZAÇÃO DA 
PENA 
A individualização da resposta estatal ao autor de um fato punível deve ser 
observada em três momentos: a) na definição, pelo legislador, do crime e 
sua pena; b) na imposição da pena pelo juiz; c) na fase de execução da 
pena, momento em que os condenados serão classificados, segundo os 
seus antecedentes e personalidade. 
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO 
BIS IN IDEM 
Possui três significados: 
 
• PROCESSUAL: Ninguém pode ser processado duas vezes pelo 
mesmo crime. 
• MATERIAL: Ninguém pode ser condenado pela segunda vez em 
razão do mesmo fato. 
• EXECUCIONAL: Ninguém pode ser executado duas vezes por 
condenações relacionadas ao mesmo fato. 
 
PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA 
O princípio da insignificância atua como um vetor interpretativo do tipo 
penal, restringindo a qualificação de condutas que se traduzam em ínfima 
lesão ao bem jurídico nele albergado. Funciona como causa supralegal de 
exclusão da tipicidade material. 
 
São quatro os requisitos objetivos exigidos pelo princípio da 
insignificância: (a) mínima ofensividade da conduta; (b) ausência de 
periculosidade social da ação; (c) reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento; e (d) inexpressividade da lesão jurídica. No aspecto 
subjetivo, para a sua incidência, verificam-se as condições pessoais do 
agente e da vítima. 
 
Num apanhado rápido, o princípio da insignificância não se aplica: 
1. Aos crimes da Lei n. 11.343/06. Vale ressaltar, no entanto, que a 2ª 
turma do STF reconheceu, recentemente, a possibilidade de aplicação do 
princípio da insignificância ao tráfico de drogas para absolver mulher 
flagrada com 1 grama de maconha. O juiz de 1ª instância condenou a 
mulher à pena de 6 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, 
pelo crime de tráfico, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343/06. A sentença 
foi mantida pelo TJ/SP. A defesa impetrou, então, habeas corpus no STF. 
O Min. Relator Gilmar Mendes entendeu ser aplicável ao caso o princípio 
da insignificância, pois, para ele, a conduta descrita nos autos não é capaz 
de lesionar ou colocar em perigo a paz social, a segurança ou a saúde 
pública. Em seu voto, o relator destacou que a resposta do Estado não foi 
adequada nem necessária para repelir o tráfico de 1 grama de maconha. 
Para ele, esse é um exemplo emblemático de flagrante 
desproporcionalidade na aplicação da pena em hipóteses de quantidade 
irrisória de entorpecentes, e não houve indícios de que a mulher teria 
anteriormente comercializado quantidade maior de droga. Conforme o 
ministro, no âmbito dos crimes de tráfico de drogas, a solução para a 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
8 
 
desproporcionalidade entre a lesividade da conduta e a reprimenda 
estatal é a adoção do princípio da insignificância. O relator observou que 
o STF tem entendido que o princípio da insignificância não se aplica ao 
delito de tráfico, ainda que a quantidade de droga apreendida seja ínfima. 
Porém, considerou que a jurisprudência deve avançar na criação de 
critérios objetivos para separar o traficante de grande porte do traficante 
de pequenas quantidades, que vende drogas apenas em razão de seu 
próprio vício. Para ele, se não houver uma clara comprovação da 
possibilidade de risco de dano da conduta, o comportamento não deverá 
constituir crime, ainda que o ato praticado se adeque à definição legal. O 
voto do relator foi seguido pelos Ministros Celso de Mello e Ricardo 
Lewandowski. Ficaram vencidos os Ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. 
STF. 2ª Turma. HC 127573/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
11/11/2019. 
2. Aos crimes praticados com violência ou grave ameaça. 
3. Aos crimes praticados em contexto de violência doméstica. 
3. Súmula 606-STJ: Não se aplica o princípio da insignificância a casos de 
transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que 
caracteriza o fato típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997. 
4. Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes 
contra a administração pública. 
5. A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou entendimento de 
que o crime de posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 
11.343/06) é de perigo presumido ou abstrato e a pequena quantidade de 
droga faz parte da própria essência do delito em questão, não lhe sendo 
aplicável o princípio da insignificância (STJ. 6ª Turma. RHC 35920 -DF, Rel. 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014. Info 541). STF: possui 
um precedente isolado, da 1ª Turma, aplicando o princípio: HC 110475, 
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012. 
 
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de 
descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite 
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 
10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, 
ambas do Ministério da Fazenda. O fato da União, por razões políticas ou 
administrativas, optar por autorizar o pedido de arquivamento das 
execuções fiscais que não ultrapassam o referido patamar não permite, 
por si só, que a mesma liberalidade seja estendida aos demais entes 
federados, o que somente poderia ocorrer caso estes também legislassem 
no mesmo sentido, tendo em vista que são dotados de autonomia. 
 
A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à 
primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da 
CARD 01 –DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
9 
 
conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a 
ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do 
princípio da insignificância. STJ. 5ª Turma. HC 553872-SP, Rel. Min. 
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a 
insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto. No 
entanto, com base no caso concreto, o juiz pode entender que a 
absolvição com base nesse princípio é penal ou socialmente indesejável. 
Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas utiliza a circunstância de 
o bem furtado ser insignificante para fins de fixar o regime inicial aberto. 
Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância para criar 
uma exceção jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base 
no princípio da proporcionalidade STF. 1ª Turma. HC 135164/MT, Rel. Min. 
Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
23/4/2019 (Info 938). 
 
PRINCÍPIO DA AMPLA 
DEFESA 
Previsto no art. 5º LV, da CF, segundo o qual “aos litigantes, em processo 
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 
 
Desdobra-se em duas dimensões: (i) defesa técnica (ii) autodefesa. 
• Defesa Técnica, Processual ou Específica: É aquela exercida por 
profissional da advocacia. 
• Autodefesa: É a defesa realizada pelo próprio acusado. É 
renunciável. É realizada de 03 formas: 
▪ Direito de audiência: interrogatório. 
▪ Direito de presença: direito que o acusado tem de 
acompanhar os atos da instrução probatória. 
▪ Capacidade postulatória autônoma do acusado. 
PRINCÍPIO DA 
FRAGMENTARIEDADE 
Pelo princípio da fragmentariedade, estabelece-se que nem todos as 
condutas consideradas ilícitas pelo ordenamento jurídico configuram 
infrações penais, mas apenas aquelas que atentem contra valores 
fundamentais para a manutenção da ordem social. 
Em razão de seu caráter fragmentário, o Direito Penal é a última etapa de 
proteção do bem jurídico. 
PRINCÍPIO DA 
INTERVENÇÃO MÍNIMA 
Pelo princípio da intervenção mínima ou da necessidade, a intervenção 
penal só se afigura legítima quando a criminalização de um fato é 
indispensável para a proteção de determinado bem ou interesse, não 
podendo ser tutelado por outros ramos do ordenamento jurídico. 
 
PRINCÍPIO DA 
SUBSIDIARIEDADE 
De acordo com o princípio da subsidiariedade, a atuação do Direito Penal, 
no caso concreto, é cabível apenas quando os outros ramos do Direito e 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
10 
 
os demais meios estatais de controle social tiverem falhado. Assim, atua o 
Direito Penal como um soldado de reserva. 
 
 
TENDÊNCIAS DO DIREITO PENAL 
 
Garantismo 
- Desenvolvido por Luigi Ferrajoli. 
- Preconiza um modelo de Direito Penal voltado à limitação do poder 
punitivo estatal. 
- Fundamenta-se em dez axiomas: 
• Nullum crimen sine lege (Não há crime sem lei) 
Princípio da legalidade, no sentido lato ou no sentido estrito 
• Nulla lex (poenalis) sine necessitate (Não há lei penal sem 
necessidade) 
Princípio da necessidade ou da economia do direito penal 
• Nulla necessitas sine injuria (Não há necessidade sem ofensa 
a bem jurídico) 
Princípio da lesividade ou ofensividade do evento 
• Nulla injuria sine actione (Não há ofensa ao bem jurídico sem 
ação) 
Princípio da materialidade ou da exterioridade da ação 
• Nulla actio sine culpa (Não há ação sem culpa) 
Princípio da culpabilidade ou da responsabilidade pessoal 
• Nulla culpa sine judicio (Não há culpa sem processo) 
Princípio da jurisdicionalidade no sentido lato ou estrito 
• Nulla judicium sine accustone (Não há processo sem 
acusação) 
Princípio acusatório ou da separação ente o juiz e a acusação 
• Nulla accusatio sine probatione (Não há acusação sem prova) 
Princípio do ônus da prova ou da verificação 
• Nulla probatio sine defensione (Não há prova sem ampla 
defesa) 
Princípio do contraditório ou da defesa ou da falseabilidade 
Abolicionismo 
- Formulado por autores como Nils Christie e Thomas Mathiensen. 
- Preconiza a abolição do Direito Penal, propondo novas formas de 
solução dos conflitos. 
Direito Penal Máximo 
A certeza perseguida pelo direito penal máximo está em que nenhum 
culpado fique impune, à custa da incerteza de que também algum 
inocente possa ser punido. 
Direito Penal Mínimo 
A certeza perseguida pelo direito penal mínimo está em que nenhum 
inocente seja punido à custa da incerteza de que também um culpado 
possa ficar impune. 
 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
11 
 
 
BEM JURÍDICO 
 
Segundo o professor Luís Greco, bens jurídicos são “dados fundamentais para a realização pessoal dos 
indivíduos ou para a subsistência do sistema social, compatíveis com a ordem constitucional”. 
FUNÇÃO DE GARANTIA 
O bem jurídico limita a atividade do legislador. A norma penal só pode 
incriminar condutas que lesionem bens jurídicos. 
FUNÇÃO TELEOLÓGICA 
A interpretação da norma penal deve levar em consideração o bem 
jurídico que é por ela tutelado. 
FUNÇÃO 
INDIVIDUALIZADORA 
O conceito de bem jurídico permite a individualização da pena a partir da 
avaliação da lesão causada ao bem jurídico. 
FUNÇÃO SISTEMÁTICA 
O conceito de bem jurídico é utilizado para sistematizar o Direito Penal, 
organizando-se as infrações a partir dos bens jurídicos violados. 
 
LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS PENAIS 
Incriminadoras Definem infrações penais. 
 
 
 
Não incriminadoras 
Estabelecem regras gerais de interpretação e aplicação das normas penais. Podem 
ser dos seguintes tipos: 
- Permissivas: excluem a ilicitude. 
- Exculpantes: excluem a culpabilidade. 
- Complementares: delimitam o campo de validade das leis incriminadoras. 
- Explicativas: esclarecem o conteúdo e o significado de outras leis penais. 
- Integrativas ou de extensão: complementam a tipicidade no tocante ao nexo 
causal nos crimes omissivos impróprios, à tentativa e à participação. 
- Diretivas: são as que estabelecem os princípios de determinada matéria. 
 
- LEI PENAL NO TEMPO: 
 
O artigo 4º do Código Penal adota a teoria da atividade, ou seja, o tempo do crime é o momento da ação ou 
omissão. 
 
Súmula 711, STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua 
vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 
 
Quanto à aplicação da lei penal, adota a máxima tempus regit actum, estabelecendo, como regra, a 
irretroatividade da lei penal, salvo se mais benéfica ao acusado. 
 
- LEI PENAL NO ESPAÇO: 
 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
12 
 
O art. 6º do Código Penal, quanto ao local do crime, adota a teoria da ubiquidade, prescrevendo que se 
considera praticado o delito no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como 
onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. 
 
Quanto à aplicação da lei penal, adota o princípio da territorialidade mitigada, aplicando a lei brasileira aos 
fatos ocorridos no território nacional. 
 
TERRITÓRIO NACIONAL 
Efetivo ou real 
Espaço de terra entre as fronteiras, o mar territorial brasileiro e o 
espaço aéreo correspondente, que é a coluna de ar que fica acima da 
faixa de terra dentro das fronteiras, e acima do mar territorial. 
Por extensão ou flutuante 
Consideram-se como extensão do território nacional, para fins penais, 
as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a 
serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem, bem 
como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de 
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço 
aéreo correspondente ou em alto-mar. 
 
HIPÓTESES DE EXTRATERRITORIALIDADE:PRINCÍPIO DA 
PERSONALIDADE ATIVA 
O agente é punido de acordo com a lei brasileira, independentemente da 
nacionalidade do sujeito passivo e do bem jurídico ofendido. Art. 7º, I, “d” e 
art. 7º, II, “b”, CP. 
PRINCÍPIO DA 
PERSONALIDADE 
PASSIVA 
Ocorre nos casos em que a vítima é brasileira. O autor do delito que se 
encontrar em território brasileiro, embora seja estrangeiro, deverá ser 
julgado de acordo com nossa lei penal. Art. 7º, §3º, CP. 
PRINCÍPIO DO DOMICÍLIO 
O agente deve ser julgado de acordo com a lei do país em que for 
domiciliado, pouco importando a sua nacionalidade. Art. 7º, I, “d”, CP. 
PRINCÍPIO DA DEFESA, 
REAL ou PROTEÇÃO 
Permite submeter à lei brasileira os crimes praticados no estrangeiro que 
ofendam bens jurídicos pertencentes ao Brasil, qualquer que seja a 
nacionalidade do agente e o local do delito. Art. 7º, I, “a”, “b” e “c”, CP. 
PRINCÍPIOS DA JUSTIÇA 
UNIVERSAL ou JUSTIÇA 
COSMOPOLITA ou 
JURISDIÇÃO UNIVERSAL 
É característico da cooperação penal internacional porque todos os Estados 
da comunidade internacional podem punir os autores de determinados 
crimes que se encontrem em seu território, de acordo com convenções ou 
tratados internacionais, pouco importando a nacionalidade do agente, o local 
do crime ou o bem atingido. Art. 7º, II, “a”, CP. 
PRINCÍPIO DA 
REPRESENTAÇÃO ou 
PAVILHÃO ou BANDEIRA 
Deve ser aplicada a lei brasileira aos crimes cometidos em aeronaves ou 
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada quando 
estivarem em território estrangeiro e aí não sejam julgados. Art. 7º, II, “c”, CP. 
#EXCEÇÃO: se a aeronave ou embarcação brasileira for pública ou estiver a 
serviço do governo brasileiro. Vamos aplicar o princípio da territorialidade 
com base no art. 5º, §1º, CP. 
 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
13 
 
#NÃOCONFUNDA 
 
INTERPRETAÇÃO 
EXTENSIVA 
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA 
(ou intra legem) 
ANALOGIA 
(técnica de integração) 
Existe norma para o caso 
concreto, mas o texto pode ser 
ampliado pelo intérprete. 
Existe norma para o caso concreto. 
O legislador previu uma fórmula 
casuística seguida de uma outra 
genérica, dando margem ao 
intérprete. 
Não existe norma para o caso 
concreto e o juiz aplica a lei 
prevista para outra situação que 
seja similar. Não pode ser 
prejudicial ao réu (in malam 
partem). 
Ex. a previsão de proibição de 
extorsão mediante sequestro (art. 
159, CP) abrange também a 
extorsão mediante cárcere 
privado. 
Ex. (qualificadora do homicídio) art. 
121, §2º, I - mediante paga ou 
promessa de recompensa, ou por 
outro motivo torpe; 
Ex. adolescente estuprada que 
pretende interromper a gestação 
do seu feto pode fazer uso do 
aborto sentimental previsto no 
art. 128, II, CP, apesar deste não 
ter sido editado quando da 
previsão legal do estupro de 
vulnerável, portanto, não 
abrangendo essa hipótese. 
 
→ CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS: Trata-se de hipótese em que há apenas um fato para o qual 
aparentemente se aplica mais de uma norma, porém só uma é cabível. Logo, não se confunde com concurso 
de crimes, no qual há mais de um crime, podendo ter um ou mais fatos. A solução perpassa pela aplicação 
de um dos seguintes princípios: 
 
ESPECIALIDADE 
No conflito entre um tipo penal específico e um tipo penal genérico, prevalece 
o específico. O tipo penal específico se caracteriza pela existência de 
elementos especializantes. 
 
Exemplo: homicídio e infanticídio. O infanticídio também se configura pela 
conduta de “matar alguém”, porém possui um elemento especializante, qual 
seja, (o próprio filho) sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou 
logo após. 
SUBSIDIARIEDADE 
O tipo subsidiário descreve um crime autônomo com cominação de pena 
menos grave que a prevista em outro tipo penal, chamado de norma primária. 
Tem-se a figura do “soldado de reserva” (a norma subsidiária só será aplicada 
quando não houver incidência da norma primária). 
 
Subsidiariedade expressa - a própria lei determina que só se aplica a lei mais 
branda se o fato não constituir crime mais grave. Exs: arts 132 e 238, CP. 
Subsidiariedade tácita – as elementares de um tipo estão contidas na forma de 
elementares ou circunstâncias acidentais de outro tipo. Ex: o crime de ameaça 
(art. 147) integra o de constrangimento ilegal (art.146). 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
14 
 
CONSUNÇÃO 
É a absorção de um crime pelo outro. Vejamos as hipóteses: 
✓ 
Crime progressivo: 
O delito de menor gravidade é um crime de passagem obrigatória, pois o 
agente desde o início da conduta possui a intenção de alcançar o resultado mais 
grave (o dolo é o mesmo desde o início). Exemplo: Para consumar o homicídio 
necessariamente haverá o crime de lesão corporal (crime de passagem). 
 
Progressão criminosa (em sentido estrito): 
O agente produz o resultado pretendido, mas, em seguida, resolve progredir 
na violação do bem jurídico e produz um resultado mais grave que o anterior 
(há substituição do dolo). Exemplo: o agente quer, inicialmente, apenas 
lesionar a vítima. Porém, no decorrer da conduta, o dolo passar a ser de matar. 
O agente responde por homicídio, que absorve a lesão corporal. 
 
Crime-meio é absorvido pelo crime-fim: 
Ocorre quando o agente pratica um crime como meio necessário para a prática 
de outro. Exemplo: falsificação de documento para praticar estelionato. Nesse 
caso, a falsificação é meio necessário para o estelionato. 
 
#DEOLHONASÚMULA Súmula 17, STJ: Quando o falso se exaure no 
estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. 
 
Post factum impunível: 
Sempre que o fato posterior (eventual crime posterior) se referir ao mesmo 
bem jurídico e à mesma vítima. 
Exemplo: indivíduo furta uma caneta e, depois, a destrói. Nesse caso, o sujeito 
responde apenas por furto, e não por furto e dano. 
#DEOLHONAJURIS 
Se o sujeito armazena (art. 241-B) arquivos digitais contendo cena de sexo 
explícito e pornográfica envolvendo crianças e adolescentes e depois 
disponibiliza (art. 241-A), pela internet, esses arquivos para outra pessoa, esse 
indivíduo terá praticado dois crimes ou haverá consunção e ele responderá por 
apenas um dos delitos? Em regra, não há automática consunção quando 
ocorrem armazenamento e compartilhamento de material pornográfico 
infanto-juvenil. Isso porque o cometimento de um dos crimes não perpassa, 
necessariamente, pela prática do outro. No entanto, é possível a absorção a 
depender das peculiaridades de cada caso, quando as duas condutas guardem, 
entre si, uma relação de meio e fim estreitamente vinculadas. O princípio da 
consunção exige um nexo de dependência entre a sucessão de fatos. Se 
evidenciado pelo caderno probatório que um dos crimes é absolutamente 
autônomo, sem relação de subordinação com o outro, o réu deverá responder 
por ambos, em concurso material. A distinção se dá em cada caso, de acordo 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
15 
 
com suas especificidades. STJ. 6ª Turma. REsp 1.579.578-PR, Rel. Min. Rogerio 
Schietti Cruz, julgado em 04/02/2020 (Info 666). 
ALTERNATIVIDADE 
Aplica-se aos tipos penais mistos (crimes de ação múltipla). Ocorre quando, 
no tipo penal, é previsto mais de uma conduta, mas a realização de mais de 
uma delas, no mesmo contexto fático e com o mesmo bem jurídico, configura 
apenas um crime. 
Exemplo: art. 33, da Lei de Drogas. 
 
#JURISEMFRASES 
Separamos aqui algumas frases retiradas de informativos que vão ajudar você a acertar aquela questão 
objetiva que você tem certeza de que já leu e não lembra dos termos! 
 
JURIS EM FRASES 
Súmula 17 - STJ 
Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este 
absorvido. 
Súmula 502 - STJ 
Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto 
no art. 184, § 2º, do CP, a conduta deexpor à venda CDs e DVDs piratas. 
Súmula 606 - STJ 
Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de 
sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no art. 
183 da Lei n. 9.472/1997. 
Súmula 599 - STJ O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. 
Súmula 711 - STF 
A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a 
sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 
Info 541 - STJ 
o crime de posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/06) é de 
perigo presumido ou abstrato e a pequena quantidade de droga faz parte da própria 
essência do delito em questão, não lhe sendo aplicável o princípio da insignificância 
Info 662 - STJ 
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho 
quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte 
mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações 
efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. O fato da 
União, por razões políticas ou administrativas, optar por autorizar o pedido de 
arquivamento das execuções fiscais que não ultrapassam o referido patamar não 
permite, por si só, que a mesma liberalidade seja estendida aos demais entes 
federados, o que somente poderia ocorrer caso estes também legislassem no 
mesmo sentido, tendo em vista que são dotados de autonomia. 
 
Info 666 - STJ 
Em regra, não há automática consunção quando ocorrem armazenamento e 
compartilhamento de material pornográfico infanto-juvenil, ou seja, se o sujeito 
armazena (art. 241-B) arquivos digitais contendo cena de sexo explícito e 
pornográfica envolvendo crianças e adolescentes e depois disponibiliza (art. 241-A), 
pela internet, esses arquivos para outra pessoa. 
Info 665 - STJ 
A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, 
impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta 
das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, 
recomendando a aplicação do princípio da insignificância. 
Info 938 - STF 
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância 
penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto. No entanto, com base no 
caso concreto, o juiz pode entender que a absolvição com base nesse princípio é 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
16 
 
penal ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas 
utiliza a circunstância de o bem furtado ser insignificante para fins de fixar o regime 
inicial aberto. Desse modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância para 
criar uma exceção jurisprudencial à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base no 
princípio da proporcionalidade 
 
#VAMOSTREINAR? 
#JÁCAIU 
 
Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: MPE-GO Prova: FGV - 2022 - MPE-GO - Promotor de Justiça Substituto 
O Superior Tribunal de Justiça entende que o princípio da consunção incide quando2: 
A) apesar de desígnios autônomos, for um dos crimes conexo com o delito final visado pelo agente, ainda 
que ofendidos bens jurídicos distintos; 
B) for um dos crimes progressão para a preparação, execução ou mero exaurimento do delito final visado 
pelo agente, ainda que ofendidos bens jurídicos distintos; 
C) for um dos crimes progressão para a preparação, execução ou mero exaurimento do delito final visado 
pelo agente, desde que não ofendidos bens jurídicos distintos; 
D) for um dos crimes meio necessário ou usual para a preparação, execução ou mero exaurimento do delito 
final visado pelo agente, ainda que ofendidos bens jurídicos distintos; 
E) for um dos crimes meio necessário ou usual para a preparação, execução ou mero exaurimento do delito 
final visado pelo agente, desde que não ofendidos bens jurídicos distintos. 
 
Ano: 2021 Banca: MPE-PR Órgão: MPE-PR Prova: MPE-PR - 2021 - MPE-PR - Promotor de Justiça Substituto 
Sobre a teoria da lei penal, assinale a alternativa correta3: 
A) A majoração de pena do crime de concussão (CP, art. 316), inserida pela Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime), 
não se aplica a fatos anteriores à sua vigência, em face da proibição de retroatividade da lei penal para 
sanções penais mais graves, assim como os critérios mais severos para progressão de regime do art. 112 da 
Lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal), introduzidos pela mesma Lei 13.964/19, não se aplicam a fatos 
anteriores à sua vigência, por força da proibição de retroatividade da lei penal para execuções de pena mais 
rigorosas. 
B) Normas penais em branco são criadas para vigência durante acontecimento determinado, como aquelas 
editadas em razão do período excepcional da pandemia de Covid-19, e assim não comportam a exceção da 
retroatividade da lei penal mais benéfica, possuindo, portanto, ultra atividade. 
C) O legislador penal brasileiro adotou a teoria do resultado para definição de lugar do crime, que assim é 
estabelecido onde se concretiza o resultado típico do crime, não sendo determinante, pois, o local onde a 
ação ou omissão de ação foi praticada. 
D) A Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime) contemplou alteração da modalidade de ação penal no crime de 
estelionato (CP, art. 171), de pública incondicionada para pública condicionada à representação, quando, por 
exemplo, a vítima do fato punível for pessoa capaz com 30 anos de idade: tal alteração não se aplica a fatos 
anteriores à vigência da lei nova, em razão do princípio da irretroatividade da lei penal. 
E) Em matéria penal, admite-se excepcionalmente o método da analogia para aplicação da lei penal a fatos 
não previstos, mas semelhantes a fatos previstos, como pode ocorrer, por exemplo, na aplicação, a fato não 
previsto, de lei penal que contemple forma qualificada de determinado crime. 
 
 
2 Gabarito: E. 
3 Gabarito: A. 
CARD 01 – DIREITO PENAL | DROPS MP 
Ciclos Método 
 
17 
 
Ano: 2021 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SC Prova: CESPE / CEBRASPE - 2021 - MPE-SC - Promotor 
de Justiça Substituto - Prova 1 
Acerca dos princípios constitucionais penais, julgue o item subsequente4. 
 
Nenhum dos princípios que regem o direito penal veda a criminalização, pelo legislador, da tentativa de 
suicídio, embora, no momento, esta conduta não esteja tipificada. 
 
 
4 Gabarito: errado.

Mais conteúdos dessa disciplina