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<p>HPV E CÂNCER DE COLO UTERINO</p><p>HPV</p><p>• É a etiologia mais comum do câncer de colo de útero</p><p>• Vírus de alta prevalência</p><p>Cerca de 50% da população vai ter contato</p><p>+ 100 subtipos</p><p>• 6 e 11- Verrugas</p><p>• 16 e 18- alto risco e mais prevalentes</p><p>Presença de vírus, sem lesões: não indica qualquer tratamento invasivo</p><p>• Ex. paciente tendo HPV, mas com Papanicolau normal se mantem o seguimento através do</p><p>Papanicolau</p><p>Transmissão</p><p>• contato com as mucosas</p><p>• Atividade sexual</p><p>• Durante o parto</p><p>• Por fômites (RARO)</p><p>Rastreamento de CA de Colo de Útero</p><p>É feito através do exame citopatológico, a colpocitologia oncótica ou Papanicolau</p><p>• A colpocitologia não é exame de rastreamento, é complementar</p><p>Quem deve fazer:</p><p>• Mulheres que já tiveram relação sexual;</p><p>• Mulheres entre 25 e 64 anos;</p><p>• Após 2 exames preventivos normais pode fazer o exame a cada 3 anos;</p><p>• Depois dos 64 anos de idade não deve ser realizado;</p><p>• Não é indicado iniciar o exame antes dos 25 anos, pois até essa idade a incidência do CA é muito</p><p>baixa e, o início precoce aumentaria o diagnóstico de lesões de baixo grau e poderia acarretar um</p><p>maior risco de morbidade obstétrica (pois o tratamento está relacionado a ressecção de uma parte</p><p>do colo de útero);</p><p>• Mulheres que fizeram histerectomia não precisam fazer o rastreio.</p><p>Vacinação</p><p>• Prevenção primária</p><p>• São partículas do vírus produzida em células de leveduras por meio da tecnologia de DNA</p><p>recombinante;</p><p>• Tipo: VLP1</p><p>• Vacina tetravalente- contra o HPV (tipos 6, 11, 16 e 18)</p><p>Quem pode fazer:</p><p>• Meninas- 9 a 14 anos (2 doses) 0- 6 meses</p><p>• Meninos- 9 a 14 anos (2 doses) 0 – 6 meses</p><p>• HIV+- 9 a 45 anos (3 doses) 0- 2- 6 meses</p><p>Em novembro/2020, a OMS lançou a Iniciativa Mundial de Eliminação do Câncer de Colo do Útero com 3</p><p>pilares e metas principais a serem instituídos até o ano de 2030:</p><p>• Vacinação de 90% das meninas até os 15 anos de idade com a vacina contra o HPV.</p><p>• Garantir que 70% das mulheres realizem pelo menos 1 teste efetivo de rastreio até os 35 anos de</p><p>idade e outro até os 45 anos.</p><p>• Garantir que 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam</p><p>tratamento</p><p>Infecção pelo HPV</p><p>Maior parte tem uma regressão espontânea (65% em média), 20% inalterada e em 15% há chances de</p><p>progressão</p><p>• Geralmente os tipos que tendem a ter progressão são os 16, 18, 31 e 35</p><p>• A zona de transformação é a região mais comum para a displasia cervical</p><p>COLO DO ÚTERO</p><p>• Endocérvice- epitélio</p><p>• Endocérvice – epitélio glandular colunar.</p><p>• Ectocérvice – epitélio escamoso estratificado.</p><p>• Ambos estão em continuidade e se encontram na Junção Escamocolunar (JEC).</p><p>O epitélio glandular, sob os efeitos de alguns fatores, pode se transformar em epitélio escamoso (metaplasia</p><p>escamosa) e esse é um processo fisiológico. Essa área é conhecida como Zona de Transformação (ZT). A ZT</p><p>geralmente é ectocervical, mas tende a ficar endocervical em mulheres pós-menopausadas. Como é uma</p><p>área de atividade mitótica aumentada, a ZT é mais vulnerável às ações do HPV.</p><p>Colposcopia</p><p>• Exame para avaliar o colo e a ZT de forma magnificada (6 a 40 vezes).</p><p>• Para ser considerada satisfatória, deve-se visualizar a ZT.</p><p>• Quando há alteração após o ácido acético, chamamos de lesão acetorreagente ou acetobranca.</p><p>Com lugol, dizemos que é iodo-negativa ou Schiller positiva.</p><p>Figura 1: Ectopia é a presença de epitélio colunar endocervical evertido na ectocérvice. É fisiológica.</p><p>Progressão do HPV</p><p>Figura 2 NIC 1 representa a expressão cito morfológica de uma infecção transitória pelo HPV e tem alta probabilidade de regredir -> Não</p><p>é considerada lesão precursora do câncer do colo do útero.</p><p>• A lesão de baixo grau é de menor risco de progressão para carcinoma invasivo, diferentemente das</p><p>lesões intraepiteliais de alto grau, causadas por tipos de HPV oncogênicos, tendo comportamento de</p><p>lesão precursora.</p><p>• A neoplasia intraepitelial cervical é caracterizada pela perda da diferenciação e pela maturação da</p><p>camada basal do epitélio escamoso (“de baixo para cima”).</p><p>Lesões Pré-malignas de Vagina</p><p>Diagnóstico: com biópsia, geralmente feita durante a colposcopia</p><p>• Essas lesões coram com o ácido acético (Acetorreagentes) e não coram com lugol (Iodo negativo e</p><p>Schiller positivo)</p><p>Tratamento: feito conforme o grau da lesão</p><p>• NIVA 1 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 1): alta chance de eliminação espontânea. Então</p><p>geralmente orienta-se o acompanhamento semestral da lesão.</p><p>• NIVA 2 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 2) e NIVA 3 (Neoplasia Intraepitelial Vaginal grau 3):</p><p>recomenda-se o tratamento, já que há o risco de evolução no longo prazo para o câncer de vagina.</p><p>Há vários modos de tratamento, como técnicas destrutivas ou por excisão (bisturi elétrico, lâmina fria</p><p>e até uso do laser de CO2).</p><p>Lesões pré-malignas de Vulva</p><p>São associados aos subtipos não oncogênicos do HPV, essas lesões são relacionadas aos HPV de alto risco</p><p>(oncogênicos).</p><p>Diagnóstico: através de biópsia, que pode ser feita durante o próprio exame ginecológico ou durante a</p><p>vulvoscopia</p><p>• Essas lesões vão corar com o ácido acético (Acetorreagentes)</p><p>Tratamento: conforme o grau de lesão</p><p>• NIV 1 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 1), há uma alta chance de eliminação espontânea. Então</p><p>geralmente, orienta-se o seguimento semestral na mesma.</p><p>• NIV 2 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 2) e NIVA 3 (Neoplasia Intraepitelial Vulvar grau 3)</p><p>recomenda-se o tratamento, já que há o risco de evolução no longo prazo para o câncer de vulva.</p><p>Há vários modos de tratamento, como técnicas destrutivas ou por excisão (bisturi elétrico, lâmina fria</p><p>e até uso do laser de CO2).</p><p>Câncer de Colo Uterino</p><p>• É o câncer ginecológico mais comum entre as mulheres</p><p>• Câncer ginecológico com mais mortes relacionadas mundialmente, sendo de maior prevalência em</p><p>países subdesenvolvidos e em desenvolvimento</p><p>• Os tipos mais comuns e importantes são o Carcinoma de Células Escamosas (CEC) e o</p><p>adenocarcinoma. O CEC corresponde a quase 80% dos casos e tem melhor prognóstico quando</p><p>comparado ao adenocarcinoma.</p><p>o Adenocarcinoma: se origina das células colunares do endocérvice, podendo muitas vezes se</p><p>encontrar no fundo das criptas do canal endocervical e de modo multifocal, o que</p><p>comumente dificulta seu diagnóstico e é a causa de grande parte dos diagnósticos falso-</p><p>negativos do Papanicolaou e da colposcopia. Dessa forma, tem o seu diagnóstico retardado</p><p>o CEC: se origina das células da JEC e se apresenta comumente na região ectocervical.</p><p>Fatores de Risco</p><p>• Infecção pelo HPV (principalmente 16 e 18).</p><p>• início precoce da atividade sexual.</p><p>• Múltiplos parceiros sexuais.</p><p>• Parceiro sexual de risco.</p><p>• Atividade sexual sem proteção.</p><p>• Tabagismo.</p><p>• Desnutrição.</p><p>• Imunossupressão.</p><p>• Multiparidade.</p><p>• Baixa escolaridade.</p><p>• Baixo acesso ao Serviço de Saúde.</p><p>Quadro Clínico</p><p>Costuma ser assintomático em sua maioria= resulta na busca tardia por parte do paciente às redes de</p><p>saúde</p><p>• Conforme ocorrem a progressão da doença e o avanço da infiltração tumoral, o tumor pode</p><p>ocasionar hidronefrose e comprometimento renal do tipo pós-renal; hematúria, dor vesical e</p><p>sensação de esvaziamento incompleto quando acometimento vesical; dor lombar e pélvica</p><p>importante quando há comprometimento das raízes sacrais; além de edema de membros inferiores</p><p>quando há comprometimento da drenagem linfática pélvica.</p><p>Diagnóstico</p><p>• O exame de colpocitologia oncótica é o primeiro instrumento de rastreamento para o câncer de colo</p><p>uterino.</p><p>• Os casos suspeitos são encaminhados para colposcopia e biópsia.</p><p>• O exame físico de casos mais avançados pode revelar colo com lesão ulcerada suspeita ou palpável.</p><p>Os paramétrios podem estar infiltrados ao toque retal e linfonodomegalias inguinais podem estar</p><p>presentes.</p><p>• Para o diagnóstico dos tumores ginecológicos, a biópsia sempre é mandatória (mesmo com</p><p>imagem sugestiva) - necessária para devido diagnóstico</p><p>e tratamento específico</p><p>Prevenção</p><p>• Prática de exercícios físicos</p><p>• Não fumar</p><p>• Vacinação em dia</p><p>• Realização de colpocitologia e mamografia</p><p>• Tratamentos adequados (caso tenha diagnóstico)</p><p>Tratamento</p><p>Histerectomia radical: remove-se colo uterino, corpo lúteo, parte da vagina proximal e os paramétrios bilateralmente. Os</p><p>ovários não são fatores de risco para o câncer de colo uterino, então são preservados (exceto em casos de</p><p>adenocarcinoma, devido ao maior risco de metástase)</p><p>Tratamento sistêmico:</p><p>• Radioterapia</p><p>• Quimioterapia</p><p>O tratamento sistêmico com intuito curativo é indicado a partir do estágio IB2/ IB3. Nos casos muito</p><p>avançados (estágio IVB), a quimioterapia passa a ter papel fundamental para controle da doença à</p><p>distância (realizada como 1ª linha na maioria dos casos: carboplatina + paclitaxel) e a radioterapia pode ser</p><p>indicada na pelve para controle de sintomas (com intuito de conforto/ paliação)</p><p>FONTES:</p><p>1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes Da Silva - INCA. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Divisão</p><p>de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do</p><p>Colo do Útero. 2. ed. rev. atual. Rio De Janeiro: Inca; 2016.</p><p>2. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.</p><p>Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente</p><p>Transmissíveis/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites</p><p>Virais. - Brasília: Ministério da Saúde, 2015.</p><p>3. Bhatla N, Aoki D, Sharma DN, Sankaranarayanan R. Cancer of the cervix uteri. Int J Gynaecol Obstet. 2018 Oct;143</p><p>Suppl 2:22-36. doi: 10.1002/ijgo.12611. PMID: 30306584.</p><p>4. Diez I, Garcia Del Salto L, Marco Sanz A, Aguilera del Hoyo F, de Miguel Criado J, Quintana Valcarcel P et al. Female</p><p>pelvis: Malignant pathology in MRI. What should we know? ECR 2020 [Internet]; 2020 [acesso em 17 jan 2023].</p><p>Disponível em: https://epos.myesr.org/poster/ esr/ecr2020/C-05465. https://dx.doi.org/10.26044/ ecr2020/C-</p><p>05465</p><p>5. Quinn MA, Benedet JL, Odicino F, et al. Carcinoma of the cervix uteri. Int J Gynaecol Obstet 2006; 95:S43.</p>