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<p>Conteudista: Prof. Dr. Carlos Henrique Canesin</p><p>Revisão Textual: Prof.ª M.ª Jessica Romanin Mattus</p><p>Objetivo da Unidade:</p><p>Capacitar o(a) aluno(a) para compreender as teorias sistêmicas das relações</p><p>internacionais, com foco em seus modelos analíticos e aspectos práticos.</p><p>˨ Material Teórico</p><p>˨ Material Complementar</p><p>˨ Referências</p><p>O Sistema: Teoria e Análise das Relações</p><p>Internacionais</p><p>Introdução</p><p>Nesta Unidade, nós refletiremos sobre os breves relatos acerca de episódios da história das</p><p>relações internacionais no século XX. Para isso, iniciamos com a compreensão de que, em 1994,</p><p>eram a União Soviética (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA) os grandes aliados e os</p><p>principais combatentes em uma guerra mundial de ampla escala contra a Alemanha nazista. O</p><p>esforço de guerra conjunto teve grave custo econômico e humano para ambas as nações. No</p><p>entanto, era justificado com base na necessidade de conter o fascismo e o nazismo.</p><p>TEMA 1 de 3</p><p>˨ Material Teórico</p><p>Figura 1 – Caminho único, representação das restrições do</p><p>sistema internacional</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Cerca de uma década após o final da Segunda Guerra Mundial, em 1955, os EUA e a Alemanha,</p><p>por sua vez, eram aliados privilegiados em uma intensa competição bipolar contra a URSS, em</p><p>uma tentativa de conter a influência comunista no leste europeu e sua penetração na Europa</p><p>ocidental (PECEQUILO, 2003; SMALL, 1996).</p><p>Durante o período da Guerra Fria nos EUA, presidentes de diferentes partidos e orientações se</p><p>alternaram no comando do país durante um momento de elevada tensão e competição bipolar</p><p>com a URSS. Como exemplo, podemos citar a sucessão entre Richard Nixon, Jimmy Carter e</p><p>Ronald Reagan. O primeiro ocupou o mandato presidencial entre 1969 e 1974 (até sua renúncia)</p><p>pelo Partido Republicano. Por sua vez, Carter foi presidente de 1977 a 1981 pelo Partido</p><p>Democrata. Já Reagan ocupou o cargo entre 1981 e 1989 pelo Partido Republicano.</p><p>A despeito de pertencerem a partidos diferentes, com programas e ideologias distintas,</p><p>retrospectos e experiências, além de características pessoais e personalidade, também muito</p><p>diferentes, a política externa dos EUA na Guerra Fria seguiu certa estabilidade nesse período em</p><p>relação à União Soviética. Apesar de todas essas diferenças, em termo básicos, todos os</p><p>presidentes do período aderiram à mesma lógica de política externa e ao mesmo objetivo</p><p>estratégico (HUNT, 1987; SMALL, 1996).</p><p>Reflita</p><p>O que aconteceu nesse período? Como aliados de guerra se converteram</p><p>tão rapidamente em inimigos? Como inimigos com incompatibilidades</p><p>insanáveis se converteram em aliados?</p><p>Reflita</p><p>O que fez com que presidentes norte-americanos diferentes, em</p><p>governos e partidos distintos, que inclusive faziam oposição entre si</p><p>As respostas para ambas as perguntas e reflexões são oferecidas ao estudante das relações</p><p>internacionais pela perspectiva de análise de longo alcance ou sistêmica. No primeiro caso, uma</p><p>das respostas é a de que os Estados possuem interesses permanentes no sistema internacional.</p><p>As alianças servem apenas como meio de buscar esses interesses. Portanto, nas relações</p><p>internacionais, as alianças não são permanentes, mas os interesses sim. Tanto no caso da</p><p>aliança entre EUA e URSS durante a Segunda Guerra Mundial quanto entre EUA e Alemanha no</p><p>pós-Segunda Guerra, os EUA estão buscando seus próprios interesses. Esta seria uma</p><p>necessidade imposta pelo próprio sistema internacional para a sobrevivência dos Estados.</p><p>Já no segundo caso, uma resposta possível é a de que a personalidade, as preferências pessoais e</p><p>mesmo a política doméstica não afetam a política internacional. Existe uma divisão entre o</p><p>doméstico e o internacional. E o comportamento dos Estados, a política externa dos EUA, no</p><p>caso, depende apenas das características do sistema internacional da Guerra Fria e não das</p><p>alterações observadas na política doméstica norte-americana nesse mesmo período.</p><p>na política doméstica, mantivessem as bases da mesma política</p><p>externa no ambiente internacional?</p><p>Livro</p><p>Explaining the History of American Foreign Relations</p><p>COSTIGLIOLA, F.; HOGAN, M. J. Explaining the History of American</p><p>O analista das relações internacionais interessado no estudo de teorias e modelos sistêmicos</p><p>pode encontrar na literatura inúmeros outros relatos históricos similares. Nesta Unidade, nosso</p><p>objetivo será realizar uma discussão do modelo analítico das relações internacionais proposto</p><p>pelas teorias sistêmicas.</p><p>Iniciaremos pela definição do escopo do próprio sistema internacional. Nessa discussão, não</p><p>estaremos especificamente interessados em explorar a definição de sistema internacional e</p><p>suas diferentes acepções teóricas, mas, sim, suas características estruturais básicas e as</p><p>consequências destas para o comportamento dos Estados.</p><p>Os aspectos analíticos da compreensão de como esse comportamento é afetado por um</p><p>conjunto de variáveis-chave associadas ao sistema internacional serão debatidos na terceira</p><p>seção. Por fim, concluiremos nossa discussão tecendo algumas recomendações e observações</p><p>práticas que devem ser levadas em conta pelo estudante das relações internacionais interessado</p><p>em empreender uma análise sistêmica.</p><p>O Sistema Internacional</p><p>A análise das relações internacionais a partir de uma perspectiva de longo alcance ou sistêmica</p><p>insere-se, conforme discutimos anteriormente, no rol dos temas da agenda tradicional do</p><p>campo. De forma geral, as teorias e os modelos associados à perspectiva sistêmica não têm</p><p>como objetivo entender ou compreender as causas ou variáveis explicativas específicas ou de</p><p>fundo de cada um dos processos e fenômenos das relações internacionais.</p><p>Foreign Relations. Cambridge: Cambridge University Press, 2016. (e-</p><p>book)</p><p>Figura 2 – Sistema Internacional, sistema de Estados</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Essas teorias e modelos são, na verdade, generalistas. Procuram explicar o comportamento</p><p>geral dos Estados e a dinâmica de equilíbrio no sistema internacional. São também</p><p>reducionistas, ou seja, buscam reduzir a explicação dos fenômenos às suas causas subjacentes,</p><p>básicas ou imediatas localizadas no sistema internacional.</p><p>Assim, não buscam uma compreensão analítica de quaisquer fatores específicos associados a</p><p>autoridades, lideranças individuais ou ao Estado, sua política doméstica e estruturas internas,</p><p>que poderiam direta ou indiretamente estar relacionados ao objeto de estudo ou fenômeno.</p><p>São também, portanto, parcimoniosas ao identificarem um pequeno número de variáveis-chave</p><p>ou dimensões para análise do comportamento do Estado oriundas das características</p><p>fundamentais do sistema internacional. A premissa da análise sistêmica é de que o</p><p>comportamento dos Estados, enquanto variável dependente, é produto apenas da estrutura do</p><p>sistema internacional e de suas condições.</p><p>Importante!</p><p>Para nossa discussão nesta Unidade, é preciso manter a atenção sobre</p><p>os distintos objetivos teórico-analíticos específicos das diferentes</p><p>perspectivas das teorias das relações internacionais, bem como sobre a</p><p>diferença entre explicar e entender, ou compreender, causas gerais e</p><p>específicas, dedicando especial consideração aos aspectos</p><p>metateóricos subjacentes ao processo analítico.</p><p>Livro</p><p>International Relations Theory</p><p>VIOTTI, P. R.; KAUPPI, M. V. International relations theory. Nova Iorque:</p><p>Longman, 2010.</p><p>O que não significa que as teorias sistêmicas não possuam grande valor nos estudos das</p><p>relações internacionais. Estas estão, na verdade, entre os mais tradicionais e difundidos</p><p>modelos analíticos do debate no campo. Afinal, conforme discutimos anteriormente, o</p><p>internacional, aqui diretamente associado ao sistema a partir de uma perspectiva tradicional, é</p><p>propriamente o que define a disciplina de relações internacionais.</p><p>Para uma discussão do modelo analítico das relações internacionais proposto pelas teorias</p><p>sistêmicas, o qual abordaremos na terceira seção, iremos primeiramente, nesta seção, explorar</p><p>o próprio conceito de sistema internacional.</p> <p>Conforme estabelecido anteriormente, não nos ocuparemos de uma análise ou discussão</p><p>profunda de sistema internacional e suas diferentes acepções teóricas. Nosso objetivo é destacar</p><p>as características estruturais básicas comuns do sistema internacional e as suas consequências</p><p>para o comportamento dos Estados.</p><p>Anarquia e Autoajuda</p><p>A política doméstica, entendida a partir da grande divisão tradicional, é estruturada em torno de</p><p>formas centralizadas de governo dentro de determinada hierarquia, onde uma autoridade</p><p>máxima estabelece padrões de estruturação de diversos aspectos da vida em sociedade em geral.</p><p>Figura 3 – Anarquia x Hierarquia</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>As relações internacionais, ao contrário, como não é novidade para nenhum estudante da área,</p><p>não seguem esse padrão de hierarquia. De uma perspectiva estrutural, a política internacional é</p><p>anárquica (WALZ, 2002), o que, nunca é demais enfatizar, não significa automaticamente caos e</p><p>violência, mas apenas a falta de uma autoridade política centralizada no sistema internacional.</p><p>Essa autoridade política não pode ser exercida por nenhum ator, nem mesmo Organizações</p><p>Internacionais (OIs) multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Embora as OIs</p><p>sejam um importante dado que reflete a tese neoliberal de institucionalização das relações</p><p>internacionais, não alteram a estrutura básica do sistema internacional, o qual continua sendo</p><p>anárquico.</p><p>O Estados soberanos são, para essa perspectiva, os atores por excelência do sistema</p><p>internacional e nada abala seu protagonismo. O mandato que organizações multilaterais ou</p><p>supranacionais (blocos de integração regional) possuem em determinados temas pode ser</p><p>revogado a qualquer tempo pelo Estado interessado. Esse é um exercício de sua própria</p><p>soberania.</p><p>Do ponto de vista analítico, é importante reconhecer que, da mesma forma que a ocorrência de</p><p>um fator ou variável afeta o comportamento dos atores, como a hierarquia do Estado afeta o</p><p>comportamento dos atores domésticos, a ausência deste fator, a anarquia, também molda o</p><p>comportamento dos atores.</p><p>A anarquia coloca os Estados soberanos em uma condição contínua de autoajuda</p><p>(MEARSHEIMER, 2007). Os Estados estão por conta própria e não têm a quem recorrer para</p><p>levar adiante seus próprios interesses, ou, em última instância, garantir a sua sobrevivência</p><p>enquanto unidade política no sistema internacional.</p><p>Essa é uma premissa universalmente reconhecida pelas teorias sistêmicas tanto de matriz</p><p>neorrealista quanto neoliberal. Ambas as perspectivas irão divergir, no entanto, sobre o quanto</p><p>os Estados se concentram na segurança como interesse único. De qualquer forma, governos,</p><p>corporações e indivíduos não podem igualmente buscar seus interesses, sejam quais forem, se a</p><p>própria existência do Estado não estiver assegurada.</p><p>Sob essa hipótese, autopreservação torna-se a prioridade dos Estados. E estes são</p><p>impulsionados por um imperativo estrutural de aumentar sua própria capacidade de preservar</p><p>sua segurança. O objetivo padrão, ou ao menos o interesse último, dos Estados é, portanto,</p><p>dotar-se dos recursos de poder ou capacidades necessárias para sua sobrevivência.</p><p>Uma questão analítica frequentemente colocada sobre esse ponto é qual seria o quantum, ou</p><p>seja, a quantidade de poder suficiente para garantir a segurança do Estado e seus interesses</p><p>(GLASER; KAUFMANN, 1998). A resposta é incerta, e os Estados, no mundo empírico, parecem</p><p>nunca deixar de acumular, de alguma forma, capacidades.</p><p>Medir o poder, no entanto, é uma tarefa analítica complexa. Não basta somar os gastos militares,</p><p>o quantitativo de tropas, o número de armas de determinado tipo, além de outros recursos</p><p>militares. A força econômica, a base de recursos naturais, a geografia e demografia, associadas a</p><p>fatores abstratos como a moral nacional ou das tropas, a informação e a estratégia, além de</p><p>outros recursos intangíveis, devem ser incluídas nessa avaliação.</p><p>Uma dificuldade adicional é que tudo isso representa apenas o poder absoluto do Estado, mas,</p><p>do ponto de vista analítico sistêmico, o que importa é seu poder relativo. Ou seja, a sua posição</p><p>na hierarquia de poder quando comparado ao poder dos demais Estados no sistema.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Incerteza</p><p>Leitura</p><p>Teoria das Relações Internacionais</p><p>Embora não estejamos especificamente interessados, na presente</p><p>discussão, em uma exploração mais profunda dos conceitos de</p><p>anarquia e autoajuda, ou das características particularidades com que</p><p>cada uma das diferentes perspectivas sistêmicas abordam o tema, uma</p><p>abordagem profunda dessas dimensões pode ser acompanhada a</p><p>seguir.</p><p>http://funag.gov.br/loja/download/931-Teoria_das_Relacoes_Internacionais.pdf</p><p>Como se não bastasse, ser um Estado poderoso não garante necessariamente a segurança deste.</p><p>Um episódio clássico a ilustrar este ponto é a Segunda Guerra Mundial. A França dispunha de</p><p>elevada capacidade militar e grandes estruturas defensivas ao longo de quase toda a sua</p><p>fronteira com a Alemanha, sendo indubitavelmente uma das potências internacionais da época.</p><p>Figura 4 – Incerteza</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Apesar do aparente equilíbrio de poder relativo entre França e Alemanha, o poder francês provou</p><p>ser insuficiente. Em poucas semanas, os alemães a invadiram e a ocuparam no ano de 1940. A</p><p>estrutura anárquica da política internacional exige que os Estados avaliem seu poder em relação</p><p>aos riscos presentes e futuros, sob contínua incerteza (WALTZ, 2002).</p><p>Dessa forma, o Estado não pode simplesmente estar satisfeito com sua posição atual, planejar o</p><p>futuro é um imperativo para sua sobrevivência. Tal planejamento, por sua natureza, envolve</p><p>elevada incerteza. Dada a incerteza, o Estado precisa estar preparado para os piores cenários.</p><p>O problema intrínseco desse processo de autoajuda ao qual os Estados estão submetidos, em</p><p>decorrência da anarquia, é que as ações de um Estado afetam diretamente os demais. Se</p><p>determinado Estado buscar construir mais capacidades ou recursos para elevar sua segurança,</p><p>suas capacidades aumentadas farão com que os outros Estados se sintam menos seguros, pois</p><p>resultou em um desequilíbrio do poder relativo entre eles.</p><p>Por sua vez, é racional que o Estado afetado pela redução de sua segurança busque ele próprio</p><p>aumentar seu poder. O que levará a um novo desequilíbrio do poder relativo e assim</p><p>sucessivamente, no que convencionou-se chamar de dilema de segurança (BOOTH; WHEELER,</p><p>2008). Quando cada Estado busca se proteger isoladamente, em um processo de autoajuda,</p><p>coletivamente todos perdem.</p><p>Assim, a anarquia revela a verdadeira natureza do sistema internacional, o que explica a</p><p>preocupação dos Estados com a segurança. A segurança requer poder, mas a busca pelo poder</p><p>afeta todos os outros atores no sistema, criando um dilema de segurança, o qual pode ou não ser</p><p>mitigado, a depender da perspectiva teórica.</p><p>Independentemente dessa discussão específica, a partir da compreensão dos efeitos da anarquia</p><p>e da operação básica do sistema internacional como um sistema de autoajuda, nós nos</p><p>aprofundaremos na próxima seção nos aspectos analíticos dos modelos sistêmicos e suas</p><p>variáveis explicativas.</p><p>Teorias Sistêmicas</p><p>Conforme discutimos anteriormente, as teorias sistêmicas estão relacionadas a modelos</p><p>analíticos de longo alcance. Em uma leitura geral, as teorias sistêmicas, como o neorrealismo, o</p><p>neoliberalismo e a Escola Inglesa, convergem para a premissa apresentada na seção anterior, de</p><p>que existe um padrão de comportamento dos Estados produzido pelas condições de anarquia do</p><p>sistema internacional, o qual denominados de autoajuda.</p><p>Figura 5 – Teorias sistêmicas</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>O que significa que a análise sistêmica deve se concentrar em como os Estados respondem à</p><p>distribuição de poder no sistema internacional. Para isso, as condições de equilíbrio do sistema</p><p>internacional, ou seja, sua estrutura básica, deve ser primariamente o objeto de análise.</p><p>Alternativamente,</p> <p>em vez do equilíbrio geral, pode-se também falar do equilíbrio de um</p><p>subsistema ou contexto regional específico de interesse, relacionado ao evento ou fenômeno</p><p>estudado, conforme veremos mais adiante. Esta análise permitirá avaliar o padrão de</p><p>distribuição de poder e como essa distribuição afeta o comportamento dos Estados.</p><p>Para isso, o modelo de análise sistêmica, conforme veremos a seguir, opera em três dimensões</p><p>buscando as variáveis-chave para a construção de suas análises do comportamento dos Estados</p><p>no sistema internacional.</p><p>Clique no botão para conferir o conteúdo.</p><p>ACESSE</p><p>Modelo de Análise</p><p>Com base em nossa discussão sobre o sistema internacional na seção anterior, na presente</p><p>seção exploraremos em maior profundidade as diferentes dimensões analíticas e variáveis-</p><p>chave do modelo de análise proposto pelas teorias sistêmicas.</p><p>Site</p><p>Systems Theory</p><p>Uma breve discussão sobre o conceito de teorias sistêmicas nas</p><p>relações internacionais, com indicações de leitura complementar e</p><p>obras de apoio, pode ser acessada em:</p><p>https://www.oxfordbibliographies.com/view/document/obo-9780199743292/obo-9780199743292-0243.xml#obo-9780199743292-0243-div1-0002</p><p>Figura 6 – Análise no nível sistêmico, medindo o mundo</p><p>Fonte: Getty images</p><p>A saber: (i) a estrutura e a distribuição de poder do sistema internacional; (ii) a dinâmica de</p><p>equilíbrio (interação e condições da anarquia) do sistema internacional; e (iii) as características</p><p>institucionais do sistema internacional.</p><p>Estrutura e Distribuição de Poder</p><p>Do ponto de vista analítico, a expressão prática dos efeitos da anarquia no sistema internacional</p><p>resulta na determinação de um padrão específico de distribuição de poder em todo o sistema</p><p>internacional. A concentração de poder relativo no sistema, por sua vez, estabelece suas</p><p>características estruturais (WALTZ, 2002).</p><p>Figura 7 – Polos de poder, sistema bipolar (representação)</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Dessa forma, a depender do número de pontos de concentração relevante de poder no sistema,</p><p>que denominamos de polos, teremos como produto sistemas internacionais estruturalmente</p><p>diferentes. Essa é a expressão prática do conceito das teorias sistêmicas, de que a estrutura do</p><p>sistema internacional é baseada na distribuição de poder relativo.</p><p>Assim, o número de centros de poder existentes estabelece o número de polos de poder do</p><p>sistema e, por consequência, sua estrutura. Essa estrutura pode ser, em geral, de três naturezas</p><p>diferentes, a depender do tipo de concentração de poder observada no sistema: (i) unipolar; (ii)</p><p>bipolar; ou (iii) multipolar.</p><p>Conforme o próprio nome sugere, um sistema unipolar é caracterizado por um único polo de</p><p>poder. O Estado representado nesse polo é frequentemente denominado de potência</p><p>hegemônica ou hegemon. Já um sistema bipolar é formado por dois polos opostos de poder. E,</p><p>por fim, um sistema multipolar é formado por três ou mais polos de poder distribuídos no</p><p>sistema internacional.</p><p>A estrutura de poder do sistema (unipolar, bipolar ou multipolar), por sua vez, afeta a dinâmica</p><p>das relações interestatais e a própria condição da anarquia no sistema. A distribuição de poder</p><p>não apenas molda as relações interestatais reais, mas molda também como os Estados veem e</p><p>pensam essas relações e as suas estratégias.</p><p>Dinâmica de Equilíbrio</p><p>As condições da estrutura de poder do sistema internacional afetam o comportamento de</p><p>autoajuda dos Estados e a forma como buscam por equilíbrio. Estes buscam evitar configurações</p><p>de poder em que um Estado ou grupo de Estados possa adquirir uma vantagem significativa em</p><p>termos de poder relativo.</p><p>Figura 8 – Equilíbrio</p><p>Fonte: Getty Images</p><p>Essa dimensão pode ser verificada analiticamente por meio da coleta de informações sobre as</p><p>capacidades militares e políticas internas, intensidade de contatos diplomáticos e espionagem,</p><p>gastos militares, investimento em tecnologia, fortalecimento das economias e instituições, etc.</p><p>A razão por trás dessa atividade estatal é a preocupação com o poder relativo na política</p><p>internacional de acordo com esta perspectiva.</p><p>Frequentemente, o equilíbrio não pode ser atingido isoladamente e, portanto, a formação de</p><p>blocos e alianças entre Estados é um dado empírico relevante. As alianças são um importante</p><p>instrumento de equilíbrio. É preciso pontuar, ainda, que as estratégias dos Estados consistem</p><p>em buscar equilíbrio contra ameaças e não apenas estimativas de poder relativo dos outros</p><p>Estados de forma geral (WALT, 2013).</p><p>Ou seja, o padrão de blocos e alianças no sistema afeta como os Estados veem a própria</p><p>distribuição de poder. Assim, enquanto no caso de dois aliados a elevação de poder relativo de</p><p>um deles possa ser vista como benéfica pelo outro, o mesmo não ocorrerá no caso de um rival.</p><p>Portanto, o aliado não terá incentivos a equilibrar poder, mas o rival sim.</p><p>Dessa forma, analiticamente é importante considerar não apenas as diferenças de poder relativo</p><p>em uma avaliação, mas também o padrão de ameaças e o papel dos blocos e alianças na dinâmica</p><p>de equilíbrio. Além disso, a análise não deve se concentrar apenas na distribuição global de</p><p>poder. Na avaliação da dinâmica de equilíbrio, deve-se considerar também os equilíbrios locais e</p><p>regionais (BUZAN; WAEVER, 2003).</p><p>É preciso, ainda, reconhecer empiricamente quando, em certos casos, os Estados, em uma</p><p>interação sucessiva indireta entre si, estão focados em diferentes ameaças e como cada um</p><p>desses equilíbrios afeta todos os demais. Assim, um equilíbrio bilateral, como no caso de Irã e</p><p>EUA, afeta o equilíbrio regional no Oriente Médio, que afeta os interesses e o equilíbrio de Israel,</p><p>que por sua vez pode atuar globalmente ou regionalmente para equilibrar-se contra o Irã.</p><p>Outra possibilidade empírica ocorre quando um Estado afeta um equilíbrio regional mesmo que</p><p>não esteja geograficamente localizado naquele contexto. Os EUA, por exemplo, afetam o</p><p>equilíbrio regional europeu, embora não seja um Estado europeu, o que, por sua vez, afeta os</p><p>interesses e o equilíbrio russo.</p><p>Portanto, a análise será diferente se examinarmos o equilíbrio por meio de uma estrutura local,</p><p>regional ou global. O resultado da dinâmica de equilíbrio pode, ainda, ser variável. Como</p><p>resultado de um equilíbrio específico, os Estados podem buscar a estabilidade, a cooperação, o</p><p>conflito ou mesmo a guerra.</p><p>Dessa forma, compreender como, nas condições ou contexto específicos estudados devido às</p><p>características estruturais determinadas, a dinâmica do equilíbrio molda o comportamento dos</p><p>Estados, no sistema internacional e/ou nos subsistemas local e regional, é tarefa analítica</p><p>crucial.</p><p>Características Institucionais</p><p>A estrutura anárquica do sistema internacional pode, ainda, ser entendida dentro de uma</p><p>perspectiva neoliberal ou institucional-liberal, moldada por normas, regras e processos</p><p>baseados em instituições formais e informais (KEOHANE, 2020). Tais elementos se manifestam</p><p>empiricamente por meio do direito internacional, das Organizações Internacionais, dos</p><p>acordos, tratados e regimes, das convenções e costumes, da diplomacia, e assim por diante.</p><p>Figura 9 – Bandeira da ONU</p><p>Fonte: mwib.org</p><p>As características institucionais do sistema internacional mitigariam, portanto, os efeitos da</p><p>anarquia em prol de regras e normas que moldam o comportamento e as expectativas dos</p><p>Estados. Mesmo quando estão em guerra, existem características institucionais que regem as</p><p>regras de combate entre eles (FARREL, 2005).</p><p>Inclusive, em batalha, há distinção entre combatentes e a população civil, e sobre as regras de</p><p>combate e como combatentes derrotados e capturados devem ser tratados. Quando esses</p><p>padrões são violados, essas infrações configuram crimes internacionais ou mesmo crimes</p><p>contra a humanidade, para os quais existem fóruns internacionais específicos para punir os</p><p>infratores.</p><p>Considerando o papel do direito e das instituições internacionais em reduzir a incerteza e a</p><p>desconfiança no sistema internacional, as condições</p> <p>da anarquia e o comportamento de</p><p>autoajuda dos Estados poderiam ser mitigados. Isso cria incentivos para a coordenação e a</p><p>cooperação no sistema.</p><p>Nesse sentido, à medida que normas e instituições moldam o comportamento dos Estados,</p><p>estas ganham cada vez maior influência e ampliam a institucionalização do sistema</p><p>(FINNEMORE; SIKKINK, 1998). Analiticamente, portanto, é preciso identificar as normas e</p><p>regras de interação entre os Estados no tema ou contexto estudado. Da mesma forma, deve-se</p><p>avaliar as suas características e grau de institucionalização em termos de aderência do</p><p>comportamento dos Estados.</p><p>É importante notar, porém, que interagir sob algum conjunto de regras ou normas não elimina a</p><p>competição entre os Estados, mas a disciplina reduz a incerteza. Como suas expectativas são</p><p>moldadas pelo conhecimento das regras e normas, os Estados as utilizam para desenvolver suas</p><p>estratégias, inclusive competitivas.</p><p>Normas e regras podem encorajar a conformidade, mesmo quando pode haver uma</p><p>desvantagem momentânea no cumprimento das regras, tendo em vista que os Estados buscam</p><p>objetivos estratégicos de longo prazo e devido à sombra das interações futuras no sistema. Esse</p><p>ponto é particularmente importante, pois os Estados podem aceitar perdas no curto prazo com</p><p>vistas a auferir ganhos maiores no futuro.</p><p>Essa dimensão institucional dá base analítica para explicar como a cooperação pode ser criada e</p><p>sustentada no sistema internacional, apesar da anarquia (KEOHANE, 2005). Esse é um</p><p>importante ponto de partida para a análise, por exemplo, do papel desempenhado pelas</p><p>organizações internacionais nas relações internacionais.</p><p>Uma análise sistêmica deve, portanto, considerar a relevância das instituições para a explicação</p><p>do evento ou fenômeno estudado. Ou seja, considerar a relevância das normas, regras e do</p><p>direito internacional, assim como das organizações internacionais, multilaterais e regionais, no</p><p>comportamento dos Estados, além da estrutura e distribuição de poder, bem como as condições</p><p>do equilíbrio local, regional ou global.</p><p>Em Síntese</p><p>A análise sistêmica requer a exclusão de quaisquer fatores explicativos</p><p>associados a autoridades, lideranças individuais ou ao Estado, sua</p><p>política doméstica e estruturas internas relacionados ao objeto de</p><p>estudo ou fenômeno. A premissa da análise sistêmica é a de que o</p><p>comportamento dos Estados, enquanto variável dependente, é produto</p><p>apenas da estrutura do sistema internacional e de suas condições, ou</p><p>as variáveis explicativas, conforme discutimos na seção anterior.</p><p>Em resumo, a análise sistêmica reduz o processo analítico das relações</p><p>internacionais aos seus elementos mais básicos. O foco no sistema</p><p>fornece uma explicação das causas imediatas ou subjacentes da</p><p>política internacional, enquanto as perspectivas dos níveis individual e</p><p>do Estado/doméstico podem revelar as causas específicas de</p><p>determinadas decisões ou comportamentos.</p><p>No entanto, esses são objetivos analíticos distintos e não devem ser</p><p>confundidos. O analista deve ter foco e evitar o equívoco prático de</p><p>misturar os níveis de análise, o que pode conduzir a análises</p><p>imprecisas ou mesmo inválidas. As variáveis sistêmicas são</p><p>importantes ferramentas para explicar a dinâmica geral do sistema</p><p>internacional e requerem uma abordagem de modelo analítico</p><p>específica, conforme discutimos na seção anterior.</p><p>Deve-se também ter em mente que, mesmo reconhecendo a</p><p>importância empírica das instituições, regras e normas</p><p>internacionais, não significa que o sistema internacional resultante</p><p>deixe de ser caracterizado primariamente pela condição de anarquia.</p><p>A anarquia é uma condição inescapável da constituição do próprio</p><p>sistema. Igualmente importante é o reconhecimento de que a anarquia</p><p>não torna o direito internacional ou as instituições internacionais</p><p>menos eficazes no mundo real.</p><p>Quaisquer conclusões ou explicações para os eventos e fenômenos deve</p><p>ser precedida pela análise empírica da estrutura e distribuição de</p><p>poder, da interação e condições da anarquia e das características</p><p>institucionais do sistema.</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Livros</p><p>New Systems Theories of World Politics</p><p>ALBERT, M.; CEDERMAN, L.; WENDT, A. (ed.). New systems theories of world politics. Nova Iorque:</p><p>Palgrave Macmillan, 2010. (e-book)</p><p>Nesta obra, o estudante interessado em modelos de análise sistêmica poderá encontrar uma</p><p>relevante coleção de ensaios acadêmicos contemporâneos que buscam estabelecer uma nova</p><p>agenda de pesquisa e análise sistêmica nas relações internacionais atuais.</p><p>The Great Powers and the International System: Systemic Theory</p><p>in Empirical Perspective</p><p>BRAUMOELLER, B. F. The great powers and the international system: systemic theory in empirical</p><p>perspective. Cambridge: Cambridge University Press, 2012. (e-book)</p><p>Esta obra é uma das melhores visões gerais contemporâneas sobre os modelos de análise</p><p>sistêmica nas relações internacionais. Com grande preocupação empírica e metodológica, o</p><p>TEMA 2 de 3</p><p>˨ Material Complementar</p><p>autor examina as diferentes tradições teórico-interpretativas e apresenta proposta de inovação</p><p>da teoria de sistemas.</p><p>Filmes</p><p>Lawrence of Arabia | Trailer</p><p>Neste épico clássico do cinema, acompanhamos a história da ascensão e queda de T. E.</p><p>Lawrence, um oficial britânico que conseguiu unir e liderar várias tribos árabes durante a</p><p>Primeira Guerra Mundial e colocar fim à dominação do Império Otomano no Oriente Médio. No</p><p>entanto, as promessas de apoio, democracia e liberdade, que levou ao engajamento da região</p><p>como aliados ocidentais na Primeira Guerra, não foram cumpridas pelas grandes potências</p><p>durante o Tratado de Versalhes no pós-guerra. De forma geral, os Estados do Oriente Médio</p><p>conseguiram derrubar o domínio otomano e apoiar os aliados na guerra apenas para caírem</p><p>dominados mais uma vez, traídos pelas potências vencedoras a partir de suas considerações</p><p>estritas sobre o equilíbrio de poder do pós-guerra. Sob esse aspecto, o filme nos mostra os</p><p>efeitos sistêmicos sobre esses Estados a despeito da vontade e dos esforços dos líderes, dos</p><p>acordos e das promessas. Recorda-nos também que, no sistema internacional, tudo está</p><p>conectado e que os problemas futuros geralmente são causados por erros ou falhas do passado.</p><p>Como sugere ser o caso, o fracasso ocidental em cumprir as promessas de apoio e de liberdade</p><p>no Oriente Médio do pós Primeira Guerra continua sendo uma causa primária de conflito na</p><p>região e de instabilidade para o próprio sistema internacional.</p><p>LAWRENCE OF ARABIA - Trailer O�cial Português</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=zSfE5TiyPd8</p><p>O Senhor dos Anéis | Trailer</p><p>Nesta adaptação cinematográfica de grande bilheteria da saga de aventura fantástica de Tolkien,</p><p>assistimos à história de um grupo que recebe a missão de destruir um anel mágico poderoso</p><p>antes que este caia nas mãos do mal. Não apenas as forças do mal, mas outros atores disputam o</p><p>anel, em uma leitura direta da lição sistêmica das capacidades e do poder relativo. O pano de</p><p>fundo da história traz também lições importantes sobre a política de poder, a dinâmica de</p><p>equilíbrio, incerteza, alianças, instituições, conflito e cooperação. A despeito da diferença de</p><p>características, personalidades, vontades, interesses e motivações de cada um dos atores</p><p>envolvidos, todos têm seus destinos e caminhos unidos, subjugados por um mecanismo maior</p><p>em ação, responsável pelos eventos nesse mundo de fantasia, que poderíamos denominar de</p><p>sistema internacional da “Terra Média”.</p><p>Trailer O�cial Da Trilogia O Senhor Dos Anéis Legendado</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=cEknWmwZaXk</p><p>BOOTH, K.; WHEELER, N. J. The security dilemma: fear, cooperation and trust in world politics.</p><p>London: Bloomsbury Publishing, 2008.</p><p>BUZAN, B.; WAEVER, O. Regions and powers: the structure of international security. Cambridge:</p><p>Cambridge University Press, 2003. (e-book)</p><p>CASTRO, T. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG,</p> <p>2012. Disponível em:</p><p>. Acesso</p><p>em: 11/01/2022.</p><p>COSTIGLIOLA, F.; HOGAN, M. J. Explaining the history of american foreign relations. 3. ed.</p><p>Cambridge: Cambridge University Press, 2016. (e-book)</p><p>FARRELL, T. The norms of war: cultural beliefs and modern conflict. Boulder: Lynne Rienner</p><p>Publishers, 2005.</p><p>FINNEMORE, M.; SIKKINK, K. International norm dynamics and political change. International</p><p>Organization, Cambridge, v. 52, n. 4, p. 887-917, 1998.</p><p>GLASER, C. L.; KAUFMANN, C. What is the o�ense-defense balance and can we measure</p><p>it?: o�ense, defense, and international politics. International Security, Cambridge, v. 22, n. 4, p. 44-</p><p>82, 1998. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 11/01/2022.</p><p>TEMA 3 de 3</p><p>˨ Referências</p><p>HAMILTON, E. Systems theory. Oxford bibliographies, 2018. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 11/01/2022.</p><p>HUNT, M. Ideology and U.S. foreign policy. New Haven: Yale University Press, 1988.</p><p>KEOHANE, R. O. After hegemony: cooperation and discord in the world political economy. New York:</p><p>Princeton University Press, 2005. (e-book)</p><p>KEOHANE, R. O. International institutions and state power: essays in international relations theory.</p><p>New York: Routledge, 2020. (e-book)</p><p>MEARSHEIMER, J. A tragédia da política das grandes potências. Lisboa: Gradiva, 2007. (Coleção</p><p>Trajectos).</p><p>PECEQUILO, C. S. A política externa dos Estados Unidos. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2003.</p><p>SMALL, M. Democracy and diplomacy: the impact of domestic politics on U.S. foreign policy, 1789-</p><p>1994. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1995.</p><p>VIOTTI, P. R.; KAUPPI, M. V. International relations theory. London: Person, 2010.</p><p>WALT, S. M. The origins of alliances. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2013. (e-book)</p><p>WALTZ, K. N. Teoria das relações internacionais. Lisboa: Gradiva, 2002. (Coleção Trajectos).</p>