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<p>M A N U A L D O P R O F E S S O R</p><p>ENSINO MÉDIO</p><p>Área do Conhecimento:</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>MANUAL DO PROFESSOR</p><p>VOLUME ÚNICO</p><p>LINGUAGENS</p><p>LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS</p><p>E SUAS TECNOLOGIAS</p><p>ENSINO MÉDIO — VOLUME ÚNICO</p><p>PROJETOS INTEGRADORES</p><p>9 7 8 8 5 9 6 0 2 7 7 1 7</p><p>ISBN 978-85-96-02771-7</p><p>LINGUAGENSLINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS</p><p>P R O J E TO S</p><p>I N T E G R A D O R E S</p><p>Linguagens e suas TecnologiasLinguagens e suas TecnologiasLinguagens e suas Tecnologias</p><p>E SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIASE SUAS TECNOLOGIAS</p><p>P R O J E TO SP R O J E TO S</p><p>I N T E G R A D O R E SI N T E G R A D O R E SI N T E G R A D O R E SI N T E G R A D O R E S</p><p>E DI TO R A R E S PO N S ÁV E LE DI TO R A R E S PO N S ÁV E L</p><p>I S A B EL A LEN C A R I S A B EL A LEN C A R I S A B EL A LEN C A R</p><p>LA C O M B ELA C O M B E</p><p>CÓDIG</p><p>O D</p><p>A C</p><p>OLE</p><p>ÇÃO</p><p>0090P21505</p><p>PNLD</p><p>2</p><p>021 •</p><p>O</p><p>bje</p><p>to</p><p>1</p><p>M</p><p>at</p><p>eria</p><p>l d</p><p>e d</p><p>iv</p><p>ulg</p><p>aç</p><p>ão</p><p>Ver</p><p>sã</p><p>o s</p><p>ub</p><p>m</p><p>et</p><p>id</p><p>a à</p><p>av</p><p>al</p><p>ia</p><p>çã</p><p>o</p><p>D3-CAPA_DIVULGACAO_INTEGRADORES-VER-O-MUNDO-LINGUAGENS-G21-MP.indd All PagesD3-CAPA_DIVULGACAO_INTEGRADORES-VER-O-MUNDO-LINGUAGENS-G21-MP.indd All Pages 11/19/20 3:32 PM11/19/20 3:32 PM</p><p>LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS</p><p>EDITORA RESPON SÁVEL</p><p>ISAB EL ALENCAR LACOMBE</p><p>Mestre em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas pela Pontif ícia</p><p>Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Bacharel em Letras</p><p>pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora e</p><p>coordenadora em institutos de idiomas e colégios da rede particular</p><p>de ensino de São Paulo. Atua na formação e capacitação de</p><p>professores. Autora e editora de livros didáticos.</p><p>1a edição</p><p>São Paulo – 2020</p><p>P R O J E TO S</p><p>I N T E G R A D O R E S</p><p>ENSINO MÉDIO</p><p>Área do Conhecimento:</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>M A N U A L D O P R O F E S S O R</p><p>VOLUME ÚNICO</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 1D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 1 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>Direção-geral Ricardo Tavares de Oliveira</p><p>Direção editorial adjunta Luiz Tonolli</p><p>Gerência editorial Flávia Renata Pereira de Almeida Fugita</p><p>Edição Cibeli de Oliveira Chibante Bueno (coordenação)</p><p>Angela C. Di Cesare M. Marques, Bruna Flores Bazzoli, Débora Teodoro,</p><p>Gabriela Bragantini, Lilian Ribeiro de Oliveira, Maria da Graça Rego Barros</p><p>Camara, Silvia Margarete Cunha Silva, Siomara Sodre M. C. Spinola</p><p>Preparação/Revisão Lilian Semenichin (coordenação)</p><p>Daniela Pinheiro, Evelize Bernardes, Felipe Bio, Rita Lopes, Veridiana Maenaka</p><p>Gerência de produção e arte Ricardo Borges</p><p>Coordenação de criação Daniela Máximo</p><p>Projeto gráfico Bruno Attili</p><p>Imagens de capa rassco/Shutterstock.com, Roos Koole/Getty Images</p><p>Supervisão de produção e arte Rodrigo Carraro</p><p>Edição de arte Leandro Brito</p><p>Diagramação Telma Blaiotta</p><p>Coordenação de imagens e textos Elaine Bueno</p><p>Licenciamento de textos Bárbara Clara, Érica Brambila</p><p>Iconografia Erika Nascimento, Jonathan Santos</p><p>Assistente de arte Gislene Benedito</p><p>Tratamento de imagens Ana Isabela Pithan Maraschin</p><p>Supervisão de arquivos Silvia Regina E. Almeida</p><p>Coordenação de eficiência e analytics Marcelo Henrique Ferreira Fontes</p><p>Direção de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)</p><p>Ver o mundo : projetos integradores : área do</p><p>conhecimento : linguagens e suas tecnologias :</p><p>volume único : ensino médio / organização FTD</p><p>Educação ; obra coletiva concebida, desenvolvida e</p><p>produzida pela FTD Educação ; editora</p><p>responsável Isabel Alencar Lacombe. – 1. ed. –</p><p>São Paulo : FTD, 2020.</p><p>ISBN 978-85-96-02770-0 (aluno)</p><p>ISBN 978-85-96-02771-7 (professor)</p><p>1. Linguagem (Ensino médio) I. Lacombe, Isabel</p><p>Alencar.</p><p>20-33675 CDD-373.19</p><p>Índices para catálogo sistemático:</p><p>1. Ensino integrado : Livro-texto : Ensino médio</p><p>373.19</p><p>Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964</p><p>Em respeito ao meio ambiente, as folhas</p><p>deste livro foram produzidas com fibras</p><p>obtidas de árvores de florestas plantadas,</p><p>com origem certificada.</p><p>Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD</p><p>CNPJ 61.186.490/0016-33</p><p>Avenida Antonio Bardella, 300</p><p>Guarulhos-SP – CEP 07220-020</p><p>Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375</p><p>Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610</p><p>de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à</p><p>EDITORA FTD.</p><p>Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP</p><p>CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300</p><p>Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970</p><p>www.ftd.com.br</p><p>central.relacionamento@ftd.com.br</p><p>Todos os direitos reservados à Editora FTD S.A.</p><p>ELABORADORES DE ORIGINAIS</p><p>Adilson Dalben</p><p>Mestre e Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas</p><p>(Unicamp).</p><p>Licenciado em Pedagogia pela Faculdade de Ciências e Letras “Plínio</p><p>Augusto do Amaral”.</p><p>Licenciado em Ciências pela Universidade São Francisco (USF).</p><p>Consultor educacional.</p><p>Barbara Falcão</p><p>Licenciada e Bacharel em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).</p><p>Professora das redes particular e pública de ensino de São Paulo.</p><p>Elizete Aparecida de Andrade de Oliveira</p><p>Licenciada em Letras pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban).</p><p>Professora de Língua Portuguesa para estrangeiros.</p><p>Professora das redes pública e particular de ensino de São Paulo.</p><p>Flávia Almeida Brandão</p><p>Licenciada em Letras pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban).</p><p>Professora da rede pública de ensino de São Paulo.</p><p>Gabriela Viacava de Moraes</p><p>Mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).</p><p>Professora da rede particular de ensino de São Paulo.</p><p>Ieda Sant’Ana Rodrigues</p><p>Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).</p><p>Bacharel em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).</p><p>Editora.</p><p>Lígia Rodrigues Balista</p><p>Licenciada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas</p><p>(Unicamp).</p><p>Pesquisadora em Teatro e Literatura Brasileira, revisora e produtora de</p><p>material de Literatura e Língua Portuguesa.</p><p>Márcia Lenise Bertoletti</p><p>Mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de</p><p>São Paulo (PUC-SP).</p><p>Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica</p><p>de São Paulo (PUC-SP).</p><p>Licenciada e Bacharel em Letras pelo Centro Universitário Ibero-</p><p>-Americano (Unibero).</p><p>Professora da rede particular de ensino de São Paulo.</p><p>Professora de graduação e pós-graduação na área de Educação.</p><p>Formadora de professores.</p><p>Roseli Ferreira Lombardi</p><p>Doutora em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de</p><p>São Paulo (PUC-SP).</p><p>Licenciada em Letras pela Universidade Mackenzie.</p><p>Professora da rede particular de ensino de São Paulo.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 2D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 2 02/03/20 21:4302/03/20 21:43</p><p>Apresentação</p><p>Caro estudante,</p><p>Quando observamos atentamente a sociedade em que estamos inseridos,</p><p>quando o designer produz</p><p>um projeto ou material que seja entendido em sua totalidade pelo público, ou</p><p>então a mensagem passa a ser pura informação, que nem sempre é conside-</p><p>rada comunicação.</p><p>Leia a seguir um trecho de uma notícia sobre um exemplo de falha de comuni-</p><p>cação gerada pelo uso de texto e pelas possibilidades múltiplas de interpretação</p><p>do público.</p><p>Com duplo sentido, slogan da prefeitura contra</p><p>a dengue causa dúvida em São Paulo</p><p>[...]</p><p>A campanha publicitária institucional de</p><p>combate ao mosquito transmissor da dengue, zika,</p><p>chikungunya e febre amarela, recém-lançada pela</p><p>Prefeitura de São Paulo, foi parar nas redes sociais.</p><p>O slogan “Aedes aegypti. Juntos, a gente te pega”</p><p>provocou dúvida. Afi nal, quem pega quem?</p><p>“Não está claro quem está junto, o que provoca</p><p>uma leitura enviesada, principalmente quando se</p><p>trata de uma ação do poder público, e a tendência é</p><p>sempre de provocar críticas ou dúvidas por parte das</p><p>pessoas”, diz Kleber Carrilho, professor de redação</p><p>publicitária do curso de Publicidade e Propaganda</p><p>[...].</p><p>Opinião compartilhada por Marcelo Pontes,</p><p>professor de Comunicação e Marketing [...]. “Juntos,</p><p>quem? A gente te pega ou a gente pega dengue? O</p><p>jogo de palavras provoca o duplo sentido, o que não</p><p>é aconselhável em uma campanha institucional”,</p><p>afi rma. O profi ssional também critica a colocação do</p><p>nome científi co do mosquito. “O mais importante é</p><p>ser direto”.</p><p>[...]</p><p>A redação do texto mudou e ganhou o seguinte slogan: “Vamos derrotar o</p><p>mosquito vilão”. Segundo a prefeitura, a mensagem, agora mais clara, convoca a</p><p>população a combater o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.</p><p>19</p><p>Cartaz da nova campanha da Prefeitura de São Paulo</p><p>(SP) contra o mosquito Aedes aegypti. Foto de 2018.</p><p>GRANCONATO, Elaine; PASQUINI, Patrícia. Com duplo sentido, slogan da prefeitura contra a dengue causa</p><p>dúvida em São Paulo. Folha de S.Paulo, 7 dez. 2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/</p><p>cotidiano/2018/12/com-duplo-sentido-slogan-da-prefeitura-contra-a-dengue-causa-duvida-em-sao-paulo.shtml.</p><p>Acesso em: 3 jan. 2020.</p><p>ROBSON VENTURA/FOLHAPRESS</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 19D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 19 24/02/20 17:4524/02/20 17:45</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/12/com-duplo-sentido-slogan-da-prefeitura-contra-a-dengue-causa-duvida-em-sao-paulo.shtml</p><p>1. Como você pôde ver no exemplo do cartaz apresentado na notícia,</p><p>durante a concepção de um produto ou serviço, especialmente</p><p>quando voltado a um público amplo, é importante que se com-</p><p>preendam o contexto em que a mensagem será transmitida e os</p><p>códigos usados por seus receptores.</p><p>a) Ao ler o cartaz pela primeira vez, qual foi sua leitura da campa-</p><p>nha? Sua interpretação foi igual à apontada pelos especialistas</p><p>entrevistados na notícia?</p><p>b) De acordo com o título da notícia, o duplo sentido na redação</p><p>do slogan foi o causador da dúvida do público quanto à mensa-</p><p>gem passada. Além do texto verbal, você acha que os elementos</p><p>visuais do cartaz podem também ter afetado essa leitura? Se</p><p>sim, de que forma?</p><p>c) No fi nal da notícia, há a informação de que a campanha teve seu</p><p>slogan alterado para “Vamos derrotar o mosquito vilão”. O que</p><p>você achou dessa mudança? Acha que resolveu o problema?</p><p>d) Se você fosse o designer responsável por essa campanha e</p><p>pudesse opinar no texto, que slogan criaria para a nova versão</p><p>do anúncio?</p><p>§ Além da mudança de slogan, você mudaria algum outro</p><p>elemento do cartaz? Se sim, que tipo de mudança você faria</p><p>e por quê?</p><p>Atividades</p><p>• Diagrama</p><p>Esse podcast, disponível em</p><p>diversas plataformas digitais,</p><p>tem como foco o universo do</p><p>design e da cultura visual e apre-</p><p>senta episódios sobre aspectos</p><p>do dia a dia do trabalho do desig-</p><p>ner, além de conversas com</p><p>profissionais atuantes na área.</p><p>DIAGRAMA. Disponível em:</p><p>https://diagrama.co/. Acesso</p><p>em: 14 jan. 2020.</p><p>Sinalização confusa facilita acidentes em rotatória</p><p>que vitimou feirante em Araguaína</p><p>O trecho fi ca em frente ao campus do IFTO e dá acesso à UFT,</p><p>à Casa do Estudante e à Casa de Saúde Indígena.</p><p>A sinalização no cruzamento das avenidas Amazonas e Paraguai,</p><p>onde ocorreu o acidente com vítima fatal na manhã desta sexta-feira (10),</p><p>em Araguaína, confunde os motoristas e causa insegurança no trânsito.</p><p>[...]</p><p>Como as duas avenidas são duplicadas, o cruzamento recebe</p><p>motoristas de quatro direções diferentes ao mesmo tempo.</p><p>Para confundir ainda mais, no local há placas nas quatro direções</p><p>indicando “dê a preferência”, outras sinalizando o sentido do trânsito e</p><p>nenhuma de “Pare” ou sinalização no asfalto.</p><p>[...]</p><p>Na tarde desta sexta-feira (10), após o acidente, uma equipe da</p><p>Agência Municipal de Segurança, Transporte e Trânsito (ASTT) esteve</p><p>no local e implantou placas de “Pare” no cruzamento das avenidas.</p><p>ARAUJO, A. Sinalização confusa facilita acidentes em rotatória que vitimou feirante em Araguaína.</p><p>Portal AF Notícias, 10 maio 2019. Disponível em: https://afnoticias.com.br/estado/sinalizacao-confusa</p><p>-facilita-acidentes-em-rotatoria-que-vitimou-feirante-em-araguaina. Acesso em: 6 jan. 2020.</p><p>2. Leia a notícia a seguir sobre um problema causado por falha</p><p>de comunicação na sinalização em uma cidade no Tocantins.</p><p>Placa na rotatória.</p><p>PORTAL AF NOTÍCIAS</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>20</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 20D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 20 22/02/20 16:0622/02/20 16:06</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>a) Explique, com suas palavras, o problema de comunicação retratado na notícia.</p><p>b) Como esse problema afetou a circulação dos carros nessas vias?</p><p>c) As placas mostradas na imagem foram utilizadas nas quatro direções do cruzamento, indicando que os</p><p>carros em todas as direções deveriam dar a preferência aos outros condutores na rotatória. Você acredita</p><p>que a implantação de placas de “Pare” no cruzamento resolveu a situação? Justifi que sua resposta.</p><p>3. Você se lembra de algum cartaz ou outra comunicação visual cuja mensa-</p><p>gem não foi passada com clareza para o público? Sente-se em grupo,</p><p>compartilhe suas experiências com os colegas e, juntos, respondam</p><p>às questões a seguir.</p><p>a) Quais foram os problemas de comunicação que ocorreram</p><p>nos casos levantados por vocês?</p><p>b) Que soluções poderiam ser pensadas para corrigir ou</p><p>melhorar a comunicação nesses exemplos?</p><p>� Se possível, em um dia combinado com o professor,</p><p>tragam imagens dos exemplos levantados para mostrar à</p><p>turma e compartilhem com os demais grupos as respostas</p><p>dos itens anteriores.</p><p>4. Reúna-se com novamente com o grupo formado para</p><p>a atividade anterior e retomem as propostas de mudança aos</p><p>cartazes indicados por vocês como exemplos de falhas de</p><p>comunicação. Depois, sigam as orientações.</p><p>� Selecionem um dos exemplos indicados pelo grupo para realizar as mudanças sugeridas.</p><p>� Decidam de que maneira podem aplicar as mudanças: alterando o texto, as imagens que</p><p>acompanham a campanha, as cores, a disposição das informações etc.</p><p>� Em uma folha de papel A4 ou A3, façam um rascunho do projeto de mudança.</p><p>� O rascunho deve ser feito à mão.</p><p>� Lembrem-se: por se tratar de um rascunho, não é necessário que a pintura ou os traços</p><p>estejam perfeitos e fi nalizados.</p><p>� Após a fi nalização dos rascunhos, organizem uma exposição dos novos projetos para os</p><p>demais grupos. Mostrem a comunicação visual original e a sugestão produzidas por vocês,</p><p>indicando aos colegas a maneira como aplicaram as mudanças sugeridas.</p><p>� Folhas de papel A4 ou A3</p><p>� Lápis grafi te</p><p>� Lápis de cor e/ou canetas</p><p>hidrográfi cas</p><p>� Borracha</p><p>M</p><p>at</p><p>er</p><p>ia</p><p>is</p><p>su</p><p>ge</p><p>ri</p><p>do</p><p>s No canal de compartilhamento</p><p>escolhido para este projeto,</p><p>apresente os rascunhos elaborados na ativi-</p><p>dade 4, ou fotografias deles, incluindo uma breve</p><p>explicação da proposta do grupo para as mudanças</p><p>sugeridas.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>21</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd</p><p>21 19/02/2020 14:48</p><p>Etapa �rganizando</p><p>as informações</p><p>no design3</p><p>Um material gráfico precisa, para que sua mensagem seja passada, estar organizado de tal</p><p>maneira que os elementos que o compõem sejam lidos e compreendidos de acordo com sua devida</p><p>importância e com a intenção planejada pelo designer, assim como em uma narrativa ou em uma</p><p>matéria jornalística.</p><p>Veja a seguir o que Paul Rand (1914-1996), um dos mais renomados nomes do design mundial,</p><p>tem a dizer sobre a comunicação visual e o trabalho do designer aliado a esses diversos elementos.</p><p>[...]</p><p>Qualquer tipo de comunicação visual, persuasiva ou informativa, desde outdoors até anúncios de</p><p>nascimento, deve ser vista como algo que incorpora forma e função, como uma integração entre o</p><p>belo e o útil. Numa peça publicitária, o texto, a arte e a tipografia são vistos como uma entidade viva;</p><p>cada elemento está em harmonia com o todo, tem uma relação integral com a execução da ideia. O</p><p>designer, como um malabarista, demonstra suas habilidades manipulando esses ingredientes dentro</p><p>de um espaço limitado. Quer esse espaço tome a forma de propagandas, periódicos, livros, formulários</p><p>impressos, embalagens, produtos industriais, sinalização ou imagens para exibição em televisão, os</p><p>critérios são os mesmos.</p><p>[...]</p><p>RAND, Paul. Pensamentos sobre design. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2015. p. 9.</p><p>A partir dessa ideia de Rand, podemos compreender que cada</p><p>elemento que compõe uma peça de design deve ser pensado para</p><p>que exista de forma complementar, com uma função específica e</p><p>um objetivo final. No caso de uma peça de sinalização, por exemplo,</p><p>espera-se que as informações contidas sejam selecionadas e orga-</p><p>nizadas de modo que o usuário possa facilmente compreender o que</p><p>está sendo dito, o que geralmente inclui o uso de símbolos e ícones</p><p>familiares ao público e textos verbais curtos e diretos.</p><p>A seleção desses elementos depende ainda da intenção e</p><p>da mensagem que se busca passar, além do público-alvo e do</p><p>contexto daquela peça de comunicação, exigindo uma escolha de</p><p>tipografia, imagens, formatos e hierarquias específicas.</p><p>Veja a seguir um pouco sobre a importância de cada um desses</p><p>elementos na composição do design, especialmente nas áreas do</p><p>design gráfico e de sinalização.</p><p>Sinalização em shopping</p><p>center em São Paulo (SP).</p><p>Foto de 2020. BR</p><p>UN</p><p>A</p><p>FL</p><p>OR</p><p>ES</p><p>22</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 22 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Fontes</p><p>Ao abrir um software de edição de texto, o usuário tem à sua</p><p>disposição dezenas de fontes tipográficas diferentes: com serifa</p><p>(as “perninhas” das letras), sem serifa, cursivas (manuscritas</p><p>ou caligráficas), fantasia ou decorativas (de alto impacto visual),</p><p>góticas (que reproduzem a escrita característica da Idade Média),</p><p>históricas (inspiradas em escritas gregas) etc. Com tantas opções,</p><p>é necessário entender que cada fonte pode estar associada a uma</p><p>mensagem e que o designer precisa encontrar uma união apro-</p><p>priada entre estilo, situação social e o conteúdo do projeto.</p><p>É ainda importante considerar que, usualmente, produções</p><p>gráficas como cartazes e placas costumam ser elaboradas</p><p>com uma combinação de fontes, que precisam ser pensadas</p><p>dentro de todo o conjunto.</p><p>Fontes no design</p><p>Fontes no design</p><p>Fontes no design</p><p>Fontes no design</p><p>Fontes no design</p><p>Fontes no design</p><p>Exemplos de fontes em estilos com serifa, sem</p><p>serifa, cursiva, fantasia, gótico e histórico.</p><p>Combinar tipos é como fazer uma salada. Comece com um pequeno número de</p><p>elementos representando diferentes cores, gostos e texturas. Empenhe-se em obter</p><p>contraste em vez de harmonia, buscando diferenças enfáticas em lugar de transições</p><p>piegas. [...] Tente combinar tipos grandes, claros, com tipos pequenos e escuros, para</p><p>obter um cruzamento de sabores e texturas contrastantes.</p><p>[...]</p><p>LUPTON, Ellen. Pensar com tipos. Tradução de André Stolarski. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p. 50.</p><p>Cores e imagens</p><p>Você já percebeu que algumas cores e imagens costumam ser predominantes em</p><p>certos materiais de comunicação visual? O uso de verde e fotos de plantas e pessoas</p><p>felizes em anúncios de produtos de limpeza; cores como amarelo e laranja associadas</p><p>a brinquedos infantis, como blocos de montar e massa de modelar; a cor azul e fotos</p><p>de pessoas em roupas sociais, em mensagens institucionais.</p><p>Essas relações não são por acaso, são escolhas visuais pensadas a partir das inten-</p><p>ções do projeto e que podem ser encontradas especialmente em anúncios publicitários,</p><p>mas também em identidades visuais e outras formas de comunicações associadas a</p><p>empresas e instituições públicas e privadas.</p><p>Isso ocorre para que, em conjunto com outros elementos do design, a leitura que o</p><p>público faz dessas marcas possa ser facilmente direcionada: visualmente, as cores e as</p><p>figuras já conhecidas pelo público são mais rapidamente impactantes para essa leitura</p><p>do que o texto verbal que pode estar associado ao conjunto do projeto, e por isso é um</p><p>dos primeiros elementos que chamam a atenção do leitor nessa mensagem.</p><p>Veja a seguir alguns exemplos de interpretações tradicionais associadas a cores.</p><p>luxo,</p><p>mistério</p><p>pureza</p><p>higiene</p><p>paz</p><p>emoção</p><p>atenção</p><p>dinamismo</p><p>frescor</p><p>harmonia</p><p>equilíbrio</p><p>produtividade</p><p>frescor</p><p>tranquilidade</p><p>alegria</p><p>criatividade</p><p>inocência</p><p>delicadeza</p><p>23</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 23 19/02/2020 14:48</p><p>Tamanho</p><p>Seja na produção de pôsteres, cartazes, placas ou letreiros, é importante</p><p>que o tamanho das informações propostas no projeto seja pensado a partir</p><p>das relações de proporção entre o suporte que carrega a mensagem, o espaço</p><p>e o público que o frequenta. Isso vale, por exemplo, para considerar a leitura de</p><p>informações importantes que precisam ser expostas claramente a distância,</p><p>como as sinalizações de saídas de emergência ou de banheiros, ou em textos</p><p>mais longos, cuja leitura simultânea de diversas pessoas seria prejudicada se</p><p>o suporte exigisse proporcionalmente um espaço muito grande, como no caso</p><p>de textos informacionais em exposições de Arte.</p><p>Para isso, é preciso realizar medições específicas do espaço em questão,</p><p>considerando a área, o perímetro de cada ambiente ou dos suportes de</p><p>comunicação utilizados (postes, paredes, totens, murais etc).</p><p>[...]</p><p>As dimensões de um suporte de comunicação podem, dependendo do</p><p>ambiente, causar um impacto maior ou menor na percepção do público.</p><p>Grandes letreiros, por exemplo, fixados em fachadas de fábricas ou nas</p><p>empenas de prédios, normalmente, devem ter uma escala maior, devido à</p><p>distância em que podem ser visualizados. Esses mesmos letreiros, quando</p><p>dispostos perto da circulação do público, são percebidos não mais como</p><p>simples elementos de informação, e sim como objetos ou mobiliários.</p><p>Nesses casos, a escala torna o suporte um objeto escultórico, que agora</p><p>pode ser percebido na relação com o tamanho de uma pessoa, cumprindo</p><p>o papel de ambientar um espaço.</p><p>[...]</p><p>D’AGOSTINI, Douglas. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017. p. 216.</p><p>Disponível em: https://issuu.com/editorablucher/docs/dagostini_issuu. Acesso em: 6 jan. 2020.</p><p>Hierarquia e disposição de informações</p><p>A ordem da leitura das informações ajuda a direcionar o olhar do</p><p>público e a levá-lo a compreender a importância de cada elemento em</p><p>uma produção visual.</p><p>Ao apresentar informações em que todos os elementos</p><p>possuem o mesmo tamanho (peso), é passada a mensagem de</p><p>que todos os dados possuem a mesma importância, o que causa</p><p>confusão visual e faz com que o interesse nesse material seja</p><p>comprometido.</p><p>Veja a explicação a seguir, que acompanha as sugestões de</p><p>layout de uma placa reproduzidas ao lado.</p><p>Quando possuímos mais de uma orientação no layout, é preciso</p><p>estudar alternativas para que o alinhamento não prejudique a</p><p>compreensão da mensagem. Neste caso, uma seta apontada no</p><p>sentido contrário ao alinhamento pode ter sua leitura prejudicada,</p><p>quando comparada ao alinhamento que reforça</p><p>o sentido da seta.</p><p>D’AGOSTINI, Douglas. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017. p. 275. Disponível em:</p><p>https://issuu.com/editorablucher/docs/dagostini_issuu. Acesso em: 6 jan. 2020.</p><p>Exemplos de uso de</p><p>sinalização com tamanhos</p><p>diferentes.</p><p>IM</p><p>AG</p><p>EN</p><p>S:</p><p>D</p><p>OU</p><p>GL</p><p>AS</p><p>D</p><p>'A</p><p>GO</p><p>ST</p><p>IN</p><p>I/E</p><p>DI</p><p>TO</p><p>RA</p><p>B</p><p>LU</p><p>CH</p><p>ER</p><p>IM</p><p>AG</p><p>EN</p><p>S:</p><p>D</p><p>OU</p><p>GL</p><p>AS</p><p>D'</p><p>AG</p><p>OS</p><p>TI</p><p>NI</p><p>/E</p><p>DI</p><p>TO</p><p>RA</p><p>B</p><p>LU</p><p>CH</p><p>ER</p><p>24</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 24 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>1. Retome a imagem de abertura deste projeto, que mostra uma sinalização do Parque Ambiental</p><p>Chico Mendes, localizado em Rio Branco, no Acre. Esse parque possui 57 hectares de vegetação,</p><p>com trilhas de mais de 1 300 metros de extensão e áreas de conservação e cuidado de diversos</p><p>animais nativos. Considerando essas informações, responda às perguntas a seguir.</p><p>a) Você acha que há necessidade de sinalização nesse espaço? Por quê?</p><p>b) Volte à placa mostrada na imagem da abertura. Qual é sua opinião sobre o uso dos recursos</p><p>de cores e da imagem que acompanha o nome do parque?</p><p>c) Chico Mendes foi um nome importante na história do Acre por suas ações de proteção à fl oresta</p><p>contra o desmatamento, trabalho que lhe rendeu reconhecimento mundial e até mesmo um</p><p>prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Considerando sua história, você</p><p>considera que o peso visual dado a seu nome na placa do parque é coerente? Justifi que.</p><p>2. Veja ao lado a comunicação visual de uma campanha de</p><p>vacinação realizada pela prefeitura de Novo Hamburgo, no</p><p>Rio Grande do Sul. Considere a hierarquia das informações</p><p>da arte da campanha para responder aos itens a seguir.</p><p>a) Pela organização dos elementos, você consegue identi-</p><p>fi car a principal informação da campanha? Qual é ela?</p><p>b) Que informação é apresentada com um peso menor,</p><p>mas ainda de grande destaque?</p><p>c) A mensagem “Leve a caderneta de vacinação” aparece</p><p>menor na campanha. Por que você acha que isso acontece?</p><p>d) No slogan da campanha, a palavra “gripe” é apresen-</p><p>tada com um peso maior que o restante do texto. Por</p><p>que isso ocorre?</p><p>3. A placa a seguir está fi xada na entrada de um parque em</p><p>Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e busca indicar</p><p>aos visitantes as normas do parque, especialmente as</p><p>proibições. Observe que o uso de pictogramas é com-</p><p>plementado pelo texto ao lado de cada desenho. Você</p><p>considera que, sem a explicação do texto verbal, as</p><p>proibições estariam claras apenas pelo uso dos picto-</p><p>gramas? Justifi que.</p><p>Atividades</p><p>Placa de sinalização no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande (MS). Foto de 2015.</p><p>pictograma: símbolo</p><p>representativo de um</p><p>objeto ou conceito.</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas e</p><p>sugestões para estas atividades.</p><p>CA</p><p>SS</p><p>AN</p><p>DR</p><p>A</p><p>CU</p><p>RY</p><p>/P</p><p>UL</p><p>SA</p><p>R</p><p>IM</p><p>AG</p><p>EN</p><p>S</p><p>PR</p><p>EF</p><p>EI</p><p>TU</p><p>RA</p><p>M</p><p>UN</p><p>IC</p><p>IP</p><p>AL</p><p>D</p><p>E</p><p>NO</p><p>VO</p><p>H</p><p>AM</p><p>BU</p><p>RG</p><p>O,</p><p>R</p><p>IO</p><p>G</p><p>RA</p><p>ND</p><p>E</p><p>DO</p><p>S</p><p>UL</p><p>Campanha realizada pela prefeitura</p><p>de Novo Hamburgo (RS), em 2018.</p><p>25</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 25 19/02/2020 14:48</p><p>4. Considere as informações a seguir e, em uma folha de papel à parte, proponha um cartaz</p><p>contendo esses dados. Imagine que sua intenção é convencer os estudantes da sua escola a</p><p>contribuir com a limpeza das áreas comuns. Organize os elementos do cartaz de acordo com</p><p>os conhecimentos adquiridos nesta etapa e proponha uma imagem para ilustrá-lo.</p><p>• O que é tipografia e como escolher um tipo de</p><p>letra?</p><p>Nesse vídeo, além de conhecer um pouco mais sobre os</p><p>tipos de fonte e sobre o uso da hierarquia em projetos</p><p>visuais, é possível explorar outros conceitos associados</p><p>à estética tipográfica.</p><p>O QUE é tipografia e como escolher um tipo de</p><p>letra?. 2019. Vídeo (6min28s). Publicado pelo canal</p><p>GCFAprendeLivre. Disponível em: https://www.youtube.</p><p>com/watch?v=BWnrXwqxLdw. Acesso em: 7 jan. 2020.</p><p>No canal de com-</p><p>partilhamento</p><p>criado pela turma, publiquem os</p><p>cartazes produzidos na atividade</p><p>4, ou fotografias deles. Incluam</p><p>também as produções finalizadas</p><p>na atividade 5 para que possíveis</p><p>ajustes possam ser percebidos em</p><p>comparação com os rascunhos</p><p>publicados na etapa anterior.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Slogan: Lugar de lixo é no lixo!</p><p>Texto informativo: Contribua com a limpeza da escola. Jogue papéis, raspas de lápis e outros</p><p>resíduos sólidos no lixo.</p><p>Assinatura: [neste item, lembre-se de incluir o nome do colégio].</p><p>5. Reúna-se com seu grupo e retomem os rascunhos elaborados para propor mudanças em car-</p><p>tazes e outras formas de comunicação visual encontrados em sua escola. Siga as orientações a</p><p>seguir para continuar esse trabalho.</p><p>1 Observem os elementos sugeridos e planejados inicialmente no rascunho produzido pelo grupo.</p><p>2 Considerem os conhecimentos desenvolvidos nesta etapa sobre o uso de cores, imagens, fontes,</p><p>tamanhos e hierarquias para analisar a proposta de mudança:</p><p>a) O uso planejado de cores e imagens realça a intenção da proposta?</p><p>b) Que tipo de fonte será utilizada na apresentação visual dos textos</p><p>verbais no produto final? Serão usadas mais de uma fonte?</p><p>c) A hierarquia de informações direciona a leitura do leitor de forma a</p><p>valorizar o conteúdo e incentivar a leitura completa das informações?</p><p>d) O tamanho desse elemento de comunicação está apropriado ao contexto</p><p>em que está inserido? No projeto final, essa caracte-</p><p>rística deveria ser ajustada de alguma maneira?</p><p>3 A partir das respostas do grupo às perguntas do item</p><p>anterior, realizem quaisquer mudanças e adaptações</p><p>necessárias e finalizem o produto utilizando materiais</p><p>de pintura e desenho e/ou recursos digitais à disposição.</p><p>4 Apresentem o produto final aos colegas e compartilhem</p><p>opiniões e interpretações das comunicações visuais pro-</p><p>duzidas. Lembrem-se de apresentar críticas construtivas</p><p>e respeitosas.</p><p>� Folhas de papel A4 ou A3</p><p>� Lápis grafite</p><p>� Borracha</p><p>� Lápis de cor e/ou canetas</p><p>hidrográficas</p><p>� Computador</p><p>� Softwares de edição de imagemM</p><p>at</p><p>er</p><p>ia</p><p>is</p><p>s</p><p>ug</p><p>er</p><p>id</p><p>os</p><p>26</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 26 19/02/2020 14:48</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=BWnrXwqxLdw</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Etapa</p><p>� design, os espaços</p><p>e as pessoas</p><p>Como você já viu neste projeto, a relação entre as</p><p>pessoas em ambientes públicos e o design exige uma</p><p>comunicação muito clara para que informações possam</p><p>ser compartilhadas da maneira esperada. Outra questão</p><p>associada aos espaços é como o design pode afetar</p><p>sua funcionalidade e, por consequência, o dia a dia das</p><p>pessoas que frequentam esses lugares ou dependem</p><p>dele para suas atividades cotidianas.</p><p>Imagine, por exemplo, um museu de grande circula-</p><p>ção de público. Parte importante desse espaço expositivo</p><p>é a liberdade que se dá ao visitante para explorar suas</p><p>instalações seguindo alguns percursos sugeridos, mas</p><p>sem a necessidade do acompanhamento de um funcio-</p><p>nário para explicar o que está sendo exposto, onde as</p><p>informações se encontram, qual é a ordem de visualiza-</p><p>ção sugerida etc.</p><p>Para que isso ocorra, o museu usa algumas estratégias</p><p>visuais de design que afetam a experiência do visitante:</p><p>• Disposição das obras: pensar na ordem e na pro-</p><p>gressão das informações da exposição de forma</p><p>a direcionar a experiência do público.</p><p>• Design de iluminação: planejar de que modo a</p><p>luz será utilizada na exposição para favorecer as</p><p>obras, seja por motivos de preservação, de visi-</p><p>bilidade ou de destaque. É possível, por exemplo,</p><p>manter uma sala mais escura, com luz direcio-</p><p>nada em uma única escultura para que o visitante</p><p>leve o olhar naturalmente a essa peça.</p><p>• Conforto, segurança e acessibilidade: considerar o</p><p>fluxo de visitantes para a organização do espaço</p><p>para privilegiar seu bem-estar e o cuidado com as</p><p>obras expostas, inclusive tendo em vista necessi-</p><p>dades de adaptação relacionadas à acessibilidade.</p><p>• Sinalização e informações: planejar placas e avisos de sinalização para facilitar</p><p>o fluxo e a movimentação dos visitantes</p><p>e funcionários no espaço do museu,</p><p>além das peças de identidade visual do evento, como convites, folders, catálogos</p><p>e textos descritivos das obras e de áreas específicas da exposição.</p><p>4</p><p>O pintor Mark Rothko (1903-1970) acreditava que o</p><p>observador de seus quadros não deveria ser perturbado</p><p>por outras distrações, caso contrário não entenderia</p><p>a mensagem das obras corretamente, e por isso tinha</p><p>exigências específicas sobre a disposição e a proximidade</p><p>das peças em uma exposição. Foto tirada na sala Mark</p><p>Rothko, na Phillips Gallery, em Washington, EUA, 2006.</p><p>A iluminação pode ser usada para destacar algumas</p><p>obras em uma exposição ou construir um clima</p><p>específico e despertar emoções no público de acordo</p><p>com a intenção pretendida. Foto tirada na exposição</p><p>Musicais no cinema, no MIS (Museu da Imagem</p><p>e do Som), em São Paulo (SP), 2019.</p><p>RIVALDO GOMES/FOLHAPRESS</p><p>© ROTHKO, MARK/AUTVIS, BRASIL, 2020</p><p>PHILLIPS COLLECTION</p><p>27</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 27D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 27 24/02/20 08:3624/02/20 08:36</p><p>Assim como museus, outros ambientes públicos, como parques, hospitais, centros</p><p>comerciais e escolas, deveriam ser pensados para priorizar a experiência do usuário, e a</p><p>comunicação visual de orientação é uma das principais maneiras de tornar a participação</p><p>das pessoas nesses ambientes positiva e funcional.</p><p>Veja a seguir um exemplo de projeto de sinalização pensado para melhorar a expe-</p><p>riência de visitantes de um parque no Rio de Janeiro.</p><p>Nova sinalização ajuda a identificar atrativos</p><p>e deixa visitante mais informado</p><p>Recentemente o Parque Nacional da Tijuca</p><p>deu início à instalação de novas placas de</p><p>sinalização nas estradas e início das trilhas.</p><p>A sinalização rústica no decorrer da trilha</p><p>permanece, principalmente porque os visitantes</p><p>já estão habituados a sempre encontrar e se guiar</p><p>pelas famosas “plaquinhas de madeira” feitas pela</p><p>equipe de Monitores Ambientais do Parque.</p><p>O novo projeto de sinalização contém,</p><p>principalmente, mapas de localização com</p><p>informações sobre os atrativos presentes naquele</p><p>trecho, normas e orientações sobre a conduta dos</p><p>visitantes dentro da Unidade de Conservação,</p><p>sendo todas bilíngues.</p><p>Ao todo, a administração do Parque já</p><p>instalou mais de 120 placas em todos os setores, e com a conclusão do projeto, serão</p><p>aproximadamente 350 – abrangendo uma área bem maior que hoje e mantendo os</p><p>visitantes sempre bem informados.</p><p>Lugares como o Parque Lage, por exemplo, área pertencente ao Parque Nacional da</p><p>Tijuca desde 2004, que até então não eram identificados como pertencentes à Unidade</p><p>de Conservação, ganharam a nova sinalização, e os visitantes já se dão conta de que,</p><p>quando estão no Parque Lage, estão visitando também o Parque Nacional da Tijuca.</p><p>Os próximos passos serão sinalizar os mirantes que ficam na beira das estradas que</p><p>cruzam o Parque e a Trilha dos Estudantes. No caso do mirante, como a Vista Chinesa</p><p>e o Dona Marta, as placas serão interpretativas, contendo a localização dos pontos da</p><p>cidade que podem ser vistos a partir dos mirantes. Já a Trilha dos Estudantes, localizada</p><p>no Setor Floresta e muito frequentada por alunos de todas as redes de ensino, irá passar</p><p>por uma reforma completa na sinalização, que auxilia alunos e professores a entender</p><p>como esse bioma funciona e qual a importância da floresta para as nossas vidas.</p><p>[...]</p><p>ALMEIDA, Peterson de. Nova sinalização ajuda a identificar atrativos e deixa visitante mais informado.</p><p>Amigos do Parque, 20 ago. 2018. Disponível em: https://amigosdoparque.org.br/nova-sinalizacao-ajuda-a-</p><p>identificar-atrativos-e-deixa-visitante-mais-informado/. Acesso em: 4 jan. 2020.</p><p>No caso do novo projeto de sinalização do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de</p><p>Janeiro, a principal atualização da comunicação visual foi a renovação e a implementação</p><p>de nova sinalização, ou seja, de novos códigos visuais em formatos de placas, totens,</p><p>mapas e outros suportes com funções similares que permitam um entendimento rápido</p><p>e inequívoco de informações ou advertências pertinentes àquele contexto.</p><p>PE</p><p>TE</p><p>RS</p><p>ON</p><p>D</p><p>E</p><p>AL</p><p>M</p><p>EI</p><p>DA</p><p>Placa de sinalização no Parque Nacional da Tijuca. Foto de 2018.</p><p>28</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 28D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 28 24/02/20 16:2024/02/20 16:20</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Design de sinalização</p><p>Você já teve dificuldade para se locomover em um espaço mesmo</p><p>seguindo placas e indicações? Isso acontece porque nem toda forma de</p><p>sinalização é pensada de modo a solucionar as necessidades do usuário</p><p>por meio de mensagens simplificadas e acessíveis. Nesses casos, há uma</p><p>falha na comunicação e no projeto de design.</p><p>Leia a seguir uma definição de design de sinalização e informações</p><p>sobre sua importância como elemento de comunicação social.</p><p>Design de sinalização é mais do que o simples projeto de comunicação</p><p>visual para um ambiente: é, antes de tudo, um meio de organizar e pensar</p><p>a relação entre os espaços construídos, seus usuários, a tecnologia de</p><p>materiais e os processos de fabricação, além da própria comunicação.</p><p>Constitui uma das disciplinas mais completas do design, pois reúne, em</p><p>um só corpo teórico, todos os fundamentos de que um designer necessita</p><p>para atuar profi ssionalmente.</p><p>Essa disciplina, que nasce não só das expertises do design como também</p><p>das áreas da arquitetura, da engenharia e da comunicação, apresenta um</p><p>conjunto de abordagens focadas em atender a demandas de comunicação</p><p>dos ambientes, adequando as mensagens à diversidade de públicos de</p><p>cada local. Por isso, o design de sinalização tem um caráter abrangente,</p><p>entendendo a comunicação como uma ferramenta multissensorial, capaz</p><p>de tornar os espaços mais acessíveis e com informações pertinentes para</p><p>seu uso.</p><p>[...]</p><p>D’AGOSTINI, Douglas. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017. p. 26. Disponível em:</p><p>https://issuu.com/editorablucher/docs/dagostini_issuu. Acesso em: 6 jan. 2020.</p><p>Dessa forma, o designer de sinalização neces-</p><p>sita utilizar pesquisas sobre o ambiente e o usuário</p><p>e considerar a informação que será passada para</p><p>que possa pensar nas estratégias que serão</p><p>utilizadas.</p><p>Por incluir indicações de tipos de acesso,</p><p>sobre o funcionamento do fluxo de pessoas, a</p><p>setorização do espaço, as atividades realiza-</p><p>das e proibidas naquele local, entre outras</p><p>possibilidades, o projeto de sinalização ide-</p><p>almente é desenvolvido em conjunto com</p><p>o projeto arquitetônico do espaço para</p><p>que a sinalização possa permitir que o</p><p>usuário ou frequentador se sinta seguro e</p><p>confortável ao circular pelo complexo físico</p><p>do ambiente.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>29</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 29 19/02/2020 14:48</p><p>No caso do Parque Nacional da Tijuca, por exemplo, apesar de o projeto de sinalização ter sido</p><p>desenvolvido após a existência do parque há muitos anos, a intenção é que o frequentador se sinta</p><p>ainda mais confortável no espaço, reforçando informações que já podem ser de conhecimento de</p><p>parte dos usuários, mas também buscando garantir uma experiência positiva para um novo público.</p><p>Dessa forma, escolheu-se manter placas de madeira que já são conhecidas pelo público, mas</p><p>também complementá-las com novas informações em sinalizações oficiais e facilmente reconhecíveis</p><p>pelo projeto visual comum a toda a nova comunicação do parque.</p><p>Esse exemplo mostra como o trabalho do designer de sinalização precisa adequar a linguagem que</p><p>utilizam nas informações a serem passadas ao repertório cultural dos usuários.</p><p>Além disso, existe no Brasil a tendência ao uso do inglês em sinalizações em espaços públicos</p><p>como complemento ao texto em português. O uso dos dois idiomas em sinalizações para espaços</p><p>públicos é uma forma de utilizar o código internacional (a língua inglesa) para a comunicação entre</p><p>pessoas de diferentes partes do mundo, o que incentiva o turismo e permite que a clareza nas infor-</p><p>mações possa alcançar um número</p><p>maior de usuários em ambientes como aeroportos, estações de</p><p>trem e metrô, museus e outros ambientes públicos de grande circulação.</p><p>Sinalização e acessibilidade</p><p>Como você viu anteriormente, a sina-</p><p>lização tem também como objetivo ajudar</p><p>o usuário em questões de acessibilidade</p><p>nos espaços em que estão inseridos. Isso</p><p>pode acontecer pelo uso de placas em</p><p>braille, pisos táteis, sinalizações sonoras</p><p>e pelo uso de pictogramas para identifica-</p><p>ção de informações expressas pelo texto</p><p>verbal (bonecos para indicar o banheiro,</p><p>por exemplo).</p><p>As necessidades de todos os públicos</p><p>devem ser consideradas durante a elabo-</p><p>ração de um projeto de design, seja pela</p><p>reflexão sobre o uso de cores que poderia</p><p>afetar um usuário daltônico, as sinalizações</p><p>acessíveis para pessoas com deficiência ou</p><p>o privilégio a informações imagéticas para</p><p>incluir um público analfabeto.</p><p>Mapa tátil no centro cultural Japan House em São Paulo (SP). Foto</p><p>de 2020. Além de permitir que o visitante observe as estruturas</p><p>da instalação pela planta do espaço (piso térreo do prédio), o mapa</p><p>utiliza o alto-relevo e textos em braille para que pessoas com</p><p>deficiência visual possam ter acesso às informações. A sinalização</p><p>ainda usa pictogramas e textos em português e inglês para ampliar as</p><p>possibilidades de leitura de seu público.</p><p>• Design de sinalização</p><p>Nessa obra de Douglas D’Agostini, é possível conhecer um pouco mais</p><p>sobre conceitos específicos da área de design de sinalização e sobre as</p><p>especificidades desse trabalho.</p><p>D’AGOSTINI, Douglas. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017.</p><p>BR</p><p>UN</p><p>A</p><p>FL</p><p>OR</p><p>ES</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>BL</p><p>UC</p><p>HE</p><p>R</p><p>30</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 30 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>1. Veja a seguir duas fotos de elementos de sinalização do metrô da cidade de São Paulo.</p><p>Atividades Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>Placa de sinalização na estação de metrô Oscar Freire,</p><p>em São Paulo (SP). Foto de 2020.</p><p>Plataforma de estação de metrô na cidade de</p><p>São Paulo (SP). Foto de 2019.</p><p>Foto de estação do metrô da Cidade do México</p><p>(México). Foto de 2016.</p><p>a) Que recursos de sinalização podem ser identifi cados nessas imagens?</p><p>b) Considerando essas imagens, há outros recursos que você sugeriria que fossem</p><p>implementados nesse espaço? Se sim, quais?</p><p>c) O metrô de São Paulo recebe milhões de usuários todos os dias, sendo um ambiente</p><p>de grande circulação e que atrai um público diverso. Considerando essa caracterís-</p><p>tica, qual é a importância do uso dos recursos identifi cados no item a?</p><p>a) O que você acha do uso de pictogramas para indicação dos nomes das estações? Acredita que</p><p>seja uma forma inclusiva de pensar a sinalização desse espaço? Justifi que sua resposta.</p><p>b) Você acha que esse recurso poderia ser usado na sinalização de meios de transporte na</p><p>sua cidade?</p><p>c) Além do uso de pictogramas, as estações de metrô são anunciadas por caixas de som nos trens e</p><p>estações do metrô, mas esse recurso nem sempre funciona em todas as linhas. De que maneira</p><p>isso pode afetar a experiência do usuário?</p><p>d) Pesquise, em sites confi áveis, uma rede de sistema de transporte brasileira que também utiliza</p><p>pictogramas na sinalização de suas estações.</p><p>2. Conheça agora um exemplo de sinalização uti-</p><p>lizada no metrô da Cidade do México, capital</p><p>desse país. Além do uso de pictogramas para</p><p>identifi car informações tradicionais, como a</p><p>saída (salida, em espanhol), as estações desse</p><p>sistema de transporte utilizam, desde sua</p><p>criação em 1968, pictogramas para represen-</p><p>tar os nomes das estações. Essa decisão se deu</p><p>originalmente por conta da alta porcentagem</p><p>de analfabetos na população local nessa época</p><p>(30%), e se manteve até os dias atuais, fazendo</p><p>parte das indicações dos mapas do sistema e</p><p>das placas dentro dos espaços das estações.</p><p>BR</p><p>UN</p><p>A</p><p>FL</p><p>OR</p><p>ES</p><p>AL</p><p>F</p><p>RI</p><p>BE</p><p>IR</p><p>O/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>M</p><p>AT</p><p>T</p><p>M</p><p>AW</p><p>SO</p><p>N/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>31</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 31 19/02/2020 14:49</p><p>3. Organizem-se em grupos e realizem mais um passeio pela escola. Siga as orientações para</p><p>propor uma análise desse espaço em relação ao uso de sinalização.</p><p>Reúnam as informações coletadas por todos os grupos na</p><p>atividade 3 e publiquem-nas no canal de comunicação e</p><p>compartilhamento escolhido pela turma.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Em um dia combinado com antecedência, realizem o passeio pela escola e levem o quadro</p><p>elaborado pelo grupo, que deverá ser preenchido com as observações pertinentes. Se possí-</p><p>vel, utilizem câmeras fotográficas ou aparelhos celulares para registrar em foto ou vídeo as</p><p>sinalizações encontradas ou os espaços sem sinalização adequada.</p><p>2. Pesquisa</p><p>De volta à sala de aula, em uma roda de conversa, reúnam as informações coletadas pelos grupos</p><p>e troquem opiniões sobre a situação da sinalização da escola: o que pode ser melhorado, o que</p><p>falta etc. Verifiquem também se as percepções dos outros grupos são parecidas com as do seu e</p><p>se há elementos apontados por alguns colegas que não foram observados por outros.</p><p>3. Apresentação de resultados</p><p>No caderno ou em uma folha de papel sulfite, elaborem um quadro de acordo com o modelo</p><p>a seguir. Nele, indiquem sinalizações que consideram essenciais para a circulação no espaço</p><p>escolar, podendo adaptar o exemplo às necessidades locais. Em colunas, deixem espaço para</p><p>anotações de comentários sobre três tópicos:</p><p>� presença: se há sinalização equivalente para cada item;</p><p>� legibilidade: relativo à leitura do texto da sinalização – se está apagado ou se há elementos</p><p>do espaço atrapalhando a visualização, por exemplo;</p><p>� informatividade: se as informações são passadas de forma clara, objetiva e de</p><p>maneira a ajudar o público-alvo.</p><p>Se acharem pertinente, incluam mais colunas para outros tópicos de análise.</p><p>1. Preparação</p><p>Sinalização Presença Legibilidade Informatividade</p><p>Sanitários</p><p>Saídas</p><p>Indicação de espaços</p><p>específicos (sala dos</p><p>professores, sala de</p><p>informática etc)</p><p>Piso tátil</p><p>Mapa da escola ou</p><p>dos andares</p><p>Outros</p><p>32</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 32D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 32 22/02/20 16:0922/02/20 16:09</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Etapa Identifi cando</p><p>problemas de design</p><p>na comunidade</p><p>Como você viu nas etapas anteriores, o design, principalmente de sinalização, pode</p><p>ter um grande impacto no dia a dia da população, especialmente no que diz respeito</p><p>ao fluxo e à circulação em espaços públicos, como parques, shoppings centers, museus,</p><p>escolas e ruas. Seja por falta de placas indicativas ou por problemas de comunicação nas</p><p>orientações existentes, os espaços à nossa volta podem dificultar mais do que facilitar</p><p>as atividades do nosso cotidiano.</p><p>Leia a seguir um trecho de um texto sobre a sinalização em ambientes escolares.</p><p>A importância da sinalização dentro</p><p>do ambiente escolar</p><p>Qual a importância da sinalização dentro de ambientes com grande fl uxo de pessoas?</p><p>Você já percebeu que ao entrar em um hospital ou um shopping, por exemplo, há</p><p>sinalização para tudo? Se você quer saber onde fi ca o setor administrativo, certamente</p><p>haverá placas indicando o caminho.</p><p>Caso precise saber onde fi ca o banheiro, também poderá contar com a ajuda das</p><p>placas sinalizadoras. E em qualquer possibilidade de acontecer uma emergência, você</p><p>precisará se guiar através da sinalização para encontrar a saída mais rápida e segura do</p><p>local ou a localização dos equipamentos de segurança.</p><p>Em um ambiente escolar não é diferente. As placas de sinalização se tornam ainda</p><p>mais necessárias do que em um hospital ou em um shopping, pois a comunicação deve</p><p>ser dirigida para dois públicos diferentes: adultos e crianças. E dentre as crianças,</p><p>parte delas ainda está em processo de alfabetização e entendimento de linguagem e</p><p>comunicação através de sinais.</p><p>Portanto, em uma escola não basta ter uma placa com uma mensagem escrita</p><p>indicando a saída de</p><p>emergência, por exemplo, ou uma placa indicando onde fi cam os</p><p>banheiros, pois uma criança ainda não alfabetizada ou que aprendeu a ler recentemente</p><p>não irá compreender o signifi cado de placas que expressem uma mensagem através da</p><p>linguagem escrita.</p><p>Ao mesmo tempo, os professores precisam de orientação para se localizarem entre</p><p>os ambientes dentro de uma escola. [...]</p><p>As placas de sinalização devem indicar onde fi cam as salas de aula, a biblioteca,</p><p>o laboratório de ciências, a sala de informática, a quadra poliesportiva ou a área onde</p><p>acontecem as aulas de educação física, além da sala dos professores e os banheiros.</p><p>[...]</p><p>A IMPORTÂNCIA da sinalização dentro do ambiente escolar. Printi Blog, 5 out. 2017. Disponível em:</p><p>https://www.printi.com.br/blog/a-importancia-da-sinalizacao-dentro-do-ambiente-escolar. Acesso em: 8 jan. 2020.</p><p>5</p><p>33</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 33 19/02/2020 14:49</p><p>Nos exemplos apresentados até aqui, você pôde perceber que pensar na experiência do usuário</p><p>é essencial para que o design esteja alinhado às necessidades de seu público. Pensando nisso e con-</p><p>siderando os conhecimentos desenvolvidos ao longo deste projeto, nesta Etapa final, você e seus</p><p>colegas se organizarão em grupos para fazer uma análise aprofundada de sua escola, do bairro ou de</p><p>prédios e áreas públicas de seu município para identificar problemas de comunicação e sinalização</p><p>envolvendo design.</p><p>Para isso, veja alguns tópicos importantes para o desenvolvimento do trabalho de identificar</p><p>problemas de comunicação em determinado espaço.</p><p>Local analisado</p><p>A primeira defi nição importante para o trabalho de análise da comunicação de sinalização e visual de um</p><p>ambiente é determinar que local será objeto de estudo. Para este projeto, o enfoque será dado a espaços</p><p>públicos, por conta de seu público abrangente e seu impacto maior na comunidade em que está inserido.</p><p>Na etapa anterior, você e seu grupo já começaram a explorar a sinalização no ambiente escolar, e essa</p><p>análise pode continuar a ser feita caso considerem que há abertura para que sua contribuição possa ajudar</p><p>de alguma forma a melhorar esse espaço.</p><p>Outra opção é selecionar um espaço novo, podendo ser algum que já reconhecem de suas vivências como</p><p>problemáticos em sua sinalização ou circulação. As ruas do bairro, um parque ou uma praça da região ou</p><p>um centro cultural do município são algumas opções possíveis.</p><p>Público</p><p>Além da seleção do ambiente, é importante considerar qual é o público que frequenta e depende no dia</p><p>a dia da utilização desse espaço. Identifi car esses usuários permite que suas necessidades e difi culdades</p><p>possam ser apontadas com mais clareza, levando também a uma refl exão mais completa sobre as possi-</p><p>bilidades de melhorias no design de sinalização e orientação.</p><p>Considere tanto o público que frequenta esse espaço atualmente quanto as possibilidades de novos públi-</p><p>cos, que podem não se sentir confortáveis ou seguros nesse ambiente no momento e, por isso, ainda não</p><p>fazem parte dos visitantes desse local.</p><p>Objetivos do espaço e de seu uso</p><p>Após a determinação do espaço e de seu público, busque entender quais são as principais funções desse</p><p>espaço para a comunidade: é um centro de lazer, um ponto de encontro, um local para expor produções</p><p>culturais, um espaço para estudos, uma área de preservação? A defi nição dos objetivos desse ambiente</p><p>deverá ajudar no entendimento das necessidades do público ao utilizá-lo e a pensar nas soluções de sina-</p><p>lização que podem ser propostas.</p><p>GOODSTUDIO/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>34</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 34 19/02/2020 14:49</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Atividades</p><p>1. Seguindo as instruções básicas apresentadas na página anterior, reúna-se com seu grupo para</p><p>começar a pesquisa para identifi cação de problemas de comunicação visual em espaços públicos</p><p>do seu entorno. No caderno, registrem as informações dos itens a seguir para estruturar sua</p><p>avaliação.</p><p>a) Que espaço público foi selecionado pelo grupo para ser estudado?</p><p>b) Qual é o público principal desse espaço? Há um público que pode fazer parte desse ambiente</p><p>e ainda não o faz por questões associadas à comunicação visual? Se sim, qual?</p><p>c) Qual é a função principal desse espaço? Há outros objetivos que podem ser explorados e</p><p>identifi cados para o público por meio de sinalização?</p><p>2. Organizem uma ida ao espaço selecionado pelo grupo para que possam observar a sinalização</p><p>presente e as possíveis lacunas ou falhas de comunicação. Para isso, verifi quem a necessidade</p><p>de autorização dos responsáveis pelo local ou da presença de um adulto para acompanhá-los</p><p>nesse momento.</p><p>a) No dia combinado, primeiro realizem um mapeamento do ambiente em relação à experiência</p><p>de seus usuários, conforme sugerido no trecho a seguir.</p><p>[...]</p><p>A diversidade de perfi s de usuários fazendo uso de um mesmo espaço pode ser algo</p><p>comum em um projeto de sinalização, principalmente quando vemos, no ambiente,</p><p>pessoas com diferentes idades, condições físico-motoras e aspectos culturais a serem</p><p>considerados. Mapear essas diferenças dos usuários é fundamental para o projeto de</p><p>sinalização, pois, a partir desses dados, é possível direcionar as alternativas que melhor</p><p>atendam à demanda de comunicação dessas pessoas em um ambiente. Esse mapeamento</p><p>deve levar em consideração pelo menos três fatores projetuais: o antropológico, para</p><p>conhecermos quem são os usuários e quais são seus códigos culturais; o ergonômico, para</p><p>percebermos os limites físico-motores dos usuários; e o psicológico, para entendermos</p><p>as condições cognitivas dos usuários.</p><p>[...]</p><p>D’AGOSTINI, Douglas. Design de sinalização. São Paulo: Blucher, 2017. p. 138.</p><p>Disponível em: https://issuu.com/editorablucher/docs/dagostini_issuu. Acesso em: 6 jan. 2020.</p><p>� Anotem no caderno algumas informações sobre os usuários que puderam observar em</p><p>sua visita, suas aparentes necessidades e desafi os de circulação, locomoção e acesso a</p><p>informações pertinentes.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>35</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 35 19/02/2020 14:49</p><p>b) Nessa mesma visita, façam registros no caderno de acordo com os itens a seguir, completando</p><p>com os apontamentos que considerarem pertinentes a partir das informações levantadas sobre</p><p>o espaço e seu contexto de uso por seus frequentadores.</p><p>� Pontos positivos;</p><p>� Pontos a melhorar;</p><p>� Sugestões de alterações ou substituições;</p><p>� Sugestões de novas sinalizações ou recursos de comunicação;</p><p>� Sugestões de procedimentos de acessibilidade e inclusão.</p><p>c) Registrem em fotos e vídeos o ambiente visitado e as situações apontadas em suas anotações. A</p><p>partir dessas imagens, que apontamentos podem ser feitos sobre a relação entre a arquitetura</p><p>desse espaço, as relações sociais ocorridas em suas dependências e a comunicação visual usada?</p><p>3. Após a visita ao espaço selecionado, conversem sobre as informações levantadas e analisem os</p><p>dados coletados com as perguntas e os itens das atividades 1 e 2. Em seguida, organizem uma</p><p>apresentação de slides ou oral com o apoio de cartazes sobre o que encontraram e apresentem</p><p>aos colegas dos demais grupos. A partir da troca entre os colegas, respondam coletivamente às</p><p>perguntas a seguir.</p><p>a) Há diferenças de público entre os espaços selecionados? Quais?</p><p>b) Entre os pontos positivos apresentados pelos grupos, quais se destacaram? Alguns se repeti-</p><p>ram em mais de um ambiente analisado?</p><p>c) Entre os pontos a serem melhorados, houve alguma sugestão que poderia ser aproveitada nos</p><p>ambientes de outros grupos? Se sim, quais?</p><p>d) Qual dos espaços analisados precisa de mais ajustes na comunicação visual e na sinalização?</p><p>E qual precisa de menos ajustes?</p><p>4. Após conhecer a necessidade de cada ambiente analisado e conversar com os colegas sobre suas</p><p>anotações, você consegue visualizar alternativas para sugerir a autoridades responsáveis</p><p>para</p><p>melhorar a comunicação visual e a sinalização desses ambientes? Que impacto você imagina que</p><p>poderia ter para contribuir com essas mudanças?</p><p>Após realizarem a pesquisa de campo no espaço público escolhido e</p><p>fazerem as análises sobre o que encontraram, registrem as informações</p><p>levantadas no canal de comunicação e compartilhamento escolhido para este projeto.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>� Design para quem não é designer</p><p>Para reforçar e expandir seus conhecimentos sobre design,</p><p>leia o livro de Robin Williams, que contém dicas e truques para</p><p>trabalhos simples de comunicação visual.</p><p>WILLIAMS, Robin. Design para quem não é designer: princípios</p><p>de design e tipografia para iniciantes. São Paulo:</p><p>Callis, 2013.</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>CA</p><p>LL</p><p>IS</p><p>36</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 36 19/02/2020 14:49</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Veja a seguir um pouco do projeto de comunicação visual criado para o Museu da Casa Brasileira,</p><p>localizado na cidade de São Paulo (SP). Por meio de uma identidade visual definida para o museu, os</p><p>designers responsáveis por esse projeto propuseram outros tipos de informações que foram reproduzidas,</p><p>por exemplo, em sinalizações de banheiros, espaços do museu e indicações de proibições e limitações.</p><p>Projeto de</p><p>comunicação visual</p><p>Além disso, alguns elementos visuais, como as fontes e as cores utilizadas na identidade visual,</p><p>foram utilizados também em uniformes dos funcionários, pôsteres e outras mídias usadas no dia a dia</p><p>do museu. Essa unidade estabelecida entre as informações visuais como um todo ajuda o usuário a se</p><p>localizar no ambiente, a reconhecer facilmente a linguagem do museu em espaços diferentes de sua</p><p>estrutura e a perceber padrões que permitem que a leitura das mensagens seja realizada mais facilmente</p><p>por associação visual.</p><p>Neste momento final do projeto, chegou a vez de o seu grupo usar os dados coletados e analisados</p><p>na etapa anterior para propor um projeto de comunicação visual para o espaço escolhido, tentando</p><p>solucionar os problemas encontrados por vocês ou melhorar a sinalização já existente no local de modo</p><p>a facilitar a circulação, a segurança e o bem-estar de seus usuários e visitantes. Vocês podem ainda</p><p>repensar alguns elementos complementares da identidade visual do espaço que escolheram ou criar</p><p>uma proposta visual nova.</p><p>Exemplos de sinalização do</p><p>projeto de comunicação visual do</p><p>Museu da Casa Brasileira.RI</p><p>CO</p><p>L</p><p>IN</p><p>S</p><p>37</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 37 19/02/2020 14:49</p><p>Veja a seguir um exemplo de projeto de sinalização elaborado para a Universidade de Campinas</p><p>(Unicamp), localizada no interior do estado de São Paulo. A proposta era apresentar uma sinalização</p><p>para um novo centro de convenções, que seria local de promoção de atividades culturais e acadêmicas</p><p>para os alunos e os funcionários da universidade, bem como para os moradores da região de Campinas.</p><p>Exemplos de projeto de sinalização para a Unicamp.</p><p>IM</p><p>AG</p><p>EN</p><p>S:</p><p>E</p><p>ST</p><p>ÚD</p><p>IO</p><p>1</p><p>96</p><p>B</p><p>RA</p><p>ND</p><p>IN</p><p>G</p><p>E</p><p>DE</p><p>SI</p><p>GN</p><p>/Z</p><p>AN</p><p>ET</p><p>TI</p><p>NI</p><p>A</p><p>RQ</p><p>UI</p><p>TE</p><p>TU</p><p>RA</p><p>38</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 38 19/02/2020 14:49</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Nesse projeto, os designers responsáveis escolheram o uso de luzes e tons claros para o interior</p><p>do centro de convenções para criar a aparência de um ambiente limpo e contemporâneo. Para ajudar</p><p>na movimentação do visitante nesse espaço, usaram-se linhas coloridas no chão para identificar</p><p>áreas específicas e guiar a circulação sem a necessidade de tantas orientações.</p><p>Esse conceito foi elaborado após o estudo do ambiente, da proposta do espaço e das necessidades</p><p>de seus usuários: a mesma coisa que seu grupo fez na etapa anterior deste projeto.</p><p>Elaborando o projeto</p><p>Para elaborar o projeto de comunicação visual, o grupo deve retomar as anotações e os apon-</p><p>tamentos elaborados anteriormente. Considerem as sugestões e as propostas pensadas durante a</p><p>visita ao espaço selecionado e, a partir dessas primeiras ideias, organizem-se nos seguintes passos.</p><p>Planejamento</p><p>� Conversem sobre o que propuseram durante o debate inicial em relação à sinalização do espaço.</p><p>� Retomem os conceitos e os exemplos explorados ao longo deste projeto para propor novas sinalizações</p><p>e/ou uma identidade visual apropriada para o local selecionado.</p><p>� Considerem as necessidades de acessibilidade dos ambientes e os tipos de orientações visuais que</p><p>podem contribuir para a experiência dos usuários.</p><p>� Pensem nos materiais que serão utilizados na sinalização: madeira, aço, acrílico etc. Para isso, con-</p><p>siderem a mensagem que esse uso pode passar para o público, as propriedades desses materiais</p><p>(durabilidade e fl exibilidade, por exemplo) e os impactos no meio ambiente.</p><p>� Elaborem um rascunho das sinalizações planejadas em uma folha à parte ou no caderno.</p><p>Modelos e protótipos</p><p>� Utilizem os rascunhos produzidos durante o planejamento para testar modelos e protótipos utilizando</p><p>materiais reaproveitados, como papelão e madeira, ou cartolinas e papéis mais resistentes.</p><p>� Com base na análise do ambiente feita durante a visita, considerem, na produção de placas, totens</p><p>e outras sinalizações, o tamanho e a proporção adequada para esses elementos. Levem em conta a</p><p>função de cada item e a área ou o perímetro do espaço em questão: a largura e a altura da parede, a</p><p>circunferência do poste ou pilar, a distância entre a sinalização e o público etc.</p><p>� Caso haja recursos disponíveis na escola, utili-</p><p>zem softwares de edição de foto e de imagens</p><p>e programas de criação de desenhos e de</p><p>diagramação para propor uma versão digita-</p><p>lizada dos rascunhos.</p><p>� Verifi quem a possibilidade de utilizar a impres-</p><p>sora da escola, se necessário.</p><p>� Realizem quantos modelos e protótipos forem</p><p>essenciais para chegar a um resultado ade-</p><p>quado às necessidades do projeto.</p><p>GOODSTUDIO/</p><p>SHUTTERSTOCK.COM</p><p>39</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 39 19/02/2020 14:49</p><p>Revisão</p><p>� Retomem as propostas feitas durante o planejamento e comparem com os modelos</p><p>desenvolvidos pelo grupo.</p><p>� Avaliem a necessidade de repensar algum aspecto do projeto original: uso de cores,</p><p>materiais, tamanhos, hierarquias etc.</p><p>� Conversem com os demais grupos e comparem propostas para enriquecer o momento</p><p>com trocas, sugestões e críticas construtivas.</p><p>� Se necessário, reestruturem os projetos a partir das novas necessidades e das sugestões</p><p>dos colegas.</p><p>� Caso utilizem softwares de edição de imagem, produzam neste momento a versão</p><p>finalizada dos modelos.</p><p>Apresentação do projeto</p><p>� Após a finalização da parte visual do projeto, escrevam uma explicação para as propostas</p><p>elaboradas.</p><p>� Direcionem o texto a uma autoridade responsável pelo espaço público analisado pelo</p><p>grupo.</p><p>� Iniciem o texto explicando que a intenção do projeto é apresentar sugestões de melhorias</p><p>ou aprimoramentos na comunicação visual do espaço selecionado.</p><p>� Incluam as informações coletadas na visita ao espaço: dados sobre o ambiente, infor-</p><p>mações sobre o público e suas necessidades e os pontos positivos e a melhorar da</p><p>comunicação visual original encontrada no local.</p><p>� Incluam imagens dos modelos e protótipos elaborados por vocês para explicar as</p><p>propostas.</p><p>� Justifiquem as escolhas gráficas da turma: uso de cores, imagens</p><p>e pictogramas, disposição e hierarquia das informações</p><p>em placas, totens e cartazes, posição de cada</p><p>tipo de sinalização no espaço etc.</p><p>� Finalizem o texto agradecendo a</p><p>atenção da autoridade pública respon-</p><p>sável e coloquem-se à disposição para</p><p>mais esclarecimentos.</p><p>� Compartilhem com os demais grupos o</p><p>projeto completo: modelos, protótipos e expli-</p><p>cações pertinentes.</p><p>� Apresentem o projeto para a autoridade com-</p><p>petente à qual ele foi direcionado.</p><p>Próximos passos</p><p>Caso os projetos elaborados pelos grupos sejam implementados ou testados nos espaços</p><p>públicos escolhidos, realizem entrevistas com os usuários desses locais para avaliar se as</p><p>sugestões e as propostas</p><p>funcionaram e se afetaram o ambiente de maneira positiva, ou</p><p>seja, se houve uma melhora na relação entre público e espaço por conta de suas propostas</p><p>de design.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>40</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 40 19/02/2020 14:49</p><p>Avaliação</p><p>Respostas pessoais.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Para finalizar este Projeto Integrador, é importante realizar uma avaliação, tanto de sua</p><p>participação individual quanto coletiva. Para isso, em uma folha sulfite, faça o que se pede.</p><p>1. Sobre o seu envolvimento e o da turma neste Projeto Integrador, responda às questões a seguir.</p><p>a) Houve participação em todas as atividades propostas? Argumente.</p><p>b) Em qual etapa houve mais dedicação? E em qual houve menos dedicação? Justifique.</p><p>c) Atribua uma nota de zero (0) a dez (10) para a sua participação e para a participação da turma neste</p><p>Projeto Integrador. Argumente sobre essas notas.</p><p>d) Em relação às suas ações, em quais aspectos você acredita que pode melhorar na realização de um</p><p>próximo Projeto Integrador? E em quais aspectos a turma pode melhorar?</p><p>e) Junte-se a um colega e comparem as respostas das questões anteriores, verificando em quais itens</p><p>da avaliação vocês concordam e em quais discordam.</p><p>f) Escreva, de modo sucinto, quais foram as suas dificuldades e quais aprendizagens desenvolveu no</p><p>decorrer deste Projeto Integrador.</p><p>2. Em relação ao assunto deste Projeto Integrador, você:</p><p>a) refletiu acerca da função do design e seu impacto na vida das pessoas, além de participar ativamente</p><p>de uma pesquisa de campo pela escola para identificar a funcionalidade do design dos elementos</p><p>nesse espaço?</p><p>b) compreendeu a relação entre design e comunicação?</p><p>c) compreendeu a maneira com que o design utiliza elementos como tipografia, escolha de cores e</p><p>imagens, tamanho e hierarquia de informações para transmitir sua mensagem efetivamente?</p><p>d) compreendeu a relação entre design e espaço público e reconheceu e valorizou diferentes exemplos</p><p>de produções do design, especialmente de sinalização, identificando seus problemas e seus pontos</p><p>positivos?</p><p>e) pesquisou problemas de comunicação causados pelo design e propôs um projeto de comunicação</p><p>visual para um espaço público, correspondente ao produto final deste Projeto Integrador?</p><p>3. Sobre o canal de compartilhamento, proposto em Hora de compartilhar, responda às questões a</p><p>seguir.</p><p>a) Em sua opinião, quais foram os pontos positivos de compartilhar algumas das reflexões e trabalhos</p><p>realizados em cada etapa do projeto? E quais foram os pontos negativos?</p><p>b) Como foi sua participação no desenvolvimento desse trabalho?</p><p>c) Registre quais dificuldades você encontrou e quais aprendizagens desenvolveu com esse canal de</p><p>compartilhamento.</p><p>41Projeto 1 - Design e comunicação</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 41 19/02/2020 14:49</p><p>42</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>2 SUZANNE TUCKER/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 42D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 42 22/02/20 16:2122/02/20 16:21</p><p>Jovens protestando nas ruas de Washington</p><p>D.C. (Estados Unidos) contra a violência</p><p>armada. Foto de 2018.</p><p>O poder da sua voz</p><p>Como</p><p>transformar</p><p>realidades?</p><p>Nas últimas décadas, tem sido</p><p>intensa a participação da população</p><p>jovem em grandes momentos de movi-</p><p>mentação social, política e estrutural</p><p>em todos os cantos do mundo. A garra</p><p>e determinação das novas gerações,</p><p>além do forte desejo de mudança,</p><p>impulsionam os jovens a sair às ruas,</p><p>expor suas opiniões em redes sociais</p><p>e agir em prol de uma sociedade que</p><p>esteja alinhada a seus valores e ideais.</p><p>No entanto, existe uma diferença</p><p>entre apenas compartilhar suas ideias</p><p>e efetivamente usar a voz para trans-</p><p>formar a realidade – uma prática</p><p>protagonista e cidadã que pode ser</p><p>realizada em diversos contextos.</p><p>Pensando na importância da con-</p><p>tribuição da população jovem para</p><p>mudar positivamente suas realidades,</p><p>você será incentivado, neste projeto, a</p><p>refletir sobre sua participação social e</p><p>a realizar um festival cultural valen-</p><p>do-se dos recursos à sua disposição.</p><p>Com isso, você terá a oportunidade de</p><p>ser um agente de mudanças significa-</p><p>tivas utilizando sua maior arma: a voz.</p><p>43</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 43D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 43 22/02/20 16:2222/02/20 16:22</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>PROTAGONISMO JUVENIL</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Compreender o seu papel como protagonista de prá-</p><p>ticas sociais de mudanças que afetam a coletividade.</p><p>• Utilizar a voz para discutir e reivindicar ações e polí-</p><p>ticas públicas que possam transformar a realidade de</p><p>sua comunidade.</p><p>• Realizar uma pesquisa de campo a fim de identificar os</p><p>principais problemas que atingem a escola e o entorno.</p><p>• Realizar discussões e reflexões sobre a realidade local e</p><p>os problemas nela identificados e propor medidas que</p><p>possam ser realizadas para solucioná-los.</p><p>• Produzir um festival cultural a fim de apresentar</p><p>manifestações artísticas desenvolvidas para ampli-</p><p>ficar sua voz, expor as dificuldades da comunidade e</p><p>propor mudanças.</p><p>• Elaborar um manifesto direcionado a autoridades aptas</p><p>a agir sobre os problemas que afetam a comunidade em</p><p>que você está inserido.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>A partir da ideia de protagonismo juvenil como a inserção</p><p>do jovem enquanto elemento central da prática educativa,</p><p>este Projeto Integrador busca estimular você a agir como</p><p>sujeito da construção de seu conhecimento de modo ativo,</p><p>levando-o a considerar o contexto em que está inserido e a</p><p>refletir sobre sua situação para que possa identificar proble-</p><p>mas, analisar elementos geradores e consequências e propor</p><p>soluções. Desse modo, você poderá assumir uma participação</p><p>social efetiva que contribui para seu desenvolvimento como</p><p>cidadão e, sobretudo, para o desenvolvimento da comunidade</p><p>em que está inserido.</p><p>A escolha da organização de um festival cultural como</p><p>produto final tem como objetivo explorar as diversas habili-</p><p>dades artísticas e comunicativas para que possam usar a arte</p><p>como forma de exposição e crítica social. Assim, de acordo com</p><p>suas preferências e pelo desenvolvimento do evento, você e</p><p>seus colegas poderão alcançar um público maior e compartilhar</p><p>as informações coletadas e as reflexões construídas ao longo</p><p>das etapas do projeto, expandindo o impacto social do tema.</p><p>Por fim, nesta proposta de incentivo ao protagonismo</p><p>juvenil, a exploração do gênero textual manifesto permite a sua</p><p>participação política na sociedade em que está inserido, além de</p><p>propiciar uma parceria com sua comunidade para transformar</p><p>uma realidade visando ao bem comum.</p><p>Competências e habilidades da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC encontra-se</p><p>ao final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>1, 2, 3, 4, 7, 8 e 9</p><p>Competências específicas</p><p>e habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG101 e EM13LGG104</p><p>(relativas à competência específica 1)</p><p>EM13LGG201 e EM13LGG202</p><p>(relativas à competência específica 2)</p><p>EM13LGG301, EM13LGG303,</p><p>EM13LGG304 e EM13LGG305</p><p>(relativas à competência específica 3)</p><p>EM13LGG602, EM13LGG603 e EM13LGG604</p><p>(relativas à competência específica 6)</p><p>EM13LGG703 (relativa à competência</p><p>específica 7)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social:</p><p>EM13LP11 (relativa à competência</p><p>específica 7) e EM13LP15 (relativa às</p><p>competências específicas 1 e 3)</p><p>Campo de atuação na vida pública:</p><p>EM13LP24 (relativa à competência</p><p>específica 1) e EM13LP27 (relativa à</p><p>competência específica 3)</p><p>Campo das práticas de estudo e pesquisa:</p><p>EM13LP30 (relativa à competência</p><p>específica 7), EM13LP33 (relativa à</p><p>competência específica 3) e EM13LP34</p><p>(relativa à competência específica 3)</p><p>Campo jornalístico-midiático: EM13LP36</p><p>(relativa à competência específica 2)</p><p>e EM13LP42 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>Campo artístico-literário: EM13LP47 (relativa às</p><p>competências específicas 3 e 6)</p><p>Matemática e suas Tecnologias</p><p>EM13MAT202 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>Ciências da Natureza</p><p>e suas Tecnologias</p><p>EM13CNT302 (relativa à competência</p><p>específica 3)</p><p>Ciências Humanas e Sociais Aplicadas</p><p>EM13CHS502 (relativa à competência</p><p>específica 5)</p><p>EM13CHS606 (relativa à competência</p><p>específica 6)</p><p>Produto final Festival cultural</p><p>44</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 44D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 44 22/02/20 16:2722/02/20 16:27</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as produções rea-</p><p>lizadas nas etapas deste Projeto Integrador,</p><p>sugerimos a construção coletiva de um canal de comparti-</p><p>lhamento. Para isso, vocês podem criar um blog, um canal de</p><p>vídeos, uma página em rede social, um mural, um portfólio ou</p><p>outras formas de comunicação com a comunidade escolar.</p><p>Ao final de cada etapa deste Projeto Integrador, há orientações</p><p>e sugestões do que pode ser compartilhado.</p><p>Realizar reflexões acerca do conceito de protagonismo juvenil a partir</p><p>da leitura de textos com exemplos de jovens que atuam ou atuaram</p><p>em diversas esferas sociais de maneira ativa, utilizando sua voz para</p><p>buscar soluções e/ou promover debates sobre questões que afetam a</p><p>comunidade em que estão inseridos. Além disso, vocês serão incentivados</p><p>a realizar uma pesquisa sobre projetos sociais e culturais que atuam em</p><p>prol de mudanças.</p><p>Explorar as possibilidades de protagonismo juvenil em contextos como a escola, o bairro</p><p>e a comunidade escolar, entendendo a relevância do impacto local gerado pelas ações</p><p>sociais. Na finalização da etapa, vocês serão incentivados a refletir sobre os problemas</p><p>de seu entorno, suas causas e consequências e possíveis propostas de solução para</p><p>a situação identificada. Esse trabalho permite que vocês se percebam como agentes</p><p>participativos da realidade em que estão inseridos.</p><p>Realizar uma pesquisa de campo que permita o contato com os colegas de</p><p>outras turmas e/ou moradores e trabalhadores do entorno da escola ou do</p><p>bairro, para conhecer melhor os problemas sociais relevantes para essas</p><p>comunidades, entendendo as necessidades e as preocupações que as afligem.</p><p>Conhecer a importância e o impacto da arte produzida por jovens como</p><p>instrumento de manifestação de insatisfações e de transformação social.</p><p>Esse trabalho também permite que identifiquem essa ação como maneira</p><p>de expor e traduzir informações usando recursos lúdicos e com uma</p><p>linguagem mais acessível para o público.</p><p>Organizar e produzir um festival cultural com a exposição de diversas manifestações</p><p>artísticas visando propor um debate sobre situações e problemas sociais pertinentes à</p><p>comunidade em que vocês estão inseridos. Esse evento permitirá também a exposição</p><p>dos resultados das pesquisas que realizaram, seja pelas informações contidas em</p><p>suas produções artísticas, seja pelo manifesto produzido coletivamente, o qual poderá</p><p>ser apresentado a autoridades e órgãos públicos como forma de manifestação política</p><p>capaz de transformar a realidade local.</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>4</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>As redes sociais e as plataformas digitais permitem</p><p>que as informações e reflexões elaboradas durante</p><p>o projeto alcancem um número maior de pessoas.</p><p>CHAAY_TEE/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>45projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 45D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 45 19/02/20 15:2619/02/20 15:26</p><p>Etapa</p><p>Protagonismo</p><p>e juventude1</p><p>Você já ouviu falar em protagonismo? Sabe o que esse termo significa? Converse com os colegas</p><p>e veja o que a turma entende por “ser protagonista”.</p><p>A palavra protagonista vem do vocábulo grego protagonistes,</p><p>constituído de duas raízes: proto, que significa “primeiro,</p><p>principal”; e agonistes, que significa “ator ou competidor”.</p><p>Pode ser que algumas pessoas associem o protagonismo à imagem de um personagem de um</p><p>livro, filme ou programa de televisão que tenha destaque, para o qual toda a ação da história é dire-</p><p>cionada. Na vida real, o protagonismo está relacionado a assumir um papel central em sua vida e</p><p>em suas práticas sociais.</p><p>No contexto social, agir com protagonismo pode estar relacionado a diversas práticas que levem o</p><p>indivíduo a interferir de forma ativa e construtiva no contexto em que está inserido com o objetivo de</p><p>identificar e propor soluções ou, ainda, de buscar ajuda de pessoas ou órgãos que possam agir para solu-</p><p>cionar problemas que acometam a escola ou a comunidade.</p><p>Quando se fala do protagonismo juvenil, dá-se foco ao papel das novas gerações na busca por mudan-</p><p>ças que impactem positivamente a sociedade. Esse jovem é responsável pela reflexão e pelas atitudes</p><p>que, a partir de um incômodo causado por uma realidade social, podem gerar um movimento de</p><p>conscientização, manifestação e disseminação de ideias.</p><p>Para saber um pouco mais sobre a prática de jovens que agem com protagonismo, leia o texto a seguir,</p><p>sobre uma série de protestos que aconteceram em várias partes do mundo em defesa do meio ambiente.</p><p>Jovens em greve contra as mudanças climáticas:</p><p>“Estamos lutando pelas nossas vidas”</p><p>[...] De Vanuatu a Bruxelas, estudantes se reuniram exibindo cartazes, cantando, entoando gritos</p><p>de protesto e se mobilizando em uma tentativa coordenada de expressar suas preocupações àqueles</p><p>que têm poder para abordar a questão.</p><p>Esses jovens nunca tiveram a chance de ver um mundo intocado pelas mudanças climáticas. Ainda</p><p>assim, serão eles que sofrerão os impactos, afirma Nadia Nazar, uma das organizadoras da greve em</p><p>Washington, D.C.</p><p>"Somos a primeira geração a ser significantemente impactada pelas mudanças climáticas e a</p><p>última capaz de fazer algo a respeito", disse ela.</p><p>Mais de 1 700 greves foram coordenadas para que ocorressem ao longo do dia, começando nos</p><p>países ao leste, como Austrália e Vanuatu, e prosseguindo para todos os continentes, incluindo a</p><p>Antártida. A previsão era que mais de 40 mil alunos se manifestassem na Austrália e as ruas das</p><p>principais cidades europeias ficaram repletas de jovens.</p><p>46</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 46D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 46 19/02/20 15:2619/02/20 15:26</p><p>No Brasil, eventos aconteceram em pelo menos 20 cidades. A reportagem acompanhou a</p><p>manifestação em São Paulo, onde cerca de 50 estudantes se concentraram no vão livre do Masp, na</p><p>Avenida Paulista. Apesar do baixo quórum – organizadores culparam o pouco tempo de divulgação –,</p><p>a animação dos jovens empolgou até manifestantes mais experientes.</p><p>[...]</p><p>Mas o evento também atraiu estudantes que nunca tinham protestado pelo clima, mas</p><p>compartilham do sentimento de urgência levantado por outros manifestantes. Eles disseram que</p><p>pretendem continuar a protestar nas sextas-feiras e levar mais colegas da escola nas próximas ações.</p><p>[...]</p><p>47</p><p>"Um crime contra o nosso futuro"</p><p>Em outubro de 2018, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em</p><p>inglês) emitiu um relatório que advertia que, sem uma ação internacional séria e coordenada para frear</p><p>as emissões de gases de efeito estufa, é praticamente certo que o nosso planeta vai esquentar mais</p><p>de 1,5 grau Celsius e que os impactos desse aquecimento possivelmente serão muito mais nocivos e</p><p>devastadores do que se pensava anteriormente. O prazo? Reduzir as emissões até 2030.</p><p>Muitos jovens ao redor do mundo tomaram conhecimento do prazo, fizeram as contas e perceberam</p><p>que nessa época estariam vivendo a fase que deveria ser a melhor de suas vidas.</p><p>"Tenho muitas metas e sonhos a serem realizados até eu completar 25 anos", diz Karla Stephan, uma</p><p>adolescente de 14 anos que organizou a greve de Washington D.C. a partir de Bethesda, Maryland. "Mas</p><p>em apenas 11 anos, os danos das mudanças climáticas não poderão ser desfeitos. Isso é simplesmente</p><p>algo que eu escolhi não aceitar."</p><p>E quando os jovens se deram conta, viram que pouca ou nenhuma providência estava sendo</p><p>tomada para resolver o problema. Então, Stephan e muitos outros perceberam que eles eram os</p><p>responsáveis por mudar o cenário.</p><p>"A ignorância</p><p>não é uma bênção", diz Stephan. "É a morte. É um crime contra o nosso futuro."</p><p>BORUNDA, Alejandra. Jovens em greve contra as mudanças climáticas: “Estamos lutando pelas nossas vidas”. National Geographic, 18 mar. 2019.</p><p>Disponível em: www.nationalgeographicbrasil.com/2019/03/jovens-estudantes-greve-pelo-clima-mudancas-climaticas-mundo-greta-thurnberg.</p><p>Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>Em Nantes, França, alguns manifestantes pintaram o rosto com o desenho do planeta Terra durante a</p><p>greve pelo clima.</p><p>SE</p><p>BA</p><p>ST</p><p>IE</p><p>N</p><p>SA</p><p>LO</p><p>M</p><p>-G</p><p>OM</p><p>IS</p><p>/</p><p>AF</p><p>P</p><p>projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 47D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 47 19/02/20 15:2619/02/20 15:26</p><p>1. Após a conversa inicial sobre o protagonismo juvenil e a leitura da reportagem, responda às questões a seguir.</p><p>a) Você já tinha ouvido falar sobre essa série de manifestações organizadas por jovens em várias</p><p>partes do mundo? Se sim, que outras informações sobre a atuação deles você pode compartilhar</p><p>com os colegas?</p><p>b) Retome a fotografi a de abertura deste projeto. De que maneira essa imagem pode ser relacionada às</p><p>manifestações mencionadas na reportagem?</p><p>c) De acordo com as informações apresentadas no texto, responda: Por que tantos jovens estão engajados</p><p>na luta contra as mudanças climáticas, agindo com protagonismo em prol da causa ambiental?</p><p>d) Você acredita que o destaque dado às manifestações na mídia é algo positivo para as propostas que elas</p><p>defendem? Por quê?</p><p>2. Pense, agora, em outras formas de protagonismo juvenil.</p><p>a) Você conhece outros exemplos de jovens que usam a voz para lutar por mudanças? Contra quais problemas</p><p>ou questões eles lutam? Compartilhe seus conhecimentos com os colegas.</p><p>b) Em sua opinião, que outras causas merecem atenção dos jovens atualmente? Por quê?</p><p>c) Considere os apontamentos feitos no item anterior e pense na realidade da sua escola ou do seu</p><p>bairro. De que maneira o protagonismo juvenil pode ser praticado nesses ambientes para promover</p><p>mudanças significativas?</p><p>Atividades</p><p>• O desafio do protagonismo juvenil</p><p>Este minidocumentário, produzido pela Rede Amiga da Criança, conta com depoimentos de jovens e</p><p>adolescentes que falam sobre protagonismo juvenil e dos desafios que enfrentam. Os depoimentos</p><p>trazem, ainda, informações sobre alguns programas que fazem parte do conjunto de ações propostas</p><p>pelo Protagonismo Juvenil em Rede (Projur), mostrando como os jovens podem agir com protagonismo</p><p>para transformar suas realidades.</p><p>O DESAFIO do protagonismo juvenil. 2016. Vídeo (11 min). Publicado pelo canal Rede Amiga da Criança.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I19BLoJ7x6w. Acesso em: 29 jan. 2020.</p><p>W</p><p>OO</p><p>DH</p><p>OU</p><p>SE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>48</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 48D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 48 19/02/20 15:2619/02/20 15:26</p><p>3. Existem muitos jovens, de várias partes do mundo, que lutaram e continuam lutando para</p><p>transformar a política, a cultura, a ciência, o meio ambiente e a educação. O incentivo necessá-</p><p>rio para esses jovens pode vir de uma situação da comunidade ou de algum problema familiar</p><p>ou pessoal que afete também a sociedade em que estão inseridos. Conheça a seguir alguns</p><p>exemplos, extraídos de uma reportagem, de jovens que impactaram suas comunidades e o</p><p>mundo usando sua voz para expor problemas reais e lutar por mudanças.</p><p>[...]</p><p>Malala Yousafzai CHRISTOPHE PETIT TESSON/POOL/AFP</p><p>BOSTON GLOBE/GETTY IMAGES</p><p>Já foram publicados livros, documentários e muito conteúdo</p><p>na internet sobre Malala. Em muitos países, a educação é um</p><p>direito básico para homens e mulheres, crianças e adultos. Mas</p><p>no Paquistão, o Talibã proíbe as mulheres de estudar.</p><p>Isso fez com que a pequena Malala, na época com 11 anos</p><p>de idade, começasse sua luta pelo direito à educação. Suas</p><p>ações começaram a ganhar repercussão, e o Talibã começou</p><p>a perseguir a menina até conseguir acertá-la com um tiro</p><p>na cabeça e outro no pescoço. Ela sobreviveu e, depois disso,</p><p>ganhou o prêmio Nobel da Paz, tudo isso na adolescência!</p><p>E ela fez muita diferença: o Malala Fund hoje garante a educação</p><p>de cerca de 130 milhões de meninas pelo mundo!</p><p>Aos 9 anos, Dylan Mahalingam fundou nos Estados Unidos, seu</p><p>país de origem, uma instituição que visa dar poder aos jovens.</p><p>A Lil’ MDGs tem como objetivo encorajar e auxiliar crianças</p><p>e adolescentes pelo mundo a alcançar os objetivos do milênio,</p><p>estipulados pelas Nações Unidas. Os Objetivos do Milênio são um</p><p>conjunto de ações que precisam ser tomadas para transformar</p><p>o planeta como o conhecemos e estabelecer um novo padrão de</p><p>vida pelo mundo. A instituição de Dylan já mobilizou 3 milhões de</p><p>crianças em 41 países!</p><p>LE</p><p>IG</p><p>H</p><p>VO</p><p>GE</p><p>L/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>Dylan Mahalingam</p><p>Malala Yousafzai. Foto de 2019.</p><p>Dylan Mahalingam. Foto de 2010.</p><p>Brittany Wenger. Foto de 2014.</p><p>Muitas pessoas, quando passam por uma situação difícil, ficam</p><p>motivadas e fazem o possível para resolver as questões que causaram</p><p>seu problema e garantir que outras pessoas não sofram o mesmo. Isso</p><p>foi o que aconteceu com a norte-americana Brittany Wenger.</p><p>Quando sua prima descobriu um câncer de mama, ela desenvolveu</p><p>uma forma de estudar a genética de pacientes e encontrou uma maneira</p><p>de descobrir o risco de câncer. Com essa pesquisa, aos 15 anos, ela ganhou</p><p>o prêmio Google Science Fair, e continuou desenvolvendo sua ferramenta.</p><p>Aos 17 anos, ela já tinha aprimorado o dispositivo a ponto de detectar</p><p>cânceres gravíssimos e até leucemia!</p><p>Brittany Wenger</p><p>49projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 49D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 49 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>[...]</p><p>Talvez você já tenha visto por aí o vídeo de uma</p><p>menina de 12 anos fazendo um discurso muito imponente</p><p>na conferência Rio-92. Essa menina é a canadense Severn</p><p>Cullis-Suzuki, e ficou famosa como “a menina que calou o</p><p>mundo por 5 minutos”. Isso porque ela foi chamada para uma</p><p>pequena fala de encerramento na conferência e aproveitou</p><p>para cobrar ministros, chefes de Estado e presidentes sobre</p><p>suas ações com relação ao meio ambiente, a pobreza e as</p><p>condições de vida da população mundial.</p><p>Tudo isso aconteceu porque, junto a 3 amigos, Severn</p><p>fundou a ECO: Organização das Crianças para o Meio</p><p>Ambiente. Assim, eles arrecadaram dinheiro e participaram</p><p>da Rio-92, ganhando visibilidade para suas questões. Hoje</p><p>Severn tem 38 anos e continua sua vida como ativista,</p><p>atuando junto à política no Canadá.</p><p>O caso do francês Louis Braille é o mais antigo, mas realmente</p><p>mudou a vida de muitas pessoas no mundo todo. Aos 3 anos, o jovem</p><p>francês sofreu um acidente na oficina de seu pai e acabou ficando</p><p>cego. Preocupados em dar uma vida boa para o filho, eles [os pais</p><p>de Louis] o matricularam na escola, e o jovem conseguia aprender</p><p>muito apenas ouvindo os conteúdos.</p><p>Mas aos 12 anos, conheceu um sistema chamado escrita noturna,</p><p>usado por marinheiros franceses. A partir daí, Louis começou a</p><p>desenvolver seu próprio método de escrita, e aos 15 anos já tinha</p><p>estruturado o método Braille, que até hoje é usado no mundo todo.</p><p>APIC/HULTON FINE ART COLLECTION/GETTY IM</p><p>AGES</p><p>[...]</p><p>7 JOVENS cidadãos do mundo que revolucionaram a história. Yázigi, Campinas, SP, [201-]. Disponível em:</p><p>http://www.yazigi.com.br/noticias/cultura/7-jovens-cidadaos-do-mundo-que-revolucionaram-a-historia. Acesso em: 16 dez. 2019.</p><p>Rene Silva é um jovem morador do Complexo do Alemão, no Rio</p><p>de Janeiro. Ele tinha 11 anos de idade quando fundou o jornal Voz</p><p>da Comunidade, que falava sobre os problemas que sua comunidade</p><p>enfrentava, por meio de impressões feitas com xerox, em papel A4.</p><p>O jornal foi ganhando visibilidade e, após 6 anos, ele postou em sua</p><p>conta no Twitter detalhes ao vivo sobre a ocupação do complexo do</p><p>Alemão, servindo de fonte para os principais jornais do país.</p><p>Aos 19 anos, Rene publicou seu primeiro livro</p><p>identificamos</p><p>diversas situações que desafiam nossa compreensão e nossas ações. Os avanços tecnoló-</p><p>gicos, por exemplo, modificam as interações sociais, a produção e o compartilhamento de</p><p>informações e outros aspectos da vida.</p><p>O Ensino Médio é uma etapa de grande importância na formação de cidadãos críticos, uma</p><p>vez que, durante ela, os jovens adquirem conhecimentos historicamente construídos, rela-</p><p>cionando-os ao cotidiano e a expectativas quanto ao futuro. Esses conhecimentos ampliam</p><p>o repertório intelectual e emocional e preparam para lidar com questões contemporâneas.</p><p>Nesse sentido, é a hora de desenvolver competências e habilidades, individuais e coleti-</p><p>vas, que possibilitem compreender o saber científico de maneira integrada e agir frente a ele</p><p>com flexibilidade, rompendo barreiras imaginárias que, por vezes, limitam o diálogo com as</p><p>diferentes áreas do conhecimento.</p><p>Os Projetos Integradores propostos nesta obra têm como objetivo a realização de traba-</p><p>lhos, desenvolvidos em etapas, que integrem as Linguagens e suas Tecnologias e que explorem</p><p>diversas situações de interesse social, como aquelas que tratam de comunicação e da vivência</p><p>nos espaços, do multiculturalismo, da relação que você estabelece com as tecnologias digitais,</p><p>entre outras.</p><p>Por fim, desejamos que você explore esses Projetos Integradores com dedicação e</p><p>entusiasmo e que, junto com os professores e colegas envolvidos, desenvolva trabalhos de</p><p>relevância que impactem e modifiquem, de maneira positiva, a escola e a comunidade em que</p><p>estão inseridos, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e inclusiva.</p><p>Os autores</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 3D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 3 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>Antes de começar a usar este livro, talvez ainda permaneça uma dúvida: o que são</p><p>Projetos Integradores?</p><p>Vamos tentar responder de uma maneira bem sintética: eles são um convite a uma</p><p>aprendizagem conectada às suas próprias vivências. Muito genérico? Podemos dizer</p><p>também que, com eles, esperamos que você mobilize seus conhecimentos, sua criati-</p><p>vidade e seus interesses para realizar pesquisas e produções que contextualizem temas</p><p>importantes tanto na esfera pessoal quanto na vida em sociedade.</p><p>Há uma palavra-chave neste livro: protagonismo. A partir de cada Projeto Integrador,</p><p>esperamos que você atue como protagonista de seu próprio aprendizado, reconhecen-</p><p>do-se como agente transformador do contexto em que está inserido.</p><p>Esta obra foi idealizada, planejada e realizada de modo que você a considere uma</p><p>parceira na construção do seu conhecimento. Se, ao final de cada um dos projetos, você</p><p>conseguir aprofundar reflexões relevantes – tais como seu lugar no mundo, sua relação</p><p>com o outro, seus projetos de futuro, entre outras –, nosso propósito foi alcançado.</p><p>Enfim, esperamos que os estudos impulsionados por este livro deem mais sentido</p><p>às suas atividades escolares. Para isso, além da mobilização dos conteúdos discipli-</p><p>nares integrados na área e das competências e habilidades da BNCC, cada projeto foi</p><p>estruturado com base em um dos seguintes temas integradores: STEAM (sigla em</p><p>inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática), Protagonismo Juvenil,</p><p>Midiaeducação e Mediação de Conflitos.</p><p>Com o STEAM, a ideia é trabalhar os cinco campos</p><p>de conhecimento que formam a sigla para resol-</p><p>ver problemas reais. Em Protagonismo Juvenil,</p><p>as diversas culturas juvenis são abordadas</p><p>e sua participação é esperada em ativida-</p><p>des que buscam o melhor para si e seu</p><p>entorno. Com Midiaeducação, a ideia não</p><p>é apenas estudar as diversas mídias,</p><p>tradicionais ou digitais, mas também</p><p>produzi-las e compartilhá-las com a</p><p>comunidade. Em Mediação de Conflitos,</p><p>você refletirá sobre a melhor maneira de</p><p>lidar com perspectivas diferentes da sua</p><p>e atuar para uma convivência republicana</p><p>e democrática.</p><p>Vamos, agora, conhecer cada parte do</p><p>seu livro?</p><p>ProjetosIntegradores</p><p>AN</p><p>TO</p><p>NI</p><p>U/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 4 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>Apresenta o tema do Projeto Integrador, a pergunta</p><p>norteadora de todo o trabalho e um texto introdutório</p><p>explicando a problemática do tema.</p><p>Aqui, você terá acesso às</p><p>informações gerais do projeto e a</p><p>uma prévia do que é proposto em</p><p>cada etapa.</p><p>Abertura</p><p>Ficha de estudo</p><p>Conheça seu livro</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>PROTAGONISMO JUVENIL</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Compreender o seu papel como protagonista de prá-</p><p>ticas sociais de mudanças que afetam a coletividade.</p><p>• Utilizar a voz para discutir e reivindicar ações e polí-</p><p>ticas públicas que possam transformar a realidade de</p><p>sua comunidade.</p><p>• Realizar uma pesquisa de campo a fim de identificar os</p><p>principais problemas que atingem a escola e o entorno.</p><p>• Realizar discussões e reflexões sobre a realidade local e</p><p>os problemas nela identificados e propor medidas que</p><p>possam ser realizadas para solucioná-los.</p><p>• Produzir um festival cultural a fim de apresentar</p><p>manifestações artísticas desenvolvidas para ampli-</p><p>ficar sua voz, expor as dificuldades da comunidade e</p><p>propor mudanças.</p><p>• Elaborar um manifesto direcionado a autoridades aptas</p><p>a agir sobre os problemas que afetam a comunidade em</p><p>que você está inserido.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>A partir da ideia de protagonismo juvenil como a inserção</p><p>do jovem enquanto elemento central da prática educativa,</p><p>este Projeto Integrador busca estimular você a agir como</p><p>sujeito da construção de seu conhecimento de modo ativo,</p><p>levando-o a considerar o contexto em que está inserido e a</p><p>refletir sobre sua situação para que possa identificar proble-</p><p>mas, analisar elementos geradores e consequências e propor</p><p>soluções. Desse modo, você poderá assumir uma participação</p><p>social efetiva que contribui para seu desenvolvimento como</p><p>cidadão e, sobretudo, para o desenvolvimento da comunidade</p><p>em que está inserido.</p><p>A escolha da organização de um festival cultural como</p><p>produto final tem como objetivo explorar as diversas habili-</p><p>dades artísticas e comunicativas para que possam usar a arte</p><p>como forma de exposição e crítica social. Assim, de acordo com</p><p>suas preferências e pelo desenvolvimento do evento, você e</p><p>seus colegas poderão alcançar um público maior e compartilhar</p><p>as informações coletadas e as reflexões construídas ao longo</p><p>das etapas do projeto, expandindo o impacto social do tema.</p><p>Por fim, nesta proposta de incentivo ao protagonismo</p><p>juvenil, a exploração do gênero textual manifesto permite a sua</p><p>participação política na sociedade em que está inserido, além de</p><p>propiciar uma parceria com sua comunidade para transformar</p><p>uma realidade visando ao bem comum.</p><p>Competências e habilidades da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC encontra-se</p><p>ao final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>1, 2, 3, 4, 7, 8 e 9</p><p>Competências específicas</p><p>e habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG101 e EM13LGG104</p><p>(relativas à competência específica 1)</p><p>EM13LGG201 e EM13LGG202</p><p>(relativas à competência específica 2)</p><p>EM13LGG301, EM13LGG303,</p><p>EM13LGG304 e EM13LGG305</p><p>(relativas à competência específica 3)</p><p>EM13LGG602, EM13LGG603 e EM13LGG604</p><p>(relativas à competência específica 6)</p><p>EM13LGG703 (relativa à competência</p><p>específica 7)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social:</p><p>EM13LP11 (relativa à competência</p><p>específica 7) e EM13LP15 (relativa às</p><p>competências específicas 1 e 3)</p><p>Campo de atuação na vida pública:</p><p>EM13LP24 (relativa à competência</p><p>específica 1) e EM13LP27 (relativa à</p><p>competência específica 3)</p><p>Campo das práticas de estudo e pesquisa:</p><p>EM13LP30 (relativa à competência</p><p>específica 7), EM13LP33 (relativa à</p><p>competência específica 3) e EM13LP34</p><p>(relativa à competência específica 3)</p><p>Campo jornalístico-midiático: EM13LP36</p><p>(relativa à competência específica 2)</p><p>e EM13LP42 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>Campo artístico-literário:</p><p>e foi convidado</p><p>a ministrar palestras em congressos e universidades, como a</p><p>Universidade de Harvard. Com toda a visibilidade que conquistou,</p><p>o jornal Voz da Comunidade se tornou uma fonte de notícias</p><p>imparcial, muitas vezes até corrigindo as notícias sensacionalistas</p><p>que saíam sobre o local.</p><p>DE</p><p>NN</p><p>IS</p><p>F</p><p>AR</p><p>RE</p><p>LL</p><p>/A</p><p>P</p><p>PH</p><p>OT</p><p>O/</p><p>GL</p><p>OW</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>M</p><p>AU</p><p>RI</p><p>CI</p><p>O</p><p>SA</p><p>NT</p><p>AN</p><p>A/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>Severn Cullis-Suzuki</p><p>Louis Braille</p><p>Rene Silva</p><p>Severn Cullis-Suzuki. Foto de 2002.</p><p>Retrato de Louis Braille pintado</p><p>por Lucienne Filippi. c.1852.</p><p>Rene Silva. Foto de 2019.</p><p>50</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 50D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 50 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Após a leitura do texto, organizem-se em pequenos grupos para responder às questões seguin-</p><p>tes e ouvir as respostas dos colegas.</p><p>a) O que vocês acharam dessas histórias? Conversem sobre suas reflexões, seus sentimentos e</p><p>suas opiniões sobre a maneira como cada jovem retratado praticou o protagonismo como</p><p>forma de agir em prol da coletividade.</p><p>b) Qual das histórias mais chamou a atenção de vocês? Por quê?</p><p>c) Alguma dessas histórias pode ser associada à realidade em que vocês estão inseridos?</p><p>De que modo?</p><p>d) Vocês consideram que a ação ou a vivência desses jovens melhorou, de alguma forma, a vida</p><p>de outras pessoas? Por quê?</p><p>4. Considere as leituras feitas nesta etapa e responda às questões a seguir.</p><p>a) Em sua opinião, por que os feitos dos jovens apresentados nos textos receberam destaque</p><p>na mídia?</p><p>b) Nem todas as reivindicações dos jovens que você conheceu foram bem recebidas por alguma</p><p>parcela da sociedade. Volte ao texto e procure um exemplo que justifique essa afirmação.</p><p>Em seguida, tente explicar por que algumas ações em prol de melhorias para determinado</p><p>grupo ou para o planeta podem encontrar empecilhos ou ser reprimidas.</p><p>c) Nos exemplos apresentados, você pôde conhecer diversas formas de agir com protagonismo</p><p>em relação a assuntos diversos: meio ambiente, saúde, acessibilidade, disseminação de</p><p>informação etc. Pense na sua comunidade e no contexto social em que você está inserido:</p><p>De que maneira você poderia atuar com protagonismo para melhorar suas condições de vida</p><p>ou das pessoas a seu redor? Sobre quais dificuldades ou problemas você poderia agir para</p><p>contribuir para uma sociedade melhor?</p><p>5. Em duplas, realizem uma breve pesquisa em jornais e revistas ou em portais de notícias da</p><p>internet e tentem encontrar informações sobre projetos sociais ou culturais da sua cidade ou</p><p>região que agem com o objetivo de promover mudanças significativas nas comunidades em</p><p>que estão inseridos e que sejam compostos por jovens. Para isso, sigam estes passos:</p><p>� pesquisem textos e informações sobre os projetos, seus objetivos e a maneira como agem</p><p>para alcançá-los;</p><p>� a partir dos dados coletados, conversem sobre a importância desses projetos sociais e cultu-</p><p>rais e o impacto que causam em suas comunidades;</p><p>� analisem o contexto em que a situação-problema abordada pelos projetos se encontra:</p><p>circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais;</p><p>� pensem em como sua turma poderia participar de ações de protagonismo em sua escola, no</p><p>bairro ou em sua comunidade, inspirada no trabalho dos projetos pesquisados;</p><p>� anotem alguns pontos principais de sua conversa para servir como base de uma breve apre-</p><p>sentação oral direcionada às demais duplas.</p><p>Ainda em duplas, compartilhem, no canal esco-</p><p>lhido pela turma, as informações levantadas</p><p>na pesquisa sobre os projetos sociais e/ou culturais. Se possível,</p><p>incluam um breve comentário sobre as ações dos jovens que parti-</p><p>cipam deles e as anotações dos pontos principais.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>EM</p><p>OJ</p><p>OE</p><p>Z/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>51projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 51D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 51 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Etapa</p><p>Usando a</p><p>voz jovem2</p><p>Você conheceu, na etapa anterior, alguns exemplos de jovens que agiram a partir de questões pes-</p><p>soais ou de problemas da comunidade em que estavam inseridos e que utilizaram sua voz para propor</p><p>mudanças e novas reflexões sobre os problemas que observavam ao redor. Essa participação social faz</p><p>parte da ação cidadã praticada por esses jovens.</p><p>Ainda que o impacto dos movimentos mostrados nos exemplos tenha alcançado níveis interna-</p><p>cionais, é importante perceber que todos esses jovens começaram a sua atuação em seus círculos</p><p>sociais, em grupos menores, e com impactos locais e pontuais. No caso de Rene Silva, por exemplo,</p><p>seu jornal começou circulando apenas em sua comunidade e, com o tempo, passou a cobrir também</p><p>acontecimentos ocorridos em comunidades vizinhas de sua cidade. Leia, a seguir, um trecho da his-</p><p>tória desse jovem e do início de seu projeto.</p><p>[...]</p><p>Aos 11 anos de idade, Rene Silva dos Santos, quando estudava na Escola Municipal Alcides</p><p>de Gasperi, no bairro de Higienópolis, próximo da comunidade onde vive até hoje, no Morro do</p><p>Adeus, criou o jornal Voz da Comunidade após participar durante 3 meses de um jornal que já</p><p>existia dentro da escola, criado por alunos do grêmio estudantil para mostrar o que acontecia</p><p>dentro do ambiente escolar e propondo melhorias na qualidade de educação.</p><p>Rene insistiu muito pra participar do jornal escolar, pois geralmente quem entrava eram alunos</p><p>dos últimos anos e ele ainda estava na 5a série. Depois que entrou pra equipe do Jornal Vip, nome</p><p>dado ao folhetim bimestral da escola, começou a observar mais os problemas sociais que existiam</p><p>entre sua comunidade e a escola. “Eram muitos lixos pelas escadas, ruas cheias de buracos e falta de</p><p>saneamento básico em muitos lugares” — conta Rene [...].</p><p>SILVA, Rene. Nossa história. Voz das Comunidades, [Rio de Janeiro], 5 jun. 2016. Disponível em:</p><p>https://www.vozdascomunidades.com.br/geral/nossa-historia/. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>Estudantes de escolas públicas organizados</p><p>durante ocupação em São Paulo (SP). Esses jovens</p><p>se reuniram para manifestar sua insatisfação em</p><p>relação a decisões do governo que afetavam a</p><p>comunidade escolar. Foto de 2016.</p><p>DARIO OLIVEIRA/ANADOLU</p><p>AGENCY/GETTY IMAGES</p><p>52</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 52D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 52 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Como você pôde ver, o entorno de Rene – a escola e a comunidade –</p><p>exerceu um papel importante para ajudá-lo em seu projeto, pois foi a partir</p><p>desses espaços que ele identificou a falta de informação na mídia regular</p><p>sobre os problemas na comunidade e no ambiente escolar.</p><p>Os problemas na escola e no bairro</p><p>A escola é um espaço propício para a participação em projetos sociais</p><p>que permitem o uso da voz dos jovens para expor problemas e buscar</p><p>soluções para questões que afetam a comunidade, seja o bairro, seja a</p><p>comunidade escolar.</p><p>Neste projeto, você será incentivado a identificar os problemas de seu</p><p>entorno e a pensar em possíveis soluções para eles. Para se inspirar em um</p><p>exemplo real, leia o fragmento de texto a seguir, sobre um projeto realizado</p><p>em uma escola brasileira.</p><p>educomunicação: campo teórico-prático da</p><p>educação que propõe o uso das mídias para</p><p>ensinar e produzir conteúdo educativo.</p><p>fanzine: palavra originada da expressão em</p><p>inglês fanatic magazine (fanatic = fanático;</p><p>magazine = revista), um fanzine é uma publicação</p><p>independente elaborada por uma pessoa ou por</p><p>um grupo de pessoas interessadas em um assunto.</p><p>Escola Estadual Baltazar de Oliveira Garcia, localizada em</p><p>Porto Alegre (RS). Foto de 2020.</p><p>53</p><p>Educomunicação leva jovem a</p><p>debater soluções para violência</p><p>[...] No bairro Protásio Alves, na periferia</p><p>de Porto Alegre (RS), a produção de mídia foi</p><p>a ferramenta usada por alunos para quebrar</p><p>o paradigma de que só os adultos falam,</p><p>questionam e participam das decisões.</p><p>Com a proposta de trazer a voz do jovem para</p><p>o centro do debate, o grupo produz fanzines,</p><p>cartazes, vídeos e textos que denunciam os</p><p>diferentes tipos de violência presentes no</p><p>seu dia a dia. Da insegurança provocada pela</p><p>falta de iluminação no entorno da escola à</p><p>discriminação e o preconceito vivido por eles,</p><p>os conteúdos trazem sempre a perspectiva e a</p><p>linguagem da juventude. “São temas que vemos</p><p>todos os dias no cotidiano”, diz o estudante</p><p>Felipe Demartini, 17.</p><p>[...]</p><p>O trabalho começou pequeno, com um</p><p>grupo de 17 alunos do segundo ano, que foi</p><p>preparado para debater o tema, conduzir</p><p>pesquisas sobre o clima escolar com os colegas</p><p>e produzir conteúdos para diferentes mídias.</p><p>“No início, surgiram muitas dúvidas sobre como</p><p>seria organizar essas ações. Os professores e os</p><p>estudantes foram devagar até se apropriarem</p><p>da proposta. Depois eles começaram a crescer</p><p>juntos e perceberam que as coisas estavam</p><p>ganhando corpo”, lembra a diretora.</p><p>[...]</p><p>RAUL PEREIRA / FOTOARENA</p><p>projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 53D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 53 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Alunos viram pesquisadores</p><p>Como uma das primeiras ações conduzidas pelo grupo, os estudantes</p><p>fi zeram uma pesquisa com os colegas de todas as turmas do ensino médio</p><p>para identifi car a percepção deles sobre a violência no bairro, seus refl exos</p><p>na escola e o que poderia ser feito para solucionar esse problema. “Antes</p><p>de fazer o trabalho de pesquisa, tivemos que transformar esses alunos do</p><p>segundo ano do ensino médio em pesquisadores. Sabemos que eles devem</p><p>ser protagonistas, mas também precisam de orientação sobre como fazer</p><p>e o que pesquisar.”</p><p>A preparação aconteceu por meio de aulas, debates e até simulações de</p><p>entrevistas. Com o roteiro pronto, os estudantes passaram de sala em sala</p><p>para ouvir os colegas. “Foi uma coisa nova para a escola. Teve gente que não</p><p>calava a boca, mas algumas turmas pareciam mais comprometidas com a</p><p>pesquisa”, avalia Gabriel Ramiro, 16, em tom bem-humorado.</p><p>A partir das entrevistas, os jovens identifi caram que a falta de segurança</p><p>no entorno da escola, a ausência de alguns professores e a inexistência de</p><p>um grêmio escolar para garantir a representatividade dos estudantes eram</p><p>os problemas que mais incomodavam os colegas. “Muitas vezes eles vinham</p><p>para escola e apenas sentavam para ser ouvintes, mas aqui eles tiveram a</p><p>oportunidade de falar”, ressalta a professora de matemática Daiane Campos.</p><p>Depois de levantar as prioridades, foi a hora de elaborar um plano</p><p>de ação. De forma participativa e com o suporte da educomunicação,</p><p>os estudantes engajados no projeto apresentaram algumas possíveis</p><p>estratégias para resolver os problemas apontados. “As ideias foram</p><p>todas dos estudantes. Eles são protagonistas em tudo o que fazem. Nós</p><p>apenas orientamos e tentamos fazer o máximo para que eles consigam se</p><p>organizar”, garante a professora de biologia Sandra Augustin.</p><p>Para que os estudantes conseguissem dar conta de desenvolver ações</p><p>em prol de melhorias na escola e no entorno, cada demanda ganhou um</p><p>responsável. “Todas as ações foram divididas entre alunos responsáveis,</p><p>mas sempre com o auxílio de um professor mediador”, diz Sandra.</p><p>A partir daí, o grupo partiu para mudanças concretas. Como resposta</p><p>ao sentimento de insegurança dos colegas com o entorno da escola, os</p><p>jovens coletaram assinaturas para reivindicar melhorias na iluminação</p><p>do ponto de ônibus. “Quando fi zemos o abaixo-assinado, conversamos</p><p>bastante com os responsáveis. Até eles nos incentivaram e falaram</p><p>‘que bom que vocês estão preocupados com o</p><p>entorno da escola’. Tivemos total apoio</p><p>dos pais, mas também teve muita</p><p>gente desinteressada”, conta a</p><p>estudante Tamires Santos da Costa,</p><p>18.</p><p>[...]</p><p>EDUCOMUNICAÇÃO leva jovem a debater soluções para violência. Porvir, São Paulo, [2016?].</p><p>Disponível em: https://porvir.org/especiais/participacao/educomunicacao-leva-jovem-debater-</p><p>solucoes-para-violencia/. Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>54</p><p>LIRAVEGA/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 54D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 54 22/02/20 16:2822/02/20 16:28</p><p>https://porvir.org/especiais/participacao/educomunicacao-leva-jovem-debater-solucoes-para-violencia/</p><p>1. Após conhecer o projeto realizado pelos estudantes dessa escola em Porto Alegre (RS), responda</p><p>às perguntas a seguir sobre a proposta que norteou suas ações de protagonismo.</p><p>a) Os estudantes da escola retratada na reportagem seguiram um tema principal em suas</p><p>denúncias. Que tema é esse e por que ele é relevante para esses jovens?</p><p>b) O tema escolhido por esses jovens é relevante apenas para eles? Justifi que sua resposta.</p><p>c) Esses adolescentes usam diferentes mídias (fanzines, cartazes, vídeos e textos) para realizar</p><p>suas denúncias. Reúna-se com um colega e refl itam: De que outras maneiras esses jovens</p><p>poderiam realizar suas denúncias sobre o tema?</p><p>d) Você diria que esse projeto amplifi ca a voz dos jovens? Por quê?</p><p>2. De acordo com a matéria, o projeto se desenvolveu ao longo de um processo que exigiu a</p><p>participação de estudantes e professores.</p><p>a) Identifi que uma das primeiras ações realizadas pelo grupo. Qual é a importância dessa etapa?</p><p>b) Além dessa etapa inicial, que outros momentos ocorreram ao longo do projeto? Qual é a</p><p>relevância de cada um desses momentos para a proposta fi nal?</p><p>c) Ao falar sobre uma das ações do projeto, uma das alunas da escola comentou sobre o incen-</p><p>tivo que receberam para continuar a se preocupar com o entorno da escola. Você acha que</p><p>esse tipo de incentivo é importante para a continuidade do projeto e para a realização de</p><p>novos? Justifi que sua resposta.</p><p>Atividades</p><p>• O menino que descobriu o vento.</p><p>Esse filme, dirigido por Chiwetel Ejiofor e baseado</p><p>em uma história real, conta a trajetória de William</p><p>Kamkwamba, mostrando como o jovem de 14 anos,</p><p>por meio do estudo, conseguiu desenvolver um</p><p>sistema de energia que auxiliou toda sua comunidade a</p><p>enfrentar as dificuldades da seca no Malauí.</p><p>O MENINO que descobriu o vento. Direção:</p><p>Chiwetel Ejiofor. EUA, Malauí: Netflix, 2019. Vídeo</p><p>(113 min).</p><p>O</p><p>M</p><p>EN</p><p>IN</p><p>O</p><p>QU</p><p>E</p><p>DE</p><p>SC</p><p>OB</p><p>RI</p><p>U</p><p>O</p><p>VE</p><p>NT</p><p>O.</p><p>C</p><p>HI</p><p>W</p><p>ET</p><p>EL</p><p>E</p><p>JIO</p><p>FO</p><p>R.</p><p>N</p><p>ET</p><p>FL</p><p>IX</p><p>. E</p><p>UA</p><p>, 2</p><p>01</p><p>9.</p><p>GR</p><p>IN</p><p>BO</p><p>X/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>projeto 2 • O poder da voz jovemprojeto 2 • O poder da voz jovem 5555</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 55D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 55 22/02/20 16:3022/02/20 16:30</p><p>3. Considere o seguinte fragmento retirado do texto: “‘Muitas vezes eles vinham para escola e</p><p>apenas sentavam para ser ouvintes, mas aqui eles tiveram a oportunidade de falar’”.</p><p>a) O que você entende por esse trecho?</p><p>b) De que outras maneiras é possível permitir que o estudante atenda o papel de falante ou</p><p>participante ativo na realidade da escola?</p><p>c) Em sua escola, alguma das sugestões que você apontou no item anterior já foi colocada em</p><p>prática? Qual?</p><p>� Caso a resposta seja negativa, quais você gostaria que fossem colocadas em prática?</p><p>4. Leia outro trecho da reportagem e reflita sobre a participação dos jovens em questões da escola</p><p>e da comunidade em que estão inseridos. Depois, em uma roda de conversa, troque opiniões</p><p>com os colegas sobre as questões a seguir.</p><p>[...]</p><p>Como forma de combater a apatia dos estudantes, que muitas vezes se sentem</p><p>impossibilitados de trabalhar em prol de mudanças na sua escola e comunidade, ele</p><p>[Rui Antônio de Souza, monitor de educomunicação] diz que é preciso aprofundar</p><p>o debate para que os jovens tenham referências para construírem suas próprias</p><p>opiniões e questionarem argumentos sobre diferentes temas. [...]</p><p>EDUCOMUNICAÇÃO leva jovem a debater soluções para violência. Porvir, São Paulo, [2016?]. Disponível em:</p><p>https://porvir.org/especiais/participacao/educomunicacao-leva-jovem-debater-solucoes-para-violencia/.</p><p>Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>a) Vocês acham que é comum o jovem se sentir impossibilitado de trabalhar em prol de mudan-</p><p>ças em sua escola e/ou comunidade?</p><p>Por quê?</p><p>b) Em sua comunidade escolar, a participação do jovem na resolução de problemas e no</p><p>debate sobre questões da escola, por exemplo, é incentivada? Se sim, de que forma? Se</p><p>não, que tipo de impacto vocês acreditam que os estudantes poderiam ter na comuni-</p><p>dade escolar caso participassem mais?</p><p>5. Conversem sobre a realidade da escola e/ou do entorno em que estão inseridos. Considerem</p><p>os problemas e as dificuldades enfrentados por vocês no cotidiano para ir e voltar da escola</p><p>e também no dia a dia dentro desse ambiente. Em seguida, construam, no caderno, um</p><p>quadro conforme o modelo a seguir, indicando a situação-problema, possíveis causas e as</p><p>consequências para você e para a comunidade escolar. Incluam também possíveis soluções</p><p>para essa situação ou problema, que podem ser ações a ser praticadas por vocês ou por</p><p>autoridades competentes.</p><p>Situação-problema Causas Consequências Possíveis soluções</p><p>No canal de compartilhamento criado pela</p><p>turma, compartilhe as informações discuti-</p><p>das com os colegas e indicadas nos quadros produzidos pelos</p><p>grupos. Esses apontamentos servirão como registro da reflexão</p><p>da turma sobre os problemas da escola e do entorno, podendo</p><p>ser revisitados ao longo deste projeto.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>56</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 56D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 56 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Etapa</p><p>Identificando</p><p>o problema3</p><p>Como você viu nas etapas anteriores e nos textos sobre jovens que se organizam em projetos</p><p>sociais e/ou culturais em prol de mudanças para a comunidade, muitas vezes os problemas a serem</p><p>enfrentados são identificados a partir de situações que fazem parte da luta pessoal de um indivíduo,</p><p>mas que também afligem um grupo maior, como determinada minoria, a comunidade escolar ou uma</p><p>região inteira.</p><p>A compreensão de como problemas específicos podem impactar pessoas e o meio ambiente</p><p>em um contexto maior é um exercício de empatia e pensamento crítico que pode ser realizado</p><p>a partir da análise e do debate de questões polêmicas e de relevância social e de diferentes</p><p>argumentos e opiniões.</p><p>Considerando essa compreensão prática do conceito de protagonismo juvenil, é importante</p><p>aprender a identificar quais são as questões que afetam a sociedade, para saber como agir sobre</p><p>elas de maneira a corrigi-las ou propor uma reflexão a respeito.</p><p>Além disso, você deve ter percebido que, para agir de forma efetiva sobre uma situação-problema ou</p><p>uma questão social, é preciso conhecer bem suas causas, suas consequências, as influências de fatores</p><p>históricos, sociais, econômicos, políticos e naturais e, acima de tudo, as dificuldades envolvidas em sua</p><p>resolução. Essas informações são essenciais para agir em prol da comunidade ou do mundo de modo a</p><p>alcançar resultados impactantes.</p><p>Pensando nisso, nesta etapa</p><p>você vai refletir um pouco sobre a</p><p>importância de conhecer o contexto</p><p>da situação-problema, de entender</p><p>as necessidades das pessoas afe-</p><p>tadas e de identificar como essa</p><p>situação afeta tais pessoas.</p><p>Para entender um problema,</p><p>é importante conhecer o</p><p>contexto em que ele está</p><p>inserido, um trabalho que</p><p>pode incluir ações como ouvir</p><p>a opinião das pessoas que</p><p>frequentam o ambiente e</p><p>que possuem informações</p><p>privilegiadas sobre a situação.</p><p>ANTONIO GUILLEM/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>57projeto 2 • O poder da sua voz 57</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 57D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 57 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Pesquisa de campo</p><p>Uma maneira prática de conhecer o contexto e identificar problemas e questões que</p><p>necessitam de atenção é por meio de uma pesquisa de campo. Essa forma de estudo</p><p>aprofundado é baseada no levantamento de dados e informações diretamente na fonte,</p><p>isto é, no local de interesse em que o fato ou o fenômeno ocorre.</p><p>Por objetivar a compreensão de determinada realidade, a pesquisa de campo é</p><p>relevante para o trabalho com questões associadas a movimentos e projetos sociais.</p><p>Também por esse motivo, o papel do pesquisador é de fundamental importância, uma</p><p>vez que é unicamente com a participação ativa desse indivíduo (ou grupo de indivíduos)</p><p>que se torna possível a coleta dos dados no ambiente de estudo.</p><p>Como realizar a pesquisa de campo</p><p>A pesquisa de campo, como o próprio nome sugere, indica a necessidade de deter-</p><p>minar um espaço de estudo, que pode ser a própria escola ou mesmo um bairro ou</p><p>região de uma cidade. Além disso, é também importante definir um objetivo específico</p><p>para a pesquisa, geralmente associado a uma pergunta ou a um tema sobre os quais</p><p>se pretende colher informações.</p><p>Para a prática da pesquisa, pode-se lançar mão de algumas técnicas de aprofunda-</p><p>mento: a observação, as entrevistas e os questionários.</p><p>OObservação</p><p>De acordo com essa técnica, o pesquisador deve considerar o campo definido e</p><p>observá-lo usando os sentidos, principalmente a visão e a audição, para identifi-</p><p>car as informações pertinentes ao estudo. As características a serem observadas</p><p>devem ser definidas com clareza antes da observação em campo, e as infor-</p><p>mações coletadas com essa técnica devem ser registradas de maneira também</p><p>predeterminada, para garantir o olhar objetivo e científico.</p><p>Entrevistas</p><p>As entrevistas podem ser realizadas por meio de perguntas elaboradas previa-</p><p>mente ou de maneira não estruturada, a partir da troca entre o entrevistador e</p><p>o entrevistado; é ainda possível uma mistura entre os dois formatos (entrevista</p><p>semiestruturada). Uma vantagem desse método é a possibilidade de participação</p><p>de indivíduos não alfabetizados, uma vez que as perguntas são feitas oralmente,</p><p>além da flexibilidade no caso da entrevista não estruturada e da semiestruturada.</p><p>Questionários</p><p>A aplicação de questionários, cujos participantes respondem a uma série de</p><p>perguntas por escrito, permite maior agilidade da pesquisa de campo, além de</p><p>ser aplicável a um número maior de pessoas ao mesmo tempo. Nesse caso, as</p><p>perguntas e as opções de resposta devem ser simples, objetivas e não podem</p><p>suscitar dúvidas, uma vez que serão respondidas sem o auxílio do pesquisador.</p><p>EN</p><p>KE</p><p>L/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>58</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 58D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 58 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Lidando com imprevistos e frustrações na pesquisa</p><p>A pesquisa de campo, assim como outras técnicas de investigação científica que</p><p>lidam com dados e coleta de informação, nem sempre acontece como o esperado. Veja</p><p>a tirinha a seguir, que trata sobre essa questão.</p><p>THAVES, Bob. Frank e Ernest. O Estado de S. Paulo,</p><p>São Paulo, 7 nov. 2013. Caderno 2, p. 61.</p><p>amostragem: uso</p><p>de uma parcela ou</p><p>amostra do objeto ou</p><p>da população investi-</p><p>gados como referência</p><p>para a análise do todo.</p><p>Por se tratar de uma técnica que envolve a observação de um ambiente e/ou o</p><p>contato direto com pessoas, a pesquisa de campo exige tempo, empatia e comprome-</p><p>timento por parte do(s) pesquisador(es).</p><p>Quanto ao espaço da pesquisa, é importante que se tenha claro que, muitas vezes, a</p><p>presença da figura do pesquisador pode interferir no funcionamento normal do ambiente</p><p>pesquisado, seja pela curiosidade, seja pela desconfiança, seja pelo estranhamento dos</p><p>envolvidos nas ações cotidianas desse local. Por isso, é importante que haja uma con-</p><p>versa prévia ou um esclarecimento coletivo sobre as intenções da pesquisa e sobre a</p><p>importância do prosseguimento das atividades cotidianas com naturalidade para que</p><p>os dados se mantenham fiéis à realidade.</p><p>No caso da prática de entrevistas ou da aplicação de questionários, que</p><p>pressupõem a interação humana face a face, a abordagem dos entrevistados</p><p>deve acontecer com respeito e empatia, explicando que o sucesso da pesquisa</p><p>exige a participação de todos e que o objetivo final é alcançar um bem coletivo.</p><p>Mesmo assim, é possível que muitas das pessoas que frequentam o ambiente</p><p>em estudo não atendam prontamente à solicitação da participação, seja por</p><p>falta de tempo, seja por desinteresse em relação ao</p><p>tema; nesse caso, é preciso</p><p>considerar a importância da amostragem para a interpretação dos dados.</p><p>Análise de dados</p><p>Após a coleta das informações, ocorrida durante a pesquisa de campo, chega o</p><p>momento da análise dos dados levantados, que consiste na identificação, compreen-</p><p>são e apresentação dos resultados apontados pela observação ou pelas respostas dos</p><p>participantes da pesquisa.</p><p>Para isso, é necessário reunir todos os resultados, considerar dados ausentes,</p><p>verificar padrões e quais são as informações mais relevantes e que se destacam nas res-</p><p>postas dos entrevistados ou que apareceram no relatório de observação do pesquisador.</p><p>Os dados podem ser organizados de diversas maneiras: em gráficos (de colunas, em pizza,</p><p>de barras etc.), em tabelas, diagramas, entre outras. A definição do modelo a ser utilizado</p><p>dependerá do tipo das informações coletadas e do que se pretende destacar na pesquisa.</p><p>FR</p><p>AN</p><p>K</p><p>&</p><p>ER</p><p>NE</p><p>ST</p><p>, B</p><p>OB</p><p>T</p><p>HA</p><p>VE</p><p>S</p><p>©</p><p>2</p><p>01</p><p>3</p><p>TH</p><p>AV</p><p>ES</p><p>/</p><p>DI</p><p>ST</p><p>. B</p><p>Y</p><p>AN</p><p>DR</p><p>EW</p><p>S</p><p>M</p><p>CM</p><p>EE</p><p>L</p><p>SY</p><p>ND</p><p>IC</p><p>AT</p><p>IO</p><p>N</p><p>59projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 59D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 59 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>1. Veja, a seguir, alguns exemplos de apresentação de dados coletados em pesquisas. Observe</p><p>as variações de formato, de apresentação e as propostas de cada exemplo, verifi cando a perti-</p><p>nência e o destaque que se dão a cada informação conforme o objetivo do gráfi co.</p><p>Atividades</p><p>FAILLA, Zoara (org.). Retratos da leitura no Brasil 4. Rio de Janeiro:</p><p>Sextante, 2016. p. 35. Disponível em: http://prolivro.org.br/home/</p><p>images/2016/RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_CAPA.</p><p>pdf. Acesso em: 26 dez. 2019.</p><p>FAILLA, Zoara (org.). Retratos da leitura no Brasil</p><p>4. Rio de Janeiro: Sextante, 2016. p. 147. Disponível</p><p>em: http://prolivro.org.br/home/images/2016/</p><p>RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_</p><p>CAPA.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019.</p><p>• Censo 2010: conheça a rotina dos recenseadores</p><p>Nessa reportagem, é possível conhecer um pouco sobre o trabalho dos recenseadores do Instituto</p><p>Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsáveis por pesquisas de campo realizadas em território</p><p>nacional e que têm como objetivo entender o perfil social, demográfico e econômico dos brasileiros.</p><p>O vídeo mostra também alguns dos desafios desse trabalho e destaca a importância da participação</p><p>coletiva para a interpretação dos dados coletados.</p><p>CENSO 2010: conheça a rotina dos recenseadores. 2010. Vídeo (5 min). Publicado pelo canal Jornal da</p><p>Gazeta. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pNmaJE98DoU. Acesso em: 17 dez. 2019.</p><p>a) O que você achou das diferenças visuais e de apresentação de informações de cada formato?</p><p>b) Na fi gura 1, que justifi cativa pode ser dada para a estrutura visual apresentada? Qual é o</p><p>principal objetivo desse gráfi co?</p><p>c) Quanto à fi gura 2, qual é sua intenção principal e por que esse formato foi escolhido?</p><p>d) Considerando essa análise feita de cada uma das fi guras, você acha que os recursos visuais</p><p>foram bem utilizados para apresentar as informações? Por quê?</p><p>Figura 2</p><p>GR</p><p>ÁF</p><p>IC</p><p>OS</p><p>: I</p><p>NS</p><p>TI</p><p>TU</p><p>TO</p><p>P</p><p>RÓ</p><p>-L</p><p>IV</p><p>RO</p><p>/E</p><p>DI</p><p>TO</p><p>RA</p><p>S</p><p>EX</p><p>TA</p><p>NT</p><p>E</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>Figura 1</p><p>Fundamental II Ensino Médio Superior Outros</p><p>Brasil Chile Colômbia México</p><p>60</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 60D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 60 22/02/20 16:4022/02/20 16:40</p><p>http://prolivro.org.br/home/images/2016/RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_CAPA.pdf</p><p>http://prolivro.org.br/home/images/2016/RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_CAPA.pdf</p><p>2 Escolham a técnica</p><p>Escolham uma técnica para a pesquisa: observação, entrevista (estruturada, não estruturada ou</p><p>semiestruturada) ou questionário.</p><p>• Caso decidam realizar apenas uma pesquisa por observação, façam uma lista de itens que</p><p>devem ser observados pelos pesquisadores, que poderá variar conforme as intenções do grupo</p><p>e as características do problema. Alguns tópicos que podem ser incluídos são: quantas pessoas</p><p>frequentam a área em determinado momento do dia; como os indivíduos agem nesse momento</p><p>(tensos, relaxados, andam com rapidez, preferem se posicionar em determinado local em vez</p><p>de outro); que fatores parecem influenciar o comportamento das pessoas etc.</p><p>• Caso optem pela entrevista, definam as perguntas que</p><p>serão realizadas com os participantes; se escolherem</p><p>realizar uma entrevista não estruturada, selecio-</p><p>nem alguns tópicos que deverão ser abordados de</p><p>maneira geral para que o entrevistador possa colher</p><p>as informações necessárias.</p><p>• Caso optem pelo questionário, sele-</p><p>cionem as perguntas e as opções de</p><p>resposta conforme os objetivos da</p><p>pesquisa. Busquem garantir a clareza</p><p>nas informações tanto na elaboração</p><p>das questões quanto na elaboração</p><p>das alternativas. Se as perguntas per-</p><p>mitirem respostas abertas, incluam</p><p>linhas para escrita na folha do</p><p>questionário.</p><p>2. Agora, organizem-se novamente nos grupos formados na etapa anterior e realizem as ativida-</p><p>des a seguir.</p><p>a) Na etapa anterior, vocês elaboraram um quadro com um problema, suas causas e conse-</p><p>quências e possíveis soluções. Considerando as informações que foram registradas, vocês</p><p>acham que o quadro é o melhor modelo de apresentação desses dados? Por quê? Em caso</p><p>negativo, que outro formato vocês usariam?</p><p>b) Continuando o trabalho iniciado com a reflexão sobre os problemas de sua escola e com a</p><p>elaboração do quadro, vocês irão agora expandir seu conhecimento sobre o problema iden-</p><p>tificado com a realização de uma pesquisa de campo com os estudantes de outras turmas</p><p>para verificar a percepção coletiva sobre essa questão. Caso a situação apontada por vocês</p><p>afete também o entorno da escola, a pesquisa pode ser expandida para incluir moradores e</p><p>trabalhadores da região. O objetivo dessa atividade é coletar informações, analisá-las para</p><p>chegar a possíveis soluções (propostas pelos participantes ou pelo grupo) e, por fim, com-</p><p>partilhar os resultados com a turma e, posteriormente, com a comunidade por meio de um</p><p>evento a ser pensado nas próximas etapas.</p><p>Para a realização dessa pesquisa, sigam as orientações a seguir.</p><p>1</p><p>Definam o espaço da pesquisa</p><p>Retomem e definam o espaço da pesquisa (o prédio da escola, a rua, o bairro etc.) e o público partici-</p><p>pante. Caso escolham explorar o entorno da escola, dividam-se em dois grupos: um responsável pelo</p><p>contato com os estudantes; outro, pelo contato com os moradores e trabalhadores dos arredores.</p><p>EN</p><p>KE</p><p>L/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>61projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 61D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 61 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>3</p><p>5</p><p>6</p><p>4</p><p>Elaborem um roteiro</p><p>No caso do contato por perguntas (entrevista ou questionário), não se esqueçam de propor aos participan-</p><p>tes questões que envolvam as opiniões de cada um sobre o problema, sobre as causas e sobre as possíveis</p><p>soluções. Vejam, a seguir, algumas sugestões de perguntas para um questionário.</p><p>Apliquem a pesquisa</p><p>Após essas definições, organizem os materiais necessários para a pesquisa (papéis, questionários impres-</p><p>sos, pranchetas, canetas, blocos de anotação etc.) e marquem um dia para realizá-la. No dia combinado,</p><p>expliquem brevemente aos participantes a intenção da pesquisa e a importância de sua participação.</p><p>Compilem as informações coletadas</p><p>Após a coleta, reúnam-se para a leitura e a análise dos dados, considerando sempre os objetivos finais. É</p><p>importante perceber quais informações são pertinentes e quais não o são para a intenção da pesquisa. Com</p><p>as informações esclarecidas, organizem os dados da maneira que acharem mais apropriada (em gráfico,</p><p>tabela, esquema etc.) e elaborem um relatório simples, incluindo informações sobre o problema analisado,</p><p>algumas conclusões sobre as respostas dos participantes e as sugestões de soluções para os problemas.</p><p>Apresentem</p><p>os dados</p><p>A partir dos dados coletados e do relatório elaborado pelo grupo, montem uma apresentação breve e,</p><p>em um dia combinado, apresentem os resultados da pesquisa para os demais grupos.</p><p>1. Há quanto tempo você mora ou trabalha neste bairro?</p><p>Menos de 1 ano. Mais de 1 ano e menos de 5 anos. Mais de 5 anos.</p><p>2. Você considera a violência um problema no bairro? Sim. Não.</p><p>3. Você tem uma sugestão para solucionar esse problema?</p><p>Não. Sim. Qual?</p><p>4. Caso não considere a violência um problema do bairro, cite qual(ais) problema(s)</p><p>identifica na região.</p><p>Após a realização da pesquisa de</p><p>campo, compartilhem, no canal</p><p>escolhido pela turma, os dados levantados e o rela-</p><p>tório que elaboraram.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar � papéis</p><p>� pranchetas</p><p>� canetas</p><p>� blocos de anotaçãoM</p><p>at</p><p>er</p><p>ia</p><p>is</p><p>su</p><p>ge</p><p>ri</p><p>do</p><p>s</p><p>62</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 62D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 62 22/02/20 16:4122/02/20 16:41</p><p>Etapa</p><p>O poder da</p><p>sua arte</p><p>Até este momento, você identificou alguns problemas que afligem as pessoas do seu entorno,</p><p>percebendo o impacto que causam na sociedade. Nesta etapa, você vai conhecer alguns exemplos de</p><p>representações artísticas criadas por jovens, por meio das quais podem projetar sua voz, expressar</p><p>seus sentimentos e indignações e, ainda, expor problemas sociais, promovendo o debate sobre eles.</p><p>A partir desses exemplos e da reflexão proposta, você será convidado a se preparar para usar</p><p>sua própria voz artística para conscientizar a comunidade sobre os problemas e as necessidades</p><p>identificados em sua pesquisa de campo. Esse trabalho será concluído na etapa seguinte, com a</p><p>elaboração de um festival cultural.</p><p>A arte e a transformação social</p><p>Por meio da linguagem artística, é possível construir conhecimentos e conscientizar-se de seus</p><p>direitos e deveres para a busca de proteção e qualidade de vida. Ao se colocar do outro lado da</p><p>arte, no papel de produtor, o indivíduo ainda pode utilizá-la como plataforma para se comunicar,</p><p>expor e propagar suas ideias e criar possibilidades para que sua voz ecoe e alcance um número</p><p>maior de pessoas.</p><p>Leia um trecho de uma notícia sobre uma proposta de projeto</p><p>artístico que tem como objetivo promover mudanças na realidade</p><p>de uma comunidade.</p><p>Arte como ferramenta de</p><p>transformação social</p><p>É com a arte que os jovens do coletivo Arte Urbana SB</p><p>buscam intervir no cotidiano de crianças e adolescentes</p><p>dos bairros das periferias de Sorocaba. Utilizando o grafi te</p><p>e também ofi cinas de arte e música, eles aproveitam para</p><p>se aproximar e conversar com essas crianças sobre drogas,</p><p>educação, violência, criminalidade, família, entre outros</p><p>assuntos, sem a "marra de um tiozão passando sermão, mas de</p><p>igual para igual". "Trabalhar essa conscientização não é fácil, mas</p><p>saímos do moralismo e caímos na realidade. São conversas longas,</p><p>mas também vamos acompanhando essas crianças, mesmo que</p><p>de longe", conta Davi de Sousa Batista, 26 anos, estudante</p><p>de fotografi a e membro do coletivo [...].</p><p>[...]</p><p>4</p><p>FERNANDES, Maíra. Arte como ferramenta de transformação social. Jornal Cruzeiro do Sul,</p><p>Sorocaba, 27 fev. 2014. Disponível em: https://www2.jornalcruzeiro.com.br/materia/533730/</p><p>arte-como-ferramenta-de-transformacao-social. Acesso em: 19 dez. 2019.</p><p>M</p><p>RS</p><p>PO</p><p>PM</p><p>AN</p><p>19</p><p>85</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>63projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 63D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 63 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>https://www2.jornalcruzeiro.com.br/materia/533730/arte-como-ferramenta-de-transformacao-social</p><p>Em diversos momentos da história, o principal papel da arte foi o de funcionar como crítica da rea-</p><p>lidade, propondo novas visões e leituras de determinado contexto. Esse caráter antagonista é muito</p><p>presente em algumas manifestações artísticas praticadas pelos jovens, especialmente quando tratam</p><p>sobre tópicos do cotidiano que enfrentam dificuldades para alcançar o público de maneira mais acessível.</p><p>No exemplo lido, o coletivo usou o grafite e oficinas de arte e música para se aproximar do públi-</p><p>co-alvo, constituído de crianças e adolescentes da região, permitindo que a informação chamasse a</p><p>atenção por seu formato e por seus elementos lúdicos, mas também inserindo temas sociais pertinen-</p><p>tes à comunidade no debate do cotidiano desses jovens.</p><p>Mas que outras formas de arte poderiam ser utilizadas para propagar a voz dos jovens e propor</p><p>um debate na comunidade em que estão inseridos? Veja alguns exemplos.</p><p>• Criativos da escola</p><p>Essa iniciativa, que faz parte do movimento</p><p>global Design for Change, busca encorajar crian-</p><p>ças e jovens a usar a criatividade e praticar o</p><p>protagonismo, a empatia e o trabalho em equipe</p><p>para promover mudanças em suas comunida-</p><p>des. Para conhecer mais sobre a proposta e as</p><p>campanhas que a iniciativa promove, acesse o</p><p>site oficial.</p><p>CRIATIVOS DA ESCOLA. Disponível em:</p><p>https://criativosdaescola.com.br/.</p><p>Acesso em: 20 dez. 2019.</p><p>Ensaio produzido por estudantes e postado em redes sociais</p><p>para chamar atenção e cobrar melhorias na infraestrutura de</p><p>escola em João Pessoa (PB). Fotos de 2018.</p><p>O uso da arte como instrumento de trans-</p><p>formação social tem a ver com sua função de</p><p>denúncia e de promoção da reflexão em seu públi-</p><p>co-alvo. Quando se cria uma poesia descrevendo</p><p>uma situação social ou se propõe uma interven-</p><p>ção urbana no ambiente de análise, por exemplo,</p><p>espera-se retratar a realidade de modo a tocar o</p><p>leitor e fazê-lo mais empático àquele contexto.</p><p>TH</p><p>IA</p><p>GO</p><p>N</p><p>OZ</p><p>I/M</p><p>IN</p><p>HA</p><p>J</p><p>AM</p><p>PA</p><p>TH</p><p>IA</p><p>GO</p><p>N</p><p>OZ</p><p>I/M</p><p>IN</p><p>HA</p><p>J</p><p>AM</p><p>PA</p><p>TH</p><p>IA</p><p>GO</p><p>N</p><p>OZ</p><p>I/M</p><p>IN</p><p>HA</p><p>J</p><p>AM</p><p>PA</p><p>• poesia • intervenção urbana</p><p>• música • fotografia</p><p>• dança • curta-metragem</p><p>• pintura • animação</p><p>• HQ • documentário</p><p>64</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 64D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 64 22/02/20 16:4822/02/20 16:48</p><p>Atividades</p><p>1. Leia, a seguir, a letra de rap composta por MC Soffi a, que, desde os 6 anos, usa essa forma de</p><p>expressão artística para expor sua voz e fazer suas críticas sociais.</p><p>a) MC Soffi a fi cou conhecida por ser uma jovem que</p><p>fala sobre temas como a autoestima da mulher</p><p>negra. Outro tema também frequente nas músicas</p><p>da rapper e que está intrinsecamente relacionado a</p><p>essa questão é explorado na letra da canção que você</p><p>acabou de ler. Que tema é esse? Que realidade ele</p><p>busca representar?</p><p>b) Com base na sua resposta ao item anterior, explique</p><p>o que você entende pelos versos a seguir.</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>c) A rapper cresceu na zona oeste da cidade de São</p><p>Paulo. Os problemas sociais destacados nessa canção</p><p>são exclusivos da realidade da artista?</p><p>d) As letras compostas por MC Soffi a costumam propor</p><p>uma crítica social sobre o tema que você identifi cou.</p><p>Para você, qual é a importância e a relevância social</p><p>de músicas com essa proposta?</p><p>Makena: boneca inspirada na cultura</p><p>africana.</p><p>griô: indivíduo de comunidades africanas</p><p>responsável pela transmissão de saberes</p><p>e valores por meio da tradição oral.</p><p>A autoestima da mulher negra é um dos temas</p><p>presentes nas músicas da rapper MC Soffia.</p><p>Menina pretinha</p><p>MENINA pretinha. [Compositora e intérprete]:</p><p>MC Soffi a. [São Paulo, 2016]. Single (3 min).</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>Devolva minhas bonecas</p><p>Quero brincar com elas</p><p>Minhas bonecas pretas, o que fi zeram com elas?</p><p>Vou me divertir enquanto sou pequena</p><p>Barbie é legal, mas eu prefi ro a Makena africana</p><p>Como história de griô, sou negra e tenho orgulho</p><p>da minha cor</p><p>Africana, como história de griô, sou negra e tenho</p><p>orgulho da minha cor</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>O meu cabelo é chapado, sem precisar</p><p>de chapinha</p><p>Canto rap por amor, essa é minha linha</p><p>Sou criança, sou negra</p><p>Também sou resistência</p><p>Racismo</p><p>aqui não, se não gostou, paciência</p><p>Cabelo é chapado, sem precisar de chapinha</p><p>Canto rap por amor, essa é minha linha</p><p>Sou criança, sou negra</p><p>Também sou resistência</p><p>Racismo aqui não, se não gostou, paciência</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>Menina pretinha, exótica não é linda</p><p>Você não é bonitinha</p><p>Você é uma rainha</p><p>FG</p><p>T</p><p>RA</p><p>DE</p><p>/E</p><p>+/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>65projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 65D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 65 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>2. Os lambe-lambes são cartazes que podem conter uma mensagem de crítica ou de</p><p>protesto. Essas peças são fi xadas em espaços públicos, geralmente urbanos, em</p><p>que há uma signifi cativa circulação de pessoas. Veja a seguir três lambe-lambes</p><p>que fazem parte do projeto “Pare de passar pano”, criado por duas estudantes</p><p>com o objetivo de questionar atitudes de desrespeito e preconceito.</p><p>a) Leia os textos reproduzidos nos lambe-lambes mostrados abaixo e identifi que</p><p>os problemas sociais explorados em cada um deles.</p><p>b) A partir da resposta ao item anterior, refl ita: Você identifi ca problemas como</p><p>esses na escola, no bairro ou na comunidade em que você está inserido?</p><p>c) Considere o alcance e a objetividade das informações contidas nos textos</p><p>do projeto e responda: Como a linguagem utilizada nos lambe-lambes pode</p><p>incentivar o debate sobre os temas explorados pelo projeto?</p><p>d) Se você fosse produzir um lambe-lambe, que frases publicaria para questionar</p><p>comportamentos que afetam a realidade em que está inserido?</p><p>Lambe-lambes produzidos como</p><p>parte do projeto "Pare de passar</p><p>pano", idealizado por Beatriz</p><p>Sotero e Thaissa Tupinambá e</p><p>divulgado em Aracaju (SE).</p><p>BE</p><p>AT</p><p>RI</p><p>Z</p><p>SO</p><p>TE</p><p>RO</p><p>E</p><p>T</p><p>HA</p><p>IS</p><p>SA</p><p>TU</p><p>PI</p><p>NA</p><p>M</p><p>BÁ</p><p>/P</p><p>AR</p><p>E</p><p>DE</p><p>P</p><p>AS</p><p>SA</p><p>R</p><p>PA</p><p>NO</p><p>;</p><p>AB</p><p>ST</p><p>RA</p><p>CT</p><p>OR</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>GI</p><p>RA</p><p>FF</p><p>AR</p><p>TE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>6666</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 66D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 66 24/02/20 11:1324/02/20 11:13</p><p>3. Leia, a seguir, um trecho de uma reportagem sobre slam, batalha de poesias e</p><p>rimas que tem se popularizado no Brasil e no mundo.</p><p>[...]</p><p>Surgido em um bar de Chicago em 1986, o “poetry slam” é ao mesmo</p><p>tempo uma competição de poesia falada, um microfone aberto para pessoas</p><p>declamarem seus textos e um encontro não só artístico, mas social.</p><p>As regras podem variar um pouco de evento para evento, mas seguem</p><p>um padrão. Cada poeta tem só três minutos para apresentar seu texto,</p><p>sobre qualquer tema. Mas não é permitido nenhum acompanhamento,</p><p>seja ele musical, de fi gurino ou de cenário.</p><p>É apenas o microfone e o escritor, que é julgado por cinco pessoas</p><p>pinçadas aleatoriamente na plateia, que dão notas de zero a dez para as</p><p>apresentações. [...]</p><p>“O movimento que mais interessa na literatura hoje é esse dos slams</p><p>e saraus. É uma literatura viva, feita com o corpo. Quando eles falam de</p><p>violência doméstica, da posição da mulher ou de homofobia, esses temas</p><p>atravessam o corpo desses poetas. E a maneira com que expressam essa</p><p>revolta é com a palavra”, diz o escritor Marcelino Freire.</p><p>[...]</p><p>MOLINERO, Bruno. Slam se torna movimento efervescente na literatura</p><p>e seduz editoras e a Flip. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 jul. 2019. Disponível em:</p><p>www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/07/slam-se-torna-movimento</p><p>-efervescente-na-literatura-e-seduz-editoras-e-a-fl ip.shtml. Acesso em: 20 dez. 2019.</p><p>� O que você entende por esta afi rmação do escritor Marcelino Freire, citado</p><p>na reportagem: "Quando eles falam de violência doméstica, da posição da</p><p>mulher ou de homofobia, esses temas atravessam o corpo desses poetas"?</p><p>De que maneira o corpo pode ser, ao mesmo tempo, instrumento de mani-</p><p>festação artística e de denúncia social?</p><p>4. Você considera que os jovens brasileiros vislumbram perspectivas de transfor-</p><p>mação de realidades a partir do acesso a essas práticas artísticas e a eventos que</p><p>promovem a cultura popular, de rua e “marginal”? Por quê?</p><p>5. Depois de conhecer diversas expressões artísticas e suas possibilidades de mani-</p><p>festação de insatisfação e crítica social, reúna-se novamente com seu grupo e</p><p>utilizem as informações levantadas na pesquisa de campo para pensar em formas</p><p>de usar a voz e as artes para denunciar ou propor soluções para os problemas e</p><p>as difi culdades do espaço em que vocês estão inseridos.</p><p>No canal de comunicação escolhido pela turma, com-</p><p>partilhem algumas informações que vocês coletaram ao</p><p>longo da reflexão proposta nesta etapa, podendo incluir alguns exemplos de</p><p>artistas que se propõem a debater sobre questões sociais da comunidade em</p><p>que estão inseridos e que utilizam a arte para alcançar seu público e exigir</p><p>mudanças das autoridades responsáveis.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>67projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 67D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 67 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/07/slam-se-torna-movimento-efervescente-na-literatura-e-seduz-editoras-e-a-flip.shtml</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Nas etapas anteriores, você explorou o conceito de protagonismo juvenil, identificando sua impor-</p><p>tância para promover determinadas mudanças necessárias em uma comunidade. Essa reflexão inicial</p><p>permitiu a análise do seu entorno em busca da identificação de problemas que acometem a escola,</p><p>a rua ou o bairro e o início da formulação de uma proposta de soluções que podem ser postas em</p><p>prática pela população ou por autoridades competentes.</p><p>Agora, usando os conhecimentos adquiridos sobre protagonismo juvenil e sobre o uso da voz</p><p>dos jovens nas artes para a transformação social, você e seus colegas vão produzir e organizar um</p><p>festival cultural, que deverá ser aberto para a comunidade escolar, com o objetivo de colocar em</p><p>pauta as questões e os problemas identificados na pesquisa de campo.</p><p>Assim como no exemplo dos eventos de slam, apresentados na etapa anterior, a proposta aqui é</p><p>alcançar um público maior, de maneira lúdica e atrativa, para debater as necessidades do seu entorno</p><p>e propor a conscientização da comunidade sobre esses tópicos.</p><p>Considerando a variedade de habilidades e preferências de cada indivíduo, a ideia é que cada</p><p>grupo se organize com base nos problemas selecionados e decida coletivamente as manifestações</p><p>artísticas que os integrantes preferem explorar: produções de dança, peças de teatro, varal de cordel,</p><p>pintura, poesia, grafite, vídeo ou mesmo uma união de formatos diferentes.</p><p>Esse festival será uma oportunidade de todos os envolvidos demonstrarem o poder dos jovens</p><p>e expressarem a sua voz usando a linguagem universal da arte. Além disso, será o momento de</p><p>apresentar à comunidade um manifesto: vocês vão elaborá-lo com os objetivos de sintetizar os pro-</p><p>blemas que identificaram na pesquisa de campo e de reivindicar melhorias na escola e no entorno. Se</p><p>possível, esse manifesto poderá ser encaminhado a órgãos públicos aptos a atender às demandas</p><p>da comunidade.</p><p>Festival cultural</p><p>Slam de poesia realizado em Nova York (Estados Unidos).</p><p>Foto de 2018.</p><p>Apresentação musical durante festival em Lisboa (Portugal).</p><p>Foto de 2019.</p><p>ANDREW TOTH/GETTY IMAGES PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP</p><p>68</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 68D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 68 22/02/20 16:5722/02/20 16:57</p><p>Participando do festival</p><p>Como foi dito anteriormente, para participar do festival os grupos precisarão definir</p><p>as formas de expressão artística que desejam utilizar. Além das preferências pessoais, é</p><p>importante considerar a forma como os problemas sociais que vocês identificaram podem</p><p>ser apresentados para o público:</p><p>se precisarão utilizar as palavras, poderão escrever letras de canções, textos (poemas, narra-</p><p>tivas, textos dissertativos) ou encenar peças de teatro sobre o tema;</p><p>se a representação visual é mais importante</p><p>para impactar o público, poderão realizar pinturas,</p><p>desenhos, murais ou grafites em espaços previamente combinados com a direção da escola;</p><p>se a linguagem corporal for importante para o que pretendem comunicar, poderão organizar</p><p>grupos de dança e de performances artísticas;</p><p>se a questão exigir informações de diversos formatos, é possível utilizar estratégias e mídias</p><p>que misturem linguagens visuais e verbais, como o vídeo, as HQs e as charges.</p><p>Após a definição dos formatos artísticos que serão explorados para a expressão da voz</p><p>do grupo, sigam as etapas a seguir:</p><p>1</p><p>Realizem o planejamento da produção, seja por storyboard, roteiro ou</p><p>rascunhos de textos e desenhos que guiarão a produção final.</p><p>2</p><p>Analisem os materiais utilizados no planejamento para verificar se seguem os objetivos</p><p>definidos pelo grupo.</p><p>3</p><p>Organizem-se de modo que cada integrante do grupo tenha um papel na produção</p><p>artística.</p><p>4 Para acompanhar o produto artístico, produzam uma breve explicação do problema, das</p><p>causas e das consequências e de suas propostas de solução. Esse material poderá, por</p><p>exemplo, ser apresentado por escrito no festival, acompanhando uma produção visual,</p><p>ou ser expresso oralmente durante a apresentação de um texto verbal. O formato deverá</p><p>ser avaliado e pensado de acordo com o produto elaborado pelo grupo.</p><p>5 Se necessário, ensaiem a apresentação a ser feita no dia do evento até se sentirem</p><p>confortáveis e preparados.</p><p>6 No caso de produtos que serão expostos apenas no dia, finalizem a produção com ante-</p><p>cedência para evitar correrias de última hora.</p><p>storyboard: roteiro</p><p>ilustrado mostrando</p><p>as cenas e as ações</p><p>principais de uma</p><p>produção audiovisual.</p><p>69projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 69D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 69 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Organizando o festival</p><p>Além da produção artística, vocês também devem organizar o festival. Para isso,</p><p>sigam as etapas a seguir e peçam o auxílio do professor e da direção da escola sempre</p><p>que necessário.</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>Definam um ou mais integrantes de cada grupo para ficarem responsáveis pela organi-</p><p>zação do evento. Essa seleção pode ser feita pela preferência ou pela habilidade de</p><p>organização e planejamento de cada um.</p><p>Previamente, combinem com a direção da escola um espaço e uma data em que o evento</p><p>poderá ocorrer. Determinem também qual será o público permitido no evento conforme ques-</p><p>tões de segurança e autorização.</p><p>Conversem com os grupos para entender as necessidades de cada expressão artística. Para</p><p>isso, considerem os pontos a seguir.</p><p>• Será necessário haver um espaço de palco para as apresentações?</p><p>• Que tipo de sistema de som e vídeo será preciso disponibilizar: microfones, caixas de som,</p><p>computadores, televisores, materiais para projeção de imagem?</p><p>• As exposições de produções visuais precisarão de áreas específicas para serem realizadas,</p><p>como paredes para afixação de cartazes, telas e desenhos ou cavaletes e bases para sus-</p><p>pensão das obras?</p><p>Verifiquem quais materiais poderão ser disponibilizados pela escola e quais precisarão ser obtidos</p><p>ou adquiridos. Verifiquem se os colegas podem emprestar algum material necessário para o evento</p><p>ou se precisarão contar com a ajuda da comunidade.</p><p>Confeccionem e distribuam o convite para o festival, incluindo as informações necessárias:</p><p>data, horário, local, nome do evento, objetivos, organizadores etc. Incluam elementos visuais</p><p>para atrair a atenção do público.</p><p>Elaborem um roteiro das apresentações e um mapa do local do evento para que cada mani-</p><p>festação artística tenha seu ambiente predeterminado para acontecer.</p><p>Pensem sobre a possibilidade de criar</p><p>folhetos explicativos para o público,</p><p>incluindo as intenções do festival, uma</p><p>explicação breve sobre o trabalho de pes-</p><p>quisa dos grupos e os dados coletados</p><p>sobre cada problema social representado</p><p>pelas produções artísticas. O folheto pode</p><p>também incluir o mapa do local para a iden-</p><p>tificação de cada grupo e seus trabalhos.</p><p>Verifique com os estudantes outras particularidades do evento</p><p>que precisarão ser organizadas previamente. Se necessário, peça</p><p>ajuda à direção da escola.</p><p>Jovens apreciando produções de estudantes</p><p>em feira escolar na Guatemala. Foto de 2019.</p><p>KY</p><p>LE</p><p>M</p><p>P</p><p>RI</p><p>CE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>70</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 70D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 70 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Elaborando um manifesto</p><p>Uma forma de sintetizar o trabalho desenvolvido neste projeto e expor as intenções</p><p>de mudança social dos grupos é pela elaboração de um manifesto com as reivindi-</p><p>cações da turma.</p><p>O manifesto, envolvendo as questões problemáticas levantadas pelos grupos, deverá</p><p>ser elaborado coletivamente pela turma e pode ser exposto durante o festival cultural.</p><p>Além disso, é possível entregá-lo a autoridades competentes para que as reclamações</p><p>e as sugestões de soluções possam chegar a um interlocutor apto a agir sobre o pro-</p><p>blema, como a direção da escola, a Secretaria de Educação do seu estado ou a prefeitura</p><p>de sua cidade.</p><p>Veja, a seguir, algumas orientações sobre o manifesto e como ele pode ser elaborado.</p><p>O que é um manifesto?</p><p>O manifesto, assim como a dissertação de vestibular e o artigo de opinião, faz parte</p><p>dos gêneros textuais argumentativos. Por esse caráter, ele tem como objetivos expres-</p><p>sar as intenções e os valores de um grupo e tentar convencer o interlocutor de alguma</p><p>ideia por meio de argumentos e do uso de linguagem persuasiva.</p><p>Nesse gênero textual, as intenções devem ser direta e claramente expressas, pois</p><p>ele é um instrumento de denúncia coletiva a respeito de um fato que, apesar de afetar</p><p>uma parcela da população, ainda não recebeu a devida atenção pública. Parte essencial</p><p>dessa característica reivindicatória é o pedido de mudança ou da tomada de atitudes</p><p>por parte do interlocutor.</p><p>Estrutura do gênero</p><p>Embora não apresente uma estrutura fixa rígida, o manifesto geralmente se apre-</p><p>senta da seguinte maneira:</p><p>Os interlocutores do</p><p>manifesto dependerão</p><p>das situações-</p><p>-problema</p><p>identificadas pelos</p><p>estudantes durante a</p><p>pesquisa de campo.</p><p>Título: sintetiza a reflexão do texto sobre</p><p>determinado assunto. Exemplos: “Manifesto</p><p>pela segurança do bairro X”, “Manifesto dos</p><p>estudantes da escola X”. Também é possível</p><p>incluir subtítulos ao longo do texto.</p><p>71</p><p>Assinatura: por ser uma produção coletiva,</p><p>inclui a assinatura de vários autores ou do</p><p>nome representativo do grupo. Exemplos:</p><p>“Estudantes da escola X” ou “Moradores</p><p>do bairro X”.</p><p>Local e data: registro do local em que o</p><p>texto foi escrito e da data de elaboração</p><p>do manifesto.</p><p>Corpo do texto: começa pela apresentação</p><p>dos reivindicadores; depois, citam-se</p><p>os problemas em foco e os argumentos</p><p>para a relevância do tema. Na finalização,</p><p>sugerem-se possíveis soluções para a</p><p>problemática apresentada.</p><p>projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 71D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 71 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>Veja, a seguir, um fragmento de um modelo de manifesto, que pode servir de exemplo para a</p><p>apresentação das intenções no texto coletivo de sua turma. Por se tratar de uma reprodução feita</p><p>originalmente em plataforma digital, não possui data, local e assinatura dos manifestantes.</p><p>O Manifesto Jovem #ENDviolence</p><p>Os jovens querem pôr um fi m à violência nas escolas. Aqui dizemos como.</p><p>Para muitos estudantes ao redor do mundo, a escola é um lugar perigoso. Nós perguntamos aos</p><p>jovens sobre suas experiências com violência na escola e em volta dela – e o que eles acham que</p><p>deve ser feito para que isso acabe.</p><p>A resposta foi estarrecedora, com mais de um milhão de jovens erguendo suas vozes. A cada</p><p>três jovens, dois disseram que se preocupam com a violência na escola e em volta dela. Mas eles</p><p>também têm ideias sobre o que alunos, famílias, professores e governos podem fazer para tornar as</p><p>escolas mais seguras.</p><p>Nós trouxemos mais de 100 jovens</p><p>de todo o mundo para elaborar um manifesto da juventude</p><p>pelo fi m da violência nas escolas. [...]</p><p>Demandamos que</p><p>Nos levem a sério</p><p>Nós demandamos que nossos pais, guardiões, escolas como instituições, governantes e</p><p>comunidades reconheçam nossa essência de ser, nossa equidade, nosso direito de dignidade, nosso</p><p>direito de existir em harmonia em ambientes livres de violência em todas as suas formas. Nós</p><p>demandamos que a violência seja combatida onde quer que ela exista com a urgência requerida,</p><p>sem atribuir o fardo à criança.</p><p>Se estabeleçam regras claras</p><p>Nós demandamos a proteção e prevenção de todos os níveis e formas de violência nas escolas,</p><p>que deve ser regida por regulamentos e planos de ação claros, para permitir reformas e recursos para</p><p>um ambiente de aprendizagem seguro para todos.</p><p>[...]</p><p>Garantam nossa segurança no caminho de e para a escola</p><p>Nós demandamos segurança em nossa jornada até a escola e saindo da escola. Nós não queremos</p><p>que ninguém nos faça mal de nenhuma forma. Nós também demandamos ser protegidos pela lei e</p><p>que haja punição para os que a quebram.</p><p>[...]</p><p>Se treinem professores e tutores</p><p>Nós demandamos que professores e tutores tenham treinamento contínuo para poder identifi car,</p><p>responder a, apoiar e remeter alunos que são afetados por questões de violência na escola para os</p><p>serviços adequados. O treinamento deve equipar professores e tutores para que sejam emocionalmente</p><p>sensíveis, que saibam lidar com questões de diversidade e inclusão e providenciar disciplina positiva</p><p>para todas as crianças.</p><p>[...]</p><p>UNICEF. O manifesto jovem #ENDviolence. [Brasília, DF, 2018?]. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil</p><p>/sites/unicef.org.brazil/fi les/2019-06/br_manifesto_end_violence_pt.pdf. Acesso em: 21 dez. 2019.</p><p>Após essa leitura, chegou a hora de realizar a produção do festival cultural de vocês e escrever</p><p>com os colegas o manifesto da turma.</p><p>72</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 72D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 72 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>https://www.unicef.org/brazil/sites/unicef.org.brazil/files/2019-06/br_manifesto_end_violence_pt.pdf</p><p>Para finalizar este Projeto Integrador, é importante realizar uma avaliação,</p><p>tanto de sua participação individual quanto coletiva. Para isso, em uma folha</p><p>sulfite, faça o que se pede.</p><p>1. Sobre o seu envolvimento e o da turma neste Projeto Integrador, responda às questões</p><p>a seguir.</p><p>a) Houve participação em todas as atividades propostas? Argumente.</p><p>b) Em qual etapa houve mais dedicação? E em qual houve menos dedicação? Justifique.</p><p>c) Atribua uma nota de zero (0) a dez (10) para a sua participação e para a participação</p><p>da turma neste Projeto Integrador. Argumente sobre essas notas.</p><p>d) Em relação às suas ações, em quais aspectos você acredita que pode melhorar na</p><p>realização de um próximo Projeto Integrador? E em quais aspectos a turma pode</p><p>melhorar?</p><p>e) Junte-se a um colega e comparem as respostas das questões anteriores, verificando</p><p>em quais itens da avaliação vocês concordam e em quais discordam.</p><p>f) Escreva, de modo sucinto, quais foram as suas dificuldades e quais aprendizagens</p><p>desenvolveu no decorrer deste Projeto Integrador.</p><p>2. Em relação ao assunto deste Projeto Integrador, você:</p><p>a) refletiu sobre o conceito de protagonismo juvenil e realizou uma pesquisa sobre</p><p>projetos sociais e culturais em sua cidade, bairro ou comunidade que atuem em</p><p>prol de mudanças?</p><p>b) explorou as possibilidades de protagonismo juvenil em contextos como a escola, o</p><p>bairro e a comunidade e refletiu sobre os problemas de seu entorno, pensando em</p><p>suas causas, consequências e possíveis propostas de solução?</p><p>c) realizou a pesquisa de campo com a escola e a comunidade, participando ativamente</p><p>da elaboração do questionário, coleta de dados e análise dos resultados?</p><p>d) refletiu sobre a importância da arte enquanto instrumento de manifestação de insa-</p><p>tisfações e de transformação social?</p><p>e) realizou, com os colegas, um festival cultural, participando ativamente da criação</p><p>artística e da produção e organização do evento?</p><p>3. Sobre o canal de compartilhamento, proposto em</p><p>Hora de compartilhar, responda às questões a seguir.</p><p>a) Em sua opinião, quais foram os pontos positivos de</p><p>compartilhar algumas das reflexões e trabalhos realizados</p><p>em cada etapa do projeto? E quais foram os pontos</p><p>negativos?</p><p>b) Como foi sua participação no</p><p>desenvolvimento desse trabalho?</p><p>c) Registre quais dificuldades você</p><p>encontrou e quais aprendizagens</p><p>desenvolveu com esse canal</p><p>de compartilhamento.</p><p>Avaliação</p><p>GR</p><p>IN</p><p>BO</p><p>X</p><p>PR</p><p>IC</p><p>E/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Respostas pessoais.</p><p>73</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 73D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 73 22/02/20 16:5922/02/20 16:59</p><p>74</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>3</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 74D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 74 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>Em nosso cotidiano, convivemos</p><p>com a diversidade de maneira</p><p>muito natural, mas nem sempre</p><p>esse ambiente colorido e cheio</p><p>de formas diferentes é bem</p><p>representado na mídia.</p><p>� corpo na mídia</p><p>MONKEY BUSINESS IMAGES/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>Somos todos</p><p>representados?</p><p>Todos os dias somos bombardeados por imagens</p><p>e discursos nos meios de comunicação que exercem</p><p>influência em nossas vidas, apontando as formas ditas</p><p>“corretas” de se viver, de se comportar e até mesmo</p><p>de ser. O mercado e a mídia, por meio de campanhas</p><p>publicitárias, atuam fortemente com o propósito de</p><p>impor modelos inalcançáveis, estimulando uma cons-</p><p>tante busca para atender a padrões de beleza que acaba</p><p>gerando apenas frustração, tristeza e isolamento social,</p><p>além de, muitas vezes, afetar a saúde física e mental da</p><p>população, especialmente a mais jovem.</p><p>Alinhado com essa preocupação, este Projeto</p><p>Integrador busca levá-lo a refletir sobre como a mídia</p><p>influencia os padrões estéticos estabelecidos para o</p><p>corpo dos homens e das mulheres em nossa sociedade.</p><p>Além disso, você será incentivado a participar da elabo-</p><p>ração de uma campanha publicitária para incentivar a</p><p>representatividade de minorias e de corpos considera-</p><p>dos fora dos padrões.</p><p>75</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 75D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 75 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>MIDIAEDUCAÇÃO</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Levar você a refletir e a discutir sobre os padrões de</p><p>beleza impostos pela mídia e pelo mercado e sobre a</p><p>importância da representatividade e da diversidade.</p><p>• Entender as repercussões sociais da falta de repre-</p><p>sentatividade nas mídias, especialmente aquelas</p><p>associadas ao preconceito.</p><p>• Compreender quão inalcançáveis são os padrões</p><p>estéticos impostos e associar a busca pela perfeição</p><p>a possíveis problemas de saúde física e mental.</p><p>• Realizar pesquisas e entrevistas para colher dados e</p><p>exemplos relacionados à influência dos padrões esté-</p><p>ticos na sociedade.</p><p>• Debater e proporcionar reflexões sobre como você e</p><p>os colegas lidam com o próprio corpo e o que a socie-</p><p>dade exige a esse respeito.</p><p>• Ler e analisar textos em língua portuguesa e em língua</p><p>inglesa para desenvolver habilidades relacionadas à</p><p>leitura e à análise em ambos os idiomas.</p><p>• Desenvolver habilidades de escrita e de criação</p><p>artística por meio da produção de uma campanha</p><p>publicitária representativa de minorias e de corpos</p><p>considerados fora dos padrões de beleza impostos</p><p>pela mídia.</p><p>• Trabalhar com o gênero anúncio publicitário.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>A preocupação com o corpo tem aumentado a cada dia,</p><p>e a mídia tem imposto padrões não condizentes com a reali-</p><p>dade da juventude. Discutir esse assunto em sala de aula é,</p><p>portanto, imprescindível para que você seja capaz de ques-</p><p>tionar o discurso midiático e, consequentemente, construir</p><p>uma relação saudável com o próprio corpo.</p><p>Com este projeto, espera-se que você seja capaz de refle-</p><p>tir sobre a representação do corpo, a mudança de foco</p><p>das</p><p>campanhas publicitárias ao longo dos tempos e a necessi-</p><p>dade de desconstruir o padrão de beleza imposto, muitas</p><p>vezes por questões mercadológicas, pela mídia.</p><p>Competências e habilidades da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC encontra-se ao</p><p>final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>1, 4, 5, 7, 9 e 10</p><p>Competências específicas</p><p>e habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG101, EM13LGG102</p><p>e EM13LGG104 (relativas à competência</p><p>específica 1)</p><p>EM13LGG204 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>EM13LGG301, EM13LGG302, EM13LGG303</p><p>e EM13LGG304 (relativas à competência</p><p>específica 3)</p><p>EM13LGG403 (relativa à competência</p><p>específica 4)</p><p>EM13LGG601 (relativa à competência</p><p>específica 6)</p><p>EM13LGG701, EM13LGG703</p><p>e EM13LGG704 (relativas à competência</p><p>específica 7)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social: EM13LP01</p><p>(relativa à competência específica 2),</p><p>EM13LP11 (relativa à competência específica</p><p>7), EM13LP12 (relativa às competências</p><p>específicas 1 e 7), EM13LP15 (relativa às</p><p>competências específicas 1 e 3) e EM13LP18</p><p>(relativa à competência específica 7)</p><p>Campo das práticas de estudo e pesquisa:</p><p>EM13LP32 (relativa à competência</p><p>específica 7), EM13LP33 (relativa à</p><p>competência específica 3) e EM13LP35</p><p>(relativa à competência específica 7)</p><p>Campo jornalístico-midiático: EM13LP44</p><p>(relativa às competências específicas 1 e 7)</p><p>Matemática e suas Tecnologias</p><p>EM13MAT102 (relativa à competência</p><p>específica 1)</p><p>EM13MAT202 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>EM13MAT406 (relativa à competência</p><p>específica 4)</p><p>Ciências Humanas e Sociais Aplicadas</p><p>EM13CHS102 (relativa à competência</p><p>específica 1)</p><p>EM13CHS303 (relativa à competência</p><p>específica 3)</p><p>EM13CHS502 (relativa à competência</p><p>específica 5)</p><p>Produto final Campanha publicitária</p><p>76</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 76D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 76 22/02/20 17:1522/02/20 17:15</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as produções realizadas nas etapas deste</p><p>Projeto Integrador, sugerimos a construção coletiva de um canal de</p><p>compartilhamento. Para isso, vocês podem criar um blog, um canal de vídeos, uma página</p><p>em rede social, um mural, um portfólio ou outras formas de comunicação com a comuni-</p><p>dade escolar. Ao final de cada etapa deste Projeto Integrador, há orientações e sugestões</p><p>do que pode ser compartilhado.</p><p>Compreender o peso social dos padrões estéticos e de beleza para homens e mulheres,</p><p>especialmente os jovens, introduzindo a reflexão sobre a pressão da mídia para a consolidação</p><p>desses padrões. Além disso, propõe-se a análise da relação entre a imagem do corpo ideal e a</p><p>diversidade de biotipos. Realiza-se também a diferenciação entre pressão estética e gordofobia</p><p>para que haja a correta interpretação dos conceitos desenvolvidos ao longo do projeto.</p><p>Apresentar a relação entre a busca pelo corpo "ideal" e os possíveis</p><p>efeitos negativos na saúde física e mental da população que se esforça</p><p>para se enquadrar nesses padrões, associando a apresentação dos</p><p>corpos na mídia a distúrbios alimentares e de imagem.</p><p>Propor a reflexão sobre como os padrões estéticos sempre fizeram parte da história</p><p>da humanidade e mostrar como se modificaram ao longo do tempo. Ao mesmo tempo,</p><p>pretende-se problematizar o modo como esses padrões, principalmente a partir do</p><p>século XX, foram exacerbados pela influência da mídia e pela representação dos corpos</p><p>em anúncios publicitários e, posteriormente, em produções hollywoodianas. É também</p><p>proposta a comparação entre padrões estéticos do passado com os atuais, em uma</p><p>análise do contexto atual.</p><p>Entender a relação da mídia com a representação da diversidade de corpos</p><p>e como isso afeta o público-alvo tanto nas relações de consumo quanto na</p><p>diminuição da autoestima. Propõe-se uma análise da mídia atual e da forma</p><p>como as marcas, empresas e até mesmo as celebridades e os influenciadores</p><p>digitais colaboram para a manutenção dos padrões estabelecidos.</p><p>Refletir sobre a capacidade de a mídia atual representar as pessoas “reais”,</p><p>especialmente as minorias e os grupos marginalizados da sociedade. Por</p><p>meio da análise de exemplos e da reflexão sobre o racismo na mídia, espera-</p><p>-se desenvolver a reflexão sobre representatividade em preparação para a</p><p>Etapa final.</p><p>Planejar, desenvolver e apresentar uma campanha publicitária de uma ideia ou de</p><p>um produto a partir da proposta de representatividade, especialmente de grupos</p><p>marginalizados ou fora dos padrões estéticos considerados “ideais” pela mídia e</p><p>pelo mercado. Nesta etapa, propõem-se a definição dos elementos da campanha,</p><p>a produção de rascunhos, a elaboração do produto final e o planejamento de uma</p><p>apresentação de slides ou oral com o pitch explicativo da campanha.</p><p>Etapa</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>4</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>5</p><p>Final</p><p>77</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 77D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 77 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>Etapa</p><p>A estética do</p><p>impossível1</p><p>A pressão pelo enquadramento em padrões estéticos afeta pessoas do mundo todo, todos os</p><p>dias. Peso, altura, formato do rosto, cor de cabelo: os padrões de beleza mudam constantemente e</p><p>espera-se que homens e mulheres se adaptem – caso contrário, não são mais considerados bonitos.</p><p>Você já se sentiu pressionado para se adequar a padrões de beleza no seu dia a dia, na escola</p><p>ou nas redes sociais? Converse com os colegas sobre isso e, depois, leia o texto a seguir sobre</p><p>uma pesquisa realizada com o objetivo de estudar a influência dos padrões de beleza sobre as</p><p>mulheres brasileiras.</p><p>Brasileiras ainda se sentem pressionadas por</p><p>padrões de beleza, diz estudo</p><p>A mulher brasileira ainda sente sua beleza pouco representada pela mídia e acredita que os ideais</p><p>expostos pelas campanhas publicitárias são simplesmente impossíveis de alcançar. Esses e outros</p><p>dados são revelados pelo estudo “Há uma Beleza Nada Convencional” [...].</p><p>[...]</p><p>No Brasil, os dados mostram que 76% das mulheres e 67% das jovens entrevistadas acreditam</p><p>que a mídia e a publicidade definem um padrão impossível e 82% revelam que gostariam que fossem</p><p>retratados diferentes tipos físicos nas campanhas, bem como pluralidade de faixas etárias e de etnias.</p><p>66% das brasileiras que integraram a pesquisa acreditam que, na sociedade atual, é fundamental</p><p>cumprir com certas normas de beleza.</p><p>O mundo do trabalho também se revela um dos cenários mais críticos para a autoestima</p><p>feminina. 63% das mulheres e 57% das garotas brasileiras entrevistadas acreditam que para</p><p>serem bem-sucedidas na vida elas precisam ter certo tipo de aparência e sete</p><p>em cada dez mulheres e garotas acreditam que as mais bonitas</p><p>têm mais oportunidades.</p><p>Além disso, 71% das mulheres se</p><p>sentem pressionadas a ser perfeitas e boas</p><p>em tudo que fazem e oito em cada dez</p><p>mulheres evitaram um compromisso</p><p>social porque não se sentiam bem com</p><p>seu próprio corpo.</p><p>BRASILEIRAS ainda se sentem pressionadas por padrões</p><p>de beleza, diz estudo. UOL, 8 jun. 2016. Disponível em:</p><p>https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/</p><p>2016/06/08/brasileiras-ainda-se-sentem-pressionadas-por</p><p>-padroes-de-beleza-diz-estudo.htm. Acesso em: 9 jan. 2020.</p><p>GOODSTUDIO/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>78</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 78D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 78 22/02/20 17:1722/02/20 17:17</p><p>https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2016/06/08/brasileiras-ainda-se-sentem-pressionadas-por-padroes-de-beleza-diz-estudo.htm</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia 79</p><p>estereótipo: conceito sobre</p><p>algo ou alguém baseado em</p><p>generalizações ou clichês.</p><p>Os padrões estéticos ignoram</p><p>as diferenças de biotipo e</p><p>culturais de cada sociedade,</p><p>se tornando inalcançáveis</p><p>para a maior parte da</p><p>população.</p><p>A pressão estética é uma forma de pressão social que leva as pessoas</p><p>– homens e mulheres, principalmente jovens – a se sentir insatisfeitas</p><p>com a imagem de seus corpos. Esse padrão, associado a um ideal de</p><p>beleza difundido</p><p>principalmente pela mídia, costuma estar relacionado a</p><p>um corpo com pouco percentual de gordura, mas pode variar conforme</p><p>o momento histórico.</p><p>O ideal de beleza atual é limitador e inalcançável, uma vez que exige</p><p>que a mulher seja magra, alta (mas não muito alta) e com traços europei-</p><p>zados, como pele clara e cabelos lisos; para os homens, o ideal de beleza</p><p>está associado a um corpo musculoso, alto (preferencialmente mais alto</p><p>que as mulheres) e com traços também europeizados. Além de separada-</p><p>mente serem características bastante específicas e que desconsideram as</p><p>particularidades de cada indivíduo, a tentativa de alcançar todas ao mesmo</p><p>tempo leva as pessoas a uma obsessão com o corpo fadada ao fracasso.</p><p>A mulher negra e os padrões inalcançáveis</p><p>As expectativas de atender a padrões estéticos, que costumam recair</p><p>sobre quase toda a população ocidental, ignoram as diferenças de biotipo</p><p>e culturais, afetando principalmente as pessoas mais distantes desses</p><p>padrões, como, por exemplo, a mulher negra, que recebe constantemente</p><p>a mensagem de que, para ser aceita, deve alisar seus cabelos ou clarear</p><p>sua pele.</p><p>Além disso, os estereótipos podem se misturar aos padrões de beleza,</p><p>levando à percepção de que a figura da mulher negra deve ser associada ao</p><p>corpo curvilíneo. Nesse contexto, não há como alcançar o padrão estético</p><p>esperado, pois há sempre um dos critérios não sendo alcançados.</p><p>Nos últimos anos, como forma de enfrentamento desse padrão estético</p><p>de embranquecimento, começaram a se fortalecer campanhas protagoni-</p><p>zadas por mulheres negras em prol da valorização e do incentivo à cultura</p><p>e às características físicas tradicionalmente associadas ao corpo negro,</p><p>principalmente no que diz respeito ao cabelo crespo e cacheado. Esse</p><p>movimento, que ganhou força principalmente na internet, busca mostrar</p><p>à sociedade a importância da autoaceitação e de rejeitar a pressão exercida</p><p>pela mídia sobre a população negra.</p><p>BL</p><p>AC</p><p>KD</p><p>AY</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 79D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 79 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>A pressão estética masculina</p><p>Ainda que a pressão estética sofrida pelas mulheres tenha um impacto mais</p><p>abrangente em suas vivências, podendo afetar contratações, percepções de “mere-</p><p>cimento” e as relações sociais, a pressão estética sobre os homens também possui</p><p>efeitos negativos em suas experiências cotidianas.</p><p>Para saber mais sobre isso, leia, a seguir, a crônica de Contardo Calligaris publi-</p><p>cada no jornal Folha de S.Paulo.</p><p>Músculos impossíveis e invejáveis</p><p>Quase a metade dos homens americanos está insatisfeita com seu corpo. O</p><p>mesmo vale para os europeus. O caso dos brasileiros não deve ser muito diferente.</p><p>É uma insatisfação calada, pois se supõe ainda que "um macho" não ligue para sua</p><p>aparência. Mas é suficiente para mobilizar uma indústria. [...]</p><p>Claramente, nas últimas duas décadas, constituiu-se uma cultura masculina da</p><p>modificação corporal. [...] Pessoalmente, levanto ferro há 35 anos e acho ótimo tanto</p><p>para a saúde quanto para o humor. Então qual é o problema?</p><p>Acontece que uma parte não negligenciável dos malhadores não encontra saúde</p><p>nenhuma. Só nos EUA, as pesquisas mostram que, para quase 1 milhão deles, a</p><p>insatisfação com seu corpo deixa de ser um incentivo e transforma-se numa</p><p>obsessão doentia. Eles sofrem de uma verdadeira alteração da percepção da forma</p><p>de seu próprio corpo. Por mais que treinem, "sequem" e fiquem fortes, desenvolvem</p><p>preocupações irrealistas, constantes e angustiadas de que seu corpo seja feio,</p><p>desproporcionado, miúdo ou gordo etc. Passam o tempo verificando furtivamente</p><p>o espelho. Recorrem a dietas ferozes que acarretam verdadeiros transtornos</p><p>alimentares (anorexia e bulimia já se tornaram patologias também masculinas).</p><p>São as primeiras vítimas do uso desregrado de qualquer substância que prometa</p><p>facilitar o crescimento muscular.</p><p>Nos casos mais graves, a obsessão com o corpo destrói a vida social, profissional</p><p>ou escolar dos sujeitos. Convencidos de sua feiura, eles se escondem num leque que</p><p>vai desde se recusar a tirar a camisa até se trancar em casa. Abandonam estudos e</p><p>carreiras para passar o tempo treinando. Sacrificam casamentos e relações amorosas.</p><p>[...]</p><p>A masculinidade era um ideal espiritual enigmático e complicado. Agora se</p><p>tornou um corpo impossível. Quem levar a sério a exigência social de ser "homem"</p><p>poderá entrar numa aventura dolorosa. [...]</p><p>patologia:</p><p>doença.</p><p>ON</p><p>YX</p><p>PR</p><p>J/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>80</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 80D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 80 22/02/20 17:1922/02/20 17:19</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>• A gorda</p><p>Nessa autoficção da escritora moçambicana radicada em Portugal Isabela</p><p>Figueiredo, conta-se a história de Maria Luísa, que sofre com a opressão por</p><p>ser gorda em uma sociedade em que o único padrão aceitável é a magreza.</p><p>A obra mistura ficção com a história da própria autora, que recorreu a uma</p><p>cirurgia bariátrica em 2010.</p><p>FIGUEIREDO, Isabela. A gorda. São Paulo: Todavia, 2018.</p><p>Mais um comentário. Quase todos os insatisfeitos dos músculos declaram que eles</p><p>tentam adquirir um corpo que seduza as mulheres. Ora, sistematicamente, nos testes</p><p>aparece o seguinte: o corpo masculino que, segundo eles, enlouqueceria as mulheres</p><p>é dez quilos (de músculos) mais pesado do que o corpo masculino que as mulheres</p><p>realmente gostam. Ou seja, as mulheres preferem homens próximos da média – não</p><p>excessivamente musculosos. Será que os homens se enganam e treinam em vão? É mais</p><p>provável que querer seduzir seja uma desculpa. Os homens querem ser impossivelmente</p><p>musculosos não para encantar as mulheres, mas para competir com os outros homens.</p><p>Tanto para os homens quanto para as mulheres, o motor da relação com os ideais</p><p>modernos não parece ser o desejo que gostaríamos de suscitar na dama ou no cavalheiro.</p><p>De fato, a esperança de conquistar um parceiro ou uma parceira nos anima menos</p><p>do que a vontade de sermos objetos da inveja de nossos semelhantes.</p><p>CALLIGARIS, Contardo. Músculos impossíveis e invejáveis. Folha de S.Paulo, São Paulo, 8 fev. 2001.</p><p>Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0802200121.htm. Acesso em: 9 jan. 2020.</p><p>Pressão estética e gordofobia</p><p>Na sociedade e na mídia, existe muitas vezes a confusão entre dois termos bastante</p><p>difundidos nos tempos atuais: pressão estética e gordofobia. O primeiro é responsável</p><p>por levar grande parte da população mundial a se sentir insatisfeita com o próprio corpo,</p><p>pois está associada a cobranças em relação a regras e padrões a serem seguidos, que</p><p>muitas vezes são inalcançáveis ou acessíveis apenas com privações extremas e peri-</p><p>gosas à saúde.</p><p>A pressão estética, como você já viu, afeta mulheres e homens, magros e gordos, por</p><p>nos fazer entender que há sempre algo a ser mudado ou melhorado em nossos corpos.</p><p>No caso da gordofobia, o que se vê é a aversão ou o preconceito em relação ao corpo</p><p>gordo de maneira geral, o que, por si só, compreende a desumanização das pessoas</p><p>gordas pela leitura, quase automática, de que esse tipo de corpo é doente, enquanto o</p><p>corpo magro é saudável.</p><p>Ao contrário da pressão estética, que se trata de uma pressão social difundida prin-</p><p>cipalmente pela mídia e associada à tentativa incessante de se encaixar em um padrão,</p><p>a gordofobia age de maneira estrutural e afeta o dia a dia da pessoa gorda, que tem de</p><p>lidar com uma sociedade pensada exclusivamente para pessoas magras, principalmente</p><p>em relação ao acesso a espaços públicos (catracas de ônibus, assentos no transporte</p><p>público, macas de hospital) e a bens de consumo, que não são adaptados às suas neces-</p><p>sidades (roupas em tamanhos maiores e com proporções apropriadas).</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>TO</p><p>DA</p><p>VI</p><p>A</p><p>81</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 81D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 81 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>1. Retome as estatísticas indicadas no primeiro texto desta</p><p>EM13LP47 (relativa às</p><p>competências específicas 3 e 6)</p><p>Matemática e suas Tecnologias</p><p>EM13MAT202 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>Ciências da Natureza</p><p>e suas Tecnologias</p><p>EM13CNT302 (relativa à competência</p><p>específica 3)</p><p>Ciências Humanas e Sociais Aplicadas</p><p>EM13CHS502 (relativa à competência</p><p>específica 5)</p><p>EM13CHS606 (relativa à competência</p><p>específica 6)</p><p>Produto final Festival cultural</p><p>44</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 44D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 44 22/02/20 16:2722/02/20 16:27</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as produções rea-</p><p>lizadas nas etapas deste Projeto Integrador,</p><p>sugerimos a construção coletiva de um canal de comparti-</p><p>lhamento. Para isso, vocês podem criar um blog, um canal de</p><p>vídeos, uma página em rede social, um mural, um portfólio ou</p><p>outras formas de comunicação com a comunidade escolar.</p><p>Ao final de cada etapa deste Projeto Integrador, há orientações</p><p>e sugestões do que pode ser compartilhado.</p><p>Realizar reflexões acerca do conceito de protagonismo juvenil a partir</p><p>da leitura de textos com exemplos de jovens que atuam ou atuaram</p><p>em diversas esferas sociais de maneira ativa, utilizando sua voz para</p><p>buscar soluções e/ou promover debates sobre questões que afetam a</p><p>comunidade em que estão inseridos. Além disso, vocês serão incentivados</p><p>a realizar uma pesquisa sobre projetos sociais e culturais que atuam em</p><p>prol de mudanças.</p><p>Explorar as possibilidades de protagonismo juvenil em contextos como a escola, o bairro</p><p>e a comunidade escolar, entendendo a relevância do impacto local gerado pelas ações</p><p>sociais. Na finalização da etapa, vocês serão incentivados a refletir sobre os problemas</p><p>de seu entorno, suas causas e consequências e possíveis propostas de solução para</p><p>a situação identificada. Esse trabalho permite que vocês se percebam como agentes</p><p>participativos da realidade em que estão inseridos.</p><p>Realizar uma pesquisa de campo que permita o contato com os colegas de</p><p>outras turmas e/ou moradores e trabalhadores do entorno da escola ou do</p><p>bairro, para conhecer melhor os problemas sociais relevantes para essas</p><p>comunidades, entendendo as necessidades e as preocupações que as afligem.</p><p>Conhecer a importância e o impacto da arte produzida por jovens como</p><p>instrumento de manifestação de insatisfações e de transformação social.</p><p>Esse trabalho também permite que identifiquem essa ação como maneira</p><p>de expor e traduzir informações usando recursos lúdicos e com uma</p><p>linguagem mais acessível para o público.</p><p>Organizar e produzir um festival cultural com a exposição de diversas manifestações</p><p>artísticas visando propor um debate sobre situações e problemas sociais pertinentes à</p><p>comunidade em que vocês estão inseridos. Esse evento permitirá também a exposição</p><p>dos resultados das pesquisas que realizaram, seja pelas informações contidas em</p><p>suas produções artísticas, seja pelo manifesto produzido coletivamente, o qual poderá</p><p>ser apresentado a autoridades e órgãos públicos como forma de manifestação política</p><p>capaz de transformar a realidade local.</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>4</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>As redes sociais e as plataformas digitais permitem</p><p>que as informações e reflexões elaboradas durante</p><p>o projeto alcancem um número maior de pessoas.</p><p>CHAAY_TEE/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>45projeto 2 • O poder da sua voz</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 45D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 45 19/02/20 15:2619/02/20 15:26</p><p>10</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>1</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 10 19/02/2020 14:48</p><p>Foto de placas de orientação</p><p>no Parque Ambiental Chico</p><p>Mendes, em Rio Branco (AC).</p><p>Foto de 2011.</p><p>Design e comunicação</p><p>Como afetam as</p><p>vivências nos</p><p>espaços?</p><p>Você já se perdeu em um espaço público,</p><p>como um parque, um museu ou um shopping</p><p>center, apesar de ter seguido as orientações da</p><p>sinalização? Alguma vez observou um cartaz</p><p>informativo e não retirou nenhuma informa-</p><p>ção efetiva de seus elementos? Já presenciou</p><p>acidentes em seu município causados por placas</p><p>confusas ou de difícil leitura?</p><p>Esses casos são exemplos de falhas de</p><p>comunicação causadas por problemas de</p><p>design, que, apesar de muitas vezes ser asso-</p><p>ciado exclusivamente à proposta estética de um</p><p>produto ou serviço, tem como principal função</p><p>resolver problemas ou suprir necessidades de</p><p>um público.</p><p>Neste projeto, será abordado o design como</p><p>área da comunicação, apresentando como sua</p><p>prática afeta o cotidiano das pessoas e as expe-</p><p>riências dos indivíduos nos espaços em que</p><p>estão inseridos.</p><p>Para consolidar seus saberes, você</p><p>será incentivado a identificar problemas</p><p>de design que afetam a comunicação e a</p><p>propor soluções ou mudanças que possam</p><p>ser aplicadas na comunidade escolar ou em</p><p>seu município, melhorando ou facilitando o</p><p>cotidiano de sua comunidade.</p><p>11</p><p>ROGÉRIO REIS/PULSAR IMAGENS</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 11 19/02/2020 14:48</p><p>GI</p><p>RA</p><p>FF</p><p>AR</p><p>TE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>, V</p><p>IS</p><p>UA</p><p>L</p><p>GE</p><p>NE</p><p>RA</p><p>TI</p><p>ON</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 5D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 5 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>Etapa Padrões de beleza:</p><p>novos ou velhos</p><p>tempos?</p><p>Apesar das discussões atuais, em toda a história da humanidade houve, de uma forma ou de outra,</p><p>padrões estéticos que eram considerados ideais ou mais atraentes. Observe a linha do tempo a seguir e</p><p>note as mudanças sofridas ao longo do tempo na visão do que é um corpo socialmente adequado.</p><p>3</p><p>Na Pré-História, o corpo feminino</p><p>com formas volumosas era valori-</p><p>zado e considerado mais atraente.</p><p>A escultura Vênus de Willendorf é</p><p>um dos achados arqueológicos mais</p><p>antigos (datado em cerca de 30 mil</p><p>anos antes de Cristo) representativos</p><p>do corpo feminino, por isso serve</p><p>como símbolo do ideal de beleza</p><p>desse período.</p><p>Foi na Grécia Antiga que o culto ao corpo</p><p>passou a fazer parte da norma social.</p><p>Nessa época, houve a criação dos primei-</p><p>ros complexos esportivos (os gymnasiums)</p><p>focados no corpo e na formação intelectual.</p><p>Acreditava-se na importância da harmo-</p><p>nia e das medidas proporcionais do corpo</p><p>tanto para homens quanto para mulheres.</p><p>Nessa época, o pensamento domi-</p><p>nante estava voltado ao divino e</p><p>aos ensinamentos da Igreja Católica.</p><p>Por isso, os corpos, principalmente</p><p>os das mulheres, passaram a ser</p><p>cobertos, de modo a não marcar</p><p>suas formas, por vestes longas, com</p><p>mangas compridas e muitas vezes</p><p>até mesmo com adereços na cabeça,</p><p>deixando apenas a face à mostra.</p><p>Vênus de Willendorf. Escultura</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>Museu de História Natural,</p><p>Viena, Áustria.</p><p>A virgem entre as virgens, de Gerard David, 1509. Óleo sobre painel,</p><p>118 cm × 212 cm. Museu de Belas Artes, Rouen, França.</p><p>Cópia da escultura Discóbolo,</p><p>do escultor grego Míron.</p><p>Mármore, 1,69 m × 1,05 m.</p><p>Museu Britânico, Londres, Reino Unido.</p><p>Pré-História Grécia Antiga</p><p>Idade Média</p><p>88</p><p>ER</p><p>IC</p><p>H</p><p>LE</p><p>SS</p><p>IN</p><p>G/</p><p>AL</p><p>BU</p><p>M</p><p>/ A</p><p>LB</p><p>UM</p><p>/F</p><p>OT</p><p>OA</p><p>RE</p><p>NA</p><p>; M</p><p>US</p><p>EU</p><p>B</p><p>RI</p><p>TÂ</p><p>NI</p><p>CO</p><p>, L</p><p>ON</p><p>DR</p><p>ES</p><p>; M</p><p>US</p><p>EU</p><p>D</p><p>E</p><p>BE</p><p>LA</p><p>S</p><p>AR</p><p>TE</p><p>S,</p><p>RO</p><p>UE</p><p>N;</p><p>G</p><p>AL</p><p>ER</p><p>IA</p><p>U</p><p>FF</p><p>IZ</p><p>I,</p><p>FI</p><p>RE</p><p>NZ</p><p>E;</p><p>M</p><p>US</p><p>EU</p><p>D</p><p>O</p><p>PA</p><p>LÁ</p><p>CI</p><p>O</p><p>DE</p><p>V</p><p>ER</p><p>SA</p><p>IL</p><p>LE</p><p>S</p><p>- P</p><p>HO</p><p>TO</p><p>: J</p><p>OS</p><p>SE</p><p>/L</p><p>EE</p><p>M</p><p>AG</p><p>E/</p><p>CO</p><p>RB</p><p>IS</p><p>/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>; S</p><p>EE</p><p>BE</p><p>RG</p><p>ER</p><p>F</p><p>RE</p><p>RE</p><p>S/</p><p>GE</p><p>NE</p><p>RA</p><p>L</p><p>PH</p><p>OT</p><p>OG</p><p>RA</p><p>PH</p><p>IC</p><p>A</p><p>GE</p><p>NC</p><p>Y/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>, S</p><p>UN</p><p>SE</p><p>T</p><p>BO</p><p>UL</p><p>EV</p><p>AR</p><p>D/</p><p>CO</p><p>RB</p><p>IS</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>, E</p><p>DI</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>DE</p><p>A</p><p>RT</p><p>E</p><p>Foi na Grécia Antiga que o culto ao corpo</p><p>passou a fazer parte da norma social.</p><p>Nessa época, houve a criação dos primei-</p><p>ros complexos esportivos (os</p><p>focados no corpo e na formação intelectual.</p><p>Acreditava-se na importância da harmo-</p><p>nia e das medidas proporcionais do corpo</p><p>tanto para homens quanto para mulheres.</p><p>Cópia da escultura</p><p>do escultor grego Míron.</p><p>Mármore, 1,69 m</p><p>Museu Britânico, Londres, Reino Unido.</p><p>Na Pré-História, o corpo feminino</p><p>com formas volumosas era valori-</p><p>zado e considerado mais atraente.</p><p>A escultura</p><p>etapa. A partir dos dados apresentados,</p><p>a que conclusão é possível chegar sobre a infl uência dos padrões estéticos na vida das mulheres</p><p>brasileiras?</p><p>2. Coletivamente, realizem uma pesquisa em sala de aula, colhendo as opiniões das estudantes</p><p>sobre as questões a seguir, semelhantes às dirigidas às entrevistadas da pesquisa.</p><p>Atividades</p><p>§ Você acredita que a mídia e a publicidade defi nem um padrão impossível</p><p>às mulheres?</p><p>§ Você gostaria que fossem retratados diferentes tipos físicos, faixas etárias e</p><p>etnias nas campanhas publicitárias?</p><p>§ Você acha que é fundamental cumprir com certas normas de beleza na</p><p>sociedade atual?</p><p>§ Você se sente pressionada a ser perfeita e boa em tudo que faz?</p><p>a) A partir dos resultados da pesquisa, construam gráfi cos com as opiniões das entrevistadas.</p><p>b) Na pesquisa citada no texto, a maioria das mulheres entrevistadas respondeu positivamente</p><p>às perguntas equivalentes às feitas nesta atividade. Isso se repetiu na pesquisa realizada em</p><p>sala de aula? Se as respostas foram diferentes, por que será que isso aconteceu?</p><p>3. Considere o trecho a seguir, retirado da crônica “Músculos impossíveis e invejáveis”.</p><p>De fato, a esperança de conquistar um parceiro ou uma parceira nos anima</p><p>menos do que a vontade de sermos objetos da inveja de nossos semelhantes.</p><p>a) Você concorda com essa afi rmação? Justifi que sua resposta.</p><p>b) De que maneira a mídia e o consumo estão associados à pressão estética e à vontade de</p><p>homens e mulheres de serem objetos de inveja de seus semelhantes?</p><p>4. A infl uência da mídia e a pressão estética começam a afetar homens e mulheres desde a infância.</p><p>Bonecas com corpos irreais, personagens de fi lmes e desenhos com músculos desproporcio-</p><p>nais, além de brinquedos como maquiagens e kits de beleza para meninas pequenas ensinam</p><p>crianças a se preocupar com a estética cada vez mais cedo.</p><p>a) Relembre seus brinquedos de infância. Você possuía algum que reproduzisse padrões e</p><p>estereótipos de beleza irreais? Compartilhe suas experiências com a turma.</p><p>b) Havia variedade no biotipo e nos tons de pele das bonecas e bonecos que representavam</p><p>jovens adultos na época da sua infância?</p><p>c) Você acha que o acesso a brinquedos que representem a diversidade da população brasileira</p><p>é importante? Por quê?</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>82</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 82D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 82 22/02/20 17:2022/02/20 17:20</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>5. Ainda sobre a reprodução de padrões estéticos e representatividade nos brinquedos, leia o texto a seguir e,</p><p>depois, responda às atividades em grupos.</p><p>[...]</p><p>Um levantamento de 2018 realizado pela Cadê nossa boneca?, campanha da ONG Avante</p><p>sobre padrões estéticos e representatividade na infância, mostrou que os modelos de bonecas</p><p>negras representam apenas 7% do total. Dos 762 tipos analisados, 53 eram negras.</p><p>[...]</p><p>Para Ana Marcilio, psicóloga social e uma das coordenadoras da campanha Cadê nossa</p><p>boneca?, [...] a normalização “do padrão loira, branca e magra desde a infância” mostra e reforça</p><p>o racismo desde cedo. “Para desconstruir depois é difícil. Precisamos garantir para a criança a</p><p>possibilidade de se reconhecer nas bonecas, nos livros, para proporcionar a ela o desenvolvimento</p><p>saudável da autoestima e da construção da identidade.”</p><p>Brincar, explicam especialistas, também é uma forma com que as crianças aprendem sobre</p><p>a cultura e o contexto em que estão inseridas. E os brinquedos, como parte desse processo</p><p>de aprendizagem, têm efeitos na educação e na formação da criança. Modelos restritos de</p><p>representatividade podem, por exemplo, gerar problemas de autoimagem e falta de empatia.</p><p>[...]</p><p>O estereótipo não se limita às bonecas, mas os bonecos também apresentam</p><p>padrões. “A sociedade é imersa em violência e o modelo do boneco é o do</p><p>homem forte, sem diversidade de cores e pronto para o confl ito?”, questiona</p><p>Ana Marcilio. “O brinquedo traz um ideal de sociedade representado. Eu teria</p><p>mais cuidado na construção desses bonecos.”</p><p>A DIVERSIDADE das bonecas é mais importante do que você imagina.</p><p>Pragmatismo Político, 21 fev. 2019. Disponível em: https://www.pragmatismopolitico.com.br/</p><p>2019/02/diversidade-das-bonecas-importante.html. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>Brincar, explicam especialistas, também é uma forma com que as crianças aprendem sobre</p><p>a cultura e o contexto em que estão inseridas. E os brinquedos, como parte desse processo</p><p>de aprendizagem, têm efeitos na educação e na formação da criança. Modelos restritos de</p><p>representatividade podem, por exemplo, gerar problemas de autoimagem e falta de empatia.</p><p>A DIVERSIDADE das bonecas é mais importante do que você imagina.</p><p>, 21 fev. 2019. Disponível em: https://www.pragmatismopolitico.com.br/</p><p>2019/02/diversidade-das-bonecas-importante.html. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>Exemplo de boneca Abayomi, termo que significa "encontro precioso" em</p><p>Iorubá, um dos maiores grupos étnico-linguísticos do continente africano.</p><p>Utilizem o canal de compartilhamento escolhido pela turma para divulgar os resul-</p><p>tados das pesquisas realizadas nas atividades 2 e 5 desta etapa.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>TH</p><p>AM</p><p>IR</p><p>IS</p><p>S</p><p>OU</p><p>ZA</p><p>/F</p><p>OT</p><p>OA</p><p>RE</p><p>NA</p><p>a) Além da diversidade de tons de pele, a indústria tem se preocupado em produzir bonecas com padrões</p><p>estéticos diversifi cados. Pesquisem, em sites confi áveis, em que consiste essa diversidade.</p><p>b) Esses novos modelos de brinquedos representam toda a diversidade de características da população brasi-</p><p>leira? Justifi quem sua resposta.</p><p>c) Vocês já viram brinquedos como esses sendo comercializados na região em que vocês vivem? Caso não</p><p>tenham visto, a que atribuem essa ausência?</p><p>d) Vocês acreditam que a inclusão de bonecas com biotipos variados pode ajudar a combater o preconceito</p><p>contra o corpo gordo? Justifi quem sua resposta.</p><p>6. A crônica "Músculos impossíveis e invejáveis", lida nesta etapa, foi escrita e publicada em 2001 e revela que,</p><p>já naquele período, os homens recorriam a inúmeras práticas e produtos para atingir um corpo invejável.</p><p>a) Por que a obsessão por um corpo "perfeito" e forte pode ser uma aventura dolorosa? Que trecho do texto</p><p>corrobora com essa ideia?</p><p>b) Você acredita que a demanda por corpos masculinos fortes e musculosos ainda é atual? Por quê?</p><p>83</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 83D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 83 22/02/20 17:2022/02/20 17:20</p><p>https://www.pragmatismopolitico.com.br/2019/02/diversidade-das-bonecas-importante.html</p><p>Etapa</p><p>A busca pelo corpo</p><p>perfeito e a saúde</p><p>Como você viu na crônica lida na etapa anterior, muitas vezes a busca para alcançar padrões</p><p>estéticos pode causar prejuízos à saúde. Além de doenças e problemas associados ao excesso</p><p>de exercícios físicos ou de dietas e restrições muito severas, um grande problema atual rela-</p><p>cionado à pressão para seguir padrões de beleza é o comprometimento da saúde mental dos</p><p>jovens e adolescentes.</p><p>Esse sofrimento psíquico tem levado homens e mulheres a recorrer a medidas extremas e muitas</p><p>vezes irreversíveis, como as cirurgias plásticas.</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Brasil lidera o ranking de cirurgia plástica entre adolescentes</p><p>Jovens buscam intervenção estética para aumentar a autoestima</p><p>[...]</p><p>Os adolescentes brasileiros se submetem cada vez mais a cirurgias plásticas. Segundo a Sociedade</p><p>Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos dez anos houve um aumento de 141% no número</p><p>de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos. Em 2016 — ano do último censo realizado pela SBCP—,</p><p>foram feitas 1 472 435 cirurgias plásticas estéticas ou reparadoras em solo nacional, das quais 6,6% foram</p><p>em pacientes com até 18 anos, o equivalente a 97 mil procedimentos. Esses números colocam o Brasil na</p><p>liderança em número absoluto de jovens que passam por esse tipo de cirurgia. “Nos Estados Unidos, 4%</p><p>dos pacientes que se submetem a cirurgia estética são adolescentes. Só no ano passado foram</p><p>realizadas</p><p>cerca de 66 mil cirurgias estéticas. No Brasil esse número já ultrapassou 90 mil”, explicou Jayme Farina</p><p>Junior, chefe da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de</p><p>Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).</p><p>[...]</p><p>Segundo a psicanalista Monica Donetto Guedes, a cirurgia gera muitas vezes</p><p>descontentamento. “O pós-operatório, psicologicamente falando, é muito complexo.</p><p>Há registros de casos clínicos de pessoas que chegam aos consultórios de</p><p>analistas porque não ficaram felizes com o resultado. Porque isso envolve a</p><p>imagem do corpo do outro. E não necessariamente aqueles mililitros que você</p><p>colocou vão deixar seu peito daquele jeito, porque continua sendo o corpo</p><p>do outro”, disse Guedes. “Mexer no corpo sempre é algo complexo,</p><p>psicologicamente falando, ainda mais em adolescentes. Muitos</p><p>distúrbios só vão aparecer no fim da adolescência, e mexer no</p><p>corpo antes disso pode gerar estruturas traumáticas ainda</p><p>mais complexas.”</p><p>[...]</p><p>BORGES, Helena. Brasil lidera o ranking de cirurgia plástica entre adolescentes.</p><p>Época, 9 maio 2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/brasil-lidera-ranking</p><p>-de-cirurgia-plastica-entre-adolescentes-23651891. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>2</p><p>LALITO/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>Nos últimos anos, houve</p><p>um aumento no número de</p><p>cirurgias plásticas realizadas</p><p>em adolescentes no Brasil.</p><p>84</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 84D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 84 22/02/20 17:2122/02/20 17:21</p><p>https://epoca.globo.com/brasil-lidera-ranking-de-cirurgia-plastica-entre-adolescentes-23651891</p><p>Distúrbios alimentares e de imagem</p><p>As intervenções cirúrgicas e estéticas mostram um dos lados obscuros da pressão para alcançar padrões</p><p>de beleza irreais que são disseminados pela mídia. O que parece apenas uma busca de solução rápida e</p><p>“fácil” para questões com o corpo pode, na verdade, estar associado a questões relacionadas à saúde física</p><p>e mental e a distúrbios alimentares e de imagem.</p><p>Os distúrbios alimentares se caracterizam por uma relação com a comida baseada em extremos:</p><p>drástica redução do consumo ou compulsão na ingestão. Esses distúrbios geralmente estão também</p><p>associados a um distúrbio de imagem, que faz com que a pessoa não enxergue seu corpo como ele é,</p><p>mas sempre maior ou menor do que a realidade.</p><p>Leia o trecho a seguir sobre esse assunto.</p><p>O preço da magreza</p><p>[...]</p><p>Basta abrir uma revista ou ligar a televisão para compreender a pressão sob a qual as mulheres</p><p>vivem. Nos anúncios, mulheres lindas vestem roupas maravilhosas que não serviriam na maioria das</p><p>brasileiras. Nas novelas e programas de TV, as mulheres fortes, bem-sucedidas e realizadas têm algo</p><p>em comum: são magras.</p><p>As meninas crescem vendo as mães dando a vida para se encaixar em um padrão de beleza</p><p>totalmente distante da realidade, travando uma luta inglória que quase sempre resulta em frustração.</p><p>Quando estão acima do peso, elas sofrem preconceito na escola e se esforçam para conseguir ser</p><p>aceitas. Aprendem, desde muito novas, que o mais importante é ter um corpo dentro dos padrões de</p><p>beleza estabelecidos pela sociedade. Mais do que tudo, aprendem a menosprezar as diferenças.</p><p>Mas, como sabemos, não é nada fácil tentar adequar-se a um padrão de beleza que não é o seu. E</p><p>muitas mulheres pagam com a própria saúde para chegar ao corpo supostamente perfeito.</p><p>No entanto, se por um lado a sociedade lucra com o ideal da magreza, por outro tem de lidar com</p><p>o número cada vez maior de mulheres com distúrbios alimentares e outros problemas psiquiátricos</p><p>associados à busca por um ideal de beleza fantasioso e irreal.</p><p>Nossas meninas estão crescendo insatisfeitas e se transformando em mulheres infelizes porque atribuem</p><p>a felicidade a um padrão inatingível para a maioria. Essa busca malsucedida afeta</p><p>a autoestima e gera insegurança em várias áreas. Sem se darem conta,</p><p>elas renunciam à própria liberdade.</p><p>Enquanto não aceitarmos e respeitarmos as diferenças</p><p>físicas e de comportamento viveremos frustradas,</p><p>esperando a felicidade que nunca vem.</p><p>VARELLA, Mariana. O preço da magreza. Drauzio Varella, [20--].</p><p>Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/para-as-mulheres/</p><p>o-preco-da-magreza/. Acesso em: 11 jan. 2020.</p><p>o número cada vez maior de mulheres com distúrbios alimentares e outros problemas psiquiátricos</p><p>Nossas meninas estão crescendo insatisfeitas e se transformando em mulheres infelizes porque atribuem</p><p>a felicidade a um padrão inatingível para a maioria. Essa busca malsucedida afeta</p><p>a autoestima e gera insegurança em várias áreas. Sem se darem conta,</p><p>Enquanto não aceitarmos e respeitarmos as diferenças</p><p>físicas e de comportamento viveremos frustradas,</p><p>Drauzio Varella, [20--].</p><p>Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/para-as-mulheres/</p><p>o-preco-da-magreza/. Acesso em: 11 jan. 2020.</p><p>A obsessão com o peso e a imagem</p><p>do corpo no espelho pode começar na</p><p>infância, de acordo com as influências a</p><p>que somos expostos nesse período.</p><p>projeto 3 • o corpo na mídiaprojeto 3 • o corpo na mídia</p><p>AFRICA STUDIO/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>8585</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 85D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 85 22/02/20 17:2222/02/20 17:22</p><p>https://drauziovarella.uol.com.br/para-as-mulheres/o-preco-da-magreza/</p><p>1. Leia novamente o texto “Brasil lidera o ranking de cirurgia plástica entre adolescentes” e res-</p><p>ponda às questões a seguir.</p><p>a) O texto afi rma que o Brasil tem o maior índice de cirurgias plásticas em adolescentes do</p><p>mundo. Em sua opinião, por que tantos jovens recorrem a intervenções cirúrgicas?</p><p>b) Releia o lide da reportagem. Você acredita que, ao recorrer a cirur-</p><p>gias plásticas, esses jovens conseguirão aumentar a autoestima?</p><p>Justifi que sua resposta.</p><p>2. Considere as refl exões feitas nesta etapa e na anterior e responda às</p><p>questões a seguir.</p><p>a) Você acha que a infl uência da mídia na infância (como brinquedos e programas infantis) e na</p><p>adolescência (músicas, propagandas, séries e fi lmes) pode explicar, em parte, as estatísticas</p><p>de cirurgia plástica? Justifi que sua resposta.</p><p>b) Releia o trecho a seguir.</p><p>As meninas crescem vendo as mães dando a vida para se encaixar em um</p><p>padrão de beleza totalmente distante da realidade, travando uma luta inglória</p><p>que quase sempre resulta em frustração.</p><p>� De que maneira os problemas de imagem dos pais podem afetar as opiniões das crianças</p><p>e dos jovens sobre o próprio corpo?</p><p>3. A distorção da autoimagem pode levar o indivíduo a desenvolver sérias doenças e distúrbios</p><p>psicológicos, como a anorexia, a bulimia e a ortorexia. Em grupos, realizem uma pesquisa para</p><p>saber mais sobre esses três transtornos. Sigam este roteiro.</p><p>Atividades</p><p>Comecem a pesquisa procurando saber mais sobre o conceito de transtorno dismórfi co</p><p>corporal. Procurem artigos e textos em fontes confi áveis para entender do que se trata e</p><p>quais são suas consequências para o corpo e para a saúde mental do ser humano.</p><p>1. Preparação</p><p>Após aprenderem sobre transtorno dismórfi co corporal, procurem informações sobre</p><p>anorexia, bulimia e ortorexia, buscando entender a diferença entre esses transtornos e</p><p>como eles podem ser identifi cados.</p><p>2. Pesquisa</p><p>Reúnam as informações coletadas pelos grupos e realizem uma discussão sobre o assunto.</p><p>Aproveitem o momento para verifi car quais dados foram coletados por cada grupo e para</p><p>conversar sobre suas percepções a respeito dos danos causados à saúde pela distorção</p><p>na autoimagem.</p><p>3. Troca de ideias</p><p>lide: primeiro pará-</p><p>grafo de uma notícia</p><p>ou reportagem, cujo</p><p>objetivo é sintetizar a</p><p>principal ideia do texto.</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas e</p><p>sugestões para estas atividades.</p><p>86</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 86D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 86 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>4. Alguns programas e sites de fofoca têm como principal produto notícias que destacam as</p><p>mudanças nos corpos dos famosos, seja pela valorização</p><p>da perda de peso ou do aumento de</p><p>músculos da pessoa, seja pelo julgamento quando ela engorda.</p><p>a) Você acha que a comparação com os corpos de ídolos e pessoas famosas pode incentivar a</p><p>tentativa de reprodução de padrões estéticos irreais? Justifique sua resposta.</p><p>b) Como esse julgamento ou essa valorização de mudanças nos corpos dessas personalidades</p><p>são vistos pelo público que consome esses conteúdos?</p><p>c) Muitas vezes, principalmente nas redes sociais, os próprios influenciadores ou famosos tecem</p><p>comentários sobre precisar se exercitar mais ou comer menos, dizendo estarem “gordos”,</p><p>mesmo quando são percebidos pela sociedade como dentro dos padrões estéticos ideais.</p><p>Como a opinião dos influenciadores digitais pode impactar a autoimagem das pessoas</p><p>comuns? Explique sua resposta.</p><p>5. Na etapa anterior, vocês realizaram uma pesquisa sobre os impactos dos padrões de beleza nas</p><p>meninas da turma. Agora, o foco será nos garotos e em suas percepções sobre o próprio corpo.</p><p>Reúnam-se em grupos e considerem as orientações a seguir.</p><p>a) Apresentem as perguntas feitas para as garotas, agora adaptadas ao público masculino.</p><p>No canal de comunicação escolhido pela turma, compartilhem as infor-</p><p>mações sobre distúrbios alimentares e os resultados da atividade 5.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>• O mínimo para viver</p><p>O filme conta a história de uma jovem com anorexia e sua luta</p><p>contra essa doença com a ajuda de um médico que a incentiva</p><p>a explorar suas dificuldades pessoais e buscar uma nova vida.</p><p>O MÍNIMO para viver. Direção de Marti Noxon. EUA: Netflix,</p><p>2017. (107 min).</p><p>"O</p><p>M</p><p>ÍN</p><p>IM</p><p>O</p><p>PA</p><p>RA</p><p>V</p><p>IV</p><p>ER</p><p>",</p><p>M</p><p>AR</p><p>TI</p><p>N</p><p>OX</p><p>ON</p><p>, N</p><p>ET</p><p>FL</p><p>IX</p><p>. E</p><p>UA</p><p>, 2</p><p>01</p><p>7</p><p>� Você acredita que a mídia e a publicidade definem um padrão impossível aos homens?</p><p>� Você gostaria que fossem retratados diferentes tipos físicos, faixas etárias e etnias</p><p>nas campanhas publicitárias?</p><p>� Você acha que é fundamental cumprir com certas normas de beleza na sociedade atual?</p><p>� Você se sente pressionado a ter um corpo perfeito?</p><p>b) Colham as respostas dos entrevistados e, em seguida, organizem os resultados em gráficos.</p><p>c) Comparem os gráficos elaborados na Etapa 1 com os elaborados nesta atividade e, coleti-</p><p>vamente, organizem um texto resumindo as percepções da comparação entre os dados.</p><p>87</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 87D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 87 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>Etapa Padrões de beleza:</p><p>novos ou velhos</p><p>tempos?</p><p>Apesar das discussões atuais, em toda a história da humanidade houve, de uma forma ou de outra,</p><p>padrões estéticos que eram considerados ideais ou mais atraentes. Observe a linha do tempo a seguir e</p><p>note as mudanças sofridas ao longo do tempo na visão do que é um corpo socialmente adequado.</p><p>3</p><p>Na Pré-História, o corpo feminino</p><p>com formas volumosas era valori-</p><p>zado e considerado mais atraente.</p><p>A escultura Vênus de Willendorf é</p><p>um dos achados arqueológicos mais</p><p>antigos (datado em cerca de 30 mil</p><p>anos antes de Cristo) representativos</p><p>do corpo feminino, por isso serve</p><p>como símbolo do ideal de beleza</p><p>desse período.</p><p>Foi na Grécia Antiga que o culto ao corpo</p><p>passou a fazer parte da norma social.</p><p>Nessa época, houve a criação dos primei-</p><p>ros complexos esportivos (os gymnasiums)</p><p>focados no corpo e na formação intelectual.</p><p>Acreditava-se na importância da harmo-</p><p>nia e das medidas proporcionais do corpo</p><p>tanto para homens quanto para mulheres.</p><p>Nessa época, o pensamento domi-</p><p>nante estava voltado ao divino e</p><p>aos ensinamentos da Igreja Católica.</p><p>Por isso, os corpos, principalmente</p><p>os das mulheres, passaram a ser</p><p>cobertos, de modo a não marcar</p><p>suas formas, por vestes longas, com</p><p>mangas compridas e muitas vezes</p><p>até mesmo com adereços na cabeça,</p><p>deixando apenas a face à mostra.</p><p>Vênus de Willendorf. Escultura</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>Museu de História Natural,</p><p>Viena, Áustria.</p><p>A virgem entre as virgens, de Gerard David, 1509. Óleo sobre painel,</p><p>118 cm × 212 cm. Museu de Belas Artes, Rouen, França.</p><p>Cópia da escultura Discóbolo,</p><p>do escultor grego Míron.</p><p>Mármore, 1,69 m × 1,05 m.</p><p>Museu Britânico, Londres, Reino Unido.</p><p>Pré-História Grécia Antiga</p><p>Idade Média</p><p>88</p><p>ER</p><p>IC</p><p>H</p><p>LE</p><p>SS</p><p>IN</p><p>G/</p><p>AL</p><p>BU</p><p>M</p><p>/ A</p><p>LB</p><p>UM</p><p>/F</p><p>OT</p><p>OA</p><p>RE</p><p>NA</p><p>; M</p><p>US</p><p>EU</p><p>B</p><p>RI</p><p>TÂ</p><p>NI</p><p>CO</p><p>, L</p><p>ON</p><p>DR</p><p>ES</p><p>; M</p><p>US</p><p>EU</p><p>D</p><p>E</p><p>BE</p><p>LA</p><p>S</p><p>AR</p><p>TE</p><p>S,</p><p>RO</p><p>UE</p><p>N;</p><p>G</p><p>AL</p><p>ER</p><p>IA</p><p>U</p><p>FF</p><p>IZ</p><p>I,</p><p>FI</p><p>RE</p><p>NZ</p><p>E;</p><p>M</p><p>US</p><p>EU</p><p>D</p><p>O</p><p>PA</p><p>LÁ</p><p>CI</p><p>O</p><p>DE</p><p>V</p><p>ER</p><p>SA</p><p>IL</p><p>LE</p><p>S</p><p>- P</p><p>HO</p><p>TO</p><p>: J</p><p>OS</p><p>SE</p><p>/L</p><p>EE</p><p>M</p><p>AG</p><p>E/</p><p>CO</p><p>RB</p><p>IS</p><p>/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>; S</p><p>EE</p><p>BE</p><p>RG</p><p>ER</p><p>F</p><p>RE</p><p>RE</p><p>S/</p><p>GE</p><p>NE</p><p>RA</p><p>L</p><p>PH</p><p>OT</p><p>OG</p><p>RA</p><p>PH</p><p>IC</p><p>A</p><p>GE</p><p>NC</p><p>Y/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>, S</p><p>UN</p><p>SE</p><p>T</p><p>BO</p><p>UL</p><p>EV</p><p>AR</p><p>D/</p><p>CO</p><p>RB</p><p>IS</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>, E</p><p>DI</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>DE</p><p>A</p><p>RT</p><p>E</p><p>Foi na Grécia Antiga que o culto ao corpo</p><p>passou a fazer parte da norma social.</p><p>Nessa época, houve a criação dos primei-</p><p>ros complexos esportivos (os</p><p>focados no corpo e na formação intelectual.</p><p>Acreditava-se na importância da harmo-</p><p>nia e das medidas proporcionais do corpo</p><p>tanto para homens quanto para mulheres.</p><p>Cópia da escultura</p><p>do escultor grego Míron.</p><p>Mármore, 1,69 m</p><p>Museu Britânico, Londres, Reino Unido.</p><p>Na Pré-História, o corpo feminino</p><p>com formas volumosas era valori-</p><p>zado e considerado mais atraente.</p><p>A escultura</p><p>um dos achados arqueológicos mais</p><p>antigos (datado em cerca de 30 mil</p><p>anos antes de Cristo) representativos</p><p>do corpo feminino, por isso serve</p><p>como símbolo do ideal de beleza</p><p>desse período.</p><p>Vênus de Willendorf</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>Museu de História Natural,</p><p>Pré-História</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 88D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 88 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>No Renascimento, há o retorno da valorização do</p><p>corpo feminino, especialmente nas artes. A obra</p><p>O nascimento de Vênus, de Botticelli, é uma refe-</p><p>rência a esse ideal de beleza que destacava as</p><p>formas e as curvas dos corpos das mulheres.</p><p>No século XVII, houve a apreciação de corpos</p><p>femininos delicados e com a cintura fina, que só era</p><p>possível com o uso dos espartilhos, coletes usados</p><p>pelas mulheres para modelar o corpo. Além disso,</p><p>valorizava-se a pele branca, o que levava muitas</p><p>mulheres a realizar procedimentos para perder</p><p>sangue e atingir uma cor mais pálida.</p><p>Com o aumento da participação das mulheres no</p><p>mercado de trabalho, as formas femininas pas-</p><p>saram a ser disfarçadas por roupas de corte reto</p><p>e vestidos com comprimento abaixo dos joelhos,</p><p>em visuais mais andróginos. Caso a mulher não</p><p>tivesse a silhueta naturalmente reta, muitas vezes</p><p>utilizava faixas enroladas no corpo para criar essa</p><p>ilusão e se encaixar nos padrões da época.</p><p>Com o sucesso do cinema hollywoodiano, corpos</p><p>com mais curvas voltaram a ser o centro das</p><p>atenções, especialmente pelas imagens de</p><p>atrizes como Marilyn Monroe e Rita Hayworth,</p><p>que possuíam quadris</p><p>largos e coxas grossas.</p><p>Para os homens, sob a</p><p>influência de persona-</p><p>gens de filmes, o padrão</p><p>considerava mais o</p><p>comportamento (calado,</p><p>sensível, rebelde) do que</p><p>a beleza física, ainda que</p><p>cabelos penteados para</p><p>trás fossem essenciais.</p><p>Marilyn Monroe</p><p>(1926-1962), atriz</p><p>estadunidense.</p><p>Foto de 1952.</p><p>Mulheres vestindo</p><p>as roupas da moda</p><p>dos anos de 1920.</p><p>Foto de c. 1925.</p><p>Diana de Poitiers, senhora de Breze e</p><p>Duquesa de Valentinois, de François</p><p>Clouet, c. 1550. Óleo sobre painel de</p><p>madeira, 64 cm × 56 cm. Museu Nacional</p><p>da Renascença, Ecouen, França.</p><p>O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, c. 1485. Têmpera sobre</p><p>tela, 172,5 cm × 78,5 cm. Galeria Uffizi, Florença, Itália.</p><p>Século XVII</p><p>Renascimento Anos 1940 e 1950</p><p>Anos 1920</p><p>89projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>andrógino: algo ou alguém</p><p>que mistura características</p><p>tradicionalmente lidas como</p><p>femininas a características</p><p>masculinas.</p><p>Esta linha do tempo não está representada em proporção.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 89D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 89 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>Ao longo da história, as variações</p><p>nos padrões de beleza mostram como o contexto de cada época</p><p>influencia as visões do que é considerado ideal ou desejável. Do mesmo modo, cada período tem suas</p><p>formas de diminuir ou menosprezar minorias ou aqueles que não seguem os padrões estabelecidos.</p><p>Veja a seguir um exemplo de anúncio publicitário que circulava na mídia no século passado.</p><p>Observe a figura da mulher e o texto verbal desta propaganda.</p><p>Anúncio dos anos 1940 de comprimidos para ganhar peso.</p><p>Nesse anúncio, a representação visual da mulher feliz e “cheia de vida” busca apresentar ao</p><p>público o ideal de beleza da época: pernas grossas, curvas e corpo volumoso. O texto verbal dessa</p><p>propaganda ressalta ainda quão vergonhosa devia ser a vida da pessoa magra naquele período, que</p><p>deixava de viver tranquilamente em sociedade para esconder sua magreza.</p><p>Mas será que essa vergonha era de fato sentida pelas mulheres magras da época ou, na verdade,</p><p>foram anúncios como esse e outras influências da mídia que lhes ensinaram que o único corpo acei-</p><p>tável era o que estava representado na imagem da propaganda?</p><p>CO</p><p>M</p><p>PA</p><p>NH</p><p>IA</p><p>IN</p><p>DU</p><p>ST</p><p>RI</p><p>AL</p><p>F</p><p>AR</p><p>M</p><p>AC</p><p>ÊU</p><p>TI</p><p>CA</p><p>90</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 90D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 90 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>1. Você deve ter percebido, pelas informações da linha do tempo, que o padrão estético</p><p>de determinados períodos muitas vezes retoma os ideais de beleza de épocas anteriores.</p><p>Releia as informações de cada período retratado na linha do tempo desta etapa. Você con-</p><p>sidera que algum dos aspectos valorizados nas épocas descritas está novamente em foco?</p><p>Justifi que sua resposta.</p><p>2. Nos anos 1940 e 1950, os astros do cinema e da música tiveram um importante papel em moldar</p><p>os padrões de beleza da época.</p><p>a) Você acha que isso se repete ainda hoje? Que celebridades você identifi ca como principais</p><p>infl uências no padrão estético do momento? Por quê?</p><p>b) Hoje, assim como naquela época, os padrões de beleza determinados pela mídia afetam até</p><p>mesmo as celebridades, que são cobradas a todo tempo para se manter dentro de determi-</p><p>nado peso ou, ainda, se adaptar a novos padrões. Converse com seus colegas sobre como</p><p>isso comprova a impossibilidade de alcançar o corpo “ideal”.</p><p>3. Veja, ao lado, o desenho Homem</p><p>vitruviano, feito por Leonardo</p><p>da Vinci por volta de 1490, para</p><p>representar o ideal de beleza</p><p>baseado no equilíbrio entre as</p><p>partes do corpo e na harmonia</p><p>das formas e das proporções.</p><p>a) Observe os traços e as formas</p><p>do corpo humano representa-</p><p>dos no desenho. Em seguida,</p><p>sente-se com um colega e</p><p>conversem sobre os elementos</p><p>que, na opinião de vocês, mais</p><p>se destacam.</p><p>b) Pesquise informações sobre a</p><p>vida e a obra de Leonardo da</p><p>Vinci e selecione aquelas que</p><p>revelam os ideais por trás da</p><p>criação desse desenho.</p><p>c) Você considera que esse</p><p>modelo de corpo humano</p><p>elaborado por Da Vinci</p><p>representa a maior parte das</p><p>pessoas que você conhece?</p><p>Justifi que sua resposta.</p><p>d) O modelo de ser humano repre-</p><p>sentado nesse desenho é o</p><p>mesmo cultuado pelos padrões</p><p>estéticos atuais? Quais são as</p><p>semelhanças e as diferenças?</p><p>Atividades</p><p>Homem vitruviano, desenho</p><p>de Leonardo da Vinci. Galeria</p><p>de Uffizi. Florença, Itália. FR</p><p>AN</p><p>CO</p><p>O</p><p>RI</p><p>GL</p><p>IA</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>91</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 91D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 91 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>4. Compare a imagem criada por Da Vinci ao ideal de corpo impossível criticado por Calligaris em</p><p>sua crônica, lida na Etapa 1.</p><p>a) Que conceito aproxima o ideal de corpo humano de Da Vinci ao corpo impossível do texto</p><p>de Calligaris?</p><p>b) Qual é a principal diferença entre o ideal presente no desenho e o presente na crônica?</p><p>5. Observando as informações da linha do tempo, você pôde perceber que, apesar de os padrões</p><p>estéticos mudarem ao longo das épocas, sempre são inalcançáveis para uma grande parcela da</p><p>população. Você acha que essa pressão pelo impossível vai um dia mudar? Justifique sua resposta.</p><p>6. Leia novamente o anúncio mostrado nesta etapa.</p><p>a) Considere a imagem da mulher representada nessa propaganda. De que maneira esse</p><p>tipo de anúncio pode ter afetado a mentalidade das mulheres dessa época em relação</p><p>a suas necessidades?</p><p>b) A mesma empresa que elaborou esse anúncio também fez um direcionado ao público mas-</p><p>culino. Nele, destaca-se o sofrimento da pessoa magra ao observar homens “másculos e</p><p>saudáveis”, sugerindo que a diferença entre seus corpos poderia causar despeito e inveja.</p><p>Compare a abordagem feita para homens e mulheres em relação ao mesmo produto.</p><p>7. Faça uma pesquisa em revistas antigas ou em sites confiáveis da internet sobre como era o</p><p>padrão de beleza para homens e mulheres nos anos 1980, 1990 e 2000. Em seguida, responda</p><p>às questões a seguir.</p><p>a) Quais eram as diferenças dos padrões de beleza dessas épocas em relação aos de hoje em dia?</p><p>b) Considerando sua imagem hoje, você se encaixaria nos padrões dessas épocas? E seus</p><p>colegas de turma?</p><p>c) Seus pais ou responsáveis provavelmente já eram jovens ou adultos nessas décadas.</p><p>Converse com eles sobre as pressões estéticas desse período e, se possível, peça que</p><p>mostrem fotos deles nessas épocas. Após a análise das imagens, responda: Eles se encai-</p><p>xavam nos padrões? Explique.</p><p>Utilizem o canal de compartilhamento escolhido pela turma para divul-</p><p>gar as informações coletadas sobre o Homem vitruviano, de Da Vinci,</p><p>assim como os padrões estéticos dos anos 1980, 1990 e 2000. Se acharem pertinente,</p><p>elaborem uma nova linha do tempo com essas informações e esses dados.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>• Extraordinário</p><p>O livro conta a história de Auggie, menino que nasceu com uma</p><p>síndrome genética que causa uma severa deformidade facial. Aos</p><p>10 anos, em sua primeira experiência frequentando uma escola, é o</p><p>momento de mostrar a seus colegas que por trás de sua aparência</p><p>há um garoto como todos os outros.</p><p>PALACIO, R. J. Extraordinário. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>IN</p><p>TR</p><p>ÍN</p><p>SE</p><p>CA</p><p>92</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 92D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 92 22/02/20 17:2322/02/20 17:23</p><p>Etapa</p><p>Padrões e a mídia4</p><p>Se considerar pertinente, explique aos estudantes que a Secretaria de</p><p>Políticas para Mulheres (SPM) é agora chamada de Secretaria Nacional</p><p>de Políticas para as Mulheres (SNPM).</p><p>Como você já viu, a mídia tem um papel importante na definição e na disseminação</p><p>dos padrões estéticos de determinada época e em cada sociedade. Seja em anúncios,</p><p>programas de televisão ou filmes, seja pela popularidade de celebridades que reprodu-</p><p>zem esses padrões, os meios de comunicação agem na promoção dos ideais de perfeição</p><p>de maneira muitas vezes imperceptível ao público.</p><p>Leia o texto a seguir, que enfatiza a relação da mídia com os padrões impostos sobre</p><p>as mulheres.</p><p>Corpo feminino, beleza e diversidade na mídia</p><p>À medida em que as mulheres passaram a obter vitórias políticas, conseguindo a</p><p>igualdade jurídica, a discriminação foi deslocada para outros campos. E um tema que</p><p>merece atenção é o da aparência feminina, pois envolve uma mudança no enfoque do</p><p>corpo da mulher na mídia.</p><p>Mulheres ainda são avaliadas primeiro – e principalmente – por sua aparência, e</p><p>não por suas atitudes e qualidades. Resquício de uma época na qual mulher não podia</p><p>estudar nem trabalhar, a aparência feminina era fundamental para enfeitar o ambiente</p><p>e se destacar. Porém, os tempos mudaram e hoje não faz o menor sentido adotar a</p><p>aparência física como critério principal para a avaliação da vida de uma mulher e de</p><p>sua atuação profissional.</p><p>Um homem não vai ser considerado menos profissional se for careca, idoso ou andar</p><p>como um pato. Caso não use as roupas da moda, será visto como excêntrico, não</p><p>como indigno de confiança profissional. Uma mulher será</p><p>criticada em toda a sua aparência (peso, roupas, esmalte,</p><p>batom, rímel, sombra, cor e corte de cabelo, espessura</p><p>e formato da sobrancelha, sapatos, bolsa, brincos,</p><p>colares e pulseiras) antes de ser avaliada pelo que</p><p>tem a dizer. Seu peso e sua aparência são tratados</p><p>como assuntos públicos, como se ela estivesse o</p><p>tempo todo precisando primeiro ser aprovada como</p><p>enfeite, e só depois, segundo o ideal de beleza vigente,</p><p>pudesse ser avaliada e aprovada como profissional.</p><p>[...]</p><p>O Estado brasileiro vem agindo por meio</p><p>da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM),</p><p>desenvolvendo atuação específica para questionar e</p><p>combater os estereótipos sobre mulheres divulgados</p><p>em anúncios publicitários e programação televisiva. [...]</p><p>projeto 3 • O CORPO NA MÍDIA</p><p>UNITONE VECTOR/</p><p>SHUTTERSTOCK.COM</p><p>93</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 93D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 93 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>O Ministério Público de São Paulo tem interferido na indústria da moda com bons</p><p>resultados. Ao exigir modelos negras nas passarelas e proibir algumas participações</p><p>(modelos abaixo de 16 anos ou magras demais), abriu espaço para maior diversidade</p><p>de mulheres nas passarelas.</p><p>É necessário ampliar esse tipo de iniciativa para outras áreas. [...] Falta diversidade</p><p>nas revistas e na televisão: a aparência física da maioria das apresentadoras de</p><p>telejornais, atrizes e modelos está bem distante da média da população e não representa</p><p>a diversidade das regiões e dos corpos das mulheres brasileiras.</p><p>O descaso com que são recebidas as críticas à falta de diversidade na mídia faz crer</p><p>que é necessário forçar a implementação de cotas para estimular a diversidade feminina.</p><p>Também é o caso de efetivamente punir propaganda enganosa ou discriminatória em</p><p>razão de aparência. Em suma, é necessário agir não só por meio de políticas públicas,</p><p>mas judicialmente, para impedir que seja incentivado um ideal de beleza excludente</p><p>que atua para controlar os corpos e restringir a vida das mulheres.</p><p>[...]</p><p>SEMÍRAMIS, Cynthia. Corpo feminino, beleza e diversidade na mídia. Revista Fórum, 25 jun. 2012.</p><p>Disponível em: https://revistaforum.com.br/revista/corpo-feminino-beleza-e-diversidade-na-midia/.</p><p>Acesso em: 13 jan. 2020.</p><p>O texto que você leu foi escrito em 2012, momento anterior ou inicial do auge do</p><p>sucesso das principais redes sociais em uso atualmente. Com a disseminação de canais</p><p>de vídeo e aplicativos de compartilhamento de fotos, novas celebridades surgiram para</p><p>incentivar ou contestar alguns padrões estéticos.</p><p>Muitas vezes, essas pessoas, conhecidas como influenciadores, têm sua fama</p><p>construída exclusivamente por suas fotos mostrando corpos dentro do padrão ou que</p><p>reforçam ideais de beleza inalcançáveis. A influência dessas novas celebridades alcança</p><p>milhares ou milhões de seguidores, e por isso acaba abrindo espaço para uma nova área</p><p>de investimento de marcas e empresas</p><p>que buscam um público que passa a maior</p><p>parte do seu tempo consumindo conteú-</p><p>dos digitalmente e que confia na opinião</p><p>desses influenciadores.</p><p>• Manual do Jovem Consumidor</p><p>Criado pela Fundação Procon São Paulo, esse manual objetiva orientar os jovens sobre</p><p>seus direitos e deveres nas relações de consumo para que possam tomar suas decisões de</p><p>forma madura e eficiente.</p><p>SÃO PAULO (Estado). Fundação Procon São Paulo. Coordenadoria Estadual da Juventude.</p><p>Manual do jovem consumidor. São Paulo, 2009. Disponível em: http://criancae</p><p>consumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Manual-do-Jovem-Consumidor.pdf. Acesso</p><p>em: 13 jan. 2020.</p><p>GR</p><p>IN</p><p>BO</p><p>X/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>94</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 94D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 94 22/02/20 17:2322/02/20 17:23</p><p>https://criancaeconsumo.org.br/wp-content/uploads/2014/02/Manual-do-Jovem-Consumidor.pdf</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>1. Pense sobre o modo como o jovem é geralmente representado nas propagandas.</p><p>a) Você se considera representado por essa imagem do jovem na mídia?</p><p>b) Como você gostaria que os jovens fossem representados nos meios de comunicação?</p><p>c) Em sua opinião, existe hoje alguma marca que represente o jovem conforme a realidade?</p><p>Qual? Justifi que sua resposta.</p><p>2. Em grupos, conversem sobre a seguinte questão: As propagandas infl uenciam o gosto dos</p><p>jovens ou são os gostos dos jovens que infl uenciam as propagandas?</p><p>3. Uma das estratégias de marketing das empresas utilizada atualmente é considerar o jovem não</p><p>só como consumidor, mas também como um propagandista da marca. Pesquise exemplos de</p><p>propagandas que tenham utilizado essa estratégia e explique como isso ocorre.</p><p>4. Você acredita que as redes sociais e os infl uenciadores que você e seus colegas acompanham</p><p>passam mensagens que reforçam ou que contestam os padrões de beleza estabelecidos pela</p><p>sociedade atualmente? Você considera isso um ponto positivo ou negativo?</p><p>5. Agora, pense nos infl uenciadores que se dedicam a falar sobre nutrição e exercícios físicos</p><p>na internet.</p><p>a) Você acompanha alguma personalidade que tem esse objetivo? Se sim, que tipo de conteúdo</p><p>você busca encontrar nesses perfi s?</p><p>b) Alguns desses infl uenciadores, apesar de compartilharem informações sobre saúde, não</p><p>possuem nenhuma formação nas áreas pelas quais são conhecidos nas redes sociais. Você</p><p>acha que isso é um problema? Justifi que sua resposta.</p><p>6. Observe a foto a seguir, que mostra a artista visual Evelyn Queiróz, conhecida como</p><p>Negahamburguer, e um de seus grafi tes. Seus trabalhos, seja na ilustração, nos lambe-lambes</p><p>ou em quaisquer outros formatos explorados pela desenhista, têm como objetivo propor um</p><p>debate sobre temas como a aceitação do corpo e o preconceito.</p><p>Atividades</p><p>A ilustradora Evelyn</p><p>Queiróz, conhecida como</p><p>Negahamburguer, ao lado</p><p>de um de seus grafites.</p><p>Foto de 2016.NE</p><p>GA</p><p>HA</p><p>M</p><p>BU</p><p>RG</p><p>UE</p><p>R/</p><p>EV</p><p>E</p><p>QU</p><p>EI</p><p>RÓ</p><p>Z</p><p>� Em sua opinião, corpos como os desenhados por Evelyn estão bem representados na mídia</p><p>atualmente? Explique.</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas</p><p>atividades.</p><p>95</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 95D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 95 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>7. Leia a seguir a letra da canção “Beautiful”, popularizada na voz de Christina Aguilera.</p><p>a) Junte-se a um colega e conversem sobre o que se discute na canção. Depois, registrem a conclusão a que che-</p><p>garam e compartilhem-na com a turma.</p><p>b) Releia estes versos e observe a variação no uso do pronome ocorrida em cada um.</p><p>I am beautiful / No matter what they say</p><p>You are beautiful / No matter what they say</p><p>‘Cause we are beautiful / No matter what they say</p><p>� O que essa variação sugere no contexto da letra da canção?</p><p>c) No trecho “Words can’t bring me down”, a letra sugere que o eu lírico lida com comentários que buscam</p><p>deixá-lo triste e desmotivado. De onde podem vir esses comentários?</p><p>d) Considerando que Christina Aguilera, a cantora que popularizou a canção, é um ícone da cultura pop e,</p><p>portanto, adorada e admirada por multidões, discuta com os colegas sobre a importância da mensagem</p><p>que essa canção transmite ao público.</p><p>8. Em grupos, conversem sobre esta questão: De que maneira as personalidades da mídia podem contribuir para</p><p>a quebra dos padrões estéticos estabelecidos como os únicos aceitáveis? Após a discussão, apresentem suas</p><p>hipóteses para os demais colegas e ouçam as sugestões deles.</p><p>Everyday is so wonderful</p><p>Then suddenly</p><p>It's hard to breathe</p><p>Now and then I get insecure</p><p>From all the pain</p><p>I'm so ashamed</p><p>I am beautiful</p><p>No matter what they say</p><p>Words can't bring me down</p><p>I am beautiful</p><p>In every single way</p><p>Yes words can't bring me down</p><p>Oh no</p><p>So don't you bring me down today</p><p>To all your friends you're delirious</p><p>So consumed</p><p>In all your doom, ooh</p><p>Trying hard to fi ll the emptiness</p><p>The pieces gone</p><p>Left the puzzle undone</p><p>Ain't that the way it is</p><p>You are beautiful</p><p>No matter what they say</p><p>Words can't bring you down</p><p>Oh no</p><p>You are beautiful</p><p>In every single way</p><p>Yes words can't bring you down</p><p>Oh no</p><p>So don't you bring me down</p><p>today</p><p>[...]</p><p>'Cause we are beautiful</p><p>No matter what they say</p><p>Yes words won't bring us down</p><p>Oh no</p><p>We are beautiful</p><p>In every single way</p><p>Yes words can't bring us down</p><p>Oh no</p><p>So don't you bring me down today</p><p>[...]</p><p>No canal de compartilhamento escolhido pela turma, divulguem as conclu-</p><p>sões a que chegaram na discussão proposta na atividade 8.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>doom: death, destruction,</p><p>or a bad situation that</p><p>cannot be avoided.</p><p>ain’t: am not, are not, is</p><p>not, have not, has not</p><p>(informal)</p><p>‘cause: because (informal)</p><p>A cantora estadunidense</p><p>Christina Aguilera. Foto de 2014.</p><p>ST</p><p>EV</p><p>E</p><p>JE</p><p>NN</p><p>IN</p><p>GS</p><p>/</p><p>BR</p><p>EA</p><p>KT</p><p>HR</p><p>OU</p><p>GH</p><p>P</p><p>RI</p><p>ZE</p><p>/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>Beautiful</p><p>BEAUTIFUL. Intérprete: Christina Aguilera.</p><p>In: STRIPPED. Nova York: RCA Records, 2002. Faixa 11.</p><p>96</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 96D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 96 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>Etapa</p><p>A mídia me</p><p>representa?</p><p>Se os padrões estéticos são estabelecidos e reforçados pela mídia, uma maneira de combatê-los</p><p>é por meio da representatividade de rostos, corpos e culturas diferentes em anúncios, programas de</p><p>televisão, filmes e em todas as mídias com as quais estamos em contato diariamente.</p><p>Mas, afinal, você sabe o que é representatividade? Esse termo está associado à representação</p><p>dos interesses de determinado grupo ou classe social ou de um povo e tem sido bastante usado para</p><p>falar sobre a participação e a inserção de minorias ou grupos marginalizados na mídia.</p><p>Representatividade não significa, no entanto, apenas incluir figuras a partir de clichês ou sem</p><p>participação relevante. É importante que a representação dos mais diversos grupos seja feita de</p><p>forma a apresentar seus elementos constitutivos, sua cultura e suas particularidades com respeito</p><p>e fugindo de estereótipos.</p><p>Leia o texto a seguir e conheça um exercício de contestação da falta de representatividade da</p><p>população negra em anúncios publicitários.</p><p>Modelo liberiana questiona padrões da indústria</p><p>da moda recriando poses de colegas brancas</p><p>A modelo Deddeh Howard encontrou uma forma poderosa</p><p>de dar destaque à falta de diversidade racial na indústria em</p><p>que trabalha.</p><p>Em colaboração com o fotógrafo Raffael Dickreuter, ela</p><p>recriou fotografias de campanhas publicitárias recentes em</p><p>que assume o lugar de modelos brancas famosas, como Kendall</p><p>Jenner, Gigi Hadid e a brasileira Gisele Bündchen.</p><p>[...]</p><p>"Espero mostrar ao mundo que está na hora de todos nós</p><p>termos visibilidade", afirma Deddeh, para quem a iniciativa</p><p>pode fazer com que "todas as pessoas acreditem em seu próprio</p><p>potencial".</p><p>Deddeh nasceu na Libéria, na África. Em seu site, ela conta ter</p><p>se perguntado enquanto crescia em sua terra natal por que grandes</p><p>marcas [...] raramente usam modelos negras em suas campanhas.</p><p>Segundo ela, apenas uma pequena parcela das modelos negras</p><p>consegue furar essa barreira. "Há a Tyra Banks, a Naomi Campbell</p><p>e talvez a Iman, mas elas são a exceção à regra", afirmou.</p><p>"As meninas negras são quase invisíveis para a indústria da</p><p>moda. Há umas aqui e ali, mas nunca pareceu ser algo relevante."</p><p>5</p><p>Objetivo do projeto é inspirar a próxima geração</p><p>a batalhar por seus sonhos. Foto de 2016.</p><p>RA</p><p>FF</p><p>AE</p><p>L</p><p>DI</p><p>CK</p><p>RE</p><p>UT</p><p>ER</p><p>97</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 97D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 97 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>Inspirando a próxima geração</p><p>Deddeh argumenta que o mundo moderno não é refletido pelas campanhas</p><p>publicitárias e diz que a culpa é das grandes empresas de moda.</p><p>"Vivemos em um mundo globalizado, com muitos casais inter-raciais gerando bebês</p><p>miscigenados", diz.</p><p>"Por que as grandes marcas não abraçam mais nossa diversidade e conferem</p><p>visibilidade a todos nós?"</p><p>[...]</p><p>Segundo Deddeh, a presença de negros em comerciais e outdoors importa quase</p><p>tanto quanto ter um presidente como Barack Obama.</p><p>"Só conseguiremos inspirar a próxima geração a batalhar por seus sonhos se eles</p><p>acreditarem que também conseguirão concretizá-los", diz.</p><p>A modelo conta que, com frequência, agências dizem que ela "tem um visual incrível</p><p>e que gostariam de contratá-la, mas que já têm uma modelo negra".</p><p>"Como assim? Será que falaram a mesma coisa para as 50 ou 100 modelos brancas</p><p>que eles também já têm?", questiona.</p><p>"É bizarro quando ouço isso. Parece ser suficiente ter uma ou duas modelos negras</p><p>no catálogo para representar todas nós."</p><p>MODELO liberiana questiona padrões da indústria da moda recriando poses de colegas brancas. BBC,</p><p>13 dez. 2016. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-38302222. Acesso em: 13 jan. 2020.</p><p>Se a grande mídia deixa de representar a parcela negra da população mundial ou se</p><p>limita apenas a uma ou outra participação em situações específicas, no que diz respeito</p><p>a pessoas com deficiência, por exemplo, a sub-representação é ainda maior.</p><p>Em alguns casos, a participação dessas e de outras minorias acontece de maneira</p><p>tão artificial que vira motivo de piada ou comoção do público, como quando há diversas</p><p>pessoas em um anúncio e apenas uma pessoa negra ou usando uma cadeira de rodas</p><p>para preencher a lacuna da inclusão e da representatividade.</p><p>Esse tipo de manobra de marketing, no entanto, já é facilmente percebido pelo</p><p>público, que, em anos recentes, passou a cobrar, principalmente por meio de comen-</p><p>tários e reclamações em redes sociais, por uma real representação de pessoas mais</p><p>parecidas com seus amigos e com as pessoas com quem convivem. Essas cobranças</p><p>publicadas na internet têm o ponto positivo de poderem ser compartilhadas até alcançar</p><p>a atenção dos responsáveis pela comunicação dessas marcas, que percebem a indig-</p><p>nação coletiva como algo negativo para a empresa e agem publicamente para tentar</p><p>corrigir suas falhas e reconquistar seu público.</p><p>• Um novo olhar sobre a pessoa negra; novas narrativas importam</p><p>Palestra da influenciadora Gabi Oliveira sobre a representação das mulheres negras na</p><p>grande mídia e como os novos criadores de conteúdo usam as redes sociais para criar</p><p>novas narrativas.</p><p>UM NOVO olhar sobre a pessoa negra; novas narrativas importam. [Rio de Janeiro], 2018.</p><p>1 vídeo (10 min). TEDxUNIRIO de Gabi Oliveira. Publicado pelo canal TEDx Talks. Disponível</p><p>em: https://www.youtube.com/watch?v=FYg-vQwm3Lo. Acesso em: 16 jan. 2020.</p><p>98</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 98D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 98 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>Com a cobrança por representatividade cada vez mais presente no cotidiano da</p><p>sociedade, parte da mídia já começa a trabalhar em busca da valorização das pessoas</p><p>reais, aproximando-se do público. Veja a seguir alguns exemplos.</p><p>Campanha produzida pelo governo federal em 2016 para a</p><p>promoção dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, realizados no</p><p>Rio de Janeiro (RJ) nesse mesmo ano.</p><p>Campanha de prevenção contra a tuberculose, produzida pelo</p><p>governo federal em 2019.</p><p>Campanha pelo Dia Internacional da Mulher, produzida</p><p>pelo governo federal em 2016.</p><p>Campanha veiculada em 2019 para a divulgação de</p><p>informações sobre o câncer de mama, no contexto do</p><p>Outubro Rosa.</p><p>SE</p><p>CR</p><p>ET</p><p>AR</p><p>IA</p><p>E</p><p>SP</p><p>EC</p><p>IA</p><p>L</p><p>DE</p><p>C</p><p>OM</p><p>UN</p><p>IC</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>S</p><p>OC</p><p>IA</p><p>L</p><p>M</p><p>IN</p><p>IS</p><p>TÉ</p><p>RI</p><p>O</p><p>DA</p><p>S</p><p>AÚ</p><p>DE</p><p>/G</p><p>OV</p><p>ER</p><p>NO</p><p>F</p><p>ED</p><p>ER</p><p>AL</p><p>M</p><p>IN</p><p>IS</p><p>TÉ</p><p>RI</p><p>O</p><p>DA</p><p>S</p><p>AÚ</p><p>DE</p><p>/G</p><p>OV</p><p>ER</p><p>NO</p><p>F</p><p>ED</p><p>ER</p><p>AL</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>M</p><p>IN</p><p>IS</p><p>TÉ</p><p>RI</p><p>O</p><p>DA</p><p>M</p><p>UL</p><p>HE</p><p>R,</p><p>D</p><p>A</p><p>FA</p><p>M</p><p>ÍL</p><p>IA</p><p>E</p><p>D</p><p>OS</p><p>D</p><p>IR</p><p>EI</p><p>TO</p><p>S</p><p>HU</p><p>M</p><p>AN</p><p>OS</p><p>99</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 99D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 99 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>1. Retome o primeiro texto que você leu nesta etapa e responda às questões a seguir.</p><p>a) Que fato motivou a modelo Deddeh Howard a criar um projeto fotográfi co?</p><p>b) Apesar de não ter fi cado muito tempo disponível por questões de direitos autorais, o ensaio</p><p>teve respostas positivas do público. Por que você acha que o projeto teve uma boa recepção?</p><p>2.</p><p>Em sua opinião, a falta de diversidade nas campanhas publicitárias, sobretudo de modelos</p><p>negros, ainda ocorre atualmente? Busque exemplos na mídia que justifi quem sua resposta e,</p><p>se possível, traga-os para a sala de aula para compartilhar com os colegas.</p><p>3. Como você estudou nesta etapa, parte importante da representatividade é não apresentar os</p><p>grupos, classes sociais ou povos de maneira estereotipada. Levando em conta as explicações</p><p>sobre o assunto, como você imagina que seria uma representação da população negra sem</p><p>estereótipos?</p><p>4. Uma maneira estereotipada de representar homens e mulheres negros na mídia tem sido pelo</p><p>uso do chamado blackface.</p><p>a) Faça uma pesquisa e descubra o sentido pejorativo associado a essa prática.</p><p>b) Com sua turma, realizem uma roda de conversa sobre os efeitos sociais negativos causados</p><p>pelo uso do blackface, especialmente em relação à manutenção do racismo.</p><p>5. Leia e analise o texto a seguir.</p><p>Publicidade inclusiva: as pessoas com defi ciência</p><p>como consumidores em potencial</p><p>A sociedade ainda não vê a comunidade de pessoas com defi ciência como um</p><p>público-alvo e consumidor em potencial. E olha que estamos falando da “maior</p><p>minoria” no mundo e a mais sub-representada quando se trata de marketing de produtos</p><p>e serviços. Embora parte disso decorra do fato de que existe uma grande diversidade</p><p>entre as pessoas com defi ciência, esse segmento de consumidores (e suas famílias)</p><p>possui grande poder de compra. Aos poucos estamos vendo modelos com defi ciência no</p><p>mundo fashion e em comerciais, contudo isso precisa se tornar a regra e não a exceção.</p><p>[...]</p><p>Só entre 2001 e 2006 [...] a participação dessa</p><p>parcela da população no mercado de trabalho</p><p>aumentou 5.000%. Ou seja: é um público ativo, que</p><p>participa consideravelmente do mercado e, a cada</p><p>geração, é possível observar a ascensão progressiva dos</p><p>seus rendimentos. Ao total, são quase 46 milhões de</p><p>brasileiros que estão na cadeia de consumo, mas que</p><p>têm necessidades diferentes a serem atendidas.</p><p>Atividades</p><p>A inclusão de pessoas com deficiência</p><p>na mídia e na publicidade também é</p><p>uma demanda atual.</p><p>ANNGAYSORN/</p><p>SHUTTERSTOCK.COM</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas</p><p>atividades.</p><p>100</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 100D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 100 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>E, então, como mudar essa realidade?</p><p>Para as empresas anunciantes e publicitários, conhecer o perfil das pessoas</p><p>com deficiência é o primeiro passo para incluí-las na publicidade de produtos</p><p>e serviços. Informações como “Quantas pessoas da audiência de cada meio</p><p>possuem deficiência? Quais canais elas mais utilizam para buscar informação?”</p><p>são fundamentais para desmembrar o perfil desse público, atuando de forma</p><p>inclusiva e transformando a publicidade em um espaço de inclusão.</p><p>[...]</p><p>Felizmente, nos últimos tempos, vem crescendo a presença de pessoas com</p><p>deficiência na propaganda. Isso se deve a uma mudança de atitude por parte das</p><p>empresas anunciantes e publicitários, que estão tentando representar melhor o</p><p>público consumidor, mas, no caso da deficiência, também é resultado do trabalho de</p><p>advocacy, ou seja, convencimento, que é feito nos bastidores da indústria da mídia.</p><p>[...]</p><p>PUBLICIDADE inclusiva: as pessoas com deficiência como consumidores em potencial. Diário da Inclusão Social,</p><p>2 dez. 2017. Disponível em: https://diariodainclusaosocial.com/2017/12/02/publicidade-inclusiva-vendo-as-pessoas</p><p>-com-deficiencia-como-consumidores-em-potencial/. Acesso em: 13 jan. 2020.</p><p>a) De acordo com esse texto, a população com deficiência no Brasil representa uma parcela cada</p><p>vez maior no mercado de trabalho e, portanto, no mercado consumidor. Se esse é o caso, por</p><p>que, na sua opinião, ainda há sub-representação de pessoas com deficiência na mídia?</p><p>b) Nesta etapa, você viu alguns anúncios em que minorias foram mais representadas, mostrando</p><p>algumas mudanças nas práticas do mundo publicitário. Observe novamente os anúncios e</p><p>identifique a presença dessas minorias.</p><p>c) De maneira geral, as pessoas com deficiência são representadas em anúncios e na mídia com</p><p>destaque exclusivo para o elemento de superação. Você considera isso positivo? Por quê?</p><p>6. Organizem-se em grupos e realizem uma pesquisa sobre campanhas publicitárias seguindo</p><p>estas orientações.</p><p>� Busquem anúncios em que as pessoas representadas se pareçam com vocês e com seus</p><p>amigos e pessoas com quem convivem.</p><p>� Conversem sobre as campanhas encontradas e analisem a maneira como essas pessoas</p><p>estão representadas e se há predominância de modelos dentro do padrão de beleza</p><p>imposto pela mídia.</p><p>� Em um dia combinado previamente com a turma, levem os exemplos de campanhas publi-</p><p>citárias para mostrar aos colegas.</p><p>� Organizem uma exposição com os anúncios encontrados e incluam um breve texto explica-</p><p>tivo sobre cada exemplo e a maneira como a representatividade se deu.</p><p>No canal de compartilhamento escolhido pela</p><p>turma, divulguem as campanhas publicitárias</p><p>encontradas para a atividade 6. Caso utilizem um canal de comunicação</p><p>on-line, é possível também incluir anúncios em vídeo ou spots de</p><p>campanhas de rádio como exemplos.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>VI</p><p>RI</p><p>NA</p><p>FL</p><p>OR</p><p>A/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>101</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 101D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 101 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Ao longo das etapas realizadas neste projeto, você teve a oportunidade de conhecer,</p><p>estudar e refletir sobre padrões estéticos e a representação do corpo na mídia. Agora, a partir</p><p>das leituras, análises e reflexões desenvolvidas até aqui, você e seu grupo vão construir sua</p><p>própria campanha publicitária, tendo como foco a representatividade de corpos fora dos</p><p>padrões estéticos vigentes.</p><p>Para isso, observem e analisem as características da peça publicitária a seguir e descu-</p><p>bram por que campanhas criativas e eficientes vendem não só um produto, mas também</p><p>comunicam uma ideia.</p><p>Campanha</p><p>publicitária</p><p>Foto realizada pelo jornalista e fotógrafo com deficiência visual Teco Barbero para a campanha da Associação</p><p>Desportiva para Deficientes (ADD), em 2009.</p><p>Esse anúncio tem como principal objetivo</p><p>levar o público a desconstruir a ideia de pessoas</p><p>com deficiência física e/ou visual como limitadas</p><p>ou incapazes de realizar algumas atividades. Para</p><p>isso, o produtor dessa campanha lançou mão de</p><p>uma linguagem persuasiva, combinando elemen-</p><p>tos verbais e visuais na constituição da mensagem.</p><p>Veja ao lado alguns elementos básicos do</p><p>anúncio que são também utilizados nessa</p><p>campanha.</p><p>Slogan é uma frase persuasiva e de fácil</p><p>memorização que define de forma sintética e</p><p>atraente a posição de um anunciante ou de uma</p><p>campanha.</p><p>Logotipo é uma representação gráfica com letras</p><p>e desenhos especialmente construída para que o</p><p>público possa associá-la a uma marca, empresa ou</p><p>instituição.</p><p>AS</p><p>SO</p><p>CI</p><p>AÇ</p><p>ÃO</p><p>D</p><p>ES</p><p>PO</p><p>RT</p><p>IV</p><p>A</p><p>PA</p><p>RA</p><p>D</p><p>EF</p><p>IC</p><p>IE</p><p>NT</p><p>ES</p><p>(A</p><p>DD</p><p>).</p><p>102</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 102D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 102 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>Assim como nesse exemplo, o mundo da publicidade lança mão de estratégias para</p><p>conquistar o público-alvo e transmitir uma mensagem atraente e sedutora.</p><p>Utilizando esses conhecimentos sobre o mundo publicitário e com base nos debates desen-</p><p>volvidos ao longo deste projeto sobre representação dos corpos na mídia, você e seu grupo</p><p>deverão desenvolver uma campanha publicitária com base nos princípios da inclusividade e da</p><p>representatividade.</p><p>Para isso, sigam estes passos:</p><p>Com a orientação do professor, organizem os grupos de trabalho e escolham uma ideia ou produto a ser</p><p>anunciado e divulgado pela campanha.</p><p>Esse conteúdo poderá ser divulgado nas redes sociais da escola, em um blog da turma ou ser transformado</p><p>em cartazes para serem afixados em áreas de grande circulação na</p><p>escola.</p><p>Os eixos da campanha devem ser o respeito e a representatividade social. Essa informação servirá como</p><p>ponto de partida para a definição da ideia ou do produto a ser anunciado e no planejamento da campanha</p><p>a ser divulgada, que deverá considerar todas as estratégias e plataformas que irão explorar: anúncios em</p><p>revistas e na televisão, postagens em redes sociais, spots de rádio etc.</p><p>Como exemplo prático de um elemento integrante dessa campanha, planejem a elaboração de um</p><p>anúncio publicitário. Para isso, analisem e respondam a estes itens:</p><p>� Qual é o público-alvo da campanha?</p><p>� O objetivo pretendido é convencer o público-alvo a consumir um produto ou adotar alguma ideia?</p><p>O que ou qual?</p><p>� Que mensagem o anúncio pretende transmitir?</p><p>� Que imagem, texto e cor serão escolhidos para compor o anúncio?</p><p>� Qual desses elementos representará a força argumentativa do anúncio?</p><p>� Qual será o slogan?</p><p>� Que tipo de linguagem será adotada: coloquial ou formal?</p><p>� Será adotado um logotipo?</p><p>� Como os elementos usados no anúncio podem ser adaptados de acordo com as outras plataformas</p><p>escolhidas para a divulgação da campanha?</p><p>Após o planejamento inicial da proposta da campanha, chegou o momento de pensar sobre como a</p><p>representatividade fará parte do anúncio elaborado pelo grupo. Não se esqueçam da importância de</p><p>incluir minorias e grupos não correspondentes aos padrões estéticos vigentes, de modo que se promova</p><p>o respeito à diversidade.</p><p>Considerem a possibilidade de incluir, como modelos, colegas de classe, amigos, familiares ou responsá-</p><p>veis. Nesse caso, é preciso explicar-lhes o propósito da atividade e pedir autorização para o uso de suas</p><p>imagens na campanha.</p><p>Caso escolham usar imagens retiradas de revistas, jornais ou internet, busquem em bancos de imagem</p><p>abertos ou escolham apenas imagens que sejam de uso livre e gratuito.</p><p>1. Definição do grupo de trabalho e escolha do produto</p><p>2. Planejamento</p><p>3. Reflexão sobre a representatividade na campanha</p><p>103</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 103D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 103 22/02/20 17:2322/02/20 17:23</p><p>Hora de retomar os recursos planejados e partir para a produção do anúncio.</p><p>Vocês podem começar, por exemplo, fazendo um rascunho em uma folha sulfite, já pensando em como</p><p>ficará a produção final, onde colocarão a imagem e o texto, quais cores e fontes utilizarão etc.</p><p>Se preferirem, podem começar a fazer a arte direto no computador, embora um rascunho na folha sulfite</p><p>possa ajudar muito. Caso escolham o computador, o trabalho poderá ser impresso em folha sulfite no</p><p>tamanho A4 e complementado com desenhos e colagens.</p><p>Caso esses recursos não estejam disponíveis, o material pode ser elaborado em uma folha de cartolina.</p><p>As campanhas publicitárias são feitas por agências especializadas e a de vocês não poderia ser diferente.</p><p>Escolham um nome para a sua agência de publicidade e o associem a um logotipo, que deve estar pre-</p><p>sente no cartaz da campanha.</p><p>Após a produção dos rascunhos, revejam as considerações iniciais propostas no planejamento da cam-</p><p>panha e verifiquem a necessidade de ajustes no texto, na escolha das imagens ou em outros elementos</p><p>do anúncio.</p><p>Após as correções, produzam a versão final do anúncio e finalizem a proposta geral da campanha.</p><p>Esta etapa corresponde à produção de toda a campanha publicitária. Se possível, utilizem softwares de</p><p>apresentação em slides – alternativamente, decorem a proposta da campanha para uma apresentação</p><p>oral ao final da produção ou criem cartazes específicos para a apresentação dessas informações.</p><p>Para apresentar o produto ou a ideia da campanha publicitária, as agências elaboram um pitch, ou</p><p>discurso de elevador, que consiste em uma apresentação breve para explicar uma ideia de modo a</p><p>despertar o interesse do interlocutor.</p><p>No caso de uma campanha publicitária, o pitch deve explicar o produto ou a ideia a ser vendida pela</p><p>campanha, as intenções da proposta, a mensagem a ser passada, as mídias em que ela vai circular e o</p><p>público-alvo. Também é o momento de apresentar o primeiro anúncio criado e os elementos que fazem</p><p>parte dele. Para este projeto, dediquem também uma parte da apresentação à explicação de como a</p><p>representatividade foi considerada durante a elaboração da campanha.</p><p>Em um dia combinado previamente com a turma e o professor, apresentem o nome e os integrantes da</p><p>agência de publicidade do seu grupo e, em seguida, mostrem as estratégias definidas para a campanha</p><p>publicitária utilizando o cartaz ou projetando os slides elaborados.</p><p>Não se esqueçam de usar o pitch que vocês criaram para chamar a atenção dos colegas para o produto</p><p>ou a ideia de vocês e de mostrar o anúncio produzido pelo grupo.</p><p>Finalizada a apresentação, lembrem-se de divulgar o anúncio que vocês criaram no veículo escolhido</p><p>durante a etapa de seleção do produto.</p><p>4. Pondo as ideias no papel</p><p>6. Assinatura da campanha</p><p>5. Revisão e finalização</p><p>7. Pré-apresentação</p><p>8. Apresentação</p><p>104</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 104D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21-AV.indd 104 22/02/20 17:2422/02/20 17:24</p><p>Para finalizar este Projeto Integrador, é importante realizar uma avaliação,</p><p>tanto de sua participação individual quanto coletiva. Para isso, em uma folha</p><p>sulfite, faça o que se pede.</p><p>1. Sobre o seu envolvimento e o da turma neste Projeto Integrador, responda às questões</p><p>a seguir.</p><p>a) Houve participação em todas as atividades propostas? Argumente.</p><p>b) Em qual etapa houve mais dedicação? E em qual houve menos dedicação? Justifique.</p><p>c) Atribua uma nota de zero (0) a dez (10) para a sua participação e para a participação</p><p>da turma neste Projeto Integrador. Argumente sobre essas notas.</p><p>d) Em relação às suas ações, em quais aspectos você acredita que pode melhorar</p><p>na realização de um próximo Projeto Integrador? E em quais aspectos a turma</p><p>pode melhorar?</p><p>e) Junte-se a um colega e comparem as respostas das questões anteriores, verificando</p><p>em quais itens da avaliação vocês concordam e em quais discordam.</p><p>f) Escreva, de modo sucinto, quais foram as suas dificuldades e quais aprendizagens</p><p>desenvolveu no decorrer deste Projeto Integrador.</p><p>2. Em relação ao assunto deste Projeto Integrador, você:</p><p>a) compreendeu o que são os padrões estéticos e conseguiu diferenciá-los da gordofo-</p><p>bia, percebendo também os diferentes modos como eles afetam as pessoas?</p><p>b) entendeu os impactos sociais e na saúde física e mental de homens e mulheres que a</p><p>idealização de um corpo irreal pode causar?</p><p>c) compreendeu a relação entre o consumo e o estabelecimento de padrões estéticos nas</p><p>últimas décadas, assim como a influência de fatores sociais e culturais na determinação</p><p>dos padrões vigentes em diversos períodos da história?</p><p>d) refletiu sobre o papel de celebridades e influenciadores digitais na propagação dos</p><p>padrões de beleza?</p><p>e) refletiu sobre representatividade na mídia,</p><p>especialmente com relação a minorias e grupos</p><p>marginalizados?</p><p>f) planejou e elaborou uma campanha publicitária</p><p>representativa, além de apresentar um pitch de</p><p>sua ideia?</p><p>3. Sobre o canal de compartilhamento, proposto em Hora</p><p>de compartilhar, responda às questões a seguir.</p><p>a) Em sua opinião, quais foram os pontos positivos</p><p>de compartilhar algumas das reflexões e traba-</p><p>lhos realizados em cada etapa do projeto? E quais</p><p>foram os pontos negativos?</p><p>b) Como foi sua participação no desenvolvimento</p><p>desse trabalho?</p><p>c) Registre quais dificuldades você encontrou e</p><p>quais aprendizagens desenvolveu com esse canal</p><p>de compartilhamento.</p><p>Avaliação</p><p>105PROJETO 3 • O CORPO NA MÍDIA</p><p>AN</p><p>TO</p><p>NI</p><p>U/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Respostas pessoais.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 105D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 105 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>4</p><p>106</p><p>MONKEY BUSINESS IMAGES/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 106D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 106 20/02/20 14:2920/02/20 14:29</p><p>É possível tornar</p><p>a convivência</p><p>no ambiente escolar mais</p><p>pacífica e acolhedora por meio</p><p>da adoção de algumas práticas</p><p>que envolvem o diálogo.</p><p>Práticas e diálogos</p><p>Como melhorar a</p><p>convivência na escola?</p><p>A escola é palco de uma grande diversidade de</p><p>pessoas, com pensamentos, histórias de vida e interes-</p><p>ses distintos. Em um espaço de convivência como esse,</p><p>é natural que surjam conflitos, que são inerentes à vida</p><p>em sociedade. As diferenças de ideias e de posiciona-</p><p>mentos refletem a diversidade de culturas e valores</p><p>humanos, devendo ser vistas como oportunidades de</p><p>troca, crescimento e aprendizado, pois, por meio de</p><p>nossas experiências e das interações que estabelecemos</p><p>com outras pessoas, podemos contribuir para a constru-</p><p>ção de uma sociedade mais pacífica.</p><p>Neste projeto, você vai refletir sobre as oportunidades</p><p>de crescimento que um conflito pode trazer e apren-</p><p>der algumas técnicas de comunicação e de mediação</p><p>de conflitos para que esteja apto a intervir de maneira</p><p>construtiva nos conflitos que presenciar ou dos quais</p><p>fizer parte – seja na escola, seja fora dela. A partir dessas</p><p>reflexões, você e os colegas irão investigar as principais</p><p>situações geradoras de conflitos na escola para criar um</p><p>grupo de mediação de conflitos: um espaço acolhedor</p><p>onde vocês poderão assumir os papéis de mediadores,</p><p>contribuindo com protagonismo para que a escola seja</p><p>um ambiente pacífico, seguro e acolhedor.</p><p>107</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 107D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 107 22/02/20 17:5022/02/20 17:50</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>MEDIAÇÃO DE CONFLITOS</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Discutir sobre as noções de conflito, procurando</p><p>compreender como ele pode ser uma potência e uma</p><p>oportunidade para construir espaços de diálogo.</p><p>• Conhecer algumas das práticas restaurativas</p><p>e entender como elas podem ser aplicadas no</p><p>ambiente escolar.</p><p>• Discutir sobre o conceito de empatia e compreender</p><p>a importância dela na convivência em sociedade e</p><p>nas práticas de mediação de conflitos.</p><p>• Compreender o poder da comunicação na constru-</p><p>ção de relações mais positivas.</p><p>• Praticar valores relativos aos Direitos Humanos, à</p><p>Cultura de Paz e ao reconhecimento das diversidades.</p><p>• Discutir sobre a importância de combater o bullying</p><p>no ambiente escolar.</p><p>• Participar de uma pesquisa de campo para identifi-</p><p>car os principais conflitos existentes na escola.</p><p>• A partir da identificação dos principais conflitos na</p><p>escola, criar um grupo de mediação de conflitos, que</p><p>se dividirá em duas frentes: os círculos de constru-</p><p>ção da paz, para pensar em soluções para problemas</p><p>de interesse coletivo, e os círculos restaurativos.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>Em um espaço de convivência como a escola, é comum o</p><p>aparecimento de conflitos que, quando não são bem geren-</p><p>ciados, podem culminar em situações indesejadas. Para</p><p>evitar que os conflitos se agravem, é importante aprender</p><p>a mediá-los por meio da adoção de algumas técnicas que</p><p>incluem o exercício da empatia, do diálogo e da prática de</p><p>valores relativos aos Direitos Humanos e à Cultura de Paz,</p><p>a fim de que a escola seja um ambiente acolhedor à diver-</p><p>sidade que nela circula. Essas práticas também ajudarão</p><p>você a construir relações mais positivas, tanto na escola</p><p>quanto fora dela.</p><p>Competências e habilidades</p><p>da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC encontra-se</p><p>ao final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>7, 9 e 10</p><p>Competências específicas</p><p>e habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG204</p><p>(relativa à competência específica 2)</p><p>EM13LGG301, EM13LGG303 e</p><p>EM13LGG304</p><p>(relativas à competência específica 3)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social:</p><p>EM13LP06 (relativa à competência</p><p>específica 1) e EM13LP16 (relativa</p><p>às competências específicas 1 e 4)</p><p>Campo de atuação na vida</p><p>pública: EM13LP25 (relativa</p><p>às competências específicas 1,</p><p>2 e 3) e EM13LP26 (relativa à</p><p>competência específica 1)</p><p>Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa: EM13LP33 (relativa à</p><p>competência específica 3)</p><p>Matemática e suas Tecnologias</p><p>EM13MAT202</p><p>(relativa à competência específica 2)</p><p>Ciências Humanas e Sociais</p><p>Aplicadas</p><p>EM13CHS101, EM13CHS102 e</p><p>EM13CHS103</p><p>(relativas à competência específica 1)</p><p>Produto final</p><p>Grupo de mediação de conflitos</p><p>108</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 108D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 108 24/02/20 14:4624/02/20 14:46</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as produções realizadas nas etapas deste Projeto</p><p>Integrador, sugerimos a construção coletiva de um canal de compartilha-</p><p>mento. Para isso, vocês podem criar um blog, um canal de vídeos, uma página em rede social,</p><p>um mural, um portfólio ou outras formas de comunicação com a comunidade escolar. Ao final de</p><p>cada etapa deste Projeto Integrador, há orientações e sugestões do que pode ser compartilhado.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Conversar sobre o entendimento que você e os colegas têm de conflito e</p><p>conhecer algumas maneiras de lidar com ele. Essa abordagem tem o objetivo</p><p>de sensibilizá-los para o tema do projeto, resgatando as experiências e</p><p>percepções da turma.</p><p>Apresentar a perspectiva segundo a qual o conflito vai ser abordado neste Projeto</p><p>Integrador. Vocês vão conhecer algumas informações sobre a Justiça Restaurativa</p><p>e os conjuntos de ações originados dela, chamados de práticas restaurativas.</p><p>Neste momento, vocês começarão a pensar sobre como essas práticas podem</p><p>ser aplicadas no ambiente escolar com o objetivo de melhorar a convivência. Será</p><p>apresentado um exemplo de projeto de prática restaurativa aplicada em uma escola</p><p>brasileira e como essa ação diminuiu os índices de violência naquele ambiente.</p><p>Refletir sobre o conceito de empatia e entender como conectar-se com o</p><p>outro, compreendendo e respeitando seus sentimentos e suas motivações,</p><p>é importante para o gerenciamento dos conflitos e para uma convivência em</p><p>sociedade mais pacífica e solidária.</p><p>Compreender o papel que o diálogo exerce na maneira como nos relacionamos com as outras</p><p>pessoas e conhecer algumas técnicas de comunicação não violenta com o objetivo de se</p><p>expressar com mais clareza, de identificar os próprios sentimentos e de ampliar o vocabulário</p><p>para nomeá-los. Vocês também serão levados a reconhecer as motivações por trás dos próprios</p><p>sentimentos, a compreender as suas necessidades e a aprender a comunicá-las de maneira</p><p>assertiva e não acusatória.</p><p>Conhecer a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Declaração e</p><p>Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz, com o objetivo de fazê-los</p><p>refletir sobre a importância de respeitar os direitos inerentes a todos os</p><p>seres humanos e de criar, na escola, um ambiente em que prevaleça uma</p><p>cultura de paz. Nesse momento, vocês também serão levados a pensar</p><p>na importância de combater bullying e discriminações de todos os tipos.</p><p>Mapear, por meio da aplicação de um questionário, os principais conflitos existentes</p><p>na escola para, em seguida, organizar os grupos de mediação de conflitos em duas</p><p>frentes: os círculos de construção da paz e os círculos restaurativos.</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>4</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>5 Etapa</p><p>Final</p><p>109</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 109D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 109 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>Etapa</p><p>Conflito: um</p><p>outro olhar1</p><p>É provável que você esteja familiarizado com a palavra conflito e já a</p><p>tenha usado ou escutado em vários ambientes e em diferentes situações.</p><p>Mas o que é conflito para você?</p><p>Essa questão possivelmente suscita diferentes respostas, que variam</p><p>de acordo com o ponto de vista e as experiências de cada um. Se você con-</p><p>sultar um dicionário, vai encontrar definições que se relacionam à falta de</p><p>entendimento entre duas ou mais partes; ao choque, ao enfrentamento; a</p><p>uma discussão acalorada. Mas será que podemos olhar para o conflito de</p><p>outra maneira?</p><p>Sobre esse assunto, leia o trecho</p><p>de texto a seguir.</p><p>[...]</p><p>Se disséssemos para você que o conflito também pode ser oportunidade,</p><p>espaço de criatividade, propulsor de mudanças, essa seria uma ideia nova</p><p>ou velha? E se disséssemos que não podemos viver sem conflito, que a vida</p><p>pressupõe conflito?</p><p>Como você se sente em relação a essas questões?</p><p>Elas lhe trazem conforto, desconforto?</p><p>[...]</p><p>Talvez você esteja se dizendo: “Quanta pergunta! Chega! Eu quero chão firme.”</p><p>Isto é uma coisa que o conflito não traz: chão firme. Talvez, por isso, muitos</p><p>de nós tenhamos tanta dificuldade em aceitá-lo como parte integrante da vida.</p><p>Olhar para o conflito, lidar com ele, encontrar caminhos de conversa</p><p>e de ação por meio dele e aprender com ele implica aguentar uma dose de</p><p>contradição e incerteza. Se, por um lado, isso pode representar um peso, uma</p><p>angústia, por outro, pode ser libertador: ter certeza de que a certeza não existe.</p><p>CATÃO, Ana. Conflito, violências e escola. Respeitar é Preciso!, 4 nov. 2017. Disponível em:</p><p>https://respeitarepreciso.org.br/conflito-violencias-e-escola/. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>• Por que lutamos? Conflito, guerra e paz</p><p>Esta obra de Niki Walker traz algumas noções de conflito, comparando</p><p>os grandes conflitos da história com os conflitos cotidianos da própria vida.</p><p>WALKER, Niki. Por que lutamos? Conflito, guerra e paz. Tradução de Antonio</p><p>Carlos Vilela. São Paulo: Melhoramentos, 2013.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>M</p><p>EL</p><p>HO</p><p>RA</p><p>M</p><p>EN</p><p>TO</p><p>S.</p><p>110</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 110D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 110 24/02/20 08:4624/02/20 08:46</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS 111</p><p>Atividades</p><p>No canal de compartilhamento escolhido pela turma, com-</p><p>partilhem a definição de conflito à qual a turma chegou.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>M</p><p>AR</p><p>Y</p><p>LO</p><p>NG</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>1. Considerando o trecho de texto que você leu nesta etapa, responda:</p><p>a) Você já tinha pensado no confl ito como uma oportunidade, um espaço de criativi-</p><p>dade e propulsor de mudanças? De que maneira você acredita que o confl ito pode</p><p>proporcionar essas ações?</p><p>b) Considere o fragmento do texto a seguir.</p><p>Isto é uma coisa que o conflito não traz: chão firme. Talvez, por</p><p>isso, muitos de nós tenhamos tanta difi culdade em aceitá-lo como parte</p><p>integrante da vida.</p><p>§ Por que a autora afi rma que o confl ito não traz chão fi rme? Você concorda com</p><p>essa afi rmação? Compartilhe sua resposta com os colegas e explique-a.</p><p>c) Você acredita que o confl ito é parte integrante da vida? Por quê?</p><p>2. Pesquise algumas defi nições para a palavra confl ito e, depois, responda às questões:</p><p>a) Levante hipóteses: Que motivos podem desencadear um confl ito?</p><p>b) Você acredita que um confl ito é necessariamente violento? Explique sua resposta.</p><p>c) Em sua opinião, o que podemos fazer para que um conflito não culmine</p><p>em violência?</p><p>d) Segundo a sua percepção, em que situações um confl ito pode ser destrutivo e de</p><p>que maneira ele pode ser construtivo?</p><p>3. Em grupos, escolham um tipo de confl ito comum no ambiente escolar e respondam</p><p>aos itens a seguir.</p><p>a) Descrevam esse confl ito.</p><p>b) Na opinião de vocês, que ações podem gerar esse tipo</p><p>de confl ito?</p><p>c) Quais sentimentos vocês imaginam que os</p><p>envolvidos nessa situação têm antes, durante</p><p>e depois desse confl ito?</p><p>d) O que pode agravar esse tipo de situação?</p><p>e) O que pode ser feito para evitar que esse con-</p><p>fl ito se agrave?</p><p>4. Você acredita que alguns confl itos são mais graves</p><p>do que outros? Explique sua opinião e compartilhe-a</p><p>com os colegas.</p><p>5. Depois das discussões suscitadas pelo texto lido nesta</p><p>etapa e pelas atividades, explique, com suas palavras, o</p><p>que é confl ito e compartilhe com os colegas a resposta</p><p>que você deu. Com toda a turma, tentem chegar a</p><p>uma defi nição única para a palavra confl ito.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 111D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 111 28/02/20 10:0728/02/20 10:07</p><p>Etapa</p><p>Justiça Restaurativa</p><p>na escola</p><p>Você discutiu sobre algumas noções de conflito e sobre as maneiras como</p><p>podemos lidar com ele. Neste projeto, você será estimulado a olhar para o</p><p>conflito como uma potência, uma oportunidade para, a partir dele, construir</p><p>espaços de diálogo e contribuir para que a convivência em sociedade seja mais</p><p>harmoniosa e pacífica.</p><p>Para garantir um melhor gerenciamento dos conflitos, podem ser ado-</p><p>tadas algumas ações originadas da Justiça Restaurativa, chamadas de</p><p>práticas restaurativas. Trata-se de um conjunto de metodologias de gestão</p><p>de conflitos baseado no diálogo, na escuta e na criação da empatia a fim de</p><p>que as partes envolvidas cheguem a um consenso, propiciando o entendi-</p><p>mento mútuo.</p><p>Veja a seguir algumas metodologias que compõem esse conjunto</p><p>de práticas.</p><p>2</p><p>É possível garantir uma</p><p>convivência mais pacífica por</p><p>meio de algumas técnicas de</p><p>mediação de conflitos.</p><p>IAKOV FILIMONOV/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>Círculos de construção</p><p>de paz: encontros coletivos para</p><p>discutir os conflitos existentes</p><p>em um ambiente, dos mais corri-</p><p>queiros aos mais graves, a fim de</p><p>pensar em práticas que visem a</p><p>uma convivência mais pacífica.</p><p>Círculos restaurativos: também conheci-</p><p>dos como círculos de mediação, consistem</p><p>em encontros reservados dos quais partici-</p><p>pam as partes diretamente envolvidas em</p><p>um conflito, a fim de que possam conver-</p><p>sar, entender as motivações uma da outra</p><p>e chegar a um consenso ou a uma solução</p><p>que seja boa para ambas.</p><p>Esses encontros são mediados pela figura</p><p>de um ou dois facilitadores ou mediadores –</p><p>indivíduos que vão olhar para o conflito com</p><p>neutralidade e facilitar o diálogo entre as partes</p><p>sem tomar partido, julgar ou aplicar punições.</p><p>Veja a seguir um exemplo de escola que</p><p>adotou algumas práticas de mediação de confli-</p><p>tos em seu ambiente.</p><p>112</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 112D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 112 22/02/20 17:5022/02/20 17:50</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Colégio Borell adota práticas da justiça</p><p>restaurativa contra violência na escola</p><p>As práticas da justiça restaurativa vêm mudando a realidade dos alunos da rede estadual de</p><p>ensino nas instituições com índices de violência entre adolescentes, através do projeto Escola</p><p>Restaurativa. A proposta usa a mesma metodologia da justiça restaurativa para a solução dos</p><p>confl itos, com rodas de conversa e círculos de mediação, onde aborda temas relacionados à</p><p>cidadania e conversação entre os adolescentes nas salas de aula.</p><p>O Colégio Estadual Prof. João Ricardo Von Borell du Vernay adotou a metodologia dos</p><p>círculos de mediação em 2014, com atividades relacionadas à solução de confl itos entre</p><p>professores e alunos. [...]</p><p>[...] A diretora do colégio Borell, Claudete Aparecida de Albuquerque, explica que, antes</p><p>do projeto, não existiam soluções efi cientes para conter as ocorrências de violência entre os</p><p>alunos. “Expulsar o aluno não resolve porque você não está resolvendo o problema, apenas</p><p>mudando o aluno de escola”, pondera a diretora. Após o início do projeto, em conjunto com</p><p>outras ações para integrar os alunos – como o incentivo ao esporte, feiras de ciências e</p><p>círculos temáticos de sociabilização – foi possível ouvir os alunos e compreender a origem</p><p>dos confl itos.</p><p>[...]</p><p>Segundo a diretora do Colégio Borell, cerca de 1 700 alunos já participaram das atividades</p><p>dos círculos de mediação e, desde 2014, os índices de violência reduziram drasticamente. “Não</p><p>é mágica, é você escutar o adolescente, é você dar voz pra ele. O projeto é uma prevenção.</p><p>Não que os confl itos não existam mais, mas a violência e as brigas a gente conseguiu diminuir</p><p>drasticamente”. A diretora explica que os problemas sempre vão existir, mas destaca a</p><p>abertura para o diálogo entre professores e estudantes.</p><p>[...] Além de solucionar os problemas do colégio, a Justiça Restaurativa pode infl uenciar no</p><p>convívio dos indivíduos em</p><p>um dos achados arqueológicos mais</p><p>antigos (datado em cerca de 30 mil</p><p>anos antes de Cristo) representativos</p><p>do corpo feminino, por isso serve</p><p>como símbolo do ideal de beleza</p><p>desse período.</p><p>Vênus de Willendorf</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>Museu de História Natural,</p><p>Pré-História</p><p>paleolítica em calcário, 11 cm.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 88D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 88 21/02/20 16:2621/02/20 16:26</p><p>No Renascimento, há o retorno da valorização do</p><p>corpo feminino, especialmente nas artes. A obra</p><p>O nascimento de Vênus, de Botticelli, é uma refe-</p><p>rência a esse ideal de beleza que destacava as</p><p>formas e as curvas dos corpos das mulheres.</p><p>No século XVII, houve a apreciação de corpos</p><p>femininos delicados e com a cintura fina, que só era</p><p>possível com o uso dos espartilhos, coletes usados</p><p>pelas mulheres para modelar o corpo. Além disso,</p><p>valorizava-se a pele branca, o que levava muitas</p><p>mulheres a realizar procedimentos para perder</p><p>sangue e atingir uma cor mais pálida.</p><p>Com o aumento da participação das mulheres no</p><p>mercado de trabalho, as formas femininas pas-</p><p>saram a ser disfarçadas por roupas de corte reto</p><p>e vestidos com comprimento abaixo dos joelhos,</p><p>em visuais mais andróginos. Caso a mulher não</p><p>tivesse a silhueta naturalmente reta, muitas vezes</p><p>utilizava faixas enroladas no corpo para criar essa</p><p>ilusão e se encaixar nos padrões da época.</p><p>Com o sucesso do cinema hollywoodiano, corpos</p><p>com mais curvas voltaram a ser o centro das</p><p>atenções, especialmente pelas imagens de</p><p>atrizes como Marilyn Monroe e Rita Hayworth,</p><p>que possuíam quadris</p><p>largos e coxas grossas.</p><p>Para os homens, sob a</p><p>influência de persona-</p><p>gens de filmes, o padrão</p><p>considerava mais o</p><p>comportamento (calado,</p><p>sensível, rebelde) do que</p><p>a beleza física, ainda que</p><p>cabelos penteados para</p><p>trás fossem essenciais.</p><p>Marilyn Monroe</p><p>(1926-1962), atriz</p><p>estadunidense.</p><p>Foto de 1952.</p><p>Mulheres vestindo</p><p>as roupas da moda</p><p>dos anos de 1920.</p><p>Foto de c. 1925.</p><p>Diana de Poitiers, senhora de Breze e</p><p>Duquesa de Valentinois, de François</p><p>Clouet, c. 1550. Óleo sobre painel de</p><p>madeira, 64 cm × 56 cm. Museu Nacional</p><p>da Renascença, Ecouen, França.</p><p>O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, c. 1485. Têmpera sobre</p><p>tela, 172,5 cm × 78,5 cm. Galeria Uffizi, Florença, Itália.</p><p>Século XVII</p><p>Renascimento Anos 1940 e 1950</p><p>Anos 1920</p><p>89projeto 3 • o corpo na mídia</p><p>andrógino: algo ou alguém</p><p>que mistura características</p><p>tradicionalmente lidas como</p><p>femininas a características</p><p>masculinas.</p><p>Esta linha do tempo não está representada em proporção.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 89D3-LING-2-EM-3080-P3-074-105-LA-G21_D3.indd 89 21/02/20 16:2721/02/20 16:27</p><p>Propõe a construção coletiva de</p><p>um canal de compartilhamento no</p><p>qual, ao longo do projeto, vocês</p><p>poderão compartilhar algumas das</p><p>atividades e produções realizadas.</p><p>Os projetos são organizados</p><p>em etapas. Em cada uma delas,</p><p>propõe-se o aprofundamento de</p><p>assuntos que contribuirão para o</p><p>desenvolvimento do produto final.</p><p>Para isso, você será estimulado</p><p>a ler imagens e textos diversos</p><p>e a relacioná-los ao contexto em</p><p>que você está inserido e às suas</p><p>vivências pessoais.</p><p>Boxe com sugestões de site,</p><p>livro, filme, vídeo, entre outros</p><p>recursos que possibilitem a</p><p>ampliação do assunto tratado</p><p>em cada etapa do projeto.</p><p>Etapas</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>3. Considere o seguinte fragmento retirado do texto: “‘Muitas vezes eles vinham para escola e</p><p>apenas sentavam para ser ouvintes, mas aqui eles tiveram a oportunidade de falar’”.</p><p>a) O que você entende por esse trecho?</p><p>b) De que outras maneiras é possível permitir que o estudante atenda o papel de falante ou</p><p>participante ativo na realidade da escola?</p><p>c) Em sua escola, alguma das sugestões que você apontou no item anterior já foi colocada em</p><p>prática? Qual?</p><p>� Caso a resposta seja negativa, quais você gostaria que fossem colocadas em prática?</p><p>4. Leia outro trecho da reportagem e reflita sobre a participação dos jovens em questões da escola</p><p>e da comunidade em que estão inseridos. Depois, em uma roda de conversa, troque opiniões</p><p>com os colegas sobre as questões a seguir.</p><p>[...]</p><p>Como forma de combater a apatia dos estudantes, que muitas vezes se sentem</p><p>impossibilitados de trabalhar em prol de mudanças na sua escola e comunidade, ele</p><p>[Rui Antônio de Souza, monitor de educomunicação] diz que é preciso aprofundar</p><p>o debate para que os jovens tenham referências para construírem suas próprias</p><p>opiniões e questionarem argumentos sobre diferentes temas. [...]</p><p>EDUCOMUNICAÇÃO leva jovem a debater soluções para violência. Porvir, São Paulo, [2016?]. Disponível em:</p><p>https://porvir.org/especiais/participacao/educomunicacao-leva-jovem-debater-solucoes-para-violencia/.</p><p>Acesso em: 18 dez. 2019.</p><p>a) Vocês acham que é comum o jovem se sentir impossibilitado de trabalhar em prol de mudan-</p><p>ças em sua escola e/ou comunidade? Por quê?</p><p>b) Em sua comunidade escolar, a participação do jovem na resolução de problemas e no</p><p>debate sobre questões da escola, por exemplo, é incentivada? Se sim, de que forma? Se</p><p>não, que tipo de impacto vocês acreditam que os estudantes poderiam ter na comuni-</p><p>dade escolar caso participassem mais?</p><p>5. Conversem sobre a realidade da escola e/ou do entorno em que estão inseridos. Considerem</p><p>os problemas e as dificuldades enfrentados por vocês no cotidiano para ir e voltar da escola</p><p>e também no dia a dia dentro desse ambiente. Em seguida, construam, no caderno, um</p><p>quadro conforme o modelo a seguir, indicando a situação-problema, possíveis causas e as</p><p>consequências para você e para a comunidade escolar. Incluam também possíveis soluções</p><p>para essa situação ou problema, que podem ser ações a ser praticadas por vocês ou por</p><p>autoridades competentes.</p><p>Situação-problema Causas Consequências Possíveis soluções</p><p>No canal de compartilhamento criado pela</p><p>turma, compartilhe as informações discuti-</p><p>das com os colegas e indicadas nos quadros produzidos pelos</p><p>grupos. Esses apontamentos servirão como registro da reflexão</p><p>da turma sobre os problemas da escola e do entorno, podendo</p><p>ser revisitados ao longo deste projeto.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>56</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 56D3-LING-2-EM-3080-P2-042-073-LA-G21.indd 56 19/02/20 15:2719/02/20 15:27</p><p>A tradição oral e seus ensinamentos são tão importantes e de tantas formas que</p><p>alguns estudos nos mostram não apenas sua necessidade no conhecimento cultural,</p><p>mas também no aprendizado de diversas áreas, como por exemplo na agricultura [...].</p><p>Quando pensamos nos povos afro-brasileiros, a preservação da tradição oral como</p><p>forma de ligação com nossa ancestralidade tem papel fundamental, tendo em vista um país</p><p>como o Brasil, onde mais de 50% da população é composta por negros. O reconhecimento</p><p>de nossos ancestrais como um povo com riquezas culturais é necessário; é também uma</p><p>forma de resistirmos e sobrevivermos. Esse resgate talvez seja o grande segredo para</p><p>preservação da memória dos povos. Quando conhecemos a história de nossos ancestrais</p><p>conseguimos sentir orgulho de nossa trajetória, orgulho de todas as lutas que traçamos</p><p>para chegarmos aqui e, com esse orgulho e conhecimento, nos tornamos agentes da</p><p>memória, nos tornamos responsáveis por não deixar que esse conhecimento morra, somos</p><p>responsáveis por transmiti-lo e mantê-lo vivo.</p><p>A tradição oral não se apresenta somente em formato de contos e mitos. Canções</p><p>e rezas também fazem parte da preservação histórica de povos indígenas e afro-</p><p>-brasileiros. Quando pensamos em terreiros compreendemos a importância histórica</p><p>que, por exemplo, rezadeiras e curandeiros possuem no resgate do poder da fé através</p><p>da palavra. [...]</p><p>Nesse cenário, é incontestável o poder da palavra falada. É através da oralidade que</p><p>povos constroem sua cultura, é através da palavra que um indivíduo se torna capaz de</p><p>construir sua identidade cultural. [...]</p><p>PINTO, Fabiana. Tradição oral e a preservação de culturas. Capitolina, 24 mar. 2016. Disponível</p><p>sociedade, além de reparar os vínculos familiares.</p><p>[...]</p><p>A psicóloga do Centro Judiciário de Solução de Confl itos e Cidadania (CEJUSC), Glaucia</p><p>Mayara Niedermeyer Orth, explica que a justiça restaurativa é um processo colaborativo em que</p><p>as partes afetadas, agressor e vítima, determinam a melhor forma de reparar o dano causado</p><p>pela transgressão. Ambas as partes são ouvidas e compartilham suas histórias a partir de um</p><p>questionário com perguntas empáticas, num processo de construção coletiva de saber. “Quando</p><p>temos um determinado problema ou confl ito, nós somos muito habituados a dizer como as</p><p>pessoas têm que ser ou como devem agir, e nos círculos isso fi ca por último. Primeiro nós vamos</p><p>nos conectar, vamos humanizar o outro para que seja possível trocar a lente pela qual nós</p><p>enxergamos essa pessoa e a partir disso conversar sobre os problemas”, descreve a psicóloga.</p><p>[...]</p><p>[...] A psicóloga ainda explica que a adolescência, por si só, traz muitas questões que</p><p>infl uenciam no comportamento e na saúde mental do indivíduo. Mas quando o adolescente</p><p>compreende a escola como um espaço de pertencimento, o estudante acaba criando redes</p><p>de apoio, que, por consequência, permitem que o adolescente lide melhor com os problemas.</p><p>GUEDES, Patrícia. Colégio Borell adota práticas da justiça restaurativa contra violência na escola.</p><p>Periódico: redação de mídia integrada, Ponta Grossa: Universidade Estadual de Ponta Grossa,</p><p>30 out. 2019. Disponível em: https://periodico.sites.uepg.br/index.php/educacao/1659-</p><p>colegio-borell-adota-praticas-da-justica-restaurativa-contra-violencia-na-escola. Acesso em: 14 jan. 2020.</p><p>113</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 113D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 113 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>1. Com base no texto que você leu, responda às questões.</p><p>a) Você já tinha ouvido falar em práticas restaurativas? Em caso afi rmativo, compartilhe o que</p><p>sabia com os colegas.</p><p>b) Releia esta fala da diretora do colégio: “Expulsar o aluno não resolve porque você não está</p><p>resolvendo o problema, apenas mudando o aluno de escola”. Em sua opinião, por que adotar</p><p>uma medida punitiva, como a expulsão de um estudante, não resolve o problema?</p><p>c) Ainda segundo a diretora da escola, embora os confl itos continuassem existindo, os casos de</p><p>violência diminuíram drasticamente. De que maneira as práticas restaurativas contribuíram</p><p>para a diminuição da violência?</p><p>2. Retome a atividade 3 da Etapa 1 deste projeto e responda aos itens a seguir.</p><p>a) Na situação de confl ito sobre a qual vocês refl etiram, geralmente há abertura para o diálogo</p><p>entre as partes envolvidas? Em caso afi rmativo, de que forma essa prática pode ter alguma</p><p>infl uência na resolução do confl ito?</p><p>b) Caso geralmente não haja abertura para diálogo, refl ita sobre o motivo de isso acontecer.</p><p>3. Releia este outro fragmento da reportagem e, depois, responda às questões.</p><p>[...] A psicóloga ainda explica que a adolescência, por si só, traz muitas questões</p><p>que infl uenciam no comportamento e na saúde mental do indivíduo. Mas quando o</p><p>adolescente compreende a escola como um espaço de pertencimento, o estudante</p><p>acaba criando redes de apoio, que, por consequência, permitem que o adolescente</p><p>lide melhor com os problemas.</p><p>a) A palavra pertencimento pode ser defi nida como um sentimento subjetivo de pertencer</p><p>a um espaço, ou seja, de se reconhecer como parte dele. Você concorda com o fato de que</p><p>esse sentimento pode contribuir para uma melhor convivência no ambiente escolar? Explique</p><p>sua resposta.</p><p>b) A psicóloga afi rma que a criação de “redes de apoio” permite que os estudantes lidem</p><p>melhor com os problemas.</p><p>§ Converse com os colegas e o professor</p><p>sobre o que são essas redes de apoio.</p><p>§ Você acredita que um círculo</p><p>de mediação de confl itos, em</p><p>que haja espaço para que</p><p>os estudantes dialoguem</p><p>e sejam ouvidos, pode se</p><p>configurar como uma</p><p>dessas redes? Discuta essa</p><p>questão com os colegas.</p><p>Atividades</p><p>GI</p><p>RA</p><p>FF</p><p>AR</p><p>TE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>Ver nas Orientações para o professor</p><p>respostas e sugestões para estas atividades.</p><p>114</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 114D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 114 28/02/20 10:1428/02/20 10:14</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>4. Na escola citada nesta etapa, localizada na cidade de Ponta Grossa (PR), o grupo de mediação</p><p>de conflitos foi criado com o intuito de diminuir os casos de violência.</p><p>a) Pense na escola em que você estuda. A violência está associada de alguma maneira aos</p><p>conflitos identificados pelos grupos anteriormente neste projeto?</p><p>b) Pensando nos conflitos que vocês identificaram na escola, você acredita que ações restau-</p><p>rativas poderiam contribuir para melhorar a convivência? Responda por escrito e depois</p><p>compartilhe sua resposta com os colegas.</p><p>Os círculos de mediação são caracterizados por encontros conduzidos por um mediador ou facilitador.</p><p>• Justiça restaurativa na escola: formando cidadãos por meio do diálogo</p><p>e da convivência participativa</p><p>Para saber mais sobre a adoção de práticas restaurativas no ambiente escolar, con-</p><p>sulte esse guia desenvolvido no âmbito do Projeto Ciranda, da Universidade Federal</p><p>de Minas Gerais (UFMG).</p><p>JAYME, Fernando Gonzaga; ARAÚJO, Mayara de Carvalho. Justiça restaurativa na</p><p>escola: formando cidadãos por meio do diálogo e da convivência participativa. Belo</p><p>Horizonte: Nós, 2018. Disponível em: https://ciranda.direito.ufmg.br/wp-content/</p><p>uploads/2018/08/cartilha-nos-versao-final.pdf. Acesso em: 28 jan. 2020.</p><p>No canal de compartilhamento escolhido pela turma, comparti-</p><p>lhem as respostas da atividade 4. Se possível, elaborem um texto</p><p>ou uma apresentação visual incluindo uma breve explicação sobre a relevância das</p><p>práticas restauradoras e como elas podem ser aplicadas em situações de conflito.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>M</p><p>ON</p><p>KE</p><p>YB</p><p>US</p><p>IN</p><p>ES</p><p>SI</p><p>M</p><p>AG</p><p>ES</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>/IS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>PH</p><p>OT</p><p>O</p><p>115</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 115D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 115 22/02/20 17:5122/02/20 17:51</p><p>https://ciranda.direito.ufmg.br/wp-content/uploads/2018/08/cartilha-nos-versao-final.pdf</p><p>Etapa</p><p>� meu lugar e o</p><p>do outro</p><p>Na escola apresentada na etapa anterior, que adotou um modelo de</p><p>práticas restaurativas no ambiente escolar, uma das atividades realizadas</p><p>durante os processos dos ciclos de mediação foi a adoção de um questio-</p><p>nário com perguntas empáticas. Você sabe o que é empatia? Converse com</p><p>os colegas a esse respeito.</p><p>Algumas pessoas definem a empatia como a capacidade de se colocar no</p><p>lugar do outro, imaginando o que ele sente. A empatia se estabelece quando</p><p>respeitamos os sentimentos do outro e estamos abertos a compreender</p><p>algumas de suas ações. Ter empatia é fundamental para que o gerenciamento</p><p>dos conflitos aconteça de maneira mais pacífica.</p><p>Para compreender a essência desse conceito, podemos nos inspirar na</p><p>cultura de alguns povos originários da África subsaariana que têm a filosofia</p><p>ubuntu como um dos pilares de sua sociedade.</p><p>Leia a seguir um texto para saber mais sobre a filosofia ubuntu.</p><p>3</p><p>HADYNYAH/GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO</p><p>HA</p><p>DY</p><p>NY</p><p>AH</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>/IS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>PH</p><p>OT</p><p>O</p><p>A aliança e o relacionamento entre as pessoas são um dos pilares da filosofia ubuntu.</p><p>116</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 116D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 116 24/02/20 14:4624/02/20 14:46</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Ubuntu: a filosofia africana que nutre o</p><p>conceito de humanidade em sua essência</p><p>Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência</p><p>de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento</p><p>das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria</p><p>“humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada</p><p>quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos. – De ubuntu, as pessoas devem saber</p><p>que o mundo não</p><p>é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza</p><p>humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia – detalhou, em entrevista exclusiva</p><p>ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de</p><p>Stellenbosch (África do Sul). Dirk conta que não há uma origem exata da palavra. Estudiosos</p><p>costumam se referir a ubuntu como uma ética “antiga” que vem sendo usada “desde tempos</p><p>imemoriais”. Alguns pesquisadores especulam sobre o Egito Antigo (parte de um complexo</p><p>de civilizações, do qual também faziam parte as regiões ao sul do Egito, atualmente no</p><p>Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália) como o local de origem do ubuntu como uma ética, mas</p><p>o próprio fundamento do ubuntu é geralmente associado à África Subsaariana e às línguas</p><p>bantas (grupo etnolinguístico localizado principalmente na África Subsaariana).</p><p>[...]</p><p>Na esfera política, o conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do</p><p>consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária. [...] A ideia de ubuntu</p><p>inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros.</p><p>[...]</p><p>LUZ, Natalia da. Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência.</p><p>Portal Raízes, c2016. Disponível em: www.portalraizes.com/ubuntu-filosofia-africana/. Acesso em: 12 dez. 2019.</p><p>I I I</p><p>EUROPA</p><p>ÁSIA</p><p>M</p><p>ar Verm</p><p>elho</p><p>Trópico de Câncer</p><p>0°0°</p><p>0°</p><p>OCEANO</p><p>ÍNDICO</p><p>OCEANO</p><p>ATLÂNTICO</p><p>Equador</p><p>Trópico de Capricórnio</p><p>Mar Medi te r r â n e o</p><p>M</p><p>er</p><p>id</p><p>ia</p><p>no</p><p>d</p><p>e</p><p>G</p><p>re</p><p>en</p><p>w</p><p>ic</p><p>h</p><p>TUNÍSIA</p><p>ÁFRICA</p><p>DO SUL</p><p>SUDÃO</p><p>DO SUL</p><p>ERITREIA</p><p>ETIÓPIA</p><p>SUDÃO</p><p>EGITOLÍBIA</p><p>ARGÉLIASAARA</p><p>OCIDENTAL</p><p>BURKINA</p><p>FASSO</p><p>NÍGERMALI</p><p>GANA</p><p>COSTA</p><p>DO</p><p>MARFIMLIBÉRIA</p><p>GUINÉ</p><p>SERRA</p><p>LEOA</p><p>GÂMBIA</p><p>GUINÉ-</p><p>-BISSAU</p><p>CABO</p><p>VERDE</p><p>SENEGAL</p><p>MAURITÂNIA</p><p>SEICHELES</p><p>COMORES</p><p>MAURÍCIO</p><p>MADAGASCAR</p><p>ESWATINI</p><p>MARROCOS</p><p>REP. CENTRO-</p><p>-AFRICANA</p><p>CHADE</p><p>CAMARÕES</p><p>BENIN</p><p>TOGO</p><p>NIGÉRIA</p><p>REP. DEM.</p><p>DO CONGOCONGO</p><p>GABÃO</p><p>UGANDA</p><p>RUANDABURUNDI</p><p>QUÊNIA</p><p>MALAUÍ</p><p>TANZÂNIA</p><p>MOÇAMBIQUE</p><p>ZÂMBIA</p><p>ZIMBÁBUE</p><p>BOTSUANA</p><p>LESOTO</p><p>ANGOLA</p><p>NAMÍBIA</p><p>SOMÁLIA</p><p>DJIBUTI</p><p>GUINÉ EQUATORIAL</p><p>SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE</p><p>0 910Norte da África</p><p>África subsaariana</p><p>A África subsaariana, local ao qual</p><p>o ubuntu é comumente associado,</p><p>corresponde à parte do continente</p><p>africano que fica ao sul do Deserto do</p><p>Saara. Essa região abriga uma grande</p><p>diversidade étnica, que se manifesta</p><p>em muitas línguas, religiões e</p><p>maneiras de expressão cultural.</p><p>AL</p><p>LM</p><p>AP</p><p>S</p><p>Localização geográfica da África subsaariana</p><p>Fonte: GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Atlas geográfico do estudante.</p><p>São Paulo: FTD, 2016. p. 130.</p><p>etnolinguístico: que se</p><p>refere à língua, à origem</p><p>e à cultura de um povo.</p><p>117</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 117D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 117 24/02/20 08:4624/02/20 08:46</p><p>118</p><p>1. Considere o texto apresentado nesta etapa para responder aos itens a seguir.</p><p>a) Você acredita que as ideias do ubuntu podem nos inspirar a ter atitudes mais empá-</p><p>ticas no dia a dia? Explique sua resposta.</p><p>b) Considere este fragmento do texto: “Uma pessoa com ubuntu tem consciência de</p><p>que é afetada quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos”. Você concorda</p><p>com o fato de que, quando uma pessoa é humilhada ou oprimida, os seus semelhan-</p><p>tes também o são? Explique sua resposta.</p><p>c) Em sua opinião, as ideias expressas no texto contribuem para a construção de uma</p><p>sociedade mais pacífi ca? De que maneira isso pode acontecer?</p><p>Atividades</p><p>Mulher da etnia xhosa, que pertence ao grupo</p><p>das línguas bantas, na África do Sul. Foto de 2016.</p><p>Nelson Mandela em visita a uma escola em Joanesburgo,</p><p>na África do Sul. O ex-presidente e ativista sul-africano</p><p>também pertencia à etnia xhosa. Foto de 1993.</p><p>M</p><p>AR</p><p>TI</p><p>N</p><p>HA</p><p>RV</p><p>EY</p><p>/A</p><p>LA</p><p>M</p><p>Y/</p><p>FO</p><p>TO</p><p>AR</p><p>EN</p><p>A</p><p>2. Os ideais do ubuntu inspiraram Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, e</p><p>Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, a lutar contra o apartheid, regime</p><p>segregacionista que vigorou naquele país entre 1948 e 1994, limitando os direitos da</p><p>população negra.</p><p>a) Em grupos, realizem uma pesquisa em fontes confi áveis sobre esse regime, reunindo</p><p>informações como:</p><p>§ os contextos políticos, sociais e históricos que favoreceram seu início e fi m;</p><p>§ as políticas segregacionistas que vigoraram durante o regime;</p><p>§ a luta de Nelson Mandela e Desmond Tutu para reestabelecer a igualdade na</p><p>África do Sul, enfatizando a maneira como os ideais do ubuntu os inspiraram;</p><p>caso encontrem o nome de outras fi guras importantes para essa luta, incluam</p><p>nas informações coletadas.</p><p>b) Compartilhem as informações reunidas com os outros grupos e discutam sobre a</p><p>maneira como podemos nos inspirar na luta antissegregacionista e nos ideais do</p><p>ubuntu para a construção de uma sociedade mais humana, igualitária e preocupada</p><p>com o bem-estar coletivo.</p><p>LOUISE GUBB/CORBIS SABA/GETTY IMAGES</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 118D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 118 24/02/20 14:4724/02/20 14:47</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>3. Leia o quadrinho a seguir, elaborado pelo ilustrador Caetano Cury.</p><p>CURY, C. O que é empatia? Téo & o</p><p>mini mundo, 15 jan. 2020. Disponível</p><p>em: http://www.teoeominimundo.</p><p>com.br/2020/01/15/tirinha-o-que-e-</p><p>empatia/. Acesso em: 18 jan. 2020.</p><p>a) Explique os dois usos da palavra lugar presentes nesse quadrinho.</p><p>b) Você considera importante conhecer o “lugar do outro”? Explique sua resposta.</p><p>c) Em suas relações interpessoais no dia a dia, você acredita que costuma estar aberto a com-</p><p>preender o lugar do outro?</p><p>4. Leia o texto a seguir sobre a empatia nas práticas restaurativas.</p><p>A justiça restaurativa convida os envolvidos a contarem suas histórias e</p><p>percepções sobre o ocorrido, em um ambiente seguro e de iguais oportunidades</p><p>de fala e de escuta. Todos são considerados protagonistas e podem partilhar suas</p><p>histórias, observações, perspectivas, sentimentos, vulnerabilidades, necessidades</p><p>e interesses em relação ao acontecido. Nos procedimentos restaurativos, é</p><p>fundamental a construção de empatia que permita aos participantes se conectarem</p><p>com sentimentos, necessidades e vulnerabilidades uns dos outros. A conexão entre</p><p>as pessoas é crucial para o reconhecimento de que todos têm algo a contribuir para</p><p>transformar o conflito em uma oportunidade de recomeço e construção.</p><p>JAYME, Fernando Gonzaga; ARAÚJO, Mayara de Carvalho. Justiça restaurativa na escola: formando cidadãos</p><p>por meio do diálogo e da convivência participativa. Belo Horizonte: Nós, 2018. Disponível em:</p><p>https://ciranda.direito.ufmg.br/wp-content/uploads/2018/08/cartilha-nos-versao-final.pdf. Acesso em: 16 jan. 2020.</p><p>a) Você já sabe que o diálogo e a escuta fazem parte dos ciclos de mediação de conflitos. Você</p><p>acredita que essas práticas ajudam na construção da empatia? Explique sua resposta.</p><p>b) Em sua opinião, de que maneira a construção da empatia pode ajudar no gerenciamento</p><p>dos conflitos?</p><p>CA</p><p>ET</p><p>AN</p><p>O</p><p>CU</p><p>RY</p><p>-</p><p>TÉ</p><p>O</p><p>&</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>I M</p><p>UN</p><p>DO</p><p>.</p><p>119</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 119D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 119 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>5. A empatia pode ser propiciada a partir da prática da escuta ativa. Sobre esse tema, leia o frag-</p><p>mento de texto a seguir.</p><p>No canal escolhido</p><p>pela turma, compar-</p><p>tilhem as informações que encontraram</p><p>na pesquisa realizada na atividade 2.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>§ Em grupos, debatam sobre a importância da escuta ativa e a maneira como ela pode</p><p>ajudar na construção de relações mais empáticas na escola.</p><p>[...]</p><p>A ferramenta mais importante para um</p><p>bom diálogo e para resolver confl itos é saber</p><p>escutar com atenção e vontade. Escutar</p><p>demanda decisão consciente e a vontade</p><p>de se livrar da distração e das intervenções.</p><p>Além de prestar total atenção na outra</p><p>pessoa, é preciso escutar também com o</p><p>coração e com a alma. Aprender a escutar</p><p>desenvolve paciência e humildade.</p><p>São técnicas para uma boa escuta:</p><p>• prestar atenção na outra pessoa,</p><p>permitindo que ela sinta e perceba o seu interesse pela sua história;</p><p>• entender a mensagem do ponto de vista do outro, ou seja, da pessoa que fala;</p><p>• escutar exige esforço para captar a totalidade da mensagem emitida, ou</p><p>seja, além das mensagens, os sentimentos e as emoções;</p><p>• prestar atenção na outra pessoa;</p><p>• escutar a mensagem e prestar atenção nos sentimentos e nas emoções;</p><p>• não interromper;</p><p>• não fazer julgamentos ou reprovações;</p><p>• ter empatia;</p><p>[...]</p><p>NUNES, Antonio Carlos Ozório. Diálogos e mediação de confl itos nas escolas: guia prático para educa-</p><p>dores. Brasília, DF: CNMP, 2014. Disponível em: www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/</p><p>Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Confl itos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_</p><p>Educadores.pdf. Acesso em: 18 jan. 2020.</p><p>SDI PRODUCTIONS/E+/GETTY IMAGES</p><p>A prática da escuta</p><p>ativa exige paciência</p><p>e humildade.</p><p>• Empatia: Se colocando no lugar do outro</p><p>Nesse vídeo, você encontra uma explicação cientí-</p><p>fica sobre a capacidade de identificar a emoção das</p><p>outras pessoas e de sentir empatia.</p><p>EMPATIA: se colocando no lugar do outro.</p><p>2014. Vídeo (3min45s). Publicado pelo canal</p><p>Minutos Psíquicos. Disponível em: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=aPs6q5vqnFs. Acesso em:</p><p>15 fev. 2020.</p><p>120</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 120D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 120 24/02/20 09:0024/02/20 09:00</p><p>https://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=aPs6q5vqnFs</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Etapa</p><p>� poder do diálogo</p><p>Você já sabe que o diálogo é parte fundamental nas</p><p>práticas restaurativas e refletiu, também, sobre como</p><p>o exercício da empatia e da escuta ativa têm um poder</p><p>positivo na construção das relações interpessoais. No</p><p>entanto, assim como o diálogo pode contribuir para</p><p>construir relações pacíficas, ele também tem o poder de</p><p>fragilizar relações humanas. Por isso, aprender a expres-</p><p>sar sentimentos de maneira respeitosa e empática, sem</p><p>julgamentos, é fundamental para não impactar negati-</p><p>vamente a comunicação entre os interlocutores. Nesta</p><p>etapa, você vai conhecer algumas técnicas de comunica-</p><p>ção que podem ajudá-lo tanto na mediação de conflitos</p><p>no ambiente escolar quanto fora da escola.</p><p>Vamos começar falando da comunicação compassiva,</p><p>também chamada de comunicação não violenta (CNV).</p><p>Essa técnica foi desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Marshall Rosenberg e sua</p><p>equipe ao longo das últimas décadas e consiste no exercício de se expressar de maneira</p><p>mais assertiva.</p><p>Há um tipo de comunicação que o autor chama de “comunicação que bloqueia a compai-</p><p>xão”. Segundo ele, essa forma específica de linguagem contribui para o nosso comportamento</p><p>violento em relação aos outros e a nós mesmos, sendo uma “comunicação alienante da vida”.</p><p>Entre os tipos de comunicação alienante da vida estão julgamentos, insultos, depreciação,</p><p>rotulação e crítica.</p><p>Há várias técnicas de comunicação não violenta que podemos incluir em nosso</p><p>repertório para comunicarmos nossos sentimentos e estabelecermos uma conexão com</p><p>as pessoas ao nosso redor. Nesta etapa, vamos focar em quatro técnicas, que podem</p><p>ajudar tanto nos círculos restaurativos quanto no dia a dia. São elas:</p><p>• observar uma situação sem emitir julgamento ou avaliação;</p><p>• identificar os próprios sentimentos e expressá-los com assertividade;</p><p>• identificar a causa desse sentimento, isto é, a necessidade que está ou não</p><p>está sendo atendida;</p><p>• fazer um pedido específico de maneira clara e objetiva.</p><p>4</p><p>Quando assertivo, o diálogo tem o poder de</p><p>construir relações mais pacíficas e positivas.</p><p>FA</p><p>TC</p><p>AM</p><p>ER</p><p>A/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>121</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 121D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 121 22/02/20 17:5122/02/20 17:51</p><p>A observação sem julgamento ou avaliação</p><p>Um dos principais componentes da CNV é a observação sem avaliação;</p><p>ou seja, o ato de relatar situações ou de se referir a outras pessoas sem</p><p>expressar juízos de valor ou julgamentos. Quando expressamos nossas</p><p>observações com algum tom de avaliação, as chances de que nosso inter-</p><p>locutor não entenda o que pretendemos comunicar é maior, pois ele pode</p><p>interpretar nossa mensagem como uma crítica. Leia, a seguir, um frag-</p><p>mento do livro em que esse assunto é abordado.</p><p>O primeiro componente da CNV acarreta necessariamente separar</p><p>observação de avaliação. Precisamos observar claramente, sem acrescentar</p><p>nenhuma avaliação, o que vemos, ouvimos ou tocamos que afeta nossa</p><p>sensação de bem-estar.</p><p>As observações constituem um elemento importante na CNV, em que</p><p>desejamos expressar clara e honestamente a outra pessoa como estamos.</p><p>No entanto, ao combinarmos a observação com a avaliação, diminuímos</p><p>a probabilidade de que os outros ouçam a mensagem que desejamos lhes</p><p>transmitir. Em vez disso, é provável que eles a escutem como crítica e,</p><p>assim, resistam ao que dizemos.</p><p>A CNV não nos obriga a permanecermos completamente objetivos e a</p><p>nos abstermos de avaliar. Ela apenas requer que mantenhamos a separação</p><p>entre nossas observações e nossas avaliações. A CNV é uma linguagem</p><p>dinâmica, que desestimula generalizações estáticas; ao contrário, as</p><p>avaliações devem sempre se basear nas observações específi cas de cada</p><p>momento e contexto. [...]</p><p>ROSENBERG, Marshall Bertram. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar</p><p>relacionamentos pessoais e profi ssionais. São Paulo: Ágora, 2003. p. 49.</p><p>Um exemplo de comunicação com avaliação é quando usamos verbos</p><p>com conotação avaliatória. Veja:</p><p>observação com avaliação associada</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>João vive deixando as coisas para depois. João só estuda na véspera das provas.</p><p> </p><p>observação isenta de avaliação</p><p>122</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 122D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 122 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>× Você está sempre ocupado quando preciso de você.</p><p>× Você jamais respondeu para mim.</p><p>Nas últimas vezes em que tentei falar com você,</p><p>você estava ocupado.</p><p>Naquele dia em que esperei sua resposta, você</p><p>não respondeu.</p><p>As palavras sempre, nunca e jamais, por exemplo, são muitas vezes</p><p>usadas como exagero de linguagem em casos de associação de observa-</p><p>ções com avaliações. Esse recurso pode provocar, em vez de compaixão,</p><p>uma reação defensiva em quem recebe a mensagem. Por exemplo:</p><p>Em vez disso, essas mesmas sentenças podem ser formuladas de uma</p><p>maneira mais objetiva, assertiva e sem tom acusatório. Veja:</p><p>A identificação e expressão dos sentimentos</p><p>Você sabe nomear e comunicar seus sentimentos? Pode parecer</p><p>simples, mas é muito comum que não consigamos expressar nossos sen-</p><p>timentos com clareza ou, ainda, que não saibamos ao certo o que sentimos.</p><p>Além disso, é possível que, muitas vezes, nosso repertório de palavras</p><p>para comunicar sentimentos seja limitado, variando entre “triste” e “alegre”.</p><p>Entre esses dois estados, no entanto, há muitas nuances. Conhecer pala-</p><p>vras por meio das quais podemos expressar sentimentos nos ajuda a</p><p>estabelecer diálogos mais precisos e objetivos.</p><p>Veja, a seguir, algumas técnicas que podem ser adotadas para esse fim.</p><p>Ampliar o vocabulário</p><p>de palavras</p><p>que expressam</p><p>sentimentos é</p><p>importante para</p><p>comunicarmos, de</p><p>maneira assertiva,</p><p>nossas necessidades</p><p>do dia a dia.</p><p>projeto 4 • PRÁTICAS E DIÁLOGOSprojeto 4 • PRÁTICAS E DIÁLOGOS</p><p>CR</p><p>EA</p><p>TI</p><p>VE</p><p>-T</p><p>OU</p><p>CH</p><p>/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>123</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 123D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 123 22/02/20 17:5122/02/20 17:51</p><p>Sentimentos versus não sentimentos</p><p>Uma confusão comum gerada por nossa linguagem é o uso do verbo sentir sem</p><p>realmente expressar nenhum sentimento. Por exemplo, na frase “Sinto que não consegui</p><p>um acordo justo”, a palavra sinto</p><p>poderia ser mais precisamente substituída por penso,</p><p>creio ou acho. Em geral, os sentimentos não estão sendo claramente expressos quando</p><p>a palavra sentir é seguida de:</p><p>A. Termos como que, como, como se:</p><p>“Sinto que você deveria saber isso melhor do que ninguém.”</p><p>“Sinto-me como um fracassado.”</p><p>[...]</p><p>Distinga sentimentos de pensamentos.</p><p>B. Vocábulo que seguido de pronomes como eu, ele, ela, eles, isso, etc.:</p><p>“Sinto que eu tenho de estar constantemente disponível.”</p><p>“Sinto que isso é inútil.”</p><p>C. Vocábulo que seguido de pronomes ou palavras que se referem a pessoas:</p><p>“Sinto que Lúcia tem sido bastante responsável.”</p><p>“Sinto que meu chefe está me manipulando.”</p><p>Em contrapartida, não é necessário usarmos a palavra sentir quando estamos de</p><p>fato expressando um sentimento: podemos dizer: “Estou me sentindo irritado” ou,</p><p>simplesmente, “Estou irritado”.</p><p>[...]</p><p>Construindo um vocabulário para os sentimentos</p><p>Ao expressar nossos sentimentos, seria muito útil se utilizássemos palavras que</p><p>se referem a emoções específi cas em vez de palavras vagas ou genéricas. Por exemplo,</p><p>se dissermos “Sinto-me bem a esse respeito”, a palavra bem pode signifi car alegre,</p><p>excitado, aliviado ou várias outras emoções. Palavras como bem ou mal impedem que</p><p>o ouvinte se conecte facilmente ao que podemos de fato estar sentindo.</p><p>ROSENBERG, Marshall Bertram. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos</p><p>pessoais e profi ssionais. São Paulo: Ágora, 2003. p. 62-63, 68-69.</p><p>Diferenciando causa de estímulo:</p><p>como identifi car as próprias necessidades</p><p>Assim como os conflitos são inerentes à vida, os sentimentos considerados negativos</p><p>também são. Todos nós sentimos raiva, tristeza, irritação ou frustração. Por isso, devemos</p><p>procurar lidar com esses sentimentos de uma maneira construtiva, encarando-os como</p><p>uma oportunidade de, mais uma vez, investigarmos as necessidades que não estão sendo</p><p>atendidas para que não culminem em atitudes impulsivas ou ações violentas.</p><p>Um aspecto importante na maneira como lidamos com os sentimentos é diferenciar</p><p>o estímulo da causa. É comum atribuirmos nossa raiva à ação de outra pessoa e, muitas</p><p>vezes, “descontar” tudo no outro. No entanto, é importante investigar as necessidades e</p><p>os anseios por trás daquele sentimento e, no momento de comunicá-lo a outra pessoa,</p><p>fazer uso das mensagens eu. Sobre esse tema, veja o trecho de texto a seguir.</p><p>M</p><p>AL</p><p>JU</p><p>K/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>124</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 124D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 124 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>Uso das “mensagens-eu” (falar na primeira pessoa)</p><p>Em quaisquer situações de raiva e de fortes emoções é preciso inicialmente:</p><p>i) identifi car o sentimento;</p><p>ii) determinar a causa principal, ou seja, a necessidade que está por trás do</p><p>sentimento e que não está sendo atendida;</p><p>iii) e, por fi m, decidir como administrar a emoção e a situação.</p><p>Para um maior sucesso nos diálogos em geral, e diálogos difíceis em particular,</p><p>devemos fazer o uso da linguagem “eu”, que é uma ferramenta excelente para uma fala</p><p>assertiva. As “mensagens-eu” são formas simples de dizer o que cada pessoa envolvida</p><p>no diálogo sentiu em relação a um fato ocorrido no passado e o que sente no momento.</p><p>As “mensagens-eu” são importantes durante um confl ito, para restabelecer diálogos,</p><p>para superar ressentimentos, não são acusatórias e ajudam a pessoa a ver o “outro lado”.</p><p>São exemplos de “mensagens-eu”: “eu me sinto ofendido por causa disso”, “eu não</p><p>gostei daquilo”; “eu penso que esta é a melhor opção por causa disso”; “eu senti raiva</p><p>por esse motivo”; “estou triste porque você pegou o meu material”; “em minha opinião</p><p>isto poderia ser resolvido de outra forma, o que você acha disto?”.</p><p>As “mensagens-você” são acusatórias, invadem o íntimo da outra pessoa e geralmente</p><p>impõem culpa ao outro. Elas fazem com que as pessoas revidem ou se retirem da conversa.</p><p>São exemplos de “mensagens-você”: “você me irrita”; “você está errado”.</p><p>NUNES, Antonio Carlos Ozório. Diálogos e mediação de confl itos nas escolas:</p><p>guia prático para educadores. Brasília, DF: CNMP, 2014. Disponível em: https://www.cnmp.mp.br/portal/</p><p>images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_</p><p>de_Confl itos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf. Acesso em: 29 jan. 2020.</p><p>Como fazer pedidos</p><p>Após identificarmos o que estamos sentindo, outro elemento importante é reco-</p><p>nhecer as causas por trás desses sentimentos: ou seja, as nossas necessidades</p><p>básicas que foram afetadas em determinada situação para que nos sentíssemos</p><p>da maneira como nos sentimos.</p><p>Ao identificarmos essas necessidades, é comum que precisemos fazer</p><p>pedidos para outras pessoas. Neste momento, também convém incorporar</p><p>algumas técnicas de comunicação para que nossos pedidos sejam feitos de</p><p>maneira objetiva. Para isso, recomenda-se sempre comunicar o que queremos, e</p><p>não o que não queremos. Trata-se do ato de usar a linguagem de ações positivas</p><p>e de expressar nossas necessidades de uma maneira clara, objetiva e precisa.</p><p>Por exemplo:</p><p>Em vez de dizer:</p><p>projeto 4 • PRÁTICAS E DIÁLOGOS</p><p>Dizer:</p><p>× Eu não gostaria que você falasse</p><p>dessa maneira comigo.</p><p>Eu gostaria que você falasse comigo de</p><p>um jeito mais educado e gentil.</p><p>M</p><p>AL</p><p>JU</p><p>K/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>125</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 125D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 125 22/02/20 17:5122/02/20 17:51</p><p>https://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/Di%C3%A1logos_e_Media%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf</p><p>1. Após conhecer algumas técnicas de comunicação não violenta, responda aos itens.</p><p>a) Sintetize, com suas palavras, a maneira como a comunicação pode causar</p><p>mal-entendidos.</p><p>b) Você pratica algum dos hábitos de comunicação violenta vistos nesta etapa? Se</p><p>sim, cite quais e comente se isso já foi um fator de agravamento de confl itos em</p><p>seu dia a dia.</p><p>2. Você refl etiu sobre a importância de usar palavras que expressem com assertividade os</p><p>sentimentos. Agora, juntem-se em grupos de no máximo quatro estudantes e façam o</p><p>que se pede.</p><p>a) Elaborem uma lista de palavras que podem ser usadas para expressar os sentimentos</p><p>quando suas necessidades estão sendo atendidas e outra lista para expressar senti-</p><p>mentos quando suas necessidades não estão sendo atendidas. Para isso, vocês podem</p><p>agrupá-las em:</p><p>Atividades</p><p>b) Compartilhem as palavras agrupadas com os outros grupos e comparem-nas.</p><p>Identifiquem palavras que vocês acreditam que deveriam estar em outro grupo</p><p>e discutam por quê. Vejam, também, as palavras que os outros grupos citaram e</p><p>que não foram mencionadas pelo seu grupo. Por fim, montem listas únicas para</p><p>cada item.</p><p>3. Sobre a expressão dos sentimentos, responda às questões.</p><p>a) De modo geral, você acredita que consegue nomear e</p><p>expressar seus sentimentos em situações de confl ito?</p><p>b) Pense em uma situação de confl ito que você vivenciou</p><p>recentemente e procure descrever os sentimentos</p><p>que você teve nesse momento. Você acredita que,</p><p>durante o confl ito, usou palavras que pode-</p><p>riam comunicar adequadamente o que</p><p>sentiu?</p><p>c) Há alguma palavra mencionada na ativi-</p><p>dade 2 desta etapa que você não conhecia</p><p>ou não costumava usar, mas que descreve</p><p>sentimentos ou sensações que você já expe-</p><p>rienciou? Em caso afi rmativo, que palavra é essa?</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>Palavras que expressam</p><p>necessidades</p><p>que estão sendo atendidas</p><p>Palavras que expressam</p><p>necessidades</p><p>que não estão sendo atendidas</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>126</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 126D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 126 22/02/20 17:5122/02/20 17:51</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>d) Pense em situações que você vivencia na escola em que suas necessidades são atendidas e situações em</p><p>que suas necessidades não são atendidas. Por</p><p>exemplo:</p><p>� o que, na escola, você diria que o deixa “feliz”? Agora, pense em outra palavra da lista elaborada na</p><p>atividade anterior que você poderia usar para expressar esse sentimento com mais assertividade.</p><p>� por outro lado, pense em algo que, normalmente, você diria que o deixa “triste” e procure expressar</p><p>esse sentimento usando outra palavra da lista que você acredita que comunique melhor o que sentiu.</p><p>Agora, escreva frases que expressem essas situações. Exemplo:</p><p>A maneira como a professora explica a matéria me deixa envolvido.</p><p>e) Em círculos, compartilhem suas frases e, se desejarem, façam um breve relato sobre as situações que moti-</p><p>varam vocês a criá-las. Ouçam os relatos dos colegas com atenção, praticando a escuta ativa. Verifiquem</p><p>que estímulos para os sentimentos que vocês experienciam na escola são parecidos e quais são muito</p><p>particulares e individuais. Falar sobre essas situações pode ser muito desafiador, uma vez que as vulnera-</p><p>bilidades serão mostradas. No entanto, esse momento pode ser uma oportunidade de criar uma conexão</p><p>com o outro e de enxergar não só as próprias necessidades, mas também as dos colegas.</p><p>4. Sobre a maneira de expressar sentimentos supostamente negativos, responda às seguintes questões.</p><p>a) Em geral, você acredita que, ao expressar sentimentos como raiva e frustração, costuma responsabilizar</p><p>uma pessoa pelo que sente?</p><p>b) Você considera importante investigar os motivos que podem ter causado esses sentimentos em você?</p><p>Explique sua resposta.</p><p>c) Tente se lembrar de uma situação de conflito em que você ficou com raiva, triste ou frustrado e faça o que</p><p>se pede nos itens a seguir.</p><p>� Reflita sobre essa situação, procurando relembrar o que aconteceu, onde você estava e se havia outras</p><p>pessoas envolvidas que, na sua avaliação, disseram ou fizeram coisas que causaram esse sentimento</p><p>em você.</p><p>� Agora, procure distinguir o estímulo da causa. Para isso, tente identificar uma necessidade básica que</p><p>foi afetada pela ação da outra pessoa.</p><p>� Por fim, pense em uma mensagem para essa pessoa, procurando não usar a construção “Fiquei com</p><p>raiva porque ‘você’...”. Uma maneira de iniciar essa frase pode ser a seguinte:</p><p>Naquele dia, quando você fez/agiu [descrever a ação da pessoa], eu</p><p>senti raiva porque [descrever a necessidade básica que foi afetada].</p><p>• Entre os muros da escola</p><p>O filme, baseado no romance escrito por François Bégaudeau, expõe a realidade de</p><p>uma escola de Ensino Médio localizada na periferia de Paris. As diferenças étnicas,</p><p>sociais e culturais, somadas a um contexto de vulnerabilidade econômica, geram</p><p>uma série de conflitos relacionados à falta de diálogo.</p><p>ENTRE os muros da escola. Direção: Laurent Cantet. França, 2008. Vídeo (128 min).</p><p>EN</p><p>TR</p><p>E</p><p>OS</p><p>M</p><p>UR</p><p>OS</p><p>D</p><p>A</p><p>ES</p><p>CO</p><p>LA</p><p>, L</p><p>AU</p><p>RE</p><p>NT</p><p>C</p><p>AN</p><p>TE</p><p>T.</p><p>IM</p><p>OV</p><p>IS</p><p>IO</p><p>N,</p><p>F</p><p>RA</p><p>NÇ</p><p>A,</p><p>2</p><p>00</p><p>9.</p><p>O carinho com que minha colega me ajudou naquela atividade fez</p><p>que eu me sentisse grato.</p><p>127</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 127D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 127 24/02/20 08:5624/02/20 08:56</p><p>5. Até aqui, você viu que a construção de diálogos positivos deve ter um esforço das duas partes</p><p>envolvidas: a pessoa que emite a mensagem, que deve selecionar as palavras e refl etir sobre</p><p>o modo como expressa seus sentimentos, e a pessoa que ouve, que, por sua vez, deve estar</p><p>aberta a compreender as razões e os motivos do outro, praticando a escuta ativa e procurando</p><p>exercer a empatia.</p><p>§ Agora, em grupos, vocês vão fazer uma dinâmica para exercitar o uso das mensagens eu</p><p>em detrimento das mensagens você. Para isso, sigam estas instruções.</p><p>Usar as técnicas de comunicação</p><p>não violenta contribui para que os</p><p>diálogos sejam mais pacíficos.</p><p>1. Pensem em uma situação de conflito hipotética que deixe uma das partes chateada,</p><p>com raiva ou frustrada. Considerem:</p><p>• a causa do conflito;</p><p>• os dois lados envolvidos;</p><p>• caso essa situação se agrave, o que teria causado isso.</p><p>2. Escolham uma pessoa para representar cada lado do conflito. A pessoa que teve suas</p><p>necessidades básicas afetadas deve dizer ao outro o que sentiu usando a construção</p><p>das mensagens eu, que deve levar dois momentos em consideração:</p><p>• no primeiro, a pessoa expressa o seu sentimento: “Eu sinto...”, “Eu estou chateado...”.</p><p>• no segundo, a justificativa: “Eu estou chateado porque você me chamou por um</p><p>apelido de que não gosto”.</p><p>3. Para a construção dos diálogos, considerem o que aprenderam até aqui:</p><p>• separar avaliação de julgamento;</p><p>• expressar os sentimentos com assertividade;</p><p>• explicar a necessidade básica que foi afetada pela ação do outro;</p><p>• praticar a escuta ativa.</p><p>4. No final, todos podem discutir a melhor maneira de resolver esse conflito de modo que</p><p>se chegue a um consenso.</p><p>Façam um</p><p>resumo dos</p><p>principais pontos da comunicação</p><p>não violenta aprendidos nesta</p><p>etapa e compartilhem no canal</p><p>escolhido pela turma.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>KLAUS VEDFELT/GETTY IMAGES</p><p>Vocês podem fazer várias rodadas dessa dinâmica e alternar os papéis, de modo que</p><p>todos os estudantes participem.</p><p>128</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 128D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 128 22/02/20 17:5222/02/20 17:52</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Etapa</p><p>5 Direitos humanos</p><p>e cultura de paz</p><p>Você já ouviu falar na Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos (DUDH)?</p><p>Elaborada por representantes de</p><p>diferentes origens e culturas, a DUDH</p><p>foi promulgada em Assembleia Geral da</p><p>Organização das Nações Unidas (ONU)</p><p>em 1948, após o fim da Segunda Guerra</p><p>Mundial. A principal motivação para a</p><p>criação desse documento foi evitar que</p><p>crimes contra a dignidade humana, como</p><p>o Holocausto, ocorressem novamente. O</p><p>objetivo é garantir que todas as pessoas</p><p>usufruam dos direitos considerados</p><p>inerentes aos seres humanos, indepen-</p><p>dentemente de raça, nacionalidade, etnia,</p><p>sexo ou religião.</p><p>Leia, a seguir, alguns artigos da DUDH.</p><p>[...]</p><p>Artigo 1o</p><p>Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados</p><p>de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.</p><p>Artigo 2o</p><p>Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na</p><p>presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo,</p><p>de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de</p><p>fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. [...]</p><p>[...]</p><p>Artigo 7o</p><p>Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei.</p><p>Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente</p><p>Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.</p><p>ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Paris, 1948. Texto traduzido para o</p><p>português. Disponível em: https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf. Acesso em: 29 jan. 2020.</p><p>Crianças na United Nations International Nursery School (Creche</p><p>Internacional das Nações Unidas, em tradução livre para o português) com</p><p>um pôster da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no século XX.</p><p>UN</p><p>IV</p><p>ER</p><p>SA</p><p>L</p><p>HI</p><p>ST</p><p>OR</p><p>Y</p><p>AR</p><p>CH</p><p>IV</p><p>E/</p><p>UN</p><p>IV</p><p>ER</p><p>SA</p><p>L</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>G</p><p>RO</p><p>UP</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>129</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 129D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 129 24/02/20 08:5824/02/20 08:58</p><p>Ainda com o objetivo de evitar a ocorrência de eventos violentos e de garantir</p><p>a pacificação das nações, a ONU publicou, em 1999, a Declaração e Programa de</p><p>Ação sobre uma Cultura de Paz. Leia, a seguir, o artigo 1o dessa declaração.</p><p>Artigo 1o</p><p>Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições,</p><p>comportamentos e estilos de vida baseados em:</p><p>a) Respeito à vida, fim da violência e promoção e prática da não violência por</p><p>meio da educação, do diálogo e da cooperação. [...]</p><p>ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Resolução 53/243: Declaração e Programa de Ação sobre uma</p><p>Cultura</p><p>de Paz. In: ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Resoluções adotadas pela Assembleia Geral.</p><p>Tradução do autor. 6 out. 1999. Disponível em: https://undocs.org/en/A/RES/53/243. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>Como você pôde ver, segundo a ONU, a educação e o diálogo exercem um</p><p>papel importante na construção de uma sociedade mais pacífica, igualitária e</p><p>comprometida com os direitos humanos. Por esse motivo, algumas escolas têm</p><p>se apoiado na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz para</p><p>coibir problemas que acontecem no espaço escolar, como a prática do bullying – a</p><p>intimidação sistemática e recorrente que causa à vítima sofrimento psicológico,</p><p>prejuízo aos estudos e traumas. Veja, a seguir, um trecho de reportagem que</p><p>traz um exemplo bem-sucedido de programa de combate ao bullying pautado na</p><p>cultura de paz em uma escola da periferia de São Paulo.</p><p>"Diário de Escola": escola do Jardim Ângela cria grupo de</p><p>teatro de alunos e reduz casos de bullying</p><p>No Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo, a Escola Estadual Luís Magalhães de</p><p>Araújo investiu na discussão sobre o bullying e em uma cultura de paz para diminuir</p><p>os casos. A escola tem 1 600 alunos no ensino médio, todos na faixa entre 15 e 17</p><p>anos – uma etapa da vida que pode ser bem difícil. Para eles, a escola é um refúgio.</p><p>[...]</p><p>A escola criou um grupo de teatro. A ideia foi da professora Risolândia Dantas</p><p>Guerra, mediadora de conflitos. “A ideia surgiu a partir do momento [em] que eu</p><p>percebi muitos problemas e conflitos, problemas de bullying dentro da escola. Aí</p><p>eu comecei com o projeto pra promoção de uma cultura de paz dentro da escola</p><p>e os alunos do teatro são disseminadores desse projeto.”</p><p>[...]</p><p>CAMPOS, Ana Paula; TOLEDO, Luiz Fernando. "Diário de Escola": escola do Jardim Ângela cria grupo de</p><p>teatro de alunos e reduz casos de bullying. G1, São Paulo, 11 out. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/</p><p>sp/sao-paulo/educacao/noticia/2019/10/11/diario-de-escola-escola-do-jardim-angela-cria-grupo</p><p>-de-teatro-de-alunos-e-reduz-casos-de-bullying.ghtml. Acesso em: 3 fev. 2020.</p><p>GOODSTUDIO/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>130130</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 130D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 130 22/02/20 17:5222/02/20 17:52</p><p>https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/educacao/noticia/2019/10/11/diario-de-escola-escola-do-jardim-angela-cria-grupo-de-teatro-de-alunos-e-reduz-casos-de-bullying.ghtml</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>1. Em grupos, respondam aos itens a seguir sobre a DUDH.</p><p>a) Qual é a importância da DUDH para a sociedade?</p><p>b) Pesquisem a declaração completa e respondam: Que ações podem ser consi-</p><p>deradas violações dos direitos humanos?</p><p>c) Vocês já presenciaram violações aos direitos humanos em seu entorno? Em</p><p>caso afi rmativo, citem quais.</p><p>d) Cabe ao Estado garantir que os artigos da DUDH sejam cumpridos ao criar</p><p>políticas públicas que protejam as populações mais vulneráveis e ao investigar</p><p>denúncias. No Brasil existe o Disque 100, um número para o qual qualquer</p><p>cidadão pode ligar para denunciar violações desse tipo que tenha presenciado</p><p>ou vivenciado. Façam uma pesquisa sobre o Disque 100 e escrevam outras</p><p>informações que encontrarem sobre esse canal de comunicação, como as</p><p>atitudes que são tomadas a partir da denúncia e os principais casos atendidos.</p><p>e) Por que é importante denunciar casos de desrespeito aos direitos humanos?</p><p>2. Sobre a cultura de paz nas escolas e a prática do bullying, refl ita sobre as questões</p><p>a seguir.</p><p>a) Você já presenciou ou vivenciou bullying no espaço escolar?</p><p>� Caso tenha sofrido a violência, você encontrou acolhimento por parte dos</p><p>colegas ou dos funcionários da escola?</p><p>� Caso tenha presenciado, você tomou alguma atitude? Se sim, qual?</p><p>b) Além do bullying, que outras atitudes você acredita que devam ser coibidas</p><p>na escola? Explique suas respostas.</p><p>c) Na escola apresentada no texto desta etapa, os casos de bullying foram</p><p>amenizados a partir da criação de um grupo de teatro. Pensando no con-</p><p>texto da escola em que você estuda, que ações ou projetos você acredita</p><p>que poderiam contribuir para fi rmar a cultura de paz nesse espaço e evitar</p><p>problemas indesejados, como o bullying?</p><p>Atividades</p><p>No canal</p><p>escolhido</p><p>pela turma, compartilhem as</p><p>informações que vocês encon-</p><p>traram sobre a Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos</p><p>e sobre o Disque 100.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>IM</p><p>AG</p><p>E</p><p>SO</p><p>UR</p><p>CE</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>É importante cultivar a cultura</p><p>de paz nas escolas para que a</p><p>convivência nesse ambiente</p><p>seja acolhedora.</p><p>131</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 131D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 131 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>Para consolidar os aprendi-</p><p>zados deste projeto, vocês vão</p><p>se organizar para criar círculos</p><p>restaurativos em sua escola</p><p>a partir da identificação dos</p><p>principais conflitos existentes</p><p>nesse ambiente. Para isso, a</p><p>proposta é elaborar um ques-</p><p>tionário, que pode ser aplicado</p><p>apenas entre os estudantes ou</p><p>estendido a toda a comunidade</p><p>escolar, como funcionários,</p><p>professores e até os pais.</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>O grupo de mediação é uma</p><p>estratégia eficiente para a resolução</p><p>de conflitos no ambiente escolar.</p><p>Definam o espaço da pesquisa</p><p>Pensem em quem vai participar da pesquisa: se apenas os estudantes da escola; se os pro-</p><p>fessores e funcionários também vão responder ao questionário; se os pais e a comunidade</p><p>escolar também vão participar etc.</p><p>• Pro dia nascer feliz</p><p>Esse documentário apresenta depoimentos de jovens estudantes de escolas</p><p>das redes pública e particular sobre suas experiências no ambiente escolar,</p><p>seus medos, anseios, projetos e inquietações.</p><p>PRO DIA nascer feliz. Direção: João Jardim. Brasil: Tambellini Filmes: Fogo Azul</p><p>Filmes, 2006. Vídeo (88 min).</p><p>Organização dos grupos</p><p>Definam como vão se organizar para realizar a pesquisa. Caso tenham decidido por esten-</p><p>dê-la aos arredores da escola, uma opção é se dividirem em dois grupos: um para aplicar o</p><p>questionário no entorno e outro para aplicar o questionário na escola.</p><p>1</p><p>2</p><p>KL</p><p>AU</p><p>S</p><p>VE</p><p>DF</p><p>EL</p><p>T/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>PR</p><p>O</p><p>DI</p><p>A</p><p>NA</p><p>SC</p><p>ER</p><p>F</p><p>EL</p><p>IZ</p><p>, S</p><p>AN</p><p>DR</p><p>A</p><p>W</p><p>ER</p><p>NE</p><p>CK</p><p>.</p><p>CO</p><p>PA</p><p>CA</p><p>BA</p><p>NA</p><p>F</p><p>IL</p><p>M</p><p>ES</p><p>. B</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L,</p><p>2</p><p>00</p><p>5.</p><p>Grupo de mediação</p><p>de conflitos</p><p>132</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 132D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 132 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Elaboração do questionário</p><p>Discutam o formato do questionário: se será com perguntas abertas, com espaço para que</p><p>os participantes da pesquisa deem opiniões e expressem seus sentimentos em relação aos</p><p>problemas que os afetam, ou se serão perguntas mais objetivas, com alternativas fechadas</p><p>e respostas Sim e Não. Outra opção, também, é misturar os dois formatos.</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>Questionário – Identifi cando os problemas na escola</p><p>1. Você se sente seguro na escola?</p><p>Sim. Não.</p><p>2. Você já sofreu algum tipo de discriminação</p><p>no ambiente escolar?</p><p>Sim. Não.</p><p>3. Você já sofreu ou já presenciou situações</p><p>de bullying?</p><p>Sim. Não.</p><p>4. Você já presenciou ou já se envolveu em</p><p>discussões relacionadas a divergências de</p><p>opinião?</p><p>Sim. Não.</p><p>5. Você já presenciou ou se envolveu em situa-</p><p>ções de agressão ?</p><p>Sim. Não.</p><p>6. Você já presenciou ou já foi vítima de roubos</p><p>na escola?</p><p>Sim. Não.</p><p>Análise dos resultados</p><p>Por fim, analisem os resultados obtidos e verifiquem a</p><p>existência de problemas mais graves, como casos de bullying</p><p>e de discriminações. Ter conhecimento sobre situações como</p><p>essas pode ajudá-los a encaminhar à direção da escola propostas</p><p>de campanhas de conscientização e programas que visem esta-</p><p>belecer a paz no ambiente escolar. Os conflitos que ainda não</p><p>evoluíram para situações mais extremas podem ser tratados nos</p><p>círculos de construção da paz e nos círculos restaurativos, a fim</p><p>de evitar que se agravem.</p><p>Apresentação dos resultados</p><p>Definam</p><p>a melhor maneira de organizar o resultado considerando o tipo de questionário que</p><p>adotaram. Vocês podem, por exemplo, criar gráficos ou tabular os resultados usando</p><p>planilhas eletrônicas.</p><p>Vejam a seguir um modelo de roteiro que pode ser aplicado.</p><p>Adaptem o roteiro conforme as decisões do grupo e o contexto da escola. Verifiquem a</p><p>necessidade de criar um roteiro com perguntas diferentes caso tenham decidido estender o</p><p>questionário para a comunidade escolar. Nesse caso, vocês podem incluir perguntas sobre</p><p>como a vizinhança ou os pais percebem a escola.</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Por fim, analisem os resultados obtidos e verifiquem a</p><p>bullying</p><p>e de discriminações. Ter conhecimento sobre situações como</p><p>essas pode ajudá-los a encaminhar à direção da escola propostas</p><p>de campanhas de conscientização e programas que visem esta-</p><p>belecer a paz no ambiente escolar. Os conflitos que ainda não</p><p>evoluíram para situações mais extremas podem ser tratados nos</p><p>círculos de construção da paz e nos círculos restaurativos, a fim</p><p>adotaram. Vocês podem, por exemplo, criar gráficos ou tabular os resultados usando</p><p>GR</p><p>AP</p><p>HI</p><p>C</p><p>FA</p><p>RM</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>133</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 133D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 133 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>Criação do grupo de mediação</p><p>Agora que vocês já investigaram os conflitos mais recorrentes na escola, chegou o</p><p>momento de utilizar o que aprenderam para organizar o grupo de mediação de conflitos.</p><p>A proposta é que vocês formem duas frentes de ação:</p><p>• círculos de construção da paz: momento no qual os problemas coletivos serão discu-</p><p>tidos a fim de pensar em soluções para situações de bullying, discriminações e outros</p><p>desentendimentos na escola. A partir desses encontros, podem ser formuladas propos-</p><p>tas e campanhas que visem ao estabelecimento da cultura de paz no ambiente escolar.</p><p>As ideias que surgirem podem ser encaminhadas ao professor e à direção, a fim de que</p><p>avaliem a viabilização delas.</p><p>• círculos restaurativos: espaço onde as partes envolvidas em um conflito ficarão frente</p><p>a frente para apresentar seus pontos de vista e sentimentos sobre o ocorrido e pensar</p><p>em possíveis soluções que sejam boas para ambas por meio do diálogo.</p><p>Em ambas as frentes, deve haver a figura de um ou mais mediadores ou facilitadores.</p><p>Aos participantes de ambas as frentes, cabe explicar seu ponto de vista sobre os</p><p>conflitos e os problemas presentes no ambiente escolar usando as técnicas de comu-</p><p>nicação estudadas:</p><p>• falar sobre o que ocorreu;</p><p>• mencionar seus sentimentos com assertividade;</p><p>• dizer as necessidades básicas que foram afetadas;</p><p>• usar mensagens eu;</p><p>• construir falas isentas de julgamentos;</p><p>• praticar a escuta ativa, procurando estabelecer uma conexão com os sentimentos das</p><p>outras pessoas.</p><p>Para começar a organizar os círculos, sigam estes passos.</p><p>1. Defi nição do confl ito</p><p>Para iniciar o planejamento de cada círculo, retomem os confl itos mapeados na pesquisa</p><p>realizada anteriormente neste projeto e decidam quais deles serão discutidos por cada frente:</p><p>§ No círculo de construção da paz, vocês poderão conversar sobre confl itos que dizem respeito</p><p>à convivência de modo geral.</p><p>§ No círculo restaurativo, poderão trabalhar questões que exigem a interação entre os parti-</p><p>cipantes para a resolução da situação.</p><p>M</p><p>IC</p><p>RO</p><p>ON</p><p>E/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>134</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 134D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 134 22/02/20 17:5222/02/20 17:52</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS 135</p><p>2. Defi nição das funções</p><p>3. Defi nição dos recursos</p><p>É importante que todos aprofundem os conhecimentos</p><p>adquiridos e colocados em prática no projeto e os</p><p>divulguem para toda a comunidade escolar, contribuindo</p><p>para a formação de todos. Procurem realizar</p><p>palestras sobre mediação de conflitos e/ou técnicas de</p><p>comunicação não violenta, ou sobre outro tema que</p><p>seja do interesse da escola. Convidem especialistas de</p><p>universidades ou executem outras ações que engajem a</p><p>comunidade escolar na resolução de conflitos. Estimular</p><p>os estudantes a continuar pesquisando e se aperfeiçoando na mediação de</p><p>conflitos, em um processo de formação contínua, pode fazer muita diferença</p><p>nas relações, melhorando o convívio das pessoas na escola e fora dela.</p><p>UN</p><p>IT</p><p>ON</p><p>E</p><p>VE</p><p>CT</p><p>OR</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>Para a organização, o planejamento e a realização dos círculos propostos nesta etapa, é necessário defi nir</p><p>quem vai realizar cada atividade dentro do grupo. Para isso, deverá haver estudantes responsáveis pela media-</p><p>ção, pela organização e pela divulgação de cada proposta.</p><p>� Os estudantes mediadores podem ser indicados ou eleitos pela própria turma, podendo ser eleitos ao menos</p><p>dois mediadores por sessão. Essa escolha pode ser rotativa. Para isso, considerem que o mediador deve:</p><p>garantir a horizontalidade das sessões – ou seja, ninguém está em uma posição superior, nem</p><p>mesmo os mediadores;</p><p>facilitar o diálogo entre os envolvidos, especialmente nos círculos restaurativos, garantindo as</p><p>regras de respeito mútuo, comunicação não violenta e espírito de colaboração;</p><p>não expressar opiniões ou julgamentos;</p><p>ter uma atitude empática, captando a confi ança dos participantes;</p><p>não dar conselhos ou dizer aos envolvidos o que fazer;</p><p>não ameaçar ou prever consequências negativas, do tipo “Se você não fi zer isso…”.</p><p>� Os estudantes organizadores devem defi nir quando e onde acontecerão as rodas de conversa e as sessões</p><p>dos círculos restaurativos.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Depois de defi nir os papéis e os confl itos sobre os quais vão atuar, procurem a gestão da escola e conversem</p><p>com seus professores para obter os recursos necessários, como a sala que será usada para as sessões.</p><p>O objetivo é que tanto os círculos de construção da paz quanto os círculos restaurativos tenham continui-</p><p>dade e possam atuar na prevenção e na resolução de outros confl itos que apareçam, além daqueles que já</p><p>foram mapeados.</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 135D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 135 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>4. Divulgação</p><p>Pensem em uma estratégia de divulgação dos círculos de</p><p>construção de paz e dos círculos restaurativos para os outros</p><p>estudantes da escola. Para isso, escolham os recursos que</p><p>considerarem mais adequados ou aqueles que estiverem dis-</p><p>poníveis. Vocês podem divulgar em cartazes, folhetos, blogs</p><p>ou nas mídias sociais da escola, caso haja. O importante é</p><p>que esse material contenha as informações mais básicas e</p><p>necessárias, como:</p><p>§ uma breve explicação do que constitui essas reuniões e</p><p>qual é o objetivo delas;</p><p>§ os dias e horários em que elas acontecem;</p><p>§ o local ou a sala da escola em que irão ocorrer.</p><p>Pensem em frases e imagens que tornem esse material atrativo</p><p>e que captem a atenção dos leitores para o que está sendo divulgado,</p><p>mas sem esquecer que o objetivo desses encontros é promover a cultura de</p><p>paz; ou seja, dispensem o uso de palavras ou expressões sensacionalistas.</p><p>Nas pesquisas de campo e nas sessões restaurativas, é possível que venham</p><p>à tona problemas mais graves pelos quais alguns estudantes passem, tanto</p><p>na escola quanto fora dela. Por isso, pode ser interessante criar um material</p><p>de divulgação dos canais de comunicação por meio dos quais esses estudan-</p><p>tes possam buscar ajuda, como o Disque 100 e a Unidade Básica de Saúde</p><p>(UBS) do bairro ou da comunidade, por exemplo. Reúnam as informações</p><p>que considerarem adequadas ao contexto em que vocês vivem, certifi quem-</p><p>-se da credibilidade delas e conversem previamente com o professor ou o</p><p>diretor da escola para encaminhar essa proposta. As informações podem ser</p><p>divulgadas em um cartaz ou em um mural da e scola.</p><p>diretor da escola para encaminhar essa proposta. As informações podem ser</p><p>Os grupos de mediação têm</p><p>o objetivo de melhorar a</p><p>convivência no ambiente escolar,</p><p>contribuindo para a construção</p><p>de</p><p>uma cultura de paz.</p><p>M</p><p>OM</p><p>O</p><p>PR</p><p>OD</p><p>UC</p><p>TI</p><p>ON</p><p>S/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>5. Criação de material de apoio</p><p>UNDREY/</p><p>SHUTTERSTOCK.COM</p><p>136</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 136D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 136 22/02/20 17:5222/02/20 17:52</p><p>Para finalizar este Projeto Integrador, é importante realizar uma avaliação,</p><p>tanto de sua participação individual quanto coletiva. Para isso, em uma folha</p><p>sulfite, faça o que se pede.</p><p>1. Sobre o seu envolvimento e o da turma neste Projeto Integrador, responda às questões</p><p>a seguir.</p><p>a) Houve participação em todas as atividades propostas? Argumente.</p><p>b) Em qual etapa houve mais dedicação? E em qual houve menos dedicação? Justifi que.</p><p>c) Atribua uma nota de zero (0) a dez (10) para a sua participação e para a participação</p><p>da turma neste Projeto Integrador. Argumente sobre essas notas.</p><p>d) Em relação às suas ações, em quais aspectos você acredita que pode melhorar na</p><p>realização de um próximo Projeto Integrador? E em quais aspectos a turma pode</p><p>melhorar?</p><p>e) Junte-se a um colega e comparem as respostas das questões anteriores, verifi cando</p><p>em quais itens da avaliação vocês concordam e em quais discordam.</p><p>f) Escreva, de modo sucinto, quais foram as suas difi culdades e quais aprendizagens</p><p>desenvolveu no decorrer deste Projeto Integrador.</p><p>2. Em relação ao assunto deste Projeto Integrador, você:</p><p>a) discutiu sobre as noções de confl ito e refl etiu sobre a possibilidade de lidar com o</p><p>confl ito de maneira mais positiva?</p><p>b) compreendeu que algumas ações das práticas restaurativas podem contribuir para</p><p>melhorar a convivência na escola?</p><p>c) entendeu o conceito de empatia e a importância de se conectar com os sentimentos</p><p>das outras pessoas, procurando compreender suas necessidades e motivações?</p><p>d) assimilou e aplicou algumas técnicas de comunicação não violenta, identifi cando os</p><p>próprios sentimentos e se expressando com mais assertividade?</p><p>e) refl etiu sobre a importância de respeitar os direitos humanos e contribuir para a</p><p>propagação de uma cultura de paz na escola?</p><p>f) identifi cou os principais confl itos existentes no ambiente escolar por meio da aplica-</p><p>ção de questionário na escola e na comunidade?</p><p>g) participou ativamente da criação de um grupo de mediação de confl itos na escola?</p><p>3. Sobre o canal de compartilhamento, proposto em Hora de compartilhar, responda</p><p>às questões a seguir.</p><p>a) Em sua opinião, quais foram os pontos positivos de compartilhar algumas das refl e-</p><p>xões e trabalhos realizados em cada etapa do projeto? E quais foram os pontos</p><p>negativos?</p><p>b) Como foi sua participação no desenvolvimento desse trabalho?</p><p>c) Registre quais difi culdades você encontrou e quais aprendizagens desenvolveu com</p><p>esse canal de compartilhamento.</p><p>Avaliação</p><p>IV</p><p>EC</p><p>TO</p><p>R/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>Respostas pessoais.</p><p>137projeto 4 • PRÁTICAS E DIÁLOGOS</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 137D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 137 22/02/20 17:5222/02/20 17:52</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>5</p><p>GILLES PAIRE/SHUTTERSTOCK.COM/2007</p><p>138</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 138D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 138 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>Nas sociedades africanas, o griô é</p><p>a figura que detém a memória</p><p>da comunidade e exerce o papel</p><p>de transmissor das tradições e da</p><p>história do grupo por meio das</p><p>narrativas orais. Na foto, pessoas</p><p>se reúnem em torno de um griô</p><p>em Burkina Fasso.</p><p>Narrativas</p><p>e ancestralidade</p><p>Qual é a sua história?</p><p>Precedendo a invenção da escrita, a tradição oral é</p><p>a forma mais antiga de se contar histórias e transmitir</p><p>informações. Esse modo milenar de narrar e relatar acon-</p><p>tecimentos reais e fictícios ainda faz parte do cotidiano</p><p>de diversos povos: na tradição indígena, por exemplo,</p><p>a narrativa oral está presente na reprodução de mitos,</p><p>lendas e contos e acontece por meio das vozes dos mais</p><p>velhos, que compartilham seus conhecimentos com as</p><p>novas gerações como forma de levar a história de seu</p><p>povo adiante. Assim também está presente em várias</p><p>sociedades tradicionais africanas, nas quais a figura do</p><p>griô tem papel de destaque na transmissão de conheci-</p><p>mentos e das tradições da comunidade.</p><p>A partir de diferentes leituras e de atividades a elas</p><p>relacionadas, será possível identificar a tipologia textual</p><p>narrativa e (re)conhecer recursos significativos para a</p><p>prática de produções textuais. Além disso, você terá a</p><p>oportunidade de organizar um festival de memórias, que</p><p>consiste no compartilhamento de suas memórias e as dos</p><p>moradores da comunidade local.</p><p>139</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 139D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 139 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>PROTAGONISMO JUVENIL</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Resgatar as tradições orais de diferentes povos e cultu-</p><p>ras, a partir das quais se apresenta a oportunidade de</p><p>embarcar em narrativas que permeiam tanto o campo</p><p>fictício quanto o real e, desse modo, despertar a sua</p><p>esfera imaginativa.</p><p>• Fomentar a prática de leitura e conhecer enredos nar-</p><p>rados por indivíduos de diferentes gerações.</p><p>• Reunir conhecimentos adquiridos nas áreas de Língua</p><p>Portuguesa e História para estimular o aprendizado</p><p>por meio da interdisciplinaridade, considerando e res-</p><p>peitando as variantes regionais da língua e os aspectos</p><p>culturais de diferentes povos.</p><p>• Consolidar o trabalho em equipe, possibilitando o inter-</p><p>câmbio de experiências e vivências pessoais e coletivas.</p><p>• Envolver estudantes, familiares e a comunidade local no</p><p>processo de desenvolvimento do conhecimento sobre</p><p>tradição oral, cultura e memória.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>Os momentos de contação de histórias, além de contribuir</p><p>para a socialização, possibilitam conhecer e valorizar a memória</p><p>narrativa da ancestralidade de diferentes povos, gerações e</p><p>culturas.</p><p>Diante da importância dessa prática ancestral, torna-se</p><p>enriquecedor resgatá-la no contexto escolar como uma forma</p><p>de apresentar alguns benefícios a você, a seus familiares e à</p><p>comunidade local, entre eles possibilitar a troca de experiências,</p><p>promover o convívio, incentivar a formação de rodas de leitura,</p><p>conhecer enredos narrados por indivíduos de diferentes épocas e</p><p>lugares, explorar suas próprias histórias, além de contribuir para</p><p>sua formação cidadã e despertar a esfera imaginativa dos envol-</p><p>vidos neste Projeto Integrador.</p><p>Na prática, o projeto visa à ampliação do repertório cultu-</p><p>ral, à autonomia da ação, ao fomento à leitura, à adesão por</p><p>parte do público interno e externo e, especialmente, ao seu</p><p>posicionamento protagonista na execução de todas as fases</p><p>do empreendimento.</p><p>Este Projeto Integrador propõe colocar-lhe como agente de</p><p>sua própria história, integrando os saberes das áreas de Língua</p><p>Portuguesa e História de modo a favorecer a prática do respeito</p><p>e da valorização da diversidade de indivíduos e grupos sociais.</p><p>Competências e habilidades</p><p>da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC encontra-se</p><p>ao final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>3, 7, 8 e 9</p><p>Competências específicas</p><p>e habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG301 (relativa à competência</p><p>específica 3)</p><p>EM13LGG401 e EM13LGG402 (relativas</p><p>à competência específica 4)</p><p>EM13LGG603 (relativa à competência</p><p>específica 6)</p><p>EM13LGG703 (relativa à competência</p><p>específica 7)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social:</p><p>EM13LP01 (relativa à competência</p><p>específica 2), EM13LP09 (relativa à</p><p>competência específica 4), EM13LP10</p><p>(relativa à competência específica 4) e</p><p>EM13LP16 (relativa às competências</p><p>específicas 1 e 4)</p><p>Campo das práticas de estudo e</p><p>pesquisa: EM13LP28 (relativa às</p><p>competências específicas 3 e 7)</p><p>Campo artístico-literário: EM13LP46</p><p>(relativa à competência específica 6) e</p><p>EM13LP47 (relativa às competências</p><p>específicas 3 e 6)</p><p>Ciências Humanas e</p><p>Sociais Aplicadas</p><p>EM13CHS101 e EM13CHS104</p><p>(relativas à competência específica 1)</p><p>Produto final</p><p>Festival de memórias</p><p>140</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 140D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 140 24/02/20 09:0924/02/20 09:09</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as</p><p>produções realizadas nas etapas</p><p>deste Projeto Integrador, sugerimos a construção</p><p>coletiva de um canal de compartilhamento. Para</p><p>isso, vocês podem criar um blog, um canal de vídeos,</p><p>uma página em rede social, um mural, um portfólio</p><p>ou outras formas de comunicação com a comuni-</p><p>dade escolar. Ao final de cada etapa deste Projeto</p><p>Integrador, há orientações e sugestões do que pode</p><p>ser compartilhado.</p><p>Identificar seus conhecimentos prévios sobre tradição oral e, a partir</p><p>daí, promover a ampliação do aprendizado. Além disso, propõe-se</p><p>valorizar esse fenômeno por seu elemento social, especialmente entre</p><p>familiares, amigos e a comunidade.</p><p>Nesta etapa, a proposta é aprofundar seus conhecimentos com relação</p><p>à estrutura narrativa a partir de leituras variadas. Busca-se também</p><p>tratar da importância cultural da tradição oral e como a contação de</p><p>histórias, as rezas e as canções de um povo, grupo ou comunidade têm</p><p>papel essencial na preservação de identidade de seus participantes.</p><p>Apresentar a tradição oral como forma de manutenção e preservação da memória</p><p>individual e de uma comunidade. Propor a reflexão sobre suas próprias memórias</p><p>e incentivar a produção de narrativas a partir de uma foto representativa de um</p><p>momento marcante de sua vida.</p><p>O produto final é a organização de um festival de memórias, cujo objetivo</p><p>é promover a apreciação das narrativas e das demais produções feitas</p><p>pela turma ao longo deste Projeto Integrador. Coletivamente, vocês irão</p><p>produzir esse evento para expor à comunidade escolar as suas memórias</p><p>e se apresentar como protagonistas de suas histórias.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>IRYNA INSHYNA/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>141</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 141D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 141 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>Etapa</p><p>Explorando a</p><p>tradição oral1</p><p>Ao falar sobre tradição oral, o que lhe vem à cabeça? Pode ser que você associe essa</p><p>expressão a lendas e mitos antigos ou à imagem de um ancião em frente a um grupo de</p><p>jovens contando histórias cheias de fantasia. Em um caso ou em outro, as duas represen-</p><p>tações partem do compartilhamento de informações por meio da oralidade.</p><p>O costume da tradição oral, que faz parte da história da humanidade desde o prin-</p><p>cípio, não se limita ao ato de recontar histórias. As contribuições estão presentes em</p><p>outros campos da vida e podem ser compreendidas em sua função social de resguardar</p><p>os conhecimentos adquiridos ao longo da existência humana, valorizar as práticas orais</p><p>e nelas reconhecer a representatividade coletiva de um povo e viabilizar a partilha de</p><p>aprendizados a futuras gerações – como na culinária, no uso de plantas medicinais, na</p><p>produção de artesanato, entre outros. Esses aspectos favorecem a troca de conhecimen-</p><p>tos e permitem a manutenção cultural dessa população.</p><p>Parte importante do papel da tradição cultural é o contato social garantido por essa</p><p>troca, especialmente com pessoas mais velhas e mais experientes de um grupo, como</p><p>de sua família ou comunidade. Esse relacionamento permite o enriquecimento cultural e</p><p>histórico desse grupo e pode estar associado inclusive à sua sobrevivência.</p><p>Ao longo deste projeto, você irá conhecer alguns fatores que compõem a tradição oral,</p><p>além de ler, ouvir e produzir textos associados a essa prática de troca de conhecimento.</p><p>Nesta etapa inicial, você e seus colegas irão verificar seus conhecimentos sobre a</p><p>tradição oral, assunto trabalhado direta ou indiretamente ao longo de toda a caminhada</p><p>escolar tradicional. O objetivo é levá-los a conhecer melhor essa prática ancestral, presente</p><p>no cotidiano das mais diversas culturas, e valorizá-la como instrumento de transmissão</p><p>de saberes e elemento de socialização.</p><p>Ilustração de A gift for</p><p>a pet (Um presente</p><p>para um animal</p><p>de estimação), de</p><p>Annie R. Butler, obra</p><p>publicada em Londres</p><p>por The Religious</p><p>Tract Society, 1896. W</p><p>HI</p><p>TE</p><p>M</p><p>AY</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>142</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 142D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 142 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade 143</p><p>Antes da invenção da escrita, a fala e a comunicação oral eram as únicas formas de</p><p>contato entre as pessoas. Sem a prática de registro de histórias ou informações, a tra-</p><p>dição oral permitia a sobrevivência de um grupo por agir como meio de transmissão de</p><p>saberes básicos de um indivíduo para outro: o que comer, como e onde; onde se abrigar</p><p>do perigo; como se proteger dos elementos naturais etc. Esses conhecimentos eram</p><p>passados entre os participantes de um grupo e de pai para filho, seguindo de geração</p><p>em geração.</p><p>Como você verá a seguir, a tradição oral continuou em uso nas culturas mesmo após</p><p>o advento da escrita como forma de registrar conhecimentos. Leia o texto a seguir sobre</p><p>a tradição oral e observe o exemplo apresentado.</p><p>A tradição oral e sua metodologia</p><p>As civilizações africanas, no Saara e ao sul do deserto, eram em grande parte</p><p>civilizações da palavra falada, mesmo onde existia a escrita, como na África ocidental</p><p>a partir do século XVI, pois muito poucas pessoas sabiam escrever, fi cando a escrita</p><p>muitas vezes relegada a um plano secundário em relação às preocupações essenciais</p><p>da sociedade. Seria um erro reduzir a civilização da palavra falada simplesmente a uma</p><p>negativa, “ausência do escrever”, e perpetuar o desdém inato dos letrados pelos iletrados,</p><p>que encontramos em tantos ditados, como no provérbio chinês: “A tinta mais fraca é</p><p>preferível à mais forte palavra”. Isso demonstraria uma total ignorância da natureza</p><p>dessas civilizações orais. [...]</p><p>A civilização oral</p><p>Um estudioso que trabalha com tradições orais deve compenetrar-se da atitude de</p><p>uma civilização oral em relação ao discurso, atitude essa totalmente diferente da de uma</p><p>civilização onde a escrita registrou todas as mensagens importantes. Uma sociedade</p><p>oral reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também</p><p>como um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, venerada no que poderíamos</p><p>chamar elocuções-chave, isto é, a tradição oral. A tradição pode ser defi nida, de fato,</p><p>como um testemunho transmitido verbalmente de uma</p><p>geração para outra. Quase em toda parte, a palavra tem um</p><p>poder misterioso, pois palavras criam coisas.</p><p>Isso, pelo menos, é o que prevalece na</p><p>maioria das civilizações africanas.</p><p>Os Dogon sem dúvida expressaram</p><p>esse nominalismo da forma mais</p><p>evidente; nos rituais constatamos</p><p>em toda parte que o nome é a</p><p>coisa, e que “dizer” é “fazer”.</p><p>A oralidade é uma atitude diante</p><p>da realidade e não a ausência de</p><p>uma habilidade. [...]</p><p>VANSINA, Jan. A tradição oral e sua meto-</p><p>dologia. A Cor da Cultura, 25 set. 2013.</p><p>Disponível em: www.acordacultura.org.br/</p><p>artigos/25092013/a-tradicao-oral-e-sua-meto</p><p>dologia. Acesso em: 23 dez. 2019.</p><p>VIKTORIA KURPAS/SHUTTERSTOCK.COM</p><p>Dogon: grupo étnico tradi-</p><p>cional africano que habita</p><p>uma região do Mali, na</p><p>África ocidental.</p><p>143</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 143D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 143 22/02/20 17:4522/02/20 17:45</p><p>http://www.acordacultura.org.br/artigos/25092013/a-tradicao-oral-e-sua-metodologia</p><p>Leia agora um fragmento de um texto em que o autor nos convida a refletir</p><p>sobre o sentido da prática oral para um povo.</p><p>[...]</p><p>Pessoas de uma pequena comunidade rural recontam (e recriam) e saboreiam</p><p>juntas, contador e plateia, histórias que ouviram de seus antepassados. Revivem</p><p>(e reinventam) juntas, periodicamente, suas festas e ritos. Cantam, dançam e</p><p>improvisam versos e canções que, ao mesmo tempo, ressaltam as perplexidades</p><p>do grupo, emocionam e divertem. No costume do povo, as fronteiras entre palco</p><p>e plateia, o artista e</p><p>o público, a criação e a recepção, são bem menores. Tudo é</p><p>produzido para ser compartilhado e vivenciado por todos.</p><p>[...]</p><p>AZEVEDO, Ricardo. Prefácio. In: LISBOA, Henriqueta. Literatura oral para a infância e a juventude:</p><p>lendas, contos e fábulas populares no Brasil. São Paulo: Peirópolis, 2002. p.10.</p><p>Conforme indicado no fragmento do texto lido,</p><p>a tradição oral traz consigo não apenas a memória</p><p>ancestral, mas também o costume de reunir grupos,</p><p>contar, recontar, criar, recriar e imaginar histórias,</p><p>personagens, lugares e situações, entre outros</p><p>elementos que compõem as narrativas. Por esse</p><p>motivo, a tradição oral está tão relacionada à tipo-</p><p>logia textual narrativa, que também pressupõe a</p><p>contação de histórias, seja em sua interpretação</p><p>literal ou no compartilhamento de informações no</p><p>formato narrativo.</p><p>• A arte de contar histórias</p><p>Nessa coletânea, Walter Benjamin descreve a figura</p><p>do contador de histórias. O filósofo frankfurtiano relaciona</p><p>o gradual desaparecimento da tradição de contar histórias</p><p>nas sociedades modernas com o declínio da esfera artesanal</p><p>da vida e a “perda progressiva da comunicabilidade da</p><p>experiência”.</p><p>BENJAMIN, Walter. A arte de contar histórias. São Paulo:</p><p>Hedra, 2018. v. 1.</p><p>• Morte e vida severina</p><p>Essa obra é considerada um dos grandes clássicos</p><p>da literatura brasileira. Por meio dela, o autor retrata a</p><p>trajetória retirante do protagonista Severino, que viaja em</p><p>busca de melhores condições de vida. Publicado na década</p><p>de 1950, desafortunadamente as histórias contadas nesse</p><p>livro são vividas até hoje por muitos migrantes nordestinos.</p><p>MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina. Rio de</p><p>Janeiro: Alfaguara, 2007.</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>HE</p><p>DR</p><p>A</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>AL</p><p>FA</p><p>GU</p><p>AR</p><p>A</p><p>VL</p><p>AD</p><p>IM</p><p>IR</p><p>Z</p><p>HO</p><p>GA</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>O ato de contar histórias</p><p>oralmente continuou</p><p>presente em diferentes</p><p>culturas mesmo após o</p><p>advento da escrita.</p><p>144</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 144D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 144 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade</p><p>1. Reúnam-se em pequenos grupos para observar novamente a imagem reproduzida na página</p><p>142. Analisem os elementos presentes nessa fi gura e discutam sobre as questões a seguir.</p><p>Registrem as respostas no caderno e, em seguida, compartilhem-nas com os demais grupos.</p><p>a) O que essa imagem retrata? Como vocês a defi nem?</p><p>b) Vocês já participaram de experiência semelhante à identifi cada na imagem? Se sim, com-</p><p>partilhem com os colegas essa experiência.</p><p>c) Agora, retomem a imagem de abertura deste projeto e comparem-na com essa imagem.</p><p>Que relação é possível estabelecer entre as duas?</p><p>2. Explique, com suas próprias palavras, o que é a tradição oral e qual é sua importância para a</p><p>manutenção da história e das tradições de um povo.</p><p>3. As histórias passadas de geração em geração difi cilmente permanecem inalteradas com o passar</p><p>do tempo, especialmente se fazem parte da tradição oral.</p><p>a) Em sua opinião, que tipos de mudança elas podem sofrer?</p><p>b) Você já ouviu o provérbio popular “quem conta um conto aumenta um ponto”? De que</p><p>maneira ele se associa à tradição oral e às mudanças ocorridas nas informações com o passar</p><p>do tempo?</p><p>4. Leia o trecho a seguir sobre a oralidade e a arte de contar histórias.</p><p>[...]</p><p>Herança direta da cultura africana, a expressão oral é uma força comunicativa a ser</p><p>potencializada. Jamais como negação da escrita, mas como afi rmação de independência.</p><p>A oralidade está associada ao corpo porque é através da voz, da memória e da música,</p><p>por exemplo, que nos comunicamos e nos identifi camos com o próximo.</p><p>[...]</p><p>ORALIDADE. A Cor da Cultura, c2013. Disponível em:</p><p>www.acordacultura.org.br/oprojeto. Acesso em: 15 jan. 2020.</p><p>§ No caderno, comente o signifi cado do fragmento de texto lido.</p><p>5. Na imagem de abertura, você viu um griô compartilhando seus conhecimentos. Existe em sua</p><p>comunidade alguma fi gura com um papel similar ao do griô? Se sim, compartilhe sua vivência</p><p>com os colegas.</p><p>6. Em sua opinião, qual é a importância da tradição oral nos tempos atuais? Em que medida essa</p><p>prática pode benefi ciar o convívio social?</p><p>7. A variação linguística é um movimento natural das línguas e ocorre pelas alterações e adapta-</p><p>ções de seus usos no cotidiano dos falantes, especialmente pelas práticas da linguagem oral.</p><p>a) De que forma as variedades linguísticas podem estar presentes na prática de contação de</p><p>histórias no território brasileiro?</p><p>b) Se as variedades fazem parte do cotidiano das práticas de comunicação de um povo, por</p><p>que há, no ambiente escolar, o predomínio do ensino da norma-padrão?</p><p>Atividades</p><p>Ver nas Orientações para o professor respostas</p><p>e sugestões para estas atividades.</p><p>145</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 145D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 145 22/02/20 17:5022/02/20 17:50</p><p>c) A partir das orientações do professor, organizem-se em grupos e realizem uma</p><p>pesquisa para encontrar um áudio ou vídeo de uma situação de contação de</p><p>história. Em seguida, analisem a presença (ou não) de variedades linguísticas no</p><p>material encontrado. Apresentem as conclusões do grupo para os demais colegas.</p><p>8. Você já ouviu falar em causos? Esse gênero, representante da tradição oral brasileira,</p><p>ocorre por meio de histórias fantásticas de origem popular. Leia a tirinha a seguir e</p><p>observe sua relação com esse gênero tão comum em diversas regiões do país.</p><p>Utilizem o canal de compartilhamento escolhido pela turma para</p><p>divulgar os conhecimentos sobre a importância da tradição oral e sua</p><p>influência na história e na transmissão de conhecimentos de um grupo ou comunidade.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>a) Além de fazer referência ao causo, a tirinha também está associada a outro</p><p>gênero da tradição oral, a anedota, que tem o propósito de levar o público</p><p>ao riso por meio de histórias simples. Identifique o toque de humor presente</p><p>nessa sequência narrativa.</p><p>b) O texto verbal da tirinha reproduz marcas da linguagem oral, especialmente</p><p>do registro da variedade regional. Localize os exemplos dessa linguagem.</p><p>9. Façam uma pesquisa na internet de causos, especialmente daqueles que apresen-</p><p>tem marcas de alguma variedade regional. Em seguida, realizem os passos a seguir.</p><p>TIRINHAS do Mazza #98:</p><p>futebol. Museu Mazzaropi,</p><p>2 ago. 2019. Disponível em:</p><p>https://museumazzaropi.</p><p>org.br/tirinhas/. Acesso em:</p><p>15 jan. 2020.</p><p>� Em grupo, selecionem um dos exemplos encontrados e tentem adaptar a lin-</p><p>guagem utilizada e o contexto em que a história se passa para a sua realidade.</p><p>� Apresentem as alterações em uma pequena encenação para os colegas</p><p>dos outros grupos.</p><p>� Após todas as encenações, reflitam: A mudança na linguagem e no con-</p><p>texto da história alterou seu sentido ou prejudicou o humor original?</p><p>M</p><p>US</p><p>EU</p><p>M</p><p>AZ</p><p>ZA</p><p>RO</p><p>PI</p><p>146</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 146D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21-AV.indd 146 22/02/20 17:4822/02/20 17:48</p><p>https://museumazzaropi.org.br/tirinhas/</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade</p><p>Etapa</p><p>Tradição oral</p><p>e cultura2</p><p>Há muitas formas de explorar a cultura de um povo. Conhecer seu fol-</p><p>clore, seus contos e suas lendas é uma delas. Nesta etapa do projeto, você</p><p>irá aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre a tradição oral e sua</p><p>importância para a preservação das culturas. Para isso, aprenderá sobre a</p><p>transmissão de histórias por meio da oralidade e será incentivado a iden-</p><p>tificar a caracterização narrativa em diferentes textos.</p><p>Sobre a preservação de culturas por meio da tradição oral, leia o texto</p><p>reproduzido a seguir.</p><p>Tradição oral e a preservação de culturas</p><p>A forma mais antiga de se conhecer histórias é através da oralidade</p><p>[...]. A verdade é que, para conhecermos uma história, não precisamos da</p><p>letra (escrita), mas sim da palavra (falada). Maria Joaquina da Silva,</p><p>ou Dona Fiota, disse isso durante um seminário sobre línguas faladas</p><p>no Brasil, realizado em Brasília em 2006. Dona Fiota, como é conhecida,</p><p>vive</p><p>em:</p><p>www.revistacapitolina.com.br/tradicao-oral-e-a-preservacao-de-culturas/. Acesso em: 15 jan. 2020.</p><p>• Anarquistas, graças a Deus</p><p>Publicado pela primeira vez em 1979, esse livro autobiográ-</p><p>fico narra a aventura de imigrantes italianos em São Paulo na</p><p>década de 1920, quando a cidade se industrializava e atraía</p><p>levas de estrangeiros para a capital paulista. A obra foi trans-</p><p>formada em minissérie para a TV em 1984.</p><p>GATTAI, Zélia. Anarquistas, graças a Deus. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 2009.</p><p>EN</p><p>KE</p><p>L/</p><p>S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>CO</p><p>M</p><p>PA</p><p>NH</p><p>IA</p><p>D</p><p>AS</p><p>L</p><p>ET</p><p>RA</p><p>S</p><p>148</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 148D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 148 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>AS</p><p>HA</p><p>TI</p><p>LO</p><p>V/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 6D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 6 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>Nas atividades, são muitas</p><p>as maneiras de pôr a mão na</p><p>massa: análise de textos, leitura</p><p>de imagens, reflexões pessoais,</p><p>pesquisas e atividades práticas.</p><p>Além disso, há propostas que</p><p>contribuem para a construção do</p><p>produto final.</p><p>Utilizando os saberes adquiridos</p><p>em cada etapa, você vai</p><p>concluir, com seus colegas, o</p><p>produto final. Para isso, serão</p><p>apresentadas as orientações de</p><p>produção e divulgação para a</p><p>comunidade.</p><p>Neste momento, são</p><p>apresentadas questões para</p><p>orientar a avaliação geral</p><p>do projeto e a avaliação de</p><p>suas atitudes ao longo dos</p><p>trabalhos realizados.</p><p>Avaliação</p><p>Atividades</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>118</p><p>1. Considere o texto apresentado nesta etapa para responder aos itens a seguir.</p><p>a) Você acredita que as ideias do ubuntu podem nos inspirar a ter atitudes mais empá-</p><p>ticas no dia a dia? Explique sua resposta.</p><p>b) Considere este fragmento do texto: “Uma pessoa com ubuntu tem consciência de</p><p>que é afetada quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos”. Você concorda</p><p>com o fato de que, quando uma pessoa é humilhada ou oprimida, os seus semelhan-</p><p>tes também o são? Explique sua resposta.</p><p>c) Em sua opinião, as ideias expressas no texto contribuem para a construção de uma</p><p>sociedade mais pacífi ca? De que maneira isso pode acontecer?</p><p>Atividades</p><p>Mulher da etnia xhosa, que pertence ao grupo</p><p>das línguas bantas, na África do Sul. Foto de 2016.</p><p>Nelson Mandela em visita a uma escola em Joanesburgo,</p><p>na África do Sul. O ex-presidente e ativista sul-africano</p><p>também pertencia à etnia xhosa. Foto de 1993.</p><p>M</p><p>AR</p><p>TI</p><p>N</p><p>HA</p><p>RV</p><p>EY</p><p>/A</p><p>LA</p><p>M</p><p>Y/</p><p>FO</p><p>TO</p><p>AR</p><p>EN</p><p>A</p><p>2. Os ideais do ubuntu inspiraram Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, e</p><p>Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, a lutar contra o apartheid, regime</p><p>segregacionista que vigorou naquele país entre 1948 e 1994, limitando os direitos da</p><p>população negra.</p><p>a) Em grupos, realizem uma pesquisa em fontes confi áveis sobre esse regime, reunindo</p><p>informações como:</p><p>§ os contextos políticos, sociais e históricos que favoreceram seu início e fi m;</p><p>§ as políticas segregacionistas que vigoraram durante o regime;</p><p>§ a luta de Nelson Mandela e Desmond Tutu para reestabelecer a igualdade na</p><p>África do Sul, enfatizando a maneira como os ideais do ubuntu os inspiraram;</p><p>caso encontrem o nome de outras fi guras importantes para essa luta, incluam</p><p>nas informações coletadas.</p><p>b) Compartilhem as informações reunidas com os outros grupos e discutam sobre a</p><p>maneira como podemos nos inspirar na luta antissegregacionista e nos ideais do</p><p>ubuntu para a construção de uma sociedade mais humana, igualitária e preocupada</p><p>com o bem-estar coletivo.</p><p>LOUISE GUBB/CORBIS SABA/GETTY IMAGES</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 118D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21-AV.indd 118 24/02/20 14:4724/02/20 14:47</p><p>Para consolidar os aprendi-</p><p>zados deste projeto, vocês vão</p><p>se organizar para criar círculos</p><p>restaurativos em sua escola</p><p>a partir da identificação dos</p><p>principais conflitos existentes</p><p>nesse ambiente. Para isso, a</p><p>proposta é elaborar um ques-</p><p>tionário, que pode ser aplicado</p><p>apenas entre os estudantes ou</p><p>estendido a toda a comunidade</p><p>escolar, como funcionários,</p><p>professores e até os pais.</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>O grupo de mediação é uma</p><p>estratégia eficiente para a resolução</p><p>de conflitos no ambiente escolar.</p><p>Definam o espaço da pesquisa</p><p>Pensem em quem vai participar da pesquisa: se apenas os estudantes da escola; se os pro-</p><p>fessores e funcionários também vão responder ao questionário; se os pais e a comunidade</p><p>escolar também vão participar etc.</p><p>• Pro dia nascer feliz</p><p>Esse documentário apresenta depoimentos de jovens estudantes de escolas</p><p>das redes pública e particular sobre suas experiências no ambiente escolar,</p><p>seus medos, anseios, projetos e inquietações.</p><p>PRO DIA nascer feliz. Direção: João Jardim. Brasil: Tambellini Filmes: Fogo Azul</p><p>Filmes, 2006. Vídeo (88 min).</p><p>Organização dos grupos</p><p>Definam como vão se organizar para realizar a pesquisa. Caso tenham decidido por esten-</p><p>dê-la aos arredores da escola, uma opção é se dividirem em dois grupos: um para aplicar o</p><p>questionário no entorno e outro para aplicar o questionário na escola.</p><p>1</p><p>2</p><p>KL</p><p>AU</p><p>S</p><p>VE</p><p>DF</p><p>EL</p><p>T/</p><p>GE</p><p>TT</p><p>Y</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>PR</p><p>O</p><p>DI</p><p>A</p><p>NA</p><p>SC</p><p>ER</p><p>F</p><p>EL</p><p>IZ</p><p>, S</p><p>AN</p><p>DR</p><p>A</p><p>W</p><p>ER</p><p>NE</p><p>CK</p><p>.</p><p>CO</p><p>PA</p><p>CA</p><p>BA</p><p>NA</p><p>F</p><p>IL</p><p>M</p><p>ES</p><p>. B</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L,</p><p>2</p><p>00</p><p>5.</p><p>Grupo de mediação</p><p>de conflitos</p><p>132</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 132D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 132 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade 169</p><p>Para finalizar este Projeto Integrador, é importante realizar uma ava-</p><p>liação, tanto de sua participação individual quanto coletiva. Para isso,</p><p>em uma folha sulfite, faça o que se pede.</p><p>1. Sobre o seu envolvimento e o da turma neste Projeto Integrador, responda</p><p>às questões a seguir.</p><p>a) Houve participação em todas as atividades propostas? Argumente.</p><p>b) Em qual etapa houve mais dedicação? E em qual houve menos dedicação?</p><p>Justifi que.</p><p>c) Atribua uma nota de zero (0) a dez (10) para a sua participação e</p><p>para a participação da turma neste Projeto Integrador. Argumente</p><p>sobre essas notas.</p><p>d) Em relação às suas ações, em quais aspectos você acredita que pode</p><p>melhorar na realização de um próximo Projeto Integrador? E em quais</p><p>aspectos a turma pode melhorar?</p><p>e) Junte-se a um colega e comparem as respostas das questões ante-</p><p>riores, verificando em quais itens da avaliação vocês concordam e</p><p>em quais discordam.</p><p>f) Escreva, de modo sucinto, quais foram as suas difi culdades e quais apren-</p><p>dizagens desenvolveu no decorrer deste Projeto Integrador.</p><p>2. Em relação ao assunto deste Projeto Integrador, você:</p><p>a) compreendeu a função da tradição oral e aprendeu a valorizá-la como</p><p>instrumento de transmissão de saberes e elemento de socialização?</p><p>b) identifi cou a importância da tradição oral para a preservação de culturas?</p><p>c) percebeu seu papel como protagonista de sua própria história por meio</p><p>do registro de suas memórias?</p><p>d) participou ativamente da produção, organização e realização do festival</p><p>de memórias?</p><p>3. Sobre o canal de compartilhamento, proposto em Hora de compartilhar,</p><p>responda às questões a seguir.</p><p>a) Em sua opinião, quais foram os pontos positivos de compartilhar algumas</p><p>das refl exões e trabalhos realizados em cada etapa do projeto? E quais</p><p>foram os pontos negativos?</p><p>b) Como foi sua participação no desenvolvimento desse trabalho?</p><p>c) Registre quais difi culdades você encontrou e quais aprendizagens desen-</p><p>volveu com esse canal de compartilhamento.</p><p>GR</p><p>IN</p><p>BO</p><p>X/</p><p>S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>Avaliação</p><p>169</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 169D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 169 21/02/20 17:1021/02/20 17:10</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>3. Leia o quadrinho a seguir, elaborado pelo ilustrador Caetano Cury.</p><p>CURY, C. O que é empatia? Téo & o</p><p>mini mundo, 15 jan. 2020. Disponível</p><p>em: http://www.teoeominimundo.</p><p>com.br/2020/01/15/tirinha-o-que-e-</p><p>empatia/. Acesso em: 18 jan. 2020.</p><p>a) Explique os dois usos da palavra lugar presentes nesse quadrinho.</p><p>b) Você considera importante</p><p>em Tabatinga, uma área quilombola em Minas Gerais, e o discurso</p><p>em questão foi feito em Gira de Tabatinga, uma língua afro-brasileira</p><p>que costumava ser falada nas senzalas de fazendas do interior de Minas</p><p>Gerais. Essa era uma das maneiras que os escravos da região tinham de se</p><p>comunicar sem que os senhores de engenho pudessem entender.</p><p>A tradição oral tem a função de preservar histórias, de garantir às</p><p>novas gerações indígenas ou afro-brasileiras o conhecimento de seus</p><p>antepassados. Para muitos grupos, a</p><p>oralidade é a única forma de resgatar e</p><p>preservar sua ancestralidade. Hoje, mais</p><p>de um milhão de brasileiros não possuem</p><p>o português como sua língua materna.</p><p>Temos mais de duzentas línguas em nosso</p><p>território, onde [sic] muitas são indígenas e</p><p>não possuem qualquer tradição escrita. Essas</p><p>línguas aos poucos vêm se perdendo. A cada</p><p>ano a preservação pelas novas gerações tem</p><p>se tornado um desafi o maior. Atualmente,</p><p>milhares de brasileiros com ancestrais afro-</p><p>-brasileiros e indígenas desconhecem sua</p><p>própria história ou acreditam não ter uma</p><p>de fato.</p><p>[...]</p><p>Ilustração representando</p><p>um contador de histórias da</p><p>cultura árabe.</p><p>NA</p><p>ST</p><p>AS</p><p>IC</p><p>/G</p><p>ET</p><p>TY</p><p>IM</p><p>AG</p><p>ES</p><p>147</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 147D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 147 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>A tradição oral e seus ensinamentos são tão importantes e de tantas formas que</p><p>alguns estudos nos mostram não apenas sua necessidade no conhecimento cultural,</p><p>mas também no aprendizado de diversas áreas, como por exemplo na agricultura [...].</p><p>Quando pensamos nos povos afro-brasileiros, a preservação da tradição oral como</p><p>forma de ligação com nossa ancestralidade tem papel fundamental, tendo em vista um país</p><p>como o Brasil, onde mais de 50% da população é composta por negros. O reconhecimento</p><p>de nossos ancestrais como um povo com riquezas culturais é necessário; é também uma</p><p>forma de resistirmos e sobrevivermos. Esse resgate talvez seja o grande segredo para</p><p>preservação da memória dos povos. Quando conhecemos a história de nossos ancestrais</p><p>conseguimos sentir orgulho de nossa trajetória, orgulho de todas as lutas que traçamos</p><p>para chegarmos aqui e, com esse orgulho e conhecimento, nos tornamos agentes da</p><p>memória, nos tornamos responsáveis por não deixar que esse conhecimento morra, somos</p><p>responsáveis por transmiti-lo e mantê-lo vivo.</p><p>A tradição oral não se apresenta somente em formato de contos e mitos. Canções</p><p>e rezas também fazem parte da preservação histórica de povos indígenas e afro-</p><p>-brasileiros. Quando pensamos em terreiros compreendemos a importância histórica</p><p>que, por exemplo, rezadeiras e curandeiros possuem no resgate do poder da fé através</p><p>da palavra. [...]</p><p>Nesse cenário, é incontestável o poder da palavra falada. É através da oralidade que</p><p>povos constroem sua cultura, é através da palavra que um indivíduo se torna capaz de</p><p>construir sua identidade cultural. [...]</p><p>PINTO, Fabiana. Tradição oral e a preservação de culturas. Capitolina, 24 mar. 2016. Disponível em:</p><p>www.revistacapitolina.com.br/tradicao-oral-e-a-preservacao-de-culturas/. Acesso em: 15 jan. 2020.</p><p>Explique aos estudantes</p><p>que o texto, ao referir</p><p>que “50% da população é</p><p>composta por negros”, faz</p><p>referência ao levantamento</p><p>de 2016 do IBGE sobre</p><p>a população preta</p><p>(8,2%) e parda (46,7%).</p><p>Para mais informações</p><p>sobre esse assunto,</p><p>acesse o link: https://</p><p>agenciadenoticias.ibge.gov.</p><p>br/agencia-noticias/2012-</p><p>agencia-de-noticias/</p><p>noticias/18282-populacao-</p><p>chega-a-205-5-milhoes-</p><p>com-menos-brancos-e-mais-</p><p>pardos-e-pretos (acesso em:</p><p>15 jan. 2020).</p><p>• Anarquistas, graças a Deus</p><p>Publicado pela primeira vez em 1979, esse livro autobiográ-</p><p>fico narra a aventura de imigrantes italianos em São Paulo na</p><p>década de 1920, quando a cidade se industrializava e atraía</p><p>levas de estrangeiros para a capital paulista. A obra foi trans-</p><p>formada em minissérie para a TV em 1984.</p><p>GATTAI, Zélia. Anarquistas, graças a Deus. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 2009.</p><p>EN</p><p>KE</p><p>L/</p><p>S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>ED</p><p>IT</p><p>OR</p><p>A</p><p>CO</p><p>M</p><p>PA</p><p>NH</p><p>IA</p><p>D</p><p>AS</p><p>L</p><p>ET</p><p>RA</p><p>S</p><p>148</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 148D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 148 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/18282-populacaochega-a-205-5-milhoescom-menos-brancos-e-maispardos-e-pretos</p><p>projeto 5 • Narrativas e ancestralidade</p><p>Como visto no texto, a tradição oral pode ser a única forma de passar ensinamentos</p><p>de uma cultura para seus descendentes, dando continuidade a tradições familiares e</p><p>de uma comunidade. Migrantes ou refugiados, por exemplo, muitas vezes precisam se</p><p>adaptar a uma nova cultura em sua mudança de moradia; então, para garantir e reforçar</p><p>sua identidade, buscam manter um pouco de suas tradições em atividades do dia a dia,</p><p>como na alimentação, na religião e, principalmente, por meio da tradição oral, compar-</p><p>tilhando ensinamentos e histórias típicas de sua cultura.</p><p>Veja a seguir a história de Ikechukwu Sunday Nkeechi, que veio da Nigéria para o</p><p>Brasil e transformou as histórias de sua infância em livros.</p><p>Nigeriano conta histórias da tradição</p><p>oral africana para brasileiros</p><p>No Brasil há 21 anos, Sunny publicou livros com contos</p><p>do povo igbo que ouvia da avó e dos pais</p><p>O nigeriano Ikechukwu Sunday Nkeechi (Sunny), que cresceu ouvindo histórias da tradição</p><p>oral do povo igbo e publicou livros com esses contos no Brasil, na biblioteca do Centro de</p><p>Formação Cultural Cidade Tiradentes.</p><p>“Onde estão escritas essas histórias que você conta?”. A pergunta que mudou a vida do</p><p>nigeriano Ikechukwu Sunday Nkeechi, 45, foi feita por uma amiga bibliotecária do Recife,</p><p>onde ele morava.</p><p>As histórias às quais ela se referia eram contos tradicionais que Sunday cresceu escutando</p><p>à beira da fogueira ou à luz da lua em seu vilarejo sem luz elétrica no sul da Nigéria, contadas</p><p>pelas matriarcas da família. Ele pensou um pouco e respondeu: “Acho que não estão escritas</p><p>em nenhum lugar. Estão só na minha ‘caixola’”, lembra.</p><p>Sunny, como é conhecido, chegou ao Brasil em 1998. Cinco anos depois, começou a frequentar</p><p>essa biblioteca na capital pernambucana para treinar seu português por meio dos livros.</p><p>Mesmo sem jeito por não dominar o idioma, começou a participar de sessões de contação</p><p>de histórias no local. Foi aí que a bibliotecária o incentivou a colocar no papel essas histórias da</p><p>tradição oral de seu país. “Eu achava que seria impossível. Eu mal falava a língua portuguesa,</p><p>imagina escrever”, conta o nigeriano.</p><p>BR</p><p>UN</p><p>O</p><p>SA</p><p>NT</p><p>OS</p><p>/F</p><p>OL</p><p>HA</p><p>PR</p><p>ES</p><p>S</p><p>149</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 149D3-LING-2-EM-3080-P5-138-169-LA-G21.indd 149 21/02/20 17:0921/02/20 17:09</p><p>Três anos depois, em 2006, saiu seu primeiro livro,</p><p>Ulomma: a casa da beleza e outros contos, pela</p><p>editora Paulinas, hoje na 5a edição. Desde então, ele já</p><p>lançou outras quatro obras infantojuvenis próprias e</p><p>participou de uma coletânea pelo mesmo selo.</p><p>Também se tornou contador de histórias profissional</p><p>e viaja o Brasil participando de eventos, apresentando-se</p><p>em escolas e dando cursos para alunos de pedagogia e</p><p>letras em universidades.</p><p>No início, ficou impressionado quando soube que</p><p>contar histórias pode ser uma profissão. “Perguntei:</p><p>‘É mesmo? Alguém se disporia a pagar para ouvir</p><p>histórias?’. Comecei a pesquisar e a participar de</p><p>oficinas, e encontrei muitos bons profissionais”, relata.</p><p>“No começo, fiquei acanhado, pensando: ‘Será que eles</p><p>vão me entender?’. Mas cada contador tem seu jeito, sua</p><p>originalidade. Vi que poderia fazer isso.”</p><p>Sunny é do grupo étnico dos igbo, o terceiro mais</p><p>numeroso da Nigéria, e teve a infância povoada pelas</p><p>histórias da mãe, do pai e especialmente da avó, para</p><p>quem “qualquer momento era momento de história”.</p><p>“Nossa casa não era repleta de livros, mas as</p><p>histórias contadas preenchiam esse lugar”, diz.</p><p>“Quando anoitecia, fazíamos uma reunião de família</p><p>para contar esses contos, dançar e cantar. Nas noites</p><p>conhecer o “lugar do outro”? Explique sua resposta.</p><p>c) Em suas relações interpessoais no dia a dia, você acredita que costuma estar aberto a com-</p><p>preender o lugar do outro?</p><p>4. Leia o texto a seguir sobre a empatia nas práticas restaurativas.</p><p>A justiça restaurativa convida os envolvidos a contarem suas histórias e</p><p>percepções sobre o ocorrido, em um ambiente seguro e de iguais oportunidades</p><p>de fala e de escuta. Todos são considerados protagonistas e podem partilhar suas</p><p>histórias, observações, perspectivas, sentimentos, vulnerabilidades, necessidades</p><p>e interesses em relação ao acontecido. Nos procedimentos restaurativos, é</p><p>fundamental a construção de empatia que permita aos participantes se conectarem</p><p>com sentimentos, necessidades e vulnerabilidades uns dos outros. A conexão entre</p><p>as pessoas é crucial para o reconhecimento de que todos têm algo a contribuir para</p><p>transformar o conflito em uma oportunidade de recomeço e construção.</p><p>JAYME, Fernando Gonzaga; ARAÚJO, Mayara de Carvalho. Justiça restaurativa na escola: formando cidadãos</p><p>por meio do diálogo e da convivência participativa. Belo Horizonte: Nós, 2018. Disponível em:</p><p>https://ciranda.direito.ufmg.br/wp-content/uploads/2018/08/cartilha-nos-versao-final.pdf. Acesso em: 16 jan. 2020.</p><p>a) Você já sabe que o diálogo e a escuta fazem parte dos ciclos de mediação de conflitos. Você</p><p>acredita que essas práticas ajudam na construção da empatia? Explique sua resposta.</p><p>b) Em sua opinião, de que maneira a construção da empatia pode ajudar no gerenciamento</p><p>dos conflitos?</p><p>CA</p><p>ET</p><p>AN</p><p>O</p><p>CU</p><p>RY</p><p>-</p><p>TÉ</p><p>O</p><p>&</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>I M</p><p>UN</p><p>DO</p><p>.</p><p>119</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 119D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 119 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Elaboração do questionário</p><p>Discutam o formato do questionário: se será com perguntas abertas, com espaço para que</p><p>os participantes da pesquisa deem opiniões e expressem seus sentimentos em relação aos</p><p>problemas que os afetam, ou se serão perguntas mais objetivas, com alternativas fechadas</p><p>e respostas Sim e Não. Outra opção, também, é misturar os dois formatos.</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>Questionário – Identifi cando os problemas na escola</p><p>1. Você se sente seguro na escola?</p><p>Sim. Não.</p><p>2. Você já sofreu algum tipo de discriminação</p><p>no ambiente escolar?</p><p>Sim. Não.</p><p>3. Você já sofreu ou já presenciou situações</p><p>de bullying?</p><p>Sim. Não.</p><p>4. Você já presenciou ou já se envolveu em</p><p>discussões relacionadas a divergências de</p><p>opinião?</p><p>Sim. Não.</p><p>5. Você já presenciou ou se envolveu em situa-</p><p>ções de agressão ?</p><p>Sim. Não.</p><p>6. Você já presenciou ou já foi vítima de roubos</p><p>na escola?</p><p>Sim. Não.</p><p>Análise dos resultados</p><p>Por fim, analisem os resultados obtidos e verifiquem a</p><p>existência de problemas mais graves, como casos de bullying</p><p>e de discriminações. Ter conhecimento sobre situações como</p><p>essas pode ajudá-los a encaminhar à direção da escola propostas</p><p>de campanhas de conscientização e programas que visem esta-</p><p>belecer a paz no ambiente escolar. Os conflitos que ainda não</p><p>evoluíram para situações mais extremas podem ser tratados nos</p><p>círculos de construção da paz e nos círculos restaurativos, a fim</p><p>de evitar que se agravem.</p><p>Apresentação dos resultados</p><p>Definam a melhor maneira de organizar o resultado considerando o tipo de questionário que</p><p>adotaram. Vocês podem, por exemplo, criar gráficos ou tabular os resultados usando</p><p>planilhas eletrônicas.</p><p>Vejam a seguir um modelo de roteiro que pode ser aplicado.</p><p>Adaptem o roteiro conforme as decisões do grupo e o contexto da escola. Verifiquem a</p><p>necessidade de criar um roteiro com perguntas diferentes caso tenham decidido estender o</p><p>questionário para a comunidade escolar. Nesse caso, vocês podem incluir perguntas sobre</p><p>como a vizinhança ou os pais percebem a escola.</p><p>projeto 4 • Práticas E DIÁLOGOS</p><p>Por fim, analisem os resultados obtidos e verifiquem a</p><p>bullying</p><p>e de discriminações. Ter conhecimento sobre situações como</p><p>essas pode ajudá-los a encaminhar à direção da escola propostas</p><p>de campanhas de conscientização e programas que visem esta-</p><p>belecer a paz no ambiente escolar. Os conflitos que ainda não</p><p>evoluíram para situações mais extremas podem ser tratados nos</p><p>círculos de construção da paz e nos círculos restaurativos, a fim</p><p>adotaram. Vocês podem, por exemplo, criar gráficos ou tabular os resultados usando</p><p>GR</p><p>AP</p><p>HI</p><p>C</p><p>FA</p><p>RM</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>133</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 133D3-LING-2-EM-3080-P4-106-137-LA-G21.indd 133 20/02/20 14:3020/02/20 14:30</p><p>GI</p><p>RA</p><p>FF</p><p>AR</p><p>TE</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 7D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 7 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>PROTAGONISMO</p><p>JUVENIL</p><p>STEAM</p><p>MIDIAEDUCAÇÃO</p><p>Etapa 1 O que é design? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14</p><p>Etapa 2 Design e comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18</p><p>Etapa 3 Organizando as informações no design. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22</p><p>Etapa 4 O design, os espaços e as pessoas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27</p><p>Etapa 5 Identificando problemas de design na comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33</p><p>Etapa Final Projeto de comunicação visual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41</p><p>Sumário</p><p>Projeto 1 Design e comunicação 10</p><p>Como afetam as vivências nos espaços?</p><p>Etapa 1 Protagonismo e juventude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46</p><p>Etapa 2 Usando a voz jovem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52</p><p>Etapa 3 Identificando o problema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57</p><p>Etapa 4 O poder da sua arte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63</p><p>Etapa Final Festival cultural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73</p><p>Projeto 2 O poder da sua voz 42</p><p>Como transformar realidades?</p><p>Projeto 3 O corpo na mídia 74</p><p>Somos todos representados?</p><p>Etapa 1 A estética do impossível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78</p><p>Etapa 2 A busca pelo corpo perfeito e a saúde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84</p><p>Etapa 3 Padrões de beleza: novos ou velhos tempos? . . . . . . . . . . . . . . . . 88</p><p>Etapa 4 Padrões e a mídia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93</p><p>Etapa 5 A mídia me representa? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97</p><p>Etapa Final Campanha publicitária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105</p><p>LU</p><p>CK</p><p>YV</p><p>EC</p><p>TO</p><p>R/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>, G</p><p>IR</p><p>AF</p><p>FA</p><p>RT</p><p>E/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>VISUAL GENERATION/</p><p>SHUTTERSTOCK.COM</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 8D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 8 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>PROTAGONISMO</p><p>JUVENIL</p><p>MEDIAÇÃO</p><p>DE CONFLITOS</p><p>Etapa 1 Navegar é preciso? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174</p><p>Etapa 2 Uso das mídias sociais: por que impor limites? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180</p><p>Etapa 3 O que compartilhar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189</p><p>Etapa Final Podcast . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201</p><p>Competências e habilidades citadas nesta obra . . . . . . 202</p><p>Referências bibliográficas comentadas . . . . . . . . . . . . . . . . . 208</p><p>Etapa 1 Conflito: um outro olhar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110</p><p>Etapa 2 Justiça Restaurativa na escola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112</p><p>Etapa 3 O meu lugar e o do outro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116</p><p>Etapa 4 O poder do diálogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121</p><p>Etapa 5 Direitos humanos e cultura de paz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129</p><p>Etapa Final Grupo de mediação de conflitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137</p><p>Projeto 4 Práticas e diálogos 106</p><p>Como melhorar a convivência na escola?</p><p>Projeto 5 Narrativas e ancestralidade 138</p><p>Qual é a sua história?</p><p>Etapa 1 Explorando a tradição oral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142</p><p>Etapa 2 Tradição oral e cultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147</p><p>Etapa 3 Tradição oral e memória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162</p><p>Etapa Final Festival de memórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167</p><p>Avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169</p><p>Projeto 6 Mídias sociais 170</p><p>Estabelecemos uma relação saudável com elas?</p><p>MIDIAEDUCAÇÃO</p><p>TE</p><p>RA</p><p>VE</p><p>CT</p><p>OR</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>TE</p><p>RA</p><p>VE</p><p>CT</p><p>OR</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 9D3-LING-2-EM-3080-INICIAIS-001-009-LA-G21.indd 9 02/03/20 20:4402/03/20 20:44</p><p>10</p><p>Projeto</p><p>Projeto</p><p>1</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 10 19/02/2020 14:48</p><p>Foto de placas de orientação</p><p>no Parque Ambiental Chico</p><p>Mendes, em Rio Branco (AC).</p><p>Foto de 2011.</p><p>Design e comunicação</p><p>Como afetam as</p><p>vivências nos</p><p>espaços?</p><p>Você já se perdeu em um espaço público,</p><p>como um parque, um museu ou um shopping</p><p>center, apesar de ter seguido as orientações da</p><p>sinalização? Alguma vez observou um cartaz</p><p>informativo e não retirou nenhuma informa-</p><p>ção efetiva de seus elementos? Já presenciou</p><p>acidentes em seu município causados por placas</p><p>confusas ou de difícil leitura?</p><p>Esses casos são exemplos de falhas de</p><p>comunicação causadas por problemas de</p><p>design, que, apesar de muitas vezes ser asso-</p><p>ciado exclusivamente à proposta estética de um</p><p>produto ou serviço, tem como principal função</p><p>resolver problemas ou suprir necessidades de</p><p>um público.</p><p>Neste projeto, será abordado o design como</p><p>área da comunicação, apresentando como sua</p><p>prática afeta o cotidiano das pessoas e as expe-</p><p>riências dos indivíduos nos espaços em que</p><p>estão inseridos.</p><p>Para consolidar seus saberes, você</p><p>será incentivado a identificar problemas</p><p>de design que afetam a comunicação e a</p><p>propor soluções ou mudanças que possam</p><p>ser aplicadas na comunidade escolar ou em</p><p>seu município, melhorando ou facilitando o</p><p>cotidiano de sua comunidade.</p><p>11</p><p>ROGÉRIO REIS/PULSAR IMAGENS</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 11 19/02/2020 14:48</p><p>TEMA INTEGRADOR</p><p>STEAM (CIÊNCIA, TECNOLOGIA,</p><p>ENGENHARIA, ARTE E MATEMÁTICA)</p><p>Ficha</p><p>de</p><p>estudo</p><p>Objetivos a serem desenvolvidos</p><p>no âmbito do tema integrador</p><p>• Discutir a relação entre o design e a comunicação.</p><p>• Associar o design de sinalização e a circulação de</p><p>pessoas em espaços públicos ao trabalho de planeja-</p><p>mento arquitetônico e de engenharia conectado aos</p><p>processos artísticos de criação.</p><p>• Realizar pesquisa na comunidade para identificar opor-</p><p>tunidades de melhoria e propor soluções em relação à</p><p>comunicação.</p><p>• Propor um projeto de comunicação visual para melhorar</p><p>as experiências da comunidade.</p><p>• Utilizar softwares e recursos digitais para a produção de</p><p>protótipos e modelos de sinalização elaborados como</p><p>parte do projeto de comunicação visual.</p><p>Justificativa da pertinência dos objetivos</p><p>Neste projeto de STEAM, busca-se explorar a relação</p><p>entre o design, parte do leque de conhecimentos da Arte, e a</p><p>Arquitetura e a Engenharia como forma de apresentar algumas</p><p>maneiras nas quais ele pode afetar os espaços públicos e, con-</p><p>sequentemente, a experiência cotidiana de uma comunidade.</p><p>As Ciências Humanas e Sociais são contempladas no estudo</p><p>das relações sociais e da forma como são afetadas pela comu-</p><p>nicação nesses ambientes.</p><p>Além disso, propõe-se a reflexão sobre o design como</p><p>maneira de comunicar mensagens por meio de textos verbais,</p><p>visuais e verbo-visuais, indicando ainda como essa comu-</p><p>nicação se torna possível unicamente pela interação entre o</p><p>produto ou serviço e seu público. Essa reflexão permite que</p><p>você entenda a importância de conhecer as necessidades e as</p><p>intenções associadas a um projeto para a produção de uma</p><p>solução de design.</p><p>A elaboração de um projeto de comunicação visual, produto</p><p>final deste Projeto Integrador, a partir da identificação de um</p><p>problema ou uma lacuna na comunidade escolar ou no muni-</p><p>cípio é uma forma de ressaltar como a Arte e a Tecnologia</p><p>afetam positivamente e colaboram para o aprimoramento dos</p><p>espaços físicos. Para isso, é incentivado o estudo e a análise</p><p>do ambiente com base em conhecimentos da Matemática e</p><p>das Ciências da Natureza para avaliação da pertinência e da</p><p>adequação de tamanho e localização de sinalizações e do uso</p><p>de materiais apropriados para as intenções do projeto.</p><p>Essa proposta ainda permite o desenvolvimento de habili-</p><p>dades socioemocionais associadas à criatividade e à resolução</p><p>de problemas, assim como a prática do protagonismo juvenil.</p><p>Competências e habilidades da BNCC</p><p>O texto integral da BNCC</p><p>encontra-se ao final do livro.</p><p>Competências gerais</p><p>1, 2 e 7</p><p>Competências específicas e</p><p>habilidades</p><p>Linguagens e suas Tecnologias</p><p>EM13LGG101 e EM13LGG104</p><p>(relativas à competência específica 1)</p><p>EM13LGG201 e EM13LGG202</p><p>(relativas à competência específica 2)</p><p>EM13LGG701, EM13LGG703 e</p><p>EM13LGG704 (relativas à competência</p><p>específica 7)</p><p>Língua Portuguesa</p><p>Todos os campos de atuação social:</p><p>EM13LP01 (relativa à competência</p><p>específica 2), EM13LP06 (relativa à</p><p>competência específica 1), EM13LP11</p><p>(relativa à competência específica 7),</p><p>EM13LP14 (relativa à competência</p><p>específica 1), EM13LP15 (relativa</p><p>às competências específicas 1 e 3) e</p><p>EM13LP18 (relativa à competência</p><p>específica 7)</p><p>Matemática e suas Tecnologias</p><p>EM13MAT201 (relativa à competência</p><p>específica 2)</p><p>Ciências da Natureza</p><p>e suas Tecnologias</p><p>EM13CNT307 (relativa à competência</p><p>específica 3)</p><p>Ciências Humanas e Sociais</p><p>Aplicadas</p><p>EM13CHS106 (relativa à competência</p><p>específica 1)</p><p>Produto final</p><p>Projeto de comunicação visual</p><p>12</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 12D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd</p><p>12 24/02/20 12:0624/02/20 12:06</p><p>Conhecendo os objetivos das etapas do projeto</p><p>Para organizar e registrar as produções rea-</p><p>lizadas nas etapas deste Projeto Integrador,</p><p>sugerimos a construção coletiva de um canal de comparti-</p><p>lhamento. Para isso, vocês podem criar um blog, um canal de</p><p>vídeos, uma página em rede social, um mural, um portfólio ou</p><p>outras formas de comunicação com a comunidade escolar. Ao</p><p>final de cada etapa deste Projeto Integrador, há orientações e</p><p>sugestões do que pode ser compartilhado.</p><p>Realizar reflexões acerca do conceito de design a partir de definições e exemplos visuais</p><p>comparativos, buscando levá-lo a compreender a função do design e sua influência no cotidiano</p><p>das pessoas. Além disso, propõe-se a elaboração de uma pesquisa de campo pela escola para</p><p>a identificação de elementos que apresentem designs considerados bons ou eficientes, e não</p><p>funcionais ou mal elaborados, para incentivar a reflexão sobre esses conceitos.</p><p>Explorar a relação entre design e comunicação para compreender como esses dois conceitos estão</p><p>interligados. Por meio de exemplos e análises de situações reais e do cotidiano dos estudantes,</p><p>espera-se apresentar como o produto ou o serviço desenvolvido pelo designer funciona na</p><p>qualidade de intermediário entre uma proposta ou uma intenção inicial e o usuário final – e como</p><p>essa comunicação pode ser falha e não alcançar o objetivo pretendido.</p><p>Apresentar algumas maneiras de organizar produtos de design visual de modo a buscar</p><p>mais eficiência e qualidade no resultado final e, assim, tentar garantir uma comunicação</p><p>efetiva. Para isso, são apresentados elementos como o uso de fontes (e suas combinações)</p><p>e de cores e imagens em associação à mensagem que se pretende passar. É também</p><p>trabalhada a importância de se considerar o tamanho dos produtos de design e a hierarquia e</p><p>a organização das informações para causar o impacto adequado e permitir a leitura clara por</p><p>parte do público-alvo.</p><p>Entender a relação entre o design e os espaços públicos e como essa integração deve</p><p>ocorrer para pensar em ambientes seguros, inclusivos e que permitam a circulação</p><p>adequada das pessoas. Uma conversa sobre acessibilidade também promove a</p><p>discussão sobre a maneira como a sinalização deve ser pensada de modo a buscar</p><p>resolver possíveis dificuldades de locomoção e permitir que os mais diversos públicos</p><p>possam usufruir desses espaços de maneira cidadã e ativa, com liberdade e autonomia.</p><p>Realizar uma pesquisa para identificar falhas ou possíveis melhorias na</p><p>comunicação visual e na sinalização de espaços públicos do bairro ou município,</p><p>que podem ser a própria escola, parques, museus ou outros ambientes que</p><p>façam parte do cotidiano da comunidade local. Por meio da observação e</p><p>da análise de elementos estudados nas etapas anteriores, espera-se que a</p><p>pesquisa introduza o trabalho proposto na Etapa final.</p><p>Orientar a produção de um projeto de comunicação visual a partir da pesquisa e das</p><p>análises elaboradas na etapa anterior. São apresentados alguns passos a serem</p><p>seguidos para estruturar o projeto: planejamento, elaboração de modelos e protótipos,</p><p>revisão da proposta e possíveis ajustes e elaboração do texto com as explicações das</p><p>sugestões e dos apontamentos do projeto.</p><p>1</p><p>Etapa</p><p>2</p><p>Etapa</p><p>Etapa</p><p>4</p><p>Etapa</p><p>5</p><p>Etapa</p><p>Final</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>3</p><p>Etapa</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>13</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 13 19/02/2020 14:48</p><p>Etapa</p><p>� que é</p><p>design?1</p><p>Seja na cadeira em que você está sentado, na disposição das informações que você está lendo</p><p>agora, no modelo do seu calçado ou na placa em que se lê o nome da sua escola, o design está</p><p>presente no nosso cotidiano de maneira intrínseca e fundamental. Sem ele, a sociedade poderia</p><p>funcionar, mas os produtos e serviços dos quais usufruímos perderiam qualidade e funcionalidade,</p><p>possivelmente não sendo tão úteis quanto são hoje graças ao trabalho de designers das mais diver-</p><p>sas áreas.</p><p>Mas, afinal, o que é design? Você consegue identificar seu papel nos elementos à sua volta?</p><p>A palavra design é geralmente associada à ideia de beleza, como se o papel dessa área fosse única</p><p>e exclusivamente fazer um objeto ser esteticamente mais interessante ou atraente. No entanto, a</p><p>intenção principal do design é agir como instrumento para solução de problemas ou para sanar uma</p><p>necessidade, o que pode ter a ver com a apresentação visual ou forma do produto ou do serviço para</p><p>que sua função e utilidade sejam destacadas, valorizadas e aproveitadas da melhor maneira possível</p><p>pelo usuário.</p><p>Todo esse trabalho se expressa muitas vezes de maneira imperceptível para os consumidores,</p><p>sem que pensemos sobre o trabalho criativo e o esforço investidos até que o produto final como o</p><p>conhecemos possa chegar ao público. Por isso, muitas vezes, “a mão” do designer só é identificada</p><p>quando falhas ou imperfeições práticas ou visuais são identificáveis pelo usuário, o que influencia</p><p>diretamente no consumo e na aquisição de produtos e serviços, bem como na imagem de marcas.</p><p>Visualizações em 3D e protótipo</p><p>do projeto The Uncomfortable (O</p><p>desconfortável, em português), criado</p><p>pela arquiteta Katerina Kamprani</p><p>com o objetivo de repensar o design</p><p>de objetos úteis do cotidiano de</p><p>modo que se tornem “inúteis” ou</p><p>inconvenientes para o usuário.</p><p>FO</p><p>TO</p><p>S:</p><p>K</p><p>AT</p><p>ER</p><p>IN</p><p>A</p><p>KA</p><p>M</p><p>PR</p><p>AN</p><p>I</p><p>Visualizações em 3D e protótipo</p><p>do projeto</p><p>desconfortável, em português), criado</p><p>pela arquiteta Katerina Kamprani</p><p>com o objetivo de repensar o</p><p>de objetos úteis do cotidiano de</p><p>modo que se tornem “inúteis” ou</p><p>inconvenientes para o usuário.</p><p>14</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 14 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign 15</p><p>Como você pôde perceber, ainda que haja dificuldade em alcançar um con-</p><p>senso sobre uma definição única e absoluta, é possível entender o trabalho do</p><p>designer como um processo de compreender um problema, uma necessidade</p><p>ou uma oportunidade e buscar maneiras inovadoras para que a experiência</p><p>do usuário seja positiva. Para que isso ocorra, é importante que o processo</p><p>criativo aconteça tendo em vista o design como parte da área da comunicação,</p><p>uma vez que busca levar uma mensagem específica associada a um produto</p><p>ou serviço a seu público-alvo.</p><p>No caso do design visual, uma parte importante da comunicação que</p><p>ocorre com o público é realizada por meio de imagens, sejam elas literais</p><p>(fotografias e ilustrações, por exemplo) ou formadas pela combinação de ele-</p><p>mentos verbais ou visuais, como no uso de textos, imagens e ícones que,</p><p>juntos, passam determinada mensagem de maneira sutil, implícita.</p><p>A seleção desses elementos que compõem uma peça de comunicação</p><p>visual deve ser feita a partir da análise de informações como a mensagem</p><p>a ser passada, a intenção dessa comunicação, o ambiente de circulação do</p><p>produto e as características de seu público-alvo. Isso quer dizer que, assim</p><p>como na comunicação oral ou verbal, uma peça de design deve ter um objetivo</p><p>a ser alcançado para que possa ocorrer de maneira efetiva.</p><p>Para conhecer um pouco sobre a função e a importância do design, neste</p><p>projeto, você vai explorar o papel dessa área e sua influência na comunicação,</p><p>especialmente na relação com as áreas da Arquitetura e das Ciências Sociais</p><p>em sua aplicação nos espaços públicos. Além disso, na Etapa final, será pro-</p><p>posto que você utilize seus conhecimentos para pensar em soluções de design</p><p>para melhorar a comunicação e o cotidiano das pessoas nos espaços do seu</p><p>entorno por meio da elaboração de um projeto de comunicação visual.</p><p>• The first secret of great design</p><p>Neste vídeo, é possível assistir a uma palestra ("O pri-</p><p>meiro segredo de um ótimo design" em português)</p><p>apresentada por Tony Fadell, engenheiro responsável</p><p>pela criação de produtos considerados ícones do design</p><p>moderno. Em sua fala, Fadell incentiva sua audiência</p><p>a repensar o modo de enxergar o</p><p>mundo por novos</p><p>ângulos em busca de melhorias para problemas com</p><p>os quais já estamos acostumados a conviver.</p><p>THE FIRST secret of great design. 2015.</p><p>Vídeo (16min41s). Publicado pelo canal TED.</p><p>Disponível em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=9uOMectkCCs. Acesso em: 10 jan. 2020.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>design visual: área</p><p>voltada à comuni-</p><p>cação por meio de</p><p>mídias e suportes da</p><p>comunicação visual,</p><p>como a mídia gráfi ca</p><p>ou impressa (livros,</p><p>cartazes, embala-</p><p>gens, sinalizações)</p><p>e a eletrônica</p><p>(web design, jogos,</p><p>hipermídia).</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 15D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21-AV.indd 15 22/02/20 16:0322/02/20 16:03</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=9uOMectkCCs</p><p>1. Após conhecer um pouco sobre o debate em torno da defi nição de design, realize as seguintes</p><p>atividades.</p><p>� Registre no caderno, usando suas palavras e seu entendimento sobre o tema, qual é a</p><p>função dessa área da comunicação.</p><p>� Organize-se em grupos de 4 ou 5 pessoas e compartilhe sua resposta com os colegas,</p><p>observando as diferenças de entendimentos.</p><p>� Após a troca com os colegas, proponham uma resposta única para ser compartilhada</p><p>com o restante da sala.</p><p>2. O design faz parte do cotidiano de diversas maneiras, mas você viu nesta etapa que nem sempre</p><p>identifi camos o trabalho criativo realizado sobre um produto ou serviço do qual usufruímos.</p><p>Aproveite essa oportunidade para pensar sobre o seu cotidiano e seu entorno.</p><p>a) Em que elementos do seu dia a dia você reconhece ou imagina haver o resultado do trabalho</p><p>de um designer? De que maneira você acha que isso acontece?</p><p>b) Essa percepção se dá por características de produtos e serviços consideradas positivas, nega-</p><p>tivas ou dos dois tipos? Explique aos colegas sua resposta.</p><p>3. Alguns produtos, por mais que possuam a mesma função básica, podem variar em formato,</p><p>cor e material, além de terem detalhes específi cos que tornam a experiência de uso única. Isso</p><p>ocorre por haver diversas maneiras possíveis de pensar o design de um mesmo item, o que acar-</p><p>reta alterações, mudanças e melhorias – ou ainda adequações para determinadas fi nalidades e</p><p>públicos. Veja a seguir as imagens de um exemplo de produto em algumas de suas variações.</p><p>Depois, responda às perguntas.</p><p>Atividades</p><p>a) Identifi que o item retratado nas quatro imagens e a função desses objetos.</p><p>b) Que características todos os objetos representados nas imagens têm em comum?</p><p>c) Que elementos estruturais os tornam diferentes?</p><p>d) Refl ita e proponha hipóteses: de que maneira o design desses objetos infl uencia a experiência</p><p>de seus usuários no dia a dia?</p><p>AP</p><p>RI</p><p>L9</p><p>09</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>AL</p><p>EK</p><p>SA</p><p>ND</p><p>R</p><p>KU</p><p>RG</p><p>AN</p><p>OV</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>IG</p><p>OR</p><p>K</p><p>OV</p><p>AL</p><p>CH</p><p>UK</p><p>/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>BO</p><p>GD</p><p>AN</p><p>F</p><p>LO</p><p>RE</p><p>A/</p><p>SH</p><p>UT</p><p>TE</p><p>RS</p><p>TO</p><p>CK</p><p>.C</p><p>OM</p><p>Ver nas Orientações para o</p><p>professor respostas e sugestões</p><p>para estas atividades.</p><p>16</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 16 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Escolha um canal de comunicação e comparti-</p><p>lhamento para dividir com a comunidade escolar</p><p>os conhecimentos adquiridos nesta etapa. É possível, por exemplo,</p><p>desenvolver um painel em um espaço de grande circulação na escola</p><p>ou criar um blog sobre design. Apresente as informações levantadas</p><p>na pesquisa da atividade 5 e registre no canal escolhido as conclu-</p><p>sões dos grupos.</p><p>4. Volte ao início desta etapa e reveja as imagens dos objetos do projeto The Uncomfortable, de</p><p>Katerina Kamprani. A intenção da arquiteta com esse projeto é levar o público a pensar sobre</p><p>a função do design e incentivar a apreciação da complexidade da nossa relação com objetos</p><p>simples do cotidiano.</p><p>a) Quais são os objetos originais representados em cada imagem?</p><p>b) Como ocorreu a subversão da forma dos objetos originais identifi cados no item anterior?</p><p>c) De que maneira as alterações propostas nas visualizações em 3D e no protótipo afetariam o</p><p>uso real desses objetos?</p><p>d) Usando esse projeto como inspiração, pense em outras formas de usar o design para tornar</p><p>objetos comuns em “inconvenientes”, como descreve Katerina Kamprani.</p><p>5. Reúnam-se novamente em grupo e, seguindo as orientações do professor e o passo a passo a</p><p>seguir, realizem uma breve pesquisa.</p><p>Hora de</p><p>compartilhar</p><p>Juicy Salif, espremedor de frutas criado</p><p>por Philippe Starck. Essa obra é um dos</p><p>grandes sucessos comerciais do designer,</p><p>sendo reconhecida mundialmente.</p><p>1. Pesquisa I</p><p>2. Pesquisa I�</p><p>3. Análise</p><p>4. Exposição</p><p>Façam um passeio pela escola em busca de</p><p>objetos escolares, cartazes, livros, placas ou</p><p>outros elementos cujo design vocês consi-</p><p>derem bom ou efi ciente. Se possível, usem</p><p>uma câmera fotográfi ca ou um celular para</p><p>registrar os itens encontrados.</p><p>Em um segundo momento, continuem</p><p>a busca por objetos, agora focando em</p><p>designs que considerem não funcionais</p><p>ou mal elaborados.</p><p>Ao retornar à sala de aula, conversem entre si e</p><p>escrevam, no caderno ou em uma folha à parte,</p><p>um pouco sobre o que fotografaram, indicando:</p><p>a) que objetos foram destacados pelo grupo;</p><p>b) onde foram encontrados (localização no espaço</p><p>da escola);</p><p>c) qual é a função de cada um deles;</p><p>d) por que os designs foram considerados pelo</p><p>grupo bons e efi cientes ou mal elaborados.</p><p>Após a conversa e o registro</p><p>das conclusões, realizem uma</p><p>apresentação oral com apoio</p><p>de elementos visuais (as fotos</p><p>registradas durante o passeio ou</p><p>desenhos dos itens selecionados)</p><p>para explicar suas visões e anota-</p><p>ções coletivas.</p><p>CH</p><p>RI</p><p>S</p><p>W</p><p>IL</p><p>LS</p><p>ON</p><p>/A</p><p>LA</p><p>M</p><p>Y/</p><p>FO</p><p>TO</p><p>AR</p><p>EN</p><p>A</p><p>17</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 17 19/02/2020 14:48</p><p>Etapa</p><p>Design e</p><p>comunicação2</p><p>Como você viu na etapa anterior, parte importante do trabalho do designer é perceber que seu trabalho</p><p>se baseia na comunicação com o usuário. Leia a seguir uma breve defi nição desse termo.</p><p>A palavra comunicação vem do latim communis, que signifi ca</p><p>“comum” e pode ser associada ao conceito de comunidade.</p><p>A partir dessa defi nição, é possível entender a relação entre a comunicação e a ideia de partilhar, como forma</p><p>de integrar uma comunidade por meio de informação. Por isso, comunicar, para a sociedade atual, tem a ver</p><p>especialmente com o modo como as mensagens são passadas, sejam elas transmitidas pela linguagem verbal</p><p>(textos escritos ou orais), visual (imagens, cores, fi guras estáticas ou em movimento) ou verbo-visual, em que há</p><p>uma combinação das duas anteriores.</p><p>Pensando nisso, reveja um pouco sobre como a comunicação funciona:</p><p>Mensagem</p><p>Emissor</p><p>(marca + designer)</p><p>Receptor</p><p>(usuário)</p><p>PRODUTO OU SERVIÇO</p><p>CONTEXTO</p><p>No design, podemos associar o emissor ao conjunto de uma</p><p>marca (que pode ser uma empresa, um órgão público ou um</p><p>indivíduo) e entender que parte do trabalho do designer é analisar</p><p>o contexto (ambiente, pessoas envolvidas, situação-problema a</p><p>ser solucionada, intenções preestabelecidas) para buscar traduzir</p><p>a mensagem pretendida por meio de um produto ou serviço,</p><p>a fi m de que ela chegue ao receptor (usuário) de modo claro e</p><p>objetivo, alcançando as intenções iniciais.</p><p>Essa relação comunicativa se torna essencial especialmente no</p><p>caso de produtos do design visual focados na relação dos usuários</p><p>com ambientes públicos, como placas, sinalizações, cartazes e</p><p>avisos coletivos. Nesses casos, quando há falha na comunicação,</p><p>o usuário é prejudicado.</p><p>GO</p><p>OD</p><p>ST</p><p>UD</p><p>IO</p><p>/S</p><p>HU</p><p>TT</p><p>ER</p><p>ST</p><p>OC</p><p>K.</p><p>CO</p><p>M</p><p>18</p><p>D3-LING-2-EM-3080-P1-010-041-LA-G21.indd 18 19/02/2020 14:48</p><p>Projeto 1 - Design e comunicaçãoDesign e comunicaçãoDesign</p><p>Para que a comunicação ocorra de forma que haja uma leitura apropriada do</p><p>produto ou serviço pelo usuário (ou público), é importante que os códigos utilizados</p><p>nesse material sejam compreendidos pelo receptor, ou seja, que as representações</p><p>visuais, os textos escritos, as ambiguidades ou quaisquer outras estratégias façam</p><p>sentido para quem recebe a mensagem.</p><p>Deve-se lembrar que a comunicação só ocorre</p>