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<p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso</p><p>Regular</p><p>Autor:</p><p>Renan Araujo</p><p>16 de Dezembro de 2023</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Índice</p><p>..............................................................................................................................................................................................1) Concurso de Pessoas 3</p><p>..............................................................................................................................................................................................2) Noções Iniciais sobre Concurso de Crimes 22</p><p>..............................................................................................................................................................................................3) Concurso Material de Crimes 23</p><p>..............................................................................................................................................................................................4) Concurso Formal de Crimes 26</p><p>..............................................................................................................................................................................................5) Crime Continuado 29</p><p>..............................................................................................................................................................................................6) Considerações Finais sobre Concurso de Crimes 37</p><p>..............................................................................................................................................................................................7) Questões Comentadas - Concurso de Pessoas - Cebraspe 39</p><p>..............................................................................................................................................................................................8) Questões Comentadas - Concurso de Crimes - Cebraspe 68</p><p>..............................................................................................................................................................................................9) Lista de Questões - Concurso de Pessoas - Cebraspe 75</p><p>..............................................................................................................................................................................................10) Lista de Questões - Concurso de Crimes - Cebraspe 89</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>2</p><p>93</p><p>CONCURSO DE PESSOAS</p><p>Conceito, natureza e características</p><p>O concurso de pessoas pode ser conceituado como a colaboração de dois ou mais</p><p>agentes para a prática de um delito ou contravenção penal.</p><p>O concurso de pessoas é regulado pelos arts. 29 a 31 do CP:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de</p><p>um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Circunstâncias incomunicáveis</p><p>Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,</p><p>salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Casos de impunibilidade</p><p>Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição</p><p>expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser</p><p>tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Mas como compreender a natureza jurídico-penal de uma conduta criminosa praticada</p><p>por diversas pessoas? Três teorias surgiram:</p><p>● Pluralista (ou pluralística) - Para esta teoria cada pessoa responderia por um crime</p><p>próprio, existindo tantos crimes quantos forem os participantes da conduta</p><p>delituosa, já que a cada um corresponde uma conduta própria, um elemento</p><p>psicológico próprio e um resultado igualmente particular .1</p><p>● Dualista (ou dualística) – Segundo esta teoria, há um crime para os autores, que</p><p>realizam a conduta típica emoldurada no ordenamento positivo, e outro crime para</p><p>os partícipes, que desenvolvem uma atividade secundária.</p><p>● Monista (ou monística ou unitária) – A codelinquência (concurso de agentes) deve</p><p>ser entendida, para esta teoria, como CRIME ÚNICO, devendo todos responderem</p><p>1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, São Paulo, 2015, p. 548</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>3</p><p>93</p><p>pelo mesmo crime. É a adotada pelo CP. Isso não significa que todos que</p><p>respondem pelo delito terão a mesma pena. A pena de cada um irá corresponder à</p><p>valoração de cada uma das condutas (cada um responde “na medida de sua</p><p>culpabilidade). Em razão desta diferenciação na pena de cada um dos infratores,</p><p>diz-se que o CP adotou uma espécie de teoria monista temperada (ou mitigada).</p><p>O concurso de pessoas pode ser, basicamente, de duas espécies:</p><p>● EVENTUAL – Neste caso, o tipo penal não exige que o fato seja praticado por mais</p><p>de uma pessoa. Isso não impede, contudo, que eventual ele venha a ser praticado</p><p>por mais de uma pessoa (Ex.: Furto, roubo, homicídio).</p><p>● NECESSÁRIO – Nesta hipótese o tipo penal exige que a conduta seja praticada por</p><p>mais de uma pessoa. Divide-se em: a) condutas paralelas (crimes de conduta</p><p>unilateral): Aqui os agentes praticam condutas dirigidas à obtenção da mesma</p><p>finalidade criminosa (associação criminosa, art. 288 do CPP); b) condutas</p><p>convergentes (crimes de conduta bilateral ou de encontro): Nesta modalidade os</p><p>agentes praticam condutas que se encontram e produzem, juntas, o resultado</p><p>pretendido (ex. Bigamia); c) condutas contrapostas: Neste caso os agentes praticam</p><p>condutas uns contra os outros (ex. Crime de rixa)</p><p>Requisitos</p><p>Mas quais são os requisitos para que se possa falar em concurso de pessoas? Cinco são os</p><p>requisitos para que seja caracterizado o concurso de pessoas. Vejamos:</p><p>Pluralidade de agentes</p><p>Para que possamos falar em concurso de pessoas, é necessário que tenhamos mais de uma</p><p>pessoa a colaborar para o ato criminoso. É necessário que sejam agentes culpáveis? A doutrina</p><p>se divide, mas prevalece o entendimento de que todos os comparsas devem ter discernimento,</p><p>de maneira que a ausência de culpabilidade por doença mental, por exemplo, afastaria o</p><p>concurso de agentes, devendo ser reconhecida a autoria mediata.</p><p>Assim, se uma pessoa, perfeitamente mental e maior de 18 anos (penalmente imputável)</p><p>determina a um doente mental (sem qualquer discernimento) que realize um homicídio, não há</p><p>concurso de pessoas, mas autoria mediata, pois o autor do crime foi o mandante, que se valeu</p><p>de uma pessoa sem vontade como mero instrumento para praticar o crime. Não há concurso,2</p><p>pois um dos agentes não era culpável.</p><p>Todavia, é bom ressaltar que, nos crimes plurissubjetivos , se um dos colaboradores não é3</p><p>culpável por qualquer razão, mesmo assim permanece o crime. Nos crimes eventualmente</p><p>plurissubjetivos (crime de furto, por exemplo, que eventualmente pode ser um crime qualificado</p><p>pelo concurso de pessoas, embora seja, em regra, unissubjetivo) também não é necessário que</p><p>3 Aqueles em que necessariamente deve haver mais de um agente, como no crime de associação criminosa,</p><p>por exemplo – art. 288 do CP</p><p>2 WELZEL, Hans. Derecho Penal, parte general. Ed. Roque Depalma. Buenos Aires, 1956, p. 106</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>4</p><p>93</p><p>todos os agentes sejam culpáveis, bastando que apenas um o seja para que</p><p>No crime continuado qualificado, as penas dos delitos praticados são diferentes, de modo</p><p>que se aplica a pena do mais grave deles, aumentada de 1/6 a 2/3.</p><p>Por fim, o crime continuado específico está previsto no § único do art. 71 do CP:</p><p>Art. 71 (...) Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,</p><p>cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando</p><p>a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,</p><p>bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes,</p><p>se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>31</p><p>93</p><p>parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Assim, nos crimes dolosos cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, sendo as</p><p>vítimas diferentes, poderá o Juiz aplicar a pena de um deles (ou a mais grave, se diversas),</p><p>aumentada até o triplo. Vejam que se adotou o mesmo sistema da exasperação, entretanto, o §</p><p>único previu um quantum maior a ser acrescido à pena-base. A lei não estabelece a quantidade</p><p>mínima nesse caso, mas a Jurisprudência, inclusive o STF, entende que o mínimo aqui também é</p><p>de 1/6.</p><p>Aqui também se aplica a regra do “concurso material benéfico”, ou seja, se o sistema da</p><p>exasperação se mostrar mais gravoso, deverá ser aplicado o sistema do cúmulo material.</p><p>Crime continuado e conflito de leis penais no tempo</p><p>Se durante a execução do crime continuado sobrevir lei nova, mais gravosa ao réu, esta</p><p>última é aplicada, pois se considera que o crime continuado está sendo praticado enquanto não</p><p>cessa a continuidade delitiva. Assim, sendo o tempo do crime o momento em que cessa a</p><p>continuidade, a lei nova chegou a vigorar antes de sua consumação, aplicando-se a este, por ser</p><p>a lei vigente ao tempo do crime.</p><p>Este entendimento está, inclusive, sumulado pelo STF:</p><p>SÚMULA Nº 711</p><p>A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME</p><p>PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA</p><p>CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.</p><p>Crime continuado e prescrição</p><p>Nos crimes continuados, por haver mera ficção jurídica de crime único, apenas para fins de</p><p>aplicação da pena, a prescrição é calculada em relação a cada crime isoladamente.</p><p>Entretanto, para o cálculo da prescrição RETROATIVA (a que leva em consideração a pena</p><p>“em concreto”), leva-se em conta a pena mínima estabelecida para a pena-base, desprezando-se</p><p>o acréscimo que seria aplicado em decorrência da continuidade delitiva.</p><p>EXEMPLO: Se há dois furtos qualificados praticados em continuidade delitiva</p><p>(penas mínimas de dois anos), tendo a sentença aplicado a pena mínima, por</p><p>exemplo (02 anos), acrescida de determinado percentual decorrente da</p><p>continuidade delitiva (1/4), a prescrição é calculada tendo por base a pena</p><p>aplicada, mas sem computar o acréscimo decorrente da continuidade delitiva</p><p>(apenas 02 anos, e não 02 anos + ¼, que seria 02 anos e 06 meses).</p><p>Para termos uma ideia de como isso influencia a prescrição, se utilizássemos os</p><p>“dois anos e seis meses” como base para o cálculo da prescrição retroativa, ela</p><p>ocorreria em 08 anos, por força do art. 109, IV do CP.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>32</p><p>93</p><p>Como devemos considerar a pena aplicada, sem o acréscimo (02 anos), a</p><p>prescrição retroativa terá o prazo de 04 anos, por força do art. 109, V do CP.</p><p>Esta previsão consta do verbete n° 497 da súmula do STF:</p><p>SÚMULA Nº 497</p><p>QUANDO SE TRATAR DE CRIME CONTINUADO, A PRESCRIÇÃO REGULA-SE</p><p>PELA PENA IMPOSTA NA SENTENÇA, NÃO SE COMPUTANDO O ACRÉSCIMO</p><p>DECORRENTE DA CONTINUAÇÃO.</p><p>DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p> Arts. 71 do CP – Regulamenta o crime continuado:</p><p>Crime continuado</p><p>Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira</p><p>de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como</p><p>continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas,</p><p>ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois</p><p>terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com</p><p>violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade,</p><p>os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os</p><p>motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas,</p><p>ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo</p><p>único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>33</p><p>93</p><p>SÚMULAS PERTINENTES</p><p>Súmulas do STF</p><p> Súmula 711 do STF – Trata da solução ao conflito aparente de leis penais no tempo, no que</p><p>tange aos crimes continuados e permanentes:</p><p>SÚMULA Nº 711</p><p>A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME</p><p>PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA</p><p>CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.</p><p> Súmula 497 do STF – Trata do cálculo do prazo prescricional relativamente ao crime</p><p>continuado, desprezando-se o acréscimo de pena decorrente da continuidade delitiva:</p><p>SÚMULA Nº 497</p><p>QUANDO SE TRATAR DE CRIME CONTINUADO, A PRESCRIÇÃO REGULA-SE</p><p>PELA PENA IMPOSTA NA SENTENÇA, NÃO SE COMPUTANDO O ACRÉSCIMO</p><p>DECORRENTE DA CONTINUAÇÃO.</p><p> Súmula 723 do STF – Trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento da</p><p>suspensão condicional do processo em relação ao crime continuado. Deve ser considerada a</p><p>pena da infração mais grave, acrescida do aumento 1/6 (aumento mínimo decorrente da</p><p>continuidade delitiva):</p><p>Súmula 723</p><p>“Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a</p><p>soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um</p><p>sexto for superior a um ano.”</p><p>Súmulas do STJ</p><p> Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma</p><p>abrangência maior, esta súmula trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento</p><p>da suspensão condicional do processo em relação ao concurso de crimes em geral (crime</p><p>continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão</p><p>condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo</p><p>decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso</p><p>material), ultrapassar um ano:</p><p>Súmula 243 do STJ</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>34</p><p>93</p><p>“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações</p><p>penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade</p><p>delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela</p><p>incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”.</p><p>JURISPRUDÊNCIA CORRELATA</p><p> STJ - RESP 1582601/DF – O STJ firmou entendimento quanto aos parâmetros para fixação do</p><p>aumento decorrente da continuidade delitiva, devendo ser considerada a quantidade de</p><p>infrações penais praticadas:</p><p>1. Relativamente à exasperação da reprimenda procedida em razão do crime</p><p>continuado, é imperioso salientar que esta Corte Superior de Justiça possui o</p><p>entendimento consolidado de que, cuidando-se aumento de pena referente</p><p>à continuidade delitiva, aplica-se a fração de aumento de 1/6 pela prática de 2</p><p>infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4, para 4 infrações; 1/3, para 5 infrações; 1/2,</p><p>para 6 infrações e 2/3, para 7 ou mais infrações.</p><p>(...)</p><p>(REsp 1582601/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,</p><p>julgado em 26/04/2016, DJe 02/05/2016)</p><p> STJ - RESP 1028062/RS – O STJ firmou entendimento no sentido</p><p>de que, para a caracterização</p><p>da continuidade delitiva, não bastam os elementos de natureza objetiva (conexão espacial,</p><p>temporal, etc.), sendo necessário também que esteja presente o requisito de ordem subjetiva,</p><p>consistente na existência de vínculo subjetivo entre as condutas delituosas, ou seja, que o agente</p><p>tenha praticado os crimes na consciência de que se tratava de uma única empreitada criminosa</p><p>(ainda que desdobrada em vários atos criminosos):</p><p>(...) 7. O Superior Tribunal de Justiça entende que, para a caracterização da</p><p>continuidade delitiva (art. 71 do Código Penal), é necessário que estejam</p><p>preenchidos, cumulativamente, os requisitos de ordem objetiva (pluralidade de</p><p>ações, mesmas condições de tempo, lugar e modo de execução) e o de ordem</p><p>subjetiva, assim entendido como a unidade de desígnios ou o vínculo subjetivo</p><p>havido entre os eventos delituosos.</p><p>(...) (REsp 1028062/RS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,</p><p>julgado em 02/02/2016, DJe 23/02/2016)</p><p> STJ - RESP 1287277/MT – O STJ firmou entendimento no sentido de que o fato de os delitos</p><p>terem sido praticados contra vítimas diferentes não afasta a possibilidade de reconhecimento da</p><p>continuidade delitiva:</p><p>2. O fato de os crimes terem sido praticados contra vítimas diversas não impede</p><p>o reconhecimento do crime continuado, notadamente quando os atos tiverem</p><p>sido praticados no mesmo contexto fático (AgRg no REsp n. 1.359.778/MG).</p><p>(...) (REsp 1287277/MT, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA,</p><p>julgado em 07/04/2016, DJe 20/04/2016)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>35</p><p>93</p><p> STJ - AGRG no RESP 1509655/SP – Embora não haja unanimidade quanto ao lapso temporal</p><p>dentro do qual se poderia falar em continuidade delitiva, o STJ possui alguns julgados, como</p><p>este abaixo, no qual entendeu que não é possível reconhecer a continuidade delitiva quando há</p><p>lapso temporal superior a 30 dias entre as condutas:</p><p>1. Incabível a incidência da regra da continuidade delitiva quando o espaço de</p><p>tempo entre as condutas delituosas supera os 30 dias, período suficiente para</p><p>caracterizar a autonomia entre os fatos delituosos. Precedentes do STJ.</p><p>2. Na espécie, em que houve a utilização de passaporte falso por quatro vezes,</p><p>mas transcorrido aproximadamente 150 dias entre a segunda e a terceira</p><p>condutas, deve ser afastada a incidência do art. 71 do CP quanto a estas ações.</p><p>3. Insurgência desprovida.</p><p>(AgRg no REsp 1509655/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA,</p><p>julgado em 10/11/2015, DJe 19/11/2015)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>36</p><p>93</p><p>Disposições Finais</p><p>1.1 Prescrição e concurso de crimes</p><p>O nosso CP adotou a teoria da ficção jurídica, pois a consideração dos diversos delitos</p><p>como um único crime se dá apenas para fins de aplicação da pena, tanto que, no que tange à</p><p>prescrição, eles são considerados crimes autônomos, nos termos do art. 119 do CP:</p><p>Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre</p><p>a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>1.2 Aplicação da pena de multa no concurso de crimes</p><p>Assim prevê o art. 72 do CP:</p><p>Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e</p><p>integralmente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Assim, o art. 72 do CP prevê a aplicação do sistema do cúmulo material no que tange às</p><p>penas de multa. Essa aplicação é inquestionável no concurso material e no concurso formal.</p><p>No entanto, no que se refere ao crime continuado, há forte divergência.</p><p>A primeira corrente (amplamente majoritária na Doutrina) entende que esta regra também</p><p>se aplica ao crime continuado, por não ter a Lei feito qualquer distinção.</p><p>A segunda corrente (majoritária na Jurisprudência, inclusive no STJ), entende que, nesse</p><p>caso, não se aplica a regra do art. 72, por ter a lei entendido que se trata de crime único, mediante</p><p>ficção jurídica.</p><p>DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p> Arts. 72 do CP – Regulamenta a pena de multa no concurso de crimes:</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>37</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>Multas no concurso de crimes</p><p>Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e</p><p>integralmente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p> Art. 119 do CP – Trata da prescrição na hipótese de concurso de crimes:</p><p>Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre</p><p>a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>38</p><p>93</p><p>EXERCÍCIOS COMENTADOS</p><p>1. (CEBRASPE (CESPE) - AJ 02 (TJ ES)/TJ ES/Judiciária/Direito/2023)</p><p>À luz das disposições legais de direito penal e da jurisprudência correlata, julgue o próximo item.</p><p>Quanto ao concurso de pessoas, o Código Penal adota, como regra, a teoria unitária ou monista</p><p>e, excepcionalmente, a teoria pluralista.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto. Vejamos o art. 29 do CP:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Como se vê, o CP estabelece que todos aqueles que colaboram para o crime devem responder</p><p>pelo mesmo crime, adotando, portanto, a teoria monista (monística ou unitária).</p><p>Excepcionalmente, porém, adota-se a teoria pluralista, que estabelece que cada um dos</p><p>comparsas responderá por um crime específico. É o que ocorre, por exemplo, no crime de aborto</p><p>praticado por terceiro com consentimento da gestante (art. 126 do CP). Nesse caso, o terceiro</p><p>(que realiza o aborto consentido) responde pelo crime de aborto praticado por terceiro com</p><p>consentimento da gestante (art. 126 do CP), mas a gestante (sua comparsa), que dá o</p><p>consentimento para o ato, responde pelo crime de autoaborto (art. 124 do CP).</p><p>GABARITO: Correta</p><p>2. (CEBRASPE (CESPE) - NeR (TJ SC)/TJ SC/Provimento/2023)</p><p>Pedro e Artur, agindo em comunhão de esforços e unidade de desígnios, um aderindo à conduta</p><p>do outro, constrangeram Helena, mediante grave ameaça, a entregar-lhes a quantia de R$ 5 mil</p><p>em espécie, dizendo-lhe que, se ela sacasse o dinheiro, nada de ruim iria lhe acontecer, de forma</p><p>que ambos os criminosos obtivessem indevida vantagem econômica. Assim, a vítima se dirigiu</p><p>até uma agência bancária, sempre na vigilância dos dois comparsas, e realizou o saque daquele</p><p>valor, que foi entregue a eles. No que diz respeito a essa situação hipotética, assinale a opção</p><p>correta.</p><p>a) Segundo o CP, que adota, como regra, a teoria monista, presentes a pluralidade de agentes e</p><p>a convergência de vontades voltada à prática da mesma infração penal, Pedro e Artur devem ser</p><p>responsabilizados pelo delito de extorsão qualificada, na medida da sua culpabilidade.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>39</p><p>93</p><p>b) Caso Pedro e Artur tivessem interrompido a execução do crime por circunstâncias externas</p><p>alheias às suas vontades, estaria configurada a desistência voluntária.</p><p>c) Será viável o reconhecimento do arrependimento posterior caso Pedro e Artur devolvam o</p><p>dinheiro a Helena antes do início de eventual ação penal.</p><p>d) Será viável o reconhecimento do arrependimento eficaz caso Pedro e Artur devolvam o</p><p>dinheiro a Helena antes de iniciada eventual investigação policial.</p><p>e) Dada a concorrência de Artur e Pedro para a prática de uma mesma infração penal,</p><p>caracterizou-se o concurso de agentes, na modalidade de participação, segundo o conceito</p><p>restritivo de autor.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Vejamos o art. 29 do CP:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide</p><p>nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Como se vê, o CP estabelece que todos aqueles que colaboram para o crime devem responder</p><p>pelo mesmo crime, adotando, portanto, a teoria monista (monística ou unitária).</p><p>Assim, de acordo com o art. 29 do CP, que adota, como regra, a teoria monista, presentes a</p><p>pluralidade de agentes e a convergência de vontades voltada à prática da mesma infração penal,</p><p>Pedro e Artur devem ser responsabilizados pelo delito de extorsão qualificada pelo concurso de</p><p>agentes (art. 158, §1º do CP), na medida da sua culpabilidade.</p><p>As demais alternativas estão erradas:</p><p>b) ERRADA: Caso Pedro e Artur tivessem interrompido a execução do crime por circunstâncias</p><p>externas alheias às suas vontades, haveria tentativa, e não desistência voluntária.</p><p>c) ERRADA: Não será viável o reconhecimento do arrependimento posterior caso Pedro e Artur</p><p>devolvam o dinheiro a Helena antes do início de eventual ação penal, eis que se trata de crime</p><p>com grave ameaça à pessoa, nos termos do art. 16 do CP.</p><p>d) ERRADA: Não há que se falar em arrependimento eficaz, pois o crime já se consumou.</p><p>e) ERRADA: Segundo o conceito restritivo de autor, nem todos que participam da empreitada</p><p>criminosa são autores, pois alguns serão “meros” partícipes do delito. Todavia, de acordo com a</p><p>teoria objetivo-formal (que engloba um conceito restritivo de autoria), autor é quem pratica a</p><p>conduta descrita no núcleo do tipo penal, ou seja, no caso do crime de extorsão, a conduta de</p><p>“constranger a vítima, mediante violência ou grave ameaça”. Dessa forma, ambos praticaram a</p><p>conduta nuclear, de forma que ambos são autores do delito (coautores).</p><p>GABARITO: LETRA A</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>40</p><p>93</p><p>3. (CEBRASPE (CESPE) - Papis (POLC AL)/POLC AL/2023)</p><p>Em relação a aspectos do direito penal, julgue o item que se segue.</p><p>As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam caso sejam elementares do</p><p>crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto, pois essa é a exata previsão contida no art. 30 do CP:</p><p>Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,</p><p>salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>GABARITO: Correta</p><p>4. (CEBRASPE (CESPE) - Sold (PM SC)/PM SC/2023)</p><p>Em relação ao concurso de pessoas, assinale a opção correta.</p><p>a) O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário,</p><p>não são puníveis se o crime houver sido tentado.</p><p>b) O concurso de pessoas caracteriza-se pelo necessário ajuste prévio entre os colaboradores</p><p>para a prática do delito.</p><p>c) Se a participação for de menor importância, o juiz poderá aplicar o perdão judicial.</p><p>d) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na</p><p>medida de sua personalidade.</p><p>e) Se a intenção de algum dos concorrentes fosse participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste, a qual será aumentada até a metade na hipótese de ter sido previsível o</p><p>resultado mais grave.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>a) ERRADA: Item errado, pois o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição</p><p>expressa em contrário, não são puníveis se o crime não chegar a ser, pelo menos, tentado, nos</p><p>termos do art. 31 do CP:</p><p>Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição</p><p>expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser</p><p>tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>b) ERRADA: Item errado, pois o ajuste prévio entre os colaboradores para a prática do delito não</p><p>é absolutamente indispensável para que haja concurso de pessoas. O que se exige é que haja</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>41</p><p>93</p><p>um vínculo subjetivo, um liame subjetivo entre os comparsas, o que pode se dar, por exemplo,</p><p>pela adesão subjetiva de um dos infratores à conduta do outro, ainda que não haja acordo prévio</p><p>entre eles.</p><p>c) ERRADA: Item errado, pois se a participação for de menor importância, o juiz poderá reduzir a</p><p>pena de um sexto a um terço, nos termos do art. 29, §1º do CP:</p><p>Art. 29 (...) § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser</p><p>diminuída de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>d) ERRADA: Item errado, pois quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas</p><p>a este cominadas, na medida de sua culpabilidade, conforme previsão expressa do art. 29 do CP.</p><p>e) CORRETA: Item correto, pois se a intenção de algum dos concorrentes era a de participar de</p><p>crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste, a qual será aumentada até a metade na</p><p>hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Trata-se do instituto da cooperação</p><p>dolosamente distinta (ou participação em crime menos grave, ou desvio subjetivo de conduta),</p><p>prevista no art. 29, §2º do CP:</p><p>Art. 29 (...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos</p><p>grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na</p><p>hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>GABARITO: LETRA E</p><p>5. (CESPE / 2022 / MPE-TO / PROMOTOR)</p><p>Autor é aquele que realiza ação típica ou alguns de seus elementos previstos na lei penal. A</p><p>contribuição causal deve estar subsumida ao conteúdo descritivo do tipo. A autoria é</p><p>determinada pelo momento de execução de uma ação típica, enquanto as formas de</p><p>participação são entendidas como causas de extensão da punibilidade.</p><p>Considerando-se as teorias aplicáveis ao concurso de pessoas, é correto afirmar que o texto</p><p>precedente trata do conceito</p><p>A) subjetivo de autor.</p><p>B) residual ou extensivo de autor.</p><p>C) finalista ou objetivo-subjetivo de autor.</p><p>D) restritivo ou objetivo-formal de autor.</p><p>E) unitário ou monista de autor.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O texto trata do conceito restritivo de autor, ou seja, nem todos aqueles que participam da</p><p>empreitada criminosa são considerados autores do delito, sendo alguns autores e outros</p><p>partícipes. O texto ainda trata da teoria objetivo-formal, que estabelece que autor é aquele que</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>42</p><p>93</p><p>pratica a conduta descrita no núcleo do tipo (ex.: matar, no crime de homicídio), sendo partícipes</p><p>os demais que participam do crime sem praticar a conduta nuclear do tipo (ex.: aquele que</p><p>empresta arma para que alguém mate outra pessoa).</p><p>GABARITO: LETRA D</p><p>6. (CESPE / 2021 / TCDF)</p><p>Quanto a concurso de pessoas no direito penal brasileiro, julgue o próximo item.</p><p>Quanto à punição do partícipe, a teoria majoritariamente adotada pela doutrina é a da</p><p>acessoriedade mínima, exigindo-se, para tal punição, que o autor tenha praticado um fato típico.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois a doutrina majoritária entende que foi adotada a teoria da acessoriedade</p><p>limitada em relação à punibilidade do partícipe, ou seja, para que o partícipe seja punido é</p><p>necessário que a conduta principal, aquela praticada pelo autor do crime, seja pelo menos um</p><p>fato típico e ilícito.</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>7. (CESPE / 2020 / TJPA)</p><p>Em regra, consideram-se autores de um delito aqueles que praticam diretamente os atos de</p><p>execução, e partícipes aqueles que atuam induzindo, instigando ou auxiliando a ação dos autores</p><p>principais. No entanto, é possível que um agente, ainda que não participe diretamente da</p><p>execução da ação criminosa, possa ter o controle de toda a situação, determinando a conduta de</p><p>seus subordinados. Nessa hipótese, ainda que não seja executor do crime, o agente mandante</p><p>poderá ser responsabilizado criminalmente. Essa possibilidade de responsabilizar o mandante</p><p>pelo crime decorre da teoria</p><p>A) da acessoriedade limitada.</p><p>B) do favorecimento.</p><p>C) do domínio do fato.</p><p>D) pluralística da ação.</p><p>E) da causação.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Nosso CP adota um conceito restritivo de autor, ou seja, nem todos aqueles que participam da</p><p>empreitada criminosa são considerados autores do delito, sendo alguns autores e outros</p><p>partícipes.</p><p>Como regra, de acordo com a teoria objetivo-formal, autor é aquele que pratica a conduta</p><p>descrita no núcleo do tipo (ex.: matar, no crime de homicídio), sendo partícipes os demais que</p><p>participam do crime sem praticar a conduta nuclear do tipo (ex.: aquele que empresta arma para</p><p>que alguém mate outra pessoa).</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>43</p><p>93</p><p>Todavia, tal teoria apresenta solução deficiente em certos casos, nos quais alguém que não</p><p>executa a conduta descrita no núcleo do tipo possui o domínio da empreitada criminosa, tendo o</p><p>poder de decidir os rumos do crime, seja pelo domínio da vontade, da ação ou o domínio</p><p>funcional do fato. Nesses casos, portanto, deve-se adotar a teoria do domínio do fato.</p><p>Logo, o mandante de um crime possui o domínio do fato por ter o poder de controlar o rumo da</p><p>empreitada criminosa, de maneira que deve ser considerado autor, e não mero partícipe, pela</p><p>teoria do domínio do fato.</p><p>GABARITO: LETRA C</p><p>8. (CESPE / 2021 / PF / DELEGADO)</p><p>Com relação aos crimes previstos em legislação especial, julgue o item a seguir.</p><p>A teoria do domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de</p><p>crimes complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado.</p><p>A teoria do domínio do fato, cujo principal expoente foi ROXIN, estabelece que alguém que não</p><p>executa a conduta descrita no núcleo do tipo, mas possui o domínio da empreitada criminosa,</p><p>tendo o poder de decidir os rumos do crime, seja pelo domínio da vontade, da ação ou o</p><p>domínio funcional do fato, deve ser considerado como autor do crime, e não mero partícipe.</p><p>Isso, porém, não dispensa a imputação individualizada da conduta que teria sido praticada por</p><p>este a quem se atribui possuir o domínio do fato. Ou seja, cabe ao MP, ao formular a acusação,</p><p>descrever adequadamente qual teria sido exatamente a conduta do autor a quem se atribui o</p><p>domínio do fato.</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>9. (CESPE / 2021 / TCDF)</p><p>Quanto a concurso de pessoas no direito penal brasileiro, julgue o próximo item.</p><p>No crimen silenti, ou concurso absolutamente negativo, o agente não tem o dever legal de evitar</p><p>o resultado, tampouco adere à vontade criminosa do autor, razão pela qual não é punido.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto, pois no chamdo concurso absolutamente negativo (ou “crimen silenti”), uma pessoa</p><p>apenas toma conhecimento de que certo crime vai ocorrer ou está ocorrendo e nada faz para</p><p>evita-lo, e não tinha o dever de agir para evitar tal crime, motivo pelo qual não pode ser</p><p>considerado partícipe em razão de sua conduta meramente negativa (ex.: José vê o vizinho</p><p>anotar num papel um plano para matar seu chefe. José, porém, nada faz para impedir o crime e o</p><p>vizinho, no dia seguinte, efetivamente executa o plano. José, por não estar na posição de</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>44</p><p>93</p><p>garantidor, não tem o dever de impedir a morte daquela vítima, logo, não pode ser considerado</p><p>partícipe desse homicídio).</p><p>GABARITO: CORRETA</p><p>10. (CESPE – 2019 – TJPR – JUIZ/ADAPTADA)</p><p>A autoria colateral é aquela em que há pluralidade de agentes e liame subjetivo entre eles para a</p><p>realização da conduta.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois essa é a definição de concurso de agentes. A autoria colateral ocorre quando</p><p>dois ou mais agentes atuam visando ao mesmo resultado, mas agem autonomamente, ou seja,</p><p>não estão unidos por um vínculo subjetivo (cada um age por si).</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>11. (CESPE – 2019 – TJPR – JUIZ/ADAPTADA)</p><p>A teoria da acessoriedade limitada entende que basta o fato principal ser típico para que o</p><p>partícipe seja punido.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois para a teoria da acessoriedade limitada (adotada no Brasil, de acordo com a</p><p>maioria da Doutrina), para que o partícipe seja punido, é necessário que a conduta do autor seja</p><p>um fato típico e ilícito, pelo menos.</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>12. (CESPE – 2018 – MPU – ANALISTA)</p><p>Cada um do item a seguir apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser</p><p>julgada, a respeito da aplicação e da interpretação da lei penal, do concurso de pessoas e da</p><p>culpabilidade.</p><p>João e Manoel, penalmente imputáveis, decidiram matar Francisco. Sem que um soubesse da</p><p>intenção do outro, João e Manoel se posicionaram de tocaia e, concomitantemente, atiraram na</p><p>direção da vítima, que veio a falecer em decorrência de um dos disparos. Não foi possível</p><p>determinar de qual arma foi deflagrado o projétil que atingiu fatalmente Francisco. Nessa</p><p>situação, João e Manoel responderão pelo crime de homicídio na forma tentada.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto. No caso em tela houve a autoria colateral, e não concurso de agentes, vez que os</p><p>agentes atuaram visando a obtenção do mesmo resultado, mas agiram autonomamente, ou seja,</p><p>não estavam unidos por um vínculo subjetivo. Assim, cada um responde apenas por sua própria</p><p>conduta. Como não se pode precisar exatamente de qual arma partiu o tiro fatal, não se pode</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>45</p><p>93</p><p>imputar o resultado a nenhum dois dois, de forma que ambos respondem pelo crime na forma</p><p>tentada.</p><p>GABARITO: CORRETA</p><p>13. (CESPE – 2018 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)</p><p>Clara, tendo descoberto uma traição amorosa de seu namorado, comentou com sua amiga Aline</p><p>que tinha a intenção de matá-lo. Aline, então, começou a instigar Clara a consumar o pretendido.</p><p>Nessa situação, se Clara cometer o crime, Aline poderá responder como partícipe do crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto, pois neste caso teremos participação moral, vez que Aline instigou (reforçou uma</p><p>ideia já existente) Clara a praticar o delito, que efetivamente ocorreu.</p><p>GABARITO: CORRETA</p><p>14. (CESPE – 2018 – EBSERH – ADVOGADO)</p><p>Com referência à lei penal no tempo, ao erro jurídico-penal, ao concurso de agentes e aos</p><p>sujeitos da infração penal, julgue o item que se segue.</p><p>Para a punição de um partícipe que colabore com a conduta delituosa, é preciso que o fato</p><p>principal seja típico, ilícito, culpável e punível.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois para a teoria da acessoriedade limitada, adotada no Brasil, de acordo com a</p><p>maioria da Doutrina, para que o partícipe seja punido, é necessário que a conduta do autor seja</p><p>um fato típico e ilícito, pelo menos.</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>15. (CESPE – 2018 – STJ – TÉCNICO)</p><p>Julgue o item subsequente, relativo ao delito praticado em concurso de pessoas.</p><p>Para a configuração do concurso de pessoas, é necessário que três ou mais agentes se auxiliem</p><p>mutuamente na prática do ilícito penal.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois basta, como regra, a participação de DOIS ou mais agentes na atividade</p><p>delituosa (e não três, como diz a questão).</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>16. (CESPE – 2018 – STM – ANALISTA)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>46</p><p>93</p><p>Acerca dos institutos do erro de tipo, do erro de proibição e do concurso de pessoas, julgue o</p><p>item subsequente.</p><p>Inexiste, no ordenamento jurídico, a possibilidade de as condições e circunstâncias de caráter</p><p>pessoal de um agente se comunicarem com as de outro agente que seja coautor de um crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois o art. 30 do CP estabelece que, como regra, não se comunicam as condições e</p><p>circunstâncias de caráter pessoal, SALVO quando elementares do crime. Ou seja, existe exceção,</p><p>o que torna a questão errada.</p><p>GABARITO: ERRADA</p><p>17. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) A cooperação</p><p>dolosamente distinta não permite a aplicação diferenciada de penas para aqueles que</p><p>participam do crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado,</p><p>pois na cooperação dolosamente distinta, também chamada de participação em</p><p>crime menos grave, um dos agentes quis participar de um delito menos grave do que aquele que</p><p>efetivamente ocorreu. Neste caso, o agente receberá a pena relativa ao crime menos grave, que</p><p>quis praticar. Tal pena pode ser aumentada até a metade, caso fosse previsível o resultado mais</p><p>grave, na forma do art. 29, §2º do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>18. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) É absolutamente</p><p>impossível o concurso de pessoas nos crimes culposos.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois a Doutrina majoritária entende ser possível a coautoria nos crimes culposos, já</p><p>que duas ou mais pessoas poderiam, em união de desígnios (acordo de vontades), reunir-se para</p><p>a prática de uma conduta arriscada, que venha a causar um resultado não pretendido. Não seria</p><p>possível, de acordo com a Doutrina majoritária, a participação em crime culposo. Há, portanto,</p><p>possibilidade de concurso de pessoas, na modalidade de coautoria.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>19. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) Na sentença</p><p>condenatória, o juiz deve sempre aplicar penas iguais para o autor, o coautor e o partícipe.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois cada agente receberá sua pena na medida de sua culpabilidade, ou seja, as</p><p>penas aplicadas aos agentes não serão, necessariamente, as mesmas. Como regra, pela adoção</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>47</p><p>93</p><p>da teoria monista, todos respondem pelo mesmo CRIME (pelo mesmo tipo penal), mas isso não</p><p>importa aplicação de penas idênticas para todos os envolvidos no delito.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>20. (CESPE – 2016 – PC-GO – DELEGADO DE POLÍCIA – ADAPTADA) O concurso de agentes</p><p>na realização de um crime pressupõe sempre o prévio ajuste de vontades na consecução de um</p><p>resultado danoso desejado por todos.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois não é necessário que haja um PRÉVIO ajuste entre os agentes, bastando que</p><p>haja vínculo subjetivo entre eles, como ocorre, por exemplo, na hipótese de um agente aderir à</p><p>conduta do outro (ex.: José está agredindo Paulo. Ricardo presencia a cena e se alia à José,</p><p>ajudando-o a agredir Paulo).</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>21. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE) Roberto, Pedro e Lucas planejaram furtar uma</p><p>relojoaria. Para a consecução desse objetivo, eles passaram a vigiar a movimentação da loja</p><p>durante algumas noites. Quando perceberam que o lugar era habitado pela proprietária, uma</p><p>senhora de setenta anos de idade, que dormia, quase todos os dias, em um quarto nos fundos</p><p>do estabelecimento, eles desistiram de seu plano. Certa noite depois dessa desistência, sem a</p><p>ajuda de Roberto, quando passavam pela frente da loja, Pedro e Lucas perceberam que a</p><p>proprietária não estava presente e decidiram, naquele momento, realizar o furto. Pedro ficou</p><p>apenas vigiando de longe as imediações, e Lucas entrou na relojoaria com uma sacola, quebrou</p><p>a máquina registradora, pegou o dinheiro ali depositado e alguns relógios, saiu em seguida,</p><p>encontrou-se com Pedro e deu-lhe 10% dos valores que conseguiu subtrair da loja.</p><p>Na situação hipotética descrita no texto acima,</p><p>a) Pedro e Lucas serão responsabilizados pelo mesmo tipo penal e terão necessariamente a</p><p>mesma pena.</p><p>b) o direito penal brasileiro não distingue autor e partícipe.</p><p>c) Pedro, partícipe, terá pena mais grave que a de Lucas, autor do crime.</p><p>d) Roberto será considerado partícipe e, por isso, poderá ser punido em concurso de pessoas</p><p>pelo crime praticado.</p><p>e) se a atuação de Pedro for tipificada como participação de menor importância, a pena dele</p><p>poderá ser diminuída.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Neste caso, Roberto não responde por crime algum, pois houve desistência do plano</p><p>inicialmente pretendido, não tendo havido o início da execução em relação àquele plano, de</p><p>forma que aquele ajuste não é punível, nos termos do art. 31 do CP (letra D errada).</p><p>Pedro e Lucas, porém, posteriormente, deram início a um novo plano, que se concretizou, de</p><p>maneira que ambos responderão pelo crime de furto. Todavia, a pena dos agentes não será</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>48</p><p>93</p><p>necessariamente a mesma, pois irá variar de acordo com a culpabilidade de cada um (letras A e C</p><p>erradas).</p><p>O direito penal brasileiro distingue autor e partícipe, sendo autor aquele que realiza a conduta</p><p>descrita no núcleo do tipo e partícipes os demais que contribuem na empreitada criminosa (letra</p><p>B errada).</p><p>Por fim, se a atuação de Pedro for considerada como participação de menor importância, a pena</p><p>dele poderá ser diminuída, de um sexto a um terço, nos termos do art. 29, §1º do CP (correta a</p><p>letra E).</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.</p><p>22. (CESPE – 2016 – PC-PE – ESCRIVÃO) A respeito do concurso de pessoas, assinale a opção</p><p>correta.</p><p>a) Em relação à participação no concurso de pessoas, a legislação penal brasileira adota a teoria</p><p>da acessoriedade mínima.</p><p>b) Situação hipotética: José, gerente de loja, mesmo ciente de que um dos vendedores subtraía</p><p>dinheiro do caixa, nada fez para impedir o crime, agindo sem liame subjetivo e intenção de obter</p><p>vantagem econômica. Assertiva: Nessa situação, o gerente responderá em coautoria pelo crime</p><p>de furto, com ação omissiva.</p><p>c) Em se tratando de crimes plurissubjetivos, como, por exemplo, o crime de rixa, não há que se</p><p>falar em participação, já que a pluralidade de agentes integra o tipo penal: todos são autores.</p><p>d) Situação hipotética: O motorista João e sua mulher, Maria, trafegavam por uma rodovia,</p><p>quando ambos, deliberadamente, deixaram de prestar socorro a uma pessoa gravemente ferida,</p><p>sem que houvesse risco pessoal para qualquer um deles. João foi instigado por Maria, que estava</p><p>no banco do carona, a não parar o veículo, e, por fim, em acordo de vontades com Maria, assim</p><p>efetivamente procedeu. Assertiva: Nessa situação, João responderá como autor pelo crime de</p><p>omissão de socorro e Maria será tida como inimputável.</p><p>e) Haverá participação culposa em crime doloso na situação em que um médico, agindo com</p><p>negligência, fornece ao enfermeiro substância letal para ser ministrada a um paciente, e o</p><p>enfermeiro, embora percebendo o equívoco, decide ministrá-la com a intenção de matar o</p><p>paciente.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>a) ERRADA: O CP brasileiro, de acordo com a Doutrina majoritária, adota a teoria da</p><p>acessoriedade limitada, segundo a qual a conduta do partícipe é punível quando a conduta do</p><p>autor for, ao menos, típica e ilícita.</p><p>b) ERRADA: Item errado, pois não há coautoria neste caso. José, o gerente, será</p><p>responsabilizado pelo crime de furto em razão de sua omissão (crime omissivo impróprio), mas</p><p>por não haver vínculo subjetivo entre os agentes, cada um responderá isoladamente por sua</p><p>conduta.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>49</p><p>93</p><p>c) CORRETA: Item correto, pois todos os participantes da rixa são coautores do delito. Todavia,</p><p>há aqueles que não participam DA RIXA, mas de alguma forma prestam auxílio (ex.: emprestam</p><p>uma arma, incentivam, etc.). Estes serão partícipes do crime, e não autores. A questão, portanto,</p><p>apesar de estar correta, não faz a diferenciação mais apropriada entre as situações, o que dava</p><p>margem à anulação.</p><p>d) ERRADA: Item errado, pois neste caso ambos responderão como autores do crime omissivo, já</p><p>que ambos praticaram o núcleo descrito no tipo penal, ao deixarem de socorrer a vítima.</p><p>e) ERRADA: Item errado, pois neste caso, dada a diferença entre o elemento subjetivo de cada</p><p>um dos agentes, não haverá concurso de agentes. O enfermeiro responderá por homicídio</p><p>doloso e o médico por homicídio culposo.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.</p><p>23. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Tendo o CP adotado a teoria monista, não</p><p>há como punir diferentemente</p><p>todos quantos participem direta ou indiretamente para a</p><p>produção do resultado danoso.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois o fato de o CP ter adotado a teoria monista significa apenas que, como regra,</p><p>todos os agentes devem responder pelo mesmo tipo penal, mas não significa que terão</p><p>necessariamente a mesma pena, já que cada um será penalizado na medida de sua</p><p>culpabilidade, nos termos do art. 29 do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>24. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) É impossível o concurso de pessoas nos</p><p>crimes culposos, ante a ausência de vínculo subjetivo entre os agentes na produção do resultado</p><p>danoso.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois é perfeitamente possível a ocorrência de concurso de pessoas em crime</p><p>culposo, desde que haja vínculo subjetivo entre os agentes, ou seja, desde que os agentes atuem</p><p>de forma descuidada (imprudente, negligente ou imperita) em conluio (ex.: dois irmãos</p><p>combinam de arremessar, um para o outro, um tijolo pesado, mesmo sabendo que o tijolo</p><p>poderia atingir um pedestre. O tijolo, de fato, atinge o pedestre, causando-lhes lesões corporais.</p><p>Neste caso, podemos falar em crime de lesões corporais culposas praticado em concurso de</p><p>agentes).</p><p>Não há, portanto, união com vistas ao resultado, que não é pretendido pelos agentes. Todavia,</p><p>há união para a prática da conduta descuidada.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>50</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>25. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) A respeito do</p><p>concurso de pessoas, assinale a opção correta.</p><p>a) As circunstâncias objetivas se comunicam, mesmo que o partícipe delas não tenha</p><p>conhecimento.</p><p>b) Em se tratando de peculato, crime próprio de funcionário público, não é possível a coautoria</p><p>de um particular, dada a absoluta incomunicabilidade da circunstância elementar do crime.</p><p>c) A determinação, o ajuste ou instigação e o auxílio não são puníveis.</p><p>d) Tratando-se de crimes contra a vida, se a participação for de menor importância, a pena</p><p>aplicada poderá ser diminuída de um sexto a um terço.</p><p>e) No caso de um dos concorrentes optar por participar de crime menos grave, a ele será</p><p>aplicada a pena referente a este crime, que deverá ser aumentada mesmo na hipótese de não ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>a) ERRADA: Item errado, pois para a comunicação das circunstâncias objetivas é necessário que</p><p>tenham ingressado na esfera de conhecimento do partícipe.</p><p>b) ERRADA: Item errado, pois admite-se o concurso de agentes em crimes próprios, desde que</p><p>um dos agentes ostente a condição exigida pelo tipo e o outro comparsa saiba dessa condição.</p><p>c) ERRADA: Item errado, pois a determinação, o ajuste ou instigação e o auxílio, COMO REGRA,</p><p>não são puníveis se o crime não chega pelo menos a ser tentado, na forma do art. 31 do CP.</p><p>d) CORRETA: De fato, se a participação for de menor importância, a pena aplicada poderá ser</p><p>diminuída de um sexto a um terço, na forma do art. 29, §1º do CP. Tal previsão se aplica,</p><p>inclusive, aos crimes contra a vida, motivo pelo qual a afirmativa está errada.</p><p>e) ERRADA: Item errado, pois o aumento de pena na cooperação dolosamente distinta só se</p><p>dará se o agente que quis participar de crime menos grave podia prever a ocorrência do</p><p>resultado mais grave, nos termos do art. 29, §2º do CP.</p><p>Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.</p><p>26. (CESPE – 2014 - CÂMARA DOS DEPUTADOS - POLICIAL LEGISLATIVO) Paulo e João</p><p>foram surpreendidos nas dependências da Câmara dos Deputados quando subtraíam carteiras e</p><p>celulares dos casacos e bolsas de pessoas que ali transitavam. Paulo tem dezessete anos e teve</p><p>acesso ao local por intermédio de João, que é servidor da Casa.</p><p>Com base nessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.</p><p>O fato de Paulo ser inimputável impede que se reconheça o concurso de pessoas no caso</p><p>narrado.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>51</p><p>93</p><p>O item está errado. A inimputabilidade não impede o reconhecimento do concurso de agentes,</p><p>conforme entendimento doutrinário majoritário. Nos crimes eventualmente plurissubjetivos (crime</p><p>de furto, por exemplo, que eventualmente pode ser um crime qualificado pelo concurso de</p><p>pessoas, embora seja, em regra, unissubjetivo) não é necessário que todos os agentes sejam</p><p>imputáveis, bastando que apenas um o seja. Nesse caso, no entanto, não há propriamente</p><p>concurso de pessoas, mas o que a Doutrina chama de concurso impróprio, ou concurso aparente</p><p>de pessoas. De toda forma, temos uma hipótese de concurso de agentes.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>27. (CESPE – 2014 – TJ/SE – TÉCNICO) No que se refere a concurso de pessoas, aplicação da</p><p>pena, medidas de segurança e ação penal, julgue os itens a seguir.</p><p>Em se tratando de autoria colateral, não existe concurso de pessoas.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto, pois na autoria colateral dois agentes praticam a conduta ao mesmo tempo, mas</p><p>não há qualquer vínculo subjetivo entre eles, ou seja, eles não agem em conluio, não há</p><p>combinação entre ambos.</p><p>Ausente o vínculo subjetivo, ou seja, o vínculo de vontade entre ambos, não há concurso de</p><p>pessoas.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>28. (CESPE – 2014 – TJ-SE – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Caso dois agentes,</p><p>previamente ajustados, tenham praticado crime de roubo, com o uso de arma de fogo, e, em</p><p>consequência dos disparos feitos com a arma, a vítima faleça, o comparsa que não disparou os</p><p>tiros somente responde pelos atos que efetivamente tiver praticado, não devendo ser</p><p>responsabilizado pelos disparos que resultaram no óbito da vítima.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. Estando ambos agindo em concurso de pessoas, ambos respondem pelo resultado</p><p>advindo da conduta, ainda que os disparos tenham sido realizados apenas por um dos agentes:</p><p>(...) 4. Por oportuno, registre-se, ao contrário do que sustenta a impetração,</p><p>mesmo que o paciente não tenha sido o responsável pela efetuação dos disparos</p><p>de arma de fogo que culminaram no óbito de uma das vítimas, deve responder</p><p>como coautor pelo roubo seguido de morte.</p><p>5. Isso porque ficou bem demonstrada, na espécie, a existência de liame</p><p>subjetivo e ajuste prévio do paciente com os demais agentes, assumindo ele</p><p>também o risco, com a participação na empreitada delituosa, de que alguma</p><p>vítima fosse morta em virtude de disparo de arma.</p><p>(...)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>52</p><p>93</p><p>(HC 185.167/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em</p><p>15/03/2011, DJe 08/02/2012)</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>29. (CESPE – 2013 – PG-DF – PROCURADOR) Marcos, imbuído de animus necandi, disparou</p><p>tiros de revólver em Ricardo por não ter recebido deste pagamento referente a fornecimento de</p><p>maconha. Apesar de ferido gravemente, Ricardo sobreviveu. Marcos, para chegar ao local onde</p><p>Ricardo se encontrava, foi conduzido em motocicleta por Rômulo, que sabia da intenção</p><p>homicida do amigo, embora desconhecesse o motivo, e concordava em ajudá-lo. Ricardo foi</p><p>atingido pelas costas enquanto caminhava em via pública, e Marcos e Rômulo, ao verem a vítima</p><p>tombar, fugiram, supondo tê-la matado.</p><p>Com base nessa situação hipotética, julgue os próximos itens.</p><p>Rômulo agiu em coautoria e deve responder pelo mesmo crime cometido por Marcos, não se</p><p>aplicando a ele, entretanto, a qualificadora baseada no motivo do crime (torpeza), já que</p><p>ignorava o motivo por que o seu comparsa queria a morte de Ricardo.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto. Rômulo responderá pelo mesmo delito de Marcos, na qualidade de coautor</p><p>(coautoria funcional), embora haja quem defenda tratar-se de participação. Seja como for,</p><p>responderá pelo delito.</p><p>Contudo, a qualificadora do motivo torpe não será imputada a Rômulo, pois se trata de</p><p>circunstância de caráter pessoal e que sequer entrou na esfera de conhecimento</p><p>de Rômulo, de</p><p>forma que eventual imputação da qualificadora a este comparsa seria odiosa manifestação de</p><p>responsabilidade penal objetiva.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>30. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) De acordo com a teoria da acessoriedade</p><p>limitada, para a punibilidade da participação basta que a conduta principal constitua fato típico.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. De acordo com tal teoria a punibilidade da participação depende de que a conduta</p><p>principal seja típica e ilícita. A teoria que exige apenas a tipicidade da conduta principal como</p><p>requisito para a punibilidade da participação é a teoria da acessoriedade mínima.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>31. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) Considere que Carlos, Mércia e José,</p><p>empregados de uma grande empresa em Natal, tenham oferecido bombons envenenados ao</p><p>seu chefe, Mário, que morreu após ingerir unicamente os bombons oferecidos por Mércia.</p><p>Considere, ainda, que os três tenham agido de forma independente, sem ter ciência da conduta</p><p>dos demais. Nessa situação, de acordo com a teoria da causalidade material, resta configurada a</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>53</p><p>93</p><p>autoria colateral, devendo Carlos, Mércia e José responder pela prática de homicídio</p><p>consumado.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Neste caso, não há concurso de agentes, apenas autoria colateral. Em casos tais, cada agente</p><p>responde apenas por sua conduta, isoladamente. Assim, Mércia responderá por homicídio doloso</p><p>consumado e os demais responderão, apenas, por tentativa de homicídio.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>32. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) Considere que, em uma noite escura, Mel</p><p>induza a prima Maria a disparar contra Pedro ao fazê-la acreditar que atirava em um animal feroz</p><p>que rondava a casa de campo em que estavam. Nessa situação, ficando comprovado que Maria</p><p>matou Pedro em erro de tipo escusável determinado pela prima, que sabia da realidade dos</p><p>fatos, Mel responderá como autora mediata do crime de homicídio.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Neste caso, Maria agiu em erro determinado por terceiro (Mel), de forma que somente o terceiro</p><p>(Mel) é que responderá pelo delito, já que se tratava de erro escusável. Vejamos:</p><p>Erro sobre elementos do tipo(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,</p><p>mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Descriminantes putativas(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas</p><p>circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.</p><p>Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como</p><p>crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Neste caso, temos uma hipótese de autoria mediata, pois Maria agiu sem dolo, decorrente do</p><p>erro de tipo permissivo escusável, determinado por terceiro. Assim, apenas o terceiro responderá</p><p>pelo delito. Trata-se de utilização da teoria do domínio do fato, já que Maria, induzida a erro, foi</p><p>utilizada como instrumento por Mel, sendo esta uma das hipóteses de autoria mediata.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>33. (CESPE – 2013 – BACEN – PROCURADOR – ADAPTADA) As hipóteses de coação moral</p><p>irresistível e obediência hierárquica são de autoria mediata, e, por suas naturezas e</p><p>consequências, excluem a ilicitude da conduta.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>54</p><p>93</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. Embora tais hipóteses sejam exemplos de autoria mediata (eis que somente o</p><p>mandante ou coator responderá pelo delito), haverá exclusão da culpabilidade, e não da ilicitude,</p><p>nos termos do art. 22 do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>34. (CESPE – 2013 – SEFAZ-ES – AUDITOR FISCAL - ADAPTADA) As elementares objetivas do</p><p>tipo sempre se comunicam, ainda que o partícipe não tenha conhecimento delas.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>As elementares objetivas do tipo sempre se comunicam ao partícipe, mas é necessário que estas</p><p>elementares objetivas tenham entrado na esfera de conhecimento do agente, sob pena de</p><p>responsabilização objetiva.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>35. (CESPE - 2015 - TRE-GO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Julgue os itens</p><p>seguintes, a respeito de concurso de pessoas, tipicidade, ilicitude, culpabilidade e fixação da</p><p>pena.</p><p>Caso um indivíduo obtenha de um amigo, por empréstimo, uma arma de fogo, dando-lhe ciência</p><p>de sua intenção de utilizá-la para matar outrem, o amigo que emprestar a arma será considerado</p><p>partícipe do homicídio se o referido indivíduo cometer o crime pretendido, ainda que este não</p><p>utilize tal arma para fazê-lo e que o amigo não o estimule a praticá-lo.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. Isto porque para que alguém seja considerado partícipe de um delito é necessário</p><p>prestar auxílio MATERIAL ou MORAL. No caso, não haveria auxílio MATERIAL, pois a arma</p><p>utilizada não foi a mesma emprestada pelo amigo. Também não houve auxílio moral, pois a</p><p>própria questão deixa claro que o amigo não estimulou o agente a praticar o crime. Assim, não</p><p>há participação penalmente punível.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>36. (CESPE - 2015 - TJDFT – TÉCNICO) Em relação à improbidade administrativa, ao concurso</p><p>de pessoas e às hipóteses de extinção da punibilidade, julgue os itens subsecutivos.</p><p>Caracteriza-se a autoria colateral na hipótese de dois agentes, imputáveis, cada um deles</p><p>desconhecendo a conduta do outro, praticarem atos convergentes para a produção de um delito</p><p>a que ambos visem, mas o resultado ocorrer em virtude do comportamento de apenas um deles.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto. Na autoria colateral o resultado advém da conduta de apenas um dos agentes, não</p><p>havendo vínculo subjetivo entre eles. Exatamente por não haver vínculo subjetivo entre os</p><p>agentes, não há que se falar em concurso de pessoas, de maneira que somente aquele que</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>55</p><p>93</p><p>efetivamente deu causa ao resultado é que responderá pelo delito. Não sendo possível</p><p>determinar qual das condutas deu causa ao resultado, ambos respondem pelo delito na forma</p><p>tentada.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>37. (CESPE - 2015 - TJDFT – TÉCNICO) Em relação à improbidade administrativa, ao concurso</p><p>de pessoas e às hipóteses de extinção da punibilidade, julgue os itens subsecutivos.</p><p>Pode haver participac ̧ão dolosa em crime culposo, na ̃o sendo necessa ́rio, para a caracterizac ̧ão</p><p>do concurso de pessoas, que autor e partícipes tenham atuado com o mesmo elemento</p><p>subjetivo-normativo.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. A Doutrina majoritária (e a jurisprudência também majoritária) não admite a</p><p>participação dolosa em crime culposo, tampouco a participação culposa em crime doloso. A</p><p>Doutrina exige que a participação possua a mesma natureza volitiva (elemento de vontade) do</p><p>crime para o qual o partícipe contribui. Há, contudo, corrente doutrinária (inclusive adotada pelo</p><p>STJ) que nega possibilidade de participação em crime culposo, ainda que se trate de</p><p>participação culposa.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>38. (CESPE - 2015 - TJDFT - OFICIAL DE JUSTIÇA ) Idealizada por Welzel e Roxin e</p><p>considerada objetivo-subjetiva, a teoria do domínio do fato diferencia autoria de participação</p><p>em função da prática dos atos executórios do delito.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado. A teria do domínio do fato diferencia autor e partícipe não com base na prática dos</p><p>atos executórios (isso quem o faz é a teoria objetivo-formal). A teoria do domínio do fato</p><p>diferencia autor e partícipe tendo com fundamento</p><p>o domínio sobre o curso da empreitada</p><p>criminosa. Todo aquele que possui o domínio do curso da conduta criminosa (seja pelo domínio</p><p>da ação, da vontade ou pelo domínio funcional do fato) é considerado autor do delito.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>39. (CESPE - 2007 - TJ-PI - JUIZ) No concurso de pessoas, há quatro teorias que explicam o</p><p>tratamento da acessoriedade na participação. De acordo com a teoria da hiperacessoriedade,</p><p>para se punir a conduta do partícipe, é preciso que o fato principal seja</p><p>I típico.</p><p>II antijurídico.</p><p>II culpável.</p><p>IV punível.</p><p>A quantidade de itens certos é igual a</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>56</p><p>93</p><p>A) 0.</p><p>B) 1.</p><p>C) 2.</p><p>D) 3.</p><p>E) 4.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Conforme estudamos, a teoria da hiperacessoriedade é a mais radical de todas as quatro,</p><p>exigindo, para a punibilidade do partícipe, que a conduta principal deva ser típica, ilícita,</p><p>culpável e punível.</p><p>Assim, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.</p><p>40. (CESPE - 2009 - PC-RN - AGENTE DE POLÍCIA) Acerca do concurso de pessoas, assinale a</p><p>opção correta.</p><p>A) Considere que Lia e Lena estivessem discutindo dentro do carro quando, acidentalmente, Lia</p><p>atropelou um pedestre que atravessava na faixa de segurança. Nessa situação hipotética, Lia e</p><p>Lena deverão responder pela prática de homicídio culposo.</p><p>B) O crime de falso testemunho admite coautoria e participação.</p><p>C) Considere que Mévio e Leo tenham resolvido furtar uma casa supostamente abandonada.</p><p>Nesse furto, considere que Leo tenha ficado vigiando a entrada, enquanto Mévio entrou para</p><p>subtrair os bens; dentro da residência, Mévio descobriu que a mesma estava habitada e acabou</p><p>agredindo o morador; após levarem os objetos para um local seguro, Mévio narrou o fato para</p><p>Leo. Considerando essa situação hipotética, Mévio deverá responder pelo crime de roubo e Leo,</p><p>por furto.</p><p>D) No crime de induzimento ou instigação ao suicídio, o agente que instiga age como partícipe e</p><p>o suicida é, ao mesmo tempo, sujeito ativo e passivo.</p><p>E) As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam entre os coautores e</p><p>partícipes do crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A) ERRADA: Nesse caso não há concurso de agentes, pois não há participação culposa em crime</p><p>culposo, segundo entendimento do STJ. Neste caso, somente Lia responderá pelo delito.</p><p>B) ERRADA: A grande maioria da Doutrina entende não haver possibilidade de coautoria nesse</p><p>caso, por se tratar de crime de mão-própria. No entanto, parte da Doutrina entende que pode</p><p>haver coautoria quando há coação moral resistível de um terceiro sobre aquele que comete o</p><p>crime. A participação, atualmente, é admitida.</p><p>C) CORRETA: Aqui, trata-se da hipótese de cooperação dolosamente distinta. Leo não pretendeu</p><p>praticar um roubo, e sim um furto, devendo responder apenas por este, e não pelo roubo, que</p><p>foi praticado apenas por Mévio. Entretanto, nos termos do art. 29, § 2° do CP, se o crime de</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>57</p><p>93</p><p>roubo era previsível, a pena de Leo pode ser aumentada até a metade, mas ele sempre</p><p>responderá pelo crime de furto apenas.</p><p>D) ERRADA: No crime de instigação ao suicídio, quem instiga é autor do crime (pratica o núcleo</p><p>do tipo), e não mero partícipe do delito. Assim, a alternativa está errada.</p><p>E) ERRADA: As circunstâncias e condições de caráter pessoal não se comunicam, nos termos do</p><p>art. 30 do CP, salvo se forem elementares do delito.</p><p>Assim, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.</p><p>41. (CESPE - 2011 - TJ-ES - ANALISTA JUDICIÁRIO - DIREITO - ÁREA JUDICIÁRIA -</p><p>ESPECÍFICOS) Considere que os indivíduos João e José — ambos com animus necandi, mas um</p><p>desconhecendo a conduta do outro — atirem contra Francisco, e que a perícia, na análise dos</p><p>atos, identifique que José seja o responsável pela morte de Francisco. Nessa situação hipotética,</p><p>José responderá por homicídio consumado e João, por tentativa de homicídio. Certo ou Errado?</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>CORRETA: Como ambos não agiram com vínculo subjetivo, não há coautoria, mas autoria</p><p>colateral, afastando-se, desta forma, o concurso de pessoas, respondendo cada um apenas pela</p><p>sua conduta. Assim, a afirmativa está correta.</p><p>Assim, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>42. (CESPE - 2011 - PC-ES - ESCRIVÃO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) O concurso de pessoas,</p><p>no sistema penal brasileiro, adotou a teoria monística, com temperamentos, uma vez que</p><p>estabelece certos graus de participação, em obediência ao princípio da individualização da pena.</p><p>Certo ou Errado?</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>CORRETA: Conforme estudamos, o nosso CP adotou a teoria monista no concurso de pessoas,</p><p>de forma que todos aqueles que cooperam para a prática do delito, por ele respondem, nos</p><p>termos do art. 29 do CP. No entanto, o CP determina que a pena de cada um dos agentes deve</p><p>ser calculada na medida de sua culpabilidade, o que demonstra a adoção de uma teoria</p><p>monista mitigada, ou temperada.`</p><p>Assim, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>43. (CESPE - 2008 - PC-TO - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Fernando, Cláudio e Maria, penalmente imputáveis, associaram-se com Geraldo, de 17 anos de</p><p>idade, com o fim de cometer estelionato. Alugaram um apartamento e adquiriram os</p><p>equipamentos necessários à prática delituosa, chegando, em conluio, à concretização de um</p><p>único crime.</p><p>Nessa situação, o grupo, com exceção do adolescente, responderá apenas pelo crime de</p><p>estelionato, não se caracterizando o delito de quadrilha ou bando, em face da necessidade de</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>58</p><p>93</p><p>associação de, no mínimo, quatro pessoas para a tipificação desse delito, todas penalmente</p><p>imputáveis.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A afirmativa está errada, pois o nosso sistema jurídico-penal adotou a teoria da acessoriedade</p><p>limitada, ainda que não o tenha feito de forma expressa, mas é este o entendimento doutrinário</p><p>dominante. Por esta teoria, para que haja participação, é suficiente que o partícipe tenha</p><p>praticado fato típico e ilícito, não sendo necessário que seja culpável (o inimputável não é</p><p>culpável).</p><p>Portanto, neste caso, a participação do adolescente é penalmente relevante para a</p><p>caracterização do crime de quadrilha ou bando.</p><p>Assim, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>44. (CESPE - 2008 - PC-TO - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Luiz, imputável, aderiu deliberadamente à conduta de Pedro, auxiliando-o no arrombamento de</p><p>uma porta para a prática de um furto, vindo a adentrar na residência, onde se limitou, apenas, a</p><p>observar Pedro, durante a subtração dos objetos, mais tarde repartidos entre ambos.</p><p>Nessa situação, Luiz responderá apenas como partícipe do delito pois atuou em atos diversos</p><p>dos executórios praticados por Pedro, autor direto.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Luiz responderá como coautor do delito, pois o arrombamento da porta é um ato integrante do</p><p>núcleo do tipo, já que faz parte do iter da execução do crime.</p><p>Assim, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>45. (CESPE - 2011 - PC-ES - ESCRIVÃO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) O concurso de pessoas,</p><p>no sistema penal brasileiro, adotou a teoria monística, com temperamentos, uma vez que</p><p>estabelece certos graus de participação, em obediência ao princípio da individualização da pena.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O art. 29 do CP diz:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Esse artigo evidencia a adoção da teoria monista, eis que estabelece a unidade de crime para</p><p>aqueles que participam do mesmo fato. No entanto, entende-se que a teoria monista adotada</p><p>foi “mitigada” pela possibilidade de aplicação de graus diferentes de culpa a cada participante.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>59</p><p>93</p><p>Portanto,</p><p>A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>46. (CESPE - 2011 - PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) Quanto ao concurso de</p><p>pessoas, o direito penal brasileiro acolhe a teoria monista, segundo a qual todos os indivíduos</p><p>que colaboraram para a prática delitiva devem, como regra geral, responder pelo mesmo crime.</p><p>Tal situação pode ser, todavia, afastada, por aplicação do princípio da intranscendência das</p><p>penas, para a hipótese legal em que um dos colaboradores tenha desejado participar de delito</p><p>menos grave, caso em que deverá ser aplicada a pena deste.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A questão está praticamente toda correta. No entanto, peca ao afirmar que a teoria monista</p><p>pode ser mitigada pelo princípio da intranscendência da pena. Está errado. A teoria monista é</p><p>mitigada pelo princípio da individualização da pena, pois a pena de cada um deve corresponder</p><p>ao seu grau de culpa no fato.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>47. (CESPE - 2010 - ABIN - OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA - ÁREA DE DIREITO) A</p><p>teoria do domínio do fato é aplicável para a delimitação de coautoria e participação, sendo</p><p>coautor aquele que presta contribuição independente e essencial à prática do delito, mas não</p><p>obrigatoriamente à sua execução.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A teoria do domínio do fato (ou do domínio final do fato) é a teoria segundo a qual autor é</p><p>aquele que, mesmo não realizando o núcleo do tipo (não sendo executor), possui ingerência</p><p>decisiva acerca do cometimento ou não da infração (o mandante, por exemplo).</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>48. (CESPE - 2010 - DPU - DEFENSOR PÚBLICO) Em se tratando da chamada</p><p>comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal brasileiro, as condições e</p><p>circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico como qualificado,</p><p>comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e circunstâncias</p><p>pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>As circunstâncias de caráter pessoal, em regra, não se comunicam, salvo se elementares do</p><p>crime. No entanto, mesmo quando elementares do delito, as circunstâncias pessoais do</p><p>partícipe não se comunicam ao autor, por se tratar de participação acessória na conduta</p><p>principal.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>49. (CESPE - 2008 - MPE-RR - PROMOTOR DE JUSTIÇA) Ocorre a coautoria sucessiva</p><p>quando, após iniciada a conduta típica por um único agente, houver a adesão de um segundo</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>60</p><p>93</p><p>agente à empreitada criminosa, sendo que as condutas praticadas por cada um, dentro de um</p><p>critério de divisão de tarefas e união de desígnios, devem ser capazes de interferir na</p><p>consumação da infração penal.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A afirmativa está perfeita. O concurso de agentes pode ser prévio, quando ambos se unem</p><p>antes do início da execução do delito e sucessiva, quando ambos se unem para a prática do</p><p>delito após o início da execução.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>50. (CESPE - 2008 - MPE-RR - PROMOTOR DE JUSTIÇA) No tocante à participação, o CP</p><p>adota o critério da hiperacessoriedade, razão pela qual, para que o partícipe seja punível, será</p><p>necessário se comprovar que ele concorreu para a prática de fato típico e ilícito.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>De fato, para que o partícipe seja punível, é necessário que ele tenha praticado fato típico e</p><p>ilícito. No entanto, essa teoria não é a da hiperacessoriedade, mas a da acessoriedade limitada.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>51. (CESPE - 2008 - STJ - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) A participação ínfima</p><p>ou de somenos é tratada pelo CP da mesma maneira que a menor participação, tendo ambas</p><p>como conseqüência a incidência de minorante da pena em um sexto a um terço.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A participação ínfima ou de somenos (também chamada de “participação de menor</p><p>importância”) é aquela prevista no art. 29, §1°, que significa a participação de pouquíssima</p><p>importância, incidindo a causa de diminuição de pena, de 1/6 a 1/3.</p><p>A menor participação, por sua vez, é aquela que se analisa em comparação com a participação</p><p>de outro agente, mais importante, e não gera a diminuição da pena.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>52. (CESPE - 2004 - POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO DE POLÍCIA - REGIONAL) De acordo</p><p>com o sistema adotado pelo Código Penal, é possível impor aos partícipes da mesma atividade</p><p>delituosa penas de intensidades desiguais.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A afirmativa está correta, pois se baseia no art. 29 do CP, que estabelece que a pena deverá</p><p>corresponder ao grau de participação do agente no delito. Vejamos:</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>61</p><p>93</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>53. (CESPE - 2008 - STF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em caso de concurso</p><p>de pessoas para a prática de crime, se algum dos concorrentes participar apenas do crime</p><p>menos grave, será aplicada a ele a pena relativa a esse crime, mesmo que seja previsível o</p><p>resultado mais grave.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A questão está MUITO mal formulada. A princípio, a questão está correta, por corresponder ao</p><p>que prevê o art. 29, §2° do CP, que trata da chamada cooperação dolosamente distinta.</p><p>Vejamos:</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Porém, a questão não fala que no caso de ser previsível o crime mais grave, a pena a ser</p><p>aplicada será a do MENOS GRAVE, com o acréscimo previsto na lei.</p><p>A questão é muito mal formulada e deveria ter sido anulada, eis que está correta, tendo a banca</p><p>a considerado como errada.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>54. (CESPE - 2010 - AGU - PROCURADOR) Ao crime plurissubjetivo aplica-se a norma de</p><p>extensão do art. 29 do Código Penal, que dispõe sobre o concurso de pessoas, sendo este</p><p>exemplo de norma de adequação típica mediata.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A adequação típica imediata é a adequação perfeita da conduta do agente ao que prevê o tipo</p><p>penal. Ex.: Matar alguém. Só há adequação típica imediata na conduta daquele que</p><p>efetivamente mata alguém. Entretanto, como punir aquele que dá a arma para o agente matar a</p><p>vítima? Isso se dá através de normas de extensão, que geram a chamada adequação típica</p><p>mediata. A norma do art. 29 é uma delas, pois permite punir pessoas que, a princípio, não</p><p>praticaram condutas previstas no tipo penal.</p><p>Entretanto, nos crimes PLURISSUBJETIVOS, o concurso de agentes é NECESSÁRIO, e a conduta</p><p>de cada um deles já está prevista diretamente no tipo penal, de forma que não é necessária</p><p>norma de extensão para que se dê a adequação típica.</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>62</p><p>93</p><p>55. (CESPE - 2008 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Valdir e Júlio</p><p>combinaram praticar um crime de furto, assim ficando definida a divisão de tarefas entre ambos:</p><p>Valdir entraria na residência de seu ex-patrão Cláudio, pois este estava viajando de férias e,</p><p>portanto, a casa estaria vazia; Júlio aguardaria dentro do carro, dando cobertura à empreitada</p><p>delitiva. No dia e local combinados, Valdir entrou desarmado na casa e Júlio ficou no carro.</p><p>Entretanto, sem que eles tivessem conhecimento, dentro da residência estava um agente de</p><p>segurança contratado por Cláudio. Ao se deparar com o segurança, Valdir constatou que ele</p><p>estava cochilando em uma cadeira, com uma arma de fogo em seu colo. Valdir então pegou a</p><p>arma de fogo, anunciou o assalto e, em face da resistência do segurança, findou por atirar em</p><p>sua direção, lesionando-o gravemente. Depois disso, subtraiu todos</p><p>os bens que guarneciam a</p><p>residência.</p><p>Nessa situação, deve-se aplicar a Júlio a pena do crime de furto, uma vez que o resultado mais</p><p>grave não foi previsível.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A questão procura deixar bem claro que Júlio não tinha como saber que acabaria ocorrendo</p><p>um roubo, eis que os donos da casa estavam viajando e seu comparsa entrou DESARMADO na</p><p>casa. Assim, não tendo sido previsível o crime mais grave (roubo), aplica-se ao comparsa que</p><p>não o cometeu, a pena do crime menos grave (furto), em razão do art. 29, §2° do CP:</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>56. (CESPE - 2013 - PRF - POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Em relação ao concurso de</p><p>pessoas, o CP adota a teoria monista, segundo a qual todos os que contribuem para a prática de</p><p>uma mesma infração penal cometem um único crime, distinguindo-se, entretanto, os autores do</p><p>delito dos partícipes.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está correto. O CP adota, como regra, a teoria monista no concurso de agentes, de forma</p><p>que todos os que participam de uma conduta criminosa respondem pelo mesmo delito, embora</p><p>existam exceções pontuais. Além disso, o CP adota também a teoria diferenciadora, distinguindo</p><p>autores (aqueles que praticam o núcleo do tipo penal) e partícipes (aqueles que prestam auxílio</p><p>na prática da conduta), num conceito restritivo de autor.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>57. (CESPE - 2013 - PRF - POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Aproveitando-se da facilidade do cargo por ele exercido em determinado órgão público, Artur,</p><p>servidor público, em conluio com Maria, penalmente responsável, subtraiu dinheiro da repartição</p><p>pública onde trabalha. Maria, que recebeu parte do dinheiro subtraído, desconhecia ser Artur</p><p>funcionário público.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>63</p><p>93</p><p>Nessa situação hipotética, Artur cometeu o crime de peculato e Maria, o delito de furto.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está correto. Ambos praticaram a conduta prevista no art. 312, §1º do CP, que caracteriza</p><p>o delito de peculato (modalidade peculato-furto):</p><p>Peculato</p><p>Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro</p><p>bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou</p><p>desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:</p><p>Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.</p><p>Contudo, Maria não possui a condição de “funcionário público”, que é elementar do tipo penal.</p><p>Além disso, Maria não sabe que seu comparsa é funcionário público, devendo responder apenas</p><p>por furto (art. 155 do CP). Caso Maria soubesse que seu comparsa era funcionário público,</p><p>responderia juntamente com ele por peculato-furto.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>58. (CESPE - 2013 - MPU - ANALISTA - DIREITO) Acerca dos institutos do direito penal</p><p>brasileiro, julgue os próximos itens.</p><p>Tratando-se de concurso de agentes, quando comprovada a vontade de um dos autores do fato</p><p>em participar de crime menos grave, a pena será diminuída até a metade, na hipótese de o</p><p>resultado mais grave ter sido previsível, não podendo, contudo, ser inferior ao mínimo da pena</p><p>cominada ao crime efetivamente praticado.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está errado. Trata-se da chamada cooperação dolosamente distinta. Na cooperação</p><p>dolosamente distinta um dos comparsas quis participar de crime menos grave do que aquele que</p><p>fora efetivamente praticado. Neste caso, ele responde pelo crime que se dispôs a praticar, e não</p><p>por aquele que fora efetivamente praticado.</p><p>Contudo, caso o crime “mais grave” (e que foi praticado) tivesse sido previsível, este agente terá</p><p>a pena aumentada até a metade. Vejamos:</p><p>Art. 29 – (...)</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>59. (CESPE - 2013 - PC-BA - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que Joana, penalmente</p><p>imputável, tenha determinado a Francisco, também imputável, que desse uma surra em Maria e</p><p>que Francisco, por questões pessoais, tenha matado Maria. Nessa situação, Francisco e Joana</p><p>deverão responder pela prática do delito de homicídio, podendo Joana beneficiar-se de causa</p><p>de diminuição de pena.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>64</p><p>93</p><p>Aqui temos um caso de cooperação dolosamente distinta. Na cooperação dolosamente distinta</p><p>um dos comparsas quis participar de crime menos grave do que aquele que fora efetivamente</p><p>praticado. Neste caso, ele responde pelo crime que se dispôs a praticar, e não por aquele que</p><p>fora efetivamente praticado.</p><p>Contudo, caso o crime “mais grave” (e que foi praticado) tivesse sido previsível, este agente terá</p><p>a pena aumentada até a metade. Vejamos:</p><p>Art. 29 – (...)</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Na hipótese, Joana somente se dispôs a ser autora intelectual do delito de “lesão corporal”, não</p><p>homicídio, devendo responder por lesão corporal, e Francisco por homicídio.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>60. (CESPE - 2013 - SERPRO - ANALISTA - ADVOCACIA) Havendo concurso de pessoas para</p><p>a prática de crime, caso um dos agentes participe apenas de crime menos grave, será aplicada a</p><p>ele a pena relativa a esse crime, desde que não seja previsível resultado mais grave.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Essa questão é polêmica. O CESPE deu como correta, mas entendo estar errada.</p><p>Temos aqui a cooperação dolosamente distinta. Na cooperação dolosamente distinta, o agente</p><p>que quis praticar o crime menos grave SEMPRE responde pelo crime menos grave. O que pode</p><p>acontecer é haver aumento de pena até a metade, no caso de o crime mais grave ser previsível,</p><p>mas ainda assim o agente responderá pela pena do crime menos grave, só que majorada.</p><p>Vejamos:</p><p>Art. 29 – (...)</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Assim, entendo que a questão está errada, mas o CESPE entendeu como correta.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>61. (CESPE - 2013 - TJ-DF - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA) Se</p><p>determinada pessoa, querendo chegar rapidamente ao aeroporto, oferecer pomposa gorjeta a</p><p>um taxista para que este dirija em velocidade acima da permitida e, em razão disso, o taxista</p><p>atropelar e, consequentemente, matar uma pessoa, a pessoa que oferecer a gorjeta participará</p><p>de crime culposo.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>65</p><p>93</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>A Doutrina majoritária (há, portanto, controvérsia) não admite participação em crime culposo,</p><p>pois por se tratar de uma violação a um dever objetivo de cuidado, seria pessoal e, portanto,</p><p>impossível de vinculação subjetiva. O STJ adota este entendimento. Desta forma, não seria</p><p>admitida, sequer, a coautoria em crimes culposos, embora parte da Jurisprudência admita.</p><p>Nos dizeres de Luiz Flavio Gomes:” Parte da doutrina tradicional e da jurisprudência brasileira</p><p>admite coautoria em crime culposo. Quanto à participação a doutrina é praticamente unânime:</p><p>não é possível nos crimes culposos. A verdade é que a culpa (como infração do dever de cuidado</p><p>ou como criação de um risco proibido relevante) é pessoal. Doutrinariamente,</p><p>reste configurado o</p><p>delito em sua forma qualificada.</p><p>EXEMPLO: José, maior e capaz, perfeitamente imputável, combina de realizar um</p><p>roubo juntamente com Paulo, adolescente de 17 anos de idade e, portanto,</p><p>inimputável. O roubo se realiza. Neste caso, não podemos falar em autoria</p><p>mediata entre José e Paulo, eis que Paulo não foi mero instrumento nas mãos de</p><p>José. Paulo quis participar da empreitada criminosa, e responderá por isso, de</p><p>acordo com as regras próprias do ECA . Neste caso, como não houve autoria4</p><p>mediata, José deverá responder pelo crime roubo com a majorante de ter sido o</p><p>crime praticado em concurso de pessoas , ainda que Paulo responda de acordo5</p><p>com o ECA, e não de acordo com a Lei Penal.</p><p>Nessas duas últimas hipóteses, no entanto, não há propriamente concurso de pessoas, mas</p><p>o que a Doutrina chama de concurso impróprio, ou concurso aparente de pessoas. Contudo,</p><p>essa ressalva só se aplica ao caso de concurso entre culpável e “não culpável que possui</p><p>discernimento”. Assim, se o agente culpável se vale de alguém sem culpabilidade como mero</p><p>instrumento, sem que ele possua qualquer discernimento, teremos sempre autoria mediata.</p><p>Autoria mediata</p><p>A autoria mediata ocorre quando o agente (autor mediato) se vale de uma pessoa como</p><p>instrumento (autor imediato) para a prática do delito.</p><p>EXEMPLO: José, maior e capaz, entrega uma arma de fogo a uma criança de 05</p><p>anos, dizendo que ela deve colocar a arma na cabeça de Maria e fazer uma</p><p>brincadeira, pois ao apertar o gatilho, sairá água da arma. A criança aperta o</p><p>gatilho e Maria morre. Neste caso, temos autoria mediata, pois José (autor</p><p>mediato) se valeu da criança (executor) como mero instrumento para a prática do</p><p>delito.</p><p>Todavia, não basta que o executor seja um inimputável, ele deve ser um verdadeiro</p><p>INSTRUMENTO do mandante, ou seja, ele não deve ter qualquer discernimento no caso</p><p>concreto.</p><p>Ex.: José e Pedro (este menor de idade, com 17 anos) combinam de matar Maria.</p><p>José arma o plano e entrega a arma a Pedro, que a executa. Neste caso, Pedro é</p><p>5 Art. 157, §2º, II do CP.</p><p>4 Estatuto da Criança e do Adolescente.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>5</p><p>93</p><p>inimputável por ser menor de 18 anos, mas possui discernimento, não se pode</p><p>dizer que foi um mero “instrumento” de José. Assim, aqui não teremos autoria</p><p>mediata, mas concurso aparente de pessoas.</p><p>Ex.2: José, maior e capaz, entrega a Mauro (um doente mental sem nenhum</p><p>discernimento) uma arma e diz para ele atirar em Maria, que vem a óbito. Neste</p><p>caso há autoria mediata, pois Mauro (o inimputável) foi mero instrumento nas</p><p>mãos de José.</p><p>⇒ Mas esta é a única hipótese de autoria mediata? A resposta é negativa. A melhor Doutrina</p><p>divide a autoria mediata em três hipóteses, basicamente :6</p><p>1 – Autoria mediata por erro do executor – Neste caso, aquele que pratica a conduta foi induzido</p><p>a erro pelo mandante (erro de tipo ou erro de proibição). Ex.: Médico que entrega à enfermeira</p><p>uma injeção contendo determinada substância tóxica, e determina que esta aplique no paciente,</p><p>alegando que se trata de morfina, para aliviar a dor . A enfermeira, aqui, não atua dolosamente7</p><p>(do ponto de vista “finalístico”), pois apesar de dar causa à morte do paciente (causalidade física,</p><p>pois foi ela quem injetou a substância), não dirigiu sua conduta a este resultado. O domínio do</p><p>fato pertencia ao médico, o real infrator.</p><p>2 – Autoria mediata por coação do executor – Aqui o infrator coage uma terceira pessoa a</p><p>praticar um delito. Em se tratando de coação MORAL irresistível, teremos um agente não</p><p>culpável (a coação moral irresistível afasta a culpabilidade). Desta forma, aquele que executa o</p><p>faz em situação de não culpabilidade. A culpabilidade recai apenas sobre o coator, não sobre o</p><p>coagido. Ex.: Médico que determina à enfermeira que aplique sobre o paciente uma dose cavalar</p><p>de veneno. O médico, porém, não esconde da enfermeira que se trata de veneno, ao contrário</p><p>deixa isso bem claro. Porém, diz à enfermeira que se ela não fizer o que foi determinado, irá</p><p>matar sua filha. Vejam que, neste caso, a enfermeira sabe que está injetando o veneno, de forma</p><p>que age dolosamente, mas ainda assim sem culpabilidade, por inexigibilidade de conduta</p><p>diversa.</p><p>3 – Autoria mediata por inimputabilidade do agente – Nesta hipótese o infrator se vale de uma</p><p>pessoa inimputável para a prática do delito. A inimputabilidade, aqui, pressupõe que o executor</p><p>(inimputável) não tenha discernimento necessário . Caso o executor, mesmo inimputável, possua8</p><p>discernimento, não haverá autoria mediata. Ex.: José, 20 anos, organiza um plano para furtar uma</p><p>loja de eletrônicos, e combina com Marcelo, de 17, a execução do plano. Neste caso, não há</p><p>autoria mediata, pois Marcelo, a despeito de sua inimputabilidade legal, tem discernimento para</p><p>não ser considerado como “objeto”. Por outro lado, no mesmo exemplo, imaginemos que</p><p>Marcelo tenha 30 anos, mas seja absolutamente incapaz de entender o que se passa (doente</p><p>mental completo). Neste caso, a inimputabilidade de Marcelo afasta o reconhecimento do</p><p>concurso de pessoas com José, que responderá como autor mediato do crime.</p><p>8 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 107-108</p><p>7 O exemplo é de Hans Welzel. (cf. WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 106)</p><p>6 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 560</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>6</p><p>93</p><p>É cabível autoria mediata nos crimes próprios e de mão própria? Em relação aos crimes</p><p>próprios se admite a autoria mediata, desde que o autor MEDIATO reúna as condições especiais</p><p>exigidas pelo tipo penal.</p><p>EXEMPLO: Paulo, servidor público, coage moralmente Maria (coação irresistível),</p><p>obrigando-a a subtrair 10 notebooks da repartição em que ele, Paulo, exerce</p><p>suas funções. Paulo, para a execução do delito, se valeu de sua função para</p><p>facilitar a subtração. Neste caso, Paulo poderá responder por peculato-furto na</p><p>qualidade de autor mediato.</p><p>Mas, e se Maria é quem fosse a servidora e Paulo fosse um particular? Poderia haver autoria</p><p>mediata? Não, neste caso não poderíamos falar em autoria mediata.</p><p>Contudo, se não há autoria mediata e não há concurso de pessoas (pois não há concurso</p><p>de pessoas entre coator e coagido), Paulo ficará impune? Não, a Doutrina desenvolveu, para tais</p><p>casos, a figura da AUTORIA POR DETERMINAÇÃO. Consiste, basicamente, em punir aquele</p><p>que, embora não sendo autor nem partícipe, exerce sobre a conduta domínio EQUIPARADO à</p><p>figura da autoria.9</p><p>Não se pode considerar o agente como autor por não reunir os elementos necessários para</p><p>tanto. Também não se pode considerá-lo como partícipe, eis que a participação pressupõe o</p><p>crime praticado por outro autor (e não há). Ele será punido, portanto, por ser o autor da</p><p>determinação para a conduta (ter sido o responsável por sua ocorrência).</p><p>Em relação aos crimes de mão própria, contudo, não se admite a figura da autoria mediata,</p><p>eis que o crime não pode ser realizado por interposta pessoa (Ex.: A testemunha, no crime de</p><p>falso testemunho, não pode coagir alguém a depor em seu lugar, prestando testemunho falso).</p><p>Neste caso, porém, exemplificativamente, se a testemunha for coagida por terceira pessoa,</p><p>esta terceira pessoa poderá ser considerada AUTOR por determinação, conforme explicado</p><p>anteriormente.</p><p>Relevância causal da colaboração</p><p>A participação do agente deve ser relevante para a produção do resultado, de forma que a</p><p>colaboração que em nada contribui para o resultado é um indiferente penal.</p><p>Além disso, a colaboração deve ser prévia ou concomitante à execução, ou seja, anterior à</p><p>consumação do delito. Se a colaboração for posterior à consumação do delito, como o fato já</p><p>ocorreu, não há concurso de pessoas, podendo haver, no entanto, outro crime (favorecimento</p><p>real, receptação, etc.).</p><p>Porém, se a colaboração for posterior à consumação, mas combinada previamente, há</p><p>concurso de pessoas. Ex: Imagine que Poliana decide matar</p><p>portanto, também</p><p>não é sustentável a possibilidade de coautoria em crime culposo. Cada um responde pela sua</p><p>culpa, pela sua parcela de contribuição para o risco criado. A jurisprudência admite coautoria em</p><p>crime culposo, mas tecnicamente não deveria ser assim, mesmo porque a coautoria exige uma</p><p>concordância subjetiva entre os agentes. Todas as situações em que ela vislumbra coautoria</p><p>podem ser naturalmente solucionadas com o auxílio do instituto da autoria colateral."</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>62. (CESPE - 2013 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em 18/2/2011, às 21</p><p>horas, na cidade X, João, que planejara detalhadamente toda a empreitada criminosa, Pedro,</p><p>Jerônimo e Paulo, de forma livre e consciente, em unidade de desígnios com o adolescente</p><p>José, que já havia sido processado por atos infracionais, decidiram subtrair para o grupo uma</p><p>geladeira, um fogão, um botijão de gás e um micro-ondas, pertencentes a Lúcia, que não estava</p><p>em casa naquele momento. Enquanto João e Pedro permaneceram na rua, dando cobertura à</p><p>ação criminosa, Paulo, Jerônimo e José entraram na residência, tendo pulado um pequeno muro</p><p>e utilizado grampos para abrir a porta da casa. Antes da subtração dos bens, Jerônimo,</p><p>arrependido, evadiu-se do local e chamou a polícia. Ainda assim, Paulo e José se apossaram de</p><p>todos os bens referidos e fugiram antes da chegada da polícia.</p><p>Dias depois, o grupo foi preso, mas os bens não foram encontrados.</p><p>Na delegacia, verificou-se que João, Pedro e Paulo já haviam sido condenados anteriormente</p><p>pelo crime de estelionato, mas a sentença não havia transitado em julgado e que Jerônimo tinha</p><p>sido condenado, em sentença transitada em julgado, por contravenção penal.</p><p>De acordo com a teoria objetivo-material, considera-se Paulo autor do crime de furto e João e</p><p>Pedro, partícipes.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Mais uma questão polêmica e da qual eu discordo do gabarito. A teoria objetivo-material</p><p>distingue autor e partícipe da seguinte forma: autor é quem colabora com participação de maior</p><p>importância para o crime, e partícipe é quem colabora com participação de menor importância,</p><p>independentemente de quem pratica o núcleo do tipo.</p><p>Assim, o item está errado, pois de acordo com esta teoria João e Pedro praticaram condutas</p><p>altamente relevantes para o delito, sendo considerados autores do crime. João, inclusive,</p><p>arquitetou toda a empreitada criminosa.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>66</p><p>93</p><p>Desta forma, eu entendo a questão como errada, embora o CESPE tenha dado a questão como</p><p>correta.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>63. (CESPE - 2013 - TC-DF - PROCURADOR) Ângelo, funcionário público exercente do cargo</p><p>de fiscal da Agência de Fiscalização do DF (AGEFIS), no exercício de suas funções, exigiu</p><p>vantagem indevida do comerciante Elias, de R$ 2.000,00 para que o estabelecimento não fosse</p><p>autuado em razão de irregularidades constatadas. Para a prática do delito, Ângelo foi auxiliado</p><p>por seu primo, Rubens, taxista, que o conduziu em seu veículo até o local da fiscalização,</p><p>previamente acordado e consciente tanto da ação delituosa que seria empreendida quanto do</p><p>fato de que Ângelo era funcionário público. Antes que os valores fossem entregues, o</p><p>comerciante, atemorizado, conseguiu informar policiais militares acerca dos fatos, tendo sido</p><p>realizada a prisão em flagrante de Ângelo.</p><p>A condição de funcionário público comunica-se ao partícipe Rubens, que tinha prévia ciência do</p><p>cargo ocupado por seu primo e acordou sua vontade com a dele para auxiliá-lo na prática do</p><p>delito, de forma que os dois deverão estar incursos no mesmo tipo penal.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está correto. No caso de concurso de agentes para a prática de crime PRÓPRIO (que</p><p>exige do infrator alguma qualidade especial, como a de funcionário público), ainda que um dos</p><p>comparsas não possua esta qualidade, ela se estende a ele, por força do art. 30 do CP, desde</p><p>que tenha conhecimento de que seu comparsa possui esta qualidade. Vejamos:</p><p>Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,</p><p>salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Portanto, A AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>67</p><p>93</p><p>EXERCÍCIOS COMENTADOS</p><p>1. (CEBRASPE (CESPE) - DP RO/DPE RO/2023)</p><p>Quando o agente, mediante uma só ação, quer e obtém dois resultados distintos, ocorre</p><p>a) crime continuado.</p><p>b) concurso material homogêneo.</p><p>c) concurso formal próprio.</p><p>d) concurso material heterogêneo.</p><p>e) concurso formal impróprio.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Quando o agente, mediante uma só ação, quer e obtém dois resultados distintos, ocorre o</p><p>chamado concurso formal impróprio ou imperfeito. Vejamos o art. 70, parte final, do CP:</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>No concurso formal impróprio (ou imperfeito), apesar de o agente praticar uma só conduta e</p><p>obter dois ou mais crimes, há desígnios autônomos em relação a cada um destes delitos (o</p><p>agente queria, especificamente, cada um deles), de maneira que não será aplicado o sistema da</p><p>exasperação, mas o sistema do cúmulo material, ou seja, as penas aplicadas em relação a cada</p><p>um dos delitos serão somadas.</p><p>GABARITO: LETRA E</p><p>2. (CEBRASPE (CESPE) - Sold (PM SC)/PM SC/2023)</p><p>Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja</p><p>incorrido. Nessa hipótese, ocorre</p><p>a) crime continuado.</p><p>b) concurso formal imperfeito.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>68</p><p>93</p><p>c) concurso formal.</p><p>d) concurso material.</p><p>e) crime multitudinário.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Tal definição se refere ao concurso material de crimes, que importa aplicação do sistema do</p><p>cúmulo material, nos termos do art. 69 do CP:</p><p>Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas</p><p>de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas</p><p>de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei</p><p>nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>GABARITO: LETRA D</p><p>3. (CEBRASPE (CESPE) - Proc Mun (PGM SP)/Pref SP/2023)</p><p>Marcos foi denunciado e condenado pela prática dos delitos de peculato e falsificação de</p><p>documento público. As penas foram fixadas em 2 anos e 10 dias-multa para cada um dos delitos.</p><p>Na sentença, considerando que, mediante uma única ação com desígnios autônomos, o réu</p><p>praticou dois crimes distintos, o juízo aumentou a reprimenda em 1/6, fixando a sanção</p><p>definitiva, em relação à pena privativa de liberdade, em 2 anos e 4 meses. Considerando a</p><p>situação hipotética apresentada, é correto afirmar que houve o reconhecimento do</p><p>a) crime continuado, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema do</p><p>cúmulo material.</p><p>b) concurso formal de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema</p><p>da exasperação.</p><p>c) crime continuado, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema da</p><p>exasperação.</p><p>d) concurso material de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o</p><p>sistema do cúmulo material.</p><p>e) concurso formal de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema</p><p>do cúmulo material.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Nesse caso, como o Juiz considerou que Marcos, mediante uma</p><p>única ação, mas com desígnios</p><p>autônomos, praticou os dois crimes, significa que o Juiz considerou ter havido concurso formal</p><p>de crimes, mais precisamente um concurso formal impróprio ou imperfeito. Todavia, errou o Juiz</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>69</p><p>93</p><p>ao aplicar o sistema da exasperação (considerando somente a pena de um dos crimes + aumento</p><p>1/6), pois no concurso formal impróprio (ou imperfeito) deve ser aplicado o sistema do cúmulo</p><p>material, ou seja, a soma aritmética das penas impostas, nos termos do art. 70, parte final, do CP:</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Assim, no concurso formal impróprio (ou imperfeito), apesar de o agente praticar uma só conduta</p><p>e obter dois ou mais crimes, há desígnios autônomos em relação a cada um destes delitos (o</p><p>agente queria, especificamente, cada um deles), de maneira que não será aplicado o sistema da</p><p>exasperação, mas o sistema do cúmulo material, ou seja, as penas aplicadas em relação a cada</p><p>um dos delitos serão somadas.</p><p>Quanto às penas de multa, devem ser aplicadas distinta e integralmente, nos termos do art. 72</p><p>do CP:</p><p>Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e</p><p>integralmente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Assim, a alternativa “menos errada” é a letra E.</p><p>A resposta perfeita seria: concurso formal impróprio, aplicando-se o sistema do cúmulo material</p><p>para as penas privativas de liberdade, devendo as penas de multa serem aplicadas distinta e</p><p>integralmente.</p><p>GABARITO: LETRA E</p><p>4. (CEBRASPE (CESPE) - Del Pol (PC AL)/PC AL/2023)</p><p>No que diz respeito ao direito penal, julgue o item a seguir.</p><p>Configurado o concurso formal impróprio ou o crime continuado, adota-se o sistema da</p><p>exasperação da pena.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois no concurso formal impróprio ou imperfeito não se aplica o sistema da</p><p>exasperação:</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>70</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Assim, no concurso formal impróprio (ou imperfeito), apesar de o agente praticar uma só conduta</p><p>e obter dois ou mais crimes, há desígnios autônomos em relação a cada um destes delitos (o</p><p>agente queria, especificamente, cada um deles), de maneira que não será aplicado o sistema da</p><p>exasperação, mas o sistema do cúmulo material, ou seja, as penas aplicadas em relação a cada</p><p>um dos delitos serão somadas.</p><p>GABARITO: Errada</p><p>5. (CESPE – 2019 – TJAM – ANALISTA)</p><p>Julgue o próximo item, relativos a pena, sua aplicação e a medidas de segurança.</p><p>No concurso formal, caso o agente tenha praticado dois crimes mediante uma ação dolosa,</p><p>devem-se aplicar cumulativamente as penas se os crimes concorrentes resultarem de desígnios</p><p>autônomos.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto, pois neste caso estaremos diante do concurso formal impróprio ou imperfeito,</p><p>devendo ser aplicado o sistema do cúmulo material (soma das penas), e não o sistema da</p><p>exasperação, na forma do art. 70, parte final, do CP:</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>GABARITO: CORRETA</p><p>6. (CESPE – 2018 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)</p><p>Elton, pretendendo matar dois colegas de trabalho que exerciam suas atividades em duas salas</p><p>distintas da dele, inseriu substância tóxica no sistema de ventilação dessas salas, o que causou o</p><p>óbito de ambos em poucos minutos. Nessa situação, Elton responderá por homicídio doloso em</p><p>concurso formal imperfeito.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item correto. No caso em tela, Elton quis, em bom português, “matar dois coelhos com uma só</p><p>cajadada”, ou seja, pretendeu alcançar os dois resultados mediante uma só conduta. Aqui temos</p><p>o chamado concurso formal impróprio ou imperfeito, previsto no art. 70, parte final, do CP,</p><p>motivo pelo qual será aplicado o sistema do cúmulo material (soma das penas).</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>71</p><p>93</p><p>GABARITO: CORRETA</p><p>7. (CESPE - 2013 - PC-BA - ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Acerca do concurso de crimes, do</p><p>concurso de pessoas e das causas de exclusão da ilicitude, julgue os itens que se seguem.</p><p>No concurso de pessoas, a caracterização da coautoria fica condicionada, entre outros requisitos,</p><p>ao prévio ajuste entre os agentes e à necessidade da prática de idêntico ato executivo e crime.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está errado. O ajuste entre os comparsas pode ser prévio à conduta ou concomitante a</p><p>ela (nunca posterior à sua realização!). Além disso, não é necessário que os coautores pratiquem</p><p>o mesmo ato executivo (EXEMPLO: Um pode segurar e o outro agredir, mas ambos serão</p><p>coautores de lesão corporal), nem mesmo se exige que sejam tipificados pelo mesmo delito,</p><p>como ocorre na hipótese de peculato-furto, no qual os agentes podem responder por crimes</p><p>diversos, caso o agente que não é funcionário público não conheça essa condição de seu</p><p>comparsa.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>8. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA - ADAPTADA) Não</p><p>se aplica a continuidade delitiva quando os delitos atingirem bens jurídicos personalíssimos de</p><p>pessoas diversas, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois o fato de os delitos atingirem bens jurídicos personalíssimos de diversas</p><p>pessoas não é impeditivo para o reconhecimento da continuidade delitiva, prevista no art. 71 do</p><p>CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>9. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA - ADAPTADA)</p><p>Configura-se concurso material a ação única lesiva ao patrimônio de diversas pessoas.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Item errado, pois neste caso não teremos concurso material, e sim concurso formal de crimes,</p><p>que poderá ser concurso formal próprio ou impróprio, a depender das circunstâncias, nos termos</p><p>do art. 70 do CP.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.</p><p>10. (CESPE - 2010 - DPU - DEFENSOR PÚBLICO) Em caso de concurso formal de crimes, a</p><p>pena privativa de liberdade não pode exceder a que seria cabível pela regra do concurso</p><p>material. Certo ou Errado?</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>CORRETA: Esta é a previsão do art. 70, § único do CP, pois no concurso formal se adota, em</p><p>regra, o sistema da exasperação na aplicação da pena, como forma de beneficiar o réu em razão</p><p>do menor desvalor de sua conduta. No entanto, se esse sistema se mostrar mais gravoso ao</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>72</p><p>93</p><p>infrator, deverá ser aplicado o sistema do cúmulo material. Trata-se do chamado “cúmulo</p><p>material benéfico”.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>11. (CESPE - 2009</p><p>- AGU - ADVOGADO) No caso de concurso de crimes, a extinção da</p><p>punibilidade incidirá sobre a pena de cada um deles, isoladamente.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>CORRETA: Esta é a previsão literal do art. 119 do CP: Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a</p><p>extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Lembrando que pela súmula n° 497 do STF, a prescrição com base na</p><p>pena em concreto, nos crimes continuados, é calculada com base na pena-base aplicada, sem o</p><p>quantum de exasperação referente à continuidade delitiva.</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>12. (CESPE - 2013 - PC-BA - ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Acerca do concurso de crimes, do</p><p>concurso de pessoas e das causas de exclusão da ilicitude, julgue os itens que se seguem.</p><p>No que diz respeito ao concurso de crimes, o direito brasileiro adota o sistema do cúmulo</p><p>material e o da exasperação na aplicação da pena.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>O item está correto. De fato, em havendo concurso de crimes, dois podem ser os sistemas</p><p>aplicados: O da exasperação (aplicação da pena de um dos crimes, com aumento) e o do cúmulo</p><p>material (aplicação da pena de todos os delitos, somadas). O sistema a ser aplicado, em cada</p><p>caso, dependerá da natureza do concurso de crimes (concurso formal, concurso material ou crime</p><p>continuado).</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>13. (CESPE - 2013 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em 15/10/2005, nas</p><p>dependências do banco Y, Carlos, com o objetivo de prejudicar direitos da instituição financeira,</p><p>preencheu e assinou declaração falsa na qual se autodenominava Maurício. No mesmo dia, foi</p><p>até outra agência do mesmo banco e, agindo da mesma forma, declarou falsamente chamar-se</p><p>Alexandre.</p><p>Em 1/5/2010, Carlos foi denunciado, tendo a denúncia sido recebida em 24/5/2010. Após o</p><p>devido processo legal, em sentença proferida em 23/8/2012, o acusado foi condenado a um ano</p><p>e dois meses de reclusão, em regime inicialmente aberto, e ao pagamento de doze dias-multa,</p><p>no valor unitário mínimo legal. A pena privativa de liberdade foi substituída por uma pena</p><p>restritiva de direitos e multa. O MP não apelou da sentença condenatória.</p><p>Com relação à situação hipotética acima, julgue os itens seguintes.</p><p>As ações de Carlos configuram crime continuado, visto que as condições de tempo, lugar e</p><p>modo de execução foram as mesmas em ambos os casos, tendo a ação subsequente dado</p><p>continuidade à primeira.</p><p>COMENTÁRIOS</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>73</p><p>93</p><p>O item está correto, pois Carlos praticou crimes da mesma natureza em circunstâncias tempo,</p><p>lugar e modo de execução foram as mesmas em ambos os casos, tendo a ação subsequente</p><p>dado continuidade à primeira. Vejam que o modus operandi é o mesmo, ou seja, ele se</p><p>apresenta com nome falso. Além disso, as duas condutas foram praticadas no mesmo dia (Os</p><p>Tribunais entendem que devem ser praticadas num lapso máximo de 30 dias entre uma e outra).</p><p>Vejamos:</p><p>Crime continuado</p><p>Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira</p><p>de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como</p><p>continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas,</p><p>ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois</p><p>terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>74</p><p>93</p><p>EXERCÍCIOS PARA PRATICAR</p><p>1. (CEBRASPE (CESPE) - AJ 02 (TJ ES)/TJ ES/Judiciária/Direito/2023)</p><p>À luz das disposições legais de direito penal e da jurisprudência correlata, julgue o próximo item.</p><p>Quanto ao concurso de pessoas, o Código Penal adota, como regra, a teoria unitária ou monista</p><p>e, excepcionalmente, a teoria pluralista.</p><p>2. (CEBRASPE (CESPE) - NeR (TJ SC)/TJ SC/Provimento/2023)</p><p>Pedro e Artur, agindo em comunhão de esforços e unidade de desígnios, um aderindo à conduta</p><p>do outro, constrangeram Helena, mediante grave ameaça, a entregar-lhes a quantia de R$ 5 mil</p><p>em espécie, dizendo-lhe que, se ela sacasse o dinheiro, nada de ruim iria lhe acontecer, de forma</p><p>que ambos os criminosos obtivessem indevida vantagem econômica. Assim, a vítima se dirigiu</p><p>até uma agência bancária, sempre na vigilância dos dois comparsas, e realizou o saque daquele</p><p>valor, que foi entregue a eles. No que diz respeito a essa situação hipotética, assinale a opção</p><p>correta.</p><p>a) Segundo o CP, que adota, como regra, a teoria monista, presentes a pluralidade de agentes e</p><p>a convergência de vontades voltada à prática da mesma infração penal, Pedro e Artur devem ser</p><p>responsabilizados pelo delito de extorsão qualificada, na medida da sua culpabilidade.</p><p>b) Caso Pedro e Artur tivessem interrompido a execução do crime por circunstâncias externas</p><p>alheias às suas vontades, estaria configurada a desistência voluntária.</p><p>c) Será viável o reconhecimento do arrependimento posterior caso Pedro e Artur devolvam o</p><p>dinheiro a Helena antes do início de eventual ação penal.</p><p>d) Será viável o reconhecimento do arrependimento eficaz caso Pedro e Artur devolvam o</p><p>dinheiro a Helena antes de iniciada eventual investigação policial.</p><p>e) Dada a concorrência de Artur e Pedro para a prática de uma mesma infração penal,</p><p>caracterizou-se o concurso de agentes, na modalidade de participação, segundo o conceito</p><p>restritivo de autor.</p><p>3. (CEBRASPE (CESPE) - Papis (POLC AL)/POLC AL/2023)</p><p>Em relação a aspectos do direito penal, julgue o item que se segue.</p><p>1</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>75</p><p>93</p><p>As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam caso sejam elementares do</p><p>crime.</p><p>4. (CEBRASPE (CESPE) - Sold (PM SC)/PM SC/2023)</p><p>Em relação ao concurso de pessoas, assinale a opção correta.</p><p>a) O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário,</p><p>não são puníveis se o crime houver sido tentado.</p><p>b) O concurso de pessoas caracteriza-se pelo necessário ajuste prévio entre os colaboradores</p><p>para a prática do delito.</p><p>c) Se a participação for de menor importância, o juiz poderá aplicar o perdão judicial.</p><p>d) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na</p><p>medida de sua personalidade.</p><p>e) Se a intenção de algum dos concorrentes fosse participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste, a qual será aumentada até a metade na hipótese de ter sido previsível o</p><p>resultado mais grave.</p><p>5. (CESPE / 2022 / MPE-TO / PROMOTOR)</p><p>Autor é aquele que realiza ação típica ou alguns de seus elementos previstos na lei penal. A</p><p>contribuição causal deve estar subsumida ao conteúdo descritivo do tipo. A autoria é</p><p>determinada pelo momento de execução de uma ação típica, enquanto as formas de</p><p>participação são entendidas como causas de extensão da punibilidade.</p><p>Considerando-se as teorias aplicáveis ao concurso de pessoas, é correto afirmar que o texto</p><p>precedente trata do conceito</p><p>A) subjetivo de autor.</p><p>B) residual ou extensivo de autor.</p><p>C) finalista ou objetivo-subjetivo de autor.</p><p>D) restritivo ou objetivo-formal de autor.</p><p>E) unitário ou monista de autor.</p><p>6. (CESPE / 2021 / TCDF)</p><p>Quanto a concurso de pessoas no direito penal brasileiro, julgue o próximo item.</p><p>Quanto à punição do partícipe, a teoria majoritariamente adotada pela doutrina é a da</p><p>acessoriedade mínima, exigindo-se, para tal punição, que o autor tenha praticado um fato típico.</p><p>7. (CESPE / 2020 / TJPA)</p><p>Em regra, consideram-se autores de um delito aqueles que praticam diretamente os atos de</p><p>execução, e partícipes aqueles que atuam induzindo, instigando ou auxiliando a ação dos autores</p><p>principais. No entanto, é possível que um agente, ainda que não participe diretamente da</p><p>2</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>76</p><p>93</p><p>execução da ação criminosa, possa ter o controle de toda a situação, determinando a conduta de</p><p>seus subordinados. Nessa hipótese, ainda que não seja executor do crime, o agente mandante</p><p>poderá ser responsabilizado criminalmente. Essa possibilidade de responsabilizar o mandante</p><p>pelo crime decorre da teoria</p><p>A) da acessoriedade limitada.</p><p>B) do favorecimento.</p><p>C) do domínio do fato.</p><p>D) pluralística da ação.</p><p>E) da causação.</p><p>8. (CESPE / 2021 / PF / DELEGADO)</p><p>Com relação aos crimes previstos em legislação especial, julgue o item a seguir.</p><p>A teoria do domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de</p><p>crimes complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta.</p><p>9. (CESPE / 2021 / TCDF)</p><p>Quanto a concurso de pessoas no direito penal brasileiro, julgue o próximo item.</p><p>No crimen silenti, ou concurso absolutamente negativo, o agente não tem o dever legal de evitar</p><p>o resultado, tampouco adere à vontade criminosa do autor, razão pela qual não é punido.</p><p>10. (CESPE – 2019 – TJPR – JUIZ/ADAPTADA)</p><p>A autoria colateral é aquela em que há pluralidade de agentes e liame subjetivo entre eles para a</p><p>realização da conduta.</p><p>11. (CESPE – 2019 – TJPR – JUIZ/ADAPTADA)</p><p>A teoria da acessoriedade limitada entende que basta o fato principal ser típico para que o</p><p>partícipe seja punido.</p><p>12. (CESPE – 2018 – MPU – ANALISTA)</p><p>Cada um do item a seguir apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser</p><p>julgada, a respeito da aplicação e da interpretação da lei penal, do concurso de pessoas e da</p><p>culpabilidade.</p><p>João e Manoel, penalmente imputáveis, decidiram matar Francisco. Sem que um soubesse da</p><p>intenção do outro, João e Manoel se posicionaram de tocaia e, concomitantemente, atiraram na</p><p>direção da vítima, que veio a falecer em decorrência de um dos disparos. Não foi possível</p><p>determinar de qual arma foi deflagrado o projétil que atingiu fatalmente Francisco. Nessa</p><p>situação, João e Manoel responderão pelo crime de homicídio na forma tentada.</p><p>13. (CESPE – 2018 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)</p><p>3</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>77</p><p>93</p><p>Clara, tendo descoberto uma traição amorosa de seu namorado, comentou com sua amiga Aline</p><p>que tinha a intenção de matá-lo. Aline, então, começou a instigar Clara a consumar o pretendido.</p><p>Nessa situação, se Clara cometer o crime, Aline poderá responder como partícipe do crime.</p><p>14. (CESPE – 2018 – EBSERH – ADVOGADO)</p><p>Com referência à lei penal no tempo, ao erro jurídico-penal, ao concurso de agentes e aos</p><p>sujeitos da infração penal, julgue o item que se segue.</p><p>Para a punição de um partícipe que colabore com a conduta delituosa, é preciso que o fato</p><p>principal seja típico, ilícito, culpável e punível.</p><p>15. (CESPE – 2018 – STJ – TÉCNICO)</p><p>Julgue o item subsequente, relativo ao delito praticado em concurso de pessoas.</p><p>Para a configuração do concurso de pessoas, é necessário que três ou mais agentes se auxiliem</p><p>mutuamente na prática do ilícito penal.</p><p>16. (CESPE – 2018 – STM – ANALISTA)</p><p>Acerca dos institutos do erro de tipo, do erro de proibição e do concurso de pessoas, julgue o</p><p>item subsequente.</p><p>Inexiste, no ordenamento jurídico, a possibilidade de as condições e circunstâncias de caráter</p><p>pessoal de um agente se comunicarem com as de outro agente que seja coautor de um crime.</p><p>17. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) A cooperação</p><p>dolosamente distinta não permite a aplicação diferenciada de penas para aqueles que</p><p>participam do crime.</p><p>18. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) É absolutamente</p><p>impossível o concurso de pessoas nos crimes culposos.</p><p>19. (CESPE – 2017 – SERES-PE – AGENTE PENITENCIÁRIO – ADAPTADA) Na sentença</p><p>condenatória, o juiz deve sempre aplicar penas iguais para o autor, o coautor e o partícipe.</p><p>20. (CESPE – 2016 – PC-GO – DELEGADO DE POLÍCIA – ADAPTADA) O concurso de</p><p>agentes na realização de um crime pressupõe sempre o prévio ajuste de vontades na consecução</p><p>de um resultado danoso desejado por todos.</p><p>21. (CESPE – 2016 – PC-PE – AGENTE) Roberto, Pedro e Lucas planejaram furtar uma</p><p>relojoaria. Para a consecução desse objetivo, eles passaram a vigiar a movimentação da loja</p><p>durante algumas noites. Quando perceberam que o lugar era habitado pela proprietária, uma</p><p>senhora de setenta anos de idade, que dormia, quase todos os dias, em um quarto nos fundos</p><p>do estabelecimento, eles desistiram de seu plano. Certa noite depois dessa desistência, sem a</p><p>ajuda de Roberto, quando passavam pela frente da loja, Pedro e Lucas perceberam que a</p><p>proprietária não estava presente e decidiram, naquele momento, realizar o furto. Pedro ficou</p><p>apenas vigiando de longe as imediações, e Lucas entrou na relojoaria com uma sacola, quebrou</p><p>a máquina registradora, pegou o dinheiro ali depositado e alguns relógios, saiu em seguida,</p><p>encontrou-se com Pedro e deu-lhe 10% dos valores que conseguiu subtrair da loja.</p><p>Na situação hipotética descrita no texto acima,</p><p>4</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>78</p><p>93</p><p>a) Pedro e Lucas serão responsabilizados pelo mesmo tipo penal e terão necessariamente a</p><p>mesma pena.</p><p>b) o direito penal brasileiro não distingue autor e partícipe.</p><p>c) Pedro, partícipe, terá pena mais grave que a de Lucas, autor do crime.</p><p>d) Roberto será considerado partícipe e, por isso, poderá ser punido em concurso de pessoas</p><p>pelo crime praticado.</p><p>e) se a atuação de Pedro for tipificada como participação de menor importância, a pena dele</p><p>poderá ser diminuída.</p><p>22. (CESPE – 2016 – PC-PE – ESCRIVÃO) A respeito do concurso de pessoas, assinale a</p><p>opção correta.</p><p>a) Em relação à participação no concurso de pessoas, a legislação penal brasileira adota a teoria</p><p>da acessoriedade mínima.</p><p>b) Situação hipotética: José, gerente de loja, mesmo ciente de que um dos vendedores subtraía</p><p>dinheiro do caixa, nada fez para impedir o crime, agindo sem liame subjetivo e intenção de obter</p><p>vantagem econômica. Assertiva: Nessa situação, o gerente responderá em coautoria pelo crime</p><p>de furto, com ação omissiva.</p><p>c) Em se tratando de crimes plurissubjetivos, como, por exemplo, o crime de rixa, não há que se</p><p>falar em participação, já que a pluralidade de agentes integra o tipo penal: todos são autores.</p><p>d) Situação hipotética: O motorista João e sua mulher, Maria, trafegavam por uma rodovia,</p><p>quando ambos, deliberadamente, deixaram de prestar socorro a uma pessoa gravemente ferida,</p><p>sem que houvesse risco pessoal para qualquer um deles. João foi instigado por Maria, que estava</p><p>no banco do carona, a não parar o veículo, e, por fim, em acordo de vontades com Maria, assim</p><p>efetivamente procedeu. Assertiva: Nessa situação, João responderá como autor pelo crime de</p><p>omissão de socorro e Maria será tida como inimputável.</p><p>e) Haverá participação culposa em crime doloso na situação em que um médico, agindo com</p><p>negligência, fornece ao enfermeiro substância letal para ser ministrada a um paciente, e o</p><p>enfermeiro, embora percebendo o equívoco, decide ministrá-la com a intenção de matar o</p><p>paciente.</p><p>23. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) Tendo o CP adotado a teoria monista, não</p><p>há como punir diferentemente todos quantos participem direta ou indiretamente para a</p><p>produção do resultado danoso.</p><p>24. (CESPE – 2016 – TJ-AM – JUIZ – ADAPTADA) É impossível o concurso de pessoas nos</p><p>crimes culposos, ante a ausência de vínculo subjetivo entre os agentes na produção do resultado</p><p>danoso.</p><p>25. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) A respeito do</p><p>concurso de pessoas, assinale a opção correta.</p><p>a) As circunstâncias objetivas se comunicam, mesmo que o partícipe delas não tenha</p><p>conhecimento.</p><p>b) Em se tratando de peculato, crime próprio de funcionário público, não é possível a coautoria</p><p>de</p><p>um particular, dada a absoluta incomunicabilidade da circunstância elementar do crime.</p><p>c) A determinação, o ajuste ou instigação e o auxílio não são puníveis.</p><p>5</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>79</p><p>93</p><p>d) Tratando-se de crimes contra a vida, se a participação for de menor importância, a pena</p><p>aplicada poderá ser diminuída de um sexto a um terço.</p><p>e) No caso de um dos concorrentes optar por participar de crime menos grave, a ele será</p><p>aplicada a pena referente a este crime, que deverá ser aumentada mesmo na hipótese de não ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave.</p><p>26. (CESPE – 2014 - CÂMARA DOS DEPUTADOS - POLICIAL LEGISLATIVO) Paulo e João</p><p>foram surpreendidos nas dependências da Câmara dos Deputados quando subtraíam carteiras e</p><p>celulares dos casacos e bolsas de pessoas que ali transitavam. Paulo tem dezessete anos e teve</p><p>acesso ao local por intermédio de João, que é servidor da Casa.</p><p>Com base nessa situação hipotética, julgue os itens a seguir.</p><p>O fato de Paulo ser inimputável impede que se reconheça o concurso de pessoas no caso</p><p>narrado.</p><p>27. (CESPE – 2014 – TJ/SE – TÉCNICO) No que se refere a concurso de pessoas, aplicação da</p><p>pena, medidas de segurança e ação penal, julgue os itens a seguir.</p><p>Em se tratando de autoria colateral, não existe concurso de pessoas.</p><p>28. (CESPE – 2014 – TJ-SE – TITULAR NOTARIAL – ADAPTADA) Caso dois agentes,</p><p>previamente ajustados, tenham praticado crime de roubo, com o uso de arma de fogo, e, em</p><p>consequência dos disparos feitos com a arma, a vítima faleça, o comparsa que não disparou os</p><p>tiros somente responde pelos atos que efetivamente tiver praticado, não devendo ser</p><p>responsabilizado pelos disparos que resultaram no óbito da vítima.</p><p>29. (CESPE – 2013 – PG-DF – PROCURADOR) Marcos, imbuído de animus necandi, disparou</p><p>tiros de revólver em Ricardo por não ter recebido deste pagamento referente a fornecimento de</p><p>maconha. Apesar de ferido gravemente, Ricardo sobreviveu. Marcos, para chegar ao local onde</p><p>Ricardo se encontrava, foi conduzido em motocicleta por Rômulo, que sabia da intenção</p><p>homicida do amigo, embora desconhecesse o motivo, e concordava em ajudá-lo. Ricardo foi</p><p>atingido pelas costas enquanto caminhava em via pública, e Marcos e Rômulo, ao verem a vítima</p><p>tombar, fugiram, supondo tê-la matado.</p><p>Com base nessa situação hipotética, julgue os próximos itens.</p><p>Rômulo agiu em coautoria e deve responder pelo mesmo crime cometido por Marcos, não se</p><p>aplicando a ele, entretanto, a qualificadora baseada no motivo do crime (torpeza), já que</p><p>ignorava o motivo por que o seu comparsa queria a morte de Ricardo.</p><p>30. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) De acordo com a teoria da acessoriedade</p><p>limitada, para a punibilidade da participação basta que a conduta principal constitua fato típico.</p><p>31. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) Considere que Carlos, Mércia e José,</p><p>empregados de uma grande empresa em Natal, tenham oferecido bombons envenenados ao</p><p>seu chefe, Mário, que morreu após ingerir unicamente os bombons oferecidos por Mércia.</p><p>Considere, ainda, que os três tenham agido de forma independente, sem ter ciência da conduta</p><p>dos demais. Nessa situação, de acordo com a teoria da causalidade material, resta configurada a</p><p>autoria colateral, devendo Carlos, Mércia e José responder pela prática de homicídio</p><p>consumado.</p><p>32. (CESPE – 2013 – TJ-RN – JUIZ – ADAPTADA) Considere que, em uma noite escura, Mel</p><p>induza a prima Maria a disparar contra Pedro ao fazê-la acreditar que atirava em um animal feroz</p><p>que rondava a casa de campo em que estavam. Nessa situação, ficando comprovado que Maria</p><p>6</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>80</p><p>93</p><p>matou Pedro em erro de tipo escusável determinado pela prima, que sabia da realidade dos</p><p>fatos, Mel responderá como autora mediata do crime de homicídio.</p><p>33. (CESPE – 2013 – BACEN – PROCURADOR – ADAPTADA) As hipóteses de coação moral</p><p>irresistível e obediência hierárquica são de autoria mediata, e, por suas naturezas e</p><p>consequências, excluem a ilicitude da conduta.</p><p>34. (CESPE – 2013 – SEFAZ-ES – AUDITOR FISCAL - ADAPTADA) As elementares objetivas</p><p>do tipo sempre se comunicam, ainda que o partícipe não tenha conhecimento delas.</p><p>35. (CESPE - 2015 - TRE-GO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Julgue os itens</p><p>seguintes, a respeito de concurso de pessoas, tipicidade, ilicitude, culpabilidade e fixação da</p><p>pena.</p><p>Caso um indivíduo obtenha de um amigo, por empréstimo, uma arma de fogo, dando-lhe ciência</p><p>de sua intenção de utilizá-la para matar outrem, o amigo que emprestar a arma será considerado</p><p>partícipe do homicídio se o referido indivíduo cometer o crime pretendido, ainda que este não</p><p>utilize tal arma para fazê-lo e que o amigo não o estimule a praticá-lo.</p><p>36. (CESPE - 2015 - TJDFT – TÉCNICO) Em relação à improbidade administrativa, ao</p><p>concurso de pessoas e às hipóteses de extinção da punibilidade, julgue os itens subsecutivos.</p><p>Caracteriza-se a autoria colateral na hipótese de dois agentes, imputáveis, cada um deles</p><p>desconhecendo a conduta do outro, praticarem atos convergentes para a produção de um delito</p><p>a que ambos visem, mas o resultado ocorrer em virtude do comportamento de apenas um deles.</p><p>37. (CESPE - 2015 - TJDFT – TÉCNICO) Em relação à improbidade administrativa, ao</p><p>concurso de pessoas e às hipóteses de extinção da punibilidade, julgue os itens subsecutivos.</p><p>Pode haver participac ̧ão dolosa em crime culposo, na ̃o sendo necessa ́rio, para a caracterizac ̧ão</p><p>do concurso de pessoas, que autor e partícipes tenham atuado com o mesmo elemento</p><p>subjetivo-normativo.</p><p>38. (CESPE - 2015 - TJDFT - OFICIAL DE JUSTIÇA ) Idealizada por Welzel e Roxin e</p><p>considerada objetivo-subjetiva, a teoria do domínio do fato diferencia autoria de participação</p><p>em função da prática dos atos executórios do delito.</p><p>39. (CESPE - 2007 - TJ-PI - JUIZ) No concurso de pessoas, há quatro teorias que explicam o</p><p>tratamento da acessoriedade na participação. De acordo com a teoria da hiperacessoriedade,</p><p>para se punir a conduta do partícipe, é preciso que o fato principal seja</p><p>I típico.</p><p>II antijurídico.</p><p>II culpável.</p><p>IV punível.</p><p>A quantidade de itens certos é igual a</p><p>A) 0.</p><p>B) 1.</p><p>C) 2.</p><p>D) 3.</p><p>E) 4.</p><p>7</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>81</p><p>93</p><p>40. (CESPE - 2009 - PC-RN - AGENTE DE POLÍCIA) Acerca do concurso de pessoas, assinale</p><p>a opção correta.</p><p>A) Considere que Lia e Lena estivessem discutindo dentro do carro quando, acidentalmente, Lia</p><p>atropelou um pedestre que atravessava na faixa de segurança. Nessa situação hipotética, Lia e</p><p>Lena deverão responder pela prática de homicídio culposo.</p><p>B) O crime de falso testemunho admite coautoria e participação.</p><p>C) Considere que Mévio e Leo tenham resolvido furtar uma casa supostamente abandonada.</p><p>Nesse furto, considere que Leo tenha ficado vigiando a entrada, enquanto Mévio entrou para</p><p>subtrair os bens; dentro da residência, Mévio descobriu que a mesma estava habitada e acabou</p><p>agredindo o morador; após levarem os objetos para um local seguro, Mévio narrou o fato para</p><p>Leo. Considerando essa situação hipotética, Mévio deverá responder pelo crime de roubo e Leo,</p><p>por furto.</p><p>D) No crime de induzimento ou instigação ao suicídio, o agente que instiga age como partícipe e</p><p>o suicida é, ao mesmo tempo, sujeito ativo e passivo.</p><p>E) As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam entre os coautores e</p><p>partícipes do crime.</p><p>41. (CESPE - 2011 - TJ-ES - ANALISTA JUDICIÁRIO - DIREITO - ÁREA JUDICIÁRIA -</p><p>ESPECÍFICOS) Considere que os indivíduos João e José — ambos com animus necandi, mas um</p><p>desconhecendo a conduta do outro — atirem contra Francisco, e que a perícia, na análise dos</p><p>atos, identifique que José seja o responsável pela morte de Francisco. Nessa situação hipotética,</p><p>José responderá por homicídio consumado</p><p>e João, por tentativa de homicídio. Certo ou Errado?</p><p>42. (CESPE - 2011 - PC-ES - ESCRIVÃO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) O concurso de pessoas,</p><p>no sistema penal brasileiro, adotou a teoria monística, com temperamentos, uma vez que</p><p>estabelece certos graus de participação, em obediência ao princípio da individualização da pena.</p><p>Certo ou Errado?</p><p>43. (CESPE - 2008 - PC-TO - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Fernando, Cláudio e Maria, penalmente imputáveis, associaram-se com Geraldo, de 17 anos de</p><p>idade, com o fim de cometer estelionato. Alugaram um apartamento e adquiriram os</p><p>equipamentos necessários à prática delituosa, chegando, em conluio, à concretização de um</p><p>único crime.</p><p>Nessa situação, o grupo, com exceção do adolescente, responderá apenas pelo crime de</p><p>estelionato, não se caracterizando o delito de quadrilha ou bando, em face da necessidade de</p><p>associação de, no mínimo, quatro pessoas para a tipificação desse delito, todas penalmente</p><p>imputáveis.</p><p>44. (CESPE - 2008 - PC-TO - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Luiz, imputável, aderiu deliberadamente à conduta de Pedro, auxiliando-o no arrombamento de</p><p>uma porta para a prática de um furto, vindo a adentrar na residência, onde se limitou, apenas, a</p><p>observar Pedro, durante a subtração dos objetos, mais tarde repartidos entre ambos.</p><p>Nessa situação, Luiz responderá apenas como partícipe do delito pois atuou em atos diversos</p><p>dos executórios praticados por Pedro, autor direto.</p><p>8</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>82</p><p>93</p><p>45. (CESPE - 2011 - PC-ES - ESCRIVÃO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) O concurso de pessoas,</p><p>no sistema penal brasileiro, adotou a teoria monística, com temperamentos, uma vez que</p><p>estabelece certos graus de participação, em obediência ao princípio da individualização da pena.</p><p>46. (CESPE - 2011 - PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - ESPECÍFICOS) Quanto ao concurso</p><p>de pessoas, o direito penal brasileiro acolhe a teoria monista, segundo a qual todos os indivíduos</p><p>que colaboraram para a prática delitiva devem, como regra geral, responder pelo mesmo crime.</p><p>Tal situação pode ser, todavia, afastada, por aplicação do princípio da intranscendência das</p><p>penas, para a hipótese legal em que um dos colaboradores tenha desejado participar de delito</p><p>menos grave, caso em que deverá ser aplicada a pena deste.</p><p>47. (CESPE - 2010 - ABIN - OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA - ÁREA DE DIREITO) A</p><p>teoria do domínio do fato é aplicável para a delimitação de coautoria e participação, sendo</p><p>coautor aquele que presta contribuição independente e essencial à prática do delito, mas não</p><p>obrigatoriamente à sua execução.</p><p>48. (CESPE - 2010 - DPU - DEFENSOR PÚBLICO) Em se tratando da chamada</p><p>comunicabilidade de circunstâncias, prevista no Código Penal brasileiro, as condições e</p><p>circunstâncias pessoais que formam a elementar do injusto, tanto básico como qualificado,</p><p>comunicam-se dos autores aos partícipes e, de igual modo, as condições e circunstâncias</p><p>pessoais dos partícipes comunicam-se aos autores.</p><p>49. (CESPE - 2008 - MPE-RR - PROMOTOR DE JUSTIÇA) Ocorre a coautoria sucessiva</p><p>quando, após iniciada a conduta típica por um único agente, houver a adesão de um segundo</p><p>agente à empreitada criminosa, sendo que as condutas praticadas por cada um, dentro de um</p><p>critério de divisão de tarefas e união de desígnios, devem ser capazes de interferir na</p><p>consumação da infração penal.</p><p>50. (CESPE - 2008 - MPE-RR - PROMOTOR DE JUSTIÇA) No tocante à participação, o CP</p><p>adota o critério da hiperacessoriedade, razão pela qual, para que o partícipe seja punível, será</p><p>necessário se comprovar que ele concorreu para a prática de fato típico e ilícito.</p><p>51. (CESPE - 2008 - STJ - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) A participação ínfima</p><p>ou de somenos é tratada pelo CP da mesma maneira que a menor participação, tendo ambas</p><p>como conseqüência a incidência de minorante da pena em um sexto a um terço.</p><p>52. (CESPE - 2004 - POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO DE POLÍCIA - REGIONAL) De acordo</p><p>com o sistema adotado pelo Código Penal, é possível impor aos partícipes da mesma atividade</p><p>delituosa penas de intensidades desiguais.</p><p>53. (CESPE - 2008 - STF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em caso de concurso</p><p>de pessoas para a prática de crime, se algum dos concorrentes participar apenas do crime</p><p>menos grave, será aplicada a ele a pena relativa a esse crime, mesmo que seja previsível o</p><p>resultado mais grave.</p><p>54. (CESPE - 2010 - AGU - PROCURADOR) Ao crime plurissubjetivo aplica-se a norma de</p><p>extensão do art. 29 do Código Penal, que dispõe sobre o concurso de pessoas, sendo este</p><p>exemplo de norma de adequação típica mediata.</p><p>55. (CESPE - 2008 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Valdir e Júlio</p><p>combinaram praticar um crime de furto, assim ficando definida a divisão de tarefas entre ambos:</p><p>Valdir entraria na residência de seu ex-patrão Cláudio, pois este estava viajando de férias e,</p><p>portanto, a casa estaria vazia; Júlio aguardaria dentro do carro, dando cobertura à empreitada</p><p>delitiva. No dia e local combinados, Valdir entrou desarmado na casa e Júlio ficou no carro.</p><p>9</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>83</p><p>93</p><p>Entretanto, sem que eles tivessem conhecimento, dentro da residência estava um agente de</p><p>segurança contratado por Cláudio. Ao se deparar com o segurança, Valdir constatou que ele</p><p>estava cochilando em uma cadeira, com uma arma de fogo em seu colo. Valdir então pegou a</p><p>arma de fogo, anunciou o assalto e, em face da resistência do segurança, findou por atirar em</p><p>sua direção, lesionando-o gravemente. Depois disso, subtraiu todos os bens que guarneciam a</p><p>residência.</p><p>Nessa situação, deve-se aplicar a Júlio a pena do crime de furto, uma vez que o resultado mais</p><p>grave não foi previsível.</p><p>56. (CESPE - 2013 - PRF - POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Em relação ao concurso de</p><p>pessoas, o CP adota a teoria monista, segundo a qual todos os que contribuem para a prática de</p><p>uma mesma infração penal cometem um único crime, distinguindo-se, entretanto, os autores do</p><p>delito dos partícipes.</p><p>57. (CESPE - 2013 - PRF - POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Considere a seguinte situação</p><p>hipotética.</p><p>Aproveitando-se da facilidade do cargo por ele exercido em determinado órgão público, Artur,</p><p>servidor público, em conluio com Maria, penalmente responsável, subtraiu dinheiro da repartição</p><p>pública onde trabalha. Maria, que recebeu parte do dinheiro subtraído, desconhecia ser Artur</p><p>funcionário público.</p><p>Nessa situação hipotética, Artur cometeu o crime de peculato e Maria, o delito de furto.</p><p>58. (CESPE - 2013 - MPU - ANALISTA - DIREITO) Acerca dos institutos do direito penal</p><p>brasileiro, julgue os próximos itens.</p><p>Tratando-se de concurso de agentes, quando comprovada a vontade de um dos autores do fato</p><p>em participar de crime menos grave, a pena será diminuída até a metade, na hipótese de o</p><p>resultado mais grave ter sido previsível, não podendo, contudo, ser inferior ao mínimo da pena</p><p>cominada ao crime efetivamente praticado.</p><p>59. (CESPE - 2013 - PC-BA - DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que Joana, penalmente</p><p>imputável, tenha determinado a Francisco, também imputável, que desse uma surra em Maria e</p><p>que Francisco, por questões pessoais, tenha matado Maria. Nessa situação, Francisco e Joana</p><p>deverão responder pela prática do delito de homicídio, podendo Joana beneficiar-se de causa</p><p>de diminuição de pena.</p><p>60. (CESPE - 2013 - SERPRO - ANALISTA - ADVOCACIA) Havendo concurso de pessoas para</p><p>a prática de crime, caso um dos agentes participe apenas de crime menos grave, será aplicada a</p><p>ele a pena relativa a esse crime, desde que não seja previsível resultado mais grave.</p><p>61. (CESPE - 2013 - TJ-DF - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA) Se</p><p>determinada pessoa, querendo chegar rapidamente ao aeroporto, oferecer pomposa gorjeta a</p><p>um taxista para que este dirija em velocidade acima da permitida e,</p><p>em razão disso, o taxista</p><p>atropelar e, consequentemente, matar uma pessoa, a pessoa que oferecer a gorjeta participará</p><p>de crime culposo.</p><p>62. (CESPE - 2013 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em 18/2/2011, às</p><p>21 horas, na cidade X, João, que planejara detalhadamente toda a empreitada criminosa, Pedro,</p><p>Jerônimo e Paulo, de forma livre e consciente, em unidade de desígnios com o adolescente</p><p>José, que já havia sido processado por atos infracionais, decidiram subtrair para o grupo uma</p><p>10</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>84</p><p>93</p><p>geladeira, um fogão, um botijão de gás e um micro-ondas, pertencentes a Lúcia, que não estava</p><p>em casa naquele momento. Enquanto João e Pedro permaneceram na rua, dando cobertura à</p><p>ação criminosa, Paulo, Jerônimo e José entraram na residência, tendo pulado um pequeno muro</p><p>e utilizado grampos para abrir a porta da casa. Antes da subtração dos bens, Jerônimo,</p><p>arrependido, evadiu-se do local e chamou a polícia. Ainda assim, Paulo e José se apossaram de</p><p>todos os bens referidos e fugiram antes da chegada da polícia.</p><p>Dias depois, o grupo foi preso, mas os bens não foram encontrados.</p><p>Na delegacia, verificou-se que João, Pedro e Paulo já haviam sido condenados anteriormente</p><p>pelo crime de estelionato, mas a sentença não havia transitado em julgado e que Jerônimo tinha</p><p>sido condenado, em sentença transitada em julgado, por contravenção penal.</p><p>De acordo com a teoria objetivo-material, considera-se Paulo autor do crime de furto e João e</p><p>Pedro, partícipes.</p><p>63. (CESPE - 2013 - TC-DF - PROCURADOR) Ângelo, funcionário público exercente do cargo</p><p>de fiscal da Agência de Fiscalização do DF (AGEFIS), no exercício de suas funções, exigiu</p><p>vantagem indevida do comerciante Elias, de R$ 2.000,00 para que o estabelecimento não fosse</p><p>autuado em razão de irregularidades constatadas. Para a prática do delito, Ângelo foi auxiliado</p><p>por seu primo, Rubens, taxista, que o conduziu em seu veículo até o local da fiscalização,</p><p>previamente acordado e consciente tanto da ação delituosa que seria empreendida quanto do</p><p>fato de que Ângelo era funcionário público. Antes que os valores fossem entregues, o</p><p>comerciante, atemorizado, conseguiu informar policiais militares acerca dos fatos, tendo sido</p><p>realizada a prisão em flagrante de Ângelo.</p><p>A condição de funcionário público comunica-se ao partícipe Rubens, que tinha prévia ciência do</p><p>cargo ocupado por seu primo e acordou sua vontade com a dele para auxiliá-lo na prática do</p><p>delito, de forma que os dois deverão estar incursos no mesmo tipo penal.</p><p>11</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>85</p><p>93</p><p>GABARITO</p><p>1. CORRETA</p><p>2. LETRA A</p><p>3. CORRETA</p><p>4. LETRA E</p><p>5. LETRA D</p><p>6. ERRADA</p><p>7. LETRA C</p><p>8. ERRADA</p><p>9. CORRETA</p><p>10. ERRADA</p><p>11. ERRADA</p><p>12. CORRETA</p><p>13. CORRETA</p><p>14. ERRADA</p><p>15. ERRADA</p><p>16. ERRADA</p><p>17. ERRADA</p><p>18. ERRADA</p><p>19. ERRADA</p><p>20. ERRADA</p><p>21. ALTERNATIVA E</p><p>22. ALTERNATIVA C</p><p>23. ERRADA</p><p>24. ERRADA</p><p>12</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>86</p><p>93</p><p>25. ALTERNATIVA D</p><p>26. ERRADA</p><p>27. CORRETA</p><p>28. ERRADA</p><p>29. CORRETA</p><p>30. ERRADA</p><p>31. ERRADA</p><p>32. CORRETA</p><p>33. ERRADA</p><p>34. ERRADA</p><p>35. ERRADA</p><p>36. CORRETA</p><p>37. ERRADA</p><p>38. ERRADA</p><p>39. ALTERNATIVA E</p><p>40. ALTERNATIVA C</p><p>41. CORRETA</p><p>42. CORRETA</p><p>43. ERRADA</p><p>44. ERRADA</p><p>45. CORRETA</p><p>46. ERRADA</p><p>47. CORRETA</p><p>48. ERRADA</p><p>49. CORRETA</p><p>50. ERRADA</p><p>51. ERRADA</p><p>52. CORRETA</p><p>53. ERRADA</p><p>54. ERRADA</p><p>55. CORRETA</p><p>13</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>87</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>56. CORRETA</p><p>57. CORRETA</p><p>58. ERRADA</p><p>59. ERRADA</p><p>60. CORRETA</p><p>61. ERRADA</p><p>62. CORRETA</p><p>63. CORRETA</p><p>14</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>88</p><p>93</p><p>EXERCÍCIOS PARA PRATICAR</p><p>1. (CEBRASPE (CESPE) - DP RO/DPE RO/2023)</p><p>Quando o agente, mediante uma só ação, quer e obtém dois resultados distintos, ocorre</p><p>a) crime continuado.</p><p>b) concurso material homogêneo.</p><p>c) concurso formal próprio.</p><p>d) concurso material heterogêneo.</p><p>e) concurso formal impróprio.</p><p>2. (CEBRASPE (CESPE) - Sold (PM SC)/PM SC/2023)</p><p>Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja</p><p>incorrido. Nessa hipótese, ocorre</p><p>a) crime continuado.</p><p>b) concurso formal imperfeito.</p><p>c) concurso formal.</p><p>d) concurso material.</p><p>e) crime multitudinário.</p><p>3. (CEBRASPE (CESPE) - Proc Mun (PGM SP)/Pref SP/2023)</p><p>Marcos foi denunciado e condenado pela prática dos delitos de peculato e falsificação de</p><p>documento público. As penas foram fixadas em 2 anos e 10 dias-multa para cada um dos delitos.</p><p>Na sentença, considerando que, mediante uma única ação com desígnios autônomos, o réu</p><p>praticou dois crimes distintos, o juízo aumentou a reprimenda em 1/6, fixando a sanção</p><p>definitiva, em relação à pena privativa de liberdade, em 2 anos e 4 meses. Considerando a</p><p>situação hipotética apresentada, é correto afirmar que houve o reconhecimento do</p><p>1</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>89</p><p>93</p><p>a) crime continuado, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema do</p><p>cúmulo material.</p><p>b) concurso formal de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema</p><p>da exasperação.</p><p>c) crime continuado, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema da</p><p>exasperação.</p><p>d) concurso material de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o</p><p>sistema do cúmulo material.</p><p>e) concurso formal de crimes, caso em que a aplicação das penas de multa deve seguir o sistema</p><p>do cúmulo material.</p><p>4. (CEBRASPE (CESPE) - Del Pol (PC AL)/PC AL/2023)</p><p>No que diz respeito ao direito penal, julgue o item a seguir.</p><p>Configurado o concurso formal impróprio ou o crime continuado, adota-se o sistema da</p><p>exasperação da pena.</p><p>5. (CESPE – 2019 – TJAM – ANALISTA)</p><p>Julgue o próximo item, relativos a pena, sua aplicação e a medidas de segurança.</p><p>No concurso formal, caso o agente tenha praticado dois crimes mediante uma ação dolosa,</p><p>devem-se aplicar cumulativamente as penas se os crimes concorrentes resultarem de desígnios</p><p>autônomos.</p><p>6. (CESPE – 2018 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)</p><p>Elton, pretendendo matar dois colegas de trabalho que exerciam suas atividades em duas salas</p><p>distintas da dele, inseriu substância tóxica no sistema de ventilação dessas salas, o que causou o</p><p>óbito de ambos em poucos minutos. Nessa situação, Elton responderá por homicídio doloso em</p><p>concurso formal imperfeito.</p><p>7. (CESPE - 2013 - PC-BA - ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Acerca do concurso de crimes, do</p><p>concurso de pessoas e das causas de exclusão da ilicitude, julgue os itens que se seguem.</p><p>No concurso de pessoas, a caracterização da coautoria fica condicionada, entre outros requisitos,</p><p>ao prévio ajuste entre os agentes e à necessidade da prática de idêntico ato executivo e crime.</p><p>8. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA - ADAPTADA) Não</p><p>se aplica a continuidade delitiva quando os delitos atingirem bens jurídicos personalíssimos de</p><p>pessoas diversas, SEGUNDO o entendimento do Supremo Tribunal Federal.</p><p>9. (CESPE – 2016 – TRE-PI – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA - ADAPTADA)</p><p>Configura-se concurso material a ação única lesiva ao patrimônio de diversas pessoas.</p><p>2</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>90</p><p>93</p><p>10. (CESPE - 2010 - DPU - DEFENSOR PÚBLICO) Em caso de concurso formal de crimes, a</p><p>pena privativa de liberdade não pode exceder a que seria cabível pela regra do concurso</p><p>material. Certo</p><p>ou Errado?</p><p>11. (CESPE - 2009 - AGU - ADVOGADO) No caso de concurso de crimes, a extinção da</p><p>punibilidade incidirá sobre a pena de cada um deles, isoladamente.</p><p>12. (CESPE - 2013 - PC-BA - ESCRIVÃO DE POLÍCIA) Acerca do concurso de crimes, do</p><p>concurso de pessoas e das causas de exclusão da ilicitude, julgue os itens que se seguem.</p><p>No que diz respeito ao concurso de crimes, o direito brasileiro adota o sistema do cúmulo</p><p>material e o da exasperação na aplicação da pena.</p><p>13. (CESPE - 2013 - TJ-DF - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Em 15/10/2005, nas</p><p>dependências do banco Y, Carlos, com o objetivo de prejudicar direitos da instituição financeira,</p><p>preencheu e assinou declaração falsa na qual se autodenominava Maurício. No mesmo dia, foi</p><p>até outra agência do mesmo banco e, agindo da mesma forma, declarou falsamente chamar-se</p><p>Alexandre.</p><p>Em 1/5/2010, Carlos foi denunciado, tendo a denúncia sido</p><p>recebida em 24/5/2010. Após o devido processo legal, em sentença proferida em 23/8/2012, o</p><p>acusado foi condenado a um ano e dois meses de reclusão, em regime inicialmente aberto, e ao</p><p>pagamento de doze dias-multa, no valor unitário mínimo legal. A pena privativa de liberdade foi</p><p>substituída por uma pena restritiva de direitos e multa. O MP não apelou da sentença</p><p>condenatória.</p><p>Com relação à situação hipotética acima, julgue os itens seguintes.</p><p>As ações de Carlos configuram crime continuado, visto que as condições de tempo, lugar e</p><p>modo de execução foram as mesmas em ambos os casos, tendo a ação subsequente dado</p><p>continuidade à primeira.</p><p>3</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>91</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>GABARITO</p><p>1. ALTERNATIVA E</p><p>2. ALTERNATIVA D</p><p>3. ALTERNATIVA E</p><p>4. ERRADA</p><p>5. CORRETA</p><p>6. CORRETA</p><p>7. ERRADA</p><p>8. ERRADA</p><p>9. ERRADA</p><p>10. CORRETA</p><p>11. CORRETA</p><p>12. CORRETA</p><p>13. CORRETA</p><p>4</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>92</p><p>93</p><p>seus pais, e combina com seu</p><p>namorado para que ele esteja às 20h em ponto na porta de sua casa para lhe ajudar na fuga.</p><p>9 PIERANGELI, José Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. São</p><p>Paulo, 2008, p. 580/581</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>7</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>Assim, a conduta do namorado (auxiliar na fuga) é posterior à consumação, mas fora combinada</p><p>anteriormente, havendo, portanto, concurso de pessoas. Diversa seria a hipótese, no entanto, se</p><p>o namorado tivesse ido à casa da namorada sem saber que deveria lhe ajudar na fuga. Lá</p><p>chegando, a namorada conta o ocorrido e ele, a partir daí, concorda em auxiliá-la na fuga. Nessa</p><p>hipótese, o namorado comete o crime de favorecimento pessoal (nos termos do art. 348 do CP).</p><p>Cuidado com isso!</p><p>Vínculo subjetivo (ou liame subjetivo)</p><p>Também é conhecido como concurso de vontades. Assim, para que haja concurso de</p><p>pessoas, é necessário que a colaboração dos agentes tenha sido ajustada entre eles, ou pelo</p><p>menos tenha havido adesão de um à conduta do outro.</p><p>Deste modo, a colaboração meramente causal, sem que tenha havido combinação entre os</p><p>agentes, não caracteriza o concurso de pessoas. Trata-se do princípio da convergência. Caso haja</p><p>colaboração dos agentes para a conduta criminosa, mas sem vínculo subjetivo entre eles,</p><p>estaremos diante da autoria colateral, e não da coautoria.</p><p>Identidade de infração penal</p><p>Também conhecido como unidade de infração penal para todos os agentes, está</p><p>fundamentado no art. 29 do CP:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984).</p><p>Daí podemos perceber que, se 20 pessoas colaboram para a prática de um delito</p><p>(homicídio, por exemplo), todas elas respondem pelo homicídio, independentemente da conduta</p><p>que tenham praticado (um apenas conseguiu a arma, o outro dirigiu o veículo da fuga, outro</p><p>atraiu a vítima, etc.). As condutas dos agentes, portanto, devem constituir algo juridicamente</p><p>unitário .10</p><p>Existência de fato punível</p><p>Trata-se do princípio da exterioridade. Assim, é necessário que o fato praticado pelos</p><p>agentes seja punível, o que de um modo geral exige pelo menos que este fato represente uma</p><p>tentativa de crime, ou crime tentado.</p><p>Para a caracterização do crime tentado, é necessário que seja dado início à execução do</p><p>crime. Se o fato ficar meramente no plano abstrato, no plano da cogitação, não há fato punível,</p><p>nos termos do art. 14, II do CP.</p><p>O art. 31 do CP determina, ainda, de modo específico para a hipótese de concurso de</p><p>pessoas, que a colaboração só é punível se o crime for, ao menos, tentado:</p><p>10 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 553</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>8</p><p>93</p><p>Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição</p><p>expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser</p><p>tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).</p><p>Importante ressaltar que, em alguns casos, os atos preparatórios já configuram fato punível,</p><p>seja porque a lei assim expressamente determina, seja porque eles constituem tipo penal</p><p>autônomo.</p><p>Modalidades</p><p>Coautoria</p><p>Para entendermos o fenômeno da coautoria, devemos, primeiramente, estudar o que seria</p><p>a autoria do delito.</p><p>Várias teorias, ao longo do tempo, procuraram definir o conceito de AUTOR.</p><p>O conceito extensivo de autor não diferencia autor e partícipe, considerando que todos</p><p>aqueles que concorrem para o crime são autores do delito. Esse conceito é baseado numa</p><p>premissa “causal-naturalista” de que todo aquele que dá causa ao delito (por qualquer forma),</p><p>deve ser considerado autor do crime.</p><p>Contudo, como pelo conceito extensivo de autor não era possível definir quem era autor e</p><p>quem era partícipe, surgiu a teoria subjetiva da participação, que considerava como autor aquele</p><p>que pratica o fato como próprio, que quer o crime “como próprio”, como seu, e partícipe aquele</p><p>que quer o fato como alheio, pratica uma conduta acessória ao “crime de outra pessoa”. Isso11</p><p>era fundamental para a fixação da pena de cada um, já que aos autores deveriam ser aplicadas</p><p>penas, em tese, mais severas.</p><p>Como o conceito extensivo apresentou mais problemas que soluções, surgiu o conceito</p><p>restritivo de autor . Para esta teoria restritiva , autor e partícipe não se confundem. Autor será12 13</p><p>aquele que praticar a conduta descrita no núcleo do tipo penal (subtrair, matar, roubar, etc.).</p><p>Todos os demais, que de alguma forma prestarem colaboração (material ou moral), serão</p><p>considerados partícipes. Esta foi a teoria adotada pelo CP.</p><p>Agora que já sabemos que o CP diferencia autor e partícipe, precisamos saber qual é o</p><p>critério para se diferenciar um do outro. Três teorias surgiram.</p><p>A primeira teoria, a teoria objetivo-formal, estabelece que autor é quem realiza a conduta</p><p>prevista no núcleo do tipo, sendo partícipes todos os outros que colaboraram para isso, mas não</p><p>realizaram a conduta descrita no núcleo do tipo. Para esta teoria, por exemplo, no crime de</p><p>homicídio, somente seria autor aquele que efetivamente praticasse a conduta de “matar”</p><p>13 Também chamada por alguns de teoria dualista ou objetiva.</p><p>12 PIERANGELI, José Henrique. ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Manual de Direito Penal Brasileiro. Ed. RT. São</p><p>Paulo, 2008, p. 572.</p><p>11 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 555</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>9</p><p>93</p><p>alguém. Todos os outros colaboradores seriam partícipes. O grande problema desta teoria é</p><p>considerar o autor intelectual (mandante) como partícipe, e não como autor. Mais que isso: Essa</p><p>teoria não explica o fenômeno da autoria mediata (quando alguém se vale de um inimputável</p><p>para cometer um crime).</p><p>A segunda teoria, a teoria objetivo-material, entende que autor é quem colabora com</p><p>participação de maior importância para o crime, e partícipe é quem colabora com participação</p><p>reduzida, independentemente de quem pratica o núcleo do tipo (verbo que descreve a conduta</p><p>criminosa – matar, subtrair, etc.).</p><p>A terceira e última teoria, a teoria do domínio do fato, criada pelo pai do finalismo, Hans</p><p>Welzel , e posteriormente desenvolvida por Claus Roxin, defende que autor é todo aquele que14</p><p>possui o domínio da conduta criminosa, seja ele o executor (quem pratica a conduta prevista no</p><p>núcleo do tipo) ou não . Para esta teoria, o autor seria aquele que decide o trâmite do crime, sua15</p><p>prática ou não, etc. Essa teoria explica, satisfatoriamente, o caso do mandante, por exemplo, que</p><p>mesmo sem praticar o núcleo do tipo (“matar alguém”), possui o domínio do fato, pois tem o</p><p>poder de decidir sobre o rumo da prática delituosa.</p><p>Para esta teoria, o partícipe existe, e é aquele que contribui para a prática do delito ,16</p><p>embora não tenha poder de direção sobre a conduta delituosa. O partícipe só controla a própria</p><p>vontade, mas a não a conduta criminosa em si, pois esta não lhe pertence.</p><p>A teoria do domínio do fato tem por finalidade estabelecer uma diferenciação entre autor e</p><p>partícipe a partir da noção de “controle da situação”. Aquele que, mesmo não executando a</p><p>conduta descrita no núcleo do tipo, possui todo o controle da situação, inclusive com a</p><p>possibilidade de intervir a qualquer momento para fazer cessar a conduta, deve ser considerado</p><p>autor, e não partícipe.</p><p>O controle (ou domínio) da situação pode se dar mediante :17</p><p>1 - Domínio da ação - O agente realiza diretamente a conduta prevista no tipo penal</p><p>17 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 557-558</p><p>16 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p.117-119</p><p>15 MUÑOZ CONDE, Francisco. Teoría general del delito. Ed. Temis Editorial. Bogotá, 1999, p. 155-156</p><p>14 WELZEL, Hans. Op. Cit.___, p. 105</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos</p><p>- Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>10</p><p>93</p><p>2 - Domínio da vontade - O agente não realiza a conduta diretamente, mas é o "senhor do</p><p>crime", controlando a vontade do executor, que é um mero instrumento do delito (hipótese de</p><p>autoria mediata).</p><p>3 - Domínio funcional do fato - O agente desempenha uma função essencial e</p><p>indispensável ao sucesso da empreitada criminosa, que é dividida entre os comparsas, cabendo a</p><p>cada um uma parcela significativa, essencial e imprescindível.</p><p>Em todos estes casos, o agente será considerado autor do delito.</p><p>A teoria do domínio do fato, porém, não se aplica aos crimes culposos, pois neste não há</p><p>domínio final do fato, pois o fato final (resultado) não é buscado pelos agentes, que pretendiam</p><p>outro resultado .18</p><p>A teoria adotada pelo CP é a teoria objetivo-formal, considerando autor aquele que</p><p>realiza a conduta descrita no núcleo do tipo, já que denota sua “vontade de autor” (animus</p><p>auctoris), em contraposição à “vontade de colaboração” do partícipe (animus socii). Entretanto,</p><p>considera-se adotada a teoria do domínio do fato para os crimes em que há autoria mediata,</p><p>autoria intelectual, etc., de forma a complementar a teoria adotada.</p><p>Esta é, portanto, a posição doutrinária a respeito da posição do CP sobre a diferença entre</p><p>autor e partícipe.</p><p>Desta maneira, após entendermos quem seria considerado autor do delito para o CP,</p><p>podemos definir a coautoria como a espécie de concurso de pessoas na qual duas ou mais</p><p>pessoas praticam a conduta descrita no núcleo do tipo penal. Assim, no crime de roubo, se duas</p><p>ou mais pessoas entram num banco, portando armas, e anunciam um assalto, todas elas</p><p>praticaram a conduta descrita no núcleo do tipo do art. 157, § 2°, I e II do CP (subtrair para si ou</p><p>para outrem, mediante violência ou grave ameaça...). Logo, todas são coautoras do delito. No</p><p>mesmo exemplo, porém, o dono do carro, que emprestou o veículo para a fuga, é mero</p><p>partícipe.</p><p>Não confundam coautoria com autoria colateral. Na coautoria, deve haver vínculo subjetivo</p><p>ligando as condutas de ambos os autores. Na autoria colateral, ambos praticam o núcleo do tipo,</p><p>mas um não age em acordo de vontades com o outro. Imaginem que A e B, desafetos de C, sem</p><p>que um saiba da existência do outro, escondem-se atrás de árvores esperando a passagem de C,</p><p>a fim de matá-lo. Quando C passa, ambos atiram, e C vem a óbito. Nesse caso, não houve</p><p>coautoria, mas autoria colateral. Entretanto, aí vai mais uma informação: Imaginem que o laudo</p><p>identifique que apenas uma bala atingiu C, direto na cabeça, levando-o a óbito. Nesse caso, o</p><p>18 Idem, p. 558</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>11</p><p>93</p><p>laudo não conseguiu apontar de qual arma saiu a bala que matou C. Nesse caso, como não se</p><p>pode definir quem efetuou o disparo fatal, ambos respondem pelo crime de homicídio</p><p>TENTADO, pois não se pode atribuir a nenhum deles o homicídio consumado, já que o laudo é</p><p>inconclusivo quanto a isto. Este é o fenômeno da autoria incerta. No entanto, se ambos</p><p>estivessem agindo em conluio, com vínculo subjetivo, ou seja, se houvesse concurso de pessoas,</p><p>ambos responderiam por crime de homicídio CONSUMADO, pois nesse caso seria irrelevante</p><p>saber de qual arma partiu a bala que levou C a óbito.</p><p>A coautoria pode ser funcional (ou parcial), que é aquela na qual a conduta dos agentes</p><p>são diversas e se somam, de forma a produzir o resultado. Assim, se Ricardo segura a vítima para</p><p>que Poliana a espanque, ambos são coautores do crime de lesão corporal, mediante coautoria</p><p>funcional.</p><p>Porém, a coautoria pode ser, ainda, material (direta), que é a hipótese em que ambos os</p><p>coautores realizam a mesma conduta. Assim, no exemplo acima, se Ricardo e Poliana</p><p>espancassem a vítima, ambos seriam coautores mediante coautoria material.</p><p>Abaixo vou mostrar para vocês algumas hipóteses polêmicas de aplicação do instituto da</p><p>coautoria:</p><p> Admite-se a coautoria nos crimes próprios, desde que ambos os agentes possuam a</p><p>qualidade exigida pela lei, ou que, aqueles que não a possuem, ao menos tenham ciência</p><p>de que o outro agente age nessa qualidade.</p><p> Não se admite a coautoria nos crimes de mão-própria, pois são considerados de conduta</p><p>infungível, só podendo ser praticados pelo sujeito especificamente descrito pela lei.</p><p> A Doutrina se divide quanto à possibilidade de coautoria em crimes omissivos, da</p><p>seguinte forma:</p><p>1 – Parte entende que NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE COAUTORIA OU</p><p>PARTICIPAÇÃO (Concurso de agentes), pois TODAS AS PESSOAS PRATICAM O</p><p>NÚCLEO DO TIPO, DE MANEIRA AUTÔNOMA;</p><p>2 – Outra parte da Doutrina entende poderia haver concurso de pessoas, na</p><p>modalidade de coautoria, mas é minoritário;</p><p>3 – A Doutrina ligeiramente majoritária entende que é possível PARTICIPAÇÃO, mas</p><p>NÃO COAUTORIA.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>12</p><p>93</p><p> Na autoria mediata não há concurso de pessoas entre autor mediato autor imediato,</p><p>respondendo apenas o autor mediato, que se valeu de alguém sem culpabilidade para a</p><p>execução do delito.</p><p> Entretanto, é possível coautoria e também participação na autoria mediata, desde que</p><p>haja colaboração entre os agentes mediatos. NUNCA HAVERÁ CONCURSO DE PESSOAS</p><p>ENTRE AUTOR MEDIATO E AUTOR IMEDIATO.</p><p> CUIDADO! Na coação física irresistível, não há autoria mediata, mas autoria direta, pois o</p><p>agente que realiza a ação não possui conduta, já que não há vontade. Nesse caso, aquele</p><p>que pratica a coação física irresistível é autor direto, não mediato;</p><p> Admite-se a autoria mediata nos crimes próprios, mas não nos crimes de mão própria (há</p><p>alguns doutrinadores que entendem ser possível).</p><p>Participação</p><p>Conforme estudamos, no Brasil adotou-se o conceito restritivo de autor, distinguindo-se</p><p>autor e partícipe. Adotou-se, ainda, a teoria objetivo-formal, de forma que podemos definir a</p><p>participação como a modalidade de concurso de pessoas na qual o agente colabora para a</p><p>prática delituosa, mas não pratica a conduta descrita no núcleo do tipo penal.</p><p>A participação pode ser:</p><p>⇒ Moral – É aquela na qual o agente não ajuda materialmente na prática do crime, mas</p><p>instiga ou induz alguém a praticar o crime. A instigação ocorre quando o partícipe age no</p><p>psicológico do autor do crime, reforçando a ideia criminosa, que já existe na mente deste.</p><p>O induzimento, por sua vez, ocorre quando o partícipe faz surgir a vontade criminosa na</p><p>mente do autor, que não tinha pensado no delito;</p><p>⇒ Material – A participação material é aquela na qual o partícipe presta auxílio ao autor, seja</p><p>fornecendo objeto para a prática do crime, seja fornecendo auxílio para a fuga, etc. É</p><p>também chamada de cumplicidade. Este auxílio não pode ser prestado após a</p><p>consumação, salvo se o auxílio foi previamente ajustado.</p><p>⇒ Já que o partícipe não pratica a conduta descrita no núcleo do tipo penal, como puni-lo?</p><p>A punibilidade do partícipe não pode ser realizada diretamente pela descrição do fato</p><p>típico. De fato, aquele que empresta uma arma para que alguém mate outra pessoa, não poderia</p><p>responder por homicídio, pois o art. 121 do CP diz: “matar alguém”. Aquele que empresta a</p><p>arma não está “matando”, por isso se diz que não há, aqui, adequação típica imediata.</p><p>Contudo, a punibilidade do partícipe é possível porque há normas de extensão da</p><p>adequação típica (no caso, o art. 29 do CP), que permitem a extensão do raio de aplicação do</p><p>tipo penal para aqueles que, de alguma forma, tenham contribuído para o delito. Trata-se da</p><p>chamada adequação típica mediata.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>13</p><p>93</p><p>Como a conduta do partícipe é considerada acessória em relação à conduta do autor (que</p><p>é principal), o partícipe é punido em razão da teoria da acessoriedade . Porém, existem quatro19</p><p>teorias da acessoriedade:</p><p>● Teoria da acessoriedade mínima</p><p>– Entende que a conduta principal deva ser um</p><p>fato típico, não importando se é ou não um fato ilícito. EXEMPLO: Imagine que</p><p>Marcio e João combinam de matar Paulo. Na data combinada para a execução,</p><p>Marcio guia o carro até o local e fica esperando do lado de fora. João se dirige até</p><p>Paulo e, após uma discussão, Paulo começa a agredir João, que na verdade mata</p><p>Paulo em legítima defesa. João matou Paulo em legítima defesa e não em razão do</p><p>ajuste com Marcio (não tendo praticado fato ilícito, mas apenas típico), mas por esta</p><p>teoria, mesmo assim Marcio responderia como partícipe do crime. Veja que João,</p><p>de fato, matou Paulo. Contudo, o fato não é ilícito, pois João agiu em legítima</p><p>defesa. Porém, para esta teoria, ainda que a conduta de João seja considerada</p><p>apenas típica, mas não ilícita, Marcio deveria ser punido. O pior de tudo é que,</p><p>neste caso, Márcio, que não praticou a conduta seria punido, mas João seria</p><p>absolvido pela legítima defesa.</p><p>● Teoria da acessoriedade limitada – Exige que o fato praticado (conduta principal)</p><p>seja pelo menos uma conduta típica e ilícita. Assim, no exemplo dado acima, a</p><p>conduta do partícipe Marcio não é punível, pois a conduta principal, apesar de</p><p>típica, não é ilícita. Veja que, para esta corrente Doutrinária, se o fato praticado</p><p>pelo autor NÃO FOR ILÍCITO (Ainda que seja um fato típico), em razão de legítima</p><p>defesa, etc., o partícipe não deve ser punido.</p><p>● Teoria da acessoriedade máxima – Para esta teoria, o partícipe só será punido se o</p><p>fato for típico, ilícito e praticado por agente culpável. Essa teoria faz exigência</p><p>irrazoável, pois a culpabilidade é uma questão pessoal do agente, não guardando</p><p>relação com o fato. Assim, imagine que Carlos, maior de idade, seja partícipe de um</p><p>roubo praticado por Lucas, menor de idade. Para esta corrente, Carlos não poderia</p><p>responder pelo roubo praticado (na qualidade de partícipe), pois Lucas (o autor</p><p>principal) é inimputável (não tem culpabilidade), sendo o fato apenas típico e ilícito,</p><p>sem o complemento da culpabilidade.</p><p>● Teoria da hiperacessoriedade – Exige que, além de o fato ser típico e ilícito e o</p><p>agente culpável, o autor tenha sido efetivamente punido para que o partícipe</p><p>responda pelo crime. É ainda mais irrazoável que a última. Imagine que José seja</p><p>partícipe de um roubo praticado por Marcelo. No decorrer do processo, Marcelo</p><p>vem a falecer (o que gera a extinção da punibilidade de Marcelo, nos termos do</p><p>CP). Para esta corrente, como houve extinção da punibilidade em relação a Marcelo</p><p>(o autor do delito), o partícipe (José) não poderá mais ser punido.</p><p>O Nosso CP não adotou expressamente nenhuma das quatro teorias, mas com certeza</p><p>não adotou a teoria da acessoriedade mínima nem a teoria da hiperacessoriedade (as extremas).</p><p>19 A teoria da acessoriedade deriva de uma das teorias dos FUNDAMENTOS da punibilidade do partícipe, que</p><p>é a TEORIA DO FAVORECIMENTO (ou da CAUSAÇÃO), que diz que o partícipe deve ser punido por ter</p><p>coloborado para que o delito fosse realizado. Em contraposição a esta, havia a teoria da participação na</p><p>culpabilidade, que defendia que o partícipe deveria ser punido apenas por exercer “influência negativa” sobre</p><p>o autor. Esta última foi abandonada pela Doutrina há algumas décadas.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>14</p><p>93</p><p>A Doutrina entende que a teoria que mais se amolda ao nosso sistema é a teoria da</p><p>acessoriedade limitada , exigindo que o fato seja somente típico e ilícito para que o partícipe20</p><p>responda pelo crime.</p><p>Questões interessantes acerca da participação:</p><p> A lei admite a redução da pena de 1/6 a 1/3 se a participação é de menor importância (art.</p><p>29, § 1° do CP). Isto não se aplica às hipóteses de coautoria, mas apenas à participação;</p><p> A Doutrina admite a participação nos crimes comissivos por omissão, quando o partícipe</p><p>devia e podia evitar o resultado (art. 13, § 2° do CP).</p><p> A participação inócua não se pune. Assim, se A empresta uma faca a B, de forma a</p><p>auxiliá-lo a matar C, e B mata C usando seu revólver, a participação de A foi</p><p>absolutamente inócua, pois em nada auxiliou no resultado. Da mesma forma, se A instiga</p><p>B a matar C, e B realiza a conduta porque já estava determinado a isso, a instigação</p><p>promovida por A não teve qualquer eficácia, pois B já mataria C de qualquer forma.</p><p> Participação em cadeia é possível: Assim, se A empresta uma arma a B, para que este a</p><p>empreste a C, a fim de que este último mate D, tanto A quanto B são partícipes do crime,</p><p>por prestarem auxílio material em cadeia.</p><p> A participação em ação alheia ocorre quando o partícipe, sem qualquer liame subjetivo</p><p>com o autor, contribui de maneira culposa para a prática do delito. Assim, o funcionário</p><p>público que não tranca a porta da repartição ao final do expediente, e esta vem a ser</p><p>furtada por um particular na madrugada, responde por peculato culposo (art. 312, § 2° do</p><p>CP), enquanto o particular responde por furto. Não há concurso de pessoas pois falta o</p><p>liame subjetivo entre ambos (coerência de vontades).</p><p>Comunicabilidade das circunstâncias</p><p>O art. 30 do CP estabelece que:</p><p>Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,</p><p>salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Antes de estudarmos a comunicabilidade ou não das circunstâncias, devemos diferenciar a</p><p>mera circunstância da circunstância elementar do crime.</p><p>20 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. Cit.___, p. 565</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>15</p><p>93</p><p>A circunstância elementar é aquela que se refere a algo indispensável para a</p><p>caracterização do crime. Assim, a circunstância “alguém” no crime de homicídio, é uma</p><p>elementar, pois se o fato for praticado contra um animal, por exemplo, não haverá homicídio.</p><p>Por sua vez, a mera circunstância não é indispensável à caracterização do crime, pois</p><p>apenas agregam um fato que, se presente, aumenta ou diminui a pena. Assim, o “motivo torpe”</p><p>é uma circunstância não-elementar, ou mera circunstância, pois caso o fato seja praticado sem</p><p>essa circunstância, continua a existir homicídio, no entanto, sem a qualificadora.</p><p>Espécies de elementares e de circunstâncias</p><p>Podem ser subjetivas (de caráter pessoal), quando relativas à pessoa do agente. É o caso</p><p>da condição de funcionário público, que é pessoal, pois se refere ao agente.</p><p>Podem ser, ainda, objetivas (ou de caráter real), quando se referem ao fato criminoso em</p><p>si, seu modus operandi, etc. Assim, o emprego de violência, no crime de roubo (art. 157 do CP) é</p><p>uma elementar objetiva.</p><p>As condições pessoais não se confundem com as circunstâncias ou elementares de caráter</p><p>pessoal. As primeiras são fatores pessoais do agente, que independem da prática da infração</p><p>penal. Assim, o fato de o agente ser menor de 21 anos é uma condição pessoal, e não uma</p><p>circunstância de caráter pessoal, tampouco uma elementar.</p><p>Com base nesses três institutos (elementares, circunstâncias e condições pessoais),</p><p>podemos extrair três regras do CP:</p><p>✔ As circunstâncias e condições de caráter pessoal não se comunicam – Se A contrata</p><p>B, para que este mate C, em razão deste último ter estuprado sua filha, A comete o</p><p>crime de homicídio privilegiado, em razão do relevante valor moral (art. 121, § 1° do</p><p>CP). Entretanto, B não comete o crime de homicídio privilegiado, pois a</p><p>circunstância “relevante valor moral” é pessoal, não se estendendo ao coautor;</p><p>✔ As circunstâncias de caráter real, ou objetivas, se comunicam – Porém, é necessário</p><p>que a circunstância tenha entrado na esfera de conhecimento dos demais agentes.</p><p>Imagine que A contrata B para matar C. B informa a A que usará de emboscada</p><p>(portanto, homicídio qualificado, nos termos do art. 121, § 2° do CP), e A concorda</p><p>com isto. Nesse caso, a circunstância objetiva “emboscada” (relativa ao meio</p><p>utilizado), se comunica, pois embora A não tenha usado de emboscada, concordou</p><p>com esta</p><p>prática por B. Diversamente, se B praticasse o crime mediante emboscada</p><p>sem nada comunicar ao mandante, A, esta circunstância não se comunicaria, por</p><p>não ter entrado na esfera de conhecimento de A;</p><p>✔ As elementares sempre se comunicam, sejam objetivas ou subjetivas – No entanto,</p><p>mais uma vez se exige que estas elementares tenham entrado no âmbito de</p><p>conhecimento dos demais agentes. Imaginem que Júlio, servidor público, convida</p><p>Marcelo a entrar na repartição onde trabalham, valendo-se da condição de Júlio,</p><p>para subtrair alguns computadores. Caso Marcelo conheça a condição de</p><p>funcionário público de Júlio, ambos respondem pelo crime de peculato-furto (art.</p><p>312, § 1° do CP). Caso Marcelo desconheça essa circunstância elementar, responde</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>16</p><p>93</p><p>ele apenas pelo crime de furto, pois a ausência dessa circunstância faz desaparecer</p><p>o crime de peculato-furto, mas a conduta ainda é punível como furto comum.</p><p>Cooperação dolosamente distinta</p><p>A cooperação dolosamente distinta, também chamada de “participação em crime menos</p><p>grave” ou “desvio subjetivo de conduta”, ocorre quando ambos os agentes decidem praticar</p><p>determinado crime, mas durante a execução, um deles decide praticar outro crime, mais grave.</p><p>Nesse caso, aplica-se o art. 29, § 2° do CP:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>(...) § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave,</p><p>ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na</p><p>hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>EXEMPLO: Imaginem que Camila e Herval combinam de realizar um furto a uma</p><p>casa que imaginam estar vazia. Camila espera no carro enquanto Herval adentra à</p><p>residência. Entretanto, ao chegar à residência, Herval se depara com dois</p><p>seguranças, e troca tiros com ambos, levando-os a óbito (sinistro esse cara).</p><p>Após, entra na casa e subtrai diversos bens. Volta ao carro e ambos fogem.</p><p>Camila não quis participar de um latrocínio (que foi o que efetivamente ocorreu), mas</p><p>apenas de um furto. Assim, segundo a primeira parte do § 2° do art. 29 do CP, responderá</p><p>somente pelo furto.</p><p>Entretanto, se ficar comprovado que Camila podia prever que o latrocínio era provável (se</p><p>soubesse, por exemplo, que Herval estava armado e que havia a possibilidade de ter seguranças</p><p>na casa), a pena do crime de furto (não a do latrocínio!!) será aumentada até a metade.</p><p>A lei diz “até a metade”, logo, o aumento pode não chegar a esse patamar. O aumento de</p><p>pena irá variar conforme o grau de previsibilidade do crime mais grave para o qual Camila não se</p><p>predispôs, mas era previsível.</p><p>CUIDADO MASTER! Existe uma questão muito controvertida no que se refere ao concurso de</p><p>pessoas. É a possibilidade (ou não) de concurso de pessoas em crimes CULPOSOS.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>17</p><p>93</p><p>São muitas, MUITAS ideias diferentes. Cada autor inventa alguma coisa para vender seu livro,</p><p>certo? Bom, resumidamente, podemos definir a Doutrina majoritária da seguinte forma:</p><p>COAUTORIA EM CRIMES CULPOSO – É possível, pois é possível que duas pessoas, de comum</p><p>acordo, resolvam praticar uma conduta imprudente, por exemplo. Ex.: Dois rapazes resolvem</p><p>atirar um móvel do 10º andar de um prédio, sem intenção de atingir ninguém, mas acabam</p><p>lesionando uma pessoa.</p><p>PARTICIPAÇÃO EM CRIME CULPOSO – Depende. Podemos estar falando de participação</p><p>DOLOSA ou participação CULPOSA.</p><p>DOLOSA – Não cabe participação dolosa em crime culposo, pois a Doutrina entende que não há</p><p>“unidade de vontades” entre os agentes (um quer o resultado a título de dolo, e o outro,</p><p>executor, é apenas um descuidado). Assim, não há “vínculo subjetivo” entre eles no que tange ao</p><p>resultado. Logo, cada um responde por sua conduta.</p><p>CULPOSA – É possível, pois é possível que alguém, por culpa, induza, instigue ou preste auxílio</p><p>ao executor de uma conduta também culposa, e haveria “unidade de vontades”.</p><p>CUIDADO: O STJ entende que NÃO cabe nenhum tipo de participação em crime culposo. Parte</p><p>da Doutrina também segue este entendimento.</p><p>Multidão delinquente</p><p>Também chamada de “multidão criminosa” , são considerados pela doutrina como21</p><p>aqueles atos em que inúmeras (incontáveis, uma multidão) pessoas praticam o mesmo delito,</p><p>agindo em concurso de pessoas, muitas vezes sem um acordo prévio, mas cada uma aderindo</p><p>tacitamente à conduta da outra. Ex.: Linchamentos, brigas de torcidas organizadas, saques a lojas</p><p>ou a carretas tombadas, etc.</p><p>A Doutrina sustenta que, mesmo nestes casos, têm-se CONCURSO DE PESSOAS, pois há</p><p>vínculo subjetivo entre estas pessoas, ainda que tácito (não explícito). O agente que praticar o</p><p>delito nestas condições, porém, deverá ter sua pena atenuada, nos termos do art. 65, e do CP, já</p><p>que se trata de situação em que há maior vulnerabilidade psicológica para que uma pessoa</p><p>venha a aderir a uma conduta criminosa. Por outro lado, os que promoverem, organizarem ou</p><p>liderarem a conduta criminosa terão suas penas agravadas (art. 62, I do CP).</p><p>21 O termo “multidão criminosa” é utilizado, dentre outros, por René Ariel Dotti (cf. DOTTI, René Ariel. Curso</p><p>de Direito Penal, Parte Geral. Ed. Revista dos Tribunais. 4º ed. São Paulo. 2012, p. 459)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>18</p><p>93</p><p>DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p> Arts. 29 a 31 do CP – Regulamentam o concurso de agentes no Código Penal:</p><p>Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a</p><p>este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de</p><p>um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á</p><p>aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter</p><p>sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Circunstâncias incomunicáveis</p><p>Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal,</p><p>salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Casos de impunibilidade</p><p>Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição</p><p>expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser</p><p>tentado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>JURISPRUDÊNCIA CORRELATA</p><p> STJ - RESP 1306731/RJ – O STJ firmou entendimento no sentido de que não se pode condenar</p><p>um dos comparsas por homicídio culposo e outro por homicídio doloso, quando reconhecida a</p><p>ocorrência de concurso de agentes. Isso porque o concurso de pessoas, dada a adoção da teoria</p><p>monista, pressupõe a unidade de infrações penais, objetiva e subjetivamente, ou seja, todos</p><p>devem responder pelo mesmo delito, e sob o mesmo elemento subjetivo (dolo ou culpa):</p><p>(...) 3. Tratando-se de crime praticado em concurso de pessoas, o nosso Código</p><p>Penal, inspirado na legislação italiana, adotou, como regra, a Teoria Monista ou</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>19</p><p>93</p><p>Unitária, ou seja, havendo pluralidade de agentes, com diversidade de condutas,</p><p>mas provocando um só resultado, existe um só delito.</p><p>4. Assim, denunciados em coautoria delitiva, e não sendo as hipóteses de</p><p>participação de menor importância ou cooperação dolosamente distinta, ambos</p><p>os réus teriam que receber rigorosamente a mesma condenação, objetiva e</p><p>subjetivamente, seja por crime doloso, seja por crime culposo, não sendo</p><p>possível cindir</p><p>o delito no tocante à homogeneidade do elemento subjetivo,</p><p>requisito do concurso de pessoas, sob pena de violação à teoria monista, razão</p><p>pela qual mostra-se evidente o constrangimento ilegal perpetrado.</p><p>5. Diante da formação da coisa julgada em relação ao corréu e considerando a</p><p>necessidade de aplicação da mesma solução jurídica para o recorrente, em</p><p>obediência à teoria monista, o princípio da soberania dos veredictos deve, no</p><p>caso concreto, ser aplicado justamente para preservar a decisão do Tribunal do</p><p>Júri já transitada em julgado, não havendo, portanto, a necessidade de</p><p>submissão do recorrente a novo julgamento.</p><p>(...)</p><p>(REsp 1306731/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA,</p><p>julgado em 22/10/2013, DJe 04/11/2013)</p><p> STJ - HC 235.827/SP – O STJ firmou entendimento no sentido de é cabível a coautoria em</p><p>crimes culposos, embora não seja cabível a participação:</p><p>(...) 2. A doutrina majoritária admite a coautoria em crime culposo. Para tanto,</p><p>devem ser preenchidos os requisitos do concurso de agentes: a) pluralidade de</p><p>agentes, b) relevância causal das várias condutas, c) liame subjetivo entre os</p><p>agentes e d) identidade de infração penal. In casu, a conduta do pai não teve</p><p>relevância causal direta para o homicídio culposo na direção de veículo</p><p>automotor.</p><p>Outrossim, não ficou demonstrado o liame subjetivo entre pai e filho no que</p><p>concerne à imprudência na direção do automóvel, não podendo, por</p><p>conseguinte, atribuir-se a pai e filho a mesma infração penal praticada pelo filho.</p><p>3. Não há qualquer elemento nos autos que demonstre que o pai efetivamente</p><p>autorizou o filho a pegar as chaves do carro na data dos fatos, ou seja, tem-se</p><p>apenas ilações e presunções, destituídas de lastro fático e probatório. Ademais, o</p><p>crime culposo, ainda que praticado em coautoria, exige dos agentes a</p><p>previsibilidade do resultado. Portanto, não sendo possível, de plano, atestar a</p><p>conduta do pai de autorizar a saída do filho com o carro, muito menos se pode a</p><p>ele atribuir a previsibilidade do acidente de trânsito causado.</p><p>4. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício, ratificando-se em</p><p>parte a liminar, apenas para restabelecer a sentença absolutória, no que concerne</p><p>ao delito do art. 302, c/c o art. 298, inciso I, do Código de Trânsito Brasileiro.</p><p>(HC 235.827/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA,</p><p>julgado em 03/09/2013, DJe 18/09/2013)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>20</p><p>93</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>21</p><p>93</p><p>CONCURSO DE CRIMES</p><p>Introdução</p><p>Assim como é plenamente possível que duas ou mais pessoas se unam para praticar</p><p>determinado delito, é plenamente possível que de uma mesma conduta (ou de uma série de</p><p>condutas interligadas) surjam vários crimes.</p><p>O concurso de crimes pode ser de três espécies: concurso formal, concurso material e crime</p><p>continuado.</p><p>A exata caracterização de cada um dos institutos é bastante importante, pois isso</p><p>influenciará na adoção do sistema de aplicação da pena.</p><p>Três também são os sistemas de aplicação da pena:</p><p>• Sistema do cúmulo material – Aqui, ao agente é aplicada a pena correspondente ao</p><p>somatório das penas relativas a cada um dos crimes cometidos isoladamente. Foi</p><p>adotado no que tange ao concurso material (art. 69 do CP), no concurso formal</p><p>impróprio ou imperfeito (art. 70, caput, 2° parte) e no concurso de penas de multa</p><p>(art. 72 do CP);</p><p>• Sistema da exasperação – Aplica-se ao agente somente a pena da infração penal</p><p>mais grave, acrescida de determinado percentual. Foi acolhido no que se refere ao</p><p>concurso formal próprio ou perfeito (art. 70, caput, primeira parte, do CP) e ao crime</p><p>continuado (art. 71 do CP);</p><p>• Sistema da absorção – Aplica-se somente a pena da infração penal mais grave, dentre</p><p>todas as praticadas, sem que haja qualquer aumento. Foi adotado</p><p>(jurisprudencialmente) em relação aos crimes falimentares.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>22</p><p>93</p><p>Concurso material (ou real) de crimes</p><p>Está regulado pelo art. 69 do CP:</p><p>Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas</p><p>de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de</p><p>reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena</p><p>privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será</p><p>incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá</p><p>simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Nesse fenômeno, o agente pratica duas ou mais condutas e produz dois ou mais resultados.</p><p>Pode ser homogêneo, quando todos os crimes praticados são idênticos, ou heterogêneo, quando</p><p>os crimes são diferentes.</p><p>Esse cúmulo de penas deve ser aplicado pelo Juiz na hora da sentença, se os processos</p><p>tiverem sido reunidos por conexão, ou pelo Juiz da execução, caso tenham sido aplicadas as penas</p><p>em processos diversos (nos termos do art. 66, III, a da LEP).</p><p>Se for imposta pena de reclusão a um dos crimes e de detenção a outro, executa-se</p><p>primeiramente a de reclusão, nos termos do art. 69, caput, segunda parte, do CP.</p><p>Só será possível a aplicação de penas restritivas de direitos a um dos crimes se em relação</p><p>aos outros foi aplicada pena também restritiva de direitos ou, em caso de ter sido aplicada pena</p><p>privativa de liberdade, esta foi suspensa (é o chamado sursis), nos termos do art. 69, § 1° do CP.</p><p>As penas restritivas de direitos podem ser cumpridas simultaneamente, desde que</p><p>compatíveis. Assim, a pena de limitação de final de semana não pode ser cumprida</p><p>simultaneamente com outra restritiva de direitos idêntica (limitação de final de semana), pois nesse</p><p>caso o agente estaria cumprindo apenas uma das penas (e pagando as duas o malandro!).</p><p>Entretanto, é plenamente possível o cumprimento simultâneo de pena restritiva de direitos</p><p>consistente em prestação de serviços à comunidade e outra consistente em prestação pecuniária</p><p>($$), pois isso não importa em prejuízo a ninguém (nem ao Estado nem ao infrator).</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>23</p><p>93</p><p>Só é possível a suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) se o somatório</p><p>das penas mínimas previstas para todos os crimes for inferior a um ano. Assim, se o acusado</p><p>praticou dois crimes em concurso material, sendo a pena mínima de ambos estipulada em 03</p><p>meses de detenção, é possível a suspensão condicional do processo.</p><p>DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p> Arts. 69 do CP – Regulamenta o concurso material de crimes:</p><p>Concurso material</p><p>Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas</p><p>de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de</p><p>reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº</p><p>7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena</p><p>privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será</p><p>incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. (Redação dada pela</p><p>Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá</p><p>simultaneamente as que forem compatíveis entre si</p><p>e sucessivamente as demais.</p><p>(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>SÚMULAS PERTINENTES</p><p>Súmulas do STJ</p><p> Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma</p><p>abrangência maior, esta súmula trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento</p><p>da suspensão condicional do processo em relação ao concurso de crimes em geral (crime</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>24</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão</p><p>condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo</p><p>decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso</p><p>material), ultrapassar um ano:</p><p>Súmula 243 do STJ</p><p>“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações</p><p>penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva,</p><p>quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da</p><p>majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>25</p><p>93</p><p>Concurso formal de crimes</p><p>No concurso formal, ou ideal, o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais</p><p>crimes, idênticos ou não. Nos termos do art. 70 do CP:</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do</p><p>art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Primeiramente, deve ser esclarecido a vocês que deve haver unidade de conduta e</p><p>pluralidade de resultados. No entanto, a unidade de conduta não significa unidade de atos, pois</p><p>existem condutas que podem ser fracionadas em diversos atos, como no caso de alguém que</p><p>mata outra pessoa com diversas pauladas na cabeça. Embora neste caso haja diversos atos, há</p><p>unidade de conduta.</p><p>O concurso formal será homogêneo se todos os crimes cometidos mediante a conduta</p><p>única forem idênticos, e será heterogêneo se os crimes praticados forem diversos.</p><p>O concurso formal pode ser, ainda, perfeito ou imperfeito:</p><p>● Concurso formal perfeito (próprio) – Aqui o agente pratica uma única conduta e</p><p>acaba por produzir dois resultados, embora não pretendesse realizar ambos, ou</p><p>seja, não há desígnios autônomos (intenção de, com uma única conduta, praticar</p><p>dolosamente mais de um crime). Exemplo: Imaginem que Camila, dirigindo seu</p><p>Bugatti pelas ruas de São Paulo, em altíssima velocidade, atropela, sem querer, um</p><p>pedestre, que vem a óbito, e causa lesões graves em outro pedestre. Nesse caso,</p><p>Camila responde pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa em</p><p>concurso formal, aplicando-se a ela a pena do homicídio culposo (mais grave)</p><p>acrescida de 1/6 até a metade ;1</p><p>● Concurso formal imperfeito (impróprio) – Aqui o agente se vale de uma única</p><p>conduta para, dolosamente, produzir mais de um crime. Imaginem que, no exemplo</p><p>anterior, Camila desejasse matar o pedestre, antigo desafeto, bem como lesionar o</p><p>outro pedestre (sua ex-sogra). Assim, com sua única conduta, Camila objetivou</p><p>praticar ambos os crimes, respondendo por ambos em concurso formal imperfeito,</p><p>1 É possível o reconhecimento de concurso formal próprio entre crimes dolosos, desde que seja possível</p><p>compreender que houve uma única empreitada criminosa, ou seja, os crimes faziam parte de um único intento</p><p>criminoso (ex.: José entra num ônibus e rouba o dinheiro relativo às passagens e também rouba o celular de</p><p>um passageiro). Não há, aqui, crime único, ante a diversidade dos patrimônios lesados, devendo, no</p><p>entendimento do STJ, ser reconhecido o concurso formal de crimes.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>26</p><p>93</p><p>e lhe será aplica a pena de ambos cumulativamente (sistema do cúmulo material),</p><p>pois esse concurso formal é formal apenas no nome, já que deriva de intenções</p><p>(desígnios) autônomas, nos termos do art. 70, segunda parte, do CP.</p><p>Aplicação da pena no concurso formal</p><p>Via de regra, no concurso formal o sistema utilizado é o da exasperação, utilizando-se</p><p>como base a pena do crime mais grave, aumentada (exasperada) de 1/6 até a metade (art. 70,</p><p>primeira parte, do CP).</p><p>O quantum do aumento (entre 1/6 e metade da pena usada como base) será definido</p><p>mediante a análise da quantidade de crimes praticados. Se praticados poucos crimes, aplica-se o</p><p>aumento mínimo; se praticados diversos crimes mediante a única conduta, aplica-se o aumento</p><p>em seu montante máximo.</p><p>Trata-se, portanto, de uma fórmula de aplicação da pena que visa a beneficiar o réu, em</p><p>razão do menor desvalor de sua conduta.</p><p>Entretanto, se estivermos diante de concurso formal imperfeito (impróprio), aplica-se a</p><p>regra estabelecida pelo art. 70, segunda parte, do CP, ou seja, o sistema do cúmulo material,</p><p>pois o agente se valeu de uma única conduta para praticar diversos crimes de maneira dolosa,</p><p>agindo com intenções autônomas (desígnios autônomos).</p><p>Há, ainda, a figura que se denominou de cúmulo material benéfico, que ocorre quando o</p><p>sistema da exasperação se mostra prejudicial ao réu em relação ao sistema da cumulação.</p><p>EXEMPLO: Imaginem que o agente tenha cometido homicídio doloso simples</p><p>(pena de 06 a 20 anos) e tenha, culposamente, mediante a mesma conduta,</p><p>lesionado levemente uma terceira pessoa, cometendo o crime de lesões</p><p>corporais culposas em concurso formal com o homicídio (art. 129, § 6° do CP,</p><p>pena de 02 meses a um ano de detenção).</p><p>Nesse exemplo acima, o sistema da exasperação é muito prejudicial ao réu. Imaginem que</p><p>o infrator tenha sido condenado pelo crime de homicídio a 10 anos de reclusão (crime mais</p><p>grave). Nesse caso, pelo sistema da exasperação, por ter havido concurso formal, essa pena deve</p><p>ser aumentada de 1/6 até a metade. Logo, a pena dele variará de 11 anos e 08 meses a 15 anos</p><p>de reclusão (pena base + 1/6 e pena base + metade). Pelo sistema do cúmulo material, como a</p><p>pena de lesões culposas é bem pequena, a pena do agente variaria de 10 anos e dois meses a 11</p><p>anos de reclusão. Nesse caso, percebam, o sistema da exasperação é prejudicial ao réu. Assim, a</p><p>lei estabelece que, nesse caso, ELE NÃO SE APLICA, aplicando-se o sistema do cúmulo material,</p><p>pois o sistema da exasperação foi criado para beneficiar o réu e não pode ser aplicado quando</p><p>resultar em prejuízo a ele. Nos termos do § único do art. 70 do CP:</p><p>Art. 70 (...) Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela</p><p>regra do art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>27</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES</p><p>CÓDIGO PENAL</p><p> Arts. 70 do CP – Regulamenta o concurso formal de crimes:</p><p>Concurso formal</p><p>Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou</p><p>mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou,</p><p>se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto</p><p>até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou</p><p>omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,</p><p>consoante o disposto no artigo anterior. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do</p><p>art. 69 deste Código. (Redação dada</p><p>pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>SÚMULAS PERTINENTES</p><p>Súmulas do STJ</p><p> Súmula 243 do STJ – Seguindo a mesma linha da súmula 723 do STF, só que com uma</p><p>abrangência maior, esta súmula trata da forma de cálculo da pena mínima para fins de cabimento</p><p>da suspensão condicional do processo em relação ao concurso de crimes em geral (crime</p><p>continuado, concurso formal e concurso material). Não será cabível o benefício da suspensão</p><p>condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) quando a pena mínima, já com o acréscimo</p><p>decorrente da majoração (concurso formal ou crime continuado) ou do somatório (concurso</p><p>material), ultrapassar um ano:</p><p>Súmula 243 do STJ</p><p>“O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações</p><p>penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade</p><p>delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela</p><p>incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano”.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>28</p><p>93</p><p>Crime continuado</p><p>Também conhecido como continuidade delitiva, é a espécie de concurso de crimes na qual</p><p>o agente pratica diversas condutas, praticando dois ou mais crimes, que por determinadas</p><p>condições são considerados pela Lei (por uma ficção jurídica) como crime único. Nos termos do</p><p>art. 71 do CP:</p><p>Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois</p><p>ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira</p><p>de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como</p><p>continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas,</p><p>ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois</p><p>terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)</p><p>Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com</p><p>violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade,</p><p>os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os</p><p>motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas,</p><p>ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo</p><p>único do art. 70 e do art. 75 deste Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Duas teorias buscam explicar este instituto:</p><p>⇒ Teoria da ficção jurídica – Para esta teoria, a continuidade delitiva é uma ficção, pois, na</p><p>verdade, existem diversos crimes, tendo a Lei considerado os diversos atos como apenas</p><p>um crime, para fins de aplicação da pena. Esta teoria foi desenvolvida por Francesco</p><p>Carrara;</p><p>⇒ Teoria da realidade, ou da unidade real – Para esta teoria, o crime continuado é, por sua</p><p>própria natureza, um único delito, não havendo que se falar em ficção jurídica.</p><p>O nosso CP adotou a teoria da ficção jurídica, pois a consideração dos diversos delitos</p><p>como um único crime se dá apenas para fins de aplicação da pena, tanto que, no que tange à</p><p>prescrição, eles são considerados crimes autônomos, nos termos do art. 119 do CP:</p><p>Art. 119 - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá</p><p>sobre a pena de cada um, isoladamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de</p><p>11.7.1984)</p><p>Requisitos para a configuração do crime continuado</p><p>A Doutrina entende serem três os requisitos do crime continuado: a) pluralidade de</p><p>condutas; b) pluralidade de crimes da mesma espécie; e c) condições semelhantes de tempo,</p><p>lugar, modo de execução e outras semelhanças.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>29</p><p>93</p><p>Há divergência doutrinária quanto à necessidade de haver ou não unidade de desígnio.</p><p>A pluralidade de conduta decorre da redação do art. 71, que fala em “mediante mais de</p><p>uma ação ou omissão”.</p><p>A pluralidade de crimes causa polêmica. O que seriam crimes da mesma espécie? A</p><p>Doutrina e a Jurisprudência não são pacíficas. Parte minoritária entende que crimes da mesma</p><p>espécie são aqueles que tutelam o mesmo bem jurídico. Assim, para essa corrente, furto,</p><p>estelionato, apropriação indébita, etc., seriam todos crimes da mesma espécie, pois seriam todos</p><p>“crimes contra o patrimônio”.</p><p>No entanto, a corrente que prevalece, inclusive no STJ, é a de que crimes da mesma</p><p>espécie são aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo legal, na forma simples, privilegiada ou</p><p>qualificada, consumados ou tentados. Assim, seriam crimes da mesma espécie roubo e roubo</p><p>qualificado.</p><p>Vejamos:</p><p>(...) Não há continuidade delitiva porque os crimes de falsificação de documento</p><p>público e falsidade ideológica não são da mesma espécie.</p><p>(...) (AgRg no AREsp 311.775/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA,</p><p>julgado em 27/05/2014, DJe 03/06/2014)</p><p>Entretanto, essa corrente entende que, além de serem tratados no mesmo dispositivo</p><p>legal, devem tutelar o mesmo bem jurídico. Assim, roubo simples (art. 157) e latrocínio (art. 157,</p><p>§ 3° do CP) não seriam crimes da mesma espécie, pois o latrocínio tutela, ainda, o direito à vida,</p><p>e não somente o patrimônio.</p><p>O STJ já solidificou este entendimento:</p><p>(...) 1. Os crimes de roubo e latrocínio, apesar de serem do mesmo gênero, não</p><p>são da mesma espécie. No crime de roubo, a conduta do agente ofende o</p><p>patrimônio. No delito de latrocínio, ocorre lesão ao patrimônio e à vida da vítima,</p><p>não havendo homogeneidade de execução na prática dos dois delitos, razão</p><p>pela qual tem aplicabilidade a regra do concurso material.</p><p>(...) (HC 186.575/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em</p><p>27/08/2013, DJe 04/09/2013)</p><p>Por fim, a semelhança entre os delitos deve obedecer à conexão de quatro gêneros:</p><p>temporal, espacial, modal e ocasional.</p><p>A conexão temporal exige que os crimes tenham sido cometidos na mesma época. Mesma</p><p>época não implica mesmo momento. A jurisprudência tem entendido que os crimes não podem</p><p>ter sido cometidos em um lapso temporal superior a 30 dias. No entanto, no que se refere aos</p><p>crimes contra a ordem tributária, o STF já entendeu que pode haver continuidade delitiva desde</p><p>que os delitos tenham sido cometidos em lapso temporal não superior a 03 anos.</p><p>Renan Araujo</p><p>Aula 04</p><p>Direito Penal p/ Concursos - Curso Regular</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>30</p><p>93</p><p>==1365fc==</p><p>A conexão espacial indica que, para que seja considerada continuidade delitiva, os crimes</p><p>devem ser cometidos no mesmo local. A Jurisprudência entende que a conexão espacial só</p><p>estará presente se os crimes forem cometidos na mesma cidade, ou, no máximo, na mesma</p><p>região metropolitana.</p><p>A conexão modal se verifica quando o agente pratica o crime sempre da mesma maneira,</p><p>seja pelo modo de execução, pela utilização de comparsas, etc.</p><p>A conexão ocasional não possui previsão expressa na Lei, mas parte da Doutrina a entende</p><p>como a necessidade de que os primeiros crimes tenham proporcionado uma ocasião que gerou a</p><p>prática dos crimes subsequentes.</p><p>Com relação à unidade de desígnios, ou seja, a necessidade de que todos os crimes praticados</p><p>na verdade tenham sido partes de um único projeto criminoso, a Doutrina é dividida, mas a</p><p>maioria da Doutrina, bem como a Jurisprudência, entendem ser necessária essa unidade de</p><p>desígnios, de forma que a mera reunião dos demais requisitos não configura a continuidade</p><p>delitiva se os crimes foram praticados de maneira isolada, sem nenhum vínculo entre eles. Isso</p><p>significa que a maioria da Doutrina e a Jurisprudência adotam a teoria objetivo-subjetiva,</p><p>desprezando a teoria objetiva pura, que não prevê a necessidade de unidade de desígnios.</p><p>Aplicação da pena no crime continuado</p><p>Existem três espécies de crime continuado: simples, qualificado e específico. Entretanto,</p><p>em todos os casos se aplica o sistema da exasperação.</p><p>No crime continuado simples, as penas dos delitos parcelares são as mesmas. Exemplo: 10</p><p>furtos simples praticados em continuidade delitiva. Nesse caso, aplica-se a pena de apenas um</p><p>deles, acrescida de 1/6 a 2/3 (varia conforme a quantidade de delitos).</p>