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DIREITO PENAL 
CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES 
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CONCURSO DE PESSOAS E DE 
CRIMES 
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Sumário 
DIREITO PENAL: CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES ................................................................................... 3 
1. CONCURSO DE PESSOAS ............................................................................................................................... 3 
1.1. Conceito ................................................................................................................................................. 3 
1.2 Autoria .................................................................................................................................................... 6 
1.2.1 Espécies de Autoria ......................................................................................................................... 8 
1.3 Coautoria .............................................................................................................................................. 13 
1.4 Participação .......................................................................................................................................... 16 
1.4.1 Espécies ......................................................................................................................................... 16 
1.4.2 Punição do partícipe ...................................................................................................................... 17 
1.5 Concurso de pessoas em crimes culposos .................................................................................... 22 
1.6 Concurso de pessoas em crimes omissivos ................................................................................... 22 
1.7 Da (in)comunicabilidade das elementares e circunstâncias ................................................................ 25 
2. CONCURSO DE CRIMES ............................................................................................................................... 27 
2.1 Espécies de Concurso de Crimes .......................................................................................................... 27 
2.2 Sistemas de aplicação da pena ............................................................................................................. 27 
2.3 Concurso Material ................................................................................................................................ 28 
2.3.1 Condenação a pena privativa de liberdade e restritiva de direitos .............................................. 30 
2.4 Concurso Formal (Ideal) ....................................................................................................................... 31 
2.4.1 Espécies de Concurso Formal ou Ideal .......................................................................................... 31 
QUESTÕES PROPOSTAS .................................................................................................................................. 47 
Questões Comentadas ................................................................................................................................ 47 
Outras Questões Propostas ........................................................................................................................ 49 
Comentários ............................................................................................................................................... 55 
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DIREITO PENAL: CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES 
ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
A LEITURA DOS ARTIGOS PROPORCIONA UMA MELHOR COMPREENSÃO GERAL DO ASSUNTO ESTUDADO, 
VISANDO A COMPLEMENTAÇÃO DE SUA BASE DE ESTUDOS PARA TODAS AS FASES DO CONCURSO, 
MESMO QUE NÃO DISPOSTOS EXPLICITAMENTE EM SEU EDITAL. 
CÓDIGO PENAL: 
⦁ Art. 29 ao 31 
⦁ Art. 69 a 72 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES 
CÓDIGO PENAL 
⦁ Art. 29 (muito importante!) 
⦁ Art. 69, caput 
⦁ Art. 70, caput 
⦁ Art. 71, caput e §único (muito importante!) 
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA 
Súmula 497-STF: Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na 
sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
Súmula 711-STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua 
vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
1. CONCURSO DE PESSOAS 
1.1. Conceito 
De uma forma geral pode-se dizer que haverá concurso de pessoas, ou de agentes, 
quando duas ou mais pessoas, através de um acordo de vontades, o chamado liame subjetivo, 
concorrem para a realização de determinado crime ou contravenção, sendo que, isto pode ser 
dar na forma de coautoria ou de participação. 
Temos três teorias discutindo a infração penal, em tese, cometida por cada concorrente: 
(A) Teoria monista (unitária ou igualitária): 
Para essa teoria, ainda que o fato criminoso tenha sido praticado por vários agentes, conserva-se 
único e indivisível, sem qualquer distinção entre os sujeitos. Todos e cada um, sem distinção, são 
responsáveis pela produção do resultado, em concepção derivada da equivalência das condições (todos os 
que concorrem para o crime respondem pelo seu resultado) e também fundamentada em questões de 
política criminal, em que se prefere punir igualmente os vários agentes que, de alguma forma, contribuíram 
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para a prática de determinada infração penal. Esta teoria é objeto de críticas em razão da dificuldade de 
estabelecer materialmente a equivalência das condições, ignorando, também, as próprias exceções previstas 
na lei, que estabelecem penas maiores ou menores de acordo com a função efetivamente desempenhada 
por cada um dos agentes. 
B) Teoria pluralista: 
De acordo com a teoria pluralista, a cada um dos agentes se atribui conduta, elemento psicológico e 
resultado específicos, razão pela qual há delitos autônomos cominados individualmente. Haverá tantos 
crimes quantos sejam os agentes que concorrem para o fato. A teoria pluralista como base do concurso de 
pessoas é também alvo de críticas, pois o papel desempenhado por cada um dos agentes não é autônomo, 
o elemento subjetivo não é destacado do todo e o resultado também não será fracionado. 
C) Teoria dualista: 
Por fim, para a teoria dualista, tem-se um crime para os executores do núcleo do tipo (autores) e 
outro aos que não o realizam, mas de qualquer modo concorrem para a sua execução (partícipes). Trata-se, 
na verdade, de dupla concepção a respeito do papel exercido por cada um dos agentes, cabendo ao autor o 
desempenho da ação principal e ao partícipe a prática de atos acessórios. Também não escapou das críticas. 
O crime se resume a apenas um fato, e, muitas vezes, a atuação do executor é menos relevante do que a 
desempenhada pelo partícipe, como ocorre, por exemplo, no homicídio praticado por mandato. 
A teoria adotada pelo Código Penal foi a monista, estabelecendo-se a existência de apenas um 
crime e a responsabilidade de todos os que concorrem para a sua prática. 
O artigo 29 do Código Penal, todavia, em sua parte final, faz uma ressalva no sentido de que todos 
incidem nas penas cominadas ao crime "na medida de sua culpabilidade". 
A teoria pluralista, embora não adotada como regra, está excepcionalmente prevista no Código Penal. 
JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA CORRETA: Órgão: PM-MG Prova: PM-MG - 2020 - PM-
MG - Oficial da Polícia Militar 
Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida 
de sua culpabilidade. Sendo assim, se algumpor peculato, pois a qualidade de funcionário é elementar, e, se do conhecimento de todos, 
comunica- -se para alcançá-los. 
JÁ CAIU EM PROVA - Órgão: PM-RN Prova: IBFC - 2022 - PM-RN - Aluno Oficial da Polícia Militar 
No que diz respeito ao concurso de pessoas, assinale a alternativa correta. 
A) No crime plurissubjetivo, o autor pratica vários crimes, porém o tipo penal exige a 
colaboração do sujeito passivo, que não será punido 
B) A autoria colateral ocorre quando o agente usa de pessoa não culpável, ou que atua sem dolo 
ou culpa para realizar o delito 
C) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na 
medida de sua culpabilidade 
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D) A autoria mediata ocorre quando dois agentes têm a intenção de obter o mesmo resultado, 
porém um desconhece a vontade do outro, sendo que o objetivo poderá ser atingido pela ação 
de somente um deles ou pela ação de ambos 
E) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena 
deste essa pena será aumentada até o máximo, na hipótese de ter sido previsível o resultado 
mais grave. 
Gabarito: C 
2. CONCURSO DE CRIMES 
Conceito: é o instituto que se verifica quando o agente, mediante uma ou várias condutas, 
pratica duas ou mais infrações penais. Pode haver, portanto, unidade ou pluralidade de condutas. 
Sempre serão cometidas, contudo, duas ou mais infrações penais. 
Pode ocorrer entre crimes de qualquer espécie: 
1) Comissivos ou omissivos 
2) Dolosos ou culposos 
3) Consumados ou tentados 
4) Simples ou qualificados 
5) Crimes ou contravenções penais 
2.1 Espécies de Concurso de Crimes 
● Concurso material: art. 69, CP 
● Concurso formal: art. 70, CP 
● Crime continuado: art. 71, CP 
2.2 Sistemas de aplicação da pena 
A doutrina propôs diversos sistemas de aplicação da pena para as diferentes espécies de concurso 
de crimes, sendo que, apenas dois foram adotados pelo nosso Código Penal, quais sejam o sistema do Cúmulo 
Material e o sistema da Exasperação, porém vamos analisar todos os quatro principais sistemas existentes: 
A) Sistema do Cúmulo material 
Trata-se da forma mais simples de se aplicar a pena em situação de concurso de crimes, pois 
determina a soma das penas aplicadas para cada um dos crimes separadamente, ou seja, será feita a 
dosimetria da pena de cada crime isoladamente para que depois essas penas sejam somadas. Evidentemente 
esta é a forma mais severa de se aplicar a pena quando determinado sujeito realiza vários crimes, pois há a 
cumulação das sanções aplicadas a cada infração individualmente, sendo este sistema previsto em nosso 
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Código Penal para o Concurso Material (Art. 69 CP) e para o Concurso Formal Imperfeito (Art. 70 – 2ª parte 
– CP). 
B) Sistema da Exasperação 
Caracteriza-se pela aplicação de uma só pena, qual seja, a do crime mais grave, para que esta pena 
seja aumentada, exasperada, de certo um valor determinado pela lei, ou seja, embora o agente cometa 
vários crimes, responderá por apenas um deles (o mais grave) com a sua pena aumentada. Na verdade, 
trata-se de uma forma de evitar a soma das penas das infrações cometidas e, portanto, logicamente de uma 
forma menos severa de aplicação da pena, prevista em nosso ordenamento para as hipóteses de Concurso 
Formal Perfeito (Art. 70 – 1ª parte – CP) e de Crime Continuado (Art. 71 CP). 
C) Sistema da Absorção: Pelo sistema da absorção, a pena aplicada ao delito mais grave acaba por 
absorver as demais, que deixam de ser aplicadas. Esse sistema foi consagrado pela jurisprudência em 
relação aos crimes falimentares praticados pelo falido, sob a égide do Decreto-lei 7.661/1945, em 
virtude do princípio da unidade ou unicidade dos crimes falimentares, e preservado com a entrada em 
vigor da Lei 11.101/2005 - Lei de Falências. 
JÁ CAIU EM PROVA - Órgão: PM-PB Prova: FGV - 2021 - PM-PB - Aspirante da Polícia Militar 
A vida militar tem regras próprias e também princípios próprios, que foram inclusive 
consagrados no texto constitucional de 1988, e devido a essa especialidade foi que o Código 
Penal Militar estabeleceu determinados ilícitos que alcançam tanto os integrantes das Forças 
Armadas como aqueles que integram as Forças Auxiliares. De igual forma, atento às 
especificidades da vida em caserna, estabeleceu uma Parte Geral com regras próprias, algumas 
vezes distintas daquelas praticadas no Código Penal comum. No que toca ao concurso de crimes, 
é correto afirmar que: 
A as regras de aplicação dos concursos material e formal são iguais nos dois Códigos; 
B a regra de cálculo das penas no caso de concurso formal é igual nos dois Códigos; 
C a regra de aplicação do concurso material é diferente nos dois Códigos; 
D o Código Penal Militar não tem previsão quanto à regra de aplicação do crime continuado; 
E a regra de aplicação do crime continuado é diferente nos dois Códigos. 
Gabarito: E 
2.3 Concurso Material 
Art. 69, do CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica 
dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas 
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privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de 
penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. 
Há pluralidade de condutas e pluralidade de resultados. O agente, por meio de duas ou mais 
condutas, pratica dois ou mais crimes, pouco importando se os fatos ocorreram ou não no mesmo contexto 
fático. O concurso material possui duas características essenciais: 
a) Várias condutas (ação ou omissão) 
b) Que ocorram dois ou mais crimes (idênticos ou não) 
Embora isso não vá alterar a forma de aplicação da pena, de acordo com a natureza dos crimes 
praticados o concurso material pode ser classificado em: homogêneo: quando ocorrerem apenas crimes 
idênticos (ex.: furto + furto) – heterogêneo: quando ocorrerem crimes diferentes (ex.: homicídio + furto). 
Havendo concurso material as penas de cada um dos crimes serão somadas, ou seja, 
cumulativamente (sistema do cúmulo material). Importante lembrar que, se forem aplicadas de forma 
cumulativa, uma pena de reclusão e outra de detenção, executa-se primeiro a de reclusão e depois a de 
detenção, já que somente a primeira (reclusão) permite os três regimes de cumprimento de pena (fechado, 
semiaberto e aberto) possibilitando assim que em certos casos o agente inicie o cumprimento da pena no 
regime fechado. (Art. 69 – parte final – CP). 
Na jurisprudência: 
A conduta de portar arma ilegalmente é absorvida pelo crime de roubo, quando, ao 
longo da instrução criminal, restar evidenciado o nexo de dependência ou de 
subordinação entre as duas condutas e que os delitos foram praticados em um 
mesmo contexto fático, incidindo, assim, o princípio da consunção (STJ HC 
178.561/DF). 
No entanto, poderá haver condenação pelo crime de porte em concurso material
com o roubo se ficar provado nos autos que o agente portava ilegalmente a arma de 
fogo em outras oportunidades antes ou depois do crime de roubo e que ele não se 
utilizou da arma tão somente para cometer o crime patrimonial. 
STJ. 5ª Turma. HC 199031/RJ, Rel. Ministro Jorge Mussi, 5ª Turma, julgado em 
21/06/2011. 
STF. 1ª Turma. RHC 106067, Rel. Min. Rosa Weber, 1ª Turma, julgado em 
26/06/2012. 
A prática sucessiva de roubo e, no mesmo contexto fático, de extorsão, com 
subtração violenta de bens e posterior constrangimento da vítima a entregar o 
cartão bancário e a respectiva senha, revela duas condutas distintas, praticadas com 
desígnios autônomos, devendo-se reconhecer, portanto, oconcurso material. 
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STF. 1ª Turma. HC 190909, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, 
julgado em 26/10/2020. 
2.3.1 Condenação a pena privativa de liberdade e restritiva de direitos 
Art. 69 (...) 
§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena 
privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será 
incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. 
§ 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado 
cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente 
as demais. 
Quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa ("sursis"), por um 
dos crimes, para os demais será incabível a substituição por restritivas de direitos (art. 69, g 1°, do CP). 
Leciona Cleber Masson: 
"O §1° do art. 69 do CP revela a possibilidade de se acumular, na aplicação das 
penas de crimes em concurso material, uma pena privativa de liberdade, desde que 
tenha sido concedido sursis, com uma restritiva de direitos. Por lógica, também 
será admissível a aplicação de pena restritiva de direitos quando ao agente tiver 
sido imposta pena privativa de liberdade, com regime aberto para seu 
cumprimento, eis que será possível o cumprimento simultâneo de ambos". 
Obs.: soma das penas do concurso de crimes é considerada para fins de verificação da pena máxima em 
abstrato de até 4 anos para que seja possível a concessão da fiança pelo delegado de polícia, bem como para 
a verificação da pena mínima em abstrato não superior a 1 ano para fins de concessão de 
suspensão condicional do processo. 
Obs.: Não se considera o concurso de crimes para efeitos da prescrição. Assim, para verificar a 
prescrição, deve-se analisar a pena de cada crime (isoladamente). A extinção da punibilidade recai sobre 
cada um isoladamente. 
JÁ CAIU EM PROVA E FOI CONSIDERADA INCORRETA: Órgão: PM-GO Prova: INSTITUTO AOCP 
- 2022 - PM-GO - Aspirante da Polícia Militar 
Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, 
computando-se o acréscimo decorrente da continuação. 
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2.4 Concurso Formal (Ideal) 
Art. 70, do CP - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois 
ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, 
se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até 
metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão 
é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o 
disposto no artigo anterior. 
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 
69 deste Código. 
Diferentemente do concurso material, o concurso formal decorre da prática de apenas 
uma única conduta (ação ou omissão) por parte do agente, sendo que dois ou mais resultados 
típicos se produzem, sejam eles crimes idênticos ou não. Assim como acontece no concurso 
material, de acordo com a natureza dos crimes produzidos o concurso formal também pode ser 
classificado em homogêneo, quando os crimes forem idênticos (ex.: homicídio + homicídio), ou heterogêneo, 
quando os crimes forem diferentes (ex.: homicídio + lesão corporal). 
Sendo assim, podemos elencar dois requisitos básicos para que haja concurso formal: 
a) Uma só conduta (ação ou omissão): mesmo que essa conduta seja realizada através de diversos 
atos subsequentes (ex: disparar revólver várias vezes na direção de uma vítima atingido outras 
pessoas também), configurando, assim, uma conduta realizada por vários atos. 
b) Produção de dois ou mais crimes, idênticos ou não: dando origem a um concurso formal 
homogêneo ou heterogêneo, respectivamente. 
CONCURSO FORMAL HOMOGÊNEO CONCURSO FORMAL HETEROGÊNEO 
Pratica 2 ou mais crimes idênticos. Pratica 2 ou mais crimes distintos. 
Ex. Acidente de trânsito com pluralidade de 
vítimas com lesão culposa (todas as vítimas 
com lesão). 
Ex. Acidente de trânsito com duas vítimas, 
sendo uma fatal. 
2.4.1 Espécies de Concurso Formal ou Ideal 
O concurso formal se divide em duas grandes espécies (perfeito ou próprio e imperfeito ou 
impróprio), sendo que isso se dá de acordo com a análise do número de objetivos (desígnios) que o agente 
possui ao atuar. 
No concurso formal, embora o agente atue uma única vez gerando dois ou mais resultados, esses 
resultados podem ter sido desejados individualmente pelo agente através de dolos independentes (desígnios 
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autônomos), ou ser produto de um único objetivo ao atuar (unidade de desígnio), e é com base na análise 
desse aspecto subjetivo (desígnio do autor) que será possível se classificar o concurso formal em perfeito 
(próprio) ou imperfeito (impróprio). 
Devemos ter cuidado, pois quando se fala em um único objetivo, ou unidade de desígnio, isso pode 
se dar através do agente possuir um único dolo ao agir, ou mesmo através da prática de uma única conduta 
culposa que venha a gerar vários resultados, já que ao agir com culpa, de forma descuidada, imprudente, 
também se pode considerar que o agente possui um objetivo, um desígnio (que não é de gerar crime) na sua 
ação. 
2.4.1.1 Concurso formal perfeito (Art. 70, primeira parte, do CP) 
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais,
somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.
As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e 
os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no 
artigo anterior.
Esta é a modalidade mais comum de concurso formal, já que nela o agente através de sua única
conduta acaba produzindo dois ou mais resultados, porém ao agir possui um único objetivo, um só 
desígnio, que pode ser um único dolo de gerar um só resultado, ou mesmo um único objetivo imprudente 
na conduta culposa. Podemos dizer que se trata da forma mais evidente e comum de concurso formal, pois
normalmente quando alguém pratica uma só conduta tem em mente um só objetivo, ou seja, uma única
finalidade. 
Assim, podemos usar como dica para guardar o nome dessa modalidade de concurso formal, o 
seguinte: podemos afirmar que o “normal”, “comum”, “perfeito” quando alguém pratica uma só ação ou 
omissão é ter um único objetivo em mente daí o nome concurso formal perfeito, pois quando se quer vários 
resultados, o mais “comum” será agir várias vezes, praticando várias condutas para alcançar cada um deles 
(concurso material). 
Podemos dar como exemplo de concurso formal perfeito esta clássica hipótese: – “A” querendo 
matar seu desafeto “B” dispara arma de fogo contra ele, atingindo-o, porém, a bala acaba acertando também 
“C”, que passava pelo local naquele momento. 
Como vimos, em certos casos, essa unidade de desígnio pode se referir a seu dolo, mas em outros 
casos poderemos também estar falando do agente possuir um único objetivo ao atuar culposamente, 
faltando com o cuidado, gerando com isso vários crimes culposos em concurso formal perfeito Ex. 2: “A” 
querendo chegar mais cedo no trabalho avança um sinal de trânsito, mas acaba atingindo um carro que 
passava pelo cruzamento matando dois passageiros. 
Sendo assim, podemos resumir os seguintes requisitos do concurso formal perfeito ou próprio da 
seguinte forma: 
a) Uma só conduta (ação ou omissão) gerando vários resultados. 
b) Unidade de desígnios, objetivos (ter em vista um só fim – Dolo ou culpa)51944
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Como dissemos, e de acordo com nossa jurisprudência dominante, nada impede que uma só
conduta seja realizada através de vários atos, desde que ocorram no mesmo contexto temporal e espacial
(ex: dispara cinco vezes contra a mesma pessoa atingindo várias). 
A forma de aplicação de pena prevista no Art. 70, 1ª parte do CP para o concurso formal perfeito
determina que se aplique a pena do crime mais grave aumentada de 1/6 a 1/2 (sistema da exasperação), se 
os crimes forem iguais, aplica-se uma só das penas também aumentada destes valores definidos em Lei. 
2.4.1.2 Concurso Material Benéfico (art. 70, parágrafo único, do CP) 
Art. 70 (....)
Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 
69 deste Código. 
Importante lembrar que o concurso formal perfeito é considerado menos grave que o concurso 
material, já que o agente possui apenas um único objetivo (unidade de desígnio) ao agir, logo a pena 
aplicada após o aumento jamais poderá ser maior do que se a hipótese fosse de concurso material, ou seja, 
o valor da pena aumentada não pode ultrapassar o valor a que se chegaria se as penas fossem aplicadas 
separadamente e depois somadas – Art. 70, parágrafo único do CP. 
Sendo assim, se em hipótese de concurso formal perfeito, ou mesmo de crime continuado, com o 
aumento mínimo previsto (1/6) a pena concreta do crime mais grave ficar maior do que o equivalente a 
soma das penas aplicadas separadamente, deve-se manter a aplicação da soma das penas ao invés de se 
aplicar o aumento de pena, gerando assim o que se chama de concurso material benéfico. 
Exemplo: A atira em B para matá-lo, porém além de matar seu desafeto (B), a bala atravessa a vítima 
e acaba acertando de raspão também em C, que passava pela rua no momento, gerando nele uma lesão 
corporal culposa. Considerando-se por exemplo que a pena pelo homicídio doloso de “B” tenha sido de 12 
anos e que a pena pela lesão culposa seja de 2 meses, percebe-se que caso se aplique a regra do concurso 
formal perfeito (exasperação), aumentando a pena do homicídio em 1/6 (aumento mínimo), a pena ficará 
em 14 anos, porém, caso se aplique as penas de forma independente e somadas, como seria em hipótese de 
concurso material, o valor final será de 12 anos e 2 meses. 
Portanto, neste caso deve prevalecer a soma das penas do concurso material (mais benéfico) 
afastando-se a regra do concurso formal perfeito. 
2.4.1.3 Aplicação da Pena no Concurso Formal Perfeito 
Não existe parâmetro ou definição legal a respeito do critério a ser utilizado pelo juiz no momento 
da dosimetria da pena no que tange aos valores de aumento, exasperação, da pena em hipótese de concurso 
formal perfeito de crimes, porém, a doutrina e a jurisprudência já estabeleceram de forma pacífica como 
isso deve ser feito. 
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O critério a ser utilizado será o do número de crimes produzidos através da conduta única realizada 
pelo agente, ou seja, quanto maior o número de resultados típicos produzidos maior deverá ser o aumento 
de pena. 
Sendo assim, parte-se do menor valor de aumento mínimo (1/6) quando a conduta praticada gerar
dois crimes, e assim progressivamente até se chegar ao maior valor de aumento previsto em lei (1/2) para 
esta modalidade de concurso de crimes. 
Há até mesmo uma tabela de referência jurisprudencial utilizada como parâmetro pelo STF e 
STJ no que tange a esses aumentos de pena, definindo assim: 
2 crimes (1/6); 
3 crimes (1/5); 
4 crimes (1/4); 
5 crimes (1/3); 
6 ou mais crimes (1/2). 
A mesma lógica também irá servir para a aplicação da pena nas hipóteses de crime continuado (Art. 
71 CP), em que quanto maior o número de crimes praticados em continuidade, maior deverá ser o aumento 
de pena aplicado (de 1/6 até 2/3, ou até o triplo). 
Importante lembrar, mais uma vez, que o sistema da exasperação, tanto no concurso formal 
perfeito quanto no crime continuado, é sempre mais benéfico do que o cúmulo material, e por isso o valor 
da pena aumentada jamais poderá ultrapassar o valor da soma das penas isoladamente aplicadas, como 
vimos acima. (Art. 70 par. único – Concurso material benéfico). Lembrando-se que o concurso formal de 
crimes foi criado para beneficiar o agente. 
2.4.1.4 Concurso formal imperfeito ou impróprio (art. 70, 2ª parte, do CP) 
Trata-se de modalidade anômala de concurso formal de crimes, já que nela o agente embora realize 
uma só conduta e produza dois ou mais resultados, deseja, quer e tem a intenção (dolo) de produzir os 
vários resultados lesivos (desígnios autônomos). 
Exemplo: “A” querendo matar dois executivos de uma grande empresa explode uma bomba no carro 
em que eles se encontram. Em suma, o concurso formal imperfeito corre quando o agente atua com uma só 
conduta (ação ou omissão) gerando vários resultados, porém possui desígnios autônomos, vontades
independentes (dolos distintos), ou seja, tem a vontade consciente de obter fins diversos através da 
realização de uma só conduta. 
Logo podemos elencar os seguintes requisitos do concurso formal imperfeito: 
a) Uma só conduta (ação ou omissão) gerando vários resultados. 
b) Possuir desígnios autônomos, vontades independentes (dolos distintos) ou seja, a vontade 
consciente de obter fins diversos. Trata-se de crimes decorrentes de planos delituosos independentes. 
No concurso formal imperfeito, aplica-se a pena da mesma forma com em um concurso material, ou 
seja, somando-se as penas de cada um dos crimes praticados (sistema do cúmulo material). 
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É com base nisto que o STJ decide, por exemplo, que há concurso formal próprio entre algumas 
espécies de crimes patrimoniais e a corrupção de menores tipificada no art. 244-B da Lei 8.069/90. 
Tanto o crime patrimonial quanto o ato de corromper o menor decorrem, no geral, de apenas um
plano criminoso: 
"É de se observar que, na espécie, para a condenação do delito de corrupção de 
menores, foi corretamente utilizado o entendimento firmado por esta Corte 
Superior de Justiça, no sentido de que o crime tipificado no art. 244-B da Lei n. 
8.069/90 é formal, ou seja, para a sua caracterização não é necessária a prova da 
efetiva e posterior corrupção do adolescente, bastando a comprovação da 
participação do inimputável em prática delituosa na companhia de maior de 18 
anos. Assim, partindo-se dessa premissa, revela-se imprescindível para a aplicação
do concurso formal impróprio, a indicação fundamentada de elementos de prova 
que apontam para a preexistência de intenção do agente em corromper o 
adolescente na associação para a empreitada criminosa. Portanto, apenas quando 
efetivamente demonstrada a existência de desígnios autônomos por parte do 
agente que pratica o crime corrupção de menores será a hipótese de incidência do 
concurso formal impróprio, devendo as penas dos dois delitos serem aplicadas 
cumulativamente (segunda parte do art. 70 do Código Penal)". 
JÁ CAIU EM PROVA: 
Considere a seguinte situação hipotética: “Mévio, portando um fuzil, está diante de Caio, Tício 
e Semprônio, seus desafetos, todos desarmados. No intuito de matá-los, exige que fiquem em 
fila, um atrás do outro. Mévio posta a arma na altura do peito do primeiro da fila. Caio, e desfere 
um único tiro, que transfixa todos os corpos na mesma região, causando a morte das vítimas.” 
Com base no relato acima, assinale a alternativa correta sobre a prática realizada. 
A) Três homicídios dolosos em concurso material. 
B) Três homicídios dolosos em concurso formal próprio. 
C) Três homicídios dolosos em concurso formal impróprio.D) Um homicídio doloso, em decorrência da unidade de desígnios. 
E) Um homicídio doloso, em concurso material. 
Gabarito: C 
Jurisprudência em Teses do STJ 
EDIÇÃO N. 23: CONCURSO FORMAL 
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1) O roubo praticado contra vítimas diferentes em um único contexto configura o 
concurso formal e não crime único, ante a pluralidade de bens jurídicos 
ofendidos. 
2) A distinção entre o concurso formal próprio e o impróprio relaciona-se com o 
elemento subjetivo do agente, ou seja, a existência ou não de desígnios 
autônomos. 
3) É possível o concurso formal entre o crime do art. 2º da Lei n. 8.176/91 (que 
tutela o patrimônio da União, proibindo a usurpação de suas matérias-primas), e 
o crime do art. 55 da Lei n. 9.605/98 (que protege o meio ambiente, proibindo a 
extração de recursos minerais), não havendo conflito aparente de normas já que 
protegem bens jurídicos distintos. 
4) O aumento decorrente do concurso formal deve se dar de acordo com o 
número de infrações. 
Houve um aprimoramento desta tese, com a especificação do cálculo: 
(...) 5. A exasperação da pena do crime de maior pena, realizado em continuidade 
delitiva, será determinada, basicamente, pelo número de infrações penais 
cometidas, parâmetro este que especificará no caso concreto a fração de aumento, 
dentro do intervalo legal de 1/6 a 2/3. Nesse diapasão, esta Corte Superior de 
Justiça possui o entendimento consolidado de que, em se tratando de aumento de 
pena referente à continuidade delitiva, aplica-se a fração de aumento de 1/6 pela 
prática de 2 infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4 para 4 infrações; 1/3 para 5 
infrações; 1/2 para 6 infrações e 2/3 para 7 ou mais infrações. (...) (STJ. 5ª Turma. 
HC 543.725/PB, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 11/02/2020). 
5) A apreensão de mais de uma arma de fogo, acessório ou munição, em um 
mesmo contexto fático, não caracteriza concurso formal ou material de crimes, 
mas delito único. 
Há uma distinção interessante quando armas de uso permitido e de uso restrito são 
encontradas no mesmo contexto fático: 
(...) A orientação jurisprudencial recente do Superior Tribunal de Justiça é de que 
os tipos penais dos arts. 12 e 16 da Lei n. 10.826/2003 tutelam bens jurídicos 
diversos, razão pela qual deve ser aplicado o concurso formal quando apreendidas 
armas ou munições de uso permitido e de uso restrito no mesmo contexto fático. 
Precedentes. 
Deve ser mantido o reconhecimento de crime único entre os delitos previstos nos 
arts. 16, caput, e 16, parágrafo único, IV, da Lei 10.826/2003, quando ocorrem no 
mesmo contexto fático. 3. Agravo regimental provido para afastar o 
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reconhecimento de concurso material, manter a incidência de crime único entre os 
crimes dos arts. 16, caput, e 16, parágrafo único, IV, da Lei 10.826/2003 e 
redimensionar as penas. (...) (STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1624632/RS, Rel. Min. 
Jorge Mussi, julgado em 28/04/2020). 
6) O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações 
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade 
delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela 
incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano. (Súmula n. 243/STJ) 
7) No concurso de crimes, o cálculo da prescrição da pretensão punitiva é feito 
considerando cada crime isoladamente, não se computando o acréscimo 
decorrente do concurso formal, material ou da continuidade delitiva. 
8) No caso de concurso de crimes, a pena considerada para fins de competência e 
transação penal será o resultado da soma ou da exasperação das penas máximas 
cominadas ao delito. 
Entendimentos Jurisprudenciais 
- O roubo praticado contra vítimas diferentes em um único contexto configura o 
concurso formal e não crime único, ante a pluralidade de bens jurídicos ofendidos 
(STJ-HC 275122) 
Caso concreto: O sujeito entra no ônibus e, com arma de fogo em punho, exige que 
oito passageiros entreguem seus pertences (dois desses passageiros eram marido 
e mulher). O agente irá responder por oito roubos majorados (art. 157, § 2º-A, I, do 
CP) em concurso formal (art. 70). 
Atenção: não se trata, portanto, de crime único. 
Ocorre concurso formal quando o agente, mediante uma só ação, pratica crimes de 
roubo contra vítimas diferentes, ainda que da mesma família, eis que caracterizada 
a violação a patrimônios distintos. 
STJ. 5ª Turma. HC 207.543/SP , Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 17/04/2012. 
Nesse caso, o concurso formal é próprio ou impróprio? 
Concurso formal PRÓPRIO. 
Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas, no 
mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a 
hipótese de crime único, visto que violados patrimônios distintos. 
STJ. 5ª Turma. HC 455.975/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 02/08/2018. 
(Fonte: Dizer o direito) 
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Mas ATENÇÃO: o STJ já decidiu que, em roubo praticado no interior de ônibus, o 
fato de a conduta ter ocasionado violação de patrimônios distintos - o da empresa 
de transporte coletivo e o do cobrador - não descaracteriza a ocorrência de crime
único se todos os bens subtraídos estavam na posse do cobrador. (STJ-HC 204.316-
RS e AgRG no Resp 1.396.144-DF). 
- A distinção entre o concurso formal próprio e o impróprio relaciona-se com o 
elemento subjetivo do agente, ou seja, a existência ou não de desígnios autônomos 
(STJ-HC 134640) 
- Não há crime único, podendo haver concurso formal, quando, no mesmo 
contexto fático, o agente incide nas condutas dos arts. 14 (porte ilegal de arma de 
fogo de uso permitido) e 16 (posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito) 
da Lei n. 10.826/2003 (STJ-HC 130997) 
* Mas atenção: caso o agente possua mais de uma arma de fogo, acessório ou 
munição que configure o mesmo tipo penal (permitido ou restrito), haverá crime 
único. 
- O aumento decorrente do concurso formal deve se dar de acordo com o número 
de infrações (STJ-HC 273120) 
- O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações 
penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, 
quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da 
majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano. (Súmula 243 do STJ) 
- No concurso de crimes, o cálculo da prescrição da pretensão punitiva é feito 
considerando cada crime isoladamente, não se computando o acréscimo 
decorrente do concurso formal, material ou da continuidade delitiva (STJ- REsp 
1106603) 
- No caso de concurso de crimes, a pena considerada para fins de competência e 
transação penal será o resultado da soma ou da exasperação das penas máximas 
cominadas ao delito (STJ-HC 260619) 
2.4.1.5 Crime Continuado 
Art. 71, do CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica 
dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira 
de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como 
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continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou 
a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. 
O agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma 
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem 
os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro (chamados de crimes parcelares). 
2.4.1.5.1 Teoriasacerca do crime continuado 
a) Teoria da Unidade Real: entende que todos os crimes parcelares praticados são, de fato, um só delito. 
b) Teoria da Ficção Jurídica (ADOTADA): Serão considerados um só delito apenas para a fixação da pena, 
por questões de política criminal. É possível inferir esta informação pelo art. 119 do CP, que prevê que 
a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um dos delitos, isoladamente. 
c) Teoria Mista: Todos os crimes formam um terceiro tipo de delito. 
REQUISITOS: 
1) Pluralidade de condutas; 
2) Pluralidade de crimes da mesma espécie (mesmo tipo penal); 
3) Conexão temporal (via de regra, entre um crime e outro não pode haver um intervalo superior a 30 
dias – há exceções de alguns crimes tributários, por suas peculiaridades, levando em conta o 
exemplo de que a declaração de IR é feita apenas 1x ao ano); 
4) Conexão espacial (os crimes devem ser praticados na mesma cidade ou, no máximo, em cidades 
contíguas); 
5) Conexão modal (modo de execução semelhantes); 
6) O CP dá ao juiz a liberdade de exigir outras condições além das acima descritas. 
Atenção: o crime continuado exige unidade de desígnio? 
● TEORIA OBJETIVA PURA: o crime continuado não depende da unidade de desígnios. Devem 
ser observados apenas os requisitos objetivos do art. 71, caput. Adotada pela exposição de motivos 
do CP. 
● TEORIA OBJETIVA SUBJETIVA (MAJORITÁRIA): embora não esteja expressamente previsto, o 
reconhecimento da continuidade delitiva depende da verificação de requisito subjetivo, qual seja: a 
unidade de desígnios (deve ser possível verificar no caso concreto uma ligação entre as condutas, que 
indique que o agente tinha, de fato, a intenção de cometer os delitos de forma subsequente). STF e 
STJ. 
Espécies: 
a) Simples: crimes parcelares possuem penas idênticas. 
✔ Critério para aplicação da pena: o juiz escolhe qualquer das penas, e a aumenta de 1/6 a 2/3 
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b) Qualificado: crimes parcelares possuem penas diversas (exemplo: furto simples consumado e furto 
tentado; furto simples + furto qualificado – prevalece ser possível). 
✔ Critério para aplicação da pena: o juiz escolhe a pena mais grave, e a aumenta de 1/6 a 2/3 
c) Específico: (atenção aqui!) Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou 
grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social 
e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos 
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo. 
✔ Critério para aplicação da pena: o juiz aplica uma só pena, se idênticas, ou a maior, quando 
não idênticas, aumentada de 1/6 até o triplo. 
Critério para aumento da pena no crime continuado: 
• Crime continuado do caput do art. 71 do CP: o critério para se determinar o 
quantum da majoração (entre 1/6 a 2/3) é apenas a quantidade de delitos 
cometidos. Assim, quanto mais infrações, maior deve ser o aumento. 
• Crime continuado específico (art. 71, parágrafo único, do CP): a fração de 
aumento será determinada pela quantidade de crimes praticados e também pela 
análise das circunstâncias judicias do art. 59 do Código Penal. 
STJ. 5ª Turma. REsp 1718212/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/04/2018. 
Na jurisprudência: 
Aumento de pena no máximo pela continuidade delitiva em crime sexual. No caso 
de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um 
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer 
caso, de 1/6 a 2/3. O STJ entende que, em regra, a escolha da quantidade de 
aumento de pena deve levar em consideração o número de infrações praticadas 
pelo agente com base na seguinte tabela: O critério para o aumento no crime 
continuado é o número de crimes praticados: 2 crimes — aumenta 1/6; 3 crimes —
aumenta 1/5; 4 crimes — aumenta 1/4; 5 crimes — aumenta 1/3; 6 crimes —
aumenta ½; 7 ou mais — aumenta 2/3. Porém, nem sempre será fácil trazer para 
os autos o número exato de crimes que foram praticados, especialmente quando 
se trata de delitos sexuais. É o caso, por exemplo, de um padrasto que mora há 
meses ou anos com a sua enteada e contra ela pratica constantemente estupro de 
vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo não havendo a informação do número exato 
de crimes que foram cometidos, o juiz poderá aumentar a pena acima de 1/6 e, 
dependendo do período de tempo, até chegar ao patamar máximo. Assim, 
constatando-se a ocorrência de diversos crimes sexuais durante longo período de 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/09c6c3783b4a70054da74f2538ed47c6?categoria=11&subcategoria=97
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tempo, é possível o aumento da pena pela continuidade delitiva no patamar 
máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a quantificação exata do número de 
eventos criminosos. STJ. 5ª Turma. HC 311146-SP, Rel. Min. Newton Trisotto 
(Desembargador convocado do TJ-SC), julgado em 17/3/2015 (Info 559) 
Jurisprudência em Teses do STJ 
EDIÇÃO N. 17: CRIME CONTINUADO - I 
1) Para a caracterização da continuidade delitiva é imprescindível o 
preenchimento de requisitos de ordem objetiva - mesmas condições de tempo, 
lugar e forma de execução - e de ordem subjetiva - unidade de desígnios ou 
vínculo subjetivo entre os eventos (Teoria Mista ou Objetivo-subjetiva). 
2) A continuidade delitiva, em regra, não pode ser reconhecida quando se 
tratarem de delitos praticados em período superior a 30 (trinta) dias. 
Obs: existem vários julgados excepcionando essa “regra”. 
3) A continuidade delitiva pode ser reconhecida quando se tratarem de delitos 
ocorridos em comarcas limítrofes ou próximas. 
4) A continuidade delitiva não pode ser reconhecida quando se tratarem de 
delitos cometidos com modos de execução diversos. 
5) Não há crime continuado quando configurada habitualidade delitiva ou 
reiteração criminosa. 
6) Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena 
imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da 
continuação. (Súmula n. 497/STF) 
7) A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, 
se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade delitiva ou da 
permanência. (Súmula n. 711/STF) 
8) O estupro e atentado violento ao pudor cometidos contra a mesma vítima e no 
mesmo contexto devem ser tratados como crime único, após a nova disciplina 
trazida pela Lei n. 12.015/09. 
9) É possível reconhecer a continuidade delitiva entre estupro e atentado violento 
ao pudor quando praticados contra vítimas diversas ou fora do mesmo contexto, 
desde que presentes os requisitos do artigo 71 do Código Penal. 
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10) A Lei n. 12.015/09, ao incluir no mesmo tipo penal os delitos de estupro e 
atentado violento ao pudor, possibilitou a caracterização de crime único ou de 
crime continuado entre as condutas, devendo retroagir para alcançar os fatos 
praticados antes da sua vigência, por se tratar de norma penal mais benéfica. 
11) No concurso de crimes, a pena considerada para fins de fixação da 
competência do Juizado Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de 
concurso material, ou da exasperação, na hipótese de concurso formal ou crime 
continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. 
Jurisprudência em Teses do STJ 
EDIÇÃO N. 20: CRIME CONTINUADO - II 
1) Para a caracterização da continuidade delitiva, são considerados crimes da 
mesma espécie aqueles previstos no mesmo tipo penal. 
Atenção. Essa tese representa a regra geral. No entanto, algumas vezeso STJ 
admite exceções: 
(...) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça compreende que, para a 
caracterização da continuidade delitiva, é imprescindível o preenchimento de 
requisitos de ordem objetiva (mesmas condições de tempo, lugar e forma de 
execução) e subjetiva (unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos), 
nos termos do art. 71 do Código Penal. Exige-se, ainda, que os delitos sejam da 
mesma espécie. Para tanto, não é necessário que os fatos sejam capitulados no 
mesmo tipo penal, sendo suficiente que tutelem o mesmo bem jurídico e sejam 
perpetrados pelo mesmo modo de execução. 2. Para fins da aplicação do instituto 
do crime continuado, art. 71 do Código Penal, pode-se afirmar que os delitos de 
estupro de vulnerável e estupro, descritos nos arts. 217-A e 213 do CP, 
respectivamente, são crimes da mesma espécie. (...) 
STJ. 6ª Turma. REsp 1767902/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 
13/12/2018. 
2) É possível o reconhecimento de crime continuado entre os delitos de 
apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP) e de sonegação de 
contribuição previdenciária (art. 337-A do CP). 
Polêmica. Há divergência no STJ em relação à possibilidade de 
continuidade delitiva entre os crimes de apropriação indébita e de 
sonegação previdenciárias: 
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- 5ª Turma: Impossibilidade 
(...) I - Os delitos de apropriação indébita previdenciária e de sonegação de 
contribuição previdenciária, previsto nos arts. 168-A e 337-A, ambos do Código 
Penal, embora sejam do mesmo gênero, são de espécies diversas, porquanto os 
tipos penais descrevem condutas absolutamente distintas. II - Esta Corte Superior 
tem entendimento consolidado no sentido de que é impossível o reconhecimento 
da continuidade delitiva entre crimes de espécies distintas (STJ. 5ª Turma. AgRg no 
AREsp 1172428/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 12/06/2018). 
- 6ª Turma: possibilidade 
(...) É possível o reconhecimento de crime continuado em relação aos delitos 
tipificados nos artigos 168-A e 337-A do Código Penal, porque se assemelham 
quanto aos elementos objetivos e subjetivos e ofendem o mesmo bem jurídico 
tutelado, qual seja, a arrecadação previdenciária. (...) 
STJ. 6ª Turma. REsp 859.050/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
03/12/2013. 
3) Presentes as condições do art. 71 do Código Penal, deve ser reconhecida a 
continuidade delitiva no crime de peculato-desvio. 
4) Não é possível reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo
(art. 157 do CP) e de latrocínio (art. 157, § 3º, segunda parte, do CP) porque apesar
de serem do mesmo gênero não são da mesma espécie. 
5) Não é possível reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo 
(art. 157 do CP) e de extorsão (art. 158 do CP), pois são infrações penais de 
espécies diferentes. 
6) Admite-se a continuidade delitiva nos crimes contra a vida. 
7) O entendimento da Súmula n. 605 do STF – “não se admite continuidade 
delitiva nos crimes contra a vida” - encontra-se superado pelo parágrafo único do 
art. 71 do Código Penal, criado pela reforma de 1984. 
8) Na continuidade delitiva prevista no caput do art. 71 do CP, o aumento se faz 
em razão do número de infrações praticadas e de acordo com a seguinte 
correlação: 1/6 para duas infrações; 1/5 para três; 1/4 para quatro; 1/3 para 
cinco; 1/2 para seis; 2/3 para sete ou mais ilícitos. 
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9) Na continuidade delitiva específica, prevista no parágrafo único do art. 71 do 
CP, o aumento fundamenta-se no número de infrações cometidas e nas 
circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. 
10) Caracterizado o concurso formal e a continuidade delitiva entre infrações 
penais, aplica-se somente o aumento relativo à continuidade, sob pena de bis in 
idem. 
11) No crime continuado, as penas de multa devem ser somadas, nos termos do
art. 72 do CP. 
SUPERADA. O art. 72 do Código Penal é restrito às hipóteses de concursos formal 
ou material, não sendo aplicável aos casos em que há reconhecimento da 
continuidade delitiva. Desse modo, a pena pecuniária deve ser aplicada conforme 
o regramento estabelecido para o crime continuado, e não cumulativamente (STJ. 
5ª Turma. AgRg no AREsp 484.057/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 
27/02/2018). 
Art. 72. No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e 
integralmente. 
12) No crime continuado, a pena de multa deve ser aplicada mediante o critério 
da exasperação, tendo em vista a inaplicabilidade do art. 72 do CP. 
13) O reconhecimento dos pressupostos do crime continuado, notadamente as 
condições de tempo, lugar e maneira de execução, demanda dilação probatória, 
incabível na via estreita do habeas corpus. 
Latrocínio: se ocorre uma subtração e duas mortes. Como faz? 
STJ: concurso formal impróprio, por se tratar de delito complexo, cujos bens 
jurídicos tutelados são o patrimônio e a vida. 
STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015. 
STF e doutrina majoritária: crime único de latrocínio 
Entende a suprema Corte que, havendo latrocínio consumado, em razão do 
atingimento de um único patrimônio, o número de vítimas deve ser sopesado por 
ocasião da fixação da pena-base, na fase do art. 59 do CP, não alterando a 
ocorrência de crime único. STF. 2ª Turma. HC 109539, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 07/05/2013. 
IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA CONTINUIDADE DELITIVA 
COMUM E ESPECÍFICA: se reconhecida a continuidade delitiva específica entre 
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estupros praticados contra vítimas diferentes, deve ser aplicada exclusivamente a 
regra do art. 71, parágrafo único, do Código Penal, mesmo que, em relação a cada 
uma das vítimas, especificamente, também tenha ocorrido a prática de crime 
continuado. STJ. 6ª Turma. REsp 1.471.651-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 
julgado em 13/10/2015 (Info 573). Ex.: Um sujeito estuprou 3 vítimas diferentes, 
nas mesmas condições de modo, lugar, período etc. Porém, estuprou também cada 
uma das vítimas mais de uma vez. Caso seja aplicada a regra de aplicação de pena 
do crime continuado específico, não pode ser aplicada de forma cumulada a do 
crime continuado simples em relação a cada uma das vítimas. 
Vamos esquematizar? 
Quadro Comparativo do Concurso de Crimes: 
PREVISÃO 
LEGAL 
REQUISITOS SISTEMA ADOTADO 
CONCURSO 
MATERIAL 
Art. 69, CP Pluralidade de condutas 
Pluralidade de crimes 
Cúmulo material ou 
cumulação 
CONCURSO 
FORMAL 
Art. 70, caput, 
CP 
Unidade de conduta 
Pluralidade de crimes 
Exasperação 
(1/6 até 1/2) 
CONCURSO 
FORMAL 
IMPRÓPRIO 
Art. 70, caput, 
CP 
Unidade de conduta 
Pluralidade de crimes 
+ Desígnios autônomos 
Cúmulo material ou 
cumulação 
CRIME 
CONTINUADO 
GENÉRICO 
Art. 71, caput, 
CP 
Pluralidade de condutas 
Pluralidade de crimes da mesma 
espécie 
Elo de continuidade 
Exasperação 
(1/6 até 2/3) 
CRIME 
CONTINUADO 
ESPECÍFICO 
Art. 71, 
parágrafo único, 
CP 
Pluralidade de condutas 
Pluralidade de crimes da mesma 
espécie 
Elo de continuidade 
+ Crimes dolosos 
Vítimas diferentes 
Violência ou grave ameaça 
Exasperação 
(1/6 até 3x) 
JÁ CAIU EM PROVA - Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PM-CE Prova: CESPE - 2014 - PM-CE - 
Aspirante da Polícia Militar 
Com referência à aplicação da lei penal, julgue os itens subsequentes. 
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Com base na teoria da atividade, aos crimes permanentes e continuados pode ser aplicada nova 
lei, ainda quemais severa. 
Gabarito: Certo 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
- Direito Penal – Parte Geral – 10ª edição – André Estefam - 2021 
- Manual de Direito Penal – 2ª edição- Cristiano Rodrigues - 2021 
- Direito Penal – Parte Geral – Volume 1 – 13ª edição – Cleber Masson; 
- Sinopse nº1 – Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo; 
- Manual de Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Rogério Sanches Cunha. 
- Site Dizer o Direito – www.dizerodireito.com.br 
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QUESTÕES PROPOSTAS 
Questões Comentadas 
1 - 2023 - IDECAN - SSP-SE - IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista 
Paulo auxiliou Maria a praticar o aborto no final da gestação, sendo que, por circunstâncias alheias à vontade 
deles, a gravidez resultou em nascimento com vida. Maria, então, sob influência do estado puerperal, acabou 
matando a própria filha, logo após o parto. Nesse caso, é possível afirmar que 
A-Paulo não responderá pelo crime de infanticídio. 
B-Paulo cometeu crime de feminicídio, na condição de partícipe. 
C-Maria e Paulo são coautores do crime de aborto, estando sujeitos à mesma pena, bem como Maria 
responderá ainda pelo crime de infanticídio. 
D-Maria e Paulo agiram em concurso de pessoas no crime de infanticídio. 
E-Paulo não responderá penalmente, já que a tentativa de aborto foi absorvida pelo crime de infanticídio. 
2 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia 
No concurso de pessoas, quando um dos agentes concorrentes quis participar de crime menos 
grave_____________ . Quando a participação for de menor importância ____________. 
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas de acordo com o art. 29 do CP. 
A-não se comunicam as circunstâncias agravantes … não se aplica o aumento de pena pelo concurso 
B-não se aplica o aumento de pena pelo concurso … ser-lhe-á aplicada a pena do crime menos grave 
C-ser-lhe-á aplicada a pena deste … a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço 
D-aplicam-se as minorantes específicas do tipo … não se aplica o aumento de pena pelo concurso 
E-a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço ... a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço 
3- 2023 - INSTITUTO AOCP - PC-GO - INSTITUTO AOCP - 2023 - PC-GO - Escrivão de Polícia da 3ª Classe 
Assinale a alternativa que apresenta o delito e sua respectiva classificação quanto ao sujeito ativo. 
A-Infanticídio: delito comum. 
B-Falso testemunho ou falsa perícia: delito de mão própria. 
C-Peculato: delito especial impróprio. 
D-Rixa: delito especial próprio. 
E-Ameaça: delito de concurso necessário. 
4- 2023 - CESPE / CEBRASPE - POLC-AL - CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista 
Em relação a aspectos do direito penal, julgue o item que se segue. 
As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam caso sejam elementares do crime. 
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Certo 
Errado 
5 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia 
Jéssica, imputável e com 30 anos de idade, com consciência e vontade, instigou e induziu Mário, inimputável 
de 16 anos de idade, a praticar ato infracional análogo ao delito de roubo, fato que se consumou. 
Na situação hipotética apresentada, Jéssica 
A-não poderá ser responsabilizada pelo roubo. 
B-poderá responder como partícipe no roubo. 
C-poderá ser considerada autora de roubo qualificado pelo concurso de pessoas. 
D-poderá responder como coautora do roubo. 
E-poderá ser considera autora mediata do roubo. 
6 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Agente de Polícia 
De acordo com o que o Código Penal estabelece quanto ao concurso de pessoas, assinale a opção correta. 
A-Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
punibilidade. 
B-Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
C-Em regra, a participação na modalidade de instigação é punida, ainda que o crime não seja sequer tentado. 
D-A mesma pena é aplicável a todos os coautores, ainda que a participação seja de menor importância. 
E-No caso de concorrente que quis participar de crime menos grave, o juiz pode deixar de aplicar a pena. 
7 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Agente de Polícia 
A e B desejam a morte de C e ambos, sem saber da intenção do outro e sem combinação prévia, atiram 
contra a vítima. A vítima morre em decorrência de um dos tiros; o outro tiro, conforme verificado em exame 
pericial, atingiu a vítima de raspão. Não foi possível identificar a autoria do tiro mortal. 
Na situação hipotética apresentada, A e B podem responder por 
A-homicídio culposo. 
B-lesão corporal seguida de morte. 
C-homicídio doloso tentado, com concurso de pessoas. 
D-homicídio doloso consumado, sem concurso de pessoas. 
E-homicídio doloso tentado, sem concurso de pessoas. 
8 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Escrivão de Polícia 
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Considerando as disposições relativas ao concurso de pessoas e de crimes, constantes do Código Penal, 
assinale a alternativa correta. 
A-Praticado o crime em coautoria, todos que concorreram à prática delitiva serão punidos de forma idêntica. 
Apenas ao que, comprovadamente, quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. 
B-O crime continuado só é reconhecido quando em causa crimes da mesma espécie, assim considerados os 
de idêntico tipo penal. 
C-No caso de concurso formal, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios 
autônomos, as penas serão aplicadas cumulativamente. 
D-A participação, na modalidade de instigação, é punida, ainda que o crime não chegue a ser, ao menos, 
tentado. 
E-No caso de participação de menor importância, a critério do Juiz, a pena pode deixar de ser aplicada. 
9 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia 
Acerca do sujeito ativo e concurso de agentes, assinale a opção correta. 
A-Para conceituar autor, o atual Código Penal adotou a teoria unitária, definindo-o como aquele que 
concorre, de qualquer modo, para a realização de um resultado penalmente relevante. 
B-Para a devida punição, como regra geral, a conduta do partícipe será penalmente relevante e punível, ainda 
que o autor não execute o delito planejado. 
C-O concurso absolutamente negativo não faz do omisso um partícipe do delito, por não estar ligado ao crime 
nem ter o dever legal de agir. 
D-Para a punição do partícipe, o direito penal brasileiro adota a teoria da acessoriedade mínima, com base 
na ideia de que, se o autor der início ao fato típico, o partícipe deverá ser penalmente responsabilizado. 
E-Havendo desvio subjetivo de coagente, todos os que cooperaram para a prática criminosa responderão 
pelo mesmo crime, mas a pena do não aderente será diminuída, caso o resultado não seja previsível. 
10 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - SERES-PE - CESPE / CEBRASPE - 2022 - SERES-PE - Policial Penal do Estado 
Quando o agente, com uma única ação dolosa, pratica dois ou mais crimes, mas cada qual resultante de 
desígnio autônomo, ocorre 
A-concurso material homogêneo de crimes. 
B-concurso formal próprio de crimes. 
C-concurso formal impróprio de crimes. 
D-crime continuado. 
E-concurso material heterogêneo de crimes. 
Outras Questões Propostas 
11 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Investigador de Polícia 
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Igor, inconformado por saber que seu amigo Silvio teria trocado mensagens de cunho sexual com sua esposa, 
decide matá-lo. Para tanto, espera Silvio na saída do trabalho e, da calçada, efetua um único disparo com sua 
pistola na direção de Silvio. Após atingir Silvio e causar a sua morte, o projétil também atinge Roberto, que 
passava pelo local e não tinha nenhuma relação com o autor ou a vítima. 
Roberto sofre apenas lesão corporal, visto que foi atingido de raspão. Igor é preso em flagrante e indiciado 
pela prática dos crimes de Homicídio qualificado (Art. 121 §2º do Código Penal - pena 12 a 30 anos de 
reclusão) e lesão corporal culposa (Art. 129 §6º do Código Penal – pena de 2 meses a 1 ano de detenção). 
Com relação à modalidade de concurso de crime presente na hipótese e o método a ser empregado é correto 
afirmar que 
A-Igor responderá pelos dois crimes na modalidade do crime continuado, previsto no Art. 71 do Código Penal. 
B-Igor responderá pelos dois crimes em concurso formal perfeito, previsto na primeira parte do Art. 70 do 
Código Penal, aplicando-se a pena do crime mais grave (homicídio qualificado) com o aumento de pena em 
1/6. 
C-Igor responderá pelos dois crimes em concurso formal imperfeito, em razão da presença dos desígnios 
autônomos, previsto na parte final do Art. 70 do Código Penal, somando-se as penas dos dois crimes. 
D-Igor responderá pelos dois crimes na modalidade do concurso material, previsto no artigo 69 do Código 
Penal. 
E-Igor responderá pelos dois crimes na forma do concurso material benéfico, previsto no parágrafo único do 
Art. 70 do Código Penal, uma vez que o emprego da exasperação acarretará pena maior do que o somatório 
das penas. 
12 - 2022 - UFMT - PJC-MT - UFMT - 2022 - PJC-MT - Escrivão de Polícia e Investigador de Polícia 
Instrução: Leia o seguinte excerto de julgamento de habeas corpus proferido pelo Superior Tribunal de Justiça 
para responder à questão. 
(...) As rés, servidoras da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, beneficiaram seu chefe, o então 
Deputado Estadual Herbson, com as facilidades decorrentes da proximidade com os detentores de 
responsabilidades públicas, para desviar vultosos recursos, que deveriam ser empregados nos objetos 
estabelecidos nos convênios (...). 
Com efeito, os depoimentos, em Juízo, das várias testemunhas, analisados à luz dos documentos dos 
apensos, provam que foram elas aliciadas pelas rés, para lhes outorgarem procuração para recebimento de 
vencimentos, pagos às rés, inclusive através da empresa NSAP, sem que soubessem da real finalidade da 
procuração ou de que passaram a perceber vencimentos, em torno de R$2.000,00 (dois mil reais) mensais, 
como se fossem, efetivamente, servidores do Estado de Roraima (pagos através da Secretaria de 
Administração) ou do DER/RR, vencimentos recebidos, pelas rés, em seu nome, que lhes repassavam, em 
alguns casos, pequeno valor, a título de ajuda. Para que as rés respondam pelo crime (...), não se faz 
necessária a prova de que elas próprias se apropriaram dos valores destinados aos supostos servidores que 
lhes outorgaram procuração, cujo pagamento fez-se com recursos desviados dos convênios federais. 
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Basta, para tanto, à luz dos arts. 29 e 30 do Código Penal, a prova de que a atuação das rés contribuiu para 
que terceiros – funcionários públicos ou ocupantes de mandatos eletivos – se apropriassem ou desviassem 
aqueles recursos federais. E, quanto a tal, não há dúvida de que a prova é farta (...). 
(Disponível em: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/1172222758/recurso-ordinario-em-habeas-
corpus-rhc-97111-rr-2018-0085305- 
5/inteiro-teor-1172222768. Acesso em 16 jan. 2022.) 
Consta da narrativa do julgado que não se faz necessário comprovar que as próprias rés se apropriaram dos 
valores desviados, sendo suficiente a prova, à luz dos artigos 29 e 30 do Código Penal, de que sua atuação 
contribuiu para que terceiros – funcionários públicos ou ocupantes de mandatos eletivos – se apropriassem 
ou desviassem os recursos públicos. 
Considerando as citadas disposições legais sobre concurso de pessoas, é correto afirmar: 
A-Em regra, são comunicáveis as circunstâncias e as condições de caráter pessoal aos infratores 
concorrentes. 
B-As circunstâncias de caráter pessoal, quando elementares do crime, são comunicáveis, desde que 
conhecidas por todos os participantes. 
C-Aquele que teve participação de menor importância no crime não incide na pena a este cominada. 
D-Quem concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, mesmo que tenha tido a intenção de 
participar de crime menos grave. 
E-A circunstância do crime de caráter real ou objetiva não se comunica, mesmo que o partícipe saiba de sua 
existência. 
13 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe 
Calíope, pretendendo matar Erato, saca uma arma de fogo e efetua disparos contra seu desafeto, atingindo-
o e também a Euterpe, que passava pelo local. As duas pessoas alvejadas morrem em razão dos ferimentos 
sofridos. 
Na hipótese, é correto afirmar que haverá: 
A-crime único; 
B-concurso material; 
C-concurso formal perfeito; 
D-concurso formal imperfeito; 
E-crime continuado. 
14 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe 
Agamenon, Aquiles, Ájax e Cadmo combinam de furtar pneus de veículos automotores do interior de um 
galpão cercado de mato e aparentemente abandonado. Agamenon e Cadmo permanecem no carro, ao passo 
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que Ájax arromba o portão e Aquiles ingressa, se deparando, pouco depois, com um vigia. Diante da reação 
ao ingresso não consentido, de posse de um vergalhão, Aquiles golpeia, perfura e mata o vigia. 
Considerando esse cenário, é correto afirmar que Agamenon, Ájax e Cadmo responderão por: 
A-participação de menor importância; 
B-cooperação dolosamente distinta; 
C-autoria colateral; 
D-participação mediante omissão; 
E-coautoria sucessiva. 
15 - 2022 - FGV - PC-RJ - FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe 
Em determinado dia, durante a saída dos alunos da escola municipal Beta, Hermes, pai da aluna Harmonia, 
invadiu a sala de aula e agrediu o professor Ares com socos e chutes. As agressões foram geradas em razão 
de Harmonia, de 14 anos, ter informado que vinha sofrendo assédio por parte do professor, consistente em 
insistentes toques não consentidos em seu cabelo e sua cintura. Após as agressões, Hermes deixou a escola 
acompanhado por sua filha. Ares foi atendido, medicado e retomou suas atividades rotineiras três dias 
depois. 
Nessa hipótese, Hermes: 
A-está isento de pena; 
B-responderá por lesões corporais leves; 
C-responderá por exercício arbitrário das próprias razões; 
D-responderá por exercício arbitrário das próprias razões em concurso formal com lesões corporais leves; 
E-responderá por exercício arbitrário das próprias razões em concurso material com lesões corporais leves. 
16 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Investigador de Polícia / Papiloscopista 
Sobre o concurso de pessoas, assinale a alternativa INCORRETA. 
A-As circunstâncias ligadas ao sujeito não se estendem aos demais autores, salvo quando forem elementos 
constitutivos do crime. 
B-Se um dos agentes quis cometer um crime menos grave que o praticado pelos demais, ficará sujeito à pena 
do crime menos grave. 
C-É possível que a participação seja considerada de menor importância, mas isso não permite modificar a 
pena aplicável ao agente responsável por ela. 
D-Todos que concorrem para a ocorrência do crime ficam sujeitos às penas a este cominadas,cada um na 
medida de sua culpabilidade. 
E-O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis 
se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. 
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17 - 2021 - IDECAN - PC-CE - IDECAN - 2021 - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil 
Rafael conta a Sandra que tem intenção de matar Raimundo e pede opinião da amiga. Sandra, que 
secretamente desejava a morte dessa mesma pessoa, incentiva que Rafael pratique delito de homicídio 
contra Raimundo. Influenciado pelas palavras de Sandra, Rafael chama Raimundo para sair com o objetivo 
de matá-lo. Todavia, poucas horas antes, Rafael desiste e manda mensagem para Raimundo desmarcando o 
encontro. 
Nessa hipótese, assinale a alternativa correta. 
A-Rafael e Sandra devem responder por tentativa de homicídio praticado em concurso de pessoas. 
B-Nem Rafael nem Sandra poderão ser responsabilizados penalmente. 
CApenas Rafael deve responder por tentativa de homicídio. 
D-Caso Rafael viesse, efetivamente, a matar Raimundo, Sandra poderia ser considerada coautora do delito. 
E-Apenas Sandra deve responder pelo delito de tentativa de homicídio, a título de participação, pois Rafael 
beneficia-se da desistência voluntária. 
18 - 2021 - IDECAN - PC-CE - IDECAN - 2021 - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil 
Jane e Breno objetivam matar Marly por envenenamento. Dessa forma, Jane adiciona uma dose do veneno 
X na sopa de Marly e, posteriormente, Breno adiciona uma dose do veneno Y no suco da vítima. Toda a ação 
foi combinada entre ambos. Tanto a sopa quanto o suco são ingeridos pela vítima em uma mesma refeição 
e, cerca de três horas após, Marly vem a falecer. A perícia constata, no respectivo exame, que a morte da 
vítima se deu pela ação conjunta dos venenos X e Y, deixando claro que, isoladamente, nenhum dos venenos 
seria capaz de matar a vítima, apenas a ação conjunta deles o faria, o que efetivamente ocorreu. 
Nessa hipótese, assinale a alternativa correta. 
A-Jane e Breno responderão a título de tentativa pelo delito de homicídio doloso qualificado praticado em 
concurso de agentes. 
B-Jane e Breno responderão por homicídio culposo consumado praticado em concurso de agentes. 
C-Jane e Breno responderão por homicídio doloso qualificado consumado, mas sem a incidência do concurso 
de agentes. 
D-Jane e Breno responderão pelo homicídio doloso qualificado consumado praticado em concurso de 
agentes. 
E-Jane e Breno responderão a título de tentativa pelo delito de homicídio doloso qualificado, mas sem a 
incidência do concurso de agentes. 
19 - 2021 - IDECAN - PC-CE - IDECAN - 2021 - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil 
Aquele que, com intenção de estuprar uma mulher, mantém com ela, sob coação, relação sexual e, após 
encerrada a prática delituosa do estupro, resolve matar a vítima, desferindo contra ela facadas que provocam 
excessiva perda de sangue, sendo causa da morte conforme laudo pericial, responderá por delito de 
A-estupro em concurso formal com delito de homicídio. 
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B-estupro qualificado pelo resultado morte. 
C-estupro em concurso material com delito de homicídio. 
D-estupro em concurso material com lesão corporal seguida de morte. 
E-estupro apenas; o delito de homicídio será absorvido pelo estupro. 
20 - 2021 - IDECAN - PC-CE - IDECAN - 2021 - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil 
Kátia, objetivando a morte de Dante e Getúlio, ateia fogo no carro em que estavam as vítimas; ambos 
morreram carbonizados. Relativamente à conduta de Kátia, assinale a alternativa correta. 
A-Kátia agiu em concurso material de delitos, e as penas deverão ser somadas. 
B-Kátia agiu em continuidade delitiva e será aplicada a maior das penas, se diferentes, ou qualquer uma, se 
iguais, com aumento de 1/6 a 2/3. 
C-Kátia agiu em concurso formal de delitos, e as penas deverão ser somadas. 
D-Kátia agiu em concurso formal de delitos e será aplicada a maior das penas, se diferentes, ou qualquer 
uma, se iguais, com aumento de 1/6 à metade. 
E-Kátia agiu em concurso material de delitos e será aplicada a maior das penas, se diferentes, ou qualquer 
uma, se iguais, com aumento de 1/6 à metade. 
Respostas1 
1 1: A 2: C 3: B 4: C 5: B 6: B 7: E 8: C 9: C 10: C 11: E 12: B 13: C 14: B 15: E 16: C 17: B 18: D 19: C 20: C 
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Comentários 
1 - 2023 - IDECAN - SSP-SE - IDECAN - 2023 - SSP-SE - Papiloscopista 
Paulo auxiliou Maria a praticar o aborto no final da gestação, sendo que, por circunstâncias alheias à vontade 
deles, a gravidez resultou em nascimento com vida. Maria, então, sob influência do estado puerperal, acabou 
matando a própria filha, logo após o parto. Nesse caso, é possível afirmar que 
A-Paulo não responderá pelo crime de infanticídio. 
B-Paulo cometeu crime de feminicídio, na condição de partícipe. 
C-Maria e Paulo são coautores do crime de aborto, estando sujeitos à mesma pena, bem como Maria 
responderá ainda pelo crime de infanticídio. 
D-Maria e Paulo agiram em concurso de pessoas no crime de infanticídio. 
E-Paulo não responderá penalmente, já que a tentativa de aborto foi absorvida pelo crime de infanticídio. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: A 
A - Certa - Paulo não responderá pelo crime de infanticídio, pois o estado puerperal não se comunica a ele. 
B - Errada - Paulo não cometeu feminicídio; ele participou de uma tentativa de aborto. 
C - Errada - Paulo não responderá pelo crime de infanticídio, apenas pelo aborto. 
D - Errada - Não há concurso de pessoas no crime de infanticídio, pois Paulo não estava sob o estado 
puerperal. 
E - Errada - A tentativa de aborto não foi absorvida pelo infanticídio; são crimes distintos. 
2 - 2023 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2023 - PC-SP - Investigador de Polícia 
No concurso de pessoas, quando um dos agentes concorrentes quis participar de crime menos 
grave_____________ . Quando a participação for de menor importância ____________. 
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas de acordo com o art. 29 do CP. 
A-não se comunicam as circunstâncias agravantes … não se aplica o aumento de pena pelo concurso 
B-não se aplica o aumento de pena pelo concurso … ser-lhe-á aplicada a pena do crime menos grave 
C-ser-lhe-á aplicada a pena deste … a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço 
D-aplicam-se as minorantes específicas do tipo … não se aplica o aumento de pena pelo concurso 
E-a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço ... a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço 
COMENTÁRIOS 
Resposta: C 
CP 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida 
de sua culpabilidade. 
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§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; 
essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
A - Errada - O aumento de pena pelo concurso de pessoas não está relacionado às circunstâncias 
agravantes, e sim à cooperação dolosamente distinta (§ 2º, art. 29 do CP). 
B - Errada - A participação de menor importância permite a diminuição de pena, e não a aplicação da pena 
do crime menos grave, que se aplica apenas à cooperação dolosamente distinta. 
C - Certa - Se o agente quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste (§ 2º). Já na 
participação de menor importância, a penapode ser diminuída de um sexto a um terço (§ 1º). 
D - Errada - O aumento de pena pelo concurso de pessoas se aplica à cooperação dolosamente distinta, e 
não a minorantes específicas do tipo. 
E - Errada - A diminuição de pena de um sexto a um terço aplica-se somente à participação de menor 
importância, não em ambas as lacunas. 
3- 2023 - INSTITUTO AOCP - PC-GO - INSTITUTO AOCP - 2023 - PC-GO - Escrivão de Polícia da 3ª Classe 
Assinale a alternativa que apresenta o delito e sua respectiva classificação quanto ao sujeito ativo. 
A-Infanticídio: delito comum. 
B-Falso testemunho ou falsa perícia: delito de mão própria. 
C-Peculato: delito especial impróprio. 
D-Rixa: delito especial próprio. 
E-Ameaça: delito de concurso necessário. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: B 
A - Errada - O infanticídio é um crime próprio, pois exige uma condição especial da mãe (estado puerperal) 
para que seja configurado. 
B - Certa - O crime de falso testemunho ou falsa perícia é de mão própria, pois só pode ser praticado por 
quem presta o depoimento ou faz a perícia. 
C - Errada - O peculato é um crime próprio, pois exige que o agente seja funcionário público, não sendo 
classificado como especial impróprio. 
D - Errada - A rixa é um crime comum, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa, e não é classificado 
como especial próprio. 
E - Errada - A ameaça é um crime unissubjetivo, ou seja, pode ser praticado por uma única pessoa, e não 
é um delito de concurso necessário. 
4- 2023 - CESPE / CEBRASPE - POLC-AL - CESPE / CEBRASPE - 2023 - PO-AL - Papiloscopista 
Em relação a aspectos do direito penal, julgue o item que se segue. 
As circunstâncias e as condições de caráter pessoal se comunicam caso sejam elementares do crime. 
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CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES 
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Certo 
Errado 
COMENTÁRIOS 
Resposta: Certo 
As circunstâncias de caráter pessoal, como a qualidade de funcionário público, se comunicam aos 
coautores ou partícipes quando forem elementares do crime e se houver conhecimento dessa condição. 
Isso se aplica, por exemplo, no crime de peculato, onde a condição de ser funcionário público é elementar 
e se estende aos demais envolvidos que tenham conhecimento. 
5 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Escrivão de Polícia 
Jéssica, imputável e com 30 anos de idade, com consciência e vontade, instigou e induziu Mário, inimputável 
de 16 anos de idade, a praticar ato infracional análogo ao delito de roubo, fato que se consumou. 
Na situação hipotética apresentada, Jéssica 
A-não poderá ser responsabilizada pelo roubo. 
B-poderá responder como partícipe no roubo. 
C-poderá ser considerada autora de roubo qualificado pelo concurso de pessoas. 
D-poderá responder como coautora do roubo. 
E-poderá ser considera autora mediata do roubo. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: B 
A - Errada - Jéssica pode ser responsabilizada como partícipe no crime de roubo, conforme a teoria da 
acessoriedade limitada, que não exige que o autor seja culpável, apenas que o fato seja típico e ilícito. 
B - Certa - Jéssica instigou e induziu Mário a praticar o roubo, e, conforme o artigo 29 do Código Penal, 
será considerada partícipe do crime. 
C - Errada - Jéssica não pode ser considerada autora de roubo, pois, segundo a teoria objetiva ou restritiva, 
ela responde como partícipe, não como autora. 
D - Errada - Jéssica não é coautora do crime, pois a coautoria exige que todos os envolvidos realizem as 
elementares típicas do crime, o que não ocorreu no caso. 
E - Errada - A autoria mediata não se aplica, já que Mário, apesar de inimputável, tem discernimento, e 
Jéssica não se valeu de alguém sem capacidade de entender os atos praticados. 
6 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Agente de Polícia 
De acordo com o que o Código Penal estabelece quanto ao concurso de pessoas, assinale a opção correta. 
A-Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua 
punibilidade. 
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B-Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do 
crime. 
C-Em regra, a participação na modalidade de instigação é punida, ainda que o crime não seja sequer tentado. 
D-A mesma pena é aplicável a todos os coautores, ainda que a participação seja de menor importância. 
E-No caso de concorrente que quis participar de crime menos grave, o juiz pode deixar de aplicar a pena. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: B 
A - Errada - A correta expressão seria "na medida de sua culpabilidade," conforme o art. 29 do Código 
Penal. 
B - Certa - As circunstâncias e condições de caráter pessoal não se comunicam, exceto quando forem 
elementares do crime, conforme o art. 30 do Código Penal. 
C - Errada - A instigação só é punida se o crime for ao menos tentado, de acordo com o art. 31 do Código 
Penal. 
D - Errada - A participação de menor importância pode resultar na diminuição da pena de um sexto a um 
terço, conforme o art. 29, §1º, do Código Penal. 
E - Errada - No caso de concorrente que quis participar de crime menos grave, aplica-se a pena deste, 
conforme o art. 29, §2º, do Código Penal. 
7 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RO - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RO - Agente de Polícia 
A e B desejam a morte de C e ambos, sem saber da intenção do outro e sem combinação prévia, atiram 
contra a vítima. A vítima morre em decorrência de um dos tiros; o outro tiro, conforme verificado em exame 
pericial, atingiu a vítima de raspão. Não foi possível identificar a autoria do tiro mortal. 
Na situação hipotética apresentada, A e B podem responder por 
A-homicídio culposo. 
B-lesão corporal seguida de morte. 
C-homicídio doloso tentado, com concurso de pessoas. 
D-homicídio doloso consumado, sem concurso de pessoas. 
E-homicídio doloso tentado, sem concurso de pessoas. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: E 
A - Errada - Não se trata de homicídio culposo, pois A e B agiram com dolo, desejando a morte da vítima. 
B - Errada - Ambos tinham intenção de matar, não de causar lesão corporal. Logo, não é o caso de lesão 
corporal seguida de morte. 
C - Errada - Embora tenha havido tentativa de homicídio, não há concurso de pessoas, pois A e B não 
agiram com vínculo subjetivo. 
D - Errada - Não se pode afirmar que houve homicídio doloso consumado, pois a autoria do tiro fatal não 
foi identificada. Ambos respondem pela tentativa de homicídio. 
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E - Certa - Ambos responderão por homicídio doloso tentado, sem concurso de pessoas, dado que não 
houve combinação entre eles e a autoria do tiro mortal não foi identificada. 
8 - 2022 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2022 - PC-SP - Escrivão de Polícia 
Considerando as disposições relativas ao concurso de pessoas e de crimes, constantes do Código Penal, 
assinale a alternativa correta. 
A-Praticado o crime em coautoria, todos que concorreram à prática delitiva serão punidos de forma idêntica. 
Apenas ao que, comprovadamente, quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. 
B-O crime continuado só é reconhecido quando em causa crimes da mesma espécie, assim considerados os 
de idêntico tipo penal. 
C-No caso de concurso formal, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios 
autônomos, as penas serão aplicadas cumulativamente. 
D-A participação, na modalidade de instigação, é punida, ainda que o crime não chegue a ser, ao menos, 
tentado. 
E-No caso de participação de menor importância, a critério do Juiz, a pena pode deixar de ser aplicada. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: C 
A - Errada - As penas são aplicadas conformedos concorrentes quis participar de crime menos 
grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de 
ter sido previsível o resultado mais grave. Nos casos em que a participação for de menor 
importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço.
Para que haja concurso de pessoas, através da coautoria ou da participação, e seja possível se aplicar 
a Teoria monista para se imputar um único crime a todos os participantes, é preciso que se preencham alguns 
requisitos fundamentais, são eles: 
1) Pluralidade de agentes (coautores/partícipes) culpáveis (culpabilidade). 
A existência de diversos agentes, que empreendem condutas relevantes, é o requisito primário do 
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concurso de pessoas. Note-se, todavia, que embora todos se dediquem para o sucesso da empreitada, nem 
sempre o fazem em condições idênticas. É possível, e muito comum, que enquanto alguns ingressam no 
núcleo do tipo, outros se dediquem a funções paralelas, auxiliando os primeiros. É também possível que 
alguém instigue ou induza outrem a ser o executor material de determinado crime. Em todos os casos, a 
atuação reunida dos agentes contribui de alguma forma para a cadeia causal, fazendo com que os vários 
concorrentes respondam pelo crime. 
2) Relevância causal de cada uma das colaborações dadas para a produção do resultado, ou seja, é 
necessário que cada uma das condutas empreendidas tenha relevância causal. Se algum dos agentes praticar 
um ato sem eficácia causal, não haverá concurso de pessoas (ao menos no que concerne a ele). A 
contribuição pode até ser concretizada após a consumação, desde que tenha sido ajustada anteriormente. 
3) Liame subjetivo: cuida-se de verificar se os concorrentes se encontram subjetivamente 
vinculados entre si. Faltando o vínculo psicológico, desnatura-se o concurso de pessoas (podendo configurar 
a autoria colateral). O vínculo subjetivo não depende, contudo, do prévio ajuste entre os envolvidos (pactum 
sceleris). Basta a ciência por parte de um agente no tocante ao fato de concorrer para a conduta de outrem 
(scientia sceleris ou scientia maleficii), chamada pela doutrina de “consciente e voluntária cooperação”, 
“vontade de participar”, “vontade de coparticipar”, “adesão à vontade de outrem” ou “concorrência de 
vontades”. É suficiente a atuação consciente do partícipe no sentido de contribuir para a conduta do autor, 
ainda que esta desconheça a colaboração. 
JÁ CAIU EM PROVA - Órgão: PM-RO Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - PM-RO - Oficial 
Combatente da Polícia Militar 
A caracterização do concurso de pessoas prescinde de 
A) pluralidade de participantes. 
B) ajuste prévio entre os agentes. 
C) pluralidade de condutas. 
D) relevância causal de cada conduta. 
E) liame subjetivo entre os agentes. 
Gabarito: B 
4) Identidade ou unidade de infração, para que se configure o concurso de pessoas, todos os 
concorrentes devem contribuir para o mesmo evento. (Teoria Monista). 
MEMORIZANDO: 
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P R I L : Pluralidade de agentes; Relevância causal; 
Identidade de infração e Liame subjetivo 
JÁ CAIU EM PROVA - Órgão: PM-MG Prova: PM-MG - 2013 - PM-MG - Aspirante da Polícia 
Militar 
Marque a alternativa CORRETA. 
Para que se possa concluir pelo concurso de pessoas, será preciso verificar a presença dos 
seguintes requisitos: 
A) pluralidade de condutas, relevância causal de cada conduta, liame subjetivo entre os agentes 
e a infração penal. 
B) pluralidade de agentes ou de condutas, relevância causal de cada agente, liame subjetivo 
entre os agentes e a infração penal. 
C) pluralidade de agentes e de condutas, relevância causal de cada conduta, liame subjetivo 
entre os agentes e identidade de infração penal. 
D) pluralidade de condutas, relevância causal de cada agente, liame subjetivo entre os agentes 
e a infração penal. 
Gabarito: C 
1.2 Autoria 
As várias teorias podem ser reunidas em dois grupos: unitárias (não diferenciam autor e partícipe) e 
diferenciadoras (diferenciam os dois personagens). 
A) Teoria subjetiva ou unitária: não impõe distinção entre autor e partícipe, considerando-se autor 
todo aquele que de alguma forma contribui para a produção do resultado. 
B) Teoria extensiva: igualmente não distingue autor de partícipe, mas permite o estabelecimento 
de graus diversos de autoria, com a previsão de causas de diminuição conforme a relevância da sua 
contribuição. 
C) Teoria objetiva ou dualista: estabelece clara distinção entre autor e partícipe. A teoria objetiva 
pode ser subdividida em duas: 
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Qual a teoria adotada pelo nosso Código Penal na definição de autor do crime? 
De acordo com a maioria, o art. 29 do Código Penal é campo fértil para a teoria objetivo-formal. 
C.1) Objetivo-formal: 
Autor é quem realiza a ação nuclear típica e partícipe quem concorre de qualquer forma para o 
crime. Autor é todo aquele que realiza o verbo núcleo do tipo penal, ou seja, apenas aquele que praticar 
pessoalmente a conduta típica será reconhecido com autor do fato. 
Só será autor o indivíduo que efetivamente praticar a conduta prevista no tipo, executar 
pessoalmente o verbo núcleo do tipo penal. 
A teoria objetivo-formal recebe críticas pelo fato de não ser capaz de delimitar corretamente as 
hipóteses hoje chamadas de autoria mediata, ou seja, quando determinado agente, mesmo sem realizar o 
verbo núcleo do tipo, se utiliza de um terceiro, que não possui culpabilidade, ou mesmo não possui dolo e 
culpa, para cometer um crime em seu lugar. 
C.2) Objetivo-material: autor é quem contribui objetivamente de forma mais efetiva para a 
ocorrência do resultado, não necessariamente praticando a ação nuclear típica. Partícipe, por outro 
lado, é o concorrente menos relevante para o desdobramento causal, ainda que sua conduta consista 
na realização do núcleo do tipo. 
D) Teoria do domínio do fato: 
A teoria do Domínio do Fato autor será todo aquele que possuir o domínio final sobre os fatos, ou 
seja, aquele que detém as ‘rédeas’, o controle da situação, podendo impedir ou mesmo modificar a 
ocorrência do resultado, isso independentemente de praticar, ou não, o verbo núcleo do tipo penal. 
Trata-se de um critério fundamentalmente finalista, que ampliou o conceito de autor, originalmente 
criado por Hans Welzel e posteriormente desenvolvido e adotado de forma predominante na Alemanha, 
principalmente através de Claus Roxin e Günther Jakobs. 
Com essa nova estrutura desvinculou-se a autoria da realização do verbo núcleo do tipo penal, e 
se passou a considerar como autor aquele que detém o controle ou domínio do fato, o domínio e controle 
sobre o que está acontecendo, podendo assim alterar ou impedir a ocorrência do resultado, 
independentemente de ter praticado, ou não, o verbo núcleo do tipo penal. 
Tem o controle final do fato: 
(A) aquele que, por sua vontade, executa o núcleo do tipo (autor propriamente dito); 
(B) aquele que planeja a empreitada criminosa para ser executada por outras pessoas (autor
intelectual); 
(C) aquele que se vale de um não culpável ou de pessoa que atua sem dolo ou culpa para executar o tipo, 
utilizada como seu instrumento (autor mediato). 
Note-se, por fim, que a teoria do domínio do fato tem aplicação apenas nos crimes dolosos, única 
forma em que se admite o controle finalístico sobre o fato criminoso, já que os delitos culposos se 
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caracterizam exatamente pela causação de um resultado involuntário,a culpabilidade, não de forma idêntica. 
B - Errada - O crime continuado pode ser reconhecido em crimes que tutelam o mesmo bem jurídico, mesmo 
sem serem do mesmo tipo penal. 
C - Certa - No concurso formal impróprio, as penas são cumulativas se os crimes resultarem de desígnios 
autônomos. 
D - Errada - A instigação só é punida se o crime for, no mínimo, tentado. 
E - Errada - A pena pode ser diminuída, mas não deixada de ser aplicada, em caso de participação de menor 
importância. 
9 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Escrivão de Polícia 
Acerca do sujeito ativo e concurso de agentes, assinale a opção correta. 
A-Para conceituar autor, o atual Código Penal adotou a teoria unitária, definindo-o como aquele que 
concorre, de qualquer modo, para a realização de um resultado penalmente relevante. 
B-Para a devida punição, como regra geral, a conduta do partícipe será penalmente relevante e punível, ainda 
que o autor não execute o delito planejado. 
C-O concurso absolutamente negativo não faz do omisso um partícipe do delito, por não estar ligado ao crime 
nem ter o dever legal de agir. 
D-Para a punição do partícipe, o direito penal brasileiro adota a teoria da acessoriedade mínima, com base 
na ideia de que, se o autor der início ao fato típico, o partícipe deverá ser penalmente responsabilizado. 
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E-Havendo desvio subjetivo de coagente, todos os que cooperaram para a prática criminosa responderão 
pelo mesmo crime, mas a pena do não aderente será diminuída, caso o resultado não seja previsível. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: C 
A - Errada - O Código Penal brasileiro adota a teoria restritiva, não a unitária, para conceituar autor. O 
autor é aquele que pratica o núcleo do tipo penal, enquanto o partícipe contribui de forma acessória. 
B - Errada - A conduta do partícipe só será punível se o autor executar ao menos uma parte do crime. Se o 
delito não for iniciado, a participação não é penalmente relevante. 
C - Certa - O concurso absolutamente negativo, também conhecido como conivência, não faz do omisso 
um partícipe, já que ele não está vinculado ao crime nem possui o dever legal de agir. 
D - Errada - O Brasil adota a teoria da acessoriedade limitada, que exige que o autor cometa um fato típico 
e ilícito para que o partícipe seja responsabilizado. 
E - Errada - No caso de desvio subjetivo de coagente, cada agente responde de acordo com sua própria 
conduta e intenção, não necessariamente pelo mesmo crime. A pena não é diminuída automaticamente, 
mas depende da previsibilidade do resultado. 
10 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - SERES-PE - CESPE / CEBRASPE - 2022 - SERES-PE - Policial Penal do Estado 
Quando o agente, com uma única ação dolosa, pratica dois ou mais crimes, mas cada qual resultante de 
desígnio autônomo, ocorre 
A-concurso material homogêneo de crimes. 
B-concurso formal próprio de crimes. 
C-concurso formal impróprio de crimes. 
D-crime continuado. 
E-concurso material heterogêneo de crimes. 
COMENTÁRIOS 
Resposta: C 
A - Errada - O concurso material homogêneo ocorre quando há várias ações e crimes da mesma espécie, o 
que não corresponde à situação descrita, onde há uma única ação. 
B - Errada - O concurso formal próprio ocorre quando há uma única ação que resulta em dois ou mais 
crimes, mas sem desígnios autônomos. Neste caso, há desígnios autônomos, o que caracteriza o concurso 
formal impróprio. 
C - Certa - No concurso formal impróprio, há uma única ação resultando em dois ou mais crimes com 
desígnios autônomos. Nesse caso, as penas são aplicadas cumulativamente, conforme o art. 70 do Código 
Penal. 
D - Errada - O crime continuado envolve duas ou mais ações em condições semelhantes de tempo, lugar e 
modo, o que não ocorre aqui, pois se trata de uma única ação. 
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E - Errada - O concurso material heterogêneo ocorre quando há várias ações resultando em crimes de 
naturezas diferentes, o que não se aplica ao caso, onde há uma única ação. 
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http://www.iceni.com/infix.htme, consequentemente, impossível de 
ser dominado finalisticamente pelo agente. 
TEORIAS UNITÁRIAS (NÃO DIFERENCIAM AUTOR DE 
PARTÍCIPE). 
TEORIAS DIFERENCIADORAS (DIFERENCIAM AUTOR 
DE PARTÍCIPE) 
Teoria subjetiva: autor é todo aquele que de alguma 
forma contribui para a produção do resultado. 
Objetivo-formal: autor é quem realiza a ação nuclear 
típica e partícipe quem concorre de qualquer forma 
para o crime 
Teoria extensiva: admite vários tipos de autores, 
conforme a relevância da sua contribuição. 
Objetivo-material: autor é quem contribui 
objetivamente deforma mais efetiva para a ocorrência 
do resultado, não necessariamente praticando a ação 
nuclear típica. Partícipe é o concorrente menos 
relevante para o desdobramento causal, ainda que sua 
conduta consista na realização do núcleo do tipo. 
Teoria do domínio do fato: autor é quem decide a 
forma de execução, seu início, cessação e demais 
condições do fato. Partícipe será aquele que, embora 
colabore dolosamente para o alcance do resultado, 
não exerça domínio sobre a ação. 
1.2.1 Espécies de Autoria 
Autoria direta 
Em palavras simples autor direto é aquele que tendo o domínio final do fato está diretamente 
vinculado à realização do crime, integrando a realização do fato diretamente. Nas bases da teoria do 
domínio do fato a autoria direta poderá se apresentar de duas maneiras: 
A) Autor direto executor 
Autor direto executor é aquele que tendo o domínio final do fato realiza pessoalmente o verbo 
núcleo do tipo penal, logo esta é a modalidade mais comum de autoria, e nela o autor, possuindo o domínio 
final dos fatos, pratica diretamente a conduta típica, realiza o verbo núcleo do Tipo penal, respondendo assim 
pelo crime como autor do fato. 
B) Autor direto intelectual 
Autor direto intelectual é aquele que tendo o domínio do fato planeja, organiza, elabora e comanda 
a prática do crime, porém, sem realizar o verbo, utilizando-se para isso de um terceiro (autor executor), que 
também detém o domínio final do fato e que pratica a conduta típica. 
Ocorrendo autoria intelectual haverá necessariamente uma coautoria entre este autor (intelectual) 
e um autor executor e, portanto, ambos os agentes serão considerados coautores, haja vista que possuem o 
domínio final do fato, e através de um acordo de vontades, realizam em conjunto o crime com uma divisão 
de tarefas. (Teoria do domínio funcional do fato). 
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Caso fosse adotado o critério restritivo para delimitação da autoria nos crimes dolosos, defendido 
por parte (minoritária) da doutrina nacional, o mencionado autor intelectual (mandante) não poderia ser 
considerado como autor, mas seria tratado tão somente como partícipe, já que não realiza o verbo núcleo 
do Tipo penal, visão esta equivocada e que evidentemente não resolve de forma satisfatória situações 
práticas. 
Autoria indireta ou mediata 
A autoria indireta ou mediata ocorre quando determinado agente, que possua o domínio final do 
fato, utiliza-se de terceiro, sem domínio final do fato, como mero instrumento para a realização do crime, 
ou seja, para a prática da conduta típica. Na autoria mediata aquele que pratica o verbo núcleo de um tipo 
penal – terceiro sem o domínio final do fato – não será considerado autor e não responde pelo crime, sendo 
tratado como mero executor de conduta. Sendo assim, responderá pelo crime apenas o autor mediato 
(autor indireto), também denominado pela doutrina alemã de autor “por detrás” (Gunther Jakobs), que 
domina os fatos, controla a situação mas leva outrem a atuar em seu lugar. 
Nestes casos, de autoria mediata, como o executor da conduta típica não tem o domínio do fato, não 
domina o que está fazendo, ele não merecerá reprovação, não poderá sequer ser chamado de autor, e não 
responderá pelo crime que, como vimos, será atribuído exclusivamente ao autor mediato. 
Desta forma, na autoria mediata não há que se falar em concurso de pessoas, diferentemente do 
que ocorre nas situações de autoria intelectual, quando quem executa a conduta também possui domínio 
sobre o que faz, gerando, assim, uma coautoria entre os agentes. 
Podemos afirmar que a autoria mediata decorre de situações nas quais o agente que executa 
diretamente a conduta típica não possui culpabilidade, ou ainda, quando este atua sem dolo ou culpa de 
gerar o resultado, influenciado pelo autor mediato, razão pela qual somente este último responderá pelo 
crime. 
AUTOR MEDIATO PARTÍCIPE 
SUA CONDUTA É PRINCIPAL SUA CONDUTA É ACESSÓRIA
DETÉM O DOMÍNIO DO FATO NÃO DETÉM O DOMÍNIO DO 
FATO 
De acordo com a doutrina dominante e nos termos do nosso Código Penal, são hipóteses de autoria 
mediata: 
A) Coação moral irresistível e obediência hierárquica – Art. 22 CP. 
Na obediência hierárquica, o subordinado que não sabe que a ordem recebida é ilegal e a cumpre, 
não comete crime, visto não ter o domínio final dos fatos, por isso, já afirmamos que a obediência hierárquica 
nada mais é do que uma espécie diferenciada de erro determinado por terceiro, em que o terceiro (superior 
hierárquico por vínculo de direito público) leva o agente (subordinado) a atuar em erro a respeito do crime 
que está sendo praticado. 
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CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES 
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A coação física irresistível é hipótese de ausência de conduta por parte de quem sofre a coação, por 
isso gerando autoria direta por parte do agente que coage, que será o único a responder pelo crime (o mesmo 
vale para outras hipóteses de ausência de conduta como sonambulismo e hipnose), diferentemente da 
coação moral irresistível, hipótese em que há autoria mediata, pois o coagido atua voluntariamente, mas 
sem liberdade de escolha, e por isso sem domínio do fato. 
B) Erro determinado por terceiro – Art. 20, § 2º CP 
Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas 
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. 
[...] §2º – Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 
Como vimos, o terceiro (autor mediato), que induz um indivíduo a erro, faz com que este cometa o 
crime sem possuir o domínio final do fato pois, ao criar a situação de erro, é ele (terceiro) quem passa a ter 
o domínio final sobre os fatos que serão realizados por quem foi iludido, respondendo assim como autor do 
crime praticado pelo terceiro. Exemplo: Alguém diz para uma pessoa que determinada substância é um 
tempero para colocar na comida, porém trata-se de um veneno, sendo que, o agente ao utilizar o produto, 
achando se tratar mesmo de um tempero, acaba matando alguém. 
Neste caso, responderia pelo homicídio apenas o terceiro que determinou o erro entregando a 
substância para o agente iludido quanto à sua real natureza, havendo aqui um legítimo erro de tipo inevitável 
determinado por terceiro, que afasta o dolo e a culpa de quem atuou em erro. 
Embora não seja tão comum, conforme já afirmamos, pode haver hipótese de erro determinado por 
terceiro em que o terceiro leva alguém a agir em erro de proibição inevitável, ou seja, crendo que sua conduta 
não é ilícita, proibida e, neste caso, no plano da autoria as consequências serão as mesmas, imputando-se o 
crime somente ao terceiro que determinou o erro (autor mediato), em face da ausência de culpabilidade do 
agente que atuou em erro. Exemplo: Um advogado fala para alguém que determinada conduta não está mais 
proibida, que foi descriminalizada, levando este então a realizar o fato em erro sobre sua proibição. Neste 
caso, responde pelo fato apenas o advogado, terceiro que determinou o erro, autor mediato do crime. 
C) Utilizar instrumento impunível em razão de condição ou qualidade pessoal 
Nestas hipóteses de autoria mediata essencialmente está se falando dosinimputáveis (Arts. 26 e 27 
do CP), ou seja, quando o autor mediato se utiliza, por exemplo, de um louco, débil mental, ou mesmo de 
uma criança, para a praticar um crime. 
Por fim, é importante lembrar que para a maioria da doutrina e jurisprudência, os crimes de mão 
própria (Ex.: Falso testemunho – Art. 342 CP, Desobediência – Art. 330 CP) não admitem a autoria mediata, 
pois esta classificação de crime está vinculada ao vetusto critério restritivo de autoria, e estes exigem que o 
autor realize pessoalmente o verbo núcleo do tipo penal, com as “próprias mãos”.(somente autor executor). 
Parte da doutrina entende ser um equívoco tratar como mera participação claras situações de autoria 
mediata apenas por vinculação a uma antiga classificação doutrinaria (crime de mão própria), visto que esta 
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foi criada sob a égide de outros critérios dominantes, delimitadores do conceito de autoria (critério 
restritivo). 
Exemplo: Indivíduo que coage de forma irresistível alguém a mentir em juízo. Sob a ótica da teoria 
do domínio do fato, o coator deverá ser visto como autor mediato do crime de falso testemunho – Art. 342 
CP – embora este seja tradicionalmente classificado como um crime de mão própria. 
Por outro lado, nada impede que haja autoria mediata em crimes próprios (em que o tipo penal exige 
características específicas do sujeito ativo), como por exemplo em um Peculato – Art. 312 CP – sendo que, 
para isso, basta que o autor mediato possua as características exigidas pelo tipo, independentemente de o 
agente executor da conduta possuir, ou não, essas características. 
Autoria colateral 
Na autoria colateral dois indivíduos, ao mesmo tempo e nas mesmas circunstâncias, realizam o 
mesmo fato contra uma mesma vítima, contudo, um não sabe da existência do outro, não havendo acordo 
prévio de vontades entre eles, e por isso não se pode falar em coautoria nem se utilizar a Teoria monista, 
do Art. 29 do CP. 
Conforme visto, no concurso de pessoas aplica-se a Teoria monista, pela qual todos os agentes 
respondem pelo mesmo crime e pelo resultado produzido, porém, não é o caso da autoria colateral, pois 
nela não há acordo de vontades, não há liame subjetivo entre os agentes, elemento necessário e 
fundamental para que haja concurso de agentes (coautoria ou participação). 
Por isso, conforme dissemos, nas hipóteses de autoria colateral não será possível se aplicar a Teoria 
monista, respondendo cada agente exclusivamente por aquilo que tiver feito e por aquilo que causar. 
No clássico exemplo do homicídio em que dois agentes, um sem saber do outro, atuam 
simultaneamente contra a mesma vítima, aquele que alcançou o resultado, responderá por sua forma 
consumada, enquanto o outro agente (autor colateral), responderá apenas pela forma tentada do crime. 
Exemplo: ‘A’ e ‘B’ são desafetos de ‘C’. Simultaneamente, mas um sem saber do outro, ‘A’ atira para matar 
atingindo o peito de ‘C’, porém ‘B’, atirando também para matar, atinge no braço de ‘C’. Consequentemente 
‘C’ morre, e diante de perícias, se detecta que ‘C’ morreu pelo disparo de ‘A’. Sendo assim, ‘A’ responderá 
por homicídio consumado, enquanto ‘B’ responderá apenas por tentativa de homicídio. (autores colaterais) 
. 
A autoria colateral possui ainda uma subespécie chamada de autoria colateral incerta, que embora 
decorra de uma situação fática semelhante, onde também não há liame subjetivo entre os agentes, terá 
consequências diferentes quanto a imputação do crime para os sujeitos. 
Autoria colateral incerta 
A autoria colateral incerta ocorre quando, em uma hipótese de autoria colateral, não é possível se 
identificar qual dos autores deu causa ao resultado, ou seja, nada mais é do que uma autoria colateral em 
que não é possível dizer qual dos agentes consumou o fato. 
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Na autoria incerta, como não é possível se identificar qual dos agentes deu causa ao resultado 
produzido, e não havendo acordo de vontades nem concurso de pessoas entre eles, ambos devem responder 
apenas pela tentativa do crime praticado, ainda que objetivamente o crime tenha se consumado. 
Na autoria colateral incerta, devido a falta de liame subjetivo, não será possível se utilizar a Teoria 
Monista para imputar o resultado produzido para ambos os agentes e, como não se pode provar quem 
efetivamente deu causa ao resultado, também não será possível a imputação do crime consumado 
aleatoriamente a um dos agentes sem a certeza de que foi ele quem deu causa e produziu o resultado. 
Logo, em face do princípio do in dubio pro reo e da conhecida presunção de inocência percebe-se 
que, na autoria colateral incerta, por não se tratar de concurso de pessoas, só será possível se imputar aos 
agentes aquilo que comprovadamente cada agente efetivamente realizou, por isso a única solução será que 
ambos responderão apenas pela a tentativa do crime realizado. 
Exemplo: ‘A’ e ‘B’ são desafetos de ‘C’. Simultaneamente, mas um sem saber do outro, ‘A’ atira para 
matar, atingindo o peito de ‘C’ e ‘B’ atira, também para matar, mas atinge somente o braço de ‘C’. ‘C’ morre, 
mas através de perícia não é possível detectar qual dos dois disparos causou sua morte. Sendo assim, se não 
foi possível provar qual dos dois gerou o resultado ‘A’ responde por homicídio tentado e ‘B’ também 
responde por homicídio tentado, já que, pela ausência de liame subjetivo, não é possível se imputar a morte 
consumada a ambos através da teoria monista. 
Não se deve confundir a autoria (colateral) incerta com a chamada autoria desconhecida, instituto 
processual penal, que decorre da situação em que, diante de um crime, simplesmente não se sabe quem 
foi o autor do fato, apenas não havendo provas de quem foi o responsável pela sua prática, o que 
impossibilita o oferecimento da denúncia e o início do processo penal. 
Autoria de escritório 
É o caso do agente que emite a ordem para que outro indivíduo, igualmente culpável, pratique o 
fato criminoso. Esta espécie de autoria pode ser comumente identificada no âmbito de organizações 
criminosas, estruturadas hierarquicamente, em que certo indivíduo, exercendo funções de comando, 
determina o cometimento de crimes por agentes que se encontram em posições subalternas e que podem 
substituir-se, ou seja, se aquele a quem foi originariamente emitida a ordem não a cumpre, outro membro 
da organização poderá fazê-lo. Há, no caso, autoria, e não participação, porque o domínio do fato por parte 
de quem determina a prática do crime é de tal forma relevante que não basta encarar sua conduta como 
simples instigação. 
Na lição de Zaffaroni e Pierangeli: 
"Aquele que `concorre para o crime' é autor do delito, e o é determinado por este. 
Trata-se de casos em que a doutrina alemã vem se ocupando há pouco mais de 
vinte anos, e que são conhecidos por `autoria de escritório'. Esta forma de autoria 
mediata pressupõe uma `máquina de poder', que pode ocorrer tanto num Estado 
em que rompeu com toda a ilegalidade, como numa organização paraestatal (um 
Estado dentro do Estado), ou como uma máquina de poder autônoma `mafiosa', 
por exemplo. Não se trata de qualquer associação para delinquir, e sim de uma 
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organização caracterizada pelo aparato de seu poder hierarquizado, e pela 
fungibilidade de seus membros (se a pessoa determinada não cumpre a ordem, 
outro a cumprirá; o próprio determinador faz parte da organização). (...) 
Parece ser bem pouco discutível que, em tal hipótese, têm o domínio do fato tanto o executor ou 
determinador, como o determinado, conquanto sejam ambos culpáveis, oque daria lugar a uma forma de 
autoria mediata especial, em que a inserção de ambos no aparato de poder antijurídico coloca ambos na 
posição de autores responsáveis, com pleno domínio do fato. 
Autoria por determinação 
Trata-se de modalidade anômala de autoria, que permite a imputação de um crime a certos agentes 
que atuem em situações específicas, levando outrem a cometer ilícitos, porém, diante do caso concreto, não 
seria possível atribuir a autoria mediata ou mesmo a participação a eles. 
Trabalhada por E. R. Zaffaroni, esta modalidade é aplicável em casos muito específicos, quando o 
sujeito determina que outrem realize um crime, porém este que é determinado sequer realiza conduta, já 
que atua de forma involuntária (p. ex hipnotizado). 
Logo, se em certas hipóteses o sujeito ao atuar não realizar sequer uma conduta típica, quem o levou 
a agir assim não poderá ser considerado nem autor mediato nem partícipe do fato, abrindo espaço para se 
falar nesta forma anômala de autoria, chamada autoria por determinação, que pode ser vista como um tipo 
especial de concorrência delituosa. 
Nestas hipóteses, e de acordo com o conceito em questão, entende-se que mesmo não havendo 
autoria mediata ou participação, é possível se imputar ao agente o crime praticado, sendo este visto como 
autor da determinação em relação ao fato realizado. 
Exemplo: Determinada pessoa hipnotiza um homem e o faz estuprar uma mulher que estava drogada 
e inconsciente. Responde pelo crime (estupro de vulnerável – Art. 217-A do CP) a pessoa que determinou 
essa prática do estupro, sendo autor da determinação, já que não se pode falar em autoria mediata pelo fato 
do executor do ato sexual estar hipnotizado, e por isso não ter realizado sequer uma conduta voluntária. 
1.3 Coautoria 
Verifica-se a coautoria nas hipóteses em que dois ou mais indivíduos, ligados subjetivamente, 
praticam a conduta (comissiva ou omissiva) que caracteriza o delito. A coautoria, em última instância, é a 
própria autoria delineada por vários indivíduos. 
É imprescindível que a atuação de cada indivíduo se dê com a consciência de que contribui para a 
mesma infração penal, em conjunto com os demais, ainda que não haja acordo prévio. Se não há o vínculo 
subjetivo, descaracteriza-se o concurso de pessoas, e emerge a autoria colateral (já estudada). 
A relação entre os agentes na coautoria não é de acessoriedade, pois a função desenvolvida por cada 
um deles é determinante para a obtenção do resultado. Ainda que nem todos executem o mesmo ato, a 
coautoria se caracteriza pela imprescindibilidade da contribuição de cada um deles. 
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A coautoria pode ser parcial ou direta 
A) Será parcial quando os (co)autores se dedicam a atos de execução diversos que, reunidos, 
possibilitam o alcance do resultado pretendido. É o caso, por exemplo, do crime de roubo em que um agente 
ameaça as vítimas enquanto outro as subtrai. 
B) Será direta quando todos os (co)autores do crime executam a mesma conduta, como no caso dos 
indivíduos que, ao mesmo tempo, ameaçam e despojam as vítimas de seus bens. 
A coautoria é compatível com os crimes próprios tanto se todos os autores forem dotados da 
característica necessária para a incidência da norma específica quanto se apenas um deles o for e esta 
característica ingresse na esfera de conhecimento dos demais. 
Assim, o peculato pode ser cometido por dois funcionários públicos conluiados ou por um funcionário 
público e um particular que tenha conhecimento de que seu comparsa exerce a função pública e pratica o 
crime se valendo da facilidade que o cargo lhe proporciona. 
Já os crimes de mão própria, em regra, não comportam a coautoria, pois somente podem ser 
cometidos por determinado agente designado no tipo penal. 
Exige-se a atuação pessoal do sujeito ativo, que não pode ser substituído por mais ninguém. Aponta 
a doutrina apenas uma exceção, consistente na falsa perícia firmada dolosamente por dois ou mais expertos 
conluiados. 
Ainda sobre o tema, fala-se na coautoria sucessiva, que ocorre quando a conduta foi iniciada em 
autoria exclusiva e a consumação se dá com a colaboração de outro indivíduo, sem que tenha havido prévia 
combinação. 
Finalmente, existe a figura do executor de reserva, que garante presença durante a execução e 
permanece à disposição para intervir caso seja necessário. Conservando-se à disposição, será considerado 
partícipe, mas, detectando-se sua intervenção, será coautor. 
Coautoria em crimes culposos 
Quanto à possibilidade de coautoria nos crimes culposos há duas posições na doutrina: 
A) Não é possível coautoria em crime culposo: 
Havendo dois ou mais agentes que concorram culposamente para um resultado, todos serão 
reconhecidos apenas como autores (independentes) do crime culposo realizado. Para esse entendimento 
não se admite a coautoria em crime culposo, visto não ser possível preencher o requisito do acordo de 
vontades, liame subjetivo, pois nos crimes culposos não há sequer previsão, mas apenas previsibilidade do 
resultado. (Posição minoritária). 
 B) É plenamente possível a coautoria nos crimes culposos: 
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De acordo com essa posição o liame subjetivo, exigido para a coautoria, seria apenas um acordo de 
vontades para a prática de um ato (imprudente) e não necessariamente para prática de um crime. Essa 
corrente defende a possibilidade de coautoria em crime culposo, visto haver a possibilidade de acordo de 
vontades (liame subjetivo) para a prática de um fato imprudente que acabe gerando um resultado típico, ou 
seja, não há a necessidade de haver um acordo de vontades efetivamente para a prática de crime. (Nesse 
sentido Rogério Greco e César Roberto Bittencourt – Posição majoritária) 
Por exemplo: se dois pedreiros combinam que vão jogar uma tábua do alto de uma construção e essa 
tábua acaba acidentalmente por acertar um transeunte, matando-o, os indivíduos responderão pelo 
homicídio culposo em coautoria, eis que combinaram a prática daquele fato imprudente que deu causa ao 
resultado. 
Coautoria em crimes omissivos 
Há divergência também no tocante à possibilidade de coautoria em crimes omissivos, sejam eles 
próprios ou impróprios, dividindo-se a doutrina em duas posições, são elas: 
A) Não é possível a coautoria em crimes omissivos: 
Não há como se ter a comum realização do fato em uma omissão, ou seja, por mais que tenha havido 
um acordo de vontades para uma não atuação, a omissão de um autor não colabora para a omissão do outro. 
Portanto, na verdade haverá apenas duas omissões independentes, ocorrendo simultaneamente, e cada 
agente terá se omitido do seu próprio dever de agir (Posição minoritária). 
B) Existe a possibilidade de coautoria na omissão: 
A coautoria na omissão ocorre quando, mediante um acordo de vontades, dois agentes resolvem que 
irão se omitir diante de uma situação de perigo e, embora não seja comum, é possível que haja um comum 
acordo (liame subjetivo) para não agir, caracterizando assim uma coautoria omissiva. Neste caso haveria 
uma omissão conjunta gerando a coautoria no crime omissivo, seja ele omissivo impróprio (garantidores) ou 
omissivo próprio. (Nesse sentido Rogério Greco e César Roberto Bittencourt – Posição majoritária). 
Multidão delinquente 
Ocorre o cometimento de crime por multidão delinquente nas hipóteses em que, afastada a 
associação criminosa ou outra forma de delinquência organizada, o fato ocorre por influência de indivíduos 
reunidos, que, em clima de tumulto ou manipulação, tornam-se desprovidos de limites éticos e morais. 
Embora o fato ocorra, normalmente, em situações de excepcional comoção, permanece íntegro o liame 
subjetivo que, mesmo na multidão,designa o concurso de pessoas. 
As situações em que o fato ocorre por ação de multidão criminosa dificulta sobremaneira
individualização da conduta, pois dificilmente é possível estabelecer em pormenores a ação de cada 
indivíduo. Efetivamente, se, durante um saque a um supermercado, quarenta indivíduos atuam para 
promover o arrombamento, e subtraem produtos diversos, dificilmente será possível, em eventual denúncia, 
particularizar a conduta de cada um, descrevendo, por exemplo, a forma como entrou no local e os produtos 
que subtraiu. 
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Por isso, sob pena de obstar a aplicação da lei penal, dispensa-se, nestes casos, a individualização 
das condutas, bastando que se demonstre a contribuição de cada indivíduo para a causação do resultado. 
Nesses casos, a lei penal anuncia uma atenuante de pena, prevista no art. 65, inc. III, e, do Código Penal (salvo 
para aquele que promoveu ou organizou a cooperação no crime ou dirigiu a atividade dos demais agentes, 
indivíduo que merece a agravante do art. 62, inc. I, do Código Penal). 
1.4 Participação 
É a modalidade de concurso de pessoas em que o sujeito não realiza diretamente o núcleo do tipo 
penal, mas de qualquer modo concorre para o crime. É, portanto, qualquer tipo de colaboração, desde que 
não relacionada à prática do verbo contido na descrição da conduta criminosa. 
Exemplo: é partícipe de um homicídio aquele que, ciente do propósito criminoso do autor, e disposto 
a com ele colaborar, empresta uma arma de fogo municiada para ser utilizada na execução do delito. 
Portanto, a participação reclama dois requisitos: 
(1) propósito de colaborar para a conduta do autor (principal); e 
(2) colaboração efetiva, por meio de um comportamento acessório que concorra para a conduta 
principal. 
1.4.1 Espécies 
Inicialmente, a participação pode ser moral ou material: 
Participação moral é aquela em que a conduta do agente se restringe a induzir ou instigar terceira 
pessoa a cometer uma infração penal. Não há colaboração com meios materiais, mas apenas com ideias de 
natureza penalmente ilícitas. 
Induzir é fazer surgir na mente de outrem a vontade criminosa, até então inexistente. Exemplo: “A” 
narra a “B” sua inimizade com “C” criada em razão de uma rivalidade esportiva antiga. “B” o induz a matar 
seu desafeto, dizendo ser o único meio adequado para se livrar desse problema. 
Instigar é reforçar a vontade criminosa que já existe na mente de outrem. No exemplo citado, “A” 
diz a “B” que deseja matar “C”, sendo por ele estimulado a prosseguir em seu intento. 
O induzimento e a instigação devem ser relacionados à prática de crime determinado e direcionados 
a pessoa ou pessoas determinadas. Assim sendo, se alguém induzir ou instigar pessoas indeterminadas à 
realização de um crime, necessariamente determinado, não será tratado como partícipe, mas como autor de 
incitação ao crime, figura delineada pelo art. 286 do Código Penal. Além disso, como o induzimento e a 
instigação se limitam ao aspecto moral da pessoa, normalmente ocorrem na fase da cogitação. Nada 
impede, entretanto, sejam efetivados durante os atos preparatórios. 
E, relativamente à instigação, é possível a sua verificação até mesmo durante a execução, 
principalmente para impedir a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. Exemplo: "A” atinge “B” em 
uma de suas pernas com um tiro. Para e reflete se prossegue ou não na execução do crime. Nesse instante, 
surge “C” para reforçar o propósito criminoso já existente, encorajando o autor a consumar o delito. Frise-se 
ser o induzimento incompatível com os atos executórios. Com efeito, se o autor já iniciou a execução, é 
porque já tinha em mente a ideia criminosa. 
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Por sua vez, na participação material a conduta do sujeito consiste em prestar auxílio ao autor da 
infração penal. 
Auxiliar consiste em facilitar, viabilizar materialmente a execução da infração penal, sem realizar 
a conduta descrita pelo núcleo do tipo. Exemplo: levar o autor ao local da emboscada com a finalidade de 
assegurar a prática de um crime de homicídio. O partícipe que presta auxílio é chamado de cúmplice. 
O auxílio pode ser efetuado durante os atos preparatórios ou executórios, mas nunca após a 
consumação, salvo se ajustado previamente. Deveras, o auxílio posterior à consumação, mas objeto de 
ajusto prévio entre os agentes, caracteriza participação. De seu turno, o auxílio posterior à consumação, 
porém não ajustado antecipadamente, não configura participação, e sim o crime autônomo de 
favorecimento pessoal, definido no art. 348 do Código Penal. Vejamos dois exemplos: (a) João e Maria 
convencionam a morte de Pedro. No horário e local acertados, aquele atira contra a vítima, e sua comparsa 
o encontra, de carro, instantes após a execução do crime, e fogem juntos para outra cidade. João é autor do 
homicídio, no qual Maria figura como partícipe; e (b) Paulo mata Antônio. Fernanda, que não estava ciente 
do crime, encontra o homicida logo após a prática do fato, e o leva para outra cidade, com a finalidade de 
evitar a sua prisão. João é autor do homicídio, e Maria responde pelo delito de favorecimento pessoal. 
1.4.2 Punição do partícipe 
1.4.2.1 Teorias da acessoriedade 
Como a participação é acessória e está sempre vinculada ao fato principal do autor, surgiram quatro 
teorias delimitadoras das características que são necessárias a esse fato principal do autor para que se possa 
considerar uma participação como punível e imputar o crime ao partícipe. 
Essas teorias são as chamadas de teorias da acessoriedade. Em suma, essas quatro teorias vêm para 
determinar quais os aspectos que o fato principal do autor deve apresentar para que se possa, nas bases da 
teoria monista (Art. 29 CP), imputar ao partícipe o mesmo crime realizado pelo autor, de acordo com a sua 
participação na empreitada criminosa. São elas: 
a) Teoria da acessoriedade mínima 
De acordo com esta teoria para que haja participação basta que a conduta do partícipe integre e 
colabore com uma conduta principal do autor que seja típica, independentemente de se confirmar, ou não, 
a ilicitude e a culpabilidade deste fato realizado pelo autor. 
Isso significa dizer que, para haver uma participação punível basta que o fato principal do autor seja 
típico e, por isso, uma eventual causa de exclusão de ilicitude na situação concreta só iria afastar a 
responsabilidade pelo crime do próprio autor que nela se encontre, mantendo assim a responsabilização 
penal do partícipe que colaborou para o fato típico por ele praticado. Na prática, de acordo com essa teoria, 
mesmo que o autor seja absolvido por uma excludente de ilicitude, o partícipe que colaborou para o fato 
típico continuaria podendo responder pelo crime. 
b) Teoria da acessoriedade limitada (Código Penal) 
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Esta teoria afirma que, para haver participação é preciso que a conduta do partícipe integre uma 
conduta principal do autor que seja típica e ilícita, logo, uma eventual causa de exclusão da ilicitude do autor 
afastará também a ilicitude, e a própria responsabilidade penal, do partícipe. Exemplo: Se um partícipe 
empresta uma arma a “B” para que este mate “C”, mas “B”, antes de agir, se vê atacado por “C” e repele esta 
injusta agressão, agindo, portanto, em legítima defesa, por qual crime responderá o partícipe? A resposta 
dependerá da teoria da acessoriedade adotada para a análise da situação concreta. Pela primeira teoria 
mencionada (acessoriedade mínima), o partícipe responderia pelo homicídio doloso pois, para esta vertente, 
basta que o fatoprincipal seja típico para se imputar o crime ao partícipe, mesmo que o autor venha a ser 
absolvido pela exclusão da ilicitude. Já para a segunda teoria (acessoriedade limitada) o fato principal do 
autor deve ser típico e também ilícito, por isso, no caso narrado, o partícipe não responderia por nada, devido 
à exclusão da ilicitude da conduta do autor que se comunicaria a ele. 
Em suma, de acordo com a acessoriedade limitada, havendo uma excludente de ilicitude na conduta 
do autor, o partícipe também será beneficiado por ela, não respondendo pelo crime. 
c) Teoria da acessoriedade extremada ou extrema 
De acordo com essa vertente teórica para que haja participação a conduta do partícipe deverá 
integrar uma conduta principal do autor que seja típica, ilícita e culpável. Daí o nome de acessoriedade 
extrema, vez que vincula todos os elementos que integram o conceito de crime como requisitos necessários 
à conduta principal do autor para que a participação seja punível, sendo assim, mesmo havendo exclusão 
apenas da culpabilidade do autor, estaria afastada também a responsabilidade penal do partícipe. 
d) Teoria da hiperacessoriedade 
Nas bases desta última vertente teórica, para que haja participação seria preciso que a conduta do 
partícipe integrasse uma conduta principal do autor que fosse típica, ilícita, culpável e também punível, ou 
seja, é preciso que haja punibilidade no fato principal do autor, é preciso que se constate a possibilidade de 
aplicação da pena a ele, para que se possa responsabilizar também o partícipe. 
De todas as teorias apresentadas, podemos afirmar que a teoria da acessoriedade limitada é
adotada de forma amplamente majoritária em nosso ordenamento jurídico, embora haja divergência 
doutrinária, principalmente quanto a possibilidade de aplicação da primeira teoria (acessoriedade mínima) 
em detrimento da segunda, que é dominante (acessoriedade limitada). 
MÍNIMA FATO TÍPICO 
LIMITADA FATO TÍPICO + ILÍCITO 
MÁXIMA OU EXTREMA 
FATO TÍPICO + ILÍCITO + 
PRATICADO POR AGENTE 
CULPÁVEL 
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TEORIAS SOBRE A 
ACESSORIEDADE DA CONDUTA DO 
PARTÍCIPE 
HIPERACESSORIEDADE 
FATO TÍPICO + ILÍCITO + AGENTE 
CULPÁVEL + PUNIÇÃO EFETIVA DO 
AGENTE NO CASO CONCRETO 
Participação de menor importância 
Estabelece o art. 29, § 1.°, do Código Penal: “Se a participação for de menor importância, a pena pode 
ser diminuída de 1/6 (um) sexto a 1/3 (um terço)”. Cuida-se de causa de diminuição da pena. É aplicável, 
pois, na terceira fase da fixação da pena. Em que pesem posições em contrário, trata-se de direito subjetivo 
do réu. Assim, se provada sua participação de menor importância, o magistrado deve diminuir a pena. Sua 
discricionariedade reserva-se apenas no que diz respeito ao montante da redução, dentro dos limites legais. 
Participação de menor importância, ou mínima, é a de reduzida eficiência causal. Contribui para a 
produção do resultado, mas de forma menos decisiva, razão pela qual deve ser aferida exclusivamente no 
caso concreto. 
Nessa linha de raciocínio, o melhor critério para constatar a participação de menor importância é, 
uma vez mais, o da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non. 
Anote-se que a diminuição da pena se relaciona à participação, isto é, ao comportamento adotado 
pelo sujeito, e não à sua pessoa. Portanto, suas condições pessoais (primário ou reincidente, perigoso ou 
não) não impedem a redução da reprimenda, se tiver contribuído minimamente para a produção do 
resultado. Como a lei fala em “participação”, não é possível a diminuição da pena ao coautor. 
A propósito, não há como se conceber uma coautoria de menor importância, ou seja, a prática de 
atos de execução de pouca relevância. O coautor sempre tem papel decisivo no deslinde da infração penal. 
Além disso, prevalece na doutrina o entendimento de que o dispositivo legal não se aplica ao autor 
intelectual, embora seja partícipe, pois, se arquitetou o crime, evidentemente a sua participação não se 
compreende como de menor importância. Não se deve confundir participação de menor importância com 
participação inócua. 
Participação inócua é aquela que em nada contribuiu para o resultado. É penalmente irrelevante, 
pois se não deu causa ao crime é porque a ele não concorreu. Exemplo: “A” empresta uma faca para “B” 
matar “C”. Precavido, contudo, “B” compra uma arma de fogo e, no dia do crime, sequer leva consigo a faca 
emprestada por “A”, cuja participação foi, assim, inócua. 
Participação impunível 
Preceitua o art. 31 do Código Penal: “O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo 
disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado”. 
A impunibilidade prevista no dispositivo legal não deve ser atribuída ao agente, mas ao 
fato. Cuida-se de causa de atipicidade da conduta do partícipe, e não de causa de isenção da 
pena. 
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Ajuste é o acordo traçado entre duas ou mais pessoas. Determinação é o que foi decidido por 
alguém, almejando uma finalidade específica. O ajuste, a determinação, a instigação e o auxílio devem se 
dirigir a pessoa ou pessoas determinadas, visando a prática de um crime ou de crimes também 
determinados. 
Essa regra decorre do caráter acessório da participação: o comportamento do partícipe só adquire 
relevância penal se o autor (conduta principal) iniciar a execução do crime (princípio da executividade da 
participação). E para fazê-lo, deve ingressar na esfera da tentativa, pois o art. 14, II, do Código Penal a ela 
condicionou a punição dos atos praticados pelo agente. 
Destarte, não é punível, exemplificativamente, o simples ato de contratar um pistoleiro profissional 
para matar alguém. A conduta do partícipe (encomendar a morte) somente será punível se o contratado 
praticar atos de execução do homicídio, pois, caso contrário, estará configurado o quase crime. 
Destaca-se, porém, a locução “salvo disposição expressa em contrário”. O Código Penal assim agiu 
para ressaltar que, em situações taxativamente previstas em lei, é possível a punição do ajuste, da 
determinação, da instigação e do auxílio como crime autônomo. Reclama, evidentemente, expressa previsão 
legal. 
É o que se dá nos delitos de incitação ao crime (CP, art. 286) e de associação criminosa (CP, art. 288). 
Na associação criminosa, por exemplo, a lei tipificou de forma independente a conduta de associarem-se três 
ou mais pessoas para o fim específico de cometer crimes. Existe o crime com a associação estável e 
permanente, ainda que os agentes não venham efetivamente a praticar nenhum delito. E, não fosse a 
exceção apontada pelo art. 31 do Código Penal, seria vedado punir o ato associativo, enquanto não se 
praticasse um crime para o qual o agrupamento fora idealizado. 
JÁ CAIU EM PROVA - Órgão: PM-MG Prova: PM-MG - 2023 - PM-MG - Oficial da Polícia Militar 
A respeito do concurso de pessoas no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código 
Penal), analise as assertivas abaixo e, ao final, responda o que se pede: 
I. A participação de menor importância trata-se de exceção à teoria monista adotada pelo 
Código Penal. 
II. Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena 
deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais 
grave. 
III. As circunstâncias objetivas, no concurso de agentes, se comunicam, desde que o partícipe 
tenha conhecimento delas. 
IV. Para que haja concurso de pessoas é necessário a existência do ajuste prévio entre os autores 
do crime. 
Marque a alternativa que contém a resposta CORRETA. 
A) Somente as assertivas II e III são verdadeiras. 
B)As assertivas I, II, III e IV são verdadeiras. 
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C) Somente a assertiva II é verdadeira. 
D) Somente as assertivas III e IV são verdadeiras. 
Gabarito: A 
Participação por omissão 
A participação por omissão é possível, desde que o omitente, além de poder agir no caso concreto, 
tivesse ainda o dever de agir para evitar o resultado, por se enquadrar em alguma das hipóteses delineadas 
pelo art. 13, § 2.°, do Código Penal. 
Exemplo: é partícipe do furto o policial militar que presencia a subtração de bens de uma pessoa e 
nada faz porque estava fumando um cigarro e não queria apagá-lo. 
Conivência 
Também chamada de participação negativa, crime silente, ou concurso absolutamente negativo, é 
a participação que ocorre nas situações em que o sujeito não está vinculado à conduta criminosa e não 
possui o dever de agir para impedir o resultado. Exemplo: um transeunte assiste ao roubo de uma pessoa 
desconhecida e nada faz. Não é partícipe. Portanto, o mero conhecimento de um fato criminoso não confere 
ao indivíduo a posição de partícipe por força de sua omissão, salvo se presente o dever de agir para impedir 
a produção do resultado. 
Participação em cadeia 
Nada impede que haja a chamada participação em cadeia, ou seja, “participação na participação” 
quando, dolosamente, querendo a ocorrência de um crime, determinado agente participa na atuação de 
alguém para que este venha a ser partícipe do crime realizado por determinado autor. 
Neste caso, todos os envolvidos na cadeia de participação serão considerados como partícipes do 
fato, e portanto, responderão igualmente pelo crime realizado pelo autor, seguindo a Teoria Monista 
adotada pelo CP (Art. 29 CP). 
Um simples exemplo explica e elucida o instituto da participação em cadeia, que é admitida de forma 
ampla por nossa doutrina: – “A” induz “B”, que é seu amigo, a induzir “C” para que este mate “D”, seu 
desafeto. Todos (A e B) respondem pelo homicídio de “D” como partícipes de “C”, que será o autor executor 
do crime. 
Participação sucessiva 
A participação sucessiva é possível nos casos em que um mesmo sujeito é instigado, induzido ou 
auxiliado por duas ou mais pessoas, cada qual desconhecendo o comportamento alheio, para executar uma 
infração penal. Exemplo: “A” sugere a “B” a prática de um roubo para quitar suas dívidas bancárias. Depois 
de refletir sobre a ideia, e sem contar a sua origem, consulta “C”, o qual o estimula a assim agir. “B” pratica 
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o roubo. “A” e “C” são partícipes do crime, pois para ele concorreram. A participação sucessiva deve ter sido 
capaz de influir no propósito criminoso, pois, se a ideia já estava perfeitamente sedimentada na mente do 
agente, será inócua a participação posterior, impedindo a punição do seu responsável. 
1.5 Concurso de pessoas em crimes culposos 
É possível haver coautoria em crimes culposos? Sim! 
A doutrina majoritária entende que cabe coautoria em crimes culposos, quando a situação de perigo 
tenha criada em conjunto, pois o resultado é obra comum imputado a todos os concorrentes. 
 Obs.: em uma prova discursiva é importante mencionar que existe forte corrente doutrinária no 
sentido de que não seria possível coautoria em crimes culposos, tendo em vista que o dever objetivo de 
cuidado é indecomponível. Nesse sentido: Nilo Batista, Juarez Cirino, Juarez Tavares. 
É possível haver participação em crimes culposos? Não! 
A doutrina majoritária entende que não cabe participação dolosa em crime culposo e nem 
participação culposa em crime doloso. Isso porque, além de não haver liame subjetivo, os crimes culposos 
são tipos penais abertos, de modo que toda conduta que colaborar para o crime culposo, configurará violação 
do dever objetivo de cuidado. Ou seja: todo serão coautores! 
 Obs.: Rogério Grecco entende que cabe participação em crimes culposos quando o agente induz 
outrem a violar o dever objetivo de cuidado. Trata-se de posição minoritária no ordenamento jurídico 
brasileiro. 
Conclusão: Nos crimes culposos, cabe coautoria, mas não cabe participação! 
1.6 Concurso de pessoas em crimes omissivos 
É possível haver coautoria em crimes omissivos? Trata-se de tema muito controvertido! 
● 1ª posição – Nilo Batista: Não é cabível coautoria, pois se as pessoas possuírem o dever de agir (seja 
genérico, seja específico) elas cometerão isoladamente o crime. Cada um será o autor do seu próprio 
crime omissivo. 
● 2ª posição – Rogério Greco e Bittencourt: É cabível a coautoria desde que haja unidade de desígnios, 
ou seja, desde que as pessoas tenham o dever de agir e, de comum acordo, deixem de praticar a 
conduta devida. Ex.: duas pessoas estão vendo outra que acabou de sofrer um acidente de carro 
gravemente ferida e não fazem nada – ambos serão considerados coautores no crime de omissão de 
socorro. (Prevalece!) 
É possível haver participação em crimes omissivos? Sim! 
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Apesar de também haver divergência doutrinária, prevalece que cabe participação “por ação” em 
crimes omissivos, através da participação moral (instigação ou induzimento). Ex.: a pessoa poderia instigar o 
garante a não impedir o resultado, por exemplo. Nesse caso, o garantidor seria autor do crime, enquanto 
aquele que o induziu seria partícipe do crime. 
 Vale lembrar que a participação por omissão só será possível caso o agente tenha o dever e a 
possibilidade de agir (seja garantidor na forma do art. 13, §2º, CP). Ex: policial que presencia uma mulher 
sendo vítima de roubo e, mesmo podendo, nada faz, pois estava falando ao telefone. Ele será partícipe. 
Participação dolosamente distinta 
Na cooperação dolosamente distinta percebe-se o desvio subjetivo de condutas entre os agentes, 
em que um dos concorrentes do crime pretendia integrar ação criminosa menos grave do que aquela 
efetivamente praticada. Neste caso, ser-lhe-á aplicada a pena do crime que pretendia cometer, aumentada 
até metade na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave (art. 29, §2º). 
Art. 29, §2º, CP - Se algum dos concorrentes (coautor e partícipe) quis participar 
de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada
até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. 
Tendo o Código Penal utilizado o termo "concorrentes', aplica-se a disposição tanto aos coautores 
quanto aos partícipes. Exemplo 1: Pedro determina a Antônio que mantenha Maria em cárcere privado, mas 
Antônio, excedendo o mandato, decide exigir o pagamento de resgate por parte da família de Maria; Exemplo 
2: Pedro e Antônio iniciam, em concurso, um roubo na residência de Maria, mas, durante a execução, Antônio 
decide estuprar Maria, à revelia de seu comparsa, que se encontrava em outro cômodo da casa. 
Em ambos os casos, o primeiro de participação e o segundo de coautoria, houve desvio subjetivo, 
pois um dos agentes não pretendia cometer os crimes de extorsão mediante sequestro e de estupro. A 
aplicação da pena relativa ao crime menos grave de que o agente quis participar tem como finalidade impedir 
a responsabilidade objetiva no concurso de pessoas, pois, se o crime mais grave não integrou a esfera 
volitiva do agente, não é possível lhe atribuir o resultado daí advindo. 
Na realidade, em virtude da ausência de liame subjetivo, sequer se pode considerar perfeito o 
concurso de pessoas, existente apenas sobre o delito menos grave. O dispositivo anuncia que a 
previsibilidade do resultado mais grave continua merecendo a pena do crime menos grave, mas aumentada 
até a metade, já que a conduta é mais reprovável. 
JÁ CAIU EMPROVA - Órgão: PM-MG Prova: PM-MG - 2015 - PM-MG - Aspirante da Polícia 
Militar 
A respeito do CONCURSO DE PESSOAS, analise as assertivas abaixo: 
I - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, 
independentemente da sua culpabilidade. 
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II - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena 
deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais 
grave. 
III - As circunstâncias e as condições de caráter pessoal sempre se comunicam. 
IV - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, 
não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado. 
Estão CORRETAS as assertivas: 
A) IV apenas. 
B) II e IV, apenas. 
C) I e III, apenas. 
D) II e III, apenas. 
Gabarito: B 
Vamos relembrar? 
CRIME COMUM CRIME PRÓPRIO CRIME DE MÃO PRÓPRIA 
O tipo penal não exige
qualidade ou condição 
especial do agente. 
O tipo penal exige
qualidade ou condição 
especial do agente 
O tipo penal também exige qualidade ou condição 
especial do agente. 
Admite coautoria e
participação 
Admite coautoria e
participação 
Só admite participação*. Não admite coautoria (por 
isso, é chamado de delito de conduta infungível), pois 
somente a pessoa pode praticar o delito, ainda que 
auxiliada por alguém (regra). 
Cuidado! Falsa Perícia, crime de mão própria, 
excepcionalmente admite coautoria. 
Na jurisprudência: 
Latrocínio e cooperação dolosamente distinta 
Em regra, o coautor que participa de roubo armado responde pelo latrocínio ainda 
que o disparo tenha sido efetuado só pelo comparsa. Essa é a jurisprudência do STJ 
e do STF. Entretanto, se um dos agentes quis participar de crime menos grave, ser-
lhe-á aplicada a pena deste. Logo, se o coautor que não atirou não queria participar 
do latrocínio, não responderá por esse crime mais grave. STF. 1ª Turma. HC 
109151/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/6/2012 (Info 670). 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7940ab47468396569a906f75ff3f20ef?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262
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Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o
disparo que matou a vítima tenha sido efetuado pelo corréu 
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da 
vítima, responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do 
disparo fatal ou que sua participação se revele de menor importância. Ex: João e 
Pedro combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, 
então, Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava estacionado. 
Os assaltantes levaram as vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou 
responsável por vigiar o casal no cativeiro enquanto João realizaria outros crimes 
utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, Ricardo e Maria tentaram 
fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia 
responder apenas por roubo majorado (art. 157, § 2º, I e II) alegando que não 
participou nem queria a morte das vítimas, devendo, portanto, ser aplicado o art. 
29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque João assumiu o risco 
de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no 
qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo. STF. 1ª 
Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855). 
Atenção: vide STF. 1ª Turma. HC 109151/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 
12/6/2012 (Info 670). 
1.7 Da (in)comunicabilidade das elementares e circunstâncias 
Dispõe o art. 30 do CP: 
Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo
quando elementares do crime. 
De início, impõe-se a distinção entre circunstâncias, condições e elementares. 
Circunstâncias são elementos que se alojam no entorno do fato, isto é, não integram afigura típica 
primária, mas agregam dados que podem significar o aumento ou a diminuição da pena. São 
objetivas quando dizem respeito ao fato, como o rompimento de obstáculo no furto, e subjetivas 
quando se referem ao agente ou aos motivos do crime, como o motivo torpe no homicídio ou a qualidade 
de funcionário que sirva apenas para aumentar a pena (art. 297, § 1°). 
As condições são elementos inerentes ao indivíduo, considerados em sua relação com os demais, e 
existentes independentemente da prática do crime, como a idade menor de vinte e um anos, a reincidência 
e as relações de parentesco. 
As elementares, por sua vez, representam a própria figura criminosa em suas características constituintes. 
Encontram-se no chamado “tipo fundamental” (o caput da norma penal incriminadora). Exemplo: são 
elementares do crime de homicídio “matar” + “alguém” (CP, art. 121, caput). 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c5c1bda1194f9423d744e0ef67df94ee?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c5c1bda1194f9423d744e0ef67df94ee?categoria=11&subcategoria=106&assunto=262
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Assim como as circunstâncias, podem ter caráter objetivo (como a posse ou a detenção na 
apropriação indébita) ou subjetivo (como o exercício da função pública no crime de corrupção passiva). O 
critério para identificar se determinado aspecto relativo ao crime é elementar ou circunstância é o da 
exclusão. Se excluída uma elementar, o fato se torna atípico ou passa a se amoldar a outro tipo penal. 
Exemplos: se no furto a subtração recai sobre coisa própria, desaparece a elementar "coisa alheia', 
tornando-se atípico. Caso a subtração de um bem pertencente à Administração Pública seja praticada por 
funcionário público, sem que este se valha de seu cargo, desaparece a elementar "valendo-se de facilidade 
que lhe proporciona a qualidade de funcionário", mas o fato se subsume ao art. 155 do Código Penal, que 
tipifica o furto (amolda-se a outro tipo penal). 
Excluída uma circunstância, o tipo permanece íntegro, apenas com alteração da pena. Exemplo: no 
crime de falsificação de selo ou sinal público, o fato de o agente ser funcionário público constitui majorante, 
mas, se esta qualidade não se faz presente, a conduta se subsumirá ao mesmo tipo básico, permanecendo 
típica. Traçadas estas características, cumpre-nos a análise do art. 30 do Código Penal. 
Extraem-se do dispositivo três possibilidades: 
(A) as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, respeitantes exclusivamente ao agente que 
as ostenta, não se comunicam, ainda que integrem o conhecimento dos demais. Apenas o agente 
reincidente (condição pessoal) será alcançado pela agravante, mesmo que seus comparsas tenham ciência 
de sua vida pregressa. 
(B) as circunstâncias e condições de caráter objetivo sempre se comunicam, desde que os demais 
agentes tenham conhecimento a seu respeito. Exemplo: João, Antônio e José combinam a prática de um 
roubo, sendo que João o faz ostentando arma de fogo, com a concordância dos demais. Neste caso, todos 
responderão por roubo majorado pelo emprego da arma, mesmo que apenas um deles a tenha utilizado. 
(C) as elementares sempre se comunicam, tenham caráter objetivo ou subjetivo, com o 
pressuposto de que ingressem na esfera de conhecimento dos demais agentes. Exemplo: se um funcionário 
público, valendo-se das facilidades que lhe proporciona o cargo, se reúne com mais três indivíduos, estranhos 
à Administração, mas cientes de sua qualidade, para subtrair bens de uma repartição pública, todos 
respondem

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