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Handout da semana 6 (1) Legalidade e legitimidade do Poder Político

Handout (Semana 6) sobre legalidade e legitimidade do poder político. Contém objetivos, conceitos e inter-relação entre legalidade e legitimidade, estudos de caso (apartheid, Revolução Francesa) e análise de autores como Kelsen, Weber, Schmitt, Habermas, Agamben, Foucault, Rousseau e Hobbes.

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<p>INSTITUTO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO VALE DO PARNAÍBA</p><p>DISCIPLINA: CIÊNCIA POLÍTICA E TEORIA GERAL DO ESTADO</p><p>PROFESSOR: GUSTAVO TORRES</p><p>SEMESTRE: 1º - DIREITO</p><p>GRUPO – 1.</p><p>Legalidade e legitimidade do Poder Político</p><p>.</p><p>Douglas F. Gomes Francisco C. Júnior Francisco Albuquerque Manuel M.F. Júnior Cléber Antônio Souza João Antônio Oliveira</p><p>Guilherme Paiva Silva</p><p>PARNAÍBA - PI</p><p>2024</p><p>HANDOUT – SEMANA 6.</p><p>Aula postada no Canvas para Estudantes.</p><p>1. OBJETIVOS</p><p>· Abordar as noções de legalidade e legitimidade no âmbito do poder político, analisando suas diferenças e inter-relações.</p><p>· Discutir esses conceitos e como eles interagem no exercício do poder político</p><p>· Analisar os diferentes sistemas políticos e suas dimensões, utilizando exemplos históricos e contemporâneos.</p><p>1. CONCEITOS</p><p>O conceito de poder político é central para a organização das sociedades, sendo regulado por normas que variam conforme o contexto histórico e cultural. Dois aspectos fundamentais para a análise do poder são a legalidade e a legitimidade.</p><p>Conceito de Legalidade: Explicação do princípio da legalidade, que implica que todo exercício de poder deve estar de acordo com a lei. Citação de teóricos como Hans Kelsen e sua teoria pura do direito.</p><p>Conceito de Legitimidade: Discussão da legitimidade sob a ótica de Max Weber, que a define como a crença na autoridade e no direito de governar. Apresentação das três formas de legitimidade propostas por Weber: carismática, tradicional e racional-legal.</p><p>Inter-relação entre Legalidade e Legitimidade: Análise de como um governo pode ser legal, mas não legítimo (ex.: regimes autoritários que seguem as leis mas carecem de aceitação social), ou legítimo, mas não totalmente legal (ex.: movimentos de resistência ou revoluções).</p><p>Estudos de Caso: Exemplificação com regimes políticos recentes ou históricos, como o regime do apartheid na África do Sul (legalidade sem legitimidade) e a Revolução Francesa (legitimidade sem legalidade inicial).</p><p>2. CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS CLÁSSICAS</p><p>· Hans Kelsen e a Teoria Pura do Direito: Kelsen propôs que o direito deveria ser separado da moral e da política, ou seja, uma norma seria válida independentemente de seu conteúdo moral. No entanto, a crise da legalidade surge quando essa pureza formal do direito não consegue mais garantir legitimidade ou justiça. Se as leis são percebidas como injustas ou desconectadas das necessidades sociais, a legalidade perde sua eficácia.</p><p>· Carl Schmitt e o Estado de Exceção: Schmitt argumentou que a soberania se define pela capacidade de suspender a lei em situações de emergência. Ele defende que em momentos de crise, o Estado tem o poder de suspender a legalidade, o que leva à uma "crise da legalidade". Para Schmitt, a política está acima da legalidade, e a lei, em si, é sempre condicionada por decisões políticas soberanas.</p><p>· Jürgen Habermas e a Legitimação Democrática: Habermas defende que a legalidade e a legitimidade estão profundamente conectadas. Para ele, uma crise de legalidade ocorre quando as leis não mais refletem um processo democrático genuíno, ou seja, quando a comunicação pública e o consenso racional deixam de ser a base da criação das leis. Se as normas jurídicas são impostas sem diálogo ou sem refletir o bem comum, sua legitimidade entra em colapso, levando a uma crise.</p><p>· Giorgio Agamben e o Estado de Exceção Permanente: Agamben atualiza a ideia de Schmitt ao sugerir que vivemos em uma era em que o estado de exceção se tornou uma regra, não uma exceção. Isso significa que as leis são constantemente suspensas ou manipuladas em nome da segurança ou da ordem pública. Esse fenômeno cria uma crise de legalidade ao enfraquecer o valor do direito e transformar o próprio conceito de justiça.</p><p>· Michel Foucault e o Poder Disciplinar: Para Foucault, a crise da legalidade é parte de uma transformação maior nas formas de poder. Ele argumenta que, na modernidade, o poder não opera mais apenas através das leis formais (jurídico-disciplinares), mas também por mecanismos de controle mais sutis, como a vigilância e a normalização. Nesse sentido, a crise da legalidade está ligada à obsolescência da lei como principal mecanismo de controle social, com o poder se deslocando para outras formas de regulação.</p><p>· Crise de Legalidade e o Contrato Social: Filosoficamente, a crise da legalidade também pode ser analisada no contexto do contrato social, como em Rousseau e Hobbes. Quando as leis não mais refletem o pacto entre governantes e governados, a confiança na autoridade política e legal se rompe. Para Rousseau, uma sociedade corrompida, onde as leis favorecem uma minoria, seria o exemplo perfeito de crise da legalidade. Para Hobbes, a falência do Leviatã – o Estado soberano que impõe ordem e lei – leva à anarquia e ao retorno à "guerra de todos contra todos".</p><p>Conclusão: A coexistência entre legalidade e legitimidade é fundamental para que o poder político seja estável e eficaz. Sistemas que carecem de um desses elementos tendem a enfrentar crises, sejam jurídicas ou sociais, que podem comprometer a governabilidade. Este estudo destaca a importância de políticas que busquem harmonizar essas duas dimensões.</p><p>2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.</p><p>Weber, Max. Economia e Sociedade. São Paulo: Editora UnB, 1999.</p><p>Bobbio, Norberto. Teoria Geral da Política: A Filosofia Política e as Lições dos Clássicos. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000.</p><p>Kelsen, Hans. Teoria Pura do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2006</p><p>Habermas, Jürgen. Facticidade e Validade: Contribuições para a Teoria do Direito e da Democracia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.</p><p>Bourdieu, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.</p><p>image1.png</p>

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