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<p>LOGÍSTICA REVERSA E SUSTENTABILIDADE – Unidade 1.</p><p>Objetivos:</p><p>· Tratar da Política Nacional de Resíduos Sólidos.</p><p>· Entender como funciona o processo de Logística Reversa.</p><p>· Analisar os canais de distribuição reversos.</p><p>Política nacional dos resíduos sólidos (PNRS)</p><p>A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é uma lei federal brasileira, nº 12.305/2010, que institui a gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos, inclusive dos perigosos, incluídos os serviços de limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos domiciliares, de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos de serviços de saúde.</p><p>A PNRS estabelece um conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações que devem ser adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos.</p><p>Um dos principais instrumentos da PNRS é a logística reversa, que é um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.</p><p>A PNRS determina que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de produtos e embalagens pós-consumo são responsáveis pela coleta e destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados por seus produtos.</p><p>A lei estabelece metas para a implementação da logística reversa para os seguintes produtos e embalagens:</p><p>· Pilhas e baterias: 100% até 2020;</p><p>· Óleos lubrificantes: 90% até 2021;</p><p>· Pneus: 90% até 2022;</p><p>· Eletrodomésticos: 90% até 2021;</p><p>· Eletroeletrônicos: 90% até 2021;</p><p>· Embalagens plásticas: 22% até 2021;</p><p>· Embalagens metálicas: 50% até 2021;</p><p>· Embalagens de papel e papelão: 50% até 2021;</p><p>· Medicamentos (estão em discussão no Congresso Nacional);</p><p>· Resíduos da construção civil (estão em discussão no Congresso Nacional).</p><p>A PNRS é uma importante ferramenta para a gestão dos resíduos sólidos no Brasil. A lei contribui para a redução da poluição, a diminuição do consumo de recursos naturais e a geração de empregos.</p><p>Aqui estão alguns benefícios da PNRS:</p><p>· Redução da poluição: A PNRS contribui para a redução da poluição do ar, da água e do solo, pois evita que os resíduos sejam descartados de forma inadequada.</p><p>· Diminuição do consumo de recursos naturais: A reciclagem de materiais permite a redução do consumo de recursos naturais, como água, madeira e minérios.</p><p>· Geração de empregos: A PNRS gera empregos na coleta, transporte, armazenamento e destinação adequada dos resíduos sólidos.</p><p>A PNRS ainda está em processo de implementação, mas já é possível notar alguns avanços na gestão dos resíduos sólidos no Brasil.</p><p>Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei n 12.305/10):</p><p>“Resíduos sólidos: são material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. ” (BRASIL, 2010)</p><p>Geralmente, os resíduos gerados nas mais diversas atividades não são úteis para quem os gera, porém, podem ser reaproveitados em outros processos produtivos, como uma matéria-prima secundária, por isso, resíduos diferem-se de rejeito ou lixo</p><p>Já o termo rejeito, na PNRS, é definido como:</p><p>“Resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. ”</p><p>Comumente, denominamos tudo o que “jogamos fora”, como lixo, porém, como vimos, lixo ou rejeito é tudo que não é passível de tratamento ou reutilização.</p><p>Assim, com o desenvolvimento e o uso do petróleo como meio não energético, mas para produção de polímeros sintéticos, tais como os diversos tipos de plásticos, surgiu uma nova classe de resíduos sólidos: os plásticos. Essa mudança cultural passou a aceitar como “normal” a não reparabilidade dos objetos, tornando-os cada vez mais descartáveis e aumentando ainda mais a geração de resíduos sólidos no mundo.</p><p>Mas é importante que você saiba que biologicamente, podemos dizer que não existe lixo. Todas as substâncias produzidas pelos seres vivos e que são prejudiciais ou inúteis para o organismo (como fezes, urina ou restos de organismos mortos) são reciclados por seres decompositores.</p><p>Classificação dos Resíduos Sólidos</p><p>Estamos falando de resíduos sólidos, entretanto, precisamos entendê-los e classificá-los segundo a PNRS (BRASIL, 2010).</p><p>I Quanto a Origem:</p><p>· Resíduos domiciliares – os originários de atividades domésticas em residências urbanas.</p><p>· Resíduos de limpeza urbana – os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana.</p><p>· Resíduos sólidos urbanos.</p><p>· Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços – os gerados nessas atividades.</p><p>· Resíduos dos serviços públicos de saneamento básico.</p><p>· Resíduos industriais – os gerados nos processos produtivos e instalações industriais.</p><p>· Resíduos de serviços de saúde – os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.</p><p>· Resíduos da construção civil – os gerados em construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis.</p><p>· Resíduos agrossilvopastoris – os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades.</p><p>· Resíduos de serviços de transportes – os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira.</p><p>· Resíduos de mineração – os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios.</p><p>II Quanto a Periculosidade</p><p>· Perigosos – inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos, patogênicos, carcinogênicos, teratogênicos e mutagênicos (apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental).</p><p>· Não perigosos – não se enquadram na descrição acima.</p><p>A composição dos resíduos gerados por uma sociedade varia de acordo com os hábitos de vida de cada um dentro da sua situação socioeconômica. Esses resíduos podem ser classificados das seguintes maneiras.</p><p>Plástico, Matéria Orgânica, Metais, Papel e Papelão, Vidro e outros;</p><p>Vale destacar que, alguns dos resíduos gerados por nós são altamente perigosos e danosos para o meio ambiente, a exemplo das pilhas, baterias de telefones e equipamentos eletrônicos. Isso porque, se despejados inadequadamente no meio ambiente, a contaminação poderá ser restrita ao local de despejo ou pode entrar em contato com riachos ou algum lençol freático, contaminando, assim, grandes áreas.</p><p>Para esse tipo de material, é necessário um sistema de coleta apropriado, em que empresas especializadas possam depois classificar, tratar e descartá-los em local seguro e adequado.</p><p>Nos centros urbanos, os resíduos sólidos podem ser coletados de duas formas.</p><p>· Indiferenciada – quando não ocorre nenhum tipo de seleção durante a coleta.</p><p>· Seletiva – quando os resíduos são recolhidos e separados de acordo com o tipo e a destinação.</p><p>Veremos mais adiante que a PNRS passa a compartilhar a responsabilidade do descarte, não somente com a indústria e o comércio, mas também com todos que despejam resíduos de maneira pouco ecológica, causando degradação do meio ambiente e colocando em risco a vida de outros seres vivos.</p><p>A Logística Reversa</p><p>na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS</p><p>Prezado(a) aluno(a), não podemos começar a discutir sobre Logística Reversa (LR) sem antes saber como surgiu essa atividade, não é verdade? A LR é um instrumento para aplicação da responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos, por isso, está intimamente relacionada com a PNRS.</p><p>Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2022):</p><p>“A busca por soluções na área de resíduos reflete a demanda da sociedade que pressiona por mudanças motivadas pelos elevados custos socioeconômicos e ambientais. Se manejados adequadamente, os resíduos sólidos adquirem valor comercial e podem ser utilizados em forma de novas matérias-primas ou novos insumos. A implantação de um Plano de Gestão trouxe reflexos positivos no âmbito social, ambiental e econômico, pois não só tem diminuído o consumo dos recursos naturais, como vem proporcionando a abertura de novos mercados, gerando trabalho, emprego e renda, conduzindo à inclusão social e diminuindo os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos resíduos. ”</p><p>Por tudo isso, a PNRS é considerada um marco regulatório para o gerenciamento correto de resíduos sólidos no Brasil, por dar direcionamento a todos os materiais que podem ser reciclados e àqueles que não podem mais ser reaproveitados. Este gerenciamento incentiva o descarte correto de forma compartilhada.</p><p>A PNRS integra o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil e possui alguns objetivos que merecem ser destacados.</p><p>Proteção da saúde pública e da qualidade ambiental.</p><p>Não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.</p><p>Estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços.</p><p>Adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais.</p><p>Redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos.</p><p>Incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados.</p><p>Gestão integrada de resíduos sólidos.</p><p>Capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos.</p><p>Integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.</p><p>Incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial, voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a recuperação e o aproveitamento energético.</p><p>Estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável.</p><p>Percebemos, com o que foi exposto anteriormente, que a lei propõe o incentivo ao reaproveitamento e à reciclagem, tendo como consequência direta a redução dos resíduos gerados. Já os rejeitos, estes precisam ser destinados a locais onde não causem danos ambientais e nem gerem risco à saúde humana, como os aterros sanitários.</p><p>A PNRS mostrou uma responsabilidade que ninguém sabia de quem era para o descarte de um produto em um local inadequado. Essa Lei afirma que a responsabilidade pela destinação correta dos resíduos está em todos os participantes da cadeia produtiva, ou seja, o produtor, o fornecedor e o consumidor têm responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos.</p><p>Estimado aluno, você sabia que o ciclo de vida de um produto engloba o processo, desde a extração da matéria-prima, produção, consumo, até o descarte final de um produto?</p><p>Pois bem, o fato é que a responsabilidade recai sobre fabricantes, comerciantes, importadores, sociedade e responsáveis pelo manejo dos resíduos sólidos urbanos.</p><p>A PNRS em seu Art. 6º (BRASIL, 2010) coloca os seguintes princípios:</p><p>A prevenção e a precaução.</p><p>O poluidor-pagador e o protetor-recebedor.</p><p>A visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública.</p><p>O desenvolvimento sustentável.</p><p>A ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta.</p><p>A cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade.</p><p>A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.</p><p>O reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania.</p><p>O respeito às diversidades locais e regionais.</p><p>O direito da sociedade à informação e ao controle social.</p><p>A razoabilidade e a proporcionalidade.</p><p>A PNRS ainda institui a seguinte ordem de prioridade na gestão e no gerenciamento de resíduos sólidos: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final, ambientalmente adequada, dos rejeitos.</p><p>Vale salientar também que a PNRS criou metas importantes para a extinção dos lixões e propôs instrumentos de planejamento nos níveis nacional, estadual, intermunicipal, microrregional, intermunicipal metropolitano e municipal, estabelecendo, também, que particulares se preocupem com seus planos de gerenciamento de resíduos sólidos.</p><p>Porém, podemos perceber que, nas grandes cidades, os lixões ainda existem e que nem todos possuem um plano de gerenciamento. Segundo dados da ABRELPE (2020):</p><p>A disposição final é uma das alternativas de destinação final ambientalmente adequada previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), desde que observadas as normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. No Brasil, a maior parte dos RSU coletados segue para disposição em aterros sanitários, tendo registrado um aumento de 10 milhões de toneladas em uma década, passando de 33 milhões de toneladas por ano para 43 milhões de toneladas. Por outro lado, a quantidade de resíduos que segue para unidades inadequadas (lixões e aterros controlados) também cresceu, passando de 25 milhões de toneladas por ano para pouco mais 29 milhões de toneladas por ano.</p><p>Podemos concluir que a PNRS vem com uma grande importância, que é mostrar que, somente com o comprometimento de todos, será possível a implementação de tais ações e mudanças para um mundo melhor e sustentável.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p><p>image3.png</p>