Prévia do material em texto
<p>UNIDADE 1.</p><p>Histórico, conceito e utilização das técnicas</p><p>de grupo</p><p>Apresentação</p><p>O ser humano é essencialmente social e se insere em diferentes grupos desde o seu nascimento. Assim,</p><p>a compreensão dos fenômenos grupais e como seus processos se constituem são fundamentais para o</p><p>profissional que atuará direta ou indiretamente com grupos. O conhecimento acerca dos grupos pode</p><p>ser aplicado em diferentes áreas e contextos de atuação e é possível atuar no sentido de intervenção</p><p>direta nas diferentes modalidades grupais e sociais, ou, ainda, analisá-los para planejamento de outras</p><p>ações.</p><p>Partindo desta perspectiva, e considerando a importância da compreensão dos processos grupais,</p><p>abordaremos aspectos gerais e específicos a respeito dos grupos como: aspectos históricos, definições</p><p>e principais conceitos. Além disso, abordaremos fenômenos que emergem da relação grupal, que devem</p><p>ser caracterizados e discorridos da forma que o profissional que atua com grupos interpreta e intervém</p><p>neles.</p><p>O estudo dos processos grupais é múltiplo e possui diferentes perspectivas. Portanto, muitos estudiosos</p><p>produzem diferentes teorias a este respeito, as quais também serão apresentadas, assim como os</p><p>diferentes contextos de atuação e intervenção.</p><p>Após finalizar a disciplina, espera-se que você tenha o conhecimento teórico necessário para atuação e</p><p>análise de grupos, e que saiba técnicas e intervenções práticas que te auxiliarão no dia a dia profissional.</p><p>OBJETIVOS DA UNIDADE</p><p> Abordar a história da formação e utilização das técnicas de grupo;</p><p> Apresentar as principais definições do conceito de grupos e dinâmica de grupo, destacando as</p><p>fases de desenvolvimento dos grupos e seus fenômenos; e,</p><p> Destacar o papel do facilitador de grupos e a ética profissional deste tipo de atuação.</p><p>TÓPICOS DE ESTUDO</p><p>Técnicas de grupo: histórico e conceituação</p><p>// Grupos: principais definições</p><p>// Os fenômenos do campo grupal</p><p>// O profissional de grupo</p><p>Abordagens e perspectivas do desenvolvimento grupal</p><p>// A teoria de campo de Kurt Lewin</p><p>// Schutz e as fases de desenvolvimento do grupo</p><p>// Oficinas vivenciais</p><p>Técnicas de grupo: histórico e conceituação</p><p>Para a Psicologia, o estudo dos grupos representa um de seus temas fundamentais, existindo, inclusive,</p><p>uma área específica, chamada Psicologia Social. A preocupação com os estudos acerca do tema</p><p>começa a partir da chamada Psicologia das Massas. Com a Queda da Bastilha, em 1789, teóricos</p><p>começavam a se perguntar como seria possível que uma multidão de pessoas poderia se comportar de</p><p>tal maneira que suas próprias vidas ficavam em risco. Uma das referências nesta discussão é o francês</p><p>Gustave Le Bon (1841-1931), que publicou, em 1895, o livro chamado Psicologia das Massas, relevante</p><p>até os dias atuais. Para Gustave, existia uma ruptura significativa entre o fenômeno individual e o</p><p>coletivo, a ponto de ser possível distinguir a “psicologia das multidões” da psicologia individual.</p><p>DICA...</p><p>A dicotomia entre indivíduo e sociedade possui longa tradição na Psicologia, ocorrendo até os dias</p><p>atuais. No entanto, psicólogos e pesquisadores da área de ciências sociais e humanas têm procurado</p><p>combater essa perspectiva, pois, assim como a mente e o corpo, indivíduo e sociedade estão inter-</p><p>relacionados e são dependentes entre si. Isto é, ao passo que o indivíduo se modifica, também modifica</p><p>a sociedade, que, por sua vez, mudará o indivíduo. Portanto, ao trabalhar o indivíduo ou um grupo,</p><p>procure compreendê-los a partir desta relação indissociável.</p><p>A multidão se apresenta como uma unidade que possui características psicológicas próprias, de forma</p><p>que os indivíduos que a compõem perdem suas características individuais e sua autonomia, passando a</p><p>agir a partir de um “psiquismo coletivo”; muitas vezes, com comportamentos que o sujeito não</p><p>apresentaria fora do contexto de multidão. Para Le Bon, isso é explicado, pois, por conta do sentimento</p><p>de poder, contágio mental e sugestibilidade, promovidos pelo ambiente grupal, a multidão e a formação</p><p>deste novo todo não seriam meramente a soma das partes individuais dos sujeitos.</p><p>Isso ocorreria de duas maneiras: 1) de modo vertical, no qual os indivíduos ou se ligariam a líderes ou</p><p>assumiriam essa figura de “chefe da tribo”; ou 2) de forma horizontal, na qual existiria uma ligação entre</p><p>os membros entre si, ou seja, eles estariam imersos em uma multidão e se sentiram mais desenvoltos a</p><p>assumirem riscos. Um exemplo histórico deste tipo de atuação em massa pode ser observado no</p><p>nazifascismo, embora também possamos observar o fenômeno na vida cotidiana, como em torcidas</p><p>organizadas de futebol, protestos radicais, saques, linchamentos, etc.</p><p>Deste modo, as técnicas de grupo possuem um histórico evolutivo longo e complexo, dada sua</p><p>multiplicidade conceitual, sua teórica e diversidade de aplicações práticas. Apontado como um dos</p><p>pioneiros nas práticas grupais, Joseph H. Pratt, um tisiologista (médico especialista em estudar a tísica</p><p>ou tuberculose) estadunidense, criou um programa de acompanhamento a pacientes com tuberculose</p><p>em 1905. Sua ação nasceu de forma intutitiva, por meio da experimentação: inicou um formato de</p><p>lecionar chamado “classes coletivas” com o objetivo de ministrar aulas sobre higiene e os problemas da</p><p>tuberculose. Em seguida, os pacientes podiam fazer perguntas e discutir livremente com o médico,</p><p>criando um ambiente baseado na universalidade, aceitação e instilação de esperança, como aponta</p><p>Zimerman (1993).</p><p>Este método obteve ótimos resultados, como uma</p><p>acelerada recuperação física de pacientes, devido</p><p>especialmente à identificação que construíam com o</p><p>médico, baseado em uma estrutura familiar e fraterna.</p><p>Esse modelo de formação grupal resultou em diversas</p><p>organizações semelhantes, como os Alcoólicos</p><p>Anônimos, iniciado em 1935 e ativo até os dias atuais</p><p>em diversas partes do mundo.</p><p>Bachelli e Santos (2004) nos dão uma visão sobre uma série de trabalhos realizados. Em 1920, por</p><p>exemplo, Lazell descreveu o método que vinha utilizando em pacientes internados com esquizofrenia.</p><p>Adotava o sistema de aula e discutia diversos temas partindo de uma abordagem psicanalítica. De</p><p>acordo com ele, os pacientes: prestavam atenção no grupo; retinham o material da reunião;</p><p>desenvolviam-se rapidamente; e chegavam a pedir atendimento individual. Entre 1909 e 1912, Marsh</p><p>utilizou grupos com pacientes psiconeuróticos, dando continuidade com pacientes psicóticos</p><p>internados. Seus grupos eram formados por 200 a 400 participantes e, Marsh considerava, os grupos</p><p>ajudavam na reeducação, sociabilidade e atividade ocupacional. Em contrapartida, Burrow começa</p><p>seus trabalhos em nível ambulatorial e com pacientes não-psicóticos. Em 1925, utiliza pela primeira vez</p><p>o termo “análise de grupo”.</p><p>De forma geral, os estudos de pequenos grupos são associados à psicologia e sociologia. Dois</p><p>importantes teóricos a realizarem um estudo sistemático a respeito de grupos sociais são Moreno e Kurt</p><p>Lewin, que atuaram entre as décadas de 1930 e 1940. Enquanto Moreno utilizou o teatro, a</p><p>espontaneidade e a criatividade, resultando no psicodrama, Lewin criou o termo “dinâmica de grupo”. Na</p><p>Europa, Moreno montava grupos em diferentes locais e com diferentes públicos, fundando, em 1921, o</p><p>Teatro de Improvisação, que resultou em benefícios terapêuticos por meio da representação. Em 1932,</p><p>introduziu o termo “psicoterapia de grupo” numa reunião da American Psychiatric Association, como</p><p>apontam Bachelli e Santos (2004).</p><p>Os autores ainda nos contam que, com o advento da Segunda Guerra Mundial, cresceu expressivamente</p><p>a demanda por assistência psicológica para aqueles que sofriam com os traumas da guerra, fossem civis</p><p>ou militares. A pouca oferta de psicoterapeutas, então, impulsiona a utilização de técnicas grupais. Após</p><p>este período de desenvolvimento, a psicoterapia de grupo se expandiu nas décadas de 1950 e 1960,</p><p>consolidando-se nos anos</p><p>de 1970 e amadurecendo nos anos 1980 e 1990.</p><p>Baremblitt (1986), por sua vez, nos mostra que, de modo geral, podemos compreender as técnicas de</p><p>grupo como um conjunto de práticas, baseadas em uma ciência que estuda e compreende os</p><p>fenômenos grupais e suas possíveis intervenções. Podemos utilizar as técnicas grupais em diferentes</p><p>contextos e para diversas finalidades. Atualmente, com o objetivo de trabalhar a prevenção, o</p><p>diagnóstico, o tratamento, o acompanhamento, a operatividade e o encontro, boa parte das correntes</p><p>psicológicas possuem uma ramificação de técnicas grupais.</p><p>A partir da compreensão do modo de funcionamento dos grupos e seus fenômenos, torna-se possível a</p><p>intervenção terapêutica por meio da utilização dos grupos com técnicas apropriadas. Zimerman (1993)</p><p>aponta que o leque de aplicações das técnicas grupais é tão grande que ele poderia nomeá-las seguindo</p><p>o abecedário completo. As técnicas irão variar de acordo com as finalidades de cada grupo, mas de</p><p>forma geral é possível dividi-las em dois grandes tipos: Operativos e Terapêuticos.</p><p>Podemos ver mais detalhes no Diagrama 1.</p><p>Diagrama 1. Classificação dos grupos em Terapêuticos e Operativos. Fonte: ZIMERMAN, 1993, p. 57.</p><p>(Adaptado).</p><p>Ainda que exista tal divisão, muitas vezes as ramificações se interpõem, se completam ou se</p><p>confundem. Por exemplo, grupos operativos podem ter benefícios terapêuticos, assim como os</p><p>terapêuticos podem utilizar referencial operativo (ZIMERMAN, 1993). Trabalharemos cada um dos tipos</p><p>de grupos mencionados acima ao longo deste livro-texto.</p><p>GRUPOS: PRINCIPAIS DEFINIÇÕES</p><p>Essencialmente, o ser humano é um ser social. Ele só existe a partir de seus relacionamentos grupais e</p><p>só consegue se desenvolver a partir da dependência a outro ser humano.</p><p>Ou seja, quando nascemos, só conseguimos nos desenvolver se tivermos outra pessoa que nos</p><p>alimente, nos proteja de perigos e forneça abrigo, entre outros pontos que nos diferenciam dos animais</p><p>que conseguem sobreviver mesmo sem o intermédio de outro animal mais velho da mesma espécie. No</p><p>entanto, muito além de uma questão de sobrevivência, o ser humano tem uma natural necessidade de</p><p>estar em contato com o outro, pois é a partir do encontro e da comunicação com os demais que ele</p><p>percebe melhor a si mesmo e a sua individualidade, bem como melhor reconhece os outros e seu papel</p><p>no mundo.</p><p>Wilfred Trotter (1919-1953) apontava que o ser humano possui quatro instintos básicos: instinto de</p><p>autopreservação; instinto de nutrição; instinto sexual; e o instinto gregário. Podemos definir este último</p><p>como aquele que nos faz procurar sempre viver em grupos. Charles Darwin atribui a existência deste</p><p>fenômeno a uma forma de nos tornarmos mais resistentes à seleção natural.</p><p>Assim, desde nosso nascimento estamos inseridos em diferentes grupos sociais, em uma busca</p><p>constante por nossa identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal que nos forneça o</p><p>sentimento de pertencimento. Podemos distinguir nossos primeiros contatos sociais entre primários e</p><p>secundários, conforme o Quadro 1.</p><p>Quadro 1. Contatos sociais primários e secundários.</p><p>Deste modo, conforme crescemos, nos inserimos em um número maior de grupos. Um grupo constitui-</p><p>se por um conjunto de pessoas, ao passo que um conjunto de grupos, bem como suas relações entre</p><p>subgrupos, formam uma comunidade, e várias comunidades que interagem entre si formam uma</p><p>sociedade (ZIMERMAN, 1993). Passamos, portanto, a maior parte da nossa vida convivendo e interagindo</p><p>em grupo. Vem daí a importância de compreender e atuar em processos grupais.</p><p>Definir grupos não é tarefa simples devido à multiplicidade e variedade de modos que eles se</p><p>apresentam. No entanto, é preciso diferenciar grupos e agrupamentos. Estes últimos se caracterizam</p><p>por um conjunto de pessoas que partilham um mesmo espaço, mas possuem objetivos e interesses</p><p>distintos, sem relações afetivas ou vínculos emocionais entre elas. Por outro lado, os grupos constituem-</p><p>se por um conjunto de pessoas com um interesse em comum e existe certa relação afetiva entre elas.</p><p>EXEMPLIFICANDO...</p><p>Pessoas aguardando por um ônibus em um mesmo local, apesar de terem um objetivo em comum, não</p><p>possuem relação entre si; o objetivo de cada uma pode ser ir para um local distinto e esperar por ônibus</p><p>diferentes. São, portanto, um agrupamento, muito embora possam tornar-se um grupo devido a eventos</p><p>que modifiquem sua configuração grupal.</p><p>Deste modo, não podemos afirmar que pessoas juntas em um mesmo local formam um grupo. Grupos</p><p>possuem: um caráter próprio; uma noção particular de sua força; e um conglomerado de energias</p><p>emanadas por seus membros individuais, inter-relacionados em um padrão sistemático. O grupo é um</p><p>permanente processo de comunicação, compreendido a partir de tudo que ali acontece, como: o corpo,</p><p>palavras, posturas, perfumes, roupas, entre tantos outros elementos. Tudo influencia e compõe a</p><p>totalidade grupal.</p><p>O grupo, portanto, é uma totalidade, uma unidade complexa, um campo de forças onde cada vetor</p><p>exerce um ponto de pressão sobre o espaço vital, mantendo a estrutura grupal e, ao mesmo tempo,</p><p>permitindo que se altere a cada instante. Cada grupo possui características próprias, distintas das</p><p>somas entre as partes, isto é, das características dos indivíduos que o compõem. O grupo funciona</p><p>como uma rede, um emaranhado no qual cada elemento, cada membro do grupo, funciona como um</p><p>ponto nodal independente, porém interligado. Cada membro age como um subsistema, no qual cada um</p><p>afeta o outro e é afetado pelo conjunto, criando uma matriz operacional.</p><p>De acordo com Zinker (2007), podemos definir grupo como uma comunidade de aprendizagem, um</p><p>conjunto de indivíduos cujo objetivo é resolver problemas pessoais e interpessoais, e se reúnem com um</p><p>líder treinado.</p><p>Pichon-Rivière, importante representante dos estudos grupais, descreve grupos como:</p><p>“Um conjunto restrito de pessoas ligadas entre si por constantes de tempo e espaço, articuladas por sua</p><p>mútua representação interna, que se propõe de forma explícita ou implícita uma tarefa à qual constitui</p><p>sua finalidade, interatuando através de complexos mecanismos de atribuição e assunção de papéis”</p><p>(PICHON-RIVIÈRE, 2005, p. 172).</p><p>O objetivo dos grupos em nossa sociedade é definir papéis sociais e, deste modo, atribuir uma</p><p>identidade social ao indivíduo. Ou seja, o indivíduo passa a desempenhar uma função de acordo com as</p><p>características assumidas por sua identidade no grupo. Considera-se um grupo ideal aquele que é</p><p>coeso, bem estruturado e acabado, no qual os indivíduos se alinham e os processos de interação</p><p>tornam-se circulares. No entanto, o grupo ideal não é apenas onde os indivíduos se sentem aceitos e</p><p>bem recebidos; pode ser um lugar onde as pessoas se tornam criativas juntas. Nesse sentido, grupos</p><p>podem ser o espaço em que cada pessoa pode testar seus limites de crescimento, uma comunidade em</p><p>que os seus componentes podem desenvolver seu potencial humano ao máximo.</p><p>OS FENÔMENOS DO CAMPO GRUPAL</p><p>No interior do grupo ocorre o processo grupal, composto por fenômenos diversos. Esse processo é a vida</p><p>íntima do grupo, se forma lentamente e se inicia juntamente à formação do próprio grupo. Os fenômenos</p><p>do campo grupal são sempre renovados, visto que o grupo é um organismo vivo, em constante formação</p><p>e transformação. Contém em si características ao mesmo tempo mensuráveis e imensuráveis, reais e</p><p>simbólicas, cheias de evidência e incógnitas. Deste modo, o processo grupal é resultado da integração</p><p>íntima que funde as individualidades em um todo comum. A finalidade do grupo, portanto, é a vida em</p><p>comum, gerando sentimento de pertencimento, empatia e identidade entre seus membros.</p><p>Um dos fenômenos que ocorre no interior dos grupos é a coesão, uma certa pressão exercida sobre os</p><p>membros para que continuem no grupo. A coesão gera vantagens, mas também pode levar ao chamado</p><p>pensamento</p><p>grupal, o qual ocorre em grupos altamente coesos e pode levar a decisões errôneas. Outro</p><p>fenômeno é a cooperação em grupos, quando seus membros se juntam, tendo a mesma tarefa como</p><p>finalidade. E, para funcionar adequadamente, o grupo estabelece, de forma consciente ou inconsciente,</p><p>normas sociais. O membro que não seguir as normas do grupo normalmente passa a ser excluído.</p><p>Portanto, quando um grupo se reúne em prol de um mesmo objetivo, seus membros formam um campo</p><p>dinâmico, no qual se cruzam necessidades, desejos, ataques, medos, culpas, defesas, papéis,</p><p>identificações, movimentos de resistência, transferência e contratransferência, entre outros fenômenos</p><p>que se processam de forma simultânea e, muitas vezes, rápida e confusa. Estes fenômenos podem</p><p>ocorrer de forma consciente ou inconsciente, como é o caso das ansiedades. Note que ansiedade e</p><p>angústia não são tidas aqui como sinônimos. A angústia se manifesta por uma sintomatologia</p><p>somatoforme do tipo de sensações de estreitamento, isto é, um estado de sofrimento em relação ao</p><p>presente. Já a ansiedade expressa um desejo impossível, um alerta de perigo ou ameaça ao equilíbrio</p><p>interno, usualmente em relação ao futuro, tendo ou não motivação concreta na realidade. Existem seis</p><p>tipos de ansiedade, descritas no Quadro 2.</p><p>Quadro 2. Tipos de estado de ansiedade mais típicos. Fonte: ZIMERMAN, 1993, p. 80. (Adaptado).</p><p>EXPLICANDO...</p><p>O id, o ego e o superego são conceitos trabalhados por Freud na teoria psicanalítica e descrevem</p><p>agentes que integram o aparelho psíquico, isto é, formam a vida mental de um indivíduo. O id é a</p><p>estrutura da psique que surge desde o nascimento e opera a partir do princípio do prazer imediato,</p><p>independente das consequências. Já o ego é focado para o exterior e aponta consequências práticas dos</p><p>desejos. Enquanto o superego, o último a surgir no desenvolvimento humano, é resultado da</p><p>socialização e internalização das normas e condutas morais.</p><p>Ainda sobre a ansiedade, é fundamental apontar quatro aspectos:</p><p>1 A presença de certo nível de ansiedade pode ser útil em termos terapêuticos;</p><p>2 A ansiedade se manifesta de forma indireta, por meio de somatizações, por exemplo;</p><p>3 O coordenador do grupo deve reconhecer qual tipo de ansiedade é comum para todo grupo, ele</p><p>incluso, para que possa interpretá-la e agir sobre ela; e</p><p>4 O estabelecimento das diferenças individuais diante dos demais é fundamental para construção de</p><p>um senso de realidade em grupoterapias.</p><p>Além das ansiedades, um fenômeno de grande relevância que ocorre de forma inconsciente é o de</p><p>mecanismos de defesa. As defesas estão presentes desde que nascemos, com o objetivo de nos</p><p>proteger dos estímulos externos que recebemos. São consideradas normais ao longo do processo de</p><p>desenvolvimento. Os tipos de resistência são muitos: repressão, formação reativa, transformação ao</p><p>contrário, racionalização, sublimação, entre outros. Todos, porém, têm como objetivo proteger o</p><p>indivíduo de situações e estímulos externos considerados aversivos pelo inconsciente. De acordo com a</p><p>intensidade e a finalidade da resistência, esses mecanismos podem estar a serviço da saúde ou de uma</p><p>patologia. Defesas muito cristalizadas no indivíduo podem ser modificadas mais facilmente por meio do</p><p>tratamento em grupo do que do individual, visto que, em grupo, algumas percepções são confrontadas,</p><p>também fazendo com que outras se manifestem.</p><p>Assim como o fator grupal faz emergirem as resistências, também promove identificação, isto é, um</p><p>sentimento de identidade, coeso e harmônico que resulta de um reconhecimento e elaboração da</p><p>identidade dos demais. A identificação é um processo ativo, no qual o indivíduo se torna idêntico ao</p><p>outro. Pode ocorrer através de algumas formas, como descrito no Quadro 3.</p><p>Quadro 3. Formas de identificação.</p><p>Em um ambiente grupal, os processos identificatórios ocorrem de forma frequente, intensa e mutável,</p><p>visto que cada sujeito se reflete nos demais. As identificações de cada indivíduo são fundamentais para</p><p>a formação de uma identidade individual e grupal, também sendo distintas entre saudáveis ou</p><p>patológicas, de acordo com seu grau de intensidade, e devendo ser manejadas pelo grupoterapeuta.</p><p>Outro fenômeno importante que ocorre no contexto grupal é a atribuição de papéis definidos para cada</p><p>membro, conforme citado no tópico anterior. Seja em grupos familiares, institucionais, sociais ou</p><p>terapêuticos, ocorre a atribuição de papéis e posições dentro do grupo. Cada papel é a condensação das</p><p>expectativas, da necessidade e das crenças irracionais de cada um, que compõem o inconsciente</p><p>grupal. Podemos avaliar a evolução do grupo ao observar a atribuição de papéis; quando tal atribuição</p><p>deixa de ser fixa e estereotipada e adquire uma boa plasticidade intercambiável, o grupo está evoluindo</p><p>bem. Em outras palavras, quando o grupo passa a ser flexível, com papéis fluídos e cambiáveis, atingiu</p><p>um bom nível de desenvolvimento. Os papéis grupais mais comuns atribuídos em grupos, de acordo</p><p>com Zimerman (1993) são:</p><p>ASSISTA...</p><p>Para compreender ainda mais os conceitos da teoria de Pichon-Rivière sobre papéis grupais e líderes,</p><p>assista ao filme O Senhor das Moscas (1990), dirigido por Harry Hook. Baseado em um livro publicado</p><p>em 1954, de autoria de William Golding, o filme conta a história de um grupo de crianças que, ao voltar</p><p>para casa de avião, sofrem um acidente e acabam sendo obrigados a conviver e sobreviver em uma ilha</p><p>sem a presença de adultos. A forma como se organizam em busca da sobrevivência demonstra os</p><p>processos grupais que ali ocorrem.</p><p> Bode expiatório – Deposita-se sobre ele toda a culpa e “maldade” do grupo. É excluído pelos</p><p>demais, sendo usualmente expulso e, no entanto, o grupo pode atribuir ao bode expiatório a</p><p>característica de “bobo da corte”; neste caso, o grupo faz questão de conservá-lo;</p><p> Porta-voz – O membro do grupo que manifesta a opinião dos demais, fala por todos e denuncia o</p><p>que ocorre de forma explícita ou implícita no grupo. Tal manifestação de opinião não é feita</p><p>somente através da voz, mas pelo silêncio, postura, etc.;</p><p> Radar – Usualmente, o membro mais regressivo do grupo. Este indivíduo capta primeiro e mais</p><p>facilmente os sinais de ansiedades e outros fenômenos. Entretanto, nem sempre consegue</p><p>processar simbolicamente o que captou, expressando em si mesmo ansiedades captadas;</p><p> Instigador – O membro que provoca perturbação no grupo, o que acaba mobilizando os papéis</p><p>dos demais;</p><p> Atuador pelos demais – Membro escolhido pelo grupo para executar alguma função que lhes é</p><p>proibido;</p><p> Sabotador – Membro que, através de recursos de resistência, procura impor obstáculos no</p><p>andamento da tarefa grupal;</p><p> Vestal – Quem zela pela manutenção da moral no grupo;</p><p> Líder – O líder pode naturalmente ser designado ao coordenador/terapeuta do grupo ou pode</p><p>surgir entre seus membros.</p><p>O papel do líder é especialmente importante no contexto grupal. Segundo a teoria de Pichon-Rivière</p><p>(2005), existem quatro tipos de liderança clássicos:</p><p> Autocrático – Possui uma forma rígida de lidar com o grupo;</p><p> Democrático – Possui bom diálogo com o restante do grupo, ocorrendo um intercâmbio espiral</p><p>permanente entre eles;</p><p> 𝘓𝘢𝘪𝘴𝘴𝘦𝘻-𝘧𝘢𝘪𝘳𝘦 – Assume parcialmente a função de liderança; e</p><p> Demagógico – Um impostor, pois demonstra ser democrático, mas se baseia em um tipo de</p><p>liderança autocrática e, às vezes, laissez-faire.</p><p>Um indício de que o grupo está se desenvolvendo bem é a troca de papéis entre si; especialmente,</p><p>trocas de liderança.</p><p>Considerando que cada membro do grupo terá um papel definido e estes se inter-relacionam</p><p>constantemente, a comunicação assume importância fundamental no que tange sua eficácia entre os</p><p>membros, bem como sua análise pelo coordenador/terapeuta. A comunicação é composta por quatro</p><p>elementos: o emissor, a mensagem, o canal e o receptor. O emissor é aquele que emite a mensagem;</p><p>é</p><p>responsável por garantir que a comunicação atinja seu objetivo inicial. Cada estilo de emissão pode</p><p>transmitir a informação de forma diferente, podendo ser eficaz ou patológica. A mensagem é o conteúdo</p><p>em si a ser emitido; deve ser repassada de forma clara para que não haja ambiguidades. O canal é o</p><p>meio no qual a comunicação ocorre, não sendo exclusivamente linguagem verbal. Por fim, é o receptor</p><p>quem recebe a mensagem; pode distorcer a mensagem ou entendê-la da forma que foi emitida.</p><p>Deste modo, é preciso compreender de que forma a comunicação ocorre entre os membros do grupo e,</p><p>se houver falhas, identificar em qual (ou quais) ponto do processo comunicativo elas ocorrem. A respeito</p><p>de grupoterapias, é comum que surjam momentos de silêncio, iniciados por um membro, todo o grupo</p><p>ou, até mesmo, pelo próprio grupoterapeuta. Seja qual for o caso, esses momentos podem ser</p><p>considerados úteis ou inúteis; afinal, podem representar resistência ou, ainda, um protesto mudo.</p><p>Entretanto, também podem significar o direito de possuir um ritmo próprio de participação ou mesmo</p><p>uma pausa reflexiva e elaborativa.</p><p>VAMOS REFORÇAR O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA?</p><p>Levando em consideração os papéis grupais, relacione os conceitos:</p><p>Líder - Papel que pode ser atribuído ao terapeuta.</p><p>Porta-voz - O que fala pelos demais membros.</p><p>Sabotador - Produz obstáculos no andamento da ta</p><p>Bode expiatório - Em quem toda culpa é depositada.</p><p>Correta - Muito bem, a resposta está correta!</p><p>De acordo com o explicado no tópico, o papel de líder pode naturalmente ser atribuído ao terapeuta; o</p><p>porta-voz é quem manifesta a opinião dos demais; o sabotador é quem produz ansiedade e barreiras no</p><p>processo grupal; e o bode expiatório é aquele em quem é depositada toda a culpa pelos problemas do</p><p>grupo.</p><p>O PROFISSIONAL DE GRUPO</p><p>O profissional que atua com grupos é fundamental para o processo terapêutico, visto que é ele quem:</p><p>conduz os processos que ali ocorrem; realiza interpretação de conteúdos que possam emergir; media as</p><p>relações; e assume o papel de guia do grupo.</p><p>Conforme Zimerman (1993), sua formação deve ser baseada no seguinte tripé: conhecimento +</p><p>habilidades + atitudes. Estes aspectos formam as competências necessárias para um bom condutor</p><p>grupal. Os conhecimentos necessários seriam: o respaldo teórico e a compreensão dos estudos acerca</p><p>dos fenômenos grupais adquirida a partir de um programa de ensino-aprendizagem. As habilidades</p><p>estão relacionadas à capacidade de colocar os conhecimentos em prática e são adquiridas por meio de</p><p>atividades supervisionadas, nas quais acertos e erros auxiliam o processo de desenvolvimento de</p><p>habilidades. São as atitudes que nos movem para a ação. Ou seja, refletem quem somos de fato, nossa</p><p>personalidade, ideologia, valores e crenças.</p><p>Na ciência, assim como na psicologia, muito se discute a respeito da neutralidade do profissional.</p><p>Especialmente em um processo terapêutico, seja individual ou grupal, é importante que o paciente se</p><p>sinta acolhido e em um espaço seguro, no qual não há julgamentos. Desta forma, o profissional de</p><p>grupos deve ser imparcial. Entretanto, é possível afirmar que manter-se neutro se torna inviável,</p><p>considerando que o terapeuta também é um ser humano, com sua própria história de vida, seus próprios</p><p>processos internos, personalidade, valores, cultura e crenças pessoais.</p><p>Nesse sentido, ao conduzir grupos, o profissional pode se sentir afetado de diversas formas a partir dos</p><p>conteúdos que emergem no processo e que podem ir de encontro às suas vivências e valores pessoais. É</p><p>importante que o condutor do grupo também se coloque como um ser humano e um integrante dos</p><p>processos grupais, não apenas como um agente que observa, mas como um membro participante que</p><p>apenas assume um papel com características distintas dos demais. Deste modo, a imparcialidade é</p><p>importante para que não se interfira no processo pessoal de cada membro. Ainda assim, o profissional é</p><p>um indivíduo com sentimentos neste processo. É fundamental que saiba diferenciar os sentimentos que</p><p>emergem do processo grupal dos seus próprios, para que as intervenções sejam feitas de modo</p><p>assertivo.</p><p>Saber conduzir sentimentos e manter imparcialidade no processo terapêutico é resultado de anos de</p><p>formação e supervisão prática. Além desta competência, é necessário que o grupoterapeuta tenha</p><p>alguns requisitos gerais, como os mencionados no Quadro 4.</p><p>Quadro 4. Principais requisitos que formam um grupoterapeuta. Fonte: ZIMERMAN, 1993, p. 149-150.</p><p>(Adaptado).</p><p>Deste modo, é importante salientar que nenhuma técnica é mais importante do que a postura do</p><p>profissional para com o grupo. De acordo com Yalom (2006), existem três tarefas fundamentais que deve</p><p>exercer o coordenador de grupos: 1) criação e manutenção do grupo; 2) construção de uma cultura de</p><p>grupo; e 3) ativação e esclarecimento dos processos grupais.</p><p>Ao criar um grupo terapêutico ou operativo, o profissional deve considerar alguns aspectos importantes:</p><p> Planejar se será um grupo misto ou apenas para mulheres ou homens;</p><p> Qual faixa etária participará;</p><p> Se será um grupo que admite novos membros ao longo do processo ou se será fechado;</p><p> Qual o melhor dia;</p><p> Qual o melhor horário;</p><p> Quanto tempo cada encontro durará (o ideal é entre 90 a 120 minutos);</p><p> Se haverá um número prévio de encontros ou se será aberto, de acordo com o processo; e</p><p> Qual será a temática principal abordada, como grupo de pacientes renais crônicos, grupo de</p><p>luto, fobias, etc.</p><p>Essas definições são realizadas pelo condutor do grupo, que deve se certificar que todas estas</p><p>informações estejam claras para os participantes logo no primeiro dia. O primeiro encontro costuma ser</p><p>fundamental e a postura do profissional poderá ser decisiva para aqueles que permanecerão ou deixarão</p><p>o grupo. Deve-se esclarecer aspectos como concepções errôneas, medos e expectativas com relação ao</p><p>grupo, bem como produzir expectativas realistas e produtivas sobre o processo terapêutico.</p><p>Ao iniciar o grupo, o terapeuta deve realizar o contrato grupal, o qual consiste em um conjunto de normas</p><p>e responsabilidades recíprocas que irão reger o trabalho e estabelecer um vínculo formal entre o</p><p>prestador de serviço (terapeuta/coordenador do grupo) e quem recebe o serviço (pacientes/clientes).</p><p>Pontos importantes a serem tratados no contrato grupal são aqueles a respeito da escuta, visto que este</p><p>deve ser um local para desenvolver o acolhimento através da fala do outro, evitando interrupções; um</p><p>membro só falará quando o outro tiver terminado. Além disso, um ponto fundamental é o sigilo; este</p><p>deve ser um espaço seguro para os membros revelarem o que pensam e sentem. Assim, só se pode</p><p>compartilhar suas próprias experiências dentro do grupo.</p><p>Este também deve ser um lugar onde se produz</p><p>sensação de segurança, privacidade, aconchego e</p><p>um lugar de encontro. A decoração deve ser sóbria e</p><p>adequada; todos os objetos ali presentes podem</p><p>acabar se tornando objetos transferenciais. Por isso,</p><p>o ambiente não deve conter nada chocante ou</p><p>produtor de atritos de diferentes pontos de vista</p><p>culturais, morais e de religião. O local deve</p><p>comportar adequadamente o número de</p><p>participantes e deve possuir cadeiras ou assentos</p><p>suficientes para que possam escolher onde desejam sentar.</p><p>Ainda de acordo com o planejamento para o início do grupo, o profissional deve considerar se será</p><p>necessário o auxílio de um coterapeuta. Usualmente, grupo de até oito ou dez pessoas não precisam de</p><p>um coterapeuta, mas, para os de maior número de participantes, é interessante que se tenha esse tipo</p><p>de auxílio. É preciso considerar que este será mais um membro que integrará o processo grupal, mas que</p><p>terá sua técnica como aliada para cumprir seu papel.</p><p>O profissional que realiza a condução grupal é considerado o líder, que moldará as normas e a cultura do</p><p>grupo, e mediará o processo terapêutico. Por conta de seu olhar</p><p>sensível para os fenômenos que</p><p>emergirão no campo grupal, assim como sua técnica e conhecimento teórico, seu papel será de</p><p>mediador entre as relações e processos, devendo manter uma postura ética e acolhedora.</p><p>VAMOS REFORÇAR O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA?</p><p>A respeito dos aspectos iniciais a serem considerados pelo coordenador/grupoterapeuta ao criar um</p><p>grupo, podemos afirmar que cabe a ele:</p><p>(X) Decidir o melhor dia, melhor horário e a duração dos encontros.</p><p>(X) Decidir qual será a temática central do grupo.</p><p>( ) Estabelecer o principal fenômeno grupal que emergirá.</p><p>Muito bem, a resposta está correta!</p><p>De acordo com o trabalhado, o profissional de grupos deve optar pelo melhor dia, horário, duração do</p><p>grupo e principal temática a ser trabalhada. No entanto, o profissional não tem como prever qual será o</p><p>principal fenômeno que emergirá no grupo.</p><p>Abordagens e perspectivas do</p><p>desenvolvimento grupal</p><p>Devido à complexidade dos processos grupais, muitas teorias e autores propuseram sua perspectiva</p><p>sobre estes fenômenos. Trabalharemos aqui dois importantes autores: Kurt Lewin e Schutz. Também</p><p>apresentaremos a modalidade grupal dos grupos vivenciais.</p><p>A importância de conhecer diferentes perspectivas acerca de um mesmo fenômeno na psicologia se dá</p><p>porque cada uma delas será mais adequada para cada pessoa. Ou seja, a partir de sua visão de mundo,</p><p>dos seus próprios valores e crenças, cada pessoa encontrará uma teoria condizente, que subsidiará sua</p><p>prática profissional com grupos.</p><p>A TEORIA DE CAMPO DE KURT LEWIN</p><p>Kurt Lewin (1890-1947) foi uma referência nos estudos de pequenos grupos. Apesar de não ser</p><p>psicoterapeuta, foi um importante psicólogo social estadunidense que buscou estudar as relações entre</p><p>a vida grupal e a liderança, fundando em 1945 o Centro de Pesquisa para Dinâmicas de Grupo, pioneiro</p><p>nesta área, com o foco em “dinâmicas de grupo”, termo usado pela primeira vez em 1944. Foi a partir de</p><p>estudos como os dele que o grupo passou a ser visto como mais do que a mera soma de suas partes. Em</p><p>suas pesquisas, Lewin compreendeu que o grupo é uma entidade em seu próprio direito, com</p><p>qualidades particulares e únicas.</p><p>Para o psicólogo, os atos dos indivíduos não podem ser explicados sobre a base de uma psicodinâmica</p><p>exclusivamente individualista, mas devem ser observados a partir da base da natureza das forças</p><p>sociais: o campo ao qual o sujeito está exposto. Lewin compreendeu a relação dialética existente entre</p><p>os membros do grupo e a totalidade grupal, conforme representado no Diagrama 2.</p><p>Diagrama 2. Relação dialética entre indivíduo e totalidade grupal.</p><p>A pressão grupal influenciava os membros de um grupo a ponto de alterar seu comportamento, ao</p><p>mesmo tempo que eles também influenciavam o todo grupal, formando uma totalidade, ou “Gestalt”,</p><p>composta de elementos heterogêneos, mas funcionando como uma unidade. Esta ideia está</p><p>representada no seguinte trecho:</p><p>[...] a essência de um grupo não reside na similitude ou dissimilitude de seus membros, senão em sua</p><p>interdependência. Um grupo pode ser caracterizado como um ‘todo dinâmico’: isto significa que uma</p><p>mudança no estado de uma das partes modifica o estado de qualquer outra parte. O grau de</p><p>interdependência das partes ou membros do grupo varia, em todos os casos, entre uma massa sem</p><p>coesão alguma e uma unidade composta (LEWIN, 1973, p. 54)</p><p>Deste modo, Lewin entende a definição de grupos a partir da interdependência entre seus membros, em</p><p>que qualquer tipo de alteração individual pode alterar o coletivo. Assim, compreende um grupo como</p><p>uma instância transcendental; um ser próprio com características próprias. Em sua perspectiva, percebe</p><p>que o grupo com grande coesão seria o considerado ideal.</p><p>Conforme Lane e Codo (1989) nos contam, Lewin analisou os termos de espaço topológico e de sistema</p><p>de forças e procurou compreender a dinâmica que ocorre quando pessoas apresentam uma</p><p>interdependência em relação a uma tarefa (sócio-grupo) ou em relação aos membros (psico-grupo), no</p><p>que se refere à atração e afeição, entre outros.</p><p>Em seu centro de pesquisa, criou laboratórios sociais que tinham como finalidade compreender as leis</p><p>grupais que regem os grupos na sociedade e serem capazes de diagnosticar situações grupais. Ao</p><p>estudar a respeito dos estilos de liderança, Lewin e seus colaboradores constataram que, dos três</p><p>estilos de liderança examinados por meio de experimentos, sendo eles o autocrático, democrático e</p><p>laissez-faire, apenas o princípio democrático de liderança promovia a expontaneidade e capacidade de</p><p>colaborar nos sujeitos.</p><p>A partir de todas estas percepções, Lewin criou a teoria que ficou conhecida como Teoria de Campo, a</p><p>qual se baseia em dois pressupostos fundamentais: o comportamento humano seria derivado da</p><p>totalidade de fenômenos coexistentes; e tais fatos possuem características de um campo dinâmico, que</p><p>se interrelaciona, conforme exposto. Deste modo, compreende “campo” como este espaço em que a</p><p>vida ocorre, composto pelo indivíduo e seu ambiente psicológico. Para ele, o comportamento humano é</p><p>resultado do campo, seguindo a seguinte equação:</p><p>C = f (P, M)</p><p>Onde,</p><p>C = o comportamento;</p><p>P = pessoa; e</p><p>M = Meio onde essa pessoa habita.</p><p>Confira mais detalhes no Diagrama 3.</p><p>Diagrama 3. Equação do comportamento.</p><p>Além disso, em seu laboratório, Lewin desenvolvia experimentos sociais com objetivos de estudar a</p><p>motivação, a satisfação, a frustração e os modos de liderança, como mencionado. Suas contribuições</p><p>são muito utilizadas até os dias atuais, tendo sido um pioneiro na área dos estudos grupais. Lewin foi</p><p>base para outros autores e estudiosos no campo da Psicologia Social e Processos Grupais.</p><p>VAMOS REFORÇAR O QUE APRENDEMOS ATÉ AGORA?</p><p>A partir da equação C = f (P,M), do comportamento humano, podemos afirmar que:</p><p>( ) F se refere ao comportamento.</p><p>(X) P se refere às pessoas.</p><p>( ) C se refere ao meio ambiente.</p><p>Correta - Muito bem, a resposta está correta!</p><p>Segundo a equação formulada por Lewin, a variável P se refere às pessoas que, ao se relacionarem com</p><p>o meio, produzem comportamentos específicos.</p><p>SCHUTZ E AS FASES DE</p><p>DESENVOLVIMENTO DO GRUPO</p><p>Assim como Kurt Lewin, Will Schutz (1925-2002) foi um psicólogo estadunidense que procurou</p><p>aprofundar os estudos a respeito dos processos e dinâmicas grupais. Formulou a Teoria das</p><p>Necessidades Interpessoais, na qual discorre sobre as fases do desenvolvimento do grupo. O teórico</p><p>acredita que todos os membros de um grupo possuem necessidades interpessoais próprias que</p><p>precisam ser satisfeitas para que o relacionamento intergrupal passe por uma evolução. A partir disso,</p><p>formula uma sequência de desenvolvimento das necessidades:</p><p>1 Fase da inclusão;</p><p>2 Fase do controle;</p><p>3 Fase do afeto.</p><p>Para Schutz, a ordem não é rígida, embora exista uma tendência natural a ocorrer na ordem apresentada.</p><p>Isso porque, usualmente, as pessoas avaliam se querem ou não entrar em um grupo, para então</p><p>determinar o grau de influência que exercerão neste novo contexto grupal e, por fim, optam pelo nível de</p><p>proximidade que estabelecerão com os membros.</p><p>O autor acredita que existe um paralelo entre as fases de desenvolvimento do grupo e o desenvolvimento</p><p>infantil. Correlaciona, nesse sentido, a inclusão, o controle e o afeto como semelhantes dos estágios</p><p>oral, anal e fálico do desenvolvimento, apontados por Freud. A necessidade de inclusão seria justamente</p><p>a necessidade de vínculo humano, com um objetivo de sobrevivência nos anos iniciais, enquanto a fase</p><p>do controle está relacionada ao poder e responsabilidade, típicos do estágio anal, em que existe uma</p><p>problemática a respeito do controle e poder sobre a higiene pessoal. Por fim, a necessidade de afeto está</p><p>ligada à fase fálica, devido aos vínculos emocionais e às situações edípicas na infância. Estes, portanto,</p><p>seriam níveis de organização que regem a vida humana em seu desenvolvimento</p><p>individual e social.</p><p>Para compreendermos melhor as fases do desenvolvimento e identificá-los em situações grupais do</p><p>nosso cotidiano, ou mesmo em intervenções terapêuticas, detalharemos cada uma das fases.</p><p>A fase da inclusão jogará com a relação entre inclusão</p><p>e exclusão e refere-se à necessidade que temos de nos</p><p>sentirmos valorizados, acolhidos e aceitos pelo grupo.</p><p>Ou seja, manifestam o desejo que temos por atenção,</p><p>de ser distintos dos demais e reconhecidos pelos</p><p>membros do grupo. Em outras palavras, buscamos</p><p>saber que alguém está de fato interessado em nós e</p><p>percebe nossas características pessoais. Além disso,</p><p>buscamos evidências de que não somos excluídos,</p><p>isolados ou ignorados.</p><p>Essa fase está interligada à maturidade social do indivíduo. Ou seja, é possível verificar suas atitudes a</p><p>partir de comportamentos mais adultos ou mais infantis. Sujeitos com menor maturidade social poderão</p><p>apresentar atitudes de dependência ou poderão forçar a inclusão. Durante o desenvolvimento humano é</p><p>natural que a inserção em grupos ocorra de forma menos madura. No entanto, é importante avaliar as</p><p>possíveis causas para esse fenômeno na vida adulta, podendo haver intervenção do terapeuta grupal.</p><p>A grande questão da fase da inclusão é a decisão; optar por ficar dentro ou fora do grupo. As interações</p><p>se concentram nos encontros e a ansiedade produzida nesta fase diz respeito à sensação de ser</p><p>insignificante para os demais. Se a autoestima do indivíduo é baixa, o comportamento de inclusão</p><p>também será alterado, sendo marcado por forte ansiedade. Isso pode se manifestar através de um</p><p>comportamento ultrassocial, no qual o sujeito se esforça ao máximo para que as pessoas prestem</p><p>atenção nele e o aceitem, ou subsocial, no qual se afasta dos demais. Se o tema inclusão for bem</p><p>resolvido internamente pelo indivíduo, a interação passará a não ter dificuldades e ele poderá se sentir</p><p>bem na presença dos demais ou, até mesmo, sozinho.</p><p>Quadro 5. Características de sujeitos ultrassociais e subsociais. Fonte: SCHUTZ, 1989. (Adaptado).</p><p>Já a fase do controle está relacionada com o sentimento de poder e autoridade, ao mesmo tempo em</p><p>que define as responsabilidades pessoais no grupo por cada membro. Neste momento, surgem</p><p>questionamentos de quem está controlando o grupo, delimitando as estruturas grupais e papéis de</p><p>autoridade. Este ponto é importante para grupos de nível terapêutico, pois demonstra o nível de</p><p>segurança sentido pelos membros de acordo com as ações de controle exercidas pelo grupoterapeuta;</p><p>afinal, o desejo de controle e de ser controlado varia. Ocorrerá a atribuição de papéis e distribuição do</p><p>poder, influência e autoridade.</p><p>Nesta fase, o grau de socialização também indicará os comportamentos, sendo que os menos</p><p>socializados tendem a ser dependentes e a se livrarem das responsabilidades, sendo abdicratas, ou</p><p>tentam dominar a todos, em uma atitude autocrata. Aqueles que se sentem capazes são os que</p><p>exercerão controle sobre os demais, isto é, sobre aqueles que se sentem incapazes e ansiosos nas</p><p>relações interpessoais. A interação pode ser marcada por confronto e competitividade. O sujeito que</p><p>está bem resolvido com a temática do controle assume comportamento democrata, isto é, sente-se</p><p>confortável, estando no poder ou não, seguindo ordens ou não.</p><p>Quadro 6. Características do comportamento abdicrata e autocrata. Fonte: SCHUTZ, 1989. (Adaptado).</p><p>Por fim, a fase do afeto está ligada aos vínculos emocionais e às proximidades interpessoais. Os</p><p>indivíduos buscam evidências de que são totalmente valorizados e querem ser vistos como membros</p><p>insubstituíveis, respeitados por suas competências e aceitos pelo o que são. É fundamental que os</p><p>sujeitos expressem seus sentimentos para a sobrevivência do grupo, pois, sem isso, as rivalidades</p><p>crescem, os desejos individuais não são satisfeitos e os membros tendem a abandonar o grupo.</p><p>Se não me sinto capaz de ser amado, meu comportamento afetivo será ansioso e tenderá a evitar</p><p>vínculos afetivos íntimos; sujeito subpessoal. Outra reação possível é a de procurar me manter</p><p>excessivamente próximo de todos, tornando-me superpessoal, que utiliza de manipulação e</p><p>possessividade para construírem vínculos. Sujeitos dependentes tentarão manifestar suas necessidades</p><p>de afeto por meio de relações privilegiadas e usualmente possesivas. Aqueles que possuem</p><p>comportamento social assertivo, sem apresentar dificuldades na interação íntima, se sentirão bem em</p><p>relações com grande vínculo íntimo ou mesmo com um distanciamento emocional. Para este indivíduo,</p><p>é importante ser amado e querido. Entretanto, aceita não sê-lo.</p><p>Quadro 7. Características de comportamento subpessoal e superpessoal. Fonte: SCHUTZ, 1989,</p><p>(Adaptado).</p><p>Assim, as fases do desenvolvimento grupal aparecem em diversos contextos, seja no ambiente familiar,</p><p>organizacional, de amizades ou terapêutico. É importante reconhecer a fase grupal e os tipos de</p><p>comportamento individual para que se possa formular intervenções especificas com o momento do</p><p>grupo e com as personalidades dos sujeitos que o compõem.</p><p>OFICINAS VIVENCIAIS</p><p>Apresentaremos um modelo de grupos: as oficinas vivenciais. As oficinas podem ser realizadas nos mais</p><p>diferentes contextos de intervenção: escolar, organizacional, esportes, institutos, entre tantos outros.</p><p>Os grupos vivenciais fazem parte dos grupos chamados Operativos. O conceito de grupo Operativo foi</p><p>apresentado por Pichon-Rivière, denominado Esquema Conceitual Referencial Operativo (ECRO), que</p><p>considerou uma série de fatores que regem toda a dinâmica grupal, seja de forma consciente ou</p><p>inconsciente, manifestados através da mente, corpo ou mundo externo. Este tipo de grupo possui uma</p><p>tarefa proposta para ser desenvolvida ao longo dos encontros. Portanto, seu coordenador deve centrar-</p><p>se nesta tarefa e operar no sentido de conduzir o grupo à sua resolução.</p><p>Podemos elencar alguns modelos de grupos Operativos, como:</p><p> Grupo Operativo de ensino-aprendizagem - Nesta modalidade, é fundamental “aprender a</p><p>aprender”; muito mais do que fornecer informações, o objetivo do grupo é proporcionar</p><p>vivências;</p><p> Grupos Institucionais - Aqui podem ser feitas reuniões em escolas, por exemplo, envolvendo</p><p>pais, mestres e alunos para debaterem temas e encontrarem ideologias em comum. Pode</p><p>ocorrer, ainda, em igrejas, sindicatos, exércitos, empresas, entre outros.</p><p> Grupos Comunitários - Este modelo é visualizado principalmente nos campos das políticas</p><p>públicas de saúde e assistência social, onde podem ser utilizados visando os cuidados em</p><p>saúde, sejam: primários (de prevenção), secundários (de tratamento); ou terciários (reabilitação).</p><p>As oficinas vivenciais podem ocorrer a partir dos três modelos de grupos Operativos. O importante é que</p><p>o coordenador planeje as oficinas levando em consideração o local que será aplicado, bem como os</p><p>participantes, a modalidade de grupo, e, especialmente, qual será a tarefa a ser trabalhada. Este modelo</p><p>pode ser realizado de modo pontual, por meio de um encontro, apenas, ou, mesmo, em uma série de</p><p>oficinas que visem trabalhar perspectivas do mesmo tema. Essas podem ser realizadas de diferentes</p><p>formas: através de dinâmicas, reflexões, perguntas norteadoras do encontro, meditações guiadas, entre</p><p>outros.</p><p>Esta é uma modalidade flexível que pode ser modelada pelo coordenador de grupo, sendo facilmente</p><p>realizada em diferentes campos de atuação. No entanto, ainda que apresente facilidades relacionadas</p><p>ao seu planejamento, execução e condução, o coordenador deve ter amplo conhecimento acerca da</p><p>realidade e processos do grupo, pois fenômenos grupais emergirão e é fundamental que se saiba como</p><p>conduzi-los, tendo em vista a resolução da tarefa grupal.</p><p>Agora é a hora de sintetizar tudo o que aprendemos nessa unidade. Vamos lá?!</p><p>SINTETIZANDO...</p><p>Os grupos fazem parte do cotidiano da vida social desde o nascimento e vão se complicando à medida</p><p>que crescemos. A partir da Psicologia das Massas, estudo das multidões, e sua influência no</p><p>comportamento individual, começam as preocupações acerca do estudo dos fenômenos e dos</p><p>comportamentos grupais. Tivemos alguns teóricos pioneiros nesta temática, que buscaram a</p><p>compreensão através de estudos experimentais e práticos; inicialmente por meio da Psicologia Social,</p><p>com o objetivo de articular a vida social e individual. Cada vez mais a modalidade grupal assume</p><p>destaque no âmbito terapêutico, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando a demanda</p><p>psicológica aumentou e os grupos surgiram como alternativa.</p><p>Foi possível observar, ainda, principais definições de grupos, distinguindo-os de agrupamentos. Também</p><p>vimos os fenômenos que neles emergem, tais como processos de ansiedade, coesão, comunicação,</p><p>mecanismos de defesa, identificações, normas sociais, etc. Esses fenômenos também apontam os</p><p>principais papéis sociais identificados em grupos, bem como a importância e os tipos de liderança.</p><p>Observou-se, também, as principais competências que um profissional de grupos deve adquirir ao longo</p><p>da sua formação e continuar desenvolvendo ao longo de sua jornada, visto que o aprendizado nunca</p><p>acaba, mas se transforma constantemente. Foram pontuadas, ainda, as principais responsabilidades</p><p>assumidas por este profissional; momentos que deve observar e intervir, com destaque para a ética que</p><p>deve apresentar.</p><p>Ademais, observamos duas teorias específicas acerca da formação grupal e seu desenvolvimento: a de</p><p>Lewin e de Schutz, importantes e trabalhadas até hoje, dada a sua relevância na conceituação,</p><p>observação e intervenção grupal.</p><p>Finalmente, apresentamos uma modalidade grupal flexível que pode ser aplicada em múltiplos</p><p>contextos e áreas de atuação, destacando sua importância para intervenções em grupo.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BAREMBLITT, G. Grupos: teoria e técnica. 2. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1986.</p><p>BECHELLI, L.; SANTOS, M. Psicoterapia de grupo: como surgiu e evoluiu. Revista latino-americana de</p><p>enfermagem. São Paulo. V. 12. N. 2. p. 242-249, 2004. Disponível em: . Acesso em: 27/06/2021</p><p>CARLOS, S. O processo grupal. In: STREY, M. et al. Psicologia social contemporânea. [s.l.], 1998. p. 199-</p><p>206.</p><p>LANE, S; CODO, W. Psicologia social: o homem em movimento. 8. ed. São Paulo: Editora Brasiliense,</p><p>1989.</p><p>LE BON, G. La psychologie des foules. Paris: PUF, 1963.</p><p>LEWIN, K. Problemas de dinâmica de grupo. 2. ed. São Pualo: Cultrix, 1973.</p><p>O SENHOR das moscas. Direção de Harry Hook. Califórnia: Columbia Pictures, 1990. (90 min.), son,</p><p>color.</p><p>PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.</p><p>SCHUTZ, W. Profunda simplicidade: uma nova consciência do eu interior. ed. 4. São Paulo: Ágora, 1989.</p><p>YALOM, I. Psicoterapia de grupo: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p><p>ZIMERMAN, D. Fundamentos básicos das grupoterapias. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1993.</p><p>ZINKER, J. O processo criativo em gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007.</p>